Christy Un e Gladys Ng, Genervision House: “Só com transparência há responsabilização” Pedro Arede - 7 Jan 202210 Jan 2022 Em menos de um ano, a Genervision House, ONG dedicada à promoção dos 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável definidos pela ONU, acolheu uma importante base de apoio em Macau. Ao HM, a fundadora do projecto Christy Un e a responsável de projectos comunitários, Gladys Ng sublinham a importância de apresentar acções concretas rumo ao desenvolvimento sustentável de Macau em diversas áreas. Na base deve estar a transparência e a capacidade de adaptação à realidade local Como nasceu a Genervision House e quais os principais objectivos do projecto? Christy Un: Penso que a Genervision House é, de certa forma, resultado da pandemia, porque foi uma ideia que começou quando eu e a Arianna [outra das fundadoras] estávamos confinadas em diferentes países e conversámos muito por zoom, sobre a enorme quantidade de incertezas que há no mundo. Nessa altura, vimos também que em Macau há uma necessidade de diversificar a economia e introduzir mudanças rumo ao desenvolvimento mais sustentável. Por isso, decidimos criar a Genervision House e, quando voltei a Macau, começámos esta plataforma. Pouco tempo depois, organizamos um primeiro evento sobre a promoção dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pela ONU em Macau. Daí começámos a promover mais actividades e a contar com a participação de mais pessoas, membros e voluntários. Desde que foi fundada no início de 2021, como tem sido a aceitação da Genervision House? Christy Un: Ao longo deste ano, tem havido cada vez mais vozes, quer provenientes da comunidade local, quer de outras organizações ou até do meio empresarial preocupados com matérias relacionadas com o desenvolvimento sustentável. Além disso, temos uma base de apoio que tem crescido e transmitido o seu apreço pela sinceridade e empenho que temos colocado nesta tentativa de fazer a diferença. Esse apoio tem sido demonstrado pelo número de pessoas que participam nos nossos eventos e que colaboram connosco. Gladys Ng: Juntei-me à equipa depois de participar numa actividade da Genervision, pois identifico-me totalmente com o que está a ser feito. Na altura, fiquei entusiasmada por ver tantas pessoas a falar apaixonadamente sobre tópicos relacionados com o desenvolvimento sustentável, pois era algo que pensava ser muito raro em Macau. Acho que a Genervision House é também uma comunidade para os residentes de Macau que se preocupam com estes tópicos. Quando voltei a Macau [depois de estudar nos EUA], fiquei algo confusa e perdida, porque senti que, em Macau, ninguém se preocupava com a questão da sustentabilidade. Confesso que me senti muito sozinha, mas depois de me juntar à equipa da Genervision e conhecer mais pessoas, comecei a sentir que havia, de facto, pessoas que se preocupavam com estes assuntos aqui. É importante sentir que não estamos sozinhos e que é possível continuar a ter esperança. Qual a importância de promover em Macau os ODS e quais são as principais preocupações dos residentes? Christy Un: Os ODS são referenciais internacionais que o mundo está a tentar alcançar. Falando a nível local, ainda existe um grande desconhecimento sobre o que são os 17 ODS definidos pela ONU. Por exemplo, estes objectivos nem são sequer mencionados [pelas autoridades], usando-se, muitas vezes e apenas, chavões relacionados com o desenvolvimento sustentável, que está cada vez mais proeminente a cada dia que passa. Mas, concretamente, como podemos alcançar este desenvolvimento sustentável e estarmos alinhados com as melhores práticas internacionais? A nossa ambição e vontade é trazer estas questões para a comunidade local. Além disso, porque estes objectivos devem ser atingidos em 2030 e nós já estamos praticamente em 2022, há uma grande urgência no trabalho que estamos a fazer, para não falar nas questões que a pandemia levantou, e que mostrou como era importante introduzir mudanças. Que objectivos a Genervision está focada em desenvolver em Macau? Christy Un: A nossa organização foca-se em cinco dos 17 ODS, embora isso não queira dizer que não nos foquemos em todos, pois, no fundo, estão interligados. Estamos focados na promoção da igualdade de género, na educação de qualidade, na redução de desigualdades, na acção contra a mudança global do clima e nas parcerias e meios de implementação. A nível local, estes são os principais problemas a nível de sustentabilidade. Por exemplo, em termos de acção climática, em Macau há muito desperdício de resíduos sólidos e alimentares e, actualmente, as únicas medidas ambientais estabelecidas estão relacionadas com aquilo que é observável. Gladys Ng: Sim, não há preocupação de reduzir o desperdício na fonte, por exemplo. Além do desperdício alimentar, é preciso dizer que, em Macau, há muitos tufões e que eles se estão a tornar mais frequentes. Se olharmos para os dados desde que há registos, houve 8 super tufões que obrigaram a içar o nível 10, sendo que destes, três ou quatro aconteceram nos últimos cinco anos. É algo sobre o qual temos de agir, mas parece que tanto o Governo, como as organizações locais estão a tomar medidas desajustadas à realidade e sem base na ciência climática. Sentem que, muitas vezes, o termo “sustentabilidade” é usados sem base científica e de forma inconsequente? Gladys Ng: Sim, por exemplo, Grupo de Trabalho Interdepartamental Contra as Alterações Climáticas que foi criado pelo Governo em 2015, nunca publicou qualquer documento ou relatório e apenas reuniu uma vez. Por isso, parece não haver um plano de acção climático claro ou um projecto. Temos o objectivo de atingir a neutralidade de carbono até 2060, seguindo o plano nacional da China, mas não temos metas a curto ou médio prazo ou sequer um plano com acções concretas sobre a forma de atingir esse objectivo. Apenas sabemos que vamos lá chegar, mas não sabemos como. Sentem que os residentes de Macau estão preocupados com estas questões e que esses receios não são devidamente acompanhados? Christy Un: Não estamos só a falar do lado ambiental, porque os ODS envolvem também aspectos económicos, sociais e ambientais. Por exemplo, sobre o tópico “redução de desigualdades” não existe em Macau uma definição de limiar de pobreza, ao contrário do que acontece em Hong Kong. Tudo isto torna mais difícil contabilizar quantas pessoas estão abaixo do limiar da pobreza no território. Os próprios subsídios atribuídos pelo Governo escondem uma sociedade bastante desigual. Em que campos Macau está melhor e onde consideram que estagnou? Gladys Ng: Um dos tópicos em que Macau tem evoluído é na igualdade de género e ao nível da educação e taxa de escolaridade. Tem havido também uma redução ao nível da diferença de vencimentos entre homens e mulheres. Christy Un: Sim, tem havido uma melhoria nestes aspectos, mas outros temas não têm progredindo muito, como a violência verbal, que muitas vezes não é tida em conta pela comunidade local. Além disso, sentimos que é difícil para as mulheres denunciarem estes casos e outros de assédio sexual ou violência doméstica, por exemplo. Gladys Ng: Sobre a violência doméstica, importa dizer que muitos dos agentes das autoridades chamados para acudir estes casos, não têm capacidade para avaliar se se trata de uma situação severa. Outro tópico que importa melhorar é ao nível da participação política, já que é possível ver que a proporção de mulheres em cargos políticos é muito menor que a dos homens. Isto, quando mais de metade da população são mulheres. É algo em que é preciso trabalhar. Ao nível das alterações climáticas e da reciclagem, o que pode ser feito em Macau? Christy Un: Apesar de a situação estar a melhorar e de haver mais pontos de reciclagem em Macau, acho que falta coordenação entre os diferentes sectores e aquilo que as pessoas estão realmente a fazer no seu dia-a-dia. Por exemplo, encomenda-se muita comida e isso aumenta de forma tremenda o uso de plástico. Outro aspecto é que, apesar de o desenvolvimento sustentável ser um chavão aplicado em muitos projectos políticos, o Plano Director não contém menções ambientais, por exemplo. As alterações climáticas não são mencionadas e é importante que esses termos constem das políticas e que se diga à população que é urgente actuar. Gladys Ng: Outra questão está relacionada com a transparência do Governo ao nível dos projectos em desenvolvimento. Por exemplo, ao nível da reciclagem, a maioria das pessoas assumem à partida que os resíduos não vão ser separados e reciclados, mas sim enviados em conjunto para serem incinerados. Essa é a ideia geral que as pessoas têm e isso é um problema de transparência. Por isso, precisamos definitivamente de mais abertura do Governo acerca do que está a ser feito e ao nível dos resultados alcançados. Christy Un: Só com transparência há responsabilização. Isto é verdade para todos os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, porque, apesar de existirem dados e referências para monitorizar o progresso, há também uma necessidade de estabelecermos os nossos próprios objectivos e referências. Que tipo de actividades são promovidas pela Genervision House? Christy Un: Temos vários tipos de actividades. Umas mais experimentais e outras, como workshops, não só para a comunidade local, mas também para o sector privado. Nestes eventos, introduzimos estes conceitos dos ODS, como podem ser aplicados e qual a situação em Macau acerca destes tópicos. Temos também abordagens temáticas, sobre turismo sustentável, por exemplo. Temos recebido bom feedback porque as pessoas sentem que estamos lá de coração para transmitir a mensagem. Além disso, nos workshops que fizemos com a Wynn Macau e a Sands China, os funcionários foram muito participativos. Estamos muito gratos porque este projecto começou há menos de um ano e sentimos que chegámos no momento certo porque a comunidade tem essa necessidade. Dado o contexto peculiar que estamos a viver, não só pela pandemia, mas também a nível político, consideram que transmitir este tipo de conhecimento e alcançar objectivos globais é hoje uma tarefa mais complexa? Christy Un: Definitivamente. Nos dias que correm, há muita tensão gerada por dicotomias ideológicas e sabemos que, para aprender com os outros e para partilhar o que estamos a fazer dentro de portas, temos de desenvolver o intercâmbio cultural e entendimento mais profícuo. Por isso, há de facto um lado perverso gerado pela tensão geopolítica. Mas sentimos que temos um papel a desempenhar na promoção do entendimento porque, no final, a concretização dos 17 ODS é aquilo que mais importa e precisamos de colaborar, para que isso possa acontecer. Considero também que, apesar destes objectivos poderem envolver aspectos políticos, é possível promover acções baseadas em conhecimento científico e ser-se objectivo sobre o que é preciso fazer. Isto, para que possamos seguir em frente sem interferência das questões políticas. Além disso, porque todos estes objectivos são provenientes da ONU e a maioria dos países, especialmente a China e os EUA, quer fazer parte de uma solução multilateral, acho que que esta é também uma forma de dizer que temos mesmo de arregaçar as mangas e fazer o que é preciso em conjunto.
