LAG | Pereira Coutinho pede aumentos de salários e apoios sociais Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 18 Set 2025 Pereira Coutinho defende o aumento dos salários na Função Pública, mas também nas empresas concessionárias de jogo. O vencedor das recentes eleições legislativas sugeriu ainda o reforço da despesa pública para aumentar os apoios à população, a começar pelo cheque pecuniário Assume que mal tem dormido desde que, no domingo, conseguiu eleger, com a lista Nova Esperança, três deputados no hemiciclo. José Pereira Coutinho está ainda a celebrar a esmagadora vitória de domingo e o facto de se sentar novamente na Assembleia Legislativa (AL) ao lado de Che Sai Wang e Chan Hao Weng. O trio esteve ontem no programa matinal do canal chinês da Rádio Macau a defender aumentos salariais, agora que o Governo se prepara para a elaboração das Linhas de Acção Governativa (LAG) para o próximo ano. Coutinho disse, à margem do programa, esperar “que sejam actualizados os salários dos trabalhadores da Função Pública, da própria TDM e das concessionárias”, além de defender “o aumento da despesa pública em termos de distribuição dos cartões de consumo”. “As seis concessionárias actualizaram, este ano, os salários, mas a Função Pública ficou pelo caminho. Enviámos uma carta ao Governo, que, neste momento, está a preparar o orçamento para 2026, e esperamos uma actualização salarial para melhorar o poder de compra dos trabalhadores da Função Pública e aposentados”, disse Coutinho. O deputado foi mais específico e apontou para uma subida de “três a cinco pontos da tabela indiciária, o mínimo para a recuperação do poder de compra”. Quanto ao salário mínimo, Coutinho disse no programa que deve ir além das 34 patacas por hora. “Não pode ser assim, o salário mínimo de Hong Kong já é mais do que 40 dólares de Hong Kong por hora. O Governo deve assumir o papel de liderança para aumentar o salário mínimo”, referiu. Cheques mais chorudos O deputado eleito disse que o Executivo deve apostar “na devolução das 21 mil patacas para idosos”, sem esquecer o aumento do valor dos cheques pecuniários. Na sua visão, “são políticas efectivas para aumentar o consumo em Macau e contrabalançar a ida dos residentes para consumir além-fronteiras”, defendeu em declarações à TDM – Rádio Macau. Por sua vez, Chan Hao Weng disse esperar que sejam criadas mais garantias para professores na fase da reforma, nomeadamente um subsídio mensal para docentes reformados. O deputado que se vai estrear na Assembleia Legislativa e o repetente Che Sai Wang falaram também na importância de criar mais oportunidades de emprego para os residentes, defendendo que há ainda muitos postos de trabalho ocupados por não-residentes.
Jogo | Receitas globais com subida de 23,1 por cento em 2024 Andreia Sofia Silva - 18 Set 2025 A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelou que as receitas globais do sector do jogo do ano passado foram de 231,45 mil milhões de patacas, o que representa uma subida anual de 23,1 por cento face a 2023. Tal deve-se, segundo uma nota da DSEC, à “recuperação gradual” do sector, “à medida que as actividades turísticas regressaram à normalidade de forma estável”. No que diz respeito às despesas globais da área do jogo, sem os impostos, também se registou um aumento de 18 por cento, para 94,37 mil milhões de patacas. Destaque para o aumento anual de 28 por cento nas despesas relacionadas com compras de mercadorias, comissões e ofertas a clientes, cifrando-se nas 23,20 mil milhões de patacas. O sector do jogo gastou mais com o pessoal, num total de 21,48 mil milhões de patacas, uma subida de sete por cento. Estes dados dizem respeito ao Inquérito ao Sector do Jogo relativo a 2024 contando com seis operadoras de jogo e duas empresas de exploração de lotarias. Deste inquérito excluem-se os dados relativos às actividades dos hotéis ou do comércio a retalho exploradas pelas empresas.
Exportações | Vendas para a Europa com melhor desempenho Andreia Sofia Silva - 18 Set 2025 A União Europeia (UE) foi o mercado com melhor desempenho, em matéria de exportações, no segundo trimestre deste ano. É o que diz o “Inquérito de Conjuntura ao Sector Industrial Exportador” realizado pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Lê-se que nestes meses “as principais mercadorias exportadas pela RAEM foram vestuário e confecções, produtos farmacêuticos, equipamentos electrónicos ou eléctricos, bebidas alcoólicas e tabaco, e produtos metálicos”, sendo que a UE “foi o mercado de destino das exportações da RAEM que teve um comportamento relativamente melhor”. Este mercado teve uma variação de 25,1 por cento no “Índice Geral da Situação de Encomendas Trimestrais por Mercados”, tendo tido “um comportamento relativamente melhor”. Os empresários continuam, porém, preocupados com o panorama de negócios, pois quando questionados sobre as perspectivas das exportações, 53,1 por cento previu “estagnação” no segundo trimestre, um aumento de 32,3 por cento face ao trimestre anterior. Apenas 27,3 por cento disseram ter “uma perspectiva optimista” para o trimestre em análise, mais 0,4 por cento.
SMG | Sinal 1 de tempestade pode ser emitido entre esta noite e amanhã Hoje Macau - 17 Set 2025 Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) indicaram ontem que estão a considerar emitir sinal 1 de tempestade tropical entre a noite de hoje e a manhã de quinta-feira, altura em que uma depressão tropical que estava ontem a leste das Filipinas pode entrar num raio de 800 quilómetros de Macau. Na previsão divulgada ontem, as autoridades estimaram que “o sistema tropical se intensifique gradualmente nos próximos dois dias, em direcção à costa leste de Guangdong”. “Devido à existência de grande incerteza quanto à sua trajectória e intensidade, os SMG está a acompanhar de perto o seu desenvolvimento e movimento e apelam à população que preste atenção às informações meteorológicas mais actualizadas”, foi acrescentado.
ONU | Comissão independente acusa Israel de genocídio em Gaza Hoje Macau - 17 Set 2025 Uma comissão internacional independente de investigação da ONU acusou ontem Israel de cometer genocídio na Faixa de Gaza desde o início da guerra, em 7 de Outubro de 2023, com a “intenção de destruir” os palestinianos. “Nós chegamos à conclusão que um genocídio acontece em Gaza e vai continuar a acontecer, sendo que responsabilidade cabe ao Estado de Israel”, disse a presidente desta comissão, Navi Pillay, ao apresentar o relatório da investigação da Comissão da ONU sobre os crimes cometidos nos territórios palestinianos ocupados. Israel “rejeita categoricamente” este “relatório tendencioso e mentiroso e pede a dissolução imediata” da Comissão, afirmou ontem, em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita. Os mais altos dirigentes israelitas “orquestraram uma campanha genocida”, acrescentou Navi Pillay, de 83 anos, antiga alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. A Comissão “concluiu que o Presidente israelita, Isaac Herzog, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ex-ministro da Defesa, Yoav Gallant, incitaram o genocídio e que as autoridades israelitas não tomaram qualquer medida contra estas pessoas para punir essa incitação”. As investigações demonstraram que as autoridades e as forças de segurança israelitas cometeram “quatro dos cinco actos genocidas” definidos pela Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio de 1948. Estes crimes são “matar membros de um grupo; causar danos físicos ou mentais graves a membros de um grupo; impor deliberadamente ao grupo condições de vida calculadas para causar a sua destruição física, total ou parcial; e medidas destinadas a impedir nascimentos dentro de um grupo”. “A comunidade internacional não pode permanecer em silêncio perante a campanha genocida lançada por Israel contra o povo palestiniano em Gaza. Quando surgem sinais e provas claras de genocídio, a omissão em agir para o impedir equivale a cumplicidade”, segundo a Comissão.
