Camboja | Pequim anuncia financiamento parcial de canal no rio Mekong Hoje Macau - 13 Abr 2026 A China anunciou sábado o financiamento parcial da construção de um canal de 180 quilómetros que ligará o rio Mekong, no Camboja, ao Golfo da Tailândia, orçamentado em 1,7 mil milhões de dólares. O embaixador da China no Camboja, Wang Wenbin, declarou durante uma cerimónia que empresas chinesas deterão 49 por cento da segunda secção da obra, a mais importante. O diplomata acrescentou que o Presidente chinês, Xi Jinping, que visitou o país aliado no ano passado, prometeu “apoiar” este vasto projecto, que deverá estar concluído em 2028. Por seu lado, o primeiro-ministro cambojano, Hun Manet, reafirmou que este “projecto histórico” será uma bênção para o país, um dos mais pobres do Sudeste Asiático. Por ocasião do lançamento da segunda fase da obra, Hun Manet apelou à população para que a “apoie”, afirmando que os aldeões expropriados receberão compensações “adequadas”. O futuro canal Funan Techo deverá permitir que os barcos que navegam no Mekong cheguem ao Golfo da Tailândia sem terem de passar pelo Vietname, onde se encontra a foz do rio mais longo da região. Os benefícios económicos alardeados por Phnom Penh deparam-se, no entanto, com uma série de incertezas, nomeadamente quanto à utilização principal do canal, de capacidade limitada (100 metros de largura e 5,4 metros de profundidade). Os defensores do ambiente também estão preocupados com o impacto do projecto no caudal do Mekong, já sujeito à pressão da poluição, da extracção de areia e das alterações climáticas. O Vietname, cuja produção de arroz depende em metade do rio, solicitou esclarecimentos ao país vizinho. O canal é um dos projectos emblemáticos do antigo primeiro-ministro Hun Sen, que nele vê para o Camboja “um nariz para respirar”. Os analistas consideram que este grande empreendimento nacional tem o potencial de unificar o país e reforçar o apoio ao seu filho e sucessor, Hun Manet.
Diplomacia | Eritreia e China anunciam vontade de aprofundar relações Hoje Macau - 13 Abr 2026 O Presidente da Eritreia reuniu-se sexta-feira com o enviado especial do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China para o Corno de África, com o aprofundamento das relações bilaterais entre os dois países na agenda, informou o Governo eritreu. Isaias Afwerki “reiterou a vontade da Eritreia em consolidar a sua cooperação construtiva com a República Popular da China e enfatizou a necessidade urgente de a China desempenhar um papel mais proeminente em várias questões globais e regionais nestes tempos turbulentos de crescente agitação e instabilidade”, declarou o ministro da Informação da Eritreia, Yemane G. Meskel, nas redes sociais. Durante o encontro em Asmara, o líder africano falou ainda sobre “os imensos recursos naturais e humanos de África e destacou o papel inestimável que se espera que a China desempenhe no desenvolvimento e utilização destes recursos”, explicou o ministro. Segundo Yemane, o enviado chinês manifestou a disponibilidade da China para trabalhar com a Eritreia para aprofundar a parceria estratégica bilateral existente para benefício mútuo. Afwerki “reiterou a vontade da Eritreia em consolidar a parceria estratégica bilateral existente para benefício mútuo”. Hub afirmou ainda que Pequim deseja “aproveitar estratégias de desenvolvimento sinérgicas para promover conjuntamente a paz e a estabilidade em todo o Corno de África”. A Eritreia e a China estabeleceram relações diplomáticas em 1993 e, nas últimas décadas, ambos os países têm demonstrado apoio mútuo em diversas questões. A Eritreia apoia o princípio de Uma Só China — segundo o qual Taiwan, autogovernado desde 1949, é uma “parte inalienável” da China — enquanto Pequim rejeitou as sanções unilaterais impostas à nação africana. Além disso, a China tem sido o maior parceiro comercial bilateral de África durante pelo menos 15 anos e construiu numerosos projectos de infraestruturas no continente.
Fundação Rui Cunha | Livro de Rui Rocha lançado hoje Hoje Macau - 13 Abr 2026 Chama-se “A Oriente do Silêncio e outros Poemas” e é o novo livro de poesia de Rui Rocha, autor ligado à cultura clássica oriental e também ao universo do ensino da língua portuguesa. A obra, lançada hoje na Fundação Rui Cunha, reúne três livros de Rui Rocha já esgotados, “A Oriente do Silêncio” e “Taotologias”, agora revistos, bem como um terceiro livro inédito, “Uma Poética da Morte” A Fundação Rui Cunha apresenta hoje, a partir das 18h30, o lançamento do livro “A Oriente do Silêncio e outros Poemas”, da autoria de Rui Rocha, sendo esta uma sessão co-organizada pela Associação dos Amigos do Livro em Macau. “A Oriente do Silêncio e Outros Poemas” é uma obra que reúne três livros do autor: dois já esgotados, “A Oriente do Silêncio”, editado pela Esfera do Caos, em 2012; “Taotologias”, com edição da Labirinto, em 2016, sendo estas duas edições corrigidas e aumentadas, e ainda um terceiro inédito intitulado “Uma Poética da Morte”. “Uma Poética da Morte” foi editado pela N9NA Poesia este mês, incluindo também “recensões críticas dos dois primeiros livros e uma nota introdutória do autor sobre a corrente literária chinesa que inspirou o seu novo trabalho, uma tradição poética com origem no Budismo Chan (Zen)”, descreve a FRC, em comunicado. Na mesma nota, descreve-se que a poesia de Rui Rocha consiste em “registos do instante subtil, totalizante, intuitivo e, por isso mesmo, simples e conciso, captando a essência das tradições poéticas da China e do Japão”. Trata-se ainda de “um relato sensível do aqui e agora do lugar, transcendendo a dimensão do texto, reservando um espaço para o silêncio entre as palavras”. Vida e Morte Rui Rocha descreve, numa nota introdutória citada nesta nota, que “o poema da morte é um género de poesia que surgiu na tradição literária da China, tendo esta tradição literária sido legada aos países culturalmente tributários da China, como o Japão, a Coreia e o Vietname”. Este poema consta no seu livro inédito. O Budismo Chan foi introduzido pela primeira vez no Japão em 653-656, adoptando o nome “Zen”, na transcrição fonética da palavra chinesa para a língua japonesa. Descreve Rui Rocha que “das ideias centrais do Chan (Zen), para além da meditação nas suas formas mais diversas, destacaria três”, nomeadamente “o conceito vazio, vacuidade (sunyata)”, no sentido de “ausência de essência nas coisas, mas não a sua não-existência como fenómenos – conceito, de resto, igualmente presente no Taoísmo”. O autor destaca também “o conceito de transitoriedade, de finitude em que a consciência do ciclo natural da vida e da morte se inscrevem”, ou ainda “o conceito do viver o ‘aqui e o agora’, pois o aqui e agora é o único momento real que existe na finitude do nosso fio do tempo”. Segundo Rui Rocha, “a poesia sobre a morte é afinal, paradoxalmente, uma reflexão sobre a importância da vida na sua finitude”. O lançamento do livro “A Oriente do Silêncio e outros Poemas” está inserido no contexto da Exposição Colectiva de Fotografia e Arte, “Vanitas — Reflexões sobre Transitoriedade e Legado”, que pode ser visitada na FRC até este sábado, 18. Relação oriental Rui Rocha nasceu em Lisboa em 1948, descendente de uma família luso-chinesa, que vive no território há cerca de quatro décadas. Trabalhou na administração pública local, foi director da Fundação Oriente e do Instituto Português do Oriente, e exerceu funções docentes no Ensino Superior. Aposentou-se em 2017 do cargo de director do Departamento de Língua Portuguesa e Cultura dos Países de Língua Oficial Portuguesa da Universidade da Cidade de Macau. A formação académica em Sociologia, Ciência Política e Educação e Interculturalidade viria a influenciar toda a sua produção literária, com a geografia poética de Macau a permear a génese textual dos seus poemas. Sobre a sua escrita, Isabel Cristina Mateus, professora de Literatura da Universidade do Minho, referiu que “é cada vez mais urgente escutar a voz do silêncio, sentir na pele o pulsar de uma natureza de que há muito culturalmente nos afastámos”. Para Isabel Cristina Mateus, os poemas deste autor emanam “uma intensa quietude, um quase apagamento do eu lírico, uma linguagem objectiva, minimal, uma estilização do traço que, mais do que dizer, pretendem dar a ver esse instante intuitivo de revelação ou iluminação interior”. Além disso, “embora o poeta enfatize esta proximidade à tradição poética chinesa e japonesa, convém notar que uma tal proximidade não anula ou rasura a sua ligação à tradição poética ocidental e, em especial, à tradição poética portuguesa, de Herberto Hélder ou Nuno Júdice, dois poetas que Rui Rocha confessa admirar”, assinala, citada pela mesma nota.
