Maria Fernanda Ilhéu, economista: Uma Rota de “aprendizagem conjunta”

Conversámos com a presidente da Associação Amigos da Nova Rota da Seda (ANRS) por ocasião da celebração do sexto aniversário da instituição. A economista Maria Fernanda Ilhéu acredita que os casinos vão continuar a ser fundamentais, enquanto o país assim o entender, e que serão criadas alternativas em prol do “equilíbrio” económico

 

São seis anos de existência da ANRS. Que balanço faz?

Registámos a associação no dia 21 de Dezembro de 2016, e foram 21 os sócios fundadores. Começámos a trabalhar com o objectivo de dar a conhecer o projecto da nova rota da seda e tentar identificar áreas de cooperação entre Portugal e China no âmbito desta iniciativa. Logo em 2017 produzimos um documento de trabalho utilizando várias áreas de cooperação. Foi um pontapé de saída para a reflexão. Fizemos variadas conferências sobre esse tema. Queríamos que as pessoas entendessem o que estava patente nesta iniciativa, como efectivamente ela se financiava e quais as áreas de interesse. Todos os anos fazemos uma grande conferência que vai focando em várias áreas desta Iniciativa. Queremos que as pessoas e as empresas se consciencializem da importância do relacionamento com a China e da forma de trabalho conjunto com diversas entidades de Portugal, China e terceiros mercados, de forma a conseguirmos um desenvolvimento sustentável global.

Como encara a evolução da Iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” ao longo dos últimos seis anos?

Evidentemente que com o contexto da pandemia e, mais recente, da desestabilização que a guerra na Ucrânia tem provocado, dificultou ou atrasou alguns projectos, mas a Iniciativa continua a funcionar do ponto de vista das entidades envolvidas. Há dias vi que a Argélia aderiu. Nos últimos anos, foi sempre agregando mais vontades no sentido de cooperação. Neste momento, 141 países e 32 organizações internacionais assinaram acordos de cooperação com a China no âmbito da Iniciativa, e foram assinados cerca de 207 projectos de grande envergadura. A nova rota da seda, além dos grandes projectos de cooperação, tem também uma posição de cooperação entre a China e os parceiros que engloba várias áreas. Em Portugal, verificamos o bom relacionamento que continua a existir com a China e que proporciona diálogo que continua a existir com essas parcerias.

No entanto, a Iniciativa tem sido criticada pela dependência financeira, em relação à China, da parte de alguns países.

Há aí uma série de pontos que são politizados de uma forma que não tem uma análise racional da situação. Temos de ver que esta Iniciativa e as políticas de financiamento ao longo do tempo. Quando surgiu a Iniciativa, constituíram-se, na China, fundos de investimento, nomeadamente o “Fundo Rota da Seda” e outro ligado ao Banco de Desenvolvimento chinês. Foi-se vendo, aos poucos, que esses projectos não podiam ser feitos sem uma análise financeira que permitisse concluir se o país que queria desenvolver determinado projecto tinha capacidade financeira para explorá-lo de forma sustentável. A primeira grande ideia, e que marcou, de certa forma, a ideia que as pessoas tinham dessa Iniciativa, é que eram, sobretudo, infra-estruturas de comunicação, nomeadamente comboios. Esses países tinham necessidade disso, na via-férrea, portos ou barragens. O que aconteceu é que não foi feita uma análise inicial séria desses países. A China não acautelou algumas situações, nomeadamente a construção de um porto no Sri Lanka, uma vez que o país não tinha capacidade nem de investimento nem de exploração do porto. Estes investimentos não são ofertas. No caso do Sri Lanka, a entidade financiadora teve de assumir a gestão do porto por cerca de 100 anos. Nesse consórcio estavam também entidades francesas, pelo que não foram apenas financiadores chineses. Ao longo do tempo algumas coisas se concluíram.

Tais como?

Em primeiro lugar são projectos que se pagam a longo termo e é necessário ter análises sérias financeiras e económicas para a sua sustentabilidade. Depois são investimentos muito grandes e a China não é o grande investidor. Há cada vez mais o recurso às multilaterais financeiras e já foi feito o apelo para a participação de entidades privadas. Há uma evolução, que é de análise racional e económica, com efeitos de progressão do relacionamento entre países. Há movimentação de pessoas, equipamentos e conhecimento, e há uma interligação entre entidades. O país que está à cabeça destes projectos tem sido a China, mas o país vê com muitos bons olhos parcerias trilaterais. A estrita politização da análise da Iniciativa pode ser, de certa forma, tendenciosa para servir determinados fins e objectivos políticos.

Portugal tem sabido tirar partido da nova rota da seda, ou há ainda um grande desconhecimento de empresas e outras entidades?

Esta é uma Iniciativa de longo prazo e de aprendizagem conjunta, e o pontapé de saída foi muito orientado para a construção de projectos de comunicação, como disse. Mas tem evoluído. Hoje em dia fala-se da Rota da Seda digital, por exemplo, da saúde e bem-estar, na Rota da Seda Cultural. Há várias áreas em que se pode cooperar e algumas nem exigem um investimento muito avultado. Em relação às parcerias com Portugal, elas têm existido em várias áreas, nomeadamente na área da saúde e bem-estar, bem notória quando começou a covid-19 na China. Várias entidades portuguesas disponibilizaram-se a apoiar a China e depois vimos o reverso. Não há um grande projecto de infra-estruturas a decorrer, mas há investimento chinês que tem sido bastante importante na sustentabilidade e desenvolvimento das empresas onde foi feito. Relativamente ao Porto de Sines, a forma como o concurso público [para a sua exploração] foi feito não atraiu nenhum investidor, e não apenas os chineses. É sempre num contexto de concurso público internacional que as infra-estruturas se desenvolvem. Não há uma situação em que o Governo chinês vem falar com o Governo português para desenvolver algo, nunca será por essa via.

A China está a relaxar gradualmente as restrições no âmbito da pandemia. Isso poderá criar uma nova fase para a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”?

Sem dúvida. Por muito que funcionem as relações online não há nada como o contacto e diálogo com diversos agentes económicos. Falamos de relações de cooperação que são muito dinâmicas e que estão em permanente alteração. O que era importante há três anos hoje terá outra perspectiva. Em 2019 essas relações estavam a sofrer um boom enorme, e vimos a quantidade enorme de entidades chinesas que vieram a Portugal em várias áreas. Esperemos que em 2023, com estes sinais de abertura, esses contactos possam recomeçar lá mais para meados do ano.

A Iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” está muito presente no discurso político de Macau. O território está a aproveitar devidamente esta matéria ou poderia ser um actor mais activo?

Temos sempre dificuldade em fazer esse tipo de análise. É certo que em Macau existem as plataformas certas para desenvolver essa parceria, mas se podem ser melhoradas, podem. Porque é que a sua dinâmica, às vezes, não é tão profunda? Porque uma coisa são políticas, outra coisa são os tecidos empresariais. É necessário que os tecidos de Macau e de Portugal se acertem, e penso que isso ainda não aconteceu. As empresas podem não ter tido ainda os diálogos certos. Aí podemos tentar apostar em mais plataformas, e isso tem sido fomentado pelos Governos, mas talvez da parte das empresas não tenha ainda a dimensão necessária. A ANRS quer participar nisso.

Macau está numa fase de transição, com as novas licenças de jogo, enquanto o Governo mostra sinais de querer menos dependência dos casinos. É o desígnio certo para que o território possa corresponder à Iniciativa?

Sim. Esse é o grande desafio de Macau, mas não é de agora, é de há muitos, muitos anos. Quando fui para Macau, em 1979, fui precisamente para desenvolver o Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização, cujo objectivo era apoiar a economia para não depender do jogo. A minha função era apoiar a internacionalização das empresas de Macau e reforçar as suas vantagens competitivas. Mas encontrámos uma série de obstáculos.

Quais?

Muitos foram resolvidos enquanto esteve lá a Administração portuguesa. Até 1999 houve surtos de desenvolvimento, construção, formação de pessoas, criação de universidades… tudo se passou no caminho certo. Mas temos de perceber que o jogo é avassalador, traz rendimentos enormes. Quando temos uma actividade que, de repente, permite às pessoas viver bem economicamente, as pessoas perguntam porquê fazer outra coisa.

Isso aconteceu consigo?

Sim. Cheguei à Universidade de Macau e o meu papel era trazer jovens para estudarem no ISEG [Instituto Superior de Economia e Gestão], onde era professora. Os professores que falaram comigo disseram-me que os alunos não queriam vir para Portugal, queriam acabar os cursos e começar a trabalhar porque em Macau tinham muitas solicitações de emprego. Vamos ter sempre essa situação, o jogo vai ser sempre a grande centralização económica e as pessoas vão sempre ter uma grande dependência do jogo. Mas podem-se criar áreas alternativas, e penso que a Grande Baía e a expansão de Macau para Hengqin são grandes oportunidades, porque trazem dimensão, o que Macau já não tem, e outros activos humanos. Enquanto houver jogo em Macau essa área vai ser sempre importante, pode é ser equilibrada e não haver uma substituição. São precisos apoios e entidades empresariais nessas actividades.

O desemprego aumentou e têm-se verificado situações sociais graves devido à pandemia. Isso pode mudar o paradigma que falou?

Acredito que empresas e jovens vão começar a olhar mais para fora. Os jovens estavam muito acomodados e tranquilos com o seu futuro. Este foi um grande acordar para a realidade. Daqui para a frente vamos assistir uma grande evolução em Macau.

Ontem celebrou-se mais um aniversário da transição. Que olhar traça relativamente à Macau de hoje?

A economia sempre foi dominada pelo jogo, mas quando fui para lá havia um sector fabril muito interessante que se desenvolveu mais a partir de 1979 e meados dos anos 80. O sector de exportação foi importante e viveu de vantagens competitivas externas, da existência de quotas de exportação do sector têxtil. Os empresários de Macau aproveitaram essas oportunidades e isso deu azo a uma actividade industrial interessante que proporcionou também um grande desenvolvimento da área urbana. Em função das novas zonas industriais foram construídas mais infra-estruturas de saneamento básico e comunicações. Acredito que se podem criar dinâmicas que equilibrem o peso do jogo, mas não acredito no total desaparecimento dos casinos enquanto a China decidir que eles têm de estar ali. Enquanto existir aval político o jogo não vai desaparecer e até se pode reforçar. Penso que esta lição de crise foi também para o jogo e não apenas para os jovens. Os casinos perceberam que têm de criar novas formas de expansão. Mas com a integração de Macau na China vão-se potenciar oportunidades de investimento noutras actividades. Mas respondendo à sua pergunta, Macau vai ser sempre uma plataforma entre a China e os países de língua portuguesa e penso que isso poderá ser reforçado. O país tem feito bastante esforço para que isso continue. O jogo vai continuar, mas serão criadas outras actividades e outros modos de vida. Macau estava confinado à sua dimensão física e humana, e não podem ser feitas omeletes sem ovos.

