China vai adquirir 17 mil milhões de dólares por ano de produtos agrícolas aos EUA

A Casa Branca anunciou domingo que a China vai gastar pelo menos 17 mil milhões de dólares anuais em produtos agrícolas dos Estados Unidos em 2026, 2027 e 2028.

Em comunicado, a administração norte-americana indica tratar-se de um resultado das reuniões realizadas nos últimos dias entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e o homólogo dos EUA, Donald Trump, adiantando que os vários acordos que assinaram “vão melhorar a estabilidade e a confiança para as empresas e os consumidores de todo o mundo”.

De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o país reduziu as suas exportações agrícolas para a China em 65,7por cento em 2025, após a imposição de tarifas recíprocas. Além de produtos agrícolas, Pequim comprometeu-se ainda a comprar 200 aviões Boeing para companhias aéreas chinesas.

Este lote de aeronaves promoverá a criação de “empregos bem remunerados e altamente qualificados no sector da indústria transformadora dos EUA” e permitirá aos cidadãos chineses viajar “em aviões fabricados nos Estados Unidos”, refere o comunicado.

Outros compromissos

Além disso, após as reuniões, a China renovou as licenças expiradas de mais de 400 matadouros nos Estados Unidos e retomou as importações de aves de capoeira de estados norte-americanos livres de gripe aviária “altamente patogénica”, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

Os dois países decidiram ainda criar duas novas instituições para optimizar a sua relação económica: “a Junta Comercial, para gerir o comércio bilateral de bens não sensíveis, e a Junta de Investimentos, que proporcionará um fórum intergovernamental para discutir questões relacionadas com o investimento”.

Concordaram igualmente que o Irão “não pode ter armas nucleares”, tendo defendido a reabertura do Estreito de Ormuz e reafirmado o seu objectivo comum de desnuclearizar a Coreia do Norte, sublinhou a Casa Branca.

Trump vai receber Xi em Washington este Outono e os países apoiar-se-ão mutuamente como anfitriões das cimeiras do G20 (fórum de cooperação económica entre as principais economias desenvolvidas e emergentes do mundo) e da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), que se realizarão ainda este ano.

Guangxi | Sismo de magnitude 5,2 faz dois mortos e um ferido

Um sismo de magnitude 5,2 na escala de Richter atingiu ontem o sul da China, causando dois mortos e um ferido, e obrigando à retirada de sete mil pessoas, informou a imprensa estatal. O abalo foi sentido em várias cidades de Guangxi, como Liuzhou, Guilin e a capital regional, Nanning, chegando mesmo até Hong Kong a 500 quilómetros de distância.

O epicentro do abalo ocorreu na província de Guangxi, às 00:21 locais, a uma profundidade de oito quilómetros, segundo o Centro de Redes Sismológicas da China. A agência de notícias oficial chinesa Xinhua avançou inicialmente duas mortes e uma pessoa desaparecida no condado de Liunan, que faz parte da cidade de Liuzhou.

A emissora estatal CCTV indicou posteriormente que as equipas de resgate localizaram a última pessoa presa nos escombros na área afectada da comunidade de Taiyangcun, às 11:10. De acordo com a estação, o sobrevivente foi resgatado em condição estável e levado para um hospital para tratamento.

O tremor foi sentido em várias cidades de Guangxi, incluindo Liuzhou, Guilin e a capital regional, Nanning, segundo os meios de comunicação estatais. O abalo também foi sentido em Hong Kong, a 500 quilómetros de distância, referiu a agência meteorológica do território semiautónomo.

Protocolos e réplicas

O Centro de Resposta e Socorro ao Terramoto de Liuzhou activou um protocolo de emergência após o sismo e coordenou os serviços de emergência, bombeiros e agentes de segurança pública para os esforços de busca, resgate e evacuação da população afectada.

As autoridades começaram também a inspeccionar casas, sistemas de abastecimento de água e eletricidade, estradas principais, pontes, minas e áreas com risco de desastres geológicos. Num balanço anterior, o chefe da polícia local afirmou que, até às 04:00, o sismo tinha provocado o desabamento de 13 casas e quatro pessoas foram levadas para o hospital, todas fora de perigo.

As autoridades acrescentaram na altura que mais de sete mil residentes tinham sido retirados e que as comunicações, a electricidade, o abastecimento de água, o gás e as estradas na área afectada estavam a funcionar normalmente.

Além do sismo principal, foram registados vários tremores secundários de menor intensidade. As autoridades reportaram cinco abalos de magnitudes entre 2,2 e 3,2 na escala de Richter antes e depois do tremor principal. O Centro de Redes Sismológicas da China registou um tremor secundário de magnitude 3,3 às 07:41, em Liunan, a uma profundidade de 10 quilómetros.

Tonan Quito, actor e protagonista de “Entrelinhas”: “Bem-dita a hora em que aceitei este desafio”

O Centro Cultural de Macau, apresenta hoje a primeira sessão de “Entrelinhas”, na edição deste ano do Festival de Artes de Macau (FAM). Trata-se de um monólogo escrito por Tiago Rodrigues de propósito para Tónan Quito, que em entrevista ao HM fala de um texto que é muito mais sobre a amizade do que propriamente sobre o processo da escrita

Vem a Macau com o “Entrelinhas”. Como se sente por apresentar esta peça num destino tão longínquo [em relação a Portugal, onde estreou em 2013]?

É uma grande honra ir ao festival e sinto-me perplexo com o convite, estou muito contente por ir. Há dois anos tive a experiência de ir ao festival de teatro de Aranya, no norte da China, e agora estou também muito curioso por estar perto de uma cultura diferente e perceber como é que o espectáculo pode ecoar junto a pessoas com uma cultura e maneira de estar completamente diferente da minha, ou no local onde o espectáculo foi criado, que é Portugal. Apesar de Macau ter uma influência histórica portuguesa, e neste sentido estou ainda mais curioso para saber como é que o público irá ver este espectáculo.

O público é sempre importante para todas as peças de teatro, mas nesta em particular, tratando-se de um monólogo, é importante perceber a relação com este texto, em particular?

Sim. Este é um espectáculo muito próximo do público, mesmo a nível físico. Estou mesmo em frente às pessoas, só a contar uma história, que é a história deste grande falhanço que foi fazer o que era suposto ser um espectáculo. E, neste sentido, [é um espectáculo] que pede uma grande proximidade e cumplicidade com as pessoas. Normalmente faço uma versão francesa para um público francês, mas eu compreendo a língua e as reacções, há um legado comum. Mas quando vamos assim, para fora, em que falo na minha língua, e certamente alguém poderá entender o português, mas muita gente não vai aceder ao português e terá de ler legendas, há outra dificuldade, que é eu comunicar esta história. É eu a comunicar-me a mim, como actor ali, naquela noite, numa maneira de estar diferente, que vai pedir empatia, uma escuta, a atenção das pessoas para aquilo que estou a fazer.

O que é que este espectáculo conta nas entrelinhas?

Nas “Entrelinhas” está uma história que, cada vez mais, vou percebendo é muito mais sobre amizade do que o espectáculo de um autor que tem de escrever para um actor. Acho que é uma história que fala muito mais sobre a nossa amizade [entre Tiago Rodrigues e Tónan Quito], sobre a amizade entre duas pessoas que se descobrem nos trabalhos que vão tendo, nos encontros que vamos ter, nos encontros com a família. Portanto, invocamos uma quantidade de gente para esta história, e o espectáculo acaba por ser uma maneira de eu e o Tiago estarmos juntos, mesmo não estando. Nas entrelinhas está isto.

Não é, portanto, um espectáculo focado no tal falhanço da escrita.

Não, mas isso é uma coisa que ando a descobrir, e que nós dois fomos descobrindo à medida que vamos fazendo o espectáculo. Em 2013, isso estava nas entrelinhas, nós é que ainda não tínhamos percebido que estava lá.

O texto foi escrito para si. Como foi o processo de preparação? Além disso, já passou algum tempo entre os tempos iniciais e esta apresentação agora no festival. Há um certo distanciamento, outro olhar sobre a peça?

Não. Continuo a descobrir ainda muito sobre aquilo que a peça é, e como é que faço isto. Isto porque tive mais ou menos um mês no processo de trabalho antes da peça começar, entre a escrita do texto, ensaiar e decorá-lo. Tudo foi feito num curto espaço de tempo. Na estreia não tive muita noção do que o texto era, até porque a minha filha nasceu três dias antes e a minha cabeça estava muito mais com ela do que com o texto. Mas acaba por ser engraçado, porque hoje em dia fazer este texto é reviver aquele dia e uma maneira de estar com ela, sem estar. Mas continuo a descobrir coisas no texto. Naquela altura [2013] fiz dez espectáculos, e no ano seguinte fiz mais dez, e desde 2021 que tenho feito cerca de dez espectáculos por ano, talvez mais [com o “Entrelinhas”], e vou sempre disponível para descobrir o texto outra vez. É sempre um trabalho muito activo, o descobrir o texto com as pessoas a quem o estou a contar, além de que a própria reacção das pessoas condiciona, às vezes, a maneira como o conto.

