CCM | Orquestra de Macau celebra Mozart em Janeiro

A Orquestra de Macau (OM) actua a 23 de Janeiro no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) num concerto que conta também com a presença do maestro e pianista chinês Xu Zhong. O espectáculo, intitulado “A lenda de Mozart”, marca o 230.º aniversário da morte do compositor austríaco e apresenta a famosa Abertura de “Don Giovanni” e a Sinfonia n.º 41, “Júpiter”.

Neste concerto Xu Zhong executará o Concerto para Piano n.º 9 “Jeunehomme” de Mozart. Xu Zhong é o primeiro maestro chinês a ser director artístico e maestro principal do Teatro Massimo Bellini, em Itália, e é também o actual maestro principal do Festival e da Ópera Arena di Verona, em Itália. Os bilhetes para este concerto começam a ser vendidos a partir do próximo sábado, dia 26, e os preços variam entre as 150 e as 250 patacas.

Além deste espectáculo, a OM irá protagonizar ainda vários concertos no próximo mês. Um deles é “Artes Florescentes”, agendado para o dia 9 de Janeiro pelas 20h, e que decorre na Aula Magna da Universidade de Macau (UM). O concerto “Quando a Música Fala – Descubra Mozart”, um dos destaques da temporada, terá lugar no dia 16 de Janeiro, pelas 20h, também na Aula Magna da UM.

Além disso, o concerto “Música em Património Mundial” terá lugar no dia 30 de Janeiro, pelas 20h, no Teatro Dom Pedro V, onde a OM apresentará um repertório de sopros compostos por Mozart, Haydn, Poulenc e Bach. Estes espectáculos têm entrada gratuita, estando os bilhetes já disponíveis para levantamento.

21 Dez 2020

Albergue SCM | Poeta Yao Feng apresenta primeira exposição individual

Yao Feng, pseudónimo de Yao Jingming, académico, tradutor e poeta, apresenta na próxima quarta-feira, 23, a sua primeira exposição a título individual. Em “Não Conjuntivo – Exposição de Arte de Yao Feng”, são reveladas 58 obras de fotografia, pintura e instalação com curadoria de Guilherme Ung Vai Meng, ex-presidente do Instituto Cultural

 

Professor catedrático da Universidade de Macau (UM) e tradutor de grandes poetas portugueses para chinês, Yao Jingming aventura-se agora noutra vertente do mundo das artes. Na próxima quarta-feira, dia 23, sob o pseudónimo de Yao Feng, Yao Jingming inaugura a sua primeira exposição individual no Albergue SCM, que conta com curadoria do também artista e ex-presidente do Instituto Cultural Guilherme Ung Vai Meng.

A mostra tem como nome “Não Conjuntivo – Exposição de Arte de Yao Feng” e é composta por 58 obras que vão desde a fotografia à pintura e instalação. A exposição “explora uma linguagem plástica e pictográfica na qual o figurativo e o abstracto se fundem num encontro cultural herdeiro de influências orientais e ocidentais, propondo novas dinâmicas”, explica um comunicado do Albergue SCM. A mostra estará patente até ao dia 21 de Fevereiro do próximo ano e conta com o apoio da Fundação Macau, marcando os 21 anos da transferência de soberania de Macau para a China.

Fotografia foi o início

Apesar de esta ser a primeira mostra individual de Yao Feng, a verdade é que o poeta e artista há muito que se dedica ao mundo artístico, nomeadamente da fotografia. Muitos dos seus livros incluem imagens da sua autoria, além de ter feito uma exposição de fotografia juntamente com o poeta Yu Jian.

Nascido em Pequim, Yao Jingming vive em Macau desde 1992 e é doutorado em literatura comparada. Além de ser um dos poetas mais consagrados da China, já publicou 13 livros de poesia, em chinês e em português, e recebeu vários prémios. Dedica-se à investigação da literatura portuguesa e à tradução, tendo publicado dezenas de livros.

Em 2006 foi agraciado com a medalha da Ordem Militar de Santiago de Espada, atribuída pelo Presidente de Portugal.

21 Dez 2020

Fotografia | Exposição sobre 21º aniversário da RAEM no Largo do Leal Senado

A galeria do edifício Ritz, no Largo do Leal Senado, recebe uma exposição de fotografia sobre o 21º aniversário da RAEM, que vai estar aberta ao público até 27 de Dezembro, noticiou o canal chinês da Rádio Macau. O organizador, Yau Tin Kwai, apontou que se sente honrado por poder gravar e mostrar as fotografias históricas da transferência de soberania de Macau em 1999.

O também fotógrafo do Gabinete de Coordenação da Cerimónia de Transferência considera que Macau apresenta grandes mudanças nas áreas social e económica antes e depois da transferência, com a sociedade a tornar-se mais “estável” e “harmoniosa”. Yau deseja que a exposição estimule a memória de quem presenciou o momento e dê a conhecer aos jovens de Macau o seu significado.

A mostra inclui 99 obras, incluindo a preparação do Edifício da Cerimónia de Transferência de Poderes por parte da então administração portuguesa, e as actividades cerimoniais de cada sector social.

20 Dez 2020

Jazz | Tributo a Armandinho reúne músicos locais no D2

A carreira do “mestre do jazz” Armando Araújo, mais conhecido por Armandinho será celebrada no dia 26 de Dezembro no D2 e conta com a participação de mais de 25 artistas locais. José Chan, baixista dos The Bridge, considera que, independentemente da idade, o jeito inconfundível de Armandinho na bateria “continua lá”

 

1, 2, 3, 4, 5 minutos de jazz ao ritmo das baquetas de Armandinho bastariam para apreciar o génio do “mestre do jazz” de Macau. Mas está para breve uma oportunidade para ter a experiência completa ao longo de uma noite inteira. No dia 26 de Dezembro, o espaço do D2 irá acolher, a partir das 22h um tributo ao lendário baterista Armando Araújo, mais conhecido por Armandinho.

Para celebrar a carreira do baterista brasileiro radicado em Macau desde os anos 70, o evento irá contar com mais de 25 músicos locais, que entram em cena, logo após a actuação de abertura a cargo dos The Bridge, o grupo de Armandinho.

“A abrir vamos ter a banda do Armandinho, que são os The Bridge, formação residente do Jazz Club de Macau, e depois vai haver uma espécie de ‘Jam Session’ com várias bandas locais que decidiram associar-se a esta celebração”, disse ao HM Rui Farinha, um dos organizadores do evento.

Dos grupos que vão marcar presença no evento fazem parte os Groove Ensemble, os Hot Dog Express, Groovy Ghosts e “outras bandas ad-hoc criadas especialmente para o efeito”, esclareceu o responsável.

Afirmando que a ideia não é de agora, mas que “desta vez não havia desculpas” para não se fazer um tributo a Armando Araújo, Rui Farinha destaca a importância da celebração especialmente para o artista “se sentir querido” e comprovar “que as pessoas ainda se lembram dele como um grande músico que sempre demonstrou ser”.

“Todas as pessoas com quem falamos sobre o Armando têm um carinho muito especial e sabem quem ele é. Aliás, ele é inclusivamente um músico famoso fora de Macau e bastante conhecido em toda a Ásia”, acrescentou.

Rui Farinha aponta ainda a entrega “absolutamente fantástica” do artista em palco, lugar onde demonstrou sempre ser “afável” e “solidário”. “Lembro-me de o ver muitas vezes, no intervalo entre as músicas, a explicar um pouco o conceito das letras ou estilo que estava a tocar na bateria. Sempre teve este lado um bocadinho pedagógico”, sublinhou.

Ginga peculiar

José Chan, baixista dos The Bridge, que se juntou a Armandinho no Jazz Club de Macau em 1988, faz questão de vincar que as origens do “mestre do jazz” conferem um toque único à música que o artista emana.

“O Armando, como é brasileiro, tem uma maneira de tocar que é diferente dos americanos ou dos europeus e isso faz com que a música tenha uma outra forma. Apesar de ser jazz, tem um toque mais latino”, partilhou Chan.

Apontando ser um tributo “mais que merecido” por ser se tratar de um marco da música de Macau, o baixista lembra a influência incontornável que Armandinho teve no panorama musical de Macau, especialmente ao nível da música brasileira que havia no território.

Questionado sobre como é tocar ao lado de Armandinho, José Chan lembra a forma como artista influenciou toda a sua carreira musical e como, “apesar de já ter mais idade, o jeito de tocar continua lá”. Quanto ao trato, Chan destaca o facto de Armandinho ser “um cara muito bacana” e a abrangência que conquistou ao longo dos anos.

“Como foi dos músicos que chegou a Macau há mais tempo, muita gente o conhece na comunidade chinesa, macaense ou portuguesa porque já está cá há mais de 40 anos. O Armandinho é abrangente nas pessoas que o conhecem e que reconhecem o seu talento”, remata.

