CCCM | Conferência de Estudos sobre Macau realiza-se em Lisboa Hoje Macau - 20 Mai 2026 O Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) acolhe, em Dezembro deste ano, a sexta edição da Conferência Anual dos Estudos sobre Macau (Macau Studies), habitualmente realizada na Universidade de Macau (UM). Entre os dias 2 e 4 de Dezembro, realiza-se a conferência que tem como tema “Macau como Hub”, e o apoio da Fundação Macau. O CCCM está, nesta fase, a aceitar propostas de apresentação de académicos e demais participantes para uma conferência que pretende “promover a investigação e o diálogo sobre o papel único de Macau na história, cultura, sociedade e redes globais”. “Desde a sua criação que a conferência tem servido de plataforma para académicos, investigadores e profissionais de diversas disciplinas trocarem ideias e fomentarem a colaboração”, destaca o CCCM numa nota. A temática de “Macau as Hub” [Macau como hub, ou plataforma], visa destacar “a importância histórica e contemporânea de Macau como um elo de ligação entre regiões, tradições e disciplinas”, sendo explorado “o papel de Macau como centro de intercâmbio cultural, actividade económica e produção de conhecimento, considerando simultaneamente a sua posição em evolução nos contextos global e regional”. Com as sessões de Dezembro pretende-se ainda “aprofundar a compreensão da identidade multifacetada de Macau e inspirar novas perspectivas sobre o seu papel na aproximação entre o Oriente e o Ocidente”.
“The Impossible Truth” apresentado na Livraria Portuguesa Andreia Sofia Silva - 20 Mai 2026 É apresentado esta sexta-feira, na Livraria Portuguesa, um dos mais recentes projectos artísticos e editoriais de João Miguel Barros, advogado e fotógrafo. “The Impossible Truth” é “um livro inesperado e controverso”, que visa a celebração do 30.º aniversário “de uma das mais importantes performances artísticas da arte contemporânea chinesa”, intitulada “To Add One Meter to an Anonymous Mountain”. Este livro nasce de uma exposição sobre esta performance que já aconteceu na galeria fundada por João Miguel Barros em Lisboa, a Ochre Space. A sessão de lançamento de “The Impossible Truth” decorre esta sexta-feira a partir das 18h, contando com moderação da curadora Margarida Saraiva. Performance singular “To Add One Meter to an Anonymous Mountain” foi uma performance realizada por um grupo de dez artistas chineses em Maio de 1995, nos arredores de Pequim, consistindo num “gesto radical de empilhar corpos nus para alterar a paisagem”, algo que se transformou “num símbolo da vanguarda chinesa e um marco na arte performativa”, descreve a galeria Ochre Space no seu website. Em declarações recentes ao HM sobre esta obra, João Miguel Barros considerou estarmos perante um livro “importante no contexto da temática que aborda”, por se tratar de uma “famosa performance” sobre “o percurso de vários artistas que a fizeram durante a quase totalidade da década de 1990”. “Considero que o livro é importante porque reúne um conjunto alargado de depoimento de artistas, curadores e professores que abordam a arte chinesa daquela época, e está muito documentado com elementos recolhidos nos Arquivos da Bienal de Veneza que documentam as grandes tensões existentes entre os artistas durante o período que antecedeu e culminou com a realização da Bienal de Veneza de 1999”, descreveu ainda. O autor adiantou que “The Impossible Truth” tem tido “grande impacto em certos meios artísticos na China”, tratando-se de uma obra bilingue, em chinês e inglês. Destaca-se que a apresentação em Macau surge depois do lançamento do livro na Photo Shanghai, entre os dias 7 e 10 de Maio.
Livro | “Quem rasgou os meus lençóis de linho” com apresentações até fim do mês Andreia Sofia Silva - 20 Mai 202620 Mai 2026 Depois da apresentação no festival Rota das Letras, Dora Gago, docente e escritora, continua a falar do seu mais recente romance, “Quem rasgou os meus lençóis de linho”, que foi buscar o nome à escrita de Camilo Pessanha e cuja história se passa em Macau. Até ao final do mês haverá diversas sessões de apresentação desta obra em Portugal Créditos: Festival Rota das Letras Na escrita simbolista de Camilo Pessanha surge o verso “Quem poluiu, quem rasgou os meus lençóis de linho”, a que a autora e docente Dora Nunes Gago foi buscar inspiração para dar nome ao seu mais recente romance, editado pela Poets and Dragons Society, em Portugal. A obra, recentemente apresentada no festival literário Rota das Letras, é da autoria da antiga docente de português da Universidade de Macau, que mantém uma estreita relação com o território. “Quem rasgou os meus lençóis de linho” continua num leque de apresentações que se estendem ao longo deste mês de Maio, em Portugal, nomeadamente dia 29 na Biblioteca Municipal Estanco Louro em São Brás de Alportel, terra natal da autora; e também no dia seguinte, com uma sessão no I Festival Literário Internacional Afro-Ibero-Americano, em Almada. Já no dia 31 deste mês, é a vez de a obra ser apresentada na Feira do Livro de Lisboa. A Poets and Dragons Society destaca como esta obra “não se organiza em torno de uma história, mas de uma experiência”, nomeadamente “a de uma consciência que se fragmenta, se recompõe e volta a ceder, num movimento contínuo entre lucidez e delírio”. Desta forma, “o livro instala-se, desde o início, nesse território instável onde a memória não é apenas um arquivo, mas uma força activa, em que o passado regressa não como uma personagem e uma mera recordação”. Não é só a presença de Camilo Pessanha que se denota na obra, mas da própria Macau, instalando-se no romance “uma atmosfera de deslocação”, lê-se na nota da editora. “A protagonista regressa a Macau não como quem volta a casa, mas como quem atravessa um limiar. Esse regresso, marcado pela precariedade e pelo cansaço de uma vida falhada em múltiplas frentes, não é uma recuperação do passado, mas antes a sua reabertura. Como se o tempo não fosse linear, mas um campo de forças onde tudo regressa, deformado, insistente, impossível de encerrar.” Vivências cruzadas Há três figuras femininas centrais em “Quem rasgou os meus lençóis de linho”, de nomes Ana, Jenny e Kate, que vagueiam por entre um “espaço simultaneamente geográfico e psíquico”. A história centra-se no regresso de Ana a Macau, depois de uma vida “atravessada pela perda, doença mental e toxicodependência”. No território a Oriente Ana busca alguma tranquilidade, cruzando-se depois com Jenny, trabalhadora filipina, e Kate, uma jornalista americana que também regressa a Macau por um motivo bastante pessoal: o de “resgatar uma paixão obsessiva”. Segundo a editora, estas três mulheres, “mais do que personagens autónomas, funcionam como variações de uma mesma condição”, verificando-se cenários psicológicos de “consciência ferida” ou a “pulsão obsessiva, a recusa do tempo e a perda” de Kate, por exemplo. Há aqui “um tríptico que actua numa tensão permanente” criado por Dora Nunes Gago. Para a editora, este é “um romance exigente e por vezes desconfortável, mas também profundamente necessário”, ou ainda um livro “que recusa a facilidade e aposta numa forma de verdade que só a literatura, na sua dimensão mais arriscada, pode alcançar”. Dora Nunes Gago editou ainda recentemente, juntamente com Anabela Freitas, o livro “Rodrigo Leal de Carvalho: Dois Olhares sobre a sua Obra”, com a chancela de Letras Lavadas, que faz a análise da obra do magistrado natural dos Açores que passou por Macau e que também se dedicou às letras, editando todos os seus romances com a Livros do Oriente. “Rodrigo Leal de Carvalho: Dois Olhares sobre a sua Obra” será apresentado no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) no próximo dia 23 de Maio. A sessão, que começa às 15h, conta com apresentação de Ana Paula Laborinho.