Este foi o seu primeiro monólogo. Como foi essa experiência de estar sozinho, em palco, pela primeira vez?

Já tinha feito um monólogo antes, mas era falso, porque tinha um manequim com quem falava, ele é que não respondia (risos). Era uma coisa pequena, com 15 minutos. Confesso que a sensação inicial não foi muito boa, confesso. Fazer monólogos não é uma coisa que me atraia muito, mas na altura o Tiago convenceu-me a fazê-lo e partimos. Mas depois, à medida que fui fazendo, percebi que é um falso monólogo, pois estou com as pessoas a contar isto, e já não estou sozinho. Depois vou utilizando muitas pessoas para serem os meus recompositores, na medida em que os uso como personagens do texto. Então, de certa maneira, é um monólogo cheio de personagens e de um mundo que invocamos para o palco. Percebo que não estou sozinho e torno-me um bocadinho mais suportável.

Porque é que não gosta tanto de fazer monólogos? Há um medo acrescido? Sente-se sozinho em palco?

É, gosto de estar com pessoas e colegas, gosto de ser provocado e responder às provocações. Gosto de contracenar, da acção, da reacção, da pergunta, da resposta, e de construir colectivamente um trabalho, um espectáculo. Claro que o espectáculo é feito lado a lado com o teatro, sempre, desde o primeiro momento. [O Entrelinhas] é uma co-criação, apesar de ter sido ele [Tiago Rodrigues] a escrever e depois eu a interpretar, mas foi sempre criado a dois. Portanto não estou bem sozinho.

Como é ter o Tiago Rodrigues, um encenador e dramaturgo premiado, a escrever para si?

Tenho muita inveja dele (risos). Estou a brincar, acho óptimo, e desejo-lhe sempre todas as felicidades, e é muito bom poder partilhar com ele este percurso. Ele influenciou muito a minha maneira de trabalhar, não só como actor, mas a ensinar também. Foi sempre uma partilha. Claro que o facto de estar a viajar com o “Entrelinhas” é muito à custa da pessoa que é o Tiago, que, de repente, é um nome apelativo, com um tipo de trabalho que interessa. Em boa hora o Tiago meteu na cabeça que queria escrever um monólogo para mim, e bem-dita a hora em que aceitei este desafio.

Ele tem mesmo este lado caótico da escrita, de deixar tudo para a última da hora?

Um bocadinho. Acho que já deve estar um bocadinho melhor, mas acho que continua a deixar um bocadinho para a última, pelo menos dos últimos relatos que ouvi.

Preparar um monólogo é mais difícil do que preparar uma peça?

Não. A dificuldade está lá sempre. É difícil fazer uma peça porque estar com outra pessoa em cena é sempre imprevisível, pelo menos na maneira como gosto de trabalhar. Obviamente que ensaiamos, combinamos regras, habituamo-nos à maneira do outro fazer, e vou-me descobrindo através do outro. Num monólogo só dependo de mim, estou disponível para me entregar e partilhar a história com as pessoas. Correndo bem ou mal, não há nada a fazer, começamos e acabamos, sou eu que controlo tudo. Mas, se calhar, até é mais difícil por causa disso, porque a responsabilidade é toda nossa, não é partilhada.

Recentemente protagonizou o filme “Soares é Fixe”, sobre as eleições presidenciais de 1986, em que interpretou o papel de Mário Soares. Como encara as diferenças de trabalhar em cinema, é mais desafiante do que em teatro?

São coisas diferentes. À medida que vou fazendo mais cinema vou percebendo que são maneiras de estar muito distintas [para um actor]. [Fazer cinema] é um trabalho muito mais isolado, não temos tanto tempo de preparação uns com os outros [os actores]. É também um trabalho de espera, de paciência, para depois se concentrar em cada “take”. Para mim, que estou mais habituado a fazer teatro, às vezes pode ser mais frustrante o facto de não haver logo uma reacção imediata ao que se acabou de fazer. É um bocado parecido com os ensaios, “Vamos repetir!”, se bem que está sempre a valer. Repito ali três ou quatro vezes uma cena e, às vezes, não há muito mais tempo para experimentar porque temos que passar para a cena seguinte. [Fazer cinema] é um trabalho de condensação muito grande, até porque não sabemos muito bem o que a câmara está a captar. Não tenho assim tanta experiência quanto isso, mas fazer um protagonista é bom, no sentido em que estamos lá muito tempo, é um mergulho muito grande na questão de estarmos sempre a filmar, e o poder fazer uma construção sobre o personagem e o plano de filmagens – quando é que se filma, e o que é que se filma. Às vezes anda-se muito para trás e para a frente, e, nesse sentido, é bom o trabalho dramatúrgico que se faz, e como é que nos comportamos em cada dia para poder activar o que é necessário para cada dia e cada cena.

Como se preparou para fazer de Mário Soares?

Foi um bocadinho assustador, até porque tive muito pouco tempo de preparação, desde o convite até começar a filmar. Basicamente o que fiz foi ler tudo o que podia, vi muitas entrevistas dele, para perceber como se comportava. Depois não íamos fazer um trabalho em que ficava igual ao Mário Soares, não era esse o objectivo, porque para isso teríamos de ter mais dinheiro. Para fazer um trabalho de reconstituição, com grandes caracterizações [de personagens], é preciso mais dinheiro que esta produção não teve. Era miúdo [nas eleições presidenciais de 1986], andava na escola primária e lembro-me perfeitamente. Mas fiquei a saber muito mais dele [no processo de pesquisa], mas não sobre a vida pessoal, até porque isso não me interessou, na altura, para a construção [da personagem]. [O trabalho de preparação] incidia mais sobre quem era este homem político e, sobretudo, perceber nas cenas em que falava quem estava atrás dos silêncios e do que se passava. Quis tentar desvendar ou revelar um bocadinho do que estava naquela cabeça, naquela noite [das eleições de 1986]. Foi uma eleição em que era o tudo ou nada. Aquele homem podia morrer politicamente ali ou então, pronto, nascer mais uma vez como Presidente [da República], que foi o que aconteceu.

Ébola | Rastreio reforçado para quem vem de zonas afectadas

Os Serviços de Saúde vão reforçar os rastreios para quem tenha passado por zonas afectadas por surtos de Ébola. Foram accionados mecanismos para isolar pessoas infectadas e serão emitidas instruções para profissionais de saúde. As autoridades salientam o baixo risco de infecção em Macau

Os Serviços de Saúde (SS) garantiram ontem que vão reforçar a supervisão médica de pessoas que cheguem a Macau provenientes de zonas de África afectadas pelos mais recentes surtos de Ébola que surgiram na República Democrática do Congo e Uganda, que levou a Organização Mundial de Saúde a declarar emergência de saúde global.

As autoridades de Macau vão também rastrear a pessoas que transitem pelas zonas afectadas. Se foram detectados casos suspeitos, “estes serão imediatamente encaminhados para instituições médicas para isolamento e exames complementares”.

Os SS salientam que, com base nas informações actuais, o Ébola está a propagar-se principalmente em algumas regiões de África, e que o fluxo de visitantes entre as áreas afectadas e Macau é limitado. Face a esta situação, e como Macau não registou qualquer caso confirmado de Ébola, “o risco imediato deste vírus para Macau é baixo, e os residentes não precisam de se preocupar demasiado”.

Ainda assim, as autoridades apelam aos residentes para manterem “bons hábitos de higiene pessoal e evitar o contacto com animais selvagens e fluidos corporais de doentes, caso tenham de viajar para zonas afectadas”. Além disso, foi pedida vigilância perante sintomas como febre, vómitos ou hemorragias.

Para o que der e vier

No que diz respeito à resposta médica, o Governo salienta que as instituições de saúde de Macau estão preparadas para lidar com doenças infecciosas de alto risco, incluindo na capacidade de isolamento e testagem, assim como no tratamento clínico.

Os SS vão também actualizar as orientações para as “instituições médicas, alertando os profissionais de saúde para estarem atentos à história de viagem e aos respectivos sintomas, identificarem e comunicarem os casos suspeitos o mais cedo possível e cumprirem rigorosamente as medidas de controlo da infecção”.

Em relação à primeira barreira de protecção, as fronteiras do território, o Governo indicou prontidão recordando que no ano passado foi realizado um simulacro de contingência relacionada com doenças transmissíveis, em conjunto com as autoridades fronteiriças, para testar a coordenação e resposta rápida na contenção de doenças infeciosas.

