Prédios antigos | Caso de masturbação põe em causa segurança

Uma responsável da Associação da Construção Conjunta de Um Bom Lar considera que a fraca gestão de espaços comuns em edifícios antigos ficou evidente no caso do bombeiro apanhado a masturbar-se nas escadas de um prédio. O Corpo de Bombeiros instaurou um processo disciplinar e suspendeu as funções do suspeito

O caso do bombeiro que foi apanhado a masturbar-se nas escadas de um prédio de habitação por uma jovem de 12 anos preocupou a vice-secretária da Associação da Construção Conjunta de Um Bom Lar (presidida pela deputada Wong Kit Cheng) em relação à segurança em edifícios habitacionais, especialmente os mais antigos.

Num comunicado, Chan Hio Teng afirmou que o incidente “não só causou danos psicológicos à menina que o testemunhou, como, mesmo tratando-se de um caso isolado […] realça lacunas na gestão dos espaços comuns dos edifícios habitacionais”.

A responsável ligada à Associação Geral das Mulheres de Macau justifica que os espaços comuns, como escadas, corredores e terraços, são áreas partilhadas onde os moradores circulam. Como tal, devem ser “locais seguros, limpos e devidamente geridos”. Porém, Chan Hio Teng refere é frequente encontrar portas de entrada de prédios em mau estado, que não se fecham, facilitando a entrada de estranhos.

“A maioria dos edifícios antigos não tem sistema de videovigilância, nem manutenção adequada, tornando escadas em áreas com pouca iluminação criando locais para comportamentos ilegais ou indecentes”, acrescentou a responsável da Associação da Construção Conjunta de Um Bom Lar.

Face a esta situação, e com muitos proprietários idosos sem vontade de gastar dinheiro em obras, Chan Hio Teng sugere o alargamento do âmbito de financiamento do Fundo de Reparação Predial para instalar sistemas de vigilância de CCTV, controlo inteligente de acessos (como reconhecimento facial para abrir a porta do prédio) e acções de sensibilização para a segurança.

Minoria ética

Entretanto, o Corpo de Bombeiros (CB) instaurou um processo disciplinar e o bombeiro ficou com funções suspensas preventivamente. Além disso, o CB ordenou o reforço da “moral e a supervisão, alertando, de forma rigorosa, todo o pessoal a observar estritamente a lei em qualquer momento, cumprir a deontologia profissional e preservar o prestígio da força”.

Recorde-se que o indivíduo em causa foi detido na terça-feira, uma semana depois de ter sido apanhado por uma jovem de 12 anos de idade a masturbar-se nas escadas de um prédio. A menor contou aos pais, que alertaram as autoridades. Segundo a Polícia Judiciária, o bombeiro admitiu que no dia anterior a ter sido apanhado fez a mesma coisa noutro prédio de habitação.

HK | Adrian Ho ofereceu 100 bifanas a deputados e jornalistas

Na quarta-feira, o deputado o Conselho Legislativo voltou a considerar que as bifanas de Hong Kong são superiores às de Macau e comprou 100 unidades para deputados e jornalistas, para “provar” as suas declarações

Adrian Pedro Ho King Hon comprou 100 bifanas para oferecer aos colegas e jornalistas no Conselho Legislativo, em Hong Kong, na quarta-feira. Esta foi a reacção mais recente do deputado e sobrinho de Edmund Ho, depois de afirmar que as bifanas de Macau não são tão boas como as de Hong Kong e que a comida na RAEM é “extremamente banal”.

Segundo o portal HK01, as bifanas foram todas comidas em minutos por deputados e jornalistas, o que levou o deputado ligado ao partido Novo Poder Popular a considerar que tinha provado a veracidade das suas afirmações sobre a qualidade superior da comida em Hong Kong. Ainda assim, o legislador admitiu que o gosto é sempre uma questão pessoal.

O sobrinho do primeiro Chefe do Executivo de Macau confessou também que devido à grande quantidade de bifanas encomendadas na mesma loja, o proprietário exigiu pré-pagamento, por temer que o deputado não pagasse a totalidade da conta.

No entanto, nem todos ficaram convencidos. Mark Chong Ho-fung, deputado ligado ao partido Mesa Redonda, comeu a bifana oferecida, mas horas depois escreveu nas redes sociais que preferia as bifanas em Macau. “Acho que as bifanas de Macau são mais saborosas”, escreveu nas redes sociais.

Cidade Criativa Gastronómica

A polémica sobre a qualidade das bifanas de Macau e Hong Kong foi gerada por Adrian Pedro Ho King Hong durante uma sessão parlamentar, em que questionou a qualidade dos produtos à venda na Rua do Cunha.

Nessa ocasião, Ho afirmou que os residentes de Hong Kong só preferem comer em Macau este tipo de comida, porque se deixaram atrair pela “fama” da gastronomia. “Tudo isto se pode comer em Hong Kong, mas não sei por que razão é apresentado como uma iguaria”, afirmou Adrian Ho. “Atrevo-me a dizer que a bifana de Hong Kong é mais saborosa que a de Macau. Por que razão os turistas vão a Macau para comer aquela bifana? Por foi criado um certo ambiente propício”, vincou.

Os comentários de Ho não se limitaram à bifana, com o deputado a lançar dúvidas sobre a qualidade dos pastéis de nata, carne seca e bolos de amêndoa em Macau, categorizando-os como “extremamente normal” e abaixo da qualidade de Hong Kong. Segundo o jornal HK01, a Direcção de Serviços de Turismo de Macau foi abordada sobre e limitou-se a responder que Macau foi escolhida como Cidade Criativa Gastronómica pela UNESCO.

Turismo | Situação internacional complica previsões

O subdirector dos Serviços de Turismo (DST), Cheng Wai Tong, afirmou que a situação internacional faz com que seja difícil fazer previsões sobre o número de visitantes que vão visitar Macau durante o Verão. As declarações foram prestadas ontem, à margem da realização feira G2E Asia.

Embora tinha evitado fazer previsões, Cheng prometeu que as autoridades vão continuar a desenvolver os preparativos para receber um número maior de turistas, o que passa por apostar mais em eventos de promoção de Macau, melhorar as infra-estruturas locais e tentar promover uma melhoria da oferta turística.

Quanto aos esforços para atrair mais turistas internacionais, Cheng Wai Tong reconheceu que a situação actual é difícil, devido ao impasse no estreito de Ormuz e à crise dos combustíveis. No entanto, o responsável indicou que as autoridades estão a cooperar com a companhia aérea local e outras companhias de aviação internacionais, responsáveis por voos de longa duração, para promover Macau como um destino turístico.

O subdirector da DST apontou também que Macau quer conseguir atrair turistas de outros aeroportos internacionais, além de Hong Kong, apontando os exemplos de Xangai e Pequim.

Ao mesmo tempo, espera-se um aumento no Verão do número de alunos do Interior que visitam Macau para conhecerem as instituições de ensino superior. Sobre esta tendência, a DST prometeu melhorar a coordenação com os agentes da indústria do turismo, para receber estes visitantes.

UPM | Zhou Zhongrong é o novo reitor

Zhou Zhongrong será o novo reitor da Universidade Politécnica de Macau (UPM) a partir do próximo dia 1 de Junho, foi revelado ontem em comunicado, substituindo Marcus Im no cargo. O mandato de reitor terá a duração de dois anos, sendo que o Conselho Geral da UPM espera que Zhou Zhongrong possa “liderar a universidade no sentido de expandir ainda mais a cooperação internacional e a colaboração regional” da instituição.

Zhou Zhongrong é doutorado em Engenharia de Materiais pela École Centrale de Lyon, França, sendo ainda membro do 14.º Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Nas funções políticas que desempenha, inclui-se ainda o facto de ser deputado à 13.ª Assembleia Popular Nacional.

Zhou Zhongrong era, até à data, vice-reitor e professor de Engenharia Mecânica da Universidade Jiaotong do Sudoeste, na China. A nível académico destaca-se o facto de ter “mais de 30 anos de experiência na docência, investigação e gestão administrativa no ensino superior”.

