Função Pública | Em defesa da soberania e segurança João Santos Filipe - 4 Nov 2025 Na cerimónia de juramento de 264 dirigentes, Sam Hou Fai deixou claro que todos os funcionários públicos têm de defender “com firmeza o poder pleno da governação do Governo Central” O Chefe do Executivo alertou os funcionários públicos que têm de “defender com firmeza a soberania, a segurança e os interesses do desenvolvimento do País”. A mensagem foi deixada durante a cerimónia de juramento dos dirigentes dos serviços e entidades públicos, que decorreu no sábado. “Actualmente, perante a evolução acelerada das mudanças em todo o mundo, todos os trabalhadores dos serviços públicos da RAEM devem defender com firmeza a soberania, a segurança e os interesses do desenvolvimento do País”, afirmou Sam Hou Fai. O Chefe do Executivo pediu também aos 264 dirigentes que tomassem a “iniciativa de procurar alternativas e inovação” tendo em conta o “desenvolvimento” e “as mudanças” para se aproveitar “as vantagens únicas de Macau decorrentes do princípio ‘um país, dois sistemas’”. O dirigente máximo da RAEM pediu igualmente empenho “na integração da conjuntura do desenvolvimento nacional”. O juramento surge depois de em Dezembro do ano passado, a Assembleia Legislativa ter aprovado, por unanimidade, a lei que obriga todos os funcionários da Administração Pública a prestar um juramento de defesa da Lei Básica e de lealdade à China na tomada de posse. Sam Hou Fai indicou também que, sob o princípio Macau governado por patriotas, não se vai admitir funcionários públicos que não defendam “com firmeza o poder pleno do governação do Governo Central”. “Só com a valorização da nossa pátria, com o amor ao nosso país e a Macau é que se pode assumir a responsabilidade política de servir Macau e contribuir para a Pátria. Os funcionários aqui presentes constituem a espinha dorsal da equipa de governação do Governo da RAEM, desempenhando um papel imprescindível na elaboração e na implementação de políticas e medidas”, vincou. “Espero que tenham sempre em mente os compromissos solenes assumidos hoje, permaneçam firmes nas vossas convicções, defendam a integridade e o serviço público, cumpram os vossos deveres com lealdade, demonstrem coragem ao assumir responsabilidades, coloquem em prática o princípio ‘um país, dois sistemas’ de forma abrangente, precisa e inabalável e salvaguardem com firmeza o poder pleno de governação do Governo Central”, acrescentou. Motivo para despedimento O juramento é obrigatório para todos os funcionários públicos, incluindo os que têm nacionalidade portuguesa. Os trabalhadores já em funções terão 90 dias para fazer o juramento, sendo que a recusa implica automaticamente a anulação da nomeação para o cargo. De acordo com o mais recente Relatório de Recursos Humanos da Administração Pública, em 2023 a região tinha 34.311 funcionários. O documento não refere quantos têm nacionalidade portuguesa, mencionando apenas que 257 nasceram em Portugal. A lei obriga ainda os funcionários públicos a prestar o juramento de forma “sincera e solene”. A sinceridade do juramento será avaliada pelo superior hierárquico e qualquer demissão poderá ser alvo de recurso para os tribunais. Com Lusa
IAM | Instalados postos de recolha de móveis Hoje Macau - 31 Out 2025 O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) vai instalar a partir de amanhã, e até 7 de Novembro, 136 postos provisórios de recolha de móveis de grande dimensão. O anúncio foi feito ontem através de um comunicado, onde se indica que o lixo pode ser descartado entre as 20h00 e as 23h00. “Este ano, o número de postos de recolha aumentou de 60 para 136, dos quais 109 na Península de Macau, 16 na Taipa e 11 em Coloane”, foi indicado “Durante o prazo mencionado, os cidadãos podem descartar os móveis imprestáveis nos postos de recolha. Em cada posto de recolha, encontra-se colocada uma placa de sinalização para facilitar a sua identificação”, foi acrescentado. “O IAM lembra aos cidadãos que devem descartar os móveis imprestáveis nos postos de recolha nas datas e horários determinados, e que, ao descartá-los, estes devem ser colocados de forma segura, a fim de não afectar a higiene ambiental ou impedir a circulação de peões e veículos”, foi apelado. “O abandono ilegal de móveis imprestáveis nas vias públicas é punível com multa. Espera-se que os cidadãos colaborem com os respectivos trabalhos de higiene ambiental, criando em conjunto um ambiente comunitário limpo e organizado”, foi recordado.
Armas nucleares | China apela aos EUA que não retome testes Hoje Macau - 31 Out 2025 A China apelou ontem aos Estados Unidos para que “respeitem seriamente” a proibição internacional de testes nucleares, depois de o Presidente Donald Trump ter ordenado o reinício imediato dos ensaios com armas nucleares norte-americanas. “A China espera que os Estados Unidos respeitem seriamente as obrigações do tratado de proibição total de testes nucleares e o compromisso de proibir os testes nucleares”, disse o porta-voz da diplomacia chinesa Guo Jiakun. Pequim espera que os Estados Unidos “tomem medidas concretas para preservar o sistema global de desarmamento e não-proliferação nuclear e para preservar o equilíbrio e a estabilidade estratégicas globais”, declarou, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). “A posição da China sobre o desarmamento nuclear tem sido consistente e clara”, acrescentou, também citado pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP). O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros reagia durante uma conferência de imprensa regular em Pequim ao anúncio feito por Trump antes de se reunir com o Presidente chinês, Xi Jinping, na Coreia do Sul. Trump anunciou que ordenou ao Departamento de Defesa – a que passou a chamar Departamento de Guerra – que retomasse de imediato os testes de armas nucleares. “Devido aos programas de testes de outros países, instruí o Departamento de Guerra para iniciar testes com as nossas armas nucleares em igualdade de condições”, escreveu na sua rede social. “Esse processo terá início imediatamente”, acrescentou, segundo a agência de notícias norte-americana The Associated Press (AP). A China não realiza testes nucleares desde 1996, os Estados Unidos desde 1992 e a Rússia desde 1990. O Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares, que os Estados Unidos assinaram mas não ratificaram, tem sido respeitado desde que foi adoptado em 1996 por todos os países que possuem armas nucleares, à excepção da Coreia do Norte.
Xangai acolhe primeira exposição do CACE fora da Europa Hoje Macau - 31 Out 2025 A Colecção de Arte Contemporânea do Estado (CACE) vai inaugurar a sua primeira exposição internacional fora do espaço europeu, em Xangai, na China, a 8 de Novembro, com obras de artistas como Paula Rego, Júlio Pomar e Lourdes Castro. Intitulada “Paisagem Instável / Unstable Landscape”, a mostra estará patente na Fosun Foundation até 14 de Dezembro de 2025, no âmbito da 7.ª edição da Shanghai International Art Trade Week, anunciou ontem a Museus e Monumentos de Portugal (MMP). Com curadoria de Sandra Vieira Jürgens, a exposição reúne obras de artistas portugueses provenientes da Colecção de Arte Contemporânea do Estado e da Coleção Millennium bcp, destacando-se nomes como Paula Rego, Ângelo de Sousa, Lourdes Castro, Jorge Pinheiro, Júlio Pomar e Maria Helena Vieira da Silva, bem como criadores de gerações mais recentes, entre os quais Alice dos Reis, Diogo Evangelista, Joana da Conceição, Carlos Bunga, Catarina Leitão e Daniela Ângelo. Sob o tema da paisagem, entendida de forma ampliada, como território físico, mental, simbólico e social, “Unstable Landscape” propõe uma reflexão sobre as formas como os artistas portugueses têm reinterpretado este conceito nas últimas décadas. A mostra articula diferentes linguagens, do desenho à escultura, passando pela pintura e pela fotografia, e constrói um percurso entre “memória e imaginação, matéria e metáfora, explorando o modo como o espaço é habitado, percebido e transformado pela experiência humana”, explica a MMP, em comunicado. Todas as obras apresentadas partilham a “mesma inquietação”, de mapear a instabilidade do mundo, a mudança constante da natureza e das formas de viver e representar o real. Um longo diálogo Neste sentido, “Unstable Landscape” coloca em diálogo “memórias colectivas e subjectivas, paisagens naturais e urbanas, presenças humanas e forças geológicas, construindo uma cartografia aberta das relações entre o humano, o natural e o social”. A exposição resulta de uma parceria entre a Museus e Monumentos de Portugal, o Consulado-Geral de Portugal em Xangai/Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, e conta com o apoio da Fundação Millennium bcp, do Turismo de Portugal e da Fidelidade Seguros. Em destaque, a obra “Porto” (1962), de Maria Helena Vieira da Silva, cedida pela Colecção Millennium bcp e cuja exibição assinala o 30.º aniversário da geminação entre as cidades do Porto e Xangai. A pintura, que reinterpreta a geografia urbana como um labirinto luminoso, simboliza o diálogo cultural entre os dois países e reflecte o espírito da exposição: o da paisagem como construção instável e mutável. Ao estrear-se fora da Europa, a Colecção de Arte Contemporânea do Estado reforça o seu compromisso com a internacionalização da arte portuguesa e o diálogo intercultural, projectando Portugal como parceiro activo nas redes culturais globais. “A mostra convida o público chinês a descobrir a pluralidade de vozes e linguagens que compõem a arte contemporânea portuguesa”, acrescenta a MMP. A exposição em Xangai insere-se no programa de circulação internacional da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, que já passou por Madrid, com “Uma Casa, Teatro do Mundo” (2023), por Berlim, com “Fresh Breeze” (2023–2024), e por Roma, com “Uma Volta ao Sol” (2024), e que prosseguirá com um regresso a Madrid, com “Inquietude. Liberdade e Democracia” (2025–2026).
