Segredo de Estado | Definição de Pequim é para cumprir em Macau Hoje Macau - 4 Abr 2023 Os deputados da primeira comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL) entendem que as matérias classificadas como Segredo de Estado pelo Governo Central, nos termos da lei nacional, são aplicadas em Macau, indicou ontem, Ella Lei, que preside à comissão que está analisar na especialidade a proposta de lei que irá regular o Segredo de Estado na RAEM. De acordo com a TDM – Rádio Macau, da reunião de trabalho, que contou com a presença do secretário para a Administração e Justiça, ficou estabelecido que classificação do que é Segredo de Estado é da competência exclusiva do Chefe do Executivo. A competência não pode ser delegada e para classificar uma matéria como digna de segredo é preciso que este seja proveniente da RAEM e que a sua divulgação possa colocar em risco a segurança e os interesses do Estado. Estes requisitos foram apresentados ontem pelos representantes do Governo, que asseguraram que serão “muito poucas” as situações em que será necessário classificar uma matéria como protegida ao abrigo do Segredo de Estado. Ella Lei confirmou que a comissão recebeu a carta enviada pela Associação de Jornalistas de Macau (AJM) que expressava preocupações sobre a possibilidade de as leis do Segredo de Estado e Segurança Nacional serem vagas, abrindo porta a arbitrariedade na aplicação.
Hong Kong altera a “Portaria de Registo dos Dentistas” David Chan - 4 Abr 2023 Na semana passada, alguns órgãos de comunicação social de Hong Kong divulgaram que está em preparação por parte do Governo de Hong Kong a emenda à “Portaria de Registo dos Dentista”, de forma que os licenciados em medicina dentária não possam registar-se e exercer logo após a graduação. Precisam primeiro de praticar numa instituição pública, ou numa outra instituição credenciada, durante um ano antes de poderem ingressar no activo. A Dental Association afirmou que o currículo odontológico actual exige que os alunos pratiquem todos os anos, e que as aulas práticas têm uma duração maior do que as aulas teóricas. Além disso, existem actualmente cerca de 40 clínicas dentárias públicas em Hong Kong, das quais 11 servem os residentes de Hong Kong e as restantes atendem apenas os funcionários públicos. Por conseguinte, a extensão dos benefícios que esta medida pode trazer aos residentes de Hong Kong é assunto do maior interesse para a população. De acordo com o Secretário do Departamento Médico e de Saúde de Hong Kong, existem 371 postos de odontologia, dos quais 50 estão disponíveis. Contando com a taxa de rotatividade anual de cerca de 11,1%, pode vir a haver 90 a 100 vagas. Além disso, o Governo de Hong Kong precisa de investir cerca de 500.000 HK dólares por ano na formação de dentistas, sendo que a formação em medicina dentária tem uma duração de 6 anos, pelo que o Governo investe na formação de cada um deles um total de cerca de 3 milhões de HK dólares. De acordo com os noticiários, os estudantes de medicina dentária não foram consultados sobre a proposta de alteração da lei, mas como podem vir a ser os mais afectados, alguns ficaram desconfortáveis com a situação. Há também quem se questione se o objectivo desta alteração da lei é atender às necessidades do mercado, ou alterar o currículo odontológico que está em vigor há muitos anos. A questão que se coloca está sobretudo relacionada com a formação dos dentistas e com os direitos e o interesse dos residentes de Hong Kong. Formalmente, trata-se de alterar uma lei de Hong Kong. Do ponto de vista formal, o primeiro passo a dar quando se pretende alterar uma lei é realizar consultas, nas quais se incluem, naturalmente, as partes interessadas. Esta alteração à Portaria de Registo dos Dentistas, sem a consulta a uma das partes interessadas, os estudantes de odontologia, é certamente inadequada. Simultaneamente, estes estudantes serão os mais prejudicados pela alteração da legislação. Um grupo de pessoas que será muito afectado não pode expressar a sua opinião. O seu mal-estar é compreensível. Quando se vierem a fazer alterações a outras leis de Hong Kong, devem ser feitas consultas mais abrangentes para evitar que algo semelhante volte a acontecer. É sabido que o currículo actual de odontologia em Hong Kong inclui muitas horas de aulas práticas em todos os anos da formação. No entanto, o Governo de Hong Kong propõe um ano de prática antes de se poder exercer. Quer se trate de uma prática segmentada ou de uma prática unificada que se concentra na conclusão das aulas teóricas, são apenas questões técnicas que não fazem muita diferença. A questão central é se existe alguma diferença significativa entre as aulas práticas incluídas no currículo e a prática pós-formação proposta pelo Governo. As mudanças propostas só fazem tentido se se apontar especificamente as diferenças entre as duas e se puder demonstrar que essas diferenças aumentarão o profissionalismo dos dentistas e melhorarão as suas capacidades de tratamento dos pacientes. Actualmente, todas as Universidades de Hong Kong têm propinas fixas, ou seja, as taxas de matrícula de cada curso são iguais às dos cursos universitários financiados pelo Governo. Há alguns anos, o Governo de Hong Kong debateu a possibilidade da instituição de “propinas diferentes para os diferentes cursos universitários”. Os custos de formação dos estudantes de direito são os mais baixos. O curso de direito dura quatro anos. Além disso, os alunos só precisam de ter acesso a aulas teóricas, às bibliotecas e a tribunais simulados. Se compararmos com os cursos de medicina, nos quais se incluí a odontologia, que precisam de estudar durante seis anos, de laboratórios e de muitas outras ferramentas, o curso de direito representa uma despesa muito menor. Os estudantes de medicina precisam do apoio do Governo para a sua formação num grau muito mais elevado do que outros estudantes. Porque o Governo de Hong Kong não implementou a prática das “propinas diferentes para os diferentes cursos universitários”, a maior parte dos subsídios governamentais para formação universitária recaem nos cursos mais dispendiosos. A odontologia é um exemplo típico. Se estes estudantes podem registar-se e praticar assim que terminam os cursos, e ver a sua actividade muito bem remunerada, isso fica a dever-se ao investimento de 3 milhões de HK dólares que o Governo fez em cada um deles. Mal compreendemos esta questão, percebemos, naturalmente, porque é que o Executivo de Hong Kong quer alterar a lei. Claro que existem problemas no planeamento governamental para a odontologia pública, Existem actualmente cerca de 40 clínicas dentárias públicas, das quais apenas 11 servem residentes de Hong Kong e as restantes apenas funcionários públicos. Esta disposição põe inevitavelmente em causa o objectivo da alteração da lei. Só quando o Governo de Hong Kong fornecer mais serviços dentários públicos para beneficiar mais residentes é que a população pode desvanecer as suas dúvidas. Quando se escolhe uma profissão, o mais provável é vir a exercê-la a vida inteira, e claro que esta assumpção se aplica aos dentistas. No que se refere à proposta de alteração da lei, não há dúvida que dentistas e estudantes de medicina dentária deveriam ter sido consultados. Uma mudança no programa curricular de um curso universitário só deve ser feita quando é necessária, especialmente se se tratar de um curso de medicina. As alterações curriculares não afectam apenas os estudantes e as universidades, mas milhões de pacientes, e devem ser efectuadas com cuidado. Na realidade, é impossível que as universidades cobrem a cada estudante de medicina dentária 500.000 HK dólares por ano. Por conseguinte, é inevitável que o Governo de Hong Kong os subsidie. Mas o financiamento do Governo de Hong Kong vem do dinheiro dos contribuintes, ou seja, o dinheiro dos residentes de Hong Kong. Assim, os estudantes de odontologia devem retribuir à sociedade depois de receberem o financiamento para concluírem os seus cursos. A forma de retribuir é por vezes problemática. Idealmente, as partes interessadas poderão chegar a um acordo que a todos beneficie. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão do Instituto Politécnico de Macau
MGM | Paul Anka vem a Macau dia 20 de Maio Hoje Macau - 4 Abr 2023 Paul Anka, grande nome da música pop, fará a sua estreia em Macau no dia 20 de Maio com o concerto “Greatest Hits, His Way” no MGM Theater, no empreendimento MGM Cotai. Os bilhetes para o espectáculo começam a ser vendidos no próximo sábado, 8 de Abril. O público de Macau poderá, assim, ouvir pela primeira vez ao vivo grandes êxitos do cantor e compositor como “Diana”, “Lonely Boy” e “My Way”. Paul Anka já escreveu mais de 500 canções e vendeu cerca de 100 milhões de álbuns em todo o mundo, preservando a distinção de ser o único artista na história com uma música nos tops da Billboard por sete décadas consecutivas. O preço base dos bilhetes para o concerto é de 880 patacas. A pré-venda está disponível desde ontem.