25 de Abril | Consulado inaugura exposição sobre arte da revolução Hoje Macau - 13 Abr 2026 Foi inaugurada ontem, domingo, a exposição “As Artes estão na Rua! Portugal 1974-1978”, que aborda a arte feita no período revolucionário do 25 de Abril de 1974, quando chegou ao fim o Estado Novo em Portugal. A mostra pode ser vista gratuitamente até ao dia 30 de Junho no jardim do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong. Esta é uma iniciativa do Consulado e do Instituto Português do Oriente (IPOR) e insere-se no programa de comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, tendo curadoria de Margarida Brito Alves, professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (UNL) e Cristina Pratas Cruzeiro, também investigadora da UNL, ligada ao Instituto de História de Arte. Segundo uma nota divulgada pelo IPOR, a exposição “parte do repertório imagético e artístico criado durante o período revolucionário português (1974-1978) para desenvolver uma narrativa crítica centrada na relação entre as artes e o espaço público, afirmando a relevância deste enquanto lugar de exercício da cidadania e da educação”. Segundo a mesma nota, a chamada Revolução dos Cravos, que depôs o regime então liderado por Marcelo Caetano graças ao chamado Movimento dos Capitães, “impulsionou uma produção artística e cultural muito relevante em vários domínios”, tendo esta tido expressão “em suportes mais convencionais – como a pintura, a escultura ou a fotografia –, como através de meios então considerados mais experimentais – como a performance, o vídeo ou os formatos multimédia”. Esta é “uma criação inédita do IPOR, inspirada e assessorada pela conselheira do Conselho Consultivo da área consular de Macau Catarina Cortesão Terra”, além do trabalho das duas curadoras, propondo “um olhar aprofundado sobre um dos períodos mais férteis da criação artística portuguesa”.
Eleições | Lee Sio Kuan e mais cinco réus condenados por corrupção João Santos Filipe e Nunu Wu - 13 Abr 2026 O colectivo de juízes liderado por Cheong Weng Tong condenou seis dos 18 acusados. No entanto, avisou os absolvidos que a sua inocência se deve à falta de prova e não ao facto de não terem praticado factos que se poderiam constituir em crime Lee Sio Kuan foi condenado a 5 anos de prisão efectiva, pela prática dos crimes de corrupção eleitoral e de falsificação de documentos. A sentença foi lida na sexta-feira no Tribunal Judicial de Base e os factos estão relacionados com a oferta de uma viagem pela Lista Ou Mun Kong I, que participou nas eleições de 2021, no âmbito da recolha das assinaturas para participar no acto eleitoral. Segundo o jornal Ou Mun, Lee Sio Kuan foi condenado pela prática do crime de corrupção eleitoral e de falsificação de documentos, numa pena de prisão de 5 anos. Wu U Choi, segundo arguido, foi igualmente condenado pelos mesmo crimes, mas enfrenta uma pena efectiva de prisão mais reduzida de 3 anos e 6 meses. Lee Sio Kuan e Wu U Choi estavam acusados pelo Ministério Público (MP) de 48 crimes de falsificação de documento e 235 crimes de corrupção eleitoral. Durante a leitura da sentença, a presidente do colectivo de juízes, Cheong Weng Tong afirmou que o tribunal chegou à conclusão sobre os factos com base no depoimento de 200 testemunhas. Estes depoimentos levaram o tribunal a considerar que Lee Sio Kuan conhecia a dificuldade de recolher as assinaturas válidas a curto prazo, e que por isso utilizou a viagem de meio dia, oferecida de forma gratuita, para recolher as assinaturas. Segundo as perícias às assinaturas, a escrita de “Ou Mun Kong I” no formulário foi feita por Lee Sio Kuan, enquanto as assinaturas de eleitores foram falsificadas por Wu U Choi. Muitas absolvições Além de Lee Sio Kuan e Wu U Choi foi ainda condenada Che Mio Peng, terceira arguida, devido a corrupção eleitoral, na pena de 2 anos e 3 meses. O tribunal deu como provado que Che não contactou com Lee Sio Kuan, mas que manteve contactos com Wu U Choi, pelo que concluiu que houve envolvimento porque tratou de enviar mensagens aos participantes nas viagens a pedir que trouxessem o Bilhete de Identidade de Residente para a viagem e por ter procurado participantes com mais de 18 anos. Houve ainda outros três arguidos condenados pela prática de corrupção eleitoral, na pena de 2 meses. Apesar das condenações, o tribunal absolveu 12 dos 18 arguidos que eram acusados pelo MP, por considerar que não ficou provado que tivessem cometido ilegalidades. No entanto, a juíza Cheong Weng Tong avisou os absolvidos que a sua não condenação significa apenas que os depoimentos não permitiram provar os factos, mas que não é por isso que se pode considerar que não praticaram os actos criminosos. A juíza disse também aos arguidos que participaram nas viagens que não devem ser gananciosos para obter ganhos pequenos.
Legionella | Detectado caso grave em residente de 65 anos Hoje Macau - 13 Abr 2026 Os Serviços de Saúde anunciaram um caso “grave” de infecção por Legionella (também conhecida como Doença dos Legionários). De acordo com os dados oficiais, o homem está ligado a um ventilador desde o dia 5 de Abril, mas ainda apresenta sinais vitais. “O caso foi diagnosticado num residente de Macau, do sexo masculino, com 65 anos de idade, com antecedentes de doenças crónicas e tosse persistente. No dia 1 de Abril, o paciente recorreu ao Centro Hospitalar Conde de São Januário, devido ao aparecimento de sintomas como hemoptise e tonturas”, foi revelado. “A radiografia do tórax revelou pneumonia, motivo pelo qual o paciente foi internado para tratamento médico. No dia 5, os sintomas agravaram-se, tendo sido necessária a utilização de ventilação mecânica para auxílio respiratório. No dia 8, o paciente foi transferido para a Unidade de Cuidados Intensivos para tratamento contínuo”, foi acrescentado. A origem da infecção é desconhecida, mas o homem não deixou Macau em viagem.
Turismo | Macau quer pagar transportes a turistas de Guangzhou Hoje Macau - 13 Abr 2026 A medida é uma forma de lidar com o aumento dos preços, explicou Maria Helena de Senna Fernandes. Actualmente, o Governo cobre os custos dos transportes para os turistas vindos do Aeroporto Internacional de Hong Kong As autoridades de Turismo de Macau declararam que estão a ponderar cobrir os custos de transporte dos turistas internacionais que aterrarem no aeroporto de Guangzhou, no sul da China, para se deslocarem ao território “para atrair visitantes”. “Estamos a considerar cobrir os custos de transporte para os hóspedes internacionais que cheguem ao Aeroporto Internacional de Guangzhou Baiyun, para que possam viajar para Macau após a chegada”, disse a directora dos Serviços de Turismo (DST) de Macau, Maria Helena de Senna Fernandes. Guangzhou, capital da província de Guangdong, fica a cerca de 150 quilómetros de Macau. O Governo de Macau, realçou Senna Fernandes, já cobre os custos de transporte para os turistas internacionais que chegam através do Aeroporto Internacional de Hong Kong, no âmbito do trabalho para diversificar a base de visitantes do território. A directora afirmou que a nova medida visa responder à “redução de voos do Médio Oriente e da Europa” para Hong Kong devido à guerra no Irão. “Há voos directos da Europa para Xangai, Pequim, Chengdu e Guangzhou,” acrescentou. A responsável falava aos jornalistas no primeiro dia da 14.ª Expo Internacional de Turismo (Indústria) de Macau (MITE). Muita incerteza Nesta ocasião, o secretário para a Economia e Finanças de Macau, Tai Kin Ip, disse, durante a cerimónia de abertura, que face “às incertezas da conjuntura internacional e da geopolítica”, Macau espera alargar a origem dos turistas. “O Governo da RAEM continuará a diversificar a oferta de produtos turísticos, organizar grandes eventos, melhorar as infra-estruturas de apoio e reforçar a divulgação e promoção, aproveitando as oportunidades em tempos de risco e apostando proactivamente na expansão dos mercados internacionais de fonte de visitantes” acrescentou. O evento, com duração de três dias no hotel-casino Venetian Macau e realizado sob o tema “Convergência Global, Horizontes do Futuro”, incluiu mais de 130 actividades, entre sessões de promoção turística, fóruns do sector, workshops e espectáculos. De acordo com a DST, os sectores abrangidos pelo evento vão desde a hotelaria até aos transportes, empresas culturais e criativas, bem como áreas relacionadas com a estratégia de diversificação económica “1+4” do Governo. A estratégia “1+4” é o plano de diversificação económica de Macau que visa reduzir a dependência da indústria do jogo. Envolve o reforço do sector principal do turismo e lazer, ao mesmo tempo que promove quatro sectores chave: ‘big health’, finanças modernas, alta tecnologia e convenções, exposições, comércio e desporto. A DST acrescentou que a expo contou com mais de 700 expositores dos mercados nacional e internacional, e nove de países de língua portuguesa, salientando que a iniciativa vai “ajudar a expandir as redes de negócios” e “promover o intercâmbio turístico regional e internacional”.
