Cultura | Mais dois concertos com artistas japoneses cancelados João Luz - 12 Dez 2025 Depois do cancelamento do concerto da diva japonesa Ayumi Hamasaki, um espectáculo no Studio City que iria incluir a girls band Say My Name, que conta com duas japonesas na formação, também foi cancelado devido a “circunstâncias imprevistas”. A mesma razão foi usada para cancelar o concerto dos Hi-Fi Un!corn no, que também tem membros japoneses “Devido a circunstâncias imprevistas, lamentamos anunciar que o concerto 2025 iNKODE TO PLAY, espectáculo de Natal, agendado para 25 de Dezembro no Studio City Event Center, foi cancelado. Pedimos sinceras desculpas por qualquer inconveniente causado pelo cancelamento e agradecemos a todos pelo apoio a este espectáculo.” Foi desta forma que a empresa promotora do concerto justificou que afinal o sul-coreano Kim Jaejoong, a americana de origem sul-coreana Nicole e a girls band Say My Name não iriam actuar em Macau, como estava previsto. Importa referir que a artista mais conhecia da banda, constituída por jovens sul-coreanas e duas nipónicas, é a japonesa Hitomi Honda, mais famosa que a sua compatriota e colega de palco Terada Mei. O cancelamento do espectáculo dos artistas da iNKODE Entertainment foi anunciado um dia depois do concerto da diva do pop japonês Ayumi Hamasaki ter sofrido o mesmo destino em Macau e Xangai. Aliás, as justificações vagas para a não realização do concerto das Say My Name em Macau e de Ayumi em Xangai foram as mesmas: “circunstâncias imprevistas”. Uma outra banda de jovens da iNKODE Entertainment, com membros japoneses, tinha um encontro com fãs marcado para o meio-dia de 6 de Dezembro em Xangai. O encontro foi cancelado duas horas antes do início devido a “circunstâncias imprevistas” O cancelamento do evento dos artistas da iNKODE Entertainment em Macau foi comentado nas redes sociais como um exemplo do “efeito Ayumi”. A papel químico “Devido a circunstâncias imprevistas, a CQ (Macau) Entertainment lamenta anunciar que o espectáculo Hi-Fi Un!corn ASIA Tour 2025 “Teenage Blue” em Macau, originalmente agendado para 21 de Dezembro no G Box do Galaxy Macau, foi cancelado.” O cancelamento do concerto dos Hi-Fi Un!corn, que também têm artistas japoneses no grupo, foi anunciado na quarta-feira, aumentando o número de concertos em Macau que não se vão realizar na sequência de “circunstâncias imprevistas”. Os comunicados repetem a mesma fórmula de pedidos de desculpa pela inconveniência e indicações para pedir reembolsos. Tudo começou quando o Venetian Macau anunciou na tarde de terça-feira que o concerto da rainha da pop japonesa Ayumi Hamasaki fora cancelado. Apesar de não ter sido dada qualquer justificação, o cancelamento não apanhou de surpresa os fãs, que já antecipavam a tomada de posição depois de o mesmo ter acontecido em Xangai no passado dia 29 de Novembro.
Conselho Executivo | Peças do Museu de Macau com protecção legal Hoje Macau - 12 Dez 2025 O Conselho Executivo concluiu ontem a discussão sobre três projectos de lei, um deles relativo à “Classificação do 1.º Grupo de Bens Imóveis”, visando a protecção legal de 400 peças que integram a colecção do Museu de Macau, sob tutela do Instituto Cultural (IC). Segundo um comunicado, os bens distribuem-se por 24 categorias, sendo “espécies arqueológicas, peças de culto, objectos religiosos, porcelanas, cerâmicas, artigos de esmalte, obras de desenho, gravuras, caligrafias ou esculturas”, entre outros. Pretende-se, assim, assegurar “o tratamento, conservação, restauro e o armazenamento adequado dos bens móveis integrantes do património cultural, com vista a evitar a sua deterioração, desvio ou perda por causas naturais ou por intervenção humana, e promover a sua utilização em actividades de investigação, exposição e educação”. Outro diploma analisado pelo Conselho Executivo, prende-se com a revisão do regulamento administrativo relativo à lei do enquadramento orçamental, que passa pela legalização de documentos digitais e “desmaterialização dos procedimentos em suporte papel”, já a partir do dia 1 de Janeiro. Pretende-se ainda simplificar alguns procedimentos administrativos. Outra análise que ficou concluída, realaciona-se com a revisão de um decreto-lei de 1998, relativo ao licenciamento administrativo de determinadas actividades económicas. Haverá uma consulta pública no primeiro semestre do próximo ano para a elaboração do novo “Regime para a regulação de determinadas actividades e eventos”. Com este diploma, o Governo pretende promover a “optimização do ambiente de negócios e desenvolvimento socioeconómico de Macau”.
Receitas fiscais | Previsto aumento no próximo ano João Luz - 12 Dez 2025 As receitas fiscais do Imposto Profissional e Imposto Complementar de Rendimento para 2026 devem aumentar em relação a 2025. Essa é a expectiva do Governo, patente na proposta de lei do Orçamento para o próximo ano. Com estes dois impostos, o Executivo espera arrecadar mais de 11 mil milhões de patacas Ontem, foi dado mais um passo legislativo para a aprovação do Orçamento da RAEM para 2026, com a assinatura do parecer da comissão da Assembleia Legislativa (AL) que analisou a proposta de lei. Ip So Kai, o deputado que preside à comissão permanente que analisou o diploma, apresentou ontem as estimativas do Governo em relação às receitas fiscais esperadas para o próximo. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, o Executivo de Sam Hou Fai está confiante no aumento das verbas amealhadas pelo Imposto Profissional e do Imposto Complementar de Rendimento. O deputado indicou que são esperadas receitas na ordem dos 3,25 mil milhões de patacas através do Imposto Profissional, fasquia que representa um aumento anual de 7,8 por cento. Segundo Ip Sio Kai, o Executivo justificou a previsão com a boa performance da cobrança do imposto verificada na primeira metade do ano, evolução que se fica a dever à estabilidade no mercado de trabalho e ao nível dos salários. Em relação ao Imposto Complementar de Rendimento, o Executivo projecta receitas para 2026 na ordem dos 7,39 mil milhões de patacas, uma subida anual de 8,1 por cento impulsionada pela previsão de melhorias no ambiente económico. O deputado e presidente da Associação de Bancos de Macau indicou que a visão positiva das previsões é também baseada na redução apontada ao crédito malparado. O Imposto Complementar de Rendimento tem entre os principais contribuintes os bancos do território, dos quais se espera um “empurrão” nas contribuições. Cheques e trocos O parecer da proposta de lei, divulgada no portal da Assembleia Legislativa, mostra também que no capítulo das reposições de pagamentos efectuados em anos anteriores a receita proveniente dos cheques pecuniários que não foram levantados, depois de ultrapassados os três anos do prazo para o efeito. Como tal, reverterem para os cofres públicos 87,94 milhões de patacas. Além do fim do prazo para levantar as comparticipações, foram elencadas razões como a falta de apresentação de prova de vida, ou posterior verificação de falta de elegibilidade para receber o cheque pecuniário. Em relação ao valor proposto para cobrir o plano de comparticipação pecuniária, o Governo estimou uma verba superior a 6,64 mil milhões de patacas, menos 11,2 por cento face ao orçamento inicial de 2025. A proposta de lei do Orçamento de 2026 será aprovada na especialidade na sessão plenária da AL marcada para a próxima quinta-feira. Na mesma sessão será aprovada na especialidade a alteração à lei do salário mínimo.
Zona A | Rampa e passagem para peões vai custar pelo menos 54 milhões Hoje Macau - 12 Dez 2025 Uma rampa de acesso para circulação rodoviária à Zona A dos Novos Aterros e uma passagem para peões irão custar aos cofres públicos entre “mais de 54 milhões de patacas e mais de 63 milhões de patacas”, indicou ontem a Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP). Os valores representam as propostas mais barata e mais cara apresentadas pelas empresas candidatas ao concurso público para a “Empreitada de Construção da Extensão da Rampa da Via de Acesso A1 e de uma Passagem Pedonal para Peões”. As 17 propostas, todas admitidas, foram conhecidas ontem. A obra terá um prazo de construção de 285 dias úteis. A obra procura aperfeiçoar as ligações entre a Zona A e a península, através da “rampa de acesso, num único sentido, na actual via de acesso A1, para facilitar o acesso directo dos veículos à Avenida da Ponte Macau, no lado leste da Zona A, pelas Avenida da Ponte da Amizade e Avenida do Nordeste, e desviar os veículos que pretendem ter acesso ao Posto Fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e os que se dirigem à Taipa pela Ponte Macau”. Além disso, será construída “uma passagem pedonal desnivelada na costa da extremidade norte da Zona A dos Novos Aterros Urbanos, a qual ligará os dois lados leste e oeste da Zona A”.
