Artes gráficas | Estúdio de Xangai ilustra erradicação da pobreza

Com inspirações milenares e bênção política, o estúdio Fusion Era, sediado em Xangai, apresenta um projecto de dimensões continentais. “Out of Poverty: Not One Less” é um conjunto de vibrantes de ilustrações que retrata paisagens das várias províncias chinesas e grupos étnicos. A vasta colecção de trabalhos tem sido promovida extensivamente na internet como uma pérola patriótica e um exemplo da vivacidade artística da Geração Z

 

Do velho se faz o novo, a fórmula que não tem prazo de caducidade transmite a ideia por detrás de uma onda artística que bebe inspiração no passado pictórico e no presente político. Com raízes plantadas na clássica pintura chinesa do século XII da Dinastia Song, o colectivo de Xangai Fusion Era lançou-se numa odisseia gráfica: retratar os 56 grupos étnicos chineses e 34 províncias.

Pegando na subtil evocação do clássico “Ao longo do rio durante o Festival Qingming”, as animações digitais do estúdio Fusion Era atribuem uma forma moderna à representação dos povos e paisagens chinesas, enaltecendo a erradicação da pobreza no país e os magníficos feitos do Partido Comunista da China (PCC).

Aliando a linguagem digital das novas gerações à mensagem oficial e à promoção do patriotismo, as animações digitais têm sido amplamente partilhadas na internet desde o início das celebrações do centenário do PCC.

Os novos meios de expressão artística, com prevalência para formatos digitais, deram voz a uma geração de novos criadores chineses, que não precisam de incentivo extra para integrar mensagens patrióticas nas suas obras. Um bom exemplo disso é Li Tianzhi, um dos ilustradores que criou a série “Out of Poverty: Not One Less”. Um dos pontos fulcrais do portfolio do ilustrador de 26 anos até este projecto era trabalhos focados na estética e preservação de monumentos e edifícios antigos chineses.

Em declarações ao portal Sixth Tone, Li explica que desde a infância é “fascinando pela diversidade geográfica, paisagística e étnica da China”. Foi, portanto, um processo natural que o conduziu à representação do sucesso da campanha de erradicação da pobreza na China, através das montanhas e rios do país. Além disso, o jovem destaca a inspiração retirada da teoria das “duas montanhas”, de Xi Jinping, que realça o reflexo positivo que as políticas ambientais têm na economia.

O capítulo dedicado à província de Yunnan é para Hu Muyang, um dos fundadores da Fusion Era, motivo de orgulho do mega projecto de grafismo digital. A região, situada na região montanhosa do sudoeste da China, é, desde há muito, uma das mais pobres do país.

A estrela da ilustração que representa Yunnan é Zhang Guimei, uma proeminente pedagoga que fundou a primeira escola grátis para raparigas oriundas de famílias desfavorecidas. “Ela é uma figura sensacional, sofreu muitas angústias e dificuldades, a história da sua vida emociona qualquer um”, contou o artista às Sixth Tone.

Porém, em vez se focar no passado trágico de Zhang, que ficou órfã quando era criança e viúva ainda nova, o trabalho do grupo de Xangai retrata-a como um ser maior que a vida, a pairar entre as nuvens, olhando com um sorriso vitorioso e benevolente a paisagem idílica de Yunnan.

Aos quatro ventos

Criado em 2019, às portas da pandemia, o estúdio Fusion Era colaborou com empresas de audiovisual da Europa e dos Estados Unidos e museus chineses. No entanto, o coronavírus obrigou a equipa a trabalhar a partir de casa e a partir para uma abordagem mais direccionada para uma mensagem pública. Em declarações ao Shanghai Daily, Hu Muyang admitiu que acolheu também a missão de contrariar rumores e narrativas, vindas do ocidente, sobre a China. “Queríamos que o mundo ouvisse vozes realmente chinesas e insistimos em mostrar a cultura e sociedade chinesa vistas pelos olhos dos jovens chineses da Geração Z”, conta.

O lançamento de “Out of Poverty: Not One Less” foi amplamente divulgado e disseminado por tudo o que é rede social, em especial na China, incluindo através de uma campanha de vários influencers, onde também se contaram estrangeiros. Além disso, a epopeia digital foi acompanhada por um jogo de “caça ao tesouro” e por um longo tema de hip-hop elogiando a nova e crescente força da China, intitulado “100%”, lançado com pompa e circunstância na plataforma de transmissão de música NetEase Cloud Music.

O jovem ilustrador conta que foram tidos em conta inúmeros exemplos de “estudantes que finalmente conseguiam sair das suas cidades natal, em zonas remotas e desfavorecidas, movidos puramente por vontade, para fazerem exames de acesso ao ensino superior”.

“Agora que eliminarmos a pobreza, quero transmitir a alegria e orgulho daqueles que regressam às suas terras de origem sem receio de regressarem à pobreza. É a isso que chamamos revitalização rural”, afirmou Hu ao Shine, publicação em inglês do Shanghai Daily.

13 Ago 2021

Bienal de Macau | Konstantin Bessmertny desvenda representações das suas obras

Nas três obras que tem expostas na “Arte Macau: Bienal Internacional de Arte de Macau”, Konstantin Bessmertny criou representações e labirintos onde um dos elementos é o contraste das culturas portuguesa e chinesa. Com uma carreira que o destaca como um dos mais relevantes artistas locais, Bessmertny elogia a grande qualidade das obras expostas nesta bienal

 

Impelido a descrever as suas obras, Konstantin Bessmertny hesita e acaba quase sempre a dizer que cabe a cada um tirar as suas próprias conclusões. Relativamente às três obras que tem expostas na edição deste ano da “Arte Macau: Bienal Internacional de Arte de Macau”, o artista russo, radicado há décadas no território, fala de trabalhos cheios de labirintos e representações, não só das suas ideias, como do sítio que há muito o acolheu.

A “Grand Finale”, exposta nas Oficinas Navais nº1, é, para Konstantin Bessmertny, “um dos trabalhos mais interessantes” que já fez. A obra retrata uma “mesa limpa depois de uma refeição de comida cantonense, com oito pessoas, mulheres e homens”.

O quadro é uma alegoria, conforme afirma o próprio artista, que funciona quase como um “drama psicológico, em que vemos as caras e como se relacionam entre si”.

Há ainda o quadro “The League of Journeyers to the East”, que funciona “quase como uma instalação”. “Tentei fazer um labirinto complexo de algumas descoberta e ideias”, disse ao HM. “É difícil descrever o que está na pintura, mas posso dizer que é esse labirinto complexo, com muitas mensagens. Com este quadro, desafio o observador a compreender o que está por detrás.” A obra alberga também dois “jogos famosos”, muito populares nos séculos XVIII e XIX, e o tema da geometria, além das referências a personagens históricas.

Com a obra “Babel Lisboa”, Bessmertny explora o que tem servido de base à sociedade de Macau desde a sua fundação: a permanente interligação entre as culturas portuguesa e chinesa. “Uma das coisas que ao início me levou a fazer esta pintura foi tentar compreender esta palavra, ‘Lisboa’, e de como se relaciona com as pessoas que não conhecem Macau, ou que não conhecem a Lisboa em Portugal, mas também as que conhecem ambas. É como um labirinto de ideias, mas penso nas pessoas que têm uma introdução a ambas as culturas, portuguesa e chinesa.”

Neste quadro, “podem reconhecer-se partes que sugerem Lisboa, como casino e hotel, com detalhes sobre as mesas de jogo, mas há também Lisboa, a capital portuguesa”. “Para mim Lisboa não é apenas sobre as pessoas de Macau, mas é também Portugal, e os casinos. Então tentei meter todos estes elementos juntos”, frisou.

Trabalhos “brilhantes”

Konstantin Bessmertny olha para esta edição da Bienal como “uma das iniciativas mais importantes ao nível da arte contemporânea”, sendo que os trabalhos expostos no Museu de Arte de Macau, por exemplo, são “simplesmente brilhantes” e seguem “padrões internacionais”.

“Nas próximas edições da Bienal pode haver um crescimento, mas já é bom o suficiente do ponto de vista artístico. Pode, de facto, atrair para cá os verdadeiros amantes da arte”, acrescentou.

Recordando que Macau já teve uma bienal de arte nos anos 90, quando nenhum território na Ásia organizava eventos culturais deste género, Konstantin Bessmertny considera que esse facto deveria ter sido relembrado pelos organizadores.

O artista defende ainda que o território pode equiparar-se a Veneza, uma vez que existem vários espaços para exposições com a possibilidade de organizar percursos pedestres para quem gosta de arte. “Em meados de Maio, ou em Outubro, [os visitantes] poderiam receber um mapa, que passasse pelos casinos no Cotai e por todos os espaços de exposição que existem em Macau. Trabalho com Hong Kong e sei o quão difícil é encontrar bons espaços de exposição. Macau tem muitos mais espaços e podemos ter eventos de arte de larga escala muito facilmente. Mas não quero sugerir ou criticar. Se me perguntarem, darei uma lista de ideias”, referiu.

Em relação à pandemia, Konstantin Bessmertny considera que levou todos a olhar mais para o mundo da arte, mas não só. “As pessoas de Macau não divergem das de outros locais [na sua relação com a arte]. Mas vejo que, em termos gerais, as pessoas estão presas, passam mais tempo em casa, e passam a apreciar mais a natureza, por exemplo. As pessoas que nunca prestaram atenção à arte começam a ir mais vezes ao museu. É parte de uma experiência de abertura, de fazer coisas que nunca experimentamos. Ficar muito tempo num só lugar leva-nos a inventar coisas novas, a questionar, a abrandar. Penso que isso é um benefício para a humanidade, e não apenas para Macau.”

11 Ago 2021

Marionetas | “A Lagartinha Muito Comilona” estreia amanhã no CCM

O pequeno auditório do Centro Cultural de Macau recebe a partir de amanhã, até domingo, a clássica peça de teatro infantil de marionetas “A Lagartinha Muito Comilona”, com produção da companhia Shanghai Troupe. No total, vão ser apresentados 10 espectáculos, com 75 marionetas em palco

Ao eclodir do ovo, uma fome imensa apoderou-se da pequena e muito esfomeada lagartinha. O que se segue é uma grande farra de comida e uma vida de transformação que alimenta a imaginação da pequenada há gerações. “A Lagartinha Muito Comilona”, a partir do livro infantil de Eric Carle lançado em 1969, chega amanhã a Macau para 10 sessões de teatro de marionetas no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau.

Amanhã e sexta-feira, as sessões estão marcadas para as 14h45 e 19h30, com duração de 45 minutos (sem intervalo). No sábado e domingo as sessões estão marcadas para as 11h, 14h45 e 17h.

“A Lagartinha Muito Comilona” chega assim a Macau, em formato de teatro de marionetas, com produção da Shanghai Troupe e dirigida por Pipi Kao, a partir da peça criada por Jonathan Rockefeller internacionalmente galardoada.

A companhia de Xangai leva a palco 75 divertidas marionetas, que incluem a lagartinha comilona, o urso castanho, o sapo verde e feliz, o gato rechonchudo, o belo cavalo-marinho, entre outros.

Ganhar uma dimensão

Num dia, aparentemente como noutro qualquer, Eric Carle mudou para sempre o paradigma dos livros didácticos infantis ao usar um perfurador numa pilha de papéis. A imagem dos buracos nas folhas transportou Carle para um mundo de fantasia, tendo como protagonista uma minhoca chamada Willi.

A editora do autor norte-americano sugeriu-lhe que trocasse a minhoca por uma lagarta. Carle exclamou: “que se transforma numa linda borboleta”. Nascia assim um best-seller, publicado pela primeira vez em 1969, que a determinada altura se dizia vender um exemplar por minuto. O livro foi traduzido em pelo menos 40 línguas, incluindo chinês, holandês, francês, espanhol, alemão, japonês, italiano, português, sueco, russo e hebraico. Ao longo dos anos, “A Lagartinha Muito Comilona” tem sido usado por professores do ensino básico e pais como material de ensino auxiliar, particularmente eficaz para aprender a contar.

Com quase 50 milhões de cópias vendidas, “A Lagartinha Muito Comilona” ganhou uma dimensão extra e foi adaptado para teatro. Uma das adaptações mais conhecidas, da autoria de Jonathan Rockefeller, é a que chega amanhã ao Centro Cultural de Macau.

