Covid-19 | Número de casos continua a aumentar

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A dinâmica de infecções de covid-19 acelera em Macau. Ontem, foram detectados mais seis casos positivos que se juntam aos noticiados anteriormente aquando do episódio do taxista. Além da descoberta de uma mulher de 62 anos que trabalha no restaurante onde o taxista tomava o pequeno-almoço, foram anunciados pelo Centro de Contingência, durante a noite, mais seis ocorrências.

O primeiro caso foi detectado numa mulher de 68 anos, residente em Macau, esposa do homem de 69 anos com resultado positivo no teste de ácido nucleico, anunciado na madrugada de quarta-feira.

O segundo caso diz respeito a um homem de 77 anos, residente em Macau, aposentado, e que reside no Edf. Tim Yee, situado na Calçada Central de S. Lázaro. O doente em causa tomou pequeno-almoço no Estabelecimento de Comidas “Tong Kei” e teve o mesmo itinerário que o taxista com resultado positivo.

Outro caso anunciado, diz respeito a um homem de 36 anos, residente do Interior da China, que reside no Bloco 3 do Edf. Cerese, situado na Avenida do Coronel Mesquita, e é operador na Ponte-cais n.º 5 do Porto Interior. A esposa, de 29 anos, funcionária do Departamento de Recursos Humanos do Casino Wynn, foi igualmente diagnosticada como positiva.

Alem disso, foram diagnosticados dois casos relacionados com os casos importados nas zonas sob controlo (os dois estão sob controlo desde o dia 28 de Novembro), daí o risco de transmissão comunitária ser relativamente baixo, afirma o Centro de Contingência.

Reserva Financeira | 100 mil milhões perdidos desde 2021

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A reserva financeira de Macau perdeu valor pelo nono mês consecutivo, registando uma queda de mais de 17 mil milhões de patacas em Setembro, indicam dados divulgados ontem pelas autoridades.

A reversa financeira da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) cifrou-se em menos de 563 mil milhões de patacas no final de Setembro, de acordo com a informação publicada no Boletim Oficial pela Autoridade Monetária de Macau.

É o valor mais baixo registado pela reserva financeira desde Abril de 2020, altura em que a China passou a impor quarentena obrigatória a pessoas vindas de Macau, afectando a indústria do jogo.

Na primeira metade deste ano, a reserva financeira perdeu 17 mil milhões de patacas só em investimentos, devido a oscilações no mercado internacional, de acordo com o Governo.

Tendo em consideração o passado recente, o valor da reserva financeira caiu mais de 100 mil milhões de patacas em relação a Fevereiro de 2021, mês em que atingiu o valor mais elevado, quando totalizou 663,5 mil milhões de patacas.

Mesmo no cenário de crise económica criada pela pandemia, a reserva financeira de Macau tinha crescido em 2020 e 2021, apesar de o Governo ter injectado mais de 90 mil milhões de patacas no orçamento.

As autoridades da região concederam já este ano mais de 20 mil milhões de patacas à população, ao abrigo de dois planos de apoio pecuniário e ainda 5,92 mil milhões de patacas para dar a cada residente oito mil patacas, para efectuar pagamentos, sobretudo no comércio local, desde 28 de Outubro.

A Assembleia Legislativa aprovou, este mês, o orçamento da região para 2023, prevendo voltar a recorrer à reserva financeira em 35,6 mil milhões de patacas.

EPM | DSEDJ abdica de construção de novo pólo

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A Direcção de Serviços de Edução e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) admite que a construção de um novo pólo para a Escola Portuguesa de Macau (EPM) nos novos aterros deixou de estar nos planos daquele organismo. As declarações foram prestadas ontem por Kong Chi Meng, director da DSEDJ, à Rádio Macau, depois de ter participado no fórum da Ou Mun Tin Toi.

“A EPM está a fazer uma avaliação [da situação], tendo em conta os últimos anos, a taxa de natalidade e as necessidades de ensino. Também acontece que a EPM está a pensar na ampliação das suas instalações”, afirmou Kong Chi Meng, citado pela Rádio Macau. “Estamos em contacto com a EPM, através de várias formas”, garantiu.

No entanto, e depois da promessa feita, o futuro desenvolvimento da EPM passará apenas pela expansão das instalações locais. A decisão terá sido tomada tendo em conta que “as circunstâncias mudaram” face ao contexto de 2019.

As declarações de Kong Chi Meng deixam também a entender que a decisão de abdicar do novo pólo terá partido da Escola Portuguesa de Macau, que se prefere concentrar na ampliação do espaço existente.

Novos tempos

O anúncio do novo pólo da EPM tinha sido feito a 1 de Maio, durante a visita do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, a Macau. Depois de um encontro com o então Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, na sede do Governo, Marcelo anunciou que lhe tinha sido prometido a EPM ia ter um pólo novo nos aterros.

“O Chefe do Executivo [de Macau] anunciou há pouco que vai haver apoio do Governo a um novo pólo da Escola Portuguesa de Macau (EPM)”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, durante a visita, e após a reunião com Chui.

Na mesma visita, o Presidente português tinha também deixado elogios ao sistema de ensino local, ao destacar que em 2019 se falava mais português em Macau, do que quando o território estava sob administração portuguesa.

Apesar dos planos e elogios de 2019, a intenção deixada pelo Governo de Fernando Chui Sai On parece agora abandonada, numa altura em que Ho Iat Seng lidera o Executivo local.

Tudo o que nós não somos

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Outro dia, num sarau de poesia eco-queer em conhecida fundação lisboeta, apareceu uma figura com brincos de pena, talvez comprados nalguma loja dos trezentos em Braga. Embora mais se assemelhasse a uma catequista, apresentou-se como indígena e também como poeta. Além dos seus versos, disse várias coisas que talvez tenham sensibilizado a plateia.

Começou por aludir ao tempo, que “vocês aqui no Ocidente valorizam muito”. Imediatamente exotizou a sua outra língua, que disse não ter marcas de tempo, como se tal coisa fosse possível. Acrescentou que estava a desaprender a língua portuguesa, como aliás a poesia dela veio a demonstrar, e agradeceu em tupi, para mostrar que tal desaprendizagem já ia bem avançada. Culpou ainda o Marquês de Pombal por lhe ter erradicado a língua que ela custosamente teve que reaprender. E o ouvinte agradeceu logo por ter sido colocado naquele confortável lugar da culpa branca e pós-colonial face a tão inusitada vítima do marquês, que os livros de História não registam.

Mas a que é aqui chamado o nosso leitor de Macau? Peguemos pela alusão ao Ocidente, que talvez lhe interesse. Para persuadir a audiência, é curioso que a suposta indígena se haja apresentado como não fazendo parte do Ocidente, vindo ela de um país do extremo-ocidental, o Brasil, contudo parte da civilização euro-americana que tanto nos tem tramado. Como dizia na Pena Capital Mário Cesariny, vai sucumbir já em seguida: “Esta famosa ‘civilização ocidental’ sob a qual sufocamos mas que, felizmente, vai desaparecer em breve”. Seria caso para perguntar: se não vem do Ocidente, desse lugar onde o sol se põe, de onde vem então a nossa indígena?

Entretanto, Cesariny faz ainda num outro poema uma troca, de Deus e de Cristo por outras deidades: “E o resto, o resto de mim atira ao Oriente,/ Ao Oriente de onde vem tudo, o dia e a fé,/ Ao Oriente pomposo e fanático e quente,/ Ao Oriente excessivo que eu nunca verei,/ Ao Oriente budista, bramânico, sintoísta,/ Ao Oriente que tudo o que nós não temos,/ Que tudo o que nós não somos,/ Ao Oriente onde — quem sabe? — Çiva-Parvati talvez realmente viva,/ Onde Ardhanarishwar talvez exista realmente e mandando tudo…”.

Deus é substituído pelo casal Shiva-Parvati, e Cristo pelo andrógino Ardhanarishwar. Se a ideia do poeta é talvez a busca de outras fontes, de fontes alternativas ao nosso pensamento, que não no paradigma judaico-cristão, é certo que as vai buscar à Pérsia e á Índia, isto é, não por acaso aos confins do chamado mundo indo-europeu, do qual a China, na alteridade radical que sempre lhe coube (entre nós), nunca pôde fazer parte. A este respeito, a grafia antiquada do sânscrito que o poeta usa (Çiva) mostra bem que está a ler fontes francesas ainda ensopadas nesta ideia do indo-europeu.