Da inquietação ou o inexplicável brinco de pérola

Estamos todos a ver bem o inexplicável brinco de pérola que Johannes Vermeer pendurou na orelha daquela rapariga de olhar misterioso que nos encara com a maior das complacências?

Por incrível que pareça, no mesmo dia que o pintor flamengo, mas exactamente 277 anos antes, tinha igualmente nascido, mas em Coimbra, o nosso rei “Formoso”. Dá para nos pôr a matutar esta coincidência? Porque não?

Ora, talvez não seja completamente inapropriado recordar que Fernão Lopes definiu D. Fernando como um “amador de mulheres e chegador a elas”, um monarca verdadeiramente “Inconstante” que, no entanto, padecia de uma obsessão permanente pela caça. Para ele, a vida da corte era a condenação a um tédio mortal que só podia ser aliviado com perseguições implacáveis a fidalgas, lebres e pombos.

Não me venham cá com histórias. A ordem universal possui as suas próprias leis e a verdade é que Vermeer era casado com uma mulher quase-megera e tinha de pagar as contas todas da família. Foi isso que o livrou do tédio? Não creio.

O pintor de Delft aprendeu cedo, bem à sua custa, a refugiar-se no mundo imaginário de “A Leiteira”, ou de “A “Mulher de Azul Lendo Uma Carta”, ou de “O Copo de Vinho”, ou de “A Alcoviteira”, ou do enigma metafísico que lhe era facultado secretamente pelo olhar daquela rapariga que nunca viria a conhecer Freud.

Ou seja, um clarão suave que nada perde com a vizinha exuberância dos panejamentos que o rodeiam nem, sobretudo, a verticalidade absurda daquele lenço que se destina a contrapor a cor do marfim à do tecido marítimo que lhe envolve a cabeça. Metade do barrete, metade da orelha e mais de terços da pérola ficam na sombra.

Porquê?

E o juvenil carmim daqueles túmidos lábios entreabertos que furor disfarça? E o colarinho branco está ali para mostrar que basta uma pequena fracção da pérola iluminada para demonstrar que a luz, mesmo sendo incorpórea, pode conter a noção precisa de qualquer paraíso?

Não faço a mínima ideia, mas não me custa a crer que lampejos destes possam ser suficientes para tresloucar um Fernando Inconstante ou salvar da loucura um génio mal remunerado que trabalha humildemente numa pequena reentrância de um minúsculo país quase submerso.

E o que agora me inquieta – desculpem-me esta tentação de repetir, por tudo e por nada, o título de uma novela minha – é a ameaça que temos sobre a cabeça: os quatro elementos estruturais da vida e do cosmos – a terra, o fogo, o ar e a água – tentam nitidamente recolocar-se sob o arbítrio dos deuses que, como se sabe, nunca dão ponto sem nó.

As alterações climáticas e a sobrevivência das religiões devem, portanto, ser entendidas como um sério aviso, tanto da iminência da cegueira saramagueana como do prosseguimento do desvario da sua imparável Blimunda. O inexplicável brinco de pérola.

Apelo à moderação

DR

Recentemente, o Governo de Macau anunciou que a variante Ómicron tem uma alta taxa de transmissibilidade. Calcula-se que 50 a 80 por cento da população de Macau venha a ser infectada pelo vírus, mas a grande maioria terá apenas sintomas leves e recuperará facilmente. Além disso, mais de 90 por cento da população está vacinada. Estas condicionantes permitem que Macau siga as directrizes da China continental no que respeita às políticas de prevenção da epidemia.

Após os ajustes à política de prevenção da epidemia, o número de pessoas que acorreu às farmácias para comprar medicamentos, como analgésicos e antipiréticos, testes rápidos e máscaras aumentou bastante.

Neste período, é compreensível que as pessoas se abasteçam deste tipo de produtos para estarem preparadas para uma emergência.

A semana passada, um residente de Macau ligou para uma estação de rádio, a reportar o açambarcamento deste tipo de materiais numa farmácia local. Estes produtos foram posteriormente vendidos a preços muito elevados numa plataforma online. O açambarcamento dá origem à ruptura de stock de medicamentos como analgésicos e antipirécticos.

Esta situação causa sérias preocupações. Até ao momento, os residentes precisavam de seguir diferentes políticas de combate à pandemia, de acordo com a situação de cada um. Por exemplo, os funcionários públicos tinham de usar máscaras KN95 no trabalho e, simultaneamente, tinham de fazer testes rápidos diariamente.

Quem entrasse num tribunal ou nas instalações do Comissariado Contra a Corrupção tinha de seguir as mesmas normas. A falha na aquisição destes materiais iria, sem dúvida, afectar grandemente a vida e o trabalho das pessoas. Além disso, se uma pessoa infectada não conseguir comprar medicamentos pode agravar a doença.

O Governo tomou uma série de medidas para lidar com este problema. A primeira foi a criação do “Programa para Assegurar o Fornecimento de Testes Rápidos de Antigénio aos Residentes de Macau” que foi implementado em duas fases e, durante o qual, cada residente podia comprar cinco conjuntos de testes rápidos em cada uma delas.

O segundo foi o “Plano para Garantir o Fornecimento de Máscaras”, implementado no início da pandemia e que nunca foi interrompido. A terceira medida consistiu na distribuição de kits de combate à epidemia, constituídos por antipiréticos, máscaras e auto-testes. A quarta medida referia-se à restrição da venda de produtos farmacêuticos de prevenção e combate à epidemia.

A Administração Estatal de Alimentos e Medicamentos afirmou que, para além de inspeccionar as farmácias para confirmar se não existem preços inflacionados, também foram emitidas directrizes para as farmácias restringirem a venda de produtos de prevenção e combate à epidemia. As farmácias só podem vender cinco testes rápidos e uma caixa de analgésicos e outra de antipiréticos por pessoa.

Além disso, a Associação de Farmácias de Macau apelou aos residentes para que não procedam ao açambarcamento destes produtos.

A vida é preciosa, todos devem protegê-la. Neste período, é compreensível que as pessoas precisem de comprar produtos de prevenção e combate à epidemia. O açambarcamento deste tipo de produtos para venda com grandes lucros em plataformas online é um comportamento reprovável que prejudica grandemente toda a sociedade.

Embora a Administração Estatal de Alimentos e Medicamentos tenha emitido directrizes para as farmácias no sentido de limitarem a venda de produtos de prevenção e combate à epidemia, a sua implementação é bastante difícil. Por exemplo, uma pessoa pode comprar estes materiais em várias farmácias e proceder igualmente ao açambarcamento.

Para garantir que as regras venham a ser cumpridas, e para acabar com este problema, o melhor método será seguir as indicações do “Plano para Assegurar o Fornecimento de Máscaras”, que consiste no registo da informação dos clientes e em garantir que as máscaras estão sempre disponíveis e são vendidas a baixo preço.

Em primeiro lugar, o farmacêutico precisa de introduzir no computador os dados de identificação do cliente, para impedir que essa pessoa faça compras repetidas noutras farmácias. Em segundo lugar, a venda de produtos de prevenção e combate à epidemia a baixo preço garante que todos tenham acesso a produtos de qualidade. Em terceiro lugar, a garantia que o Governo dará do fornecimento destes materiais pode evitar o açambarcamento, reduzir os ajuntamentos e também a propagação do vírus.

Antes de implementar as medidas de restrições de aquisições destes produtos, o Governo precisa de estudar e debater em profundidade várias questões, como a alteração do sistema informático de modo a ficar em conformidade com as indicações do “Plano para Assegurar o Fornecimento de Máscaras” e para que possa ser aplicado a todos os produtos de prevenção e combate à epidemia. É preciso verificar se a actual legislação permite que o Governo implemente restrições à aquisição de produtos, ver quem deve respeitar essas restrições, os tipos e as quantidades de produtos sujeitos a restrição, o período temporal para aquisição das quantidades autorizadas, verificar se estas restrições irão interferir com o mercado livre, etc. Estas são as questões que a administração pública deve considerar em profundidade antes de dar forma a uma política que o Governo quer implementar.

Na fase inicial da epidemia, o preço das máscaras subiu rapidamente porque a oferta não conseguia dar resposta à procura num período de tempo tão curto. O mesmo se verifica actualmente em relação a todos os produtos de prevenção e combate à epidemia. Com um stock que não sofreu alterações, vamos enfrentar uma procura a curto prazo muito maior e, portanto, o preço destes produtos vai certamente aumentar. Passado algum tempo, quando a oferta aumentar, os preços voltarão à normalidade e deixará de haver açambarcamento. Com base nesta dedução, acredita-se que as restrições ao consumo se irão manter apenas por algum.

Como já foi mencionado, o Governo espera que 50 a 80 por cento da população venha a ser infectada pelo vírus, e como tal deve reservar uma quantidade considerável de produtos de prevenção e combate à epidemia para uso dos residentes. A compra e a importação de grandes quantidades destes produtos têm de ser melhoradas. As medidas para limitar a sua aquisição vão ajudar.

 

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão/ Instituto Politécnico de Macau
Blog: http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
Email: legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk

Atletas de Wushu da UPM ganham medalhas

Wong Weng Ian e Kuong Chi Hin, alunos da Universidade Politécnica de Macau (UPM) conquistaram medalhas de ouro, prata e bronze no 8.º Campeonato Mundial Júnior de Wushu, que teve lugar na Indonésia entre os dias 2 e 10 de Dezembro.

Wong Weng Ian eliminou os outros adversários na prova de Qiangshu feminina por 9,169 pontos, tendo conseguido a segunda medalha de ouro para Macau nesta edição e ganhando ainda mais duas medalhas de bronze, nas provas de Jianshu e Changquan. Kuong Chi Hin ganhou uma medalha de prata na prova de Jianshu Masculina.

Os dois atletas são estudantes da licenciatura em Ensino de Educação Física da UPM. Citada por um comunicado, Wong Weng Ian agradeceu à UPM o apoio e as condições favoráveis que lhe ofereceu para o equilíbrio entre o estudo e o treino cotidiano, de forma a poder empenhar-se nas provas e ter uma dedicação completa e desempenho estável nesta competição júnior.

