SMG | Previsões para 2026 apontam para 5 a 8 ciclones tropicais Hoje Macau - 25 Mar 2026 Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) estimam que entre cinco a oito ciclones tropicais afectem Macau este ano, “correspondendo a um número normal a ligeiramente superior ao normal, não se excluindo a eventual influência de tufões fortes ou de intensidade superior”. Segundas as previsões dos SMG, a época de tufões terá início em Junho, prolongando-se até Outubro. Durante a estação chuvosa (de Abril a Setembro), a temperatura média irá situar-se “entre valores normais e acima do normal”, a mesma previsão para a precipitação acumulada, apesar de a previsão abrir a possibilidade de “episódios de precipitação extrema”. As autoridades salientam o aumento de “fenómenos meteorológicos extremos”, “num contexto de aquecimento global”, que explicam o registo do ano passado. “Em 2025, registaram-se 14 ciclones tropicais a afectar Macau, ultrapassando o recorde histórico de 12 ocorrido em 1974, tornando-se assim o ano com maior número de ciclones tropicais a afectar o território desde o início dos registos sistemáticos, em 1968. De entre estes, o tufão “Wipha” e o supertufão “Wagasa” conduziram ambos ao hastear do sinal n.º 10 em Macau, constituindo a primeira vez que, num mesmo ano, foi necessário hastear por duas vezes o sinal n.º 10”, indicam os SMG.
IAM | Novo recorde de gatos abatidos em 2025 João Santos Filipe - 25 Mar 2026 Com o Governo a recusar implementar os programas de “captura, esterilização e devolução”, o número de abate de animais volta a subir. No caso dos felinos, estabelecem-se novos recordes. Quanto aos caninos, os abates aproximam-se de valores anteriores O ano de 2025 ficou marcado pelo maior número de abates de gatos em Macau pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), um registo que bateu o recorde anterior, que era de 2023. Os dados constam do portal oficial do IAM. No ano passado, foram abatidos um total de 158 gatos, um aumento de 32,8 por cento em relação a 2024, ou de mais 39 abates quando o número tinha atingido 119 gatos mortos. Em relação ao anterior recorde, de 140 gatos abatidos, em 2023, os dados mais recentes mostram um aumento dos abates de 12,9 por cento, ou mais 18 abates. Até 2025, altura em que o IAM fez uma limpeza dos dados estatísticos, a informação oficial mostrava que antes de 2023, o maior número de abates felinos tinha acontecido em 2007, com 124 mortes. Apesar dos anos recentes terem trazido novos recordes ao nível das mortes dos gatos, a verdade é na maioria dos anos, o território tende a abater mais cães, o que voltou a acontecer em 2025. No ano passado, o IAM abateu um total de 333 cães capturados nas ruas do território. Este número está muito longe do recorde de 2010, quando ao longo desse ano o IAM matou um total de 718 cães. Também em 2015, houve mais mortes, com um total de 336 abates caninos. Apesar do recorde antigo, as autoridades têm aumentado o número de mortes nos anos mais recentes. Em 2024, foram abatidos 311 caninos, o que significa que no ano passado se registou um aumento de 7,1 por cento, ou de 22 abates face ao ano transacto. Contudo, entre 2023 e 2024, o número de mortes teve um crescimento de 41,2 por cento, ou 91 mortes, de 220 abates para 311 abates. Sem mudanças O aumento do número de abate de animais acontece ao mesmo tempo que o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) recusa implementar os programas de “captura, esterilização e devolução” dos animais que andam à solta nas ruas de Macau. Este programa era uma aspiração de alguns deputados, mais ligados à ala democrata, mas que perdeu espaço na Assembleia Legislativa, depois das exclusões eleitorais. Apesar disso, o assunto não morreu de todo, e no final do ano passado o deputado dos Moradores, Leong Hong Sai, voltou a abordar o assunto, através de uma interpelação escrita. Contudo, os dirigentes do IAM preferem apostar numa política de abate de animais, em vez de implementar o programa de “captura, esterilização e devolução”. “Tendo em conta a alta densidade populacional de Macau, tomando como referência as experiências do exterior e tendo em consideração a influência sobre a vida da população, o ambiente ecológico das florestas, a saúde pública, entre outros factores, não há condições, nesta fase, para desenvolver plenamente as medidas ‘captura, esterilização e devolução’ para animais vadios em todas as zonas de Macau”, limitou-se a justificar Chao Wai Ieng, sobre a opção deste Governo. Enquanto se procedeu ao aumento do número de abates, o Executivo eliminou cerca de 15 anos de dados oficiais. No ano passado o HM questionou o IAM sobre o desaparecimento dos dados oficiais, mas nunca recebeu qualquer resposta.
Jogo | MP de Taiwan acusa 10 pessoas de branqueamento de capitais Hoje Macau - 25 Mar 2026 O Ministério Público (MP) de Taiwan acusou 10 pessoas de usarem casinos de Macau para branquear 33 mil milhões de dólares taiwaneses (8,3 mil milhões de patacas), provenientes de jogo ilegal na Internet. O MP do distrito de Yunlin, no oeste de Taiwan, anunciou na segunda-feira à noite a conclusão da investigação a um grupo criminoso que terá recrutado pessoas para adquirir fichas de jogo em casinos de Macau através de cartões de crédito. Os suspeitos – incluindo os dois alegados cabecilhas, um homem de 37 anos de apelido Chen e um homem de 36 anos de apelido Lin – foram acusados de branqueamento de capitais e outros crimes, referiram os procuradores, num comunicado. Horas antes, a polícia de Taiwan tinha dito que os dois homens, que continuam em fuga e são alvo de um mandado de detenção válido por 20 anos, operavam uma rede de jogo ilegal ‘online’. O Departamento de Investigação Criminal (CIB, na sigla em inglês) de Taiwan disse que a investigação começou depois de ter identificado fluxos suspeitos de várias contas bancárias sinalizadas por ligações ao crime. De acordo com um comunicado do CIB, o dinheiro era transferido para contas cujos titulares pediam cartões de crédito com limites altos. Os agentes do grupo usaram pelo menos 85 cartões de crédito para comprar fichas de jogo em casinos de Macau, que eram mais tarde convertidas em dólares de Hong Kong. O CIB disse que este é o primeiro caso de branqueamento transfronteiriço de capitais, com recurso a casinos, descoberto pelas forças policiais de Taiwan. A operação levou à detenção de 20 pessoas, o congelamento de quase 231 milhões de dólares taiwaneses (58,1 milhões de patacas) em contas bancárias e a apreensão de 2,62 milhões de dólares taiwaneses em dinheiro.
Fórum Macau | Planos de cooperação divulgados em breve Hoje Macau - 25 Mar 2026 Decorreu ontem a 21.ª reunião Reunião Ordinária do Secretariado Permanente do Fórum de Macau. Segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, o secretário-geral deste secretariado, Ji Xianzheng, adiantou que entre Abril e Maio será divulgada a versão preliminar do plano para as acções de cooperação do Fórum, sendo também “reforçada a comunicação e coordenação com os Governos de diversos países” a propósito da sétima Conferência Ministerial. O plano de acção a aprovar nesta sétima reunião está ainda a ser apreciado pelas autoridades do Governo Central, alinhando-se com o que está definido no 15.º Plano Quinquenal. O responsável adiantou ainda que o referido plano de acção será analisado por algumas entidades de Macau. Ji Xianzheng acrescentou que “o volume de trabalho deste ano [do Fórum Macau] deverá ser bastante intenso”.
IAM | Assegurado aluguer de bicicletas Hoje Macau - 25 Mar 2026 O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) garante que é possível alugar bicicletas junto de todas as ciclovias do território. A posição foi tomada na resposta a uma interpelação da deputada Loi I Weng, ligada à Associação das Mulheres. “Actualmente, em todas as ciclovias de Macau, estão disponibilizados serviços de aluguer de bicicletas, máquinas automáticas de venda, sinalização de trânsito, e locais de estacionamento, entre outras instalações complementares”, foi afirmado. A resposta revela também que as obras para ligar os edifícios Yoho Co-Tai Marina Bay e Co-Tai Star Prestige II, junto da Avenida Marginal Flor de Lótus, começaram em Agosto do ano passado. Sobre esta ligação, Chao Wai Ieng, presidente do IAM, afirmou que se trata de um projecto de “concepção aprofundada”, sem elaborar sobre a expressão.
