“Autocarros de lazer” | Deputados defendem medida permanente

Os deputados Angela Leong e Ma Chi Seng defendem que a recente medida do Governo dos “Autocarros de Lazer” deveria ser permanente.

Numa intervenção antes da ordem do dia, os deputados defendem que o Governo “pode aperfeiçoar o plano à medida que houver resultados e com base nas experiências de funcionamento”, além de “considerar romper com as limitações ‘sazonais e de fim-de-semana’, no sentido de promover o funcionamento regular e com base temática”.

Angela Leong e Ma Chi Seng defendem ainda a ideia de “transformar os autocarros de ‘lazer’ de curta duração em ‘locomotivas’ para impulsionar, a longo prazo, a economia”, explorando “itinerários peculiares com base nas histórias de Macau”, aproveitando o “teor cultural dos templos, promover o Festival do Dragão Embriagado, as crenças e costumes da Deusa A-Má e de de Na Tcha, entre outros grandes eventos culturais”.

Museus | Lam Fat Iam pede “planeamento estratégico”

O deputado Lam Fat Iam defendeu ontem, no hemiciclo, que faz falta ao território “um planeamento mais estratégico” no que diz respeito a espaços museológicos e culturais. No entender do deputado, “Macau não carece de museus nem de actividades”, mas sim de uma “estratégia de desenvolvimento mais abrangente e de uma implementação institucional mais eficaz”.

Lam Fat Iam pede que se passe de um “desenvolvimento centrado em museus individuais para a construção de um sistema diversificado”, com mais exposições que tenham um cariz internacional.

“Macau é pequena, mas os seus recursos culturais não são poucos, pois abrangem temáticas diversas como a navegação, comunicações, bombeiros, religião, literatura, as artes, a educação, a beneficência, a guerra contra a agressão, a medicina, a ciência e a tecnologia. Se for possível integrar estes recursos, os mesmos vão poder sustentar uma melhoria qualitativa dos museus locais e ser um importante suporte para promover a construção de uma ‘Macau cultural'”, considerou.

Plano quinquenal | Consulta pública arranca hoje

O Governo anunciou ontem a consulta pública ao 3.º Plano Quinquenal, que irá orientar as políticas de Macau até 2030. População e associações locais podem pronunciar-se sobre o plano até 28 de Junho. O “espírito dos importantes discursos” de Xi Jinping será a estrela polar do plano quinquenal

Começa hoje o período de consulta pública relativa ao 3.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM (2026-2030), que se prolongará até 28 de Junho. Segundo a Direcção dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional, a consulta irá servir para o Governo “ouvir amplamente as opiniões e sugestões de diversos sectores da sociedade e da população em geral”.

Na descrição do documento que irá a consulta pública, o primeiro tema elencado pelo Governo foi a “defesa da segurança do Estado e garantia da estabilidade social”. Ao longo de 10 títulos e 36 capítulos, a sociedade poderá pronunciar-se sobre políticas para reforçar a capacidade de governação da RAEM, assim como promover o desenvolvimento da diversificação adequada da economia e a “alta qualidade do estabelecimento da Zona de Cooperação em Hengqin”.

O esboço do plano que será apresentado hoje irá também versar sobre a “coordenação do desenvolvimento integrado da educação, ciência, tecnologia e dos quadros qualificados”, a melhoria do bem-estar da população, “a construção de uma Macau bela e inteligente” e o “aprofundamento da integração e do serviço à conjuntura do desenvolvimento nacional”.

Recorde-se que o plano quinquenal constitui um caminho para as políticas de desenvolvimento socioeconómico para os próximos cinco anos.

Grande timoneiro

Para a elaboração do documento que irá a consulta a partir de hoje, o Governo teve por base o balanço da execução do plano quinquenal anterior, mas também a “implementação aprofundada do espírito dos importantes discursos proferidos pelo Presidente Xi Jinping durante a sua visita a Macau” e a “articulação proactiva e estreita com o 15.º Plano Quinquenal do país”.

De acordo com o exposto ontem pela Direcção dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional, o plano para os próximos cinco anos pretende proporcionar um “melhor aproveitamento das oportunidades das estratégias de desenvolvimento nacional” e consolidar as vantagens competitivas da RAEM.

O Governo aponta ainda à “concretização da desejada visão de uma Macau alicerçada no Estado de Direito, dinâmica, cultural e feliz” como pontos basilares para a elaboração do plano de políticas.

O público pode levantar a partir de hoje, gratuitamente, o documento de consulta do 3.º Plano Quinquenal no Centro de Informações ao Público, Centro de Serviços da RAEM, Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Central ou no Centro de Serviços da RAEM das Ilhas. Além disso, é possível descarregar a versão digital do documento no portal do Governo.

Apoio associativo

O presidente do Instituto de Gestão de Macau, Samuel Tong e o presidente da Associação de Estudos sobre a Governação Social de Macau, Lou Shenghua, elogiaram que o 3.º Plano Quinquenal, que entra hoje em consulta pública. Os elogios foram feitos minutos depois da conferência de imprensa de lançamento do acto de recolha de opiniões.

Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, Samuel Tong apontou que o conteúdo do plano destaca os papéis de Um Centro, Uma Plataforma e Uma Base de Macau, construindo Macau como centro internacional que concentra quadros qualificados de alto nível. Tong indicou que o plano também aposta no reforço da diversificação económica e integração no desenvolvimento nacional.

Por seu turno, Lou Shenghua defende que o 3.º Plano Quinquenal propõe vários objectivos e princípios para responder a assuntos económicos e sociais que Macau tem de enfrentar, além de se focar no bem-estar da população.

IA | Leong Pou U pede orientações e diálogo com trabalhadores

O deputado Leong Pou U recorreu ao período de intervenções antes da ordem do dia no hemiciclo para sugerir maior diálogo entre Governo, associações e trabalhadores como reacção à chegada da inteligência artificial (IA) ao mercado de trabalho.

“Sugiro ao Governo que se articule estreitamente com o 15º Plano Quinquenal do país e que, no âmbito do 3º Plano Quinquenal da RAEM, e tendo em conta a realidade de Macau, estude e defina orientações para a aplicação da IA em Macau.”

A ideia, segundo o deputado, é que possam ser “aperfeiçoados os respectivos diplomas legais, assegurando que a tecnologia IA possa ser aplicada e desenvolvida de forma saudável e ordenada” no território. Leong Pou U acredita que, no futuro, o “núcleo’ do trabalho civil vai passar da ‘execução repetitiva das tarefas’ para o ‘controlo da IA'”, com aqueles que criam conteúdo a passarem a ser “supervisores e analistas” do que a IA vai produzir.

Assim, o deputado defende que “Governo, empresas e associações de trabalhadores reforcem o diálogo social”, promovendo “formação sobre a aplicação da IA, nomeadamente para os sectores que podem ter mais riscos no uso de aplicações de IA, por forma a apoiar os trabalhadores a adaptarem-se às mudanças da nova era”.

Saúde | Wong Kit Cheng pede estudo sobre recursos humanos

A deputada Wong Kit Cheng defende que o Governo deve elaborar “um estudo sobre o planeamento dos recursos humanos na área da saúde”, criando um “mecanismo de avaliação periódica das necessidades de pessoal de enfermagem em diferentes áreas profissionais, especialidades médicas e serviços de saúde comunitária”.

Para Wong Kit Cheng, continuam a faltar enfermeiros em Macau, devendo ser estabelecida “uma meta progressiva para a proporção de enfermeiros por mil habitantes nos próximos cinco anos”.

Desta forma, “estudantes de enfermagem e futuros diplomados podem preparar-se atempadamente para o seu percurso profissional”, enquanto “instituições de ensino superior e sector podem colaborar e aperfeiçoar os currículos e programas de formação especializada”.