DSAL | Feiras de emprego com 500 vagas em limpeza e restauração Hoje Macau - 12 Dez 2025 Abriram hoje, às 09h, as inscrições para três sessões de emparelhamento que vão disponibilizar 496 vagas de emprego nos dias 18 e 19 de Dezembro. Os interessados têm até ao meio-dia da próxima quarta-feira para se inscreverem. A primeira sessão, marcada para a manhã da próxima quinta-feira irá oferecer oportunidades para segurança e limpeza com 282 vagas, incluindo funções como agente de segurança privada, empregado de limpeza e porteiro. Na parte da tarde do mesmo dia, as 166 ofertas de trabalho serão para os cargos de cozinheiro, padeiro, ajudante de cozinha, chefe de limpeza, empregado de restauração e operador de caixa. No dia seguinte, 19 de Dezembro, serão oferecidos 48 postos de trabalho para cargos como gerente de turno da recepção, gerente-adjunto de restauração, chefe de serviços protocolares, chefe de restauração, cozinheiro, recepcionistas e embaixador dos serviços de restauração. As sessões de 18 de Dezembro vão decorrer no Edifício Industrial Tai Peng, no Istmo de Ferreira do Amaral, n 101 – 105 e a sessão de 19 de Dezembro está marcada para a Sala Orchid no 28.º andar do Hotel Okura.
ZAPE | Comerciantes temem pelo futuro Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 12 Dez 2025 A pouco mais de duas semanas do encerramento total dos casinos- satélite, os comerciantes da Zona de Aterros do Porto Exterior continuam a demonstrar preocupação sobre o futuro dos seus negócios, dado o decréscimo de turistas naquela área. A queda de vendas tem-se acentuado nos últimos meses, segundo testemunhos dados ao jornal Ou Mun O encerramento gradual dos casinos-satélite na Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE), que decorre até ao final do ano, está a deixar os comerciantes dessa área da península muito preocupados quanto ao futuro dos seus empreendimentos. Os testemunhos ouvidos pelo jornal Ou Mun falam de quebra nos negócios e de um sentimento de incerteza quanto ao futuro, isto apesar de o Governo e uma associação comercial já terem organizado actividades para dinamizar aquela zona. Uma das pessoas ouvidas, foi um proprietário de um restaurante, que não quis ser identificado, tendo destacado que, nos últimos meses, o volume de negócios caiu cerca de 30 a 40 por cento face ao passado. Este homem, apontou como uma das principais razões a quebra de clientes com grande poder de compra dos casinos-satélites situados nas proximidades. O comerciante confessou que a capacidade de compra de residentes locais é limitada, pagando entre 30 a 50 patacas por um pequeno-almoço ou almoço, ou 50 a 80 patacas por um jantar. Disse ainda que os apostadores dos casinos é que sustentam a economia do ZAPE, sobretudo depois das 22h. O proprietário de um restaurante frisou que mesmo que o Governo coloque no ZAPE decorações sazonais para melhorar o ambiente de negócio e atrair visitantes, ou mesmo com o trabalho realizado por associações comerciais com plataformas locais e da China, os comerciantes da zona continuam pessimistas quanto ao futuro. Isto porque, na prática, não vêm a tendência de quebra de negócios alterar-se, acreditando que quando todos os casinos-satélite da zona fecharem portas, a perda de clientes será ainda maior. Outro problema que têm de enfrentar, é o custo da renda, pois nesta fase a única discussão que pode ser feita com os proprietários dos espaços comerciais é no sentido de uma redução do valor. Quebra para metade Outro dono de restaurante na zona, confessou que também viu o negócio baixar em cerca de 50 por cento nos últimos meses, mostrando-se igualmente pessimista. Porém, garante que consegue manter o negócio caso o Governo conceda apoios. Este proprietário espera, por isso, que as autoridades concedam mais recursos para atrair os visitantes ao ZAPE, desejando ainda mais actividades realizadas pelo Governo ou pela associação comercial que representa a zona. Caso o volume de receitas continue a sofrer reduções, só lhe resta desistir do negócio, confessou ao Ou Mun. Numa área de actividade diferente, desta vez um supermercado, um funcionário apontou que o dono já demonstrou a intenção de trespassar o negócio devido à queda das vendas. O entrevistado reconheceu que o ZAPE vai receber, no futuro, diversas actividades e eventos, mas entende que não vão trazer muito impacto no negócio porque o ambiente da zona não é atractivo, não existindo atracções para que os turistas tirem fotografias. Além disso, o funcionário do supermercado lembrou que também não existem lojas com características próprias, ou mais tradicionais.
UPM | Estudante cria modelo de IA para novos medicamentos Hoje Macau - 12 Dez 2025 Uma estudante da Universidade Politécnica de Macau desenvolveu um modelo de inteligência artificial para descobrir e optimizar fármacos, que abrem novas perspectivas clínicas em diversas áreas, das doenças oncológicas às neurodegenerativas O trabalho de Yanan Tian, aluna do Programa de Doutoramento Conjunto entre a Faculdade de Ciências e Tecnologia Universidade de Coimbra (UC) e a Universidade Politécnica de Macau (UPM), promete uma nova abordagem para a concepção de fármacos com maior selectividade e eficácia clínica. “Este trabalho propõe o modelo MMCLKin, uma estrutura baseada em métodos de inteligência artificial (IA) avançada, concebida para prever com elevada precisão e interpretabilidade a actividade e selectividade de inibidores de quinases, acelerando significativamente o processo de descoberta e optimização de novos fármacos direccionados”, explicou Yanan Tian, em comunicado da Faculdade de Ciência e Tecnologia enviado à agência Lusa. Segundo a nota, as proteínas quinases constituem uma das classes de alvos terapêuticos mais relevantes na investigação biomédica, cujo potencial resulta do papel central que desempenham na regulação de múltiplos processos celulares, incluindo proliferação, diferenciação e morte celular. “No entanto, o desenvolvimento de inibidores altamente selectivos continua a ser um desafio, devido à forte conservação estrutural entre as quinases e ao elevado custo dos ensaios experimentais”, referiu. Os resultados da investigação realizada sob a orientação dos professores Joel P. Arrais, do Departamento de Engenharia Informática da FCTUC, e Huanxiang Liu, da UPM, “demonstram que o modelo supera os métodos existentes na previsão da afinidade e selectividade de inibidores, mesmo em casos que envolvem estruturas desconhecidas ou quinases mutadas”. Poder de adivinhação De acordo com os autores do estudo, os ensaios validaram o poder predictivo do modelo, demonstrando que cinco compostos sugeridos pelo MMCLKin inibem de forma eficaz uma mutação associada a doenças neurodegenerativas, sendo quatro deles activos em concentrações nanomolares. “Estes resultados reforçam o potencial do MMCLKin como ferramenta para acelerar o desenvolvimento de terapias direccionadas, abrindo novas perspectivas para o desenho racional de fármacos com maior selectividade e eficácia clínica”, lê-se no comunicado. Segundo os investigadores, a abordagem proposta representa um avanço na aplicação da IA à descoberta de fármacos, demonstrando como modelos computacionais de nova geração podem reproduzir ‘in silico’ processos biológicos complexos que, de forma experimental, podem demorar anos ou mesmo décadas. Esta capacidade permite a identificação rápida de candidatos terapêuticos promissores, reduzindo significativamente o tempo e o custo da investigação farmacêutica. Para além do seu impacto imediato, abre novas direcções de investigação no campo da modelação de quinases, ao proporcionar um quadro unificado para analisar padrões estruturais, mutacionais e funcionais ao longo de toda a família de quinases humanas. “Este tipo de abordagem pode evoluir para modelos generalistas capazes de antecipar o comportamento de novas quinases — incluindo aquelas ainda sem estrutura identificada — e apoiar o desenho racional de terapias selectivas e personalizadas em diversas áreas, desde o cancro às doenças neurodegenerativas”.