Hengqin | Mais um dirigente de empresa estatal acusado de corrupção João Luz e Nunu Wu - 25 Mar 2026 O antigo gerente-geral da Da Heng Qin Investment, Wu Pusheng, foi acusado de receber subornos e abuso de recursos públicos. Wu Pusheng é o segundo dirigente da empresa responsável pelo desenvolvimento de Hengqin a cair nas malhas da justiça chinesa em menos de um ano Wu Pusheng, que foi dirigente-geral da empresa estatal Da Heng Qin Investment, vai ser julgado pela suspeita aceitar subornos, abuso de poder e de recursos públicos para proveito próprio, depois de ter sido anunciado que corre um processo criminal que já foi encaminhado para o Ministério Público. As informações foram divulgadas na segunda-feira pela Comissão Municipal de Inspecção e Supervisão Disciplinar de Zhuhai. Em comunicado, as autoridades da cidade vizinha referem que Wu Pusheng teve uma crise ideológica, traindo as missões políticas originais, demonstrou deslealdade e desonestidade perante o Partido Comunista Chinês (PCC) e não colaborou com a investigação. Acção que terão determinado a expulsão do partido. A entidade acusou o empresário de violar “princípios fundamentais de integridade, receber prendas, dinheiro e violar as regras do PCC. Além disso, foi acusado de receber subornos, abusar de recursos públicos para o uso privado, concorrência desleal, abuso de poder para beneficiar terceiros em contratação de projectos de obras e aceitar ilegalmente grandes somas de dinheiro e bens materiais de elevado valor. A Comissão Municipal de Inspecção e Supervisão Disciplinar de Zhuhai acrescentou que Wu Pusheng “não se conteve” em continuar acções graves, mesmo depois do 18.º Congresso Nacional do PCC, em 2012, onde Xi Jinping deu início à campanha anti-corrupção. Disco riscado As acusações que recaem sobre Wu Pusheng são semelhantes às que incidiram sobre Hu Jia, o ex-presidente da Da Heng Qin Investment e seguem a linha habitual da campanha anti-corrupção. Em Maio do ano passado, o antigo presidente do grupo empresarial, Hu Jia foi acusado de violações à disciplina e à lei e ficou sob investigação da Comissão Municipal de Inspecção e Supervisão Disciplinar de Zhuhai. Em Setembro, o organismo anunciou que Hu Jia recebeu subornos entre 2015 e 2024, acabando também por ser expulso do PCC e a investigação seguiu para o Ministério Público. Após a divulgação do caso de Hu Jia, o vice-director do Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada Su Kun demitiu-se do cargo por “motivos pessoais”. Su Kun está desde 4 de Fevereiro a cumprir um período experimental de seis meses como técnico superior assessor no gabinete do secretário para Administração e Justiça Wong Sio Chak.
Táxis | Recolhidas opiniões para mudar a lei Hoje Macau - 25 Mar 2026 O Director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) afirmou já ter recolhido opiniões dos taxistas, para avançar com as alterações à lei que vai regular as aplicações móveis. A garantia foi deixada por Chiang Ngoc Vai, director da DSAT, na resposta a uma interpelação escrita pela deputada Wong Kit Cheng. “A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) planeia proceder à revisão da Lei n.º 3/2019 (Regime jurídico do transporte de passageiros em automóveis ligeiros de aluguer), de modo a criar condições favoráveis e uma base legal adequada para o serviço de chamada de táxis através de plataformas online e para os respectivos mecanismos de fiscalização”, foi indicado. “A DSAT já recolheu opiniões junto do sector dos táxis, das associações relevantes e dos organismos consultivos, encontrando-se actualmente a proceder à respectiva análise, e irá promover activamente os trabalhos subsequentes de revisão legislativa”, foi acrescentado. O Governo não se comprometeu com qualquer data para a apresentação do diploma. Função Pública | Wong Sio Chak recebeu comissão de queixas O secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, recebeu ontem o relatório anual da Comissão de Gestão do Tratamento de Queixas Apresentadas por Trabalhadores dos Serviços Públicos (CGTQ). O relatório foi entregue durante um encontro que serviu também para abordar os mecanismos de apresentação de queixas em vigor. Segundo Leong Iok Wa, presidente do CGTQ, em 2025 foram recebidas nove queixas, e em média cada caso é acompanhado por cerca de 22 contactos telefónicos e reuniões presenciais, a fim de ajudar o queixoso a clarificar as suas reivindicações e prestar-lhe apoio emocional. Por sua vez, Wong Sio Chak considerou que o regime do tratamento de queixas tem desempenhado um papel positivo na resolução adequada das queixas apresentadas pelos trabalhadores dos serviços públicos, contribuindo para a melhoria contínua da gestão interna dos serviços. Durante o ano passado, o CGTQ fez uma visita à Ilha da Montanha, para se inteirar do ambiente de trabalho dos funcionários públicos de Macau naquela zona.
Segurança Social | Leong Sun Iok quer mais fontes de financiamento João Santos Filipe - 25 Mar 2026 O legislador ligado aos Operários avisa que são necessárias mais fontes de financiamento para o Fundo de Segurança Social, para permitir aumentar as pensões. Contudo, o deputado não faz qualquer proposta, e espera que o Governo apresente soluções O deputado Leong Sun Iok considera que o Governo tem de fazer uma revisão do sistema de financiamento do Fundo de Segurança Social, devido ao envelhecimento da população e ao aumento dos custos inerentes. A posição do deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) foi divulgada através de um comunicado. Segundo o deputado, o território “precisa de encarar o facto de que, desde de 2023, o índice de envelhecimento de Macau ultrapassou pela primeira vez os 100 por cento, o que significa que a população idosa ultrapassou oficialmente a população de crianças e adolescentes”. Além disso, aponta que os idosos têm cada vez mais expectativas “em relação à qualidade de vida”, apesar do “agravamento do envelhecimento da população”, “aumento dos preços” e de haver cada vez mais idosos dependentes dos rendimentos dos jovens. Neste contexto de maior pressão, o deputado considera que o Governo deve “rever a estrutura das fontes de financiamento do actual Fundo de Segurança Social”, “estudar formas de aumentar as receitas do fundo e ajustar de forma razoável o montante das pensões”. O deputado argumento que o seu objectivo é “permitir que a grande maioria dos idosos desfrute de uma velhice confortável”. Perigos do jogo Sobre o montante gasto do Fundo de Segurança Social, Leong Sun Iok indica que entre 2020 e 2024, a nível das pensões, houve um aumento dos gastos de 950 milhões de patacas para 5,17 mil milhões patacas. Este montante deveu-se somente a haver mais pessoas a receberem uma pensão, dado que o montante não sofreu aumentos durante estes anos. Com grande parte do financiamento a vir das receitas do jogo, o deputado pede diversificação, para evitar as flutuações deste mercado. “A experiência da pandemia demonstrou que as dotações provenientes do jogo, que representam uma parte significativa, são extremamente susceptíveis às influências do ambiente externo, tendo o montante injectado caído abruptamente de 5,01 mil milhões de patacas em 2019 para 780 milhões de patacas em 2022”, apontou. “Além disso, o retorno dos investimentos [feitos pelo FSS] é repleto de incertezas: embora em 2019 tenha sido registado um excedente de 5,5 mil milhões de patacas, em 2022 verificou-se uma perda de investimento de 7,7 mil milhões patacas”, vincou. Face aos números Leong San Iok sugeriu que, para garantir a estabilidade a longo prazo do sistema de segurança social, o Governo deve rever a estrutura actual das fontes de financiamento e estudar activamente estratégias para aumentar as receitas. No entanto, o deputado não indicou qualquer tipo de solução para aumentar as receitas do fundo.
