Jogos Nacionais | Pun Weng Kun substituído por Luís Gomes no ID

Luís Gomes preside, entre hoje e 30 de Junho de 2026, ao Instituto do Desporto (ID), “em regime de substituição, com poderes para “tomar as medidas necessárias na selecção do pessoal de direcção e chefia”. A “ascensão” do vice-presidente do ID prende-se com as funções que Pun Weng Kun irá assumir para a preparação dos próximos Jogos Nacionais, organizados por Guangdong, Macau e Hong Kong.

Nesse sentido, foi dado ontem o primeiro passo oficial para a criação da Comissão Organizadora da Zona de Competição de Macau dos Jogos Nacionais, dos Jogos Nacionais para Deficientes e Jogos Olímpicos Especiais da China. O arranque tomou a forma de um despacho assinado pelo Chefe do Executivo, publicado ontem no Boletim Oficial.

Foi também criado um gabinete preparatório para coordenar equipas especializadas e “assegurar que os trabalhos preparatórios decorram sem sobressaltos”. O gabinete irá funcionar na directa dependência e sob orientação da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong, e será presidido chefiado por Pun Weng Kun.

Macau acolherá um total de sete diferentes modalidades de competição, incluindo quatro modalidades de competição e uma modalidade de desporto para todos dos Jogos Nacionais, e duas modalidades de competição dos Jogos Olímpicos Especiais para Deficientes.

AMCM | Guangdong emite 2,5 mil milhões de RMB em títulos de dívida

O Governo da província de Guangdong vai emitir em Macau no fim deste mês 2,5 mil milhões de renminbis em títulos de dívida “offshore” especializados para financiar projectos de grandes infra-estruturas em Hengqin. A medida foi anunciada como uma forma de celebrar o 25.º aniversário do retorno de Macau à pátria

 

O Governo da província vizinha de Guangdong, com o apoio do Ministério das Finanças, prepara-se para emitir em Macau no final de Agosto títulos de dívida “offshore” no valor de 2,5 mil milhões de renminbis (RMB), indicou ontem a Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

A emissão incluirá obrigações verdes e títulos de dívida do Governo dirigidos ao apoio dos grandes projectos de construção de infra-estruturas na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, ambos destinados a investidores profissionais.

A AMCM sublinhou ontem que a iniciativa constitui “a quarta emissão consecutiva, desde 2021, realizada pelo Governo da província de Guangdong, de títulos de dívida em RMB em Macau”. Além disso, esta é a primeira emissão de títulos de dívida “especializados para a Zona de Cooperação Aprofundada” em Hengqin.

Além disso, o organismo presidido por Benjamin Chau Sau San afirmou que a iniciativa do Governo de Guangdong tem também como objectivo “comemorar o 25.º aniversário do retorno de Macau à pátria”, conforme indica o valor da emissão (2,5 mil milhões RMB).

O regulador financeiro da RAEM saudou a medida que “consubstancia o apoio do Governo Central e da província de Guangdong ao desenvolvimento do mercado obrigacionista em Macau, sendo também importante para aprofundar a cooperação financeira transfronteiriça entre Guangdong e Macau”.

Verde como a natureza

A AMCM salienta ainda que a emissão contínua de títulos de dívida verde contribui para a diversificação de variedades de activos financeiros verdes de Macau e reflecte “a cooperação entre Guangdong e Macau na promoção do desenvolvimento do mercado financeiro nas áreas verdes e sustentáveis”.

No espaço de dois anos foram emitidos quase 95 mil milhões de patacas em títulos de dívida no território. No final de Janeiro, a AMCM dava conta do registo de 100 instituições na central de depósito de valores mobiliários do território, incluindo 67 oriundas do exterior e da China.

Desde o início da operação da Central de Depósito de Valores Mobiliários de Macau, em Dezembro de 2021, o Governo Central por três vezes emitiu títulos de dívida em Macau, e esta será a quarta emissão realizada pelas autoridades da província de Guangdong.

Estupefacientes | Classificadas novas substâncias

As substâncias Etazene, Etonitazepyne, Protonitazene, 2-Methyl-AP-237 e ADB-BUTINACA passam a integrar a lista de substâncias proibidas, no âmbito da legislação contra o consumo e tráfico de droga.

As alterações foram aprovadas ontem pela Assembleia Legislativa, por unanimidade. As substâncias 2-Methyl-AP-237, Etazene, Etonitazepyne e Protonitazene são drogas sintéticas que imitam os efeitos das drogas opiáceas, ou seja, derivadas do ópio.

A substância Protonitazene é tida como altamente perigosa, dado que é 20 vezes mais potente do que o fentanyl, substância responsável por várias mortes nos últimos anos entre os utilizadores de drogas nos Estados Unidos. O ADB-BUTINACA é uma droga sintética que imita os efeitos do consumo de cannabis.

Construção | Ron Lam contesta recurso a adjudicações directas

O deputado Ron Lam acusou ontem o Governo de estar a distorcer o mercado e de motivar várias suspeitas para a “troca de interesses” devido ao recurso sistemático às adjudicações directas na construção pública.

Numa intervenção antes da ordem do dia, o legislador apontou vários exemplos em que o Governo de Macau evitou realizar concursos públicos para a atribuição de obras com um custo superior a 15 milhões de patacas, como definido por lei, recorrendo ao regime de excepção para atribuir vários contratos a empresas estatais chinesas, como a China State Construction, Hua Yi (controlada pela China State Construction) ou a Companhia de Engenharia e de Construção da China (Macau). Os exemplos mencionados pelo deputado envolveram mais de 3,6 mil milhões de patacas, entre as obras de decoração da habitação para idosos, planeamento do Parque Aventura da praia de Hac Sá ou a construção de Apartamentos para Idosos na Avenida do Nordeste.

“O Governo recorre sempre ao pretexto de “elevada dificuldade e complexidade de execução das obras” para justificar o seu ajuste directo, o que não consegue garantir a qualidade das mesmas, prejudica a concorrência no mercado e leva a sociedade a suspeitar da existência de ‘troca de interesses’, afectando gravemente a credibilidade da governação”, afirmou Ron Lam.

AL / Casinos | Recusada proposta de Coutinho sobre salários

Os quatros deputados da Associação da Federação dos Operários de Macau (FAOM) abstiveram-se e a proposta de debate sobre o aumento de salários foi chumbada

 

A Assembleia Legislativa (AL) chumbou dois pedidos de debate propostos pelo deputado José Pereira Coutinho sobre a actualização de salários para os trabalhadores dos casinos e sobre a adopção de medidas para atrair mais visitantes estrangeiros através do Aeroporto Internacional de Macau.

No primeiro debate proposto, além de considerar necessário actualizar os salários dos trabalhadores das concessionárias do jogo, para acompanhar a inflação dos bens essenciais, José Pereira Coutinho pretendia que se debatesse ainda a modernização dos sistemas informáticos e a adopção de uma gestão mais moderna dos recursos humanos.

No entanto, a proposta do deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) apenas contou com o apoio do colega de bancada, Che Sai Wang, e Ron Lam.

Contra a proposta, votaram os deputados nomeados pelo Chefe do Executivo, empresários e as forças tradicionais da Associação dos Moradores, Associação das Mulheres e Fujian (21 votos).

As bancadas da FAOM e da comunidade de Jiangmen abstiveram-se (7 votos). Após a votação, os deputados dos Operários, através de Ella Lei, justificaram a posição, argumentando que nada existe para discutir, antes que o Governo deve assegurar que a legislação é cumprida.

“Este não é um assunto para ser debatido, porque estamos a falar de deveres que só têm de ser cumpridos. Compete à Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais desempenhar o seu papel”, argumentou Ella Lei. “As concessionarias têm problemas devido à insuficiente mão-de-obra, mas têm de melhorar as condições dos trabalhadores”, vincou.

Os deputados nomeados Wu Chou Kit e Pang Chuan recusaram o debate com o argumento de que não deve haver intervenção do Governo no mercado.

