Pequim passa a exigir prova de vacinação para aceder a locais públicos

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O município de Pequim vai passar a exigir comprovativo de vacina contra a covid-19 para aceder à maioria dos locais públicos, a partir da próxima semana, informaram hoje as autoridades locais.

Entre os locais referidos no comunicado, emitido pelo governo de Pequim, constam bibliotecas, museus, cinemas, galerias de arte, centros culturais, instalações desportivas e locais de entretenimento.

Há cerca de dois anos que as principais cidades da China exigem a utilização de uma aplicação para aceder a locais públicos ou residenciais. O utilizador deve primeiro digitalizar o código QR, uma versão bidimensional do código de barras, colocado na entrada de todos os edifícios, assim como nos transportes públicos ou táxis.

Estas ‘apps’, além de registarem todos os locais onde o usuário esteve, incluem os resultados dos testes para a covid-19 e o histórico de inoculação.

A vacina não era, no entanto, um requisito para aceder aos espaços públicos, em Pequim.

A decisão das autoridades surge numa altura em que a capital chinesa tenta aumentar a taxa de vacinação entre a população idosa, e evitar que surtos ativos em vários pontos do país se alastrem.

A capital chinesa administrou já 62,5 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 entre população de cerca de 21 milhões de habitantes.

Mas a baixa proporção de vacinados entre os idosos tem sido apontada pela China como uma das justificações para a manutenção da estratégia de ‘zero casos’ de covid-19.

Em meados de abril, quando a cidade de Xangai sofreu o surto mais grave de sempre na China, apenas cerca de 63% dos habitantes de Xangai com mais de 60 anos tinham recebido o esquema de vacinação completo.

Também em Hong Kong, um surto de covid-19, provocado pela altamente contagiosa variante Ómicron, causou uma média de mais de 100 mortes por dia, na cidade de 7,4 milhões de habitantes, nos primeiros meses do ano.

No início desse surto, apenas 43% dos habitantes de Hong Kong com mais de 80 anos, um dos grupos mais vulneráveis, tinham recebido pelo menos uma dose da vacina, resultando numa das mais altas taxas de mortalidade do mundo durante a pandemia. Os chineses mais velhos não sentem urgência em receber a vacina, devido aos baixos níveis de infeção no país.

De acordo com as contas oficiais chinesas, desde o início da pandemia, 226.300 pessoas testaram positivo para o novo coronavírus no país, entre as quais 5.226 morreram, embora o número total de pessoas infetadas exclua casos assintomáticos.

Declaração de Lisboa sobre os oceanos

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A temperatura da atmosfera e dos oceanos continua a aumentar, as calotas polares, os glaciares e o gelo marítimo estão a fundir e, como consequência, o nível médio do mar sobe e a erosão costeira intensifica. Além disso, a acidez dos oceanos tem aumentado, o que afeta numerosos ecossistemas oceânicos, entre os quais os bancos de corais, de grande importância para a manutenção da biodiversidade marítima, na medida em que a sua degradação dificulta a reprodução de numerosas espécies piscícolas.

Por outro lado, o uso indiscriminado do plástico tem tido como consequência a poluição dos oceanos de tal maneira que já foram detetados vestígios na zona oceânica mais profunda, a fossa das Marianas, no Oceano Pacífico, a uma profundidade de cerca de 11.000 metros.

Segundo cálculos das Nações Unidas, os oceanos são recetáculo de cerca de onze milhões de toneladas por ano de material plástico. A situação é de tal maneira grave que partículas ínfimas de plástico já entraram na cadeia alimentar humana.

Também o uso exagerado de adubos e pesticidas nas explorações agrícolas contribuem para a poluição dos oceanos, devido ao arrastamento de produtos químicos para os rios que, por sua vez, os transportam para o mar, afetando a fauna e a flora.

As Nações Unidas, ciente de que são as atividades humanas a causa principal da degradação dos oceanos, designou o período 2021-2030 por “Década da Ciência dos Oceanos para o Desenvolvimento Sustentável”. Na cimeira da ONU, realizada em 2015 em Nova Iorque, foram estabelecidos 17 objetivos, inseridos na “Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, a qual foi formulada com o intuito de erradicar a pobreza até 2030, e proceder ao desenvolvimento económico, social e ambiental, à escala global. O 14º destes objetivos consiste em “conservar e usar de forma sustentável os oceanos, mares e recursos marítimos para o desenvolvimento sustentável”. Com a finalidade de contribuir para a implementação deste objetivo foi organizada, por Portugal e Quénia, a Segunda Conferência dos Oceanos da ONU, que decorreu em Lisboa, de 27 de junho a 1 de julho de 2022, sob o tema “Salvar os Oceanos, Proteger o Futuro”. Este encontro veio na sequência da primeira conferência que se realizou em Nova Iorque, em 2017, com a finalidade de contribuir para os esforços, à escala global, para a preservação dos oceanos.

Estiveram presentes no encontro de Lisboa cerca de 6.700 participantes de 159 países, entre os quais 15 Chefes de Estado, um Vice-Presidente e 124 ministros. Na cerimónia de abertura da conferência, António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas, frisou que hoje enfrentamos o que ele designou por “Emergência do Oceano”, e que é altura de alterarmos o nosso comportamento.

Os oceanos, rios, lagos, mares e águas subterrâneas, compõem a hidrosfera, a qual, juntamente com a atmosfera, criosfera, litosfera e biosfera constituem o sistema climático. É na superfície dos oceanos, que ocupa cerca de 70% da área do globo, nas regiões compreendidas aproximadamente entre 7 e 30 graus de latitude, em ambos os hemisférios, que se formam os ciclones tropicais (exceto no Atlântico Sul). Estas tempestades, quando se desenvolvem e progridem para latitudes mais altas, transportam energia, o que contribui, conjuntamente com as correntes marítimas, para o equilíbrio do sistema climático. Por outro lado, desenvolvem-se ecossistemas, no seio dos oceanos, que contribuem para a mitigação das alterações climáticas e abastecem a humanidade de recursos alimentares, minerais e energéticos, imprescindíveis para o bem-estar e o desenvolvimento económico da humanidade.

Foram os seguintes alguns dos principais assuntos tratados nesta conferência:
– O papel dos oceanos na mitigação e adaptação climática;
– Preservação da biodiversidade e estabelecimento de instrumentos vinculativos sobre o combate à poluição causada pelo uso abusivo do plástico;
– Desenvolvimento de ações de proteção da biodiversidade;
– Combate à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada, com recurso a ferramentas tecnológicas para monitorização e vigilância;
– Aperfeiçoamento dos dados sobre o ambiente marinho e sua divulgação e partilha;
– Criação de sinergias e parcerias a níveis nacional e regional, incluindo o envolvimento do setor privado, promovendo oportunidades inovadoras de financiamento para reforçar ações para o desenvolvimento sustentável dos oceanos.

A Conferência culminou com a aprovação do texto “O nosso oceano, o nosso futuro, a nossa responsabilidade”, abreviadamente designado por “Declaração de Lisboa”.

Espera-se que a Declaração de Lisboa contribua para inverter a situação de degradação dos oceanos, através da cooperação internacional e do estabelecimento de recomendações que, apesar de não serem vinculativas, poderão servir de base para que os países tomem as medidas necessárias para o efeito.

Apesar dos esforços da ONU, o conteúdo da Declaração de Lisboa não foi tão longe quanto se pretendia. Foi, no entanto, mais um marco na luta, que se prevê longa, contra as alterações climáticas e a perda da biodiversidade dos oceanos.

Na cerimónia de encerramento da Conferência, Peter Thomson, representante de António Guterres, apresentou um pedido de desculpas às gerações mais jovens pela forma como o nosso planeta foi usado e prometeu que a ONU continuará a identificar as soluções para ultrapassar os problemas criados pelas atividades humanas, tendo também manifestado o compromisso de se continuar a identificar soluções para sair dos terríveis problemas criados. A próxima conferência, que se realizará em 2025, será organizada conjuntamente pela França e Costa Rica.

Perante o teu rosto 2

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Desde o princípio, instala-se no filme uma impressão de latência: um sonho que é aludido mas não contado; um regresso cuja causa fica silenciada; o que se declara ter ficado por dizer, pela irmã da protagonista e em casa de quem esta se hospeda, nas suas visitas anteriores e cujo teor volta a não ser esmiuçado… como se a relação entre ambas não tivesse por esteio qualquer intencionalidade declarada e antes fosse feita de intervalos, do que, estando ainda invisível, engendra o movimento da vida.

Aliás, o filme começa com o despertar da protagonista e acaba com ela a velar o sono da irmã. Terá tudo sido um sonho? Será a vida um sonho?

A estrutura da trama conta-se numa linha – ao retorno da filha pródiga sucede-se o desfazer das ilusões – e resume-se a quatro movimentos: as irmãs tomam o pequeno-almoço, passeiam um pouco nas imediações (fazendo tempo), a visita solitária da protagonista à casa de infância, o seu encontro com o realizador. Como há um prelúdio e um epílogo, o filme poderia chamar-se Entre Sonhos.

Nada do que habitualmente denominamos acção, intriga, permeia este filme, pura música de câmara, ensaiada à medida que se apresenta à nossa frente, ao jeito de uma conversa em surdina entre “ressonâncias”.
E, no entanto, não despegamos do filme e comove-nos.

Primeiro, um espantoso “efeito de presença” compensa-nos da escassez das incidências: de hábito, nos filmes, seguimos uma história que as personagens ilustram, melhor ou pior. Aqui prendem-nos as microtonalidades da expressão que desponta do jogo das personagens, como se em vez de um propósito, de um engatar da acção no mecanismo do seu “plot”, nada mais houvesse para além daquele presente nascido à nossa frente.