Peças de Huang Benrei para ver até Junho na H853 Art Space Hoje Macau - 4 Abr 20234 Abr 2023 Pode ser visitada até 30 de Junho a nova exposição da galeria “H853 Art Space”, no Lisboeta Macau, intitulada “My Nini”, de Huang Benrei, e que foi inaugurada na última sexta-feira. Trata-se de uma série de 27 trabalhos pertencentes à colecção privada de Arnaldo Ho, “jovem empreendedor” e filho de Angela Leong, directora-executiva da Sociedade de Jogos de Macau Resorts. Estas peças são feitas em torno de “Nini”, um coelho transformado em personagem artística. Por entre pinturas e esculturas, o público poderá ver diferentes características e estilos do coelho “Nini” em três zonas de exposição, intituladas “Hide&Seek”, “My Spring Garden” e “Nini’s Attitude”, sendo que cada uma delas pode transformar-se num espaço fotogénico e de interacção com o personagem principal destes trabalhos. Nesta mostra, Huang Benrei explora os temas da interligação entre a vida humana e o vasto universo, bem como o facto de “a existência e todos os esforços dos seres humanos esbarrarem na inevitabilidade, com momentos de compatibilidade entre deuses e humanos a surgirem, por vezes, em obras de arte”. “Nini” e positivismo Citado por um comunicado emitido pela organização da mostra, Arnaldo Ho, disse que as peças de Huang Benrei, por si adquiridas, têm um efeito curativo, recordando-o da importância “de estar relaxado como ‘Nini’ quando enfrento dificuldades e desafios”. “Quando a arte me fascina não há certo ou errado, a obra de arte, por si só, não tem emoções específicas e todos podem ter o seu próprio entendimento e interpretação. A arte não é algo assim tão difícil de atingir e é até fácil de misturar com o nosso dia-a-dia”, disse. Com “My Nini”, Arnaldo Ho espera ainda que o público possa “inspirar-se e enfrentar as dificuldades da vida com uma atitude positiva e relaxada”. Christine Hong, vice-presidente da área de desenvolvimento do negócio de retalho do Lisboeta Macau, disse estar grata pela cedência da colecção particular de Arnaldo Ho, esperando que os visitantes possam “mergulhar numa atmosfera artística e apreciar a arte em conjunto, expressando as ideias nesta plataforma aberta”. Huang Benrei é uma artista natural de Taiwan e que vive em Nova Iorque. Formada em artes pela National Taiwan Normal University, a artista prosseguiu estudos nos EUA, nomeadamente na área da ilustração, concluindo o seu mestrado na Escola de Artes Visuais, em Nova Iorque, em 1992. Huang Benrei trabalhou como ilustradora de livros infantis entre 1988 e 2008 até apostar mais na pintura e projectos em três dimensões baseados na personagem por si criada.
Óbito | Músicos e realizadores lamentam morte de Ryuichi Sakamoto Hoje Macau - 4 Abr 2023 Ryuichi Sakamoto faleceu na semana passada vítima de cancro. Autor da banda sonora do filme “O Último Imperador”, com a qual venceu um Óscar, Sakamoto fica para a história como um pioneiro que quebrou barreiras entre estilos musicais, sempre aberto ao experimentalismo e às colaborações com outros artistas Músicos, compositores e realizadores de cinema prestaram ontem homenagem ao compositor japonês Ryuichi Sakamoto, que morreu na semana passada, vítima de cancro, aos 71 anos. “Mestre, espero que a sua longa viagem seja pacífica”, escreveu nas redes sociais Suga, da ‘boysband’ sul-coreana BTS, horas depois de a agência do compositor, commmons, ter anunciado que Sakamoto morreu a 28 de Março. Outras vozes do mundo da música juntaram-se às mensagens de pesar, como foi o caso de Yojiro Noda, da banda de rock japonesa RADWIMPS. “Tive a oportunidade de o ver duas vezes e ainda me lembro da sua forma amável de falar. Vou continuar a ouvir a sua música”, escreveu nas redes sociais. “Estou em dívida para com Sakamoto de várias formas, tanto profissionalmente como em privado. ‘Senhor Iwai, continue a desempenhar um papel activo’, disse-me. Estas palavras calorosas acabaram por ser as últimas que me dirigiu. O seu impacto é imensurável”, notou o realizador japonês Shunji Iwai, autor de filmes como “Fireworks” (2017) e “Hana e Alice” (2004). Cancro fatal Já o parceiro de Sakamoto no trio Yellow Magic Orchestra (YMO) Haruomi Hosono também lamentou a morte do pianista ao publicar uma fotografia cinzenta no Instagram. O mesmo gesto de Sakamoto a 11 de Janeiro quando o terceiro membro da YMO Yukihiro Takahashi sucumbiu a um cancro. No final da década de 70, os YMO começaram a sua jornada de exploração dos meandros das sonoridades da música electrónica, desbravando caminhos anteriormente trilhados por bandas como Kraftwerk, Suicide e seguindo as pisadas de aventureiros musicais como John Cage. A carreira de Sakamoto sempre este longe de ser uma linha recta, prova disso é o álbum “Casa”, gravado em 2001 com o violoncelista brasileiro Jacques Morelenbaum, onde são interpretadas, essencialmente, músicas de Tom Jobim. Sakamoto, que tinha recuperado há uns anos de um cancro na garganta, confirmou no início de 2021 que sofria de cancro colorrectal. A evolução da doença limitou as aparições públicas, concertos e entrevistas do músico nipónico nos últimos anos. Premiado com um Óscar pela banda sonora do filme “O Último Imperador”, de Bernardo Bertolucci, Sakamoto foi um dos compositores japoneses mais internacionais das últimas décadas, com uma obra que abrangeu várias etapas, desde o sucesso da YMO até à composição de bandas sonoras. Na composição para cinema destaque ainda para o filme “Merry Christmas Mr. Lawrence” (1983), no qual também interpretou o papel de um comandante de um campo prisional japonês durante a Guerra do Pacífico e onde contracenou com David Bowie. O último concerto de Ryuichi Sakamoto realizou-se a 11 de Dezembro, em formato ‘online’. No ano passado foi lançado um disco de tributo a Sakamoto, intitulado “To The Moon and Back”. “12”, lançado em Janeiro deste ano, foi o último álbum de estúdio de Sakamoto, que nunca deixou de trabalhar apesar da doença.
Semicondutores | China pede ao Japão que reconsidere restrições Hoje Macau - 4 Abr 2023 A China pediu no domingo ao Japão que não imponha restrições à exportação de equipamento para fabrico de ‘chips’ semicondutores, como parte de uma batalha geopolítica pelo domínio de componentes essenciais à produção de alta tecnologia. “Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Qin Gang, ao homólogo japonês, Yoshimasa Hayashi, num encontro em Pequim, segundo um comunicado divulgado pela diplomacia chinesa. O ministro chinês lembrou que os Estados Unidos reprimiram também, no passado, de “forma brutal”, a indústria de semicondutores do Japão, e que, agora, estão a tentar “repetir os seus velhos truques” contra a China. Tal bloqueio vai “apenas estimular a determinação da China em se tornar autossuficiente”, acrescentou Qin Gang, de acordo com o mesmo comunicado. Foi a primeira visita de um alto diplomata japonês a Pequim em mais de três anos, depois de a China ter mantido as suas fronteiras encerradas, desde Março de 2020, no âmbito da política de ‘zero casos’ de covid-19, entretanto suspensa. Os semicondutores e a tecnologia necessária para a sua produção são cada vez mais sensíveis, à medida que Pequim tenta desenvolver a sua própria indústria de alta tecnologia, o que tem implicações militares.