É esta correção uma desaprendizagem? Tal noção é interessante, mas não como a suposta indígena pretendia. Aqui é uma outra coisa, a correção é uma desaprendizagem a sério do tal Ocidente que nos tem de facto massacrado, mas a montante das suas próprias fontes, não uma tontice de quem acha que está fora do Ocidente. Não estou a sugerir que, para desaprendermos de ser ocidentais (o que é absurdo, além de impossível) teríamos todos que reverter a pastores de cabras indo-europeus, talvez mais distante de um europeu de hoje do que qualquer (falso) indígena.

Tudo o que aquela senhora disse redundou numa lamentável auto-exotização de uma cidadã brasileira que era talvez tão indígena como qualquer outro brasileiro. Aproveitando-se das prerrogativas impostas pela lógica de cotas, aqui certamente mal empregues, cumpriu aquela função de representar a autenticidade das tais epistemologias outras, num colorido folclórico, apesar de não ter saído das nossas ou das mesmas (epistemologias).

É assim uma resposta oportunista face à nossa busca do outro absolto, cifrada na figura romantizada do índio que um Krenak desconstruiu. É o outro que nos devolve o pequeno orgasmo decolonial da sua vingança; isto é, o outro que reside apenas dentro do nosso remorso. É preciso distinguir isto da verdadeira busca pelo que um pensamento outro – que tanto podem estar no Irão como no Paraguay – pode proporcionar, e não uma lamentável performance de auto-exotismo identitário.

Escolhida equipa que vai representar Macau na Bienal de Arquitectura de Veneza

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Está escolhida a equipa que vai representar a RAEM na 18ª Bienal de Arquitectura de Veneza, que será composta por Jimmy Wardhana, Choi Wan Sun, Lin Ian Neng e Tong Tou U, de acordo com o anúncio divulgado na terça-feira pelo Instituto Cultural.

A selecção foi apurada através de um concurso de propostas intitulado “Exposição para a “18.ª Exposição Internacional de Arquitectura La Biennale di Venezia – Evento Colateral de Macau, China”, organizado pelo Museu de Arte de Macau (MAM), sob a tutela do IC e co-organizada pela Associação dos Arquitectos de Macau.

O IC indica que “o evento colateral, sob o tema ‘RECALIBRAGEM – Exploração da Cultura Arquitectónica Contemporânea de Macau’, visa abordar o desenvolvimento urbano e arquitectónico de Macau.

O júri que analisou as propostas foi composto pela presidente do Instituto Cultural, Leong Wai Man e por quatro arquitectos experientes de Hong Kong e Macau, incluindo o ex-Presidente da World Association Chinese Architects, Arquitecto Eddie Wong Yue Kai, o presidente do Conselho Geral da Associação dos Arquitectos de Macau, Carlos Marreiros. Contaram-se também entre os jurados o director da Macau Renovação Urbana, S.A., C. Y. Wong e fundador do Atelier Global Limited, o arquitecto Frankie Lui, realizou duas rondas de avaliação rigorosa das nove propostas de exposição apresentadas ao concurso.

Pódio local

O Prémio de Ouro foi entregue a Jimmy Wardhana pelo projecto “RECALIBRAGEM – Exploração da Cultura Arquitectónica Contemporânea de Macau”. Enquanto o Prémio de Prata e o Prémio de Bronze foram atribuídos respectivamente a Alexandre Leong Marreiros, pela proposta “Bamborella”, e a Sou Un Teng, pela proposta “Uma Polegada de Terra: Separação e Agregação”, afirmou o IC.

Criada em 1980, a Bienal de Arquitectura de Veneza é um dos mais importantes eventos da actualidade no âmbito da arquitectura. Desde 2014, o Instituto Cultural, sob a designação “Macau-China”, coordenou quatro participações de profissionais do sector arquitectónico de Macau e outros especialistas relacionados no evento, tendo colhido sempre comentários positivos. A Organização espera que o evento colateral de Macau, China continue a brilhar e mostrar ao público estrangeiro o encanto diversificado da arquitectura de Macau.

Cinema | Festival Internacional de Curtas começa hoje no Capitol

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A 13.ª edição do Festival Internacional de Curtas de Macau arranca hoje no Teatro Capitol. Durante uma semana, quase 130 obras vão ser apresentadas em formatos que variam entre filmes de acção, documental, animação e vídeos musicais, ao longo de cerca de 50 horas de cinema

 

Arranca hoje a 13.ª edição do Festival Internacional de Curtas de Macau, que decorre no Teatro Capitol até ao dia 8 de Dezembro. Num longo menu, com um total de 128 filmes e vídeos musicais, o público cinéfilo terá à sua disposição um cartaz com cerca de 50 horas de filmes de ficção, documentário, animação e vídeos musicais.

O programa está dividido em cinco categorias. A principal é SHORTS Ficção, que terá 14 sessões ao longo do festival, as SHORTS Documentário será apresentada ao longo de seis sessões, a SHORTS Animação conta com cinco sessões. A sessão dedicada a videoclips intitula-se “VOLUME”, a categoria “Cinema Expandido” terá quatro sessões com filmes convidados que prometem abrir janelas para histórias da Ásia, “incorporando a realidade de contextos históricos, geográficos e sociais. Os filmes convidados são provenientes do Camboja, China, Hong Kong, Indonésia, Japão, Cazaquistão, Macau e Taipé”.

No próximo fim-de-semana, serão apresentadas duas masterclasses que contam com a participação de cineastas locais. A primeira está marcada para sábado, às 19h, e será apresentada por Vicent Hoi e Keng U Lao, e tem como tema principal a persistência de continuar a filmar e aprender com os erros.

No domingo, à mesma hora, é a vez de Tracy Choi discorrer sobre a produção de cinema independente, alternativo, em Macau e as formas para superar dificuldades criativas e de produção.

Prémios e arranque

O filme alemão “Doce Liberdade”, da autoria de Dominic Wittrin, tem as honras de abertura do festival.
“A XIII edição do Festival Internacional de Curtas de Macau compreende cerca de 50 horas de ilusão e realidade a explorar diversos assuntos em pelicula cinematográfica, revelando mistérios, crimes, paixões e assuntos sociais actuais e mundiais, oferecendo à audiência momentos lúdicos”, afirma a directora do festival Lúcia Lemos.

No último dia do evento, 8 de Dezembro, são anunciados os vencedores da selecção oficial, divididos por quase 2 dezenas de categorias pelos quais serão distribuídas 84 mil patacas em prémios monetários.

O Festival Internacional de Curtas de Macau é organizado pelo Centro de Indústrias Criativas – CREATIVE MACAU e o Instituto de Estudos Europeus de Macau, com o apoio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura.

ONU | Xi Jinping felicita reunião que marca solidariedade com Palestina

O Presidente chinês, Xi Jinping, felicitou a reunião da ONU realizada na terça-feira para comemorar o Dia Internacional de Solidariedade para com o Povo Palestino. Numa mensagem, Xi disse que a questão palestina está no centro da questão do Oriente Médio, e uma solução abrangente e justa da questão palestina tem a ver com a paz e a estabilidade regionais, bem como com a equidade e a justiça internacionais.

A coexistência pacífica entre Palestina e Israel e o desenvolvimento conjunto das nações árabes e judaicas são do interesse de longo prazo de ambos os lados e permanecem como uma aspiração comum dos povos de todos os países, disse Xi, citado pelo Diário do Povo.

A comunidade internacional deve aderir à solução de dois Estados, priorizar a questão palestina na agenda internacional e ajudar o povo palestino a realizar o seu sonho de um Estado independente a curto prazo, acrescentou.

Xi enfatizou também que a China apoia de forma consistente e firme a justa causa do povo palestino de restaurar os seus legítimos direitos nacionais, promove activamente as negociações de paz e promove a paz entre a Palestina e Israel.

Como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e um grande país responsável, a China continuará a trabalhar com a comunidade internacional para fazer contribuições positivas para a paz duradoura, a segurança universal e a prosperidade comum no Oriente Médio, rematou o Presidente chinês.

Foshan | Construída réplica de Macau por 1,5 mil milhões de yuan

Rómulo Santos

A cidade chinesa de Foshan construiu uma réplica de Macau, um investimento de cerca de 1,5 mil milhões de yuan, anunciaram ontem as autoridades locais. A construção em Foshan, localizada a cerca de uma centena de quilómetros de Macau, ficou concluída na terça-feira e deverá abrir ao público em meados do próximo ano.

As autoridades sublinharam que este é o primeiro projecto de integração comercial, cultural e turística ao estilo Macau-Português na vizinha província de Guangdong.

A cidade de Macau em Foshan cobre uma área que ronda os cinco quilómetros quadrados e é constituída por dois grandes grupos: residencial e o distrito comercial ao “estilo Macau-Português”.

