Talentos | Sulu Sou pede foco nos quadros locais e clareza na lei

Durante uma sessão de consulta pública sobre a nova lei de captação de quadros qualificados, o ex-deputado Sulu Sou sugeriu que o “cultivo dos talentos locais deve ser o foco principal” do novo diploma. Isto, quando o novo diploma está centrado no desenvolvimento da saúde, finanças modernas, tecnologia de ponta e cultura e desporto para construir a zona de cooperação de Hengqin e o esquema de incentivos para o regresso de talentos a Macau tem sido pouco eficaz.

Perante o “desperdício” e “fuga” de talentos, apontou, a população “não confia na actual política de talentos” e urge, por isso, definir de que forma os novos talentos vão contribuir para o desenvolvimento dos quadros locais.

Sulu Sou frisou ainda que os programas previstos no novo regime, designados por “quadros altamente qualificados”, “quadros de excelência” e “quadros altamente especializados” têm nomenclaturas e definições “difíceis de compreender”, difíceis de distinguir.

Por isso, considerou que o texto do documento devia ser mais claro quanto ao que define como “desenvolvimento com sucesso de uma nova indústria”.

“É dito que, uma vez desenvolvida com sucesso uma nova indústria, podem ser criados empregos para a população local, mas o que significa ‘bem-sucedida’? Caso os objectivos não sejam alcançados, existe um mecanismo de saída desses talentos?”, questionou Sulu Sou.

Número de trabalhadores em hotéis caiu 10 por cento

No final do terceiro trimestre de 2021, os hotéis de Macau empregavam 48.341 trabalhadores, ou seja, menos 10,1 por cento relativamente ao ano passado. De acordo com a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), a remuneração média destes trabalhadores no mês de Setembro fixou-se em 18.500 patacas, um crescimento anual de 10,9 por cento.

Contudo, à semelhança de outros sectores, o crescimento é justificado pelo facto de a “base de comparação ser relativamente baixa”, dado que em 2020 os salários desceram “significativamente” e alguns trabalhadores estarem em licença sem vencimento.

Empregados no sector dos “restaurantes e similares” em Setembro estavam 23.527 trabalhadores a tempo completo (-6,1por cento), com uma remuneração média de 9.810 patacas (+7,8 por cento), ao passo que nas “indústrias transformadoras” estavam 8.448 pessoas (-7,7 por cento), com uma remuneração média de 11.930 patacas (+11,8 por cento).

A trabalhar em creches estavam 1.538 pessoas (+0,9 por cento), com uma remuneração média de 16.090 patacas (-1,6 por cento). Já os “serviços de idosos” empregavam 1.192 trabalhadores a tempo completo (+8,4 por cento), cuja remuneração média se fixou em 15.770 patacas (+1,6 por cento).

Grande Baía | Governo vai alocar 2,6 mil milhões para criar banco

O orçamento para 2022 prevê 2,6 mil milhões de patacas para criar um banco comercial na Grande Baía que conta também com capitais de Hong Kong e Guangdong. Apesar da austeridade noutras rubricas, os deputados concordam com o investimento por seguir “o rumo de desenvolvimento de Macau”. Para poupar 1,6 mil milhões em rendas dos serviços públicos, vão ser construídos novos escritórios

 

Apesar de a ordem continuar a ser poupar, o Governo revelou ontem que a despesa de 2,6 mil milhões de patacas, afecta à Macau Investimento e prevista no orçamento para 2022, será alocada à criação de um banco comercial na Grande Baía.

Segundo, Chan Chak Mo, deputado que preside à 2ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) que está a analisar a lei do orçamento para 2022, o montante corresponde a 10 por cento do total do capital investido, já que o restante capital será injectado por Guangdong (60 por cento) e Hong Kong (30 por cento). O objectivo, passa por desenvolver serviços financeiros verdes, tecnologia e finanças modernas. Nenhum dos deputados mostrou oposição.

“Este montante de 2,6 mil milhões de patacas vai ser investido na Grande Baía e servir para o desenvolvimento de um banco comercial na zona livre de comércio na Grande Baía. As actividades a desenvolver dizem respeito às novas tecnologias e serviços financeiros verdes. O Governo quer apostar nestes sectores e, como se trata de um banco, vai ficar sujeito à fiscalização das entidades do Interior da China”, começou por dizer Chan Chak Mo.

Questionado sobre se os membros da comissão mostraram reservas quanto à utilização do erário público para um projecto além-fronteiras, Chan Chak Mo apontou que o tema não foi discutido a fundo, embora o apoio seja unânime, tendo em conta o que está previsto nas LAG do próximo ano.

“Concordamos e apoiamos estas acções do Governo. Independentemente de a cooperação ser na Grande Baía ou da Zona de Cooperação [Hengqin], não temos grandes opiniões, mas sabemos que o rumo de desenvolvimento de Macau passa pelas finanças transfronteiriças, as finanças verdes e as novas tecnologias”, acrescentou.

Recorde-se que, pelo menos, mais 30 mil milhões de patacas vão sair da reserva financeira extraordinária para cobrir a previsão das despesas orçamentadas para 2022.

Toma lá, dá cá

Se por um lado, a despesa de 2,6 mil milhões não levantou ondas na reunião que a comissão teve ontem com o Governo, por outro a verba de 1,6 mil milhões de patacas afecta ao arrendamento de escritórios a privados, por parte dos serviços públicos, foi uma preocupação dos deputados.

Segundo Chan Chak Mo, perante os argumentos dos membros da comissão, o Governo anunciou que irá construir escritórios próprios com área total de 140 mil metros quadrados no NAPE, para albergar os serviços do Comissariado da Auditoria (CA) e do Fundo de Segurança Social (FSS). Além disso, será também construído um armazém para acolher serviços públicos no Pac On

“O valor total das rendas a pagar aos privados é 1,6 mil milhões de patacas e, por isso, muitos deputados pediram para o Governo não pagar esse valor aos privados e tentar concentrar serviços públicos nos mesmos edifícios”, partilhou Chan Chak Mo.

Sobre a contratação de mais de 500 funcionários públicos para departamentos como a PJ (65), a DSEDJ (62), a UM (138), a Direcção das Forças dos Serviços de Segurança de Macau (140), os Serviços de Saúde (5) e Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica (133), Chan Chak Mo apontou que as justificações dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) satisfizeram os deputados.

Tereza Sena, historiadora: “Estamos aqui de pleno direito”

Passaram mais de 30 anos desde que chegou a Macau. Agora está na hora de partir. Aos portugueses que ficam, Tereza Sena lembra que “estamos aqui de pleno direito”, enquanto intervenientes seculares das relações da China com o resto do mundo. Mas sublinha: “com respeito ao que está em jogo e à soberania”

 

Quando chegou pela primeira vez a Macau?

Vim a primeira vez em 1986. O meu marido tinha vindo em Outubro e eu vim com a miúda passar o Natal. Estive cá até Fevereiro — estava a acabar a minha tese nessa altura. Vim definitivamente no ano seguinte, em finais de 1987.

Era uma Macau muito diferente do que é hoje?

Completamente diferente. Não só em termos de estrutura da cidade, obviamente que com uma vivência completamente diferente, mas inseridos num meio profissional e um âmbito cultural. Tínhamos uma grande actividade e um grande sentido de construção e de divulgar Macau. A noção de um tempo perdido, de muita coisa que não tinha sido feita. A Administração estava empenhada nisso e havia meios humanos e financeiros.

Muito mais do que em Portugal?

Sim. Era bom trabalhar em Macau nessa altura. Tinhas ideias e podíamos fazê-las, as equipas eram relativamente novas. Tive a sorte de entrar num sítio que não tinha apenas portugueses. Era o Instituto Cultural, em que havia equipas mistas, com chineses. Todos tinham um sentido de conhecimento e de fixação da memória de Macau e da sua internacionalização.

Trabalho esse que estava ainda muito por fazer.

Sim. O Arquivo Histórico tinha acabado de abrir nessa altura, estava em organização, ainda não havia a informatização das bibliotecas. Houve todo um processo de digitalização de documentos e de bibliografia.

Em termos sociais como via na altura a comunidade portuguesa e as suas relações com a comunidade chinesa?

Tirando esse microcosmo onde eu trabalhava, que era um bocadinho diferente de outros [locais], pelas temáticas e áreas em que intervínhamos, havia muitas Macau, havia os gabinetes, várias camadas, muitos universos. Sempre tivemos uma postura, eu e o meu marido, de não nos envolvermos muito nesse tipo de ambiente. Nunca quisemos viver num gueto e tentámos compreender o sítio onde estávamos e tentar intervir. Nunca nos sentimos descriminados.

Isso antes da transferência de soberania.

Sim. Tivemos sempre um bom relacionamento com a comunidade macaense e com a comunidade chinesa que é mais difícil de privar ou de entrar em grande intimidade. Isso nunca aconteceu muito, tirando um ou outro caso. Mas tenho amigos chineses que frequentavam a minha casa.

A Graciete Batalha, num artigo que publicou na Revista de Cultura, fala de um sentimento que haveria em Macau nessa altura, e que se reflectia na poesia e na literatura, a que chamou “a angústia do fim”. Sentiu isso?

Quando vim essa primeira vez passar o Natal, colaborava também com os jornais, incluindo o Diário de Notícias. Fiz uma grande entrevista ao [Henrique] Senna Fernandes. Foi publicada no DN e agora foi republicada num volume sobre os macaenses feito pelo professor Roberto Carneiro. E o título da entrevista “Macau, a saudade antecipada”, e fez-me lembrar isso. Havia sim [esse sentimento]. Cheguei na altura da Declaração Conjunta e havia esse sentimento, a questão da perda, o que iria ser o futuro. O Senna Fernandes dizia que não podia pensar, de maneira nenhuma, não viver aqui. Disse-me que iria ter muitas saudades, mas sabemos que ele se adaptou. Era o sentimento dominante na altura, porque era uma grande incógnita. E também essa preocupação com a fixação da memória que nunca tinha sido feita, ou contribuir para uma história mais actualizada, tem tudo a ver com isso. Uma tentativa de deixar uma memória.

Mas houve uma diferença em 1991/1992, com a chegada de Rocha Vieira e da sua equipa.

