Diáspora | Defendida maior ligação entre Casa de Macau e Casa de Goa Andreia Sofia Silva - 13 Fev 2026 Decorreu ontem em Lisboa a conferência “Casa de Goa e Casa de Macau: agentes fundamentais de um diálogo indispensável”, que analisou o papel de ligação que as entidades podem ter na diáspora goesa e macaense. Carlos Piteira, presidente da Casa de Macau, destaca a importância de criar pontes com a Casa de Goa pelo “paralelo de representatividade de luso-descendentes” Que papel podem ter a Casa de Macau e a Casa de Goa, em Lisboa, tendo em conta o desfilar do tempo e os desenvolvimentos trazidos pelas novas gerações das comunidades macaense e goesa? É certo que Macau e Goa há muito deixaram de fazer parte do antigo império português, mas os laços socioculturais permanecem. A pensar nisso, decorreu ontem, na Sociedade de Geografia de Lisboa, a palestra “Casa de Goa e Casa de Macau: agentes fundamentais de um diálogo indispensável”, que procurou traçar respostas para os desafios do futuro. Ao HM, Carlos Piteira, presidente da Casa de Macau em Lisboa, declarou que “seria interessante que as pontes entre a Casa de Macau e a Casa de Goa pudessem também ser equacionadas num paralelo da sua representatividade dos luso-descendentes e das culturas mestiçadas”, tendo em conta que as duas entidades “são pilares fundamentais para a representatividade dessas comunidades”. O responsável, ele próprio macaense, destaca “as similitudes da sua gastronomia, crioulo e festividades” entre as duas comunidades. Seria, assim, “interessante aliar as pequenas representações dos gigantes do mundo asiático, representadas pela simbologia do Dragão e do Elefante, como elementos estruturantes para um diálogo entre Portugal e a Ásia, queiram as vontades políticas e institucionais”. Na visão de Carlos Piteira, as duas casas “reforçam a herança legitimada do diálogo entre o Ocidente e o Oriente, e as relações seculares de Portugal com estes países, muitas vezes ignorada e esquecida pelos poderes oficiais e institucionais”. Já Pedro Colaço, da direcção da Casa de Goa, destaca a importância de preservar a memória da presença portuguesa tanto em Goa como nos restantes territórios de Damão e Diu. “Foram 450 anos de história, no caso de Macau foram mais umas décadas, e procuramos acompanhar a actual cultura goesa. Uma das partes mais importantes do nosso trabalho é fazer uma ponte entre Goa e Lisboa, e diariamente contactamos com artistas, músicos e membros da comunidade, é esse o nosso papel”, descreveu ao HM. Pedro Colaço deu o exemplo do concerto que vai decorrer a 8 de Março na Fundação Oriente, em Lisboa, intitulado “Oscar Castellino – Voz de Ópera de Goa e Piano com Rodrigo Ayala”. De resto, a Casa de Goa, actualmente sem sede própria, procura, tal como a Casa de Macau, atrair novos sócios, sobretudo das novas gerações, a fim de dar continuidade ao projecto, para que a Casa se mantenha “como um polo de união dos goeses e, cada vez mais, dos amigos de Goa”. Acompanhar a história A Casa de Macau foi fundada em Lisboa em 1966 e tem acompanhado diversas fases não só da história de Portugal como do relacionamento do país com Macau e a China. “A existência da Casa de Macau marca, sem dúvida, um paralelo com a própria história de Portugal por mais de 70 anos. Macau foi a ‘pérola do Oriente’ para o Estado Novo e viveu as turbulências do período revolucionário de Abril 1974, adaptando-se e consagrando-se como a ‘ponte entre o Ocidente e Oriente'”. Por fim, depois da transição para a República Popular da China, tem-se assistido à reorganização [de Macau] como território central na ligação, a partir da China, com os países da língua portuguesa.” Carlos Piteira descreveu ainda que a Casa de Macau tem acompanhado “a história dos tempos, alargando a visão da presença portuguesa neste território”. Além disso, teve uma tarefa “não menos importante”, por ter “cristalizado, protegido e perpetuado a comunidade macaense em Portugal e no mundo”. Actualmente, a Casa de Macau tem desenvolvido diversas actividades que levam mais sócios à Avenida Gago Coutinho, onde está situada, e cujo edifício foi recentemente alvo de obras de restauro. Todas as quartas-feiras há almoços de comida macaense com a Chef Tina, natural de Macau, decorrendo também sessões de cinema e palestras. A missão da Casa é, actualmente, “realizar actividades de divulgação de Macau e da cultura macaense”, dando-se “apoio e dinamização de estudos e trabalhos de teor científico sobre Macau, macaenses” e fazendo-se também a “interligação institucional com as demais entidades ligadas a Macau, Portugal e Casas de Macau na diáspora”. Quem é de Goa e quem não é Pedro Colaço explicou que a comunidade goesa em Lisboa “tem mais facilidade em falar com a restante diáspora indiana” em Portugal, tendo em conta que, por exemplo, “a ligação é muito antiga” com a comunidade hindu. “Temos pena que às vezes não se fale mais [da comunidade], ao nível dos meios de comunicação, porque é uma parte importante da história portuguesa”, lamenta o responsável, lembrando figuras bem destacadas no país, como António Costa, que foi primeiro-ministro português, ou Narana Coissoró, antigo presidente da Casa de Goa e ex-deputado do CDS-PP. “Há figuras mais notórias, mas no geral a comunidade goesa inseriu-se muito bem e é conhecida por ser uma comunidade bastante instruída”, lembrou ainda, lamentando que em Portugal não se consiga fazer uma distinção entre comunidades de origem indiana. “Uma coisa que é preocupante é o desconhecimento que existe em relação às comunidades. Hoje em dia há uma grande pressão devido à imigração e depois mistura-se tudo”, destaca Pedro Colaço, lembrando que há um sentimento forte em ser-se goês, nomeadamente na ligação ao catolicismo e a uma cultura muito própria por oposição a comunidades do Indostão que, actualmente, estão muito presentes em Portugal. “A comunidade goesa é tão miscigenada que metade da minha família, ou mais, não aparenta ser goesa, mas eu, por acaso, aparento. Há um sentimento de ser goês, algo que nos une. As outras comunidades da diáspora indiana são, muitas vezes, confessionais, têm uma religião associada, enquanto que a comunidade goesa é, na sua maioria, católica, mas cada um vai à sua igreja, está muito espalhada”, apontou. O futuro é um desafio Pedro Colaço fala num “futuro desafiante” para a Casa de Goa. “Estou agora no segundo mandato, a direcção mudou de presidente, e uma das coisas que se tem tentado fazer é trazer jovens para os órgãos sociais. Agora temos três ou quatro membros mais novos, abaixo dos 40 anos. Também temos tentado alargar a Casa a não goeses.” Neste ponto, há semelhanças com a Casa de Macau, que também tem procurado alargar o leque de sócios a chineses ou portugueses que não pertençam à comunidade. Pedro Colaço adianta que, com o passar dos anos, as coisas mudaram. “Há 30 anos a comunidade era muito grande, mas neste momento, e tal como todas as instituições, temos de nos alargar. Há muitas pessoas que gostam muito de Goa e que sabem muito do território, talvez até mais do que eu, e são esses que têm de ser puxados”, assumiu. Actualmente, a Casa de Goa tem 500 associados e, mesmo sem sede, procura fazer actividades, nomeadamente em parceria com a Fundação Oriente. É publicado um boletim mensal. Deixaram de ter sede devido às obras do metro em Lisboa, o que tem dificultado a agenda da Casa. “Estamos no processo de arranjar uma nova sede, e é algo que tem constituído um constrangimento, mas procuramos fazer o máximo de actividades possível e, mensalmente, temos sempre actividades”, rematou Pedro Colaço.
Associação dos Advogados de Macau declara apoio à lei de Comissão de Defesa da Segurança do Estado Nunu Wu - 12 Fev 2026 A Associação dos Advogados de Macau, presidida pelo ex-deputado Vong Hin Fai, considera razoáveis e necessários os requerimentos exigidos pela proposta de lei que irá regular a Comissão de Defesa da Segurança do Estado. Num artigo de opinião assinado pela associação, publicado no jornal Ou Mun, é defendido o veto à participação de advogados em qualquer processo considerado de alguma forma relacionado com a segurança nacional No texto, a associação argumenta que muitos países e regiões têm leis semelhantes, apontado os exemplos do Estatuto de Advogado especial no Reino Unido e no Canadá, a lei de procedimentos de informações classificadas nos Estados Unidos da América e o regulamento dos praticantes de direito em Hong Kong. Todos os regimes mencionados pela AAM têm por base sistemas jurídicos do estilo Common Law, a tradição britânica, que contrasta com a realidade de Macau, que adopta um sistema legal da chamada tradição continental, com raízes na Alemanha e França e que vigora também Portugal. Apoio total A associação também disse que concorda e apoia a proposta de lei, por considerar que avança e melhora as atribuições e as competências da comissão enquanto “aplica completamente a perspectiva geral da segurança nacional”. A associação cita ainda a nota justificativa para vincar que “a defesa da segurança do Estado constitui uma responsabilidade constitucional da RAEM”. A Associação dos Advogados de Macau destacou também que Macau tem de “implementar as decisões e instruções do Governo Central no âmbito da segurança nacional” e que esta proposta de lei ao reforçar os poderes da comissão vai manter “a coerência com as normas da lei da segurança nacional de Hong Kong” e “articular-se com a Lei Eleitoral para o Chefe do Executivo e a Lei Eleitoral para a Assembleia Legislativa”.
