Macau em 2025 e Lições para o Futuro Jorge Rodrigues Simão - 2 Jan 2026 “Change is the law of life. Those who look only to the past or present are certain to miss the future.” John F. Kennedy Macau em 2025 encontrava-se num ponto de viragem, compelida a reconciliar a sua histórica dependência do jogo com a necessidade urgente de diversificação. A trajectória da cidade foi moldada pela turbulência económica global, concorrência regional e ritmo acelerado da transformação tecnológica. As reformas de governação procuraram modernizar as instituições, reforçar a transparência e alinhar Macau com a estratégia de desenvolvimento integrado da Grande Baía. A introdução de sistemas de licenciamento baseados em blockchain reduziu ineficiências burocráticas, enquanto plataformas de governo electrónico ampliadas facilitaram o acesso dos cidadãos a serviços que iam desde marcações de saúde até inscrições escolares. Iniciativas anticorrupção, incluindo auditorias interdepartamentais e portais de transparência pública, fortaleceram a responsabilização e reforçaram a confiança dos investidores. Estas medidas reflectiram um reconhecimento mais amplo de que a agilidade institucional era indispensável para sustentar a legitimidade num ambiente em rápida evolução. Economicamente, a dependência de Macau das receitas do jogo permaneceu uma vulnerabilidade estrutural, mas 2025 testemunhou progressos tangíveis na diversificação. A iniciativa “Macau Capital Cultural” que funciona como programa interno de valorização e dinamização cultural, podendo servir de base para sustentar a projecção internacional obtida com o título de “Culture City of East Asia 2025”. elevou as artes e o património lusófono, posicionando a cidade como um centro de intercâmbio intercultural. Sandboxes de fintech, desenvolvidos em parceria com Hong Kong e Shenzhen, permitiram a experiência em pagamentos digitais e finanças em blockchain, fomentando a inovação nos serviços financeiros. O ecoturismo e a hospitalidade baseada no património expandiram-se, aproveitando o centro histórico classificado pela UNESCO para atrair visitantes em busca de experiências sustentáveis. Startups em legaltech, edtech e consultoria em sustentabilidade emergiram, apoiadas por incubadoras como o Centro de Inovação e Empreendedorismo da Universidade de Macau. Estes desenvolvimentos sinalizaram uma mudança gradual em direcção ao pluralismo económico, embora a predominância do jogo sublinhasse a necessidade de um compromisso contínuo com a diversificação. O sistema jurídico de Macau avançou em direcção à harmonização com padrões internacionais. Um quadro inspirado no Regulamento Geral de Protecção de Dados da União Europeia reforçou a protecção de dados, ampliando os direitos dos cidadãos e as obrigações das empresas. A proposta em debate da redacção de uma Carta de Ética Digital, informada por contributos da academia e da sociedade civil, estabeleceu princípios para a inteligência artificial, transparência algorítmica e responsabilidade digital. Acordos bilaterais com países lusófonos facilitaram o reconhecimento mútuo de qualificações profissionais, reforçando o papel de Macau como ponte normativa entre modelos regulatórios chineses e tradições jurídicas lusófonas. Estas reformas posicionaram Macau como um laboratório de diplomacia jurídica, capaz de reconciliar quadros normativos divergentes e oferecer modelos de convergência. No plano sociocultural, Macau reafirmou a sua identidade como enclave multicultural. Programas de educação bilingue expandiram-se, fortalecendo a diversidade linguística e a hibridez cultural. Projectos comunitários de restauração patrimonial revitalizaram sítios históricos, integrando a sustentabilidade nos esforços de preservação. Fóruns juvenis sobre sustentabilidade, ética e inovação fomentaram o envolvimento cívico e cultivaram uma nova geração de líderes. A diplomacia cultural ampliou o soft power de Macau, projectando a sua identidade como espaço de diálogo entre Oriente e Ocidente. A ênfase no intercâmbio intercultural sublinhou a importância da sustentabilidade cultural como fundamento para a resiliência a longo prazo. Apesar das reformas, persistiram desafios. A concorrência regional ameaçou a predominância de Macau nas receitas do jogo, enquanto os recursos territoriais limitados restringiram a expansão urbana. As dificuldades na retenção de talentos, agravadas pela fuga de cérebros para cidades do interior da China, minaram a capacidade local. Pressões ambientais, incluindo riscos climáticos crescentes, exigiram estratégias de resiliência mais robustas. Estes desafios destacaram a necessidade de previsão e governação adaptativa. Em 2025, Macau