China | Número de nascimentos volta a cair o ano passado

O número de bebés nascidos na China voltou a registar uma quebra em 2021, mantendo a tendência dos últimos anos e acelerando uma crise demográfica no país mais populoso do mundo, segundo dados oficiais ontem divulgados.

No ano passado nasceram cerca de 10,6 milhões de bebés, uma quebra de 12 por cento em relação aos 12 milhões registados em 2020, de acordo com o Gabinete Nacional de Estatísticas. A população da China fixou-se assim acima de 1,4 mil milhões de habitantes, no final de 2021, um aumento de 480.000, em relação ao ano anterior, segundo a mesma fonte.

Uma força de trabalho em declínio aumenta a pressão sobre o objectivo do Partido Comunista da China (PCC) de aumentar a riqueza nacional e a influência global, com um modelo económico assente no consumo interno, em detrimento das exportações e investimento em grandes obras.

A China, onde o nível de produtividade por pessoa está abaixo da média global, pode enfrentar uma “bomba-relógio demográfica” e ter poucos trabalhadores para sustentar um número crescente de idosos.

Activos a descer

O PCC impôs a política de filho único entre 1980 e 2016, para conter o crescimento populacional e conservar os recursos do país.

Mas a política começou a causar preocupações, depois de a população em idade activa atingir o pico de 925 milhões, em 2011, e começar a contrair antes do esperado.

Apesar de a política de filho único ter sido abolida, os casais enfrentam elevados custos de vida e de habitação e a discriminação das mães no trabalho.

A percentagem de população em idade activa, entre os 16 e 59 anos, desceu para 882,2 milhões, ou 62,5 por cento do total, abaixo dos 70,1 por cento registados há uma década.

Os especialistas dizem que a parcela da população em idade activa pode cair para metade até 2050.
O país tinha, no ano passado, 267 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, ou 18,9 por cento do total, acima dos 264 milhões, ou 18,7 por cento, de 2020.

Economia | Crescimento de 8,1% em 2021. Abrandamento no segundo semestre

As previsões para este ano apontam para a continuação da desaceleração do crescimento, face aos novos surtos de covid-19 e aos problemas no sector imobiliário

 

A economia chinesa cresceu 8,1 por cento, em 2021, mas registou um abrandamento abrupto no segundo semestre do ano, reflectindo a campanha lançada por Pequim para reduzir os níveis de alavancagem no sector imobiliário.

Nos últimos três meses de 2021, o ritmo de crescimento homólogo da segunda maior economia do mundo abrandou para 4 por cento, abaixo do crescimento de 4,9 por cento alcançado no trimestre Julho-Setembro e do ritmo de 18,3 por cento, registado nos primeiros três meses de 2021.

Os analistas alertaram que o abrandamento vai persistir, este ano, devido a novos surtos de covid-19 e aos esforços para reduzir a dívida no sector imobiliário.

Isto pode ter repercussões globais ao deprimir a procura chinesa por aço, bens de consumo e outras importações.
A China foi a primeira grande economia mundial a recuperar da pandemia da covid-19, mas a actividade desacelerou depois de Pequim ter restringido o acesso ao crédito no sector imobiliário.

O imobiliário é o veículo de investimento favorito das famílias chinesas, compondo cerca de 30 por cento do PIB (Produto Interno Bruto) chinês.

Isto alimentou o nervosismo dos consumidores sobre os gastos e a ansiedade no mercado financeiro com possíveis incumprimentos entre as construtoras do país. “A pressão sobre o crescimento vai persistir, em 2022”, previu Tommy Wu, da consultora Oxford Economics, num relatório.

A mesma fonte disse que o Governo chinês vai provavelmente lançar “apoio político” para manter o crescimento anual acima dos 5 por cento.

O crescimento do consumo interno, o maior impulsionador da economia, caiu para apenas 0,2 por cento, em Dezembro, face a 3,9 por cento, no mês anterior.

A subida do investimento em fábricas, imóveis e outros activos fixos desacelerou para 1,7 por cento, abaixo do nível de 4,9 por cento para o conjunto do ano, uma vez que as empresas cancelaram ou adiaram planos de construção.

O Banco Mundial e os analistas do sector privado reduziram as perspectivas de crescimento para este ano, embora para níveis acima do previsto para a maioria das outras grandes economias.

O banco central chinês reduziu ontem a sua taxa de juros para empréstimos de médio prazo para o nível mais baixo desde 2020, quando o país foi atingido pela pandemia.

Recentes surtos do novo coronavírus levaram os líderes chineses a limitar as deslocações internas e impor medidas de confinamento em cidades importantes, como Tianjin e Xian.

Analistas do sector dizem que o fabrico de ‘chips’ de processador e outros setores podem sofrer o impacto se a interrupção durar mais do que algumas semanas.

“O momento económico permanece fraco, face a repetidos surtos do vírus e um sector imobiliário em dificuldades”, disse Julian Evans-Pritchard, analista da Capital Economics, num relatório.

Novos rumos

Em comparação com o trimestre anterior, a forma como outras grandes economias são medidas, a economia chinesa cresceu 1,4 por cento, nos últimos três meses de 2021. Isto foi superior aos 0,2 por cento registados no trimestre Julho-Setembro.

As exportações chinesas aumentaram 29,9 por cento, em 2021, em relação ao ano anterior, apesar da escassez global de semicondutores, necessários para fabricar telemóveis e outros bens e do racionamento de energia imposto em províncias importantes para o setor industrial.

Os exportadores chineses beneficiaram do aumento da procura global numa altura em que os seus concorrentes estrangeiros enfrentavam medidas de prevenção epidémica.

Mas os economistas dizem que o crescimento do comércio este ano deve enfraquecer e os volumes de exportação podem encolher devido ao congestionamento nos portos.

“Com as cadeias de abastecimento já enfraquecidas, o aumento das exportações do ano passado não pode ser repetido”, disse Evans-Pritchard.

As vendas de automóveis caíram pelo sétimo mês, em Novembro, contraindo 9,1 por cento, em relação ao ano anterior, o que reflecte a relutância do consumidor em se comprometer com grandes compras.

Os líderes chineses estão a tentar direccionar a economia para um crescimento mais sustentável e baseado no consumo interno, em detrimento das exportações e investimento em grandes obras.

Covid-19 | Nova aplicação dos SSM soma avaliações negativas

Nas lojas virtuais Google Play e Apple Store, a nova aplicação para registar os percursos dos residentes soma pontuações de 1 ponto e 2,1 pontos, em escalas de 1 a 5 pontos. As críticas dos utilizadores são apontadas à vontade de espiar os cidadãos e aos problemas técnicos

 

A Aplicação dos Serviços de Saúde de Macau (SSM), que regista o percurso dos cidadãos, tem avaliações negativas nas plataformas onde pode ser descarregada, ou seja, nas lojas virtuais Google Play e Apple Store. A maior parte das críticas menciona principalmente as falhas técnica. No entanto, em chinês, houve críticas à “vontade” das autoridades de espiarem os residentes.

No caso da loja Google Play, em 391 avaliações disponíveis até à tarde de ontem, havia uma classificação de 1 ponto, a menor possível, numa escala com nota máxima de 5 pontos.

O cenário muda um pouco nas avaliações feitas na loja virtual Apple Store, ou seja, para iPhones. Entre as 15 pontuações atribuídas, a aplicação dos Serviços de Saúde contava ontem com um resultado de 2,1 pontos.

No que diz respeito aos comentários, a privacidade é um dos aspectos mencionados: “Com esta aplicação somos obrigados a aceitar que fiquem com as nossas informações pessoais. Se recusarmos, não acontece nada e não conseguimos instalar a aplicação”, escreveu um dos críticos, em chinês.

“Esta aplicação é lixo! Até agora não havia nada tão ridículo quanto Hong Kong, onde a população é forçada instalar uma aplicação de espionagem que vigia o percurso dos cidadãos. Agora já há”, escreveu outro.

TNR preocupados

Quanto às avaliações apresentadas em inglês, na maioria são de trabalhadores não-residentes, que se queixam de serem incapazes de fazer o registo na aplicação, quando lhes é pedido para inserir o número do passaporte. “Por favor corrijam a aplicação, porque sou incapaz de escolher a opção ‘outro passaporte ou documento de viagem’.

Sempre que escolho essa opção volto ao menu inicial, onde se escolhe a língua preferida para a aplicação”, pode ler-se numa das avaliações assinada por Sakalam. Outro utilizador, de apelido Padernal, relatou o mesmo problema: “Não consigo colocar o número de passaporte. Sempre que carrego no campo ‘outros documentos’ a aplicação leva-me de volta para o menu inicial”, foi revelado.

O mesmo tipo de problema foi apresentado por não-residentes, em chinês, mas por trabalhadores de Hong Kong.
Entre as complicações, relatadas na loja Google Play, há quem se mostre preocupado com a possibilidade de poder deixar de circular na RAEM: “Classificar esta aplicação com um ponto é um ponto a mais do que ela merece. Não funciona, por isso não vou poder ter acesso aos restaurantes em Macau”, escreveu outro utilizador.

Com selo de protecção

Na Apple Store, as avaliações à aplicação são de extremos. A maioria avaliou o programa desenvolvido pelo Governo de Macau com 1 ponto, ou seja, a escala mínima. Os restantes, declaram que era uma aplicação de 5 pontos, sem que tivesse havido quaisquer avaliações intermédias, ou seja, de 2, 3 e 4 pontos.

Na loja da multinacional americana, a aplicação dos Serviços de Saúde tem ainda um selo de garantia de “não recolha de dados”. Este aspecto quer dizer, em teoria, que o programador não utiliza a aplicação de registo do itinerário para recolher dados dos utilizadores. Apesar da garantia apresentada, os detalhes sobre esta classificação indicam que foi feita apenas com base nas informações fornecidas pelos Serviços de Saúde, sem que tivesse havido uma verificação independente.

