Casinos | SJM com prejuízos de 1,28 mil milhões de dólares de HK Hoje Macau - 3 Mai 2022 A Sociedade de Jogos de Macau (SJM) teve um prejuízo de 1,28 mil milhões de dólares de Hong Kong no primeiro trimestre do ano, anunciou ontem a empresa. A operadora quase duplicou as perdas, em comparação com o mesmo período de 2021, apesar de as receitas do jogo terem caído apenas 2,6 por cento. A SJM já contabilizara um prejuízo de 4,1 milhões de dólares de Hong Kong em 2021 e de três mil milhões de dólares de Hong Kong em 2020. Balanços que contrastam com os ganhos registados no ano pré-pandémico de 2019, quando a operadora apresentou lucros de 3,2 mil milhões de dólares de Hong Kong.
“Alabardas”, de José Saramago, pode interpelar sobre conflito na Ucrânia Hoje Macau - 3 Mai 2022 As ideias e disposição intelectual de José Saramago “mantêm uma vigorosa capacidade de interpelação e diálogo com o nosso tempo”, ao ponto de o romance “Alabardas” poder dialogar com a “abominável” guerra na Ucrânia, segundo o escritor Fernando Gómez Aguilera. O ensaísta espanhol, director da Fundação César Manrique e especialista na obra de José Saramago, acaba de publicar o livro “José Saramago. El pájaro que pía posado en el rinoceronte” (“José Saramago. O pássaro que chilreia empoleirado no rinoceronte”), no âmbito da comemoração do centenário do nascimento do Prémio Nobel da Literatura, português. Fernando Gómez Aguilera assinalou, em entrevista à Efe, que o estudo da obra literária de José Saramago mostra que “as suas ideias e a sua disposição intelectual mantêm uma vigorosa capacidade de questionamento e de diálogo com o nosso tempo”. Neste sentido, cita o caso do romance inacabado “Alabardas, alabardas…” que, na sua opinião, “dialoga com a abominável guerra na Ucrânia promovida pela Rússia e a corrida aos armamentos em curso”. Além disso, “a sua grande convicção de que prioridade nenhuma está acima do ser humano é mais actual do que nunca”. Um alerta sobre o sistema Fernando Gómez Aguilera alude à capacidade de Saramago, como intelectual e contador de histórias, de “nos alertar para os desvios do sistema e questioná-lo”, algo que considera ocorrer tanto na sua literatura como no seu activismo público, enquanto cidadão e intelectual comprometido com o seu tempo, que “implantou uma vigilância crítica muito dinâmica, característica da sua personalidade, longe da indiferença e do isolamento estético”. O poeta e ensaísta espanhol, que é também curador da Fundação José Saramago, foi um grande amigo do Prémio Nobel da Literatura e é um dos principais estudiosos da sua obra, tendo publicado os livros “José Saramago en sus palabras” (2010) e “José Saramago. La consistencia de los sueños” (2008 e 2010, edição ampliada), e uma cronobiografia com o mesmo nome da exposição de grande escala que comissariou sobre o escritor em 2008, que foi exibida em Lanzarote, Lisboa, Cidade do México e São Paulo. De acordo com o autor, o título escolhido para “José Saramago. O pássaro que chilreia empoleirado no rinoceronte” vem de uma expressão do conhecido professor, filósofo, ensaísta e crítico literário franco-americano George Steiner, em referência a uma experiência que teve durante uma viagem a África numa reserva onde observou “aqueles preciosos passarinhos amarelos que se empoleiram no rinoceronte e chilreiam como loucos para avisar que o rinoceronte se está a aproximar”. O livro, com prefácio de Pilar del Río, presidente da Fundação Saramago, foi publicado pela Editorial La Umbría y la Solana, Madrid, e inclui estudos literários dedicados à maioria dos livros de Saramago escritos em Lanzarote desde 1992, quando estabeleceu a sua residência nas Ilhas Canárias acompanhado pela sua mulher, Pilar del Río. Também trata dos títulos publicados após a sua morte e, especificamente, das leituras interpretativas dos livros “Ensaio sobre a Cegueira”, “Cadernos de Lanzarote”, “Todos os Nomes”, “Ensaio sobre a Lucidez”, “As Intermitências da Morte”, “As Pequenas Memórias”, “A Viagem do Elefante”, “Caim”, “A Estátua e a Pedra”, “Claraboia”, “Alabardas” e “Último Caderno de Lanzarote: o diário do ano do Nobel”. Segundo Fernando Gómez Aguilera, os livros abordados foram publicados durante o seu período de residência em Lanzarote ou surgiram após a sua morte, ou seja, no período entre 1992 e 2010, um período na vida de José Saramago “em que imprimiu um sinal diferente no seu estilo, influenciado talvez pela paisagem de Lanzarote e pelo novo tema que abordou, ligado aos conflitos dos seres humanos contemporâneos e à análise da realidade”.
FRC | Colóquio celebra as “Cartas Portuguesas”, de Mariana Alcoforado Hoje Macau - 3 Mai 2022 A Fundação Rui Cunha acolhe esta quinta-feira, a propósito da celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, uma palestra de análise às “Cartas Portuguesas”, escritas por Mariana Alcoforado a um militar francês em 1664. Vários académicos, incluindo Leonor Diaz de Seabra, da Universidade de Macau, participam no evento É já esta quinta-feira, às 18h30, que o romantismo e o amor no feminino serão analisados e debatidos na Fundação Rui Cunha (FRC). A palestra “Cartas Portuguesas: Amar no Feminino”, onde se explora o universo dos escritos de Mariana Alcoforado, uma freira do Convento de Beja, em Portugal. Esta enviou cartas, em 1664, a De Chamilly, um militar francês que lutou por Portugal na Guerra da Restauração. A FRC associa-se, assim, à Associação dos Amigos do Livro em Macau, ao Instituto Português do Oriente, Fundação Oriente e Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong para a realização desta iniciativa. As “Cartas Portuguesas” são “um documento de um romantismo exacerbado, fruto de uma paixão e entrega absolutas que mereceu comentários de Stendhal e Rousseau”. “Talvez por isso se tenha tornado numa obra – prima da literatura universal e consagrado como um testemunho de amor total. Apesar do seu classicismo, tem despertado grande interesse no campo das artes – teatro, cinema e opera”, acrescenta a FRC em nota de imprensa. Esta será uma sessão híbrida, com participantes em formato presencial e zoom. Leonor Diaz de Seabra, da Universidade de Macau, estará presente a falar de “Mariana Alcoforado e a sua época”, enquanto que Shee Vá fala de “Carta a uma Alma Gémea”. Por sua vez, Lawrence Lei, também de forma presencial, abordará o tema “Um Sonho Perfumado”. Via zoom, de Lisboa, estará presente Victor Correia a falar de “As Cartas Portuguesas – Amar em português e no feminino”. Do Brasil estará Luciana Barboza, a abordar o tema “Cartas portuguesas em cena – a emoção no palco”, bem como João Guilherme Ripper, que protagonizará a conversa “Procedimentos composicionais na ópera Cartas Portuguesas”. Myriam Cyr participa do Canadá discutindo o tema “Letters of a Portuguese Nun – Uncovering the Mystery behind a 17th Century Forbidden Love” [Cartas de uma Freira Portuguesa – Descobrindo o mistério por detrás de um amor proibido do século XVII]. Devoção questionada Soror Mariana Alcoforado nasceu na cidade alentejana de Beja, Portugal, no ano de 1640, tendo ingressado, com apenas 12 anos, no Convento de Nossa Senhora da Conceição. No entanto, a ideia de dedicar toda uma vida a Deus foi posta à prova quando esta conheceu o cavaleiro francês Noel Bouton, marquês de Chamilly, que estava em Portugal com as suas tropas, a propósito da Guerra da Restauração. As “Cartas Portuguesas” são, assim, testemunho de um amor impossível entre uma freira e um militar, tendo sido publicadas, pela primeira vez, em 1669 pelo escritor Lavergne de Guilleraggues.
Trabalho | Ho Iat Seng solidário com “dores” dos trabalhadores Hoje Macau - 3 Mai 2022 Num encontro promovido com Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) para assinalar o Dia do Trabalhador, o Chefe do Executivo Ho Iat Seng, disse que o Governo está solidário e partilha as “pressões e dificuldades sem precedentes” sentidas pelos trabalhadores. Afirmando que a “prioridade” da acção governativa passa pela “salvaguarda da vida e da saúde dos residentes”, Ho Iat Seng agradeceu o contributo que a FAOM tem dado nas acções de prevenção e controlo da pandemia e disse esperar que a associação continue a promover os valores tradicionais do patriotismo e amor a Macau e a desempenhar “eficazmente”, o seu papel de interlocutora entre o Governo e o sector laboral. “O Governo da RAEM continuará a proteger os direitos e os interesses legítimos dos trabalhadores, a promover a relação laboral harmoniosa, a implementar rigorosamente o mecanismo de saída de trabalhadores não residentes e a garantir o direito dos residentes ao acesso prioritário ao emprego”, garantiu Ho Iat Seng, no discurso proferido na sexta-feira. Por último, foi vincado que Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) irá intensificar as acções de encaminhamento e formação profissionais, optimizar a divulgação de informações sobre vagas de emprego, proporcionar mais oportunidades de trabalho e elevar a capacidade dos residentes.