Hong Kong | Multas de até quase 330 mil euros para quem fumar em estaleiros Hoje Macau - 20 Mai 2026 Depois do trágico incêndio em Tai Po que fez 168 vítimas mortais, o Governo apresentou ao parlamento uma proposta que penaliza fortemente quem quebrar a proibição de fumar em estaleiros O Governo de Hong Kong enviou ontem para o parlamento uma proposta que impõe multas até 330 mil euros para quem fumar em estaleiros de obras, após o incêndio mais mortífero no território desde 1948. A proposta elaborada pelo Departamento do Trabalho prevê multas de até 400 mil dólares de Hong Kong para os empreiteiros que falhem na aplicação da proibição de fumar. A reforma legal, que envolve três leis e regulamentos administrativos, impõe ainda que os trabalhadores da construção civil possam enfrentar uma multa de três mil dólares de Hong Kong por fumarem em estaleiros. Mas, em casos de risco catastrófico de incêndio – por exemplo, fumar perto de materiais altamente inflamáveis– o trabalhador estará sujeito a uma multa de 150 mil dólares de Hong Kong e uma pena de até seis meses de prisão. Nestes casos, o empreiteiro poderá enfrentar uma multa de três milhões de dólares de Hong Kong e a mesma pena de prisão, refere a proposta. O documento clarifica também que a proibição de fumar se aplica a todas as áreas dos estaleiros de construção, sejam elas exteriores ou interiores. Num comunicado, o Governo disse que “aguarda com expectativa o apoio do Conselho [Legislativo, o parlamento local] para a aprovação célere” da proibição, que será implementar “em todas as obras de construção o mais rapidamente possível”. Compromisso geral No final de Março, nove associações da construção civil de Hong Kong assinaram um compromisso para impôr a proibição total de fumar em estaleiros de obras. Lawrence Ng San-wa, presidente de um dos grupos, a Associação de Subempreiteiros da Construção de Hong Kong, disse esperar que este “compromisso público” reforce “a confiança do público” no sector. Um incêndio, que começou a 26 de Novembro, causou a morte de 168 pessoas e devastou sete dos oito edifícios do complexo de habitação pública de Wang Fuk, que albergava mais de 4.600 pessoas. Uma comissão independente de investigação iniciou em Março as audiências sobre o incêndio e ouviu depoimentos a apontar as falhas que contribuíram para que o fogo se espalhasse. Nas observações iniciais, o advogado principal da comissão disse que as chamas terão começado numa plataforma num poço de luz entre dois apartamentos, tendo sido encontradas pontas de cigarro no local e em andaimes. A comissão, liderada por um juiz e criada em Dezembro, vai também examinar se existiam problemas sistémicos, como a manipulação de concursos, em obras de manutenção e renovação de edifícios de grande escala. A polícia da região chinesa deteve 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, além de outras seis por suspeita de fraude, todas ligadas ao incêndio de Wang Fuk. A agência anticorrupção de Hong Kong deteve ainda outras 23 pessoas, incluindo consultores, empreiteiros e membros da associação de condóminos do complexo situado em Tai Po, no norte do território.
Hubei | Três mortos e quatro desaparecidos na sequência de chuvas torrenciais Hoje Macau - 20 Mai 2026 Pelo menos três pessoas morreram e outras quatro estão desaparecidas na sequência das chuvas torrenciais registadas entre domingo e segunda-feira numa localidade da província de Hubei, na China central, informaram ontem meios de comunicação estatais chineses. As precipitações afectaram a localidade de Baishuihe, no município de Shadaogou, onde o caudal do rio local aumentou repentinamente após a acumulação de até 292,6 milímetros de chuva nas zonas situadas a montante. Segundo as autoridades locais, as chuvas inundaram numerosas habitações em áreas próximas do rio, provocaram o colapso parcial de algumas casas e interromperam estradas e comunicações. Após o agravamento da situação, os comandos de emergência locais activaram os mecanismos de resposta e enviaram para o local equipas da Polícia Armada, segurança pública, gestão de emergências, bombeiros, transportes, electricidade e telecomunicações. As autoridades retiraram 287 residentes e mantêm em curso trabalhos de busca e salvamento, bem como de desobstrução de estradas e reparação das telecomunicações, de acordo com a emissora estatal CCTV. Até às 20:00 de segunda-feira, o balanço oficial era de três mortos e quatro desaparecidos, mas os trabalhos de emergência continuavam na zona afectada. Nas últimas semanas, várias regiões do centro e do sul da China activaram alertas de chuvas intensas com o início da estação das chuvas, o que costuma aumentar o risco de cheias repentinas, deslizamentos de terra e inundações em zonas montanhosas.
Visita | Putin elogia aliança entre Rússia e China antes de chegar a Pequim Hoje Macau - 20 Mai 2026 O Presidente russo, Vladimir Putin, considerou ontem que a aliança entre Moscovo e Pequim contribui para a estabilidade internacional sem ser dirigida contra nenhum país, pouco antes de iniciar uma visita oficial à China. “A estreita aliança estratégica sino-russa desempenha um papel importante e estabilizador no cenário mundial”, disse Putin numa mensagem divulgada pela agência de notícias russa Interfax a propósito da deslocação de dois dias a Pequim. “Não estamos em confronto com ninguém, mas trabalhamos pela paz e pela prosperidade universal”, afirmou, citado pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP). Putin era esperado ontem em Pequim, onde se vai reunir com o Presidente chinês, Xi Jinping, apenas quatro dias depois da visita à China do homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump. As guerras dos Estados Unidos e Israel contra o Irão e da Rússia contra a Ucrânia deverão ser abordadas por Xi e Putin, que tem mantido relações próximas com o líder chinês. “Moscovo e Pequim trabalham neste espírito de forma coordenada para defender o Direito Internacional e as cláusulas da Carta das Nações Unidas”, afirmou Putin na mensagem divulgada antes de chegar a Pequim. O líder russo, no poder desde 2000, descreveu o papel da Rússia e da China como “uma contribuição significativa para resolver problemas importantes a nível global e regional”. “Confio que, juntos, continuaremos a fazer todo o possível para aprofundar a parceria sino-russa e as relações de boa vizinhança em prol do desenvolvimento dinâmico dos nossos dois países e do bem-estar dos nossos povos, no interesse de manter a segurança e a estabilidade mundiais”, acrescentou. O porta-voz do Kremlin (presidência), Dmitri Peskov, admitiu na segunda-feira que Moscovo tem “grandes expectativas” face à visita de Putin à China.