Idosos em casa

Dois idosos ouvidos ontem pelo canal chinês da TDM admitiram que com a aplicação não vão sair tanto de casa. “Se calhar não vou sair tanto de casa, a não ser que não tenha alternativa”, reconheceu um dos idosos ouvido. “Apesar de ter pedido ao meu filho para fazer o download da aplicação e de ele até ter feito a instalação, eu não tenho conhecimentos para utilizá-la”, acrescentou. Uma outra idosa admitiu ter os mesmos problemas. “A aplicação não é conveniente, mas admito que seja necessária, porque permite sabermos onde estivemos. Mas às vezes não consigo fazer a digitalização dos códigos, fico muito confusa”, afirmou. “O melhor era o Governo ter feito algo mais simples, porque os idosos não sabem utilizar sozinhos a aplicação. É preciso muito tempo para nos habituarmos”, opinou.

Habitação Pública | Macau vai pagar quase 1,5 mil milhões ao CCECC

O grupo estatal chinês China Civil Engineering Construction Corporation Ltd (CCECC) vai receber 1,48 mil milhões de patacas para construir 880 apartamentos públicos em novos aterros que Macau conquistou ao mar.

O CCECC recebeu uma carta do Gabinete para o Desenvolvimento de Infraestruturas a informar que a empresa tinha conquistado a empreitada de concepção e construção de habitação pública nos Novos Aterros da Areia Preta, a leste da península de Macau.

Segundo um comunicado divulgado no sábado, o projecto situado no Lote A1 dos aterros, com uma área de quase 17.600 metros quadrados, vai incluir edifícios de habitação social, estacionamento público e espaços comerciais e para serviços sociais.

O CCECC comprometeu-se a terminar o projecto em cerca de três anos e meio. O grupo chinês disse que este será o primeiro grande projecto de construção civil em Macau a adoptar métodos de construção prefabricada, e que irá “melhorar a qualidade de vida e aliviar a escassez de terrenos”.

Em Julho, a Macau Renovação Urbana anunciou a assinatura de acordos, com valor total superior a três mil milhões de patacas, para a construção de seis torres residenciais, também nos Novos Aterros da Areia Preta.

O Governo de Macau prometeu construir 28 mil apartamentos de habitação pública só nos Novos Aterros da Areia Preta, uma ilha artificial de 1,38 quilómetros quadrados. De acordo com as autoridades da região, os cinco novos aterros vão receber, ao todo, cerca de 162 mil pessoas.

O “plano urbanístico de novos aterros”, aprovado por Macau em 2008 e ratificado por Pequim em 2009, ainda em desenvolvimento, previa cinco novos terrenos para a região, num total de 3,5 quilómetros quadrados.

Jogo | Acções de operadoras animam após divulgação de proposta de lei

As operadoras de jogo em Macau tiveram ontem um dia muito positivo na bolsa de valores de Hong Kong. No total, o valor das acções das operadoras ultrapassou 65,53 mil milhões de dólares de Hong Kong. A flutuação ocorreu no primeiro dia útil após a proposta de revisão da lei do jogo ter sido publicada

 

As acções das operadoras de casinos em Macau registaram ontem ganhos significativos na bolsa de valores de Hong Kong, de quase 15 por cento, ultrapassando um valor total de 65,53 mil milhões de dólares de Hong Kong. O boom bolsista ocorreu precisamente no primeiro dia em que foram negociadas acções após o Governo ter divulgado a proposta de revisão da lei do jogo.

No fecho da sessão, as maiores subidas verificaram-se entre as empresas que detêm capital norte-americano: Sands China (+14.63 por cento), Wynn Macau (11.91 por cento) e MGM China (+11.70 por cento).

Estas empresas tinham sido as que mais tinham perdido na bolsa de Hong Kong, em Setembro, após o Governo ter iniciado o processo de revisão da lei do jogo, na qual se temeu que a distribuição de dividendos aos accionistas das empresas que exploram o jogo ficasse dependente de um aval governamental e ainda a introdução de delegados do Governo junto das concessionárias, para efeitos de fiscalização. Esta possibilidade não se veio a confirmar na proposta de lei apresentada na sexta-feira.

No fecho da sessão de ontem, as restantes operadoras também registaram também subida, mas menores: SJM Holdings (+4,83 por cento), Melco Entertainment (+5,08 por cento), e Galaxy Entertainment (+7,02 por cento).
Durante o fim-de-semana, todas as concessionárias e subconcessionárias que operam em Macau emitiram comunicados a apoiar a proposta de lei do jogo.

Acção que moveu acções

Na sexta-feira, o Governo apresentou a nova proposta da lei do jogo, na qual aumenta para 15 por cento as acções detidas pelos administradores-delegados residentes permanentes de Macau e limita o prazo de concessão a 10 anos.

O prazo actualmente vigente é de 20 anos e as acções detidas pelos administradores-delegados residentes permanentes de Macau são de um mínimo de 10 por cento.

A proposta de lei, que será submetida à Assembleia Legislativa, determina ainda um total máximo de seis concessionárias de jogo e proíbe as subconcessões.

FAOM elogia

Lee Chong Cheng, presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), elogiou a proposta de alteração à lei do jogo, por considerar que vai desenvolver o sector e contribuir para a diversificação económica.

Segundo o jornal Ou Mun, Lee Chong Cheng apontou que o número de licenças do jogo se mantém em seis, o que no seu entender corresponde a um equilíbrio entre as necessidades do desenvolvimento económico e industrial com as opiniões da população, o que é visto como uma condição para a criação de uma competição saudável entre as operadoras.

Lee Chong Cheng elogiou ainda as exigências às concessionárias de terem de assumir um papel maior na diversificação económica, assim como da responsabilidade social, além de terem de contribuir para garantir os empregos dos residentes e contribuírem para a defesa nacional.

Branqueamento de capitais | Macau elogiado na região

A RAEM é uma jurisdição exemplar na luta contra o branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo, é o que considera o Grupo Ásia-Pacífico Contra o Branqueamento de Capitais (APG), que aprovou o último relatório das autoridades de Macau por unanimidade, que mereceu a melhor classificação da região.

“O óptimo resultado obtido por Macau na avaliação mútua efectuada no âmbito do APG dependeu muito do empenho indispensável dedicado conjuntamente pelas entidades do sector público e sector privado, tendo o Grupo de Trabalho Interdepartamental de Combate ao Branqueamento de Capitais e ao Financiamento ao Terrorismo”, reagiu o Gabinete de Informação Financeira.

Dos onze requisitos da avaliação respeitantes à eficácia da execução, Macau obteve aprovação em seis requisitos, e obteve o “melhor lugar de classificação de entre os cinco membros que obtiveram completa aprovação nos 40 padrões internacionais”.

Renovação | Pedidas garantias sobre indemnizações para expulsar inquilinos

Os deputados que estão a analisar a lei da renovação urbana querem saber se os senhorios ficam isentos de indemnizar inquilinos que expulsem para renovar um prédio

 

Os deputados querem explicações do Governo sobre o facto de a lei da renovação urbana não prever o pagamento de indemnizações a inquilinos que são expulsos das casas arredadas. O diploma estipula que o senhorio tem de respeitar os tempos legalmente estabelecidos para “expulsar” os arrendatários, mas não faz referências ao pagamento das indemnizações.

“Actualmente, e de acordo com o Código Civil, sabemos que a venda de uma fracção habitacional não implica alterações aos contratos de arrendamento, que têm de ser mantidos pelo novo senhorio”, começou por explicar Chan Chak Mo, presidente da comissão. “Sabemos que a renovação urbana é um projecto fundamental para o Governo e não há qualquer menção ao pagamento de indemnizações. Será que para fins de renovação urbana, os inquilinos podem ser expulsos sem receberem indemnização? Vamos esclarecer a questão com o Executivo”, acrescentou.

Os deputados também analisaram a forma para resolver os diferendos entre proprietários de fracções do mesmo prédio. Como se resolvem as disputas, nos casos em que há proprietários que não querem pagar obras ou sequer fazê-las? A questão não é clara para os deputados: “Segundo a proposta, o Governo considera que a arbitragem é a forma de resolver estes diferendos. Mas será que vão criar uma nova entidade para a arbitragem?”, questionou Chan Chak Mo. “Também sabemos que um dos princípios para a arbitragem é a concordância das duas partes para adoptar esse meio de resolução. Se isso não acontece, recorre-se aos tribunais. Será que vai ser o mesmo nestes casos? Temos de esclarecer”, reconheceu.

Arbitragem depende da qualidade

Chan admitiu ainda que o recurso à arbitragem é viável, mas destacou que para haver confiança no sistema são precisos árbitros com boa qualidade. Afastada parece estar a intervenção do Governo nestes processos, porque a propriedade dos edifícios é encarada pelo Executivo como uma “questão privada”.

A Lei da Renovação Urbana estabelece também que em caso de cobrança forçada de dívidas, os montantes em falta motivados por processos de renovação de um prédio assumem a prioridade, ou seja, esse montante é pago antes de outros, como por exemplo o empréstimo para a compra do carro ou casa. Porém, os membros da comissão não entendem esta prioridade. “Não percebemos a lógica das dívidas relacionadas com a Renovação Urbana terem prioridade. Queremos ver a questão esclarecida”, reconheceu Chan Chak Mo.