Nuclear | Moscovo diz que continuará a cumprir tratado se EUA o fizerem Hoje Macau - 12 Fev 2026 O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, afirmou ontem que Moscovo continuará a cumprir os limites impostos ao seu arsenal nuclear, apesar do recente fim do tratado New START, desde que os Estados Unidos façam o mesmo. Estas restrições “permanecerão em vigor, mas apenas enquanto os Estados Unidos não ultrapassarem os limites estipulados” no tratado, disse Lavrov numa intervenção feita ontem no parlamento russo. Moscovo “agirá de forma responsável e ponderada, com base numa análise da política militar norte-americana (…) e numa análise da situação estratégica geral”, acrescentou. A Rússia e os Estados Unidos detêm, de longe, os maiores arsenais nucleares do mundo, mas, desde que o Tratado Novo START expirou, no início deste mês, que não existe qualquer acordo de desarmamento nuclear a ligar as duas potências. O tratado, assinado em 2010 entre a Rússia e os Estados Unidos, limitava o número de lançadores de mísseis nucleares para distâncias intercontinentais. Expirou a 05 de Fevereiro, uma vez que o Presidente norte-americano, Donald Trump, não respondeu à proposta de Moscovo para o prolongar.
A Disputa pela Gronelândia (II) Jorge Rodrigues Simão - 12 Fev 2026 “Nations do not compete for land; they compete for the power that land unlocks.” Halford J. Mackinder A posição da União Europeia (UE) face à crescente atenção dos Estados Unidos à Gronelândia, intensificada durante a presidência de Donald Trump, gerou inquietação e reflexão estratégica. Embora a Gronelândia não faça parte da UE desde 1985, a ilha permanece integrada no Reino da Dinamarca, EstadoMembro da União, o que confere ao tema uma dimensão política e institucional incontornável. A posição europeia resulta, assim, da necessidade de proteger a integridade territorial de um dos seus membros, de salvaguardar interesses estratégicos no Árctico e de preservar a estabilidade das relações transatlânticas. A UE encara a Gronelândia como parte do espaço político europeu alargado, não pela sua pertença formal, mas pela ligação constitucional à Dinamarca. Qualquer tentativa externa de adquirir ou exercer controlo sobre o território é interpretada como uma interferência directa na soberania de um EstadoMembro. A proposta americana de compra da ilha foi recebida em Bruxelas como um gesto diplomático disruptivo, que ultrapassou os limites tradicionais da cooperação entre aliados. A defesa da soberania dinamarquesa constitui o primeiro pilar da posição europeia. A UE tem reiterado que a integridade territorial dos seus EstadosMembros não é negociável e que qualquer alteração ao estatuto de um território europeu exige consentimento pleno e voluntário das autoridades nacionais e locais. A ideia de uma transacção territorial, evocativa de práticas do século XIX, contraria os princípios contemporâneos do direito internacional e da governação europeia. A UE reconhece o Árctico como uma região de importância crescente, tanto pela sua relevância ambiental como pelo seu valor geopolítico. O degelo acelerado, a abertura de novas rotas marítimas e o acesso a recursos minerais estratégicos transformaram a região num espaço de competição entre grandes potências. A UE, que se define como “actor global”, procura garantir que o Árctico permaneça uma zona de cooperação pacífica, governada por normas multilaterais e por mecanismos de gestão partilhada. O interesse americano pela Gronelândia é interpretado em Bruxelas como parte de uma estratégia mais ampla de afirmação militar e económica no Árctico. Embora os Estados Unidos sejam aliados fundamentais no quadro da NATO, a UE mantém reservas quanto a iniciativas unilaterais que possam alterar o equilíbrio regional. A militarização excessiva da Gronelândia, nomeadamente através da eventual instalação de armamento nuclear, seria vista como um factor de instabilidade, com impacto directo na segurança europeia. A Gronelândia possui vastas reservas de minerais críticos, incluindo terras raras, essenciais para a transição energética e para a indústria tecnológica europeia. A UE tem procurado reduzir a dependência de fornecedores externos, sobretudo da China, e vê na cooperação com a Gronelândia uma oportunidade para reforçar a sua autonomia estratégica. O interesse americano em controlar esses recursos suscita preocupações em Bruxelas, que receia uma concentração excessiva de poder sobre cadeias de abastecimento vitais. A UE defende que a exploração mineira na Gronelândia deve ser realizada de forma sustentável, transparente e em parceria com actores europeus, garantindo benefícios para a população local e evitando práticas de exploração predatória. A UE valoriza profundamente a relação transatlântica, mas considera que alianças sólidas exigem respeito mútuo e previsibilidade. A proposta americana de adquirir a Gronelândia foi interpretada como um gesto que desconsiderou a sensibilidade política europeia e que colocou em causa a confiança entre parceiros. Bruxelas procurou, contudo, evitar uma escalada diplomática. A resposta europeia combinou firmeza na defesa da soberania dinamarquesa com moderação discursiva, de modo a preservar a cooperação estratégica com Washington em áreas como a defesa, comércio e segurança internacional. A UE sublinhou que o diálogo sobre o Árctico deve ocorrer em fóruns multilaterais e no quadro da NATO, e não através de iniciativas unilaterais. As declarações de Trump no Fórum de Davos de 2026 intensificaram ainda mais estas tensões. Perante líderes globais, Trump afirmou que os Estados Unidos “não usarão força” para adquirir a Gronelândia, embora tenha sublinhado que o país seria “francamente imparável” caso decidisse fazêlo. Acrescentou que “nenhuma outra nação pode defender a Gronelândia” e que Washington pretendia iniciar “negociações imediatas” para assumir controlo do território. Numa das passagens mais polémicas, declarou: “Queremos um pedaço de gelo para a protecção do mundo, e eles não o dão. Podem dizer sim e ficaremos muito agradecidos, ou podem dizer não e nós lembraremos.” Trump reforçou ainda a narrativa histórica segundo a qual os Estados Unisos “salvaram a Gronelândia” durante a II Guerra Mundial e insinuou que devolver o território à Dinamarca teria sido um erro. Repetiu críticas à NATO, acusando os aliados europeus de contribuírem pouco para a segurança comum, e ameaçou impor tarifas de 10% a vários países europeus aumentando para 25% caso a venda da Gronelândia não avançasse. As reacções europeias foram imediatas e firmes. O ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, considerou “positivo” que Trump tivesse retirado a opção militar da mesa, mas sublinhou que “a ambição do presidente permanece intacta” e que a pressão americana continuava a ser inaceitável. Em Bruxelas, as declarações foram interpretadas como uma escalada retórica que colocava em causa a confiança entre aliados e que procurava transformar a Gronelândia num instrumento de chantagem económica e estratégica. Diplomatas europeus classificaram o discurso como “belicoso” e “desalinhado com o espírito de cooperação” esperado no Fórum de Davos, notando que a ameaça de tarifas sobre EstadosMembros da UE constituía uma forma de coerção incompatível com relações transatlânticas estáveis. A Dinamarca, embora responsável pela política externa e de defesa da Gronelândia, enfrenta desafios específicos na gestão do território. A autonomia crescente da ilha, combinada com o interesse de potências externas, coloca Copenhaga numa posição delicada. A UE tem procurado apoiar a Dinamarca, reforçando a sua capacidade de negociação e oferecendo instrumentos de cooperação económica e científica com a Gronelândia. Bruxelas entende que a estabilidade da região depende de uma articulação equilibrada entre os interesses da Dinamarca, as aspirações da população gronelandesa e a necessidade de evitar ingerências externas que possam comprometer a segurança europeia. Assim, a posição da UE face ao interesse americano pela Gronelândia assenta em três princípios fundamentais; a defesa intransigente da soberania de um EstadoMembro; a preservação da estabilidade e da cooperação no Árctico; e a protecção dos interesses estratégicos europeus em recursos críticos e segurança regional. As declarações de Trump em Davos reforçaram a percepção europeia de que o tema ultrapassa a mera disputa territorial, revelando uma estratégia americana assertiva que combina pressão económica, narrativa histórica e ambição geopolítica. Embora reconheça a importância da parceria transatlântica, a UE rejeita abordagens unilaterais que possam fragilizar o equilíbrio político europeu ou transformar o Árctico num palco de confrontação entre grandes potências. A Gronelândia, situada entre continentes e entre lógicas de poder, tornouse um teste à capacidade da UE de afirmar a sua autonomia estratégica e de proteger os seus membros num contexto internacional cada vez mais competitivo.
