Zhaoqing | Tranquilidade e beleza natural são trunfos para atrair pensionistas Hoje Macau - 20 Mai 2022 Com uma área que cobre mais de 25 por cento da Grande Baía, Zhaoqing tem os atributos naturais e vontade de investir em infraestruturas que atraiam reformados das cidades vizinhas. Para tal, a cidade mais ocidental da região aposta na integração na rede de transportes, aumentando a proximidade com Macau e Hong Kong Se olharmos para o mapa da Grande Baía, na lado noroeste vemos uma região que abarca quase um terço de todo o seu território. Com uma dimensão geográfica de 15.056 km2, Zhaoqing representa 27 por cento da área territorial do projecto nacional de integração. O território de Zhaoqing equivale a 456 “Macaus” e 13 “Hong Kongs”, porém, no plano económico o cenário é o inverso, com a cidade a não atingir sequer 10 por cento do Produto Interno Bruto de Shenzhen. A conjugação desses factores transforma Zhaoqing num local com grande potencial de crescimento, com rendas baixas, e com custo de vida e custos operacionais de negócios relativamente baratos, comparados com as restantes cidades da Grande Baía. Não é por acaso que Zhaoqing tem atraído nos últimos anos a fixação de startups e empresas de grandes dimensões, mas também residentes das cidades vizinhas, como Hong Kong, para aí viverem uma reforma tranquila, numa zona com cenários naturais deslumbrantes e um ritmo de vida mais pausado. A intenção de transformar a cidade numa zona atractiva para o desenvolvimento do turismo de saúde e cuidados séniores foi assumida pelas autoridades políticas da cidade, que criaram um comité especial para os assuntos relativos ao projecto da Grande Baía Guangdong – Hong Kong – Macau. Um dos elos de ligação entre os responsáveis de Zhaoqing e as regiões administrativas especiais tem sido mantido com as respectivas Câmaras de Comércio de Macau e Hong Kong, esta última que chegou mesmo a fazer uma visita de prospecção à região conhecida como o “Jardim do Delta do Rio das Pérolas”. Neste aspecto, importa salientar o esforço feito por Zhaoqing para atrair residentes das regiões administrativas especiais, com particular acutilância para Hong Kong, onde, antes da pandemia, foram feitos contactos com associações profissionais para promover a venda de apartamentos em instalações de cuidados para a terceira idade. Representantes de uma grande construtora sediada em Guangzhou reuniram com representantes das forças policiais e funcionários públicos de Hong Kong e, inclusive, Carrie Lam chegou a visitar a cidade com esse tópico na agenda. Asfalto e carril Além da natural paralisia a que a pandemia obrigou, a distância a que fica Zhaoqing vinha sendo um entrave à concretização destes objectivos. Porém, uma série de obras redefiniram a posição geográfica da cidade no contexto da Grande Baía e até na ligação à província vizinha de Guangxi. Um dos grandes projectos de integração viária foi a abertura da autoestrada Guangzhou-Foshan-Zhaoqing, encurtando a viagem para a capital da província para 40 minutos. No total, a autoestrada cobre uma distância de 258 quilómetros. Outra via foi construída com o intuito de tornar Zhaoqing no ponto de contacto entre Guangdong e as zonas mais turísticas de Guangxi. O asfalto acabou materializar uma parte da conexão estabelecida entre as autoridades de Zhaoqing e de Guilin e Hezhou na província de Guangxi, firmada no âmbito de um acordo para acelerar a integração turística das três cidades. Um dos pontos elementares da cooperação assentou na criação de instalações dedicadas ao turismo de saúde, com particular incidência no segmento populacional mais idoso das cidades da Grande Baía. Antes da pandemia mudar o mundo, as autoridades previam que o número de visitantes ultrapassasse os 358 milhões até 2025, correspondendo a receitas que quase alcançariam 500 mil milhões de renminbis.
Huizhou | Anunciado incentivo estatal de 35 milhões para empresas privadas Hoje Macau - 20 Mai 2022 O Departamento Financeiro de Huizhou anunciou um total de 10 medidas de incentivo destinadas ao desenvolvimento do tecido privado. Para aceder aos apoios no valor de 34,8 milhões de renminbis, foi criada uma plataforma online, através da qual 154 empresas já apresentaram candidaturas O Departamento Financeiro do Governo de Huizhou anunciou no passado dia 21 de Abril um pacote de 10 novas medidas destinadas às empresas privadas no valor total de 34,8 milhões de renminbis. Para além de permitir às empresas aceder a apoios financeiros directos, o objectivo da iniciativa passa também por “desenvolver a economia privada de alta qualidade” e contribuir para a contínua informatização das formalidades administrativas inerentes aos subsídios. Isto, quando, para aceder aos incentivos, as empresas terão de aceder à plataforma online criada para o efeito e designada por “Guangdong Finance Support Platform”. De acordo com uma nota oficial divulgada pelas autoridades de Huizhou, um total de 154 empresas já viram os seus pedidos de candidatura aprovados. Até hoje, das 10 medidas de apoio anunciadas, seis já estão disponíveis online. Segundo um responsável do Departamento Financeiro do Governo de Huizhou, este é um passo que permitirá, não só diminuir o tempo de processamento dos pedidos, mas também aumentar o nível de transparência do ambiente empresarial da região. “Quando todas estas políticas favoráveis forem incluídas na plataforma online, as empresas podem candidatar-se a incentivos financeiros em muito menos tempo de tratamento e com maior transparência”, apontou o Departamento Financeiro. Aspirações globais Além disso, como parte do esforço para melhorar o ambiente empresarial, a província de Huizhou está determinada a tomar medidas concretas, a nível legislativo e da melhoria de serviços, para elevar a prestação de serviços administrativos a um novo patamar e contribuir para criar regulamentação orientada para os negócios e em linha com as melhores práticas internacionais. Quanto à digitalização dos pedidos de apoio financeiro, o Governo de Huizhou fez questão de criar uma equipa especializada, dedicada a identificar os alvos, os princípios orientadores, a atribuição de tarefas e o rumo de desenvolvimento da plataforma online. Como exemplo de medida incluída no pacote de incentivos anunciado, está a atribuição de subsídios às empresas privadas que tenham atingido um determinado patamar de volume de vendas a retalho.
Jiangmen | Quase 250 empresas locais mostraram-se na Feira de Cantão Hoje Macau - 20 Mai 2022 A companhia Guangmingyuan Light Technology revelou uma nova lâmpada inteligente de desinfecção de elevadores, que foi utilizada durante os Jogos Olímpicos de Inverno Um total de 247 empresas de Jiangmen participaram na 131.ª Feira de Cantão, que foi realizada entre Abril e Maio em formato online. A cidade fez-se representar na maior feira do país, que visa a promoção das importações e exportações, em diferentes áreas como electrodomésticos, produtos de iluminação, materiais de construção e decoração, equipamento sanitário, entre outros. Com o tema os ciclos económicos doméstico e internacional da China, a exposição contou com 637 stands online que se dividiram por 31 áreas de produtos. Além disso, o evento foi separado em três grandes áreas partes para acompanhar as tendências mundiais: plataformas de promoção de produtos online, serviços de fornecimento de produtos e ainda zonas e comércio electrónico transnacional. Uma das participantes foi a empresa Guangmingyuan Light Technology, também de Jiangmen, que aproveitou o evento online para lançar dois produtos novos: uma lâmpada medicinal de halogéneo e uma lâmpada de desinfecção ultravioleta inteligente para elevadores. Sobre a lâmpada medicinal de halogéneo, um porta-voz da empresa explicou que “pode ser aplicada ao analisador de sangue” que vai permitir “uma melhor precisão dos exames médicos”. Por sua vez, a lâmpada de desinfecção ultravioleta nos elevadores permite esterilizar os produtos, com uma tecnologia que foi utilizada em vários locais nos Jogos Olímpicos de Inverno, em Pequim. Aposta multimédia A participar desde 1998, a empresa de loiças para a casa-de-banho Huayi, com sede em Jiangmen, voltou a estar presente. Ao portal do município de Jiangmen, um representante da companhia afirmou que este ano o formato online exigiu que as preparações fossem diferentes. “Como a Feira de Cantão decorreu num formato online e queríamos a apresentar-nos de forma profissional, apostámos numa equipa com grande know-how na selecção de produtos, filmagens publicitárias e publicidade multimédia, que fez um trabalho muito intenso”, afirmou o responsável. “Acho que conseguimos mostrar bem a força na nossa marca e dos nossos produtos de forma mais abrangente”, acrescentou. Também representantes da empresa Guangdong Daye Motorcycle Technology destacaram a importância de para o formato online serem desenvolvidos conteúdos digitais. “Vamos mostrar os nossos produtos, e como sabemos que o formato e diferente de um formato físico, tivemos muito cuidado para nos promover bem, num formato multimédia”, disse um representante da empresa ao portal das autoridades de Jiangmen.
Pedro Paulo dos Santos, académico da Universidade Cidade de Macau: “Potencial da Grande Baía é imenso” Andreia Sofia Silva - 20 Mai 2022 Para construir o projecto da Grande Baía a China inspirou-se nos modelos económico e de gestão urbana desenvolvidos em Tóquio e em São Francisco. No entanto, e apesar de partilharem algumas características, a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau tem mais potencial de desenvolvimento, a começar pelo número da população de que dispõe. Pedro Paulo dos Santos, académico da Universidade Cidade de Macau, fez pesquisa em termos comparativos sobre estes três projectos e traça aqui algumas conclusões Foto de Rómulo Santos A China insiste em manter uma política de zero casos covid-19. Até que ponto esta política não está a travar projectos como o da Grande Baía e o seu potencial? Uma das pesquisas que fiz prende-se com o projecto de um estudo comparativo entre três grandes baías do mundo: a da China, de São Francisco e Tóquio. Deu para ver que a baía da China usou a baía de São Francisco como modelo. Quando digo baía falo numa estrutura organizada dentro da baía, porque há várias a nível geográfico. Mas como organização existem poucas. A China é um estudante muito bom e rápido a aplicar o que conhece, e a Grande Baía cresceu de repente, é uma ideia que não tem muito tempo, cerca de dez anos. Vejo muitas notícias sobre o desenvolvimento de infra-estruturas. Mas penso que este projecto teve sobretudo um impacto negativo com a covid-19 no primeiro ano, talvez em 2020, tendo em conta que muitos sítios na China estiveram fechados. Temos também de lembrar que a Grande Baía, na China, é um projecto nacional e não internacional. Não está dependente de outros países nem de empresas estrangeiras, como está o projecto “Uma Faixa, Uma Rota”. Tendo esse estatuto é mais fácil a China colocar recursos naturais, financeiros e humanos nesse projecto, e nesse ano de 2020 a indústria chinesa parou e não se avançou muito. Mas em 2021, e este ano, está a andar. Faço uma comparação porque vejo pessoalmente projectos como o da ilha de Hengqin. Em 2020 as obras estavam paradas e o ano passado continuaram a crescer e não pararam. Isso está ligado ao que vem acontecendo com a zona da Grande Baía. Acredito que o projecto possa ter abrandado mas vai continuar. Macau está ao lado de cidades com grande desenvolvimento, como Shenzhen. O território tem ainda passos a dar para chegar esse patamar tecnológico? Sim. Macau nessas áreas de tecnologia e inovação, e também nas áreas dos transportes, finanças e economia, não tem muito poder. Mas o projecto da Grande Baía não tem como objectivo a criação de uma rede de cidades iguais, bem pelo contrário. Tem sim um propósito de criar cidades diferentes cada uma com o seu potencial. E o papel de Macau não é nessas áreas, mas sim ser o centro de lazer da Grande Baía e de entretenimento relacionado com os casinos. Hengqin vai ser a Orlando [no Estado da Flórida, EUA], onde fica a Walt Disney e muitos outros parques temáticos. O papel de Hengqin será de apoio a Macau para essa indústria. Hong Kong será um centro financeiro e de transportes, Shenzhen será o centro de tecnologia e inovação, Guangdong será o centro de produção. Também se fala muito no desenvolvimento de outras indústrias em Macau devido à dependência que a economia tem da indústria do jogo. Em termos de resultados práticos muito pouco se tem assistido nessa área. Como vê o desenvolvimento a curto e médio prazo da Grande Baía? Este é um projecto que não é muito conhecido a nível internacional e provavelmente só será conhecido por pessoas que estudam a China. Mas este é um projecto enormíssimo. Se a China conseguir continuar com ele, vai-se tornar de longe a maior zona metropolitana do mundo que vai ser maior do que a baía de Tóquio. O objectivo é que só a zona da Grande Baía seja a maior zona metropolitana do mundo, um centro de inovação, economia e finanças, uma hub de transportes asiática. O grande objectivo da China é que esta zona seja líder em várias áreas e indústrias. Pelo conhecimento que tenho da China duvido que isso não irá acontecer, porque não vejo grandes projectos internacionais que queiram rivalizar com isto. Se compararmos com a baía de São Francisco, a Grande Baía na China vai pulverizá-la. Portanto este é um projecto muito ambicioso que está a avançar muito rapidamente. Nos próximos três ou quatro anos é que as pessoas, a nível internacional, vão começar a ter uma maior visão do que é realmente a Grande Baía. Como é que a China aplicou, na prática, o modelo da baía de São Francisco? A baía de São Francisco foi a primeira a organizar-se numa estrutura de desenvolvimento