AL | Governo responde hoje a perguntas colocadas há mais de dois meses

Deputados ouvidos pelo HM consideram que o trabalho legislativo ganhava com um melhor agendamento das sessões para interpelações orais. No plenário de hoje, o Executivo vai responder a interpelações com mais de dois meses, colocando em causa a actualidade de alguns assuntos

 

O Governo vai hoje e amanhã à Assembleia Legislativa responder a interpelações orais. No entanto, à excepção da pergunta do deputado Lei Leong Wong, todas as outras foram colocadas há mais de dois meses, ou seja, entre 25 de Outubro e 8 de Novembro.

Como consequência do agendamento, da responsabilidade do presidente da Assembleia Legislativa, Kou Hoi In, os deputados vão abordar assuntos que marcaram a agenda há dois meses, mas que em muitos casos até estão resolvidas.

Para os deputados ouvidos pelo HM, esta diferença de meses entre o período para escrever interpelações e receber a resposta é vista como “normal” e como “prática corrente”. Contudo, admitem que tem impacto no trabalho da AL.

“A diferença de meses entre o envio das interpelações orais para os serviços da AL e as sessões de resposta é uma prática corrente. Em todos os plenários de resposta às interpelações orais são tratados vários assuntos e praticamente todos estão ‘fora do prazo de validade’”, reconheceu José Pereira Coutinho, deputado ligado à Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau. “Este hábito faz com que se perda a oportunidade de prestar esclarecimentos à população nas alturas em que as pessoas estão a discutir os assuntos. É uma perda de tempo que nos afecta a todos, aos deputados, à população e aos órgãos de comunicação social que também não querem escrever sobre assuntos antigos, a não ser que haja novidades, o que na maior parte das vezes também não acontece”, acrescentou.

A deputada Song Pek Kei, ligada à Aliança do Povo de Instituição de Macau, também considera que o trabalho legislativo ganharia com um agendamento mais cedo. “Tenho sempre a esperança, que em coordenação com o Governo, o agendamento dos plenários para a resposta às interpelações orais possa ser feito mais cedo”, indicou a deputada, ao HM. “As nossas perguntas são muitas vezes colocadas por pedidos da população, só que com intervalos grandes entre as perguntas e as respostas as coisas mudam muito”, admitiu.

Song reconheceu ainda que, por motivos pessoais, está hoje fora de Macau, e irá falhar o primeiro dia da sessão, em que tinha de apresentar a sua interpelação oral.

Questões de agendamento

Por sua vez, Wong Kit Cheng, deputada ligada à Associação das Mulheres, defendeu o agendamento nos moldes actuais. A legisladora considerou que houve outros assuntos mais importantes que foram debatidos, como as Linhas de Acção Governativa, que atrasaram o agendamento da sessão. Por outro lado, realçou que os deputados nunca deixaram de trabalhar. “Acho que o agendamento é o resultado das Linhas de Acção Governativa e de algumas propostas urgentes apresentadas pelo Executivo, que fizeram com que o calendário tivesse de ser assim”, justificou. “Mas, o nosso trabalho de apresentar as interpelações não foi afectado”, acrescentou.

No entanto, José Pereira Coutinho considera que os deputados podem fazer mais e mostrou-se disponível para participar em mais sessões plenárias. “Nos últimos anos, a gestão da AL está mais complicada porque há cada vez mais propostas de leis do Governo. A gestão interna fica muito mais ocupada e até parece que deixa de haver tempo para marcar plenários”, indicou.

Pereira Coutinho sublinhou também que o trabalho dos deputados tende a ser menorizado face às propostas do Governo. “Os plenários também são agendados de acordo com a conveniência do Governo, qualquer proposta do Executivo tem prioridade. Se for uma proposta dos deputados, como aconteceu no passado, demoram meses e meses a agendá-las”, revelou. “Acho que esta diferença de tratamento não se justifica”, considerou.

O deputado da ATFPM acredita que é possível marcar mais sessões plenárias e mostrou-se disponível para participar nelas. “Se formos a ver, não há assim tantos plenários durante o mês. É possível agendar mais”, concluiu.

Covid-19 | Pequim aperta restrições depois de descoberta de caso de infecção com ómicron

Um caso positivo de covid-19 da variante ómicron colocou as autoridades da capital em alerta máximo, a apenas três semanas do início dos Jogos Olímpicos de Inverno. As deslocações durante o Ano Novo Lunar estão desaconselhadas e sujeitas a restrições, lugares turísticos foram encerrados e aulas presenciais nas escolas em distritos de risco passaram para o online

Com agências 

 

Com agências

A China registou ontem o maior número de novos casos positivos de covid-19 desde Março de 2020, totalizando 223 novas infecções. Porém, uma infecção em particular, registada preliminarmente no sábado, fez soar os alarmes: o primeiro caso positivo da variante ómicron detectado em Pequim.

As preocupações agigantaram-se porque a mulher infectada não tem registo de contacto próximo com outros infectados e não saiu de Pequim nos últimos 14 dias, sem que as autoridades conseguissem traçar a origem da infecção até ontem à tarde.

Um oficial das autoridades sanitárias de Pequim afirmou que um rastreio para determinar a origem da infecção ligou o caso positivo a uma embalagem de correio internacional recebido pela paciente. A agência Xinhua refere que a mulher recebeu uma encomenda no dia 11 de Janeiro vinda do Canadá e que até chegar a Pequim passou pelos Estados Unidos e Hong Kong. O vice-director do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças de Pequim, Pang Xinghuo, relevou que a paciente terá tocado no exterior da encomenda e na primeira página do documento que estava no interior. As autoridades sanitárias recolheram 22 amostras ambientais de correio internacional e os resultados dos testes de ácido nucleico deram positivo.

Após a descoberta da primeira infecção da variante ómicron, as autoridades reforçaram de imediato as medidas de prevenção pandémicas na capital, quando estamos a três semanas da cerimónia de inauguração dos XXIV Jogos Olímpicos de Inverno, marcada para 4 de Fevereiro.

Dez horas depois do teste ter dado positivo, foi montado um aparato de resposta em vários níveis. Cerca de 13.000 pessoas foram testadas no distrito de Haidian, onde a paciente mora e trabalha. Todos os locais que frequentou nos últimos 14 dias foram submetidos a testes ambientais e desinfectados, incluindo o Centro Comercial SKP de produtos de luxo. Funcionários dos sítios frequentados pela paciente foram testados e todos os resultados deram negativo.

Os esforços das autoridades sanitárias tiveram como objectivo interromper possíveis cadeias de infecção, aponta o Global Times. Importa recordar que esta semana começaram a chegar a Pequim as primeiras comitivas e atletas que vão competir nos Jogos Olímpicos de Inverno.

Quanto a medidas concretas, o governo municipal de Pequim emitiu no domingo um aviso a determinar que entre 22 de Janeiro e o fim de Março, semanas após o final dos Jogos Paraolímpicos de Inverno, quem viajar para a capital é obrigado a fazer um teste de ácido nucleico 72 horas depois da chegada, além da exigência prévia de teste válido 48 horas antes da chegada.

As medidas foram alargadas a outras dimensões da vida em Pequim, com muitas escolas primárias e preparatórias dos distritos de Haidian e Xicheng a recomendarem aos alunos para recorrerem ao ensino online, antes das férias do Ano Novo Lunar.

Prioridade olímpica

Além das escolas dos distritos relacionados com o caso positivo, as autoridades mandaram encerrar temporariamente ao público alguns sítios turísticos incontornáveis, como o Templo Baiyunguan e Yonghegong Lama, ficando também suspensas as respectivas actividades religiosas nos locais, “dada a mudança geral da situação de prevenção da covid-19 de Pequim”, afirmaram as autoridades, citadas pelo Global Times. Também a secção de Juyongguan da Grande Muralha vai fechar ao público amanhã e assim ficará até 12 de Março.

O secretário do comité municipal de Pequim do Partido Comunista da China, Cai Qi, que também preside ao comité organizador de Pequim 2022, afirmou que a tarefa mais importante para garantir a segurança dos Jogos Olímpicos de Inverno é uma intensa campanha de prevenção da pandemia. “Uma cidade segura, a salvaguarda da saúde da população e a gestão em circuito fechado são pontos-chave, assim como um trabalho integrado de segurança, transportes e resposta preventiva contra a pandemia são tarefas essenciais”, afirmou.

As olimpíadas de Inverno vão trazer a Pequim o maior volume de tráfego aéreo internacional desde o início da pandemia. No passado fim-de-semana, chegaram à capital mais de 200 pessoas vindas do exterior, num total de 12 voos. Estima-se que o número de chegadas atinja o pico até à próxima sexta-feira.

Assim sendo, não é de estranhar que a organização dos Jogos tenha um comité exclusivamente dedicado às chegadas e partidas de atletas e comitivas olímpicas a Pequim. O seu director, Zhang Liang, referiu à Xinhau que a gestão do fluxo de passageiros durante o evento desportivo sairá bem fora do âmbito normal do funcionamento aeroportuário. A coordenação da chegada de voos terá em conta medidas de prevenção pandémica.

“Enquanto um dos maiores eventos desportivos, os Jogos Olímpicos de Inverno e os Jogos Paraolímpicos têm muitos participantes. Portanto, vamos enfrentar uma situação em que o padrão para assegurar que os serviços de chegadas e partidas é mais elevado, face ao impacto que a pandemia teve na aviação civil”.

A logística implica uma cuidada gestão do planeamento dos voos, incluindo análise de declarações de saúde, testes de ácido nucleico, acreditação e desalfandegamento de mercadorias de pessoal das comitivas. Também os voos são especiais, com a opção a recair em charters e voos temporários. Também nas partidas, as comitivas olímpicas não podem apanhar voos comerciais, mantendo a aposta na gestão de circuito fechado.

