Shuttle Bus | Governo diz que pediu mais serviços às operadoras João Santos Filipe - 12 Mar 2026 Após a polémica com a falta de alternativas para assegurar os serviços shuttles dos condomínios, o Governo defende-se e indica que pediu às operadoras de autocarros públicos para disponibilizarem mais viaturas Em relação às dificuldades dos edifícios residenciais em disponibilizarem serviços de shuttle, o Governo indica que pediu às operadoras de transportes públicos para disponibilizarem mais autocarros. As explicações surgem numa resposta a uma interpelação do deputado Chan Hao Weng, que vem assinada por Chan U Tong, director dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). As dificuldades de contratação de serviços de autocarros pelos condomínios dos grandes complexos habitacionais tornaram-se uma preocupação dos deputados, com a entrada em vigor da lei da actividade das agências de viagens e da profissão de guia turístico, onde consta a proibição das agências de viagem disponibilizarem este tipo de serviço de transporte. Agora o Governo vem dizer que pediu às operadoras dos autocarros públicos para disponibilizarem mais autocarros. “O Governo da RAEM, através de coordenação interdepartamental, promoveu junto das duas operadoras de autocarros o aluguer dos seus ‘veículos não operacionais’ para a prestação de serviços de transporte, com vista a dar resposta às necessidades de deslocação dos moradores dos complexos habitacionais em causa”, foi indicado. Ao mesmo tempo, o Governo defendeu que pediu mais autocarros a circular junto dos edifícios: “A DSAT solicitou ainda às operadoras de autocarros que reforçassem a atenção à situação de espera nas paragens na envolvente dos complexos, aumentando atempadamente a frequência dos serviços para melhor escoar o fluxo de passageiros”, foi acrescentado. Apesar da resposta, em que o director da DSAL cita a posição da DSAT, a questão do aumento dos custos do transporte não é abordada pelos governantes. Proibição anterior Quanto à proibição dos autocarros das agências de viagem serem contratados para este serviço de shuttle, o Governo insiste que a medida estava em vigor, ainda antes da nova lei, apesar da prática generalizada. “Entre 2015 e 2025, registaram-se mais de 140 procedimentos instaurados contra as agências de viagens que violaram as normas relativas ao uso de veículos, incluindo a prestação ilegal de autocarros de turismo como autocarros para trabalhadores ou como autocarros de ligação para os complexos habitacionais”, foi indicado. Os números apresentados representam uma média de 12,7 “procedimentos instaurados” por ano. “Enquanto entidade fiscalizadora, a DST tem supervisionado, nos termos da lei, a actividade das agências de viagens, e desde que se verifique a prestação ilegal de serviços por parte das agências de viagens, será instaurado o respectivo procedimento”, foi frisado.
O sexo e o amor no fim do mundo Tânia dos Santos - 11 Mar 2026 Uma das coisas que mais prazer me dá em escrever sobre sexo é que nos transporta para um universo de curiosidade e conexão sócio-cutural. É uma atividade séria e divertida, nem que seja para ver aquela cara trancada ficar ainda corada e desconfortável porque há menção a vulvas e pénis. O sexo tem essa qualidade: o seu secretismo torna a sua exposição sedutora. É um território cheio de minas, mas que só podemos evitá-las se a dançarmos aos pulos. Mas o mundo parece mais sombrio a cada dia que passa, e nem sei como me conectar com essa leveza. Já escrevi aqui várias vezes sobre acontecimentos da actualidade que me pareceram relevantes para discutir a temática da sexualidade. Sobre o estado dos direitos humanos, sobre o sexo como arma de violência, sobre a misoginia e desinformação como uma praga que nos afronta. Sobre os rapazes adolescentes que têm o desejo de matar raparigas, sobre as pessoas que são violadas e violentadas em Gaza, sobre as mulheres e homens que resistem às guerras neste mundo, sobre as mulheres que não conseguem acesso a um aborto seguro, nem quando disso depende a sua vida. Sobre a homofobia, a bifobia e a transfobia que está viva. Vivemos tempos tão esquisitos que custa pensar no sexo como algo divertido. Nem sei se temos o direito de nos divertir quando parece estarmos à beira de uma terceira guerra mundial. Ou talvez este seja o momento certo. Talvez a melhor forma de resistência seja pensar no prazer e na conexão quando tudo se desfaz diante dos nossos olhos. Eu escolho pensar ainda sobre sexo porque talvez o Freud tivesse razão. A pulsão sexual é a pulsão de vida – confusa e desorganizadora, mas com vitalidade e desejo. E diante da catástrofe, é no sexo que vejo um porto seguro. Fisiologicamente o acto sexual transporta para esse lugar de intimidade e conexão profundas. O contacto íntimo activa sistemas neuroquímicos associados à segurança e à vinculação. A libertação de oxitocina, endorfinas e dopamina durante a intimidade não é apenas uma questão de prazer; é também uma forma de regulação emocional. Num mundo saturado de ameaça, o corpo humano procura experiências que restabeleçam a sensação de segurança. Também é no sexo – e no amor – que consigo ver propósito identitário e político no caos. O sexo poderá ser contestado e fustigado de formas repreensíveis, mas é no sexo que também está a comunidade, essa coisa maior do que os próprios genitais. Quando bell hooks falava de amor, falava desse sítio que eu considero que o sexo se encontra. Um sítio que não é guiado pela emoção e atração somente, mas por escolhas que são eticamente informadas. Para a autora, amor não é uma experiência individual, mas um ato radical de ética social capaz de transformar as relações e a sociedade. Também Audre Lorde descreveu o erótico como uma forma de poder — não apenas sexual, mas existencial. Para ela, o erótico é aquilo que nos recorda que estamos vivos e que o prazer não precisa de pedir autorização ao mundo para existir. Talvez seja por isso que regimes autoritários sempre tenham tentado controlar a sexualidade: porque corpos que sentem prazer são também corpos que reclamam autonomia. Por isso, se vos pareço leviana porque as coisas do amor e do sexo sempre pareceram secundárias no grande esquema da vida, é porque não compreendem as minhas prioridades. Estou saturada do conflito e do sofrimento no mundo. Ando sedenta de uma boa notícia, de um desenvolvimento que contrarie o estado das coisas. Mas sabendo que tenho de viver no sítio que não quero ignorar, também me refugio nesta possibilidade de escrever sobre o sexo – como disse, de forma divertida e séria – como ato político de cuidado. Falar de sexo quando o mundo parece desabar não é necessariamente uma forma de distração. Pode ser exactamente o contrário: talvez seja uma maneira de lembrar que, enquanto houver corpos que procuram intimidade, ainda não desistimos completamente uns dos outros.
Médio Oriente | China diz que está a realizar “mediação activa” Hoje Macau - 11 Mar 2026 O Governo chinês afirmou ontem que está a desenvolver uma “mediação activa” no conflito no Médio Oriente e que continuará a manter contactos com as partes envolvidas para promover o regresso às negociações. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros Guo Jiakun afirmou em conferência de imprensa que a China está “profundamente preocupada” com as tensões e pediu a todas as partes que cessem as operações militares para evitar uma maior escalada do conflito. Guo lembrou que o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, manteve contactos recentes com vários homólogos da região para “trocar opiniões em profundidade sobre a situação regional”. O porta-voz acrescentou que o enviado especial do Governo chinês para o Médio Oriente, Zhai Jun, se encontra actualmente na região a realizar visitas como parte dos esforços de mediação de Pequim, e indicou que as autoridades chinesas informarão “oportunamente” sobre a sua agenda, sem oferecer mais detalhes sobre os objectivos ou o itinerário da missão. O ministério dos Negócios Estrangeiros chinês informou apenas que Zhai chegou no domingo à Arábia Saudita, onde se reuniu com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Faisal bin Farhan. Segundo Guo, o tratamento da questão iraniana e de outros assuntos relacionados com o Médio Oriente deve basear-se em princípios como “respeitar a soberania nacional”, “abster-se do abuso da força” e “manter a não ingerência nos assuntos internos”. O porta-voz acrescentou que a China continuará a manter a comunicação com as partes envolvidas e a reforçar os esforços de mediação para “promover um esfriamento da situação”. Segurança energética O responsável acrescentou que a China adoptará as “medidas necessárias” para salvaguardar a sua segurança energética e pediu que sejam garantidos suprimentos de energia “estáveis e fluidos”. Guo Jiakun referiu que a segurança energética é “crucial para a economia mundial” e afirmou que todos os países têm a responsabilidade de garantir a estabilidade do abastecimento. As repercussões do conflito no estreito de Ormuz afectam directamente a China, que recebe por essa via cerca de 45 por cento do petróleo que importa do Irão e de vários outros países. Guo acrescentou que Pequim adoptará medidas para proteger a sua segurança energética, embora não tenha especificado as políticas concretas que o país irá implementar. O porta-voz sublinhou ainda que o estreito de Ormuz e as águas circundantes são “canais importantes para o comércio internacional de bens e energia”, acrescentando que manter a segurança e a estabilidade nessa zona “responde ao interesse comum da comunidade internacional”. A China, principal parceiro comercial de Teerão e o seu maior comprador de petróleo, condenou repetidamente os ataques ao Irão por parte dos Estados Unidos e de Israel por “violarem a soberania” do país persa.