Sim. As coisas aí mudaram um pouco. Houve altos e baixos. Mas um pouco esse espírito do final dos anos 80 perdeu-se um pouco, porque a Administração burocratizou-se demasiado. Aquela facilidade e sentido de construção dos projectos, o saltar todas as barreiras, houve uma série de entraves colocados. Lembro-me que, na altura, no IC, estava a gerir a parte da investigação, quando se estabeleceram critérios e pareceres científicos, começaram a colocar-se, na explicação destes trabalhos, a teoria da consulta pública, o que não fazia sentido. Se estávamos no meio académico e é apresentado um projecto sobre Macau que tem consistência e que é importante ser concretizado, não se pode abrir uma consulta pública para ver a quem se pode adjudicar o projecto.

Alguma dose de desconfiança?

Houve uma certa desconfiança, mas mais para a frente as coisas acalmaram.

Até que chegamos à transferência de soberania. A Tereza ficou cá, como sentiu esse processo e os tempos posteriores?

Em termos profissionais estive bem, e houve continuidade nos primeiros anos, até 2001. Houve mudanças no IC e o projecto e a noção que havia das coisas alterou-se um pouco. Achei que aquela contribuição que poderia dar não seria a mesma, os critérios de cientificidade também, e fui para Portugal durante dois anos, até 2003. O Instituto Ricci convidou-me depois e vim. Mas isso é uma conjuntura profissional.

Foi o que sentimos até 2003, uma reacção quase natural.

Eu diria mais pelo perfil das pessoas que estavam à frente destas áreas, teriam outras prioridades que não se coadunavam com aquelas que eu achava que seria as importantes. Quando achei que o projecto poderia voltar a ser interessante, voltei. Mas em termos pessoais não tenho nada a dizer, as relações que tinha continuaram na mesma. Começaram todos a tentar falar português, o que antes não acontecia, porque como era a língua do poder tinham medo. Quando esta terra já era a deles queriam mostrar que nós éramos bem recebidos, então esforçavam-se imenso por falar português, mesmo nas lojas. Depois da cerimónia da transferência de soberania, eu vinha emocionada e houve um senhor chinês que reparou nisso e agarrou-se a mim, abraçou-se a mim e disse: “Amiga, não vá embora, nós precisamos de si”. No ano 2000 os meus colegas chineses tomavam conta de mim, diziam o que eu precisava de fazer.

Mas em termos políticos houve uma mudança com o Fórum Macau.

Lá está, não vivi isso. Houve uma travessia no deserto e não se sabia qual era o sentido de Macau nem dos portugueses que cá estavam.

Quando voltou continuou na mesma linha de investigação?

Da parte do Instituto era gestora cultural, embora fosse fazendo sempre alguma investigação. Tinha muito trabalho. O meu trabalho não era exactamente desenvolver a investigação, mas pontualmente fui fazendo isso. Só quando fui para o Instituto Ricci é que passei a investigadora a tempo inteiro, mas não só. Havia as sessões culturais, os congressos, já numa perspectiva de relacionamento com a China e de história contemporânea. Aí tive de entrar mais pelo campo dos jesuítas. No IC houve outra coisa muito importante que foi a internacionalização. Havia muito interesse em Macau a nível internacional e também por parte da academia.

Isto antes de 1999.

Sim. Todos os dias tinha correspondência e recebia um investigador estrangeiro.

Como vê a história de Macau do ponto de vista do seu desenvolvimento e da quantidade de trabalhos produzidos?

Houve uma linha de continuidade em alguns casos, com o mesmo entusiasmo, com menos financiamento, mas foram-se fazendo algumas coisas.

Podemos considerar que, de alguma maneira, existem duas histórias de Macau?

Há muitas.

Temos aquela que é feita a partir dos documentos chineses e a outra, a partir dos documentos portugueses. Até que ponto é que estas histórias diferem?

No final dos anos 90 uma das coisas que se conseguiu fazer… até aí os encontros que se faziam havia as histórias nacionais que marcavam as abordagens. Às vezes era difícil entendermo-nos porque os pressupostos de onde partiam eram diferentes. E mesmo a própria adjectivação e catalogação da história assim existia. Depois de muitas conversas conseguimos entrar num acordo em termos conceptuais, num célebre encontro sobre a história de Macau que aconteceu na Fundação Oriente. Vieram investigadores chineses e ocidentais e foi decidido que se ia por de lado esse tipo de classificação e começar a trabalhar aspectos da história de Macau. Toda aquela geração, a linha de Camões Tam… a Revista de Cultura publicou muita coisa sobre isso e passamos a olhar para a história de Macau como várias histórias. E penso que nunca haverá uma história de Macau, porque é impossível. Se formos a ver, do ponto de vista americano, ou do comércio internacional das comunidades que por aqui passaram, eles têm uma outra história de Macau. Nós temos uma, e os chineses têm outra. Quando chegamos ao consenso de que tinha sido um território de administração partilhada, que teremos sempre de ir sempre por essa perspectiva.

Foi essa a conclusão a que chegaram, que foi sempre um território de administração partilhada?

Sim. Havia visões de um lado e do outro, e nenhuma se poderia sobrepor à outra. Pensamos que cada um iria trabalhar os seus documentos, discutir aspectos.

Olhando só para os documentos, é talvez difícil… há muita coisa que fica de fora, porque muita da história de Macau não foi feita em documentos. Será assim?

Exactamente. Nomeadamente essa partilha, que não foi feita em documentos. Por isso é que comecei depois a estudar a história da tradução, embora não haja muitas fontes nem documentos. Consegue-se detectar, nas entrelinhas e nos conflitos, ou nas cartas do Senado, ou nas chapas sínicas, o papel do mediador. Percebe-se que houve tensões que foram sendo resolvidas que não vêem nos documentos.

Queria falar agora de dois momentos de tensão na história de Macau. Ferreira do Amaral e a expulsão das alfândegas chinesas e mais recentemente o 1,2,3. Parece que, tendo havido a inclinação do bambu para um lado, depois o bambu volta ao mesmo sítio.

Há ainda um momento de tensão anterior, grande. Porque a história de Macau é isso. Quando falo da história de Macau falo da cidade portuária, que não é uma cidade portuguesa. Foi, em 1887, reconhecida a soberania portuguesa com o tratado, mas com limitações. Mas vamos mais para trás.

Isso é o que está escrito no tratado, mas na prática…

Mas isso já existia desde finais do século XVI, quando em 1582 ou 1583 o procurador do Senado passa a ter o título de mandarim em segundo grau, para dialogar com as autoridades chinesas, está implicitamente reconhecida a dupla soberania em Macau. Ele é o elemento de ligação entre o Senado, o núcleo da cidade cristã, dos portugueses e macaenses, escravos, chineses aculturados, e os outros que estavam no outro lado. Quando havia algum conflito, ou abastecimento de mercadorias, havia sempre diálogo. Daí a importância das chapas sínicas para a compreensão de Macau. A partir de certo momento debate-se na China o que se há-de fazer com aqueles bárbaros, que eram úteis por causa do comércio, mas não podiam extravasar muito do sítio onde estavam. Então construíram as Portas do Cerco. Quando as coisas corriam mal fechavam a porta, não vinham alimentos e então começava-se a negociar. Isto foi assim ao longo dos séculos.

Depois vem Ferreira do Amaral.

Ele vem dar execução a um projecto que era anterior, de 1783, as providências do Martim de Melo e Castro. É o primeiro plano que existe para um controlo da coroa portuguesa sobre Macau. Era o tal documento de tensão, o chamado Código de Qianlong. Esse é que é o grande momento, de ruptura, deste equilíbrio.

Já tinha havido o Código de Quangli, mas a coisa resolveu-se. Eram as regras de não poder construir nas muralhas ou edificar mais casas, ou de que os japoneses não podiam estar em Macau. Isto para controlar. O Código de Qianlong diz o mesmo mas põe na mesa uma coisa fundamental: a proibição do catolicismo. É a única diferença, gigantesca para a coroa portuguesa, que não podia admitir uma coisa daquelas. Nesse momento de grande tensão, a coroa portuguesa faz um documento para a regulamentação de Macau. Mas aqui já estamos em contexto de comércio internacional, já outras potências estão a querer dominar. Daí todas as críticas estrangeiras em relação a Macau, de que nós não dominávamos nada. O tal projecto de Melo e Castro, com a criação da alfândega, começa a haver uma tentativa de imposição de uma lei portuguesa em Macau. Gera-se um período de conflito e o Ferreira do Amaral foi o executor desse projecto.

Então não foi ele que o concebeu.

Não. Foi o que se viu, mas perante aquela reacção, houve logo uma reconciliação. Começou a centrar-se novamente na negociação. Acabada a Guerra do Ópio e a cedência de Hong Kong e os tratados, aí Portugal começou a querer desesperadamente um tratado. Estávamos aqui há 200 anos e os ingleses já tinham [um acordo]! São 48 anos para se tentar conseguir um tratado, que é inteligentíssimo, por parte da China. Eles reconhecem realmente a soberania portuguesa, mas com duas reservas: uma é não permitir a alienação do território e não haver a delimitação das águas territoriais, como ainda hoje não há. Sem delimitação não se sabe que território se domina.

Com o 1,2,3 também se tenta atingir um equilíbrio?

Foi a mesma coisa, quando é reconhecido o papel de mediação que Macau sempre teve ao longo da história. Uma das minhas teorias, ou sínteses, é a mediação com o Japão, depois com o comércio internacional, e depois há uma fase, aquando do fecho da China, com o ouro. A China não tinha representação na ONU nem a nível do comércio internacional. Depois de 2003, a ligação com os países de língua portuguesa. A lógica é sempre a mesma.

Tem esperança que a comunidade lusófona possa ainda ter um papel a partir desta época em que vivemos?

Sim, a comunidade lusófona. Mas acho que neste momento cada vez será menos precisa a presença de portugueses para desempenhar esse papel de ponte. Porque com o investimento e o conhecimento do português… estamos no domínio da língua neste momento. O relacionamento será muito mais a esse nível, penso eu.

Mas, se calhar, a nossa comunidade não soube ou não pôde, nestas duas décadas, tornar-se num pilar dessa ponte.

Porque a nossa comunidade aqui… nem sei se é bem uma comunidade. Temos essa lógica do mercador, do comerciante, do intermediário, homem de acção, e temos ainda a herança da administração, da mentalidade do funcionário público. Houve uma renovação com alguns jovens que vieram para Macau. Começou a existir em Macau negócio português, que era coisa que não existia. Mas é muito virado para Macau, para dentro. Essa perspectiva de fazer pontes, não vejo muito.

Para estabelecer relações com os países lusófonos, seria importante desenvolver esse lado cultural?

É fundamental. Houve algumas iniciativas nesse sentido, mas acho que as instituições culturais estão muito viradas para o interior da China.