O que pode vir aí

“É muito possível que surjam novos casos, se a fonte da infecção não for clara”, referiu Wang Guangfa, especialista em doenças respiratórias do Hospital da Peking University, citado pelo Global Times antes de ter sido avançada a hipótese da infecção ter sido provocada por correio internacional.

O médico previu que se surgirem mais casos positivos na capital as autoridades podem alargar o âmbito da testagem à população global da metrópole, restringir a mobilidade e o trânsito em certas áreas e mesmo isolar bairros ou zonas de risco.

Entretanto, na cidade portuária de Tianjin, às portas de Pequim, que registou um surto preocupante na semana passada, acrescentou ontem mais 80 casos positivos à contabilidade pandémica. Apesar de ter alguma zonas da cidade confinadas, as autoridades responsáveis pelo porto de Tianjin garantem que não vão faltar mercadorias e o abastecimento à capital durante os Jogos.

Aliás, as autoridades portuárias revelaram que no sábado foi batido um recorde em Tianjin de tempo de desembarque de mercadorias, com três embarcações de linhas mediterrâneas.

Um total de 9.066 contentores foram despachados do terminal em 34 horas e meia, com cerca de 262 contentores por hora de cada navio, o que, segundo a transportadora Maersk, constitui um novo recorde de desembarque e despacho.

Código de saúde | Dados pessoais não serão revelados, assegura Governo

O centro de coordenação e de contingência do novo tipo de coronavírus adiantou que os dados pessoais que sejam “retrodigitalizados” quando estas entram em alguns estabelecimentos serão protegidos.

“O código de saúde de Macau não será captado e apenas serão guardados no telemóvel de trabalho ou dispositivo electrónico do estabelecimento, durante 28 dias, os registos de entrada das pessoas que entrem no local (código de identificação sem dados pessoais e a hora de retrodigitalização). Os dados pessoais não são guardados em quaisquer dispositivos e o estabelecimento não pode rever ou consultar os registos relacionados”, aponta o mesmo comunicado.

Actualmente quando os residentes entram em um estabelecimento os funcionários recorrem a um telemóvel ou outro dispositivo electrónico para digitalizar o código de saúde através do referido sistema de retrodigitalização.

Pinturas murais | Artistas locais espelham a sua arte em bairros antigos

Sob proposta do Instituto Cultural (IC), vários artistas locais, como é o caso de Im Hok Lon, Ieong Man Hin, Sit Ka Kit e Lei Chek On, desenvolveram pinturas murais em vários espaços e bairros antigos de Macau, como é o caso da zona Anim’Arte Nam Van, a Escada do Coxo ou a rua de Tomás da Rosa. Este projecto foi desenvolvido em parceria com a Associação de Arte Juvenil de Macau.

Estas pinturas “retratam a paisagem urbana do Bairro Horta da Mitra, recorrendo a imagens de pássaros que remetem para o nome chinês do bairro, onde outrora se caçavam pássaros”, explica um comunicado. “Com cores vivas e figuras expressivas, estas pinturas murais incorporam também elementos representativos do comércio existente na zona envolvente, aproveitando ainda a altura dos degraus para gerar um efeito tridimensional, que surpreenderá os visitantes à medida que sobem a escadaria”, lê-se ainda.

O trabalho de Ieong Wan Si pode ser visto na zona Anim’Arte Nam Van. Intitulado “Quartos”, esta obra “resulta da combinação de técnicas convencionais da pintura a óleo e de cores modernas para representar, com diferentes composições cromáticas, as três fases de crescimento de uma rapariga, levando os visitantes a deambular pela memória e pelo espaço e como que a entrar em diferentes ‘quartos’ espirituais, à medida que percorrem o puzzle de quadros representativos de experiências e histórias de diferentes períodos da vida”.

No caso do trabalho na Escada do Coxo, situada junto à Rua do Cunha, na zona da antiga vila da Taipa, este foi desenvolvido pelos artistas Vitorino Vong e Jane Ieng, ligados à Associação Cultural da Vila da Taipa. O mural retrata sardinhas coloridas que complementam as escadas decoradas com azulejos portugueses, apresentando a beleza vibrante da cultura portuguesa. Além disso, o IC concluiu a pintura mural na escadaria de pedra da Travessa da Boa Vista, tendo instalado antes um conjunto de instalações artísticas intitulado “Partilhar a Alegria com Mak Mak”, no Jardim Municipal da Taipa e nas Casas da Taipa. Desta forma, foram introduzidos mais elementos de turismo cultural nas ilhas.

Estudante chinesa vence primeira edição dos Prémios Fundação Jorge Álvares

Zhao Zilin, aluna da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai (SISU, na sigla em inglês), venceu a primeira edição dos Prémios Fundação Jorge Álvares, para trabalhos sobre as relações entre Portugal e a China.

Fernando Ilhéu, membro do Conselho de Administração da Fundação Jorge Álvares (FJA), confirmou à Lusa que a estudante chinesa venceu na categoria “Estudos lusófonos na linguística e na cultura e a sua influência na Ásia”.

A investigação de Zhao Zilin analisa a forma como estudantes chineses de português aprendem os sons utilizados na língua portuguesa.

A estudante do mestrado em Línguas e Literaturas Europeias (vertente Português) da SISU vai receber um prémio de mil euros e o trabalho será submetido para publicação na Revista do Instituto Politécnico de Macau.

Os Prémios FJA foram criados em 2021 para encorajar estudantes de mestrado e doutoramento de universidades em Portugal, Macau e China continental a investigar os laços e a cooperação entre Portugal e a China.

A fundação não recebeu qualquer candidatura às outras duas categorias dos prémios: análise das regras do investimento direto estrangeiro na China e nos países de língua portuguesa; e estudos comparativos sobre gestão empresarial na China e em Portugal.

Segundo um comunicado da SISU, Zhao Zilin disse querer continuar a fazer pesquisas sobre as duas línguas, contribuindo para o desenvolvimento dos laços entre a China e Portugal nas áreas do ensino e da cultura.

A FJA é uma estrutura criada em dezembro de 1999, no quadro da transferência da administração de Macau, que tem como objetivo promover o diálogo intercultural entre Lisboa e a região chinesa.

Desde 2016 que o presidente da Fundação Jorge Álvares (nome do português que foi o primeiro europeu a chegar à China, por via marítima, no século XVI) é o general Garcia Leandro, que governou Macau entre 1974 e 1979.

Cerca de 50 instituições chinesas de ensino superior têm cursos de língua portuguesa, disse à Lusa, em novembro de 2020, o coordenador do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau, Gaspar Zhang Yunfeng.

CPSP | Agentes condenados em esquema de entradas ilegais

Dois agentes do Corpo de Polícia de Segurança Pública foram condenados com penas de oito anos por terem recebido dinheiro para falsificarem registos de entrada e saída do território. A informação foi avançada ontem pelo portal do Gabinete do Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak.

O caso remonta a 2019, quando, em Março, a PJ obteve “informações sobre actividades de ‘facilitação de migração clandestina’”. Na altura, as investigações levaram à conclusão de que um junket tinha subornado “através de três intermediários, dois guardas de primeira classe do CPSP no sentido de falsificarem registos de entrada e saída, com finalidade de iludir disposições da lei de migração”.

Face às conclusões da investigação, a PJ encaminhou seis suspeitos para o Ministério Público, indiciados pelas práticas dos crimes de “corrupção activa, auxílio, falsificação informática, prevaricação e associação criminosa”.

A informação não indica os crimes pelos quais os agentes foram condenados, apenas que cada um vai passar 8 anos na prisão.

Um dos agentes tem 51 anos de idade, e estava no CPSP desde 1992, tendo trabalhado a partir de 2008 no Posto de Migração do Aeroporto. O outro tem 44 anos, estava no CPSP desde 1995 e desempenhava funções nos serviços de migração.

Portugueses impedidos de regressar a Macau após proibição de voos

Quinze dias de proibição de voos de passageiros para Macau, oriundos de “regiões fora da China”, apanharam de surpresa dezenas de portugueses no estrangeiro, impossibilitados de regressar ao território.

Uma porta-voz da STDM Tours Travel Agency Ltd disse à Lusa que a agência de viagens tem seis clientes nesta situação, todos em Portugal.

Uma outra agência, Sincerity Travel, tem “pelo menos 13” portugueses à espera, disse à Lusa a gerente, Sara Ng. “Todos os dias me ligam, às vezes à meia-noite [16h em Lisboa], a pedir notícias”, acrescentou.

A proibição, que entrou em vigor em 9 de Janeiro, foi anunciada, na sequência da detecção de dois casos da variante ómicron do novo coronavírus em residentes que chegaram ao território oriundos do estrangeiro e cumpriam quarentena obrigatória de pelo menos 21 dias.

As autoridades de Macau admitiram a possibilidade de a suspensão continuar em vigor depois de dia 23.
Com o Bilhete de Identidade de Residente de Macau a caducar em breve, a arquitecta Luísa Petiz disse estar apreensiva. “Tenho de fazer a renovação até ao início de Fevereiro, caso contrário corro o risco de perder a residência”, explicou à Lusa.

Também Helena Marçal saiu da cidade em 18 de Dezembro, pela primeira vez desde o início da pandemia, para visitar os filhos que vivem no Reino Unido. Ainda foi a tempo de antecipar o regresso a Macau, inicialmente previsto para 11 de Janeiro. “Ainda pensei em meter as férias todas deste ano e ficar até à reabertura dos voos, mas tive receio que isso não acontecesse de facto em 23 de Janeiro e ficasse pendurada ‘sine die’ à espera de um voo”, considerou.

Inês Rebelo disse que a transportadora aérea Singapore Airlines, que opera o único voo entre Macau e o estrangeiro, só está a aceitar reservas para Março, algo que originou receios de um prolongamento da suspensão.