Bruno Pernadas edita álbum “unlike,maybe” Hoje Macau - 12 Fev 2026 O guitarrista e compositor Bruno Pernadas, que já actuou em Macau e na região da Grande Baía, edita esta semana “unlike, maybe”, álbum com parte dos temas criados em colaboração com os músicos que o acompanham, algo que pretende fazer mais no futuro. Depois de “Private Reasons”, editado em 2021 e que encerra uma trilogia, Bruno Pernadas apresenta “um disco de transição”. “Ainda não estou a conseguir concretizar aquilo que queria, mas este é um passo necessário para que isso aconteça no futuro”, afirmou, em entrevista à agência Lusa, a propósito de “unlike, maybe”, a ser editado esta sexta-feira. O processo de criação do álbum serviu para o músico se tentar “desvincular de certas coisas que podem ser consideradas vícios de recursos e ferramentas”, algo que “não é assim um processo tão imediato”, por estar dentro de si. As gravações dividiram-se entre Lisboa, onde o músico vive, e o Porto. Na ‘cidade invicta’, os músicos passaram alguns dias na mesma casa “e esse processo foi colaborativo”. “Já aconteceu mais [neste disco], mas eu quero que aconteça só isso, no futuro, só mesmo isso. Nem é preciso haver demos. Às vezes não tenho demos, meto tudo em pautas”, afirmou. Outras linguagens O processo colaborativo permitiu a Bruno Pernadas aproximar-se mais da linguagem que para ele “é mais próxima do jazz, ideia que foi deixada pelas tendências do Sun Ra, Don Cherry, Alice Coltrane, Art Ensemble of Chicago, The Last Poets – que não é bem jazz, mas está próximo”. “Queria aproximar-me dessa linguagem, com que tenho muita relação e que não aconteceu nos outros discos. Mesmo no meu disco de jazz ‘worst summer ever’ [de 2016 e que abriu a trilogia] essa forma de pensar assim não foi concretizada. Neste disco [‘unlike, maybe’] já existe parcialmente”, disse. O novo álbum conta com a participação dos músicos Margarida Campelo, António Quintino, João Correia, Diogo Alexandre, José Soares, Teresa Costa, Jéssica Pina e Eduardo Lála. Margarida Campelo também canta, e à sua voz juntam-se as das convidadas Leonor Arnaut, Lívia Nestrovski e Maya Blandy. Alguns já fazem parte do grupo que o acompanhou em trabalhos anteriores, para outros foi uma estreia. “É como se fosse um elenco. No cinema há muitos realizadores que têm um elenco fixo, mas às vezes é preciso outro tipo de abordagem ao objeto artístico e fazem colaborações”, referiu. Além de tocar, Bruno Pernadas é compositor, autor e produtor de “unlike, maybe”, partilhando apenas a autoria de uma das letras com Rita Westwood. Quando vai com os músicos para estúdio, “as coisas vão mais ou menos pensadas”. “Há secções que deixo em aberto para os improvisos, a pensar nos músicos que vão gravar. Já sei como é que as pessoas reagem e há certas coisas são feitas a pensar nessa pessoa. Há outras melodias e coisas que faço para as pessoas que convido a participar em determinadas músicas”, partilhou. Além das gravações em estúdio, Bruno Pernadas incorpora nos álbuns também gravações feitas em casa, durante o dia e sem isolamento acústico. “Gravo sempre coisas em casa. No primeiro regravei, mas depois deixei-me de isso, os sons não estão maus, é uma perspectiva clínica, cirúrgica de as pessoas ouvirem a música. Não está mal, é assim que ficou”, disse.
IA | Bytedance lança novo modelo capaz de gerar vídeos mais realistas Hoje Macau - 12 Fev 2026 Os avanços tecnológicos multiplicam-se a uma velocidade alucinante. O novo modelo de inteligência artificial da ByteDance apresenta-se como um virar de página nos sectores de cinema e televisão A tecnológica chinesa ByteDance tem atraído a atenção de utilizadores e investidores após lançar um modelo de inteligência artificial para geração de vídeo que analistas dizem “ultrapassar expectativas no que diz respeito ao realismo”. A nova aplicação, designada Seedance 2.0, foi lançada este fim de semana, e as suas capacidades já se traduziram em subidas significativas na bolsa para empresas, não só do sector tecnológico, como também da indústria do entretenimento, com algumas delas a atingirem o limite diário de ganhos nas últimas sessões. Segundo o portal de notícias económicas Caixin, este modelo é capaz de gerar imagens realistas com movimentos fluidos, acrescentando ainda sons que coincidem com as imagens, o que coloca pela primeira vez a ByteDance em posição de competir com a KlingAI, desenvolvida pela plataforma de vídeos curtos Kuaishou. Feng Ji, produtor do popular videojogo Black Myth: Wukong, descreveu a Seedance 2.0 como “o modelo de geração de vídeo mais poderoso até agora”, e previu um grande impacto na redução dos custos de produção para cinema e televisão, assim como para outros tipos de conteúdos. O portal oficial da Seedance 2.0 afirma que a grande diferença face a modelos semelhantes está na sua capacidade para manter a coerência dos personagens em diferentes cenas. Novo capítulo De acordo com analistas da Kaiyuan Securities, citados pela agência Bloomberg, este novo modelo pode marcar um ponto de viragem no uso da IA no cinema e televisão: “Os resultados dos testes são impressionantes. Suporta entrada de texto, imagens, vídeos e áudio, e alcançou progressos significativos em capacidades cruciais”. Feng também alertou para os riscos da proliferação de vídeos falsos gerados por este tipo de serviços, o que pode originar uma crise de confiança: “Os vídeos falsos realistas estarão ao alcance de todos, e os sistemas de propriedade intelectual e supervisão enfrentarão desafios sem precedentes”. “No futuro, qualquer conteúdo em vídeo que não tenha um respaldo oficial e autorizado – especialmente aqueles com imagens pessoais e vozes – poderá ser falso. Por favor, certifiquem-se de os verificar através de vários canais para evitar serem enganados”, escreveu o produtor nas redes sociais. A Seedance 2.0 não chegou ao mercado de forma isolada, uma vez que a sua grande rival local, a já mencionada KlingAI, lançou a sua versão 3.0 no passado dia 04, com enquadramentos inteligentes e a capacidade de adicionar novas imagens e pessoas ao vídeo original como grandes atractivos.
CNOOC inicia em Março procura de hidrocarbonetos em Moçambique Hoje Macau - 12 Fev 2026 O ministro da Energia moçambicano, Estêvão Pale, garantiu que a petrolífera estatal chinesa CNOOC vai iniciar em Março a exploração de hidrocarbonetos com a perfuração de até seis blocos da concessão atribuída no sexto concurso, lançado em 2021. “Vão começar muito em breve. Em Março, começarão a preparar-se para iniciar a exploração”, disse o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, questionado pelos jornalistas na conferência Mining Indaba, que decorre desde segunda-feira na Cidade do Cabo, África do Sul. “Neste momento, estamos na fase inicial, mais cinco a seis blocos”, respondeu ainda, sobre os furos a realizar pela Chinese National Offshore Oil Corporation (CNOOC) em águas profundas da Bacia do Rovuma, norte do país. O Governo moçambicano anterior aprovou em 26 de Março de 2024 cinco termos de contratos de concessão para a produção de hidrocarbonetos – essencialmente gás natural – no país, divulgou nessa altura o então porta-voz do Conselho de Ministros. “No quadro da implantação da política dos recursos minerais (…), o Governo de Moçambique prosseguiu com acções visando procurar mais investimentos para o sector do petróleo”, adiantou nessa altura o porta-voz do Governo. Em Dezembro de 2022, o Instituto Nacional de Petróleos anunciou a atribuição destes blocos à CNOOC, em resultado do sexto concurso para prospecção de gás e petróleo, lançado em 25 de Novembro de 2021. No terreno O actual ministro da Energia, Estêvão Pale, questionado no mesmo evento, assegurou que, para já, Moçambique não tem planos para uma nova ronda de leilões de blocos de petróleo e gás. “Agora não, porque pensamos que ainda há muitas áreas para negociações directas, que faziam parte da última ronda, que não foram desenvolvidas. Temos agora a oportunidade de continuar as discussões e de ver se encontramos outro potencial parceiro”, disse. Moçambique tem três projectos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado. O projecto Coral Sul, da Eni, é o único em operação, desde 2022, tendo sido aprovado em Outubro passado o investimento numa segunda plataforma flutuante para extração, designada por Coral Norte, num investimento de 7,2 mil milhões de dólares, que a partir de 2028 vai permitir duplicar a produção para 7 milhões de toneladas por ano (mtpa) de gás natural liquefeito. Após quatro anos de suspensão devido aos ataques terroristas em Cabo Delgado, o projecto da Mozambique LNG (Área 1), operado pela TotalEnergies, de 20 mil milhões de dólares, retomou oficialmente em Janeiro último e prevê até 13 mtpa a partir de 2029, seguindo-se o projecto Rovuma LNG (Área 4), de 30 mil milhões de dólares, operado pela ExxonMobil, com 18 mtpa previstos após 2030, e cuja decisão final de investimento é esperada para este ano.