Médio Oriente | Analista considera que China vai ser “mais assertiva” Andreia Sofia Silva - 25 Mar 202625 Mar 2026 O investigador da Universidade Lusíada Tiago André Lopes defendeu no Centro Científico e Cultural de Macau que a China vai assumir uma “postura mais assertiva” no Médio Oriente. Para cumprir objectivos no âmbito da Rota da Seda, Pequim vai lutar pela paz na região, defende o analista Foi na sessão “O Médio Oriente nas Garras do Dragão – do Acordo de Pequim à Comissão Tripartida Conjunta” que o investigador e especialista em ciência política, Tiago André Lopes analisou o papel que a China tem tido no Médio Oriente nos últimos anos, ainda antes da guerra do Irão, e os objectivos que pretende para o futuro no relacionamento com os países da região. A palestra, apresentada no âmbito das Conferências da Primavera do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), serviu sobretudo para analisar a Comissão Tripartida Conjunta China-Irão-Arábia Saudita, cuja terceira sessão decorreu em Dezembro de 2025. Para Tiago André Lopes, “enquanto instrumento de diplomacia [a Comissão Tripartida Conjunta] é das coisas mais interessantes que a China fez nos últimos cinco a seis anos”, pelo “objectivo ambicioso, mas, acima de tudo, pelo desafio directo a Washington que representa”. Uma das novidades saídas deste terceiro encontro, realizado a 9 de Dezembro de 2025 em Teerão, foi a discussão em torno do Acordo de Pequim. Segundo um comunicado oficial divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, aquando da conclusão da reunião, “o Irão e a Arábia Saudita reafirmaram o seu compromisso com todas as disposições do Acordo de Pequim”, comprometendo-se “a envidar esforços para consolidar relações de boa vizinhança e amizade entre os dois países, com base no respeito pela soberania nacional, integridade territorial, independência e segurança”. Na mesma nota, lê-se que “o Irão e a Arábia Saudita saudaram o papel positivo contínuo da China”, sendo que a China “salientou a disponibilidade para continuar a apoiar e a incentivar as medidas tomadas pelo Irão e Arábia Saudita no sentido de desenvolver as suas relações em vários domínios”. “A actual escalada das tensões regionais representa uma ameaça tanto para a segurança regional como para a segurança global. Neste contexto, é muito importante que altos funcionários do Irão e da Arábia Saudita se envolvam em contactos, reuniões e visitas mútuas”, pode ainda ler-se. Mudança de postura Para Tiago André Lopes, a China vai mudar de atitude diplomática nos próximos tempos, tendo em conta os seus objectivos para o Médio Oriente. “Vamos começar a ver uma China mais assertiva, porque percebe que, se não for assertiva, corre o risco de perder coisas. E uma das coisas que a China não quer perder é o Médio Oriente. Há dias a China relembrou a todos os países do Médio Oriente que é um parceiro confiável e relembrou à Arábia Saudita e ao Irão que esta comissão existe”, destacou. O analista, ligado à Universidade Lusíada, lembrou também a posição chinesa aquando do início do conflito EUA-Israel-Irão, no sentido em que “este seria o momento em que os países árabes poderiam recuperar uma independência plena”. Para o académico, isso significa que a China quer lançar “o desafio” ao Médio Oriente para “largar aquilo que entendemos como o braço norte-americano e propagar-se a outros parceiros”, sendo que estes “são, obviamente, Pequim e não, eventualmente, a Turquia ou outros parceiros na região”. Trata-se “de um reflexo desta política da China de ter uma pegada muito activa no Médio Oriente, porque lhe interessa, e que a Arábia Saudita e o Irão não estejam permanentemente em conflito”. Tudo para que, “depois, os EUA e o Reino Unido sejam permanentemente mediadores de um conflito do qual eles beneficiam, mas onde a China tende a perder. E é por isso que a Comissão [Tripartida Conjunta] existe”, acrescentou. Tiago André Lopes lembrou que actualmente existe no país um grande debate sobre a política do não intervencionismo chinês. “Há uma grande discussão na China, que é muito interessante e que tenho tentado acompanhar o mais possível, que é a discussão que foi lançada e que é agora pública, sobre o não intervencionismo chinês”, que, segundo o analista, o país mantém desde meados dos anos 50. Outro conceito na política externa do país é o do princípio da coexistência pacífica entre países. “A China, grosso modo, não se envolve em conflitos que não sejam directamente seus. Dá apoio logístico, ao nível de informações, mas não coloca operacionais e, teoricamente, não coloca equipamento”, disse Tiago André Lopes, que considerou o facto de haver este debate público em torno do não-intervencionismo constitui um sinal de que “vamos ter uma transformação” em termos de postura diplomática do país, no sentido de maior assertividade. Acordo que funciona Porque o Médio Oriente, grosso modo, é tão importante para a China? Tiago André Lopes enumerou algumas razões: “a Rota da Seda passa substancialmente pelo Médio Oriente. Portanto, as estradas, quer a rota física da rede viária, a rede marítima, quer também a rede digital, passam todas pelo Médio Oriente. E, portanto, ter o Médio Oriente em tensão bélica não interessa à China”. Além disso há a questão energética, pois “o Médio Oriente permite à China não ser dependente excessivamente da energia vinda da Rússia”. “A China não gosta de dependências, gosta de ter múltiplos parceiros, por isso, a relação que tinha, já não tem, com a Venezuela; há a relação que tem ainda com o Irão, e a procura de outros parceiros para a questão da energia. E, por isso, é importante que o Médio Oriente seja estabilizado.” O analista entende que a região do Médio Oriente foi alvo de algum “abandono” por parte dos EUA aquando dos acontecimentos da Primavera Árabe, em 2011. Entretanto, a China está a tentar reforçar a sua posição neste campo, para o qual a Comissão Tripartida Conjunta é importante. Pequim pretende “tomar diplomaticamente uma região que os EUA abandonaram durante a Primavera Árabe”, já que “a opção de Obama foi largar o Médio Oriente”. “Nessa altura, quer o Irão, a Turquia e a Rússia entraram na região diplomaticamente, ganharam pé na região. A própria discussão sobre se a Rússia perdeu ou não um aliado na região com a questão da Síria é uma falsa discussão. A Síria manteve as bases que queria, e, portanto, não perdeu coisa nenhuma. Não há propriamente uma relação de paixão e amor entre Assad e Vladimir Putin. Há uma relação de interesse. O interesse da Rússia é ter bases. Portanto, não há, inapropriadamente, uma derrota de maior. Pelo menos, a assinalar nesta fase”, disse. A questão do Iémen Desta reunião da Comissão Tripartida Conjunta saíram também conclusões em torno da questão do Iémen, que para Tiago André Lopes “é o caso mais peculiar disto tudo” e o “efeito colateral positivo desta comissão tripartida”. Na nota difundida pelo MNE chinês, lê-se que “os três países reafirmaram o apoio a uma solução política abrangente para a questão do Iémen, em conformidade com os princípios internacionalmente reconhecidos, sob os auspícios das Nações Unidas”. “O Iémen tinha um acordo de cessar fogo que terminou em Setembro de 2023 e que continuou a valer até os dias de hoje, sem renovação. Grosso modo, o acordo não tem sido violado”, explicou. “De facto, outros envolveram-se e empenharam-se no conflito com Israel, mas não com o resto do Iémen, pelo que a dinâmica de guerra civil que estava no Iémen [estancou]. O acordo de cessar fogo tem-se, grosso modo, mantido com pouquíssimas renovações. Têm sido raros os episódios e aí há, claramente, influência da China.” Neste sentido, Pequim “percebeu que só vai resolver a crise política do Iémen quando a Arábia Saudita e Irão assim o entenderem e tiverem um plano político comum, o que esta comissão [Comissão Tripartida Conjunta] pretende fazer”, destacou Tiago André Lopes. Nas conclusões da terceira reunião da Comissão Tripartida Conjunta foram discutidos “os progressos alcançados na cooperação consular entre o Irão e a Arábia Saudita, que permitiram que mais de 85.000 peregrinos iranianos realizassem o Hajj [peregrinação a Meca] e que mais de 210.000 peregrinos iranianos realizassem os rituais da Umrah com facilidade e segurança em 2025”. Houve ainda “diálogo entre instituições e indivíduos iranianos e sauditas sobre a cooperação em áreas como a investigação conjunta, a educação, os meios de comunicação social, a cultura e os grupos de reflexão”. Além disso, Irão, China e Arábia Saudita “apelaram ao fim imediato das acções de Israel que infringem a Palestina, o Líbano e a Síria, e condenaram a violação da soberania nacional e da integridade territorial do Irão”, sendo que, neste contexto, “a parte iraniana agradeceu à China e à Arábia Saudita por assumirem uma posição clara sobre os referidos actos de agressão”.
