China realiza primeira imersão tripulada em grandes profundidades no Ártico central

Uma equipa de cientistas chineses concluiu com sucesso a primeira expedição de mergulho tripulado em grandes profundidades no oceano Ártico, atingindo os 5.277 metros sob o gelo, na dorsal de Gakkel, informou terça-feira a imprensa estatal.

A missão, com duração de 56 dias, foi realizada a bordo do navio de investigação Tan Suo San Hao (“Exploração nº3”), construído inteiramente na China, que transportou o submersível tripulado Fendouzhe (“Lutador”) para a realização de 43 mergulhos científicos no Ártico central, onde o gelo cobria mais de 80 por cento da superfície.

Organizada pelo Ministério dos Recursos Naturais e pela Academia Chinesa de Ciências, a expedição assinala a primeira operação coordenada entre dois veículos tripulados – o Fendouzhe e o Jiaolong – em ambiente polar, estabelecendo um modelo de cooperação para futuras missões científicas em regiões de gelo denso. Segundo a imprensa oficial, trata-se da primeira exploração científica tripulada em grande profundidade no Ártico central, uma zona onde as condições extremas de pressão e temperatura dificultaram historicamente as operações subaquáticas.

Durante a missão, os cientistas recolheram amostras de água, sedimentos, rochas e organismos marinhos, além de dados de observação que vão contribuir para o estudo dos efeitos das alterações climáticas nas regiões polares. “A expedição demonstra que a China já possui capacidade tecnológica e logística para realizar operações de mergulho tripulado de forma contínua em zonas com gelo denso”, afirmou a televisão estatal CCTV.

Mergulhos no gelo

Lançado em 2021, o Tan Suo San Hao é o primeiro navio científico chinês concebido para missões globais de exploração em águas profundas. A missão ao Ártico partiu a 22 de Julho da cidade costeira de Sanya, na ilha tropical de Hainão, e terminou esta semana com o regresso da tripulação à China.

A China afirma-se assim como o primeiro país a realizar mergulhos tripulados profundos e continuados sob gelo denso no Ártico central, reforçando a sua presença científica numa das regiões mais sensíveis ao aquecimento global.

Foxconn | Investimento de quase 1,2 ME em centros de IA e de supercomputação

A tecnológica Foxconn anunciou terça-feira um investimento até 42 mil milhões de dólares taiwaneses para adquirir equipamentos destinados à construção de um centro de supercomputação e um centro de computação para inteligência artificial.

Num comunicado enviado à Bolsa de Valores de Taipé, onde está cotada, a empresa indicou que o investimento será realizado entre Dezembro de 2025 e Dezembro de 2026, com recurso a fundos próprios. Segundo a Foxconn, a operação visa “expandir a plataforma de serviços de computação em nuvem e acelerar o desenvolvimento das três principais plataformas inteligentes do grupo”.

Fundado em 1974, o grupo Foxconn é o maior fabricante mundial de dispositivos electrónicos por contrato, com fábricas e centros de pesquisa e desenvolvimento na China, Índia, Japão, Vietname e Estados Unidos, entre outros. Tal como outras tecnológicas, a Foxconn beneficiou nos últimos meses do optimismo em torno do potencial da IA, tendo-se tornado um dos principais fabricantes dos servidores GB200 da norte-americana Nvidia.

No segundo trimestre, a empresa registou lucros líquidos de 44.361 milhões de dólares taiwaneses (1.242 milhões de euros), superando amplamente as previsões dos analistas e representando um crescimento homólogo de 27 por cento.

A fabricante sediada em Taiwan transformou a produção de servidores para IA numa das suas principais apostas e estima que as vendas destes equipamentos ultrapassem este ano um bilião de dólares taiwaneses (28.017 milhões de euros), o que representaria metade do seu negócio total de servidores.

China regista número recorde em 2025 com um novo multimilionário por dia

A China registou um aumento recorde no número de bilionários em 2025, com uma nova entrada a cada dia, impulsionado pela valorização das bolsas e ascensão de empresas da chamada “nova economia”, segundo a unidade de investigação Hurun.

A última edição da “Hurun China Rich List” inclui 1.434 indivíduos com fortunas superiores a cinco mil milhões de yuan, mais 340 do que no ano passado, o que representa um crescimento de 31 por cento. O património combinado destes multimilionários totaliza 30 biliões de yuan, um aumento de 42 por cento face ao ano anterior.

No topo da lista voltou a surgir Zhong Shanshan, fundador da produtora de água engarrafada Nongfu Spring, cuja fortuna disparou 56 por cento para 530 mil milhões de yuan. É a quarta vez que Zhong lidera o ‘ranking’. Zhang Yiming, fundador da ByteDance – empresa dona do TikTok – caiu para o segundo lugar, apesar de ter aumentado a fortuna em 34 por cento, para 470 mil milhões de yuan.

Li Ka-shing, de 97 anos, e o filho Victor Li Tzar-kuoi, de 61, continuam a ser os mais ricos de Hong Kong, com uma fortuna combinada de 235 mil milhões de yuan, mais 18 por cento do que no ano passado, embora tenham descido do sexto para o nono lugar da tabela geral.

A unidade de investigação Hurun compila esta lista desde 1999, abrangendo bilionários da China continental, Hong Kong, Macau e Taiwan. “A lista deste ano surpreendeu ao atingir um número recorde, impulsionada sobretudo pelo forte desempenho dos mercados bolsistas e pelo surgimento de novas figuras nos sectores tecnológicos e exportadores”, afirmou Rupert Hoogewerf, presidente do Hurun.

Acções em alta

O número de fortunas acima dos 100 mil milhões de yuan subiu de 26 para 41, um crescimento de 59 por cento. Já o total de pessoas com património acima de mil milhões de dólares aumentou 36 por cento, para 1.021. A valorização das acções em Xangai, Shenzhen e Hong Kong reflectiu o entusiasmo dos investidores com sectores como os veículos eléctricos, biotecnologia e computação. O índice de Shenzhen subiu 54 por cento e o de Xangai 36 por cento até setembro. O Hang Seng de Hong Kong avançou 42 por cento.

O PIB da China cresceu 4,8 por cento no terceiro trimestre, menos do que os 5,2 por cento registados no anterior. Tensões comerciais com os Estados Unidos e problemas no sector imobiliário continuam a pesar sobre a recuperação económica.

Ainda assim, empresas chinesas com ambições globais – sobretudo nas áreas de baterias, saúde e mineração – atraíram o interesse dos mercados. Até final de Setembro, 66 empresas (a maioria da China continental) arrecadaram 23,27 mil milhões de dólares através de ofertas públicas iniciais na Bolsa de Valores de Hong Kong, a maior cifra mundial este ano.

Diplomacia | Pequim confirma reunião entre Xi Jinping e Trump

Xi Jinping e Donald Trump encontram-se hoje na capital sul-coreana antes da cimeira APEC. Em cima da mesa, devem estar temas como as terras raras, as tarifas, o Tik-Tok ou a questão de Taiwan A diplomacia chinesa confirmou ontem que o Presidente Xi Jinping vai reunir-se hoje com o homólogo norte-americano, Donald Trump, na Coreia do Sul, num encontro destinado a aliviar a tensão comercial entre os dois países.

Embora Washington já tivesse confirmado a reunião – com Trump já presente na Coreia do Sul ontem – Pequim manteve o silêncio até agora, naquela que será a primeira reunião entre os dois líderes desde o regresso do republicano à Casa Branca, em Janeiro passado.

O encontro decorrerá à margem da cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) e deverá abordar temas como a guerra comercial, a aplicação TikTok, a questão de Taiwan e o combate ao tráfico de fentanil.