20 Dez 2020

Festival Fringe | Criatividade inunda a cidade entre 20 e 31 de Janeiro

A 20.ª edição do Festival Fringe foi ontem apresentada, ocupando o calendário artístico de Macau entre os dias 20 e 31 de Janeiro. Com um cartaz composto pela “prata da casa”, o evento volta a desafiar as barreiras criadas pelos conceitos de palco, artista e público, com espectáculos espalhados por toda a cidade

“Em 1999, uma ‘criança travessa’ do teatro nasceu em Macau”. Foi assim que Mok Ian Ian, presidente do Instituto Cultural, começou por apresentar a 20.º edição do Festival Fringe. A celebração da arte contemporânea que decorre entre 20 e 31 de Janeiro, tem um cartaz composto por 18 programas extraordinários e 17 actividades de extensão, que se multiplicam em mais de 200 sessões.
Quanto ao orçamento, a 20.º edição vai custar o mesmo que a anterior: 3,2 milhões de patacas.
Depois de um ano marcado pela pandemia, o próprio Fringe reflecte de alguma forma as restrições a que todos são obrigados. Em primeiro lugar, em termos organizacionais, como Mok Ian Ian admitiu. “As dificuldades levaram a que colegas do Interior da China não pudessem vir a Macau, por não terem condições para chegar, mas contribuíram de outra forma. Além disso, a participação de artistas locais foi muito elevada”, explicou a presidente do IC. Este ano, o peso da “prata da casa” no cartaz é de 83 por cento.
Não está previsto que nenhum artista convidado seja obrigado a fazer quarentena, sendo o caso mais flagrante o de um artista de Hong Kong. Como vive há muitos anos em Cantão, não terá de fazer quarentena para participar no Fringe.

Crème de la Fringe

Um dos vértices fundamentais do festival é a interacção entre público e performer. Seguindo a filosofia típica do evento, a arte vai sair à rua, em múltiplas instâncias. De regresso ao cartaz do Fringe, esta edição volta a oferecer, pela terceira vez, a série “On Site”, uma experiência que aspira a que “um dia seja tão fácil assistir a apresentações de dança contemporânea em Macau como assistir a um filme”, descreve Tracy Wong, a curadora do “On Site”.
Saindo dos palcos de teatro e dos centros culturais para o contexto urbano, dançarinos de Macau e do Interior da China, vão juntar-se ao músico local Bruce Pun, para dar corpo ao som e improvisar danças que prometem surpreender o público.
“Viajante do corpo” é mais uma performance que vai tomar as ruas, nos dias 22 e 23 de Janeiro, com interpretações de peças de dança executadas por Lin Ting-Syu, bailarino indicado para o Prémio Artístico Taishin, Yang Shih Hao, artista de roda acrobática, o Ghost Group, grupo de dança contemporânea, além de outros artistas.

Artes com todos

O Fringe tem uma secção inclusiva que traz ao palco pessoas portadoras de deficiência mental e física, e idosos. Com a curadoria de Jeny Mok, presidente da Associação de Arte e Cultura Comuna de Pedra, a secção nasceu de uma série de questões da artista e coreógrafa. “De quem são as rotinas de dança executadas pelos participantes? A dança deve ser executada por corpos bem constituídos por meio de um trabalho de pés preciso e composições envolventes? O que torna um desempenho emocionante e agradável? Por que será que algumas pessoas não são capazes de se expressar diante de um público?”
As respostas para estas questões vão levar artistas ao espéctaculo “A Tarefa Interminável do Momento”, da responsabilidade da Comuna de Pedra e da Associação dos Familiares Encarregados dos Deficientes Mentais de Macau. Os intérpretes vão “partilhar as suas histórias de vida através da dança com os seus corpos, e serão executadas no seu próprio estilo de dança”, explica Jenny Mok. A actuação está marcada para o palco do Teatro Caixa Preta, no Edifício do Antigo Tribunal, às 20h dos dias 20 e 21 de Janeiro.
Nos dias 23 e 24 de Janeiro, o Jardim Lou Lim Ieoc recebe a performance “Treetalk”, organizada pela Unlock Dancing Plaza e a Associação das Idosas de Fu Lun de Macau. A ideia é transportar para a dança a passagem do tempo, visível nos anéis das árvores, mas também no corpo humano. O espectáculo procura despertar a apreciação da beleza do corpo envelhecido e alterar estereótipos em relação aos idosos.
Uma das mais originais propostas da 20.º edição do Fringe é o “F’art for U”, um nome inspirado numa aplicação para encomendar comida, sem qualquer outra influência gastrointestinal. A ideia assemelha-se à realidade de encomendar comida através de uma conhecida aplicação, algo que se tornou ainda mais popular em tempo de pandemia. A diferença está na comida, que é real, e entregue por um artista que actua na casa do cliente/espectador. O menu artístico oferece ópera chinesa, dança, teatro ao preço de 19 patacas, sem contar com a refeição.
Com um cartaz diversificado e fortemente local, onde não vão faltar também workshops e palestras, Mok Ian Ian deixou ainda a ideia de dar continuidade aos eventos mais populares do cartaz desta edição do Fringe e levá-los até ao próximo Festival de Artes de Macau.

17 Dez 2020

Armazém do Boi | Exposição alia memórias de infância a cores dos casinos

A artista Wong Weng Io debruçou-se sob a discriminação subtil que sentiu quando era jovem, associada ao trabalho dos pais em casinos, num trabalho que é hoje inaugurado no “Post-Ox Warehouse Experimental Site”

O Armazém do Boi inaugura hoje, às 18h30, a exposição “All Memories Will Be Good In the End”, no “Post-Ox Warehouse Experimental Site”, situado na Rua do Volong. A mostra é composta por trabalhos que transportam o público ao passado, às memórias de Wong Weng Io. A artista procurou saber mais sobre si própria e perceber o que moldou a sua identidade, ao investigar as memórias de infância, olhando para álbuns de fotografia da família. Com o retorno às raízes, Wong Weng Io olha sobre outra perspectiva para emoções e memórias da juventude.
O trabalho dos pais em casinos vem representado nos trabalhos finais, nomeadamente na escolha de cores. “Esta série experimental tem como objectivo desafiar convenções pré-existentes: o padrão dos trabalhos de tapeçaria são retirados do álbum da família da artista, em que as sombras iniciais das fotografias são substituídas pelo esquema de cores garridas que frequentemente se encontram nos casinos de Macau – uma aplicação psicológica que ‘deliberadamente se articula com mau gosto” para fabricar uma atmosfera alegre, febril”, descreve o Armazém do Boi em comunicado.
A escolha do tema para a exposição surgiu da experiência pessoal da artista ligada ao trabalho dos pais. “Experienciei uma discriminação muito subtil enquanto estava a crescer. E pensei que este tipo de coisa pudesse ter acontecido a outras pessoas”, descreveu Wong Weng Io ao HM.
É por causa do grau de subtileza da discriminação sentido que Wong Weng Io considera que não há muitas pessoas dispostas a falar sobre o tema. A artista recorda-se de pais de amigos lhe dizerem para não trabalhar em casinos, sem saberem que era esse o local de emprego dos seus pais.
Um episódio específico deu lugar a uma das obras. “Um dos trabalhos na exposição é na verdade a resposta a uma frase que ouvi quando estava no secundário. O meu professor de secundário estava a falar disto na aula e disse que a família das pessoas que trabalham em casinos não seria muito feliz”, explicou. A resposta? Durante o processo de preparar a exposição, ao ver as fotografias do álbum de família descobriu “que na verdade era muito feliz durante a infância”.

Afastar o pessimismo

A nota do Armazém do Boi descreve como decorações e padrões encontrados nos casinos “iriam recordar a artista da natureza de Macau: uma fachada brilhante que oculta o seu vazio, ou mesmo, uma cidade movimentada que está a entorpecer os seus residentes. Mas ao longo da manufactura de carpetes, ao ponderar sobre como as memórias – e os seus desvios – influenciaram a sua identidade, a artista “passou a acreditar que, talvez, as nossas memórias podem não ser tão pessimistas e drásticas como estamos convencidos”.
Wong Weng Io indicou que as memórias podem ser vistas de perspectivas diferentes, já que “podem ser muito subjectivas”. Na escolha das fotografias que inspiraram os trabalhos, tiveram influência a intuição e a procura de elementos que representem a geração da artista.
Uma delas foi a imagem que deu origem ao cartaz da exposição: trata-se da artista com o primo a celebrar um aniversário no MacDonalds. “Muitas crianças da minha geração em Macau ou até mesmo agora, quando são jovens celebram o aniversário no MacDonalds. São memórias privadas e ao mesmo tempo muito comuns ou muito simbólicas da nossa geração, de quando éramos jovens”, partilhou.
A mostra fica patente ao público até 6 de Fevereiro do próximo ano.

16 Dez 2020

FRC | Cinco artistas reflectem o impacto da covid-19 em mostra colectiva

O impacto da covid-19 na sociedade estará amanhã em destaque na Fundação Rui Cunha, através da exposição colectiva “Safe As”. Cinco artistas apresentam uma reflexão sobre temas como o uso de máscara, vida enclausurada e comunicação virtual

A Fundação Rui Cunha inaugura amanhã, às 18h30, a exposição colectiva “Safe As”, o resultado de um projecto de artes plásticas que reflecte sobre diferentes experiências da pandemia, com a assinatura da 10 MARIAS Associação Cultural. A mostra colectiva apresenta dez peças de cinco artistas: Bruno Oliveira, Célia Brás, Marieta da Costa, Mónica Coteriano e Patrícia Soares.
“Desde o primeiro alerta sobre o vírus Covid-19, até à actualidade, o impacto em todas as nações tem sido intenso e revela consequências na forma como as pessoas vivem o seu dia-a-dia, como comunicam, como se deslocam, como trabalham, como lidam com os diferentes problemas e situações, nunca antes vividos. A exposição pretende dar continuidade às muitas reflexões sobre o tema”, descreve a Fundação Rui Cunha em comunicado (FRC).
A mostra conta com diferentes formas de expressão artística, como instalações de peças, um mural com fotografias e recortes de jornais. Os espaços que compõem a mostra abrangem um camarote de projecção com capacidade para duas pessoas, onde será exibido o vídeo “Mask off”, realizado ao longo dos últimos oito meses e que reflecte sobre a vida das máscaras.
O trabalho foi “bastante colaborativo”, envolvendo a troca de opiniões, explicou Patrícia Soares ao Hoje Macau. O fio condutor entre os diferentes trabalhos é a escolha dos materiais, já que a máscara foi utilizada por todos. “Todas as máscaras foram recicladas, reutilizadas, devidamente desinfectadas e trabalhadas em cada uma das peças. E depois atendendo à simbologia, à mensagem, outros materiais foram sendo adicionados, mas sempre com uma coerência visual e de mensagem bastante forte”, explicou Patrícia Soares.
De acordo com a nota da FRC, a curadora da instalação artística, Mónica Coteriano, apontou como principais temas a máscara, enquanto símbolo mundial deste ano, a nova realidade da vivência enclausurada e as suas consequências para a sociedade, bem como a comunicação virtual ao nível do relacionamento em termos laborais e pessoais.
Além de ser dada voz à preocupação ambiental associada ao desperdício das máscaras, que se tornaram um bem essencial, são também abordadas outras problemáticas, como a saúde mental. Uma instalação representa os quatros pilares da saúde mental a serem pensados. O objectivo é “a reflexão construtiva e importante, porque existem consequências na vida das pessoas”, observou Patrícia Soares.