A estagiária sublinhou temer falhar o exame final da Associação dos Advogados de Macau, que se realiza habitualmente no primeiro trimestre. Se isso acontecer: “tenho de me inscrever no próximo exame, no próximo ano; é desmotivador”.

Sara Ng disse acreditar que a Singapore Airlines decidiu “bloquear novas reservas de forma preventiva”, até uma nova decisão do Governo de Macau.

Resta informar

O cônsul-geral de Portugal em Macau, Paulo Cunha Alves, disse à Lusa que recebeu dois pedidos de apoio ou informação. O diplomata lembrou que a suspensão “é da competência das autoridades de Macau”, mas garantiu que o consulado “está a prestar todas as informações possíveis e em contacto regular com as autoridades locais”.

Tanto o Gabinete de Gestão de Crises de Turismo de Macau, como o Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, sugeriram a Inês Rebelo regressar através da China continental.

“Não tenho alternativas enquanto o bloqueio estiver em vigor”, disse à Lusa o médico Yun Fee Lai, que considerou que outras opções de regresso “são inviáveis para detentores de passaporte português”.

Esta alternativa exige um visto válido, difícil de obter devido à actual situação de pandemia e por causa das restrições em vigor na China, e uma quarentena de no mínimo 21 dias, num hotel. “Não é muito útil”, lamentou Inês.

Em contrapartida, para os estudantes universitários em Portugal ou no Reino Unido, a suspensão não causou problemas, disseram à Lusa a Associação de Estudantes Luso-Macaenses e a Liga de Jovens de Macau no Reino Unido, uma vez que têm aulas presenciais e, no caso de Portugal, está a decorrer a época de exames.

Olhe, não falaram de nós!

Os leitores imaginem a maioria dos pavilhões desportivos em Portugal. A sua lotação não dá para quatro mil espectadores. Quatro mil pessoas é muita gente. Por vezes, na televisão vemos manifestações de 500 protestantes e parece que estão presentes mil ou dois mil. Nós estávamos a falar com um jovem de 30 anos que veio a Portugal passar as férias de Natal e Ano Novo. Jovem enfermeiro que emigrou para os Países Baixos (Holanda) e assistimos juntos ao debate entre António Costa e Rui Rio, a maior audiência televisiva da semana. E no final, oiço o enfermeiro exclamar: “Olhe, não falaram nada de nós! Nós somos quatro mil enfermeiros que fomos embora nestes dois anos de pandemia”.

Quatro mil enfermeiros que Portugal perdeu? Isto é escandaloso, arrepiante e desolador. Emigraram por várias razões. O jovem enfermeiro disse-nos que a maioria tinha um salário de miséria em Portugal e não recebia as horas extraordinárias que a covid-19 provocava. Que ele próprio chegou a estar de serviço no Hospital de São João, no Porto, 24 horas interrompendo o serviço de enfermagem apenas para comer umas sandes. Não tinha contrato de trabalho e quando pressionou a gestão hospitalar disseram-lhe que tinha de aguardar por algum tempo. Resolveu logo ir-se embora.

Tinha um colega em Amesterdão e pegou na mala, beijou os pais e a irmã e foi ganhar três vezes mais, com casa e telemóvel gratuitos e ainda um subsídio para os transportes e alimentação. As horas extras são pagas a dobrar aos sábados, domingos e feriados. Obviamente, que a vida nos Países Baixos é mais cara, talvez por isso o nosso enfermeiro se sente feliz porque o contrato de trabalho inclui a residência gratuita. Na verdade, o debate da semana entre o socialista e o social-democrata estiveram mais de uma hora a falar de tudo menos da desgraça que vai pelo interior dos nossos hospitais. Um milhão de portugueses não tem médico de família e num centro de saúde chega-se a encontrar apenas dois enfermeiros.

O debate político foi uma caça ao voto, os dois políticos querem a cadeira de São Bento e apenas se preocuparam com o que muito pouco interessa ao povo. O desplante foi tão grande que António Costa até arranjou a desculpa de o Orçamento do Estado ter sido reprovado para não “oferecer” os prometidos miseráveis 10 euros aos pensionistas e Rui Rio afirmou que vai baixar os impostos quando todos os portugueses sabem que ainda vão pagar mais taxas no futuro.

Nada disseram da ferida enorme de quatro mil enfermeiros terem emigrado e de as nossas instituições hospitalares terem ficado numa aflição em matéria de recursos humanos. Quatro mil enfermeiros que decidiram ir embora dá muito que falar. Toda a gente pergunta porque é que o Governo não se decide pelo aumento de salários aos enfermeiros e ao pagamento imediato das horas extraordinárias. Os enfermeiros tiram um curso, estagiam e praticam a profissão para depois deixarem o que gostam de fazer no seu país, deixam os pais e irmãos, deixam os namorados e namoradas e alguns nunca mais pensam em casar porque terminam a ligação amorosa. Menos natalidade é um facto real que tem a ver com este problema.

São jovens enfermeiros que sonharam namorar, casar e ter filhos. Trabalharem no seu Portugal para bem de todos os que têm a fatalidade de entrar para um hospital. O debate político entre António Costa e Rui Rio foi uma desilusão, onde se preocupava Rio se Costa se ia embora se perdesse e Costa indagou o opositor como é que formava governo se ganhasse as eleições. Os problemas reais que estão a transitar o nosso país para um dos mais pobres da Europa, que observamos uma classe média a desaparecer, pois, amanhã só teremos ricos e pobres.

Os nossos enfermeiros têm emigrado essencialmente para o Reino Unido, Suíça, Espanha, Países Baixos e Emirados Árabes Unidos. É onde vivem como gente e ainda conseguem ajudar a família que reside em Portugal. Só no último ano (2021), o número total de enfermeiros que manifestaram intenção de emigrar corresponde a cerca de um terço dos novos enfermeiros formados anualmente pelas escolas portuguesas.

Assim, enquanto até Junho (de 2021) tinha havido 277 pedidos de emissão de declarações para emigrar, entre Junho e Dezembro esse número ascendeu a 636. E a emigração de enfermeiros não para, nem sequer reduz o número dos que se vão embora. E as nossas autoridades não sabem do que se está a passar? Não ouviram um dirigente da Ordem dos Enfermeiros dizer que está em perigo o funcionamento dos nossos hospitais por falta de enfermeiros? O assunto é grave e este tipo de emigração nada tem a ver com o do pedreiro ou dos motoristas. Estamos perante uma especialidade que trata da nossa saúde e que não podemos viver sem a sua presença nos nossos hospitais. No debate televisivo da semana entre Costa e Rio, naturalmente, que o tema deveria ter vindo a lume e cada um dos intervenientes tinha que se ter pronunciado o que faria para evitar a emigração de enfermeiros, caso subissem ao cargo de primeiro-ministro após o dia 30 deste mês.

*Texto escrito com a antiga grafia

Templo de Fu Xi em Qinzhou

Nos Anais Primavera-Outono encontra-se um diagrama onde se lê: o Imperador Verde, Tai Hao representado por um dragão, está localizado no Leste, contém a virtude da madeira e simboliza a Primavera. Na dinastia Qin (221-206 a.n.E.), oficialmente Fu Xi passou a ser a divindade Tai Hao Di (太昊帝).

Após a História do templo mais antigo a Fu Xi em Gansu, situado na Colina de Gua Tai, segue-se o Tai Hao Gong, o Palácio do Deus Tai Hao, existente em Qincheng (秦城), parte antiga de Tianshui, chamado pela população local também Ren Zhong miu (Templo do Ancestral dos Seres Humanos).

Recapitulando a História; após a proliferação na dinastia Yuan de templos a homenagear os Três Ancestrais (San Huang), logo no início da dinastia Ming com o seu primeiro imperador, Tai Zu (1368-1398), apenas o templo de Fu Xi em Huaiyang (Henan), onde se encontra o mausoléu, passou a ter autorização imperial de existência. De reputação igual, o da Colina Gua Tai declinou e por isso, no livro Da Ming Yi tong zhi apenas é mencionado ser Gua Tai Shan a moradia de Fu Xi, sem haver referência ao templo.

Entre 1483/4, o oficial civil Fu Nai, à frente da cidade de Qinzhou (秦州, nome dado entre 220 e 1913), hoje Qincheng, usava a razão de ser este o local de nascimento de Fu Xi para construir Fu Xi ci (ci, 祠, pequeno templo), na parte Oeste da cidade. Era simples e sem estátuas e existia já em 1347. Em 1490 as pessoas ricas e governantes locais foram doando dinheiro para se terminar a construção do templo, ficando este com um paifang e um pavilhão.

Depois foi erguida a estela (碑, bei) 《XinXiu TaiHaoGong MenFangJi》 (新修 太昊宫 门坊记), onde se registou quem o mandou construir e a data. Este bei continua a existir.

O oficial de Gansu baseado neste Fu Xi ci escreveu uma carta ao imperador a pedir permissão para construir um templo a Fu Xi em Qinzhou. Em 1516, o Imperador Wu Zong aprovou e no livro Ming shi, no capítulo Li Zhi, se refere que baseado nesta aprovação somente em dois locais se podia oferecer sacrifícios a Fu Xi, um em Qinzhou e o outro em Chenzhou (actual Huaiyang).

