Pequim apela a Washington para “gerir disputas de forma mais racional”

Uma delegação de senadores dos EUA está de visita à China. Trazem um baú de críticas que os chineses refutam na maior parte dos casos, argumentando que os EUA pouco fazem para que alguns consensos sejam encontrados. Wang Yi, MNE chinês, pede “racionalidade”.

Uma delegação norte-americana de senadores, liderada pelo líder da maioria no Senado, Chuck Schumer, prosseguiu a sua visita a Xangai no domingo, tendo os analistas afirmado que se tratava de “testar as águas” relativamente à posição da China em questões como o fentanil e o “tratamento justo” das empresas norte-americanas.

Mas o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, apelou ontem aos Estados Unidos para “gerirem as diferenças [com a China] de forma mais racional”, durante um encontro com senadores norte-americanos, no âmbito da reaproximação diplomática entre as duas potências. “Esperamos que esta visita ajude os Estados Unidos a compreenderem melhor a China, a ver as relações China-EUA de forma mais objectiva e a lidar de forma mais racional com as diferenças existentes”, disse Wang Yi, durante uma reunião com a delegação liderada pelo democrata Chuck Schumer.

Schumer e a competição

China e Estados Unidos renovaram o diálogo nos últimos meses com uma sucessão de visitas de altos funcionários norte-americanos a Pequim. “Devemos gerir as nossas relações de forma responsável”, disse Chuck Schumer, insistindo que os Estados Unidos “não procuram entrar em conflito” com o país asiático.

No entanto, o senador disse ser “natural que duas grandes potências compitam em áreas como o comércio, tecnologia e diplomacia, entre outras”. Schumer citou como “objectivo número um” alcançar “condições equitativas para as empresas e trabalhadores norte-americanos”.

No que diz respeito ao tratamento justo das empresas americanas, como a capacidade da Micron Technology de realizar negócios na China, Li disse que a China tratou as questões relacionadas com a Micron em conformidade com a legislação chinesa. “Ao falar sobre os problemas com a Micron, Schumer não mencionou que os EUA acrescentaram 42 empresas chinesas à sua lista de controlo das exportações”, salientou Li.

A guerra do fentanil

O líder democrata no senado apontou ainda como objectivos “responsabilizar as empresas sediadas na China que fornecem produtos químicos mortais que alimentam a crise do fentanil na América” e “garantir que a China não apoia o comportamento imoral da Rússia” na invasão da Ucrânia. “Promover o [respeito pelos] Direitos Humanos é outra prioridade”, acrescentou.

Refutando as observações de Schumer sobre o fentanil, Li Yong, investigador sénior da Associação Chinesa de Comércio Internacional, afirmou que a China já tomou várias medidas relativamente à questão do fentanil e que os EUA não podem simplesmente fechar os olhos aos grandes esforços que a China tem feito.

O consumo de fentanil tornou-se uma questão social importante nos EUA, que, no entanto, não pode ser associada à China. Embora os dois governos tenham efectuado várias comunicações, os EUA consideram a questão “numa perspectiva de difamação da China”, disse Li.

A viagem à China dos senadores norte-americanos ocorre numa altura em que está prevista uma reunião entre os líderes dos dois países, Joe Biden e Xi Jinping. Biden mencionou na sexta-feira a “possibilidade” de se encontrar com Xi Jinping durante a cimeira da APEC (Cooperação Económica Ásia-Pacífico), marcada para meados de novembro, em São Francisco.

Críticas e mais críticas

Chuck Schumer também criticou ontem a posição da China, que apelou à “contenção”, após os confrontos entre o movimento islâmico palestiniano Hamas e Israel. “Para ser honesto, fiquei muito decepcionado com a declaração (…) que não demonstrou nenhuma compaixão ou apoio a Israel nestes tempos difíceis e conturbados”, disse.

A China disse no domingo que estava “profundamente preocupada” com os confrontos, que já deixaram mais de mil mortos entre israelitas e palestinianos. Na segunda-feira, Wang Yi sublinhou que o “mundo atravessa atualmente um período de turbulência e mudanças […] . A crise na Ucrânia ainda não foi resolvida e a guerra está de volta ao Médio Oriente”. Citou também o terramoto no Afeganistão, que deixou mais de 2.000 mortos, segundo as informações mais recentes. “Todos estes desafios devem ser enfrentados pela comunidade internacional e a China e os Estados Unidos devem desempenhar os seus papéis de forma apropriada”, disse Wang.

A diplomacia chinesa, que no início deste ano mediou a aproximação entre o Irão e a Arábia Saudita, afirma regularmente que quer dar o seu contributo para o processo de paz israelo-palestiniano, que está paralisado desde 2014. Até recentemente pouco envolvida na questão israelo-palestiniana, em comparação com os Estados Unidos, a China, que mantém boas relações com Israel, está agora a realçar mais a sua posição sobre o assunto.

A Face Inescrutável de Meng Haoran e Wang Wei

Ding Gao (?-1761), o autor do tratado Xiezhen mijue, «A fórmula secreta para pintar retratos» tinha bem claro que o escrevia numa demonstração de xiao, «amor filial», não apenas como forma de estimar os seus antepassados mas também para servir de exemplo de comportamento moral a quem se quisesse dedicar à arte e à técnica dos retratos pintados.

Como ele explica no texto original escrito em 1766, com o título Chuanzhen xinling, «Compreensão da transmissão da verdadeira semelhança», foi o seu bisavô Ding Yuchen quem primeiro desenvolveu o interesse da pesquisa dos segredos da arte que depois foram transmitidos ao seu avô, e depois a seu pai e que ele mesmo transmite ao seu filho. O tratado só seria publicado pela primeira vez em 1818, pelo seu filho Ding Yicheng (1743-depois de 1823) que também acrescenta um apêndice, Xuxinling, com oito questões, e mostra como uma série de diferenças se foram esbatendo durante a dinastia Qing.

Entre a maneira de pintar os retratos dos vivos, comemorativos ou de dignitários, muitas vezes executados por autores famosos por vezes designados yintu, «pintura das sombras», ou os de familiares falecidos, feitos geralmente por autores anónimos, que celebravam a alma dos antepassados, também chamados fushen «representação da alma».

Mas também se tornava mais ambígua a distinção entre pintores literatos e profissionais. A linguagem utilizada pelos autores junta aspectos da fisionomia popular que via na face um espelho da ordem cósmica mas também se apropria do vocabulário erudito da pintura de paisagens. Como ao dividir o rosto em Cinco Montanhas – a testa, o queixo, o nariz, a maçã do rosto direita e a esquerda; e Cinco rios – as orelhas, os olhos, a boca e as narinas. Mas uma outra categoria, a de retratos imaginados, que possuíam o prestígio da tradição como o Retrato de Fu Sheng sentado no chão, descontraído (rolo horizontal, tinta e cor sobre seda, 25,4 x 44,7 cm, no Museu de Belas Artes de Osaka) atribuído a Wang Wei (701-761) adquiriram grande popularidade na dinastia Qing.

Shangguan Zhou (1665-1750), na obra Wanxiaotang huazhuan onde figurou heróis de Estado e da cultura ao longo da História, não terá tido dificuldade em utilizar as feições convencionais de homens corajosos que exibem um excesso de energia ou as clássicas formas de mulheres belas (meiren) em retratos de corpo inteiro, a três quartos, numa linha clara que os torna leves e facilmente reproduziveis.

Há, porém, no seu álbum, dois retratos de poetas que são um desafio à representação do rosto. Meng Haoran (689-91-740), o poeta que despertou preocupado com as pétalas que caíram durante a tempestade, é representado sentado, de tal modo envolto nas suas vestes que do seu rosto só são visíveis os olhos, o nariz e o bigode. Wang Wei está sentado, relaxado, a cabeça voltada, dela apenas se vê a nuca.

Companhias nacionais de ópera e orquestra actuam em Novembro

Decorre entre os dias 6 e 12 de Novembro, no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM), uma temporada de espectáculos das companhias de música clássica da China, nomeadamente a Orquestra Sinfónica Nacional da China e Ópera Nacional da China. A organização dos espectáculos cabe ao Ministério da Cultura e Turismo e à Secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura do Governo de Macau.

Apresentam-se, assim, diversos concertos que visam celebrar o 24º aniversário da transferência da administração portuguesa de Macau para a China, que acontece a 20 de Dezembro. Os bilhetes para os concertos estão à venda desde sábado.

Segundo uma nota de imprensa do Instituto Cultural, esta série de espectáculos visa “potenciar o intercâmbio e a cooperação entre o Interior da China e Macau, apoiar Macau na diversificação da sua oferta como Centro Mundial de Turismo e Lazer”, além de transformar o território “numa base de intercâmbio e cooperação para promover a coexistência de diversas culturas, sendo a cultura chinesa a predominante”.