PJ | Quatro detidos por uso e tráfico de space-oil e metanfetaminas

Quatro homens de nacionalidade filipina foram detidos pela Polícia Judiciária por suspeitas de consumo e tráfico de drogas, de acordo com informação divulgada ontem. Durante a operação, as autoridades apreenderam dois cigarros electrónicos com etomidato, também conhecido como space oil, e ketamina. Foram ainda apreendidas 10 gramas de metanfetaminas. As três substâncias apanhadas pela polícia terão um valor no mercado negro a rondar as 31 mil patacas.

A investigação começou com a monitorização de um dos suspeitos que entrou em Macau no domingo, vindo de Hong Kong, através da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. O indivíduo encontrou-se com um compatriota trabalhador não-residente na zona central de Macau e nessa altura os agentes policiais agiram e revistaram os homens, encontrando os dois cartuchos para cigarros electrónicos e parafernália para o consumo de drogas.

Na casa do trabalhador não-residente, foram interceptados mais dois homens e encontrados nove pequenas embalagens de metanfetamina. Todos os envolvidos testaram positivo em análises à urina. A polícia acrescenta que o indivíduo alegadamente trouxe a droga de Hong Kong, actividade a que se dedicava desde o mês passado, e que os restantes três suspeitos revendiam as drogas a compatriotas.

Sands China | “Carnaval de Compras” em Julho

A operadora de jogo Sands China volta a realizar este ano mais uma edição do “Sands Shopping Carnival”, um “carnaval de compras” que visa a participação do sector local do retalho.

O evento decorre no Venetian entre os dias 23 e 26 de Julho, e as inscrições dos negócios locais e pequenas e médias empresas (PME) arranca hoje, prolongando-se até ao dia 29 de Maio. Aquele que é chamado de “maior evento de saldos” do território pela organização já vai na sétima edição, tendo servido “como uma importante plataforma de negócios e promoção para as PME locais, parceiros comunitários e retalhistas da Sands”, descreve-se num comunicado.

A participação das empresas é gratuita durante os quatro dias do evento, que desde 2020 já contou com mais de 640 mil visitantes. Além disso, a Sands China destaca como este “carnaval” tem “conseguido estimular, com sucesso, o consumo local e dos visitantes em Macau”, tendo disponibilizado quatro mil stands de exposição desde o início do certame.

Para este ano, espera-se que o evento “conte com mais de 580 stands”, oferecendo-se ao público “uma vasta gama de zonas temáticas, incluindo produtos para o lar, gastronomia e vinhos, praça de alimentação, cultura e criatividade, retalhistas da Sands, especialidades e lembranças de Macau, bem como diversão em família e experiências desportivas”.

Ponte da Amizade | Circulação só numa faixa até meados de Agosto

A Ponte da Amizade vai ter o trânsito condicionado a partir das 10h de sábado até meados de Agosto devido a obras de manutenção no tabuleiro, indicou ontem o Grupo de Coordenação de Obras Viárias.

A última obra de manutenção de larga escala na ponte foi realizada há 25 anos. Entretanto, as autoridades argumentam que a camada de asfalto do tabuleiro apresenta um elevado desgaste e que, após dias de chuva, surgem frequentemente “buracos nas juntas de dilatação dos viadutos de acesso”, o que representa um risco para a circulação rodoviária.

Assim, a partir das 10h de sábado, a circulação automóvel vai passar a ser feita “numa única faixa de rodagem, de forma faseada, nos viadutos de acesso em ambos os sentidos da Ponte da Amizade”. As autoridades apelaram aos condutores para utilizarem mais a nova Ponte Macau. Também os veículos pesados, com mais de 3,5 toneladas, vão ficar interditos de circular na Ponte da Amizade, à excepção de autocarros públicos.

O Grupo de Coordenação de Obras Viárias indicou que, após a avaliação da urgência das obras, foi decidido avançar com as obras entre Maio e Agosto para coincidir com as férias de Verão das escolas. Os trabalhos vão decorrer não só na Ponte da Amizade, como noutros nove locais espalhados pela cidade, principalmente para instalação de condutas, reordenar redes de drenagem, reparar esgotos e instalar colectores de águas residuais.

As autoridades vincaram a meta de concluir todas as obras e reabrir plena a circulação rodoviária antes do início do ano lectivo, em Setembro.

Parquímetros | Nick Lei quer notificação de multas por SMS

O deputado Nick Lei considera que o Corpo de Polícia de Segurança Pública deve rever o formato de tratamento das infracções rodoviárias, a fim de incluir nas notificações por SMS as multas nos parquímetros para melhorar a rotatividade no estacionamento

Nick Lei, deputado à Assembleia Legislativa (AL), interpelou o Governo quanto à necessidade de revisão, por parte do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), da forma como são tratadas as infracções rodoviárias, a fim melhorar o sistema de tratamento das multas por tempo de estacionamento excessivo.

Segundo a interpelação, o deputado, ligado à comunidade de Fujian em Macau, destacou que o CPSP actualizou o formato de tratamento das infracções rodoviárias, mas excluiu as multas nos parquímetros. Essa actualização passou por uma renovação dos equipamentos para que os condutores passassem a receber SMS dez minutos após receberem uma multa. Tudo para remover os carros o mais depressa possível e, assim, escoar o fluxo de trânsito.

Porém, actualmente, “o serviço de notificação por SMS das infracções rodoviárias não inclui as infracções nos parquímetros de estacionamento, havendo grande diferença em relação às restantes situações de infracções”, destacou.

“Para que seja melhorado o mecanismo de notificações, e para que se aumente a rotatividade dos lugares de estacionamento na via pública, podem as autoridades pensar em incluir, no sistema de notificações por SMS, a infracção de não pagamento das tarifas de parquímetros, evitando-se assim custos sociais subsequentes?”, questionou.

Meios obsoletos

Além de pedir a notificação das multas por SMS, Nick Lei referiu que, no actual sistema de pagamento digital de multas por infracções rodoviárias, também ficaram de fora as infracções nos parquímetros de estacionamento.

“Após o carro ser bloqueado ou removido, os donos precisam de ir ao Departamento de Trânsito pagar a multa em numerário. Será que o Governo pode incentivar as empresas a proporcionarem meios de pagamento electrónico, a fim de responder à procura da sociedade?”, sugeriu.

De frisar que, no passado, o Governo justificou a exclusão das multas de estacionamento do sistema de notificações por SMS para não causar confusão nos infractores, destacando que, apesar de não informar os condutores por SMS, estes têm de cumprir a lei no que ao estacionamento diz respeito.

Para Nick Lei, a ausência de avisos por SMS faz com que os condutores se esqueçam do tempo de estacionamento pago, levando a situações ilegais com consequentes bloqueios de viaturas, perdas de tempo e de dinheiro. O deputado destaca também que esta situação leva a gastos de recursos do CPSP e impede a rotatividade de lugares de estacionamento.

GP Consumo | Retalho com 60% de gastos no primeiro mês

A edição deste ano do Grande Prémio para o Consumo nas zonas comunitárias gerou, nas primeiras quatro semanas, gastos de cerca de 560 milhões de patacas, com 60 por cento do valor a ser direccionado para o sector do retalho. Governo diz ter sido registada maior adesão face ao ano passado

Dados ontem divulgados pela Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) revelam que a edição deste ano do Grande Prémio para o consumo nas zonas comunitárias gerou, no primeiro mês de implementação, mais de 560 milhões de patacas de consumo em negócios locais, tendo sido distribuídos quase sete milhões de cupões, um total de 6,947 milhões.

No que diz respeito aos sectores onde foram gastos estes cupões, destaca-se o retalho com 60 por cento dos gastos, seguindo-se a restauração com 30,6 por cento. No total, mais de 20 mil estabelecimentos comerciais, com espaço físico, no território estão abrangidos por este programa que visa incentivar o consumo local.

No primeiro mês de actividade do Grande Prémio de Consumo, registaram-se 3,492 milhões de transacções qualificadas para sortear cupões. A DSEDT chama a atenção para o facto de este montante representar “um aumento de, aproximadamente, quatro por cento face às 3,356 milhões de transacções registadas no mesmo período da edição anterior”.

Dos 6,947 milhões de cupões distribuídos, foram usados, no primeiro mês, mais de 118 milhões de patacas, com descontos imediatos em cartão no montante superior a 31 milhões de patacas.

Maior adesão

Segundo a DSEDT, a edição deste ano do Grande Prémio de Consumo registou um “aumento na taxa de utilização dos benefícios, com mais diferentes sectores beneficiados”. A taxa de utilização global, em termos de montante, “ultrapassou os 92 por cento, sendo a primeira vez que superou os 90 por cento desde o lançamento” da medida do Grande Prémio de Consumo.