Talvez o facto de Macau ser vista como uma cidade internacional faça com que os chineses de Macau devam algo ao interior, no sentido de serem mais chinesas. Reforçar a sua identidade chinesa.

Nestes momentos há sempre essa tendência. Daí que os estudos de Macau sejam interessantes do ponto de vista para marcar a diferença, [ter] uma identidade construída. Houve muita coisa desenvolvida para o conhecimento de Macau este ano. Penso é que as próprias pessoas poderão balancear um pouco, ter receio de se quererem autonomizar demais. Talvez elas se queiram encostar um pouco ao novo poder. As gerações também mudaram. Talvez estejam a pensar no seu futuro e não podemos pensar mal disso.

Mas será que a nossa comunidade ainda pode ser útil, aqui, para a China?

Penso que sim. Pelo menos para fazer isto, este tipo de postura. Não podemos estar aqui como se nos dessem licença para cá estar. Estamos aqui de pleno direito, enquanto intervenientes neste processo de comunicação. Mas com respeito ao que está em jogo e à soberania. Macau teve um papel fundamental ao longo da história para a própria história da China, e a China serviu-se de Macau, tal como Portugal o fez, criou-se aqui uma cultura, criaram-se gentes.

Nas últimas três décadas a China mudou muito. Isso teve um efeito importante sobre Macau, mas diminui o seu papel de mediador.

Exactamente. Estamos a hegemonizar uma China que tem a sua missão e direito de a ter, e que faz o seu percurso. Mas era bom que esse percurso não fosse feito com branqueamentos nem com a imposição do que abolimos em 1990, uma visão ideológica da história.

É altura de se ir embora, porquê?

São questões pessoais, familiares. Fiz quase toda a minha vida profissional aqui e fi-lo com alguma seriedade e empenho, e dedicação a Macau.

O balanço é satisfatório?

É. Não estou arrependia, senti-me muito bem em Macau, desviei completamente a minha investigação para outra área. Não sabia nada da história de Macau quando cheguei e foi um desafio constante. Na faculdade, em Portugal, não se falava de Macau.

Como vê agora a posição da nossa comunidade?

Essa é uma pergunta muito difícil. Neste momento, é uma comunidade muito dividida. Antes também era em termos de não haver partilha de interesses ou de haver vários grupos. Mas havia um sentido de conjunto, pontos de encontro, e neste momento não há. Esse centro, de falar na rua, o nervo da cidade, a comunicação entre as pessoas, perdeu-se. Bastava pegar num telefone, porque a cidade estava lubrificada. Hoje em dia a comunidade está dispersa, encontramos pessoas e perguntamos: “estás cá?”. A cidade cresceu e as condições de vida alteraram-se. Essa polarização cultural deixou de funcionar.

Que mensagem nos deixaria no momento da partida?

Sejam felizes… Se sentem que estão a fazer alguma coisa por Macau, que vos dá satisfação em termos pessoais e profissionais, se há um projecto, um sentido de construção. Se têm necessidade em termos económicos, é admissível…, mas neste momento é difícil estar em Macau pois estamos fechados. Podemos ser elementos construtores de diálogo com a comunidade e com a própria China. Se pudermos demonstrar que somos importantes nesse projecto de diálogo que a China tem com o mundo, e se estiver dentro dos nossos parâmetros e valores, cumprimos o que sempre foi Macau.

Covid-19 | Japão fecha-se a todos os visitantes estrangeiros devido a nova variante

O Japão anunciou hoje que vai fechar as fronteiras a todos os visitantes estrangeiros devido à variante Omicron da covid-19, três semanas após ter flexibilizado algumas restrições para permitir a entrada de viajantes de negócios e estudantes.

“Proibiremos todas as (novas) entradas de estrangeiros de todo o mundo a partir de 30 de novembro”, disse o primeiro-ministro nipónico, Fumio Kishida.

Os japoneses que regressam de nove países da África Austral e de países onde foram relatadas infeções com a nova variante terão de ser submetidos a “medidas rigorosas de isolamento de acordo com os riscos”, disse Kishida.

O Japão, que tem tido restrições fronteiriças desde o início da pandemia, facilitou as medidas para viajantes de negócios, estudantes e estagiários estrangeiros no início de novembro, mas continua fechado aos turistas.

O governo japonês anunciou na sexta-feira que iria prolongar a quarentena hoteleira para dez dias para os visitantes do Botswana, Eswatini, Lesoto, Namíbia, África do Sul e Zimbabué que chegassem ao Japão.

Tóquio estendeu a medida este fim de semana aos visitantes que chegavam do Malawi, Moçambique e Zâmbia. A nova variante, a Ómicron, foi recentemente detetada na África do Sul e, segundo a Organização Mundial da Saúde, o “elevado número de mutações” pode implicar uma maior infecciosidade.

Covid-19 | Filipinas suspendem plano de reabertura das fronteiras

As Filipinas suspenderam os planos de reabertura das suas fronteiras a turistas totalmente vacinados, a fim de impedir a entrada no país da nova variante da covid-19. Ao mesmo tempo, está a ser lançada uma nova campanha de vacinação de três dias para acelerar as injeções de doses a pessoas com mais de 12 anos.

Manila anunciou na semana passada que tencionava reabrir a fronteira a nacionais de muitos países a partir de 01 de dezembro, numa tentativa de impulsionar uma economia gravemente atingida pela pandemia.

Mas a ‘Task Force’ Covid-19 do governo mudou a sua política durante o fim de semana, anunciando a suspensão dos voos de sete países europeus, para além da anterior proibição de chegadas de países africanos.

Até agora, as Filipinas não registaram quaisquer casos da variante Omicron, identificados pela primeira vez na África do Sul.

A decisão é um golpe para os operadores turísticos do país, devastado por uma queda no número de visitantes internacionais e restrições às viagens nacionais desde que as fronteiras foram fechadas em março de 2020.

O turismo é um setor importante da economia filipina, representando quase 13% do PIB em 2019, graças a oito milhões de visitantes, de acordo com estatísticas oficiais.

Xiaomi vai fabricar 300.000 veículos eléctricos por ano na nova fábrica em Pequim

O grupo de tecnologia chinês Xiaomi assinou um acordo com as autoridades de Pequim para construir uma fábrica de veículos elétricos, com capacidade para produzir até 300.000 unidades por ano, informou hoje o portal de notícias económicas Yicai.

A fábrica, da qual sairão os primeiros veículos em 2024, vai ser construída em duas fases, embora não tenha sido divulgado o valor do investimento.

A Xiaomi, conhecida pelos seus telemóveis e outros dispositivos, anunciou, em março passado, a entrada no setor elétrico, com um investimento equivalente a 8.864 milhões de euros, ao longo dos próximos dez anos.

Em setembro, a empresa formalizou a criação da sua nova subsidiária dedicada a este tipo de veículo, com um capital inicial de 1.389 milhões de euros. Mais de 500 funcionários trabalham já nesta nova subsidiária, disse

recentemente a empresa de tecnologia, que já fabrica alguns veículos elétricos de pequeno porte, e também fez parceria com a chinesa Super Soco para produzir conjuntamente motocicletas elétricas.

Sentença de ex-padre julgado por abusos sexuais menores em Timor-Leste lida em Dezembro

A sentença do julgamento de um ex-padre norte-americano acusado de abusos sexuais de crianças em Timor-Leste vai ser lida, à porta aberta, no próximo dia 21 de Dezembro, confirmou hoje à Lusa um oficial de justiça.

“A leitura da sentença vai ser feita às 09:00 do próximo dia 21 de Dezembro, no Tribunal de Oecusse” onde Richard Daschbach, 84 anos, começou a ser julgado a 23 de fevereiro deste ano, à porta fechada, disse o oficial de justiça.

“As alegações finais foram concluídas na semana passada e o juiz já deliberou que a leitura da sentença será feita à porta aberta”, explicou a mesma fonte.

Daschbach está acusado de 14 crimes de abuso sexual contra menor, um de pornografia infantil e violência doméstica, alegadamente cometidos ao longo de anos no orfanato Topu Honis, no enclave de Oecusse-Ambeno, em Timor-Leste.

Daschbach foi expulso da congregação da Sociedade do Verbo Divino (SVD) em Timor-Leste e do sacerdócio pelo Vaticano pelo “cometido e admitido abuso de menores”, com a decisão a basear-se numa detalhada investigação, incluindo a sua confissão oral e escrita.

Fonte judicial confirmou à Lusa que, nas alegações finais, o Ministério Público pediu uma pena mínima de 18 anos de prisão, com a defesa a pedir a absolvição de todos os crimes.

Ao longo do julgamento foram ouvidas 14 vítimas, das quais oito solicitaram depor sem a presença de Daschbach na sala de audiências, confirmou a mesma fonte.

Testemunharam ainda dezenas, arroladas tanto pelo Ministério Público como pela defesa, entre elas o ex-Presidente da República, Xanana Gusmão, chamado pela defesa de Daschbach.

Miguel Faria, advogado da equipa de defesa, disse à Lusa que a defesa pediu a absolvição por considerar que “nenhum dos factos foi provado pelo Ministério Público”, sublinhando ter apresentado dezenas de testemunhas que confirmam a inocência.

“Não podemos publicar os factos ainda por causa do segredo de justiça. Só poderemos falar em detalhe depois do caso transitar em julgado. Mas os factos não foram provados pelo Ministério Público. Os crimes não foram cometidos”, disse.

Matias Soares, um dos procuradores do Ministério Público que liderou o processo, disse à Lusa estar “totalmente confiante” de ter conseguido provar todos os crimes.

“Temos a certeza absoluta que provamos a culpabilidade do arguido pelos crimes que cometeu, pelos atos que foram investigados e apresentados. E este é apenas um número mínimo de vítimas, já que há muitas outras que não tiveram coragem para falar”, afirmou.

O caso causou amplos debates no país, levando a ataques e a ameaças de alguns dos apoiantes de Daschbach contra jornalistas, alegadas vítimas e organizações de apoio a vítimas.

Depois de sucessivos adiamentos e atrasos, o julgamento decorreu com maior normalidade, com as sessões a decorrerem em vários momentos dos últimos nove meses.

O caso começou a ser investigado há cerca de quatro anos e decorreu com pressão públicas de vários apoiantes do ex-padre, incluindo do ex-Presidente da República Xanana Gusmão.

Sem precedentes, o caso marcou um antes e um depois para a Igreja Católica em Timor-Leste levando mesmo a Conferência Episcopal Timorense (CET) a desenhar um novo protocolo, seguindo regras e orientações do Vaticano, para lidar com eventuais casos de abuso sexual que possam surgir na igreja no país.