e cooperação entre diversas industrias numa localização geográfica de uma baía. Esta iniciou este processo após a II Guerra Mundial, mas até atingir maturidade e sucesso demorou várias décadas. Sendo a primeira, foi a que mais experimentou, que mais errou e que mais sucessos teve. A Grande Baía e outras estruturas semelhantes que apareceram mais tarde, têm como objectivo atingirem o sucesso de integração, inovação, desenvolvimento económico e qualidade de vida que este projecto em São Francisco conseguiu alcançar, e, no caso da Grande Baía, numa fração do tempo. A baía de São Francisco tornou-se, assim, o modelo para todas as futuras estruturas semelhantes. No caso da baía de Tóquio, quais foram os contributos para o projecto da Grande Baía? A Baía de Tóquio tem uma estrutura um pouco diferente da de São Francisco. Enquanto que nesta, e também no caso da Grande Baía, observamos várias cidades a contribuírem e a terem impacto nestas estruturas, no caso da baía de Tóquio temos uma grande metrópole e as suas prefeituras a liderar o desenvolvimento deste mecanismo. Também esta é muito dependente das duas grandes zonas industriais de Toquio, Keiyō e Keihin. São duas áreas com grande influência no desenvolvimento industrial da estrutura. A nível da Grande Baía e da baía de São Francisco as indústrias relevantes estão mais dispersas e distantes. Os governantes chineses e responsáveis obviamente que estudaram várias zonas mundiais com projectos semelhantes, tais como a zona metropolitana de Nova Iorque, mas o foco foi sem duvida estas baías em Tóquio e São Francisco. Podem até encontrar em websites chineses e em pequenos artigos produzidos por organizações e bancos tais como o HSBC, pequenos estudos de comparação entre destas baías. A Grande Baía na China traz mais valias e novidades em relação aos projectos de Tóquio e São Francisco? Em comparação com a baía de São Francisco, criada em meados dos anos 40 [do século XX], era apenas para unir indústrias e para a região se poder desenvolver economicamente. Mas hoje em dia olhamos para a baía de São Francisco e a área principal já não é tão composta pelo sector industrial mas pela tecnologia e inovação, pois tem a zona de Silicon Valley. Temos também a indústria do vinho, em Napa Valley. Portanto não tem assim um grande poder dentro da economia americana. São cidades ricas mas não têm esse impacto económico. A população é também pequena. Em relação à baía de Tóquio, baseada essencialmente numa cidade, depois são as prefeituras à volta. A situação aqui é diferente, pois a maior cidade nem sequer faz parte da baía, está um pouco distante. Esta zona tem um potencial maior, digamos assim, porque a população é bem maior [em relação à de São Francisco]. E depois temos, no caso da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau a investir bastante na modernização de infra-estruturas, e neste momento, a pesquisa preliminar que fiz leva-me a crer que as infra-estruturas de transportes é bem mais desenvolvida do que em São Francisco, porque basicamente estas cidades estão quase todas ligadas. Shenzhen, de um lado, e Hong Kong, até Guangzhou, e depois descem pelo outro lado até Zhuhai e Macau. Temos também a nova ponte. O que cada cidade tem de fazer está a ser preparado e o dinheiro está a ser investido para desenvolver essas indústrias específicas, portanto há diferenças. O modelo é o de São Francisco e também um pouco de Tóquio e quando a Grande Baía chinesa estiver activa vai ser algo que o mundo não conhece e vai ser o exemplo para futuras áreas económicas em baías. Penso que é um projecto que vai surpreende muita gente. Acredita que o projecto da Grande Baía chinesa tem maior potencial de desenvolvimento face às outras duas baías? Porquê? Eu diria que o potencial é imenso. O rápido desenvolvimento da China, o poderio económico chinês, a vontade política e o facto de a província de Guangdong ser perfeita para uma estrutura desta dimensão contribuem para que a Grande Baía possa de facto ultrapassar o valor e o sucesso de outros mecanismos semelhantes. Mas não será um processo de poucos anos, será de décadas potencialmente. Estes projectos precisam de investimentos avultados e direccionados para áreas como o transporte, conectividade, indústria, lazer, tecnologias ou ambiente. Os níveis de cooperação e de organização terão de ser elevadíssimos. A China já demonstrou a sua eficácia e comprometimento em grandes iniciativas nacionais mas também internacionais, como a Nova Rota da Seda. A ponte Hong Kong-Macau-Zhuhai é um claro exemplo do compromisso que a China está disposta a fazer nesta estrutura. Os grandes avanços neste momento são mais a nível da infra-estrutura de transportes. Este projecto é, decididamente, de nível nacional, e isso ajuda em termos burocráticos. Se continuar a ter apoio financeiro governamental então podemos esperar desenvolvimentos rápidos nos próximos anos. Na ligação de Macau com Hengqin como lugar de entretenimento, qual será o posicionamento do jogo, tendo em conta que se verifica uma tendência de quebra do sector? A aposta será nos hotéis e resorts, e parques temáticos, e não tanto no jogo em si? A tendência de quebra no sector de jogo irá continuar enquanto se mantiverem as restrições devido à política de zero casos covid-19. Em condições normais iríamos continuar a assistir ao crescimento da indústria do jogo. Hotéis e casinos continuam a ser construídos com o pensamento no eventual relaxamento das restrições, sabendo que a indústria irá recuperar eventualmente. A discussão da diversificação da economia local continua, mas voltando ao mesmo assunto, com as restrições qualquer plano está em standby. Penso que as limitações territoriais de Macau irão sempre ter um impacto em qualquer diversificação da economia. Os novos aterros serão para habitação, portanto vejamos talvez grandes infra-estruturas apenas em Hengqin, como parques temáticos e esse tipo de lazer. A Zona de Cooperação Aprofundada com Hengqin precisa de se interligar mais com o projecto da Grande Baía? É inevitável e certamente que será o caso. Ajudará Macau e os macaenses quando eventualmente os direitos e privilégios dos residentes locais nessa zona ficarem sujeitos a um melhor entendimento, pois de momento há alguma confusão e incerteza. Macau tem capacidades para ser um centro financeiro, um objectivo que também está intrínseco no projecto da Grande Baía? Não sou um especialista financeiro, mas não creio muito nessa possibilidade, tendo em conta que um grande centro financeiro mundial já existe a apenas 65 quilómetros e as limitações que existem na economia de Macau. Penso que o projecto da Grande Baia define cada cidade com uma ou várias especialidades e contribuições, com base na suas economias e indústrias. Macau é uma economia de turismo e este sector tem sido o seu motor de desenvolvimento e a sua especialidade. Penso que será nesta área que Macau poderá contribuir para a Grande Baía no futuro.
Shenzhen | A associação de inovação que une as cidades da Grande Baía Andreia Sofia Silva - 20 Mai 2022 Foi em Shenzhen que nasceu a “Greater Bay Area Innovation Union”, uma associação que visa estabelecer pontes e partilhar experiências com as restantes cidades que fazem parte deste projecto nacional. Jorge Valente é um dos representantes, na RAEM, do projecto, que foi apresentado no território em Maio do ano passado Chama-se “Greater Bay Area Innovation Union” [União para a Inovação na Grande Baía] e é uma associação que visa juntar ainda mais aquilo que o projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau tem vindo a unir. Segundo o portal EqualOcean, esta ideia surgiu junto das autoridades de Shenzhen, contando com parceiros como a empresa Tencent, a Associação para a Ciência e Tecnologia de Shenzhen, a Universidade Chinesa de Hong Kong, o Conselho para a Tecnologia e Informação de Hong Kong e a Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST). A este rol de entidades junta-se ainda o Instituto de Marketing de Macau e o think tank FinTech Industries. Esta associação fica estabelecida na zona de Qianhai e visa criar uma comunidade de empresas e outras entidades em prol da cooperação nas áreas da inovação e tecnologia. Lin Xiang, vice-presidente da Associação para a Ciência e Tecnologia de Shenzhen, declarou que esta associação pretende ajudar a criar “vários centros de inovação industrial e estabelecer fundos de desenvolvimento”. Até ao momento foram criados quatro centros dedicados às industrias farmacêutica, manufacturas inteligentes, neutralidade carbónica e desportos electrónicos na região da Ásia-Pacífico. É também objectivo desta associação criar um fundo financeiro em prol de um maior desenvolvimento destes sectores. No caso de Hong Kong, pretende-se fomentar os laços em matéria de ciência e inovação com a China, disse Simon Chan, vice-presidente do Conselho para a Tecnologia e Informação de Hong Kong, também citado pelo portal EqualOcean. O exemplo de Macau Um dos representantes do Greater Bay Area Innovation Union em Macau é o empresário Jorge Valente, também presidente da Associação para a Promoção do Intercâmbio da Cultura e Indústria Sino-Lusófona. Ao HM, este contou que os responsáveis por este projecto vieram de Shenzhen, em Maio do ano passado, para fazer uma apresentação pública da associação na MUST. “Esta ideia surgiu do lado de Shenzhen há cerca de dois anos. Esta cidade é um pólo que atrai muitas startups de tecnologia que depois seguem para a bolsa de valores e que ficam no mercado. Como há esse pólo de empresas houve a iniciativa de criar esta união, tendo em conta a existência do projecto da Grande Baía.” Esta iniciativa visa “várias áreas de actuação”, sendo que em Macau já existe um grupo de trabalho a actuar. “Shenzhen está virada a área das startups, para a atracção de talentos, financiamento e investimento. Nós, em Macau, não temos todas essas valências e não seremos competitivos em todas essas áreas, pois Shenzhen, Hong Kong e Xangai são as cidades mais aptas para fazer isso. Não temos um mercado muito grande para atrair talentos nem a lei laboral é favorável a isso”, descreveu Valente. O responsável acredita que a medicina tradicional chinesa e a organização de eventos na área dos jogos electrónicos são duas valências nas quais Macau pode apostar. “Recentemente reunimos e falei da medicina tradicional chinesa, pois temos apostado bastante nesta área. Shenzhen aposta muito na biotecnologia e seria possível integrar essa área com a medicina chinesa. Eles também acham que essa é uma vantagem do território. Também falei da área dos jogos electrónicos, pois Macau pode ter exposições e competições a nível internacional, por ser um centro de turismo e lazer”, concluiu.
Zhuhai | Parque Agrícola do Grupo Huafa preparado para abrir Hoje Macau - 20 Mai 2022 Chama-se Parque Moderno de Demonstração Agrícola Hong Kong-Zhuhai-Macau, abre em Junho, tem uma parceria com a Universidade de Macau, e promete revolucionar a agricultura Com a instalação de cortinas, luzes e sistema de irrigação ficaram concluídas as obras do Parque Moderno de Demonstração Agrícola Hong Kong-Zhuhai-Macau, que fica situado em Hezhou do Norte, Zhuhai. A abertura do parque agrícola inteligente, que tem uma parceria com a Universidade de Macau, está prevista para o próximo mês. O parque, com 15 hectares, é um investimento do Grupo Zhuhai Huafa, que também foi responsável pelas obras, e que espera começar a colher os frutos nos próximos meses. Segundo os cálculos apresentados, está prevista a produção de 7 mil toneladas de frutas e vegetais de alta qualidade, tais como tomate, pimentos, mini pepinos, morangos, alface, ervas tradicionais chinesas, e flores. Este é o primeiro projecto agrícola inteligente de alta tecnologia do Grupo Huafa, que recentemente começou a apostar nas área da agricultura biológica. Além da produção de alimentos saudáveis, o parque é ainda encarado como a oportunidade para criar 300 trabalhos de agricultura em Zhuhai. Outra das características é a aposta na diversidade. O parque vai ser constituído por variedades agrícolas de alta qualidade, tanto nacionais como estrangeiras, que são plantadas em estufas de vidro inteligentes semi-encerradas. Esta é a primeira vez que esta tecnologia é utilizada directamente no Sul da China. O parque vai estar ligado com Macau, uma vez que a UM tem uma parceria com o Grupo Huafa para testar a cultura de plantas que depois serão utilizadas na Medicina Tradicional Chinesa. A vantagem está no ganho Sobre o novo projecto, Li Qi, da empresa Zhuhai Huayi Eco-Technology, subsidiária do Grupo Huafa, explicou que a terra dentro das estufas é mais produtiva do que na agricultura tradicional, o que justifica a grande aposta. De acordo com as mesmas explicações, o tecto interior não permite que a luz que entra na estufa saía o que prolonga o tempo da exposição, fazendo com que, por exemplo, as plantas de tomate cherry possam crescer até uma altura de três metros e gerarem uma produção anual de 1 milhão de yuan por 667 metros quadrados. Esta valor para os tomates cherry é cinco vezes superior à produção com recurso à agricultura tradicional. Além disso, as estufas utilizam sistemas inteligentes altamente automatizados para o controlo ambiental, que é realizado por inteligente artificial, e que garante a correcta gestão nutricional vegetal. Li Qi explicou também que são adoptadas “várias tecnologias inovadoras” para arrefecimento, desumidificação e controlo da iluminação. Para este projecto, o Grupo Huafa criou uma equipa de peritos agrícolas, em 2019, que reuniu membros de prestigiadas universidades agrícolas nacionais e estrangeiras, como a Universidade e Investigação de Wageningen, na Holanda, a Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, bem como a Universidade Agrícola da China.