Secretário Tai Kin Ip ouve opiniões sobre emprego e economia Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 17 Set 2025 O Governo iniciou a ronda de auscultações públicas para preparar as Linhas de Acção Governativa (LAG) para o próximo ano. O secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, reunido ontem com seis associações que deixaram sugestões quanto à promoção do emprego e desenvolvimento económico, e que enalteceram as políticas do Executivo. Segundo um comunicado emitido pelo Governo, o presidente da União de Estudiosos de Macau, Ip Kuai Peng, referiu a necessidade de optimizar a economia em torno da área da propriedade intelectual, que tem sido aplicada com a instalação de bonecos de marcas conhecidas na cidade para atrair turistas, além de defender mais apoios ao emprego jovem. Tai Kin Ip conversou também com o secretário-geral do Centro de Pesquisa Estratégica para o Desenvolvimento de Macau, Chan Chi Fong, que defendeu também os benefícios de apostar na economia associada à área da propriedade intelectual, sugerindo uma adaptação tendo em conta as características de Macau. Por sua vez, a vice-presidente da mesma associação, Chan Peng Peng, acredita que o Governo deve tornar mais atractivas as zonas históricas do território que serão alvo de revitalização em parceria com as empresas de jogo. Outra entidade ouvida por Tai Kin Ip foi a Associação de Estudo de Economia Política de Macau, presidida por Samuel Tong, que pediu mais apoios do Executivo para as pequenas e médias empresas (PME) e argumentou a necessidade de ajuste estratégico de negócio para acelerar e transformar a economia. Já a presidente do “Grand Thought Think Tank”, Lei Ngan Leng, sugeriu uma melhor coordenação diversificar a economia, desenvolvendo as indústrias culturais e avançando com a integração de Macau em Hengqin. Parabéns ao ZAPE Já o vice-presidente da Associação Económica de Macau, Henry Lei Chun Kwok, também quer apoios contínuos às PME, esperando que o Governo concretize a medida de criação de fundos para as indústrias em prol da transformação em resultados científicos e tecnológicos. Outro “think tank”, o “Doctoral Think Tank”, coordenado por Chan Kam Kun, defendeu a necessidade de reforço da cooperação e uma maior divulgação contra o crime de branqueamento de capitais. Chan Kam Kun não esqueceu a conveniência da emissão de vistos para estrangeiros, tendo reconhecido a eficácia do plano governamental de revitalização para a zona do ZAPE, onde se inclui a recente realização de uma feira de gastronomia.
Sexo: uma estratégia para o auto-conhecimento Tânia dos Santos - 17 Set 2025 O sexo é um espelho para as fragilidades e um caminho para o auto-conhecimento. Mais do que o prazer, o sexo une o que está normalmente separado: o processo de fusão testa a porosidade dos limites pessoais. Torna-se num portal para as vulnerabilidades e dificuldades mais profundas. O que mais revela é a forma (e a dificuldade) que temos de nos ligarmos com os outros. Não será de admirar, a vulnerabilidade sexual implica exposição física, emocional e simbólica ao mesmo tempo. Expõe a pele, as imperfeições e expõe o medo da rejeição, a dificuldade em pedir, a vergonha dos desejos e emoções que não parecem “normais”. O sexo como artefacto cultural é uma tentativa de produzir máscaras protectoras a esse desconforto. Há uma associação clara do sexo à estética do superficial. É o domínio do não-real, o fantasiado, os corpos e as vidas que se pavoneiam pelas redes sociais, as cirurgias plásticas precoces de jovens que querem parecer-se de determinada maneira. A pornografia, a única fonte de “educação” que os jovens provavelmente têm actualmente, vive da fantasia e das expectativas irrealistas. Estas imagens não só moldam a forma como nos mostramos, como também agravam a dificuldade em nos expormos tal como somos — a vulnerabilidade fica mascarada por uma performance de perfeição. Tive uma amiga que se deitava maquilhada e acordava mais cedo do que o seu parceiro para retocar a maquilhagem, de modo a que ele visse sempre a sua melhor versão: haverá maior resistência do que esta? É por isso que falar sobre o sexo deve ser encorajado, porque no meio de tanta confusão é muito mais fácil agarrar em dogmas que explicam de forma deficiente a forma como o sexo manifesta partes de nós que não queremos olhar. Há vontades, desejos e medos não articulados que ficam reprimidos no fundo do ser e que lá permanecem para sempre, sem sequer darmos espaço a perceber o que dizem de nós. Recentemente encontrei uma rubrica no jornal The Guardian que me pareceu um passo na direcção oposta. Primeiro, por convidar os casais a partilhar as suas histórias de sexo; segundo, por valorizar as formas criativas que encontram para lidar com os encontros e desencontros humanos. Por exemplo, um dos casais conta que, no meio de uma aproximação e de uma relação intensa mas cheia de dúvidas, decidiram fazer uma pausa no sexo durante três meses e assumiram a distância como um espaço para se redescobrirem na relação — que funcionou. Este trabalho de dar sentido à vulnerabilidade, em vez de deixar que a experiência sexual permaneça no vazio, evita que as pessoas se sintam sozinhas e perdidas, sem perceberem porque é que o sexo pode ser um gatilho tão intenso para vivências que não conseguem explicar — para emoções cuja origem lhes escapa. Padrões de comunicação, desequilíbrios de poder, proximidade e distanciamento: tudo se recria no sexo. O quarto torna-se um palco onde se repetem, em miniatura, os mesmos jogos emocionais que vivemos no dia-a-dia. Claro que o kink, as brincadeiras sexuais, os fetiches e o role-play têm essa dimensão simbólica bem mais assumida, com uma compreensão mais aprofundada de que é preciso expressar sensações, emoções e conteúdos em espaços seguros e contentores (e.g. BDSM). Não deixo de ser estupidamente optimista no desejo de trabalhar o sexo como um caminho para a auto-descoberta. É precisamente no jogo entre fragilidade e potência que reside o paradoxo do sexo — lugar de imobilização e de movimento. Quando é usado como esse portal metafórico para o auto-conhecimento, garanto: o resultado é impressionante. Para aqueles que querem pensar mais sobre si próprios, podem começar com questões simples. Como é que eu me posiciono em relação ao sexo? Como é a minha relação com o prazer? Como é que gosto de ser seduzida? Que emoções é que evoca? Como é que eu reajo a elas? E, mais importante ainda, como é que uma visão mais aberta e consciente do sexo poderá permitir as mudanças tão desejadas na forma como nos relacionamos uns com os outros? É no espaço entre a vulnerabilidade e a libertação do sexo que encontramos talvez a melhor metáfora do que é ser humano.