também enfrentou uma crise de consumo que testou tanto as instituições como a sociedade. O aumento do custo de vida, pressões inflacionistas e acesso desigual a bens criaram descontentamento entre os residentes. O afluxo de turistas pressionou as cadeias de abastecimento, enquanto os agregados familiares locais lutavam com a acessibilidade de habitação, alimentos e serviços essenciais. A confiança dos consumidores enfraqueceu, ameaçando a estabilidade social e a vitalidade económica. Enfrentar esta crise exigiu uma resposta em múltiplas categorias. As autoridades introduziram mecanismos de monitorização de preços para prevenir a inflação especulativa, reforçaram leis de protecção do consumidor para garantir práticas justas e expandiram subsídios para agregados vulneráveis. Plataformas digitais foram utilizadas para aumentar a transparência nos preços e fornecer informação em tempo real sobre bens essenciais. Organizações da sociedade civil colaboraram com agências governamentais para promover literacia financeira e consciência do consumidor, capacitando os residentes a tomar decisões informadas. As soluções de longo prazo enfatizaram a diversificação das cadeias de abastecimento, o investimento na produção local e a integração da sustentabilidade nos padrões de consumo. Ao enfrentar a crise de consumo através de medidas regulatórias, sociais e tecnológicas, Macau reforçou a resiliência e restaurou a confiança pública. Neste contexto, emergiu também a necessidade de rever as políticas sociais dirigidas aos idosos. As pensões mensais para idosos devem ser ajustadas ao montante do índice de mínimo de subsistência, garantindo que nenhum beneficiário viva abaixo do limiar mínimo de dignidade económica. O cheque pecuniário deve contemplar todos os idosos que recebam pensão de velhice, independentemente do local de residência, seja em Hong Kong, Portugal ou qualquer outro território. Esta medida reforça a justiça social e assegura que os cidadãos de Macau, mesmo vivendo fora da região, mantenham o vínculo institucional e o direito a uma protecção equitativa. Da experiência de 2025 emergem várias lições. A governação deve integrar ferramentas digitais com mecanismos participativos, garantindo capacidade de resposta e legitimidade. A diversificação económica deve priorizar sectores que aproveitem os activos culturais e jurídicos de Macau, como o comércio lusófono, a consultoria ética e o turismo patrimonial. A diplomacia jurídica oferece uma via para Macau reconciliar normas chinesas e internacionais, posicionando a cidade como modelo de convergência. A sustentabilidade cultural exige envolvimento activo de jovens, educadores e artistas, garantindo que o património permaneça um recurso vivo. A previsão estratégica, através de planeamento de cenários e benchmarking, deve orientar o posicionamento de Macau na Grande Baía e em redes globais. O ano de 2025 não foi apenas um marco cronológico, mas um ponto de inflexão estratégico. Através de reformas, diversificação, renovação cultural e gestão de crises, Macau demonstrou resiliência e criatividade. As lições extraídas deste período fornecem um plano para uma governação sustentável, desenvolvimento inclusivo e relevância internacional. O futuro de Macau dependerá da capacidade de cultivar agilidade, liderança ética e diálogo intercultural num mundo cada vez mais complexo. Olhando em frente, Macau deve abraçar a inovação enquanto protege a sua identidade cultural. O investimento em capital humano é essencial, exigindo políticas que atraiam e retenham talentos, fomentem a criatividade e incentivem o empreendedorismo. O desenvolvimento de infra-estruturas deve equilibrar modernização com preservação patrimonial, garantindo que a expansão urbana não produza a erosão dos activos culturais. A resiliência ambiental deve ser priorizada, com estratégias para mitigar riscos climáticos e promover práticas sustentáveis. Internacionalmente, Macau deve aproveitar a sua posição única como ponte entre a China e o mundo lusófono, expandindo o comércio, o intercâmbio cultural e a cooperação jurídica. Em última análise, a jornada de Macau em 2025 ilustra a interacção entre continuidade e mudança. A capacidade da cidade de honrar o seu património enquanto abraça a inovação determinará a sua aptidão para prosperar nas próximas décadas. As lições de 2025 sublinham a importância da agilidade institucional, pluralismo económico, diplomacia jurídica, sustentabilidade cultural, previsão estratégica, protecção do consumidor e justiça social para os idosos. Ao internalizar estas lições, Macau poderá traçar um caminho para um futuro definido pela resiliência, inclusão e relevância global.