Clássicos e afins

A Orquestra Sinfónica Nacional da China está directamente subordinada ao Ministério e irá interpretar uma selecção de peças clássicas como “A Baía”, “Canção dos Sete Filhos”, “A Minha Pátria” e “Eu Amo-te, China”.

A Ópera Nacional da China é, por sua vez, considerada “a companhia nacional de arte de maior escala em termos de talentos e prestígio na região Ásia-Pacífico”. No “Concerto de Clássicos Mundiais da Ópera Seleccionados”, a ópera vai interpretar vários excertos musicais de óperas clássicas mundiais, nomeadamente “Carmen”, “Rigoletto” e “La Traviata”.

A ideia é deixar “o público imerso no maravilhoso mundo da ópera através de melodias comoventes, emoções inesquecíveis e espectáculos deslumbrantes”.

Já o concerto “Lótus Dourado – Canções Originais de Macau em Concerto” será apresentado por artistas da Ópera Nacional da China e cantores locais, designadamente Júlio Acconci, Long Chi Lam, Pang Weng Sam, Liu Naiqi, Lei Ka Fu, Ao Ieong Iat Wa, Kylamary, Cátia de Jesus Pinto, Iong Ian Ian e José Chan Rodrigues.

O preço dos bilhetes varia entre 100 e 300 patacas. Os quatro concertos terão lugar às 19h30 e são co-organizados pelo Departamento de Propaganda e Cultura do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e IC.

Fotografia | “Wing Shya +853”, uma mostra para ver na GalaxyArt

Fotografia, arte, cinema e moda conjugam-se no trabalho de Wing Shya, fotógrafo e cineasta de Hong Kong. A exposição “Wung Shya +853”, que pode ser vista até 29 de Dezembro na galeria GalaxyArt, tem Macau como o principal foco da lente do artista

 

A galeria GalaxyArt acolhe, até 29 de Dezembro, a primeira exposição individual do conhecido realizador de cinema e fotógrafo de Hong Kong Wing Shya, intitulada “Wing Shya +853 – Momentos em Macau”. Com curadoria de Sean Kunjambu, colaborador de longa data do fotógrafo, e apoiado pela revista Vogue de Hong Kong, a exposição sugere “uma viagem a Macau através da justaposição de cores vibrantes e intensas de décadas passadas com as paletas tranquilas e serenas das obras actuais de Shya”, refere a Galaxy.

Joanna Lui Hickox, directora executiva da GalaxyArt, considera que esta mostra vai de encontro “às convicções e intenções originais” da operadora de jogo em “organizar várias exposições com o compromisso de apoiar o desenvolvimento diversificado da cultura local, arte, desporto e turismo em Macau”. A responsável espera que quem visite a exposição possa ver “um lado diferente de Macau através da objectiva de Wing Shya”.

“Wing Shya +853 – Momentos em Macau” inclui três zonas diferentes que dispõem de efeitos multimédia e proporcionam “experiências imersivas” aos visitantes. Além de se apresentar uma selecção de fotografias de arquivo de Shya tiradas em Macau, a mostra tem ainda como destaques a criação de Shya e Kunjambu para a Vogue de Hong Kong, protagonizada pelo actor da série sul-coreana “Squid Game”, Lee Jung Jae, fotografado na Casa do Mandarim, um dos monumentos classificados como Património Mundial da UNESCO.

A exposição contém ainda imagens de arquivo tiradas por Shya a figuras icónicas da indústria cinematográfica, incluindo a actriz chinesa Gong Li, Gwei Lun-Mei, Du Juan e Huang Xiaoming.

Os mundos de Shya

Nascido na década de 1960 em Hong Kong, Wing Shya é um artista versátil que transita entre os domínios do cinema, arte, design e moda. Depois de completar os estudos em belas-artes no Canadá, o artista fundou o aclamado estúdio de design “Shya-la-la Workshop”. Em 1997 Shya iniciou a colaboração com o famoso realizador de cinema Wong Kar-Wai no filme “Happy Together”, parceria que estava destinada a continuar nas películas “In the Mood for Love”, “Eros” e “2046”.

Anos mais tarde, Wing Shya decidiu aventurar-se pelo mundo do cinema, tornando-se realizador e trabalhando em diversos videoclipes de músicos como Jacky Cheung e Li Yuchun. Além disso, o seu trabalho incidiu também na produção de vídeos de arte e publicidade em colaboração com diversas marcas do mundo da moda e da alta-costura, nomeadamente a Yves Saint Laurent. Wing Shya conseguiu ainda um grande êxito de bilheteira com a película “Hot Summer Days”.

Nos últimos anos, o artista tem colaborado com instituições e organizações de arte de renome internacional, como o Museu Mori Art em Tóquio, o Museu V&A no Reino Unido, a Galeria Louise Alexander em Itália e a Galeria +81 em Tóquio e Nova Iorque.

Restauração | Salários abaixo da mediana mensal são comuns

Um inquérito realizado pela Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) conclui que mais de metade dos trabalhadores do sector da restauração recebe um salário abaixo da mediana salarial mensal em vigor.

Conclui-se também que o salário de 70 por cento dos entrevistados não mudou desde o ano passado, e que mais de 90 por cento não tiveram aumentos nos últimos quatro anos. O estudo, apresentado na sexta-feira, mostra ainda que mais de metade dos inquiridos trabalha entre oito e dez horas por dia, pelo que se pede um reforço das inspecções laborais e uma melhoria do ambiente de trabalho.

É também pedida uma revisão constante do salário mínimo e reforço da supervisão para que os patrões paguem este rendimento. Ella Lei, deputada ligada à FAOM, adiantou que cerca de 78 por cento dos trabalhadores disseram querer frequentar cursos de formação profissional no ano passado, mas os patrões não lhes disponibilizaram condições para tal.

Assim, a FAOM pede que o sector empresarial crie formações regularmente, apelando à cooperação entre Governo e sector da restauração, para criar estágios e empregos. O estudo da FAOM foi conduzido entre Abril e Setembro e contou com 1.543 respostas válidas.

Escola Portuguesa | Pais preocupados com falta de professores

A Associação de Pais da Escola Portuguesa de Macau diz ser “premente” resolver a falta de docentes em disciplinas como inglês e mandarim. Além disso, o presidente da associação ficou surpreendido com as afirmações do director da escola que disse desconhecer a carta enviada por encarregados de educação a alertar para o problema

 

A carta que os encarregados de educação de alunos do 10º ano da Escola Portuguesa de Macau (EPM) enviaram à direcção da instituição no fim-de-semana, e que foi noticiada pela TDM no domingo, já era do conhecimento da Associação de Pais da EPM (APEP). Na missiva, os encarregados de educação demonstraram a sua apreensão face ao arranque do ano lectivo, em especial devido ao que consideram ser um desequilíbrio no rácio entre o número de alunos e professores.

Filipe Regêncio Figueiredo, presidente da associação de pais, referiu ao HM que a falta de docentes em algumas disciplinas, sobretudo no inglês e mandarim, “é um assunto cuja resolução é premente, até porque, num dos casos, as queixas dos encarregados de educação não surgiram apenas este ano”.

“Sabemos apenas que, no caso das disciplinas de português e física, a questão está em vias de ser solucionada através da divisão de turmas. As aulas com mais alunos passam a ser leccionadas no anfiteatro”, disse ainda o responsável. Quanto ao inglês e mandarim, a APEP diz ainda “aguardar esclarecimentos da escola”.

O presidente da APEP alerta, contudo, que “nada do que consta na carta é novo, tratando-se de assuntos que já foram abordados com a direcção da EPM por encarregados de educação e até pela APEP numa reunião que decorreu a 28 de Setembro”.

Segundo a TDM, Manuel Machado, que irá deixar o cargo de director da escola no final do ano, disse não ter conhecimento da carta enviada pelos pais. Algo que surpreende Filipe Regêncio Figueiredo.

“A reacção do dr. Machado não deixa de ser surpreendente. Em primeiro lugar, porque é estranho que, num final de domingo, não tenha conhecimento de um email enviado na sexta-feira antes das 18h. Em segundo lugar, porque os assuntos não são desconhecidos da direcção.”

Na carta a que a TDM teve acesso, sugere-se a “divisão equitativa, em duas turmas, dos alunos das turmas A, B e C do 10º ano”, bem como “a substituição da professora de inglês por professores de inglês que já leccionam na EPM ou através da contratação de um novo professor para substituir a actual professora de inglês das turmas dos 10ºB e C logo que possível e preferencialmente antes do término do primeiro período do ano lectivo de 2023/2024”.