Urgência na reflexão

A 10 MARIAS Associação Cultural é um projecto sem fins lucrativos, nascido em 2016, com iniciativas ligadas às artes visuais, performativas, dança, música ou novas tecnologias. Esta exposição surge de uma “necessidade ou até de uma certa imposição que a questão da pandemia trouxe a todos nós: o olhar para dentro”.
A impossibilidade de trazer artistas de fora e a introspecção a que os tempos conduzem potenciou o projecto “Safe As”.“A questão da pandemia foi unânime para todas nós porque achamos que é um tema absolutamente urgente em termos de reflexão”, disse Patrícia Soares, acrescentando o destaque da natural aposta no talento local. Com este olhar para dentro surgiu uma percepção: “havia de facto em todas nós uma forte vertente artística”. Um factor transversal às criadoras é a ligação a contextos de design, arquitectura, moda, expressões artísticas e dança.
A artista reconheceu ainda o apoio da Fundação Rui Cunha, onde a exposição está patente ao público até ao dia 8 de Janeiro.

15 Dez 2020

Música | Álbum de Vasco Dantas é “primeira escolha do ano” da revista Orchestergraben

O álbum “Poetic Scenes” (2020), o terceiro do pianista Vasco Dantas, constituído por repertório alemão e português do período Romântico, é “a primeira escolha” deste ano da revista alemã Orchestergraben, foi esta quarta-feira divulgado.

O álbum, editado em Abril último, tinha já chamado à atenção da crítica internacional, nomeadamente da revista inglesa Gramophone, que o elogiou, e do Pizzicato Journal.

“Que ideia interessante e original de Vasco Dantas justapor as ‘Kinderszenen’ [‘Cenas Infantis’] de Schumann, as virtualmente desconhecidas transcrições de canções de Schumann por Carl Reinecke e peças para piano na tradição do fado”, lia-se na crítica inglesa que salientava: “Mais importante ainda, o jovem virtuoso português é um músico atencioso e culto”.

O Pizzicato, por seu turno, escreveu: “Dantas não usa o humor lírico-poético básico, que corre como um fio por todas as peças, para vaidosa encenação e também para não definhar na poesia. Em vez disso, convence com o seu toque natural, que mostra uma relação igualmente natural com música”.

O CD foi editado pela Arts Profuktion, e “não houve financiamento por parte de nenhuma instituição portuguesa para a criação deste álbum”, lamentou o pianista, que se afirmou “muito contente” com a distinção.

Vasco Dantas nasceu em 1992, no Porto, e licenciou-se em Música com “1st Class Distinction” no London Royal College of Music, tendo estudado com Dmitri Alexeev e Niel Immelman.

Concluiu o mestrado em Performance com nota máxima sob orientação de Herbert Koch, na Universidade de Münster, na Alemanha, onde foi aceite para doutoramento.

O pianista já ganhou mais de 50 prémios em competições internacionais na Alemanha, Grécia, Itália, Malta, Marrocos, Portugal, Espanha e Reino Unido.

No ano passado, estreou-se no Carnegie Hall, em Nova Iorque, com um recital de piano.

11 Dez 2020

Companhia de Dança Teatro Xie Xin no CCM em Fevereiro

Nos dias 24 e 25 de Fevereiro do próximo ano, às 19h45, actua em Macau a Companhia de Dança Teatro Xie Xin. O espectáculo, intitulado “Âmagos”, acontece no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau. O público poderá assistir a uma “mostra frenética de contrastes”, sendo esta uma “peça enigmática e fluida interpretada por nove bailarinos, cujas figuras aparecem e desaparecem, como imagens que se desvanecem ou materializam num filme”.

Xie Xin explora, neste espectáculo, “uma multiplicidade de momentos em que os corpos são levados ao extremo, fluindo na sua elasticidade, produzindo uma estética de grande elegância”.

O espectáculo estreou em Xangai em 2016 e já fez inúmeras digressões na China, tendo passado pelos festivais europeus Stuttgart Colours e Kuopio Dance.  A companhia de dança foi fundada por Xie Xin em 2014, sendo este nome considerado a força motriz da cena contemporânea chinesa. As colaborações da coreógrafa com criadores reconhecidos como Sidi Larbi Cherkaoui, entre muitos outros, têm inspirado a sua veia criativa, enquanto na China, a recente participação num concurso televisivo de dança transformou-a numa estrela nacional.

Partilha de visões

Além de levar “Âmagos” aos palcos, Xie Xin será também protagonista de um workshop onde a coreógrafa “partilha algumas das suas visões, oferecendo aos participantes uma oportunidade de explorarem os seus corpos, inspirados pelos movimentos coreográficos da criadora”. Além destas sessões, Xie Xin falará também com o público no final do segundo espectáculo, que acontece a 25 de Fevereiro. Os bilhetes estão à venda a partir deste domingo, dia 13.

11 Dez 2020

Mandarina | Editora lança obra que recorda anos do jardim de infância

A editora Mandarina, dedicada aos livros para a infância, acaba de lançar uma obra bilingue que pretende registar as memórias dos alunos do jardim de infância D. José da Costa Nunes. Catarina Mesquita, fundadora da editora, diz já estar a pensar num livro destinado ao ensino primário que possa ser adquirido por outras escolas

Registar os principais passos e actividades dos alunos do jardim de infância D. José da Costa Nunes é o objectivo do novo livro bilingue da editora Mandarina, e o primeiro a ser lançado sob encomenda. Nesta obra, que só pode ser adquirida na escola, cabem memórias tão diversas como a composição da turma do aluno, as principais actividades em que participou ou os nomes dos colegas e professores.
Ao HM, Catarina Mesquita, fundadora da Mandarina, explicou que a ideia de lançar este livro nasceu depois de uma reunião de amigas. “Numa conversa falámos sobre fazer um livro para a escola. Falei com a Bárbara Carmo e ela disse-me que gostava de fazer um projecto para a escola. Ela é educadora de infância e avançamos com a proposta junto da direcção do Costa Nunes, que a recebeu com imenso agrado.”
Não se tratando de um livro de memórias sobre uma das escolas mais antigas do território, esta obra não é mais do que um álbum com espaços para preencher pelas educadoras de infância em conjunto com os alunos. “A ideia é ser um livro semelhante aos livros de bebé, que duram até a criança ir para a escola. Este tipo de livros não existe no mercado”, frisou.
Os textos são da autoria de Catarina Mesquita, enquanto que Bárbara Carmo, educadora de infância, fez o trabalho de consultoria, “porque é educadora e sabe melhor o que as crianças fazem dentro da escola”.
A obra não pode ser vendida fora da escola. Catarina Mesquita adiantou que os pais dos alunos que já deixaram o jardim de infância poderão também adquirir o livro.

Mais a caminho

Depois de ter lançado vários livros infantis sobre a história de Macau, e não só, a Mandarina aventura-se agora na publicação de obras por encomenda, e já está a pensar num novo livro destinado ao ensino primário.
“Este foi o nosso primeiro projecto para um cliente, mas a nossa intenção é fazermos muitos mais. Temos várias ideias de livros para outras empresas e instituições. Surgiu-nos a ideia de fazer um livro da escola primária que será a continuidade deste”, adiantou.
Catarina Mesquita confessou que a editora ainda está na fase de selecção de instituições de ensino que queiram adquirir esta obra. “Vamos propor a algumas escolas primárias para dar continuidade a este projecto. Estamos abertos a que queiram editar connosco. É algo que queremos muito fazer porque achamos que podemos chegar às crianças de uma outra forma”, rematou a fundadora da Mandarina.

