Hong Kong reduz período de quarentena a partir de Abril Hoje Macau - 21 Mar 2022 A Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou hoje uma série de medidas de combate à covid-19, que incluem a redução de quarentenas e o levantamento de proibições de alguns voos, noticiaram os ‘media’ locais. As alterações ao controlo fronteiriço entrarão em vigor a 1 de Abril, informou o jornal South China Morning Post. A atual exigência de quarentena de 14 dias para a maioria dos viajantes será reduzida para apenas sete dias, na condição de apresentarem resultados negativos dos testes no sexto e sétimo dias da quarentena obrigatória em hotéis designados. As regras de distanciamento social serão flexibilizadas em três fases, a partir de 21 de abril. A mudança abrangerá restaurantes, ginásios e outras empresas, bem como reuniões públicas. As escolas, entretanto, vão poder retomar as aulas presenciais, a partir de 19 de abril. Carrie Lam descartou igualmente a possibilidade de avançar para já com a testagem massiva da população. Em menos de três meses, Hong Kong registou quase um milhão de casos e 4.600 mortes, muitas entre idosos não vacinados. Segundo diferentes estimativas, metade dos 7,4 milhões de habitantes já foi infetada. O número de casos diários tem diminuído nos últimos dias, abaixo dos 20 mil.
China | Especialista diz que é “muito cedo” para abdicar de política de “zero casos” Hoje Macau - 21 Mar 2022 O principal especialista encarregado da gestão da pandemia da covid-19 na China considerou hoje ser ainda “muito cedo” para tratar o novo coronavírus como uma gripe, defendendo a manutenção da estratégia de “zero casos” do país. “É ainda muito cedo para tratar a [variante] Ómicron como uma gripe”, apontou Liang Wannian, durante uma entrevista à televisão estatal CCTV. Liang explicou que a proporção de pacientes com sintomas graves está a diminuir, mas a “transmissão rápida da variante pode causar um alto número de infeções num curto período de tempo”, o que faria com que os “números absolutos de mortes e doenças graves fossem também altos”. Liang disse que “não é o momento certo” para abandonar a atual estratégia de controlo da pandemia, pois desistir dela tornaria as conquistas dos últimos dois anos “inúteis”. A China continua a aplicar uma política de “tolerância zero” à covid-19, que acarreta o encerramento praticamente total das fronteiras, isolamento de todos os infetados e contactos próximos, e medidas de confinamento e testes em massa sempre que um surto é detetado. Segundo Liang, esta estratégia “provou ser eficaz” na “proteção da vida das pessoas” e também conseguiu “estabelecer um equilíbrio entre a prevenção da pandemia e o desenvolvimento económico”. “A pandemia está longe de terminar”, alertou o especialista, que deu como exemplo os recentes surtos na maioria das províncias chinesas. De acordo com os últimos dados da Comissão de Saúde da China, foram detetados, nas últimas 24 horas, 1.947 casos de covid-19. O país somou ainda 2.384 casos assintomáticos, que são registados separadamente pelas autoridades sanitárias. Dados oficiais do Governo chinês indicaram que, desde o início da pandemia, 4.638 pessoas morreram e 132.226 foram infetadas no país.
Transacções de acções da construtora chinesa Evergrande suspensas em Hong Kong Hoje Macau - 21 Mar 2022 A construtora chinesa Evergrande Group suspendeu hoje a negociação das acções na bolsa de Hong Kong, aguardando uma “declaração de informações privilegiadas”, de acordo com um comunicado enviado à praça financeira. As transacções dos títulos da empresa nos mercados domésticos da China também foram suspensas. A Evergrande, com sede em Shenzhen, disse em Janeiro passado que pretendia apresentar uma proposta preliminar de reestruturação nos próximos seis meses. A construtora está no centro de uma crise entre os grupos do sector imobiliário da China, depois de Pequim ter restringido o acesso ao crédito e exigido um aumento do rácio de liquidez das empresas. Num comunicado separado, a unidade da Evergrande no mercado de capitais da China disse que os detentores de títulos aprovaram um plano de pagamento referente aos juros vencidos dos títulos emitidos na moeda chinesa, o yuan, de acordo com um comunicado enviado, no domingo, à bolsa de valores de Shenzhen. O grupo disse que vai distribuir juros que ficaram por pagar em setembro passado – uma obrigação no valor de quatro mil milhões de yuans, com um cupão de 5,8% e vencimento em 2025. O cupão do título é pago anualmente, e o primeiro pagamento estava programado para 23 de setembro do ano passado. O atraso não vai acionar um incumprimento na nota, de acordo com o plano aprovado. A Evergrande deixou de pagar os cupões referentes a títulos emitidos em dólares em dezembro. As empresas imobiliárias chinesas listadas em Hong Kong têm que apresentar, até 31 de março, os resultados anuais, nas primeiras demonstrações financeiras auditadas desde que a crise de liquidez se abateu sobre o setor. A receita dos governos locais chineses com as vendas de terrenos contraiu 29,5%, entre janeiro e fevereiro, em relação ao mesmo período do ano passado, a maior queda homóloga desde 2015, de acordo com dados publicados na sexta-feira pelo Ministério das Finanças da China.
Avião com 133 pessoas a bordo cai no sudoeste da China Hoje Macau - 21 Mar 202221 Mar 2022 Um avião da China Eastern Airlines que viajava entre as cidades chinesas de Kunming (sudoeste) e Cantão caiu hoje com 133 pessoas a bordo, informou a televisão estatal CCTV. O Boeing-737 caiu perto da cidade de Wuzhou, na região de Guangxi, e “causou um incêndio” nas montanhas, informou a CCTV, acrescentando que as equipas de resgate foram enviadas para o local. Desconhece-se para já se há sobreviventes. A China Eastern, com sede em Xangai, é uma das três principais companhias aéreas da China, operando dezenas de rotas domésticas e internacionais que abrangem 248 destinos. De acordo com dados do site de rastreamento de voos FlightRadar24, trata-se do voo MU5735. O rastreamento revela que o Boeing 737-89P perdeu velocidade, antes de entrar numa descida acentuada. O avião parou de transmitir dados a sudoeste de Wuzhou. O aparelho em questão foi entregue à China Eastern pela construtora norte-americana Boeing, em junho de 2015, e estava a ser utilizado há mais de seis anos. O Boeing 737 bimotor de corredor único é um dos aviões mais populares do mundo para voos de curta e média distância. A China Eastern opera várias versões daquele modelo, incluindo o 737-800 e o 737 Max. A utilização da versão 737 Max esteve suspensa em todo o mundo, após dois acidentes fatais. O regulador de aviação civil da China voltou a permitir o seu uso no final do ano passado. O último acidente mortal com um avião civil registado na China ocorreu em 2010.
FIA confirma data da F3 e F4 China anuncia corrida no GP Sérgio Fonseca - 21 Mar 2022 Na passada sexta-feira, o organizador do Campeonato da China de Fórmula 4 divulgou nas redes sociais o calendário da temporada de 2022 que inclui a prova final, pelo terceiro ano consecutivo, no Circuito da Guia. Um dia depois, no sábado, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) confirmava a data da Taça do Mundo de Fórmula 3 em Macau. O calendário da F4 chinesa deste ano, que se estende de Junho a Novembro, contempla quatro eventos, num total de catorze corridas. O organizador, o Mitime Group, uma subsidiária do grupo automóvel Zhejiang Geely Group, colocará de lado o Circuito Internacional de Zhuhai, que nos últimos dois anos foi o coração do campeonato, para regressar ao circuito de Fórmula 1 de Xangai para a prova de abertura. O circuito Ningbo, que pertence ao Mitime Group, e um circuito citadino a realizar em Pingtan, na Província de Fujian, a que se junta a visita a Macau, completam o calendário. De acordo com a informação publicada, na derradeira prova da temporada na RAEM, “haverá duas corridas e os pilotos irão receber pontos a dobrar”. Diz também o comunicado que “o Campeonato Shell Helix da China de Fórmula 4 da FIA de 2022 é apoiado pela Associação Geral Automóvel de Macau-China. As duas corridas de Fórmula 4 do Grande Prémio de Macau terão como ensaio as três primeiras provas da temporada.” Para a organização chinesa, a visita a Macau pretende que “mais jovens talentos tenham a oportunidade de seguir os passos de pilotos de Fórmula 1 famosos como Senna, Schumacher e Hamilton, e gravar os seus nomes no Hall of Fame do lendário Grande Prémio de Macau”. Ao contrário das congéneres de todo o mundo, a Fórmula 4 irá ainda manter os mesmos antigos chassis Mygale, motorizado com blocos de 2 litros da Geely, cuja homologação foi estendida até 2023. As duas únicas vezes que a Fórmula 4 marcou presença no maior cartaz desportivo de Macau a vitória ficou na casa, com Charles Leong Hon Chio a vencer nas duas ocasiões. Macau no calendário internacional O Conselho Mundial de Automobilismo da FIA confirmou a data do evento com uma curta menção no comunicado de imprensa de sábado: “A data da Taça do Mundo de Fórmula 3 da FIA 2022, a realizar em Macau, está confirmada para 17 a 20 de Novembro”. A presença da Taça do Mundo no Calendário Internacional da FIA não quer dizer por si só que a prova, que já não acontece desde 2019, se realizará este ano. Recorde-se que no ano passado, a Taça do Mundo de Fórmula 3 da FIA foi colocada no Calendário Internacional para meses depois ser retirada, pois não foram encontradas as condições para a RAEM aliviar as restrições de entrada de estrangeiros no território. Recentemente, Pun Weng Kun, coordenador da Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau e presidente do Instituto do Desporto, em declarações à TDM, mencionou novamente as intenções da organização do evento em trazer de volta concorrentes estrangeiros. O dirigente deu como exemplo o sucesso da ‘bolha’ sanitária anti-covid-19 implantada durante os últimos Jogos Olímpicos de Inverno, em Pequim.