Saúde | Residentes evitam procurar apoio psiquiátrico Hoje Macau - 24 Mar 2026 O director dos Serviços de Saúde de Macau (SSM) apontou ontem que um dos maiores problemas no tratamento de saúde mental do território é o próprio estigma dos residentes em pedir apoio psiquiátrico. O número de mortes por suicídio tem vindo a crescer nos últimos anos em Macau, com a melhoria dos serviços de apoio à saúde mental da população a ganhar maior destaque na discussão de saúde pública. Em 2025, foram registados 91 casos de suicídio no território com apenas 689 mil habitantes, segundo dados da direção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), um dos números mais elevados de sempre na cidade. Segundo Alvis Lo, os SSM disponibilizam actualmente 10 especialistas de saúde mental no Serviço de Psiquiatria do hospital público Conde de São Januário, com 160 médicos de diferentes especialistas a terem recebido treino para providenciarem serviços de saúde mental. “Temos também um mecanismo de saúde mental comunitário, e de encaminhamento para o hospital público. Nós queremos que os cidadãos possam receber atendimento o mais cedo possível”, apontou o diretor dos SSM. No entanto, Lo alertou que um “problema essencial” reside na resistência dos próprios residentes em procurar apoio quando confrontados com problemas de foro psicológico. “Pensam que serão considerados fracos mentalmente ou serem descritos como alguém com problemas mentais. Nós queremos encorajar as pessoas a procurar apoio e temos serviços disponíveis”, indicou Lo. Dados essenciais As autoridades de saúde da cidade chinesa semi-autónoma anunciaram ontem um novo inquérito sobre a saúde, para questionar cerca de 3.000 residentes com mais de 18 anos sobre vários indicadores de saúde. Numa conferência de imprensa ontem, a chefe do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças dos SSM, Leong Iek Hou, indicou que o inquérito pretende articular os trabalhos de saúde publica com informação do estado de saúde dos residentes e aumentar a consciência dos mesmos sobre a prevenção. Além de testes médicos para os voluntários, o inquérito terá também pela primeira vez uma componente de avaliação de saúde mental. “Desta vez teremos alguns itens para saber algumas coisas sobre saúde mental, como ansiedade, insatisfação ou a qualidade do sono. Perguntamos se o residente está a utilizar o nosso serviço de assistência e se conhece esses serviços. Com estes dados vamos tomar como referência para as nossas políticas de futuro”, apontou Leong. Como prevenir Numa resposta a perguntas da Lusa sobre as estratégias planeadas para prevenir o aumento de casos de suicídio, os SSM apontaram que as causas “são complexas e envolvem frequentemente doenças mentais, factores psicológicos, socioeconómicos, familiares, de relações interpessoais e biogenéticos”. Apesar da complexidade do assunto, os SSM sublinharam que “o suicídio pode ser prevenido” e que a prevenção eficaz exige “a atenção e participação activa de todos”. Para reduzir a ocorrência de casos, os responsáveis da saúde pediram aos residentes que “no seu dia-a-dia, mantenham um contacto próximo, comuniquem mais e prestem atenção às pessoas à sua volta”, incentivando aqueles que enfrentam perturbações emocionais a procurar apoio profissional. Segundo os SSM, actualmente, os nove centros de saúde da cidade disponibilizam serviços de saúde mental, complementados por psicoterapia financiada pelo Executivo e prestada pela União Geral das Associações dos Moradores de Macau e pela Associação das Mulheres de Macau. Foi também criada a uma linha aberta de apoio emocional disponível 24 horas por dia e uma aplicação de “Autoverificação Emocional”, que permite aos residentes avaliar o seu estado psicológico. Todos aqueles que estejam emocionalmente angustiados ou considerem que se encontram numa situação de desespero devem ligar para a Linha Aberta “Esperança de vida da Caritas” através do telefone n.º 28525222 de forma a obter serviços de aconselhamento emocional.
Até o Constitucional é política André Namora - 24 Mar 2026 O Tribunal Constitucional (TC) desempenha um papel fundamental no sistema político e jurídico português, assegurando que o poder político e as leis respeitam o Estado de direito, especialmente a defesa da Constituição. Mas, que raio de país é o nosso onde a política tem de se imiscuir em tudo, tudo o que mexe com a vida dos cidadãos. O Tribunal Constitucional é um órgão soberano que actua como tribunal superior em matéria constitucional e as suas decisões são obrigatórias para todas as entidades. O TC é composto por 13 juízes: 10 designados pela Assembleia da República e três cooptados por estes. Na semana passada, assistimos a um espectáculo indecoroso sobre a eleição, ou escolha, dos juízes para o TC. E, obviamente no cerne da “bronca” tinha de estar o Chega, partido que pensa tudo poder fazer desde que passou a ser o segundo grupo parlamentar. Existem três juízes que é preciso substituir no Constitucional. E a partir daqui, entrou a bagunça política e a tentativa de alterar a história, só porque o político que retirou o subsídio de férias, o de Natal e baixou as reformas aos pobres “ressuscitou” e anda pelo país a querer voltar à ribalta num claro apoio à junção com o Chega. Pedro Passos Coelho, até se intrometeu na escolha dos juízes para o TC forçando uma maioria à direita entre AD, Chega e IL. Para já, se Luís Montenegro e André Ventura mantiverem a ideia de designarem sozinhos os nomes dos três juízes, o líder do Partido Socialista irá romper todas as negociações com o Governo. José Luís Carneiro afirmou que “seria incompreensível que o Partido Socialista fosse afastado do Tribunal Constitucional por uma maioria de direita aliada à extrema-direita” e acrescentou que os portugueses não iriam achar correcto “se o Partido Socialista, fundador das liberdades e dos direitos fundamentais, ficasse de fora” do Constitucional. Por seu turno, o líder do Livre, Rui Tavares, vai directamente ao âmago da questão e sustenta que se, o acordo com o Chega acontecer para a eleição dos juízes do TC “fica toda a gente a perceber que o PSD foi naquele sentido porque quis ir naquele sentido”. À saída de uma audiência com o Presidente da República, o Livre mostrou disponibilidade para, com PS e PSD, fazer parte da maioria de dois terços necessários para eleger os juízes do TC. Rui Tavares disse que “se houver um acordo entre o PSD e essa visão anticonstitucional é uma traição à história do PSD”. Este é um exemplo claro da doença em que se encontra a nossa democracia. Quando hostes políticas que sempre, desde os seus fundadores, defenderam teses democráticas se aproximam dos racistas, xenófobos, demagogos e autarcas corruptos, tudo vai mal no império Spinumviva. O diagnóstico está traçado e o medicamento adequado será difícil de encontrar no mercado, e viu-se, com o caso da Base das Lajes a servir de trampolim para bombardear o Irão e a diferença com o governo espanhol que proibiu todo e qualquer uso das bases americanas em Espanha para que Trump demonstrasse a sua senilidade. Numa altura em que passámos a ter um novo Presidente da República. Numa altura em que nunca se falou tanto em estabilidade. Numa altura em que Presidente da República e o Governo apontavam a consensos importantes para a melhoria de vida dos portugueses, deparamo-nos com uma traição política por parte de Montenegro, simplesmente porque receia que o seu “inimigo” Passos Coelho possa candidatar-se às diretas do seu partido, em Maio, caso ele não alinhe nas teses passistas. Quando para um órgão soberano como o Tribunal Constitucional se pretende afastar da sua constituição um juiz socialista, é baixa política. Adivinha-se a pretensão. Com um colégio judicial de direita e de extrema direita passará a ser fácil o cumprimento das intenções malévolas e antigas de realizar uma revisão constitucional…