11 Dez 2020

MAM | Trajes da dinastia Qing em exposição a partir de 16 de Dezembro

Será inaugurada na próxima semana, no dia 16, no Museu de Arte de Macau (MAM), a exposição “Aparência Majestosa: Trajes dos Imperadores e Imperatrizes Qing da Colecção do Museu do Palácio”, pelas 18h30. Esta mostra, realizada em parceria com o Instituto Cultural e o Museu do Palácio, apresenta cinco secções, incluindo “Trajes Oficiais”, “Trajes Festivos”, “Trajes Regulares”, “Trajes Militares e de Viagem” e “Trajes de Lazer”. O público poderá ver cerca de 90 peças (conjuntos) de trajes e acessórios dos imperadores e imperatrizes da dinastia Qing da colecção do Museu do Palácio. A mostra tem, assim, como objectivo “dar a conhecer todo o trabalho sofisticado por detrás do fabrico de cada item, a influência mútua e a integração das culturas Manchu e Han, bem como os gostos sofisticados da moda chinesa”.
Esta exposição centra-se na selecção de artefactos dos períodos dos imperadores Kangxi, Yongzheng e Qianlong, “a fim de recriar o esplendor da época, apresentando igualmente vários itens deslumbrantes pertencentes a consortes imperiais de meados e finais da dinastia Qing, com vista a reflectir a evolução das tendências da moda”.
Além desta mostra, serão também realizadas diversas actividades paralelas, incluindo palestras com oradores especializados do Museu do Palácio, visitas guiadas, workshops e jogos com prémios. No dia 14 de Dezembro terá lugar a palestra “Esplendor Nacional e Aparência Imperial – O Sistema de Cores dos Trajes da Dinastia Qing e a Sua Evolução” com Zhang Xin, investigador associado da Divisão de Artefactos Bordados do Departamento de Vida no Palácio e Rituais Imperiais no Museu do Palácio. A 26 de Dezembro tem lugar a “Actividade para a Família dos Amigos do MAM: Novas Vestes do Imperador”.

10 Dez 2020

DocLisboa | Macau recebe festival de cinema com filmes portugueses e locais

A extensão do festival DocLisboa está de regresso a Macau. Entre os dias 16 e 19 deste mês o público poderá assistir a películas portuguesas e locais, como é o caso do filme “A Lily Ainda por Desabrochar”, de Lei Cheok Mei, ou “Grandmas’ Dangerous Project”, de Peeko Wong. De Portugal chega o filme “Zé Pedro Rock’n’Roll”, de Diogo Varela Silva, entre outros

Os amantes do cinema, sobretudo do género documentário, terão oportunidade de ver algumas películas entre os dias 16 e 19 deste mês no âmbito da VIII edição da Extensão a Macau do DocLisboa, festival de cinema documental. Trata-se de uma iniciativa do Instituto Português do Oriente (IPOR).
Nesta edição destaca-se a exibição de cinco obras de realizadores portugueses e duas de realizadores estrangeiros, e que foram apresentadas no XVII Festival Internacional de Cinema DocLisboa. Serão também exibidas mais três produções, duas no âmbito da colaboração com a Creative Macau e uma outra no âmbito da colaboração com o Festival Literário Rota das Letras.
No primeiro dia da extensão do DocLisboa em Macau será exibido o filme “A Lily Ainda por Desabrochar”, da realizadora Lei Cheok Mei, que venceu, em 2018, a secção Local View Power do Festival Internacional de Cinema e Prémios em Macau. A realizadora foi também nomeada para o prémio de melhor documentário no concurso Golden Harvest Awards for Outstanding Short Films o ano passado.
Também no dia 16, será exibido o filme “Gradmas’ Dangerous Project”, de Peeko Wong, vencedor do Prémio Best Local Entry. “The Lighthouse”, de Jay Pui Weng Lei poderá também ser visto. Este filme venceu o Prémio Macau Cultural Identity do Sound & Image Chalenge de 2019.

Zé Pedro e amigos

A 18 de Dezembro será exibido o filme “Três Perdidos Fazem um Encontrado”, de Atsushi Kuwayama, e que venceu o Prémio Escolas e o Prémio ETIC – melhor da competição portuguesa da Secção de Competição Portuguesa do Doclisboa. Este filme retrata um japonês de coração partido e o seu amigo indiano em peregrinação numa auto-caravana velha, em busca de uma nascente sagrada no sul de Portugal, procura que se torna um apelo à alteridade e empatia.
No mesmo dia será exibido “Rio Torto”, de Mário Veloso, vencedor do Prémio Fernando Lopes, Prémio Midas e o Prémio Pedro Fortes da Secção Verdes Anos do Doclisboa. Neste festival são também exibidos os filmes “Prazer! Camaradas!”, de José Filipe Costa; “Há Margem”, de Filipe Oliveira, “Outside the Oranges are Blooming”, de Nevena Desivojevic; e “The Sound of Masks”, de Sara CF de Gouveia.
Destaque ainda para, a 19 de Dezembro, a exibição de “Zé Pedro Rock’n’Roll”, documentário de Diogo Varela Silva sobre o músico da banda portuguesa Xutos & Pontapés. Este filme venceu o Prémio Público da Heart Beat do Doclisboa.
A extensão a Macau do Doclisboa é uma iniciativa do Instituto Português do Oriente (IPOR) em parceria com o Instituto Cultural e Associação Pelo Documentário (APORDOC). O objectivo desta iniciativa é “proporcionar ao público um conhecimento sobre as propostas e as linguagens que marcam o cinema documental contemporâneo, em Portugal e em Macau, colocando, deste modo, em diálogo expressões artísticas oriundas destes dois contextos”. Todas as sessões decorrem no auditório Dr. Stanley Ho, no edifício do consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, a partir das 19h. A entrada é livre. No sábado serão feitas duas exibições, uma às 17h e outra às 18h30.

10 Dez 2020

Venezuela | Encontro virtual de escritores lusófonos homenageia Pessoa

Arrancou ontem o Primeiro Encontro Virtual de Escritores Lusófonos na Venezuela, que homenageia o poeta Fernando Pessoa e une sete escritores e intelectuais contemporâneos portugueses ao público venezuelano, noticiou a Lusa. O embaixador português em Caracas, Carlos de Sousa Amaro, indicou que se trata de uma oportunidade para conhecer o património literário em língua portuguesa existente em vários continentes “que une diferentes culturas numa mesma expressão linguística”.

“Este primeiro encontro de escritores lusófonos pretende ainda difundir o trabalho de autores de diferentes países e contextos culturais que utilizam o português como língua de expressão. Desde Malaca (na actual Malásia), passando por Macau, África, Brasil e Portugal, há escritores que prestam homenagem à língua portuguesa nas suas produções, convertendo-se em verdadeiros promotores do nosso idioma no mundo”, explicou o diplomata.

O Encontro decorre até 12 de Dezembro, sendo transmitido nas redes sociais da Coordenação do Ensino do Português na Venezuela. Um dos participantes é Miguel de Senna Fernandes, escritor de Macau, além de Deane Barroqueiro (EUA), Delmar Maia Gonçalves (Moçambique), Luísa Timóteo (Malásia), Jerónimo Pizarro (Colômbia), Juan Martins (Venezuela) e Julián Fuks (Brasil).

“Este evento tem como objectivo difundir o valor que tem o nosso idioma na actualidade, assim como a crescente importância que terá no futuro”, afirmou Carlos de Sousa Amaro. Já o coordenador do ensino da Língua Portuguesa na Venezuela, Rainer Sousa, explicou que o encontro ajuda a perceber que “a língua portuguesa foi reinventada, adaptando-se a climas diferentes ao de Portugal, sendo também adoptado por pessoas de culturas muito variadas”.

 

9 Dez 2020

Doci Papiaçám | Coro reactivado com actuação na Igreja de São Domingos

Passados vinte anos sobre a última actuação do coro do grupo Doci Papiaçám por ocasião do Natal, a iniciativa regressa para dar voz a cânticos e músicas da época. A actuação, apresentada também como uma mensagem de esperança, acontece na Igreja de São Domingos, no dia 19 de Dezembro

O coro dos Doci Papiaçám di Macau vai actuar na Igreja de São Domingos, no dia 19 deste mês, pelas 17h30. O grupo irá dar voz a canções de Natal e outras de teor religioso na missa, em Patuá, celebrada nesse dia. E quer deixar uma mensagem de esperança. “Volvidos 20 anos o Grupo quer celebrar o Natal com a população, a ocorrer num ano tão atípico e repleto de emoções. Trata-se de uma mensagem de esperança e de apelo à resiliência, na recepção de novos tempos de muito desafio”, disse Miguel de Senna Fernandes em comunicado.
A primeira actuação do coro foi neste mesmo dia, mas numa época diferente: corria então o ano de 1998, em vésperas da transferência de soberania. Já a segunda apresentação deu-se a 24 de Dezembro de 2000, quando o grupo acompanhou a missa do galo. Em ambas as situações o palco foi a Igreja de São Domingos. “A partir daí houve mais uma ou outra intervenção, por ocasião de outros encontros, mas fora do contexto do Natal. Há 20 anos que não cantamos por ocasião do Natal”, descreveu o representante dos Doci Papiaçám ao HM.
O coro vai acompanhar a missa de dia 19, que decorre em português, sendo que todos os cânticos vão adoptar o patuá. É nessa língua que vão ser cantados momentos solenes como o salmo, e também as alturas do ofertório, comunhão e acção de graças. “Há momentos de pausa, e são momentos para o coro poder intervir. Acho que vai ser bonito”, descreveu Miguel de Senna Fernandes. Depois da missa seguem-se músicas globalizadas também em patuá, com temas como “White Christmas” ou “Santa Claus is Coming to Town”.

Momento de convívio

Com o passar do tempo, as condições para o coro se manter deixaram de existir. No entanto, durante muito tempo houve quem alimentasse a ideia de trazer o projecto de volta. Este ano, marcado por adversidades de saúde pública, surgiu a oportunidade de o fazer, embora sem a orquestra que chegou a existir no passado. Em vez disso, faz-se uso da tecnologia para produção de som. “É um momento de descontração, um momento de convívio do grupo”, lançou Miguel de Senna Fernandes.
Com pouco tempo de preparação, o responsável explica que poder contar com pessoas com quem já trabalhou ajudou no processo. “Sabemos das qualidades de cada um e os aspectos que teríamos de corrigir. Uma confiança mútua entre as pessoas torna a coisa mais fácil”, indicou. A iniciativa regressa para o Natal, mas fica a ideia de revitalizar o coro também para outras ocasiões.
Num ano “atípico” e “absolutamente excepcional”, Miguel de Senna Fernandes reconhece que “tivemos sorte em Macau, mas noutras partes do mundo tal sorte não existe”. Pelo que se pretende passar “uma mensagem de esperança, de que melhores momentos virão com certeza”.