IN SITU | Seis instalações para pensar o uso de espaços públicos Andreia Sofia Silva - 12 Dez 2025 Chama-se “IN SITU Placemaking Biennale” e, até domingo, traz diversas perspectivas de utilização de espaços públicos em Macau, em locais como o Pátio da Claridade ou a Praça Ponte e Horta. A iniciativa do CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo apresenta, a partir de hoje, workshops e seis instalações: “Letters to Macau”, “UnPlan”, “Multi-Place”, “Resonatorium”, “Furniture Where Life Begins” e “Where Time Crystalizes” Num território exíguo como Macau, onde turistas e a população local deambula entre a história e o fulgor diário, nem sempre é possível imaginar outras utilizações do espaço público e comum a todos. Mas é precisamente isso que propõe o CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo, com uma nova bienal. A “IN SITU Placemaking Biennale” decorre entre hoje e domingo, trazendo seis instalações desenvolvidas por arquitectos ou artistas locais, bem como workshops que visam a conexão do público com estes projectos. O programa é variado, mas as seis instalações centram-se na zona mais antiga da península de Macau. Depois de um período de submissão de projectos, não apenas de Macau, mas do estrangeiro, a curadoria da IN SITU decidiu-se por “Letters to Macau”, apresentado na Travessa do Aterro; “UnPlan”, no Largo de Santo Agostinho; “Multi-Place”, que pode ser visto no Largo do Lilau; “Resonatorium”, perto da praça Ponte e Horta; “Furniture Where Life Begins”, no Largo do Aquino; e “Where Time Crystalizes”, no antigo Pátio da Claridade. O que esta bienal propõe é explorar o conceito de “placemaking”, ou seja, o debate em torno das várias opções para planear e gerir espaços públicos. Segundo uma nota do CURB, trata-se de um “projecto pioneiro” que não é “apenas um festival”, mas sim “uma conversa que envolve toda a cidade”. O “placemaking” não é mais do que uma teoria em torno das ideias de melhoria da gestão do espaço público com uma abordagem multifacetada, em que a ideia é que todos se sentam e discutem o que é melhor para determinado lugar ou o que poderia ser feito face a uma realidade menos boa. Durante este fim-de-semana, o IN SITU pretende que “as ruas e praças icónicas de Macau se transformem numa tela viva para o design, diálogo e imaginação colectiva”, com as seis instalações que “irão ligar e activar espaços públicos icónicos”, transformando-os em “espaços para reunir, reflectir e interagir”. Projectos locais e não só A bienal foi oficialmente inaugurada ontem, mas só hoje abre portas com diversas actividades. As sessões arrancam às 10h30 com “Where Time Crystalizes”, no Pátio da Claridade, seguindo-se, a partir das 11h, uma actividade de “placemaking”, no mesmo local, intitulada “Time Crystal Lab”. No caso desta instalação, é desenvolvida por uma equipa local, oriunda do programa de mestrado em Design de Comunicação da Faculdade de Humanidades e Artes da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. Trata-se de um grupo composto por Lei Mei Ian, Wang Shumeng, Jiang Xintong e Xu Huiyao. “Where Time Crystalizes” é uma instalação “composta por nove formas cristalinas espelhadas e um tapete ondulante que evoca um rio de tempo”, sendo que cada cristal contém fotografias, fragmentos de vídeo e objectos do quotidiano, recolhidos na documentação da autoria de Jason Lei sobre o bairro, ainda antes da saída dos moradores. Além disso, nesta instalação, as partes exteriores “reflectem a rua actual e os transeuntes, enquanto os interiores encerrados convidam os espectadores a espreitar vestígios do passado”. Pretende-se, com esta obra, conduzir “os espectadores a sentir o fluxo do espaço e a sedimentação da memória”, promovendo “a reflexão sobre a transformação do Pátio da Claridade, de comunidade habitada a espaço vazio, reconsiderando a relação entre pessoas, lugar e tempo”. Hoje à tarde, a partir das 15h30, apresenta-se “Multi-Place”, no Largo do Lilau, da autoria de Yik Sze Wong, de Hong Kong. Esta instalação apresenta-se como “uma experiência espacial em resposta à mudança urbana”. “Como podemos questionar e renovar os modelos estabelecidos dos espaços públicos? E como podemos incentivar o público a participar mais activamente na construção e na prática desses espaços? Durante muito tempo, o planeamento e a distribuição dos espaços públicos foram predominantemente conduzidos por designers. No entanto, as cidades são organismos dinâmicos e em constante evolução”, descreve a organização da bienal. Com “Multi-Place” propõe-se “explorar como os espaços públicos podem responder de forma eficaz às mudanças dinâmicas nas actividades urbanas e nas necessidades da sua utilização”, sendo que a instalação pretende servir “como um terreno experimental para explorar novas formas de espaços públicos, procurando utilizar modelos espaciais flexíveis para estimular a interação comunitária”. Explorar o centro histórico Amanhã, o dia da bienal começa também às 10h30, mas desta vez com a apresentação de “Resonatorium”, no Porto Interior, instalação da autoria de Lau Josephn On King e Lawrence Liu. Tratando-se de uma equipa local, mas com ligações a Hong Kong, em “Resonatorium” a dupla resolveu inspirar-se “nos ecos e reverberações no interior das igrejas, bem como na imagem histórica da capela de madeira que outrora se erguia no local da Igreja de São Lourenço”. Trata-se, assim, de uma obra que “constrói uma ressonância pertencente exclusivamente ao passado e ao presente do sítio”, sendo composta por módulos sonoros em madeira, “formando um espaço arquitectónico semi-aberto, no qual a própria estrutura se torna um corpo ressonante”. As sonoridades e a estrutura acarretam simbolismos ligados à Igreja de São Lourenço, o cais do Porto Interior, o bairro do Largo de Santo Agostinho, a Avenida de Almeida Ribeiro, sem esquecer “o futuro de Macau”. A tarde de sábado fica reservada para uma instalação oriunda de Portugal, “UnPlan”, do atelier FAHR 021.3, criado por Filipa Frois Almeida e Hugo Reis. A partir das 15h30 pode ser visitada esta instalação temporária “concebida para oferecer uma nova perspectiva sobre o espaço público”, estando inserida “num tecido urbano denso, marcado pela circulação, vigilância e rotina”. Desta forma, é uma “peça que introduz um momento de pausa, como um objecto simultaneamente familiar e estranhamente deslocado”, em que “em vez de prescrever comportamentos, propõe uma superfície aberta que convida a novas formas de planear, ocupar e imaginar”. Domingo, é dia de explorar “Letters to Macau”, um projecto internacional da Chaal Chaal Agency (CCA), um colectivo de design e investigação fundado pelos arquitectos e investigadores Kruti Shah, da India, e Sebastián Trujillo-Torres, de Espanha. Aqui pretende-se reinterpretar “o marco de correio tradicional da cidade como um dispositivo urbano de reflexão, correspondência e imaginação cívica”. Descreve a organização da bienal que “Letters to Macau” inspira-se “no vocabulário espacial estratificado de Macau, com portas lunares, pátios, becos e passagens de jardim, para criar uma estrutura simultaneamente familiar e reinventada”. Desta forma, “os visitantes são convidados a escrever cartas dirigidas à cidade, partilhando memórias, desejos ou propostas de renovação”, sendo que “cada carta é depositada na estrutura, acumulando-se ao longo da Bienal e transformando gradualmente a instalação num arquivo cívico colectivo”. Esta instalação foi construída a partir de dez painéis de contraplacado cortados por CNC, sendo a estrutura fabricada através de métodos simples e reversíveis, como o encaixe, a fixação e o empilhamento, que permitem uma montagem, desmontagem e reutilização rápidas. “Os seus planos interligados geram diferentes graus de abertura e de encerramento, enquadrando vistas longitudinais e transversais em resposta à verticalidade estreita do tecido urbano do Porto Interior”, descreve-se ainda. Além das seis instalações centrais, esta bienal traz diversos eventos complementares. Hoje à tarde, entre as 16h e as 17h, decorre, na Ponte 9, o “Pressed Echoes of the Inner Harbour – Urban Flora Workshop”, sendo que entre as 18h e as 19h acontece, na praça Ponte e Horta, o “AAFK x Resonatorium Sound & Paint”. Amanhã, entre as 16h e as 17h, é tempo de acontecer o “Three Lamps of Inclusion: Culture Experience and Dialogue Workshop”, no Largo de Santo Agostinho, seguindo-se o evento “The City Breathes”, no Largo do Lilau. À noite, entre as 20h30 e as 21h20, é tempo de música e meditação com uma performance dos NÁV, no Largo de Santo Agostinho. No domingo, tem lugar uma actividade de “placemaking” entre as 11h e as 12h no Largo do Aquino, intitulada “Love Me? Destroy Me!”, seguindo-se uma leitura colectiva em torno da instalação “Letters to Macau” entre as 16h e as 17h, na Travessa do Aterro Novo. A bienal termina com a actividade, entre as 18h e as 18h30, intitulada “Furniture Adoption”, no Largo do Aquino. O programa inclui ainda diversas visitas guiadas.
Diplomacia | Alerta para perigos de rearmamento nipónico Hoje Macau - 12 Dez 2025 As declarações provocatórias da nova primeira-ministra japonesa sobre Taiwan, aliadas à mudança de atitude nipónica em matéria de Defesa fizeram soar os alarmes no país do Meio Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China disse esta quarta-feira que a China convoca todos os países amantes da paz a protegerem-se e frustrarem quaisquer movimentos perigosos de reviver o militarismo japonês e a defenderem conjuntamente os resultados vitoriosos da Segunda Guerra Mundial, conquistados com muito esforço, indica o Diário do Povo. O porta-voz Guo Jiakun prestou as declarações numa conferência de imprensa, em resposta a uma pergunta sobre comentários recentes de alguns órgãos de media estrangeiros de que o Japão está a transformar-se de um Estado constitucionalmente pacifista numa potência militar moderna, e que o país está a tentar reviver o militarismo, o que pode ameaçar a paz e a estabilidade regionais e globais e merece vigilância. Guo observou que, nos últimos anos, o Japão tem vindo a reformular as suas políticas de segurança e defesa, acelerando a revisão de sua constituição pacifista e violando o princípio exclusivamente orientado para a defesa. Além disso, o país removeu a proibição do exercício do direito à autodefesa colectiva, flexibilizou as restrições à exportação de armas, tentou alterar os seus três princípios não nucleares e desenvolveu a chamada “capacidade de ataque à base inimiga”. O responsável destacou que altos funcionários japoneses chegaram a declarar que o Japão não descarta a possibilidade de possuir submarinos nucleares. “Estas medidas colocaram os países vizinhos do Japão e a comunidade internacional em estado de alerta”, afirmou Guo. “Observamos que, após aumentar o seu orçamento de defesa em 13 anos consecutivos, o Japão agora tem o segundo maior orçamento militar entre os países ocidentais. De acordo com um think tank europeu, as receitas das cinco maiores empresas de defesa do Japão aumentaram 40 por cento anualmente em 2024”, apontou Guo. “Para um país que se autodenomina constitucionalmente pacifista, fala em reflectir sobre seu passado bélico e afirma seguir o princípio exclusivamente orientado para a defesa, como é que o Japão justifica o seu aumento militar?”, questionou Guo. Olhares distorcidos O representante do MNE continuou dizendo que, na verdade, após a Segunda Guerra Mundial, o governo japonês nunca reflectiu plenamente sobre as suas guerras de agressão, muitos criminosos de guerra japoneses retornaram como figuras políticas activas e membros das Forças de Autodefesa, alguns primeiros-ministros e dignitários políticos têm insistido em visitar e prestar homenagem ao Santuário Yasukuni, onde criminosos de guerra da Classe A são honrados. Os factos históricos têm sido minimizados e encobertos em livros didáticos distorcidos, acrescentou Guo. “As forças de direita japonesas reflectiram sobre o passado da guerra. No entanto, não reflectiram sobre os crimes de guerra do Japão, mas sobre a razão pelo qual o Japão foi derrotado”, notou Guo. O porta-voz do MNE afirmou que o acerto de contas com o militarismo japonês nunca foi concluído. Em vez disso, as pessoas verão uma tendência crescente de ressurgimento do militarismo. É imperativo que a comunidade internacional lembre ao Japão que a Declaração de Potsdam, nos artigos 6, 7, 9 e 11, afirmava que o militarismo japonês e o seu terreno fértil devem ser eliminados para sempre, pois insistimos que uma nova ordem de paz, segurança e justiça será impossível até que haja provas convincentes de que o poder do Japão de travar guerras foi destruído política e legalmente e que as ideias belicosas foram fundamentalmente eliminadas, afirmou Guo. O representante salientou ainda que a Proclamação de Potsdam também exige que o Japão seja completamente desarmado e não mantenha indústrias que lhe permitam rearmar-se para a guerra, e que está prometido no Instrumento de Rendição do Japão que o país cumprirá fielmente as disposições da Proclamação de Potsdam. Esses instrumentos com efeito jurídico sob a lei internacional e reconhecidos pelo Japão esclareceram as suas obrigações internacionais como país derrotado, constituem a importante pedra angular da ordem internacional do pós-guerra e servem como pré-requisito político e jurídico para o retorno do Japão à comunidade internacional, observou o porta-voz. “A tentativa do Japão de se ‘remilitarizar’ através do fortalecimento acelerado de suas forças armadas só fará com que o mundo volte a questionar para onde o Japão está a caminhar e exija outro acerto de contas com os seus crimes de guerra. A China apela a todos os países amantes da paz a protegerem-se e frustrarem quaisquer movimentos perigosos de reviver militarismo japonês e a defenderem conjuntamente os resultados vitoriosos da Segunda Guerra Mundial, conquistados com muito esforço”, indicou Guo.