Passagem de ano | Festas na rua e concertos para encerrar 2025 Andreia Sofia Silva - 31 Dez 2025 Macau e Hong Kong vão estar ao rubro esta noite com celebrações que darão as boas-vindas a 2026. Desde concertos gratuitos junto à Praça do Lago Sai Van e nas Casas-Museu da Taipa, a espectáculos no Cotai e à actuação de Mariza no Centro Cultural de Macau, não faltam opções para todos os gostos Está aí o fim de 2025, e se uns optam por uma celebração mais caseira, haverá muita gente disposta a ir para a rua divertir-se na companhia de amigos e com muita música à mistura. Com opções pagas e gratuitas, Macau e Hong Kong acolhem uma série de opções para vários gostos. Uma das iniciativas parte do Instituto Cultural (IC) e já é uma tradição. O fecho de 2025 celebra-se junto à Praça do Lago Sai Van a partir das 22h, e a partir das 21h nas Casas-Museu da Taipa, com o “Concerto de Passagem de Ano – Macau 2025” e a “Festa de Passagem de Ano – Taipa 2025”. No concerto do lado da península actuam diversos cantores e grupos musicais, entre as 22h e as 00h10, nomeadamente a cantora de Hong Kong Panther Chan, e a banda rock Dear Jane. Há ainda um elenco de artistas locais como Soler, Filipe Tou, KC Ao Ieong, winifai, Jenny, thetiredeyes e Initial B, “que irão alternar [actuações] para apresentar uma gama diversificada de música para celebrar uma deslumbrante véspera de Ano Novo”, descreve o IC. No caso desta actuação na Praça do Lago Sai Van, destaca-se o chão do palco, que contará “com um ecrã electrónico combinado com iluminação e efeitos visuais, proporcionando uma experiência visual totalmente nova”. “Toda a actuação será apresentada num formato teatral adaptado a cada sessão, que transmite, através de narrativas, os desejos para o ano vindouro e reflecte as facetas emocionantes da cidade”, acrescenta o IC. Em relação aos concertos nas Casas-Museu da Taipa, o tema será “Integração Multicultural”, podendo o público ver actuações de FIDA, Tuna Macaense, Bossa Eva e João Gomes & Band e Karen Tong, cantora de Hong Kong. Além disso, haverá actuações do Bollywood Dreams Group, de Victor Kumar, e dos grupos de dança filipina da Associação Bisdak de Macau e de dança birmanense e vietnamita de Macau. O cartaz fica completo com as apresentações de magia pelo mágico Jason Fong. A partir das 20h30, e até às 23h30, haverá expositores culturais das comunidades locais das Filipinas, Índia, Mianmar e Vietname, que visam promover a gastronomia e cultura dos seus países. Mariza no CCM Outro dos grandes destaques para encerrar o ano é a actuação da fadista Mariza no Centro Cultural de Macau (CCM) a partir das 20h, ao lado da Orquestra de Macau. “Mariza, a Rainha do Fado e a Orquestra de Macau (OM)” é o nome atribuído ao concerto onde a fadista vai interpretar, “com a sua voz profundamente emotiva, uma selecção de fados icónicos, proporcionando ao público uma experiência musical que transcende géneros e fronteiras espaciais e temporais”. A portuguesa é descrita “como uma das maiores estrelas internacionais do Fado, sendo reconhecida pelo seu estilo musical próprio, que incorpora elementos de soul, jazz e gospel”. Olhando para o Cotai, as operadoras de jogo apostaram forte nos programas de fim de ano. A sala de espectáculos Venetian Arena acolhe o terceiro e último de uma série de concertos de Jason Zhang, que começaram na segunda-feira. Os bilhetes variam entre as 680 patacas e as 2.580 patacas, no caso dos lugares VIP. Jason Zhang Jie nasceu em 1982 na China e estreou-se na competição “My Show”, em 2004, tendo-se sagrado vencedor, o que lhe deu acesso a um contrato com a Universal Music China. No final de 2023 já contava com 15 álbuns gravados e um total de 87 concertos na sua carreira. Ainda no Venetian, bem como no The Parisian Macao e The Londoner, haverá fogo de artifício, com a tradicional contagem decrescente até à entrada em 2026. O evento “Sands New Year’s Eve Countdown Extravaganza” começa com música às 21h30. Tal como a Sands China, também a operadora de jogo Galaxy fez os seus planos para encerrar o ano em grande estilo, nomeadamente nos empreendimentos Andaz Macau, Long Bar e Pony & Plume. A festa faz-se com actuações de Djs e promessa de bebidas à discrição. Para