Ron Lam considera que omissão de casos assintomáticos pode gerar pânico

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O deputado Ron Lam criticou ontem a decisão das autoridades de omitirem o número de infecções assintomáticas, alertando que pode gerar uma onda de pânico na sociedade. A opinião faz parte de uma interpelação escrita em que o deputado fala de relatos de esperas superiores a 10 horas no Hospital Conde São Januário.

Com a subida do número de casos, e para evitar uma escalada, as autoridades seguiram o exemplo do Interior e deixaram de revelar as ocorrências de covid-19 em pessoas sem sintomas. Por esta razão, apesar de vários surtos, os números estão abaixo da centena de casos por dia.

Porém, para Ron Lam, a medida tem um custo e pode contribuir para a formulação de políticas erradas. “A partir de agora, os dados sobre as infecções assintomáticas não vão ser revelados, apenas os números dos pacientes confirmados. Deve ser sublinhado que esta abordagem vai fazer com que seja mais difícil para a sociedade e para os profissionais de saúde avaliarem o desenvolvimento da situação pandémica. A falta de transparência torna mais provável o surgimento de situações de pânico”, apontou.

Face à evolução, o deputado quer saber se o Executivo vai considerar voltar a publicar o número de infecções assintomáticas, para referência dos cidadãos, que assim se podem proteger melhor, e para os políticos poderem tomar decisões mais acertadas.

Filas de espera

Na mesma interpelação, Ron Lam menciona igualmente “relatos” de longas esperas no Hospital Conde São Januário, devido aos actuais procedimentos de triagem.

O deputado indica ter sido confrontado por residentes que estiveram mais de 10 horas à espera, antes de serem atendidos, devido a constrangimentos nos processos de triagem.

A situação é vista pelo legislador como preocupante, assim sendo pergunta ao Executivo se vai tomar medidas: “Será que as autoridades vão fazer a reavaliação dos processos de triagem, para que os pacientes sejam atendidos o mais rapidamente possível e para quando precisam de ficar internados ou receber tratamento sejam atendidos o mais rapidamente possível?”, questionou. “E como garantem que a alocação de recursos humanos nos hospitais está a ser feita para responder a todas as necessidades?”, acrescentou.

Vacinação | Ma Io Fong pede campanhas para proteger alunos

Antecipando o pico da transmissão de covid-19, que deve chegar durante o Ano Novo Lunar, Ma Io Fong quer que o Governo tome medidas para acelerar a vacinação nas escolas. O deputado argumenta que a súbita corrida às vacinas dificultou o processo

 

O deputado Ma Io Fong, ligado à Associação Geral das Mulheres, está preocupado com o impacto dos surtos mais recentes de covid-19, e defende que o Governo tem de tomar medidas para permitir a vacinação mais rápida da população. A opinião foi expressa ontem através de um comunicado, que assina como vice-presidente da Associação Bom-lar.

Na perspectiva do deputado, apesar desta variante de covid-19 ser “mais fraca” que as anteriores, o que no seu entender permite que o Governo tome medidas de adaptação dinâmica à convivência com a covid-19, há o risco de o Ano Novo Lunar coincidir com o pico da propagação do vírus.

Neste sentido, Ma espera que as escolas, como lugares “com grande taxa de concentração de pessoas” se transformem em centros de surtos. Por isso, defende que o Governo e os dirigentes escolares se devem adaptar, para não só suspenderem as aulas se necessário, mas também proteger os mais novos com a disponibilização mais rápida de vacinas.

Para o deputado, actualmente o recurso à vacinação é mais lento do que o desejado, devido ao aumento considerável da procura, com o relaxamento da política de zero casos. Ma Io Fong pretende assim uma maior cooperação para não só serem disponibilizadas filas de vacinação especiais para alunos, mas também para que sejam as escolas a levar os estudantes à vacinação, durante o período das aulas.

Recursos digitais

Além das medidas para garantir o aceleramento da vacinação, Ma Io Fong indica que a população se defronta igualmente com o problema do excesso de informação, que é cada vez mais publicada de forma dispersa pelas autoridades.

Segundo o legislador, com todas as medidas recentes e as constantes alterações, as pessoas sentem “que há demasiada informação” e nem sempre conseguem estar a par de todas as novidades. Para lidar com esta situação, o deputado sugere a criação de um portal online com todas as informações sobre a covid-19 só a pensar na comunidade escolar, mas também uma maior eficácia na comunicação directa com as escolas.

Finalmente, Ma Io Fong apelou também aos pais para aproveitarem as férias escolares, e vacinarem os filhos, de forma a criarem imunidade de grupo nos estabelecimentos de ensino e cumprirem as suas obrigações de cooperação com o Governo.

Casinos | Contratos assinados com investimentos de 100 mil milhões em elementos não-jogo

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As seis operadoras de jogo presentes em Macau renovaram o contrato de concessão para os próximos dez anos, comprometendo-se a aplicar “mais de 100 mil milhões de patacas” em elementos não relacionados com o jogo. Apostas culturais, em exposições e convenções e na busca de turistas estrangeiros dão pistas sobre o que a próxima década reserva

 

“Neste concurso público, as seis empresas adjudicatárias comprometeram-se a fazer um investimento nos elementos não-jogo de mais de 100 mil milhões de patacas e quanto ao jogo cerca de 10 mil milhões de patacas”, disse, durante uma conferência de imprensa, o presidente da comissão do concurso público para a atribuição de concessões para a exploração de jogos de fortuna ou azar, André Cheong.

A aposta em elementos não-jogo e visitantes estrangeiros são duas das exigências estabelecidas no concurso público pelas autoridades que esperam assim diversificar a economia do território, fortemente dependente das receitas dos casinos.

“Depois de 20 anos de desenvolvimento, o jogo, tanto nas suas instalações básicas, como nos seus equipamentos, já tem uma certa dimensão, por isso o Governo não espera uma expansão ilimitada do jogo, tem de ser um desenvolvimento estável e, ao mesmo tempo, é preciso dar mais espaço de desenvolvimento dos elementos não-jogo”, acrescentou.

Sobre a expansão desta vertente, André Cheong sublinhou ainda que as operadoras vão estabelecer planos anuais, sendo que já existem projectos para 2023, “como espectáculos e convenções”, apresentados no sábado numa conferência de imprensa que juntou membros do Governo e as seis empresas.

Já o secretário para a Economia, também presente na sessão de sexta-feira, assegurou que será dada “primazia ao emprego local” e que a promoção de sectores não ligados ao jogo pode vir a “criar mais postos de trabalho para residentes”. “Estes poderão aproveitar esta oportunidade para se desenvolverem profissionalmente. No sector do jogo há muitos trabalhadores que vão mudar de carreira”, assumiu Lei Wai Nong.

Virar de página

A MGM Grand Paradise, que ficou em primeiro lugar no concurso público para a atribuição das licenças de jogo, referiu-se à assinatura do contrato como “um marco histórico”, salientando que vai “alinhar-se proactivamente com as orientações da nação para promover o desenvolvimento do turismo de alta qualidade”.

“A nova concessão também abre uma nova oportunidade de desenvolvimento para mim. Com entusiasmo e espírito inabalável, vou dedicar-me a assumir as responsabilidades nos próximos 10 anos e cumprir os compromissos da empresa em Macau”, escreveu a directora executiva da operadora, Pansy Ho, num comunicado enviado à comunicação social.

Já o director executivo da Sands China, Robert G. Goldstein, afirmou que a empresa se sente “honrada e ansiosa para continuar a investir no desenvolvimento de Macau, na sua diversificação e sucesso”.
“Hoje olhamos para a frente com a mesma confiança e entusiasmo no futuro de Macau do nosso fundador Sheldon G. Adelson há duas décadas, quando se comprometeu com a visão do Cotai Strip”, disse, referindo-se ao fundador da operadora de jogo e ‘resorts’ integrados Las Vegas Sands, falecido em Janeiro do ano passado.

Em representação da Melco Resorts, que ficou em quarto lugar, o presidente Lawrence Ho começou por agradecer ao Governo de Macau por ter “conduzido um processo tranquilo e transparente”, assumindo o compromisso de apoiar “o desenvolvimento saudável e sustentável da indústria do turismo e do lazer”.

Também a Wynn Resorts garantiu “continuar a apoiar Macau como um centro mundial de turismo e lazer”. Num comunicado, a operadora mostrou-se “confiante com as oportunidades futuras significativas que o mercado reserva”.

