Economia | Deflação em Outubro com preços a caírem 0,2%

O índice de preços ao consumidor da China (IPC) voltou a entrar em deflação, no mês passado, agravado pela queda dos preços da carne de porco, numa altura em que Pequim tenta impulsionar a procura interna.

O principal indicador da inflação no país asiático caiu 0,2 por cento, em Outubro, em termos homólogos, segundo dados do Gabinete Nacional de Estatística (GNE). No mês anterior, o IPC manteve-se inalterado.

A deflação consiste numa queda dos preços ao longo do tempo, por oposição a uma subida (inflação). O fenómeno reflecte debilidade no consumo doméstico e investimento e é particularmente gravoso, já que uma queda no preço dos activos, por norma contraídos com recurso a crédito, gera um desequilíbrio entre o valor dos empréstimos e as garantias bancárias.

Os analistas previam uma queda de 0,1 por cento, em Outubro, em relação aos preços registados há um ano. O GNE apontou que o preço das carnes caiu 17,9 por cento, impulsionado por um declínio de 30,1 por cento nos preços da carne de porco, principal fonte de proteína animal na dieta chinesa.

O preço da carne suína na China, o maior produtor e consumidor mundial, segue ciclos de expansão e recessão, com o excesso de oferta a conduzir a grandes quedas de preços e a gerar volatilidade no IPC. A economia chinesa registou já uma queda nos preços em Julho passado.

Diplomacia | Responsáveis pelas finanças preparam encontro Biden – Xi

Os líderes das duas nações vão encontrar-se na próxima semana, à margem da cimeira da Cooperação Económica Ásia – Pacífico, em São Francisco

 

A secretária do Tesouro norte americana, Janet Yellen, e o seu homólogo chinês vão reunir-se em São Francisco, na próxima quinta-feira, para dois dias de conversações, numa altura em que a concorrência se intensificou entre os dois países.

As conversações de Yellen com o vice-primeiro-ministro He Lifeng destinam-se a lançar as bases para uma reunião entre o Presidente norte-americano, Joe Biden, e o Presidente chinês, Xi Jinping, na próxima semana, à margem da cimeira da Cooperação Económica Ásia – Pacífico, em São Francisco.

A Casa Branca não espera que o encontro resulte em grandes mudanças na relação entre as duas nações. Os analistas dizem também que as expectativas devem ser mantidas baixas, dada a natureza competitiva da relação entre os dois países.

Nicholas Szechenyi, vice-director para a Ásia do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, disse num evento de antevisão da cimeira da APEC que “parece difícil para os Estados Unidos enfatizar de forma credível temas como a inclusão, a interconexão – os temas da cimeira da APEC deste ano – quando o principal motor da estratégia económica dos EUA no Indo-Pacífico não é necessariamente a cooperação económica, mas sim a concorrência económica”. “A estratégia dos EUA está muito focada na competição económica com a China”, disse, citado pela agência Associated Press.

Em Agosto, Biden assinou uma ordem executiva destinada a regular e bloquear o investimento norte-americano na China nos sectores de alta tecnologia, uma medida que a administração disse visar a proteção da segurança nacional. No ano passado, os EUA tomaram medidas para bloquear as exportações de ‘chips’ semicondutores avançados para o país asiático.

No início do ano, congressistas norte-americanos realizaram audiências sobre segurança de dados e conteúdos nocivos com o director executivo do TikTok, Shou Zi Chew, ponderando a possibilidade de proibir a aplicação extremamente popular devido às suas ligações chinesas.

Tensões aliviadas

Biden falou com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, na Casa Branca durante cerca de uma hora, no final do mês passado, quando o principal diplomata de Pequim voou para Washington para conversações com o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e o conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan.

Xi encontrou-se igualmente com Blinken em Junho, quando o secretário de Estado se deslocou a Pequim para reunir com Wang. Yellen reuniu-se com vários funcionários chineses ao longo deste ano. Em Janeiro, esteve com o antigo vice-primeiro-ministro Liu He em Zurique.

Em Julho, Yellen deslocou-se à China para discutir as relações económicas entre as duas nações e exortou os responsáveis governamentais chineses a cooperarem no domínio das alterações climáticas e de outros desafios globais e a não deixarem que as divergências acentuadas em matéria de comércio e outros aspectos façam descarrilar as relações.

Numa conferência de imprensa, realizada a 8 de Julho, afirmou: “Não vejo a relação entre os EUA e a China como um conflito entre grandes potências. Acreditamos que o mundo é suficientemente grande para que ambos os nossos países possam prosperar”.

Em Setembro, o departamento do Tesouro dos EUA e o ministério das Finanças da China lançaram um par de grupos de trabalho económicos num esforço para aliviar as tensões e aprofundar os laços entre as nações.

Seda (7) – Deusas e Festas

Palácio de Lei Xuan nas montanhas do Dragão de Jade

Seguindo a viagem feita pelo Imperador Amarelo para conhecer quem tecera um tão fascinante robe de seda, resolvemos ir também à procura do local de nascimento de Wang Feng na província de Sichuan. De Yanting rumamos para as montanhas do Dragão de Jade (Qing Long shan) por uma magnífica estrada de mais de quarenta quilómetros feita para as grandes celebrações de 2008 e antes de chegar ao lugar chamado Jin ji (Galo Dourado), onde está a sepultura da Deusa da Seda Can Shen Lei Zu e o Palácio de Lei Xuan, passamos pela aldeia chamada Lei Zu (Lei Zu cun).

Aí, à chegada, o Senhor Wang Shao Mo, que toma conta do mausoléu desde 2001, atento, junta-se a nós e refere terem todos os habitantes da aldeia, onde também mora, apelido Wang, o mesmo nome da família de Lei Zu.

Enquanto fala vai indicando o caminho para o mausoléu e ainda no sopé do monte chama a atenção para o bei (碑), uma estela em forma de torre feita a 29 de Outubro de 1995 onde se pode apreciar o escrito durante a Dinastia Tang (618-907) por Zhao Rui (赵蕤, c.659-742). Reproduzia a estela feita no segundo mês de 734, no 21.º ano da Era Kaiyuan (713-741), onde o letrado explicava “encontrar-se em Yanting para descansar do estudo teórico, numa casa mandada fazer pelo Imperador, quando os locais o convidaram a escrever a estela feita para celebrar a reparação do Lei Xuan Gong (嫘轩宫) na montanha Qing Long. Ao pedido insistente, onde “por três vezes me bateram à porta, acedi a escrever o prefácio”.

Começa por se referir ao porquê das iniciais recusas, já que, para os seres a quem era dirigida a missiva com eles convivia diariamente. “Vivia eu agora liberto do mundo material e passando os dias com a virtude da música, tocando qin [conhecido por guqin, é hoje um instrumento de sete cordas, apesar de ter apenas cinco quando foi inventado por Fu Xi], ou acompanhado pelo som do crane [ave pernalta mitológica que vive mil anos] a dormitar nas margens dos ribeiros com os dias a escoarem-se no prazer de uma vida ligada à Natureza. Na montanha de Qing Long terminaram de reparar o Palácio-Templo de Lei Xuan e pediram-me para escrever um prefácio.”

Zhao Rui (赵蕤) nascera em Yanting, Sichuan, aproximadamente no ano de 659 e durante a sua juventude estudou tudo o relacionado com a governação. Um dos seus antepassados, Zhao Bin (赵宾), que vivera no período da dinastia Han do Oeste, foi famoso como especialista do Yi Jing, Livro das Mutações ao qual ele também se dedicou.

Em 716 terminou de escrever o Chang Duan Jing (长短经, conhecido também por Fan Jing, 反经) com nove capítulos (juan) e 64 artigos (pian), onde discorreu sobre os escritos de Rujia (儒家, escritos confucionistas), Fajia (法家, Escola do Legalismo), Bingjia (兵家, assuntos militares), Zajia (杂家, miscelâneas), Yinyangjia (阴阳家, escritos dauistas), com interesse para a Escola da Diplomacia (纵横家, Zonghengjia). Daí ser chamado várias vezes por o sétimo Imperador Tang Xuanzong (712-755) para trabalhar na corte, escusando-se com o argumento de lhe interessar mais viver em contacto com a Natureza e dela adquirir os ensinamentos. Li Bai (701-762) com 18 anos foi estudar durante um ano com Zhao Rui.

Na parte de cima da estela, os desenhos em baixo-relevo mostram o Palácio (templo) Lei Xuan Gong (嫘轩宫) a partir do descrito por Zhao Rui.

Mas a estela escrita por Zhao Rui foi destruída em Maio de 1947 por uma tempestade e encontramos agora uma nova similar, ladeada por duas pedras gravadas, uma partida e deitada por terra e a outra, ainda de pé, erguidas em 1995. Assinalavam a estela existente da Dinastia Tang e que acompanhou uma anterior ali existente e referida por Zhao Rui, mas que, sem ninguém notar, desapareceu.