Desporto e estudo

Por sua vez, Kuong Chi Hin referiu sentir-se honrado de ter podido representar a equipa de Wushu de Macau nesta competição mundial, tendo esta participação sido para ele um ganho igual ao da sua admissão no curso de licenciatura em Ensino de Educação Física da UPM, que é um marco miliário do seu crescimento.

O atleta agradeceu ainda à UPM “pelo grande apoio que lhe permitiu poder distribuir adequadamente os tempos de treino e de estudo e o ajudou a concentrar-se na preparação para o campeonato e elevar o nível de competição”.

A UPM adianta que procura disponibilizar “uma estrutura integral de cursos de licenciatura e de pós-graduação, empenhando-se na formação de profissionais do desporto excelentes”. A instituição de ensino superior intitula-se “um dos berços do cultivo de atletas campeões mundiais”.

Além da licenciatura dos dois jovens atletas, a UPM tem ainda o mestrado em Desporto e Educação Física, a fim de “apoiar Macau nas competições desportivas internacionais e de trazer a glória para Macau”.

Cinemateca Paixão | “Triângulo da Tristeza” em exibição no fim-de-semana

Vencedor de uma Palma de Ouro no Festival de Cannes, a comédia “Triângulo da Tristeza” será exibida este fim-de-semana, entre sexta-feira e domingo, na Cinemateca Paixão. Destaque ainda para a exibição de BROS e a última oportunidade para ver o filme biográfico de Elvis Presley

 

O fim-de-semana do Natal celebra-se na Cinemateca Paixão com uma comédia premiada no festival de cinema de Cannes com uma Palma de Ouro. “Triângulo da Tristeza” é a novidade para sexta-feira, sábado e domingo, sendo esta uma sátira sobre as diferentes classes sociais e as questões da beleza e da ostentação.

O filme conta as histórias dos modelos Carl e Yaya, um casal que está habituado a movimentar-se nos meandros do mundo da moda. Quando este é convidado para fazer um cruzeiro de luxo, com passageiros milionários e um punhado de personagens excêntricos, como um oligarca russo, um traficante de armas inglês e um capitão com propensão para o álcool e amante dos escritos de Karl Marx, a trama adensa-se.

Quando, em pleno alto mar, se dá uma tempestade durante o Jantar do Comandante, os passageiros começam a ficar enjoados e é então que o cenário de luxo se altera um pouco, pois o cruzeiro encalha numa ilha deserta com alguns dos milionários e uma das empregadas de limpeza. É então que a hierarquia se altera, pois nenhum dos passageiros consegue sobreviver na ilha, uma vez que apenas a empregada sabe pescar.
Esta produção da Suécia, Dinamarca, França e Alemanha conta com realização e argumento de Ruben Östlund.

Outras músicas

Os fãs de Elvis Presley, ou apenas os curiosos da vida deste famoso músico norte-americano, terão oportunidade de aproveitar os últimos dias de exibição do filme biográfico “Elvis”, amanhã, na sexta-feira e no sábado. Nele se conta a sua imersão no mundo da música nos anos 60 bem como a sua complicada vida pessoal, onde se inclui o casamento com Priscilla Presley.

O cartaz da Cinemateca Paixão deste fim-de-semana inclui também a película “BROS – Uma História de Amor”, uma comédia para maiores de 16 anos do realizador Nicholas Stoller. Esta é uma comédia romântica de Hollywood sobre dois homossexuais em busca do amor verdadeiro.

Para quem quiser acabar o ano numa sala de cinema, a Cinemateca Paixão exibe, no dia 31, o filme japonês “A Hundred Flowers”, de Genki Kawamura, que conta a história de Yuriko Kasai, uma mãe solteira que cria o seu filho, Izumi Kasai, sem ajudas. Quando este se torna adulto vê-se obrigado a lidar com a doença da mãe, Alzheimer, o que faz com que esta comece a perder a memória e a capacidade de recordar as vivências com o seu próprio filho. Nesse processo doloroso, Izumi depara-se com um caso do passado que tem de enfrentar. Também no dia 31, será exibido outro filme japonês, “The Wandering Moon”.

Esta quinta-feira será ainda a última oportunidade para ver “The Passengers of the Night”, um filme que conta com a actriz Charlotte Gainsbourg no elenco.

Covid-19 | Resposta ao vírus ajuda China em recuperação “curva J”

Um alto funcionário económico disse que a resposta optimizada adoptada pela China para lidar com a covid-19 deve ter um “efeito curva J” na economia, que a ajudará a ganhar forte impulso de crescimento em 2023.

“Ela pode causar perturbações na economia no curto prazo, mas do ponto de vista de um ano inteiro, é uma benção”, disse Han Wenxiu, vice-director executivo do escritório do Comité Central de Assuntos Financeiros e Económicos, citado pelo Diário do Povo.

Han disse que o retorno à normalidade na vida e no trabalho será acelerado no primeiro semestre de 2023 e especialmente no segundo trimestre, com o aumento da vitalidade económica desencadeada.

“Temos confiança, condições e capacidade para melhorar a economia da China como um todo”, disse Han num fórum realizado após a Conferência Central de Trabalho Económico da semana passada, na qual os líderes chineses decidiram as prioridades para o trabalho do país em 2023.

Segundo os observadores, com o fluxo de pessoas e a troca de bens a serem ainda mais facilitados, as novas políticas estão definidas para revitalizar gradualmente as actividades comerciais num diverso número de sectores, o que libertará um enorme potencial mercado e permitirá a expansão da produção económica.

“A economia chinesa tem forte resiliência, grande potencial e vitalidade, e os fundamentos permanecem sólidos no longo prazo”, avaliou Han, acrescentando que a resposta optimizada à epidemia, juntamente com as medidas políticas existentes e novas, exercerá um grande impacto positivo na recuperação econômica.

Resiste e insiste

Reflectindo sobre a estratégia de resposta anterior, Han e seus colegas do escritório do Comité Central de Assuntos Financeiros e Económicos disseram à Xinhua que essas medidas rígidas de controlo eram necessárias no passado, quando a taxa de mortalidade e a proporção de casos graves permaneciam altas.

Nos últimos três anos, a China resistiu às ondas da pandemia e lidou com sucesso com mais de 100 surtos em massa, protegendo efectivamente a vida e a saúde de sua população de 1,4 mil milhões de pessoas. O país conseguiu manter seus casos graves de covid-19 e as taxas de mortalidade entre as mais baixas do mundo.

Mas a China nunca considerou os esforços antiepidémicos e o crescimento económico como uma questão de escolha de uma ou de outra. Em vez disso, deu ênfase à importância de coordenar as duas matérias de maneira altamente eficiente. E o objectivo foi amplamente alcançado, indica o jornal estatal.

Em 2020, a China foi a primeira grande economia do mundo a registar crescimento. Nos últimos três anos, o país registou um crescimento económico médio anual de 4,5 por cento, significativamente superior à média mundial.

As autoridades disseram que a transição suave não era apenas um requisito para a saúde pública, mas também para a operação económica. Face ao aumento repentino de casos de infecção, a China deve garantir que as necessidades de tratamento médico e medicamentos do público sejam atendidas, as cadeias industriais não sejam interrompidas e os preços dos medicamentos e das necessidades diárias permaneçam estáveis. A luz ao fundo do túnel pode ser vista desde que o período de transição seja bem administrado.

Os jovens no período áureo da dinastia Tang

Texto e tradução de António Izidro

 

Li Bai tem histórias simples, mas inspiradoras. Os arrogantes da sua época viam no fenómeno juvenil um punhado de miúdos imaturos, rebeldes e inconsequentes. Neles não reconheciam ou meramente detectavam ideais e sonhos nobres. Limitavam-se a sublinhar os erros que, ingenuamente, os jovens cometem, apagando o facto de muito tempo ainda haver para corrigir e aprender.

“Nos jovens estão os valores. Quem ousa dizer que as gerações de amanhã não serão tão dignas como as de hoje?”

Eis uma sentença de mestre Confúcio. Para o poeta, haverá sempre um lugar para a juventude: «Da providência vem o talento, servirá sempre para alguma coisa».
Ainda jovem, Li Bai chega a Yuzhou (actual Chongjing), onde se desentende com o altivo magistrado local, Li Yong, homem de grande cultura que teve palavras pouco amáveis para com o poeta. Menosprezado, mas não derrotado, Li Bai riposta com arte e sabedoria ao magistrado que ninguém ousava enfrentar. Afinal, o homem embriagado, montado num burro, passeando livre pela comarca, que o magistrado tão arduamente censurava, era o próprio Li Bai. Antes de partir, o poeta dedica-lhe um áspero poema, porque o cargo que ocupava não era consentâneo com o facto de ignorar Confúcio. Afinal, o Confucionismo, como doutrina oficial da época, era matéria obrigatória nos exames oficiais para candidatura a cargo público.

Para (o magistrado) Li Yong
Dapeng, levado no vento,
subiu num só dia 90 mil lis.
Mas poderia o sopro do vento cessar,
suas asas ergueriam ondas no alto-mar.
Vejam-me aquele, o de torpes sentenças,
como troça de minhas soberbas palavras.
O Mestre disse: Respeitai a valorosa juventude,
jamais o homem maduro deprecie os jovens.

Li Bai é também capaz de atravessar o tempo, reemergir no passado, algo frequente nos seus escritos. Num cântico, evoca os tempos da sua juventude, considerando os jovens da sua época. Caçam, tocam música, divertem-se com vinho à noite, em tabernas onde trabalham moças de etnias estrangeiras. Chang An, a Capital da Paz Duradoura, vivia o período áureo da dinastia Tang, as trocas comerciais prosperavam e o “Largo Dourado” era a zona por excelência do comércio, cujas praças e feiras atraíam multidões de mercadores locais e estrangeiros. Era também para aí que os jovens convergiam, de vestes raras, montados em cavalos de raça. Moços prazenteiros, simpáticos e, ainda que fossem ricos, não eram soberbos nem arrogantes. Atributos de uma personalidade que Li Bai ressalta ao longo do poema.

Cântico da Juventude
I
Delícias de vinhos finos,
tangeres de qin, treino de espadas,1
à beira-rio se elevam hinos.
Passariam por Yan, príncipe do reino,2
e tal como os heróis do Condado querem ser,3
nobres de aspirações e de ideais por haver.
Da contenda de Lu Goujian,4
eles guardam um conceito:
uma disputa não revoga o respeito.