“A CET já fez um protocolo, depois deste primeiro caso, e isso é um passo muito forte e importante”, explicou em agosto, o arcebispo Virgílio do Carmo da Silva, em entrevista à Lusa, reafirmando disponibilidade total para ouvir qualquer alegada vítima.

Em meados de julho, a organização que representa as alegadas vítimas do ex-padre disse que um dos seus elementos foi alvo de ameaças de morte por parte do arguido, no Tribunal de Oecusse.

á em janeiro a Conferência Episcopal Timorense apelou a toda a comunidade católica em Timor-Leste para que aceite e respeite a decisão do Papa Francisco expulsar do sacerdócio o ex-padre.

“O senhor Richard Daschbach já recebeu a sua sentença pela Doutrina da Fé, com o número 208/2018-67069 de 06 de novembro de 2018 do Papa Francisco: ele já não é padre, agora é leigo”, refere o comunicado da CET, “confirmado pela Arquidiocese de Díli” e dirigido “aos padres, religiosos, diáconos, irmãos, freiras e a todos os batizados em Timor-Leste”.

Mesmo antes do caso se tornar público, a diocese já tinha conhecimento do início da investigação pela hierarquia da Igreja que culminou na condenação e expulsão de Richard Daschbach.

“Foi a primeira vez que ocorreu isto aqui na Igreja de Timor. Mas desde o início sempre colaborei e quis tratar o assunto com a orientação da igreja universal. O papa já tem instruções e orientações claras para todo o clero sobre como orientar-nos e processar essa situação”, recordou, admitindo que o caso criou problemas internos.

O caso já foi investigado pelo Vaticano, num processo detalhado, disse.

“Esta não é uma decisão tomada de ânimo leve pelo Vaticano. Conheço o processo. foi feita uma suspensão provisória, e depois ele aceitou e assinou, não temos mais dúvidas. o importante é respeitar e convencer os outros a aceitar. E inclui uma confissão escrita e uma confissão oral”, sublinhou.

No mais recente comunicado, de 22 de julho, a Arquidiocese recorda que Daschbach foi laicizado depois de uma investigação e posterior sentença da Doutrina da Fé, pedindo a toda a estrutura da igreja para “respeitar” essa decisão e evitar comentários adicionais.

“Quando o processo terminou, voltaram com os documentos e apresentaram ao senhor. Ele leu, concordou e assinou o documento. E ainda foram dados três meses para ele poder contestar ou recorrer. E não recorreu”, disse o arcebispo.

Governo cria programa de visitas virtuais a vários museus

O Instituto Cultural (IC) decidiu criar um programa de visitas virtuais a mais quatro museus do território, depois de ter criado o mesmo sistema para o Museu de Macau e o Museu de Arte de Macau. Desta forma, os interessados podem agora visitar online o Museu Vivo Macaense das Casas da Taipa, o Museu da História da Taipa e Coloane, o Museu Memorial de Xian Xinghai e o Espaço Patrimonial Uma Casa de Penhores Tradicional.

Este sistema é composto por salas de exposição virtual com recurso à tecnologia de realidade virtual online, onde os interessados poderão ter acesso a uma visita digital ao museu obtendo um espaço de visualização de 360 graus.

Estas visitas virtuais estão disponíveis em português, chinês tradicional e simplificado, e inglês. Os visitantes podem digitalizar um código QR ou aceder à página de Realidade Virtual (RV) Online do IC, utilizando o rato ou tocando no monitor para circular livremente nos diferentes espaços de exposição. O IC promete continuar a apostar na integração dos recursos de museus com a tecnologia, promovendo as visitas digitais.

Fundação Macau | Proposta reforma na concessão de subsídios

A Fundação Macau (FM) divulgou, na sexta-feira, o relatório “Concessão de Apoios Financeiros pela Fundação Macau: Retrospectiva e Perspectivas”, onde aponta a necessidade de uma reforma no actual modelo de concessão para “estabelecer normas específicas viáveis na prática e aplicáveis à apreciação e autorização de pedidos de concessão de apoio financeiro”.

A FM considera fundamental “clarificar e especificar os destinatários, o âmbito e a forma de apoio, assim como os procedimentos de requerimento, apreciação, autorização e fiscalização” dos subsídios. É também proposto “clarificar o âmbito de apoio no seguimento da política de gestão sectorial dos projectos de apoio financeiro do Governo, tomando a iniciativa de implementar programas de apoio específicos que correspondam às necessidades da sociedade e às linhas de acção governativa”.

A terceira linha de reforma diz respeito ao reforço da fiscalização. Desta forma, as entidades subsidiadas devem assinar um termo de consentimento “onde constam as obrigações a que ficam sujeitas e as consequências do incumprimento”. Além disso, é pedido “um relatório financeiro elaborado por contabilistas ou sociedades de contabilistas habilitados, em prol da regularização das contas”.

O documento apresenta ainda vários problemas com a concessão de apoios financeiros registados nos últimos anos, tal como o “número excessivo e uma grande similaridade entre as actividades financiadas, poucos efeitos para a sociedade, a desuniformidade dos critérios de avaliação, pouca transparência das contas e insuficiência da fiscalização dos apoios atribuídos”.

Conselho Executivo conclui análise sobre mudanças em fundos autónomos

O Conselho Executivo apresentou na sexta-feira regulamentos administrativos que alteram o Fundo de Turismo e que criam do Fundo de Desenvolvimento da Cultura, que nasce da fusão de dois fundos já existentes. Ambos os regulamentos administrativos entram em vigor a 1 de Janeiro.

No caso do Fundo de Turismo, criado em 1994, o novo regulamento administrativo determina que fique na tutela da Economia e Finanças, “passando a incluir os subsídios relativos à formação de talentos na área do turismo e despesas com outras actividades que visem impulsionar o desenvolvimento conjunto do turismo com outras indústrias da RAEM”, aponta o Conselho Executivo.

O Fundo de Turismo deixa também de ser responsável pelos encargos relacionados com o Instituto de Formação Turística de Macau, a administração do edifício de apoio ao Grande Prémio de Macau, a organização do Grande Prémio de Macau e as Regatas de Barcos-Dragão.

Fusão na cultura

O Fundo de Desenvolvimento da Cultura (FDC) nasce da fusão do Fundo de Cultura com o Fundo das Indústrias Culturais, com o intuito de “promover a reforma da administração pública e implementar a política de optimização e reestruturação dos fundos autónomos”.

O novo fundo será responsável pela concessão do apoio financeiro às actividades e projectos das áreas cultural e artística. O novo regulamento administrativo determina que o FDC é uma pessoa colectiva de direito público, com autonomia administrativa e financeira, e dependente da secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura.

O FDC será composto por um conselho de curadores, conselho de administração e conselho fiscal. Todos os trabalhadores que actualmente exercem funções no Fundo de Indústrias Culturais e no Instituto Cultural, onde executam trabalhos ligados ao Fundo de Cultura, serão transferidos para o FDC.

Não era só o Benfica

Na semana passada falou-se muito de futebol. Não, não me refiro ao empate do Benfica em Barcelona, à derrota do FC Porto em Liverpool e à vitória surpreendente do Sporting ao Borussia Dortmund conseguindo seguir na Champions onde não punha as chuteiras há 13 anos. Falou-se muito de futebol, mas em termos judiciais. As autoridades não conseguem esconder a ajuda que o hacker Rui Pinto lhes tem estado a dar, certamente bem remunerado. De um mês para o outro, os clubes de futebol entraram na baila e os inspectores da Polícia Judiciária, os procuradores do Ministério Público e o super juiz Carlos Alexandre começaram a invadir as instalações clubistas, como o Sporting, Santa Clara, Vitória de Guimarães, FC Porto, Tondela e Sporting de Braga. E não só. As buscas domiciliárias e não domiciliárias atingiram jogadores, dirigentes de SAD’s de clubes, empresários de futebol e escritórios de advogados. Afinal, não era só o Benfica que vinha sendo acusado de irregularidades e negócios pouco claros na compra e venda de jogadores. No intocável FC Porto parece que desta vez o caso é grave e inclui o próprio filho do presidente Pinto da Costa, que obviamente aprendeu tudo sobre bastidores do futebol com o pai.

A gravidade das buscas pode envolver muitos milhões de euros que foram branqueados na compra e venda de jogadores, nas comissões que jogadores, dirigentes e empresários teriam recebido quando os contratos eram acordados. Imaginem que até o “deus” dos empresários, Jorge Mendes, que por ser o gestor de José Mourinho e de Cristiano Ronaldo logo pensou que tinha o rei na barriga e que poderia fazer o que lhe apetecesse. Com ele, vários advogados que mancharam a classe de uma forma vergonhosa. A polícia investiga, mas já tem os dados todos. Já sabe quantos milhões recebeu fulano ou beltrano. As pesquisas já apareceram nos computadores dos investigadores, que têm o apoio de Rui Pinto, e as lavagens de dinheiro, os depósitos em offshores e as falcatruas de intermediários e advogados já estão nos processos comandados por Carlos Alexandre. E tudo indica que desta vez o caso é muito sério e que alguns irão parar à prisão. O Ministério Público já tem suspeitas de negócios entre os clubes e terceiras entidades que podem ultrapassar os 15 milhões de euros e que tiveram em vista a ocultação de rendimentos do trabalho dependente, sujeitos a declaração e a retenção na fonte, em sede de IRS, envolvendo jogadores de futebol profissional. As investigações já começaram em 2020 e quando foi anunciado que Luís Filipe Vieira e o Benfica estavam em maus lençóis, logo houve risotas lá para as bandas do norte do país. Agora, vamos ver o que acontece quando o FC Porto é um dos clubes com maiores suspeitas de ilegalidades, nomeadamente, a fuga ao fisco. Os factos em investigação são susceptíveis de integrarem crimes de fraude fiscal, fraude à segurança social e branqueamento de capitais.

Quando veio a público que no FC Porto o Ministério Público tinha suspeitas gravíssimas, houve logo quem dissesse que Pinto da Costa é intocável. Vamos ver porque o Ministério Público está a investigar o pagamento de comissões superiores a 20 milhões de euros relacionados com transferências de futebolistas e efetuou 33 buscas, entre as quais na SAD do FC Porto e numa instituição bancária. Em comunicado, o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) referiu que na investigação estão “factos ocorridos pelo menos desde 2017 até ao presente, com forte dimensão internacional e que envolvem operações de pagamento de comissões de mais de 20 milhões de euros”. O DCIAP acrescenta que as diligências “visam investigar a suspeita de prática de crimes de fraude fiscal, burla, abuso de confiança e branqueamento, relacionados com transferências de jogadores de futebol e com circuitos financeiros que envolvem os intermediários nesses negócios”.