Se nos caracteres gravados da pedra tombada pode ler-se: “As pessoas continuaram com o trabalho de Lei Zu e esperam fazer ainda melhor”, na pedra em pé está um outro poema: “Lei Zu aqui nasceu e aqui resta / o galo dourado voou para o Céu”.
Nos quinhentos e oito caracteres Zhao Rui ainda refere: “a sábia Wang Feng, esposa de Huang Di, era Yuan Fei Lei Zu nascida nesta montanha e falecida quando viajava pelo Sul do país.

Em anterior desejo expresso, tinha pedido para ser sepultada no cume da Montanha Qing Long, onde encontramos o mausoléu e uma estela colocada desde então e que continua aqui a existir. Durante a sua vida, foi a primeira pessoa a ensinar a plantar amoreiras, a domesticar o bicho-da-seda, a criar o fio e com ele tecer.

Foi uma inspiradora e conselheira para Huang Di, que daí ordenou aos súbditos para plantarem amoreiras, fazerem roupas de seda, casarem-se e respeitarem os idosos. Ajudou Huang Di a estabelecer um sistema para criar um país, ordenando o território e as suas gentes, unificando assim Zhong Yuan (中原), [assim conhecida antigamente a China e significa a parte central do País do Meio (中国, Zhong Guo), nome dado por os chineses ao seu país]. Tal glorioso trabalho levou as pessoas a lembrarem-se dela para sempre. Por isso lhe chamam Xian Can, Iniciadora da Produção de Seda.”

PALÁCIO LEI XUAN

Continuando no texto de Zhao Rui: “Na parte traseira da Montanha Qing Long conseguem-se ver todas as montanhas em redor e neste local as pessoas prosperam já que os negócios, sobretudo os da seda, lhes correm bem. À noite, quando a Lua reflecte sobre Lei Xuan Gong, o lugar é muito bonito.

O templo construído em cinco patamares tem cento e vinte e seis estátuas no interior do primeiro pavilhão, Xian Can Tan. Entre elas, as mais importantes são as de Wang Mu (Rainha-Mãe do Oeste, esposa do Imperador de Jade), Xuan Yuan (Huang Di, que significa Imperador Amarelo e viveu entre 2550 e 2450 a.n.E.), Lei Zu, Fu Xi (2852-2738 a.n.E., o primeiro Ancestral da Civilização Chinesa e inventor dos trigramas, que permitiram criar o Livro das Mutações), Shen Nong (conhecido por Yan Di, que impulsionou a agricultura e viveu em 2750 a.n.E.) e Feng Hou (o principal ajudante de Huang Di).

No segundo pavilhão, denominado Lei Zu Dian, encontram-se apenas três estátuas: a de Lei Zu, Ma Tou Niang Wan Yu (马头娘菀窳) e Yu Shi Gong Zhu (寓氏公主), cujo livro Hou Han Shu refere serem antigamente estas duas últimas chamadas Can Shen, Deusas do Bicho da Seda.

Lateralmente ao Palácio-templo, corredores com divisórias, um para o amoreiral, outro onde se produz o bicho-da-seda, assim como para as estufas, onde pela acção do calor se pára o ciclo da Bombix mori quando esta já vive dentro dos casulos. Há ainda outras divisórias dedicadas à produção de fio, à tecelagem e à fabricação de roupas.

Pela História, este templo foi construído por Can Cong e ampliado mais tarde pelo Rei Wen [pai do Rei Wu, o fundador em 1046 a.n.E. da Dinastia Zhou, que usando os oito trigramas inventados por Fu Xi os montou no Zhou Yi, o Livro das Mutações da Dinastia Zhou], denotando ter um longo passado. Nesses tempos, o Imperador mandou as pessoas plantarem a terra, produzir o bicho-da-seda e assim, na Primavera ao lançar as sementes à terra tinha-se comida; no Verão, por se produzir o bicho-da-seda houve roupas e depois de comida e roupa veio a música, pois com abundância podia-se ter já uma vida abastada. Por isso, nessa altura o país era muito forte.

Devido a tal, cada ano entre o oitavo dia do primeiro mês e o décimo dia do segundo mês lunar, o Imperador e os seus súbditos celebram Xian Can. O oitavo dia do primeiro mês lunar é o aniversário do bicho-da-seda e o décimo dia do segundo mês lunar é o aniversário de Lei Zu. Tais celebrações são tão grandes que se comparam às celebrações do Aniversário dos Imperadores.

No topo da Montanha de Qing Long consegue-se ver muito longe. Ao pôr-do-sol a montanha parece a morada dos Celestiais Seres. Tanto faz olhar de cima, como a partir de baixo, é como estar a montanha protegida pelo tigre e segura pelo dragão. Um pequeno som ecoa forte como o rugido do leão e o da trovoada e é como o cantar de nove Dragões e dos oito Seres Celestes. Com tão magnífico lugar é de acreditar que Lei Zu aqui nasceu.

Escrevo isto para relembrar às pessoas continuarem o trabalho de Lei Zu, esperando que façam ainda melhor e pôr este trabalho como a luz do Sol e da Lua e com uma longa vida como a do Céu e da Terra.”
De referir ser este texto escrito no bei por Zhao Rui o segundo a fazer referência à vida de Lei Zu, depois de Shi Ji de Sima Qian (145-87 a.n.E.).

Analisando pela História o contado por Zhao Rui, este templo foi construído pelo fundador dos Antigos Shu, Can Cong, que viveu em 2800 a.n.E., no mesmo período de Lei Zu e Huang Di. Foi ampliado em c.700 a.n.E. por Wang Di, Rei dos Antigos Shu e o último do clã Duyu, que finalizou a Cultura Shierqiao pertencente ao Período de Sanxingdui, quando decorria a transição do Período Primavera-Outono para o Período dos Reinos Combatentes, denotando ter um longo passado.

O Lei Xuan Gong (嫘轩宫), em honra de Lei Zu, durante o período da Revolução Cultural foi destruído e passou a ser uma escola. Só anos mais tarde os habitantes da aldeia realizaram o quão importante era o templo e por isso, o reconstruíram. Mas perdido estava o recheio e o que hoje aí se encontra, é algo cujo interesse não é material, despido de todo um legado histórico.

Restauração | Hoje encerra “A Vencedora”, um património de Macau

O restaurante centenário “A Vencedora” encerra hoje as portas, fechando um capítulo emocional do imaginário de Macau. Os últimos dias foram, como é hábito, atarefados com filas de clientes a esperar à porta. Sem sucessão à vista e exausto, Lam Kok Veng ainda não sabe como vai gozar a reforma. Só sabe que vai ficar em Macau

 

“A Vencedora” encerra hoje, culminando uma história de mais de 105 anos. Na derradeira semana de actividade, o panorama geral foi de filas à porta aguardando por mesa. No interior do restaurante, o reboliço é um dos pratos do dia. Como é habitual, Lam Kok Veng, um dos irmãos que forma a dupla de proprietários e gerentes do restaurante no centro da Rua do Campo, recebe os clientes ao lado da esposa, de bloco de notas na mão.

Desta vez, não tão assertivo como costume, Lam denota uma grande emoção quando vê caras conhecidas a entrarem no espaço. Face à tirada “então, amanhã é o último dia”, faltam-lhe as palavras e o nó na garganta atrapalha a comunicação. Ao HM, reafirma, de olhos marejados, a amargura atenuada pela correria do trabalho. “Estou muito velho e cansado. Fico aqui 14 horas por dia, já chega… é um minchi? Quer um copo de vinho?”, pergunta, mudando de frequência.

Como habitual nas muitas décadas de serviço, a refeição é servida prontamente, com um sorriso. Mas os últimos dias têm sido especiais. À medida que os clientes pagam a conta e se preparam para sair, multiplicam-se as despedidas fraternas, abraços, fotografias, confissões e desabafos bem-dispostos, assim como um indefinível sentido de nostalgia antecipada.

Face à grande incógnita sobre o que lhe reserva o futuro, Lam Kok Veng admite ao HM ainda não ter chegado à fase de concretamente virar a página. “O que vou fazer? Não sei, não consigo pensar. Primeiro vou descansar, agora nem tenho tempo para pensar. Depois logo vejo. Mas vou ficar em Macau, estou muito bem aqui”, diz com um sorriso.

Como já havia referido ao HM em 2018, ano da celebração do centenário de “A Vencedora”, a falta de sucessão é motivo para o encerramento definitivo. “O meu filho está em Inglaterra, a minha filha em Macau, mas ela não gosta disto [o negócio da restauração]. Acha muito complicado”. Quanto aos sobrinhos, “felizmente têm bons empregos”, acrescentou Lam Kok Veng à Lusa. “Estamos cá eu, o meu irmão, a minha mulher e uma irmã. Já temos todos mais de 60 anos. São muitos anos, estou velho”, sublinhou Lam, com um suspiro.

Tudo em família

Ao longo de três gerações, a família Lam geriu “A Vencedora”. A história do mítico espaço da Rua do Campo começou no mar, a bordo do navio da Marinha Portuguesa “A Vencedora”, onde Lam Kuan, avô dos actuais proprietários”, ocupava o cargo de cozinheiro.

