Contrabando | Seis casos em sete dias

Os Serviços de Alfândega (SA) relevaram que durante a Operação Trovoada 2025, entre 29 de Agosto e 4 de Setembro, os agentes alfandegários descobriram seis casos de tráfico e transporte ilegais nos postos fronteiriços das Portas do Cerco e de Hengqin.

Segundo o comunicado, os SA apreenderam um total de mil conjuntos de movimentos de relógio (mecanismos que fazem o relógio funcionar), 142 quilos de alimentos não inspeccionados, 34 telemóveis antigos, três vinhos chineses baijiu, um inalador de cigarro electrónico e 117 cartuchos de cigarro electrónico. Os seis contrabandistas têm idade entre 29 e 70 anos e o grupo é constituído por residentes de Macau e do Interior.

Três contrabandistas foram multados ao abrigo da lei do comércio externo, e os casos de outros dois contrabandistas foram encaminhados para o Instituto para os Assuntos Municipais devido à violação das normas de controlo sanitário e fitossanitário. Um outro contrabandista, foi encaminhado aos Serviços de Saúde devido à violação do regime de prevenção e controlo do tabagismo.

Burla | Estudante perde 1,3 milhões de dólares de Hong Kong

Uma estudante de Macau a estudar no Interior da China foi alvo de uma burla, com perdas de 1,37 milhões de dólares de Hong Kong, depois de ter acreditado nos burlões que se fizeram passar pela polícia.

Segundo o jornal Ou Mun, a mãe da vítima foi contactada por um banco de Macau, no final mês passado, porque foram verificados movimentos suspeitos na conta bancária da filha. Segundo os funcionários da instituição local, a conta que a mãe tinha criado para a sua filha estava sem saldo, devido a várias transferências suspeitas.

Após a mãe ter confrontado a filha, esta confessou ter transferido o dinheiro para financiar a investigação criminal no Interior, porque lhe tinha sido dito que tinha praticado crimes. A filha confessou também ter omitido a situação da mãe, a pedido dos burlões, e reconheceu ter pedido dinheiro à família com a desculpa que precisava de fazer uma prova de meios de subsistência no exterior, para obter um visto de estudante, quando o objectivo era transferir os fundos para “a polícia”.

Por último, a vítima contou que nunca partilhou o sucedido com a família, depois de ter sido contactada, devido ao pedido “dos polícias”, que lhe disseram para manter toda a investigação em segredo. A PJ está a investigar o caso.

Jogo | JP Morgan prevê subida de receitas acima de 10%

O relatório mais recente do banco de investimento aponta que as receitas de jogo nos primeiros sete dias atingiram 4,45 mil milhões de patacas e podem registar um crescimento anual até 13 por cento

 

A JP Morgan prevê um crescimento das receitas de jogo em Setembro entre os 10 e 13 por cento, de acordo com o relatório mais recente sobre o mercado de Macau. Segundo o documento citado pelo portal GGR Asia, as estimativas têm por base as receitas de 4,45 mil milhões de patacas nos primeiros sete dias deste mês.

No relatório, o banco de investimento indica que os primeiros dias deste mês, ainda antes da passagem do tufão Tapah, resultaram numa média diária das receitas 635 milhões de patacas e num total de 4,45 mil milhões de patacas.

Tendo em conta, estes números a JP Morgan prevê um crescimento anual das receitas de 10 a 13 por cento, o que significa que o valor deverá ir rondar entre os 19 mil milhões de patacas e os 19,5 mil milhões de patacas.

“Como era de se esperar, este valor é inferior aos crescimentos de Julho e Agosto – 714 milhões de patacas por dia – devido à sazonalidade”, escreveram no relatório os analistas DS Kim, Selina Li e Lindsey Qian.

A equipa da JP Morgan indica também que historicamente Setembro tem sido um dos meses mais fracos em termos do desempenho das receitas brutas do jogo. “Mas, os números ainda sugerem um crescimento de dois dígitos em relação aos 575 milhões de patacas por dia de Setembro do ano passado, indicando que a desaceleração sequencial está dentro da sazonalidade normal”, acrescentaram os analistas.

O melhor trimestre

Os analistas apontam também que no caso destas previsões se confirmarem, o terceiro trimestre do ano vai ter “o valor das receitas mais elevado dos últimos 23 trimestres”. Em comparação com o período homólogo, é esperado um crescimento de 14 a 15 por cento, para valores de 63 mil milhões de patacas ou 64 mil milhões de patacas.

Em Agosto, as receitas brutas dos casinos apresentaram um crescimento de 12,2 por cento, para 22,16 mil milhões de patacas, naquele que foi o melhor desempenho mensal desde Janeiro de 2020. Entre Janeiro e Agosto deste ano, as receitas brutas do jogo atingiram 163,05 mil milhões de patacas, o que representou um crescimento de 7,2 por cento, face ao montante acumulado nos primeiros oito meses do ano passado, quando as receitas foram de 152,10 mil milhões de patacas.

Infiltrações | Inspecções podem custar mais de 5 milhões

O Laboratório de Engenharia Civil de Macau mostrou-se disponível para fazer a inspecção às infiltrações nos edifícios controlados pela Direcção de Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU), por um preço de 5,67 milhões de patacas. A informação consta do portal da DSSCU e a proposta foi apresentada no âmbito de uma consulta por escrito a esta entidade.

O preço prevê a prestação dos serviços durante o período de um ano, entre Setembro e Agosto de 2026. No entanto, à data de ontem, a DSSCU ainda não tinha avançado a adjudicação do serviço.

O Laboratório de Engenharia Civil de Macau foi criado em 1988 com o objectivo de fornecer às empresas de construção civil e à sociedade de Macau apoio técnico em engenharia civil, testes laboratoriais e serviços de calibração.

Tapah | Autoridades negam ligação entre lesão de idosa e gafe

As autoridades recusam que as declarações de um representante dos Serviços de Polícia Unitários, que pediu inadvertidamente às pessoas para irem para a rua durante a passagem do tufão, tenham conduzido à lesão de uma idosa. Segundo os SPU e o COPC não há coincidência temporal entre os acontecimentos. Na sequência do desmentido foi detido um residente

 

Os Serviços de Polícia Unitários (SPU) e o Centro de Operação de Protecção Civil (COPC) recusam ter existido qualquer ligação entre o caso de uma mulher que partiu a perna e a gafe de um representante dos SPU, durante a passagem do Tufão Tapah. Como consequência, as autoridades detiveram ontem um residente, que está a ser responsabilizado pelo rumor.

Na segunda-feira, enquanto falava à população sobre o tufão, um representante dos SPU enganou-se e apelou à população para evitar ficar em casa ou em espaços interiores e seguros. A informação acabou por ser corrigida momentos mais tarde por Kam Chit Soi, também dos SPU, com o COPC a apelar à população para ficar em casa, em espaços interiores e seguros.

No entanto, o erro tornou-se viral, gerou várias brincadeiras online e levou a que começasse a circular nas redes sociais um vídeo em que um homem, o alegado filho da mulher, acusava a informação errada de ter feito com que a sua progenitora tivesse ido para a rua. O autor do vídeo afirmava ainda que a mãe, de 80 anos, tinha caído numas escadas, devido ao piso escorregadio, e que tinha atingido outras seis pessoas.

No vídeo, o homem nunca se mostrou, apenas era possível ver um telemóvel e ouvir uma alegada chamada para o Centro de Operação de Protecção Civil com queixas sobre a informação incorrecta. Na resposta, o centro garantia que a opinião ia ser encaminhada para os superiores para “ser acompanhada”.

Tudo falso

Com o vídeo a tornar-se viral, os SPU e o COPC emitiram um comunicado a desmentir a situação e apelaram à população para “manter um ambiente saudável” nas redes sociais.

De acordo com a informação oficial, após as alegações transmitidas no vídeo foi realizada “uma investigação imediata”. “Após investigação, a hora em que a idosa sofreu ferimentos e a subsequente chamada a pedir ajuda aconteceram meia hora antes da transmissão deste Centro. Não há sobreposição temporal entre os dois eventos”, comunicaram. “Portanto, os ferimentos da idosa não foram, de forma alguma, causados pela transmissão deste centro”, foi acrescentado. “Naturalmente, expressamos a nossa profunda preocupação pela idosa ferida e desejamos-lhe uma rápida recuperação”, foi frisado.

No comunicado, as autoridades voltaram a pedir desculpa pelo erro, mas não deixaram de criticar o ambiente online. “Reiteramos as nossas sinceras desculpas pelo mal-entendido causado pelo lapso verbal do nosso funcionário e tomaremos medidas para evitar que situações semelhantes ocorram”, foi prometido. “Lamentamos também as acusações infundadas que circulam online e exortamos o público a discernir a verdade, trabalhando em conjunto para manter um ambiente online saudável e racional”, foi acrescentado.

