Segurança | Suécia acusa Rússia por drones sobre Dinamarca e envia ajuda Hoje Macau - 30 Set 2025 O primeiro-ministro sueco acusou esta segunda-feira a Rússia de estar na origem dos ‘drones’ que têm invadido o espaço aéreo dinamarquês, a dias de uma cimeira europeia, em Copenhaga, anunciando ajuda militar, tal como a França. “A probabilidade de a Rússia querer mandar uma mensagem a um país que apoia a Ucrânia é bastante elevada”, mas “ninguém sabe verdadeiramente”, afirmou Ulf Kristersson, indicando confirmando que os ‘drones’ que sobrevoaram a Polónia, no início de Setembro, eram russos. Os ‘drones’ foram detectados várias vezes na Dinamarca e na Noruega, na passada semana, e provocaram o encerramento de diversas estruturas aeroportuárias, como a maior base militar dinamarquesa, Karup. “Tudo aponta para a Rússia, mas todos os países têm as suas cautelas antes de apontar o dedo a alguém, se não tiverem a certeza. Na Polónia, sabemos que foi mesmo assim [a Rússia]”, continuou Kristersson. As autoridades dinamarquesas anunciaram que vão fechar o seu espaço aéreo até sexta-feira, dada a realização do encontro de líderes continentais, até para que os alegados ‘drones’ inimigos não sejam confundidos com outros, devidamente autorizados. Toda e qualquer infracção destas regras especiais pode vir a ser punida com coima e até pena de prisão de até dois anos. “Há um país que é uma ameaça para a segurança da Europa. É a Rússia”, disse a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen. “Foi destacado um contingente dos diversos ramos (das Forças Armadas francesas) para a Dinamarca. Este destacamento contempla 35 efectivos, um helicóptero Fennec e meios de combate ‘antidrone'”, lê-se em comunicado do Ministério da Defesa francês.
Nanjing | Morre aos 94 anos uma das últimas sobreviventes de massacre Hoje Macau - 30 Set 2025 Uma das últimas sobreviventes chinesas do massacre de Nanjing, Xiong Shulan, morreu a 27 de Setembro aos 94 anos, anunciou ontem o Centro Memorial das Vítimas daquela matança. Com o falecimento de Xiong Shulan, restam 25 sobreviventes do episódio ocorrido em finais de 1937, quando tropas japonesas invadiram a então capital chinesa e, durante seis semanas, saquearam, incendiaram, violaram e assassinaram entre 150 mil e 340 mil pessoas, segundo várias fontes históricas. Nascida em 1931, Xiong tinha seis anos quando, juntamente com a família, se refugiou num abrigo subterrâneo para escapar ao massacre. Recordava que a mãe perdeu o bebé que esperava, a tia foi violada e o tio assassinado de forma “extremamente brutal”. Também descreveu montes de cadáveres acumulados nas proximidades do local onde hoje se ergue o memorial. Os testemunhos de Xiong e de outras vítimas foram inscritos em 2015 no Registo da Memória do Mundo da UNESCO. Este ano já tinham falecido outros dois sobreviventes, Yi Lanying e Tao Chengyi, ambos em Fevereiro, aos 99 e 89 anos. A China assinala anualmente o 13 de Dezembro como dia de luto nacional pelas vítimas da chamada “Matança de Nanjing”. O episódio está ainda no centro de uma disputa histórica com o Japão, acusado por Pequim de adoptar uma postura revisionista sobre a invasão e os crimes de guerra cometidos, que incluíram massacres de civis, utilização de mulheres como escravas sexuais e experimentação com armas biológicas.
Inteligência artificial ao serviço do suicídio (II) David Chan - 30 Set 2025 A semana passada, falámos sobre um casal californiano que processou a empresa de tecnologia OpenAI e o seu director executivo, Sam Altman, por ter o chatbot gerador de inteligência artificial, ChatGPT, fornecido informação e incentivado o seu filho Ryan, de 16 anos, a cometer suicídio. Este caso não é complexo, mas as questões jurídicas, éticas e tecnológicas que levanta são dignas de reflexão alargada. Embora os pais de Ryan tenham movido uma acção contra a OpenAI e e contra o seu director executivo, Sam Altman, estamos perante um processo cível e não um processo crime. A razão é simples: é uma tecnologia recente e actualmente carece de regulamentação legal. Se o incentivo ao suicídio é um crime, então deve ser condenado. No entanto, não existe actualmente nenhuma lei que prevejan a possibilidade deste incentivo partir de plataformas de Inteligência Artificial, impossibilitando assim acções criminais. A situação é semelhante para os processos cíveis. Como não há uma lei que estipule que o suicídio induzido por IA é ilegal, os pais de Ryan só puderam mover uma ação judicial de “responsabilidade pelo produto” com base na alegação de “produto defeituoso”. O sucesso d processo dependerá de os tribunais da Califórnia aceitarem a argumentação legal. Do ponto de vista ético, Altman declarou que a OpenAI estava a tentar encontrar formas de notificar as agências governamentais competentes se de futuro um menor discutisse seriamente com o ChatGPT questões relacionadas com suicídio e a empresa não conseguisse contactar os pais. No entanto, este método não deve avançar porque vai contra a política da empresa de protecção da privacidade. Afirmou ainda que o ChatGPT não deve apoiar nem contestar nada, o que significa que não deve tomar posição. Do ponto de vista tecnológico, a IA é incapaz de compreender as complexidades do pensamento humano. Por exemplo, se uma pessoa diz para outra ; Da próxima vez que nos encontrarmos, tomamos um chá; a IA apenas interpreta como; De futuro, num momento qualquer, duas pessoas vão tomar chá. No entanto, se estas palavras forem apenas um acto de cortesia, e na verdade aquele que as escreveu não tiver intenção de rever o outro, existe aqui uma complexidade psicológica que está fora do alcance da actual tecnologia de IA. Quando a IA não consegue compreender o verdadeiro significado de uma frase, como é que os utilizadores podem interpretar as suas respostas? Depois de considerar as questões legais, éticas e tecnológicas, que medidas podemos efectivamente tomar para resolver os problemas levantados pela IA? O ChatGPT, originário dos Estado Unidos, deverá ser regido pela lei norte-americana. Em resposta ao caso Ryan, esperamos que este país considere a rápida adopção de leis que regulem a responsabilidade cível e criminal de quem usa a IA para fins ilegais. Os utilizadores do ChatGPT estão espalhados por todo o mundo. Ao implementar leis que regulem o sector, os EUA devem permitir que utilizadores de outros países possam recorrer aos tribunais americanos para pedir indemnizações ou para mover acções semelhantes à dos pais de Ryan. Imaginemos um utilizador britânico que se confronta com uma situação similar. Se o Reino Unido não tiver legislação específica, os pais do menor não têm outra opção senão mover o processo nos EUA. Só com protecção legal adequada poderão os utilizadores de todo o mundo continuar a aceder com confiança ao ChatGPT. Se uma empresa que gere o ChatGPT descobre que um menor está a morbidamente interessado no suicídio e não consegue contactar os seus pais, mas não liga à polícia por motivos de protecção de privacidade, isso significa que a privacidade tem mais valor do que a vida? Em que termos é que pode a empresa escolher entre proteger a privacidade e salvar uma vida? Deve violar a privacidade para salvar uma vida, ou deve fechar os olhos perante um potencial suicídio e proteger a privacidade? As questões éticas são mesmo assim; nenhuma escolha é fácil. Se o direito à privacidade e o direito à vida forem incompatíveis, poderá o ChatGPT ignorar certas perguntas limitando-se a não dar resposta? Ou poderá dar uma resposta que seja simplesmente, “Esta questão poderá ser ilegal, por isso recuso-me a responder. O utilizador deve consultar um advogado antes de decidir se deve prosseguir.” O caso Ryan é apenas o começo dos problemas com a IA. Quanto mais implantada estiver esta tecnologia, mais questões surgirão. Coisas mais inesperadas e bizarras serão reveladas de futuro. Para além de desenvolver a tecnologia e aperfeiçoar a qualidade da IA, os fabricantes também deve envidar esforços para lembrar constantemente os funcionários das suas responsabilidades sociais, da importância da ética empresarial e da necessidade de os produtos cumprirem os padrões de segurança. As empresas de IA podem tomar a iniciativa de realizar “auditorias de éticas”, com auditores externos, durante as auditorias financeiras anuais para avaliar se os empregados estão à altura dos padrões éticos empresariais e se a consciência ética da empresa é suficiente. Este procedimento daria aos utilizadores muita tranquilidade. A promoção e a educação são essenciais para que os utilizadores compreendam correctamente a IA. Se perceberem que a IA é apenas um método informatizado de divulgação de informação, desprovido de quaisquer emoções humanas, ficarão naturalmente menos inclinados a confiar nas suas respostas e o número de casos complicados irá diminuir. Apenas ao compreender totalmente as limitações da IA e apostando continuamente no aperfeiçoamento poderemos maximizar os seus benefícios. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau Email: cbchan@mpu.edu.mo
Guizhou | Ex-dirigente condenado à morte com pena suspensa Hoje Macau - 30 Set 2025 Um tribunal da cidade chinesa de Chengdu condenou ontem à pena de morte com suspensão de dois anos Chen Yan, antigo vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês na província de Guizhou, por corrupção. De acordo com um comunicado publicado na conta oficial do tribunal na rede social WeChat, Chen foi também condenado à privação dos direitos políticos vitaliciamente e à confiscação de todos os seus bens, no âmbito de crimes de suborno e abuso de poder. Este tipo de pena, comum na China em casos de corrupção, prevê a comutação para prisão perpétua caso o arguido não cometa novos delitos e mantenha bom comportamento durante o período de suspensão. Pelo crime de abuso de poder, Chen foi ainda condenado a sete anos de prisão. Segundo a sentença, entre 2012 e 2024, Chen aproveitou os cargos que ocupou – incluindo os de presidente da câmara das cidades de Tongren e Guiyang (capital da província) e de vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês – uma espécie de senado sem poder legislativo – para beneficiar indivíduos e entidades na atribuição de fundos públicos, adjudicação de projectos e aprovação de operações comerciais. Durante esse período, Chen terá recebido subornos no valor superior a 357 milhões de yuan. O tribunal classificou os montantes envolvidos como “particularmente elevados” e considerou que as acções de Chen causaram “danos especialmente graves” aos interesses do Estado e da população. A sentença teve em conta factores atenuantes como a confissão dos crimes e o arrependimento demonstrado pelo réu.