Covid-19 | Hospital na cidade chinesa de Xian punido por proibir entrada de grávida Hoje Macau - 7 Jan 2022 Funcionários de um hospital na cidade chinesa de Xian foram punidos, depois de ter sido negada entrada a uma mulher grávida, por não ter resultado negativo para a covid-19, resultando na morte do bebé. As autoridades locais anunciaram esta quinta-feira que o diretor-geral do Hospital Gaoxin, Fan Yuhui, foi suspenso e os chefes dos departamentos ambulatorial e médico demitidos. Um comunicado do governo local disse que o incidente “causou preocupação generalizada na sociedade e causou grave impacto social”. A mulher esperou do lado de fora do hospital, sentada num banquinho de plástico, no dia 1 de janeiro, até ter começado a sangrar. Num vídeo registado pelo seu marido, e que foi amplamente divulgado nas redes sociais chinesas, uma poça de sangue é visível a seus pés. Xian, cidade com 13 milhões de habitantes, está sob um bloqueio restrito há mais de duas semanas, gerando críticas dispersas sobre a escassez de alimentos e o comportamento violento das autoridades, que estão sob intensa pressão para reduzir o número de casos de covid-19. As autoridades disseram que uma investigação foi realizada após a ocorrência do incidente, mas não deram mais detalhes. O hospital foi obrigado a emitir um pedido público de desculpas, fornecer compensação, e prometeu “otimizar o processo de tratamento médico”. Não é claro quantos funcionários do hospital foram punidos no total. Xian puniu já vários funcionários locais, incluindo quadros do Partido Comunista, por negligência na gestão do surto. O governo local disse hoje que duas outras autoridades do Centro de Emergências de Xian e da Comissão Municipal de Saúde de Xian receberam advertências formais do Partido Comunista. Xian registou 63 casos de covid-19, nas últimas 24 horas, elevando o total para mais de 1.800, sem mortes relatadas. A cidade é o destino da única ligação aérea direta entre a China e Portugal. O voo, com uma frequência por semana e operado pela companhia aérea Beijing Capital Airlines, só será retomado no início de fevereiro, disse à agência Lusa fonte da companhia aérea. As autoridades disseram que Xian conseguiu já interromper a transmissão para a comunidade, porque novos casos ocorreram entre pessoas já colocadas em quarentena. O surto ocorre nas vésperas de Pequim sediar os Jogos Olímpicos de Inverno. A China segue uma estratégia de “zero casos” com restrições de fronteira muito severas e bloqueios direcionados assim que surgem os casos, mas esta abordagem não evitou surtos locais. As autoridades também estão a implementar medidas cada vez mais rigorosas após um surto na província de Henan, onde 64 casos adicionais foram detetados nas últimas 24 horas. Em Yuzhou, uma das cidades da província, apenas veículos de emergência são permitidos nas estradas, as aulas foram suspensas e as empresas que atendem ao público foram fechadas para tudo, exceto necessidades essenciais. Várias outras cidades da província ordenaram testes em massa e fecharam locais públicos, apesar de apenas um pequeno número de casos ter sido detetado. Na província vizinha de Shanxi, a cidade de Yongji foi confinada, depois de vestígios do coronavírus terem sido detetados numa saída da estação ferroviária local.
Escola chinesa explora contos de Sophia de Mello Breyner Andresen Hoje Macau - 7 Jan 2022 Uma escola de Xangai acolheu uma sessão dedicada aos contos infantis de escritora portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen, alguns dos quais foram recentemente publicados numa edição inédita em chinês. Xu Yixing, a diretora do Departamento de Língua e Cultura Portuguesas da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai (SISU, na sigla em inglês), apresentou os contos aos alunos da Escola Primária de Dong’er, segundo informação divulgada pelo Consulado-Geral de Portugal em Xangai. A académica partilhou histórias e ilustrações animadas dos livros “O rapaz de bronze”, “A árvore”, “A fada Oriana” e “A menina do mar”, cujas edições em chinês foram depois oferecidas à escola. Uma equipa liderada por Xu Yixing traduziu os contos infantis de Sophia de Mello Breyner Andresen para a língua chinesa, numa edição inédita, publicada no ano passado pela Shanghai Foreign Language Education Press, a editora da SISU. Sophia de Mello Breyner Andresen, uma das mais distintas vozes literárias do século XX português, nasceu no Porto, em 1919, e morreu em Lisboa, a 02 de julho de 2004. Para a infância, publicou ainda “A noite de Natal” (1959), “O cavaleiro da Dinamarca” (1964), “A floresta” (1968), “A cebola da velha avarenta” (1986) e, a título póstumo, “Os ciganos”, obra completada pelo neto, Pedro Sousa Tavares. A SISU foi a segunda universidade da China continental a oferecer licenciaturas em português.
FRC | Concerto de música clássica e Bel Canto acontece este sábado Hoje Macau - 6 Jan 2022 É já este sábado que acontece, na Fundação Rui Cunha (FRC), um concerto de música clássica e canto integrado na série “Os Sons da Praia Grande”, sendo esta a primeira sessão da iniciativa “Sábados de Bel Canto”. Este espectáculo acontece às 17h e é co-organizado pela Associação Vocal de Macau [Macau Vocal Association – MVA], contando com a participação do barítono Lam Chi Wai e da jovem Priscilla Hao. O programa de sábado inclui peças de compositores como Robert Schumann, Franz Schubert, Francesco Paolo Tosti, Ernesto de Curtis, Gaetano Donizetti, Ruggero Leoncavallo e Giuseppe Verdi, que serão interpretadas pelo barítono Lam Chi Wai, acompanhado ao piano por Coris Cheong. No final da apresentação, Priscilla Hao cantará dois temas, da autoria de Andrew Lloyd Webber e de Giuseppe Giordani. Lam Chi Wai é membro da MVA, com um currículo no panorama da música lírica local. Obteve o segundo lugar para solo vocal no 20º Concurso de Música Juvenil de Macau; e no 22º Concurso de Música Juvenil de Macau foi segundo lugar no Western Song Group, onde também ganhou um prémio honorário, e primeiro lugar no Chinese Song Group, acumulando ainda o Prémio de Mérito. Priscilla Hao tem oito anos e é aluna na Escola Secundária Anglicana da Taipa. Estuda piano desde os quatro anos e meio e participa com frequência em competições ou apresentações de piano, estando habituada aos palcos e a actuar em público. Os “Sábados de Bel Canto” realizam-se na FRC desde 2014. O objectivo desta iniciativa cultural é o de “estabelecer uma plataforma para promover o encontro e a prática vocal dos amantes da música lírica, alunos e membros da Associação Vocal de Macau, através destes pequenos concertos mensais nas tardes de sábado. E, ainda, dar oportunidade aos mais jovens de adquirirem experiência de performances musicais ao vivo.
Filipinas proíbem casamento infantil Hoje Macau - 6 Jan 2022 O casamento infantil passou a ser proibido nas Filipinas ao abrigo de uma lei que entrou hoje em vigor, num país onde uma em cada seis raparigas se casa antes dos 18 anos de idade. “O Estado (…) considera o casamento infantil como uma prática abusiva de menores porque rebaixa, degrada e desvaloriza o valor intrínseco e a dignidade da criança”, lê-se na lei, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP). A partir de agora, qualquer pessoa que se case ou coabite com uma pessoa com menos de 18 anos, ou organize ou celebre tais uniões, é passível de 12 anos de prisão. Segundo o Governo filipino, a lei está em conformidade com as convenções internacionais sobre os direitos das mulheres e das crianças. No entanto, algumas disposições da lei permanecerão suspensas durante um ano para as comunidades muçulmanas e indígenas, nas quais o noivado e o casamento infantil são relativamente comuns. O período de transição destina-se a dar tempo ao Governo para convencer os praticantes a abandonarem a prática. A organização Plan International, com sede no Reino Unido, que fez campanha a favor da lei nas Filipinas, disse recentemente que o país ocupa o 12.º lugar no número de casamentos infantis a nível global. Segundo um relatório de 2021 do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), mais de 500 milhões de raparigas e mulheres casadas na altura tinham contraído matrimónio como crianças, com as taxas mais altas a serem observadas na África Subsariana e no sul da Ásia. Dados recentes, indicam que o casamento infantil está em termos gerais em declínio em todo o mundo, segundo a AFP.