Nos últimos dias, ambos os lados sinalizaram uma vontade de compromisso. Trump manifestou confiança num “acordo comercial bom para ambos” e admitiu baixar tarifas à China em troca de maior cooperação no combate ao fentanil, droga responsável por uma crise de saúde pública nos EUA. Também se mostrou evasivo quanto à possibilidade de discutir Taiwan com Xi, afirmando: “Taiwan é Taiwan”.

Dar seguimento

A reunião segue-se a negociações técnicas realizadas em Kuala Lumpur, nas quais Washington e Pequim alcançaram um “acordo preliminar” para aliviar disputas comerciais, incluindo os controlos chineses às exportações de terras raras e as tarifas norte-americanas sobre produtos chineses.

Na terça-feira, o Comité Central do Partido Comunista Chinês publicou novas directrizes estratégicas que apelam a uma mobilização nacional para alcançar “avanços decisivos” em tecnologias-chave como semicondutores, ferramentas de precisão, software básico, inteligência artificial e energia de fusão, no âmbito do plano quinquenal 2026-2030.

No plano diplomático, a tensão em torno de Taiwan ganhou novo fôlego antes da cimeira. Pequim reiterou que “nunca renunciará ao uso da força” para alcançar a reunificação, enquanto o líder taiwanês, William Lai, afirmou que “só a paz através da força” pode garantir a estabilidade regional e apelou a uma oposição mais firme à “anexação” chinesa.

Nos últimos dias, a China intensificou também a actividade militar em torno da ilha, com dezenas de aviões de combate a cruzarem a linha média do Estreito de Taiwan.

Para pior basta assim

Donald Trump manifestou ontem optimismo quanto à possibilidade de alcançar um novo acordo comercial com o homólogo chinês, Xi Jinping, afirmando que “é melhor chegar a um entendimento do que estar em conflito”. “Espero que consigamos chegar a um acordo. Acredito que vai ser um bom acordo para ambos. Isso seria realmente um excelente resultado”, afirmou Trump, durante um discurso perante empresários no Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico, na cidade sul-coreana de Gyeongju.

“É melhor isso do que estarmos em confronto e passarmos por todo o tipo de problemas sem necessidade. O mundo inteiro está a observar”, acrescentou o líder norte-americano, na véspera do encontro com Xi. Em declarações a bordo do avião presidencial Air Force One, Trump admitiu também a possibilidade de reduzir as actuais tarifas sobre a China, desde que isso ajude a intensificar o combate ao tráfico de fentanil, uma das principais prioridades da reunião com Xi.

Museu das Civilizações Antigas da China (MCAC)

Os mistérios de Hongshan

Fundado em dezembro de 2024, o Museu das Civilizações Antigas da China (MCAC) está localizado na cidade de Yantai, na península de Shandong, província natal de Confúcio. Com vista para as ondas agitadas do Mar Amarelo, este museu privado de alto nível é propriedade da Key Win International Culture Exchange (Yantai) Co.Ltd.

O museu possui a maior colecção privada do mundo da Civilização Hongshan (c. 8000-3000 a.E.C.). Surgindo das planícies ventosas do nordeste da China, ao longo dos vales dos rios Laoha e Yingjin, Hongshan representa um capítulo deslumbrante e enigmático no alvorecer da civilização chinesa. Muito antes dos primeiros imperadores lendários, este povo neolítico estava a forjar um mundo espiritual e social único que deixaria um legado profundo, embora ainda parcialmente compreendido.

Uma viagem única no tempo através da civilização Hongshan

A área total de exposição do MCAC é de cerca de 10 000 metros quadrados, e a sua exposição permanente apresenta muitas coisas, desde os dragões de jade característicos de Hongshan até estatuetas impressionantes e cristais de vibração de grande tamanho perfeitamente preservados. Pode começar a sua viagem de descoberta na galeria dos dragões de jade em forma de C, com seus focinhos proeminentes e corpos arqueados, que estão entre as criações mais icónicas de Hongshan, sugerindo que o motivo do dragão, central para a identidade chinesa há milénios, pode ter suas raízes mais antigas aqui. Ou os rituais de fertilidade de Hongshan, incluindo mulheres grávidas e corpos femininos nus, apontando para uma possível veneração da fertilidade e das deusas-mães.

É fácil passear por horas nas galerias pelos mundos desconhecidos dos antigos Hongshan. Julie Oyang, directora executiva do MCAC, afirmou: “Com um investimento total de mais de 20 milhões de RMB, nosso objectivo é tornar o museu uma plataforma mundial para o intercâmbio cultural internacional, um centro de pesquisa global especializado na Civilização Hongshan e um destino turístico global que atraia visitantes, estudiosos e influenciadores da China e do exterior.

Desde o primeiro dia, a nossa visão tem sido tornar o nosso museu um lugar acolhedor e hospitaleiro, com uma excelente orquestração de objectos e obras de arte a serem apresentados com muita atenção à história — que deve ser uma interação viva e significativa com o futuro. É assim que percebemos a história: não como o passado, mas como algo voltado para o futuro e orientado para o futuro.”

O tesouro de histórias

O que distingue Hongshan é a sua surpreendente sofisticação artística e ritual. A Civilização Hongshan é conhecida pelos seus requintados artefactos de jade, não pelos discos rituais e lâminas dos seus contemporâneos do sul, mas por formas belamente trabalhadas e imbuídas de significado espiritual.

O MCAC abriga mais de oitocentos itens únicos, que dão um vislumbre dos impressionantes templos neolíticos e centros cerimoniais. Esses artefatos reproduzem o que aconteceu há mais de 10.000 anos em sítios arqueológicos importantes, como Niuheliang, mostrando como os antigos construíram elaborados altares de pedra, fundações monumentais e templos dedicados a deusas. O mais impressionante é que a civilização Hongshan construiu enormes montes piramidais onde os membros da elite da sociedade eram sepultados, rodeados por jades sagrados da coleção do museu — o que inspirará visitantes e estudiosos de todo o mundo a visualizar a complexa integração da civilização Hongshan entre arquitetura, construção de túmulos e práticas rituais, bem como a reimaginar a sociedade estratificada com um sacerdócio poderoso e organizado.

Segundo Julie Oyang, “a cultura Hongshan é um poderoso testemunho das diversas origens da civilização chinesa. Não foi um amanhecer único e unificado, mas uma série de brilhantes clarões na paisagem antiga. Nos dragões de jade e nos montes dos templos, vemos o primeiro vislumbre das crenças e estruturas sociais que acabariam por se fundir na magnífica tapeçaria dos mundos antigos que não só deram origem à civilização chinesa. A civilização Hongshan pode ser a chave para as raízes da civilização humana.”

Destino comum

As esculturas sagradas de jade de Hongshan oferecem uma visão sobre como as eras e as culturas se influenciaram mutuamente. Desta forma, o MOACC é literalmente um showroom para um futuro comum da humanidade.

A cada poucos meses, um objecto especial da coleção será destaque num dos locais mais bonitos do museu, incluindo a área de experiência imersiva. Visitantes de todas as idades e de todos os cantos da Terra podem mergulhar em um objecto do passado que nos fala hoje sobre a origem comum da humanidade.

Netflix estreia em Novembro adaptação de obra de “O Filho de Mil Homens”

A adaptação do romance “O Filho de Mil Homens”, de Valter Hugo Mãe, pelo realizador brasileiro Daniel Rezende, que foi exibida na segunda-feira na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, estreia-se na Netflix, no dia 19 de Novembro.