Myanmar | Onze membros de rede de fraudes e tráfico condenados à morte Hoje Macau - 30 Set 2025 Um tribunal chinês condenou ontem à pena de morte 11 membros do chamado “grupo criminoso da família Ming”, implicado em homicídios, burlas e tráfico de droga, com ligações à região fronteiriça de Kokang, no Myanmar. O tribunal da cidade oriental de Wenzhou emitiu ainda cinco penas de morte suspensas por dois anos – que costumam ser comutadas para prisão perpétua –, onze sentenças de prisão perpétua e doze penas entre cinco e 24 anos de prisão, segundo o Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês. As condenações dizem respeito a um total de 14 crimes, incluindo homicídio intencional, burla, posse ilegal de armas e organização de redes de prostituição. As sentenças incluem também coimas, confiscação de bens e, nalguns casos, expulsão do território chinês. Segundo o tribunal, o grupo, articulado em torno de membros da chamada “família Ming”, usou a sua influência e o controlo de forças armadas locais na região de Kokang, no Myanmar, para estabelecer centros operacionais em locais como Laukkai, a partir de 2015. Estes centros serviram como base para operações de fraude electrónica, jogos de azar ilegais, tráfico de droga e prostituição, dando protecção armada a investidores e patrocinadores envolvidos nas actividades. A sentença indica que as burlas e atividades de jogo movimentaram mais de 10 mil milhões de yuan. O tribunal deu ainda como provado que dez pessoas foram assassinadas e duas ficaram feridas por tentarem escapar ou resistir às ordens dos criminosos.
PCC | Quarto plenário do Comité Central marcado para fim de Outubro Hoje Macau - 30 Set 2025 O Partido Comunista Chinês (PCC) vai realizar entre 20 e 23 de Outubro, em Pequim, o 4.º plenário do Comité Central, visando traçar a orientação do país para os próximos cinco anos, anunciou ontem a imprensa oficial chinesa. Segundo a agência noticiosa oficial Xinhua, os principais dirigentes do partido vão discutir o 15º plano quinquenal (2026–2030), que definirá metas estratégicas para o desenvolvimento económico, social e tecnológico da China num contexto de crescentes desafios internos e externos. O encontro ocorre num momento em que o país enfrenta uma conjuntura marcada por pressões comerciais dos Estados Unidos, abrandamento económico, fraca procura interna e taxas de natalidade persistentemente baixas. Em Abril passado, o Presidente chinês, Xi Jinping, já tinha adiantado que o próximo plano deverá “concentrar-se no objectivo de realizar a modernização socialista, com vista à construção de um grande país e à promoção da regeneração nacional”. A taxa de desemprego jovem atingiu 21 por cento em Agosto – o valor mais alto desde que as autoridades retomaram a publicação deste indicador com nova metodologia no ano passado. A produção industrial e as vendas a retalho também registaram no último mês o crescimento mais lento em cerca de um ano, segundo dados oficiais. O plenário deverá ainda consolidar as prioridades delineadas pelo PCC durante o Congresso de 2022, que reforçou o poder de Xi Jinping e reafirmou a meta de tornar a China num país socialista moderno até 2049, centenário da fundação da República Popular.
Corrupção | Ex-ministro da Agricultura condenado a pena de morte suspensa Hoje Macau - 30 Set 2025 O antigo ministro chinês da Agricultura e Assuntos Rurais Tang Renjian (2020-2024) foi ontem condenado a pena de morte com suspensão de dois anos por corrupção, informou a agência noticiosa oficial Xinhua. Segundo a sentença de um tribunal de Changchun, no nordeste da China, Tang recebeu subornos no valor equivalente a cerca de 38 milhões de dólares entre 2007 e 2024, em troca de favorecimentos em negócios, concursos públicos e nomeações. Todos os bens pessoais do ex-ministro serão confiscados e os ganhos ilícitos revertidos a favor do Estado, adiantou a agência. A pena de morte com suspensão, comum em casos de corrupção na China, pode ser comutada em prisão perpétua caso o condenado não volte a transgredir e tenha boa conduta durante o período de suspensão. A Xinhua salientou que os crimes de Tang causaram “graves danos aos interesses do Estado e do povo”, mas o tribunal concedeu clemência pela colaboração do arguido, que se declarou culpado, mostrou arrependimento e devolveu parte dos subornos. Tang foi alvo de investigação disciplinar em Maio de 2024 e expulso do Partido Comunista Chinês (PCC) em Novembro do mesmo ano por “graves violações” e suspeitas de corrupção, tendo sido formalmente detido semanas depois. As instâncias disciplinares acusaram-no de “ineficácia na implementação de decisões”, “decisões cegas”, “corrupção moral” e “ganância desenfreada”. O afastamento de Tang elevou para três o número de ministros afastados em menos de dois anos, após as destituições em 2023 do então ministro dos Negócios Estrangeiros, Qin Gang, e do titular da Defesa, Li Shangfu, também acusado de corrupção.
Coreia do Norte | Pequim quer reforçar relações “a todos os níveis” Hoje Macau - 30 Set 2025 O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, assegurou ontem à chefe da diplomacia norte-coreana, Choe Son-hui, que a China quer reforçar os intercâmbios com Pyongyang “a todos os níveis”, incluindo na coordenação multilateral “A China sempre considerou e promoveu o desenvolvimento das relações entre os dois países a partir de uma perspectiva estratégica e de longo prazo”, afirmou Li Qiang, segundo um comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. O chefe do Governo de Pequim disse ainda valorizar o “apoio constante e firme” de Pyongyang “em questões que afectam os interesses fundamentais e as principais preocupações da China”. Choe afirmou que “consolidar e desenvolver as relações com a China” é “uma posição inabalável” da Coreia do Norte. Pyongyang pretende “fortalecer os intercâmbios de alto nível, melhorar a comunicação entre as chancelarias dos dois países, promover a cooperação prática e aprofundar a coordenação multilateral”, acrescentou. A diplomata norte-coreana já se tinha reunido anteriormente com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, que classificou a manutenção e desenvolvimento das relações bilaterais como uma “directriz inquebrável” para a China, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua. Wang afirmou que os dois países devem aplicar os consensos alcançados durante a recente cimeira entre os líderes Xi Jinping e Kim Jong-un, reforçar a comunicação estratégica e ampliar a cooperação prática, além de coordenarem posições em fóruns internacionais contra o “hegemonismo”. Segundo a agência estatal norte-coreana KCNA, as duas partes alcançaram um “consenso total” sobre as questões internacionais e regionais discutidas. Santíssima trindade Nem Pequim nem Pyongyang confirmaram se Choe transmitiu um convite formal para que Xi Jinping ou outros altos dirigentes chineses participem no desfile militar pelo 80º aniversário da fundação do Partido dos Trabalhadores da Coreia, em outubro. A visita de Choe ocorre pouco depois de Kim Jong-un ter estado em Pequim, no início de Setembro, onde participou no desfile comemorativo do 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, naquele que foi o seu primeiro evento com vários líderes estrangeiros. Kim sentou-se na tribuna ao lado de Xi Jinping e do Presidente russo, Vladimir Putin, numa imagem de forte simbolismo que assinalou a aproximação entre os três países. A China continua a ser o principal aliado político e parceiro económico da Coreia do Norte, num contexto marcado pelas sanções internacionais contra Pyongyang e pela crescente cooperação militar entre este país e a Rússia.