O serviço militar foi o prelúdio para rechear as mesas do restaurante. No início de “A Vencedora”, além de refeições, os clientes podiam comprar vinhos, azeite, enchidos e outras iguarias portuguesas. O espaço tornou-se popular entre a comunidade portuguesa, nomeadamente entre os militares em comissão de serviço em Macau. Na década de 1940, por exemplo, chegou a haver cerca de 800 soldados portugueses nos quartéis do território.

Muitos deixaram contas por pagar, disse Lam Kok Veng, com um sorriso, antes de abrir uma gaveta do balcão e tirar uma caixa de madeira cheia de papéis amarelados, os chamados vales de refeição, que os militares pagavam no fim do mês.

Nem de propósito, a vitrina de “A Vencedora” inclui, entre muitas peças de cerâmicas e souvenirs ligados a Portugal, como um Zé Povinho que responde com o característico manguito a quem queira fiado.

Tem bacalhau com grão

A ementa, que não muda há mais de 20 anos, faz parte da herança da família, com pratos cuja confecção nunca foi anotada, mas herdada do fundador do restaurante para o filho e mais tarde para os netos.

Com a excepção do descanso semanal, à terça-feira, o restaurante só fechou uma vez, “por uma semana”, por causa dos motins “1,2,3”, de 3 de Dezembro de 1966, contra a administração portuguesa, sublinhou Lam, que na altura era um adolescente.

Agora com 71 anos, toda a vida se lembra de estar em “A Vencedora”, onde começou por lavar pratos e servir às mesas. Mas foi só depois de acabar o ensino secundário, em 1974, que passou a trabalhar ao lado do avô e do pai.

As conversações para a transição de Macau para a China começaram em 1986, mas os últimos anos da administração portuguesa foram os tempos áureos de “A Vencedora”. “A casa estava sempre cheia e muitas vezes tínhamos de recusar reservas”, recordou Lam. Desses tempos ficaram muitos clientes regulares, incluindo antigos soldados e funcionários públicos, assim como macaenses, uma comunidade euro-asiática, com muitos lusodescendentes.

A história do segundo restaurante mais antigo de Macau – só atrás do Fat Siu Lai, criado em 1903 – chega agora ao fim. Sem tempo, nem disponibilidade emocional para dizer o que lhe vai na alma, face à questão se está triste com o encerramento, Lam Kok Veng limita-se a dizer ao HM que “agora, não consegue pensar em nada”.

Do lado de dentro do pequeno balcão, a sua esposa atira “obrigado” de lágrimas nos olhos e sorriso enternecedor, mesma na altura em que o irmão Lam Kok Lon entra de rompante no restaurante e afirma sorridente “meu grande amigo”, antes de servir um abraço fraternal. Este é, e sempre será, o prato principal d’“A Vencedora”. Com Lusa

Suicídio | Menos nove casos no terceiro trimestre

Entre Julho e Setembro registaram-se menos nove suicídios do que no segundo trimestre deste ano, de acordo com os dados revelados ontem pelos Serviços de Saúde. No passado trimestre, contabilizaram-se 15 casos de morte por suicídio, enquanto nos três meses anteriores tinham sido registados 24 suicídios.

“Segundo a análise dos dados, neste trimestre, as possíveis causas do suicídio são principalmente resultantes de doenças mentais e doenças crónicas ou fisiológicas”, justificaram os SS, em comunicado.

Em relação ao período entre Julho e Setembro, registaram-se as mortes de sete pessoas do sexo masculino e oito do feminino, com idades entre os 15 e os 86 anos. Entre estes, 13 eram residentes de Macau e dois eram não-residentes.

Desde o início do ano, em Macau, assinalaram-se 62 vítimas de suicídio, com 23 óbitos a ocorrerem no primeiro trimestre, 24 no segundo trimestre e 15 no trimestre mais recente.

Em comparação, no ano passado tinha havido 65 suicídios, entre Janeiro e Setembro. Entre estes, 28 vítimas foram registadas em Janeiro, durante uma das fases mais rigorosas das medidas de controlo zero da pandemia, 19 no segundo trimestre e 18 no terceiro trimestre. Quando a comparação é feita com base nos nove meses, regista-se uma redução de 4,6 por cento dos casos de suicídio, ou seja, houve menos três ocorrências.

Todos aqueles que estejam emocionalmente angustiados ou considerem que se encontram numa situação de desespero devem ligar para a Linha Aberta “Esperança de vida da Caritas” através do telefone n.º 28525222 de forma a obter serviços de aconselhamento emocional.

PJ | Inspector ilibado de suspeitas de abuso de poder e violação de segredo

O processo disciplinar contra um agente sob suspeita de ter cometido os crimes de abuso de poder e violação de segredo foi arquivado. A decisão foi tomada pelo director da Polícia Judiciária, depois do Ministério Público ter arquivado o processo criminal

 

O processo disciplinar que decorria contra um agente da Polícia Judiciária de apelido Ieong, foi arquivado, de acordo com a informação que consta na página electrónica do gabinete do secretário para a Segurança. O agente de 50 anos estava a ser investigado depois de a PJ ter detido outro agente, em Junho de 2019, por suspeitas de “envolvimento num caso relativo a um grupo criminoso dedicado à prática de usura, pertencente a uma associação secreta”.

As autoridades suspeitavam que Ieong tinha aproveitado “repetidamente das suas funções para consultar e revelar, sem autorização, informações policiais de natureza confidencial”.

Ieong foi detido a 1 de Março de 2021 e presente ao Ministério Público pelos crimes de abuso de poder e violação de segredo. Contudo, em Junho deste ano, quase dois anos após o início do processo criminal, o Ministério Público considerou que não haver indícios para produzir a acusação, pelo que arquivou o caso.

Como consequência da decisão do MP, também a polícia arquivou o processo disciplinar, por entender que “não foram encontras provas” de que o agente “tenha praticado os actos ilícitos”.

Sortes diferentes

Apesar do agente Ieong ter sido considerado inocente, o mesmo não aconteceu com o outro agente, de apelido Chan, que espoletou toda a investigação.

O homem, com 36 anos, foi demitido da PJ, em Maio do ano passado, através de um despacho do secretário para a Segurança, depois de ter sido considerado que “aproveitou as suas funções para efectuar consultas sem autorização e divulgar informações policiais a terceiros, com o objectivo de obter benefícios ilegítimos para si e para terceiros”.

Antes disso, a Julho de 2020, o agente tinha sido condenado pelo Tribunal Judicial de Base com uma pena de prisão efectiva de 2 anos e 3 meses, pela prática dos crimes de violação de segredo e abuso de poder. A sentença transitou em julgado em Janeiro do ano passado, depois do Tribunal de Segunda Instância te recusado o recurso do agente condenado.

Lam Lon Wai defende uso eficaz do Metro Ligeiro em grandes eventos

O deputado Lam Lon Wai defende que o Governo deve promover uma maior integração do Metro Ligeiro com os autocarros públicos, principalmente nos dias de grandes eventos turísticos, como o Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau. A opinião foi defendida numa interpelação de 3 de Novembro, divulgada ontem pelo gabinete do legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau.

Segundo Lam, o concurso foi um grande sucesso e atraiu multidões tanto para zona dos Lagos de Nam Van, como na Marginal da Taipa, junto aos Jardins do Oceano.

Todavia, para quem tentou apanhar autocarros, depois de assistir ao espectáculo, a situação foi caótica. “Quem tiver lido os jornais do dia seguinte, percebe que os autocarros estavam excessivamente cheios, principalmente depois do fogo-de-artifício. A situação foi pior na paragem de autocarro junto aos Jardins do Oceano, onde mais de mil pessoas tiveram de se empurrar para entrar nos autocarros, que seguiam na direcção da Península”, escreve o deputado. “Apesar da polícia ter sido enviada ao local, para manter a ordem, foi muito difícil controlar a situação. As redes sociais também nos mostraram que muita gente optou por sair do local para apanhar transportes”, é acrescentado.

Planos de integração

Face a este cenário, Lam Lon Wai quer saber se as autoridades planeiam “fazer uma melhor utilização do sistema de Metro Ligeiro”, principalmente quando há “eventos de grande escala”, e promover mais o transporte junto dos turistas ou criar melhores ligações com os autocarros.

Por outro lado, o deputado pergunta se existem planos para lançar meios de pagamento combinados, que permitam viajar no Metro Ligeiro e nos autocarros públicos.

Lam Lon Wai lembra que no ano passado o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, admitiu que vários procedimentos e a existência de diferentes concessionárias tornavam difícil a integração dos sistemas de pagamento. Porém, indica que a abertura integral do centro modal da Barra, que deve acontecer ainda este ano, é a oportunidade ideal para lançar um sistema integrado de pagamentos.