De acordo com a Porto Editora, que publicou o romance “O Filho de Mil Homens”, a data de estreia da longa-metragem foi avançada pela plataforma de ‘streaming’. O filme teve a sua exibição oficial esta segunda-feira, na 49.ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, no Brasil, um dos principais eventos cinematográficos da América Latina.

Protagonizado por Rodrigo Santoro, o filme conta a história de Crisóstomo, um pescador que encontra novo sentido para a vida ao acolher Camilo (Miguel Martines), um jovem órfão. A relação entre ambos desencadeia uma reflexão sobre o amor, a aceitação e os laços que definem o conceito de família. Filmado em Búzios e na Chapada Diamantina, o filme é uma coprodução entre a Biônica Filmes e a Barry Company, que apostam numa abordagem visual delicada e simbólica, destaca a editora.

Segundo a Netflix, trata-se de “uma fábula sobre solidão, amor e aceitação”, que traduz para o cinema a força emocional da escrita de Valter Hugo Mãe. O elenco inclui ainda Rebeca Jamir, Johnny Massaro, Miguel Martines, Juliana Caldas, Grace Passô, Inez Viana, Lívia Silva, Antonio Haddad e Tuna Dwek.

A mostra de cinema de São Paulo exibiu ainda, em estreia mundial, no dia 25 de outubro, o documentário biográfico “De Lugar Nenhum”, do realizador português Miguel Gonçalves Mendes, sobre Valter Hugo Mãe e o seu processo criativo, que deverá chegar em 2026 aos cinemas portugueses.

“Retrato intimista”

A obra traça um retrato intimista de Valter Hugo Mãe, acompanhando o escritor ao longo de sete anos, enquanto escrevia o romance “A Desumanização”, entre viagens pela Islândia, Brasil, Portugal, Colômbia e Macau, segundo informação do consulado português em São Paulo.

O documentário, uma meditação visual sobre solidão, perda e pertença, conta com as participações da cartoonista Laerte Coutinho e do compositor islandês Hilmar Örn Hilmarsson, mentor de bandas como Sigur Ros e Bjork, especifica a página oficial da mostra. O filme “De Lugar nenhum” está integrado no projecto “O Sentido da Vida”, no qual o director Miguel Gonçalves Mendes trabalha há mais de uma década — um conjunto de nove longas-metragens, num caleidoscópio de figuras contemporâneas.

Wynn Macau | Estrelas do snooker jogam esta sexta-feira

O empreendimento de jogo e hoteleiro Wynn Macau traz ao território, esta sexta-feira, um grande evento de snooker com a promessa de ter duas “lendas” desta modalidade a jogar. Trata-se de Ronnie O’Sullivan, que foi sete vezes campeão do mundo, e Zhao Xintong, o primeiro jogador chinês e também da Ásia a vencer o Campeonato Mundial de Snooker.

Segundo uma nota da Wynn, o evento “Rei do Snooker vs. Campeão Mundial de 2025 – Um jogo de exibição inspirador entre lendas do snooker” acontece no Grand Ballroom do Wynn Macau, esperando-se “um confronto impressionante entre os mestres internacionais do snooker, que será certamente um espectáculo desportivo memorável”. Espera-se que ambos possam recriar “momentos clássicos de torneios mundiais anteriores”, estando este evento relacionado com uma iniciativa do ano passado, o “2024 Macau Snooker Masters”. Os bilhetes para este jogo já estão à venda, com preços a variar entre as 580 e 880 patacas. Os residentes de Macau têm direito a 25 por cento de desconto.

Na mesma nota, a Wynn promete “continuar a organizar eventos desportivos de classe mundial”, algo que pode ajudar a “melhorar o ambiente desportivo e o desenvolvimento da indústria de Macau, facilitando, assim, a integração completa do turismo com as indústrias de lazer e desporto” no território.

CCM | Vanessa da Mata em concerto com Orquestra Chinesa de Macau

A cantora brasileira Vanessa da Mata sobe ao palco do Centro Cultural no dia 15 de Novembro no âmbito do “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa”. Trata-se de um concerto especial, anunciado depois da primeira divulgação do programa e acontece com a parceria musical da Orquestra Chinesa de Macau

O Instituto Cultural (IC) anunciou esta segunda-feira a realização de um concerto, no dia 15 de Novembro, com a cantora brasileira Vanessa da Mata, que promete trazer os ritmos do Brasil e cantá-los ao lado da Orquestra Chinesa de Macau (OCM). O espectáculo integra-se no “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, neste que é o seu sétimo ano de existência. Este evento integra uma série de actividades, onde se inclui o Festival da Lusofonia. O concerto com a cantora brasileira está marcado para as 20h, no Grande Auditório do CCM, sendo que os bilhetes estão à venda desde ontem na Bilheteira de Enjoy Macao com preços a variar entre as 200 e as 400 patacas.

Segundo uma nota do IC, Vanessa da Mata é descrita como sendo “uma das vozes mais influentes da música contemporânea brasileira”, bem como uma “cantora e compositora reconhecida pela sua versatilidade artística e pela força emocional das suas obras”.

Trata-se de uma artista com “voz inconfundível” e um “estilo marcante”, características que “conquistaram os fãs em todo o mundo, tornando-a uma das principais representantes da música popular brasileira”. Os temas de Vanessa da Mata combinam diversos géneros musicais, nomeadamente MPB (música popular brasileira), R&B, pop, frevo, samba e reggae.

O concerto do dia 15 de Novembro será dirigido pelo maestro Zhang Lie, director musical e maestro principal da OCM, que “tem conduzido diversas orquestras em atuações internacionais, recebendo ampla aclamação do público”.

“Sob a sua direcção, a OCM interpretará várias canções emblemáticas de Vanessa da Mata, especialmente orquestradas para esta ocasião. Unindo a subtileza e o lirismo da música tradicional chinesa com os ritmos intensos e coloridos do Brasil, oferecerá ao público uma experiência musical transcultural e inesquecível”, descreve ainda o IC.

Longa carreira

Vanessa da Mata nasceu em 1976 e já lançou oito álbuns de originais. Uma das músicas mais conhecidas do seu longo repertório é “Boa Sorte/Good Luck”, cantada ao lado de Ben Harper, e que alcançou projecção internacional. Nesta actuação em Macau, fica a garantia de que Vanessa da Mata trará “o melhor da música brasileira, cruzando-se no palco com o encanto e a delicadeza sonora da OCM, prometendo uma noite memorável de sonoridades diferentes”.

A cantora brasileira lançou, em Maio deste ano, um novo álbum, intitulado “Todas Elas”, sendo que o primeiro single é “Esperança”. Trata-se de uma música que “propõe uma reflexão sobre a expansão amorosa como um todo”, descreve-se no website oficial da artista. Vanessa da Mata acrescenta ainda que “Todas Elas” contém “mais poesia” face a trabalhos anteriores.

“A produção é minha, as músicas são todas minhas e terá parcerias maravilhosas, como Robert Glasper, Jota.pê e João Gomes. Robert é americano e considerado o primeiro cara do jazz no mundo, um nome para ficar atento. Uma participação linda do João Gomes em uma música que escrevi, um reggae maravilhoso com o Jota.pê”, descreveu a artista. “Todas Elas” dá também o nome à digressão que a artista tem na estrada.

Vanessa da Mata começou a cantar ainda na adolescência, em bares, tendo desistido de fazer o chamado “vestibular”, o exame de acesso ao ensino superior no Brasil, para seguir uma carreira na música. Começou a compor as suas canções, e o encontro com Chico César, aos 21 anos, foi fundamental para dar um passo adiante na sua carreira. O primeiro álbum de Vanessa da Mata chegou em 2004, intitulado “Essa Boneca Tem Manual”.

