Covid-19 | Eventos culturais e passeios turísticos cancelados. Museus fechados

GCS
A descoberta de 12 casos de covid-19 na comunidade levou ao encerramento de museus e ao cancelamento de espectáculos e actividades, nomeadamente os passeios turísticos destinados a residentes. Com o estado de prevenção em vigor, não há data para que espaços culturais e eventos regressem ao calendário normal

 

Com o Governo a sugerir aos residentes para não saírem de casa, devido ao surto comunitário de covid-19 detectado no sábado à noite, o encerramento de espaços e cancelamento de eventos culturais voltou a repetir-se, como em situações semelhantes no ano passado. Em termos de museus, fecharam ontem portas o Museu Marítimo, com a reabertura “a ser notificada oportunamente”, bem como o Museu dos Bombeiros ou o Museu do Grande Prémio, sem esquecer o Edifício Ritz.

Neste contexto, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) promete contactar todas as pessoas que já tinham adquirido bilhete para o Museu do Grande Prémio para proceder ao respectivo reembolso, uma vez que também não foi adiantada, para já, uma data de reabertura. Outro dos espaços que encerrou portas de imediato foi o Museu das Forças de Segurança de Macau.

Além disso, o Instituto Cultural (IC) avançou para o encerramento de outros espaços culturais, como as bibliotecas públicas, espectáculos de artes performativas ou espaços ligados ao sector das indústrias criativas.

Quem requisitou livros nas bibliotecas públicas não tem de respeitar, para já, o prazo de entrega das obras, não havendo, segundo o IC, “necessidade de o público se apressar para devolver os materiais da biblioteca”. Em situação de prevenção pandémica, “o horário de reabertura de vários espaços culturais será anunciado separadamente”.

Sem visitas para ninguém

Desde ontem que estão também suspensas as excursões locais inseridas no programa “Passeios, gastronomia e estadia para residentes de Macau”. Quem quiser esclarecer mais informações sobre os percursos já adquiridos, pode ligar para as linhas telefónicas 8396 3052 ou 2838 9153, diariamente entre as 09h e as 19h.

Na linha de encerramentos e cancelamentos, o Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau (IPIM) decretou também o fecho de portas do Centro de Exposição dos Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa, “até novo aviso a emitir oportunamente”.

Outro evento cancelado pela DST é a conferência de imprensa sobre a 10ª Exposição Internacional de Turismo (Indústria) de Macau, que estava agendada para amanhã. Também foi cancelada a sessão de esclarecimento para o sector da restauração sobre os critérios de avaliação para o período de supervisão do “Programa de Avaliação de Serviços Turísticos de Qualidade”, prevista para hoje. Em comunicado, a DST pede “a compreensão” dos agentes e operadores turísticos.

Jogo | Gestores do Rio e Galaxy com versões diferentes sobre fecho de casino

Tiago Alcântara
A gestora do Casino Rio acusou a Galaxy de nunca ter colocado a possibilidade de o casino-satélite continuar em funcionamento depois de 26 de Junho. No entanto, a concessionária defendeu-se e apontou que a gestora nunca mostrou vontade de prolongar o funcionamento

 

A empresa Rio Holdings, responsável pela gestão do Casino Rio, atirou as culpas do encerramento do espaço para a “concessionária”, ou seja, a Galaxy Entertainment. A posição foi tomada através de um comunicado publicado no Jornal Ou Mun, na sexta-feira, em que a identidade da concessionária não foi indicada.

Segundo a informação, a gestora do casino, a Rio Holdings, foi notificada pela Galaxy que o actual contrato que permite o casino-satélite operar ia terminar a 26 de Junho, e que se recomendava que o encerramento fosse feito a 15 de Junho, como efectivamente veio a acontecer.

A empresa do casino-satélite veio ainda recusar rumores de que estaria a exigir o pagamento de uma renda muito elevada à Galaxy, para operar depois de 26 de Junho. “Durante o processo, a concessionária nunca negociou connosco a possibilidade de o contrato ser renovado depois do prazo da concessão, e também nunca propôs que o espaço fosse arrendado para que pudesse continuar a operar”, pode ler-se no comunicado da Rio Holdings. “São absolutamente falsos os rumores que circulam na comunidade de que o proprietário do espaço pediu uma renda mensal [para exploração do casino] demasiado elevada”, foi acrescentado.

O anúncio do encerramento foi divulgado na quarta-feira passada, dia em que o casino no Hotel Rio e o casino no Hotel Presidente fecharam portas. Os dois espaços eram explorados através de acordo com a Galaxy.

Decisão antiga

Em declarações ao Jornal Ou Mun, Elmen Lee, vice-presidente executivo da Galaxy, afirmou que o encerramento foi discutido há meses e que não houve manifestação de vontade da outra parte para que o Casino do Rio continuasse a operar depois de 26 de Junho.

De acordo com Lee, mesmo depois de ser anunciado que os casinos-satélite iam receber um tratamento diferenciado do inicialmente proposta pela lei, a Rio Holdings não mostrou vontade de que o espaço continuasse a funcionar. Apesar da troca de responsabilizações, vice-presidente executivo da Galaxy confirmou que nunca houve discussões sobre “um pedido de renda demasiado elevada” por parte da entidade que explorava o casino.

Por outro lado, e ao contrário do noticiado na quinta-feira por um órgão de comunicação em língua portuguesa local, o Casino Waldo não vai encerrar até 26 de Junho. Segundo os responsáveis da Galaxy, o casino-satélite deverá assim continuar a operar até ao final do corrente ano, apesar de os moldes ainda serem desconhecidos.

Muralha Antiga | Ron Lam apela a investigação independente

DR
O deputado considera que o caso é grave e defende a necessidade de uma investigação independente das Obras Públicas e do Instituto Cultural ao deslizamento que danificou a Muralha Antiga

 

Ron Lam defendeu a necessidade de o incidente que destruiu um troço da Muralha Antiga ser investigado por uma entidade independente. O pedido foi feito pelo deputado numa interpelação escrita, divulgada ontem.

Segundo Ron Lam, o caso tem contornos graves e é indispensável que uma entidade independente faça uma investigação para apurar os motivos que levaram ao deslizamento de terras na Estrada de São Francisco. Ainda de acordo com o deputado, urge fazer os trabalhos de forma a descobrir os responsáveis pelo sucedido.

Actualmente, as Obras Públicas estão a elaborar um relatório interno sobre o sucedido. Por sua vez, o Instituto Cultural, que tutela o património local, afirmou que não planeia pedir nenhuma investigação, nem criminal, até as Obra Públicas terminarem o procedimento em curso. Também o Ministério Público não manifestou vontade, até à semana passada, de averiguar a ocorrência de qualquer crime neste episódio.

Na interpelação, Ron Lam indica também que o talude onde ocorreu o deslizamento não faz parte dos taludes que são frequentemente vigiados pelas entidades competentes, para evitar deslizamentos, e perguntou se há planos para que integre a lista.

No mesmo documento, Lam questionou ainda o Governo se vai prestar apoio aos moradores do edifício Ka On Kok, e ajudá-los a obterem as compensações pelos danos causados pelo deslizamento.

Demolição total

A interpelação surgiu dias depois de o Governo ter confirmado que vai demolir um troço de cerca de dez metros da muralha da cidade, por considerar que é “instável e em risco de derrocada”.

Em comunicado foi explicado, que depois de uma “avaliação e análise técnica no local”, na Estrada de São Francisco, as autoridades vão realizar “com urgência” a demolição do respectivo troço da antiga muralha.

O plano de demolição foi apresentado aos vogais do Conselho do Património Cultural, “tendo em consideração que, neste momento, a referida antiga muralha da cidade encontra-se num estado de urgência e que envolve a segurança pública, o Conselho não apresentou reclamação em relação ao respectivo plano”.

As autoridades também já acordaram com os moradores afectados o plano de restauro, procederam à limpeza e à vedação provisória do local.

Fronteiras | Zhuhai impõe quarentena de 7 dias. Testes mais apertados

DR

No seguimento da detecção dos novos casos de covid-19 em Macau, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da Cidade de Zhuhai emitiu uma nota a anunciar que todos os indivíduos que cheguem à região a partir de Macau estão obrigados a fazer quarentena de sete dias (domiciliária ou em hotel), mais sete dias de auto-gestão. A medida anunciada ontem tem efeitos retroactivos para todos aqueles que entraram em Zhuhai a partir de Macau desde a passada quarta-feira, 15 de Junho.

Relativamente à validade dos testes para circular entre os dois territórios, o Comando de prevenção e controlo da cidade de Zhuhai revelou que a desde as 09h de ontem, o prazo de validade dos testes de ácido nucleico para quem entra em Macau passa a ser de 48 horas (em vez de sete dias). Já quem sai de Macau continua a ter que apresentar um resultado negativo emitido nas últimas 24 horas.

“A partir das 09h do dia 19 de Junho de 2022, as pessoas que se deslocam a Macau através dos postos fronteiriços Zhuhai-Macau necessitam de ter o certificado de teste de ácido nucleico com resultado negativo emitido nas últimas 48 horas. A medida de apresentação do certificado de teste de ácido nucleico com resultado negativo emitido nas últimas 24 horas para pessoas que entram a Zhuhai através dos postos fronteiriços Zhuhai-Macau permanece inalterado”, pode ler-se na nota.