Já Angela Leong, deputada e empresária gestora na concessionária SJM, votou contra, mas apelou para que as condições de trabalho nos casinos sejam melhoradas: “As concessionárias devem ajustar os turnos para os colegas terem um descanso melhor”, pediu.

Apesar das diferentes posições, Ron Lam lamentou que, na altura, aquela tenha sido a 27.ª proposta de debate consecutiva recusada pelos deputados.

A 28.ª recusa

Também o debate sobre a adopção de medidas mais eficazes para atrair turistas internacionais através do Aeroporto Internacional de Macau acabou recusado.

À semelhança da votação anterior, a favor da proposta votaram José Pereira Coutinho, Che Sai Wang e Ron Lam. A bancada de Jiangmen absteve-se (3 votos), e os deputados tradicionais, empresários e nomeados votaram contra (25 votos).

Na justificação do voto, Kou Kam Fai, deputado nomeado, indicou que a internacionalização passa pela ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, porque Macau é um território com “limitações de vária ordem”. “É necessário ter em conta que temos limitações de vária ordem […] O turismo de Macau deve apoiar-se na Ponte sobre o Delta e apostar nos elementos não jogo, e não apenas focar-se no funcionamento Aeroporto de Macau”, afirmou.

O deputado Ip Sio Kai, ligado ao sector comercial e trabalhador do Banco da China, considerou o tema do debate “inadequado”, e argumentou que o Governo já está a promover a internacionalização de Macau, através da “criação da cidade de espectáculos”.

China/Brasil | 50 anos de relações diplomáticas celebrados amanhã

Faz amanhã meio século que o Brasil e a China retomaram as relações diplomáticas, depois de um interregno que durou desde a fundação da República Popular da China. Desde então, os países partilharam afinidades ideológicas e dinamismo económico, e são hoje em dia parceiros estratégicos

 

O Brasil e China celebram amanhã 50 anos do restabelecimento das relações diplomáticas. Os dois países que lideram em conjunto o chamado Sul Global partilham uma afinidade ideológica alicerçada num “dinamismo económico evidente”.

“As nossas relações não se dão apenas por afinidades ideológicas, mas por esse dinamismo económico evidente”, disse à Lusa o director do Instituto Latino-Americano de Economia, Sociedade e Política (ILAESP) da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), Fábio Borges.

O Brasil rompeu em 1949 as relações com Pequim, na sequência da fundação da República Popular da China (RPC), retomando-as só depois em 1974, já com um entendimento de que a relação “não se podia limitar apenas a temas de segurança e a ‘ou você está com os Estados Unidos, ou você está com a União Soviética’”, num período histórico marcado pela Guerra Fria, recordou o especialista em relações sino-brasileiras.

Antes mesmo da ligação ideológica, mais visível nos governos de Lula da Silva, e de a China se tornar no maior aliado económico brasileiro, já existiam pontos e ligações em comum, detalhou Fábio Borges, como a noção da “autodeterminação dos povos, o princípio da não-ingerência em assuntos externos de outros países, o princípio da coexistência pacifica”.

“Diferente dos Estados Unidos, a China pauta-se muito por esses princípios de relações mais horizontais”, frisou o professor universitário, notando ainda que aos dias de hoje “a cooperação chinesa baseia-se mais em elementos económicos, tecnológicos do que imposições militares”, mais utilizada pelos norte-americanos.

O século de ouro

É precisamente no capítulo económico onde as relações entre os dois países mais se fazem notar, especialmente no século XXI. Em 2003, de acordo com dados oficiais, o comércio entre os dois países cifrava-se em seis mil milhões de euros. Em 2009, a China torna-se no primeiro parceiro económico do Brasil e, em 2023, chegam aos 160 mil milhões de euros. A China é responsável por mais de metade do superavit brasileiro, alicerçada em produtos como a soja, minério de ferro e petróleo bruto.

A importância da China para o Brasil foi evidente numa das primeiras viagens oficiais de Lula da Silva ao assumir o seu terceiro mandato em 1 de Janeiro de 2023, como recordou Fábio Borges, numa visita de Estado também para reafirmar a importância do parceiro estratégico, após quatro anos de turbulências diplomáticas causadas pela administração de Jair Bolsonaro, mais alinhada à política externa norte-americana da administração de Donald Trump.

Na ocasião, Lula da Silva levou consigo cerca de 40 políticos, entre ministros do Governo brasileiro e parlamentares e ainda cerca de 300 empresários brasileiros, principalmente do agronegócio, para o país que absorve cerca de 30 por cento das vendas do sector ao exterior, segundo dados do Ministério da Agricultura do país sul-americano.

Este ano, para dar o tiro de partido dos 50 anos de relações diplomáticas, foi a vez do vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, deslocar-se à China com 200 empresários e assinar quase uma dezena de acordos de reforço comercial nas áreas da agricultura, indústria, finanças, transição energética e mercados capitais.

“A China é um grande parceiro estratégico porque é o país mais dinâmico da economia mundial, no século XXI. Ninguém tenha dúvidas disso”, frisou Fábio Borges, acrescentando que o Brasil poderá ser incluído na iniciativa “Faixa e Rota”, anunciada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, em 2013.

Segundo informações divulgadas pelo Governo brasileiro, Xi Jinping poderá viajar ao Brasil este ano para uma visita de Estado. A data da viagem ainda não foi oficialmente confirmada, mas será provavelmente nas vésperas da Cimeira do G20, que vai acontecer no Rio de Janeiro, nos dias 18 e 19 de Novembro.

O papel dos BRICS

No campo diplomático, o Brasil e China integram o grupo de países de economias emergentes BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul), um fórum onde a China “diante de uma escalada dos conflitos económicos com os Estados Unidos por conta do proteccionismo” e as “tensões políticas por conta de Taiwan, vê os BRICS como um elemento de fortaleza da sua estratégia mais geral”, considerou o professor.

A conjuntura tem também a aproximado os dois países, até porque Pequim “percebe que o Brasil pode ser um parceiro estratégico extremamente interessante na América Latina e nos fóruns internacionais” pela “simbologia de ser um país democrático” e que “compartilha a Amazónia” considerou.

Sobre as proximidades ideológicas, Fábio Borges admite existir uma “afinidade natural” entre os dois, apesar de a China exercer “uma influência, ainda que indirecta, na maioria dos países do mundo” porque “é um grande parceiro comercial de todos os países”.

“Em geral os países são muito cuidadosos de não confrontar a China nesses temas espinhosos do sistema internacional, em relação a Israel, em relação à Ucrânia, em relação à eleição na Venezuela também”, sublinhou.

Hoje o Congresso do Brasil fará, a partir das 14h, uma sessão solene para celebrar o Dia Nacional da Imigração Chinesa e o cinquentenário das relações diplomáticas entre Brasil e China.

O “pára-arranca”

A Lusa ouviu outro analista brasileiro que defendeu que a relação entre a China e o Brasil está actualmente numa situação de “pára-arranca”, ao ser travada por forças políticas que beneficiam do comércio bilateral, mas mantêm uma posição ideológica antagónica face a Pequim.

“A relação bilateral é sobretudo dominada por segmentos da direita brasileira, por conta do agronegócio, que internamente apoia Bolsonaro, mas mantém uma contradição: de manhã ganham dinheiro com a China e, de noite, criticam os ‘comunistas chineses’”, descreveu Evandro Carvalho, coordenador do Núcleo de Estudos Brasil – China, da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getúlio Vargas.

O Governo de Lula da Silva coincidiu com um Congresso brasileiro dominado por forças da direita conservadora, apoiada pelos grupos agrícolas e pecuários, que mantêm uma posição ideológica assumidamente anti-China, apesar de serem os principais beneficiários do comércio entre os dois países.

“É esse sector que predomina e domina a agenda bilateral, porque a esquerda brasileira não tem uma relação desenvolvida com a China. Isso cria naturalmente obstáculos para o desenvolvimento de outras agendas”, frisou Evandro Carvalho.