Wong Kit Cheng pede ainda que seja feita uma “ponderação” sobre “currículos universitários e a organização dos estágios clínicos, evitando a sobreposição entre o estágio durante o período de estudos e o requisito de seis meses de estágio após a graduação”.

Ponte de Amizade | Conselheiro pede medidas para evitar impacto de obras

Cheang Kai Lok avisa o Executivo que as obras na Ponte da Amizade podem tornar o trânsito caótico e pede medidas não só junto à ponte, mas também na zona norte da cidade, onde se espera um maior impacto na circulação rodoviária

O membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, Cheang Kai Lok, defendeu a necessidade de o Governo apresentar brevemente medidas provisória para minimizar o impacto das obras que vão decorrer na Ponte da Amizade. As obras na ponte foram reveladas na segunda-feira pelo Grupo de Coordenação de Obras Viárias e arrancam no sábado, prolongando-se até meados de Agosto.

Em declarações ao jornal Ou Mun, Cheang apoiou a decisão de realizar a manutenção da ponte por questões de segurança. No entanto, o também membro da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) alertou que a Ponte de Amizade tem uma taxa de utilização muito elevada, porque é a escolha preferencial dos veículos que precisam de se deslocar para o Pac On, aeroporto ou o aterro para resíduos de materiais de construção.

Tendo em conta que o trânsito em condições normais já apresenta congestionamentos na ponte, Cheang alertou que se deve esperar um agravamento considerável da situação.

Marcha lenta

Porém, o membro da FAOM entende que o impacto vai estender-se igualmente à Ponte Macau, porque a infra-estrutura vai ser a alternativa para os veículos pesados que circulam entre Macau e a Taipa e que vão ficar impedidos de usar a Ponte da Amizade, enquanto durarem as obras.

Cheang Kai Lok vincou também que os congestionamentos podem chegar à Zona A dos novos aterros e à Zona Norte de Macau, e identificou como lugares críticos a Rotunda da Amizade, a Avenida 1 de Maio e a Via de Acesso A2, que faz a ligação entre a Zona A dos Novos Aterros e a Areia Preta. O conselheiro mostrou-se especialmente preocupado porque estas vias já apresentam níveis de congestionamentos elevados.

Para aliviar o impacto rodoviário, Cheang Kai Lok sugere que o Governo controle “de forma rigorosa” progresso da obra na Ponte Amizade, e reforce a supervisão, estudando formas de acelerar os trabalhos.

Além disso, pediu ao Governo que acompanhe o trânsito nas zonas mais congestionadas, através das novas tecnologias, e que sejam destacados agentes de trânsito para os locais, para tornar o trânsito mais fluído.

O associado da FAOM pediu também ao Governo para actualizar regularmente o progresso das obras com a divulgação de medidas provisórias de trânsito, para que residentes e condutores possam planear mais cedo as suas deslocações.

Segundo o Grupo de Coordenação de Obras Viárias, a intervenção na Ponte da Amizade será a primeira obra de grande escala na Ponte da Amizade dos últimos 25 anos.

Deputados exigem elevação da eficiência da Função Pública

O mais recente relatório de actividades do Comissariado de Auditoria (CA), que dá conta de má distribuição de trabalho e recursos humanos na Administração, levou ontem alguns deputados a pedirem maior eficiência no período de intervenções antes da ordem do dia.

Chan Hao Weng pediu às autoridades para “encararem as situações caóticas na gestão da Administração Pública e as dificuldades de trabalho dos docentes da linha da frente”.

O deputado entende que se deve “simplificar e eliminar os procedimentos desnecessários de autorização, para elevar a eficiência e facilitar a vida aos cidadãos”, ou ainda “optimizar o mecanismo de avaliação do desempenho do pessoal de chefia”.

Para Chan Hao Weng, “o mecanismo de avaliação do pessoal de direcção e chefia não passa de mera formalidade”, sendo “superficial, ignorando a eficácia e reputação junto dos cidadãos”. Existe, no seu entender, “falta de responsabilização” entre funcionários públicos, acabando por se “pressionar o pessoal da linha da frente e os problemas nunca são resolvidos”. O deputado entende que se devem “efectuar alterações a partir do nível superior, não se devendo criticar o pessoal da linha da frente”, chamando a atenção para o excesso de burocracia com que os docentes têm de lidar.

“Quanto às dificuldades dos funcionários públicos e professores, o problema não está na linha da frente, mas sim na gestão do superior: falta de rigor, acção e responsabilização. Peço ao Governo que ouça as vozes de todos, afira responsabilidades das chefias, corrija falhas, simplifique o fluxograma, alivie a carga da linha da frente e melhore a qualidade dos serviços públicos e da educação em Macau”, disse.

Docentes burocratas

Também o deputado Nick Lei chamou a atenção para os problemas analisados pelo CA, alertando para o facto de “os dirigentes dos serviços terem a responsabilidade indeclinável de acompanhar e resolver seriamente o problema, por forma a evitar a repetição dos mesmos erros”.

Nick Lei considera que devem ser divulgados “os resultados da correcção” dos problemas, “com vista a elevar a transparência da acção governativa”.

O deputado referiu uma das questões apontadas pelo CA, no que diz respeito “ao lançamento de novos projectos e serviços públicos”. Chama-se a atenção para o facto de o Executivo dever “adoptar novas soluções técnicas” que satisfaçam “requisitos básicos como a necessidade, viabilidade e a relação custo-benefício”, olhando ainda “os benefícios gerais da sociedade”.

Desta forma, Nick Lei entende que “há falta de razoabilidade e rigor na implementação dos trabalhos por parte dos serviços públicos, o que contraria o princípio da governação científica”.

Nova lei possibilita criação de hospitais de dia para turistas

Os deputados aprovaram ontem, na especialidade, a proposta de lei relativa à “actividade das instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde” que vem regular, entre outras matérias, a criação de hospitais de dia no território.

Vários deputados questionaram de que forma isso se pode coadunar com o sector do turismo e também com os serviços médicos já disponibilizados, tanto a nível público como privado. Ip Sio Kai disse que esta matéria diz respeito a “competências que não têm só a ver com os Serviços de Saúde”, destacando a necessidade de investimento para criar mais hospitais de dia em Macau.

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, declarou que “atrair investimento é um trabalho entre serviços” públicos, sendo que a proposta de lei ontem votada “permite a criação de hospitais de dia, existindo legislação suficiente e adequada”. “Temos recursos em termos de resorts, vantagens e atractivos para o exterior, e em conjugação com esses elementos conseguimos ter um destino adequado para esses tratamentos”, frisou.

Por sua vez, o deputado Leong Sun Iok argumentou que “Macau é uma cidade turística com vantagens geográficas” e questionou “como vai o Governo potenciar estas vantagens em conjugação com os recursos de turismo, a fim de criar um ambiente favorável para esta indústria”.

Já Song Pek Kei disse que os responsáveis do sector da saúde “estão preocupados quanto ao desenvolvimento do mercado privado”. A deputada entende que há “um desequilíbrio, porque muitas pessoas utilizam o hospital público [Centro Hospitalar Conde de São Januário] e o seu funcionamento enfrenta desafios, causando um conflito entre o sector público e privado”. “Há serviços especializados que podem ser realizados nos hospitais de dia e a população preocupa-se com a concorrência desleal”, disse.

Resultados a caminho

O Lam declarou que não existem motivos para preocupações, porque haverá “mecanismos estendidos aos hospitais de dia”, incluindo serviços de “telemedicina, terapias avançadas e serviços médicos de proximidade”. “Foi alargada a capacidade para dar mais prioridade ao sector”, adiantou a secretária. “Há uma complementaridade entre os dois sectores. No ano passado, fizemos um estudo sobre a complementaridade entre hospitais público e privado e vamos divulgar os resultados à sociedade e ao sector em causa. No hospital Macau Union, enquanto complexo hospitalar público, a meta é elevar os serviços médicos e curar doenças, e o hospital de dia é para ter determinadas especialidades”, explicou.