Exposição | Aguarelas de Hana Tou Mei Kun no Fantasia 10 até 29 de Abril João Luz - 11 Mar 202611 Mar 2026 A exposição “Aguarelas de Hana Tou Mei Kun”, está em exibição no edifício Fantasia, na Calçada da Igreja de São Lázaro, até ao próximo dia 29 de Abril. A mostra reúne mais de 30 peças recentes da jovem artista local, “com destaque para paisagens em aguarela, juntamente com esboços e obras em acrílico e pinturas em azulejo”. De acordo com a curadora Leong Kit Man, as pinturas de Hana Tou Mei Kun “capturam a beleza serena de uma brisa suave e, tal como a pintura, assim é a pintora”. A curadora da mostra descreve a artista como “uma professora de arte empática, gentil e atenciosa, que cultivou inúmeros talentos artísticos jovens”. Hana Tou Mei Kun foi aluna do artista local Dor Lio Hak Man e prosseguiu estudos em Taiwan, na Universidade Nacional de Chiayi e na Universidade Ming Chuan. Actualmente, é professora de arte Reflectindo sobre os seus anos de prática, a artista revela que “sempre se sentiu atraída por paisagens em aguarela, com o fluxo rápido e livre das pinceladas a inspirar-lhe grande alegria”, descreve a organização da exposição. “Aguarelas de Hana Tou Mei Kun” é organizada pela Associação de Arte Jovem de Macau, em colaboração com a Associação Promotora para as Indústrias Criativas na Freguesia de São Lázaro, a 10 Fantasia e a Associação de Comunicação de Professores de Arte de Macau. A exposição pode ser visitada diariamente, entre as 11h e as 18h, excepto nas segundas-feiras.
Cinema | Estão abertas até 10 de Abril candidaturas a apoio para curtas João Luz - 11 Mar 2026 Está aberto o período de candidaturas ao programa de apoio financeiro a produções de curtas-metragens até ao próximo dia 10 de Abril, destinado a residentes portadores de BIR maiores de 18 anos. O programa tem três categorias: Documentário, Curta-metragem de ficção e Animação, e cada categoria está dividida em três níveis: Avançado, Livre e Iniciados. O júri do programa será composto por profissionais do sector, convidados pelo Instituto Cultural, que irá seleccionar um máximo de 16 projectos, que vão receber um “montante total até 1,55 milhões de patacas, dependendo da categoria e do nível”. Cada projecto seleccionado poderá receber, individualmente, um valor máximo de 280 mil patacas para custos de produção. Entre as curtas seleccionadas, o júri seleccionará um máximo de três obras de destaque, cujos participantes terão direito a serviços de planeamento estratégico para festivais de cinema e de promoção comercial internacional, por um ano. Os interessados podem consultar o regulamento e descarregar o formulário de inscrição no portal do Instituto Cultural. Os formulários e devida documentação têm de ser entregues no Edifício do Instituto Cultural, na Praça do Tap Siac, até às 17h30 de 10 de Abril, ou através de e-mail até às 23h59 do mesmo dia. O Governo realça que a atribuição deste apoio tem como objectivo “elevar o profissionalismo, a competitividade no mercado e a visibilidade internacional das curtas-metragens seleccionadas. Este ano o programa introduz novas medidas de apoio específico”.
Cultura chinesa | Workshops antecipam fim de temporada de espectáculos João Luz - 11 Mar 2026 O final da 1.ª Temporada de Espectáculos de Cultura Chinesa aproxima-se. No fim de Março, apresenta-se a peça de teatro dança “Mulan”, e este fim-de-semana arrancam uma série de workshops inspirados na personagem mitológica. Vestuário, artesanato e joalharia serão os temas das oficinas que terão lugar na Casa da Literatura de Macau e na Casa de Lou Kau A partir de sábado, a Casa da Literatura de Macau e a Casa de Lou Kau vão receber três workshops inspirados na lenda milenar de Mulan, em jeito de antecipação para os espectáculos que vão encerrar a 1.ª Temporada de Espectáculos de Cultura Chinesa. O Workshop “Veste-te e Dança como Mulan” irá possibilitar uma experiência partilhada entre pais e filhos, com idades entre os 4 e 8 anos, vestidos com trajes étnicos de dança chinesa. Esta actividade realiza-se na Casa da Literatura de Macau no sábado, entre as 10h30 e 12h30 e das 15h às 17h, e no domingo, das 15h às 17h. Já a Casa de Lou Kau, vai acolher dois workshops, um de quilling (desenhos feitos com papel enrolado, fitas de cetim e outros materiais) e modelagem em argila leve, destinados a participantes a partir dos 6 anos de idade. O “Mulan: Workshop de Filigrana em Papel” está marcado para os dias 14, 21 e 28 de Março, sempre entre as 15h e as 17h, enquanto o “Mulan: Workshop de Criação em Argila Super-leve” terá lugar nos dias 15, 22 e 29 de Março, com o mesmo horário. O Instituto Cultural (IC) indica que os residentes de Macau interessados podem consultar os detalhes e inscrever-se através da secção “Inscrição em Actividades” da Conta Única de Macau. Caso o número de inscritos exceda a lotação, a selecção dos participantes será feita por sorteio. O princípio do fim A 1.ª Temporada de Espectáculos de Cultura Chinesa encerra com a peça de dança teatro “Mulan”, pelo Grupo de Artes e Espectáculos de Ningbo, que subirá ao palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Macau nos dias 27 e 28 de Março, às 19h30. A peça, dirigida em conjunto pelas “aclamadas estrelas gémeas da dança chinesa” Zhou Liya e Han Zhen, conquistou vários prémios nacionais, incluindo o “Prémio Projecto Cinco-Um” e o “Prémio Flor de Lótus de Dança Chinesa”, contando com actuações em diversos países e regiões, tanto na China como no estrangeiro. Os bilhetes para os espectáculos no Centro Cultural de Macau estão à venda na Bilheteira de Enjoy Macao, e custam entre 120 e 400 patacas, com 50 por cento de desconto para quem tem “Cartão de Identidade de Residente de Macau válido, Cartão de Estudante a Tempo Inteiro, Cartão de Professor de Macau”, ressalva o IC. Mulan é uma lenda clássica muito conhecida na China. Centrada na piedade filial, lealdade, coragem e amor, a obra narra o percurso e a transformação de uma bela jovem camponesa numa heroína lendária, “transmitindo as virtudes tradicionais chinesas e sentimentos humanistas que transcendem o tempo e o espaço”. “Ao fundir engenhosamente dança, artes marciais, teatro e elementos tecnológicos, a produção confere renovada vitalidade a personagens clássicos”, descreve o IC. A peça centrada na figura mitológica da camponesa tornada guerreira heroica fecha com chave de ouro a primeira temporada de espectáculos que arrancou em Novembro do ano passado. No total, foram organizados 37 espectáculos e actividades paralelas, que o IC indica terem sido “vistos por mais de dez mil pessoas”. O ciclo cultural conta com o patrocínio da secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura e é organizado em conjunto pelo IC e o Departamento de Publicidade, Cultura e Desporto do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM. Além disso, tem também o apoio das direcções de serviços de Turismo e de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e do Instituto para os Assuntos Municipais.