O investigador admitiu que houve “alguns avanços” na relação desde o regresso ao poder de Luiz Inácio Lula da Silva, após um período “muito mau” com Bolsonaro, que assumiu o poder com a promessa de reformular a política externa brasileira, reaproximando-se dos Estados Unidos e pondo em causa décadas de aliança com o mundo emergente. “Mas acho que a relação continua aquém do seu potencial”, ressalvou.

O responsável destacou também a “distância” que Brasília mantém face a importantes programas da política externa chinesa, incluindo a iniciativa “Faixa e Rota”, que conta já com 150 países aderentes. Quase todas as nações da América Latina fazem parte da iniciativa, à excepção do Brasil, Colômbia e Paraguai.

O Brasil tem enviado apenas diplomatas de baixo escalão para participar nos fóruns em Pequim, contrastando com vários dos seus países vizinhos, que se fizeram representar por chefes de Estado ou de Governo.

Outro exemplo é o Fórum Macau, o mecanismo multilateral promovido pela China para reforçar as trocas económicas e comerciais com os países de língua portuguesa, e onde Brasília se mantém “relativamente pouco activa”, disse o académico. “O Brasil mantém um certo distanciamento desses projectos que percebe como tendo muito a marca da China”, observou.

Evandro Carvalho defendeu que o Brasil deve desenvolver o potencial da relação de forma a beneficiar-se para além do comércio de matérias-primas, através da transferência de tecnologia em áreas em que a China lidera, incluindo nos sectores das renováveis, carros eléctricos ou economia digital. “A China poderia ser um parceiro formidável para o Brasil desenvolver capacidades”, vincou.

Tóquio | Avião de carga 747 faz aterragem de emergência

Um avião de carga Boeing 747 com destino a Los Angeles regressou ontem ao Aeroporto Internacional de Narita, um dos dois aeroportos de Tóquio, para uma aterragem de emergência, levando ao encerramento temporário de uma das pistas.
O voo 7106 da companhia norte-americana Atlas Air voltou ao aeroporto à 01:10, depois de ter sido detectada uma avaria no sistema hidráulico.
O avião Boeing 747 tinha um pneu furado e uma roda partida e, devido ao acidente, a pista A do aeroporto foi encerrada durante cerca de sete horas, noticiou a agência japonesa Kyodo.
Nenhum dos sete tripulantes do avião de carga ficou ferido, indicou o gabinete do aeroporto do Ministério dos Transportes.
Este acidente ocorreu horas depois de um outro, registado no mesmo aeroporto na segunda-feira, em que um Boeing 787 da Singapore Airlines apresentou problemas técnicos na aterragem, provocando o encerramento da pista B do aeroporto durante cerca de 50 minutos.
Nenhum dos 276 passageiros ficou ferido.
Os bombeiros detetaram fumo branco proveniente do motor esquerdo do avião comercial, depois da aterragem e o Ministério do Território, Infraestruturas, Transportes e Turismo do Japão disse terem sido encontrados restos de pneus na pista onde pousou.

Afeganistão | Governo talibã afunda país na pobreza

Três anos após o regresso dos talibãs a Cabul, o Afeganistão tem uma economia de “crescimento zero”, com a população atolada na pobreza, uma crise humanitária que se agrava e sem esperança de melhoria num futuro próximo.
Em 2021, o novo governo herdou uma administração estabelecida. Os preços baixaram, a moeda aguentou-se bem, a corrupção deixou de ser um fenómeno sem precedentes e a cobrança de impostos melhorou.
Acima de tudo, a segurança regressou, criando um clima propício à actividade empresarial. Após 40 anos de guerra, as mercadorias e as pessoas podem agora deslocar-se em segurança de Cabul a Herat, a oeste, e de Mazar-e-Sharif, norte, a Jalalabad, leste.
Mas o Produto Interno Bruto (PIB) sofreu uma contracção violenta, de 26 por cento em 2021 e 2022, segundo o Banco Mundial, que antecipa que “o crescimento será nulo nos próximos três anos e o rendimento ‘per capita’ diminuirá devido ao crescimento demográfico”.
A ajuda ao desenvolvimento praticamente cessou porque o governo não é reconhecido por nenhum país e a ajuda humanitária foi reduzida, além de um terço dos 45 milhões de afegãos sobreviverem com pão e chá, enquanto o desemprego é maciço.
O Afeganistão, rico em minerais, tem também um grande potencial agrícola, mas sofre de fuga de cérebros, falta de infra-estruturas, de conhecimentos especializados estrangeiros e de financiamento.
“A guerra está a encontrar parceiros estratégicos”, disse à agência AFP Sulaiman Bin Shah, vice-ministro do Comércio na manhã em que, em Agosto de 2021, os talibãs entraram em Cabul e que é atualmente consultor de investimentos.
Cabul encontrou alguns: “com a Rússia, a China, o Paquistão, o Irão [e as repúblicas da Ásia Central], estamos a cooperar muito”, afirmou ontem, com satisfação, Ahmad Zahid, vice-ministro do Comércio e da Indústria.

Do dia a dia

A AFP perguntou aos afegãos em Cabul, Herat e Ghazni como vivem actualmente.
Wahid Nekzai Logari foi membro da Orquestra Nacional e deu concertos de sarenda, um instrumento de cordas tradicional, e de harmónio, até à Índia. “Sustentei toda a minha família. Tínhamos uma boa vida”, diz o afegão de 46 anos, na sua modesta casa num subúrbio de Cabul.
“Com a criação do Emirado Islâmico, a música foi proibida. Agora estou desempregado”. Para alimentar a família de sete pessoas, conduz ocasionalmente um táxi. Actualmente, ganha apenas 5.000 afegãos por mês (65 euros), um quinto do que ganhava com os seus concertos.
“Os talibãs revistaram a minha casa, como todas as outras em Cabul. Viram os meus instrumentos. Eu disse-lhes que já não os tocava e eles não os partiram. Ninguém nos disse: já não podem tocar música, mas vamos arranjar maneira de alimentarem a vossa família”, lamenta.
Durante quatro anos, Abdul Wali Shaheen quis “morrer como um mártir” nas fileiras talibãs. Depois da vitória, trocou o lança-foguetes por um computador no Departamento de Informação e Cultura de Ghazni.
“Não estava tão stressado como agora”, admite o antigo ‘mujahid’ de 31 anos. “Tenho mais responsabilidades para com o público. A única coisa que fazíamos era fazer a ‘jihad’, mas agora é mais difícil”, diz.
O salário de 10.000 afegãos é suficiente para alimentar a família de cinco pessoas. “Dou ao Emirado um 1/10 dos meus rendimentos nestes três anos. Tudo está a correr bem e temos esperança no futuro”, diz.
Cita o regresso da segurança, “um grande sucesso”, e a expropriação de terrenos e edifícios públicos ocupados ilegalmente. No entanto, admite que existem “lacunas”, que espera que “sejam colmatadas”.
“A paz deve continuar”, conclui.

FRC | Manga, “ArmourMan” e outras histórias em exposição

Chama-se “Comics 2024 + ArmourMan 2024” e é a mais recente exposição da Fundação Rui Cunha, inaugurada esta terça-feira. Com curadoria de Howard Chan, a mostra conta com 60 desenhos e obras de Manga, género artístico japonês. Destaque para o trabalho do artista James Khoo, autor da série “ArmourMan”

A Fundação Rui Cunha (FRC) tem patente, desde esta terça-feira, a exposição de artistas de Manga e banda desenhada de Macau, China e Hong Kong, numa homenagem ao trabalho dos artistas oriundos da Grande Baía. A mostra chama-se “Comics 2024 + ArmourMan 2024” e pode ser vista durante de duas semanas. A exposição de banda desenhada, com vários artistas, decorre até ao dia 17 de Agosto, enquanto a exposição da série “ArmourMan”, do conhecido artista de Hong Kong James Khoo, decorre entre os dias 20 e 24 deste mês. No total, são apresentadas 60 obras.
Esta iniciativa decorre graças a uma parceria com a Associação de Promoção de Intercâmbio Cultural de Banda Desenhada e Animação de Macau, contando com curadoria de Howard Chan, presidente desta entidade.
Assim, até ao dia 17, apresentam-se 30 obras da autoria de nove artistas de banda desenhada de Macau, Hong Kong e da China. Depois, entre os dias 20 e 24, os trabalhos de James Khoo, nome de referência no meio artístico de Hong Kong estarão expostos na galeria da Praia Grande.