Zoo Festival | Concertos de bandas locais, de Hong Kong e Taiwan para ouvir na Taipa Velha Andreia Sofia Silva - 30 Set 2025 A Fábrica de Panchões Iec Long, na Taipa Velha, recebe, entre amanhã e domingo, 5 de Outubro, o Zoo Festival, que conta com bandas locais, de Hong Kong e de Taiwan. Os espectáculos, com entrada gratuita, decorrem entre as 17h e as 22h, contando com bandas como “WhyOceans”, “SCAMPER” ou “Whale Belly”, entre muitos outros. Esta quarta-feira, no dia em que se celebra a implantação da República Popular da China (RPC), é dia das actuações dos “Whale Belly”, formação local que já teve o nome de “Joking Case”. Trata-se de um grupo com canções maioritariamente pop e que tem cinco membros, Coco, Dash, Pong2, Rill e Ronald, bastante ligados ao panorama “indie” da música local, fazendo músicas inspiradas nas suas próprias vidas. O nome “Whale Belly” foi retirado de uma canção dos Radiohead, “Lift”, e remete para a intenção da banda: que o público possa ouvir as suas canções como se estivesse na barriga de uma baleia, imerso num mar profundo e afastado da vida real, quase como uma experiência espiritual. Amanhã actuam também os “WhyOceans”, grupo formado em 2005 que sempre procurou criar um estilo musical próprio, a fim de proporcionar ao público experiências audiovisuais aprazíveis. A música desta banda varia entre o rock e estilos alternativos, tendo os “WhyOceans” actuado em diversos palcos em Macau, Hong Kong, Taiwan e China. Sonoridades vizinhas Na quinta-feira, é dia de ouvir “Herson Si”, “Jason”, “NO RISON” e “thetiredeyes”, um grupo com músicos de diversas origens e estilos musicais, que vai buscar influências ao jazz mais tradicional, mas que também busca sonoridades do R&B, Neo Soul, Pop ou Hip-Hop. No dia 3 de Outubro, sexta-feira, é a vez do público ouvir os “TRICKIE BONIE”, de Hong Kong, os “ByeJack”, também oriundos da região vizinha, e ainda “TR33”. De Macau actuam os “I go to school, bye bus”. Sábado é a vez de a Fábrica de Panchões Iec Long receber, de Taiwan, os “Papun Band”, que vão dividir o palco com os locais “SCAMPER”, entre outras bandas. Os “SCAMPER” são um grupo com sonoridades entre o pop-punk e o rock, trazendo ao palco energia e também um pouco de romance. O Zoo Festival encerra-se no domingo, 5 de Outubro, com os “COPAK” e os “Room 307”, de Hong Kong; os “Daze in White”, de Macau, e ainda os “Wonder Water”, de Taiwan.
Hui So-ying, protagonista do filme “Ah Ying”: “Representar é ser-se humano” Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 30 Set 2025 Em 1983, o cinema de Hong Kong, pela lente de Allen Fong, revelou “Ah Ying”, um filme que retrata a vida dura de uma menina que vende peixe no mercado e sonha ser actriz. Essa menina era Hui So-ying e “Ah Ying” inspirou-se na sua vida. O HM conversou com a actriz à margem da “Making Waves – 2ª Mostra do Cinema de Hong Kong”, que decorreu este fim-de-semana em Lisboa Como se envolveu no projecto deste filme? A principal razão pela qual me envolvi neste filme foi porque o meu professor de teatro faleceu. Por isso, senti que precisava de fazer algo para o homenagear, porque foi ele que me ensinou a representar. Então tentei ser actriz. Posteriormente, quando [o realizador] Allen Fong me conheceu, achou a minha história de vida interessante, acabando também por conhecer alguns dos meus familiares. Aí perguntou se eles estavam também interessados em participar no filme, o que levou a que muitos deles acabassem por entrar também no projecto. O filme mostra também o ambiente em que o meu professor vivia, é um retrato de experiências e histórias vividas por mim e pelo meu professor. O filme retrata a vida de Hong Kong naqueles tempos. Como se preparou para a personagem? A beleza deste filme está muito relacionada com as colaborações que se fizeram, nomeadamente na fotografia e nos figurinos. Foram precisas muitas colaborações para criar a beleza que existe no filme. Foi um trabalho árduo assumir a personagem [de Ah Ying], porque a história foi concebida para descrever algumas das minhas experiências passadas, e foi isso que o realizador quis fazer. Mas isso foi difícil para mim, porque havia algumas coisas que não queria enfrentar, mas tive de o fazer. Claro que depois percebi que, no fundo, não era nada, e até me senti aliviada depois de terminar as filmagens. Pensando se a história era uma forma de arte ou a realidade, quando estava a representar, tive de entrar na situação do momento porque, de facto, o episódio [real] já tinha passado, mas tive de voltar a ter certos sentimentos durante a representação. Como actriz, foi um grande teste. “Ah Ying” é considerado um dos grandes filmes da chamada “Nova Vaga” do cinema de Hong Kong. Durante a rondagem, esperava o sucesso do filme? Não pensei nisso, mas em todo o projecto achei que Allen Fong era um realizador muito ousado, porque nunca tinha sido feito um filme deste género em toda a história do cinema de Hong Kong. É uma espécie de “docudrama”, e ele teve a força e coragem para inovar na forma de filmar, o que, para a época, era inédito. Qual foi o grande desafio que enfrentou neste filme? Foi ter de regressar ao meu antigo eu. Havia coisas que não queria enfrentar e tive de as enfrentar novamente, com o mesmo sentimento que tinha naquela altura. Entre 1983 e a actualidade passaram muitos anos. Olhando para trás, qual o significado que este filme teve para si, como pessoa e actriz? Na verdade, depois de ver o filme, vi-o apenas como uma história. Para mim representar é ser-se humano, todos os dias são uma actuação. O filme retrata a vida de Hong Kong nos anos 80 e ganhou uma versão restaurada. O que pensa que este projecto pode trazer a um público mais jovem que veja o filme hoje? Este ano o filme foi exibido várias vezes, e faço sempre a mesma questão, se as pessoas não compreendem o filme ou se acham que ele não consegue ser imersivo o suficiente. Na verdade, tendo em conta a minha experiência, a maioria dos espectadores mais jovens responderam que não é assim, que o filme é bastante real. Não me parece que este filme esteja ultrapassado ou fora de moda só porque os tempos progrediram ou a sociedade mudou. Não acho isso. “Ah Ying” encerrou, em Lisboa, a segunda edição de “Making Waves – Mostra de Cinema de Hong Kong”. Como se sente por ver este filme exibido em Portugal? Achei interessante. Nunca pensei que o filme pudesse ser exibido nesta mostra, não sei se foi pelo facto de haver uma cópia restaurada. Antes desta nova versão era mais difícil exibi-lo. O público pode ver um filme que mostra as relações familiares vividas nos anos 80, e penso que aí o filme pode ser imersivo [na temática], quando aborda conflitos familiares, porque todos têm uma família. Vendo o filme podem questionar-se como é a relação com os seus familiares. Claro que também espero que tenham aprendido mais coisas sobre Hong Kong. Mas, apesar de este filme se passar na década de 80, foca-se muito nas relações familiares e interpessoais. Há algum episódio das filmagens que a tenha marcado? Em todo o filme houve vários momentos, mas aquele que me deixou maiores impressões foi a última cena, da entrevista, em que estava a falar para uma cadeira, mas era como se estivesse a falar com o meu professor. Quando vejo esta cena novamente fico sempre comovida, porque o meu professor já faleceu, mas tudo isso ainda me impressiona bastante.
Droga | Apreendidos 31 milhões de patacas em canábis Hoje Macau - 30 Set 2025 A Polícia Judiciária (PJ) anunciou ontem a maior apreensão de canábis de sempre do território, avaliada em mais de 31 milhões de patacas. De acordo com uma conferência de imprensa, os estupefacientes foram apreendidos no domingo, no Aeroporto Internacional de Macau, e a operação levou à detenção de três homens, dois da Malásia e um de Hong Kong. A operação teve como base informação recebida pela PJ sobre a existência de um grupo de traficantes de droga que pretendia entrar com canábis proveniente da Tailândia em Hong Kong, através de Macau. No entanto, para tentar não levantar suspeitas, os indivíduos voaram para Macau a partir da Coreia do Sul. As autoridades esperaram que os três homens aterrassem e que levantassem a bagagem. Os suspeitos actuaram de forma separada, mas quando receberam as respectivas bagagens foram interceptados pela polícia. Na bagagem de dois suspeitos foram encontrados 16 e 40 embalagens com cabeças de canábis, num total de 31 quilos, com um preço de mercado de 31 milhões de patacas. Os dois homens da Malásia admitiram a prática dos factos e afirmaram terem recebido cerca de 19 mil patacas para servirem de mulas. O terceiro homem, que não foi apanhado com droga na bagagem, apesar de ser suspeito de monitorizar os outros dois, recusou colaborar na investigação. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.