Relativamente à criação de Macau como destino de turismo de saúde, O Lam adiantou que “temos as nossas vantagens, e com a criação de hospitais de dia, também com o Macau Union, conseguimos ter uma maior plataforma para o sector”. “Entre o Macau Union e os hospitais de dia pode haver uma cooperação e vantagens para os dois”, disse, referindo que o Governo “aproveita da melhor forma as vantagens para incentivar o turismo e medicina, tendo a plataforma com os países lusófonos e da Ásia-Pacífico”, rematou.

Tecnologia | Chui Sai Peng defende criação local de “robô polícia”

Chui Sai Peng acha que as forças policiais devem apostar mais nas novas tecnologias, sobretudo inteligência artificial, para criar um “robô polícia” com “características de Macau”. Enquanto isso, Leong Sun Iok alerta para os perigos da introdução de croupiers-robôs nos casinos

A ideia de criar em Macau um “robô polícia”, numa fusão entre as forças de segurança e as novas tecnologias, foi uma ideia defendida pelo deputado José Chui Sai Peng na sessão plenária de ontem da Assembleia Legislativa (AL), no período de intervenções antes da ordem do dia. “Tendo como referência as experiências positivas dos primeiros anos [de existência] da ‘mascote do trânsito’, que aconselhava os peões a atravessar legalmente as ruas, se for possível integrar mais tecnologia da Inteligência artificial e criar um ‘robô̂ polícia’ com características de Macau, tal elevará a eficácia da governação”, defendeu.

Mais concretamente, Chui Sai Peng citou o exemplo de cidades do Interior da China no uso da IA para “policiamento inteligente”, com recurso a “robôs-polícias de trânsito” no controlo do tráfego, na manutenção da ordem e no apoio turístico.

Chui Sai Peng entende que “Macau precisa de aprofundar a aplicação de cenários de inteligência artificial e tecnologia robótica, especialmente ao nível dos serviços públicos e gestão urbana”. Assim, para criar o “robô polícia”, poderiam ser convidados, pelas autoridades, “designers locais e operadores das indústrias culturais e criativas para participar no design de um ‘robô polícia’ com características próprias de Macau”.

Podem ainda, no entender do deputado, ser utilizadas “forças policiais inteligentes”, a fim de Macau poder integrar “o desenvolvimento nacional” e adoptar os exemplos de utilização de tecnologia que se verificam no interior da China.

Chui Sai Peng pede que sejam introduzidos “recursos financeiros para apoiar a investigação e desenvolvimento tecnológico”, em prol da “transformação de resultados e promoção de um ecossistema com orientação política e a participação da indústria”, em que haja “suporte académico e científico e ainda aplicação prática [de estudos e medidas]”.

Cartas na mesa

A recente realização em Macau da G2E Asia, uma das mais importantes feiras do sector do jogo, e o debate em torno do uso da IA e tecnologia nesta área, levou o deputado Leong Sun Iok a alertar, na AL, para os perigos do futuro uso de robôs nos casinos.

“Compreende-se que o desenvolvimento da IA é uma tendência geral que pode melhorar a vida humana e promover o desenvolvimento económico e social”, tendo também “desafios negativos”, como a necessidade de “reestruturação da estrutura da mão-de-obra, [questões de] ética social, a privacidade e a segurança, entre outros problemas estruturais de longo alcance”, alertou.

Leong Sun Iok citou dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos para indicam que até 2025 existiam em Macau cerca de 24 mil croupiers. Desta forma, a possibilidade de introdução de robôs para estas funções “vai afectar dezenas de milhares de famílias”. “É de salientar que, há vários anos, o sector promoveu a introdução de ‘croupiers robôs’, o que suscitou reacções dos trabalhadores, que manifestaram junto das associações sindicais a sua ‘preocupação’ e ‘oposição’, tendo o Governo respondido atempadamente a essa questão, dando confiança aos funcionários”, destacou.

Leong Sun Iok pede que o Executivo “continue a ter como objectivo a estabilidade social e a garantia da qualidade de vida da população, e encare seriamente os impactos estruturais provocados pela tecnologia”, devendo “manter restrições” à introdução de “‘croupiers-robôs’ pelas concessionarias do jogo, para garantir que estas funções são assumidas por trabalhadores locais, assegurando efectivamente o direito dos trabalhadores locais ao emprego no sector do jogo”.

AIE | Reservas de petróleo vão esgotar-se em semanas

O diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, advertiu ontem que a ‘almofada’ das reservas comerciais de petróleo acumuladas antes da guerra no Médio Oriente e do encerramento de Ormuz vai-se esgotar numa questão de semanas.

As reservas “estão a esgotar-se muito rapidamente”, alertou Birol em declarações à imprensa durante o primeiro dia da reunião dos ministros das Finanças do G7 em Paris, que termina hoje. Questionado se se trata de semanas ou meses, respondeu que “ainda restam várias semanas, mas devemos estar cientes de que está a diminuir rapidamente”.

No último relatório mensal sobre o mercado de petróleo, publicado na semana passada, a AIE assinalou que o encerramento do estreito de Ormuz privou o mercado de mais de 1.000 milhões de barris dos países do golfo Pérsico, que significa que ficaram retidos sem poder sair mais de 14 milhões de barris por dia.

E embora a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos estejam a conseguir exportar uma parte da produção por outras vias (basicamente oleodutos que contornam o estreito de Ormuz) e outros países produtores noutras regiões do mundo tenham aumentado as extrações de petróleo, as reservas mundiais entre Março e Abril reduziram-se em 250 milhões de barris, ou seja, a um ritmo de 4 milhões de barris por dia.

Birol lembrou que, antes da eclosão da guerra no Médio Oriente, a situação no mercado era de excesso de petróleo, de cerca de 2,5 milhões de barris diários acima da procura.

Mas avisou que essas margens “não são infinitas e as reservas comerciais estão a diminuir rapidamente”. Além disso, destacou que, com o verão, no hemisfério norte está a começar a temporada de viagens e de cultivo, na qual se consome mais combustível e também mais fertilizantes. Todos estes elementos – comentou – contribuem para elevar os preços e isso pode ter “importantes repercussões” nos dos alimentos, o que poderia “impulsionar significativamente” a inflação para cima.

FRC | Chá é protagonista em mostra de fotografia e pintura

“O Chá em Macau: Revelando Detalhes e Abrindo Espaço para a Imaginação” é o nome da mostra que pode ser vista, a partir de hoje, na Fundação Rui Cunha (FRC), com inauguração a partir das 18h30. Trata-se de um trabalho conjunto de Cássia Schutt, autora das fotografias, e de Lily Lee, na pintura, sendo este “um encontro entre duas artistas, uma fotógrafa brasileira e uma pintora chinesa, unidas pelo mesmo olhar curioso e fascinado”, descreve a FRC em comunicado.

O público pode, assim, ver 34 obras de arte, nomeadamente 16 fotografias e 18 pinturas que mostram uma “conversa subtil”, onde “a lente de Cássia foca-se em detalhes íntimos, gestos e texturas”, enquanto “o pincel de Lily abre-se para cenas mais amplas e vivas, onde a atmosfera e o silêncio coexistem”.

Assim, em conjunto, é traçado “o percurso das casas de chá de Macau e documentam a presença do chá e as suas tradições na cidade hoje”, revela o manifesto da mostra.

Fusão artística

A ideia de fazer esta exposição surgiu em 2024, quando Cássia Schutt e Lily Lee “iniciaram uma viagem partilhada pelas casas de chá de Macau”, sendo que, “ao longo de muitas visitas, conversas e observações silenciosas, os seus caminhos entrelaçaram-se em torno de um ritual simples e intemporal: o chá”.