Gu Yue e 12 alunos da MUST a partir de hoje na Fundação Rui Cunha Hoje Macau - 24 Mar 2026 A Fundação Rui Cunha (FRC) recebe a partir de hoje, às 18h30, uma nova mostra de arte colectiva intitulada “Intimate Immensity” [Intimidade Imensa] com trabalhos de Gu Yue e 12 alunos de doutoramento da Faculdade de Humanidades e Artes da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST), co-organizadora do evento. Segundo uma nota da FRC, apresentam-se conjuntos de 17 obras “que representam diferentes formas e estilos”, criadas pelos alunos que receberam orientação de Gu Yue. Estes alunos são Wang Diyi, Meng Zihao, Li Ranqing, Jiang Hang, Zhong Xinzi, He Yiyan, Xu Chen, Wang Chao, Li Jielin, Zhou Zixuan, Wang Jianan e Qi Jiajun. As obras vão estar patentes até ao próximo dia 2 de Abril. Na galeria da FRC poderão ver-se trabalhos de pintura a acrílico, óleo, aguarela, tinta-da-china, materiais compósitos, impressão e porcelana, sendo resultado de uma “exploração colectiva e a modelação visual de um grupo de jovens artistas que vieram estudar para Macau, vindos da China continental”. Trata-se de exercícios artísticos que nasceram “das suas experiências mais íntimas”, podendo os observadores “mergulhar numa variedade de temas, incluindo a tensão emocional nas memórias familiares, a ansiedade interna numa sociedade competitiva e os sentimentos privados de dor física”, é revelado. Espaço intercultural O facto de estes alunos de doutoramento terem uma componente de “nómada”, por terem vindo estudar para Macau e estarem inseridos “na intersecção cultural única” do território, trazem para as obras de arte “perspectivas que contêm inerentemente a tensão e a riqueza de ‘entre-lugares'”. O que se vê na exposição são, portanto, imagens que se tornam em “campos experimentais onde múltiplas memórias e as imaginações culturais colidem e se sobrepõem”. O nome “Imensidão Íntima”, escolhido para titular esta exposição, “deriva da condição humana descrita pelo filósofo francês Gaston Bachelard, na sua publicação de 1958, ‘A Poética do Espaço'”, em referência a um “pequeno espaço físico privado que, através da imaginação poética, se pode vivenciar uma experiência interior infinita e vasta”, é dito na mesma nota. Desta forma, os artistas que colaboram neste projecto “convidam os espectadores a mergulharem profundamente nestas imagens aparentemente ‘íntimas’, para perceberem as reverberações da ‘imensidão’ desencadeadas pelos tremores das vidas individuais, levando a uma melhor compreensão de si mesmos e dos tempos”, conclui-se.
AMAGAO | Nova exposição chega esta semana ao Artyzen Grand Lapa Andreia Sofia Silva - 24 Mar 2026 “ANO 4” é o nome que espelha a celebração: quatro anos de exposições na galeria AMAGAO, situada no Artyzen Grand Lapa, a apresentar arte em língua portuguesa e feita localmente. A partir das 18h30 desta quinta-feira, dia 26, o público pode ver uma exposição composta por trabalhos de Nuno Calçada Bastos e Ung Vai Meng, artistas locais, e também obras de Fátima Pena ou Álvaro Macieira Há quatro anos nasceu em Macau uma nova galeria pensada para mostrar alguma da arte contemporânea que se produz no território e também no universo da língua portuguesa. A AMAGAO, localizada no Artyzen Grand Lapa, é hoje gerida por Lina Ramadas e pelo designer e artista macaense Víctor Hugo Marreiros, e celebra esta semana mais um aniversário com a “ANO 4”, que a partir desta quinta-feira, 26, revela ao público 37 trabalhos de 26 artistas naturais não apenas de Macau, mas também de Angola, Brasil, Moçambique, Portugal, Singapura e Timor-Leste. Os amantes de arte e demais interessados poderão reconhecer alguns deles: Ung Vai Meng, que presidiu ao Instituto Cultural (IC) e que é um dos nomes mais relevantes da arte local, tendo exposto o seu trabalho além-fronteiras; ou Nuno Calçada Bastos, artista português e residente de Macau. Na lista dos artistas constam ainda nomes como Abel Júpiter, Alexandre Frade Correia, Álvaro Macieira, Ben Ieong, David Allen, Raquel Gralheiro ou Susy Bila. Segundo uma nota enviada às redacções, a AMAGAO descreve este momento como sendo de celebração e partilha. “Desde a sua inauguração que a galeria se tem dedicado a promover artistas locais e internacionais, criando um ambiente vibrante para o intercâmbio cultural e a inspiração.” Em jeito de balanço, é dito que, neste percurso de quatro anos, “vivemos exposições que desafiaram o pensamento, estimularam a criatividade e fomentaram diálogos significativos sobre arte e sociedade”. Desta forma, a AMAGAO descreve-se não apenas “como um espaço de exposições”, mas como uma galeria que proporcionou “um ponto de encontro para artistas, coleccionadores e amantes de arte em busca de novas perspectivas e experiências enriquecedoras”. Os agradecimentos Na mesma nota são referidos os colaboradores que, neste período, ajudaram a construir a AMAGAO, nomeadamente Rutger Verschuren, vice-presidente para Macau do Artyzen Hospitality Group e “equipa de colaboradores”, sem esquecer “a comunidade que apoia, integralmente, a missão” a que a galeria se propôs. “Estamos entusiasmados com o que o futuro nos reserva e ansiosos por continuar a promover a arte como uma plataforma vital para a expressão e a conexão”, acrescenta a organização. Susy Bila, uma das artistas que traz agora a sua arte a esta “ANO 4”, não é um nome novo em Macau, tendo realizado uma exposição em nome próprio na AMAGAO em 2023, “Paisagens Interiores”. Na altura, em entrevista ao HM, a artista moçambicana declarou que a “pintura não tem territórios”. Nessa mostra trouxe na bagagem 40 trabalhos feitos com acrílico sobre tela e tinta-da-china onde se revelavam “poemas em diálogo”, como um “reflexo” da relação da artista com a vida, “e da arte como um campo que se abraça a esta vida”. Do mundo lusófono, chega ainda o trabalho de Álvaro Macieira, artista angolano que é também tantas outras coisas: jornalista, escritor e consultor cultural, nascido a 13 de Maio de 1958. Macieira foi ainda consultor e chefe do Departamento de Imprensa do Ministério da Cultura, sendo hoje membro da UEA – União dos Escritores Angolanos e da UNAP – União Nacional dos Artistas Plásticos. Com mais de 40 exposições individuais e mais de 40 colectivas, apresentou obras em Paris, Washington, Moscovo, Berlim, Bremen, Dubai, Macau e Luanda. Entre as exposições mais marcantes que fez encontram-se “África Mitológica” (2000), “Catanas da Paz” (2002), “Luanda, Kianda – Cores da Terra” (2009), “África Yetu Kwuia” (2010), “Sínteses” (2020) e “Inspiração e Sagrada Esperança” (2024). Relativamente a Macau, destaca-se ainda a presença de Alice Costa (Lili), que nasceu e estudou em Macau, tendo-se formado em Direito, e exercido na qualidade de juíza. Contudo, Alice Costa iniciou, desde cedo, uma relação profícua com a pintura, tendo participado num curso de pintura ministrado por Joaquim Franco na Casa de Portugal em Macau. Recentemente fez uma exposição em nome próprio na Creative Macau.