Reportagem | Em directo de Hengqin João Luz e Nunu Wu - 20 Mai 2022 A pandemia, a popularização do comércio online e o panorama laboral de Macau foram os ingredientes principais para o nascimento da Base em Directo Macau & Hengqin. As condições e facilidades oferecidas na Ilha da Montanha foram o tónico essencial para um negócio pioneiro de vendas onlines que apresenta em directo no TikTok produtos, marcas e as características únicas de Macau Quem cresceu na era das televendas irá reconhecer o padrão. Caras bonitas, movimento e produtos fantásticos à distância de um chamada. O velho conceito renasceu na Era das redes sociais e o TikTok é um dos canais preferenciais para vender e anunciar produtos, lojas, negócios e conceitos. Foi com este espírito pioneiro de modernidade que nasceu a Base em Directo Macau & Hengqin, o equivalente cibernético a uma produtora de conteúdos audiovisuais dedicada ao comércio electrónico. Window Lei, residente de Macau, foi o homem que abriu a “janela” de oportunidade e que fundou no ano passado a produtora que opera hoje a todo o vapor num edifício comercial logo à entrada em Hengqin. Saindo da retaguarda expectante em que, na óptica de Lei, se encontra a larga maioria dos jovens de Macau, o empresário decidiu assumir o risco e começar um negócio em plena pandemia, ainda para mais numa área nova. “As pessoas em Macau têm medo de arriscar, temem a ousadia de começar algo do zero, não têm espírito pioneiro. Preferem ficar numa posição segura a observar o que se passa”, conta Window Lei. Entediado pela passividade e ciente dos novos tempos de preponderância da internet, em particular das vendas online através de canais em redes sociais, o tempo para agir tornou-se cada vez mais urgente. Hoje em dia, a Base em Directo Macau & Hengqin dá trabalho a mais de meia centena de pessoas, entre apresentadores de conteúdos e pessoal técnico de produção. O método de negócio é relativamente simples. Um apresentador enérgico à frente da câmara a mediar uma relação instantânea entre consumidor e o produto. Através de transmissão em directo no canal de TikTok da empresa, ou da publicação de vídeos previamente gravados, é vendida online, num formato moderno, divertido e informal, uma vasta panóplia de artigos: roupa, produtos de beleza, bebidas como sake e whisky, produtos secos. São também vendidos serviços, como fotografias de casamento, produtos turísticos, mas também são divulgadas lojas e marcas de Macau através de vídeos que procuram a “viralidade”. “Temos cerca de 40 apresentadores, cada um com a sua especialidade. Por exemplo, Wonton é o responsável pela divulgação de lojas nossas clientes e a Sosou dedica-se mais a comida vegetariana e à gastronomia de Macau e Zhuhai. Fazemos também curtas-metragens, ou pequenos sketches de comédia para publicitar lojas e restaurantes que queiram apelar à clientela chinesa. Também fazemos pequenos jogos com os espectadores, música ao vivo, dança ou partilha de histórias. Montanha vizinha A localização não foi uma questão que tenha tirado o sono a Window Lei. Aliás, o tempo que demora a chegar ao trabalho, localizado perto do posto fronteiriço da Ilha da Montanha, não se compara ao tormento diário vivido no trânsito de Macau. “Hengqin fica logo aqui ao lado. Para quem tem matrícula para entrar em Hengqin, como eu, é muito mais rápido do que os normais percursos entre a Taipa e Península de Macau. Só preciso de 10 a 15 minutos”, conta o empresário. Niki Cheong, uma das apresentadoras que usa a base, dá conta da fluidez e conveniência da localização dos estúdios. “Sinto-me em casa. O ambiente de trabalho em Hengqin é melhor do que em Macau. Atravessar a fronteira não implica qualquer drama, é um processo rápido e conveniente, e acaba por ser mais rápido do que ir trabalhar para a Península de Macau”, confessa. Além da proximidade e da aliciante perspectiva de penetrar no imenso mercado nacional, as condições oferecidas do outro lado da fronteira foram demasiado tentadoras para Window Lei resistir. “Hengqin acrescenta dimensão a Macau, tem terra, espaço para crescer. A nossa base também precisa de muito espaço, para conseguirmos operar tantas salas de transmissão. Nunca iria encontrar em Macau um local que me oferecesse estas condições por uma renda tão pequena”, conta. Uma questão que começou por preocupar Lei, e que se revelou uma surpresa, foi a facilidade no recrutaento de quadros qualificados em Macau. Nesse aspecto, as políticas de apoio e incentivo ao empreendedorismo do Governo de Hengqin foram uma alavanca fundamental. Mas, a ideia de que seria muito mais fácil recrutar apresentadores do Interior, onde o comércio electrónico através das redes sociais é um fenómeno bastante disseminado, foi derrotada pela realidade. “Acabámos por contar com cerca de 30 apresentadores de Macau, mais ou menos três quartos do pessoal recrutado. Quando começámos, não pensei sequer atingir metade das vagas”, revela ainda surpreendido. A tempestade perfeita Apesar de também recrutar apresentadores de Zhuhai, Foshan e de outros locais dentro da Grande Baía, esses não chegam à uma dezena. Window Lei interpreta o grande interesse demonstrado pelos jovens de Macau neste tipo de negócio precisamente por ser uma novidade, mas, també devido ao panorama económico nascido da pandemia. “O desemprego em Macau passou a ser uma preocupação, um problema social. De repente, profissionais que trabalhavam em casinos, ou em relações públicas em salas de jogo VIP, perderam o emprego. Estas pessoas estavam habituadas à qualidade de vida que essa indústria lhes proporcionava. O comércio online pode ser uma saída.” Entre os apresentadores que trabalham na base, há quem tenha remunerações entre 30 mil e 40 mil renminbis por mês. Normalmente, os salários base situam-se entre 8 mil e 10 mil renminbis, “mas se forem trabalhadores dedicados, ultrapassam estes valores iniciais muito facilmente”. “Que trabalhos em Macau podem oferecer estes salários?”, questiona Window Lei. Na base de transmissões, o tamanho do ordenado depende das horas de trabalho, mas a dedicação é um derradeiro critério para atingir o sucesso. Niki Cheong é a prova viva desse princípio. Durante os tempos de universidade, a residente de Macau de 38 anos, trabalhou como modelo e apresentadora, sempre como free-lancer. Nos últimos quatro anos passou a trabalhar como apresentadora de produtos. Hoje em dia, as suas áreas de especialidade são convenções, feiras comerciais, exposições, actividades organizadas por casinos e pelo Governo. Neste domínio, a pandemia representou uma oportunidade para Niki Cheong. “Nos últimos anos, devido ao combate à pandemia, estes eventos passaram essencialmente para o online. Então, tenho feito muitas horas de transmissão de vendas online, e promoção de produtos e marcas, em especial na Feira de Produtos de Marca da Província de Guangdong e na Feira Internacional de Macau”, revela. Durante estes eventos, Niki faz transmissões em directo, quebrando a barreira física imposta pelas restrições sanitárias. “Como as pessoas não conseguem participar fisicamente nas feiras e convenções, não podem experimentar os produtos, nem comprá-los no local, eu faço a ponte entre a procura e a oferta, através da cooperação com plataformas de comércio electrónico (como a Hello Macau). Vendo de tudo um pouco. Frutas, marisco, brinquedos, roupa. Durante os dias de Ano Novo Chinês deste ano, acumulei vendas que chegaram aos seis dígitos de facturação. Foi um excelente resultado, consegui vender mais de 500 unidades de um produto.” Vestir a camisola Antes de se dedicar às vendas através de plataformas online, Niki Cheong acumulou experiência na área do entretenimento também no mundo cibernético para empresas de Hong Kong e Taiwan, através de aplicações como a UpLive. Esta aplicação permite a transmissão em directo de vídeos filmados com o telefone. O sofware é particularmente apropriado para as vendas online, uma vez que vem munido de um protocolo único blockchain que permite aos utilizadores a possibilidade de enviar presentes virtuais aos criadores de conteúdos, que depois podem ser trocados por dinheiro. Enquanto não está em directo, Niki divide-se em múltiplas tarefas invisíveis aos consumidores, com muitas horas de produção e preparação. “Por exemplo, quando trabalhava na Hello Macau e tinha uma transmissão próxima, esses directos duravam perto de três horas, normalmente entre as 19h e as 22h”, o horário nobre para os programas de comércio electrónico. “Geralmente, precisamos de chegar ao local à tarde, ou seja, por volta das 15h, para termos tempo de preparação. Dessa forma podemos fazer um vídeo para pré-visualização, uma espécie de teaser, um aperitivo que apresentasse a transmissão que iríamos fazer mais tarde. Lá para as 18h, começávamos a preparar a sala, ou espaço, para fazer o streaming, com a disposição correcta dos produtos e a organização da ordem a seguir durante a transmissão, revela a apresentadora. No fim das transmissões, o costume ditava a revisão do que fora transmitido, o que em termos práticos significa sair do trabalho por volta da meia-noite, um horário laboral bem diferente do padrão das 09h às 17h. Por outro lado, os apresentadores a tempo interno, podem trabalhar toda a semana, ou seja, da segunda-feira a domingo, revela Niki Cheong. O tempo é agora Como tudo na vida, o timming é determinante para o sucesso de negócios que se lançam à aventura em sectores empresariais novos. Window Lei tem essa noção. “Se não aprendermos depressa e bem, facilmente seremos substituídos por alguém com um melhor produto, melhor apresentação”, indica. Com o advento do 5G, aliado à popularizão dos meios de pagamento através do telefone e à pandemia que “formatou” o consumo para o comércio electrónico, esta é a Era ideal para este tipo de plataformas de vendas online. “Este sector poderá ser a tendência dominante no mundo do comércio na nova época que começou quase sem darmos conta. Por isso, trouxemos para Macau um pouco desta indústria que tem estado em franco desenvolvimento no Interior”, contextualiza Window Lei. Minhotas à moda de Cantão Um dos trunfos em termos de diversidade que Macau apresenta no contexto nacional e da Grande Baía é a presença da cultura portuguesa no território. Imaginário que é convertido em renminbis. Apesar de não serem vendidos produtos lusos, a presença de apresentadoras trajando roupas tradicionais enquanto vendem sake ou durante vídeos promocionais a restaurantes de gastronomia cantonense tornou-se numa imagem de marca diferente de tudo o que se vê nas redes sociais chinesas. Niki Cheong conhece bem os lenços e saias rodadas dos trajes típicos portugueses e destaca a forma como o colorido “exotismo” luso capta a atenção dos consumidores. “As pessoas ficam muito curiosas quando aparecemos trajadas de minhotas. Depois explicamos que são roupas tradicionais de Portugal, que reflectem e se adequam aos diferentes períodos de produção agrícola”, conta. Para muitos, esta é a porta de entrada para a cultura portuguesa e para as características únicas de Macau. “Seria óptimo se pudessemos exportar a cultura portuguesa a partir de Hengqin para o mercado da Grande Baía. Queremos mostrar ao público do Interior da China que Macau é um lugar muito especial onde se pode sentir a cultura portuguesa”, explica a apresentadora. No próximo mês de Julho, a Next Vila, um espaço relvado com esplanada e café que pertence ao universo da Base em Directo Macau & Hengqin, será palco de um dia dedicado a esta visão do que é a cultura portuguesa. Serão disponibilizados trajes típicos, o vira minhota irá convidar à dança e serão vendidos galos de Barcelos. Este tipo de actividades insere-se perfeitamente numa tendência crescente que leva turistas chineses a fazerem sessões de fotografia usando trajes típicos da região onde se encontram. Algo bastante popular no Interior da China. “As clientes querem vestir o que é típico, o que representa a cultura. A ideia surgiu porque Macau é uma cidade sino-portuguesa, mas não tem lugares para arrendar os trajes, por isso entrámos em contacto com alfaiates portugueses que fizeram estes trajes”, revela a apresentadora. As super-estrelas do e-comércio O mercado chinês do comércio online e dos streamers que vendem produtos tem dimensões que ultrapassam muitos PIBs de alguns países desenvolvidos. Assim sendo, é natural que alguns apresentadores cheguem a um estatuto de celebridade e fama que lhe vale milhões. Viya é uma das streamers mais populares, uma celebridade que caiu em desgraça depois de lhe ser aplicada uma multa equivalente a 210 milhões de dólares norte-americanos por evasão fiscal. O absurdo valor da multa é revelador do total património daquela que é conhecida como a rainha das transmissões em directo no TikTok. Com apenas 34 anos, Viya, cujo nome verdadeiro é Huang Wei, atingiu o estatuto de bilionária, com os meios de comunicação chineses a avaliar o seu património líquido em mais de 1,25 mil milhões de dólares, o que a colocou entre as 500 personalidades mais ricas da China. Com mais de 100 milhões de seguidores nas redes sociais, Viya é conhecida como a cara da indústria do comércio online, vendendo praticamente tudo na sua plataforma, incluindo cosméticos, electrodomésticos, alimentos, vestuário, casas e carros. Em Abril de 2020, a celebridade vendeu a oportunidade de particpar no lançamento de um foguete comercial, experiência que foi comprada por 5,6 milhões de dólares. Durante o recente festival de compras do Dia dos Solteiros na China, Viya terá vendido produtos no valor total de 8,5 mil milhões de yuan. Depois do escândalo de fuga aos impostos, a streamer desapareceu apesar de ter pedido publicamente desculpas pelo sucedido. Ainda assim, as suas plataformas online, incluindo a ligação livestream no Taobao e a sua conta Weibo, foram removidas. Monarca dos cosméticos Austin Li Jiaqi, conhecido na China como o “Rei dos Batons”, ganhou a alcunha depois de experimentar 380 batons durante uma transmissão em directo que durou sete horas. No mundo das celebridades do comércio online, Li Jiaqi é o maior rival de Viya, com 40 milhões de seguidores no TikTok. O seu slogan, “Oh meu Deus, compra!” tornou-se num chavão repetido vezes sem conta, aplicado às mais variadas circunstâncias. Antes de emergir como uma das maiores estrelas chinesas da especialidade, Li trabalhou como consultor de beleza numa loja L’Oreal na cidade de Nanchang. Durante o recente evento de compras do Dia dos Solteiros de Alibaba 2021, Li terá vendido no primeiro dia uma quantia espantosa de 1,9 mil milhões de dólares em mercadorias, contando com 250 milhões de espectadores na sua transmissão em directo.