Há tensão, mas fomos dispensados de um suspense expectável. O que é comum aos filmes é colocarem-nos num estado de ansiedade. Hong Sang-Soo subtrai-nos isso; no seu lugar impõe-nos um estado de imanência, sendo esse, de antemão, um conseguimento.

Chega então o encontro com o realizador. Aí ficamos a saber algo mais da protagonista: que foi uma actriz de relevo e a sua aura marcou a memória desse espectador que é agora um realizador experimentado. E o espantoso é que quando emerge o nó que constituirá o verdadeiro “atractor” da fita, já aceitáramos à narrativa o seu fluir-“desinteressado” (onde aquilo que emerge “espontâneo” nos dispensa de ansiar por um fio causal para o ethos das motivações); o assombroso, nesta narrativa, é que, no momento em que a revelação que muda tudo é feita, esta é mais um bónus que o factor determinante para iluminar a motivação das personagens; já nos acomodáramos a que criaturas simples mas soberbas transpirassem à nossa frente, sem mais.

Portanto, esse “segredo” de repente exposto consegue ser, à vez, ou uma “certa” verdade sobre a personagem ou uma segunda história que surge sob a primeira: ela não pode participar no filme para que ele a convida, diz-lhe, porque vai morrer. Está condenada, diz. Regressou dos EUA (a “terra dos sonhos”) à Coreia para morrer.

É uma regra: em grande parte das melhores narrativas acabará por emergir uma segunda história, até aí invisível, do subsolo da primeira. Mas, neste caso, outras ambivalências se desatam, de imediato. Será verdade o que ela conta, ou provoca o realizador, mede-lhe o pulso e à sua declarada máxima ambição em fazer um filme com ela.

Afinal, não há prova quanto ao que ela diz, não sabemos se é uma rábula para, pelo extremo da razão emocional que a sua revelação coloca em cena, mais facilmente arrancar ao realizador a confissão da secreta intenção em dormir com ela.

Ademais, num contraste vivo, ela conta-lhe uma história espantosa: a de como a proximidade da morte carrega de brilho e intensidade os rostos que a rodeiam e como isso a deixa grata; por uma vez como “espectadora”, sente-se, face à realidade, num estado de unicidade. Repare-se: ela conta-lhe que “está a morrer e como se sente mais viva”.

Nunca saberemos se não estará a ser irónica em relação às cenas de filme que ele citara como os momentos dela que o haviam marcado – evocando na relação com tais rostos iluminados o transe de identidade que caracteriza o espectador no escuro da sala de cinema -, posto que as cenas do filme que ele referia eram afinal planos mais icónicos e atmosféricos do que propriamente exemplos do seu particular talento para a representação.
Esta ambivalência nunca nos abandona, subjaz à tensão do filme.

Ela diz-se em ars moriendi mas há uma grandeza no comportamento dela que simetricamente só pode ter uma resposta deceptiva, o realizador não tem, como ela, a vida para apostar; ele recua, desejava apenas a fugaz vantagem do sexo e não o compromisso com a efervescência do espírito que se apazigua com a beleza. Será então a matéria do conflito do filme o rosto verdadeiro da actriz perante o da mentira do realizador?

É verdade o que ela conta, o que vimos, ou tudo não passou de um sonho, visto que no princípio e no fim ela está com a mesma roupa de dormir? Uma das qualidades do filme é que podemos lê-lo das duas maneiras.

Outra razão porque “Perante o Teu Rosto” é, para mim, uma obra-prima está em que, como detectou Marc-Mathieu Münch em estudos comparados sobre obras de arte de todo o mundo, se encontra nele uma das invariantes que atestam uma qualidade superlativa nas obras artísticas: o “efeito de vida”.

O que este seja (a começar pela “poética” que funda) explicá-lo-ei noutra crónica, mas talvez se comece a elucidar neste pronunciamento do Livro do Desassossego: «A civilização consiste em dar a qualquer coisa um nome que lhe não compete, e depois sonhar sobre o resultado. E realmente o nome falso e o sonho verdadeiro criam uma nova realidade.”

Empresas chinesas seguem sanções contra Rússia para evitarem danos colaterais

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Uma análise do Peterson Institute for International Economics (PIIE) indica que, apesar do apoio tácito prestado por Pequim a Moscovo, os exportadores chineses parecem reconhecer os riscos de violar as sanções impostas contra a Rússia pelo Ocidente.

No relatório, o grupo de reflexão (think tank), com sede em Washington, apontou que as empresas chinesas temem ser alvos colaterais e perder o acesso a tecnologia, bens e moeda dos países ocidentais, caso violem a proibição de exportar bens sensíveis para a Rússia, nomeadamente componentes e alta tecnologia, como semicondutores, considerados cruciais para os esforços de guerra.

Entre Janeiro e Junho, as exportações da China para a Rússia caíram 38 por cento, face ao semestre anterior. Em comparação, as vendas para a Rússia entre os países que impuseram sanções contra Moscovo – sobretudo as nações europeias e os Estados Unidos – caíram, em média, 60 por cento.

A análise do PIIE indicou que o declínio das exportações chinesas para a Rússia está em linha com os dados de outros países que não impuseram sanções.

Em dois casos proeminentes, a China UnionPay, o sistema de pagamento chinês, equivalente aos serviços Visa ou Mastercard, recusou-se a trabalhar com bancos russos sancionados, e a tecnológica chinesa Huawei reduziu as operações no país.

Isto sucede apesar de a China recusar condenar a Rússia pela invasão da Ucrânia e criticar a imposição de sanções contra Moscovo. Pequim considera a aliança com o país vizinho fundamental para contrapor a ordem democrática liberal, liderada pelos EUA.

Na semana passada, Washington puniu já cinco empresas chinesas por violarem as sanções contra a Rússia, adicionando-as à “lista negra” do Departamento de Comércio, o que interdita o acesso a alta tecnologia e componentes norte-americanos.

As autoridades disseram que estas empresas continuaram a fornecer apoio à base industrial militar e de Defesa da Rússia, em operações “contrárias aos interesses de segurança nacional e de política externa dos EUA”.

A disparar

As compras à Rússia pela China aumentaram, no entanto, para níveis recorde. Quase 80 por cento dessas importações são petróleo e gás. A construção de um gasoduto de 962 quilómetros entre os dois países está a progredir e uma ponte fronteiriça foi inaugurada no mês passado (ver texto anexo).

No entanto, as restrições impostas à Rússia no acesso a componentes e alta tecnologia têm um efeito “cumulativo”, referiu o PIIE.

“A falta de um único componente pequeno pode encerrar uma linha de montagem”, descreveu o think tank, numa altura em que algumas das reservas de equipamento militar da Rússia se estão a esgotar.

O PIIE considerou, porém, que, “por si só, [as sanções] não podem forçar o fim da guerra”.
“Historicamente, apenas uma em cada três sanções projectadas para alcançar grandes mudanças políticas ou enfraquecer um alvo militarmente alcançam um sucesso moderado”, notou.

CCCM | Mais de 160 instrumentos musicais chineses expostos em Mafra 

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Um total de 167 instrumentos musicais chineses, incluindo os que representam algumas etnias chinesas, vão estar expostos a partir de hoje na nova galeria do Real Edifício de Mafra, em Portugal. Énio Souza, musicólogo e um dos poucos especialistas em instrumentos musicais chineses em Portugal, fala da maior exposição de sempre do género realizada no país

 

A Câmara Municipal de Mafra, o Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) e a Fundação Jorge Álvares inauguram hoje a “Exposição de Instrumentos Musicais Chineses” na nova galeria do Real Edifício de Mafra, por ocasião do terceiro aniversário da inscrição deste conjunto na Lista do Património Mundial da UNESCO.

O público poderá ver um total de 167 instrumentos musicais chineses, desde os mais clássicos aos mais representativos de algumas etnias que existem na China. A mostra, patente até ao dia 30 de Abril do próximo ano, nasce do acervo museológico do CCCM, em Lisboa, e contém peças originais utilizadas pela Orquestra Chinesa de Macau nas suas diversas actuações na Europa ao longo das décadas de 80 e 90 do século XX. Entre os instrumentos expostos incluem-se aerofones, cordofones friccionados, dedilhados e percutidos, bem como instrumentos de percussão em metal, em madeira e em pele.

Énio de Souza, um dos poucos especialistas em instrumentos musicais chineses em Portugal, ligado ao Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança da Universidade Nova de Lisboa, fala ao HM daquela que é, provavelmente, a maior exposição de sempre do género realizada no país.

“Acredito que seja a maior exposição de instrumentos musicais chineses alguma vez ocorrida em Portugal, com 167 instrumentos expostos. O acervo do CCCM tem, neste momento, uma das maiores colecções de instrumentos musicais chineses em Portugal, com um total de 215 tipos de instrumentos.”

Doação dos Países Baixos

Quando foi inaugurado, em 1999, o CCCM contava já com um acervo de 42 instrumentos musicais chineses. Mas em 2020 houve uma doação, da parte da European Foundation for Chinese Music Research, nos Países Baixos, de 187 instrumentos musicais chineses ao CCCM, bem como marionetas de sombra e de manipulação.