quem pretende algo diferente e, ao mesmo tempo, temático, haverá no The Ritz-Carlton Bar and Lounge a festa “La Nuit Rouge Countdown Party”, com cabaret francês e música ao vivo. Air Supply em Hong Kong Ir a Hong Kong para fechar o ano de 2025 também pode ser uma opção. Para começar, um dos centros de animação será a zona pedonal da Chater Road, em Central. No portal do Hong Kong Tourism Board, lê-se que o público pode desfrutar “de um novo formato de performances de música ao vivo combinado com espectáculos de luz”, nomeadamente da banda Air Supply, que farão “uma actuação especial com os seus êxitos clássicos intemporais”. O duo australiano, formado em 1975, já leva 50 anos de carreira na bagagem e tem canções bem conhecidas como “All Out of Love”, “Making Love Out of Nothing at All” e “Lost in Love”. Nesta noite de fim de ano actuam também os artistas de Hong Kong Jay Fung e Cloud Wan. Não faltarão um coro infantil e a Banda da Polícia de Hong Kong para dar as boas vindas a 2026. As actuações começam às 23h28. Outra contagem decrescente está marcada na zona de Kowloon, na WestK Christmas Town 2025. O público pode assistir a concertos dos On Chan, Kandy Wong, The Hertz, Nowhere Boys, DJ P-Chef e Hong Kong Arts Without Boundaries Foundation, com localização na WestK Christmas Lane [Harbourside East Lawn, Art Park], tendo como pano de fundo o Victoria Harbour. A festa prolonga-se depois da meia-noite. Ainda com resquícios do Natal, o público poderá ver e fotografar a árvore que está na WestK Christmas Town 2025 e que tem 12 metros de altura.
Troca de dinheiro | Rusga visa negócio de 60 milhões de dólares de Hong Kong João Santos Filipe - 31 Dez 2025 A Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de duas mulheres por alegadamente estarem envolvidas em trocas ilegais de dinheiro para o jogo num casino do Cotai. De acordo com as estimativas da polícia, o negócio que operava numa joalharia terá movimentado mais de 60 milhões de dólares de Hong Kong, com os lucros a serem de 1 milhão de dólares de Hong Kong. As detidas são uma residente local, de 36 anos, e uma mulher do Interior da China, de 27 anos. Ambas desempenhavam as funções de vendedoras no espaço comercial. Na conferência de imprensa de ontem em que o caso foi apresentado, os representantes da PJ admitiram estarem actualmente a investigar o paradeiro do proprietário do espaço comercial. Além das detenções foram apreendidos cerca de 500 mil dólares de Hong Kong em dinheiro vivo. Também foi apreendido um telemóvel, que alegadamente terá sido utilizado para combinar as trocas de dinheiro. A investigação terá partido de denúncias anónimas que alertaram as autoridades para a possibilidade de no interior da loja estarem a decorrer trocas ilegais de dinheiro. As detenções aconteceram depois de os agentes terem passado um dia a vigiar o que acontecia no espaço comercial, tendo decidido actuar depois de assistirem a três clientes com “comportamento suspeito”. A loja operava no casino, que não foi identificado, desde 2019, e as duas empregadas confessaram a existência de trocas de dinheiro. As detidas recebiam salários de 13 mil patacas e 15 mil patacas, que incluíam o pagamento de horas extra.
Turismo | Excursionistas chineses com quebra de quase 24% Andreia Sofia Silva - 31 Dez 2025 A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelou ontem que o número de excursionistas registou uma quebra anual de 12,5 por cento em Novembro, para um total de 191.000. Destaque para o facto de o número de entradas de visitantes em excursões provenientes do Interior da China, 148.000, ter descido em Novembro 23,7 por cento, enquanto o de visitantes internacionais em excursões, 28.000, cresceu 33,8 por cento. No final de Novembro, Macau tinha um parque hoteleiro com 147 unidades, apenas mais um face a Novembro de 2024, que disponibilizaram 45.000 quartos de hóspedes, mais 3,5 por cento. A taxa de ocupação nesse mês fixou-se nos 90,2 por cento, sendo que a taxa de ocupação dos hotéis de 5 estrelas, de 94 por cento, subiu 2,5 pontos percentuais, ao passo que a dos hotéis de 4 estrelas (84,6 por cento) e a dos hotéis de 3 estrelas (84,3 por cento) diminuíram 1,2 e 3,1 pontos percentuais, respectivamente.