Tecnologia | Mulher exaltada com robô recebeu assistência médica João Santos Filipe - 11 Mar 2026 O CPSP informou que o robô humanóide era controlado por um homem com cerca de 50 anos, que tem como objectivo comercializar este tipo de equipamentos no futuro O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) anunciou que a mulher que foi vista a discutir com um robô humanóide teve de receber tratamento médico, depois de se ter assustado. A informação foi adianta numa resposta enviada ao HM. “Por volta das 21h00 do dia 5 de Março, a Polícia de Segurança Pública recebeu uma denúncia de que uma mulher precisava de ajuda do lado de fora de um prédio na Rua do Sul, em S. Lázaro. Os agentes dirigiram-se imediatamente ao local”, foi indicado. “Verificou-se que a mulher, enquanto utilizava o telemóvel, se assustou ao perceber que um robô se aproximava por trás. Não houve contacto físico entre a mulher e o robô, nem ela sofreu quaisquer ferimentos. No entanto, ela relatou sentir-se indisposta e precisou de tratamento hospitalar”, foi acrescentado. Na segunda-feira à noite, a mulher já tinha recebido alta, mas optou por não apresentar qualquer tipo de queixa contra o proprietário do robô. “Ela recebeu alta e não tomou nenhuma medida legal em relação ao incidente”, foi informado. O CPSP revelou também que o robô foi devolvido ao dono, depois de lhe recomendarem uma utilização cuidadosa do mesmo. A mesma fonte esclareceu que o robô não era operado por inteligência artificial: “O robô envolvido era operado por um homem local na casa dos cinquenta anos, que afirmou estar a realizar testes na altura, com a intenção de o utilizar para promoções comerciais no futuro”, foi apontado. “A polícia lembrou ao homem que, ao operar robôs, ele deve permanecer constantemente atento à situação para evitar causar perigo ou alarme ao ambiente circundante ou aos transeuntes”, foi adicionado. Pedidos de regulação Este foi o segundo incidente público com um robô humanóide no território nas últimas semanas. Também no primeiro caso, o robô estava a ser testado para depois ser comercializado, de acordo com Zeng Zengwei, membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte. Na reunião mais recente deste conselho, este membro fez um pedido às autoridades para implementarem uma nova regulamentação para lidar com os robôs, principalmente face à possibilidade de serem controlados por inteligência artificial e devido aos equipamentos de captação de imagem e som, que podem colocar em causa a protecção de dados pessoais.
Paradise Entertainment | Alerta para redução de lucros João Santos Filipe - 11 Mar 202611 Mar 2026 A Paradise Entertainment, que geria o casino-satélite Kam Pek e se dedica à disponibilização de máquinas de jogo, alertou os investidores para uma redução dos lucros de 63,5 por cento em 2025, para 139,4 milhões de dólares de Hong Kong. O aviso foi deixado num comunicado enviado à Bolsa de Hong Kong, onde se indica que parte da redução dos lucros se deveu aos pagamentos feitos à SJM relacionados com os trabalhadores do casino-satélite Kam Pek, encerrado no ano passado. “Esta diminuição nos lucros deveu-se principalmente […] pelos pagamentos do grupo aos funcionários e os reembolsos à SJM Resorts, relacionadas com os empregadores contratados pela SJM Resorts que trabalhavam para o Casino Kam Pek Paradise”, foi indicado. Estes pagamentos totalizaram 42,1 milhões de dólares de Hong Kong. Entre os factores que contribuíram para a redução dos lucros, a empresa apontou também a diminuição de 85,2 milhões de dólares de Hong Kong das receitas provenientes da prestação de serviços de gestão de casinos em Macau e uma redução de 165,5 milhões de dólares de Hong Kong na venda de equipamentos de jogo. Em 2024, a empresa responsável pela operação do Kam Pek tinha registado lucros de 245,5 milhões de dólares de Hong Kong.
Jogo | Citigroup destaca “começo sólido” de Março João Santos Filipe - 11 Mar 202611 Mar 2026 Março teve um “começo sólido” em termos de receitas do jogo, de acordo com o mais recente relatório do banco de investimento Citigroup. O documento é citado pelo portal GGRAsia. “Com base nas nossas fontes da indústria, verificámos que as receitas brutas do jogo de Macau nos primeiros oito dias de Março terão atingido cerca de 5,65 mil milhões de patacas”, consta no relatório assinado por George Choi e Timothy Chau. “Isto implica uma média diária de receitas de cerca de 706 milhões de patacas, cerca de 4 por cento inferior à medida das receitas brutas do jogo em Fevereiro de 2026 – 737 milhões de patacas por dia –, mas cerca de 11 por cento superior à de Março de 2025, de 634 milhões de patacas por dia”, foi acrescentado. Segundo a Citi, os vários espectáculos organizados pelas concessionárias dos casinos no início de Março contribuíram para o aumento anual das receitas do jogo. “Acreditamos que os concertos da boy band coreana Treasure na Arena Venetian, do cantor e compositor chinês Wang Sulong e do grupo feminino coreano Aespa na Arena Galaxy podem ter contribuído para o sólido início de Março de 2026”, foi apontado. Os bons números não deixam de representar uma redução esperada das receitas em comparação com Fevereiro, que normalmente é uma das épocas altas do jogo, por coincidir com o Ano Novo Lunar. “Com base em fontes do sector, os volumes VIP caíram entre 2 por cento a 4 por cento em relação ao mês anterior, e das receitas de massas entre 3 por cento e 5 por cento em relação ao mês anterior”, observaram.
Hutchison | Venda da “3” em Macau rendeu 110 milhões João Santos Filipe - 11 Mar 2026 A venda da “3” foi explicada com as perdas da operadora ligada à Hutchison Telecom que atingiram 43 milhões de dólares de Hong Kong. O mercado das telecomunicações de Macau fica agora totalmente concentrado nas empresas estatais chinesas CITIC e China Telecom A venda da operadora de telecomunicações “3” pela Hutchison Telecom à Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM) rendeu à empresa de Hong Kong 110 milhões de dólares de Hong Kong. Os números constam dos resultados anuais da empresa, divulgados num comunicado à Bolsa de Hong Kong na segunda-feira. “Em Janeiro de 2026, o Grupo concluiu a venda de todos os seus interesses na 3 Macau por um valor de 110 milhões de dólares de Hong Kong, encerrando mais de duas décadas de operações no mercado de Macau”, foi explicado por Canning Fok Kin Ning, presidente da Hutchison Telecom, que faz parte do grupo fundado por Li Ka-shing. “A venda irá servir para apoiar melhorias sustentadas na rentabilidade do grupo nos próximos anos, permitindo redistribuir os recursos de forma mais eficaz e simplificar ainda mais a sua estrutura operacional”, acrescentou o presidente. O documento mostra também que as perdas da empresa em Macau se vinham a acentuar nos últimos anos. Em 2025, as perdas em Macau foram de 43 milhões de dólares de Hong Kong, um valor que aumentou 72 por cento em relação ao ano anterior, quando as perdas em Macau tinham sido de 25 milhões de dólares de Hong Kong. Esta é uma diferença de 18 milhões de dólares de Hong Kong, que teve um impacto significativo nos resultados do grupo. O ano de 2025 fechou para a Hutchison Telecom com perdas de 25 milhões de dólares de Hong Kong, quando no ano anterior se tinha registado um lucro de 6 milhões. Regime de monopólio Com a venda da Hutchison à CTM, o mercado fica formalmente com três operadoras, uma vez que a marca 3 vai ser mantida, por agora, mas a CTM e a 3 passam a ser controladas pelos mesmos accionistas, essencialmente o Grupo CITIC, uma empresa estatal chinesa. A outra operadora do mercado de Macau é igualmente uma empresa estatal-chinesa, neste caso a China Telecom. Esta situação tem levantado preocupações para uma possível fragilização da posição dos clientes, como foi exposto pela associação Centro da Políticas da Sabedoria Colectiva, através do vice-presidente do Loi Man Keong. No entanto, o Governo afastou eventuais preocupações, desvalorizando a concentração e prometeu continuar a exercer as funções de regularização. “Esta transmissão de participações sociais envolve, essencialmente, uma alteração dos accionistas da Hutchison, que continua a operar a sua rede e a prestar serviços”, foi indicado num comunicado da Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT). “Por outras palavras, actualmente, o mercado continua a contar com três operadoras de telecomunicações móveis, e o Governo continua a fiscalizar, rigorosamente, o cumprimento, por parte da Hutchison, das suas obrigações constantes da licença, garantindo a prestação dos serviços de telecomunicações móveis estáveis aos utilizadores”, foi acrescentado.