Pede-se também “a colocação temporária de um docente para a disciplina de mandarim que cumpra o programa durante a ausência justificada do actual professor”, bem como “o desdobramento em duas turmas dos alunos do 10ºA e dos alunos da turma C na componente teórica da disciplina de Física e Química A”. Na missiva, os pais salientam a importância da estabilidade no ensino para as médias finais de acesso ao ensino superior.

Impostos atraem

Questionado se a nova legislação relativa à atribuição da residência a novos portugueses que chegam ao território pode ser um entrave na contratação de docentes pela EPM, Filipe Regêncio Figueiredo entende que “obviamente, a não concessão da residência poderá ter uma influência negativa na contratação de professores”.

Contudo, Macau oferece ainda outras vantagens relativamente a Portugal para a carreira docente, nomeadamente a existência “de um regime fiscal francamente inferior em relação a Portugal, o vencimento mensal ser superior e não existir a indefinição sobre a colocação no ano lectivo seguinte”, sendo estas questões “atractivos que se mantém”, adiantou o responsável.

Na óptica do presidente da APEP, a própria EPM pode também “criar condições que tornem mais atractiva a contratação, oferecendo, por exemplo, seguro de saúde ou um plano pedagógico ou curricular original”, rematou.

Saúde | Taxa de mortalidade de doenças cardíacas com redução de 2009 a 2021

Dados dos Serviços de Saúde (SS) apontam que a taxa de mortalidade de doentes cardíacos diminuiu entre 2009 e 2021.

Segundo o Relatório de Actividades de 2022 da Comissão de Prevenção e Controlo de Doenças Crónicas, a taxa de mortalidade passou de 82,4 por cada 100 mil pessoas, em 2009, para 81,2 por cada 100 mil em 2021.

Os SS apontam ainda que o número de medições da tensão arterial tem aumentado nos postos comunitários de saúde, atingindo 740 mil medições em 2022, um aumento de cerca de 80 por cento em comparação com 420 mil medições em 2017.

É ainda apontado no mesmo comunicado que o Serviço de Cardiologia do Centro Hospitalar Conde de São Januário, dispõe actualmente de terapia de reperfusão vascular, vulgarmente conhecida por angioplastia, com “o tempo médio de abertura do fluxo sanguíneo de cerca de 60 minutos”.

FRC | Antropóloga defende que a identidade de Macau está a ser recriada

A antropóloga Marisa Gaspar dirige hoje uma palestra na Fundação Rui Cunha que tem como pano de fundo um estudo que se debruça sobre a criação de uma nova identidade em Macau que, naturalmente, terá impacto na identidade macaense, já por si flexível e adaptável

 

A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe hoje, a partir das 19h, a palestra “Macao’s East-West Tourism Economy: Culture, Gastronomy, and Identity Imaginaries” [A Economia de Turismo de Macau Ocidental-Oriental: Cultura, Gastronomia e Identidades Imaginárias], protagonizada por Marisa Gaspar, antropóloga e docente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) da Universidade de Lisboa.

Actualmente, a académica que costuma abordar o tema da identidade macaense está a desenvolver um estudo de pós-doutoramento em Macau, com o apoio do Instituto de Estudos Europeus de Macau, onde analisa a ligação da promoção do turismo local com a existência de uma identidade híbrida, marcada por portugueses, macaenses e chineses.

Ao HM, Marisa Gaspar refere que se está a tentar criar uma nova identidade para a região. “Defendo a tese de que está a tentar criar uma identidade para esta região que seja diferente do contexto em que se insere. Há uma questão ideológica ligada à construção de uma identidade, que ainda não existe, para esta região”, disse.

“Os elementos contidos no discurso político actual, de Macau ser um sítio de encontros, de ligação entre o Oriente e o Ocidente e com a existência de uma identidade híbrida, procuram destacar-se numa economia de turismo cultural, mas também de construção de uma identidade própria para esta região”, acrescentou.

Várias movimentações

Marisa Gaspar entende que “há de facto dinâmicas identitárias em movimento”. A antropóloga esteve cinco anos sem visitar a RAEM, em parte devido à pandemia, e percebeu algumas mudanças sociais. “Macau está novamente diferente. Há uma nova transfiguração da sua população, no sentido em que houve uma comunidade estrangeira que desapareceu, podendo ser substituída por outra.”

A antropóloga conclui que “o turismo continua a vir da China continental”, existindo “uma proliferação de restaurantes ditos de comida portuguesa ou macaense que não tinha observado antes, embora já houvesse essa tendência”.

“Há uma fusão entre o que é português e macaense e como que uma fusão dessa identidade portuguesa e macaense, ocidental. São esses os elementos comercializáveis como sendo de Macau. Penso que houve uma evolução dos elementos gastronómicos, pois já não é só o pastel de nata ou a costeleta no pão”, disse.

Marisa Gaspar dá ainda conta de um elemento “que está a causar grandes alterações, até na configuração física da cidade”, e que é “o facto de as concessionárias do jogo estarem a participar mais na vertente cultural que estava concentrada nos organismos do Governo, requalificando também zonas históricas da cidade e a promover eventos, contribuindo para o desenvolvimento cultural da cidade”.

Macaense adapta-se

Marisa Gaspar entende que, no meio destas mudanças, o macaense terá de se adaptar, aprendendo outras línguas além do português e inglês. “Temos um território que continua em transformação e é inevitável que isso afecte todas as identidades das comunidades locais que aqui se inscrevem. A identidade da comunidade macaense, em particular, sempre foi muito fluida e em mudança. Obviamente, os macaenses continuam a ter a sua identidade híbrida, mas as novas gerações estão preocupadas em ser pessoas que estão neste território e nesta conjuntura, têm de se adaptar para poder ter a sua vida neste contexto. Existe essa preocupação nos jovens macaenses.”

Assim, “há cada vez mais a preocupação em relação à língua oficial chinesa, o mandarim, porque é essa que vai vingar. Neste contexto, há a preocupação de [os macaenses] aprenderem mandarim para poderem ter esse lugar na sociedade que está a integrar-se na China e na Grande Baía”, conclui.

Esta palestra decorre em parceria com a Universidade de São José, que a 9 de Novembro organiza uma palestra focada na recolha de imagens que fez de Macau e que já foram expostas em vários locais em Portugal. A palestra intitula-se “Macao’s Images of Change and Contrasts: An Ethnographic Visual Approach” [As Imagens da Mudança de Macau e Contrastes: Uma Aproximação Etnográfica Visual]”.

Mercados Municipais | Ron Lam critica falta de vendedores

Ron Lam questionou o sistema de selecção de vendedores nos mercados municipais. Numa interpelação escrita, o deputado apontou que com as alterações mais recentes à legislação, que entraram em vigor em 2022, o sistema de sorteio para a atribuição das bancas foi substituído por um procedimento de concurso público. Contudo, desde essa altura nunca mais houve novos procedimentos para a escolha de mais vendedores.

Sobre este aspecto, Lam aponta culpas às “elevadas taxas” de bancas desocupadas em mercados como os que ficam na Taipa, Coloane, mas também na Península, e que é necessário criar uma nova dinâmica para atrair mais comerciantes. O deputado quer assim saber se a reabertura de alguns mercados icónicos, como o Mercado Vermelho que está encerrado para obras, vai ser aproveitada para lançar um concurso público para a escolha de novos vendedores.

Por outro lado, Ron Lam questiona se serão construídos mercados na Zona A dos Novos Aterros, e quando vão ser realizados os procedimentos de selecção de vendedores.

IC | Coutinho pergunta número de arquitectos e urbanistas

José Pereira Coutinho quer saber quantos arquitectos e urbanistas, “com experiência em identificação, inventário, valorização e reconhecimento do valor cultural de bens isolados ou em conjuntos urbanos”, existem no Instituto Cultural (IC).

A pergunta foi feita através de uma interpelação escrita divulgada ontem, em que o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau indica ter recebido várias queixas, face ao estado da conservação dos imóveis protegidos no território.

“O património cultural de um povo é composto por bens móveis e, principalmente, por bens imóveis, independentemente de serem públicos ou privados. Isso ocorre porque nesses bens são expressos conceitos históricos, ambientais, paisagísticos, arquivísticos e etnográficos de uma determinada época, reflectindo assim a identidade de um grupo social”, considerou Pereira Coutinho.

Neste sentido, o deputado questionou se também existem no IC especialistas “em conservação e restauro que possam actuar directamente na preservação e reconstituição dos bens imóveis”, entre os quais edifícios, conjuntos arquitectónicos, espaços públicos e centros históricos.

Ao mesmo tempo, Pereira Coutinho pergunta que medidas a médio e longo prazo estão pensadas para a “criação, consolidação e crescimento de uma equipa própria e multidisciplinar” de especialistas.