Casa do FC Porto | Sede com ordem de despejo e rendas em dívida Andreia Sofia Silva - 30 Set 2025 A Casa do Futebol Clube do Porto Macau-China está a ser alvo de uma acção de despejo por falta de pagamento de várias rendas. A informação consta num anúncio de despejo do Tribunal Judicial de Base. Recorde-se que, desde Fevereiro, a entidade vinha sofrendo dificuldades financeiras São quase 79 mil patacas de dívidas, quer em rendas em atraso, quer em pedidos de indemnização. A Casa do Futebol Clube do Porto Macau-China está a ser alvo de uma acção de despejo pelo atraso no pagamento de rendas. A informação consta num anúncio do Tribunal Judicial de Base (TJB) publicado na imprensa, e que justifica esta acção de despejo “na falta de pagamento da renda por um período superior a três meses”. Recorde-se que em Fevereiro deste ano a Casa do FC Porto de Macau pediu donativos nas redes sociais para lidar com as despesas associadas às cheias que ocorreram na sede e que levaram ao encerramento da cantina em Janeiro. Já nessa altura, a associação falava em “enormes prejuízos” que colocavam em causa a “capacidade de cumprir com os compromissos financeiros” da entidade. O HM contactou Diana Massada, presidente da associação, que garantiu que irá contestar a acção. “O senhorio deve-nos dinheiro dos prejuízos causados por falhas estruturais da fracção”, adiantou ao HM. A responsável alega que tem sido arrendada “uma fracção sem condições para o fim a que se destinava”, que era a “sede da associação com serviço de cantina”. Patacas e mais patacas No anúncio publicado nos jornais, lê-se que a Casa do Futebol Clube do Porto de Macau-China, situada no número 16 na Travessa de São Domingos, tem agora os prazos legais para contestar a acção de despejo. É exigido o pagamento de 40.815 patacas das rendas não pagas de Fevereiro, Março, Abril e Maio deste ano, bem como o pagamento de indemnização “igual ao montante das rendas referentes aos meses de Fevereiro, Março e Abril de 2025, por o atraso ser superior a 30 dias”, isto num total de 32.508 patacas. É também exigido à associação o pagamento de 5.418 patacas relativo “a metade do montante da renda referente ao mês de Maio de 2025, por o atraso ser, à data da propositura da presente acção, superior a 8, mas inferior a 30 dias”. A Casa do FC Porto deve ainda suportar os custos relativos “às rendas vincendas até ao despejo da ré [Casa do FC Porto] e efectiva restituição do locado aos autores [da acção, os proprietários] livre de pessoas e bens”, mais juros. A Casa do FC Porto deve ainda suportar as custas judiciais, tendo direito a apoio judiciário. A primeira inundação a afectar a sede da associação aconteceu a 19 de Janeiro, mas voltou a ocorrer uma segunda vez. “Infelizmente, os responsáveis pelas obras não efectuaram correctamente as reparações necessárias e após já termos a sede quase pronta para a reabertura sofremos nova inundação”, foi relatado nas redes sociais. O fecho da cantina, que originava algumas receitas para a entidade, levou a “enormes prejuízos, porque não só afectou as nossas receitas, como originou enormes perdas de comida, gastos extraordinários para tentar reabrir, e colocou em risco a nossa capacidade de cumprir com os compromissos financeiros, nomeadamente o pagamento de salários”, foi referido.
Hengqin | Sam Hou Fai pede investimento a empresários de Cantão Hoje Macau - 30 Set 2025 O Chefe do Executivo afirmou que os empresários de Guangdong são bem-vindos para investir nas indústrias de Hengqin, de Macau e da Grande Baía. Num discurso por vídeo na Convenção Mundial de Empresários de Guangdong 2025, Sam Hou Fai destacou o objectivo de ligar os recursos mundiais com as oportunidades da Grande Baía, para alcançar um maior e novo desenvolvimento. Sam Hou Fai ainda apontou que a RAEM presta grande atenção à construção da Grande Baía e faz todos os esforços para alcançar esse objectivo. O líder do Governo também apontou que actualmente existem várias empresas de Guangdong em Macau que investem em áreas como inovação tecnológica, serviços financeiros, turismo cultural e exposições, mostrando bons resultados de cooperação. A Convenção Mundial de Empresários de Guangdong 2025 foi realizada em Guangzhou, com início no domingo e encerramento hoje.
Turismo | Esperados 1,2 milhões de visitantes na Semana Dourada João Santos Filipe e Nunu Wu - 30 Set 2025 As autoridades acreditam que a 3 e 4 de Outubro o número de visitantes diários chegue a 150 mil. Samuel Tong, economista e membro do Conselho Executivo, acredita que a semana dourada e as semanas seguintes vão trazer uma nova dinâmica à economia local As autoridades estimam que na semana dourada, que decorre entre 1 e 8 de Outubro, Macau receba cerca de 1,2 milhões de turistas. Os números foram revelados ontem, através de uma conferência de imprensa do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), liderada pelo comissário Lam Keong. De acordo com Lam, é esperada uma média de 150 mil visitantes por dia, com as previsões a apontarem para que os dias 3 e 4 de Outubro sejam os mais movimentados. As autoridades esperam, assim, dias muito movimentados um pouco por todas as fronteiras para Macau. Por sua vez, em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, a directora dos Serviços de Turismo, Maria Helena de Senna Fernandes, estimou que na semana dourada a ocupação média dos hotéis atinja 90 por cento. A responsável também explicou que o pico esperado de visitantes não vai levar o Governo a fazer com uma revisão da estimativa de cerca de 39 milhões de turistas ao longo deste ano. Por sua vez, Samuel Tong, presidente do Instituto de Gestão de Macau e membro do Conselho Executivo, afirmou que a semana dourada é um dos vários eventos que vão decorrer até ao final do ano e que vão levar à aceleração da actividade económica. Em declarações ao jornal Ou Mun, Tong destacou que eventos como a semana dourada, os Jogos Nacionais, o Grande Prémio de Macau, o Festival da Gastronomia e o Natal geram o aumento do consumo. Factores favoráveis Com cerca de 90 por cento dos turistas vindos do Interior da China e Hong Kong, Samuel Tong explicou que as perspectivas de consumo são mais positivas, devido ao que afirmou serem os bons desempenhos das bolsas do Interior da China e de Hong Kong. Como o Índice Shanghai atingiu o ponto mais alto dos últimos dez anos e o Índice Hang Seng o ponto mais alto dos últimos quatro anos, Samuel Tong considera que a situação económica na região apresenta melhorias e que essa realidade se vai traduzir num maior consumo. O economista espera que o sector de vendas a retalho e de viagens em Macau seja beneficiado com o que considerou ser a nova realidade económica, que não se enquadra na recessão dos últimos três anos. Quanto à procura interna, Samuel Tong elogiou o Governo devido ao Grande Prémio do Consumo, um programa de atribuição de vales de desconto que considerou estar a gerar mais consumo nos bairros residenciais. Segundo Tong, a medida vai contribuir para melhorar a saúde financeira das pequenas e médias empresas. O economista também defendeu que muitos residentes locais investem na Bolsa de Hong Kong e que, por isso, é esperado que os ganhos dos investidores se traduzam no aumento do consumo em Macau.