A guerra é nos supermercados André Namora - 21 Mar 2022 Guerra, guerra, guerra é a palavra constante nos noticiários radiofónicos e televisivos. O cenário na Ucrânia é cada vez mais chocante e os bombardeamentos russos não têm cessado. As negociações entre as partes continuam e ainda há uma leve esperança que o cessar fogo se torne uma realidade. A guerra na Ucrânia pode ter muito que se lhe diga e as opiniões dos comentadores divergem. Contudo, a guerra em Portugal é bem diferente e os mesmos noticiários não lhe têm dado a importância devida. Essa guerra situa-se nos supermercados das mais diversas formas. A invasão da Ucrânia agravou o custo dos produtos que consumimos e que diariamente sobem em flecha. Na batalha para ver quem paga, muitos produtores já preparam uma guerra com os supermercados. As famílias fazem contas à vida e mais de metade dos gastos são nos bens necessários. Todos os produtos estão a ficar mais caros e em muitos locais já se raciona o óleo de girassol. Não vendem mais do que três unidades por cliente. Os frescos aumentam porque os agricultores dizem que estão pela hora da morte e precisam urgentemente de apoio governamental. A carne e o peixe nem pensar em comprar diariamente. O preço subiu assustadoramente. Os pescadores dizem que têm de parar a faina devido ao insuportável preço do gasóleo. Esta, é outra história lamentável existente em Portugal. O exagerado preço dos combustíveis não tem compreensão. O preço está cheio de impostos para isto e aquilo. O governo anunciou que o IVA iria baixar, mas nada acontece. O preço do crude há mais de uma semana que tem baixado e o preço do barril já está abaixo dos 100 dólares, mas as gasolineiras portuguesas nem um cêntimo baixaram no preço de venda ao público. Assim é roubar os portugueses e muitos utentes já tiveram de deixar o carro estacionado, com o litro de gasolina a mais de dois euros por litro. Até o grande número de pessoas que têm animais domésticos têm tido os maiores problemas para fazer frente ao aumento dos preços. Um saco de 20 kg de comida para cão aumentou de um dia para o outro de 27 para 30 euros e o preço por quilo da ração para pintos, um dos produtos mais vendidos, subiu 40 por cento. Uma guerra deste tipo entre o consumidor e o vendedor é grave e não está a merecer a atenção que lhe é devida. Não se pode entrar num supermercado, é o leite, o pão, os iogurtes, a fruta, os vegetais, tudo está mais caro e anunciam que os aumentos não vão parar. Dizem que é por causa da guerra da Ucrânia, mas o que é que os agricultores que deviam plantar girassol, trigo e milho como antigamente tínhamos o Alentejo cheio, têm a ver com a guerra da Ucrânia. Há quem pense que está a haver muito aproveitamento explorador, mesmo sabendo-se que a Ucrânia e a Rússia produzem 50 por cento do óleo de girassol do mundo. O que podemos dizer-vos é que o preço dos alimentos bateu o recorde de sempre. Os reflexos das dificuldades que se sentem na vida dos portugueses acontecem um pouco pela Europa fora. Os transportes marítimos encareceram, o mesmo acontece com o preço das viagens aéreas. Um exemplo: trazer um contentor da China para o Norte da Europa custava 2 mil dólares há pouco mais de um ano e hoje custa 14 mil euros. Os especialistas não nos fornecem explicações plausíveis e muito menos, o que poderá acontecer no futuro. O que sabemos é que o arrastamento da guerra na Ucrânia só pode piorar a situação, mas ninguém admite que a pressão sobre os preços desapareça este ano. Antes pelo contrário: os próximos meses serão de agravamento, de racionamentos e, em alguns casos, de risco de escassez. E não nos podemos esquecer que a maior fatia dos orçamentos familiares é destinada à alimentação e bebidas, que em média representa, segundo o Instituto Nacional de Estatística, 20 por cento dos gastos. Há muitas famílias assustadas, algumas já pediram apoio às Juntas de Freguesias e às Santas Casas de Misericórdia, à Cáritas e são frequentadoras assíduas do Banco Alimentar. Como referimos, não se compreende como é que o Alentejo abandonou o trigo, milho, girassol e outros produtos que em tempos passados dava e sobrava para alimentar Portugal. No Alentejo já assistimos a padarias a aumentar três vezes o preço do pão em poucos meses, porque a farinha de há um ano a esta parte aumentou para o dobro no preço. No meio desta lacuna alentejana, o povo português já dependia da Rússia e da Ucrânia que são os maiores produtores mundiais de trigo. Obviamente que no epicentro da alta dos preços estão as matérias-primas mais omnipresentes na economia: o petróleo e o gás natural. Daí o aumento do preço da energia e seus derivados. Até o papel higiénico está a subir de preço incrivelmente porque o gás natural serve para produzir ar quente e é preciso secar o papel. Há produtores de papel higiénico que já estão a gastar 10 vezes mais que anteriormente na produção. Vivem-se momentos de algum desespero e como vimos não é só na Ucrânia. Naturalmente que se trata de um sofrimento diferente, mas a fome também mata.
China quer aprofundar relações com África do Sul, diz Xi Jinping Hoje Macau - 21 Mar 2022 A China está disposta a trabalhar com a África do Sul para impulsionar as suas relações para um nível mais profundo, com maior qualidade e mais amplo alcance, disse o Presidente chinês, Xi Jinping, na sexta-feira. Xi fez estas declarações durante sua conversa telefónica com o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, informa a agência estatal Xinhua. Ao assinalar que a China e a África do Sul compartilham uma relação amistosa especial de camaradas e irmãos, Xi disse que consolidar e desenvolver as suas relações é de grande significado para guiar as relações entre a China e a África, assim como a solidariedade e a cooperação entre os países em desenvolvimento. As duas partes devem continuar a apoiar-se firmemente em assuntos relacionados aos interesses fundamentais e às principais preocupações de cada um, intensificar os esforços para implementar os nove programas do Fórum de Cooperação China-África e o plano estratégico de cooperação de 10 anos entre os dois países, assim como esforçar-se por novos êxitos na cooperação bilateral em diversas áreas, disse Xi. A China dá as boas-vindas a mais importações de produtos sul-africanos de alta qualidade, apoia as duas partes na expansão da cooperação em campos emergentes como novas energias e comércio electrónico, e incentiva as empresas chinesas a realizarem cooperação em investimentos na África do Sul e ajudar o país africano a obter os objectivos de desenvolvimento da nova iniciativa de investimento, disse Xi, citado pela Xinhua. A China está disposta a discutir a cooperação na produção de vacinas com a África do Sul e a apoiar a África do Sul e outros países africanos na sua luta contra a covid-19, disse Xi. Xi observou que a China, que preside ao BRICS este ano, está disposta a trabalhar com a África do Sul para manter o impulso de desenvolvimento do mecanismo de cooperação do BRICS, construir uma parceria de alta qualidade mais abrangente, mais próxima, mais pragmática e inclusiva, realizar o desenvolvimento dos países membros e promover um desenvolvimento global mais forte, verde e saudável. Sentimentos recíprocos Ramaphosa disse que gostaria de estender mais uma vez as suas felicitações pelo centenário do Partido Comunista da China e pelos bem-sucedidos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno de Pequim. Mencionando que a China é uma confiável e verdadeira parceira e amiga da África do Sul, bem como dos países africanos, Ramaphosa agradeceu à China por manter uma posição justa e fornecer assistência valiosa para a África do Sul e os países africanos para ajudá-los a superar conjuntamente as dificuldades. A África do Sul adere firmemente à política de Uma Só China e apoia firmemente a posição da China sobre a questão relacionada com o Tibete e outras questões importantes, disse Ramaphosa.
Covid-19 | Bolsas isentam de taxas empresas em áreas afectadas por surtos Hoje Macau - 21 Mar 2022 As três bolsas de valores da China continental isentaram de algumas taxas as empresas localizadas em áreas onde houve surtos de covid-19, para aliviar o impacto económico das medidas de confinamento aplicadas no país. A Bolsa de Valores de Shenzhen anunciou a isenção do pagamento de três taxas a todas as empresas cotadas no mercado, estendendo assim uma medida que já era aplicada às companhias com sede nas províncias de Shaanxi, Henan e Tianjin, segundo a agência oficial chinesa Xinhua. Esta decisão soma-se às isenções, anunciadas na quinta-feira, pelas bolsas de valores de Xangai e Pequim, para empresas de Shenzhen, Mongólia Interior, Guangdong, Jilin e Xangai, algumas das áreas mais afectadas pelos surtos das últimas semanas, que levaram o número de novas infecções a voltar a níveis só vistos no início de 2020. Estimativas iniciais, que apenas levaram em conta as isenções das taxas da Bolsa de Valores de Pequim e da Bolsa Nacional de Acções chinesa (para pequenas e médias empresas), indicam que as empresas poderão poupar mais de 45 milhões de yuan. As empresas que se listem este ano poderão também beneficiar das mesmas isenções. Com tranquilidade Na quarta-feira, o Governo chinês tentou tranquilizar os investidores com a promessa de mais apoio ao sector imobiliário, empresas do sector digital e empresários em dificuldades, depois de as firmas do país registarem fortes perdas em bolsa. O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, disse na semana passada que o Governo espera gerar até 13 milhões de novos empregos este ano, para ajudar a reverter uma crise económica. Analistas dizem que o Partido Comunista provavelmente terá dificuldades para cumprir a sua meta oficial de crescimento económico, de 5,5 por cento, a menor desde a década de 1990. A Comissão Nacional de Saúde da China confirmou ontem a detecção de 1.737 novos casos de covid-19 nas 24 horas entre sábado e domingo, 1.656 deles por contágio local. O número mantém a tendência de queda iniciada na semana passada, altura em a China registou 3.507 casos na última terça-feira, o número mais alto desde o início de 2020. As províncias com o maior número de casos de transmissão comunitária foram Jilin (nordeste, 1.191), Fujian (sudeste, 158), Shandong (leste, 51) e Guangdong (sudeste, 51). Duas mortes A China registou duas mortes relacionadas com a covid-19, nos primeiros óbitos desde Janeiro do ano passado, anunciaram sábado as autoridades sanitárias. As mortes, ambas na província de Jilin, no nordeste da China, elevam o número de óbitos causados pelo SARS-CoV-2 no país para 4.638. As autoridades locais proibiram as deslocações, sendo necessária uma autorização da polícia para atravessar as fronteiras da província.