Timor-Leste e Brasil assinam acordo para formação de professores de português Hoje Macau - 12 Dez 2025 O Governo timorense e o Brasil assinaram quarta-feira um projecto de formação para professores de língua portuguesa em Timor-Leste, para reforçar as competências linguísticas, comunicativas e didático-pedagógicas dos docentes. “O Projecto de Formação de Professores de Língua Portuguesa do 3.º Ciclo do Ensino Básico, que hoje formalizámos através da assinatura de um ajuste complementar e de um documento de projecto, nasce de um compromisso profundo: garantir que todos os nossos professores disponham de competências linguísticas, comunicativas, didático-pedagógicas e metodológicas necessárias para assegurar o sucesso da implementação do novo currículo nacional, que entrou em vigor no ano lectivo de 2025”, afirmou Dulce de Jesus. A ministra da Educação timorense falava no âmbito da cerimónia de assinatura do programa de formação, que terá a duração de quatro anos (2025 a 2028). O projecto abrangerá um total de 644 professores de Língua Portuguesa do 3.º Ciclo do Ensino Básico, directamente envolvidos no processo de ensino e aprendizagem dos jovens timorenses. “Para melhorar esse processo, contaremos com o apoio técnico de 17 professores-coordenadores brasileiros, que trabalharão em regime de docência conjunta, e de 81 professores timorenses, que actuarão como professores multiplicadores, garantindo assim a sustentabilidade e continuidade da formação no futuro”, explicou a ministra timorense. O projecto inclui também a produção de novos materiais didácticos para os 7.º, 8.º e 9.º anos, a criação de um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e o estabelecimento, no Instituto Nacional de Formação de Docentes e Profissionais da Educação (INFORDEPE), de um Núcleo de Formação de Professores de Português, que funcionará como estrutura permanente de apoio técnico e pedagógico. “Todos compreendemos que se trata de um investimento estratégico e ambicioso. Um investimento que vai além da simples formação de docentes e que representa a construção de um modelo sustentável para o futuro da formação e da educação em Timor-Leste”, acrescentou Dulce de Jesus. Em expansão O embaixador do Brasil em Timor-Leste, Ricardo José Leal, afirmou que o Governo brasileiro está comprometido em continuar a colaborar com Timor-Leste, especialmente na promoção e difusão da língua portuguesa. “A formação de professores tem como objectivo capacitar os docentes e expandir o uso da língua portuguesa, sobretudo no ensino básico”, declarou o diplomata brasileiro. O projecto conta com apoio do Governo brasileiro através da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e da Universidade de Campinas (UNICAMP), que têm prestado apoio técnico e científico consistente para melhorar o sistema educativo em Timor-Leste.
GP | Data e duas competições confirmadas Sérgio Fonseca - 12 Dez 2025 A reunião final do Conselho Mundial do Desporto Motorizado da FIA de 2025 realizou-se na passada quarta-feira, durante a Semana das Assembleias Gerais da FIA, em Tashkent, no Uzbequistão. A sessão contou com a presença de delegados das várias Autoridades Desportivas Nacionais (ASNs), de onde saíram decisões importantes, algumas das quais dizem respeito a Macau A data do 73.º Grande Prémio de Macau foi oficialmente revelada, ficando confirmado que o maior evento desportivo de carácter anual da RAEM terá lugar de 19 a 22 de Novembro do próximo ano. A federação internacional aproveitou igualmente para anunciar que a data e a localização da nona edição da Taça do Mundo de GT da FIA, que desde a sua criação se disputa no Circuito da Guia, integrada no programa do Grande Prémio, foram aprovadas pela Comissão de GT. A mesma entidade não revelou as linhas mestras da corrida próximo ano, que na edição deste ano contou apenas com dezasseis concorrentes, mas é a primeira vez que a confirma tão cedo. Por seu turno, a Comissão de Carros de Turismo confirmou o calendário da próxima temporada do Kumho TCR World Tour, que voltará a encerrar no Circuito da Guia, à semelhança dos anos anteriores. Destaca-se a forte presença da China no calendário: às provas de Macau e Zhuzhou junta-se uma estreia absoluta, o novo Circuito Internacional de Chengdu Tianfu. Com oito eventos – um no México e três na Europa, entre os quais a visita ao Circuito Internacional de Vila Real -, a Ásia ganha novo peso com um total de quatro jornadas. Quatro dos eventos de 2026 do Kumho TCR World Tour manterão o formato tradicional de duas corridas, incluindo Macau, enquanto os restantes quatro – México, Espanha (Valência), Coreia do Sul (Inje) e China (Chengdu) – adoptarão o formato de três corridas por fim-de-semana, introduzido no ano passado, atingindo um total de vinte corridas na temporada. O Conselho Mundial do Desporto Motorizado da FIA não se pronunciou publicamente sobre a continuidade, ou não, das Taças do Mundo de Fórmula Regional (FR) e Fórmula 4 no programa do Grande Prémio de Macau, ainda que o projecto desta última, que envolve igualmente o promotor chinês Mintime e a Fédération Française du Sport Automobile (FFSA), tenha sido concebido para três anos. Aposta também no karting O Conselho Mundial aprovou igualmente os regulamentos que sustentam a expansão do Karting sob a tutela da FIA, numa altura em que se inicia a próxima fase de implementação do “Global Karting Plan”, que, no próximo ano, integrará novos campeonatos “Arrive & Drive”, incluídos num dos calendários mais extensos de sempre. Na sequência do auspicioso arranque da Taça do Mundo de Karting “Arrive & Drive” da FIA, realizada na Malásia no mês transacto, o formato inovador será alargado com novos campeonatos continentais, aproximando estes eventos acessíveis e económicos das comunidades em todo o mundo. O calendário de 2026, já aprovado, contará com um Campeonato da Europa e um Campeonato da Ásia-Pacífico, cada um composto por três rondas, cujos vencedores assegurarão um lugar na grelha da Taça do Mundo de Karting “Arrive & Drive” da FIA de 2026, a disputar no termo da temporada. O Kartódromo de Coloane, ainda hoje um dos mais modernos do Sudeste Asiático, integrará esta primeira edição do Campeonato da Ásia-Pacífico “Arrive & Drive”, acolhendo a prova inaugural no fim-de-semana de 20 e 21 de Junho. O calendário desta competição de baixo custo inclui ainda duas outras etapas: uma em Zhuzhou, na Província de Hunan, e outra em Madras, na Índia.