Remodelação | Wong Sio Chak substitui André Cheong que foi nomeado deputado João Santos Filipe - 30 Set 2025 Numa escolha inesperada, Sam Hou Fai nomeou André Cheong como deputado da Assembleia Legislativa. Os fundamentos da escolha não foram anunciados pelo Chefe do Executivo, mas se o secretário não for escolhido como presidente do hemiciclo enfrenta uma despromoção André Cheong vai ser exonerado de secretário para a Administração e Justiça e assumir um dos lugares dos sete deputados nomeados pelo Chefe do Executivo na Assembleia Legislativa (AL), a partir de 16 de Outubro. A informação foi revelada ontem, através do Boletim Oficial, num dia que ficou marcado pela primeira remodelação de sempre na RAEM por motivos políticos logo no início de um mandato. O lugar deixado vago por André Cheong vai ser ocupado por Wong Sio Chak, que actualmente desempenha as funções de secretário para a Segurança. Por sua vez, a tutela da segurança vai passar a ser liderada por Chan Tsz King, Procurador da RAEM, cargo que ocupa desde Dezembro de 2024. Em relação às mexidas nos lugares ocupados pelos titulares dos altos cargos políticos, destaca-se ainda a nomeação de Tong Hio Fong como Procurador da RAEM, que vai deixar a presidência do Tribunal de Segunda Instância. As movimentações foram aprovados por Pequim, que, de acordo com a Lei Básica, tem as competência para nomear e exonerar os titulares dos altos cargos na RAEM: “O Conselho de Estado decide […] sob a indigitação e proposta do Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau, Sam Hou Fai: a nomeação de Wong Sio Chak, como Secretário para a Administração e Justiça, Chan Tsz King, como Secretário para a Segurança, e Tong Hio Fong, como Procurador do Ministério Público, sendo exonerados [André] Cheong Weng Chon, do cargo do Secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, do cargo do Secretário para a Segurança, e Chan Tsz King, do cargo do Procurador do Ministério Público”, pode ler-se no documento oficial das autoridades centrais, que foi ontem traduzido e publicado no Boletim Oficial. Total surpresa Ao HM, Miguel de Senna Fernandes, advogado e ex-deputado, considerou que a remodelação anunciada ontem, e principalmente no que diz respeito à nomeação de André Cheong, foi inesperada. “Surpresa, total surpresa”, afirmou poucas horas depois do anúncio. “Não contava com a saída dele da equipa governamental, porque a sua presença no Governo parecia estável. Estamos a falar de uma pessoa de quem não se podia dizer que tivesse a posição tremida no Governo”, justificou. Miguel de Senna Fernandes acredita que a mudança faz assim parte de uma nova “visão” de Sam Hou Fai para a governação, e não afasta que André Cheong possa ser um forte candidato a assumir a presidência da AL. “Ele pode estar em vias de assumir o cargo [de presidente da AL]. Todavia, há outros nomes pesados na Assembleia Legislativa, como o deputado Ho Ion Sang, afecto aos Moradores de Macau. É um forte nome”, apontou. “Outro nome muito forte é o de Chui Sai Peng. São dois grandes nomes”, destacou. Ainda assim, Miguel de Senna Fernandes acredita que há obstáculos num eventual caminho de André Cheong para a presidência do hemiciclo. “Ele é um novato na Assembleia Legislativa porque nunca foi deputado. Nunca se viu nele um perfil de deputado. Mas também ainda não é claro o que esta mudança significa. Se for para ele assumir a presidência, é preciso contar com os outros dois nomes”, considerou. Um nome forte na AL Por sua vez, Jorge Fão, ex-deputado e presidente da Assembleia-Geral da APOMAC – Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau, considera que a mudança é benéfica para o hemiciclo, e que André Cheong tem uma experiência governativa que pode ser importante para a condução dos trabalhos. “Ele é um entendido em matérias legislativas, tem experiência na área da justiça, como secretário, foi director dos Serviços dos Assuntos de Justiça, tendo ocupado outros cargos, por isso eu acho que nas funções na Assembleia Legislativa pode conduzir melhor os processos legislativos”, defendeu Jorge Fão, ao HM. “Agora há muitas pessoas jovens na Assembleia Legislativa que não sabem bem como o Governo funciona. E o funcionamento da Assembleia Legislativa é muito mais simples do que o funcionamento do Governo. Tendo lá um ex-secretário, ele pode sempre ajudar a Assembleia Legislativa. Acho que a nomeação foi pensada nessa lógica”, destacou. Fão considera André Cheong como um forte candidato à presidência da AL, opinando que caso este cenário não se confirme, o ainda secretário vai enfrentar uma despromoção na carreira. “Ele tem hipóteses de ser o próximo presidente da Assembleia Legislativa. Talvez haja duas ou três pessoas com essa hipótese, mas estando na Assembleia Legislativa eu acho que o André Cheong é uma das pessoas com melhores hipóteses [de ser presidente]”, afirmou. “Se ele não for presidente da Assembleia Legislativa, esta nomeação é uma despromoção”, indicou. Segundo Fão outra das possibilidades para a presidência, embora de forma mais remota, é Ip Sio Kai, deputado eleito pela via indirecta. “Claro que há outras hipóteses, como o homem forte do Banco da China, o deputado Ip Sio Kai. Mas não costuma ser um homem da economia naquele lugar [de presidente da AL]”, apontou. “Nada impede que possa ser um homem da economia, mas não vejo outros nomes muito bem preparados”, descreveu. Os deputados votam entre si o presidente do hemiciclo, o que deverá acontecer a 16 de Outubro, quando se iniciar a nova legislatura. Caminho aberto para Wong? Em relação ao novo lugar de Wong Sio Chak no Governo com a pasta da Administração e Justiça, e face à saída do Executivo de André Cheong, Senna Fernandes acredita que pode abrir o caminho a uma futura liderança da RAEM. “Quanto ao secretário Wong Sio Chak está aberta uma bem possível sucessão, mais tarde, no cargo de Chefe do Executivo”, afirmou. “Pelo menos é o que instintivamente me vem à cabeça. Numa lógica meramente especulativa, havia dois nomes na equipa governativa com potencialidades de serem chefes do Executivo. […] Mas, com a saída de André Cheong ficamos com Wong Sio Chak no Governo com o perfil mais próprio, e não sei se este é o melhor termo, de poder um dia vir a suceder ao Dr. Sam Hou Fai”, frisou. Mudanças pouco usuais As alterações anunciadas ontem pelo Governo não foram justificadas nem houve uma posição oficial sobre as mesmas. No entanto, esta foi a primeira vez que um Governo em funções, neste caso há menos de um ano, sofre alterações tão profundas, devido ao facto de um secretário deixar o Executivo por opção política. Até agora, todas as alterações por motivos político tinham acontecido no final e início de novos mandatos dos diferentes Chefes do Executivo. A única excepção a esta tendência verificou-se em 2006, quando Ao Man Long, então secretário para os Transportes e Obras Públicas, foi exonerado do cargo, depois de ter sido detido face a acusações de corrupção. Os deputados nomeados por Sam Hou Fai Os Novos Deputados André Cheong Weng Chon (59 anos) Licenciado em Direito Secretário para a Administração e Justiça Lei Wun Kong (51 anos) Licenciado em Direito Advogado Chao Ka Chong (49 anos) Mestrado em Tecnologias da Informação Presidente da empresa Boardware Intelligence Technology Ltd Lam Fat Iam (50 anos) Doutorado em História Director da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Politécnica de Macau Wong Ka Lon (46 anos) Licenciado em Gestão de Empresas Presidente da Associação de Transmissão ao Vivo de Macau Kou Ngon Seng (42 anos) Doutorado em Gestão de Empresas Director do Departamento de Desenvolvimento de Infra-estruturas da Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau Transitam da Legislatura Anterior Kou Kam Fai (61 anos) Doutorado em Gestão Director da Escola Secundária Pui Ching De saída Cheung Kin Chung Pang Chuan Wu Chou Kit Chan Hou Seng Quem é quem na remodelação? Cargo: Secretário para a Administração e Justiça Wong Sio Chak (57 anos) Percurso Académico Licenciado e Doutorado em Direito pela Universidade de Pequim Curso de Direito, Língua e Cultura Portuguesa na Universidade de Coimbra Curso de Introdução ao Direito de Macau na Universidade de Macau Curso de Formação de Magistrados Percurso Profissional Técnico-superior na Directoria da Polícia Judiciária Auditor Judicial dos Tribunais e dos Serviços do Ministério Público Delegado do Procurador do Ministério Público Subdirector da Polícia Judiciária Director da Polícia Judiciária Procurador-Adjunto do Ministério Público Secretário para a Segurança Cargo: Secretário para a Segurança Chan Tsz King (55 anos) Percurso Académico Curso de Língua e Cultura Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa Licenciado em Direito na Universidade Autónoma de Lisboa de Portugal Curso de Formação de Magistrados Judiciais e do Ministério Público Percurso Profissional Delegado do Procurador do Ministério Público Comissário contra a Corrupção Procurador do Ministério Público Cargo: Procurador do MP Tong Hio Fong (52 anos) Percurso Académico Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Macau Curso de Formação de Magistrados do Centro de Formação de Magistrados de Macau. Percurso Profissional Adjunto-técnico de informática da Direcção dos Serviços de Finanças Formando do Curso de Formação de Intérpretes-Tradutores da Direcção dos Serviços de Assuntos Chineses de Macau Adjunto-técnico especialista do Alto Comissariado Contra a Corrupção e a Ilegalidade Administrativa Juiz do Tribunal de Competência Genérica de Macau Juiz presidente do Tribunal Colectivo dos Tribunais de Primeira Instância Presidente dos Tribunais de Primeira Instância Juiz do Tribunal de Segunda Instância Presidente do Tribunal de Segunda Instância Nota: a informação oficial apenas indica o ano de nascimento dos nomeados. A idade apresentada assume que todos já celebraram o aniversário em 2025