Creches | Ho Ion Sang quer novas regras após morte de bebé

O deputado e membro da associação que detém a creche onde aconteceu o polémico incidente apela ao Governo para ponderar a instalação obrigatória de videovigilância nas creches

 

Ho Ion Sang defende que o Governo deve ponderar instalar câmaras de videovigilância nas creches e rever a legislação para o funcionamento destes serviços. Foi desta forma que o deputado, vice-presidente da União Geral das Associações dos Moradores, reagiu à morte de uma criança de quatro meses na Creche Fong Chong, gerida pela associação que integra.

Segundo o deputado, as “Normas Reguladoras da Instalação e Funcionamento de Creches” estão em vigor há mais de 20 anos, e embora tenham sido parcialmente revistas, têm falhas, estão desactualizadas e precisam de ser “adaptadas” às práticas mais modernas. “Será que as autoridades relevantes vão estudar uma revisão abrangente e alterar as leis para aumentar ainda mais a qualidade dos serviços de creche?”, pergunta.

Por outro lado, o deputado aponta que deve ser estudada a criação de uma lei para instalar equipamento de videovigilância para controlar as actividades das creches. “Actualmente, apenas algumas creches pediram ao Gabinete de Protecção de Dados Pessoais para instalar videovigilância, mas por motivos de segurança das suas instalações. Será que as autoridades vão estudar como fazer um equilíbrio entre a segurança das crianças e a privacidade?”, questiona. “O estudo deve indicar muito bem como instalar os equipamentos, regular rigorosamente a compra, processamento e divulgação das imagens, sons, e condições de acesso às mesmas”, foi acrescentado.

O pedido de instalação de sistemas de videovigilância para controlar as crianças e o pessoal que trabalha em creches, tem sido uma constante de várias associações tradicionais, depois do incidente ocorrido na Creche Fong Chong.

Soluções de longo prazo

No texto da interpelação escrita partilhada ontem, Ho Ion Sang considera ainda que o encerramento da creche onde morreu a bebé de quatro meses “não é uma solução permanente”. O legislador pede assim ao Governo que apoie as famílias afectadas pelo encerramento: “A população está muito preocupada com o caso e com a forma como fornecer apoio em todos os aspectos às famílias afectadas”, indicou.

Por outro lado, apelou para que na sequência do caso o Governo reveja o número de trabalhadores por criança nas creches, e maior rigor na formação dos profissionais do sector.

A Creche Fong Chong da Taipa anunciou que vai fechar portas no final do ano. A instituição subordinada à Associação dos Moradores, uma das principais forças políticas do território, tem como directora Tang Iao Kio e foi estabelecida em Fevereiro de 1962. Disponibiliza o serviço para crianças dos três meses aos três anos.

A morte da bebé de quatro meses está a ser investigada pelas autoridades, mas, apesar de ter ocorrido a 19 de Outubro e estar sob a alçada da Polícia Judiciária, ainda não se conhecem conclusões sobre o incidente.

Creches | GPDP admite câmaras de vigilância

O coordenador do Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais (GPDP), Yang Chongwei, admite que é necessário voltar a avaliar a instalação de sistemas de vigilância dentro de creches. As declarações foram proferidas depois de ter recebido o presidente do Instituto de Acção Social, Hon Wai, de acordo com o jornal Ou Mun.

Segundo o relato apresentado, os dirigentes reconheceram que actualmente existe uma grande vontade na sociedade de instalar câmaras de vigilância nas creches, por ser considerada a melhor forma de proteger as crianças. Face a este desenvolvimento, o GPDP admite a instalação dos equipamentos, mas promete encontrar um equilíbrio, para proteger a privacidade dos menores.

Previdência Central | Defendido pagamento de subsídio com retroactivos

O anúncio do regresso do subsídio de sete mil patacas nas contas de previdência no Orçamento do próximo ano é uma notícia bem-recebida pelo deputado Pereira Coutinho e outros dirigentes associativos. No entanto, tanto Coutinho como Jorge Fão, da APOMAC, exigem o pagamento de retroactivos relativos aos anos de pandemia

 

A pandemia trouxe défice às contas públicas do território e durante o período da covid-19 os idosos deixaram de receber as sete mil patacas anuais nas suas contas individuais do sistema de previdência central do Fundo de Segurança Social (FSS), ao abrigo do regime de repartição extraordinária de saldos orçamentais. É de salientar que a atribuição do apoio social é retomada ainda num orçamento marcado pela contenção de custos.

Há muito que diversas vozes exigiam o regresso deste apoio, considerado fundamental a quem, com mais de 65 anos, sente dificuldades económicas, e finalmente foi anunciado no hemiciclo, esta semana, que o Orçamento de 2024 contemplará o pagamento deste montante, o que implica uma despesa total de 3,1 mil milhões de patacas.

Contactado pelo HM, Jorge Fão, dirigente da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Reformados de Macau (APOMAC), mostrou-se contente com a medida, mas exige o pagamento dos retroactivos que não foram transferidos para as contas dos beneficiários durante a pandemia.

“Para nós, trata-se de uma grande notícia e temos de dar os parabéns ao Governo, porque é reposto finalmente o que já deveria ter sido pago. Não é uma dádiva, mas sim uma dívida que o Governo tem para connosco. E para ser justo deveriam ser pagos retroactivos. O Governo tem tido um saldo positivo [nas contas públicas] e para o ano vai ser ainda mais positivo. Portanto, não basta falar e ter muita retórica em relação aos apoios dados aos idosos. É preciso acção.”

Jorge Fão salienta que “todos tivemos dificuldades” nos anos de pandemia e que as sete mil patacas fizeram falta.

Semelhante posição tem o deputado José Pereira Coutinho, também presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). “Trata-se de uma medida por nós reivindicada há mais de três anos, desde a pandemia. O Governo veio, finalmente, dar-nos razão ao conceder as sete mil patacas anuais aos idosos que pertencem a uma camada da sociedade que mais tem sofrido, não apenas com as rígidas restrições da pandemia, mas também com a subida vertiginosa dos preços dos principais bens essenciais”, confessou ao HM.

Para Coutinho, deveriam ser pagos retroactivos relativamente aos anos de pandemia “por uma questão de reconhecimento pelo contributo que estes idosos deram para a economia de Macau e pelos sacrifícios que suportaram enquanto antigos operários fabris”.

O deputado recorda que grande parte dos beneficiários do subsídio são antigos trabalhadores do sector industrial das décadas de 70 e 80, quando Macau tinha um importante sector fabril que era um grande empregador.

“Não nos podemos esquecer que muitos destes idosos que têm hoje 65 anos trabalharam as fábricas de vestuário e de malhas, cujos produtos eram exportados para os principais mercados da Europa e dos EUA. Muitos destes idosos trabalharam também em fábricas de brinquedos, flores artificiais, sapatos e malas, sem esquecer [a produção] de pivetes e panchões.”

Governo em boa posição

Paul Pun, secretário-geral da Caritas Macau, assume uma postura mais compreensiva e não defende o pagamento com retroactivos. “Não concordo que este montante deva ser pago com retroactivos. Já foi anunciado que [o valor] será pago novamente no próximo ano. Sinto que as pessoas esperavam receber os retroactivos deste montante, mas na realidade, nos últimos tempos, Macau não esteve numa boa situação económica. Foi, portanto, compreensível que o Governo tenha deixado de atribuir este apoio social. O regresso da injecção do dinheiro corresponde às expectativas da maior parte das pessoas e está dentro das actuais possibilidades do Governo.”

O responsável pela Caritas Macau, que lida de perto com pessoas em carência económica, muitas delas a necessitar da ajuda do Banco Alimentar da Caritas, descreve que “ter menos sete mil patacas por ano tornou mais difícil a vida diária de muitas pessoas, que esperavam voltar a receber o apoio o mais depressa possível”.

O anúncio do regresso do pagamento do subsídio de repartição extraordinária de saldos orçamentais “mostra que o Governo se preocupa com as pessoas com mais necessidades”, adiantou. “A medida vai ajudar a reduzir a pressão económica que sentem no dia-a-dia, tendo em conta as previsões positivas para a recuperação económica do território. O facto de o Governo poder agora suportar esta despesa é positivo, sabemos que desta vez [a atribuição de sete mil patacas] não vai prejudicar as contas públicas e irá ajudar bastante os residentes.”

Negas e mais negas

De frisar que no debate, que decorreu na terça-feira, a deputada Lo Choi In defendeu que o regresso do subsídio para as contas de previdência será “aplaudido pela população e irá provocar grande alegria”. No entanto, o Executivo não vai aumentar as pensões para os idosos, que se manterão nas 3.740 patacas.

Na Assembleia Legislativa foram várias as vozes que clamaram pelo regresso deste apoio. No ano passado, aquando da apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) para a área dos Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U afastou totalmente a possibilidade deste montante vir a ser pago, alegando que a Administração já disponibilizava uma série de apoios sociais.

“Fiz as contas e, com os subsídios recebidos desde 2020 até este ano, os idosos não receberam menos se compararmos com 2019. Este ano, receberam duas vezes o vale de saúde, um montante de oito mil patacas”, começou por dizer. “No caso de existirem desempregados jovens nas famílias, podendo ter algumas dificuldades económicas, temos o subsídio de desemprego, bem como os apoios do Instituto de Acção Social e o Banco Alimentar”, acrescentou.