Nada mais claro que há marosca e da grande no interior dos maiores clubes de futebol. A gravidade maior ao longo dos anos é o roubo que se tem feito ao Estado que somos todos nós. O procedimento criminal movimentou muitos milhares de milhões de euros. Houve jogadores que foram comprados por milhões e que nunca jogaram nos clubes que os adquiriram e que passado uns tempos eram vendidos pelo dobro que tinham custado.

Naturalmente que os sócios e os adeptos que pagam as suas quotas e bilhetes de ingress têm de se sentir envergonhados e tristes com os seus clubes que optaram pela vigarice. Afinal, pode perguntar-se se o futebol é um desporto ou um negócio. Possivelmente a maioria optava por afirmar que se trata de um negócio gigantesco e obscura que tem início na própria FIFA e UEFA onde os casos de corrupção têm levianamente vindo a público e não esquecendo o escândalo do Mundial que se realizará no Qatar, último lugar do globo para a prática de futebol devido à elevada temperatura e prejudicial à saúde dos praticantes.

Vamos aguardar pelo desfecho destas investigações que tendo o juiz Carlos Alexandre ao comando das operações não augura que os potenciais suspeitos se fiquem a rir desta vez…


*Texto escrito com a antiga grafia

Suncity | Alvin Chau indiciado por associação criminosa, jogo ilegal e branqueamento

Em menos de 48 horas as regras do jogo mudaram para sempre. Alvo de um mandado de captura no Interior desde sexta-feira, Alvin Chau, presidente da Suncity, foi detido em Macau. Caído em desgraça, o magnata arrisca uma pena de prisão pesada

 

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção Alvin Chau Cheok Wa, presidente e proprietário do grupo Suncity, o maior promotor de jogo VIP de Macau. A operação contra a maior operadora junket foi revelada ontem, com poucos pormenores além dos dados sobre os nove arguidos e dois suspeitos.

De acordo com a informação apresentada pela PJ, Alvin Chau, de 47 anos, está indiciado pela prática de associação criminosa, onde era o cabecilha, que implica uma pena mínima de 8 anos e máxima de 15 anos de prisão, que ainda pode ser agravada em um terço.

Além deste crime, Chau está indicado por exploração ilícita de jogo, que implica uma pena máxima de três anos, sem agravantes, e branqueamento de capitais (pena máxima de três anos de prisão).

Porém, a sanção por lavagem de dinheiro pode ser agravada para oito anos de prisão, caso as autoridades considerem que Alvin tirou proveito do crime ou que dissimulou a origem ilícita do dinheiro, para evitar que os envolvidos respondessem criminalmente.

A detenção do presidente do Grupo Suncity aconteceu no sábado de manhã, no dia em a polícia fez buscas no escritório da empresa, no NAPE, e na residência do arguido, em Coloane. Além de Chau, foram detidos 10 indivíduos, entre os quais oito são arguidos pelos mesmos crimes e outros dois são apenas “suspeitos”. Os envolvidos fazem parte da estrutura de direcção da empresa.

“Após a investigação preliminar, os arguidos confessaram que tinham criado uma plataforma que permitia que pessoas fora de Macau pudesse apostar nos casinos do território, e ainda para outras actividades de jogo electrónico”, afirmou Chong Kam Leong, porta-voz da PJ. “No entanto, os arguidos recusaram cooperar com outras investigações”, acrescentou.

Procurado desde sexta-feira

A operação em Macau foi para o terreno depois de no dia anterior, na sexta-feira à noite, as autoridades do Interior terem revelado a existência de um mandado de captura para Alvin Chau. Em causa estaria uma investigação iniciada em Junho do ano passado.

De acordo com a informação das autoridades de Wenzhou, na província de Zhejiang, o presidente da Suncity era acusado de “ameaçar seriamente a ordem social do país” através da criação de uma associação para “jogo transfronteiriço”, que envolvia clientes do Interior e “quantidades enormes” de capital.

Ao empresário de Macau era ainda pedido que se entregasse voluntariamente para receber “um tratamento leniente”. As autoridades do Interior acusavam a organização de Chau de envolver cerca de 199 accionistas e representantes, mais de 12 mil promotores de jogo e ainda uma rede com mais de 80 mil jogadores no Interior.

Afinal havia outra

Só depois da situação no Interior ter sido tornada pública é que as autoridades de Macau foram para o terreno. No entanto, ontem, a PJ falou numa investigação feita com base nos dados das polícias locais.

“A PJ inicia as suas investigações com base nas informações que recolhe… Recolhe sempre diferentes tipos de informações através da cooperação com diferentes jurisdições por todo o mundo, incluindo com o Interior”, respondeu Chong Kam Leong sobre a operação.

Sobre possíveis ligações à investigação do Interior, o porta-voz da PJ não respondeu, limitando-se a dizer “que não disponha” dessa informação.

Ainda de acordo com a PJ, a investigação que culminou com a detenção teve origem em Agosto de 2019, quando alegadamente a polícia foi informada de que Alvin Chau estaria a liderar uma associação criminosa que operava no Interior. Porém, as movimentações só chegaram mais tarde: “O processo foi instaurado em Abril de 2020. Após uma investigação que demorou um tempo oportuno, e a 27 de Novembro de 2021 [no sábado] foi realizada a operação”, justificou Chong. “A operação resultou na detenção do cabecilha do grupo, assim como em outros 10 membros chave. As buscas foram feitas num edifício comercial no ZAPE e numa habitação na Zona de Coloane”, explicou.

Milhões e material electrónico

As apreensões da PJ resultaram em 3 milhões de dólares de Hong Kong, em diferentes moedas como patacas, dólares de Hong Kong e libras esterlinas. Ao mesmo tempo, as autoridades dizem ter apreendidos materiais electrónicos que permitiam operar a plataforma de apostas online para residentes do Interior. “Na operação foi feita a apreensão de um grande número de dispositivos electrónicos, como computadores, servidores e outros materiais para criar redes”, foi explicado.

Além de Alvin Chau, o caso implica mais 10 pessoas. Entre estas, oito são arguidos e há dois suspeitos, que ontem à tarde ainda não tinham o estatuto de arguidos. Os envolvidos têm idades entre os 30 e 57 anos, sendo que são oito homens e duas mulheres.

Filantropia | Um historial de patriotismo e caridade

Alvin Chau nasceu em Macau, tem 47 anos e um considerável historial de caridade não só com instituições locais, mas também no Interior, contribuindo na resposta a desastres naturais e campanhas nacionais.

No perfil do grupo Suncity, Alvin Chau apresenta-se como um homem “dedicado à nação” e destaca que “o sucesso da pátria” é uma condição fundamental para a estabilidade e prosperidade de Macau. Por isso, em Julho deste ano, durante a exposição de fotografia comemorativa do 100.º aniversário do Partido Comunista da China, Alvin Chau liderou uma comitiva com cerca de 50 pessoas.

Em sintonia com o discurso oficial, em Junho, após as cheias que massacraram a província de Henan, o empresário doou 3 milhões de patacas para os trabalhos de reconstrução. Este não é um caso único, quando surgiu a covid-19, a Suncity fez donativos de 30 milhões de patacas para comprar equipamento médico para a província de Hubei.

As doações não se ficaram apenas pelo grupo empresarial, Alvin Chau contribuiu, do seu bolso, com 30 milhões de patacas. A caridade foi reconhecida pelo Governo Central, que em Julho de 2020 recebeu o empresário na sede do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM. Yao Jian, vice-director do Gabinete de Ligação na altura, entregou uma placa de agradecimento ao empresário.

Ainda no princípio do ano passado, Alvin Chao fez um donativo de 20 milhões de renminbis para a campanha nacional da China Foundation for Disabled Persons, entidade para a qual foi nomeado um dos directores.

Em termos das instituições locais, além de contribuir para eventos do Governo da RAEM, a Suncity tem apoiado ao longo do anos a Santa Casa da Misericórdia de Macau, Cáritas, Associação Geral de Macau de Respeito pelos Cidadãos Seniores, Associação de Reabilitação Fu Hong de Macau, Associação de Apoio aos Deficientes Mentais de Macau, União Geral das Associações dos Moradores de Macau, Cruz Vermelhas, Fundo de Beneficência dos Leitores do Jornal Ou Mun, entre outras.

Um grupo com um império vasto

Fundado em 2007, sob a liderança de Alvin Chau, o Grupo Suncity é actualmente um império que se estende a vários ramos. Além da promoção do jogo em vários locais como Macau, Filipinas, Coreia do Sul ou Austrália, a operadora lançou-se com a construção de um casino em Hoi An, no Vietname, e, mais recentemente, adquiriu o casino Tigre de Cristal, na Rússia, que começou como um investimento de Lawrence Ho.

Outra das áreas em que a Suncity investiu foi no entretenimento, muitas vezes em parceria com o Governo da RAEM. O grupo foi o principal organizador do Festival Internacional de Cinema de Macau, em conjunto com os Serviços de Turismo, e foi o principal patrocinador em várias edições do Grande Prémio de Macau, com contratos que superaram os 20 milhões de patacas por edição. O apoio não se repetiu no evento deste ano, que decorreu há duas semanas.

Na área do entretenimento musical, a Suncity trouxe a Macau alguns dos maiores nomes da indústria em mandarim, como Jay Chou, que em 2019 esgotou quatro dias de concertos na Cotai Arena, e ainda o veterano Fei Yu-ching. No canto pop Aaron Kwok é um dos principais artistas do grupo.

A restauração é outro sector em que o grupo marca uma grande presença. Na península de Macau detém os restaurantes Sky21, no edifício AIA, e ainda Tian Chao, Champion Congee, no NAPE. Em Coloane e Seac Pai Van, é responsável pelas operações dos espaços Hot Pot Master, Bottles, Sun Cafe e ainda Jam & Butter.

A Suncity é ainda proprietária de um stand de automóveis virado para o mercado de luxo, denominado Sun International Automobile, que além de vendas assegura a manutenção de viaturas.

As consequências da detenção de Alvin Chau no emprego ainda são incertas. Os accionistas e as subsidiarias do grupo tem influência em outras áreas, como a comunicação social. O jornal Exmoo é um dos exemplos de uma empresa cuja sobrevivência está dependente do grupo Suncity.