A justiça é uma injustiça André Namora - 3 Mai 2022 Há muitas décadas que em Portugal se ouve dizer que temos dois tipos de justiça: a justiça para ricos e a justiça dos pobres. E assim é em pleno ano de 2022. Assistimos aos factos mais inacreditáveis. João Rendeiro desviou uns dinheiros e foi logo dado como um criminoso enorme obrigado a fugir e lá está doente numa prisão escabrosa da África do Sul. Se compararmos Rendeiro com Ricardo Salgado, coitado, é um menino de coro. Salgado deixou centenas de famílias na miséria com as aldrabices e as fraudes do Banco Espírito Santo. Milhões e milhões de euros que desapareceram quando ele sempre levou uma vida faustosa e ainda recentemente se deu alo luxo de se deslocar de Cascais para Tróia de helicóptero. Para cúmulo e tristeza de milhares de pessoas inventou que tinha demência para não comparecer em tribunal. Uma ofensa gravíssima a quantas pessoas sofrem dessa doença e seus cuidadores. O tribunal é que tinha a obrigação de contratar um médico especialista anónimo para realizar os exames a Salgado e concluir se existia demência ou não. As nossas dúvidas prendem-se com a afirmação de Salgado de que estava a escrever as suas memórias… Se for assim, que grande demência que terá o mentiroso e que incompetência demonstra a nossa Justiça. Depois temos o Vale e Azevedo, que após desviar milhões de euros do Benfica e de outras pessoas a quem enganou, vive luxuosamente em Londres, num prédio do conhecimento de toda a gente excepto das autoridades judiciais que afirmam não o encontrar. Passamos a bola para o sacador sul-africano Joe Berardo, que depois de se tornar num pseudo socialite conseguiu que o governo português lhe concedesse um espaço no Cento Cultural de Belém para instalar um museu com o seu nome. O descaramento é tão grande que ninguém, nem o próprio, é capaz de justificar como adquiriu tantas obras valiosas expostas onde nunca deviam ter entrado. O mesmo Berardo entrou pela Caixa Geral de Depósitos, o tal banco que não empresta dois mil euros a um cidadão com dificuldades na doença, e sacou um “empréstimo” de mais de 300 milhões de euros, sem quaisquer garantias, e foi comprar acções do Banco Millennium. A Portugal Telecom e a EDP eram as nossas maiores empresas. Davam lucro ao país de uma forma extraordinária. Na PT entraram lá dois malandros, Bava e Granadeiro, e a empresa desapareceu, tal como a sua riqueza material. Na EDP, António Mexia foi considerado por uma revista internacional como o gestor mais mentiroso de Portugal. A EDP foi vendida aos chineses e Mexia foi desmascarado nas suas ilegalidades e afastado de administrador. José Sócrates é o caso mais badalado na sociedade. Um fulano da JSD na Covilhã, agente técnico, que levava uns projectos de imóveis à edilidade serrana e eram todos aprovados. Abandonou os social-democratas e instalou-se no Partido Socialista onde foi aldrabando Mário Soares e outros senadores socialistas, ao ponto de chegar a secretário-geral do partido e a primeiro-ministro com maioria absoluta, tantas eram as aldrabices e os conluios que ia tendo com Kadaffi, Chávez, Lula da Silva e o obsceno Carlos Santos Silva. Sócrates deu-se ao luxo de afirmar que era engenheiro, quando o não-curso tinha disciplinas feitas ao domingo e depois foi publicando livros que eram escritos por um professor universitário. A célebre “Operação Marquês” está na justiça para as calendas, mesmo com o actual primeiro-ministro, António Costa, a afirmar que a criatura “aldrabou” o Partido Socialista. E depois há a chamada raia miúda que são os graúdos ex-ministros que Sócrates teve e que só souberam praticar a corrupção. E não podemos esquecer o escandaloso caso de corrupção do juiz Rangel que até colocou uma estagiária a decidir processos de suma importância. Processos judiciais são aos montes. Julgamentos que já se deviam ter realizado não têm conta. Prisões destes malandros já há muito que a nossa justiça os devia ter encaminhado para o sol aos quadradinhos. Esta, é a justiça dos ricos. Riem-se de todos nós e vão gozando o dinheiro depositado nas offshores que a mesma justiça finge não saber onde existem. Mas, a nossa justiça tem outra característica: a circense. Uma palhaçada que um povo inteiro para não chorar, põe-se a rir. Quem chora são as vítimas do ex-padre Gama que armado em exorcista abusou de dezenas de mulheres e foi preso. Mas, só lá esteve seis meses na prisão. Acaba, vergonhosamente, para a justiça que temos, de ser libertado. E sabem com que justificação? Com mais uma ofensa a todos os homens que infelizmente sofrem de disfunção eréctil. Ninguém acredita na justificação, mas mesmo que presentemente tenha contraído a disfunção eréctil, tinha de ficar na prisão cumprindo o mal que fez a tanta gente. O abusador sexual armado em padre católico provocou um número substancial de vítimas que hoje em dia ainda se lamentam dos males que o ex-padre lhes provocou. Que raio de justiça é esta? Um abusador, violador, chulo, expulso da Igreja Católica, é libertado sem mais nem menos para poder continuar a exercer os seus crimes nas três, imaginem, três vivendas enormes que possui. A justiça nem pergunta onde foi buscar tanto dinheiro se o ex-padre Gama foi expulso de exercer o sacerdócio? Este ex-padre Gama e a sua libertação são a vergonha nacional que a maioria dos portugueses não aceita e repudia.
Cerimónias com vinho José Simões Morais - 3 Mai 2022 Han Shijie (寒食节), cerimónia conhecida por Comida Fria, realizava-se desde o Período Primavera-Outono (770-476 a.n.E.) na dinastia Zhou do Leste, oferecendo-se sacrifícios aos que passaram desta vida e as pessoas colocavam um ramo de salgueiro nas portas de entrada das casas. Tal história teve origem quando Chong-er, com 60 anos se tornou em 636 a.n.E. o duque Wen e ascendeu ao trono do Reino Jin, após 19 anos de exílio. Tinha sido ele e os dois irmãos, filhos do duque Xian e da primeira esposa, preteridos como sucessores na governação do reino por Xiqi, nascido da concubina Liji, que influenciara o duque para os mandar matar. Sabendo isso, o mais velho, Shensheng logo se suicidou e os outros dois fugiram. Chegado ao poder, o duque Wen esqueceu-se do leal oficial Jie Zitui, que no período de fuga, em fome extrema cortara partes de carne da coxa para o alimentar. Só reconheceu a sua ingratidão quando Jie Zitui se demitiu e com a mãe se refugiou numa montanha. Mandou-o chamar, mas ele preferiu o desterro e por sugestão de um oficial da corte foi deitado fogo à montanha para o obrigar a dela sair. Como após três dias não apareceu, foram à sua procura, encontrando-o consumido pelo incêndio, atado de costas para um salgueiro e no outro lado da árvore a mãe na mesma posição. Com remorsos, o duque Wen para assinalar a morte de Jie ordenou aos súbditos nesse dia não acenderem o fogo, ficando assim a data conhecida como o da Comida Fria. Voltando no ano seguinte ao local, o duque encontrou a árvore de novo com vida e retirando um longo ramo fez com ele uma coroa colocando-a à volta da cabeça, sendo seguido pelos presentes. Desde então o costume perpetuou-se e as pessoas passaram a colocar um ramo de salgueiro à entrada da porta de casa e como não se abria o fogão, a comida era fria. Daí nesse dia as refeições serem acompanhadas por vinho doce, feito de fruta ou de glutinoso arroz, para aquecer e confortar o estômago. Na dinastia Han apareceu o Calendário Solar do Agricultor, que dividia o ano em vinte e quatro termos, sendo o quinto o Qingming (Cheng Meng em cantonês), que significa limpo e brilhante. Conhecida também por Festa do Puro Brilho, é uma das raras celebrações chinesas ligadas ao calendário solar e ocorre 105 ou 106 dias depois do vigésimo segundo termo, Dongzhi, o Solstício de Inverno [21 de Dezembro]. Realiza-se a Grande Cerimónia tauista para que os vivos se lembrem dos falecidos, altura de os imperadores fazerem as cerimónias anuais de visita às campas dos Antepassados, culto de tempos imemoráveis apregoado na Filosofia de Confúcio. Da dinastia Han até à Tang prestava-se mais atenção à cerimónia HanShiJie do que ao Qingming, realizada três dias depois. Oferecia-se sacrifícios às pessoas falecidas e na dinastia Tang (618-907), por decreto imperial no dia da Comida Fria começou a ser realizada a subida ao monte onde os cemitérios se encontram, fazendo-se a limpeza às campas. Na dinastia Song, as cerimónias de HanSeJie e Qingming pouco a pouco começaram a juntar-se, fundidas definitivamente na dinastia Ming, sendo a celebração realizada à volta do dia 5 de Abril do calendário solar e como os alimentos eram já cozinhados e as refeições se comiam quentes, deixou de se beber o vinho doce e passou-se a usar o normal e corrente vinho. Actualmente, na data do Qingming as famílias chinesas vão ao cemitério para se encontrarem mais perto dos seus antepassados e em convívio reúnem-se à volta da campa, procedendo à sua limpeza. Aí colocam a comida preferida do morto e acendem duas velas e três pivetes (incenso) e em três pequenos vasos se deita vinho, sendo este depois derramado no chão para chamar o espírito da terra, que contém a alma terrestre dos que passaram desta vida. Alguns dos presentes também bebem de um trago esse vinho e juntos com o espírito do antepassado em reunião realiza-se então uma refeição, num convívio prolongado por todo esse dia se divertem e tiram partido da vida. Quando longe das sepulturas de familiares, opta-se por um passeio no campo, num parque, ou a subir a uma montanha para estar mais próximo do espírito dos seus Antepassados, ajudando o vinho à confraternização. Dança do dragão embriagado No oitavo dia do quarto mês lunar realiza-se a Festividade da Dança do Dragão Embriagado (舞醉龙, Mou Tchoi-Long, conhecida em mandarim por Wu Zui Long), comemorada apenas em Macau apesar de ser originária de Sek Kei (Shi qi), capital de Zhongshan. Segundo a lenda, um homem muito embriagado caiu ao Qijiang, um afluente do Rio do Oeste, onde um dragão vivia e aterrorizava a população ribeirinha. Num heroísmo imprudente, o homem atacou-o animado pelos vapores etílicos do vinho, e conseguindo cortá-lo em três partes, matou-o. Outra história refere, que o dragão banhava-se no rio quando Buda o cortou em três partes, ficando o tronco separado das duas extremidades. Cabeça e cauda foram resgatadas numa rede de pesca por um pescador embriagado que as trouxe para terra. Por isso, anualmente nesse dia os homens das lotas (lanes) celebram a data embriagando-se para libertos do consciente emprestarem o corpo ao Dragão. Transportando pelas ruas a cabeça e a cauda do dragão, em passos e gestos livres, muitas vezes descontrolados, recriam em dança os movimentos da parte que seguram. Pela boca em chuveiro espargindo vinho de arroz são eles próprios a alma do animal que assim fica completo. Esta acção serve para acordar o dragão e este ganhar vida. As celebrações começam numa cerimónia conhecida como “fora da água” ou “qi shui” e após os sacrifícios ao Deus da Água, do Templo Sam Kai Vui Kun saem as cabeças e caudas do Dragão transportadas pelas ruas ao som de tambores e címbalos. Os barcos, que durante onze meses estiveram submersos na água, ou em Macau guardados nos armazéns, nesse dia são postos a boiar. Com o corpo do Dragão fora de água, é colocado no barco a cabeça e a cauda, ficando assim preparado para as regatas dos barcos-Dragão. A partir daqui, os treinos das equipas são efectuados com afinco e nos Lagos Nan Van começa a escutar-se o bater ritmado dos tambores a cadenciar a entrada dos remos na água até ao quinto dia da quinta Lua, quando se realizam as regatas dos barcos-Dragão. Na origem dessa festa está Qu Yuan (340-278 a.n.E.), alto ministro do Reino Chu que devido a críticas na corte se viu desacreditado e foi demitido do cargo. Após a queda do reino, em desespero lançou-se à água, mas a população, admiradora das suas qualidades, enviou barcos à sua procura e percebendo ter-se afogado, lançaram para a água arroz a alimentar os peixes, a fim de estes não comerem o corpo do integro estadista e poeta. Este ano as Festividades do Dragão Embriagado celebram-se no próximo domingo 8 de Maio, havendo distribuição do arroz da longevidade e no mesmo dia comemora-se o Dia de Buda, quando é dado um banho com água de rosas à estátua do Buda Criança, sendo às pessoas oferecida uma refeição de arroz e vegetais.