Desta forma, “o que começou como uma série de encontros tornou-se gradualmente num diálogo artístico contínuo, que continua a desenrolar-se e a aprofundar-se com o tempo”, acrescenta-se na mesma nota. Com esta exposição, “as artistas celebram a sua amizade e o desejo comum de retratar, através da arte, tradições tão antigas como o ritual do chá na cultura local e as antigas lojas que hoje começam a rarear, para que as gerações futuras possam conhecer e perpetuar estas memórias visuais”, explica ainda a FRC. As obras vão estar expostas apenas até ao dia 30 de Maio de 2026.

A vaga da IA e os novos desafios: da reforma antecipada a uma transformação para a competitividade sustentável (I)

Um artigo publicado no Hong Kong Economic Times (HKET) no passado dia 24 de Abril, analisa o impacto da ascensão da inteligência artificial no plano de aposentações. Ao longo da última década, a tendência para a “Independência Financeira e para a Reforma Antecipada” (FIRE sigla em inglês) alastrou-se pelo mundo, com muitos trabalhadores de “colarinho branco” desejando reformar-se cedo e viver dos rendimentos. No entanto, desde o lançamento do ChatGPT nos finais de 2022, a velocidade da interacção da tecnologia de IA superou largamente as expectativas do mercado, não apenas através da remodelação das estruturas industriais, mas também pelo abalo na lógica do FIRE tradicional e do Coast FIRE.

O artigo cita uma análise de Nick Maggiulli, Director Executivo da Ritholtz Wealth Management. A IA está gradualmente a minar a estabilidade do emprego dos trabalhadores de “colarinho branco”. As funções que dependem de um resultado padronizado, de processos repetitivos e de um elevado grau de digitalização são as primeiras a sofrer a pressão da substituição e os planos de aposentação dos trabalhadores são mais facilmente postos em causa. O sector do design gráfico está particularmente afectado, porque a IA gera facilmente trabalhos de alta qualidade, o que implica redução de salários e de oportunidades para os profissionais da área. Olhando para a tendência anual do preço das acções da Fiverr, uma plataforma global freelance, o ano passado o seu valor reduziu praticamente para metade, reflectindo as preocupações do mercado sobre a probabilidade de a IA substituir os trabalhadores da área digital.

O impacto da IA não se faz só sentir em funções a tempo inteiro; também afecta gravemente os negócios paralelos dos quais os semi-reformados dependem para viver, como traduções, programação básica, redacção de conteúdos e análise introdutória de dados. Nick Maggiulli avança com três soluções pragmáticas: desistir do objectivo do “Coast Fire” e evitar abandonar empregos estáveis a tempo inteiro; aumentar o período de acumulação de poupanças antes das funções que se desempenha passarem a ser executadas pela IA e reavaliar o próprio valor comercial, considerando a lógica do lucro que age contra os indivíduos perante as capacidades mais fortes da IA.

De uma perspectiva macro-social, a crise financeira de 2008, a pandemia de COVID-19 e a reavaliação global das acções tecnológicas de 2022 demonstram que a incerteza do mercado é a norma e que a IA é apenas uma nova variável estrutural.

O maior risco que correm as pessoas que se reformam cedo não é muitas vezes a insuficiência de fundos, mas sim a incapacidade de se reintegrarem no mundo do trabalho depois de terem perdido o contacto com a realidade laboral. Por outro lado, uma grande acumulação de capital funciona como uma defesa natural; independentemente de terem ou não sido substituídos pela IA, as poupanças elevadas são um amortecedor contra riscos.

A realidade torna-se clara quando consideramos os dados recentes da China continental, de Hong Kong e de Macau: Dados do relatório de emprego de 2026 da Zhaopin.com mostram que a procura de posições asseguradas pela IA na China continental aumentará mais de 100% a cada ano, ao passo que trabalhadores de escritório e administrativos que desempenham funções básicas continuam a ser despedidos. Um relatório da Fintech da InvestHK indica que a automatização da IA está a ser adoptada em larga escala em Hong Kong para contabilidade e documentação financeira básicas e auditoria de conformidade. Em Macau, devido à sua estrutura industrial singular e à crescente alteração nos sectores do jogo e dos serviços, a pressão sobre os indivíduos de meia-idade está a aumentar dramaticamente.

Este artigo destina-se apenas à análise de tendências e referência conceptual e não constitui qualquer aconselhamento profissional sobre investimento, gestão financeira ou planeamento de reforma. Por favor, consulte um consultor profissional licenciado para tomar decisões financeiras.

Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau

Xanana Gusmão recorda que foi através do Português que Timor-Leste falou ao mundo

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, afirmou ontem que a língua portuguesa ocupa um “lugar especial” na história da resistência, porque foi através do português que “Timor-Leste falou ao mundo”.

“A língua portuguesa ocupa igualmente um lugar especial na história da nossa resistência. Foi através desta língua que Timor-Leste falou ao mundo. Foi esta língua que levou a causa timorense às Nações Unidas, às organizações internacionais e aos países amigos. A língua portuguesa tornou-se símbolo de identidade, de resistência e de continuidade histórica do Estado timorense”, disse o primeiro-ministro timorense, no discurso divulgado à imprensa.

Xanana Gusmão participou ontem na cerimónia de celebração do 24.º aniversário da restauração da independência, que se assinala na quarta-feira, no Arquivo e Museu da Resistência Timorense, que inclui a inauguração de uma exposição e um lançamento de um livro, denominado “Vida da Resistência”.

“Quando o invasor proibiu o uso do português, o povo timorense continuou a falar [o português] em segredo. Continuou a resistir em português. Assim, a língua portuguesa tornou-se uma língua de resistência”, salientou Xanana Gusmão.

Festa da dignidade

Na sua intervenção na “Casa Sagrada”, o líder timorense destacou também que o 20 de Maio não é apenas uma data histórica, mas a “prova de que uma nação, mesmo pequena, pode alcançar grandes vitórias quando luta com coragem, em plena consciência, com unidade nacional e com um profundo amor à pátria”.

“Hoje, não celebramos apenas a independência de um Estado. Celebramos, acima de tudo, a sobrevivência de uma nação. Celebramos a vitória da memória contra o esquecimento. Celebramos a vitória da esperança contra o medo e a vitória da dignidade humana contra a opressão”, afirmou Xanana Gusmão.

O primeiro-ministro deixou igualmente uma mensagem aos jovens, que representam a maioria da população do país. “A geração da resistência entregou-vos a liberdade. Agora cabe-vos defender o futuro desta nação. A luta da vossa geração já não se trava nas montanhas. A luta de hoje faz-se através da educação, do conhecimento, da disciplina, da honestidade e do trabalho”, disse Xanana Gusmão.

“Precisamos de jovens preparados para defender a identidade, a cultura, a memória e os valores da resistência. Precisamos de jovens capazes de transformar o sofrimento do passado numa força para construir um futuro melhor”, acrescentou.

As celebrações do 24.º aniversário da restauração da independência tiveram início no domingo com a inauguração de uma feira de culinária local em Tasi Tolu e vão incluir também uma missa e a deposição de uma coroa de flores aos Heróis da Pátria, na terça-feira no cemitério de Santa Cruz, e a cerimónia de hastear da bandeira nacional, na quarta-feira.

Corrupção | Ex-líder de Wuhan investigado

O órgão disciplinar do Partido Comunista Chinês (PCC) anunciou que colocou sob investigação, por suspeitas de corrupção, o antigo governador de Wuhan, a província chinesa onde surgiu o surto inicial da pandemia de covid-19.

Num comunicado divulgado no domingo, a Comissão Central de Inspeção Disciplinar disse que Wang Xiaodong está a ser investigado por “graves violações da disciplina e da lei” – a expressão utilizada habitualmente em casos de corrupção.