Saúde | Pedida supervisão do uso de apoios em Guangdong

O deputado Wong Chon Kit, ligado à área da saúde, entende que deve ser garantida a supervisão da nova medida que estende os vales de saúde da RAEM à utilização na província de Guangdong. O responsável defende um mecanismo de cooperação para o plano anunciado esta semana

Wong Chon Kit, deputado à Assembleia Legislativa (AL) ligado ao sector da saúde, defende ser necessária a criação, por parte do Governo, de um mecanismo de cooperação com as autoridades do interior da China para supervisionar a utilização dos vales de saúde na província de Guangdong. Trata-se de uma medida anunciada esta semana, relativa à nova ronda do Programa de Comparticipação nos Cuidados de Saúde, que começa em Junho.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado entende que a cooperação entre Macau e Guangdong deve incluir partilha de informações, inspecções em clínicas aderentes ao programa e uma operação conjunta da aplicação das leis. Devem ainda ser utilizadas tecnologias da informação a fim de prevenir infracções.

O deputado, que também é dentista, argumentou que, este ano, o montante subsidiado pelo programa é de 520 milhões de patacas, devendo ser garantido um uso adequado do erário público, sendo esta uma responsabilidade fundamental do Governo. É por isso que Wong Chon Kit falou ao jornal chinês da necessidade da eficácia da supervisão entre territórios e departamentos públicos das duas regiões. Isto porque, caso haja muitas infracções ou falhas no programa, tal afecta de forma directa a credibilidade do programa, bem como o ambiente empresarial do sector da saúde.

Mudança competitiva

Na visão de Wong Chon Kit, uma vez que os residentes da RAEM podem começar a tratar a sua saúde nas instituições médicas de Guangdong com os vales de saúde, tal implica uma mudança de competitividade no sector, pois haverá desvio de doentes de Macau para a China.

Wong Chon Kit considera, no entanto, que as clínicas de Macau mantêm algumas vantagens tendo em conta a sua localização, conveniência que proporcionam e a língua, sendo importante continuar a melhorar os serviços a fim de assegurar a continuidade destas vantagens.

O deputado deixou elogios à utilização dos vales de saúde na província vizinha, algo que, no seu entender, permite a continuidade dos objectivos do programa, nomeadamente o alívio da pressão no sistema de saúde público e a promoção de parcerias público-privadas.

Além disso, o legislador recordou que os médicos de Macau que participam no programa podem aceitar vales de saúde em Guangdong se trabalharem em 21 instituições médicas previstas no programa. Wong Chon Kit defende que a medida proporciona um novo meio de desenvolvimento para os médicos, sobretudo os mais jovens, dando ainda apoio às marcas da área da saúde de Macau e proporcionando-se um alargamento de serviços na zona da Grande Baía.

Áreas marítimas | Seis projectos de aprovados à espera da lei

O Governo aprovou licenças provisórias, válidas por um ano, para seis projecto de uso de zonas marítimas, que estão à espera da entrada em vigor lei de uso das áreas marítimas, em análise na especialidade na 3ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa.

Os projectos em questão são as instalações marítimas da Central Térmica de Coloane, uma ponte-cais na Zona A dos novos aterros, uma marina de recreio de um clube náutico, as instalações temporárias para ampliação do Aeroporto de Macau, condutas de abastecimento de combustíveis de aviação, uma plataforma flutuante para combate a incêndios também no aeroporto.

Numa primeira análise, o deputado Leong Sun Iok acrescenta que algumas pontes-cais não vão estar sujeitas à futura legislação porque as suas localizações são definidas como terras e, como tal, reguladas pelas leis de terras.

Segundo o jornal Ou Mun, deputado dos Operários apontou que algumas pontes-cais privadas em funcionamento têm a estrutura principal fora da orla costeira e por isso, são definidas como zonas terrestres. Estas pontes-cais incluem a Doca dos Pescadores, a ponte-cais nº 16, Terminal Marítimo do Porto Interior, o Terminal de Contentores do Porto de Ká Hó, Clube Náutico Internacional de Macau e Marina de Coloane. Os deputados da 3ª Comissão Permanente vão continuar a analisar a proposta de lei hoje à tarde.

Inundações | Deputado pede medidas temporárias

O deputado Lee Koi Ian quer saber que medidas temporárias estão a ser tomadas pelo Governo para garantir que as lojas nos locais de risco sejam protegidas de cheias. O assunto faz parte de uma interpelação do deputado de Jiangmen, divulgada no portal da Assembleia legislativa.

Para o deputado o facto de a época de cheias estar a aproximar-se e da obra para construir uma estação elevatória de águas pluviais e saneamento na zona antiga da Taipa ainda estar em curso pode fazer com que a capacidade de drenagem seja mais reduzida, pelo que pede medidas de protecção.

O deputado pergunta ainda se o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) iniciou as inspecções à rede de drenagem, principalmente nas áreas propícias as cheias: “Em alguns pontos turísticos e zonas com grande concentração de comércio, ainda existe o risco de inundações durante chuvas torrenciais. As autoridades devem reforçar a frequência das inspecções e a rapidez da resposta de emergência nestas zonas específicas, bem como a colocação preventiva de pequenas bombas portáteis de drenagem em terrenos desocupados nas proximidades, de modo a permitir uma drenagem imediata e reduzir assim o risco de inundações nas lojas”, apontou.

Ao mesmo tempo, Lee Koi Ian considerou que durante o Verão é normal que a rede de drenagem liberte odores, incomodando os cidadãos. Por isso, quer saber se as tampas de drenagem vão ser substituídas por outro tipo de tampas com capacidade para reter cheiros.

Cotai | Wong Ka Lon quer melhores condições contra incêndios

O deputado alerta o Executivo para a falta de segurança no Cotai, em particular em dias com grandes multidões, como a passagem de ano. Wong teme a falta de recursos para lidar com emergências e acha que Hong Kong é exemplo a seguir no que diz respeito a incêndios

O deputado Wong Ka Lon defende que o Executivo tem de adoptar mais medidas de segurança para a possibilidade de se verificarem incidentes no Cotai, um local com grande concentração de pessoas. O assunto foi abordado pelo deputado eleito pela via indirecta, através de uma interpelação escrita, em que indica que os recursos de emergência não estão preparados para situações de grandes emergências.

No documento, Wong traça uma situação preocupante no Cotai, onde indica viverem mais de 30 mil pessoas, às quais se juntam 37 mil quartos de hotéis, com uma taxa de ocupação que por vezes é superior a 90 por cento. Além destas, o legislador aponta que também é comum que durante certos eventos, como a passagem de ano, haja grandes multidões no local.

“Quanto à distribuição dos recursos contra incêndios na zona do COTAI, o número de estações do Corpo de Bombeiros é limitado. Perante uma área urbana extensa, edifícios de grande dimensão e um fluxo enorme de pessoas em curtos períodos, a capacidade de resposta a emergências e a uma evacuação em larga escala enfrenta pressões estruturais”, alertou o legislador.

Por isso, o deputado quer saber se o Governo vai “proceder a uma investigação específica sobre os riscos de segurança” e criar “mecanismos dinâmicos de avaliação desses riscos” para reforçar “a distribuição dos recursos de combate a incêndios”.

Pessoas paradas

Wong Ka Lon pede também ao Executivo que aprenda com o exemplo de Hong Kong, onde em Novembro do ano passado as chamas no complexo habitacional Wang Fuk Court causaram 168 pessoas, segundo os números oficiais.

“O grave incêndio no Wang Fuk Court, em Hong Kong, onde as chamas deflagraram por um longo período, causou numerosas vítimas, bem como expôs perigos fatais, como materiais de construção inflamáveis, distância reduzida entre edifícios, instalações de combate a incêndios obsoletas e dificuldades na evacuação e resgate”, apontou. “Em Macau, após os grandes eventos, registam-se frequentemente aglomerações e permanência prolongada de multidões, e isso também poderá desencadear facilmente acidentes graves de debandada, resultando em esmagamento de pessoas caso ocorresse repentinamente um incêndio, portanto, os riscos para a segurança não podem ser ignorados”, avisou.