Fotografia | Lançado décimo número da revista Zine Photo Hoje Macau - 3 Mai 2022 Acaba de sair a edição número 10 da publicação Zine Photo, projecto fotográfico de João Miguel Barros. Intitulada “Timeless”, esta edição inclui “três pequenas histórias visuais: uma sobre a simbologia da fé, outra sobre uma fábrica artesanal de peles e uma terceira sobre um monte alentejano em ruínas”, aponta uma nota de imprensa. As imagens são a preto e branco, característica que tem pautado o trabalho de João Miguel Barros. Esta publicação pode ser adquirida através do site https://www.zine.photo/home/ ou na Livraria Portuguesa, tendo um custo de 180 patacas. A mesma nota dá conta que a edição número 2 da revista está esgotada e que há outras edições prestes a esgotarem também. Sendo uma edição da galeria Ochre Space, projecto que João Miguel Barros possui em Lisboa, a Zine Photo deixa de ser publicada este ano, quando atingir a 12.ª edição. As edições são limitadas a 300 exemplares cada.
Crime | Menor do secundário abusou de adolescente com 13 anos João Santos Filipe - 3 Mai 2022 Um encontro entre dois alunos de 13 anos começou com uma partilha de vinho, nas escadas de um prédio, e acabou com um ataque de cariz sexual. O caso foi revelado pela Polícia Judiciária Um aluno do secundário, com 13 anos, é acusado de ter abusado sexualmente de uma menor, com a mesma idade, que conheceu online. O caso foi revelado na semana passada pela Polícia Judiciária, e o acusado, acompanhado pelos pais, foi ouvido pelas autoridades, que depois transferiram o processo para o Ministério Público. Segundo a versão da PJ, os dois estudantes conheceram-se no ano passado através de uma aplicação online e foram mantendo contacto, com alguns encontros pelo meio. No entanto, a 24 de Abril, a situação alterou-se completamente. Nesse dia, os dois estudantes combinaram encontrar-se para conversar à hora do almoço nas escadas de um prédio, na Zona Central. A vítima fez-se acompanhar por uma garrafa de vinho, que partilhou com o amigo. Segundo o jornal Ou Mun, terá sido já sob o efeito do álcool que o rapaz de 13 anos avançou sobre a rapariga. Primeiro, tentou convencê-la a envolver-se com ele. Como não conseguiu, acabou por forçar a vítima a tirar as roupas e tocou-lhe nos órgãos genitais, sempre contra a vontade desta. Face ao sucedido, a adolescente não fugiu imediatamente do local. No entanto, quando regressou à escola, após a hora de almoço, sentiu-se mal, e foi a um médico. Durante a consulta, a estudante acabou por contar o que tinha sucedido. Em investigação Após recebida a denúncia, a Polícia Judiciária entrou em contacto com a escola frequentada pelo aluno. Por sua vez, o suspeito, acompanhado pelos pais, dirigiu-se à PJ, no dia seguinte, a 25 de Abril, e segundo as autoridades terá colaborado com a investigação. O caso foi depois entregue ao Ministério Público que vai continuar com a investigação. Após ser revelada, a situação ganhou contornos políticos nos últimos dias com várias associações a pronunciarem-se sobre o assunto. A Associação das Mulheres, através de Xu Zhiwei, veio a público sublinhar ao Governo a necessidade de promover um melhor nível de educação sexual nas escolas. Já Candy Un Su Kei, da Associação Geral de Estudantes Chong Wa de Macau, realçou que o jovem actuou por não saber controlar os seus impulsos e pediu uma maior atenção da comunidade para as aplicações sexuais, que diz ser um meio propício à grande parte dos crimes sexuais entre os mais novos.
Jogo | Receitas de Abril com valor mais baixo desde 2020 Hoje Macau - 3 Mai 2022 Mais um novo recorde negativo. Os surtos mais recentes de covid-19 continuam a afectar a principal indústria local que registou uma redução das receitas de 68.1 por cento face ao período homólogo Em Abril, as receitas da indústria do jogo caíram para o montante mais baixo desde Setembro de 2020, quando o mundo experimentava um dos picos da pandemia. Segundo os dados revelados no domingo, pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), no último mês os casinos geraram 2,68 mil milhões de patacas em receitas brutas, valor que só encontra paralelo em Setembro de 2020, quando o montante tinha sido de 2,21 mil milhões de patacas. Em comparação com o quarto mês do ano passado, a indústria sofreu uma diminuição das receitas de 68,1 por cento. No período homólogo, o valor gerado pelas mesas dos casinos tinha atingido os 8,40 mil milhões de patacas. O cenário é pouco mais animador quando se olha para o acumulado dos primeiros quatro meses do ano. Segundo a DICJ, entre Janeiro e Abril deste ano as receitas foram de 20,45 mil milhões de patacas, uma redução de 36,2 por cento em comparação com o montante de 32,04 mil milhões de patacas do ano anterior. Surtos e campanha anti-VIP Os números, revelados no domingo, encontram justificação em dois factores: a campanha contra o jogo dos grandes apostadores, como forma de controlar a fuga de capitais no Interior, e os surtos mais recentes. No que diz respeito ao controlo de capitais, desde Novembro do ano passado que foi intensificada a campanha contra o jogo VIP em Macau, que levou a que as autoridades avançassem para a detenção dos principais responsáveis pelas empresas junket, Alvin Chau, proprietário do Grupo Sun City, e Levo Chan, responsável da Tak Chun. Este facto, encontra ainda expressão no congelamento de vistos de turismo para os residentes do Interior, que se deparam com várias dificuldades quando tentam deslocar-se a Macau. Por outro lado, a política de zero casos de covid-19 dificulta as viagens a Macau, uma vez que a mobilidade é altamente controlada no Interior, onde as pessoas, além de terem de apresentar testes de ácido nucleico para circularem, correm ainda o risco de ficar em quarentena a qualquer altura, devido a deslocações, se tiverem estado numa província com um surto. Revisão em baixa Depois de serem conhecidos os resultados de Abril, o banco Deutsche Bank apresentou uma revisão em baixa das estimativas para o segundo trimestre. A estimativa de que a indústria ia gerar cerca de 17,03 mil milhões de patacas entre Abril e Junho foi revista e espera-se agora que gere 10,22 mil milhões, ou seja, quase menos 7 mil milhões de patacas. Ao nível da estimativa anual, antes de serem conhecidos os resultados de Abril, o banco previa receitas na ordem dos 86,45 mil milhões de patacas, mas o cenário foi revisto para 79,64 mil milhões de patacas. A estimativa mais recente representa uma quebra das receitas de 10 por cento face ao ano passado e de 73 por cento, em comparação com 2019.
Manifestações | Associações evitaram sair à rua devido à pandemia Hoje Macau - 3 Mai 2022 José Pereira Coutinho considera que em tempo de pandemia se deve evitar concentrações de pessoas. Para fugir aos “problemas”, a ATFPM não só não foi para a rua no 1.º de Maio, como abdicou de um evento desportivo. Para Sulu Sou, as restrições pandémicas são só uma desculpa para o novo “ambiente político” Como tem acontecido nos últimos anos, o Dia do Trabalhador voltou a ficar marcado pela ausência de qualquer manifestação laboral. Apesar de o território atravessar uma das crises financeiras mais graves dos últimos anos, com o desemprego em crescimento, as associações laborais evitaram fazer pedidos de manifestações, devido às restrições justificadas com a pandemia. Ainda há quatro anos, a Nova Associação dos Direitos de Trabalhadores da Indústria de Jogos foi um dos grupos com maior presença nas manifestações do 1.º de Maio, com cerca de três centenas de membros a percorrerem as ruas de Macau. No entanto, no último domingo, a associação liderada por Cloee Chao optou por manter-se à margem de protestos, à semelhança do que aconteceu nos últimos anos. “Com a pandemia, não foram aprovados estes eventos durante dois anos”, justificou a líder associativa, à Lusa, admitindo que desta vez nem sequer fez chegar qualquer requerimento à Polícia de Segurança Pública, como é exigido por lei. “Tanto quanto sei, nenhum outro grupo tentou registar-se, porque, ao que parece, não se ouviu falar de abertura [das autoridades para o protesto]”, acrescentou. Também a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), que não participa há pelo menos quatro anos nos protestos do Dia do Trabalhador, justificou a ausência “devido aos problemas da pandemia” não tendo solicitado a autorização para se manifestar. “Até cancelámos uma actividade do 1.º de Maio em termos desportivos, porque achamos que a concentração de pessoas pode trazer problemas”, notou o presidente da ATFPM, José Pereira Coutinho, à Lusa. Tudo “normal” Questionado sobre o facto de, ao contrário do que acontece há muitos anos, nenhum grupo laboral ter requerido a organização de manifestações numa data em que se registaram alguns dos maiores protestos da história de Macau, o também deputado rejeitou qualquer motivação política, observando tratar-se de “uma situação normal”, com base no “contexto sanitário”. “Estamos a viver no novo normal”, afirmou. Macau, um dos primeiros territórios a ser atingido pela pandemia, registou até à data 82 casos de covid-19, 99 casos assintomáticos e zero vítimas mortais, tendo proibido desde Março de 2020 a entrada de estrangeiros na cidade, numa aposta na política de ‘zero casos’, como acontece na China. Vários eventos têm sido cancelados pelas autoridades, com a justificação que podem constituir um risco para a saúde da população. No ano passado, a PSP recebeu três notificações para a organização de marchas no Dia Internacional do Trabalhador. Duas acabaram por ser canceladas pelos próprios promotores, devido a exigências demasiado restritivas, e outra foi proibida por não respeitar as medidas de prevenção da pandemia. Ambiente político Apesar da versão oficial, à Lusa, o vice-presidente do grupo pró-democracia Associação Novo Macau (ANM), Sulu Sou, apontou que a pandemia é “uma justificação temporária ou mesmo uma desculpa” das autoridades para não autorizarem protestos na cidade. “O ambiente político corrente parece não permitir mais movimentos em massa de grande escala, mesmo que sejam legais e pacíficos”, avaliou o também ex-deputado, que está entre um grupo de pessoas proibidas pelas autoridades de se candidatarem às últimas legislativas por “não serem fiéis” a Macau. Há dois anos, o Governo proibiu, em Macau e Hong Kong, pela primeira vez em 30 anos, a realização da vigília pelas vítimas dos acontecimentos de Tiananmen no espaço público, numa decisão justificada com os esforços de prevenção da covid-19. E em 2021, o mesmo evento foi chumbado pela PSP por ser também um risco ao “incitamento à alteração violenta do sistema político”. Sulu Sou explicou também que as manifestações do 1.º de Maio são uma “tradição histórica”, convocada sobretudo pelas associações laborais da região, e que, por isso, a Novo Macau “nunca realizou manifestações” nesse feriado. Apesar disso, a estrutura apoiou “os residentes a fazerem uso dos seus direitos, especialmente neste ambiente de recessão económica”. 1.º de Maio | Wong Wai Man exige garantia de empregos para residentes Wong Wai Man, presidente da Associação dos Armadores de Ferro e Aço, defende a garantia do empregos para os residentes numa carta entregue junto da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) no feriado do 1.º de Maio, Dia do Trabalhador. Segundo o jornal Ou Mun, a carta refere que é necessário assegurar um mecanismo de substituição dos trabalhadores não residentes por residentes no sector da construção civil. “Actualmente o mercado laboral enfrenta uma situação complexa e esperamos que o Governo socorra os residentes”, pode ler-se. Lee Sio Kuan, ex-candidato às eleições legislativas, também acompanhou esta acção reivindicativa de Wong Wai Man.