Residente detido

Durante a tarde de ontem, e depois do primeiro desmentido, a Polícia Judiciária anunciou a detenção de um residente local, com cerca de 50 anos, relacionado com o caso. Nas perspectiva do CPSP, a actuação do homem “danificou seriamente a imagem e a credibilidade do Governo da RAEM”, com o detido a inventar uma ligação entre o apelo lançado na conferência de imprensa pelo representante dos SPU e a lesão da idosa.

O detido está indiciado de um crime relacionado com a violação da lei ao combate à criminalidade informática, que não foi especificado pelo jornal Ou Mun, quando revelou a detenção, de um crime de ofensa a pessoa colectiva que exerça autoridade pública e do crime de publicidade e calúnia.

Quando interrogado pelas autoridades, o homem admitiu ter sido o autor do vídeo, mas argumentou que se confundiu na hora do acidente da mãe e na hora do erro, o que levou a que tivesse feito o vídeo da polémica. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.

Função Pública | Aberto curso de habilitação para chefe de divisão

Realizou-se ontem a cerimónia de abertura do Curso de habilitação para o exercício do cargo de chefe de divisão, co-organizado pela Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) e pela Universidade de Macau (UM). O curso terá a duração de cinco semanas e os formandos foram propostos pelos próprios serviços e entidades tutelares.

A directora do SAFP, Leong Weng In, afirmou que foram introduzidas optimizações neste curso, acrescentando precisão na definição de objectivos e maiores exigências, tendo em conta “a experiência adquirida nas últimas cinco edições do Curso de Formação de Liderança para os Trabalhadores dos Serviços Públicos”.

A responsável vincou também o compromisso do Governo com a continuidade deste tipo de cursos para “formar quadros qualificados em prol do reforço da constituição da equipa de governação”.

Leong Weng In lançou um repto aos 29 formandos para se dedicarem aos estudos, “inspirarem-se mutuamente e progredirem em conjunto, para que, quando regressarem ao trabalho, possam aplicar o que aprenderam e impulsionar a melhoria contínua dos serviços públicos prestados”.

Segundo o Executivo, os formandos do curso são “provenientes de diversas áreas de governação, possuem excelentes competências e potencialidades”, com bom desempenho no trabalho.

Tufões / Segurança | DSAL apela à boa-fé de empresas

Para evitar que trabalhadores fiquem impedidos de regressar a casa devido a tufões, o Governo diz-se empenhado a incentivar empresas a acordarem de boa-fé as condições de trabalho para facilitarem a vida dos funcionários. A falta de regulamentação foi levantada por Ron Lam, que lembrou que a emissão de sinal 10 este ano manteve os casinos abertos

 

No passado dia 20 de Julho, o tufão Whipa obrigou as autoridades de Macau a emitir o sinal 10 de tempestade tropical meia-hora depois de ter sido içado o sinal 9. A forma repentina como os alertas se sucederam, sem aviso-prévio, e o encerramento de pontes e fronteiras fizeram com que muitos trabalhadores de casinos ficassem retidos, sem forma de regressar a casa.

Esta situação foi levantada por Ron Lam, numa das últimas interpelações escritas que submeteu ao Governo. Foi ontem divulgada a resposta do Governo, assinada pelo director dos Serviços para os Assuntos do Tráfego, Chiang Ngoc Vai.

O deputado afastado destas eleições lembrou que no passado, após o mortífero tufão Hato, o Governo mandou encerrar os casinos em caso de super-tufões, como ocorreu com o tufão Mangkhut e, em 2023 com o Saola. Porém, este ano durante a passagem do tufão Whipa, que chegou a sinal 10, os casinos permaneceram abertos. Recorde-se que no rescaldo do Hato, o Executivo de Chui Sai On foi bastante criticado pelos avisos curtos em relação à severidade da tempestade, com o comércio e casinos a operarem normalmente.

Como tal, Ron Lam perguntou ao Governo quais os critérios para ordenar o encerramento dos casinos, pilar da indústria que mais emprega no território. O Governo não respondeu e limitou-se a citar a lei que determina a suspensão do funcionamento dos casinos e a referir a existência de canais de comunicação para ajustar medidas à “situação real”, de forma salvaguardar a segurança dos trabalhadores e clientes dos casinos.

Harmonia patronal

Entre domingo e segunda-feira, Macau esteve 18 horas sob o alerta de sinal 8 de tufão, sem interrupção nas operações dos casinos. Aliás, o Governo, através da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, coordenou com as concessionárias de jogo planos para proporcionar “áreas de descanso apropriadas para os trabalhadores e clientes no local, fornecendo refeições e outros apoios necessários, prestando toda a atenção aos trabalhadores e clientes que estão nos recintos”.

Sobre as regras gerais para salvaguardar a segurança dos trabalhadores e o funcionamento das empresas, o Governo realça que a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), elaborou as “Orientações de trabalho em situações de tufão e incidentes súbitos de natureza pública”, que não são vinculativas.

Na resposta a Ron Lam, é indicado que a DSAL apela aos empregadores e trabalhadores para negociarem a programação do trabalho nos casos de tufão. Além disso, é referido que a DSAL incentiva os “empregadores a acordarem as condições de trabalho com os trabalhadores, segundo as regras da boa-fé, em períodos de más condições atmosféricas, bem como a resolverem as dificuldades reais encontradas pelas partes através do entendimento e concertação”. Como é habitual, as autoridades não têm em conta a desigualdade de poder nas relações laborais, e apelam à manutenção das “relações laborais harmoniosas”.

Luís Montenegro visita EPM e Consulado

Em Macau, a agenda de Luís Montenegro resume-se à manhã de hoje e inclui uma visita à Escola Portuguesa de Macau (EPM), a partir das 10h10, e depois uma recepção no Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong.

De frisar que esta visita acontece depois de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, ter cancelado, sem nova data, a sua primeira visita oficial a Portugal e a Espanha, a decorrer entre os dias 16 e 23 de Setembro.

Tiago André Lopes não apresenta uma possível justificação para esta cancelamento, mas faz críticas ao posicionamento que Portugal tem tido em relação a Macau. “Portugal quer ter presença na região sem investimento, sem estratégia clara e sem um princípio orientador claro, e deveria ter ‘aprendido’ as lições de Hong Kong para perceber que o seu vínculo a Macau não se manterá apenas por uma suposta cristalização de processos históricos; quem não aparece (e o mesmo para quem não investe) esquece e abre espaços a outros”, disse.

Desta forma, a curta passagem de Luís Montenegro por Macau “deveria servir para relançar, de modo eficaz e efectivo, a relação de Portugal com Macau até por via de iniciativas políticas, necessariamente coordenadas com Pequim”, até no sentido de se criar “um estatuto especial para que Macau pudesse ascender simbolicamente à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”.

Porém, o académico considera que, para isso, “era preciso existir estratégia política e planeamento diplomático, e tal não parece ir na mala de viagem do primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal”, lamenta.

Visita | Câmara de comércio pede aproveitamento de tensões comerciais

Integrado na comitiva de Luís Montenegro à China, Japão e Macau, Bernardo Mendia, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa, defende que Portugal deve aproveitar as tensões comerciais actuais para atrair mais investimento chinês, aproveitando Macau como plataforma

 

As tensões comerciais entre a Europa, os Estados Unidos da América (EUA) e a China abrem uma janela de oportunidade para Portugal atrair investimento industrial chinês, defendeu ontem, em Pequim, o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa, Bernardo Mendia.

Em declarações à agência Lusa, à margem da visita do primeiro-ministro português, Luís Montenegro, ao país, Mendia destacou diversas áreas em que as empresas chinesas são competitivas e que coincidem com prioridades europeias, como a transição energética.

“Energias renováveis, veículos eléctricos, baterias, armazenamento de energia, tecnologias associadas ao 5G e a inteligência artificial são áreas em que Portugal deve dar a mão e aproveitar o facto de termos Macau como ponte”, frisou.

A Comissão Europeia impôs taxas de até 35 por cento sobre fabricantes de carros eléctricos chineses, para evitar concorrência desleal face às subvenções atribuídas pelo Estado chinês. Isto criou um incentivo à deslocalização da produção para a Europa. A fabricante chinesa BYD prevê inaugurar uma nova fábrica no sul da Hungria, num investimento avaliado em 4 mil milhões de euros. A China acumula também já mais de 10 mil milhões de euros em investimentos em Espanha, nas áreas dos veículos eléctricos e da energia verde.

A CALB (China Aviation Lithium Battery), uma das maiores fabricantes chinesas de baterias, confirmou em Fevereiro passado um investimento de dois mil milhões de euros em Portugal, para a construção de uma fábrica de baterias de iões de lítio em Sines, no âmbito da estratégia de expansão europeia.

Referindo-se ao investimento da CALB, Mendia considerou que esse é o tipo de projecto que “deve ser multiplicado”. “Temos de recordar, nesta visita, as vantagens de Portugal para acolher este tipo de investimento. Não só atrai capital, como gera emprego qualificado, novas receitas fiscais e exportações futuras”, afirmou.