Como proceder? Paul Chan Wai Chi - 31 Out 2025 Há algum tempo, surgiu na rádio um slogan publicitário muito encorajador, “Não se trata de avançar porque vislumbramos a beleza, mas sim de ver a beleza ao avançar.” O único problema foi ter estado no ar muito pouco tempo, falhando assim a transmissão de todo o conteúdo da mensagem. Por exemplo, não explicava claramente aos ouvintes que o protagonista do anúncio tinha um objectivo e uma direcção pré-definidos antes de se lançar na perseguição da beleza. Além disso, ele não partiu sem mais nem menos, tinha um plano e sabia como proceder. Partir às cegas seria como caminhar no deserto e certamente iria dar a um beco sem saída. A passagem de peões que atravessava o cimo da íngreme Calçada do Botelho, e que desapareceu a 20 de Outubro, é um bom exemplo do que acabámos de dizer. Qualquer condutor experiente sabe que se um carro pára no cimo de uma encosta, voltar a ligá-lo é tarefa complicada e é uma das provas mais difíceis do exame de condução. A Calçada do Botelho é muito inclinada e os carros têm de subi-la de uma só vez, é por isso que existe um sinal de cedência de passagem na Rua de Santo António para permitir que os carros que sobem a Calçada do Botelho não tenham de parar. Toda a gente entende que se houver uma obstrução no topo da Calçada do Botelho que obrigue as viaturas a parar e depois a voltar a arrancar, podem facilmente descair, especialmente quando se trata de veículos de grande porte como camionetas e autocarros, colocando a segurança rodoviária em risco. Uma “passagem de peões temporária” foi colocada no cimo da Calçada do Botelho, o que desencadeou de imediato acesas discussões online, com os internautas a manifestarem a sua indignação. Depois de receber uma onda de críticas negativas, as autoridades competentes enviaram rapidamente trabalhadores para retirarem a passagem de peões temporária. Por trás deste incidente, vejo um problema que merece alguma atenção. Acredito que os funcionários da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego terão conhecimentos consideráveis sobre trânsito e também experiência de condução. Devem estar familiarizados com as condições do tráfego da Calçada do Botelho, sabem certamente que os congestionamentos diários são inevitáveis nesta artéria da cidade e também deveriam saber que colocar uma passagem de peões no cimo da rua só agrava a situação. Os trabalhadores que instalaram a passagem de peões temporária, e o agente da polícia presente no local para garantir a segurança da rua durante a instalação, deveriam saber que colocar uma passagem de peões no cimo da Calçada do Botelho é tão excitante como andar de bicicleta à beira de um precipício. Então porque é que ninguém contestou a instalação? Se tudo for feito apenas por vontade dos funcionários superiores, e todos os outros forem forçados a “cooperar sem levantar ondas”, os problemas serão inevitáveis. Num vídeo online, a KOL partilhou imagens da paisagem aquática entre Xiamen, na China continental, e a Ilha Kinmen, em Taiwan, com enormes bandeiras em ambos os lados, onde se podia ler “Um País, Dois Sistemas, Unificação da China” do lado da China e “Três Princípios do Povo, uma China Unificada” do lado de Taiwan. A unificação entre os dois lados do estreito seria um acontecimento significativo no futuro, e atingir este objectivo requer sabedoria por parte dos governantes. Eu não sei muito sobre a prática em Taiwan dos Três Princípios do Povo, ao passo que o meu conhecimento do princípio “Um País, Dois Sistemas” vem principalmente da Lei Básica. Nos Princípios Gerais – Capítulo I da Lei Básica de Hong Kong e de Macau, está estipulado que cada Região Administrativa Especial possui um alto grau de autonomia e goza de poderes executivo, legislativo e judicial independentes, incluindo o do julgamento em última instância, de acordo com as disposições desta Lei. No Preâmbulo da Lei Básica, é mencionado que as políticas fundamentais que o Estado aplica em relação a Macau, bem como a Hong Kong, são as já expostas pelo Governo Chinês na Declaração Conjunta Sino-Portuguesa e na Declaração Conjunta Sino-Britânica, respectivamente. As disposições da Lei Básica têm estatuto constitucional e a Declaração Conjunta não é um documento histórico obsoleto. Desde que respeitemos as intenções iniciais do princípio “Um País, Dois Sistemas” e nos dirijamos a metas bem definidas, iremos seguramente encontrar a beleza.
Alinhamento com o Plano do 15.º Quinquénio para Aprofundar a Integração de Macau no Desenvolvimento Nacional Hoje Macau - 31 Out 202531 Out 2025 Por 李焕江 Lei Wun Kong I. Contexto O Quarto Plenário do Comité Central destacou “a promoção da prosperidade e estabilidade duradouras de Hong Kong e Macau”, clarificando que o período do “15.º Quinquénio” é uma fase crítica para consolidar a base da modernização socialista. Durante este período, o país avançará ainda mais com o desenvolvimento de alta qualidade, a inovação científica e tecnológica, a coordenação regional e a abertura ao exterior de alto nível. A aceleração da construção de uma China saudável, a implementação de uma estratégia de prioridade à saúde e a integração do desenvolvimento com a segurança fornecerão uma garantia sólida para o progresso económico e social. II. Recomendações para uma Melhor Implementação do Espírito do Quarto Plenário 1. Aproveitar as Vantagens de “Um País, Dois Sistemas” e Absorver os Últimos Progressos em Direito Internacional e Tecnologia Para construir uma plataforma de abertura ao exterior de nível mais elevado, a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) precisa de aproveitar os mais recentes avanços nos sistemas jurídicos da Europa continental e da China Continental, refinando continuamente o seu próprio sistema legal de base civilista. Além disso, em áreas como a modernização institucional e industrial, a digitalização de processos judiciais e a convergência de regras, é essencial aproveitar a capacitação tecnológica e os modelos de IA da China para construir bases de conhecimento específicas e implantação local, fortalecendo a sistematicidade e a cientificidade da formulação de políticas. 2. Preservar a Harmonia e Estabilidade Social A RAEM deve continuar a aperfeiçoar os mecanismos e sistemas de salvaguarda da segurança nacional, bem como as políticas de bem-estar social. É crucial alcançar uma interação benéfica entre o desenvolvimento de alta qualidade e a segurança de alto nível, reforçando a avaliação de riscos de segurança em todas as fases dos processos administrativos e legislativos. 3. Aprofundar a Cooperação Regional para Integrar-se no Desenvolvimento Nacional (1)Reforçar a Integração de Recursos entre Macau e Hengqin Aproveitando as bases importantes de Macau, como o seu porto livre, regime fiscal de baixa tributação, sistema jurídico da Europa continental, quatro laboratórios nacionais chave e a plataforma de cooperação com os países de língua portuguesa, é necessário alinhar proactivamente com a iniciativa “Faixa e Rota” e integrar-se no desenvolvimento nacional. Utilizando as políticas do governo central e da Zona de Cooperação Profunda de Hengqin, bem como os recursos continentais em termos de custos, talentos e vantagens, Macau pode promover a cooperação com o continente em áreas como a medicina tradicional chinesa e a tecnologia, construindo uma cadeia industrial de “P&D + transformação + aplicação” para facilitar a investigação, produção, comercialização e internacionalização de novos medicamentos da medicina tradicional chinesa e biofarmacêuticos, impulsionando assim o desenvolvimento da saúde e tecnologia em Macau. (2)Acordos Regionais Com a evolução social, é necessário estabelecer mais acordos regionais entre Macau e o continente, por exemplo, sobre o reconhecimento e execução de medidas cautelares em litígios e assistência judiciária mútua em matéria penal. Além disso, a RAEM deve formular um “Regime Geral de Mediação de Macau”, estabelecendo procedimentos gerais de mediação civil e comercial, bem como a confirmação e execução de acordos de mediação pelos tribunais, criando condições favoráveis para o futuro reconhecimento e execução mútuos de acordos de mediação entre o continente e Macau. (3)Reforço da Cooperação Legislativa entre Macau e Zhuhai Colaborar para utilizar eficazmente o poder legislativo da RAEM e da Zona Económica Especial de Zhuhai. Por exemplo, uma vez que as regras de sucessão diferem entre as duas jurisdições, Macau e Zhuhai podem comunicar e cooperar para legislar de forma focalizada, estabelecendo regras sucessórias específicas para situações especiais na Zona de Cooperação de Hengqin (por exemplo, quando o falecido era residente de Macau, aplica-se o direito de Macau independentemente do seu último local de residência ser Macau ou Hengqin). Isso evita incertezas na lei aplicável ou alterações indesejadas nas regras de sucessão originalmente aplicáveis aos residentes de Macau que se deslocam para trabalhar ou viver em Hengqin, ou que residem em ambas as localidades。 III. Perspectivas Em suma, para implementar eficazmente o espírito do Quarto Plenário, a RAEM deve agir prontamente nos trabalhos do seu “Terceiro Plano Quinquenal” (Plano “3.º Quinquénio” de Macau), integrando organicamente os requisitos da modernização chinesa com a modernização de Macau no contexto de “Um País, Dois Sistemas”. Até 2029 (30.º aniversário do retorno de Macau à pátria), o ambiente jurídico da RAEM terá sido continuamente otimizado, a governação terá melhorado, a diversificação económica moderada terá alcançado resultados tangíveis, as “quatro novas indústrias” terão ganho escala, e a circulação de fatores será mais eficiente e conveniente, realizando plenamente as quatro visões de “Macau alicerçado em Estado de Direito” (法治澳门), “Macau Dinâmico” (活力澳门), “Macau Cultural” (文化澳门) e “Macau Feliz” (幸福澳门). Até 2035, quando o país estará basicamente modernizado, as vantagens de “Um País, Dois Sistemas” serão plenamente demonstradas, a base do Estado de Direito será mais sólida, e o objectivo de promover uma diversificação económica moderada de Macau estará essencialmente alcançado. Nota: O conteúdo acima é baseado na intervenção de Lei Wun Kong antes da ordem do dia na Assembleia Plenária da Região Administrativa Especial de Macau em 28 de outubro.