Cartão de consumo | Inscrições a 10 de Maio e utilização a partir de Junho Pedro Arede - 3 Mai 2022 As inscrições para a terceira ronda do cartão de consumo começam a 10 de Maio, com o montante total de 8.000 patacas a poder ser utilizado a partir de 1 de Junho. Apesar de os moldes de registo e utilização permanecerem inalterados, a nova ronda permitirá pagar despesas de água, electricidade e combustível. Não residentes voltam a ser deixados de fora A terceira ronda do cartão de consumo vai estar disponível a partir de 1 de Junho, com o período de inscrições a ter início daqui a uma semana, ou seja, a 10 de Maio. Tal como aconteceu na ronda anterior, serão atribuídas a cada residente permanente e não permanente um total de 8.000 patacas, incluindo um montante inicial de 5.000 patacas e um montante de 3.000 patacas em descontos imediatos. A única novidade da nova ronda, foi detalhado na sexta-feira em conferência de imprensa, passa pelo facto de o montante poder ser utilizado com gastos relacionados “com a vida quotidiana”, tais como despesas de água, luz, electricidade, combustíveis e comunicações. O objectivo, apontou o porta-voz do Conselho Executivo e secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, passa por “possibilitar que os residentes possam decidir, de forma autónoma e conforme as suas necessidades, a escolha de consumo adequada”. Também os moldes de inscrição e utilização do montante não sofreram qualquer alteração, nomeadamente quanto ao limite diário de utilização, que se mantém nas 400 patacas, ou seja, 300 patacas afectas ao montante inicial e 100 patacas de desconto imediato. Uma questão de hábito Por seu turno, o director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), Tai Kin Ip, justificou a manutenção dos moldes gerais da nova ronda do cartão de consumo com o facto de a população já estar habituada às regras e com a adequação do valor diário à maioria das transacções efectuadas pelos residentes. “Os dois montantes mantêm-se inalterados porque, durante um longo período de tempo, verificámos que (…) as pessoas já estão habituadas a esta forma de consumo. Achamos que essa verba [diária] é suficiente para manter a circulação do consumo e aumentar a confiança sobre o funcionamento dos estabelecimentos comerciais. Recolhemos a opinião da população e equilibrámos o nosso orçamento no sentido de melhor satisfazer a sociedade. Achamos que este montante [de 400 patacas] já consegue abranger a maioria das situações de consumo”, explicou Tai Kin Ip, segundo a TDM-Canal Macau. Os residentes poderão optar por receber os apoios pelo meio de “pagamento móvel” através de uma conta autenticada, ou recarregar o cartão de consumo utilizado na ronda de apoios do ano passado. O carregamento poderá ser efectuado num dos 170 postos destinados para o efeito, devendo o saldo do cartão ser igual ou inferior a 10 patacas. As inscrições poderão ser feitas online ou através de um dos 90 postos de serviço. O prazo de inscrição vai de 10 de Maio a 13 de Janeiro de 2023, podendo os montantes ser obtidos entre 23 de Maio e 17 de Janeiro de 2023. O prazo de utilização da terceira ronda vai de 1 de Junho a 28 de Fevereiro de 2023. Eternos excluídos Questionado sobre o facto de os trabalhadores não residentes (TNR) terem ficado uma vez mais do plano de apoio, Tai Kin Ip apontou questões financeiras e indicou que a prioridade é “a vida dos residentes de Macau”. Além disso, lembrou que as pequenas e médias empresas (PME) serão outro dos “beneficiários” da terceira ronda do cartão de consumo. “Em primeiro lugar, queremos assegurar a vida dos residentes de Macau (…) e dar confiança aos estabelecimentos comerciais. Tendo em consideração as verbas que o Governo pode injectar, decidimos manter os destinatários”, começou por explicar. “Temos 20.800 estabelecimentos aptos para este plano de consumo, dos quais 87 por cento são PME. Olhando para o orçamento injectado na ronda do ano passado, cerca de 67 por cento foi para as PME. Os beneficiários, para além dos residentes de Macau, são também as PME”, acrescentou segundo a TDM-Canal Macau. O orçamento da terceira ronda é de 5,9 mil milhões de patacas.
José Duarte de Jesus, autor de “O outro lado da diplomacia (1960-2007)”: “Há conversas que revelam uma outra China” Andreia Sofia Silva - 3 Mai 20224 Mai 2022 A nova obra do embaixador português jubilado revela uma conversa com Li Peng, ex-primeiro ministro da China, sobre a tentativa do líder chinês de dialogar com os estudantes na praça Tiananmen. O livro de José Duarte de Jesus inclui conversas com algumas personagens relevantes na política do século XX, como Mário Soares e Samora Machel, e informações diplomáticas com base em documentos agora desclassificados. O livro foi apresentado no passado dia 21 de Abril no Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa Fotografia de Álvaro Isidoro, Global Imagens Afirma que este não é um livro de memórias, reunindo situações e conversas que foi tendo ao longo da sua vida diplomática. Porquê esta partilha? Tive sérias dúvidas em publicar o livro. Achei que tinha falta de conteúdo, que não era interessante, mas um grupo de pessoas incentivou-me [a publicar]. O livro tem coisas muito diversas, não só as personalidades que refiro, como as épocas e lugares em que essas conversas tiveram lugar, que vão desde o Norte de África a França ou à China. As partes mais substantivas dizem respeito a Moçambique e à China. O que estas conversas e testemunhos dizem da sua carreira como diplomata? Não é tanto sobre a minha carreira. Muitas das personalidades com quem falei foram importantes, como as mais antigas do período da guerra colonial e a Portugal. Há coisas que eu refiro passadas em França com o Mário Soares, por exemplo, sobre o fim da URSS, e que me pareceram interessantes acerca das posições sobre a queda da URSS, se se devia intervir [no processo] ou não. Depois, sobre África, as informações que eu incluo têm muito a ver com a política portuguesa no início dos processos de independência [das antigas colónias], nomeadamente de Moçambique, tal como conversas com Samora Machel ou matéria sobre a política de Jaime Gama [ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros]. Há ainda muita coisa que não se conhece. Tornei pública essa informação depois de ter recebido autorização para desclassificar muitos documentos que estavam no arquivo do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Sobre a China apresenta dois episódios interessantes. Há conversas que revelam uma outra China, que não a China oficial. Uma delas foi uma conversa que tive com Li Peng sobre os acontecimentos de Tiananmen ou com a filha de Deng Xiaoping, pintora, Deng Ling, de quem cheguei a organizar uma exposição em Portugal. Foi interessante ver o que ela pensava sobre Mao Tse-tung e o posicionamento da China. Já em 2007, fui chefiar uma delegação da União Europeia (UE) à China para um diálogo sobre liberdade religiosa e direitos humanos. Foi uma viagem reveladora de uma série de coisas que passam um pouco à margem do que chamaria de “diplomacia oficial”. Voltemos à conversa com Li Peng. Este disse-lhe que procurou dialogar com estudantes na praça de Tiananmen, mas uma estudante chegou a cuspir-lhe em cima. Essa conversa nem foi directamente comigo, mas com Mário Soares. Eu estava ao lado dele. Foi num jantar aquando da visita oficial de Soares à China. O Mário Soares, sendo uma pessoa irreverente, resolveu falar da questão de Tiananmen, e ele [Li Peng] disse que a sua filha teve uma importância especial [face a Tiananmen], tendo referido que tentou dialogar com os manifestantes, que tinha ido à praça de Tiananmen e que lhe tinham cuspido na cara. Ele disse que não podia fazer nada e voltou para trás. Contou que a filha disse não querer mais que o seu pai se sujeitasse a uma situação dessas, que a envergonhava. Esta história pareceu-me importante para vermos a problemática por detrás da história de Tiananmen. Esta conversa revela que Pequim também quis dialogar com os estudantes. Há uma série de documentos que foram publicados, “Tiananmen Papers”, que mostram o que se passou e que ainda hoje muito está por saber, sobre os elementos que fomentaram a impossibilidade de entrar em diálogo, nomeadamente serviços secretos de outros países. Quem descreve isso muito bem é [Henry] Kissinger. Um grande amigo da China, mas um homem republicano, americano, que disse que o grande objectivo do país era manter a paz e o equilíbrio internamente e havia quem quisesse o contrário. Havia [em Tiananmen] um movimento espontâneo que foi largamente manipulado por forças com interesses estrangeiros. A China não tinha serviços de polícia, só tinha exército. Depois houve conversas com Portugal para arranjar uma polícia de cavalaria. Pensou-se que era melhor ter cavalos contra multidões do que tanques do exército. O exército foi enviado para a praça Tiananmen porque não havia outra opção? Exactamente. Mas não sei como ficaram esses diálogos com Portugal. Esses interesses de que falou relacionam-se com a queda da URSS e com a tentativa de reduzir a influência do comunismo? A ideia era provocar o Governo chinês. É difícil saber hoje qual era o movimento espontâneo e qual a manipulação que se estava a fazer por detrás. Os “Tiananmen Papers” revelam até diálogos que chegaram a existir com as autoridades de Pequim que receberam delegações de estudantes, com o diálogo a ser totalmente impossível por parte destes. Dava a ideia de uma vontade de provocar e não de dialogar. Sobre a conversa com a filha de Deng Xiaoping, decorreu em 1994, já num outro período. Falamos de Mao Tse-tung, na Revolução Cultural. Recordo-me de um exemplo que ela me deu, afirmando que houve excessos, mas que era importante lembrarmo-nos do primeiro imperador Han, que teve movimentos terríveis contra o Confucionismo. Ela dizia que ele era celebrado pelas coisas positivas, como a Muralha da China, por ter unificado a escrita, por ter permitido a criação de uma entidade própria, e não pelas coisas más. Estas conversas mostraram uma China diferente do que é vendido pelo Ocidente. Já em 2007, deslocou-se novamente a Pequim, chefiando uma delegação da UE. Ficou surpreendido com o que viu? Fiquei eu e parte da delegação, que era composta por pessoas de várias nacionalidades. No livro cito uma conversa com um monge budista sobre a liberdade religiosa, num mosteiro que não ficava muito longe de Pequim, que dá uma visão diferente das coisas. Também incluo uma conversa que tive com o então bispo de Pequim, que era presidente de um órgão da Assembleia Popular Nacional. Claro que a Igreja chinesa tem uma desobediência disciplinar em relação Vaticano, não é uma dissidência de fundo. Os bispos nomeados são reconhecidos pelo Vaticano, mas há uma disciplina diferente, mas isso hoje está a ser ultrapassado. Também aqui em matéria de liberdade religiosa a China está à procura de diálogo? Aposta no diálogo, absolutamente. Foi isso que retirei da conversa com o bispo de Pequim. É curiosa a ligação com Portugal, algo que eu desconhecia, através da escolha do primeiro nome português. Sobre a Coreia do Norte, faz referências a Kim Jong Nam, presidente do Presidium da Assembleia Popular Suprema da Coreia do Norte, e com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros. Achei Kim Jong Nam um tipo extraordinário, que visitou Macau. Deu-me a ideia de ser um homem capaz de dialogar, embora a Coreia do Norte não tenha nada a ver com a China. Costumo dizer que não é um país mas um laboratório psíquico. As pessoas que encontramos na rua são automatizadas e psicologicamente condicionadas. Kim Jong Nam era um homem que podia ser aproveitado pelo Ocidente como um pólo de diálogo. Essa visita de Kim Jong Nam a Macau, que resultados teve? Durante bastante tempo havia um relacionamento de Macau com a Coreia do Norte que passava um pouco à margem de uma série de coisas. Hoje não sei se existe essa ligação, mas na altura era uma ligação comercial e não só. Havia uma série de coisas secretas que se passavam, chegou-se a verificar que havia notas falsas da Coreia impressas secretamente em Macau. Não eram ligações directas com o Governo de Macau e penso que depois as autoridades tentaram abolir isso. África tem também uma posição muito central neste livro. Samora Machel [ex-presidente de Moçambique] teve uma época muito ligada a Moscovo e depois teve uma nova época com o novo congresso da Frelimo em que isso foi ultrapassado. Em grande parte quem convenceu os EUA a ajudar o novo rumo da Frelimo foi o Jaime Gama, quando foi ministro. Samora Machel, em conversa comigo, levou-me à janela e disse-me para serem retirados os tanques soviéticos, para que nós fôssemos para lá. Houve uma série de processos secretos em que estive envolvido, pois os EUA forneciam dinheiro, através de nós [Portugal] secretamente. Fui incumbido de tratar dessa operação secreta. Abri uma conta na Suíça, o número dois da embaixada americana trazia-me um cheque ao meu gabinete e eu depositava na Suíça. Tudo num segredo total sem conhecimento do restante Ministério. O nosso embaixador na Suíça perguntava o que eu ia lá fazer, e eu dizia que ia numa outra missão. Jaime Gama dava-me ordens para essa transacção. Com esse dinheiro comprávamos armamento não letal para a Frelimo contra a Renamo, que estava feita com a África do Sul. Os EUA pagavam e isso era feito através de Portugal para ajudar a Frelimo contra a África do Sul.