A concorrência

Bernardo Mendia lembrou que Portugal chegou a atrair bastante investimento chinês em anos anteriores, mas que a concorrência aumentou, nomeadamente de Espanha e da Hungria, e que “é preciso mais”.

A guerra comercial entre Pequim e Washington ameaça penalizar a produção chinesa de quase todos os produtos exportados para os EUA, incentivando os fabricantes chineses a deslocar produção para contornar as tarifas, actualmente fixadas em 30 por cento, como resultado de uma trégua temporária entre ambos os lados.

“É uma forma de contornar essas barreiras, mas também de gerar boa vontade e relações duradouras, tal como a Europa fez quando deslocalizou produção para a China há 20 ou 30 anos”, afirmou.

Mendia advertiu, contudo, que é preciso ter noção das diferentes escalas entre os dois países. “Portugal não tem a mesma capacidade industrial instalada. Para cada 140 empresas chinesas que investem em Portugal, nós, para sermos proporcionais, traríamos uma”, ilustrou.

Durante a permanência na China, a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa participa em várias feiras e fóruns, como a China International Fair for Trade in Services (CIFTS) e a cimeira da Iniciativa Faixa e Rota, em Hong Kong.

“Queremos mostrar que Portugal está aberto à colaboração e transmitir oportunidades concretas. Por vezes resultam contactos com empresas, outras vezes com governos locais chineses que também procuram investimento estrangeiro para os seus municípios”, indicou.

“O que os chineses procuram é viabilidade. E a nossa missão é apresentar Portugal como uma alternativa estável e aberta, num momento em que a tensão comercial e o proteccionismo estão a crescer”, concluiu.

Bernardo Mendia considerou que a visita de Montenegro “é sempre muito positiva”, sublinhando que “já não havia uma visita deste nível desde 2016”. “A presença do primeiro-ministro tem muito peso, sobretudo do lado chinês. Portugal tem essa tradição de boas relações com várias culturas e esta viagem, que inclui também Macau e o Japão, reflete isso mesmo”, afirmou.

China | Montenegro espera frutos de “relação próxima” com a Rússia

O primeiro-ministro português disse ontem, num encontro com o Presidente Xi Jinping, que espera que a “relação próxima” entre a China e a Rússia ajude a alcançar um acordo de paz na Ucrânia. De visita oficial à China, com passagem por Macau, Luís Montenegro realçou papel fundamental da China no contexto global

 

O primeiro-ministro português afirmou ontem, perante o Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, que conta com a sua relação próxima com a Rússia para “construir uma paz justa e duradoura” na Ucrânia.

Luís Montenegro fez estas declarações no início do primeiro dia da visita oficial à China, durante o encontro com Xi Jinping, do qual os jornalistas só puderam gravar os primeiros três minutos. “Não posso deixar de, em nome do Governo de Portugal, transmitir ao Sr. Presidente que contamos muito com o vosso contributo e a relação próxima que a China mantém com a Federação Russa para podermos, o mais rápido que seja possível, construir uma paz justa e duradoura na Ucrânia”, afirmou.

Antes, Montenegro sublinhou que, no contexto internacional, Portugal e a China têm mantido “em muitas ocasiões uma base de cooperação e de partilha de valores”. “A China tem um papel fundamental no contexto global e internacional, é membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas e nós esperamos o vosso contributo para podermos construir pontes entre povos, aproximar alguns daqueles que se encontram em conflito, promover a paz, promover o multilateralismo, promover o respeito pelos direitos humanos”, afirmou o político português.

Montenegro disse estar confiante de que o apelo que dirigiu ao Presidente da China, sobre o conflito Rússia-Ucrânia, vai ser ouvido. “Creio que o apelo, vindo de um país amigo, vindo de um país da União Europeia (UE), vindo de um país, como o Sr. Presidente Xi Jinping enfatizou também, que tem uma identidade de valores e de percurso, não cairá em saco roto”, afirmou.

Dizendo não poder responder pelo Presidente da China, Montenegro manifestou-se convicto de que Portugal tem feito o que lhe é exigido quanto a este conflito.

“A minha convicção é que, à nossa dimensão e sem nenhum tipo de pretensiosismo, nós fazemos aquilo que se exige a uma nação com a história e com a respeitabilidade internacional que Portugal tem. Nós somos construtores de pontes, nós somos protagonistas da aproximação entre povos, nós somos defensores da paz, defensores dos valores, do respeito pelos direitos das pessoas”, sublinhou.

Montenegro considerou que, no encontro com Xi Jinping, se limitou “a ser franco, leal e directo no apelo” para que a capacidade de influência da China possa ser desenvolvida e “trazer resultados práticos” para a Ucrânia.

Luís Montenegro referiu também que “é com muito gosto” que realiza esta visita oficial à China, depois de breves declarações do Presidente chinês, Xi Jinping.

“Como o Sr. Presidente afirmou, Portugal e a China têm uma relação fundada numa história que partilharam com vários momentos em comum, mas também uma relação virada para o futuro. Recordo bem a visita do Sr. Presidente a Portugal há sete anos e quero transmitir-lhe também os cumprimentos do Sr. Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa”, disse.

Bons amigos

O primeiro-ministro português manifestou concordância com as palavras de Xi Jinping sobre a forma como decorreu a transição da administração de Macau de Portugal para a China, em 1999.

“Tivemos na transição de Macau uma boa expressão da forma como conseguimos convergir e conseguimos garantir a identidade cultural e o relacionamento entre a região administrativa especial de Macau, com Portugal e com a China”, disse.

No encontro de ontem, Xi Jinping disse que “Portugal é um bom amigo da China”, referindo ser “um prazer” conhecer o primeiro-ministro, Luís Montenegro.

“Seja bem-vindo na visita à China. Lembro que em 2018 eu fiz uma visita de Estado a Portugal, que me deixou uma bela impressão, e profunda”, disse, aproveitando para pedir a Montenegro que transmita ao chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, “sinceros cumprimentos”, de acordo com a tradução simultânea para português das suas declarações.

O Presidente chinês salientou que China e Portugal “são países com profunda história, e os dois povos possuem idiossincrasia, abertura, inclusão, progresso e autonomia”, defendendo que “Portugal desempenha um papel importante e singular no palco internacional”.

Xi Jinping destacou ainda “o papel importante” desempenhado por três antigos primeiros-ministros portugueses nos assuntos internacionais e regionais.

“O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e o ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso. Eu tenho boas relações com eles”, frisou.

Na breve declaração, o Presidente chinês afirmou que “Portugal é bom amigo da China” e considerou que ambos os países resolveram “de forma adequada a questão de Macau através de negociações amistosas”.

“Portugal também foi o primeiro país da Europa Ocidental a assinar com a China actos de cooperação no âmbito da iniciativa ‘Uma faixa, uma rota”, e o primeiro país da Zona Euro que emitiu títulos” na moeda chinesa, disse.

Uma ajudinha na crise

Por sua vez, Luís Montenegro agradeceu o apoio da China a Portugal durante o período da crise financeira. “Ao nível da nossa cooperação económica bilateral, é meu dever dizer-lhe que não nos esquecemos, pelo contrário, temos muito bem presente e respeitamos a aposta que a China desenvolveu na economia portuguesa, num dos momentos mais críticos do nosso país, aquando da crise financeira”, afirmou.

Tal como tinha sido destacado momentos antes pelo Presidente da República Popular da China, também Montenegro considerou que, nos últimos anos, os dois países reforçaram laços “em vários sectores da economia, da energia à banca, da saúde ao abastecimento de água”. “A nossa convicção é que podemos continuar a trilhar esse caminho na base da confiança”, disse o primeiro-ministro.

Luís Montenegro aterrou em Pequim ao início da tarde de segunda-feira, num momento fechado à comunicação social, e não teve qualquer agenda pública nesse dia. A agenda oficial do primeiro-ministro começou ontem de manhã com uma cerimónia de deposição de uma coroa de flores no monumento aos Heróis do Povo, na Praça Tiananmen, em que esteve acompanhado pela mulher e pelos três ministros que integram esta visita: Paulo Rangel, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e da Coesão Territorial, e Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia.

Além do encontro com Xi Jinping, Luís Montenegro reuniu-se antes com o presidente da Assembleia Popular Nacional da China, Zhao Leji.

Ao final da tarde, o chefe do Governo português teve um encontro de trabalho com o homólogo chinês, Li Qiang, também no Grande Palácio do Povo, tendo seguido para Macau, onde tem hoje agenda apenas na parte da manhã. Amanhã e sexta-feira, Montenegro fará uma visita oficial ao Japão, com passagens por Tóquio e Osaka.

Medir o pulso

Ao HM, o analista Tiago André Lopes, professor auxiliar responsável pela área de estudos sobre a Ásia na Universidade Lusíada do Porto, defendeu que “Lisboa e Pequim partilham visões bastante diferentes no que concerne aos conflitos internacionais”. De frisar que Montenegro visita a China quando passam poucos dias sobre a realização da cimeira da Organização da Cooperação de Xangai, que decorreu na cidade chinesa de Tianjin, e onde foram discutidos conflitos Gaza ou Rússia-Ucrânia.