Amagao | “Lusofonia tem diversidade e grandeza para estarmos aqui muitos anos” Pedro Arede - 21 Mar 2022 Os responsáveis pela recém-inaugurada Galeria Amagao estão confiantes de que a “diversidade e a grandeza” da arte lusófona são o garante de que o novo espaço irá mostrar as cores dos países de língua portuguesa “durante muitos anos”. Apesar das dificuldades impostas pela pandemia, o grupo assegura que é preciso “continuar a colorir a vida de todos em Macau” Os responsáveis pela Galeria Amagao, espaço permanente inaugurado na passada sexta-feira no Artyzen Grand Lapa, estão confiantes de que a qualidade e a diversidade artística do mundo lusófono são a garantia de que as criações provenientes dos vários países de língua portuguesa possam ser divulgados na galeria “durante muitos anos”. Isto, sem esquecer a ancestral ligação de Macau à lusofonia e o papel que o território desempenha na criação de sinergias entre a China e os países de língua portuguesa. “Macau continua a ser uma janela e uma porta aberta para o mundo, em particular para o mundo lusófono. Além disso, o mundo lusófono tem uma diversidade e uma grandeza suficiente no plano artístico para podermos estar confiantes que, durante muitos anos, teremos a oportunidade de mostrar aqui essa cor, a que nós chamamos lusofonia. No fundo, a Galeria Amagao vai ser o resultado dessas cores todas, que caracterizam os artistas e as artes no espaço da língua portuguesa”, disse José Isaac Duarte, um dos responsáveis pelo novo projecto. Recorde-se que a Galeria Amagao está sob gestão da Galeria 57 e definiu como principal objectivo promover e organizar exposições e eventos artísticos focados no mundo lusófono e nos seus artistas. Intitulada “Cor Lusofonia”, a exposição inaugural do novo espaço estará patente até 22 de Maio e inclui mais de 90 obras, entre as quais, alguns inéditos de Raquel Gralheiro, artista especial convidada para o arranque do projecto. Para além de Raquel Gralheiro, a exposição inaugurada na sexta-feia inclui obras de outros artistas como Ana Jacinto Nunes, Victor Hugo Marreiros, Carlos Marreiros, José Luís Tinoco, Abílio Febra, Ana Silva e Reginaldo Pereira, num total de 46 autores. Todas elas seleccionadas a partir de um vasto acervo de criações lusófonas reunidas ao longo de vários anos. Outra das novidades da Galeria Amagao passa pelo facto de o artista seleccionado para cada exposição ficar também a cargo de explorar o quiosque localizado debaixo da escadaria do Artyzen Grand Lapa. Além de obras de arte do artista em questão, estarão também à venda pequenas lembranças e outros objectos e peças de arte originais. “Para além dos artistas do nosso espólio, há artistas locais convidados que, no caso desta exposição são cinco. Mas teremos oportunidades para convidarmos muito mais, até porque vamos fazer mais exposições no futuro. Depois há sempre um artista especial convidado, que poderá ter uma exposição individual e que ficará a cargo do quiosque”, explicou Victor Hugo Marreiros, último elemento a entrar no projecto da Galeria Amagao. “Sou o último elemento a entrar na equipa e neste projecto, a convite da Galeria 57. Para mim é um percurso normal, depois de estar a trabalhar em Macau como designer e artista durante 40 anos, a promover tudo o que são actividades culturais e artísticas. Acho que esta é uma equipa furiosa, no bom sentido, em termos de trabalho. Eu trabalho por e para o prazer e sempre gostei de trabalhar com esta equipa. Já estou reformado mas não sou preguiçoso, e queria dedicar mais tempo à arte. É um projecto bonito e vem na sequência de tudo o que tenho vindo a fazer”, acrescentou Victor Marreiros. Estrada para andar Num contexto em que os constrangimentos causados pela pandemia de covid-19 se alongam há já mais de dois anos, Lina Ramadas aponta as dificuldades existentes para o transporte das obras de arte provenientes do exterior. “Há muitas dificuldades na alfândega e o custo do transporte é caríssimo”, começou por partilhar. Contudo, o maior problema, confessa, é mesmo o facto de ser impossível trazer os artistas lusófonos e de outras paragens, para Macau, já que enquanto portadores de passaporte estrangeiro estão impedidos de entrar no território. Para além disso, projectos que envolvem intercâmbios com outras galerias lusófonas terão de esperar por melhores dias. “Em quase todos os países lusófonos temos galerias amigas e uma vasta rede de contactos. Há dois anos chegámos a ter um projecto de intercâmbio que consistia em ter uma exposição itinerante que iria passar por vários países. Mas agora, [por causa da pandemia], está na gaveta. Nesta fase temos de ter imaginação e aguardar. Quando as coisas melhorarem cá estaremos para mais projectos”, apontou Lina Ramadas. Apesar disso, Victor Marreiros sublinha que “quem corre por gosto não cansa” e que, quanto mais difícil for a situação e os constrangimentos impostos pela pandemia, mais importante será que a Galeria Amagao tenha a capacidade de dar mostras de vitalidade e colorir a vida de Macau e dos seus habitantes. “Quanto mais a porta se fechar, mais cores temos de colocar na nossa vida. É esse o serviço que queremos prestar. Ou seja, divulgar os artistas lusófonos e colorir a vida de todos nós. Quanto mais difícil está o mundo, mais queremos ser um elemento que ajuda a pôr cor na vida de todos, em Macau e não só”, vincou. Os responsáveis pelo novo projecto esperam ainda que, tratando-se também de um negócio, “o mercado de Macau ganhe com isso”, esperando que o feedback seja positivo. O espectro de preços das mais de 90 obras que podem ser vistas actualmente na exposição “Cor Lusofonia” varia entre as 500 e as 400 mil patacas.
Racismo | Autoridades dizem que insultos resultaram de “barreira linguística” João Santos Filipe - 21 Mar 2022 O Corpo de Polícia de Segurança Pública considera que Pelé entendeu mal as explicações que lhe deram, “talvez” por erros de comunicação dos dois lados. As autoridades convidaram o “estrangeiro residente” a regressar à esquadra, onde acabou por apresentar queixa O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CSPS) responsabilizou um mal entendimento de José Martins, mais conhecido por Pelé, por não perceber as explicações dos agentes e entender de forma errada que precisava de um advogado para apresentar queixa. As justificações surgiram no sábado, num comunicado em chinês, que identifica o ex-internacional pela selecção de futebol de Macau nos anos 90 como um “estrangeiro residente”. A mesma designação consta na resposta enviada ao HM. Segundo as explicações, os agentes citaram artigos do Código Penal e Código Procedimento Penal, para explicar a Pelé que teria de arranjar um advogado numa fase mais adiantada do processo. Contudo, Pelé saiu da esquadra com a certeza de que lhe foi dito precisar de um advogado. “Durante o procedimento, os agentes desta Corporação trataram do respectivo caso de acordo com a lei e conforme as respectivas instruções, só que, devido o mal entendimento na comunicação resultante das línguas entre as duas partes, o recorrente confundiu que era necessário contratar, de imediato, advogado para instaurar o caso”, afirmaram as autoridades. “Em relação ao presente incidente, esta Corporação convidou novamente o recorrente para chegar à Polícia, explicando-lhe os procedimentos da denúncia e do tratamento do respectivo crime particular, o mesmo manifestou o seu entendimento e ficou satisfeito com o acompanhamento da polícia. Racismo sem menção Antes da resposta enviada ao HM, o CPSP publicou um comunicado, por volta das 13h de sábado, em que nunca utilizou a palavra racismo para mencionar a queixa. Além disso, pareceu apontar a “barreira linguística” como a razão dos insultos. “Na manhã de 15 de Março este departamento recebeu uma denúncia sobre uma disputa e enviou agentes ao local para contactarem a vítima. A vítima alegou que tinha estado envolvida numa altercação com outro homem devido à barreira linguística”, relatou o CPSP. “A vítima sentiu-se insultada quando ouviu o homem proferir insultos e decidiu denunciar o sucedido”, foi complementado. O comunicado do CPSP foi emitido no sábado, depois de a notícia ter sido traduzida para chinês. No entanto, as respostas pedidas pelo HM, que tinham sido requisitas na quinta-feira, só chegaram depois do comunicado. Pedido de desculpas Tanto no comunicado como na resposta enviada ao HM não é relatado que o CPSP pedira desculpas a José Martins. No entanto, logo na sexta-feira, o treinador revelou ao HM que tinha sido chamado de volta à esquadra, e que tinha ficado muito satisfeito com o tratamento do CPSP, que incluiu um pedido de desculpas. “Ligaram-me a pedir desculpa pelo erro”, começou por dizer. “Pediram-me desculpa, devido ao facto de o agente que me atendeu na terça-feira ter cometido um erro. Mas, hoje [sexta-feira] foram super educados e gentis”, acrescentou. Horas mais tarde, depois da queixa apresentada, o visado pelos insultos racistas recorreu às redes sociais para agradecer o apoio recebido ao longo dos últimos dias. “Agradeço a todos os que me apoiaram a prosseguir com este caso. Todos me deram força e tornaram este desfecho possível, mostrámos que somos todos da mesma raça… Somos todos humanos e iguais”, escreveu. “Espero e desejo que nunca mais haja um caso como este em Macau”, acrescentou. Uma terça-feira triste O ex-jogador da selecção de Macau e actual treinador de futebol foi alvo de insultos verbais na terça-feira, quando fazia a sua habitual caminhada matinal no Parque do Reservatório. Nesse dia, o residente com nacionalidade portuguesa foi à Esquadra Número 3 do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), de onde saiu com a certeza de que teria de estar acompanhado por um advogado para poder apresentar queixa. O CPSP veio agora negar esta parte da história.
Mais de 74 mil pessoas não utiliza a internet João Santos Filipe - 21 Mar 2022 Numa altura em que o Governo obriga, em termos práticos, as pessoas a terem telemóvel e internet para poderem entrar em restaurantes, serviços públicos ou jardins, há cerca de 74 mil pessoas que não utilizam internet em Macau. Os dados podem ser calculados através dos resultados do “Inquérito à utilização da tecnologia informática dos agregados familiares em 2021”, publicado na passada sexta-feira pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Num total de 644.068 pessoas, que não inclui crianças com menos de três anos, os dados mostram que 570 mil eram utilizadores frequentes de internet, no que é considerado uma taxa de penetração de 88,5 por cento. Para a estatística, são contabilizadas as pessoas que acedem à “rede” não só através dos telemóveis, mas também dos computadores. Os dados mostram também que apesar de as pessoas serem obrigadas na prática a utilizarem telemóveis diariamente, e a preencherem o código de saúde, para poderem ir ao hospital ou aos tribunais, existem 74.068 indivíduos que não utilizam a internet. Idade é um posto A penetração da internet é mais reduzida no escalão etário de cidadãos com mais de 65 anos, onde menos de um terço utiliza a internet. Em cerca de 92.650 indivíduos com mais de 65 anos, apenas 30.500 utilizam “a rede”. Já no escalão das crianças com três a 14 anos, a taxa de penetração é de 68,3 por cento. Em todos os outros escalões etários, a penetração é superior a 90 por cento. Ao nível dos telemóveis, a situação não é muito diferente. Entre uma população de 644.068 pessoas, 604.500 têm o equipamento que o Governo tornou indispensável para preencher a declaração de saúde através da aplicação que regista a circulação. A taxa de penetração em 2021, era assim de 93,8 por cento, o que significa que 34.568 pessoas não têm telemóvel. Contudo, os dados mostram que entre 2020 e 2021, e numa altura em que as pessoas já eram obrigadas a apresentar a declaração de saúde, houve uma redução de indivíduos com telemóvel. Em 2020, 606.600 pessoas declaravam ter telemóvel, ou seja, uma redução de 2.100 utilizadores.