Vincent Ho e companhia
Um dos artistas locais cujo trabalho estará patente nesta exposição é Vicent Ho, seguindo-se Jet Wu, Yeung Siu e a dupla “Moto&TakTak”. De Hong Kong chegam os artistas Wai On, Linus Liu e Wah Kei, enquanto que, da China, são apresentados os trabalhos de Chen Wei e Lin Min. Todos eles são membros da associação que promove a mostra e que está ligada ao universo da banda desenhada, ilustração e Manga.
Por sua vez, na segunda semana da mostra, será apresentado o trabalho mais recente do mestre de banda desenhada de Hong Kong, James Khoo Fuk Lung, considerado o pai da série “ArmourMan”. Esta tornou-se num “verdadeiro blockbuster” de banda desenhada assim que foi lançada, há um ano, descreve a FRC em comunicado. Além disso, “as revistas semanais também conseguiram vendas recorde em Macau”, com a maioria das edições a esgotar nas bancas em dois dias.
James Khoo é tido como um “autor experiente de banda desenhada”, sendo que a sua primeira obra de grande sucesso, “Iron Marshal”, vendeu 60.000 livros quando foi lançada. Mais tarde vieram outros sucessos de bilheteira como “Eastern Invincible”, “DragonMan” e muitos outros.
“ArmourMan” é o seu mais recente trabalho e tornou-se a revista semanal de banda desenhada mais vendida em Hong Kong. Para celebrar o primeiro aniversário desta publicação, os organizadores pediram autorização ao artista para expor manuscritos recentes de “ArmourMan”.
A FRC aponta que James Khoo não poderá estar presente em Macau para participar presencialmente na exposição, mas alguns números da nova colecção vão estar à venda na Galeria da FRC, numa iniciativa que tem como objectivo “trazer até aos jovens locais e visitantes este super-herói da actualidade”.
A Associação de Promoção do Intercâmbio Cultural de Banda Desenhada e Animação de Macau surgiu em 2014 para apoiar o desenvolvimento profissional da indústria, o intercâmbio técnico e a cooperação entre ilustradores locais e estrangeiros, com vista a assegurar mais projectos de alta qualidade e em grande escala, bem como publicações, palestras e outras actividades que beneficiem a comunidade de Macau. A.S.S.
DESTAQUE
Um dos artistas locais cujo trabalho estará patente nesta exposição é Vicent Ho, seguindo-se Jet Wu, Yeung Siu e a dupla “Moto&TakTak”. De Hong Kong chegam os artistas Wai On, Linus Liu e Wah Kei, enquanto que, da China, são apresentados os trabalhos de Chen Wei e Lin Min

Bolsa | Negociação cai para valor mais baixo desde 2020

O volume de negócio nas praças financeiras da China continental caiu na segunda-feira para o nível mais baixo desde Maio de 2020, face ao abrandamento económico e ao aumento da procura por obrigações do Tesouro, noticiou ontem a agência Bloomberg.
Na primeira sessão da semana, a negociação combinada nas bolsas de valores de Xangai e Shenzhen fixou-se no equivalente a cerca de 69,1 mil milhões de dólares. Este valor conjunto é o mais baixo desde o final de 2019.
As bolsas de Xangai e Shenzhen caíram ao longo de 2022 e 2023. Até à data, este ano, os seus índices de referência caíram 3,58 por cento e 11,17 por cento, respectivamente. O índice CSI 300, que agrupa as 300 principais acções destes dois mercados, desceu 1,99 por cento desde o início de 2024 e está agora 42,86 por cento abaixo do seu pico, registado em Fevereiro de 2021.
Esta situação, juntamente com a persistente crise imobiliária, limitou as opções dos investidores, que passaram a procurar obrigações do Estado – também influenciadas pelas expectativas de cortes nas taxas -, o que alarmou os reguladores.
Este mês, a taxa de rentabilidade das obrigações a 10 anos atingiu um mínimo histórico de 2,12 por cento, depois de as autoridades chinesas terem adoptado medidas que a Bloomberg considerou “altamente invulgares”, como uma ordem aos bancos rurais da província de Jiangxi, no sudeste do país, para não satisfazerem as mais recentes ordens de compra de títulos do Estado.
Na sequência das intervenções, as taxas de rentabilidade recuperaram para cerca de 2,25 por cento, embora alguns analistas apontem este facto como mais um golpe na transparência e, consequentemente, na confiança dos investidores internacionais em títulos de dívida pública do Estado chinês.

Viagem | Wang Yi em périplo regional para aprofundar relações

O líder da diplomacia chinesa visita o Mianmar e a Tailândia onde irá manter contactos com ministros dos Negócios Estrangeiros de vários países do sudeste asiático

Wang Yi, membro do Bureau Político do Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) e ministro dos Negócios Estrangeiros da China, visitará o Mianmar e viajará para a Tailândia para co-presidir à 9.ª Reunião dos Ministros dos Negócios Estrangeiros da Cooperação Lancang-Mekong e participar na Discussão Informal entre os Ministros dos Negócios Estrangeiros da China, Laos, Mianmar e Tailândia, entre 14 e 17 de Agosto.
Sobre a visita de Wang ao Mianmar, um porta-voz do Ministério Negócios Estrangeiros da China disse, citado pela Xinhua, que o objectivo é aprofundar a cooperação bilateral mutuamente benéfica em vários campos, consolidar o estreito vínculo de amizade entre os dois povos e promover a construção da comunidade China-Mianmar com um futuro compartilhado.
Como amiga e vizinha do Mianmar, a China segue estritamente o princípio de não interferência nos assuntos internos de outros países, apoia os esforços do Mianmar para manter a estabilidade, fomentar a economia e melhorar a subsistência da população, além de fornecer ajuda construtiva para que as partes no Mianmar resolvam adequadamente as diferenças através de consultas políticas dentro da estrutura da constituição e de outras leis, acrescentou o porta-voz.

Outras colaborações
Sobre a Cooperação Lancang-Mekong (LMC, sigla em inglês), o porta-voz disse que se trata de um tipo inovador de mecanismo de cooperação regional entre a China, o Camboja, Laos, Mianmar, Tailândia e Vietname, caracterizado por colaboração, consulta e benefício compartilhado. Desde o seu lançamento em 2016, o mecanismo tem produzido resultados frutíferos, contribuindo efectivamente para o desenvolvimento económico e social dos seis países do Lancang-Mekong e trazendo benefícios tangíveis para seus povos.
O porta-voz afirmou que, nos últimos anos, sob a orientação estratégica dos líderes da China e dos países do Mekong, Camboja, Laos, Mianmar, Tailândia e Vietname anunciaram em conjunto com a China a construção de uma comunidade com um futuro compartilhado. Todos os países da região do Mekong estão engajados na construção de uma comunidade com um futuro compartilhado, tanto bilateralmente com a China quanto multilateralmente, sob o mecanismo LMC.
A China espera trabalhar com os países do Mekong na Reunião dos Negócios Estrangeiros da LMC para analisar o progresso da cooperação, fazer um balanço da experiência passada e planear os próximos passos para transformar a região de Lancang-Mekong num exemplo de cooperação de alta qualidade da inciativa Faixa e Rota, um pioneiro na implementação da Iniciativa de Desenvolvimento Global, um pioneiro na implementação da Iniciativa de Segurança Global e um pioneiro na implementação da Iniciativa de Civilização Global, e formar uma comunidade ainda mais próxima com um futuro compartilhado para os países de Lancang-Mekong, acrescentou o porta-voz.
À margem da reunião da LMC, a convite da Tailândia, Wang participará da Discussão Informal dos Ministros das Negócios Estrangeiros da China, Laos, Mianmar e Tailândia para trocar opiniões sobre a situação regional, combate conjunto aos crimes transfronteiriços e outras questões, disse o porta-voz.