Um dos deputados que, nesse debate, pediu o regresso das sete mil patacas nas contas individuais do Fundo de Previdência Central foi Zheng Anting. “O Governo disse que não vai injectar as sete mil patacas por não haver fundos suficientes, mas os idosos também estão a sofrer dificuldades económicas. Quantos são os idosos com dificuldades que não recebem este dinheiro?”, questionou.

Recorde-se que, em Abril deste ano, o próprio Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, clarificou que este pagamento só seria feito aos residentes num cenário de excedente orçamental de 300 milhões de patacas.

“Temos cerca de 400 mil beneficiários que não são apenas idosos, e essa comparticipação extraordinária implica cerca de 200 milhões de patacas [no orçamento]. No próximo ano, quando elaborarmos o nosso orçamento, veremos se conseguimos chegar a um equilíbrio orçamental, e aí poderemos ponderar. Sem um saldo de, pelo menos, 300 milhões, não poderemos avançar com essa contribuição.”

O governante afastou a possibilidade de se recorrer à Reserva Financeira para pagar estes subsídios. “Não vamos esgotar a nossa Reserva Financeira. Precisamos da premissa de ter um saldo orçamental que nos permita avançar com essa verba. Somando todos os apoios, os idosos podem receber cerca de cinco mil patacas por mês. Caso seja necessário, existem outros programas de apoio”, disse.

Recorde-se que, nos tempos de pandemia, as autoridades recorreram por diversas vezes à Reserva Financeira para equilibrar as contas públicas, tendo em conta a quebra dos impostos sobre as receitas do jogo devido à pandemia.

G7 | EUA reafirmam que Israel não deve reocupar Faixa de Gaza

O secretário de Estado norte-americano declarou ontem que Israel não deveria reocupar a Faixa de Gaza no final do conflito em curso com o Hamas, após uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros do G7 em Tóquio.

“A única forma de alcançar uma paz sustentável será através do não deslocamento de palestinianos em Gaza, da não reocupação da Faixa [de Gaza] e da não realização do bloqueio ou da redução do território”, disse Antony Blinken numa conferência de imprensa.

Os Estados Unidos já tinham manifestado a sua oposição a uma possível reocupação do território palestiniano na terça-feira, depois de o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ter declarado no dia anterior que o seu país assumiria “a responsabilidade geral pela segurança” de Gaza “por um período indefinido”.

“Fomos muito claros desde o primeiro dia: Gaza não pode ser governada pelo Hamas, Israel não pode ocupar Gaza e não pode haver deslocamento de palestinianos”, afirmou Blinken, acrescentando que encontrou uma “grande unidade” entre o G7.

De acordo com o secretário de Estado norte-americano, será necessário também “colocar as vozes e aspirações do povo palestiniano no centro da governação em Gaza” depois da guerra e tornar este território “unificado” com a Cisjordânia sob o controlo da Autoridade Palestiniana.

Deve ainda ser criado, segundo Blinken, um “mecanismo sustentável para a reconstrução de Gaza” e será necessário encontrar “uma forma de permitir que israelitas e palestinianos vivam lado a lado nos seus próprios espaços, nas mesmas condições de segurança, liberdade, oportunidades e dignidade”.

Blinken destacou o papel do Japão – país que ocupa actualmente a presidência e é o anfitrião da reunião de dois dias do grupo, que terminou ontem -, nomeadamente pelos seus esforços no alívio das tensões no Médio Oriente e na ajuda humanitária a Gaza.

Espectáculo “House of Dancing Waters” volta em 2024

A Melco Resorts & Entertainment vai voltar a acolher o espectáculo residente “House of Dancing Waters” a partir do último trimestre de 2024. Segundo o portal Macau News Agency (MNA), a notícia foi avançada ontem à margem da conferência de imprensa de apresentação dos resultados financeiros da operadora de jogo.

David Sisk, director de operações dos resorts de Macau da Melco, disse que já arrancaram campanhas publicitárias em Hong Kong e na China sobre o evento a fim de atrair os turistas para um espectáculo que, durante anos, atraiu muitos visitantes até ser suspenso em 2020 devido à covid, levando a que 137 trabalhadores não residentes tenham perdido o emprego.

“Estamos agora a remontar o espectáculo e temos estado a trabalhar muito no teatro que irá acolher o ‘House of Dancing Waters’ para o preparar. Começámos agora a fazer os nossos primeiros espectáculos lá”, disse David Sisk.

O responsável adiantou que, neste momento, decorre uma produção nesse teatro, com alguns espectáculos musicais a acontecer semanalmente. “Em meados de Novembro, voltaremos a sair de lá e a remontar o ‘House of Dancing Waters'”.

Mais gastos

Os dirigentes da Melco anunciaram o regresso do espectáculo no momento em que foram questionados sobre as despesas operacionais da empresa, que atingiram cerca de 2,5 milhões de dólares por dia no último trimestre face aos 2,4 milhões registados no segundo trimestre deste ano.

Geoffrey Davis, vice-presidente executivo e director financeiro da Melco, garantiu que a previsão é de que “no quarto trimestre esse número se aproxime dos 2,6 milhões de dólares”. “Quando pensamos em como isso pode mudar no próximo ano, a única coisa que posso destacar é a reabertura do espectáculo The House of Dancing Water”, acrescentou. “Isso acrescentaria cerca de 0,1 por dia [aos gastos operacionais] quando isso acontecer”, rematou.

Joaquim Magalhães de Castro, autor de “Portugueses no Extremo Oriente”: “A investigação é sempre um trabalho inacabado”

Eterno viajante e investigador por conta própria da presença portuguesa nos países e regiões do Sudeste Asiático, Joaquim Magalhães de Castro acaba de lançar um novo livro, resultado de crónicas e textos dispersos. “Portugueses no Extremo Oriente – Antes e Depois de Fernão de Magalhães” revela os sinais da presença portuguesa no século XVI nas Filipinas, norte da ilha de Java e no actual Brunei no contexto da viagem de Circum-Navegação do navegador Fernão de Magalhães

 

Como foi o percurso traçado até à edição desta obra?

Este livro deveria ter saído em 2021, porque foi nesse ano que se celebraram os 500 anos da [rota de] Circum-Navegação [de Fernão de Magalhães], mas a covid ofuscou todo este processo. Iria participar num projecto que implicava integrar a viagem da Circum-Navegação feita pelo navio [português] Sagres, mas a operação foi abortada. Só agora consegui editar o livro, daí o título ter a parte “Antes e Depois de Fernão de Magalhães”. Isso tem também a ver com o facto de a obra revelar aspectos menos conhecidos da presença portuguesa no Extremo Oriente e o Sudeste Asiático, em zonas como as Filipinas, o Mar de Java e o Bornéu [actual Brunei].

A obra divide-se, precisamente, em três partes.

Sim. Primeiramente falo da presença portuguesa nas Filipinas. Fernão de Magalhães deu inicialmente ao território o nome de Ilhas de São Lázaro, tendo este sido adoptado oficialmente pelos portugueses até existir a denominação Filipinas, em honra de Filipe de Espanha. A segunda parte do livro aborda o Bornéu, que logo depois da conquista de Malaca [1511] passou a ser frequentado pelos portugueses, que o utilizavam com frequência, sempre com boas relações com o sultão local. Isso explica que Fernão de Magalhães tenha sido recebido depois de forma amistosa por ele. Na terceira parte do livro continuo, no fundo, o trabalho que comecei no meu primeiro livro, “Mar das Especiarias”, sobre a presença portuguesa na ilha de Java, na Indonésia. Desta vez concentro-me no norte da ilha e no que restou dos contactos com os portugueses, algo que está pouco estudado. Naqueles portos da costa norte fazia-se comércio, pois não havia portos no sul de Java. Todo o livro reúne, essencialmente, crónicas de viagens.

Em que período as realizou?

Tenho viajado nos últimos anos. Trata-se de [uma compilação] de crónicas que fui publicando n’O Clarim.

Começando pelas Filipinas, o livro aborda a figura de Bartolomeu Landeiro, que esteve em Macau a investir na obra dos jesuítas. Fale-me mais sobre esta personalidade.

Era de origem judaica e digamos que foi um elo fundamental na posterior relação entre Macau, China, Japão e Filipinas. Os espanhóis tentaram, sem sucesso, entrar na China, e só conseguiram fazê-lo através de Macau. Bartolomeu Landeiro desempenhou um papel importante nessa ligação entre Manila, Macau, China e Japão, mas sobretudo entre Manila e Macau. Foi o personagem mais importante como comerciante e diplomata, jogava um pouco em ambos os mundos, era alguém muito astuto. Contribuiu bastante para essa relação que ainda hoje é visível em muitos aspectos. Esses pormenores da influência portuguesa nas Filipinas via Macau são muito pouco conhecidos. Aliás, [a influência] é patente na toponímia, mas também nos apelidos de filipinos, que sabem dessa origem portuguesa. Isso vai de encontro à primeira parte do livro, que mostra que os portugueses já andavam por aquela região antes de Fernão de Magalhães lá ter chegado.