Está planeada a introdução de comércio a retalho, gastronomia luso-macaense, actividades culturais, entre outros negócios, com a aposta em atracções turísticas que recuperam essencialmente o centro histórico de Macau e que vão desde as Ruínas de São Paulo até à calçada portuguesa, mas também a Rua do Cunha, situada na ilha da Taipa.

Foshan é uma das cidades da área da Grande Baía, o projecto de Pequim de construir uma metrópole mundial que integra Macau, Honk Kong e nove cidades chinesas da província de Guangdong.
Foshan tem uma área de quase quatro mil quilómetros quadrados e 9,5 milhões de habitantes, de acordo com o Censo de 2020.

Por toda a China, partes de grandes cidades foram transformadas para se assemelharem a destinos ocidentais e cidades inteiras foram inspiradas ou construídas à imagem de locais emblemáticos estrangeiros, tal como Paris (Tianducheng), Hallstatt (Luoyang), Florença (Tianjin e Foshan), Hallstattan (Cantão), Londres (Suzhou), Manhattan (Tianjin), Reino Unido (Songiang), Amesterdão e Países Baixos (Pudong) e Veneza (Dalian).

Financial Times | Magnata Jack Ma está a viver em Tóquio

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O patrão da plataforma gigante Alibabba vive há cerca de seis meses na capital nipónica, segundo o Financial Times

 

O bilionário fundador da plataforma de vendas ‘online’ Alibaba, Jack Ma, vive em Tóquio há seis meses, noticiou ontem o jornal Financial Times (FT). A mudança de Ma para o Japão aconteceu, na sequência de críticas, no final de 2020, à burocracia chinesa e do fracasso na oferta pública inicial da empresa de ‘fintech’ Ant Group, agravado pela maior multa ‘anti-trust’ da história da China, imposta por Pequim à Alibaba em Abril de 2021, no valor de 2,8 mil milhões de dólares.

Ma permaneceu na capital japonesa com a família e nos últimos meses viajou para outras zonas do Japão, Estados Unidos e Israel, entre outros países, disseram ao FT fontes próximas do magnata.

A ausência de Ma da vida pública chinesa coincidiu com as novas restrições de prevenção e controlo da pandemia da covid-19, no âmbito da política oficial ‘zero covid’, em algumas das principais cidades do país, incluindo Xangai e Hangzhou, onde fica a sede da Alibaba e onde o empresário também possui uma casa.

Durante a estada em Tóquio, Ma optou também pela discrição e reduziu a vida social a uma série de clubes privados nos bairros mais famosos da capital nipónica, frequentados por outros empresários chineses que vivem no Japão ou que permanecem por longos períodos de tempo no país, de acordo com as mesmas fontes, citadas pelo jornal.

Amigos do negócio

A presença no Japão levou a especulações sobre os movimentos de Ma relacionados com a possível cedência de controlo nas empresas. A gigante tecnológica japonesa Softbank anunciou uma redução da participação na Alibaba de 24,28 por cento para 23,73 por cento, entre Abril e Junho, uma transação que coincidiu com a estada da Ma em Tóquio e trouxe à empresa japonesa lucros de 5,37 triliões de ienes (37,13 mil milhões de euros).

Ma integrou o conselho de administração da Softbank até meados de 2020, enquanto o fundador e CEO do grupo japonês, Masayoshi Son, também ocupou um lugar no conselho de administração da Alibaba.

Hotelaria | Ocupação até Outubro abaixo dos 40%

Até ao final de Outubro deste ano, a taxa de ocupação média dos quartos de hóspedes dos estabelecimentos hoteleiros de Macau foi de 37,9 por cento, menos 12,0 pontos percentuais, relativamente ao mesmo período de 2021, indicou ontem a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC)

No total, durante os primeiros 10 meses do ano, os hotéis de Macau hospedaram 4.248.000 indivíduos, menos 22,5 por cento, face a idêntico período de 2021. A duração média das estadias manteve-se em 1,8 noites.

Olhando apenas para o mês de Outubro, a DSEC indicou que a taxa de ocupação média dos quartos de hóspedes foi de 41,8 por cento (-3,0 pontos percentuais, em termos anuais). No total, fizeram check-in em hotéis de Macau 494.000 pessoas, mais 11,3 por cento em termos anuais. Neste universo, destaque para o aumento de hóspedes do Interior da China que subiu 15 por cento para 390.000, enquanto os hóspedes locais desceram 11,1 por cento para 70.000.

Os maiores decréscimos em termos anuais verificaram-se nos hotéis de 4 estrelas e nos de 2 estrelas, com quebras de 20 e 18,6 por cento, respectivamente.

Covid-19 | Mais casos positivos e testes rápidos a toda a população

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Ontem foi anunciada a descoberta de mais um caso positivo de covid-19, que se junta aos dois identificados na noite de terça-feira. Toda a população terá até amanhã de fazer três testes rápidos de antigénio e os moradores de zonas dos Três Candeeiros, do Hospital Kiang Wu e do Cemitério Miguel Arcanjo terão de fazer três testes de ácido nucleico até 4 de Dezembro

 

Prossegue aquilo que a médica Leong Iek Hou caracterizou como o normal quotidiano de Macau durante o combate “dinâmico” à pandemia. Testagem contínua à covid-19, testes para entrar em serviços públicos e participar em actividades e detecção de novos casos positivos.

Ontem à tarde, foi anunciada a descoberta de mais uma infecção conexa ao caso positivo do taxista de 74 anos. Trata-se de uma residente de 62 anos que trabalha em part-time no restaurante Tong Kei, na Estrada do Repouso, onde o taxista tomava diariamente o pequeno-almoço. A residente trabalha também no Jardim Infantil da Escola Tong Nam, que fica na esquina da Rua de Jorge Alvares e da Rua do Almirante Costa Cabral

O local de residência da senhora que testou ontem positivo num teste rápido antigénio, edifício Vang Son, 12º da Calçada das Verdades, foi selado e declarado zona vermelha.

Exames e mais exames

Desde ontem que toda a população de Macau está obrigada a fazer três testes rápidos antigénio até amanhã.

Quem mora, trabalha, tenha tomado refeições em restaurantes e permanecido mais de meia hora nas duas zonas-alvo entre o passado sábado e o dia de ontem fica isento da necessidade de fazer testes rápido, pois terá de fazer três testes de ácido nucleico em cinco dias que acabam no domingo.

Até à hora do fecho ainda não era conhecido o número de pessoas abrangidas pelo alargamento das zonas-alvos. A primeira zona-alvo é delimitada pela Avenida de Horta e Costa, Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida / Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida / Rua do Conselheiro Ferreira de Almeida, Estrada de Adolfo Loureiro, Rua da Barca, Travessa de Martinho Montenegro, Travessa da Barca, Travessa do Lago, Rua de Brás da Rosa, Travessa do Bem-Estar, Rua de Tomé Pires, e pela Rua do Rebanho.

A segunda zona-alvo compreende a área delimitada pela Rua de Sacadura Cabral, Estrada de Coelho do Amaral, Rua de Coelho do Amaral, Rua dos Currais, Rua do Patane / Rua do Muro, Praça de Luís de Camões, Largo de Santo António, Largo do Lar / Jardim de Santo António, Pátio do Espinho, Calçada de S. Paulo, Rua de D. Belchior Carneiro, Rua dos Artilheiros, Calçada Central de S. Lázaro, Rua do Brandão, Rua de Ferreira do Amaral, e pela Avenida de Sidónio Pais.

Entrada condicionada

Entretanto, foi anunciado ontem que “os cidadãos e trabalhadores que entram nos serviços públicos, devem exibir o resultado negativo do teste rápido de antigénio realizado no mesmo dia ou do teste de ácido nucleico cuja validade permanece durante as 24 horas após o dia de amostragem”.

A medida, que irá durar até ao dia 9 de Dezembro, foi justificada com o facto de terem sido “detectados em Macau sucessivamente vários novos casos positivos de infecção do novo tipo de coronavírus nos últimos dias”. A mesma medida foi implementada para entrar nas instalações desportivas afectas ao Instituto do Desporto.

DSEC | Mais veículos matriculados e menos voos em Outubro

No final do mês de Outubro havia 248.679 veículos matriculados em Macau, o que representa um crescimento de 0,9 por cento, face ao período homólogo. Os dados oficiais foram revelados ontem pela Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

No mês passado, o número de automóveis ligeiros (113.882) e o de motociclos (107.564) subiram 1,1 por cento e 2,3 por cento, respectivamente, face a Outubro de 2021. Ainda em Outubro deste ano, houve 853 veículos com matrículas novas, dos quais 258 eram eléctricos.