Questionada qualificação de responsável por restauro das Ruínas de São Paulo Hoje Macau - 11 Mar 2026 As qualificações profissionais de uma das responsáveis pelo restauro das estátuas de bronze das Ruínas de S. Paulo, cujos trabalhos começaram em 2017, foi posta em causa num artigo publicado pelo jornal Cheng Pou. A responsável em causa é Ip Kin Hong, professora assistente de investigação da Universidade de Macau. Em Outubro do ano passado, foram publicados na imprensa chinesa comentários de um profissional de restauro em património cultural, onde se apontava que a posição da estátua da Virgem Maria no terceiro nível tinha sido alterada na sequência do restauro. Em resposta às dúvidas, que ganharam alguma tracção online, o Instituto Cultural (IC) sublinhou que respeita rigorosamente os requisitos internacionais no que toca à protecção e restauro do património cultural, seguindo os princípios da de intervenção mínima e reversível. Além disso, destacou que o restauro do ex-líbris da cidade conta com o apoio do Museu da Cidade Proibida e da Universidade de Macau (UM), o Centro para a Preservação e Transmissão do Património Cultural do Museu do Palácio de Macau, subordinado do IC. O Cheng Pou cita ainda denúncias de que Ip Kin Hong tem vínculos profissionais com o Centro para a Preservação e Transmissão do Património Cultural do Museu do Palácio de Macau e a UM, a primeira entidade responsável pelos trabalhos, enquanto o estabelecimento de ensino foi uma das entidades consultadas em relação à qualidade do restauro. Como tal, questionou o IC sobre os critérios para decidir as entidades responsáveis pelos trabalhos de restauro e as qualificações profissionais da docente da UM, os custos do projecto, se a equipa que tratou das fases anteriores está encarregue da última fase dos trabalhos. No artigo publicado ontem, o jornal refere que até segunda-feira não tinha respostas do IC. Por fases O IC anunciou em meados do mês passado que a segunda fase dos trabalhos de restauro e manutenção das estátuas de bronze nas Ruínas de S. Paulo foi concluída com êxito. A primeira fase, concluída no ano passado, foi focada na estátua da Virgem Maria no terceiro nível e nas duas estátuas de bronze à direita do segundo nível. A segunda fase, que envolveu principalmente as duas estátuas de bronze à esquerda do segundo nível e a estátua de Jesus Cristo no quarto nível. A próxima e derradeira fase será o restauro este ano da estátua da Pomba, situada no nível superior.
Farmácias | ISAF pede promoção da saúde física e mental da população João Luz - 11 Mar 202611 Mar 2026 O presidente do Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica quer mais participação das farmácias na promoção da saúde física e mental da população. Choi Peng Cheong defende também uma maior integração da cultura da medicina tradicional chinesa na vida quotidiana dos residentes O presidente do Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica (ISAF), Choi Peng Cheong, quer que as farmácias de Macau ganhem um maior protagonismo na promoção da saúde física e mental da população. A posição foi tomada durante uma série de colóquios com o sector farmacêutico organizados pelo ISAF, de acordo com um comunicado divulgado ontem pelo organismo. Choi Peng Cheong apontou ainda para o papel que os farmacêuticos de Macau podem ter nos cuidados aos idosos, assim como na supervisão do mercado. O presidente do ISAF enquadrou o apelo ao sector no “conceito governativo de descentralização dos recursos de serviços para os bairros comunitários”, dando prioridade nos cuidados a idosos e crianças, designados como “grupos-chave”. O dirigente lançou um repto aos farmacêuticos para que tomem a iniciativa de prestar particular atenção aos doentes que tomam “medicação a longo prazo, polimedicação e riscos potenciais para a saúde. Em relação aos farmacêuticos de medicina tradicional chinesa, Choi Peng Cheong lembrou que essa é uma das áreas prioritárias nas políticas de diversificação da economia, mas que devem ter uma intervenção mais presente na comunidade, transmitindo conhecimentos sobre a prevenção e cuidados de saúde. O responsável defende que em Macau deve haver “integração da cultura da medicina tradicional chinesa na vida quotidiana”, “fomentando a saúde física e mental dos residentes”. Papel principal A ideia central do apelo do presidente do ISAF é o reforço do “papel e a função das farmácias e farmácias chinesas comunitárias na salvaguarda e promoção da saúde pública”, potenciando o valor social da profissão farmacêutica e a proximidade com as pessoas. “As farmácias e farmácias chinesas de Macau estão espalhadas por toda a cidade, formando uma importante rede de cuidados farmacêuticos primários; os profissionais farmacêuticos comunitários são um dos profissionais mais acessíveis e de confiança dos residentes, desempenhando um papel indispensável na promoção da saúde pública”, afirmou. Durante os colóquios, foram ainda abordados temas como o desenvolvimento dos jovens profissionais farmacêuticos e a resposta ao envelhecimento da população. Os representantes de associações ligadas ao sector comunicaram às autoridades a situação actual dos seus negócios e colocaram questões sobre os métodos de supervisão do mercado.
Novo Bairro | Pedida maior circulação de empregadas domésticas João Santos Filipe - 11 Mar 2026 A deputada Wong Kit Cheng está em Pequim, para participar na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), onde pediu que as empregadas domésticas contratadas em Macau possam trabalhar em toda a Zona de Cooperação, e não apenas no Novo Bairro de Macau Wong Kit Cheng, deputada ligada à Associação das Mulheres de Macau, defendeu a facilitação da política que permite aos residentes locais levarem as empregadas domésticas estrangeiras para a Zona de Cooperação Aprofundada na Ilha da Montanha. A posição foi tomada por Wong em Pequim, onde se encontra a participar na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), como representante da RAEM. Segundo a sua intervenção, que foi partilhada através do portal da Associação das Mulheres, Wong começou por destacar a importância da implementação desta política, limitada ao Novo Bairro de Macau, e indicou que este resultado tido como positivo só foi possível devido aos governantes do Interior. No entanto, a legisladora sugeriu que o processo se torne mais abrangente, uma vez que actualmente só existem 62 trabalhadoras não-residentes a desempenhar funções de empregadas domésticas neste bairro de Hengqin, onde apenas podem viver residentes de Macau. Com base nos dados oficiais, Wong indicou que apenas 14 por cento dos residentes de toda a Zona de Cooperação Aprofundada recorrem a trabalhadores não-residentes contratados em Macau. Todavia, os estudos sobre o assunto, mencionados pela deputada, apontam que mais de metade dos residentes de Macau em Hengqin pretende recorrer a trabalhadores não-residentes contratados em Macau, em vez de mão-de-obra disponível no Interior. Próximo nível Com base no cenário descrito, Wong Kit Cheng indicou que a maior utilização de trabalhadores não-residentes contratados em Macau no Interior pode ser alcançada através de duas alterações nas políticas actuais. A primeira forma, passa por facilitar a circulação na Zona de Cooperação Aprofundada com as empregadas domésticas contratadas em Macau a poderem circular por toda a Zona, em vez de ficarem limitadas ao Novo Bairro de Macau. Segundo Wong, desta forma os residentes de Macau a viver e a trabalharem no outro lado da fronteira podem sentir melhor os benefícios das políticas nacionais. Em segundo lugar, a deputada ligada à Associação das Mulheres admite a criação de um novo sistema de segurança entre Macau e o Guangdong, para controlar as entradas e a circulação destas empregadas. Segundo Wong Kit Cheng, esse novo mecanismo permitiria aos residentes recorrerem a esta mão-de-obra, ao mesmo tempo que se mitigavam os riscos para a segurança no Interior. A deputada sublinhou ainda que um mecanismo deste género tem igualmente de garantir a protecção laboral destes trabalhadores.