Arquitectura | Livro “Layering The City” apresentado hoje na Livraria Portuguesa Hoje Macau - 31 Out 2025 Decorre hoje, a partir das 18h45, o lançamento de um livro de arquitectura da autoria do atelier LBA – Architecture and Planning, de Rui Leão e Carlotta Bruni. A obra, “Layering The City – Research on Infrastructure and Public Space in Macau” tem contributos de outros académicos e profissionais ligados à arquitectura, como Jorge Figueira, Jun Jiang, Nicholas Boyarsky e Ana Vaz Milheiro. Numa nota de divulgação, refere-se que o LBA – Architecture and Planning procura “a concepção de projectos que integram a arquitectura contemporânea com o contexto histórico e cultural da região”, tendo contribuído “para moldar a identidade urbana e arquitectónica de Macau nos últimos 20 anos de rápida urbanização”. Descreve-se ainda que este atelier de arquitectura trouxe “contribuições intelectuais evidentes em narrativas especiais que integram contextos urbanos complexos com estratégias de design culturalmente sensíveis”, enfatizando-se “a importância de criar espaços que se harmonizem com o ambiente circundante, ao mesmo tempo que respondem às necessidades funcionais da vida urbana moderna”.
Azulejos | Gonçalo Lobo Pinheiro e Stephan Weixler em projecto artístico Hoje Macau - 31 Out 2025 “In the Middle of Concrete” é uma obra criada numa colaboração entre o fotojornalista português Gonçalo Lobo Pinheiro, radicado em Macau há vários anos, e o artista austríaco Stephan Weixler. Trata-se de uma iniciativa realizada no contexto do projecto de intervenção urbana intitulado “Missing Tiles of Lisbon”, que procura sensibilizar para o roubo e a destruição do património azulejar português. A instalação encontra-se na Rua de Macau, em Lisboa. O projecto “Missing Tiles of Lisbon”, fundado por Stephan Weixler, devolve peças artísticas ao espaço urbano, ocupando simbolicamente lugares onde azulejos tradicionais foram furtados ou destruídos, promovendo a protecção do património e consciencialização pública. Segundo um comunicado, a imagem de Gonçalo Lobo Pinheiro, e que dá corpo à obra “In the Middle of Concrete”, foi “captada ao entardecer nas Ruínas de São Paulo, em Macau, evidenciando a relação entre escalas humanas, estruturas urbanas densas e a memória histórica”. “A sobreposição entre a monumentalidade moderna e o património icónico traduz uma reflexão sobre identidade, espaço e transformação urbana”, é ainda descrito. Esta obra foi produzida com o apoio financeiro da União Europeia.
Livro | História de Ng Iun Peng inspirou romance de Maria Helena do Carmo Andreia Sofia Silva - 31 Out 2025 Chama-se “A Menina da Casa Grande” e é o novo romance de Maria Helena do Carmo, editado com a chancela do Instituto Internacional de Macau. Trata-se de uma história inspirada na vida de Ng Iun Peng, uma mulher chinesa nascida em Cantão, numa família rica, que viu a vida mudar completamente com a ocupação japonesa e a guerra civil chinesa. O lançamento decorreu ontem em Lisboa Maria Helena do Carmo, ex-residente, professora e autora, está de regresso aos livros. Desta vez o lançamento faz-se com o cunho do Instituto Internacional de Macau (IIM), que já tem à venda, nas suas instalações, “A Menina da Casa Grande”, um romance inspirado em factos reais, nomeadamente na história de vida de Ng Iun Peng, “uma mulher nascida em Cantão, que viveu a ocupação japonesa, a guerra civil chinesa e a Revolução Cultural, acabando por se refugiar em Macau”. Depois de ter lançado, em 2021, um romance centrado no século XIX em Macau, nomeadamente na vida de Pedro Gastão Mesnier, secretário do Governador Visconde de São Januário, Maria Helena do Carmo remete-nos agora para o século XX e os complexos anos da II Guerra Mundial em Macau e no sul da China, sem esquecer todos os acontecimentos bélicos e políticos que daí surgiram. Ao HM, Maria Helena do Carmo conta que conheceu a história de vida desta mulher no contexto das aulas do curso de patuá que frequentou em Lisboa, no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM). Um dos docentes, Joaquim Ng Pereira, filho de Ng Iun Peng, contou alguns episódios da vida da mãe, e aí Maria Helena do Carmo percebeu que tinha todos os ingredientes para um novo romance. Escrito com base em relatos gravados com a senhora, já no final da sua vida, e em relatos feitos pelos próprios filhos, Maria Helena do Carmo construiu então a história desta mulher que teve várias vidas, saindo da China, vivendo em Macau já numa situação financeira remediada e, depois, em Portugal, graças ao casamento com um português. “Ela [Ng Iun Peng] nasceu numa casa grande porque o pai era muito rico, tinha terras a perder de vista, indústrias, comércio. Nasceu, portanto, numa casa que ocupava um quarteirão inteiro, e foi uma menina mimada. Estudou em casa com professores particulares, depois fez o ensino secundário e um curso superior. As guerras empurraram a família para Macau”, disse. Ng Iun Peng viveu então as dificuldades que tantos chineses enfrentaram nestes anos, ao fugirem da China e procurarem refúgio em Macau e Hong Kong. “O pai, a primeira senhora do pai e ela foram para Macau, mas a mãe dela foi para Hong Kong com outras mulheres do pai e as meias-irmãs. Em Macau, ela trabalhou numa fábrica de tabaco, depois foi professora numa escola chinesa, enamorou-se de um português, e pronto.” Esta fase em que se viu obrigada a trabalhar numa fábrica “foi difícil para ela”. “Ficou com problemas nas costas durante muito tempo. Claro que é diferente, se a pessoa tinha uma vida rica e, de repente, passa a ter uma vida de trabalho”, acrescentou. Mudança religiosa A paixão por um português levou Ng Iun Peng para o outro lado do mundo no final dos anos 50, quando Portugal era um país fechado, sob um regime ditatorial. “Passou por todas as dificuldades. Imagine-se, em 1957, numa época em que não havia ainda uma compreensão pela maioria das pessoas. Sentiu-se marginalizada, ostracizada, incompreendida, porque falava mal português. Foi uma época muito traumatizante para ela.” Ng Iun Peng teve dez filhos e até acabou por se divorciar do marido português. “É a história de vida de uma pessoa que não é importante, não era nenhuma governadora, mas é a história de uma mulher comum, que se apaixona, casa, tem dez filhos e que faz de tudo para os criar, para que estudem. É um exemplo de vida que merecia ser divulgado.” Nascida numa família budista, Ng Iun Peng tornou-se missionária em Portugal, depois de ter lido uma bíblia. “A história começa que em 1958, pouco tempo depois de estar em Portugal, quando foi a uma feira do livro e encontrou um livro em chinês. Era a única coisa que ela sabia ler, e o senhor ofereceu-lho o livro. Leu essa bíblia como um romance, e depois acabou por aceitá-la com mais fé, e pedia a Cristo que a ajudasse em momentos difíceis, e acabou por se tornar cristã evangélica”, disse a autora. Esta conexão a uma nova religião dá-se em Vila Real, quando surgiu um pastor e um grupo de culto. “Quando foi para Macau com os filhos, acabou mais tarde por se tornar missionária em Cantão.” Maria Helena do Carmo considera que esta é uma história que representa não apenas as dificuldades vividas por tantas mulheres chinesas na época, mas “da mulher em geral, no mundo, quer seja chinesa, muçulmana ou portuguesa”. “Temos em Portugal, ainda hoje, tantas mulheres que sofrem, que têm de arcar com a responsabilidade de criar os filhos, de serem donas de casa e ainda terem de trabalhar para ganhar dinheiro e auxiliar a casa. Acho que esta história é um exemplo para toda a gente”, acrescentou a autora. O lançamento de “A Menina da Casa Grande” aconteceu ontem em Lisboa na Casa de Macau e contou com a presença de Ana Rute Santo, filha de Ng Iun Peng, “uma fonte fundamental para a pesquisa da autora, a par dos irmãos, Joaquim Ng Pereira e Vítor Ng Alves”, descreve-se na nota de apresentação da obra.