Para o Executivo, tais dados significam que, “com o prolongamento do prazo de utilização” da medida, “os residentes conseguem planear melhor para fazer consumo com benefícios”. Desta forma, permite-se a utilização dos cupões não apenas no retalho, mas em “outros sectores de consumo imediato como a restauração, beneficiando assim mais diferentes sectores” económicos.

O Grande prémio para o consumo nas zonas comunitárias 2026 é da responsabilidade da DSEDT em conjunto com a Associação Comercial de Macau. Em termos gerais, deu-se “o crescimento no grau de participação dos residentes, de entusiasmo pelo consumo e de equilíbrio dos benefícios entre os diferentes sectores, em comparação com a edição anterior”.

Deu-se ainda um contributo ao estímulo do “consumo local durante os fins-de-semana”. Esta actividade prolonga-se até 18 de Junho.

Dia da Criança | Data assinalada com prendas a crianças internadas

O Governo vai organizar uma série de actividades para assinalar o Dia Mundial da Crianças, celebrado a 1 de Junho. Segundo o Instituto de Acção Social (IAS), o “cartaz” de celebrações inclui “representações culturais e artísticas” de dos estudantes do ensino primário e da Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês, organização de arraiais, distribuição de prendas às crianças internadas nos hospitais e uma palestra sobre “Direitos das Crianças e Protecção Jurídica”.

No dia 31 de Maio, será organizada uma visita ao Quartel militar da Taipa para cerca de 600 estudantes do ensino primário de Macau, “de modo a permitir que os estudantes do ensino primário sintam a atmosfera festiva e celebrem a consciência da etnia e promovam o amor pela pátria e por Macau”.

No dia seguinte, serão entregues prendas a crianças internadas no Centro Hospitalar Conde de São Januário e no Hospital Kiang Wu. As autoridades não referiram detalhes sobre os chamados arraiais que vão decorrer no Campo dos Operários, Jardim Cidade das Flores e no Centro de Ciência.

Será também organizada uma palestra para funcionários de equipamentos socais sobre “Direitos da Criança e Protecção Jurídica”. Mas a diversão não se fica por aqui, com uma actividade em que o protagonista será a mascote do Comissariado contra a Corrupção: “O Urso Mensageiro Guilherme aborda contigo a honestidade 2026”.

Função Pública | Governo diz que horas extra estão regulamentadas

Leong Weng In, directora dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), garantiu que o cumprimento de horas extra na Administração está devidamente regulamentado, bem como o pagamento desse trabalho além do horário normal de expediente. A informação consta numa resposta a uma interpelação escrita do deputado Chan Hao Weng.

“O ETAPM [Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau] estabelece normas claras sobre o regime de disponibilidade para os trabalhadores dos serviços públicos”, sendo que cada serviço deve ter uma lista mensal de pessoal que fica em regime de disponibilidade, estando estes sujeitos a um subsídio.

Além disso, “os agentes das Forças e Serviços de Segurança recebem, mensalmente, uma remuneração suplementar”, tendo em conta a “natureza contínua e repentina das tarefas inerentes ao cargo”. Desta forma, a directora entende que existem “normas claras sobre a gestão do regime de disponibilidade dos trabalhadores dos serviços públicos e os respectivos subsídios e compensações”.

Corrupção | Ex-presidente de Macau do Banco da China expulso do PCC

Depois de ter desaparecido em Pequim em Julho do ano passado, o ex-presidente da sucursal de Macau do Banco da China foi expulso do Partido Comunista Chinês e demitido de todas as funções públicas. Jia Tianbing é acusado de receber subornos e desviar fundos públicos

A Comissão Central de Inspecção de Disciplina divulgou na tarde de sexta-feira um comunicado a indicar que o ex-presidente da sucursal de Macau do Banco da China Jia Tianbing foi expulso do Partido Comunista Chinês e afastado de todos os cargos públicos por suspeitas dos crimes de desvio de fundos público e receber subornos.

Como é habitual nos comunicados da comissão, é referido que Jia Tianbing “perdeu os seus ideais e convicções, traiu as suas aspirações e missão originais, desrespeitou a disciplina do Partido e as leis nacionais”. As acusações que recaem sobre Jia incluem aceitação de presentes e cartões de compras, uso de fundos públicos para comprar bebidas alcoólicas de luxo, obtenção de benefícios para familiares e pagamento de despesas pessoais com fundos públicos.

A rol de acusações prossegue com a comissão a afirmar que Jia Tianbing aceitou grandes somas de dinheiro e participações sociais e procurou “obter benefícios para terceiros na aprovação de crédito e na adjudicação de projectos, aceitando ilegalmente enormes quantias de dinheiro e bens”.

De acordo com os procedimentos nestes casos, a Comissão Central de Inspecção de Disciplina não referiu quem recebeu as adjudicações irregulares ou quem terá oferecido dinheiro ou bens indevidamente a Jia Tianbing.

Antes de tudo

A Comissão Central de Inspecção de Disciplina não menciona o cargo que Jia Tianbing desempenhou em Macau, referindo apenas ter presidido às representações do Banco da China na província de Liaoning, onde chegou a secretário do Partido Comunista Chinês.

O responsável iniciou funções como presidente da sucursal da RAEM do Banco da China em Junho de 2024, cerca de um ano antes da detenção em Pequim, onde foi interceptado pelas autoridades nacionais quando estava acompanhado por familiares, que terão sido também levados.

A detenção aconteceu após Jia Tianbing ter acompanhado, no dia 11 deste mês, a delegação dos membros de Macau do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) numa visita à Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. A delegação, foi liderada pelo vice-presidente do CCPPC, e ex-Chefe do Executivo de Macau, Edmund Ho.

Semanas antes da detenção de Jia Tianbing, outra investigação da Comissão Central de Inspecção de Disciplina levou à detenção do ex-presidente da sucursal de Macau do Banco Industrial e Comercial da China (ICBC, em inglês) Jiang Yusheng.

Administração Trump “não gosta claramente” da UE

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou ontem que a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, “não gosta” claramente da União Europeia (UE), pois receia que os 27 Estados-membros em conjunto possam tornar-se uma potência equivalente.

“Claramente não gostam da UE”, declarou Kaja Kallas, alta representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, numa entrevista realizada no âmbito da Conferência Lennart Meri sobre política externa e segurança, que decorre este fim de semana em Talin, capital da Estónia.

Kallas comparou esta atitude à da Rússia e da China. “É porque, se nos mantivermos unidos e actuarmos em conjunto, então somos potências equivalentes, somos fortes”, afirmou, advertindo que estas potências “querem desmantelar” o bloco comunitário.

Neste contexto, disse estar “muito preocupada” com a resposta de alguns países da UE, que transmitem a Washington a mensagem de que a relação é boa. “Se não gostam da UE, falem connosco [individualmente]”, permitindo assim que a estratégia de divisão dos Estados Unidos produza efeitos.

Outros temores

Por outro lado, a chefe da diplomacia europeia manifestou também preocupação com a tendência revelada pelas sondagens, segundo as quais a percepção pública europeia se torna cada vez mais crítica em relação a Washington, ao ponto de apenas 14 por cento considerarem os Estados Unidos um aliado. “Não nos devemos deixar levar por isso, precisamos uns dos outros. As nossas economias estão interligadas e a nossa segurança também”, sublinhou.

Kallas criticou também a posição norte-americana no âmbito das negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia, estagnadas há vários meses, considerando que esta passou por “pressionar a Ucrânia a ceder territórios que nem sequer perdeu militarmente”.

Guerra de sexos

De forma geral, acrescentou a alta representante, a estratégia de Trump – usada também em outras regiões do mundo – consiste em “fazer chocar as cabeças” dos rivais e impor-lhes a paz, mas, argumentou, “um conflito não termina sem aceitação social”.

Kallas considerou que, nesse sentido, é necessário lidar com as raízes do problema e garantir que exista justiça pois, caso contrário, uma parte da população “procurará vingança e o ciclo continuará”.

“Aliás, há também estudos que mostram que, quando as mulheres participam nas negociações, os acordos de paz são mais duradouros. E… a imagem que vimos das conversações entre os Estados Unidos e a China… havia muita masculinidade na sala, não era?”, comentou.

Quanto à estratégia adequada perante a guerra na Ucrânia, a alta representante insistiu na necessidade de se “continuar a pressionar a Rússia”, para que Moscovo perceba que a táctica de recorrer aos Estados Unidos para alcançar os objectivos não funcionou e que tenha de se sentar verdadeiramente à mesa das negociações com Kiev e com os europeus.