China | Actividade da indústria transformadora estabiliza em Março Hoje Macau - 4 Abr 2023 A actividade da indústria transformadora da China estabilizou em Março após ter registado uma forte recuperação em Fevereiro, quando atingiu o maior ritmo de expansão em oito meses, indica uma análise publicada pela revista Caixin. O índice de gestores de compras (PMI, na sigla em inglês), elaborado pela empresa de informação económica britânica IHS Markit, passou de 51,6 pontos, em Fevereiro, para 50, em Março. Quando se encontra acima dos 50 pontos, este indicador sugere uma expansão do sector, enquanto abaixo dessa barreira pressupõe uma contração da actividade. O índice é tido como um importante indicador da evolução da segunda maior economia do mundo. Embora tenha evitado cair de novo na zona de contração, onde se situou por seis meses consecutivos e até Janeiro, os dados do PMI agora divulgados estão bem abaixo das previsões dos analistas, que apontavam para uma aceleração ainda maior, para os 51,7 pontos. A medição oficial, divulgada na sexta-feira pelo Gabinete de Estatísticas da China, também expôs um abrandamento no ritmo de crescimento, ao passar de 52,6 pontos, em Fevereiro, para 51,9, em Março. Rumo à solidez “A actividade na indústria transformadora estabilizou após registar rápida recuperação em Fevereiro”, disse um economista da Caixin Wang Zhe, observando que a procura e a oferta no sector “enfraqueceram significativamente” no mês passado, o que mostrou que “os alicerces” da recuperação económica da China “ainda não são sólidos”. Esta interpretação é partilhada pelas autoridades. Wang sublinhou, porém, que os empresários inquiridos para a elaboração do PMI continuam a mostrar “forte confiança” na recuperação da economia, após o fim da política de ‘zero covid’, que deprimiu a actividade económica, no ano passado. O economista salientou que a recuperação da indústria transformadora vai depender do impulso da procura a nível interno, especialmente do consumo das famílias, pelo que apelou às autoridades para se concentrarem na “estabilização do emprego, no aumento dos rendimentos das famílias e na melhoria da confiança do mercado”.
Banca | China Renaissance suspende negociações na bolsa de Hong Kong Hoje Macau - 4 Abr 2023 A negociação das acções da China Renaissance, importante banco de investimento privado chinês especializado em tecnologia, foi ontem suspensa, na bolsa de valores de Hong Kong, na sequência do desaparecimento do fundador A China Renaissance suspendeu ontem a negociação das suas acções na praça financeira de Hong Kong. A empresa explicou que não pode apresentar atempadamente os resultados auditados, referentes ao ano de 2022, precisamente porque os auditores ainda não conseguiram contactar o fundador e presidente executivo do grupo, Bao Fan, desaparecido desde Fevereiro passado, de acordo com um comunicado. O banco de investimento, cujo valor das acções caiu mais de 27 por cento desde que foi divulgado o desaparecimento de Bao, vai manter as negociações suspensas até que possa apresentar resultados auditados para 2022. A administração da empresa não avançou qualquer data. A China Renaissance garantiu que tem “feito todos os esforços” para atender aos pedidos dos auditores, mas salientou que o paradeiro de Bao “não é assunto que esteja sob controlo do grupo” e os assuntos que levaram ao desaparecimento do executivo “ainda não foram resolvidos”, acrescentou na mesma nota. O grupo publicou uma demonstração de resultados não auditada, este fim-de-semana, que reflecte uma queda homóloga de 9,1 por cento no volume de negócios e perdas líquidas de 563,7 milhões de yuan, em comparação com lucros de 1.624 milhões de yuan, em 2021. Tendência de mercado O China Renaissance relatou o desaparecimento de Bao em 16 de Fevereiro e dez dias depois indicou “ter conhecimento” de que estava a colaborar com uma investigação realizada pelas autoridades chinesas, sem mais pormenores. A segunda declaração parecia confirmar a tese de alguns órgãos de comunicação social que apontavam que a situação de Bao era semelhante à ocorrida em 2015, quando pelo menos cinco executivos de diferentes empresas desapareceram de forma semelhante, entre os quais o presidente do conglomerado Fosun, Guo Guangchang, detentor de várias empresas em Portugal. A imprensa chinesa especulou em Fevereiro que podia estar relacionado com uma investigação lançada pelas autoridades contra Cong Lin, ex-presidente do China Renaissance, contratado em 2020 após uma longa carreira num dos maiores bancos estatais da China, o ICBC. Bao supervisionou a entrada em bolsa de vários gigantes do sector da Internet, incluindo o grupo de comércio eletrónico JD.com, ou a fusão, em 2015, entre as empresas de serviços de transporte partilhado Didi e Kuaidi Dache. De acordo com o jornal britânico Financial Times, Bao tentou transferir parte da fortuna da China e de Hong Kong para Singapura, território onde no final do ano passado tentou criar um fundo para administrar o seu património. No final de Fevereiro passado, a Comissão Central de Inspecção e Disciplina, o poderoso órgão anticorrupção do Partido Comunista da China, prometeu fortalecer a campanha contra irregularidades no sector financeiro. O grupo China Renaissance, que conta com mais de 700 funcionários em todo o mundo, está presente em Singapura e nos Estados Unidos.
Bolsa | Venda de acções do Grupo Jiayuan International suspensa João Santos Filipe - 4 Abr 2023 A imobiliária de Jiangsu, que fez a transacção mais cara de sempre de um terreno em Macau, falhou a data de apresentação dos resultados financeiros. No ano passado, a empresa foi alvo de dois pedidos de penhora em Hong Kong As acções do Grupo Jiayuan International na Bolsa de Hong Kong estão suspensas desde ontem, depois de ter sido falhada a data para a apresentação dos resultados financeiros. A empresa que é responsável pela construção do projecto Ocean Hill, na Avenida Dr. Sun Yat-Sen na Taipa prometeu apresentar os resultados até 30 de Abril. Em comunicado, a empresa explicou o atraso nos resultados financeiros com três motivos, entre os quais a falta de mão-de-obra. “As recentes demissões de certos empregados-chave, em particular, os que integravam unidade de contabilidade levou à falta de mão-de-obra, que impediu que fosse possível preparar os resultados consolidados do grupo para o ano financeiro que terminou a 31 de Dezembro de 2022”, é justificado. O Grupo Jiayuan International indica ainda que a direcção esteve demasiado ocupada “a lidar com os pedidos de penhora dos bens da empresa” e ainda “a negociar com credores nacionais e estrangeiros” de forma a “criar um plano satisfatório da restruturação das dívidas” do grupo. Por último, o atraso é igualmente explicado com a mudança de auditor da Jiayuan Services Holding Limited, uma subsidiária do grupo, que opera em Hong Kong e tem sede nas Ilhas Caimão. Quase lixo As dificuldades do Grupo Jiayuan International acompanham a tendência das construtoras do Interior, depois da grave crise financeira que começou a afectar o sector no ano de 2020. Nesse ano o Governo Central começou a impor limites ao endividamento destas empresas, o que contribuiu para que várias atravessassem grandes dificuldades, como aconteceu com a Evergrande, Grupo Kaisa, Fantasia Holdings, ou Sinic Holdings. A Jiayuan International não foi excepção, e desde o Verão de 2022 que é avaliada pela agência Moody’s como “lixo”, no nível “Ca”, o segundo mais baixo de toda a escala. A agência de notação financeira tomou a decisão depois de a Jiayuan International ter decidido suspender o pagamento de juros aos investidores internacionais que subscreverem os empréstimos obrigacionistas do grupo. A classificação de “Ca” significa que a empresa é tida como “altamente especulativa com a probabilidade de estar próxima ou em falência”. Segundo esta classificação, os investidores “têm alguma possibilidade de recuperar parte dos empréstimos e dos juros”.