Um passeio por Macau Paul Chan Wai Chi - 12 Dez 2025 Todos os anos, a seguir à apresentação das Linhas de Acção Governativa, o Governo da RAE realiza debates na Assembleia Legislativa sobre as várias áreas de governação, onde os responsáveis respondem às perguntas dos deputados. Mas para compreender verdadeiramente a actual situação de Macau, a experiência e o conhecimento em primeira mão são, sem dúvida, essenciais. Diz-se que vai encerrar uma antiga loja de electrodomésticos situada na Rua das Estalagens porque o dono se vai reformar. Todas as sucursais desta loja fecharam ao mesmo tempo. Estão a oferecer descontos de 50 por cento, o que atrai imensos clientes. Perante uma forte concorrência de sites e aplicações de vendas online, até os supermercados estão a começar a aderir a este sistema. A redução de pessoal é uma forma de manter o negócio, mas que competências tem um trabalhador de supermercado desempregado que lhe permitam conseguir um emprego noutras áreas do sector comercial? Comprar alimentos presencialmente é sem dúvida a melhor opção, mas o ambiente do mercado municipal de Taipa no domingo é muito diferente do da Rua do Cunha, que está apinhada de gente. Alguns donos de bancas do mercado municipal até optaram por fechar temporariamente. Os turistas não vão certamente comprar produtos no mercado para depois irem cozinhar. E os habitantes de Macau, foram para onde? Um residente de Taipa disse-me que desde que as autoridades de Macau concederam acesso de veículos motorizados de Macau à Ilha de Hengqin, as pessoas deixaram de ir ao mercado local e passaram a fazer compras em Hengqin, depois reabastecem os carros e jantam por lá, simplesmente porque é tudo mais barato. Perante a forte competitividade da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, ir às compras e jantar em Zhuhai ou Hengqin tornou-se uma tendência irreversível. Para além da redução de impostos ou da diminuição das taxas no arrendamento das propriedades, que medidas efectivas tomou o Governo da RAE para reduzir outros custos operacionais, quebrar monopólios e abrir o mercado? A atmosfera movimentada das zonas turísticas de Macau durante o dia faz com que as noites tranquilas na Zona A dos Novos Aterros Urbanos pareçam algo solitárias. Os projectos de habitação pública estão a ser concluídos uns após os outros, mas as várias infra-estruturas em redor do complexo habitacional ainda estão em construção. Para sobreviver, a humanidade necessita de um tecto, mas também de qualidade de vida. As recentes medidas de melhoria tomadas pela Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana podem ser consideradas uma resposta às necessidades dos residentes, mas “colmatar” as lacunas e melhorar as condições do tráfego em Macau é da responsabilidade das autoridades competentes. Com o encerramento dos casinos-satélite, a situação dos negócios circundantes e a reinserção dos funcionários afectados voltou a ser um tópico de debate na Assembleia Legislativa. Devido à mudança do tipo de turistas nos últimos anos, hoje em dia temos maioritariamente os que tiram selfies e fotografias das atracções turísticas. O aumento do número de turistas não é proporcional ao aumento das receitas fiscais. A pergunta é a seguinte, para além dos pontos de referência, da comida e dos casinos, que mais há em Macau que possa levar os turistas a gastar o seu dinheiro? A relva do Taipa Jockey Club cresceu, o desenvolvimento do parque temático “Parque Oceanis” ainda está na fase de planeamento, e os projectos de construção no terreno do canídromo da Companhia de Corridas de Galgos de Macau (Yat Yuen) deverão começar em breve. Mas com muitos terrenos sem utilização, como é que Macau vai poder gerir o seu desenvolvimento global, e para além disso, integrar-se de forma activa no quadro do desenvolvimento nacional? Depois dos debates sobre as várias áreas de governação na Assembleia Legislativa estarem concluídos, seria uma boa altura para os principais responsáveis governamentais darem um passeio pelas várias zonas de Macau sem combinações prévias e sem séquito.
Salários | Patrões queriam aumento no “mínimo possível” Andreia Sofia Silva - 12 Dez 2025 O patronato defendeu a manutenção do actual valor do salário mínimo, de 34 patacas por hora, e no caso de ter de haver uma actualização, que esta ocorresse no mínimo valor possível. Já os trabalhadores, pediam um aumento de três patacas, para 37 patacas por hora. Estas informações constam no parecer da Assembleia Legislativa (AL) relativo à revisão da lei do salário mínimo, que será votada na especialidade na quinta-feira da próxima semana, juntamente com o Orçamento para 2026. Em Novembro, os deputados aprovaram na generalidade, com três abstenções, a actualização do salário mínimo em apenas uma pataca, de 34 para 35 patacas à hora. Trata-se de um aumento de 2,9 por cento, o que, por mês, perfaz 7.280 patacas. As informações fornecidas pelo Governo aos deputados, sobre as posições demonstradas em sede de concertação social, mostram que os representantes dos trabalhadores defenderam que “o valor sugerido [pelo Executivo] era demasiado baixo e não conseguia garantir o rendimento dos trabalhadores com baixos salários”. Por isso, “o mesmo deveria ser aumentado três patacas, passando o salário mínimo, por hora, a ser de 37 patacas”. Pelo contrário, “a opinião dos representantes da parte patronal era de que, nesta fase, não era adequado aumentar o nível do salário mínimo, e se o Governo acabasse por considerar necessária a actualização, os mesmos esperavam que o aumento fosse mínimo”. Ainda do lado dos trabalhadores, apontou-se que “a actualização do salário mínimo não consegue acompanhar a evolução real do custo de vida, pelo que os procedimentos da revisão devem ser aperfeiçoados, com a implementação de uma verdadeira ‘revisão bienal’ e o estabelecimento de um mecanismo de actualização baseado em fórmulas”. Defendeu-se também “que o aumento do salário mínimo tem um efeito de reacção em cadeia, podendo contribuir para impulsionar a actualização da remuneração dos trabalhadores que não auferem salários baixos”. O medo das PME Ainda face ao que foi dito na concertação social, os patrões “consideraram que, devido à recuperação desequilibrada da economia, as Pequenas e Médias Empresas enfrentam pressões significativas ao nível de custos”, pelo que, com o aumento do salário “as empresas podiam precisar de transferir custos, levando ao aumento dos preços”. “Não se excluía a possibilidade de as mesmas diminuírem o número de trabalhadores não permanentes para reduzir as despesas, resultando na redução de oportunidades de emprego e no aumento da carga de trabalho dos trabalhadores a tempo inteiro”, foi defendido pelo patronato. Da parte dos deputados da primeira comissão permanente, responsável pela análise do diploma na especialidade, pediu-se que o Governo “tome como referência a prática das regiões vizinhas para aperfeiçoar o mecanismo de revisão” do salário mínimo, definindo-se “critérios quantitativos e fórmulas de cálculo mais científicas para a actualização do valor”. O Governo explicou aos deputados que “passaram apenas cinco anos desde a implementação da lei” do salário mínimo, pelo que é “preciso tempo para observar as alterações trazidas pela sua implementação”. “No futuro vai ser ponderado o aperfeiçoamento do mecanismo de revisão do valor do salário mínimo de acordo com a situação real” de Macau. Na prática, 18.200 trabalhadores serão abrangidos por este aumento salarial, o que, excluindo os trabalhadores domésticos, representa 4,4 por cento do total da força laboral de Macau. Desta fatia, 2.200 são trabalhadores locais e 16.000 não residentes, ligados a actividades imobiliárias, hotelaria. “Os principais grupos de beneficiários são os trabalhadores que exercem funções de segurança e limpeza”, descreve o parecer.
FMI | Revisto em alta crescimento da China para 5% em 2025 Hoje Macau - 11 Dez 2025 O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu ontem em alta a previsão de crescimento da economia chinesa para 2025, de 4,8 por cento para 5 por cento, citando os estímulos económicos lançados por Pequim e a trégua comercial com os Estados Unidos. A actualização consta da avaliação anual da economia chinesa, divulgada ontem, que eleva também a projecção de crescimento para 2026, de 4,2 por cento para 4,5 por cento. A missão do FMI, liderada por Sonali Jain-Chandra, destacou a “notável resiliência” da economia chinesa, apesar de “múltiplas perturbações nos últimos anos”. Ainda assim, alertou para desequilíbrios persistentes, como o prolongado ajustamento do sector imobiliário, o impacto nas finanças locais e a fraca confiança dos consumidores, que resultaram em baixa procura interna e pressões deflaccionistas. Para 2025, o FMI prevê uma inflação média de 0 por cento, com uma recuperação moderada para 0,8 por cento no próximo ano. A missão alertou ainda para os riscos de médio prazo, como o envelhecimento da população, o abrandamento da produtividade e os elevados níveis de dívida. Apesar da competitividade externa beneficiada pela desvalorização real do yuan, o FMI considera que as exportações já não podem sustentar sozinhas o crescimento. O FMI recomenda uma transição mais célere para um modelo de crescimento baseado no consumo, através da redução da elevada taxa de poupança das famílias, maior flexibilidade cambial, reforço dos sistemas de protecção social e resposta à crise imobiliária. Reformas no mercado de trabalho para reduzir o desemprego jovem e reestruturação da dívida dos governos locais através de mecanismos de insolvência são outras das propostas avançadas.