II

A leste do Largo Dourado,
jovens dos Cinco Mausoléus,5
– semblantes intensos, brancas
montadas, selas de prata –
vagueiam no vento da primavera,
apreciam as flores pelo caminho.
Joviais, seguem para a taberna
onde jovens estrangeiras servem vinho.6

III

Vede os jovens e intrépidos
viajantes7 de Huainan,8
os dias passam caçando e pela noite
aos dados eles vão jogando.
Por desforra afeita às regras,
eles mil lis dão num passo,
milhões não são embaraço,
e de voz rija clamam: “Todas negras!”9
Prazenteiros se revelam,
em postura fidedigna,
da cabeça aos pés cobertos,
por roupas de seda fina.
Meretrizes e orquídeas,
flores desabrochadas,
são companheiras de encantos
de viagens encantadas.

Senhores de ancestrais nobres,
mas sem arrogância atrevida,
selas, corcéis, dão aos pobres,
e ousam considerar o comércio da bebida.
Corações de ouro singelo,
sinceros em qualquer trato,
pródigos com os vindouros,
amparam qualquer novato.
Tal como as primaveras,
gerações passam e surgem,
flores há que fenecem
enquanto outras ressurgem.
À porta de casa recebem
os letrados com decência;
a nobres, condes ou duques
tratam com igual deferência.
Jovens que alto ides,
vivei alegres a vida,
evitai viver nos livros
e levar vida sofrida.
Jovens que alto ides,
vivei a vida sem dano,
evitai de perecer
nas corveias do mundano.
Sabeis os quase soldados,
os trajados de letrados?
Discípulos de Kongzi,10
pobres e longe exilados.
Não importa se como
raízes e ramos cresceis,11
mas que na presente hora
sem cessar vos empenheis.
Cargos, títulos, comendas,
todos deveis rejeitar,
e em vossas próprias cabeças
as insígnias colocar.12
Valei-vos aqui do sucesso,
tanto na vida o buscais,
pois que a póstuma honra,
tarde demais alcançada,
não constará dos anais.

In LiBai – A Via do Imortal

Diplomacia | Novo cônsul chega a 12 de Janeiro

O novo cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, vai chegar a Macau no próximo dia 12 de Janeiro, substituindo Paulo Cunha Alves no cargo, noticiou ontem a TDM – Rádio Macau.

Natural de Coimbra, o diplomata licenciou-se em Geografia na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e começou por ser professor. Além disso, é formado em Administração Autárquica pelo Centro de Estudos e Formação Autárquica, além de possuir um mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Católica Portuguesa.

Alexandre Leitão entrou para a carreira diplomática em 1999, assumindo funções consulares em Benguela e Senegal, além de ter sido Chefe dos Assuntos do Parlamento Europeu na Representação de Portugal junto da União Europeia, em Bruxelas.

O futuro líder da representação diplomática de Portugal em Macau foi também embaixador da União Europeia em Timor-Leste. Ainda na área diplomática, Alexandre Leitão foi conselheiro do primeiro-ministro, António Costa, assessor do secretário de Estado da Administração Pública e da Modernização Administrativa. Fez ainda assessoria para o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

Além disso, um despacho publicado no Diário da República indica que Bernardo Almeida Pinho é o novo delegado de Macau da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal. O delegado tem 28 anos de idade e vai substituir Carolina Lousinha.

Covid-19 | Teste para entrar em Macau passa para 72 horas

A validade do teste de ácido nucleico para entrar em Macau passou de 24 para 72 horas. O alívio ligeiro das restrições fronteiriças foi anunciado quase em simultâneo com a notícia de mais duas mortes ligadas a infecções e do aumento diário de perto de 50 por cento dos casos confirmados

 

Há mais de um mês que quem passa a fronteira entre Macau e Zhuhai tem de apresentar resultado negativo no teste de ácido nucleico feito em menos de 24 horas, obrigação que se tornou mais complicada de cumprir com a diminuição dos postos de testagem. O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus anunciou ontem que, a partir de hoje, a validade do teste passou para 72 horas, uma medida reclamada há muito tempo por vários sectores sociais, em especial os ligados ao turismo.

Além disso, as autoridades de saúde revelaram ontem que morreram no domingo mais duas pessoas infectadas com covid-19, e que foram diagnosticados 97 casos confirmados, número que representa apenas uma fracção do total de infecções no território, uma vez que o Governo deixou de anunciar os casos assintomáticos. Os 97 casos dizem respeito a doentes admitidos em tratamento médico.

Em relação aos óbitos, as autoridades de saúde indicam que ambos são homens, com 56 e 63 anos e tinham um quadro clínico com várias doenças crónicas.

O homem mais novo, de 56 anos, sofria de hipertensão arterial, cancro no esófago, epilepsia e era um doente cardíaco, e foi vacinado com três doses da vacina contra a covid-19. Depois de ter sido diagnosticado com covid-19 na terça-feira passada, no dia seguinte uma radiografia demonstrava uma pneumonia bilateral. Três dias depois entrou em hipotensão e no dia seguinte foi declarado o óbito.

A segunda casualidade diz respeito a um homem de 63 anos, que não tomou nenhuma vacina, mas que tinha um historial médico que inclui hipertensão arterial, diabetes e tuberculose. Foi diagnosticado com covid-19 no sábado, depois de ter acusado positivo num teste rápido de antigénio, e no domingo entrou em paragem cardíaca e respiratória.

Consultas e vacinas

Hoje, foram acrescentados três pontos de consulta externa comunitária na antiga Escola Primária Luso-Chinesa do Bairro Norte, na Zona de Lazer do Templo Hong Kung e no Jardim de Luís de Camões. A partir de amanhã, entra em funcionamento o ponto de consulta externa na Travessa Central da Praia Grande (perto do Hotel Emperor).

Desde ontem, é administrada, sem necessidade de marcação prévia, a vacina de mRNA para idosos e crianças entre 5 e 11 anos no Centro de Saúde de Seac Pai Van. O Governo indicou que o atendimento é feito de acordo com a ordem de chegada e mediante a distribuição de uma senha. O horário de funcionamento é entre as 08h30 e as 12h30 e no período da tarde entre as 14h45 e as 17h30.

A partir de hoje, o Pavilhão Polidesportivo Tap Seac – Pavilhão A vai passar a ter um posto de vacinação, com as marcações prévias disponíveis hoje, oferecendo a possibilidade de escolha entre Sinopharm e mRNA. O horário de funcionamento é entre as 10h e as 18h30.

Ilha Verde | Mulher retida no Convento sem acesso a água ou comida

Uma mulher que vive no Convento da Ilha Verde queixa-se de estar retida há seis dias no interior do edifício, sem acesso a água, electricidade ou comida, e acusa a empresa Wui San de ter bloqueado uma via pública

Uma mulher que vive há vários anos no Convento da Ilha Verde está a atravessar uma situação desespero, e acusa a empresa Wui San de lhe ter cortado o acesso à água, electricidade e até a comida. A queixa chegou ao HM, através do primo da afectada, Pedro Cheong, que tentou abastecer a família, mas foi impedido pelo segurança privada contratado pela empresa.

Em causa, está o diferendo entre a empresa que afirma ser proprietária do terreno onde está situado o antigo Convento da Ilha Verde e uma ocupante de longa data do espaço em causa, Cheong Lai Veng, a mulher retida dentro do edifício.

Segundo a versão de Cheong Lai Veng, partilhada pelo primo Pedro, nesta altura ainda não houve uma ordem jurídica de despejo, pelo que os ocupantes podem permanecer temporariamente dentro do Convento.

No entanto, como a empresa defende que o diferendo está terminado, tomou medidas para bloquear o acesso ao espaço, com o envio de seguranças privados para a Travessa de Magnólia, que alegadamente impedem a passagem de todas as pessoas.

Nesta situação, a mulher não só não tem acesso à água nem à electricidade, como ficou sem abastecimento de comida. “Ela está há uma semana sem comida. Já só comia sopas de fitas, mas cortaram-lhe a água. Como é que ela agora pode comer, se não tem água e nós não podemos entregar-lhe comida?”, questiona Pedro Cheong, que partilhou a situação da prima, com o HM. “Querem que ela vá embora do edifício. Se ela ficar, não tem água porque o contador está cortado. Se sair, para ir buscar comida ou ter acesso a bens essenciais, então os seguranças privados não a deixam entrar de volta, que é o que eles querem”, revelou. “Fizeram isto de propósito. O contador está fora do edifício, e eles cortaram a água, o que faz com que ela não tenha condições para sobreviver”, acrescentou.

História antiga

Com a mulher a recusar sair, os familiares tentaram levar-lhe comida, esforços feitos pelo menos por uma irmã e pelo primo. Contudo, quando tentaram circular na Travessa da Magnólia foram impedidos por seguranças privados.

Para Pedro Cheong a situação aparenta ser ilegal, uma vez que seguranças privados não têm competências para fechar vias públicas. “É difícil acreditar que actualmente em Macau acontece uma coisa tão ilegal… E ninguém liga. Ela está quase a morrer de fome e não nos deixam entrar para lhe entregar comida”, desabafou.

Os familiares entraram mesmo em contacto com o Corpo de Polícia de Segurança Pública e com a Polícia Judiciária para apresentar queixa contra o bloqueio da via pública. Contudo, segundo Pedro Cheong as autoridades limitaram-se a responder não terem competências para agir nesta situação. “A polícia não ligou aos nossos pedidos de ajuda, porque dizem que não é da competência deles”, relatou.

O HM contactou o CPSP sobre a ocorrência perto do fim do horário de expediente, mas até ao fecho da edição não recebeu qualquer resposta sobre o assunto. Por sua vez, a Polícia Judiciária remeteu explicações para a sentença proferida pelos tribunais sobre o caso e a propriedade do terreno.

Deputado preocupado

Além de contactar o HM, Pedro Cheong procurou apoio junto do gabinete do deputado José Pereira Coutinho, ligado à Associação de Trabalhadores da Função Pública Macau (ATFPM).

“Esta senhora não tem água, electricidade nem alimentos. Está a passar fome. Cortaram uma via pública e colocaram lá um segurança privado, para ninguém passar. Como é que um privado pode fechar uma rua pública?”, questionou José Pereira Coutinho, em declarações ao HM.

“Ela tem autorização para viver lá dentro. O tribunal disse que ela pode viver ali até ser despejada. Enquanto não houver uma ordem de despejo, ela tem o direito de lá permanecer”, considerou. “É inaceitável que a senhora fique sem comida, água e electricidade. Está muito frio, e ela não tem roupa suficiente para estar sem electricidade”, frisou.

