Cinemateca | Primeiro festival de cinema indiano marca início de Março

A Cinemateca Paixão acolhe nos dias 1 e 2 de Março o primeiro festival de cinema indiano de Macau. O cartaz, promovido pelo Consulado-geral da Índia em Hong Kong e Macau, traz títulos como “Dangal”, com a grande estrela do cinema indiano Aamir Khan, “Hellaro”, e “Zindagi Na Milegi Dobara” e “RRR”

 

Os amantes do cinema de Bollywood, pautado por histórias românticas, com aventura e muita dança, vão ter dois dias para ver alguns filmes desta indústria, protagonizados por grandes estrelas do cinema indiano.

Numa iniciativa inédita no território, o primeiro festival de cinema indiano acontece na Cinemateca Paixão no fim-de-semana de 1 e 2 de Março, com organização do Consulado-geral da Índia em Hong Kong e Macau e apoio da Associação da Cultura Indiana em Macau, presidida por Victor Kumar.

O festival arranca com o filme “Dangal”, protagonizado por Aamir Khan, que será exibido entre as 10h e as 13h de 1 de Março. O filme mistura desporto e acção, contando a história do antigo lutador de wrestling Mahavir Singh Phogat, que passa os ensinamentos desse desporto às suas filhas, Babita e Geeta. As jovens venceram os Jogos da Commonwealthy de 2010, tornando-se duas lutadores bastante conhecidas em toda a Índia, ganhando, respectivamente, as medalhas de prata e ouro nesta modalidade. “Dangal” estreou em 2016.

Também no dia 1 de Março será exibido, entre as 15h e as 17h, “Hellaro”, uma “história que conta a jornada de uma mulher para a liberdade através da dança”, descreve a organização. Datado de 2019, o filme retrata a história de uma mulher que se tenta superar a si mesma, enfrentando os mais diversos desafios para conseguir aquilo que deseja.

O segundo dia

O festival de cinema indiano continua no dia 2 de Março, desta vez com a exibição de “Zindagi Na Milegi Dobara”, um filme centrado na história de três amigos de infância que fazem uma viagem de três semanas em Espanha. O passeio acaba por mudar as percepções e ideias que tinham da vida até à data, ganhando novas ideias sobre amizade e amor. A exibição do filme decorre entre as 10h30 e as 13h.

O festival é encerrado com “RRR – Revolta, Rebelião e Revolução”, exibido das 14h30 às 18h no mesmo dia. Este filme ficou conhecido pelo prémio de Melhor Banda Sonora atribuído nos Óscares com “Naatu Naatu”, levando a Índia a ganhar um prémio desta categoria pela primeira vez. A canção acabou por se tornar viral nas redes sociais.

O filme, de 2022, centra-se na história de um guerreiro corajoso que embarca numa missão perigosa onde encontra um polícia que serve o exército britânico. A película é, assim, uma saga épica passada na Índia do período anterior à independência do Reino Unido.

26 Fev 2025

Exposição | “Show-Off 3.0” mostra obras de três personalidades locais

É inaugurada esta quarta-feira a exposição “Show-Off 3.0”, promovida pela Associação Cultural da Vila da Taipa, e que apresenta um novo conceito de mostra: ao invés de expor obras de um artista, revelam-se peças de arte adquiridas por personalidades locais. Desta vez a escolha recai nas peças de Lúcia Lemos, Carlos Morais José e Rita Machado

 

A Associação Cultural da Vila da Taipa apresenta, a partir desta quarta-feira, uma nova exposição. Trata-se de “Show-Off 3.0”, que como o nome indica é a terceira edição de uma mostra de coleccionadores locais, ou seja, aquilo que se apresenta ao público são obras de arte de personalidades de Macau ou a residir no território, ao invés de se expor o trabalho de um artista.

Assim, “Show-Off 3.0” conta com peças adquiridas por Lúcia Lemos, fundadora da galeria Creative Macau; Carlos Morais José, director do HM e autor; e Rita Machado, arquitecta. Este projecto nasce depois de se ter verificado uma “influência cultural trazida à comunidade pela primeira exposição da série”.

Segundo um comunicado da organização, este trio de personalidades “partilha as impressionantes colecções que acumularam ao longo dos anos, tanto a nível local como internacional, incluindo obras de arte que adornam os espaços mais íntimos das suas casas”.

Nesta mostra exploram-se “ideias relacionadas com o coleccionismo de arte, visando promover-se o coleccionismo como um bem cultural que parte de uma iniciativa individual, mas que pode também alargar o sentido de comunidade, fomentar a sua vitalidade e acrescentar diversidade às economias locais”. A organização desta exposição considera que coleccionar arte também potencia o próprio comércio neste segmento, além de se “fomentar o talento local e internacional”, sendo que, em “Show-Off 3.0”, tal como nas restantes edições, se revelam “aspectos da personalidade do colecionador”.

Quadros para que te quero

Lúcia Lemos, que durante anos esteve à frente da Creative Macau, apresenta “uma colecção composta, principalmente, por pinturas vibrantes e coloridas de artistas locais e estrangeiros”. “Lúcia Lemos tem estado envolvida na promoção de artistas locais há mais de duas décadas, através da interpretação de vários meios, incluindo pintura, design gráfico, arte 3D, fotografia e cinema. É também directora do Festival Internacional de Curtas Metragens Sound & Image Challenge desde 2010. Sendo ela própria uma artista plástica, que desenvolveu as suas capacidades na fotografia a preto e branco e no vídeo, a sua relação especial com as imagens resulta dos muitos anos de exposição ao meio artístico da cidade portuguesa do Porto”, destaca a organização.

Segue-se Carlos Morais José, licenciado em Antropologia, mas que sempre se dedicou ao jornalismo, sendo director do HM há vários anos. Além disso, fundou várias editoras, nomeadamente a COD e a Livros do Meio, sendo que o mais recente projecto de edição literária é a editora “Grão-Falar”, sediada em Lisboa, com o foco de editar obras sobre a cultura chinesa e asiática em português. É também poeta e autor.

“A colecção de Carlos Morais José remete para uma relação subtil e complexa entre um estudioso e um gongshi que vê pedras – rochas com uma beleza estética particular – que ao olhar não treinado parecem ser apenas pedras decorativas, mas que levam o esteta a debruçar-se sobre questões que transcendem a sua aparência”, descreve-se.

Rita Machado, arquitecta ligada ao atelier Impromptu Projects, apresenta obras de arte que se baseiam “nas relações que manteve com muitos artistas locais e internacionais, sendo que, com alguns dos quais estabeleceu amizades duradouras”.

Rita Machado “interessa-se pelas intersecções entre a cultura ocidental e oriental, o desenho urbano e o desenho arquitectónico”, tendo-se licenciado em Arquitectura na Universidade do Porto com a tese “Macau, cidade (in) finita”.

João Ó, arquitecto e presidente da Associação Cultural da Vila da Taipa, descreveu ser “uma honra convidar três coleccionadores de arte a mostrar as suas diversas colecções de arte na Vila da Taipa, após o sucesso das nossas exposições experimentais nos últimos dois anos”.

“Esta exposição rara e especial pretende explorar a natureza do coleccionismo e suscitar conversas visualmente estimulantes sobre as posses culturais de indivíduos com interesses muito específicos e altamente pessoais”, disse ainda. A mostra pode ser vista até ao dia 30 de Abril, pretendendo “reforçar ainda mais a posição da Vila da Taipa como um dos principais destinos culturais e artísticos de Macau, sublinhando a sua inestimável contribuição para a promoção das indústrias culturais e criativas do território”.

25 Fev 2025

Somos! | Timor-Leste e Brasil vencem concurso de contos e ilustração

Já são conhecidos os vencedores do concurso infantojuvenil promovido pela Somos – ACLP (Associação de Comunicação em Língua Portuguesa). Trata-se da Escola CAFE de Liquiçá de Timor-Leste, que arrecadou o primeiro prémio, e a Escola Tiê, em São Paulo, Brasil. As categorias premiadas foram contos e ilustrações sob o tema “Era Uma Vez…A Minha Língua”

 

Escolas de Timor-Leste e Brasil venceram a segunda edição do concurso infantojuvenil “Era Uma Vez… A Minha Língua”, nas categorias de conto e ilustração, respectivamente, anunciou hoje a Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa (Somos – ACLP).

O conto “Era uma vez a minha Língua”, da Escola CAFE de Liquiçá, em Timor-Leste, venceu o primeiro lugar com um prémio pecuniário de 7.500 patacas, tendo sido ainda atribuídas menções honrosas à Escola Tiê (São Paulo, Brasil), com o conto “A Viagem de Guind”, e ao Agrupamento XII – Escola Básica de Ponta d´Água (Cidade da Praia, Cabo Verde), com “O menino que queria descobrir novas línguas”.

Na categoria de ilustração, a instituição de ensino brasileira levou a melhor, ao desenhar o conto de Timor-Leste, que valeu 5.000 patacas. As duas menções foram atribuídas a Macau (Escola Oficial Zheng Guanying) e a Angola (Escola Primária 1501 “Dom Moisés”, em Luanda).

Trabalhar com “escolas de regiões mais isoladas é sempre um grande desafio”, uma vez que “os recursos são, muitas vezes, limitados”, disse à Lusa a presidente da Somos – ACLP.

“Contudo, estas instituições de ensino agarraram esta oportunidade única, de integrar um movimento unificador, que valoriza as suas vozes e culturas. Para muitos destes alunos, foi a primeira vez que viram as suas criações reconhecidas, sentindo que as suas palavras e desenhos têm importância e podem chegar a outros lugares e pessoas” acrescentou Marta Pereira.

O exemplo de Moçambique

Moçambique, indicou ainda a responsável, é “um exemplo particular desta determinação”. “Os alunos enfrentaram desafios significativos devido aos recentes problemas no país”, explicou, notando que, “apesar das dificuldades, estas crianças demonstraram uma resiliência extraordinária”.

De acordo com um comunicado da Somos – ACLP, a iniciativa envolveu uma escola por cada país ou região, num total de nove instituições, e destinou-se a alunos do 5.º e 6.º anos de escolaridade das instituições de ensino participantes, onde o português é utilizado como língua veicular.