9 Dez 2020

Cinemateca | Filmes de Taiwan em destaque nas selecções de Dezembro

Em vésperas de Natal, o cartaz da Cinemateca Paixão inclui duas obras de Taiwan que prometem dar que falar por prescindirem do uso da palavra em prol da imagem e do silêncio. Há películas do campo do fantástico e está ainda previsto um seminário sobre direitos de autor dedicado aos produtores locais no próximo sábado

 

Há histórias sem uma única palavra, criaturas fantásticas, humor negro e clássicos para lembrar que o Natal está aí à porta. Ao todo, o cartaz de Dezembro da Cinemateca Paixão inclui seis novas selecções, que colocam o cinema de Taiwan em destaque, com a inclusão de duas obras da Ilha Formosa.
A primeira a merecer realce pela ousadia de prescindir de qualquer diálogo ou do uso de palavras é “Days”.

Realizado pelo malaio Tsai Ming-Liang, “Days” testemunha, em silêncio, o encontro feliz de dois homens sozinhos numa terra estranha. Através da imagem, Kang e Non partilham lentidão, fragilidade e esperança antes de voltarem à sua rotina. “Days” será exibido na Cinemateca nos dias 8 (19h), 10 (21h30) e 18 (19h).

Também de Taiwan directamente para a travessa da Paixão virá “The Silent Forest”. Realizado por Chen-Nien Ko “The Silent Forest” leva o espectador a conhecer de perto a vida de Chang Cheng, um adolescente surdo que, após ser transferido para um estabelecimento dedicado a crianças com necessidades especiais, é confrontado com um problemático e violento jogo, que rapidamente dissemina o medo entre os alunos.

A obra de Chen-Nien Ko pode ser vista nos dias 9 e 20 às 19h, no dia 12 às 21h e nos dias 15, 17 e 30 às 21h30.

De Taiwan, o cartaz da Cinemateca vai ainda à Coreia do Sul para apresentar o clássico de 1998 “Christmas in August”. O drama realizado por Hur Jin-ho, aborda a vida agri-doce de Jung-won, o proprietário de um estúdio fotográfico que descobre ter uma doença terminal pouco depois de encontrar o amor da sua vida. “Christmas in August” será exibido nos dias 13 (21h), 18 (21h30), 26 (16h30) e 30 (19h30) de Dezembro.

No campo do fantástico, destaque ainda para produção espanhola e norte-americana “A Monster Calls”, de Juan Antonio Bayona. Longe do pai e a lidar com a doença da mãe e o bullying de que é alvo na escola, Conor O’Malley, de 12 anos, vai viver com a avó e cedo encontra refúgio no desenho e no seu imaginário. A aventura começa quando a criatura que idealizou ganha vida. “A Monster Calls” pode ser visto na Travessa da Paixão nos dias 16 e 24 de Dezembro às 19h.

O cartaz de Dezembro é completado pelos filmes “Not Quite Dead Yet”, uma produção japonesa realizada por Shinji Hamasaki e ainda por “Tangerine”, realizado pelo norte-americano Sean Baker e cujo enredo é passado na véspera de Natal da turbulenta vida de Sin-Dee Rella, um transgénero que ganha a vida através da prostituição.

Conhecer os direitos

No próximo sábado, a Cinemateca Paixão irá ainda acolher um seminário dedicado aos direitos de autor na área do audiovisual. A iniciativa destina-se aos produtores locais e, segundo um comunicado oficial, tem como objectivo dar a conhecer os direitos que os profissionais detêm sobre as suas obras, sobretudo porque a publicação de trabalhos “em diferentes plataformas”, tem vindo a aumentar

Dado que a pirataria não se limita só a produtos físicos como CD’s ou DVD’s, o seminário “Entretenimento & Leis dos Direitos de autor, Filme & Televisão” irá contar com a advogada local, Annie Lao, para partilhar informações, como a “definição de violação de direitos de autor, precauções ao usar obras de outras pessoas” e ainda “métodos para proteger os direitos de autor.

A participação no seminário, que inclui tradução simultânea de cantonês para inglês, é gratuita e as inscrições podem ser feitas por email até quinta-feira.

7 Dez 2020

IC | Um herói e festividades portuguesas representados por marionetas

O último mês do ano é marcado por actuações todos os fins de semana – na zona das Casa da Taipa e no Porto Interior – que dão a conhecer desde festividades tradicionais portuguesas ao passado de Macau. O Porto Interior é também ponto de passagem devido a 25 murais pintados por grafitters locais

 

Este fim de semana, o Adro da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, recebe duas actuações de teatro de marionetas, comunicou o Instituto Cultural (IC). “O Barbeiro” e “O Arraial” são promovidos pela Casa de Portugal e cada um dos espectáculos pode ser visto pelo público em três dias diferentes ao longo do mês. As histórias centram-se num herói português e nas festividades tradicionais lusitanas, respectivamente.

Os dois teatros de marionetas fazem parte de um conjunto de espectáculos que sobe ao palco na Taipa durante os fins de semana de Dezembro. Os eventos, que duram cerca de meia hora, têm todos três sessões por dia: às 14h, 15h30 e às 17h sendo abertos ao público em geral.

Nos dias 12 e 22 de Dezembro é a vez de “O Vendedor de Histórias” dar conhecer ao público elementos da história de Macau, nas Casas da Taipa. A peça de teatro móvel da Associação Teatro de Sonho combina a narração de histórias com teatro de marionetas. Já o “Poema de Pedro e Inês”, da autoria do The Funny Old Tree Theatre Ensemble, acontece nos dias 24 e 25 de Dezembro. A peça não tem lugar fixo, passando pelas Casas da Taipa, o Jardim Municipal da Taipa e a Fonte dos Amores. Explora “a arquitectura portuguesa e a obra de um poeta português para encenar uma história de amor solene”, descreve o IC. Estas duas iniciativas decorrem em cantonense.

Fachadas transformadas

Noutro ponto do território, a zona do Porto Interior recebe todos os fins de semanas a peça “Regresso de Barco” da autoria da Associação de Dança Ieng Chi. Em cada sessão, a rota passa pela Praça de Ponte e Horta, a Rua do Bocage e a Ponte nº9, para contar o passado e presente do Porto Interior. As explicações sobre os ecos do passado são complementadas por actuações de dança ligeira. Há limite de vagas, e as inscrições podem ser feitas através da página electrónica do IC.

Na zona do Porto Interior criaram-se ainda outros pontos artísticos de passagem. Os grafitters de Macau Lam Ka Hou e Anny pintaram 25 murais na fachada dos armazéns da Nam Kwong, na Rua do Almirante Sérgio. “Os murais, baseados na vida quotidiana do Porto Interior, revelam elementos novos e antigos [no local], evidenciando igualmente a fusão entre as culturas chinesa e ocidental que caracteriza esta zona”, diz a nota.

3 Dez 2020

Filme “Mosquito” de João Nuno Pinto nomeado para prémio em festival chinês

O filme “Mosquito”, de João Nuno Pinto, foi nomeado para o principal prémio do Festival Internacional de Cinema da Ilha de Hainan, no sul da China.

Num comunicado divulgado na segunda-feira, a organização do festival revelou que “Mosquito” está entre os 12 nomeados para os “Golden Coconut Awards”, na categoria de longa-metragem de ficção, cujo vencedor irá receber 250 mil yuan.

A terceira edição do festival vai decorrer entre 05 e 12 de dezembro na cidade de Sanya, com várias sessões de cinema marcadas para as praias da capital de Hainan, um popular destino turístico chinês.

“Mosquito”, com argumento de Fernanda Polacow e Gonçalo Waddington, é protagonizado pelo ator João Nunes Monteiro, no papel de Zacarias, um jovem militar enviado para África, na primeira guerra mundial.

O drama de guerra “é inspirado na história da chegada do meu avô a África. No entanto, o que se passou durante a sua longa e solitária caminhada pouco se sabe. É aqui que entra a ficção, a fabulação e o sentido que pretendo dar à narrativa”, explica o realizador João Nuno Pinto na nota de intenções.

“Mosquito” foi eleito o melhor filme internacional pela crítica da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em novembro.

Dias antes tinha recebido dois prémios na Mostra de Valência – Cinema del Mediterrani, em Espanha, de melhor fotografia para Adolpho Veloso, e de melhor banda sonora para o músico Justin Melland.

A longa-metragem foi ainda escolhida para abrir a edição deste ano do festival de cinema de Roterdão (Países Baixos), onde integrou também a Seleção Oficial.

“Mosquito” é o candidato de Portugal à categoria de Melhor Filme Ibero-Americano dos Prémios Goya de 2021, de Espanha, e foi um dos quatro filmes nomeados para uma candidatura portuguesa à categoria de Melhor Filme Internacional dos Óscares.

“Mosquito” é uma produção da Leopardo Filmes, de Paulo Branco, em co-produção com a Alfama Films Production (França), APM Produções (Portugal), Delicatessen Films (Brasil) e Mapiko Filmes (Moçambique), tendo sido rodado no país africano.