Poemas de Lu Xun #18 Sara F. Costa - 20 Mai 2026 自題小像 zì tí xiǎo xiàng 靈臺無計逃神矢 líng tái wú jì táo shén shǐ 風雨如磐暗故園 fēng yǔ rú pán àn gù yuán 寄意寒星荃不察 jì yì hán xīng quán bù chá 我以我血薦軒轅 wǒ yǐ wǒ xuè jiàn xuān yuán Inscrição no meu retrato A alma curva-se à flecha do céu oculto vento e chuva toldam a pátria como véu pesado às estrelas frias confio um lume que ninguém decifra no sangue aceso ergo a oferenda a Xuanyuan Notas 靈臺 (líng tái) designa o espaço interior do espírito, frequentemente associado ao coração enquanto sede da consciência moral. A expressão remete para uma tradição filosófica em que interioridade e ordem ética se articulam. 神矢 (shén shǐ) refere uma flecha divina, associada à ação inevitável de uma força superior. A imagem pode ser interpretada como destino ou impulso inescapável que orienta o sujeito. 風雨如磐 (fēng yǔ rú pán) constitui uma expressão idiomática que descreve uma situação de grande adversidade. A comparação com uma massa pesada intensifica a sensação de opressão política e histórica. 故園 (gù yuán) designa o lugar de origem, com forte carga afetiva e simbólica. A tradução por pátria preserva a dimensão coletiva implícita no contexto do poema. 寒星 (hán xīng) corresponde a estrelas frias, imagem associada a distância e indiferença. 荃 (quán), planta aromática ligada à tradição clássica, surge aqui como referência a destinatários ideais que não reconhecem a intenção do sujeito. 薦 (jiàn) significa oferecer em contexto ritual. A expressão 我以我血薦軒轅 indica um gesto de sacrifício dirigido a uma figura fundadora. 軒轅 (Xuān Yuán) refere o Imperador Amarelo, figura mítica associada à origem do povo chinês. No contexto do poema, designa a pátria enquanto entidade simbólica. Comentário da tradutora Este poema apresenta uma estrutura condensada composta por quatro versos que articulam uma progressão conceptual rigorosa. Cada verso constitui um núcleo semântico autónomo, integrado numa sequência que conduz da interioridade à afirmação sacrificial. O primeiro verso introduz o domínio da interioridade através de 靈臺 (líng tái), termo que designa o espaço do espírito ou da consciência. A impossibilidade de escapar à 神矢 (shén shǐ) estabelece um princípio de inevitabilidade que orienta a ação do sujeito. Este enquadramento define uma relação entre vontade individual e determinação superior. A tradução recorre a uma solução lexical que preserva a dimensão abstrata do termo, optando por uma formulação que mantém a abertura interpretativa e a intensidade simbólica. O segundo verso desloca a enunciação para o plano exterior. A expressão 風雨如磐 (fēng yǔ rú pán) constrói uma imagem de adversidade intensa, associada a contextos de crise histórica. O termo 故園 (gù yuán) introduz uma dimensão afetiva e coletiva, remetendo para o espaço de origem enquanto lugar de pertença. A obscuridade que recai sobre este espaço sugere desordem e tensão. A tradução privilegia uma construção sintática concisa que torna perceptível o efeito de opacidade, mantendo a articulação entre fenómeno natural e condição histórica. O terceiro verso introduz uma relação problemática com o destinatário do discurso. A expressão 寄意 (jì yì) implica projeção do sentimento para um outro. 寒星 (hán xīng) evoca distância e frieza. 荃 (quán), associado à tradição clássica, reforça a dimensão intertextual. A formulação 不察 (bù chá) indica ausência de reconhecimento. Este conjunto estabelece uma tensão entre expressão e receção. O quarto verso condensa o movimento anterior numa formulação de caráter sacrificial. A repetição de 我 (wǒ) em 我以我血 (wǒ yǐ wǒ xuè) intensifica a implicação do sujeito. O verbo 薦 (jiàn) remete para um gesto ritual de oferenda. 軒轅 (Xuān Yuán) introduz uma referência mítica à origem da civilização chinesa. A associação entre sacrifício individual e figura fundadora estabelece uma ligação entre identidade pessoal e destino coletivo. A tradução mantém o nome próprio Xuanyuan (軒轅), assegurando a preservação da referência cultural e do seu valor simbólico. No conjunto, o poema articula três eixos fundamentais. Um eixo histórico marcado pela representação da pátria em crise que culmina na oferenda sacrificial. A dimensão intertextual desempenha uma função estruturante. Referências como 靈臺, 荃 e 軒轅 inscrevem o poema numa continuidade com a tradição clássica. O poema pode ser lido como uma afirmação de responsabilidade individual num contexto de crise coletiva. A impossibilidade de evasão, a falha de reconhecimento e a decisão de sacrifício configuram um percurso que conduz à inscrição do sujeito no plano da história e do mito. A tradução procura reproduzir esta articulação através de uma construção sintática linear e de uma economia expressiva que sustenta a unidade do texto.
Pagamentos Electrónicos | Keypay abre actividade em Macau Hoje Macau - 20 Mai 2026 A empresa financeira Keypay Limited foi autorizada a instalar-se em Macau, de acordo com um despacho publicado no Boletim Oficial. Segundo o documento, assinado pelo Chefe do Executivo, a empresa apenas pode ter como objecto social “a prestação de serviços de pagamento adquirentes de instrumentos de pagamento electrónico”. A empresa vai constituir-se como sociedade anónima, com um capital social de 20 milhões de patacas e vai ter de aprovar estatutos determinados posteriormente pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM). No exercício da actividade, a empresa fica também obrigada a seguir as “condições fixadas” pelo regulador, pode ler-se no despacho assinado por Sam Hou Fai.
Imobiliário | Mais transacções mas a preços mais baixos João Santos Filipe - 20 Mai 2026 Em Abril, foram compradas e vendidas 338 habitações, o que representou um aumento mensal de 3 por cento e um crescimento anual de 19 por cento. No entanto, os preços estão em quebra No mês de Abril, foram registadas 338 compras e vendas de casa, o que representou um aumento mensal de 3 por cento. Os números foram revelados no portal da Direcção de Serviços de Finanças (DSF), com o preço médio por metro quadrado a cair para 68 mil patacas. No último mês, houve 338 transacções de habitações, com um total de 227 a serem comercializadas na Península de Macau, o que representou 68 por cento de todas as compras e vendas de habitação em Abril. O segundo mercado mais activo, foi o da Taipa com 76 transacções, o que significou 22 por cento das transacções. O mercado menos activo foi o de Coloane, com 35 compras e vendas, 10 por cento do total. Os números de transacções em Abril mostram um aumento de 3 por cento face a Março, mês em que o número de negócios registados foi de 328 unidades. Ao mesmo tempo, a comparação anual do número de transacções mostra um aumento de 19 por cento, dado que em Abril de 2025 o número de compras e vendas tinha sido de 283. Em termos dos preços mais recentes, o preço médio em Abril foi de 68.000 patacas por metro quadrado. Esta foi uma redução mensal de 2,3 por cento, dado que em Março o valor do metro quadrado era de 69.625 patacas. Os preços mais elevados foram praticados em Coloane, com o metro quadrado a ser comercializado por 81.261 patacas. No pólo oposto, os preços mais baratos estão na Península de Macau, com uma média de 66.304 patacas por metro quadrado. Na Taipa, a compra e venda de habitação teve um custo médio em Abril de 67.970 patacas por metro quadrado. Em baixa Os dados mais recentes da DSF revelam que em Abril foram registados os preços mais baratos do ano. Em Janeiro, o metro quadrado foi comercializado por 69.241 patacas, um valor que atingiu o pico do ano em Fevereiro, ao saltar para 77.747 patacas. No entanto, desde essa altura caiu para 69.625 patacas em Março e agora foi reduzido para 68.000, uma diferença de 13 por cento face ao valor mais elevado deste ano. Quando a comparação é feita com o ano anterior, Abril apresentou um aumento anual de 19 por cento, em termos do número de transacções, dado que em Abril de 2025 houve um total de 283 transacções, uma diferença de 55 transacções no espaço de um ano. Em relação aos preços, a comparação anual reforça a tendência de redução, dado que em Abril de 2025 o preço médio do metro quadrado era de 75.183 patacas, mais quase 7.200 patacas do que acontece actualmente.