Páscoa | DST espera 65 mil visitantes por dia Hoje Macau - 4 Abr 2023 Helena de Senna Fernandes, directora dos Serviços de Turismo (DST), disse esperar cerca de 65 mil visitantes diários no período das férias da Páscoa. Segundo o jornal Ou Mun, a aposta será o mercado de Hong Kong, uma vez que no Interior da China não é feriado nesta altura e a maioria dos visitantes deverá vir da região vizinha. Helena de Senna Fernandes adiantou que, no último mês, Macau recebeu, por dia, entre 61 e 62 mil visitantes, não se tendo verificado uma grande diferença entre o número de turistas nos dias úteis e aos fins-de-semana. Sobre a ocupação hoteleira, a directora referiu que, na última semana, cerca de 50 a 60 por cento dos quartos já estavam marcados, não tendo excluído a possibilidade de subida nas vésperas dos feriados. Quanto aos preços, Helena de Senna Fernandes adiantou que a oferta de quartos está estabilizada e que nos próximos meses será inaugurado um novo hotel, pelo que os preços até podem baixar. Não se prevê, portanto, especulação de preços no período das férias da Páscoa, não se podendo comparar com o período da pandemia. A directora explicou também que houve apenas uma recuperação de dez a 20 por cento em relação ao número de turistas internacionais face ao período pré-pandemia. A maioria dos viajantes internacionais são oriundos da Coreia do Sul, Tailândia, Singapura, Malásia e Japão.
Táxis | Prometido reforço do combate a infracções Hoje Macau - 4 Abr 2023 O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) e a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) prometem trabalhar em conjunto para, no período das férias da Páscoa e Cheng Ming (Dia de Finados), reforçar o combate às infracções cometidas por taxistas. As autoridades apelaram aos taxistas para que cumpram a lei e não cometam infracções como cobrança abusiva de tarifas ou rejeição de clientes. O CPSP promete destacar mais agentes para locais como postos fronteiriços, hotéis, casinos e empreendimentos turísticos para a realização de inspecções, enquanto a DSAT vai destacar funcionários para as paragens de táxi para manter a ordem e o fluxo de pessoas. Caso seja necessário, estes agentes poderão ajudar os visitantes a apresentar reclamações. A DSAT pediu ainda que seja assegurada a estabilidade do sistema de terminal inteligente de reserva de táxis, a fim de garantir os direitos de passageiros e taxistas. Os dois organismos destacam também que, com a nova lei que regula o sector, caso os taxistas cometam quatro infracções administrativas sérias num período de cinco anos podem ver cancelada a licença profissional, só podendo fazer novo exame de acesso à profissão três anos depois da suspensão.
AJM | Assinado protocolo com Escola Internacional “Gerações” Andreia Sofia Silva - 4 Abr 2023 Dez anos depois da sua fundação, a Associação dos Jovens Macaenses está financeiramente estável graças aos apoios da Fundação Macau. A entidade acaba de assinar uma parceria com a recém-formada Escola Internacional “Gerações” Realizou-se na última quinta-feira uma assembleia-geral da Associação dos Jovens Macaenses (AJM) que confirmou a boa situação financeira da entidade que já conta com dez anos de existência. Depois do período difícil da pandemia, a associação prepara-se para continuar com a agenda programada e com novas parcerias. “Assinámos recentemente um protocolo de cooperação com a Escola Internacional ‘Gerações’, exactamente visado para, futuramente, ampliar o conhecimento dos mais novos, dentro ou fora das suas instalações”, contou António Monteiro, presidente da AJM, ao HM. A associação continua a colaborar com o Instituto Internacional de Macau (IIM), bem como a promover actividades desportivas e recreativas, estando na calha a realização de “workshops e eventos ligados à música e cultura num bairro histórico”. Financeiramente a situação da associação é “saudável”, tendo em conta os poucos anos de existência. “A nova direcção achou importante investir numa página electrónica para a promoção da imagem da AJM junto dos associados e ao público que desconhece a associação, projectando também o seu trabalho através das redes sociais.” Para este ano estão previstas actividades que permitam “o convívio dos jovens”, com a aposta no fomento de uma rede das associações macaenses e portuguesas e no “trabalho com associações e entidades de matriz chinesa”. “Tencionamos trabalhar com universidades e escolas para ampliar a divulgação da identidade macaense, incluindo a sua cultura, legado, bem como actividades que permitem discussões de outros temas ligadas à sociedade e ao desenvolvimento de Macau e da China”, frisou António Monteiro. Outra aposta da AJM para este ano será a realização de uma viagem, com o apoio do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, à província de Xinjiang, adiada várias vezes devido à pandemia. “Não há dúvida que a viagem tem atraído mais associados a participar. As viagens são importantes para intensificar o conhecimento dos jovens macaenses junto da República Popular da China, podendo ser útil não só para o intercâmbio cultural, mas para cultivar também interesses a níveis empresariais, pois cada jovem ou associado está integrado em diferentes áreas da sociedade.” Nestas visitas pretende-se “transmitir as características da comunidade macaense e da plataforma entre a China e os países de língua portuguesa, factores que fazem a diferença a Macau”, adiantou. O arraial como exemplo Recentemente nomeado membro do Conselho do Património Cultural, António Monteiro defende que “é uma mais valia ver vida junto dos monumentos, pois não basta a restauração e a preservação, são as pessoas que dão vida aos monumentos”. O exemplo do Arraial de S. João surge de imediato como um evento com “valor histórico” que resulta “da própria identidade de Macau, da presença portuguesa em Macau e da existência dos próprios macaenses. Portanto, deve ser promovido cada vez mais à comunidade chinesa”. Como membro do Conselho do Património Cultural, António Monteiro diz ainda que dá especial atenção à preservação de elementos como “procissões, gastronomia macaense ou teatro em patuá”. O dirigente da AJM diz que um dos temas que mais gera preocupação é a ligação com a diáspora macaense. “Acredito que vamos desenvolver plataformas úteis [de contacto]. É uma possibilidade, e temos sempre abertura, que a diáspora apresente também ideias e propostas viáveis. O trabalho nunca foi só da AJM ou das diversas instituições (macaenses) em Macau.” António Monteiro não sabe quando será realizada uma nova edição do Encontro da Comunidade Juvenil, mas acredita que a diáspora vai “manter viva a cultura macaense directa ou indirectamente”. “A China entende que, sem esta particularidade da própria comunidade e das características macaenses em Macau, o território deixará de ser diferente. Não espero que um dia desapareça tudo em Macau e o único legado que resta seja somente os livros publicados. A única chamada de atenção que deixo é que a própria comunidade trabalhe sempre, individualmente, colectivamente ou a nível associativo, em prol da preservação e da promoção da nossa cultura”, rematou.