UE | Nova meta para reduzir 90% de poluentes até 2040 Hoje Macau - 11 Dez 2025 Os eurodeputados e países da União Europeia (UE) chegaram ontem a um acordo sobre uma meta para reduzir 90 por cento das emissões poluentes até 2040, com vista à neutralidade carbónica em 2050, prevendo-se, porém, novas formas de flexibilidade. “Os colegisladores acordaram numa meta de redução de 90 por cento das emissões de gases com efeito de estufa até 2040, face aos níveis de 1990, com o objectivo de alcançar a neutralidade climática da UE até 2050”, é anunciado em comunicado divulgado em Bruxelas. Depois de várias horas de negociações, o Parlamento Europeu e o Conselho chegaram assim, esta madrugada, a um acordo político provisório (que terá de ser confirmado por ambos) sobre uma emenda à Lei do Clima da UE, estabelecendo uma nova meta intermédia e vinculativa para 2040, a de reduzir as emissões líquidas de gases com efeito de estufa em 90 por cento em comparação com os níveis de 1990. Ainda assim, eurodeputados e países concordaram em introduzir novas formas de flexibilidade para cumprir a meta de 2040, “acreditando que a transição verde e a competitividade europeia devem avançar lado a lado”, segundo refere a nota. Em análise Em concreto, a partir de 2036, até cinco pontos percentuais da redução de emissões (mais dois do que a proposta inicial da Comissão) poderão advir de créditos internacionais de carbono de elevada qualidade, compatíveis com o Acordo de Paris. No caso de Portugal, por exemplo, isto significa que projectos sustentáveis em países como os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) possam contar para a meta portuguesa. “Graças à insistência do Parlamento, foram integradas salvaguardas adicionais, incluindo a proibição de financiar projectos em países parceiros que contrariem os interesses estratégicos da União”, assinala a assembleia europeia. Cabe à Comissão Europeia analisar diferentes opções para o papel dos créditos internacionais na futura legislação climática da UE para alcançar a meta de 2040. Além disso, o executivo comunitário avaliará os progressos a cada dois anos, considerando os dados científicos mais recentes, os avanços tecnológicos e a competitividade internacional da UE. “A revisão analisará a situação das remoções líquidas a nível europeu, comparando-a com o necessário para cumprir a meta de 2040, bem como eventuais dificuldades de implementação e o potencial para reforçar a competitividade industrial da UE. Serão também consideradas as tendências nos preços da energia e respectivos impactos em empresas e famílias”, de acordo com o Parlamento Europeu. Tal permitirá a Bruxelas modificar a meta de 2040 ou adoptar medidas adicionais para reforçar o quadro de apoio, por exemplo para proteger a competitividade, a prosperidade e a estabilidade social da UE. O Parlamento votará agora o acordo informal e o Conselho terá igualmente de o aprovar, com o texto a entrar em vigor 20 dias após a sua publicação no Jornal Oficial da União Europeia. A Lei Europeia do Clima torna juridicamente vinculativo o esforço de cada país para reduzir as suas emissões poluentes.
Lições de 2025 para a década Jorge Rodrigues Simão - 11 Dez 2025 “In a year of converging crises and recalibrated ambitions, 2025 taught the world that resilience is not merely endurance, but the capacity to adapt, reimagine, and act with foresight across economic, political, environmental, and technological frontiers.” Margaret Atwood O ano de 2025 ficará inscrito na história contemporânea como um período de intensas transformações, marcado por acontecimentos que atravessaram múltiplas dimensões da vida internacional e que exigiram dos Estados, das instituições e das sociedades uma capacidade de adaptação sem precedentes. No plano económico, verificou-se uma desaceleração global que reflectiu os efeitos acumulados de políticas monetárias restritivas, tensões comerciais e instabilidade geopolítica. O crescimento mundial situou-se em torno de valores modestos, insuficientes para responder às necessidades de inclusão social e de redução das desigualdades. A transição do ciclo de subida de taxas de juro para cortes graduais trouxe algum alívio às condições financeiras, mas revelou também fragilidades estruturais, com mercados emergentes a enfrentar restrições fiscais e cambiais que limitaram a sua margem de manobra. A América Latina registou uma expansão insuficiente para gerar emprego sustentável, enquanto a África continuou a lutar pela diversificação das suas economias, excessivamente dependentes de commodities. A Ásia manteve dinamismo industrial e tecnológico, mas a China enfrentou o desafio de estimular o consumo interno e corrigir desequilíbrios estruturais que se tornaram mais evidentes. No plano político, o regresso de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos em Janeiro constituiu um dos acontecimentos mais marcantes do ano. A sua agenda voltou a ser dominada pelo lema “America First”, com medidas proteccionistas, expulsões em massa de imigrantes irregulares e o desmantelamento de sectores do governo federal. Estas acções geraram contestação judicial e acentuaram a polarização política interna, com a utilização da Guarda Nacional em cidades governadas por democratas e ataques aos meios de comunicação a reforçarem a percepção de erosão institucional. No plano internacional, Trump intensificou a actividade diplomática, com resultados variáveis, mas conseguiu protagonizar um papel central na trégua precária alcançada em Gaza, após dois anos de guerra entre Israel e o Hamas. Este cessar-fogo permitiu a libertação de reféns e prisioneiros, bem como o aumento da ajuda humanitária, embora insuficiente segundo a ONU, e deixou em aberto a questão delicada do desarmamento do Hamas. A instabilidade no Médio Oriente foi agravada por ataques israelitas a instalações nucleares iranianas, que desencadearam uma guerra de doze dias entre os dois países, com bombardeamentos americanos no Irão. Em Setembro, Israel realizou operações inéditas contra altos dirigentes do Hamas em Doha, no Catar, ampliando a tensão regional. Paralelamente, os Estados Unidos intensificaram acções militares nas Caraíbas e no Pacífico, justificadas como combate ao narcotráfico, mas criticadas pela ONU como execuções extrajudiciais. Estas operações, que resultaram em dezenas de mortos, evidenciaram a disposição americana em projectar poder militar para além do Médio Oriente, reforçando a percepção de unilateralismo e contestação internacional. No plano geopolítico, a invasão da Ucrânia pela Rússia continuou a ter repercussões, com sanções e tensões energéticas a afectar a Europa. O conflito prolongado manteve a instabilidade na região e reforçou a necessidade de diversificação energética, acelerando a transição para fontes renováveis. No Sudão e em outras regiões africanas, guerras internas agravaram crises humanitárias, com milhões de deslocados e sistemas estatais em colapso. A cooperação internacional revelou fragilidades, com dificuldades em revitalizar mecanismos multilaterais e em garantir previsibilidade nos fluxos comerciais. No plano ambiental, os impactos das mudanças climáticas tornaram-se cada vez mais evidentes. Ondas de calor devastaram a Ásia, inundações atingiram o Brasil, a Indonésia e partes da Europa, incêndios florestais devastaram o Canadá e furacões como o Helene e Milton provocaram destruição nos Estados Unidos. Estes fenómenos expuseram a urgência da transição energética e da redução da dependência de combustíveis fósseis. A descarbonização da economia foi reconhecida não apenas como exigência ambiental, mas como oportunidade económica, com investimentos em energias limpas, mobilidade sustentável e eficiência energética a gerar empregos e a posicionar países como líderes na nova economia verde. O Fórum Económico Mundial identificou como principais riscos para 2025 os conflitos armados, os eventos climáticos extremos e os confrontos geoeconómicos. A conjugação destes factores revelou a necessidade de acção coordenada e estratégica. A regulação das tecnologias emergentes tornou-se tema central, com debates sobre protecção de dados, inovação responsável e riscos sistémicos. A ausência de normas globais claras aumentou as assimetrias e a insegurança digital, sobretudo em áreas como criptomoedas, inteligência artificial e plataformas digitais. As comparações regionais revelam disparidades significativas. Nos Estados Unidos, o crescimento rondou os 2,1%, reflectindo cortes graduais nas taxas de juro e políticas proteccionistas. A inflação desceu para valores próximos de 3%, mas o consumo interno manteve-se frágil. Na União Europeia, o crescimento médio foi de 1,3%, com a Alemanha a investir cerca de 40 mil milhões de euros em programas de transição energética e a França a reforçar a aposta na energia nuclear. Portugal registou um crescimento de 2,1%, sustentado pelo turismo, que recuperou para níveis recorde, com mais de 30 milhões de visitantes e receitas superiores a 62 mil milhões de euros, representando cerca de 21,5% do PIB, embora tenha enfrentado inflação persistente nos bens alimentares. Na América Latina, o Brasil cresceu 2,4%, mas enfrentou inundações severas que afectaram mais de 3 milhões de pessoas e provocaram perdas económicas estimadas em 15 mil milhões de dólares, apesar de a inflação se ter mantido em torno de 5%. A Argentina registou um crescimento de 5,5%, com inflação próxima de 30%, muito abaixo dos níveis superiores a 100% dos anos anteriores, reflectindo políticas de estabilização fiscal e monetária. Em África, o crescimento médio foi de 3,5%, mas desigual, com a Nigéria e Angola vulneráveis à volatilidade dos preços do petróleo e países do Sahel a viverem crises humanitárias agravadas por desertificação e conflitos armados. Na Ásia, a China cresceu cerca de 5%, abaixo das metas oficiais, reflectindo a necessidade de estimular o consumo interno. A Índia registou um crescimento robusto entre 7,5% e 8%, impulsionado por investimentos em digitalização, energias renováveis e reformas fiscais, mantendo-se como a economia de maior expansão global. Assim, o panorama económico de 2025 confirma fortes disparidades regionais. As economias dos Estados Unidos e União Europeia cresceram