Nos primeiros dez meses deste ano, o número de veículos com matrículas novas foi de 8.276, menos 18,8 por cento, face ao mesmo período de 2021. No entanto, houve 1.080 acidentes de viação, o que representa um aumento de 21,5 por cento dos sinistros.

Também em comparação com os primeiros dez meses de 2021, 2022 regista mais duas mortes, três contra cinco, e quase o triplo dos feridos, 3.484 em 2021 contra 9.287, este ano. Em relação ao sector da aviação, em Outubro deste ano realizaram-se 893 voos comerciais, mais 17,0 por cento, em termos anuais.

No período de Janeiro a Outubro deste ano, efectuaram-se 8.044 voos comerciais, menos 32,0 por cento, relativamente ao período homólogo de 2021 e o peso bruto da carga aérea situou-se em 42.539 toneladas, mais 12,9 por cento.

Testes | Pedida redução do preço para trabalhadores

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O deputado Nick Lei queixa-se do preço do teste de ácido nucleico, que considera elevado, e pede que seja seguido o exemplo de Zhuhai, onde os custos dos testes individuais são de 13,5 renminbis

 

Nick Lei considera que está na altura de o Governo voltar a reduzir o preço dos testes, que diz continuar a ser muito mais caro do que no Interior. A posição foi tomada numa interpelação escrita, divulgada ontem pelo Jornal do Cidadão.

Segundo o legislador ligado a Fujian, além dos testes serem um mecanismo de prevenção da covid-19, tornaram-se num “bem necessário”, uma vez que são exigidos para que os residentes possam atravessar as fronteiras. Por isso Nick defende que esta medida, “depois de quase três anos de pandemia”, está a aumentar o custo de vida dos residentes, principalmente daqueles que vivem em Zhuhai e trabalham ou estudam em Macau. “Afectadas por diferentes surtos, Zhuhai e Macau estão repetidamente a encurtar o prazo de validade dos resultados do teste de ácido nucleico, o que faz com os cidadãos tenham de fazer cada vez mais testes, o que aumenta ainda mais a pressão sobre o seu custo de vida”, justificou.

Lei critica ainda o Governo de Macau, porque não acompanha o exemplo da cidade vizinha, onde o preço foi novamente reduzido. “Um teste com uma amostra individual em Zhuhai não custa mais do que 13,5 yuan, e se for uma amostra com várias pessoas, o preço não vai além dos 2,8 yuan por pessoa”, indicou.

“Em contraste com Macau, apesar do preço do teste ter sido reduzido de 180 patacas, no início da epidemia, para as actuais 45 patacas, o custo continuar a ser muitas vezes mais caro do que em Zhuhai”, acrescentou.

Melhor controlo

Neste contexto, Nick Lei perguntou ao Governo quais são os planos para reduzir o preço dos testes de covid-19 e qual a margem para diminuir os mesmos.

O deputado quer ainda saber se as empresas que fornecem os testes vão aumentar o número de amostras individuais misturadas em amostras múltiplas, de forma a se poder reduzir ainda mais o preço do teste.

Em vez de analisarem as amostras individuais uma a uma, os laboratórios misturam cerca de 10 amostras individuais de uma vez, para aumentarem a velocidade dos resultados dos testes. Em caso de haver algum positivo, todos os 10 testados são chamados novamente para um novo teste individual, que permite detectar quem está verdadeiramente positivo.

Face às constantes exigências da realização de testes, Nick Lei apelou ainda ao Governo para montar mais pontos de testes que funcionem 24 horas, por considerar que os actuais são insuficientes e que trazem demasiados inconvenientes à população.

LAG 2023 | Novos concursos para habitação privada e económica no próximo ano

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O Governo promete lançar, no próximo ano, novos concursos para a atribuição de casas económicas e habitações privadas, para “promover o equilíbrio do mercado”. “Continuaremos a apostar de forma contínua no reforço da habitação social e económica, tendo sido iniciado este ano o concurso para quatro novos complexos de habitação social na Zona A envolvendo cerca de quatro mil fracções, estando em construção outros oito complexos de habitação económica na mesma zona com mais de oito mil fracções”, disse Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas, no discurso inaugural do debate.

Também para o ano fica prometido o arranque do processo legislativo para a habitação intermédia, ou seja, casas para a chamada “classe sanduíche”, bem como a conclusão do projecto de residência para idosos.

O secretário Raimundo do Rosário garantiu que a tipologia das fracções económicas será definida gradualmente. O deputado Leong Sun Iok lançou a questão. “A sociedade presta muita atenção às tipologias das fracções. Que alterações serão feitas?”, questionou.

O mesmo deputado acusou o Executivo de dar azo à especulação imobiliária com a habitação intermédia, por ser “permitida a especulação e o investimento”. O secretário, contudo, rejeitou as acusações.

“A diferença entre a habitação intermédia e económica tem a ver com a capacidade financeira dos interessados. Sempre que pensamos em construir diferentes tipos de fracções é para atender a diferentes tipos de necessidades, para pessoas que têm diferentes capacidades económicas”, rematou Raimundo do Rosário.

Pensar nos limites

Leong Sun Iok sugeriu ainda ao Governo alterar o limite mínimo de rendimentos exigido para candidaturas a casas do Governo, tendo em conta o contexto de crise económica, uma vez que o valor mínimo aumentou para 11.640 patacas. No entanto, “a mediana do rendimento mensal baixou este ano para 17 mil patacas. Com esta redução os residentes elegíveis para a habitação económica deixam de estar elegíveis”, apontou. O secretário prometeu estudar a matéria. “Podemos pensar no ajuste do limite mínimo de rendimentos.”

Matrículas | Circulação na China “em breve”, diz Raimundo do Rosário

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O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, disse que está para breve a autorização da circulação de veículos com matrícula de Macau no Interior da China. “Dentro em breve poderemos ter notícias positivas. Estamos a trabalhar nesse sentido”, disse, referindo-se ao reconhecimento mútuo das cartas de condução com a China continental.

Raimundo do Rosário disse na Assembleia Legislativa que o reconhecimento é o passo que se segue, sublinhando que a circulação de veículos registados em Macau na província de Guangdong “é um assunto já concluído”.

O deputado Leong Sun Iok tinha demonstrado preocupação com “a construção de instalações complementares” nas fronteiras com a China, para evitar o aparecimento de “engarrafamentos crónicos”.

Na sexta-feira, o Conselho de Estado do país aprovou uma política que permite à Administração-Geral das Alfândegas isentar veículos de Macau de uma “garantia aduaneira” ao atravessar a fronteira. Num comunicado, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) disse estar a discutir com as autoridades de Guangdong “as disposições pormenorizadas” para implementar “em breve” a circulação de veículos de Macau na província vizinha.

No final de Agosto, a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin anunciou o fim da quota máxima de 10 mil veículos registados em Macau que podem circular livremente na zona, após obterem autorização.

Metro ligeiro | Linha chega à península em 2023

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O Governo assegurou ontem no hemiciclo que o Metro Ligeiro chegará à península de Macau no próximo ano, com a conclusão da estação da Barra. Também em 2023 irá arrancar a construção da nova Linha Este, que liga a Taipa às Portas do Cerco, com uma passagem pelas zonas urbanas dos novos aterros.

Raimundo do Rosário assegurou ainda que serão aceleradas “outras obras públicas de grande relevância”, como a quarta ponte que liga a península de Macau à Taipa.

Cinzas volantes | Depósito será construído junto ao aeroporto

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O Governo pretende construir uma ilha ecológica com quase três quilómetros quadrados que servirá como aterro para o depósito de cinzas volantes, assegurou ontem o secretário Raimundo do Rosário.

“Todos os dias são produzidos cerca de 80 metros cúbicos de cinzas volantes e temos de dar andamento a esse processo. Temos um aterro junto ao aeroporto para esse efeito, e já fizemos um estudo preliminar para a utilização de uma ilha com 2,5 quilómetros quadrados que irá servir como depósito de cinzas e aterro sanitário [para materiais de construção civil]. Iremos analisar as opções e as cinzas serão depois transferidas para essa ilha”, adiantou.

O assunto foi abordado por Zheng Anting, que sugeriu um processo de reciclagem de cinzas. Em Setembro, o Chefe do Executivo disse que a “ilha ecológica” iria situar-se em “águas profundas da foz do Rio das Pérolas”, e que nesse aterro seriam despejados lodos residuais criados pela construção da futura Linha Leste do Metro Ligeiro.