“Oriente Místico de Chaos Balós”, um livro que explora os primórdios das relações sino-lusófonas Hoje Macau - 2 Mai 2022 Chama-se “O Oriente Místico de Chaos Balós” e é o novo livro de Pedro Daniel Oliveira, jornalista em Macau. Esta obra, publicada na Amazon Books, revela a viagem de João de Barros, um português do século XVI, de Portugal para Goa No romance “O Oriente Místico de Chao Balós”, publicado ontem na Amazon Books, o jornalista português Pedro Daniel de Oliveira relata os primórdios das relações sino–lusófonas, marcadas por choques culturais, mas também interesses comuns no comércio e segurança. O enredo gira à volta de João de Barros (Chao Balós, na língua siamesa), um português do século XVI, que deixa a sua terra natal, Alenquer, no Reino de Portugal, e parte para Goa, na Índia, onde se dedica à mercancia. Mais tarde, estabelece-se em Odiaa (Ayutthaya), então capital do Reino do Sião, atual Tailândia. “A China ganha importância capital nesta altura, dado que o herói vai diversas vezes ao porto de Cantão [sul da China] fazer as mercadorias, tendo como escala o porto da Veniaga (ou ilha de Tamão), sensivelmente onde hoje se situa o aeroporto de Chek Lap Kok, em Hong Kong”, conta à agência Lusa Pedro Daniel de Oliveira. Os interpostos portugueses nas províncias de Fujian e Zhejiang, no leste da China, são também mencionados na obra. O personagem é fictício, mas o jornalista português diz ter tido o “cuidado de respeitar a cronologia da época, os factos cronológicos, as datas e os eventos”, recorrendo a cronistas portugueses, chineses e tailandeses da época. “Eu fui o máximo possível fidedigno. Isto requereu muita investigação, muito trabalho, confrontação de fontes”, explica. “Tive de fazer essa safra”. Pequenos conflitos Pedro Daniel de Oliveira admite que os contactos iniciais entre portugueses e chineses ficaram marcados por desentendimentos. “A intenção dos portugueses era chegar à China e fazer possivelmente o que fizeram na Índia e em outros sítios: expandir o Império português, mas não conseguiram”, adianta. Em causa estava também a inadaptação à ordem social existente na China, uma sociedade então confucionista, fortemente “hierárquica” e “disciplinada”. “Os portugueses eram fanfarrões, julgavam-se mais do que os outros, faziam-se valer da fama que tinham, dos feitos que havia, e isto criou ruptura com a parte chinesa”, aponta. Os interpostos portugueses na costa leste da China acabaram por ser dizimados e os mercadores portugueses que lá viviam foram expulsos. “Até percebo uma parte e a outra”, diz Daniel de Oliveira. “Era difícil perceber na altura que tipo de gente era aquela. Os chineses eram tão diferentes dos portugueses, e eles pensavam também que os portugueses eram bárbaros. ‘Quem são estes homens de barbas grandes’, questionavam. Era normal que tivesse aquele desfecho”, acrescenta. A tecnologia naval e militar da época detida pelos portugueses garantiu, no entanto, uma aproximação às autoridades das províncias costeiras de Fujian e Guangdong, através do apoio no combate à pirataria. “Os portugueses foram essenciais para os chineses no combate aos piratas que saqueavam o litoral chinês e povoações. Os portugueses ganharam aí muitos pontos junto das autoridades chinesas”, descreveu. O comércio, particularmente as vendas de âmbar cinzento, que os imperadores da dinastia Ming viam como um afrodisíaco, essencial para ampliar a prole e conseguir ter suficientes descendentes para perpetuar a casa real e a dinastia, aproximou também os mercadores portugueses das autoridades provinciais. O acordo sobre Macau Os portugueses acabariam por assentar em Macau, após um acordo feito entre Leonel de Sousa, capitão-mor de uma frota comercial, e Wang Bo, o ‘haidao’ (Subintendente de Defesa Costeira) de Cantão. “O que eu percebi é que havia interesses locais que, por muitas vezes, se sobrepunham aos interesses do poder em Pequim, como é o caso do assentamento português em Macau”, explica Pedro Daniel de Oliveira. “A forma como os chineses olhavam para os portugueses era: ‘nós não os queremos aqui, mas eles são necessários’. Foi sempre esta ambiguidade que prevaleceu naquela altura”, conclui. Pedro Daniel de Oliveira foi jornalista no semanário católico O CLARIM e no Jornal Tribuna de Macau. Colaborou esporadicamente com a Revista Macau e com a Macao Magazine. Trabalhou ainda como assistente de realização na Teledifusão de Macau (TDM).
1 de Maio | CPSP não recebeu qualquer pedido de manifestação Hoje Macau - 30 Abr 2022 O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) não recebeu qualquer pedido para a realização de manifestações afectas ao Dia do Trabalhador, celebrado no próximo domingo, 1 de Maio. A confirmação foi feita ontem ao portal Macau News Agency e reiterada, mais tarde, durante a conferência de imprensa sobre a covid-19 por Lei Tak Fai, do CPSP. Recorde-se que no ano passado, as autoridades receberam um total de seis pedidos de manifestação para o dia 1 de Maio. Contudo, todas elas acabaram por não se realizar por não terem sido autorizadas devido a incumprimentos relacionados com a covid-19 ou porque os organizadores desistiram de levar o pedido avante. Exemplo disso, foi a manifestação marcada para o Dia do Trabalhador organizada por Wu Shaohong, vice-presidente da Associação Poder do Povo. “Pedi a manifestação em nome individual, mas não foi aprovada pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública com a justificação da prevenção da pandemia”, disse na altura o vice-presidente ao HM. Ainda no ano passado, a Associação dos Direitos dos Trabalhadores de Jogo, presidida por Cloee Chao, indicou ter abandonado a intenção de organizar a manifestação do 1.º de Maio porque os seus dirigentes anteviam que seria proibida pelas autoridades.
Governo chinês promete mais medidas para impulsionar crescimento económico Hoje Macau - 29 Abr 2022 O Politburo, principal órgão do Partido Comunista da China, prometeu mais medidas para impulsionar o crescimento económico e, ao mesmo tempo, conter os surtos de covid-19, noticiou hoje a imprensa estatal chinesa. “É muito importante fazer um bom trabalho económico e garantir e melhorar a vida das pessoas”, disse a agência oficial de notícias Xinhua, que não mencionou qualquer mudança na estratégia de combate à covid-19. O Politburo concordou em ajustar as políticas para manter a economia a “operar numa faixa razoável” e para acelerar a implementação de descontos e reduções de impostos, garantir o fornecimento de energia e ajudar as indústrias, as pequenas empresas e as famílias mais afetadas pela pandemia. A economia chinesa estava a desacelerar ainda antes da última onda de infeções por covid-19, que obrigou a confinamentos, incluindo na capital financeira do país, Xangai, criando interrupções na produção e exportação de produtos e em outras atividades comerciais. Em resposta, o principal índice da bolsa de Xangai subiu hoje 2,4%, enquanto o Hang Seng, o principal índice de Hong Kong, subiu 3,3%. Xangai registou 52 novas mortes por covid-19, nas últimas 24 horas, e 5.487 novos casos positivos, o número mais elevado desde o início da pandemia, anunciou a Comissão de Saúde da China. Um surto de covid-19 em Xangai levou as autoridades chinesas a impor um confinamento quase total da cidade, com cerca de 25 milhões de habitantes, há cerca de um mês. Os moradores de Xangai ficaram sem acesso a comida e necessidades diárias, face ao encerramento de supermercados e farmácias, e dezenas de milhares de pessoas foram colocadas em centros de quarentena, onde as luzes estão sempre acesas, o lixo acumula-se e não existem chuveiros com água quente. Qualquer pessoa com resultado positivo, mas que não tenha sintomas, deve passar uma semana numa destas instalações, e os restantes cumprem isolamento no hospital. O fluxo de produtos industriais também foi interrompido pela suspensão do acesso a Xangai, onde fica o porto mais movimentado do mundo, e outras cidades industriais, incluindo Changchun e Jilin, no nordeste da China.