Disponibilizados 1.000 estágios para recém-licenciados no Interior Hoje Macau - 13 Abr 2026 O Governo vai disponibilizar cerca de 1.000 estágios para recém-licenciados locais este ano no Interior, no âmbito de um esforço mais amplo para aliviar a pressão sobre o emprego jovem. Os estágios, coordenados pelo Grupo de Trabalho para a Promoção do Emprego do Governo do território, tem como objectivo proporcionar aos jovens experiência prática em sectores industriais e profissionais. Apesar da taxa de desemprego local continuar baixa, em anos recentes tem sido difícil aos recém-licenciados do território entrar no mercado de trabalho, com as autoridades locais a referir repetidamente aos jovens locais que procurem oportunidades de trabalho no interior da China, especialmente na província vizinha de Guangdong. Segundo dados oficiais, a taxa de desemprego entre os detentores de um diploma universitário era de 3,3 por cento no segundo trimestre de 2025, acima da taxa global de 1,9 por cento para toda a população de Macau. No ano passado, cerca de 62.463 estudantes estavam registados em universidades de ensino superior do território. Após uma reunião na sexta-feira, o Grupo de Trabalho descreveu que a maioria dos diplomados deste ano da cidade concluiu cursos nas áreas de Humanidades e Comércio, com os estágios oferecidos complementados por sessões de recrutamento em larga escala e programas de formação, agendados para coincidir com a época de graduação. O secretário para a Economia e Finanças e coordenador do Grupo de Trabalho, Tai Kin Ip, afirmou que o ligeiro aumento no número de licenciados em comparação com o ano passado torna essencial expandir as oportunidades para além de Macau, incluindo a Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong–Macau em Hengqin (Ilha da Montanha), a Grande Baía e outras cidades do interior da China. Outros planos No ano passado, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL)de Macau iniciou também um plano de estágios na China Continental para estudantes locais com a duração de três meses e um subsídio mensal de 8.000 patacas. Dentro deste plano, cerca de 42 vagas são destinadas a oportunidades no Interior, especialmente em Zhuhai e na Zona de Cooperação da Ilha da Montanha, com foco em tecnologia e finanças. No mesmo encontro, Tai realçou também a necessidade de aperfeiçoar as estratégias de correspondência entre oferta e procura de emprego e de mobilizar apoios em toda a sociedade para garantir um ambiente laboral estável. Para responder à procura, prevê-se que mais de 2.000 vagas sejam oferecidas nas próximas feiras de emprego, enquanto outras 600 posições estarão disponíveis através de um programa “Emprego+Formação”, em parceria com empresas privadas. O Grupo de Trabalho acrescentou que já organizou sessões de recrutamento específicas para os sectores da aviação, tecnologia e banca, que, segundo afirmou, despertaram grande interesse tanto entre recém-licenciados como entre trabalhadores activos.
Óbito | Família anuncia morte da empresária Maisy Ho João Santos Filipe - 13 Abr 2026 Filha de Stanley Ho e Lucina Laam, Maisy tinha 59 anos e os motivos da morte não foram revelados pela família. A empresária estava principalmente ligada à empresa Shun Tak, onde era uma das administradoras Maisy Ho, empresária e filha de Stanley Ho, morreu ontem, de acordo com um comunicado divulgado pela SJM e assinado pelos irmãos Pansy, Daisy, Lawrence e Josie Ho. Maisy era fruto da relação entre Stanley e a segunda mulher Lucina Laam. Os motivos da morte da empresária não foram divulgados através do comunicado de ontem, que se limita a revelar que Maisy morreu “em paz” e “rodeada pela família”. A mensagem partilhada com os órgãos de comunicação social pede ainda que se respeite a privacidade da família. Maisy nasceu em 1967 e era licenciada em Telecomunicações e Psicologia, pela Universidade de Pepperdine, na Califórnia. À altura da morte, desempenhava funções de directora executiva na Shun Tak Holdings Limited, empresa fundada pelo seu pai e que é responsável pelas ligações marítimas entre Hong Kong e Macau, além de estar ligada a vários investimentos imobiliários. A empresária juntou-se à empresa em 1996, tendo sido promovida a directora executiva em 2001, cargo que desempenhou até ontem e onde era proprietária de 2,39 por cento do capital social, através da empresa LionKing Offshore Limited. Cargos variados Segundo os resultados anuais de 2024 da Shun Tak, em Macau, a filha de Stanley Ho desempenhava funções como Cônsul-Honorária da República da Tanzânia, membro da Comissão das Mulheres de Associação Comercial de Macau, vice-presidente da Associação de Administração de Propriedades de Macau, vice-presidente da Macao International Brand Enterprise Commercial Association e ainda directora da Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu. Maisy era ainda uma das directoras da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, empresa fundado por Stanley Ho que durante vários anos foi detentora do monopólio do jogo em Macau. Em Hong Kong, Maisy surgia frequentemente em iniciativas de caridade e em 2016 recebeu a Estrela da Bauínia de Bronze do Governo de Hong Kong, devido às actividades relacionadas com o Grupo de Hospitais Tung Wah.
Urbanismo | Wong Kit Cheng quer mais construção Hoje Macau - 13 Abr 2026 A deputada Wong Kit Cheng defende que o Governo deve seguir o exemplo do sucedido com o prédio Soi Lei, no Iao Hon. O edifício viu recentemente aprovada uma nova planta de condições urbanas que vai permitir avançar com os trabalhos de renovação. Segundo a legisladora, actualmente existem mais de 5.000 edifícios com mais de 30 anos no território pelo que é necessário “prestar maior atenção à questão do envelhecimento dos edifícios”. “Os residentes dos bairros antigos queixam-se frequentemente das más condições de higiene e das instalações obsoletas, bem como dos riscos de infiltrações de água e de danos estruturais nas fachadas decorrentes do envelhecimento dos edifícios, o que afecta a qualidade de vida e a segurança na zona”, afirmou. Wong Kit Cheng destacou ainda o facto de a nova planta ir permitir aumentar o número de habitações do edifício e considerou que o exemplo deve ser seguido.
Combustíveis | Associação de motoristas pede subsídio Hoje Macau - 13 Abr 2026 A Associação de Motoristas de Veículos Pesados de Macau e a Associação dos Profissionais de Macau no Transporte de Mercadorias em Camiões pedem subsídios para lidar com o aumento do preço dos combustíveis, tendo, segundo o jornal Ou Mun, realizado uma “reunião urgente” sobre o assunto. Os dirigentes explicaram que os preços de combustíveis têm aumentado, com os valores do gasóleo a registaram o aumento mais significativo. Desta forma, persiste a preocupação com o consequente aumento do preço dos transportes, sobretudo marítimos e terrestres, que pode ter impacto junto dos consumidores. Nesta reunião foi, assim, sugerido que o Governo de Macau adopte medidas semelhantes às aplicadas na região vizinha de Hong Kong, de concessão de um subsídio de três dólares de Hong Kong por litro de gasóleo durante dois meses. Já o deputado Leong Sun Iok, referiu que Macau deve ter um apoio financeiro semelhante, criticando o maior aumento dos preços em Macau, esperando que o Governo reforce a supervisão a este nível. Tudo para prevenir que alguns comerciantes aumentem os preços junto dos consumidores de forma abusiva.