TSI | Médicos condenados por passarem falsos recibos

O Tribunal de Segunda Instância (TSI) manteve a sentença proferida pelo Tribunal Judicial de Base (TJB) que condenou quatro médicos de medicina tradicional chinesa (MTC) a penas de prisão e ao pagamento de coimas pelo crime de falsificação de documentos. Os médicos foram condenados a nove meses de prisão por cada crime, sendo que um deles foi condenado a três anos de prisão, enquanto um outro foi condenado a dois anos e três meses de prisão por cúmulo jurídico.

Todas as penas foram suspensas na sua execução por um período de dois anos na condição de cada um pagar um montante a favor da RAEM com valores que variam entre as 10 e 20 mil patacas no prazo de um mês a partir do momento em que a sentença transitar em julgado. O caso remonta a 2014 e 2015, quando os quatro médicos passaram recibos falsos nos quais “fizeram constar datas de consulta médica e honorários desconformes com a verdade, por conta de terceiros”.

Como consequência, “fizeram com que os terceiros usassem com sucesso os referidos recibos para pedir faltas por doença às companhias a que pertenciam, bem como para solicitar cobertura das despesas médicas às companhias de seguros”. Os profissionais de saúde recorreram da sentença junto do TSI, mas este manteve a decisão do TJB.

Tsunami | Sistema de alarme entra em vigor a 1 de Janeiro

A Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) criou o Sistema de Alarme de Tsunami, que vai entrar em vigor a partir de 1 de Janeiro de 2023, de acordo com um despacho aprovado pelo Chefe do Executivo, publicado ontem no Boletim Oficial.

O novo dispositivo entrará em funcionamento com a missão de “aperfeiçoar o mecanismo de resposta a catástrofes naturais e garantir a segurança da vida e dos bens da população durante a ocorrência de calamidades”, é indicado no despacho assinado por Ho Iat Seng.

O sistema de alarme irá funcionar com três níveis de classificação: laranja, vermelho e preto de acordo com a altura das ondas de tsunami, “de maneira a reflectir o grau de risco e o seu impacto na área marítima de Macau”.

Um tsunami é um “conjunto de ondas anormais e destrutivas, geralmente provocado por um sismo de origem oceânica. Embora a possibilidade de Macau ser afectado por um tsunami seja relativamente baixa, existem ainda certos riscos, entre os quais se destaca a zona sísmica da Fossa de Manila. Se um forte sismo ocorrer nesta zona, pode provocar um tsunami no Mar do Sul da China”, explicam os SMG, acrescentando que após o sismo, as ondas podem atingir Macau entre três a quatro horas depois.

Alibaba | Falha no servidor mandou abaixo apps e sites em Macau

DR
O servidor em nuvem da Alibaba registou no domingo uma falha informática que resultou no “apagão” de várias aplicações e sites de Macau. A falha foi corrigida ontem de madrugada, restabelecendo o site da AMCM, da Galaxy Resorts e aplicações como mFood, do Ou Mun

 

No domingo, entre o meio-dia e a meia-noite a internet de Macau sofreu um “apagão” que inutilizou várias aplicações móveis e websites, em resultado de uma falha informática na nuvem do servidor da Alibaba, de acordo com uma mensagem da Polícia Judiciária. O Centro de Alerta e Resposta a Incidentes de Cibersegurança entrou em contacto com os operadores afectados para se inteirar e acompanhar a situação.

A falha verificada no centro de dados em Hong Kong da Alibaba afectou o site da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), da estação de televisão Macau Lotus, da Galaxy Resorts, Macau Cement Manufacturing e aplicações online muito populares como a mFood, Aomi e do jornal Ou Mun.

Segundo a empresa tecnológica, a falha ocorreu no sistema de ventilação dos servidores, que levou ao sobreaquecimento e à quebra dos serviços.

As falhas afectaram os levantamentos e transferências de criptomoedas. Segundo o South China Morning Post, o erro do sistema da unidade de computação em nuvem da Alibaba Cloud levou à suspensão de transferências e levantamentos de criptomoeda da OKX. Ontem, ao início da tarde, utilizadores da app de transferência de criptomoedas ainda se queixavam no Twitter da OKX de levantamentos pendentes.

No domingo, a empresa informava os seus clientes dos problemas verificados. “No dia 18 de Dezembro, o sistema da nossa plataforma sofreu cortes devido a um problema de hardware relacionado com o nosso fornecedor do serviço de nuvem”, pode ler-se no Twitter da OKX.

Coisas que acontecem

Clientes da Alibaba Cloud, como a OKX, revelaram no Twitter a justificação da Alibaba para o problema, que terá sido reportado inicialmente como uma “anomalia no equipamento”.

Um porta-voz da Alibaba Could respondeu em comunicado no domingo à noite afirmando que os servidores tinham voltado ao funcionamento normal. “Pedimos sinceras desculpas pelo inconveniente causado pelo incidente. Os nossos serviços estão gradualmente a voltar à normalidade. Os nossos engenheiros trabalharam arduamente com os técnicos do centro de dados que é nosso parceiro para resolver os problemas. Foram colocados em acção recursos adicionais para auxiliar os nossos clientes a minimizar o mais possível o impacto sofrido”, é referido no comunicado da Alibaba.

23º Aniversário da RAEM | Celebrações começam às 08h

Começam hoje às 8h, com a habitual cerimónia do içar da bandeira, as celebrações do 23º aniversário da RAEM. O evento será transmitido na TDM e decorre na Praça Flor de Lótus. Segue-se, às 09h30, a recepção oficial que marca o aniversário da transferência da administração portuguesa de Macau para a China, e que acontece no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

São esperados discursos de diversas personalidades políticas, incluindo o Chefe do Executivo, Ho Iat Seng. A Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações terá um posto de correio temporário com o carimbo comemorativo do “23º Aniversário do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau” destinado aos cidadãos e visitantes, instalado na Loja de Filatelia da Estação Central, das 09h às 14h de hoje. No mesmo local, estarão à venda envelopes comemorativos ao preço unitário de três patacas.

Segurança | Nova lei cria crime de tráfico de armas e financiamento

DR
Está na Assembleia Legislativa a nova lei do controlo de armas e coisas conexas que substitui a lei em vigor desde 1999. Uma das novidades prende-se com a criação do crime de tráfico de armas e do seu financiamento, com penas de prisão que vão dos dois aos dez anos de prisão

O regime jurídico do controlo de armas e coisas conexas foi admitido no hemiciclo e traz novas disposições para o uso de armas para variados fins, desde defesa pessoal, coleccionismo ou até para o negócio. O Governo decidiu, com a proposta de lei, criar o crime de tráfico de armas e financiamento desse tráfico, com penas de prisão que vão dos dois aos dez anos.

Como se explica na nota justificativa, o crime de tráfico de armas estava expresso na lei de bases de segurança interna, de 2002, mas “este tipo penal específico não está previsto nem nessa lei, nem no Código Penal, nem em lei criminal avulsa”. A proposta de lei “traz muitas inovações em matéria penal e processual penal”, adianta o Executivo, incluindo uma melhor definição de armas proibidas.

As sanções variam entre muito graves, graves e leves, sendo que as multas a aplicar variam entre 50 às 800 mil patacas. Além de ser exigido um livrete ao portador da arma, acrescenta-se a “obrigatoriedade de marcação de armas de fogo, a fim de aumentar a rastreabilidade de todas essas armas e das duas componentes essenciais”, além de ser criado um regime aplicável a armas de fogo achadas.
Podem pedir licença de porte de arma os maiores de idade e apenas os residentes permanentes de Macau.

Além disso, é necessário apresentar “um motivo válido para a categoria da arma em causa”, sendo ainda exigida à pessoa idoneidade e capacidade “de usar armas e coisas conexas sem constituir perigo para si próprio ou para terceiros, ou ainda para a segurança e ordem públicas”.

É permitido ter armas para defesa pessoal, actividades profissionais, competição desportiva, ornamentação e coleccionismo. A licença deve ser emitida no prazo máximo de 30 dias, com validade de um ano. Apenas as licenças de armas para fins de ornamentação e coleccionismo são válidas por cinco anos.

Competências e afins

Cabe ao Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) a concessão das licenças de uso e porte de arma a individuais e para actividades comerciais, mediante parecer vinculativo prévio da Polícia Judiciária em alguns casos.

O CPSP deve ainda “organizar e ministrar os cursos destinados a comprovar a capacidade de manejo de armas, munições e conhecimento dos procedimentos de segurança relacionados com as mesmas”, bem como “emitir normas técnicas e de funcionamento destinadas a assegurar adequadas condições de segurança e operacionalidade em todas as carreiras de tiro e depósito de armas”.

O Chefe do Executivo é “competente para conceder autorização prévia para o exercício da indústria de armas e coisas conexas”, além de decidir sobre as licenças de uso e porte de arma para pessoas ligadas à Administração, como é o caso do seu chefe de gabinete, chefes de gabinete dos titulares dos principais cargos [secretários], directores de serviços ou entidades equivalentes, funcionários de justiça, o director do Estabelecimento Prisional de Macau ou membros de representações diplomáticas, entre outros.

Medalhas de Lótus | BNU, Confraria Macaense e Humberto Rodrigues distinguidos

O primeiro banco emissor de moeda do território vai receber a Medalha do Lótus de Prata, pela promoção das relações entre Portugal e a China e o desenvolvimento do sector financeiro de Macau

 

O Banco Nacional Ultramarino (BNU) vai ser distinguido com a Medalha de Honra Lótus de Prata, de acordo com a lista divulgada ontem pelo Governo. Entre os nomes escolhidos constam igualmente a Confraria Macaense e o empresário Humberto Rodrigues, que vão receber Medalhas de Mérito Cultural e a Medalha de Mérito Industrial e Comercial, respectivamente.

Segundo a nota justificativa apresentada pelo Executivo, o BNU “é o primeiro banco emissor de moeda em Macau” e tem contribuído para a promoção das relações entre a China e os países de língua portuguesa. “Desempenha um papel importante na promoção do desenvolvimento de negócios entre a China e os países de língua portuguesa, tendo instalado uma sucursal na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, contribuindo para a diversificação adequada da economia de Macau e para o desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada”, pode ler-se, no comunicado.

Numa fase em que o Governo considera fundamental a diversificação da economia com a aposta na área das finanças, é também indicado que o banco “tem vindo a oferecer serviços bancários diversificados aos residentes e empresas em Macau e a promover activamente o desenvolvimento financeiro e económico”.