Cada escola concorreu com um conto original produzido individualmente ou em grupo. Depois, os contos foram distribuídos aleatoriamente por todas as escolas para a respectiva ilustração.

Participaram ainda o Centro de Formação Doze Pedras (Bissau, Guiné-Bissau), a Escola Primária da Maxaquene Khovo (Maputo, Moçambique) a Escola Básica Dr. Vasco Moniz (Vila Franca de Xira, Portugal) e a Escola Secundária Patrice Lumumba (São Tomé, São Tomé e Príncipe).

A escritora portuguesa Adélia Carvalho e o cartoonista brasileiro Cau Gomez foram os júris e padrinhos desta segunda edição. A Somos – ACLP vai publicar até Março os contos e as ilustrações em livro, com os textos traduzidos e adaptados para a língua chinesa. A apresentação da obra decorre em Abril, ainda de acordo com o comunicado.

24 Fev 2025

Galaxy | Concerto do tenor Andrea Bocelli no fim de Março

A Galaxy Arena recebe, a 29 de Março, Andrea Bocelli para um concerto que marca a estreia do cantor em Macau. O espectáculo faz parte da digressão que o tenor tem levado a cabo por vários países e regiões, como Taiwan

 

Andrea Bocelli, um dos grandes tenores italianos da actualidade, actua em Macau pela primeira vez na Galaxy Arena, a 29 de Março, sendo que os bilhetes já se encontram à venda. Segundo um comunicado da Galaxy, promete-se “um concerto que apresenta uma lista única de músicas, oferecendo aos fãs de Macau, Hong Kong e de toda a Ásia-Pacífico a rara oportunidade de ver este artista excepcional ao vivo”.

Apesar de ser invisual, Andrea Bocelli conseguiu, com a sua voz, encantar fãs de todo o mundo, sendo “celebrado pela sua capacidade de misturar música italiana, ópera e música pop” e “aclamado pelo seu estilo distinto e cruzado”.

Sobre ele, a cantora Celine Dion disse ser a “Voz de Deus”, e o sucesso está à vista: ao longo da sua carreira, Andrea Bocelli vendeu mais de 90 milhões de álbuns e teve mais de 16 milhões de ouvintes online, sendo “o artista que mais vendeu dentro do género clássico”.

O concerto de Andrea Bocelli em Macau é uma oportunidade única para ver e ouvir um artista notável que anda em digressão pelo mundo, dando também um saltinho a Taiwan. De resto, Andrea Bocelli passa também pela Austrália, Portugal, França, Holanda, EUA, Chéquia e África do Sul, sem esquecer alguns países da América Latina.

Homem de duetos

Na sua enorme capacidade de se fundir com a música pop, Andrea Bocelli tem na sua carreira enormes êxitos que, decerto, se farão ouvir na Galaxy Arena. É o caso do dueto com Sarah Brightman, “Time to Say Goodbye”, que esteve no topo da tabela de singles alemã durante 14 semanas. Celine Dion, a cantora canadiana que o elogiou, gravou com ele “The Prayer”, e “Vivo per Lei”, em que a conjugação de duas belas vozes resultou em dois grandes êxitos e “demonstrou ainda mais o talento” de Bocelli.

Considerado um embaixador de longa data da cultura italiana, Andrea Bocelli atraiu novamente os olhares dos fãs em 2020, em plena pandemia, com o evento “Music for Hope”, que se tornou num dos maiores espectáculos de música transmitido em directo de todos os tempos. Foi a forma do músico responder aos difíceis tempos da pandemia, numa adaptação da sua arte ao formato online.

No rol de parcerias de Andrea Bocelli, inclui-se a participação com a cantora pop Lady Gaga, dona de uma grande voz, mas num registo bastante diferente do tenor. A parceria aconteceu no concerto promovido por ela, intitulado “Lady Gaga, One World: Together at Home de Lady Gaga”, que juntou estrelas como Celine Dion, Lang Lang e John Legend. O objectivo desta iniciativa foi “espalhar mensagens de amor e esperança em tempos difíceis”.

O sucesso de Andrea Bocelli em todo o mundo revela-se também pelo facto de ter actuado para quatro presidentes dos EUA, três papas, a família real britânica e vários primeiros-ministros. Além disso, Bocelli subiu aos palcos de marcos icónicos como as Pirâmides do Egipto, a Torre Eiffel em Paris, a Estátua da Liberdade em Nova Iorque e a Catedral de Milão. Actuou também em numerosos eventos de grande dimensão, como a cerimónia de abertura do Euro 2020 e os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, em 2022. Na China, Bocelli foi também convidado em 2021 para a Gala de Ano Novo do canal CCTV.

O tenor colaborou ainda com outras estrelas de géneros musicais distintos do seu, mostrando a sua versatilidade como cantor, nomeadamente Ed Sheeran, Jennifer Lopez e Christina Aguilera.

Novos álbuns

A digressão de Bocelli far-se-á de êxitos antigos e novos. Relativamente ao trabalho de estúdio, o tenor italiano gravou, em 2022, “A Family Christmas”, um trabalho dedicado à família e ao Natal, destacando-se o single “The Greatest Gift”. “Si Forever” foi lançado em 2019 e é também um disco de duetos, com nomes como Ellie Goulding e Jennifer Garner, destacando-se “cinco novas canções que se juntam às favoritas, incluindo ‘Fall On Me'”, lê-se no website do tenor. Não faltam faixas como “Un rêve de liberté”, com o cantor pop MIKA, ou “If Only”, com a artista de R&B e pop Dua Lipa.

Andrea Bocelli nasceu em 1958 na região de Lajatico, e já ganhou cinco BRIT Awards e três Grammys. Começou a tocar piano, flauta ou saxofone, entre vários instrumentos, aos seis anos, mas um acidente aos 12 anos, em que fez um golpe na cabeça durante um jogo de futebol, mudaria a sua vida para sempre, deixando-o totalmente cego. Ainda estudou Direito, exercendo advocacia em Itália, mas a música acabou por conquistá-lo.

21 Fev 2025

Robert De Niro estreia-se em televisão no ‘thriller’ conspiracionista “Dia Zero”

A nova minissérie “Dia Zero”, na Netflix, marca a estreia do ator oscarizado Robert De Niro em televisão, num ‘thriller’ em que interpreta um ex-presidente norte-americano chamado a descobrir os autores de um ciberataque devastador.

“O argumento era tão bom, nem sequer foi precisa preparação prévia”, disse o ator, numa conferência de imprensa de lançamento da série em que a Lusa participou. “O diálogo era excelente. Podia ter sido piroso, pretensioso ou tendencioso, mas nesse caso eu não estaria aqui”.

“Dia Zero” foi filmada ao longo de sete meses em Nova Iorque, com Robert De Niro a ser fundamental para essa localização. “Já há algum tempo que tinha falado com o meu agente sobre fazer qualquer coisa em Nova Iorque”, revelou o ator, que também é produtor executivo da minissérie de seis episódios.

O elenco inclui Angela Bassett, Matthew Modine, Jesse Plemons, Lizzy Caplan, Connie Britton e Joan Allen.
Criada por Eric Newman (“Griselda”, “Narcos: México”), Noah Oppenheim (ex-presidente da NBC News) e Michael Schmidt (jornalista), a minissérie parte de um ciberataque maciço que desliga tudo nos Estados Unidos durante um minuto e provoca o caos e milhares de mortos.

Robert De Niro interpreta o ex-presidente George Mullen, chamado pela atual presidente Evelyn Mitchell (Angela Bassett) a presidir a uma comissão à qual são dados poderes inéditos de investigação. A realizadora Lesli Linka Glatter (“West Wing”, “Homeland”) descreveu a série como “um ‘thriller’ de conspiração paranóica”.

“A ideia partiu de conversas sobre a nossa relação com a verdade”, revelou Eric Newman, na conferência. “É algo global: entrámos numa era de pós-verdade em que as verdades podem ser mutualmente exclusivas”. Um dos antagonistas de Mullen é o autor de um ‘podcast’, Evan Green (Dan Stevens) que joga com suspeitas e atira acusações sem prova de forma a rentabilizar o ultraje da audiência.

“Green representa a franja que opera em torno de uma história como esta”, disse o ator. “Ele é irritante, uma figura divisiva, que prospera com a divisão e a torna a sua moeda”. Mas o argumento não toma posição e nenhum dos intervenientes sai particularmente bem, com um leque variado de decisões duvidosas, salvo a mulher do ex-presidente Sheila Mullen, que mantém a integridade.

“O que esperamos que as pessoas levem disto é que, embora os mecanismos pelos quais determinamos a verdade possam estar quebrados, talvez de forma irreparável, ainda é possível fazer a coisa certa”, frisou Newman. “Ainda que seja uma visão desconcertante da humanidade, no final há um certo otimismo e esperança”.

O cocriador Noah Oppenheim disse que a equipa começou a trabalhar nesta história há vários anos e que é incrível ver como aquilo que tem acontecido no mundo real espelha o caos que a série retrata. “Se pensarmos nas ameaças que enfrentamos, seja ciberataques, alterações climáticas ou guerra nuclear, a maior de todas é a incapacidade de concordarmos com um conjunto partilhado de factos”, considerou.

Angela Bassett, que interpreta a presidente Mitchell, salientou a importância de “ver esta representação de uma mulher” como a atriz “num lugar de poder na Sala Oval”, algo que a entusiasmou a fazer a série, além de ser a segunda vez a trabalhar com De Niro.

Também Connie Britton, que dá corpo a Valerie Whitesell, achou interessante a humanização de situações altamente políticas, que muitas vezes fazem esquecer que, por trás de posições de poder estão seres humanos com relações e personalidades complexas. “Isto mostra-nos como as nossas escolhas podem ter um impacto em toda a gente”, indicou, ao mesmo tempo que os personagens tentam manter o decoro e respeitar os altos cargos.