Jogo | Receitas de 11 dias de Agosto acima de Junho e Julho

Nos primeiros 11 dias deste mês, as receitas médias diárias dos casinos de Macau melhoraram face Junho e Julho, segundo as estimativas da JP Morgan. Apesar de manter a previsão de 19,5 mil milhões de patacas para este mês, os analistas ressalvam que a perspectiva pode ser conservadora e ultrapassada pelos resultados reais

 

Depois de um arranque ao ritmo brando dos dois meses anteriores, Agosto parece ter entrado em velocidade de cruzeiro em termos de receitas brutas da indústria do jogo, de acordo com as estimativas dos analistas da JP Morgan Securities (Asia Pacific).

Os analistas estimam que as receitas brutas dos primeiros 11 dias de Agosto tenham atingido 7,1 mil milhões de patacas, elevando as receitas médias diárias para 645 milhões de patacas. Este registo representa uma subida significativa, tendo em conta a estimativas apresentadas na semana passada para os primeiros seis dias do mês, com receitas médias diárias de 533 milhões de patacas, em linha com a performance de Julho.

“Estes resultados indicam que o registo da semana passada melhorou sequencialmente para 657 milhões de patacas por dia, reflectindo uma procura sólida do mercado de massas para as férias do Verão, acima dos 590 a 600 milhões de patacas por dia entre Junho e Julho”, é referido na nota.

Os analistas DS Kim, Mufan Shi e Selina Li indicam que no período em análise, as receitas brutas do segmento de massas ultrapassaram os níveis pré-pandémicos (110 por cento), enquanto o VIP baixou para cerca de 25 por cento em comparação com 2019.

Com muita calma

Apesar das boas perspectivas trazidas pela segunda semana deste mês, a JP Morgan mantém a previsão anterior que apontava para receitas brutas na casa dos 19,5 mil milhões de patacas, com receitas médias diárias entre 610 e 630 milhões de patacas. Os analistas ressalvam que as perspectivas podem ser um pouco conservadoras, a manterem-se as tendências semanais até ao fim do mês.

Recorde-se que os casinos de Macau estão ainda a recuperar do pior mês deste ano, Junho, um período tradicionalmente afectado pela sazonalidade em jeito de ressaca depois do Maio abastado. Entre Junho e Julho, a indústria recuperou quase mil milhões de patacas em receitas, com 18,59 mil milhões de patacas no mês passado, face aos 17,69 mil milhões de patacas de Junho, um crescimento de 5,1 por cento.

DST | Alerta sobre perigo de terramotos no Japão

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) apelou aos residentes que se encontrem no Japão ou que vão viajar para se manterem atentos para a possibilidade de ocorrerem terramotos. O alerta foi deixado na manhã de ontem, dado que o Japão é um dos destinos turísticos favoritos dos residentes.

“Na sequência dos avisos das autoridades japonesas sobre a eventual ocorrência de um mega terramoto em determinada área do país, a Direcção dos Serviços de Turismo alerta os residentes de Macau que se encontrem no Japão ou que planeiem deslocar-se àquele país para se manterem atentos e prestarem atenção às informações mais recentes divulgadas pelo governo nipónico”, foi indicado.

“A DST alerta ainda os residentes de Macau que se encontrem no Japão para estarem atentos à evolução do terramoto, aos alertas meteorológicos e às informações sobre prevenção de desastres naturais, seguindo as medidas de prevenção e instruções de refúgio emitidas pelas autoridades japonesas, elevando a consciência de autoprotecção e reforçando a sua própria segurança”, foi acrescentado.

No aviso, foi ainda deixada a indicação que “em caso de necessidade de assistência”, os residentes de Macau podem contactar a Linha Aberta do Turismo em funcionamento 24 horas 00853 2833 3000, a Linha Aberta Global de Emergência dos Serviços de Protecção e Assistência Consular do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China, através do 0086-10-12308 ou 00 86 10 65612308, e ainda para a Embaixada da RPC no Japão 0081-3-6450-2195.

Habitação para idosos | Estacionamento público considerado caro

A deputada Ella Lei defende que o Governo deve explicar a razão do estacionamento público para automóveis na habitação para idosos ter o custo de 8 patacas por hora durante o dia, e 4 patacas à noite.

Num comunicado, a deputada ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) considerou o preço excessivo e questionou o facto de os parques de estacionamento públicos mais recentes praticarem preços mais caros em comparação com os parques públicos antigos. Como exemplo dos parques mais caros, Ella Lei indicou o Parque de Estacionamento Público ao Ar Livre da Estrada Governador Albano de Oliveira, o Parque de Estacionamento Público do Edifício de Especialidade de Saúde Pública e o Parque de Estacionamento Público do Hospital Macau Union.

A legisladora admitiu ainda ter recebido várias queixas de residentes das futuras habitações sociais na Avenida de Venceslau de Morais e nas habitações públicas na Zona A dos Novos Aterros Urbanos, porque os preços também são vistos como caros. “Além de considerar os custos operativos [na formação do preço], o Governo deve pensar em outros factores antes de tomar uma decisão prudentemente”, apontou Ella Lei.

A deputada pede moderação nos preços estabelecidos pelo Executivo, para que este não seja responsável por “aumentar os custos de vida para a população” ou por “gerar a um aumento dos preços nos estacionamentos privados”.

Habitação | Governo acusado de desorientação por construção no Iao Hon

Após suspender a construção de habitação intermédia na Avenida Wai Long, supostamente por falta de procura, o Governo anunciou a construção no Bairro do Iao Hon. A mudança está a causar polémica

 

O novo projecto de habitação intermédia no Bairro do Iao Hon está a gerar dúvidas entre os deputados, que acusam o Executivo de desorientação política.

No início do mês, na Assembleia Legislativa, o Governo admitiu ir construir habitação intermédia no Bairro do Iao Hon, no âmbito do projecto de renovação urbana para a zona. A habitação intermédia é financiada com dinheiros públicos e vendida aos residentes de “classe média”, cujos rendimentos são tidos como excessivos para poder comprar habitação económica. A também chamada “habitação sanduíche” é assim mais cara e supostamente tem mais qualidade do que a económica.

Só que a revelação mais recente do Executivo apanhou alguns deputados de surpresa, que definem a política de habitação como “incoerente” ou “desorientada”.

Em declarações ao Jornal do Cidadão, Ron Lam admitiu não perceber o novo projecto, dado que o Executivo vai avançar para a construção de habitação intermédia no Iao Hon, depois há meses ter abdicado de construir habitação intermédia na Avenida Wai Long, na Taipa.

Na altura, o projecto na Taipa foi suspenso com a justificação de que “não havia procura suficiente” para a habitação intermédia. Lam confessa não conseguir compreender como em “tão pouco tempo” surgiu uma procura tão grande que justifique a construção no Iao Hon.

O membro da Assembleia Legislativa definiu ainda a mudança de posição do Governo como “pouco transparente”, dado que os fundamentos não foram explicados publicamente. Para Ron Lam, todas as alterações recentes mostram que a política de habitação do Governo está a falhar, porque não responde à expectativas da população de acesso a casas com qualidade e a preços moderados.

Política “desorganizada”

Por sua vez, Nick Lei, deputado ligado à comunidade de Fuijan, admitiu ao Jornal do Cidadão que o recente anúncio de construção no Iao Ho passou a imagem de que a política de habitação está “desorganizada”.

Também Lei considerou pouco positivo o facto de a decisão para o Iao Hon ter sido tomada sem que tivesse havido qualquer informação ou explicação pública. Lei aponta que este aspecto é incompreensível porque a habitação é uma “questão essencial” para a população e qualquer alteração política tem “impacto na vida dos residentes”.