Canídromo | Divulgados detalhes do projecto do parque desportivo Andreia Sofia Silva - 6 Jan 2022 O futuro parque desportivo que irá nascer no terreno do antigo Canídromo, na zona norte, terá um campo de futebol, uma pista de atletismo e um centro desportivo com “vários pisos”, adianta o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) em resposta a uma interpelação escrita do deputado Lam Lon Wai. Neste edifício será ainda construída uma piscina coberta de 50 metros com água aquecida, um campo para a prática de modalidades como futsal, basquetebol, badminton e ténis de mesa, além de ser criada uma sala polivalente. Na mesma resposta, assinada por O Lam, presidente substituta do conselho de administração do IAM, é referido que no parque desportivo serão também erguidos campos de basquetebol e futebol em miniatura ao ar livre. Nesta fase “o IAM está a acompanhar os trabalhos de planeamento da construção da zona de lazer e da optimização da passagem superior para peões”, lê-se ainda. Lam Lon Wai colocou ainda questões sobre o desenvolvimento de infra-estruturas de lazer junto ao posto fronteiriço de Qingmao. O Lam frisou que nesse momento o IAM está a “coordenar [o projecto] com os departamentos relacionados, prevendo-se que no próximo ano o projecto da parte da praça fique concluído e que seja dado início ao concurso da obra”. Esta obra deverá arrancar este ano, prevendo-se uma melhoria do ambiente pedonal e um aumento das instalações de lazer. Todo o projecto deverá ser finalizado em 2024. Sobre a optimização do parque municipal Dr. Sun Yat-sen, o IAM avançou que o concurso público para a obra deverá ser lançado no primeiro trimestre do próximo ano, devendo esta estar concluída no quarto trimestre de 2023. Neste momento, “o IAM concluiu os procedimentos do concurso da obra de alargamento de passeio e recuo do muro da vedação do parque”.
Coreia do Norte reconhece lançamento de míssil com “ogiva hipersónica” Hoje Macau - 6 Jan 2022 A Coreia do Norte fez um tiro de ensaio de um míssil hipersónico, afirmou hoje a agência oficial norte-coreana KCNA, o primeiro teste do tipo por parte de Pyongyang realizado este ano. O míssil lançado na quarta-feira transportava uma “ogiva hipersónica” que “atingiu com precisão um alvo a 700 quilómetros de distância”, de acordo com a agência oficial norte-coreana. Trata-se da segunda vez que a Coreia do Norte realiza um lançamento de um míssil hipersónico, uma arma sofisticada que atesta os avanços da indústria de defesa de Pyongyang. De acordo com militares sul-coreanos, Pyongyang disparou o que “se presume ser um míssil balístico” no Mar do Japão, a leste da península coreana, incidente que os serviços de informações sul-coreanos e norte-americanos estão a “analisar cuidadosamente”. O Governo japonês condenou hoje o lançamento de um míssil no Mar do Japão (conhecido como Mar Oriental nas duas Coreias) por parte da Coreia do Norte e disse que iria reforçar ainda mais os seus sistemas de monitorização. “É extremamente lamentável que a Coreia do Norte tenha continuado a lançar mísseis desde o ano passado. O Governo irá reforçar ainda mais a vigilância”, disse o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, numa conferência de imprensa. Também os Estados Unidos condenaram hoje o lançamento pela Coreia do Norte de um projétil não identificado no mar, convocando Pyongyang para negociações. “Este disparo viola várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU e representa uma ameaça aos vizinhos da Coreia do Norte e à comunidade internacional”, disse um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano. “Continuamos comprometidos com uma abordagem diplomática em relação à Coreia do Norte e pedimos que ela se comprometa no diálogo”, acrescentou a mesma fonte. O Governo do Presidente Joe Biden tem dito repetidamente que está aberto a negociações com a Coreia do Norte, mas Pyongyang rejeitou até agora as propostas de diálogo, acusando Washington de seguir políticas “hostis”.
Morreu a artista plástica açoriana Maria José Cavaco Hoje Macau - 6 Jan 2022 A artista plástica açoriana Maria José Cavaco morreu hoje, aos 54 anos, deixando um importante legado à pintura nos Açores, com mais de uma dezena de exposições individuais, avançou hoje o Governo Regional. Maria José Cavaco nasceu em Ponta Delgada em 1967, licenciou-se em Pintura pela Universidade de Lisboa em 1990 e concluiu o Doutoramento em Arquitetura dos Territórios Metropolitanos Contemporâneos, no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE), em 2017. Através de uma publicação no Facebook, a Secretaria Regional da Cultura, da Ciência e Transição Digital “lamenta profundamente o prematuro desaparecimento da artista plástica Maria José Cavaco”. O Governo dos Açores destaca que a pintora “realizou mais de uma dezena de exposições individuais e, a partir de 1988, participou em diversas exposições coletivas, realizadas em Portugal, Espanha, Estados Unidos e Macau”. A obra de Maria José Cavaco está presente em várias coleções públicas e privadas, como na Presidência do Governo Regional, no Museu Carlos Machado e no Arquipélago – Centro de Arte Contemporânea dos Açores. Em 2016, a artista recebeu o Prémio de Pintura “António Dacosta”. Em 2019, realizou uma exposição no Convento de São Francisco, no concelho açoriano da Lagoa, e, em 2018, promoveu exposições na Galeria Fonseca Macedo e na Fundação Portuguesa das Comunicações, em Ponta Delgada e Lisboa, respetivamente. De julho a novembro de 2021, o Centro de Arte Contemporânea dos Açores realizou uma exposição dedicada a Maria José Cavaco, intitulada “Lugares de Fratura”.
Energia nuclear – Solução para a neutralidade carbónica? Olavo Rasquinho - 6 Jan 2022 Desde o fim do século passado que os temas mais debatidos a nível mundial são o aquecimento global e as alterações climáticas. Na realidade, apesar de as expressões “aquecimento global” e “alterações climáticas” serem frequentemente usadas indistintamente, o conceito associado à primeira (“aquecimento global”) é menos abrangente do que o segundo. Aquecimento global consiste no aumento, à escala mundial, da temperatura média do globo terrestre e é medido tendo como base a temperatura do ar à superfície, observada em milhares de estações meteorológicas espalhadas pelo planeta, durante períodos mais ou menos longos, de preferência não inferiores a 30 anos. O IPCC, órgão científico das Nações Unidas, atribui às atividades humanas a causa principal do aquecimento global e, consequentemente, das alterações climáticas. Quando se afirma que um dos objetivos do Acordo de Paris é prevenir que o aumento da temperatura tenha como limite 2 °C até ao fim do século, preferencialmente até 1,5 °C, embora se refira à temperatura média do ar à superfície, subentende-se que o conceito “aquecimento global” abrange também as restantes componentes do sistema climático: hidrosfera (constituída por oceanos, mares, rios e lagos), litosfera, criosfera e biosfera. Apesar das numerosas ações que têm sido conduzidas com recurso ao multilateralismo, envolvendo universidades, ONGs, várias agências e programas das Nações Unidas, como a OMM e a UNEP, o problema das alterações climáticas tem vindo a agravar-se dramaticamente. A temperatura das várias componentes do sistema climático tem subido com graves implicações para a sustentabilidade da biodiversidade e da vida humana. Segundo a OMM, com base em dados referentes ao período de janeiro a setembro de 2021, a temperatura média global em 2021 teve um aumento de 1,09 °C, em relação a 1850-1900 e, em algumas regiões, o aumento tem sido muito mais acentuado, como na região ártica, onde, em 20 de junho de 2020, foi registada a temperatura recorde de 38 °C, na cidade russa Verkhoyansk, a 115 km a norte do círculo polar ártico É já lugar-comum afirmar que a causa da degradação do clima consiste no aumento da concentração dos gases de efeito de estufa (GEE) que são injetados na atmosfera, devido à queima de combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral). Após o Protocolo de Quioto (ratificado em 2005) e 26 COPs, entre as quais a COP21 (2015), em que foi alcançado o Acordo de Paris, e a recente COP26, realizada em novembro de 2021, em que foi estabelecido o Pacto do Clima de Glasgow, a realidade é que a concentração de gases de efeito de estufa na atmosfera não cessa de aumentar. Apesar de todas as tentativas para reduzir a concentração dos GEE na atmosfera, nomeadamente o dióxido de carbono, o mais significativo destes gases, a realidade é que, de acordo com o diretor-executivo da International Energy Agency (IEA), é muito provável que a queima de carvão atinja o recorde anual em 2022. A China, um dos maiores consumidores deste combustível (mais de metade do consumo mundial) comprometeu-se a começar a reduzir o seu consumo somente a partir de 2025, o que vai permitir que durante os próximos quatro anos venha a aumentar o seu consumo. Analogamente, a Índia, responsável pela substituição da expressão “eliminação progressiva” (phase out), em relação ao carvão, por outra mais atenuada, “redução gradual” (phase down), no texto do Pacto do Clima de Glasgow, também continuará a aumentar a utilização do carvão nos próximos anos. Perante esta realidade, e apesar de cada vez mais se recorrer às energias renováveis, também referidas como energias verdes, é lícito duvidar se o preconizado no Pacto do Clima de Glasgow está ao alcance da humanidade. Segundo este documento, para que se possa atingir um dos objetivos principais do Acordo de Paris (limitar o aquecimento global a 2 °C até ao fim do século, de preferência até 1,5 °C), terá de se proceder a reduções rápidas, profundas e sustentáveis das emissões de GEE, incluindo a redução das emissões globais de dióxido de carbono de aproximadamente 45% até 2030, relativamente aos níveis de 2010, de forma a se atingir a neutralidade carbónica por volta de 2050. São muitas as vozes segundo as quais tal não será possível sem o recurso à energia nuclear. Perante esta dificuldade, o lóbi nuclear tem intensificado a sua atividade, desenvolvendo argumentos no sentido de que esse objetivo só será possível com recurso à energia nuclear. Acontece, porém, que a energia nuclear, apesar de não implicar a produção de GEE, não se pode considerar energia limpa, na medida em que é utilizada a fissão nuclear, processo em que é gerado lixo radioativo. A fissão nuclear consiste no processo em que um núcleo instável é fragmentado em núcleos