Malaca foi um importante ponto de partida para esta presença comercial?

A partir do estabelecimento de Malaca os portugueses começaram a estabelecer acordos com a Indonésia e outros lugares e passaram a ser respeitados, até pelo temor que as pessoas lhes tinham desde a posse de Malaca. Houve depois um interregno de vários anos em que os espanhóis não voltaram às Filipinas, até que houve uma expedição [liderada por] Miguel Logaspi, que ficou em Cebu, tendo os portugueses questionado [essa presença]. Porque é que os portugueses não ficaram nas Filipinas? Porque não havia especiarias, como o cravo e noz-moscada, que existiam na zona nas ilhas Molucas. Mas há provas [da presença portuguesa nas Filipinas], com acordos e pactos de sangue. Houve uma série de viagens feitas pelos portugueses que antecederam a presença definitiva dos espanhóis no país.

A presença da pimenta em Java é então o grande factor explicativo para a presença dos portugueses nessa zona da Indonésia. Quanto tempo durou essa presença?

Sim. Cerca de 150 anos até à chegada dos holandeses, que nos afastaram de lá. Macau foi de facto o único sítio em que não conseguiram afastar os portugueses. Java não era uma colónia nossa, mas o Sri Lanka [antigo Ceilão] poderia considerar-se praticamente uma colónia portuguesa. Sempre fizemos comércio em Java, juntámo-nos aos hindus para combater os muçulmanos e fizemos acordos consoante os interesses, mas nunca estabelecemos uma colónia. Ficámos lá a partir de 1513 e durante cerca de 150 anos.

A capa do livro faz referência a uma comunidade de lusodescendentes que são os Bayingyi, no Myanmar. É também um grupo étnico muito pouco conhecido.

Sim. Tenho falado bastante sobre essa comunidade, mas ela continua a ser pouco conhecida. Digamos que [o seu maior reconhecimento] tem sido uma das minhas bandeiras. Essa comunidade foi-se formando a partir de portugueses forasteiros que andavam por ali à revelia da Coroa portuguesa. Tinham objectivos comerciais, eram pessoas com os seus negócios, mas estavam fora do controlo da Coroa. Vendiam os serviços aos reinos locais, houve miscigenação.

Porque é que esta é a sua bandeira?

Porque foi aí que começou o meu trabalho de investigação sobre alguns aspectos portugueses da expansão. Tudo começou com uma conversa com Luís Sá Cunha [académico e residente em Macau] que me falou dessa comunidade. Visitei-a nos anos 90 e comecei a escrever sobre ela, a fotografar e a fazer documentários. O meu primeiro livro, de fotografia, foi sobre esta comunidade também.

Editar esta obra chama a atenção para estes portugueses perdidos a Oriente?

O meu foco é sempre o mesmo: dar a conhecer aspectos que não são conhecidos do grande público e que talvez só o sejam junto da academia. Tento mostrar sempre [as informações] com base num conhecimento feito no terreno. Actualmente vivo na Indonésia, na zona de Java, a minha esposa é, precisamente, de uma zona que foi um entreposto de comércio de portugueses, por volta de 1525.

Há ainda muito a explorar no seio destas comunidades?

Há ainda muito por investigar, é sempre um trabalho inacabado. As ilhas Molucas [na Indonésia], por exemplo, é uma zona muito rica em presença portuguesa. Penso visitá-las um dia destes.

Xi pede que internet beneficie melhor pessoas de todos os países

O Presidente chinês, Xi Jinping, pediu esta quarta-feira que a internet beneficie melhor as pessoas de todos os países ao discursar na cerimónia de abertura da Cimeira Wuzhen da Conferência Mundial da Internet 2023 (WIC) através de videoconferência. Xi afirmou que a visão de construir conjuntamente uma comunidade com um futuro compartilhado no ciberespaço, que propôs na segunda WIC em 2015, tem obtido amplo reconhecimento internacional e respostas positivas.

A visão responde às questões de nossos tempos relacionadas à solução do déficit de desenvolvimento, ao enfrentamento dos desafios de segurança e ao fortalecimento do aprendizado mútuo entre as civilizações, explicou, citado pelo Diário do Povo. O Presidente chinês enfatizou que a comunidade internacional precisa de aprofundar os intercâmbios e a cooperação prática para promover conjuntamente a construção de uma comunidade com um futuro compartilhado no ciberespaço para uma nova etapa.

O líder chinês pediu também que se priorize o desenvolvimento para que os frutos do desenvolvimento da internet beneficiem mais países e pessoas. Xi enfatizou a necessidade de melhorar o acesso público a serviços baseados em informação, superar a barreira digital e melhorar a subsistência das pessoas com o desenvolvimento da internet.

Pedindo a construção de um ciberespaço mais pacífico e seguro, sublinhou a necessidade de se respeitar a soberania cibernética, a forma de governação da internet e a necessidade de cada país para se opor à busca de hegemonia, ao confronto de blocos e à corrida armamentista no ciberespaço.

Ética e segurança

Xi ressaltou ainda a necessidade de se reprimir os crimes cibernéticos, fortalecer a segurança de dados e a protecção de informações pessoais e responder adequadamente aos riscos e desafios trazidos pelo desenvolvimento científico e tecnológico às regras, à sociedade e à ética.

A China está disposta a trabalhar com todas as partes para implementar a Iniciativa Global de Governança da Inteligência Artificial e promover o desenvolvimento seguro da IA, garantiu. O Presidente chinês pediu ainda a construção de um ciberespaço mais igualitário e inclusivo, destacando que é preciso promover melhor os valores compartilhados da humanidade.

Xi sublinhou a importância de mais produtos culturais online de alta qualidade e esforços para mostrar plenamente as realizações excepcionais das civilizações humanas e promover activamente a preservação e o desenvolvimento da civilização.

Banco central | China vai atingir meta de crescimento de “cerca de 5%”

A China vai atingir a meta de crescimento económico oficial de “cerca de 5 por cento” este ano, enfatizou ontem o governador do Banco do Povo da China (banco central), Pan Gongsheng.

Pan afirmou que, com o “efeito continuado das políticas de ajustamento macroeconómico”, a dinâmica de crescimento “reforçou-se”, com a “recuperação estável da produção e do consumo”, uma “melhoria global do emprego e dos preços”, um “saldo base da balança de pagamentos” e uma “tendência positiva dos indicadores principais”.

As declarações do governador foram feitas durante um fórum económico realizado em Pequim, no qual sublinhou que a China “manteve uma posição de liderança entre as principais economias do mundo”.

O responsável afirmou ainda que a transformação económica da China “tem avançado de forma constante”, com um “rápido crescimento do investimento nas indústrias de alta tecnologia” e uma “contribuição do consumo para o crescimento económico de 83 por cento”, durante os três primeiros trimestres do ano, o que “cria condições para manter a estabilidade económica e dos preços”.

“A economia chinesa precisa de um ritmo razoável, mas o mais importante é alcançar um desenvolvimento sustentável e de alta qualidade, e mudar o tipo de crescimento económico é mais importante do que perseguir altas taxas de crescimento”, disse Pan.

A economia da China vai crescer 5,4 por cento este ano, mas abrandará para 4,6 por cento, em 2024, devido à “contínua fraqueza” do mercado imobiliário e à “fraca” procura do exterior, previu na terça-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Comércio | Cuba quer voos directos para Pequim

O primeiro-ministro cubano, Manuel Marrero Cruz, manifestou ontem interesse em estabelecer voos directos entre Pequim e Havana, uma medida destinada a facilitar o comércio e os negócios entre as duas nações. “Espero que possamos lançar o voo directo amanhã. Mas infelizmente ainda não temos um calendário claro. Penso que poderá começar no próximo ano”, disse Marrero num fórum empresarial em Pequim.

A proposta surge numa altura em que a cooperação económica e comercial entre China e Cuba se intensifica, gerando uma procura crescente de voos directos, disse Marrero, de acordo com o jornal oficial Global Times.

O líder cubano também enfatizou a importância de atrair investimento estrangeiro e aprimorar a autonomia na produção de alimentos, afirmando ainda que Cuba está a trabalhar na transformação do seu sistema energético, incluindo projectos de energia eólica e solar, e na digitalização da televisão cubana em colaboração com o gigante chinês das telecomunicações Huawei.

Relativamente ao encontro na segunda-feira com o Presidente chinês, Xi Jinping, Marrero sublinhou a “relação especial de amizade inquebrável” entre a nação insular e o país asiático e o crescimento progressivo destes laços.

O primeiro-ministro cubano agradeceu o apoio contínuo da China e reiterou a oposição ao embargo norte-americano. “Posso garantir, e posso dizer com confiança, que sem um bloqueio, Cuba seria um país que teria alcançado um grande desenvolvimento económico”, declarou Marrero.

