Quota das marcas automóveis estrangeiras cai abaixo de 25% pela primeira vez Hoje Macau - 29 Jul 2026 A quota de mercado dos fabricantes estrangeiros de automóveis na China caiu este ano abaixo dos 25 por cento pela primeira vez, devido ao rápido crescimento das marcas chinesas, sobretudo no segmento dos eléctricos, segundo dados citados ontem pela imprensa local. De acordo com a estimativa apresentada recentemente por Wang Qian, director-geral adjunto da fabricante automóvel chinesa Dongfeng, durante um fórum do sector, a percentagem inclui também as joint ventures’, como a que a Dongfeng mantém com a japonesa Nissan, classificando a situação como “inimaginável há apenas três anos”. O responsável afirmou que o crescimento do mercado chinês de veículos eléctricos pôs fim ao modelo tradicional do sector, em que os fabricantes estrangeiros forneciam a tecnologia e os parceiros chineses asseguravam a distribuição e vantagens de custos, em troca do acesso a um mercado de grande dimensão. Queda contínua Dados da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM) mostram que os fabricantes estrangeiros e as suas empresas conjuntas com parceiros locais controlavam mais de 60 por cento do mercado chinês em 2020. Essa quota caiu para 28 por cento no primeiro semestre deste ano, um valor ligeiramente superior à estimativa apresentada por Wang. Segundo o portal de notícias Yicai, todas as grandes marcas estrangeiras registaram quedas significativas nas vendas na China entre Janeiro e Junho. A Volkswagen viu as vendas recuar 26 por cento, enquanto as japonesas Toyota, Nissan e Honda registaram descidas de 17 por cento, 15 por cento e 35 por cento, respectivamente. O segmento de luxo também foi afectado, com as vendas da Mercedes-Benz a caírem 28 por cento em termos homólogos no primeiro semestre, enquanto a Audi e a BMW registaram descidas de 19 por cento e 20 por cento, respectivamente. Perante este cenário, os fabricantes estrangeiros estão a acelerar a localização das suas operações na China, atribuindo maior autonomia às equipas locais na tomada de decisões e no desenvolvimento tecnológico, numa tentativa de recuperar competitividade e responder mais rapidamente às mudanças do mercado. Segundo Wang, a empresa conjunta Dongfeng Nissan conseguiu aumentar as vendas em 192 por cento em termos homólogos depois de elevar a proporção de veículos eléctricos nas vendas totais de 7 por cento para 30 por cento este ano, após o lançamento de três novos modelos eléctricos.
Estudo | Financiamento chinês para energia verde no exterior atinge máximo histórico Hoje Macau - 29 Jul 2026 O investimento chinês em projectos de energia limpa alcançou, no primeiro semestre deste ano, valores nunca antes registados O financiamento chinês para projectos de energia verde atingiu um recorde de 20,1 mil milhões de dólares no primeiro semestre, ultrapassando o total de 2025, segundo um estudo divulgado ontem. Os dados constam de um estudo da Universidade de Queensland, na Austrália, e do Green Finance & Development Center, em Xangai, a “capital” económica da China. Do montante total, 11,8 mil milhões de dólares correspondem a projectos de construção e 8,3 mil milhões de dólares a investimentos. Segundo Christoph Nedopil Wang, especialista em energia e financiamento da China na Universidade de Queensland e autor do estudo, o menor custo das energias renováveis continuou a impulsionar o investimento chinês, apesar das tensões comerciais. “O menor custo da energia verde tem impulsionado de forma consistente o investimento chinês e os países que cooperam com a China neste sector poderão beneficiar de uma menor volatilidade dos preços da energia causada pela guerra com o Irão”, apontou. O valor total dos projectos da iniciativa Faixa e Rota, um gigantesco projecto internacional de infraestruturas lançado por Pequim, também atingiu um máximo histórico de 126,3 mil milhões de dólares no primeiro semestre, acima dos 123,3 mil milhões de dólares registados no mesmo período do ano passado. Desse total, 49,8 mil milhões de dólares corresponderam a investimento directo e 76,5 mil milhões de dólares a projectos de construção. Ritmo a acelerar Além da energia, aumentou igualmente o financiamento destinado aos sectores da indústria transformadora, tecnologia, metais e mineração. O ritmo do investimento acelerou num contexto em que os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão fizeram disparar os preços do petróleo e do gás, ao mesmo tempo que aumentou a procura por infraestruturas eléctricas e centros de dados para responder ao crescimento da inteligência artificial (IA). Os dados oficiais das alfândegas chinesas mostram igualmente um aumento das exportações chinesas de tecnologias limpas nos últimos meses. Lançada por Xi Jinping em 2013, poucos meses após assumir a liderança da China, a iniciativa Faixa e Rota é considerada o principal instrumento de Pequim para reforçar a influência económica e as ligações comerciais com os países em desenvolvimento. Na semana passada, Xi anunciou uma nova coligação internacional destinada a promover a influência chinesa no desenvolvimento da IA, reforçando a ambição de competir com os Estados Unidos na liderança deste sector. Novo perfil O estudo indica também uma alteração do perfil dos participantes na iniciativa, com um peso crescente das empresas privadas. A participação do sector privado representou 48 por cento dos projectos no primeiro semestre, face a apenas 13 por cento em 2022. A iniciativa Faixa e Rota tem sido alvo de críticas devido ao alegado agravamento do endividamento de vários países em desenvolvimento, sobretudo em África. Apesar dessas críticas, os dados mostram que o interesse africano na iniciativa continua elevado, com o investimento chinês no continente a quase triplicar em termos homólogos no semestre em análise, para 33,5 mil milhões de dólares. Em contrapartida, não foram anunciados novos projectos no Paquistão nem na Rússia. Segundo Christoph Nedopil Wang, o envolvimento da Rússia permanece reduzido desde a invasão da Ucrânia, devido às dificuldades em substituir grandes projectos estatais por investimentos privados. O especialista acrescentou que o Paquistão, durante anos um dos principais parceiros da iniciativa, parece estar a reforçar a aproximação aos Estados Unidos, ao mesmo tempo que as relações entre a China e a Índia estabilizaram.
A chávena de chá – Um objecto entre a história, a etiqueta e a memória familiar Hoje Macau - 29 Jul 2026 Por Tan Yuanyun Na vida quotidiana chinesa, os objectos comuns raramente se limitam à sua função prática. Uma chávena serve para beber, evidentemente, mas essa evidência é quase insultuosa, como dizer que uma biblioteca serve para guardar papel ou que uma avó serve para dar conselhos com uma precisão ligeiramente assustadora. Em muitos lares chineses, uma chávena de porcelana guarda calor, hábitos, hierarquias afectivas, pequenas normas de convivência e memórias que passam de geração em geração sem necessidade de proclamação solene. No meu caso, a chávena de porcelana branca que existe em casa da minha família tornou-se um desses objetos discretos que parecem nada dizer e, precisamente por isso, dizem quase tudo. Desde criança, lembro-me de haver sempre uma chávena de chá a fumegar algures em casa. Quando chegavam visitas, preparava-se chá; quando a família descansava depois das refeições, alguém segurava uma chávena em silêncio; quando surgia uma conversa difícil, o chá aparecia antes das palavras mais graves, como se tivesse sido convocado para impedir que os adultos transformassem um pequeno conflito doméstico numa tragédia clássica. Beber chá, nesse contexto, nunca significou simplesmente matar a sede. Significava criar uma temperatura comum, oferecer uma pausa, acolher o outro dentro de um gesto reconhecível. Sempre me intrigou o facto de uma chávena branca, simples, sem decoração exuberante e sem qualquer pretensão estética evidente, poder ocupar um lugar tão persistente na memória familiar. Ao contrário de objectos luxuosos, que parecem exigir admiração, esta chávena nunca pediu atenção. Permanecia ali, modesta, ligeiramente desgastada pelo uso, com uma autoridade silenciosa que nenhum copo novo, brilhante e moderno conseguia substituir. Este texto nasce dessa pergunta: como pode um objecto tão pequeno condensar história, etiqueta, corpo, afecto e continuidade familiar? A minha memória mais antiga remete para a chávena de porcelana branca que o meu pai usa há muitos anos. O seu desenho é simples, quase austero, e o tempo deixou nela sinais discretos de uso. Desde pequeno, reparei que as nossas chávenas eram pequenas e não tinham pega. Esse detalhe parecia-me, na infância, uma falha de design, talvez até uma espécie de conspiração contra os dedos das crianças. Num mundo ideal, pensava eu, uma chávena deveria ter uma asa evidente, generosa, civilizada, uma espécie de corrimão para mãos inexperientes. A minha avó, porém, ensinou-me que a ausência de pega possuía uma lógica própria, muito mais subtil do que a minha indignação infantil permitia perceber. O uso