4 Ago 2021

Dança | “Home, Sailing Home” recorre às artes para contar a história do Porto Interior

Todos os fins-de-semana, até ao próximo dia 15, a praça Ponte e Horta, na zona do Porto Interior, é palco de performances artísticas que, recorrendo à dança e ao teatro, contam a história de uma das zonas mais icónicas do território. Chloe Lao, da Associação de Dança Ieng Chi, fala de um projecto que acontece em parceria com o CURB – Centro para a Arquitectura e Urbanismo

 

Chama-se “Home, Sailing Home” e é uma iniciativa cultural da Associação de Dança Ieng Chi que, através das artes performativas de rua, pretende contar a história daqueles que chegaram a Macau e se foram estabelecendo um pouco por acaso. Todos os fins-de-semana, a partir das 17h, na praça Ponte e Horta, o público é convidado a seguir o percurso traçado por seis bailarinas, em que uma assume o papel de personagem principal.
Ao HM, Chloe Lao, responsável pelo projecto e ligada à Associação de Dança Ieng Chi, falou de uma iniciativa desenvolvida em parceria com o CURB – Centro para a Arquitectura e Urbanismo, situado no atelier e espaço de exposições Ponte 9, do arquitecto Nuno Simões. Neste local vai também estar patente uma instalação artística.
“Focámo-nos no século passado, entre os anos 30 e 60, e sobre as vivências na zona do Porto Interior. Nesse período havia muitas pessoas vindas da China, Hong Kong e de outros países da Ásia que chegavam a Macau pelas mais diversas razões. A população cresceu imenso, e muitos dos nossos avós vieram para Macau nessa altura.”
O nome da iniciativa remete para as vivências de quem chegou de barco com alguma bagagem, alguns fugindo até da guerra, e acabou por ficar uma vida inteira. “‘Home, Sailing Home’ remete para a ideia [dos que chegavam e] inicialmente achavam que iam estar aqui apenas por um determinado período de tempo, mas que acabaram depois por ficar.”
Mas Chloe Lao, que trabalhou como coreógrafa no passado, quis também contar as histórias das mulheres que vieram para as fábricas. “Mostramos ainda o lado das mulheres trabalhadoras que contribuíram muito para o desenvolvimento da indústria manufactureira em Macau. A história é essencialmente como os nossos pais e avós contribuíram com o seu trabalho, e com toda a sua vida, numa ligação com o mar.”
Para este espectáculo a equipa realizou entrevistas com pessoas mais idosas que chegaram a Macau nesta altura. “O guião é um consolidar das histórias da velha geração”, frisou Chloe Lao.

Para miúdos e graúdos

A entrada para os espectáculos, que se dividem por quatro zonas diferentes, é gratuita, sendo que os mesmos decorrem todos os sábados e domingos pelas 17h até ao próximo dia 15. O público tem sido composto por velhos e novos, que se revêem nas histórias que os pais contam em casa.
“A maior parte das pessoas que assistem aos espectáculos são mais velhas, que têm aqui [zona do Porto Interior] o seu dia-a-dia. Esta zona tinha também muitas lojas de incensos e os mais velhos têm muitas memórias dos seus tempos de juventude, acabando por partilhar ideias do que viveram aqui quando eram mais novos. Estas pessoas trazem também os mais novos que compreendem estas histórias, que são muito próximas das suas vidas.”
Relativamente ao público de uma geração mais recente, as reacções são de satisfação. “Mesmo as crianças ficam contentes porque se identificam com as histórias que os pais lhes contaram. Então as reacções que recebemos é que as histórias reflectem os seus tempos de juventude. Estabelecemos uma ponte comunicacional com eles”, adiantou Chloe Lao.
Para a responsável por este projecto, contar as histórias do Porto Interior através da dança “é uma forma mais poética” de o fazer, e que leva as pessoas a “compreenderem melhor” o que as bailarinas tentam transmitir através dos seus corpos e expressões.

3 Ago 2021

Música | Lançado videoclipe de “Primavera”, que integra álbum de Maria Monte

Já pode ser visto no YouTube [https://youtu.be/WR_QF2sMwVI ] o novo videoclipe da música “Primavera”, que integra o projecto discográfico “Laços”, de Maria Monte. Lançado em diversas plataformas digitais, “Laços” é um EP produzido pelo músico João Caetano, nascido no território e actualmente a residir em Londres. “Primavera” é um tema que “invoca a esperança em tempos de pandemia”, mas “Laços” tem também músicas como “Macau” que invoca, “de forma ardente, a cidade poética” e “Concha”, que vagueia entre “a paixão e o vazio de uma relação de amor”.
Segundo uma nota de imprensa, “todos os temas combinam as nuances emocionais que impactam as cidades de Lisboa e Macau com uma densidade rítmica correspondente”.
Além da colaboração de João Caetano, este EP conta também com a participação de músicos de jazz a viver em Londres e de Karme Caruso.
Maria Paula Monteiro, verdadeiro nome de Maria Monte, integrou várias formações musicais no passado, tendo trabalhado com nomes como António Emiliano, Ramon Galarza, Paulo Pedro Gonçalves, Pedro Ayres de Magalhães, e bandas como os Delfins e Sétima Legião. Adoptou o nome Spunky e lançou o single “Latino-Americano” com produção de José Maria Côrte-Real. Maria Paula Monteiro colaborou ainda com o projecto Zanzibar, que incluiu nomes como Tito Paris, Dalu e Fernando António, tendo lançado o álbum “Terra de Ninguém”. Em Agosto de 1987 foi lançado o single “Boys And Girls”, novamente com produção da Nice Tan Productions.
A cantora participou no Festival da Canção 1993 mas manteve sempre o seu vínculo a Macau, ao participar em duas colectâneas de música como cantora. Gravou para a Valentim de Carvalho, Polygram (agora Universal) e EMI.

30 Jul 2021

Arte Macau | “Intertwine”, o pavilhão que também olha para o futuro 

É hoje inaugurado, às 18h, o pavilhão de bambu construído pelos finalistas do curso de arquitectura da Universidade de São José. O projecto “Intertwine” integra a edição deste ano da Bienal Internacional de Arte de Macau e, além de recorrer a uma técnica tradicional de construção em bambu, traz também inovação e um olhar sobre o futuro

 

O campus da Universidade de São José (USJ), na Ilha Verde, recebe hoje um novo pavilhão inteiramente construído em bambu pelos alunos finalistas do curso de arquitectura.  “Intertwine” celebra não só as técnicas tradicionais de construção de andaimes em bambu no sector da construção civil mas acrescenta-lhe ainda técnicas inovadoras, conforme contou ao HM o arquitecto Nuno Soares, coordenador do projecto.

“Todos os anos, desde 2013, que fazemos um pavilhão de bambu em que são usadas as técnicas tradicionais juntamente com novas técnicas digitais e a criatividade dos nossos alunos. Neste caso, o exterior do pavilhão entrelaça-se com o interior e é usado um material tradicional, mas cria-se uma forma e existência especial muito dinâmicas, fluídas e inovadoras.”

O projecto “Intertwine” integra a edição deste ano da Bienal Internacional de Arte de Macau, algo que para Nuno Soares constitui uma boa oportunidade para os alunos mostrarem aquilo que valem antes de integrarem o mercado de trabalho.

“Este é o último projecto antes de se licenciarem, e queremos que saiam em grande e que acabem o curso com um projecto de excelência. Este tem grandes dimensões, [é feito] com uma técnica construtiva original e é o momento em que os alunos conseguem fazer o projecto do início ao fim num curto período de tempo, uma vez que normalmente os projectos de arquitectura demoram meses a ficarem concluídos.”

Pátio com céu

“Intertwine” não é mais do que um pátio onde, quando se entra, se vê o céu. Além de já integrar uma exposição, a ideia é que este pavilhão possa também receber outro tipo de eventos. “Temos uma chamada para projectos onde diferentes organismos dentro da USJ e da comunidade à volta podem fazer eventos. Não queremos que seja uma escultura mas sim um espaço usado pela comunidade académica e envolvente. Estamos a convidar a cidade para entrar no campus da USJ e trocar ideias com a comunidade académica”, explicou o arquitecto.

Nuno Soares considera o “Intertwine” “aliciante”, uma vez que permite “olhar para uma técnica que todos conhecemos no nosso quotidiano e ver que pode ser usada para criar uma arquitectura inovadora ou pode ser levada para o futuro”.

Para o arquitecto, construir com bambu é recorrer “a um elemento do passado que tem muito futuro ainda”. Mas há também uma ideia de sustentabilidade em torno deste pavilhão, uma vez que “o bambu vai continuar a ser usado depois”. “Há também uma mensagem de reutilização e de sustentabilidade, e que é uma das marcas do curso de arquitectura”, adiantou.

O pavilhão de bambu “Intertwine” pode ser visitado ou utilizado pela comunidade até ao dia 28 de Setembro de segunda-feira a sábado das 9h às 19h.

30 Jul 2021

Pal Lok e Johnny Tam, curadores do Festival BOK: “O teatro liga as pessoas”

Sobe aos palcos desde 2013 e assume-se como um projecto independente. Em ano de pandemia, o festival BOK foca-se nos artistas locais e do continente asiático e traz o teatro às ruas, para abrir horizontes. Pal Lok e Johnny Tam assumem que o mais importante é divertirem-se e querem partilhar essa felicidade com o público

 

 

Realizam esta edição do festival BOK em plena pandemia, com restrições de convites a artistas de fora. Quais os nomes que gostariam de ter convidado e que ficaram de fora?

Pal Lok (PL) – De facto este ano tivemos de nos focar na Ásia, com artistas locais e também oriundos de Pequim e Xangai.

Johnny Tam (JT) – Temos interesse em diferentes culturas. Já tivemos artistas da Áustria, por exemplo. Normalmente os artistas gostam de viajar pelo mundo, coleccionar diferentes experiências e reunir com outras pessoas. É este tipo de artistas que gostamos de convidar para virem até Macau. Este ano vamos transmitir espectáculos online e o nosso objectivo é partilhar esses espectáculos com outros produtores para que nos possam dar o seu feedback.

PL – Queremos desenvolver, com este festival, bons contactos na área do teatro e das artes performativas. Daí termos planeados estas transmissões de espectáculos em directo, online.

Existe uma característica comum a todos os espectáculos que compõem o cartaz deste ano?

PL – “BOK” remete para o caracter chinês que significa conexão, experiência. Esse é o espírito do nosso festival, e pegamos nisso, num certo sentido de aventura, para explorar novas coisas. O cartaz deste ano tem como slogan “Demo for Mary”, e todos os seis grandes espectáculos estão ligados pela música, é esse o ponto chave desta edição.

Se tivessem de destacar um espectáculo, qual seria?

JT – Recomendo o “Mirror-24 relationships” [de Cindy Ng, Yaya Lam e Hon Chong Chan]. Ela é uma pintora contemporânea e vive em Pequim. O ano passado, quando a convidei para fazer um espectáculo, ela já queria fazer algo que estabelecesse uma conexão com as pessoas, queria retirar lições do público. Recomendei-lhe que fizesse um encontro com o público primeiro. Por isso[nesta iniciativa] falamos sobre 24 diferentes tipos de relações e contactamos primeiro o público antes do espectáculo, perto do mar, por exemplo, ou junto a uma igreja. Depois de todos estes encontros será feita uma performance de pintura em palco para esse mesmo público.

Dar mais espaço e um novo ambiente a projectos de teatro locais é também um dos objectivos principais do BOK? Sem este festival seria mais difícil às associações apresentarem os seus projectos?

PL – Há diferentes festivais de arte em Macau e a maior parte deles são apoiados ou organizados pelo Governo. O mais importante para nós na organização de um festival que não está ligado ao Governo é que os artistas possam explorar mais plataformas. Esse é o espírito do festival BOK, tentar coisas diferentes e não recear as falhas. Damos esse espaço para que eles possam experimentar. Essa é a grande diferença em relação aos festivais ditos oficiais.

A independência é algo bastante importante para o projecto.

PL – Sim, sem dúvida.

Mas isso implica não ter apoio financeiro. Como é organizar este festival sem esse apoio?