O deputado deixou assim a esperança de que as autoridades revelem mais pormenores sobre o projecto, como o preço de venda, a área das habitações e que assegurem a existência de lojas, supermercados e outros equipamentos em quantidade suficiente para os futuros moradores.

Zona A | Edifícios de habitação pública sem revestimento de mosaicos

A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) indicou que foi alterado o método de revestimento das paredes exteriores dos 17 novos edifícios de habitação pública em construção na Zona A. Em vez do revestimento com telhas de mosaico, as paredes exteriores serão pintadas, afirmou o director substituto da DSOP, Sam Weng Chon, em resposta a interpelação escrita de Leong Hong Sai.

O deputado dos Moradores solicitou ao Governo medidas para evitar o problema constante de queda de reboco e azulejos das fachadas de edifícios da habitação pública, e sugeriu mesmo a opção de revestimento com pintura que acabou por ser escolhida.

O Governo justificou a alteração “após a revisão dos trabalhos já realizados e tendo como referência as experiências das regiões vizinhas”, não mencionando os recorrentes incidentes que afectam os edifícios de habitação pública com queda de azulejos ou o empolamento de tinta devido à humidade.

A DSOP voltou a garantir que para edifícios com paredes exteriores pintadas, o empreiteiro deve apresentar os materiais, o projecto de execução e o projecto de ensaios para efeitos de aprovação.

Os materiais de pintura devem ser inspeccionados no local da obra para examinação e, antes da execução da pintura, a camada de reboco deve ser sujeita a teste do valor do pH e de humidade.

Professores | Escolas aplaudem nova lei sobre formações

Vong Kuoc Leng, director da Escola Choi Nong Chi Tai, disse ao canal chinês da Rádio Macau que a nova lei que irá regular a docência, intitulada “Regime do desenvolvimento profissional do pessoal docente do ensino não superior” promove a igualdade entre docentes e foca-se no seu nível profissional.

A nova lei, que entra em vigor no próximo ano lectivo, determina que os professores devem frequentar 30 horas de formação por ano. Vong Kuoc Leng recordou que desde 2018 as escolas privadas implementam um mecanismo permanente de formação para professores, aplicando-se agora um sistema semelhante nas escolas públicas.

Desta forma, o responsável anseia por detalhes dos cursos de formação a anunciar pelo Governo, a fim de se fazer uma planificação atempada. Vong Kuoc Leng espera ainda que possam ser disponibilizadas mais vagas e maior diversidade de formações, pois, nos anos anteriores, os cursos ficaram rapidamente preenchidos.

No caso do responsável pela Escola Tong Nam, foi também elogiada a nova lei, pois irá beneficiar, na sua opinião, o desenvolvimento profissional de professores. O mesmo responsável apontou que a obrigatoriedade de cumprir horas de formação pode levar os docentes a procurarem, por si, formações na área da segurança nacional, assuntos culturais e inteligência artificial, enriquecendo, assim, os seus conhecimentos.

Aeroporto | Segundo terminal suspenso devido à falta de passageiros

A suspensão do segundo terminal do Aeroporto de Macau foi revelada aos deputados da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas. O terminal iria nascer numa parte do Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa

 

O Governo decidiu suspender os planos para transformar parte do Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa no segundo terminal do Aeroporto Internacional de Macau. A revelação foi feita à Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas da Assembleia Legislativa, e justificada com a lenta recuperação do número de passageiros a usar as instalações aeroportuárias.

“Devido à recuperação lenta do tráfego de passageiros do aeroporto após a epidemia, o volume do tráfego de passageiros do aeroporto em 2023 foi apenas de cerca de 5,15 milhões”, consta no parecer assinado pelos deputados. “Embora o volume do tráfego de passageiros do aeroporto no 1.º trimestre deste ano tenha atingido 1,8 milhões de passageiros e recuperado para cerca de 77 por cento do pico do período homólogo de 2019, a actual capacidade do terminal de passageiros do aeroporto ainda é suficiente para dar resposta às necessidades do desenvolvimento actual do tráfego aéreo, já que a capacidade do terminal é de 10 milhões de passageiros por ano. Por isso, neste momento, a construção do segundo terminal do aeroporto encontra-se suspensa”, foi justificado.

A suspensão foi igualmente defendida com o facto de em 2022 ter entrado em funcionamento a “expansão do lado sul do terminal de passageiros do aeroporto”, o que leva os responsáveis governativos a considerar que “a capacidade actual do terminal de passageiros é suficiente para responder às necessidades do desenvolvimento actual”.

Quando o projecto foi apresentado, em 2020, durante a pandemia, esperava-se que o segundo terminal tivesse capacidade para servir mais 1,4 milhões de passageiros.

Obras no Heliporto da Taipa

O relatório indica também que, apesar de ser reconhecer a necessidade de operar o Heliporto do Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa, que a infra-estrutura não tem os “requisitos necessários” para ser explorada.

“Para que o heliporto possa entrar em funcionamento em tempo oportuno, estão a ser preparados os documentos para o concurso público relativos às obras de modificação do heliporto, com vista a iniciar as obras o mais rápido possível”, é indicado no relatório elaborado pelos deputados, com base nas respostas do Governo.

O documento também indica que estão em preparação as obras de modificação do heliporto, que se espera serem iniciadas “com a maior brevidade possível” para que se tente que o funcionamento comece na segunda metade do próximo ano. No entanto, o documento admite que a entrada em funcionamento do heliporto na Taipa pode acontecer depois do próximo ano.

CECE | Au Kam San contesta protesto em boletim de voto

Na eleição dos membros da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo (CECE) houve um votante que escreveu no boletim: “a democracia morreu”. O voto foi declarado nulo, mas o boletim foi mostrado em conjunto com os restantes 155 boletins com votos considerados inválidos.

No entanto, o ex-deputado Au Kam San contestou o sentido da declaração: “O regime democrático nunca se estabeleceu em Macau, como podemos dizer que ‘morreu’?”, questionou Au, na rede social Facebook. O fundador da Associação Novo Macau afirmou também ter recusado a hipótese de escrever um livro sobre o desenvolvimento da democracia em Macau, porque não tem esperanças nesse futuro.

“A expectativa ruiu completamente depois de 2021, os esforços realizados ao longo de 30 anos foram em vão”, admitiu. Au também opinou que nos últimos 50 anos [após a Revolução do 25 de Abril em Portugal] nunca se iniciou qualquer processo democrático no território, porque nunca o líder do Governo ou a maioria dos deputados foram escolhidos através de sufrágio universal.

EPM | Rita Santos fala em nova fase para a instituição

Rita Santos, conselheira das Comunidades Portuguesas, disse esperar que a Escola Portuguesa de Macau (EPM) entre agora numa nova fase de tranquilidade, com um normal funcionamento da instituição de ensino, após o relatório do ministério português da Educação ter decidido que os professores e psicóloga demitidos devem ser novamente contratados.

Segundo a TDM Rádio Macau, Rita Santos pediu que não haja uma perseguição aos profissionais novamente contratados, prometendo acompanhar o funcionamento da escola. Os professores Carlos Botão, Elsa Botão, Maria Alexandra e Manuela Dora Coelho voltarão a dar aulas na EPM depois do despedimento, bem como a psicóloga Isabel Marques, conforme decretado no relatório de inspecção.

Empresas públicas | Salários dos 10 mais bem pagos chegam a 17,5 milhões

O top 10 dos executivos de empresas de capitais públicos mais bem pagos é liderado por Simon Chan Weng Hong, que preside à Comissão Executiva da Companhia do Aeroporto de Macau, com um salário anual de 2,87 milhões de patacas. No total, os 10 mais bem pagos auferem cerca de 17,5 milhões de patacas por ano

 

Os quatro membros da comissão executiva da Companhia do Aeroporto de Macau (CAM) auferem rendimentos anuais conjuntos de 8,14 milhões de patacas, salários que colocam o órgão de gestão do aeroporto no topo da hierarquia salarial empresas públicas de Macau. Os dados estão na plataforma da divulgação pública da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP).