MNE | Comissário refere Macau como exemplo de princípio enunciado por Xi Jinping

O comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China na RAEM acha que a diversidade cultural de Macau pode servir de exemplo no desígnio “uma comunidade com um futuro partilhado”, um conceito político proclamado por Xi Jinping. Numa reunião com a imprensa de língua portuguesa e inglesa do território, Liu Xianfa traçou o destino de Macau no contexto dos grandes projectos nacionais

 

Numa tarde destinada ao contacto entre o Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China na RAEM e a comunicação social em português e inglês no território, o comissário do Governo Central, Liu Xianfa, destacou o papel de Macau na concretização de destinos nacionais e globais traçados por Xi Jinping.

Depois de elencar as várias conquitas históricas do Partido Comunista da China, o representante de Pequim debruçou-se sobre o papel de Macau na concretização das ideias do Presidente Xi Jinping. No seu discurso de ano novo, o líder deixou uma mensagem de esperança na ressaca de um ano marcado pela pandemia. “Depois de um ano de provações, conseguimos compreender a importância de seguir o conceito de uma comunidade com um futuro partilhado para a Humanidade.”

A noção adapta-se na perfeição ao exemplo de Macau, na óptica de Liu Xianfa. Apesar de sublinhar o facto de ser um conceito jovem, o comissário fez a ligação entre a ideia e algumas resoluções das Nações Unidas. “Hoje em dia, estamos a viver ‘um momento nunca visto nos últimos 100 anos’”, afirmou, antes de enquadrar a RAEM num momento de mudança de paradigma geopolítico.

Tomando a diversidade cultural de Macau como ponto de partida, o representante considera que o território materializa o conceito concebido por Xi Jinping. “Macau é um local onde as culturas chinesa e ocidental convergem, vemos diferentes religiões, culturas, raças, línguas e ideias coexistem pacificamente. Não há lutas, aqui vemos mesquitas, igrejas, templos chineses pacificamente e em harmonia. Macau é um exemplo de uma comunidade humana de futuro partilhado. Estamos a tentar contar esta história ao mundo.”

O deus sol

Com o objectivo de endereçar as conclusões da sexta sessão plenário do 19º Comité Central Partido Comunista da China (PCC), Liu Xianfa traçou as implicações para Macau das resoluções tomadas em Pequim. “Estamos confiantes de que Macau vai desempenhar um papel crucial na construção Zona de Cooperação Aprofundada de Hengqin e estamos muito felizes por ver que o Governo da RAEM está a fazer todos os esforços para contribuir para a implementação do projecto da Grande Baía, que é uma estratégia nacional”, afirmou Liu Xianfa.

No que toca ao projecto regional, o comissário recordou que a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau supera demograficamente projectos semelhantes (como São Francisco, Nova Iorque e Tóquio) e em termos de infra-estruturas portuárias, a Grande Baía conta com 4 dos 10 mais movimentados portos do mundo. Dois em Shenzhen, um em Hong Kong e o outro em Guangzhou.

O responsável enquadrou o projecto regional nas cinco grandes e prioritárias políticas nacionais do Governo Central, dando como exemplos o projecto Jing – Jin – Ji (Pequim-Tianjin-Hebei), uma área com 112 milhões de pessoas que é considerada a Zona Económica Capital, cuja ascensão em termos de importância económica a torna uma competidora da área do Delta do Rio das Pérolas.

Hegemonia partidária

Além do papel fundamental da RAEM no projecto ‘Uma Faixa, Uma Rota’, o representante do Governo Central no território deixou claro quais os pontos basilares no designado “socialismo de características chinesas”. Em primeiro lugar, a liderança do Partido Comunista da China é essencial, um ponto central, “o partido é a maior força”, afirmou. Partindo desta acepção, Liu Xianfa adiantou que esse fundamento sublinha a necessidade de implementar correcta e totalmente o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’.

“Vamos garantir a manutenção da ordem constitucional, em linha com a Constituição da República Popular da China e a Lei Básica de Macau, e reforçar a supervisão da jurisdição do Governo Central sobre Macau”, afirmou Liu Xianfa perante os directores os órgãos de comunicação social de línguas portuguesa e inglesa.

Em relação às resoluções que saíram da sexta sessão plenária do Comité Central do PCC, o comissário apontou o papel nuclear de Xi Jinping na liderança do partido e do país como o “terceiro e histórico passo na adaptação do marxismo ao contexto chinês”.

A voz do povo

Outro foco incontornável no discurso de Liu Xianfa sobre as recentes resoluções incidiu sobre aquilo que designou como “democracia popular”. “A China desenvolveu activamente o processo completo de democracia popular, implementando uma rede extensiva e coordenada de sistemas e instituições através dos quais o povo governa o país. Estabelecemos diversos canais democráticos, bem organizados e sem impedimentos e expandimos a participação política da população de forma ordeira. Dessa forma garantimos que o exercício do poder executivo e as instituições de todos os sectores expressam completamente a vontade do povo, protegendo os seus direitos, interesses e criatividade”.

Ainda neste capítulo, o comissário referiu que “os países ocidentais não têm a patente exclusiva da democracia”, e que esta “não deve ser definida e ditada pelo Ocidente”.

Numa breve alusão à cimeira entre Xi Jinping e Joe Biden, Liu Xianfa relativizou o antagonismo entre as duas potências.

“A mensagem final da cimeira foi a necessidade de trabalhar em conjunto. Acho que, em especial, os media se focam demasiado nas diferenças entre os dois países. Mas, na realidade, existem muitos pontos em comum entre a China e os Estados Unidos”, afirmou o responsável.

Jogo | Nova lei pronta “o mais rápido possível”, refere Lei Wai Nong

O secretário para a Economia e Finanças Lei Wai Nong recusou avançar uma data para a entrada em vigor da nova lei do jogo, que esteve recentemente em consulta pública. Segundo o responsável, tudo será feito para o diploma entrar em vigor “o mais rápido possível”.

“Até finais de Outubro, tivemos 45 dias de consulta pública. Temos mais de 400 opiniões dos mais diversos quadrantes sociais e estamos a compilar essas opiniões para entregar e divulgar o relatório final o mais rápido possível. Depois iremos começar a produção jurídica, entregar ao Conselho Executivo e dar início ao processo legislativo que será entregue à Assembleia legislativa para apreciação e aprovação. Espero que, a breve trecho, possamos acabar o trabalho todo”.

O secretário acrescentou ainda que a lei original não previu a “actual envergadura” do sector do jogo e que o novo diploma irá responder às suas “necessidades futuras” de desenvolvimento.

LAG 2022 | Coutinho lamenta falências e pede apoio para empregadores

José Pereira Coutinho lamentou que haja cada vez mais estabelecimentos locais obrigados a fechar portas e a dispensar trabalhadores devido à falta de turistas e ao contexto económico gerado pela pandemia. Como exemplo, o deputado apontou o encerramento do café CuppaCoffee anunciado recentemente pela gerência.

“No fim do ano, o CupaCoffe vai encerrar portas. É um café de renome que agora vai ter de ir para Zhuhai ou para outro lugar. Como podemos apoiar de forma específica os empregadores destes estabelecimentos? Ao longo de vários anos foram gastas muitas verbas do erário público, mas não vemos resultados”, referiu Pereira Coutinho.

Em resposta, o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong vincou que esse é o “comportamento natural” do mercado, dado que segue as leis da oferta e da procura e que, ao Governo, não cabe intervir directamente, mas criar condições para o tecido empresarial seguir o seu próprio caminho.

“Há quem entre no mercado e quem saia. Isso tem a ver com as leis de oferta e procura do mercado e é tudo muito natural. O mais importante é que o Governo seja capaz de construir o palco, para que as pessoas possam actuar nesse palco. Os cidadãos quando exploram um negócio têm de ter em conta a sua situação e atender às circunstâncias. Por exemplo, com o controlo da pandemia (…) e a generalização da vacinação todos poderão ter mais confiança no futuro”, sublinhou.

Vão trabalhar

Durante o debate sectorial das LAG da passada sexta-feira, a questão do desemprego foi também abordada por deputados como Lam Lon Wai, Ella Lei, Lei Leong Wong e Wou Chou Kit, nomeadamente a dificuldade que os jovens e recém-licenciados encontram actualmente para entrar no mercado de trabalho ou participar em planos de estágios. Na réplica, o secretário apelou uma vez mais à população para ser flexível.

“Apelamos à a população para começar um trabalho e não olhar para o salário. Desde que haja bom desempenho, vai haver uma promoção (…) e, além disso, é uma forma de, na actual conjuntura, poderem experimentar diferentes tipos de emprego e ter assim uma perspectiva diferente da carreira profissional”, apontou Lei Wai Nong.

Empregadas domésticas | “É preciso fazer escolhas”, diz secretário

Questionado por Wong Kit Cheng sobre a criação de um mecanismo que permita a entrada de empregadas domésticas em Macau, o secretário para a Economia e Finanças disse que há escolhas a fazer e que, neste momento, a opção do Executivo recai sobre a prevenção da pandemia.

“É preciso fazer escolhas e, honestamente, há sempre riscos. No dia 23 de Setembro houve um surto em Macau e as nossas medidas não evitaram um incidente. Os novos surtos em Macau no segundo semestre agitaram a economia e, por isso, é uma questão de escolha, mas, se conseguirmos coordenar, claro que vamos fazer o nosso máximo [para criar esse mecanismo]”, reiterou o secretário no debate sobre as Linhas de Acção Governativa para o próximo ano.

LAG 2022 | Secretário confiante na reabertura de fronteiras. Apoios só urgentes

No debate sectorial da sua tutela, Lei Wai Nong mostrou-se confiante na recuperação do turismo e na retoma, a breve trecho, da circulação entre Hong Kong, Macau e o Interior da China. Apesar de vários deputados terem apontado para a necessidade de mais apoios, o secretário vincou que iniciativas como o cartão de consumo só serão lançadas em “situações urgentes”

 

O secretário para a Economia e Finanças Lei Wai Nong mostrou-se confiante no caminho que Macau tem de percorrer rumo à recuperação económica e à normalização do quotidiano, impulsionada, essencialmente, pela reabertura a curto prazo das fronteiras entre Hong Kong, Macau e o Interior da China, o aumento da taxa de vacinação e o redireccionamento do turismo para novas vertentes de negócio.

“Queremos que os turistas venham em maior número e estejam a par da situação de Macau, ao nível da contenção bem-sucedida da pandemia. Assim, à medida que for possível abrir as fronteiras, vamos começar a receber mais visitantes de todo o mundo. Estamos confiantes, quanto à negociação estreita que está a ser feita entre Hong Kong, o Interior da China e Macau, num futuro próximo” apontou na passada sexta-feira, Lei Wai Nong no debate sectorial das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2022 da sua tutela.