PL – Para nós a independência não tem apenas esse significado financeiro. Claro que ajuda, porque este festival tem alguma dimensão e precisamos de ter diferentes apoios, seja de entidades independentes seja do Governo, mesmo que seja só através concessão de espaços para a apresentação de espectáculos. O mais importante são os contactos e as apresentações, uma vez que não estamos limitados a grandes espectáculos, podemos ter mais facilidades nesse aspecto.

A primeira edição deste festival aconteceu em 2013. Desde então têm contribuído para a criação de uma maior relação do teatro com a população local?

PL – Há muitas pessoas aqui a esforçarem-se por fazerem bons espectáculos. Não posso dizer que é apenas por causa do festival BOK que as pessoas têm maior ligação ao teatro. Mas certamente que o nosso festival deu um contributo.

JT – Nos últimos anos temos tentado fazer uma combinação entre um festival de artes e um festival também ligado ao entretenimento. Porque acredito que nem todas as pessoas de Macau podem entrar num teatro e ficar lá duas horas, é difícil para algumas. Mas quando dizemos a alguns amigos para virem porque vão ser apresentados espectáculos num mercado, por exemplo, tentamos transmitir a ideia de que podem usufruir da arte no dia-a-dia. É esta a ideia que queremos passar a todos.

PL – Na verdade, o nosso programa tem duas partes. A primeira, inclui seis espectáculos mais focados na performance teatral propriamente dita. Mas o foco especial é que trabalhamos com artistas e fazemos algumas actuações em espaços que não são teatros, como galerias ou mesmo na rua. A segunda parte do festival, é a nossa tentativa de fazermos uma ligação com o dia-a-dia das pessoas, e aí não nos focamos apenas em quem já tem interesse no teatro, mas sim em pessoas que à partida não estão muito interessadas em arte. Criámos a iniciativa “M Mode 24”, em São Lázaro, com vários acontecimentos ao fim-de-semana. O mais importante é que trabalhamos com proprietários de lojas e artistas dessa zona que ficaram interessados no projecto e tomaram várias iniciativas. “M24” tem a ver com o facto de Macau ser uma cidade de jogo onde as pessoas nunca dormem. Mas o “M”, pode também significar Macau e ainda “Minimal”, no sentido em que as pessoas podem definir os seus próprios projectos e personagens.

É desafiante fazer teatro em Macau nos dias de hoje? Há muitas associações a desenvolverem projectos, mas continua a ser difícil fazer teatro?

JT – É muito desafiante. O teatro é algo que tem muito significado para mim. Nem todos conhecem o teatro, que é um espelho, através dele as pessoas podem conhecer-se a si mesmas e também a sociedade em que estão inseridas. Diria que, neste momento, não tenho um sentido certo para onde devo ir, mas sei que fazer teatro tem um significado para mim. É difícil descrever. Penso que em qualquer lugar é difícil [fazer espectáculos].

As escolas deveriam ter mais programas dedicados ao teatro e às artes no geral?

JT – O teatro está muito relacionado com o pensamento criativo, que faz com que as pessoas tenham uma mente aberta para poderem olhar para todo o mundo e nunca parar de pensar. A arte é uma parte desse pensamento criativo, mas há muitas coisas que podem levar a isso, como a educação, que é muito importante. O teatro também é uma das coisas que pode ajudar a desenvolver pensamento crítico.

PL – Não estamos limitados ao teatro mas a muitos estilos artísticos e outro tipo de programas. Vejo que as pessoas em Macau estão cada vez mais ocupadas se compararmos com há 10 ou 20 anos atrás. Devido ao desenvolvimento da cidade, e com a indústria do jogo, as pessoas estão sempre ocupadas. Quando trabalhava num hotel, não tinha muito tempo para dar atenção aos programas artísticos que aconteciam na cidade. Devíamos viver de outra forma para abrir os nossos corações a coisas interessantes.

Como começou a vossa relação com o teatro?

JT – Todos os anos me pergunto porque é que continuo a fazer isto. Tenho 36 anos mas não me considero um jovem. Os jovens apostam muito na experimentação e eu não sou muito desse género, mas durante este processo posso conhecer as pessoas em Macau. O teatro liga as pessoas, leva-as a partilharem o que pensam e o que querem, os seus desejos. Costumava ser muito reservado, mas quando comecei a fazer teatro, e a dirigir espectáculos, precisava de falar com os actores e produtores, e esse processo fez-me perceber que não estou sozinho. Poderia discutir com eles, expressar as minhas ideias. Percebi que discutir com as pessoas podia ser bom. Isso teve bastante significado para mim.

PL – Não sou apenas curadora de projectos teatrais, às vezes também trabalho na área das artes visuais. Também não me considero jovem, mas ainda sinto o poder das artes e esse toque. Quando faço o planeamento dos espectáculos gosto de dar apoio a cada projecto e de criar coisas com significado. Macau é uma cidade muito pequena e criar projectos com significado é muito importante para a vida das pessoas. Se pararmos de fazer isso as pessoas vão simplesmente continuar a trabalhar e a ter uma vida mais aborrecida. Esta é a minha motivação.

Que expectativas têm para a edição deste ano do festival?

PL – Queremos continuar a criar conteúdos interessantes e espero poder levar estes projectos a outros lugares. Talvez possamos actuar em Portugal, por exemplo. Também esperamos que esta seja uma boa plataforma de partilha, onde os artistas podem expressar as suas ideias, para que as pessoas possam ter um pensamento criativo mais activo. Apenas nos queremos divertir e partilhar esta felicidade.

 

Cartaz plural 

É entre o dia 31 de Julho e 8 de Agosto que acontece a nova edição do festival BOK organizado pelas associações Own Theatre, Macau Experimental Theatre e MyLand Culture. As iniciativas decorrem no bairro de São Lázaro e no Centro de Arte Contemporânea de Macau – Oficinas Navais N.º 2. Uma das duas partes do programa intitula-se “BOK Movement” e inclui seis espectáculos onde a multidisciplinariedade assume um papel principal. Um deles intitula-se “There is no day as usual”, de Iat U Hong, Akitsugu Fukushima e Ivan Wing, e acontece no Centro de Arte Contemporânea de Macau – Oficinas Navais n.º 2 nos dias 4 e 5 de Agosto, às 19h30. No mesmo local, mas às 21h30, acontece “There is no day as usual” seguindo-se uma “After Party”, uma mistura de Djset e espectáculo de multimédia. Por sua vez, o bairro de São Lázaro, nomeadamente em locais como a Calçada da Igreja de São Lázaro, o Albergue SCM e o Armazém do Boi recebem as 100 actividades programadas, numa tentativa de juntar o teatro às pessoas que, por norma, não têm com ele qualquer ligação. O Albergue SCM recebe, entre sábado e 3 de Agosto, das 11h às 22h, a instalação multimédia “Or Bit”, estando também agendada a iniciativa “M Mode 24”.

29 Jul 2021

Cinemateca Paixão | Cartaz inclui filmes de Wong Kar-wai, Sergio Leone e Tarantino

Películas como “O Bom, o Mau e o Vilão”, de Sergio Leone, ou “Django Unchained”, de Quentin Tarantino, compõem o programa de 25 filmes de artes marciais, samurais e westerns que vão estar em exibição em Agosto e Setembro na Cinemateca Paixão. Haverá ainda espaço para filmes de Wong Kar-wai, Kobayashi Masaki e dos irmãos Cohen

 

O imaginário dos comboys e do faroeste estará em destaque em Agosto e Setembro na Cinemateca Paixão com “A Sombra da Katana, Armas, Espadas – Festival das Artes Marciais, Samurai e Filme Ocidental”. O ciclo propõe-se apresentar “25 excelentes filmes sobre artes marciais, samurais e filmes do faroeste para espectadores de Macau”.

O filme de abertura, que será exibido dia 13 de Agosto, é uma versão restaurada de “A Touch of Zen”, de King Hu, filme chinês de 1970.

A história gira em torno de Gu, um jovem estudioso que vive perto de um forte degradado que todos dizem estar assombrado. Um dia, Gu trava amizade com Yang, uma jovem bela e misteriosa que se esconde dentro do forte.

Depois de uma noite de paixão, Yang revela a Gu que o seu pai, um oficial, foi executado pelo Eunuch Wei, que a partir daí a começa a perseguir.

O filme venceu o Grande Prémio Técnico no festival de cinema de Cannes, em 1975, além de ter ganho, em 1972, o prémio “Melhor Design de Arte” no festival de filmes Golden Horse. Em 2015 “A Touch of Zen” foi novamente recordado no festival de cinema de Cannes, na secção Cannes Classics.

O cartaz inclui ainda outros grandes nomes do cinema ocidental, como Quentin Tarantino. O filme “Django Unchained” será exibido dia 5 de Setembro e insere-se na secção do festival “A Estética da Violência”.
Realizado em 2013, “Django Unchained” passa-se no sul dos Estados Unidos, antes da Guerra Civil. Django é um escravo que acaba por ser resgatado pelo caçador de prémios Dr. King Schultz. A dupla improvável lança-se numa epopeia vingativa com um objectivo central: resgatar Broomhilda, a esposa desaparecida de Django.

Este filme de Tarantino venceu dois óscares em 2013, incluindo o de Melhor Argumento Origina e Melhor Actor Secundário, além de três nomeações. Em 2014 foi nomeado para Melhor Filme Estrangeiro nos prémios César.
Ainda na secção “A Estética da Violência” destaque para o clássico “O Bom, o Mau e o Vilão”, de Sergio Leone, de 1966, será exibido a 28 de Agosto e 10 de Setembro.

Sergio Leone volta a estar em destaque no festival, uma vez que o filme de encerramento deste programa especial será “Era uma vez no Oeste”, de 1968, exibido nos dias 3 e 18 de Setembro.

A exibição do clássico filme de Leone, protagonizado por Claudia Cardinale, Henry Fonda, Jason Robards e Charles Bronson, terá como aperitivo uma actuação musical do grupo The Swing Band.

Wong e companhia

Na secção “Sabores Literários em Filmes de Acção” a Cinemateca Paixão incluiu “Ashes of Time Redux”, de Wong Kar-wai, e que será exibido nos dias 9 e 14 de Setembro.

O programa da Cinemateca Paixão inclui também as secções “Armas ocidentais e espadas orientais”, onde se incluem obras de realizadores como Johnnie To, Bastian Meiresonne e Xu Haofeng, entre outros; e ainda “Heroínas”, com realizadores como Chao-Bin Su e Hsiao-hsien Hou, além de King Hu.

Em “Projecções Especiais” há ainda a destacar a exibição, a 11 de Setembro, do filme “No Country for Old Men” [Este país não é para velhos], de Joel e Ethan Coen, de 2007. Este filme varreu a edição 2008 dos Óscares ao vencer nas categorias de melhor filme, melhor realização, melhor argumento adaptado, melhor actor secundário, entre outras.

Nesse ano, mas nos Globos de Ouro, a obra dos irmãos Cohen venceu nas categorias de melhor actor secundário e melhor argumento, além de ter recebido duas nomeações. “No Country for Old Men” conta a história de Llewelyn Moss, interpretado por Josh Brolin, que enquanto caça faz uma descoberta macabra: vários corpos, um homem ferido, droga e dois milhões de dólares em dinheiro num camião abandonado. A forma como vai lidar com a violenta descoberta, dita o desenrolar da acção.

28 Jul 2021

Clássicos alemães e austríacos em destaque na temporada 2021/2022 da Orquestra de Macau

A nova temporada de concertos da Orquestra de Macau arranca a 5 de Setembro com uma obra de Johannes Brahms, executada pelo violinista Ning Feng. Estão também previstos espectáculos do trombonista sueco Christian Lindberg e da soprano italiana Maria Agresta. Caso os artistas estrangeiros continuem impedidos de entrar em Macau, Mok Ian Ian garante que há “um plano B”

 

O convite está lançado, mas persistem ainda muitas dúvidas que podem desafinar o horizonte musical traçado. A Orquestra de Macau (OM) apresentou ontem a temporada de concertos 2021/2022 que, sob o tema “Clássicos Alemães e Austríacos”, integra na sua programação um vasto repertório de espectáculos protagonizados por artistas de renome internacional, muitos deles estrangeiros.

Durante o discurso de apresentação, o director musical e maestro principal da OM, Lu Jia referiu que a tónica da temporada que se avizinha permitirá apreciar de forma abrangente as “obras mais memoráveis” de alguns dos mais importantes compositores alemães e austríacos, dando especial ênfase à obra de Brahms e Mahler.