“Podemos notar que Lisboa é displicente na questão palestiniana, parecendo pouco incomodada com a barbárie que se abate sobre os palestinianos; enquanto a China se posiciona num espectro diferente de Portugal na Guerra da Ucrânia. O que é que isto nos diz? A viagem será muito focada na dimensão de diplomacia económica e muito menos na chamada diplomacia tradicional”, defendeu o analista.

Tiago André Lopes considera que Portugal poderia aproveitar esta viagem pela Ásia “para se autonomizar um pouco da dependência do eixo Bruxelas-Washington e ganhar espaço de manobra integrando a força de Pequim”, embora considere que “o actual Governo aposta num Atlanticismo-Europeísta sem ambições globais”.

Questionado sobre a questão do 5G, que pautou a relação Portugal-China nos últimos meses, Tiago André Lopes entende que a ida de Montenegro a Pequim serve para “minimizar o impacto” dessa questão e “tentar alavancar a cooperação económica entre os dois países”.

“Um elemento que poderá ajudar a medir o pulso da visita do Primeiro-Ministro de Portugal será a assinatura de documentos. Serão assinados Memorandos de Entendimento (que geralmente não são vinculativos), ou Acordos Comerciais? Ou apenas notas de imprensa vagas? Este será o melhor barómetro, para além das palavras de circunstância que naturalmente serão proferidas”, destacou.

Investimentos | Montenegro diz que Portugal é “confiável e confiante”

Luís Montenegro afirmou ontem que, durante a visita oficial à China e depois ao Japão, quer trazer a mensagem de que Portugal “é um país confiável e confiante” para investimentos económicos.

Segundo o primeiro-ministro, o programa “congrega a oportunidade que o primeiro-ministro português tem de conversar e interagir directamente com o presidente da Assembleia Nacional da República Popular da China, com o Presidente da República, com o primeiro-ministro”.

“Ao mesmo tempo que o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, o ministro da Economia e a ministra do Ambiente e Energia interagem bilateralmente com os seus congéneres e também com empresários e empresas chinesas que operam em Portugal e com empresas portuguesas que operam na China”, acrescentou.

Para Montenegro, o facto de as visitas estarem a ser feitas “com alguma compressão em termos de durabilidade” – quatro dias divididos entre China e Japão – deve ser visto por outra perspectiva.

“É apenas o registo de que nós somos capazes de fazer tudo isto em simultâneo, somos capazes de partir daqui para Macau, somos capazes de Macau partir para Tóquio e para podermos, nesta área geográfica, trazer a mensagem de que Portugal é um país confiante, é um país confiável, é um país para onde vale a pena olhar e que também olha para o mundo”, defendeu.

Montenegro salientou ainda que Portugal já “usufrui de vários investimentos que têm origem na China e que têm sido alavancas para a transformação e desenvolvimento económico de Portugal”.

“É a nossa pretensão contribuir com esta nossa vinda cá para podermos também abrir portas a que mais empresas portuguesas possam encontrar no mercado chinês o destino dos seus produtos e, por via disso, também aumentar a nossa quota de exportação para esta geografia”, afirmou. A.S.S. / Lusa

Kiang Wu | Hospital planeia expansão do museu

A directora do Hospital Kiang Wu, Ung Pui Kun, revelou que está a planear expandir o museu para poder exibir mais conteúdos.

Em declarações à emissora RTHK, de Hong Kong, Ung afirmou ainda que está a ser estudada a prolongação do horário de funcionamento do museu, na sequência de ser classificado como o segundo memorial de guerra contra a agressão japonesa de nível nacional em Macau pelo Conselho de Estado da República Popular da China.

Segundo a Rádio Televisão de Hong Kong, a responsável apontou que os guias do museu são os funcionários e a equipa médica, por isso o hospital vai reforçar as acções de formação para que conheçam bem a história que devem transmitir aos residentes. Ung Pui Kun também espera que mais pessoas conheçam as contribuições históricas de Macau durante a guerra sino-japonesa através do museu, como a operação do resgate secreto de Hong Kong.

ONU | Líderes israelitas acusados de “retórica genocida”

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos acusou ontem líderes israelitas de “retórica genocida” em relação à Faixa de Gaza, apelando à comunidade internacional para que impeça um genocídio no território palestiniano.

“Estou horrorizado com o uso aberto da retórica genocida e com a vergonhosa desumanização dos palestinianos por parte de altos funcionários israelitas”, disse Volker Türk na abertura da 60.ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.

O Alto-Comissário apelou a “acções imediatas para pôr fim à carnificina”, afirmando que a comunidade internacional “está a falhar no seu dever”.

“Estamos a falhar com o povo de Gaza. Onde estão as medidas decisivas para prevenir o genocídio? Porque é que os países não estão a fazer mais para prevenir estes crimes atrozes?”, declarou.

“A região clama por paz. Gaza é um cemitério”, disse Volker Türk.

O território palestiniano, sitiado por Israel, está devastado e a sofrer com a fome, segundo a ONU. O exército israelita, que afirma controlar aproximadamente 75 por cento da Faixa de Gaza e 40 por cento da Cidade de Gaza, indicou a sua intenção de tomar esta última, a maior cidade do território, situada a norte do enclave.

A ofensiva israelita foi lançada na Faixa de Gaza em resposta a um ataque realizado em solo israelita em 07 de Outubro de 2023 pelo grupo islamita palestiniano Hamas.

Passar à acção

“Os massacres de civis palestinianos em Gaza por parte de Israel; o sofrimento indescritível e a destruição massiva infligida; a obstrução do fornecimento de ajuda humanitária adequada e a consequente fome de civis; os assassinatos de jornalistas, funcionários da ONU e de organizações não-governamentais (ONG), e os crimes de guerra que comete, chocam a consciência do mundo”, disse Türk.

O Alto-Comissário apelou aos países para que “interrompam o fluxo de armas para Israel, arriscando infringir as leis de guerra; que “exerçam a máxima pressão para garantir um cessar-fogo, a libertação de reféns e pessoas detidas arbitrariamente; e a entrada de ajuda humanitária suficiente em Gaza por todos os meios ao seu dispor”.

Türk pediu ainda que a comunidade internacional tome “medidas decisivas para se oporem à tomada militar de Gaza planeada por Israel e à anexação acelerada da Cisjordânia ocupada”. Logo após o regresso do Presidente norte-americano, Donald Trump, à Casa Branca, Israel, tal como os Estados Unidos, deixou de participar nos debates perante o Conselho dos Direitos Humanos.

BRICS | Xi Jinping participa em cimeira virtual

A China confirmou a participação do Presidente chinês, Xi Jinping, numa cimeira virtual extraordinária do bloco de economias emergentes BRICS, que decorreu ontem e foi convocada pelo homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

“O grupo BRICS procura fomentar a cooperação e solidariedade entre mercados emergentes e países em desenvolvimento, para defender a justiça e ser uma força estável e positiva nos assuntos internacionais, num momento em que cresce o proteccionismo”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian, em conferência de imprensa.

Lin confirmou que Xi iria proferir um discurso na reunião e que Pequim espera “manter conversações” com outros líderes, com vista a “novas contribuições em prol de um mundo multipolar”. Segundo a imprensa brasileira, a cimeira extraordinária foi convocada para discutir “as ameaças à ordem mundial multipolar e uma resposta comum às tarifas” impostas pelos Estados Unidos.

O encontro decorre num contexto de tensão comercial com os EUA, exacerbada pela guerra tarifária impulsionada pela administração do Presidente norte-americano, Donald Trump. A última cimeira dos BRICS – grupo fundado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – teve lugar em Julho deste ano, no Rio de Janeiro. Estava previsto que a próxima fosse realizada na Índia, em 2026.

O grupo conta actualmente com dez membros, incluindo Egipto, Etiópia, Indonésia, Irão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Multar a inconsciência (I)

No passado dia 15 de Agosto, o Gabinete de Gestão de Emergências do Novo Distrito de Dapeng, Shenzhen, na China continental, instruiu o Gabinete de Nan’ao a implementar uma multa com base nos “Regulamentos sobre o Estabelecimento da Primeira Portaria de Prevenção de Desastres Naturais em Shenzhen Dapeng, China”. Foi uma medida tomada pela primeira vez na China continental ao abrigo destes regulamentos.

A comunicação social noticiou que a 19 do passado mês de Julho, dois turistas que visitavam Shenzhen, na China continental, ignoraram o aviso de tufão e entraram numa zona perigosa durante um alerta azul emitido pelo Gabinete de Meteorologia, na altura da passagem do Wipha. Nesse momento, pediram ajuda à polícia. Tinham dado entrada no trilho às 10.30 h e ligaram às autoridades às 20.00 h, quando o alerta amarelo de tufão já tinha sido levantado.