Saúde Mental | Chan Iek Lap pede atenção para situação dos jovens João Santos Filipe - 4 Abr 2023 O deputado e médico chama a atenção do Governo para a falta de estudos sobre a condição psicológica dos adolescentes e pede maior intervenção das autoridades e reforço da aposta na saúde mental O deputado Chan Iek Lap considera que é necessário prestar maior atenção aos “problemas emocionais” dos jovens. O alerta foi deixado através de uma interpelação escrita, em que o médico espera que se façam mais estudos e se reforce o acompanhamento dos mais novos, principalmente dos adolescentes. Segundo as explicações de Chan Iek Lap, os adolescentes com “problemas emocionais” acabam por ser afectados a dois níveis: o psicológico e o físico. Em relação aos efeitos psicológicos, o médico indica o desenvolvimento de crises de ansiedade, ataques de pânico, irritação constante, falta de paciência, ataques de nervosismo, e dificuldades em dormir como alguns dos sintomas revelados pelos mais novos. Quanto aos aspectos físicos, Chan alerta para situações de “aceleração do ritmo cardíaco”, tonturas, dificuldades respiratórias, dores no peito, dores de cabeça ou tremores nas mãos e nos pés. Apesar destes problemas, Chan Iek Lap mostra-se surpreendido porque considera que há poucos estudos no território sobre a condição dos adolescentes, e quer saber se o Governo planeia para dar um maior acompanhamento à situação dos jovens. “No portal do Instituto de Acção Social encontramos o ‘Sumário do Relatório do Estudo: Actualidade e Tendência dos Jovens na Região Administrativa Especial de Macau de 2019’, mas, desde então não houve mais nenhum estudo”, justifica o deputado. “Será que o Governo vai fazer mais estudos para identificar quais são as tendências entre os mais jovens?”, pergunta. Meter mãos à obra Nos últimos anos, principalmente com a política de zero casos de covid-19, verificou-se um aumento do número de suicídios no território, inclusive com casos de adolescentes. Este aspecto não é referido por Chan Iek Lap. Contudo, apela ao Governo para que estude melhor a condição dos jovens. “Será que o Governo vai ponderar lançar um estudo compreensivo sobre a saúde mental e os problemas emocionais dos jovens em Macau, para adquirir um conhecimento sobre a situação e poder implementar os planos necessários?”, questiona. Por outro lado, o deputado também considera que a identificação dos casos de jovens com problemas nem sempre é fácil, porque estes tendem a esconder as situações. Por isso, o médico quer saber se a Direcção de Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) tem planos para formar os professores. “Até que ponto o Governo é eficaz a prestar formação aos professores que permita identificar muito cedo os jovens que merecem atenção?”, interrogou.
Deslizamento de terras | Leong Sun Iok alerta para obras em propriedades privadas Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 4 Abr 2023 Leong Sun Iok alertou, em interpelação escrita, para os problemas decorrentes da realização de obras em terrenos que são propriedade privada, e que podem originar deslizamentos de terra ou derrocadas. Como exemplo, o deputado mencionou o caso recente junto ao edifício Baguio Court, na Estrada de Cacilhas, que teve como consequência um carro danificado e forçou ao desalojamento de alguns moradores. O deputado lembrou que caso as encostas sejam propriedade privada, as autoridades pedem aos proprietários para acompanharem as obras tendo em conta as sugestões do Grupo de Trabalho Interdepartamental sobre a Segurança de Taludes. No entanto, o mapa de observação desses taludes é apenas descritivo e não vinculativo, sendo difícil levar os proprietários a resolver estes casos. Leong Sun Iok quer, assim, que o Governo esclareça quem tem de facto responsabilidade caso ocorram obras nas encostas, por estarem envolvidos privados e entidades públicas. Então e o Governo? O deputado questionou também o calendário da implementação de uma lista das encostas e taludes em risco, incluindo os nomes dos proprietários e dos organismos responsáveis pela supervisão, anunciada pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário no ano passado. Uma vez que a Direcção dos Serviços de Obras Públicas prevê que seja feita uma inspecção mensal a estes locais, Leong Sun Iok questiona se é possível realizar mais inspecções nas épocas de chuvas fortes e tufões. É também questionada a eficácia do sistema de monitorização automático dos taludes nas encostas da Taipa Grande e da Fortaleza do Monte. Leong Sun Iok dá ainda conta que desde 2018 não foi feito qualquer pedido de subsídio no âmbito do plano de apoio financeiro e de crédito sem juros para a reparação de edifícios, sugerindo que esse apoio seja accionado em casos de deslizamento de terras com impacto em zonas habitacionais. Assim, Leong Sun Iok quer que o Governo apure as causas para a ausência de pedidos e tente melhorar as condições de candidatura a este apoio.
DSAL | Garantidas mais acções de formação profissional Hoje Macau - 4 Abr 2023 O director dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), Wong Chi Hong, garante que o Governo vai continuar a lançar mais acções de formação profissional a pensar no reforço da capacidade profissional e de competências para sustentar a diversificação da economia. A posição foi assumida em resposta a uma interpelação do deputado Lei Chan U, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau. O director indicou ainda que para corresponder à estratégia de diversificação económica “1+4”, a DSAL lançou estágios profissionais e visitas às empresas da Zona de Cooperação Aprofundada entre Hengqin e Macau e da Grande Baía. Estas iniciativas têm como objectivo ajudar os jovens a serem integrados nas empresas através de estágios, com vista à progressão e assinatura de contratos de trabalho. Sobre as empresas onde se realizam os estágios, Wong Chi indicou que são dos sectores tecnológicos ligadas à internet, como plataformas de comércio electrónico ou de jogos online.
Exposição | Governo Central aposta na Segurança Nacional Hoje Macau - 4 Abr 20234 Abr 2023 O Gabinete de Ligação e o Governo da RAEM voltam a organizar uma exposição sobre segurança Nacional, que vai decorrer entre 15 de Abril a 15 de Maio, no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. O anúncio foi feito ontem, através da plataforma de comunicação do Gabinete de Comunicação Social, e a iniciativa tem como objectivo assinar “a oitava edição do Dia da Educação da Segurança Nacional”. Segundo os organizadores, a “exposição está dividida cinco partes”. A introdução tem como objectivo mostrar que “sob a orientação científica da perspectiva geral da segurança nacional, o país, nos últimos dez anos, tem vindo a persistir na coordenação do desenvolvimento e da segurança”. Os organizadores pretendem também demonstrar a “melhoria notável a nível da modernização” do “sistema de segurança nacional” assim como da “capacidade no âmbito da defesa de segurança nacional”. Os visitantes poderão ainda verificar o que os organizadores consideram “uma série de grandes conquistas verificadas na segurança e desenvolvimento de todos os campos” do país. A cerimónia de inauguração da exposição está agendada para a manhã de 15 de Abril e ficará patente ao público a partir das 14h30 do mesmo dia. O horário de abertura ao público é de segunda-feira a domingo, das 10h às 20h.
Economia | Lei Wai Nong afirma que recuperação “é evidente” João Santos Filipe - 4 Abr 2023 O secretário para a Economia e Finanças participou ontem numa palestra promovida pela Associação Comercial de Macau e traçou um cenário económico optimista. Porém, deixou de fora a possibilidade de lançar uma nova ronda do cartão de consumo O secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, acredita que a recuperação económica do território “é evidente” e que os consumidores estão cada vez mais optimistas. As declarações foram prestadas durante o discurso de abertura de uma palestra promovida pela Associação Comercial de Macau. Na perspectiva do responsável pela pasta da economia, citado pelo canal chinês da Rádio Macau, a recuperação foi possível devido ao “relaxamento gradual” das restrições de circulação entre Macau, o Interior e o resto do mundo, que permitiu o aumento do número de turistas “e um bom início de ano”. O secretário sustentou as afirmações ao indicar que entre Janeiro e Fevereiro o número de turistas saltou para 2,9 milhões de pessoas, dando nota também do crescimento acentuados dos mercados de Hong Kong e Taiwan. Esta novidade não é uma surpresa, uma vez que desde o início do ano foram levantadas as exigências do cumprimento de longas quarentenas à entrada. A tendência positiva também foi verificada nas receitas do jogo, que no primeiro trimestre chegaram aos 34,6 mil milhões de patacas. O valor representa um aumento de 94,4 por cento no face ao período homólogo. Sem cartão de consumo Sobre medidas a serem implementadas para este ano, Lei indicou que o Governo está apostado em promover a melhoria do ambiente social e incentivar a expansão da procura interna. No entanto, ao contrário do que aconteceu em Hong Kong, não foi anunciada mais uma ronda do cartão de consumo. Apesar da falta novidades no capítulo dos apoios sociais, Lei Wai Nong sublinhou que entre incentivos fiscais e apoios distribuídos à população vão ser gastos 23,7 mil milhões de patacas do orçamento da RAEM. O secretário indicou ainda como caminho um maior investimento no objectivo de criar o Centro Mundial de Turismo e Lazer, de forma a potenciar o bom momento que diz que se atravessa neste sector. Lei Wai Nong reafirmou igualmente a “estratégia 1+4”, em que o jogo é a base de uma economia, que se diversifica com o desenvolvimento de quatro áreas chave: indústria de big health, indústria financeira, indústria da tecnologia de ponta e a ainda com a “indústria de convenções e exposições, comercial, cultural e desportiva”. Desde a covid-19 e a campanha do Interior contra o jogo em Macau, que a “estratégia 1+4” se tornou uma constante do discurso oficial e ontem, perante vários membros da elite local, não se verificou uma excepção. O mesmo aconteceu com a insistência na aposta na Zona de Cooperação Aprofundada na Ilha da Montanha.