Eleições | MP português arquivou caso contra Rita Santos

A informação sobre o arquivamento da investigação por interferência eleitoral nas Legislativas de 2024 em Portugal foi avançada pelo Canal Macau que cita a própria Rita Santos. O HM confirmou, entretanto, o arquivamento junto do Ministério Público em Portugal

O Ministério Público (MP) terá arquivado a investigação que visava Rita Santos, relacionada com as Eleições Legislativas de 2024 em Portugal. A queixa partiu de alguns membros do Partido Socialista (PS) em Macau, com base em suspeitas sobre interferência eleitoral por parte da conselheira das Comunidades Portuguesas. O HM confirmou, entretanto, o arquivamento do processo junto do MP.

De acordo com o Canal Macau, que cita Rita Santos, a investigação do MP de Portugal terá sido arquivada e no despacho com a decisão constará que “não foram encontradas provas de irregularidades” na conduta da visada.

O despacho de arquivamento de um inquérito é proferido quando são recolhidas provas de que não se verificou nenhum crime, ou que mesmo que tenha havido crime que não foi praticado pelo visado da investigação. O MP também determina o arquivamento do inquérito se não tiver sido possível obter indícios suficientes da verificação de crime ou de quem foi o autor.

Foi em Março de 2024 que as informações de que Rita Santos e a Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) estavam a ser investigadas em Portugal surgiram. Na altura, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Portugal revelou que ia remeter para o MP as queixas recebidas sobre interferência em Macau.

Os queixosos acusavam Rita Santos e a ATFPM de terem influenciado os eleitores a votar na Aliança Democrática, a coligação que em 2024 era composta pelo Partido Social Democrata, CDS – Partido Popular e Partido Popular Monárquico e que venceu essas eleições com 28,83 por cento dos votos.

Mandato suspenso e cooperação local

Apesar de afirmar ter sido ilibada, o caso teve impacto na actividade política de Rita Santos. No início de Outubro de 2024, a conselheira das Comunidades Portugueses optou por suspender o mandato, com o jornal Plataforma a avançar que a suspensão tinha como objectivo evitar a notificação sobre a investigação de fraude eleitoral que estava em curso. Por sua vez, Rita Santos justificou a suspensão com a vontade de se dedicar às eleições do Chefe do Executivo em Macau, que aconteceram a 13 de Outubro de 2024, e às eleições para a Assembleia Legislativa, que ocorreram a 14 de Setembro deste ano.

Até Junho deste ano, os dirigentes da ATFPM, como José Pereira Coutinho, garantiam que Rita Santos ia integrar a lista concorrente às legislativas para a Assembleia Legislativa.

No entanto, em Junho, Rita Santos foi deixada de fora. A macaense justificou a ausência com o facto de pretender dedicar mais tempo à família. No entanto, o recuo aconteceu apenas alguns dias depois do Ministério Público de Macau ter anunciado que Rita Santos tinha sido interrogada na RAEM, devido a um pedido de cooperação das autoridades portuguesas face às suspeitas de irregularidades durante as eleições.

Habitação | Carlotta Bruni lamenta falta de criatividade na Zona A

A arquitecta Carlotta Bruni lamenta que a habitação pública que se esteja a construir na Zona A dos Novos Aterros seja pouco criativa. “O que se vê a ser construído na Zona A são projectos muito repetitivos, e esse é um problema que existe em Macau desde sempre.” Bruni fala hoje sobre habitação pública na Casa Garden em mais uma conferência da Docomomo Macau

Decorre hoje na Casa Garden, a partir das 18h45, a conferência “O advento da habitação colectiva no século XX”, com a arquitecta Carlotta Bruni, um evento promovido pela associação Docomomo Macau.

Na sede da Fundação Oriente em Macau irá, portanto, debater-se o tema da habitação pública e as suas funções urbanas. Ao HM, Carlotta Bruni lamenta que os projectos que estão a ser edificados na Zona A dos Novos Aterros não tenham a criatividade desejável.

Questionada sobre se Macau está a construir habitação pública a mais, a arquitecta afirmou “em excesso não, mas estamos a construi-la mal”. “É o mal, o feio naqueles edifícios. É uma co-responsabilidade de quem os desenhou e de quem os encomendou”, disse, lamentando que Macau tenha perdido uma oportunidade de inovar nesta área.

“A crítica que posso fazer é pela maneira de desenvolver estes projectos. O que se vê agora construído na Zona A são projectos muito repetitivos, e a questão de ter um projecto repetitivo é um problema que existe em Macau desde sempre. O facto de ninguém se preocupar em ter uma cidade feia”, salientou.

Para Carlotta Bruni, esse lado da fealdade da habitação “é uma coisa que perturba bastante”, porque “nós, arquitectos, temos a missão no mundo de fazer coisas bonitas, além de fazer coisas práticas, funcionais, que sejam baratas e tudo isso”. “Ao olhar para a Zona A, actualmente, tenho francamente a dizer que, aí, falhou-se um bocadinho”, acrescentou.

“Os dois exemplos que vou discutir na conferência [projecto do Fai Chi Kei e edifício B10 da Zona A] é um pouco chamar a atenção para o facto de se poder fazer habitação social de outra maneira, com as mesmas entidades, mas com funções a mais do que o mínimo indispensável.”

Viver numa caixa

Na palestra de hoje, Carlotta Bruni “questiona as consequências espaciais da rápida densificação urbana de Macau, onde a priorização da área bruta construída levou à erosão do espaço comunitário”, destaca uma nota sobre a conferência.

Desta forma, a arquitecta irá “explorar como o design arquitectónico pode recuperar ambientes públicos e semipúblicos através da colocação estratégica de volumes, tipologias em camadas e conectividade pedonal”, destacando-se “modelos espaciais alternativos que resistem à categorização convencional, tais como pátios abertos, praças estreitas e zonas públicas elevadas, oferecendo novas estruturas para o envolvimento colectivo em contextos de alta densidade”.

Fundadora e directora do atelier LBA Arquitectura & Planeamento, Bruni vai abordar alguns projectos da equipa, nomeadamente o empreendimento de habitação pública no Fai Chi Kei, já demolido. “Aí propusemos áreas públicas em todos os andares, porque em Macau muitas vezes se esquece que, ao construir-se um edifício de 30 andares, cria-se uma certa descolagem da rua. As pessoas sentem que, quando deixam a rua, ela deixa de fazer parte da sua vivência diária.”

Carlotta Bruni lamenta “a maneira como a habitação social é desenhada em Macau, com certeza com os mínimos legais em termos de espaço”. “Estamos a desenhar apartamentos muito pequenos que depois não tem nenhum sítio onde as pessoas possam ter um pouco mais de vida. No edifício do Fai Chi Kei tinha, a cada dois pisos, um espaço muito grande, com duplo pé direito, para as pessoas poderem estar cá fora, ficar sentadas, fazer alguma ginástica, para as crianças se encontrarem”, disse. O bairro de habitação social Fai Chi Kei foi projectado por Manuel Vicente em 1977 e concluído em 1981. A demolição aconteceu em 2010.

O atelier LBA Architect & Planning desenhou o edifício B10 de habitação social na Zona A, cuja construção já está concluída. Também aí a opção foi para a criação de “uma série de jardins suspensos, com uma localização variada ao longo do edifício”, criando-se “situações específicas para cada piso”, a fim de construir “pequenas comunidades”.

A responsável defendeu também ao HM que há “uma certa falta de planeamento” no contexto da Grande Baía, ou pelo menos de “exigências de planeamento”. “Cabe aos arquitectos preocuparem-se em criar edifícios com interfaces urbanas mais interessantes, temos de fazer um esforço para conseguir criar uma cidade mais dinâmica e interessante”, apontou.