Por sua vez, a SJM (Sociedade de Jogos de Macau) Resorts, fundada pelo falecido magnata do jogo Stanley Ho, expressou “gratidão ao Governo da Região Administrativa Especial de Macau pela oportunidade de desenvolver o seu negócio existente” no território. Num comunicado, Daisy Ho, filha de Stanley Ho e directora executiva da SJM, sublinhou que com base no “rico património de 60 anos” da empresa em Macau, esta vai apoiar uma cidade “estável e próspera”.

A Galaxy Casino, segunda classificada do concurso público, não publicou até ao momento uma reacção à renovação da licença de jogo.

Vêm charters

Um dos compromissos assumidos, e previstos nos contratos, passa pela atracção de turistas estrangeiros. A MGM Grand Paradise planeia aumentar a rede de vendas no exterior e organizar eventos nas filiais da Ásia e do Médio Oriente, para “atrair clientes de países estrangeiros directamente para Macau”, nomeadamente “através de voos charter”, disse a administradora delegada da empresa, Pansy Ho, na conferência de imprensa de apresentação do plano de acção para os próximos dez anos.

A responsável, filha do falecido magnata do jogo Stanley Ho, salientou que dos 16,7 mil milhões de patacas de investimento para a próxima década, “15 mil milhões de patacas, aproximadamente 90 por cento, serão destinados ao desenvolvimento de mercados de visitantes internacionais e projectos não relacionados com o jogo”.

No mesmo sentido, o irmão Lawrence Ho, administrador delegado de outra concessionária, a Melco Resorts, frisou que serão utilizados “dois aviões privados” da empresa para “atrair clientes com grande poder de consumo”. Ho, que espera apostar também em turistas europeus e do Médio Oriente, referiu que a operadora prevê gastar 11,8 mil milhões de patacas numa década, sendo que à volta de 10 mil milhões de patacas serão orientados para o segmento além-casino e, desses, 1,9 mil milhões para trazer visitantes de fora.

A Galaxy, por sua vez, também quer “apostar em clientela com capacidade de consumo”, de acordo com o administrador delegado Francis Lui Yiu Tung, “porque esses clientes são quem pode fortalecer a economia”. Com uma previsão de aplicar 28,4 mil milhões de patacas na estratégia para os próximos dez anos, a empresa vai canalizar 96 por cento desse valor em projectos fora do âmbito do jogo.

Tentáculos na fora

Já a Wynn Resorts quer empregar 17,7 mil milhões de patacas na próxima década, dos quais 16,5 mil milhões de patacas em elementos não-jogo. Nos planos, está o alargamento dos escritórios de venda e agências no exterior, em vários países asiáticos e ainda no Canadá e nos Estados Unidos.

“Vamos desenvolver parcerias regionais e internacionais com companhias aéreas que sirvam Macau e Hong Kong, e explorar voos charter e serviços de voos privados para os clientes”, notou o director financeiro e administrativo, Craig Jeffrey Fullalove.

A Venetian Macau (Sands) é quem apresenta o investimento mais alto das seis operadoras, com a promessa de gastar 30,2 mil milhões de patacas, incluindo 27,8 mil milhões em programas não-jogo. Para atrair o mundo lá fora, o director executivo Wilfred Wong Ying Wai quer também “concentrar as despesas de marketing em mercados estrangeiros, incluindo na imprensa estrangeira e em plataformas de distribuição”.

Por fim, a mais antiga concessionária a operar em Macau, a Sociedade de Jogos de Macau (SJM), representada pela administradora delegada Daisy Ho, também filha de Stanley Ho, apresentou planos para expandir a base de clientes além-fronteiras – numa primeira fase nos mercados do norte da Ásia e do Sudeste Asiático.

“A SJM também aproveitará em pleno os seus próprios recursos e a extensa rede de transporte aéreo, terrestre e marítimo das empresas do mesmo grupo para proporcionar um serviço de transporte em conectividade sem descontinuidade aos visitantes internacionais”, assegurou a responsável.

Cartaz da década

Museus, parques temáticos, uma policlínica e um espectáculo do cineasta chinês Zhang Yimou fazem parte da estratégia futura das operadoras de jogo de Macau, anunciada, para transformar o território num “centro de turismo e lazer mundial”.

Nos planos da Melco Resorts, que “apoia fortemente os objectivos de desenvolvimento do Governo”, está a construção da “primeira e maior policlínica privada de imagiologia e ‘check-up’ médico da região administrativa de Macau”, disse o administrador delegado da empresa, Lawrence Ho, em conferência de imprensa. “Vamos abrir já no próximo ano para consultas médicas”, referiu o responsável.

Além disso, frisou, a Melco planeia ainda inaugurar em 2023 “o único parque aquático em Macau com instalações interiores abertas durante todo o ano”, em 2024, um parque de skate para “promover este desporto em Macau” e, no ano seguinte, o Museu Esplendores da China, um espaço “icónico e altamente interactivo”, com mil metros quadrados, para apresentar “a cultura milenar da China”. A empresa tem também nos planos o regresso do House of Dancing Water, no final de 2024.

Pelas mãos da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), e da irmã de Lawrence Ho, administradora delegada da empresa, Daisy Ho, vão nascer outros três museus no território: um sobre a história do Hotel Lisboa, propriedade da empresa, outro sobre a história do jogo em Macau e ainda um espaço que versa sobre a cultura do jogo local – este último no antigo casino flutuante Palácio de Macau, que será restaurado e transformado num projecto que une restauração, compras, jogos e exposições culturais.

A SJM prevê ainda a remodelação completa do Hotel Lisboa e parcial do Hotel Grand Lisboa, “num investimento total de 2,5 mil milhões de patacas”, adiantou Daisy Ho aos jornalistas. “O Grand Lisboa vai começar já e esperamos que esteja concluído em 2024 e entre em funcionamento em 2025. O Hotel Lisboa, dado que a dimensão é maior, precisa de mais tempo”, referiu. Daisy Ho revelou que existem também planos para a revitalização de zonas urbanas como a Avenida de Almeida Ribeiro, e Ponte-cais 16 e Ponte-cais 14, que vão ser transformadas numa “rua de restauração ribeirinha”

Oásis de bem-estar

O programa da MGM Grand Paradise, operadora que ficou em primeiro lugar no concurso público, prevê uma parceria com a “equipa do realizador chinês” Zhang Yimou e a uma empresa especializada em realidade virtual “para criar novos conteúdos e desenvolver tecnologia de espectáculos”. É esperado que o ‘show’ residente MGM2049 avance já em 2024.

No domínio da saúde e do bem-estar, afirmou a administradora delegada da MGM Grand Paradise, Pansy Ho, vai nascer “um oásis urbano”, que é “o novo marco do turismo de saúde e bem-estar de Macau”.
Francis Lui Yiu Tung, da Galaxy, ao falar sobre o futuro da operadora, começou por dizer que “perante a epidemia” há que ter “um pensamento inovador para enfrentar desafios”. “Acreditamos que, com liderança e Macau com as suas vantagens e os nossos projectos de entretenimento, lazer e cultura empresarial, podemos criar em conjunto um centro de turismo e lazer mundial”, considerou.

Um parque temático, com uma área de construção de 61 mil metros quadrados, “orientado para visitantes em família” e um museu de arte com sete mil metros quadrados, com “aplicações de tecnologia criativa e imersiva”, destacam-se no plano de acção da operadora.

Já a Venetian Macau (Sands), decidiu reaproveitar o actual Jardim Tropical, a sul do hotel The Londoner, “para criar um destino com aproximadamente 50 mil metros quadrados”, que inclui “um jardim de inverno icónico, juntamente com espaços verdes temáticos” e que se deverá “tornar num marco de Macau de renome internacional”.

A modernização da Arena do Cotai e um novo centro de exposições e convenções, com 18 mil metros quadrados, são outras das propostas da operadora.

Por último, a Wynn tem alinhavada a construção de um novo teatro, “para ser casa de um espectáculo único” e a criação de um espaço de restauração de gastronomia internacional que “será uma atração turística imperdível”, disse Craig Jeffrey Fullalove, diretor financeiro da empresa.

Quem é o salvador?

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A Igreja Católica diz que o mês de Dezembro é “o mês do advento”, um período de quatro semanas, durante as quais se prepara a celebração do nascimento de Jesus Cristo.

O “Messias”, por quem os Judeus esperavam há muitos anos, foi enviado ao Governador romano que o mandou crucificar, quando tinha 33 anos, por ter cometido o crime de blasfémia ao considerar-se “Rei dos Judeus”. Durante a crucificação, Jesus foi escarnecido pelos soldados romanos: “Ele salvou os outros, disseram, porque é que não se salva a si próprio!