De esposa a actriz porno: Abertura do casamento tradicional (I) David Chan - 10 Mar 202617 Mar 2026 De acordo com a imprensa japonesa, uma mulher de trinta e tal anos sofreu uma paragem respiratória devido a problemas relacionados com uma anestesia, depois de ter sido operada a uma fractura. Esta experiência de quase morte levou-a a reflectir sobre a vida. Devido à ausência prolongada de intimidade conjugal, sentia-se emocional e fisicamente carenciada. Então decidiu falar abertamente com o marido, sugerindo passar a ter casos extra-conjugais, o que o chocou e perturbou. Após várias conversas, o casal concordou em manter uma relação matrimonial tradicional, mantendo a rotina diária e partilhando as tarefas domésticas. No entanto, a mudança consistiria no facto de a mulher passar a actuar em filmes para adultos, que mostrassem o seu corpo belo e voluptuoso; ele até iria apreciar e comentar o seu talento para a representação. Com esta mudança, as necessidades físicas e emocionais da mulher seriam satisfeitas por outras pessoas. Assim, a relação passou de casamento “tradicional” a casamento “aberto”. Um “casamento aberto” é uma relação transparente e honesta que implica consentimento mútuo, diferente do casamento tradicional. No casamento tradicional, a infidelidade implica traição e mentira; no entanto, num casamento aberto, o relacionamento com outras pessoas resulta de um acordo mútuo, não existindo aceitação forçada ou ocultação. O casal estabelece regras detalhadas. Por exemplo: a abertura limita-se a convívio ou inclui actividade sexual? O elemento exterior pode ser um amigo comum? Pode-se levar para casa o novo parceiro? São necessárias medidas contraceptivas e preventivas? Num casamento aberto, como é que se estabelece a superioridade afectiva do cônjuge em relação ao novo parceiro? A resposta é simples: quando um dos elementos do casal precisa do outro, o “outro” tem de se afastar imediatamente. Este é o princípio mais importante para manter o amago da relação. Porque se escolhe um casamento aberto? A satisfação das necessidades fisiológicas é uma das razões. Na história acima citada, um dos elementos do casal tinha mais desejo sexual do que o outro; o casamento aberto poderia assim servir como um mecanismo compensatório para manter a estabilidade conjugal. Em segundo lugar, o marido ter concordado com a participação da esposa em filmes para adultos permitiu que ela pudesse ter novas experiências sexuais e novas ligações emocionais e aumentar o seu auto-conhecimento. Em terceiro lugar, em vez de reprimir a natureza ou prevenir a infidelidade, a abertura condicional permite uma relação de confiança mais duradoura porque não há necessidade de ninguém se esconder. Embora o casamento aberto tenha vantagens e pareça ser libertador, também lida com as seguintes dificuldades: Primeiro, poucas pessoas conseguem manter-se realmente indiferentes quando confrontadas com a intimidade do cônjuge com os outros, ou com o apreço que tem por eles. O ciúme pode fazer com que o consentimento passe a oposição e essa oposição pode assumir formas violentas. Segundo, em geral a sociedade encara o casamento aberto como um relacionamento anormal, que potencialmente pode danificar a felicidade conjugal e deixar uma impressão de “promiscuidade”. Do ponto de vista legal, pode ser considerado uma violação da fidelidade conjugal e um desafio às normas sociais. Na próxima semana, iremos continuar a nossa análise sobre o impacto na sociedade japonesa dos casamentos tradicionais que passaram a casamentos abertos. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau cbchan@mpu.edu.mo
Exposição de pintura de Gao Lipeng inaugurada hoje na FRC João Luz - 10 Mar 202610 Mar 2026 A Fundação Rui Cunha (FRC) inaugura hoje às 18:30 horas, a exposição individual “Mirror Heart”, uma Viagem Artística de Gao Lipeng, pintor oriundo da província de Shandong, no litoral nordeste do Interior da China. “A mostra inclui 26 pinturas a tinta-da-china e tons pastel, entre originais e réplicas, criadas por Gao Lipeng nos seus passeios pelas ruas e becos de Macau, durante os últimos três anos, onde se perdeu e demorou a tentar captar a textura e a história viva da cidade”, revela a organização da mostra. A selecção, de entre mais de três centenas de peças, coube às curadoras Jun Zilan, e Lalin), sob a orientação académica de Wang Lan. O conjunto revela uma escolha das obras mais representativas do artista, que demonstram a reconstrução espiritual da história e da paisagem cultural de Macau. O manifesto da exposição refere que a arte de Gao Lipeng integra a “meticulosa pincelada tradicional chinesa, com perspectivas artísticas contemporâneas, reflectindo o seu profundo envolvimento com o património cultural e as narrativas urbanas, particularmente através das suas obras temáticas sobre Macau”. A expressão artística do autor “incorpora uma fusão de rigor académico e inovação criativa, estabelecendo-o como uma figura proeminente na pintura chinesa contemporânea”, é acrescentado. Segundo o orientador Wang Lan, “esta exposição resume a fase académica de Gao Lipeng em Macau e interpreta a sua busca por ‘ver o coração através da arte’, o conceito de ‘coração espelhado’”. Entre dois mundos O artista tem marcada uma presença activa no meio artístico local, onde estudou e se doutorou em Belas Artes pela Faculdade de Humanidades e Artes da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST). Gao Lipeng é membro da Associação de Artistas da China, investigador visitante na Universidade de Pequim e membro da direcção da Associação de Caligrafia e Pintura de Antigos Alunos da Universidade de Pequim. Além disso, é membro do conselho da Associação de Jovens Artistas de Shandong, pintor na Academia de Jovens Artistas da Academia de Pintura Li Keran, investigador no Instituto de Investigação de Pintura Chinesa de Dunhuang, um dos “Dez Jovens Mais Notáveis” de Weifang, membro do Comité Municipal de Qingzhou da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, presidente da Associação de Jovens Artistas de Qingzhou e vice-secretário-geral da Associação de Intelectuais Não-Partidários de Qingzhou.
Rota das Letras | Segunda semana com Valério Romão e Margarida Vila-Nova João Luz - 10 Mar 2026 Com uma parte substancial do Rota das Letras marcada para o último fim-de-semana do festival, esta semana não faltam pontos de interesse. Valério Romão apresenta hoje “O Desfufador – Contágio – Vol. 1”, serão exibidos os filmes “Salatinas” e “A Herdade”, e Margarida Vila-Nova antecipa a apresentação da peça “À Primeira Vista” Antes do último fim-de-semana que condensa grande parte dos eventos finais do Rota das Letras, a programação do meio desta semana apresenta alguns “pesos pesados” do cartaz deste ano do festival literário. Hoje, às 18h30 na Livraria Portuguesa, Valério Romão apresenta o seu último livro “O Desfufador – Contágio – Vol. 1”, uma vertiginosa e satírica epopeia de resistência aos excessos do turismo, as teorias da conspiração, a masculinidade tóxica. Depois da trilogia das paternidades falhadas, com “Autismo”, “O da Joana” e “Cair para Dentro”, três livros de contos e um de poesia, o escritor português faz uma inversão de marcha na sua escrita em direcção à sátira mais mordaz aos tempos que correm. Editado pela Tinta da China, “O Desfufador – Contágio – Vol. 1” vive em torno de um naipe de heróis improváveis e discorre, página a página, com um sentido de humor encharcado de portugalidade. Também hoje, será exibido na Cinemateca Paixão, às 20h, o documentário “Salatinas”, de Filipa Queiroz, Rafael Vieira e Tiago Cerveira. O filme conta as estórias da velha Alta de Coimbra e a forma como cerca de 3.000 moradores foram desalojados de um dia para o outro para permitir a construção da Cidade Universitária na década de 1940. A exibição do filme será acompanhada por uma palestra com os autores do documentário. Na tela e em palco Os limites da justiça serão o foco para a palestra conduzida pela actriz Margarida Vila-Nova e o realizador e encenador Tiago Guedes, tendo como pano de fundo a peça “À Primeira Vista”, que será apresentada no Centro Cultural de Macau no sábado e domingo. A sessão que ira antecipar a performance em palco da peça escrita por Suzie Miller, está marcada para as 18h30 de quinta-feira, no Instituto Português do Oriente. A organização do Rota das Letras descreve “À Primeira Vista” como “um poderoso monólogo e um thriller jurídico de cortar a respiração” e “uma das mais reconhecidas peças de teatro dos últimos anos” que faz um exame incisivo sobre os limites do poder, lei e consentimento. A trama gira em torno de Teresa, uma brilhante jovem advogada proveniente de uma família humilde de classe trabalhadora, que trilha a sua ascensão por mérito e trabalho, estabelecendo-se como uma dotada advogada de defesa. Porém, um evento inesperado obriga-a a confrontar as linhas onde o poder patriarcal da lei, o ónus da prova e a moral divergem. Também na quinta-feira, às 20h30, é exibido o filme “A Herdade”, de Tiago Guedes no Cineteatro. Com Albano Jerónimo, Sandra Faleiro, Ana Vilela da Costa e Miguel Borges no elenco, “A Herdade” foi o filme seleccionado como representante de Portugal ao Oscar de melhor filme estrangeiro na edição de 2020. O bilhete para ver o filme de Tiago Guedes custa 100 patacas.