Timor-Leste | Segundo dia de protestos termina com dança e recolha do lixo Hoje Macau - 17 Set 2025 O segundo dia de protestos de estudantes em Díli contra as regalias dos deputados timorenses terminou com dança e recolha de lixo, depois de uma intensa troca de gás lacrimogéneo e pedras entre manifestantes e polícia Ao início da manhã de ontem, os jovens iniciaram a manifestação em frente à Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL) e junto ao parlamento sob um forte dispositivo policial, que condicionou os manifestantes e acabou por os empurrar para dentro do estabelecimento de ensino. Depois de negociações entre estudantes e as forças de segurança, a polícia permitiu a manifestação mais ao cimo da Avenida de Lisboa, onde fica situado o Parlamento Nacional, a UNTL e o Arquivo do Museu da Resistência. Mas os ânimos exaltaram-se e rapidamente começou a ser disparado gás lacrimogéneo contra os manifestantes, que responderam com o arremesso de pedras e pneus queimados nas estradas, tendo sido incendiada uma viatura do Estado. Os distúrbios afectaram a zona do Palácio do Governo, do Banco Nacional Ultramarino, do Páteo, da Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL) e do Ministério da Justiça. Ao início da tarde, após novas negociações entre manifestante e polícias, o dispositivo das forças de segurança foi reduzido e os jovens voltaram para a frente da UNTL e do Parlamento Nacional para terminar o segundo dia de protesto. “Os 65 deputados que estão actualmente no Parlamento Nacional não representam o povo timorense, não discutem os interesses legítimos do povo. Os deputados aproveitam o cargo para atingir os seus direitos pessoais, de grupo e partidários, mas não se responsabilizam pelo sofrimento que o povo enfrenta”, disse à Lusa o estudante César João Batista. Vicentino da Costa Lemos também criticou a actuação dos deputados “malandros”, salientando que os universitários estão a representar a voz do povo. “Os deputados tomam decisões malandras e nós vamos lutar contra. A resistência dos universitários, firmeza sem reserva, a luta continua”, afirmou Vicentino da Costa Lemos. Junto ao parlamento, os jovens gritaram palavras de ordem contra os deputados, mas também dançaram músicas tradicionais timorenses. O protesto terminou de forma pacífica, com os estudantes a serem convocados para o último dia de manifestação, que se realiza hoje. No fim, os jovens recolheram o lixo, incluindo os pneus queimados, deixados pelas várias ruas por onde passaram em confronto com a polícia. Ruas em chamas Os bombeiros de Timor-Leste apoiaram as forças de segurança com quatro viaturas e a apagar os fogos provocados pelos manifestantes em Díli, que protestam contra as regalias dos deputados. “Este acontecimento obrigou-nos urgentemente a intervir para apoiar a polícia em incêndios ligeiros. Considerámos necessário combater desde logo estas pequenas situações”, disse à Lusa Aníbal o director nacional dos bombeiros, Paulo de Oliveira Maia, enquanto se encontrava no terreno a apagar pneus incendiados por estudantes em frente à zona de Benfica. “Quando há um alerta, nós respondemos de imediato e a nossa intervenção procura evitar que um incêndio se transforme em algo grave que possa afectar recursos importantes. É essa a nossa intervenção, de caráter preventivo”, afirmou o director. O responsável disse que, até ao momento, os estudantes incendiaram apenas objectos ligeiros, como pneus. “As nossas viaturas de bombeiros também sofreram alguns danos, mas algumas, devido à protecção existente, não chegaram a ser atingidas. Sempre que há manifestações, deparamo-nos com estas condições e situações”, acrescentou Oliveira Maia. A polícia timorense conseguiu deter ontem dois estudantes do sexo masculino, que foram levados para a esquadra. Um deles, Nilton Xavier Belo, afirmou que durante a manifestação houve desentendimentos entre a Polícia Nacional de Timor-Leste e os estudantes. “Estou pronto para assumir a responsabilidade pelo acto que acabou por ser provocado pelos meus colegas. Estou pronto para ser responsabilizado”, declarou o estudante. “Isto faz parte da democracia e da liberdade de opinião. Estou aqui para representar os meus colegas, mas em relação ao anarquismo, não pratiquei nenhum acto. Esta é a minha posição, não há nada que justifique a polícia deter-me”, afirmou o estudante da Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL), pedindo aos companheiros para continuarem a lutar. Os estudantes de quatro universidades de Timor-Leste iniciaram segunda-feira um protesto contra as regalias dos deputados, que acabou por ser disperso com gás lacrimogéneo pela polícia, depois de os manifestantes atirarem pedras e outros objectos contra o Parlamento Nacional, onde decorria a abertura da terceira legislativa da sexta legislatura.
Diplomacia | MNE defende que China e Europa “devem ser amigos” Hoje Macau - 17 Set 2025 O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, defendeu que “China e Europa devem ser amigas, não rivais, e cooperar, não confrontar-se”, durante um périplo pela Europa, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. De acordo com o porta-voz da diplomacia chinesa Lin Jian, Wang expressou durante o périplo, que incluiu paragens na Áustria, Eslovénia e Polónia, o desejo de que estes países “contribuam para o desenvolvimento saudável e estável das relações entre a China e a União Europeia”, numa altura em que Pequim tenta reforçar os laços com o bloco europeu, face ao agravamento das tensões com os Estados Unidos. Durante a viagem, que decorreu entre sexta-feira e ontem, Wang criticou “a hegemonia unilateral” num contexto internacional “turbulento e complexo”, numa alusão indirecta a Washington. Em resposta, os líderes dos três países visitados manifestaram apoio ao multilateralismo, à autoridade das Nações Unidas e ao reforço da paz e do desenvolvimento globais, afirmou o porta-voz. A guerra na Ucrânia foi um dos temas centrais da agenda. Em Viena, a ministra austríaca Beate Meinl-Reisinger apelou a Pequim para exercer a sua influência sobre Moscovo no sentido de pôr fim à invasão, reiterando a disponibilidade da Áustria para acolher futuras negociações. Em Liubliana, a ministra eslovena dos Negócios Estrangeiros, Tanja Fajon, apelou à China para ajudar a alcançar uma paz “justa e duradoura”, enquanto em Varsóvia, as autoridades polacas pediram medidas contra as “acções destrutivas da Rússia” e as provocações por parte da Bielorrússia.
Comércio | DiDi investirá 320 ME na sua filial de entregas no Brasil Hoje Macau - 17 Set 2025 O grupo chinês DiDi vai investir dois mil milhões de reais (320 milhões de euros) na expansão da plataforma de entregas 99Food no Brasil, anunciou ontem a Presidência brasileira. A aplicação, que visa competir com a brasileira iFood e a colombiana Rappi, já opera em São Paulo (sudeste) e Goiânia (centro-oeste). Com o novo investimento, a empresa pretende estender os serviços a pelo menos 15 capitais regionais até ao final de 2025 e atingir 20 até Janeiro de 2026, informou o grupo, após uma reunião entre o presidente da DiDi, Will Cheng Wei, e o chefe de Estado brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o comunicado, os fundos servirão também para apoiar a criação de infra-estruturas para estafetas, com pelo menos 50 milhões de reais (oito milhões de euros) destinados à construção de postos físicos em várias cidades, com casas de banho, locais de descanso, carregadores de telemóveis e fornecimento de água. Está igualmente previsto um programa de crédito para a compra ou aluguer de motas eléctricas das empresas Galgo, Riba e Vammo, que poderá beneficiar até 600 mil estafetas ao longo de cinco anos. O montante total deste programa, de até seis mil milhões de reais (967 milhões de euros), não está incluído no investimento de dois mil milhões de reais anunciado. A DiDi também assinará uma parceria com o fabricante chinês de motas eléctricas Yadea, que possui uma fábrica em Manaus (norte), para produzir veículos a serem oferecidos em condições preferenciais aos entregadores da 99Food. “Esse investimento reforça o papel central do Brasil na estratégia global da DiDi. Poucos mercados combinam escala, inovação e oportunidades como o brasileiro”, declarou Cheng, citado no comunicado. O mercado de entregas por aplicação no Brasil é atualmente dominado pela iFood, com cerca de 50 milhões de utilizadores, enquanto a Rappi afirma contar com 20 milhões.