Regresso aos ares João Romão - 29 Abr 2022 Vive-se já uma certa euforia turística pós-covid, pelo menos em alguns lugares do planeta, como as zonas mais ricas dos continentes europeu e americano. Também eu, que mudei da Europa para o correspondente extremo-oriente do planeta, tento agora finalmente uma viagem de visita à família e amigos, mais um ou outro lugar predilecto, projecto que se vai adiando desde 2019, uns três anos de contactos pessoais reduzidos às possibilidades digitais. Já a minha filha vai grandinha e ainda não teve essa oportunidade de visitar Portugal, com pessoas e lugares a partilhar com urgência. Pode ser que seja agora. Foi nestes planos logísticos, ainda assim devidamente antecipados, que me deparei mais directamente com as condições que nos oferece neste momento o magnífico mercado do turismo e lazer: preços exorbitantes para viagens de avião – pelo menos o dobro do que se praticava antes do covid-19 (e da guerra na Ucrânia, eventualmente também relevante) – e preços igualmente despropositados para as diversas formas de alojamento, pelo menos nas zonas mais atractivas. Há uma certa ânsia de viagem num planeta onde viajar – incluindo o tráfego internacional e a utilização do avião – se foi tornando mais comum desde os finais do século XX. Os números não enganam: ainda em 1995 eram menos de meio milhão as chegadas registadas em voos internacionais em aeroportos do planeta e em 2019 já andávamos pelo triplo: 1500 milhões de chegadas aos terminais internacionais dos aeroportos. Há nestes números uma certa ideia de banalização da viagem e de democracia no turismo que estão longe de corresponder à realidade social do planeta. Aqueles 1500 milhões de chegadas a aeroportos não correspondem – nem perto disso – ao mesmo número de pessoas em viagem. Desde logo, porque a esmagadora maioria das viagens pressupõe um regresso, duas chegadas por cada viagem feita, o que reduz a 750 milhões o número de potenciais viajantes aéreos. Em todo o caso, nem todas estas deslocações correspondem a ligações directas entre o lugar de residência e o destino do viajante: há frequentemente voos de conexão, ligações entre origem e destino de viagem mediadas por paragem num qualquer “hub”, uma plataforma de ligação para vários destinos de um país ou de um continente. Pela parte que me toca, habituei-me a fazer três voos entre Sapporo, no norte do Japão, onde vivia, e Lisboa ou Faro, para onde viajava com alguma frequência, passando inevitavelmente por Tóquio ou Incheon, primeiro, e depois por Amesterdão, Munique, Paris, Helsínquia, ou mesmo algum aeroporto do Médio Oriente, nalgum momento de menor sensatez. Aliás, é notório em vários novos aeroportos no Médio Oriente (onde as pessoas em trânsito chegam a ser mais do que as que ali têm o seu destino), e também em diversos aeroportos europeus (Amesterdão, Frankfurt, Paris, etc.) ou de outras partes da Ásia (Incheon, Hong Kong, Tóquio, etc.) que os voos de ligação assumem parte muito significativa das operações aeroportuárias. Sendo esta proporção difícil de estimar com suficiente exactidão, vou assumir, modestamente, que das tais 750 milhões de deslocações internacionais registadas em 2019, 20 por cento se referiram a voos de ligação. Ficamos assim com menos 150 milhões de potenciais viajantes, reduzindo-se a 600 milhões o número máximo de pessoas a participar em voos internacionais nesse ano em se registou o máximo número de passageiros aéreos internacionais na história da humanidade. Mesmo deixando de fora questões sobre a motivação da viagem (por exemplo, se o viajante é turista ou uma pessoa à procura de asilo), ficam ainda por contabilizar os múltiplos voos feitos pela mesma pessoa durante o ano. Antes da emergência de pandemia de covid-19, não era difícil encontrar quem fizesse voos internacionais todos os meses (eu próprio, que estou longe de ser dos viajantes mais frequentes, estive perto disso em alguns momentos). Havia certamente pessoas ligadas a negócios ou outras actividades internacionais a viajar mais do uma vez por mês, mesmo não falando de hipotéticos casos extremos como o do célebre jogador de futebol que, segundo a imprensa, se deslocava em jacto privado quase diariamente entre Espanha e Marrocos. Mais uma vez com alguma parcimónia, vou supor que apenas um terço das viagens se referem a pessoas que viajaram mais de uma vez, o que reduz então o número de pessoas envolvidas em viagens internacionais de 600 para 400 milhões. Parecendo muita gente – e é – estes 400 milhões de pessoas que a generosidade das estimativas permite calcular representam cerca de 5 por cento dos 7,9 mil milhões de seres humanos que habitam o planeta. A estes 5 por cento não corresponde, naturalmente, um processo de banalização ou democratização do transporte aéreo e do turismo internacional de longo curso: apesar do crescimento significativo a que se assistiu nas últimas décadas, este é ainda um terreno do qual está excluída a esmagadora maioria da população terrestre – os tais 95 por cento que não entram na generosa estatística. Veremos como será neste novo universo pós-covid: as desigualdades aumentaram com a pandemia, a riqueza concentrou-se ainda mais, os preços das viagens aumentaram muito significativamente e tudo parece sugerir que o turismo internacional pós-pandemia vai ser privilégio ainda maior de uma muito pequena parte da população que tenta coexistir neste precário planeta.
Música chinesa | CCCM promove conferência e espectáculos em Mafra Hoje Macau - 29 Abr 2022 A quinta edição da conferência sobre música chinesa e instrumentos musicais, organizada pelo Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), volta a acontecer entre os dias 9 e 10 de Maio no Palácio Nacional de Mafra, em Portugal. A organização tem a colaboração da Câmara Municipal de Mafra e obras entidades públicas e privadas. Segundo um comunicado, “esta edição contará com a participação de renomados etnomusicólogos, musicólogos, músicos e calígrafos, provenientes de sete países e, ainda, de doze académicos, investigadores e músicos portugueses”. Além das palestras, dia 9 de Maio haverá também uma performance de música e caligrafia chinesa no CCCM, sendo que no dia seguinte decorre, no Palácio Nacional de Mafra, um concerto com um “programa musical intercultural diversificado que integra desde canções interpretadas em patuá (dialecto de Macau), aos cordofones dedilhados chineses”. O CCCM adianta ainda que, desde a primeira edição desta iniciativa, que os “principais objectivos têm sido sensibilizar o meio académico, atendendo à inexistência do ensino dessa disciplina nas universidades, conservatórios e academias de música portugueses”. Pretende-se também abordar a possibilidade de, “num futuro próximo, poder vir a ser implementado, em Portugal, o ensino da música e dos instrumentos musicais chineses e asiáticos no âmbito da performance, no contexto da etnomusicologia e da musicologia histórica”. O CCCM pretende ainda divulgar a música e dos instrumentos musicais chineses junto do público generalizado. O evento regressa depois de ter estado dois anos suspenso devido à covid-19. Apoiado em grande parte pela Fundação Jorge Álvares, a quinta edição sobre música chinesa e instrumentos musicais tem ainda o apoio científico da CHIME – European Foundation for Chinese Music Research, com sede em Leiden, na Holanda.
A Guanguan Carlos Morais José - 29 Abr 202229 Abr 2022 De facto, a montanha Qingqiu não cessa de nos surpreender, mesmo quando nos presenteia com seres cujo aspecto em pouco ou nada difere dos animais com que habitualmente nos cruzamos. É o caso da guanguan, uma ave de corpo semelhante a uma pomba mas que, por razões ignotas, sempre atraiu de forma radical a imaginação de escritores e poetas. Poderá ser que o fascínio resida no seu expressivo canto, descrito como o som de um homem aos gritos. Poderá ser, mas dificilmente se admite que tal maneirismo seja um factor de sedução. Se é certo que, num velho compêndio de culinária, a carne assada da guanguan é considerada uma “excelsa iguaria”, também não será despiciente a crença segundo a qual quem usar no cinto qualquer parte desta ave não sofrerá de confusão mental. Não sabemos se isto quer dizer que a guanguan possibilita uma visão límpida da natureza e a intuição imediata das propriedades dos dez mil seres ou se, num sentido inverso, ilumina o que no nosso interior se guerreia, permitindo estabelecer um reino interno onde predominará uma suave harmonia moral, temperada por uma frenética disposição para o cultivo de si. Sabemos é que um importante poeta como Tao Yuanming (365-427) dedicou a esta ave um belo poema, no qual refere a sua capacidade para ajudar os que mergulharam na noite do caos e da ignorância, mas não para caucionar um comportamento exemplar. Talvez isto justifique o uso da guanguan como amuleto capaz de melhorar as capacidades cognitivas, mas não estende a sua influência à clarificação dos preceitos morais. Estes continuarão a ser alimentados pela vontade dos sujeitos, sem que exista mezinha ou feitiço capazes de instilar num ser humano a prática da benevolência ou o respeito pelos ritos. Tanto este como aquela unicamente se adquirem pela constante via da renovação ou exame interior, e pela rectificação da total integridade do coração, ou seja, da força bruta das emoções, da ordenação dos pensamentos e da violência dos desejos. “Dá-me a sabedoria”, terá rogado Salomão ao Deus do Livro, exprimindo assim o desejo de adquirir a compreensão total das coisas e de se tornar ele próprio um deus. Não será este tipo de saber que os crentes nos poderes da guanguan acreditam obter. Pelo contrário, longe de um entendimento do mundo e dos desígnios do Céu, procuram a translucidez que as asas dessa ave prometem, quando em pleno voo se cruzam com o Sol e naquele instante deixam entrever um universo mais claro e mais brilhante, enigma e salvação. É possível também, ainda que sempre num registo meramente onírico, estabelecer uma relação entre a guanguan e a pomba do Espírito Santo, pois ambas são transmissoras de sabedoria. Mas que tipo de sabedoria nos transmite um e outro animal, um e outro símbolo? Será que a guanguan também nos permite o acesso a línguas estrangeiras e nos revela a comunidade universal ou, mais pragmática, simplesmente afasta algum do nevoeiro que diariamente nos povoa a mente e nos impede uma apreensão rectilínea do mundo?
Albergue | Obras de 25 artistas em leilão para ajudar Eddy Murphy Pedro Arede - 29 Abr 2022 Ao todo, 25 artistas do Círculo de Amigos da Cultura de Macau uniram-se para expor e leiloar no espaço do Albergue, 38 obras com o objectivo de angariar fundos para apoiar o mestre de capoeira Eddy Murphy. Entre originais e serigrafias, estão obras de Carlos Marreiros, Konstantin Bessmertny, Kit Lee, Victor Marreiros e Filipe Miguel das Dores. O leilão acontece amanhã com uma base de licitação entre 1.360 e as 35.000 patacas Com o objectivo de angariar fundos para apoiar o mestre de capoeira Eddy Murphy, 25 artistas do Círculo de Amigos da Cultura de Macau (CAC) doaram um total de 38 obras à causa, que serão leiloadas amanhã entre as 15h00 e as 17h00 e estarão expostas no Albergue da Santa Casa da Misericórdia até ao próximo dia 9 de Maio. Tanto o leilão como a exposição estarão abertas ao público em geral. Recorde-se que o brasileiro, que vive em Macau há vários anos, foi diagnosticado no ano passado com um cancro (mieloma múltiplo), necessitando de apoios financeiros para pagar os tratamentos. Uma vez que Eddy Murphy é trabalhador não residente, necessita de pagar a totalidade das contas hospitalares, que neste momento são de quase 1,2 milhões de patacas, relativas aos meses de Maio de 2021 a Março de 2022. Apelidado de “Art Auction for Master Eddy Murphy 38” o evento reúne obras originais e serigrafias de artistas como Carlos Marreiros, Alexandre Marreiros, Anita Fung Pou Chu, Ben Ieong Man Pan, Cai Guo Jei, Chan Hin Io, Clara Brito, Konstantin Bessmertny, Lili Silverinha, Noah Ng Fong Chao, Nuno Calçada Bastos, Sisi Wong, Tong Chong, Ung Vai Meng, Veronica Lei Fong Ieng, Victor Marreiros, Filipe Miguel das Dores, entre outros. As obras em exposição têm uma base de licitação situada entre 1.360 e as 35.000 patacas, com o trabalho de Clara Brito “Super Heavy Light Scarf” a ter o valor inicial mais baixo e o trabalho a carvão “St. Dominic´s Church Macau” de Ung Vai Meng a ficar com o valor mais elevado. Destaque ainda para a obra original de Carlos Marreiros criada especialmente para a ocasião “Tribute to Master Eddie Murphy”, que inclui uma dedicatória do artista dirigida ao mestre de capoeira e tem uma base de licitação fixada em 20.000 patacas. “Para o leilão de solidariedade pelo Eddie Murphy”, pode ler-se no canto inferior direito da obra que vai a leilão amanhã. Somando as bases de licitação das 38 obras que vão a leilão, o montante mínimo que poderá ser alcançado, caso todas as obras sejam vendidas, é de cerca de 295 mil patacas. Retribuir o gesto Durante a conferência de imprensa de apresentação do evento que teve lugar ontem, a organização destacou a importância de poder retribuir a “devoção” e “tudo aquilo que Eddy Murphy tem feito pela comunidade de Macau”. “O principal objectivo deste evento é apoiar o pagamento das despesas médicas do mestre Eddy Murphy. Enquanto mestre de capoeira, o mestre Eddy Murphy ensinou a sua arte muitas crianças de Macau e também pessoas mais velhas. Estamos a falar de alguém que fez muito por Macau e, por isso, o CAC organizou este leilão para o ajudar neste momento difícil, em que está a combater um cancro”, explicou Karena Lao do Círculo de Amigos da Cultura de Macau. A responsável explicou ainda que, tirando alguns custos inerentes ao evento que é necessário cobrir, a totalidade do montante angariado será entregue a Eddy Murphy e à sua família.