Criptomoedas | Hipótese de alterações na acusação adia leitura da sentença João Santos Filipe - 21 Mar 2022 Era para ser uma sessão onde se definia o futuro do filho de Rita Santos, mas acabou por ficar marcada pela possibilidade de surgirem alterações à acusação e pela ausência do arguido. A leitura da sentença ficou agora agendada para 6 de Abril A leitura da sentença do caso de Frederico Rosário, filho de Rita Santos, acusado de 48 casos de burla era para ter decorrido na sexta-feira, mas foi acabou por ser adiada. A nova data é o próximo dia 6 de Abril, uma quarta-feira, às 16h00, no Tribunal Judicial de Base. Na origem do adiamento, esteve o facto de a juíza Cheong Weng Tong ter anunciado a possibilidade de alguns factos da acusação irem sofrer alterações, que afirmou não ser matéria substancial. A possibilidade de alterações, assim apresentada pela juíza, que não confirmou as mudanças, levou a que o advogado Luís Almeida Pinto, defensor de Frederico Rosário, tivesse de completar as alegações finais, à luz das mudanças. Quando tomou a palavra, o advogado recusou a ideia que o empresário tivesse recebido comissões na venda dos “programas de investimento” para minerar criptomoeadas, que prometiam retornos que podiam chegar aos 40 por cento. Ainda de acordo com as alegações finais, Frederico Rosário apenas esperava fazer dinheiro com dividendos da empresa Genesis, onde era sócio com uma participação de 10 por cento, a par do outro arguido, Dennis Lau. Esta empresa, em ligação com uma outra, a Forgetech, também controlada por Dennis Lau, era responsável pelo arrendar do equipamento de criptomoedas e respectivos lucros, gerados do negócio, que depois serviriam para pagar os retornos prometidos aos investidores. Perante as alegações e a possível mudança dos factos, Cheong Weng Tong entendeu que o colectivo a que preside precisava de mais tempo para chegar a uma decisão, pelo que agendou a leitura final para o dia 6 de Abril. Onde está Frederico Rosário? Além do adiamento da sentença, a sessão ficou marcada pela ausência do segundo arguido Frederico do Rosário. Ao contrário de Dennis Lau, que é natural de Hong Kong e nunca compareceu a qualquer sessão, Frederico Rosário faltou pela primeira vez esta sexta-feira. Contudo, não houve qualquer aviso para a ausência o que fez com que, durante aproximadamente uma hora, a funcionária do tribunal percorresse o quarto piso do TJB à procura do arguido, Frederico Rosário. A situação ganhou contornos caricatos uma vez que na sala de audiência estavam à espera não só a mãe do arguido, Rita Santos, como também o pai, que tem o mesmo nome do filho, o avô e ainda o advogado. Fora da sala de audiência, onde a funcionária foi várias vezes perguntar pelo arguido, encontrava-se ainda Manuela, esposa de Frederico Rosário. Passada a hora, sem que a funcionária obtivesse qualquer resposta, que não fosse o silêncio dos presentes, entrou o colectivo de juízes e iniciou-se a sessão. Cheong Weng Tong questionou o advogado se sabia onde estava o cliente e recebeu um redondo “não”. “Encontro-me sempre com o arguido no tribunal e era suposto que ele estivesse aqui”, afirmou o causídico. “A família também não sabe onde está”, acrescentou. Perante a resposta, o tribunal decidiu que se Frederico Rosário não justificar a falta vai ter de pagar uma multa de 2.730 patacas. Correcção de um erro Ainda antes do julgamento, Cheong Weng Tong apresentou uma correcção da acusação, justificada com o facto de ser necessário converter o alegado valor das burlas de dólares de Hong Kong para patacas, de forma a definir o tipo de burla em causa. Como os diferentes crimes de burla dependem do valor, os 9 crimes de burla simples e 23 crimes de burla de valor elevado foram transformados em 7 crimes de burla simples e 25 crimes de burla de valor elevado. A estes, juntam-se 16 crimes de burla de valor consideravelmente elevado. Os crimes de burla simples são punidos com uma pena que pode chegar aos três anos de prisão, os crimes de valor elevado com pena de prisão até cinco anos e, finalmente, os crimes de burla de valor consideravelmente elevado têm uma moldura penal que começa nos dois anos e chega aos 10 anos de prisão.
Pandemia | Wong Kit Cheng quer associações no plano de emergência Hoje Macau - 21 Mar 2022 A deputada Wong Kit Cheng defende, em comunicado, que o Governo possa melhorar o plano de emergência criado especialmente caso ocorra um surto de covid-19 no território, através da inclusão das associações. Desta forma, com a inclusão do sector privado, os funcionários públicos podem estar mais aliviados do trabalho de lidar com um surto pandémico, considerou a deputada. Wong Kit Cheng exemplificou que os voluntários ou membros das associações podem lidar de perto com a comunidade, apoiando em acções como a comunicação ou gestão de necessidades diárias das pessoas, que não estejam directamente ligadas aos casos de infecção. A deputada, com formação em enfermagem, adiantou que o Governo deve lançar também um plano de formação e de divulgação para que todos os profissionais de saúde no território possam participar neste plano de emergência. A ideia defendida por Wong Kit Cheng é que o sistema de saúde não venha a sofrer as consequências de um eventual surto.
Covid-19 | Surtos nas regiões vizinhas resultam em eventos anulados João Luz - 21 Mar 202221 Mar 2022 A “evolução da pandemia” foi a justificação dada para cancelar uma série de eventos este fim-de-semana. A prova de atletismo 2022 Sands China Macau Internacional 10K, a 41.ª Edição da Semana Verde de Macau e dois concertos da Orquestra de Macau e Orquestra Chinesa de Macau foram cancelados Apesar de não se verificar um surto comunitário de covid-19 em Macau há mais de cinco meses, a vigilância aperta perante os casos detectados nas regiões vizinhas, com particular incidência em Zhuhai. Assim sendo, ao longo do fim-de-semana, as autoridades cancelaram vários eventos programados para sábado e domingo. A prova de atletismo Sands China Macau Internacional 10K, agendada para o início da manhã de ontem, acabou por ser cancelada no sábado. A organização já exigia apertados requisitos de participação, como a apresentação de um certificado de teste de ácido nucleico com menos de 24 horas antes do início da prova, exigência que acabou por não impedir o cancelamento. “Em articulação com o trabalho de prevenção e controlo da epidemia, anuncia-se o cancelamento da ‘2022 Sands China Macau Internacional 10K’ prevista para o dia 20 de Março. Desde já, lamenta-se a inconveniência”, anunciou o Instituto do Desporto (ID) no sábado, que organizaria o evento, em parceria com a Associação Geral de Atletismo de Macau. “Após avaliação rigorosa”, as autoridades justificaram cancelar a prova devido à “evolução da epidemia nas regiões vizinhas”. O ID solicitou a compreensão dos participantes e adiantou que “em relação ao reembolso de inscrição” serão anunciados detalhes em breve. Outro evento sacrificado na luta contra a pandemia foi a 41.ª Edição da Semana Verde de Macau, cuja inauguração estava prevista para ontem, com um cartaz que se prolongaria até 27 de Março. O Instituto para os Assuntos Municipais, a entidade organizadora, acabou por cancelar o evento que incluía “a plantação de árvores, a oferta de plantas, a experiência ecológica e workshops”. Música e educação Outra duas baixas deste fim-de-semana, ocorreram no cartaz cultural da cidade. O Instituto Cultural (IC) apresentou a mesma justificação para cancelar dois concertos, organizados em parceria com a Sociedade Orquestra de Macau. “Os dois concertos ‘Romance Encantador’ e ‘Músicas Encantadoras do Ecrã 3’”, agendados para as 20h horas de sábado, foram cancelados. “Os detalhes sobre o reembolso de bilhetes serão anunciados posteriormente”, acrescentou o anúncio do IC, apelando também à compreensão e cooperação do público. O desporto escolar e a expressão artística de alunos também não ficaram imunes à vaga de cancelamentos. A Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) anunciou ontem que as provas e competições de desporto escolar passam, a partir de hoje, a ser realizadas à porta fechada. Além disso, não será permitido ao público assistir às provas e competições. Outra actividade afectada foi a 39.º Concurso Escolar de Canto, que para já não será cancelado, mas a DSEDJ suspendeu o registo online no concurso e o serviço de aquisição de bilhetes. Além disso, a DSEDJ suspendeu as aulas presenciais para “docentes e alunos transfronteiriços das instituições de ensino superior e das escolas de ensino não superior, que tenham residido, nos últimos 14 dias”, nas “áreas seladas, controladas e de prevenção de Zhuhai e Zhongshan”. SSM | Autoridades seguem vários contactos próximos As autoridades de saúde estão a monitorizar vários contactos próximos de pessoas infectadas oriundas de Nanping, em Zhuhai, da Região Autónoma de Guangxi e de Zhengzhou, na província de Henan. O centro de coordenação e contingência está a seguir várias pessoas, incluindo uma aluna da Escola Secundária Ilha Verde e a sua mãe, classificadas como contactos próximos do caso confirmado em Nanping, Zhuhai, por terem estado na mesma padaria que a pessoa que deu positivo. A aluna participou num espectáculo de dança no dia 13 de Março, com outros alunos, durante o qual não foram usadas máscaras. Facto que resultou no envio para hotel de quarentena das crianças, por serem consideradas contactos próximos por via secundária, para isolamento de sete dias e autogestão de saúde por mais sete dias. As crianças mais novas serão acompanhadas por um dos pais. O centro de contingência adiantou que também durante as refeições a aluna e os restantes contactos não usaram máscara. Na sexta-feira, foi anunciado também que dois alunos da Escola Fukien foram declarados como contactos próximos da pessoa infectada em Nanping, o que resultou na quarentena obrigatória para estas crianças e mais sete colegas de escola. Um outro caso é referente a um contacto próximo de pessoa infectada, oriunda de Zhengzhou, na província de Henan. “Na manhã de 19 de Março, as autoridades sanitárias do Interior da China informaram as autoridades de Macau que uma residente que se encontrava em Macau tinha sido classificada como contacto próximo de um caso confirmado de covid-19 da Cidade de Zhengzhou da Província de Henan, os três indivíduos com quem coabita foram classificados como contactos próximos por via secundária.”
Comércio | Assegurada importação de alimentos, mesmo com pandemia Andreia Sofia Silva - 21 Mar 2022 Representantes do Gabinete de Ligação reuniram com o Governo para discutir o abastecimento alimentar do território. A importação de alimentos de Hong Kong é, para já, “estável”. As autoridades garantem a inspecção de cerca de 100 mil encomendas de frescos por semana A situação pandémica nas regiões vizinhas e a necessidade de importar produtos para Macau levou representantes da divisão comercial do departamento dos assuntos económicos do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM a reunir, na sexta-feira, com a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT). Segundo o Executivo, “a situação de abastecimento de Hong Kong é estável e sem qualquer obstáculo no seu processo de transporte”, sendo que a DSEDT tem procurado fornecedores de outras regiões que não a RAEHK. Desta forma, “o sector empresarial revelou que pode aumentar o volume de importação e das fontes de abastecimento do Interior da China, podendo ainda, caso necessário, aumentar a percentagem das importações do Interior da China”. Sobre este ponto, o Gabinete de Ligação promete dar o seu apoio, “coordenando e tratando das questões relacionadas com as fontes de produtos do Interior da China e mercadorias em trânsito” vindas desta zona. Inspecções aumentam Também na sexta-feira decorreu uma reunião com representantes de diversos serviços públicos, como os Serviços de Alfândega (SA), o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) e os Serviços de Saúde (SSM), a propósito de medidas de controlo e inspecção de mercadorias vindas do exterior. Os SA asseguram que a desinfecção de produtos e mercadorias foi reforçada, enquanto que o IAM tem desinfectado cerca de 100 mil caixas de alimentos refrigerados e frutas importadas por semana. Diariamente, o número de amostras analisadas é de cerca de meio milhar. Até 15 de Março, foram recolhidas perto de 17.800 amostras de produtos alimentares e amostras do ambiente. Quanto às mercadorias importadas de Hong Kong, a autoridades passaram a exigir, desde o início do mês, que supermercados e sector de fornecedores desinfectem o exterior das mercadorias “depois de removida a película plástica enrolada à volta das paletes”. Além disso, os funcionários dos supermercados que lidam com as mercadorias devem fazer um teste de despistagem à covid-19 a cada sete dias.