modestamente, enquanto a Índia e a China lideraram a expansão global. A Argentina destacou-se pela estabilização após anos de hiperinflação, e o Brasil enfrentou choques climáticos severos. A África manteve o crescimento médio positivo, mas marcado por desigualdades estruturais e crises humanitárias. Os impactos sociais foram profundos. Nos Estados Unidos, as políticas de expulsão de imigrantes afectaram centenas de milhares de famílias. Na Europa, o aumento do custo da energia provocou manifestações em países como França e Itália. No Brasil, as inundações destruíram comunidades inteiras, obrigando à realocação de mais de 500 mil pessoas. Em África, a escassez de água intensificou migrações internas. A crise de consumo interno em Macau reflectiu a diminuição do poder de compra dos turistas chineses e a retracção da procura local, afectando directamente sectores como a restauração e o comércio. As políticas ambientais ganharam destaque. A União Europeia reforçou o Pacto Ecológico Europeu, investindo mais de 100 mil milhões de euros em energias renováveis e mobilidade sustentável. O Canadá lançou programas de reflorestação que abrangeram 1 milhão de hectares. O Brasil procurou implementar políticas de gestão de inundações com investimentos de 10 mil milhões de dólares. A China investiu em tecnologias de armazenamento de energia, com projectos avaliados em 50 mil milhões de dólares. A Índia ampliou programas solares em zonas rurais, garantindo electricidade a milhões de pessoas. No campo tecnológico, a inteligência artificial e a digitalização transformaram economias e sociedades. Entre 2026 e 2030, mais de 50% das tarefas administrativas poderão ser automatizadas, criando novos desafios de emprego e exigindo políticas de requalificação. A utilização de criptomoedas e de tecnologias financeiras digitais poderá atingir mais de 500 milhões de utilizadores activos. A regulação global da inteligência artificial e das plataformas digitais será fundamental para evitar abusos de mercado e riscos sistémicos. Países como o Japão e a Coreia do Sul avançarão com legislações rigorosas, enquanto a Europa procurará liderar a criação de normas globais. No sector da educação, a digitalização e a inclusão serão prioridades. Até 2030, mais de 70% das escolas em países desenvolvidos poderão utilizar plataformas digitais para ensino híbrido. A inteligência artificial será utilizada para personalizar aprendizagem, adaptando conteúdos às necessidades individuais dos estudantes. Contudo, desigualdades persistirão em África e em partes da América Latina. A educação técnica e a formação contínua serão essenciais para preparar trabalhadores para novas exigências do mercado. (Continua)
Timor-Leste | Cancelados acordos com Banco Asiático de Desenvolvimento Hoje Macau - 11 Dez 2025 O Governo timorense decidiu ontem cancelar três acordos de financiamento com o Banco Asiático de Desenvolvimento, incluindo o referente ao projecto de expansão do aeroporto Nicolau Lobato, assinado em 2021. O executivo timorense justificou a decisão “na sequência de uma análise aprofundada aos diversos projectos financiados por empréstimos, que voltou a evidenciar a existência de iniciativas ainda por iniciar ou com níveis de execução muito reduzidos”, pode ler-se no comunicado do Conselho de Ministros. Além do acordo de financiamento para expansão do aeroporto, no valor de 85 milhões de dólares o Governo decidiu cancelar também os financiamentos para os projectos “Power Distribuition Modernization”, assinado em Dezembro de 2021, no valor de 35 milhões de dólares, e para “Dili West Water Supply”, assinado em 2022, no valor de 50 milhões de dólares. Neste contexto, determinados acordos de financiamento actualmente em vigor deixam de ser necessários”, salientou o Governo timorense. Na reunião, o Governo aprovou também a assinatura de um acordo de empréstimo, com componente de subvenção, com o Banco Asiático de Desenvolvimento para financiar o projecto de “Melhoria de Estradas Nacionais”, fase 1. “Este projecto tem como objectivo modernizar cerca de 42 quilómetros de estradas importantes na rede rodoviária nacional, introduzindo infraestruturas de adaptação climática de pequena escala em seis sucos [conjuntos de aldeias] propensos a inundações e secas”, explicou o Governo. O projecto inclui também a reabilitação de três pontes localizadas entre Baucau e Lautém, no leste do país.
Seul | Protesto após incursão de aviões militares de Pequim e Moscovo Hoje Macau - 11 Dez 2025 Seul anunciou ontem ter apresentado um “forte protesto diplomático” às autoridades russas e chinesas, após a passagem de aviões militares de Pequim e Moscovo pela zona de identificação de defesa aérea sul-coreana. O protesto foi apresentado aos adidos da defesa de ambos os países na capital sul-coreana, de acordo com o Ministério da Defesa. “As nossas forças armadas continuarão a responder activamente às actividades de aeronaves de países vizinhos dentro [da zona de identificação de defesa aérea da Coreia do Sul], em conformidade com o direito internacional”, sublinhou o responsável pelos assuntos internacionais daquele ministério, Lee Kwang-suk. A Coreia do Sul disse na terça-feira que enviou caças em resposta à entrada de sete aeronaves militares russas e duas chinesas na zona de defesa aérea do país. Esta zona é uma área maior do que espaço aéreo e que um país controla por razões de segurança, embora este conceito não esteja definido por nenhum tratado internacional. Nenhuma das aeronaves militares russas e chinesas violou o espaço aéreo sul-coreano, de acordo com o Estado-Maior Conjunto em Seul. Pequim e Moscovo evocaram exercícios militares conjuntos que, de acordo com o Ministério da Defesa russo, envolveram “bombardeiros estratégicos”.
Camboja/Tailândia | Mais de meio milhão de pessoas deslocadas Hoje Macau - 11 Dez 2025 Os conflitos fronteiriços entre os dois países do Sudeste Asiático ameaçam a segurança dos habitantes da zona fronteiriça. Milhares de pessoas de ambos os lados foram retiradas de casa e levadas para abrigos Mais de meio milhão de pessoas foram retiradas das regiões fronteiriças entre a Tailândia e o Camboja desde o recomeço dos confrontos, no domingo, entre os vizinhos do Sudeste Asiático, anunciaram ontem as autoridades dos dois países. “Mais de 400 mil pessoas foram deslocadas para abrigos”, declarou em conferência de imprensa o porta-voz do Ministério da Defesa da Tailândia, Surasant Kongsiri, após um primeiro balanço do Governo que referia 180 mil deslocados tailandeses. “Os civis tiveram de ser retirados em massa, devido ao que avaliámos como uma ameaça iminente à sua segurança”, acrescentou o responsável. Do lado cambojano, “20.105 famílias, num total de 101.229 pessoas, foram retiradas para abrigos e casas de familiares em cinco províncias”, de acordo com o porta-voz do Ministério da Defesa do Camboja, Maly Socheata. Os dois países acusam-se mutuamente de terem desencadeado o recomeço das hostilidades, que causaram até agora pelo menos 11 mortos: sete civis cambojanos e quatro soldados tailandeses, de acordo com os últimos balanços das autoridades. Disputas antigas O Camboja e a Tailândia, que há muito disputam partes do território ao longo da fronteira, já se tinham enfrentado em Julho. Cinco dias de combates, em terra e ar, causaram 43 mortos e obrigaram à retirada de cerca de 300 mil pessoas. O conflito baseia-se em disputas antigas sobre o traçado de certas partes da fronteira de mais de 800 quilómetros de extensão, que remonta à colonização francesa. As duas partes assinaram em 26 de Outubro um acordo de cessar-fogo, sob a égide do Presidente norte-americano, Donald Trump, mas o acordo foi entretanto suspenso. O chefe de Estado disse esta terça-feira que pensa “fazer uma chamada” e “acabar com a guerra”. Num discurso, durante um comício com apoiantes na Pensilvânia (nordeste), esta terça-feira, Trump enumerou vários conflitos nos quais se envolveu, incluindo este entre Banguecoque e Phnom Penh e depois anunciou: “Amanhã [hoje], tenho de fazer uma chamada e acho que eles vão resolver a situação”. “Quem mais poderia dizer: ‘vou fazer uma chamada e acabar com uma guerra entre dois países muito poderosos?'”, questionou.
Taiwan | Pequim condena proibição da rede social Red Note e fala em acto “arbitrário” Hoje Macau - 11 Dez 2025 A proibição temporária da rede social Xiaohongshu (red note) em Taiwan constitui um ato “antidemocrático” e “arbitrário”, que “obstrui a liberdade” e “despreza a democracia”, acusou ontem um porta-voz do Governo chinês. Em conferência de imprensa, Chen Binhua, do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, afirmou que a decisão revela o “medo” e a “insegurança” das autoridades do Partido Democrático Progressista (PDP), actualmente no poder em Taiwan. “Através do Xiaohongshu, os jovens taiwaneses tomam contacto com a realidade da China continental e interagem de forma cordial com os utilizadores do continente, o que tem feito ruir a ‘câmara de isolamento informativo’, criada deliberadamente pelo PDP, e as suas calúnias contra o continente”, afirmou o porta-voz. Chen sublinhou que, segundo dados divulgados por órgãos de comunicação taiwaneses, o Facebook esteve envolvido em quase 60 mil casos de fraude na ilha no ano passado – “muito acima” dos incidentes atribuídos ao Xiaohongshu. “Portanto, o que as autoridades do PDP chamam de ‘antifraude’ é, na verdade, ‘antidemocracia’. Este comportamento arbitrário obstrui a liberdade e priva brutalmente os taiwaneses, sobretudo os jovens, do direito à informação e de usar livremente as redes sociais”, disse. “O que semeia injustiça colherá a sua ruína: as acções desenfreadas do PDP acabarão por fazê-los provar o seu próprio fruto amargo. As suas medidas retrógradas não conseguirão travar a tendência dos jovens taiwaneses para conhecer o continente e interagir com os compatriotas do outro lado do estreito”, acrescentou. As declarações surgem depois de o Ministério do Interior de Taiwan ter anunciado na semana passada o bloqueio durante um ano da plataforma Xiaohongshu – conhecida como o “Instagram chinês” – por motivos de cibersegurança e alegadas ligações a esquemas de fraude. A aplicação conta com mais de três milhões de utilizadores em Taiwan.