“A China representa 70 por cento dos nossos turistas e Hong Kong, 19 por cento. São dois mercados predominantes nos quais vamos continuar a apostar”, assegurou.

Horas antes, durante o discurso de apresentação das LAG, Lei Wai Nong frisou estar “convicto” de que, uma vez atenuada a situação epidémica e incrementada a vacinação contra a covid-19, “as actividades sociais, a vida dos residentes, assim como o desenvolvimento económico poderão regressar ao normal, de forma gradual”.

Por isso mesmo, para já, a prioridade passa por assegurar o bem-estar da população. “Apesar de se ter deparado com uma grande contracção nas receitas das finanças públicas, o Governo insistiu na implementação de uma série de medidas em prol do bem-estar da população atinentes à educação, à saúde, à segurança social e ao plano de comparticipação pecuniária”.

“Vocês vão perceber que em 2022, vamos continuar nos mesmos patamares de 2019, ao nível dos benefícios e apoios à população”, acrescentou.

Recorde-se que no próximo ano serão mobilizadas 30,3 mil milhões de patacas da Reserva Financeira e prevê-se um orçamento de 18,32 mil milhões de patacas no âmbito do PIDDA para “aumentar a procura interna, revitalizar a economia e criar oportunidades de emprego”.

Onde está o cartão?

Durante o plenário dedicado às LAG da Economia e Finanças, deputados como Ella Lei, Chan Iek Lap e José Pereira Coutinho insistiram na continuidade do cartão de consumo, questionando o secretário sobre o lançamento de uma eventual nova ronda em 2022.

Na resposta, Lei Wai Nong não rejeitou totalmente a hipótese, mas assegurou que esta é uma medida que só deve ser accionada em casos “extraordinários” e utilizada de forma “precisa”.

“Não se esqueçam que o cartão de consumo é só para uma situação muito extraordinária e, no ano passado, esteve ligada à situação epidemiológica. O cartão de consumo não pode ser um plano a longo prazo, porque temos de entregar o que é do mercado ao mercado e o Governo não deve intrometer-se muito no mercado. Temos de ver onde podemos e não podemos intervir”, explicou.

Sobre o tema, e respondendo a Lei Leong Wong, deputado que pediu para o Governo oferecer “confiança à população em tempos de incertezas”, o secretário disse que era fulcral “estabelecer prioridades para dar resposta a situações urgentes” e lembrou que já começaram a ser distribuídos apoios às PME e aos trabalhadores com rendimentos mais baixos.

“Temos reduzido as dificuldades da população e das empresas de forma dinâmica. Creio que a confiança é o mais importante para as empresas conseguirem sobreviver e continuar a lutar contra as dificuldades”, sublinhou Lei Wai Nong.

Turismo ao centro

Após apontar o aumento das exportações, dos investimentos públicos e da procura interna como receita para o crescimento económico em 2022, Lei Wai Nong foi peremptório ao afirmar que, na base de tudo, está o fomento do sector do turismo.

Para o secretário, dado que em Macau “tudo tem a ver com turismo” é necessário ter uma atitude proactiva na busca de novos produtos turísticos, sobretudo quando a idade dos visitantes que vêm ao território incide agora na faixa etária entre os 24 e os 35 anos.

Mantendo a pandemia sob controlo e apostando nas vertentes do “Turismo+” como o desporto, a gastronomia, a cultura ou até a educação, o secretário acredita que o número de visitantes vai continuar a crescer, contribuindo para a revitalização da economia durante o próximo ano.

Sempre a render

Em resposta a uma intervenção de Wong Kit Cheng, o director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) revelou que entre Janeiro e Outubro de 2021, a Reserva Financeira da RAEM registou rendimentos de 12,4 mil milhões de patacas, provenientes de investimentos. “O mercado global está muito volátil e os juros não são muito atraentes. Por isso, a estratégia de investimentos passa por controlar os riscos e obter o maior retorno possível”, acrescentou o responsável.

Macau no coração

Depois de Lei Chan U ter questionado o Governo sobre se Macau não iria ficar “oca” caso todo o investimento futuro ao nível de recursos financeiros e humanos fosse alocado à zona de cooperação em Hengqin, Lei Wai Nong rejeitou a ideia e afirmou que o sentido de pertença a Macau é “fundamental”. O eixo principal do plano geral da zona de cooperação é a diversificação económica e o fomento do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’. Tanto Guangdong tem Macau no coração, como Macau tem Guangdong no coração. Não acho que Macau vá ficar oca. Temos que saber que somos de Macau e esse sentido de pertença é um sentimento fundamental. Se não o sentirmos, ninguém nos pode ajudar”, apontou o secretário.

Covid-19 | O que se sabe e não se sabe sobre a variante Ómicron

A variante Ómicron do coronavírus que causa a covid-19 tem um grande número de mutações genéticas, algumas das quais preocupantes, e dados sugerem um risco acrescido de reinfeção por comparação com outras variantes do SARS-CoV-2.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou na sexta-feira a nova variante B.1.1.529, identificada pela primeira vez na província de Gauteng, na África do Sul, como variante “de preocupação” e designou-a pelo nome Ómicron, letra do alfabeto grego.

Segundo a OMS, esta estirpe, que já “migrou” para Bélgica, Israel, Hong Kong e Botsuana, tem “um grande número de mutações, algumas das quais preocupantes”. Dados preliminares sugerem, de acordo com a OMS, “um risco acrescido de reinfeção” com a nova estirpe do SARS-CoV-2, por comparação com outras variantes de preocupação.

Por definição, as variantes de preocupação estão associadas ao aumento da transmissibilidade ou virulência ou à diminuição da eficácia das medidas sociais e de saúde pública, dos diagnósticos, vacinas e tratamentos.

Um relatório da Rede para Vigilância Genómica da África do Sul refere que a variante B.1.1.529 tem mais de 30 mutações na proteína da espícula (a “chave” que permite ao vírus entrar nas células humanas).

Algumas das mutações estão ligadas à resistência a anticorpos neutralizantes e a uma melhor transmissibilidade, assinala o relatório.

Contudo, ainda não se sabe com rigor se a variante é mais transmissível ou perigosa, a ponto de causar doença mais severa, morte e escapar à proteção conferida pelas vacinas contra a covid-19.

O coronavírus sofre mutações à medida que se dissemina e muitas novas variantes, incluindo as que têm alterações genéticas preocupantes, desaparecem muitas vezes.

Os cientistas monitorizam as sequências genéticas do SARS-CoV-2 em busca de mutações que o podem tornar mais contagioso ou mortal, mas precisam de tempo para determinar se existe uma correlação entre um certo padrão de infeções num surto e as sequências genéticas.

De acordo com a OMS, recentemente as infeções “aumentaram abruptamente” na África do Sul, coincidindo com a deteção da variante B.1.1.529, e o número de casos associados a esta estirpe “parece estar a aumentar em quase todas as províncias do país”. O primeiro caso confirmado teve origem numa amostra recolhida em 09 de novembro, precisa a OMS.

De acordo com a classificação da OMS, existem em circulação cinco variantes do SARS-CoV-2 de preocupação, todas designadas pelo nome de uma letra do alfabeto grego: Alpha, Beta (também detetada inicialmente na África do Sul), Gamma, Ómicron e Delta (até agora a mais contagiosa de todas).

Há ainda duas variantes de interesse: Lambda e Mu. São assim classificadas por terem alterações genéticas que são “previstas ou conhecidas” por afetar as características do vírus, como a transmissibilidade, e estão identificadas por causar contágios significativos ou crescentes na comunidade ou em vários países.

Sete outras variantes estão sob monitorização da OMS por apresentarem mutações genéticas suspeitas de afetar as características do SARS-CoV-2, podendo representar um risco futuro.

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças desclassificou a variante Alpha por considerar que tem pouca expressão epidemiológica.

Covid-19 | Epidemiologista diz que variante Ómicron não terá grande impacto na China

O epidemiologista chinês Zhang Wenhong descartou hoje a possibilidade da variante Ómicron ter um impacto significativo no país, mas continuou a defender uma política de “tolerância zero” com o vírus.

Citado pelo jornal Global Times, Zhang defendeu que esta política, conjugada com uma resposta rápida à crise na saúde, permitirá ao país lidar com qualquer variante.

Esta nova variante foi recentemente detetada na África do Sul e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o “elevado número de mutações” pode implicar uma maior infecciosidade.

“Se conseguimos enfrentar a variante delta, também podemos superar a Ómicron”, afirmou, numa publicação na rede social Weibo.

O cientista disse ainda que a China já começou a estudar a nova variante, ressalvando que são necessárias, pelo menos, duas semanas de recolha de dados e amostras para ter conclusões mais precisas.

Sem razões para alarme

Cientistas britânicos relativizaram este sábado o alarme gerado pela variante Ómicron do coronavírus que causa a covid-19, admitindo que, apesar das muitas mutações genéticas que tem, as vacinas continuarão provavelmente eficazes a prevenir a doença grave.

O imunologista Andrew Pollard, diretor do grupo de investigação de vacinas da Universidade de Oxford que desenvolveu a vacina da covid-19 para o laboratório AstraZeneca, disse, em declarações à televisão BBC, que muitas das mutações da variante estão presentes noutras estirpes do SARS-CoV-2 nas quais as vacinas se revelaram eficazes.

“As mutações [da Ómicron] existem noutras variantes, e as vacinas conseguiram prevenir a doença grave com as [variantes] Alpha, Beta, Gamma e Delta”, afirmou o investigador do Reino Unido, onde já foi detetada a nova estirpe.

Segundo o microbiologista Calum Semple, “é provável que a imunidade” conferida pelas vacinas contra a covid-19 “ainda proteja” contra a doença grave que possa vir a causar a nova variante.

Semple considerou adequado que vários países tenham suspendido voos com países da África Austral para poderem “ganhar tempo” no reforço da vacinação e na avaliação dos verdadeiros efeitos da nova estirpe na saúde.

Desconhece-se ainda, em rigor, se a Ómicron é mais transmissível ou perigosa, a ponto de causar doença mais severa, morte e escapar à proteção conferida pelas vacinas contra a covid-19.

Na sexta-feira, em declarações à Lusa, o microbiologista João Paulo Gomes afirmou que a nova estirpe do SARS-CoV-2, detetada inicialmente na África do Sul, “é motivo de preocupação”, dado o elevado número de mutações genéticas que apresenta, em particular na proteína da espícula do vírus, que lhe permite entrar nas células humanas.