UM | Caso de violação sem resultados. Vítima fala de processo tendencioso e pede transparência Pedro Arede e Nunu Wu - 21 Mar 2022 A ex-aluna da UM alegadamente violada por um doutorando foi informada que o caso foi encerrado, sem ter recebido qualquer relato sobre a investigação. Emon Yongyi Zhou acusa a UM de falta de transparência e de ter dirigido questões, do foro pessoal, com “tendências de culpabilização”. Deputados defendem sanções mais pesadas para dissuadir agressores e defendem o aperfeiçoamento de mecanismos de denúncia. A UM permanece em silêncio O caso da alegada violação que envolveu uma ex-aluna e um doutorando da faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Macau (UM) foi dado como encerrado pela instituição, sem que tenham sido providenciadas conclusões ou informações sobre os resultados da mesma. Quem o diz é Emon Yongyi Zhou, que no início de Dezembro de 2021 denunciou o caso numa carta aberta dirigida à UM, onde revelou ter sido vítima de maus tratos físicos e psicológicos por parte do doutorando. Mais precisamente, recorde-se, ao longo dos quatro anos em que namorou com o visado, terá sido violada, agredida e assediada presencialmente e nas redes sociais. Além disso, o assédio estendeu-se, mais tarde, a outros alunos da UM e amigos da vítima. Contactada pelo HM, Emon Zhou fala de um processo “penoso e demorado” que começou a 7 de Dezembro de 2021, dia em que dirigiu a carta aberta e solicitou à UM para investigar o caso. Desde então, e aberta a investigação, o estabelecimento de ensino pediu informação à queixosa e a outros envolvidos e amigos próximos, através de email. Perante o envio da informação solicitada, a UM terá deixado de pedir mais informação e de responder a novas mensagens. Isto, até ao dia em que, por fim, Emon Zhou recebeu um novo email a informar que a investigação estava concluída e que não teria acesso a qualquer resultado ou informação. “Por volta do dia 20 de Janeiro, deixei de ter notícias por parte da UM sobre processo de investigação. Entre o final de Janeiro e Março, questionei a UM acerca da investigação e não obtive respostas. Até que, recentemente, recebi uma resposta a dizer que a investigação estava encerrada e que não me iriam dar qualquer informação acerca dos resultados”, revelou. O HM tentou confirmar junto da UM, ao longo de vários dias, se a investigação sobre o caso estava efectivamente encerrada e quais os motivos para não terem sido partilhados os seus resultados com a alegada vítima, mas não obteve resposta, apesar da insistência. Dentro do segredo Sobre a forma como decorreu a investigação, que contou, sobretudo, com o envolvimento do Comité para a Igualdade de Género (CGE na sigla inglesa) da UM, Emon Zhou fala em “falta de profissionalismo e transparência”, até porque, aberto o processo, a primeira solicitação que recebeu por parte do organismo foi um pedido para assinar um termo de confidencialidade. “A primeira coisa que me pediram, antes de iniciarem a investigação, foi para manter o caso confidencial. Para mim, isto constituiu logo uma afronta até porque o caso já tinha sido denunciado através de uma carta aberta que incluía signatários”, começou por explicar. “Essencialmente, queriam que assinasse um acordo de confidencialidade para manter o assunto apenas entre mim e a universidade, sob prejuízo de não iniciar a investigação”, acrescentou. A vítima aponta ainda que, enquanto queixosa e perante um processo que envolveu a recolha de depoimentos de várias pessoas, “nada fez sentido”, até porque o acesso às suas conclusões está vedado. “Com este tipo de reacção e o pedido para assinar um termo de confidencialidade, fico com a sensação de que não temos o direito de falar sobre estes assuntos. Considero que a transparência do processo é muito importante para proteger direitos fundamentais”, partilhou também a queixosa, que está a estudar na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos da América (EUA). Recorde-se que, segundo Emon Zhou, tudo começou em 2016, altura em que os dois começaram a namorar, tendo-se seguido quatro anos em que o visado alegadamente terá sido “emocionalmente, fisicamente e sexualmente abusivo”. Exemplo disso, foi o dia 11 de Agosto de 2020, data em que Zhou afirma ter sido violada. “Estava a enfrentar problemas emocionais e a sofrer de ansiedade e, por isso, não queria ter relações sexuais. No entanto, nessa tarde, depois de termos tido uma pequena discussão, ele agarrou-me com força (…) e violou-me, apesar de eu ter dito claramente que não queria ter relações sexuais. Comecei a chorar e pedi-lhe para parar. No dia seguinte, ele reparou que eu estava triste e perguntou, impacientemente, o que se passava comigo. Eu disse-lhe e ele respondeu que não sabia que eu estava a chorar e que não tinha ouvido nada”, revelou. Emon Zhou chegou a apresentar queixa à Polícia Judiciária (PJ) em Dezembro de 2021. Na altura, as autoridades confirmaram ter recebido o relatório da denunciante, mas, porque se trata de uma acusação de violação e a queixosa não se encontra em Macau, não abriram o processo. Questões duvidosas Ao descrever como decorreu a investigação, Emon Zhou apontou ainda o dedo à UM quanto à forma como recolheu informações e colocou questões sobre o caso. Nomeadamente, a UM terá solicitado “informação desnecessária” sobre a sua vida amorosa e “formulado questões inapropriadas” que apontavam para “tendências de culpabilização da vítima” e a sua eventual “incapacidade mental”. “A forma como as questões foram colocadas deu sempre a sensação de não terem acreditado no meu relato. Quanto às questões em si, acho que foram feitas perguntas perfeitamente desnecessárias como, quando é que iniciei o relacionamento com o meu actual namorado ou quantas publicações fiz no Instagram ao longo de um ano. Dirigiram também muitas questões aos meus amigos, onde basicamente sugeriam que sofria de perturbações mentais”, partilhou com o HM. Entre as questões enviadas no decorrer da investigação constam solicitações e perguntas como: “Providencie, por favor, a data exacta em que iniciou o relacionamento com o seu actual namorado”, “quantas stories publicou na rede social Instagram desde Agosto de 2020?” ou “Considera a possibilidade de outra pessoa além do Sr. Lou Chengkai [o ex-namorado] ter usado os mesmos métodos para a perseguir a si e aos seus amigos nas redes sociais?” Por último, a denunciante revelou ainda não ter havido, além do email, outra forma de contacto, quer telefónica ou através de plataformas de videoconferências, para a ouvir e materializar assim as audições que foram prometidas no início da investigação. Patriotismo em cheque Segundo Zhou, depois de a história se ter tornado pública, começou a ser acusada pelo ex-namorado de “falta de patriotismo” em grupos de WeChat da UM, por ter redigido a carta aberta em inglês e numa altura em que já se encontrava a viver nos Estados Unidos da América. De acordo com o relato da vítima, tratou-se apenas de uma estratégia para desacreditar o seu relato sobre a violação, perante quem estava a travar contacto com o caso pela primeira vez. Até porque, recorda a queixosa, “a língua oficial da universidade é o inglês” e todos os documentos da UM estão redigidos nesse idioma. “Recebi acusações de teor nacionalista, a dizer que, por estar a viver nos EUA e já ter passado muito tempo, não tinha o direito de falar no assunto. Mencionaram também que as minhas crenças políticas eram demasiado progressistas, mas isso é totalmente irrelevante. Acho que aquilo que o meu ex-namorado estava a tentar dizer é que tenho ideias políticas incorrectas e que não era suficientemente patriota. Apesar de achar irrelevante, sublinho que não sou essa pessoa que me acusaram de ser”, referiu. O lado bom Apesar de considerar que a forma como decorreu todo o processo foi “revoltante” e uma “desilusão”, Emon Zhou não tem dúvidas que o facto de ter decidido tornar o caso público tem contribuído para que mais pessoas, em particular os actuais alunos da UM, tomem medidas “para se proteger melhor” e não tenham medo de falar sobre casos de violação, assédio sexual e violência doméstica. Até porque o caso tem colhido bastante apoio dos alunos e a carta aberta dirigida à UM tem actualmente cerca de 500 signatários. “Muitas jovens que frequentam cursos na UM estão constantemente a perguntar-me o que podem fazer para me ajudar. Por isso, também tem sido um processo galvanizante (…) e um grande consolo receber apoio de pessoas que acreditam em mim. Pelo menos, desta forma, as pessoas sabem o que se passou, podem tomar medidas para se proteger melhor e vão ter cuidado com este indivíduo que frequenta actualmente a UM”, explicou. A denunciante lembra ainda que existem muitos “obstáculos” em relação aos casos de assédio sexual entre os elementos de um casal e que em Macau existe uma “grande estigmatização”, quando estes tópicos são abordados. Assim sendo, considera que deve ser feita uma maior aposta na educação dedicada à igualdade de género e que a Associação Geral das Mulheres de Macau devia prestar mais apoio às vítimas de assédio sexual e violência doméstica através da promoção de grupos de debate ou sessões de terapia, para que as ofendidas não fiquem desamparadas e “possam partilhar sentimentos e histórias com quem as entende”. Trabalho por fazer Confrontada com o caso, a deputada e vice-presidente da Direcção da Associação Geral das Mulheres de Macau, Wong Kit Cheng sublinhou que, embora os estabelecimentos de ensino, como a UM, possuam os seus próprios mecanismos para lidar com casos de violação e assédio sexual, as dificuldades inerentes a este tipo de situações, tornam necessárias eventuais revisões legais. “Caso o combate contra os crimes sexuais não seja suficiente, devemos considerar rever as sanções previstas na lei e melhorar os mecanismos de denúncia e prestação de depoimentos, sempre que existam dificuldades em recolher provas”, explicou ao HM. Para a deputada, além do clima social de “tolerância zero” em relação a violação, abuso sexual e assédio sexual é fundamental, dada a natureza oculta da maioria dos actos, ensinar os mais novos a tomar medidas de auto-protecção, a reagir perante este tipo de situações e a denunciar os casos “em tempo oportuno”. Wong Kit Cheng defendeu ainda que este tipo de agressões será “naturalmente reduzido” se a igualdade de género for uma realidade quotidiana nas várias dimensões da sociedade, desde os cargos de chefia ao desempenho das tarefas domésticas. Por seu turno, o deputado Ron Lam acha que a UM deve fazer tudo o que está ao seu alcance para confirmar a ocorrência do caso, mas, essencialmente, “elaborar orientações específicas” que contribuam para evitar o assédio sexual no campus universitário. Além disso, sugere que, à semelhança de Hong Kong, Macau crie uma Comissão para a Igualdade de Oportunidades (EOC na sigla inglesa), que seja responsável por incentivar instituições e organismos a elaborar orientações para prevenir o assédio sexual, bem como fazer divulgação sobre a matéria. Segundo Ron Lam, devido ao facto de a maioria dos casos acontecer “à porta fechada” e a recolha de provas ser uma tarefa “muito difícil”, é necessário evitar, a todo o custo, chegar à fase da criminalização. Ao invés, devem ser estabelecidos critérios de dissuasão que evitem este tipo de agressões e permitam às vítimas “lutar por justiça”.