Visitas, consultas, vacinas e cirurgias não urgentes suspensas

Os Serviços de Saúde anunciaram que, durante o período de testagem em massa da população, vários serviços estarão suspensos ou condicionados. Assim, até à próxima quarta-feira, os serviços de consulta externa de especialidade, cirurgia programada não urgente, serviços de diálise peritoneal, e os postos de vacinação do Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ) e do Fórum de Macau estão suspensos. Também todas as visitas aos doentes internados estarão suspensas até “nova comunicação”.

Por seu turno, o Serviço de Urgência (incluindo o Posto de Urgência das Ilhas), o Serviço de Internamento Hospitalar, o Hospital de Dia do Serviço de Hematologia-Oncologia, a Unidade de Hemodiálise e a Farmácia do CHCSJ manterão o seu funcionamento normal. Entre 19 e 21 de Agosto, aqueles que são afectados pelas alterações e não podem comparecer ou receber tratamento ou serviços de exames no CHCSJ, “dentro de 7 dias úteis, serão notificados pelos respectivos departamentos sobre a data da nova consulta de acompanhamento, do tratamento ou exame”.

Ho Iat Seng: “É preciso quebrar a cadeia de transmissão rapidamente”

Numa visita efectuada ao Centro de Operações de Protecção Civil, o Chefe do Executivo reforçou que, tendo em conta a concentração e a origem dos novos casos de covid-19 detectados em Macau, “é preciso quebrar a cadeia de transmissão comunitária o mais rapidamente possível”. Perante um surto que considerou ter surgido de forma “súbita” e quer se propagou rapidamente, Ho Iat Seng sublinhou ainda a resposta imediata dos diversos departamentos governamentais de acordo com o plano de prevenção e agradeceu o “árduo trabalho”, tanto da Protecção Civil como do Centro de Coordenação. Durante uma visita a vários postos de testagem em massa, Ho Iat Seng mostrou-se, contudo, preocupado com o número insuficiente de testes rápidos para distribuir à população.

EPM | Exames decorrem nas datas previstas 

A direcção da Escola Portuguesa de Macau (EPM) vai manter o calendário dos exames nacionais de acesso ao ensino superior em Portugal, apesar de ter sido decretado o encerramento de escolas devido ao surto detectado no sábado à noite. Segundo a TDM – Rádio Macau, será apenas exigido aos alunos a apresentação de um auto-teste com resultado negativo 45 minutos antes das provas.

Economia | Governo lança sete medidas de apoio no valor de 10 mil milhões 

Rómulo Santos
O secretário para a Economia e Finanças anunciou ontem um pacote de sete medidas de apoio a residentes e empresas no valor de dez mil milhões de patacas. Os serviços públicos vão ficar encerrados até amanhã, mas os casinos continuam a operar

 

Depois de ser confirmado um surto comunitário no território, o Governo anunciou sete novas medidas de apoio económico a residentes e empresas. As medidas representam um gasto público de dez mil milhões de patacas, que terá ainda de passar pelo crivo da Assembleia Legislativa.

Assim sendo, será devolvido o imposto domiciliário para os sectores industriais e comerciais, decretada a isenção do imposto de turismo, além de serem concedidos apoios a taxistas para fazer face ao aumento do preço dos combustíveis. O pacote de medidas inclui também ajudas a profissionais liberais e lojas, sendo também estendido o prazo para que as pequenas e médias empresas (PME) devolvam o montante dos empréstimos concedidos pelo Governo. Até ao dia 31 de Dezembro de 2023 pagam apenas os juros.

“Sabemos que está quase a vencer o prazo de devolução e daremos mais um ano para que as empresas devolvam o empréstimo”, declarou o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong. O governante admitiu ainda atribuir mais apoios a “empresas de grande envergadura” pois estas “começaram a fechar”, prometendo “outra ponderação”.

O secretário terá como referências os planos de apoio criados nos últimos dois anos. “Estas medidas visam reduzir a sobrecarga sentida pelas empresas e dar um apoio nesta fase difícil da pandemia, para que possam superar as dificuldades. Daí os benefícios atribuídos aos profissionais liberais e lojas. Serão ainda adoptadas medidas de impulso ao consumo, como sorteios, a anunciar mais tarde.”

Casinos não fecham

O secretário garantiu também que, para já, os casinos não fecham portas, tendo em conta que são implementadas medidas de controlo da saúde, como a medição da temperatura, entre outras. Em relação à votação da proposta de lei do jogo na Assembleia Legislativa, o governante afirmou que deverá decorrer conforme o calendário previsto.

Na segunda conferência de imprensa de ontem foi confirmado que Macau não tem falta de fornecimento de produtos. Chegou ontem ao território o segundo lote de produtos alimentares frescos e vivos, e hoje chegam mais 300 toneladas de vegetais, 150 toneladas de frutas, 700 mil ovos e 380 porcos vivos.

O Lam, vice-presidente do conselho de administração do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), garantiu que não haverá falta de comida para quem está isolado em casa. “Será atribuído um kit de comida com legumes e carne de porco, com uma quantidade suficiente de alimentos para três dias. Temos carne congelada e legumes com maior duração, como batatas.” O lixo será recolhido também por equipas do IAM durante a noite.

As autoridades indicaram ainda que não é recomendável comer dentro de restaurantes, mas, para já, não é proibido fazê-lo. “Afastamos a possibilidade (de comer dentro dos restaurantes) antes de terminarmos a ronda de testes, porque se as pessoas tirarem a máscara e tomarem as refeições, isso constitui um risco. Em Macau, durante a pandemia, muitas medidas foram adoptadas com a colaboração dos cidadãos. Começamos com um apelo, mas se a situação não for controlada poderemos, pela via legal, obrigar as pessoas a não comer nos restaurantes”, disse Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde de Macau (SSM).

Foi ainda decretado que os serviços públicos permanecem de portas encerradas até amanhã, “à excepção dos serviços indispensáveis e urgentes”. Os funcionários públicos devem “observar o cumprimento do dever, evitando saídas e ficando em casa”.

Covid-19 | Macau em estado de prevenção, com 31 casos positivos. Testes em massa até amanhã

Rómulo Santos
Após a confirmação de novos casos de covid-19 de origem “desconhecida”, o Governo decretou ontem o estado de prevenção imediata e anunciou um novo plano de testagem em massa que inclui a distribuição de testes rápidos. Perante o surto “mais grave” desde o início da pandemia, Elsie Ao Ieong U apelou aos cidadãos para não saírem de casa e aos estabelecimentos não essenciais para fechar portas

 

Macau despertou ontem para a incerteza dos próximos dias. Após um início de noite e madrugada marcadas pela agitação das sirenes um pouco por toda a cidade e o isolamento de vários edifícios e áreas habitacionais, o Governo decidiu decretar ontem o estado de prevenção imediata e avançou para aquele que é o quarto plano de testagem em massa da população desde o início da pandemia.

“Macau está em risco de sofrer um surto do novo tipo de coronavírus na comunidade”, pode ler-se na nota do Centro de Operações de Protecção Civil emitida por volta da 01h da manhã de ontem.

Numa conferência de imprensa marcada de urgência, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, começou por revelar a detecção de 12 casos confirmados de covid-19 em Macau, admitindo que, provavelmente, o número deverá aumentar nos próximos dias. Sobretudo quando, segundo a responsável, a situação é a “mais grave” desde o início da pandemia. Mais tarde, o número de casos confirmados detectados no dia de ontem viria a subir para 21.

Por isso mesmo, e havendo o risco de transmissão comunitária, Elsie Ao Ieong U apelou ainda à população para ficar, tanto quanto possível, em casa e aos estabelecimentos não essenciais, incluindo os casinos, para fechar portas.

“Temos, pelo menos, 12 casos confirmados. Creio que o número vai aumentar nos próximos dias, porque estamos a proceder à testagem em massa da população. Apelo aos residentes para ficarem em casa. Oito destes casos são assintomáticos e quatro têm sintomas”, começou por dizer ao início do dia.

“Prevemos que os casos confirmados não fiquem por aqui. Esta situação é a mais grave [desde o início da pandemia], comparando com os surtos anteriores. Excepto, supermercados e outros locais de venda de bens essenciais, apelamos aos outros estabelecimentos para fecharem. Apelamos aos residentes para se manterem em casa e colaborarem com as medidas de prevenção da pandemia”, acrescentou.

As actividades educativas das escolas de todos os graus de ensino foram suspensas, assim como outros eventos públicos. As autoridades decidiram também suspender o funcionamento dos equipamentos sociais que prestam serviços diurnos (creches, centros de cuidados especiais e centros comunitários) e as visitas a lares de idosos, bem como o encerramento de museus. Quanto aos restaurantes, o Governo lançou um apelo para que a venda de refeições apenas seja feita para fora.

Durante a conferência de imprensa, Leong Man Cheong, dos Serviços de Polícia Unitários (SPU) apelou à tranquilidade e garantiu que há bens essenciais em número suficiente para toda a população.

“Foi activado o Centro de Protecção Civil que irá articular com os trabalhos de prevenção epidémica do Centro de Coordenação e manter a ordem da sociedade. Contactámos também com o Centro de Consumidores para assegurar o fornecimento dos bens necessários. Portanto, os residentes não precisam de comprar muitos bens. Apelamos aos cidadãos para prestar atenção às informações oficiais e não aos rumores”, indicou.