Visita a Portugal | Sam Hou Fai quer assinar 39 protocolos Andreia Sofia Silva - 13 Abr 2026 O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, chega a Lisboa este sábado para a primeira visita oficial ao país nessa condição. Em entrevista à TDM, disse que serão assinados 39 protocolos numa viagem marcada por encontros com os mais altos dirigentes políticos portugueses e com o México debaixo de olho Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, leva a agenda cheia naquela que é a sua primeira viagem a Portugal e Espanha na condição de governante máximo de Macau. Na sua deslocação à Europa, não faltarão passagens por Bruxelas e Genebra. O itenerário foi referido pelo próprio em entrevista à TDM, descrevendo que, consigo, leva uma delegação de 120 empresários e representantes de mais 20 empresas da região da Grande Baía, onde Macau se integra. Segundo foi noticiado pelo Canal Macau e Rádio Macau da TDM, Sam Hou Fai adiantou que haverá encontros políticos, abordando-se ainda a cooperação económica e comercial, devendo ser assinados 39 protocolos “com entidades ou empresas de Portugal, abrangendo-se diversos domínios como o comércio e a economia, a plataforma sino-portuguesa, a educação, a cultura, o turismo, a formação de quadros qualificados, a Big Health e a tecnologia de ponta”, disse o governante. Ainda não é conhecida a agenda da visita em Lisboa, mas a TDM noticiou que estão previstas reuniões ou encontros com o Presidente da República, António José Seguro, o primeiro-ministro Luís Montenegro e José Pedro Aguiar-Branco, presidente da Assembleia da República. Tribunais mais próximos Sam Hou Fai não quis adiantar na entrevista a data da realização da nova reunião da Comissão Mista Macau-Portugal, que será a sétima. “Os trabalhos preparatórios foram iniciados no ano passado, mas a sua realização foi adiada devido a vários factores. O Governo da RAEM está a coordenar estreitamente os trabalhos com as autoridades portuguesas, a data exacta e a agenda serão anunciadas oportunamente”, disse. Nesta viagem, está presente o objectivo de reforçar a cooperação judiciária com Portugal, estando na calha encontros com a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça. “Vamos discutir o reforço contínuo do intercâmbio e da cooperação bilateral no domínio judicial. A par disso, esperamos ainda obter um maior progresso na assinatura do acordo de cooperação judiciária”, referiu. Sam Hou Fai, que durante mais de 20 anos presidiu ao Tribunal de Última Instância, descreveu que “os tribunais de Macau têm tido um bom funcionamento, sendo a independência judicial amplamente reconhecida e o contributo dos juízes portugueses tem sido importante”. Olhar a América Latina “Para além de empresas de Macau e de Hengqin, participam mais de 20 empresas de renome da Grande Baía e de outras províncias da China. Sendo esta a primeira vez que o Governo organiza uma visita com um formato mais abrangente, estou convicto de que podemos apoiar e potenciar melhor a função de Macau como ‘elo de ligação infalível’ entre a China e os países de língua portuguesa”, acrescentou na entrevista. Tendo em conta que os países de língua espanhola já fazem parte da equação política no que diz respeito à cooperação económica de Macau está na calha o aprofundar de relações com Espanha, tendo o México e o Brasil no horizonte. Madrid, capital espanhola, entra nesta viagem entre os dias 21 e 23. “Tanto a Espanha como Macau são destinos turísticos de renome a nível internacional e ambos têm um grande espaço de cooperação na área do turismo”, disse, estando prevista a realização de “uma grande campanha de promoção turística em Madrid, com o objectivo de atrair turistas espanhóis e internacionais a visitarem Macau”. Contar-se-ão também dez protocolos assinados com empresas e entidades espanholas. Em relação ao México, Sam Hou Fai disse que “a população total de todos os países de língua espanhola é de aproximadamente 600 milhões, o que representa um mercado de grande potencial”, sendo que “o reforço do intercâmbio e da cooperação com Espanha é apenas o início”. “Posteriormente será alargado a outros países de língua espanhola, como por exemplo o México”, frisou, admitindo que pode ainda acontecer uma viagem ao Brasil.
Cooperação | Aguiar-Branco deixou Macau com “pensamento construtivo” João Santos Filipe - 13 Abr 202613 Abr 2026 O presidente do parlamento português vê grande margem de progressão na cooperação entre Macau e Portugal para reforçar o desígnio da RAEM como plataforma entre a China e os países de língua portuguesa. Também os deputados portugueses querem fortalecer a parceria com Pequim, para fazer face à incerteza que vem de Washington José Aguiar-Branco, presidente da Assembleia da República (AR), disse no sábado que deixou Macau com “um pensamento construtivo” sobre o trabalho que ainda pode ser desenvolvido por Portugal no aproveitamento do território como plataforma entre China e lusofonia. Questionado pela Lusa sobre como tem sido aproveitada esta plataforma por Lisboa e se há mais a fazer, José Pedro Aguiar-Branco notou que “são diversas as áreas em que ela se pode reflectir, quer na dimensão comercial, cultural, desportiva (…) e do direito”. “Temos uma visão de balanço em relação aos anos que a Declaração Conjunta já tem, em relação àquilo que foi feito, e do que no futuro” se possa fazer, disse aos jornalistas o responsável, que terminou em Hong Kong a visita à China. O líder da AR passou por Macau, com uma delegação que integra os deputados do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-China Hugo Carneiro (PSD), Paulo Núncio (CDS-PP), Edite Estrela (PS), Felicidade Vital (Chega) e Paula Santos (PCP), depois de ter passado por Pequim e Xangai. “Portanto, diria, um pensamento construtivo, um pensamento positivo naquilo que temos que fazer e é com esse espírito que nós, enquanto deputados da Assembleia da República, prosseguimos também neste balanço que fazemos da nossa visita”, indicou. Na sexta-feira, primeiro dia em Macau, Aguiar-Branco visitou a Exposição Internacional de Turismo, reuniu-se com o chefe do Executivo, Sam Hou Fai, o presidente da Assembleia Legislativa, André Cheong e passou ainda pela Escola Portuguesa de Macau. O político português fez um “balanço muito positivo” da visita, quer com as entidades oficiais, quer com instituições como a Santa Casa da Misericórdia [de Macau, SCMM], onde testemunhou “uma obra importantíssima, secular”. “Saio com um reforço da importância que significa Macau nas relações entre Portugal e a República Popular da China”, resumiu aos jornalistas. Na SCMM, o responsável agradeceu o apoio dado às vítimas da depressão Kristin – a instituição em Macau fez um donativo no valor de 300 mil euros à União das Misericórdias Portuguesas. “Isto significa que a expressão da solidariedade atravessa os milhares de quilómetros que fisicamente nos separam, mas não separam nos valores”, disse o líder do parlamento português ao provedor da Santa Casa, António José de Freitas. Presidente da Assembleia da República Portuguesa, José Pedro Aguiar-Branco (C) nas Ruínas de São Paulo, durante um passeio por Macau, 11 de abril de 2026. GONÇALO LOBO PINHEIRO/LUSA Marco histórico Aguiar-Branco foi o primeiro presidente da Assembleia da República de Portugal a visitar Macau. Depois de uma breve passagem pelas Ruínas de São Paulo e pela Livraria Portuguesa, no centro histórico de Macau, a delegação parlamentar, acompanhada do embaixador em Pequim, Manuel Cansado de Carvalho, e do cônsul-geral em Macau, Alexandre Leitão, reuniu-se à porta fechada com membros da comunidade jurídica portuguesa local. Sobre a reunião, Aguiar-Branco disse apenas que “o objectivo foi ouvir” a comunidade e que deixa Macau “com informação importante para poder colocar à Comissão Mista, que tem como função ir resolvendo e aprofundando os temas que sejam necessários resolver para que essa relação seja melhor”. “É essa riqueza de informação que levamos e poderemos também, enquanto Assembleia da República, fazer o nosso papel de acompanhamento e fiscalização também da actividade do Governo nesta matéria, da acção externa”. A sétima reunião da Comissão Mista Portugal-Macau, a primeira desde 2019, está prevista para este mês em Lisboa. Vai contar com a presença do Chefe do Executivo, que estará em Portugal a partir de 17 de Abril. Tempos de incerteza Também os restantes deputados que integraram a comitiva liderada pelo presidente da AR defenderam um reforço da parceira com Pequim. “Nestes tempos bastante sombrios, em que a guerra voltou à Europa e em que temos também num parceiro tradicional, como eram os Estados Unidos, uma grande instabilidade, acho que a China é uma referência de estabilidade”, disse à Lusa a deputada Edite Estrela. “Estamos a viver num mundo de grande incerteza e o que é importante é que na China não há instabilidade”, reforçou. “Não quero com isto dizer que a China deve ser um parceiro privilegiado, digo que tem de ser tido em conta”, continuou a deputada, em declarações à Lusa num passeio com a comitiva pelo centro histórico de Macau. Edite Estrela notou ainda que se a relação Bruxelas-Pequim “não tem sido aprofundada, deve “ser, não apenas por motivos geoestratégicos”, mas “por questões que têm a ver com recursos energéticos, a questão digital e da inteligência artificial”. “Uma das coisas de que me apercebi, ao nível do discurso das autoridades chinesas, é a grande preocupação com questões ambientais, coisa que não havia no passado. Quando eu cá estive, quando era deputada europeia, não havia essa preocupação”, referiu. A delegação, que acompanha a segunda figura do Estado português na visita, integrava os deputados do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-China Hugo Carneiro (PSD), Paulo Núncio (CDS-PP), Edite Estrela (PS), Felicidade Vital (Chega) e Paula Santos (PCP). Hugo Carneiro, presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-China, declarou à Lusa que a visita do líder da AR foi “muito oportuna” e sublinhou as “relações históricas com a China” “Essas relações são firmadas e comprovadas ao longo dos tempos pela interacção dos vários agentes culturais, sociais, políticos, económicos, e eu também tenho a oportunidade de testemunhar isso em Portugal com os contactos que mantemos com a comunidade chinesa”, reforçou, ao descer a escadaria das Ruínas de São Paulo, ex-líbris do território chinês. Sobre Macau, onde se encontra pela primeira vez, o deputado do PSD disse ter constatado que os portugueses “estão plenamente integrados” e “são bem tratados pela comunidade local”: “isso é muito bom, quando dois povos podem interagir e manter esta relação de amizade só nos deve deixar orgulhosos.” Questionado sobre o papel de Macau enquanto plataforma entre o universo lusófono e a China, estabelecida por Pequim em 2003, com a criação do Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau), Carneiro notou que, no caso de Portugal, “os contactos que em cada momento os diferentes actores têm mantido, sejam eles políticos ou empresários, agentes culturais, devem permanecer e ser alimentados”. Edite Estrela defendeu, por sua vez, “que é sempre possível fazer mais e melhor”, e que espera que haja a preservação da língua portuguesa, “um património inestimável” Também Feliciana Vital notou que há mais a fazer. “É importante e é um bom exemplo – até em comparação com o que aconteceu, por exemplo, em África – que aqui estamos a conseguir ficar com, digamos, um pé dentro, deixar a nossa marca e ter alguma influência”, disse à Lusa.