destas pequenas chávenas exige uma técnica corporal específica. Seguram-se com a ponta dos dedos, junto à borda, sentindo a temperatura antes de beber. A chávena comunica através do tacto: se estiver demasiado quente para ser segurada, o chá ainda não está pronto para ser levado à boca. A minha avó repetia isto com a serenidade de quem não precisava de grandes teorias para demonstrar uma verdade. O calor da porcelana torna-se uma forma de aviso, uma pequena pedagogia material. A espera deixa de ser uma ordem moral — “tem paciência” — e transforma-se numa evidência física: a mão compreende aquilo que a criança talvez ainda não aceitasse ouvir. Esse gesto pertence ao que se poderia chamar conhecimento corporal, ou shēntǐ zhīxìng (身体知性): um saber incorporado, aprendido pela experiência directa, pela repetição e pela sensibilidade táctil. A cultura transmite-se muitas vezes assim, sem manuais, sem discursos monumentais, sem que ninguém se sente à mesa para declarar: “Hoje vamos estudar a epistemologia da porcelana.” Felizmente. Aprende-se porque se toca, porque se espera, porque se queima ligeiramente a ponta dos dedos uma ou duas vezes e se descobre que a sabedoria tradicional, afinal, tinha razão. A minha avó também me ensinou uma regra que seguimos sempre em casa: chá mǎn qī rén (茶满欺人). A expressão significa que encher a chávena de chá até ao topo pode ser interpretado como um gesto rude, quase uma forma de pressionar o convidado. Quando eu era pequeno, esta regra parecia-me misteriosa. Na minha lógica infantil, mais chá significava mais generosidade; se meio copo era bom, um copo cheio seria uma espécie de prémio. A avó explicou-me que, ao servir os mais velhos ou os convidados, se deve deixar um pequeno espaço na chávena. Esse intervalo vazio exprime respeito, delicadeza e consideração pelo conforto do outro. Uma chávena demasiado cheia é difícil de segurar, pode queimar as mãos e sugere pressa, excesso, falta de atenção. A chávena ensina que a hospitalidade chinesa não reside na abundância descontrolada, mas na medida justa. Servir bem implica observar o outro, prever o seu gesto, proteger-lhe os dedos, permitir-lhe beber sem perigo e sem constrangimento. Há aqui uma ética minúscula, quase invisível, mas muito exigente. A delicadeza começa no espaço que se deixa por preencher. Curiosamente, a chávena confirma uma verdade que muita gente só aprende tarde: o excesso raramente é elegância. Na concepção chinesa da vida quotidiana, a chávena de chá relaciona-se também com o conceito de hé (和), harmonia. A sua forma arredondada sugere suavidade, continuidade e conciliação. Em criança, naturalmente, eu não pensava em harmonia cósmica ao olhar para uma chávena; pensava apenas que ela era menos agressiva do que outros objectos e que, quando não estava demasiado quente, cabia bem na mão. Só mais tarde compreendi que essa forma circular, sem ângulos violentos, participava de uma sensibilidade cultural na qual a convivência deve procurar equilíbrio, contenção e fluidez. Lembro-me de que, quando havia pequenos desentendimentos em casa, ou quando eu chorava depois de uma repreensão, alguém me trazia uma chávena de chá e dizia suavemente: xiān hē kǒu chá (先喝口茶), “bebe primeiro um gole de chá”. A frase funcionava como um botão de pausa, uma tecnologia doméstica de regulação emocional muito anterior às aplicações de meditação e provavelmente mais eficaz do que muitas delas. O chá não resolvia o problema, mas impedia que o problema ocupasse todo o espaço. Criava alguns segundos de respiração, baixava a temperatura da voz, devolvia ao corpo uma medida suportável. Com o tempo, percebi que essa era uma das formas concretas da harmonia familiar. A vida doméstica não é um território livre de conflitos; nenhuma família chinesa, portuguesa ou marciana vive permanentemente num anúncio de chá verde ao pôr-do-sol. Existem mal-entendidos, cansaço, irritações, palavras ditas depressa demais. A diferença está, muitas vezes, nos gestos que impedem a ruptura. Em minha casa, a chávena cumpria essa função: introduzia uma pausa entre a emoção e a resposta, entre a ferida e a palavra, entre a tristeza e a reconciliação possível. Há uma cena que nunca esqueci. Num Ano Novo Lunar, o meu avô veio visitar-nos. O meu pai escolheu, de propósito, a velha chávena de porcelana branca para lhe servir chá. Ao verter a água, a mão dele tremeu ligeiramente, e algumas gotas caíram sobre a mesa. O meu avô não fez qualquer comentário de reprovação. Pegou na chávena, bebeu um gole e disse, com calma: “Esta chávena continua a ser a mais confortável de usar.” Na altura, eu era demasiado jovem para entender o alcance daquela frase. Parecia uma observação banal, quase técnica, sobre ergonomia familiar. Hoje percebo que o meu avô falava da casa, da permanência, da continuidade de um afecto que se exprime melhor através de objectos usados do que através de declarações solenes. Aquela chávena dizia que a família continuava a reconhecer-se nos mesmos gestos. Dizia que o tempo tinha passado, mas alguns sinais permaneciam inteligíveis. Dizia que a tradição, quando é verdadeira, raramente precisa de se anunciar como tradição. Vive na escolha de uma chávena, no modo de servir, na mão que treme um pouco, no silêncio de quem recebe e compreende. Durante muito tempo, pensei que as pequenas chávenas de porcelana sem pega fossem apenas objetos vulgares. Essa percepção mudou quando, no primeiro ano do ensino secundário, visitei um museu e vi pequenos zhǎn (盏), taças da dinastia Song, ainda menores do que as chávenas usadas actualmente em minha casa. A guia explicou que, naquela época, era comum praticar o método do diǎn chá (点茶), no qual o chá em pó era batido até formar espuma, de modo parcialmente comparável ao matcha japonês contemporâneo. Fiquei surpreendido ao perceber que os antigos possuíam modos de beber chá bastante diferentes dos nossos e que um objecto aparentemente banal podia abrir uma porta para séculos de transformação cultural. Mais tarde, pesquisei sobre a evolução das chávenas chinesas e compreendi que o seu tamanho, a sua forma e o seu uso acompanharam mudanças profundas nas técnicas de preparação do chá. Na dinastia Tang, eram comuns taças mais largas; na dinastia Song, os pequenos zhǎn adequavam-se ao diǎn chá, que exigia uma bebida batida, concentrada e saboreada em pequenos goles; nas dinastias Ming e Qing, tornou-se mais popular o pào chá (泡茶), a infusão de folhas em água quente. Apesar dessas transformações, as chávenas conservaram geralmente dimensões reduzidas, porque o centro da experiência chinesa do chá reside no pǐn chá (品茶), isto é, no acto de degustar lentamente, distinguindo aromas, temperaturas, texturas e variações subtis de sabor. Aquilo que me parecera um simples detalhe de design revelava-se, afinal, parte de uma longa história do paladar, da técnica e da sensibilidade. A pequena chávena da minha casa não surgira do nada. Estava ligada a uma genealogia de práticas, materiais, gestos e preferências que atravessaram dinastias, transformações sociais e mudanças de gosto. O meu pai nunca pensava nestas origens históricas quando a usava; sabia apenas que aquela chávena lhe parecia confortável, familiar e tranquila. E talvez seja assim que muitas tradições sobrevivem: não através de discursos grandiosos, mas através da teimosia afetuosa de quem continua a usar o mesmo objeto porque ele já aprendeu a forma da mão. Hoje, bebemos café, chá com leite, bebidas geladas, infusões aromatizadas e líquidos com nomes tão modernos que quase exigem passaporte. Existem copos bonitos de todos os estilos, garrafas térmicas inteligentes, canecas com frases motivacionais e recipientes que prometem transformar a hidratação numa experiência de personalidade. Apesar disso, a pequena chávena tradicional nunca foi definitivamente guardada no armário da minha família. Sempre que regresso a casa dos meus pais, a minha mãe serve-me chá numa chávena semelhante, como se esse gesto bastasse para restituir, por instantes, a ordem íntima do regresso. Não sei explicar inteiramente por que razão ela me transmite tanta serenidade. A chávena não é particularmente bonita, não possui decoração preciosa e, por vezes, continua a ser quente demais para segurar com dignidade. Ainda assim, quando a tenho nas mãos, lembro-me do meu pai a beber chá em silêncio, da minha avó a corrigir a forma de servir, do meu avô a reconhecer a velha porcelana, das tardes lentas, dos pequenos conflitos apaziguados, dos regressos a casa e dessa continuidade discreta que a vida familiar constrói sem pedir aplauso. Para mim, a chávena não é um símbolo grandioso. Não precisa de o ser. A sua grandeza está precisamente na modéstia com que acolhe o quotidiano. É casa, família, gesto, temperatura, espera, memória e educação sensível. É uma pequena peça de porcelana branca onde cabem a história do chá chinês e a história privada de uma família. E talvez os objectos verdadeiramente importantes sejam assim: parecem pequenos porque não precisam de se exibir; permanecem connosco porque aprenderam, em silêncio, a guardar aquilo que somos.