Mais uma voltinha

Em vigor desde o meio-dia de ontem, o novo plano de testagem em massa da população estará a decorrer, ininterruptamente, até ao meio-dia de amanhã, em 53 locais. À semelhança dos planos de testagem anteriores, o teste de ácido nucleico é gratuito, pode ser feito mediante marcação prévia e haverá filas dedicadas a pessoas com necessidades especiais, idosos e menores (estes, sem marcação prévia).

Além dos postos normais, estão também disponíveis 18 postos de testes pagos, com o objectivo de facilitar a passagem fronteiriça de trabalhadores e outros interessados.

A maior novidade do novo plano de testagem está na distribuição de três kits de testes rápidos após a recolha das amostras. No entanto, tal como explicou o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo Iek Long, numa primeira fase, os testes são apenas para conservar, até indicação em contrário. Caso seja necessário, o objectivo passará por ajudar os Serviços de Saúde a confirmar casos de covid-19 numa fase posterior.

“Estamos a distribuir testes rápidos aos residentes para prevenção, mas quanto ao seu uso, vamos anunciar posteriormente. O resultado dos testes rápidos pode ser carregado no código de saúde através do link disponibilizado na aplicação. Estes testes rápidos são para ajudar os serviços de saúde a confirmar casos nas amostras mistas. Essas pessoas terão de fazer o teste rápido para confirmar o seu caso. Cada residente vai ter três kits de testes rápidos para apoiar os trabalhos de prevenção epidémica”, detalhou.

Origem desconhecida

Questionado sobre os novos casos detectados, Alvis lo apontou que, para já, a sua origem é ainda “desconhecida”. Isto apesar de se tratarem de casos “conexos” e a possibilidade de o número de casos vir a aumentar nos próximos dias ser uma “certeza”.

“Há 12 casos confirmados e são todos conexos. Quanto ao historial de viagem não vejo qualquer ligação directa com outras cidades, por isso a origem é desconhecida. Posso dizer com certeza que vão ser confirmados mais casos”, referiu o responsável.

Sobre o tema, a secretária começou por apontar que, numa fase preliminar, os novos casos não estarão relacionados com os hotéis de quarentena, embora a hipótese não possa ser totalmente descartada.

“Numa fase preliminar isto não tem a ver com os hotéis designados. Não conhecemos origem e, por isso, temos que investigar. Não excluímos hipótese de os casos terem sido importados”, partilhou.

Mais tarde, numa nova conferência de imprensa, Alvis Lo viria a revelar que o número de casos confirmados subiu para 21, referentes a indivíduos com idades compreendidas entre os 8 meses e os 89 anos. Destes, detalhou o responsável, 13 são trabalhadores não-residentes (TNR) e quatro não estão vacinados (entre os quais dois idosos). Entre os TNR, sete são empregadas domésticas, três estão desempregados, dois trabalham num restaurante e um é segurança de hotel. Um dos outros casos trabalha no estabelecimento prisional de Coloane.

As autoridades separaram ainda os novos casos em dois grupos, com o primeiro, de 17 pessoas, a incluir os 13 TNR (que vivem juntos), uma pessoa que mora no mesmo andar, duas colegas dos TNR que trabalham no restaurante e a respectiva empregadora. O segundo grupo inclui o trabalhador do estabelecimento prisional e três familiares.

Sobre a origem dos casos, Alvis Lo reiterou que a fonte de contágio continua incógnita, mas que, dado “não ser provável” que a fonte sejam os hotéis de quarentena, a probabilidade de ter vindo do Interior da China é “alta”.
Ao final da noite, a contabilidade subiu para 31 casos positivos, referentes a 21 mulheres e 10 homens.

Macau

Zonas Vermelhas – Controlo Selado

Edifício Yim Lai: Rua de Manuel de Arriaga 66-66C

Padre Modern Cuisine: Avenida da Praia Grande 251

Edifício Tat Cheong: Rua de Afonso Albuquerque 33-35G

Edifício Parkway Mansion (Bloco 2): Rua do Almirante Costa Cabral 146

Centro Chiu Fok: Rua de Pedro Coutinho 23

Zona Amarela – Zona de Prevenção

Edifício Son Lei: Rua de Manuel de Arriaga 64-64B

Edifício Chun Fong: Rua de Afonso de Albuquerque 38-40A

Edifício Tak Fong: Avenida da Praia Grande 241-253

Edifício Tak Weng: Rua de Afonso de Albuquerque 37-45

Edifício Man Heng: Rua de Afonso de Albuquerque 31C-31G

Taipa

Zonas Vermelhas – Controlo Selado

Flower City – Lei Pou Kok: Avenida Olímpica 177-259, Rua de Évora 10-72

Filha de Duterte toma posse como vice-presidente das Filipinas

DR

Sara Duterte-Carpio, filha do ainda presidente filipino, Rodrigo Duterte, prestou hoje juramento em Davao (sul) como vice-presidente do país, 11 dias antes de o seu companheiro de candidatura, Ferdinand “Bongbong” Marcos Jr, tomar posse como chefe de Estado.

Após a esmagadora vitória eleitoral da candidatura, Sara Duterte quebrou a tradição de posse conjunta do presidente e do vice-presidente e escolheu tomar posse no feudo da família em Davao, na ilha de Mindanao, 11 dias antes de Marcos, que tomará posse em 30 de junho, em Manila.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram como o ainda presidente, Rodrigo Duterte, compareceu à tomada de posse, que encerrará o seu mandato de seis anos em 30 de junho, altura em que será substituído por “Bongbong” Marcos, vencedor das eleições presidenciais de maio passado, e que também esteve hoje na cerimónia.

A nova vice-presidente do país, que substitui a progressista Leni Robredo, afirmou que, com a mudança de datas, quer possibilitar que a cerimónia seja realizada no feudo da família de Davao, onde tanto ela como o seu pai foram autarcas, e onde Rodrigo Duterte viveu boa parte do seu mandato como chefe de Estado, apesar de o palácio presidencial ser na capital, Manila.

A herdeira do clã Duterte, com 43 anos, liderou por meses as sondagens como a candidata favorita dos filipinos à presidência do país, mas finalmente decidiu descartar essa opção e concorrer à vice-presidência, de mãos dadas com Marcos.

A sua vitória esmagadora, com mais de 60% dos votos (o cargo é votado separadamente do de presidente), consolida o salto da dinastia Duterte do seu feudo local de Davao para a política nacional.

“Bongbong” Marcos, filho do falecido ditador Ferdinand Marcos, venceu as eleições presidenciais de 09 de maio por maioria esmagadora, com mais do dobro dos votos do seu rival mais próximo, precisamente a então vice-presidente Leni Robredo.

MUST faz investigação pioneira sobre condições meteorológicas severas

Tatiana Lages / Lusa

O presidente da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) recebeu 1,14 milhões de patacas de financiamento para liderar uma investigação pioneira sobre condições meteorológicas severas no território. “É importante, por causa do impacto das alterações climáticas nas condições meteorológicas extremas e inundações em Macau”, começou por dizer à Lusa Joseph Lee Hun-wei, presidente da MUST.

Atribuído pelo Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia de Macau (FDCT) e pelo Departamento de Ciência e Tecnologia da Província de Guangdong, o apoio vai subvencionar, segundo o responsável, uma “investigação fundamental para a previsão de tempestades e inundações” na região administrativa chinesa.

“A ideia é progredir nesta capacidade de prever intempéries em Macau”, notou o especialista na área da engenharia hidráulica e ambiental.

Trata-se de um projeto de três anos, que incide sobre a Baía de Hac Sa, na ilha de Coloane, uma zona “que ainda não foi bem estudada”, e que coloca a MUST na frente da investigação climática local: serão realizadas “as primeiras medições em campo de ondas e correntes marítimas de Macau”, com instrumentos e sensores a serem depositados no local.

É, além disso, a primeira “colaboração a fundo” com um “importante centro de investigação hidráulica na província de Guangdong” – o Instituto de Estudo Científico de Recursos Hídricos do Rio das Pérolas.

Este ano esperam-se entre cinco a oito ciclones tropicais na região, de acordo com uma antecipação feita em março pela Direção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) de Macau, que salientou que “os extremos climáticos continuam a ocorrer e os ciclones tropicais continuam a aumentar” no território.

Joseph Lee tem-se dedicado nos últimos anos ao estudo de soluções no campo da engenharia para mitigar o impacto das alterações climáticas no património e nas cidades. Esteve envolvido em projetos nas áreas de Mong Kok e Happy Valley, em Hong Kong, onde, para reduzir os efeitos das inundações, se optou por soluções como a drenagem das águas pluviais através de túneis subterrâneos que transportam a água até ao mar.

Para fazer face aos fenómenos meteorológicos severos em Macau, como tempestades, o engenheiro defendeu, no final de abril, durante um ‘webinar’ organizado pelo Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS, na sigla inglesa), uma “combinação de soluções baseadas na natureza”, como o desenvolvimento de mangais que podem ajudar a reduzir o impacto das ondas em caso de tufões, e de “soluções estruturais”.

“Aqui, as redes subterrâneas e de drenagem podem ser bastante relevantes, porque, no meu entendimento, quando chega o tufão, a água do mar pode retornar através da rede e inundar a cidade, ou seja, [as inundações] não são só causadas pela chuva”, referiu.