MUST | Inaugurado laboratório sino-português de optoelectrónica Hoje Macau - 10 Abr 2026 Um novo laboratório sino-português inaugurado ontem em Macau quer ajudar a desenvolver tecnologia que pode levar à criação de um “avião eléctrico” e supercomputadores sustentáveis. O novo laboratório sino-português de optoelectrónica vai juntar o Instituto de Nano-estruturas, Nano-modelação e Nano-fabricação (i3N) da Universidade Nova de Lisboa (UNL) e o Instituto de Ciências e Engenharia de Materiais da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês). Segundo Rodrigo Martins, coordenador do i3N-NOVA e Presidente da Academia Europeia de Ciências, a iniciativa pretende impulsionar uma tecnologia emergente capaz de transformar sectores estratégicos, desde a aviação eléctrica até aos supercomputadores de baixo consumo energético, enquanto reforça a ligação científica entre Portugal, Macau e a China. A optoelectrónica é o estudo e aplicação de aparelhos electrónicos que fornecem, detectam e controlam luz, incluindo os computadores do futuro, que poderão funcionar com luz e não só com transições electrónicas. Entre os projectos em desenvolvimento, Martins apontou o sonho de criar um avião eléctrico, dependente de sistemas de armazenamento ultraleves, como baterias feitas de papel. “Com as baterias actuais seria impossível levantar voo. Estamos a desenvolver sistemas ultraleves, incluindo baterias feitas de papel, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)”, destacou o cientista. Martins referiu também a necessidade de repensar os supercomputadores, que hoje consomem “mais energia do que a cidade de Lisboa”, destacando que o “caminho não é a energia nuclear, mas sim novos componentes electrónicos de ultra-baixo consumo.”
Coreias | Seul vai reduzir militares na fronteira até 2040 Hoje Macau - 10 Abr 2026 As autoridades sul-coreanas vão reduzir gradualmente o destacamento militar ao longo da fronteira intercoreana até 2040, apesar das preocupações com a diminuição da presença de tropas num período de tempo muito curto. O ministro da Defesa sul-coreano, Ahn Gyu Back, afirmou em conferência de imprensa que os planos incluem a redução do contingente nos postos de controlo fronteiriços com a Coreia do Norte para aproximadamente 5.000 soldados, face aos actuais 22.000. O plano é substituir a presença militar por sistemas de monitorização e vigilância que incorporarão inteligência artificial, uma medida que gerou controvérsia dentro das Forças Armadas, segundo a agência de notícias sul-coreana Yonhap. As suas declarações suscitaram acusações de uma possível redução das capacidades de vigilância militar nestas áreas. “Espera-se que este plano esteja concluído até 2040”, apesar de estar previsto que tenha revisões frequentes, explicou Ahn numa mensagem publicada nas redes sociais. “Isto não deve ser interpretado como uma medida que levará a uma redução significativa do número de militares amanhã”, observou, esclarecendo que o plano “será eficiente” e adaptado “às mudanças demográficas”, dado que o país se prepara para um declínio populacional. No entanto, o ministro sublinhou a importância de reforçar a estrutura militar através de sistemas de recrutamento selectivo para fazer face à diminuição de natalidade no futuro.
Hong Kong | Restaurantes com cláusulas de segurança nacional Hoje Macau - 10 Abr 2026 Todas as licenças de restaurantes de Hong Kong vão incluir cláusulas de segurança nacional até Setembro, anunciaram as autoridades da região. O anúncio foi feito pelo secretário do Ambiente e da Ecologia de Hong Kong, Tse Chin-wan, quase um ano após o Departamento de Higiene Alimentar e Ambiental (FEHD, na sigla em inglês) ter introduzido, em Maio, estas disposições nos processos de renovação de licenças, de acordo com a emissora pública de Hong Kong RTHK. “Com os restaurantes a renovar as licenças gradualmente, esperamos que, até Setembro deste ano, todas as licenças dos restaurantes contenham as cláusulas”, disse Tse numa entrevista na terça-feira. Essas cláusulas, acrescentou o dirigente, servem como um lembrete constante aos gerentes e funcionários dos restaurantes para que protejam a segurança nacional. Até hoje, não foram detectadas quaisquer violações das cláusulas de segurança nacional, referiu ainda Tse, ainda de acordo com a emissora pública de Hong Kong, cidade vizinha de Macau. Numa carta enviada no ano passado pelo FEHD a restaurantes, estabelecimentos de lazer e outros negócios, titulares de licenças e “pessoas relacionadas” que se envolvam em “condutas ofensivas” à segurança nacional ou ao interesse público podem ver as licenças revogadas, escreveu ontem o portal de notícias Hong Kong Free Press (HKFP). As “pessoas relacionadas”, explica-se na carta, incluem directores, gestores, empregados, agentes e subcontratados. Pontos de esclarecimento Este jornal ‘online’ referiu ainda declarações de proprietários de estabelecimentos de restauração ao jornal Ming Pao, no ano passado, que temiam que as novas condições fossem demasiado vagas e que pudessem perder as licenças devido a falsas acusações. No entanto, diz a HKFP, o Chefe do Executivo, John Lee, afirmou que a FEHD está obrigada por lei a salvaguardar a segurança nacional e que a “conduta ilícita” contra a segurança nacional está “claramente definida” nas condições. “Conduta ilícita significa qualquer ofensa que ponha em risco a segurança nacional, ou actos e eventos que sejam contrários à segurança nacional e ao interesse público em Hong Kong. É muito claro”, afirmou o líder do Governo da região em Junho. Ainda de acordo com o HKFP, o conselheiro do Governo Ronny Tong disse em entrevista ao HK01, no ano passado, que é “difícil dizer” se as novas condições visam as “lojas amarelas” (‘yellow shops’), um termo que se refere a negócios que expressaram posições pró-democracia. Pequim impôs uma lei de segurança nacional a Hong Kong em Junho de 2020, após um ano de protestos, por vezes violentos.