Economia | Inflação abranda com queda nos preços dos alimentos Hoje Macau - 12 Fev 2026 A inflação na China abrandou em Janeiro, após ter atingido em Dezembro o valor mais alto dos últimos três anos, influenciada sobretudo pela queda nos preços dos alimentos, segundo dados oficiais divulgados ontem. O Índice de Preços no Consumidor (IPC) subiu 0,2 por cento em termos homólogos em Janeiro, uma desaceleração face aos 0,8 por cento registados em dezembro, de acordo com o Gabinete Nacional de Estatísticas da China. Os preços dos alimentos recuaram 0,7 por cento em Janeiro, invertendo a subida de 1,1 por cento registada no mês anterior. Já os preços dos produtos não alimentares subiram 0,4 por cento, menos que os 0,8 por cento de Dezembro. O IPC subjacente, que exclui os preços voláteis da alimentação e da energia, aumentou 0,8 por cento em termos anuais, depois de ter subido 1,2 por cento em Dezembro. Em termos mensais, o IPC registou uma variação positiva de 0,2 por cento em Janeiro, o mesmo valor de Dezembro. Os dados contrariam o ciclo deflacionista que atinge a China há cerca de dois anos. O Índice de Preços na Produção (IPP) caiu 1,4 por cento em Janeiro face ao mesmo mês do ano anterior, uma melhoria face à queda de 1,9 por cento em Dezembro, mas mantendo-se em território deflacionista pelo 40.º mês consecutivo.
Espaço | Finalizados novos testes com foguetão e nave no plano de levar astronautas à Lua Hoje Macau - 12 Fev 2026 A China testou em voo o sistema de escape da nave Mengzhou e o primeiro estágio do foguetão Longa Marcha-10, avançando nos preparativos para enviar astronautas à Lua antes de 2030. O teste teve lugar ontem no centro espacial de Wenchang, na província insular de Hainan (sul), informou a televisão estatal CCTV, citando o Gabinete do Programa Espacial Tripulado da China. O ensaio incluiu uma demonstração a baixa altitude do sistema do Longa Marcha-10 e uma prova de escape em condições de pressão dinâmica máxima para a nave Mengzhou. Às 11:00, o foguetão descolou até atingir o ponto previsto para a activação do sistema de evacuação. A nave recebeu então o sinal de escape e executou com sucesso a separação do lançador. Tanto o primeiro estágio do foguetão como a cápsula de retorno aterraram de forma controlada na zona marítima designada. Segundo as autoridades, trata-se do primeiro accionamento em voo do Longa Marcha-10 em estado de protótipo inicial, do primeiro teste chinês de escape em condições de pressão dinâmica máxima e da primeira recuperação no mar tanto do primeiro estágio de um lançador como de uma cápsula tripulada no âmbito deste programa. O ensaio dá continuidade aos testes realizados no ano passado da referida nave Mengzhou e do módulo de alunagem Lanyue. Estes desenvolvimentos fazem parte do esquema técnico previsto para uma missão lunar tripulada, que a China planeia levar a cabo antes de 2030, em paralelo com a preparação de uma estação de investigação no polo sul lunar e o desenvolvimento contínuo da sua própria estação espacial, a Tiangong.
Cavalo de Fogo Ana Cristina Alves - 12 Fev 2026 Ana Cristina Alves – Investigadora Auxiliar e Coordenadora do Serviço Educativo do Centro Científico e Cultural de Macau Ao escutar a Palestra Sobre o Ano do Cavalo da Professora Wang Suoying no Centro Científico e Cultural de Macau relativa à astrologia chinesa e, especificamente, o Cavalo de Fogo, que vai inaugurar um novo período zodiacal a partir de 17 de fevereiro de 2026, pude recordar algumas das características essenciais do equídeo, transmitidas pela sabedoria popular chinesa. Assim o cavalo começa por se conjugar mitologicamente com o dragão em Cavalo-Dragão (龙马Lóngmǎ). Esta é conjugação ideal, tanto ao nível mental como estético. Do ponto de vista espiritual, o par permite o acesso à organização do mundo pautado pela sabedoria intuitiva, já que foi no dorso deste animal que o primeiro imperador lendário chinês Fuxi (伏羲) descobriu os oito trigramas, fundamentais para a compreensão do mundo. Recordemo-los: o Céu Criativo (乾 Qián), a Terra Recetiva, (坤 Kūn), a Água abissal (坎Kǎn), o Fogo aderente(离 Lí), o Trovão ou Raio despertante (震 Zhèn), O Vento gentil e penetrante (巽 Xùn) , o Lago Alegre (兑Duì) e a Montanha tranquila (艮 Gě) . Estes oito trigramas, com as qualidades já mencionadas, deram origem aos 64 hexagramas que compõem o Clássico das Mutações, como já tive oportunidade de referir, por exemplo, no texto A Mulher na China (2007) ou no trabalho poético Visitações (2022). Pela composição dos trigramas em hexagramas se expõe um mundo que poeticamente se desvenda, consoante as capacidades intuitivas e imaginativas de cada um, com preceitos abertos às experiências existenciais passadas, mas também presentes e futuras. Cada qual poderá encontrar aquilo procura ao mesmo tempo que se cria e recria com o auxílio dos elementos reais do Céu, da Terra, do Fogo, da Água e todos os outros que considerar úteis ao seu caminho existencial, também traçado com a ajuda da mente e, sobretudo, da imaginação. Ainda na sua ligação com o dragão na expressão proverbial “o Espírito do Cavalo-Dragão” (龙马精神Lóngmǎ jīngshén) representa a concretização de um ideal estético repleto de energia, beleza e poder de transformação, tal como são estes animais para os chineses. Parte-se, no entanto, de um chão concreto para depois voar. A terra da sabedoria popular diz-nos que o cavalo é um animal nobre e leal, que conhece o caminho (老马识途Lǎomǎ-shítú), já que a experiência é nele a mãe da sabedoria, mas não é uma vivência qualquer: é enérgica, boa amiga e leal. Esta lealdade e energia não podia ser mais nobre, até porque desde a antiguidade chinesa os equídeos eram os fiéis companheiros dos nobres. Por isso, também o cavalo (马mǎ) surge associado na linguagem à nobreza (侯hòu) e, por um jogo de homofonias, ao macaco (猴hóu), daí que se numa pintura o macaco aparecer em cima do cavalo, significa a possibilidade de se receber um título honorífico, ou seja, de se elevar a condição. Um cavalo pode desenvolver muita energia, sendo os mais aptos aqueles que percorrem mil milhas (千里马Qiānlǐmǎ), sejam equídeos ou humanos, porque também há gente a transbordar de capacidade e energia, à semelhança destes animais, estando em posição mais favorável para cultivar o entusiasmo e o dinamismo os que tiveram a bênção de nascer sob os bons auspícios do Cavalo. Este ano de Fogo. A sugestão é a de regressar ao Clássico das Mutações (易经Yì jīng), para se procurar perceber o que tem para oferecer o hexagrama do Fogo, que é aderente e brilhante, composto por dois trigramas de Fogo (离下、离上 Lí Xià, Li Shàng), portanto a representação do elemento em estado puro, possibilitando deste modo a compreensão das características fundamentais do Cavalo de Fogo que entra a meio de fevereiro. Lê-se na interpretação de Richard Wilhelm, traduzido para inglês por Cary F. Baynes (1989, 118-121), que o fogo é dependente, está sempre condicionado a algo ou outrem, por exemplo à combustão da Madeira, só assim consegue ser tão vivo e brilhante, e quanto mais arde, mais se eleva da terra rumo ao céu. No juízo das linhas é-se informado que caso adira com perseverança tal como uma vaca, terá o sucesso garantido (離,利貞,亨。畜牝牛,吉。2) (Zhang, 1995,131). No que respeita a sua imagem, surge a iluminar e duplamente, já que quando brilha o faz para si e para os outros (《象》明兩作,離;大人以繼明,照於四方) (Zhang, 1995,135)., tal como o sol ao longo do dia brilha e aquece a terra. Sendo um elemento condicionado, como afinal todos os outros, num mundo em interdependência, tudo o que não for arder pela positiva e para o bem deve ser abandonado, tal como os antigos chefes chineses dos finais das dinastias que deixavam de ser modelares e se tornavam caprichosos e destrutivos. A energia positiva do Cavalo de Fogo é como um sol benfazejo que a todos inspira. Caso se pergunte a o maior de todos os poetas chineses, Li Bai (701-762), aqui na tradução de António Graça de Abreu, em Cem Poemas de Li Bai 李白诗一百首 quais as virtudes a que associa ele ao cavalo, lemos em resposta, por exemplo, em “O teu cavalo baio 君马黄” que é à amizade e à experiência de vida, com os seus altos e baixos, mas sempre merecedora de ser vivida na companhia de bons amigos: 君马黄,我马白。 马色虽不同,人心本无隔。 共作游治盘,双行洛阳陌。 长剑既照曜,高冠何赤3赫。 各有千金裘,俱为五侯客。 猛虎落陷阱,壮士时屈厄。 相知在急难,独好亦何益。 