cuja soma das massas é menor que a massa inicial, produzindo-se, assim, uma transformação de massa em energia, conforme a equação de Einstein, E=mc2 . É o que acontece quando se recorre ao bombardeamento, com neutrões, de núcleos de átomos de urânio-235 de modo que estes se fragmentem, dando origem a partículas menores e uma forte libertação de energia. Neste processo, parte da massa inicial é transformada em energia, utilizada para produzir vapor através do aquecimento de água. Este vapor, sob elevada pressão, atua sobre as pás de uma turbina que, por sua vez, aciona um gerador elétrico. Acontece, porém, que o urânio é um mineral não muito abundante, e da sua desintegração resulta lixo radioativo, o que impede que a energia nuclear com recurso à fissão possa ser unanimemente classificada como energia renovável. Além disso, está associada à fissão nuclear a ocorrência de desastres ambientais com graves consequências, como os de Three Mile Island (EUA, 1979) Chernobil (URSS, 1986) e de Fukushima (Japão, 2011), o que tem motivado fortes movimentos populares no sentido de pressionar os governos para desistirem deste tipo de energia. Assim, por exemplo, o recurso à energia nuclear na União Europeia não é consensual. Enquanto que alguns países continuam a fomentar a construção de novos reatores, outros estão a desmontar os existentes ou, pura e simplesmente, não os chegam a instalar. Este é o caso de Portugal, que não tem nenhum reator nuclear a produzir energia, nem pretende recorrer à sua instalação futura. Enquanto que a França, que produz cerca de 75% da sua eletricidade com recurso a esta energia, continua a investir em reatores nucleares, a Alemanha tem planos para desativar aqueles que ainda possui. Três das centrais nucleares para produção de eletricidade na Alemanha, em funcionamento desde meados da década de 1980, foram desativadas no último dia do ano de 2021, estando previsto o mesmo destino para as três que restam em 31 de dezembro de 2022. A França está acompanhada, no seu ponto de vista, por outros países como a Polónia e a Eslováquia. Por outro lado, a Bélgica e o Luxemburgo alinham com a Alemanha no que se refere à necessidade do abandono deste tipo de energia. Outros países, como a Itália, são mais prudentes e mantêm uma posição intermédia. No final de 2021, a Comissão Europeia submeteu aos países membros da UE um projeto de plano em que considera que, em determinadas condições, a energia nuclear e o gás natural podem ser considerados sustentáveis para fins de investimento, o que provocou, por parte do porta-voz do governo alemão, a afirmação de que a Alemanha considera a tecnologia nuclear perigosa e que rejeita expressamente a avaliação da Comissão. Entre os que defendem a utilização da energia nuclear para atingir o preconizado no Acordo de Paris e no Pacto do Clima de Glasgow, conta-se o diretor da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Mariano Grossi. Segundo ele, deve-se abdicar de ideologias e encarar com realismo a evidência de que sem energia nuclear não se conseguirá abdicar dos combustíveis fósseis. Não havendo unanimidade no que se refere à utilização de energia nuclear com recurso à fissão, há já países, empresas, organizações e até empreendedores a título individual (e.g. Bill Gates) a investir na investigação sobre a fusão nuclear. Enquanto que na fissão nuclear se recorre à fragmentação de núcleos para gerar energia, a fusão nuclear é um processo em que se fundem dois ou mais núcleos de átomos, daí resultando um núcleo maior, cuja massa é menor que a soma das massas dos núcleos iniciais, libertando-se quantidade enorme de energia. Trata-se de um processo em que se recorre à união de átomos de isótopos de hidrogénio, inesgotáveis na natureza, o que permitirá classificar a energia nuclear como energia renovável. Acontece, porém, que este processo não se tem mostrado rentável, na medida em que, com a tecnologia atualmente existente, tem sido necessária mais energia para desencadear a fusão do que a energia que dela resulta. Entre os vários projetos experimentais envolvendo fusão nuclear, conta-se o International Thermonuclear Experimental Reactor (ITER), instalado no sul de França (Saint-Paul-les-Durance), que consiste no resultado da conjugação de esforços e financiamento da China, Coreia do Sul, EUA, Índia, Japão, Reino Unido, Rússia, Suíça e União Europeia. Nas palavras do presidente da França, Emannuel Macron, a energia produzida com recurso à fusão nuclear será “limpa, segura e praticamente ilimitada”. Não se espera, no entanto, que haja resultados que permitam a sua exploração rentável antes de cerca de vinte anos. Um outro projeto de fusão é o que decorre na National Ignition Facility (NIF), em Livermore, na Califórnia, em que se usa tecnologia laser para fundir átomos de hidrogénio. Também a China, além de envolvida no projeto ITAR, desenvolve, desde 2006, o estudo Experimental Advanced Superconducting Tokamak (EAST) em que são aquecidos isótopos de hidrogénio (deutério e trítio) a temperaturas elevadíssimas, da ordem de 150 milhões de graus Celsius, obtendo-se uma massa no estado de plasma constituído por partículas subatómicas que se fundem, dando origem a hélio e libertação de enormes quantidades de energia. O grande problema consiste no facto de a tecnologia atual não estar ainda suficientemente evoluída para controlar toda a fusão de modo que a quantidade de energia resultante seja muito superior à utilizada para desencadear o processo. Perante o avanço da tecnologia, é lícito esperar que, no prazo de uma ou duas décadas, se possa unanimemente considerar a energia nuclear, com recurso à fusão, energia limpa e renovável, que poderá contribuir para que se atinja a neutralidade carbónica a meio do século corrente, conforme preconizado no Pacto do Clima de Glasgow.
A pequena saúde e a grande vida Carlos Morais José - 6 Jan 2022 Na sociedade mediática, a saúde (ou o seu discurso) ganhou uma importância fundamental. Nunca como hoje as pessoas foram tão levadas a tomar a saúde como um dos principais modelos de referência nas suas vidas. Como muito bem notava Susan Sontag em “Aids and its metaphors”, existe uma concupiscência, uma estranha relação entre a doença, a comunicação, a política e, consequentemente, os comportamentos. Para além de ser de desconfiar qualquer sobrevalorização do corpo, a posse da saúde – ter saúde, como se diz – mercantilizou-se como outra posse qualquer, é traduzível por quantidades de numerário (com o que se gasta no médico, na farmácia, no ginásio, no dealer). Hoje ter saúde significa também um determinado tipo de consumo, como significa determinado tipo de comportamento, ostentação de signos, sendo que este implica também a aderência a uma específica rede consumista. A propagação real ou mediática das doenças restringe os comportamentos (como no caso da sida), modifica os hábitos (como o fitness e o jogging), proporciona novos gadgets à indústria (como no caso da pneumonia atípica). A doença ou a sua sombra proliferam através de uma quantidade assombrosa de revistas da especialidade, hoje predominantemente travestidas em forma física e componentes estéticas. Na televisão são cada vez mais comuns os programas sobre doenças – em Portugal, Júlio Isidro entrevistava pessoas que sobreviveram a cancros e ataques cardíacos. Por toda a parte somos confrontados com a necessidade da precaução, da prevenção, da medicação, do rastreio; entrando para o nosso quotidiano termos bárbaros provenientes da medicina e da manutenção, cujo aspecto mais inofensivo se tornou amplamente numa mercadoria. O que o corpo tomar é o que ele é, sobretudo em termos de valor social. Chegámos, portanto, a um tempo em que a química retomou os seus direitos, interferindo em todas as esferas. Está praticamente ultrapassado a era romântica em que a psicologia abdicava da factura química, na esperança de uma cura dita “espiritualista”. Hoje não há tempo para isso e, sobretudo, escasseia a paciência. “Quero a minha felicidade já, nem que seja em pequenas doses e tenho direito a ela, porque ela está em toda a parte” (como no caso do Viagra, outro potente mutante de comportamentos, ansiedades, emoções, relações) – sente-se e diz-se. A saúde é, portanto, fundamental. Mas convém compreender que se trata de uma saúde especial. Muito dirigida e muito bem orquestrada. Mas raramente ultrapassa o nível farmacológico, mecanicista, que encara o corpo como um ente fragmentado, como no caso do culturista que desenvolve uma relação particular com cada músculo. O equilíbrio é agora procurado na química, na localização dos problemas. As terapias de outro tipo encontram-se agora em franca decadência. Na verdade, lidamos com uma pequena saúde, feita de preocupações históricas sobre a decadência do corpo e a proximidade da morte. Trata-se, finalmente, do modo como a sociedade em que vivemos tira proveito das angústias (umas existenciais, outras que ela própria cria) e as molda de forma a serem mercantilizáveis. Assim, alteram-se igualmente os comportamentos e regista-se uma disciplina dos corpos e dos seus horários, bem conveniente ao circular da mercadoria, de cujo estatuto os humanos se aproximam cada vez mais e alegremente, como se nisso suspeitassem da existência de uma qualquer forma primeva de justiça. Nem por sombras estamos perante uma relação ecológica e equilibrada ou sequer perante uma reflexão mais longínqua sobre o papel da ruptura num contexto natural. Cuidamos, amedrontados, isso sim, da nossa pequena saúde, de um corpo que encaramos como estando na nossa posse ou que nos possui, mas sempre com uma visão mecanicista e não integrada desse mesmo corpo. Este é comprado nos media, nos ginásios, nos médicos, nas farmácias, nos dealers (de algum modo, a drogadicção ilegal é uma medicina alternativa e mais generalista, talvez mesmo a que, nalguns casos, mais se aproxima de alguma espiritualidade). As pessoas desfilam pois pela senda da pequena saúde, em muitos casos servos da sua ditadura. Por ela reorganizam as suas vidas. São induzidas a fazer do exercício físico uma parte dos seus quotidianos. As vitaminas, outra. Os programas, os filmes, as notícias, o obsceno, como o exemplo da dor alheia, vendida ao minuto nos ecrãs, são os altares desta religião, que monitoriza o dia, as refeições, o sexo, o sono, as relações, inclusivamente consigo próprio. A pequena saúde ganha foros de modo de vida. E o que fica de fora? A vida, precisamente a vida, a grande vida.