Terras raras | China confirma suspensão de um ano às restrições Hoje Macau - 31 Out 202531 Out 2025 O encontro entre Xi e Trump na Coreia do Sul deu alguns frutos, mas matérias como o TikTok mantêm-se indefinidas A China anunciou ontem a suspensão, por um ano, das restrições às exportações de terras raras e outros materiais estratégicos, no seguimento de consensos alcançados com os Estados Unidos. As medidas em causa tinham sido adoptadas a 09 de Outubro, no contexto da guerra comercial entre os dois países, e abrangiam um grupo de minerais essenciais para indústrias como a electrónica, defesa ou veículos eléctricos, cujo processamento global é dominado pela China. Em resposta a esses entraves, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçara aplicar um novo imposto de 100 por cento sobre os produtos chineses a partir de 01 de Novembro, pressão que acabou por ser retirada após a cimeira com Xi Jinping. “A China suspenderá durante um ano a aplicação das medidas de controlo às exportações em causa, anunciadas a 09 de outubro, e irá estudar e aperfeiçoar planos específicos”, anunciou o Ministério do Comércio, em comunicado. Trump declarou ontem, após os encontros com o homólogo chinês, Xi Jinping, na Coreia do Sul, que foi alcançado um acordo para a suspensão, por parte de Pequim, das restrições à exportação de terras raras – materiais cruciais para a indústria mundial. Um entendimento sobre este ponto foi alcançado durante as conversações preparatórias entre negociadores norte-americanos e chineses, realizadas há alguns dias na Malásia, confirmou também o Ministério do Comércio chinês. A China é o maior produtor mundial de terras raras, elementos essenciais para sectores como o digital, a indústria automóvel, a energia e a defesa. Estas matérias-primas tornaram-se uma das principais frentes da actual confrontação comercial com os Estados Unidos e também motivo de fricção com Bruxelas. Promessas na agenda Donald Trump e Xi Jinping concluíram ontem uma reunião bilateral de cerca de duas horas numa base aérea em Busan, no sul da Coreia do Sul, marcada por promessas de cooperação, gestos de distensão na guerra comercial e um acordo para novo encontro em 2026. Trump anunciou que, na sequência da reunião, reduzirá de 20 por cento para 10 por cento as tarifas que impôs este ano à China em resposta ao seu papel no tráfico de fentanil. “Tivemos uma reunião incrível”, declarou o republicano, a bordo do Air Force One, já no regresso a Washington. “Acredito que vão ajudar-nos com o fentanil”, disse, referindo-se a compromissos assumidos por Pequim. Ainda segundo Trump, foi alcançado um acordo para que a China retome a compra de soja norte-americana, suspensa desde Maio no contexto da guerra comercial entre os dois países. A questão tem particular peso político para Trump, que conta com forte apoio no eleitorado rural dos EUA. O líder norte-americano adiantou ainda que voltará a reunir-se com Xi Jinping em Abril de 2026, desta vez em território chinês. A reunião decorreu numa base militar adjacente ao aeroporto internacional de Busan e contou com a presença de vários altos responsáveis norte-americanos, entre os quais o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o representante comercial Jamieson Greer e o embaixador dos EUA em Pequim, David Perdue. Trump e Xi saíram juntos do edifício onde decorreram as conversações, trocaram palavras à porta e despediram-se com um aperto de mão. Xi foi o primeiro a abandonar o local. O encontro entre os dois líderes decorreu à margem da cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), que começa oficialmente esta sexta-feira em Gyeongju, a cerca de 76 quilómetros de Busan. Xi permanecerá na Coreia do Sul para participar no evento, enquanto Trump regressa já hoje a Washington. Tarifas portuárias suspensas O Ministério do Comércio chinês anunciou ontem que China e Estados Unidos vão suspender por um ano as taxas portuárias aplicadas reciprocamente, após a reunião dos Presidentes Xi Jinping e Donald Trump, na Coreia do Sul. O Ministério indicou que Washington “vai suspender a aplicação das medidas adoptadas (…) dirigidas às indústrias naval e logística da China”, que, por sua vez, fará o mesmo com as taxas impostas em retaliação aos navios norte-americanos, de acordo com um comunicado. Desde 14 de Outubro, a China impunha uma tarifa portuária sobre embarcações dos Estados Unidos, em resposta às medidas adoptadas no mesmo dia por Washington contra navios de propriedade, bandeira ou construção chinesa. Um porta-voz do Ministério do Comércio chinês anunciou também que ambos os países chegaram a um consenso sobre a cooperação na luta contra as drogas, a ampliação do comércio de bens agrícolas e a gestão de casos individuais relacionados com várias empresas, sem especificar quais. TikTok por resolver A reunião de ontem entre os Presidentes dos Estados Unidos e da China terminou sem acordo sobre a propriedade da rede social TikTok. “A China trabalhará com os EUA para resolver adequadamente as questões relacionadas com o TikTok”, declarou o Ministério do Comércio chinês depois do encontro, sem dar detalhes sobre qualquer avanço quanto ao futuro da popular aplicação de partilha de vídeos nos Estados Unidos. A administração de Donald Trump indicou que um entendimento com Pequim podia estar próximo, permitindo que o TikTok continuasse a operar no país. A intenção de Trump é permitir que um consórcio de investidores liderado por empresas norte-americanas adquira a aplicação à ByteDance, operação que exige também o aval de Pequim. Para Bonnie Glaser, directora do programa Indo-Pacífico no German Marshall Fund, o TikTok “não é uma prioridade para [o Presidente chinês] Xi Jinping”. Em conferência de imprensa esta semana, Glaser afirmou: “A China está satisfeita por deixar Trump declarar que chegou a um acordo. A questão é saber se esse acordo protegerá efectivamente os dados dos norte-americanos”. Consenso sobre fentanil e soja China e Estados Unidos alcançaram um consenso sobre cooperação antidroga e ampliação do comércio de bens agrícolas, anunciou ontem o Ministério do Comércio chinês, depois da reunião entre os Presidentes dos dois países. Um porta-voz do Ministério indicou que o acordo inclui também a “gestão de casos individuais envolvendo determinadas empresas”, sem especificar quais, pode ler-se num comunicado divulgado no portal da instituição. O fentanil e o comércio agrícola têm sido dois dos pontos de discórdia no actual mandato de Trump. O Presidente americano garantiu que Xi Jinping se comprometeu a reforçar os controlos sobre o fentanil, cuja produção, segundo Washington, é feita por cartéis mexicanos a partir de precursores químicos originários da China. Quanto ao comércio agrícola, Trump afirmou ter sido alcançado um acordo para a retoma imediata das compras chinesas de soja norte-americana, suspensas desde Maio no contexto da guerra comercial impulsionada pelo republicano. “Grandes, enormes quantidades de soja serão compradas de imediato. O Presidente Xi autorizou isso ontem [quarta-feira], e agradeço-lhe muito”, declarou Trump.