Soberania | China acusa Manila após incidente em recife disputado Hoje Macau - 17 Set 2025 A China acusou ontem as Filipinas de “violar gravemente” a sua soberania, após a Guarda Costeira chinesa afirmar ter tomado “medidas de controlo” contra embarcações filipinas que alegadamente realizavam actividades “ilegais” nas imediações do recife disputado de Scarborough “As Filipinas enviaram vários navios governamentais para invadir as águas territoriais da ilha Huangyan [nome dado pela China ao recife], infringindo gravemente a soberania, os direitos e os interesses da China, além de minar a paz e a estabilidade marítimas”, declarou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, em conferência de imprensa. Segundo Lin, as acções adoptadas por Pequim para proteger a sua soberania territorial e os seus direitos marítimos “são legítimas e irrepreensíveis”. “As provocações deliberadas de Manila são a principal causa da actual tensão”, disse, instando as Filipinas a cessarem de imediato as “violações” e a não subestimarem “a firme determinação da China em defender os seus interesses legítimos”. A Guarda Costeira chinesa indicou que mais de dez navios filipinos entraram no recife “a partir de diferentes direcções”. Em resposta, foram emitidas advertências por rádio, realizados controlos de rota e utilizadas mangueiras de água. Um dos navios filipinos, identificado como 3014, “ignorou repetidas advertências” e colidiu “de forma deliberada e perigosa” com uma embarcação chinesa em missão de patrulha, afirmou o porta-voz Gan Yu, culpando Manila pelo incidente. Ir mais além O recife de Scarborough – conhecido nas Filipinas como Bajo de Masinloc – está sob controlo chinês desde 2012 e é um dos principais focos de fricção entre os dois países. Manila protestou recentemente contra o plano de Pequim de declarar a área como reserva natural, alegando que se encontra na sua zona económica exclusiva. O recife fica a cerca de 220 quilómetros da costa ocidental de Luzon, nas Filipinas, e a cerca de 850 quilómetros de Hainan, a ilha chinesa mais próxima. A China reivindica quase a totalidade do mar do Sul da China, uma via estratégica por onde circula cerca de 30 por cento do comércio marítimo global, rica em recursos pesqueiros e com potencial de exploração energética, apesar das reivindicações sobrepostas de outros países, como Filipinas, Vietname ou Malásia.
Musas, ninfas, beldades chinesas – O erotismo suave na poesia de Yuan Mei António Graça de Abreu - 17 Set 2025 Texto e Tradução António Graça de Abreu Escrevendo sobre as ninfas e musas de Luís de Camões (ai, a Dinamene chinesa de Camões!), recordava recentemente o meu Amigo e editor Manuel S. Fonseca: “Quem são as Musas (de Os Lusíadas) : serão umas vinte Angelina Jolies ou Scarlett Johanssons a soprar doçuras ao ouvido de Camões?” Duzentos anos pós Camões, musas, ninfas, beldades chinesas, esposas e concubinas, o erotismo suave na poesia de um excepcional poeta do século XVIII, Yuan Mei (1716–1797) por mim agora traduzido. 洞房花烛夜 洞房花烛夜 春色满罗裳 卸尽金钗影 酥胸映粉光 Velas e flores no Pavilhão Nupcial No pavilhão das núpcias, a luz das velas entre as flores. Abre o roupão de seda, esvoaça a Primavera. Caem-lhe os alfinetes dourados do cabelo, reflexos de luz nos peitos macios, a pele, alva e fresca como neve. Logo em 1515, na sua Suma Oriental, o leiriense Tomé Pires falava assim das mulheres chinesas: “Lançam nos cabelos muitos pregos de ouro (…) São da nossa alvura e têm os olhos pequenos e outras grandes. E narizes como hão de ser.” 戏作 花下双双对月眠 香肌滑似水中莲 忽惊纤手遮灯去 只恐旁人见少年 Escrito a brincar Sob as flores, somos um par adormecendo ao luar, sua pele perfumada, lisa como pétalas de lótus. De repente, assustada, sua mão apaga a candeia, delicada, receia que alguém descubra o belo jovem a seu lado. 早起 晓色窗前未照衣, 云鬟松卸玉钗垂。 枕痕犹带香肌暖, 笑说梦中人是谁。 Amanhecer A luz da aurora não chegou ainda às suas vestes, dos cabelos desfeitos, como nuvens, cai um alfinete de jade. A almofada guarda o calor da sua pele perfumada, e ela questiona: “Quem era o homem do meu sonho?” 浴罢罗衣湿 浴罢罗衣湿 香肩点点凉 轻移莲步处 暗解玉环香 Humedecida, perfumada Após o banho, húmida como seda, perfumes ondulando nos seus ombros, a frescura do corpo. Ela vem com passinhos de lótus, pouco a pouco, desenlaçando o cinto de jade. 春衫慢解 笑解春衫慢 花裙堕地香 红云笼雪体 半醉倚东墙 As roupas caem como pétalas Sorri, desata as roupas da Primavera, a saia florida cai, perfumes esvoaçam no ar. Nuvens rubras pairam num corpo de neve. Ébria, encostada à muralha do leste. O bom dominicano Frei Gaspar da Cruz, no seu Tratado das Cousas da China, cap. XV, publicado em 1569, escreveu: “As mulheres, tirando as do longo do mar e dos montes, são muito alvas e gentis.” 舟中 两桨摇来浪拍船 罗衣湿透笑相看 纤腰一捻犹轻去 怕破芙蓉出水难 Na barca Duas fortes remadas, as ondas batendo no casco da barca, encharcado o seu vestido de seda, um sorriso de encantar. A cinturinha baloiça, cuidado para não cair, seria mais uma flor de lótus brotando das águas. 春夜 春夜灯前欲语迟 罗衫半解不胜时 忽闻邻笛吹杨柳 羞掩香腮笑问谁 Noite de primavera Noite de primavera, à luz da candeia, que posso eu dizer? Entreaberto o roupão de seda, tão leve, tão frágil. Voando sobre os salgueiros, chega o som de uma flauta, tímida, ela esconde o rosto perfumado. 赠美人 自从君去后 床上两三人 花气薰残梦 灯光照笑痕 Para uma beldade Partiste para incerto lugar, desde então, duas ou três no meu leito. O perfume das flores, ébrios meus sonhos tardios. O bruxulear do fogo na candeia acompanha o meu sorriso. Como diz o mexicano Octavio Paz (1914-1998), prémio Nobel da Literatura, numa sua raríssima recordação de um ménage à trois, “na cama, eram apenas três: ela, ele e a lua.” 夜归 夜色沉沉月半圆 归来犹带酒中欢 香肩扶上罗帏去 不记灯前笑语繁 De regresso, à noite Avança o silêncio da noite, a lua meio cheia, regresso animado pelo vinho que bebi. Apoio-me nos perfumes do seu ombro, conduzo-a até às cobertas de seda, eclipsam-se palavras, risos à luz da candeia. 午睡 午梦初回枕上春 香肩斜倚小罗裙 不知花外莺啼处 唤醒鸳鸯不许闻 Sesta da tarde A sesta da tarde, o sonho, o canto da Primavera na almofada, no leito. Seus ombros perfumados, ainda a sua saia de seda fina. Entre as flores, o chilrear de um rouxinol, em silêncio os patos mandarim. 池上 柳丝低拂小金船 水面红莲照晚天 谁道风流多惹事 鸳鸯并浴最缠绵 No lago Folhas de salgueiro acariciam o pequeno barco dourado, no lago, lótus vermelhos espelham o céu. O amor oscila ao sol do entardecer. a ternura dos patos mandarins, um banho na limpidez das águas. 花影 花影摇窗月半明 香房小坐话前情 低声怕惊帘外燕 偷将纤手入罗缨 A sombra de flores A janela escondida na sombra das flores, um leve luar ilumina a noite. Deitados no quarto perfumado, falamos de amores do passado, em voz baixa, para não assustar as andorinhas. Desvio a sua mão delicada para dentro do cordão de seda. 夜饮 灯下佳人笑语频 酒香微暖入罗巾 拥衾不觉鸡声起 窗外桃花又一春 Bebendo à noite À luz da almotolia, a beldade não pára de rir, de falar, os odores do vinho humedecem o seu lenço bordado. Abraçados sob as cobertas de seda, nem ouvimos o cantar dos galos. Pêssegos em flor anunciam mais uma Primavera. O quarto vazio Adoeci o ano passado durante as chuvas do Outono, tomaste conta de mim durante dois meses, exausta, dia e noite à luz da candeia. Sopraram ventos do oeste, recuperei a saúde, mas silenciosos os teus alfinetes de jade, triste o quarto vazio, a janela para sempre fechada. No ano de 1754, Yuan Mei adoeceu com malária. A concubina Tao, que o poeta muito estimava, cuidou dele com enorme dedicação. Faleceu no ano seguinte, subitamente, com 29 anos de idade. Yuan Mei escreveu então seis poemas breves em sua memória, um deles este último aqui traduzido.