Em 1521, o oficial governador de Gansu escreveu outra carta ao imperador, a dizer que para fazer sacrifícios a Fu Xi, a Colina Gua Tai ficava afastada da cidade, não cómoda e conveniente para os governantes aí se deslocarem. Logo no mesmo ano veio a autorização imperial de Shi Zong para a construção em Qinzhou de um templo a Tai Hao. Mas apenas em 1523, no local onde se encontrava Fu Xi ci, começou a ampliação do pequeno templo dedicado a Fu Xi construído em 1490. Assim só em 1523 se pode considerar haver em Qinzhou um templo ao primeiro dos Ancestrais, que passou a ter três paifang, sete Xian Tian dian, cinco Tai Ji dian, vinte Chao fang, um Jian Yi ting e por ser construído com muita pressa, a qualidade não era boa, nem estava pintado. As duas estátuas de Fu Xi existentes são dessa altura.

Na região os tempos eram de fome e os governantes sucediam-se; por isso o templo não estava terminado e rapidamente se foi degradando. Tudo isto registado num bei de 1532, que também ainda existe, quando o templo foi reparado por ordem de três governantes, de Shaanxi, Gansu e Qinzhou, sendo pintado e o muro do templo concluído, ficando com o seu maior tamanho. Virado a Sul tinha quatro partes.

No fim da dinastia Ming, apenas havia em toda a China dois lugares para se oferecer sacrifícios a Fu Xi, Qinzhou e Chenzhou e no aniversário deste Ancestral, o Imperador enviava uma carta para ser lida pelos oficiais a representá-lo durante as celebrações.

Já na dinastia Qing, em 1653 o templo foi reparado, mas no ano seguinte, Qingzhou sofreu um grande terramoto que matou 7464 pessoas e destruiu 3672 casas. Registos sobre o templo apenas voltaram a aparecer no tempo do Imperador Kang Xi (1661-1722) e no 《秦州志 庙坛》 QinZhouZhi Miaotan diz existirem dez ciprestes. Em 1739, 1805 e 1885, o templo foi sucessivamente reparado e na nona vez, entre 1885 e 87, foi ele ampliado, ficando com a área de 13 mil m², mas actualmente tem apenas 6600 m².

O templo em 1939 foi transformado em quartel do exército do Guomingtan e asilo para deficientes. Estas pessoas destruíram as pedras He-tu (河图) e Luo-shu (洛书), a estátua do Dragão-Cavalo (龙马, Long-Ma) e transformaram Xian Tian dian num armazém, usando os pátios para instalar uma fábrica de tecer.

Em 1949, com a República Popular da China, o templo sob controlo do governo de Tianshui continuou a ser usado como fábrica. Em 1955, o governo de Gansu aí colocou uma escola para formar professores, havendo setecentos estudantes a nele viver. Em 1966, durante a Revolução Cultural (PoSiJiu 破四旧, quatro velharias) os estudantes destruíram quase tudo o que se encontrava no templo. O Museu de Tianshui passou em 1986 para o Templo de Fu Xi e no ano seguinte, o Instituto de formação de professores saiu do recinto, sendo o templo reparado em 1988, sobre a direcção do Museu de Tianshui.

TEMPLO DE QINZHOU

De estilo antigo, todos os edifícios estão virados a Sul e colocados sobre um eixo central, tal como acontece com os mausoléus dos imperadores. Com quatro átrios a partir da porta de entrada do Sul, encontramos alinhados pelo eixo central um paifang (porta sem portas), a porta da Frente (Da men) e a porta do Aspecto (Yi men), onde antes de se passar se deve compor a aparência, desmontar da montada e arranjar a roupa e cabelo. Segue-se o Palácio Central (Xian Tian dian) e o Salão Tai Ji (Tai ji dian). Os trabalhos esculpidos em madeira e pertencentes à estrutura do templo primam pela excelência.

A torre do Sino (Zhong lou) e a torre do Tambor (Gu lou) situam-se lateralmente tal como os recentes edifícios Chao fang, onde se espera para fazer sacrifícios aos deuses. Situadas lateralmente à Estrada de Estelas (碑廊, Bei lang), as salas de exposições, fechadas na nossa primeira visita, abriram a 22 de Junho de 2010 renovadas como Museu de Tianshui, onde exposta se encontram várias Culturas da zona com oito mil anos de História.

“No pátio existem dois grandes ciprestes centenários que os habitantes locais consideram árvores com ling (灵), isto é, dotadas de espírito sobrenatural e por isso, com poder de curar as mais variadas doenças. Por esse motivo os devotos costumam colocar nos seus troncos figuras humanas recortadas em papel e queimar com um pivete de incenso o ponto dessa figura que corresponde ao lugar onde se aloja a enfermidade no doente que lhe roga a sua cura (Tan Manni, na revista China em Construção, vol. IX, n.º 11, Pequim, 1988).” E continuando com a professora Ana Maria Amaro no livro O Mundo Chinês volume I: “anualmente, no dia 16 da primeira lua, dia do aniversário deste mítico imperador realiza-se, ali, uma festividade em sua homenagem.” “O dia 13 da 5ª lua é também dedicado em certos pontos da China ao Rei Dragão.”

Segundo uma lenda, a 45 km de Tianshui, as grutas na Montanha de Maiji, ainda na província de Gansu, tiveram a sua origem com Fu Xi e Nu Wa, cuja tribo a que pertenciam vivia a montante do Rio Wei.

Automobilismo | Faye Ho conta estrear a equipa em Macau

No final de 2020, Faye Ho, neta de Stanley Ho e Clementina Leitão, causou sensação ao comprar a equipa britânica de motociclismo Smiths Racing. Após um ano de estreia a competir na Grã-Bretanha, a FHO Racing quer conquistar os palcos internacionais, Macau incluído

 

Em 2022, a FHO Racing irá fazer a sua estreia nas corridas de estrada, como equipa oficial da BMW Motorrad, tendo garantido a continuação dos serviços de Peter Hickman, por três vezes vencedor do Grande Prémio de Macau de Motos, e Brian McCormack. “Hicky” e McCormack vão tripular as BMW M 1000RR nas categorias de Superbike e Superstock na Ilha de Man TT e na North West 200, assim como no Grande Prémio do Ulster, que este ano regressa ao calendário internacional após cinco anos de ausência.

Desde o início da pandemia que nenhuma das provas rainhas de estrada do motociclismo mundial foi disputada, existindo uma grande expectativa em redor do retorno destes carismáticos eventos esta temporada. Segundo o comunicado da equipa, “ambos os pilotos irão participar no Grande Prémio de Macau, que está programado para regressar em Novembro do próximo ano”.

Para Faye Ho, “é uma honra que a FHO Racing tenha sido escolhida pela BMW Motorrad como sua equipa oficial para as corridas de estrada internacionais de 2022, especialmente porque só existimos há um ano! Isto demonstra o progresso e a marca que deixamos, dentro e fora das pistas, e regressar às estradas em 2022, com o Peter e o Brian, é bastante entusiasmante para todos aqueles ligados à equipa”.

“Numa nota pessoal, as corridas de estrada são muito importantes para mim, e tendo assistido a provas como a Ilha de Man TT e obviamente, Macau regularmente, estou muito feliz por participar nestas provas em 2022 com a equipa e em qualidade oficial”, acrescentou Faye Ho cuja primeira cooperação no motociclismo foi no Grande Prémio de Macau em 2009, para no ano seguinte estar ao lado do vencedor Stuart Easton.

Na sua primeira temporada no desporto, a FHO Racing viu Hickman subir por cinco ocasiões ao pódio do Campeonato Britânico de Superbikes, incluindo duas vitórias, tendo o inglês terminado em quinto no campeonato. Na categoria Superstock, Alex Olsen obteve o terceiro lugar no campeonato.

Nos circuitos e no feminino

Para além das provas de “road racing”, a FHO Racing vai continuar a sua forte aposta nos circuitos ingleses. No popular Campeonato Britânico de Superbikes, aonde alinha com duas BMW, Hickman terá este ano como companheiro de equipa o jovem de 22 anos Ryan Vickers. Nos mesmos fins de semana, a equipa irá ainda inscrever uma BMW M 1000 RR na categoria de Superstock para Alex Olsen.

Ainda no Reino Unido, aonde reside actualmente, Faye Ho continuará a apoiar três jovens nas corridas de apoio do campeonato britânico. A iniciativa foi lançada no início de 2021, com a FHO Racing a trabalhar de perto com as pilotos Charlotte Marcuzzo (16 anos) e Scarlett Robinson (17 anos) na classe Junior Supersport, para além de Holly Harris (16 anos) que participa na “Honda British Talent Cup”. Esta colaboração ofereceu a estas três jovens a orientação e apoio durante as suas campanhas ao longo da pretérita temporada, algo que será repetido este ano, com Faye Ho a esforçar-se para que a representação feminina dentro do desporto seja ainda mais forte.

Economia chinesa | Balança comercial com excedente recorde em 2021

A recuperação económica continua a evidenciar sinais positivos após os condicionamentos provocados pela pandemia da covid-19

 

O excedente comercial da China subiu para 676,4 mil milhões de dólares em 2021, após as exportações terem aumentado 29,9 por cento, em relação ao ano anterior, apesar da escassez de semicondutores.

Em Dezembro, o excedente comercial do país com o resto do mundo aumentou 20,8 por cento em relação ao mesmo mês do ano anterior, para um valor recorde de 94,4 mil milhões de dólares, segundo os dados alfandegários divulgados sexta-feira.

As exportações subiram para 3,3 biliões de dólares, em 2021, apesar da escassez de ‘chips’, de processadores para telemóveis e outros bens, à medida que a procura global recuperou da pandemia.

Os fabricantes foram também prejudicados pelo racionamento de energia em algumas áreas para cumprir as metas de eficiência do governo.

O excedente com os Estados Unidos, que é politicamente sensível e motivou já uma prolongada guerra comercial, registou uma subida homóloga, em 2021, de 25,1 por cento, para 396,6 mil milhões de dólares.