“As soluções baseadas na natureza são importantes, mas precisam de uma base científica. A questão é: o governo poderia apoiar este tipo de investigação muito importante”, acrescentou.

À Lusa, o presidente da MUST disse ainda que, em relação às outras cidades da Grande Baía, Macau “está apenas a começar” na investigação na área da Engenharia Ambiental e Hidráulica.

“Não temos pessoas suficientes nem investigadores”, admitiu o especialista, sublinhando que seria importante trabalhar em conjunto com outras cidades da região.

“Mas para trabalhar efetivamente com outros parceiros, tem de se ter já uma certa profundidade”, notou Lee, referindo que a pequena região ainda não alcançou esse nível.

Reitor da MUST visita Portugal este mês para reforçar parceria científica

Tatiana Lages / Lusa

O presidente da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) vai visitar a partir de 27 de junho quatro universidades portuguesas para reforçar a parceria científica.

Depois de uma viagem a Granada, em Espanha, para participar no Congresso Internacional da Associação Internacional de Engenharia e Pesquisa Hidroambiental (IAHR, em inglês), organismo que preside, Joseph Lee Hun-wei vai estar na Universidade de Évora, de Lisboa, de Coimbra e do Porto para explorar “oportunidades de colaboração científica com a MUST”, disse à Lusa o responsável.

“Perguntei aqui [em Macau] aos meus colegas se há programas específicos que queiram melhorar e desenvolver, porque posso visitar a direção [destas universidades]”, acrescentou.

Não se trata do primeiro contacto do presidente da MUST com Portugal. Nos anos 1970, quando ainda era estudante de Engenharia Civil no Massachusets Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, Lee projetou o sistema de refrigeração para a Central termoeléctrica de Setúbal – cidade onde, admite, nunca esteve.

“Eles é que vieram cá. Ainda era júnior, só fiz o trabalho, mas Setúbal estava muito interessado em desenhar um sistema com o mínimo de impacto para o ambiente e a melhor eficiência (…). É bastante complicado e, naquele tempo, era muito avançado e Setúbal recorreu ao MIT”, explicou.

Sobre o interesse da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau em Portugal, o professor elogiou o “desenvolvimento de tecnologia inovadora” no país e as várias alianças no campo científico com universidades norte-americanas, nomeadamente o programa ‘MIT Portugal’, uma colaboração com o Massachusets Institute of Technology, e o programa ‘Carnegie Mellon Portugal’, uma plataforma que reúne esta universidade de Pittsburgh, no estado da Pensilvânia, e instituições de ensino superior portuguesas.

“Com o MIT trabalham precisamente em áreas que nos interessam, como é o caso da Inteligência Artificial, Informática e o Fabrico Avançado”, referiu.

Mas além de Portugal, a MUST quer chegar a todo o universo lusófono. “É natural, é uma das nossas missões designadas pelo Governo Central” chinês, lembrou Lee, referindo-se ao facto de, em 2003, Pequim ter designado Macau como plataforma de cooperação entre a China e os países de língua portuguesa. “Há financiamento disponível para fazer isso acontecer”, acrescentou.

Para já, o número de alunos dos países de língua portuguesa na universidade “não é significativo”, havendo “espaço para melhorias”, advertiu o responsável, defendendo que, para a internacionalização da instituição de ensino e captação de alunos são necessárias “as políticas e estratégias certas”.

Estratégias que, segundo o académico, podem passar pela aposta em “áreas nicho”, como nos dois laboratórios de referência de Estado da MUST. Em 2010, a universidade inaugurou o laboratório para a Investigação de Qualidade em Medicina Chinesa e, em 2018, nasceu o laboratório para a Ciência Lunar e Planetária.

Os espaços, com a aprovação do Ministério da Ciência e Tecnologia da China, têm como objetivo contribuir para a inovação científica e tecnológica, através da investigação e formação de quadros especializados.

“Também a nossa futura Faculdade de Engenharia Inovadora deve ser bastante atrativa para qualquer estudante estrangeiro, digamos que para aqueles dos países [da iniciativa] Uma Faixa, Uma Rota e, não querendo excluir outros, os da Lusofonia – esse seria o nosso foco principal, estudantes que queiram ter uma ideia da Grande Baía”, concretizou.

MUST | Reitor quer liberdade académica mas admite “áreas cinzentas”

Tatiana Lages / Lusa
Joseph Lee Hun-wei, reitor da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau, defende que é possível uma conivência entre a internacionalização do ensino superior e o respeito pela soberania chinesa. Este defende que o que aconteceu em Hong Kong foi “ilegal”

 

O presidente da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla inglesa) admite que existem “áreas cinzentas” no que respeita à liberdade académica, embora acredite na convivência entre a internacionalização do ensino superior e o reconhecimento da soberania chinesa.

“Se estivermos certos de qual é a nossa missão e concentrarmo-nos na nossa política de diversidade e internacionalização e se conseguirmos provar ao mundo que podemos levar a cabo o intercâmbio internacional ao mesmo tempo que reconhecemos a soberania [chinesa], então qual é o problema?”, defendeu Joseph Lee Hun-wei.

Lee, à frente da MUST desde Janeiro de 2021, nasceu em Xangai, cresceu em Hong Kong e formou-se em Engenharia Civil pelo Massachussets Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos. Regressado a Hong Kong, nos anos 1980, ocupou vários cargos de liderança em instituições de ensino superior locais.

Em entrevista à Lusa, o académico recordou ter acompanhado de perto as manifestações de 2019, que, como sublinha, “afectaram a saúde” da cidade “de uma forma muito séria”. “O que aconteceu em Hong Kong é claro para mim, foi ilegal, eu passei por isso e não me senti seguro”, recordou.

Que liberdade?

Questionado se os últimos acontecimentos nas duas regiões autónomas estão a afectar a liberdade académica em Macau, Joseph Lee relembrou que se vive actualmente uma conjuntura “geopolítica complexa” e que enquanto presidente de um organismo internacional – a Associação Internacional de Engenharia e Pesquisa Hidroambiental – “esta tensão e mal-entendidos” são perceptíveis.

No entanto, o presidente da MUST frisou que Macau “é bastante diferente” de Hong Kong. E explicou: “O que me apercebi nos últimos 15 meses é que as pessoas aqui, em geral, têm um melhor entendimento da China continental”, sublinhou.

Na MUST, exemplificou ainda o presidente, começou a hastear-se a bandeira chinesa três vezes por ano “antes de 2019, ainda antes de se impor essa regra”. “É porque sentimos que Macau é parte do país”, explicou.
Joseph Lee admitiu “apoiar a diversidade e a liberdade académica”, mas chamou a atenção para a existência de “áreas cinzentas”. “E depende por vezes realmente da interpretação e da perceção. Mas eu diria, no geral, que Macau ainda é muito diferente da China Continental, e nós operamos nesse espaço da história, do tempo e fazemos o nosso melhor como ponte entre o Oriente e o Ocidente”, disse.

Governo celebra Dia da Gastronomia Sustentável

DR

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) lançou uma série de vídeos e programas especiais para celebrar o Dia da Gastronomia Sustentável, que se celebrou no sábado. Segundo um comunicado, esta iniciativa visa construir junto do público “uma noção mais aprofundada sobre a importância da gastronomia sustentável, reforçar o papel de Macau como Cidade Criativa da UNESCO na área da gastronomia”, sem esquecer a promoção “da transmissão da cultura gastronómica”. O objectivo é implementar a Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável.

O vídeo lançado no sábado conta com a colaboração de dirigentes e membros da comunidade macaense, como é o caso de Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses, Miguel Senna Fernandes e o fundador da “It’s Pure Production”, Samuel Power, que falam “sobre a cultura gastronómica de Macau, a gastronomia macaense, a Base de Dados da Cozinha Macaense e o desenvolvimento da gastronomia sustentável”.

Produzido pela DST, em colaboração com o jornal Plataforma Macau, o vídeo está disponível em websites como www.gastronomy.gov.mo e também em https://www.macaotourism.gov.mo/pt/video-playlists, entre outros canais.

Foi também lançado no sábado, em parceria com a TDM, o primeiro episódio da série de programas televisivos especiais “Sabores de Macau, Um Legado Culinário”, que continuará a ser transmitido às sextas-feiras. Através do programa de oito episódios, é feita uma retrospectiva sobre o processo da candidatura de Macau à Rede das Cidades Criativas da UNESCO na área da gastronomia, apresentando-se também histórias do contexto da gastronomia de Macau e o alcance da criatividade interdisciplinar entre gastronomia e outros sectores, entre outros.

A ideia é mostrar aos residentes e visitantes “o contributo de Macau para a transmissão, a inovação da cultura gastronómica e o desenvolvimento sustentável”.

Entretanto, a DST continua a levar a cabo uma série de iniciativas promocionais mensais inseridas na campanha “Sentir Macau, Sem Limites”. Este mês será lançada uma página temática para um período determinado intitulada “Avenida de Gastronomia de Macau aberta 24 horas”, com o objetivo de promover lojas com características próprias de Macau e estabelecimentos de restauração de pequenas e médias dimensões.

Serão também lançados vários vídeos sobre “turismo + gastronomia”, para divulgar as especialidades gastronómicas de várias zonas de Macau.