“Esses atos de equilíbrio são o que fazemos na vida real, mesmo que não estejamos metidos em espionagem de alto risco ou ciberataques”, continuou. “Estamos todos a tentar encontrar um equilíbrio entre as nossas responsabilidades e as relações íntimas”.

20 Fev 2025

Museu M+ de Hong Kong e MoMA assinam primeira colaboração

O museu M+ de Hong Kong assinou um acordo de colaboração com o Museu de Arte Moderna (MoMA, na sigla em inglês) de Nova Iorque, o primeiro do género entre a instituição norte-americana e uma congénere asiática. A aliança, anunciada ontem pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, surge no meio de crescentes tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e a China.

O M+ garantiu ao jornal que assinou na terça-feira um memorando de entendimento com o MoMa, para promover a cooperação em áreas como a investigação, o intercâmbio de curadores, a conservação, a partilha de programas e o desenvolvimento de talentos.

A parceria acontece no meio da deterioração das relações entre Pequim e Washington, exacerbada pelo regresso à presidência dos Estados Unidos, em 20 de janeiro, de Donald Trump, que impôs uma tarifa adicional de 10% sobre as importações de Hong Kong e da China continental.

Fundado em 1929, o MoMA alberga uma coleção de quase 200 mil peças, que inclui pinturas marcantes na história da arte como ‘A Noite Estrelada’, de Vincent van Gogh (1853-1890), e ‘Les Demoiselles d’Avignon’, de Pablo Picasso (1881-1973).

Picasso na RAEHK

De 15 de Março a 13 de Julho, o M+ vai albergar a exposição ‘Picasso for Asia: A Conversation’, que reune mais de 60 obras do artista espanhol, considerado um dos mais prolíficos e influentes criadores do século XX. Com curadoria conjunta do M+, localizado no distrito cultural de West Kowloon, e do Musée national Picasso-Paris, em França, esta exposição será a primeira a exibir obras-primas do museu parisiense ao lado de peças de uma coleção de museu na Ásia.

Entre as obras de destaque que vão ser transportadas para a antiga colónia britânica contam-se ‘O Acrobata’ (1930), ‘Figuras à Beira-Mar’ (1931), ‘Grande Natureza Morta com Mesa de Pedestal’ (1931), ‘Retrato de Dora Maar’ (1937) ou ‘Massacre na Coreia’ (1951).

O Governo de Hong Kong apontou a recuperação do turismo como essencial para a economia da região semiautónoma chinesa. As autoridades disseram que a organização desta exposição representa um passo importante para restaurar o panorama cultural da cidade e atrair visitantes de todo o mundo. O executivo de Hong Kong revelou um plano de desenvolvimento turístico a cinco anos, com o objetivo de quase duplicar a contribuição do setor para o produto interno bruto (PIB), de 2,6% em 2024 para cerca de 5% até 2029.

O plano, apresentado no final de dezembro pela secretária para a Cultura, Desporto e Turismo, Rosanna Law Shuk-pui, inclui a implementação de 133 medidas focadas na criação de projetos que destaquem as características locais e internacionais da cidade.

Rosanna Law foi nomeada no início de Dezembro, pelo chefe do Executivo, John Lee Ka-chiu, na primeira remodelação do Governo de Hong Kong, cidade vizinha de Macau, desde que o antigo comissário adjunto da polícia tomou posse, em Julho de 2022, em plena pandemia.

20 Fev 2025

Cinema | “Nezha 2” ultrapassa “Inside Out 2” em bilheteira

O filme de animação chinês “Nezha 2” ultrapassou o filme “Inside Out 2” (Pixar) e tornou-se na longa-metragem de animação com maior bilheteira da história, informou ontem a imprensa chinesa.

Com uma receita global de 12,3 mil milhões de yuan, o filme é também a oitava obra cinematográfica com maior bilheteira de todos os tempos, segundo o portal de notícias Yicai. O sucesso de “Nezha 2” é particularmente notável pela sua origem, com mais de 99 por cento das receitas a provirem exclusivamente da China, ao contrário das produções de Hollywood, que dependem fortemente da distribuição internacional.

Esta sequela, que segue a história de “Nezha” (2019), é inspirada no romance clássico chinês do século XVI “A Investidura dos Deuses”, que narra as aventuras de um rapaz com poderes mágicos que defende a cidade-fortaleza de Chentangguan.

Lançado a 29 de Janeiro, durante o Ano Novo Lunar, “Nezha 2” liderou a bilheteira diária na China durante 21 dias consecutivos, contribuindo significativamente para o aumento da bilheteira nacional. O fenómeno desta longa-metragem levou a um prolongamento da estreia nas salas de cinema até 30 de Março.

O legado de Nezha como personagem icónica da animação chinesa será homenageado numa sessão especial a 18 de Março em Xangai, onde serão exibidos “Nezha Conquista o Rei Dragão” (1979) e “Nezha 2”.

Este evento reunirá duas gerações de espectadores e oferecerá uma perspectiva sobre a evolução da animação chinesa nas últimas quatro décadas, bem como sobre a continuidade do mito na cultura popular. Realizado por Yang Yu (conhecido como Jiaozi), da província de Sichuan (centro da China), “Nezha 2” reflecte a presença crescente dos filmes de animação chineses na indústria cinematográfica internacional.

20 Fev 2025

Teatro | Tiago Rodrigues traz “O Cerejal” a Macau com Isabel Huppert

O palco do Centro Cultural de Macau acolhe em Abril um dos grandes espectáculos teatrais do ano. Trata-se de “O Cerejal”, original do dramaturgo Anton Tchékhov que, desta vez, ganha nova roupagem com encenação de Tiago Rodrigues, um dos principais nomes do teatro português. Mas o leque de estrelas não se fica por aqui: ao palco sobe a actriz francesa Isabelle Huppert

 

Estreou no Festival D’Avinhão, em França; passou por Genebra, Amesterdão ou Paris: depois de pisar vários palcos europeus em 2021, a encenação de Tiago Rodrigues de “O Cerejal”, peça do dramaturgo Anton Tchékhov chega agora à RAEM e traz consigo a actriz Isabelle Huppert. A apresentação deste clássico teatral que ganha uma roupagem mais contemporânea com Tiago Rodrigues acontece no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) nos dias 4 e 5 de Abril.

Esta peça foi concebida especialmente para o Festival D’Avinhão e, segundo a sinopse do espectáculo, trata-se de uma tragédia ou comédia, ou ainda nostalgia e futuro, fim e futuro. “Esta peça propõe um encontro com a nossa própria existência reflectida numa família e nos seus satélites, um grupo humano em crise”, em que um “clã aristocrático, cuja propriedade é comprada pelo filho de um antigo servo, é muitas vezes lida como uma reflexão sobre o fim”.

Porém, para o encenador Tiago Rodrigues, que é actualmente director do Festival D’Avinhão, a história desta família parece servir de “força de mudança”.

“Apresentar, hoje, ‘O Cerejal’ é falar do que acontece pela primeira vez. É falar de um tempo em que ocorre uma mutação social ainda invisível, mas profunda, um tempo vivido por personagens que não perceberam ainda que o que lhes parece excepcional é apenas a nova normalidade. É falar sobre um tempo histórico inédito. É falar sobre as dores e as esperanças de um mundo novo que ainda ninguém compreende inteiramente. É falar sobre nós”, revela a mesma sinopse.

Em palco desde 1904

Uma nota do Instituto Cultural (IC) descreve esta “tragicomédia transformada numa celebração da mudança dos tempos através de uma linguagem teatral própria, pontuada por um elegante design de figurinos”.

Em palco pode-se ver “um cenário surpreendentemente minimalista”, com uma história que “gira em torno de Lyubov, uma mulher esquiva e complexa” que não é mais do que a personagem interpretada por Isabelle Huppert, actriz também bastante ligada ao mundo do cinema. Lyubov regressa depois a casa quando a propriedade da família está prestes a ser vendida para pagar dívidas.

“O Cerejal” estreou pela primeira em 1904, “no dealbar da globalização capitalista que transformaria profundamente o mundo”, pelo que “a peça mistura sentimentos de nostalgia e esperança, retratando a forma como as diferentes classes sociais reagem às mudanças em curso na Rússia”, que sofreu em 1917 a queda do império e a revolução comunista. “Esse momento de transição, da antiga ordem feudal para uma nova era, foi magistralmente dramatizado por Tchékhov.”

Figuras de destaque

Sobre Isabelle Huppert é “considerada uma das melhores actrizes do mundo, sendo conhecida pela versatilidade, demonstrada através de um vasto leque de personagens, na sua maioria mulheres marcadas pela tragédia ou envoltas em mistério”.

A actriz francesa já trabalhou com inúmeros encenadores e realizadores ilustres, tendo sido distinguida com os mais importantes prémios de representação, de um Globo de Ouro a um Urso de Ouro honorário obtido pela sua carreira. Desta vez, Huppert junta-se a Tiago Rodrigues, encenador e dramaturgo internacionalmente reconhecido, conhecido pela fusão de histórias reais e ficção, em frequentes colaborações com artistas de áreas diversas, descreve o IC.

Entrelaçando a esfera íntima com a comunitária, Tiago Rodrigues é profundamente influenciado pela ideia de escrever com e para os actores. Fortemente inspirado por Tchékhov ao longo da vida, esta sua versão da derradeira obra-prima do dramaturgo russo faz uma analogia com o tempo actual, em que as mudanças parecem surgir demasiado rápidas, transmitindo a forma como as sociedades lidam com a perspectiva de um novo mundo. Os bilhetes para esta peça já se encontram à venda.

20 Fev 2025

Cinemateca Paixão | Ciclo de filmes em homenagem a Kristen Stewart

A Cinemateca Paixão apresenta nos próximos dias um ciclo de filmes que contam com a actriz norte-americana Kristen Stewart como protagonista ou no elenco. Desde “Spencer”, em que interpreta a Princesa Diana, à saga de “Twilight”, que a catapultou para a fama mundial, não faltarão motivos para ir à Travessa da Paixão

 

Chama-se “Retrato dela – Actriz em Foco: Kristen Stewart” e é o novo ciclo de cinema disponível para os fãs da actriz americana na Cinemateca Paixão. O público poderá ver, ou rever, alguns dos principais filmes da carreira da actriz, que começou a ser mais conhecida do grande público a partir de 2002, mas, sobretudo, desde que fez de Bella Swan na saga “Twilight”, uma jovem apaixonada por um vampiro numa história de aventura e muito romantismo.