Como seria de esperar, o presidente da comissão executiva da CAM, Simon Chan Weng Hong, aufere o salário mais elevado, 2,875 milhões de patacas por ano, o que representa um rendimento mensal de cerca de 239 mil patacas.

Os restantes membros da comissão executiva (Chu Tan Neng, Kan Cheok Kuan e Lei Si Tai) recebem por ano 1,754 milhões de patacas (146 mil patacas por mês cada um).

O jornal Plataforma indica que feita a comparação entre os salários de executivos em posições semelhantes no sector privado e os profissionais em posições de gestão nas empresas públicas de Macau, o presidente da CAM aufere um rendimento competitivo, por exemplo, face aos níveis salariais de gestores de alto nível na indústria da aviação norte-americana.

Ainda no sector dos transportes, o presidente do conselho de administração da Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, Ho Cheong Kei, recebe quase 1,57 milhões de patacas por ano, o que por mês dá cerca de 130 mil patacas, rendimento significativo principalmente se comparado com os membros da comissão executiva da empresa que auferem salários anuais entre 112 mil e 60 mil patacas.

Talentos aos molhos

A seguir, na lista dos mais bem pagos, está a antiga presidente do Instituto Cultural, Mok Ian Ian, que enquanto presidente do conselho de administração do Centro de Ciência de Macau recebe por ano mais de 1,55 milhões de patacas, cerca de 129 mil patacas por mês.

O segundo salário mais elevado no Centro de Ciência, que é mais de 10 vezes superior ao terceiro, é recebido por U Hon Sang, do conselho de administração da empresa que gere o centro, com um rendimento anual superior de 1,21 milhões de patacas.

O conselho de administração da TDM – Teledifusão de Macau é a empresa de capitais públicos que se segue na lista dos gestores mais bem pagos. A mais bem paga no conselho de administração da emissora pública é a vice-presidente Lo Song Man, que aufere mais de 1,4 milhões de patacas por ano, o que dá um salário mensal de 116 mil patacas. Importa referir que o presidente do conselho de administração, António José de Freitas, recebe 600 mil patacas por ano, o que dá 50 mil patacas por mês.

A seguir a Lo Song Man, os dados da DSSGAP revelam que Ma Kam Keong, Un Weng Kuai, Vong Vai Hung e Cheang Kong Pou, todos administradores do conselho de administração, auferem um pouco mais de 1,22 milhões de patacas por ano.

Outra empresa que convém sublinhar na lista dos melhores salários, é a Sociedade para o Desenvolvimento dos Parques Industriais de Macau, cujo presidente do conselho de administração, Lo Ioi Weng, aufere por ano mais de 1,18 milhões de patacas, ficando de fora da lista dos 10 mais bem pagos.

Somados todos os salários anuais dos 13 executivos mais bem pagos das empresas públicas de Macau, a factura atinge os 21,15 milhões de patacas.

JO | China destaca feitos de atletas que conquistaram 40 medalhas de ouro

Os Jogos Olímpicos de Paris terminaram no domingo e a China ficou em segundo lugar no ranking dos países com mais medalhas, com 91 medalhas, sendo que 40 foram de ouro. O Governo Central deu os parabéns aos atletas, destacando a nova geração de desportistas nascidos depois do ano 2000

 

No domingo terminou mais uma edição dos Jogos Olímpicos (JO) que voltaram a consagrar dois países como os mais medalhados: os Estados Unidos da América (EUA) em primeiro lugar, e a China em segundo que arrecadou 91 medalhas, incluindo 40 de ouro, 27 de prata e 24 de bronze. Os EUA lideraram com um total de 126 medalhas. Em terceiro lugar ficou o Japão, com 45 medalhas, 20 delas de ouro, seguindo-se, em quarto lugar, a Austrália com 53 medalhas. A França, país de acolhimento desta edição dos JO, ficou em quinto lugar no que às medalhas diz respeito, conseguindo 64. Holanda e Grã-Bretanha ficaram nos lugares seguintes.

Uma reportagem da Xinhua dá conta que nesta edição dos JO a participação chinesa ficou marcada pelo talento da geração de atletas bastante jovens, nascidos já depois do ano 2000, que tiveram “desempenhos notáveis” e demonstraram “um espírito vibrante”. Tratou-se de um “feito notável” da delegação chinesa, descreve a mesma reportagem.

Do lado do poder político chegaram também os parabéns. “Vocês conquistaram a glória para o nosso país e povo. Estendemos calorosas felicitações e sinceros cumprimentos a vocês”, descrevia a mensagem conjunta enviada pelo Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) e pelo Conselho de Estado, citada pela agência nacional.

Para as autoridades chinesas, os atletas “promoveram, de forma vigorosa, o espírito desportivo chinês e o espírito olímpico, esforçando-se por ganhar medalhas não só pelo desempenho atlético, mas também pela integridade moral, espírito desportivo e competição justa”, lê-se na mensagem.

Na mesma mensagem é ainda referido que os atletas, ao competirem e ganharem medalhas, “melhoraram capacidades, aprofundaram a amizade e demonstraram a força, o espírito e a imagem da China ao mundo, divulgando a voz e os valores da China”.

O lado patriótico do desporto olímpico não ficou esquecido. “As vossas realizações e desempenhos excepcionais fomentaram ainda mais o patriotismo do povo chinês, tanto no país como no estrangeiro, elevaram o espírito nacional e uniram o povo para o progresso”, sublinharam as autoridades.

Da natação ao ténis

Nos JO deste ano esperava-se o regresso de algumas estrelas, nomeadamente da ginasta norte-americana Simone Biles, depois da desistência nos JO de Tóquio por questões de saúde mental.

Porém, do lado da China revelaram-se novos talentos, como Pan Zhanle, que brilhou na natação na categoria de 100 metros livres masculinos. Segundo a Xinhua, “Pan bateu o seu próprio recorde mundial”, tendo obtido uma medalha de ouro após cumprir um tempo de 46,40 segundos. Além disso, o atleta “liderou a China na vitória da final dos 4×100 metros estilos masculino, ao lado de Xu Jiayu, Qin Haiyang e Sun Jiajun”. A agência nacional indicou que a vitória “pôs fim a uma série de dez medalhas de ouro ganhas consecutivamente pelos EUA nesta prova, algo que remonta aos JO de Los Angeles de 1984”.

Citado pela mesma agência, Pan Zhanle referiu que a vitória foi “mágica” para si, ainda para mais por ter sido obtida no mesmo dia em que fez 20 anos. “Cumpri a promessa que fiz há um ano de celebrar o meu aniversário com uma medalha de ouro por equipas”.

Ainda nas modalidades ligadas à água, destaque para as oito medalhas de ouro ganhas nos saltos para a água pelo grupo de atletas Chen Yuxi e Quan Hongchan.

Na modalidade de ténis destacou-se a vitória de Zheng Qinwen, com apenas 21 anos, que obteve a medalha de ouro na prova individual feminina contra a alemã Angelique Kerber, antiga número 1 a nível mundial. A atleta chinesa bateu também a polaca Iga Swiatek, actual número 1 do mundo.

“Depois da terceira ronda, estava com dores e a jogar com ligaduras. Não foi fácil ultrapassar estes desafios. Esta é a primeira vez que disputo cinco combates durante cinco dias seguidos e sinto que cheguei ao meu limite”, disse Zheng.

A atleta não esqueceu os fãs que assistiram a todas as provas pela televisão ou presencialmente. “Sejam corajosos e sonhem em grande. Para alcançar os sonhos é preciso estabelecer objectivos, mas a viagem terá dificuldades, dúvidas e sacrifícios. Desfrutem do processo porque cada fracasso é um passo para o sucesso. Estando onde estou hoje, posso dizer que todo o esforço valeu a pena.”