22% ao abandono Paul Chan Wai Chi - 10 Abr 2026 Este ano, o Dia de Cheng Ming (Dia de Finados) e o Domingo de Páscoa calharam na mesma altura, por isso muitos residentes de Macau aproveitaram os feriados consecutivos para irem para fora, enquanto muitos turistas chegavam à cidade. Como é lógico, a actividade comercial em Macau durante este período deveria ser mais intensa do que em dias normais. Ao fim da tarde do dia que se seguiu ao Domingo de Páscoa, que também era feriado, fui a um restaurante chinês perto da Praça Flor de Lodão, na Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE) com alguns amigos e reparei que o restaurante tinha menos clientes do que seria esperado. Nos restaurantes circundantes a situação era semelhante, chegando a ser fácil encontrar lugar para estacionar os carros. No tempo em que os casinos-satélite estavam abertos os comerciantes desta zona enfrentavam muito menos dificuldades. Por acaso, vi uma reportagem na televisão sobre a situação do comércio na ZAPE. O Governo da RAEM está a estudar uma forma de implementar medidas para apoiar e subsidiar os lojistas de certos bairros comunitários e para tentar transformar sua abordagem comercial, planeando introduzir e promover a instalação de esplanadas como ponto de partida. As autoridades responsáveis já avançaram com alguns projectos turísticos na ZAPE para mitigar os impactos negativos do encerramento dos casinos-satélite no comércio da zona que tiveram resultados positivos consideráveis. No entanto, segundo os proprietários de restaurantes locais, após a conclusão dos projectos para atrair turistas e locais, os seus negócios voltaram a regredir, contando quase exclusivamente com a clientela habitual que frequenta os restaurantes ocasionalmente. Mesmo com a oferta de bebidas e de petiscos não conseguiram ser atractivos, porque muitos dos jogadores deixaram de considerar a ZAPE como um destino a visitar. Os donos dos estabelecimentos da ZAPE acreditam que a iniciativa do Governo da RAEM para introduzir esplanadas permitirá pelo menos colocar mais mesas em redor dos restaurantes, o que pode aumentar o fluxo de pessoas e melhorar a situação actual, evitando ao mesmo tempo que a ZAPE pareça tão deserta. Além disso, o responsável de uma associação situada nesta zona declarou que das cerca de 580 lojas locais, 22% fecharam. Também afirmou que as esplanadas terão de ter características especiais e que a forma de as rentabilizar irá depender do apoio aos restaurantes no seu todo. 22% de lojas ao abandono é uma quantidade significativa, que eu testemunhei pessoalmente. Mencionei previamente que o Governo da RAEM teria de ser cuidadoso nos ajustes feitos ao sector do jogo de Macau, porque a reestruturação “1+4” dos sectores económicos ainda está em curso, e actualmente a economia de Macau é dominada pelas áreas do jogo e do turismo. Com um poder de consumo limitado e perante a competição da área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, as pessoas de Macau foram-se acostumando progressivamente a comprar, a abastecer o carro e a morar em Zhuhai, na Grande Baía, aumentando assim a pressão e os desafios dos sectores comerciais de Macau. Os casinos- satélite foram um problema decorrente da liberalização do sector do jogo. Embora gerassem menos receitas para o Governo da RAEM, mantinham desde há muito uma relação simbiótica com os negociantes das proximidades. Por isso, desde que não continuassem a aumentar, a sua gradual transformação, que, a seu tempo, levaria à extinção teria sido a melhor abordagem, muito melhor do que esta mudança drástica que foi “dolorosamente rápida”. Na varanda de minha casa, crescem muitas vezes ervas daninhas nos vasos das plantas. Quando a minha mulher pede para as tirar, insiste que tenho de “cortá-las rentes” em vez de “arrancá-las”. Para mim, arrancá-las garantiria a sua completa remoção; de outra forma, voltariam a crescer. No entanto, a minha mulher afirma que se as arrancar também vou danificar as raízes das nossas plantas. Se o crescimento das ervas daninhas for controlado, não há necessidade de optar pela técnica da “destruição mútua”. Nos anos que se seguiram à fundação da República Popular da China, houve uma campanha nacional para a eliminação dos pardais, que eram considerados transmissores de doenças. No entanto, a eliminação em larga escala dos pardais levou ironicamente ao aumento drástico de outras doenças, que acabou por conduzir ao fim da campanha. As leis da natureza são realmente maravilhosas, e as lições que aprendemos no nosso quotidiano e com a nossa História ilustram o que acabámos de dizer. Existem muito modelos que vale a pena considerar para melhorar os negócios da ZAPE, como a rua Sanlitun, em Pequim, Lan Kwai Fong em Hong Kong e os antigos bares de rua da Zona Nova de Aterros do Porto Exterior (NAPE). Sugiro um modelo comercial que combine esplanadas com espectáculos de rua gratuitos, que funcionem desde o pôr do sol até às 22 h, sem perturbar a vida dos residentes, mas que tragam animação e entretenimento à ZAPE. Esta será uma das opções viáveis? E por fim, os 22% de lojas ao abandono passará a ser coisa do passado ou o início de uma nova fase.
Pyongyang confirma realização de vários testes com mísseis Hoje Macau - 10 Abr 2026 A Coreia do Norte reconheceu ontem ter realizado vários testes com mísseis nos últimos dias, incluindo um com um míssil balístico equipado com uma ogiva de fragmentação, confirmando as denúncias feitas anteriormente pela Coreia do Sul e Japão. Segundo a agência noticiosa estatal norte-coreana, KCNA, os testes foram realizados nos dias 06, 07 e 08 de Abril sob a direcção do general Kim Jong Sik, vice-director de departamento do Comité Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte. Um dos testes serviu para “avaliar as aplicações de combate” do míssil balístico Hwasongpho-11 Ka, equipado com uma ogiva de fragmentação. O armamento “pode reduzir a cinzas qualquer alvo que cubra uma área de 6,5 a 7 hectares com a potência máxima”, detalhou o meio de comunicação estatal norte-coreano. Além disso, as autoridades do regime norte-coreano testaram um “sistema de armamento electromagnético e bombas de fibra de carbono” e um sistema móvel de mísseis antiaéreos de curto alcance. Mar de enganos O Exército sul-coreano informou esta quarta-feira do lançamento de vários projécteis da Coreia do Norte em direção ao Mar do Japão, e afirmou que também foi registado um lançamento a partir da zona de Pionyang na terça-feira. Estes ensaios ocorreram depois de o primeiro vice-ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, Jang Kum-chol, ter minimizado o recente optimismo de Seul, na sequência dos elogios da liderança de Pionyang ao Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, pelas suas palavras conciliatórias sobre as incursões de drones civis sul-coreanos em território norte-coreano entre Setembro de 2025 e janeiro de 2026. A Coreia do Sul tinha interpretado como um sinal positivo uma mensagem invulgar emitida esta semana por Kim Yo-jong, a influente irmã do líder norte-coreano, Kim Jong-un, na qual ela afirmava que o líder considerava que Lee demonstrou uma atitude “honesta e de mente aberta” ao expressar pesar pelas incursões dos drones. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano sublinhou, no entanto, que a mensagem de Kim Yo-jong não era conciliadora, mas sim um aviso para se evitar novas provocações. Antes do teste de terça-feira, o último lançamento de mísseis balísticos norte-coreanos ocorreu a 14 de Março, quando em simultâneo decorriam exercícios militares conjuntos entre Seul e Washington.
Xangai | Aguiar-Branco sublinha convergência com a China na defesa do multilateralismo Hoje Macau - 10 Abr 2026 O presidente da Assembleia da República deu seguimento à sua visita à China com encontros em Pequim e Xangai, onde destacou a importância da visão de ambos os países sobre a ordem internacional O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, destacou ontem, em Xangai, a importância do multilateralismo e da cooperação internacional, sublinhando que Portugal e China partilham uma visão comum sobre o papel das instituições internacionais. Em declarações à agência Lusa, após um almoço com membros da comunidade portuguesa em Xangai, no segundo dia de uma visita oficial à República Popular da China, Aguiar-Branco afirmou que “há uma ideia comum da importância do multilateralismo” e da necessidade de respeitar o direito internacional na resolução de conflitos. “A nova ordem internacional que, eventualmente, possa querer ser construída com a desvalorização do papel da Organização das Nações Unidas, não deve acontecer”, disse, acrescentando que Portugal defende o reforço do papel da ONU como “plataforma multilateralista” para alcançar consensos. O presidente do parlamento português referiu ainda ter agradecido o apoio chinês à candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança da ONU para o biénio 2027-2028. A visita decorre no âmbito da diplomacia parlamentar e inclui encontros institucionais e contactos com autoridades chinesas, sendo acompanhada pelo Grupo Parlamentar de Amizade Portugal – China, composto por deputados de cinco partidos. Segundo Aguiar-Branco, esta presença multipartidária demonstra “o reconhecimento da importância da relação de Portugal com a China”, que classificou como “uma relação que deve ser estimulada e desenvolvida em benefício de ambos”. O responsável sublinhou que os laços bilaterais têm vindo a consolidar-se nas últimas duas décadas, após a assinatura da parceria estratégica entre os dois países, com crescimento “brutal” das exportações e do investimento chinês em Portugal. Em 2025, o comércio bilateral atingiu 9,4 mil milhões de euros, representando um crescimento homólogo de 8,2 por cento. Até ao terceiro trimestre de 2025, a China foi o quinto maior país de origem do investimento estrangeiro em Portugal, com um investimento direto acumulado de 14,4 mil milhões de euros, desde 2012, segundo dados oficiais. Confiança reforçada Aguiar-Branco destacou também a relevância de Macau, considerando que o modelo “um país, dois sistemas” na região semiautónoma da China continua a ser reconhecido como uma base importante da relação bilateral. A 20 de Dezembro de 1999, a administração de Macau passou de Portugal para a China, sob o princípio “um país, dois sistemas”, que garante à região alto grau de autonomia, sistema jurídico próprio, moeda e passaporte próprios, distintos da China continental. “Senti, do lado chinês, uma grande confiança no que diz respeito às relações com Portugal”, afirmou Aguiar-Branco, referindo ainda a disponibilidade para aprofundar a cooperação parlamentar e económica, nomeadamente em áreas como a transição energética e as energias renováveis. Questionado sobre a posição chinesa face à guerra na Ucrânia, reiterou que a posição portuguesa é diferente da de Pequim, mantendo-se “inequívoca” desde o início do conflito. “Condenamos a invasão e a violação do direito internacional e defendemos o respeito pela soberania e integridade territorial da Ucrânia”, disse, sublinhando que Portugal mantém essa posição “sem desvio de um milímetro”. Pequim tem defendido que é neutra no conflito, mas intensificou a sua relação política e económica com Moscovo, desde a invasão da Ucrânia. De Pequim a Macau A visita de Aguiar-Branco ocorre num contexto de retoma dos contactos políticos presenciais de Portugal com a China após a pandemia, incluindo recentes deslocações ao mais alto nível, como a do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que esteve em Pequim em Setembro passado. Em Pequim, Aguiar-Branco reuniu-se com o vice-presidente chinês, Han Zheng, e com o Presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional da China, Zhao Leji. Ontem, em Xangai, Aguiar-Branco participou em encontros com autoridades locais e visitou instituições culturais e de planeamento urbano, seguindo depois para Macau e Hong Kong, para contactos com as comunidades portuguesas e autoridades locais.