Hospital das Ilhas | Ngan Iek Hang pede planos para o trânsito

Congestionamentos, passeios bloqueados e confusão nas estradas são cenários que o deputado dos Moradores quer evitar, quando o novo hospital no Cotai abrir ao público

 

Ngan Iek Hang quer conhecer os planos para melhorar os acessos e a rede de transportes que vai servir o Hospital das Ilhas. O tema foi levantado através de uma interpelação escrita, numa altura em que se espera que o centro hospitalar entre em funcionamento até ao final do ano.

“Com o hospital a começar a operar de forma experimental no final do ano, como as autoridades podem acelerar as melhorias na rede de transportes à volta das instalações?”, questionou o deputado dos Moradores. “Será que foi considerada a criação de linhas de autocarros expresso, ou autocarros que vão directamente para o Hospital das Ilhas, de forma a garantir uma resposta suficiente para as necessidades da comunidade médica e dos utentes?”, acrescentou. No mesmo sentido, Ngan Iek Hang quer igualmente saber como os diferentes tipos de transporte, incluindo também táxis e Metro Ligeiro vão ser “integrados” de forma a que “a longo termo os residentes e os turistas tenham formas diversas de viajar” para o hospital.

O estacionamento no Cotai e a possibilidade das viaturas obstruírem as vias para a circulação de peões é outra das preocupações do deputado: “Como vão as autoridades optimizar a sinalização para quem conduz naquela zona, de forma a reduzir os congestionamentos?”, questionou. “E como vão melhorar o sistema pedonal, as zonas para atravessar as estradas, alargar os passeios e criar passeios sem barreiras para quem tem dificuldades motoras?”, acrescentou.

O deputado indicou também que é necessário promover o desenvolvimento do comércio naquela zona, em termos de lojas de conveniência, restauração e outros serviços complementares, a pensar nos residentes e turistas que se desloquem ao novo hospital.

Hospital quase privado

O hospital das Ilhas vai ser gerido um formato de parceria público-privada e os deputados acreditam que vai praticar os preços mais caros do território. Em causa está o facto de o hospital ser gerido como uma entidade particular.

Segundo as explicações do Governo aos deputados, quando a lei do novo hospital foi debatida no hemiciclo, consideram-se “cuidados privados” todas as situações em que os residentes se apresentem no novo hospital, sem terem sido encaminhados pelos Serviços de Saúde. Nessas situações, até as pessoas que normalmente têm serviços gratuitos vão ter de pagar.

No entanto, quando o hospital é utilizado por utentes enviados pelos Serviços de Saúde, aplicam-se as taxas normais, que podem ser gratuitas ou os preços praticados no Hospital São Januário.

DST | Governo desaconselha viagens para Israel

O Governo aconselhou ontem os residentes do território a não viajarem para Israel, na sequência da ofensiva do Hamas que desencadeou um conflito que já fez cerca de milhar de mortos.

Para quem já se encontra em viagem, é sugerido o acompanhamento atento da evolução da situação e vigilância para garantir a segurança pessoal, disse, em comunicado, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) de Macau. Macau emitiu o nível 2 de alerta de viagem – de um total de três escalões – para Israel.

De acordo com o ‘site’ da DST, este nível sugere que sejam reconsideradas “viagens não-essenciais”. “Representa um aumento da ameaça à segurança pessoal”, lê-se.

No domingo, a DST disse estar “atenta à situação em Israel e na Palestina, não tendo, até ao momento, recebido qualquer pedido de informação ou assistência”. O departamento governamental da região administrativa disse ainda estar em contacto com o Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China em Macau e com operadores turísticos.

Orçamento da AL vai ser inferior, mas gastos com pessoal aumentam

A proposta do orçamento da Assembleia Legislativa para o próximo ano prevê uma redução dos gastos de 978 mil patacas, cerca de 0,48 por cento, face ao montante deste ano. A proposta da Mesa da Assembleia Legislativa, que terá de ser votada em Plenário, foi dada a conhecer através do portal oficial do órgão legislativo.

O organismo presidido por Kou Hoi In prevê que no próximo ano o orçamento seja de 204,62 milhões de patacas, face ao orçamento actual de 205,59 milhões de patacas.

Ao longo deste ano houve três alterações ao orçamento. Se a comparação for feita entre o primeiro orçamento de 2023 e o orçamento para o próximo ano, verifica-se então um aumento da despesa superior a 6,4 milhões de patacas. No início deste ano, a estimativa apontava para que os gastos com o funcionamento do hemiciclo não fossem além dos 198,20 milhões de patacas. Face ao montante proposto para o próximo ano, a diferença é de 3,23 por cento.

Principais gastos

A principal despesa da Assembleia Legislativa deve-se às “despesas com pessoal”, que em 2024 vão ser de 175,24 milhões de patacas, ou seja, 86 por cento das despesas orçamentadas. Face ao valor gasto no corrente ano (172,5 milhões), regista-se um aumento de quase três milhões de patacas.

Também “as outras despesas correntes”, alocadas através do mecanismo de dotação provisional, ou seja, dinheiro disponível para despesas imprevisíveis e urgentes vão crescer de 3,3 milhões para 5,5 milhões. Este montante nem sempre é gasto, e em relação ao corrente ano apesar das expectativas de despesas na ordem de 3,3 milhões apenas 550 mil patacas foram utilizadas.

No pólo oposto verifica-se a redução com despesas de funcionamento no valor de 7,19 milhões de patacas de 29,92 milhões para 22,73 milhões. Também as despesas com instalações e equipamentos sofrem um corte de 2,63 milhões de patacas para 1,11 milhões. Esta alteração foi explicada com a redução de investimento na compra de material informático.

Praias | Zheng Anting alerta para a má qualidade da água

O deputado Zheng Anting pede uma actualização dos padrões para avaliar a qualidade da água das praias de Macau, que datam dos anos 80. Além disso, defende a criação de um mecanismo de previsão da qualidade da água para alertar os banhistas

 

O deputado Zheng Anting está preocupado com a qualidade das águas nas praias de Macau e pretende saber que medidas vão ser adoptadas para melhorar a situação. A questão faz parte de uma interpelação em que se questionam os planos para alterar a forma como a qualidade da água é avaliada.

No documento, o legislador aponta que há residentes que corajosamente “nadam ou praticam actividades desportivas” ao longo de todo o ano, tanto na praia de Hác Sá, como na praia de Cheoc Van. No entanto, a qualidade do mar continua abaixo do que seria expectável, devido à presença de “cheiros estranhos, óleos, plásticos e à turbidez”, que afecta as actividades marítimas.

O legislador indica também que desde o início do ano registaram-se quatro situações em que a qualidade da água esteve abaixo dos níveis recomendados para a prática de natação ou desportos marítimos. Os maiores níveis de poluição são registados durante a época balnear, o que é encarado como uma preocupação adicional.

Por outro lado, Zheng Anting demonstrou preocupações com os padrões de análise à qualidade das águas. Segundo o deputado, actualmente os testes têm por base a existência de bactérias. Porém, a poluição causada por poluentes orgânicos, químicos e metais pesados, que são igualmente prejudiciais para o corpo humano, não é tida em conta.

“Apesar de o Governo enfatizar que Macau segue os padrões de qualidade da água do Departamento de Protecção Ambiental de Hong Kong, estes padrões foram estabelecidos na década de 1980, têm quase 40 anos”, afirma Zheng. “Será que o Governo considera que os padrões reflectem de forma abrangente os vários poluentes presentes na água do mar que são prejudiciais para a saúde humana e para a ecologia? Será que considera que os padrões satisfazem os requisitos da sociedade actual em matéria de qualidade da água?” questionou. “Vão optimizar os padrões?”, perguntou.

O membro da Assembleia Legislativa critica também o facto de a informação sobre a qualidade da água não ser actualizada em tempo real nas plataformas online. Situação que provocou queixas de cidadãos que referiram que se soubessem antecipadamente a qualidade da água evitavariam deslocações às praias, nos dias em que a qualidade é reduzida.

“Os resultados dos testes da qualidade da água não são disponíveis em tempo real, e ao contrário do que acontece em outros locais nem sequer há uma previsão anterior”, criticou o deputado ligado à comunidade de Jiangmen. “Será que o Governo vai seguir a experiência das cidades vizinhas e recorrer à tecnologia moderna para estabelecer um sistema de previsão da qualidade da água?”, interrogou. Em Setembro, os Serviços de Saúde anunciaram dois casos de infecção pela bactéria Vibrio Vulnificus, que pode ser mortal, que afectaram dois banhistas.

Judiciária de Macau detém directora de segundo maior jornal chinês do território

A Polícia Judiciária (PJ) disse no passado dia 29 ter detido a directora e proprietária do diário Hou Kong, o segundo mais popular jornal chinês de Macau, Bobo Ng. “O caso não tem nada a ver com a carreira nos meios de comunicação social”, indicou a PJ, em comunicado, acrescentando que a empresária ficou em prisão preventiva.