O líder cubano iniciou a viagem oficial à China em Xangai, a “capital” económica do país, onde este fim de semana participou na 6.ª Exposição Internacional de Importação da China e se reuniu com o homólogo chinês, Li Qiang. Esta é a primeira visita de Marrero à China desde que foi nomeado primeiro-ministro, em 2019.

Ambiente | Pequim anuncia medidas para reduzir emissões de metano

As medidas implementadas para reduzir as emissões do gás com efeito de estufa incidem em áreas como a exploração mineira e a agricultura

 

A China, o maior emissor mundial de metano, anunciou ontem que vai reforçar a monitorização, a comunicação de informações e a transparência dos dados para reduzir as emissões deste gás com efeito de estufa. O ministério da Ecologia e do Meio Ambiente detalhou ontem num documento as estratégias para reduzir as emissões de metano de sectores como a exploração mineira e a agricultura.

De acordo com a declaração, a China tenciona criar um sistema de monitorização, contabilidade, comunicação e verificação das emissões de metano, melhorar a legislação, as normas e as políticas de incentivo económico e promover a inovação tecnológica e a cooperação internacional neste domínio, embora não estabeleça objectivos específicos de redução.

O metano é um gás com efeito de estufa com “elevado potencial de aquecimento” e “o controlo das emissões de metano tem benefícios climáticos, económicos, ambientais e de segurança”, lê-se no documento.

O plano reconheceu os desafios à sua implementação, incluindo a “falta de uma base estatística e de monitorização sólida, a inadequação do sistema de regulação e normativo e a necessidade de melhorar a capacidade técnica”.

Combate em curso

Em Julho passado, o enviado dos Estados Unidos para as questões climáticas, John Kerry, instou a China, durante uma visita oficial ao país, a descarbonizar o sector energético, reduzir as emissões de metano e diminuir a desflorestação.

A fonte da grande maioria das emissões de metano da China relacionadas com a produção de energia é o carvão, que produz mais de metade da electricidade do país asiático.

A China é o maior emissor mundial de metano relacionado com produção energética, com 28 milhões de toneladas por ano, seguida da Rússia (18 milhões de toneladas) e dos Estados Unidos (17 milhões de toneladas), de acordo com a Agência Internacional da Energia.

AACM | Drones proibidos durante o Grande Prémio

A Autoridade de Aviação Civil (AACM) anunciou ontem que o Governo vai proibir “as actividades com aeronaves não tripuladas (drones) na Península de Macau durante o 70º Grande Prémio de Macau, a fim de garantir a segurança da actividade”.

A proibição é alicerçada legalmente no Regulamento de Navegação Aérea de Macau, em que se determina que “a AACM proíbe a operação de drones na Península de Macau nos dias 11 e 12 de Novembro e de 16 a 19 de Novembro de 2023, a fim de garantir a segurança do ambiente das corridas”. Os infractores podem ser punidos com multa de 2.000 a 20.000 patacas pela AACM.

Saúde | Infecção atinge em cinco crianças no Costa Nunes

Os Serviços de Saúde de Macau (SSM) foram informados da ocorrência de um caso de infecção por enterovírus, conhecida como a doença das mãos, pés e boca, esta terça-feira, que afectou cinco crianças do jardim de infância D. José da Costa Nunes.

Segundo um comunicado dos SSM, os sintomas começaram a manifestar-se em quatro meninos e uma menina na última sexta-feira, tendo alguns recebido tratamento médico. Os SSM apontam que “não houve registo de casos críticos nem complicações graves ou casos de internamento”. A infecção também não gerou “sintomas anormais ao nível do sistema nervoso”. O jardim de infância já reforçou a limpeza e o sistema de ventilação das instalações. A infecção por enterovírus pode ser causada pelo grupo de Coxsackievírus, Echovírus ou Enterovirus 71, afectando crianças com menos de cinco anos.

Além deste caso, ocorreram ainda três casos colectivos de gripe em diversas escolas, também registados pelos SSM esta terça-feira. No caso da Escola de Aplicação Anexa à Universidade de Macau, foram infectados oito alunos, enquanto na Escola Secundária Ilha Verde se registaram infecções em seis alunos. Já o terceiro caso ocorreu na Escola de Talentos Anexa à Escola Hou Kong, onde se contabilizaram =oito casos. Os sintomas, nomeadamente febre, tosse e dor de garganta, começaram a manifestar-se no dia 1. No caso da Escola de Aplicação Anexa à Universidade de Macau houve um caso de internamento devido à ocorrência de febre alta, mas “o seu estado clínico está estável”.

Zona norte | População pede mais centros para idosos

Um inquérito da FAOM revelou que a população da zona norte de Macau quer o reforço das estruturas de apoio a idosos, com mais centros de dia e auxílio a cuidadores. Apesar do tempo de espera, horário reduzido e inconveniência da localização, mais de 80 por cento estão satisfeitos com a qualidade dos serviços

 

Com o envelhecimento populacional e a baixa taxa de natalidade em Macau, os serviços públicos dedicados à terceira idade ganham cada vez mais preponderância na qualidade de vida dos residentes. A Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) apresentou ontem os resultados de um inquérito sobre a cobertura e qualidade dos serviços da rede de apoio a idosos.

Mais de metade dos inquiridos respondeu que gostaria de ver alargado o alcance e cobertura dos centros de dia e dos serviços. No cômputo geral, mais de 80 por cento dos inquiridos estão satisfeitos com a qualidade dos serviços prestados à população idosa, apesar de reconhecerem existir margem para melhorias, nomeadamente devido ao elevado tempo de espera para aceder a serviços, localizações inconvenientes e horários de funcionamento demasiado curtos.

Outra conclusão tirada do inquérito apresentado ontem pela FAOM, foi a esperança de que o Governo reveja as regulamentações do sector para permitir a prestação de serviços de cuidados temporários de forma a atenuar a pressão de cuidadores.

No plano oposto, quando questionados se alguma vez ponderaram trabalhar no sector, mais de 80 por cento dos inquiridos recusou a carreira devido à “falta de atractividade” em termos profissionais. Ao mesmo tempo, quase metade admitiu não ter uma compreensão alargada sobre os serviços em causa.

O que fazer

A FAOM explica que o estudo incidiu sobre a zona norte da península de Macau por ser uma zona com elevada densidade populacional e onde se concentra uma larga parte da população idosa.

Na conferência de imprensa de ontem, conduzida pela deputada Ella Lei, foi sugerido o reforço da cobertura dos serviços para idosos com cuidados temporários quando o cuidador estiver indisponível ou a trabalhar. Neste caso, foi indicado que os horários de funcionamento dos centros de dia devem ser alargados, alteração que pode marcar a diferença entre a vida e a morte em casos de emergência.

A deputada reconheceu ainda que apesar da enorme e crescente procura de serviços de cuidados a idosos não existem empresas privadas do sector em Macau, o que leva a população a depender do Governo. Assim sendo, foi exigida uma análise rigorosa ao sistema regulatório do sector para apurar se existem restrições que limitem o sector privado.

Ella Lei referiu ainda que o Executivo devia estudar a possibilidade de simplificar o processo de estabelecimento de empresas que prestem serviços de cuidados a idosos, para encorajar o desenvolvimento do sector.

Além disso, foi aconselhado o alargamento de serviços a cuidados de enfermagem para idosos em locais geridos por associações comunitárias. O inquérito foi realizado na zona norte da península de Macau entre Agosto e Outubro deste ano e contou com 1.557 respostas válidas.

Melco volta aos lucros no 3.º trimestre após três anos de prejuízos

A operadora de jogo em Macau Melco Resorts and Entertainment anunciou lucro de 94,7 milhões de dólares no terceiro trimestre do ano, o primeiro resultado positivo desde o início da pandemia. O lucro registado pela empresa entre Julho e Setembro contrasta com os prejuízos no segundo trimestre deste ano (23,4 milhões de dólares) e em igual período de 2022 (198,5 milhões de dólares).

De acordo com um comunicado enviado à bolsa de valores Nasdaq, em Nova Iorque, as receitas da Melco mais que quadruplicaram em comparação com o terceiro trimestre do ano passado, atingindo 1,02 mil milhões de dólares. No comunicado, a operadora de quatro casinos em Macau atribuiu o aumento das receitas “ao relaxamento das restrições relacionadas com a covid-19 em Macau em Janeiro de 2023” e à abertura da segunda fase do empreendimento integrado Studio City.

Com as receitas a subir, a Melco registou, pelo terceiro trimestre consecutivo, um lucro operacional, neste caso de 280,6 milhões de dólares, mais 4,9 por cento do que no período entre Abril e Junho deste ano.

O presidente da empresa, Lawrence Ho Yau-lung, disse em comunicado que “a recuperação de Macau continuou a acelerar no terceiro trimestre de 2023, especialmente durante os meses de Verão”. O filho do falecido magnata do jogo Stanley Ho disse que a Melco teve “um desempenho sólido” durante a chamada Semana Dourada do 1.º de Outubro, um dos picos turísticos da China continental, e no resto do mês.