Após receber o pedido de ajuda, a Brigada de Resgate e de Combate ao Fogo do Novo Distrito de Dapeng e a Brigada de Combate ao Fogo na Floresta de Nan’ao conduziram as operações de salvamento durante a noite, tendo conseguido localizar os dois homens às 2.30 da madrugada do dia seguinte. No entanto, o tufão continuava a aproximar-se, forçando as equipas a permanecer na montanha. Finalmente regressaram ao trilho por volta das 7.40 h, quando o sinal de tufão já tinha aumentado para laranja, aproximadamente 12 horas depois do aviso ser emitido.

Os dois homens declararam ser entusiastas de caminhadas ao ar livre. Só tinham com eles lanternas e mantimentos e não tinham levado nenhum power bank. Quando ligaram à polícia, os telemóveis tinham apenas 5 por cento de bateria.

Posteriormente, o Gabinete de Nan’ao multou-os ao abrigo do “Regulamento para a Prevenção e Controle de Desastres Naturais na Zona Económica Especial de Shenzhen,” obrigando cada um deles a pagar 5.000 RMB. Esta foi a primeira vez na China que alguém foi multado ao abrigo de um regulamento para prevenção de desastres naturais.

O Regulamento, que entrou em vigor a 1 de Novembro de 2023, indica as áreas com potencial para a ocorrências de desastres naturais, que podem pôr em risco vidas ou bens em determinadas circunstâncias e impõe restrições às entradas. Os transgressores sujeitam-se a multas entre os 5.000 e os 20.000 RMB e devem cobrir as custas das operações de salvamento.

Em Macau existem situações semelhantes. Este ano, durante a passagem do Tufão Wipha, dois turistas estavam a passear na Ponte Governador Carvalho. Depois de um residente ter dado o alerta, a Polícia Judiciária chegou rapidamente ao local e retirou os dois homens. Posteriormente, foram multados ao abrigo do regulamento de trânsito por terem ignorado o “sinal de proibição de atravessar a ponte”.

Em Hong Kong, existe a Lei dos Parques Naturais. Embora não proíba explicitamente as entradas durante a passagem de tufões, o Departamento da Agricultura, Pescas e Conservação, por motivos de segurança, emitirá as “Directrizes de Segurança para Caminhadas” e vai fechar algumas áreas recreativas. Estas medidas visam proibir os residentes de entrar nos parques naturais durante a passagem de tufões, e penalizar os transgressores com multas e eventualmente com uma pena até 14 dias de prisão.

Estas legislações partilham um fio condutor: a penalização daqueles que entram em áreas delimitadas e sinalizadas com o aviso “não é permitida a entrada.” No entanto, não existe legislação para regular a prática de actividades perigosas durante desastres naturais, tais como perseguição de tufões e surf.

Continuaremos a nossa análise na próxima semana, que irá incidir na regulação destas actividades de risco.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
Email: cbchan@mpu.edu.mo

23.ª edição do Festival Fringe já está na rua

Começou na passada sexta-feira mais uma edição do Festival Fringe, que habitualmente traz a Macau várias artes performativas num contacto estreito com o público, os palcos e a rua. A passagem do tufão “Tapah” já obrigou a alguns ajustes na agenda, nomeadamente o cancelamento, ontem, da actividade “Um Mar na Velha Casa das Orquídeas”, enquanto que o espectáculo “Orquídeas à Velha Casa”, originalmente previsto para ter lugar no domingo, decorre hoje, às 18h, no Yuan Coffee.

Mas há ainda muito mais para ver: nas imediações da Rua do Cunha, na Taipa, entre amanhã e sexta-feira, a partir das 15h, acontece a performance “Para Sobreviver nas Cidades”, do grupo “Co.SCOoPP”, oriundo do Japão.

Com direcção de Asami Yasumoto e música de Sachie Fujisawa, a performance dura 25 minutos e conta com um “grupo de criaturas brancas, fofas e misteriosas que, em nome de nós, sobreviventes, oscila pela cidade em busca de uma direcção”. Então, coloca-se a questão: “devem seguir as multidões para se forjar ou abrir o próprio caminho?”. Este grupo vem do Japão e assume contribuir “para o desenvolvimento das artes performativas contemporâneas através de actividades criativas e experimentais no novo género de circo contemporâneo”.

À descoberta

Também a partir de amanhã, e até ao dia 21 de Setembro, decorre a actividade gratuita e interactiva “Velado Brilho: Exposição de Instalação de Micro-Sensações Urbanas”, com os artistas Calvin Lam, Shadow Fong, Kaze Chan e Chloe Lao. Trata-se de uma “caminhada nocturna para descobrir os brilhos ocultos pela cidade”, entre as 17h e as 23h, num percurso traçado por uma aplicação de telemóvel em que os participantes são levados a tornarem-se “exploradores urbanos, caminhando por ruas e vielas para descobrir miniaturas quase invisíveis e cantos que guardam memórias e histórias”.

Dentro das experiências digitais e interactivas inclui-se ainda o “Livro de Aventura ‘Uma Janela Oculta em Macau’ – Versão com Acompanhamento Musical”, um projecto de Kaze Chan, Chikara Fujiwara, Minori Sumiyoshiyama e Erik Kuong. Entre esta quarta-feira e o dia 21 de Setembro, existe um percurso a explorar de forma digital entre as freguesias de São Lázaro, Santo António e São Lourenço, entre as 10h e as 23h, em que é necessária uma aplicação. Este “Livro” foi criado pelo colectivo artístico japonês “Orangcosong”, tratando-se de uma reinvenção “da cidade através de livros, jogos e teatro, oferecendo uma nova e emocionante forma de explorar Macau”. O “Livro” conta com quatro rotas pré-definidas.

Nas mesmas datas, acontece também a actividade “Diários à Deriva – Teatro do Passeio Urbano”, nas mesmas zonas da península. Trata-se de um projecto de Chikara Fujiwara e Minori Sumiyoshiyama, onde se observa uma “busca pelas memórias flutuantes da cidade”, e se contam “histórias subtis nas paisagens urbanas familiares” do território. A produção também está a cargo do grupo japonês “Orangcosong”.

A partir de sexta-feira, e até ao dia 21, há ainda lugar a uma outra experiência digital, “O Monstro – Um Teatro de Aventura Imersiva e Pessoal”, de Barrie Lei, Nero Lio, Kaze Chan, Erik Kuong, numa redefinição “do teatro na fusão entre a realidade e virtualidade”.

“Arte Macau” | Novas exposições para ver a partir do final do mês

Há vários meses que a “Arte Macau – Bienal Internacional de Arte de Macau 2025” deambula pelo território, mas está longe de chegar ao fim. A partir do dia 24 deste mês serão inaugurados mais três projectos: “Mãos Emprestadas”, “Mercadorias e Guerreiros” e “Não Terminal”. O primeiro vê-se no Teatro D. Pedro V, os restantes levam a reflexões e interacções entre a Rua da Tercena e a praça do Centro Cultural de Macau

 

Em Setembro há ainda tempo e espaço para desfrutar das novas exposições que a “Arte Macau – Bienal Internacional de Arte de Macau 2025” traz ao território. A partir do dia 24, apresentam-se ao público três projectos integrados na secção “Exposição de Arte Pública”, subordinada ao tema “Ondas e Caminhos”.

Trata-se de cinco peças ou conjuntos de obras da autoria de nove artistas, intituladas “Mãos Emprestadas”, “Mercadorias e Guerreiros” e “Não Terminal”.

Além disso, também no dia 24 de Setembro, entre as 19h e as 20h30, decorre o colóquio “Conversa e Diálogo: A Natureza Pública da Arte Pública”, no auditório do Museu de Arte de Macau, e que conta com Wu Wei, co-curadora da bienal, e os artistas Ann Hamilton, Yin Xiuzhen, Jason Ho e Assemble, bem como com o curador Feng Boyi e o co-curador Liu Gang.

A palestra irá incidir “sobre formas de cultivar uma nova abordagem ampla, dinâmica e vibrante no contexto da arte pública ‘presencial'”. As inscrições decorrem até ao dia 19 de Setembro na plataforma da Conta Única de Macau.

Ann Hamilton, artista norte-americana, é o nome que está por detrás de um dos novos projectos em exposição, “Mãos Emprestadas”, patente no Teatro D. Pedro V. Esta artista é, segundo uma nota do Instituto Cultural (IC), “reconhecida internacionalmente pelas suas instalações multimédia de grande escala, pelos projectos públicos e pelas suas colaborações em performances”. Em Macau a artista recria “a memória histórica do comércio sino-ocidental com arte multimédia”.

Caminhos interactivos

Outra das artistas participantes no colóquio, Yin Xiuzhen, é considerada uma “conceituada artista contemporânea chinesa”. Apresenta em Macau a “Não Terminal”, uma instalação de vídeo interactiva patente na praça do Centro Cultural de Macau (CCM).

Esta instalação, que pode ser vista até ao dia 12 de Dezembro, centra-se numa “passadeira de bagagens estática” feita de metal, madeira e borracha, formando uma plataforma interactiva, onde o público pode descansar, movimentar-se e socializar.