“O caso ainda está a ser investigado e será anunciado em devido tempo, de acordo com a lei”, salientou a PJ. O seminário Plataforma avançou que a detenção está “relacionada com suspeitas de fraude financeira”, citando “fontes conhecedoras do processo”.

Por seu lado, a TDM-Rádio Macau avançou, citando fontes não identificadas, que o caso envolve ainda outros detidos, nomeadamente dois quadros superiores de um banco local e outra empresária, também em prisão preventiva. Bobo Ng dirige desde 2022 o diário Hou Kong Daily, que foi formalmente criado em março de 2008.

Negócios confiantes na parceria entre Governo e jogo na revitalização de zona antiga de Macau

Reportagem de Catarina Domingues, da agência Lusa

O plano de revitalização da tradicional rua da Felicidade, uma parceria entre o Governo de Macau e a operadora de jogo Wynn que arrancou dia 29, é visto com expectativa por comerciantes afectados pela pandemia da covid-19. “As lojas não sabiam como gerir os negócios quando a pandemia se alastrou pelo mundo inteiro, por isso vamos ver como é que estas actividades vão impulsionar o comércio”, disse à Lusa a proprietária da Pa Ka Cheong, que vende chás medicinais.

“Claro que tenho [esperança], disso não há dúvidas”, admitiu Chen Pek Chun, enquanto, lá fora, um rancho folclórico actuava para membros das autoridades e da Wynn Macau, que percorriam a passo lento a rua da Felicidade, seguidos de jornalistas e convidados. Pelo caminho, ainda instalações de coelhos e lanternas em celebração do festival do Bolo Lunar, que arrancou dia 29; actuações de marionetistas e grupos de teatro; jovens a fazerem directos para as redes sociais ou a posar para fotografias. “Uma boa experiência” para Ana Manhão, do restaurante de comida macaense “Belos Tempos”.

“Já ando aqui há mais de 10 anos, então acho que é uma boa iniciativa, porque é sempre uma coisa nova, não sabemos qual vai ser o resultado, mas vamos ver”, disse a chefe de cozinha, para quem a pedonalização do bairro também tem um lado negativo, já que as viaturas deixam de poder parar à porta para as entregas durante o dia. “Mas, em vez de estar sempre a dizer mal, vamos ver o que podemos [fazer para] recuperar”, notou a macaense, afirmando que o impacto da covid-19 foi “muito mau” para o negócio de restauração.

A rua da Felicidade, que nos tempos antigos foi uma zona de prostituição, com bordéis, casas chá e de ópio, e que é actualmente um dos pontos mais turísticos da região, esteve dia 29 fechada ao trânsito, a título experimental, entre as 11:00 e a 01:00. A iniciativa, que se estendeu a algumas ruas adjacentes, é o primeiro projeto de uma operadora de jogo em Macau no âmbito do programa de revitalização dos bairros antigos.

Com vista à diversificação da economia local, fortemente dependente das receitas dos casinos, a aposta em elementos não jogo foi uma das exigências das autoridades da região administrativa especial para a atribuição das seis concessões de jogo em Janeiro. Uma imposição que visa apoiar uma das políticas que o Governo determinou como prioritária, a de revitalizar as zonas antigas do território.

“A Wynn vai continuar a cooperar com a estratégia de desenvolvimento diversificado moderado” de Macau e “com diferentes partes interessadas da comunidade, contribuindo para o desenvolvimento ordenado do turismo comunitário e não relacionado com o jogo”, notou a empresa norte-americana em comunicado.

Ao longo das últimas semanas, as seis operadoras apresentaram as estratégias para a cidade, com a Sands China a anunciar hoje, entre outros projetos, um plano de incubação para pequenas e médias empresas na rua das Estalagens, centro histórico de Macau, e a transformação das Casas-Museu da Taipa num destino para fotografias de casamento.

No caso da MGM China Holdings Limited, a operadora assinou com o Governo um programa de revitalização para a área da Barra e à volta da Doca D. Carlos I, para criar um parque cultural e criativo. O Galaxy Entertainment Group projectou para os antigos estaleiros navais de Lai Chi Vun, em Coloane, um salão de exposições, uma pista de gelo e uma quinta urbana.

Nos planos da SJM Resorts está a revitalização e conservação das pontes-cais n.º 14 e 16 e do antigo casino flutuante Palácio de Macau, no Porto Interior. Já as pontes-cais n.º 23 e 25 vão integrar elementos culturais e artísticos, num projeto da Melco Resorts, que, em conjunto com o Governo, vai ainda revitalizar a zona da Fortaleza do Monte.

Ainda não são conhecidos os valores totais que as operadoras vão desembolsar, embora estas se tenham comprometido a aplicar mais de 100 mil milhões de patacas em elementos não relacionados com o jogo.

China ainda pouco recetiva a autores lusófonos contemporâneos, dizem especialistas

Especialistas na área da tradução disseram à Lusa que a literatura contemporânea em língua portuguesa gera pouco interesse na China comparativamente com os clássicos e, no caso de Portugal, a solução pode passar por mais investimento de Lisboa. Fernando Pessoa, Eça de Queirós e José Saramago estão entre os autores portugueses mais traduzidos na China continental, de acordo com um catálogo elaborado pela Embaixada de Portugal em Pequim.

Excluindo nomes da literatura infantojuvenil portuguesa, com presença bastante expressiva na China, Pessoa é o escritor com mais trabalho passado para o chinês, estando presente em 9% (22 obras) de toda a bibliografia (246) traduzida ou que estava prevista traduzir na China até 2022.

Min Xuefei assinou em 2013 um desses trabalhos, a primeira tradução chinesa dos poemas e ensaios de Alberto Caeiro, um dos heterónimos de Pessoa. A académica, professora na Universidade de Pequim, com doutoramento em Literatura de Língua Portuguesa na Universidade de Coimbra, observa o desinteresse por nomes da atualidade: “Recomendei Dulce Maria Cardoso a vários editores e também tradutores”.

Até ao momento, porém, a autora de romances como “Retorno” e “Eliete” ainda não chegou às livrarias do país asiático.

No restante universo lusófono, o cenário é idêntico. A maioria dos títulos traduzidos por esta natural de Shenyang, no norte chinês, “são todos clássicos”, isto é, de “autores que já morreram”, diz à Lusa, quando se assinala o Dia Internacional da Tradução.

Além de José Saramago (“O Silêncio da Água”), Min também converteu para a língua materna os brasileiros Machado de Assis (“Contos Selecionados”) e Clarice Lispector (“A Hora da Estrela” e “Felicidade Clandestina”). A exceção é o moçambicano Mia Couto (“Terra Sonâmbula”).

“A literatura contemporânea também é muito importante, mas é muito difícil de introduzir no mercado chinês”, nota Min. Jovens autores “ainda sem reconhecimento internacional” convencem menos leitores, justifica.

Ao longo dos dois anos que lecionou na Universidade Normal de Fujian, no leste chinês, Nuno Rocha, especialista em tradução chinês-português, identificou esta mesma tendência.

O entusiasmo da população por clássicos chineses, analisa agora, motiva a “entrada mais fácil” deste tipo de literatura em língua portuguesa.

“Lembro-me de encontrar facilmente os grandes clássicos da literatura europeia, em versões bilingues, quando estudei na China em 2010”, lembra Rocha, atualmente professor na Universidade de São José, em Macau.

Por outro lado, sublinha, não se sabe “até que ponto os autores contemporâneos também são dados a conhecer aos alunos” pelos próprios educadores no país asiático.

Rocha avança que um “plano específico de divulgação da literatura contemporânea portuguesa na China” podia solucionar o impasse, embora isso implicasse “um investimento elevado”. “E no caso português especificamente, infelizmente, a cultura nunca é prioridade”, lamentou.

A intervenção por parte de Lisboa na promoção autoral, em colaboração com revistas literárias e editoras chinesas, é uma das propostas deixadas por Min Xuefei: “Podemos, por exemplo, traduzir um conto ou um excerto de um capítulo do romance dos autores e publicar numa revista literária chinesa”.

Já no sentido inverso, “a literatura chinesa moderna e contemporânea ainda é relativamente nova no mercado de livros em língua portuguesa”, aponta, por sua vez, a académica Lidia Zhou Mengyuan, do departamento de Tradução da Universidade Chinesa de Hong Kong.

“As pessoas estão cada vez mais abertas a explorar novos sabores literários”, constata a professora, com investigação na área da tradução e receção da literatura chinesa contemporânea nos países de língua portuguesa desde 2000, notando ainda que, em geral, a diversidade da oferta literária portuguesa na China “é mais ampla do que a sua contraparte”.