Governo | Wong Sio Chak visitou serviços públicos

Tendo assumido funções muito recentemente como secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak visitou recentemente diversos serviços públicos da sua tutela, a fim de se inteirar do funcionamento dos mesmos.

Desde o dia 16 de Outubro, quando tomou posse, que visitou a Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ), o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) e a Imprensa Oficial (IO), “tendo trocado opiniões com o pessoal de direcção e chefia e os trabalhadores da linha da frente”, destaca uma nota oficial.

No caso da DSAJ, a visita aconteceu no passado dia 21, tendo o secretário “tomado conhecimento da situação dos trabalhos em virtude da fusão da DSAJ com a IO”, que se formaliza a partir desta sexta-feira. Outra visita, decorreu na tarde de segunda-feira, tendo o governante, na companhia da directora dos SAFP Leong Weng In, e outros dirigentes, visitado “os gabinetes de trabalho desse serviço e reunido com o pessoal de direcção e chefia, para conhecer melhor os trabalhos de promoção da reforma da Administração Pública, os assuntos relativos ao recenseamento eleitoral e o atendimento ao público na linha da frente do Centro de Informação ao Público”, entre outras tarefas.

Wong Sio Chak deixou várias notas nestas visitas, nomeadamente “o reforço da união e cooperação” entre trabalhadores e a promoção “da comunicação horizontal e positiva, no sentido de unir a sinergia da equipa”, devendo apostar-se também “no espírito reformista e inovador e a assumir as suas responsabilidades”.

Qinghai | Sam Hou Fai destaca atractividade turística

Sam Hou Fai destacou os recursos “eco-turísticos abundantes” da província de Qinghai, que afirmou ser um dos locais procurados pelos residentes. As declarações constam de uma nota de imprensa, na sequência de um encontro entre o Chefe do Executivo e o vice-secretário do comité provincial do Partido Comunista Chinês (PCC) e governador da província de Qinghai, Luo Dongchuan, na Sede do Governo, que aconteceu na passada segunda-feira.

Além de destacar a atractividade turística da província que tem como capital Xining, Sam Hou Fai também apontou que as duas regiões chinesas devem reforçar a aposta no turismo ao “trabalhar em conjunto na exploração de mais produtos turísticos para concretizar a complementaridade mútua das vantagens e o desenvolvimento comum”.

No encontro, Sam Hou Fai indicou que Macau é um “interlocutor de precisão” entre a China e os Países de Língua Portuguesa e que pode “desempenhar activamente o papel de plataforma de serviços para a cooperação comercial”. O Chefe do Executivo mostrou assim a RAEM como uma plataforma para “ajudar os produtos característicos de Qinghai a explorar mais canais de promoção e venda dentro dos países lusófonos”.

HK / Eleições | John Lee elogia modelo de Macau e promete segui-lo

O Chefe do Executivo da região vizinha confirmou que enviou representantes a Macau para aprenderem com a experiência das Legislativas de Setembro. John Lee confirmou também ter enviado cartas aos funcionários públicos a indicar que a votação é uma prova de lealdade à Lei Básica e à RAEHK

O Chefe do Executivo de Hong Kong prometeu seguir o modelo de Macau nas próximas eleições para o Conselho Legislativo. John Lee elogiou as medidas de Macau, onde os funcionários públicos foram avisados que a abstenção nas Legislativas poderia ser entendida como falta de patriotismo, e alguns chefes dos departamentos da Administração Pública elaboraram questionários sobre a intenção de votar dos subordinados.

“Já pedi a todos os serviços públicos para tomarem todas as medidas possíveis para que os funcionários que precisam de trabalhar no dia de votação possam deslocar-se aos locais de voto, de forma conveniente”, afirmou o líder do Governo de Hong Kong. À semelhança de Sam Hou Fai, John Lee admitiu que também enviou uma carta aos funcionários públicos a indicar que a participação nas eleições é tida como uma prova de lealdade à Lei Básica e à RAEHK.

Ao contrário do que aconteceu em Macau, num primeiro momento, a carta de John Lee foi divulgada publicamente. Na missiva, o Chefe do Executivo indica que os funcionários públicos precisam de ser um exemplo de responsabilidade cívica, o que devem fazer ao votar. No entanto, John Lee não esclareceu, à imagem do que aconteceu em Macau, se vai penalizar os funcionários públicos que optem por não ir às urnas.

Recados às empresas

O líder do Governo de Hong Kong reconheceu também publicamente que como forma de preparar as Legislativas, vários representantes do seu Governo estiveram em Macau, onde se encontraram com governantes locais, para conhecerem o modelo. John Lee fez um balanço muito positivo deste intercâmbio, que explicou com o facto de considerar que as eleições na RAEM foram “realizadas com sucesso”.

No entanto, o esforço do Governo da RAEHK não se fica apenas pela mobilização dos funcionários públicos. Tal como aconteceu em Macau, em que algumas concessionárias e empresas estatais questionaram os trabalhadores sobre a intenção de votar e arranjaram transportes, em Hong Kong pretende-se que as empresas privadas também mobilizem os trabalhadores. “Apelo também a todas as entidades, organizações e empresas privadas e públicas a incentivarem os seus funcionários a votar, com medidas convenientes”, pode ler-se na carta tornada pública.

Apesar deste plano, o Chefe do Executivo de Hong Kong não traçou uma meta a nível da participação dos eleitores. “Não temos quaisquer indicadores rígidos, mas vamos fazer o melhor. É esse o nosso indicador”, indicou John Lee. Nas Legislativa de Macau, a taxa de participação foi de 53,35 por cento, a terceira mais baixa desde a transição da soberania.

Administração | Nick Lei acusa dirigentes de incompetência

O deputado Nick Lei acusou vários dirigentes dos serviços públicos de não terem “conhecimentos” para as funções que desempenham e tratarem os seus cargos como “estados feudais”. A acusação do deputado ligado à comunidade de Fujian foi feita durante a intervenção antes da ordem do dia do plenário da Assembleia Legislativa.

Numa intervenção em que pediu uma reforma das leis que regulam a Administração Pública, Nick Lei indicou que “face às mudanças internas e externas, aos desafios do desenvolvimento económico e às crescentes necessidades da sociedade no âmbito dos serviços públicos” é necessário implementar mudanças, para alcançar “resultados práticos e viáveis para os residentes”.

Lei defendeu depois que “a falta de clareza quanto às competências e responsabilidades dos serviços públicos, a falta de coordenação interdepartamental, a complexidade dos procedimentos administrativos, a atitude irresponsável dos serviços, a actuação de cada um à sua maneira e a desactualização de algumas leis e regulamentos”, mostra que “muitos dirigentes não têm conhecimentos suficientes sobre os serviços que prestam, e que, a par disso, a burocracia e “estados feudais” continuam a constituir obstáculos à elevação da eficiência governativa e à promoção do desenvolvimento socioeconómico”.

Neste sentido, o deputado pediu que se sigam os discursos de Xi Jinping e que o Governo avance com mudanças face aos obstáculos que impedem o seu próprio desenvolvimento.

Direitos Laborais | Leong Pou U estreia-se com pedidos

O deputado Leong Pou U estreou-se no hemiciclo a apelar ao Executivo para actualizar vários direitos laborais, que há mais de 30 anos não sofrem qualquer alteração.

“Na realidade, os padrões laborais de Macau estão sempre atrasados em relação aos países e regiões vizinhos, apesar de terem um desenvolvimento socioeconómico semelhante ao de Macau, […] e alguns padrões laborais não são actualizados há dezenas de anos”, começou por afirmar o deputado ligado aos Operários. “Por exemplo, as horas de trabalho e as férias anuais não são alteradas desde 1984, ou seja, há 41 anos; os feriados obrigatórios não são ajustados há 36 anos, desde 1989”, apontou.