Saúde | Conferência e festival INCLUSION entre hoje e sexta-feira

A Conferência e Festival INCLUSION arrancam hoje no MGM Cotai, com um cartaz que se irá estender até à próxima sexta-feira, reunindo especialistas internacionais, educadores, profissionais de saúde, famílias, activistas e atletas para cinco dias de diálogo, aprendizagem e envolvimento comunitário inclusivo por toda a cidade.

O dia de abertura da conferência será organizado hoje pela MGM no MGM COTAI, passando para a Escola das Nações amanhã, num evento organizado pela Melco. Ambas as sessões da conferência serão gratuitas e abertas a profissionais, educadores, pais, cuidadores, organizações não-governamentais e simpatizantes de Macau e da Grande Baía.

Organizada pela Associação de Caridade dos Leitores da Macau Business, o evento tem como objectivo lançar debates em torno da neurodiversidade, educação inclusiva, saúde mental, reabilitação e inovação social. Segundo a organização do evento, a edição deste ano vai centrar-se nas abordagens científicas e estratégias para reforçar os sistemas de apoio a indivíduos neurodiversos e às suas famílias.

A associação espera que a edição deste ano receba mais de 600 participantes de Macau, Grande Baía, Ásia, Europa e outras regiões ao longo do programa de cinco dias.

Visita | Putin na China a partir de amanhã

O Presidente russo, Vladimir Putin, vai realizar uma visita à China amanhã e quarta-feira para reforçar a “parceria” e “cooperação” entre os dois países, anunciou sábado o Kremlin em comunicado.

Durante a visita, que ocorrerá poucos dias após a do Presidente americano, Donald Trump, o líder russo discutirá com seu homólogo chinês, Xi Jinping, formas de “fortalecer ainda mais a parceria abrangente e a cooperação estratégica” entre a Rússia e a China, lê-se no documento.

Segundo detalha, Putin e Xi “vão trocar opiniões sobre questões internacionais e regionais importantes” e assinar uma declaração conjunta no final das conversações. No âmbito da visita, está previsto um encontro com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, para discutir a cooperação económica e comercial entre Moscovo e Pequim, acrescenta.

Esta viagem do líder do Kremlin acontece numa altura em que os esforços diplomáticos, liderados por Washington, para encontrar uma solução para o conflito na Ucrânia estão paralisados, em grande parte devido à guerra no Médio Oriente.

Uma breve trégua intermediada por Donald Trump permitiu uma pausa na campanha de bombardeamentos maciços longe das linhas da frente, mas os ataques foram retomados assim que expirou, na noite de segunda-feira. Parceiro económico fundamental da Rússia, a China é o maior comprador mundial de combustíveis fósseis russos, incluindo produtos petrolíferos.

Sopa salvadora

A coisa está preta, dizem os brasileiros, e a maioria dos portugueses sente que a vida está cada vez mais difícil. Vive-se momentos de tristeza, ansiedade e desespero. O meu vizinho pediu-me algum dinheiro emprestado. Disse-me que tinha uma reforma de 300 euros mais o Complemento Solidário para Idosos, que é uma miséria, não consegue sobreviver dignamente.

Convidou-me a entrar na sua casa e deixou-me estupefacto. O frigorífico não tinha rigorosamente nada. Nem um pacote de leite, de manteiga ou um qualquer produto. Muito menos, peixe ou carne no congelador. Disse-me que o pecúlio recebido, depois de pagar as contas, dá-lhe para uma “sopa salvadora”. Pedi-lhe para explicar. Respondeu-me com as lágrimas nos olhos que o seu almoço e jantar, há vários meses, é uma sopa salvadora.

Confirma-se que muitas famílias pouco mais comem do que uma sopa e uma fruta. A sobrevivência para quatro milhões de portugueses que vivem ao nível da pobreza está cada vez mais difícil. E o Governo insiste em levar ao Parlamento um pacote laboral que ao ser aprovado deixará milhares de trabalhadores em situação muito precária.

As centrais sindicais marcaram uma greve geral para o próximo dia 3 de Junho, precisamente com a palavra de ordem principal “Não ao Pacote Laboral”. Na verdade, Luís Montenegro e os seus súbditos ministros não têm a noção do país real. Como defensor de uma política capitalista que apenas agrada aos patrões, tenta a todo o custo que passe a existir um banco de horas, que os trabalhadores sejam despedidos por dá cá aquela palha e, com todo o desplante, sublinhando que o pacote laboral é para “reforçar os direitos e garantias dos trabalhadores no século XXI e permitir aumentar a produtividade, a competitividade das empresas e criar condições para pagar aos trabalhadores salários de nível europeu”. Só para rir, antes que caiam as lágrimas aos que serão despedidos sem justa causa.

Isto, porque se pretende alterar o prazo dos contratos de trabalho, o banco de horas por acordo, o reforço das licenças parentais e dos dias de férias. Não foi por acaso que nem a UGT entrou em sintonia com o Governo. Uma das alterações propostas mais contestadas pelos parceiros é o aumento da duração dos contratos a termo certo de dois para três anos. Actualmente, as empresas só podem manter os trabalhadores com contrato até termo certo por dois anos e, terminado esse período, têm de decidir se integram os trabalhadores no quadro ou se terminam o contrato. Se a proposta de lei do Governo for aprovada, o prazo aumenta para três anos, o que significa que o trabalhador terá de esperar mais um ano para saber se o vínculo laboral termina ou se é integrado nos quadros.

Outra grande divergência diz respeito à possibilidade de não reintegração de trabalhadores alargada. Actualmente, quando um tribunal declara o despedimento ilícito, o empregador é condenado a pagar uma indemnização ao trabalhador e, à partida, a reintegrá-lo na mesma empresa, com a mesma categoria e antiguidade. O que o Governo pretende é alargar essa possibilidade a qualquer empresa, independentemente da sua dimensão. Isto significa que, se aprovada a proposta de lei, qualquer empresa pode recorrer ao tribunal para pedir a exclusão da reintegração.

Na proposta de lei consta, ainda, a revogação total, atenção total, da limitação à subcontratação de serviços. Actualmente, as empresas que tenham realizado despedimentos colectivos e extinções de postos de trabalho não podem, por 12 meses, recorrer à subcontratação.

Enfim, toda esta panóplia de mudança nos direitos dos trabalhadores só tem um objectivo: agradar aos patrões, os quais são a minoria num povo trabalhador que começa a ver a vida a andar para trás. O povinho, por exemplo da zona centro, desespera. Em Leiria e Marinha Grande, onde as tempestades de Janeiro mais danificaram património, ainda há pessoas sem telhado, luz, água e telefone.

Várias fábricas vão encerrar e centenas de trabalhadores vão para o desemprego. Os apoios estatais demoram a chegar e não se encontra m-ao-de-obra porque com a mudança da lei da nacionalidade centenas de imigrantes já partira, para outras paragens e prevê-se que nos próximos seis meses milhares de imigrantes do Bangladesh, Nepal, Índia, Paquistão Roménia sigam para Espanha, França e Suíça.

Os preços dos produtos alimentares aumentam semanalmente, o preço das casas está insuportável e o preço dos combustíveis já obriga centenas de condutores a deixar o carro à porta de casa. O que resta a muitas famílias, afinal? Nada mais, que a “sopa salvadora”…

Livro | Poemas de Maria Anna Tamagnini reeditados em Portugal

Foi lançada, no último sábado, a nova edição de “Lin-Tchi-Fá / Flor de Lótus”, livro de poesia de Maria Anna Tamagnini editado em 1925 e que revela muito sobre a presença da autora a Oriente e sobre a sociedade de Macau à época. Maria Anna era esposa do Governador Tamagnini Barbosa e uma mulher pioneira no seu tempo, destaca ao HM o editor, Henrique Levy

É com a chancela da N9na Poesia que acaba de ser editado, em Portugal, mais uma obra literária relacionada com Macau. Trata-se de “Lin-Tchi-Fá / Flor de Lótus”, livro de poesia de Maria Anna Acciaioli Tamagnini, publicado originalmente em 1925. Maria Anna foi para Macau devido à nomeação do seu marido, Artur Tamagnini de Sousa Barbosa, como Governador do território, tendo aí contactado com a cultura chinesa e uma sociedade muito particular.

Segundo um comunicado da editora, trata-se de “uma obra singular no panorama literário português, marcada por uma imaginação orientalista rara e por uma sensibilidade poética que distingue a sua autora”.

A “recuperação e reedição” de “Lin-Tchi-Fá / Flor de Lótus” justifica-se “pelo valor literário intrínseco da obra, pela singularidade da sua visão orientalista e pelo contributo que oferece para compreender as formas através das quais uma mulher escritora conseguiu afirmar a sua voz num contexto cultural marcado por fortes assimetrias de género”.