“Apesar do progresso feito nas últimas duas décadas em termos de diversidade de autores, géneros e livros traduzidos para português, ainda há espaço significativo para desenvolvimento adicional”, ressalva.

Foi a partir de 2008 que contemporâneos chineses, incluindo Su Tong, Yu Hua e Yan Lianke, chegaram ao mercado livreiro em língua portuguesa, tanto em Portugal quanto no Brasil, explica Zhou Mengyuan, notando que “é provável que o seu reconhecimento internacional tenha contribuído” para isso acontecer.

Os “estereótipos em relação à China no Ocidente” podem ainda estar a condicionar a vida das letras chinesas na lusofonia, admite Zhou, para quem um intercâmbio “mais frequente e direto é a chave para superar esses estereótipos”.

Thor Pedersen viajou por todos os países por terra e mar, sem aviões, e apaixonou-se por São Tomé

Por Cecília Malheiro, da agência Lusa

O dinamarquês Thor Pedersen, 44 anos, é o primeiro homem a conseguir viajar por todos os países do mundo sem usar avião, sem interromper o percurso e sem regressar a casa, durante os dez anos em que atravessou oceanos e continentes.

O feito revelou-se uma epopeia, e trouxe-lhe a paixão por São Tomé e Príncipe, que confessa em entrevista à agência Lusa. Thor Pedersen, que esteve em Portugal no último fim de semana de setembro, conta que chegou há 60 dias da sua maior aventura.

Durante a viagem, sofreu de malária cerebral, em estado limite, no Gana, teve armas apontadas à cabeça no Gabão, e foi apanhado pela pandemia da covid-19 em Hong Kong, na China, o que o reteve ali durante dois anos.

Ainda sem os pés bem assentes na Dinamarca, Pedersen explica que o projeto da sua viagem foi batizado de “Once Upon a Saga”, inspirado na frase “Once Upon a Time” (era uma vez), com que o escritor Hans Christian Andersen iniciava as histórias para crianças, dando como exemplo “A Pequena Sereia”. Saga, porém, é a designação tradicional das histórias da mitologia escandinava.

Questionado sobre se sentiu discriminado pela cor branca da sua pele quando esteve na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Pedersen garantiu que nunca teve qualquer problema de racismo ou xenofobia quando passou pelas antigas colónias portuguesas.

Thor tem hoje 44 anos, mas iniciou a volta do mundo aos 34 anos, com as premissas de nunca usar avião, não regressar a casa durante o projeto e estar no mínimo 24 horas em cada um dos 203 países do mundo.

Iniciou a aventura em outubro de 2013, o ano em que esteve em Portugal, chegando a 28 de outubro e ficando durante três dias. Thor escreveu, na altura, que Portugal era “mais pobre que Espanha” e que Lisboa precisava de uma “boa pintura”.

“É uma cidade realmente encantadora que foi quase completamente destruída em 1755 pelo talvez maior terremoto de todos os tempos na Europa”. Pedersen lamentou, todavia, os traficantes nas ruas que lhe tentaram vender drogas.

Chegou a São Tomé e Príncipe em novembro de 2015 e ali ficou exatamente 36 dias, transformando aquela estadia na mais longa de todos os países da CPLP que Thor visitou na viagem da volta ao mundo.

Depois de sair de Libreville (Gabão), embarcado no navio Spínola Carneiro, Thor desembarcou na Ilha de São Tomé, o 99.º país do seu percurso. Avistou a Cruz Vermelha e conheceu Julião, o homem que o ajudou a encontrar uma loja para comprar um cartão SIM para telefonar.

“Algo havia mudado. Não consigo identificar exatamente o porquê. Mas eu sabia que estava num sítio especial”, lê-se na sua página da Internet “Once Upon a Saga”.

O lema da viagem de Thor é que “um estranho é um amigo que tu nunca tinhas conhecido antes” e Julião foi uma prova de que um estranho pode bem ser um amigo para a vida. Thor classifica São Tomé e Príncipe como um país “mágico”.

“Não posso deixar de sublinhar o quão maravilhoso é São Tomé. Já vi muitos países e sou tratado com gentileza e respeito onde quer que vá. Mas em São Tomé sinto-me bem-vindo. E esse é um sentimento diferente. Tive essa sensação desde o início e ela persiste onde quer que vá. São Tomé é um lugar super seguro. Pode-se dormir diretamente na praia ou dar um passeio no parque no meio da noite sem problemas. A ilha produz chocolate. Pelo amor de Deus, o que mais é preciso saber?”

Antes de se apaixonar por São Tomé, Thor chegou ao Brasil em setembro de 2014 e ficou 20 dias, naquele que seria o 59.º país em 12 meses, desde o início da epopeia. Visitar a Favela Parada de Lucas, no Rio de Janeiro, protegido pelas insígnias da Cruz Vermelha, não sentiu “hostilidade” ou “medo”. Pedersen visitou Brasília, Porto Velho e Manaus, na Amazónia.

Em África, num pequeno barco à vela, Thor seguiu do Senegal até Cabo Verde, país onde chega em 2015, visitando apenas a Ilha de Santiago, destacando a Igreja da Nossa Senhora do Rosário, o edifício mais antigo do arquipélago.

“Cabo Verde não é um país financeiramente rico, mas possui uma grande riqueza de gentileza, paisagens espetaculares, terras férteis, atum incrivelmente bem preparado, música, amor ao futebol. É uma terra que se estende dos muito ricos aos muito pobres e podemos ver ambos ao caminhar pelas ruas”.

À Guiné-Bissau chegou em maio de 2015 e ficou quatro dias em regime de ‘couch-surfing’ (sofá para dormir), em casa de uma brasileira de ascendência japonesa que trabalhava na delegação da Organização das Nações Unidas em Bissau.

Thor recorda uma “capital simples”, de “clima húmido”, com construção a acontecer por toda a parte e destaca a natureza “selvagem e espetacular” e a castanha de caju, a grande área de negócio.

Depois de sair de Kinshasa (Congo), atingiu Angola em março de 2016, o país 102.º da sua rota, onde ficou seis dias.

Angola é um país “lindo de morrer”, “grande”, com pessoas “gentis em todos os lugares”, com uma comida “ótima” e uma música “imbatível”.

Segundo Pedersen, Angola estava marcada pela guerra civil, que terminou em 2002, com o tema ainda a surgir em conversas com pessoas diferentes. Um mês após Angola, em abril de 2016, chegou a Moçambique onde ficou em casa de uma família dinamarquesa, em Maputo.

Pedersen conta que “infelizmente” teve de alterar o roteiro inicial por Moçambique devido aos ataques terroristas de grupos armados, já patentes na altura e que atingem maior dimensão em outubro do ano seguinte, no Norte do país.

Thor planeou viajar pela costa de Maputo (capital, no Sul), até à cidade da Beira (mais a Norte), mas achou perigoso e regressou a África do Sul, para alcançar o Zimbabué.

Apesar do conflito, o aventureiro dinamarquês destaca a “boa” gastronomia e a cultura, a história “alucinante” e a natureza com “potencial extraordinário” do país de língua portuguesa da costa oriental de África. “Moçambique poderia facilmente tornar-se o próximo destino turístico badalado (…) Mas parece que continuará por um tempo como um segredo bem guardado”.

O viajante chegou a Timor-Leste em setembro de 2019, onde ficou 10 dias, conseguindo reencontra-se pela 21.ª vez com a namorada desde que havia começado o projeto.

Timor estava pouco desenvolvido turisticamente, mas tinha muito para oferecer. Um país “extraordinariamente amigável” e “completamente seguro”.

Depois de Timor, o seu 187º país, faltavam outros 16 para Thor terminar a viagem aos 203 países do mundo, e poder regressar a casa. Regressou há pouco mais de 60 dias são e salvo.

A 24 de maio deste ano, atingiu as Maldivas, o seu 203.º país, regressando à Dinamarca a bordo de um cargueiro, via Malásia e Sri Lanka. Pedersen, que viajou como embaixador de boa vontade da Cruz Vermelha dinamarquesa, atingiu o porto de Asrhus, na Dinamarca, no passado dia 26 de julho.

O facto de ter viajado por todos os países do mundo – os 195 Estados soberanos reconhecidos pelas Nações Unidas, mais oito parcialmente reconhecidos – sem voar e sem interromper o percurso, transforma-o num caso único, ultrapassando o britânico Graham Hughes, reconhecido pelo Guiness Book of Records, que esteve em 201 países, sem voar, numa viagem que durou cerca de quatro anos (2010-2014), mas que interrompeu por duas vezes, por motivos pessoais.

Agora, Thor Pedersen planeia escrever um livro sobre a viagem e produzir um documentário, com o realizador e produtor canadiano Mike Douglas. Thor esteve em Portugal no passado fim de semana, para participar no festival de viagens, organizado pela Associação de Bloggers Portugueses (ABVP), em Guimarães.