Não é a primeira vez que o BNU é distinguido pelo Governo da RAEM, em 2011 tinha sido agraciado com a Medalha de Mérito Industrial e Comercial.

As Medalhas de Honra, com os graus de Grande Lótus, Lótus de Ouro e Lótus de Prata, servem para galardoar os indivíduos ou entidades que prestam “serviços excepcionais para a imagem e bom nome da RAEM” ou “de grande relevância para o seu desenvolvimento”.

Em relação a este ano, o principal distinguido é a Associação de Beneficência Tong Sin Tong, que vai receber a Medalha Lótus de Ouro, pelo trabalho na área da educação, combate contra a pobreza, medicina e apoio a idosos.

Macau à mesa

Outra das entidades distinguidas é a Confraria Macaense, com a Medalha de Mérito Cultural. As Medalhas de Mérito compreendem sete categorias e são destinadas “a agraciar indivíduos ou entidades que se notabilizem ou destaquem” em diferentes actividades.

No caso da Confraria Macaense, o Governo justificou a distinção com o “objectivo divulgar a Gastronomia Macaense, e salvaguardar as características tradicionais e técnicas desta culinária”. Além disso foi ainda elogiado o trabalho de incentivo à “investigação desta cultura gastronómica nos seus múltiplos aspectos”, e a promoção do “valioso património cultural intangível e importante culinária tradicional”.

Por último, é vincado que, desde a sua criação, a associação “tem dado contributos significativos para o desenvolvimento do Património Gastronómico Macaense, designadamente salvaguardar e transmitir, de geração em geração, a arte e técnica da cozinha tradicional, congregar esforços de profissionais culinários, divulgar a Gastronomia Macaense, publicar receituários e demais publicações, e realizar a divulgação nos jornais”.

Desde o estabelecimento da RAEM, é a primeira vez que a Confraria Macaense é distinguida com uma medalha.

O empresário macaense

Na lista de distinguidos consta ainda o nome de Humberto Rodrigues, gerente geral da empresa F. Rodrigues (Sucessores), Limitada, presidente da Associação Comercial Internacional de Empresários Lusófonos e vice-presidente da Associação dos Exportadores e Importadores de Macau. O macaense é destacado devido ao trabalho feito em prol da promoção das relações entre a China e os países de língua portuguesa.

“Tem vindo a empenhar-se na promoção do intercâmbio amigável entre a China e os países de língua portuguesa, e participado activamente nas mais diversas actividades e fóruns de promoção do desenvolvimento económico organizados pelo Governo da RAEM, servindo a sociedade com perseverança e honestidade”, é explicado no comunicado.

Desde 1984 que Humberto Rodrigues lidera os destinos da empresa F. Rodrigues (Sucessores), Limitada, sendo uma estreia nas distinções da RAEM. A cerimónia de entrega das distinções está marcada para 13 de Janeiro.

BNU | Carlos Cid Álvares: uma grande honra e responsabilidade

A atribuição pelo Governo da medalha de honra ‘Lótus de Prata’ ao Banco Nacional Ultramarino (BNU), do grupo Caixa Geral de Depósitos, é uma “grande responsabilidade”, disse ontem à Lusa o presidente da instituição. “É uma grande honra e é também uma grande responsabilidade. Significa com certeza uma medalha pelos serviços prestados à comunidade, pelos serviços prestados a Macau e também uma responsabilidade para, no futuro, fazermos ainda melhor”, referiu Carlos Cid Álvares.

“Estamos muito orgulhosos e muito felizes por receber essa medalha no próximo dia 13 de Janeiro”, acrescentou, sublinhando a coincidência de a agraciação acontecer paralelamente a outros momentos importantes para o território, como “a assinatura dos contratos de concessão” das operadoras de jogo e “o aligeiramento das medidas covid”.

Num balanço à presença do BNU em Macau, que celebrou em Setembro 120 anos de existência no território, Carlos Cid Álvares salientou numa entrevista recente à Lusa o serviço prestado à comunidade e o apoio à actividade económica local, admitindo “bons e maus momentos”, embora “sempre presente e a apoiar o desenvolvimento” da região administrativa especial. “De certeza que quem pensou esta operação se calhar não pensou que ia cá estar durante tanto tempo, ou se calhar pensou”, reagiu.

O CEO do BNU disse ser “um grande orgulho” e “uma grande responsabilidade” para a instituição ser um dos bancos emissores de moeda em Macau, a par do Banco da China, com contrato renovado em 2020 e válido até 15 de Outubro de 2030.

Serviços comunitários | Hato e Mangkhut ainda rendem distinções

Na categoria da Medalha de Serviços Comunitários, a única distinguida é a Associação dos Proprietários de Máquinas de Construção Civil de Macau, devido ao contributo prestado para a limpeza das ruas após a passagem dos tufões Hato, que causou 10 vítimas mortais, e Mangkhut. “Em 2017 e 2018, Macau foi assolada por dois fortes tufões, e perante estes desastres, a Associação colaborou empenhadamente em acções de emergência após tufão, designadamente remoção de destroços, desobstrução de vias rodoviárias, bombeamento e drenagem de água nas zonas de inundações, e remoção de milhares de toneladas de lixo”.

Contudo, o papel nos simulacros recentes, denominados “Peixe de Cristal”, também contribuem para o reconhecimento. “Tem assumido a sua quota-parte da responsabilidade social com ousadia, contribuindo desinteressadamente para a estabilidade social”, considerou o Governo.

Mérito profissional | CEM agradece distinção

A Companhia de Electricidade de Macau (CEM) foi uma das entidades distinguidas, neste caso com a Medalha de Mérito Profissional, devido ao “fornecimento estável de energia aos residentes e empresas em Macau”. Em reacção, a empresa demonstrou gratidão pela distinção. “A CEM agradece sinceramente ao Governo da RAEM pelo reconhecimento e apoio ao seu trabalho”, pode ler-se num comunicado emitido ontem.

Ao mesmo tempo foi deixada a promessa de continuar a “honrar” os valores fundamentais da empresa: “No futuro, a CEM irá honrar os seus valores fundamentais, cuidar da comunidade e proteger o ambiente, apoiando o Governo da RAEM na construção de uma cidade inteligente e na concretização do duplo objectivo de carbono, injectando uma nova força motriz para o desenvolvimento diversificado da economia e da sociedade de Macau”.

Caritas | Paul Pun recebe Medalha de Mérito Altruístico

O secretário-geral da Caritas Macau, Paul Pun, foi agraciado por Ho Iat Seng, que destacou o trabalho feito dentro do espírito promovido pelo próprio Governo e os valores da Igreja. “Ao longo dos anos, orientado pelos conceitos promovidos pelo Governo e pela Igreja para servir melhor a comunidade, e com o apoio e esforços conjuntos de benfeitores, voluntários e trabalhadores da Caritas de Macau, tem vindo a prestar apoio aos jovens e às famílias de rendimentos baixos”, foi justificado.

O trabalho realizado nos últimos anos, num contexto de pandemia e de medidas apertadas de controlo, que contribuíram para o aumento da pobreza, também não foi esquecido. Em 2008, Paul Pun recebeu a Medalha de Serviços Comunitários.

TSI | Juiz reformado distinguido

Reformado em meados deste ano, o ex-presidente do Tribunal de Segunda Instância, Lai Kin Ian, vai ser condecorado com a Medalha Lótus de Prata. “Dedicou grandes esforços para a manutenção do normal funcionamento dos órgãos judiciários e deu importantes contributos para a transição sem sobressaltos do poder judiciário, bem como para a formação de magistrados, e quadros especializados das áreas do direito e policial”, pode ler-se, no texto justificativo. Lai Kin Ian teve mais de 37 anos de serviço na função pública até 2022, e actualmente é professor do Colégio Nacional de Juízes da China, em regime de acumulação a tempo parcial, e docente da Faculdade de Direito da Universidade de Macau.

Lista de distinguidos

Medalhas de Honra

Lótus de Ouro – Associação de Beneficência Tong Sin Tong

Lótus de Prata – Banco Nacional Ultramarino S.A.

Lótus de Prata – Banco Tai Fung, S.A.

Lótus de Prata – Cruz Vermelha de Macau

Lótus de Prata – Lai Kin Hong

Medalhas de Mérito

Mérito Profissional
Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau, S.A.

Companhia de Electricidade de Macau, S.A.

Mo Hui

Mérito Industrial e Comercial
Companhia de Seguros da China Taiping (Macau), S.A.

Transmac – Transportes Urbanos de Macau, S.A.R.L.

Humberto Carlos Leitão Rodrigues

Mérito Turístico
Associação dos Hoteleiros de Macau

Mérito Educativo
Escola Hou Kong

Mónica Lou Lan Heng

Lei Cheok Kin

Mérito Cultural
Confraria da Gastronomia Macaense

Lok Hei

Kuok Keng Man

Chan Nga Lei

Mérito Altruístico
Pun Chi Meng

Mérito Desportivo
Clube de Natação Lok Po

Medalhas de Serviços Distintos

Dedicação
Departamento de Informação do Gabinete de Comunicação Social

Departamento de Infraestrutura Financeira e de Tecnologia de Informação da Autoridade Monetária de Macau

Serviços Comunitários
Associação dos Proprietários de Máquinas de Construção Civil de Macau

Títulos Honoríficos

Valor
Chan Pak Ian

Choi Ka Wai

Lionel Messi: “Sabia que Deus me ia dar este título”

Lionel Messi, capitão da seleção argentina que ontem se sagrou campeã do Mundo de futebol pela terceira vez, afirmou que desejava muito este título e que ele “finalmente chegou”, salientando que não se vai retirar da seleção.

“Sofremos muito, mas conseguimos. É uma loucura que tenha acontecido desta forma, queria-o (título mundial) tanto. Eu sabia que Deus me ia dar, tinha a sensação de que ia ser assim. Finalmente chegou e agora vou desfrutar”, disse o internacional argentino, que alinha nos franceses do Paris Saint-Germain.

Messi tornou-se o primeiro jogador a somar um segundo troféu de melhor jogador do Mundial, ao ser eleito ‘Bola de Ouro’ da edição de 2022, repetindo 2014, e é o recordista de jogos em Mundiais de futebol, ao somar o 26.º, face à França, na final em Lusail, no Qatar.

O camisola 10 garantiu ainda que não pensa em retirar-se da seleção depois de conseguir o tão desejado título mundial. “Adoro futebol, adoro o que faço, adoro estar na seleção, com este grupo. E obviamente quero continuar a viver mais uns jogos como campeão mundial”, referiu.