Desta forma, “esta nova edição procura restituir visibilidade a uma autora injustamente marginalizada pela historiografia literária e reinscrever a sua poesia no diálogo contemporâneo sobre cruzamentos culturais, sensibilidades e tradições poéticas”.

Ao HM, Henrique Levy, editor da obra e ex-residente de Macau, contou que esta edição está relacionada não só com a celebração do centenário da publicação do livro, em 2025, como se interliga ainda com outra edição, em inglês e chinês, editada pela Praia Grande Edições. A tradução ficou a cargo de Lian Zimo e Ian Watts.

“A poesia de Maria Anna Tamagnini tem um interesse muito especial porque é a única poetisa orientalista portuguesa”, começou por dizer. “O livro saiu em 1925, ela morreu em 1933 e não teve oportunidade de escrever outro. Ela esteve em Macau como primeira dama e em vez de se entregar somente a obras de caridade, conviveu com filósofos e poetas chinesas, participou em tertúlias e aprendeu a língua chinesa.”

O casamento com Artur Tamagnini Barbosa aconteceu muito cedo, quando Maria Anna tinha apenas 16 anos. Aos 19 anos, foi para Macau. “É importantíssimo este olhar feminino do Oriente, e este livro é muito revelador disso, sendo uma marca muito grande na literatura portuguesa”, acrescentou Henrique Levy.

Vida ceifada

Maria Anna Acciaioli Tamagnini nasceu em 1900, em Torres Vedras, e faleceu muito jovem por complicações de parto. Estudou na Faculdade de Letras de Lisboa, onde conheceu aquele que viria a ser o seu marido, e com quem teve cinco filhos. Entre 1918–1919 e 1926–1930 viveu em Macau, nos mesmos anos de Camilo Pessanha, pelo que a sua escrita ganhou também algumas influências do Simbolismo, Parnasianismo e Orientalismo, se bem que Henrique Levy destaque “a afinidade” com a poesia de Florbela Espanca.

“Não há nada que nos prove que [Maria Anna Tamagnini] tenha conhecido a poetisa, mas a poesia sim, e tinha uma grande afinidade com ela”, mas sem a componente de tristeza que os poemas de Florbela Espanca têm. Ao invés disso, encontramos “denúncia e observação do papel da mulher”.

Nos poemas de “Lin-Tchi-Fá / Flor de Lótus” encontramos escritos sobre a vida das mulheres, mas também “sobre os jardins, a música, a envolvência oriental que, para ela, era uma novidade”. “Todo o espanto, a organização social, as casas de ópio, sempre com uma visão um pouco crítica em relação à sociedade oriental em que se foi inserir”, acrescentou.

Maria Anna Tamagnini teve o privilégio de, como mulher, ter estudado, sendo que o casamento lhe permitiu ter contacto com um novo mundo oriental. Henrique Levy destaca a empatia que Maria Anna Tamagnini teve em relação ao que lhe era desconhecido: a cultura chinesa.

“Ela fazia tertúlias com intelectuais chineses, poetas e filósofos, no Palácio de Santa Sancha. Falava com eles em chinês e interessava-se muito [por esse mundo], e o que estou a dizer é muito importante, porque representa a empatia pelo outro, não é? Falamos de uma mulher que vai daqui para o Oriente, e em vez de ter tido um papel simplificado e cómodo de primeira dama, vai interessar-se por uma outra cultura, pelo outro, pela sua língua. Não só há uma aceitação, como uma busca, uma procura por ‘Onde é que eu estou, quem são estas pessoas, que cultura transportam?'”, frisou o editor.

História ainda não é delas

Henrique Levy considera que a forma como a história dos Descobrimentos portugueses tem sido contada deixa para segundo plano os portugueses que tentaram perceber o outro, a sua língua e cultura. Maria Anna Tamagnini é só mais um exemplo, a que se junta o do jesuíta Francisco de Pina, que aprendeu vietnamita e “fixou a língua vietnamita que se escreve hoje”, ou Bento de Góis, nascido em 1562 nos Açores e foi o primeiro europeu a percorrer o caminho terrestre da Índia para a China, através da Ásia Central.

“O papel dos portugueses nem sempre foi o de Afonso de Albuquerque e de outros sanguinários. Mas o que a história faz foi limpar aqueles que tiveram outro tipo de papel e que foram ao encontro do outro, que sentiram empatia, que se tentaram integrar no outro, que não forçaram a sua língua, a religião, os hábitos culturais. Maria Anna Tamagnini não foi a única.”

Reeditar “Lin-Tchi-Fá / Flor de Lótus” é também importante para dar destaque a mais uma mulher na poesia portuguesa. “Há muitas Maria Anna esquecidas na literatura portuguesa, que é altamente misógina e patriarcal. A literatura portuguesa põe praticamente a mulher de lado. Esquece-a, tanto no século XIX como XX. Mesmo no século XXI, muitas vezes, as mulheres não têm a mesma projecção, e não é só na literatura. A mulher é ostracizada em grande parte das actividades”, considerou.

Diplomacia | China e EUA acordam aprofundar cooperação comercial

Após o encontro entre Xi e Trump em Pequim, os dois países comprometeram-se a dar seguimento aos acordos comercias já existentes e a criar novos canais para estimular o investimento bilateral

A China e os Estados Unidos acordaram continuar a implementar os acordos comerciais existentes e criar novos conselhos bilaterais de comércio e investimento, anunciou sexta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi.

Após a cimeira entre os presidentes chinês e norte-americano, Xi Jinping e Donald Trump, em Pequim, e segundo um comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, as delegações dos dois países alcançaram “resultados positivos no geral”, incluindo o compromisso de continuar a aplicar “todos os acordos assinados durante as consultas anteriores”.

As duas potências decidiram ainda estabelecer um conselho de comércio e um conselho de investimento, numa tentativa de aprofundar os mecanismos de diálogo económico bilateral.

A diplomacia chinesa informou também que Pequim e Washington concordaram em abordar “as preocupações mútuas relativas ao acesso aos mercados agrícolas” e promover o crescimento do comércio bilateral através de “reduções tarifárias recíprocas”.

A cimeira de dois dias terminou sexta-feira com a partida de Trump de Pequim, após uma visita marcada por sinais de aproximação diplomática, mas sem avanços significativos nas principais divergências geopolíticas entre os dois países, incluindo a crise no Médio Oriente e a questão de Taiwan.

Trump classificou os entendimentos económicos alcançados como “fantásticos”, embora não tenham sido anunciados acordos concretos de grande dimensão nem detalhadas novas promessas de investimento chinês nos Estados Unidos.

O Presidente norte-americano viajou acompanhado de uma ampla delegação de empresários e dirigentes económicos, numa deslocação em que Washington procurava obter compromissos comerciais tangíveis, nomeadamente nos sectores agrícola e industrial.

Sem progressos

Até várias horas após a partida de Trump, não tinham sido divulgados novos acordos específicos. Vários analistas consideravam pouco provável que o encontro produzisse progressos substanciais nas questões mais sensíveis, mas acrescentavam que Trump necessitava de regressar aos Estados Unidos com sinais de estabilidade económica, numa altura em que enfrenta inflação persistente, a crise no Médio Oriente e a aproximação das eleições intercalares.

Pequim anunciou ainda que Xi Jinping realizará uma visita de Estado aos Estados Unidos no próximo Outono, a convite de Trump, segundo a agência estatal chinesa Xinhua.

Compras no pacote

A China anunciou um compromisso de princípio com os Estados Unidos para reduzir as tarifas alfandegárias sobre produtos de igual importância para ambos os lados e confirmou também a compra de aviões norte-americanos.

As duas maiores economias do mundo concordaram em reduzir as barreiras não tarifárias sobre determinados produtos agrícolas, incluindo o marisco e os produtos lácteos chineses, bem como a carne de bovino e de aves norte-americanas, além de expandir o comércio agrícola bilateral através de reduções tarifárias mútuas numa gama definida de produtos. O Ministério do Comércio chinês confirmou ainda um acordo referente à compra de aviões norte-americanos e à garantia de Washington de fornecimento de motores e componentes aeronáuticos à China.

Na sexta-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o líder chinês Xi Jinping prometeu a compra de 200 aviões Boeing, número inferior às encomendas de 500 aparelhos 737 MAX e cerca de uma centena de modelos de longo curso (787 Dreamliner e 777) referidas pela imprensa nos últimos meses.

Taiwan | Wang Yi diz que EUA compreendem posição chinesa e pede “acções concretas”

O chefe da diplomacia da China, Wang Yi, declarou que os Estados Unidos (EUA) compreendem a posição de Pequim e rejeitam a independência de Taiwan, e pediu a Washington “medidas concretas” para garantir a paz.