Wang, de 66 anos, era o governador da província de Hubei, no centro da China, no final de 2019, quando aconteceu o surto inicial do novo coronavírus 2019-nCoV, na capital da região, Wuhan. O dirigente foi alvo de duras críticas dos cidadãos chineses nas redes sociais e acusado de incompetência ou ridicularizado, no início de 2020, devido à gestão do surto.

Muitos internautas chineses ficaram indignados com uma série de erros que ocorreram durante uma conferência de imprensa transmitida na televisão, por três autoridades locais, no final de Janeiro de 2020.

Wang participou na conferência de imprensa sem usar uma máscara, violando as regras que tornavam o seu uso obrigatório em espaços públicos. A seu lado, o então autarca de Wuhan, Zhou Xianwang, colocou a máscara, mas ao contrário. Zhou já tinha sido fortemente criticado por ter autorizado, a 18 e 19 de Janeiro de 2020, um banquete gigante para o qual foram convidadas 40 mil famílias, para celebrar o Ano Novo Lunar.

Os cibernautas também apontaram que, na mesma conferência de imprensa, Wang Xiaodong começou por anunciar que a produção anual de máscaras em Hubei era de 10,8 mil milhões, antes de corrigir para 1,8 mil milhões e, posteriormente, para 1,08 milhões.

Em Junho de 2021, Wang foi demitido e tornou-se vice-director do Comité de Agricultura e Assuntos Rurais do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, o principal órgão consultivo político do país.

Indústria | Produção industrial na China cresce 4,1% em Abril

A produção industrial da China cresceu 4,1 por cento em Abril, em termos homólogos, representando uma desaceleração de 1,6 pontos face ao valor de Março, segundo dados oficiais divulgados ontem pelo Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE) do país. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, a produção industrial aumentou 5,6 por cento, abaixo dos 6,1 por cento registados no primeiro trimestre.

Dos três grandes sectores em que o GNE divide este indicador, o que mais aumentou a produção em Abril foi o de produção e fornecimento de eletricidade, aquecimento, gás e água (+5,3 por cento), seguido do sector manufatureiro (+4 por cento) e da indústria mineira (+3,8 por cento).

Entre os sectores industriais, a produção de equipamentos informáticos, de comunicações e outros equipamentos electrónicos cresceu 15,6 por cento em termos homólogos, à frente da indústria automóvel (+9,2 por cento) e da produção de material ferroviário, naval, aeroespacial e outros equipamentos de transporte (+8,2 por cento).

A produção de circuitos integrados aumentou 22,1 por cento em termos homólogos e a de robots industriais 15,1 por cento, enquanto a de veículos de energias renováveis avançou 3,8 por cento, para 1,29 milhões de unidades.

Como é habitual, os números revelaram um contraste marcado entre a evolução positiva do investimento em infraestruturas (+4,3 por cento) e na manufactura (+1,2 por cento) e o destinado à promoção imobiliária, que caiu 13,7 por cento.

China vai adquirir 17 mil milhões de dólares por ano de produtos agrícolas aos EUA

A Casa Branca anunciou domingo que a China vai gastar pelo menos 17 mil milhões de dólares anuais em produtos agrícolas dos Estados Unidos em 2026, 2027 e 2028.

Em comunicado, a administração norte-americana indica tratar-se de um resultado das reuniões realizadas nos últimos dias entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e o homólogo dos EUA, Donald Trump, adiantando que os vários acordos que assinaram “vão melhorar a estabilidade e a confiança para as empresas e os consumidores de todo o mundo”.

De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o país reduziu as suas exportações agrícolas para a China em 65,7por cento em 2025, após a imposição de tarifas recíprocas. Além de produtos agrícolas, Pequim comprometeu-se ainda a comprar 200 aviões Boeing para companhias aéreas chinesas.

Este lote de aeronaves promoverá a criação de “empregos bem remunerados e altamente qualificados no sector da indústria transformadora dos EUA” e permitirá aos cidadãos chineses viajar “em aviões fabricados nos Estados Unidos”, refere o comunicado.

Outros compromissos

Além disso, após as reuniões, a China renovou as licenças expiradas de mais de 400 matadouros nos Estados Unidos e retomou as importações de aves de capoeira de estados norte-americanos livres de gripe aviária “altamente patogénica”, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

Os dois países decidiram ainda criar duas novas instituições para optimizar a sua relação económica: “a Junta Comercial, para gerir o comércio bilateral de bens não sensíveis, e a Junta de Investimentos, que proporcionará um fórum intergovernamental para discutir questões relacionadas com o investimento”.

Concordaram igualmente que o Irão “não pode ter armas nucleares”, tendo defendido a reabertura do Estreito de Ormuz e reafirmado o seu objectivo comum de desnuclearizar a Coreia do Norte, sublinhou a Casa Branca.

Trump vai receber Xi em Washington este Outono e os países apoiar-se-ão mutuamente como anfitriões das cimeiras do G20 (fórum de cooperação económica entre as principais economias desenvolvidas e emergentes do mundo) e da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), que se realizarão ainda este ano.

Guangxi | Sismo de magnitude 5,2 faz dois mortos e um ferido

Um sismo de magnitude 5,2 na escala de Richter atingiu ontem o sul da China, causando dois mortos e um ferido, e obrigando à retirada de sete mil pessoas, informou a imprensa estatal. O abalo foi sentido em várias cidades de Guangxi, como Liuzhou, Guilin e a capital regional, Nanning, chegando mesmo até Hong Kong a 500 quilómetros de distância.

O epicentro do abalo ocorreu na província de Guangxi, às 00:21 locais, a uma profundidade de oito quilómetros, segundo o Centro de Redes Sismológicas da China. A agência de notícias oficial chinesa Xinhua avançou inicialmente duas mortes e uma pessoa desaparecida no condado de Liunan, que faz parte da cidade de Liuzhou.

A emissora estatal CCTV indicou posteriormente que as equipas de resgate localizaram a última pessoa presa nos escombros na área afectada da comunidade de Taiyangcun, às 11:10. De acordo com a estação, o sobrevivente foi resgatado em condição estável e levado para um hospital para tratamento.

O tremor foi sentido em várias cidades de Guangxi, incluindo Liuzhou, Guilin e a capital regional, Nanning, segundo os meios de comunicação estatais. O abalo também foi sentido em Hong Kong, a 500 quilómetros de distância, referiu a agência meteorológica do território semiautónomo.

Protocolos e réplicas

O Centro de Resposta e Socorro ao Terramoto de Liuzhou activou um protocolo de emergência após o sismo e coordenou os serviços de emergência, bombeiros e agentes de segurança pública para os esforços de busca, resgate e evacuação da população afectada.

As autoridades começaram também a inspeccionar casas, sistemas de abastecimento de água e eletricidade, estradas principais, pontes, minas e áreas com risco de desastres geológicos. Num balanço anterior, o chefe da polícia local afirmou que, até às 04:00, o sismo tinha provocado o desabamento de 13 casas e quatro pessoas foram levadas para o hospital, todas fora de perigo.

As autoridades acrescentaram na altura que mais de sete mil residentes tinham sido retirados e que as comunicações, a electricidade, o abastecimento de água, o gás e as estradas na área afectada estavam a funcionar normalmente.

Além do sismo principal, foram registados vários tremores secundários de menor intensidade. As autoridades reportaram cinco abalos de magnitudes entre 2,2 e 3,2 na escala de Richter antes e depois do tremor principal. O Centro de Redes Sismológicas da China registou um tremor secundário de magnitude 3,3 às 07:41, em Liunan, a uma profundidade de 10 quilómetros.

Tonan Quito, actor e protagonista de “Entrelinhas”: “Bem-dita a hora em que aceitei este desafio”

O Centro Cultural de Macau, apresenta hoje a primeira sessão de “Entrelinhas”, na edição deste ano do Festival de Artes de Macau (FAM). Trata-se de um monólogo escrito por Tiago Rodrigues de propósito para Tónan Quito, que em entrevista ao HM fala de um texto que é muito mais sobre a amizade do que propriamente sobre o processo da escrita

Vem a Macau com o “Entrelinhas”. Como se sente por apresentar esta peça num destino tão longínquo [em relação a Portugal, onde estreou em 2013]?