Macau decreta estado de prevenção imediata e avança para testagem massiva

DR

Foi hoje decretado o estado de prevenção imediata depois de detectar 12 casos de covid-19, oito deles assintomáticos, tendo-se avançado para uma nova vaga de testagem maciça da população em 48 horas.

As autoridades, que admitiram o aumento do número de casos nas próximas horas e ser esta a situação mais grave vivida no território desde o início da pandemia, aplicaram medidas de isolamento em duas zonas da cidade, onde é proibida a saída de todas as pessoas das residências. Em outras zonas, não é permitida a saída dos edifícios antes de ser efectuado o primeiro de cinco testes de ácido nucleico obrigatórios.

“As outras medidas de controlo incluem a imposição de restrições à saída de Macau e a realização da supervisão rigorosa de saúde e autogestão de saúde por um período de, pelo menos, 14 dias”, segundo as autoridades.

Numa conferência de imprensa esta manhã, o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus apelou aos residentes para ficarem em casa. À excepção de estabelecimentos como supermercados e restaurantes, outros espaços devem fechar portas, incluindo os casinos.

As actividades educativas das escolas foram suspensas, assim como outros eventos públicos. As autoridades decidiram também suspender o funcionamento dos equipamentos sociais que prestam serviços diurnos (creches, centros de cuidados especiais e centros comunitários) e as visitas a lares de idosos, bem como o encerramento de museus.

A testagem da população vai decorrer até às 12:00 de terça-feira em 53 postos espalhados pelo território.

Casinos do Hotel Rio e Hotel President fecharam portas

Tiago Alcântara
Também o casino Waldo terá feito entrar um processo junto das autoridades para encerrar as operações. No sentido oposto, a SJM vai gerir o casino Emperor até ao final do ano

 

Os casinos-satélite do Hotel Rio e do Hotel President encerraram portas na quarta-feira. Também o casino Waldo, que à semelhança do Rio e Presidente funciona devido a um acordo com a concessionária Galaxy Entertaiment, deverá fechar até ao final do mês.

O encerramento dos casinos Rio e President foi confirmado pela Galaxy que indicou nesta fase estar a ser feito um inventário sobre os equipamentos existentes.

Quem passasse ontem nos casinos fechados podia ler um aviso aos clientes para que no caso de quererem trocar fichas por dinheiro ou tratar de outros assuntos, se dirigisse ao casino Starworld.

Segundo a concessionária, os funcionários do casino devem ser transferidos para outros espaços da companhia que gere directamente o Starworld, Galaxy Macau e Broadway Macau.

A concessionária prometeu ainda fornecer cursos de requalificação para os trabalhadores que vão ter de encontrar novas opções para a carreiras, mesmo que não fiquem sem trabalho.

Além dos encerramentos confirmados, a Rádio Macau noticiou ontem que o casino Waldo também fez entrar um pedido junto das autoridades para cessar as operações.

O encerramento de vários casinos satélite já tinha sido antevisto pelo sector, à luz da nova legislação, em conjunto com a nova realidade em que os jogadores do Interior são impedidos pelas autoridades centrais de virem a Macau. No entanto, o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wan Nong, recusou anteriormente que houvesse qualquer ligação entre a nova lei e os encerramentos.

Em sentido contrário

Também na quarta-feira, através de um comunicado à Bolsa de Hong Kong, a empresa Emperor Entertainment Hotel, responsável pelo hotel com o mesmo nome em Macau, anunciou um acordo com a SJM para que o casino continue a operar até ao final do ano.

Anteriormente, a empresa tinha anunciado que a partir de 26 de Junho o espaço seria encerrado, por considerar não ser rentável. O casino do Hotel Emperor foi o primeiro a confirmar o encerramento, com alguns funcionários a serem dispensados.

Agora, de acordo com o comunicado, a concessionária SJM vai pagar 21 milhões de dólares de Hong Kong para explorar o casino entre 27 de Junho e 31 de Dezembro.

Entre as razões para acordar com o preço apresentado, a direcção da empresa Emperor declarou que os termos comerciais são “justos” e razoáveis”.

Prioridades de Macau

DR

Na segunda metade de 2022, quais vão ser os principais problemas com que Macau vai ter de lidar? Será a revisão da Lei Relativa à Defesa da Segurança do Estado”, capaz de assegurar que qualquer situação que ponha em perigo a Mãe Pátria nunca se venha a verificar em Macau e simultaneamente impedir que a cidade seja agredida por forças externas? Estará actualmente Macau em perigo extremo e poderá a Pátria Mãe vir a ser vítima de uma sabotagem de enormes proporções a qualquer momento?

Só pessoas ignorantes podem acreditar que Macau enfrenta perigos iminentes e só pessoas com segundas intenções podem continuar a fomentar o pânico para conseguirem eliminar as vozes dissidentes e tirarem proveito de uma tal situação.

Devido ao grande empenhamento de sucessivos Chefes do Executivo, Macau goza de estabilidade social e de harmonia. Quando enfrentou manifestações e protestos causados pelo fracasso da reestruturação económica nos anos que se seguiram ao regresso da cidade à soberania chinesa, o primeiro Chefe do Executivo, Ho Hau Wah, liberalizou prontamente os direitos de operação da indústria do jogo e colaborou com o Governo Central na adopção da política de vistos individuais para turistas vindos da China. Estas acções ajudaram a assegurar o crescimento económico de Macau. A implementação dos cheques pecuniários chegou a ser invejada por outras regiões.

O Plano de Comparticipação Pecuniária no Desenvolvimento Económico tem estado activo até à presente data. Além disso, desde a promulgação da “Lei relativa à defesa da segurança do Estado” (elaborada de acordo com o estipulado no artigo 23.º da Lei Básica de Macau), nunca ninguém foi acusado ao abrigo da referida Lei. Uma prova de que na terra de Macau brotam as sementes do patriotismo.

Durante a governação de Chui Sai On, o segundo Chefe do Executivo, o grande desafio surgiu com um movimento social de grande escala provocado pela Proposta de Lei intitulada “Regime de garantia dos titulares do cargo de Chefe do Executivo e dos principais cargos a aguardar posse, em efectividade e após cessação de funções”. Chui abordou e resolveu este problema com calma e rapidez. Desta forma, Macau regressou à harmonia e à estabilidade.

Quando Ho Iat Seng assumiu as funções de Chefe do Executivo, o seu estilo de trabalho pragmático e diligente ajudou a aperfeiçoar consistentemente a eficácia do trabalho dos funcionários públicos. Mesmo tendo Macau sofrido durante mais de dois anos o impacto negativo da pandemia, a implementação de várias medidas de apoio revelou-se suficientemente adequada para manter a estabilidade social. Quando comparada com a desintegração social e as confrontações que ocorreram na vizinha Hong Kong, percebemos que a sociedade de Macau vive em paz e harmonia. Após se terem passado mais de dois anos sobre o primeiro surto da epidemia, as medidas implementadas pelo Governo de Macau para impedir a propagação da COVID-19 foram muito bem-sucedidas.

Actualmente, para além de alguns turistas e visitantes vindo da China continental, quase não existem turistas estrangeiros na cidade. A possibilidade de forças externas porem em perigo Macau está perto de zero. E com as inúmeras câmaras do Sistema de Videovigilância instaladas por todo o lado, qualquer pessoa que tentasse opor-se à China e perturbar a sociedade de Macau, teria tantos problemas que o melhor era nem sair de casa.

Por isso hoje em dia, quais são as prioridades de Macau? Qual é a verdadeira crise que a cidade enfrenta?
A principal prioridade de Macau é certamente fazer face à significativa diminuição das receitas do jogo que ameaça implodir a economia. Ho Iat Seng disse que, desde que as receitas do jogo se mantivessem nos 130 mil milhões de patacas por ano, as finanças do Governo de Macau não teriam qualquer problema. No entanto, a receita bruta do jogo de fortuna ou azar dos primeiros cinco meses de 2022 totalizou apenas cerca de 23,8 mil milhões de patacas. É difícil dizer se receita bruta irá atingir metade dos 130 mil milhões de patacas até ao final de 2022.

O orçamento do Governo da RAE é de cerca de 130 mil milhões de patacas. Se as receitas ficarem aquém, irão existir enormes défices. Como muitas associações e instituições de Macau são apoiadas por fundos governamentais, ser-lhes-á difícil sobreviver se o Governo tiver de lidar com grandes défices.

Por outro lado, devido às prematuras e irrealistas alterações à Lei n.º16/2001 – Regime Jurídico da Exploração de Jogos de Fortuna ou Azar em Casino, os casinos satélites estão a fechar. Mas o que realmente importa é o Governo da RAE não ter sido capaz de apresentar até agora um plano específico para incrementar a economia de Macau, e não ter sido capaz de obter o total apoio e cooperação do Governo Central para aliviar as medidas restritivas que se aplicam aos visitantes vindos de outros países.

Se esta situação se mantiver, será difícil melhorar a actual situação económica. Se a economia de Macau empobrecer e enfraquecer, o descontentamento popular irá aumentando e ocorrerá inevitavelmente uma crise social. Como é que uma cidade que não consegue sequer gerir a sua própria economia, se atreve a falar sobre “cooperação entre Hengqin e Macau” e “estratégia de desenvolvimento da Área da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau”?