Messi marcou dois golos na final, um deles de penálti, e subiu ao quarto lugar do ‘ranking’ dos melhores marcadores em Mundiais, superando o brasileiro Pelé. No que terá sido a sua despedida da competição, Messi passou a contar 13 tentos em Mundiais. “Não vejo a hora e chegar à Argentina para ver a loucura que vai ser”, afirmou o ‘astro’.

A Argentina conquistou pela terceira vez o Mundial de futebol, repetindo 1978 e 1986, ao vencer a França por 4-2 no desempate por grandes penalidades, após 3-3 nos 120 minutos.

Navio da marinha tailandesa naufraga, salvamento de marinheiros em curso

Um navio da marinha tailandesa naufragou no domingo no Golfo da Tailândia e equipas de salvamento estão no local para os trabalhos de resgate de cerca de três dezenas de marinheiros que se encontram ainda na água.

A meio da manhã de hoje, 75 marinheiros tinham sido resgatados e 31 ainda estavam na água, disse fonte da marinha citada pela agência Associated Press.

No domingo à noite, ventos fortes atiraram água do mar para a corveta HTMS Sukhothai e derrubaram o sistema elétrico. A Marinha Real tailandesa enviou três fragatas e dois helicópteros para tentar ajudar o navio e remover a água do mar, mas não possível fazê-lo devido aos ventos fortes.

A perda de potência permitiu que mais água do mar entrasse no navio, fazendo com que este se afundasse.

O acidente ocorreu quando o navio de guerra estava em patrulha no mar a 32 quilómetros do cais no distrito de Bangsaphan, na província de Prachuap Khiri Khan.

Enquanto o norte e o centro da Tailândia vivem as temperaturas mais frias do ano, o sul da Tailândia tem vindo a sofrer tempestades e inundações nos últimos dias. Os navios foram avisados para permanecerem ancorados nos portos.

Filipinas | Morreu líder comunista José Maria Sison aos 83 anos

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José Maria Sison, que desencadeou uma das rebeliões maoístas mais antigas do mundo, morreu aos 83 anos, anunciou no sábado o Partido Comunista das Filipinas. O antigo professor universitário morreu na Holanda, onde vivia exilado desde a suspensão das conversações de paz em 1987, quando a rebelião, que deixou dezenas de milhares de mortos, estava no auge.

Sison morreu “depois de duas semanas de convalescença num hospital em Utrecht”, disse o Partido Comunista das Filipinas, em comunicado, sem especificar a causa de morte.

“O proletariado e os trabalhadores filipinos lamentam a morte do seu professor e (líder)”, acrescentou.
Joé Maria Sison tentou derrubar o governo filipino para estabelecer um regime comunista ao estilo maoista, com o qual pretendia acabar com “o imperialismo americano” na antiga colónia norte-americana.

A luta armada, em curso desde 1969, cresceu a partir do movimento comunista global e encontrou terreno fértil nas Filipinas e nas desigualdades gritantes entre ricos e pobres.

O movimento rebelde cresceu sob a ditadura de Ferdinand Marcos (1972-1986), durante a qual milhares de opositores foram torturados ou mortos.

No auge, nos anos de 1980, a organização tinha cerca de 26 mil combatentes. Actualmente, ronda alguns milhares, de acordo com o exército filipino.

Presidentes na prisão

Há mais de 40 anos que os portugueses do norte, centro e sul reivindicam obras nas suas terras que evitem as inundações. A semana passada em Portugal foi atípica, é certo. Choveu como nunca. Mas… há sempre um mas- As chuvadas de imediato inundaram terras, estradas, ruas, caminhos de ferro e aeroportos. Uma dor imensa ver na televisão tantos portugueses em perigo de vida e desalojados de suas casas ficando apenas com a roupa que tinham no corpo.

Os bombeiros não tiveram mãos a medir com 72 horas sem dormir. Em Braga, Coimbra, Portalegre, Campo Maior, Avis, várias cidades do Algarve e a grande zona de Lisboa. Bem, sobre esta nem temos palavras. Loures, Algés, Alcântara, Oeiras e Cascais ficaram intransitáveis e com os responsáveis da Protecção Civil a apelar para que ninguém saísse de casa.

Os comerciantes ficaram sem nada, com os electrodomésticos todos estragados, com as fracções cheias de água e lama até ao tecto. Mulheres de 90 anos, crianças de quatro anos, jovens solidários ficavam abismados e em pânico com a força da água que corria pelas ribeiras e inundava, todas as margens, tivessem ou não casas, lojas, armazéns, oficinas ou fábricas. O prejuízo monetário é incalculável e um membro do Governo veio para a televisão dizer que haverá apoios quando se souber o quantitativo desses prejuízos. Em Janeiro, Abril ou em Outubro de 2023?

Uma tristeza, este Portugal. Os autarcas, especialmente os presidentes das edilidades, há décadas que sabem que a prioridade seria o saneamento básico e as drenagens a construir para que as águas das intempéries pudessem fluir sem matar pessoas e animais ou prejudicar quem vive do comércio, e não só. Era imperioso que os presidentes da Câmara de Lisboa, por exemplo, tivessem mandado construir uma tubagem subterrânea desde Monsanto até ao rio Tejo.

Mas isto, há décadas. Lisboa, capital do turismo, ficou num estado inimaginável com os túneis do Marquês de Pombal, o tal “Oscar” de Pedro Santana Lopes, os do Campo Grande e da Avenida João XXI/Areeiro completamente inundados de água e intransitáveis causando o caos no movimento rodoviário. Mas que obras foram estas? Que engenheiros, que técnicos que não souberam construir o indispensável escoamento das águas em caso de chuvas intensas? Uma vergonha para toda essa gente em quem os portugueses ingenuamente ainda vão eleger com o seu voto.

Em Campo Maior a dor foi profunda. As casas ficaram completamente inundadas, as ruas repletas de lama e o povo sem qualquer dos seus haveres. Em Coimbra o mesmo caos e quantos presidentes da edilidade coimbrã já passaram pelo gabinete dos responsáveis e nada fizeram para que o povo não sofresse só porque cai uma carga de água.

Os autarcas não se podem desculpar com as mudanças climáticas. Isso é uma treta. O clima está a mudar em todo o mundo. A título de vergonha é-nos impossível contabilizar as rotundas desnecessárias que foram construídas por todo o país. Vergonhosamente, apenas na marginal Lisboa-Cascais, de Caxias a Cascais existe uma dezena de rotundas, algumas que só prejudicam o escoamento rodoviário. Vamos a Viseu, a Braga, a Évora, a Coimbra, a Portalegre, a Beja, a Faro e só vemos rotundas por todo o lado e algumas com uns mamarrachos no centro, a que chamam “monumentos”.

Portugal não pode continuar a ser governado por gente incompetente, por gente que se introduziu nos partidos políticos para arranjar um bom “tacho”. Nos últimos tempos, os escândalos de corrupção a atingirem gente importante desse tipo tem sido aos magotes. A Polícia Judiciária já não tem carros para todas as operações de investigação e de detenção. A corrupção no seio das Câmaras Municipais é global e ninguém consegue licenciar seja o que for sem entregar um envelope por baixo da mesa. É um Portugal corrupto e incompetente.

As cheias da semana passada mostraram bem como as edilidades tem gente a mais e desnecessária. E o povo é que paga. Os pobres continuam cheios de fome e já sem poder comprar carne ou peixe. E no fim, o que vimos? Os desgraçados dos prejudicados pelas cheias a limpar as casas, os restaurantes, as lojas, com uma mangueira na mão, dia e noite, a retirar a lama das suas ruas, a trabalhar sem descanso, porque brigadas de socorro social não existem.

Valha-nos o sacrifício árduo dos soldados da paz voluntários que sem cessar um minuto acorreram a todo o lado para salvar vidas e ajudar a diminuir a calamidade. Quando perguntei a um comandante de uma corporação de bombeiros, exausto e desolado sobre o que aconteceu, respondeu-me simplesmente: “Os presidentes das Câmaras de há muitos anos deviam era estar presos”. Ai, Portugal, Portugal, que tristeza!

CCCM inaugura hoje biblioteca e exposição de fotografia

É hoje inaugurada a nova biblioteca do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), em Lisboa, depois de um longo período de obras e reestruturação dos serviços. O evento de abertura contará com a presença de Elvira Fortunato, ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, além de incluir a inauguração da exposição de fotografia “À Procura de Macau”, da autoria de Jorge Veiga Alves, às 18h (hora de Lisboa).

O projecto de uma nova biblioteca foi, desde o início do mandato, um projecto primordial de Carmen Amado Mendes à frente da presidência do CCCM. Até à data, a biblioteca localizava-se num edifício externo ao Centro, sujeito ao pagamento de renda.

Numa entrevista ao HM, concedida em Fevereiro, a académica dava conta da vontade de mudar esta situação e reduzir despesas. “Temos ainda a questão das instalações provisórias, pois durante todos estes anos de vida do CCCM temos pago renda pelo espaço onde tínhamos a biblioteca e o arquivo, e isso não fazia qualquer sentido. Finalmente conseguimos concluir as obras no nosso edifício onde fica o museu, o que nos permitiu mudar a biblioteca, e deixar de pagar renda. Com isso promovemos o uso de salas de aula para as formações que disponibilizamos e gabinetes para investigadores. Estou contente por estarmos já numa fase final.”

Recordar Macau

Quanto à exposição de fotografia, trata-se de mais uma oportunidade para ver o trabalho de Jorge Veiga Alves, ex-residente em Macau e que há muito se dedica à fotografia nos tempos livres, nomeadamente sobre a Macau antiga, as suas gentes e culturas locais do período anterior à transição.

Apresentam-se, assim, 30 fotografias tiradas entre os anos de 1986 e 1994, no formato analógico, e que foram digitalizadas e incluídas no projecto pessoal do fotógrafo também intitulado “À Procura de Macau”. Esta mostra pode ser vista até final de Janeiro.

De frisar que desde Janeiro que as imagens e vídeos do espólio pessoal de Jorge Veiga Alves estão à guarda do CCCM e disponíveis para consulta na biblioteca digital da entidade.

O fotógrafo confessou ao HM, em Janeiro, que grande parte do seu espólio serve de exercício de memória de uma Macau que já não existe. “Tenho fotografias do que todos os portugueses fotografavam, como as danças do leão e do dragão. Às vezes andava na rua com a minha máquina fotográfica, nas horas vagas, e também fotografei outros temas e situações da realidade de Macau. Comecei a perceber que, independentemente da qualidade fotográfica, algumas imagens remetem para locais que já não existem ou que mudaram muito.”