É uma grande honra ir ao festival e sinto-me perplexo com o convite, estou muito contente por ir. Há dois anos tive a experiência de ir ao festival de teatro de Aranya, no norte da China, e agora estou também muito curioso por estar perto de uma cultura diferente e perceber como é que o espectáculo pode ecoar junto a pessoas com uma cultura e maneira de estar completamente diferente da minha, ou no local onde o espectáculo foi criado, que é Portugal. Apesar de Macau ter uma influência histórica portuguesa, e neste sentido estou ainda mais curioso para saber como é que o público irá ver este espectáculo.

O público é sempre importante para todas as peças de teatro, mas nesta em particular, tratando-se de um monólogo, é importante perceber a relação com este texto, em particular?

Sim. Este é um espectáculo muito próximo do público, mesmo a nível físico. Estou mesmo em frente às pessoas, só a contar uma história, que é a história deste grande falhanço que foi fazer o que era suposto ser um espectáculo. E, neste sentido, [é um espectáculo] que pede uma grande proximidade e cumplicidade com as pessoas. Normalmente faço uma versão francesa para um público francês, mas eu compreendo a língua e as reacções, há um legado comum. Mas quando vamos assim, para fora, em que falo na minha língua, e certamente alguém poderá entender o português, mas muita gente não vai aceder ao português e terá de ler legendas, há outra dificuldade, que é eu comunicar esta história. É eu a comunicar-me a mim, como actor ali, naquela noite, numa maneira de estar diferente, que vai pedir empatia, uma escuta, a atenção das pessoas para aquilo que estou a fazer.

O que é que este espectáculo conta nas entrelinhas?

Nas “Entrelinhas” está uma história que, cada vez mais, vou percebendo é muito mais sobre amizade do que o espectáculo de um autor que tem de escrever para um actor. Acho que é uma história que fala muito mais sobre a nossa amizade [entre Tiago Rodrigues e Tónan Quito], sobre a amizade entre duas pessoas que se descobrem nos trabalhos que vão tendo, nos encontros que vamos ter, nos encontros com a família. Portanto, invocamos uma quantidade de gente para esta história, e o espectáculo acaba por ser uma maneira de eu e o Tiago estarmos juntos, mesmo não estando. Nas entrelinhas está isto.

Não é, portanto, um espectáculo focado no tal falhanço da escrita.

Não, mas isso é uma coisa que ando a descobrir, e que nós dois fomos descobrindo à medida que vamos fazendo o espectáculo. Em 2013, isso estava nas entrelinhas, nós é que ainda não tínhamos percebido que estava lá.

O texto foi escrito para si. Como foi o processo de preparação? Além disso, já passou algum tempo entre os tempos iniciais e esta apresentação agora no festival. Há um certo distanciamento, outro olhar sobre a peça?

Não. Continuo a descobrir ainda muito sobre aquilo que a peça é, e como é que faço isto. Isto porque tive mais ou menos um mês no processo de trabalho antes da peça começar, entre a escrita do texto, ensaiar e decorá-lo. Tudo foi feito num curto espaço de tempo. Na estreia não tive muita noção do que o texto era, até porque a minha filha nasceu três dias antes e a minha cabeça estava muito mais com ela do que com o texto. Mas acaba por ser engraçado, porque hoje em dia fazer este texto é reviver aquele dia e uma maneira de estar com ela, sem estar. Mas continuo a descobrir coisas no texto. Naquela altura [2013] fiz dez espectáculos, e no ano seguinte fiz mais dez, e desde 2021 que tenho feito cerca de dez espectáculos por ano, talvez mais [com o “Entrelinhas”], e vou sempre disponível para descobrir o texto outra vez. É sempre um trabalho muito activo, o descobrir o texto com as pessoas a quem o estou a contar, além de que a própria reacção das pessoas condiciona, às vezes, a maneira como o conto.

Este foi o seu primeiro monólogo. Como foi essa experiência de estar sozinho, em palco, pela primeira vez?

Já tinha feito um monólogo antes, mas era falso, porque tinha um manequim com quem falava, ele é que não respondia (risos). Era uma coisa pequena, com 15 minutos. Confesso que a sensação inicial não foi muito boa, confesso. Fazer monólogos não é uma coisa que me atraia muito, mas na altura o Tiago convenceu-me a fazê-lo e partimos. Mas depois, à medida que fui fazendo, percebi que é um falso monólogo, pois estou com as pessoas a contar isto, e já não estou sozinho. Depois vou utilizando muitas pessoas para serem os meus recompositores, na medida em que os uso como personagens do texto. Então, de certa maneira, é um monólogo cheio de personagens e de um mundo que invocamos para o palco. Percebo que não estou sozinho e torno-me um bocadinho mais suportável.

Porque é que não gosta tanto de fazer monólogos? Há um medo acrescido? Sente-se sozinho em palco?

É, gosto de estar com pessoas e colegas, gosto de ser provocado e responder às provocações. Gosto de contracenar, da acção, da reacção, da pergunta, da resposta, e de construir colectivamente um trabalho, um espectáculo. Claro que o espectáculo é feito lado a lado com o teatro, sempre, desde o primeiro momento. [O Entrelinhas] é uma co-criação, apesar de ter sido ele [Tiago Rodrigues] a escrever e depois eu a interpretar, mas foi sempre criado a dois. Portanto não estou bem sozinho.

Como é ter o Tiago Rodrigues, um encenador e dramaturgo premiado, a escrever para si?

Tenho muita inveja dele (risos). Estou a brincar, acho óptimo, e desejo-lhe sempre todas as felicidades, e é muito bom poder partilhar com ele este percurso. Ele influenciou muito a minha maneira de trabalhar, não só como actor, mas a ensinar também. Foi sempre uma partilha. Claro que o facto de estar a viajar com o “Entrelinhas” é muito à custa da pessoa que é o Tiago, que, de repente, é um nome apelativo, com um tipo de trabalho que interessa. Em boa hora o Tiago meteu na cabeça que queria escrever um monólogo para mim, e bem-dita a hora em que aceitei este desafio.

Ele tem mesmo este lado caótico da escrita, de deixar tudo para a última da hora?

Um bocadinho. Acho que já deve estar um bocadinho melhor, mas acho que continua a deixar um bocadinho para a última, pelo menos dos últimos relatos que ouvi.

Preparar um monólogo é mais difícil do que preparar uma peça?

Não. A dificuldade está lá sempre. É difícil fazer uma peça porque estar com outra pessoa em cena é sempre imprevisível, pelo menos na maneira como gosto de trabalhar. Obviamente que ensaiamos, combinamos regras, habituamo-nos à maneira do outro fazer, e vou-me descobrindo através do outro. Num monólogo só dependo de mim, estou disponível para me entregar e partilhar a história com as pessoas. Correndo bem ou mal, não há nada a fazer, começamos e acabamos, sou eu que controlo tudo. Mas, se calhar, até é mais difícil por causa disso, porque a responsabilidade é toda nossa, não é partilhada.

Recentemente protagonizou o filme “Soares é Fixe”, sobre as eleições presidenciais de 1986, em que interpretou o papel de Mário Soares. Como encara as diferenças de trabalhar em cinema, é mais desafiante do que em teatro?