Jorge Paiva reúne em livro 100 plantas mencionados na obra épica de Camões Hoje Macau - 17 Set 2025 Cerca de 100 plantas de vários continentes mencionadas por Camões na sua obra levaram o botânico Jorge Paiva a reconstituir em livro, disponível desde ontem, as viagens realizadas pelo poeta, no século XVI, entre Lisboa e o Extremo Oriente. Luís de Camões estudou primeiro em Coimbra, de cuja Universidade Jorge Paiva é professor jubilado, antes de partir para Norte de África, Ilha de Moçambique, Goa e Macau, período que parcialmente coincide com a saga dos navegadores portugueses, algumas décadas depois de a armada de Vasco da Gama chegar à Índia, em 1498. “Como ‘Os Lusíadas’ foram escritos, quase na sua totalidade, no Oriente e centrados nos Descobrimentos, grande parte das plantas referidas neste poema são asiáticas, particularmente especiarias e medicinais”, explica o cientista. O livro “As plantas na obra poética de Camões”, resultado de uma investigação de vários anos, “vai ser disponibilizado em acesso aberto no ‘site’ da Imprensa da Universidade de Coimbra (IUC)”, disse à agência Lusa a directora da instituição, Carlota Simões. No estudo, com 166 páginas, o biólogo afirma, por outro lado, que na lírica de Camões, “maioritariamente escrita em Portugal e centrada no amor e paixão, as plantas referidas são, quase na totalidade, europeias, mediterrânicas e, geralmente, utilizadas pelos poetas desde a Antiguidade Clássica”. “Algumas expedições botânicas em que participei [um pouco por todo o mundo] coincidiram com algumas das regiões por onde Camões andou ou alude nos seus poemas”, esclarece. Estando a decorrer as comemorações oficiais dos 500 anos do nascimento do criador de “Os Lusíadas”, que tem como comissário o camonista José Augusto Bernardes, da Universidade de Coimbra, a edição do trabalho de Jorge Paiva está prevista no programa desde o início. “Na época em que Camões viveu, as plantas mais conhecidas e citadas na literatura eram mais as plantas medicinais do que as alimentares e, na poesia, as ornamentais ou com relevância mitológica”, escreve. 60 plantas na obra épica Em “Os Lusíadas”, segundo o ambientalista, são referidas cerca de 60 plantas, “muitas asiáticas e aromáticas”, ao passo que na obra lírica surgem “muito menos espécies”, à volta de 40, sobretudo “europeias, campestres ou ornamentais”. “Camões conhecia bem as plantas medicinais asiáticas utilizadas por Garcia de Orta, não só através da leitura dos ‘Colóquios [dos Simples e Drogas da Índia’], como também por as observar vivas na natureza. Além disso, (…) conhecia certamente o horto de Garcia de Orta, em Goa”, admite. O investigador, nascido em Angola, em 1933, adianta que, “durante a sua estada na Ásia, particularmente em Goa, Camões, além dos conhecimentos botânicos e de fitoterapia conseguidos através do convívio com Garcia de Orta, seguramente teve oportunidade de convívios culturais com portugueses ilustres e cultos” que na altura residiam na colónia, anexada pela União Indiana, em 1961. Em “As plantas na obra poética de Camões”, Jorge Paiva também interpreta referências a árvores, ervas e flores originárias de terras que o poeta-soldado nunca visitou, como o Brasil e Timor. “Os portugueses quando viram o pau vermelho asiático, chamaram-lhe também pau-brasil, mas trata-se da madeira de uma árvore das florestas tropicais da Ásia Oriental”, exemplifica.
Cinema | Festival de curtas marca regresso de João Pedro Rodrigues e Rui Guerra da Mata Andreia Sofia Silva - 17 Set 2025 Os realizadores João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata marcam presença amanhã na segunda edição do Festival Internacional de Curtas-Metragens de Macau, que vai exibir obras como “Mahjong” e “Iec Long”. Mas há espaço na programação para histórias fora do contexto asiático, como “Turdus Merula, Linnaeus, 1758” e “Manhã de Santo António” A dupla de realizadores portugueses João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata está de regresso a Macau para mostrar, amanhã, um conjunto de curtas-metragens realizadas sobre o território ou a cultura chinesa. A iniciativa integra-se na programação do 2º Festival Internacional de Curtas-Metragens de Macau e traz ao público local filmes mais antigos como “Mahjong”, “Iec Long”, “Turdus Merula Linnaeus,1758” e “Manhã de Santo António”. Além disso, a dupla de realizadores participa numa conferência com moderação de Sung Moon, programadora do Jeonju International Film Festival, subordinada ao tema “From Shorts to Features: The Artistic Journey”, onde se falará do percurso artístico dos dois. Nas redes sociais, a dupla disse “estar muito honrada com o convite e feliz por voltar a Macau”, tendo feito parte, por exemplo, do rol de convidados do Festival Literário Rota das Letras. Além disso, o realizador João Rui Guerra da Mata já residiu em Macau. “Mahjong” é uma curta-metragem com referências à cultura chinesa, neste caso o tradicional jogo que dá título à obra, mas que foi filmada em Varziela, Vila do Conde, na zona norte de Portugal, onde reside uma importante comunidade chinesa de comerciantes. Varziela é tida como a maior “Chinatown” de Portugal. Neste filme, vemos um homem de chapéu e uma mulher desaparecida, bem como um sapato de salto alto, uma peruca loira e um vestido chinês. Dá-se “o confronto entre o Vento Leste e o Dragão Vermelho”, em que “os pontos cardeais são trocados como num derradeiro jogo de Mahjong”. O filme, feito em 2013 e com 35 minutos, contou com 45 selecções em festivais, 59 exibições e um total de 4.440 espectadores. “Iec Long”, de 2014, remete para a tradicional indústria de produção de panchões. Na sinopse do filme, lê-se que “foi em Macau que primeiro se ouviu a palavra panchão”, que vem do chinês “pan-tcheong” ou “pau-tcheong” e que está nos dicionários “como um regionalismo macaense também chamado ‘estalo da China’ ou ‘foguete chinês'”. O filme questiona “quem vive na antiga Fábrica de Panchões Iec Long”, isto numa altura em que o espaço não tinha sido alvo de renovação. Hoje, com o investimento do Instituto Cultural, a antiga Fábrica de Panchões Iec Long, na Taipa Velha, tornou-se num espaço cultural aberto ao público. Amores e desamores Outro filme escolhido para a exibição de amanhã, “Manhã de Santo António”, afasta-se deste cenário específico de Macau e da sua cultura, focando-se nos festejos do Santo António. Segundo a sinopse, “manda a tradição que no dia 13 de Junho, dia de Santo António, o padroeiro de Lisboa, os namorados ofereçam vasos de manjericos enfeitados com cravos de papel e bandeirolas com quadras populares como prova do seu amor”. É em torno dessas ideias e tradições que gira o filme. Numa perspectiva completamente diferente apresenta-se “Turdus Merula Linnaeus, 1758”, outro filme com realização de João Pedro Rodrigues e de João Rui Guerra da Mata. Trata-se de um filme de 2020 feito a convite da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, no âmbito do projecto “Sala de Projecção”. O filme “literaliza o olhar do realizador após a longa-metragem imediatamente precedente, ‘O Ornitólogo'”, feita em 2016, e que “de forma muito objectiva, é um filme observador de pássaros”. “Turdus Merula Linnaeus, 1758” é filmado em pleno confinamento, quando João Pedro Rodrigues se apercebeu “que na árvore diante do seu apartamento, um melro fizera um ninho e que lá nasceria uma ‘ninhada’ de pequenos melros”, sendo que “Turdus” remete para o “registo do choco, do eclodir, da alimentação e do primeiro voo destas aves”. O nome completo do filme é o nome científico atribuído ao melro comum, descreve-se na sinopse. A palestra com a dupla de realizadores decorre no Centro Internacional de Convenções da Galaxy, enquanto os filmes serão exibidos no Galaxy Cinema House 7.