China | Nova cidade toma forma em Xiong’an Hoje Macau - 4 Abr 2023 Em seis anos, a cidade que vai libertar Pequim de alguma pressão ganhou forma e já é parcialmente habitada. Ecologia, empresas, transportes e outras facilidades fazem com que se considere Xiong’an uma “cidade do futuro”. A reportagem é da Xinhua Na Nova Área de Xiong’an está rapidamente a tomar a forma uma visão formulada há seis anos: a “cidade do futuro”. A 1 de Abril de 2017, a China anunciou planos para estabelecer a nova área na Província de Hebei, para aliviar Pequim das funções não essenciais ao seu papel como capital nacional e promover o desenvolvimento coordenado da região Pequim-Tianjin-Hebei. Para uma cidade cujo estabelecimento terá “importância duradoura para o milénio a vir”, as autoridades centrais da China enfatizaram a importância do planeamento, dizendo que “cada centímetro de terra deve ser claramente planeado antes da construção”. Mais de 200 equipas e mais de 3.500 especialistas chineses e estrangeiros participaram na elaboração do plano para a nova área. Agora, esse projecto está gradualmente a transformar-se em realidade. Transportes e empresas Com a abertura de uma ferrovia interurbana, o tempo de viagem entre a Estação Ferroviária Oeste de Pequim e Xiong’an foi reduzido de quase 1,5 hora para cerca de 50 minutos. Um comboio rápido leva apenas 19 minutos para ir do Aeroporto Internacional Daxing de Beijing, outro projecto-chave para o desenvolvimento coordenado da região Beijing-Tianjin-Hebei, até Xiong’an. Dentro dos túneis subterrâneos de 47,6 km, foram instaladas instalações de infraestrutura para eletricidade, comunicação, aquecimento, gás e abastecimento de água. Essas instalações estão equipadas com quase 10 mil conjuntos de sensores para suportar a vigilância por vídeo da gama completa e o monitoramento do equipamento. As empresas estatais centralmente administradas da China criaram mais de 140 subsidiárias e filiais na área. A construção de edifícios de sedes de grandes empresas estatais como Sinochem Holdings, China Satellite Network Group e China Huaneng Group entrou em diferentes fases. Além disso, para fornecer serviços públicos de qualidade, universidades, hospitais e escolas com sede em Pequim estão a construir ou construirão filiais em Xiong’an, além de estarem a estabelecer parcerias com os seus homólogos em Xiong’an. No final de 2022, o centro de computação da cidade de Xiong’an, conhecido como o cérebro da cidade, entrou em operação, oferecendo serviços de rede, computação e armazenamento para big data, blockchain e Internet das Coisas. A liderança chinesa comprometeu-se a transformar Xiong’an numa “cidade inovadora, verde, inteligente e de classe mundial, com céu azul, ar fresco e água limpa, de acordo com o caminho de desenvolvimento de alta qualidade do país”. Ecologia e talentos O Lago Baiyangdian, o maior ecossistema de zonas húmidas no norte da China, está localizado em Xiong’an. Após o estabelecimento da nova área, a qualidade da água no Baiyangdian foi melhorada do Nível V, o mais baixo do sistema de avaliação de água de cinco níveis da China, para o Nível III. As espécies de aves na área do lago também aumentaram para 252, ou seja, 46 a mais do que antes. Mais de 31 mil hectares de arborização foram implementados com mais de 23 milhões de plantas cultivadas em viveiros na área, aumentando sua taxa de cobertura florestal para 34% e reduzindo o nível médio de PM2,5 em 37%. De acordo com o esboço do planeamento urbano, os cidadãos de Xiong’an não precisarão de viajar mais do que 300 metros das suas casas para chegar a um parque, um conjunto de árvores dentro de 1 km e uma floresta dentro de 3 km. “Xiong’an tem explorado diferentes maneiras de atender à aspiração das pessoas normais de viver uma vida melhor, que também é o objectivo da futura urbanização da China”, disse Li Xiaojiang, especialista de um comité consultivo sobre o desenvolvimento coordenado da região Pequim-Tianjin-Hebei. Por último, mas não menos importante, atrair talentos tem sido crucial para a construção de Xiong’an. Zhu Ninghua, director do instituto de inovação e pesquisa de Xiong’an da Academia Chinesa de Ciências, recebeu recentemente um “cartão de talento de Xiong’an”, que lhe dá direito a benefícios relativos ao cadastramento de residência familiar, tráfego, saúde e educação infantil. Ao todo 3.774 talentos urgentemente necessários para Xiong’an receberam esses cartões até agora. Tang Puliang, chefe da equipa de trabalho para atracção de talentos em Xiong’an, disse que a cidade atraiu 12 especialistas líderes, mais de 100 talentos em áreas-chave e mais de 3 mil graduados das principais universidades chinesas. Um homem de sorte Um deles é Yan Fusheng, que está ansioso por se mudar para o novo apartamento que acabou de comprar em Xiong’an, porque a sua filha de 2 anos poderá ir para um infantário próximo no próximo ano. O homem de 32 anos começou a trabalhar na nova área no início de 2021, quando se mudou de Pequim para Xiong’an, juntamente com os seus empregadores. Como empregado da China Railway Construction Group Co’s Xiong’an Development Co, qualificou-se para comprar um apartamento no mês passado. “Sinto-me simultaneamente sortudo e entusiasmado por poder estabelecer-me na nova área”, disse Yan, acrescentando que ele e a sua família planeiam tornar-se residentes em Xiong’an, devido à infra-estrutura de primeira classe da área e aos serviços públicos convenientes. Em 2017, a China anunciou os seus planos de construir a Nova Área de Xiong’an num local a cerca de 100 quilómetros a sudoeste de Pequim. Seis anos depois, a área transformou-se de três condados vulgares – Xiongxian, Rongcheng e Anxin – numa cidade moderna com uma série de projectos de ponta, que foram concluídos ou se encontram em várias fases de construção. A nova área foi criada para ajudar a avançar no desenvolvimento coordenado da região Pequim-Tianjin-Hebei, assumindo uma grande parte das funções não-capitalistas de Pequim – aquelas que não são essenciais para o papel da cidade como capital chinesa. Habitação planeada Huawangcheng, a comunidade residencial onde Yan comprou o seu apartamento, é o primeiro projecto imobiliário de Xiong’an destinado a proporcionar alojamento a pessoas como ele, que vieram trabalhar na nova área como empregados de empresas de Pequim relocalizadas. Para além da compra dos apartamentos, os empregados relocalizados de várias empresas podem também alugá-los, segundo Wang Jinyu, conselheiro de serviços da China Xiong’an Group City Development Co, promotor de Huawangcheng. Xiong’an planeia construir 13 projectos de habitação com uma área total de construção de 4,56 milhões de metros quadrados, proporcionando diferentes tipos de alojamento, incluindo apartamentos comerciais e habitações de aluguer acessíveis, às pessoas que trabalham na nova área, de acordo com a conta WeChat da área. Os projectos podem alojar cerca de 130.000 pessoas. Entre estes, mais de 40.000 apartamentos ou estão em construção ou foram concluídos, ainda segundo o WeChat. O primeiro grupo de projectos imobiliários visa fazer com que as pessoas em Xiong’an, especialmente as vindas de Pequim, sintam o apoio da área às suas necessidades habitacionais, e garantir que possam viver bem, de acordo com o Centro de Gestão Habitacional de Xiong’an New Area. Yan disse que já se sente em casa. A menos de 200 metros do seu novo apartamento, existe um novo jardim de infância, que se encontra entre as muitas instalações de apoio que estão a ser fornecidas aos residentes. “Isso (o jardim de infância) é o maior atractivo para mim. Além disso, a comunidade residencial tem um bom ambiente e várias instalações comerciais”, disse Yan. A esposa de Yan também veio para Xiong’an. No futuro, a família de três pessoas viverá num apartamento de 112 metros quadrados, “com menos pressão de vida do que em Pequim”, disse ele. Yan viveu em Pequim de 2014 a 2020. Após alugar alojamento durante quatro anos, Yan comprou um apartamento de 50 metros quadrados no distrito de Fangshan, na capital, em 2018, e casou-se no ano seguinte. “Aquele apartamento estava longe do meu local de trabalho e a pressão de vida era muito elevada para nós”, contou.