Gripe | Residente de 73 anos luta pela vida Hoje Macau - 29 Jul 2026 Um residente de 73 anos está internado em estado grave, depois de ter sido diagnosticado com gripe do tipo A. A informação foi divulgada ontem pelos Serviços de Saúde (SS). Segundo a informação oficial, o internado tem “antecedentes de doenças crónicas” e, no domingo, “começou a apresentar sintomas de febre, tosse, corrimento nasal e mialgia generalizada”. No primeiro dia em que apresentou os sintomas, o homem tomou medicação e ficou em casa. No entanto, na segunda-feira, depois de sentir falta de ar, foi à urgência do Hospital Kiang Wu. Foi na instituição médica que o idoso “sofreu uma perda de consciência repentina” e entrou em “paragem cardiorrespiratória”. “Necessitou de ventilação mecânica e foi transferido para a Unidade de Cuidados Intensivos, onde se encontra actualmente em estado grave”, foi acrescentado. Segundo os SS, o homem tinha sido vacinado contra a gripe sazonal. Centro Médico | Realizada primeira operação de urgência O Centro Médico de Macau do Peking Union Medical College Hospital revelou ontem que se realizou, no passado dia 21 deste mês, a primeira operação de urgência a um turista da China que teve uma paragem cardiorespiratória. Segundo um comunicado da unidade hospitalar, a equipa de cirurgia realizou com sucesso a primeira operação urgente de intervenção coronária percutânea, desobstruindo um vaso sanguíneo bloqueado. O doente foi depois transferido para a unidade de cuidados intensivos, estando neste momento estável. No mesmo comunicado, é referido que o doente já tinha um historial de doença cardíaca, tendo tido anteriormente um enfarte do miocárdio. No caso do episódio ocorrido em Macau, o homem desmaiou e foi depois levado ao hospital chegando à urgência em estado crítico.
Air Macau | Mais de 60 passageiros saíram de Nanning por meios próprios João Luz - 29 Jul 2026 Dos 166 passageiros que aterraram de emergência no aeroporto de Nanning, no início da noite de sábado, 64 decidiram regressar a casa pelos seus próprios meios, enquanto o voo de regresso a Macau aterrou às 20h40 de domingo. Governo não explica porque foi negada entrada no Interior a residentes com passaporte da RAEM A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) confirmou a chegada a Macau de 102 passageiros do voo da Air Macau que foi desviado no sábado à tarde para o Aeroporto Militar de Nanning, na província de Guangxi, devido a condições meteorológicas adversas em Macau, afectado pelo tufão Noul. Recorde-se que nessa altura, estava içado o sinal 3 de tempestade tropical. Num e-mail enviado ao HM, a DST confirma que o voo partiu de Nanning às 19h37 de domingo, cerca de 24 horas depois de lá ter aterrado, e os “102 passageiros a bordo concluíram todas as formalidades de entrada [na RAEM] até às 20h55”. A DST ressalva que dos 166 passageiros que partiram de Osaka, “64 optaram por deixar Nanning pelos seus próprios meios”. O organismo público acrescenta que “recebeu um total de 13 pedidos de assistência”, que “encaminhou para os departamentos competentes para o devido acompanhamento”. A resposta enviada ao HM, igual à reproduzida pelo canal chinês da TDM, não menciona o facto de a DST ter afirmado no domingo que “as autoridades de controlo fronteiriço do continente prestaram a assistência adequada aos passageiros”, apesar de publicações nas redes sociais de passageiros que se queixaram de ter ficado 10 horas retidos no avião e aeroporto só com água e noodles instantâneos. Poucas palavras Um residente da RAEM publicou no Xiaohongshu que lhe teria sido negada entrada em Nanning por não ter consigo o Salvo-Conduto de Ida e Volta para o Interior da China, apesar de estar munido do passaporte da RAEM. Tanto no comunicado de domingo, como no e-mail enviado ao HM, a DST não menciona uma única vez as dificuldades que os residentes da RAEM enfrentaram para entrar no território chinês no aeroporto de Nanning. Apesar disso, vários internautas referiram que o problema com as autoridades alfandegárias nacionais se prendeu com o facto de os residentes não terem consigo Salvo-Conduto de Ida e Volta para o Interior da China, apesar de serem cidadãos chineses. Além disso, esta não é a primeira vez que um avião que devia aterrar em Macau, vindo do estrangeiro, é desviado para o mesmo aeroporto de Nanning.
Mercado Tamagnini Barbosa | Mais de 220 propostas para sete bancas Hoje Macau - 29 Jul 2026 O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) anunciou ontem ter recebido 222 propostas no concurso público para gerir e operar sete bancas de comidas do Mercado Tamagnini Barbosa. Das 222 propostas entregues, cinco foram rejeitadas por não cumprirem as regras do concurso. Em comunicado divulgado ontem, o IAM acrescenta ter analisado as “217 propostas aceites com base em cinco critérios principais: estratégia operacional, experiência e qualificações, horário de funcionamento diário, variedade de produtos e facilidade dos métodos de pagamento”. Após revisão, as autoridades chegaram a uma lista reduzida de candidatos, que serão notificados de acordo com um ranking de avaliação. O IAM espera que as bancas estejam em operação no primeiro semestre de 2027, com as concessões a terem uma duração de três anos. Será organizada uma sessão informativa para ajudar os candidatos escolhidos “a compreender melhor as precauções a tomar no arrendamento de bancas no mercado e os trâmites subsequentes para a abertura”. O IAM garante ainda que irá monitorizar e avaliar as operações das bancas, cujos contratos podem ser terminados se foram violadas regulações ou padrões de qualidade.
IAM | Detectado excesso de metal pesado em lírios secos a granel Hoje Macau - 29 Jul 2026 O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) detectou quantidades excessivas de cádmio, um metal pesado, num tipo de lírios secos à venda a granel no mercado, “ordenando ao estabelecimento em causa a suspensão da venda do produto afectado, e apelando aos cidadãos para suspender o seu consumo”. O lírio seco a granel em causa foi recolhido da Agência Comercial Lung Fat, na Rua da Praia do Manduco, em Macau. De acordo com o resultado da análise, a amostra do produto alimentar seco continha 0,536 ppm de cádmio – após conversão –, um teor superior ao estipulado nos “Limites máximos de metais pesados contaminantes em géneros alimentícios”, de Macau. O cádmio é um metal pesado contaminante, e a sua ingestão prolongada pode causar intoxicação crónica, provocando danos nas funções renais do corpo humano. No que diz respeito à análise do teor de cádmio detectado, o IAM refere que em condições normais de consumo, apresenta baixa probabilidade de ter impacto negativo para a saúde.
Eleições | Condenado a pena de prisão suspensa por difamação Hoje Macau - 29 Jul 2026 Um residente local foi condenado com uma pena de prisão de cinco meses, suspensa por dois anos, pela prática de dois crimes de difamação, durante as eleições legislativas do ano passado. O homem vai ter também de pagar 10 mil patacas a cada uma das duas associações que o tribunal considerou terem sido difamadas. Segundo o jornal Ou Mun, durante o período das eleições, o homem publicou comentários na sua página do Facebook em que descreveu várias associações locais como “escumalha” e “desumanas”. Acusou ainda as associações de se oporem ao aumento salarial para os croupiers e de apoiar o Governo na importação de trabalhadores não residentes. O homem teve de responder em tribunal, depois de duas associações, não identificadas pelo jornal, terem apresentado queixa. Na decisão de condenação, o juiz apontou que apesar de o condenado ter reconhecido ter feito os comentários num momento de raiva, não apresentou qualquer prova para sustentar as suas alegações. Apesar da condenação, o homem foi ilibado da acusação do crime de coacção e artifícios fraudulentos sobre a comissão de candidatura.