“Face ao risco de aglomeração de pessoas quando existem grandes eventos e aos ensinamentos que devemos ter aprendido dos acidentes graves na sequência de incêndios ocorridos noutros locais, o Governo deve aperfeiçoar o mecanismo interdepartamental de inspecção e execução da lei, optimizando os planos de contingência para a evacuação dos fluxos de pessoas”, considerou.

Cimeira Xi-Trump | Analista destaca a tentativa de evitar a escalada de conflitos

O HM convidou o analista e especialista em assuntos da China, Jorge Tavares da Silva, a comentar a visita de Donald Trump à China. O professor da Universidade da Beira Interior entende que, nestes dias, “a China vai aproveitar a oportunidade de diálogo para cooperar, estudar a posição norte-americana e defender o seu próprio posicionamento”, sendo que esta cimeira é como as “conversas de um casal em fase de divórcio, mas que ainda precisa de falar”. Serve, sobretudo, “para acertar posições e, sobretudo, evitar a escalada de um conflito entre os dois lados”, adiantou.

“Em cima da mesa estão temas como ajustamentos no domínio comercial, o acesso a terras raras e a venda de semicondutores avançados, bem como a eventual criação de um ‘conselho do comércio’ e a redução — ou pelo menos não aumento — de algumas tarifas. Os dois países procuram, acima de tudo, gerir a tensão sem a agravar, num equilíbrio cada vez mais frágil entre competição e interdependência”, considerou Jorge Tavares da Silva.

Neste contexto, Trump “poderá precisar de apresentar algum resultado com impacto interno, capaz de atenuar a onda de descontentamento e reforçar a sua posição política doméstica”, defendeu.

Agenda Médio Oriente

Entretanto, e relativamente ao conflito no Médio Oriente, que tem gerado uma crise energética mundial e tensões no Estreito de Ormuz, “não se espera nada de substancial”. Na visão de Jorge Tavares da Silva, “parte do envolvimento dos Estados Unidos no Médio Oriente pode trazer vantagens para a China”.

“Os Estados Unidos reduzem o seu envolvimento e atenção no espaço asiático, o que é favorável a Pequim. A posição chinesa deverá manter-se na sua linha habitual: defesa da paz, apelo ao fim das hostilidades e ao entendimento entre as partes, ao mesmo tempo que mantém um apoio informal ao Irão enquanto parceiro estratégico”, disse ainda.

Na mesma altura da visita de Trump à China foi lançado o relatório “Achievements, Opportunities, and Prospects of China-Arab Cooperation in the New Era” [Conquistas, oportunidades e perspectivas da cooperação entre a China e os países árabes na nova era], por parte do Xinhua Institute, um “think-tank” ligado à agência Xinhua.

Num comunicado divulgado esta quarta-feira a propósito deste documento, lê-se como o país pretende “construir uma comunidade China-Árabe com um futuro partilhado na nova era promovendo a cooperação em vários domínios”, isto desde que se realizou, em 2022, a primeira Cimeira China-Estados Árabes.

Tendo em conta o actual desenvolvimento tecnológico, a China diz estar “a trabalhar activamente com os Estados árabes para promover projectos de cooperação emblemáticos em áreas relacionadas com a inovação”, lê-se no relatório.

Fragilidades e cedências

Tendo em conta outro tópico da agenda desta cimeira – a questão de Taiwan – Jorge Tavares da Silva adiantou que face à “posição relativamente fragilizada de Donald Trump nesta deslocação, em parte devido ao seu envolvimento no conflito no Irão”, poderão ocorrer “margens de cedência à China em algumas matérias”.

Uma das áreas onde pode haver cedências será “a questão da venda de armamento a Taiwan, caso seja possível obter contrapartidas noutros domínios, como o acesso a terras raras, um eventual recuo ou abandono do programa nuclear iraniano, ou o aumento das compras de produtos norte-americanos”.

“Trata-se, no entanto, de um quadro marcado por elevada imprevisibilidade na postura dos Estados Unidos, o que impede excluir, à partida, possíveis ajustamentos na abordagem à questão de Taiwan”, concluiu o analista.

Cimeira | Economia, relações comerciais e Taiwan discutidos por Xi e Trump em longa reunião

Foram duas horas de diálogo entre os dois mais importantes líderes da actualidade. Xi Jinping, Presidente chinês e Donald Trump, Presidente dos EUA, reuniram ontem para discutir questões comerciais, Taiwan e as relações económicas numa altura de turbulência geopolítica. Xi declarou que os dois países devem ser “parceiros, não rivais”

Há muito que Donald Trump não pisava solo chinês na qualidade de Presidente dos EUA – a última vez foi em 2017, no seu primeiro mandato. As expectativas têm sido mais que muitas para esta cimeira que termina hoje, e que esta quinta-feira teve um dos pontos altos, com um encontro de cerca de duas horas entre Trump e Xi Jinping, Presidente chinês, numa altura em que os dois países tanto têm para dialogar. Não só são as duas maiores potências da actualidade, como esta cimeira acontece no contexto de uma situação geopolítica complexa, com o conflito no Médio Oriente, a crise energética, a questão de Taiwan e ainda as relações económicas entre os dois países, nem sempre pacíficas.

A reunião de ontem foi realizada num formato alargado, com a presença de delegações de ambos os países, no Grande Salão do Povo, na capital chinesa, Pequim. Após o contacto inicial, que incluiu cumprimentos tradicionais e uma discussão sobre Taiwan, os dois líderes visitaram o Templo do Céu, um dos principais sítios históricos da capital chinesa. Xi ofereceu também um banquete de homenagem a Trump, sendo que hoje os presidentes irão tomar chá e almoçar juntos.

Ontem, Xi Jinping advertiu Donald Trump da possibilidade de um conflito entre os dois países caso Washington não lide bem com a questão de Taiwan, noticiou a televisão estatal chinesa.

“A questão de Taiwan é a mais importante nas relações sino – norte-americanas. Se for bem gerida, as relações entre os dois países poderão manter-se globalmente estáveis. Se for mal gerida, os dois países irão confrontar-se, podendo mesmo entrar em conflito”, declarou Xi, utilizando um termo em mandarim que não significa necessariamente conflito militar.

Entre os temas em discussão incluíram-se o Irão, comércio bilateral e até um eventual acordo tripartido de armas nucleares entre Washington, Pequim e Moscovo.

Questão de peso

A questão de Taiwan pesa na agenda dado o desagrado de Pequim com o pacote de armas norte-americano de 11 mil milhões de dólares americanos aprovado para a ilha. Pequim insiste que a questão “não pode ser evitada” e procura sinais, mesmo que subtis, de redução do apoio norte-americano à ilha.

Antes da visita, uma porta-voz do Governo chinês sublinhou a determinação da China em opor-se à independência de Taiwan é “tão firme como uma rocha” e a que a capacidade de esmagar qualquer tentativa de secessão é inabalável.

Os comentários vieram depois de uma recente intervenção do líder de Taiwan William Lai Ching-te, na Cimeira da Democracia de Copenhaga, na qual afirmou que a democracia é o “bem mais precioso” de Taiwan e que o povo taiwanês “sabe muito bem que a democracia se conquista, não se concede”.

Há mais de sete décadas que os Estados Unidos são um actor central no contexto das disputas entre Pequim e Taipé.

A bem da cooperação

Entretanto, Xi Jinping declarou também estar feliz por receber o homólogo norte-americano, Donald Trump, afirmando que os dois países devem ser “parceiros, não rivais”, apesar das múltiplas divergências.

“A cooperação beneficia ambas as partes, enquanto a confrontação prejudica as duas. Devemos ser parceiros, não rivais, devemos ajudar-nos mutuamente para alcançar o sucesso e prosperar em conjunto,” disse Xi a Trump.

O líder chinês acrescentou que o mundo se encontra “numa encruzilhada”, realçando ser necessário “uma nova via” de “boa convivência entre grandes potências nesta nova era”.

Por seu lado, Trump prometeu a Xi um “futuro fabuloso” entre os EUA e a China, logo no início da cimeira. “É uma honra estar ao seu lado. É uma honra ser seu amigo, e as relações entre a China e os Estados Unidos vão ser melhores do que nunca”, afirmou Trump.