CBRE acredita em melhorias nos resultados da SJM, mas aponta desafios João Santos Filipe - 10 Mar 202610 Mar 2026 A empresa de serviços financeiros CBRE acredita que os resultados da SJM podem “apresentar sinais de melhoria” ao longo deste ano, depois de as contas de 2025 da concessionária terem sido marcadas por uma redução de 15 por cento nos Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (EBITDA, em inglês). As previsões constam de um relatório da empresa americana, citado pelo portal GGRAsia, que aponta vários factores com os quais a concessionária vai ter de lidar. Segundo os analistas John DeCree e Max Marsh, os possíveis motivos de optimismo prendem-se com os investimentos feitos nas renovações dos hotéis-casinos da empresa, assim como a criação de uma nova equipa de marketing. “Na segunda metade do ano, esperamos uma recuperação mais gradual e menos certa, dado o ambiente altamente competitivo em Macau. No entanto, reconhecemos que a nova equipa de marketing e os investimentos imobiliários da SJM podem superar as nossas expectativas”, foi comunicado. Apesar das expectativas, a CBRE reconheceu que a empresa fundada por Stanley Ho e gerida por Daisy Ho tem “arestas para limar”, que vão além do encerramento dos casinos-satélite ligados ao grupo. Dilemas internos Sobre as arestas a limar, a CBRE identificou “o reposicionamento da sua base de activos para servir melhor os clientes do segmento de massas; a reorganização da equipa de marketing e a modernização da sua estratégia promocional”. A necessidade de “aumentar a eficiência interna” e “reduzir os custos de operação” foram outros aspectos mencionados pelos analistas John DeCree e Max Marsh. Todavia, antes das melhorias, espera-se um período de maior instabilidade na exploração do negócio, com a SJM a ter de lidar com a “relocalização das mesas de jogo, das slot-machines e dos empregados dos casinos-satélite encerrados”. A esta instabilidade, juntam-se os trabalhos de renovação do Hotel Lisboa. Sobre os resultados recentes, a CBRE admitiu que os números e as tendências apresentadas pela concessionária “são decepcionantes”.
Cuidados paliativos | Cerca de 80% das camas ocupadas João Luz - 10 Mar 202610 Mar 2026 A taxa de utilização das camas de cuidados paliativos é de cerca de 80 por cento, segundo o director dos Serviços de Saúde que promete ajustar a oferta no futuro. Estes serviços são prestados principalmente a doentes terminais com cancro “Os Serviços de Saúde e as instituições médicas subsidiadas prestam principalmente serviços de cuidados paliativos e de cuidados em fase terminal aos doentes terminais com cancro, sendo a taxa de utilização das camas de cuidados paliativos de cerca de 80 por cento”, indicou o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo. Em resposta a uma interpelação escrita de Song Pek Kei, o responsável afirmou que os Serviços de Saúde irão ajustar, “o número de camas de acordo com a respectiva procura, articulando com o planeamento do desenvolvimento global das instalações médicas, optimizando a disposição dos serviços e a distribuição dos recursos”. Em relação ao cancro, Alvis Lo afirma que os programas de rastreio de Macau foram baseados no equilíbrio entre as orientações internacionais e “a realidade local”, incidindo sobre o cancro do colo do útero, cancro colorrectal, cancro pulmonar e cancro da mama. Alvis Lo acrescenta ainda que no que diz respeito ao cancro do pulmão a prevenção, e o incentivo à cessação tabágica, “continua a ser a intervenção mais eficaz e com melhor relação custo-benefício”. Actualmente, os grupos prioritários para rastreio de cancro do pulmão, através da tomografia computorizada de baixa dose, são pessoas com idades entre 50 e 74 anos, que tenham fumado há pelo menos 30 anos, ou que tenham deixado de fumar há menos de 15 anos. Controlo apertado Alvis Lo também traçou um panorama geral da realidade da hepatite B e Macau, começando por sublinhar que foi atribuído à RAEM o certificado da região da Região do Pacífico Ocidental da Organização Mundial de Saúde, porque a doença “é controlada com sucesso”. O responsável acrescenta que, hoje em dia, a principal faixa etária de infectados com a doença se concentra em indivíduos com mais de 50 anos. Tendo em conta estes dados, os Serviços de Saúde reforçaram, a partir do ano passado, o teste de rastreio da hepatite B a residentes com mais de 50 anos e foram disponibilizadas consultas externas de hepologia em todos os centros de saúde. Além disso, Alvis Lo indicou que para doentes infectados com hepatite B são agendados exames ecográficos e análises sanguíneas regularmente.
Taipa Pequena | Problemas com passeios, autocarros e lixo João Santos Filipe - 10 Mar 202610 Mar 2026 O deputado Nick Lei alerta para as dificuldades da zona e pede melhorias na Estrada Lou Lim Ieok e na Estrada de Sete Tanques que servem uma população de cerca de 1.600 residentes. O legislador aponta ainda o perigo da falta de passeios em algumas áreas O deputado Nick Lei defende a criação de passeios na Estrada Lou Lim Ieok e na Estrada de Sete Tanques, na Taipa Pequena, para evitar que os cidadãos tenham de andar na estrada quando se deslocam. Além disso, o legislador ligado à comunidade de Fujian alerta também para a necessidade de mais carreiras de autocarros e de substituir os contentores do lixo. Em relação à falta de passeios, o deputado avisa o Governo que “os residentes são obrigados a andar nas faixas de rodagem”, o que “causa muita insegurança à população”. Além disso, Lei indica que “quando passa um veículo a situação torna-se perigosa e ameaça a segurança dos peões”. Por isso, o membro da Assembleia Legislativa questiona: “De que planos concretos dispõe o Governo para melhorar o ambiente pedonal daquela zona, incluindo a criação de passeios para peões, passadeiras e outras instalações, com vista a salvaguardar a segurança dos residentes?”. Não só a falta de passeios para garantir a segurança dos residentes é criticada, a interpelação revela também incompreensão com o facto de aquela zona apenas ser servida por um único autocarro. “Quanto aos transportes públicos, neste momento, só a carreira n.º 35 passa pela Estrada Lou Lim Ieok, e não passa nenhuma carreira na Estrada de Sete Tanques, para além disso, aquela carreira só circula nas Ilhas, ou seja, não chega à Península de Macau, causando grandes inconveniências para os residentes que querem deslocar-se para o exterior”, foi descrito. “Os residentes que queiram deslocar-se para a Península de Macau têm de fazer o transbordo nas paragens periféricas e ainda têm de percorrer uma certa distância a pé para chegarem a uma outra paragem de autocarro”, acrescentou. Nick indica que este cenário é incompreensível, uma vez que nestas estradas existem “várias residências privadas, com uma população de cerca de 1600 pessoas”. Acumulação de lixo Na interpelação, o deputado aponta também que o ambiente da zona é afectado pela capacidade dos caixotes do lixo, tida como insuficiente. “No que respeita às instalações de recolha de lixo, veja-se o exemplo do Edifício ‘Jardins de Lisboa’, aqui só há um contentor de lixo com tampa, cuja capacidade é limitada e fica cheio facilmente, originando problemas de higiene ambiental, tais como a acumulação de lixo e a dissipação de odores”, descreveu. “Os residentes esperam que sejam instalados, o mais rápido possível, contentores de lixo de compressão, com vista a resolver os problemas de higiene, tais como, de lixo a céu aberto, mau cheiro e águas residuais, e, ao mesmo tempo, reduzir o tempo de recolha e transporte do lixo, optimizando, deste modo, a higiene dos bairros comunitários”, apontou. “Com vista a melhorar a higiene ambiental e a qualidade de vida dos residentes daquela zona e optimizar as instalações de recolha de lixo do complexo habitacional dos “Jardins de Lisboa”, quando é que o Governo vai substituir os antigos contentores de lixo por contentores de compressão?”, perguntou.