Pearl Horizon | Lesados pedem respeito pela decisão do tribunal João Luz e Nunu Wu - 29 Jul 2026 Os lesados do Pearl Horizon, que viram o Tribunal de Última Instância condenar a Polytex a pagar-lhes indemnizações milionárias, pedem atenção do Governo para o cumprimento da decisão judicial. Numa carta colectiva, referem que a imagem do Estado de Direito de Macau está em causa Em meados deste mês, o Tribunal de Última Instância (TUI) divulgou o acórdão que colocou um ponto final na batalha judicial entre o grupo de pessoas que tentou comprar apartamentos no complexo de luxo Pearl Horizon e a Polytex, a empresa responsável pela construção e venda de fracções do empreendimento. A Polytex acabou condenada a pagar indeminizações num valor total de 91,2 milhões de dólares de Hong Kong a 14 compradores, uma vez que o TUI decidiu que os contratos-promessa não foram cumpridos pela empresa, condenando-a a pagar o dobro do sinal prestado pelos compradores. Volvidas duas semanas da decisão judicial, 14 pessoas assinaram uma carta publicada ontem no jornal Ou Mun a pedir o cumprimento do acórdão do TUI, argumentando que se a Polytex conseguir escapar às responsabilidades, a imagem do Estado de direito de Macau ficará manchada. A missiva denota o cepticismo dos lesados, que acusam a empresa de não cumprir as decisões judiciais anteriores, apesar do direito a recurso até à última instância. Como tal, pedem atenção para a actuação da Polytex ao Chefe do Executivo, aos vários serviços do Governo, aos deputados da Assembleia Legislativa, assim como à sociedade em geral. Os autores da acção acusam a Polytex de “atrasar durante muito tempo” o cumprimento das suas responsabilidades e de “flagrante desprezo” dos órgãos judiciais. Tudo por tudo O grupo recorda que a empresa protegeu ao longo da batalha judicial muitos activos do grupo contra acções de penhora ou apreensão de bens. Além disso, é argumentado que a Polytex pode não ter bens ou dinheiro para pagar as indeminizações, e que se os lesados forem obrigados a executar coercivamente activos do grupo, estes podem já ter sido dissipados, devido ao longo tempo que os processos demoraram. Como tal, pediram a intervenção do Governo, e dos serviços da Administração, para contactar os quadros responsáveis da Polytex exigindo o pagamento imediato das indemnizações segundo a decisão do TUI. Os autores da carta pedem também que o Governo esteja atento a tentativas de Polytex de passar a propriedade de bens para outras empresas, até ao pagamento integral das indeminizações.
FDCT | Quatro distinções para cientistas de laboratórios estatais Hoje Macau - 29 Jul 2026 O Fundo de Desenvolvimento das Ciências e Tecnologia (FDCT) anunciou ontem as quatro distinções atribuídas a cientistas de Macau, entre os meses de Maio e Julho deste ano, em prémios de ciência nacionais. Um deles é o Prémio Nacional de Inovação e Excelência (Categoria Colectiva), criado pelo Governo Central chinês, onde foi distinguido o Laboratório de Referência do Estado para a Ciência Lunar e Planetária, situado em Macau, com o 4.º Prémio. Por sua vez, outra equipa de investigação científica de Macau, em cooperação com homólogos de Guangzhou, foi distinguida com o segundo lugar do Prémio Nacional de Progresso Científico e Tecnológico. Nesta equipa, incluem-se Zhu Yizhun, vice-reitor da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau e director do Laboratório de Descoberta de Medicamentos a partir de Recursos Naturais (Centro de I&D), e Liu Zongquiu, da Universidade de Medicina Tradicional Chinesa de Guangzhou. O projecto participante intitula-se “Construção e Aplicação do Sistema de Tecnologia Inovadora para a Análise do Mecanismo de Acção da Medicina Tradicional Chinesa Centrada em Substâncias Eficazes”. Outra distinção consta na lista dos galardoados com o Prémio Guanghua de Ciência e Tecnologia de Engenharia, criada pela Academia Chinesa de Engenharia e atribuída bienalmente. De entre 40 especialistas a nível nacional, dois são de Macau, nomeadamente Mak Pui In, director do Laboratório de Referência do Estado em Circuitos Integrados em Muito Larga Escala Analógicos e Mistos; e Xu Cheng-Zhong, professor catedrático do Laboratório de Referência do Estado de Internet das Coisas para a Cidade Inteligente. Para o FDCT, estas distinções “representam um novo impulso para o desenvolvimento do sector científico e tecnológico de Macau”.
Loi I Weng pede maior divulgação da lei para jovens evitarem bullying João Santos Filipe - 29 Jul 2026 A deputada Loi I Weng considera que o Governo deve reforçar o conhecimento legal dos jovens, de forma a evitar novos casos de bullying com origem nas redes sociais. A mensagem consta de uma interpelação escrita, divulgada ontem pela legisladora ligada à Associação das Mulheres. A interpelação da deputada é motivada pelo caso de bullying, roubo e ofensa à integridade física que ocorreu no mês passado depois de uma discussão online. Seis menores acabaram por atacar outra menor e gravar as agressões físicas, com as imagens a serem partilhadas online. Na perspectiva da deputada, o acontecimento “reflecte a necessidade de reforçar a capacidade dos jovens na gestão de conflitos interpessoais nas redes sociais”, “aumentar a consciência sobre o Estado de Direito” e a capacidade de “resposta a crises”. Neste sentido, Loi pretende saber se o Governo vai “aprofundar ainda mais a literacia digital e a educação sobre o Estado de Direito junto dos jovens” e reforçar a “consciência de auto-protecção” dos mais jovens. Sinais de alerta Em relação ao incidente, a legisladora realça que envolveu alunos de diferentes escolas, pelo que o problema não está limitado a uma única instituição de ensino. No entanto, avisa que a comunidade devia ter percebido os sinais de alerta antes da situação ter escalado para as agressões: “Este caso de bullying escalou de um desentendimento online para uma agressão física, só tendo sido descoberto após a circulação do vídeo na internet”, indicou. “Assim sendo, como pretendem as autoridades optimizar o actual mecanismo de alerta prévio e de resposta a incidentes de crise juvenil, de modo a detectar e intervir mais atempadamente em casos de alto risco?”, pergunta. Ao mesmo tempo, a deputada mostra-se preocupada com os efeitos psicológicos para a aluna que foi vítima dos ataques. “O trauma psicológico provocado por actos de bullying sobre os estudantes vítimas não pode ser ignorado. A vítima, além de sofrer lesões corporais, enfrenta ainda o dano secundário provocado pela difusão do vídeo nas redes sociais”, escreveu. Por isso, a deputada pretende saber o que está a ser feito pelo Executivo para lidar com a situação e melhorar o acompanhamento face à possibilidade de surgirem novos casos de bullying.
Saúde Mental | Ella Lei pede ao Executivo uma “rede de protecção” João Santos Filipe - 29 Jul 2026 A deputada dos Operários questiona o Governo sobre os planos para criar um enquadramento profissional para os profissionais de saúde mental e alerta que o desenvolvimento social está a colocar novos desafios A deputada Ella Lei apela ao Governo para melhorar os cuidados de saúde mental e criar uma “rede de protecção” a pensar nos mais jovens. O assunto vai ser abordado através de uma interpelação oral, que deverá ser apresentada nos próximos dias na Assembleia Legislativa. Segundo a legisladora, actualmente existem “problemas estruturais no sistema de serviços de saúde mental” que exigem resposta. Por isso, no âmbito da criação da rede de protecção, Ella Lei pede que “os serviços de aconselhamento psicológico” assumam uma “função preventiva no apoio primário no combate às doenças mentais, na promoção do crescimento saudável dos jovens, na resposta a incidentes imprevistos e no auxílio aos cidadãos na gestão do stress”. A deputada explica ainda que esta rede exige a coordenação entre organismos como os Serviços de Saúde (SS), o Instituto de Acção Social (IAS) e a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). Ella Lei questiona também como é que as “autoridades vão reorganizar os vários recursos de serviços de saúde mental” e “estudar a criação de um acesso unificado aos serviços”. A deputada dos Operários explica igualmente que o objectivo passa por garantir que “casos de diferentes níveis de complexidade sejam acompanhados por profissionais da categoria correspondente, de modo a alcançar um melhor efeito de prevenção conjunta”. Investimento e acreditação Ao mesmo tempo, Lei pretende que o Governo explique como vai responder ao “aumento contínuo da procura por serviços de saúde mental” e aos “problemas potenciais e novos desafios trazidos pelo desenvolvimento social”. A deputada pede, assim, a apresentação de um “planeamento concreto” que integre a “educação familiar e o apoio à saúde mental como elementos-chave da política de saúde mental”. Ainda no que diz respeito a esta área da saúde, a deputada pede ao Executivo para avançar com um sistema de acreditação e definir as diferentes carreiras profissionais relacionadas com a área. “Até ao momento, Macau ainda não estabeleceu um sistema de credenciação profissional para o aconselhamento psicológico”, aponta. “Muitos talentos com qualificações profissionais em aconselhamento ou consultoria psicológica, após regressarem a Macau, não conseguem obter um enquadramento profissional adequado nem um plano de carreira claro, o que chega mesmo a provocar a fuga de quadros qualificados”, avisa.