Governo em “firme oposição” a Washington sobre ambiente de investimento João Luz - 29 Set 2025 O Governo da RAEM manifestou ontem “forte desagrado e firme oposição” ao “Relatório Anual sobre o ambiente de investimento por País relativo ao ano de 2025” publicado na sexta-feira pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos da América. O Executivo liderado Sam Hou Fai afirma que o documento “contém comentários não sustentadas por factos sobre o desenvolvimento económico e político” de Macau, “incluindo alegações infundadas sobre as melhorias introduzidas pela RAEM no seu regime eleitoral e na Lei relativa à defesa da segurança do Estado”. O departamento da Administração Trump liderado por Marco Rubio começa por indicar que, no que diz respeito ao ambiente para investimentos, o “Governo de Macau mantém uma economia transparente, não discriminatória e de mercado livre”, e que o Executivo local “está empenhado em manter um ambiente favorável aos investidores”. No entanto, acrescenta que “as empresas estrangeiras citam a constante escassez de trabalhadores qualificados, resultado da dependência da cidade do turismo e dos jogos de azar, como uma das principais restrições às suas operações e expansão futura”. Neste capítulo, o Departamento de Estado destaca a prioridade dada a trabalhadores locais, porém critica algumas políticas basilares da RAEM. No documento é também realçado que “o sistema jurídico de Macau baseia-se no Estado de Direito e na independência do poder judicial” e que “as empresas estrangeiras e nacionais registam-se ao abrigo das mesmas regras e estão sujeitas ao mesmo conjunto de leis comerciais e de falência”. Porém, o Departamento de Estado refere que o esforço do Governo para alcançar o objectivo de diversificar a economia, dependente do jogo, obtiveram resultados mínimos. Também a aposta no papel de Macau enquanto plataforma de comércio e serviços entre a China e os países de língua portuguesa é referida. “A China também orientou Macau a tornar-se uma ‘plataforma de serviços de cooperação comercial e empresarial’ entre a China continental e os países de língua portuguesa (PLP). O comércio directo entre Macau e os PLP continua a ser marginal, representando apenas 0,9 por cento do volume total de comércio de Macau, que foi de 17,6 mil milhões de dólares em 2024”, foi referido. O Executivo liderado por Sam Hoi Fai respondeu afirmando que o papel de Macau “como plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa é cada vez mais reconhecida por todas as partes”. As jóias da coroa Apesar dos reconhecimentos do organismo norte-americano em relação ao desenvolvimento económico, ambiente de negócios, regime fiscal e medidas de incentivo ao investimento, o Governo considera que “as conquistas e progresso” conseguidos pela RAEM “não podem ser apagados por tal relatório dos Estados Unidos da América”. Na análise do Departamento de Estado, saltaram à vista críticas às alterações às leis que regulam as eleições do Chefe do Executivo e dos deputados da Assembleia Legislativa, assim como a legislação de salvaguarda da defesa do Estado. No primeiro conjunto de leis, o Governo da RAEM respondeu aludindo às eleições de 14 de Setembro. O eleitorado exerceu plenamente os seus direitos democráticos e participou entusiasticamente na votação. “A afluência às urnas atingiu um recorde com mais de 175.000 votantes, o que representa uma taxa de participação de 53,35 por cento. Isto demonstra plenamente que o regime eleitoral da Assembleia Legislativa revisto ganhou o apoio e o reconhecimento dos residentes em geral”, foi indicado em relação à reforma legal que estabeleceu o recente princípio “Macau governado por patriotas”. Em relação à legislação para salvaguardar a segurança do Estado, o Executivo de Sam Hou Fai contra-ataca e refere que, “na realidade, “os Estados Unidos já promulgaram, há muito tempo, uma série de leis rigorosas em matéria de segurança nacional e abusam frequentemente da sua jurisdição extraterritorial”. “Em vez de fazerem uma auto-reflexão, os EUA criticam unilateralmente os outros, demonstrando um clássico duplo padrão e hipocrisia. Os Estados Unidos são um importante parceiro económico da RAEM. Esperamos que a parte americana se abstenha de politizar as questões económicas, cesse as manobras políticas e se concentre em acções que conduzam ao desenvolvimento estável das relações económicas e comerciais bilaterais”, concluiu o Executivo da RAEM.
55 André Namora - 29 Set 2025 O problema da habitação em Portugal é uma das maiores lacunas da sociedade. Muito se tem construído, mas têm sido condomínios de luxo ou imóveis que só as classes alta ou média alta podem adquirir. O trabalhador normal, que vive de um salário aproximadamente entre os 1000 e os 1500 euros, nunca pode pensar em comprar casa. Um jovem, nem sonhar. Não é por acaso que Portugal é o país da Europa onde os filhos ficam a viver mais anos nas casas dos pais. Mesmo as habitações públicas ou sociais que se construíram na última década, algumas fazendo parte de edifícios com catorze andares, estão completamente ao abandono. Existem prédios em bairros sociais com dez e mais pisos que têm os elevadores avariados há mais de dois anos por falta de manutenção e muitos idosos não saem de casa há mais de mil dias. Nas grandes cidades podemos observar milhares de casas que estão encerradas. Umas, por litígio entre herdeiros. Outras, simplesmente porque o proprietário tem mais que um imóvel e não quer vender nem arrendar. O governo devia decretar a proibição de uma casa encerrada por mais de três meses. Apenas numa avenida de Lisboa contámos cerca de 200 casas de estores para baixo e sem viver alguém. No entanto, esta crónica é dedicada a Luís Montenegro que é proprietário, imaginem, de 55 casas. Consequentemente decorre um inquérito no Ministério Público (MP) sobre o caso. Isto, depois da “bronca” a que assistimos com a sua empresa “familiar” que recebeu centenas de milhares de euros de clientes potenciais recebedores de adjudicações do governo Montenegro. Segundo uma fonte do MP, tudo pode acontecer a Montenegro. Se forem provadas graves irregularidades e actos de corrupção, o primeiro-ministro terá obviamente que se demitir. E neste caso, um assessor de um Ministério governamental, adiantou-nos que os ministros Leitão Amaro e Paulo Rangel estariam preparados para assumir o cargo de chefe do Executivo. 55 casas pertencentes a Luís Montenegro é algo de surpreendente e de ofensivo a todos os portugueses que não podem comprar uma casa, que vivem em barracas ou que são sem-abrigo. O esclarecimento tem de ser cabal e o primeiro-ministro, na semana passada, recebeu do MP um pedido de mais documentação sobre a averiguação preventiva que decorre sobre as suas propriedades não declaradas e sobre a actividade da sua empresa “familiar” Spinumviva. O mais chocante por parte do político que chefia o Governo português prende-se com a sua proibição do acesso público ao número da matriz dos 55 imóveis que declarou à Entidade para a Transparência. Montenegro apresentou a este organismo um pedido de oposição à divulgação do número da matriz dos prédios, tendo a entidade em causa deferido o pedido do chefe do Governo. O primeiro-ministro declarou seis imóveis urbanos, entre os quais a “célebre” casa luxuosa de Espinho que tem cinco quartos, oito casas de banho e garagem, um apartamento em Lisboa, 46 prédios rústicos, que disse ter herdado da família. Questionado pelos jornalistas sobre a proibição solicitada, o Gabinete do primeiro-ministro não respondeu. O que, e por quê, Montenegro esconde o que possui de imobiliário? Com receio que se descubra que a sua aquisição não foi lícita? O primeiro-ministro, que detém tantos imóveis, tem de saber o que sofrem os jovens que não conseguem ter uma habitação ou o que gastam os estudantes universitários com grupos mafiosos organizados. Uma filha de um amigo nosso, transmitiu-nos que vivia, em Lisboa, num quarto com outra colega e que pagava 600 euros mensais. Não acreditámos e fomos confirmar. – Boa tarde, minha senhora! – Boa tarde… – A senhora tem algum quarto para arrendar? – Não, não tenho… bem, quer dizer… – Quer dizer… como? – Se o senhor estiver disposto a pagar um quarto onde dormem duas pessoas, eu arranjo-lhe um… – Como assim? Dormem duas pessoas em cada quarto? – Sim! – E são amigos? – Muitas vezes, não! – E quantos quartos tem? – Tenho sete, com três casas de banho… – Quer dizer, tem sete quartos, cada um com duas pessoas e nem todos têm casa de banho privativa… – Não… – E quem vive nos quartos? – São estudantes universitários… rapazes e raparigas… – E quanto paga cada um? – O preço mensal é de 600 euros… – Desculpe, 600 euros pelo quarto, 300 a cada um, é isso? – Não, não! Cada um, paga 600 euros e se o senhor quiser um quarto tem de pagar 1200 euros… – Desculpe, mas não estou a ver bem o filme… a senhora tem sete quartos, cada um rende-lhe por mês 1200 euros, o que perfaz um total mensal de 8.400 euros… e passa recibo? – Nem pensar! – Então, ganha 8.400 euros por mês e ainda foge ao fisco? – Desculpe lá, eu vou fechar a porta porque não sei quem é o senhor, com tantas perguntas… isto, não me está a agradar… o que faz o senhor? – Sou jornalista… – PUM!!! (ruído de porta a fechar com força)