Ébola | Instituições médicas alteram zonas de isolamento João Luz - 20 Mai 2026 Todas as instituições médicas foram obrigadas a rever as condições de zonas destinadas a isolamento e a actualizar mecanismos de transferência de doentes. Os profissionais de saúde foram instruídos a perguntar o historial de viagens a quem apresente sintomas semelhantes aos do Ébola Depois de anunciarem que seriam emitidas instruções para profissionais de saúde e autoridades fronteiriças, os Serviços de Saúde concretizaram as medidas que vão ser implementadas para prevenir um surto de Ébola em Macau. Na segunda-feira, foi accionado o mecanismo de contingência e os trabalhos preparatórios para a prevenção desta epidemia no Centro Hospitalar Conde de São Januário e organizada uma palestra para reforçar a capacidade de resposta dos profissionais de saúde da linha da frente. Os termos tratados incluíram a actual situação epidemiológica do Ébola, triagem e despistagem, notificação e envio para análise laboratorial, e a utilização correcta do equipamento de protecção individual. Os profissionais de saúde foram também instruídos a perguntarem a doentes suspeitos de estarem infectados com Ébola o historial de viagem nos 21 dias anteriores ao surgimento dos primeiros sintomas. Ao mesmo tempo, “todas as instituições médicas foram também obrigadas a rever as suas instalações de isolamento, o mecanismo de transferência de doentes e a organização do controlo de infecção”. Trancas à porta Além do pessoal médico, o Governo está focado nas medidas de prevenção na fronteira. Assim sendo, “todos os portadores de passaporte das regiões afectadas que entram em Macau devem ser submetidos a inquirição e inspecção pelo pessoal de inspecção sanitária dos postos fronteiriços”. Se forem detectados sintomas suspeitos do vírus, as pessoas devem ser de imediato transportadas para o Hospital Conde de São Januário para avaliação e exames mais pormenorizados. Mesmo quem esteve em “regiões afectadas” pelo Ébola e não apresente sintomas, será alvo de acompanhamento do estado de saúde. Os Serviços de Saúde não referiram de que forma será feito o acompanhamento, nem se estas pessoas serão sujeitas a quarentena. À chegada a Macau, pessoas “com história de residência, de viagem ou de contacto com pessoas relacionadas com regiões afectadas”, mesmo que não tenham sintomas têm de prestar uma “declaração de saúde por iniciativa própria” aos Serviços de Saúde. As autoridades afixaram avisos nos átrios das chegadas aos postos fronteiriços a alertar para a obrigação.
“Autocarros de lazer” | Deputados defendem medida permanente Andreia Sofia Silva - 20 Mai 2026 Os deputados Angela Leong e Ma Chi Seng defendem que a recente medida do Governo dos “Autocarros de Lazer” deveria ser permanente. Numa intervenção antes da ordem do dia, os deputados defendem que o Governo “pode aperfeiçoar o plano à medida que houver resultados e com base nas experiências de funcionamento”, além de “considerar romper com as limitações ‘sazonais e de fim-de-semana’, no sentido de promover o funcionamento regular e com base temática”. Angela Leong e Ma Chi Seng defendem ainda a ideia de “transformar os autocarros de ‘lazer’ de curta duração em ‘locomotivas’ para impulsionar, a longo prazo, a economia”, explorando “itinerários peculiares com base nas histórias de Macau”, aproveitando o “teor cultural dos templos, promover o Festival do Dragão Embriagado, as crenças e costumes da Deusa A-Má e de de Na Tcha, entre outros grandes eventos culturais”. Museus | Lam Fat Iam pede “planeamento estratégico” O deputado Lam Fat Iam defendeu ontem, no hemiciclo, que faz falta ao território “um planeamento mais estratégico” no que diz respeito a espaços museológicos e culturais. No entender do deputado, “Macau não carece de museus nem de actividades”, mas sim de uma “estratégia de desenvolvimento mais abrangente e de uma implementação institucional mais eficaz”. Lam Fat Iam pede que se passe de um “desenvolvimento centrado em museus individuais para a construção de um sistema diversificado”, com mais exposições que tenham um cariz internacional. “Macau é pequena, mas os seus recursos culturais não são poucos, pois abrangem temáticas diversas como a navegação, comunicações, bombeiros, religião, literatura, as artes, a educação, a beneficência, a guerra contra a agressão, a medicina, a ciência e a tecnologia. Se for possível integrar estes recursos, os mesmos vão poder sustentar uma melhoria qualitativa dos museus locais e ser um importante suporte para promover a construção de uma ‘Macau cultural'”, considerou.
Plano quinquenal | Consulta pública arranca hoje João Luz - 20 Mai 202620 Mai 2026 O Governo anunciou ontem a consulta pública ao 3.º Plano Quinquenal, que irá orientar as políticas de Macau até 2030. População e associações locais podem pronunciar-se sobre o plano até 28 de Junho. O “espírito dos importantes discursos” de Xi Jinping será a estrela polar do plano quinquenal Começa hoje o período de consulta pública relativa ao 3.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM (2026-2030), que se prolongará até 28 de Junho. Segundo a Direcção dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional, a consulta irá servir para o Governo “ouvir amplamente as opiniões e sugestões de diversos sectores da sociedade e da população em geral”. Na descrição do documento que irá a consulta pública, o primeiro tema elencado pelo Governo foi a “defesa da segurança do Estado e garantia da estabilidade social”. Ao longo de 10 títulos e 36 capítulos, a sociedade poderá pronunciar-se sobre políticas para reforçar a capacidade de governação da RAEM, assim como promover o desenvolvimento da diversificação adequada da economia e a “alta qualidade do estabelecimento da Zona de Cooperação em Hengqin”. O esboço do plano que será apresentado hoje irá também versar sobre a “coordenação do desenvolvimento integrado da educação, ciência, tecnologia e dos quadros qualificados”, a melhoria do bem-estar da população, “a construção de uma Macau bela e inteligente” e o “aprofundamento da integração e do serviço à conjuntura do desenvolvimento nacional”. Recorde-se que o plano quinquenal constitui um caminho para as políticas de desenvolvimento socioeconómico para os próximos cinco anos. Grande timoneiro Para a elaboração do documento que irá a consulta a partir de hoje, o Governo teve por base o balanço da execução do plano quinquenal anterior, mas também a “implementação aprofundada do espírito dos importantes discursos proferidos pelo Presidente Xi Jinping durante a sua visita a Macau” e a “articulação proactiva e estreita com o 15.º Plano Quinquenal do país”. De acordo com o exposto ontem pela Direcção dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional, o plano para os próximos cinco anos pretende proporcionar um “melhor aproveitamento das oportunidades das estratégias de desenvolvimento nacional” e consolidar as vantagens competitivas da RAEM. O Governo aponta ainda à “concretização da desejada visão de uma Macau alicerçada no Estado de Direito, dinâmica, cultural e feliz” como pontos basilares para a elaboração do plano de políticas. O público pode levantar a partir de hoje, gratuitamente, o documento de consulta do 3.º Plano Quinquenal no Centro de Informações ao Público, Centro de Serviços da RAEM, Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Central ou no Centro de Serviços da RAEM das Ilhas. Além disso, é possível descarregar a versão digital do documento no portal do Governo. Apoio associativo O presidente do Instituto de Gestão de Macau, Samuel Tong e o presidente da Associação de Estudos sobre a Governação Social de Macau, Lou Shenghua, elogiaram que o 3.º Plano Quinquenal, que entra hoje em consulta pública. Os elogios foram feitos minutos depois da conferência de imprensa de lançamento do acto de recolha de opiniões. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, Samuel Tong apontou que o conteúdo do plano destaca os papéis de Um Centro, Uma Plataforma e Uma Base de Macau, construindo Macau como centro internacional que concentra quadros qualificados de alto nível. Tong indicou que o plano também aposta no reforço da diversificação económica e integração no desenvolvimento nacional. Por seu turno, Lou Shenghua defende que o 3.º Plano Quinquenal propõe vários objectivos e princípios para responder a assuntos económicos e sociais que Macau tem de enfrentar, além de se focar no bem-estar da população.