“A doação da Holanda resulta de uma colecção feita por etnomusicólogos na China. Grande parte dos instrumentos datam da segunda metade do século XX, alguns tipos são anteriores, do início do século”, contou Énio Souza. De frisar que o transporte e seguros dos instrumentos foram suportados pela Fundação Jorge Álvares.
Énio Souza começou a colaborar com o CCCM na divulgação dos instrumentos musicais chineses em 2002, ano em que foi criado um atelier para escolas e para o público em geral. Em 2019, reformou-se, mas a ligação a este mundo mantém-se.

Em Portugal, o musicólogo assegura que são raros os que se dedicam ao estudo deste tipo de instrumentos. “O estudo da música chinesa em termos académicos, quer no âmbito da musicologia, quer da etnomusicologia, é muito recente em Portugal. Não temos mais especialistas nessa área em Portugal, à excepção do esforço que tenho feito, desde 2012, para a divulgação dos instrumentos musicais chineses. Temos o Museu do Oriente com uma exposição sobre Ópera chinesa e há outras mostras que têm sido feitas, mas a nível académico o estudo é mesmo recente”, declarou.

Qualidade do ar | Valores estão melhores, mas concentração de ozono aumenta

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O Relatório sobre a Qualidade do Ar de 2021, ontem divulgado, revela que “a qualidade do ar da região do Delta do Rio das Pérolas tem vindo, constantemente, a melhorar”. Destaque para a quebra superior a 80 por cento do valor médio anual de concentração de dióxido de enxofre no ar. No entanto, valores de concentração de ozono registaram um aumento

 

Respira-se melhor na zona do Delta do Rio das Pérolas. Esta é a grande conclusão do Relatório sobre a Qualidade do Ar de 2021, elaborado pelas autoridades de Macau, Hong Kong e Guangdong, e que foi ontem divulgado pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental. Uma das conclusões é que “a qualidade do ar da região do Delta do Rio das Pérolas tem vindo, constantemente, a melhorar”, sendo que os valores médios anuais de concentração de dióxido de enxofre (SO2), partículas inaláveis e dióxido de azoto (NO2), verificados em 2021, desceram 84, 45 e 40 por cento, respectivamente, em relação a 2006.

De frisar que a rede de monitorização do ar da região do Delta entrou em funcionamento em Novembro de 2005. A rede passou a contabilizar os dados das partículas de monóxido de carbono (CO) e partículas finas em Setembro de 2014. De frisar que, no ano passado, a concentração no ar destas partículas diminuiu entre 18 e 28 por cento, respectivamente, em termos médios anuais, por comparação ao ano de 2015.

O documento dá ainda conta do valor médio anual de concentração de ozono (O3), no ano passado, que aumentou 34 por cento relativamente ao ano de 2006. O relatório dá conta que, neste caso, “a poluição fotoquímica na região precisa ser melhorada”.

Estudo a caminho

Tendo em conta os níveis de concentração de ozono, as autoridades das três regiões do Delta do Rio das Pérolas estão a preparar um estudo conjunto, relativo aos anos de 2021 a 2024, intitulado “Poluição fotoquímica de O3 na área da Grande Baía e a caracterização da deslocação regional e inter-regional de O3”.

O objectivo da iniciativa é “estudar de forma aprofundada as origens dos precursores de O3 na Grande Baía, bem como o mecanismo de formação de O3 e as características do seu transporte regional e inter-regional”.

De acordo com o segundo “Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da Região Administrativa Especial de Macau (2021-2025)”, e com base ainda nas Linhas de Acção Governativa (LAG), o Governo afirma que tem vindo “a lançar uma série de medidas de redução de emissões para melhoria das fontes móveis e das fontes fixas de poluição atmosférica”.

Desta forma, o futuro poderá ditar uma optimização dos valores-limite de emissões de gases para a atmosfera dos veículos em circulação, além de se apostar no “abate de motociclos e ciclomotores obsoletos altamente poluidores”, entre outras medidas.

O Executivo mantém a aposta no uso de veículos eléctricos, além de controlar a importação de tintas arquitectónicas que contêm elevados níveis de compostos orgânicos voláteis (COVs), pretendendo-se, neste caso, “continuar a desenvolver estudos sobre a redução da emissão dos COVs”.

Estudo sugere formas para Macau atingir neutralidade de carbono em 2050

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Um estudo da Universidade de Macau (UM) propôs quatro caminhos para o território atingir a neutralidade de carbono “por volta de 2050”, anunciou a instituição de ensino superior.

“Por volta de 2050, as emissões locais directas de carbono provenientes da combustão de energia fóssil serão neutralizadas”, caso sejam seguidos quatro caminhos propostos no estudo, sublinhou a universidade em comunicado. “A equipa de investigação da UM prevê que a partir de 2025, as emissões locais directas de carbono de Macau irão diminuir todos os anos” se se apostar em transportes terrestres eléctricos, em transportes marítimos movidos a hidrogénio, na substituição de energia limpa local, como a energia solar, e em edifícios com baixo teor de carbono.

Ao mesmo tempo, salientou, “para lidar com a grande quantidade de electricidade comprada consumida por Macau, a cidade precisa de participar activamente no comércio de electricidade verde e fornecer serviços complementares à rede eléctrica do Sul da China”.

Comprar lá fora

No estudo adianta-se também que, uma vez que o Governo “pode fornecer incentivos económicos para a rede eléctrica de Macau comprar electricidade verde de fontes externas, espera-se que as emissões indirectas de carbono de Macau a partir de compras externas de electricidade sejam neutralizadas antes de 2050”.

Por fim, a UM sustentou que, “para a aplicação de tecnologias modernas na gestão integrada de sistemas energéticos urbanos, a Internet das coisas, grandes dados e tecnologias de inteligência artificial devem ser utilizados para alcançar o planeamento científico, operação e controlo de sistemas energéticos urbanos integrados”.

A equipa de investigação, liderada pelo reitor da universidade, Yonghua Song, concluiu que “Macau tem o potencial para se afirmar como uma cidade pioneira na neutralidade de carbono na China”. O estudo foi publicado no Boletim da Academia de Ciências da China.

Fundação Macau | Ho Iat Seng renova Conselho de Curadores

Tiago Alcântara

O Chefe do Executivo, Ho Iat Seng publicou ontem em Boletim Oficial a lista de “individualidades” que, a partir de 11 de Julho, farão parte do Conselho de Curadores da Fundação Macau nos próximos dois anos. Relativamente ao actual Conselho de Curadores há a registar sete novidades, que irão colmatar as saídas de Stanley Au, Susana Chou, Neto Valente, Ung Si Meng, Ma Iao Hang, Eric Yueng e Liu Chak Wan.

Entre as novidades está a antiga deputada e vice-directora da Escola Ho Kong, Chan Hong, Ng Siu Lai, representante de Macau na Assembleia Popular Nacional, o ex-deputado Chan Wa Keong, Mok Chi Wai, presidente da Federação da Juventude de Macau, Ma Chi Wa, do sector empresarial, Liu Cai Seng, vice-presidente da MUST e administrador do Banco de Desenvolvimento de Macau e a advogada Cristina Neto Valente.

De notar ainda que tanto o arquitecto Carlos Marreiros, como Anabela Ritchie, antiga presidente da Assembleia Legislativa, se mantêm no Conselho de Curadores da Fundação Macau.

Noutro despacho publicado ontem em Boletim Oficial, Wu Zhiliang e Zhong Yi Seabra de Mascarenhas viram, respectivamente, os cargos de presidente e vice-presidente do Conselho de Administração da Fundação Macau, renovados por mais um ano.

Numa última nota, Ho Iat Seng renovou ainda, por mais dois anos, a nomeação de Vong Hin Fai no cargo de presidente do Conselho Fiscal da Fundação Macau e de Ho Mei Va, Sio Ng Kan e Lau Veng Lin, como membros do mesmo Conselho.

Jogo | Veteranos do sector traçam possível cenário catastrófico para o resto de 2022

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Com a primeira metade de 2022 a registar resultados negativos como não se via desde 2006, a perspectiva da paralisação total na luta pelos zero casos de covid-19 faz com que veteranos da indústria do jogo temam o pior para o que resta do ano. Os cenários mais optimistas dependem da abertura de Macau com Hong Kong e do controlo do surto que afecta a região

 

É preciso recuar até 2006 para encontrar um primeiro semestre com resultados piores na indústria de jogo como os apurados na primeira metade de 2022. Os primeiros seis meses do ano geraram 26,27 mil milhões de patacas de receitas brutas, enquanto no mesmo período de 2006 o primeiro semestre terminou com 25,75 mil milhões de patacas.

A cereja no topo do bolo dos maus resultados surgiu com o surto comunitário de covid-19, que ontem contabilizava um total de 1.168 casos positivos e disseminava a possibilidade de um confinamento geral do território.

O presidente da Associação de Mediadores de Jogos e Entretenimento de Macau, Kwok Chi Chung, traçou ao portal GGRAsia o pior cenário possível para a indústria que alimenta a economia de Macau: um segundo semestre de 2022 que continue ao ritmo actual, ou seja, com o sector paralisado. Uma probabilidade face à continuação da aposta na política de zero casos, segundo o dirigente.

Depois das esperanças de recuperação em 2021, vários surtos de covid-19 na região vizinha de Guangdong, um mercado fundamental para a economia de Macau, aprofundaram a situação de fragilidade do turismo e o negócio dos casinos.

Recorde-se também que na primeira metade de 2022, a província de Guangdong, assim como outras regiões chinesas, foram afectadas pela covid-19. Desde que começou a pandemia, Guangdong tem sido o único mercado quase sem necessidade de quarentena à entrada em Macau. Ainda assim, os surtos verificados este ano colocaram em cheque épocas altas de turismo e jogo, como a semana dourada de Maio.