Ambiente | Governo admite não ter um plano de descarbonização

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O secretário para os Transportes e Obras Públicas admitiu que o Governo não tem ainda um plano concreto de descarbonização nem metas ambientais anuais, à semelhança da China ou Hong Kong. Além disso, não está nos planos do Executivo regular a instalação de painéis fotovoltaicos

 

Numa altura em que as questões ambientais estão na agenda política da maioria dos países e regiões, pelo menos no papel, o Governo de Macau admite não ter planos concretos para a gradual descarbonização, nem mesmo planos anuais de implementação de medidas ecológicas. A ideia foi deixada ontem pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, no debate sobre as Linhas de Acção Governativa (LAG) de 2023 da sua tutela.

“Posso dizer que não temos um plano concreto [para a descarbonização]. O nosso trabalho está direcionado nesse sentido, a fim de corresponder ao plano nacional e planos internacionais, mas não há nada de concreto”, disse.

Vários deputados levantaram a questão, lembrando a meta traçada pelas autoridades de Hong Kong, que querem proibir, em 2035, a venda de novos carros movidos a combustíveis fósseis. “Hong Kong tem metas definidas a cada ano, mas nós em Macau não temos”, admitiu o secretário.

O debate de ontem arrancou com os temas ambientais na agenda dos deputados, em particular com questões ligadas a veículos eléctricos e postos de carregamento. Raimundo do Rosário disse que existem entre 300 a 400 utilizadores de postos de carregamento de veículos eléctricos em parques de estacionamento públicos, e que até final deste ano serão acrescentados mil postos aos mil já existentes.

“Não é preocupante esta questão pois temos lugares de carregamento suficientes”, disse. No Governo há 3.200 veículos eléctricos, confirmou ainda Raimundo do Rosário, sendo que desde o ano passado existe uma directiva, assinada pelo Chefe do Executivo, para a substituição gradual dos veículos do Executivo por carros eléctricos.

Postos sem consenso

Relativamente ao aumento dos postos de carregamento em parques privados e zonas residenciais, o governante disse pouco poder fazer. “A instalação dos postos nas zonas comuns dos edifícios residenciais carece de consentimento e consenso dos condóminos. Na construção dos novos edifícios públicos e privados a instalação desses postos já está prevista. Mas quanto aos edifícios já existentes carece de consentimento e essa é uma questão de difícil resolução. Na falta desse consenso, nada se pode fazer.”

O secretário disse mesmo que a eventual alteração da lei, para flexibilizar o processo, nem pode partir da sua tutela, pois está em causa uma revisão do Código Civil. O deputado Leong Sun Iok alertou para o facto de a matéria ter gerado queixas de moradores. “Temos de incentivar os proprietários a instalar mais postos de carregamento, aprendendo com as experiências da China e de Hong Kong. Será que o Governo tem medidas pensadas, como a atribuição de subsídios?”, questionou.

Quanto ao uso de combustível à base de hidrogénio, o secretário frisou é ainda uma realidade distante do território. “Não temos esse tipo de veículos, é uma técnica inovadora.”

A questão da instalação dos painéis solares foi também abordada no debate de ontem. O deputado Wang Sai Man lembrou que o foram lançadas normas sobre essa matéria, existindo apenas sete painéis instalados até à data. “Porque há tão poucos painéis instalados? Será que podemos optimizar este regime?”, inquiriu.

A lei que regula a matéria existe desde 2014 e deverá continuar como está. “Não vamos publicar um novo regulamento sobre painéis fotovoltaicos”, disse Raimundo do Rosário.

Jiang Zemin (1926-2022): Um líder de grandes momentos

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Jiang Zemin presidiu a alguns dos momentos mais relevantes da história da China contemporânea. Em 1992, reafirmou a abertura e as reformas económicas. Supervisionou as transferências de soberania de Hong Kong e Macau; e conseguiu a entrada da China na Organização Mundial do Comércio e os Jogos Olímpicos de Pequim. Sob a sua liderança, o país prosperou e tornou-se numa superpotência económica

 

Jiang Zemin, ex-presidente da China, morreu na quarta-feira em Xangai, aos 96 anos. A ausência de Jiang no 20º congresso do Partido Comunista em Outubro, bem como as celebrações do centenário do partido no ano passado, foram lidos como sinais claros do seu estado de saúde em declínio. Morreu de leucemia e falha de múltiplos órgãos às 12.13h de quarta-feira, de acordo com a agência noticiosa Xinhua.

Após o anúncio da sua morte, todas as bandeiras em locais como a Praça Tiananmen de Pequim, os gabinetes de ligação em Hong Kong e Macau e todas as embaixadas chinesas no estrangeiro foram baixadas a meia haste até depois do funeral. Não foram fornecidos mais pormenores sobre os eventos comemorativos.

O Presidente Xi Jinping dirigirá a comissão de 688 membros encarregada dos seus preparativos funerários. Os seus outros membros incluem o antigo presidente Hu Jintao e o antigo primeiro-ministro Zhu Rongji.

“De acordo com o costume, nenhum governo, partidos políticos ou delegações estrangeiras será convidado a assistir a eventos de homenagem na China”, afirmou o primeiro aviso oficial publicado pela comissão funerária. Serão também criados salões funerários nas embaixadas e consulados-gerais chineses para que as pessoas no estrangeiro prestem homenagem.

Jiang foi visto pela última vez em público a 1 de Outubro de 2019, tomando o seu lugar entre os mais idosos convidados para assistir às celebrações do 70º aniversário da fundação da República Popular da China e a um desfile militar que assinalou a ocasião.

De Xangai com fervor

Jiang Zemin, que serviu como secretário-geral do partido de 1989 a 2002, foi o primeiro líder de topo a não ter lutado na revolução, que culminou com a criação da República Popular após a vitória na guerra civil em 1949.

Jiang era o chefe do partido de Xangai quando lhe foi atribuído o cargo máximo do partido em Junho de 1989. A promoção de Jiang aconteceu quando o Ocidente virou as costas à China por causa dos incidentes de Tiananmen. Mas, nos anos seguintes, presidiu a alguns dos momentos mais simbólicos da China, marcando uma maior integração do país com a economia global e ganhando um estatuto mais elevado como potência mundial. Estes incluíram a entrega de Hong Kong em 1997 e de Macau em 1999, quando estas cidades regressaram à soberania chinesa. Foi sob a sua liderança que a China se tornou formalmente membro da OMC em 2001 e, no mesmo ano, Pequim obteve o estatuto de cidade anfitriã dos Jogos Olímpicos de Verão de 2008.

Jiang Zemin renunciou voluntariamente ao cargo de chefe do partido em 2002, para o entregar a Hu Jintao, e ao cargo de chefe das forças armadas em 2004.

Jiang é recordado por muitos como uma figura carismática e confiante, o que o fez sobressair entre outros líderes chineses. Aos 71 anos, fez manchetes por nadar e tocar ukleke no Havai, e mostrou os seus talentos ao cantar ópera de Pequim, durante uma visita estatal aos EUA em 1997.

PCC: “um líder notável”

O anúncio da sua morte foi feito pelo Comité Central do Partido Comunista da China (CPC), o Comité Permanente do Congresso Nacional Popular da República Popular da China (RPC), o Conselho de Estado da RPC, o Comité Nacional da Conferência Consultiva Política Popular Chinesa, e as Comissões Militares Centrais do CPC e da RPC. Foi anunciado numa carta dirigida a todo o partido, a todo o exército e ao povo chinês de todos os grupos étnicos.

A carta diz que “anunciam com profundo pesar a todo o Partido, a todos os militares e ao povo chinês de todos os grupos étnicos que o nosso amado camarada Jiang Zemin morreu de leucemia e falência de múltiplos órgãos depois de todos os tratamentos médicos terem falhado”.

Ainda segundo a carta, “o camarada Jiang Zemin era um líder notável gozando de grande prestígio reconhecido por todo o partido, por todo o exército e pelo povo chinês de todos os grupos étnicos, um grande marxista, um grande revolucionário proletário, estadista, estratega militar e diplomata, um lutador comunista há muito testado, e um líder notável da grande causa do socialismo com características chinesas. Ele foi o núcleo da terceira geração da liderança colectiva central do CPC e o principal fundador da Teoria das Três Representantes”, a saber: “o Partido deve sempre representar as necessidades ligadas ao desenvolvimento das forças produtivas da China, a orientação da cultura superior da China, e os interesses da larga maioria do povo chinês”.

De engenheiro a presidente

Jiang Zemin (江泽民) nasceu na cidade de Yangzhou, Jiangsu, China, a 17 de Agosto de 1926. A sua casa ancestral foi a aldeia Jiangcun, no condado de Jingde, Anhui. Jiang cresceu durante os anos da ocupação japonesa. O seu tio e o seu pai adoptivo, Jiang Shangqing, morreu a combater os japoneses em 1939 e é considerado como um herói nacional.