Na verdade, a forma mais eficaz de resolver uma crise é compreender a sua origem. Como Macau aderiu de alma e coração ao princípio “Macau governado por patriotas”, o “patriotismo” passou a ser o caminho para a promoção no trabalho e para a criação de riqueza. Nos grupos de “patriotas”, existem pessoas com capacidades, mas também se encontram oportunistas disfarçados de patriotas. Quando pessoas ignorantes e incompetentes, ou pessoas com segundas intenções, são colocadas em posições elevadas, a sociedade de Macau sai profundamente prejudicada.

A Dinastia Qin, a primeira a unificar a antiga China, não foi derrotada por forças estrangeiras nem por revolucionários, mas sim pelos comparsas do Imperador Qin.

Para resolver a crise inerente à sociedade de Macau, temos primeiro de encontrar formas de melhorar as capacidades dos membros do Governo de Macau.

Animais fantásticos da China XVIII – O Juru

Ana Jacinto Nunes

É recorrente na sabedoria antiga a importância atribuída à face humana. A fisiognomonia – ramo do saber que relaciona os traços físicos da face com o carácter – surgiu em diversas civilizações, da grega à árabe, da hindu à chinesa, passando pelo Renascimento, onde fez as delícias de artistas como Leonardo da Vinci ou Charles Lebrun.

A face humana desperta noutro ser humano um complexo de emoções inextrincável. É caso para se dizer que quando se nos depara uma face “as sortes estão lançadas”, na medida em que é imprevisível que sensações, que sentimentos, que pensamentos nos atravessarão a mente e quanto isso poderá mudar as nossas vidas. Uma certa face pode ser, para cada um de nós, na ocasião certa, um Rubicão. E nada na nossa existência ficar como antes.

Ora 500 lis além do monte Tianyu, que se encontra vedado a visitantes por razões mal esclarecidas, existe uma montanha cujo nome não é referido, onde habita um estranho pássaro com três pernas e a cabeça branca. Contudo, para enorme espanto de quem o vislumbra, este pássaro, a que chamam juru, apresenta uma face humana.

Se o juru tivesse a dimensão de uma águia, seria algo realmente bizarro de se ver, pois a sua face teria o tamanho aproximado da face de um homem. Porém, o juru não excede o tamanho de um pato vulgar, não sendo por isso um bicho ameaçador, apesar das suas inusitadas feições. Aquela pequena face humana, dependurada de um pescoço de pato invoca uma tal miríade de sentimentos, do horror à compaixão, que ninguém é capaz de o perseguir e ainda menos de o matar. É desconhecido por isso o sabor da sua carne.

De igual modo, causa algum espanto que nenhuma parte de um tão peculiar animal não seja entendida como útil para as magias dos xamanes ou para a confecção de mezinhas medicinais.

Existirá, contudo, um rumor sobre um imperador muito antigo, cujo filho sofria de terríveis aflições mentais, que terá servido ao seu herdeiro uma sopa de juru, na esperança, jurada por um feiticeiro das margens do rio Amur, de uma cura que permitisse ao alienado aceder ao trono.

Tal não haveria de suceder, pois o jovem príncipe não só não terá apresentado melhoras depois do horrendo manjar, como se afundou numa profunda melancolia da qual foi impossível arrebatá-lo. O feiticeiro procurou refúgio junto das tribos Miao, no oeste da China, e nunca mais dele se ouviu falar. Talvez por causa de este rumor, à mesa dos camponeses, ainda hoje se assustam as crianças dizendo-lhes que vão comer sopa de juru, na qual uma cabeça humana emerge quando a panela é mexida. “A quem vai hoje sair a cabeça?”, perguntam as avós, divertidas com as expressões de asco e horror nas caras de seus aflitos netos.

GP Macau | Pessimismo ocidental contrasta com optimismo nacional

DR
A contagem decrescente para a 69.ª edição do Grande Prémio de Macau já começou. Contudo, a cerca de cinco meses do maior cartaz desportivo de carácter anual da RAEM são mais as dúvidas do que as certezas

 

O Macau Daily Times revelou na passada terça-feira que na pretérita semana vários pilotos receberam convites formais da Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau para participarem no Grande Prémio de Motos de Macau, prova que não se realizou nos últimos dois anos devido às restrições de entrada de estrangeiros de acordo com as medidas de prevenção e controlo da pandemia de Covid-19. Segundo a publicação de língua inglesa, do ponto de vista dos pilotos, parece ser unânime a opinião de que desejam regressar a Macau “desde que as restrições de quarentena sejam abandonadas”.

Entretanto, a Taça do Mundo FIA de Carros de Turismo – WTCR mantém no seu calendário as três provas asiáticas – Inje (Coreia do Sul), Ningbo (China) e Circuito da Guia (Macau) – contudo, o optimismo sobre um eventual regresso à Ásia não é grande. Em Abril, Jean-Baptiste Ley, o director da Taça do Mundo, deixou claro ao HM que uma quarentena longa poderia afastar a intenção de realizar a última prova do ano em Macau.

Neste momento, tudo aponta que a entidade promotora da FIA WTCR, a Discovery Sports Events, opte pelo plano B e cancele as rondas do continente asiático nas próximas semanas. Segundo a edição desta semana da revista alemã Motorsport Aktuell, a cidade marroquina Marraquexe, é a mais forte candidata mais forte a receber a prova de final de temporada. O Circuit international automobile Moulay El Hassan deverá ocupar o lugar de Macau, no mês de Dezembro. Os circuitos de Jidá, na Arábia Saudita, e de Istambul, na Turquia, têm sido apresentados como outras possibilidades caso o “tour” asiático não aconteça novamente.

A confirmar-se este cenário, um novo calendário da FIA WTCR poderá ser apresentado no final de Junho, durante o Conselho Mundial de Automobilismo da FIA.

Paddock da F3 na expectativa

A Taça do Mundo FIA de Fórmula 3 está no calendário da FIA agendada para o período de 17 a 20 de Novembro, no entanto a expectativa entre as equipas é tão grande como a incerteza. O Campeonato FIA de Fórmula 3 corre nos fins-de-semana da Fórmula 1, onde a obrigatoriedade de testagem à Covid-19 foi abolida este ano, sendo a apresentação do certificado de vacinação o suficiente para a livre circulação.

Apesar da elevadíssima reputação da prova do território e da vontade geral que esta recupere a pujança de outros tempos, caso seja imposta uma quarentena à chegada, estes factores poderão não ser suficientes para convencer um paddock que está todo vacinado e livre de restrições em todos os sítios para qual viaja. Entretanto, a Fórmula 3 garantiu ontem que a partir do próximo ano acompanhará a Fórmula 1 na viagem a Melbourne, na Austrália.

TCR Asia e F4 China contam voltar

Se nas competições internacionais o optimismo de um regresso a Macau está em declínio, em contrapartida nas nacionais, o regresso as ruas do território é quase “ponto assente”. Devido aos confinamentos a que tiveram sujeitas as grandes metrópoles de Pequim e Xangai, os calendários de todas as competições automobilísticas chinesas foram revistos e alterados. Com o arranque previsto para o segundo fim de semana de Julho, o campeonato TCR Asia manteve no seu calendário a visita à RAEM para a prova de encerramento de uma temporada que duas semanas antes de Macau regressa ao circuito citadino de Wuhan, um evento que não se realiza desde 2019.

O Campeonato da China de Fórmula 4, que já não realiza uma prova desde o Grande Prémio de Macau de 2021, prevê começar no mês de Agosto, em Ningbo. O revisto calendário provisório de quatro jornadas enviado esta semana às equipas volta a incluir o Circuito da Guia como prova final. A concretizar-se, esta será a terceira vez consecutiva que o campeonato reconhecido pela FIA se desloca a Macau. O piloto local Charles Leong Hon Chio venceu em ambas as ocasiões.

Xinjiang | Concluída primeira linha ferroviária do mundo em torno de um deserto

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A China inaugurou ontem a primeira linha ferroviária do mundo que circunda por completo um deserto, com a abertura de um trecho de 825 quilómetros, entre as cidades de Hotan e Ruoqiang, na região de Xinjiang.

A linha ferroviária circular, em torno do maior deserto da China, o Taklimakan, está distribuída por 2.712 quilómetros, uma vez que o trecho recém-inaugurado foi integrado noutros três já existentes, segundo a empresa estatal China Railway.

O trecho que conecta a cidade de Hotan, no sudoeste de Xinjiang, e a vila de Ruoqiang, no sudeste, leva cerca de 11 horas a ser percorrido, com uma velocidade projectada de 120 quilómetros por hora, e paragem em 22 estações.

A construção da última secção começou em 2018 e usou 434 pilares pré – fabricados, para criar cinco pontes elevadas, que compõem 49,7 quilómetros da rota.

Os construtores criaram também 50 milhões de metros quadrados de plantação de relva e plantaram 13 milhões de plantas que crescem naquele tipo de solo, como o espinheiro – mar, para proteger a ferrovia, recorrendo a uma técnica muito utilizada na região, frequentemente afectada por tempestades de areia.

A China investiu nos últimos anos na construção de infraestrutura para desenvolver Xinjiang, uma das mais voláteis regiões da China e palco de conflitos étnicos no passado.