No fundo, o timming dos surtos acabou também por penalizar Macau. “O actual surto acontece ao mesmo tempo a que assistimos ao início da recuperação em cidades como Xangai e Pequim”, acrescentou Kwok Chi Chung ao GGRAsia.

Corda ao pescoço

O presidente da associação que representa os promotores de jogo, uma indústria moribunda, afirma que o sector do jogo de Macau está a ser apertado de várias formas. A possível extinção do mercado VIP, para apostar exclusivamente no segmento de massas é uma estratégia que está a esbarrar nas restrições relacionadas com a pandemia, assim como na política de emissão de vistos das autoridades chinesas.

“Hoje em dia, Macau é visitado diariamente por apenas algumas centenas de pessoas. Isto é muito duro para uma cidade que quer apostar exclusivamente no mercado de massas”, afirmou.

O director da consultora de gestão de jogo 2NT8, e antigo executivo de casino, Alidad Tash aponta a salvação à abertura entre RAEs. “Tudo depende de quando serão levantadas as restrições e quarentenas a visitantes de Hong Kong. Se isso acontecer, consigo perspectivar um segundo semestre melhor, se no início do terceiro trimestre se verificar o aumento da procura reprimida”, afirmou ao portal de notícias da indústria do jogo. Apesar da previsão, Alidad Tash mostrou reservas e duvida que a abertura com Hong Kong aconteça em breve.

DSAL | Sulu Sou pergunta se Macau está a recrutar auxiliares de saúde do Interior

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O ex-deputado Sulu Sou quer saber se o Governo de Macau está a recrutar auxiliares de saúde no Interior da China para trabalhar nos hotéis de quarentena. A questão surgiu depois de ter sido divulgada nas redes sociais uma mensagem de recrutamento com esse teor, indicando que o salário seria da ordem das 22 mil patacas.

Os auxiliares teriam como missão a entrega de refeições, ajudar nos testes de ácido nucleico, medição de temperatura e leitura de códigos de saúde. As fotos divulgadas indicavam ainda que caso o profissional tenha um bom desempenho poderá ter a oportunidade de ficar como trabalhador não-residente na unidade hoteleira.

Além desta publicação, foi também colocado nas redes sociais um documento que parece indicar que a Direcção para os Assuntos Laborais (DSAL) aprovou recentemente a importação de 130 trabalhadores não-residentes, incluindo 100 assistentes de testagem e 30 assistentes laboratoriais para uma empresa do ramo da saúde.

“Hoje de manhã (ontem) enviei uma carta ao director da DSAL a pedir explicações concretas e a confirmação se estas informações serão verídicas. Segundo o princípio de dar prioridade ao recrutamento de trabalhadores locais, o Governo proporcionou formação a residentes para trabalharem nos cargos relacionados com os trabalhos de prevenção da pandemia nos últimos dois anos?”, questiona Sulu Sou.

Durante a conferência de imprensa de acompanhamento da situação da pandemia, a questão do recrutamento de trabalhadores no Interior da China com salários de 22 mil patacas ficou sem resposta. “Não sei esses dados, não conheço a situação”, respondeu a médica Leong Iek Hou.

Defendido confinamento geral e mais orientações para códigos amarelos

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Para melhor controlar o actual surto de covid-19, residentes ouvidos pelo jornal Ou Mun consideram que o Governo deve ponderar avançar com um confinamento geral de Macau durante, pelo menos, três dias. Além disso, foram também defendidas medidas mais claras para os portadores de código amarelo, que se dizem sentir “rotulados” e “estigmatizados”, acabando por encontrar inúmeras dificuldades na altura de comprar bens essenciais.

Uma residente da zona Norte da cidade, de apelido Ao Ieong, que recentemente viu o seu código convertido para amarelo, mostra-se assustada e considera que, se o Governo pretende controlar a pandemia rapidamente, deve avançar para o plano de gestão circunscrita durante um ou dois dias.

“Tenho medo todos os dias e estou preocupada a possibilidade de transmissão do vírus através das superfícies. Sempre que chego a casa, tomo logo um banho”, revelou.

Afirmando não ter conhecimentos suficientes que a permitam fazer compras online, a mesma residente disse defender ainda a criação de canais especiais nos supermercados para portadores de código de saúde de cor amarela para satisfazer mais facilmente as suas necessidades diárias.

Ainda sobre a gestão da circulação das pessoas com código amarelo, foi defendido que o Governo deve transmitir “orientações mais claras” sobre aquilo que pode ou não ser feito, o envio de SMS mais detalhados e a criação de linhas de apoio directas destinadas a indivíduos nessa situação.

Liberdade ou consequência

Um segurança, obrigado a fazer mais rastreios à covid-19 por estar inserido no grupo-chave definido pelo Governo, diz estar “cansado” das sucessivas testagens a que foi submetido nos últimos dias e aponta que não tem conseguido descansar devidamente, após cumprir o seu horário de trabalho. Por isso, defende, o Governo devia “restringir ainda mais a circulação de pessoas” e suspender todas actividades comerciais.

Uma outra residente de apelido Tam, acredita que, se o Governo avançar para o plano de gestão circunscrita durante as rondas de testagem em massa da população, o número de novos casos poderá ser reduzido. Outra residente, administrativa de profissão, considera que “embora um encerramento total da actividade vá, inevitavelmente, trazer impactos negativos para a economia e para a sociedade”, as autoridades devem ponderar aplicar um confinamento total a Macau.

Um profissional da indústria hoteleira mostrou-se preocupado com o facto de muitos funcionários de alguns sectores terem sido obrigados a trabalhar desde o início do surto e defendeu, por isso, que a população só deve poder sair de casa para efectuar viagens essenciais.

Covid-19 | Total de casos sobe para 1.168. Decisão sobre confinamento geral só depois de testes em massa

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Apesar de o total de casos confirmados ter subido para 1.168, as autoridades afastaram a possibilidade de activar o hospital de campanha, dado que a grande maioria não necessita de cuidados médicos. Decisão sobre confinamento geral só após análise dos resultados das rondas de testes em massa. Lançado apelo para empregadas domésticas dormirem em casa dos empregadores

 

Até às 16h00 de ontem, foram registados 81 novos casos de covid-19 em Macau, aumentando a contabilização total para 1.168 infectados, desde o início do presente surto. Entre os que testaram positivo e estão actualmente a receber tratamento, revelou o médico adjunto da Direcção do Hospital Conde de São Januário, Lei Wai Seng, existe apenas um caso grave, havendo ainda a registar quatro casos de idosos que estão a receber ajuda respiratória através de ventiladores, duas grávidas, sete crianças com menos de um ano e 18 crianças entre os 2 e os 3 anos.

Contudo, apesar do aumento do número de casos dos últimos dias, o responsável descartou a implementação de novos planos de contingência, nomeadamente a activação do hospital de campanha para tratamento de pacientes infectados. Isto, explicou, dado que a maioria dos casos, cerca de 900, não têm sintomas, nem implica cuidados médicos de maior.

“Quando há mais de 100 pacientes [que precisam de tratamento], sabemos que isso vai trazer uma grande pressão para os nossos hospitais e, nesse caso, (…) vamos utilizar o hospital de campanha. No entanto, mesmo tendo mais de 1.000 casos, podemos ver que a maior parte deles são assintomáticos e não têm grande necessidade de receber cuidados médicos. Destes cerca de 1.000 casos, mais de 900 estão a fazer quarentena nos hotéis e necessitam apenas de alguns serviços básicos. Na verdade, a variante Ócrimon não irá trazer grandes implicações para esses pacientes”, disse Lei Wai Seng.

Questionado sobre a possibilidade de a cidade vir a ser submetida a um confinamento geral (gestão circunscrita) ou a mais restrições de circulação, o Chefe de Divisão de Relações Públicas dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), Cheong Kin Ian não afastou essa hipótese e condenou os rumores que estão a circular nas redes sociais.

“Não afastamos a hipótese de vir a tomar medidas mais rigorosas ou exigentes. Neste momento, alguns utilizadores das redes sociais estão a dizer que isto pode acontecer, mas nós não queremos que esses boatos estejam a pairar na sociedade. Esperamos que população não faça filas nos supermercados, pois estas corridas aos supermercados e lojas podem trazer um grande risco, ao nível da transmissão do vírus. Se esta medida for tomada, iremos anunciá-la de forma atempada”, reiterou Cheong Kin Ian.

Também a Chefe da Divisão de Prevenção e Controle de Doenças Transmissíveis dos Serviços de Saúde, Leong Iek Hou, disse que as três rondas de testes em massa desta semana vão servir para tomar eventuais “novas medidas e políticas de prevenção e controlo”.

Sim, meu senhor

Durante a conferência de imprensa, a médica Leong Iek Hou deixou ainda um apelo para que as empregadas domésticas possam pernoitar, num espaço separado, em casa das famílias que as contrataram. Segundo a médica, este grupo de trabalhadores impõe um maior risco, dada a maior convivência com os chamados grupos-chave, onde foram detectados 59 casos confirmados recentemente.

“Queria deixar um apelo para que os empregadores deixem as empregadas domésticas pernoitar em suas casas, porque, de momento, os trabalhadores dos sectores da segurança, limpeza e administração de condomínios têm estado entre os grupos mais infectados. As empregadas domésticas, estando a dormir fora do seu local de trabalho e podendo coabitar com os referidos grupos (…), têm sempre uma maior probabilidade de infecção e de infectar os membros da família para as quais trabalham. Nomeadamente, as crianças pequenas e idosos, podendo gerar situações graves”, disse Leong Iek Ho.