Hong Kong planeia relaxar medidas face a cansaço dos residentes Hoje Macau - 18 Mar 2022 A Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou ontem que está a considerar aliviar algumas das medidas restritivas, em vigor na cidade, contra a covid-19, mas não avançou detalhes. Lam foi criticada pela forma como lidou com a crise e pela comunicação pouco clara, desde que o território foi atingido por uma quinta vaga de infecções pelo novo coronavírus, provocada pela variante Ómicron. Em menos de três meses, Hong Kong registou quase um milhão de casos e 4.600 mortes, muitas entre idosos não vacinados. Segundo diferentes estimativas, metade dos 7,4 milhões de habitantes já foram infectados. Esta explosão de casos ocorreu mesmo depois de a região ter implementado, desde o início da pandemia, algumas das mais rigorosas restrições fronteiriças e medidas de distanciamento social do mundo. Desde Janeiro, reuniões entre mais de duas pessoas são proibidas em locais públicos. Bares e restaurantes devem fechar às 18h e as escolas retomaram o ensino à distância. Lam disse ontem que está na altura de aliviar as restrições. “Não porque o número de casos tenha diminuído (…), mas tenho uma forte sensação de que as pessoas estão fartas”, disse. “Algumas das nossas instituições financeiras estão a perder a paciência com o isolamento [a que Hong Kong está a ser submetido]”, acrescentou. Questionada sobre o seu roteiro para sair da crise, a governante recusou avançar com mais detalhes e acrescentou que os anúncios serão feitos “em 20 ou 21 de Março”. “A coisa mais difícil no combate ao vírus é que não podemos prever totalmente o que vai acontecer”, apontou. Durante dois anos, Hong Kong aplicou uma política rígida de “zero casos” de covid-19. Mas há mais de um mês os hospitais estão sobrecarregados e a cidade registou um número recorde de mortes para um país desenvolvido. Em Fevereiro passado, as autoridades anunciaram uma campanha de testes em massa para todos os habitantes de Hong Kong, uma medida que poderia ser acompanhada de confinamento. O anúncio causou pânico entre os habitantes, que acorreram aos supermercados. Cerca de 65.400 residentes e expatriados fugiram da cidade em Fevereiro. As autoridades de Hong Kong prescindiram, entretanto, do confinamento.
Um país para a velhice João Romão - 18 Mar 2022 86 mil pessoas com mais de 100 anos de idade vivem no Japão, dizem as estatísticas oficias de 2021. São mais de 6 mil pessoas centenárias a acrescentar às que viviam no país no ano anterior, continuando um ciclo de 51 anos de crescimento contínuo e ininterrupto deste grupo etário cada vez mais importante na sociedade japonesa. Ninguém nasceu no século 19 mas a cidadã mais velha do país (e do mundo) já completou 118 anos – nasceu em 1903, o ano em que os irmãos Wright conseguiram pela primeira vez fazer voar um avião sustentado por motor adequado. 88% destas pessoas são mulheres, o que de alguma forma reflecte estilos de vida mais saudáveis, mas também desigualdades sociais persistentes e consequências económicas ainda mais nefastas: o mercado de trabalho japonês é tradicionalmente – e ainda hoje – largamente dominado pela presença masculina, as mulheres são largamente minoritárias, têm pouco acesso a cargos de chefia e direcção e peso muito maior nos trabalhos precários, temporários, de curta duração ou de salários mais baixos. Ainda que os níveis de educação tendam hoje a equilibrar-se, o papel da mulher continua a ser relativamente subalterno, com uma pressão cultural e civilizacional que impõe uma sistemática dedicação ao lar, aos cuidados da casa e da família, mesmo quando se têm qualificações universitárias. Os salários que normalmente se praticam, diga-se, têm alguma relação com esta forma de organizar a sociedade: são bastante altos, assumindo que se tem que cobrir o custo de vida, não de uma pessoa, mas de uma família. Este evidente anacronismo também tem consequências sobre serviços sociais: por exemplo, não se encontram serviços de limpeza doméstica e são escassas as opções para se deixar bebés em creches ou jardins escola. Não é só a questão da fraca natalidade: é também a implícita responsabilização das mulheres em relação a este tipo de cuidados, que dispensa a generalização da sua prestação pública. De resto, os modelos dominantes de organização do trabalho no Japão são altamente penalizadores da vida familiar. As jornadas de trabalho são desnecessariamente longas, alimentando uma tradição de permanência no local de trabalho enquanto o chefe aí estiver, independentemente da necessidade efectiva de lá estar. Em resultado, o Japão é o país com mais baixa produtividade entre os membros do chamado G7 e a produtividade do país está abaixo da média da OCDE, num nível surpreendentemente semelhante aos da Lituânia ou da República Checa, francamente abaixo da Espanha e ligeiramente acima de Portugal. Neste milénio, segundo estudo da OCDE, a produtividade das actividades industriais japonesas tem crescido bastante menos do que a média observada entre os membros desta organização de países desenvolvidos, enquanto a produtividade dos serviços tem até diminuído no Japão. Naturalmente, as disparidades salariais têm-se agravado em função destas diferenças, com importante prejuízo para as mulheres, que trabalham maioritariamente no sector dos serviços. Os longos períodos diários de permanência no emprego – a que frequentemente se juntam longas deslocações entre a casa e o trabalho (é perfeitamente aceitável gastar 3 ou 4 horas por dia nestas deslocações nas grandes metrópoles) naturalmente restringem fortemente a vida familiar – e também, já agora, o desenvolvimento de iniciativas culturais e criativas que dependam da presença de público. Acresce ser comum as empresas e organizações com actividade em várias zonas geográficas imporem a quem lá trabalha mobilidade entre diferentes estabelecimentos, eventualmente em diferentes lugares, sem necessidade de acordo ou sequer consulta prévia. No caso de quem tenha família, esta mobilidade implica uma deslocação colectiva que não tem em conta motivações, preferências ou actividades – profissionais ou outras – do resto da família (com as inerentes mudanças de residência, escolas das crianças, círculos sociais, etc.). Este conjunto de circunstâncias coloca ainda hoje as mulheres japonesas num lugar de grande desvantagem nos mercados de trabalho, mesmo para as que decidem dar prioridade às suas aspirações e motivações profissionais em vez de assumirem o lugar tradicional de cuidadoras da família. Para as que se dedicam ao lar, cria-se naturalmente uma relação de absoluta dependência económica – e até social – em relação ao marido e ao seu contexto profissional. Talvez esse afastamento do nefasto ambiente de pressão produtivista e competitiva dos sistemas económicos contemporâneos tenha efeitos positivos sobre a saúde e contribua para aumentar a longevidade das mulheres, que de resto têm presença largamente maioritária entre a população centenária. Mas acabam por implicar frequentemente uma velhice com dificuldades económicas, já sem o sustento antes garantido pelo emprego dos maridos e agora dependente de um sistema de pensões bastante menos generoso do que é comum observar na Europa. Além do envelhecimento populacional que a fraca natalidade impõe, a população do Japão está também a diminuir. Na realidade, a taxa de natalidade japonesa é hoje comparável à alemã, dizem as estatísticas, mas a população estrangeira que migra para a Alemanha é largamente superior à que se desloca para o Japão, um país tradicionalmente mais fechado, não só por razões geográficas, mas também por razões culturais ou políticas. Em 2021, a população com idade entre os 15 e os 65 anos representou pela primeira vez menos de 60% do total da população japonesa. A escassez de mão de obra e a relação entre o número de pessoas reformadas e as pessoas em idade activa são problemas sociais e económicos que se colocam com uma gravidade no Japão que em outros países ainda não se conhece. A pobreza entre estas mulheres idosas num dos países mais desenvolvidos do mundo é um deles.
VII – O Chanfu Carlos Morais José - 18 Mar 202218 Mar 2022 Por muito que a exploremos ou, simplesmente, por ali deixemos flutuar o pensamento, a montanha Ji revela-se um lugar inesgotável de maravilhas e assombrações. Caso não bastasse a existência de ignoradas árvores e plantas, cujas propriedades medicinais estão ainda longe de ser totalmente estudadas e conhecidas; de depósitos vastíssimos de jade verde, que irrompem do solo levando à loucura as ambiciosas gentes; esta insólita montanha, além do boyi, é ainda a morada de um outro bizarro animal, que crismaram de chanfu. Apesar do seu heterodoxo aspecto, os antigos registos são unânimes em considerá-lo uma ave. Isto talvez porque a sua forma se assemelha à do galo, embora com dimensões consideravelmente maiores do que o nosso animal de capoeira. Além disso, o chanfu é senhor de três cabeças, que culminam três longos pescoços. Esta profusão cefálica implica, além de três poderosos e afiados bicos, a existência de seis olhos, o que permite ao bicho considerar a qualquer momento os quatro pontos cardeais. O seu insólito corpo é ainda composto por seis patas e três asas. Apesar de alado, o chanfu perdeu algures na noite dos tempos a capacidade de voar. Consegue, outrossim, graças às asas, efectuar saltos consideráveis, mas rapidamente se encontra de novo no solo, onde se torna presa de alguns predadores, nos quais podemos incluir, sem vergonha de maior, os próprios seres humanos. Uma das características mais arrebatadora deste animal é o facto de permanecer em constante estado de vigília, pois enquanto uma das cabeças dorme as outras duas mantêm-se acordadas e o seu corpo activo. Ora para sustentar a sua constante actividade, aliás reveladora de um indisfarçável nervosismo, esta surpreendente ave é escrava de um monstruoso apetite, o que a leva a constantemente procurar alimento, debicando em quase tudo o que lhe passa à frente dos insaciáveis bicos. Talvez por isso, alguns relatam que quem comer da carne do chanfu será acometido de violentas insónias. Sem que nos tenha sido fornecida prova médica de tal efeito, certo é que, ao longo dos tempos e incólume às modas, o chanfu tornou-se no prato predilecto de guardas fronteiriços, jogadores inveterados e sábios desesperados com a estreiteza dos anos que lhes restam para levar a bom porto os seus estudos. Sendo que estas três espécies de homens são extremamente comuns na China, o chanfu correu sempre um grave perigo de extinção. Diz-se também que, tal como o andrógino descrito por Aristófanes no “Simpósio” de Platão, este animal parece ser habitado por um radical sentimento de vaidade, enfrentando os eventos de peito bem levantado e uma irreprimível tendência para exibir um comportamento agressivo, muito enraizado no seu carácter exaltado, sempre que outros bichos cruzam o seu caminho. E este será um dos perigos de comer a sua carne: é que além da insónia, ao que parece, quem o devorar, será invadido e possuído por um excessivo amor-próprio que, geralmente e em boa verdade, conduz a actos irreflectidos e a uma familiar forma de perdição.