Mas a selecção da Cinemateca Paixão traz também outros registos cinematográficos bem diferentes de Kristen Stewart e mais afastados do público adolescente da saga “Twilight”. É o caso de “Spencer”, filme de 2021 em que a actriz faz de Diana de Gales, que ficou conhecida como a “Princesa do Povo” e que faleceu num fatídico desastre de automóvel em Paris, em 1997. Este filme será exibido esta sexta-feira, a partir das 21h30, e no domingo a partir das 19h30.

Diana de Gales ficou famosa em todo o mundo pelas suas acções quando ainda era casado com Carlos, então Príncipe de Gales da coroa inglesa e actual rei Carlos III. O filme aborda o fim do casamento entre ambos e as polémicas relacionadas com o caso.

Segue-se, já num registo menos biográfico, “A Sociedade do Café” [Café Society], filme do aclamado realizador Woody Allen, que também se exibe esta sexta-feira a partir das 19h30, e depois na quarta-feira, dia 5 de Março, também no mesmo horário. “Café Society” é um filme de época, passado nos anos 30 em Nova Iorque, e gira em torno de um rapaz que procura a sua sorte em Hollywood, apaixonando-se por uma miúda que, por azar, já tem namorado. É aí que as coisas tomam um rumo inesperado.

Maratona de vampiros

Mas para aqueles que anseiam ver ou rever a trilogia de “Twilight”, nomeadamente os filmes “Crepúsculo”, de 2008; “Crepúsculo: Lua Nova”, de 2009 e ainda “Crepúsculo: Eclipse”, pode esperar sessões nocturnas já este sábado, a partir das 23h30 e até de madrugada, numa verdadeira maratona de cinema para quem quer sentir a adrenalina das estórias de vampiros, com um toque de suspense, na grande tela. A mesma maratona de filmes repete-se no dia 1 de Março, também sábado, mas desta vez com “Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1” e “Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2”.

A Cinemateca Paixão criou uma actividade interactiva para os espectadores, sendo que aqueles que assistirem aos três filmes da “Maratona da Saga Crepúsculo – Parte 1” e aos dois filmes da saga “Amanhecer”, irão receber “uma lembrança especial do festival”. Os bilhetes para estes filmes serão vendidos em separado.

Outras fitas

Voltamos aos trabalhos em que Kristen Stewrt desempenhou papéis em filmes para outro tipo de público. É o caso de “As Nuvens de Sils Maria”, em que faz de assistente da personagem desempenhada por Juliette Binoche, outra actriz de renome.

Este filme, de 2014, também se apresenta ao público de Macau este domingo, numa sessão matiné que começa às 16h30, e sábado, 8 de Março, a partir das 19h30. Com este papel, Kristen Stewart ganhou um César, em França, na categoria de Melhor Actriz Secundária. Também venceu na mesma categoria nos prémios da National Society of Film Critics Awards, nos EUA.

A selecção da Cinemateca Paixão não podia, porém, deixar de fora o filme que levou Kristen Stewart para as telas do cinema, quando ainda era bastante jovem. Ao lado da veterana Jodie Foster, a actriz participou em “Sala de Pânico”, um espaço onde as duas ficam presas num apartamento em Nova Iorque, com uma câmara secreta. Stewart é Sarah, a filha de Meg Altman, personagem de Foster, e ambas tentam escapar de um cenário de violência. O filme exibe-se este domingo a partir das 21h30, repetindo depois no domingo a 16 de Março.

Nesta selecção inclui-se ainda “Seberg: A luta pela liberdade”, de 2019, em que Stewart ganhou na categoria “Melhor Actriz Internacional” nos Prémios Júpiter, na Alemanha.

“Seberg” baseia-se na história real de Jean Seberg, actriz estrela do filme de “O Acossado”, que no final dos anos 60 foi alvo do programa de vigilância ilegal do FBI, nos EUA. Kristen Stewart faz de Jean Seberg. O cartaz sobre Kristen Stewart fecha-se com “Assistente de Compras”, exibido na próxima quarta-feira, 26, e depois no dia 21 de Março.

Além deste ciclo, a Cinemateca Paixão apresenta ainda outros filmes, como é o caso de “Herege”, o mais recente de Hugh Grant, em que este desempenha o papel de um estranho homem que consegue atrair para sua casa duas novatas da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, levando-as a um cenário de terror em que a génese das religiões é dissecada de forma brutal. Destaque ainda para a última sessão do novo de Pedro Almodóvar, “O Quarto ao Lado”, este domingo, a partir das 19h. “Nosferatu”, remake do clássico de 1922 que tem estado nas salas de cinema de todo o mundo, será também exibido no sábado.

19 Fev 2025

FRC | Imagens de Alex Chao sobre Macau expostas a partir de hoje

É hoje inaugurada na galeria da Fundação Rui Cunha a exposição de fotografia “Macau in My Heart”, uma ode ao território de onde Alex Chao Io Chong, o autor das imagens, é natural. Até ao dia 1 de Março podem ser vistas, de forma gratuita, 30 imagens sobre vários lugares que mostram o lado único do território

 

A Fundação Rui Cunha (FRC) inaugura hoje, a partir das 18h30, a exposição de fotografia “Macau in My Heart”, de Alex Chao Io Chong, conhecido artista local e fotógrafo profissional há mais de 30 anos, que reúne esta colecção de 30 fotografias da cidade, explorando diferentes temas, estilos e técnicas de abordagem. A curadoria está a cargo de David Sit, crítico de arte, pintor e professor universitário.

Citado por uma nota de imprensa da FRC, Alex Chao descreveu que iniciou “uma viagem fotográfica de décadas quando era adolescente”, tendo recorrido à lente e à máquina fotográfica “como um poeta utiliza uma caneta, para transformar emoções tão profundas numa linguagem visual, captando momentos distintos como a transformação desta cidade, de uma vila piscatória numa próspera cidade internacional, e registando imagens poéticas ao entrelaçar história e modernidade”.

As imagens captadas ilustram a arquitectura da cidade, antiga e recente, o movimento urbano, os brilhos e as cores, o ritmo da população. “Aqui, a arquitectura histórica portuguesa e os modernos edifícios altos complementam-se, enquanto as tradições e a inovação andam de mãos dadas”, disse o fotógrafo e artista.

“O rápido desenvolvimento económico trouxe prosperidade à cidade e também fez de Macau uma atracção turística e um centro de entretenimento mundialmente famoso. Ao longo deste processo, testemunhei muitos momentos importantes: a abertura de casinos internacionais, a construção de novos marcos e o fogo de artifício anual”, registos que fazem parte de alguns exemplos na exposição.

Ligação às artes

Alex Chao formou-se na Universidade Politécnica de Macau, com especialização em Artes Visuais (educação artística). Nos primeiros anos, estudou e dedicou-se à fotografia profissional e à educação de artes visuais. Foi fotógrafo de profissão no ex-Hotel Mandarin Oriental em Macau, durante muitos anos, e também director do estúdio de fotografia do então Instituto Politécnico de Artes de Macau, com décadas de investigação e prática no desenvolvimento da fotografia.

Alex Chao possui ainda uma vasta experiência nas áreas do design visual, edição de livros, impressão, multimédia e planeamento de exposições.

Foi um nome integrante de várias exposições realizadas na galeria da Creative Macau, por exemplo, tanto a título colectivo como individual. A última realizou-se no ano passado, intitulando-se “Unique Vision – Creativity and Aesthetics of Photography”.

18 Fev 2025

Televisão | Temporada “mais difícil” de “White Lotus” explora espiritualidade do país

A terceira temporada da série “White Lotus”, disponível na plataforma de streaming HBO, explora religião e espiritualidade na Tailândia e foi a “mais difícil de todas”, disse o criador Mike White. “Foi mais difícil porque é mais longa, tem mais personagens, e a Tailândia é um lugar belo para filmar, mas apresentou muitos desafios”, afirmou o criador, numa conferência de lançamento em Los Angeles.

A nova temporada tem oito episódios, mais um que a anterior e mais dois que a original. Traz de volta dois personagens que a audiência conheceu na primeira e segunda temporadas: a massagista Belinda (interpretada por Natasha Rothwell) e o viúvo de Tanya McQuoid, Greg Hunt (interpretado por Jon Gries).

“Ficámos tristes porque a personagem de Jennifer Coolidge [Tanya] morreu no último episódio e queríamos trazê-la de volta, de certa forma, com a Belinda”, explicou Mike White. Belinda era a massagista que Tanya disse que ia ajudar na primeira temporada e depois não o fez.

Explorar o budismo

White, interessado no budismo há vários anos, quis virar-se para uma exploração da religião, Deus e espiritualidade nesta temporada. “A Tailândia parecia o cenário perfeito porque é um país budista e há algo na sua cultura em que parecia interessante introduzir o caos dos ocidentais”, considerou.

Mike White também queria analisar a forma como as pessoas procuram atingir o seu ‘eu’ ideal, mas parecem ser sempre suplantadas “por uma força que as empurra de volta para a terra dos macacos”. A omnipresença de macacos no resort onde os personagens estão instalados reforça essa ideia.

Embora com um tema e um ritmo diferentes das anteriores, o estilo narrativo de “White Lotus” permanece nesta terceira temporada. Começa com um crime, em que não é possível ver quem é a vítima, e anda para trás no tempo para explicar como se chegou ao desfecho trágico.

Neste resort da Tailândia, a audiência é apresentada a um grupo de três amigas na década dos quarenta — Jaclyn (Michelle Monaghan), Laurie (Carrie Coon) e Kate (Leslie Bibb), cujo relacionamento se vai deteriorando ao longo dos episódios.

“Toda a gente está a fingir”, descreveu Carrie Coon, na conferência em Los Angeles. “E creio que todos podemos identificar-nos com isto de fingir que vivemos uma vida extraordinária, quando na verdade nos sentimos de fora”, acrescentou.