O teu cavalo é baio o meu cavalo é branco. Diferente a cor dos cavalos, semelhante o coração dos amigos. Pelas ruas de Luoyang conhecemos dias felizes, espada à cintura, chapéus altos, valiosos casacões de pele. convidados de cinco marqueses. Mesmo os tigres caem na armadilha. Hoje fortes e valentes, Amanhã sujeitos às desventuras da sorte. Se tal um dia acontecer, A ajuda de um amigo. (Abreu, 2021, 174) Num salto até aos tempos contemporâneos, vai-se encontrar no poeta Yao Feng (1958-), em Palavras Cansadas da Gramática (2014) a mesma leitura tradicional e uma identificação interessante com o cavalo, em “Cavalo Velho”, preservando a ideia da amizade que se estende ao longo dos séculos chineses, mas numa apresentação ao avesso da condição livre do animal, que surge, tal como sucede mutatis mutandis a tantas pessoas, triste e aprisionado, contranatura, a uma carroça, ou seja, a uma condição social, traduzida na prestação de serviços a outrem: Habituado ao cocheiro, aos transeuntes, aos carros Esquecido de como é galopar Pele suja e flácida, sombria como o fim do dia Os cascos ferrados tornam o trilho na planura Ainda mais longo Sentado numa ruidosa taberna da vila Vi um cavalo vergado ao peso da carroça Encosta acima e gostaria De lhe dizer na sua língua: Entre cá velho amigo, pago-te um copo! (Yao, 2014, 122) É por certo contra a natureza essencial dos equídeos deixarem-se aprisionar, eles que amam correr em liberdades pelas pradarias e estepes, pelas montanhas e vales, podem ser domesticados por amizade, sofrendo e participando no lugar da ordem social que os humanos lhes destinaram. E à semelhança das pessoas, também eles envelhecem perdendo muito do vigor e energia com que nasceram, o que se reflete na pele que larga o brilho e que descai flacidamente. Mas enquanto estão na força da vida, e se têm a sorte de se manterem em liberdade, não há maior dinamismo do que o deles. Para concluir, o meu tributo poético ao Ano do Cavalo que galopa em nossa direção a transbordar de força, entusiasmo e alegria: Cavalo de Fogo Belo, veloz, sonhador, Corre contra a dor, Crescendo em vento ou brisa na esteira das flores, Elas dançando à passagem, das patas carregadas de terra e calor. Belo, veloz, sonhador, carrega o macaco, E no dorso o dragão, chamam-lhe o Espírito do Cavalo-Dragão. 龙马精神 Horse-Dragon Spirit, Em ano que traz o brilho e a luz como arautos, soando forte e bem alto. Bibliografia Abreu, António Graça de. 2021 (Org. e Trad.). Cem Poemas de Li Bai 李白诗一百首. Póvoa de Santa Iria: Lua de Marfim. Alves, Ana Cristina. 2022. Visitações. Fafe: Labirinto. ________________. 2007. A Mulher na China. Lisboa: Editorial Tágide. Wang Suoying. 2026. Palestra sobre o Ano do Cavalo. Lisboa: Centro Científico e Cultural de Macau. Palestra proferida a 8 de fevereiro. Wilhelm, Richard. 1989. I Ching or Book of Changes. Prefácio de C. G. Jung. London: Penguin Group. Yao Feng. 2014. Palavras Cansadas da Gramática. Lisboa: Gradiva. 張中鐸 (Zhang Zhongduo)(ed) 1995《易經提要白話解》(O Essencial do Clássico das Mutações)台南市:大孚. Este espaço conta com a colaboração do Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, sendo as opiniões expressas no artigo da inteira responsabilidade dos autores. Texto em chinês tradicional. Há um sinograma arcaico para vermelho que alia vermelho a cor, e que está no texto original, mas que não consegui encontrar, pelo que fica o registo em separado: 赤+色, assim como a sugestão de aproveitar a ocasião para consultar o poema no original.
Metro Ligeiro | Correspondência com autocarros ainda este ano Nunu Wu e João Luz - 12 Fev 2026 Quem apanhar um autocarro público depois de sair do Metro Ligeiro vai ter um desconto na tarifa, à semelhança do que se verifica com os autocarros. A medida será implementada ainda este ano. O transporte ferroviário vai passar também a ter torniquetes e pagamentos electrónicos A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) vai implementar este ano a correspondência de tarifas entre o Metro Ligeiro e os autocarros públicos, permitindo pagar um bilhete com desconto no segundo transporte entre o Metro Ligeiro e o autocarro, ou vice-versa. A medida deverá arrancar este ano, confirmou ontem o subdirector substituto da DSAT, Mok Soi Tou, aos microfones do Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau. A questão da correspondência foi levantada por um ouvinte e o responsável da DSAT avançou que a correspondência será concretizada aproveitando dois momentos. “Vamos aproveitar as oportunidades de actualização de máquinas de acesso (torniquetes) ao Metro Ligeiro e da renovação dos contratos de concessão dos autocarros públicos, para começar a correspondência este ano”, indicou Mok Soi Tou. O responsável acrescentou que as carreiras dos autocarros serão ajustadas à medida que forem inauguradas mais estações do Metro Ligeiro, e que paragens de autocarro e instalações pedonais serão melhoradas e dotadas de informações sobre a correspondência dos transportes. Portas abertas O responsável da DSAT salientou que desde a criação do Metro Ligeiro, as carreiras dos autocarros foram sempre adaptadas à medida que abriam novas estações. A inauguração da estação do metro nas Portas do Cerco irá levar a muitas alterações das carreiras de autocarro que servem o ponto de maior fluxo de pessoas no território. O subdirector prevê que a maioria dos turistas que entrem em Macau passem a usar o Metro Ligeiro para chegar ao Cotai. Por seu turno, o director da Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, Ng Keng Chung, que está prevista para o terceiro trimestre deste ano a instalação dos torniquetes, permitindo usar as plataformas de pagamento por código QR, à semelhança do que acontece nos autocarros. Serão aceites as aplicações MPay, Alipay e WeChat Pay. A substituição dos torniquetes não será feita de uma vez, e as estações do Metro Ligeiro vão passar a contar com máquinas automáticas de venda de bilhetes que aceitam pagamentos electrónicos. O director da DSOP, Lam Wai Hou não afastou a possibilidade de a rede do Metro Ligeiro vir a ter mais de seis linhas e manteve a previsão de que a Linha Leste seja inaugurada em 2029.
Ruínas de S. Paulo | Concluído restauro das estátuas de bronze Hoje Macau - 12 Fev 2026 O Instituto Cultural (IC) anunciou ontem que a segunda fase dos trabalhos de restauro e manutenção das estátuas de bronze nas Ruínas de S. Paulo foi concluída com êxito. Como tal, o sítio arqueológico atrás da fachada das Ruínas de S. Paulo (incluindo o Museu de Arte Sacra e a Cripta, e a exposição de realidade virtual nas Ruínas de S. Paulo) reabriram ao público. O trabalho de restauro e manutenção do emblemático ex-libris da cidade foi dividido em três fases. A primeira fase, concluída no ano passado, foi focada na estátua da Virgem Maria no terceiro nível e nas duas estátuas de bronze à direita do segundo nível. A segunda fase, que envolveu principalmente as duas estátuas de bronze à esquerda do segundo nível e a estátua de Jesus Cristo no quarto nível. A próxima e derradeira fase será o restauro este ano da estátua da Pomba, situada no nível superior. A equipa de restauro é composta por especialistas do Museu do Palácio, especialistas internacionais em conservação de metais e profissionais de instituições de ensino superior de Macau. O IC referiu que o plano de restauro teve em conta “factores como a época dos tufões, a segurança no local de trabalho, os períodos de pico turístico e os principais eventos”.
Zona A | Mais dez câmaras do sistema “Olhos no Céu” em funcionamento Hoje Macau - 12 Fev 2026 Entraram em funcionamento na Zona A dos Novos Aterros as primeiras 10 câmaras do sistema de videovigilância de Macau, designado como “Olhos no Céu”, cumprindo o despacho do secretário para a Segurança, publicado ontem no Boletim Oficial, que entra hoje em vigor. De acordo com um comunicado também divulgado ontem pelos Serviços de Polícia Unitários (SPU), “em articulação com o plano de desenvolvimento da Zona A dos Novos Aterros, as autoridades da segurança planeiam instalar, faseadamente, 120 câmaras nesta zona”. A primeira dezena de câmaras foi instalada nas zonas periféricas dos Edifícios Tong Seng, Tong Chong e Tong Kai, cobrindo as vias principais e as passagens para peões, entre outros espaços públicos As autoridades indicam que, actualmente, o sistema “Olhos no Céu” conta com 1.711 câmaras, e que nos primeiros nove meses de 2025, o sistema apoiou a investigação de 7.131 crimes, “envolvendo casos de homicídio, tráfico de estupefacientes, roubo, furto, fogo posto, posse de arma proibida, ofensa à integridade física, burla e apropriação ilegítima de coisa achada”. Os SPU acrescentaram ainda que o alargamento do sistema de videovigilância tem como objectivos elevar a capacidade de prevenção e controlo de segurança, “com vista a prevenir e combater as actividades criminosas, fornecendo um suporte científico e tecnológico à segurança de Macau”.