Parte 7. A mulher chinesa fatal segundo Feng Xiaogang Julie Oyang - 18 Mar 202218 Mar 2022 O Cinema é um formato belo e único. É simultaneamente um jogo e um transformador desse mesmo jogo. Nesta série, a autora e pensadora visual, Julie Oyang, apresenta 12 realizadores chineses, as suas obras e as suas invenções estéticas, que acabam por se revelar as invenções estéticas de antigos filósofos. Em 1969, ao cair da noite, um homem entrou sorrateiramente numa fábrica de papel no sudoeste da China. Na fábrica estavam guardados livros proibidos, dispostos em montes, à espera de serem cortados em finas tiras de papel e depois serem reciclados. O homem que se esgueirou para dentro da fábrica queria deitar a mão a um livro em particular. O Lótus Dourado – Jin Ping Mei em chinês – é considerado o quinto romance clássico, a seguir aos Quatro Grandes Romances Clássicos. A sua representação graficamente explícita da sexualidade fez com que o livro ganhasse um nível de notoriedade na China equivalente ao de Madame Bovary no Ocidente. Desde a sua publicação no séc. XVII, o livro foi banido, vendido, comprado e circulou livremente. Aos cinéfilos estrangeiros pode ter escapado esta referência do filme de Feng Xiaogang Não Sou Madame Bovary, em parte porque o realizador não está a invocar a personagem titular de Gustave Flaubert, mas sim a mais inesquecível heroína da literatura chinesa, Pan Jinlian, do romance Lótus Dourado. O título do filme em chinês é Não Sou Pan Jinlian. Embora tanto Madame Bovary como Pan Jinlian tenham sido acusadas ao longo dos tempos de depravação moral, a natureza das suas personalidades é diferente. Pan é literalmente uma femme fatale, com pés pequeninos e uma luxúria insaciável, treinada para cantar e tocar o tipo de música associada a artistas de reputação duvidosa. Se quisermos, uma Madame Bovary dura e expedita. No seu filme, Feng retrata a protagonista Li Xuelian (Lótus de Neve), interpretada por Fan Bingbing, como uma mulher que tenta quebrar O Sistema. Assim sendo, o filme, à semelhança do romance Lótus Dourado, é uma história sobre o tecido social. Feng Xiaogang aborda a natureza da burocracia e a incansável luta de uma mulher contra a sociedade chinesa. Este factor faz o filme parecer político e pesado, mas a história desenrola-se como uma comédia, uma sátira mordaz ao Estado opressivo e à incompetência e indolência dos funcionários do Governo. Feng Xiaogang escolheu dar tratamento singular às suas imagens. As cenas campestres são visualizadas através de uma forma circular, eliminando a periferia do ecrã, o que nos dá a sensação de estarmos a olhar para uma pintura chinesa ancestral, poética e deslumbrante. Quando ela chega a Pequim, a forma circular desaparece e o enquadramento passa a ser um quadrado perfeito, representando o mundo muito mais vasto onde ela se vai inserir. Poderemos ser criticamente poéticos ou poeticamente críticos? Bem, desde os tempos ancestrais, a elite chinesa certamente terá encontrado uma forma de expressão útil e criativa para o definir. Citação famosa de Feng Xiaogang para guardar na memória 🌸 Só os mais impulsivos podem pensar que sou um mestre. Não sou um mestre pura e simplesmente porque o nosso tempo não produz quaisquer mestres. 🌸 A não perder: 2006 O Banquete 2016 Não Sou Madame Bovary 2017 Juventude { Julie Oyang é uma autora de naturalidade chinesa, artista e argumentista. É ainda colunista multilingue e formadora em criatividade. As suas curtas metragens foram selecciondas para o Festival de Vídeo de Artistas Femininas e também para a Chinese Fans United Nations Budapest Culture Week. Actualmente, é professora convidada da Saint Joseph University, em Macau. Gosta especialmente de partilhar histórias inesperadas, contadas a partir de perspectivas particularmente distintas. Divide a sua vida entre Amsterdão, na Holanda, e Copenhaga, na Dinamarca.} JULIE OYANG Writer | Artist | Namer of clouds www.julieoyang.com | Instagram: _o_writes
Jilin | Cerca de 95% dos casos são assintomáticos ou têm sintomas leves Hoje Macau - 18 Mar 2022 Cerca de 95 por cento dos casos de covid-19 detectados na província de Jilin, parte do maior surto registado na China desde 2020, são assintomáticos ou apresentam sintomas leves, informou ontem a agência noticiosa oficial Xinhua A província de Jilin atravessa o pior surto de covid-19 na China desde 2020, mas perto de 95 por cento das infecções são assintomáticas ou afectam pacientes que apenas apresentam sintomas ligeiros, indicou ontem a agência Xinhua. As autoridades de saúde da província, que acumula 8.506 casos activos entre os seus 26 milhões de habitantes, garantiram que a condição da grande maioria dos infectados que apresentam sintomas de gravidade leve ou média melhorou após o tratamento. “Muito poucos” desses pacientes viram a sua condição deteriorar para serem classificados como “graves” ou em “estado critico”, disse o especialista em doenças do sistema respiratório Yang Junling, segundo a agência. Nas 24 horas que terminaram ontem, a província, que faz fronteira com a Coreia do Norte e a Rússia, detectou 1.157 novos positivos, incluindo doentes assintomáticos. Desde a última segunda-feira, os habitantes de Jilin estão proibidos de sair da província. A estratégia chinesa de “tolerância zero” à covid-19 prevê o isolamento de todos os infectados e dos seus contactos próximos em hospitais e instalações destinadas para o efeito, o que aumenta a pressão sobre o sistema hospitalar nas regiões onde existem surtos. Para lidar com o aumento de casos, Jilin concluiu a construção de oito hospitais temporários com capacidade para 11.488 camas e dois centros de quarentena com 662 quartos, informou a Xinhua. Aqui mais perto A cidade de Shenzhen indicou ontem que vai apoiar as empresas para que “retomem o trabalho e a produção de forma ordenada”, sob a premissa de que continuam a colaborar nas medidas de prevenção e controlo da pandemia. Com 17 milhões de habitantes, Shenzhen decretou no último fim de semana o cancelamento dos serviços de transporte público e restrições à circulação nos bairros, devido a um surto que somou 677 casos até à data. A cidade lançou uma campanha massiva de testes de PCR para colectar amostras de todos os seus habitantes. A firma Foxconn, a maior montadora de iPhones do mundo, anunciou na quarta-feira que as suas fábricas em Shenzhen retomaram o trabalho, depois de anunciar na segunda-feira a suspensão das operações. As instalações da Foxconn funcionarão em sistema de circuito fechado, segundo o qual as entradas e saídas serão controladas para evitar o contágio. De acordo com os dados oficiais do Governo chinês, desde o início da pandemia, 123.773 pessoas ficaram infectadas no país, entre as quais 4.636 morreram.
Arte | Galeria Amagao abre portas com foco na lusofonia Pedro Arede - 18 Mar 2022 A Galeria Amagao abre hoje portas no Artyzen Grand Lapa Macau com a exposição “Cor Lusofonia”. O projecto, encabeçado por Victor Marreiros, Lina Ramadas e José Isaac Duarte, serve o propósito de promover artistas lusófonos com regularidade. Patente até 22 de Maio, a mostra inaugural conta com Raquel Gralheiro como artista especial Hoje às 18h30 é inaugurada, no Artyzen Grand Lapa, a Galeria Amagao, um novo espaço dedicado às artes que, sob a gestão da Galeria 57, tem como principal objectivo promover e organizar exposições e eventos artísticos focados no mundo lusófono e nos seus artistas. Intitulada “Cor Lusofonia”, a exposição inaugural do novo espaço estará patente até 22 de Maio e inclui mais de 90 obras, entre as quais, alguns inéditos de Raquel Gralheiro, artista especial convidada para o arranque de um projecto que promete regularidade, cor e diversidade ao nível da produção artística dos países de língua portuguesa. Além de Raquel Gralheiro, a exposição inaugurada hoje inclui obras de outros artistas como Ana Jacinto Nunes, Victor Hugo Marreiros, Carlos Marreiros, José Luís Tinoco, Abílio Febra, Ana Silva e Reginaldo Pereira, num total de 46 autores. Todas elas seleccionados a partir do vasto acervo de obras lusófonas reunidas ao longo de vários anos. A ideia de criar a Galeria Amagao, começou por explicar José Isaac Duarte ao HM, surgiu do interesse que o estabelecimento hoteleiro tinha em desenvolver actividades culturais e da possibilidade do colectivo utilizar espaços do Artyzen Grand Lapa a título permanente, para realizar exposições. Quanto ao nome do novo espaço, este nasceu da própria herança histórica e da origem do nome pelo qual Macau começou por ser baptizado. “Digamos que o primeiro nome português de Macau como espaço com presença portuguesa foi ‘Amagao’”, apontou José Isaac Duarte. Por seu turno, Victor Hugo Marreiros, último elemento a ingressar o projecto ressalva que a filosofia e a imagem da Galeria Amagao pretendem, essencialmente, “fazer uma passagem entre o passado, o presente e o futuro”, através de um contraste “pensado” entre o clássico, materializado no traço antigo de um mapa de Macau do século XVIII e o “contemporâneo”, concretizado no desenho do seu logotipo. Pura diversidade Sem preocupação de marcar um estilo artístico específico ou de organizar a mostra por temas ou nações, a exposição inaugural que pode ser visitada a partir de hoje procura só e apenas, segundo a curadoria, “a diversidade e a cor” proveniente da arte criada nos países de língua portuguesa. “É uma nova cor que estamos a inventar e que se chama lusofonia”, concretizou José Isaac Duarte. Por sua vez, Lina Ramadas ressalvou haver uma “especificidade” única, que o novo espaço é capaz de oferecer em termos de arte lusófona, dado possuir, como base, um acervo “rico” sobre a matéria, reunido ao longo de vários anos. Quanto à importância de divulgar os artistas lusófonos em Macau, os responsáveis pelo projecto sublinharam a ligação histórica e a missão atribuída ao território de promover ligações entre a China e os países de língua portuguesa. “Macau (…) está ligada à lusofonia e (…) tem um ‘mandato’ para constituir essa ligação. Portanto, é algo que casa bem com a actividade que temos vindo a desenvolver e que se projecta para o futuro, dentro daquilo que (…) esperamos que seja o papel de Macau na China moderna”, explicou José Isaac Duarte.