Sobre esse dia já passaram quase 2.000 anos e há 400 anos a Igreja Católica criou a Diocese de Macau. No mundo inteiro, existem cerca de 2,2 mil milhões de cristãos. Ao longo dos séculos, o mundo não se tornou melhor por causa de Cristo e o Reino de Deus nunca desceu à Terra. Pelo contrário, a par do desenvolvimento da ciência e da tecnologia, a humanidade enfrenta a ameaça de um conflito nuclear, do aquecimento global e da pandemia de COVID-19. Quem poderá vir a ser o salvador do mundo contemporâneo, numa altura em que a Morte lança sobre nós a sua sombra?

Passaram três anos sobre o surgimento da pandemia de COVID-19. Há pouco tempo, vinha a atravessar a Ponte da Amizade, no sentido Taipa-Macau e vi à distância Porto Exterior completamente deserto. Embora os seis operadores de jogo tenham recebido a prorrogação dos contratos de exploração de jogos de fortuna ou azar em casinos por mais 10 anos, as receitas continuam muito baixas devido aos surtos recentes de COVID-19 no continente.

Embora a China possa vir a aliviar as medidas de prevenção da pandemia num futuro próximo e o Governo da RAEM tenha recentemente feito ajustes nos seus esforços de controlo da pandemia*, os “danos secundários” causados à sociedade, no processo de dar resposta aos surtos de COVID-19, far-se-ão seguramente sentir a curto prazo, ao passo que as medidas implementadas para os remediar tiveram um resultado que ficou aquém do esperado.

Os desastres naturais podem ser superados, mas os desastres criados pelos homens são difíceis de compensar. Jesus nasceu para salvar o mundo e o seu sacrifício destinou-se a expiar os pecados da Humanidade. Sun Yat-sen foi um revolucionário disposto a sacrificar-se, para salvar a nação do jugo das potências estrangeiras e para derrubar a corrupta dinastia Qing. Sun quase caiu na emboscada montada pelos funcionários da embaixada do Governo Qing em Londres.

Hoje em dia, “Os Três Princípios do Povo” defendidos por Sun tornaram-se os princípios orientadores de Taiwan. Na China continental existe uma canção muito famosa chamada “Dongfanghong” (O Oriente é Vermelho), cuja letra começa assim: O Oriente é vermelho, é aqui que o Sol nasce. Na China surge Mao Tsé-Tung. Ele luta pela felicidade do povo, ele é o grande salvador do povo!

Servir o povo e procurar a sua felicidade deveria ser a ambição de todos os homens de estado. No entanto, o poder corrompe e quantos podem permanecer fiéis a si próprios perante o dinheiro e o poder?

A História continua a repetir-se. Aqueles que estão determinados em salvar o mundo acabam por ser mortos, enquanto os seus assassinos passam por salvadores. Hitler, Mussolini e outros declararam que queriam restaurar a glória dos seus respectivos países, mas acabaram por conduzi-los para o abismo. Uns versos do famoso hino “A Internacional”, dizem o seguinte: Il n’a pas de sauveurs suprêmes, Ni dieu, ni César, ni tribun, Producteurs, sauvons-nous nous-mêmes !

Acredito que a felicidade deve ser procurada por cada um de nós. Mas como católico, acredito piamente que Jesus é o nosso Salvador. Jesus quis salvar os povos de todo o mundo, mas as pessoas rejeitaram a salvação.
Se a humanidade não se arrepender sinceramente dos seus pecados e não aprender com os seus erros, mesmo que o salvador venha novamente, já nada poderá voltar a ser como era.

• *Artigo escrito a 7 de Dezembro

CCCM | Patuá e teatro em destaque no evento “Macau em Lisboa”

O Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) promove este domingo um evento especial intitulado “Macau em Lisboa”, onde o patuá e o teatro feito em patuá estarão em destaque. A ideia é promover “uma tarde macaense onde a graça, o chiste próprio do patuá, bem-humorado e satírico, a música e a declamação poética” serão os protagonistas.

Desta forma, pretende-se, com “Macau em Lisboa”, dar “a conhecer aspectos específicos da cultura macaense expressos através dos documentários “Natal e Ano Novo”, realizado pela Casa de Portugal em Macau e projectos dos Doci Papiaçam di Macau, nomeadamente a curta-metragem “Macau Sã Assi”, “Lorcha Di Amor”, peça de teatro e “Macau Champurrado”.

Entre as 14h30 e as 19h haverá a apresentação do espectáculo com músicas de Natal protagonizado por Carlos Piteira e Jaime Mota e ainda uma conversa com as académicas Maria Antónia Espadinha e Ana Cristina Alves. Haverá ainda récitas em patuá.

Tap Seac | Feira de Natal arranca este sábado

Começa já este sábado a Feira de Natal promovida pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), a qual irá decorrer nos 16 dias seguintes. O tema desta edição do evento é “Floresta Mágica” e a ideia é criar “um ambiente festivo, com um presépio de Natal, decorações luminosas e uma casa de Natal de madeira”. Haverá ainda tendas com a venda de presentes de Natal e petiscos, jogos e espectáculos itinerantes.

A feira será dividida em zona de venda e zona de jogos. Na zona de venda, haverá 20 tendas de venda de presentes de Natal e oito tendas de petiscos. Serão convidadas empresas culturais e criativas locais e instituições de solidariedade social para participarem na exploração das tendas de venda de presentes de Natal, enquanto as tendas de petiscos serão exploradas por empresas de restauração com características, que irão vender vários tipos de alimentos típicos.

A zona de jogos irá contar com actividades de diversão, tais como o comboio de Natal e o carrossel. Durante o evento, haverá ainda espectáculos itinerantes, tais como torção de balões do Pai Natal, palhaços malabaristas e magia, para que toda a família possa desfrutar de momentos de alegria em conjunto.

Na feira, também serão colocadas quatro caixas de angariação referentes à actividade “Oferta de Alegria e Amor às Crianças no Natal”, uma actividade anual organizada pelo IAM, que permitirá aos visitantes da feira oferecer amor e carinho às crianças necessitadas. O último dia da feira será a 1 de Janeiro, estando aberta entre os dias 24, 25 e 31 de Dezembro entre as 14h e 24h. Nos restantes dias a feira acontece entre as 14h e as 23h, enquanto as instalações de diversão funcionam das 15h às 22h.

Museu de Arte de Macau inaugura hoje nova exposição

Chama-se “Começo Auspicioso: Tradições do Festival da Primavera na Cidade Proibida” e é a nova exposição patente no Museu de Arte de Macau (MAM) até ao dia 5 de Março do ano que vem. Haverá visitas para grupos na próxima terça-feira, 20, e no último dia da exposição.

Nas palavras de Un Sio San, directora do MAM, esta é uma mostra “cheia de alegrias primaveris”, sendo uma “exposição temática de relíquias culturais do Museu do Palácio que está mais estreitamente associada ao quotidiano da vida das pessoas ao longo dos anos”. “Através de uma apresentação abrangente das cerimónias de Ano Novo da dinastia Qing, a exposição oferece aos visitantes uma festa cultural chinesa auspiciosa, festiva e colorida”, adiantou.

A mostra inclui um total de 120 peças ou conjuntos de “preciosas relíquias culturais, incluindo caligrafia e pinturas, livros antigos, selos reais, mantos, ornamentos, objectos de ritos, instrumentos musicais e artesanato, apresentando na íntegra a paisagem cultural das celebrações do Ano Novo Lunar na corte Qing”.

Desta forma, os visitantes podem ver as indispensáveis decorações do Festival da Primavera, tais como o trabalho caligráfico imperial Doufang com personagem carácter “bênção” (fu) do Imperador Qianlong, monósticos (chuntiao), deuses da porta, bem como a moeda de ouro como amuleto, bolsa e frasco de rapé oferecidos pelo imperador como prendas de Ano Novo. Além disso, podem também ser apreciados os requintados artigos de mesa usados para comer jiaozi (uma espécie de ravióli) e beber Chá das Três Purezas (Sanqing Cha) durante o Festival da Primavera no palácio imperial.

Rituais e antepassados

Esta exposição pretende também mostrar os rituais de veneração aos antepassados na corte Qing, uma vez que este acto e a realização de um banquete familiar no período do Ano Novo Chinês “reflecte o respeito e o cumprimento dos actos de piedade filial e amor fraternal por parte da realeza”.