Inclusão e Harmonia | Wong quer famílias monoparentais incluídas Hoje Macau - 29 Jul 2026 A deputada Wong Kit Cheng defende que as famílias monoparentais com filhos com menos de três anos e que não frequentam jardins-de-infância passarem a ser incluídas no Programa de Inclusão e Harmonia na Comunidade. O assunto foi abordado pela deputada ligada à Associação das Mulheres numa interpelação escrita. Este programa destina-se a auxiliar as famílias em dificuldades financeiras e prevê o pagamento de dois subsídios por ano, num valor que varia entre 2.900 patacas e 11.200 patacas, consoante o agregado familiar é composto por uma ou mais de oito pessoas. No entanto, as famílias monoparentais ficam excluídas do apoio se tiverem filhos com menos de três anos que não frequentam jardins-de-infância. Para a deputada, se esta situação for alterada, o Governo mostra um maior apoio “às famílias com crianças em diferentes etapas de crescimento”.
Idosos | Nick Lei pede medidas para resolver espera em lares Hoje Macau - 29 Jul 2026 O deputado Nick Lei pediu ao Governo medidas para aliviar as listas de espera nas admissões em lares de idosos. Em interpelação escrita, o deputado pede que as autoridades tenham como exemplo Hong Kong, onde são atribuídos subsídios para os idosos que estão à espera de acolhimento em lares para que possam escolher um lugar em Macau ou Guangdong. Nick Lei, ligado à comunidade de Fujian, argumentou que, actualmente, o tempo médio de espera por uma vaga é de aproximadamente 16 meses, e mesmo com o Governo a planear construir três novos lares na Zona A dos Novos Aterros, com cerca de 1.100 vagas, é difícil melhorar a pressão sentida. O deputado entende que o tempo de espera é demasiado longo, exigindo que seja criado um sistema de promoção profissional e certificação de competências na prestação de serviços a idosos, a fim de atrair mais residentes para a profissão. Nick Lei pede também uma melhor cadeia de fornecimento de medicamentos entre fronteiras para maior conveniência aos idosos.
Creche Smart | Christiana Ieong promete cooperação com o Governo João Santos Filipe e Nunu Wu - 29 Jul 2026 A presidente da Zonta Club de Macau lamentou a forma como a associação foi tratada pelo Executivo, e afirmou que desde o início sempre trabalhou para o bem de Macau, obedecendo ao Governo Em reacção à investigação do Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) que acusou a Creche Smart de várias irregularidades, a associação que explora a instituição prometeu cooperação total com o Governo. As declarações foram prestadas por Christiana Ieong, presidente da associação Zonta Club de Macau, ao canal chinês da TDM. “Se o Governo nos pede para sair [deste espaço], nós vamos sair. Não me vou importar se o interesse público está em causa ou se temos de agir de acordo com a lei. A certeza que tenho é que vamos cooperar com o Governo”, afirmou Christiana Ieong, numa altura em que o Instituto de Acção Social (IAS) espera a devolução das instalações na Taipa onde está localizada a creche. A presidente da associação defendeu também que ao longo de todas as investigações, tanto do IAS como do CCAC, sempre forneceu os documentos com a informação que lhe foi pedida. Por isso, considerou desnecessária a postura do Executivo, no que diz respeito à actuação do IAS, que rescindiu o acordo de cooperação com a creche e pediu a devolução do espaço onde a instituição funciona. “Se o Governo queria que nós saíssemos, e tendo em conta que trabalhamos sempre a pensar no melhor para Macau, porque fez as coisas desta forma? Era desnecessário”, lamentou. Reunião de análise Sobre o futuro da creche, a associação Zonta Club de Macau tinha prometido encerrar o espaço, caso o CCAC detectasse irregularidades. No entanto, à emissora pública, Christiana Ieong explicou que vai haver uma reunião interna para discutir o futuro. A creche tem actualmente mais de 70 crianças, mas deixou de aceitar novas inscrições. A licença da instituição de ensino é válida até 26 de Agosto, altura em que o espaço da creche também tem de ser devolvido ao IAS. Por sua vez, o IAS reagiu à investigação do CCAC na segunda-feira à noite e afirmou não tolerar actos ilegais. “No processo de fiscalização, no caso de detecção de existência de quaisquer ilegalidades ou irregularidades, o IAS tomará certamente a iniciativa de notificar as autoridades competentes para a realização de investigações aprofundadas e a efectivação das responsabilidades penal e civil dos infractores”, foi apontado. “O IAS não tolera, de maneira nenhuma, quaisquer actos ilegais”, foi acrescentado. O IAS anunciou também que “exigiu expressamente ao Zonta Club a devolução das instalações, bem como a prestação atempada de apoio aos encarregados de educação na transferência dos filhos e, ainda, o encaminhamento dos casos com necessidade para o IAS”. O IAS disponibilizou ainda apoio aos encarregados de educação que necessitem de auxílio para se inscreverem numa nova creche. Diferendo desde o ano passado O diferendo entre o IAS e a creche foi tornado público em Março do ano passado, quando o IAS cortou o financiamento à instituição, alegando que as duas partes não tinham chegado a acordo quanto a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”. No entanto, a investigação ao caso do CCAC, pedida pela creche, concluiu que os problemas começaram em Julho de 2020, quando o IAS inspeccionou in loco a instituição e verificou que “o número de trabalhadores da creche era, durante um longo período de tempo, inferior ao número padrão definido no acordo de cooperação”. Além disso, o CCAC apontou que “alguns dos trabalhadores subsidiados directamente pelo IAS, nomeadamente assistentes de educadores de infância, ajudantes domésticos, entre outros, nem sequer foram vistos a trabalhar”. A investigação do CCAC levantou também dúvidas sobre a forma como foram gastos os apoios públicos e considerou que a associação não conseguiu esclarecer essas dúvidas.
Plano Quinquenal | Defendido subsídio para transformação digital de PME Andreia Sofia Silva - 29 Jul 2026 Na consulta pública sobre o 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM (2026-2030), defendeu-se a criação de um subsídio para digitalizar empresas de pequena dimensão. Registaram-se mais de oito mil opiniões, com 92,1 por cento de “opiniões positivas” A transformação da economia e a necessidade de adaptação das pequenas e médias empresas (PME) a uma nova realidade foi um dos temas alvo de comentários da população na consulta pública sobre o 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM (2026-2030). Segundo o documento, ontem divulgado pela Direcção dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional (DSEPDR), o tópico “Aumento da competitividade das pequenas e médias empresas (PME)” recebeu 135 opiniões, sendo que 32 pessoas opinaram sobre o “aumento do nível de digitalização e de aplicação tecnológica das PME”. Neste âmbito, foi sugerida “a criação de um subsídio específico para a transformação digital”, bem como sugestões para a necessidade de “lançamento de um mecanismo de crédito inclusivo e de reestruturação da dívida”, ou a importância da “formação gratuita sobre marketing de inteligência artificial (IA)”. Outro tópico abordado na consulta pública e relacionado com o tecido empresarial prendeu-se com as “políticas e medidas de apoio ao desenvolvimento das PME”, com 60 opiniões recolhidas. Aqui, foi sugerida a criação de um “mecanismo de cadeia de fornecimento”, no qual “as empresas maiores ajudarem as menores”. Defendeu-se também o lançamento de “subsídios especiais para financiamento” e a importância da “digitalização e expansão internacional das marcas”. Foram ainda reveladas opiniões no sentido de revitalizar “espaços devolutos para os converter em locais destinados a empreendedorismo”. Não faltou ainda uma crítica à forma como o comércio transfronteiriço está a ser feito, pois “segundo algumas opiniões, os canais de venda transfronteiriços para as PME são limitados”, existindo “falta de apoio às indústrias em termos de medidas complementares diferenciadas”. Demografia preocupa Ainda no que diz respeito à economia do território, registaram-se apenas quatro opiniões quanto “às tendências futuras do desenvolvimento de Macau”. Foi defendido que “se verifica uma cristalização da estrutura industrial, com um ritmo lento na promoção e desenvolvimento de indústrias emergentes”. Além disso, entende-se que “existem lacunas nos serviços complementares relacionados com vida da população e que a situação demográfica é preocupante”. Por sua vez, registaram-se 39 opiniões sobre “principais indicadores de desenvolvimento socioeconómico”, tendo sido sugerido, por exemplo, a definição de metas “por fases no âmbito da investigação científica, aumentando progressivamente a sua proporção no Produto Interno Bruto até um mínimo de 1,5 por cento, com uma perspectiva de médio e longo prazo”, em “convergência para a média internacional de 2,6 por cento”. Foi ainda apontada a necessidade de estabelecer “indicadores para avaliar os resultados da diversificação adequada da economia e indicadores quantitativos de desenvolvimento da indústria científica e tecnológica”. Destacam-se as 72 opiniões registadas no tópico dedicado à