São coisas diferentes. À medida que vou fazendo mais cinema vou percebendo que são maneiras de estar muito distintas [para um actor]. [Fazer cinema] é um trabalho muito mais isolado, não temos tanto tempo de preparação uns com os outros [os actores]. É também um trabalho de espera, de paciência, para depois se concentrar em cada “take”. Para mim, que estou mais habituado a fazer teatro, às vezes pode ser mais frustrante o facto de não haver logo uma reacção imediata ao que se acabou de fazer. É um bocado parecido com os ensaios, “Vamos repetir!”, se bem que está sempre a valer. Repito ali três ou quatro vezes uma cena e, às vezes, não há muito mais tempo para experimentar porque temos que passar para a cena seguinte. [Fazer cinema] é um trabalho de condensação muito grande, até porque não sabemos muito bem o que a câmara está a captar. Não tenho assim tanta experiência quanto isso, mas fazer um protagonista é bom, no sentido em que estamos lá muito tempo, é um mergulho muito grande na questão de estarmos sempre a filmar, e o poder fazer uma construção sobre o personagem e o plano de filmagens – quando é que se filma, e o que é que se filma. Às vezes anda-se muito para trás e para a frente, e, nesse sentido, é bom o trabalho dramatúrgico que se faz, e como é que nos comportamos em cada dia para poder activar o que é necessário para cada dia e cada cena.

Como se preparou para fazer de Mário Soares?

Foi um bocadinho assustador, até porque tive muito pouco tempo de preparação, desde o convite até começar a filmar. Basicamente o que fiz foi ler tudo o que podia, vi muitas entrevistas dele, para perceber como se comportava. Depois não íamos fazer um trabalho em que ficava igual ao Mário Soares, não era esse o objectivo, porque para isso teríamos de ter mais dinheiro. Para fazer um trabalho de reconstituição, com grandes caracterizações [de personagens], é preciso mais dinheiro que esta produção não teve. Era miúdo [nas eleições presidenciais de 1986], andava na escola primária e lembro-me perfeitamente. Mas fiquei a saber muito mais dele [no processo de pesquisa], mas não sobre a vida pessoal, até porque isso não me interessou, na altura, para a construção [da personagem]. [O trabalho de preparação] incidia mais sobre quem era este homem político e, sobretudo, perceber nas cenas em que falava quem estava atrás dos silêncios e do que se passava. Quis tentar desvendar ou revelar um bocadinho do que estava naquela cabeça, naquela noite [das eleições de 1986]. Foi uma eleição em que era o tudo ou nada. Aquele homem podia morrer politicamente ali ou então, pronto, nascer mais uma vez como Presidente [da República], que foi o que aconteceu.

Ébola | Rastreio reforçado para quem vem de zonas afectadas

Os Serviços de Saúde vão reforçar os rastreios para quem tenha passado por zonas afectadas por surtos de Ébola. Foram accionados mecanismos para isolar pessoas infectadas e serão emitidas instruções para profissionais de saúde. As autoridades salientam o baixo risco de infecção em Macau

Os Serviços de Saúde (SS) garantiram ontem que vão reforçar a supervisão médica de pessoas que cheguem a Macau provenientes de zonas de África afectadas pelos mais recentes surtos de Ébola que surgiram na República Democrática do Congo e Uganda, que levou a Organização Mundial de Saúde a declarar emergência de saúde global.

As autoridades de Macau vão também rastrear a pessoas que transitem pelas zonas afectadas. Se foram detectados casos suspeitos, “estes serão imediatamente encaminhados para instituições médicas para isolamento e exames complementares”.

Os SS salientam que, com base nas informações actuais, o Ébola está a propagar-se principalmente em algumas regiões de África, e que o fluxo de visitantes entre as áreas afectadas e Macau é limitado. Face a esta situação, e como Macau não registou qualquer caso confirmado de Ébola, “o risco imediato deste vírus para Macau é baixo, e os residentes não precisam de se preocupar demasiado”.

Ainda assim, as autoridades apelam aos residentes para manterem “bons hábitos de higiene pessoal e evitar o contacto com animais selvagens e fluidos corporais de doentes, caso tenham de viajar para zonas afectadas”. Além disso, foi pedida vigilância perante sintomas como febre, vómitos ou hemorragias.

Para o que der e vier

No que diz respeito à resposta médica, o Governo salienta que as instituições de saúde de Macau estão preparadas para lidar com doenças infecciosas de alto risco, incluindo na capacidade de isolamento e testagem, assim como no tratamento clínico.

Os SS vão também actualizar as orientações para as “instituições médicas, alertando os profissionais de saúde para estarem atentos à história de viagem e aos respectivos sintomas, identificarem e comunicarem os casos suspeitos o mais cedo possível e cumprirem rigorosamente as medidas de controlo da infecção”.

Em relação à primeira barreira de protecção, as fronteiras do território, o Governo indicou prontidão recordando que no ano passado foi realizado um simulacro de contingência relacionada com doenças transmissíveis, em conjunto com as autoridades fronteiriças, para testar a coordenação e resposta rápida na contenção de doenças infeciosas.

PJ | Quatro detidos por uso e tráfico de space-oil e metanfetaminas

Quatro homens de nacionalidade filipina foram detidos pela Polícia Judiciária por suspeitas de consumo e tráfico de drogas, de acordo com informação divulgada ontem. Durante a operação, as autoridades apreenderam dois cigarros electrónicos com etomidato, também conhecido como space oil, e ketamina. Foram ainda apreendidas 10 gramas de metanfetaminas. As três substâncias apanhadas pela polícia terão um valor no mercado negro a rondar as 31 mil patacas.

A investigação começou com a monitorização de um dos suspeitos que entrou em Macau no domingo, vindo de Hong Kong, através da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. O indivíduo encontrou-se com um compatriota trabalhador não-residente na zona central de Macau e nessa altura os agentes policiais agiram e revistaram os homens, encontrando os dois cartuchos para cigarros electrónicos e parafernália para o consumo de drogas.

Na casa do trabalhador não-residente, foram interceptados mais dois homens e encontrados nove pequenas embalagens de metanfetamina. Todos os envolvidos testaram positivo em análises à urina. A polícia acrescenta que o indivíduo alegadamente trouxe a droga de Hong Kong, actividade a que se dedicava desde o mês passado, e que os restantes três suspeitos revendiam as drogas a compatriotas.

Sands China | “Carnaval de Compras” em Julho

A operadora de jogo Sands China volta a realizar este ano mais uma edição do “Sands Shopping Carnival”, um “carnaval de compras” que visa a participação do sector local do retalho.

O evento decorre no Venetian entre os dias 23 e 26 de Julho, e as inscrições dos negócios locais e pequenas e médias empresas (PME) arranca hoje, prolongando-se até ao dia 29 de Maio. Aquele que é chamado de “maior evento de saldos” do território pela organização já vai na sétima edição, tendo servido “como uma importante plataforma de negócios e promoção para as PME locais, parceiros comunitários e retalhistas da Sands”, descreve-se num comunicado.

A participação das empresas é gratuita durante os quatro dias do evento, que desde 2020 já contou com mais de 640 mil visitantes. Além disso, a Sands China destaca como este “carnaval” tem “conseguido estimular, com sucesso, o consumo local e dos visitantes em Macau”, tendo disponibilizado quatro mil stands de exposição desde o início do certame.

Para este ano, espera-se que o evento “conte com mais de 580 stands”, oferecendo-se ao público “uma vasta gama de zonas temáticas, incluindo produtos para o lar, gastronomia e vinhos, praça de alimentação, cultura e criatividade, retalhistas da Sands, especialidades e lembranças de Macau, bem como diversão em família e experiências desportivas”.

Ponte da Amizade | Circulação só numa faixa até meados de Agosto

A Ponte da Amizade vai ter o trânsito condicionado a partir das 10h de sábado até meados de Agosto devido a obras de manutenção no tabuleiro, indicou ontem o Grupo de Coordenação de Obras Viárias.

A última obra de manutenção de larga escala na ponte foi realizada há 25 anos. Entretanto, as autoridades argumentam que a camada de asfalto do tabuleiro apresenta um elevado desgaste e que, após dias de chuva, surgem frequentemente “buracos nas juntas de dilatação dos viadutos de acesso”, o que representa um risco para a circulação rodoviária.