Com base nestes dados, o deputado eleito pela via indirecta apelou ao Executivo para avançar o mais depressa possível com a “revisão e aperfeiçoamento sistemáticos das leis e regulamentos laborais e, tendo em conta a situação real e a tendência de desenvolvimento do mercado de trabalho de Macau”.

Apesar deste pedido, Leong Pou U defendeu a necessidade de existir um consenso entre as entidades patronais e trabalhadoras para implementar mudanças, o que raramente acontece, mesmo no seio do Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS).

AL | Definidas lideranças das comissões de trabalho

José Chui Sai Peng vai assumir a presidência da Comissão de Regimento e Mandatos, uma das comissões mais importantes. O português José Pereira Coutinho é o deputado mais experiente, mais velho e foi o “rei dos votos” no sufrágio directo, mas nem assim foi escolhido para qualquer cargo de liderança

Os deputados escolheram na terça-feira as composições e presidências das comissões de trabalho da Assembleia Legislativa. O legislador e empresário José Chui Sai Peng vai assumir a presidência da Comissão de Regimento e Mandatos, que assume especial importância por ter o poder para sugerir as alterações às regras de funcionamento do órgão legislativo.

Para o primo do ex-Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, a presidência de uma comissão não é novidade, dado que na Legislatura anterior liderava a Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas. Em relação ao secretário da Comissão de Regimento e Mandatos, a escolha dos deputados recaiu sobre o advogado e académico Iau Teng Pio.

No que diz respeito às comissões permanentes de trabalho, a 1.ª Comissão vai ser liderada por Wong Kit Cheng, enfermeira de formação e deputada das Mulheres. O secretário vai ser Nick Lei Leong Wong. Wong também tem experiência na condução dos trabalhos de comissões, dado que na Legislatura anterior liderava a Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas.

Na 2.ª Comissão, a presidência foi entregue a Ip Sio Kai, vice-presidente do Banco da China (Macau), enquanto a vice-presidência ficou para Lam Lon Wai, dos Operários. Na 3.ª Comissão, o escolhido para presidente foi Leong Sun Iok, igualmente deputado dos Operários, enquanto o secretário vai ser Leong Hong Sai, ligado aos Moradores.

Muito acompanhamento

Quanto às comissões de acompanhamento, sofreram também várias alterações. Na Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas, a presidência foi atribuída a Ella Lei Cheng I. Na Legislatura anterior a deputada dos Operários era a presidente da 1.ª Comissão Permanente. O secretário vai ser Joey Lao Chi Ngai, regressado ao hemiciclo, depois de ter sido preterido como legislador nomeado pelo Chefe do Executivo por Ho Iat Seng.

Na Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas, Song Pek Kei vai assumir a presidência, enquanto Ngan Iek Hang fica com as funções de vice. Finalmente, a nível da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública, o empresário Ma Chi Seng vai ficar responsável pela presidência, sendo Kou Kam Fai o secretário.

A presidência do Conselho Administrativo da Assembleia Legislativa, que trata de assuntos como o orçamento do hemiciclo, foi entregue a Ângela Leong On Kei. As escolhas das comissões confirmam também que José Pereira Coutinho foi excluído de qualquer posição de liderança apesar de ser o deputado mais experiente do hemiciclo, o mais velho e também aquele que foi o “rei dos votos” no sufrágio directo.

MNE | Pequim pede “respeito mútuo” após cancelamento da visita do ministro alemão

O Governo chinês defendeu ontem que China e Alemanha devem manter relações assentes no “respeito mútuo, igualdade de tratamento e cooperação mutuamente benéfica”, após o adiamento de uma visita do ministro alemão dos Negócios Estrangeiros. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun declarou, em conferência de imprensa, que Pequim “sempre desenvolveu os laços com Berlim a partir de uma perspectiva estratégica e de longo prazo”.

Guo sublinhou que, enquanto “grandes países e principais economias mundiais”, China e Alemanha mantêm uma relação de cooperação “mutuamente benéfica”. “Nas circunstâncias actuais, ambas as partes devem continuar a impulsionar os seus vínculos na direcção correcta”, acrescentou.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão confirmou na semana passada o adiamento da visita de Johann Wadephul, prevista para os dias 28 e 29 de Outubro, depois de a parte chinesa não ter confirmado mais encontros além da reunião com o homólogo chinês, Wang Yi.

A porta-voz da diplomacia alemã, Kathrin Deschauer, manifestou a “grande preocupação” de Berlim com as restrições impostas por Pequim à exportação de certos componentes usados na produção de semicondutores e materiais de terras raras, medidas que suscitaram alarme na indústria automóvel alemã.

As tensões comerciais entre os dois países intensificaram-se após a intervenção do Estado holandês no fabricante de ‘chips’ Nexperia, subsidiária da chinesa Wingtech, o que levou Pequim a restringir as exportações de componentes cruciais para o sector. A proibição está a gerar inquietação junto do Grupo Volkswagen, o maior construtor automóvel da Europa.

Diplomacia | Trump quer realizar um bom acordo com a China

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem que espera “chegar a um bom acordo” durante a próxima reunião com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, incluindo um pacto relacionado à plataforma TikTok, segundo a imprensa internacional.

Trump declarou, a bordo do Air Force One, que o TikTok será um dos temas que irá discutir com Xi durante o encontro, agendado para esta quinta-feira, à margem da cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), que se realizará na cidade sul-coreana de Gyeongju, segundo a agência de notícias EFE. De acordo com o Presidente norte-americano, o acordo, assinado entre Washington e a empresa-mãe da popular plataforma de vídeo, a chinesa ByteDance, já conta com a “aprovação provisória” de Xi.

Em Setembro, os Estados Unidos chegaram a um acordo com a ByteDance, apoiado por Pequim, para permitir que o TikTok continuasse a operar em solo norte-americano, após o Congresso dos EUA ter estabelecido em 2024 que a aplicação deveria ser desactivada devido ao risco que representava para a segurança nacional do país

O pacto estabelece a criação de uma ‘joint-venture’ maioritariamente norte-americana, com uma operação suficientemente separada da sua casa-mãe chinesa — que manterá uma participação de 20 por cento —, sobretudo no que diz respeito ao acesso do Governo chinês aos servidores que armazenam dados dos utilizadores.

O encontro presencial entre os dois líderes proporcionará uma oportunidade para ambas as potências aliviarem as tensões após o anúncio de Pequim de restrições à venda das suas terras raras e para discutir um possível acordo comercial abrangente após meses de tensões tarifárias.

Myanmar | Guterres quer “fim da impunidade” do governo militar

O secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu ontem que “o ciclo de impunidade” em Myanmar tem de terminar, falando em Kuala Lumpur, onde participa na cimeira de líderes da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e países aliados.

“Estou consternado com a situação deplorável na Birmânia [antigo nome de Myanmar]. O golpe militar de 2021 acumulou calamidade sobre calamidade. Aldeias bombardeadas ou incendiadas. Milhares de mortos. Milhões de deslocados. A estabilidade regional está em risco”, alertou Guterres, acrescentando que “as atrocidades e o ciclo de impunidade têm de acabar”.

Apelando ao fim imediato da violência, o líder da ONU afirmou que deve haver “um compromisso genuíno com o diálogo inclusivo” e um regresso ao governo civil, “começando pela rápida libertação de todos os que foram detidos arbitrariamente”.