Coreia do Norte | Wang Yi de visita a Pyongyang Hoje Macau - 10 Abr 2026 O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, iniciou ontem uma visita de dois dias à Coreia do Norte, na mesma semana em que Pyongyang realizou vários testes com mísseis balísticos, incluindo um com uma ogiva de fragmentação. A visita de Wang “é um passo importante para que ambas as partes ajam conforme os entendimentos comuns entre os mais altos líderes dos dois partidos e dos dois países e para impulsionar o desenvolvimento” das relações, afirmou na quarta-feira a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning. Esta será a primeira visita de Wang à Coreia do Norte desde 2019, e ocorre a convite do ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, segundo informou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, sem avançar detalhes sobre a agenda ou encontros previstos. A viagem tinha sido já anunciada pela agência estatal norte-coreana KCNA, que ontem revelou que Pyongyang realizou esta semana vários testes de mísseis (ver página 13). A visita ocorre também num contexto em que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou a intenção de voltar a tentar organizar uma reunião com Kim Jong-un, após a tentativa falhada do ano passado, o que aumentou as expectativas de que o líder norte-americano possa aproveitar a sua passagem pela China, prevista para meados de Maio, para uma cimeira bilateral. A visita de Wang surge após o reforço dos laços bilaterais resultante da cimeira entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e Kim, em Setembro de 2025, após a qual os países expandiram os seus intercâmbios comerciais e reativaram ligações ferroviárias e voos que ligam ambas as nações, depois de cerca de seis anos de encerramento.
Médio Oriente | Pequim pede “calma e contenção” após ataques israelitas no Líbano Hoje Macau - 10 Abr 2026 A China pediu ontem “calma e contenção” após ataques de Israel no Líbano que causaram centenas de vítimas, sublinhando, em plena trégua entre Estados Unidos e Irão, que a soberania e segurança dos países não devem ser violadas. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou, em conferência de imprensa, que “as vidas e os bens dos civis devem ser protegidos” e apelou às partes envolvidas para “promoverem um arrefecimento da situação regional”. A responsável reiterou ainda que a China mantém contactos com as partes desde o início do conflito e manifestou o desejo de que a trégua seja aproveitada para resolver as divergências “através do diálogo e da negociação”. As declarações surgem depois de Israel ter lançado, na quarta-feira, bombardeamentos em larga escala contra mais de uma centena de alvos no Líbano em apenas dez minutos, dos quais resultaram pelo menos 254 mortos e mais de 1.100 feridos, a maioria civis, segundo as autoridades libanesas, que decretaram um dia de luto nacional. O ataque intensificou a tensão na frente libanesa, onde o grupo xiita Hezbollah denunciou a violação do cessar-fogo e retomou os ataques contra Israel. A ofensiva coincide com uma trégua de duas semanas acordada entre Washington e Teerão para facilitar negociações de paz no Paquistão, com base num plano de dez pontos apresentado pelo Irão, após mais de um mês de guerra iniciada no final de Fevereiro com ataques dos EUA e de Israel contra alvos iranianos. O acordo inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, essencial para o comércio energético global, embora persistam dúvidas quanto ao seu alcance e sobre se a frente no Líbano está abrangida pelo cessar-fogo.
Poemas de Meng Haoran traduzidos Rui Cascais - 10 Abr 2026 Tradução de Rui Cascais 孟浩然 (689-740) (五言古體詩) 示孟郊 蔓草蔽極野 蘭芝結孤根 眾音何其繁 伯牙獨不喧 當時高深意 舉世無能分 鐘期一見知 山水千秋聞 爾其保靜節 薄俗徒云云 MENG HAORAN (689–740) (Pentâmetros ao Estilo Antigo) Para Mostrar a Meng Jiao 1 Heras e ervas infestam tudo pela remota província, Mas o eupatório e o cogumelo crescem a sós. 2 Emaranhadas, as melodias criam igual cacofonia. Porém, a sós, Bo Ya nunca destoa. 3 Quando o seu sentido profundo Ainda não era acessível ao mundo, Zhong Ziqi logo discerniu Mil Outonos de montanhas e rios. Que possas suster a tua sóbria serenidade Entre o zum-zum dos reles e vulgares. NOTAS: A autenticidade/autoria do poema é duvidosa, pois o poeta Meng Jiao (751–814) só nasceria onze anos após a morte de Meng Haoran. O Eupatorium cannabinum e os cogumelos políporos são, curiosamente, uma planta e um tipo de fungos, usados na medicina tradicional pelas suas potentes qualidades purgativas. A sua presença aqui, em comparação à desarmonia, ou cacofonia, das infestantes, serve para exemplificar os aspectos virtuosos de solidão e amargura (ou “melancolia”) em que se pode fundar um encontro salubre e profícuo entre duas pessoas embebidas no remédio da rectidão. Também é interessante que Meng Jao tenha ficado conhecido como um dos poetas “amargos” (juntamente com Li He, apesar deste ser tudo menos sóbrio), o que reforça não só a natureza anacrónica e espúria do poema – um provável acrescento ao cânone de Meng Haoran–, mas também a sua singularidade. Alguém, seguramente apreciador dos dois poetas, terá tentado, assim, estabelecer um elo/diálogo entre eles através do tempo, “gizando” este poema. Bo Ya, o lendário tocador de cítara (qin), e o seu amigo e auditor ideal, Zhong Ziqi (figura lendária do fertilíssimo Período da Primavera e Outono e um simples lenhador conhecido por distinguir as mais finas nuances da musicalidade natural das montanhas e torrentes); o entendimento entre os dois daria origem à expressão 知音 (zhīyīn), “conhecer o tom”, que descreve a mais intima, imediata compreensão entre amigos. (五言古體詩) 遊雲門寺寄越府包戶曹徐起居 我行適諸越 夢寐懷所歡 久負獨往願 今來恣遊盤 台嶺踐嶝石 耶溪溯林湍 捨舟入香界 登閣憩旃檀 晴山秦望近 春水鏡湖寬 遠行佇應接 卑位徒勞安 白雲去久滯 滄海竭來觀 故國眇天末 朋在朝端 遲爾同攜手 何時方挂冠 Visita ao Templo da Porta da Nuvem; Enviado ao Oficial de Finanças Bao e ao Tabelião Xu da Administração Yue1 As minhas viagens trouxeram-me agora a Yue, Onde mesmo a sonhar recordo quem me é querido. Há muito desejava viver a expensas próprias; Hoje posso partir e vaguear à vontade. Numa crista de Tiantai vou pelas pedras marcadas; No Ribeiro de Ruoye subi contra a corrente veloz pelo bosque. Deixando o barco, entrei num reino de incenso; Após subir a um pavilhão, descansei entre volutas de sândalo. Eis os gentis montes, onde a vista de Qin parece já ali, E as águas primaveris, onde o Lago do Espelho se espraia. Nesta viagem longínqua anseio pelo nosso encontro; Apesar de baixa condição, posso entretê-los relativamente bem. As nuvens brancas foram-se, estão há muito presas algures; Ao mar vigiado cheguei por fim para divisar. O meu velho estado natal, demasiado longe para avistar, fica no fim do céu, Mas velhos amigos estão aqui, à beira da manhã. Há muito de devíamos estar já de braço dado, Pendurando os chapéus de oficial quando aprouver. O mosteiro situava-se na Montanha da Porta da Nuvem, algumas léguas a sul de Shaoxing, no Zhejiang.
Creative Macau | Nova exposição de fotografia a partir de domingo Andreia Sofia Silva - 10 Abr 202610 Abr 2026 É inaugurada este domingo, dia 12, uma nova exposição de fotografia na Creative Macau. “Human Presence” é organizada pela Halftone – Associação Fotográfica de Macau, e pode ser visitada até ao dia 5 de Maio, reunindo trabalhos de 14 membros da associação que se dedicam à fotografia de forma profissional ou amadora. Na mostra constam nomes como Carmen Serejo, Cristiana Figueiredo, Elói Scarva, Francisco Ricarte, Henry – Chao Kai Hang, Inela Kovacevic ou João Palla, entre outros. Segundo uma nota oficial, é oferecida ao público “a interpretação [dos fotógrafos] do tema, contribuindo para uma colecção rica e visualmente diversificada”. Neste caso, o tema é a “presença humana” nomeadamente em “sociedades caracterizadas por uma variedade de expressões e representações culturais”. Desta forma, o “foco [das imagens] vai desde a individualidade da figura humana até às formas como os indivíduos pertencem a comunidades, ambientes ou paisagens urbanas”. Esta exposição traz, assim, “um amplo espectro visual e estético, apresentando fotografia tradicional, contemporânea e conceptual, tanto a preto e branco como a cores”. Convida-se, assim, o público a “reflectir sobre a importância da ‘Presença Humana’ na formação das sociedades e das identidades culturais”.