Jiang frequentou o Departamento de Engenharia Eléctrica na Universidade Central Nacional em Nanjing, ocupada pelo Japão, antes de se transferir para a Universidade Nacional Chiao Tung (actualmente Universidade Jiao Tong de Xangai). Formou-se em 1947 com um bacharelato em engenharia eléctrica.

A sua entrada no Partido Comunista Chinês deu-se quando ainda estava na faculdade. Em 1949, casou com Wang Yeping, também natural de Yangzhou, formada na Universidade de Estudos Internacionais de Xangai. Tiveram dois filhos, Jiang Mianheng (nascido em 1951) e Jiang Miankang (nascido em 1956).

Após a criação da República Popular da China, Jiang recebeu a sua formação na Stalin Automobile Works, em Moscovo, nos anos 50. Trabalhou também numa fábrica de automóveis em Changchun. Acabou por ser transferido para os serviços governamentais, onde começou a subir de proeminência e posição, acabando por se tornar membro do Comité Central do Partido Comunista, Ministro das Indústrias Electrónicas, em 1983.

Em 1985, Jiang Zemin tornou-se Presidente da Câmara de Xangai, e subsequentemente secretário do Comité do Partido Comunista de Xangai, tendo sido um firme apoiante, durante este período, das reformas económicas de Deng Xiaoping. Chegou a secretário-geral do PCC em 1989, sendo considerado como um líder que gostava de pedir a opinião dos seus conselheiros próximos e é frequentemente creditado com a melhoria das relações externas durante o seu mandato. A construção do caminho-de-ferro Qinghai-Tibet e da Barragem das Três Gargantas começaram sob a sua liderança. Em 1993, foi nomeado presidente da China, cargo que manteve até 2002.

Jiang dominava várias línguas estrangeiras, incluindo o inglês e o russo. Gostava de envolver visitantes estrangeiros em pequenas conversas sobre artes e literatura, na sua língua materna, para além de cantar canções estrangeiras na versão original. Faleceu no dia 30 de Novembro de 2022.

As nossas condolências

“Nesta noite cheia de luar, sopra a brisa refrescante, e o mar é sereno como de rosas”, assim começava o discurso de Jiang Zemin, que nesta cidade marcou o pacífico regresso de Macau à soberania chinesa, no dia 20 de Dezembro de 1999.

“A partir deste momento, a amizade entre o povo chinês e o povo português, e a cooperação amistosa entre os dois países vão também desenvolver-se para a frente, de um novo ponto de partida”, afirma em posterior passagem, dirigindo-se a todos os presentes e, especialmente, ao presidente português Jorge Sampaio, presente na cerimónia e também já falecido.

Tendo tomado as rédeas do país num difícil momento, Jiang Zemin soube — sobretudo depois do Congresso do PCC de 1992, em que reafirmou a abertura ao mundo, e ao longo de todo o seu mandato — conquistar para o país um destacado lugar na comunidade internacional e a sua liderança, juntamente com o primeiro-ministro Zhu Rongji, foi fundamental para tornar a China na superpotência, que hoje afirma inequivocamente a sua importante posição económica, política e militar no mundo contemporâneo.

Durante a sua presidência, a China conheceu um período de estabilidade, desenvolvimento e prosperidade difícil de igualar e sem precedentes na história da Humanidade. O Hoje Macau envia as nossas sentidas condolências à sua família, ao Partido Comunista da China e a todo o povo chinês, pelo desaparecimento deste grande líder.

Covid-19 | Novo caso positivo relacionado com taxista

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Um novo caso de infecção positiva de covid-19 relacionado com o taxista que se crê esteja na origem das últimas infeccões detectadas em Macau, foi ontem anunciado pelas autoridades de saúde.

Segundo o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, no dia 29 foi registado um novo caso relacionado com o caso importado da COVID-19 em Macau, sendo considerado como um caso detectado sob controlo. A pessoa afectada é um jovem de 17 anos de idade, residente de Macau mais um neto que mora com o caso confirmado, do taxista de 74 anos de idade, anunciado no dia 28.

O infectado foi classificado como contacto próximo anteriormente, já está sujeito a observação médica em isolamento desde a manhã do dia 28 de Novembro, informa o Centro de Contingência. Após dois testes de ácido nucleico negativos, na manhã do dia 29 de Novembro, o jovem começou a sentir um desconforto na garganta. O resultado do teste de ácido nucleico foi positivo.

O valor do CT mostra uma infecção na fase inicial. Este caso foi detectado sob controlo, e foi considerado como caso relacionado com o caso importado da COVID-19. A pessoa em apreço foi encaminhada para tratamento médico em isolamento no Centro Clínico de Saúde Pública no Alto de Coloane, sendo o risco de transmissão comunitária relativamente baixo, remata o Centro de Contingência.

Mundial2022 | Portugal prepara Coreia do Sul sem titulares. Guerreiro e lesionados

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A selecção portuguesa de futebol começou ontem a preparar o jogo diante da Coreia do Sul, o derradeiro no Grupo H do Mundial2022, sem a presença dos titulares com o Uruguai, Raphäel Guerreiro e os lesionados. No dia seguinte ao triunfo sobre o Uruguai (2-0), com o qual ‘carimbou’ a passagem aos oitavos de final, a equipa das ‘quinas’ contou com apenas 12 jogadores no relvado do centro de treinos de Al-Shahaniya, nos primeiros 15 minutos abertos aos jornalistas.

Os titulares na partida com os sul-americanos e Raphäel Guerreiro limitaram-se a fazer trabalho de recuperação, sendo que Nuno Mendes, que entrou de início no encontro, se lesionou no final do primeiro tempo e teve de ser substituído pelo lateral do Borussia Dortmund.

Além de Mendes, o lote de indisponíveis inclui ainda Otávio e Danilo Pereira, igualmente lesionados, pelo que, face a estas condicionantes, o seleccionador Fernando Santos teve ao dispor somente os oito jogadores que não foram utilizados diante dos uruguaios e os quatro que entraram no decorrer da segunda parte (Rafael Leão, Palhinha, Matheus Nunes e Gonçalo Ramos).

Portugal venceu na segunda-feira o Uruguai por 2-0, com dois golos de Bruno Fernandes, e assegurou o apuramento para os oitavos de final, ocupando a liderança do Grupo H, com seis pontos, à frente do Gana, que tem três, enquanto os uruguaios e a Coreia do Sul têm ambos um. A equipa das ‘quinas’ defronta na sexta-feira os sul-coreanos a partir das 18:00 locais.

Covid-19 | Pequim vai incrementar vacinação de idosos

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A China anunciou ontem a intensificação da campanha de vacinação contra o vírus SARS CoV-2 junto de pessoas com mais de 80 anos. A Comissão Nacional da Saúde comprometeu-se transmitindo um aviso que indica “o incremento de campanhas de vacinação a pessoas com mais de 80 anos” acrescentando que vai também aumentar a inoculação da população entre os 60 e os 79 anos de idade.

O anúncio ocorre numa altura em que se regista contestação às medidas de confinamento adoptadas por Pequim.
No fim de semana, centenas de moradores na capital chinesa saíram à rua, rompendo as medidas de prevenção epidémica vigentes, a que estavam sujeitos, enquanto manifestações se alastraram por várias cidades contra a imposição de medidas de confinamento.

“As pessoas em toda a China estão a assumir riscos extraordinários para exigir os seus direitos”, disse Yaqiu Wang, investigador sénior da Human Rights Watch na China, urgindo as autoridades de Pequim a “permitir que todos expressem pacificamente as suas opiniões”.

No comunicado, a organização lembra as diversas manifestações de protesto pacíficas que se multiplicaram nos últimos dias contra as restrições sanitárias, incluindo moradores no bairro de Urumqui, em Pequim, ou estudantes em diversas cidades chinesas.

A eles!

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Por Carlos Coutinho

 

Na praça com o seu nome, em Zamora, encontrei há muitos anos um Viriato de bronze em cima de um pedregulho enorme, com um carneiro gigantesco à sua frente, também de bronze, ao qual indicava em que direção seguir para bem marrar em todos os romanos que encontrasse pelo caminho.

Por tática de combate, a portentosa cornadura do combatente lãzudo escondeu-se atrás da coluna do gradeamento de proteção ao monumento, quando o sol incide pela direita. Eu é que não consigo esconder a minha vergonha por andar uma vida inteira a acreditar que o Viriato de pedra que está em Viseu é o mesmo e foi um genuíno lusitano nascido nos Montes Hermínios, a que hoje chamamos Serra da Estrela.

Fui averiguar e comecei por descobrir que, já em 1997, o historiador Carlos Fabião, no seu ensaio “O Passado Proto-Histórico e Romano”, que inicia o vol. I – “Antes de Portugal”, no extraordinário estudo panorâmico coordenado por José Mattoso, desmontava por completo o mito patrioteiro.