Pelo menos 11 mortos nas Filipinas provocados pelo tufão Bualoi Hoje Macau - 29 Set 2025 As autoridades das Filipinas elevaram para 11 o número de mortos pelo tufão Bualoi, que depois de atravessar o país asiático na sexta-feira, retomou força neste sábado, antes de se dirigir para o Vietname. A tempestade obrigou a deslocar mais de 350.000 pessoas no arquipélago, dias depois da passagem do supertufão Ragasa. Um porta-voz do Gabinete de Defesa Civil, Bernardo Rafaelito Alejandro, indicou num comunicado em vídeo ter conhecimento de dez mortes, três registadas na província oriental de Masbate, devido ao colapso de árvores e casas, e as restantes no centro das Filipinas. Catorze pessoas continuam desaparecidas no centro das Filipinas, informaram as autoridades, sem dar mais detalhes. Mais de 200.000 pessoas de localidades que estavam na trajectória da tempestade foram acolhidas em centros para o efeito. Conhecido no arquipélago como Opong, o tufão obrigou também a evacuar 351.840 pessoas, de acordo com dados do Conselho para a Gestão de Catástrofes (NDRRMC), e a decretar o encerramento das repartições governamentais e escolas. O tufão atingiu a província de Samar Oriental na noite de quinta-feira, acompanhado por ventos de até 165 quilómetros por hora, de acordo com a agência meteorológica filipina (PAGASA), antes de atravessar a região de Bicol e a ilha ocidental de Mindoro, perdendo força à medida que avançava. A Bualoi voltou a ganhar força depois de entrar no mar da China Meridional, indicou a PAGASA. O tufão dirigiu-se para o Vietname, onde, segundo a agência meteorológica, poderá atingir terra entre a noite de domingo e hoje O pão nosso O tufão atingiu o arquipélago depois do super tufão Ragasa atingir o norte do país na segunda-feira passada, causando pelo menos uma dezena de mortos e 17 feridos entre milhares de deslocados. Os tufões são fenómenos recorrentes no Sudeste Asiático, quando as águas quentes do Oceano Pacífico favorecem a formação de ciclones, e países como as Filipinas são atingidos todos os anos por cerca de vinte dessas tempestades tropicais, especialmente na estação das chuvas, que geralmente começa em junho e termina em novembro ou dezembro. Segundo os cientistas, as alterações climáticas estão a provocar fenómenos meteorológicos extremos mais frequentes e intensos em todo o mundo. O arquipélago atravessa um momento de indignação popular pela corrupção em projectos milionários de controlo de inundações, concebidos para proteger os cidadãos dos efeitos dos tufões e inundações e supostamente concluídos, mas na realidade inexistentes ou de baixa qualidade.
Gansu | Sismo de magnitude 5,6 deixa danos materiais Hoje Macau - 29 Set 2025 Um sismo de magnitude 5,6 atingiu na manhã de sábado a província chinesa de Gansu (noroeste), sem causar vítimas, mas provocando danos materiais em residências, informou o Centro de Redes Sismológicas da China. O tremor foi registado às 05h49, hora local (04h49 em Macau), com epicentro a dez quilómetros de profundidade, e foi sentido com força em vários condados das cidades de Dinxi e Tianshui, segundo a agência oficial Xinhua. No condado rural de Longxi, foram registados danos em várias habitações, de acordo com testemunhos dos residentes, embora as autoridades ainda estejam a recolher informações para poder avaliar os danos. Equipas e veículos de resgate locais foram enviados para a zona do sismo, aos quais se juntarão efectivos enviados pelo Ministério de Gestão de Emergências. O oeste da China (onde se encontram as regiões autónomas do Tibete e Xinjiang e províncias como Gansu ou Qinghai) sofre frequentemente com terramotos, devido à proximidade com o local onde as placas tectónicas da Ásia e da Índia se encontram, nos Himalaias. Geralmente, estes eventos não causam grandes números de vítimas humanas, uma vez que grande parte da região é desabitada.
Ambiente | China trava luta constante contra desertificação às portas do Gobi Hoje Macau - 29 Set 2025 Nas margens do deserto de Gobi, no noroeste da China, vinhas, grelhas de palha e sistemas de irrigação inteligente ilustram a luta constante para travar a desertificação e criar meios de subsistência em terrenos outrora áridos “É irrealista pensar que podemos eliminar os desertos. A luta é constante para garantir que não causam danos às populações”, afirmou à agência Lusa Wang Xiaolin, responsável pela Reserva Natural Nacional de Baitan, na província chinesa de Ningxia, transformada ao longo de 70 anos por três gerações de trabalhadores dedicados ao combate à desertificação numa das zonas áridas mais extensas do planeta. Com cerca de 1,3 milhões de quilómetros quadrados, o deserto de Gobi é o maior da Ásia e o quarto maior do mundo, estendendo-se do sul da Mongólia ao noroeste da China, ao longo das províncias de Gansu, Ningxia e Mongólia Interior. Com mais de 46 mil hectares de deserto tratados e o avanço das dunas recuado mais de 20 quilómetros, a reserva de Baitan é hoje um modelo de reflorestação ecológica. Plantas resistentes à seca e ao frio, como a jujuba-do-deserto, o saxaul (Haloxylon ammodendron) ou o capim-prateado (Miscanthus), que cresce apenas um metro acima do solo mas com raízes que se estendem até sete metros, permitem a sobrevivência sem irrigação, apenas com a chuva, explicou Wang. “A Reserva de Baitan, que era 90 por cento deserto, foi quase totalmente recuperada. Dos 987 quilómetros quadrados de terra, quase todo o deserto foi tratado. Restam apenas cerca de 13 quilómetros quadrados como zona de demonstração e investigação”, frisou. A técnica de grelhas de palha para fixar a areia, introduzida nas décadas de 1980 e 1990, permitiu aumentar drasticamente a taxa de sobrevivência das espécies plantadas. Mais recentemente, foi desenvolvido o método de controlo de desertificação “1+4″, baseado em dados de precisão. Zhang Xueyun, camponês que há mais de três décadas trabalha na recuperação do deserto, recorda quando “não havia estradas, nem electricidade, nem água”. “Tudo era carregado à mão”, explicou. “Com o tempo, mecanizámos parte do processo e recuperámos centenas de hectares por ano”, disse. O efeito é duplo: menos tempestades de areia – fenómeno que todos os anos atinge o norte da China, destruindo colheitas e cobrindo cidades de poeira – e mais vegetação, que tem contribuído para o aumento da precipitação. Copos salvadores Também a viticultura desempenha um papel importante. Christelle Chene, embaixadora da marca Xige, uma das maiores vinícolas da região, sublinhou à Lusa o impacto ambiental e social do sector: “As vinhas ajudam a fixar a areia, reduzem as tempestades de areia e criam empregos na região”. A densidade de plantação é baixa e quase todo o trabalho é manual. “Não há ninguém no mundo a vindimar 2.000 hectares à mão. Mas, por causa da forma como tratamos a vinha, é impossível usar máquinas”, afirmou. A vinícola emprega 1.500 trabalhadores a tempo inteiro e beneficia de um sistema de arrendamento facilitado pelo Governo. “O vinho trouxe empregos e criou comunidades”, contou. “Antes, não havia nada aqui. Só terra árida”. Para proteger as videiras do frio extremo, da seca e dos ventos fortes, estas são cultivadas de forma horizontal, sendo depois enterradas durante o Inverno. A rega é feita com sistemas gota-a-gota inicialmente importados de Israel, agora replicados por empresas chinesas, controlados por plataformas digitais que integram dados meteorológicos, humidade do solo e necessidades hídricas. “Usamos a água do rio Amarelo, mas com rigor”, observou à Lusa Lu Chao, director do Museu da Conservação Hídrica de Ningxia. “Há pouca chuva e grande evaporação, por isso cada gota conta”, frisou. Segundo o responsável, a região irrigada com água do rio cresceu de menos de 1.330 km² antes de 1949 para mais de 6.660 km² actualmente. Projectos como o sistema de irrigação de Qingtongxia, construído nos anos 1950, e as obras modernas de controlo de cheias e abastecimento têm assegurado não só a agricultura, mas também o abastecimento urbano, industrial e ecológico. “A desertificação é um desafio prolongado, mas Ningxia mostrou que é possível conter o avanço do deserto, restaurar ecossistemas e criar desenvolvimento sustentável”, apontou Wang Xiaolin.