Entretanto, segundo a Xinhua, Xi Jinping reuniu ontem em Pequim com empresários norte-americanos que integram a comitiva liderada por Trump, que disse ter trazido consigo “representantes de destaque da comunidade empresarial norte-americana, todos eles respeitadores e apreciadores da China”.

Os empresários terão sido apresentados ao Presidente chinês “um a um”, escreveu a agência estatal chinesa, tendo afirmado “que atribuem grande importância ao mercado chinês”. Além disso, esperam “aprofundar as suas operações comerciais na China e reforçar a cooperação com o país”. Por sua vez, Xi Jinping “afirmou que as empresas norte-americanas estão profundamente envolvidas na reforma e abertura da China, e que ambas as partes têm beneficiado com isso”.

Resultados “concretos”

A Casa Branca insiste que a viagem visa alcançar resultados concretos, nomeadamente compromissos chineses de compra de soja, carne bovina e aviões norte-americanos, além da criação de um Conselho de Comércio para resolver diferendos. Contudo, não foram avançados detalhes sobre possíveis acordos, numa altura em que os laços económicos de Pequim com o Irão complicam as negociações.

A ofensiva lançada pelos EUA e Israel levou o Irão a bloquear o estreito de Ormuz, com petroleiros e navios de gás natural retidos, provocando a subida dos preços da energia e ameaçando o crescimento global.

Os EUA e a China alcançaram no ano passado uma trégua comercial que suspendeu tarifas elevadas. A Casa Branca já afirmou existir interesse mútuo em prolongar o acordo, embora não esteja claro se será anunciado durante esta visita.

Na delegação que acompanha Trump estão o chefe da diplomacia norte-americana, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário do Tesouro Scott Bessent e o secretário da Defesa Pete Hegseth, além dos filhos do Presidente, Eric e Lara Trump, o dono da SpaceX e da rede social X, Elon Musk.

China “continuará a abrir-se cada vez mais” ao mundo, diz Xi

O Presidente chinês Xi Jinping prometeu ontem à delegação de empresários que acompanhou o líder norte-americano Donald Trump que a China “continuará a abrir-se cada vez mais” ao mundo, reportou a imprensa estatal chinesa.

“As empresas norte-americanas estão profundamente envolvidas na reforma e abertura da China, e ambas as partes beneficiam disso. A porta da abertura da China continuará a abrir-se cada vez mais”, afirmou Xi, citado pela Xinhua. O líder chinês elogiou ainda o reforço na “cooperação mutuamente benéfica” entre os dois países e disse estar convicto de que as “empresas norte-americanas terão perspectivas ainda melhores na China”.

Os dirigentes de vários gigantes empresariais que acompanharam o Presidente dos EUA na visita à China, estiveram presentes na cimeira realizada em Pequim entre o líder republicano e o homólogo chinês, algo invulgar neste tipo de diálogos bilaterais.

Da Apple à Tesla

Nas imagens difundidas pela CCTV, vê-se o grupo de empresários — entre os quais os presidentes executivos da Nvidia, Jensen Huang, da Apple, Tim Cook, e da Tesla, Elon Musk — a entrar no Grande Salão do Povo, onde se reuniam as delegações dos EUA e da China, lideradas pelos dois chefes de Estado.

De acordo com o jornal estatal Diário do Povo, Trump afirmou ter levado a Pequim representantes destacados do sector empresarial norte-americano, explicando ter rejeitado a presença de executivos de “segundo nível”, o que, assegurou, reflectia o respeito das companhias para com a China e Xi.

Posteriormente, os empresários foram vistos a abandonar o edifício para embarcar no autocarro utilizado nas deslocações pela capital.

“Maravilhoso, muitas coisas boas”, disse Elon Musk aos jornalistas que aguardavam no exterior, com Jensen Huang a afirmar que as reuniões “correram bem” e que “Xi e o Presidente Trump foram incríveis”, enquanto Tim Cook limitou-se a fazer com os dedos um sinal de paz seguido de um gesto de aprovação. A delegação empresarial que acompanha Trump inclui ainda responsáveis da Boeing, BlackRock, Visa, Mastercard, Meta e Goldman Sachs, sublinhando o carácter económico e comercial da visita.

Ásia | ONU critica Pyongyang por investir em armas em vez de serviços sociais

O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos criticou ontem a Coreia do Norte por dar prioridade ao investimento militar em detrimento dos serviços sociais necessários no país, durante uma visita oficial à Coreia do Sul.

“Estou particularmente preocupado com a extrema prioridade atribuída aos investimentos em segurança e defesa, em prejuízo dos serviços sociais e do desenvolvimento sustentável que são desesperadamente necessários” na Coreia do Norte, afirmou Volker Turk aos jornalistas, em declarações divulgadas pelo seu gabinete.

O alto-comissário considerou que o país, que classificou como hermético, vive uma situação de “crise de direitos humanos” e afirmou que o seu gabinete documentou abusos que poderão constituir “crimes contra a humanidade”.

“É evidente que tem de haver responsabilização sob todas as formas, incluindo não judiciais, pelas graves violações que assolaram a República Popular Democrática da Coreia [designação oficial da Coreia do Norte] durante décadas”, declarou o alto-comissário. Ainda assim, Turk incentivou à procura de vias de contacto com as autoridades norte-coreanas sempre que possível, com o objectivo de criar espaços de diálogo e promover a confiança.

Nesse sentido, saudou a notícia de que a equipa de futebol norte-coreana Naegohyang FC vai disputar, em 20 de Maio, na Coreia do Sul, a fase final da Liga dos Campeões Feminina da Confederação Asiática de Futebol (AFC), defrontando nas meias-finais uma equipa sul-coreana, após oito anos sem visitas desportivas de Pyongyang ao país vizinho.

“São necessárias medidas urgentes para encontrar formas de trocar cartas, retomar os contactos e os reencontros familiares, e divulgar informações que permitam esclarecer o paradeiro e o destino das pessoas desaparecidas e sequestradas”, sublinhou o alto-comissário. Turk chegou terça-feira à Coreia do Sul para uma visita de três dias.

Japão | Softbank quadruplica lucro para 27.045 ME

O grupo japonês Softbank quadruplicou o lucro líquido, atingindo 5.002 mil milhões de ienes (cerca de 27,045 mil milhões de euros), no exercício fiscal de 2025, encerrado em Março passado, anunciou ontem o grupo.

O Softbank, que tem apostado fortemente na Inteligência Artificial (IA), registou 7,3 biliões de ienes (cerca de 39.463 milhões de euros) em ganhos de investimentos durante o último exercício, que decorreu de Abril de 2025 a 31 de Março, de acordo com o relatório financeiro do grupo.

O resultado operacional líquido (EBIT) da empresa foi de 6,1 biliões de ienes (cerca de 32.990 milhões de euros), o que representa um aumento de 259,9 por cento. O volume de negócios do conglomerado aumentou 7,7 por cento em relação ao ano anterior, atingindo 7,8 biliões de ienes (cerca de 41.650 milhões de euros).

O aumento dos lucros em 334 por cento é justificado pelo grupo principalmente com os investimentos multimilionários na OpenAI, a criadora do ChatGPT, que ascenderam a 6,7 biliões de ienes (cerca de 36.220 milhões de euros).

A SoftBank, cuja participação na OpenAI estaria avaliada em cerca de 55.000 milhões de dólares, tem centrado os seus investimentos em indústrias de inteligência artificial, como o sector dos semicondutores e os centros de dados.

Jogo | IA aumenta riscos de segurança na indústria

Especialistas da indústria do jogo alertaram ontem que a integração de Inteligência Artificial (IA) e da análise de dados na indústria do jogo “acarreta ameaças” para a segurança do sector.

Num seminário realizado ontem, durante a G2E Asia, a maior expo da indústria do jogo na Ásia, Jamie Dorbian, director geral internacional da empresa de materiais de jogo LNW Gaming Asia, deixou o aviso de que “são necessários quadros regulatórios adequados em todas as indústrias”, alertando que, sem essas restrições, “a IA poderá contornar os mecanismos de segurança”.