Shenzhen | Sistemas padrão para aeroportos inteligentes postos em prática este mês Hoje Macau - 20 Mai 2022 Os sistemas padrão WO para a construção de aeroportos inteligentes, compilados pelo Aeroporto Internacional Shenzhen Bao’an, foram aprovados pela Associação dos Aeroportos Civis da China e serão postos em prática ainda este mês, informou o Shenzhen Economic Daily. Os sistemas padrão, que fornecem orientação para a atribuição de estacionamento inteligente e sistemas de recolha de informações sobre pontualidade de voo baseados em análise vídeo, são dois exemplos típicos de aplicações de IA e Big Data em operações de voo. A utilização de IA e de Big Data revolucionou os métodos tradicionais e permitiu ao aeroporto de Shenzhen atribuir lugares de estacionamento para 1.000 voos no espaço de um minuto. Melhorou grandemente a utilização de baías de estacionamento e pontes de embarque e quase 1 milhão de passageiros por ano não precisarão de utilizar autocarros de ferry para embarcar em aviões estacionados mais longe no alcatrão. O sistema de recolha de informações sobre pontualidade de voo pode identificar e recolher automaticamente dados-chave de voos de chegada e partida através de tecnologias AI. O sistema pode ajudar as companhias aéreas e o aeroporto a melhorar a gestão. A pontualidade dos voos que partem do aeroporto de Shenzhen foi superior a 92% nos últimos dois anos.
Hong Kong | Quatro milhões de animais exóticos importados entre 2015 e 2019 Hoje Macau - 20 Mai 2022 Quatro milhões de animais de estimação exóticos de 84 países foram importados para Hong Kong entre 2015 e 2019, agravando o risco de extinção de inúmeras espécies, denuncia um relatório da fundação ambientalista ADM Capital. “Apesar de este comércio não ter sido bem documentado, o crescimento e a diversificação nos últimos anos apontam para uma indústria extensa e rentável”, lê-se no relatório “Wild, threatened, farmed: Hong Kong’s invisible pets” (“Selvagem, Ameaçado, Criado: Os animais invisíveis de Hong Kong”), divulgado na terça-feira pela Fundação ADM Capital, que promove a conservação ambiental na Ásia. Num comunicado enviado aos órgãos de comunicação social, o responsável pelo estudo, Sam Inglis, disse que o comércio destes animais, “rápido e de grande volume”, compreende “centenas de espécies”, muitas das quais estão ameaçadas de extinção. A procura do tracajá, uma tartaruga com manchas amarelas na cabeça que habita sobretudo países da América do Sul, da tartaruga de esporas africana, réptil residente em ambientes quentes, ou da tartaruga-panqueca, espécie nativa da Tanzânia e do Quénia, “acentuam as pressões insuportáveis nas populações selvagens”, notou Inglis. Segundo o comunicado, os autores chamam também a atenção para o difícil rastreamento dos animais que chegam à região administrativa especial chinesa. A “reexportação parece ser mínima, com menos de meio milhão a partirem oficialmente da cidade”, o que sugere que “um grande número poderá permanecer nas casas ou lojas de animais” de Hong Kong, “possivelmente muitos terão morrido” e “alternativamente, grandes números” poderão ter sido “contrabandeados para fora da cidade”, lê-se. Expiação de pecados Ainda de acordo com o estudo, algumas espécies terão sido vendidas para efeitos de “libertação misericordiosa”, uma prática budista não regulamentada em Hong Kong, praticada na região desde os anos 1940. “Ao libertar animais cativos na natureza, os praticantes budistas e taoistas acreditam que podem trazer fortuna, longevidade, felicidade, saúde, absolvição de pecados e outros benefícios”, refere-se no documento. Entre as recomendações dos autores, é proposta a revisão das actuais leis que regulamentam o comércio de animais de estimação exóticos em Hong Kong, que se encontram “desactualizadas, [são] frequentemente vagas, e, em alguns casos inadequadas”. Os autores apelam também para que seja garantido um “controlo fronteiriço mais rigoroso” e implementados “mecanismos de rastreamento”, como a utilização de microchips.
Interacção entre política e economia Paul Chan Wai Chi - 20 Mai 2022 Ferdinand Romualdez Marcos Jr. obteve uma vitória esmagadora nas eleições presidenciais realizadas no passado dia 9 nas Filipinas, assinalando o regresso da família Marcos ao poder. O resultado de Ferdinand Romualdez não foi afectado pelo notório historial do seu pai, Ferdinand Marcos, deposto da presidência em 1986, na sequência da Revolução do Poder Popular e posteriormente exilado com a família no Havai. Terão os filipinos memória curta? Ou será que as dinastias políticas se tornaram uma tradição neste país? A meu ver, a política é determinada pela economia. É inegável que quando Ferdinand Marcos estava no poder na década de 70, as Filipinas tinham uma economia robusta. Mas, quando o líder político Benigno Aquino Jr. regressou de um exílio de três anos nos Estados Unidos, em1983, foi morto a tiro no aeroporto de Manila. Este assassinato político provocou instabilidade e a partir daí a economia do país começou a decair. Mais tarde, a mulher de Aquino e o filho, Aquino III, sucederam-se na presidência. A situação política permaneceu instável e a economia foi piorando cada vez mais. Durante a campanha eleitoral, Ferdinand Romualdez Marcos Jr. colocou a recuperação da economia em primeiro lugar e usou como bandeira as conquistas económicas alcançadas pelo seu pai no passado, para sensibilizar o eleitorado. O resultado foi uma vitória retumbante e um apoio incondicional da população. Agora, o grande desafio de Marcos Jr. será a recuperação económica num futuro próximo, depois do severo golpe que sofreu com a pandemia de COVID-19. As pessoas podem esquecer o ódio e as dores do passado, mas não podem celebrar a paz de estômago vazio. Na realidade, existiu um cenário semelhante depois da II Guerra Mundial. Na Europa, Winston Churchill conduziu os britânicos à vitória sobre a Alemanha Nazi. Mas o Partido Conservador perdeu as eleições em 1945, por isso Churchill passou de Primeiro-Ministro a líder da oposição. Na Ásia, Chiang Kai-shek, Presidente da Comissão dos Assuntos Militares do Governo Nacionalista, que era também Comandante Supremo do Exército Revolucionário Nacional, alcançou um prestígio sem precedentes depois de derrotar os japoneses. Mas ninguém iria imaginar que quando Chiang Kai-shek estava no auge do seu poder, cometeria erros políticos que causariam uma derrapagem económica, da qual resultou uma escalada inflacionária responsável pelo fim do Governo Nacionalista na China. Num curto espaço de tempo, o povo vira as costas ao herói que tinha aclamado. 政治權力可以無限擴大和集中,但人民的生活幸福才是決定政治穩定的主因。 O poder político pode ser aumentado e centralizado indefinidamente, mas a satisfação do povo é o factor central que determina a estabilidade política. Em termos metafóricos, podemos dizer que a economia e o povo são a água, o Governo é o navio e o líder é o timoneiro. A água pode manter o barco a flutuar, mas também o pode fazer afundar se tiver problemas estruturais. Se o timoneiro não conseguir controlar o barco, pode virar ou ficar encalhado. A única forma de garantir a segurança do navio é fazer com que todos colaborem entre si. Recentemente, com a novidade do “aperfeiçoamento do sistema eleitoral” de Hong Kong, foi eleito um novo Chefe do Executivo com um número de votos avassalador e com um “índex de segurança política” a atingir os 99 por cento. Mas uma eleição fácil não significa que a futura governação de Hong Kong venha a ser igualmente fácil. Poderá a economia de Hong Kong melhorar? Os que emigraram ou foram expatriados regressarão à cidade? Poderá o Governo reparar as clivagens sociais e unificar os hongkongers? Tudo isto será o indicador que determinará o sucesso ou o fracasso dos titulares de cargos políticos no futuro. Em Macau, após a total implementação do princípio “Macau governado por patriotas”, deixaram de se ouvir vozes contraditórias. Assim sendo, a pesada responsabilidade e o fardo de recuperar a economia e a boa governação irão recair apenas sobre os ombros de quem governa Macau.