Leslie Bibb apontou que esse é um problema exacerbado por redes sociais como o Instagram, que tornam difícil resistir à comparação e julgamento. “As vidas dos outros parecem muito mais de sonho num telefone que na vida real, que quando estão mesmo a acontecer”, sublinhou.

Outra peça fundamental desta temporada é a dinâmica da família Ratcliff, com a mãe Victoria (Parker Posey), o pai Timothy (Jason Isaacs) e os filhos Saxon (Patrick Schwarzenegger), Lochlan (Sam Nivola) e Piper (Sarah Catherine Hook).

É uma família rica da Carolina do Norte que tem muitos mais problemas do que aparenta e vai acabar por enfrentar desafios existenciais ao longo da série. Todos os membros masculinos da família têm cenas de nudez, algo que Patrick Schwarzenegger disse que se tornou mais fácil de fazer pela extrema confiança que tem em Mike White.

“Fazer cenas de nudez é diferente quando se trata de um argumentista ou realizador que não conhecemos, em quem não confiamos ou de quem nunca vimos trabalhos”, afirmou o ator, filho de Arnold Schwarzenegger. “O Mike adora empurrar as fronteiras e continuar a entusiasmar, mas também dar suspense à audiência”, continuou Patrick. “Não tive qualquer hesitação”, garantiu.

Há ainda o casal Rick (Walton Goggins) e Chelsea (Aimee Lou Wood), cuja diferença de idades e de visão do mundo e das relações vão chocar no cenário paradisíaco da Tailândia. “White Lotus” estreará um episódio por semana às segundas-feiras durante dois meses, no serviço Max Portugal.

17 Fev 2025

BAFTA | Filme “Conclave” arrecada quatro prémios

“Conclave”, de Edward Berger, foi ontem considerado o Melhor Filme pela academia britânica, que lhe atribuiu quatro prémios BAFTA 2025, numa cerimónia que sagrou Adrien Brody como Melhor Ator e Mikey Madison como Melhor Actriz.

O filme de Edward Berger era o mais nomeado para os BAFTA, candidato a 12 galardões, e acabou por vencer quatro, o mesmo número de “O Brutalista”, mas mobilizando os dois principais prémios de Melhor Filme e Melhor Filme Britânico, seguidos de Melhor Montagem e Melhor Argumento Adaptado, que esteve a cargo de Peter Straughan.

“O Brutalista” também levou para casa quatro estatuetas, distinguindo Adrien Brody como Melhor Actor, Brady Corbert pela Melhor Realização, Lol Crawley pela Direcção de Fotografia, e a Banda Sonora de Daniel Blumberg.

O papel de Mikey Madison em “Anora” valeu-lhe o prémio de Melhor Actriz, numa competição que tinha como concorrente Karla Sofía Gascón (“Emilia Perez”), a actriz transgénero que tem estado envolta em polémica desde a divulgação de ‘tweets’ antigos com conteúdo racista e xenófobo. O prémio de melhor Actor Secundário foi atribuído a Kieran Culkin pelo seu papel em “A Real Pain”, e Zoe Saldaña venceu na categoria de Melhor Actriz Secundária pela participação em “Emilia Pérez”.

“Emilia Pérez”, do francês Jacques Audiard, que era o segundo filme mais nomeado para os BAFTA, com 11 indicações, venceu ainda o Melhor Filme em Língua Não Inglesa, deixando para trás a produção brasileira “Ainda estou aqui”, de Walter Salles, protagonizada por Fernanda Torres, no papel de uma activista, advogada e viúva de Rubens Paiva, o político brasileiro detido e torturado pela ditadura militar brasileira (1964-1985), no início dos anos 1970.

“Wallace and Gromit: Vengeance Most Fowl” levou para casa dois prémios: Melhor Longa-metragem de Animação e Melhor Filme para Crianças.

17 Fev 2025

Óbito | Actriz sul-coreana Kim Sae-ron encontrada morta em casa

A actriz sul-coreana Kim Sae-ron, de 24 anos, foi encontrada morta, este domingo, em sua casa, em Seul, na Correia do Sul, anunciou a polícia. “Foi encontrada morta e não havia sinais aparentes de violência”, disse um responsável da polícia à Agence France-Presse (AFP).

Já segundo a agência noticiosa Yonhap, a actriz foi encontrada morta às 16:55, depois de um amigo que tinha combinado encontrar-se com ela ter chamado a polícia por não a conseguir contactar. Kim Sae-ron ficou conhecida pelo seu desempenho no filme “The Man from Nowhere” (“O homem de lugar nenhum”), de 2010, no qual interpretava uma criança raptada, resgatada por um antigo agente das forças especiais.

Este seu papel valeu-lhe o prémio de Melhor Actriz no equivalente sul-coreano dos Óscares. A actriz participou ainda nas séries “Cães de Caça”, da Netflix, e “O Beijo do Destino”, da Apple TV. A sua carreira sofreu uma interrupção depois de ter sofrido um acidente de viação sob o efeito do álcool, em 2022, na sequência do qual pagou uma multa de 20 milhões de won (13.000 euros).

17 Fev 2025

CCM | Ciclo de música clássica dedicado a Brahms em Março

O Centro Cultural de Macau acolhe, a partir do dia 7 do próximo mês, o ciclo de espectáculos intitulado “Homenagem a Brahms”. O público já pode adquirir bilhetes para os espectáculos da Orquestra de Macau em conjunto com músicos estrangeiros

 

“Homenagem a Brahms” é o nome do próximo ciclo de cinco espectáculos integrados na temporada de concertos 2024-2025 da Orquestra de Macau (OM) que se apresenta ao público a partir do dia 7 de Março. Segundo uma nota do Instituto Cultural (IC), “serão realizados cinco concertos com temas distintos, nos quais a OM, em colaboração com vários músicos de renome internacional, interpretará as obras mais representativas de Brahms, homenageando, de forma multifacetada, a este mestre do Romantismo do século XIX”.

O concerto inaugural, no dia 7 de Março às 20h, é “Homenagem a Brahms – Uma Noite do Prólogo”, apresentado no grande auditório do CCM. Sob a batuta do maestro principal e director musical da OM, Lio Kuokman, a orquestra aliar-se-á a dois jovens músicos, a violinista Alexandra Conunova e o violoncelista Pablo Ferrández. Estes vão interpretar “Duplo Concerto para Violino” e “Violoncelo em Lá menor”, duas composições de Brahms. Depois a OM vai interpretar a “Sinfonia Nº 1 em dó menor”, uma “obra magistral e profundamente cativante, que Brahms aperfeiçoou ao longo de 21 anos”.

No dia 8 de Março é a vez de se apresentar, também no grande auditório do CCM, o concerto “Homenagem a Brahms – Pastoral Romântica”, que conta com a colaboração do violinista checo Josef Špaček, que regressa a Macau para interpretar, com a OM, o “Concerto para Violino” e “Orquestra em Ré maior” do compositor. Trata-se de uma obra “tecnicamente desafiante” e que é reconhecida como “um dos ‘quatro grandes concertos para violino’ da história da música clássica”, descreve o IC. O programa incluirá ainda a “Sinfonia N.º 2 em Ré Maior”, que contrasta com o “Concerto para Violino” pela sua “sonoridade calorosa e luminosa”.

A magia de “Niu Niu”

As composições de Brahms voltam a apresentar-se no dia 9 do próximo mês, mas desta vez numa sessão diurna. A partir das 15h, no pequeno auditório, irá reunir-se “um grupo de prestigiados músicos”, nomeadamente o maestro principal da OM e Alexandra Conunova, Pablo Ferrández, Josef Špaček, Alexei Volodin e Zhang Shengliang, também conhecido como “Niu Niu”. Apresenta-se nesse dia “uma maratona de quatro sessões dedicadas à música de câmara de Brahms”.

O programa incluirá o conjunto integral das Sonatas para Violino de Brahms, várias obras para piano solo, as emblemáticas Danças Húngaras, bem como o “Concerto para Piano” e “Orquestra N.º 1 em Si Maior”, convidando-se o público a “mergulhar no universo melódico do compositor”.

“Niu Niu”, considerado “um dos mais aclamados pianistas da Ásia”, volta a subir ao palco no dia 14 de Março, a partir das 20h, desta vez no grande auditório do CCM, com a condução do maestro Christian Arming, que dirige o concerto “Homenagem a Brahms – Concerto N.º 1 de Niu Niu”.

Por sua vez, a OM vai interpretar a “expressiva Sinfonia nº 3 em Fá Maior”, enquanto “Niu Niu”, ou Zhang Shengliang, toca para o público o “Concerto para Piano” e “Orquestra nº 1 em Ré menor”. Esta última composição apresenta-se como “um clássico romântico que exige não apenas um grande virtuosismo técnico, mas também uma profunda expressividade emocional”.

A recordação de Brahms em palco prossegue no dia 15, com “Homenagem a Brahms – Partitura de Piano Intemporal”, que promete “encerrar o ciclo com chave de ouro”, também no grande auditório do CCM.

Sob a batuta do maestro Christian Arming, a OM contará com a colaboração do pianista russo de renome mundial, Alexei Volodin, o qual interpretará o “Concerto para Piano” e “Orquestra nº 2 em Si bemol maior”. Inclui-se ainda a interpretação da composição “Sinfonia nº 4 em Mi menor”, que foi a última sinfonia de Brahms, “proporcionando-se ao público uma experiência imersiva das obras-primas imortais do compositor”.

Os bilhetes já estão à venda nas plataformas habituais. Quem adquirir quatro ingressos recebe ainda mais dois bilhetes gratuitos para qualquer sessão deste ciclo de concertos.

Johannes Brahms foi um compositor, pianista e maestro alemão do chamado período do Romantismo na música clássica. Nascido em Hamburgo em 1833, viria a falecer em Viena em 1897. É considerado um dos “Três B” pela genialidade que demonstrou na música, ao lado de Johann Sebastian Bach e Ludwig van Beethoven.