Encontramos aqui “diferentes rituais”, onde se inclui a escrita da primeira caligrafia de “bênção” (Fu), do Ano Novo ou “acolher banquetes de chá para honrar cortesãos talentosos”, personificando “a visão do imperador governante da sua família e do país”.

A directora do MAM destaca que “a celebração do Ano Novo é mais bem representada pela realeza”, com os “ritos rigorosos, grande pompa, trajes deslumbrantes, presentes generosos”. “Tudo isto serve para fortalecer os laços familiares, manter a harmonia nas relações imperador-cortesãos, consolidar o Estado e melhorar as relações diplomáticas com outros países. Há significados auspiciosos, intenções políticas, acumulação histórica e conotação cultural em tudo”, concluiu numa nota sobre a exposição.

USJ | “Boundless”, pavilhão em bambu, pode ser visitado até final de Janeiro

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Aberto ao público na quarta-feira, o pavilhão feito em bambu pelos alunos do terceiro ano do curso de arquitectura da Universidade de São José para albergar vários eventos pode ser visitado até final de Janeiro. “Boundless” pretende criar uma noção de espaço dinâmica em conexão com outros locais, apelando a uma maior sustentabilidade

 

Chama-se “Boundless” e é o novo projecto de pavilhão feito em bambu pelos alunos do terceiro ano do curso de arquitectura da Universidade de São José (USJ). Como a remeter para um espaço sem limitações, este pavilhão apresenta-se como uma estrutura que “que propõe uma experiência espacial dinâmica que se articula com a zona do pátio central [do campus da USJ, na Ilha Verde], com a galeria e uma zona mais ampla intitulada de ‘Community Hall’.”

Esta “efémera estrutura de arquitectura”, complementada com técnicas de artesanato e design digital, pode ser visitada até final de Janeiro e irá comportar, no seu interior, vários eventos. Essencialmente, “Boundless” traz um “programa único e um conceito inclusivo”, incitando “à curiosidade e convidando os transeuntes a entrarem na estrutura e a descobrir ‘um mundo interior’”, que não é mais do que um “laboratório temporário para o design sustentável”.

O projecto foi coordenado pelo arquitecto Nuno Soares, director do Departamento de Arquitectura e Design da USJ. A equipa é composta por 13 alunos, contando ainda com o apoio técnico de Filipe Afonso, Filipa Simões e João Brochado.

Ser sustentável

O projecto “Boundless” pretende chamar a atenção para a importância de uma arquitectura mais sustentável, com base nos Objectivos das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável do planeta. Desta forma, os “estudantes desenvolveram um processo de design, que foi do conceito ao design, construção e disseminação”, criando “uma oportunidade espacial com um impacto positivo com zero desperdício”.

No pavilhão podem ser vistas duas exposições permanentes. Uma delas intitula-se “A Exposição do Pavilhão ‘Boundless’”, onde todo o processo de construção do projecto está documentado e explicado, enquanto a outra mostra é “Manifesto para Criar uma Macau Sustentável” [Manifesto to Design a Sustainable Macau”, estando patente na zona da galeria.

No caso desta segunda exposição, o conteúdo foi preparado por alunos do primeiro ano do curso de arquitectura, sendo apresentadas propostas de mudança no espaço urbano de Macau em prol de uma maior sustentabilidade, ao mesmo tempo que se contribui para atingir os objectivos das Nações Unidas nesta matéria.

O pavilhão está ainda aberto para actividades da USJ e da própria comunidade, sendo este um convite para “uma colaboração multidisciplinar, onde se podem organizar exposições, leituras, workshops e outro tipo de eventos”.

Weibo | Indignação face a morte de interno de medicina

A morte repentina de um jovem interno de medicina na China provocou ontem a indignação na internet, onde também há o temor de que a morte do estudante esteja ligada a uma possível rotura do sistema de saúde diante do fluxo de casos de covid-19.

A epidemia está a espalhar-se muito rapidamente na China após o levantamento da maioria das restrições de saúde na semana passada e as autoridades admitirem que agora é “impossível” contabilizar todos os casos.

A nova onda da doença representa o maior desafio para o sistema de saúde chinês – que sofre de subfinanciamento crónico – desde o início de 2020, quando muitos hospitais ficaram sobrecarregados e muitos profissionais de saúde adoeceram.

O estudante de 23 anos teria morrido com uma crise cardíaca na quarta-feira, anunciou ontem a Faculdade de Medicina de Chengdu, no sudoeste do país. O jovem disse que se sentia mal depois de um dia de trabalho no hospital.

A faculdade de medicina não vinculou sua morte à covid-19 ou a qualquer condição de saúde pré-existente.
Entretanto, na rede social Weibo, equivalente ao Twitter na China, o caso já alcançou mais de 390 milhões de visualizações e as pessoas estão a exigir saber a causa da morte do jovem estudante de medicina.

Covid-19 | Intensificada protecção a grupos mais vulneráveis

A nova abordagem na luta contra o coronavírus aponta agora para o reforço das medidas de protecção dos mais vulneráveis e da vacinação dos idosos

 

A China continua a optimizar as medidas de prevenção e controlo da epidemia da Covid-19, à medida que muda o foco da sua estratégia de resposta de conter novas infecções para prevenir e tratar casos graves. indica o Diário do Povo.

Por enquanto, o país está a trabalhar para proteger os mais susceptíveis das infecções e atender às necessidades médicas das pessoas, informa o Diário do Povo.

Na terça-feira, durante uma visita de investigação em Pequim, a vice-primeira-ministra chinesa Sun Chunlan pediu uma melhor protecção dos idosos, crianças, pacientes com doenças subjacentes, mulheres grávidas, pacientes em hemodiálise e outros grupos vulneráveis.

A vice-primeira-ministra afirmou também que a tarefa urgente no momento é garantir o acesso dos cidadãos a serviços médicos e medicamentos, acrescentando que as instituições médicas devem tratar pacientes, sejam eles pacientes com covid-19 ou não.

Estas directrizes estão em consonância com um novo conjunto de medidas anunciadas a 7 de Dezembro. As medidas de 10 pontos incluem propor quarentena domiciliar para casos leves e assintomáticos e reduzir os requisitos de testes de ácido nucleico para facilitar as pessoas a viajar e entrar em locais públicos.

Importante vacinar

Actualmente, as novas infecções em Pequim estão a crescer rapidamente, embora a grande maioria dos casos sejam assintomáticos e de baixo risco. Existem 50 casos graves e críticos em hospitais, a maioria dos quais tem condições de saúde subjacentes, de acordo com fontes oficiais.

É mais provável o vírus causar doenças graves quando infecta idosos, disse Li Yanming, especialista em respiração do Hospital de Pequim, acrescentando que ser totalmente vacinado e receber doses de reforço pode reduzir significativamente a incidência de condições graves.

Enquanto isso, os idosos são encorajados à vacinação. Wang Huaqing, um imunologista chinês líder, apontou que poucas pessoas com 60 anos ou mais tiveram reacções adversas à vacinação contra a Covid-19.

Até terça-feira, 91 por cento das pessoas com 60 anos ou mais foram vacinadas, e 86,6 por cento foram totalmente vacinadas, e a taxa actual de inoculação completa entre as pessoas com 80 anos ou acima é de 66,4 por cento.

Na quarta-feira, o governo anunciou que oferecerá uma segunda dose de reforço da vacina Covid-19 a grupos vulneráveis que receberam a sua primeira dose de reforço há mais de seis meses. Apenas semanas antes, o país lançou um plano de trabalho para melhorar a taxa de vacinação entre os idosos.

Para idosos incapazes ou não dispostos a tomar uma injecção de uma seringa, vacinas inaláveis contra Covid-19 estão a ser lançadas em cidades, incluindo Pequim e Xangai, proporcionando-lhes uma opção livre de agulhas para se defender do vírus, indica o diário estatal.

A China foca-se neste momento também em fornecer serviços médicos e de saúde para mulheres grávidas e crianças, destacando a importância da medicina tradicional chinesa no tratamento e prevenção.

Yuan Mei – Palavras Poéticas

Tradução e textos de António Graça de Abreu

 

Yuan Mei 袁枚 nasceu em Hangzhou em 1716. A cidade, na margem do lago Oeste, em Zhejiang, com mil e quinhentos anos de história, será talvez a mais bonita capital de província de todo o império chinês, rodeada de montes e florestas, polvilhada de templos e pavilhões, com um lago enorme que nas margens se desdobra em recantos onde são possíveis quase todos os encantamentos do mundo. Hangzhou está embebida no lastro do passado, recordando mil vilanias e todos os prazeres.