economia comunitária, sugerindo-se a necessidade de “revitalização dos espaços devolutos nos bairros comunitários” ou a “emissão de vales de consumo para impulsionar o fluxo de visitantes”. As opiniões apresentadas apontam “as dificuldades de exploração das lojas nos bairros antigos”, ou a necessidade de “transformação das zonas antigas do Iao Ho e NAPE”. IA com mais leis O relatório da consulta pública em questão revela ainda que a IA gera preocupação, sendo pedidas mais medidas para que Macau possa melhor gerir esta realidade. Foram recebidas 27 opiniões sobre o assunto “aumento da capacidade de segurança nacional em áreas emergentes como as redes, os dados e a inteligência artificial”. Neste contexto, “a maioria das opiniões refere que se deve acelerar a elaboração de legislação específica ou orientações relativas à aplicação” da IA. Enquanto isso, das 39 opiniões apresentadas sobre o “reforço da gestão de segurança da cidade”, há quem entenda que se deve “aperfeiçoar o sistema de alerta precoce de riscos para a segurança da cidade, recorrendo a tecnologias como megadados e inteligência artificial para permitir alertas inteligentes e uma resposta rápida a desastres e eventos súbitos”. Pouca eficácia Foram ainda deixadas críticas sobre o panorama do mercado financeiro no território. O tópico “desenvolvimento das indústrias de tecnologia de ponta adequada a Macau” recebeu 107 opiniões, sendo que algumas delas “destacaram que o ecossistema local para a indústria de inovação científica e tecnológica ainda é insuficiente”. Foi também referido que “a eficácia da transformação de resultados científicos e tecnológicos permanece baixa”. No assunto “aceleração do desenvolvimento da indústria financeira com características próprias” houve 117 opiniões. Sugeriu-se que as autoridades se devem focar “na gestão de fortunas e no mercado de títulos de dívida”, entre outros tópicos. Mas foi deixada uma ideia mais negativa: a de que “o mercado financeiro de Macau apresenta uma liquidez relativamente fraca e uma capacidade limitada” de ligações e movimentações financeiras “para os países de língua portuguesa”. De olho em Hengqin Uma das áreas que mais opiniões recebeu foi da Administração pública, sobretudo no que diz respeito ao “aprofundamento da reforma”, com um total de 292 opiniões. O Governo dá conta de 36 opiniões que referiram ser necessário “persistir e aperfeiçoar ainda mais o sistema de predominância do poder Executivo”, além de necessidade de “definir claramente os limites de competência e responsabilidade dos serviços”. Deve-se apostar também, neste contexto, na criação de “um regime de substituição de Secretários”, bem como “um regime de acompanhamento e fiscalização”. No que concerne à digitalização de serviços públicos, o Governo recebeu 82 opiniões, que vão no sentido da necessidade de “introdução da aplicação de inteligência artificial e criação de infra-estruturas digitais eficientes e seguras”. No que concerne à “promoção da integração profunda da vida da população”, houve 291 opiniões, sendo que 62 apontam para o alargamento “do âmbito dos pedidos de autorização de residência em Hengqin”, bem como a promoção “do uso do cantonês, caracteres tradicionais chineses e do português”. No que concerne à habitação, foi sugerida “a possibilidade de [criação de um] modelo transitório de mudança habitacional para a aquisição de habitação de prédios antigos sem elevadores em Macau em troca, a título compensatório, de uma outra de maior dimensão em Hengqin”. Houve 73 opiniões a defender a extensão “do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo a Hengqin”, bem como a necessidade de realizar mais acções de formação profissional entre fronteiras. Reformar os tribunais Outro capítulo do relatório diz respeito à “promoção da modernização do sistema jurídico”, com 29 opiniões recolhidas. Registou-se “um número significativo [de opiniões] referente à criação de um grupo de trabalho especializado” para a “reforma da legislação fundamental, com o objectivo de promover os trabalhos de alteração dos cinco grandes códigos”. Neste caso, o Código Comercial, Código Penal, Código do Processo Penal, Código Civil e Código do Processo Civil. Houve ainda 39 opiniões sobre o tópico “aperfeiçoamento do sistema e mecanismos judiciais e aumento da eficiência judicial”. Aqui, “um número significativo [de opiniões] manifesta apoio à criação de um mecanismo sistemático e regular de divulgação das decisões judiciais dos tribunais de primeira instância”. Além disso, recomenda-se a aposta na mediação e arbitragem, nomeadamente através da melhoria “dos mecanismos diversificados de resolução de litígios, com a redução das restrições à mediação, a formação de quadros especializados na mediação e a promoção da integração orgânica entre os procedimentos de mediação, arbitragem e processo judicial”. A consulta pública sobre o 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM decorreu entre os dias 20 de Maio e 28 de Junho, e realizaram-se 14 sessões. Foram recebidas, segundo a DSEPDR, “1.716 pareceres, num total de 8.230 opiniões, o que representa, respectivamente, 2,2 vezes e 2,6 vezes [acima] dos valores registados durante a consulta pública sobre o 2.o Plano Quinquenal”. Diz a DSEPDR que “em termos gerais, a população apoia o conteúdo do documento”, tendo-se registado 92,1 por cento de opiniões positivas e apenas “6,9 por cento de opiniões neutras, e 1 por cento de opiniões negativas”. O tópico “Garantia efectiva e melhoria do bem-estar da população” foi o que recebeu mais opiniões, num total de 1.777, correspondendo a 21,6 por cento do total. Seguiu-se a “Promoção sólida do desenvolvimento da diversificação adequada da economia”, com um total de 1.320 opiniões ou sugestões, correspondendo a 16 por cento. Por sua vez, o tema “Promoção de alta qualidade do estabelecimento da Zona de Cooperação em Hengqin” surge em terceiro lugar, com um total de 1.096 opiniões, correspondendo a 13,3 por cento.
Naufrágio | China resgata 47 marinheiros de navio vietnamita Hoje Macau - 28 Jul 2026 O Governo chinês informou ontem que já foram resgatados 47 dos 62 marinheiros que se encontravam a bordo do navio vietnamita que se afundou na noite de sexta-feira em águas do mar do Sul da China. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian actualizou, numa conferência de imprensa, o número de sobreviventes, que passou de 44 para 47, e indicou que todos já foram entregues de forma ordenada às autoridades vietnamitas. “Depois de ter sido conhecida a situação de perigo em que o navio se encontrava, a parte chinesa iniciou de imediato operações de resgate, um gesto pelo qual a parte vietnamita expressou o seu agradecimento”, afirmou Lin. Segundo a televisão estatal chinesa CCTV, o navio ‘Nanhaijiu 115’, operado pelo ministério dos Transportes, detectou um sinal luminoso de emergência e localizou dois grupos de botes salva-vidas que foram arrastados para águas próximas do recife Fiery Cross, conhecido na China como Yongshu, permitindo o resgate inicial de vários marinheiros de nacionalidade vietnamita. Apesar dos esforços realizados, vários tripulantes continuam desaparecidos, pelo que as operações de busca e salvamento prosseguem.
Ucrânia | Seul acompanha cooperação entre russos e norte-coreanos Hoje Macau - 28 Jul 2026 O Governo sul-coreano acompanha de perto a cooperação militar entre Moscovo e Pyongyang, depois de o Presidente ucraniano ter alertado para a possibilidade de a Coreia do Norte enviar mais 30 mil soldados para a Rússia. “O Governo está a acompanhar de perto os desenvolvimentos relacionados com a cooperação militar entre a Coreia do Norte e a Rússia”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul num comunicado divulgado pela agência de notícias sul-coreana Yonhap. Segundo a Yonhap, não há, de momento, indícios de qualquer envio adicional de tropas norte-coreanas. No sábado, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou nas redes sociais que Moscovo procura recrutar 30 mil soldados da Coreia do Norte, depois de ter sofrido quase 225 mil baixas militares em menos de sete meses de guerra na Ucrânia neste ano, 131 mil mortos e quase 93 mil feridos. O Governo sul-coreano insistiu que a cooperação militar entre Pyongyang e Moscovo viola as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e “deve cessar imediatamente”. Já o porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara, afirmou ontem que a cooperação militar entre a Rússia e a Coreia do Norte, como o envio de tropas e a aquisição de armas e munições norte-coreanas pela Rússia, “não só agrava a situação na Ucrânia, como é motivo de séria preocupação devido ao seu impacto na segurança regional”. “Da nossa parte, continuaremos a recolher e a analisar informações relevantes, incluindo os últimos acontecimentos”, declarou Kihara. Segundo os serviços de informação sul-coreanos, Pyongyang enviou aproximadamente 15.000 soldados em apoio da Rússia na sua guerra contra a Ucrânia. Em troca, o regime de Kim Jong-un recebeu moeda estrangeira, bens e tecnologia de Moscovo. O Presidente russo, Vladimir Putin, recebeu a ministra dos Negócios Estrangeiros norte-coreana, Choe Son-hui, no Kremlin, em meados deste mês, pela segunda vez em menos de um ano.