Ontem, foi ainda confirmado que o surto detectado no Grand Lisboa levou a que mais de 500 pessoas estejam retidas no espaço, definido agora como zona vermelha. Também as lojas do Edifício One Central foram ontem encerradas ao público, com todos os trabalhadores a estarem sujeitos a vários testes de ácido nucleico.

HCSJ | “Não vamos usar todos os recursos para tratar pacientes com covid-19”

O médico adjunto da Direcção do Hospital Conde de São Januário, Lei Wai Seng garantiu ontem que existem recursos suficientes para continuar a prestar cuidados médicos à população, não relacionados com a covid-19. “Nós sabemos que os cidadãos de Macau têm necessidade de recorrer a diferentes serviços de saúde. Por exemplo, nós continuamos a poupar os nossos recursos para tratar dos pacientes diagnosticados com cancro. Não vamos usar todos os nossos recursos para tratar pacientes com covid-19. Estamos a avaliar de forma contínua como podemos gerir bem os nossos recursos. Aquilo que nos preocupa é quando não podemos dar um tratamento adequado aos pacientes com covid-19, pois isso pode trazer um grande impacto para o serviço de urgências e impactar os outros serviços que prestamos”, referiu.

Voluntariado | As experiências de quem ajuda no combate à pandemia

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A entrega de comida e bens essenciais nas zonas vermelhas ou as rondas de testes em massas contam com a ajuda de voluntários, muitos deles funcionários públicos. O HM recolheu alguns relatos de quem deixou o serviço para, vestido a preceito, entregar comida a quem ficou fechado em casa ou para encaminhar pessoas para fazer o teste

 

Nas últimas semanas as acções de apoio à população que está confinada em casa devido aos surtos comunitários de covid-19, nas chamadas zonas vermelhas, têm contado com a participação de funcionários públicos, mas também de residentes que se inscrevem nas campanhas de voluntariado. É o caso de Luís Crespo, funcionário da Conservatória do Registo Predial, que há cerca de dois ou três meses se inscreveu numa acção de voluntariado que nunca pensou que viesse a realizar-se tão cedo. Antes de distribuir comida em alguns locais da cidade, Luís Crespo recebeu formação dos Serviços de Saúde (SSM) na zona da Ilha Verde, nomeadamente sobre os procedimentos a adoptar e como vestir o fato de protecção.

“Fui para as zonas vermelhas. Entregamos a comida para dois dias. Uma família de três pessoas recebe três sacos com carne, galinha ou costeleta de porco, e vegetais, como batatas ou cenouras. Não há falta de comida. No dia seguinte, à tarde, recebemos as encomendas feitas por amigos e familiares com coisas adicionais que as pessoas pedem. Pode-se entregar de tudo, menos coisas perecíveis. Há sítios onde deixam entregar álcool, outros não. Penso que também não era permitido entregar tabaco”, contou ao HM.

Luís Crespo denota que “há organização, até demais”, destacando que teve de esperar horas para realizar algumas acções. Além disso, “foi inconveniente o facto de termos de entrar pela garagem de um edifício, quando podíamos ter entrado pela porta principal”.

“Deixávamos as coisas à porta, sem nenhum contacto pessoal”, acrescentou o funcionário público, que relata situações mais difíceis com algumas pessoas isoladas “menos ordeiras” e que, por vezes, obrigam à intervenção das autoridades policiais.

“Na Torre 6 do Centro Internacional de Macau foi mais complicado, pois a maioria das pessoas que vive lá vem da China ou do Vietname. Andavam de um lado para o outro e havia imensa polícia para não os deixar sair. Mas pior de tudo foi na semana passada, quando estive no bairro do Iao Hon. Tive de apanhar o autocarro todos os dias e o edifício é muito velho, sujo, degradado. São sete andares sem elevador, com lixo por todo o lado. Eram também pessoas muito indisciplinadas e a polícia tinha de estar a controlar. Saíam de casa, faziam muitas perguntas, não usavam máscara.”

As acções de voluntariado em zonas confinadas implicam, muitas vezes, a entrega de comida onde os moradores vivem com más condições, sem cozinha ou sem alguns electrodomésticos. Em zonas, como o bairro do Iao Hon, “há casas sem cozinha, onde as pessoas vivem em beliches”. “São casas com menos de 40 metros quadrados onde vivem sete ou oito pessoas. Essa parte foi muito cansativa. Como não tinham cozinha, tínhamos de entregar comida já confeccionada e enlatados”, descreveu Luís Crespo.

Total amadorismo

Outra funcionária pública, que não quis ser identificada, fala de um cenário de desorganização e “amadorismo” na acção de voluntariado em que participou, também de entrega de comida em zonas vermelhas. “Falamos de prédios sem elevadores, degradados. É impossível ter pessoas para fazer todas estas acções, pelo que a ideia de voluntariado até é boa. Mas é espantoso que, ao fim de todo este tempo, as acções estejam tão mal organizadas. Estivemos quase três horas à espera para que aparecessem os bens que deveríamos entregar.”

Uma das razões para o atraso prende-se com a falta de uma base de dados feita previamente das pessoas confinadas e das suas necessidades. “Aqui retiro a responsabilidade do meu serviço, pois havia pessoal do Instituto para os Assuntos Municipais a ir a cada apartamento saber quantas pessoas viviam nas casas. E eu pergunto: as pessoas não são contactadas previamente para se saber quantas pessoas moram em cada casa? Decreta-se o confinamento das zonas e não há uma lista de contactos, tendo em conta que há uma série de rondas de testes a decorrer e temos de dar os nossos dados? Depois aconteceram enganos, porque havia, por exemplo, casas sem fogão ou forno.”

As acções de distribuição de comida são coordenadas pelo Instituto de Acção Social (IAS) em colaboração com outros serviços públicos. Outra das críticas feitas pela funcionária pública prende-se com a ausência de distanciamento social em muitas ocasiões.

“Os voluntários estavam todos juntos com as máscaras normais e luvas a preparar os sacos. Isso não faz sentido. Além disso, íamos todos juntos a subir as escadas do prédio para fazer a distribuição. Devíamos estar afastados e os sacos da comida é que deveriam circular.”

Em termos gerais, “as pessoas [em confinamento] estão desejosas de ter comida”, contou a funcionária. “Agradeciam-nos. Deixávamos os sacos nas portas, mas essa não foi uma instrução específica que nos deram, foi uma questão de bom senso. Depois de nos desinfectarmos, recebemos mais bens para distribuir, e isso foi feito por outra equipa para não termos de repetir o processo. Achei que não há uma organização ou um plano. Foi parecido com a situação do tufão Hato, quando recebemos a ajuda do exército. Penso que a esta altura do campeonato, não faz sentido”, acrescentou.

Obrigatório ou não?

O deputado José Pereira Coutinho acusou recentemente vários serviços públicos, nomeadamente a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), de obrigar funcionários a fazer voluntariado, sobretudo nos testes em massa. “A própria DSAL, que devia zelar pelos trabalhadores e os seus direitos, obriga-os a trabalhar como voluntários, sem o pagamento de horas extraordinárias”, avisou.

Luís Crespo relata, no entanto, que no seu serviço ninguém foi obrigado e que até são pagas as horas gastas na qualidade de voluntários. “No nosso caso ninguém foi obrigado. Tive uma colega que não se sentia bem e foi substituída. Duvido que isto acabe tão cedo, verifico todos os dias se tenho de ir fazer voluntariado novamente ou não. Sabemos no dia-a-dia se vamos ou não, estamos num grupo de WeChat e vamos comunicando. Eu já fui seis dias, os meus colegas têm ido sempre.”

A funcionária pública contactada pelo HM relata que o seu nome foi colocado numa lista. “Varia de serviço para serviço. No meu caso fui informada que estava colocada numa lista de voluntariado. Deram-me a opção de escolha, mas a forma como a situação me foi colocada foi assim, que estávamos numa lista de voluntariado.”

Ajudar nos testes

Nem só de funcionários públicos se faz o voluntariado que, por estes dias, tem ajudado as autoridades a lidar com as medidas adoptadas devido à pandemia. Uma residente, que também não quis dar o nome, deu o seu contributo no passado dia 21 de Junho no centro de testes da Universidade de São José na realização da primeira ronda dos testes em massa. “Vi o anúncio e decidi ir, quis ajudar. Ajudei pessoas com necessidades especiais a fazer o teste, incluindo grávidas ou idosos, por exemplo.”

Neste caso, não há falhas a apontar na estruturação dos serviços. “Se há coisas que as autoridades estão afinadas é na realização dos testes em massa, desde que não sejam medidas adoptadas em cima da hora, como aconteceu com os trabalhadores dos casinos. Notei que as coisas estavam bem organizadas. Havia pessoas a falar inglês connosco e tudo correu lindamente”, concluiu.

Covid-19 | Xi’an anuncia confinamento de uma semana para conter surto

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A cidade de Xi’an, destino do único voo direto entre Portugal e China, vai encerrar, por uma semana, restaurantes, bares, escolas e locais religiosos, após ter diagnosticado cerca de 20 casos de covid-19, anunciaram as autoridades.

Situada no centro da China, a cidade, com 13 milhões de habitantes, é conhecida pelo Exército de Terracota, enterrado com o primeiro Imperador da China.

Xi’an é também o destino da única ligação aérea entre Portugal e a China, que foi entretanto suspensa, por um período total de seis semanas, após terem sido detetados casos de infeção pelo novo coronavírus em dois voos oriundos de Lisboa.

