Grande Plano MancheteSismos na Venezuela fizeram mais de 160 mortos, com projecções a apontar para milhares Hoje Macau - 26 Jun 202626 Jun 2026 Foto: DR Os dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5 na escala de Richter que atingiram ontem a região central da Venezuela fizeram pelo menos 164 mortes e 971 feridos, no último balanço feito pelas autoridades antes do fecho desta edição. Porém, projecções apontam para a possibilidade de largos milhares de mortos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estima, no entanto, com base em modelos informáticos, entre 10 mil e 100 mil mortes. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez disse que La Guaira terá sido a região mais afectada e declarou o estado, situado no norte do país sul-americano, perto da capital, como uma “zona de desastre”. “Podemos dizer que o estado de La Guaira enfrenta uma verdadeira tragédia e tornou-se uma zona de catástrofe”, enfatizou. Rodríguez admitiu, num primeiro balanço, que eram esperadas mais vítimas mortais, à medida que decorrem os esforços de resgate e salvamento, após os dois sismos de magnitude superior a 7 na escala de Richter, com apenas 39 segundos de intervalo. Os dois abalos foram registados na Venezuela pelas 18h de quarta-feira (06h de ontem em Macau). O USGS, que monitoriza a actividade sísmica em todo o mundo, calculou uma probabilidade de 42 por cento de que o número de mortos se situe entre as 10 mil e as 100 mil vítimas mortais; a possibilidade de 33 por cento de entre mil e 10 mil mortes e uma hipótese que indica 17 por cento de mais de 100 mil mortes. Para realizar as estimativas, o USGS tem em conta variáveis como a densidade populacional local e as características dos edifícios. “Em geral, a população desta região vive em edifícios vulneráveis a sismos, embora também existam estruturas resistentes a sismos. Os tipos mais comuns de edifícios vulneráveis são estruturas de tijolo, alvenaria não reforçada e de blocos de adobe”, destacou a agência. Vinte réplicas O USGS estimou ainda as perdas económicas resultantes dos sismos, calculando — com base nos dados actuais — que podem variar entre 1 a 7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o primeiro sismo, de magnitude 7,2, atingiu a costa da Venezuela a oeste de Morón, a cerca de 168 quilómetros de Caracas, com uma profundidade de 22 quilómetros, noticia a Associated Press (AP). Menos de um minuto depois, USGS registou um sismo de magnitude 7,5. Este segundo abalo teve uma profundidade de 10 quilómetros e epicentro a 16 quilómetros a sudoeste de Morón. Foram depois registadas cerca de 20 réplicas, ainda segundo o USGS, que descreveu a situação como “uma catástrofe que se espera ser de magnitude considerável”. O sismo de magnitude 7,5 que atingiu a Venezuela foi o mais forte registado no país em mais de um século, indicam os dados avançados ontem pelo USGS. Um terramoto de magnitude estimada em 7,7 na costa do país, a nordeste de Caracas, foi registado a 29 de outubro de 1900, tendo causado “danos consideráveis”, lembrou o Serviço Geológico dos EUA. Venezuela | Portugal vai enviar 50 elementos de protecção civil Portugal colocou à disposição da Venezuela, que aceitou, uma equipa de proteção civil de emergência de 50 elementos para ajudar nas operações no país após os dois sismos de ontem, anunciou o primeiro-ministro. Luís Montenegro fez este anúncio através da rede social X, depois de ter falado telefonicamente com a Presidente venezuelana, Delcy Rodriguez. “Portugal está disponível para ajudar a Venezuela quando, onde e da forma que o Governo venezuelano entenda útil. Pusemos desde já à disposição imediata uma equipa de protecção civil de emergência de 50 elementos, o que a Presidente Delcy Rodriguez prontamente agradeceu e aceitou”, afirmou. No telefonema, o primeiro-ministro português disse ter transmitido à Presidente da Venezuela “plena solidariedade dos portugueses para com o povo e o Governo da Venezuela, perante esta tragédia” e condolências pelas vidas perdidas. “Participaremos no apoio conjunto da União Europeia, através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, cuja ajuda a Venezuela já solicitou”, referiu. Montenegro assegurou ainda que a Embaixada portuguesa em Caracas e rede consular “está mobilizada para apoiar a enorme comunidade portuguesa na Venezuela”, “A Venezuela tem canal aberto com Portugal, para apoio no plano bilateral e da União Europeia. A Venezuela conta com Portugal na reacção e na recuperação desta catástrofe natural”, disse. Cinco portugueses, quatro dos quais da mesma família, estavam ontem desaparecidos em La Guaira, na Venezuela, onde dois sismos causaram na quarta-feira dezenas de mortos e centenas de feridos, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros português.