Um dos destaques da nova temporada, apontou Lu Jia, honra precisamente a obra de Mahler, já que está a previsto um espectáculo para assinalar o 110º aniversário da obra “Das Lied von der Erde” (A Canção da Terra), representativa da ligação entre o Oriente e o Ocidente.

“Embora a letra da canção seja em alemão, é baseada em ‘A Flauta Mágica’, uma colecção de poemas traduzidos pelo poeta alemão Hans Bethge que tem uma ligação inexplicável com a poesia da Dinastia Tang. A Orquestra de Macau e a Orquestra Filarmónica de Xangai vão colaborar nesta produção de grande envergadura, acreditando-se que irá dar um espectáculo inovador que certamente vai permitir aos aficcionados da música ter uma experiência artística inesquecível”, referiu.

A “Canção da Terra” poderá ser apreciada no Grande Auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) no dia 20 de Novembro de 2021. “A música é uma parte importante das nossas vidas, que pode purificar a alma, tornando-se um remédio”, rematou Lu Jia.

Sempre a abrir

A abertura da temporada de concertos ficará a cargo do violinista Ning Feng, que irá apresentar obras clássicas do compositor alemão Johannes Brahms. Durante o concerto agendado para o dia 5 de Setembro de 2021 no Grande Auditório do CCM, Ning Feng irá interpretar o “Concerto para Violino e Orquestra em Ré Maior”, considerado um dos “Quatro Grandes Concertos para Violino”.

Para o dia 19 de Março de 2022 está agendado o espectáculo “Uma noite com o melhor trombonista do mundo”, que ficará a cargo do sueco Christian Lindberg, considerado como um dos sulistas de metais mundialmente mais aclamados.

Por seu turno, o concerto de encerramento da temporada 2021/2022 irá trazer a Macau uma gala de óperas de Verdi, protagonizada pela soprano Maria Agresta e o tenor Marco Berti, ambos italianos. O concerto de encerramento está agendado para 30 de Julho de 2022 também no CCM.

Pelo meio, estão ainda programados, o concerto de Ano Novo “Estrelas em Viena” (31 de Dezembro de 2021), protagonizado pela soprano Song Yuanming e a maestrina Zhang Jiemin e o concerto “O Fabulous Brahms” (11 de Junho de 2022) que ficará a cargo do pianista Zhang Haochen.

A nova temporada da OM inclui ainda três concertos intitulados “Quando a Música Fala” (22/01, 26/02 e 28/05 de 2022), nos quais Lu Jia, irá partilhar com a audiência, música e histórias dos compositores Mendelssohn, Brams e Bartók. Já o ciclo “Música Alegre” propõe-se a “injectar criatividade na música clássica, a fim de desenvolver o interesse das gerações mais jovens pela música erudita”.

No espectáculo “Música para Dançar” (16 de Julho de 2022), o maestro Jason Lai apresentará 11 peças de dança de diferentes países e no “Concerto do Dia da Criança: Manual de Truques do Maestro” (5 de Junho de 2022) os mais novos poderão desfrutar de uma experiência musical que combina “diversão, histórias e educação”.

À condição

À margem da apresentação da nova temporada, a presidente do Instituto Cultural, Mok Ian Ian, referiu que, se os artistas estrangeiros que estão a ser contactados continuarem obrigados a fazer quarentena à entrada a Macau, deverão acabar por não participar nos espectáculos. No entanto, as alternativas existem e estão a ser equacionadas.

“Se as medidas vigentes contra a covid-19 não mudarem, os artistas estrangeiros não podem entrar em Macau. Por isso, caso não consigam vir (…) essas actuações serão adiadas para o próximo ano”, começou por dizer Mok Ian Ian. “Vamos ter sempre um plano B para poder fazer face a qualquer alteração”, acrescentou.

Os bilhetes para os cinco primeiros concertos da nova temporada, incluindo o Concerto de Abertura, “Diálogo de Trio de Piano”, “A Canção da Terra “, o “Concerto de Natal – Fantasia de Inverno” e “Estrelas em Viena – Concerto de Ano Novo”, estarão à venda a partir das 10h horas do próximo sábado na bilheteira online de Macau.

27 Jul 2021

Paseo del Prado e Jardim de Buen Retiro incluídos na lista de património mundial da UNESCO

O Paseo del Prado, o Jardim do Buen Retiro e o complexo arquitetónico, artístico e natural que os rodeiam, em Madrid, Espanha, passam desde ontem a fazer parte da lista do Património Mundial da UNESCO.

As decisões foram tomadas na 44.ª sessão do comité do Património Mundial da organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), que está a decorrer ‘online’, a partir da cidade de Fuzhou, na China, desde 16 de Julho e até ao próximo dia 31.

A Unesco decidiu inscrever a candidatura espanhola que toma a designação madrilena da “Paisagem da Luz”, e inclui o Paseo del Prado e do Buen Retiro, uma das primeiras alamedas arborizadas da capital espanhola, e onde se encontram edifícios como os dos museus do Prado, Rainha Sofia e Thyssen-Bornemisza, o Palácio de Cibeles e o Banco de Espanha.

A candidatura de Madrid esteve no limbo por alguns instantes, devido, primeiro, às dúvidas sobre o assunto suscitadas pelo relatório técnico do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS) e, posteriormente, pela intenção do presidente da sessão de adiar a decisão sobre a inclusão, por 24 horas, até segunda-feira.

Uma vez que se atingiu a fase final de revisão da candidatura e, como faltava apenas modificar alguns pontos para a inclusão da “Paisagem de Luz” na lista da UNESCO, vários países, entre eles Omã e a Etiópia, propuseram à presidência o encerramento do processo.

Em poucos minutos a situação foi ultrapassada e decidida a inscrição na lista da UNESCO do espaço urbano, artístico e natural de Madrid, pelo seu “excecional valor universal”.

Com esta inclusão, Espanha passa a ter 49 bens inscritos na Lista do Património Mundial da UNESCO, cinco dos quais estão na comunidade de Madrid: o Hayedo de Montejo, o mosteiro El Escorial, a cidade de Alcalá de Henares, a paisagem cultural de Aranjuez e, a partir de agora, o Paseo del Prado, o Jardim do Buen Retiro e o complexo arquitetónico, artístico e natural que os rodeia.

No sábado, a UNESCO já tinha decidido incluir na lista do Património Mundial onze cidades termais europeias, a expressão do pré-modernismo de Mathildenhöhe, em Darmstadt, na Alemanha, frescos italianos do século XIV, em Pádua, e a área cultural de Hima, na Arábia Saudita.

O Comité do Património Mundial da UNESCO reúne-se ‘online’ até 31 de Julho, para a sua sessão anual, presidida a partir de Fuzhou, pelo vice-ministro chinês da Educação, Tian Xuejun, presidente da comissão local da UNESCO.

A análise de candidaturas vai prosseguir até à próxima quinta-feira, dia 28. Desde o início desta sessão do comité, no passado fim de semana, a zona portuária de Liverpool foi retirada da lista de património mundial, por causa da promoção imobiliária, no espaço urbano, Veneza saiu da lista de património em risco, por ter proibido o acesso de navios de cruzeiro ao seu porto, e à Turquia foi exigido um relatório sobre o estado de conservação da antiga basílica de Santa Sofia, em Istambul, a apresentar até 2022.

26 Jul 2021

Arte Macau | Ensaio sobre a gastronomia de Macau nas Oficinas Navais

A exposição “Macau – Cidade da Gastronomia: Bom Apetite” pode ser visitada até ao dia 3 de Outubro e inclui 15 obras de artistas de Macau como Carlos Marreiros e Konstantin Bessmertny. A mostra está integrada numa série de outras exposições espalhadas pelo território dedicadas às “cidades criativas” de Nanjing, Wuhan e Linz

 

Da reinterpretação do cultivo de ostras à projecção dos mais antigos rituais gastronómicos de Macau sob a forma de arte, abriu ao público na passada sexta-feira a exposição “Macau – Cidade da Gastronomia: Bom Apetite”.

A mostra, que pode ser vista nas Oficinas Navais Nº1 do Centro de Arte Contemporânea de Macau, junto ao Templo de A-Má, apresenta 15 obras de 16 artistas de Macau e assume-se como um “banquete visual imperdível” que explora através das artes, “o impacto mútuo da comida na sociedade e na história”.

Do grupo de artistas locais seleccionados fazem parte Carlos Marreiros, Konstantin Bessmertny e a dupla Benjamin Hodges e Crystal Chan. À TDM Canal Macau, Benjamin Hodges e Crystal Chan explicaram que a instalação da qual são autores é inspirada na mitologia chinesa e nos espaços tradicionais do Porto Interior, mais precisamente nos restaurantes de marisco, onde a presença de aquários que alojam seres marinhos é uma constante.

Segundo Benjamin Hodges, as imagens criadas recorrendo aos aquários e às ostras pretendem “projectar uma miragem” que é usada para falar, não só do passado e futuro de Macau, mas também da relação com a vida animal.

Por seu turno, na impossibilidade de expor uma instalação de grandes dimensões no lago do cais das Oficinas Navais, Carlos Marreiros preparou uma versão numa escala mais pequena da obra materializada numa cadeira muito alta que dá acesso a uma mesa longínqua, que pretende simbolizar a ideia de que “para se gozar de boa comida é preciso trabalhar para ela”.

“Comer é um acto de prazer (…) mas temos de pensar sempre nas pessoas que nem migalhas têm para comer. Daí que a comida é algo difícil de atingir e, mesmo quando se tem, às vezes, escorrega”, disse à TDM Canal Macau.

A curadora da exposição, Yoyo Wong, frisou que a mostra concretiza, de certa forma, o ensaio proposto aos artistas locais de diferentes áreas, de tentar abordar o tema da comida de um ponto de vista artístico.

Quatro estações

Ao mesmo tempo que a gastronomia dá o mote para à exposição que representa Macau enquanto Cidade Criativa da UNESCO, noutros pontos do território, outras três mostras procuram demonstrar os atributos distintivos de Nanjing (literatura), Wuhan (design) e Linz (arte dos média).

Desta feita, sob a curadoria principal de Yao Feng, na Galeria Tap Seac, podem ser vistos, por ocasião da exposição “Nanjing: Cidade da Literatura – Abrindo o Reino”, trabalhos de dezenas de poetas, novelistas, críticos e artistas da cidade, tais como Su Tong e Zhao Benfu, incluindo manuscritos, caligrafias e documentários.

Já a exposição “Wuhan: Cidade de Design – Empatia”, patente nas Vivendas de Mong-Há, inclui obras do Presidente da Associação de Fotógrafos da China, Li Ge e da Artista Lou Xian, que dão destaque a indivíduos e a grandes eventos históricos “a partir de uma micro perspectiva” assente na “aura da natureza humana”.

Por fim, também patente nas Vivendas de Mong-Há, a exposição “Linz: Cidade da Arte de Média – A Arte da Interface” apresenta nove obras de arte baseadas em interfaces e suportes de difusão, patentes nas Vivendas de Mong-Há, procurando mostrar “o encanto de vanguarda da arte interactiva contemporânea”. As exposições podem ser visitadas até ao dia 3 de Outubro.

26 Jul 2021

Cinemateca Paixão | Seis filmes e documentários em cartaz para Agosto

A Cinemateca Paixão apresenta, no próximo mês de Agosto, seis longas-metragens e documentários de países como o Vietname, Japão ou a China, entre outros. Quatro deles são deste ano, como é o caso de “Threads – Our Tapestry of Love”, de Takahisa Zeze; “Striding into the Wind”, de Wei Shujun; “Mr. Bachmann and His Class”, de Maria Speth; e “Listen Before You Sing”, de Yang Chih-Lin. As exibições prolongam-se até ao mês de Setembro

 

Está fechado o cartaz da Cinemateca Paixão para o próximo mês de Agosto, com os bilhetes já disponíveis para venda. O público poderá ver seis películas, que vão desde o género longa-metragem ao documentário, quatro delas estreadas deste ano. O cartaz inclui produções asiáticas, mas também algumas feitas em parceria com países europeus.