Casamentos tardios: alegrias e tristezas (II) David Chan - 28 Jul 2026 A semana passada, mencionámos que a esperança média de vida se situa entre os 83 e os 87 anos e que os 50 deixaram de ser o limiar da velhice. Com a abertura dos comportamentos sociais, os segundos casamentos de seniores estão a tornar-se gradualmente uma escolha importante que é feita no sentido de encontrarem apoio emocional e autonomia no ocaso das suas vidas. No entanto, estes casamentos tardios não implicam apenas um reinício da vida afectiva; envolvem questões sociais complexas como, reestruturação familiar, divisão de bens, alterações nos direitos de herança e ajustes nas pensões de reforma. Equilibrar as necessidades emocionais e a segurança financeira na velhice tornou-se um verdadeiro desafio que os seniores de hoje em dia têm de enfrentar, enquanto procuram a felicidade. Embora estes casamentos tardios tragam renovação emocional e conforto aos idosos, escondem disputas familiares e riscos financeiros que não podem ser ignorados. Em geral, as pessoas a partir dos cinquenta anos acumulam bens pessoais como propriedades, poupanças, acções e fundos de previdência, que representam a riqueza obtida ao longo das suas vidas. Ao contrário dos jovens, que acumulam riqueza durante os segundos casamentos, as pessoas mais velhas que estão a reformar-se, ou mesmo já reformadas, enfrentam uma redução significativa de rendimentos e da capacidade de acumular riqueza. A divisão de bens que resulta da mudança de estado civil é muitas vezes irreversível, afectando nesta fase do percurso a qualidade de vida das pessoas. Os diferentes sistemas de repartição de bens do casal na China continental, Hong Kong e Macau conduzem a variações regionais dos riscos financeiros dos segundos casamentos dos idosos. O Código Civil da China continental (中國內地民法典) estipula o princípio da divisão igual dos bens obtidos durante o casamento. Os tribunais de Hong Kong, quando regulam sobre divisão de bens, priorizam o princípio da “distribuição justa”, considerando de forma abrangente factores como a capacidade de obter rendimentos de ambas as partes, futuras necessidades durante a reforma, dinheiro acumulado no Fundo de Previdência Obrigatório (MPF sigla em inglês), e contribuições familiares. Este modelo é mais favorável às mulheres idosas que durante muito tempo se ocuparam da casa e não tiverem um rendimento que as tornasse independentes, mas também reduz significativamente a percentagem das poupanças e os rendimentos da reforma do provedor. Macau tem um regime flexível para a divisão dos bens matrimoniais, exigindo que o casal concorde antes do casamento com a divisão de bens em caso de separação, de acordo com o Código Civil (民法典). Se não existir acordo pré-nupcial, pode ser feito um acordo pós-nupcial. Depois de acordada a divisão de bens, estes serão distribuídos de acordo com os regulamentos que regem o divórcio. Assim sendo, a divisão da propriedade não é necessariamente equalitária, dependendo do acordo pré-nupcial e da decisão judicial. Independentemente da lei aplicável, o divórcio envolve quase sempre a alienação de bens essenciais, sendo o mais importante de todos a residência do casal, e a sua divisão só tem duas soluções possíveis: uma é a compra da parte do ex-cônjuge, conseguindo assim a propriedade plena do imóvel; a outra é a venda a terceiros, comprando depois cada um deles uma casa mais pequena. Ambas as opções delapidam em grande parte as poupanças do casal, reduzem os activos durante a velhice, criando ainda o risco de se virem a sobrecarregar com novas dívidas, o que vai diminuir a sua estabilidade durante os anos da reforma. Além das questões relacionadas com a divisão de bens, os segundos casamentos tardios têm uma grande probabilidade de desencadear conflitos entre pais e filhos a propósito da herança. A maioria dos filhos desconfia do segundo casamento dos pais, e teme que o novo parceiro/a se sirva do casamento para se apropriar de parte dos bens da família, ou seja, temem o risco de “fraude matrimonial.” Legalmente, uma vez concluída a cerimónia de casamento, o novo parceiro passa a ser o principal beneficiário da herança. Isto significa que os bens da família, que previamente iriam integralmente para os descendentes, passam agora em grande parte para um estranho, o que causará potencialmente disputas entre pais e filhos. Estes conflitos não se devem simplesmente a preconceitos familiares, mas sim a uma realidade decorrente de questões de propriedade, herança e da continuação dos interesses da família. Continuaremos a análise deste tema na próxima semana. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau cbchan@mpu.edu.mo
Aceites candidaturas para sexta edição do festival Rollout Hoje Macau - 28 Jul 2026 Decorre até 25 de Outubro, o prazo de submissão de vídeos e filmes sobre dança para a sexta edição do festival ROLLOUT, co-organizado pela Associação de Dança Ieng Chi, Associação de Arte Point View e Concept Pulse Studio. Segundo um comunicado, o convite para a submissão de projectos é endereçado a “artistas e criadores de todo o mundo”, pretendendo-se obter “criações interdisciplinares que utilizem o meio do cinema de dança para reflectir sobre as intersecções entre o corpo, a sociedade e a cultura”. Criado em 2016, o ROLLOUT já recebeu candidaturas de mais de 89 países e regiões, continuando a propor um reforço “dos intercâmbios criativos entre Macau, Ásia e a comunidade global do cinema de dança”. Desde a sua fundação que a organização do festival diz ter contribuído para a criação de uma “plataforma orgânica de cinema de dança que faz a ponte entre disciplinas, corpos e geografias, promovendo diálogos criativos entre artistas e plataformas artísticas locais e internacionais”. IA é novidade Em termos de categorias, o ROLLOUT inclui este ano três novas áreas, e que abrangem “o cinema tradicional, a tecnologia de ponta e a arte espacial”. No que diz respeito ao “Concurso e Exibição de Filmes de Dança”, são aceites obras originais com duração máxima de quinze minutos e que tenham sido produzidas a partir de 1 de Janeiro de 2024. Serão atribuídos o Prémio do Júri ROLLOUT para Filmes de Dança, o Prémio de Produção Asiática, os Prémios de Recomendação do Júri e os Prémios Escolha do Público. Destaque para a categoria “Concurso e Exibição de Filmes de Dança com IA”, ou seja, com foco na inteligência artificial, convidando-se os criadores a explorar estas ferramentas com obras de duração inferior a 15 minutos. Haverá, neste âmbito, as distinções Prémio ROLLOUT de Filmes de Dança com IA, Prémio de Filmes de Dança com IA Híbrida e Prémio de Animação de Dança com IA. Erik Kuong, da organização, afirmou querer ver como os autores dos vídeos e filmes “utilizam o pensamento inovador para reexaminar a presença e a existência humanas numa era em que o virtual e o real se entrelaçam”, isto no que diz respeito à categoria a concurso que promove a utilização de inteligência artificial. Já Chloe Lao, também da organização do festival, referiu querer “promover um diálogo mais profundo entre as perspectivas físicas e artísticas de Macau e as culturas cinematográficas internacionais, recorrendo à curadoria, a sessões de partilha com especialistas e a laboratórios de criação de cinema de dança para apoiar activamente as obras locais no palco global”. As submissões de vídeos podem ser feitas através da plataforma FilmFreeway, enquanto as submissões de instalações e propostas devem ser enviadas para inquiry@rolloutmacao.com.
Escritora Lídia Jorge recebeu Prémio Estatal Austríaco Hoje Macau - 28 Jul 2026 A escritora portuguesa Lídia Jorge, Prémio Camões 2026, recebeu ontem o Prémio Estatal Austríaco de Literatura, pelo conjunto da sua obra, atribuído pelo ministério austríaco da Cultura. A atribuição do prémio a Lídia Jorge foi anunciada no passado mês de Junho, pelo Governo austríaco, e a entrega vai realizar-se hoje, numa cerimónia no âmbito do Festival de Salzburgo. “Lídia Jorge é uma das escritoras mais destacadas da literatura europeia contemporânea; a sua obra é tão versátil e ramificada quanto significativos e omnipresentes são os seus temas”, disse o ministro austríaco da Cultura, Andreas Babler, citado pelo comunicado de anúncio do prémio. O governante austríaco lembrou então que, ao longo da carreira, Lídia Jorge tem lutado, através da sua escrita, de uma “forma altamente poética, pela igualdade dos povos”. O júri foi composto por Cristina Beretta, Thomas Keul, Thomas Macho, Marlene Streeruwitz e Andrea Zederbauer. Na declaração do júri, pode ler-se que “a crítica ao colonialismo europeu é um dos temas básicos da literatura de Lídia Jorge, como é a análise da desigualdade social e da pobreza, discriminação contra mulheres, racismo e a Revolução dos Cravos de 1974”. Vida a escrever Nascida há 80 anos, em Boliqueime, no Algarve, Lídia Jorge estreou-se em 1980 com o romance “O Dia dos Prodígios”. Com perto de dezena e meia de romances, da sua bibliografia fazem igualmente parte colectâneas de contos, obras de literatura infantil, de ensaio, de teatro, de poesia e de crónicas. Lídia Jorge recebeu vários prémios literários portugueses e internacionais, entre os quais o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas, de Guadalajara, em 2020, um dos mais importantes da América Latina, o Prémio Médicis para melhor livro estrangeiro publicado em França, em 2023, pelo seu mais recente romance, “Misericórdia”, e o Prémio Pessoa, em 2025, pela sua obra. No início de Junho, o Governo português atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Cultural. No passado dia 2, o ministério português da Cultura, Juventude e Desporto anunciou Lídia Jorge como vencedora do Prémio Camões 2026, o mais importante em língua portuguesa.