Associação Automóvel de Macau e Circuito de Zhuhai celebram parceria estratégia Sérgio Fonseca - 24 Mar 2026 A Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) e o Circuito Internacional de Zhuhai, o primeiro traçado permanente construído na República Popular da China, assinaram no passado sábado um Acordo-Quadro de Cooperação Estratégica, reactivando a ligação entre duas instituições históricas e pilares fundamentais do desporto automóvel no Delta do Rio das Pérolas. Numa breve nota divulgada por ambas as entidades, foi revelado que o Presidente da Assembleia Geral da AAMC, Chong Cok Veng, e Lü Pinde, o Director-Geral da empresa responsável pela gestão do circuito, a Zhuhai International Circuit Co., formalizaram o entendimento numa pequena cerimónia realizada no Kartódromo de Coloane. Segundo o comunicado oficial, “as duas partes chegaram a um entendimento para cooperar no desenvolvimento conjunto de actividades de automobilismo entre os circuitos de Macau e Zhuhai”. Embora não tenham sido avançados objetivos concretos nem prazos definidos, as entidades manifestaram a intenção de reforçar a colaboração na organização de competições, bem como no intercâmbio e formação de oficiais e equipas de apoio às provas. Inaugurado em 1996, com o objectivo de receber o primeiro Grande Prémio da China de Fórmula 1, algo que nunca chegou a concretizar-se, o Circuito Internacional de Zhuhai possui actualmente homologação Grau 2 da Federação Internacional do Automóvel (FIA) e Grau A da Federação Internacional de Motociclismo (FIM). Apesar de ter praticamente desaparecido do calendário internacional durante vários anos, o traçado voltou a acolher eventos nacionais e regionais com maior regularidade nos últimos dois anos. Dada a sua localização privilegiada e um modelo de negócio assente na utilização frequente da infraestrutura, o Circuito Internacional de Zhuhai foi, ao longo dos últimos trinta anos, um dos principais impulsionadores do desporto motorizado no sul da China. Diversas estruturas e equipas passaram a utilizar o recinto como base operacional, contribuindo para a criação de postos de trabalho e para o desenvolvimento de um ecossistema singular e difícil de replicar no continente asiático. Contudo, a expansão urbana em torno do circuito e as crescentes restrições de ruído têm vindo a representar uma ameaça ao seu futuro. Novo capítulo em Zhuhai A assinatura deste acordo surge na sequência da decisão da AAMC de escolher a infraestrutura da cidade vizinha para acolher as suas competições de automobilismo em 2026. À semelhança de temporadas anteriores, o mini-campeonato promovido pela associação do território, que integra as categorias Macau Roadsport Challenge e GT4, será disputado em duas jornadas duplas. Depois de vários anos em Zhuzhou e Zhaoqing, as provas organizadas pela AAMC regressam ao circuito de Zhuhai pela primeira vez desde 2018. Ambas as rondas terão lugar durante o mês de Maio. A primeira está marcada para o fim-de-semana de 8 a 10 de Maio, enquanto a segunda decorrerá entre 28 e 31 de Maio. A título provisório, as corridas do Macau Roadsport Challenge servirão para definir os pilotos apurados para a prova homónima integrada no 73º Grande Prémio de Macau, enquanto as corridas reservadas às viaturas GT4 determinarão os participantes da Taça GT – Corrida da Grande Baía.
HK | Segurança nacional justifica acesso a dispositivos electrónicos Hoje Macau - 24 Mar 2026 As alterações à lei de segurança nacional visam permitir às autoridades acesso a qualquer dispositivo considerado suspeito de conter dados que coloquem em causa a segurança do estado O Governo de Hong Kong anunciou ontem que quem se recusar a fornecer as palavras-passe de dispositivos electrónicos em investigações ligadas à segurança nacional da China poderá ser punido com até um ano de prisão. As autoridades publicaram ontem alterações – que entram imediatamente em vigor – à lei de segurança nacional, quase seis anos depois do Governo Central chinês ter imposto a legislação à da região semiautónoma. A revisão autoriza os agentes das forças policiais, com mandados judiciais, a exigir que uma pessoa sob investigação forneça uma palavra-passe ou método de desencriptação para dispositivos. Qualquer pessoa que conheça a palavra-passe ou o método de desencriptação, que esteja autorizada a aceder ao dispositivo ou que o detenha, controle ou utilize, fica obrigada a cumprir a exigência policial. Caso alguém se recuse a desbloquear os dispositivos, pode enfrentar uma multa máxima de 100 mil dólares de Hong Kong ou uma pena de prisão de até um ano. O documento estipula que esta obrigação se impõe mesmo nos casos onde exista “obrigação de sigilo ou qualquer outra restrição à divulgação de informações”, incluindo jornalistas, médicos e advogados. A lei sublinha ainda que qualquer pessoa deve disponibilizar “toda e qualquer informação ou assistência razoável e necessária” a casos criminais ligados à segurança nacional da China. A polícia fica ainda autorizada, com a luz verde do secretário para a Segurança, a tomar medidas contra mensagens electrónicas “que possam constituir um delito ou levar à ocorrência de delitos” contra a segurança nacional. As forças de segurança de Hong Kong podem assim exigir que operadoras de telecomunicações ou de redes sociais e plataformas ‘online’ “removam mensagens ou tomem medidas contra elas antes de um prazo determinado”. Contra todos os riscos Num comunicado, um porta-voz do Governo defendeu que as alterações irão reforçar o poder de fiscalização, melhorar a prevenção e a investigação destes casos e mitigar mais rapidamente os riscos para a segurança nacional. “Dada a actual situação geopolítica complexa e instável, os riscos para a segurança nacional enfrentados por Hong Kong podem surgir de forma repentina e inesperada”, disse o porta-voz. “Portanto, o Governo de Hong Kong deve manter sempre um elevado grau de vigilância (…) e continuar a melhorar o sistema jurídico e os mecanismos de aplicação da lei para salvaguardar a segurança nacional”, acrescentou o comunicado. As autoridades de Hong Kong afirmam que a lei de segurança nacional restaurou a ordem, após os protestos contra a lei de extradição para a China continental, em 2019, com milhões de participantes e reivindicações por sufrágio universal.
Pequim | Mais de 300 robôs em meia maratona Hoje Macau - 24 Mar 2026 A China vai reunir mais de 300 robôs humanoides na segunda edição de uma meia maratona em Pequim, onde máquinas e humanos vão partilhar o percurso numa prova concebida como ensaio técnico em condições reais. A corrida realiza-se a 19 de Abril, no distrito tecnológico de Yizhuang, informou ontem a cadeia televisiva estatal CCTV, e contará com a participação de mais de uma centena de equipas provenientes de 13 províncias, incluindo mais de 80 empresas e cerca de duas dezenas de universidades e centros de investigação. No total, 26 marcas de robôs participarão na prova, na qual os dispositivos terão de completar um percurso de 21 quilómetros com exigências semelhantes às de uma meia maratona convencional, como curvas, subidas e mudanças de piso, embora em faixas separadas dos corredores humanos. Os organizadores indicaram que esta edição aumenta significativamente a escala do evento face ao ano passado e destacaram avanços técnicos, como o crescimento do número de robôs com capacidades de navegação autónoma, que representam cerca de 38 por cento dos participantes. A prova reunirá também equipas que participaram em exibições recentes, como a gala televisiva do Ano Novo Lunar, onde robôs humanoides realizaram coreografias e demonstrações de artes marciais, e servirá para testar progressos técnicos ao nível da resistência, estabilidade e tomada de decisões em ambientes reais. Na primeira edição, realizada no ano passado no mesmo distrito, cerca de duas dezenas de robôs humanoides participaram numa prova concebida como experiência técnica em contexto urbano. O robô Tiangong foi o primeiro a completar o percurso, com um tempo de duas horas, 40 minutos e 42 segundos, embora tenha necessitado de várias trocas de bateria e sofrido uma queda durante a corrida.