O filme chegou às salas portuguesas no início de março, pouco antes do encerramento e da declaração do estado de emergência, por causa da covid-19.

Ainda que com uma reduzida presença de espetadores em sala, “Mosquito” foi o sétimo filme português mais visto este ano, com 3.570 entradas, segundo dados do Instituto do Cinema e do Audiovisual, contabilizados até ao final de novembro. Além de “Mosquito”, João Nuno Pinto é ainda autor da longa-metragem “América” (2000) e das ‘curtas’ “Don’t swim” (2015) e “Skype me” (2008).

2 Dez 2020

Festival de curtas-metragens | Jacky Cheong estreia “Majestosa Macau” no domingo 

O cartaz do fim-de-semana do Festival Internacional de Curtas-Metragens de Macau inclui cinema de Macau. No domingo será dia da estreia do documentário de Jacky Cheong, intitulado “Majestosa Macau”, que não é mais do que um retrato dos bastidores do sarau cultural de celebração dos 20 anos da RAEM. No sábado será exibido “The Handover” [A Entrega], de Maxim Bessmertny

 

O Festival Internacional de Curtas-Metragens de Macau apresenta este domingo o documentário “Majestosa Macau”, da autoria de Jacky Cheong. Com cerca de 25 minutos de duração, este documentário revela os bastidores do sarau cultural que subiu aos palcos a 19 de Dezembro do ano passado e que serviu para celebrar os 20 anos da RAEM.

“É um documentário sobre o processo pelo qual a equipa passou, desde a preparação, ensaios e o espectáculo. ‘Majestosa Macau’ foi o nome dado ao programa que incluía um espectáculo de kung fu combinado com um recital com crianças.”

Jacky Cheong recorda os desafios que teve de ultrapassar para realizar o documentário. “O tempo escasseava e precisamos acompanhar os treinos e os ensaios várias vezes. Queríamos mostrar às pessoas para que estas soubessem mais sobre os participantes de Wushu e a situação através deste filme”, adiantou.

O realizador contou com a colaboração de Jia Rui, ex-atleta de Wushu, que trabalhou na organização do sarau cultural. “Jia Rui encontrou-se comigo para gravar o programa, desde o início até ao espectáculo, para que deixássemos um documentário para as pessoas. Penso que ele acreditou que o ‘Majestosa Macau’ iria transmitir um sentimento forte e que seria transmitida a ideia de que Macau é um bom sítio para a aprendizagem do Wushu.”

Recorde-se que este sarau cultural contou com a presença do Presidente Xi Jinping e realizou-se, no dia 19 de Dezembro de 2019, na Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental de Macau. O espectáculo, que teve como tema “A Minha Pátria e Eu”, contou com várias performances musicais e actuações da dança do leão, além das artes marciais.

Jacky Cheong co-fundou a produtora IRMO em 2014, trabalhando hoje como realizador videógrafo. Ao longo da sua carreira participou em produções diversas como anúncios publicitários, micro-filmes, documentários e curtas-metragens.

Regresso do “The Handover”

No sábado é a vez de o público de Macau voltar a ver “The Handover” [A Entrega], uma curta-metragem com 31 minutos de duração realizado por Maxim Bessmertny. A curta-metragem, escrita em parceria com Jorge Vale, relata o dia-a-dia de um casal que luta contra o tempo para deixar a casa limpa antes que o senhorio chegue para fazer a inspecção geral ao apartamento.

Ao HM, Maxim Bessmertny recordou um processo fílmico que foi, acima de tudo, “divertido”.
“Foi um projecto muito interessante e divertido que surgiu quando estava na Rússia, à espera de desenvolver o meu próximo filme. Comecei a fazer isto com o Jorge Vale e tivemos um período muito divertido a escrever o filme, pois temos gostos semelhantes na área do cinema. O Jorge tinha escrito o guião com um casal português, mas sugeri cortar o guião, de 40 para 27 páginas, e o casal passar a ter uma rapariga chinesa e um rapaz português.”

“The Handover” é também um filme auto-biográfico, confessou o realizador. “Tirei coisas da minha vida, e pela primeira vez aconteceu ser algo mais auto-biográfico do que aquilo que estava à espera.”

“Este filme é sobre o dia-a-dia de um casal que tem de se mudar e é um pesadelo, um período muito stressante. E quando não se fala chinês o stress é ainda maior, o que é o caso de Miguel, o personagem principal. Para ele é um dia muito difícil”, acrescentou Maxim, para quem a presença em festivais, e sobretudo no Festival Internacional de Curtas-Metragens de Macau, é sempre importante.

“Já exibi este filme quatro vezes em Macau e obtive sempre reacções muito diferentes, o que é muito divertido. Mesmo que seja uma história longa, de 31 minutos, o que senti na última exibição é que o público acompanhou a história e tudo correu bem. Fiquei muito surpreendido, estava nervoso.”

2 Dez 2020

Óbito | Eduardo Lourenço morre em Lisboa aos 97 anos

O ensaísta Eduardo Lourenço, de 97 anos, morreu ontem, em Lisboa, confirmou à agência Lusa fonte da Presidência da República. Professor, filósofo, escritor, crítico literário, ensaísta, interventor cívico, várias vezes galardoado e distinguido, Eduardo Lourenço foi um dos pensadores mais proeminentes da cultura portuguesa.

Eduardo Lourenço Faria nasceu em 23 de Maio de 1923, em S. Pedro do Rio Seco, no concelho de Almeida, no distrito da Guarda, Beira Alta.

Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas, na Universidade de Coimbra, em 1946, aí inicia o seu percurso, como assistente e como autor, com a publicação de “Heterodoxia” (1949).

Seguir-se-iam as funções de Leitor de Cultura Portuguesa, nas universidades de Hamburgo e Heidelberg, em Montpellier e no Brasil, até se fixar na cidade francesa de Vence, em 1965, com actividade pedagógica nas principais universidades francesas.

Foi conselheiro cultural da Embaixada Portuguesa em Roma. Em 1999, passou a administrador não executivo da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, que tem em curso a publicação da sua obra integral.
Autor de mais de 40 títulos, possuiu desde sempre “um olhar inquietante sobre a realidade”, como destacaram os seus pares.

“O Labirinto da Saudade”, “Fernando, Rei da Nossa Baviera” são algumas das suas principais obras.
Eduardo Lourenço recebeu o Prémio Camões (1996) e o Prémio Pessoa (2011).

Entre outras distinções, recebeu as insígnias de Grande Oficial e a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.
Era Oficial da Ordem Nacional do Mérito, Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras e da Legião de Honra de França.

“Na verdade, falo de mim em todos os textos”, disse Eduardo Lourenço sobre a sua obra, citado pelo Centro Nacional de Cultura, nas páginas que lhe dedica ‘online’. “Cada um dos assuntos por que me interesso daria para ocupar várias pessoas durante toda a vida. [Mas como] não possuo vocação heteronímica, tenho procurado encontrar um nexo entre as minhas diversas abordagens da realidade”.

Luto nacional

O Presidente da República afirmou ontem que Portugal está muito grato ao ensaísta Eduardo Lourenço, ao ter dedicado “praticamente um século de serviço” ao país.

“Portugal está-lhe muito, muito grato. Foi praticamente um século de serviço à nossa pátria”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, que falava aos jornalistas no final das comemorações do 1.º de Dezembro, em Lisboa.

O Presidente da República realçou a “coincidência simbólica” de “o maior pensador sobre Portugal vivo” ter morrido no dia da Restauração da Independência. “Quase que parecia que teria que ser assim”, acrescentou.

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou ontem que esta quarta-feira será dia de luto nacional, pela morte do ensaísta Eduardo Lourenço.

“Amanhã [quarta-feira] será dia de luto nacional, no dia em que dos despediremos do professor Eduardo Lourenço”, disse António Costa, que falava aos jornalistas à margem das comemorações do 1.º de Dezembro, em Lisboa.

1 Dez 2020

Tomás Barão da Cunha, realizador do documentário “Egeu” e Pedro Santos, produtor: “Um postal da realidade”

“Egeu”, realizado por Tomás Barão da Cunha e produzido por Pedro Santos, é exibido amanhã, dia 2, no Festival Internacional de Curtas-Metragens de Macau. O documentário, filmado em várias zonas da Grécia, relata parte da crise dos refugiados na Europa através das narrativas de dois paquistaneses e de um cidadão do Afeganistão

 

Como surgiu a possibilidade de fazerem este documentário?

Pedro Santos (PS) – Estive na Grécia entre 2016 e 2018. Num primeiro momento participava num projecto de media e direitos humanos. Na segunda fase, trabalhava no serviço jesuíta de apoio aos refugiados em Atenas, com migrantes e requerentes de asilo. Dávamos apoio a toda uma comunidade, trabalhávamos num centro de abrigo para estas pessoas, e tínhamos uma série de serviços de apoio e actividades educacionais.

O Tomás tinha acabado de chegar à Grécia para o mesmo projecto e desde o início, quando estávamos a trabalhar no serviço de apoio aos refugiados, que havia o desejo de escrever algum postal sobre a espera daquelas pessoas que estão numa situação de desespero. Queríamos tentar ilustrar um postal da realidade destas pessoas, da forma mais digna e completa possível. Conversei com o Tomás, já conhecia alguma coisa do trabalho dele, e andámos uns dias a gravar entrevistas. Procurámos vários perfis e seleccionámos apenas três pessoas. Duas do Paquistão e uma do Afeganistão.

Porquê essas três histórias e não outras?