O primeiro filme a ser exibido, já a 5 de Agosto, e que repete novamente nos dias 7 e 11, é “Threads – Our Tapestry of Love”, de Takahisa Zeze, realizador japonês. Esta película foi nomeada para a categoria de Melhor Partitura Musical dos Prémios da Academia Japonesa deste ano, e conta a história de um menino e uma menina que nasceram no primeiro ano de Heisei, cujo período terminou em 2019 ao fim de 31 anos.

Os dois encontram-se na infância, apaixonam-se mas separam-se ao longo da vida, vivendo “em circunstâncias totalmente diferentes”, embora continuando “a manter-se nos seus pensamentos”, descreve a sinopse. Desta forma, este filme “conta a história de trinta anos na vida de duas pessoas ligadas por um fio do destino” e “certamente despertará naqueles que o vêem uma nova apreciação por conhecer pessoas”.

“Striding into the Wind”, de Wei Shujun, é outro filme que compõe o cartaz e que será exibido nos dias 19 e 27 de Agosto, bem como no dia 1 de Setembro. O filme do realizador chinês conta a história de Kun, que “parece estar a estragar quase tudo”, tal como “o último ano na escola de cinema, o trabalho no filme de formatura do amigo e a relação com a namorada”. “Mas o Kun acabou de tirar a carta de condução e, com ela, o carro em segunda mão, o mais barato que encontrou: um velho naufrágio de um Jeep Cherokee que pode vir a ser a chave para os seus sonhos mais loucos”, revela a sinopse.

Este filme teve nomeações em vários festivais de cinema, incluindo a nomeação para o Grande Prémio do Concurso Internacional de Novos Talentos na edição deste ano do Festival de Cinema de Taipei. Na Europa, “Striding into the Wind” foi nomeado na categoria de Melhor Filme – Atena Dourada no Festival Internacional de Cinema de Atenas, o ano passado. Também em 2020, foi nomeado para a Gold Hugo New Directors Competition do Festival Internacional de Cinema de Chicago. A película teve ainda duas nomeações em festivais de cinema na China.

Olhar internacional

Como exemplo do cinema internacional, a Cinemateca Paixão escolheu o documentário “Mr. Bachmann and His Class”, de Maria Speth, que será exibido no dia 24 de Agosto e nos dias 2 e 12 de Setembro. Este é um “documentário íntimo”, que “retrata a ligação entre um professor do ensino fundamental e os seus alunos”. “Os seus métodos não convencionais chocam com as complexas realidades sociais e culturais da cidade industrial alemã provincial em que vivem”, aponta a sinopse.

Este trabalho de Maria Speth é falado em alemão e conta com legendas em chinês e inglês. Na edição deste ano do Festival Internacional de Cinema de Berlim, o documentário ganhou o prémio do público da competição, o Urso de Berlim prateado e o prémio do júri, além de ter recebido uma nomeação para a categoria de melhor filme. Também este ano, mas no Festival Internacional de Cinema de Hong Kong, ganhou o prémio Golden Firebird.

De Taiwan, chega “Listen before you sing”, de Yang Chin-Lin, exibido nos dias 20, 22 e 29 de Agosto. No Festival Internacional de Cinema de Crianças de Hong Kong deste ano o filme foi apresentado nas sessões de abertura e de encerramento.

“Dad, I’m Sorry” é a película vinda do Vietname, de Tran Thanh Vu Ngoc Dang, e que será exibida nos dias 22 e 25 de Agosto, bem como no dia 4 de Setembro. Tida como uma campeã de bilheteira na história do cinema do Vietname, ultrapassando o sucesso de “Avengers 4: Endgame”, “Dad, I’m Sorry” conta a história de Ba Sang, o “segundo de quatro irmãos barulhentos”. Segundo a sinopse, “o filme dá uma perspectiva multifacetada sobre a família através dos destinos de cada personagem e da forma como levam as suas vidas”.

“Collective”, uma produção conjunta entre a Roménia e o Luxemburgo, da autoria de Alexander Nanau, encerra as escolhas da Cinemateca Paixão para o próximo mês. “Collective” é considerado como “um olhar intransigente sobre o impacto do jornalismo de investigação no seu melhor”, relacionado com um incêndio ocorrido em 2015 no Colectiv de Bucareste, que deixa 27 mortos e 180 feridos.

A morte de várias vítimas de queimaduras faz com que os médicos dêem o alerta junto dos jornalistas sobre uma eventual fraude nos cuidados de saúde, cujo sistema pode mudar com a nomeação de um novo ministro no país. No entanto, para reformar um sistema corrupto, ele vai enfrentar muitos obstáculos.

“Collective” ganhou o prémio de melhor longa-metragem internacional e melhor longa-metragem documento nos Óscares, além de ter sido nomeado para melhor documentário nos British Academy Film Awards. A estreia mundial de “Collective” aconteceu este ano no Festival de Cinema de Veneza. A película é exibida nos dias 15, 17, 20, 22, 26 e 29 de Agosto.

23 Jul 2021

Arte Macau | Obras de artistas locais no Grand Lisboa e Grand Lisboa Palace

Sete artistas locais deram ontem o mote para a inauguração da exposição “Harmonia do Oriente e Ocidente” no Grand Lisboa, que só ficará completa a partir do dia 28 de Julho com as obras produzidas exclusivamente para a mostra que poderá também ser vista no Grand Lisboa Palace. Carlos Marreiros revelou que, na calha, está uma peça em azulejo português e outra de grandes dimensões em acrílico

 

Enquadrada na Bienal Internacional de Arte de Macau 2021, foi ontem inaugurada no Grand Lisboa a exposição “Harmonia do Oriente e Ocidente”, uma mostra que engloba obras de sete artistas locais e pretende assumir uma fusão de trabalhos artísticos chineses e ocidentais, recorrendo a estilos, texturas e abordagens diversas.

A mostra inaugurada ontem no Grand Lisboa inclui obras de Carlos Marreiros, Ambrose So, Ung Vai Meng, Konstatin Bessmertny, Denis Murrel, Eric Fok e Cai Guo Jie e só ficará completa no próximo dia 28 de Julho, altura em que serão adicionados novos trabalhos produzidos exclusivamente para a ocasião.

As obras ficarão expostas no lobby do Grand Lisboa até 31 de Agosto, seguindo depois para o Grand Lisboa Palace, a ser inaugurado em breve, onde serão exibidas entre 1 e 31 de Outubro.

Uma das obras que pode ser vista desde ontem no Grand Lisboa dá pelo nome de “Corrida para a Glória” e é da autoria de Carlos Marreiros. Ao centro da obra produzida em 2012, é possível ver o poeta Luís de Camões. Segundo Marreiros, este é um exemplo do estilo em constante mutação característico da sua pintura.

“A minha pintura muda sempre. Ora é abstracta e de grandes dimensões, ora opto por fazer figuração, estou sempre a pesquisar. Sou novo demais para ter um estilo próprio”, começou por dizer ao HM Carlos Marreiros.

“A obra que podemos ver nesta exposição é de 2012 e serve como introdução para a grande exposição que vai acontecer na altura da inauguração do Grand Lisboa Palace, onde os artistas irão apresentar trabalhos específicos produzidos no último ano e meio”, acrescentou.

Sem revelar detalhes, Marreiros partilhou ainda que as obras da sua autoria que poderão ser vistas a partir de dia 28 de Julho contemplam “uma peça em azulejo português” e uma outra em acrílico de “dimensões brutais” com temas relacionados com Macau.

Outro dos artistas presentes na inauguração, Denis Murrell, apontou que a obra “sem título” que pode ser vista no Grand Lisboa foi feita de propósito para a ocasião e que, como é seu apanágio “não segue temas”.

“Não exploro temas em específico, pinto simplesmente o que me vem à cabeça. Não sigo temas, apenas sigo a técnica. O único objectivo é criar uma pintura que seja interessante para as pessoas. É um estilo de pintura abstracta espontânea”, referiu.

Cultivar a cultura

Durante o discurso que marcou a inauguração da exposição, Angela Leong, directora da SJM Resorts, sublinhou a importância de apoiar eventos culturais e artísticos, não só como forma de contribuir para o desenvolvimento de Macau enquanto Centro Mundial de Turismo e Lazer, mas também para apoiar os novos artistas locais.

“Estamos honrados por colaborar com tantos artistas locais, colocando ao centro a harmoniosa mistura entre a cultura chinesa e ocidental. Vibrantes e coloridas, as obras de arte abrangem um espectro alargado de suportes através dos quais os artistas retratam habilidosamente [essa] maravilhosa mistura”, apontou Angela Leong.

A responsável disse ainda que a exposição é demonstrativa da “riqueza da cultura chinesa” e do “poder da arte contemporânea”, servindo como janela para as trocas culturais entre o Oriente e o Ocidente.
Paralelamente, também no Grand Lisboa e no Grand Lisboa Palace, estará patente uma exposição de cerâmica de Heidi Lau intitulada “Reformulação do Império”.

22 Jul 2021

FRC | Garcia Leandro fala das consequências do 25 Abril em Macau 

A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe esta quinta-feira uma palestra protagonizada pelo general Garcia Leandro, ex-Governador de Macau, onde este falará das consequências da revolução do 25 de Abril de 1974 no território. O nome da palestra é “Macau em 1974 e as consequências do 25 de Abril no seu Futuro” e terá início por volta das 18h30.

O evento é promovido pelo Centro de Reflexão, Estudo e Difusão do Direito de Macau (CRED-DM) da Fundação Rui Cunha (FRC) e pela Associação dos Antigos Alunos da Escola Comercial “Pedro Nolasco” (AAAEC). José Basto da Silva, presidente da AAAEC, será o moderador da conversa.

Recorde-se que Garcia Leandro esteve em Macau no período imediato ao 25 de Abril, na qualidade de oficial do Movimento das Forças Armadas (MFA). Juntamente com o já falecido major Rebelo Gonçalves, teve a função de explicar a revolução à população local e de apurar o estado das forças políticas no território que, à época, tinha como Governador Nobre de Carvalho. Em Setembro de 1974, Garcia Leandro seria nomeado Governador em sua substituição.

Segundo uma nota da FRC, Garcia Leandro “falar-nos-á da sua vivência de quatro anos, pós-Revolução dos Cravos, num território longínquo e em circunstâncias muito difíceis de governação”. À época, “Macau encontrava-se numa situação frágil e confusa, com imensas dificuldades políticas, sociais e económicas, mergulhado num complexo jogo de interesses que se moviam de forma mais ou menos obscura, por vezes envoltos em ambientes de grande tensão”.

Nascido em Luanda, Angola, em 1940, Garcia Leandro tem uma vasta carreira militar, estando hoje à frente dos destinos da Fundação Jorge Álvares.

21 Jul 2021

Li Bai | Traduções de António Graça de Abreu reeditadas em Portugal

“Cem Poemas de Li Bai (701-762)” é o nome do livro com traduções de António Graça de Abreu que acaba de ser editado em Portugal pela mão da empresa Vela Chinesa. Depois de uma primeira edição em Macau nos anos 90, este livro é totalmente bilingue, incluindo o prefácio e as anotações dos poemas

 

Já está nas livrarias um novo livro de poemas chineses traduzidos por António Graça de Abreu, académico, autor e tradutor de poesia chinesa. “Cem Poemas de Li Bai (701-762)” é uma edição de autor financiada pela empresa Vela Chinesa, sediada em Portugal. Aquele que Graça Abreu diz ser “talvez o maior poeta dos trinta séculos de poesia chinesa” e também “um dos grandes poetas de toda a literatura universal”, ganha agora uma nova versão dos seus escritos, depois de duas edições produzidas em Macau na década de 90, com mais de 200 poemas.

“Esse livro teve uma certa importância porque foi apresentado em Lisboa pela Natália Correia e no Porto pelo Eugénio de Andrade e pelo professor Óscar Lopes”, recordou ao HM. Desde então que António Graça de Abreu tem vindo a tentar reeditar as suas traduções.

“Encontrei muito pouca receptividade por parte de Macau. Há dois anos apareceu a Vela Chinesa que deu importância às minhas traduções e fizeram uma sugestão de reedição. Propus a várias entidades em Portugal, desde a Fundação Oriente até ao dr. Jorge Rangel, para que fossem reeditados estes grandes poetas da China e não tive muita receptividade”, apontou.