Assim, a partir das 10h de sábado, a circulação automóvel vai passar a ser feita “numa única faixa de rodagem, de forma faseada, nos viadutos de acesso em ambos os sentidos da Ponte da Amizade”. As autoridades apelaram aos condutores para utilizarem mais a nova Ponte Macau. Também os veículos pesados, com mais de 3,5 toneladas, vão ficar interditos de circular na Ponte da Amizade, à excepção de autocarros públicos.

O Grupo de Coordenação de Obras Viárias indicou que, após a avaliação da urgência das obras, foi decidido avançar com as obras entre Maio e Agosto para coincidir com as férias de Verão das escolas. Os trabalhos vão decorrer não só na Ponte da Amizade, como noutros nove locais espalhados pela cidade, principalmente para instalação de condutas, reordenar redes de drenagem, reparar esgotos e instalar colectores de águas residuais.

As autoridades vincaram a meta de concluir todas as obras e reabrir plena a circulação rodoviária antes do início do ano lectivo, em Setembro.

Parquímetros | Nick Lei quer notificação de multas por SMS

O deputado Nick Lei considera que o Corpo de Polícia de Segurança Pública deve rever o formato de tratamento das infracções rodoviárias, a fim de incluir nas notificações por SMS as multas nos parquímetros para melhorar a rotatividade no estacionamento

Nick Lei, deputado à Assembleia Legislativa (AL), interpelou o Governo quanto à necessidade de revisão, por parte do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), da forma como são tratadas as infracções rodoviárias, a fim melhorar o sistema de tratamento das multas por tempo de estacionamento excessivo.

Segundo a interpelação, o deputado, ligado à comunidade de Fujian em Macau, destacou que o CPSP actualizou o formato de tratamento das infracções rodoviárias, mas excluiu as multas nos parquímetros. Essa actualização passou por uma renovação dos equipamentos para que os condutores passassem a receber SMS dez minutos após receberem uma multa. Tudo para remover os carros o mais depressa possível e, assim, escoar o fluxo de trânsito.

Porém, actualmente, “o serviço de notificação por SMS das infracções rodoviárias não inclui as infracções nos parquímetros de estacionamento, havendo grande diferença em relação às restantes situações de infracções”, destacou.

“Para que seja melhorado o mecanismo de notificações, e para que se aumente a rotatividade dos lugares de estacionamento na via pública, podem as autoridades pensar em incluir, no sistema de notificações por SMS, a infracção de não pagamento das tarifas de parquímetros, evitando-se assim custos sociais subsequentes?”, questionou.

Meios obsoletos

Além de pedir a notificação das multas por SMS, Nick Lei referiu que, no actual sistema de pagamento digital de multas por infracções rodoviárias, também ficaram de fora as infracções nos parquímetros de estacionamento.

“Após o carro ser bloqueado ou removido, os donos precisam de ir ao Departamento de Trânsito pagar a multa em numerário. Será que o Governo pode incentivar as empresas a proporcionarem meios de pagamento electrónico, a fim de responder à procura da sociedade?”, sugeriu.

De frisar que, no passado, o Governo justificou a exclusão das multas de estacionamento do sistema de notificações por SMS para não causar confusão nos infractores, destacando que, apesar de não informar os condutores por SMS, estes têm de cumprir a lei no que ao estacionamento diz respeito.

Para Nick Lei, a ausência de avisos por SMS faz com que os condutores se esqueçam do tempo de estacionamento pago, levando a situações ilegais com consequentes bloqueios de viaturas, perdas de tempo e de dinheiro. O deputado destaca também que esta situação leva a gastos de recursos do CPSP e impede a rotatividade de lugares de estacionamento.

GP Consumo | Retalho com 60% de gastos no primeiro mês

A edição deste ano do Grande Prémio para o Consumo nas zonas comunitárias gerou, nas primeiras quatro semanas, gastos de cerca de 560 milhões de patacas, com 60 por cento do valor a ser direccionado para o sector do retalho. Governo diz ter sido registada maior adesão face ao ano passado

Dados ontem divulgados pela Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) revelam que a edição deste ano do Grande Prémio para o consumo nas zonas comunitárias gerou, no primeiro mês de implementação, mais de 560 milhões de patacas de consumo em negócios locais, tendo sido distribuídos quase sete milhões de cupões, um total de 6,947 milhões.

No que diz respeito aos sectores onde foram gastos estes cupões, destaca-se o retalho com 60 por cento dos gastos, seguindo-se a restauração com 30,6 por cento. No total, mais de 20 mil estabelecimentos comerciais, com espaço físico, no território estão abrangidos por este programa que visa incentivar o consumo local.

No primeiro mês de actividade do Grande Prémio de Consumo, registaram-se 3,492 milhões de transacções qualificadas para sortear cupões. A DSEDT chama a atenção para o facto de este montante representar “um aumento de, aproximadamente, quatro por cento face às 3,356 milhões de transacções registadas no mesmo período da edição anterior”.

Dos 6,947 milhões de cupões distribuídos, foram usados, no primeiro mês, mais de 118 milhões de patacas, com descontos imediatos em cartão no montante superior a 31 milhões de patacas.

Maior adesão

Segundo a DSEDT, a edição deste ano do Grande Prémio de Consumo registou um “aumento na taxa de utilização dos benefícios, com mais diferentes sectores beneficiados”. A taxa de utilização global, em termos de montante, “ultrapassou os 92 por cento, sendo a primeira vez que superou os 90 por cento desde o lançamento” da medida do Grande Prémio de Consumo.

Para o Executivo, tais dados significam que, “com o prolongamento do prazo de utilização” da medida, “os residentes conseguem planear melhor para fazer consumo com benefícios”. Desta forma, permite-se a utilização dos cupões não apenas no retalho, mas em “outros sectores de consumo imediato como a restauração, beneficiando assim mais diferentes sectores” económicos.

O Grande prémio para o consumo nas zonas comunitárias 2026 é da responsabilidade da DSEDT em conjunto com a Associação Comercial de Macau. Em termos gerais, deu-se “o crescimento no grau de participação dos residentes, de entusiasmo pelo consumo e de equilíbrio dos benefícios entre os diferentes sectores, em comparação com a edição anterior”.

Deu-se ainda um contributo ao estímulo do “consumo local durante os fins-de-semana”. Esta actividade prolonga-se até 18 de Junho.

Dia da Criança | Data assinalada com prendas a crianças internadas

O Governo vai organizar uma série de actividades para assinalar o Dia Mundial da Crianças, celebrado a 1 de Junho. Segundo o Instituto de Acção Social (IAS), o “cartaz” de celebrações inclui “representações culturais e artísticas” de dos estudantes do ensino primário e da Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês, organização de arraiais, distribuição de prendas às crianças internadas nos hospitais e uma palestra sobre “Direitos das Crianças e Protecção Jurídica”.

No dia 31 de Maio, será organizada uma visita ao Quartel militar da Taipa para cerca de 600 estudantes do ensino primário de Macau, “de modo a permitir que os estudantes do ensino primário sintam a atmosfera festiva e celebrem a consciência da etnia e promovam o amor pela pátria e por Macau”.

No dia seguinte, serão entregues prendas a crianças internadas no Centro Hospitalar Conde de São Januário e no Hospital Kiang Wu. As autoridades não referiram detalhes sobre os chamados arraiais que vão decorrer no Campo dos Operários, Jardim Cidade das Flores e no Centro de Ciência.

Será também organizada uma palestra para funcionários de equipamentos socais sobre “Direitos da Criança e Protecção Jurídica”. Mas a diversão não se fica por aqui, com uma actividade em que o protagonista será a mascote do Comissariado contra a Corrupção: “O Urso Mensageiro Guilherme aborda contigo a honestidade 2026”.