XV – Animais fantásticos da China – O zhi Carlos Morais José - 20 Mai 2022 Ilustração de Ana Jacinto Nunes A montanha Fuyu, cujo nome significará Jade Flutuante, adquiriu esta designação talvez porque é rodeada a norte pelo lago Juqu e a leste pelo rio Zhuqi, que a abraça. De facto, para um observador dotado de alguma sensibilidade e imaginação, talvez excitada ou obnubilada por um certo grau de embriaguez, que se aproximasse quando no horizonte despontam as primeiras luzes, a visão longínqua desta montanha poderia facilmente evocar um pedaço de jade a flutuar num espelho de águas, onde se reflectem os céus. Mas as montanhas são rugidos, rugas, abcessos, na pele distraída da terra. São territórios peculiares. Pela paisagem e pelas gentes. Pelas variações de temperatura e pela raridade de oxigénio no ar. Nas montanhas reinam as tempestades: nelas resfolgam os trovões, estalam os relâmpagos e nelas se despenham raios carregados de inaudita voltagem, que contagiam o ambiente, tornando-o denso, de pesadelo. Não é por isso de estranhar que num destes lugares — neste caso, na montanha Fuyu — circundem animais como o zhi, uma besta descrita como tendo corpo de tigre, rematado por uma cauda semelhante à de um búfalo. Tal como o vulgar tigre, também o corpo do zhi é listrado e, tal como o seu primo indiano, também lhe apraz supinamente deglutir carne humana. Curiosamente, a sua boca não emite o normal rugido do tigre, mas sim um som semelhante ao ladrar de um cão. Há quem tenha alvitrado que o faz para assim atrair a presença dos homens e nessas incautas vítimas se banquetear. Ao certo sabemos que Jorge Luis Borges não sonhou com este tigre, entre os muitos felinos malhados que pelos seus devaneios deslizaram. No “Livro dos Seres Imaginários”, o Argentino limita-se a descrever os tigres anamitas (embora reconheça que a filiação mítica destes felinos é chinesa), o que nos atinge como algo de estranho, já que a sua poesia e os ensaios, discursos e entrevistas, são constantemente percorridos por diversos tipos de tigres. Que grau de realidade atribuiria o escritor às suas visões de tigres, de modo a exclui-los do seu manual de zoologia fantástica? Nesse excelso volume, só os tigres do Vietname merecem um pequeno texto e quanto ao zhi, perigoso habitante tigrado de uma montanha chinesa, comedor de gente indefesa, orgulhoso portador de um rabo de boi, nada. Talvez o zhi não seja exactamente um tigre, atendendo à sua cauda e ao seu ladrar. É difícil avaliar, pois não existe notícia de que alguém, em 5000 anos, tivesse caçado um exemplar, não sendo, portanto, possível dissecar o bicho e compreender melhor as suas características. Pelo contrário, ao que se sabe, é o zhi que tem dissecado vários seres humanos, apenas deixando os ossos para memória futura. É por isso que poucos se atrevem a pôr o pé na montanha Fuyu, um dos locais mais temidos da China antiga e contemporânea, apesar da estonteante beleza das suas paisagens. Ora esse medo, essa angústia, esse temor, esse terror ancestral de ser devorado, profundamente enraizado nos inconscientes, como relata Lu Xun, tem provavelmente protegido a montanha do Jade Flutuante das hordas de turistas e do seu sonoro vernáculo.
Diplomatas avisam os EUA e o Japão sobre questão de Taiwan antes da cimeira da QUAD Hoje Macau - 20 Mai 2022 Os EUA e os seus aliados, nomeadamente o agressor Japão, tudo fazem para demonizar a China e comparar a questão de Taiwan à Ucrânia. Mas, os diplomatas chineses, já os informaram que seguem por um caminho cheio de erros e armadilhas para a paz mundial Diplomatas chineses sublinharam ontem, quarta-feira, a posição da China e enviaram avisos firmes sobre os movimentos dos EUA e do Japão contra a China, na sequência de relatos de que o Japão e os EUA estavam determinados a afirmar o reforço da cooperação sobre a questão de Taiwan e a compará-la com a crise da Ucrânia numa declaração conjunta de uma próxima cimeira bilateral. O diplomata Yang Jiechi observou que os recentes actos dos EUA sobre a questão de Taiwan são contrários às suas palavras. Se os EUA continuarem a jogar a “carta de Taiwan” e continuarem no caminho errado, a China tomará medidas firmes para salvaguardar a sua soberania e interesses de segurança, e “faremos o que dizemos”, disse Yang, membro do Gabinete Político do Comité Central do Partido Comunista da China (CPC) e director do Gabinete da Comissão dos Negócios Estrangeiros do Comité Central do CPC advertiu, numa chamada telefónica com o Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA Jake Sullivan, na quarta-feira. O Ministro dos Negócios Estrangeiros Wang Yi avisou o Japão numa conversa virtual com o Ministro dos Negócios Estrangeiros japonês Yoshimasa Hayashi na quarta-feira para não tirar as castanhas do fogo para os outros e seguir o caminho errado. Tóquio e Washington estiveram recentemente activos num gesto de apoio na defesa da participação das autoridades de Taiwan na Assembleia Mundial da Saúde (AMS), que terá início a 22 de Maio. Os peritos chineses disseram que os movimentos que aceleram a internacionalização da questão de Taiwan, incluindo a ligação da questão de Taiwan com a crise da Ucrânia, expõem a trama sinistra da dupla: trazer perturbação para a Ásia-Pacífico, e ligá-la à turbulência na Europa para formar uma crise maior e procurar tirar partido dela. Citando fontes do governo japonês, a Kyodo News noticiou na terça-feira que o primeiro-ministro japonês Fumio Kishida e o Presidente dos EUA Joe Biden irão destacar “a paz e a estabilidade para Taiwan”, e “partilhar as preocupações de que a crise da Ucrânia possa ocorrer na Ásia Oriental” numa reunião em Tóquio, a 23 de Maio. Espera-se que estas “preocupações” se reflictam numa declaração conjunta no que seria a primeira cimeira bilateral de Kishida em pessoa com Biden, disse Kyodo News. O Japão deverá acolher a cimeira de líderes QUAD de 2022, a 24 de Maio. Os meios de comunicação japoneses disseram que o reforço da aliança Japão-EUA se baseia no conhecimento da dupla de que a China seria o maior desafio de segurança a longo prazo. Quanto ao “ponto de vista que o Japão e os EUA dão as mãos para enfrentar a China” divulgado mesmo antes de o líder dos EUA embarcar na sua viagem ao Japão, o Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês Wang Yi descreveu-o como “desenfreado”, “criando uma atmosfera de sujidade”, e tornando as pessoas “vigilantes”. “O Japão e os EUA são aliados, enquanto que a China e o Japão celebraram um tratado de paz e amizade. A cooperação bilateral entre o Japão e os EUA não deve provocar um confronto em bloco, quanto mais prejudicar a soberania, segurança e interesses de desenvolvimento da China”, disse Wang numa conversa virtual com o Ministro dos Negócios Estrangeiros japonês Yoshimasa Hayashi na quarta-feira. “A China espera que o Japão aprenda com as lições históricas, tenha em mente a paz e estabilidade regionais e aja com prudência”, observou Wang. Os meios de comunicação japoneses também mencionaram que se espera que Kishida anuncie a participação do Japão no Quadro Económico Indo-Pacífico liderado pelos EUA, o que ainda é vago em substância. Da Zhigang, director do Instituto de Estudos do Nordeste Asiático da Academia Provincial de Ciências Sociais de Heilongjiang, disse na quarta-feira que a divulgação antecipada pelo governo japonês através dos meios de comunicação social é a opinião pública e a guerra de informação contra a China para tomar a iniciativa de internacionalizar a questão de Taiwan. A China nada fez, mas foi previamente definida pelos EUA e pelo Japão como “tendo intenções agressivas”, explicou o perito. A teoria da ameaça da China serve de dissuasão e intimidação a outros países e organizações amigas da China, tais como a ASEAN, disse Da. “O subtexto é que se a ilha de Taiwan for tratada como a Ucrânia, qualquer pessoa que se atreva a apoiar o continente chinês enfrentará sanções”. O mais alto oficial das Forças de Auto-Defesa do Japão participará pela primeira vez numa reunião de Chefes de Defesa Militares da OTAN na quinta-feira, informou Nikkei, citando a autoridade de defesa japonesa. Em Abril, o Secretário de Estado norte-americano Antony Blinken anunciou que o Japão participará numa reunião cimeira da OTAN em Madrid, no final de Junho. A cimeira QUAD e a reunião Biden-Kishida promoveriam a orientação da OTAN para a Ásia-Pacífico, disse um perito em assuntos internacionais baseado em Pequim, sob condição de anonimato. “Ao sublinhar a questão de Taiwan e compará-la com a crise da Ucrânia, o Japão e os EUA pretendem incitar os países europeus a mudar para a região da Ásia-Pacífico e utilizar a questão de Taiwan como uma questão para criar aversão na Europa contra a China”, disse o perito. “Este é um esquema insidioso e malicioso”. “O que o Japão e os EUA estão a fazer é muito destrutivo e conduzirá a mais caos regional, instabilidade e conflitos”, disse o perito. “Isto não será bem recebido pela maioria dos países da região da Ásia-Pacífico”. Sonhar sonhos diferentes Um dia antes da divulgação antecipada do Japão sobre a cimeira, Chen Ming-tong, o chefe da autoridade de segurança na ilha de Taiwan, disse que a reunificação da China não só inclui Taiwan, mas também as Ilhas Diaoyu disputadas entre a China e o Japão. “O Japão é uma parte interessada, não um espectador, em questões de segurança regional”. Os observadores disseram que não é difícil ver a coordenação entre “aliados” das sucessivas reivindicações das autoridades do Japão e de Taiwan, mas há divergências no objectivo que tentam alcançar. Da mesma forma, ao ligar Taiwan à Ucrânia, o Japão está a anunciar a ucranização das Ilhas Diaoyu: em caso de guerra com a China, o Japão está confiante que pode obter assistência dos EUA e provavelmente da OTAN, disse Da. Quanto à relação EUA-Japão, Da disse que Washington quer demonstrar liderança ao reatar os laços com o Japão como uma relação que se estende para além da região Ásia-Pacífico. O Japão também quer usar a relação especial para reforçar a sua defesa nacional e impulsionar a influência global. Mas o Japão está a actuar cada vez mais como um guia para a política Ásia-Pacífico dos EUA: a estratégia Indo-Pacífico foi inicialmente proposta pelo antigo primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, e a ideia de introduzir a OTAN na Ásia-Pacífico foi também proposta pela primeira vez por Abe, disse Da. Em Janeiro de 2007, Abe visitou a sede da OTAN, a primeira visita de um chefe de governo japonês, e manifestou o interesse do Japão em aderir a uma parceria mais forte com a OTAN.
ARTM | Magia, exposições e angariação de fundos para celebrar dia da criança Pedro Arede - 20 Mai 2022 Para assinalar o dia da criança, a ARTM vai organizar na Vila de Nossa Senhora de Ká-Hó uma tarde de actividades onde não vão faltar espectáculos de magia, caricaturas, pintura em madeira e uma exposição de desenhos com o objectivo de angariar fundos para ajudar as crianças afectadas pela guerra na Ucrânia. A entrada é livre e o evento acontece no dia 29 de Maio O espaço “Hold on to Hope Project”, que a Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM) gere na vila de Ka-Hó, em Coloane, irá acolher no próximo dia 29 de Maio uma série de actividades para celebrar o Dia Mundial da Criança, que se assinala anualmente a 1 de Junho. A ideia, como explicou Augusto Nogueira, presidente da ARTM, passa por proporcionar uma tarde em família, onde os mais novos terão a oportunidade assistir, entre as 14h e as 18h, a espectáculos de magia de rua e participar, entre outros, em workshops de pintura em madeira, botânica e modelagem de balões. Haverá ainda expositores de venda de livros e artesanato e desenho de caricaturas. “Queremos que neste dia tragam as crianças até Ká-hó, pois haverá imensos divertimentos, a maior parte deles gratuitos. Claro que a aquisição de artesanato não, mas os balões, as caricaturas e a magia de rua são actividades gratuitas para que as pessoas possam celebrar o Dia Mundial da Criança e partilhar um bom ambiente familiar”, começou por dizer ao HM. “A entrada é livre. Esperamos que esteja bom tempo e um dia radioso para que as pessoas possam vir até Ká-Hó. Deixamos em aberto a toda a comunidade de Macau que, nesse dia, traga as suas crianças e venha passar uma boa tarde connosco. Esperamos ter o maior número possível de pessoas”, acrescentou. Detalhando, os mais novos terão a oportunidade de participar nos workshops de pintura em madeira e de botânica ao longo de toda tarde, assim como a venda de livros e artesanato, que estará disponível entre as 14h e as 18h. Entre as 15h e as 15h30 haverá lugar a um evento de storytelling em língua inglesa, ao passo que a modelagem de balões acontece entre as 15h e as 17h. Tanto os espectáculos de magia de rua, como o desenho de caricaturas terão lugar entre as 16h30 e as 17h30. Para quem precisa Um dos pontos altos do evento será a inauguração, pelas 16h, da mostra “World Children’s Day”, uma exposição de desenhos feitos por crianças de várias escolas de Macau, que poderão ser adquiridos pelos visitantes com o intuito de angariar fundos para ajudar as crianças afectadas na guerra da Ucrânia. “A exposição de pinturas feitas por crianças tem como objectivo angariar fundos para ajudar as crianças que estão a sofrer com a guerra na Ucrânia. As pessoas poderão adquirir os desenhos pelo montante que desejarem e os fundos angariados serão doados à Unicef de Hong Kong e destinam-se aos cuidados médicos, acesso a água potável, educação, protecção infantil e aquisição de bens para essas crianças”, explicou Augusto Nogueira. O evento que terá lugar nas casas da antiga leprosaria da Vila de Nossa Senhora de Ká Hó, conta também com a participação de várias associações e organizações, que segundo o presidente da ARTM estão focadas em promover um “bom ambiente” na comunidade. “Convidámos várias associações e companhias como a Associação dos Jovens Macaenses, Mandarina Books, ChillMa Lab e a Savonnerie e elas quiseram colaborar. São várias associações e companhias que convidámos, umas porque estão ligadas às crianças e outras porque são parceiros habituais de várias actividades e que estão focados em promover um bom ambiente na comunidade”, partilhou.