Jogo | Morgan Stanley menos optimista face a resultados da MGM China João Santos Filipe - 31 Dez 2025 O banco de investimento prevê que o novo contrato da MGM China com a empresa-mãe, para a utilização da marca MGM, vai ter um impacto significativo nos resultados financeiros da concessionária de jogo A subida dos custos para a utilização da marca MGM pela concessionária do jogo MGM China levou o banco de investimento Morgan Stanley a reduzir as expectativas face aos resultados financeiros da empresa. Numa nota divulgada aos investidores, o banco de investimento espera agora que o resultados financeiros da concessionária se enquadrem na média do mercado, quando antes previa que superassem a média. A alteração das expectativas face à MGM China tem em conta o novo contrato de utilização da marca da empresa MGM. Segundo os detalhes divulgados antes do Natal, a MGM China vai passar a pagar 3,5 por cento das receitas líquidas mensais consolidadas, quando até agora pagava 1,75 por cento. Esta diferença significa que a MGM China vai pagar praticamente o dobro à MGM Resorts International, a empresa-mãe. Com base nesta alteração, a Morgan Stanley explica que os novos pagamentos devem custar cerca de 7 por cento dos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) por ano à concessionária. O acordo revelado recentemente tem a duração de 20 anos, dependente da renovação da concessão do jogo após 2030, e prevê para 2026 um pagamento máximo de 188,3 milhões de dólares americanos (1,5 mil milhões de patacas). No entanto, a empresa de serviços financeiros CBRE Equity Research acredita que o valor dos lucros da MGM China para o próximo ano deve resultar num pagamento de cerca de 166 milhões de dólares (1,3 mil milhões de patacas). Valores históricos O pagamento de cerca de 166 milhões de dólares para o próximo ano contrasta o que tem acontecido pelo menos desde 2023. Nesse ano, o primeiro sem restrições de circulação após a pandemia da covid-19, a MGM China pagou à MGM Resorts International cerca de 55,2 milhões de dólares. No ano seguinte, os pagamentos subiram para 70,9 milhões de dólares, o que reflecte a melhoria do desempenho financeiro da empresa. Os pagamentos do ano em curso ainda não são conhecidos, mas até ao final de Setembro totalizaram 56,5 milhões de dólares. Tendo em conta que este ritmo de lucros é mantido, apesar de o mercado ter apresentado uma expansão nos meses mais recentes, o pagamento para este ano deverá rondar 75,3 milhões de dólares americanos.
Investigação | Criado prémio para estudos sobre relações sino-portuguesas Hoje Macau - 31 Dez 2025 O “Prémio Fundação Jorge Álvares-General Vasco Rocha Vieira-Amizade Portugal-China” irá atribuir 25 mil euros por ano e pretende reconhecer as instituições que promovam iniciativas para reforçar a aproximação entre as comunidades portuguesa, chinesa e macaense A Fundação Jorge Álvares lançou um prémio anual, no valor de 25 mil euros, para incentivar o estudo e a investigação das relações entre Portugal e China, através de Macau, lê-se na página da entidade. Com o “Prémio Fundação Jorge Álvares-General Vasco Rocha Vieira-Amizade Portugal-China”, pretende também reconhecer-se “instituições que promovam iniciativas relevantes no sentido de reforçar a aproximação entre as comunidades portuguesa, chinesa e macaense”, refere-se no portal da fundação. “Visa homenagear e contribuir para perpetuar a memória do último governador de Macau, fundador da Fundação Jorge Álvares, seu curador e primeiro presidente, falecido há cerca de um ano”, escreveu na segunda-feira, nas redes sociais, o actual curador, Tiago Vasconcelos. O prémio vai ser atribuído, de forma alternada, a instituições, em anos pares e a partir de 2026, e a trabalhos de investigação, em anos ímpares, sendo este lançado em 2027. No primeiro caso, o galardão está aberto a qualquer instituição, nacional ou estrangeira, recompensando “acções relevantes que desenvolvam ou aprofundem o relacionamento entre as comunidades portuguesa, chinesa e macaense”, nos domínios da cultura e línguas portuguesa, chinesa ou do patuá, da ciência, da educação, da filantropia, entre outros. Investigação aberta No que diz respeito aos trabalhos de investigação, o prémio “é aberto a qualquer pessoa sem restrição de ordem académica, nacionalidade ou outra”, e recompensa “a qualidade de estudos e trabalhos escritos num tema, a indicar para cada edição, no âmbito das relações entre Portugal e a China, particularmente através de Macau”. “Da assinatura da declaração conjunta à transferência da administração portuguesa de Macau” é, de acordo com o regulamento, o tema para a primeira edição do prémio na categoria de investigação. Vasco Joaquim Rocha Vieira nasceu em 16 de Agosto de 1939. Foi Chefe do Estado-Maior do Exército e, por inerência, membro do Conselho da Revolução entre 1976 e 1978. Desempenhou as funções de ministro da República dos Açores (1986-1991) e em 1991 foi nomeado para Governador de Macau pelo então Presidente da República português, Mário Soares. Foi o 138º e último governador português de Macau, cargo que ocupou até 1999, quando se processou a transferência do território para a China.