Livraria Lello no Porto em vias de ser classificada monumento nacional Hoje Macau - 6 Jan 2022 A Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) pretende classificar a Livraria Lello e Irmão, no Porto, como monumento nacional, decorrendo por 30 dias úteis um período de discussão pública, segundo anúncio publicado ontem em Diário da República (DR). De acordo com a publicação em DR, o director-geral do Património Cultural, João Carlos dos Santos, refere ser intenção da DGPC propor à tutela a reclassificação da Lello “como monumento de interesse nacional, sendo-lhe atribuída a designação de ‘monumento nacional’”. A Lello está classificada como monumento de interesse público desde 20 de Setembro de 2013. No anúncio, o responsável acrescenta que a consulta pública tem a duração de 30 dias úteis. A intenção de reclassificar a livraria surge na sequência de um parecer da Secção do Património Arquitectónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura, que mereceu a concordância do diretor da DGPC. A Lello, situada no Centro Histórico do Porto, nas imediações da Torre dos Clérigos, apresenta-se como “um dos mais importantes edifícios da arquitectura eclética portuguesa, integrando marcenarias e vitrais sem paralelo no país”, sendo “um ‘ex-líbris’ da cidade”, refere a DGPC na sua página da Internet. “Ao seu valor arquitectónico e artístico acresce a importância cultural que tem assumido de forma contínua ao longo do tempo, bem como o seu excelente estado de conservação, a autenticidade e exemplaridade da estrutura e da decoração, e a merecida fama internacional de que desfruta”, acrescenta a DGPC. Mil e um detalhes Inaugurado em 1906, o estabelecimento “alberga no seu edifício monumental uma das mais antigas e prestigiadas editoras nacionais”, lê-se na nota histórico-artística da livraria. O edifício foi concebido segundo projecto do engenheiro Xavier Esteves, sendo que “a fachada neogótica é rasgada, no piso térreo, por um arco Tudor de grandes dimensões, abrangendo a porta central e as montras laterais, e sobre o qual corre a legenda Lello e Irmão”. “No registo superior destaca-se uma grande janela tripla, flanqueada por duas figuras representando a Arte e a Ciência, sendo o conjunto da fachada pontuado por decoração vegetalista e geométrica de cariz medievalista, platibandas rendilhadas e pináculos enquadrando um remate em arco conopial”. Já no interior, “os arcos em ogiva apoiam-se em pilares esculpidos com bustos de escritores como Antero de Quental, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Teófilo Braga, Tomás Ribeiro e Guerra Junqueiro, sob baldaquinos rendilhados”. “O amplo vitral revivalista com a divisa da casa, Decus in Labore (Dignidade no Trabalho), da claraboia, os esplêndidos tectos em estuque dourado e o magnífico trabalho de marcenaria, bem representado pelo corrimão em madeira da imponente escadaria, constituem os elementos decorativos mais emblemáticos da livraria”, descreve ainda a DGPC.
Otildo Justino Guido, o poeta que usa a palavra para lutas sociais Andreia Sofia Silva - 6 Jan 20226 Jan 2022 Venceu o prémio literário Fernando Leite Couto [pai do escritor Mia Couto] em 2019, que lhe deu acesso a um mundo que já era seu. Otildo Justino Guido é uma das novas promessas da poesia moçambicana, mas, acima de tudo, um activista que luta com as palavras que escreve. “O Silêncio da Pele” é o seu mais recente livro Folhear “O Silêncio da Pele”, o livro de poemas de Otildo Justino Guido, vencedor do prémio literário de Fernando Leite Couto de 2019, é como experimentar um permanente jogo de palavras entre a língua portuguesa e os dialectos locais. A presença de palavras como “Xipfalo” ou “Xitique” na obra “O Silêncio da Pele” assume papel de alerta para a importância da preservação de uma identidade local. Conversamos com Otildo Justino Guido no último festival literário internacional de Óbidos, o FOLIO, onde nos falou da carreira literária que só agora está a dar os primeiros passos. Além da edição de “O Silêncio da Pele”, o autor já editou em Portugal “O Osso da Água”. Para o autor, a distinção do prémio Fernando Leite Couto representou “uma entrada no mundo literário”. “Não só lanço o livro como este prémio tem também um grande significado no país. É gratificante.” Em “O Silêncio da Pele”, Otildo Justino Guido aborda “várias situações ligadas a Moçambique”, e é por isso que surgem as palavras presentes nos léxicos locais, pois “as línguas maternas, ou nacionais, estão agora a atravessar momentos críticos”. “O livro procura levantar, de certa forma, problemas sociais e culturais do país, tal como a existência e a liberdade. Estes são universais, mas também nos afectam como moçambicanos.” Para o jovem poeta, os moçambicanos têm de existir “como cidadãos perante a globalização e vários outros factores mundiais”. “Há guerras que assolam o país há vários anos, que são intermináveis, que de certa forma não têm uma explicação lógica. Quero que o povo moçambicano exista acima de qualquer coisa e situação. Também falo da liberdade. Há este paradigma sobre ser aquilo que queremos ser, que somos.”, frisou. Se nesta obra Otildo Justino Guido assumiu uma postura de activismo, em “O Osso da Água” o autor apresentou-se a si mesmo. “Trabalhei mais com a temática, organizei vários cadernos literários e cada um deles versa sobre um assunto ou os problemas do país. Levanto também problemas que levantei de forma mais superficial em “O Silêncio da Pele.” O centro cultural Além de editar a obra “O Silêncio da Pele”, o prémio literário Fernando Leite Couto serviu também para criar, em Inhambane, terra natal do poeta, o centro cultural Palavra & Sol. “Era necessário fazer alguma coisa, os locais. Pensei que já estou naquela terra há muito tempo e ninguém tinha ainda ousado fazer alguma coisa. Realizamos conversas literárias, oficinas de escrita, tertúlias, saraus poéticos, apresentações de livros ou exposições de arte.” O autor conta que, até aos 14 anos, não teve contacto com o livro como objecto literário, mas dentro de si a poesia e a literatura já fervilhava. “A maior parte das bibliotecas são do Estado e têm muitos livros didácticos e académicos. O livro literário também é importante porque é outra forma de comunicar e de ver as coisas. Posso dizer que desde os quatro ou cinco anos que passei a dedicar a maior parte do meu tempo à literatura, e isso fez com que eu conhecesse escritores importantes de vários países, não apenas do universo da língua portuguesa.” Formado em contabilidade, profissão que ainda exerce e ama, Otildo Justino Guido encara a poesia “como uma necessidade de existir”. “É importante escrever poemas porque a poesia é o que nos faz ser. A contabilidade é uma profissão, que eu amo. Quando agarro uma coisa dedico-me a ela. A poesia deu-me a possibilidade de escrever”, confessou. Assumindo que Moçambique está, neste momento, a “passar por vários momentos de turbulência e de caos, na área política e social”, o poeta considera que “é complicado sobreviver e ser moçambicano neste momento”, “não apenas porque a guerra nos ataca a nós, mas também porque ataca outro irmão, e é difícil sabermos que o nosso irmão está a sofrer”. “Como activista social e cultural, sobretudo escritor, apresento esta solução, escrever, chamar a atenção para o que se passa. Mesmo que não mude nada as pessoas vão saber o que se passa. A literatura deve ser o espelho de uma sociedade e de um tempo. Esta é a minha missão”, concluiu.
Imigração | Detidos por ajudarem entradas ilegais em Macau Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 6 Jan 2022 A Polícia Judiciária (PJ) e os Serviços de Alfândega (SA) detiveram dois homens que prestavam auxílio à imigração ilegal. Em conferência de imprensa, a PJ explicou que recebeu uma denúncia de que este grupo estaria activo no território e que se preparava para receber, na terça-feira, um grupo de imigrantes ilegais por volta das 4h, na zona costeira junto ao Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa. Nessa madrugada, após os dois imigrantes ilegais chegarem a terra, a lancha que os transportava partiu de imediato, mas as autoridades conseguiram interceptá-la perto de Ka-Hó, em Coloane, tendo sido detidos os dois tripulantes. Os suspeitos, ambos de apelido Li, têm 23 e 38 anos, um é pescador e o outro está desempregado. Os detidos declararam às autoridades que o objectivo era deixar entrar pessoas da China para jogarem nos casinos. Em relação aos dois indivíduos que entraram no território ilegalmente, um não conseguiu obter o visto de entrada, enquanto que outro foi proibido de entrar no território. Os detidos recusaram ter cometido qualquer crime e dizem ter recebido apenas mil renminbis por pessoa para o transporte. Mas a PJ descobriu que a dupla exigia o pagamento de 30 mil renminbis. Os imigrantes e outros testemunhos contaram que, antes de embarcarem na lancha, eram obrigados a pagar uma caução de 20 mil renminbis. Os restantes dez mil renminbis eram transferidos através de meios electrónicos após o embarque na lancha. O caso já foi encaminhado para o Ministério Público, e os indivíduos são suspeitos da prática dos crimes de associação criminosa, auxílio à migração e imigração ilegal.