Tradução | Universidade de S. Paulo vence concurso Hoje Macau - 3 Abr 2023 Três alunas da Universidade de São Paulo, Camila Vieira Baccarin, Barbara Mascarenhas Morgado e Simone Baptista Oliveira, venceram a sexta edição do Concurso Mundial de Tradução Chinês-Português, organizado pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e pela Universidade Politécnica de Macau (UPM). Participaram nesta edição do concurso mais de 100 equipas provenientes de mais de 40 instituições de ensino superior do Interior da China, Macau e dos Países de Língua Portuguesa. Em segundo ligar ficou a equipa da UPM composta pelos alunos Benedict Valentine Sheryl Lei, Xiong Zhiyan e Xu Xiaoke, orientados por Maria de Lurdes Nogueira Escaleira, enquanto em terceiro lugar ficou a equipa de Zhang Jingfan, Zhang Yiqi e Zheng Lingxin, da Universidade de Língua e Cultura de Pequim, orientada por Zhou Ning. Relativamente aos “Prémios Especiais para as Equipas das Instituições de Ensino Superior da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau” ficou em primeiro lugar um grupo de três alunos da Universidade de Estudos Estrangeiros de Guangdong. Em segundo lugar ficou a equipa da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. O concurso incluiu ainda os “Prémios Especiais para as Equipas das Instituições de Ensino Superior dos Países de Língua Portuguesa”, ganhos por Ana Rafaela Oliveira Marques Macedo e Fengping Zhu, da Universidade do Minho, e Qian Kaixuan, Rong Yunting e Fang Jiaqi, da Universidade Católica Portuguesa. O concurso realiza-se desde 2017 e já contou com “a participação de milhares de professores e alunos de instituições de ensino superior de Macau, do Interior da China e dos Países de Língua Portuguesa, em áreas relacionadas com a língua portuguesa”.
Lai Chi Vun | Estaleiros abrem no início do Verão Hoje Macau - 3 Abr 2023 Os estaleiros Navais de Lai Chi Vun vão abrir ao público entre os meses de Junho e Julho deste ano, de acordo com a Presidente do Instituto Cultural (IC), Deland Leong. A responsável acrescentou que o novo espaço de lazar terá um palco para espectáculos, exposições sobre a indústria naval e áreas de restauração e venda de produtos. “Tal como previsto, as obras de renovação dos estaleiros navais de Lai Chi Vun estão a chegar ao fim. Na próxima fase vamos tratar das instalações de infra-estruturas, incluindo o espaço dedicado à exposição das oficinas navais. Além disso, vamos ter um espaço para realizar ao fim-de-semana mercados de venda de produtos e uma área de restauração. Tudo isto para que os residentes possam desfrutar do espaço nos seus tempos de lazer”, indicou a presidente do IC, citada pelo Canal Macau da TDM. A responsável acrescentou que apesar de a existência de um parque de estacionamento no local ser “do interesse da população”, neste momento, “não existem condições para construir junto aos estaleiros navais”.
Primeiro trimestre de 2023 quase duplica receitas de jogo Andreia Sofia Silva - 3 Abr 2023 Os casinos fecharam Março com receitas brutas de jogo de 12.738 milhões de patacas. Segundo dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), o registo de Março representa o melhor desempenho da indústria desde Janeiro de 2020. Os dados avançados pela DICJ mostram que, relativamente ao primeiro trimestre de 2023, as receitas das apostas de massas foram de 34.64 mil milhões, valor que representa um aumento de 94,9 por cento face ao último trimestre de 2022. As receitas de massas caíram 10,8 por cento em termos mensais face ao bom desempenho registado em Janeiro, coincidente com o fim das medidas de combate à pandemia e o período de férias do Ano Novo Chinês. Outro sinal do bom desempenho do sector é que o valor das receitas das apostas de massas no primeiro trimestre deste ano representa 82,1 por cento de toda a receita do mesmo segmento de jogo registada no ano passado. Este segmento de apostas teve, em 2022, uma quebra de 51,4 por cento face a 2021, para 42,20 mil milhões de patacas. Melco com perdas Entretanto, a Melco International anunciou na sexta-feira os resultados do ano passado, tendo sofrido uma quebra nas receitas de 32,4 por cento face a 2021. O prejuízo, após pagamento de impostos, foi de 9,99 mil milhões de dólares de Hong Kong. Segundo um comunicado da concessionária, a quebra deveu-se “às restrições de viagens em Macau e China relacionadas com a covid-19 durante o ano”, bem como ao encerramento temporário dos casinos decretado pelo Governo em Julho do ano passado. Uma vez que a concessionária gerou um EBIDTA ajustado negativo de 362 milhões de dólares de Hong Kong em 2022 em relação ao valor de 1.54 mil milhões registado em 2021, não se recomenda o pagamento de dividendos aos accionistas relativamente a Dezembro último. Citado pelo mesmo comunicado, Lawrence Ho, CEO da Melco International, declarou existir agora mais optimismo com o relaxamento das medidas, sendo que, com a nova concessão de jogo, fica a promessa de “o grupo providenciar pleno apoio ao desenvolvimento sustentável e diversificado da indústria do lazer e turismo em Macau”. A segunda fase de construção do Studio City está concluída, prevendo-se que a primeira fase de abertura aconteça no segundo trimestre deste ano. A segunda fase de abertura acontecerá no terceiro trimestre, apontou.