Torre de Macau | Artes e mímica para explorar até Setembro Andreia Sofia Silva - 28 Jul 2026 Está aí a sétima edição de “Curiouser & Curiouser – Alice’s Kitchen War”, que até 3 de Setembro traz à Torre de Macau uma panóplia de diversão e criatividade, com instalações artísticas, espectáculos de mímica e figurinos inventivos, naquele que é descrito como “o derradeiro banquete criativo de Verão” A Torre de Macau irá transformar-se até ao dia 3 de Setembro num espaço de entretenimento com o “Curiouser & Curiouser – Alice’s Kitchen War”, naquela que é a sétima edição do evento. O público pode desfrutar de vários formatos artísticos, nomeadamente instalações, mímica e figurinos criativos, naquela que pretende ser uma “instalação artística em grande escala que combina espectáculos de mímica interactivos, figurinos criativos e oficinas práticas”. Segundo um comunicado da organização, fica a promessa de um “encontro vibrante de artistas locais de várias disciplinas”, criando-se “um banquete artístico repleto de surpresas e imaginação, tanto para residentes como para turistas, acompanhando as crianças ao longo de umas férias de Verão altamente criativas”. Nos próximos dias 2 e 9 de Agosto acontecem espectáculos de mímica às 14h30 e 16h30; bem como a iniciativa “Dreamy Playful Corner” das 14h às 17h. Nestas datas, decorrem ainda workshops para famílias entre as 15h e as 16h. As inscrições devem ser feitas no website do evento, com todas as iniciativas a decorrerem no rés-do-chão da Torre de Macau. Haverá cabines de jogos e oficinas para pais e filhos, apostando-se no teatro, dança, actividades de pintura facial, marionetas e artes visuais para criar um cenário cheio de “alegria e beleza”, destaca a organização. Missão de entreter Cheong Hoi I é curadora do evento e afirmou, citada pela mesma nota, que o evento tem acontecido sempre com a mesma missão, “despertar o interesse do público por vários meios criativos através de diversas formas de arte”. Na sua visão, este projecto “proporciona aos artistas locais um vasto espaço para criar, dando a conhecer a energia criativa única de Macau, ao mesmo tempo que espera que, através da arte, tanto adultos como crianças possam guardar uma sincera ‘semente de sonhos’ à medida que crescem”. Uma das entidades envolvidas nesta iniciativa é a Route Art of Macau. Chan Nga Cheng, directora de mímica e dramaturga, ligada a esta entidade, afirmou que o espectáculo deste ano “é uma adaptação livre do sexto capítulo de ‘As Aventuras de Alice no País das Maravilhas’ e ‘Pig and Pepper’, reinventado de forma ousada como uma caótica e hilariante ‘Guerra na Cozinha’ para apresentar ao público um universo de Alice totalmente novo e mágico”.
Xi manifesta apoio ao Brasil e rejeita “interferências externas” face a taxas dos EUA Hoje Macau - 28 Jul 2026 O Presidente chinês, Xi Jinping, manifestou ontem apoio ao Brasil na defesa da sua soberania e rejeitou “interferências externas”, durante uma conversa com o homólogo brasileiro, Lula da Silva, em plena tensão comercial entre Brasília e Washington. Xi fez estas declarações durante uma conversa por telefone com Lula, informou o Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês (PCC). O chefe de Estado chinês afirmou que Pequim atribui “grande importância” ao estatuto internacional e à influência do Brasil e manifestou apoio para que o país sul-americano continue a dar “contributos” para a paz e a estabilidade regionais e mundiais. Xi defendeu ainda que a China e o Brasil, enquanto “membros importantes do Sul Global”, devem posicionar-se do “lado certo da história”, da “civilização e do progresso”, desempenhando um papel “mais construtivo” na reforma do sistema de governação global e na “defesa da justiça internacional”. Lula afirmou que a cooperação bilateral “desenvolveu-se rapidamente” em vários domínios, que o comércio entre os dois países voltou a atingir um máximo histórico e que o Brasil pretende reforçar a colaboração com a China nas áreas da inteligência artificial, energia e minerais, além de atrair mais investimento de empresas chinesas, segundo o Diário do Povo. Malditas tarifas A conversa ocorreu depois de os Estados Unidos terem anunciado recentemente tarifas de 25 por cento sobre determinados produtos brasileiros, na sequência de uma investigação ao abrigo da Secção 301 da Lei do Comércio de 1974. O Brasil rejeitou a legitimidade dessa investigação, anunciou que vai acionar a sua Lei da Reciprocidade e afirmou que vai voltar a apresentar o caso ao mecanismo de resolução de litígios da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Governo de Lula defendeu que “não existe qualquer justificação” para medidas unilaterais contra o Brasil e acusou a família do ex-líder Jair Bolsonaro (2019-2023) de colaborar com a narrativa que, na sua perspectiva, conduziu ao novo agravamento das tarifas norte-americanas. Bons parceiros A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009 e as trocas comerciais bilaterais atingiram, em 2025, um máximo histórico de 171 mil milhões de dólares, mais 8,2 por cento do que no ano anterior, segundo dados divulgados pelo Governo brasileiro. O Brasil foi também o país que mais investimento chinês recebeu nesse ano, com 6,1 mil milhões de dólares, e, em Abril de 2026, tornou-se o principal destino das exportações chinesas de automóveis, veículos de novas energias e automóveis totalmente eléctricos, num contexto de crescente presença de empresas chinesas nos sectores automóvel, energético, mineiro e das infraestruturas.
China | Empresas industriais aumentam lucros em 18,7 por cento no primeiro semestre Hoje Macau - 28 Jul 2026 Os lucros das principais empresas industriais da China cresceram 18,7 por cento no primeiro semestre, em termos homólogos, ligeiramente abaixo do ritmo registado até Maio, mas mantendo a trajectória positiva iniciada em 2025, após três anos consecutivos de descidas. De acordo com dados divulgados ontem pelo Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE), os lucros destas empresas totalizaram cerca de 3,95 biliões de yuan entre Janeiro e Junho. O crescimento até junho representa uma desaceleração de 0,1 pontos percentuais face ao registado até Maio, contrariando as previsões do portal especializado Trading Economics, que antecipava uma subida para 19,2 por cento. Para esta estatística, o GNE considera apenas as empresas industriais com um volume anual de negócios superior a 20 milhões de yuan. O estatístico do GNE Yu Weining destacou o sector da eletrónica, cujos lucros quase duplicaram (+96,9 por cento) no semestre, impulsionados pela maior procura de capacidade de computação, na sequência do desenvolvimento da inteligência artificial (IA). Segundo Yu, este sector foi responsável por 8,5 pontos percentuais do crescimento total do indicador. Entre os casos mais expressivos, figura a indústria de fabrico de circuitos integrados, cujos lucros aumentaram quase 27 vezes. O responsável assinalou ainda a melhoria registada na indústria de matérias-primas (+71,7 por cento), impulsionada sobretudo pelos metais, como o cobre e o alumínio, bem como o rápido desenvolvimento de novos setores de crescimento, incluindo os materiais não metálicos – como a borracha reciclada e os produtos de grafite e carbono – e os cabos de fibra ótica destinados a centros de dados. Perigos internacionais Outro factor favorável ao sector industrial foi a redução dos custos por unidade produzida, que, segundo Yu, tem vindo a diminuir desde o início do ano, permitindo que a margem média de lucro das empresas analisadas atingisse 5,7 por cento, o nível mais elevado desde 2024. O analista oficial alertou, porém, para o impacto de um contexto internacional “complexo e volátil”, para a incerteza quanto à evolução dos preços das matérias-primas e para desafios como a fraca procura interna e a pressão “significativa” sobre os fluxos de caixa das empresas. Em 2025, os lucros das empresas industriais cresceram 0,6 por cento, registando a primeira evolução positiva após três anos consecutivos de descidas: em 2022, recuaram 2 por cento; em 2023, 2,3 por cento; e, em 2024, 3,3 por cento.