Pequim alerta na ONU para perigo do regresso da “lei da selva” Hoje Macau - 29 Set 2025 A China comprometeu-se perante a Assembleia Geral das Nações Unidas a trabalhar com a comunidade internacional na resolução de conflitos e alertou para o perigo do regresso da “lei da selva”. “Se a era da lei da selva voltar (…), a humanidade enfrentará mais derramamento de sangue”, advertiu o primeiro-ministro Li Qiang ao discursar na sede da ONU, em Nova Iorque, em representação do Presidente chinês, Xi Jinping. Li lembrou que a ONU, de que a China é um dos membros fundadores, foi criada após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e disse que, desde então, a humanidade viveu 80 anos de relativa tranquilidade. Afirmou que o desejo de paz e desenvolvimento é agora mais forte do que nunca e pediu que a comunidade internacional não fique em silêncio nem se submeta “por medo dos poderosos” perante as injustiças. Considerou que o mundo vive de novo um período de transformação e que “a mentalidade da Guerra Fria está a voltar”, com a ordem mundial a ser questionada e o sistema internacional dos últimos 80 anos a ser perturbado. Li disse que a humanidade está “mais uma vez numa encruzilhada” e que os vários problemas que afectam actualmente o mundo preocupam o Governo da China. “Como podemos ignorar as atrocidades que fazem com que a justiça desapareça e ficar impassível perante o que vemos”, questionou. Li defendeu a solidariedade e a cooperação entre os povos, independentemente das divergências que possam ter, para que seja possível evitar novos conflitos globais e, pelo contrário, fomentar o desenvolvimento económico. Nesse sentido, destacou o multilateralismo como única forma de se promover a paz e o progresso, e criticou o proteccionismo no comércio mundial, embora sem referir os Estados Unidos, que impuseram taxas aduaneiras unilateralmente. Li referiu que a China está pronta para “adoptar medidas eficazes e coordenadas” com todas as partes que permitam alcançar soluções mais concretas para a paz e a estabilidade no mundo. Pediu a todos os membros da ONU para que trabalhem em conjunto em prol da segurança mundial, referindo ser importante respeitar as “preocupações legítimas” particulares de países. Igualdade e fraternidade Li disse também que a China é o segundo maior contribuinte para o orçamento de manutenção da paz e o país que fornece mais soldados às forças da ONU de entre os países do Conselho de Segurança. O primeiro-ministro disse que o Presidente Xi Jinping tem proposto uma visão global sobre o mundo, com base no respeito entre as nações e no multilateralismo. “Só quando todos os países recebem um tratamento igual e se exerce um verdadeiro multilateralismo é que poderão ser protegidos os direitos e interesses de todos”, acrescentou.
O Solitário Pato Bravo de Chen Lin Paulo Maia e Carmo - 29 Set 2025 Lu Zhaolin (634-684), o poeta de Fanyang (Youzhou) perto da actual Pequim, no poema Changan guyi, «Changan do tempo antigo», em que exprime a melancólica saudade do esplendor da antiga capital do Império, evocou uma familiar ave aquática que, se bem que vivendo livre parece possuir um compromisso voluntário, o seu comportamento social há muito observado e elogiado. Nos versos dezanove e vinte escreveu: Fossemos nós o peixe único, como escapariamos da morte? Puderamos ser apenas como os patos mandarim, sem desejos de imortalidade? Os patos mandarim (aix galericulata) cuja designação yuanyang revela a união de dois diferentes, do macho e da fémea, eram pecebidos como seres que mostravam o afecto e a fidelidade conjugal, acasalando para a vida toda e como tal exemplares para a estabilidade do tecido social. E como modelos se podem ver em tantos objectos decorativos para o lar e, como se pode ler no «provérbio», chengyu, a sua conduta, um objectivo de vida: «ser como dois patos mandarim brincando na água» (yuanyang xishui). Na arte da pintura o seu aspecto ricamente colorido seria reproduzido em detalhe no género niaohua, de «pássaros e flores». Mas não foi essa a ave aquática escolhida num rolo horizontal feito por Zhao Ji (1082-1135), o imperador dos Song Huizong, que preferiu o menos exuberante, mais vulgar pato bravo (anas playrhynchos) yeya, para figurar no admirável Corvos nos salgueiros e patos bravos nas ervas (tinta e cor sobre papel, 223,2 x 34 cm, no Museu de Xangai). Desse pato os poetas sublinham quase sempre só a sua conduta gregária, como no poema de Du Fu (712-770) O solitário cisne selvagem onde, identificando-se com o cisne, exprime uma queixa por se sentir negligenciado, e que termina com os versos: «Indiferentes, os patos bravos desatam num clamor, confundindo os gritos dos outros pássaros por todo o lado.» Porém não foi em grupo mas sozinho na sua despreocupada existência, que foi figurado por um pintor da dinastia Yuan. Chen Lin (c.1260-1368) fez num pequeno rolo horizontal (35,7 x 47.5 cm, tinta e cor sobre papel, no Museu do Palácio Nacional, em Taipé) a figura de um pato isolado na margem, junto das águas de um rio sob folhas de hibisco, furong (hibiscus mutabilis) cuja flor, uma das quais se encontra caída no chão, vai mudando de cor ao longo do dia, de branco a vermelho. A minúcia como estão figuradas as penas do pato, em contraste com a forma rústica das ondas e das folhas revela uma mutação no agir. E porque dos patos se diz que são os primeiros a detectar a chegada da Primavera ao experimentar a temperatura da água, acentua-se na pintura a impressão da passagem do tempo. Numa inscrição na pintura, o poeta e calígrafo Qiu Yuan (1247-1326) conta que esta foi feita no decurso de uma visita do autor ao estúdio do célebre pintor Zhao Mengfu (1254-1322) no Outono.
Semana Cultural da China | Artesanato na Doca dos Pescadores Hoje Macau - 29 Set 2025 A Doca dos Pescadores recebe, até Novembro, a Feira de Artesanato integrada na 17ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, que abriu portas este sábado. Segundo um comunicado da organização, a iniciativa “reúne um elenco excepcional de mestres artesãos, destacando-se a participação de duas herdeiras de património cultural imaterial de nível superior da província de Zhejiang, que encantam o público com demonstrações ao vivo das técnicas sublimes do recorte de papel de Pujiang e do bordado a ponto de cruz”. Além disso, estão representados nove artesãos dos países de língua portuguesa apresentando “uma mostra deslumbrante de cerâmica, tecelagem, escultura e artes visuais, exibidas em bancas transbordando autenticidade e criatividade”, destacando-se também os artesãos de Macau. Outro evento integrado na Semana Cultural é a Mostra Gastronómica dos Países de Língua Portuguesa, que também arrancou no sábado. Até 2 de Outubro, cinco chefes de cozinha de países como o Brasil, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau e Moçambique apresentam diversos pratos em colaboração com um restaurante na Doca dos Pescadores. A par disso, nas tardes entre hoje e quarta-feira, os chefes do Brasil, da Guiné Equatorial e de Moçambique realizarão sessões de demonstração culinária na “Legend Boulevard” da Doca dos Pescadores, confeccionando vários pratos ao vivo. Amanhã dois chefes da Guiné-Bissau e de Cabo Verde irão realizar workshops da culinária lusófona na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. A 17ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa decorre até ao dia 18 de Novembro e conta com várias actividades organizadas pelo Fórum Macau. Os espectáculos de dança e música estendem-se, pela primeira vez, a Pequim e a Zhongshan.
Hush! | IC recebe propostas para vídeos de música Hoje Macau - 29 Set 2025 O Instituto Cultural (IC) recebe, até ao dia 8 de Outubro, propostas para videoclips no âmbito do festival de música Hush!, que todos os anos acontece na praia de Hac-Sá, em Coloane. As propostas vencedoras serão conhecidas a 14 de Outubro nas páginas oficiais do evento nas redes sociais, com o nome “Hush Full Music”. Os prémios serão entregues no próprio festival no dia 19 de Outubro. O festival decorre entre 11 e 19 de Outubro, integrando o concurso de curtas-metragens “Hush! 300 Segundos”, destinada a mostrar talentos na área dos videoclips de música. Os candidatos “podem enviar um vídeo da sua própria actuação musical ou interpretação vocal”, sendo atribuídos distinções como “o Prémio Música no Desporto”, para “o vídeo com mais musicalidade e energia dinâmica”; bem como o “Prémio Música e JAM”, “Prémio Criativo e Divertido”, “Prémio Entusiasmo” e “Prémio Espírito de Participação”. Todos os prémios serão atribuídos tendo como critérios “a musicalidade, criatividade, impacto emocional e espírito participativo dos vídeos”. O “Prémio Mais Popular” será atribuído “ao trabalho com maior popularidade”.