IA | Leong Pou U pede orientações e diálogo com trabalhadores Andreia Sofia Silva - 20 Mai 2026 O deputado Leong Pou U recorreu ao período de intervenções antes da ordem do dia no hemiciclo para sugerir maior diálogo entre Governo, associações e trabalhadores como reacção à chegada da inteligência artificial (IA) ao mercado de trabalho. “Sugiro ao Governo que se articule estreitamente com o 15º Plano Quinquenal do país e que, no âmbito do 3º Plano Quinquenal da RAEM, e tendo em conta a realidade de Macau, estude e defina orientações para a aplicação da IA em Macau.” A ideia, segundo o deputado, é que possam ser “aperfeiçoados os respectivos diplomas legais, assegurando que a tecnologia IA possa ser aplicada e desenvolvida de forma saudável e ordenada” no território. Leong Pou U acredita que, no futuro, o “núcleo’ do trabalho civil vai passar da ‘execução repetitiva das tarefas’ para o ‘controlo da IA'”, com aqueles que criam conteúdo a passarem a ser “supervisores e analistas” do que a IA vai produzir. Assim, o deputado defende que “Governo, empresas e associações de trabalhadores reforcem o diálogo social”, promovendo “formação sobre a aplicação da IA, nomeadamente para os sectores que podem ter mais riscos no uso de aplicações de IA, por forma a apoiar os trabalhadores a adaptarem-se às mudanças da nova era”.
Saúde | Wong Kit Cheng pede estudo sobre recursos humanos Andreia Sofia Silva - 20 Mai 2026 A deputada Wong Kit Cheng defende que o Governo deve elaborar “um estudo sobre o planeamento dos recursos humanos na área da saúde”, criando um “mecanismo de avaliação periódica das necessidades de pessoal de enfermagem em diferentes áreas profissionais, especialidades médicas e serviços de saúde comunitária”. Para Wong Kit Cheng, continuam a faltar enfermeiros em Macau, devendo ser estabelecida “uma meta progressiva para a proporção de enfermeiros por mil habitantes nos próximos cinco anos”. Desta forma, “estudantes de enfermagem e futuros diplomados podem preparar-se atempadamente para o seu percurso profissional”, enquanto “instituições de ensino superior e sector podem colaborar e aperfeiçoar os currículos e programas de formação especializada”. Wong Kit Cheng pede ainda que seja feita uma “ponderação” sobre “currículos universitários e a organização dos estágios clínicos, evitando a sobreposição entre o estágio durante o período de estudos e o requisito de seis meses de estágio após a graduação”.
Ponte de Amizade | Conselheiro pede medidas para evitar impacto de obras João Santos Filipe e Nunu Wu - 20 Mai 2026 Cheang Kai Lok avisa o Executivo que as obras na Ponte da Amizade podem tornar o trânsito caótico e pede medidas não só junto à ponte, mas também na zona norte da cidade, onde se espera um maior impacto na circulação rodoviária O membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, Cheang Kai Lok, defendeu a necessidade de o Governo apresentar brevemente medidas provisória para minimizar o impacto das obras que vão decorrer na Ponte da Amizade. As obras na ponte foram reveladas na segunda-feira pelo Grupo de Coordenação de Obras Viárias e arrancam no sábado, prolongando-se até meados de Agosto. Em declarações ao jornal Ou Mun, Cheang apoiou a decisão de realizar a manutenção da ponte por questões de segurança. No entanto, o também membro da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) alertou que a Ponte de Amizade tem uma taxa de utilização muito elevada, porque é a escolha preferencial dos veículos que precisam de se deslocar para o Pac On, aeroporto ou o aterro para resíduos de materiais de construção. Tendo em conta que o trânsito em condições normais já apresenta congestionamentos na ponte, Cheang alertou que se deve esperar um agravamento considerável da situação. Marcha lenta Porém, o membro da FAOM entende que o impacto vai estender-se igualmente à Ponte Macau, porque a infra-estrutura vai ser a alternativa para os veículos pesados que circulam entre Macau e a Taipa e que vão ficar impedidos de usar a Ponte da Amizade, enquanto durarem as obras. Cheang Kai Lok vincou também que os congestionamentos podem chegar à Zona A dos novos aterros e à Zona Norte de Macau, e identificou como lugares críticos a Rotunda da Amizade, a Avenida 1 de Maio e a Via de Acesso A2, que faz a ligação entre a Zona A dos Novos Aterros e a Areia Preta. O conselheiro mostrou-se especialmente preocupado porque estas vias já apresentam níveis de congestionamentos elevados. Para aliviar o impacto rodoviário, Cheang Kai Lok sugere que o Governo controle “de forma rigorosa” progresso da obra na Ponte Amizade, e reforce a supervisão, estudando formas de acelerar os trabalhos. Além disso, pediu ao Governo que acompanhe o trânsito nas zonas mais congestionadas, através das novas tecnologias, e que sejam destacados agentes de trânsito para os locais, para tornar o trânsito mais fluído. O associado da FAOM pediu também ao Governo para actualizar regularmente o progresso das obras com a divulgação de medidas provisórias de trânsito, para que residentes e condutores possam planear mais cedo as suas deslocações. Segundo o Grupo de Coordenação de Obras Viárias, a intervenção na Ponte da Amizade será a primeira obra de grande escala na Ponte da Amizade dos últimos 25 anos.