Apesar dos riscos, sublinhou que estes novos desenvolvimentos tecnológicos permitem uma maior “integração entre sistemas”, uma tomada de decisão “mais rápida e inteligente”, e colocam a “informação literalmente na ponta dos dedos do utilizador”.

As declarações foram feitas durante um painel sobre o uso de novas tecnologias na indústria do jogo, realizado no segundo dia da G2E Asia, a expo e conferência anual do sector que decorre no Venetian Macau de 12 a 14 de Maio.

No mesmo evento, Shaun McCamley, fundador e presidente da GameWorkz, apontou para a crescente dependência de dispositivos móveis para a interacção com os utilizadores e o fosso entre a tecnologia disponível e a capacidade humana de lidar com ela.

“Se não soubermos como usar a tecnologia, onde é que isso nos vai levar”, questionou. McCamley traçou também um contraste entre as capacidades tecnológicas internacionais, considerando que os Estados Unidos têm gerido os desenvolvimentos tecnológicos “de forma mais eficaz durante anos”, enquanto o Sudeste Asiático e a Europa “ainda não chegaram lá”.

Factor humano

Dorbian alertou que o excesso de dependência da tecnologia prejudica directamente o “toque pessoal” essencial nos ambientes físicos dos casinos. Para o especialista, embora os jogadores online possam preferir interfaces totalmente digitais, os espaços físicos correm o risco de afastar um segmento significativo de clientes que “procuram uma interação humana genuína com ‘dealers’, empregados de mesa e funcionários de sala”.

Desse modo, avisou que a procura da eficiência tecnológica “poderá destruir involuntariamente a própria atmosfera” que distingue o jogo presencial das plataformas online.

“O equilíbrio errado degradaria a experiência do cliente, independentemente de quão sofisticada seja a tecnologia. Um estabelecimento de três estrelas pode priorizar a eficiência através da automação, enquanto um hotel de cinco estrelas faria bem em preservar o elemento humano como uma vantagem competitiva”, acrescentou.

O Ocidente desfeito (II)

“Nations do not die in a day; they dissolve slowly, as the ideas that sustained them lose their force.”
– Alexis de Tocqueville

O que está a ruir é a ordem construída após 1945, em que a Europa funcionava como extensão estratégica dos Estados Unidos. Para Washington, essa estrutura deixou de ser um activo e passou a ser um fardo. Ainda assim, os Estados Unidos não pretendem retirar as suas forças do continente nem abandonar as bases e infra-estruturas que garantem presença e influência. Podem ocorrer ajustamentos, mas não uma retirada profunda, enquanto os interesses americanos assim o exigirem.

Tentar definir agora o novo mapa geopolítico europeu seria presunção. Mas acreditar que o Ocidente regressará ao modelo anterior é ilusão. A actual liderança americana declarou encerrada a fase de globalismo missionário, substituindoa por uma estratégia centrada na competição entre grandes potências e na redução de compromissos externos.

Entre os ideólogos que influenciam esta mudança destacamse correntes que combinam elementos de contracultura, autoritarismo e capitalismo tecnológico extremo. Personalidades associadas ao universo digital defendem uma visão do mundo que pouco tem de europeia e que nem sempre se identifica com a tradição americana. Em contraste, outros representantes do novo poder político reivindicam raízes profundas na cultura popular dos Estados Unidos. Apesar das diferenças, ambos os grupos convergem numa ideia de que existe uma separação estrutural entre o Novo e o Velho Mundo. Muitos europeus, por razões opostas, chegam à mesma conclusão.

A noção de que o “Ocidente” enquanto entidade política e cultural está a desaparecer tornouse comum dos dois lados do Atlântico. Falta determinar como e quando essa transformação se materializará. A transição americana de potência hegemónica para dominante mas limitada é um salto no escuro, motivado pela percepção de que o tempo se esgota. A Europa, por seu lado, reage com uma mistura de negação e improvisação.

Perante este cenário, tornase urgente reavaliar a posição europeia. As famílias políticas do espaço atlântico enfrentam tensões profundas. A aproximação entre Estados Unidos e Rússia, mesmo que parcial ou táctica, desorienta os países do Nordeste europeu, que sempre confiaram na protecção americana. Muitos descobrem agora que a garantia de segurança que julgavam eterna pode estar a evaporarse. A pergunta impõese: se soubessem que a Aliança Atlântica se encontraria neste estado, os ucranianos teriam lutado tanto para nela entrar?

As nações mais hostis a Moscovo, desde a Escandinávia até ao Mar Negro, vêem o seu alinhamento automático com Washington perder relevância. A frustração leva a medidas extremas, como restrições políticas a cidadãos de origem russa ou bielorrussa, ou tentativas de excluir candidatos considerados demasiado próximos de Moscovo. Em alguns países, surgem até propostas para repetir eleições caso o resultado não corresponda ao que certos sectores consideram aceitável. Esta tendência culmina em decisões judiciais que procuram impedir figuras políticas controversas de concorrer a cargos de topo, reflectindo um clima de desconfiança generalizada.

A exclusão política através de mecanismos judiciais tornouse prática recorrente em várias democracias ocidentais, alimentando suspeitas de que estruturas profundas do Estado continuam a operar longe do escrutínio público. Não admira que muitos vejam nessas decisões a mão invisível de aparelhos que nunca aceitaram perder controlo.

No mundo anglófono, a inquietação cresce. O Reino Unido, horrorizado com o rumo das antigas colónias, discute discretamente a possibilidade de se emancipar da tutela política e estratégica de Washington. Nos círculos mais exclusivos da City, multiplicamse críticas aos novos poderosos americanos, vistos como arrivistas que não compreendem a etiqueta imperial. O desconforto alastra ao Canadá, alvo de declarações intempestivas vindas de Washington, e à Austrália, cada vez menos disposta a desempenhar o papel de sentinela antichinesa num Pacífico onde a influência de Pequim não pode ser ignorada. A presença australiana numa reunião europeia de países “voluntários” foi interpretada como sinal de que Camberra procura alternativas.

(Continua)

Conversa sobre caligrafia de Macau e Hong Kong este domingo

O Barra Slow Festival prolonga-se até ao final do mês com palestras e exposições que podem ainda ser visitadas, incluindo os pavilhões em bambu da autoria de João Ó e Rita Machado e que permanecem na zona da Barra.

Apesar dos principais eventos do festival deste ano já terem tido lugar, este domingo, às 15h, acontece a palestra “Traços de Tinta do Sul – Um século de coexistência da caligrafia aplicada entre Hong Kong e Macau”, com moderação do calígrafo Mok Hei Sai e apresentação de Westley Wong Chun Yat, de Hong Kong.

O evento acontece no segundo andar das Oficinas Navais nº2, das 15h às 17h, servindo de complemento à exposição, “Nuvens e Fumo — Exposição de Caligrafia e Cerimónia do Chá de Mok Hei Sai”, disponível até ao final do mês, também nas Oficinas Navais.

Segundo uma nota oficial, nesta palestra explora-se o tema da “estreita relação entre a caligrafia, cultura local e o desenvolvimento histórico” nos dois territórios, contando-se a história do universo da caligrafia que liga China, Macau e Hong Kong.

“Desde o final da dinastia Qing até ao período da República da China, estudiosos e calígrafos foram migrando para sul, circulando entre Hong Kong e Macau, ensinando discípulos e transmitindo técnicas”, além de estabelecerem “uma estreita ligação entre os dois territórios”.

Explora-se, assim, nesta sessão “a evolução histórica da ‘caligrafia aplicada’ em ambos os territórios”, além de se discutir “o valor comercial da arte da caligrafia desde o final da dinastia Qing”.

Marcas documentadas

Um dos pontos centrais desta sessão é o projecto de investigação desenvolvido pelo orador desde 2020, “Marcas de Tinta”, que documentou o trabalho de “diversos calígrafos que contribuíram para a cultura visual de Hong Kong”, e que resultou no livro “Marcas de Tinta de Hong Kong”. Esta obra, editada em 2024, recebeu, no ano passado, o Prémio Bienal de Publicação de Hong Kong, na categoria “Livros Ilustrados”.