Chikungunya | Registado 14º importado do ano Hoje Macau - 17 Set 2025 Macau registou o 14º importado de febre Chikungunya desde o início do ano, de acordo com um comunicado dos Serviços de Saúde (SS). O caso foi detectado numa mulher de 64 anos, residente na Travessa de Coelho do Amaral, que tinha estado entre 3 e 14 de Setembro em Jiangmen a visitar a família. “No dia 10 de Setembro, apresentou dores nas articulações dos membros e erupções cutâneas, tendo procurado assistência médica local [no Interior da China], mas os sintomas não melhoraram”, foi revelado. “Após regressar a Macau no domingo, deslocou-se de imediato ao Hospital Conde de São Januário para receber tratamento, tendo o exame sanguíneo dado positivo para o vírus Chikungunya na segunda-feira”, foi acrescentado. De acordo com os SS, a mulher está “actualmente internada, apresentando um estado clínico estável”. Como consequência deste caso, os SS anunciaram uma operação de exterminação química dos mosquitos na zona da residência da infectada. Dengue | Macau identifica novo caso importado Os Serviços de Saúde (SS) anunciaram ontem terem registado o 15º caso importado de febre de Dengue. Em comunicado foi explicado que o caso foi detectado numa mulher de 61 anos de idade, residente de Macau, no Istmo de Ferreira do Amaral, que foi infectada no Interior da China. A mulher esteve na cidade de Yunfu, em Cantão, entre 3 e 7 de Setembro. Depois de regressar a Macau, ainda voltou para o Interior, para a província de Jiangxi no dia 10 de Setembro. No dia seguinte apresentou febre. Como os sintomas não desapareceram foi a um hospital local, onde ficou internada. A 14 de Setembro, regressou a Macau para ser internada no Centro Hospitalar Conde de São Januário para receber tratamento médico. A infecção foi confirmada no dia seguinte. “Actualmente, o seu estado clínico é considerado estável. As pessoas com quem coabita e os companheiros de viagem não apresentaram quaisquer sintomas de indisposição”, foi comunicado. Os SS realizaram uma operação de extermínio químico de mosquitos perto do local de residência da paciente.
Zona A | Novas estradas e paragens de autocarro abrem ao público Andreia Sofia Silva - 17 Set 2025 As autoridades criaram novas disposições de trânsito e paragens de autocarro na Zona A dos Novos Aterros. Assim, desde as 10h de ontem que está em funcionamento a Via de Acesso A2, com circulação nos dois sentidos. Também “as principais artérias” da Zona A estão abertas ao trânsito, como a Avenida de Tai On, que já tem semáforos; uma parte da Avenida Doutor Ma Man Kei e a Avenida do Mar de Espelho. Os acessos à Avenida de Tai On fazem-se pela Avenida 1º de Maio, junto à Estação de Tratamento de Águas Residuais, Rua dos Pescadores e Avenida da Amizade. Segundo uma nota da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), haverá ainda duas novas paragens de autocarro a partir de amanhã, 18, com os nomes “Av. Tai On” e “Edf. Tong Kai”, fazendo a ligação às carreiras 101X, 102X e 103, já existentes. A DSAT admite “uma procura relativamente limitada no início da ocupação das habitações públicas na Zona A”, pretendo “priorizar as necessidades básicas de mobilidade dos residentes” com as novas disposições de trânsito, tendo em conta que há ainda obras a decorrer na zona. Espera-se ainda que a segunda fase de construção do viaduto da Rotunda da Amizade (Rampa B) fique concluída até ao final do ano, enquanto que uma parte do troço da Avenida Central da Zona Este, entre a Zona A dos Novos Aterros Urbanos e o Posto Fronteiriço de Macau na Ilha Artificial da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, fica fechado ao trânsito até Dezembro. Trata-se do troço desde a Ilha Artificial em direcção à Zona A, devendo os condutores contornar a Avenida de Bonança.
Habitação | Preços com quebras de 10 por cento em termos anuais Andreia Sofia Silva - 17 Set 2025 Os preços das casas em Macau continuam a cair: olhando para os meses de Maio a Julho deste ano, a queda foi de 10,4 por cento no Índice Global de Preços da Habitação face a igual período do ano passado. Em termos trimestrais, a queda foi de 1,1 por cento Os preços das casas continuam em queda, de acordo com os dados da Direcção dos Serviços de Estatísticas (DSEC). Nos meses de Maio a Julho deste ano, o Índice Global de Preços da Habitação foi de 194,0, o que representa uma quebra de 10,4 por cento face aos meses de Maio a Julho do ano passado. Destaca-se ainda uma quebra anual de 10,6 por cento no Índice das casas em Coloane, enquanto que na Taipa a quebra foi de 10,3 por cento. Olhando para o trimestre anterior, ou seja, os meses de Abril a Junho deste ano, a quebra dos preços foi de 1,1 por cento, registando-se a baixa de preços na ordem dos 2,1 por cento no Índice de preços das habitações construídas, que foi de 208,9 nos meses de Maio a Julho deste ano. Os dados revelam, porém, o aumento de 8,3 por cento no Índice de habitações em fase de construção, que entre Maio e Julho foi de 232,8, pelo facto de “novas fracções em construção terem sido colocadas à venda no período de referência”, informa a DSEC. Idades que pesam Os dados da DSEC dizem-nos também que os preços das casas também baixaram consoante os anos de construção, com a maior quebra, em termos trimestrais, a verificar-se nas casas que têm entre 11 e 20 anos de construção, com 3,3 por cento. Enquanto isso, nas casas com mais de 20 anos os preços baixaram 2,5 por cento entre Maio e Julho. Nas casas mais recentes, com seis a dez anos de construção, os preços até cresceram, mas apenas 0,5 por cento. Registou-se também uma quebra de 3,5 por cento, em termos trimestrais, nas casas que têm entre 75 e 99 metros quadrados, enquanto as casas com menos de 50 metros quadrados registaram uma quebra de 1,3 por cento face aos meses de Abril a Junho. Analisando por altura dos edifícios, o Índice de preços de habitações dos edifícios do escalão inferior ou igual a sete pisos aumentou 1,9 por cento, enquanto o índice dos edifícios com mais de sete pisos diminuiu 1,7 por cento.