Deputados exigem elevação da eficiência da Função Pública Andreia Sofia Silva - 20 Mai 2026 O mais recente relatório de actividades do Comissariado de Auditoria (CA), que dá conta de má distribuição de trabalho e recursos humanos na Administração, levou ontem alguns deputados a pedirem maior eficiência no período de intervenções antes da ordem do dia. Chan Hao Weng pediu às autoridades para “encararem as situações caóticas na gestão da Administração Pública e as dificuldades de trabalho dos docentes da linha da frente”. O deputado entende que se deve “simplificar e eliminar os procedimentos desnecessários de autorização, para elevar a eficiência e facilitar a vida aos cidadãos”, ou ainda “optimizar o mecanismo de avaliação do desempenho do pessoal de chefia”. Para Chan Hao Weng, “o mecanismo de avaliação do pessoal de direcção e chefia não passa de mera formalidade”, sendo “superficial, ignorando a eficácia e reputação junto dos cidadãos”. Existe, no seu entender, “falta de responsabilização” entre funcionários públicos, acabando por se “pressionar o pessoal da linha da frente e os problemas nunca são resolvidos”. O deputado entende que se devem “efectuar alterações a partir do nível superior, não se devendo criticar o pessoal da linha da frente”, chamando a atenção para o excesso de burocracia com que os docentes têm de lidar. “Quanto às dificuldades dos funcionários públicos e professores, o problema não está na linha da frente, mas sim na gestão do superior: falta de rigor, acção e responsabilização. Peço ao Governo que ouça as vozes de todos, afira responsabilidades das chefias, corrija falhas, simplifique o fluxograma, alivie a carga da linha da frente e melhore a qualidade dos serviços públicos e da educação em Macau”, disse. Docentes burocratas Também o deputado Nick Lei chamou a atenção para os problemas analisados pelo CA, alertando para o facto de “os dirigentes dos serviços terem a responsabilidade indeclinável de acompanhar e resolver seriamente o problema, por forma a evitar a repetição dos mesmos erros”. Nick Lei considera que devem ser divulgados “os resultados da correcção” dos problemas, “com vista a elevar a transparência da acção governativa”. O deputado referiu uma das questões apontadas pelo CA, no que diz respeito “ao lançamento de novos projectos e serviços públicos”. Chama-se a atenção para o facto de o Executivo dever “adoptar novas soluções técnicas” que satisfaçam “requisitos básicos como a necessidade, viabilidade e a relação custo-benefício”, olhando ainda “os benefícios gerais da sociedade”. Desta forma, Nick Lei entende que “há falta de razoabilidade e rigor na implementação dos trabalhos por parte dos serviços públicos, o que contraria o princípio da governação científica”.
Nova lei possibilita criação de hospitais de dia para turistas Andreia Sofia Silva - 20 Mai 202620 Mai 2026 Os deputados aprovaram ontem, na especialidade, a proposta de lei relativa à “actividade das instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde” que vem regular, entre outras matérias, a criação de hospitais de dia no território. Vários deputados questionaram de que forma isso se pode coadunar com o sector do turismo e também com os serviços médicos já disponibilizados, tanto a nível público como privado. Ip Sio Kai disse que esta matéria diz respeito a “competências que não têm só a ver com os Serviços de Saúde”, destacando a necessidade de investimento para criar mais hospitais de dia em Macau. A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, declarou que “atrair investimento é um trabalho entre serviços” públicos, sendo que a proposta de lei ontem votada “permite a criação de hospitais de dia, existindo legislação suficiente e adequada”. “Temos recursos em termos de resorts, vantagens e atractivos para o exterior, e em conjugação com esses elementos conseguimos ter um destino adequado para esses tratamentos”, frisou. Por sua vez, o deputado Leong Sun Iok argumentou que “Macau é uma cidade turística com vantagens geográficas” e questionou “como vai o Governo potenciar estas vantagens em conjugação com os recursos de turismo, a fim de criar um ambiente favorável para esta indústria”. Já Song Pek Kei disse que os responsáveis do sector da saúde “estão preocupados quanto ao desenvolvimento do mercado privado”. A deputada entende que há “um desequilíbrio, porque muitas pessoas utilizam o hospital público [Centro Hospitalar Conde de São Januário] e o seu funcionamento enfrenta desafios, causando um conflito entre o sector público e privado”. “Há serviços especializados que podem ser realizados nos hospitais de dia e a população preocupa-se com a concorrência desleal”, disse. Resultados a caminho O Lam declarou que não existem motivos para preocupações, porque haverá “mecanismos estendidos aos hospitais de dia”, incluindo serviços de “telemedicina, terapias avançadas e serviços médicos de proximidade”. “Foi alargada a capacidade para dar mais prioridade ao sector”, adiantou a secretária. “Há uma complementaridade entre os dois sectores. No ano passado, fizemos um estudo sobre a complementaridade entre hospitais público e privado e vamos divulgar os resultados à sociedade e ao sector em causa. No hospital Macau Union, enquanto complexo hospitalar público, a meta é elevar os serviços médicos e curar doenças, e o hospital de dia é para ter determinadas especialidades”, explicou. Relativamente à criação de Macau como destino de turismo de saúde, O Lam adiantou que “temos as nossas vantagens, e com a criação de hospitais de dia, também com o Macau Union, conseguimos ter uma maior plataforma para o sector”. “Entre o Macau Union e os hospitais de dia pode haver uma cooperação e vantagens para os dois”, disse, referindo que o Governo “aproveita da melhor forma as vantagens para incentivar o turismo e medicina, tendo a plataforma com os países lusófonos e da Ásia-Pacífico”, rematou.
Tecnologia | Chui Sai Peng defende criação local de “robô polícia” Andreia Sofia Silva - 20 Mai 2026 Chui Sai Peng acha que as forças policiais devem apostar mais nas novas tecnologias, sobretudo inteligência artificial, para criar um “robô polícia” com “características de Macau”. Enquanto isso, Leong Sun Iok alerta para os perigos da introdução de croupiers-robôs nos casinos A ideia de criar em Macau um “robô polícia”, numa fusão entre as forças de segurança e as novas tecnologias, foi uma ideia defendida pelo deputado José Chui Sai Peng na sessão plenária de ontem da Assembleia Legislativa (AL), no período de intervenções antes da ordem do dia. “Tendo como referência as experiências positivas dos primeiros anos [de existência] da ‘mascote do trânsito’, que aconselhava os peões a atravessar legalmente as ruas, se for possível integrar mais tecnologia da Inteligência artificial e criar um ‘robô̂ polícia’ com características de Macau, tal elevará a eficácia da governação”, defendeu. Mais concretamente, Chui Sai Peng citou o exemplo de cidades do Interior da China no uso da IA para “policiamento inteligente”, com recurso a “robôs-polícias de trânsito” no controlo do tráfego, na manutenção da ordem e no apoio turístico. Chui Sai Peng entende que “Macau precisa de aprofundar a aplicação de cenários de inteligência artificial e tecnologia robótica, especialmente ao nível dos serviços públicos e gestão urbana”. Assim, para criar o “robô polícia”, poderiam ser convidados, pelas autoridades, “designers locais e operadores das indústrias culturais e criativas para participar no design de um ‘robô polícia’ com características próprias de Macau”. Podem ainda, no entender do deputado, ser utilizadas “forças policiais inteligentes”, a fim de Macau poder integrar “o desenvolvimento nacional” e adoptar os exemplos de utilização de tecnologia que se verificam no interior da China. Chui Sai Peng pede que sejam introduzidos “recursos financeiros para apoiar a investigação e desenvolvimento tecnológico”, em prol da “transformação de resultados e promoção de um ecossistema com orientação política e a participação da indústria”, em que haja “suporte académico e científico e ainda aplicação prática [de estudos e medidas]”. Cartas na mesa A recente realização em Macau da G2E Asia, uma das mais importantes feiras do sector do jogo, e o debate em torno do uso da IA e tecnologia nesta área, levou o deputado Leong Sun Iok a alertar, na AL, para os perigos do futuro uso de robôs nos casinos. “Compreende-se que o desenvolvimento da IA é uma tendência geral que pode melhorar a vida humana e promover o desenvolvimento económico e social”, tendo também “desafios negativos”, como a necessidade de “reestruturação da estrutura da mão-de-obra, [questões de] ética social, a privacidade e a segurança, entre outros problemas estruturais de longo alcance”, alertou. Leong Sun Iok citou dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos para indicam que até 2025 existiam em Macau cerca de 24 mil croupiers. Desta forma, a possibilidade de introdução de robôs para estas funções “vai afectar dezenas de milhares de famílias”. “É de salientar que, há vários anos, o sector promoveu a introdução de ‘croupiers robôs’, o que suscitou reacções dos trabalhadores, que manifestaram junto das associações sindicais a sua ‘preocupação’ e ‘oposição’, tendo o Governo respondido atempadamente a essa questão, dando confiança aos funcionários”, destacou. Leong Sun Iok pede que o Executivo “continue a ter como objectivo a estabilidade social e a garantia da qualidade de vida da população, e encare seriamente os impactos estruturais provocados pela tecnologia”, devendo “manter restrições” à introdução de “‘croupiers-robôs’ pelas concessionarias do jogo, para garantir que estas funções são assumidas por trabalhadores locais, assegurando efectivamente o direito dos trabalhadores locais ao emprego no sector do jogo”.