Os casos estudados no projecto “Marcas de Tinta” visam ainda uma reflexão “sobre estratégias futuras de preservação da história da arte pública”. Foi desenvolvido um trabalho de recolha e documentação das obras destes calígrafos que foram integradas em espaços públicos, nomeadamente “letreiros comerciais, monumentos, epitáfios, dísticos, cartões de visita e embalagens publicitárias”.

Wong Chun Yat, que tem o nome artístico de Suen Yau, é também director criativo e professor convidado da Universidade Politécnica de Hong Kong. O projecto “Marcas de Tinta” recebeu apoio de entidades como a Sir David Wilson Heritage Trust e Hong Kong Design Ambassadors.

Outra mostra do Barra Slow Festival que ainda pode ser vista até ao final do mês, no primeiro andar das Oficinas Navais nº2, é “From Inside Out: The Appearance of Tea Exhibition”, com trabalhos de 35 designers de Macau e China, com curadoria de Au Chon Hin e Young Huale.

Apresentam-se aqui “trabalhos de mais de 50 marcas de chá”, recorrendo-se ao “minimalismo, sustentabilidade e experiência sensorial”. Aqui, o chá revela-se como um “meio que permite às pessoas abrandar o ritmo, explorando novas possibilidades no fluxo do tempo e espaço”.

“A exposição mostra como o chá transcende as fronteiras físicas através da embalagem, da marca e da comunicação, evoluindo para uma forma de expressão e uma atitude de vida”, destaca a organização do festival.

Armazém do Boi | Mostra de vídeo experimental a partir de domingo

São 11 os artistas que participam na EXIM 2025 – Time & Movement, Experimental Moving Image Exhibition, para ver no Centro de Cultura e Artes Performativas Cardeal Newman de Macau a partir deste domingo, dia 17. Trata-se de uma mostra inteiramente dedicada ao vídeo experimental organizada pelo Armazém do Boi e que conta com um português, Gonçalo Magalhães, no rol de participantes

O Armazém do Boi apresenta, a partir deste domingo, dia 17, uma exposição dedicada ao vídeo experimental e artístico, intitulada “EXIM 2025 – Time&Movement, Experimental Moving Image Exhibtion” [Tempo&Movimento, Exposição de Imagem Experimental em Movimento], e que pode ser vista no Centro de Cultura e Artes Performativas Cardeal Newman de Macau a partir das 16h.

A curadoria está a cargo de Bianca Lei, que convidou 11 artistas de Macau, Hong Kong e interior da China para exporem os seus trabalhos. Nomes como Elaine Ho, Dong Jun ou Felix Vong fazem parte do cartaz. Destaca-se ainda o trabalho do português Gonçalo Magalhães, um artista visual ligado a Macau.

Segundo uma nota do Armazém do Boi sobre esta mostra, o público pode ver estes projectos artísticos em duas salas distintas, sendo que numa das zonas as obras “alinham-se de forma estreita com a vida quotidiana no vocabulário visual e na narrativa, iniciando um diálogo directo com as pessoas, objectos e acontecimentos do nosso ambiente”.

Exploram-se, de forma artística, elementos como “alimentos quotidianos familiares e as ruas da cidade”, bem como “paisagens naturais e redes de nuvens que, silenciosamente, permeiam a existência contemporânea”.

Real e o surreal

Na sala com vídeos sobre a vida de todos os dias, as imagens mostram como os artistas “empregam figuras, pincéis, gelo e até dados pessoais para desenhar, reconstruir e revelar uma faceta diferente da vida”. Convida-se, nesta parte da exposição, o público “a examinar o conflito entre espaços reais e virtuais, passado e presente, eficiência e futilidade, e a interacção entre a humanidade e o espaço”.

Entretanto, na segunda sala da EXIM 2025, podem ver-se “imagens poderosas e altamente simbólicas”, com “cenas oníricas e fantásticas” e ainda “efeitos audiovisuais fragmentados”.

Podem ver-se e sentir-se “mundos sensoriais surreais que testam as nossas percepções e emoções através do impacto ou da provocação”, procurando-se, desta forma, “imergir o público em reinos visuais meticulosamente construídos e em contextos paradoxais”.

A EXIM 2025 pode ser visitada, de forma gratuita, até ao dia 22 de Junho. A organização da exposição destaca que podem ser vistas “imagens em movimento que rompem as fronteiras da ‘imobilidade eterna’ da arte, transitando das segunda e terceira dimensões para uma quarta dimensão”, que não é mais do que “o tempo”.

Desta forma, “tempo e movimento constituem a essência intrínseca e a matéria fundamental das obras” expostas na EXIM 2025. “Através de técnicas de filmagem ou edição, o tempo pode ser expandido, comprimido ou ter a sua lógica interrompida, sobrepondo passado, presente e futuro. O tempo deixa de ser uma progressão linear e passa a poder ser editado, invertido ou repetido infinitamente”, lê-se ainda.

Laboratório China-Portugal com impacto na saúde pública global

Uma investigadora do Laboratório Conjunto China-Portugal para Inteligência Artificial e Tecnologias da Saúde Pública disse ontem à Lusa que o projecto está a ter “impacto directo na saúde pública global”, com várias inovações de combate a epidemias.

“Este laboratório é a prova de que a ciência pode ser um elo de ligação entre culturas e sistemas de saúde distintos,” afirmou à Lusa Lara Lopes, também directora clínica do Hospital de Medicina Chinesa em Portugal.

Segundo a investigadora, o objectivo é desenvolver “soluções práticas, acessíveis e eficazes para responder às necessidades reais das comunidades lusófonas”, através de “tecnologias simples, de baixo custo e com capacidade de resposta rápida, desenhadas para contextos onde os recursos são limitados, mas a urgência é elevada”.

Criado em Dezembro de 2024, o laboratório resultou de uma parceria entre o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores – Investigação e Desenvolvimento, a Universidade de Medicina de Guangzhou, o Laboratório Nacional de Guangzhou e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. O laboratório opera em regime de co-gestão, com equipas em Lisboa, Porto, Coimbra, e nas cidades chinesas de Macau, Cantão e Chengdu.

A missão é integrar dados multimodais, desenvolver tecnologias de previsão epidemiológica e diagnóstico de precisão, além de construir uma plataforma inteligente para a prevenção e controlo de epidemias relevantes para os países de língua portuguesa.

Segundo comunicados anteriores, trata-se do único laboratório do género a ligar instituições de investigação da China com um país da Europa ocidental.

A directora do laboratório indicou à Lusa que o projecto já desenvolveu uma linha de produtos de saúde pública classificados como soluções de baixo custo e operação simplificada, destinadas sobretudo ao Brasil e aos países lusófonos em África.

“O laboratório está a introduzir esta linha também na própria China, numa rara inversão do fluxo tecnológico habitual”, destacou, sublinhando que a decisão reconhece Portugal como uma porta de entrada da China para a Europa e para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Referências mundiais

A investigadora destacou a tradução para português de um manual clínico do Oitavo Hospital Popular da Dengue de Guangzhou, e que apresenta “uma taxa de sucesso de 98 por cento em casos graves, integrando diagnósticos de medicina chinesa e ocidental”.

“A experiência clínica do Hospital (…) é, em volume e em resultados, a referência mundial em dengue. Receber este protocolo em português, formar os nossos clínicos e construir a partir daí um circuito de gestão integrada para Portugal e países lusófonos é um ganho concreto de saúde pública”, indicou Lopes.

O protocolo, que integra medicina convencional e tradicional chinesa, foi traduzido para português e está a ser distribuído a profissionais de saúde em Portugal, nos seis Estados-membros da CPLP em África e junto da comunidade clínica brasileira.

O laboratório desenvolveu também um sistema de testes modular descrito como um “laboratório numa mala” recarregável via USB, e desenvolvido especificamente para deteção de vírus (Gripe, covid-19, Nipah) em países lusófonos com infraestruturas limitadas.

Outras descobertas incluem um “repelente fitoaromático puro, sem químicos sintéticos e já em distribuição internacional”, uma máquina integrada de previsão epidemiológica, capaz de prever surtos em tempo real com base em dados multimodais, e um robot de triagem para doentes febris.