Yuan Mei, talvez o maior poeta da dinastia Qing (1644-1911), provinha de uma família de modestos letrados da cidade. Seria ele o primeiro mandarim da família, grau que obtém nos exames imperiais aos 23 anos.

Exerceria as funções de funcionário estatal apenas durante nove anos. Voltou ainda aos afazeres de mandarim, mas tinha pouco ou nenhum gosto pelas malhas do poder, um dos seus maiores prazeres era nada ter que fazer e dedicar-se apenas à escrita e à leitura. Os seus poemas começavam a ser conhecidos e tinham venda.

Ele próprio acabaria por montar na sua casa uma espécie de tipografia, com painéis de impressão com pranchas de caracteres móveis em madeira. Editava assim os seus próprios livros e obtinha avultados rendimentos. Com menos de quarenta anos, Yuan Mei retirou-se para uma grande mansão que comprou em Suiyuan, nos arredores da também bonita cidade de Nanquim, e, com muitas viagens de permeio, aí viveu até ao fim da sua longa vida. Fechou os olhos, para sempre, em Dezembro de 1798, aos 82 anos de idade.

 

Três poemas de Yuan Mei 袁枚 (1716-1797) ,

Contemplando um amigo que toca flauta ao luar

Noite de Outono,
visito um ermita meu amigo.
Vem até mim a música,
acordes perfeitos debaixo do céu,
ondeando na superfície do lago,
à luz fria do luar.
O trinar de uma flauta, o coração do amigo,
a melodia agarra nuvens azuis que descem sobre as águas.
Encontramo-nos no meio de perfumes coloridos
pelo rosa das flores de lótus,
cobertas de gotas de orvalho cristalino.
Na claridade prateada
humedecidas nossas vestes.
Na estrada para Baling[1]

A oeste do lago Dongting, um templo, uma deusa no altar,
jovens de sobrancelhas pintadas confortam viajantes cansados.
A região montanhosa, vazia de gentes, as tendas fechadas,
distantes os faróis na margem, a minha barca ao entardecer.
Não entendo o dialecto do lugar, preciso de alguém para traduzir,
pássaros estranhos, de nomes desconhecidos, envergonham o poeta.
Raros barqueiros conhecem a minha vontade, o meu sentir,
levanto a janela do barco, por toda a parte, ramos em flor.

[1]Baling, ao lado da actual cidade de Yueyang, famosa pelo torreão junto ao lago Dongting, na província de Hunan.

Aceitando a minha sorte

Fechado em casa
assumo os dias como um pobre poeta.
Acumularam-se os anos,
entrei agora no carreiro dos velhos.
Fascinado por montanhas rodeadas de nuvens
esqueço a minha própria terra,
por vizinhos, tenho macacos e pássaros.
Abandonei todos os meus cargos,
dedico-me a fruir o prazer de existir.
Porque não tenho um filho varão.
vou casando, vez após vez.1
Esqueci o grande talento
que julgava ter para mandar e governar,
e aceito ser um simples poeta,
minha sorte, meu destino.

[1] Só aos 62 anos, Yuan Mei conseguiu ter um filho rapaz da sua quarta concubina.

Nas últimas duas décadas da sua vida, Yuan Mei entreteve-se a redigir um vasto conjunto de Shi Hua 詩話, Palavras Poéticas,
utilizando sobretudo a prosa. Com esta denominação apareciam desde o século XI inúmeras recolhas de textos breves da autoria dos mais diversos letrados.
Yuan Mei não inovou no título dos seus escritos. Tratava-se fundamentalmente de pequenos excertos autobiográficos, meditações sobre a essência da poesia, vidas de poetas, anedotas, etc.
Por exemplo:
“Wang Chizi foi meu colega nos exames de 1744. À entrada na sala das provas, recitou um poema da sua autoria com o título Junto de túmulos antigos. Assim:

Sombrio, triste, minúsculo o antigo templo,
um mocho descansa nas gravuras do arco de pedra.
Ainda é dia quando quem perdeu entes queridos
se reúne e prepara as cerimónias fúnebres.
Enorme confusão de cavalos e carruagens.

Eu ousei perguntar-lhe porque é que ele parecia tão satisfeito por ter escrito este poema,. Wang Chizi sorriu e disse: “Fecha os olhos e pensa.”

Outro exemplo:

Os taoistas para ascender ao céu precisam de fabricar nove vezes os seus pozinhos da imortalidade. Os confucionistas apreciam sobremaneira a rectidão e o meio justo. Um cozinheiro conhece bem a sua arte, sabe como controlar o fogo, como manter o lume.

Yuan Mei continua questionando o leitor.
Alguém me perguntou qual o nome do melhor poema escrito durante esta dinastia. Eu argumentei, perguntando: qual é o melhor poema do Shi Jing, (o Livro das Odes.)[1] Não obtive resposta. Então disse: A poesia é como as flores, uma orquídea na Primavera, um crisântemo no Outono, não podemos dizer que uma é melhor do que a outra. Quando a música das palavras e a ideia na concepção do poema emocionam um coração, estamos diante de um bom poema.

E continua Yuan Mei:
O poeta Yang Wanli (1124-1206) terá escrito “Porque é que as pessoas com pouco talento literário sempre falam sobre métrica e a utilização dos tons em poesia? A métrica e os tons são apenas a armação e não é difícil levantá-los. Mas é na concepção do poema que se expressa o génio do poeta, é aqui que se mostra a sua qualidade.

Outro exemplo da prosa breve de Yuan Mei, citando Bu Xian um amigo presidente de uma academia em Guilin onde o nosso amigo o encontrou em visita que fez à cidade, em 1784:
Bu Xian disse: “A poesia nasce do coração e depois faz-se com as mãos. Se o coração controla a mão, está tudo bem, mas se a mão faz o trabalho do coração, está tudo errado. Hoje em dia, muitos imitam as bases da poesia, copiam um pouco daqui e de acolá, usam tudo o que está amontoado em pilhas de papel velho em vez de contarem com o que brota dos seus próprios sentimentos. É o que eu chamo ‘A mão fazendo o trabalho do coração.’”

Na China do século XVIII aconteciam ainda acaloradas discussões sobre a poesia do passado. Yuan Mei explica:
A divisão da poesia entre estilo Tang e estilo Song continua hoje a manifestar-se. Isto corresponde ao facto de muitos ignorarem que a poesia é o produto dos sentimentos dos homens, enquanto que Tang e Song são simplesmente nomes de duas dinastias. Os sentimentos das gentes não mudam com o renovar das dinastias.

Para terminar, uma referência a um incerto poeta chamado Tai Yuyang:
Este senhor escreveu o seguinte verso: “O ar da noite envolve os montes/ apequena-se a terra e o céu.” A beleza reside na margem existente entre o inteligível e o não inteligível, trata-se de dois versos primorosos. Mas quem foi Tai Yuyang, o autor? Não faço a mínima ideia.

Zhuhai-Macau | Zona de Cooperação em Hengqin sob análise

Decorreu esta quarta-feira a Reunião de Cooperação Zhuhai-Macau onde as autoridades das duas regiões discutiram os planos para a construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. Foi também discutida a “promoção do desenvolvimento de alta qualidade da cooperação entre Zhuhai e Macau”, com o objectivo de serem “traçados em conjunto planos para impulsionar a cooperação bilateral, em diversas vertentes, rumo a um novo patamar de alto nível”.

Huang Zhihao, secretário-adjunto do Comité Municipal de Zhuhai do Partido Comunista Chinês e Governador Municipal de Zhuhai, defendeu que, ao longo dos anos, Macau “tem prestado forte apoio ao desenvolvimento socioeconómico de Zhuhai”, tendo falado na importância de “uma cooperação contínua entre as duas partes, de forma mais abrangente, mais aprofundada e com elevado nível”.

Por sua vez, o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, disse que “nos últimos anos a cooperação entre Zhuhai e Macau em diversas áreas tem vindo a intensificar-se, tendo sido obtidos resultados significativos no controlo e prevenção da epidemia e alcançados novos progressos na construção da Zona de Cooperação Aprofundada”.

Pretende-se expandir a cooperação em matéria de inovação tecnológica, a fim de acelerar a construção do Centro de Intercâmbio e Cooperação de Ciência e Tecnologia entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Pandemia | Teste para sair de Macau deixa de ser obrigatório

Desde quarta-feira que quem sai de Macau deve cumprir apenas as regras do local para onde vai viajar, não sendo mais necessário realizar um teste PCR para sair do território.