O Mestre que está na origem das Três Perfeições Paulo Maia e Carmo - 31 Out 2025 Du Fu (712-770), o poeta sábio da dinastia Tang, cultivou a amizade com a firmeza do seu inabalável carácter capaz de reconhecer nos outros a abundância da sua própria vida. Em poemas que deixou pode ler-se essa consciência. Celebrando encontros à volta da mesa, cunhando em versos a expressão literária Yinzhong baxian, dos «Oito imortais da taça de vinho» que aí atribui ao insígne poeta Li Bai. E, como escreveu para o seu amigo Wei Ba, nem o tempo nem a distância eram obstáculos para celebrar a amizade: «Sendo quase tão dificíl os amigos encontrarem-se como a reunião das constelações Shen e Shang que nunca partilham o mesmo espaço no céu, / Esta noite é uma ocasião rara./ Reunidos à luz de velas,/ Dois homens que foram jovens/ E agora, já nas têmporas o cabelo a ficar cinzento.» Noutro poema evocou um amigo que, como ele e tantas outras personalidades literárias do tempo, foram lesadas pela revolta do general An Lushan (703-57), que entre 755-63 abalou a dinastia. Para o seu amigo mais velho Zheng Qian (691-759) escreveu o incómodo que sentia por uma injustiça que lhe fizeram, no poema que começa: «De ti que, como de uma augusta árvore, se soltam da barba finos fios de seda,/ E depois de beber uma taça de vinho dizes ser apenas um velho mestre da pintura./ De muito longe oiço que o teu espírito é incomodado e todos os dias severamente admoestado.» Porque o velho mestre, tendo sido obrigado a servir na capital dos rebeldes, foi acusado de colaboracionismo no regresso do imperador e foi exilado paraTaizhou (Zhejiang) com funções menores. O facto de não ter sido executado poderá revelar uma memória do respeito como fora tratado pelo imperador Xuanzong (r.712-756), o que reinou mais tempo na dinastia Tang. De acordo com o historiador da pintura Zhang Yanyuan (815-907), ao receber um rolo pintado por Zheng Qian, mas também com um poema da sua autoria e escrito na sua distinta caligrafia, o imperador escreveu na obra quatro caracteres que perdurariam para descrever o apreço de obras de arte – zheng qian san jue, as «três perfeições de Zheng Qian». Zheng Qian foi descrito por Zhang Yanyuan (815-907) como alguém que «sofrendo privações, gostava do som do qin, do vinho e de recitar os seus poemas». E se bem não restem hoje exemplos da sua arte, outro historiador ainda no século VIII, Zhu Jingxuan, colocando-o na classe dos pintores yipin, «sem constrangimentos», refere o seu talento na pintura de peixes. Os seus interesses, porém, iam longe, desde a geografia à medicina tendo compilado uma obra nesta área com conhecimentos de árabes e persas. Mas entre aqueles que o recordaram com emoção, avultam os versos de Du Fu que no fim do poema de despedida escreveu: «E talvez que quando um dia nos separarmos,/ De novo, no outro mundo, continuaremos a percorrer a estrada da amizade, além do tempo.»
Taxas de juro | Segunda descida em dois meses Hoje Macau - 31 Out 2025 A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) aprovou ontem um corte de 0,25 pontos percentuais da principal taxa de juro de referência, a segunda descida em dois meses, seguindo a Reserva Federal (Fed) norte-americana. A AMCM fixou em 4,25 por cento a taxa de redesconto, valor cobrado aos bancos por injecções de capital de curta duração, com efeito imediato, de acordo com um comunicado. O regulador financeiro da região seguiu assim o corte anunciado na quarta-feira pela Fed. A AMCM disse que a descida era inevitável, por a moeda de Macau, a pataca, estar indexada ao dólar de Hong Kong, pelo que “a taxa de juros em Macau é consistente com a taxa de juros em Hong Kong”. A decisão da AMCM surgiu pouco depois de a Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA, na sigla em inglês) ter anunciado a descida da taxa de juro de referência, devido ao corte imposto pelo banco central dos EUA. O director executivo da HKMA disse ontem que o corte ajudará a aliviar o peso das prestações para os donos de imóveis e a reanimar os negócios imobiliários. No entanto, Eddie Yue Wai-man admitiu numa conferência de imprensa que o ritmo dos futuros cortes de juros permanece incerto.
PJ | Quatro detidos em caso de burla de 19 milhões de HKD Hoje Macau - 31 Out 2025 A Polícia Judiciária (PJ) deteve, esta segunda-feira, quatro pessoas suspeitas de burlar duas empresas de jogo em cerca de 19 milhões de dólares de Hong Kong. Segundo o jornal Ou Mun, os suspeitos terão iniciado o esquema de burla no início do ano passado, falsificando dados de contas bancárias e pedindo depois empréstimos a quatro empresas do jogo. Duas empresas concederam fichas mortas de uma sala VIP [atribuídas para se garantir que são realmente apostadas nas mesas de jogo de uma sala VIP em particular], com o valor de 19 milhões de dólares de Hong Kong. Agora, as empresas em questão alegam ter perdido 8,41 milhões de dólares de Hong Kong e 9 milhões de dólares de Hong Kong, respectivamente. O caso só foi descoberto porque os suspeitos tentaram sair de um dos casinos envolvidos no esquema com fichas mortas, tendo sido interceptados pelos seguranças e aí os agentes da PJ intervieram, detendo os suspeitos. Os suspeitos terão entregue as fichas mortas a outros suspeitos, que se encontram a monte. O caso foi encaminhado ao Ministério Público, havendo suspeita da prática dos crimes de associação criminosa, burla de valor consideravelmente elevado e falsificação de documentos.
MGM China | Registado melhor terceiro trimestre de sempre João Santos Filipe - 31 Out 2025 Foi ontem anunciado que a operadora de jogo MGM China registou, entre os meses de Junho e Setembro, receitas líquidas na ordem dos 8,5 mil milhões de dólares de Hong Kong. Trata-se de um “terceiro trimestre recorde”, foi referido em comunicação à Bolsa de Valores de Hong Kong A concessionária MGM China registou receitas líquidas de 8,5 mil milhões de dólares de Hong Kong entre Junho e Setembro, o que afirmou ser um novo recorde para o terceiro trimestre. A informação foi divulgada ontem através de um comunicado à Bolsa de Hong Kong. A mesma fonte indica que as receitas líquidas apresentaram um crescimento anual de 17 por cento, ao mesmo tempo que os lucros ajustados antes de juros, impostos, depreciação e amortização (adjusted EBITDA, em inglês) atingiram 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong. Também em relação a este indicador, a concessionária afirmou ter vivido o melhor terceiro trimestre de sempre, dado que o montante mais recente representa uma expansão anual de 20 por cento. “Estamos muito satisfeitos por ver a MGM China atingir um terceiro trimestre recorde. […] Estamos empenhados em compreender melhor os nossos clientes e melhorar a sua estadia nas nossas propriedades”, afirmou Kenneth Feng, presidente e director executivo da MGM China. Além disso, o responsável pelas operações em Macau mostrou-se confiante nos próximos anos devido à realização de mais espectáculos: “Com mais eventos de entretenimento a decorrerem em Macau, acreditamos que os visitantes terão muito mais motivos para visitar e continuar a impulsionar o crescimento do mercado de Macau”, destacou. Jogo maior Os dados revelados pelo MGM China mostram também que a concessionária tem vindo a ganhar uma fatia maior do mercado do jogo em Macau. No terceiro trimestre, a MGM teve uma quota de mercado de 15,5 por cento, o que resultou do facto de o casino MGM Cotai a conseguir uma quota de mercado de 9,4 por cento e do MGM Macau ter uma quota de 6,1 por cento. A quota de 15,5 por cento representou um aumento anual, dado que no ano passado não ia além dos 14,8 por cento. Sobre novos projectos em Macau, Kenneth Feng revelou aos analistas que a MGM China está a apostar na transformação de 160 quartos em 60 suites no Cotai. “A construção já começou e temos previsto que as obras fiquem terminadas na primeira metade do próximo ano”, indicou Feng. “Acreditamos que estas 60 suites vão ao encontro das expectativas dos nossos clientes que estão sempre em evolução. Além disso também estamos a desenvolver novas zonas de jogo para o segmento do mercado mais elevado”, acrescentou. “Esperamos que estas sejam alguma das nossas vantagens no futuro”, vincou. Em termos da empresa-mãe, a americana MGM Integrated Resorts, apresentou receitas líquidas de aproximadamente 4,25 mil milhões de dólares americanos, o que representou um aumento anual de 1,6 por cento.