Marcas | Nova classificação procura promover comércio Hoje Macau - 17 Set 2025 Para promover o consumo e relançar a economia, a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico lançou um novo sistema de classificação para pequenas e médias empresas. O novo programa de classificação e distinção das marcas foi apresentado ontem numa conferência de imprensa. De acordo com a apresentação do novo sistema, relatada pelo canal chinês da Rádio Macau, o objectivo das novas classificação passa por valorizar mais as marcas e negócios locais, ao mesmo tempo que se tenta criar novas atracções turísticas que promovam o consumo e levem os turistas aos bairros comunitários. As novas classificações dividem-se em três categorias “Marca Centenária”, “Marca Típica de Macau” e “Lojas com Características Especializadas e Delicadas”. Na primeira fase, apenas 100 pequenas e médias empresas podem ser classificados como “Lojas com Características Especializadas e Delicadas”. Estas vão receber apoios financeiros que podem chegar às 150 mil patacas, para financiar 60 por cento dos gastos com campanhas de marketing online, processos criativos de decoração e o lançamento de produtos patenteados. Em relação às categorias “Marca Centenária” e “Marca Típica de Macau” as candidatura não estão limitadas e encontram-se abertas. A associação Macau Chain Stores and Franchise vai assistir no processo de candidatura.
Economia | Comerciantes desvalorizam efeito de cupões de desconto João Santos Filipe e Nunu Wu - 17 Set 2025 Enquanto em Hong Kong se discute imitar a medida, em Macau, os comerciantes consideram que os descontos não são solução para os problemas estruturais relacionados com a quebra do consumo e o valor elevado das rendas Vários comerciantes locais desvalorizaram o impacto no volume de negócios e receitas produzido pelos cupões de consumo com descontos, no âmbito de iniciativas como o Grande Prémio do Consumo. Os depoimentos surgem no portal HK01, porque John Lee, Chefe do Executivo de Hong Kong, vai apresentar hoje as Linhas de Acção Governativa e a distribuição de cupões tem sido uma medida defendida por alguns deputados. Sobre o impacto em Macau, o dono de um café ao lado do Teatro Dom Pedro V, de apelido Ng, afirmou que o apoio é “leve” e que, quanto muito, contribui para a subida de 5 por cento do volume de negócios. O empresário explicou que actualmente o grande problema são as despesas de operação, como renda e salários, que continuam a ser elevadas. “Durante a pandemia, os senhorios eram mais flexíveis com as renda. Mas, hoje em dia, essa flexibilidade deixou de existir, ao mesmo tempo que os salários do funcionários também aumentaram”, explicou. “Se o Governo quiser mesmo alterar as tendências do mercado, espero que comunique directamente com as pequenas e médias empresas (PME), em vez de comunicar com as associações de PME. Esta comunicação não faz sentido,” destacou. Ng revelou que o seu café abriu há cerca de cinco anos e que foi logo atingido pela pandemia, depois de alguns meses. Após a pandemia, o empresário reconheceu que houve uma ligeira recuperação, à qual se seguiu uma nova quebra, que afirmou ter sido “drástica”. “O consumo dos residentes no Interior da China foi uma das razões, e também os clientes locais foram consumir para outros lados”, justificou. O proprietário do café considera que actualmente é mais arriscado apostar na restauração e serviços semelhantes do que jogar nos casinos: “No casino as hipóteses de perder são de 50 por cento, mas no sector de restauração as hipóteses de perder são de 70 por cento”, destacou. Consumo no norte dificulta Por seu turno, o dono de um restaurante na Rotunda de Carlos da Maia, de apelido Ho, também considerou que o apoio dos cupões não é assim tão significativo. O empresário do restaurante que está aberto há cerca de 40 anos explicou que o programa de descontos leva a um volume adicional de negócios na ordem dos 10 por cento. Ho explicou que este apoio não compensa o grande declínio do consumo, que indicou ter sido acelerado com a facilitação da deslocação para o Interior da China, onde os residentes consomem cada vez mais. “O declínio dos negócios é óbvio, o volume de negócios é mau nos fins-de-semana, em comparação com o que acontecia no passado”, explicou. Não vi qualquer recuperação depois da pandemia, e se houver vários dias consecutivos com feriados a situação torna-se mesmo péssima”, justificou. Também o empresário Un, que faz doces de barba de dragão na Rotunda de Carlos da Maia, afirmou não estar optimista face aos cupões de descontos. O residente que se dedica à confecção dos doces classificados como património cultural considera que a única solução para inverter a situação passa pelo consumo dos turistas. No entanto, lamenta que o ambiente e a confiança estejam longe de ser ideais.
Combustíveis | Introdução de gasolina sem chumbo 95 sem decisão Andreia Sofia Silva - 17 Set 2025 O Governo continua a analisar a possibilidade de o mercado local de combustíveis vir a ter a gasolina 95 sem chumbo. É o que consta numa resposta do Conselho dos Consumidores (CC) a uma interpelação escrita da deputada Ella Lei. “Está a ser investigada a viabilidade da introdução de gasolina sem chumbo 95 no mercado de Macau”, bem como os “problemas enfrentados” com esse novo fornecimento, nomeadamente no que diz respeito às “embarcações de transporte, instalações de depósito de combustíveis, os equipamentos dos postos de abastecimento de gasolina e de veículos de transporte”, descreve Ao Weng Tong, presidente substituto do CC. É explicado que existem factores de entrave à entrada de novos produtos petrolíferos no mercado, como “a regulamentação relativa à área e capacidade de armazenamento”. Relativamente à Lei de protecção dos direitos e interesses do consumidor, desde a sua revisão, em 2022, até ao dia 30 de Junho deste ano, foram instaurados 358 casos, sendo que 269 têm “os procedimentos administrativos concluídos”, o que, para o CC, representa uma taxa de resolução de quase 75 por cento.