IA | Tencent integra OpenClaw no WeChat Hoje Macau - 24 Mar 2026 O gigante tecnológico chinês Tencent anunciou a integração de agentes de inteligência artificial (IA) baseados em OpenClaw na aplicação de mensagens WeChat, num novo passo na expansão destes sistemas na China. A empresa informou, em comunicado divulgado no domingo, o lançamento do complemento ‘ClawBot’, que permite aos utilizadores ligar o OpenClaw ao WeChat e operar o agente através de conversas, de forma semelhante a uma interacção convencional. O OpenClaw é um programa de código aberto que liga modelos de linguagem a um computador para executar acções no sistema, como gerir ficheiros, enviar correio electrónico ou interagir com aplicações a partir de instruções em linguagem natural. Nas últimas semanas, a ferramenta ganhou popularidade entre programadores chineses, onde é conhecida como “lagosta” devido ao seu ícone, originando um rápido desenvolvimento de ferramentas e adaptações locais. Segundo a imprensa local, o complemento no WeChat permite, entre outras funções, resumir conversas, processar documentos extensos, gerar relatórios ou automatizar tarefas em computadores pessoais através de comandos enviados a partir do telemóvel. O WeChat conta com mais de 1.300 milhões de utilizadores a nível mundial, a maioria dos quais na China. O anúncio surge num contexto de crescente concorrência entre grandes tecnológicas chinesas como Baidu e Alibaba, que também apresentaram recentemente plataformas próprias de agentes de IA, numa corrida por liderança num segmento emergente. O rápido desenvolvimento destes sistemas tem sido acompanhado por alertas oficiais de entidades como o ministério da Segurança do Estado chinês, que advertiu para os riscos associados a permissões elevadas que podem facilitar o acesso a dados sensíveis ou o controlo remoto de dispositivos. Esta evolução insere-se no crescimento acelerado da IA na China, com modelos desenvolvidos por empresas como Baidu, Alibaba, DeepSeek ou a própria Tencent, que apresentam capacidades comparáveis às de sistemas norte-americanos, frequentemente a custos mais baixos.
Zhou Qi Olhou e Compreendeu a Figura vista no Espelho Paulo Maia e Carmo - 24 Mar 2026 Yuan Mei (1716-1797), o insubmisso poeta e ensaísta autor de Zibuyu, «O que o Mestre (Confúcio) não discutiria» (1788), um título que responde ao que se escreve nos Analectos: «Tópicos sobre os quais o Mestre não falou foram: prodígios, forças, desordem e deuses», uma obra no descomedido género literário biji, «notas do pincel», que consiste em anotações das mais diversas ordens que o autor considera interessante reter, também foi dono de um jardim. E foi para esse jardim em Nanquim, onde propunha que a imaginação brotasse natural como as flores, que se retirou ainda novo, em 1748. A esse jardim Suiyuan, a partir da palavra sui, que se pode traduzir como «deixar-se ir», com o qual tanto se identificava que passou a incorporá-lo em nomes de pincel como Suiyuan zhuren, «O dono do jardim Sui», ou Suiyuan laoren, «O ancião do jardim Sui», acediam diversos criadores entre os quais e, de modo inédito para o tempo, mulheres literatas e poetas. Entre elas, uma senhora casada mas provavelmente, de acordo com o sistema em vigor, não a primeira esposa, talvez uma concubina do escritor Wang Xilian, um estudioso e comentador do Honglou meng, o relato do «Sonho do quarto vermelho». Como ela mesma notou, nas divagações do seu espírito inquieto, foi-se deixando levar ao acaso descobrindo súbitas afinidades. Chamava-se Zhou Qi (1814-61) e desses inesperados encontros faria memoráveis meditações. Como quando um dia, conforme ela escreveu, achou sobre a mesa de trabalho do marido o livro do «Sonho do quarto vermelho» que leu como se fora seu porque «pega em sentimentos humanos e relações sociais e coloca-os no mundo dos traços de pó de arroz e rouge, o mundo das mulheres.» Além de um comentário, fez dez poemas sobre dez personagens do livro que o marido publicou em 1832. Outra dessas invenções pelos meandros da percepção do trânsito lento do tempo foi um rolo vertical de pintura feito mais de cem anos antes e ao qual não teve receio de acrescentar um cólofon. Wang Qiao, um pintor profissional activo na área de Jiangnan entre 1657-1680, fizera já a sua pintura como se existisse uma via a contemplar entre o visível e o invisível, como um poema. Conhecida como Senhora no seu toucador (tinta e cor sobre seda, 99,4 x 57,8 cm no Instituto de Artes de Minneapolis), nela se pode ver ao centro uma cadeira onde se senta uma senhora diante de um elaborado espelho, atrás dela outra ajuda-a no penteado. À direita, uma terceira senhora ajeita os cobertos de uma cama de dossel sobre o qual estão rolos de pinturas, caligrafias e mais à direita um cesto com roupa. Olhando, Zhou Qi interrogou o reflexo da figura no espelho: «Quantas vidas foram precisas para que te tornasses na pessoa desta pintura?» E intui a sua circunstância: «Deve ter sido por amar as flores que ela acordou cedo nesta Primavera».
Cotai | Procurados no Reino Unido filmam-se em Macau Hoje Macau - 24 Mar 2026 O influenciador Andrew Tate, e o irmão Tristan, que são acusados, no Reino Unido, de terem cometido 21 crimes, entre os quais violação, agressões físicas e tráfico humano, filmaram-se em Macau, a sair de um casino na zona do Cotai. Os influenciadores vieram de Hong Kong, onde a sua entrada no território provocou polémica, e gerou pedidos de extradição, por parte de deputados no Reino Unido. No entanto, os dois irmãos estiverem em Macau, pelo menos no sábado, numa das principais discotecas do Cotai, além do hotel The Londoner. Num dos vídeos partilhados online, os dois irmãos discutem as perdas nas mesas de um dos casinos. Noutro vídeo, Tristan goza com o facto de o Cotai ser o mais próximo que vai estar do Big Ben nos próximos tempos, dado que se entrar no Reino Unido é detido e levado a julgamento.
Hengqin | Homicídio perto de Novo Bairro de Macau João Luz e Nunu Wu - 24 Mar 2026 Uma estudante da MUST morreu na sexta-feira na sequência de um assalto a um apartamento que dista 3 quilómetros do Novo Bairro de Macau e menos de 1 quilómetro do posto fronteiriço. O suspeito está detido e a universidade local garantiu estar a acompanhar o caso Na passada sexta-feira, um assalto a um apartamento acabou tragicamente com a morte de uma das vítimas, uma jovem estudante da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) que dividia casa com mais três jovens, todas do sexo feminino. O Departamento de Segurança Pública de Hengqin emitiu um comunicado a confirmar a detenção de um homem de 26 anos de idade, suspeito de ter atacado as duas mulheres e morto uma delas. “Na noite de 20 de Março, o suspeito entrou numa área residencial em Hengqin e roubou duas vítimas, uma delas morreu. O caso continua em investigação”, indicaram as autoridades num comunicado emitido no domingo, sem acrescentar mais detalhes. Até ontem, não foram divulgadas mais informações sobre o caso, tanto das autoridades chinesas como das congéneres de Macau, incluindo se a vítima era residente da RAEM. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, a MUST confirmou no domingo que a vítima mortal era uma estudante da universidade. “A universidade está a levar o assunto muito a sério e criou um grupo de trabalho para acompanhar o caso. Uma vez que a polícia do Interior da China está actualmente a investigar, não há mais informações disponíveis neste momento”, indicou a MUST. Preencher lacunas Com a limitada informação divulgada pelas autoridades de Hengqin, começaram a circular online dados não confirmados sobre o caso. O jornal Cheng Pou cita internautas que referiram que o apartamento onde ocorreu o crime era habitado por quatro jovens, e que duas estariam fora de casa na altura em que o suspeito entrou na residência. Segundo o que o HM conseguiu apurar, o crime ocorreu no complexo habitacional de luxo Acesite Mansion, que fica a cerca de 3 quilómetros de distância do Novo Bairro de Macau em Hengqin e a cerca de meio quilómetro do posto fronteiriço entre a Ilha da Montanha e Macau. O homicídio da jovem estudante ocorreu três meses depois de um ataque com faca no centro comercial Ponto Legend, também perto da fronteira com a RAEM. Cerca de um mês antes do ataque, em meados de Novembro, verificou-se uma situação semelhante em Zhuhai com um homem que terá agredido com uma faca transeuntes na área de Xiangzhou.