Medicina | Decretado fim de dispositivos com mercúrio a partir de 2026 Hoje Macau - 11 Dez 2025 A China vai deixar de produzir termómetros e aparelhos de medição da pressão arterial com mercúrio a partir de 01 de Janeiro de 2026, por razões de segurança, dando assim seguimento a uma medida anunciada em 2020. A elevada toxicidade do mercúrio e a fragilidade dos dispositivos que utilizam este elemento – o único metal líquido à temperatura ambiente – estiveram na origem da decisão, segundo destacou a Administração Nacional de Produtos Médicos. Em doses elevadas, o mercúrio e os seus compostos podem ser fatais ou provocar danos neurológicos. A nível ambiental, é particularmente nocivo para os ecossistemas aquáticos, com maior capacidade de contaminação da água, do solo e do ar. Maior produtor mundial de mercúrio, com cerca de mil toneladas métricas em 2024, a China fabrica anualmente perto de 120 milhões de termómetros tradicionais à base deste metal, embora a produção esteja em declínio face à crescente adopção de medidores digitais ou por infravermelhos. O país asiático é signatário da Convenção de Minamata sobre o Mercúrio, adoptada no Japão em 2013, que tem como objectivo eliminar o uso deste elemento na indústria médica até 2030. Outros países e regiões já avançaram com proibições semelhantes nas últimas décadas, incluindo a União Europeia, que baniu a utilização de termómetros e dispositivos médicos com mercúrio em 2009.
JPMorgan | Previstas subidas de quase 20% nas bolsas da China e Hong Kong em 2026 Hoje Macau - 11 Dez 2025 As previsões da instituição norte-americana reforçam o optimismo dos investidores para o ano que se avizinha As acções da China e de Hong Kong poderão registar ganhos próximos de 20 por cento em 2026, impulsionadas por um crescimento global resiliente, recuperação dos lucros e menor concorrência, prevê o banco de investimento JPMorgan. A instituição financeira norte-americana estima que o índice MSCI China suba cerca de 18 por cento até ao final do próximo ano, enquanto o CSI 300, que agrega as maiores empresas cotadas nas praças financeiras da China continental (Xangai e Shenzhen), deverá valorizar 12 por cento. O MSCI Hong Kong poderá avançar até 18 por cento apoiado por uma recuperação gradual nos fluxos de capital e no sentimento em relação ao sector imobiliário. “Os lucros estão a dar-nos confiança”, afirmou Wendy Liu, estratega para acções chinesas do JPMorgan, durante uma conferência com jornalistas. Liu sublinhou que os mercados chineses atravessam uma fase de recuperação de lucros, após uma queda entre 2021 e meados de 2024, que afastou investidores e empurrou as avaliações para mínimos de vários anos. A estratega apontou como factor determinante o abrandamento da guerra de preços no comércio electrónico e na logística, que este ano disfarçou a melhoria dos lucros subjacentes e penalizou o desempenho do MSCI China. Liu destacou também o impacto da campanha de Pequim contra a “involução” – termo utilizado para descrever a concorrência excessiva e o aumento da capacidade produtiva –, que deverá favorecer a expansão das margens, sobretudo nas energias renováveis e sector transformador avançado. “É uma mudança estrutural, que pode marcar a próxima década, levando à consolidação e a retornos mais fortes sobre o capital”, afirmou. A crescer O JPMorgan mantém ainda uma posição optimista em relação a equipamento ligado à inteligência artificial e sistemas de armazenamento de energia, beneficiando do aumento dos investimentos em centros de dados. A procura por baterias e componentes solares para alimentar essas infraestruturas poderá crescer mais depressa do que o investimento em tecnologia no geral, segundo Liu. O consumo interno continua a ser o tema “mais debatido”, com as famílias a manterem uma postura cautelosa, apesar do aumento da poupança e da redução da dívida, apontou a analista. A possibilidade de nova escalada nas tensões sino-americanas ou de um reacender da guerra de preços entre plataformas logísticas são riscos a ter em conta, advertiu. Mas Liu descreveu o panorama como “optimista”, com os investidores a revelarem maior disciplina do que em anteriores ciclos de valorização. “Estamos a meio de uma fase de expansão do crescimento, e os lucros estão com bom aspecto”, resumiu. No caso de Hong Kong, Liu disse que o desempenho do mercado continua fortemente correlacionado com os fluxos de capital, influenciando os activos financeiros, o imobiliário residencial e o consumo discricionário.
Gonçalo Lobo Pinheiro apresenta último volume do livro “O que foi, não volta a ser…” Hoje Macau - 11 Dez 2025 O fotojornalista português Gonçalo Lobo Pinheiro apresenta, no próximo dia 16 de Dezembro, a partir das 18h30, o segundo e último volume do projecto “O que foi, não volta a ser…”. O evento decorre na galeria da Fundação Rui Cunha (FRC). O lançamento do livro será acompanhado por uma exposição com 20 imagens, que fica patente até ao dia 10 de Janeiro do próximo ano. Segundo um comunicado divulgado pelo próprio fotojornalista, antigo editor do HM, “o segundo volume deste livro continua a ser um encontro entre o passado e o presente”, destacando-se que “a ideia [por detrás do projecto] não é pioneira no mundo, mas acaba por ser em Macau”. “Tal como no primeiro livro, durante pouco mais de um ano fui recolhendo imagens antigas do território, a preto e branco ou sépia, com diferentes formatos. Adquiri em leilões, na Internet, a particulares, em lojas e até em Portugal. Algumas imagens também me foram emprestadas”, referiu o autor, acrescentando que nesta última edição, há uma fotografia captada no século XIX, no Cemitério Protestante. “Macau mudou muito nos últimos anos. As fotografias antigas atestam isso. E agora, o que fazer com elas? Se, por um lado, ainda é possível recriar alguns cenários, por outro lado, é impossível obter pontos de contactos noutras fotografias, porque simplesmente as coisas já não existem no território. É um trabalho difícil. Tudo mudou. Por isso, na grande maioria dos casos, o que foi não volta a ser…”, notou ainda. “Cidade de encontros” Com um prefácio escrito pelo escritor e professor português Henrique Levy, que foi residente em Macau nos anos de 1980, o livro, com design de Carlos Canhita e chancela da Ipsis Verbis, contém 40 fotografias, distribuídas em 80 páginas. “O que foi não volta a ser mostra-nos Macau como uma cidade de encontros, de fusões culturais e de convivência entre mundos que se entrelaçam. Aqui, a herança portuguesa coabita com a tradição chinesa e com múltiplas influências asiáticas”, destaca Gonçalo Lobo Pinheiro. O autor deste projecto acrescenta também que “o território, por força das suas gentes, e mais do que pela arquitectura, torna-se palco de gestos humanos, moldura de histórias diárias, testemunho silencioso das interações que definem a cidade”, sendo que espaços como “igrejas, templos ancestrais, arcos de pedra e praças revelam-se como arenas poéticas onde o humano se ilumina na sua dimensão ética e estética”. O livro custa 250 patacas, podendo ser adquirido em algumas das livrarias de Macau ou online, através do site do autor em www.goncalolobopinheiro.com. No mesmo dia, será lançada a linha de tábuas de skate com a chancela da Exit Macau, dedicada ao primeiro volume deste projecto, destacando as Ruínas de São Paulo, o Largo do Senado e o Templo de A-Má, com um exemplar de cada tábua exposta na galeria da Fundação Rui Cunha.
Concerto da japonesa Ayumi Hamasaki no Venetian Arena cancelado João Luz - 11 Dez 2025 O Venetian Macau anunciou na tarde de terça-feira que o concerto da rainha da pop japonesa Ayumi Hamasaki foi cancelado, sem apresentar explicações para a não realização do espectáculo. Apesar de não ter sido dada justificação, o cancelamento não apanhou de surpresa os fãs, que já antecipavam a tomada de posição depois de o mesmo ter acontecido em Xangai no passado dia 29 de Novembro. A Venetian, que iria acolher o concerto “ayumi hamasaki ASIA TOUR 2025 A I am ayu -ep.Ⅱ- Macao” na Arena, pediu “sinceras desculpas por qualquer inconveniente causado” e referiu que os ingressos comprados através do Cotai Ticketing seriam reembolsados automaticamente. Para quem comprou bilhetes noutras plataformas, a organização pediu aos espectadores para consultarem o “ponto de venda original para obter informações sobre o reembolso”. A publicação de Facebook da Venetian mereceu reacções de quase duas centenas de internautas, e dezenas de comentários a escarnecer a decisão e a comentar as razões e o precedente de Xangai. Numa mensagem no Instagram, a artista japonesa, que iria terminar a tournée em Macau, pediu desculpas aos fãs e afirmou estar de coração partido. “O facto de esta digressão ter de terminar sem o grande final é algo que toda a equipa lamenta profundamente”, escreveu. No final do mês passado, o concerto da artista foi cancelado abruptamente, com a organização a apontar “circunstâncias imprevistas” como justificação, acabando a japonesa a actuar perante uma arena vazia e partilhando o concerto online. Todos em linha Este caso não foi único, tornando-se viral na internet o momento em que a japonesa Maki Otsuki foi interrompida enquanto actuava também em Xangai a meio de uma música. A Reuters avançou que no mês passado, as autoridades chinesas alertaram para a possibilidade de cancelamentos de espectáculos de artistas japoneses. Recorde-se que China e Japão encontram-se num período de aceso confronto diplomático depois de declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan. Porém, no passado fim-de-semana em Hong Kong, o festival Clockenflap contou no cartaz com vários artistas japoneses. Após o anúncio do cancelamento, o HM enviou questões sobre o cancelamento ao Instituto Cultural e à Direcção dos Serviços de Turismo (DST) sobre seria potencialmente afectada a ideia de transformar Macau numa cidade internacional de espectáculos, como tem sido apontado entre os objectivos das respectivas tutelas. Foi também perguntado se seriam de esperar mais cancelamentos e se os esforços para atrair turistas japoneses para a RAEM, com as sucessivas campanhas levadas a cabo pela DST, poderiam ficar em risco. Até ao fecho desta edição não recebemos qualquer resposta.