Café | Timor-Leste sem resposta para procura em Macau e no Interior Hoje Macau - 20 Mai 2022 A popularidade do café no Interior com o desenvolvimento da cultura de pequenos bares tem levado a um aumento da procura pelos grãos de Timor-Leste. Nesta indústria, Macau consegue mesmo ser uma plataforma Timor-Leste “já não tem café que chegue” para a crescente procura, nomeadamente no Interior da China, disse um empresário de Macau, que importa grãos de café do país desde a restauração da independência, há 20 anos. “Tenho importado sete a oito contentores de café por ano”, disse à Lusa Eduardo Ambrósio. Parte dos grãos são vendidos a fábricas em Macau, onde são torrados e processados e o café empacotado, antes de ser exportado para a China, sem pagar taxas alfandegárias. Mas a maioria dos grãos que Ambrósio importa de Timor-Leste vão já directamente para a China continental, onde as vendas “têm crescido muito, a uma média de 20 por cento ou mais ao ano”, disse o empresário. A procura por café na China tem aumentado, assim como a sofisticação dos consumidores. “Antes só bebiam café instantâneo, agora já começam a aprender mais. Há cursos de apreciação de café, competições de baristas”, sublinhou o macaense. Desde a presença na Exposição Internacional de Importação da China em 2020 que Timor-Leste já exportou café no valor de cinco milhões de dólares para a China continental. Ambrósio defendeu que Timor-Leste “ainda tem muitos terrenos” para novas plantações de café, que poderiam ser financiadas pelo Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa. Diz quem sabe O fundo de cooperação, no valor de quase mil milhões de euros, foi criado há quase 10 anos pelo Banco de Desenvolvimento da China e pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Macau. Segundo o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau), o fundo apoiou um investimento total de mais de quatro mil milhões de dólares de empresas chinesas em países de língua portuguesa. “O fundo não se aproveita nada”, lamentou Eduardo Ambrósio. As empresas interessadas têm de garantir um investimento mínimo de cinco milhões de dólares e o fundo apenas financia 20 por cento, explicou. “Deviam baixar para um milhão de dólares. Então poderíamos apresentar muitos projectos para os países de língua portuguesa, não só para Timor”, defendeu o empresário. Ambrósio é também o presidente da Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos, que vai assinalar estasexta-feira, em conjunto com a Associação de Amizade Macau-Timor, os 20 anos da restauração da independência de Timor-Leste. “Vamos fazer um convívio com à volta de 40 pessoas, a maioria dos quais timorenses radicados cá em Macau. Agora são pouquíssimos, anteriormente havia mais”, lamentou Ambrósio. O macaense lembrou que, desde que Macau fechou as fronteiras a estrangeiros em Março de 2020, que as universidades locais não recebem o habitual contingente de estudantes vindos de Timor-Leste.
Covid-19 | Vacinas da BioNtech para crianças disponíveis a partir de terça-feira João Santos Filipe - 20 Mai 2022 Vacinas chegaram finalmente a Macau. Programa para a contratação de empregadas domésticas no exterior alargado à Indonésia. Nas próximas semanas, deve igualmente incluir pessoas do Vietname Após semanas de espera, as vacinas para crianças da BioNtech chegaram a Macau e vão estar disponíveis a partir de terça-feira. O anúncio foi feito ontem por Leong Iek Hou, chefe da Divisão do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças Transmissíveis dos Serviços de Saúde. “A vacina mRNA chegou hoje a Macau e a partir de terça-feira, 24 de Maio, vai estar disponível para as crianças. Temos 9.600 doses que são suficientes para as crianças que pretendam ser vacinadas”, afirmou Leong. “As 9.600 doses vão ser suficientes, mas como o prazo de validade é curto, apelamos às pessoas que pretendem ser vacinadas que o façam o mais depressa possível”, acrescentou. Ainda de acordo com a médica, actualmente há uma taxa de vacinação de 65 por cento para as crianças com idades dos 3 aos 11 anos. Com as novas vacinas, as autoridades acreditam que a taxa vai subir significativamente. Afastada está, por agora, a necessidade de vacinação com uma quarta dose. Segundo Leong Iek Hou, os estudos académicos ainda não demonstram sem qualquer dúvida que se justifica a quarta dose. “As pessoas com grave deficiência imunitária, segundo as instruções dos médicos, podem ser vacinadas com uma quarta dose, no caso de não estarem protegidas. Mas, actualmente, não há muitos estudos científicos a justificar a medida”, apontou. “Vamos estudar, e se houver um bom fundamento científico vamos implementar a quarta dose”, acrescentou. Da Indonésia Também ontem, foi anunciado o alargamento do programa-piloto para empregadas domésticas, que vai permitir a entrada de pessoas vindas da Indonésia. A medida entra em vigor na segunda-feira, e foi apresentada depois do Consulado Geral das Filipinas ter considerado que o nível dos salários locais praticados é insatisfatório. Sobre a posição do consulado, Leong Iek Hou remeteu esclarecimentos para a Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais. Contudo, admitiu que nas próximas semanas o programa também pode ser alargado ao Vietname. Sobre o alargamento do programa piloto, a médica afirmou ser feito para corresponder às “necessidades locais”. Até ontem, tinha havido 20 pedidos para trazer empregadas domésticas, dos quais oito foram aprovados, oito recusados e quatro ainda estão a ser analisados. Sobre os números do programa, Leong reconheceu que é reduzido, mas defendeu que todos os procedimentos são “muito acessíveis”. O que não referiu, é que o custo do processo facilmente ultrapassa as 20 mil patacas. Cônjuges barrados Na conferência de ontem, foi também abordada a situação dos pais não-residentes proibidos de entrar em Macau, apesar de terem cônjuge e filhos residentes no território. Em muitos casos estes pais nunca conheceram os filhos. Apesar disso, Leong Iek Hou explicou que enquanto a entrada de trabalhadores não residentes é uma questão de interesse público, o mesmo não acontece com os bebés que não conhecem os pais, pelo que o Governo não vai fazer nada, por agora, para alterar a situação. “Na primeira fase vamos alargar a isenção de restrições ao que é mais relevante para Macau. Se tivermos em conta o interesse público, por exemplo, é mais importante a entrada de engenheiros não-residentes que fazem trabalhos de manutenção em estruturas locais do que dos pais não-residentes”, afirmou Leong. “Primeiro, vamos dar prioridade às necessidades da maioria”, vincou. Segundo os dados apresentados, desde o início da pandemia foram autorizados a entrar em Macau cerca de 201 “estrangeiros” que estavam no Interior por motivos de união familiar. Além disso, Leong destacou que foram autorizadas as entradas de mais 28 estrangeiros que estavam em Hong Kong. Contudo, se os estrangeiros vierem de outros países, Leong indicou que são um perigo para a segurança pandémica de Macau, porque a situação dos outros países é muito mais grave do que na China e que quanto mais pessoas entrarem, maior é o perigo.
Jogo | Coutinho diz que cedências espelham falhanço do Governo Pedro Arede - 20 Mai 2022 Pereira Coutinho considera que as cedências que estão a ser feitas na nova lei do jogo mostram que o Governo não foi capaz de ouvir a sociedade e o sector. No entanto, o deputado alerta para o facto de as alterações serem irrelevantes, caso não haja divisão de lucros nos mesmos moldes da actual lei Foto de Rómulo Santos O deputado José Pereira Coutinho considera que as várias alterações que foram introduzidas na nova versão da revisão da lei do jogo, que está a ser analisada pela Assembleia Legislativa, espelha que o Governo “falhou redondamente” na auscultação da sociedade e dos intervenientes directos do sector. Além disso, frisa, as cedências que estão a ser feitas, nomeadamente quanto à possibilidade de os casinos-satélite operarem em imóveis não detidos pelas operadoras, de nada servem, caso não sejam mantidos os actuais moldes da divisão de lucros acordada entre o Executivo e as concessionárias. “O Governo falhou redondamente. Este volte-face demonstra que as auscultações das posições dos principais intervenientes e da sociedade em geral e as revisões intercalares foram inúteis. O Governo tem de dar a mão à palmatória e admitir que errou em todo este processo. Além disso, gastaram-se rios de dinheiro com este trabalho e agora vem tudo alterado. Se é para o bem de Macau terá que haver mudanças no sentido de abrir mais a mão, quanto à questão da divisão dos lucros”, partilhou o deputado com o HM. Pereira Coutinho lembra ainda que a primeira versão da lei, aprovada na generalidade por quase todos deputados da AL, foi “radicalmente alterada” e que a 2ª Comissão Permanente que está a analisar o diploma tem levantado questões “quase todos os dias” por parte de membros ligados ao ramo do jogo ou com interesses na banca. “Este volte-face tem fundamentalmente a ver com essas posições que não foram, na altura, talvez por falta de tempo, levantadas pelos deputados no plenário da AL aquando da aprovação na generalidade da lei”, referiu. Minas e armadilhas Para Pereira Coutinho, o Executivo tem de explicar melhor porque razão deixou de concordar com o actual processo de divisão de lucros, dado que, à luz da nova lei, não se sabe que tipo de contrato de gestão será negociado entre as sociedades gestoras e as concessionárias. “Se não houver divisão de lucros como no passado nos contratos de gestão aprovados pelo Governo, em que as concessionárias dividiam o bolo racionalmente em proporções de 60/40 ou 50/50, de nada valem estas cedências”, começou por explicar. “A acontecer, será terreno fértil para, no futuro, as pessoas e empresas envolvidas nos contratos de gestão das concessionárias pisarem minas que podem explodir, porque as pessoas não sabem que tipo de contratos de gestão são esses, negociados pelas sociedades gestoras e as concessionárias”, acrescentou. Segundo o deputado, o Governo “tem de ser claro quanto ao que cada um está a fazer”, nomeadamente que tipo de trabalho é feito pelas sociedades gestoras para poderem receber a prestação de serviços. “O Governo tem de elencar quem faz o quê (…) e descrever que tipo de serviços as sociedades gestoras prestam às concessionárias”, apontou. De acordo com Pereira Coutinho, a explicação para a “mudança drástica” poderá estar na incapacidade do Governo para fiscalizar o sector do jogo ao longo dos anos. “Será que no passado falharam na fiscalização da indústria do jogo e agora estão a apertar? Não é por aí que se resolve o problema, mas sim melhorando a fiscalização nas áreas do branqueamento de capitais, ‘depósitos bancários’ nas salas VIP e na cobrança de impostos”, defendeu. À medida da freguesia Apesar de a proposta de lei prever incentivos às concessionárias que sejam capazes de atrair jogadores do estrangeiro, Pereira Coutinho não tem dúvida que Macau vai “continuar a depender dos jogadores do Interior da China”. Caso contrário, defendeu, face à dimensão do mercado de jogo, “se Macau deixar de ter jogadores da China, não são necessárias seis concessionárias”. “As seis concessionárias foram dimensionadas para o mercado do Interior da China, que é de 1.4 biliões de pessoas. O jogo de Macau com seis concessionárias, dificilmente poderá ter um desenvolvimento sustentável se for exclusivamente direccionado, na sua maioria para o mercado asiático e prescindir do Interior da China”, vincou. Sobre outras alterações que gostaria de ver introduzidas na versão final do novo diploma, o deputado lamentou não ser capaz de fazer essa análise, dado não ter ainda acesso à versão portuguesa do novo texto. Nesse sentido, Pereira Coutinho, revelou mesmo ter dirigido um pedido escrito ao presidente da AL, Kou Hoi In. “A 2ª Comissão está a trabalhar somente com a versão chinesa, ignorando por completo os que têm o português como língua materna. Isto dificulta muito o meu trabalho. Não consigo trabalhar sem a versão portuguesa, pois a minha língua materna é o português. Isto é fazer pouco da língua portuguesa, que está a ser tratada como língua subalterna, complementar ou acessória”, rematou.