China e Estados Unidos iniciam discussões comerciais na Coreia do Sul

Delegações chinesa e norte-americana iniciaram ontem discussões económicas e comerciais na Coreia do Sul, antes da chegada do Presidente norte-americano Donald Trump à China, informou a agência de notícias oficial chinesa Xinhua.

As conversações decorreram no aeroporto de Incheon, perto de Seul, segundo a mesma fonte, e antecederam os encontros entre os líderes dos dois países, agendados para quinta e sexta-feira em Pequim.

A presença do vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng e do secretário norte-americano do Tesouro Scott Bessent foi confirmada na Coreia do Sul. As relações comerciais deverão dominar as reuniões em Pequim entre os dirigentes das duas maiores economias mundiais.

Em 2025, Estados Unidos e China envolveram-se numa intensa guerra comercial com repercussões globais, marcada pela imposição de tarifas alfandegárias elevadas e múltiplas restrições, após o regresso de Trump à Casa Branca. Trump e o homólogo chinês Xi Jinping concluíram em Outubro uma trégua temporária, cujos desenvolvimentos deverão estar em destaque nas próximas discussões.

Comércio em foco

Apesar de uma trégua tarifária em vigor, várias questões e problemas sensíveis continuam por resolver, num contexto de interdependência económica e competição geopolítica crescente. O comércio deverá dominar as discussões, com a delegação norte-americana a procurar acordos que beneficiem sectores como a aeronáutica, a energia e a agricultura.

Vários analistas apontaram igualmente para a possibilidade de criação de um comité bilateral de comércio, destinado a facilitar trocas em áreas consideradas não sensíveis, como a electrónica de consumo. O domínio da China na produção de terras raras, essenciais para indústrias tecnológicas e de defesa, deverá ser um dos pontos mais sensíveis das negociações.

Estes recursos são fundamentais para cadeias de abastecimento globais, desde a electrónica de consumo até aos sistemas militares avançados.

Governo da China saúda visita do Presidente Donald Trump ao país

Donald Trump chegou ontem à noite a Pequim para uma visita oficial de três dias. Hoje encontra-se com Xi Jinping

A China saudou ontem a visita do Presidente norte-americano, Donald Trump, que chegou ontem ao país asiático para uma visita oficial, desejando reforçar a cooperação para injectar “mais estabilidade” nas relações internacionais. “A China saúda a visita de Estado do Presidente Trump”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun.

A China está pronta para trabalhar com os Estados Unidos para “expandir a cooperação e gerir as diferenças, trazendo assim mais estabilidade e certeza a um mundo assolado pela mudança e turbulência”, afirmou o porta-voz durante uma conferência de imprensa regular.

O Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), publicou ontem um editorial afirmando que a relação entre a China e os Estados Unidos “não pode voltar ao passado” e pode ter “um futuro melhor”, apresentando a cimeira como uma oportunidade para ambas as potências trazerem “estabilidade” a um mundo “turbulento”.

Trump viaja com um grupo de selectos executivos nortes-americanos, incluindo Elon Musk, da Tesla; Tim Cook, da Apple; Larry Fink, da BlackRock; Kelly Ortberg, da Boeing; e executivos de empresas como a Mastercard, Visa, Goldman Sachs e Meta. O encontro dos dois líderes foi precedido pelas negociações económicas e comerciais que o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, realizaram ontem em Seul.

No entanto, o editorial do Diário do Povo enquadrou o encontro como parte de uma diplomacia entre líderes que funciona como “âncora” para a relação, argumentando que cada novo encontro entre Xi e Trump pode ajudar a garantir que os laços “não se desviem do rumo e não percam o ímpeto”, ao mesmo tempo que alertou que Taiwan é “a linha vermelha” nas relações bilaterais.

Segurança reforçada

Pequim amanheceu ontem com sinais visíveis da visita de Trump: bandeiras chinesas e norte-americanas hasteadas ao longo da estrada para o aeroporto, uma presença reforçada de segurança em vários pontos da capital e postos de controlo em vários locais relacionados com a agenda do Presidente norte-americano.

A segurança foi especialmente reforçada em redor do Hotel Four Seasons, junto à Embaixada dos EUA e onde Trump ficará hospedado, com presença policial nas proximidades, bem como medidas de segurança visíveis em importantes cruzamentos da cidade, onde alguns militares estão em constante vigilância.

A cimeira entre os Presidentes dos Estados Unidos e da China, na quinta e sexta-feira, em Pequim, visa estabilizar a relação entre as duas maiores potências mundiais, marcada por rivalidades e tensões persistentes.

Apesar de uma trégua tarifária em vigor, várias questões e problemas sensíveis continuam por resolver, num contexto de interdependência económica e competição geopolítica crescente. O comércio deverá dominar as discussões, com a delegação norte-americana a procurar acordos que beneficiem sectores como a aeronáutica, a energia e a agricultura.

O Convidado da Noite Que Veio da Montanha de Yongjia

Xie Lingyun (385-433), o poeta que fez das montanhas e dos cursos de água descritos nos seus poemas lugares onde o leitor podia habitar, durante um exílio amargo em 422-3, em Yongjia (Zhejiang), descreveu como lá subiu à sua montanha Cangyan, da «Encosta verde» como quem sabia que sair de casa era já voltar e a verdadeira morada era no caminho. «Levo pouca comida, um bastão leve e vou caminhando até minha casa numa quietude inexplicável, o caminho ao longo de ribeiros ziguezagueando a perder de vista vai até ao topo das serranias.

Não tem fim esta maravilha nas suas águas silenciosas de uma beleza gelada e bambus cintilando por dentro com o gelo, cascatas espalhando uma profusão de salpicos e grandes florestas aglomerando-se em penhascos distantes (…)» Toda essa região, que se estendia atrás das grandes metrópoles à volta do delta do «Grande rio» Changjiang, com a impressionante cordilheira Huangshan, a «Montanha amarela» no Sul de Anhui, tornar-se-ia no século XVII, o motivo e a inspiração de muitos pintores igualmente desiludidos e amargurados.

Esses pintores, da designada «Escola de Anhui», reconheciam na paisagem de cumes escarpados e sendeiros serpenteando pelas encostas, uma afinidade com a sua própria inquietação espiritual. Anos antes, durante a dinastia Tang, um monge de Yongjia que tomou o nome do lugar para si próprio, Yongjia Xuanjue (665-713), encarnara essa inquietude percorrendo cerca de oitocentos quilómetros, atravessando a região em direcção a Caoxi no Sul, a Norte de Guangdong, para no mosteiro Baolin onde residia o mestre do Budismo chan Huineng (638-713), lhe fazer uma pergunta sobre o incessante renascimento da alma. Apressado o monge viajante, obtida a confirmação da sua súbita iluminação quis voltar logo para casa, à região do seu nome, porém Huineng e os discípulos que o rodeavam, convenceram-no a ficar com eles até ao dia seguinte, por essa razão Yongjia Xuanjue seria conhecido como o «convidado da noite». A região continuaria a atrair poetas e pintores com a desconcertante sedução de um espelho.

Liu Yu (1632-depois de 1717) em duas pinturas (no Metmuseum) feitas em rolos horizontais que ao serem desenrolados exigiam a intimidade do corpo do observador, abrindo-lhe os olhos como se fora de noite, retratou esses lugares como se neles viajara.

Numa delas (tinta e cor sobre papel, 27 x 366,1 cm), que um autor designou num colofóne como «Vales remotos, sons de cascatas, densas florestas», citando um verso de Li Bai, outro autor (Xi Ying, séc. XVIII?) reflectiu sobre a memória do caminho. Referindo um álbum que vira do mesmo autor e desde então habitava os seus sonhos, escreve sobre a presente pintura, descrevendo-a como de «ilimitadas maravilhas, inumeráveis transformações» que, a partir de agora, os seus pensamentos tinham mais uma via onde morar.