CPSP | Detido com taxa de álcool de 1,46 g/l Hoje Macau - 12 Fev 2026 Um residente foi detido pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), quando conduzia embriagado uma moto, na Praça das Portas do Cerco, depois de ter tentado atravessado a fronteira. O caso foi revelado ontem pela CPSP, que informou ter descoberto a ilegalidade porque ao tentar passar a fronteira o homem apresentava um forte odor a álcool, que não passou despercebido aos agentes. Estes pediram ao condutor que fizessem o teste do balão, que acusou um resultado de 1,46 gramas de álcool por litro de sangue. Ao ser questionado pelos agentes, o homem confessou ter estado a jantar e a beber com os amigos no Interior, antes de tentar regressar à RAEM. O caso foi encaminhado para o Ministério Público e o homem está indiciado pelo crime de condução sob influência do álcool. Acidente | Condutor acusado de não ceder a passagem Um motociclista com cerca de 20 anos teve de ser transportado para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, depois de ter embatido num veículo que se atravessou na estrada. O caso aconteceu ontem de manhã, na Avenida do Hospital do Cotai. O condutor da mota foi projectado após o embate contra o veículo ligeiro, acabando estendido na estrada. As imagens do embate foram captadas por um veículo que seguia naquela via e tornaram-se virais. Ao jornal Ou Mun, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) indicou que o condutor do veículo ligeiro tem cerca de 80 anos e foi multado por suspeitas de não ter cedido a passagem num sinal de paragem obrigatória. O CPSP confirmou que o condutor em causa não estava alcoolizado. O CPSP também apontou que o motociclista estava consciente e conseguia responder às perguntas da equipa médica quando foi transportado para o hospital. PJ | Homem detido por suspeitas de troca ilegal No domingo, um homem do Interior da China foi detido por agentes da Polícia Judiciária (PJ) quando fazia uma troca ilegal de dinheiro. Segundo o jornal Ou Mun, a detenção resultou de uma inspecção da PJ num casino no Cotai. Além da detenção, foram apreendidos 19 mil dólares de Hong Kong em fichas e um telemóvel, que teriam como propósito a troca ilegal. Questionado durante a investigação, o cliente disse que trocou 9.050 renminbis para fichas de 10 mil de dólares de Hong Kong para jogo. Os agentes encontraram ainda uma ficha de 1.000 dólares de Hong Kong que a testemunha guardou depois de ter perdido o resto no jogo. O suspeito confessou que começou a troca ilegal desde deste mês, por cada troca de 10 mil dólares de Hong Kong podia obter lucro de 100 dólares de Hong Kong. Até à detenção, tinha ganho 2.000 dólares de Hong Kong.
BNU | Lucros encolhem cerca de um quarto em 2025 Hoje Macau - 12 Fev 2026 Os lucros do banco detido pela Caixa Geral de Depósitos estão em queda há dois anos, mas continuam positivos. No ano passado, o BNU conseguiu reduzir as perdas relacionadas com o crédito malparado O Banco Nacional Ultramarino (BNU) em Macau anunciou ontem uma queda de 26,3 por cento nos lucros líquidos em 2025, o segundo ano consecutivo em que os proveitos da instituição financeira encolheram. De acordo com um comunicado, o banco registou lucros líquidos não auditado de 431,2 milhões de patacas, menos 153,9 milhões de patacas do que em 2024. O BNU já tinha registado uma queda de 0,4 por cento nos proveitos em 2024. O banco apontou como principal razão para a queda dos lucros uma redução de 13,9 por cento (138 milhões de patacas) na margem financeira líquida, a diferença entre receitas provenientes de empréstimos e juros pagos por depósitos. O BNU indicou que a margem financeira líquida encolheu, “impulsionada principalmente pela evolução das taxas de juro”. Isto depois de a Autoridade Monetária de Macau ter aprovado três descidas da principal taxa de juro de referência em 2025, a última das quais um corte de 0,25 pontos percentuais, introduzida em 11 de Dezembro, acompanhando em todos os casos a Reserva Federal norte-americana. A redução na margem financeira líquida “foi parcialmente compensada” por um aumento de 2,3 por cento nas comissões cobradas pelo banco, “reflectindo um maior envolvimento dos clientes”. Malparado pesou O BNU indicou ainda que sofreu perdas de 30 milhões de patacas com crédito malparado e aplicações financeiras, menos 15,3 por cento do que em 2024. “Esta redução reflecte a gestão prudente do risco e a qualidade estável dos activos do banco, apoiada por práticas de crédito conservadoras e uma robusta margem de provisões mantida ao longo do ano”, garantiu a instituição. “A posição de capital e liquidez do BNU permanece forte, apoiada por uma gestão financeira disciplinada e um robusto sistema de controlo de risco”, indicou o banco. O BNU tem sede em Macau e pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD), sendo, juntamente com o Banco da China, emissor de moeda em Macau. De acordo com dados oficiais, os bancos de Macau obtiveram lucros de 7,34 mil milhões de patacas em 2025, quase o dobro do registado no ano anterior (mais 92,7 por cento). O crédito malparado caiu 11,6 por cento ao longo do ano passado para 49,7 mil milhões de patacas. Foi a primeira queda anual dos empréstimos vencidos desde 2013. Os empréstimos vencidos representavam 4,9 por cento dos empréstimos dos bancos de Macau, menos 0,6 pontos percentuais do que no final de 2024. Uma percentagem que sobe para 5,6 por cento no caso do crédito a instituições ou indivíduos fora da região. A Autoridade Bancária Europeia, a agência reguladora da UE, por exemplo, considera que os bancos com pelo menos 5 por cento dos empréstimos malparados têm “elevada exposição” ao risco e devem estabelecer uma estratégia para resolver o problema. Ainda assim, a percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3 por cento alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet.
Fronteira HZM | Concessão rende 1,2 milhões por mês Hoje Macau - 12 Fev 2026 A Sociedade Express Grupo Limitada vai pagar mensalmente 1,2 milhões de patacas à RAEM para explorar as áreas comerciais do Edifício do Posto Fronteiriço de Macau da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau (HZM). A informação foi publicada ontem no boletim oficial, onde o contrato foi divulgado. O vínculo tem uma duração de cinco anos, pelo que o valor final pago à RAEM deverá rondar os 72 milhões de patacas. O prazo começa a contar desde o início efectivo da exploração, que pode acontecer até 31 de Maio. Como parte do contrato, a concessionária compromete-se a garantir a entrada em funcionamento de 30 por cento do espaço comercial, excluindo serviços de auto-atendimento. Além disso, a sociedade pode alterar o espaço para expandir as zonas comerciais, mas fica obrigada a manter boas condições de negócio e de higiene. Se a área comercial for aumentada, o contrato prevê também um aumento do preço da renda mensal, calculado conforme o aumento efectivo do espaço. A Sociedade Express Grupo foi fundada em 1999 em Macau e tem como principal actividade a exploração de farmácias, ligadas à marca Wan Tung, com cerca de 30 espaços no território. Contudo, as actividades também se estendem aos serviços de agência de viagens, e o portal da empresa garante ser a principal representante em Macau da Cebu Airlines, embora também tenha ligações com outras companhias como China Eastern, China Southern, Eva Air, entre outras.
Pearl Metropolis | Idade afastou potenciais compradores Hoje Macau - 12 Fev 2026 Após ter sido revelado que apenas 338 dos 1.932 lesados do Pearl Horizon avançaram para a compra de uma habitação de substituição no edifício Pearl Metropolis, Franky Fong Wai Hong, presidente da Associação dos Agentes Imobiliários do Sector Imobiliário de Macau, explicou que a baixa taxa de compradores se deveu a vários factores e não apenas ao preço das novas habitações. Ao jornal Exmoo, Fong indicou que desde a altura em que as famílias se comprometeram a comprar as casas no Pearl Horizon e a construção do Pearl Metropolis passaram mais de 10 anos. Com o passar do tempo, a disponibilidade das famílias para pedirem empréstimos bancários mudou consideravelmente, porque vão ter menos anos para pagarem o valor pedido. Além disso, foi também indicado que os critérios de acesso aos empréstimos para a compra de habitação ser tornaram mais rigorosos. Franky Fong Wai Hong indicou ainda que as pessoas que tinham necessidade de comprar uma habitação há 10 anos não estavam disponíveis para esperar tanto tempo pelos novos apartamentos, o que também terá contribuído para a diminuição do interesse. Ainda assim, caso a empresa de capitais públicos Macau Renovação Urbana pretenda vender as restantes casas no mercado, Franky Fong Wai Hong admitiu que os preços actuais são elevados e que deverá ser necessário reduzi-los para atrair compradores.
Casinos | Impostos cobrados aumentam 15% em Janeiro João Luz - 12 Fev 2026 O sector do jogo representou 85,6 por cento dos impostos cobrados em Janeiro, com um total de 8,2 mil milhões de patacas. As receitas fiscais apuradas na principal indústria do território aumentaram 14,6 por cento face a Janeiro de 2025, quando não chegaram a 7,2 mil milhões de patacas No passado mês de Janeiro, o Governo registou 9,62 mil milhões de patacas em receitas correntes, mais 14,5 por cento face a Janeiro de 2025. Do total das receitas correntes, a parcela correspondente a impostos a concessionárias de jogo foi de mais de 8,2 mil milhões de patacas, o que representa 85,6 por cento de todas as receitas correntes, de acordo com dados divulgados no portal da Direcção dos Serviços de Finanças. Em termos comparativos, as receitas fiscais geradas pelos casinos em Janeiro aumentaram 14,6 por cento, face ao mesmo mês de 2025, quando atingiram quase 7,2 mil milhões de patacas, uma diferença de mais de 1.000 milhões de patacas. Recorde-se que de acordo com as novas concessões de jogo, que entraram em vigor por uma década a 1 de Janeiro de 2023, o imposto sobre as receitas brutas dos casinos foi fixado em 40 por cento. Quando se conta as receitas de capital (venda de instalações e equipamentos, activos financeiros, venda de acções e outras participações), as receitas totais dos cofres públicos em Janeiro registaram quase 9,64 mil milhões de patacas. O outro lado Representando quase a totalidade das receitas públicas, as receitas do sector do jogo são determinantes para o Orçamento da RAEM. Para já, o Governo estima que 2026 termine com receitas brutas dos casinos do território a rondar os 236 mil milhões de patacas, o que dará cerca de 19,7 mil milhões de patacas por mês. Para atingir esta meta, Janeiro já superou a média mensal estimada em cerca de 2,93 mil milhões de patacas, quando as receitas brutas do sector registaram mais de 22,63 mil milhões de patacas, mais 24 por cento face a Janeiro de 2025. A confirmar-se uma performance positiva durante os feriados do Ano Novo Chinês, as receitas brutas dos casinos podem registar um aumento anual de cerca de 18 por cento no primeiro trimestre do ano. No capítulo das despesas, os dados de Janeiro da DSF revelam que as despesas com pessoal foram de cerca de 1,19 mil milhões de patacas, menos 0,17 por cento face a Janeiro de 2025. Em relação às despesas públicas para pagar transferências, apoios e abonos, saíram dos cofres públicos em Janeiro cerca de 2,8 mil milhões de patacas, mais 0,35 por cento em termos anuais. No cômputo geral, Janeiro encerrou com as receitas a quase duplicar as despesas, com o saldo do exercício do mês passado em terreno positivo em quase 5 mil milhões de patacas.