Serviços de Educação revelam que peso médio das mochilas caiu 300 gramas João Santos Filipe - 20 Mai 2022 No espaço de um ano, o peso médio das mochilas dos alunos no ensino primário reduziu 300 gramas, de acordo com dados revelados pela Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento de Juventude (DSEDJ). A novidade faz parte da resposta a uma interpelação de Ella Lei, com base na informação recolhida junto de 31 escolas do território. Os números da DSEDJ mostram que em 2019/2020 o peso médio das mochilas escolares era de 4,14 quilogramas. No entanto, “na primeira verificação no ano lectivo de 2021/2022” houve uma redução para 3.81 quilogramas, o que significa uma diminuição de “cerca de 300 gramas”. “Concluiu-se que ocorreu uma melhoria na redução do peso das mochilas escolares dos alunos do ensino primário das 31 escolas envolvidas, tendo os dados demonstrado que, com os esforços concertados dos encarregados de educação, alunos e docentes, a redução do peso das mochilas obteve resultados”, foi considerado pela DSEDJ. Ainda sobre o combate ao peso excessivo das mochilas foi estabelecido como referência um limite que “não exceda 15 por cento do peso corporal do aluno”. Este limite foi estabelecido depois de várias reuniões com “associações profissionais” e os interessados do sector da educação. “Se o peso das mochilas for interior a 15 por cento do peso corporal, consegue-se proteger os tornozelos, os joelhos e as articulações das ancas dos alunos, contribuindo para a sua saúde física e mental”, foi justificado. Quase 82 mil alunos Ao mesmo tempo, a DSEDJ afirma acompanhar de perto a situação das instituições que não conseguem alcançar metas para reduzir o peso das mochilas. “Para apoiar as escolas que não têm progresso significativo na concretização das medidas de redução do peso das mochilas, a DSEDJ, por sua vez, acompanha de forma contínua a situação de execução das medidas, reúne-se com elas para trocar opiniões sobre as medidas de acompanhamento e definir, em conjunto, um plano para a redução do peso das mochilas”, foi explicado. Em 2020/2021 estavam inscritos um total de 81.985 de alunos nos ensinos infantil, primário e secundário, o que representou um aumento de 3 por cento face a 2019/2020, quando estavam matriculados 79.622 alunos.
Trabalho | DSAL não renovou 857 bluecards no ano passado João Santos Filipe e Nunu Wu - 20 Mai 202220 Mai 2022 O Governo recusa as críticas do deputado Lam Lon Wai e revelou que no ano passado recusou 857 pedidos de renovação de trabalhadores não-residentes. Durante o mesmo período, foram realizadas 2.904 inspecções para detectar trabalhadores ilegais Foto de Tiago Alcântara No ano passado, a Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) não renovou 857 licenças de trabalho de não-residentes. A revelação foi feita por Wong Chi Hong, director da DSAL, em resposta a interpelação escrita de Lam Lon Wai, que pretendia saber o que está a ser feito para garantir o emprego de residentes. “Em 2021, a DSAL realizou 2.904 inspecções relacionadas com pedidos de contratação, denúncias e inspecções surpresa, que resultaram na recusa de 857 processos de renovação de bluecards”, afirmou Wong. Ainda de acordo com o director da DSAL, no ano passado, no âmbito de 493 inspecções em locais de trabalho foram penalizados 601 empregadores e trabalhadores, por prestarem trabalho ilegal. Os números incluem 320 empregadores e 281 trabalhadores não-residentes. “Além disso, foram aplicadas sanções acessórias a cinco empregadores devido à contratação ou utilização ilegais de trabalhadores não-residentes. Também as autorizações de contratação de não-residentes dos empregadores foram canceladas, e o direito para contratar novos não-residentes foi suspenso durante seis meses”, informou Wong Chi Hong. No âmbito dos processos de contratação de não-residentes, Wong explicou que nos casos em que se suspeita de contratações falsas, os serviços vão aos locais de trabalho. Quando se confirma a apresentação de documentos falsos, os casos são reencaminhados para as autoridades e até podem resultar na abertura de processos penais. Pedida mão pesada Na interpelação de Abril, Lam Lon Wai, deputado ligado aos Operários de Macau, defendeu que o Governo tem de melhorar o mecanismo de fiscalização da contratação ilegal de trabalhadores não-residentes. Foi desta forma que o legislador reagiu depois de ter sido revelado que um restaurante na Taipa tinha criado um esquema para vender bluecards a não-residentes. Segundo este esquema, o restaurante contratava não-residentes, a quem cobrava dinheiro, e depois permitia-lhes que exercessem funções em outras empresas, o que contraria a legislação. “Apesar de o caso ainda estar a ser investigado, os factos ilegais relevantes em todo o processo são muito óbvios e a população questiona-se como pode o mecanismo de supervisão ser tão inadequado à realidade”, escreveu Lam Lon Wai, na interpelação. “Este caso foi detectado, por acaso, pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública, mas a Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais nunca teve qualquer ideia sobre as possíveis ilegalidades”, acusou na altura. Lam Lon Wai considerou ainda que a situação tem contornos graves, uma vez que o desemprego dos locais é “muito elevado”, ao contrário do que diz que acontece entre os não-residentes. Entre o final 2019 e o fim de 2021, foram registados menos 25.400 trabalhadores não-residentes em Macau. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego dos residentes subiu de 1,7 por cento, no quarto trimestre de Dezembro de 2019 para 3,5 por cento no primeiro trimestre deste ano.
Timor-Leste | Protocolo e muitos VIP dominam cerimónias do 20.º aniversário Hoje Macau - 20 Mai 202220 Mai 2022 Celebram-se hoje 20 anos da restauração da independência do Estado timorense. Dili vestiu-se de gala para receber as várias delegações diplomáticas que acorreram à capital de Timor-Leste, com destaque para a presença de Marcelo Rebelo de Sousa. O Presidente português encontrou-se com Xanana Gusmão e visitou o Cemitério de Santa Cruz, palco do massacre que despertou a comunidade internacional para as atrocidades cometidas pelo regime indonésio Fotografia de António Cotrim, Lusa A presença de delegações de dezenas de países e das principais individualidades do Estado timorense domina as celebrações do 20.º aniversário da restauração da independência, nos próximos dois dias, com uma extensa agenda. As comemorações, que coincidem também com a investidura do novo Presidente, José Ramos-Horta, envolvem uma complexa máquina protocolar, com inúmeros eventos oficiais, reuniões bilaterais e multilaterais e visitas. Os momentos mais importantes da investidura decorrem no recinto de Tasi Tolu, exactamente no mesmo local em que decorreram, em 20 de Maio de 2002, as cerimónias que assinalaram o nascimento do 192.º país do mundo. As cerimónias oficiais do 20.º aniversário da restauração da independência começaram na quarta-feira, com uma missa, antes de um jantar de “despedida e reconhecimento” aos funcionários públicos e contratados da Presidência, com vários portugueses condecorados pelo Presidente cessante, Francisco Guterres Lú-Olo. Na manhã de ontem foi inaugurado um memorial do 1.º Governo Constitucional no Palácio Nobre de Lahana. A agenda do Presidente terminou ontem com um banquete oferecido aos convidados que participaram na investidura do seu sucessor José Ramos-Horta e nas celebrações dos 20 anos da independência, que decorreu ao final do dia no recinto de Tasi Tolu. As celebrações contam com a presença do Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, que chegou hoje a Dili às 06h (hora de Macau). Ontem, também chegou a comitiva do governador-geral australiano, David Hurley, entre representantes de outros países. As cerimónias dos 20 anos da restauração da independência, por outro lado, começaram hoje às 08h30, na zona à frente do Palácio Presidencial, estando prevista, à tarde, uma sessão plenária no Parlamento Nacional que comemora o aniversário e onde participa, entre outros, Marcelo Rebelo de Sousa. Corrupio diplomático Desde o início da semana que Díli tem sentido uma azáfama que já não se via há vários anos, com delegações de diversos países e equipas avançadas das principais individualidades, incluindo o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, já no país. Ontem, realizaram-se já vários encontros, tanto com responsáveis timorenses como entre delegações diplomáticas de vários países acreditadas em Timor-Leste, uma fatia das quais oriundas de Jacarta, de onde acompanham o país. Mas um dos momentos mais simbólicos, foi o encontro entre o líder histórico timorense Xanana Gusmão e o Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, abraçaram-se efusivamente, trocando beijos no rosto, no início de um encontro entre ambos em Díli. Xanana Gusmão deslocou-se ao hotel onde Marcelo Rebelo de Sousa está alojado para um encontro fora da agenda prevista em que entregou ao chefe de Estado português um tais timorense, o pano tradicional oferecido a convidados especiais e reconhecido como património imaterial pela UNESCO. “Um tais especial para um amigo especial”, disse Xanana Gusmão, pedindo que o pano fosse pendurado “na sala principal” do Presidente português. “De um amigo muito especial. Especialíssimo”, respondeu Marcelo Rebelo de Sousa. Depois, já sentados, Marcelo Rebelo de Sousa quis ‘entrevistar’ o líder timorense, questionando Xanana Gusmão sobre os 20 anos desde a restauração da independência de Timor-Leste e qual era a sua memória mais forte. “A memória mais forte foi termos conseguido ultrapassar as cicatrizes da guerra. Depois do 20 de Maio, o estigma da guerra vivia ainda no espírito e no comportamento dos timorenses. Entrámos num ciclo de crises que criou quase 150 mil deslocados internos no jardim aqui ao lado”, disse, referindo-se aos confrontos e tensão política de 2006. “Uma crise que dividiu os timorenses, com violência, queimaram casas, a matar-se e até membros das forças armadas mataram membros da polícia”, explicou Xanana Gusmão. O líder histórico timorense disse que “depois de dois anos” foi possível resolver a crise levando o país “a adoptar o mote de adeus conflito, bem-vindo desenvolvimento”. “E aí é que se conseguiu uma unidade de pensamento, sobretudo em termos de que é necessário paz para o desenvolvimento”, afirmou. Meridiano de sangue O Presidente da República português visitou ontem o cemitério de Santa Cruz, em Díli, palco do massacre de 12 de Novembro de 1991, recordando que as imagens desse trágico acontecimento foram uma “faísca” no despertar das consciências internacionais. “De repente, certo tipo de realidades, são uma espécie de faísca que despertam as consciências em Portugal e no mundo. O que se passou foi espantoso. Aquele povo que tinha a nossa solidariedade, mas estava muito isolado ao nível de grandes potências mundiais, acordou as opiniões públicas, povos de todo o mundo e os responsáveis desses povos”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa. Acompanhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, e pela vice-presidente da Assembleia da República portuguesa Edite Estrela, Marcelo Rebelo de Sousa fez questão de atravessar praticamente todo o cemitério para visitar a campa de Sebastião Gomes. O jovem, de 18 anos, foi morto num ataque à igreja de Motael em Outubro de 1991, tendo sido num cortejo fúnebre em sua honra que milhares de jovens se concentraram em Santa Cruz, acabando por ser baleados por militares indonésios. Mais de 200 pessoas morreram nesse dia e nos seguintes e a grande maioria dos corpos nunca foi recuperada, com Santa Cruz a tornar-se um dos principais símbolos da violência da ocupação indonésia que durou quase um quarto de século. “Quando aqui chegamos (…) temos uma emoção muito forte porque é ver o local onde tudo se passou e imaginamos como se terá passado e em condições dramáticas”, disse. Um momento, considerou, em que se funde “religião, identidade nacional, espírito de independência e liberdade” na “procura de um cemitério para se fazer o último refúgio contra os invasores”. “Todos os portugueses que tenham mais de 50 anos, porque isto se passou há mais de 31 anos, têm memória do que aqui se passou e nos chegou no dia seguinte. Para fugir, um punhado de timorenses teve que se refugiar num cemitério, no fim do fim do cemitério. O último e desesperado grito de defesa”, afirmou. “Percebe-se bem o que foi a luta timorense para chegar ao que chegou contra todos os argumentos, toda a geopolítica, da localização geográfica, de estar em condições de isolamento no mundo. Apesar disso tudo resistiu, resistiu e venceu”, afirmou. Importante testemunho O chefe de Estado português referiu-se à importância das imagens, recolhidas pelo jornalista Max Stahl, considerando que sem elas o processo até à independência poderia ter sido mais demorado ainda. “Com o que sabemos hoje do povo timorense sabemos que chegaria sempre à independência, mas quanto tempo mais não demoraria. Mesmo assim foram mais oito anos até ao referendo, 11 até à independência”, disse. “O que não seria necessário de resistência, mortes, sacrifícios, prisões de dominação sobre uma cultura e identidade nacional muito forte”, sublinhou. Um dos momentos mais fortes das imagens de Stahl, pelo menos para Portugal, foi o facto de sobreviventes se terem juntado na pequena capela do cemitério, começando a rezar em português, língua que se tornou da resistência. “Lembro-me perfeitamente. É uma mistura muito identitária, fortíssima, identitária e de história, de cultura, de tradição nacional e de componente religiosa e naturalmente depois de afirmação em língua portuguesa uma maneira de rejeitar a língua do invasor, a imposição cultural do invasor”, considerou. Marcelo Rebelo de Sousa destacou o “respeito, admiração, a coragem” do povo de Timor-Leste, referindo que o apoio dado por Portugal durante a ocupação indonésia, e desde então, pode ter servido como alguma “redenção” de alguns aspectos que “não correram bem no processo de descolonização”. “Uma espécie de redenção, ao menos parcial, do nosso país e do nosso povo quando, compreendendo os erros cometidos, alinha ao lado do povo timorense, sem uma dúvida, sem uma hesitação, se bate pela causa timorense, talvez a única causa que teve o apoio de 100 por cento dos portugueses em tantos anos de democracia”, considerou. Em particular, disse, ajudando a convencer a comunidade internacional a agir, para que a Indonésia renunciasse a “violentar o povo timorense”. “Aquilo que se fez nesse período, nesses 25 anos, no período de transição para a independência e depois no apoio a seguir, explica talvez porque é que o povo timorense tem uma relação tão doce, tão fraternal e apesar de tudo grata em relação em Portugal”, afirmou.