Em redor da passadeira, existem tapetes de plástico onde o público pode correr, andar de skate e de bicicleta. Os nove ecrãs pendurados acima da instalação exibem imagens ao vivo do local e cenas da vida pré-gravadas, podendo o público também enviar os seus próprios vídeos para criar em conjunto um teatro animado da vida. “Esta obra transforma os espaços culturais e as cenas artísticas num campo experimental para o comportamento social, evidenciando a ideia de que a viagem da vida e da arte não tem fim e sugerindo a fluidez da vida, da memória e da identidade”, descreve o IC.

O papel da agricultura

Por fim, o colectivo interdisciplinar britânico Assemble, conhecido por revitalizar espaços urbanos através da colaboração comunitária e de design criativo, apresenta “Mercadorias e Guerreiros”, um projecto que “serve para reflectir sobre a relação entre a terra e as pessoas”.

Disponível no número 19 da Rua da Tercena, em Macau, este projecto “examina os desenvolvimentos actuais da agricultura de pequena escala na China e no Reino Unido, recorrendo a instalações de vídeo e técnicas de micronarrativa para apresentar directamente cenas da vida quotidiana e do trabalho em pequenas propriedades rurais em ambas as regiões”.

Desta forma, explora-se “a relação simbiótica entre a terra e a humanidade através da exibição de documentos e da realização de eventos públicos, criando-se assim uma ligação emocional entre a terra e o público de Macau”, descreve o IC.

Com “Mercadorias e Guerreiros”, apresenta-se uma “perspectiva ascendente” da ligação da agricultura com as pessoas e o “valor único da economia agrícola de pequena escala para o equilíbrio ecológico, a resiliência comunitária e a estabilidade económica, desafiando-se a ideia pré-concebida do ‘centrismo urbano’ e reexaminando-se também o papel construtivo das práticas rurais na construção de um futuro sustentável”.

“Mercadorias e Guerreiros” também fica disponível para visita do público até ao dia 12 de Dezembro deste ano, visando “estabelecer um elo entre terra, comida e sentidos humanos e desenvolver um novo diálogo entre o público urbano e as paisagens agrícolas que o nutrem, oferecendo, ao mesmo tempo, uma validação visual para o valor cultural e a sabedoria de sobrevivência necessários para o futuro desenvolvimento urbano face às crescentes incertezas da globalização”.

Charles Leong conquista título Lamborghini Super Trofeo

O piloto de Macau, Charles Leong Hon Chio, sagrou-se vencedor da classe PRO do Lamborghini Super Trofeo Asia no passado fim de semana, no Circuito Internacional de Sepang, na Malásia. Este representa o primeiro título do piloto da RAEM em competições de Grande Turismo (GT) e o primeiro título de um campeonato alcançado ao serviço da SJM Theodore Racing.

Apesar de se encontrar doente e com ainda duas corridas por disputar no calendário da competição organizada pela prestigiada marca italiana de automóveis, Charles Leong e o jovem irlandês Alex Denning mostraram-se sempre extremamente rápidos na pista malaia. Venceram a primeira corrida do fim de semana, alcançando assim o sexto triunfo da temporada, e terminaram em segundo lugar na segunda corrida. Este segundo lugar elevou para 10 o número de pódios obtidos em 10 corridas, prolongando a impressionante série da equipa, que nunca terminou abaixo do segundo lugar.

Com duas corridas ainda por disputar nas Finais Mundiais do Lamborghini Super Trofeo, em Misano, Itália, em Novembro, a SJM Theodore Racing poderá concentrar-se em manter esta impressionante sequência de pódios, já com o principal objectivo da temporada alcançado. Charles Leong e Alex Denning encontram-se empatados no topo da classificação de pilotos e deverão concluir a temporada lado a lado, partilhando o mesmo Lamborghini Huracán Super Trofeo EVO2.

Sempre a somar

Para Charles Leong, este resultado é fruto de “um trabalho incrível da equipa. Conquistámos o campeonato graças a um grande esforço colectivo, sem grandes erros e com total consistência. Para a corrida, esperava mais grupo, mas foi difícil lutar contra os meus adversários com pneus novos. No final, segui o meu ritmo e gerimos os pneus para entregar o melhor carro ao Alex. Foi um fim de semana muito bom.”

Após ter terminado no segundo lugar da classificação deste mesmo troféu monomarca, o piloto de Macau soma este título aos que conquistou em tenra idade no Campeonato Asiático de Fórmula Renault e no Campeonato da China de Fórmula 4, para além das duas vitórias marcantes no Grande Prémio de Macau de Fórmula 4.

Obviamente satisfeito com os resultados obtidos pelos seus pupilos, Teddy Yip Jr., proprietário da SJM Theodore Racing, comentou: “Quero felicitar toda a equipa por este feito, resultado de um esforço colectivo ao longo da temporada e de anos anteriores. Os pilotos responderam de forma exemplar à pressão. Obrigado ao Charles, mesmo doente, e ao Alex, que realizou outro stint rápido e consistente, garantindo o décimo ‘top-2’ em dez corridas.”

A equipa Theodore Racing e a SJM têm apoiado Charles Leong desde 2021, quando conquistou o seu segundo triunfo na Fórmula 4 no Circuito da Guia. Em 2023, terminou muito próximo do colega de equipa Arvid Lindblad na corrida de Fórmula 4 do Grande Prémio de Macau, completando um triunfante 1-2 da SJM Theodore PREMA Racing. Ausente da edição do ano passado devido a compromissos no Lamborghini Super Trofeo Asia em Espanha, Charles Leong ainda não anunciou se participará na edição deste ano do Grande Prémio de Macau.

MNE | Pequim contra lista de países que detêm cidadãos dos EUA de forma injusta

A China declarou ontem a sua firme oposição à criação, pelos Estados Unidos, de uma lista negra de países onde cidadãos norte-americanos estão, segundo Washington, detidos de forma injusta – lista na qual Pequim deve figurar.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, assinou na sexta-feira um decreto que prevê a elaboração de uma lista negra de países a sancionar por alegadamente deterem norte-americanos para os utilizarem como moeda de troca. Um alto responsável, sob anonimato, indicou que os casos da China, do Irão e do Afeganistão seriam analisados com particular atenção.

“Alguns nos Estados Unidos fazem declarações totalmente enganosas e motivadas por segundas intenções. A China opõe-se firmemente a isso”, comentou Lin Jian, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, durante uma conferência de imprensa.

“A China é um Estado de direito e a questão de supostas detenções injustificadas não se coloca”, acrescentou.

“Todos sabem que são os Estados Unidos que detêm o monopólio das detenções injustificadas, das detenções arbitrárias, da coerção diplomática, da justiça extraterritorial e das sanções unilaterais”, afirmou o porta-voz.

Relatório indica que Pequim acelera valorização do yuan

O banco central da China tem vindo a valorizar gradualmente o yuan desde Maio, numa estratégia que poderá reflectir tanto objectivos económicos internos como sinais políticos dirigidos a Washington, segundo um relatório do grupo de reflexão Gavekal Dragonomics.

Desde a trégua comercial com os Estados Unidos alcançada em Maio, o Banco Popular da China (banco central) tem ajustado diariamente a taxa de referência do yuan, fazendo-a subir de 7,19 para 7,13 por dólar até Agosto – uma valorização de cerca de 1 por cento. Mas na última semana de Agosto, a instituição acelerou o ritmo, fortalecendo a taxa em mais 300 pontos-base em apenas cinco sessões, para 7,10 por dólar.

“Se este ritmo se mantiver, o yuan poderá em breve romper a barreira simbólica dos 7 por dólar”, observou a Gavekal Dragonomics.

Segundo o relatório, esta mudança coincide com o discurso do presidente da Reserva Federal dos EUA, Jerome Powell, em Jackson Hole, onde manifestou abertura a um corte de juros. O banco central da China começou a fixar o yuan mais forte logo na segunda-feira seguinte, embora o índice do dólar (DXY) tenha permanecido estável, sugerindo que a decisão chinesa não foi motivada diretamente pelos mercados cambiais.

O ‘think tank’ aponta várias hipóteses para esta decisão. Uma delas é que o banco central chinês espera uma tendência de enfraquecimento do dólar nos próximos meses, à medida que os mercados antecipam taxas de juro mais baixas nos Estados Unidos e possíveis pressões políticas sobre a independência da Fed, por parte da Administração do Presidente Donald Trump.

Outra possibilidade, é que a valorização do yuan sirva para “libertar pressão acumulada” e manter os mercados alinhados com os sinais do PBOC. Isto permitiria, segundo o relatório, cortar juros mais tarde este ano sem gerar desvalorizações abruptas da moeda.

O gesto poderá também ser interpretado como uma tentativa de melhorar o clima nas negociações comerciais com os EUA. “Ao mostrar que não está a desvalorizar o yuan para compensar os efeitos das tarifas norte-americanas, o PBOC ajuda a criar uma atmosfera mais propícia a um eventual acordo”, considera a Gavekal, recordando que o vice-ministro chinês do Comércio, Li Chenggang, esteve em Washington entre 27 e 29 de Agosto.