Panorama geral

Entre Janeiro e Outubro, as receitas do jogo em Macau mais que quadruplicaram em comparação com igual período de 2022, atingindo 148,4 mil milhões de patacas. As seis concessionárias, MGM, Galaxy, Venetian, Melco, Wynn e SJM, acumularam durante a pandemia prejuízos sem precedentes em Macau.

Apesar disso, as seis operadoras renovaram, em 16 de Dezembro de 2022, o contrato de concessão para os próximos dez anos e que entrou em vigor em 1 de Janeiro de 2023. As autoridades exigiram no concurso público a aposta em elementos não jogo e visitantes estrangeiros, na expectativa de diversificar a economia do território.

A Melco prevê gastar cerca de 10 mil milhões de patacas no segmento além-casino numa década, incluindo no “único parque aquático em Macau com instalações interiores abertas durante todo o ano”.

BNU | Lucros duplicam apesar de “incertezas”

O Banco Nacional Ultramarino anunciou ontem lucros de 459,9 milhões de patacas nos primeiros nove meses do ano, mais do dobro do verificado no mesmo período de 2022, apesar de “incertezas no crescimento económico”

 

Nos primeiros nove meses de 2023, o Banco Nacional Ultramarino (BNU) registou lucros de 459,9 milhões de patacas, valor que representa um crescimento, face a 2022, de 102 por cento. A subida dos lucros do banco foi impulsionada “principalmente pelo aumento de 205,2 milhões de patacas, ou 38 por cento, nas receitas líquidas de juros, devido ao aumento das taxas de juro”, indicou o banco em comunicado.

A Autoridade Monetária de Macau aprovou três aumentos da principal taxa de juro de referência este ano, a última das quais uma subida de 0,25 pontos percentuais, introduzida em Maio, seguindo a Reserva Federal norte-americana.

“No entanto, as receitas líquidas de taxas e comissões caíram 13,1 milhões de patacas ou 16 por cento em relação ao ano anterior, reflectindo as incertezas no crescimento económico” da cidade, disse o BNU.

O Produto Interno Bruto de Macau cresceu 71,5 por cento na primeira metade de 2023, em comparação com igual período de 2022, após quase dois anos consecutivos em queda, uma recuperação “impulsionada pelo desempenho” do turismo e do jogo. Ainda assim, a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos sublinhou que a economia da região ainda só representa 71 por cento dos níveis registados antes da pandemia de covid-19.

Cofres robustos

O BNU revelou ainda que sofreu perdas de 21,8 milhões de patacas com crédito malparado e aplicações financeiras entre Janeiro e Setembro, menos 74,4 por cento do que em igual período de 2023.

O banco afirmou que as despesas operacionais cresceram 2 por cento em comparação com os primeiros nove meses de 2022, sobretudo devido ao “aumento das despesas com a digitalização”, apesar da “redução de custos”. O aumento das despesas operacionais também se ficou a dever à “reengenharia de agências, incluindo a agência principal, que se tornou mais moderna, interativa e alinhada com o novo paradigma bancário”, declarou o banco em comunicado.

O BNU referiu que mantém “um robusto rácio de solvabilidade de 24 por cento (…), bem acima do requisito regulatório mínimo de 8 por cento, e fortes níveis de liquidez” e que o desempenho financeiro demonstra “a sua força e resiliência, apesar da volatilidade económica”.

O banco tinha apresentado lucros de 288,4 milhões de patacas na primeira metade do ano, um aumento homólogo de 125,2 por cento. O BNU tem sede em Macau e pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD), sendo, juntamente com o Banco da China, banco emissor de moeda na região administrativa especial da China. Com Lusa

Taipa | Governo anula concurso para atribuição de terreno

O concurso público para a atribuição do terreno LoteBT8, situado na Avenida de Kwong Tung, na Taipa, foi oficialmente anulado, de acordo com a informação publicada ontem no Boletim Oficial.

“Por despacho do Senhor Secretário para os Transportes e Obras Públicas, de 26 de Outubro de 2023, foi anulado o concurso público para a adjudicação […] de um terreno, situado na ilha da Taipa, na Avenida de Kwong Tung, designado por lote BT8, por ter ficado deserto”, foi justificado.

O terreno tem uma área de 3.509 metros quadrados e o Governo tinha definido um preço mínimo de licitação de 1,136 mil milhões de patacas, no concurso que decorreu em Setembro. O espaço BT8 foi recuperado pelo Governo, à luz da polémica Lei de Terras, num processo que ficou finalizado em 2018, depois de uma longa “batalha” judicial.

Concessionado pela primeira vez em Outubro de 1964, por um prazo de 50 anos, à Fábrica de Artigos de Vestuário Estilo Limitada, em Dezembro de 1999, a concessão foi transmitida para a Sociedade Fomento Predial Socipré. Como o novo prazo de aproveitamento de 42 meses que também não foi cumprido, em Maio de 2015, o então Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, declarou a caducidade da concessão.

Grande Baía | Ho Iat Seng apela à fixação de empresas

O Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, apelou ontem à fixação de empresas em Macau. Num discurso proferido virtualmente na conferência da Conferência Global de Promoção do Investimento para a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau 2023, o Chefe do Executivo adiantou que “todas as empresas de excelência e de qualidade são bem-vindas a instalarem-se em Macau e a participarem na construção e exploração de Hengqin”, além de “partilharem os benefícios provenientes do desenvolvimento da Zona de Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”.

Ficou ainda prometido que Macau, “sendo uma das quatro principais cidades da Grande Baía, irá continuar a melhorar o seu ambiente comercial e a estrutura industrial, no sentido de demonstrar mais iniciativas e responsabilidades” neste contexto. No mesmo discurso, Ho Iat Seng prometeu ainda “optimizar os trabalhos de captação de investimento, permitindo que os investidores estrangeiros utilizem Macau e Hengqin como ponto de partida para explorar oportunidades provenientes do enorme mercado do Interior da China”.

A Conferência Global de Promoção do Investimento para a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau 2023 termina hoje e foi co-organizada pelos governos da província de Guangdong, da Hong Kong e da RAEM. O evento tem lugar em Guangzhou.

ID | Luís Gomes escolhido para vice-presidente

Desde 2020, Luís Gomes foi chefe de três divisões diferentes na DSEDJ e ainda chefe de Departamento do Ensino Não Superior. A posição deixada em aberto vai ser ocupada por Choi Man Chi

Luís Gomes, até agora chefe do Departamento do Ensino Não Superior da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), é o novo vice-presidente do Instituto do Desporto (ID). A informação foi divulgada ontem através do Boletim Oficial.

De acordo com o despacho de Elsie Ao Ieong U, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, o novo vice do ID é nomeado “em comissão de serviço” pelo prazo de um ano. A secretária justificou a escolha com o facto de considerar que o novo vice “possui competência profissional e aptidão para o exercício do cargo”.

Licenciado em Educação Física e Desporto pela Universidade Politécnica de Macau, e com um mestrado em Ciência da Educação, na vertente Educação Física e Desporto, pela Universidade de Macau, Luís Gomes assumiu maior relevo na Administração, a partir de 2020 com a pandemia de covid-19. Gomes participou em várias conferências de imprensa diárias sobre a pandemia para anunciar e detalhar os planos de algumas medidas, como organização das escolas e a realização de testes em massa.

Percurso na Educação

Desde que ingressou na Administração, em 2011, o percurso de Luís Gomes foi feito na actual DSEDJ, onde assumiu primeiramente as funções de técnico superior.

Cerca de cinco ano depois, o novo vice do ID, passou a ser director do Centro de Actividades Juvenis da Areia Preta, cargo que manteve até 2018. A partir desse ano, assumiu as mesmas funções, mas no Centro de Actividades Juvenis do Bairro do Hipódromo, onde permaneceu até 2019.

A partir de Abril de 2019, Luís Gomes subiu a chefe da Divisão de Desporto Escolar e Ocupação de Tempos Livres, seguindo-se, em 2020, o cargo de chefe da Divisão de Formação e Apoio ao Associativismo Juvenil. Em Fevereiro de 2021, é escolhido para a posição de chefe da Divisão de Desenvolvimento de Jovens, onde ficou sete meses, até que em Setembro passou a ser o chefe da Divisão de Desenvolvimento Geral de Estudantes.

Por último, em Fevereiro de 2022, foi nomeado como chefe do Departamento do Ensino Não Superior, primeiro, como substituto, e depois com uma nomeação definitiva, em Maio de 2022.

Novas oportunidades

Com a ida de Luís Gomes para o ID, o cargo de chefe do Departamento do Ensino Não Superior vai ser assumido por Choi Man Chi, que desde 2010 faz parte da DSEDJ e desempenhava as funções de chefe da Divisão de Ensino Primário e de Ensino Infantil.

Choi Man Chi é licenciada em Serviço Social, pela Universidade Politécnica de Macau, e ao longo da carreira na DSEDJ assumiu as posições de técnica, directora do Centro de Actividades Juvenis da Areia Preta, chefe da Divisão de Desporto Escolar e Ocupação de Tempos Livres, técnica superior e ainda chefe da Divisão de Ensino Primário e de Ensino Infantil.