AIE | Reservas de petróleo vão esgotar-se em semanas Hoje Macau - 19 Mai 2026 O diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, advertiu ontem que a ‘almofada’ das reservas comerciais de petróleo acumuladas antes da guerra no Médio Oriente e do encerramento de Ormuz vai-se esgotar numa questão de semanas. As reservas “estão a esgotar-se muito rapidamente”, alertou Birol em declarações à imprensa durante o primeiro dia da reunião dos ministros das Finanças do G7 em Paris, que termina hoje. Questionado se se trata de semanas ou meses, respondeu que “ainda restam várias semanas, mas devemos estar cientes de que está a diminuir rapidamente”. No último relatório mensal sobre o mercado de petróleo, publicado na semana passada, a AIE assinalou que o encerramento do estreito de Ormuz privou o mercado de mais de 1.000 milhões de barris dos países do golfo Pérsico, que significa que ficaram retidos sem poder sair mais de 14 milhões de barris por dia. E embora a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos estejam a conseguir exportar uma parte da produção por outras vias (basicamente oleodutos que contornam o estreito de Ormuz) e outros países produtores noutras regiões do mundo tenham aumentado as extrações de petróleo, as reservas mundiais entre Março e Abril reduziram-se em 250 milhões de barris, ou seja, a um ritmo de 4 milhões de barris por dia. Birol lembrou que, antes da eclosão da guerra no Médio Oriente, a situação no mercado era de excesso de petróleo, de cerca de 2,5 milhões de barris diários acima da procura. Mas avisou que essas margens “não são infinitas e as reservas comerciais estão a diminuir rapidamente”. Além disso, destacou que, com o verão, no hemisfério norte está a começar a temporada de viagens e de cultivo, na qual se consome mais combustível e também mais fertilizantes. Todos estes elementos – comentou – contribuem para elevar os preços e isso pode ter “importantes repercussões” nos dos alimentos, o que poderia “impulsionar significativamente” a inflação para cima.
FRC | Chá é protagonista em mostra de fotografia e pintura Hoje Macau - 19 Mai 2026 “O Chá em Macau: Revelando Detalhes e Abrindo Espaço para a Imaginação” é o nome da mostra que pode ser vista, a partir de hoje, na Fundação Rui Cunha (FRC), com inauguração a partir das 18h30. Trata-se de um trabalho conjunto de Cássia Schutt, autora das fotografias, e de Lily Lee, na pintura, sendo este “um encontro entre duas artistas, uma fotógrafa brasileira e uma pintora chinesa, unidas pelo mesmo olhar curioso e fascinado”, descreve a FRC em comunicado. O público pode, assim, ver 34 obras de arte, nomeadamente 16 fotografias e 18 pinturas que mostram uma “conversa subtil”, onde “a lente de Cássia foca-se em detalhes íntimos, gestos e texturas”, enquanto “o pincel de Lily abre-se para cenas mais amplas e vivas, onde a atmosfera e o silêncio coexistem”. Assim, em conjunto, é traçado “o percurso das casas de chá de Macau e documentam a presença do chá e as suas tradições na cidade hoje”, revela o manifesto da mostra. Fusão artística A ideia de fazer esta exposição surgiu em 2024, quando Cássia Schutt e Lily Lee “iniciaram uma viagem partilhada pelas casas de chá de Macau”, sendo que, “ao longo de muitas visitas, conversas e observações silenciosas, os seus caminhos entrelaçaram-se em torno de um ritual simples e intemporal: o chá”. Desta forma, “o que começou como uma série de encontros tornou-se gradualmente num diálogo artístico contínuo, que continua a desenrolar-se e a aprofundar-se com o tempo”, acrescenta-se na mesma nota. Com esta exposição, “as artistas celebram a sua amizade e o desejo comum de retratar, através da arte, tradições tão antigas como o ritual do chá na cultura local e as antigas lojas que hoje começam a rarear, para que as gerações futuras possam conhecer e perpetuar estas memórias visuais”, explica ainda a FRC. As obras vão estar expostas apenas até ao dia 30 de Maio de 2026.
A vaga da IA e os novos desafios: da reforma antecipada a uma transformação para a competitividade sustentável (I) David Chan - 19 Mai 2026 Um artigo publicado no Hong Kong Economic Times (HKET) no passado dia 24 de Abril, analisa o impacto da ascensão da inteligência artificial no plano de aposentações. Ao longo da última década, a tendência para a “Independência Financeira e para a Reforma Antecipada” (FIRE sigla em inglês) alastrou-se pelo mundo, com muitos trabalhadores de “colarinho branco” desejando reformar-se cedo e viver dos rendimentos. No entanto, desde o lançamento do ChatGPT nos finais de 2022, a velocidade da interacção da tecnologia de IA superou largamente as expectativas do mercado, não apenas através da remodelação das estruturas industriais, mas também pelo abalo na lógica do FIRE tradicional e do Coast FIRE. O artigo cita uma análise de Nick Maggiulli, Director Executivo da Ritholtz Wealth Management. A IA está gradualmente a minar a estabilidade do emprego dos trabalhadores de “colarinho branco”. As funções que dependem de um resultado padronizado, de processos repetitivos e de um elevado grau de digitalização são as primeiras a sofrer a pressão da substituição e os planos de aposentação dos trabalhadores são mais facilmente postos em causa. O sector do design gráfico está particularmente afectado, porque a IA gera facilmente trabalhos de alta qualidade, o que implica redução de salários e de oportunidades para os profissionais da área. Olhando para a tendência anual do preço das acções da Fiverr, uma plataforma global freelance, o ano passado o seu valor reduziu praticamente para metade, reflectindo as preocupações do mercado sobre a probabilidade de a IA substituir os trabalhadores da área digital. O impacto da IA não se faz só sentir em funções a tempo inteiro; também afecta gravemente os negócios paralelos dos quais os semi-reformados dependem para viver, como traduções, programação básica, redacção de conteúdos e análise introdutória de dados. Nick Maggiulli avança com três soluções pragmáticas: desistir do objectivo do “Coast Fire” e evitar abandonar empregos estáveis a tempo inteiro; aumentar o período de acumulação de poupanças antes das funções que se desempenha passarem a ser executadas pela IA e reavaliar o próprio valor comercial, considerando a lógica do lucro que age contra os indivíduos perante as capacidades mais fortes da IA. De uma perspectiva macro-social, a crise financeira de 2008, a pandemia de COVID-19 e a reavaliação global das acções tecnológicas de 2022 demonstram que a incerteza do mercado é a norma e que a IA é apenas uma nova variável estrutural. O maior risco que correm as pessoas que se reformam cedo não é muitas vezes a insuficiência de fundos, mas sim a incapacidade de se reintegrarem no mundo do trabalho depois de terem perdido o contacto com a realidade laboral. Por outro lado, uma grande acumulação de capital funciona como uma defesa natural; independentemente de terem ou não sido substituídos pela IA, as poupanças elevadas são um amortecedor contra riscos. A realidade torna-se clara quando consideramos os dados recentes da China continental, de Hong Kong e de Macau: Dados do relatório de emprego de 2026 da Zhaopin.com mostram que a procura de posições asseguradas pela IA na China continental aumentará mais de 100% a cada ano, ao passo que trabalhadores de escritório e administrativos que desempenham funções básicas continuam a ser despedidos. Um relatório da Fintech da InvestHK indica que a automatização da IA está a ser adoptada em larga escala em Hong Kong para contabilidade e documentação financeira básicas e auditoria de conformidade. Em Macau, devido à sua estrutura industrial singular e à crescente alteração nos sectores do jogo e dos serviços, a pressão sobre os indivíduos de meia-idade está a aumentar dramaticamente. Este artigo destina-se apenas à análise de tendências e referência conceptual e não constitui qualquer aconselhamento profissional sobre investimento, gestão financeira ou planeamento de reforma. Por favor, consulte um consultor profissional licenciado para tomar decisões financeiras. Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