Visita | PM português desde ontem a Pequim

Luís Montenegro chegou ontem a Pequim onde será recebido pelo Presidente chinês, Xi Jinping. Segue depois para o Japão com uma curta passagem por Macau pelo meio

 

O primeiro-ministro português aterrou ontem em Pequim para uma visita oficial à China que se inicia hoje, durante a qual terá um encontro com o Presidente Xi Jinping e passará por Macau, seguindo depois para o Japão.

A deslocação aos dois países, com um total de quatro dias de programa oficial, acontece nove anos depois de o anterior primeiro-ministro, António Costa, ter visitado a China em 2016 e de o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter estado no território em 2019.

Integram a comitiva o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, – que terá à chegada um encontro oficial com o seu homólogo chinês – e o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, além da presidente da AICEP, Madalena Oliveira e Silva.

A agenda oficial da visita do primeiro-ministro arranca hoje, com uma cerimónia de deposição de coroa de flores no monumento aos Heróis do Povo, na Praça Tiananmen, seguindo depois para o Grande Palácio do Povo.

Além do encontro com o Presidente da República Popular da China Xi Jinping – o mais significativo politicamente por o chefe de Estado chinês receber em audiência poucos primeiros-ministros estrangeiros -, Luís Montenegro reunir-se-á antes com o presidente da Assembleia Popular Nacional da China, Zhao Leji.

Ao final da tarde, terá uma reunião de trabalho com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, estando prevista uma cerimónia de assinatura de instrumentos jurídicos.

Paragem em Macau

A visita do primeiro-ministro português à China acontecerá na semana seguinte ao encontro em Pequim dos dirigentes chinês, Xi Jinping, russo, Vladimir Putin, e norte-coreano, Kim Jong-un, numa parada militar que assinalou o 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico.

Este encontro foi classificado na quarta-feira pela chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, como um “desafio directo” à ordem internacional baseada em regras, que envia “sinais antiocidentais”.

Fonte do gabinete do primeiro-ministro enquadrou a visita de Luís Montenegro à China na “tradição diplomática” de Portugal, já que todos os chefes de Estado e vários primeiros-ministros visitaram este país, a “segunda maior economia do mundo” e membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Além dos encontros políticos “ao mais alto nível”, em termos económicos, o objectivo é melhorar a balança comercial entre os dois países, “fortemente desequilibrada” a favor de Pequim, devendo ser assinados alguns memorandos de entendimento na área agroalimentar.

O primeiro-ministro parte ainda hoje à noite para a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), onde tem prevista agenda na manhã de quarta-feira, seguindo nesse dia para o Japão, com programa em Tóquio e Osaka até sexta-feira, regressando nessa noite a Lisboa.

As veredas por onde andaram as figuras de Chen Mei

Yinzhen (1678-1735), que reinou como o imperador Yongzheng entre 1723-35, o terceiro da dinastia Qing, permitiu-se mostrar uma liberdade para aceitar o exótico a ponto de se fazer representar num álbum de pintura (anónimo, de catorze folhas a tinta e cor sobre seda, 37,5 x 30,5 cm no Museu do Palácio em Pequim) vestido de modos tão diversos como um guerreiro persa, um mágico daoísta, monge tibetano ou com o traje que se usava naquele tempo nas cortes europeias, incluindo uma cabeleira.

Essa disponibilidade deixou que se estendesse a certos aspectos das artes visuais que adoptaram alguns dos modos de figuração próprios da pintura europeia, em particular da perspectiva de ponto de fuga único mas não só. Numa versão feita por pintores da sua corte de uma célebre pintura de Zhang Zeduan (activo no início do séc. XII) conhecida como Subindo o rio durante o festival Qingming, completada já em 1736 (rolo horizontal, tinta e cor sobre seda, 35,6 x 1152,8 cm, no Museu do Palácio Nacional em Taipé) nota-se uma preocupação em respeitar as distâncias e as proporções relativas das figuras, usuais na pintura europeia, chegando até a ver-se representados edifícios contruídos no estilo da arquitectura europeia.

Entre os cinco pintores que colaboraram na meticulosa elaboração da pintura, um deles vindo de Songjiang (actual Xangai) chamado Chen Mei (1695-1745) adoptaria características raras do modo de representação visual na Europa daquele tempo. Como no caso da que se pode ver no Museu Smithsonian (tinta e cor sobre seda, 106 x 92,5 cm) de um Nobre literato caminhando numa floresta no Outono, em que a referência exótica se pode ver no modo como figurou a formação rochosa do solo, semelhante ao efeito que se observa em gravuras impressas levadas para a corte por missionários jesuítas.

Outros recursos próprios da pintura europeia como o uso da tinta diluída criando o sombreado para mostrar a tridimensionalidade contribuem para a serena atmosfera de harmonia entre o literato e a natureza à sua volta.

Chen Mei, que nalgumas obras colaborou directamente com pintores jesuítas como Castiglione (1688-1766), mostrou também uma lúcida compreensão da antiga arte do pincel. Como no caso de uma pintura do álbum de Actividades sasonais das senhoras ao longo dos doze meses, de 1738, acompanhadas a cada página por um poema do imperador Qianlong. Na página referente ao oitavo mês desse álbum, (Yueman qingyou tu, tinta e cor sobre seda, no Museu do Palácio em Pequim) como era costume no Festival do meio-Outono, senhoras do palácio observam a lua num terraço (Qiongtai), rodeadas pelas fragrantes árvores osmanthus, uma das quais de acordo com a lenda, está no próprio satélite adormecido. Da cena desprende-se uma onírica atmosfera como um caminho estreito afastado da via comum, encurtando a distância para a lua.

Ciclone | Tapah paralisa Macau, sem escolas, serviços públicos e transportes

O ciclone tropical Tapah obrigou a 18 horas de sinal 8 e de estado de prevenção imediata, paralisando a cidade por completo. Apesar dos poucos danos, as aulas e serviços públicos foram suspensos durante todo o dia, e registaram-se quatro feridos. Este foi o nono ciclone tropical a afectar Macau este ano, total que não se via há mais de 30 anos

 

Cerca de 20 minutos depois da emissão do sinal 8 de tempestade, devido à passagem do ciclone tropical Tapah por Macau, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude indicava que as aulas dos ensinos infantil, primário, secundário e especial ficariam suspensas durante todo o dia de ontem. Cerca de 25 minutos antes, o Centro de Operações de Protecção Civil declarava o estado de prevenção imediata, em antecipação da chegada do sinal 8 de tempestade tropical emitido às 21h de domingo, que só foi levantado ontem às 15 horas.

Também o sinal 8 permaneceria içado durante 18 horas, paralisando por completo Macau no arranque desta semana. O Tapah foi o nono ciclone tropical a passar por Macau este ano. A última vez que nove tempestades tropicais afectaram o território no mesmo ano foi em 1993.

No final da manhã de ontem, os Serviços de Administração e Função Pública anunciavam que “os serviços e entidades da Administração Pública mantêm-se encerrados na parte da tarde e estão suspensos os seus serviços”, devido a manutenção do sinal 8 até às 15h de ontem.

Porém, como é natural, o Corpo de Polícia de Segurança Pública, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Judiciária, os Serviços de Alfândega e os Serviços de Urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário (incluindo o Posto de Urgência das Ilhas) continuaram a prestar serviços de emergência aos cidadãos.

Seguindo o exemplo dos serviços da Administração Pública da RAEM, o Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong encerrou ontem os serviços de atendimento ao público durante todo o dia.

“Entraremos em contacto com todos os utentes para reagendar os atendimentos, de modo a que, se possível, todos sejam marcados até ao final desta semana”, foi acrescentado numa publicação na página de Facebook do consulado, que também apelou às comunidades portuguesas de Macau e Hong Kong, que seguissem as “recomendações das autoridades sobre os cuidados a observar enquanto estiverem emitidos sinais de alerta”.

Entre um ponto e outro

Também os transportes públicos foram severamente afectados pelo ciclone Tapah, com as autoridades a decretarem a suspensão de circulação, que só foi levantada depois das 15h de ontem, com a redução do alerta para sinal 3.

Antes do reinício da circulação dos transportes públicos, os Serviços de Alfândega lançaram um apelo a residentes, turistas e trabalhadores “para entrarem em Macau de forma faseada, colaborarem com as instruções do pessoal do posto fronteiriço e utilizarem os meios de transporte público de forma ordenada”. Apesar do apelo, assim que os autocarros começaram a circular, formaram-se longas filas em paragens nos pontos mais movimentados, como a Praça Ferreira do Amaral e zona da Barra.

A partir do momento em que se deu a gradual normalização do trânsito, as autoridades reabriram as quatro pontes que ligam Macau à Taipa.