Jogo | Steve Vickers prevê maior controlo do fluxo de capitais Andreia Sofia Silva - 6 Jan 2022 As autoridades deverão focar atenções este ano no fluxo de capitais oriundo da China, apostando nos pagamentos digitais como forma de controlo e em mais transacções em yuan. Estas são algumas das conclusões do relatório do analista Steve Vickers sobre os riscos para a zona da Ásia-Pacífico em 2022 Steve Vickers, especialista em consultoria política e corporativa, estima que a “preocupação de 2022 será o tratamento do fluxo de capitais da China para Macau”. A informação consta no relatório “Asia Risk Assessment Report” divulgado ontem que, tal como o nome indica, traça os grandes riscos económicos e geopolíticos para a zona da Ásia-Pacífico. Para o analista, “as autoridades do continente e de Macau podem procurar garantir que o máximo da actividade de jogo seja [transaccionada] em yuan (não afectando a balança de capitais da China) e que as transferências sejam feitas através de meios digitais (e desta forma mais rastreados)”. Tal abordagem “pode reforçar o controlo do Governo, mas irá danificar os interesses do sector do jogo”, lê-se. No capítulo dedicado a Macau, Steve Vickers destaca a detenção de Alvin Chau, CEO do grupo Suncity como um acontecimento que sugere que “os governos de Pequim e Macau não vão mais permitir que o modelo dos junkets continue a operar segundo o formato actual”. “Os investidores devem preparar-se para obter menos receitas”, aponta o relatório, uma vez que as mudanças no sector VIP, como consequência desta detenção, “vão prevenir uma crescente escalada de infracções ao controlo sobre os capitais chineses”. Relativamente à revisão da lei do jogo, cujo processo de consulta pública terminou há semanas, Steve Vickers chama atenção para as tentativas de controlo público sobre o pagamento de dividendos aos accionistas das concessionárias, algo que “vai afectar a indústria”. “As operadoras de jogo norte-americanas vão estar em grande desvantagem com estas mudanças”, refere ainda o analista, que critica a “falta de clareza” das informações sobre os direitos das concessionárias ou o futuro concurso público para as novas licenças. Zero absoluto Ainda relativamente ao sector do jogo, o relatório refere que “o iminente fim das concessões de jogo, em meados deste ano, e a intensa repressão dos promotores de jogo constituem presságios para um ano extremamente desafiante para o sector, e por sua vez para a economia”. Steve Vickers revela também dúvidas “sobre o grau de autonomia que Macau terá dentro da política ‘Um País, Dois Sistemas’, tendo em conta a ênfase dada pelo Governo Central à iniciativa da Grande Baía”. Em termos gerais, o relatório não esquece o impacto da covid-19 na região, nem “a baixa taxa de vacinação em alguns países (como a Indonésia) e a emergência de novas variantes”. O analista alerta também para o impacto económico da política de “zero casos” adoptada pela China, Macau e Hong Kong e “que a sua continuação pode levar a um processo de dissociação económica”.
Imprensa | Polícia impediu gravações de acidente e ameaçou detenção João Santos Filipe - 6 Jan 2022 Um jornalista do Ou Mun foi ameaçado por um agente do Corpo de Polícia de Segurança Pública por filmar o resultado de um acidente com uma viatura dos bombeiros. As autoridades pediram desculpa e prometem investigar o incidente Um jornalista do Ou Mun foi ameaçado com a possibilidade de ser detido por recolher imagens de vídeo de um camião dos bombeiros que havia capotado perto do edifício do jornal. O caso aconteceu na terça-feira à noite, depois de uma viatura dos bombeiros se ter virado quando fazia a curva na via que faz a ligação entre a Avenida de Venceslau de Morais e a Estrada da Bela Vista. Segundo o relato dos órgãos da comunicação social em língua chinesa, quando aconteceu o acidente os jornalistas deslocaram-se rapidamente para o local e começaram a gravar imagens. No entanto, um dos agentes do CPSP pediu ao jornalista do jornal Ou Mun que abandonasse o local. O repórter de imagem acedeu ao pedido do agente e deslocou-se para a entrada do jornal, sempre a filmar, com o polícia a bloquear a objectiva da câmara com as mãos. A pedido do polícia, posteriormente, o repórter identificou-se, mostrou o cartão do jornal e foi-lhe dito que tinha entrado num local proibido e que tinha de abandonar imediatamente o local, a entrada do jornal, caso contrário seria preso. O agente justificou a possível detenção com a captura de imagens ilegais, incluindo imagens que o poderiam identificar. Embora o polícia não tenha detido o jornalista, não deixou, de acordo com o jornal Ou Mun, de apreender a câmara de filmar. Investigação interna As imagens do agente activamente a impedir o trabalho do jornalista do Ou Mun tornaram-se virais e o jornal apresentou queixa às autoridades. Em seguida, o CPSP tomou uma posição e, pelas 20h40, pediu desculpa pelo incidente. De acordo com a mensagem, o agente agiu com a intenção de “manter a ordem e garantir a segurança pública” e assegurar que havia espaço livre para que as operações de socorro fossem realizadas. Contudo, o CPSP reconheceu que os procedimentos adoptados foram “inadequados”. O CPSP frisou ainda “respeitar sempre a liberdade de imprensa” e “manter uma boa relação de cooperação com os média”, e prometeu fornecer orientações conduta aos agentes para locais de acidentes e investigar eventuais violações. Sem feridos O acidente que bloqueou durante mais de três horas o viaduto entre a Avenida de Venceslau de Morais e a Estrada da Bela Vista aconteceu ontem por volta das 18h30. O veículo pesado seguia em marcha de emergência, o condutor perdeu o controlo numa curva e a viatura ficou virada em cima do separador central das faixas de rodagem. Nenhum dos cinco tripulantes sofreu ferimentos e todos conseguiram sair da viatura pelos seus meios. O caso vai agora ser investigado pelas autoridades, que informaram que o condutor do veículo tinha mais de 10 anos de experiência, entre os quais seis a guiar este tipo de veículos pesados, ou seja, os camiões com escadas de socorro com 68 metros. Segundo os primeiros indícios, as autoridades consideram que o veículo não estava em excesso de velocidade, contudo, o bombeiro foi suspenso das funções de condutor e colocado temporariamente noutra posição. Vai ser alvo de acompanhamento psicológico.
Ella Lei pede coordenação dos planos de expansão do aeroporto com a Grande Baía Andreia Sofia Silva - 6 Jan 20226 Jan 2022 Ella Lei questionou o Governo sobre a coordenação dos planos de expansão do Aeroporto Internacional de Macau com as restantes infra-estruturas de transporte da Grande Baía. A deputada argumenta que devem ser considerados factores como a evolução demográfica de Macau e o desenvolvimento do turismo Existem cinco aeroportos a operar na zona da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e Ella Lei quer saber como é que o Governo vai coordenar os planos de expansão do Aeroporto Internacional de Macau (AIM) com as restantes infra-estruturas aeroportuárias da região. Esta e outras questões constam numa interpelação escrita da deputada e divulgada ontem. “O Governo precisa determinar o posicionamento do desenvolvimento do aeroporto na zona da Grande Baía tendo em conta a população e o desenvolvimento do turismo”, defendeu. Ella Lei recorda que em 2019, antes da pandemia, o AIM recebeu 9,6 milhões de passageiros, sustentando a necessidade de as autoridades responderem “às mudanças e acompanhar o desenvolvimento dos futuros planos do aeroporto bem como [estudar] as origens dos passageiros”, sempre em coordenação com os restantes aeroportos da Grande Baía. Para a deputada, é necessário ajustar as infra-estruturas já construídas ou em construção tendo em conta esse desenvolvimento, para que haja complementaridade entre o AIM e os restantes aeroportos das nove cidades que compõem a Grande Baía. Ainda na área da aviação civil, Ella Lei questiona a situação do contrato de concessão da Air Macau, cujo prazo foi estendido devido à crise que o sector enfrenta. “O director da Autoridade da Aviação Civil, Simon Chan, disse em Março do ano passado que o Governo iria estudar a criação de um novo modelo para os serviços de aviação. Como é que vai ser garantido que os mesmos erros não se repetem na renovação a curto prazo do contrato?”, questionou. E o terminal? A deputada ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) colocou também questões sobre a ligação do projecto de expansão do AIM com o terminal marítimo da Taipa. “Para complementar o futuro desenvolvimento do AIM tem sido levado a cabo um plano de renovação do terminal marítimo da Taipa para que seja o segundo terminal do aeroporto. Qual é o progresso dos dois projectos? Esta construção foi adaptada para responder às mudanças trazidas pela rede de transportes e fluxo de passageiros nos últimos anos?”. Ella Lei lembrou que o Governo contratou uma consultora em 2011 para elaborar um estudo sobre a expansão do AIM, o qual foi aprovado em 2016. No entanto, a deputada alerta para o facto de o aeroporto ter atingido o limite da capacidade ainda antes da pandemia, além de terem sido construídas infra-estruturas de transportes complementares na cidade neste período, tal como o Metro Ligeiro ou a nova Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau.