Livro | Obra de Huang Qichen sobre História de Macau editada em português Andreia Sofia Silva - 10 Abr 2026 “História Geral de Macau” é a tradução para português de um livro editado nos anos 90 e agora revista. O académico Huang Qichen imprimiu nela os principais acontecimentos da história do território desde o tempo das dinastias imperiais até 2019, contando-se, sob a perspectiva chinesa, muitos detalhes da administração portuguesa e do relacionamento com os chineses. A obra, editada pela Caminho, foi lançada no CCCM esta quarta-feira O Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) acolheu esta quarta-feira o lançamento de “História Geral de Macau – Desde a Antiguidade até 2019”, da autoria de Huang Qichen, e que ganha agora tradução para português graças ao trabalho de seis anos da professora Hu Jing. A edição no mercado editorial português esteve a cargo da Caminho, na figura de Zeferino Coelho, contando com revisão do professor Carlos Ascenso André. Na apresentação, Zeferino Coelho, editor das obras do Prémio Nobel José Saramago, destacou a importância de ter uma obra deste género no mercado português. “Talvez há cinco anos recebemos na Leya [grupo editorial a que pertence a Caminho] uma proposta de edição da História Geral de Macau. Perguntaram-me se me interessava por isso, e eu disse que sim, sobretudo porque era um chinês a escrever sobre a história de Macau. Nunca tinha visto o que os chineses escrevem acerca da história de Macau”, descreveu. Zeferino Coelho disse que “as coisas levaram o seu tempo, pois queria fazer uma coisa bem feita, e não em cima do joelho”, tendo o processo sido “acompanhado quase linha a linha”. “Estou muito feliz com a edição deste livro, porque não sendo historiador ou competente para falar do [conteúdo do] livro, li-o com muito gosto e parece-me de fácil leitura. É um livro de divulgação e não propriamente de investigação histórica, dando-nos aquilo que precisamos de saber, com os aspectos mais e menos agradáveis da nossa passagem por Macau. A verdade é para ser dita e deve ser entendida por todos nós”, apontou. A sessão contou com comentários do professor Jorge Santos Alves, coordenador do Instituto de Estudos Asiáticos da Universidade Católica Portuguesa (UCP). Este descreveu uma obra que “está a meio caminho entre o que costumo chamar de divulgação séria e trabalho académico”, estando também “muito satisfeito com o trabalho de tradução”, pois não se trata “de uma tradução literal ou trabalhada para um público português/ocidental”. Novas perspectivas Jorge Santos Alves referiu ter conhecido Huang Qichen em 1992, numa conferência que procurou reunir, na Casa Garden, em Macau, historiadores e académicos portugueses e chineses em torno da história do território. “Não me surpreende que mais tarde, em 1999, Huang Qichen tenha editado uma história geral de Macau”, destacando esta edição agora, que constitui “o regresso de Macau ao panorama editorial comercial de Portugal”. “Na perspectiva do utilizador, é muito interessante poder contar com uma perspectiva historiográfica completamente diferente das perspectivas historiográficas ocidentais e, em particular, a portuguesa”, adiantou o docente da UCP. “Acho muito bom que os historiadores portugueses tenham contacto com a cultural dos colegas chineses, e se a tradução for como esta, tanto melhor.” Contra mitos Jorge Santos Alves elencou oito pontos importantes desta obra, que faz o leitor reflectir sobre a questão de Macau, as questões de soberania ou mera transferência de poderes de Portugal para a China, em 1999; ou ainda o relacionamento entre as comunidades portuguesa, macaense e chinesa. O docente da UCP destacou, desde logo, a cronologia escolhida por Huang Qichen, focada nas dinastias do antigo império. A obra passa, portanto, pela posição de Macau no tempo das dinastias Ming e Qing, indo depois ao período republicano e até 1949, quando é fundada a República Popular da China. Seguem-se os meados do século XX e depois os anos posteriores à transição de 1999. Jorge Santos Alves referiu outro ponto importante do livro, pelo facto de este apontar para a questão da “fundação de Macau”. “Uma das coisas que a academia chinesa faz há vários anos é recusar a ideia do mito fundacional de Macau, a ideia de que Macau não existia e que era, portanto, um pequeno porto piscatório que, de repente, foi projectado como um porto a partir do momento em que os portugueses chegam a Macau, vamos dizer por volta de 1555 ou 1557. Ora, o que o professor Huang nos mostra, e que está dentro da linha historiográfica chinesa, e que sabemos que, historiograficamente está correto, é que não há nenhuma fundação de Macau e que há, sim, toda uma linha de continuidade da presença humana, rural, comercial e também cosmopolita naquilo a que hoje chamamos Macau”, desde os tempos da antiguidade. Deu-se depois um grande desenvolvimento no território a partir dos séculos XII e XIII, sobretudo na dinastia Ming, com Macau a tornar-se, nesses anos, “um ponto de apoio e de espera de todos os comerciantes que iam fazer negócio a Cantão”, sendo “oficialmente o porto aberto para o comércio com o grande império”. A obra de Huang Qichen explora ainda “a ideia de que Macau é um território chinês sob administração portuguesa”, enfatizando que “Macau foi sempre, na sua essência, um território chinês”. “Sabemos que, até do ponto de vista arquitectónico, Macau foi sempre uma cidade chinesa, e até ao século XIX falamos de uma cidade de matriz chinesa, cuja população era maioritariamente chinesa”, descreveu o docente, lembrando que o dinheiro que circulava também era chinês e onde “os principais agentes e grupos sociais e políticos eram chineses, em estreita ligação com a comunidade macaense, que foi absolutamente decisiva”. Houve, depois, “outros agentes, a que chamaríamos metropolitanos, e que, na altura, se chamavam reinóis”. Jorge Santos Alves lembrou que “os macaenses foram, juntamente com os agentes chineses, absolutamente extraordinários para a sobrevivência de Macau”, sendo um ponto que sobressai da leitura de “História Geral de Macau”. Que soberania? O docente da UCP lembrou também que esta obra faz referência “à ideia de que Portugal exerceu apenas um direito de administração”, sobre o território, não sendo, portanto, uma “soberania colectiva”. “Uma das coisas interessantes é o facto de, ao longo da obra, o professor Huang Qichen insistir na ideia de que tudo se fez através do pagamento de uma taxa de aluguer (palavras dele) no arrendamento [territorial]. Sabemos, pela documentação portuguesa, do chamado pagamento do foro de chão”, referiu Jorge Santos Alves. Foram estes pagamentos que cimentaram as relações comerciais entre os portugueses e as autoridades imperiais da dinastia Ming, algo que pode ser analisado à lupa na “História Geral de Macau”. O livro de Huang Qichen olha ainda para outras matérias, nomeadamente os vários acordos comerciais que portugueses e chineses tentaram assinar a propósito do estabelecimento dos portugueses em Macau, incluindo o Tratado de Amizade e Comércio Sino-Português, a 1 de Dezembro de 1887. Na visão de Jorge Santos Alves, “é muito interessante ver que também na perspectiva chinesa é a partir do século XIX que a presença portuguesa [em Macau] adquire uma outra característica ou modalidade, devendo ser vista no contexto mais amplo daquilo que foi o século da humilhação da China, iniciado após a Primeira Guerra Mundial, como talvez já tenham ouvido”, considerou. Houve, depois, “um conjunto de tratados desiguais impostos à China por potências identitárias, incluindo os EUA, para poder, digamos, exercer direitos de soberania e outros relativamente a alguns territórios circunscritos”, adiantou o professor. Essencialmente, o que Huang Qichen faz na sua “História Geral de Macau”, agora traduzida, é referir “que há uma continuidade de relações pacíficas e harmoniosas entre Portugal e a China em Macau”, tirando alguns momentos “de maior tensão”. “Ele fala, o que me parece muito bem, do destaque da comunidade macaense, da qual muitas vezes nos esquecemos, e fazemos muito mal em nos esquecermos dela”, disse Jorge Santos Alves, que destacou também o facto de o autor da obra encarar como “aspecto positivo” Macau ser “um espaço de intercâmbio”, de “expressão sino-ocidental”. O que os leitores podem encontrar “é uma leitura muito equilibrada da parte do professor Huang Qichen, que vê Macau como uma espécie de laboratório de interacção cultural”. Sobre a transição propriamente dita, em 1999, Huang Qichen interpreta-o como sendo “o evento da como a restauração da soberania chinesa e não como uma simples transferência de soberanias”, quando Macau “regressou à terra”. “Repare-se no termo usado pela professora Hu Jiang [na tradução], o regresso de Macau à terra-mãe chinesa. Este ponto é essencial na narrativa contemporânea e, também, de Huang Qichen, do regresso de Macau à China após, segundo palavras dele, um período histórico anónimo, mas longo.”