Segundo uma nota de imprensa do Centro de Coordenação de Contingência do novo tipo de coronavírus, “caso o local de destino não exija requisitos relevantes, não é necessário proceder à sua apresentação”. Além disso, “todas as pessoas que entrem ou saiam de Macau através dos postos fronteiriços de Zhuhai-Macau devem apresentar um certificado de teste de ácido nucleico com resultado negativo, realizado nas últimas 24 horas”. Esta medida dura até à meia-noite da próxima quarta-feira.

IAS | Linha de apoio com mais de dois mil pedidos de ajuda

A linha de apoio aos infectados do Instituto de Acção Social (IAS) recebeu, no primeiro dia, um total de 2.222 pedidos de ajuda.

Segundo dados fornecidos por Choi Sio Un, chefe do departamento de solidariedade social do IAS, no programa Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau, tendo este dito que é mais complexo dar apoio aos idosos que vivem sozinhos ou pessoas com necessidades especiais. Desta forma, fez um apelo para que seja feito um pedido próprio para a linha 28700600. Há cerca de sete mil idosos, ou casais de idosos, que vivem sozinhos, segundo a base de dados do IAS.

Covid-19 | Governo deixa de divulgar casos assintomáticos

DR
Tal como Alvis Lo deixou antever na quarta-feira, as autoridades de saúde vão deixar de revelar o número de casos positivos diários. Ontem, foram apenas confirmados 45 infecções. O Governo reconheceu a impossibilidade de revelar com rigor o número de casos positivos, apesar da plataforma de autoavaliação para infectados

 

Da mesma forma como a Comissão Nacional de Saúde deixou de reportar o número de casos assintomáticos na China, a vasta maioria das infecções por covid-19, as autoridades de saúde de Macau vão também parar de divulgar os números diários de casos positivos.

O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus indicou ontem que foram detectados 45 casos confirmados de covid-19, ou seja, com sintomas, na quarta-feira. Quando na quarta-feira foram anunciados mais de 400 casos.

“O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus afirmou que, em resposta ao anúncio da Comissão Nacional de Saúde publicado ontem [na quarta-feira], uma vez que as medidas actuais de teste de ácido nucleico para a covid-19 são de carácter voluntário, muitos assintomáticos não participam nos testes de ácido nucleico, por essa razão torna-se impossível apurar com precisão o número real de infecções assintomáticas. Deste modo, a partir de ontem [na quarta-feira], deixam de ser divulgados os dados das infecções assintomáticas, sendo apenas feita a divulgação dos casos confirmados.”

Saber o que é

Também na definição de casos confirmados, Macau vai seguir os métodos estabelecidos pelas autoridades nacionais, ou seja, as pessoas infectadas são aquelas “com sintomas óbvios ou manifestações de pneumonia”.

Adaptando este conceito para a realidade local, os casos confirmados vão também contemplar os “doentes que necessitem de ser internados nas instalações de tratamento em regime de isolamento dos Serviços de Saúde (incluindo hotéis de isolamento médico, Centro Clínico de Saúde Pública do Alto de Coloane ou enfermarias de isolamento do CHCSJ)”.

AMCM | Macau volta a subir taxa de juros

DR

A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) anunciou ontem uma subida em 0,50 pontos percentuais da principal taxa de juro de referência, seguindo o aumento anunciado na quarta-feira pela Reserva Federal (Fed) norte-americana.

A AMCM fixou em 4,75 por cento a taxa de redesconto, valor que o regulador financeiro da região administrativa especial chinesa cobra aos bancos por injecções de capital de curta duração, de acordo com um comunicado.

Por a moeda de Macau estar indexada ao dólar de Hong Kong, obriga à “uniformização, em princípio, da evolução da política das duas regiões no âmbito da taxa de juros”, disse.

A decisão da AMCM surgiu depois de a Autoridade Monetária de Hong Kong ter anunciado a subida da taxa de juro de referência, devido ao aumento imposto pelo banco central dos EUA. O dólar de Hong Kong está indexado ao dólar norte-americano.

Na quarta-feira, a Fed abrandou o ritmo da subida da taxa de juro e anunciou um aumento de 50 pontos base, para um intervalo entre 4,25 e 4,50 por cento.

O Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) “procura alcançar o pleno emprego e uma inflação próxima de 2 por cento no longo prazo. Para apoiar esses objectivos, o Comité decidiu subir a taxa dos fundos federais para um intervalo entre 4,25 e 4,50 por cento”, anunciou o banco central norte-americano, em comunicado.
Depois de quatro reuniões consecutivas em que anunciou uma subida dos juros de 75 pontos base, a Fed decidiu naquele que é o sétimo aumento desde Março uma subida de 50 pontos base, conforme esperado pelos mercados.

IAM | Ex-funcionário condenado a quatro anos de prisão foi demitido

Após ter sido condenado a quatro anos de prisão por encaminhar galgos do Canídromo para esterilização na clínica de um familiar, Choi U Fai foi despedido do IAM. O agora ex-funcionário está em parte incerta

 

O ex-chefe da Divisão de Inspecção e Controlo Veterinário do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), Choi U Fai, foi despedido na sequência de um processo disciplinar interno. A revelação consta de um aviso publicado ontem pelo IAM, que vem assinado por O Lam, na condição de “presidente do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais”.

“É notificado o ex-trabalhador do Instituto para os Assuntos Municipais, Choi U Fai, ora em parte incerta, que, na sequência de processo disciplinar contra si instaurado, por despacho Exmo. Senhor Secretário para a Administração e Justiça, de 23 de Novembro, que lhe foi aplicada a pena disciplinar de demissão”, pode ler-se no anúncio publicado.

Com a decisão publicada a 6 de Dezembro, Choi U Fai tem 60 dias para contestar o despedimento e interpor recurso no Tribunal de Segunda Instância.

No entanto, uma vez que se encontra em “parte incerta”, apesar de ter sido condenado a uma pena de quatro anos de prisão por abuso de poder no âmbito do processo pós-encerramento do Canídromo, é pouco provável que apresente recurso.

Condenado por corrupção

O ex-veterinário chefe foi condenado a quatro anos de prisão, em 2020, num processo que começou em 2018 com uma queixa de Zoe Tang, que hoje lidera a ANIMA. A associação foi essencial para o processo de salvamento e realojamento dos 500 galgos do Canídromo que foram abandonados pela Companhia de Corridas de Galgos Macau (Yat Yuen).

Durante os trabalhos para encontrar uma nova casa para os animais, Choi U Fai encaminhou quase todos para serem esterilizados numa clínica onde tinha uma participação dissimulada. Por esse motivo, foi suspenso em 2019, quando o Comissariado contra a Corrupção (CCAC) começou a investigar o caso.

Mais tarde, no início de 2020, Choi foi condenado a uma pena única de quatro anos de prisão pelo Tribunal Judicial de Base (TJB). O TJB entendeu que o ex-funcionário do IAM cometeu o crime de abuso de poder, porque aproveitou “o seu poder”, “com a intenção de obter lucros para si ou outra pessoa”. O suspeito foi igualmente condenado por fraude fiscal por não ter declarado bens que devia declarar.

Apesar do recurso apresentado pela defesa de Choi, a decisão do TJB acabaria por ser posteriormente confirmada pelo Tribunal de Segunda Instância, que colocou um ponto final ao caso.

Imobiliário | Visitas a casas caem 50 % após alívio de medidas

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As visitas a casas por potenciais compradores caíram cerca de 50 por cento desde que o Governo anunciou o alívio das medidas de combate à covid-19. Segundo o jornal Ou Mun, os dados são da agência imobiliária Haoliwoo, que fala de quebras entre 40 a 50 por cento face ao mês de Novembro.

O director-executivo da agência, Chris Wong, diz que os actuais moradores, sobretudo os que têm idosos e crianças no apartamento, não querem abrir a porta, evitando também as saídas não necessárias. O responsável frisou que enquanto os casos na comunidade continuarem a subir, os proprietários e compradores vão continuar a adoptar uma atitude prudente.

A recuperação das visitas aos imóveis à venda só deverá regressar aos níveis anteriores na primeira metade do próximo ano, uma vez que, em Hong Kong, a recuperação das visitas no sector imobiliário só se fez três meses depois de ter sido registado o pico da pandemia.