Abuso de confiança | Empresário lesado em 7,8 milhões por sócio Pedro Arede - 29 Abr 2022 Um empresário ligado à construção civil perdeu 7,8 milhões de patacas, após um sócio, com a promessa de grandes negócios, ter passado vários cheques para pagar dívidas pessoais. Após a detenção, o suspeito, que detém 50 por cento da empresa, alega ter permissão para passar cheques A Polícia Judiciária (PJ) deteve na passada segunda-feira um residente de Macau suspeito da prática do crime de abuso de confiança, após ter alegadamente desviado para proveito próprio, 7,8 milhões de patacas de uma empresa ligada à construção civil, da qual passou a ser sócio em 2018. Na altura, o suspeito convenceu a vítima de que o seu contributo seria uma mais valia para a empresa, dado estar envolvido em inúmero projectos na área, avaliados em 100 milhões de patacas. De acordo com informações divulgadas ontem em conferência de imprensa pela PJ, após travarem contacto, foi acordado que o suspeito passaria a ser sócio e a deter 50 por cento da empresa, em troca “apenas” da participação da mesma nos negócios avaliados em 100 milhões de patacas em que estaria envolvido. Durante algum tempo, a colaboração decorreu sem sobressaltos, com a conclusão de várias obras a materializar-se em lucros. Os problemas começaram, no entanto, quando um dos fornecedores emitiu um pedido pouco habitual para o pagamento de material de construção civil, dívida que, à partida, já estaria saldada. Em Junho de 2021, a vítima confrontou o suspeito com o incidente. Sem obter respostas, decidiu consultar as contas da empresa e descobriu que o suspeito emitiu três cheques cujo destinatário era ele próprio, no valor total de 5,7 milhões de patacas. Além disso, a vítima descobriu que os três cheques foram usados para pagar dívidas de uma outra empresa que o suspeito detém em nome próprio. Para as ocasiões Após não ter obtido, uma vez mais, qualquer resposta por parte do suspeito, o empresário lesado decidiu apresentar queixa às autoridades. Passado algum tempo, o suspeito deixou Macau rumo ao Interior da China e quando tentou voltar ao território na passada segunda-feira através da Ponte Hong Kong-Macau-Zhuhai, acabou por ser interceptado. Segundo a PJ, durante o interrogatório, o suspeito mostrou-se pouco colaborativo e argumentou que tinha autorização para passar os referidos cheques e que o próprio queixoso concordou com isso. No entanto, não conseguiu fazer prova disso. Após a investigação levada a cabo pelas autoridades, foi ainda descoberto que o suspeito terá desviado mais dinheiro da empresa além dos 5,7 milhões de patacas relatados. Contas feitas, ficou provado que o suspeito retirou, no total, 7,7 milhões de patacas da empresa, estando o destino do montante a ser investigado. O caso seguiu ontem para o Ministério Público (MP), onde a vítima irá responder pelo crime de abuso de confiança. A provar-se a acusação, o homem pode vir a ser punido com pena de prisão entre 1 a 8 anos, por se tratar de um “valor consideravelmente elevado”.
Covid-19 | Descontos em testes para estudantes. Casos em Cantão preocupam João Santos Filipe - 29 Abr 2022 Salas de espectáculos podem passar a ter uma ocupação de 75 por cento, que contrasta com a taxa actual de 50 por cento. Por outro lado, os casos mais recentes detectados em Cantão preocupam e podem levar a adopção de medidas de circulação de fronteiras mais apertadas A partir de 8 de Maio os estudantes que regressarem a Macau vão ter um desconto de 50 por cento no preço dos testes feitos nos hotéis de quarentena. A medida foi anunciada ontem por Leong Iek Hou, coordenadora do Núcleo de Prevenção e Doenças Infecciosas e Vigilância da Doença, na conferência semanal sobre a covid-19. “Para os alunos que estudam fora de Macau vai haver um desconto de 50 por cento a partir de 8 de Maio, de forma a melhor aproveitar o Erário Público”, afirmou Leong Iek Hou. “Dado que o teste na quarentena é um serviço de proximidade e que a amostra é recolhida individualmente são precisos mais recursos humanos. Também quando há um caso positivo, a pessoa que faz a recolha tem de ficar de quarentena e é obrigada a ficar em recurso fechado, por isso, a despesa é de 250 patacas por pessoa”, acrescentou. Apesar de haver vários surtos no Interior, o Governo considera que quem vem do outro lado da fronteira representa um risco menor do que aqueles que vêm do resto do mundo. Assim, às pessoas vindas do Interior são exigidos cinco testes, num valor de 1.250 patacas, enquanto os vindos do exterior, incluindo Hong Kong e Taiwan, têm de fazer oito testes, com um custo total de 2.000 patacas. Feitas as alterações, os estudantes ficam a pagar 625 patacas, no caso de fazerem cinco testes, e 1.000 patacas, no caso de fazerem os oitos testes. Leong afirmou que a medida foi adoptada para poupar dinheiro “à população”, uma vez que até agora foram testadas mais de 60 mil pessoas, devido a quarentenas. A médica não apresentou as contas, que até afirmou serem fáceis de fazer. Mas, assumindo que todas as 60 mil pessoas fizeram todas cinco testes, os gastos mínimos foram de 75 milhões de patacas. No cenário em que todas fizeram oito testes, o montante máximo é de 120 milhões de patacas. Salas mais preenchidas Também ontem, foi anunciado que a taxa de ocupação das salas de espectáculos vai ser aumentada de 50 por cento para 75 por cento. “Vamos fazer o levantamento de algumas restrições na percentagem de lugares que podem ser ocupados em espectáculos, que vai subir de uma taxa de 50 por cento para 75 por cento”, afirmou Leong. “Embora as nossas instruções não referissem expressamente que a taxa de ocupação máxima era de 50 por cento, devido à exigência de um metro de distância social nestas salas, a medida era implementada. Porém, com as novas condições devido à taxa de vacinação e à realização frequente de testes, vamos permitir que a taxa de ocupação suba para 75 por cento”, explicou. Um dos assuntos igualmente focado, foi o anúncio da confirmação de quatro casos de covid-19 em Cantão, além de 11 preliminarmente positivos. Como o anúncio apenas foi feito ao meio-dia, Leong afirmou não haver novidades, contudo prometeu que a situação vai ser acompanhada e podem ser adoptadas medidas mais restritivas de circulação da fronteira, que serão oportunamente comunicadas. Finalmente, a médica reconheceu ainda que as vacinas da BioNtech para crianças continuam sem ter uma data definitiva de chegada a Macau. Cantão | Centenas de voos cancelados Centenas de voos foram ontem cancelados a partir de Cantão, tendo sido lançada uma operação de testagem a cerca de seis milhões de habitantes, após a descoberta de um único caso suspeito de covid-19. As autoridades de Cantão anunciaram a testagem de cerca de um terço dos seus 19 milhões de habitantes após um resultado “anormal” de um teste de covid realizado no aeroporto. A maioria dos voos do dia foram cancelados. Domésticas | Quatro pedidos de entrada Até ontem o Governo tinha recebido quatro pedidos de entrada de empregadas Filipinas em Macau, dos quais três foram autorizados. Ainda de acordo com a informação fornecida por Leong Iek Hou, vai haver mais uma reunião interna para transmitir a autorização final às famílias que fizeram o pedido de contratação, que depois poderão agendar o hotel de quarentena.
Junkets | Proposta de Lei exige caução mas omite entidade recebedora João Santos Filipe - 29 Abr 2022 Ao contrário do que aconteceu com a maior parte das leis, a proposta do Governo sobre o regime da actividade de exploração de jogos de fortuna ou azar em casinos não menciona quem recebe o dinheiro da caução das junkets Os deputados não conseguem perceber qual é a entidade que vai receber a caução pagas pelas empresas promotoras de jogo para poderem operar na RAEM. Ao contrário do que acontece habitualmente com outras leis, a proposta do regime da actividade de exploração de jogos de fortuna ou azar em casinos, que regula o funcionamento dos junkets, é omissa. “Normalmente a entidade que recebe a caução é estipulada nas propostas de lei. Mas nesta não está definida, não sabemos se vai ser a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, a Direcção de Finanças, ou outra entidade”, explicou Chan Chak Mo, presidente da 2.ª Comissão, que está a analisar o diploma na especialidade. “Não é possível ter uma resposta a esta pergunta nesta fase porque falta uma norma a definir quem vai receber o dinheiro”, acrescentou. O valor da caução que as empresas junkets vão ter de depositar junto das entidades oficiais também não é conhecido. Segundo a proposta de lei, o montante é definido através de um regulamento administrativo. Outra questão, que também vai ser definida pelo secretário através de um regulamento administrativo, é o limite máximo que os junkets podem receber em comissões das concessionárias. Dividir o bolo Sobre o valor a ser cobrado, a questão ainda não foi debatida com o Governo, porque não houve uma reunião entre as duas partes, o que só deverá acontecer numa fase posterior. Contudo, Chan Chak Mo defendeu que deve ser encontrado um equilíbrio entre as concessionárias, as promotoras de jogo e os impostos pagos ao Governo. “As comissões é como a questão do bolo. Não vai aumentar, por isso, temos de ver como é feita a divisão das fatias entre a quantia paga a impostos, a parte das concessionárias e das promotoras de jogo. Se aumentarem a fatia das concessionárias, elas vão comer mais, mas vai haver quem vá comer menos”, explicou. “Será que os promotores vão conseguir manter o negócio e assegurar os empregos actuais com uma fatia menor? Seja como for, é preciso dividir as fatias por três partes, por isso, é necessário haver um equilíbrio”, afirmou. Na análise do diploma que regula “actividade de exploração de jogos”, uma das preocupações tem sido a harmonização com a lei geral do jogo, que também está a ser analisada nesta comissão. Por isso, os deputados mostraram-se preocupados com os artigos sobre a obrigatoriedade de os promotores de jogo só trabalharem com uma única concessionária. Na visão da comissão, os artigos das duas leis apontam para direcções “um bocado diferentes”, o que poderá implicar a necessidade de proceder a alterações.