Os representantes comerciais dos dois países dialogaram desde que o Presidente norte-americano, Joe Biden, assumiu o cargo em Janeiro, mas ainda não anunciaram uma data para retomar as negociações presenciais.

As exportações para os Estados Unidos aumentaram 27,5 por cento, em relação a 2020, para 576,1 mil milhões de dólares. As importações chinesas de produtos norte-americanos aumentaram 33,1 por cento, para 179,5 mil milhões de dólares.

Em Dezembro, o excedente comercial mensal da China com os Estados Unidos aumentou 31,1 por cento, em relação ao ano anterior, para 39,2 mil milhões de dólares, depois das exportações terem subido 21,1 por cento, para 56,4 mil milhões de dólares, enquanto as importações aumentaram 3,3 por cento, para 17,1 mil milhões de dólares.

Este mês, as exportações da China provavelmente vão abrandar, devido ao congestionamento nos portos, onde o país impõe medidas de prevenção contra o coronavírus, e às mudanças na procura global, à medida que os transportadores eliminam os atrasos, previu o analista Julian Evans-Pritchard, da consultora Capital Economics.

“Estimamos que os volumes de exportação sejam menores até ao final deste ano”, disse Evans-Pritchard, num relatório.

As importações chinesas em 2021 aumentaram 30,1 por cento, para 2,7 biliões de dólares, à medida que a segunda maior economia do mundo recuperou da pandemia.

O crescimento económico enfraqueceu no segundo semestre do ano, quando Pequim lançou uma campanha para reduzir o excesso de dívida no sector imobiliário, mas os gastos dos consumidores ficaram acima dos níveis pré–pandemia.

A actividade manufatureira subiu, em Dezembro, mas os novos pedidos de exportação contraíram, de acordo com uma análise do gabinete de estatísticas do governo e de um grupo do setor, a Federação Chinesa de Logística e Compras.

Os exportadores chineses beneficiaram com a permissão para retomar a actividade no início de 2020, enquanto os concorrentes estrangeiros enfrentaram restrições, devido à covid-19.

Esta vantagem foi mantida em 2021, à medida que outros governos renovaram as medidas de contenção em resposta à disseminação de novas variantes do vírus.

Altos valores

Mais recentemente, no entanto, a China respondeu a surtos dentro das suas próprias fronteiras impondo medidas de confinamento e restrições nas deslocações internas, o que está a prejudicar os serviços logísticos.

O excedente comercial global da China no ano passado está entre os mais altos alguma vez registados por qualquer economia, segundo economistas.

A única comparação em termos percentuais é a Arábia Saudita e outros exportadores de petróleo durante o ‘boom’ de preços, na década de 1970, mas as suas receitas totais foram menores.

O excedente comercial prejudicou a capacidade do banco central da China de gerir a taxa de câmbio da moeda chinesa, o yuan, que subiu para o valor máximo, em vários anos, em relação ao dólar norte-americano, à medida que o dinheiro fluiu para o país.

IPIM | Macau promove sector de convenções e exposições em Fujian

O IPIM participou no China Expo Forum for International Cooperation, em Fuzhou na província de Fujian, dando a conhecer as vantagens de Macau na organização de convenções e exposições. Além disso, o organismo procurou fomentar a comunicação e cooperação entre empresas locais do sector e os seus homólogos no Interior da China

 

Por vezes, mais do que ter um bom produto a chave do sucesso é saber promovê-lo. Foi com esse intuito que o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) organizou a participação da RAEM na 17.ª edição do “China Expo Forum for International Cooperation” (CEFCO 2022) realizada entre a quarta-feira passada e sexta-feira, 12 e 14 de Janeiro, na cidade de Fuzhou, província de Fujian.

O IPIM formou uma delegação composta por 21 elementos dos sectores das convenções e exposições e do turismo, com a missão de “divulgar conjuntamente as condições privilegiadas de Macau na organização de actividades de convenção e exposição e de fomentar uma maior comunicação e cooperação entre o sector local de Macau e os seus homólogos no exterior do território.”

Um dos oradores do evento foi o presidente do IPIM, Lau Wai Meng, que entrou numa discussão colectiva sobre o tema “soluções para a revitalização global do sector de convenções e exposições no período de pandemia da covid-19”. O dirigente partilhou com os seus homólogos a experiência de Macau na organização de actividades deste âmbito, durante o período pandémico.

Lau Wai Meng afirmou que, devido à relativa instabilidade e imprevisibilidade da situação pandémica actual a nível global, a circulação de pessoas continua a sofrer restrições de diferentes graus. Por isso, definir normas de prevenção pandémica em convenções e exposições e integrar acções online e offline com vista ao desenvolvimento contínuo do sector são necessidades fundamentais dos tempos que vivemos.

Montanha em Fujian

O presidente do IPIM sublinhou ainda a importância estratégica da Ilha da Montanha nas ambições da RAEM, sendo essencial “aproveitar as oportunidades resultantes do desenvolvimento sinergético de Macau e da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin” para estimular a recuperação do sector.

Os representantes participaram numa reunião plenária e em sessões de intercâmbio onde deram a conhecer as vantagens de Macau na indústria das convenções e exposições e partilharam conhecimentos com entidades de gestão, organizadores especializados e profissionais do sector para “explorarem em conjunto oportunidades de cooperação”.

Citados pelo IPIM, os profissionais do sector que marcaram presença no evento afirmaram ter actualizado conhecimentos e encontrado potenciais clientes.

Organizado em conjunto pelo Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional (CCPIT), pela Associação Global da Indústria de Exposições (UFI), pela Associação Internacional de Exposições e Eventos (IAEE) e pela Sociedade de Organizadores Independentes de Eventos (SISO), o IPIM descreve o “China Expo Forum for International Cooperation” (CEFCO) como uma “iniciativa que costuma atrair, em todas as suas edições, a presença de figuras prestigiadas do sector de convenções e exposições de todo o mundo”.

DSEDJ | Alunos e professores transfronteiriços com teste de 24 horas

A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude divulgou ontem um plano dirigido a professores e estudantes transfronteiriços, a esclarecer que quem reside ou esteve nos últimos 14 dias nas zonas de risco elevado de Zhuhai não pode entrar em Macau.

Estão incluídas na medida, as áreas-chave das Cidades de Zhuhai e de Zhongshan (nas Vilas de Tanzhou de Zhongshan e de Nanping de Zhuhai) e os estudantes ou docentes que visitaram, nos últimos 14 dias, o Complexo Residencial “Cidade das Flores Internacional de Jinxiu” na Vila de Tanzhou (1.ª e 2.ª fases) ou a vila de Nanping.

A DSEDJ preparou um plano para os alunos afectados pela medida, que implica aprendizagem em casa, de acordo com a situação, e um regime sem marcação de faltas e com adiamento de eventuais testes e exames.

Os alunos e docentes que vivam em Zhuhai, excepto nas áreas mencionadas ou que por lá não tenham passado nos últimos 14 dias, precisam apresentar resultado negativo no teste de ácido nucleico feito nas últimas 24 horas para entrar em Macau.

Se os estudantes optarem pela suspensão temporária do regresso a Macau, “as escolas tratarão, casuisticamente, a sua assiduidade e a organização dos respectivos testes e exames”, informou ontem a DSEDJ.

Covid-19 | Macau e Zhuhai coordenam resposta e procuram contactos próximos

Os testes em massa em Zhuhai revelaram nove casos positivos da variante ómicron, um deles contacto próximo de um funcionário do Aeroporto de Macau (que testou negativo). Mais de 6.000 residentes de Macau ficaram com o código de saúde amarelo, destes mais de 1000 foram sujeitos a quarentena ou obrigados a fazer dois testes a cada três dias

 

A descoberta de casos positivos em Zhuhai e a grande conectividade entre Macau e a cidade vizinha fez soar alarmes dos dois lados da fronteira. Depois da descoberta de um caso positivo em Zhongshan na quinta-feira, as autoridades de Zhuhai testaram toda a população e encontraram mais sete casos da variante ómicron, apenas um com sintomas leves.

Quatro dos casos positivos identificados na cidade vizinha, dizem respeito a uma família cujos percursos tornados públicos incluíam uma área muito próxima da fronteira das Portas do Cerco e altamente frequentada por residentes de Macau: o centro comercial subterrâneo do posto fronteiriço de Gongbei.

O Executivo da RAEM e as autoridades de Zhuhai realizaram no sábado uma videoconferência para coordenar a prevenção e controlo da pandemia, e trocar informações.

O secretário do Comité Municipal de Zhuhai do Partido Comunista Chinês (PCC), Lv Yuyin, informou que depois do conhecimento de casos positivos as autoridades focaram a intervenção em quatro zonas interligadas com Tanzhou em Zhongshan, “como Nanping da zona de Xiangzhou, Qianshan, Rua de Fengshan e Baijiao em Doumen”. No total, foram recolhidas 510 mil amostras que revelaram os setes casos positivos (de imediato transferidos para hospitais).

O passo seguinte, foi a testagem em massa da população de Zhuhai, com a recolha de 1,95 milhões de amostras, cujos resultados foram negativos no sábado. Ontem, foi realizada uma segunda ronda de testes e encontrados mais dois casos positivos, em conexão com o surto de Nanping.

Além destas medidas, o governo municipal de Zhuhai afirmou que Nanping “encontra-se em gestão de controlo”, ou seja, a entrada e saída de pessoas da área está condicionada.

Quanto às passagens fronteiriças, os governos das duas cidades “chegaram ao consenso de que é obrigatório apresentar certificado com o resultado negativo do teste de ácido nucleico realizado nas últimas 48 horas”, e apelaram às populações para evitarem atravessar fronteiras desnecessariamente. Entretanto, ainda no sábado, o centro de controlo e prevenção de Zhuhai apelou à população para não sair da cidade e reduziu a validade dos testes de ácido nucleico para 24 horas.