Ho Iat Seng felicita a delegação de Macau pelos resultados nos Jogos Asiáticos

O Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, enviou ontem uma mensagem de felicitações à delegação desportiva de Macau à 19.a edição dos Jogos Asiáticos de Hangzhou, que terminaram ontem.

O líder do Governo da RAEM apontou que a delegação desportiva de Macau terminou a competição com um balanço positivo no “evento multidesportivo de maior dimensão da Ásia, demonstrando o espírito desportivo chinês, a perseverança e a coragem, conquistando o melhor resultado de sempre dos Jogos Asiáticos para Macau”. A delegação de Macau traz para o território seis medalhas, uma de ouro, três de prata e duas de bronze na sequência das prestações das “equipas de artes marciais e de karaté, o que não só desperta o entusiasmo de toda a população como honra o nome da RAEM”.

Ho Iat Seng argumenta que “os resultados extraordinários da delegação desportiva de Macau devem-se à atenção e apoio prestados, ao longo dos anos, pelo país à RAEM, aos esforços conjuntos do Governo da RAEM e do sector desportivo, bem como à dedicação e persistência dos atletas nos treinos árduos”.

O Chefe do Executivo prometeu que o seu Governo irá continuar a desenvolver o desporto de alto rendimento de Macau em várias frentes, “incluindo a aposta em recursos, a melhoria das instalações de treino, entre outras, apoiando os atletas locais na sua preparação para participarem em mais eventos desportivos de grande dimensão e competições internacionais”. Um dos objectivos é aproveitar o potencial para tornar Macau num “cidade desportiva”, afirmou o governante, sem explicar o conceito de cidade desportiva.

O futuro aqui

Face aos resultados e esforços dos atletas, Ho Iat Seng dirigiu, “em nome do Governo da RAEM e da população de Macau (…), as mais calorosas felicitações a todos os atletas, treinadores e equipas técnicas da delegação desportiva de Macau, China”.
Ho Iat Seng recordou ainda que os Jogos Nacionais de 2025 serão coorganizados pela província de Guangdong, Hong Kong e Macau, numa iniciativa que considera como uma “medida importante do país para reforçar o impulso da construção da Grande Baía”.

Estrangeiros na tropa é uma aberração

Não sei que ideias mais absurdas podem aparecer na esfera política deste país. No âmbito das Forças Armadas, ao nível dos quadros superiores reina a revolta com a ideia que tem sido gerada de aceitar nas Forças Armadas cidadãos estrangeiros – atribuindo-lhes, em troca do serviço, cidadania, e ultrapassando assim a necessidade de haver revisão constitucional, porque a nossa Constituição é peremptória: só cidadãos portugueses podem integrar as Forças Armadas.

Toda esta ideia absurda deve-se à diminuição gradual de jovens interessados em integrar as Forças Armadas. Porquê? Porque precisamente o Ministério da Defesa não modifica a actual situação miserável dos militares que obtém um salário baixo e não têm condições sociais para manter a família.

A ideia absurda tem ganho força na bancada parlamentar do PS com o presidente da Comissão de Defesa, Marcos Perestrelo, a mostrar-se favorável ao ingresso de estrangeiros sem sequer colocar o domínio do português como dever necessário. Por outro lado, o major-general Vieira Borges concorda com a ideia desde que apenas fosse restrita a cidadãos da CPLP.

Por seu turno, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa já se mostrou mais favorável à ideia, mas tem vindo a regredir a sua posição, parecendo agora aproximar-se da ministra da Defesa, que é cautelosa quanto à solução. Naturalmente que a ministra tem de ser cautelosa, porque para sermos sérios, o que aconteceria era darmos a cidadania portuguesa a mercenários. Um outro socialista, Pedro Pinto, nem lhe interessa a origem dos mercenários, apenas o domínio da língua portuguesa.

Marcos Perestrelo, por exemplo, não concretiza em que moldes se daria a obtenção de cidadania, alegando que é preciso reflectir. Sem se comprometer com uma ideia concreta, ressalva que no processo de obtenção da nacionalidade, a questão da língua é relevante, mas ainda assim refere-se-lhe como uma barreira ultrapassável. Para Perestrelo, a atribuição de cidadania a estrangeiros que quiserem integrar as Forças Armadas portuguesas seria, em abstracto, a melhor solução – escusando-se assim a uma revisão constitucional e ao apoio do maior partido da oposição, o PSD.

O major-general Vieira Borges propõe que, no âmbito da CPLP, se abra um regime especial para aqueles que queiram ingressar nas Forças Armadas. Os pretendentes devem estar, segundo este militar, pelo menos, um ano em Portugal – que lhes garantirá a dupla cidadania – e depois cumpridos todos os requisitos ordinários para entrar nas Forças Armadas (nomeadamente habilitações literárias), poderão tentar alistar-se. A proposta de Vieira Borges é mais conservadora do que as ideias de Perestrelo ou Sousa Pinto. E por que razão especificamente um ano? O militar afirmou que seria o mínimo para alguém perceber o país. Mas, estará à espera que uns fulanos que vêm enfiar-se nas Forças Armadas apenas porque precisam de dinheiro, autênticos mercenários, estejam muito interessados a gastar tempo em “perceber” o país? Há cada lírico.

Desde que cumprimos o serviço militar que conhecemos muitos militares e militares na reserva e contactámos alguns. Todos foram unânimes em discordar da ideia de contratar estrangeiros. Um deles, mostrou-me um jornal com declarações do capitão de Abril, Vasco Lourenço. Lourenço não tem papas na língua afirmando: “Acho uma aberração só própria das mentes que não têm a mínima ideia do que é a instituição militar em Portugal”.

E acrescenta: “Um indivíduo que venha para o serviço militar de um país a que não pertence é um mercenário, não posso chamar outra coisa”. Lourenço ressalva não ter problemas em que portugueses nacionalizados se alistem no Exército, mas observa que esta cidadania não deve poder ser adquirida de um dia para o outro”. Questionado sobre o argumento da lusofonia, Lourenço é determinante: “No grupo Wagner também devem falar várias línguas. Não brinquem comigo, ou são portugueses ou são mercenários. Uma coisa são Forças Armadas, outra são forças com armas”, considerou.

Por fim, o presidente da Associação 25 de Abril rematou: “Criem condições para que as Forças Armadas se sintam prestigiadas e que, quando saem do país, fiquem com as costas familiares protegidas. Façam isso e as Forças Armadas podem voltar a ter mais efectivos do que os necessários”.

Estamos perante uma ideia, verdadeiramente absurda e que deve ser rejeitada por todos os portugueses. Portugal não precisa de mercenários. O único factor que realmente mobilizará os jovens a ingressar no Exército, Marinha ou Força Aérea é a mudança de paradigma que se tem de registar nas condições remuneratórias dos militares e acabar com os quartéis onde as camaratas, casas de banho e a generalidade das instalações nem para porcos serviriam.

Indonésia | Incêndios florestais afectam qualidade do ar em Singapura

A qualidade do ar em Singapura caiu para um nível insalubre no sábado, segundo as autoridades locais, uma vez que o aumento dos incêndios florestais na vizinha Indonésia trouxe neblina para a cidade-estado.

Às 14 horas, o Índice de Poluentes Normalizados de 24 horas na parte oriental e central de Singapura era superior a 100, níveis a partir dos quais as pessoas são aconselhadas a reduzir as actividades físicas ao ar-livre.

A neblina transfronteiriça é um problema recorrente no Sudeste Asiático, uma vez que as lacunas regulamentares dificultam às autoridades a eliminação das práticas indonésias de limpeza de terrenos com queimadas.

A Agência Nacional do Ambiente de Singapura afirmou que foram detectados 212 pontos quentes na ilha indonésia de Sumatra, na sexta-feira, em comparação com 65 na quinta-feira e 15 no dia anterior. Segundo a Agência Nacional do Ambiente, uma breve mudança na direcção do vento, na tarde de sexta-feira, soprou parte da névoa mais leve em direcção a Singapura, piorando a qualidade do ar no país insular.

Os métodos tradicionais de desbravamento são utilizados quase todos os anos na Indonésia para a plantação de óleo de palma e de pasta de papel, que, segundo os registos públicos, são propriedade de empresas nacionais, estrangeiras ou cotadas no estrangeiro.

A Indonésia está a apagar os incêndios florestais com água pulverizada por helicópteros e indução de nuvens, afirmou o ministro do Ambiente na sexta-feira, negando que a neblina perigosa esteja a atravessar as fronteiras.