TNR | Poder do Povo pede substituição “mais eficaz” por trabalhadores residentes Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 29 Abr 2022 A associação Poder do Povo entregou ontem uma carta ao Governo onde pede um mecanismo mais eficaz para a substituição de trabalhadores não residentes por residentes. A missiva deixa ainda um alerta sobre a especulação de preços com o novo cartão de consumo A secretaria para a Economia e Finanças e a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) receberam ontem da associação Poder do Povo uma carta onde se faz o apelo para a substituição mais eficaz de trabalhadores não residentes (TNR) por residentes em plena crise económica. Os representantes entendem que a taxa de desemprego dos locais continua a subir, sendo “fraco” o actual mecanismo de saída de TNR em prol dos residentes. Lam Weng Ioi, secretário-geral da Poder do Povo, lembrou que quase todas as semanas há sócios a pedirem ajuda na busca de emprego, sobretudo trabalhadores ligados aos sectores do jogo e da construção civil. “A proporção entre residentes e TNR é desequilibrada, porque muitas empresas têm muitos TNR [cujos processos de blue card] foram aprovados no passado. Por isso é necessário que este número de trabalhadores seja reduzido quando os blue cards forem renovados, para que se evite a situação de haver mais TNR do que residentes numa empresa”, disse. O secretário-geral adiantou que o território tem uma população activa de cerca de 377 mil pessoas, segundo dados relativos ao quarto trimestre do ano passado, com os TNR a representarem 180 mil desse grupo. “Penso que o critério mínimo deveria ser uma proporção de dois residentes para um TNR”, defendeu Lam Weng Ioi. O dirigente associativo, que trabalha para o sector logístico, apontou que a DSAL deve reforçar também as inspecções nas empresas, sobretudo nas áreas da restauração e construção civil. Para Lam Weng Ioi, estas são as áreas em que a proporção entre residentes e TNR está mais desequilibrada. Escolher emprego Responsáveis da DSAL têm referido em várias ocasiões que muitas vezes os residentes não aceitam determinados tipos de empregos. Lam Weng Ioi considera isso “compreensível”, dando como exemplo o facto de muitos residentes não quererem trabalhar na área da limpeza. No entanto, acredita que há muitos empregos que podem ser ocupados por locais, nomeadamente em funções administrativas ou no sector logístico. A carta, entregue ontem, apela ainda a uma supervisão dos postos de abastecimento de combustível, a fim de melhor regular os preços de mercado. A associação entende que os preços praticados em Macau não correspondem aos valores mundiais, sendo ainda mais elevados do que os cobrados em cidades maiores como Pequim e Xangai. A Poder do Povo cita aumentos em Macau na ordem dos 30 por cento. Sobre a chegada de um novo cartão de consumo, a associação exige que o Governo fiscalize melhor a possível especulação de preços praticada pelos comerciantes. A propósito do Dia do Trabalhador, que se celebra este domingo, a associação confirmou que não pretende organizar qualquer manifestação devido à pandemia. Recorde-se que, no ano passado, a associação apresentou um pedido de reunião e manifestação junto do Corpo de Polícia de Segurança Pública para celebrar esta efeméride, mas tal não foi aprovado também devido à pandemia.
Michael Xincheng Du, coleccionador de arte e antiguidades chinesas: “A civilização chinesa está pronta para uma nova interpretação” Julie Oyang - 29 Abr 2022 Após uma carreira no comércio e negócios internacionais, Michael instalou-se no Canadá e mergulhou no mundo dos coleccionadores, acumulando uma colecção excitante e invulgar. Agora a viver entre a sua terra natal, a China, e a sua nova casa, ele percorreu um longo caminho desde as suas raízes, crescendo em Harbin, a cidade do nordeste da China com um forte sotaque europeu. O que inicialmente inspirou o seu interesse em coleccionar arte e antiguidade chinesa? As primeiras obras que comprei foram em mercados de antiguidades, todo o tipo de artefactos em que tropecei, desde mobiliário Ming huanghuali a auspiciosos objectos de jade, a arte e ícones budistas. Depois de viver com eles durante algum tempo, percebi que estava um pouco envergonhado com a minha escolha aleatória. Sou emocional, mesmo obsessivo na minha resposta à arte e se o trabalho reflecte algo sobre o meu eu interior. Senti que me faltava algo que me tocasse verdadeiramente, mas não sabia o que me estava a faltar no início. Então não é só o prazer estético que é importante para si. Procura também uma experiência mais pessoal e mais autêntica como coleccionador? Quando comecei a coleccionar há muitos anos, já tinha percebido que era minha vocação trazer de volta o magnífico passado da civilização chinesa através do meu trabalho. O que eu precisava era de uma ligação íntima e intensa com o passado. Uma centelha privada, por assim dizer. Quero que esse passado esteja vivo na minha imaginação! Então o que aconteceu? O que aconteceu foi Yuan. Para um chinês, Yuan, ou destino, é escrito com incontáveis fios de seda cruzados. Ao contrário do destino ocidental, Yuan leva frequentemente a um resultado positivo. Foi há 25 anos atrás. Lembro-me que tinha um encontro com um amigo coleccionador de móveis na Áustria para ver algumas peças únicas que ele me queria mostrar em sua casa. Como fui conduzido através da sua arrecadação bastante cheia, algo em cima da mesa chamou-me a atenção. Era um dragão em forma de C feito de pedra de jade. Foi assim que me familiarizei com Hongshan, a cultura pré-histórica, em grande parte desconhecida mas única e surpreendente, que remonta a pelo menos 8000 anos. Então aprendeu o nome de Hongshan com um coleccionador estrangeiro?! Aprendi todos os dias com todos os tipos de pessoas e estranhos. Mas a cultura de Hongshan prova quão diversa e rica é a civilização chinesa e até que ponto ela remonta no tempo. Senti-me instantaneamente atraído pelos artefactos excêntricos e não categorizáveis de Hongshan, especialmente as esculturas de dragões em forma de C. É como se eu tivesse descoberto o meu animal espiritual de tempos esquecidos! A partir desse momento tenho querido recolher todos os artigos de Hongshan em que posso pôr a minha mão (risos). Foi assim que se tornou uma autoridade sobre a cultura de Hongshan. Na altura em que fala, é dono da maior colecção. Sim, absolutamente. Assim que comecei a aprofundar o assunto que permanece controverso entre os historiadores até hoje, sinto-me inspirado e intrigado. Hongshan recusa-se a fazer parte da história “oficial” chinesa. Na verdade, está a colocar um grande ponto de interrogação sobre a origem da civilização humana na Terra! Os sítios arqueológicos Niuheliang, Hongshanhou e Weijiawopu são importantes sítios representativos da cultura de Hongshan. O sítio arqueológico Niuheliang está localizado entre o Planalto Mongol e a zona offshore da planície do Norte da China, o sítio arqueológico Niuheliang apresenta o Templo da Deusa, que é um exemplo notável da história da criação que ostenta a maior escala, a mais alta patente, e a mais proeminente expressão de crenças que podem não ser da Terra. Acredita que o Templo da Deusa é dedicado aos visitantes extraterrestres que criaram a humanidade utilizando tecnologia extraterrestre? Tenho tido extensos intercâmbios com o futurista americano Nova Spivack sobre este assunto. Tal como eu, Nova é obcecado por Hongshan. É um empresário de tecnologia com um enfoque único na cultura. A sua Biblioteca Lunar mostra a sua ambição e grande visão. Esta Biblioteca Lunar é feita de pequenas páginas e imagens gravadas, contendo a nossa história humana mais importante e os tesouros culturais de todas as nações. Um backup do planeta Terra, na Lua, que irá durar até 5 mil milhões de anos. Investigações conduzidas tanto por Nova como por outras equipas científicas sobre artefactos de “imagens alienígenas” de Hongshan identificaram minerais de outros planetas. A descoberta deixou-me bastante emocionado. Isto significaria que toda a história humana poderia um dia ser reescrita e a chave está na minha colecção! Será esta a razão pela qual fundou uma nova casa de leilões de arte em conjunto com os seus parceiros chineses? A boa arte é dinâmica e a nossa interacção com a arte evolui a todo o momento. Reflecte as nossas vidas e experiências em mudança. Como coleccionador de arte, orgulho-me de fazer parte do renascimento chinês e de me envolver no rejuvenescimento da civilização chinesa. Quero envolver pessoas comuns no meu processo privado de curadoria e tornar cada vez mais pessoas proficientes na cultura e arte chinesas, o que é em grande parte desconhecido do mundo exterior. Penso que isso é errado. Onde fica a sua casa privada de leilões de arte? Fundada em Dezembro de 2020, a Baozhen International Art Auction House está localizada na cidade de Yantai, Shandong, a província natal de Confúcio. Sentado na praia com vista para as ondas tranquilas do Mar Amarelo, o edifício de escritórios cobre um total impressionante de 32.000 metros quadrados, incluindo 2000 metros quadrados para exposição permanente, 2000 metros quadrados para entretenimento e lazer, 2000 metros quadrados para restauração e restaurantes exclusivos. Temos também uma secção hoteleira separada, quartos e suites VIP. Quero que este lugar seja confortável, acolhedor e elegante, com uma grande orquestração de objectos e obras de arte a serem apresentados com muita atenção à História – o que deverá ser uma interacção viva e significativa com o futuro. É assim que vejo a história: não como o passado mas como algo virado para o futuro e orientado para o futuro. Isto é um contraste incrível ao apresentar o passado e as suas influências na nossa vida quotidiana, não é? A China mudou drasticamente nas últimas décadas, as cidades são quase como lugares de um planeta diferente. Olhando para trás, percebo que o passado é um tesouro de ideias inexploradas. O passado chinês tem lutado para obter mais exposição. A civilização chinesa é requintada, refinada e NÃO é aborrecida. Pelo contrário, é relevante, criativa e cheia de surpresas. O mundo é um presente inesperado. Tem uma força nutritiva sobre todos nós, tal como a Deusa de Hongshan. O grande escritor chinês Lu Xun (1881-1936) escreve sobre o dia em que a Deusa criou o mundo. “Ela caminhou para a beira-mar no mundo vermelho-carne, as curvas do seu corpo fundindo-se no mar de luz feito de rosas pálidas. Até que surgiu uma ruptura a partir do centro do seu corpo, alargando-se lentamente até se tornar um branco puro. As ondas no mar ficaram espantadas e atordoadas, subiram e caíram de forma ordeira”. Creio que a civilização chinesa está pronta para uma nova interpretação.