Casamentos | Si Ka Lon quer que Macau seja como Las Vegas Andreia Sofia Silva - 31 Dez 2025 O deputado Si Ka Lon defende que Macau deveria apostar na indústria de casamentos para fins turísticos, à semelhança do que acontece em Las Vegas. Numa interpelação oral apresentada ao Governo, e que terá resposta no hemiciclo na próxima semana, o deputado defende que “o ‘destino de casamentos’ é um dos rumos para o desenvolvimento da indústria do turismo”. Si Ka Lon pergunta se as autoridades locais vão “tomar como referência as experiências bem-sucedidas de Las Vegas ou Hong Kong, permitindo o registo de casamento em Macau, independentemente do local de residência ou da nacionalidade dos nubentes, com vista a explorar o mercado do ‘turismo de casamentos'”. Na visão do deputado, o Executivo pode “aproveitar as vantagens e singularidades de Macau”, apostando na promoção de “planos para as cerimónias de casamento ao ar livre, a fim de aumentar competitividade dos produtos turísticos do casamento de Macau e criar um novo cartão-de-visita para a cidade”.
Ensino | Cerca de 97% dos alunos utiliza ferramentas de IA Hoje Macau - 31 Dez 2025 Cerca de 97 por cento dos estudantes do ensino secundário admitiram ter recorrido à Inteligência Artificial como ferramenta de auxílio nos estudos. A conclusão faz parte de um estudo elaborado pela Federação das Associações dos Operários de Macau, que comparou o desenvolvimento dos alunos do nível secundário local com os alunos da Grande Baía. Com base na opinião de 2 mil alunos, os resultados apresentados pelo deputado Lam Lon Wai indicam que 97 por cento dos alunos reconheceram utilizar inteligência artificial. Entre estes, mais de 50 por cento afirmou que a inteligência artificial contribuiu para que tivesse obtido melhores notas. Também metade dos inquiridos afirmou que a inteligência artificial pode gerar uma dependência excessiva e que pode afectar o desenvolvimento do raciocínio lógico e crítico. Face a estes resultados, a FAOM recomenda às escolas que personalizem as ferramentas de inteligência artificial, para aproveitar as vantagens e evitar os aspectos negativos. A associação também considera que é necessário mudar a mentalidade dos estabelecimentos de ensino, com a educação menos focada na obtenção de notas para entrar nas melhores universidades. Segundo a FAOM, a prioridade deve passar por ensinar os alunos a pensar e desenvolver capacidades para resolver problemas quotidianos.
UM | Secção sul do campus em Hengqin vai custar 2,38 mil milhões João Santos Filipe - 31 Dez 2025 As empresas Companhia de Construção e Investimento Predial Ming Shun e Jian Tai Construction, do grupo Huafa, foram as escolhidas para realizar os trabalhos que têm prazo de conclusão até Novembro de 2028 As obras de construção da Secção Sul do novo Campus da Universidade de Macau em Hengqin vão ter um custo de 2,38 mil milhões de patacas (2,086 mil milhões de renminbis), de acordo com o contrato de adjudicação. A informação foi partilhada pela empresa no Interior da instituição de ensino local, a Guangdong Hengqin UM Higher Education Development, através do portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e de Gestão dos Activos Pública (DSSGAP). A obra foi atribuída através de um concurso público e os trabalhos vão ficar a cargo do consórcio constituído pela empresa local Companhia de Construção e Investimento Predial Ming Shun e pela Jian Tai Construction, que tem sede e Zhuhai e faz parte do grupo estatal Huafa. Uma vez que o campus fica situado no Interior da China, o concurso foi realizado de acordo com a legislação chinesa e as propostas foram apresentadas em renminbis. O consórcio constituído pela Ming Shun e Jian Tai apresentou a terceira proposta mais barata das sete participantes no concurso. A adjudicação foi divulgada publicamente ontem, apesar de ter sido decidida a 11 de Novembro, estabelecendo que a construção de todos os edifícios tem de começar até amanhã. Além disso, o concurso exige que alguns lotes e edifícios têm de ficar prontos até Fevereiro de 2028, enquanto os restantes têm conclusão marcada até Novembro de 2028. Concurso participado O concurso público de atribuição da obra contou apenas com a participação de empresas estatais do Interior da China, algumas das maiores construtoras a nível mundial. Uma das participantes foi a China Railway Construction Corporation, que apresentou uma proposta com um valor de 2,71 mil milhões de patacas (2,38 mil milhões de renminbis), a mais cara de todas. O mesmo grupo foi duas vezes a jogo, através da subsidiária China Railway First, e neste caso apresentou a proposta mais barata no valor de 1,70 mil milhões de patacas (1,48 mil milhões de renminbis). O concurso contou também com o consórcio constituído pela China Overseas Construction Limited e China State Construction Engineering Corporation, que apresentaram uma proposta de 2,61 mil milhões de patacas (2,29 mil milhões de renminbis). A Zhejiang N.º 1 Construction Investment apresentou uma proposta de 2,53 mil milhões de patacas (2,22 mil milhões de renminbis), a Jiangsu Huajian, de 2,34 mil milhões de patacas (2,05 mil milhões de renminbis), enquanto o Grupo de Construção Urbana de Pequim pediu 2,00 milhões de patacas (1,75 mil milhões de renminbis).