UNESCO | Gastronomia pode ser “plataforma para diálogo internacional” Hoje Macau - 24 Mar 2026 A secretária da Rede das Cidades Criativas da UNESCO, Denise Bax, disse ontem à Lusa que a gastronomia pode servir como espaço de diálogo entre culturas para criar um futuro melhor. Bax falava à margem do Fórum Internacional de Gastronomia, que decorreu ontem em Macau, no âmbito da Festa Internacional das Cidades de Gastronomia, que arrancou na sexta-feira e termina no domingo. O evento conta com quase 40 Cidades Criativas da Gastronomia, incluindo Santa Maria da Feira e Matosinhos (Portugal), e Belém, Belo Horizonte, Florianópolis e Paraty (Brasil). A gastronomia “é muito mais do que o acto de comer, porque também se refere às nossas tradições culinárias, às nossas famílias, à nossa identidade cultural”, defendeu Bax. A dirigente da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, sigla em inglês) sublinhou que promover a gastronomia também significa “apoiar os agricultores, os produtores e as indústrias criativas”. “Esta é também a essência desta rede [das Cidades Criativas da UNESCO]: partilhar experiências, partilhar ideias e moldar um desenvolvimento urbano sustentável para a gastronomia”, explicou Bax. A responsável defendeu que, perante as tensões geopolíticas, “a gastronomia também é uma plataforma para o diálogo internacional, para celebrar a criatividade e, acima de tudo, aprender uns com os outros”. As Cidades Criativas da Gastronomia podem “actuar como pontes e ser uma plataforma valiosa para o diálogo entre várias culturas”, defendeu a dirigente da UNESCO. Macau tornou-se uma Cidade Criativa da UNESCO na área da Gastronomia em 31 de Outubro de 2017.
Calçada portuguesa | IAM garante “padrão e design original” Hoje Macau - 24 Mar 2026 As autoridades municipais de Macau indicaram à Lusa que a calçada portuguesa poderá ser substituída em certas zonas por materiais antiderrapantes, mas mantendo “o padrão e design original”. A calçada, um dos elementos de cultura portuguesa mais distintivos do território, foi considerada no passado pelas autoridades municipais da cidade chinesa semiautónoma perigosa para pedestres em tempos de chuva, por se tornar escorregadia e irregular. Numa resposta à Lusa, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) apontou que a decisão de substituir a calçada em certos locais terá lugar apenas depois de avaliar a “utilização das rodovias e os factores ambientais em diferentes locais”, além da “paisagem e a cultura urbana” de Macau. A calçada portuguesa foi substituída, recentemente, em algumas zonas da cidade, nomeadamente na praça de Ferreira do Amaral, uma das áreas mais movimentadas da cidade. Relativamente aos materiais usados nos passeios, o IAM descreveu que os irá seleccionar de “acordo com diferentes situações”. No que diz respeito aos pavimentos de calçada à portuguesa existentes nas “zonas de protecção cultural ou outras zonas de protecção”, o IAM indicou que irá “estudar a viabilidade de adução de modelos semelhantes e de revestimentos mais antiderrapantes”, no sentido de equilibrar a paisagem histórica e cultural da cidade e a segurança pública.
Português | Utilização “limitada” entre famílias de residentes João Santos Filipe - 24 Mar 2026 Um estudo sobre a utilização de diferentes línguas pelas famílias residentes de Macau, mostra que o cantonês surge associado à identidade local, enquanto o inglês e o mandarim são vistos como oportunidades de mobilidade social. A língua de Camões é oficial, mas no contexto familiar tem uma utilização limitada Entre os residentes de Macau, a utilização da língua portuguesa em contexto familiar é limitada, apesar de se tratar de um idioma oficial no território. Esta é uma das conclusões do estudo “Política Linguística Familiar Sustentável em Comunidades Multiculturais: um Estudo Empírico Sobre as Famílias de Residentes Permanentes de Macau”, elaborado pelas académicas Zhang Yuhan e Wei Huiping, da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, em inglês). O estudo foi publicado na revista científica Languages, distribuída online pelo portal MDPI, e teve por base 170 questionários feitos a residentes com família, dois por cada agregado familiar, assim como a observação da utilização das diferentes línguas pelas famílias locais. A primeira conclusão do estudo aponta que a utilização das línguas pelas famílias locais tem por base “um calculismo pragmático”, com adaptações estruturais, quando necessário, mais do que “estados emocionais”. Como parte deste pragmatismo, as autoras referem o caso de uma família macaense que antes da transição proibiu a filha de falar português em casa e a mudou de uma escola portuguesa para uma em que se aprendia em cantonês. O objectivo passou por assegurar que a descendente tinha as ferramentas linguísticas necessárias para continuar a viver em Macau depois da transição. “O português é utilizado apenas em determinadas famílias (as famílias macaenses), o que realça o ambiente sociolinguístico único de Macau; apesar do seu estatuto oficial, a sua função no uso linguístico na vida quotidiana e nos contextos linguísticos familiares é bastante limitada”, foi analisado. Identidade e oportunidades No âmbito da abordagem pragmática, o mandarim e o inglês surgem como línguas do futuro, associadas a mais oportunidades de emprego, enquanto o cantonês surge como marca da identidade local. “O cantonês funciona principalmente como capital simbólico, reforçando o sentimento de pertença local e a lealdade cultural, enquanto o mandarim e o inglês são considerados formas de capital de troca que proporcionam acesso a qualificações académicas, emprego e mobilidade social”, pode ler-se nas conclusões. “Em particular, os pais apresentam o inglês como um recurso valioso, invocando preocupações relacionadas com a escolaridade e a mobilidade futura. Estas justificações podem reflectir a orientação pragmática dos próprios pais; reflectem também os requisitos escolares institucionais e os discursos dominantes no mercado de trabalho de Macau”, foi considerado. Os resultados mostram também que as famílias com menor grau de educação tendem a valorizar mais o cantonês, enquanto as mais formadas insistem na necessidade de dominar bem o inglês e o mandarim. Ao mesmo tempo, quanto mais tempo as famílias vivem em Macau, maior é a importância atribuída à aprendizagem do inglês.
Aviação | Tigerair Taiwan sai do mercado de Macau Hoje Macau - 24 Mar 2026 A companhia aérea Tigerair Taiwan informou no seu portal que a rota aérea entre Macau e Kaohsiung, em Taiwan, funciona apenas até ao dia 28 de Março, enquanto a ligação entre Macau e Taichung acabar no dia 30 de Março, o que se traduz na saída da companhia aéra do mercado de Macau. Até à data, a empresa não divulgou novos horários de voos. Além disso, no passado dia 4 de Fevereiro, a Tigerair Taiwan anunciou que ia melhorar a rede de rotas para aproveitar os recursos e rotas existentes, a partir de 30 de Março, nomeadamente na operação das rotas entre Taichung e Okinawa, no Japão. Desta forma, o último dia de voos será sexta-feira, com o voo entre Taichung e Macau e voo entre Macau e Kaohsiung. Em 2020 a Tigerair Taiwan também tomou a decisão de sair do mercado de Macau devido à pandemia.