A China é um dos últimos países a aplicar uma estratégia de “zero casos” de covid-19, o que implica o bloqueio de cidades inteiras, testes em massa e o isolamento em instalações designadas de todos os casos positivos e respetivos contactos diretos, sempre que é detetado um surto.

O país mantém também as fronteiras praticamente encerradas desde março de 2020.

Os voos para a China estão sujeitos à política “circuit breaker” (‘interruptor’, em português), em que quando são detetados cinco ou mais casos a bordo, a ligação é suspensa por duas semanas. Caso sejam identificados dez ou mais casos, a ligação é suspensa por um mês.

A cidade de Xi’an registou 18 casos positivos, causados pela altamente contagiosa variante Ómicron, desde sábado, segundo as autoridades locais.

Um alto funcionário do governo local, Zhang Xuedong, anunciou hoje a aplicação, por um período de sete dias, de “medidas de controlo”, destinadas a evitar o “movimento de pessoas”.

“Estamos numa corrida contra o tempo” e é necessário “evitar a propagação e o aumento dos casos”, sublinhou.

Espaços de entretenimento como bares, cibercafés ou restaurantes irão encerrar a partir da meia-noite de quarta-feira na China, disse o governo local em comunicado.

Os estabelecimentos de restauração deixam de poder receber clientes durante uma semana, mas estão autorizados a fazer entregas ao domicílio.

As escolas primárias e creches vão também fechar, assim como os locais religiosos.

A cidade de Xi’an foi sujeita a medidas de bloqueio altamente restritivas entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022, devido a um surto do novo coronavírus.

O governo local foi então criticado pela gestão do confinamento, marcado por problemas de abastecimento de alimentos e outros bens básicos.

As autoridades suspenderam nessa altura todos os voos internacionais, que só retomaram em junho passado.

A ligação aérea direta entre Portugal e a China foi retomada em 12 de junho, mas logo no primeiro voo foram detetados dez casos a bordo, acionando a suspensão de um mês, no âmbito da política do ‘circuit breaker’, aplicável a partir de 20 de junho.

No segundo voo, realizado em 19 de junho, foram detetados cinco casos, pelo que foi aplicada nova suspensão de duas semanas.

Chefes das diplomacias dos Estados Unidos e da China reúnem-se esta semana

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O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, vai reunir-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, esta semana, à margem de uma conferência em Bali, informou hoje o Departamento de Estado.

Os dois chefes de diplomacia, que se encontraram pela última vez em outubro, irão conversar à margem de uma reunião ministerial do G20, em pleno clima de tensão sobre várias questões, incluindo Taiwan.

As conversações também ocorrerão numa altura em que o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se prepara para uma reunião com seu homólogo chinês, Xi Jinping, que não viaja para o estrangeiro desde o início da pandemia da covid-19, em 2020.

Blinken também deverá reunir-se com dirigentes indonésios, antes de viajar para a Tailândia, no sábado.

As reuniões entre os Estados Unidos e a China, que eram frequentes, quase pararam durante a pandemia e à medida que aumentavam as tensões entre as duas maiores economias do mundo.

Blinken e o conselheiro de Segurança Nacional de Biden, Jake Sullivan, reuniram-se, em março de 2021, no Alasca, com os seus homólogos chineses, encontro que provou a existência de profundas divergências em várias matérias, desde as relações comerciais ao destino de Taiwan.

Washington e Pequim também estão em polos divergentes na resposta à guerra na Ucrânia: se os norte-americanos assumiram a liderança na resposta ocidental contra a Rússia, os chineses insistem na proximidade com o regime do Presidente Vladimir Putin, e aumentaram a compra de petróleo russo.

A rivalidade com o gigante asiático é a prioridade estratégica declarada de Joe Biden, que tenta contrariar as ambições de Pequim na Ásia e no Pacífico e mais amplamente no mundo.

Aborto, outra vez

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Aconteceu o que muitos temiam. A terra dos livres tornou-se menos livre com a decisão do Supremo Tribunal ao reverter o direito constitucional do aborto. As implicações são muitas, e não são boas. Os ingénuos acreditam que é uma luta ganha pelos direitos dos bebés por nascer. A hipocrisia e incongruência é revoltante. Agora, muitas mulheres americanas não poderão tomar uma decisão consciente sobre os seus corpos. Ganham direitos as suas crias por nascer, que nem sempre têm direitos depois. Os mesmos que proclamam a procriação como sagrada são os mesmos que não quiseram garantir o acesso a fórmula para bebés quando houve uma falta grave no país. São os mesmos que se agarram ao liberalismo para deixar o apoio à natalidade à mercê da logica dos mercados. (In)congruências.

Mas são todos pelos bebés e pela parentalidade. São os mesmos que assumem o conceito de família com base em repertórios performativos, sem reflexão, muito menos intimidade. Aqueles que se agarram ao conceito de mulher e homem e que os estancam na visão dicotómica do bem. A complexidade da vida humana não é contemplada uma única vez por estes decisores e os seus apoiantes, como se não fosse mais abrangente do que a existência de um embrião. Ignora-se que uma gravidez implica a vida das pessoas.

Ignora-se que tirar o controlo das mulheres sobre os seus úteros é um atentado humano muito mais grave do que supostamente “devolver o direito aos bebés por nascer”. Ignora-se a violência sistemática a que as mulheres são sujeitas graças ao patriarcado que se infiltra no dia-a-dia e nas políticas. Ignora-se o trabalho de dissociar a representação da mulher da sua objectificação corpórea, sem a ver para além da sua função para copular, parir e tomar conta de filhos.

Uma gravidez indesejada pode acontecer a qualquer uma, e ninguém acredite que o aborto é uma decisão simples e descomplicada. Mas ter acesso ao aborto seguro permite contemplar outras alternativas para além da maternidade naquele momento e naquelas circunstâncias. Vai abortar quem já tem filhos, quem está casada, quem ainda é adolescente, a trabalhadora do sexo, a trabalhadora do banco, a mulher ou a menina que foi violada.

Uma escolha que a investigação mostra – e aliada com uma boa educação sexual – reduzir o número de gravidezes indesejadas e promover maior bem-estar em geral. O aborto é uma intervenção médica simples e a OMS defende o seu acesso seguro em qualquer lugar do mundo. Os abortos vão existir sempre, e quanto menos existirem condições para um aborto seguro, mais complicações virão daí. Desde trauma físico e psicológico à morte.

Confesso que ando tão desiludida com o mundo que me foi difícil reagir ao que aconteceu recentemente nos Estados Unidos da América. Prefiro evitar ou não ouvir, ficar no conforto que há outros locais onde ainda está tudo bem. Sonhar que eles existem. Sem deixar de estar com medo que a ficção da “Handmaid’s Tale” se torne numa profecia.

A vontade de Deus (ou da natureza) é estrategicamente mobilizada para defender umas parvoíces, e não outras. Resta desconstruir e revelar a violência que ainda existe sobre as mulheres. É o momento para acreditar na força popular mais do que nunca e não desvalorizar – e até acompanhar – as pessoas que gritam nas ruas.

Sentido figurado

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Parece ser, sim, o que suporta a narrativa quando falamos de realidade, longo epílogo de conclusões que se fecham sem que a atenção tenha de ir ao princípio retomar fôlego, que sem tempo para a origem, recriaremos frágeis originalidades, não estando nada acontecendo que não tenha acabado já.

Este escalar de rupturas sucessivas reúne fragmentos que pode condicionar a tenacidade, derrubar a ternura e romper com ligações nervosas fundamentais para a transparência do ser.

«Vocês, melhor aprenderem a ver, em vez de apenas arregalar os olhos, e a agir, em vez somente falar;… O ventre que gerou a coisa imunda continua». Bertolt Brechet no arrebatador Epílogo! Esta pressa de rematar nas várias formas de abordagem é contrária às leis da vida, e pode fazer que tudo se precipite para a tal “coisa imunda” que compõem as dissertações finais.

A figuração é como a desfiguração, formas que se contraem e distendem à medida da ressonância do tempo, que também existe a transfiguração, essa capacidade que se tem em ser-se tocado por forças tais, que redobra em outras maneiras, quase iluminadas, como Moisés descendo a Montanha todo repleto de luz pelo contacto com essa escrita ditada…aquelas coisas que os outros notam e alguns carregam… Em sentido figurado podemos falar de toques assustadores, mas carregados de esperança.

A mente que pode ser de Fogo, é capaz de ir buscar a essência para nortear as aleatórias vidas que nem a alma quer, só para colocá-las no rumo da sua viagem.

Parece-nos sempre que o fim nos inquieta, mas que há mesmo assim uma vontade arrebatadora de se chegar a uma conclusão, e como o mundo se encontra numa grande deriva, há essa necessidade de términus que pode bem apressar tal desafio [não andamos sobre brasas acesas] que essas atestam o pulsar de vida pela dor que infligem, mas muito mais numa órbita cansada por não entender o propósito do encantamento para o próprio suicídio. Talvez que o sentido fundamental já não esteja entre nós, e nem figuradamente o possamos reclamar nesta grande epopeia das lutas finais.

Não há «Epístolas aos Vindouros» que o significado da não “vinda” diz muito acerca de tudo aquilo que também já não esperamos, o que deixa remota saudade daqueles que acreditavam num futuro para além da sua circunstância.

Somos um documentário em andamento forjado pelo peso das contemplações de todos os abismos, acresce que nos entendemos sem esperança renovada, nem capacidade de fazer mudanças que não sejam fugas, e nesta diáspora os sentimentos embrutecem. Tolhidos por todos os lados pela complexa rede que o capitalismo impõe para nos absorver toda a atenção para substâncias mais vastas, irrompem ainda alguns como cegos no meio de ilusões ditas pensantes: são os mais desgraçados, apenas por que não recriam a liberdade de ser de outra maneira. Não há plasma que embrulhe um negociante de artefactos numa dimensão que se veja ao longe!