Obras Públicas | Chan Pou Ha considera essencial seguir orientações do CCAC João Santos Filipe - 6 Jan 2022 A directora da DSSOPT desconhece se existem projectos de construção em perigo de serem afectados pelo escândalo Li Canfeng, seu antecessor detido por suspeitas de corrupção. Mas assegura que todos os trabalhos ligados a terrenos são tratados de acordo com as leis vigentes Na sequência da investigação que resultou na detenção do ex-director da Direcção de Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), Li Canfeng, a actual directora, Chan Pou Ha, destacou que os casos que envolvem concessões e terrenos estão a ser lidados de acordo com as leis em vigor. As declarações da responsável foram prestadas ontem, à saída da Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU). “Neste momento, estamos a acompanhar todas as situações de acordo com as leis em vigor. Mas, não temos uma lista com os nomes dos projectos que podem ser afectados [pela investigação]”, respondeu Chan Pou Ha. “O que temos de fazer é seguir a legislação em vigor em todos os trabalhos que estamos a acompanhar. Por exemplo, se houver novos regulamentos, ou seja, novas leis aprovadas, temos de fazer os trabalhos de actualização destes projectos”, acrescentou. Contudo, a directora reconheceu que a situação constitui um alerta para os funcionários públicos: “Nas nossas orientações internas damos grande importância aos relatórios do CCAC. Enquanto dirigente máximos temos de estar muito alerta”, avisou. “E temos de emitir orientações aos colegas para seguirem o relatório do CCAC”, complementou. Balanço de uma carreira No dia 15 de Janeiro, Chan Pou Ha vai deixar as funções de directora da DSSOPT, cargo que assumiu em Janeiro de 2020. Por agora, ainda não é conhecido o substituto. Ontem, a responsável fez um balanço da carreira nas DSSOPT. “Não desempenhei estas funções por muito tempo, mas estive muitos anos nas Obras Públicas. Foram dois anos em que, além dos vários trabalhos relacionados com as obras públicas, houve uma grande prioridade para fazer o aperfeiçoamento e revisão das leis”, considerou. Ao longo da carreira nas Obras Públicas, Chan acompanhou de perto o escândalo de corrupção de Ao Man Long, e agora de Li Canfeng. Contudo, escusou-se a comentar os dois casos: “Eu não vou comentar porque envolvem outras pessoas, e um dos casos está em segredo de justiça”, respondeu. Em relação à cultura de trabalho que se vive na direcção que chefia, a responsável garantiu que esta se pauta pelo rigor profissional, não comentando se a entidade é hoje em dia mais limpa do que no passado. “Não são cargos fáceis, exigem muito profissionalismo, mas este é um aspecto que tem de ser comum a todos os funcionários”, respondeu. As Obras Públicas voltaram a ser o epicentro de uma investigação do CCAC no mês passado, depois do caso de corrupção com o ex-secretário Ao Man Long, em 2006. Neste momento, Li Canfeng, ex-director da DSSOPT, está detido a aguardar julgamento, numa investigação que envolve terrenos para construção e a aprovação de plantas de condições urbanísticas. Viajar na reforma Questionada sobre o que tenciona fazer quando deixar as funções públicas, Chan Pou Ha confessou ter vontade de viajar. Porém, reconheceu que nesta altura é pouco aconselhável fazer viagens ao exterior e que os primeiros tempos de reforma vão ser dedicados à família.
Macau proíbe voos de passageiros de fora da China por duas semanas Hoje Macau - 6 Jan 2022 Macau vai proibir a entrada, por via aérea, a partir de domingo e durante duas semanas, de pessoas oriundas de “regiões fora do interior da China” com destino ao território, anunciaram as autoridades esta quarta-feira. A proibição, imposta para “reduzir um eventual risco associado à covid-19 para a saúde pública” na região administrativa especial chinesa, vai estar em vigor até ao dia 23 deste mês, indicaram, em comunicado. Os Serviços de Saúde determinam que “entre as 00:00 [hora local] do dia 09 de janeiro e as 23:59 do dia 23 de janeiro de 2022: é proibido o transporte de indivíduos por aviões civis provenientes de regiões fora do Interior da China com o destino Macau”. Esta exigência “não exclui outros requisitos antiepidémicos”, acrescentaram na mesma nota. Nos últimos dias, as autoridades registaram dois casos da variante Ómicron do novo coronavírus em residentes que chegaram a Macau provenientes do estrangeiro. Todos estes casos foram detetados em pessoas que cumpriam quarentena obrigatória de pelo menos 21 dias. Hong Kong anunciou uma proibição idêntica para os passageiros de voos oriundos de oito países (Austrália, Canadá, Estados Unidos, França, Filipinas, Índia, Paquistão e Reino Unido), a partir de sábado e por 14 dias. Macau registou 79 casos confirmados da covid-19 desde o início da pandemia, fechou as fronteiras a estrangeiros e impôs quarentenas obrigatórias à chegada que podem ir até aos 35 dias em hotéis definidos pelas autoridades sanitárias.
Paulo Costa, fundador do movimento “Também somos portugueses”: “Queremos estabelecer ligação com Macau” Andreia Sofia Silva - 6 Jan 2022 O que começou com um movimento que chamou atenção para as más condições de voto das comunidades portuguesas transformou-se numa associação que luta pela participação eleitoral. Acabar com a exclusividade do voto presencial nas Presidenciais e nas eleições para o Parlamento Europeu são alguns dos objectivos. Paulo Costa, fundador do movimento “Também somos portugueses”, quer ter representantes em Macau e defende mais poderes para o Conselho das Comunidades Portuguesas Acaba de ser criada a associação com base no movimento que ajudou a fundar. Sente que as ideias que defendem ganharam importância no espaço político? Queremos passar para um segundo nível. Primeiro tentámos que as pessoas tivessem maior facilidade em votar, e por isso foi lançada uma petição em 2015, entregue em 2018. Conseguimos um dos nossos primeiros objectivos, que foi o recenseamento automático dos emigrantes, que antes era opcional. Passámos de 300 mil para cerca de 1,5 milhões de pessoas recenseadas. Contudo, ainda existem problemas, como com o voto postal. Acho que podemos duplicar o número de votos em relação às últimas eleições. Mas, para isso, temos de melhorar o voto postal, [tendo em conta que] há países em que este sistema pura e simplesmente não funciona, embora seja melhor do que o voto presencial. Daí propormos o voto digital. Foram dados alguns passos nessa matéria. O secretário de Estado da Administração Interna chegou a propor uma votação experimental para o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP). Esse projecto piloto está em andamento, mas foi adiado porque implica uma alteração na lei. Acho que vai prosseguir, talvez este ano. Temos reuniões regulares com um grupo de trabalho que está a trabalhar nisso e também na melhoria do voto postal. Mas falta o alargamento às restantes eleições, e aí tocamos nos votos para o Presidente da República. Neste momento, a votação é presencial, bem como na eleição para o Parlamento Europeu. Implementar o voto remoto nesses sufrágios é outra das nossas missões, uma medida que tem várias objecções políticas, mas achamos que é uma questão de democracia. Em Macau é mais fácil votar presencialmente, mas os emigrantes que vivem na China não têm essa facilidade. Numa eleição presidencial, com segunda volta realizada 15 dias depois da primeira, os emigrantes não conseguem votar, porque nesse período de tempo não conseguem enviar os votos pelos correios. A sua participação só pode acontecer através do voto digital. Que outros projectos pretendem desenvolver? Além de facilitar o voto, os eleitores também têm de ser incentivados a votar. Não acha que o distanciamento geográfico conduz ao distanciamento em relação à política portuguesa? Sim. Estive duas vezes no Reino Unido e sei que muitas pessoas emigraram zangadas com a crise política, porque sentiram que o país as mandou embora. Outros acham que são abandonados, porque os consulados funcionam com problemas e agora, com a pandemia, as coisas pioraram. As pessoas sentem que não têm as coisas básicas, como obter um passaporte ou cartão de cidadão. Compilámos um conjunto de recomendações para os partidos políticos para serem incluídas nos programas eleitorais. Queremos que, nas várias comunidades, se façam entrevistas a personalidades dos países ou regiões sobre a questão do voto e da participação política dos portugueses. Isso implica ter uma presença local. Temos contactos com o CCP, através das redes sociais, com quem partilhamos prioridades. Mas o CCP é um órgão consultivo. Em alguns aspectos conseguem acesso mais fácil ao Presidente da República ou ao Governo, mas nós também temos esse acesso mais facilitado e podemos agir com mais força. Isso implica uma presença local para que haja esse incentivo. Disse-me que, para já, não têm nenhum representante em Macau. Já foram feitos alguns contactos? Pretendemos estabelecer ligação com Macau. Quando fizemos a petição, contactámos pessoas que nos auxiliaram. Este ano vamos avançar na procura desses pólos locais. E Macau faz todo o sentido. Chegámos a ter contactos, [colaboradores], mas não tivemos representantes locais. Alguém do CCP? Contactámos com todos os conselheiros e pedimos a colaboração deles na recolha de assinaturas para a petição. Não foram tantas como gostaríamos. Acho que os portugueses têm alguma dificuldade em participar em questões políticas, afastam-se, e essa é uma questão didáctica que temos de fazer. Sendo Portugal um país com vários círculos de emigração, como explica que haja tantos problemas ao nível da participação cívica, com atrasos e burocracias? Há falta de vontade política? Um dos lados é o Governo e da própria Administração pública. Passámos por um período de cortes financeiros, que levou ao fecho de vários consulados. Houve um desinvestimento bastante grande em relação aos emigrantes e um corte que ainda não foi recuperado. Só agora, com o recenseamento automático é que as autoridades tiveram real consciência das transformações que houve na estrutura das comunidades. Há muitos tipos de emigrantes e essa é uma das questões que muitas das vezes não é endereçada. Em que sentido? Contestamos a primazia que é dada em relação aos emigrantes empresários. Isso faz todo o sentido, mas não deve ser algo exclusivo. É importante perceber porque é que as pessoas emigram. Chegámos a fazer um projecto, o “Cartas de Londres”, que enviámos ao Governo, a contar as histórias das pessoas que tinham emigrado recentemente, até porque também contribuem para a economia. Acha que o CCP deveria ter mais poderes na ligação com Lisboa? Uma das coisas que sugerimos é que seja consultado obrigatoriamente para várias matérias. Neste momento não é. E que tenha uma maior facilidade de propor alterações legislativas. Não é um órgão que possa propor leis, mas a secretaria de Estado das comunidades portuguesas pode. Queremos que o CCP tenha um segundo grau de intervenção, incluindo junto de partidos políticos. Chegamos a propor que os votos postais fossem enviados para os consulados em vez de serem enviados para Lisboa, mas não a proposta não teve seguimento. Foi-nos dito que não havia uma proposta de lei nesse sentido, então é como se essa sugestão não existisse, o que não faz sentido. As sugestões do CCP têm de ter mais impacto. Muitas das questões que levantam confrontam-se com a falta de meios dos consulados e embaixadas. Sem investimento público será sempre difícil colocar em prática as sugestões que propõem. Lutamos constantemente para que sejam dados mais recursos aos consulados. Mas também fazemos imensa pressão para que se consiga fazer mais com meios digitais. Falam também na falta de representatividade dos emigrantes no Parlamento, pois existem apenas quatro deputados eleitos pelo Círculo Fora da Europa. Haverá margem para alterar este panorama? Não avançamos com um número desejável de deputados [para esse círculo eleitoral]. Se pedíssemos deputados em proporção igual ao que existe no país, 25 mil eleitores por um deputado, queria dizer que com 1,5 milhões de portugueses recenseados teríamos umas dezenas de deputados. Não pedimos isso porque sabemos que há muita gente na diáspora que não está interessada em votar. Temos ambições bastante altas quanto à participação dos emigrantes, mas nunca vamos ter uma participação de 80 por cento, por exemplo. Queremos que mais pessoas votem, queremos incentivar o voto, em especial entre aqueles que nos dizem “elegemos sempre os mesmos quatro deputados”.