17 Fev 2025

Todos Fest! | Festival que promove a inclusão nas artes regressa em Março

Filmes, dança, workshops e um mercado. Eis os ingredientes da quinta edição do “Todos Fest! Festival de Artes Inclusivas”, organizado pela associação Comuna de Pedra e que terá lugar nos dias 1 e 2 de Março no Centro Cultural de Macau. Portadores de deficiência e idosos expressam-se artisticamente ao lado de artistas profissionais, provando que todos têm direito à arte

 

 

“Um programa vibrante”. É desta forma que a associação Comuna de Pedra, dirigida por Jenny Mok, apresenta a quinta edição do “Todos Fest! Festival de Artes Inclusivas”, que como o nome indica proporciona a portadores de deficiência ou idosos a possibilidade de se expressarem e participarem em actividades artísticas ao lado de profissionais, locais ou internacionais, apresentando depois as performances ao grande público.

O festival acontece na praça das artes e no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) nos dias 1 e 2 de Março, abrindo com uma “Gala”, pensada pelo “revolucionário da dança francesa” Jérôme Bel. Mas o cartaz inclui também projecções de filmes, um workshop e um mercado inclusivo, reunindo “artistas internacionais, locais e de Hong Kong, voluntários locais, organizações comunitárias, pessoas idosas e indivíduos com deficiências físicas e mentais”.

Citada por uma nota, Jenny Mok, que também assina a curadoria do festival, disse que “ao celebrarmos orgulhosamente o quinto ano do festival de artes inclusivas Todos Fest! O conceito de inclusão, que tem estado no centro do nosso festival, não só está a ganhar mais atenção, como também está a ter um impacto profundo e a moldar a nossa comunidade”.

A “Gala”, que não é mais do que uma performance teatral, acontece às 14h30 do dia 1. Trata-se de um espectáculo que teve a sua primeira edição em 2015, abordando as diversas capacidades de cada um, sendo que na versão apresentada em Macau existe “um elenco diversificado de 16 membros, desde bailarinos profissionais a artistas amadores de todos os quadrantes e capacidades”. Podem esperar-se 90 minutos “de dança extravagante” que prometem fazer pensar, dançar e “sentir como fazendo parte de uma comunidade artística global”.

Cinema ao ar livre

As projecções de filmes e documentários continuam na praça do CCM. Segundo a Comuna de Pedra, trata-se de um “conjunto de filmes que dará as boas-vindas a espectadores de todos os quadrantes para melhor compreenderem uma sociedade inclusiva”.

Será exibido o documentário “Nice to Meet You”, do realizador local Kin Kuan Chao, que “segue três actores com deficiências físicas e mentais que passeiam por Macau, acompanhados pelos seus mentores de teatro”, revelando-se “viagens que tocam os seus corações através de orientação, aplausos e lágrimas, apreciação, tentativas de ultrapassar os limites e momentos emocionais”. Este documentário apresenta-se no primeiro dia do festival, 1 de Março, às 17h30.

Destaque ainda para a exibição de “The Manor”, de Hong Kong, a partir das 18h30 do dia 1 de Março, e “Only I Can Hear”, produção dos EUA e Japão sobre adolescentes com deficiência auditiva. Este filme é exibido no dia 2 de Março a partir das 14h. Também no dia 2 apresenta-se, a partir das 15h, “The Reason I Jump”, de Jerry Rothwell.

O rol de exibições termina com “On The Road”, da autoria de Kin Kuan Chao, e que mostra o trabalho que a Comuna de Pedra tem desenvolvido nos últimos anos na área da chamada arte inclusiva. O filme explora as vivências de Ngai Tong Loi e Tang Kuai Lan, dois membros da Associação dos Pais das Pessoas com Deficiência Intelectual de Macau.

Outras artes

De resto, o cartaz do “Todos Fest!” traz também o “Mercado Inclusivo”, que decorre durante os dois dias entre as 14h e as 18h na praça do CCM. Este “acolhe organizações locais de diversas comunidades para exporem os seus produtos e partilharem as suas missões e esforços no nosso mercado”. As organizações participantes incluem a Associação de Pais de Pessoas com Deficiência Intelectual de Macau, a Sociedade Fuhong de Macau, a Casa de Peliseo Sam Meng Chi, a Richmond Fellowship de Macau e a Comuna de Pedra.

Por último, destaque para a realização do “Workshop de Dança Simbiótica Pais e Filhos”, que “promove a inclusão social e a comunicação interpessoal através da dança e da interação entre pais e filhos”.

Segundo a Comuna da Pedra, “esta actividade é adequada para pessoas de todas as capacidades”, esperando-se reunir no evento “familiares e participantes de diversas origens para experimentarem a alegria e o poder da dança, construindo confiança e comunicação enquanto sentem a beleza da inclusão e da compreensão”.

14 Fev 2025

Cinema | Festival de Berlim começou com prémio atribuído a Tilda Swinton

O Festival de Cinema de Berlim, que começou ontem com a atribuição de um prémio de carreira à actriz britânica Tilda Swinton, conta com “Duas Vezes João Liberada”, da realizadora portuguesa Paula Tomás Marques, numa das competições.

Na abertura oficial da 75ª edição da ‘Berlinale’, Tilda Swinton recebeu o Urso de Ouro de honra, seguindo-se a estreia mundial do filme alemão “Das Licht”, de Tom Tykwer. Na nova secção competitiva “Perspectivas” está “Duas Vezes João Liberada”, uma primeira obra da realizadora Paula Tomás Marques, que ficciona a produção de um filme que reflete sobre representação de histórias e de pessoas queer na História e no cinema. O filme foi escrito por Paula Tomás Marques e June João, que também protagoniza.

Na competição oficial, em disputa pelo Urso de Ouro, estão, entre outros, “What does that nature say to you”, de Hong Sangsoo, “Blue Moon”, de Richard Linklater, “Dreams”, de Michel Franco, “Kontinental’25”, de Radu Jude, “Girls on Wire”, de Vivian Qu, e “O último azul”, do brasileiro Gabriel Mascaro.
O júri que atribui o Urso de Ouro e o Urso de Prata será presidido pelo realizador norte-americano Todd Haynes.

Na secção “Fórum” apresenta-se o documentário “La Memoria de las Mariposas”, da peruana Tatiana Fuentes Sadowski, com coprodução portuguesa pela Oublaum Filmes. O filme é descrito como “uma viagem pessoal através dos arquivos da Amazónia que liga pesquisa e especulação”, no qual a realizadora entrelaça a sua própria história com a de duas crianças indígenas levadas à força para a Europa.

“Mirage: Eigenstate”, do artista indonésio Riar Rizaldi, também com coprodução portuguesa, foi selecionado para a secção “Fórum Expandido”, sendo parte de um projeto de longa duração sobre ciência, ficção e tecnologia e que inclui uma exposição atualmente patente em Lisboa.

“Espias” a concurso

A série portuguesa de ficção “Espias”, produzida pela Ukbar Filmes com a Polónia, foi uma das 17 produções televisivas internacionais escolhidas para antevisão no ‘Berlinale Series Market’, que decorrerá em paralelo ao festival.

“Espias” é uma série de ficção realizada por João Maia e Laura Seixas, a partir de uma ideia da produtora Pandora da Cunha Telles, e que se relaciona com o universo da série “A Espia” (2020), da mesma produtora e autora.

“Continuamos na segunda Guerra Mundial, mas Portugal já não corre perigo de ser invadido. ‘Espias’ centra-se nas redes de espionagem falsas agora globalizadas. Já não temos apenas duas espias, mas sim sete. […] Inspirada nos eventos reais de 1942 a 1945 e nas vidas de notáveis espiões como Popov, Garbo ou Brutus, demos vida a um conjunto de espias que vão mudar o rumo da Guerra””, refere a produtora.

Entre as produções televisivas também selecionadas para o mercado de Berlim estão ainda três séries brasileiras: “Reencarne”, de Bruno Safadi, com o ator luso-guineense Welket Bungué no elenco, “Máscaras de oxigénio cairão automaticamente”, de Thiago Pimentel, e “Sutura”, de Fábio Montanari. A 75.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim vai decorrer até ao dia 23.

13 Fev 2025

Veneza | Bienal de Arquitectura quer propor soluções inclusivas para urgência climática

O curador da Bienal de Arquitectura de Veneza, Carlo Ratti, defendeu esta terça-feira a necessidade urgente de se passar da fase de mitigação para a de adaptação às alterações climáticas e crescente população mundial, através soluções multidisciplinares e inclusivas.

O arquitecto falava numa conferência de imprensa conjunta com o presidente da Bienal de Veneza, Pietrangelo Buttafuoco, para apresentar o evento que nesta edição contará com 66 participações nacionais nos pavilhões históricos dos Jardins, Arsenal e no centro da cidade de Veneza.

Nesta edição, que decorrerá entre 10 de Maio – dia da inauguração e anúncio dos prémios – e 23 de Novembro, quatro países irão estrear-se: Azerbaijão, Omã, Qatar e Togo.

“Como vai ser o clima dentro de cem anos? Como vai evoluir a população?”, foram as questões lançadas pelo curador na sua intervenção, sublinhando que a direcção destes dois factores “será determinante para o futuro da arquitectura”.

“’Intelligens’. Natural. Artificial. Colectivo” foi o tema escolhido para o evento, que a cada dois anos concentra propostas da arquitectura contemporânea de todo o mundo, e que contará com o projecto “Paraíso, Hoje.”, dos curadores Paula Melâneo, Pedro Bandeira e Luca Martinucci, e dos curadores-adjuntos Catarina Raposo e Nuno Cera na representação oficial de Portugal.

Recordando que a arquitectura sempre foi uma resposta ao ambiente hostil para as necessidades de sobrevivência humana, Carlo Ratti disse que o clima tem vindo a tornar-se cada vez menos tolerante, dando como exemplo os incêndios de Los Angeles, nos Estados Unidos, as inundações em Valência, em Espanha, e as secas da Sicília, em Itália.

“Durante décadas, a resposta da arquitetura à crise climática centrou-se na mitigação – na concepção para reduzir o nosso impacto no clima. Mas essa abordagem já não é suficiente. Chegou o momento de a arquitectura abraçar a adaptação: repensar a forma como projetamos para um mundo alterado”, apelou o curador.