Investigação | FDCT distribuí quase 40 milhões de patacas João Santos Filipe - 31 Out 2025 O Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia atribuiu 3,59 milhões de patacas a uma equipa de investigação da Universidade de Macau para ajudar a desenvolver uma vacina com tecnologia mRNA para o tratamento do cancro do fígado. Em três meses, os apoios do FDCT aumentaram 27 por cento O Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT) distribuiu 38,95 milhões de patacas em apoios à investigação no terceiro trimestre do ano. Os dados foram revelados através do portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). O maior apoio, no valor de 3,59 milhões de patacas, foi atribuído à Universidade de Macau, e ao projecto liderado por Chen Meiwan que vista o desenvolvimento de uma vacina com tecnologia mRNA para o tratamento do cancro do fígado. Este é o segundo apoio atribuído pelo FDCT ao projecto. No segundo trimestre do ano passado, a equipa da UM liderada por Chen recebeu outro apoio no valor de 4,80 milhões de patacas, o que faz subir o montante dos subsídios para o projecto para um total de 8,39 milhões de patacas. O segundo maior apoio do trimestre passado, foi atribuído à Fundação Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, no valor de 3,58 milhões de patacas. A investigação apoiada é liderada por Tam Kwong Hang e visa o desenvolvimento de plataformas com recurso à inteligência artificial para o diagnóstico e tratamento de fibrose hepática. Esta é uma condição que surge após lesões no fígado, quando os tecidos deixam de regenerar e as células mortas são substituídas por tecido fibroso, que pode levar ao surgimento de cirroses. Também neste caso, o FDCT entregou um segundo apoio ao projecto, depois de ter financiado a investigação com 4,76 milhões de patacas, no segundo trimestre do ano passado. Entre os três projectos mais apoiados, surge ainda a investigação conduzida por Chen Guokai e que integra a Universidade de Macau. O apoio foi de 3,57 milhões de patacas e visa o tratamento da distrofia muscular motivado pela idade. Este representou também um segundo apoio, depois de um primeiro subsídio de 4,77 milhões de patacas no ano passado. Outras ajudas Entre os 75 apoios distribuídos pelo FDCT no terceiro trimestre deste ano, apenas os mencionados anteriormente ultrapassaram o valor de 1 milhão de patacas. Em termos gerais, foram atribuídos 38,95 milhões de patacas no último trimestre, o que representa um aumento de 12,65 milhões de patacas em subsídios face ao montante de 26,30 milhões distribuído no período homólogo. Desde o início deste ano que o FDCT financiou projectos de investigação científica e tecnológica em 98,54 milhões de patacas. Este montante, representa um aumento de 20,96 milhões de patacas (27 por cento) face ao período homólogo, quando tinham sido atribuídos 77,58 milhões de patacas em apoios.
All About Macau | Jornal anuncia fim das operações João Santos Filipe - 31 Out 2025 O encerramento acontece numa altura em que o jornal tem sido sistematicamente impedido de entrar em eventos oficiais. Três jornalistas estão a ser visadas pelo Ministério Público. Duas tentaram assistir a uma reunião do plenário da AL, aberto a toda a população O jornal All About Macau anunciou ontem o fim das operações, devido ao aumento dos “riscos e pressões”. A decisão do jornal mensal com versão online foi divulgada ontem, através de um comunicado. “Confrontado com crescentes pressões e riscos, e depois de uma ponderação cautelosa, este meio de comunicação decidiu terminar as operações com a publicação de Outubro, que será publicado num formado especial”, consta da mensagem divulgada ontem. Além do fim da publicação em papel, o jornal vai igualmente desactivar o portal online a partir de 20 de Dezembro, deixando assim de disponibilizar um arquivo acumulado de mais de 15 anos. “Desde Outubro do ano passado, o acesso dos jornalistas do All About Macau a alguns eventos oficiais começou a ser restringido”, é relatado. “Em Abril deste ano, este meio de comunicação teve novamente a entrada negada na Assembleia Legislativa e três jornalistas estão indiciados de crimes, pelo que podem enfrentar processos criminais como resultado do incidente”, foi acrescentado. Os episódios de bloqueio por parte das autoridades de Macau ao jornal tornaram-se frequentes no final do ano passado. Inicialmente, as autoridades utilizaram como desculpa a falta de capacidade de vários locais onde decorriam os eventos, mesmo se os locais estavam praticamente vazios. No entanto, a dimensão do bloqueio escalou para um nível diferente, quando a Assembleia Legislativa começou a impedir o acesso dos jornalistas da publicação à sala do Plenário, que em teoria devia ser aberta a toda a população. O episódio levou a que duas jornalistas fossem detidas. Cancelado pelo GCS Na mensagem de ontem, foi também tornado público que o Gabinete de Comunicação Social deixou de reconhecer o All About Macau como uma publicação registada. A decisão terá sido justificada com o facto de o GCS ter passado a considerar que o All About Macau “deixou de cumprir os requisitos legais” para ser reconhecido como órgão de comunicação social, apesar de ter uma publicação mensal. O registo foi assim cancelado. Com o encerramento, chega ao fim uma publicação que foi montada em 2010 e que teve sempre como objectivo sobreviver sem qualquer tipo de subsídio de entidades públicas. Na mensagem de despedida, o All About Macau deixou ainda a garantia que sempre se orientou pelos valores da integridade jornalística, o trabalho de investigação e pela defesa das liberdades de informação e de expressão, garantidas pela Lei Básica.
Hengqin | Leong Sun Iok lança apelo a profissionais de Macau Hoje Macau - 31 Out 2025 O deputado Leong Sun Iok apelou aos profissionais de Macau para que aproveitem as oportunidades na Ilha de Hengqin. Estas declarações surgem depois de as autoridades da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin terem publicado uma lista que facilita o reconhecimento das qualificações profissionais em Hengqin, pelo que o deputado, em declarações ao jornal Exmoo, lembrou que, das 87 qualificações profissionais abrangidas, 49 dizem respeito a Macau. Leong Sun Iok lembrou ainda que, nos últimos anos, as autoridades de Hengqin e Macau lançaram várias medidas de incentivo para atrair os residentes para a Zona de Cooperação, tal como o plano de apoio aos jovens para se deslocarem e trabalharem na Grande Baía, lançado recentemente, onde se atribuem subsídios de emprego de cinco mil patacas aos recém-licenciados, com menos de 35 anos, que trabalhem nas empresas aderentes ao programa. O deputado sugeriu ainda que o Governo reforce as funções da plataforma da Conta Única de Macau, a fim de os utilizadores poderem, através da aplicação, conhecer as vagas de emprego disponíveis em Hengqin, bem como acções de formação, certificações necessárias e estágios, para que os profissionais se possam melhor adaptar ao ambiente de Hengqin.