Ao embrutecer neste sentido figurado que se prende à grande caricatura, esta frágil Humanidade já na orientação de outra qualquer coisa “imunda” requer atenção. Tanto garantismo volveu-a à estaca zero em face dos seus valores fundamentais, que nós somos humanos não por causa dos sentidos, mas por tudo aquilo que foi elaborado nitidamente, e de tal forma, que concebemos a noção do amor.

Somos todos mais ou menos espectadores e directamente criámos o espaço certo para o discurso traumático que pode irromper dentro de momentos na orbe que nos une, pois tudo agora nos distancia se não for decretado, dado que deixámos de viver de maneira a saber impor as nossas leis de forma consciente, irrepetível e soberana. Somos o reduto das provas que os sonhos desejaram resgatar da insolvência a um sonho ainda maior que não se deu, e mesmo assim, achámo-nos dignos de valorosas atenções que tendíamos a não distribuir.

Uma fumaça de egos em quadrigas incendiárias fizeram regredir tudo isto para o tempo de um relógio cósmico que dávamos por certo ter sido ultrapassado, mas todos os dias ele acelera um pouco mais, até a um tempo ulterior à frágil memória.
Em sentido figurado, somos agora a coisa imunda.

Música | “A última dança em Goa”, de Joaquim Correia, editado em inglês 

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Lançado em 2018, “A última dança em Goa – Música popular nos últimos anos do Estado da Índia Portuguesa” traça o retrato da cultura da antiga colónia até 1961, ano em que Goa, Damão e Diu deixaram de estar sob administração portuguesa. O livro, editado recentemente em inglês, na Índia, traça um paralelismo entre o teatro tradicional de Goa e o teatro de Macau, em patuá

 

“Once Upon a Time in Goa: Music and Dance in a Charming Region and its Diaspora” é o nome da versão em inglês, recentemente editada na Índia, do livro que Joaquim Correia lançou em 2018 sobre a cultura de influência portuguesa que existiu em Goa, antiga colónia portuguesa, até 1961, e que se intitula “A última dança em Goa – Música popular nos últimos anos do Estado da Índia Portuguesa”.

Joaquim Correia, advogado, professor e autor, traça aqui um “retrato de Goa antes da transição de poder para a Índia”, sobretudo em matéria de música de influência portuguesa. Não são esquecidos os goeses que, em Portugal, contribuem para a preservação desta cultura.

“Em Goa havia uma profusão de anúncios de música de influência portuguesa por todo o lado. Fiquei espantado com isso e resolvi escrever sobre a música de influência portuguesa em Goa até 1961. O livro em português foi editado em 2018, mas depois gerou muito interesse da parte de pessoas em Goa no sentido de editar uma versão em inglês, que saiu há cerca de dois meses.  Não se trata de uma segunda edição do livro porque fiz muitas mudanças, embora haja um paralelismo”, contou Joaquim Correia ao HM.

O leitor encontra, logo no primeiro capítulo, a descrição das várias bandas musicais que existiam na altura, bem como a história do aparecimento do rock em Goa. Surgem depois novos elementos sobre a cultura na diáspora, sem esquecer a influência do fado em Goa.

No prefácio, Edgar Valles, antigo presidente da Casa de Goa em Lisboa, destaca que a música sempre esteve muito presente na comunidade, fazendo parte “do dia-a-dia dos goeses”. “Se é verdade que a música tradicional indiana é apelativa a muitas famílias, especialmente para a comunidade Hindu, existe uma forte influência ocidental, especialmente da língua inglesa. O inglês é a língua falada em Goa, por isso a disseminação da música é algo natural. Mas persiste a influência portuguesa”, pode ler-se.

Semelhanças com patuá

“Once Upon a Time in Goa: Music and Dance in a Charming Region and its Diaspora” descreve ainda a semelhança que existe entre o teatro tradicional em Goa, conhecido pelos termos “Teatr” ou “Tiatr” e feito no dialecto Konkani, com o teatro feito em patuá, actualmente preservado graças ao grupo Dóci Papiaçam di Macau.

“Existem ligações porque ambos os teatros têm ligação à revista portuguesa, ambos são teatro de crítica social, têm uma linguagem crioula com influência portuguesa. O que é curioso é que esse teatro está, de novo, a ter muitos espectáculos”, disse Joaquim Correia.

Na obra, é descrito que “há muitas semelhanças com o teatro macaense em patuá”, que constitui “uma ligação emocional entre a comunidade macaense espalhada pelo mundo e Macau”.
Nalini Elvino de Souza, uma das colaboradoras do livro, actualmente a fazer um doutoramento na área da cultura goesa na Universidade de Aveiro, descreve que há cerca de dez palavras em Konkani que são muito semelhantes ao português e que apresentam também alguma semelhança ao patuá, tal como mez (mesa) ou vistid (vestido).

De frisar que Nalini Elvino de Souza faz, para este livro, um levantamento de todos os discos de 75 rotações de música tradicional goesa editados desde a década de 20 até 1961.

Câmara de Comércio Europeia | Rui Pedro Cunha eleito para a presidência

Rómulo Santos

Rui Pedro Cunha foi eleito presidente da Direcção da Câmara de Comércio Europeia de Macau, de acordo com um comunicado da entidade. Num mandato que se prolonga até Outubro de 2023, Cunha traça como metas cooperar com as entidades locais para promover a integração de Macau na Grande Baía.

“A actual situação económica de Macau e do mundo continua a ser um desafio para as empresas locais e europeias, por isso, é mais importante do que nunca promover uma boa comunicação e uma boa compreensão com benefícios mútuos”, afirmou Rui Pedro Cunha. “A Câmara de Comércio Europeia de Macau pode assumir um papel na cooperação entre as câmaras nacionais locais, na exploração de novas oportunidades em Hengqin, e na integração da Grande Baía, que é benéfica para Macau. Estou ansioso para começar a trocar ideias e trabalhar em conjunto para conseguirmos alcançar este objectivo”, acrescentou.

O novo presidente, filho do advogado Rui Cunha, vai suceder a Henry Brockman, que deixa o território. Na altura da saída deixou uma palavra de confiança para o novo presidente. “Tenho toda a confiança de que o Rui Pedro vai lidar com habilidade com todos os assuntos da Câmara do Comércio e encontrar novas formas de liderá-la de forma bem sucedida”, afirmou. Henry Brockman estava na liderança da instituição desde 2021.

AMCM | Empréstimos internos a privados subiram 0,5% em Maio

DR

A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) anunciou ontem que durante o mês de Maio os empréstimos internos ao sector privado cresceram 0,5 por cento em relação ao mês anterior, atingindo 557,1 mil milhões de patacas.

No que toca aos empréstimos ao exterior, foi registado no mês em apreço uma subida de 1,1 por cento, correspondendo a um total de 778,2 mil milhões de patacas. Feitas as contas a ambos os segmentos, a AMCM indica que os empréstimos ao sector privado voltaram a crescer 0,9 por cento em relação ao mês anterior, totalizando um valor de 1.335,3 mil milhões de patacas.

No campo dos depósitos feitos por residentes, Maio trouxe um crescimento de 0,2 por cento em relação ao mês anterior, para um total de 654,3 mil milhões de patacas. Já os depósitos de não-residentes, decresceram 3,6 por cento, atingindo 352,7 mil milhões de patacas.

Por outro lado, os depósitos do sector público na actividade bancária cresceram para 261,4 mil milhões de patacas, um crescimento de 0,2 por cento. Como resultado, o total dos depósitos da actividade bancária diminuiu 0,9 por cento quando comparado com o mês anterior, totalizando 1.268,3 mil milhões de patacas.

Construção | Renovação Urbana justifica omissão de acidente com surto pandémico

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Após um acidente com seis feridos na construção de habitação temporária e para troca, na Areia Preta, a Macau Renovação Urbana não chamou ambulâncias e optou por transportar os feridos directamente para o hospital. A empresa de capitais públicos afirmou não querer sobrecarregar o pessoal médico

 

A empresa de capitais públicos Macau Renovação Urbana demorou cinco dias a divulgar a ocorrência de um acidente que resultou em seis feridos, para não sobrecarregar “o pessoal médico”. A explicação foi avançada ao jornal All About Macau, após o acidente na Areia Preta, onde estão a ser construídas habitações públicas temporárias e para troca, ter sido divulgado pelos órgãos de comunicação social.

Segundo a empresa, as equipas de salvamento não foram chamadas ao local e os seis afectados foram transportados para os hospitais pelos próprios meios da Macau Renovação Urbana. “No dia do acidente, o médico do estaleiro verificou preliminarmente os trabalhadores, que apresentavam escoriações”, reconheceu a empresa. “Como não queríamos aumentar o stress do pessoal médico local, não utilizámos o serviço de ambulância e os feridos foram transportados para o hospital pelo empreiteiro”, foi acrescentado.

Como a construtora não recorreu ao Corpo de Bombeiros para as operações de socorro, a informação nunca foi oficialmente comunicada aos órgãos de comunicação social, ao contrário do que acontece noutros acidentes de trabalho.

Após ter sido questionada sobre o assunto, a Macau Renovação Urbana, detida pela RAEM, reconheceu que durante o processo de colocação de barras de ferro que uma das barras superiores se dobrou e atingiu seis trabalhadores.