Chris Wong adiantou que a subida das taxas de juro para os empréstimos à habitação é outra das razões para um menor volume de transacções de casas.

TNR | Mães durante pandemia forçadas a enviar filhos para terra natal

DR
Um grupo de trabalhadoras não-residentes que deram à luz em Macau durante a pandemia estão numa situação desesperante. Apenas com um visto especial temporário que não lhes permite ficar em Macau, os filhos têm ordens de expatriamento. Voos caros, quarentenas a pagar e baixos salários agigantam a desumanidade a que estão sujeitas as recém-mães

 

Um dos segmentos da população que mais sofreu durante a pandemia foram os trabalhadores não-residentes (TNR). Hoje em dia, com a progressiva abertura de Macau, as dificuldades continuam a fazer-se sentir, em particular para as TNR que foram mães em Macau durante a pandemia, impedidas de sair do território por não terem voos, nem formas claras para regressar a Macau.

O Macau Daily Times noticiou ontem que um grupo de mulheres TNR que deram à luz em Macau enquanto vigoraram forças restrições fronteiriças, que as impediram de viajar para os países de origem, está numa situação de desespero com o limbo legal em que se encontram os seus filhos, com um visto especial e ordem das autoridades para saírem da RAEM.

A débil situação económica e laboral destas trabalhadoras, aliada à exigência de quarentenas pagas e às imposições das autoridades de saúde no regresso a Macau, afasta qualquer hipótese de visitar a família.

A redução das restrições de viagem para TNR apenas foram postas em prática no passado mês de Novembro. Antes, apenas quem tinha permissão expressa dos Serviços de Saúde podia regressar a Macau.
Face a estas condicionantes, muitas migrantes viram-se impelidas a dar à luz em Macau apesar das despesas e dos receios de perderem os empregos.

Apelo ao coração

O Macau Daily Times cita o exemplo de Windy Inez, uma mãe de 32 anos, que como muitas outras mães, está numa luta com os serviços de migração para que prolonguem o visto da filha, pelo menos, até Janeiro, para além da época do Natal, quando as viagens forem mais baratas.

“Recebi um aviso no dia 5 de Dezembro a dizer que o meu bebé tinha de ser enviado para casa. Deram-me 14 dias e fui informada de que este era o último visto que a minha filha iria ter”, revelou Windy Inez ao Macau Daily Times, acrescentando que só pede mais tempo para conseguir dinheiro para pagar as viagens.
Depois de receber a notificação das autoridades, a TNR, que trabalha como empregada doméstica, pediu ao empregador que lhe reservasse um bilhete de avião para regressar a casa. O pedido não foi acedido devido ao elevado preço das passagens aéreas.

“Os meus amigos informaram-me de que quando pediram extensão dos vistos, o departamento de imigração pediu-lhes para apresentarem bilhetes de avião com a partida marcada para, pelo menos, cinco dias antes do fim da validade do visto”, indicou.

Sem consolo

Windy Inez está, ainda assim, numa situação privilegiada em relação aos seus compatriotas filipinos que trabalham para empresas e que precisam cumprir os requisitos exigidos pelo Consulado das Filipinas, antes de embarcarem de regresso ao país.

Para voltar a Macau vindo das Filipinas, um trabalhador migrante precisa de estar inscrito na Oficina do Trabalho Estrangeiro das Filipinas e na Administração do Bem-Estar dos Trabalhadores Estrangeiros (OWWA na sigla em inglês), apresentar um certificado de emprego no estrangeiro emitido pelo Philippine Overseas Labor Office e ter seguro de saúde. Para ter acesso a estes documentos, é necessário apresentar um contrato e documentos assinados pelo empregador.

“Tem sido stressante para nós, especialmente para quem trabalha em empresas e que tem pouquíssimos dias de folga. É também muito stressante porque se os nossos bebés não conseguirem visto, até as nossas autorizações de trabalho são canceladas”, afirmou Windy Inez.

Outro entrave é o preço elevado do regresso para não-residentes, com quarentenas que custam, pelo menos, 3.000 patacas, além das 1.250 patacas pagas pelos cinco testes de ácido nucleico feitos durante o isolamento. Despesas elevadas para os trabalhadores que auferem os salários mais baixos do território.

Cabo Verde | Macau Legend apresenta plano de retoma para resort

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Anunciado há muito pelo empresário local David Chow, o hotel-casino previsto para Cabo Verde tarda a sair do papel. Surgem agora notícias de que a Macau Legend vai apresentar um plano de retoma para o projecto, numa altura em que o grupo enfrenta dificuldades em Macau

 

O presidente da Cabo Verde TradeInvest (CVI) disse ontem que a construção do hotel-casino do grupo Macau Legend, na Praia, teve “algumas dificuldades” devido às crises, mas informou que os promotores vão apresentar brevemente um plano de retoma.

“Esse projecto tem conhecido algumas dificuldades de retoma, nem todas as empresas conseguem recuperar da crise, é preciso não esquecer que nós continuamos em crise, o mundo inteiro, não é só Cabo Verde, há a pandemia que teve os seus efeitos, há a guerra na Ucrânia, e há projetos que estão a recuperar mais depressa do que outros”, começou por explicar José Almada Dias, em declarações à Lusa, na cidade da Praia.

O dirigente disse que a agência responsável pela tramitação dos projectos de investimentos no país tem estado em contacto com os promotores, que mostram essas dificuldades, mas afirmou que “alguma decisão terá que ser tomada”.

“Eles ficaram de apresentar um plano de retoma brevemente”, adiantou José Almada Dias, avançando que se mantém o interesse dos promotores em avançar com o projecto, em que alguns trabalhos já foram feitos, nomeadamente uma ponte para o ilhéu de Santa Maria.

“Mas, naturalmente, estamos a seguir muito atentamente o assunto, em estreito contacto com os promotores e também o próprio Governo está em cima do acontecimento e brevemente teremos que ter alguma decisão se o projecto avança rapidamente ou se terá que haver outras medidas”, insistiu.

Questionado se o projecto poderá ser alterado, Almada Dias respondeu que não há indicações nesse sentido, insistindo que foi apresentado um plano de retoma das obras.

“O projecto terá de avançar, com estes ou com outros promotores”, desafiou, sublinhando que, mesmo não sendo o caso, já aconteceu em outras latitudes em que um promotor tem dificuldade em avançar com um projecto e este pode mudar de mãos.

“Não sei se será o caso, pelo contrário, os promotores estão a mostrar vontade de apresentar um plano de retoma e estamos esperançados que assim seja, por ser muito mais fácil”, vincou o presidente da CVI.

Um longo projecto

O grupo Macau Legend, do empresário local David Chow, anunciou em Março de 2020 que previa inaugurar no final de 2021 o hotel-casino na cidade da Praia, depois de em 2019 ter previsto a conclusão da obra para final do ano seguinte. Em Agosto de 2020, o ministro do Turismo cabo-verdiano, Carlos Santos, admitiu que a pandemia de covid-19 deverá atrasar a conclusão das obras, mas disse acreditar que o investimento não estava em causa.

Em 2015, David Chow assinou com o Governo cabo-verdiano um acordo para a construção do empreendimento, tendo sido lançada a primeira pedra do projecto em Fevereiro de 2016. Trata-se do maior empreendimento turístico de Cabo Verde, com um investimento global previsto de 250 milhões de euros – cerca de 15 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) cabo-verdiano – para a construção de uma estância turística no ilhéu de Santa Maria, que cobrirá uma área de 152.700 metros quadrados, inaugurando a indústria de jogo no arquipélago.

David Chow recebeu uma licença de 25 anos do Governo de Cabo Verde, 15 dos quais em regime de exclusividade na ilha de Santiago. Esta concessão de jogo custou à CV Entertaiment Co., subsidiária da Macau Legend, o equivalente a cerca de 1,2 milhões de euros. A promotora recebeu também uma licença especial para explorar, em exclusividade, jogo ‘online’ em todo o país e o mercado de apostas desportivas durante dez anos.

Concessões de jogo | Governo revela hoje todos os detalhes

São hoje tornados públicos todos os detalhes sobre as novas concessões de jogo para os próximos dez anos. A conferência de imprensa onde serão reveladas as informações decorre hoje na sede do Governo às 17h30, estando prevista uma cerimónia às 16h15 no mesmo local.

Este é um momento histórico para a indústria do jogo, ainda o pilar da economia de Macau, que representa, segundo muitos analistas, uma nova fase após a liberalização do jogo e anos em que as concessionárias ganharam milhões.