AR | Voto antecipado entre os dias 18 e 20 de Janeiro Hoje Macau - 5 Jan 2022 O Governo português anunciou ontem que os eleitores poderão votar antecipadamente para as eleições legislativas entre os dias 18 e 20 de Janeiro nas embaixadas ou consulados. Segundo um comunicado, estão abrangidos os eleitores que se encontram foram de Portugal por vários motivos, incluindo estudantes, doentes em tratamento ou em exercício de funções públicas ou privadas. Podem também votar eleitores que estejam em representação oficial da selecção nacional, organizada por federação desportiva dotada de estatuto de utilidade pública desportiva, ou aqueles que acompanham ou vivam com todos os recenseados já mencionados. Para votar, basta a apresentação do Cartão de Cidadão, Bilhete de Identidade ou outro documento identificativo, como carta de condução ou passaporte, devendo indicar sua freguesia de inscrição no recenseamento eleitoral. As eleições legislativas estão agendadas para o dia 30 deste mês.
FRC recebe “Visões”, uma mostra com curadoria do académico Lampo Leong Hoje Macau - 5 Jan 2022 A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta, na próxima quarta-feira, 12, uma nova exposição intitulada “Visões”, com curadoria do académico Lampo Leong, da Universidade de Macau (UM). Esta mostra conta com 30 trabalhos de 20 artistas locais, que são estudantes ou professores do Centro de Artes e Design da UM. A mostra tem entrada livre e está patente até ao dia 22 deste mês. Esta exposição apresenta uma “natureza interdisciplinar e multimédia de diversas práticas artísticas, apresentando uma mistura ecléctica de trabalhos criativos de professores” e incluem pinturas contemporâneas a óleo, aguarela, ilustração, fotografia ou cerâmica, entre outras expressões artísticas. O manifesto artístico desta mostra conta que, durante séculos, o território “foi um ponto de encontro cultural, tecnológico e comercial da China e do Ocidente”. “Da mesma forma, a pós-graduação em arte e educação em design na UM visa sintetizar os conceitos artísticos chineses e ocidentais, incorporar artes e tecnologias e transcender as fronteiras convencionais entre arte e design. As explorações criativas delineiam as ricas tradições culturais da China e falam de uma linguagem global da era contemporânea”, lê-se ainda. Professor doutor em arte, teoria e prática, bem como director do Centro de Artes e Design da UM, Lampo Leong tem já uma extensa carreira académica, tendo passado pela Academia de Belas Artes da China. Ele é responsável pelo ensino de desenho, pintura a óleo e acrílico, aguarela, tinta-da-china, caligrafia chinesa, desenho gráfico, design criativo de media, portfólios, publicações, entre outras matérias.
China adopta mais restrições nas vésperas dos Jogos Olímpicos e Ano Novo Lunar Hoje Macau - 5 Jan 2022 Várias cidades chinesas impuseram bloqueios ou restrições nas deslocações, depois de detetarem novos surtos de covid-19, nas vésperas de o país receber os Jogos Olímpicos de Inverno e celebrar o Ano Novo Chinês. Além do confinamento da cidade de Xian, onde desde 23 de dezembro os residentes não podem deixar as suas casas, quarentenas parciais foram também decretadas nas cidades de Ningbo, província de Zhejiang, e Yuzhou, província de Henan. Apenas um membro da família pode sair de casa a cada dois dias para comprar mantimentos, embora nas áreas mais afetadas pelos surtos o confinamento seja total, informou hoje o Global Times, jornal oficial do Partido Comunista da China. Henan diagnosticou apenas nove casos por transmissão local desde segunda-feira, o suficiente para as autoridades proibirem deslocações dentro da província e suspenderem eventos em locais públicos. Na capital da província, Zhengzhou, com 10,3 milhões de habitantes, também foram decretados bloqueios em algumas áreas e serão realizados testes PCR em toda a população. Autocarros e táxis estão proibidos de circular e locais como centros comerciais ou museus vão estar encerrados nos próximos dias como medida de precaução. Quem reside em áreas de risco não vai pode sair da cidade sem autorização. Os surtos surgem a menos de um mês do início dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Pequim, evento que o Governo chinês quer proteger a todo o custo. Para entrar na capital chinesa é necessário apresentar um teste negativo para a doença, realizado até 48 horas antes de viajar. A China vai ainda celebrar o Ano Novo Lunar, a principal festa das famílias chinesas, equivalente ao Natal nos países ocidentais e, tradicionalmente, a maior migração interna do planeta. Os governos locais estão já a pedir, no entanto, que se evitem viagens que não sejam “estritamente necessárias”. O país asiático adotou uma estratégia de tolerância zero contra o coronavírus, que envolve controlos rígidos de entradas no país, com quarentenas entre duas e quatro semanas, e campanhas de testes em massa e confinamentos em locais onde os surtos são detetados.
Covid-19 | Hong Kong proíbe voos oriundos de oito países Hoje Macau - 5 Jan 2022 Os passageiros de voos oriundos de oito países, incluindo França e Reino Unido, com destino a Hong Kong vão ser proibidos, a partir de sábado e por 14 dias, anunciaram hoje as autoridades do território. “Os voos de passageiros destes países não serão autorizados a aterrar em Hong Kong e os indivíduos que permaneceram nestes países já não estão autorizados a embarcar em voos para Hong Kong, incluindo voos de ligação”, disse a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, em conferência de imprensa. A proibição, a partir de sábado e por 14 dias, vai afetar os voos de passageiros oriundos de Austrália, Canadá, Estados Unidos, França, Filipinas, Índia, Paquistão e Reino Unido, indicou. Lam anunciou também outras restrições para tentar impedir a propagação da variante Ómicron do novo coronavírus, como o encerramento de restaurantes das 18:00 às 05:00 locais, a partir de sexta-feira, sendo limitado, fora desse período, o número de pessoas por mesa, entre duas a seis, consoante o tipo de restaurante. Por outro lado, 15 tipos de locais de entretenimento como bares, ‘karaoke’, ginásios, salões de ‘mahjong’ e piscinas públicas serão também encerrados ao público, indicou Carrie Lam, de acordo com a emissora local RTHK. Na terça-feira, as autoridades do território semiautónomo chinês tinham anunciado a imposição de apresentação de certificado de vacinação contra a covid-19 em escolas, bibliotecas, museus e locais de entretenimento. Este é o quinto surto de covid-19 desde o início da pandemia e o primeiro com a variante Ómicron em Hong Kong. O número de casos confirmados na comunidade atingiu na terça-feira a meia centena. Desde o início da pandemia, a região administrativa especial chinesa, que observa uma política de zero infeções com o novo coronavírus, registou mais de 12 mil casos confirmados da doença e 213 mortes associadas à covid-19. Hong Kong designou atualmente todos os países com surtos locais de Ómicron como zonas de “alto risco”, proibiu a entrada de estrangeiros e exigiu aos residentes que chegam desses locais uma quarentena de 21 dias.
Associação portuguesa vai promover cortiça em nove cidades chinesas Hoje Macau - 5 Jan 2022 O programa Academia da Cortiça na China, lançado pela Associação Portuguesa da Cortiça (Apcor), vai realizar 15 eventos de promoção em nove cidades chinesas entre 08 e 16 de janeiro. Segundo uma publicação na rede social chinesa WeChat, os eventos vão acontecer na capital chinesa, Pequim e em sete províncias, incluindo em Guangdong, província do sul da China, vizinha a Macau. A primeira edição da Academia da Cortiça na China, em 2018, atraiu quase 2.000 participantes ao longo de 93 eventos em 33 cidades chinesas, que resultaram na formação de mais de 30 embaixadores da cortiça. Após uma pausa de três anos, a Apcor relançou o programa em setembro de 2020, com um seminário em Pequim, com ligação por videoconferência a outras quatro cidades: Chengdu, Wuhan, Xiamen e Hangzhou. Em 2020, o mercado chinês ocupou o 10.º lugar nas exportações portuguesas de cortiça, com uma fatia de 2,1 por cento do total, correspondente a 22 milhões de euros, segundo dados da Apcor. A venda de rolhas, no valor de 14,1 milhões de euros, representou cerca de dois terços do total. O mercado chinês do vinho é já o quinto maior do mundo, embora apenas cerca de 3% dos 1,4 mil milhões de habitantes beba regularmente vinho. A lista de eventos da Academia da Cortiça divulgada na terça-feira incluía uma ação no dia 15 de janeiro na cidade portuária de Ningbo, na província de Zhejiang, entretanto cancelada pelas autoridades.