AL | Kou Hoi In despediu-se do hemiciclo com louvores João Santos Filipe - 31 Out 2025 Na hora da despedida, o ex-presidente da Assembleia Legislativa decidiu louvar os 120 trabalhadores com quem trabalhou nos seis anos em que desempenhou o cargo Antes de deixar a presidência da Assembleia Legislativa, a 16 de Outubro, Kou Hoi In atribuiu 120 louvores aos trabalhadores que o acompanharam ao longo dos seis anos no cargo. O texto com os louvores aos vários trabalhadores da AL foi publicado ontem no Boletim Oficial. “Ao cessar as minhas funções de Presidente da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China, desejo louvar todos os trabalhadores dos Serviços de Apoio à Assembleia Legislativa que ao longo dos seis anos em que tive a honra de exercer a presidência desta Instituição me acompanharam sempre com grande empenho, zelo, competência, lealdade e excepcional dedicação”, pode ler-se. “Todos, no âmbito das respectivas funções, serviram a Assembleia Legislativa […] com elevado sentido de responsabilidade, grande disponibilidade, exemplar abnegação e sentido de pertença a esta Instituição. Merecem, por isso, ser louvados pelo seu inigualável empenho no serviço da causa pública e da importante contribuição que ao longo destes anos prestaram em prol do prestígio da Assembleia Legislativa e do progresso da RAEM”, foi acrescentado. Kou Hoi In indicou ainda que todos os trabalhadores “sem excepção”, “puseram o melhor do seu saber no desempenho das suas funções”, pelo que considerou os louvores atribuídos “de inteira justiça” Lista dos contemplados Na lista de louvores constam, entre outros os nomes de Sílvia Barradas, Luís Pessanha, Liu Dexue, Arnaldo Vilas, Paulo Henriques, Ana Correia, Rosa Neves, Simone Maria Martins, Erica Leong In Peng, André Lai Kin Meng, Gabriela do Espírito Santo, Luís Batalha, Manuela Borges, Luís Lopes, Graça Kong Sales Ritchie, Madalena Cardoso, Bruno Brazão, Manuela Rodrigues, Ana Luísa de Moura, Manuela Rosa da Costa, Alberto Xeque do Rosário, Carolina Fernandes, Margarida Fátima da Silva ou Joaquim da Silva Leong. Kou Hoi In foi eleito presidente da Assembleia Legislativa em 2019, depois da posição ter sido deixada vaga por Ho Iat Seng, que abandou o hemiciclo para se candidatar a Chefe do Executivo. O início do mandato foi atribulado, com Kou Hoi In a precisar de repetir o juramento, depois de na primeira ocasião se ter esquecido de mencionar numa das três a palavra Macau. A repetição não acabou com a controvérsia, uma vez que na altura o juramento correu num ambiente fechado, o que fez com que o carácter público da cerimónia fosse questionado. Apesar disso, Kou voltou a assumir o cargo na última Legislatura, fazendo com que tivesse ocupado as funções durante seis anos. No passado dia 16 de Outubro, André Cheong assumiu o cargo
Comércio | China retoma compras de soja dos EUA Hoje Macau - 30 Out 2025 A China comprou esta semana dois carregamentos de soja dos Estados Unidos, os primeiros da actual colheita, após meses de suspensão devido às tarifas, noticiou ontem a Bloomberg, na véspera da reunião entre Xi Jinping e Donald Trump. Fontes citadas pela agência indicaram que os envios já foram reservados para datas futuras e poderão estar integrados no “acordo preliminar” assinado por Pequim e Washington na semana passada, em Kuala Lumpur, como preparação para o encontro de alto nível previsto para esta quinta-feira, na Coreia do Sul. A aquisição poderá assinalar a retoma dos fluxos comerciais de soja entre os dois países, no quadro de um entendimento mais amplo entre os dois líderes, que inclui a reversão de tarifas e restrições impostas nos últimos meses. No domingo, o secretário do Tesouro norte-americano e chefe da equipa negocial, Scott Bessent, antecipou um regresso em força das compras chinesas, garantindo que os agricultores dos EUA ficariam “extremamente satisfeitos” com os termos do acordo. Desde que Donald Trump reactivou a guerra comercial com a imposição de tarifas em Abril, a China tem usado a soja como instrumento de pressão. Apesar dos apelos de Trump “para quadruplicar” os pedidos, a China diversificou os fornecedores, reforçando importações do Brasil, Argentina e Uruguai, investindo na produção interna e até reduzindo o uso da soja na pecuária, segundo a consultora Trivium. A mesma consultora advertiu que os líderes chineses “não têm qualquer interesse” em voltar a depender dos EUA para a sua segurança alimentar e descartou um “reinício estrutural” do comércio bilateral de soja. Este mês, a televisão estatal CCTV indicou que os EUA poderiam perder até 16 milhões de toneladas em exportações para a China se os pedidos não fossem retomados até meados de Novembro. “Perder a China significa perder metade do mercado”, apontou.
Tecnologia | Pequim lança plano para acelerar auto-suficiência Hoje Macau - 30 Out 2025 O Partido Comunista Chinês apelou a uma mobilização nacional para alcançar avanços “decisivos” em semicondutores e tecnologias-chave, nas vésperas do encontro entre o Presidente do país e o homólogo norte-americano na Coreia do Sul. A iniciativa surge num momento de renovada tensão comercial com os Estados Unidos, marcada pelo uso crescente de controlos tecnológicos e restrições ao acesso a materiais estratégicos. No texto publicado pelo PCC, que detalha as prioridades para o plano quinquenal 2026-2030, o partido apela a “medidas extraordinárias” para alcançar a auto-suficiência tecnológica em áreas-chave. A versão oficial do discurso do Presidente chinês, Xi Jinping, sobre o plano, ontem divulgada pela agência de notícias oficial Xinhua, sublinha a necessidade de “acelerar a auto-suficiência científica e tecnológica de alto nível”. “As propostas devem promover a inovação original e garantir que a China mantém firmemente o controlo da sua trajectória de crescimento”, afirmou o Presidente chinês, ao reconhecer os desafios de um “ambiente externo cada vez mais adverso”. O documento servirá de base para a elaboração do plano oficial pelo Conselho de Estado (Executivo), cuja versão final deverá ser aprovada em Março de 2026. Além da aposta em inovação, o plano propõe maior investimento em “capital humano”, incluindo subsídios à natalidade, expansão da educação gratuita, reforço das pensões e seguros e aumento do rendimento rural. Xi afirmou que estas medidas devem ser “integradas ao investimento em infraestruturas”, para estimular o consumo interno, uma meta antiga face à dependência do investimento público e das exportações. Entre os novos sectores prioritários estão a computação quântica, veículos aéreos não tripulados (‘drones’), biotecnologia, energia do hidrogénio e de fusão, robôs humanoides com inteligência artificial, interfaces cérebro – máquina e redes móveis 6G. O uso de inteligência artificial em todas as indústrias é igualmente destacado como prioridade para os próximos cinco anos.
FRC | Debate sobre “Puzzle China-Brasil” e lugar da RAEM Hoje Macau - 30 Out 2025 A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, mais uma sessão de debate integrada no ciclo “Roda de Ideias”, e que tem como tema “O Puzzle China-Brasil: Posicionando a Peça Estratégica de Macau”. Segundo uma nota da FRC, o objectivo desta sessão é “reunir vozes-chave para abordar uma questão crucial: como pode o ecossistema único de Macau ser aproveitado para facilitar, reduzir o risco, e acrescentar valor tangível a este corredor económico vital”. Co-organizada pela FRC e pelo Well Link Bank Macau, a conversa contará com quatro convidados, nomeadamente Yuri Ribeiro, fundador e CEO da “Valor da China”, empresa de consultoria e ‘market intelligence’ exclusivamente dedicada às relações Brasil-China, à compreensão cultural e ao desenvolvimento de negócios internacionais, com sede em Cantão. Outro convidado, é Alexandre Lobo, vice-reitor e professor catedrático da Universidade de São José em Macau, apresentado como um “líder brasileiro em inovação, com 20 anos de experiência global, e que combina um profundo conhecimento em inteligência artificial e ciência de dados, com a paixão por liderar projectos transformadores”. O leque de convidados completa-se com Felipe Ribeiro de Assis, advogado associado da PK Advogados, São Paulo, com um escritório full-service sediado no Brasil, onde coordena o “Chinese Desk”, e ainda Rodrigo Barbosa, co-fundador e director comercial da “Modular Park Brasil”, a representante exclusiva da Mussini no Brasil, especializada em construção metálica. O moderador será José Paulo Esperança, professor e director de parcerias internacionais da Faculdade de Gestão da Universidade da Cidade de Macau. Ex-Reitor da ISCTE Business School e Pró-Reitor para as Relações Internacionais e Empreendedorismo do ISCTE-IUL, Portugal, é doutorado em Economia pelo Instituto Universitário Europeu. Foi ainda vice-presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia entre 2019 e 2022. Desafios e oportunidades Na conversa de hoje aborda-se o panorama global actual, onde, no “mundo de realinhamento geopolítico e económico, a relação China-Brasil apresenta oportunidades sem precedentes e desafios complexos”. Assim, “neste novo cenário, o papel de Macau necessita ser reexaminado e redefinido”, defende-se. Nesta mesa-redonda, o que se pretende é “transpor este diálogo para a acção, identificando obstáculos reais e mapeando os caminhos práticos para uma integração dos serviços em Macau, transformando o seu potencial latente numa vantagem competitiva concreta”, é referido.