Tomás Barão da Cunha (TBC) – A ideia, quando se monta um filme, especialmente um documentário, é a complexidade de agarrar um espectador num determinado tempo do filme. O facto de seleccionarmos essas três histórias não se deveu ao facto de as outras serem menos interessantes, mas achámos que essas três englobavam a dinâmica desta viagem e da espera que queremos contar. Estas três pessoas eram abrangentes do ponto de vista das histórias que contavam. Mas as outras histórias ainda estão na gaveta e estamos à procura de uma melhor forma para as contar.

PS – Também tem um bocado a ver com a fase que as pessoas atravessavam, pois tínhamos algumas histórias em que as pessoas não estavam assim tão estabilizadas do ponto de vista da narrativa. Num trabalho como este há sempre a abordagem do enquadramento da pessoa que conta a história, e o ponto de vista de trabalho pessoal. Trabalhava todos os dias com estas pessoas e conhecia-as muito bem, e não nos interessava a perspectiva estética e afastada da realidade. Havia um envolvimento. Procurávamos contar histórias que pudessem ser não eternas mas o mais actuais possível. Temos uma história de uma mulher do Irão e foi super interessante gravar com ela, mas havia ali uma série de processos que ela tinha de viver para superar algumas das questões e para a história se consolidar do ponto de vista do storytelling. Também houve aqui este balanço entre a estética e o storytelling.

O Tomás disse que há histórias ainda por explorar, então este documentário não fica por aqui.

TBC – É complexo, porque há histórias que são complicadas de pôr em prática em termos fílmicos. Neste momento, temos duas ou três histórias em suspenso, vamos falando sobre elas, mas ainda não encontramos uma forma de as pôr cá fora, talvez por causa da actualidade das mesmas. É um tópico sobre o qual ainda estamos a trabalhar, mas a que certamente que vamos voltar um dia, quando isto acalmar um pouco ao nível da pandemia, para voltarmos a ouvir mais histórias e continuar este trabalho de dar voz a quem não a tem.

A crise dos refugiados parece ter saído da agenda mediática. O vosso documentário é uma chamada de atenção?

PS – O “Egeu” nunca foi só um exercício estético e tivemos sempre uma ideia de intervenção ou de, pelo menos, despertar a discussão à volta do assunto. A premissa foi sempre o ser um postal sobre a espera e um postal que deve ser debatido, para trazer este assunto para a agenda mediática. Quando lançamos o filme tivemos a aventura quase megalómana de fazer um roadshow que pudesse associar o filme a um debate.

Estávamos em fase de eleições europeias e era esta a ligação. A partir do filme, quisemos debater a ideia de Europa, que a partir do caso grego, falha em imensas circunstâncias. De cada vez que o filme é exibido pretendemos que se converse sobre o assunto.

TBC – A ideia, quando fizemos o filme, foi “isto é maior que nós”, até porque eu, que vinha da escola de cinema, estava muito habituado à ficção e aos pequenos projectos. Embarcar num projecto que é maior que qualquer um de nós e dar voz a estas pessoas, apresentar estas histórias para toda a gente as ver e ouvir, acho que foi uma aposta ganha. Estávamos muito reticentes quanto à forma como íamos distribui-lo, e depois surgiu esta hipótese de produzir pelos nossos meios e fazer estes debates. É triste que um filme que tem dois anos continue a ser actual.

Continua a não haver uma solução para a crise dos refugiados.

TBC – Sim, é muito triste, mas cá estaremos para continuar a dar voz a estas histórias na linha da frente.

Quais os desafios por que passaram na produção deste documentário?

TBC – Foi uma rodagem longa. Tivemos uma semana em Atenas a filmar os relatos, em Março de 2018, voltámos a Atenas em Novembro desse ano para finalizar as filmagens que faltavam. Filmámos entre Atenas e Salónica, no norte da Grécia. A questão foi sempre como iríamos ilustrar a espera. E pensámos nessa viagem, na chegada de barco a terra, até à prisão do quarto na noite de Atenas. Não queríamos fazer o normal “talking-head”, quisemos ter uma abordagem e estética diferentes, e pegámos nessa narrativa das histórias e demos uma estética da viagem sem fim destas pessoas, e, já na Grécia, a continuação desta viagem.

As condições de espera dessas pessoas são más, presumo. Como é o sentimento de quem espera?

PS – O sentimento é desesperante, aqui o significado de desespero ganha muita força. É mesmo a ausência de esperança. Grande parte das pessoas traz expectativas muito altas, e é impensável o que encontram pela frente. No caso das ilhas, em Lesbos, o campo de Moria ardeu e está a ser construído um segundo campo, mas o primeiro estava pensado para três mil pessoas e chegaram a viver lá mais de 20 mil. A maior parte das pessoas sabe que tem de viver nestes campos entre três a quatro anos e isso é dito na entrevista quando chegam, o que é muito frustrante. Isto não mudou com o facto de o campo de Moria ter ardido, as condições continuam a ser altamente precárias. No caso de Atenas [a situação dos refugiados] torna-se mais aguda porque o processo já avançou e já terão uma inclusão no continente europeu. Muitas delas até podem viver numa casa, ter os filhos na escola, embora haja milhares de pessoas a viver nas ruas de Atenas, mas o horizonte de esperança não existe, pois não há inclusão nenhuma. Limitam-se a esperar e a existir porque não existe capacidade de estas pessoas serem incluídas.

Qual o significado de estar em Macau com o vosso filme? Vai ajudar a abrir horizontes para uma realidade europeia e ocidental?

TBC – Sem dúvida. Ter um filme num festival tão longe de casa num lugar como Macau é um privilégio e para estas histórias é uma nova vida que lhes damos. É sempre um prazer mostrar mais uma vez este filme, porque continua actual e mantém a consciência para o espectador do que está a acontecer na Grécia. Os media parece que se esqueceram um bocadinho da crise dos refugiados e é sempre bom haver projectos em cinema que continuem a apostar no real da situação lá. Sabemos que muitas vezes não se mostra tudo em televisão.

PS – O mundo dificilmente tem noção disto, mas a fronteira que mais mata pessoas todos os anos é entre a Europa e África, no mar Mediterrâneo. Para nós o “Egeu” chegar a Macau e lá alguém dizer “mas o que é que se passa nesta geografia?”, é essencial. Queremos que mais pessoas questionem o que está a acontecer e que isso se possa concretizar em algum tipo de acções.

TBC – Já tínhamos fechado um pouco o ciclo dos festivais, estivemos o ano de 2019 a exibi-lo, mas surgiu esta oportunidade. Recentemente ganhamos um prémio da Caritas portuguesa, num projecto sobre a migração, e o “Egeu” está a ter uma nova vida neste final de 2020. Para nós é sempre óptimo ver que as pessoas continuam a querer perceber o que se está a passar na Grécia e na Europa. É triste por ser actual, mas é bom as pessoas continuarem a mostrar interesse.

30 Nov 2020

IC | Natal e aniversário da RAEM celebrados com exposições e ópera chinesa

O 21º aniversário da implementação da RAEM e o Natal dão o mote para um cartaz cultural diverso com espectáculos de ópera chinesa, concertos das orquestras de Macau, exposições de trajes imperiais, pintura e teatro para bebés. Algumas das exposições do cartaz proposto pelo Instituto Cultural já estão patentes

 

A época de festividades está à porta e o Instituto Cultural (IC) oferece um cartaz para celebrar o aniversário da RAEM e o Natal, onde não faltam espectáculos de ópera chinesa, concertos de Natal da Orquestra de Macau, workshops, exposições para todos os gostos e até teatro para bebés.

Um dos pontos de destaque da agenda cultural para a quadra que se avizinha é o concerto que a Orquestra de Macau vai apresentar no MGM Cotai, nos dias 18 e 19 de Dezembro às 19h, intitulado “Concerto de Natal – Delícias de Natal”.

O repertório terá como base “Abertura de Natal” de Taylor Coleridge, um medley de canções pop com incursões pela música de Tchaikovsky, Mozart, as valsas de Waldteufel e o grande sucesso musical “White Christmas”, de Irwing Berlin, popularizado pela voz de Bing Crosby. A performance da Orquestra de Macau inclui também a interpretação de excertos do bailado o “Quebra-nozes” de Tchaikovsky. A entrada para os concertos é livre.

No dia 17 de Dezembro, às 20h, o Largo da Companhia de Jesus será o palco do concerto “Ouve a Voz dos Chineses”, interpretado pela Orquestra Chinesa de Macau. O espectáculo, também com entrada livre, comemora o 75.º aniversário da morte do músico Xian Xinghai com a interpretação de uma série de composições de sua autoria. Um dos momentos altos do concerto vai juntar o Coro da Orquestra Tradicional Nacional da China à Orquestra Chinesa de Macau para apresentar “Cantata da Produção”, obra escrita durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa.

Nos dias 18 e 19 de Dezembro, às 19h30, o Grande Auditório do Centro Cultural de Macau recebe outro dos pontos altos do cartaz de festividades: o concerto de “Comemoração do 21º Aniversário do Regresso de Macau à Pátria – Pela Companhia Nacional Chinesa de Ópera de Pequim”.

Organizado pelo Departamento de Propaganda e Cultura do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM e pelo Instituto Cultural, o concerto apresenta duas das mais populares peças operáticas pequinesas, “As Generais da Família Yang” e “Um Casal Real”. A Companhia Nacional Chinesa de Ópera de Pequim será dirigida por Zhang Yafeng e conta com a participação de Yu Kuizhi e Li Shengsu, “renomados artistas da ópera de Pequim”.