Este concurso público começou por ter sete empresas na corrida, incluindo a Genting, uma novidade, mas a verdade é que as autoridades resolveram renovar as licenças com as seis operadoras que já estavam no mercado com provas dadas. No dia 26 de Novembro ficou-se a saber que a MGM Grande Paradise, Galaxy Casino, a Venetian Macau, a Melco Resorts (Macau), a Wynn Resorts (Macau) e a Sociedade de Jogos de Macau iriam continuar a operar o jogo e actividades ligadas ao entretenimento no território.

Segundo disse na altura o presidente da comissão do concurso público para a atribuição de concessões para a exploração de jogos de fortuna ou azar, André Cheong, que é também secretário para a Administração e Justiça, as candidatas escolhidas “oferecem compromissos e condições mais vantajosas para assegurar o emprego local, abrir mais fontes de clientes e visitantes e permitir a exploração de elementos não-jogo, correspondendo aos objetivos do Governo”.

André Cheong não quis revelar a razão que deixou o grupo Genting (GMM) de fora, realçando apenas que a empresa foi “estabelecida muito recentemente em Macau” e que “apesar de não ter experiência de exploração do jogo em Macau”, teve uma “atitude pró-activa” na participação do concurso público. Com Lusa

Orçamento | Secretário e Ron Lam em discussão acesa

DR

O secretário para a Economia e Finanças e o deputado Ron Lam “pegaram-se” ontem, durante a discussão na especialidade do orçamento da RAEM para 2023. Em causa, esteve o facto de o deputado entender que o secretário devia repetir no plenário algumas das explicações adiantadas na comissão de especialidade, realizada à porta fechada.

Logo no início da discussão, Lei Wai Nong mostrou-se incomodado com as questões sobre o facto de não serem injectadas 7 mil patacas nas contas individuais do regime de previdência das pessoas com mais de 65 anos. O tema tem sido recorrente, mas a injecção de 7 mil patacas é considerada “extraordinária”, estando dependente do orçamento registar um superavit. Como o orçamento para o próximo ano é deficitário, o Governo não vai distribuir o dinheiro.

Quanto a não haver esta injecção, Lei Wai Nong respondeu que já tinha falado várias vezes sobre o assunto e apontou que a solução para os problemas económicos de Macau passa por alcançar uma “união de forças”.

A polémica regressou quando Ron Lam defendeu que o Governo devia explicar o aumento dos encargos plurianuais à população. Lei Wai Nong não gostou. “O facto de o deputado não perceber [as questões], não tem a ver com o direito à informação”, atirou, depois de uma das suas assistentes ter explicado o assunto.

A resposta do secretário, azedou o ambiente. “O secretário, e o próprio Chefe do Executivo, quando vêm à Assembleia Legislativa têm de assumir uma atitude de boa-fé, e não devem estar sempre a questionar as minhas capacidades, e se eu entendo as leis”, respondeu Lam. “Eu estive de boa fé, e actuei para que o Governo explicasse à população as alterações. Porém com o pretexto de que o deputado não sabe a lei, parece que não foi essa a intenção”, acrescentou. O orçamento foi aprovado, com Ron Lam a votar contra os dois aspectos que questionou.

Saúde | Crianças com necessidades especiais preocupam Ma Io Fong

Ma Io Fong está preocupado com o atraso no diagnóstico de crianças com necessidades especiais e apelou ao Governo para definir “um rácio razoável entre terapeutas e utentes”.

“Recebi opiniões de muitos pais, referindo que, normalmente, as crianças com necessidades especiais só são identificadas na creche, e assim perde-se o melhor período para o tratamento”, disse Ma Io Fong na Assembleia Legislativa (AL) de Macau.

Numa intervenção antes da ordem do dia, o deputado referiu que, de acordo com os dados do Instituto de Acção Social, o número de estudantes com necessidades especiais tem aumentado.

No último ano lectivo, frequentavam o ensino inclusivo 2.244 alunos, ou seja, “nos últimos anos, o aumento anual foi de cerca de 200”, acrescentou Ma.

“Prevê-se um aumento anual de 300 a 450 casos, portanto, há que aperfeiçoar o rastreio e a avaliação (…) para garantir o devido apoio a todas as crianças com necessidades especiais”, referiu.

Citando especialistas internacionais, o deputado chamou a atenção dos governantes para a importância do tratamento precoce, preferencialmente “até aos três anos”.

Para Ma Io Fong, é ainda imperativo reforçar a sensibilização da sociedade para o tratamento, sendo que “segundo o pessoal da linha de frente da área da educação, vários encarregados de educação” estão preocupados “com eventuais preconceitos em relação aos filhos que recebem terapia precoce”. “Por conseguinte, escondem a doença, por terem medo do tratamento”, constatou.

Museus | Macau pode ajudar China a ser “potência mundial”

DR

Wu Chou Kit considera que Macau deve trabalhar para se afirmar na área dos museus na Grande Baía e ajudar a China a tornar-se uma “potência mundial” neste campo. A ideia foi defendida ontem na AL, durante uma intervenção antes da ordem do dia, em que o deputado defendeu que seja feito um inventário e se crie um sistema de acreditação, para controlar as instituições.

“Macau, enquanto parte integrante e importante da China, deve desempenhar bem o seu papel de ‘uma base’, por isso, propõe-se a promoção do desenvolvimento integrado dos museus da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e o reforço na integração dos recursos museológicos, e na inovação conjunta.

Macau, como região com fortes recursos culturais e ocidentais, deve ter como objectivo desenvolver-se como ‘Cidade-museu’”, afirmou. “Sugere-se que Macau se articule com o objectivo de transformar o País numa potência museológica mundial até 2035 e que se prepare para promover activamente a legislação dos museus”, acrescentou.

No entanto, segundo o engenheiro de formação, antes de avançar para a lei, Macau deve fazer um inventário com o conteúdo dos museus públicos e privados, e criar um sistema de acreditação, para controlar quem pode abrir este tipo de instituições.

AL | Reconhecimento mútuo de cartas de condução gera polémica

Ron Lam e Leong Sun Iok questionaram ontem a política de reconhecimento mútuo da carta de condução com o Interior e alertaram para o impacto no trânsito local. Uma das razões da polémica prende-se com o facto de Raimundo do Rosário ter afirmado em Agosto que a medida não ia ser implementada em conjunto com a política da circulação no Interior de veículos de Macau.

A política é impopular, e no tempo de Fernando Chui Sai On gerou uma grande manifestação contra o Governo. No entanto, com Ho Iat Seng a liderar o Exeutivo vai mesmo avançar.

A falta de coerência de Ho Iat Seng e do secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, foi ontem um dos pontos criticados por Ron Lam, na intervenção antes da ordem do dia, que lembrou as palavras de outros tempos. O deputado recordou que Ho Iat Seng, em 2020, “afirmou que havia grande controvérsia na Assembleia Legislativa sobre o reconhecimento recíproco das cartas de condução, salientando a necessidade de reciprocidade do reconhecimento e da auscultação das opiniões dos deputados”.

O legislador recuou igualmente a Agosto deste ano, quando “o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, afirmou claramente que os dois projectos, ‘deslocação dos veículos de Macau a Guangdong’ e o ‘reconhecimento recíproco das cartas de condução’, não iam ser ‘em simultâneo’”.

Perigos ocultos

Apesar disso, os dois governantes decidiram avançar, pelo que o deputado defende que deve ser feita uma consulta pública e ser adoptadas medidas de controlo: “Há em Macau cerca de 106 mil trabalhadores não residentes e 27 mil estudantes do ensino superior do Interior da China. Se não forem impostas restrições ou medidas transitórias, desde que os referidos indivíduos tenham carta de condução do Interior da China, podem imediatamente conduzir em Macau, sendo preocupante o problema dos motoristas sem a devida autorização”, alertou.

No mesmo sentido, também Leong Sun Iok se mostrou preocupado com o impacto da medida. “A sociedade também teme que a implementação desta medida aumente a pressão do trânsito e conduza a problemas de segurança rodoviária, devido ao aluguer de veículos para conduzir em Macau entre outros motivos, ou até agrave o problema dos motoristas ilegais”, avisou “Espero que as autoridades avaliem, de forma dinâmica, o impacto do ‘reconhecimento mútuo das cartas de condução’ no trânsito de Macau”, acrescentou.

Ao mesmo tempo, o deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau lembrou que a forma de conduzir em Macau e no Interior é diferente, pelo que espera que o Governo saiba como reduzir os perigos da medida.