Hospital das Ilhas | Acordo com Kiang Wu reforça formação de enfermeiros João Luz - 19 Mai 202219 Mai 2022 O Instituto de Enfermagem Kiang Wu vai ser integrado no Edifício Pedagógico de Enfermagem do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas com o objectivo de melhorar as “condições e recursos para a formação de quadros na área profissional de enfermagem”. A cerimónia de assinatura do protocolo de utilização do edifício realizou-se no passado dia 12 de Maio, através de um comunicado divulgado em chinês no dia seguinte e disponibilizado ontem em português. O protocolo foi assinado por Kong Chi Meng, director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e pelo presidente da Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu, Lau Veng Seng. O Governo afirma que o Edifício Pedagógico de Enfermagem do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas terá como missão “optimizar as instalações e os equipamentos destinados ao ensino de enfermagem e criar condições para elevar ainda mais a sua qualidade”. Por sua vez, o representante máximo do Instituto de Enfermagem Kiang Wu deu conta do “acréscimo gradual” do número de alunos matriculados.
Parte 12. Deus somos nós, desta vez não trago notícias reconfortantes Julie Oyang - 19 Mai 202219 Mai 2022 O Cinema é um formato belo e único. É simultaneamente um jogo e um transformador desse mesmo jogo. Nesta série, a autora e pensadora visual, Julie Oyang, apresenta 12 realizadores chineses, as suas obras e as suas invenções estéticas, que acabam por se revelar as invenções estéticas de antigos filósofos Quando acabei de assistir à obra-prima de anime chinesa Da Hufa – que significa Grande Guardião – diferente de tudo o que alguma vez vi, fiquei sem ar e cobri-me de suores, muito, muito frios. Não consegui perceber exactamente o que é que me tinha posto naquele estado. Talvez estivesse muito cansada, facilmente manipulada e desejando sê-lo – desta vez, não por mentiras – mas pela honestidade. Um guerreiro chamado Da Hufa vai salvar o seu príncipe de uma cidade opressiva governada por um falso deus. Da Hufa vai ter de derrotar o deus e os seus homens e, neste processo, descobre uma conspiração pelo poder. Para os espectadores com menos de 18 anos, este anime pode ser mais do que os habituais filmes assustadores e aparentemente nostálgicos, passados em sublimes paisagens orientais. Muitas das personagens que surgem na tela têm um contorno negro e intrigante, pleno de horror e de mistério. O argumento tem um toque Zen de descontração e de humor contundente, forte e arrojado como a parte visual. Cada fala é arrepiantemente impiedosa e certeira de forma a realçar todos os cambiantes do pânico que nos fere no sítio certo e que nos faz seguir em frente. Tal e qual uma boa massagem aos pés. O nosso protagonista, o Grande Guardião, parece um ovo vermelho gigante, um mestre de Kongfu que se expressa de forma espirituosa e poeticamente cómica, sempre que se confronta com um problema. O príncipe é um reflexo hilariante de si mesmo. O Povo dos Amendoins não é humano, mas uma criação do grande deus. Têm de comprar olhos e bocas, pô-los na cara para parecerem humanos e querem ser admirados. No entanto, a verdade é que só recebem ordens de outros e vivem uma vida de mentira, a tal ponto que querem produzir uma pedra preciosa, resultado de uma doença que terão de contrair, para a entregarem como oferenda ao deus que os criou. Aqui temos um retrato fiel dos modernos funcionários de escritório. Entretanto, o descendente de Pao Clan recebeu do grande deus a missão de exterminar o povo dos amendoins e fez deste objectivo o seu ideal, pelo qual pode arrancar o próprio coração. E como é que é o grande deus? Bem, nós sabemos como é que são os deuses, não sabemos? Cada personagem é uma metáfora estilizada, tão aterradoramente real que não sabemos se havemos de rir ou de chorar porque a cada personagem do filme corresponde uma personagem real que caminha ao nosso lado. Que mensagem nos está a ser transmitida? Talvez que Deus é um brincalhão, mas não teremos todos nós um pouco de deuses ardilosos e manipuladores? Ficam muitas perguntas sem resposta ao longo do filme. Para mim, este anime pretende colocar um grande ponto de interrogação no Legalismo, a influente escola filosófica que modelou a China a par do Confucionismo e do Taoísmo. O Legalismo é uma filosofia dominante concebida e delineada pelos senhores feudais. A ideia central do Legalismo é que a governação deve ser sempre feita com mão de ferro: recompensar com um castigo e punir com o terror. Famosas citações legalistas para reter na memória: 🌸 Aquele que é vaidoso e se deleita com as suas capacidades será sempre enganado pelos seus inferiores. Quando apresenta argumentos e gentileza, os seus inferiores aproveitam-se dessas capacidades. 🌸 Os ministros podem ser comparados às mãos: se se erguerem podem cuidar da cabeça; se se baixarem podem cuidar dos pés. 🌸 As pessoas, nas bem ordenadas eras do passado, defendiam a lei pública e ignoravam as estratégias privadas; focavam as suas intenções e unificavam as suas acções. Tudo o que faziam tinha por objectivo servir o governante. {Julie Oyang é uma autora de naturalidade chinesa, artista e argumentista. É ainda colunista multilingue e formadora em criatividade. As suas curtas metragens foram seleccionadas para o Festival de Vídeo de Artistas Femininas e também para a Chinese Fans United Nations Budapest Culture Week. Actualmente, é professora convidada da Saint Joseph University, em Macau. Gosta especialmente de partilhar histórias inesperadas, contadas a partir de perspectivas particularmente distintas. Divide a sua vida entre Amsterdão, na Holanda, e Copenhaga, na Dinamarca.} JULIE OYANG Writer | Artist | Namer of clouds www.julieoyang.com | Instagram: _o_writes
O arrependimento Hoje Macau - 19 Mai 2022 Estou arrependido de não me ter viciado em heroína, de não alternar entre a suprema dor e o supremo bem-estar. Assim, flutuo nesta angústia alcoólica sem bebida, no terror de viver sem existência palpável. Da realidade, conheço o amor fugaz. Da irrealidade, o ódio que me devotam. Não sei o que chamar ao esgaçar dos dias. Não sei como resistir à benevolência da noite. Antes me debatesse, antes me forçasse a algo. Não ser o adiamento de tudo o que desejo e não desejo. Por João Corvo
Exposição | Alexandre Marreiros e Emília Tang trabalham conceito de abrigo Andreia Sofia Silva - 19 Mai 2022 É inaugurada amanhã a exposição “Shelter” na galeria Blanc Art, uma instalação onde o arquitecto Alexandre Marreiros e a curadora Emília Tang trabalham em torno da ideia de abrigo, algo que é mutável conforme o tempo que passa por nós. Este projecto, que começou a ser desenhado no dia a seguir ao rebentar do conflito na Ucrânia, pode ser visto até ao dia 20 de Junho “Shelter”, como uma palavra que nos remete para a tradução literal de abrigo. Mas que abrigo é este? Será imutável para sempre, ou os nossos abrigos físicos e emocionais vão mudando ao longo dos tempos, de forma lenta ou abrupta? Será a sensação de segurança falsa ou verdadeira? Na noite anterior ao rebentar do conflito na Ucrânia, o arquitecto Alexandre Marreiros jantava com a sua amiga e curadora de arte contemporânea Emília Tang sobre a ideia de abrigo, mas sobretudo pelo facto de esta ser “efémera, que se transforma com o tempo e não tem nada a ver com o que nos é ensinado”. “É um estado de espírito e um pensamento”, frisou. No dia a seguir, as tropas de Putin invadiam território ucraniano e Alexandre Marreiros não pensou duas vezes: “‘Temos de trabalhar nisto. Ontem discutíamos isto e hoje rebenta uma guerra’”, recordou ao HM. Para tal os dois decidiram construir uma instalação, e obras de arte que nascem dela, que pode ser vista a partir de amanhã na galeria Blanc Art, na Pátio do Padre Narciso. “A primeira coisa que quis trabalhar com a Emília foi o plano do tecto, algo que nos cobre. Um pátio nunca poderá ser um abrigo, por exemplo. E foi a partir daí que decidimos trabalhar com um plano horizontal a partir do chão.” Os balões desempenham também um papel, por serem “associados a uma ideia festiva, de celebração”. “Queria fazer uma instalação em que o factor de tempo está agarrado à definição que propomos de shelter. Sabemos que o balão vai mirrando, vai cair e isso representa a noção de tempo. Por isso, todos os dias a instalação vai mudar. Fizemos um registo de quanto tempo os balões aguentam no ar, trabalhamos também o plano vertical, as paredes. Mas todos os trabalhos que vão ser expostos na parede são uma consequência directa da instalação, porque partem todos dela”, adiantou Alexandre Marreiros. Dois pisos Desde o início que Alexandre Marreiros e Emília Tang desejavam ter uma instalação e exposição que ocupasse dois pisos. Desta forma há um percurso artístico que pode ser acompanhado pelo visitante. “Estamos debaixo da instalação que cobre todo o piso térreo da galeria e depois temos umas escadas em que, de repente, temos a possibilidade de chegar ao nível dos balões e estar em cima deles. Cria-se aí a ideia de estarmos por cima de algo que nos cobriu lá em baixo.” Os últimos três meses foram de trabalho intenso em prol de um projecto que é independente, embora conte com alguns apoios. Esta independência trouxe aos autores da instalação “uma maior abertura”. “Shelter” não é sobre a pandemia nem sequer sobre o quase total encerramento de fronteiras em Macau, mas acaba por remeter para esta sensação de abrigo e de bolha que se criou na sociedade face ao mundo exterior. “Há um contexto face ao que se vive em Macau, mas na verdade propomos uma desconstrução deste conceito, porque a noção que vem no dicionário é de estarmos abrigados, sempre no domínio de uma construção feita pelo homem, uma casa, por exemplo. Aprendemos isto desde crianças, mas há o factor tempo, pois qualquer coisa que construímos como segurança [pode acabar]. Isto pode estar relacionado com uma pessoa, por exemplo, porque hoje estamos casados e amanhã podemos não estar. Ou podemos perder um ente querido”, exemplificou.
Banca | Actividade internacional diminuiu no 1º trimestre Hoje Macau - 19 Mai 2022 A Autoridade Monetária de Macau revelou ontem que a proporção da actividade internacional do sector bancário de Macau diminuiu no primeiro trimestre de 2022. A quota das aplicações financeiras nos mercados internacionais, no activo total do sistema bancário, decresceu de 86,3 por cento, taxa registada no final de Dezembro de 2021 para 86,0 por cento, taxa reportada ao final de Março de 2022. As responsabilidades internacionais no passivo total do sistema bancário desceram de 83,9 por cento, no final de Dezembro de 2021 para 83,6 por cento. A pataca continua arredada das estatísticas referentes às transacções bancárias internacionais. No final do último mês de Março, a pataca ocupava, uma quota de 1,0 e 0,7 por cento, respectivamente, no total do activo e no total do passivo financeiro internacional. O dólar norte-americano continuou a ser a moeda mais representativa, tanto no total do activo internacional (46,4 por cento), como no passivo (39,6 por cento), seguido pelo dólar de Hong Kong e o renminbi. A AMCM indicou ainda que a actividade bancária internacional de Macau distribuiu-se principalmente pela Ásia e Europa. Até final de Março, as quotas das disponibilidades do sistema bancário de Macau no Interior da China e em Hong Kong, foram de 43,8 e 26,7 por cento, respectivamente; em relação ao Luxemburgo e a Portugal, estas quotas foram de 1,0 e 0,7 por cento, respectivamente, no total de activo exterior. Já as quotas das disponibilidades nos países de língua portuguesa e nos países localizados ao longo da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” ocuparam 1,1 e 9,3 por cento, respectivamente.