Terrenos | Coutinho pede maior transparência João Santos Filipe - 31 Dez 2025 O deputado José Pereira Coutinho considera que é necessária mais transparência na divulgação de informações sobre os terrenos controlados pela RAEM. O assunto vai ser abordado numa interpelação oral na Assembleia Legislativa (AL), entre os dias 6 e 7 de Janeiro. Na interpelação, que foi divulgada ontem no portal da AL, o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau defendeu uma maior divulgação da informação dos portais do Governo. Além disso, o deputado questiona quais os planos do Executivo para lidar com a questão dos terrenos em dívida. Em 2016, o então Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai, admitiu que o Governo tinha de atribuir mais de 88 mil metros quadrados em terrenos que tinham sido retirados a privados para serem utilizados para fins públicos.
Transportes | Proporção de novos veículos eléctricos aumenta Andreia Sofia Silva - 31 Dez 2025 A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelou que o número de veículos eléctricos que circulam em Macau tem registado uma subida. Nos primeiros 11 meses de 2025 registaram-se 10.060 veículos com matrículas novas, 3.733 destes eram eléctricos, representando uma fatia de 37,1 por cento de todas as matrículas novas. Esta proporção de veículos eléctricos apresenta um crescimento de 6,3 por cento, face aos primeiros 11 meses de 2024. Em relação aos carros com matrículas novas, registou-se uma quebra de 15,2 por cento face a igual período de 2024. Ainda assim, no final de Novembro havia 254.055 veículos matriculados na RAEM, mais 0,5 por cento face ao final do idêntico mês de 2024. Os dados da DSEC revelam ainda a ocorrência de 1.215 acidentes de viação em Novembro, uma quebra anual de 14,2 por cento, com 395 feridos registados. Mas em 11 meses, o número de acidentes de viação foi de 13.578, verificando-se quatro vítimas mortais e 4.983 feridos. Quanto ao movimento de transportes transfronteiriços, o de automóveis nos postos fronteiriços totalizou 958.605 em Novembro do corrente ano, mais 15,1 por cento em termos anuais. Nos onze primeiros meses de 2025, o movimento de automóveis nos postos fronteiriços (10.136.209) aumentou 21,5 por cento em termos anuais.
Autocarros | Inquérito de avaliação marcado para Janeiro Hoje Macau - 31 Dez 2025 A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) irá realizar, ao longo do mês de Janeiro, o Inquérito Trimestral de Avaliação do Serviço de Autocarros Públicos referente ao 4º trimestre de 2025. Segundo um comunicado da DSAT, serão avaliados indicadores como “serviço e gestão”, “meios e equipamentos de transporte e segurança” e ainda “grau de satisfação dos passageiros”. Neste último indicador serão disponibilizados seis meios diferentes para a recolha de opiniões, nomeadamente entrevistas a passageiros feitas por “trabalhadores de uma terceira entidade independente” ou inquéritos online. A DSAT afirma que a parte das opiniões dos passageiros representa 40 por cento da pontuação total da avaliação ao serviço de autocarros públicos.