Xanana Gusmão recorda que foi através do Português que Timor-Leste falou ao mundo Hoje Macau - 19 Mai 2026 O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, afirmou ontem que a língua portuguesa ocupa um “lugar especial” na história da resistência, porque foi através do português que “Timor-Leste falou ao mundo”. “A língua portuguesa ocupa igualmente um lugar especial na história da nossa resistência. Foi através desta língua que Timor-Leste falou ao mundo. Foi esta língua que levou a causa timorense às Nações Unidas, às organizações internacionais e aos países amigos. A língua portuguesa tornou-se símbolo de identidade, de resistência e de continuidade histórica do Estado timorense”, disse o primeiro-ministro timorense, no discurso divulgado à imprensa. Xanana Gusmão participou ontem na cerimónia de celebração do 24.º aniversário da restauração da independência, que se assinala na quarta-feira, no Arquivo e Museu da Resistência Timorense, que inclui a inauguração de uma exposição e um lançamento de um livro, denominado “Vida da Resistência”. “Quando o invasor proibiu o uso do português, o povo timorense continuou a falar [o português] em segredo. Continuou a resistir em português. Assim, a língua portuguesa tornou-se uma língua de resistência”, salientou Xanana Gusmão. Festa da dignidade Na sua intervenção na “Casa Sagrada”, o líder timorense destacou também que o 20 de Maio não é apenas uma data histórica, mas a “prova de que uma nação, mesmo pequena, pode alcançar grandes vitórias quando luta com coragem, em plena consciência, com unidade nacional e com um profundo amor à pátria”. “Hoje, não celebramos apenas a independência de um Estado. Celebramos, acima de tudo, a sobrevivência de uma nação. Celebramos a vitória da memória contra o esquecimento. Celebramos a vitória da esperança contra o medo e a vitória da dignidade humana contra a opressão”, afirmou Xanana Gusmão. O primeiro-ministro deixou igualmente uma mensagem aos jovens, que representam a maioria da população do país. “A geração da resistência entregou-vos a liberdade. Agora cabe-vos defender o futuro desta nação. A luta da vossa geração já não se trava nas montanhas. A luta de hoje faz-se através da educação, do conhecimento, da disciplina, da honestidade e do trabalho”, disse Xanana Gusmão. “Precisamos de jovens preparados para defender a identidade, a cultura, a memória e os valores da resistência. Precisamos de jovens capazes de transformar o sofrimento do passado numa força para construir um futuro melhor”, acrescentou. As celebrações do 24.º aniversário da restauração da independência tiveram início no domingo com a inauguração de uma feira de culinária local em Tasi Tolu e vão incluir também uma missa e a deposição de uma coroa de flores aos Heróis da Pátria, na terça-feira no cemitério de Santa Cruz, e a cerimónia de hastear da bandeira nacional, na quarta-feira.
Corrupção | Ex-líder de Wuhan investigado Hoje Macau - 19 Mai 2026 O órgão disciplinar do Partido Comunista Chinês (PCC) anunciou que colocou sob investigação, por suspeitas de corrupção, o antigo governador de Wuhan, a província chinesa onde surgiu o surto inicial da pandemia de covid-19. Num comunicado divulgado no domingo, a Comissão Central de Inspeção Disciplinar disse que Wang Xiaodong está a ser investigado por “graves violações da disciplina e da lei” – a expressão utilizada habitualmente em casos de corrupção. Wang, de 66 anos, era o governador da província de Hubei, no centro da China, no final de 2019, quando aconteceu o surto inicial do novo coronavírus 2019-nCoV, na capital da região, Wuhan. O dirigente foi alvo de duras críticas dos cidadãos chineses nas redes sociais e acusado de incompetência ou ridicularizado, no início de 2020, devido à gestão do surto. Muitos internautas chineses ficaram indignados com uma série de erros que ocorreram durante uma conferência de imprensa transmitida na televisão, por três autoridades locais, no final de Janeiro de 2020. Wang participou na conferência de imprensa sem usar uma máscara, violando as regras que tornavam o seu uso obrigatório em espaços públicos. A seu lado, o então autarca de Wuhan, Zhou Xianwang, colocou a máscara, mas ao contrário. Zhou já tinha sido fortemente criticado por ter autorizado, a 18 e 19 de Janeiro de 2020, um banquete gigante para o qual foram convidadas 40 mil famílias, para celebrar o Ano Novo Lunar. Os cibernautas também apontaram que, na mesma conferência de imprensa, Wang Xiaodong começou por anunciar que a produção anual de máscaras em Hubei era de 10,8 mil milhões, antes de corrigir para 1,8 mil milhões e, posteriormente, para 1,08 milhões. Em Junho de 2021, Wang foi demitido e tornou-se vice-director do Comité de Agricultura e Assuntos Rurais do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, o principal órgão consultivo político do país.
Indústria | Produção industrial na China cresce 4,1% em Abril Hoje Macau - 19 Mai 2026 A produção industrial da China cresceu 4,1 por cento em Abril, em termos homólogos, representando uma desaceleração de 1,6 pontos face ao valor de Março, segundo dados oficiais divulgados ontem pelo Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE) do país. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, a produção industrial aumentou 5,6 por cento, abaixo dos 6,1 por cento registados no primeiro trimestre. Dos três grandes sectores em que o GNE divide este indicador, o que mais aumentou a produção em Abril foi o de produção e fornecimento de eletricidade, aquecimento, gás e água (+5,3 por cento), seguido do sector manufatureiro (+4 por cento) e da indústria mineira (+3,8 por cento). Entre os sectores industriais, a produção de equipamentos informáticos, de comunicações e outros equipamentos electrónicos cresceu 15,6 por cento em termos homólogos, à frente da indústria automóvel (+9,2 por cento) e da produção de material ferroviário, naval, aeroespacial e outros equipamentos de transporte (+8,2 por cento). A produção de circuitos integrados aumentou 22,1 por cento em termos homólogos e a de robots industriais 15,1 por cento, enquanto a de veículos de energias renováveis avançou 3,8 por cento, para 1,29 milhões de unidades. Como é habitual, os números revelaram um contraste marcado entre a evolução positiva do investimento em infraestruturas (+4,3 por cento) e na manufactura (+1,2 por cento) e o destinado à promoção imobiliária, que caiu 13,7 por cento.