Combustíveis | Associações pedem maior transparência nos preços Hoje Macau - 10 Mar 2026 O presidente da Associação dos Consumidores das Companhias de Utilidade Pública de Macau, Chiang Chong Fai, apelou ao Governo para reforçar a inspecção aos preços dos combustíveis e aumentar a transparência. A posição foi tomada, em declarações ao canal chinês da Rádio Macau. A questão surge relacionada com a guerra declarada pelos Estados Unidos e Israel ao Irão, mas não é nova. Nos últimos anos vários deputados também pediram maior transparência do Governo face aos preços dos combustíveis. No entanto, ontem, as associações ouvidas pelo canal chinês da Rádio Macau consideram que o aumento do preço do petróleo não vai ter um impacto imediato em Macau. Chiang Chong Fai explicou que até agora o aumento foi sentido principalmente ao nível do crude, porque os produtos petrolíferos são transaccionados em contratos futuros, que em teoria não devem reflectir logo os aumentos do crude no mercado. Porém, Chiang Chong Fai alertou que se os fornecedores do petróleo aumentarem os preços, as autoridades têm que verificar se as razões do aumento forem razoáveis. O dirigente também considerou que o Governo deve pensar em reforçar a transparência na divulgação de informações. Por seu turno, o presidente da Associação Económica de Macau, Lau Pun Lap, afirmou que impacto da guerra no preço do petróleo vai depender da duração do conflito. O responsável apontou que muitos produtos que Macau recebe dependem da China. Todavia, o presidente da associação mostrou-se confiante na capacidade do Governo Central para estabilizar os preços e aliviar a pressão da inflação vinda de fora.
Tecnologia | Defendida criação de leis para robôs humanóides Nunu Wu e João Santos Filipe - 10 Mar 202610 Mar 2026 O conselheiro Zeng Zengwei defendeu a criação de legislação para regular a circulação de robôs humanóides em Macau, depois da aparição na RAEM, na semana passada, de um vídeo que se tornou viral nas redes sociais de uma mulher a ralhar com um robô O membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, Zeng Zengwei, defendeu a necessidade de criar legislação para regular o desenvolvimento dos robôs humanóides. A posição foi tomada numa reunião do conselho na quarta-feira, depois de um primeiro aparecimento de um robô humanóide nas ruas, mas antes do episódio mais recente, quando uma mulher foi filmada a dar um sermão a um robô. Na intervenção da reunião, Zeng Zengwei alertou para os perigos que os robôs podem constituir, principalmente quando circulam junto de escolas e outros equipamentos sociais, em zonas com maior densidade populacional. “Recentemente um robô humanóide foi visto a circular nas ruas, como forma de promoção de uma empresa. O robô humanóide apareceu nas proximidades das escolas e de paragens de autocarros, locais densamente povoados”, descreveu o conselheiro. “No entanto, durante a caminhada, o robô teve vários encontrões pequenos, mas frequentes, com transeuntes. Eu testemunhei um desses encontrões com um estudante, quando este aguardava pelo autocarro”, revelou. Uma vez que os robôs são máquinas e que a circulação entre a população pode implicar a causa de danos, em casos de avarias ou circunstâncias inesperadas, Zeng Zengwei indicou que é preciso definir um regime sobre as responsabilidades legais, em caso de acidentes e ferimentos. Protecção de dados O conselheiro surgiu assim a elaboração de “leis relacionadas com robôs humanóides, particularmente focados nas ameaçadas à segurança e ordem” durante a utilização dos espaços públicos, assim como a regulação da captação de imagens, para garantir o respeito pela lei da protecção de dados pessoais. Além disso, foi igualmente defendida a necessidade de fazer um registo sobre os robôs humanóides que utilizam as ruas locais, assim como a criação de um sistema de certificação de segurança. Apesar das críticas, o conselheiro destacou a importância do desenvolvimento tecnológico e do espírito empreendedor. A mais recente polémica com robôs humanóides aconteceu na sexta-feira à noite, quando uma das máquinas foi levada por agentes do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), de acordo com as publicações nas redes sociais, sem que se tenha havido qualquer tipo de explicações públicas. O HM questionou as autoridades sobre o episódio, mas até ontem não recebeu qualquer resposta sobre o episódio. Antes da “detenção” do robô, uma mulher foi filmada a ralhar com o humanóide e a chamar-lhe maluco, depois de ter ficado assustada com a presença da máquina. Em reacção o robô levanta os braços, o que levou a mulher a abandonar o local.
MP | Assumido papel de interlocução entre a China e PLP Hoje Macau - 10 Mar 2026 Tong Hio Fong promete que Macau vai desempenhar o papel de interlocutor jurisdicional entre a China e os países lusófonos O Procurador-Geral de Macau, Tong Hio Fong, apontou que o Ministério Público (MP) da cidade irá desempenhar um papel de interlocutor jurisdicional entre a China e os países lusófonos. Durante as Duas Sessões que decorrem em Pequim, o Governo Central da China voltou a destacar o papel estratégico de Macau na ligação com os países de língua portuguesa. O relatório de trabalho apresentado pelo primeiro-ministro, Li Qiang, sublinhou que a região deve potenciar as suas vantagens únicas e aprofundar a sua função como plataforma de interligação entre o interior da China e o espaço lusófono, de modo a promover “prosperidade e estabilidade a longo prazo”. Segundo destacou agora o Ministério Público, num comunicado de reacção às Duas Sessões, a RAEM será consolidada como plataforma de cooperação judiciária e comunicação profissional, de modo a aproximar sistemas legais e promover intercâmbio entre magistrados e instituições dos países de língua portuguesa. O mesmo organismo pretende aprofundar a colaboração na área da Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau e na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin (ilha da Montanha), mas sempre com a perspectiva de que Macau deve servir como “cabeça-de-ponte” para a abertura da China ao mundo lusófono. A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é um projecto de Pequim para integrar os dois territórios de Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong numa região com mais de 86 milhões de habitantes e uma economia superior a um bilião de euros em 2023. Objectivo definido Segundo Tong, o objectivo é que Macau se afirme cada vez mais como “elo privilegiado entre a China e a comunidade internacional de língua portuguesa”, contribuindo para o desenvolvimento nacional e para a consolidação da sua posição estratégica dentro da política ‘Um País, Dois Sistemas’. Nos planos governativos de Macau para 2026 está incluída a celebração de um acordo para auxílio judiciário mútuo em matéria penal com Angola. Angola e a China continental assinaram em 2006 um tratado de extradição, que só foi aprovado pelo Parlamento angolano em 2011, tendo sido ratificado pelo Governo de Luanda dois anos mais tarde. De acordo com as Linhas de Acção Governativa para o próximo ano, Macau quer também começar a negociar um “acordo sobre a confirmação e execução recíprocas de decisões judiciais em matéria civil e comercial” com Portugal. No entanto, o documento não refere qualquer data para a conclusão das negociações e a eventual assinatura de um acordo afinal. Macau e Portugal assinaram em 2019 um acordo relativo à entrega de infractores em fuga, cuja legalidade penal foi posta em causa pela Ordem dos Advogados portuguesa. O protocolo não está em vigor, uma vez que não foi a votos na Assembleia da República.