A junta militar que detém o poder em Myanmar desde o golpe de Fevereiro de 2021 anunciou em Julho passado que iria realizar eleições em Dezembro, mas a falta de oposição real, com muitos políticos pró-democracia no exílio ou na prisão, incluindo a Prémio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, faz com que grande parte da comunidade internacional considere que o escrutínio vai ser uma farsa.

Desde o golpe militar contra o Governo democraticamente eleito liderado por Aung San Suu Kyi, Myanmar está imerso em turbulência, com uma rebelião armada a tomar o controlo de grandes áreas do território. “O caminho a seguir deve conduzir à restauração das instituições democráticas ancoradas no Estado de direito e nos direitos humanos”, considerou Guterres, admitindo acreditar que “ninguém acha que estas eleições serão livres e justas”.

Paz e ASEAN

O secretário-geral das Nações Unidas apoiou um plano de paz elaborado em 2021 pela ASEAN para pôr fim às hostilidades e iniciar o diálogo, que o governo militar tem ignorado. “É tempo de abrir canais humanitários, acabar com a violência e facilitar uma solução política abrangente”, disse.

“O povo de Myanmar conta com o nosso apoio colectivo”, acrescentou. As declarações do secretário-geral da ONU foram feitas durante uma conferência de imprensa na capital da Malásia, onde começou no domingo a cimeira dos líderes da ASEAN e dos países aliados. A cimeira vai prolongar-se até terça-feira e conta com a presença, além dos líderes dos países da região, do Presidente dos EUA, Donald Trump, do primeiro-ministro brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, entre outros.

Pessoas Normais

Em 2018 saiu um livro que rapidamente se tornou num best-seller, Pessoas Normais da Sally Rooney. Em 2020 saiu uma série televisiva inspirada no livro, que, com o mesmo nome, se tornou igualmente num êxito. É uma história sobre dois jovens, um rapaz e uma rapariga irlandeses, desde o último ano do secundário, em Sligo, no oeste da Irlanda, até ao final da licenciatura no Trinity College, em Dublin. Pessoas que se apaixonam, que se confundem e que têm sexo – jogam o jogo da intimidade de melhor forma que podem e embrenham-se em questões fraturantes e dolorosas. Rooney mostra que a verdadeira intimidade não se constrói no desejo, mas na capacidade de gerir, ou permitir, a partilha emocional.

A história é um cliché. Uma rapariga que não é popular na escola, mas que vem de um contexto familiar financeiramente favorecido, e um rapaz que é bastante popular na escola e que vem de uma classe trabalhadora. Eles envolvem-se sexual e emocionalmente num caso que tanto os aproxima como os separa. Entram na mesma faculdade e continuam no vaivém entre uma paixão desmedida e momentos de incompreensão. Mas é aí que o cliché termina, porque a forma como somos transportados para os mundos interiores de expressão emocional é tão rica, que nos retira do melodrama do costume e transporta-nos para uma realidade que nos é mais conhecida: a nossa, com as suas nuances e confusões. O livro chama-se Pessoas Normais porque o que lá retrata é real e normal.

Nesta história, o consentimento sexual e físico é atravessado por uma camada emocional que o torna complexo. Explorando questões sobre o poder, a classe e o erótico, as personagens navegam aquele mundo, cada uma com a sua capacidade distinta de concretização emocional e financeira. A intimidade é um jogo de poder, de quem abre ou fecha portas para a sintonia. E os lugares que as personagens habitam são próximos e distantes ao mesmo tempo, como se se perdessem na sintonia de um e de outro. Marianne, apesar do seu contexto, vem de uma família problemática que a ensinou que as suas vontades, ou a sua existência, não eram importantes. E nesse espaço de esvaziamento, ela oferece espaço ao outro para ultrapassar limites: ela não escolhe ceder; ela só não sabe conter. Connell, que vive perdido, sem saber onde pertence, encontra na Marianne uma forma de se integrar num mundo distinto do dele, que o desafia e o confunde. Os eventos são recontados na intimidade do pensamento de cada um, e percebemos como despertam percepções diametralmente opostas. A realidade deixa de existir e a percepção é modeladora do fazer e do sentir. E nos momentos de intimidade física, o corpo torna-se o único lugar onde a verdade se manifesta. O sexo não é um clímax, mas uma forma de comunicar – o único espaço onde conseguem dizer o que as palavras não iriam conseguir. O erotismo, pela autora, é vulnerabilidade pura.

Nesta história não há vilões, nem heróis, só pessoas – há quem diga que retrata a vida dos millennials em particular, na confusão que é estar com os outros no atual contexto de instabilidade laboral e até geopolítico. O sexo “não é assim com as outras pessoas”, como eles confessam um ao outro, e o romance e o erotismo da história vive nesses momentos explícitos, outros silenciosos. Com uma linha temporal fragmentada, acompanhamos as duas personagens em trechos significativos ao longo de cinco anos. O ritmo que nos é apresentado revela-nos outro facto mundano; eles estão a crescer. A relação entre Marianne e Connell é sintomática das dores de crescimento que os acompanham na descoberta de quem são – apenas pessoas normais.

O plano bilionário de Musk (2)

A semana passada, falámos sobre a proposta da Tesla para atribuir ao seu Director Executivo, Elon Musk, 1 bilião de dólares em acções a título de prémio de desempenho, na condição de atingir uma série de objectivos. Estes objectivos seriam: Primeiro, inverter o recente declínio na venda de carros. Segundo, desenvolver o negócio de venda de carros autónomos, etc. Depois de todas as metas serem atingidas, não só o valor e os lucros da Tesla aumentariam significativamente, como Musk receberia uma enorme compensação financeira, beneficiando assim ambas as partes.

No entanto, como a tecnologia de condução autónoma ainda não está completamente desenvolvida, e países de todo o mundo vão rever a legislação rodoviária em função desta inovação, a cobertura dada pelos seguros contra terceiros também irá sofrer alterações. Estes factores geram incerteza e podem vir a afectar a Tesla. Hoje, vamos continuar a analisar o impacto que o plano de compensação no valor de 1 bilião em acções vai ter na Tesla, em Musk e nos accionistas.

Terceiro, o plano da Tesla para fabricar 5.000 a 10.000 robots humanoides Optimus em 2025. O objectivo é criar robots que possam substituir os trabalhadores manuais, como carregadores, trabalhadores domésticos, etc. Contudo, a tecnologia do Optimus ainda não está aperfeiçoada. Muitas empresas de IA estão a trabalhar afincadamente para atingir este mesmo propósito. Ainda está por saber se a Tesla será bem-sucedida na sua investigação e se se irá tornar a primeira empresa a dominar o mercado da robótica.

Quarto, a fábrica da Tesla Shanghai Energy Storage Giga começou a produção no passado mês de Fevereiro. A empresa pretende trabalhar com um único operador de soluções energéticas, que forneça serviços de geração, armazenamento e gerenciamento de energia para complementar o negócio do automóvel, da robótica, dos super-computadores e da energia. Este objectivo requer padrões extremamente elevados tanto para software como para hardware. As tensões entre a China e os Estados Unidos podem ter consequências ao nível da importação e exportação de produtos, um factor que fica para lá do controlo da Tesla.

Quinto, o facto de Musk gerir várias empresas de IA faz com que disperse a sua atenção, e algumas das suas declarações públicas tiveram um impacto na imagem da Tesla. O prémio de desempenho que deveria ter recebido pelo seu trabalho em 2018 está actualmente em fase de recurso e ainda não se sabe se o prémio de 2025 será aprovado pelos accionistas e pelos tribunais. Tudo isto são questão que Musk deve considerar.