A grande diferença de “Cem Poemas de Li Bai (701-762)” é o facto de ser totalmente bilingue, sendo que os poemas foram escolhidos pela empresa que financiou a edição.

“Os poemas estão bem escolhidos e todos eles são representativos [de Li Bai], embora tenha escrito à volta de mil poemas. [Li Bai] não passa de moda, mesmo com todos os problemas que a China tem tido ao longo da sua história, estes poemas estão sempre presentes. A poesia de Li Bai é sempre actual e os chineses também têm muito orgulho neste homem.”

Graça de Abreu assegura que “qualquer chinês que tenha pelo menos o quarto ano conhece Li Bai, porque é um poeta que tem a dimensão de Camões ou Dante”. “É um homem universal”, aponta.

O amor e a guerra

Nos cem poemas agora publicados, e nos restantes, é possível encontrar temas como “a guerra, que fez com que milhões de pessoas tenham morrido, não dos conflitos mas de fome, porque todas as estruturas do império eram alteradas”. Mas Li Bai escreveu também sobre a relação do Homem com a Natureza e sobre o amor. O poeta “amava os amigos, e também o feminino”.

Graça de Abreu assume ter uma paixão pela poesia chinesa e pela tradução, que vai fazendo nas horas vagas e recorrendo a outras bases de apoio escritas nas línguas ocidentais.

“A poesia não me é estranha e mexo-me nela com alguma facilidade, embora os meus conhecimentos de chinês não sejam tão vastos como eu gostaria. O poema, na sua língua de chegada, tem de ter qualidade literária e força, e eu socorro-me de tudo e mais alguma coisa [para assegurar isso].”

O autor e tradutor lamenta que a poesia chinesa traduzida tenha surgido tão tarde. “Ainda ninguém tinha traduzido Li Bai a sério para língua portuguesa e pela primeira vez apareceu um grande poeta chinês [refere-se aos anos 90, aquando das publicações em Macau]. Não sou nenhum especialista mas nestas coisas nota-se algum atraso, porque foi preciso chegarmos ao final do século XX para aparecerem as primeiras grandes traduções de poetas chineses.”

“Dei o meu contributo, já traduzi cinco grandes poetas chineses, todos eles da dinastia Tang, o período dourado da poesia chinesa”, rematou.

21 Jul 2021

Armazém do Boi | Exposição de Un Sio San inaugura amanhã

Com o título “There is no There There”, Un Sio San pretende levar as pessoas a repensarem a noção de espaço e ligar Macau ao arquipélago de Svalbard, no Árctico. A exposição inclui poemas, vídeos e fotografias e outros materiais recolhidos pela artista durante um período de residência artistística nas Ilhas da Noruega

 

A mais recente exposição da artista Un Sio San é inaugurada amanhã às 18h30 e vai poder ser vista até 22 de Agosto no Armazém do Boi. Com o título “Não existe ali, ali” (“There is no There There”, em inglês), a poetisa local utiliza não só as palavras, mas também instalações, fotografias e vídeos para repensar a noção de “espaço”, através da desconstrução do ali e da relação entre Macau e as Ilhas de Svalbard, na Noruega.

“Quando visitamos Svalbard e o Árctico pode-se cair na tentação de considerar que é um espaço parado, que não acontece muita coisa, o que é uma ideia errada. Há muita coisa a acontecer”, contou Un Sio San, ao HM. “Essa tentação é mais presente quando vivemos em Macau, uma terra onde a mutação da paisagem urbanística é constante”, continuou. “Mas faço uma ligação entre os dois territórios através do espaço. É este o tema da exposição que convida os interessados a pensar no espaço e no tempo da vida quotidiana”, acrescentou.

E que elementos fazem a ligação entre dois terrenos tão distantes? O aquecimento global é um exemplo. Durante um período de três semanas de residência artística em Svalbard, Un assistiu aos efeitos das alterações climáticas. “É muito chocante ver icebergues com milhares de anos a derreterem. Mostra-nos que o aquecimento global é uma realidade e está a acontecer”, explicou “Nesse aspecto, a ligação com Macau é notória, como podemos assistir com a intensificação dos tufões, como o Hato. Quando pensamos no aquecimento global não existe aqui e ali, o aquecimento global não é algo distante. Vivemos no mesmo mundo e partilhamos o espaço”, justificou.

A ligação não se fica por fenómenos naturais, a destruição do ali é também apresentada com uma componente humana, através da economia global. Este aspecto é apresentado na exposição com a instalação de uma mini loja de conveniência em Macau, mas com produtos de outras zonas, como uma cerveja com sal do mar do Ártico.

Poesia como arte extrema

Com a exposição “There is no There There”, a poetisa Un Sio San opta também por abarcar outros meios de expressão artística, que vão além do texto e das palavras.

Com formação em Literatura Chinesa e Cinema, Un organizou a exposição com a poesia no centro e o vídeo, as instalações e as fotografias como complemento.

A lógica com vários meios foi adoptada para transmitir melhor a mensagem, no entanto, Un acredita que toda a arte pode ser considerada poesia. “Eu acredito na expressão: ‘a fronteira de todas as artes é a poesia’. Quando as artes são levadas ao extremo tornam-se poesia”, defendeu. “A poesia não deve ser vista apenas como um texto, mas como um meio de expressão que assume diferentes formas”, complementou.

19 Jul 2021

Poesia | Duarte Drumond Braga lança “Sininhos do Inferno”

Editado pela Não Edições, “Sininhos do Inferno” é o segundo livro de poesia do académico Duarte Drumond Braga, que viveu durante algum tempo em Macau. O território está, por isso, presente nos seus escritos, com poemas que revelam “o circuito quotidiano” que o poeta fazia, no meio das velharias, “entre a Rua de Santo António e o bazar chinês”

 

 

Em 2015 lançou “Voltas do Purgatório” e agora tem um segundo livro de poesia. Até que ponto diferem um do outro?

Do Purgatório ao Inferno vai um saltinho. O primeiro livro tinha um tom diferente, mais distanciado, este é mais cru e directo. Era um livro sobre Portugal, o país-purgatório, como lhe chamava Pascoaes. Reelaborava de forma críptica figuras portuguesas, este reelabora episódios, perdendo o lado mais críptico. De alguma forma era um livro mais formal, e este mais próximo, mais interessado em outro tipo de experiências.

Porquê o nome “Sininhos do Inferno”?

O primeiro poema, “Trombeta Bath, Lisboa”, de alguma forma responde a isso. Os locais bas-fond são infernos, não (só) no sentido moral ou religioso do termo, mas num sentido também de serem subterrâneos, de serem lugares do desejo, do cativeiro do desejo, da repetição, do círculo. A repetição é puramente infernal. Ouvem-se sinos no inferno, porque o inferno é musical, tem ritmos, regularidades sonoras.

Este é um livro que “observa uma série de lugares e depois uma série de amantes”, todos eles “guardados por porteiros”. É um livro sobre sexo, mas também sobre amor?

Como diz a Rita Lee: “Amor é um, / Sexo é dois./ Sexo antes,/ Amor depois”.

Parece haver uma certa conotação com as ideias de religião e moralidade, sobretudo quando se afirma que “Deus não existe, como a China sabe”. Estou certa, ou não é esse o caminho ou a ideia de alguns destes poemas? O nome do livro também pode estar relacionado com estas ideias?

Não estou preocupado com uma ideia moral, mas pode-se dizer que há uma inquirição religiosa ou espiritual, sim, que já aparecia no outro livro. Alguém já disse que o que mais perturbou os missionários católicos do século XVI foi o facto de uma sociedade tão sofisticada não se fundar numa ideia teísta. Para eles uma sociedade complexa não podia dispensar a ideia de Deus. Mas desde Wenceslau de Moraes só podemos ser no máximo peregrinos, não missionários na Ásia, e foi de facto um privilégio o tempo que estive na China e o que pude aprender.

Macau surge representada em poemas como “Prefiro Rosas”, passado no Pátio da Eterna Felicidade, junto às ruínas de S. Paulo. Porquê este local? É aquele que melhor representa aquilo que Macau é, na sua plenitude?

Tem a ver com o circuito quotidiano que eu fazia, o das velharias, entre a Rua de Santo António e o bazar chinês. O poema refere a destruição da Macau antiga, que para nós europeus pode ser perturbadora, mas que faz sentido na visão de mundo da Ásia ou mesmo extra-europeia tout court. No Brasil isso também se sente bem. O poema refere ainda a mistura entre as referências portuguesas, a partir das quais não podemos deixar, como portugueses, de ler Macau (Camões, etc) e a realidade da cidade financeira, aberta a qualquer invasor. Fascina-me ser ao mesmo tempo a cidade ex-portuguesa na Ásia e a cidade-puta, aberta a todos, sobretudo aos que já têm as tais “libras”.

A Ásia, nomeadamente a cidade de Banguecoque, está também representada. São, no entanto, poemas diferentes face ao que escreveu sobre Macau?

E o Brasil também está representado, gostaria de lembrar isso. São não só ecos da minha biografia, mas sobretudo uma forma de tirar partido da vida fora da Europa, que é uma experiência preciosa. Outras formas de organizar o espaço e talvez até o tempo.

Parece-me haver aqui uma ideia de prazer oculto, de fuga, com a ideia de que há ‘uma série de amantes todos guardados por porteiros'”. Este é um livro de vontades, mas também de mistérios?

Não. O que está, ou pode estar, oculto na realidade fica patente no poema. Os poemas que falam em sexo assumem o desejo pelo corpo do outro, não são fugas nem mistérios. Interessa-me assumir o corpo e um tipo particular de desejo. O desejo em si pode ser um mistério, mas isso já são outras conversas.

Tens mais algum projeto de poesia para breve?

Sim, até ao final do ano a Capítulo Oriental, editora/agência literária sedeada em Macau e Lisboa vai publicar um outro livro meu, Salitre, este inteiramente escrito e dedicado a Macau.

19 Jul 2021

Arte Macau | Obras de Júlio Pomar marcam presença na exposição principal

A Bienal Internacional de Arte de Macau 2021 arrancou ontem com a inauguração da Exposição Principal, que conta com obras em azulejo do artista português Júlio Pomar. Para o curador-chefe, a obra do artista português é “muito importante” e contribui para reflectir sobre o futuro da Globalização. Mok Ian Ian apontou que as obras expostas permitem um “diálogo transcendente” entre público e artistas

 

A abertura da Exposição Principal da Bienal Internacional de Arte de Macau marcou ontem o arranque do mais reconhecido festival de arte e cultura do território que irá acolher, ao longo dos próximos quatro meses, um total de 30 exposições em 25 localizações.

Durante uma sessão de perguntas ao curador-chefe que precedeu a cerimónia de inauguração do evento, Qiu Zhijie revelou que a Exposição Principal da Arte Macau 2021 inclui uma obra em azulejo do artista português Júlio Pomar, composta por quatro peças.

Considerando Júlio Pomar como o “Picasso português”, Qiu Zhijie apontou que, juntamente com outras obras em azulejo de artistas portugueses e de Macau, a obra de Pomar está em destaque numa das partes da Exposição Principal do evento, denominada por “O Sonho de Mazu”.

Isto, quando esta parte da mostra pretende retratar Macau como uma cidade “imersa na cultura marítima e um elo importante na Rota da Seda” que foi fulcral para promover o intercâmbio e o “desenvolvimento de várias técnicas e tecnologias nacionais e internacionais durante a época das grandes navegações”.

“Na sala da exposição dedicada ao “O Sonho de Mazu”, a obra [de Júlio Pomar] está relacionada com o tema dos descobrimentos de Colombo. Júlio Pomar é um artista muito importante na história de Portugal”, vincou o curador.

Abordando a temática da Globalização e o papel desempenhado por Macau na confluência de culturas, Qiu Zhijie sublinhou que “por ser uma cidade pequena e costeira”, Macau consegue “preservar a cultura, a religião e a relação de proximidade que existe entre a população local”. Contrapondo, frisou que nas grandes cidades como Hong Kong “não há espaço para tolerar e aceitar novidades”, já que “até quando estamos a atravessar a rua, os semáforos fazem barulho para despachar as pessoas”.

“Através da tolerância e da tolerância do seu povo, Macau desempenhou um papel muito importante ao longo da história da globalização. Ao mesmo tempo, Macau é uma cidade muito importante para continuarmos a reflectir sobre o avanço e o desenvolvimento da globalização que é algo unânime e que permite aceitar a diversificação de diferentes elementos”, partilhou o curador.