Novas modalidades

Outra novidade desta edição dos JO de Paris foi a inclusão de novas modalidades, como foi o caso do Breakdance, Skate ou BMX. Também na prova de BMX a China marcou pontos, nomeadamente com a jovem Deng Yawen, com apenas 18 anos de idade, que ganhou o ouro na categoria freestyle feminino.

A atleta lembrou que a BMX é ainda uma modalidade bastante recente a nível nacional. “O BMX é um desporto de nicho na China. Ganhar esta medalha de ouro significa que este desporto se tornará cada vez mais forte no meu país. A competição de hoje acabou, e a honra de ganhar uma medalha de ouro não me vai acompanhar em todas as competições. Vou concentrar-me apenas nos meus treinos e mostrar ao mundo uma melhor versão de mim.”

No Skate a China também marcou presença graças à atleta Zheng Haohao. Esta acabou por falhar a final, ficando em 18º lugar nas fases preliminares de apuramento. Zheng tem apenas 12 anos de idade, celebrados no dia 11 de Agosto, precisamente o último dia dos JO.

“Diverti-me imenso. Estou muito feliz e orgulhosa por representar o meu país. Não havia muita pressão sobre mim. Os JO não são muito diferentes dos meus treinos regulares e de outras competições, apenas com mais espectadores”, declarou.

Destaque também para a modalidade de tiro com arco, que levou os atiradores Huang Yuting e Sheng Lihao a conquistar a primeira medalha de ouro na modalidade para o país. Com o peculiar nome nas redes sociais “Just by Eating”, Sheng tornou-se viral, com os fãs a apelidaram-no de “Gan Fan Ge”, ou “Foodie Bro”, elogiando-o por “ganhar o ouro apenas comendo”.

Limpeza no ténis de mesa

Os chineses são amplamente conhecidos pelo talento na modalidade de ténis de mesa e estas Olimpíadas não foram excepção. Na semifinal individual feminina, a chinesa Sun Yingsha, número 1 do mundo, que venceu duas medalhas de ouro e uma de prata, derrotou a japonesa Hina Hayata. Porém, o desportivismo imperou, pois Sun confortou a adversária que sofria do impacto de lesões no pulso e no antebraço.

“Reparei que o movimento do braço dela não estava muito bom. Somos adversárias no campo, mas na verdade somos amigas. Para nós, a saúde é muito mais importante do que ganhar ou perder. Ninguém quer ver lesões. Espero que ela recupere o mais depressa possível.”

Outra modalidade em que a China se destacou foi na ginástica rítmica, pois a equipa chinesa composta pelas atletas Guo Qiqi, Hao Ting, Huang Zhangjiayang, Wang Lanjing e Ding Xinyi ganhou a primeira medalha de ouro para o país em todas as categorias da modalidade.

“Esperámos muito tempo por este momento para ganhar o ouro olímpico. A nossa última medalha de grupo foi a prata nos JO de Pequim, em 2008. Estou muito feliz por, após tantos anos de trabalho árduo, termos finalmente conseguido um bom resultado”, disse o treinador Sun Dan após a final.

Esta foi a primeira vez que uma equipa de fora da Europa conquistou o ouro olímpico na ginástica rítmica por equipas desde que o evento foi introduzido nos JO de Atlanta em 1996.

Hong Kong participou nestes JO, tendo ficado em 37º lugar, com apenas quatro medalhas obtidas, duas delas de ouro, na esgrima, com a vitória do esgrimista Cheung Ka Long na categoria florete – individual masculino. Na categoria de esgrima espada – individual feminino ganhou a atleta Vivian Kong.

Seguem-se agora os Jogos Paralímpicos, entre os dias 28 de Agosto e 8 de Setembro, destinados a atletas portadores de deficiência. A cidade norte-americana de Los Angeles volta a acolher a próxima edição dos JO, daqui a quatro anos. Com agências

Japão | Tempestade tropical Maria atinge a maior ilha

A tempestade tropical Maria atingiu ontem o norte do Japão, com o equivalente a dois meses de chuva em 24 horas, disse a Agência Meteorológica do Japão (JMA).

Classificada como “tempestade tropical severa”, um nível abaixo da categoria “tufão”, Maria atingiu a costa por volta das 08:30 perto da cidade de Ofunato, na região de Iwate, no nordeste de Honshu, maior ilha do arquipélago, acrescentou.

As autoridades locais não registaram feridos, mas aconselharam 315 mil habitantes a sair da zona, enquanto cerca de duas mil pessoas passaram a noite em abrigos.

“Os residentes da região afectada são aconselhados a estar atentos a aluimentos de terras, transbordamentos de rios e inundações nas zonas baixas”, advertiu a agência.

A tempestade já levou ao cancelamento de vários voos no norte do Japão. A Japan Airlines avançou que tinha cancelado 78 voos domésticos, afectando 7.039 passageiros. A transportadora japonesa ANA foi forçada a cancelar oito voos, noticiou a emissora pública NHK.

As ligações ferroviárias regionais também foram interrompidas, mas o comboio de alta velocidade continuou a funcionar. A tempestade Maria foi acompanhada por ventos com rajadas de 126 quilómetros por hora (km/h). Está agora a deslocar-se para noroeste a uma velocidade de 15 km/h e deverá atingir o mar do Japão esta noite.

O total médio de precipitação na região em Agosto foi de 177,9 milímetros. No entanto, já caíram 362 milímetros de precipitação na cidade de Kuji, o nível mais elevado desde o primeiro registo de precipitação efetuado pela JMA, em 1978.

Hong Kong | Justiça confirma condenação de activistas

O tribunal de última instância de Hong Kong confirmou ontem a condenação de sete dos mais proeminentes defensores pró-democracia da região semiautónoma chinesa, por participarem num dos maiores protestos antigovernamentais em 2019.

Numa decisão co-redigida pelo juiz lusodescendente Roberto Ribeiro, o Tribunal de Última Instância de Hong Kong rejeitou a última tentativa de recurso apresentada pela defesa dos sete arguidos.

Jimmy Lai, fundador do extinto jornal Apple Daily, Martin Lee, presidente e fundador do Partido Democrático, e cinco ex-legisladores, incluindo a advogada Margaret Ng, tinham em 2021 sido originalmente considerados culpados tanto de organizar como de participar na manifestação.

Jimmy Lai, Lee Cheuk-yan, Leung Kwok-hung e Cyd Ho foram inicialmente condenados a penas de prisão entre oito e 18 meses. Martin Lee, um octogenário apelidado de “pai da democracia” da cidade, Margaret Ng e Albert Ho foram condenados a penas de prisão suspensas.

Em Agosto de 2023, os juízes do Tribunal de Recurso anularam unanimemente as condenações relacionadas com a organização da manifestação, mas mantiveram as condenações por terem participado nessa manifestação.

Os sete activistas recorreram, alegando que as penas não eram proporcionais ao crime alegadamente cometido e a acusação representava uma restrição excessiva da liberdade de expressão e de reunião. Os arguidos sublinharam ainda que a marcha de Agosto de 2019 foi relativamente pacífica.

O preço a pagar

As acusações surgiram na sequência de uma manifestação em Agosto de 2019, na qual terão participado cerca de 1,7 milhões de pessoas, que saíram às ruas de Hong Kong, cidade com cerca de sete milhões de habitantes, para exigir maior democracia e a responsabilização da polícia.

Depois da decisão do tribunal, Margaret Ng escusou-se a fazer comentários antes de ler a sentença. “Queremos apenas aproveitar esta ocasião para agradecer às nossas equipas jurídicas e a todas as pessoas que nos apoiaram durante todo o tempo”, disse aos jornalistas.

Todos os condenados já cumpriram as penas no âmbito deste processo. Mas Lai, Leung, Ho e Lee Cheuk-yan continuam detidos, uma vez que também foram alvo de outra acusação ao abrigo da lei de segurança nacional imposta por Pequim em 2020, na sequência dos maciços protestos.