Metro Ligeiro | Lucro ultrapassou 38 milhões de patacas

No ano passado, a Sociedade do Metro Ligeiro registou um lucro de 38,1 milhões de patacas, de acordo com os resultados financeiros divulgado ontem no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos. Os resultados significam que o lucro mais do que duplicou no espaço de um ano, dado que em 2024 tinha sido de 17,4 milhões de patacas.

Apesar dos melhores resultados, o transporte continua a sobreviver apenas devido aos apoios financeiros da RAEM, que se fixaram em 600,5 milhões de patacas no ano passado. Ainda assim, o apoio do Governo apresentou uma redução de quase 78 milhões de patacas, uma vez que em 2024 tinha atingido 678,1 milhões de patacas.

As receitas com a venda de bilhetes subiram para 43,2 milhões de patacas, um aumento próximo de 60 por cento, face ao valor de 27,7 milhões de patacas, registado em 2024, que se deveu o facto de mais pessoas utilizarem o meio de transporte.

Em 2025, as receitas da empresa apresentaram uma tendência negativa, que não impediu que os resultados líquidos fossem melhores, em comparação com 2024. A redução das receitas foi explicada pela empresa com a menor quantidade de apoios públicos e dinheiro conseguido através dos juros de depósitos bancários, cujas receitas caíram 33 por cento para 17,2 milhões de patacas.

Em relação às despesas, houve uma redução para 643,5 milhões de patacas, quando em 2024 tinham sido de 746,8 milhões de patacas. Esta redução foi explicada com o fim de vários contratos de assistência à empresa, que passou a ser autónoma na exploração do serviço, tendo deixado de pagar pela assistência.

BNU | Lucros com queda de 17 por cento entre Janeiro e Março

A margem financeira do BNU fixou-se em 214,2 milhões de patacas, menos 8 por cento em termos homólogos, influenciada pela evolução das taxas de juro. Apesar da diminuição dos resultados, o BNU declarou que o desempenho revela uma “dinâmica positiva”

O Banco Nacional Ultramarino (BNU) registou lucro líquidos de 110,6 milhões de patacas no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 17 por cento face ao mesmo período do ano passado.

Apesar da descida homóloga, o BNU sublinhou que os resultados revelaram uma evolução positiva ao longo do trimestre, com aumentos sucessivos de Janeiro a Março. “O desempenho do banco demonstrou uma dinâmica positiva durante o trimestre, com os resultados a registarem um aumento mensal constante de Janeiro a Março”, indicou o BNU em comunicado.

A margem financeira do BNU fixou-se em 214,2 milhões de patacas, menos 8 por cento em termos homólogos, influenciada pela evolução das taxas de juro. Já a receita líquida de comissões recuou para 20,7 milhões de patacas, uma diminuição de 15,5 por cento, atribuída a custos adicionais com prémios relacionados com cartões de crédito.

O crédito malparado de empréstimos e investimentos financeiros totalizou 3,8 milhões de patacas caiu 29,3 por cento em comparação com o primeiro trimestre de 2025, numa redução que a instituição diz reflectir uma “gestão prudente do risco e a qualidade estável dos activos do banco”.

Segundo o BNU, os custos operacionais também “desceram ligeiramente”, para 104 milhões de patacas, indicando que a “disciplina de custos e os ganhos de eficiência resultantes da simplificação de processos ajudaram a optimizar as despesas”, mantendo o apoio aos investimentos na transformação digital, no desenvolvimento de talentos e no reforço da marca.

Crédito a aumentar

O crédito concedido atingiu 26,8 mil milhões de patacas em Março, um aumento de 5,1 por cento em termos homólogos, enquanto os depósitos de clientes subiram para 35,5 mil milhões de patacas, mais 8,7 por cento do que no ano anterior. O BNU tem sede em Macau e pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD), sendo, juntamente com o Banco da China, emissor de moeda na região administrativa especial da China.

Entre as três subsidiárias estrangeiras da CGD, o BNU contribuiu com 13 milhões de euros para os resultados totais do grupo no primeiro trimestre, mais do que o BCG Angola, que contribuiu cinco milhões de euros, mas menos do que o banco BCI em Moçambique, que gerou 24 milhões de euros.

O BNU sublinhou também que a sucursal em Hengqin continua a “desempenhar um papel estratégico no apoio a investidores de Macau e Hong Kong” como um centro financeiro transfronteiriço que apoia a colaboração económica entre a China continental, Macau e os países de língua portuguesa.

O BNU destacou também que a posição de capital e liquidez do banco permanece robusta, permitindo “navegar em condições de mercado complexas”.

CEM | Burlas geram perdas de 119 mil patacas

A Polícia Judiciária revelou seis casos em que pessoas foram burladas, depois de terem recebido mensagens que aparentavam terem como origem a Companhia Eléctrica de Macau (CEM), a ameaçar cortar-lhes a energia.

Os alegados burlões enviaram mensagens a pedir às pessoas que disponibilizassem informações dos cartões de crédito, o que depois levou a que fossem feitas transferências no valor de 119 mil patacas, a partir do exterior da RAEM.

A PJ está a investigar o caso e ainda não foram feitas detenções. As seis vítimas, quatro mulheres e dois homens, receberam as mensagens entre os dias 9 e 11 deste mês, que indicavam não terem pago a conta da electricidade, pelo que o serviço ia ser cortado imediatamente. As mensagens disponibilizavam uma hiperligação, que conduzia as pessoas para um portal falso da CEM. As perdas em cada caso variam entre 8 mil e 51 mil patacas.

Activos Públicos | Criada empresa para gerir fundos de 11 mil milhões

A nova empresa tem um capital social de 100 milhões de patacas e vai ter uma equipa liderada por Che Weng Keong, actualmente presidente do IPIM, António Lam Chi Neng e Chan Chou Weng

O Governo anunciou ontem a criação da Sociedade de Investimento e Gestão de Macau Limitada para gerir fundos de 11 mil milhões de patacas criados para diversificar a economia. A informação foi divulgada ontem, através de uma nota de imprensa do gabinete do secretário para a Economia e Finanças, que actualmente está a ser dirigido pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, após Tai Kin Ip ter abandonado o cargo.

Segundo as informações divulgadas, a nova empresa vai ser “responsável pela gestão de fundos” no que diz respeito ao “funcionamento quotidiano”, “aplicação financeira” e “execução das decisões de investimento”. O objectivo é permitir que os fundos possam conduzir à “modernização” das indústrias e “o desenvolvimento de empresas tecnológicas em fase inicial”.

Com a nova empresa, o Executivo espera também que os responsáveis pela gestão tenham uma ligação permanente com o mercado, para identificar oportunidades de investimento. “O Governo incentiva os gestores de fundos a contactarem com os investidores do mercado que cumpram os requisitos, alavancando o capital privado para formar uma sinergia entre o Governo e o mercado, de modo a promover conjuntamente a modernização e diversificação industrial”, foi apontado.

A empresa tem um capital social de 100 milhões de patacas e dois accionistas: a RAEM, que é proprietária de 99 por cento do capital social, e o Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização, que detém um por cento.

O cargo de presidente do Conselho de Administração foi atribuído a Che Weng Keong, que é igualmente presidente do Conselho de Administração do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM). Fazem ainda parte do conselho de administração António Lam Chi Neng, jurista e anterior conselheiro de Tai Kin Ip, e Chan Chou Weng, subdirector da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT).

Novo Conselho de Orientação

Além da empresa, o Governo anunciou também a criação do Conselho de Orientação dos Fundos de Orientação. Segundo as explicações de ontem, este vai ser um órgão consultivo “composto por dirigentes governamentais, profissionais, académicos e representantes das áreas profissionais” que vão emitir “pareceres sobre as orientações políticas, o planeamento estratégico e as matérias” consideradas relevantes.

O Executivo prometeu uma equipa “profissional” que vai ser “responsável por matérias como o investimento, o controlo de riscos, a investigação e a conformidade legal”. “A equipa acolherá quadros qualificados versáteis, dotados de visão financeira internacional e conhecimento das indústrias locais. Será ainda estabelecido um sistema de níveis profissionais e mecanismos de incentivo em múltiplos patamares, de modo a proporcionar um apoio sólido para a operação estável e duradoura dos fundos de orientação”, foi prometido.