Com a entrada em vigor do sinal 3, os autocarros públicos retomaram faseadamente a operação, o Metro Ligeiro voltou a circular, assim como os táxis especiais e os autocarros entre o posto fronteiriço de Macau e o Aeroporto Internacional de Hong Kong. Os ferries da TurboJET retomaram as ligaões entre Macau e Hong Kong às 14h30 (partida de Sheung Wan) e 16h (partida de Macau).

Entre domingo e as 14h de ontem, foram cancelados 81 voos no Aeroporto Internacional de Macau. Segundo informações veiculadas pela Autoridade de Aviação Civil, deste total, 47 estavam agendados para ontem. Além disso, 29 voos sofreram atrasos e nove tiveram alteração de horário. Com o levantamento do sinal 8 de tempestade, o Aeroporto Internacional de Macau coordenou com as companhias aéreas a retoma faseada das operações aéreas. Em Hong Kong, cerca de uma centena de voos foram ontem suspensos no Aeroporto Internacional.

Causa e efeito

Além da paralisia de serviços e transportes a que o Tapah votou Macau durante o dia de ontem, os efeitos do ciclone tropical levaram ao registo de 25 ocorrências, até às 14h de ontem, no Centro de Operações de Protecção Civil. As autoridades foram chamadas para 11 casos de remoção de materiais de construção/candeeiro/árvore em risco de queda e 13 casos de remoção de reboco, reclamo, janela, toldo ou outros objectos em risco de queda ou já caídos. Além disso, houve um pedido de uma pessoa retida num elevador.

No rescaldo das operações no final da tarde de ontem, o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, revelou terem sido contabilizados quatro feridos devido ao ciclone tropical, três dos quais ligeiros e um que obrigou a hospitalização devido a uma fractura de osso.

Até às 14h, com a redução do alerta de tempestade no horizonte, 13 pessoas tinham recorrido aos centros de acolhimento de emergência desde que abriram portas.

Entre as 07h e as 08h da manhã, algumas zonas do Porto Interior e da Taipa foram afectadas por inundações ligeiras, que levaram algumas lojas a não abrir e a proteger a entrada com barras de protecção contra as cheias, mas noutras lojas e restaurantes as operações decorreram sem alterações.

Por volta das 08h da manhã de ontem, o ciclone tropical estava no ponto mais aproximado de Macau, a cerca de 110 quilómetros, à medida que se deslocava calmamente, a cerca de 20 quilómetros por hora para a cidade de Taishan, da província de Guangdong, afastando-se progressivamente do território. Também o vento foi gradualmente enfraquecendo.

No entanto, os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) alertavam para a possibilidade de aguaceiros fortes, trovoadas e vento com rajadas fortes devido à influência da banda de chuva externa de Tapah. Esta influência levou as autoridades a emitir o aviso de “Storm Surge” Azul às 10h, o mais baixo dos avisos de cheias, que prevê a subida do nível da água acima do pavimento inferior a meio metro. Ainda assim, “a maré astronómica em combinação com o Storm Surge, elevou o nível da água em cerca de 1 metro de altura máxima e a maré registada foi de 3,7 metros”.

No resumo dos SMG, foi indicado que o Tapah constituiu um desafio em termos previsibilidade devido à sua “circulação pequena, trajectória sinuosa e proximidade a Macau”.

Em relação ao estado do tempo nos próximos dias, os SMG previam ontem a continuação da instabilidade hoje de manhã com aguaceiros por vezes fortes e trovoadas, devido à influência das bandas de chuva associadas ao ciclone. Os aguaceiros e as trovoadas devem continuar amanhã, com o sol a regressar aos céus de Macau a partir de quarta-feira e a manter-se durante o fim-de-semana.

Centro de operações

Duas horas antes da emissão do sinal 8, o Chefe do Executivo presidia a uma reunião no Centro de Operações de Protecção Civil (COPC), para ficar a par dos preparativos para responder ao ciclone tropical “Tapah”, e dos planos de reacção dos diversos departamentos e instituições.

Segundo o Gabinete de Comunicação Social, Sam Hou Fai “exigiu consideração antecipada e planeamento dos trabalhos de restauração da normalidade da cidade pós-tufão, de modo a evitar qualquer influência nos deslocamentos da população aos serviços e às escolas”.

“O Chefe do Executivo disse também que, devido à passagem sucessiva de ciclones tropicais por Macau, nos últimos meses, a estrutura da protecção civil manteve o seu alerta de forma contínua e realizou inúmeros trabalhos preparativos de reacção imediata contra tempestades”, motivo pelo qual agradeceu o empenho e trabalho constante.

O governante pediu uma atenção especial para a resposta a inundações através da monitorização das zonas baixas, garantindo o funcionamento normal dos sistemas de drenagem e preparando planos de evacuação se as condições no terreno a isso obrigarem. Situação que não se verificou. Além disso, exigiu que foram assegurados o abastecimento ininterrupto de água e electricidade.

Ponte Macau | Concluídos testes de circulação durante sinal 8

Na noite de domingo, enquanto esteve içado o sinal 8 de tufão, foram realizados testes de circulação de veículos na Ponte Macau com o objectivo de recolher dados sobre as condições de tráfego em diversos cenários para uma análise e avaliação abrangente, indicaram ontem os serviços para os Assuntos do Tráfego e das Obras Públicas, num comunicado conjunto. Os testes incluíram múltiplas circulações em diferentes faixas de rodagem, para apurar conhecimentos que permitam circulação em segurança durante períodos com condições meteorológicas adversas na nova ponte, nomeadamente o sinal 8 de tufão. As autoridades estão a processar a informação, “procedendo à análise e avaliação dos pormenores de implementação do plano de circulação que irão definir as regras e restrições ao tráfego na Ponte Macau durante tempestades.

Viver no limite

Um representante dos Serviços de Polícia Unitários (SPU) foi ontem protagonista da gafe do dia, motivando a partilha de publicações humorísticas nas redes sociais. Dirigindo-se à população para apelar a uma postura preventiva face à passagem do ciclone tropical Tapah por Macau, o responsável afirmou o oposto do que queria transmitir. “O Centro de Operações de Protecção Civil apela aos residentes e turistas que, durante o sinal oito de tufão, por favor evitem o máximo possível ficar em casa, ou em espaços interiores e seguros”. Mais tarde, a comissária dos SPU, Kam Chit Soi, disse que o seu colega teve um lapso durante a transmissão ao vivo e pediu desculpas, corrigindo o Centro de Operações de Protecção Civil e apelando à população para permanecer em casa ou abrigar-se em espaços interiores e seguros.

Febre de Chikungunya | Registado terceiro caso local

Um residente com 37 anos e sem qualquer historial de deslocações ao exterior foi identificado como o terceiro caso local de febre de Chikungunya. O anúncio foi feito pelas autoridades ao final de domingo, num comunicado que apenas foi divulgado em chinês, e representa o terceiro caso local desde o início do ano.

De acordo com os Serviços de Saúde, o homem vive na zona da Areia Preta e não deixou o território nas últimas semanas. Além disso, o afirmou que grande parte das suas deslocações são de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Neste período, não visitou qualquer parque público nem fez desporto ao ar livre.

O paciente associou a infecção a uma picada de um mosquito que aconteceu a 2 de Setembro naquela zona. No entanto, os sintomas só surgiram dois dias depois, a 4 de Setembro, quando começou a sentir dores musculares.

No dia 5 de Setembro, foi ao Hospital Kiang Wu, devido aos sintomas e foi diagnosticado no dia seguinte com a febre de Chikungunya, depois de terem sido obtidos os resultados pelo Laboratório Público dos Serviços de Saúde.

As autoridades indicaram que o homem se encontra hospitalizado e numa situação estável. Os familiares do paciente não apresentaram sintomas da doença. Como consequência deste caso local as autoridades vão avançar com acções de extermínio químico dos mosquitos perto da zona da Areia Preta.

Qingmao | Mais de 100 milhões de travessias em quatro anos

Em quatro anos, a fronteira de Qingmao foi utilizada para mais de 100 milhões travessias da fronteira entre Macau e o Interior. O número foi apontado pelo jornal Ou Mun, uma vez que ontem se celebrou o quarto aniversário da abertura da fronteira para peões, que apenas pode ser atravessada por pessoas com nacionalidade chinesa.

De acordo com os mesmos dados, esta fronteira tem vindo a registar um crescimento anual superior a 80 por cento. Para a grandeza do número, contribui o facto de a fronteira ter começado a funcionar numa altura em que se vivia a pandemia da Covid-19, com grandes restrições nas deslocações, inclusive com exigência do cumprimento de quarentenas quando eram registados casos tanto em Macau ou como no outro lado da fronteira.

A fronteira está aberta 24 horas por dia e a travessia pode ser feita através dos portões automáticos. No entanto, de acordo com o jornal Ou Mun, as autoridades de Macau e do Interior estão actualmente a ponderar instalar um sistema de máquina única, com o mesmo equipamento a ser utilizado para registar a saída de um território e, ao mesmo tempo, a entrada no outro. Actualmente, este processo está separado em dois momentos, com a necessidade de utilizar um equipamento para registar a saída e outro para assinalar a entrada.