Contas feitas, a Exposição Principal da Bienal reúne mais de cem obras de mais de quarenta artistas provenientes de cerca de 20 países e regiões.

Labirintos de criação

Durante a cerimónia de inauguração, Qiu Zhijie destacou ainda as obras que exploram o encontro das culturas oriental e ocidental, como o trabalho de Jeffrey Shaw (Austrália), Sarah Kenderdine (Nova Zelândia) e Hing Chao (Hong Kong), que utilizam meios audiovisuais para explorar o Kung Fu chinês através de uma instalação que incluiu um vídeo interactivo.

Da autoria das artistas Efstathia (Grécia) e Léa Pagès (França), estão também expostas na área “Labirinto da Memória de Matteo Ricci”, várias pinturas a óleo e fotografias “criadas sob a influência das paisagens chinesas”. “Em suma, há muitos diálogos entre obras, escondidos no salão da exposição”, apontou o curador.

Por seu turno, durante a cerimónia de inauguração, a presidente do Instituto Cultural (IC), Mok Ian Ian, referiu que a Arte Macau “concentra-se no enriquecimento da vida dos residentes através de meios artísticos de nível mundial, no estímulo da sabedoria e da imaginação da cidade”.

“A Bienal reúne magníficas obras de arte de Macau, do Interior da China e do resto do mundo. A flexibilidade e a vividez dos seus modelos artísticos possuem conotações profundas e de longo alcance”, disse Mok Ian Ian no seu discurso.

“A demonstração artística da paixão, ideias, imaginação e inspiração dos artistas, com uma dedicação individual à ‘beleza de cada um’, contribui para uma visão artística no conceito geral de ‘diversidade’ e ‘integridade’, o que possibilita um ‘diálogo transcendente’ entre o público e artistas de diferentes regiões, com estilos e características distintas”, rematou.

16 Jul 2021

Lisboeta Macau | Inauguração parcial inclui três novas atracções

A partir de sábado, o Lisboeta Macau, no Cotai, abre parcialmente ao público disponibilizando três atracções principais e áreas de comércio e restauração que prestam homenagem, não só às relíquias do passado de Macau, mas também a uma cidade “futurista” e em desenvolvimento. Indoor Skydiving, uma carreira de slide com elementos multimédia e um Night Market fazem parte do programa das festas

 

Apesar de não haver ainda data para a abertura oficial das instalações hoteleiras do Lisboeta Macau, passam a estar disponíveis a partir de sábado, três atracções que prometem, não só agitar os níveis de adrenalina, mas aconchegar também o estômago e a mente.

Durante uma visita destinada à imprensa, Sophia Mok, directora de Marketing e Relações Públicas do Lisboeta Macau revelou que, a tempo da abertura parcial do espaço, estarão disponíveis, além de alguns estabelecimentos de comércio e restauração, um túnel de vento dedicado à prática de Indoor Skydiving, uma experiência de ziplining com elementos multimédia e vista panorâmica sobre o Cotai e ainda, um Night Market localizado junto a uma réplica do conhecido casino flutuante “Macau Palace”.

Intitulado “GoAirbone”, o primeiro equipamento de Indoor Skydiving de Macau é composto por uma estrutura circular envidraçada com 15 metros de altura e quatro de diâmetro, que promete simular as mais intensas e contrastantes sensações de uma experiência de queda livre real. Orientados por instrutores certificados internacionalmente, os visitantes podem experimentar o túnel de vento a partir dos quatro anos, no conforto e segurança de um ambiente totalmente controlado, mas que não deixa de ser entusiasmante.

Após a abertura ao público, o Indoor Skydiving estará disponível de quinta a domingo entre as 14h00 e as 22h00. Um “voo” tem o custo de 799 patacas, existindo ainda pacotes de dois (999 patacas) e seis (1.500 patacas) skydyves.

Voos nocturnos

Quanto à experiência de slide, a nova atracção assume-se como “a primeira experiência de zipline com elementos multimédia em todo o mundo” e a primeira experiência urbana do género na área da Ásia-Pacífico. Segundo os anfitriões, o “ZipCity Macau” proporciona um “voo super-sensorial que combina efeitos sonoros e efeitos de ‘luz fantasma’, capazes de criar uma experiência de entretenimento única e emocionante”.

Após a abertura ao público, o “ZipCity Macau” estará disponível de quinta a domingo entre as 14h00 e as 22h00. Quando adquirida aos pares, uma viagem para dois custa 510 patacas durante o dia e 595 patacas se o voo for nocturno. Estão também disponíveis pacotes individuais e para três ou mais pessoas. Até 31 de Agosto, portadores de BIR e bluecard pode desfrutar de um desconto de abertura de 47 por cento.

Enquanto uns passam por cima, na praça central ao pé da réplica do conhecido casino flutuante “Macau Palace” e da fachada do Lisboeta, em tudo semelhante ao antigo Hotel Estoril no Tap Siac, cá em baixo as luzes acendem-se a partir das 17h00 para o Night Market @ Lisboeta. Além de experiências gastronómicas locais que combinam as cozinhas oriental e ocidental, estarão também disponíveis por entre a esplanada, algumas actividades e jogos.

A partir de sábado, abre também ao público um dos espaços interiores do Lisboeta Macau destinado ao comércio e à restauração, que inclui algumas referências históricas e marcos arquitectónicos incontornáveis da Macau dos anos 60. Em contraponto, está a ser preparada uma superfície comercial “futurista” com diversas lojas e restaurantes.

15 Jul 2021

Bienal | Pavilhão mostra arte de cidades criativas da UNESCO 

Inaugurada amanhã, a primeira edição da “Arte Macau – Bienal Internacional de Arte de Macau 2021” traz, pela primeira vez, o Pavilhão da Cidade Criativa, que mostra o que de melhor se faz no panorama das artes nas cidades de Macau, Nanjing, Wuhan e Linz, na Áustria. Todas elas são cidades criativas da UNESCO

 

Macau recebe amanhã mais um evento cultural de grande dimensão com a primeira edição da “Arte Macau – Bienal Internacional de Arte de Macau”, virada para a temática da globalização. Mas além das exposições, que podem ser visitadas até Outubro, um outro destaque do cartaz vai para a criação inédita do Pavilhão da Cidade Criativa.

Segundo uma nota de imprensa do Instituto Cultural (IC), o objectivo é que o pavilhão possa “materializar o charme vanguardista da arte contemporânea”.

Este pavilhão reúne diversas cidades criativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), nomeadamente Macau, Nanjing, Wuhan e Linz, e pretende destacar “as essências culturais únicas” destas cidades ou territórios.

No caso da RAEM, a mostra intitula-se “Macau: Cidade de Gastronomia – Bom Apetite!”, onde serão mostradas obras de 13 artistas ou grupos, onde se incluem nomes como o arquitecto Carlos Marreiros ou Wong Ka Long, entre outros. Estes trabalhos “exploram em conjunto da sua forma única o impacto mútuo de ‘comida’ na sociedade e na história”.

A exposição sobre a cidade de Nanjing, “de literatura e criação”, tem como tema “Abrindo o Reino”. O público poderá ver trabalhos representativos de dezenas de poetas, novelistas, críticas e artistas mais conhecidos de Nanjing, tais como Su Tong e Zhao Benfu. Incluem-se manuscritos, caligrafias, documentários, assim como uma exposição de pinturas de minhocas por Zhu Yingchun. Estas iniciativas permitem “aos visitantes terem um olhar refrescante sobre o domínio da vida, através dos olhos literários dos escritores de Nanjing”, descreve o IC.

Relativamente a Wuhan, a mostra intitula-se “Wuhan: Cidade de Design – Empatia”, focando-se em indivíduos em grandes eventos históricos a partir de micro perspectiva, além de assentar “na mais deslumbrante aura da natureza humana-empatia”.

No caso de Linz, cidade na Áustria, a mostra chama-se “Linz: Cidade da Arte de Mídia – A Arte da Interface” e “mostrará o encanto da vanguarda da arte interactiva contemporânea através das obras de arte de media de vários artistas famosos na área da arte digital, oriundos desta cidade”.

Todas estas exposições podem ser vistas a partir do dia 23 de Julho no Centro de Arte Contemporânea de Macau – Oficinas Navais N.º 1, na Galeria Tap Seac e nas Vivendas de Mong-Há.

Nas ruas e faculdades

A Bienal de Macau será inaugurada oficialmente amanhã no primeiro andar do Museu de Arte de Macau (MAM), mas a ideia da organização é apresentar “uma festa móvel da cidade”. A exposição principal da Bienal estará patente no MAM, estando dividida em três partes: “O Sonho de Mazu”, “Labirinto da Memória de Matteo Ricci” e “Avanços e Recuos da Globalização”.

Esta mostra “proporciona um espaço de reflexão e discussão sobre [as ideias] de globalização e individualidade, vida e sonho, longinquidade e proximidade, segurança e felicidade, entre outras”. Esta mostra revela o trabalho de 40 artistas oriundos de 20 países.

Mas a Bienal sai também fora de portas e apresenta seis obras de arte pública em vários bairros, com o objectivo de mostrar “as criações dos artistas do Interior da China, Tailândia, Argentina, Egipto, Itália e outros locais”, a fim de ligar “o mundo com criatividade”.

Na iniciativa “Trabalhos Seleccionados de Artistas Locais” serão apresentadas 12 obras de artistas de Macau, o que permite “proporcionar aos artistas de Macau uma plataforma de intercâmbio internacional, alargando as suas perspectivas internacionais”.

No caso da “Exposição Colateral”, várias instituições de ensino superior, incluindo a Universidade de Macau, Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, Instituto Politécnico de Macau e Universidade de São José, realizam exposições repletas de trabalhos desenvolvidos por estudantes.

No total, podem ser vistas 30 exposições em 25 locais espalhados pelo território. A ideia da organização é “trazer uma atmosfera cultural imersiva a toda a cidade como uma galeria e jardim de arte”, além de “apresentar uma festa móvel da cidade”. A curadoria da Bienal de Macau está a cargo de Qiu Zhijie.

14 Jul 2021

LMA | Rootz & Tronicbeats trazem música ao vivo e electrónica este sábado 

O Festival Arroz ganha nova edição este sábado com a actuação, no Live Music Association, dos Rootz & Tronicbeats. Num festival que sempre se pautou pela diversidade de géneros musicais, desta vez o protagonismo é dado aos sons electrónicos, numa combinação com música tocada ao vivo

 

O palco do Live Music Association será, no próximo sábado, um lugar de experimentação. A nova edição do Festival Arroz, que tem acontecido no espaço da Coronel Mesquita, já trouxe muitas sonoridades de bandas locais, mas desta vez a escolha recaiu sobre os Rootz & Tronicbeats, que actuam a partir das 22h.

Este é o segundo concerto que acontece este ano no âmbito deste festival, e o público poderá assistir “aos contextos, sonoridades e experiências [das bandas] na mistura de [sons]”. Na sua junção em palco, os Rootz e os Tronicbeats prometem “revelar o seu carisma e paixão pelo panorama de música local para todos os amantes da música”.

Ao HM, Sonn B. Cheong, ligado à organização do festival, confessou que a grande diferença deste concerto em relação aos anteriores é o espectáculo como um todo.

“Tentamos combinar música ao vivo, tocada por instrumentos, com a música electrónica. Essa vai ser a parte mais importante do concerto, e é algo que é raro acontecer em Macau. Os artistas das duas bandas vão actuar em conjunto com os músicos.”

O responsável frisou que, desta vez foram escolhidos “géneros musicais como o reggae, afrobeats, dub e jungle, e que serão a base do concerto do Festival Arroz”. “Acima de tudo estamos a tentar introduzir música tocada ao vivo para perceber a química entre os músicos, e também para providenciar uma noite memorável a cada pessoa que participe no nosso espectáculo”, referiu Sonn B. Cheong.

Espalhar amor

Os Tronicbeats assumem-se como uma editora de música electrónica que reúne vários produtores e djs naturais de Macau. Mas o grupo é mais do que isso, apresentando-se também como organizador de eventos e promotor de actividades publicitárias, design e produção musical, entre outras actividades.