Na verdade, tanto Alexandre Herculano como Oliveira Martins, já no século XIX, tinham desautorizado com boa argumentação esta lenda engendrada do século XVII para legitimar o direito de Portugal à independência, mas foi preciso aparecer outro estudo, este bem mais recente, assinado por Ricardo Raimundo, para eu ficar a saber que a falácia, apesar de salvífica e muito portuguesa, tem raízes bem mais antigas.

Afinal, Viriato parece ter existido, mas era tão pastor como eu. O seu nome deriva do ibérico viria que significa pulseira e é uma abreviatura do céltico viriola. Ou seja, viriato é um portador de pulseiras no braço, como os atuais portugueses de crenças inimagináveis e pouco cuidado higiénico.

As primeiras fontes com referências insistentes a Viriato são do século I a.n.e., da autoria de Possidónio e de Diodoro, que falam de um “herói puro e justo, porque nasceu e viveu em ambientes selvagens, não corrompidos pela decadência que a civilização acarreta”.

Julga-se que Diodoro se limitou a dar mais substância à mentira piedosa de Possidónio e Carlos Fabião considera que do cruzamento dessa primeira historiografia com os textos posteriores de diversos autores greco-latinos, pode concluir-se que Viriato teria existido, de facto, e nascido na Lusitânia, não havendo qualquer “Monte Hermínio” associado ao chefe-antirromano e, muito menos, às Guerras Lusitanas, como acabei por verificar em Zamora.

Esse mito deve ter engrossado no século XVI, em pleno renascimento e florescimento humanista, por especial atuação de Sá de Miranda e também de Luís de Camões. Só que isto é pano que dá para muitas mangas, o que não é objetivo destes modestos e pouco ambiciosos apontamentos e, como já pus os pontos nos is, vou apenas acrescentar que quem mais contribuiu para a apropriação lusíada do herói foi um alemão, o desinteressado Adolf Schulten, com o seu “Viriato” traduzido para português em 1927, quando a Espanha reclamava a sua origem ainda hoje assinalada na cidade onde Afonso Henriques foi assinar as condições do nascimento de um novo reino na Ibéria.

A historiografia romana, ao mexer nas Guerras Lusitanas, apontam a sua geografia para uma vasta região do Centro e do Sul da Espanha, muito mais próximos da civilização e dos núcleos urbanos mediterrânicos. Aí, Viriato, um grande terratenente grupal, teria sabido movimentar-se com grande mestria, sobretudo, pelo conhecimento que tinha da região. Provavelmente nem quereria ouvir falar dos selvagens dos Montes Hermínios nem das falsas e brumosas praias atlânticas.

É verdade, no entanto, que Frei Bernardo de Brito, na sua obra “Monarquia Lusitana”, apesar de sujeito ao domínio filipino, e, mais tarde, Brás Garcia Mascarenhas, no seu “Viriato Trágico”, escrito durante a Guerra da Restauração, ligam diretamente os portugueses a Viriato, mas é fácil perceber porquê. Ou não é?

O que não é fácil perceber é eu ter andado quase uma vida inteira a ser tão aldrabado pelos professores e pelos livros do ensino oficial. Nesta e sei lá em quantas falsidades mais.

À tarde

Gostaria de poder estar hoje em Havana, que mais não fosse, para levantar o meu copo a Silvio Rodríguez que faz 76 anos e, seguramente, nunca se arrependerá de ter vindo ao mundo e haver feito o que fez. Pela parte que me toca, não posso deixar de confessar a gula e o enternecimento com que sempre o ouvi em canções agora agrupadas em álbuns como Días y flores, Mujeres, Oh, melancolia, Descartes, Para la espera e certamente outros.

Silvio Rodríguez Domínguez nasceu em San Antonio de Los Baños no dia 29 de novembro de 1946, é músico, compositor, poeta e cantor, cedo se tendo afirmado como alto um expoente da música cubana surgida com a revolução. É dos cantores cubanos contemporâneos de maior relevo internacional, criador da ‘trueba nueva’, com Pablo Milanés, Noel Nicola, Vicente Feliú e outros músicos do movimento Nova Trova Cubana.

Notabilizou-se nacional e internacionalmente como um bom poeta lúcido e inteligente, um criador capaz de sintetizar o intimismo e os temas universais com a mobilização e a consciência social. Até eu, que não engulo tudo o que me põem no prato, me tornei seu fã.

Consta de uma curta biografia sua que, perante a morte do Che Guevara, compôs La Era Está Pariendo un Corazón e Fusil contra fusil, canções que incluiu no disco coletivo Hasta la Victoria Siempre. Nos inícios dos anos 70, junto com Pablo Milanés e outros que mais tarde iriam fazer parte da Nova Trova, integrou o Grupo de Experimentação Sonora.

Desta altura são algumas gravações como El Papalote, Cuba Va (um curioso rock cantado com Pablo Milanés e Noel Nicola), De la Ausencia y de Ti, Velia, El Mayor, Granma (obra coletiva), Oveja Negra, Si Tengo un Hermano, etc. canções editadas, anos mais tarde, em discos como Los Tres del Gesi, Cuando Digo Futuro e Memorias.

Em 1972, fez uma ’tournée’ pela Alemanha e pelo Chile, onde partilhou o cenário com Isabel Parra (filha da famosa Violeta) e com Víctor Jara, o herói chileno cruelmente assassinado no ano seguinte após o golpe de Pinochet.
Silvio publicou em 2010 o disco Segunda Cita (Segundo Encontro) que inclui a canção Sea, señora, uma homenagem às conquistas da Revolução Cubana, que “têm de evoluir sem se esquecer os seus princípios socialistas”, considerou, então. Vejam só… O que eu sou capaz de respigar, quando um assunto qualquer me impressiona…

À noite

Faz hoje 1222 anos que Carlos Magno chegou a Roma para investigar pessoalmente os crimes do Papa Leão III. Se fosse hoje não podia sequer sair de França, porque estaria muito ocupado com o julgamento de 12 cardeais e bispos a contas com a Justiça, por abuso sexual de menores.

Não imagino o que seria a minha mentalidade naqueles séculos remotos em que certos reis mandavam nos papas e tenho quase a certeza de que seria tão perturbador como hoje, quando percebo que os papas mandam em certos reis e ainda em mais presidentes. O que tem como resultado visível o haver tantos pedófilos e predadores sexuais que vivem no melhor dos confortos e nunca se encontrarão a contas com a Justiça.

É certo que um milénio depois de Carlos Magno, o nosso Afonso I, para ser de jure rei, teve de ir a Zamora subscrever as condições que um papa muito cioso do seu total arbítrio ‘a divinis’, mandou o Cardeal Guido de Vico levar o pergaminho iluminado e em duplicado que o façanhudo filho de Teresa e Henrique teve de assinar juntamente com o representante do seu primo também Afonso, mas o VII, de Leão, aceitando com tais rabiscos ficar vassalo da Santa Sé.

O Papa que, além do mais, também passava a esportular um pesado censo anual, era um tal Alexandre III que, para o efeito congeminou a Bula Manifestis Probatum. Mas Leão era também aquele papa florentino que, apesar de ter nascido Giovanni di Lorenzo de Medici, não se coibiu de ser o X e levantar uma sangrenta Contrarreforma, em resposta à Reforma Protestante de Lutero. Assim como outro Medici, o XI, que pontificou menos de um mês, e o XII, que era de Ancona e também esteve no trono menos de seis anos. Com o XIII a coisa já foi diferente, porque este último Leão da série viu a sua Igreja expropriada de riquezas incomensuráveis e, apesar disso, optou pela moderação e a diplomacia na sua resistência, morrendo muito triste em 1903.

Depois vieram os Pios e os Paulos. Pio X reagia à bruta a tudo que lhe cheirasse a modernismo, Pio XI, um militarão frustrado, criou a Ordem da Cavalaria Papal e Pio XII, além de ser no século XX o único papa a usar o dom da infalibilidade papal, foi núncio na Baviera, onde conheceu Hitler, com vantagens para ambos. O ‘führer’ sabia muito bem com quem estava a lidar e, pelo sim pelo não, ameaçou-o de sequestro.

Nessa eventualidade, disse o Papa à Cúria, a sua captura pelos nazis “implicaria a resignação imediata e a eleição de um sucessor, devendo os prelados refugiar-se num país seguro e neutro, Portugal, por exemplo”, onde o Cardeal Cerejeira e o Salazar mostravam ser católicos e profundos respeitadores dos direitos humanos.