No plano do prémio de desempenho no valor de 1 bilião, Musk incorpora três qualidades essenciais num magnata de negócios bem-sucedido. Primeiro, a gestão que faz de várias empresas demonstra a sua dedicação ao trabalho e revela esforço e paixão. Segundo, assim que atingir os seus objectivos, as suas acções da Tesla aumentarão de 13 por cento para 25 por cento. Com um reforço do seu controlo sobre a empresa, Musk pode continuar a desenvolver o negócio e conduzi-lo até uma próxima década de prosperidade, provando o seu empenho num crescimento futuro. Terceiro, Musk possui um profundo sentido de aventura e, correndo riscos, cria grandes benefícios para a empresa e para si próprio. Só transformando a Tesla numa empresa tecnológica sem precedentes é que Musk poderá colher compensações substanciais, vinculando a longo prazo o seu património pessoal ao valor da empresa.

O conselho de administração da Tesla espera que este plano assegure o foco de Musk no seu projecto ao longo da próxima década, conduzindo a empresa para a transformação do negócio e o crescimento dos lucros. Se a investigação for bem-sucedida a Tesla pode vir a gerar lucros substanciais. O fracasso pode anular todos os investimentos e resultar em perdas. O risco é a essência do negócio. Lucros e perdas são precisamente a consequência de se correr riscos. Comparado com os 8,5 biliões que a empresa vale e os seus 400 mil milhões de lucro, o prémio de 1 bilião é só uma gota no oceano. Não é uma quantia significativa para a Tesla, mas une os interesses da empresa, dos seus accionistas e de Musk, cimentando um destino comum.

O sucesso do negócio da Tesla significa aumento dos dividendos dos accionistas, uma subida do valor das acções e um conjunto de accionistas satisfeitos. No entanto, alguns deles podem estar com medo que Musk não cumpra todos os objectivos propostos pela empresa, e que à medida que ele tenha mais acções, a participação no capital desses accionistas seja diluída. Este plano tornará-lhes-á mais difícil a aprovação de resoluções que assegurem os seus interesses no futuro. Neste cenário, a Tesla pode tornar-se incapaz de prescindir de Musk, alguns accionistas podem sentir que ele é indispensável, mas Musk pode ir-se embora quando os seus objectivos forem atingidos.

Temos de esperar pelo resultado da reunião de accionistas da Tesla que irá acontecer em Novembro e ver se Musk consegue criar outra lenda no mundo dos negócios.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
Email: cbchan@mpu.edu.mo

Pyongyang | Trump adoraria encontrar-se com Kim Jong-un

O Presidente norte-americano, Donald Trump, reiterou ontem que adoraria encontrar-se com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, durante a deslocação ao continente asiático esta semana.

“Adorava encontrar-me com ele, se ele [Kim Jong-un] quiser”, disse Donald Trump, em declarações aos jornalistas, a bordo do avião presidencial norte-americano (Air Force One) e que foram divulgadas ontem pelo gabinete presidencial dos Estados Unidos. Donald Trump admitiu prolongar a viagem à Ásia para se reunir com o líder da Coreia do Norte.

O chefe de Estado norte-americano esteve na Malásia no domingo, seguiu ontem para o Japão onde fica até hoje e depois desloca-se à Coreia do Sul na quarta-feira e na quinta-feira.

Na Coreia do Sul, Trump vai participar na cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) onde deve reunir-se com os homólogos sul-coreano e chinês, entre outros chefes de Estado. Até ao momento, o regime de Pyongyang não se pronunciou sobre as declarações do Presidente dos Estados Unidos.

ASEAN | Parceiros de Timor-Leste destacam “grande conquista” com adesão

Ásia, Europa e Estados Unidos foram unânimes em felicitar Timor-Leste pela entrada há muito desejada na organização regional

Vários parceiros de Timor-Leste destacaram a “grande conquista” do país com a adesão, no domingo, à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que vai permitir reforçar a sua integração regional. “O anúncio de ontem [domingo] na Malásia é uma conquista monumental e o resultado de muitos anos de trabalho árduo por parte do Governo de Timor-Leste, dos países da ASEAN e dos seus parceiros”, afirmou ontem a embaixada da Austrália, numa publicação nas redes sociais.

Timor-Leste concluiu domingo a adesão à ASEAN com a cerimónia de assinatura da declaração de admissão pelo primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão. O documento foi depois entregue ao secretário-geral da organização, Kao Kim Hourn, pelo chefe do Governo de Timor-Leste, acompanhado do Presidente José Ramos-Horta.

No domingo, num discurso proferido no âmbito da cimeira de chefes de Estado e de Governo da ASEAN, em Kuala Lumpur, na Malásia, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, felicitou Timor-Leste pela adesão, considerando-a um “marco importante para promover a interdependência económica e política” do país e para “reforçar a integração regional”.

Grupo completo

A representação da União Europeia junto da ASEAN também destacou, nas redes sociais, o apoio dado pela organização europeia a Timor-Leste através do reforço da capacidade, apoio ao comércio, reforço institucional, entre outros. “Hoje, a ASEAN está completa, geográfica e politicamente, e Timor-Leste ganha novas oportunidades de inclusão regional e de uma integração económica mais profunda”, lê-se numa publicação nas redes sociais.

Os Estados Unidos, através do secretário de Estado, Mark Rubio, também felicitou Timor-Leste pela “histórica” adesão com 11.º membro da ASEAN, salientando que “representa um passo importante na contínua busca pela integração e cooperação regionais”. “Os Estados Unidos mantêm o seu compromisso com a centralidade da ASEAN e apoiam os esforços de Timor-Leste no processo de integração”, acrescentou.

A ONU também felicitou Timor-Leste pelo “momento histórico”, bem como a missão residente do Banco Asiático de Desenvolvimento, que salientou que a adesão “abre novos horizontes de crescimento, unidade e progresso no sudeste asiático”. A ASEAN foi criada em 1967 pela Indonésia, Singapura, Tailândia, Malásia e Filipinas, e integrada mais tarde pelo Brunei Darussalam, o Camboja, o Laos, Myanmar, o Vietname e desde domingo por Timor-Leste. Com 676,6 milhões de habitantes, a ASEAN é a terceira região mais populosa do mundo, a seguir à Índia e à China.

Indústria | Lucros aceleram 3,2% em termos homólogos até Setembro

Os lucros das principais empresas industriais da China aumentaram 3,2 por cento em termos homólogos nos primeiros nove meses de 2025, acelerando face ao crescimento de 0,9 por cento registado até Agosto, informou ontem o Governo chinês. Segundo dados divulgados pelo Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE), o indicador registou um crescimento de 21,6 por cento apenas no mês de Setembro, face ao mesmo período do ano anterior.

Se a tendência se mantiver, as empresas industriais chinesas poderão finalmente inverter o ciclo negativo dos últimos três anos, em que os lucros caíram 2 por cento em 2022, 2,3 por cento em 2023 e 3,3 por cento em 2024. Entre Janeiro e Setembro, os lucros das empresas analisadas totalizaram 5,37 biliões de yuan, de acordo com o GNE. O GNE considera apenas empresas industriais aquelas que têm um volume de negócios anual superior a 20 milhões de yuan.

O estatístico do GNE Yu Weining atribuiu a recuperação à implementação de políticas de apoio económico por parte de Pequim e ao impulso da chamada “nova produtividade de qualidade” em sectores como a indústria aeroespacial, a produção de dispositivos inteligentes de consumo, a electrónica especializada e os instrumentos de precisão.

Yu sublinhou, no entanto, que persistem “mudanças complexas no ambiente externo” e “pressões contínuas sobre o desenvolvimento económico”, apelando a um reforço dos esforços para estimular a procura interna.