Triângulo Estratégico Global (II) Jorge Rodrigues Simão - 30 Out 2025 “Winning the AI race will usher in a new golden age.” U.S. Defense Innovation Board, 2023 Depois dos Estados Unidos, a Rússia é a única grande potência com laços de sangue profundos com Israel. A diáspora de judeus oriundos do espaço pós-soviético, iniciada há mais de quatro décadas, permitiu a Moscovo contar com uma comunidade de cerca de um milhão de russos a viver em território israelita, muitos deles integrados nas elites. A comunicação entre Netanyahu e Putin é directa e funcional. No Kremlin, há quem veja com bons olhos a eventual ascensão de Naftali Bennett judeu de origem americana e mediador informal nas negociações russo-ucranianas de 2022, interrompidas por pressões externas. Neste contexto, a possibilidade de Israel expandir os seus actuais sete teatros de guerra não é remota. A erosão acelerada dos equilíbrios internos ao triângulo com o Irão e a Turquia fragiliza os amortecedores geopolíticos da região. A distância física de quase dois mil quilómetros que separa Israel do Irão torna-se cada vez mais irrelevante, à medida que se intensifica a tensão entre os dois regimes, envoltos numa retórica de demonização mútua. A crise do corredor estratégico que liga Herat a Beirute, passando por Teerão, Bagdade e Damasco, alimenta a hipótese de um confronto directo. Com a Turquia, o tabuleiro é outro. A Síria tornou-se o campo de manobra. Damasco, tomada recentemente por milícias jihadistas apoiadas por Ancara, está perigosamente próxima das posições israelitas para lá do Golã. Um cenário de equilíbrio instável entre turcos em Alepo e israelitas em Damasco começa a desenhar-se. Erdogan, com ambições de longo prazo, sonha com a reconquista simbólica de Jerusalém e da mesquita de Al-Aqsa, num futuro em que Israel não exista. Embora Telavive não o admita, o verdadeiro desafio estratégico não está no Irão, enfraquecido e em modo de sobrevivência, mas na Turquia, cuja visão neo-imperial se estende do Médio Oriente ao Norte de África. O pragmatismo poderia levar Israel a procurar aproximação com Teerão para conter Ancara, cuja expansão é mais tangível e ameaçadora. O mosaico de rivalidades no Médio Oriente aparenta estar contido, mas a sua fusão com o conflito ucraniano por via do Cáucaso ou do Mar Negro não é uma hipótese a descartar. A análise cruzada dos três grandes cenários de guerra conduz a três conclusões. A primeira, a da paz possível será sempre imperfeita e só poderá nascer de compromissos graduais entre os Estados Unidos e a China, com a Rússia como peça-chave. São estas três potências que detêm a capacidade de se aniquilar mutuamente e, com isso, pôr fim à vida no planeta. O verdadeiro líder do século será aquele que conseguir atrair Moscovo para a sua esfera, oferecendo-lhe a ilusão de autonomia. A Europa, mesmo nas suas versões mais ambiciosas, disputará lugares secundários no comboio conduzido por Washington ou Pequim. Potências médias com aspirações globais como o Japão, a Índia ou a própria Turquia ocuparão lugares de destaque, mas sempre subordinados a um equilíbrio instável. Não há hegemonia absoluta, apenas uma dança de forças em tensão permanente. Nada que se compare à ordem de Viena ou à geometria bipolar de Yalta. O mundo actual é um salão de baile onde aristocratas decadentes e corsários sofisticados dançam sob vigilância mútua, mantendo esferas de influência que se sobrepõem e se entrelaçam. O compromisso entre os grandes não é o fim da história, mas a única forma de evitar que termine. Sob essa trégua frágil, multiplicar-se-ão conflitos de menor escala, sobretudo entre o Médio Oriente e África guerras intermitentes, sem plano e horizonte, em territórios esquecidos ou disputados por vizinhos e potências distantes. Duas variáveis, no entanto, escapam a qualquer controlo a de um eventual confronto entre a Rússia e a China, ainda remoto mas plausível, e um embate directo entre a Rússia e os Estados Unidos, menos provável mas facilitado pela proximidade das linhas de contacto na Europa Oriental, especialmente após a divisão da Ucrânia. Não será amanhã. Mas depois de amanhã pode ser tarde. Vivemos num tempo de coexistência forçada, imposta pela impossibilidade de uma guerra mundial racionalmente concebida. Conflitos localizados ou até globais podem surgir, desde que se mantenham abaixo do limiar nuclear. (Continua)
Coreia do Sul | Trump não se reúne com Kim Jong-un Hoje Macau - 30 Out 2025 O Presidente norte-americano, Donald Trump, esclareceu ontem que não se vai reunir com o homólogo norte-coreano, Kim Jong-un, durante a actual visita à península coreana, justificando-o com incompatibilidades de agenda. “Conheço muito bem Kim Jong-un. Damo-nos muito bem. Realmente, não vai dar para um encontro desta vez. O Presidente [chinês] Xi [Jinping] chega amanhã [hoje] e isso é muito importante para o Mundo, para todos nós”, disse Trump durante um almoço com o homólogo sul-coreano, Lee Jae-myung, na cidade de Gyeongjiyu. O chefe de Estado norte-americano acrescentou que deseja estar com o líder da Coreia do Norte e tinha esse objectivo neste périplo, mas “há outros compromissos”, embora a sua vontade seja “trabalhar duro com Kim Jong-un e todo o Mundo para resolver as coisas”. Trump vai regressar a Washington, após o encontro com o presidente chinês, coincidente com a cimeira de líderes do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC, na sigla inglesa). O actual chefe de Estado sul-coreano, no cargo desde Junho, tem-se mostrado mais favorável ao diálogo com o vizinho do norte do que o seu antecessor e enalteceu os esforços diplomáticos de Donald Trump. No primeiro mandato, o Presidente dos Estados Unidos da América reuniu-se três vezes com o representante máximo de Pyongyang, entre 2018 e 2019, e protagonizaram ambos um simbólico aperto de mãos na zona desmilitarizada da península coreana, embora sem qualquer resultado prático.
Tóquio | Japão e EUA assinam acordo sobre minerais e terras raras Hoje Macau - 30 Out 2025 O périplo asiático de Trump incluiu um encontro com a nova líder do Governo nipónico, Sanae Takaichi. As terras raras continuam no topo da agenda comercial da administração norte-americana Tóquio e Washington assinaram terça-feira um acordo de cooperação no sector dos minerais críticos e terras raras, com foco em investimentos coordenados para garantir um fornecimento estável, num contexto de restrições às exportações impostas pela China. Nos termos do acordo, assinado na capital do Japão pela primeira-ministra do país, Sanae Takaichi, e pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, Tóquio e Washington vão colaborar na identificação de projectos de interesse comum para colmatar as lacunas nas cadeias de abastecimento destes materiais, essenciais para o desenvolvimento da tecnologia moderna. As duas potências estabeleceram um prazo de seis meses para “tomar medidas para fornecer apoio financeiro a projectos selecionados com o objectivo de gerar um produto final para entrega a compradores nos Estados Unidos e no Japão e, se for caso disso, em países com interesses semelhantes”, segundo a Casa Branca. As administrações japonesa e norte-americana comprometeram-se a servir de ponte na promoção do diálogo a nível empresarial para fazer avançar projectos que estabeleçam cadeias de abastecimento “novas e seguras” e concordaram em mobilizar recursos público-privados para as iniciativas. Estes recursos incluem “subvenções, garantias, empréstimos ou capital, acordos de compra e venda, seguros ou facilitação regulatória”, e os projectos não se limitam ao processamento de matérias-primas, mas incluem produtos derivados, como ímanes permanentes, baterias, catalisadores e materiais óticos. Mais assinaturas Trump e Takaichi assinaram o acordo após uma cimeira no Palácio Akasaka de Tóquio, a segunda paragem da digressão asiática do Presidente norte-americano, que também assinou um pacto no sector de terras com a Malásia, país onde esteve anteriormente. Os acordos têm como pano de fundo as restrições impostas pela China às exportações de terras raras – mineral chave para a tecnologia, cujo processamento e venda Pequim praticamente monopoliza – no âmbito do diferendo comercial com os Estados Unidos. Além deste acordo, os chefes de Governo do Japão e dos EUA assinaram outro documento em que se comprometem a aplicar o acordo comercial alcançado em Julho, que fixou em 15 por cento as tarifas recíprocas de Washington e no âmbito do qual ainda não se conhece o destino dos 550 mil milhões de dólares que Tóquio se comprometeu a investir nos EUA.