Principal diplomata chinês em África condena vídeos ofensivos com crianças

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O alto diplomata chinês para a África subsaariana, Wu Peng, condenou ontem um esquema de exploração de crianças vulneráveis no Maláui que produz vídeos que são depois difundidos nas redes sociais chinesas, alguns com conteúdo racista.

“A China tem tolerância zero para o racismo”, escreveu Wu, na rede social Twitter, após reunir com a ministra dos Negócios Estrangeiros do Maláui, Nancy Tembo. As autoridades chinesas “proíbem estes actos ilegais ‘online’” e “vão continuar a combater estes vídeos que contêm discriminação racial no futuro”, apontou.

Um documentário de 49 minutos, publicado na segunda-feira pela cadeia televisiva BBC, com o título Racism for Sale (“Racismo à venda”, em português), mostra como criadores de conteúdo chineses venderam vídeos de crianças no Maláui a gritar insultos raciais contra negros, proferidos em chinês.

Num desses vídeos, que remonta a Fevereiro de 2020, um grupo de crianças africanas foi instruído a repetir a frase, sem entenderem o que estão a dizer, “sou um monstro negro e o meu QI [Quociente de Inteligência] é baixo”.

Como cliente basta enviar o pedido, com a frase e requisitos, para o criador de conteúdo. Os vídeos não são apenas de conteúdo racista, incluindo muitas vezes desejos de feliz aniversário, bom ano novo, ou anúncios para empresas chinesas.

Alguns dos vídeos identificados na investigação foram vendidos nas redes sociais chinesas Weibo e Huoshan, entre outras aplicações chinesas de partilha de vídeos. O preço destes vídeos varia entre o equivalente a 10 e 70 euros.

Consternação geral

Nancy Tembo expressou na quarta-feira “consternação” com o caso. “Estão a usar os nossos filhos para enriquecer, o que é mau. Isto é algo que um malauiano não pode aceitar. Estão a desonrar-nos como malauianos”, afirmou.

“A polícia e os assuntos internos estão a investigar e vamos envolver os nossos colegas chineses para ajudar a identificar este homem. Apelo às autoridades locais para estarem sempre alertas nas suas comunidades e também aos pais para protegerem sempre os seus filhos”, disse, referindo-se ao autor dos vídeos.

Habitação | Preços das casas novas com primeira queda em seis anos

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A crise imobiliária continua a agravar-se. Política de ‘zero casos’ de covid-19 e consequente desaceleração económica contribui para a contração do sector

 

Os preços das casas novas na China caíram em Maio, pela primeira vez em seis anos, segundo dados oficiais ontem divulgados, numa altura em que a crise de liquidez do sector é exacerbada pela desaceleração económica.

Segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas chinês, os preços da habitação nova contraíram em maio 0,1 por cento, face ao mesmo mês do ano anterior. Trata-se da primeira queda homóloga, desde Novembro de 2015, neste índice, que agrega o preço médio em 70 cidades da China.

A crise no imobiliário tem fortes implicações para a classe média e para a economia do país. Face a um mercado de capitais exíguo, o sector imobiliário concentra uma enorme parcela da riqueza das famílias chinesas – cerca de 70 por cento, segundo diferentes estimativas.

O sector foi um dos mais importantes motores de crescimento da economia chinesa nas últimas décadas.
No ano passado, os reguladores chineses passaram a exigir às construtoras um tecto de 70 por cento na relação entre passivo e activos e um limite de 100 por cento da dívida líquida sobre o património, suscitando uma crise de liquidez no sector.

Este mês, a Sunac tornou-se a mais recente construtora chinesa a entrar em incumprimento. O caso mais emblemático envolve a Evergrande Group, cuja dívida, que supera o Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal, vai ser reestruturada.

As dificuldades foram agravadas pela política de ‘zero casos’ de covid-19, que obriga ao bloqueio de cidades inteiras, pesando fortemente na actividade da segunda maior economia do mundo.

Riscos e ficções

Em entrevista à agência Lusa, Michael Pettis, professor de teoria financeira na Faculdade de Gestão Guanghua, da Universidade de Pequim, vê na contração do sector imobiliário um sinal de que a China se está a afastar do modelo de crescimento assente no investimento em activos não produtivos.

“Há muito crescimento fictício na China”, notou Pettis. “O excesso de investimento em todo o tipo de projectos de construção inflaciona o crescimento da economia chinesa há vários anos”, descreveu.

No mês passado, a agência de notação financeira S&P baixou também a classificação da dívida do grupo Greenland, que tem o município de Xangai como accionista, devido aos crescentes “riscos” de incumprimento.

A Greenland é um dos maiores grupos imobiliários da China, com forte presença internacional, particularmente nos Estados Unidos.

De acordo com a agência de notícias Bloomberg, o grupo solicitou recentemente o adiamento por um ano do pagamento de 488 milhões de dólares em juros de títulos de dívida.

Creative Macau | Alice Ieong apresenta “Espaço cintilante e magnífico” 

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“Espaço cintilante e magnífico” é a nova exposição da Creative Macau que inaugurou ontem. Alice Ieong, artista natural de Macau, apresenta uma série de pinturas com figuras geométricas e cores habituais nos contos de fadas para criar um mundo imaginário

 

A Creative Macau tem patente uma nova exposição que constitui a estreia de Alice Ieong nesta galeria. “Espaço cintilante e magnífico” é o nome da mostra composta por pinturas a óleo da artista, todas inéditas.

O público poderá, assim, ver quadros pintados com “cores dos contos de fadas que criam espaços de fantasia ou de imaginação”. As telas apresentam figuras geométricas ou círculos cintilantes, bem como outros elementos que dão às pinturas um toque de contemporaneidade. Acima de tudo, “a atmosfera dos quadros traz um toque de frieza e espaços que são afastados da realidade, sem elementos mundanos, sem pessoas”. Nas pinturas desta exposição “o tempo parece ficar em pausa, as coisas estão estáticas mas, de certa maneira, movem-se”.

Segundo uma nota sobre a exposição, “Espaço cintilante e magnífico” apresenta a ideia de que “não podemos ver além de uma certa faixa”, pelo que “afastando todo o tipo de perspectiva objectiva que os nossos olhos podem atingir, e imaginar o fenómeno da vida num outro lugar onde esta exista” nos leva a uma outra dimensão. Os quadros de Alice Ieong, são, portanto, o reflexo disto, levando quem os vê a um outro lugar, “a um ponto, uma saída ou entrada”.

Uma exploradora

Esta é a segunda mostra individual da artista, que actualmente frequenta um mestrado em Belas Artes na Universidade Chinesa de Hong Kong. Em 2019, alguns quadros com a assinatura de Alice Ieong foram seleccionados para a exposição do Museu Nacional de Arte da China, na mostra intitulada “Beijing for Fusion”, especialmente dedicada aos trabalhos feitos por artistas de Macau.

O foco da artista é, essencialmente, explorar a vida, as crenças, a humanidade e as problemáticas da sociedade através da arte. A curiosidade e a paixão que sempre teve por este mundo levaram-na a abraçar um caminho como artista. Acima de tudo, “a sua inspiração criativa vem, sobretudo, de um ambiente vivo colorido e da paisagem cultural”, aponta a mesma nota. A mostra “Espaço cintilante e magnífico” pode ser vista até ao dia 16 de Julho.

Calçada do Gaio | UNESCO recebe nova carta sobre altura do edifício 

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O Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia enviou ontem uma nova carta à UNESCO a apelar a um maior acompanhamento do projecto do prédio embargado na Calçada do Gaio, em prol da preservação do corredor visual do Farol da Guia.

Recorde-se que há cerca de uma semana o mesmo grupo fez um apelo público para que este prédio tenha uma altura máxima de 52.2 metros, por oposição aos actuais 82,32 metros. O Conselho do Património Cultural defende a conclusão das obras do edifício com esta altura, embora a solução esteja ainda dependente da posição de outros departamentos públicos.

Na carta, o Grupo apela a “uma tomada de posição firme” por parte da UNESCO “em prol do estabelecimento dos limites de altura nos edifícios à volta do Farol da Guia”.

“Os Governos de Macau e da China devem ter o compromisso de reduzir a altura do edifício embargado para 52.5 metros. A UNESCO deveria monitorizar de perto o projecto revisto sobre o edifício na Calçada do Gaio para garantir que a altura máxima de 52.5 metros será respeitada”, lê-se na carta. A missiva pede ainda que a UNESCO exija ao Governo de Macau a realização de um estudo urbanístico e de conservação “para toda a extensão da Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues sem mais atrasos”.

A missiva acusa ainda a UNESCO de fazer “um lento e ineficaz acompanhamento” do caso, o que “já trouxe sérios danos à integridade visual e aos principais pontos visuais do Farol da Guia”.

“Um novo, enorme e alto edifício na Avenida Dr. Rodrigo Rodrigues bloqueou de forma efectiva a conexão visual entre o Farol da Guia e o Arco Oriental, outro marco de Macau. A UNESCO deveria verificar quaisquer impactos no património causados por este projecto e deveria propor medidas preventivas a fim de reduzir os danos na integridade visual do Farol da Guia”, acrescenta-se ainda.