Urbanismo | Embelezamento da cidade segue espírito de Xi Hoje Macau - 12 Fev 2026 O secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, liderou o primeiro encontro do ano do Grupo de Trabalho de Embelezamento e Limpeza da Cidade e realçou que as tarefas a serem desempenhadas servem para “implementar o espírito dos importantes discursos do Presidente Xi Jinping” durante a passagem por Macau, em Dezembro e 2024. Com base nestas declarações, Wong Sio Chak exigiu que o grupo faça “um trabalho cada vez mais profissional”, ao mesmo tempo que “reforça a cooperação, implementa um sistema de responsabilização, salvaguarda a segurança, ouve as opiniões da população e melhora a qualidade de vida dos residentes”. Em relação às principais tarefas para este ano, Wong definiu cinco requisitos: primeiro, refinar as responsabilidades e garantir a implementação [dos trabalhos]; segundo, controlar rigorosamente a qualidade e garantir a segurança; terceiro, trabalhar de forma diligente e pragmática para criar um novo panorama; quarto, reforçar a coordenação e a cooperação; e quinto, aumentar a sensibilização do público e promover a colaboração entre o Governo e a população. Wong Sio Chak deixou ainda a esperança que todo grupo de trabalho seja guiado pelo espírito do importante discurso do Presidente Xi Jinping de forma a contribuir em conjunto para o embelezamento da cidade.
Um País, Dois Sistemas | Sam quer que macaenses contem “bem” história João Santos Filipe - 12 Fev 2026 O líder do Governo indica que a comunidade tem um papel a desempenhar na integração de Macau no Interior da China e destacou o valor da comunidade na ligação entre a China e o exterior O Chefe do Executivo quer que a comunidade macaense trabalhe com o Governo para “garantir uma boa salvaguarda e desenvolvimento” de Macau e “contar bem” a história da “implementação bem-sucedida de ‘Um País, Dois Sistemas’ na China e no estrangeiro”. As tarefas de Sam Hou Fai para os macaenses foram deixadas durante um jantar, ocorrido na terça-feira, com alguns membros da comunidade. Segundo o relato do Governo, no encontro Sam Fou Fai “garantiu estar disponível para trabalhar em conjunto com a comunidade macaense a fim de garantir uma boa salvaguarda e desenvolvimento deste lar [Macau]”. No entanto, as tarefas não se ficam por aqui. O líder do Executivo pretende igualmente que os macaenses se desloquem “proactivamente na Zona de Cooperação em Hengqin e na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau” e que participem “activamente” nas construções destes projectos. Sam Hou Fai destacou também que os macaenses têm lugar na integração de Macau no Interior da China e que a comunidade “desempenha plenamente as suas vantagens únicas na língua, cultura, gastronomia, profissionalismo e interligação com o mundo, ajudando a RAEM a criar uma ‘porta’ de ligação relevante para o país na abertura de alta qualidade ao exterior e uma ‘janela’ privilegiada de intercâmbio e de mútua aprendizagem entre as civilizações chinesa e ocidental”. Importância assegurada Na mensagem deixada durante o jantar, Sam Hou Fai ainda apontou que o Governo vai “dar importância e apoiar a comunidade macaense, esperando que a mesma possa potenciar as suas singularidades, participar activamente na integração entre Macau e Hengqin e na construção da Grande Baía”. Sam Hou Fai destacou que o “desenvolvimento económico e social da RAEM tem sido estável e progressivo, concretizando basicamente os objectivos e tarefas principais da governação, cujo trabalho de acção governativa no primeiro ano do Governo decorreu de forma suave e estável, com reformas, inovações, avanços e resultados”. Sam prometeu ainda executar as Linhas de Acção Governativa e afirmou acreditar que no âmbito das tarefas planeadas haverá “amplas oportunidades” para a comunidade macaense “contribuir significativamente e alcançar feitos notáveis”.
Segurança | Governantes da RAEM aplaudem Livro Branco sobre Hong Kong Andreia Sofia Silva - 12 Fev 2026 A China lançou um novo Livro Branco sobre a segurança nacional, sobre Hong Kong, que se intitula “Prática da Salvaguarda da Segurança Nacional em Hong Kong sob ‘Um País, Dois Sistemas’. Na RAEM, os secretários e dirigentes políticos reagiram de forma positiva, dizendo que o documento dá garantias de estabilidade e que é uma referência para Macau Dias depois da condenação, em Hong Kong, de Jimmy Lai, empresário dos media que fundou o extinto jornal Apple Daily, eis que a China lança um novo Livro Branco virado para a necessidade de salvaguarda da segurança nacional no território vizinho. A “Prática da Salvaguarda da Segurança Nacional em Hong Kong sob ‘Um País, Dois Sistemas'”, foi publicado pelo Departamento de Comunicação do Conselho de Estado da China na terça-feira. Segundo a agência noticiosa Xinhua, este Livro Branco é composto por cinco partes, detalhando “a persistente luta para salvaguardar a segurança nacional em Hong Kong e a responsabilidade fundamental do Governo Central em questões de segurança nacional relacionadas a Hong Kong”. Na mesma nota, é explicado que o Livro Branco “expõe as conquistas da RAEHK no cumprimento da responsabilidade constitucional de salvaguardar a segurança nacional” e ainda “a transição de Hong Kong do caos para a estabilidade e prosperidade”. Não são esquecidos “os esforços para criar [um panorama de] segurança de alto padrão a fim de promover o desenvolvimento de alta qualidade da política de ‘Um País, Dois Sistemas'”, além de ser explicado que “o Governo Central aplicou uma abordagem holística à segurança nacional”. Neste contexto, “exerceu efectivamente a jurisdição geral sobre a RAEHK, de acordo com a Constituição do país e a Lei Básica da RAEHK”, sendo que a Lei sobre a Salvaguarda da Segurança Nacional “tem sido aplicada na região” e veio garantir “que Hong Kong seja administrada por patriotas”. Do lado da RAEM, o aparelho governativo reagiu de forma positiva a este Livro Branco, isto depois de ter sido aprovada na generalidade, na Assembleia Legislativa, a proposta de lei que apresenta um novo formato e composição da Comissão de Defesa da Segurança do Estado da RAEM, criada em 2018. Chan Tsz King, secretário para a Segurança, foi uma das figuras políticas que reagiu ao documento, que considera “assegurar a implementação estável e duradoura” do princípio “Um País, Dois Sistemas”. Citado por uma nota oficial, o secretário entende que o Livro Branco vem “esclarecer a unidade intrínseca entre os princípios políticos e a lógica institucional, fazendo com que a sociedade de Hong Kong volte à normalidade e a ordem seja restaurada”. O documento, na visão do secretário, “serve como importante referência para a RAEM rever e melhorar a construção do seu sistema jurídico no âmbito de defesa da segurança do Estado e do respectivo mecanismo de execução”. Chan Tsz King destaca que a sua tutela dará “grande importância à garantia da segurança nas áreas não tradicionais sob nova conjuntura, estabelecendo como objectivo estratégico a estabilidade a longo prazo da RAEM”. Firme como uma rocha Ainda segundo a Xinhua, o Livro Branco descreve como Pequim “apoia a RAEHK no cumprimento de sua responsabilidade constitucional de salvaguardar a segurança nacional, prevenindo, interrompendo e punindo efectivamente quaisquer actividades que coloquem em risco a segurança nacional”. “Os esforços” da região vizinha na salvaguarda da segurança nacional visam, segundo o mesmo documento, “sustentar e desenvolver” o princípio criado por Pequim como sustentação de Taiwan e das duas regiões administrativas especiais, sem esquecer a protecção “dos direitos humanos fundamentais, a dignidade e o bem-estar dos 7,5 milhões de residentes de Hong Kong”. O Livro Branco divulgado pelo Conselho de Estado dá ainda conta que “no mundo actual, e com transformações globais sem precedentes ocorridas em um século, estão a acelerar, com o ambiente de desenvolvimento enfrentado pela China a passar por mudanças profundas e complexas”. Desta forma, “salvaguardar a segurança nacional é uma tarefa de longo prazo e permanente”, é referido. O Livro Branco dá conta que Hong Kong “desfruta de uma segurança de alto padrão”, estando a região “fadada a superar todos os riscos e desafios na futura jornada, permanecendo tão estável como uma rocha num mundo turbulento”. Outra figura política da RAEM que reagiu foi Adriano Marques Ho, director-geral dos Serviços de Alfândega, dizendo que o Livro Branco “tem um significado orientador importante e um impacto profundo para a implementação completa e precisa de ‘Um País, Dois Sistemas’ nas regiões de Hong Kong e Macau, para a realização da prosperidade e estabilidade a longo prazo, e para a sua progressão estável e sustentável”. Adriano Marques Ho acrescentou