Contudo, para o investigador do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, não há razão para alarme, uma vez que a existência de várias mutações relevantes não implica que a variante seja mais transmissível ou escape às vacinas.

De acordo com um relatório da Rede para a Vigilância Genómica da África do Sul, a nova variante tem mais de 30 mutações na proteína da espícula.

Segundo João Paulo Gomes, “muitas dessas mutações estão na zona de ligação às células e outras são mutações conhecidamente associadas à falha de ligação aos anticorpos”.

“O problema desta nova linhagem é que tem muito mais mutações destas do que as outras variantes que nos preocuparam até agora”, acentuou.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou na sexta-feira a variante B.1.1.529, identificada pela primeira vez na província sul-africana de Gauteng, como variante “de preocupação” e designou-a pelo nome Ómicron, letra do alfabeto grego.

De acordo com a OMS, a variante tem “um grande número de mutações, algumas das quais preocupantes”, com dados preliminares a sugerirem “um risco acrescido de reinfeção” com a nova estirpe do SARS-CoV-2, por comparação com outras variantes de preocupação.

Por definição da OMS, as variantes de preocupação estão associadas ao aumento da transmissibilidade ou virulência ou à diminuição da eficácia das medidas sociais e de saúde pública, dos diagnósticos, vacinas e tratamentos.

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças considera que a Ómicron suscita “sérias preocupações de que possa reduzir significativamente a eficácia das vacinas e aumentar o risco de reinfeções”.

Depois de África do Sul, a variante já foi detetada no Reino Unido, Alemanha, Itália, Bélgica, Hong Kong (Região Administrativa da China), Israel e Botswana.

Portugal, que está a investigar casos da nova estirpe, suspende a partir de segunda-feira os voos de e para Moçambique.

Desde hoje todos os passageiros provenientes de voos de Moçambique, África do Sul, Botswana, Essuatíni (antiga Suazilândia), Lesoto, Namíbia e Zimbabué ficam obrigados a cumprir uma quarentena de 14 dias após a entrada em Portugal continental.

Os Estados-membros da União Europeia decidiram na sexta-feira suspender temporariamente voos de sete países da África Austral, incluindo Moçambique, para travar a propagação da Ómicron.

Covid-19 | Detectado caso de proximidade oriundo de Hangzhou

Foi detectado, em Macau, um caso de proximidade pela via secundário com uma pessoa doente com covid-19, com origem em Hangzhou. Segundo o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, o indivíduo, oriundo do interior da China, está em regime de quarentena no Centro Clínico de Saúde Pública do Alto de Coloane, tendo viajado para Macau na sexta-feira. No sábado ficou hospedado num hotel na Taipa.

Antes de ir para Coloane, o homem foi transportado de ambulância até ao Centro Hospitalar Conde de São Januário, tendo realizado depois um teste de ácido nucleico que deu negativo. O contacto com o caso de covid-19 ocorreu dia 24, em Zhongshan, sendo que o caso de infecção foi confirmado no dia anterior em Hangzhou.

Neste momento esta pessoa de contacto próximo terá de executar testes nos próximos sete dias, podendo sair da quarentena a 1 de Dezembro, caso estes sejam negativos. As pessoas que estiveram em contacto com esta pessoa, ou que tenham estado nos mesmos locais, “não têm necessidade de fazer acompanhamento especial de momento”, lê-se na nota de imprensa.

Covid-19 | Restrições são injustas e com impacto psicológico, dizem especialistas

Vários especialistas ouvidos pela agência Lusa consideram que as restrições de viagem aplicadas aos estrangeiros, devido à pandemia, são injustas e acarretam consequências do foro psicológico

 

Especialistas locais disseram à Lusa que as restrições de viagem e a aplicação de uma das maiores quarentenas do mundo impostas em Macau são injustas para a comunidade estrangeira que reside no território, podendo causar problemas de saúde mental.

Os estrangeiros são “deixados para trás” em termos das políticas de viagem das autoridades, que “apenas protegem” os direitos dos chineses a regressarem e a atravessarem a fronteira para a China, afirmou à Lusa a socióloga e professora associada da Universidade de Macau, Melody Lu.

“Os estrangeiros não são tidos em conta”, criticou a socióloga com estudos especializados nos estrangeiros em Macau, acrescentando que “os expatriados também têm necessidades emocionais e têm direito a estar com os seus entes queridos”, uma vez que “também são residentes em Macau”.

“É demasiado doloroso para eles não verem as suas famílias durante dois anos”, frisou, exemplificando com a comunidade portuguesa: “Isto levou a um maior sentimento de isolamento da comunidade portuguesa em Macau”. Na opinião de Melody Lu, as restrições fronteiriças não têm “bases científicas” e são “injustas” para os estrangeiros.

Já a presidente da Associação de Psicologia de Macau, Mei Chan Cheng, frisou à Lusa que as medidas impostas pelo Governo podem fazer com que os expatriados se sintam impotentes e impacientes face aos constrangimentos de deslocação aos países de origem.

“Alguns expatriados podem sentir-se deprimidos, ansiosos porque não podem participar em assuntos familiares […] ou assistir a eventos familiares importantes, como casamentos e funerais, etc”, sublinhou a responsável.

Normalmente, por esta altura, era comum a comunidade portuguesa que reside em Macau regressar a Portugal por ocasião do Natal para passar as férias com as suas famílias.

Contudo, pelo segundo Natal consecutivo, milhares de portugueses não o poderão fazer, devido à quarentena, que em alguns casos pode chegar aos 35 dias, e aos preços das viagens.

Quanto mais tarde pior

A psicóloga Mei Chan Cheng considerou que quanto mais longo for o período de quarentena, mais provável será a ocorrência de emoções negativas.

“Estudos psicológicos descobriram que, durante a quarentena, indivíduos isolados podem sentir medo, pavor e ansiedade devido à preocupação de estarem infectados ou de poderem infectar os seus familiares (…) Algumas pessoas podem ainda sentir-se deprimidas e entediadas porque o seu trabalho ou vidas estão suspensos”, sublinhou.

Por outro lado, a socióloga elogiou o “trabalho de Deus” feito pelas autoridades de Macau no início da pandemia, que chegou a ser um caso de sucesso no mundo. Contudo, as mesmas medidas arrastaram-se ao “longo de dois anos sem qualquer melhoria”.

Mei Chan Cheng considera que, devido ao facto de Macau estar praticamente fechada ao mundo, e com o registo de apenas 77 casos de covid-19 desde o início da pandemia, existe o medo da estigmatização e o perigo de as pessoas esconderem a doença para evitarem ser discriminadas.

A psicóloga afirmou que a população de Macau devia ser mais empática com as pessoas infectadas e aumentar os seus conhecimentos sobre a prevenção de epidemias, a fim de reduzir a estigmatização social.

Fronteira fechada para oito países africanos

Desde ontem que está interdita a entrada no território de pessoas oriundas de oito países africanos. As autoridades justificaram a decisão com a ameaça da variante omicron do novo coronavírus. A proibição incluiu aqueles que tenham estado na África do Sul, Botswana, Zimbabué, Namíbia, Lesoto, Suazilândia, Moçambique ou Maláui nos últimos 21 dias. A nova variante foi recentemente detectada na África do Sul e, segundo a Organização Mundial da Saúde, o “elevado número de mutações” pode implicar uma maior infecciosidade. A taxa de vacinação em Macau ronda os 70 por cento.

Internet | Ho Iat Seng quer ordem na informação disponível

O Chefe do Executivo afirmou ontem que “a Internet não é um sítio sem lei” e que não pode haver “liberdade sem ordem”, anunciando mudanças na cibersegurança no território. “A Internet não é um sítio sem lei e nada pode ser feito sem normas, não havendo liberdade sem ordem”, afirmou Ho Iat Seng, no China Internet Media Forum 2021.

O Chefe do Governo frisou ainda que “com evolução das tecnologias digitais, diferentes formas de difusão de conteúdos na Internet já penetraram no quotidiano das pessoas, tornando-se numa fonte importante de obtenção de informação”.

Por essa razão, o responsável defendeu a regulamentação e ordem da Internet, caso contrário vai inquietar e afectar a estabilidade da sociedade. “Além das possíveis irregularidades na difusão de informações pelos ‘media’ na Internet, vários órgãos governamentais ou empresas privadas em todo o mundo, incluindo Macau, sofreram ataques cibernéticos, o que fez soar o alerta da cibersegurança no território”, disse.

Por essa razão, Ho Iat Seng prometeu que o Executivo dá e continuará a dar “elevada importância à questão da cibersegurança”, adoptando “medidas de resposta para garantir que a segurança da sociedade de Macau e do país não sofre eventuais ameaças”.

China Media Group e RAEM em parceria para promover o território no mundo

O Governo espera que uma parceria com o China Media Group, proprietário do canal CCTV, ajude a divulgar ao mundo os “elementos mais maravilhosos, histórias e cultura de Macau”. O desejo foi deixado por Ho Iat Seng, durante a cerimónia de parceria com o grupo estatal chinês, que serviu também para a estreia do documentário “Sabor de Macau”, que apresenta parte da história gastronómica da RAEM.

No discurso da cerimónia, o Chefe do Executivo sublinhou também que no âmbito da construção da Grande Baía, a RAEM tem de criar “uma base de intercâmbio e cooperação que, tendo a cultura chinesa como predominante, promova a coexistência de diversas culturas”. O multiculturalismo com predominância da cultura chinesa foi de resto apontado como “vantagem única de Macau”.

Ho Iat Seng garantiu que “Macau é uma cidade turística segura e adequada para viajar” e todos os turistas são convidados a “experimentar o encanto único e multicultural do território”.

Contar bem a história

Por sua vez, Shen Haixiong, vice-ministro do departamento de publicidade do Comité Central do Partido Comunista da China e presidente do China Media Group, considerou que a parceria vai permitir não só “contar bem a história de Macau na nova era”, mas “divulgar a execução bem-sucedida do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ com características de Macau e apoiar activamente a integração da RAEM na conjuntura do desenvolvimento nacional”.

Shen Haixiong explicou também que a parceria entre o Governo da Macau e o China Media Group cumpre o espírito do discurso de Xi Jinping durante as celebrações do 20.º aniversário da RAEM, de concretizar “um maior alargamento das áreas de cooperação com o Governo da RAEM” e ainda o “o enriquecimento da implementação pelos média do princípio de ‘um país, dois sistemas’”.

O documentário estreia a 20 de Dezembro, no canal CCTV-9 do China Media Group, com transmissão simultânea no China Media Group Mobile e CCTV.COM. No exterior a transmissão vai ficar a cabo do CGTN.