Quarentenas | Governo aconselha a alterar data da viagem de regresso 

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Para quem tenha dificuldade em marcar um quarto de hotel para a realização da quarentena obrigatória em Macau, as autoridades aconselham a, simplesmente, alterar a data da viagem. O Centro de Coordenação de Contingência diz não ter ainda condições para reduzir preço dos testes feitos nos hotéis

 

Para quem deseja regressar a Macau e estiver com dificuldades em marcar o quarto de hotel para cumprir a quarentena obrigatória, agora de dez dias mais sete de auto-monitoramento, as autoridades apresentam a solução: mudar a data da viagem. Esta foi a resposta dada ontem pela representante da Direcção dos Serviços de Turismo do Centro de Coordenação e de Contingência do novo tipo de coronavírus.

“A maior parte das pessoas regressam a Macau entre os meses de Junho e Julho, e se não conseguirem marcar quartos de hotel aconselhamos a que alterem a data de regresso. Temos agora o hotel Sheraton e quem vier de Hong Kong pode fazer esta escolha.”

A mesma responsável confirmou que “a situação da marcação dos quartos está estável”, estando a ser acompanhada a situação de estudantes de Macau que pretendem passar as férias de Verão no território ou de outras pessoas que viajem do estrangeiro. “Se for necessário iremos ajustar as medidas e apresentar mais quartos de hotel.”

Ficou a promessa da assinatura dos contratos com unidades hoteleiras “com a maior brevidade possível para dar resposta aos cidadãos”, caso sejam necessários mais quartos para os meses de Julho, Agosto e Setembro.
Apesar de o Governo ter decretado a redução dos dias de quarentena, mantêm-se os preços dos testes.

“Já temos um plano de desconto de 50 por cento do preço dos testes para estudantes, mas tendo em conta os recursos limitados não temos ainda margem para a redução dos preços dos testes feitos nos hotéis”, disse Leong Iek Hou, coordenadora do Centro de Coordenação.

Redução em estudo

Desde o início da pandemia, e até Maio deste ano, a maior parte das infecções foram detectadas até ao sétimo dia de quarentena. Ainda assim, o Governo continua a estudar a adopção do modelo “7+7”, ou seja, sete dias de quarentena e sete de auto-monitoramento de saúde.

“Há cidadãos que gostariam de ver reduzido o número de dias, mas há outros que consideram que mais dias de quarentena é uma medida cautelosa. Veremos agora a situação, se aumenta ou não o risco para a sociedade, e depois pensaremos na medida ‘7+7’”, explicou Leong Iek Hou.

Sobre o período de auto-monitoramento e a obrigatoriedade de realização de testes durante sete dias, é necessário “para quem tenha um período de incubação mais longo”. “Com cinco testes conseguimos perceber se a pessoa está ou não infectada. Quisemos encontrar um equilíbrio tendo em conta a redução dos dias de quarentena”, adiantou Leong Iek Hou.

Quanto à varíola dos macacos, as autoridades locais estão a analisar a possibilidade de introduzir no território a vacina. “Temos mantido uma estreita comunicação com os fabricantes para tentar introduzir em Macau a vacina contra a varíola dos macacos”, foi referido na conferência de imprensa.

Burla | Negócio de relógios termina em desfalque mais de 9 milhões

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Uma residente de Macau foi detida por se ter feito passar pelo dono de uma relojoaria no WeChat e desfalcado uma cliente em mais de 9 milhões de patacas num negócio que envolveu 40 relógios

 

A Polícia Judiciária (PJ) deteve na quarta-feira, uma residente de Macau, de 37 anos, suspeita de burlar uma mulher do Interior da China em mais de 9 milhões patacas, através de um negócio que envolveu a transação de 40 relógios.

Em causa, está o facto de a suspeita se ter feito passar pelo dono de uma loja de relógios na Taipa, através do WeChat, para cancelar a entrega da totalidade da mercadoria previamente adquirida. De acordo com informações divulgadas ontem em conferência de imprensa pela PJ, o caso veio a lume quando a vítima decidiu apresentar queixa em Novembro de 2021.

A vítima terá conhecido a residente de Macau em 2020, altura em que a terá ajudado a comprar, sem sobressaltos, um relógio de luxo por 20 mil patacas. Estabelecida a relação de confiança, a suspeita voltou a entrar em contacto com a suspeita em Outubro de 2021, revelando conhecer o dono de uma loja em Macau que estaria disponível para fazer um preço especial na compra de relógios. Perante a oferta, a vítima mostrou-se interessada e, desde logo, mostrou vontade de adquirir 40 exemplares.

Apesar de o preço de cada relógio se situar entre as 100 mil e 1 milhão de patacas, a vítima prontificou-se a pagar a totalidade da encomenda através de transferência bancária e em dinheiro. Pouco tempo depois, tal como combinado, a vítima recebeu 21, dos 40 relógios que tinha comprado.

Falar pelos dois

No entanto, os restantes 19 relógios tardavam em chegar, levando a vítima a confrontar a residente de Macau sobre o atraso. Sem perder tempo, a suspeita criou um grupo de WeChat onde, para além das duas, estaria o dono da loja, que mais tarde, apurou a PJ, viria a tratar-se da própria suspeita. Nesse grupo, o falso dono da loja terá alegado “haver falta de stock” e que era preciso esperar mais um pouco. Ideia reforçada pela própria suspeita no grupo de WeChat, alegando ser “muito difícil arranjar” os relógios em questão.

As desculpas arrastaram-se durante mais de um mês, até que a vítima resolveu viajar até Macau para visitar a loja pelo seu próprio pé. Ao confrontar o dono do estabelecimento, este mostrou-se surpreendido, disse que nunca foi adicionado a qualquer grupo de WeChat, mas admitiu que a suspeita é uma cliente habitual e que tinha comprado 21 relógios.

Iniciada a investigação, a PJ apurou que o valor dos 19 relógios em falta era de 8,18 milhões de renminbis, ou seja, cerca de 9,6 milhões patacas. Seguindo no encalce da suspeita, a PJ dirigiu-se ao seu local de trabalho no NAPE e convidou-a a ir até à esquadra. Durante o interrogatório, a mulher admitiu que tinha fingido ser o dono da loja e que recebeu o dinheiro da vítima, mas recusou-se a dar mais informações.

O caso seguiu ontem para o Ministério Público, onde a residente de Macau irá responder pelos crimes burla de valor elevado e falsificação informática. A confirmar-se a acusação, a suspeita pode ser condenada a uma pena de prisão de 2 a 10 anos pelo primeiro crime e até 3 anos pelo segundo.

Analista diz que subida dos impostos em Macau “cria dúvidas” a investidores

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O analista de jogo Ben Lee considera que a decisão “inesperada” de aumentar em 1 por cento os impostos indirectos em Macau vai “criar dúvidas e incerteza” entre os interessados em novas concessões, a partir de 2023.

Uma comissão da Assembleia Legislativa de Macau terminou na quarta-feira a discussão da nova lei do jogo, que deverá ser votada, no plenário, na generalidade, a 21 de Junho.

A versão final da proposta de lei que regula os casinos em Macau prevê uma subida de 1,6 por cento para 2 por cento do actual imposto sobre as receitas do jogo, entregue à Fundação Macau para fins culturais, educacionais, científicos, académicos e filantrópicos.

O “Regime jurídico de exploração de jogos de fortuna ou azar em casino” prevê ainda um aumento de 2,4 por cento para 3 por cento do imposto destinado ao Fundo de Segurança Social de Macau e ao desenvolvimento urbano e turístico.

Os casinos continuarão a pagar ainda um imposto directo de 35 por cento sobre as receitas do jogo, o que significa um aumento da carga fiscal total de 39 por cento para 40 por cento. Olhando para as receitas de 2021, isso significaria um imposto extra de 868,6 milhões de patacas.

“Se olharmos para isso como mais 1 por cento a partir dos actuais 39 por cento, não é grande coisa”, disse à Lusa Ben Lee, analista da consultora de jogo IGamix.

No entanto, como o aumento “surgiu sem aviso”, potenciais novos investidores vão questionar-se sobre “o que mais pode ainda surgir de repente”, acrescentou.

A proposta de lei prevê uma potencial redução do imposto, no máximo de até 5 por cento, “por razões de interesse público, nomeadamente por razões de expansão dos mercados de clientes de países estrangeiros”.
Ben Lee disse acreditar que este ponto reflecte a crescente vontade do Governo chinês de controlar a fuga de capitais através de Macau.

“A China está extremamente preocupada com a sua economia neste momento. A economia está a desacelerar muito, muito depressa”.

“Temos ouvido falar de jogadores que têm sido parados na fronteira e impedidos de vir a Macau, apesar de terem obtido um visto”, revelou.

Além disso, o analista disse acreditar que um desconto de 5 por cento poderá não ser suficiente para encorajar as futuras concessionárias a investir em novos mercados.

Maiores diferenças

Com o aumento dos impostos directos e a introdução de um limite mínimo de receitas brutas de cada mesa e máquina de jogo, o Governo de Macau quer “estabelecer um mínimo” para as receitas públicas, que dependem do imposto sobre o jogo, defendeu Ben Lee.

“Historicamente, sempre houve uma diferença entre a receita pública real e a prevista. Este ano a discrepância deverá ser a maior de sempre”, acrescentou.

Para o analista, o aumento dos impostos indiretos “coloca enormes riscos para as concessionárias” e “irá reduzir as probabilidades” de haver novos investidores.