Eleições | CAEAL valida 24 votos anteriormente declarados nulos Andreia Sofia Silva e João Santos Filipe - 17 Set 2025 A Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa validou 24 votos que anteriormente tinham sido considerados nulos, todos ligados ao sufrágio directo. As listas de Coutinho e Song Pek Kei ficaram, assim, com mais votos Estão fechados os resultados das eleições de domingo que levaram à escolha dos deputados para a Assembleia Legislativa (AL). A Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) apresentou ontem os dados de apuramento dos votos, sendo que uma das alterações passa pela validação de 24 votos anteriormente considerados inválidos. Deste universo, oito tinham sido contestados pelas listas e 16 considerados nulos, antes da reversão. Cheang Kok Chi, presidente da assembleia de apuramento geral da CAEAL, explicou que “os 24 votos inválidos que passaram a ser válidos são do sufrágio directo e [a mudança] não prejudicou a ordem ou os resultados”. “Em cada assembleia de voto, depois de terminar a votação, a Mesa tem uma decisão preliminar em relação aos votos, em que sobre alguns se pode decidir no imediato que são inválidos. Há membros das listas presentes para ver se podem ou não protestar quanto a essa decisão, pelo que há dois tipos de situações”, adiantou ainda. Assim, a lista Nova Esperança, liderada por José Pereira Coutinho e que se sagrou a grande vencedora das eleições, colocando três deputados no hemiciclo, ganhou mais seis votos com esta alteração, pois no apuramento preliminar de domingo a lista ficou com 43.361 votos. Também a lista Associação dos Cidadãos Unidos de Macau, liderada por Song Pek Kei, ganhou mais cinco votos, passando dos 29.459 votos registados na contagem de domingo para 29.464 votos divulgados ontem. Os votos em branco cifraram-se em 5.987, representando 3,42 por cento, enquanto que os votos nulos foram 7053, representando 4,02 por cento. O responsável da CAEAL garantiu que a lei “prevê também expressamente que, durante o apuramento dos votos, as pessoas [membros das listas candidatas] possam estar presentes além dos membros da assembleia de apuramento dos votos e assistentes”. Uma forma de trabalhar Cheang Kok Chi não deu uma justificação clara para o facto de não serem mostrados os votos nulos, evocando o dever de sigilo, apesar da prática ser comum das eleições anteriores. “Quanto ao facto de os votos não estarem identificados, antes de realizarmos os trabalhos de apuramento nunca sabemos como são os boletins de voto. Tendo isto em consideração, escolhemos esta forma para realizar os nossos trabalhos de apuramento”, afirmou.
Governo garante que avalia impacto de obras no Património Mundial João Santos Filipe - 17 Set 2025 O Governo garantiu apresentar periodicamente ao Centro do Património Mundial as informações sobre estudos e relatórios, antes de fazer obras no território que vão ter impacto no centro histórico. A posição foi tomada em resposta a uma interpelação escrita do deputado Ron Lam. No documento inicial, Ron Lam pretendia perceber o que levou que o Comité do Património Mundial a exigir várias vezes à RAEM a apresentação de documentos como “Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico de Macau”, o “Plano Director” e o “Plano de Pormenor da Zona A dos Novos Aterros Urbanos”. O legislador explica que actualmente o Comité do Património Mundial considera que a RAEM actua de forma contrário ao artigo 172.º da Convenção do Património Mundial, porque no caso de haver obras que afectam o “Valor Universal Excepcional do património” é necessária a apreciação do próprio Comité do Património Mundial. No entanto, os documentos não foram entregues e a RAEM até publicou o Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico de Macau antes da conclusão da apreciação pelo Comité do Património Mundial. Comunicação estreita Por sua vez, o Executivo recusa as críticas, fala em “comunicação estreita” e considera que fornece a informação necessária. “Governo da RAEM tem vindo a apresentar periodicamente ao Centro do Património Mundial, através de diversos meios e canais, incluindo o mecanismo de comunicação constante, informações sobre estudos e relatórios, mantendo uma comunicação estreita com a Administração Estatal do Património Cultural e o Centro do Património Mundial”, foi apontado, numa resposta assinada pelo vice-presidente do Instituto Cultural, Cheang Kai Meng. O Governo informou também que no caso da “Avaliação do impacto patrimonial e concepção urbana da zona ao redor da Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues” submeteu “o conteúdo principal” ao Centro do Património Mundial. O Executivo garante também que vai realizar estudos “nos termos das exigências constantes das decisões do Centro do Património Mundial”.
Função Pública | Coutinho diz que não recebeu queixas sobre votos forçados João Santos Filipe - 17 Set 2025 O candidato mais votado das eleições e presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau recusou ter recebido queixas sobre pressões para votar e até referiu que houve elogios de funcionários públicos à organização das eleições José Pereira Coutinho, vencedor das eleições de domingo, afirmou não ter recebido queixas de funcionários públicos na sequência das várias pressões governamentais para que fossem votar. As declarações foram citadas pelo jornal Cheng Pou, e ocorreram na segunda-feira à tarde, durante um evento para agradecer aos votantes. De acordo com as declarações citadas pela publicação, José Pereira Coutinho afirmou não só não ter recebido qualquer queixa, como destacou ter havido elogios de funcionários públicos à forma como o processo eleitoral decorreu, principalmente no que diz respeito à questão do trânsito. José Pereira Coutinho elogiou também os trabalhos da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL), ao afirmar que todas as mesas de voto funcionaram sem problemas, o que considerou uma “melhoria significativa” em comparação com as eleições de 2021. A lista Nova Esperança conta com o apoio da estrutura da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), presidida pelo próprio Pereira Coutinho. Antes das eleições foram reveladas várias pressões por parte dos serviços públicos da RAEM, a pedir aos trabalhadores públicos que fossem votar. Além disso, Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, escreveu cartas a informar os trabalhadores que considerava o voto um “dever” e uma prova “relevante” de lealdade à RAEM. A partir de Novembro os trabalhadores da administração pública que não foram considerados leais à RAEM podem ser despedidos. Pedida confiança na CAEAL No evento de agradecimento aos eleitores, Pereira Coutinho foi igualmente confrontado com as alterações promovidas pela CAEAL que passaram a impedir a população de ver os votos que são considerados nulos. Nas eleições de domingo, os votos nulos mais do que triplicaram, face a 2021, para mais de 7.000. Anteriormente, a CAEAL costumava projectar os boletins de voto inválidos, que muitas vezes exprimiam opiniões políticas, outras mensagens e até insultos. Sobre o facto destes votos deixarem de ser mostrados publicamente, José Pereira Coutinho indicou que as pessoas devem confiar no Governo da RAEM e nos funcionários públicos. O deputado defendeu também que se houver falhas os serviços públicos vão analisá-las e corrigi-las. O deputado afirmou igualmente não ter recebido qualquer tipo de queixa dos representantes da lista Nova Esperança que acompanharam a contagem dos votos sobre a forma como foram contados os votos nulos. Nas eleições de domingo, a lista liderada por José Pereira Coutinho conseguiu mais de 43 mil votos, o que fez com que fosse a mais votada e elegesse três deputados. Além de Coutinho, deputado desde 2005, a lista vai contar na Assembleia Legislativa com Che Sai Wang, deputado desde 2021, e Chan Hao Wang, que se vai estrear no hemiciclo.
IC | Bibliotecas da Ilha Verde e Parque Sun Yat Sen abertas até à meia-noite Hoje Macau - 16 Set 2025 O Instituto Cultural (IC) anunciou ontem que a Biblioteca do Bairro da Ilha Verde e a Biblioteca de Wong Ieng Kuan no Parque Dr. Sun Yat Sen vão ajustar o horário de funcionamento a partir de 1 de Outubro, “de modo a optimizar os serviços de leitura pública e satisfazer as necessidades diversificadas dos residentes.” O IC acrescenta que, apesar de o ajuste prever a abertura das duas bibliotecas nos feriados obrigatórios e feriados públicos, vão encerrar “às 14h na véspera do Novo Ano Lunar e no 1.º, 2.º e 3.º dia do Novo Ano Lunar”. O IC refere também que desde a entrada em funcionamento da Biblioteca do Bairro da Ilha Verde em 2024, “tem-se registado um aumento significativo do número de entradas, o que demonstra uma procura elevada da biblioteca por parte dos residentes”. Em relação à Biblioteca de Wong Ieng Kuan no Parque Dr. Sun Yat Sen, o IC sublinha a proximidade com o Posto Fronteiriço das Portas do Cerco, indicando que “o prolongamento do horário de funcionamento poderá satisfazer as necessidades de leitura nocturna de residentes da Zona Norte e de estudantes do Interior da China”.