Questão de proximidade

Um dos casos confirmados na vila de Nanping esteve em contacto com uma pessoa que se encontra em Macau, classificada como contacto próximo e, como tal, submetida a quarentena no Centro Clínico de Saúde Pública no Alto de Coloane. Além disso, quatro colegas de trabalho foram classificados contactos secundários. Todos foram testados, sempre com resultado negativo.

O contacto próximo, corresponde a um trabalhador não residente, de 36 anos, que faz parte da equipa de segurança do Aeroporto Internacional de Macau. O indivíduo é motorista de veículos de patrulha, natural da China, e almoçou em Zhuhai na quinta-feira passada com uma pessoa infectada com covid-19.

Os Serviços de Saúde entraram em contacto com pessoas que tiveram contacto com o segurança do aeroporto, desde que este regressou a Macau para trabalhar na madrugada de sexta-feira.

Durante a videoconferência com as autoridades de Zhuhai, Ho Iat Seng revelou que “dos residentes de Macau que se deslocaram a Tanzhou em Zhongshan ou a Nanping em Zhuhai, 6.200” estava no sábado com código amarelo, dos quais 1.043 foram sujeitos a observação médica, isolamento no local ou sujeitos a dois testes a cada três dias”.

Covid-19 | Aplicação dos Serviços de Saúde envolta em polémica

A aplicação para registar o percurso dos cidadãos estabelece que “os Serviços de Saúde podem automaticamente” obter informações como “as páginas electrónicas visitadas”, uma cláusula nunca antes anunciada. O Governo reagiu e diz que só controla o acesso ao site dos SSM

 

Os termos de utilização da aplicação dos Serviços de Saúde estão a gerar polémica, devido à capacidade para aceder a informação que nunca tinha sido anunciada. Em causa, está uma cláusula dos termos de utilização da aplicação que regista o percurso dos cidadãos e em que consta que “os Serviços de Saúde podem automaticamente registar” informações como “as páginas electrónicas visitadas” pelos utilizadores.

Na sexta-feira, com mais pessoas a fazerem o download da aplicação, o caso ganhou dimensão, principalmente através das redes sociais, com vários utilizadores a estranharem a cláusula, nunca revelada anteriormente.

O desenvolvimento levou o Governo a reagir, apontando que quase todas as aplicações fazem o mesmo: “Esse tipo do termo de utilização trata-se de uma declaração comum de softwares semelhantes, dado que algumas funções da aplicação móvel são desenvolvidas por página electrónica, sendo necessário registar o estado aquando do acesso a essas páginas electrónicas, por exemplo, pode abrir ou não a página electrónica, o tempo de voltar, etc., de forma a determinar se são encontrados ou não problemas quando é usada a aplicação”, foi indicado.

Por outro lado, o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus afirmou igualmente que só retira informações sobre o portal dos SSM. “As informações relativas às páginas electrónicas registadas são apenas páginas electrónicas dos Serviços de Saúde, e não são registadas outras páginas electrónicas que tenham sido visitadas, pelo que não envolve a subtração ou revelação de informações pessoais”, foi acrescentado.

Curta argumentação

No entanto, a explicação foi encarada como insuficiente, por alguns sectores da sociedade. Um dos intervenientes a levantar dúvidas sobre as explicações do Governo foi Sulu Sou, ex-deputado e candidato proibido de participar nas eleições.

“É impossível para a população verificar de forma substancial e efectiva o sistema de monitorização [dos sites visitados pelo utilizador] da aplicação”, escreveu Sulu Sou, numa posição tomada nas redes sociais. “Por isso, é compreensível que grande parte da população mostre um grande cepticismo face ao comunicado das autoridades”, acrescentou.

Numa altura em que o Governo começa a dar cada vez mais passos para que os cidadãos instalem a aplicação, ao exigi-la para aceder a inúmeros espaços, Sulu Sou apelou ao Executivo para adoptar medidas transparentes de um ponto de vista legal, bem sustentadas, e que tenham em conta que muitos cidadãos não têm acesso, ou não sabem utilizar telemóveis.

Apesar das críticas, Sulu Sou considerou importante a adopção de medida de prevenção contra a covid-19, desde que sejam “legais, razoáveis e transparentes”.

O ex-deputado não deixou também de recordar ao Governo que ao guardar este tipo de informação em bases de dados online, há maiores riscos de sofrerem ataques informáticos e de haver fugas de informação.

479 mil downloads

Até às 14h de ontem, mais de 479 mil pessoas tinham descarregado a aplicação móvel do Código de Saúde de Macau, de acordo com um comunicado do Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus. No mesmo comunicado, o Governo apelou ainda aos jovens para que aproveitem “o período de férias [domingo], para ajudar os idosos em casa a descarregar esta aplicação móvel” e ensinarem-nos a utilizar “a aplicação”.

Fórum Macau | Novo secretário-geral visita Lei Wai Nong e Liu Xianfa

Ji Xianzheng, recentemente designado secretário-geral do secretariado do Fórum Macau, fez no final da semana uma ronda de visitas institucionais.

O novo responsável foi recebido por Lei Wai Nong, secretário para a Economia e Finanças deu as boas-vindas a Ji Xianzheng, que reiterou o apoio da sua tutela aos trabalhos do Fórum Macau e desejou que este “obtenha o máximo aproveitamento da plataforma do Fórum Macau, em articulação com a construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”.

Lei Wai Nong, de resto, apontou a Ilha da Montanha como uma grande oportunidade para construir “a plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa e promover conjuntamente a diversificação adequada da economia”.

Por sua vez, Ji Xianzheng reconheceu “as vantagens únicas de Macau enquanto plataforma de cooperação e intercâmbio” e mostrou vontade de ouvir sugestões de todas as partes, no sentido de “superar o impacto adverso da epidemia, assegurando-se um funcionamento mais estável e proactivo” do Fórum Macau.

O comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China na RAEM, Liu Xianfa, recebeu também a visita do novo líder do Fórum Macau. O comissário manifestou disponibilidade para apoiar o Fórum Macau na “procura de impulsionar a cooperação e o desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

Legislativas | PS trabalha na criação de voto electrónico

Nathalie de Oliveira, da lista do Partido Socialista pelo círculo da emigração para as eleições legislativas do dia 30, disse num debate online que o partido está a trabalhar “tecnicamente e juridicamente” para implementar o voto electrónico. A conferência foi promovida pelo Conselho das Comunidades Portuguesas

 

“O Partido Socialista (PS) está a trabalhar tecnicamente e juridicamente no voto electrónico”. A frase pertence a Nathalie de Oliveira número dois da lista do PS pelo círculo da Europa e foi proferida num debate online promovido pelo Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) a propósito das eleições legislativas agendadas para 30 de Janeiro e dos problemas que as comunidades portuguesas no mundo enfrentam para votar.

“O contexto pandémico em que vivemos há dois anos trouxe uma dificuldade acrescida no incentivo à participação política. Foi com o PS que foi implementado o recenseamento automático e foi mais facilitado o voto postal. Sou a favor de alargar todas as possibilidades de participação em relação ao voto”, disse. A mesma candidata defendeu que, com estas alterações promovidas pelo governo do PS, “houve um aumento da participação no acto eleitoral”.

Por sua vez, Ossanda Liber, candidata pelo partido Aliança, criticou o facto de, em 46 anos com o PS e Partido Social-Democrata no poder, “estas questões [relacionadas com os problemas de votação] não terem sido resolvidas”.
“Propomos criar mais círculos eleitorais, ter quatro círculos para o resto do mundo e dois para a Europa. Passaríamos de quatro deputados para seis. Queremos aumentar a eficácia dos deputados que têm de conciliar o trabalho de campo com o do Parlamento”, frisou.

Afastamento da comunidade

No caso de Joana Carvalho, candidata pela CDU, foi destacada a elevada abstenção que se verifica no círculo eleitoral da emigração. “Sente-se muito nas ruas, quando falamos com a comunidade portuguesa, um afastamento e desinteresse em relação a estas eleições. Este alheamento tem de ser percebido num contexto em que as comunidades portuguesas têm sido votadas ao abandono.”

Neste sentido, a candidata defendeu que a CDU “apresenta propostas para facilitar a votação que passam pelo reforço da rede consular e pelo estabelecimento de protocolos com países de acolhimento”.

No entanto, em relação ao voto electrónico, o partido considera “a posição da CDU, que não estamos preparados para avançar por preocupações em relação à segurança”.

Igual opinião tem Paulo Martins, candidato pelo “Ergue-te”. “Electronicamente consegue-se vigarizar muito. Sem dúvida que gostava de ver esta abstenção terminar. Os portugueses estão muito desacreditados em relação ao Governo”, adiantou.

No caso de José Sebastião, candidato pelo MAS – Movimento Alternativa Socialista, dever-se-ia apostar em todas as possibilidades de voto. “Nas últimas eleições passou-se uma vergonha, com tantos votos que foram considerados nulos. Para mim, o voto deveria ser presencial, por meios electrónicos e por correio, sem marcação. A proposta do MAS é que sejam aceites estes métodos e o aumento dos deputados pelo círculo da emigração.”

Pedro Rúpio, presidente do CCP, lamentou que o círculo da emigração seja o terceiro com mais peso no sistema político português, com cerca de cinco milhões de eleitores, e seja aquele que tem menos deputados”. No debate de sexta-feira, participaram ainda os partidos PAN – Partido Animais Natureza e o Volt. No sábado, participaram os partidos LIVRE, MPT, R.I.R., Bloco de Esquerda, Nós Cidadãos, ADN, Partido Social Democrata e Iniciativa Liberal.