Após a partida do Presidente norte-americano, Donald Trump, que esteve menos de 48 horas em Pequim, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês reiterou na sexta-feira que a questão de Taiwan é “a questão mais importante nas relações China-EUA”.

“Manter a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan é o maior denominador comum para ambos os lados. O pré-requisito para isso é nunca apoiar ou tolerar a ‘independência de Taiwan’”, afirmou Wang, em declarações à imprensa.

O ministro indicou que, durante o encontro com o líder chinês Xi Jinping, ficou claro que os Estados Unidos compreendem a posição da China e valorizam as preocupações chinesas. Horas antes, Donald Trump referiu que não está a incentivar Taiwan a procurar a independência da China e garantiu que não deseja uma guerra com Pequim por causa deste tema.

“Não quero que ninguém se torne independente. E sabe que mais? Será que vamos viajar 15.300 quilómetros para travar uma guerra? Não quero isso”, sublinhou o republicano em entrevista à emissora norte-americana Fox News.

Segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua, Xi Jinping terá avisado Trump de que a “má gestão” da questão pode levar a China e os Estados Unidos a um confronto ou mesmo a um ataque. Donald Trump confirmou na sexta-feira ter discutido com Xi Jinping a eventual venda de armas norte-americanas a Taiwan, mas afastou a possibilidade de um conflito iminente.

O chefe de Estado norte-americano afirmou que ainda não tomou uma decisão sobre a venda de armamento a Taiwan, uma medida fortemente criticada por Pequim, acrescentando que deverá decidir “em breve”.

Agência Europeia e Academia Chinesa das Ciências lançam satélite SMILE

Com o satélite SMILE da Agência Espacial Europeia (ESA), cujo lançamento está previsto para terça-feira, será possível observar pela primeira vez o confronto entre os ventos solares e o escudo magnético da Terra.

SMILE – sigla de Solar wind Magnetosphere Ionosphere Link Explorer – é uma missão preparada e desenvolvida em colaboração com a Academia Chinesa das Ciências (ACS).

Na terça-feira, às 05:52 de Paris, o satélite partirá do centro espacial de Kourou, na Guiana Francesa, a bordo do Vega-C, o lançador ligeiro da ESA. Inicialmente previsto para 09 de Abril, o lançamento foi adiado por razões técnicas. “O que queremos estudar com o SMILE é a relação entre a Terra e o Sol”, explica Philippe Escoubet, cientista do projeccto na ESA.

Os ventos solares têm origem nas ejecções de massa coronal (CME, na sigla em inglês) que ocorrem à superfície do Sol. Estas ejecções de plasma provocam fluxos de partículas que se propagam até à Terra a velocidades que podem atingir os dois milhões de quilómetros por hora.

Ao entrarem em contacto com o campo magnético do planeta, que funciona como um escudo, estes fluxos são em grande parte desviados. Porém, quando os ventos são intensos, partículas carregadas penetram na atmosfera terrestre e interagem com as partículas atmosféricas, dando origem ao conhecido fenómeno das auroras boreais.

Ao detectar a radiação X emitida quando as partículas carregadas do vento solar interagem com partículas neutras da alta atmosfera terrestre, os investigadores poderão estudar pela primeira vez, a partir do espaço, o escudo protector da Terra.

Graças ao SMILE, os investigadores poderão observar este fenómeno em dois locais privilegiados: a magnetopausa, isto é, a região onde o escudo do campo magnético desvia os ventos solares, e também os cornetos polares, acima dos polos, onde são visíveis os fotões de raios X, explica Dimitra Koutroumpa, investigadora do LATMOS, o laboratório Atmosphères Observations Spatiales do CNRS.

Quando estes ventos são particularmente fortes, podem provocar tempestades solares e representar um perigo para os satélites e outros equipamentos em órbita, como a Estação Espacial Internacional (ISS). Também afetam os sistemas de telecomunicações.

Desafios vitais

Melhorar os modelos que regem esta meteorologia espacial constitui, por isso, um desafio crucial em matéria de segurança para estas infraestruturas, bem como um objectivo científico de grande relevância. Na terça-feira, o satélite será inicialmente colocado a 700 quilómetros de altitude antes de prosseguir, pelos seus próprios meios, a viagem até alcançar uma órbita elíptica em torno da Terra.

Desta forma, sobrevoará o polo Sul a apenas 5.000 quilómetros de altitude – para poder transmitir os dados recolhidos para a base O’Higgins, na Antártida – mas atingirá os 121.000 quilómetros acima do polo Norte, obtendo assim uma visão global.

Esta órbita elíptica permitirá aos investigadores observar “regiões importantes do espaço próximo da Terra durante mais de 40 horas consecutivas”, refere a ESA.

O satélite transporta quatro instrumentos: um dispositivo de imagiologia de raios X (fabricado em Leicester, no Reino Unido), bem como um dispositivo de imagiologia UV, um analisador de iões e um magnetómetro, desenvolvidos pela Academia Chinesa das Ciências.

Todos os dados serão partilhados e disponibilizados tanto aos investigadores da ESA como aos da Academia Chinesa das Ciências. O SMILE terá capacidade para recolher os primeiros dados apenas uma hora após entrar em órbita. Está previsto que opere durante três anos e meio, período renovável uma vez.

O homem de pé diante das montanhas frias de Gao Yan

Liu Zhangqing (c.709-785), que foi funcionário imperial e poeta durante um período de grande perturbação política que abalou a dinastia Tang, como a revolta de An Lushan, foi também no seu percurso biográfico acompanhado de sucessivas acusações e condenações que o levaram a contínuas deslocações até chegar ao importante posto de governador de Suizhou (Hubei) em 780, a partir do qual passaria também a ser conhecido como Liu Suizhou como se finalmente encontrara o seu lugar.

Numa dessas deambulações, descreveu de forma breve e eloquente como foi acolhido numa noite de vento e chuva numa Montanha dos Hibiscos, um nome comum a várias montanhas:

«A noite descendo e as montanhas verdes surgem na sua vastidão de caminhos infinitos, No meio do frio gelado uma humilde cabana surge na sua pobreza. Subitmente por trás de uma porta, feita de ramos entrelaçados, oiço um cão a ladrar, Nessa noite de chuva e neve fui recebido como se fora da família.»

Muitos anos depois, um outro poeta, também pintor, deixou-se tocar pela mesma impressão contrastante de sentida tristeza perante a irrecusável beleza diante de seus olhos. Chamava-se Gao Yan (1492-1542) e também ele vivia tempos inquietantes, com a abrupta mudança dinástica de Ming para a estrangeira Qing que parecia vir para fazer esquecer tantas e tão acarinhadas tradições e convicções. Não sucederia assim mas o pintor de Guangdong ainda não sabia e num dia em que de súbito o tempo começou a mudar, tornando-se mais frio e escuro guardou a memória dessa mutação indesejada numa pintura e num poema.

A pintura (rolo vertical, tinta e cor sobre seda, 169 x 92 cm, no Museu de Arte da Universidade Chinesa de Hong Kong) mostra a amplidão das montanhas cobrindo-se de branco com pequenos povoados aninhados sob um céu cinzento e um homem só, entrando no canto inferior esquerdo.

Gao Yan desenhou esse homem que parece ouvir um rumor interior com um tecido preto sobre a cabeça, o daojin que distingue os viajantes errantes e ermitas daoístas. O preto, entendido como a reunião de todas as cores associado ao elemento água, a força flexível dos que buscam o Dao, o bem maior separado de qualquer autoridade secular.

Cruzando o espaço da pintura numa recta oblíqua, no canto superior direito, o autor escreveu o poema como se fora ele o homem que vem entrando, deparando-se com a brancura da neve branda que caracteriza o vigésimo período, xiaoxue, de vinte e quatro da divisão tradicional dos tempos do ano.

E como tudo o que cai, desperta-lhe a intuição de escutar um som e a suavidade do silêncio que se segue: «O céu azul como num sonho fecha-se numa névoa primordial, Numa só noite uma incrível extensão de nuvens vermelhas esvazia-se. Colinas e vales tornam-se num ápice num mundo prateado, O homem de pé, sozinho, está imerso nos mais desventurados pensamentos.»

Ensino católico | Académico destaca adaptação a “situação sociopolítica”

Um académico de Hong Kong afirma que, com a transição política nas regiões administrativas especiais, “o desafio da educação católica” passa pela adaptação à “nova situação sociopolítica” e perceber como servir melhor o país

A transição de Hong Kong e Macau para a China, em 1997 e 1999, respectivamente, “significa que as duas regiões administrativas especiais têm de se adaptar à nova configuração política”, disse à Lusa Thomas Kwan Choi-Tse, professor e director interino do departamento de Política e Administração Educacional da Universidade Chinesa de Hong Kong.