IC | Almeida Ribeiro transformada em zona pedonal no Natal e Ano Novo

O Instituto Cultural apresentou, na sexta-feira, o programa “Uma Base de Inverno”, composto por uma série de actividades de celebração das festividades do Natal e Ano Novo. Uma das novidades passa pela transformação da avenida Almeida Ribeiro numa zona pedonal nos fins-de-semana do Natal e Ano Novo

 

Já é conhecido o cartaz das iniciativas culturais de celebração do Natal e Ano Novo. O programa, intitulado “Uma Base Cultural”, foi apresentado na última sexta-feira pelo Instituto Cultural (IC) e visa criar iniciativas em vários pontos da cidade, em conjugação com o seu património.

Uma das iniciativas visa transformar a avenida Almeida Ribeiro numa zona pedonal durante os fins-de-semana do Natal e Ano Novo, sendo este um projecto piloto que pretende impulsionar a economia desta zona antiga de Macau e aumentar os elementos culturais e artísticos neste local icónico da cidade.

Será criada uma zona pedonal com 450 metros de comprimento e com três secções principais, situada entre a Rua do Guimarães e a Rua Central. Não será permitida a circulação de veículos entre as 8h de sábado, 24, até às 12h do dia de Natal. No fim-de-semana seguinte, o trânsito estará interdito no mesmo horário, apenas entre os dias 31 de Dezembro e 1 de Janeiro.

Destaque ainda para a inauguração, esta sexta-feira, do passadiço da antiga fábrica de panchões Iec Long, na zona da Taipa Velha, que pretende ser um “novo pólo das ilhas”. A antiga fábrica de panchões foi alvo de um projecto de reestruturação levado a cabo pelo IC e pode agora ser visitada, podendo o público descobrir mais sobre “um dos legados do património industrial mais bem conservado do sul da China e o maior sítio da indústria de panchões existente em Macau”. Este passadiço tem cerca de 400 metros e mostra o interior da antiga fábrica, mostrando todo o processo de produção de panchões. Além do percurso cultural, é também inaugurada a mostra “O Eco de Panchões – Exposição da História da Indústria dos Panchões de Macau”.

Ruínas virtuais

O cartaz apresentado pelo IC traz ainda uma exposição de realidade virtual nas Ruínas de São Paulo, sendo possível ver a fachada da igreja com 400 anos de história em realidade virtual. A primeira fase da mostra decorre entre 30 de Dezembro e 31 de Janeiro no Largo das Ruínas do Colégio de S. Paulo (atrás das Ruínas de São Paulo), com entrada livre. A exposição será realizada a cada meia hora durante o horário de abertura desta atracção turística, havendo oito vagas disponíveis por cada sessão.

Na noite de Natal, entre 24 e 25 de Dezembro, e de Ano Novo, de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro, decorre, também nas Ruínas de São Paulo, o programa musical “Melodias Inesquecíveis nas Ruínas de S. Paulo”. Os espectáculos acontecem entre as 18h e 19h com a Orquestra Chinesa de Macau, onde serão apresentadas “várias peças clássicas numa combinação encantadora de música e da atmosfera do património mundial, que permite ao público uma experiência musical inesquecível”.

Canções para todos

A música marcará ainda presença nas noites de Natal e passagem de ano. Os Concertos de Natal e de Passagem de Ano são organizados pelo IC e Direcção dos Serviços de Turismo, em conjunto com uma série de patrocinadores, nomeadamente as operadoras Galaxy, Melco, MGM, SJM e Wynn, sendo transmitidos pela TDM. Os eventos acontecem nas noites dos dias 24, 25, 31 de Dezembro e na noite do dia 1 de Janeiro na Praça do Lago Sai Van.

Na véspera de Natal decorre um espectáculo com vários grupos de dança infantil tal como “Now’z Kid Dance Team”, “Ding Ding” e “TDSM Kid Dance”, incluindo o grupo “The Cotton Kids” e a “pequena cantora” Cátia Pinto, que “com uma bela voz infantil, vai transmitir amor junto da cantora Viviana Lo”. Wilfred Lau, cantor de Hong Kong, vai interpretar vários temas clássicos em dueto com Rico Long, cantor de Macau. Nesta noite actua também Penny Tai, uma cantora malaia que sobe ao palco com o coro da escola Choi Nong Chi Tai.

Na noite do dia de Natal decorrem as actuações de Pun Kuan Pou, o grupo “Zeal Dance Studio”, Elisa Chan e o grupo MFM. O espectáculo encerra com Kenji Wu que vai actuar com Daniel Leong, violoncelista de Macau.

A última noite do ano encerra-se com o espectáculo de Alex To e bandas e músicos de Macau e Hong Kong, como Vivian Chan, Kane Ao Ieong, Germano Guilherme, #FFFF99, Ocean Walker, MSD Studio e Macau Baby, entre outros. No primeiro dia do ano de 2023 a Orquestra de Macau protagoniza um concerto com elementos de ópera.

China | Crematórios cheios e alerta que vaga de covid-19 pode atingir zonas rurais

Trabalhadores de crematórios na China expuseram ontem uma situação de sobrelotação, que os obriga a trabalhar sem descanso e mesmo doentes, devido a uma vaga sem precedentes de casos de covid-19, que deverá atingir áreas rurais em breve.

O novo surto está a espalhar-se rapidamente pela China, uma semana depois de a maioria das restrições sanitárias em vigor durante quase três anos terem sido levantadas. As autoridades admitiram que era agora “impossível” contar o número de casos de contágio, e os números oficiais não mencionam quaisquer mortes relacionadas com covid desde 4 de Dezembro, mas os crematórios estão cheios.

“Cremamos vinte corpos por dia, a maioria idosos. Muitas pessoas ficaram doentes recentemente”, disse à France-Presse um funcionário de um crematório em Pequim.

O coronavírus não poupa o pessoal: “somos obrigados a trabalhar muito! Em 60 funcionários, mais de 10 estão positivos (para a covid), mas não temos escolha, há muito trabalho ultimamente”, acrescentou.

Funcionários de duas funerárias de Pequim contactadas pela agência de notícias francesa disseram que os seus estabelecimentos estão agora a trabalhar 24 horas por dia, oferecendo serviços de cremação no mesmo dia para satisfazer a elevada procura. Outro crematório revelou que actualmente tem uma lista de espera de uma semana.

Janeiro assusta

O organismo chinês responsável pela luta contra a pandemia apelou ontem aos governos locais para aumentarem a vigilância e a atenção médica para as pessoas que estão já a começar a viajar para visitar as famílias nas zonas rurais, devido ao Ano Novo Chinês, em Janeiro.

O evento causa a maior migração populacional do mundo todos os anos e espera-se que este ano a deslocação de pessoas seja particularmente intensa depois de as restrições às viagens interprovinciais terem sido levantadas.

As indicações são para essas pessoas usarem máscara e evitarem o contacto com idosos e que as autoridades locais devem monitorizar os seus movimentos, mas não mencionam a possibilidade de isolamento ou quarentena.

Economia chinesa | Estabilidade é principal objectivo a atingir

As autoridades chinesas, reunidas na Conferência anual do Trabalho Económico Central, traçaram como objectivos prioritários para 2023 estimular a procura interna de modo a alcançar a estabilidade económica e um desenvolvimento de qualidade

 

O Governo chinês estabeleceu como “prioridade máxima” alcançar a “estabilidade económica” no próximo ano e, entre outros objectivos, “estimular a procura interna” através da recuperação e expansão do consumo.

Os líderes chineses discutiram na Conferência anual do Trabalho Económico Central, que terminou na noite de sexta-feira, as prioridades económicas em 2023, noticiou a agência estatal Xinhua. Não foram anunciadas quaisquer medidas específicas, mas o Governo defendeu “esforços para intensificar a macroeconomia e coordenar várias políticas para promover um desenvolvimento de alta qualidade”.

“Manteremos uma política fiscal proactiva e uma política monetária prudente”, indicou a Xinhua, sublinhando que “a sustentabilidade fiscal deve ser assegurada e os riscos da dívida do governo local devem ser geridos”.

Além disso, os líderes chineses também procuram impulsionar a procura interna, actualmente com dificuldades, “dando prioridade à recuperação e expansão do consumo, aumentando o rendimento pessoal urbano e rural através de múltiplos canais, e encorajando mais capital privado a participar na construção de projectos nacionais chave”.

A manutenção da taxa de câmbio da moeda chinesa, o yuan, “basicamente estável a um nível adequado e equilibrado”, e o “reforço dos sistemas destinados a salvaguardar a estabilidade financeira”, foram outros dos objectivos estabelecidos.

Na reunião também se salientou que as políticas industriais devem ser “optimizadas para facilitar a transformação e actualização das indústrias tradicionais e o desenvolvimento de indústrias estratégicas emergentes”.

Apelou-se ainda à “promoção do emprego dos jovens, especialmente dos estudantes universitários, e ao esforço de mitigar atempada e eficazmente os impactos dos aumentos estruturais dos preços em alguns dos que se encontram em dificuldades”.

Mais pontos a atingir

A China vai procurar também “optimizar as políticas de apoio à natalidade” e tentar “adiar gradualmente a idade legal da reforma na altura certa e assumir a liderança na abordagem do envelhecimento da população e da baixa taxa de fertilidade”.

Os líderes também discutiram “a aceleração do planeamento e construção de um novo sistema energético, o reforço da competitividade global das indústrias tradicionais, a aceleração da investigação e aplicação de tecnologias inovadoras, e o desenvolvimento vigoroso da economia digital”.

Outro ponto abordado na reunião, foi a necessidade de fazer “maiores esforços para atrair e utilizar capital estrangeiro, expandir o acesso ao mercado, promover a abertura das modernas indústrias de serviços, e conceder tratamento nacional às empresas financiadas pelo estrangeiro”.

Finalmente, ficou também destacado o objectivo de “melhorar o rácio dívida/activos do sector imobiliário” e alcançar “uma transição suave do sector imobiliário para novos modelos de desenvolvimento”.

Pequim tinha estabelecido um objectivo oficial de crescimento de cerca de 5,5 por cento para este ano, mas a crise imobiliária e as duras restrições e confinamentos impostos no quadro da política de “zero covid” pesaram fortemente sobre a actividade económica, levando os analistas a excluir um crescimento do produto interno bruto (PIB) ao ritmo esperado pelas autoridades chinesas.