Festim para os olhos

No dia 16 de Dezembro é inaugurada a exposição “Aparência Majestosa: Trajes dos Imperadores e Imperatrizes Qing da Colecção do Museu do Palácio”. Com organização do Museu de Arte de Macau e Museu do Palácio, a mostra é constituída por “87 conjuntos de trajes de imperadores e imperatrizes Qing da Colecção do Museu do Palácio, assim como os sistemas de trajes da corte Qin, com explicações acerca das conotações culturais e interesses estéticos dos trajes.

O IC inclui no cartaz das festividades algumas mostras já inauguradas, como “Deambulações pela Paisagem: Colecção do Museu de Arte de Macau” que apresenta 160 obras de diferentes artistas estrangeiros. Esta exposição reúne reproduções de paisagens históricas da cidade, entre o século XVII e o século XIX, e oferece ainda uma viagem “retrospectiva de obras artísticas inspiradas em Macau da era moderna e contemporânea”.

Também “Renascer à Brisa da Primavera: Exposição de Arte de He Duoling” é incluído no cartaz das comemorações dos 21 anos da RAEM. A mostra que apresenta cerca de 50 peças de um dos mais conceituados pintores da arte contemporânea chinesa está patente no Museu de Arte de Macau até 21 de Março.

A pensar na quadra natalícia, o Centro Cultural de Macau realiza no dia 25 de Dezembro uma feira artística para a família, com música, dança, teatro, sessões de narrativa de histórias interactivas, visitas aos bastidores e workshops de artesanato. Entre 22 e 27 de Dezembro, um das actividades no Centro Cultural de Macau é o espectáculo “Brincadeirinhas no Banho”, um teatro pensado para os pequenitos entre os 4 e os 15 meses.

O cartaz do IC conta ainda com workshops nos locais do Património Mundial. A “Oficina de Molduras para Fotos” terá lugar nos dias 19, 20 e 22 de Dezembro, das 15h horas às 16h, na Casa de Lou Kau; e a “Oficina de suporte de clipe de mensagem” será realizada de 24 a 26 de Dezembro, das 15h às 16h, na Casa do Mandarim, onde os participantes podem fazer porta-retratos e pastas tridimensionais com elementos alusivos ao Natal e à implementação da RAEM.

29 Nov 2020

CCM | “Constelações”, de Wang Chong, sobe ao palco em Janeiro 

O Centro Cultural de Macau (CCM) recebe, entre os dias 29 e 30 de Janeiro, o espectáculo “Constelações”, uma produção do Théatre du Rêve Experimental de Pequim e encenação de Wang Chong. Esta é uma dramatização romântica avant-garde e inspira-se no trabalho do dramaturgo Nick Payne, que estreou em Londres em 2012. Esta peça subiu a muitos palcos mundiais, do West End à Broadway, tendo a versão norte-americana estreado como protagonista o consagrado actor de Hollywood, Jake Gyllenhaal.

“Constelações” conta uma história que gira em torno da relação entre uma cosmologista, um apicultor e a multiplicidade de escolhas que estes fazem em diversas dimensões, com diferentes desfechos. O espectáculo mistura uma “linguagem cinemática num enquadramento dramático para ilustrar a imensidão do universo e a dimensão da solidão humana”. Wang Chong “utiliza mais de dez câmaras na sua produção, construindo uma perspectiva dualista na representação da ideia de universos paralelos”.

A seguir aos espectáculos o CCM apresentará duas tertúlias que contam com a presença de Wang Chong, que “vai partilhar com o público algumas das suas concepções teatrais”. A peça será em mandarim, mas com legendas em chinês e inglês. Os bilhetes estão à venda a partir deste domingo, dia 29.

26 Nov 2020

Cinema | Festival Internacional de Curtas-Metragens começa na próxima terça-feira 

Começa na próxima terça-feira, dia 1 de Dezembro, mais uma edição do Festival Internacional de Curtas-Metragens de Macau. Até ao dia 8, o público poderá ver cinema europeu e asiático de vários géneros, que vão desde a animação ao documentário, além do cinema feito em Macau. Este sábado, o festival chega à cidade do Porto, em Portugal, por iniciativa da OPPIA – oPorto Picture Academy

 

A edição deste ano do Festival Internacional de Curtas-Metragens de Macau, promovido pela Creative Macau e Instituto de Estudos Europeus de Macau, começa na próxima terça-feira, dia 1 de Dezembro, no Teatro D. Pedro V. Nesse dia, às 17h30, actua, no palco do teatro, a banda local Blademark, seguindo-se uma exibição de duas curtas-metragens: “Amore, Non é Como Pensi”, de Sergiy Pudich e “Summertime”, de Andra tévy.

No dia 2 de Dezembro é a vez de dar destaque ao cinema iraniano, com a secção “Expanded Cinema: Modern Cinema – Iranian Short Films”, que começa às 14h.

A primeira película a ser exibida é “Ant’s Apartment”, de Tofiq Amani, filmado em 2014 nos desertos do Iraque. Trata-se da história de uma família de três membros que moram num apartamento de formigas nos desertos do Iraque no período do pós-guerra. Tofiq Amani nasceu no Curdistão em 1981 e estudou cinema na Sociedade de Cinema Jovem Iraniano, em 2004. Em 2006, realizou o seu primeiro filme, “Goli Paraw”. Nessa tarde, o Festival Internacional de Curtas-metragens de Macau exibe ainda os filmes “You’re Still Here”, “The Silence”, “Wine”, “Slaugtherhouse” e “The Last Sin”. A secção destinada ao cinema iraniano acontece também nos restantes dias do festival.

A partir das 16h serão exibidos uma série de documentários, incluindo o português “Aegean”, de Tomás Barão da Cunha. Filmado o ano passado, este documentário aborda a crise dos refugiados na costa do mar Egeu. Seguem-se os documentários “Letters from Prison”, “Who Killed Chiquito Chaves?”, “Mud Road” e “Someone Else – The Story of Titus Gandy”.

O programa do dia 2 de Dezembro completa-se ainda com a exibição de curtas-metragens de animação, a partir das 17h30, onde se inclui a curta de Taiwan “Uma Aventura no Comboio”, do realizador Hsiao-Shan Huang.

UM em destaque

O cartaz do dia 3 de Dezembro destaca a produção cinematográfica local. A partir das 16h serão exibidas várias curtas-metragens inseridas na secção “Expanded Cinema: Film School – University of Macau”, com títulos como “A Decision”, “Anti-Vírus Diary” ou “Coffee in a Pop Bottle”, entre outros.

No dia 6 de Dezembro chegam mais documentários, com destaque para “Majestosa Macau”, do realizador local Jacky Cheong. O documentário, realizado este ano, foi filmado para celebrar os 20 anos da criação da RAEM e o aniversário da transferência de soberania do território.

O último dia do festival, marcado para 8 de Dezembro, destina-se à exibição dos filmes vencedores desta edição e à realização da gala de atribuição dos prémios. Destaque ainda para o concerto de Hoi Lei Lei, às 17h30 no Teatro D. Pedro V.

Antes do arranque do evento em Macau, a cidade do Porto, em Portugal, recebe este sábado uma extensão do festival em colaboração com a OPPIA – oPorto Picture Academy.

Serão exibidos os filmes “Skin”, de Guy Nattiv; “Dante vs. Mohammed Ali”, de Marc Wagenaar; bem como o documentário “Histórias de Lobos”, de Agnes Meng, que estará presente no evento. Será também exibida uma curta-metragem de animação de Macau, intitulada “The Lighthouse”, da autoria de Jay Pui Weng Lei. A projecção dos filmes no Porto termina com “Hold On”, de Bart Schrijver, da Holanda.

Segundo uma nota divulgada pela OPPIA, trata-se de uma “selecção muito exclusiva de filmes premiados neste prestigiado festival internacional”. Esta não é a primeira vez que a OPPIA trabalha em parceria com a organização do festival, pois o ano passado estreou os filmes do VIII Douro Film Festival em cine-concerto na abertura da 11ª edição do festival, no Teatro D. Pedro V. Além disso, o director da OPPIA – Douro Film Festival, Cristiano Pereira, já fez parte do júri em duas edições do festival de Macau.

26 Nov 2020

Electrónica | Ecstatic Bass leva batidas rápidas ao LMA este sábado

Este sábado, a partir das 22h, o LMA será palco de uma noite de música electrónica para abanar o esqueleto e fazer suar a pista de dança. Com o selo da Ecstatic Bass, os ritmos vão estar a cargo de quatro DJs: N1D, CORRUPT, Django e BudBall.

Os géneros que vão dominar a noite serão dubstep, drum ‘n’ bass e techno e a entrada custa 150 patacas, com direito a uma bebida.

Oriundo de Macau, e cofundador da Ecstatic Bass, N1D tornou-se DJ e produtor desde que começou a marcar presença no underground da música electrónica desde 2008, com particular incidência para as sonoridades dubstep.

Foi por três vezes o acto principal de um clube incontornável da subcultura das raves em Xangai, The Shelter. Em 2013, fundou a local Ecstatic Bass, com o DJ Budball e começou a organizar festas em Macau, com as batidas a rapidamente se espalharem para Hong Kong e para as maiores cidades chinesas.

Em Novembro de 2018, os dois amigos e DJs foram convidados para participar num espectáculo do label londrina Swamp81, levando os sons de Macau à capital britânica.

BudBall é um peso-pesado das sonoridades fortemente conduzidas pelo baixo, seja num palco de grandes dimensões, como no Sonar, ou em raves caseiras. A noite vai contar ainda com Django e um dos mais novos talentos da Ecstatic Bass: DJ CORRUPT.

26 Nov 2020