que “tanto Hong Kong como Macau são partes inalienáveis e sagradas da China”, sendo que Pequim “tem mantido, de forma firme e consistente, a soberania, segurança e interesses de desenvolvimento nacionais”. Na visão do responsável máximo da Alfândega, “as forças hostis externas e os elementos anti-China que perturbam Hong Kong incitaram e criaram os ‘tumultos da revisão legislativa’, que acabaram por evoluir para uma ‘revolução colorida’ versão Hong Kong, prejudicando gravemente a ordem constitucional e o Estado de Direito em Hong Kong, e colocando em risco a soberania, segurança e interesses do desenvolvimento nacionais”. Fim da “situação caótica” O Lam, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, disse que o Livro Branco “analisa e delineia de forma abrangente o percurso de Hong Kong na defesa da segurança nacional, as grandes realizações e a experiência colhida”. Na visão da governante, “Hong Kong passou de uma situação caótica para a estabilidade e prosperidade”. No caso da RAEM, aplicam-se os princípios contidos no Livro Branco, prometendo a secretária “continuar a intensificar a educação, dando prioridade à formação de uma base social que sustenta os valores de amor pela pátria e por Macau”. Neste contexto, pretende-se “desenvolver um sistema educativo abrangente para aumentar o sentimento patriótico dos jovens e consolidar o alicerce ideológico da segurança nacional através de actividades e intercâmbios educacionais multidimensionais”. Fica a promessa de que a tutela dos Assuntos Sociais e Cultura “irá continuar a promover a segurança nacional utilizando como força motriz a cultura, reforçando a exploração e a divulgação dos recursos históricos e culturais de Macau e organizando diferentes tipos de exposições e espectáculos culturais com características singulares”. A ideia é “divulgar a excelente herança cultural chinesa no sentido de resistir à erosão das culturas nocivas, reforçar a identidade cultural e nacional da população e unir as forças dos diferentes sectores da sociedade através da cultura”. Wong Sio Chak, secretário para a Administração e Justiça, e que durante anos deteve a pasta da Segurança, considera que o Livro Branco tem “extrema relevância para os assuntos da RAEM relativos à defesa da segurança nacional”, nomeadamente no que diz respeito à “defesa da soberania, segurança e dos interesses de desenvolvimento do Estado”. Ficam as promessas de que a área da Administração e Justiça “irá impulsionar a produção legislativa nos domínios prioritários relacionados com a defesa da segurança do Estado, continuando a aperfeiçoar o respectivo regime jurídico”, sendo organizados “cursos de formação sobre a Constituição, a Lei Básica e a legislação relativa à defesa da segurança do Estado vocacionados para os trabalhadores dos serviços públicos de diferentes níveis”. Por seu turno, Tai Kin Ip, secretário para a Economia e Finanças, descreveu que “as seguranças económica e financeira constituem domínios-chaves não tradicionais de entre as vinte áreas prioritárias da visão global de segurança nacional, sendo também factores cruciais para garantir o desenvolvimento estável e a segurança de longo prazo de Macau e do país”. Tai Kin Ip pretende “promover de forma pragmática o desenvolvimento da diversificação adequada da economia, reforçando a resiliência económica global de Macau e mantendo um elevado nível de atenção face a vários riscos e desafios no domínio económico-financeiro”. Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas, disse que Macau deve “cultivar uma consciência de vigilância em tempos de paz, a fim de consolidar os alicerces de uma estabilidade e segurança duradouras”. Neste sentido, o governante entende que “Macau deve colocar sempre em primeiro lugar a salvaguarda da soberania, da segurança e dos interesses de desenvolvimento do Estado”, sendo que na tutela dos Transportes e Obras Públicas promete “persistir na predominância do poder Executivo, integrando de forma firme a salvaguarda da segurança nacional em todas as tarefas”. Ao Ieong Seong, Comissária contra a Corrupção, acredita que “a segurança e a estabilidade do ambiente político e o bom funcionamento do sistema, com predominância do poder Executivo, [garante que] o nível de governação da RAEM seja cada vez mais elevado”. A comissária destacou “a realização bem-sucedida, no ano passado, das eleições para a 8ª Assembleia Legislativa, reforçando-se a concretização do princípio ‘Macau governado por patriotas’ e assegurando eficazmente a estabilidade duradoura da RAEM”.
Livrarias | Deputado quer mais apoios Andreia Sofia Silva - 11 Fev 2026 O deputado Lam Fat Iam defendeu ontem que devem ser criados mais apoios ao sector livreiro, apoiando-se “o desenvolvimento das livrarias físicas locais” e a construção de Macau como “Cidade de Leitura”. Ao falar no período de interpelações antes da ordem do dia, Lam Fat Iam defendeu que devem ser criadas “políticas de apoio específicas e precisas”, como a criação de “programas de apoio à exploração e actividades culturais das livrarias”, dando-se “prioridade às livrarias que promovem a cultura de Macau e realizam regularmente conferências e actividades de leitura”. Deve-se ainda criar um sistema que fomente “a circulação e publicação de livros locais”, com “financiamento prioritário ao planeamento, edição e publicação de livros com características de Macau”.
Esplanadas | Pedido “planeamento sistemático” Andreia Sofia Silva - 11 Fev 2026 O deputado Chui Sai Peng defende que as autoridades devem realizar um “planeamento sistemático” das esplanadas, a fim de “criar uma atmosfera agradável e descontraída” tendo em conta o papel de Macau como cidade de gastronomia. No período de interpelações antes da ordem do dia, Chui Sai Peng disse que não basta o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) ter recomeçado a emitir licenças, devendo existir “um plano detalhado e de longo prazo”, definindo-se “objectivos gerais do planeamento dos espaços de restauração ao ar livre de Macau, o caminho para a prática, a dimensão dos projectos e os planos de acção a curto prazo”. O deputado pede, por isso, que seja criado “um grupo de trabalho, a fim de elaborar um plano para as esplanadas, científico, executável e consensual, entre múltiplas partes”.
Voos | Defendidas ligações directas entre Macau e PLP Hoje Macau - 11 Fev 2026 A deputada Song Pek Kei defendeu ontem a criação de ligações aéreas directas entre o território e os países de língua portuguesa, com o objectivo de “enriquecer a rede aérea” de território. “Importa lançar medidas de incentivo para estimular os operadores do sector [aéreo] a explorarem mais rotas directas internacionais, podendo dar prioridade à expansão da rede de voos directos com os países de língua portuguesa e espanhola,” afirmou Song Pek Kei, numa intervenção na Assembleia Legislativa (AL). A Lei da Actividade da Aviação Civil de Macau entrou em vigor este ano, abrindo portas à liberalização do sector. Song Pek Kei afirmou que, com a entrada em vigor desta legislação, o Governo “deve acelerar” o ajustamento da estrutura de serviços e “aproveitar bem” os recursos para desenvolver mais rotas com escalas e conexões. “Tendo como referência as experiências de outras regiões, importa lançar medidas de incentivo para estimular os operadores do sector a explorarem mais rotas directas internacionais,” acrescentou. Outros pedidos Song Pek Kei não é a primeira deputada a propor ao Governo a criação de novas rotas aéreas que liguem a região chinesa à Europa. Em Dezembro, também Ip Sio Kai defendeu o estabelecimento de uma ligação aérea directa com Lisboa, para promover os negócios entre os países de língua portuguesa e a Europa. Ip sugeriu que o Governo conceda subsídios para a abertura deste voo de longo curso e que lance promoções de alojamento, transporte e atividades culturais para atrair turistas para Macau. Em resposta a Ip Sio Kai no hemiciclo, o presidente da Autoridade de Aviação Civil, Pun Wa Kin, afirmou que o Governo “atribui grande importância” ao desenvolvimento da aviação, “em particular ao seu papel na promoção da diversificação económica”. “No entanto, nas operações comerciais, as companhias aéreas consideram frequentemente a procura do mercado, os custos operacionais, os benefícios a longo prazo e a competitividade da rota, antes de decidirem lançar novos voos”, declarou Pun Wa Kin, a quem o titular do Governo para os Transportes e Obras Públicas, Tam Vai Man, tinha entregado a prerrogativa de responder ao deputado. Quando Ip sugeriu que o Governo poderia subsidiar a rota, Pun respondeu que esse apoio “envolve políticas sectoriais diferentes” e que “o Governo da RAEM precisa de analisar a questão de forma abrangente, sob todos os aspectos”.