A habitação é uma barraca André Namora - 3 Abr 2023 Na semana passada a discussão política em Portugal teve como tema a habitação. Passaram anos e anos em que os governos pouco se preocuparam com os pobres que habitaram centenas de bairros de barracas. A habitação ainda é uma barraca. Milhares de portugueses e imigrantes vivem em condições imensamente precárias em autênticos bairros da lata. Vivem da forma que podem. Com muito calor, frio intenso ou chuvas para o interior das barracas. Visitámos recentemente um bairro social onde a degradação das casas é o ponto forte, junto do aeroporto de Lisboa, o bairro da Quinta do Mocho, onde a maioria dos habitantes é oriunda de São Tomé e Príncipe. Acreditem que aquela gente pobre conseguiu construir com restos de madeiras um “restaurante” onde em parte alguma comi melhor peixe grelhado na brasa. Uma delícia que esgota os lugares existentes todos os sábados e domingos. O braseiro de carvão, com uma grelha artesanal de ferro, ao ar livre, faz com que um cozinheiro exímio apresente o tal peixe grelhado inigualável. Uma construção que apresentamos aqui a sua imagem e que todos vós dirão que não é um restaurante. No entanto, toda aquela gente pensa no dia em que as autoridades camarárias chegam e trazem ordens de demolição. Tal como o referido “restaurante” existem milhares de casas em perigo de serem demolidas. Contudo, tivemos o primeiro-ministro, António Costa, acompanhado dos ministros das Finanças e da Habitação, a anunciar o projecto do Governo que titulou de Mais Habitação. Caiu o Carmo e a Trindade nas hostes da oposição. Foi a discordância total quando o Governo anunciou que as regras no licenciamento e no investimento de novas casas iriam mudar radicalmente. O Governo pretende essencialmente que as casas que estejam vazias sejam arrendadas a famílias necessitadas, que não sejam concedidas mais licenças para o chamado ‘alojamento local’ e que as famílias mais pobres terão um subsídio de apoio ao arrendamento. Especialmente em Lisboa e no Porto existem milhares de casas e terrenos devolutos e os proprietários nunca se preocuparam em alterar a situação. A verdade, é que já é tarde que se veja a habitação e a sua obrigatoriedade constitucional como uma solução para os jovens e idosos que não conseguem ter uma casa. No âmbito do programa Mais Habitação, o Conselho de Ministros aprovou duas propostas de Lei a submeter à Assembleia da República e um decreto lei que visa promover o investimento em arrendamento acessível, reforçar a confiança no mercado de arrendamento e mobilizar património disponível para o afectar à habitação. A ministra da Habitação, Marina Gonçalves, sublinhou que a primeira linha de intervenção é estimular novos projectos privados de arrendamento acessível, o que será feito através da cedência de terrenos ou edifícios devolutos do Estado, complementado com uma linha de financiamento bonificado, com previsibilidade das rendas, assentes no programa de rendas acessíveis, e com incentivos fiscais. Tudo isto é muito lindo e seria bom para os mais pobres que os projectos avançassem o mais rápido possível. Mas, como é possível ter boas intenções se em pleno bairro de Alvalade foi construído um prédio de grande dimensão pertencente à edilidade, que está pronto há mais de um ano e que foi anunciado que se destinava a rendas acessíveis. O prédio está vazio e a Câmara de Lisboa informou-nos que as fracções já tinham destinatários desde que se iniciaram as obras dos alicerces. A ministra referiu que a segunda intervenção seria o reforço do sector cooperativo, através da cedência de terrenos e edifícios do Estado, com financiamento bonificado, tendo o Estado como parte desses projectos. Mas, como poderá essa intenção avançar se o Estado nunca contabilizou o número de imóveis devolutos pertencentes ao Estado? O Governo nem sabe quantos imóveis devolutos existem. Uma terceira medida anunciada pela ministra tem a ver com o apoio ao arrendamento. É fácil de politicamente anunciar medidas que mais parecem de propaganda, porque centenas de cidadãos já manifestaram às autoridades que vivem com imensa dificuldade e com três e quatro meses de renda por pagar e não tiveram qualquer resposta? O Governo anunciou o combate à especulação na venda e no arrendamento. Combate de que forma se as imobiliárias fazem o que bem entendem e os preços das casas estão cada vez mais caros? O Governo pode estar cheio de boas intenções, mas como poderá mudar o paradigma nacional onde pululam os bairros de lata? Todas as medidas podem ser da maior importância e de enorme benefício para as populações, mas lendo com atenção o que o primeiro-ministro anunciou e que tem de passar pelo parlamento e pela aprovação do Presidente da República, concluímos que o tempo em aprovar os projectos, terminar as obras e cumprir a nova regulação não acontece em menos de cinco a 10 anos. Porque não começar pela construção imediata de residências para estudantes e de bairros sociais com a dignidade eclética possuindo centros de saúde, correios, parques infantis e jardins para os idosos jogarem às cartas? A habitação, ou a falta dela, é um mal nacional e se os governantes não actuarem com rapidez e eficiência ficaremos na mesma com uma habitação que é uma barraca.
Lei Básica | Exposição de fotografia no Centro de Ciência até 2 de Junho Hoje Macau - 3 Abr 2023 Decorre até 2 de Junho, no Centro de Ciência, a exposição comemorativa do 30.º Aniversário da Promulgação da Lei Básica, uma iniciativa organizada pela Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça, Instituto para os Assuntos Municipais, Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e ainda a Associação de Divulgação da Lei Básica de Macau. Na mostra inaugurada hoje podem ser vistas mais de 350 fotografias que registam as mudanças significativas ocorridas em Macau nos últimos 180 anos, incluindo fotografias históricas que testemunham momentos importantes, tais como as Negociações Sino-Portuguesas, a Assinatura da Declaração Conjunta, em 1987, e ainda a promulgação e a implementação da Lei Básica, a 31 de Março de 1993. Serão ainda organizadas visitas guiadas com docentes e alunos de várias escolas primárias e secundárias, “com vista a aprofundar o conhecimento dos jovens sobre a Lei Básica e aumentar o sentido de identidade nacional”, aponta um comunicado divulgado ontem pela organização do evento. Além desta exposição, serão lançadas, em meados deste mês, exposições itinerantes em zonas comunitárias de Macau, Taipa e Coloane para sensibilizar para divulgação da Lei Básica. Aos domingos a Associação dos Advogados de Macau irá destacar pessoal para prestar serviços de consulta jurídica aos residentes que estejam presentes nas exposições itinerantes.
FRC | He Jianguo expõe peças de cerâmica em “Phoenix Rising” Hoje Macau - 3 Abr 2023 A Fundação Rui Cunha acolhe a partir de amanhã a exposição “Phoenix Rising”, uma mostra de cerâmica que reúne trabalhos do mestre He Jianguo. Vão estar patentes, até 15 de Abril, 45 peças concebidas através de uma técnica ancestral com mais de 3000 anos de existência Chai Kiln é uma técnica ancestral de produção de cerâmica em que é usado um forno de lenha para fazer louça fina de barro. O método artesanal, um dos mais antigos de que há registo na China, é o tema central da nova exposição da Fundação Rui Cunha (FRC), intitulada “Phoenix Rising”, composta por obras do mestre He Jianguo. A mostra estará patente ao público entre amanhã e o dia 15 de Abril. A iniciativa organiza-se em parceria com a Associação de Pesquisa para a Arte Contemporânea [Contemporary Art Research Association] e o Grupo de Media SkyScape Times. Esta é a primeira exposição especial de cerâmica de Chai Kiln organizada em Macau, cabendo as honras de estreia ao mestre He Jianguo, residente em Macau, mas nascido em 1969 na província de Jiangsu. Também conhecido como Heizi ou Sunspot, o artista começou por interessar-se por cerâmica através da descoberta das suas origens e evolução desta arte, até culminar na escrita da primeira monografia sobre o tema no contexto de toda a China. A cerâmica Chai Kiln é considerada como um advento que marca o início da civilização humana. Após a descoberta de que alguma argila pode ser endurecida através da queima, o homem começou a amassar esta matéria-prima e a criar peças e utensílios, despedindo-se assim das formas primitivas de vida. Um comunicado da FRC descreve que “na longa história do desenvolvimento humano, a cozedura de cerâmica com madeira passou a ser a forma por excelência de se obter utensílios diários”. Desde então, os “métodos de cozedura foram sendo melhorados e refinados, desde a queima inicial a céu aberto à cozedura em fossa, o forno de casca fina até ao forno de furo vertical, desde o forno de furo horizontal até ao forno dragão, com progressos contínuos ao longo do tempo”, refere o memorando que acompanha a mostra. Da China ao Japão Nos dias de hoje, o termo Chai Kiln refere-se ao forno de lenha com pura conotação artística, tradicional e moderna. “É um trabalho de vidrado natural cinzento, colocado directamente sobre as chamas, deixando o fogo abraçá-lo, deixando a cinza da madeira borrifar livremente a obra e, finalmente, reagindo com os minerais da argila sob alta temperatura e ganhando forma nesta atmosfera escaldante”, pode ler-se ainda. É um trabalho com características rústicas, com origem na China, mas adoptado e muito popularizado no Japão, que pode ser apreciado pela beleza de cada peça imperfeita e única. Este tipo de porcelana foi produzido na China durante cinco dinastias até à dinastia Zhou, tendo sido muito utilizada pelas várias famílias imperiais.