Covid-19 | Plano de emergência prevê testes rápidos e hospitais de campanha Andreia Sofia Silva - 18 Mar 202218 Mar 2022 As autoridades apresentaram ontem um novo plano de resposta a um eventual surto comunitário de covid-19 que inclui a instalação de um hospital de campanha no Dome e no centro de formação de atletas. Serão distribuídos pela cidade postos móveis para testagem e os testes rápidos serão generalizados A situação da pandemia em Hong Kong e em algumas regiões da China, nomeadamente Shenzhen, obrigou as autoridades a preparar, nos últimos dias, um novo plano de emergência em resposta a um eventual surto comunitário de covid-19. Como tal, será generalizado o uso de testes rápidos e criados postos móveis de testagem espalhados pela cidade, com capacidade diária para realizar 100 a 300 mil testes. A grande novidade do plano é a criação na Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental (Dome) e no Centro de Formação de Estágio de Atletas de um centro de tratamento de doentes com capacidade para 1400 camas. Nestes locais serão instaladas mais 32 casas de banho temporárias e 16 chuveiros para dar resposta e garantir um rácio de doentes por instalações sanitárias que, segundo Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde de Macau (SSM), é superior ao definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS). “[No Dome] haverá nove doentes por sanita, e nove por chuveiro, enquanto que no centro de estágio de atletas o rácio será de 17 doentes por um chuveiro e sanita. A OMS define 20 doentes por um chuveiro, pelo que temos padrões superiores aos que são recomendados pela OMS.” Neste local não faltam planos para o tratamento de resíduos ou dos restos mortais, que serão transportados e cuidados pelo Instituto para os Assuntos Municipais, em parceria com outras entidades públicas. O plano tem várias fases conforme a evolução da pandemia. Se o número de infectados ultrapassar uma centena entra em funcionamento o centro de tratamento comunitário. Mais capacidade Em matéria de isolamento de infectados em unidades hospitalares e quarentenas, as autoridades prometem aumentar gradualmente em dez vezes a actual capacidade, para um total de 2700 doentes. Serão ainda definidos hotéis de quarentena de infectados com capacidade para 1000 camas. Do total de 266 camas disponíveis actualmente nas unidades hospitalares públicas, 120 vão funcionar no Centro Clínico de Saúde Pública do Alto de Coloane e 146 na enfermaria de isolamento do Centro Hospitalar Conde de São Januário. O plano prevê também a criação de um hospital de campanha ao ar livre, com 1000 camas disponíveis. Alvis Lo adiantou que as autoridades de saúde estão em conversações com empresas para erigir a estrutura num espaço ao ar livre. Por sua vez, fica definido que caso Macau tenha um surto de grandes dimensões, os infectados com covid-19 ficarão em isolamento em casa. Nestas situações, o Governo promete um sistema coordenado de resposta para garantir acesso a alimentos, medicamentos e outras necessidades diárias. As medidas apresentadas pelas autoridades prevêem também que, em caso de surto, o centro de coordenação e de contingência do novo tipo de coronavírus e o centro de operações da protecção civil passem a funcionar sob alçada do Chefe do Executivo e serão criados 15 grupos especializados. Estes vão dedicar-se a questões como o apoio social ou jurídico, entre outras, analisando ainda a evolução da pandemia e as respostas a dar em cada caso. O plano define ainda cinco mecanismos de avaliação da situação pandémica, sendo que o nível 1 representa um surto onde existe baixo risco de disseminação do vírus, e o nível 5 representa uma elevada possibilidade de contágio. Vias de comunicação As autoridades deverão lançar também 30 linhas abertas de apoio para cedência de informações, prevendo-se a criação da linha de emergência 222. Serão ainda instituídos mecanismos digitais para a marcação de consultas médicas. Em termos gerais, as autoridades não colocam de parte a possibilidade de se encerrarem de novo escolas ou repartições públicas caso seja necessário, nem a instauração de um confinamento geral. “Quando a situação ficar grave poderemos aplicar medidas de confinamento a toda a população”, disse Alvis Lo, que apelou à população para não entrar em “stress” com estas medidas. Na conferência de imprensa de ontem foi feito um novo apelo para o aumento da taxa de vacinação, tendo em conta a estabilidade que se vive em Macau. Actualmente quase metade dos elegíveis para a toma da terceira dose ainda não o fez, disse Leong Iek Hou, coordenadora do centro de coordenação e de contingência. Há apenas 153 mil doses administradas a este nível. Zhuhai | Exigido teste para entrar em Macau com validade de 24 horas Desde a meia noite de hoje é obrigatório para quem entra em Macau via Zhuhai apresentar certificado de teste à covid-19 com resultado negativo com validade de 24 horas. Além disso, os não residentes que não tenham certificado não poderão entrar no território, enquanto que os residentes podem fazer teste no local. As autoridades afirmam ainda que mantém um contacto estreito com Zhuhai, sendo que “serão retomadas, logo que possível” os testes com um prazo de validade de 48 horas. Os Serviços de Saúde (SSM) aumentaram o número de vagas para testes à covid-19 nos postos fronteiriços de Qingmao e da Ilha Verde. Desde ontem estão disponíveis mais quatro locais para testes com capacidade para oito mil testes, e que estarão em funcionamento até às 22h. Locais como o Fórum Macau e Campo dos Operários também vão aumentar a resposta quanto à realização de testes.
Racismo | Vítima de agressão verbal impedida de apresentar queixa João Santos Filipe e Pedro Arede - 18 Mar 2022 Um treinador de futebol, mais conhecido por Pelé, foi insultado no Parque do Reservatório com ofensas racistas. Quando tentou apresentar queixa na esquadra do CPSP, foi-lhe dito que tinha de estar acompanhado por um advogado e acabou por desistir O ex-jogador da selecção de Macau e actual treinador de futebol José Martins, mais conhecido por Pelé, foi vítima de insultos verbais racistas na passada terça-feira de manhã no Parque do Reservatório, onde costuma fazer caminhadas diárias. Contudo, foi impedido de concretizar a queixa na esquadra 3 do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) por não estar acompanhado por um advogado. Contactado pelo HM, Pelé considera que o ofensor, um homem entre os 30 e os 40 anos que começou a dirigir impropérios na sua direcção em inglês, agiu dessa forma para o provocar uma agressão física e pedir indemnização. No entanto, o residente de Macau de nacionalidade portuguesa, não reagiu e chamou a polícia. Isto, apesar de o agressor ter dito que as pessoas como ele “estavam a estragar Macau” e “só queriam o dinheiro do Governo”. “Estava a fazer a minha caminhada com os auscultadores nos ouvidos (…) e vejo um grupo de pessoas à minha frente, umas sentadas, outras a fazer exercício, e de repente sai de lá um homem (…) directo à minha pessoa. Estiquei a mão para o cumprimentar pois pensei tratar-se de um conhecido e ele começou a gritar. Tirei os auscultadores e ele começou a insultar-me agressivamente com ideias racistas e a dizer que estávamos a estragar Macau, que éramos uma cambada de animais. Tudo num inglês perfeito”, começou por dizer ao HM. “Se o homem fosse maluco tinha mandado vir comigo em chinês, mas não. Ele optou por gritar à frente de toda a gente em inglês, e dizer que estávamos a estragar Macau, que somos maus e que só queremos o dinheiro do Governo”, vincou. Entre os insultos proferidos, Pelé ouviu expressões que podem ser traduzidas para português como “vai para a tua terra”, “preto filho da p…,” ou “preto de um c.…”. Contudo, decidiu virar costas e pedir ajuda ao senhorio, ex-agente da polícia, para se dirigir ao local e contactar as autoridades. O agressor voltou à carga com uma nova avalanche de insultos. Pouco depois, apercebendo-se de que a polícia fora chamada, abandonou o local em passo rápido. Assim não vale No mesmo dia, por volta das 14h30, Pelé dirigiu-se à esquadra 3 do CPSP, perto da Rua de Pequim, para apresentar queixa. Contudo, sozinho e munido do BIR, foi informado por duas agentes que, devido à natureza da queixa e a uma recente alteração legislativa, não poderia depor sem a presença de um advogado. Desiludido, voltou para casa e decidiu não insistir na apresentação da queixa às autoridades. “Não aceitaram o meu depoimento nem me deixaram apresentar queixa. Disseram-me que, por causa de uma nova lei tinha de ir lá com um advogado para fazer a queixa. Fiquei tão triste que vim directo para casa, fechei-me no quarto e fiquei a pensar em muita coisa. Se não tivesse filhos, não sei o que teria feito”, partilhou. Questionado se aceitaria apresentar queixa caso algum advogado se disponibilizasse para ajudar, Pelé respondeu que sim. Isto, embora considere que Macau vive tempos diferentes e que, por isso, muita gente poderá estar reticente em ajudar. “Se houver um advogado que me queira ajudar, então vou fazer a queixa e vamos para à frente com o caso. De outra forma, não vou andar atrás de advogados. Muitas pessoas disseram-me para não desistir, mas sei que hoje há muito pessoal que não se quer meter, porque Macau mudou e há muitas questões relacionadas com o patriotismo. [Do meu ponto de vista], quero lá saber. Estou aqui desde 1993, a minha vida está cá (…) mas, se me querem mandar embora, então mandem, mas sobre estas questões nunca vou ficar calado”, sublinhou. De acordo com a lei… Após ouvir o depoimento de Pelé, o HM entrou em contacto com o Corpo de Polícia de Segurança Pública, por volta das 15h30, sobre o ocorrido e a alegada recusa da apresentação da queixa, por falta de advogado. No entanto, até à hora do fecho de edição ainda não tinha sido recebida qualquer resposta. No entanto, o alegado argumento apresentado contraria a lei, no que é disposto no artigo 105.º do Código Penal. “Quando o procedimento penal depender de queixa, tem legitimidade para apresentá-la, salvo disposição em contrário, o ofendido, considerando-se como tal o titular dos interesses que a lei especialmente quis proteger com a incriminação”, pode ler-se no artigo. Ainda de acordo com os artigos 57.º1/a) e o 59.º do Código Processo Penal, o ofendido apenas precisa de um advogado quando pretende constituir-se como assistente do processo, e nunca na apresentação da queixa.