Kwan falou à margem de uma conferência académica para dirigentes na Educação Católica, realizada na Universidade de São José, e que juntou até sábado especialistas de várias geografias da região.

“Vejo que um dos desafios [da educação católica] reside em como servir melhor não só Hong Kong e Macau, mas também a Grande China”, continuou o investigador, fazendo uso de um termo utilizado pela China e que engloba também Taiwan. “Apercebo-me de uma maior troca de informações entre, digamos, Hong Kong e a China, para que haja um melhor entendimento mútuo”, reforçou.

Neste sentido, a Diocese de Hong Kong tem feito “algumas alterações”, nomeadamente nos programas escolares, com a ambição de “acrescentar um tempero chinês ao currículo actual”, referiu Kwan, autor da investigação “Programa de educação religiosa da Igreja Católica em Hong Kong: Desafios e respostas desde 1997”, publicado em 2015.

Embora retenha fortes elementos religiosos no currículo, a Igreja Católica em Hong Kong “ampliou e reorientou” o programa, reformulando conteúdos e métodos pedagógicos, refere-se neste estudo, sublinhando que “o novo programa se caracteriza por ajustes e diferenciação, pela valorização da fé cristã e pela assimilação selectiva da cultura chinesa”.

À Lusa, Kwan frisa esta abordagem à cultura chinesa e menciona o padre italiano Matteo Ricci (1552-1610), uma das figuras fundadoras das missões jesuítas na China, que chegou a Macau em 1582: “ele desempenha um papel entre o Oriente e o Ocidente, então pode encontrar-se alguma história sobre a contribuição da teoria católica para a cultura chinesa”.

Interferências externas

Ainda sobre Hong Kong, o responsável sublinhou o “papel estratégico” da ex-colónia britânica na comunicação entre os dois lados da fronteira. “Até agora não existe uma relação diplomática formal entre o Vaticano e a China. E o estatuto especial de Hong Kong desempenha um papel subtil na facilitação da comunicação”, concretizou.

Estima-se que existam cerca de 12 milhões de católicos no país. Em Hong Kong, de acordo com a diocese, vivem perto de 400 mil, enquanto a Diocese de Macau aponta para uma comunidade de 30 mil fiéis na cidade. Em Macau, a Lei Básica estabelece que o Governo “não interfere nos assuntos internos das organizações religiosas”.

Rendas | Habitação ligeiramente mais barata

No primeiro trimestre de 2026, a renda média por metro quadrado de área útil da habitação cifrou-se em 140 patacas, de acordo com os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Em relação ao último trimestre do ano passado, este valor representa uma redução de 0,4 por cento. Os dados foram revelados na sexta-feira.

Em relação às fracções autónomas utilizadas, como lojas, a renda média foi de 467 patacas, uma redução trimestral de 1,2 por cento, enquanto nos escritórios foi de 274 patacas, uma diminuição mensal de 1,5 por cento, e nas fracções industriais 177 patacas, uma quebra de 2,2 por cento.

Pagamentos Móveis | Valor das transacções sobe 6,7%

No primeiro trimestre deste ano, o montante dos pagamentos electrónicos atingiu 8,5 mil milhões de patacas, um aumento anual de 6,7 por cento, de acordo com os dados divulgados pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

O número de transacções realizadas aumentou 7,1 por cento, chegando às 96,8 milhões. O valor médio por transacção foi de 87,5 patacas. Até ao final de Março, 112.694 unidades aceitavam pagamentos móveis e QR Code.

K-Pop | Macau e Hong Kong aproveitam restrições no Interior

Com a proibição informal dos concertos de K-pop no Interior, as regiões especiais aproveitam a oportunidade para promover o turismo. Em Macau, os resultados são mais limitados

Os chineses do Interior sempre se deslocaram a Macau e Hong Kong à procura do que não encontram ali, desde oportunidades de trabalho a menos restrições, mas recentemente surgiu algo inusitado: concertos de K-Pop.

Dez anos após a proibição informal de concertos de K-Pop na China continental, o género musical sul-coreano continua a mobilizar milhões de fãs chineses, garantem à Lusa fãs e académicos, com Macau e Hong Kong a serem as regiões onde os concertos são autorizados. A K-Pop é um género musical da Coreia do Sul, que combina pop, hip-hop, R&B e electrónica.

Surgido nos anos 90, o género musical tornou-se um fenómeno global focado em grupos de ídolos, como o grupo masculino BTS ou o feminino Blackpink, presentes regularmente nas listas de músicas mais ouvidas e nos maiores festivais de música internacionais.

No último mês, mais de 30.000 pessoas, a maioria do Interior da China, estiveram presentes no K-Spark. Cassie Yan, uma advogada de 32 anos da província de Fujian, que esteve presente em Macau para o festival, diz à Lusa que o seu fascínio pela K-Pop foi uma “parte marcante da vida escolar”. “Partilhar recortes de revistas nos intervalos, recomendar grupos uns aos outros, discutir os programas e visuais dos ídolos e até aprender coreografias tornou-se uma linguagem social comum”, descreve.

A fã conta ainda como nos últimos 10 anos esta paixão se “traduziu cada vez mais em viagens”, seja para o exterior, seja para Macau e Hong Kong, porque as RAEs são os únicos locais onde concertos de artistas de K-Pop são permitidos.

O investigador de sociologia na Universidade Kansai Gaidai em Osaka, Ingyu Oh, descreve à Lusa que, até 2016, a China funcionava como um os maiores mercados para a indústria, além de “viveiro de talentos, plataforma de marcas e infra-estrutura de digressões”, quando uma súbita proibição pós um fim a essa presença.

Olá misseis, adeus K-pop

Nesse ano, uma decisão por parte da Coreia do Sul de instalar um sistema norte-americano de defesa antimíssil foi visto por Pequim como uma ameaça à sua segurança, levando à imposição de uma proibição não-oficial sobre artistas, ‘shows’ e conteúdos de entretenimento sul-coreanos, mas também restringindo transmissões televisivas de concertos.

“A proibição desmantelou o ecossistema”, explica Ingyu. “O que resta é um sistema sustentado na internet e sem acesso físico ao mercado”, acrescenta. Para o especialista, desde 2016, o consumo de conteúdos culturais sul-coreanos passou a ser “regulado de forma opaca e caso-a-caso”, funcionando como um instrumento de diplomacia por parte do Governo chinês.

Algo semelhante aconteceu recentemente, com ‘performances’ de artistas japoneses, canceladas abruptamente desde Novembro do ano passado, depois da líder do Japão, Sanae Takaichi, ter afirmado no parlamento nipónico que o país poderia intervir no caso de uma invasão por parte da China a Taiwan.

Apesar da proibição, Ingyu realça que o fenómeno K-Pop se manteve vivo na China com “uma economia de fãs intensamente organizada e sustentada digitalmente”.

O especialista aponta que as importações de álbuns sul-coreanos atingiram quase 60 milhões de dólares em 2023, quase o dobro do ano anterior, impulsionadas sobretudo por compras ‘online’. Macau tem tentado usar concertos e eventos de entretenimento em grande escala como uma estratégia para diversificar a economia.

Nos últimos anos, isso traduziu-se em concertos de bandas de K-Pop, realizados quase semanalmente. “Macau não é necessariamente o melhor lugar, mas é a opção mais equilibrada. Praticamente todos os grandes grupos em digressão mundial incluem Macau nos itinerários”, descreve Cassie Yen à Lusa. A fã considera que, comparada com Hong Kong e Taiwan, “Macau oferece melhor relação qualidade-preço, boa hotelaria e bons recintos”.

Ainda assim, diz Ingyu, Macau e Hong Kong não conseguem satisfazer a procura maciça dos fãs chineses e, embora ofereçam visibilidade ao género, “não proporcionam nem estabilidade nem escala”, com concertos cancelados à última hora e, sobretudo no caso de Macau, com recintos limitados pela dimensão do mercado.

Lucros difíceis

Patricia Cheong, presidente da Associação Internacional das Indústrias Culturais e Desportivas de Macau, admite à Lusa que a actual capacidade de eventos de Macau “não é fácil para os organizadores terem lucros”.

“Hong Kong tem mais vantagens para atrair artistas de topo, graças a recintos maiores, como o novo Estádio de Kai Tak”, sublinha, referindo-se a um novo espaço aberto na cidade em 2026 com capacidade para 50.000 pessoas.

Quanto ao futuro, Ingyu vê poucas hipóteses de uma reabertura plena do interior da China, sugerindo que o que pode vir a acontecer é um “alívio selectivo e simbólico, mais do que uma normalização completa”.

“Melhorias no tom diplomático podem produzir aberturas incrementais, mas um regresso total ao intercâmbio cultural pré-2016 é improvável, sem uma mudança estrutural mais ampla na geopolítica regional”, prevê o investigador.