Pior do que isto só aquele Paulo que foi o VI e um obcecado devoto mariano, discursando repetidamente a congressistas marianos e em reuniões marianológicas, visitando santuários marianos e publicando três encíclicas marianas. A Humanae vitae veio, aliás, em continuidade da Constituição Pastoral Gaudium et Spes que em dissonância com o próprio Concílio Vaticano II, deixou expresso no capítulo que trata da família que se haveria, “na regulação da natalidade, de recorrer à castidade conjugal”.

Assobiou para o lado enquanto sob os seus auspícios uma operação de salvamento de criminosos de guerra nazis, que ficou conhecida como a Rota dos Ratos, encaminhava para as Américas do Norte e do Sul mais de 1 200 criminosas de guerra e, entre eles, os famosos Eichman, Mengele, Rauff, Wächter, Barbie, Altmann e outros que conseguiram fugir à Justiça, recorrendo à ajuda de membros do Vaticano e da Cruz Vermelha.

Mais astucioso e persistente papa, só outro Paulo, que, além de II, também foi João, um polaco de Wadowice nascido Karol Józef Wojtyła, que em 26 anos de pontificado logrou derrotar o socialismo institucional do pós-guerra, liderando apostolicamente uma organização alegadamente sindical e acabando canonizado após a nova Europa que ajudou a criar e a preparar para guerras e morticínios só ultrapassados pelas forças hitlerianas.

É santo de grande devoção para uma parte muito considerável de ucranianos, precisamente os que em tempos foram dominados pela Polónia expansionista.

Cuidado com os mergulhos no oceano da História, porque podemos apanhar sustos destes e não serve de nada queixarmo-nos ao Marcelo ou ao Costa.

A eles!

Rota das Letras | Festival aposta em autores locais, celebra Saramago e “Romance dos Três Reinos”

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A 11.ª edição do Rota das Letras decorre ao longo de dois fins-de-semana, entre 2 e 4 de Dezembro na Livraria Portuguesa, e entre 9 e 11 de Dezembro, no Art Garden, sede da Sociedade Arte para Todos (AFA). Esta é mais uma edição que volta a ser muito condicionada pelas medidas de controlo da pandemia da covid-19

 

O Festival Literário de Macau celebra este ano o centenário do nascimento de José Saramago e os 500 anos do clássico chinês “Romance dos Três Reinos”, numa edição “muito condicionada” pela pandemia e que aposta novamente nos autores locais.

A 11.ª Rota das Letras, que decorre entre esta sexta-feira e domingo, na Livraria Portuguesa, e entre 9 e 11 de Dezembro, no Art Garden, vai voltar a centrar-se nos escritores do território e a procurar “assinalar efemérides que sejam importantes para a literatura de Macau, literatura lusófona e literatura universal”, afirmou o director do festival, Ricardo Pinto, à Lusa.

Neste sentido, é dado destaque aos centenários do nascimento de José Saramago e de Maria Ondina Braga e aos 500 anos da primeira publicação integral do “Romance dos Três Reinos”, clássico da literatura chinesa.

As sessões de celebração dos autores portugueses vão decorrer no próximo domingo, durante a tarde. No tributo ao único português a ser distinguido com o Nobel da Literatura, vão ser apresentados trabalhos de Miguel Real e José Luís Peixoto que têm como referência a vida e a obra do escritor: “As Sete Vidas de Saramago”, uma biografia do autor; e “Autobiografia”, um romance em que Saramago é personagem central. Esta sessão terá também a participação da artista chinesa de Macau Kay Zhang, que em conversa com Carlos Marreiros vai falar do seu projecto artístico inspirado no “Ensaio sobre a Cegueira”.

Na noite de domingo, também na Livraria Portuguesa, os interessados vão ainda poder assistir à projecção de um documentário sobre Maria Ondina Braga, antecedida por uma evocação da autora, a cargo da Professora Vera Borges. O filme, “O que Vêem os Anjos”, tem realização de Tiago Fernandes, entrevistado agora por Hélder Beja.

Aposta local

A abertura do evento está agendada para esta sexta-feira, pelas 18h30, na Livraria Portuguesa, e aposta passa pela “prata da casa”, com a apresentação dos trabalhos mais recentes dos escritores locais Lawrence Lei, sobre a pandemia e com o título Rostos Mascarados, e de Cheong Kin Han, que em Ying aborda a interrupção da gravidez.

Ricardo Pinto, afirmou à Agência Lusa, que estes são alguns dos autores de Macau convidados a celebrar a literatura “com temas muito actuais, como a pandemia e a questão da interrupção voluntária da gravidez”, respectivamente.

Por volta das 19h30, os interessados vão poder assistir a uma performance apresentada por Wong Teng Chi, com base no conjunto da sua dramaturgia em que explora temas como a observância social e questões de identidade e género.

No dia seguinte, o primeiro sábado do evento, os autores locais voltam a estar em destaque. A manhã do segundo dia foi feita a pensar no “público infantil”, com a Livraria Júbilo a apresentar os trabalhos da ilustradora Yang Sio Maan.

As suas mais recentes ilustrações constam de Wild Words, um dicionário da natureza selvagem distribuído no Reino Unido. Logo depois, Tony Lam fará a apresentação de uma aventura para crianças que se passa em boa parte nos subterrâneos do Templo de A-Má

A tarde de sábado fica marcada pela celebração do 5.º centenário da primeira publicação integral do “Romance dos Três Reinos”, um clássico da literatura chinesa, numa sessão que vai ter como oradores Wang Di e Wang Sihao, académicos da Universidade de Macau, e como moderador Yao Jingming, académico e escritor.

Na noite de sábado, decorre ainda um dos momento altos do evento, nas palavras do director do festival, com o lançamento da segunda edição do ‘Livro dos Nomes’ de Carlos Morais José e fotografias de Sara Augusto. “Destacava em relação aos autores locais o lançamento da segunda edição do ‘Livro dos Nomes’ de Carlos Morais José, agora com fotografias de Sara Augusto. É uma segunda edição muito enriquecida e um livro que seguramente vai suscitar o interesse de muita gente”, afirmou Ricardo Pinto.

A 3 de Dezembro, o evento vira-se para autores de vários países de língua portuguesa, Krishna Monteiro, Manuel da Costa, Hélder Macedo, entre outros, juntam-se numa sessão online para falarem do seu contributo para uma nova antologia bilingue de contos lusófonos, traduzidos para chinês. Viagem, assim se intitula este projecto, é uma edição do IPOR e tem representados todos os países de língua portuguesa.

Continuação no Art Garden

No fim de semana seguinte, de 9 a 11 de Dezembro, o Festival Rota das Letras muda-se para o Art Garden, onde será apresentado o projecto plurianual “A Room of One’s Own”. Baseado na obra homónima de Virginia Woolf (“Um Quarto Só Seu”), o projecto inclui uma série de sessões de debate, seminários, concertos e performances que vão explorar o tema da Condição Feminina.

A primeira mesa-redonda do fim-de-semana, na sexta-feira, pelas 18h30, junta Agnes Lam e Glenn Timmermans, professores da Universidade de Macau, à psicanalista Natalie Si, num debate sobre o conceito de literatura feminina e as suas implicações psicológicas, a partir da obra de Virginia Woolf.

A sessão é seguida da apresentação de um concerto no terraço do Art Garden. O músico meditativo de Hong Kong Paul Yip, os poetas locais M. Chow e Isaac Pereira, e a bailarina de Macau Tina Kan inspiram-se na escrita poética de Virginia Wool para criarem um espectáculo onde se combinam a palavra, a música e o gesto.

Evento condicionado

Num balanço às 10 edições anteriores do Rota das Letras, Ricardo Pinto sublinhou que o festival se encontra “hoje muito condicionado pela situação da pandemia que se continua a viver em Macau e na China”. “Diria que estamos ansiosos para regressar a outros tempos em que tínhamos a possibilidade de ter connosco autores da lusofonia, da China, do mundo chinês em geral e de muitos outros países”, complementou o responsável.

Macau fechou as fronteiras em Março de 2020 e quem chega ao território – com excepção da China continental – é obrigado a cumprir quarentena em hotéis designados pelas autoridades, actualmente fixada em cinco dias.

Ricardo Pinto lamentou que com o formato actual, a habitual criação de antologias de contos, com textos dos autores convidados, e a organização de sessões literárias nas escolas e universidades do território, que eram para os organizadores “o segmento do festival mais relevante”, estejam ausentes do programa.

O Festival Literário de Macau foi fundado em 2012 pelo jornal em língua portuguesa Ponto Final, assumindo-se nos primeiros anos como “o primeiro grande encontro de literatos” da China e dos países lusófonos.