13 Fev 2025

Xangai | Warner Bros assina acordo para abrir parque temático Harry Potter

A empresa chinesa de entretenimento e turismo Jinjiang International anunciou ontem ter assinado um contrato com o estúdio norte-americano Warner Bros, para abrir um parque com o tema Harry Potter na cidade de Xangai.

Segundo a empresa chinesa, o projecto ainda está pendente da aprovação das autoridades e a sua abertura está prevista para 2027.

O objectivo é renovar o Jinjiang Park, o primeiro parque de diversões de Xangai, inaugurado em 1984 e que, desde o início do século XXI, tem a primeira roda gigante da China, com mais de 100 metros de altura. O seu operador anunciou o seu encerramento temporário no final de Janeiro para obras de renovação.

O chamado “Harry Potter Studio Tour” em Xangai estender-se-á por uma área de cerca de 53 mil metros quadrados, com zonas interiores e cobertas, e um tempo de visita estimado em meio dia.

Nas suas várias áreas, os visitantes poderão percorrer os cenários da saga, interagir com os adereços utilizados nos filmes e ver imagens de bastidores para compreender como os romances foram levados ao grande ecrã.

Com a reconstrução do recinto, que dispõe de uma paragem de metro à entrada que permite a ligação ao centro da cidade em menos de meia hora, a Jinjiang International pretende “fazer dele um projeto emblemático que atrairá fãs [da saga Harry Potter] de todo o país e mesmo de todo o mundo”.

Xangai abriu em 2016 o primeiro parque Disneyland da China continental – em 2005 abriu no território semiautónomo de Hong Kong – e a partir do Verão deste ano terá também o primeiro complexo temático Lego do país.

13 Fev 2025

Fotografia | Imagens de Gonçalo Lobo Pinheiro expostas em Lisboa

Será inaugurada na próxima semana, quinta-feira, a exposição “Poética Urbana – Deambulações pelo quotidiano de Macau”, do fotojornalista português Gonçalo Lobo Pinheiro, que estará patente na Galeria Malangatana do ISPA – Instituto Universitário. Esta exposição nasce do livro do fotojornalista que reside em Macau há mais de 14 anos

 

Gonçalo Lobo Pinheiro vai expor o seu trabalho em Lisboa a partir da próxima semana, quinta-feira 20. Trata-se da mostra “Poética Urbana – Deambulações pelo quotidiano de Macau”, que ficará patente na Galeria Malangatana, no ISPA – Instituto Universitário.

Segundo um comunicado, a mostra surge na sequência do lançamento do seu mais recente livro homónimo, apresentado em Dezembro do ano passado, em Macau. Radicado na região há mais de 14 anos, o fotógrafo tem-se destacado pelo registo sensível e poético da vida urbana, captando fragmentos do quotidiano que evocam memórias e emoções universais.

No prefácio da obra, a fotojornalista norte-americana Andrea Star Reese descreve Pinheiro como “um poeta visual” cuja lente nos transporta para histórias que ecoam dentro de nós. “O Gonçalo Lobo Pinheiro é um homem incondicionalmente apaixonado pelas ruas que percorre e pelas pessoas que descobre. Todos os fotojornalistas contam histórias, mas alguns fotografam com uma graça lírica. Gonçalo Lobo Pinheiro é um poeta visual.”

Andrea Star Reese descreve ainda que nesta exposição, tal como no livro, o fotojornalista nos leva “a um lugar que guarda pedaços de vidas que nos lembram de nós mesmos, de outros que vimos ou conhecemos, de sentimentos que temos, tivemos, desejamos ter ou esquecemos”.

Em declarações ao jornal Público, aquando do lançamento do livro, Gonçalo Lobo Pinheiro descreveu o conteúdo do livro, pautado por imagens dos bairros antigos e de um território que tem estado em permanente mudança nos últimos anos. “As mudanças são visíveis no ritmo da cidade, nas dinâmicas entre turistas e residentes, mas existem também numa camada mais interna das pessoas.”

Nos rostos de quem vive em Macau, referiu ainda, há sinais de introspecção, “de uma tentativa de encontrar significado em tempos de incerteza”. “Ao serem vistos por outro ângulo, os momentos aparentemente banais [que captei] podem revelar a poesia de que tanto gosto; esses momentos reflectem humanidade e suscitam reflexão”, destacou.

Longa carreira

Gonçalo Lobo Pinheiro nasceu em Lisboa, mais precisamente no bairro de Alfama, precisamente onde se situa o ISPA. Em Macau já foi jornalista, editor do HM e tem mantido a sua carreira de fotojornalista que começou na imprensa desportiva em Portugal. Actualmente colabora com a agência Lusa.

Vencedor de vários prémios ao longo da sua já longa carreira, Gonçalo Lobo Pinheiro realizou também várias exposições, em nome próprio e colectivamente. Publicou em 2015 o seu primeiro livro intitulado “Macau 5.0 • 澳門 5.0 • Macao 5.0”. Em 2019, apresentou “Myanmar: o retrato de um povo”. Em 2021, apresenta dois livros: “Desvelo • 關愛 • Zeal”, editado em Macau, e “Tonle Sap”, lançado no Brasil. “O que foi não volta a ser…”, publicado em 2022, foi até ao momento o seu livro de maior sucesso, tendo alcançado a segunda edição.

Em 2023, edita uma caixa de coleccionador com a retrospectiva de 20 anos de profissão com o título “Um vislumbre de luz • 一瞥光亮 • “A glimpse of light”. Este ano, publicou ainda “Perto de Mim • 離我很近 • Close to Me”, uma edição intimista e inusitada. Está representado, no Brasil, pela Icon Artes Galeria e, em Macau, pela Galeria Amagao. A sua fotografia faz parte da colecção contemporânea do MA-g – The Museum of Avant-garde que abrirá portas na Suíça, em 2025.

13 Fev 2025

Galaxy Arena | Jason Zhang traz digressão a Macau em Março

O cantor chinês Jason Zhang (Zhang Jie) estará em Macau em Março para três espectáculos na Galaxy Arena, integrados na digressão “FUTURE LIVE – Leave For 1982”. Eis a oportunidade para ouvir um cantor que tem construído uma carreira em torno da música pop desde 2014 e que recentemente gravou “Adrenaline” ao lado de James Blunt

 

“FUTURE LIVE – Leave For 1982” é o nome da digressão que o cantor chinês Jason Zhang (Zhang Jie) tem levado a vários palcos e que, em Março, traz a Macau três concertos, entre os dias 7 e 9. Os espectáculos acontecem na Galaxy Arena a partir das 19h30, sendo que os bilhetes já se encontram à venda desde esta terça-feira.

Os espectáculos prometem oferecer ao público e aos fãs as melhores canções pop do cantor que começou nas lides musicais em 2004. Serão, segundo divulgação da Galaxy, uma espécie de “jornada através do tempo, um comboio a caminho de 1982, um momento em que o passado se encontra com o futuro”.

1982 é, aliás, a data de nascimento do artista, natural de Chengdu, e que no final de 2023 já contava com um total de 15 álbuns gravados e 87 concertos. O começo de toda uma feliz carreira aconteceu em 2004, quando se sagrou vencedor do concurso “My Show”. Essa participação valeu-lhe um contrato com a produtora Universal Music na China e, a partir daí, Zhang Jie não mais parou de fazer música e conquistar o seu público.

Nessa fase inicial da carreira, Zhang Jie lançou, em 2005, o primeiro álbum, intitulado “The First Album”, tendo ganho o prémio “Global Chinese Music Chart Most Popular Male Newcomer”, destinado, como o nome indica, a novos artistas. O segundo álbum chegou no ano seguinte, com o nome “Love Me Again”, consagrando-se então como artista pop com um repertório de baladas românticas.

A sua carreira tem-se pautado também por algumas parcerias com músicos e “boys band” ocidentais, com destaque para o concerto que deu no Fórum BOAO em 2010 em que cantou duas músicas do astro Michael Jackson, “Billie Jean” e “Beat it”. De resto, em 2012, Jason Zhang foi convidado para cantar a canção “My Love” num concerto dos Westlife.

“Adrenalina” com James Blunt

A mais recente colaboração de Jason Zhang com um artista estrangeiro é “Adrenaline”, single de 2021 gravado com James Blunt, que ficou conhecido pelos êxitos “You’re Beautiful” e “Goodbye My Lover”. Aquando do lançamento de “Adrenaline”, Jason Zhang declarou, nas redes sociais, que “foi uma honra gravar a nova canção ‘Adrenaline’ com James Blunt”, “uma boa música que espero que possa ser ouvida por mais fãs”.

No ano passado Jason Zhang arrancou com a digressão, na China, “FUTURE LIVE: To 1982”, com 17 espectáculos em cinco cidades, incluindo alguns concertos em paragens internacionais. Segue-se, agora, uma nova digressão com passagem por Macau.

Jason Zhang é um dos cantores mais conhecidos no país, tendo, em 2020, entrado para a posição 86 do “Forbes China Celebrity 100”, ou seja, o ranking das 100 maiores celebridades chinesas. O último álbum do artista foi lançado em 2023 e intitula-se “Wainan Street 1982”.

12 Fev 2025

Livro dedicado a Carlos Paredes inclui gravação inédita de espectáculo

A vida e obra do mestre da guitarra Carlos Paredes, que “criou do nada uma música genuinamente portuguesa”, é contada num livro a ser apresentado esta semana, em Portugal, e que inclui as gravações de dois concertos, um dos quais inédito.

Em “Carlos Paredes — a guitarra de um povo”, o investigador Octávio Fonseca começa a contar o percurso do guitarrista ainda antes de este ter nascido, lembrando os antecedentes familiares.

Carlos Paredes, que completaria cem anos de vida no dia 16 de Fevereiro, descende de uma família de guitarristas e compositores: o bisavô António Rodrigues Paredes, o avô Gonçalo Rodrigues Paredes, o tio-avô Manuel Rodrigues Paredes e o pai, Artur Paredes.