No caso do projecto Rootz, criado pela cantora Betchy Barros e pelo seu irmão rapper Tony Barros, a ideia base é também a união de músicos locais, a fim de mostrar ao público todo o seu potencial.

Numa anterior entrevista ao HM, Betchy Barros explicou a ideia por detrás deste projecto, que nasceu o ano passado.

“Estamos a tentar incorporar noites que sejam divertidas para as pessoas saírem da rotina e conhecerem novos artistas. Em Macau faltava muito o valor dado aos artistas locais, porque normalmente eram sempre bandas que vinham de fora. Agora estamos a focar-nos no que temos em casa. Está a ser uma experiência fantástica porque isso está a abrir portas para outros eventos.”

Sonn B. Cheong adiantou que o objectivo do Festival Arroz é “espalhar o amor pela música e também gerar ideias e oportunidades de trabalho em parceria entre músicos e artistas que, com esforço, contribuem para as indústrias criativas de Macau”.

A organização do Festival Arroz planeia continuar a organizar concertos até Fevereiro do próximo ano. No próximo sábado a entrada custa 180 patacas e dá direito a uma bebida.

13 Jul 2021

UM | História e cultura chinesas contadas através da banda desenhada 

Chamam-se “Chang’e Voa para a Lua”, “Nüwa Conserta o Céu” e “Jingwei Enche o Mar” e conta, em português, inglês e chinês, pedaços da história e cultura chinesas. Estas publicações são da responsabilidade da Universidade de Macau e foram apresentadas na sexta-feira na Escola Oficial Zheng Guanying

 

O Centro de História e Cultura da China (CCHC) e o Centro de Ensino e Formação Bilingue Chinês-Português (CPC), da Universidade de Macau (UM), acabam de lançar livros de banda desenhada em três línguas e que visam promover a história e cultura chinesas. Os livros, intitulados “Chang’e Voa para a Lua”, “Nüwa Concerta o Céu” e “Jingwei Enche o Mar” fazem parte da colecção “Histórias aos Quadradinhos inspiradas na Cultura Chinesa” e contam os mitos, lendas e história da China.

Depois da publicação, em 2018, dos livros “Chang’e Voa para a Lua” e “Nüwa Conserta o Céu”, a UM lança agora estas três obras, cuja tradução visa “incentivar o conhecimento e a compreensão da cultura chinesa entre os jovens de Macau e dos países de língua portuguesa”. Com estes livros, a UM pretende também “que os jovens conheçam a diversão, a sabedoria e a cultura dos mitos chineses antigos e que aprendam a história e cultura chinesa”, além de possibilitar “a aprendizagem do português pelos estudantes de Macau na forma simples de histórias em banda desenhada”.

Estas obras foram apresentadas na última sexta-feira numa instituição de ensino que constitui um exemplo do ensino em várias línguas, a Escola Oficial Zheng Guanying. A actividade visou proporcionar “o acesso à cultura tradicional chinesa a mais alunos, permitindo-lhes conhecer mais sobre mitos e lendas”.

Teatros e outras histórias

A UM conta, em comunicado, que esta actividade na Escola Oficial Zheng Guanying incluiu também a teatralização dos contos incluídos nos livros, além de ter sido organizado um concurso de tradução chinês-português baseado nas lendas e mitos contados nestas obras.

Chan Ka Man, directora da instituição de ensino não superior, disse que “este tipo de actividade se encaixa nas tarefas de leitura actualmente organizadas pela escola para os estudantes do terceiro ano”, permitindo “que os estudantes fiquem a saber mais sobre os mitos e as histórias antigas, ao mesmo tempo que cultiva bons hábitos de leitura e o gosto pela mesma”.

Os dois centros da UM têm como objectivo “promover o desenvolvimento do ensino das ciências humanas e sociais em Macau e formar jovens talentos através de uma série de programas de ensino e formação, em colaboração com instituições de ensino e escolas primárias e secundárias de Macau”.

Além disso, o trabalho desenvolvido pelo CCHC visa “reforçar o estudo da história e cultura chinesas”, bem como “construir um mecanismo avançado para o seu intercâmbio, que permita a divulgação destas na comunidade de Macau e internacionalmente, especialmente entre jovens”.

Outro foco deste centro é “aprofundar a divulgação e a influência da história e cultura chinesa nos países e regiões de língua portuguesa, de forma a aumentar o conhecimento e compreensão das mesmas”.

12 Jul 2021

Cinemateca | Novidades a caminho após “ano difícil”

Ao fim de um primeiro ano “difícil”, a nova gestora da Cinemateca Paixão faz um balanço positivo dos resultados alcançados e considera ter sido capaz de se “reconectar com os cineastas locais” e exibir obras apreciadas pelo público. Na calha, revelou Jenny Ip ao HM, está um Festival de Cinema dedicado às artes marciais chinesas, japonesas e westerns e ainda uma mostra de cinema em português. Sobre o orçamento, a responsável considera ser “suficiente”

 

 

Continuar a aprender para fazer melhor. É desta forma que a responsável pela gestão da Cinemateca Paixão, Jenny Ip, olha em retrospectiva para o primeiro ano de operações da Companhia de Produção de Entretenimento e Cultura In Limitada. Para a responsável, apesar de haver ainda “muito trabalho para fazer”, há motivos para sorrir após o início conturbado que marcou a passagem do testemunho que sobrou da Cut Limitada.

Isto, quando foi possível restabelecer a relação com a comunidade cineasta local, que se mostrou desde logo céptica em relação à nova gestão, e o feedback positivo que tem chegado sobre a programação apresentada.

“Foi um ano difícil mas, olhando em retrospectiva, estamos mais confiantes em relação aos nossos pontos fortes”, começou por dizer Jenny Ip. “O feedback que temos recebido sobre a programação tem sido bom. As pessoas adoram a programação e o facto de ser diversificada. Lançámos o programa “Cinema Asiático Hoje” onde exibimos obras de todo o sudoeste asiático”, acrecentou.

Sobre a relação com os produtores locais, Jenny Ip apontou que o facto de, no decorrer do último ano, a Cinemateca Paixão ter sido capaz de envolver o sector nos eventos e actividades realizadas foi determinante para reatar o contacto e iniciar um caminho “positivo”. Cineastas como Tracy Choi, Emily Chan e Harriet Wong Teng Teng são algumas das figuras do sector que têm colaborado com a Cinemateca Paixão nos últimos meses.

“Ainda há muito trabalho para fazer, mas considero que conseguimos reconectar-nos com os cineastas locais. É um trabalho em curso que está a seguir um caminho positivo. Sempre que convidamos os cineastas locais eles mostram-se disponíveis e ficam contentes por falar connosco. Acho que reconhecem o esforço que estamos a fazer para que a Cinemateca seja cada vez mais frequentada por residentes de Macau e reconhecida além-fronteiras”, explicou.

Outro exemplo do esforço da criação de laços com a comunidade local, apontou Jenny Ip é o “Festival de Cinema da Juventude de Macau”, mostra em curso até ao dia 16 de Julho que, além da exibição de obras locais como “Ina and the Blue Tiger Sauna” (2019) ou “Our Seventeen” (2017) permite ao público assistir a curtas-metragens produzidas por estudantes, onde se incluem trabalhos de alunos da Universidade de Macau (UM), Universidade de São José (USJ), Instituto Politécnico de Macau (IPM) e Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST). A ideia é para repetir no próximo ano.

“O objectivo deste festival passa por preencher a lacuna de permitir que os novos talentos locais na área do cinema tenham uma boa oportunidade de expor o seu trabalho (…), pois não é comum que estes filmes sejam vistos por muitas pessoas, pois, normalmente, acabam por ser exibidos apenas nas suas próprias universidades”, referiu.

Questionada sobre se, um ano depois, há motivos para dar razão aos críticos que consideraram que o orçamento de 15 milhões de patacas para três anos seria insuficiente para manter a qualidade dos conteúdos exibidos na Cinemateca Paixão, Jenny Ip respondeu assim: “O orçamento é suficiente para não comprometer a qualidade da programação”.

Punhos, espadas e Cowboys

Jenny Ip revelou ainda que a partir de 31 de Julho e até 18 de Setembro será realizado em conjunto com o Instituto Cultural (IC) o festival “A Sombra da Katana•Pistolas•Espadas – Festival de cinema de Artes Marciais, Samurais e Westerns”.

Segundo a responsável, durante a mostra serão exibidos mais de 25 filmes, entre clássicos e obras mais recentes dentro dos três géneros. A abertura do festival ficará a cargo obra dos anos 70 “A Touch of Zen” realizada por King Hu.

“Fizemos questão de abrir o festival com um filme dedicado às artes marciais chinesas e um western para o encerramento, estilos que se inspiraram mutuamente. Queremos quebrar alguns preconceitos que existem em torno deste tipo de filmes comerciais (…) e que têm qualidades artísticas que não devem tapadas por preconceitos”, partilhou.

Até ao final do ano, desvendou ainda Jenny Ip, haverá ainda uma programação dedicada ao cinema em língua portuguesa.

“Em conjunto com o IC, haverá uma programação dedicada ao cinema em português, mas neste momento temos de esperar pela confirmação do IC para anunciar”, rematou.

9 Jul 2021

Orquestra Chinesa de Macau | Fim da temporada com “Herança, Desenvolvimento”

“Herança, Desenvolvimento” – 100 Anos de Música Chinesa é o nome do espectáculo que vai encerrar a temporada 2020/2021 da Orquestra Chinesa de Macau. O concerto, marcado para o dia 30 de Julho, terá lugar no grande auditório do Centro Cultural

 

Estão à venda os bilhetes para o concerto de encerramento da temporada 2020/2021 da Orquestra Chinesa de Macau. O espectáculo realiza-se no dia 30 de Julho, uma sexta-feira, às 20h no grande auditório do Centro Cultural de Macau. “Herança, Desenvolvimento” – 100 Anos de Música Chinesa fecha com chave de ouro um ano complicado para qualquer orquestra do mundo.

Sob a batuta do director musical e maestro principal Liu Sha, este concerto leva ao palco do centro cultural a experiência de uma música consagrada e a vivacidade de uma jovem estrela emergente na interpretação de instrumentos tradicionais chineses.

Assim sendo, a orquestra encerrada a temporada com um nome maior huqin, Jiang Kemei. Com um currículo que inclui a direcção da Orquestra Chinesa de Radiodifusão da China, mestre no Conservatório Central de Música e directora da Orquestra Nacional Chinesa, Jiang Kemei é um vulto dos instrumentos de cordas tradicionais. A sua abordagem ao huqin trouxe inovação e elegância acrescida ao clássico instrumento, além da graciosidade que esbanja durante as suas performances ao vivo, elevando o requinte do legado clássico.

No capítulo do “desenvolvimento”, o maestro Liu Sha irá dirigir a jovem Wang Yuje no yangqin, um instrumento clássico de corda percutidas. Nesta confluência geracional, o Instituto Cultural (IC) afirma que “com estas instrumentistas emergentes e de renome reunidas no concerto, os aficionados podem desfrutar do legado e do desenvolvimento da música chinesa e passar um serão inesquecível”.

Desenho sonoro

O concerto de fim de temporada vai contar no reportório com a apresentação de uma obra encomendada a um jovem compositor, nascido na década de 1990, Li Bochan. O nome da obra é “Esboço de Macau”, uma peça orquestral que “tem como pano de fundo as culturas inclusivas de Macau, retratando o espírito humanista de Macau através de uma melodia fluente”, descreve o IC.

A vez de Jiang Kemei pegar no huqin será na apresentação do concerto para Banhu “Impromptu”, de autoria do compositor Wang Danhong, que expressam as características da ópera tradicional local de Shanxi, Bangzi. A intérprete terá a seu cargo também a peça Banhu e Ensemble “Flor Vermelha de Pessegueiro” de autoria da própria Jiang Kemei e Shen Dan, uma peça que promete trazer para o centro cultural “o encanto artístico da ópera Laoqiang de Huayin”.

Neste concerto, Wang Yujue irá interpretar o Concerto para Yangqin N.º 2 “Harmonia” de Zhang Chao.
Os bilhetes estão à venda desde terça-feira e custam 200, 160, 140 e 120 patacas. O concerto tem duração de cerca de 1 hora e 30 minutos, incluindo um intervalo.

8 Jul 2021