Myanmar | Supremo Tribunal recusou recursos de Aung San Suu Kyi

O Supremo Tribunal de Myanmar recusou ouvir os recursos especiais da líder deposta do país, Aung San Suu Kyi, contra condenações em seis casos de corrupção em que foi considerada culpada. O somatório de todas as penas a que foi condenada implica que Aung San Suu Kyi fique o resto da vida atrás das grades

 

A ex-líder do Myanmar, Aung San Suu Kyi, viu recusada na sexta-feira a possibilidade do Supremo Tribunal do Myanmar ouvir os recursos que apresentou para refutar as sentenças que a condenaram a 27 anos de prisão na sequência de seis casos de corrupção. Aung San Suu Kyi foi condenada por abusar da autoridade e por aceitar subornos, acrescentou um funcionário judicial.

Suu Kyi, de 78 anos, que foi presa quando o exército derrubou o seu Governo eleito em Fevereiro de 2021, está a cumprir penas de prisão que totalizam 27 anos, depois de ter sido condenada por uma série de acusações criminais, na sua maioria apresentadas pelos militares.

Os seus apoiantes e analistas independentes afirmam que as acusações, todas elas contestadas por Suu Kyi e pelos seus advogados, são falsas e constituem uma tentativa de a desacreditar e legitimar a tomada do poder pelos militares.

Inicialmente, Suu Kyi foi condenada a um total de 33 anos, mas o general Min Aung Hlaing, chefe do governo militar, concedeu-lhe clemência em cinco casos e reduziu a pena em seis anos, no âmbito de uma amnistia mais ampla para mais de 7.000 prisioneiros, por ocasião de um feriado religioso budista em Agosto.

O funcionário judicial, que está familiarizado com os processos judiciais de Suu Kyi, disse que os recursos que o tribunal da capital, Naypyitaw, se recusou a ouvir incluíam quatro processos em que Suu Kyi foi condenada por abusar da sua posição para arrendar parcelas de terreno e propriedades em Naypyitaw e Yangon, a maior cidade do país. Os processos alegavam que ela tinha obtido os terrenos a preços inferiores aos do mercado para uma fundação de beneficência a que presidia e que tinha construído uma residência para si própria num dos terrenos com dinheiro doado para a fundação.

O funcionário judicial falou sob condição de anonimato porque não está autorizado a divulgar informações. Os advogados de Suu Kyi, que tinham sido uma fonte de informação sobre o processo, foram notificados com ordens para não se pronunciarem no final de 2021. O funcionário judicial acrescentou ainda que os outros casos de recurso estavam relacionados com duas acusações de corrupção em que Suu Kyi foi considerada culpada de receber um total de 550.000 dólares entre 2018 e 2020 de Maung Weik, um magnata que em 2008 foi condenado por tráfico de drogas.

Os recursos especiais são normalmente a fase final do processo judicial em Myanmar. Todavia, podem ser reexaminados pelo Tribunal de Recursos Especiais ou pelo Tribunal Plenário se o Presidente do Supremo Tribunal considerar que são do interesse público.

Os recursos das condenações de Suu Kyi por acusações que incluem fraude eleitoral, violação da lei dos segredos oficiais e seis outros casos de corrupção ainda estão a ser processados, disseram vários funcionários judiciais.

Barreiras intransponíveis

A equipa jurídica de Suu Kyi tem enfrentado vários obstáculos, incluindo a impossibilidade de se encontrar com ela para receber instruções enquanto preparam os recursos. Desde a última vez que a viram pessoalmente, em Dezembro, solicitaram, pelo menos cinco vezes, autorização para se encontrarem com Suu Kyi, mas não obtiveram qualquer resposta, informaram os funcionários judiciais.

Em Setembro, houve relatos de que Suu Kyi estava a sofrer de sintomas de tensão arterial baixa, incluindo tonturas e perda de apetite, mas que lhe tinha sido negado tratamento em instalações qualificadas fora do sistema prisional. Os relatos não puderam ser confirmados de forma independente, mas Kim Aris, o filho mais novo de Suu Kyi, disse em entrevistas que tinha ouvido dizer que a sua mãe estava extremamente doente e que sofria de problemas nas gengivas e não conseguia comer. Aris, que vive em Inglaterra, apelou para que o governo militar de Myanmar fosse pressionado a libertar a mãe e outros presos políticos.

Índia | Cheias no norte do país causam pelo menos 77 mortos

O número de mortos devido às inundações no norte da Índia aumentou ontem para 77, enquanto mais de 100 pessoas estão desaparecidas, adiantaram as autoridades indianas.

De acordo com as autoridades de Sikkim, mais de 2.400 pessoas foram retiradas de casas na consequência da subida das águas que destruiu mais de uma dúzia de pontes e enterrou veículos e casas à medida que passavam rio abaixo. As operações de resgate foram dificultadas por bloqueios de estradas e condições climatéricas adversas, que impediram o envio de helicópteros militares.

As inundações repentinas, uma das piores da história desta região que faz fronteira com o Nepal, a China e o Butão, ocorreram no início desta semana, após o transbordamento do lago glaciar Lhonak. Juntamente com uma semana de chuvas intensas na região, o rompimento deste lago destruiu casas e estradas e transbordou a barragem hidroeléctrica de Chungthang, provocando uma inundação entre quatro e seis metros de altura.

O rompimento desta barragem, com capacidade de gerar 1.200 megawatts e uma das maiores do tipo no país asiático, amplificou a inundação repentina. As chuvas intensas causam perdas humanas e materiais significativas nos países do sul da Ásia todos os anos, especialmente durante o período das monções, entre Maio e Setembro.

Além disso, o aumento das temperaturas globais causado pelas alterações climáticas ameaça multiplicar os incidentes de explosões glaciais.

Japão | Parceria com Embraer quer produzir carros voadores em 2026

A japonesa Nidec e a brasileira Embraer formaram uma parceria com o objectivo de começar a construir em massa automóveis voadores em 2026. A ‘joint venture’, apresentada na 54.ª edição do Paris Air Show, já tem o primeiro cliente: a Eve Air Mobility, uma subsidiária da brasileira Embraer

 

Uma parceria entre a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) e a fabricante japonesa de motores eléctricos Nidec pretende iniciar a produção em massa de carros voadores em 2026, foi anunciado na sexta-feira.

Num comunicado conjunto, as duas empresas revelaram que a nova ‘joint venture’, chamada Nidec Aerospace, pretende investir mais de 77 milhões de dólares nos próximos anos. O objectivo é desenvolver “sistemas eléctricos de propulsão para o sector aeroespacial”, incluindo para aeronaves eléctricas de descolagem e aterragem horizontal (eVTOL, na sigla em inglês), denominados de carros voadores.

O comunicado confirmou a aprovação, por parte dos reguladores, do estabelecimento da Nidec Aerospace, com um capital inicial de 12 milhões de dólares, em que a Nidec detém uma participação de 51 por cento e a Embraer 49 por cento.

O documento revelou ainda que Vincent Braley, até agora líder das operações para veículos eléctricos da Nidec Motor Corp, uma subsidiária da fabricante japonesa nos Estados Unidos, foi nomeado presidente executivo da parceria. “Juntas, as nossas extraordinárias equipas poderão desenvolver soluções avançadas para colaborar com o futuro da aviação sustentável”, disse o vice-presidente sénior de Estratégia Corporativa, Digital e Inovação da Embraer, Dimas Tomelin.

No mesmo comunicado, o vice-presidente sénior da Nidec, Michael Briggs, disse que a aposta em aeronaves eléctricas parte de uma “visão conjunta de avançar e electrificar a maneira como o mundo se move”.

Ligação lusa

A Nidec Aerospace será localizada em Saint Louis, no centro-oeste dos EUA, na sede da Nidec Motor Corp, e irá contar com o suporte das fábricas da Nidec e da Embraer no Brasil e no México, revelaram as duas empresas em Junho.

A ‘joint venture’, apresentada na 54.ª edição do Paris Air Show, em Junho, já tem o primeiro cliente para o sistema eléctrico para os eVTOL, a Eve Air Mobility, uma subsidiária da brasileira Embraer. A Eve pretende desenvolver e construir um ecossistema de mobilidade urbana sustentável, que inclua o eVTOL e a respectiva rede de serviço e apoio, bem como toda a infra-estrutura que vai apoiar esta nova forma de transporte, incluindo os aeroportos de aterragem e descolagem verticais.

A Eve assinou em Junho de 2022 uma carta de intenção para entregar até 35 aeronaves eléctricas à Falcon Aviation Services, que opera na região do Médio Oriente e África, a partir de 2026.

No final de Abril, a Embraer, a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, assinou um memorando de entendimento com várias empresas aeroespaciais portuguesas para desenvolver a Base Tecnológica e Industrial de Defesa de Portugal. A empresa brasileira opera duas fábricas no Parque de Indústria Aeronáutica de Évora e é também accionista da OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal, com 65 por cento do capital, em Alverca.