Investigação | Redes sociais servem para encontrar genros e noras Hoje Macau - 9 Mar 20269 Mar 2026 Os pais chineses estão a recorrer às redes sociais para encontrar genros e noras, através de anúncios e discussões centrados em atributos práticos e pautados por uma notável “ausência de amor”, revela uma investigação da Universidade de Macau. A investigação de Todd Lyle Sandel, professor do departamento de Comunicação da Universidade de Macau (UM), centra-se no envolvimento parental em grupos de encontros na plataforma de mensagens WeChat (semelhante ao WhatsApp na China), onde os pais descrevem frequentemente os filhos como se listassem produtos num mercado: “Altura, peso, educação, situação económica, casa própria” são os critérios típicos apresentados, revelou na sexta-feira o investigador na apresentação do trabalho, que ainda decorre. “O que é impressionante é a ausência de ‘amor’ ou ‘sentimento’ nos anúncios de apresentação”, acrescentou Sandel, o foco está em características mensuráveis, não na ligação emocional, disse numa conferência na UM. “Os homens casam para baixo, as mulheres casam para cima”, com a expectativa de “homens como provedores e mulheres como donas de casa”, sendo que a preferência dominante é que uma “mulher case com um homem mais velho que tenha casa, rendimento mais elevado e seja altamente escolarizado”, aponta a investigação. Esta prática reflecte os mercados matrimoniais físicos ainda hoje encontrados em parques de várias cidades chinesas, onde os pais expõem pedaços de papel com detalhes sobre a idade, educação e profissão de potenciais cônjuges para os filhos e filhas. A análise de Sandel baseia-se na observação, iniciada em 2024, de um grupo de WeChat com aproximadamente 500 membros dedicado à procura de parceiros para os filhos pelos pais, funcionando como uma versão digital dos tradicionais mercados matrimoniais em parques. Num dos anúncios recolhidos pelo investigador, uma mãe escreve sobre a filha: “Boa índole, figura esbelta, pele clara, normalmente não usa maquilhagem, aparenta ser muito mais nova do que a idade real”. Pretende um homem “mais alto do que 170 cm, emprego estável, que trabalhe em Guangzhou, não seja careca, não seja gordo, tenha temperamento calmo, seja responsável, honesto, de preferência que não fume ou beba pouco e partilhe as tarefas domésticas”. A descrição dos rapazes pelos pais dá ênfase aos bens materiais e morais: “filho único, pais reformados, tem casa própria, é ambicioso, tem carta de condução, respeita os mais velhos”. Realidades paralelas Da investigação de Sandel, duas realidades sociológicas distintas, mas interligadas, ganham destaque: as dificuldades enfrentadas por mulheres altamente bem-sucedidas, no topo da pirâmide social, as chamadas “mulheres sobrantes”; e a dos homens das classes mais baixas, especialmente nas áreas rurais. “As mulheres com níveis elevados de educação e rendimento têm dificuldade em encontrar parceiro porque o paradigma tradicional exige que o homem seja ‘superior'”, explicou o investigador. “No topo da pirâmide, há poucos homens que preenchem este critério”, acrescentou. Inversamente, Todd Lyle Sandel observou que os homens em zonas rurais enfrentam uma escassez de mulheres, uma situação motivada pelo desequilíbrio ainda existente na proporção de géneros e pela migração de mulheres para os centros urbanos. A idade média do primeiro casamento, segundo Sandel, de acordo com dados de 2020, é em média aos 29,54 anos para os homens e aos 28,14 anos para as mulheres, sendo que se verifica uma tendência para o aumento da idade em ambos os casos, crescente ano após ano. Finalmente, de acordo com os resultados da investigação de Sandel até agora, a observação do grupo de WeChat sugere que encontrar com sucesso um par um genro ou uma nora através destes canais “é raro”.
Que democracia é esta? André Namora - 9 Mar 2026 A partir de hoje Portugal passa a ter um novo Presidente da República. António José Seguro, depois de ter estado afastado da política durante dez anos, decidiu candidatar-se sem apoio político de ninguém e consagrou-se vencedor. Seguro irá enfrentar um mandato em Belém com as mais diversas dificuldades ao ter que lidar com um país cheio de problemas. A democracia portuguesa está a ficar doente. Que democracia é esta onde um Governo participa passivamente num ataque bélico a um país soberano por parte de administrações lideradas por fascistas, especialmente a administração americana liderada por um indivíduo que apenas quis desviar as atenções do caso Epstein onde alegadamente terá sido um dos participantes no abuso sexual de menores. Portugal permite de mão beijada que a Base da Lajes sirva como uma das maiores e mais movimentadas plataformas de aviões de guerra norte-americanos, os quais têm participado numa guerra que se alastra por todo o Golfo. Que democracia é esta onde um líder de um partido de extrema direita, no plenário da Assembleia da República, começa a ofender a presidente do Parlamento em exercício, chegando ao ponto de afirmar que a presidente nem devia estar ali sentada. A resposta dura e cordial da presidente em exercício recebeu o aplauso de todas as bancadas incluindo dos comunistas, porque efectivamente o povinho começa a estar farto das diatribes de André Ventura. Que democracia é esta que repudia claramente a atitude patriótica que teve o governo espanhol relativamente à proibição do uso das bases americanas em solo espanhol na participação do incumprimento do Direito Internacional. Que democracia é esta em que os pobres cidadãos que foram alvo de tempestades e que ficaram sem nada, continuam a queixar-se que o apoio financeiro não lhes tem chegado e que a reconstrução de suas casas continua no ponto zero. Que democracia é esta em que os cidadãos constatam mensalmente que o custo de vida aumenta, que o preço das casas está a ficar insuportável e que o preço dos combustíveis aumenta de forma assustadora. Que democracia é esta onde se planeia a construção de um aeroporto megalómano quando quatro milhões de portugueses vivem ao nível da pobreza. Que democracia é esta que continua a cobrar portagem na Ponte 25 de Abril quando a mesma está mais que paga há muitos anos. Que democracia é esta que governamentalmente confunde alhos com bugalhos, ou seja, nunca poderia um director da Polícia Judiciária, que esteve por dentro, durante muitos anos, dos casos mais variados em segredo de justiça e que teve acesso às actividades supostamente criminais de políticos, incluindo de muitos suspeitos de corrupção e de actividade ilegal como governantes, possa ser convidado para ministro da Administração Interna. Que democracia é esta que permite a existência de reformados com um pecúlio mensal de 200 ou 300 euros e depois envia milhões de euros para a Ucrânia. Que democracia é esta que permite que um Presidente da República termine o seu mandato sem que nada se conclua do que aconteceu com o seu filho no caso discriminatório das gémeas brasileiras. Que democracia é esta que um ex-primeiro-ministro esteja mais de dez anos para ser julgado. Que democracia é esta onde os imigrantes, absolutamente necessários para a economia nacional e para a sustentação da Segurança Social, entrem em pânico com as exigências do Chega junto de Montenegro para que os imigrantes voltem para a sua terra. Imaginamos o que aconteceria a Portugal se todos os países onde vivem emigrantes portugueses tomassem as mesmas medidas. Que democracia é esta onde uma investidora que possui uma moradia de grandes dimensões perto de Sintra e que a tenha remodelado luxuosamente para ser um hotel de charme, aguarde quase há dois anos por licenciamento autárquico para abrir as portas. Saliente-se, que esta investidora sempre rejeitou pagar fosse o que fosse fora das normas legais. Talvez por essa razão vê o licenciamento aprovado para as calendas. O novo Presidente da República pode ser um homem sensato, moderado, defensor da Constituição, democrata, imbuído das melhores intenções, mas a própria Constituição nunca foi cumprida no que concerne à obrigação de todo o português ter direito a uma casa para viver dignamente. E não será António José Seguro que fará cumprir a Constituição porque temos a certeza que no final do seu mandato haverá portugueses a viver em barracas, outros em casas dos pais e ainda outros em casas dos filhos. E o que dizer nesta democracia onde aparece um político que desgraçou os mais desfavorecidos, que retirou os subsídios de férias e de Natal, que reduziu as reformas e que aparece agora, tipo D. Sebastião, a querer tirar o lugar a Luís Montenegro de líder do PSD. Pedro Passos Coelho devia pintar a cara de preto pela actividade política que tem vindo a levar a efeito contra a liderança do seu próprio partido. Sabe-se cabalmente das suas intenções. Quer ser novamente líder do PSD, quer ser novamente primeiro-ministro para executar uma aliança com o Chega e implantar um governo neofascista. Pobre democracia que possui “democratas” deste género, sempre prontos a espetar a faca no parceiro do lado…