A companhia não explicou a razão de não ter comunicado a ocorrência publicamente, ao contrário do verificado noutras ocasiões e outros assuntos, que são divulgados através do Gabinete de Comunicação Social. Porém, a empresa garante que informou os “serviços” competentes.

Pouco convencional

Sobre o facto de o empreiteiro ter transportado directamente os feridos para o hospital, a Macau Renovação Urbana reconhece a forma pouco convencional de actuar e que o esperado pela população era o recurso às equipas médicas e ambulâncias da RAEM.

Face ao procedimento pouco usual, a empresa prometeu “assimilar esta experiência para melhorar” e assegurar a qualidade e a transparência das obras.

No melhoramento dos trabalhos foi ainda indicado que haverá uma unificação das técnicas de estabilização de barras de ferro, para evitar que se dobrem, e prevenir acidentes no futuro.

Uma pergunta que ficou por responder diz respeito à responsabilidade do acidente. O All About Macau indica ter colocado a questão à Macau Renovação Urbana, mas a empresa não respondeu.

Comunidades Portuguesas | Reunião com questões consulares na agenda

Gonçalo Lobo Pinheiro

Decorre até hoje, em Lisboa, a reunião do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas, onde serão discutidos assuntos como “a elevação dos salários dos trabalhadores do Consulado de Macau, a simplificação dos procedimentos para obtenção da certificação do nascimento, renovações do cartão de cidadão e do passaporte”, informou ontem a comendadora Rita Santos, que representa o Conselho Regional da Ásia e Oceânia.

Na agenda, Rita Santos pretende também debater “questões de clarificação e desburocratização dos processos de aquisição de nacionalidade por via do casamento e nascimento, incluindo relacionadas com o extravio de documentos de viagem e do cartão de cidadão”, assim como a “obtenção de vistos para chineses residentes não permanentes em Macau para turismo e investimentos em Portugal”.

Além das reuniões do Conselho das Comunidades Portuguesas, Rita Santos tem encontros marcados com o Presidente da Assembleia da República, Augusto Santos e Silva, a Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas e o Ministro dos Negócios Estrangeiros João Cravinho.

ONU | Direitos de manifestação e participação em eleições levantam dúvidas

DR
Uma delegação da RAEM será ouvida na próxima semana pelo Comité dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas. O Grupo de Investigação sobre Macau enviou as suas opiniões e pede esclarecimentos sobre a exclusão de candidatos do campo pró-democracia das eleições, as proibições de manifestações e as saídas de jornalistas da TDM

 

A exclusão do campo pró-democracia das eleições para a Assembleia Legislativa, a proibição de os trabalhadores não-residentes organizarem manifestações e a vaga de saídas no canal português da TDM na sequência de instruções “patrióticas” são algumas das preocupações levantadas pelo Grupo de Investigação sobre Macau junto da Organização das Nações Unidas (ONU).

A partir de quarta-feira da próxima semana, o Comité dos Direitos Humanos da ONU vai ouvir uma delegação da RAEM sobre a implementação do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos.

Antes da sessão, a sociedade civil é convidada a enviar opiniões e preocupações, como fizeram diferentes partes, incluindo o Grupo de Investigação sobre Macau, que tem como representante Jason Chao, activista local radicado na Europa.

Em relação ao processo eleitoral de 2021, o grupo destaca a exclusão de candidatos que tinham sido autorizados a participar nas eleições de 2017, sem que as leis da RAEM tenham sido alteradas. Por isso, o grupo aponta que o acto eleitoral do ano passado, que teve a participação mais baixa de sempre desde a criação da RAEM, violou os artigos 25.º e 26.º do pacto internacional.

Segundo o artigo 25.º, “todos os cidadãos gozarão” sem qualquer distinção e “sem restrições indevidas” de ser “eleitos em eleições periódicas, autênticas, realizadas por sufrágio universal, por voto secreto que garanta a livre expressão da vontade dos eleitores”. Por sua vez, o artigo 26.º proíbe qualquer discriminação com base em “opiniões políticas”.

Neste sentido, é solicitado que o comité peça às autoridades locais para garantirem que todos os residentes podem participar nas eleições sem qualquer discriminação e que se garanta a liberdade de expressão. Entre os apelos consta que a revogação do artigo da lei eleitoral que estipula a exclusão de candidatos que não declarem a defesa da Lei Básica nem a fidelidade à RAEM.

Ruas de ninguém

O grupo destaca também os acontecimentos de Fevereiro de 2021, quando cidadãos oriundos do Myanmar tentaram organizar uma manifestação contra o golpe de Estado no país. A pretensão foi recusada, num episódio em que o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) afirmou publicamente que os não-residentes não estão abrangidos pela lei que garante o direito de reunião e manifestação.

Posteriormente, o CPSP defendeu que o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos “não se aplica directamente” em Macau, mas apenas através de leis locais que transpõem para o ordenamento jurídico da RAEM essas normas internacionais.

Face à situação, é pedido ao comité da ONU que solicite às autoridades da RAEM o respeito do “direito à liberdade de manifestação dos trabalhadores não-residentes, independentemente do estatuto de residência ou nacionalidade”.

A liberdade de manifestação é igualmente abordada por outro grupo, identificado como “As pessoas de Macau apoiam Hong Kong”. Este mostra-se preocupado com a proibição de organizar protestos de solidariedade com dissidentes da RAEHK e pede que seja esclarecido se os simpatizantes do movimento democrático de Hong Kong podem ser perseguidos criminalmente.

Liberdade de imprensa

No que diz respeito à liberdade de imprensa, destaca-se o caso das instruções emitidas no canal português da TDM para excluir vozes críticas do Governo Central. O Grupo de Investigação sobre Macau pede ao comité que apele às autoridades da RAEM para que as instruções sejam retiradas, garantindo acesso a opiniões variadas aos meios de comunicação e que não se transforme a emissora pública num órgão que abafa opiniões divergentes.

Sobre a liberdade de imprensa, o comité recebeu igualmente uma opinião do académico e ex-deputado Gabriel Tong, que considera necessário alterar as leis em vigor, para enquadrar legalmente os órgãos de comunicação online. De acordo com o especialista em direito, o objectivo da nova lei passaria por proteger a situação laboral dos trabalhadores destes órgãos e garantir o acesso à informação.

Diário de um pai em quarentena com bebé de um ano e meio

DR

“Quero matar-me”, diz entre risos Marco Canarelli, bem-humorado, sobre a circunstância complicada de estar em quarentena com o filho de um ano e meio. Apesar da boa disposição, o residente que vive em Macau há 12 anos enfrenta uma realidade deprimente e pondera abandonar de vez o território. “O meu filho está constantemente a chamar pela mãe, fico muito triste por não podermos estar juntos em casa, por não lhe ser permitido ir à escola ou ao parque”, conta ao HM.

Tudo começou quando a esposa de Marco Canarelli recebeu uma chamada das autoridades a notificar para a necessidade de cumprir quarentena de oito dias devido ao “contacto próximo” com um caso positivo na cantina do local de trabalho. Esse contacto terá acontecido no dia 27 de Junho, segunda-feira, e a chamada que trocou às voltas à família foi feita no passado domingo, dia 3 de Julho.

Como o pai e a criança foram considerados contactos secundários, a quarentena terá um período de 5 dias e a opção de juntar a família toda num quarto do Hotel Sheraton foi posta de lado, para minorar o período de isolamento da criança.

Quando chegaram ao hotel, o residente de origem italiana pediu uma banheira para bebés, desinfectantes e produtos para crianças pequenas. “Coisas que quando pedimos quando fizemos staycation e que nos deram, mas desta vez disseram-me que não podiam providenciar esse tipo de bens por não terem mais disponíveis. Também perguntei se tinham comida para bebés, porque o menu infantil não é adequado para crianças de um ano. Perguntaram-me se tinha leite em pó e se precisava que fossem comprar. Felizmente, trouxe de casa porque já estava a prever isto”, revelou o pai ao HM.

Dia atribulados

Na noite em que as autoridades levaram a esposa para quarentena, Marco Canarelli pediu para ser conduzido ao isolamento na manhã seguinte. “Eram 22h e o meu filho já estava a dormir. Disse-lhes ‘não, desculpem, mas o meu filho acabou de adormecer e não o quero acordar’. Pedi para nos buscarem na manhã seguinte. Por volta das 23h vieram buscar a minha mulher. O meu filho acordou a meio da noite, não viu a mãe quando chamou por ela e começou a chorar”, conta.

O dia seguinte começou com uma “boleia” para o Dome, onde pai e filho foram submetidos a um “agressivo” e “muito profundo” teste de ácido nucleico.

Durante a manhã toda, entre as 8h30 e as 12h, o bebé chamou constantemente pela mãe. Sem a presença materna, a possibilidade de ir ao parque ou estar em zonas de conforto, a criança busca incessantemente a atenção do pai, não brinca sozinho, nem se consegue distrair, encontrando tranquilidade temporária durante as vídeo-chamadas com a mãe.

“É muito difícil manter uma criança fechada num quarto durante tanto tempo. Se antes pensávamos ficar, agora estamos mais inclinados a sair de Macau, especialmente se esta situação se mantiver. Vamos em três anos de pandemia, muitos amigos já se foram embora e estamos a considerar que talvez seja a melhor opção. Não me parece que Macau volte a ser o que era”.

O residente revelou ainda que depois da primeira chamada das autoridades chegou a ponderar levar a família até ao aeroporto e apanhar o primeiro voo para o exterior, ideia que passou a fantasia depois de ver o seu código de saúde ficar amarelo e o da esposa vermelho.