Segundo Octávio Fonseca, Artur Paredes, “em termos de técnica, revolucionou completamente a guitarra de Coimbra”, e Carlos Paredes “aproveitou esse trabalho e simplificou-o”. Para contar a história e as histórias de Carlos Paredes, Octávio Fonseca recorreu-se do trabalho de investigação que tinha feito para um outro livro dedicado ao guitarrista editado em 2000, e que incluiu a leitura de artigos sobre música que o ‘mestre’ escreveu em jornais e entrevistas que deu a vários órgãos de comunicação social.

Mas para escrever este livro, contou com “a colaboração extraordinária” da guitarrista e compositora Luísa Amaro, companheira de Paredes. “A maioria das histórias que estão contadas no livro foi ela que me transmitiu”, contou.
O que torna Carlos Paredes um artista único é, para Octávio Fonseca, o facto de ter criado “música genuinamente portuguesa do nada”.

“No final dos anos 1960, início de 1970, discutia-se muito ir às raízes tradicionais, para criar uma música popular portuguesa, como fez José Afonso. Mas Carlos Paredes não fez isso, e criou uma música portuguesa do nada. Ele não partiu da nossa canção tradicional, nem de nenhuma experiência da música portuguesa”, salientou o investigador.

O paralelismo entre José Afonso e Carlos Paredes era apontado pelo próprio guitarrista. “Ele diz em duas entrevistas que há um paralelo entre ele e o José Afonso no início da carreira. O primeiro disco de Carlos Paredes é de 1962 e o primeiro disco de baladas de José Afonso também (tinha feito discos antes, mas eram de Fado de Coimbra). Fazem os dois uma música nova de Coimbra”, contou.

No ano seguinte, os dois músicos “libertam-se de Coimbra, da canção de Coimbra”, mas com uma diferença, “enquanto que com José Afonso há um corte completo, com Carlos Paredes há um corte, mas há sempre uns ‘pinguinhos’ nas composições em que Coimbra aparece”.

Novidades musicais

“Carlos Paredes – a guitarra de um povo” vem acompanhado por dois discos. Um é “Mestre da guitarra portuguesa”, um álbum gravado em 1977, no 7.º Festival de Canção Política em Berlim, editado nesse ano pela AMIGA, editora da antiga República Democrática Alemã (RDA), e que é inédito em Portugal.

No outro álbum está registado “o primeiro espetáculo que Carlos Paredes fez em nome próprio em Portugal”, uma gravação inédita registada em 31 de março de 1984, no Teatro Carlos Alberto, no Porto. O livro inclui também um portfólio de fotografias de Carlos Paredes, da autoria de Augusto Cabrita, Luís Paulo Moura e Inácio Ludgero.

O músico viveu sobretudo em Lisboa e a cidade inspirou muitas das suas composições. “Verdes Anos”, uma das mais conhecidas da sua obra, foi composta para o filme homónimo de Paulo Rocha, marco do Novo Cinema português dos anos de 1960.

Combatente antifascista, opôs-se à ditadura e foi preso pela PIDE, no final da década de 1950. Até à década de 1990, conciliou a guitarra com a sua actividade como administrativo, no Hospital de São José, em Lisboa. Em Dezembro de 1993, foi-lhe diagnosticada uma mielopatia, doença que lhe atacou a estrutura óssea e que o impediu de tocar guitarra.

11 Fev 2025

Cinema | ‘Nezha 2’ torna-se no filme mais visto da história da China

A animação ‘Nezha 2’ tornou-se o filme mais visto na história da China, dias depois de ter batido o recorde de receitas, ao atingir 5,8 mil milhões de yuan. No domingo, ‘Nezha 2’ ultrapassou o filme de ação ‘Wolf Warrior’ (2015), também chinês, ao atingir 159 milhões de bilhetes vendidos, de acordo com dados do portal especializado Maoyan.

Tanto ‘Nezha 2’ como a prequela, ‘Nezha’ (2019), são baseados num romance clássico chinês do século XVI chamado “Investidura dos Deuses”. O filme, que estreou durante as férias do Ano Novo Lunar, cativou os espectadores pela narrativa, impacto cultural e qualidade visual, de acordo com a agência de notícias oficial chinesa Xinhua.

Maoyan prevê que a produção possa tornar-se o primeiro filme a arrecadar mais de 10 mil milhões de yuan no mercado chinês. O sucesso de ‘Nezha 2’ é uma lufada de ar fresco para uma indústria em dificuldades: em 2024, a bilheteira chinesa arrecadou 42,502 mil milhões de yuan, menos 22,5 por cento do que em 2023.

As produções chinesas dominaram o mercado doméstico em 2024, gerando 78,7 por cento das receitas totais. As autoridades chinesas limitam o número de filmes estrangeiros, com um sistema de quotas que permite a exibição de cerca de 35 produções por ano.

A queda das receitas em 2024 foi um revés para um sector que já tinha sido afectado durante a rigorosa política ‘zero covid’, que levou ao encerramento de milhares de salas de cinema e ao funcionamento de outras com limites no número de espectadores.

11 Fev 2025

Super Bowl | Artista detido após desfraldar bandeira sudanesa-palestiniana

Um artista que actuou durante o intervalo do Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano (NFL), foi detido em campo depois de desfraldar uma bandeira sudanesa-palestiniana com as palavras “Sudão” e “Gaza” escritas.

A NFL confirmou que o detido fazia parte de uma lista com cerca de 400 artistas que participou no espectáculo durante o intervalo do jogo de domingo, onde a estrela foi o rapper Kendrick Lamar. O Departamento de Polícia de Nova Orleães disse em comunicado que “a polícia está a trabalhar para determinar as acusações aplicáveis neste incidente”.

“O indivíduo será banido para sempre de todos os estádios e eventos da NFL”, disse o porta-voz da NFL, Brian McCarthy, num comunicado. O artista subiu para um automóvel usado durante a actuação de Lamar e ergueu a bandeira.

A NFL disse que “o indivíduo escondeu o item consigo e revelou-o no final do programa” e que “ninguém envolvido na produção estava ciente da intenção do indivíduo”. A Roc Nation, empresa de entretenimento que produziu o espectáculo, disse que o acto “não foi planeado nem fez parte da produção e nunca foi ensaiado”.

O concerto continuou sem interrupções, e até ao momento não houve qualquer confirmação de que a bandeira tenha sido vista durante a transmissão da atuação de Lamar. Os Philadelphia Eagles sagraram-se campeões da NFL pela segunda vez, ao impedirem um inédito ‘tri’ dos Kansas City Chiefs, que bateram por 40-22 no 59.º Super Bowl, em Nova Orleães, Luisiana.

11 Fev 2025

Armazém do Boi | Sonhos de Huang Xuan apresentados este sábado

“I Had Too Much to Dream Last Night” [Tive Muito para Sonhar a Noite Passada] é o nome da nova exposição da artista Huang Xuan que se revela ao público, a partir deste sábado, no Armazém do Boi, e que resulta de uma residência artística em Macau. Na inauguração não faltará música, com a presença do DJ Rui Farinha

 

É já este sábado, 15, que será inaugurada uma nova mostra no Armazém do Boi, resultado de uma residência artística de três semanas com a artista Huang Xuan. Trata-se de “I Had Too Much to Dream Last Night” [Tive Muito para Sonhar na Noite Passada], que foi desenvolvida “com envolvimento na vida local e numerosos contactos com a comunidade”, tendo a artista investigado “a estrutura e o contexto cultural da cidade”.

Durante o período de residência artística em Macau, que durou entre Outubro e Novembro do ano passado, Huang Xuan “observou como os trabalhadores, os turistas em busca de lazer e os indivíduos detentores de recursos deixam vestígios nos cantos da cidade, impregnando o local com o seu espírito e significado únicos”, descreve uma nota do Armazém do Boi.

Foi aí que, “a partir do ritmo das janelas que se abrem nas fachadas dos edifícios, tornou-se possível imaginar os movimentos diários, as conversas e os sons das pessoas que se encontram no seu interior”. Na exposição incluem-se obras que retratam “objectos deixados para trás ao longo dos caminhos da cidade”, ou mesmo “marcas apagadas nas paredes e cheiros persistentes de comida nas ruas, que oferecem vislumbres de momentos que já passaram”.

Na mostra que o público poderá ver no Armazém do Boi até ao dia 17 de Março, “a cidade respira e pulsa em sintonia com o ambiente construído, as actividades económicas e as rotinas diárias dos seus habitantes”, num espaço criativo em que “as luzes da cidade aumentam e diminuem, com sons e silêncios profundos a emergir”, em que “cada ressonância encapsula a cadência distinta da vida urbana”.

Mostra multidisciplinar

Esta é uma exposição individual da artista que soube mesclar elementos criativos muito diversos como a fotografia, vídeo, instalação e a performance para reescrever a narrativa da cidade, “tal como é vista e sentida através da sua perspectiva de forasteiro”.

Assim, segundo o Armazém do Boi, “é possível encontrar objectos, parados ou em movimento, testemunhar a transformação de cenas e funções urbanas, observar símbolos manchados e reemergentes em formas reconfiguradas e perceber a mudança de padrões e direcções no fluxo diário do tempo”.

Trata-se de uma “narrativa abstracta que se desenrola como um palco diário de celebrações que já terminaram, onde actores, objectos e até o próprio palco repetem ou se envolvem numa performance meditativa e automática depois de o pano ter caído”, descreve-se.

Huang Xuan nasceu em 1995 em Taipei, Taiwan. Segundo uma nota biográfica partilhada pelo Armazém do Boi nas redes sociais, a maioria dos seus trabalhos são performances e filmes, onde “utiliza o seu próprio corpo como material, usando movimentos simples, mas persistentes, como escala para testar o ambiente”, além de “explorar muitas limitações subtis e operações rotineiras da vida quotidiana”.

No sábado, depois da inauguração, que começa às 17h30, haverá música com o DJ Rui Farinha, com a festa a começar às 18h30. O Armazém do Boi está localizado entre a Avenida do Coronel Mesquita e a Avenida Almirante Lacerda.

11 Fev 2025