Metro Ligeiro | Deputada questiona gestão e conexão com autocarros Andreia Sofia Silva - 31 Dez 2025 Wong Kit Cheng questionou o Governo sobre a integração dos meios de pagamento entre o Metro Ligeiro e os autocarros públicos. A deputada quer também saber quando será lançada a consulta pública sobre o desenvolvimento da rede do Metro Ligeiro O desenvolvimento do Metro Ligeiro é o tema de mais uma interpelação escrita da autoria de Wong Kit Cheng. No documento, a deputada questiona como será definido o planeamento deste meio de transporte sem esquecer a conexão com a rede de autocarros, cujos contratos de concessão terminam no final de 2026. “É importante proporcionar uma experiência de utilização conveniente [aos passageiros]. Tendo em conta que os contratos de autocarros expiram no final do próximo ano, será que o Governo já iniciou negociações sobre os contratos com as duas companhias de autocarros, de modo a integrar um sistema de benefícios?”, começa por inquirir a deputada. A pergunta surge no âmbito da promessa feita pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, quanto à instalação de novos terminais de pagamento nas estações do Metro Ligeiro que podem estar conectados aos autocarros, a fim de permitir diversas modalidades de pagamento. Mais concretamente, Wong Kit Cheng gostaria que os novos contratos de autocarros incluíssem a conexão dos meios de pagamento tendo em conta a instalação dos novos terminais. Para a deputada, “há ainda uma grande margem de melhoria” na distribuição de passageiros entre os dois meios de transporte público, destacando que houve um “crescimento significativo” de passageiros no Metro Ligeiro, estando ainda aquém “dos mais de 600 mil passageiros servidos diariamente pelos autocarros”. Assim, “para concretizar o objectivo do Metro Ligeiro como principal meio de transporte, e os autocarros como complemento”, Wong Kit Cheng considera que “as autoridades precisam de optimizar a experiência dos passageiros, em especial no que respeita à resolução de problemas de longa data, tal como os métodos de pagamento do Metro Ligeiro, uma maior articulação de transferências e a resolução de avarias, além de se melhorar a acessibilidade de linhas e estações”. Avaliações em curso Ainda no que respeita o futuro do Metro Ligeiro, Wong Kit Cheng pediu um “ponto de situação” da avaliação intercalar que o Executivo está a fazer em relação à execução do contrato de concessão. “Qual o ponto de situação desses trabalhos de avaliação? Já existem resultados preliminares ou recomendações de optimização, nomeadamente no que respeita à melhoria da qualidade e da estabilidade do serviço?”, inquiriu. A deputada pegou ainda noutra promessa feita no último debate sobre as Linhas de Acção Governativa pelo secretário Raymond Tam, quanto à realização de uma consulta pública sobre o estudo da estratégia de desenvolvimento do Metro Ligeiro. “Como será organizada essa consulta pública”, questiona.
Guerra | Tailândia acusou Camboja de violar espaço aéreo com 250 drones Hoje Macau - 30 Dez 2025 A Tailândia acusou ontem o Camboja de violar o acordo de cessar-fogo em vigor, ao enviar 250 aparelhos aéreos não tripulados (drones) sobre o território tailandês O Exército da Tailândia indicou que mais de 250 drones foram detectados a entrar no país na zona de fronteira. Para as Forças Armadas tailandesas, a acção do Camboja constituiu uma provocação e uma violação das medidas “destinadas a reduzir as tensões” entre Banguecoque e Phnom Penh. Até ao fecho desta edição as autoridades do Camboja não se pronunciaram sobre a acusação da Tailândia sobre a violação do espaço aéreo. Os dois países alcançaram um cessar-fogo no sábado, após três semanas de confrontos ao longo da fronteira comum de 800 quilómetros, depois de dois dias de negociações na China. O acordo de cessar-fogo prevê o fim de semanas de combates ao longo da fronteira contestada, que já fizeram mais de 100 mortos e mais de meio milhão de deslocados em ambos os países. O ministro dos Negócios Estrangeiros tailandês, Sihasak Phuangketkeow, e o seu homólogo cambojano, Prak Sokhonn, reuniram-se na província de Yunnan, no sudoeste da China, para negociações mediadas pelo homólogo chinês, Wang Yi. O chefe da diplomacia chinesa afirmou que Pequim “não deseja ver a Tailândia e o Camboja em campos de batalha”. Durante um encontro com o homólogo tailandês, Sihasak Phuangketkeow, no domingo, Wang Yi expressou a “profunda preocupação” da China com a “tensa situação na fronteira” e defendeu que, uma vez cessados os combates, “a diplomacia deve assumir protagonismo”. “Reconstruir a paz é o desejo dos povos e a expectativa de todas as partes”, afirmou o chefe da diplomacia chinesa, acrescentando que os esforços de mediação de Pequim “nunca se impõem aos outros, nem extravasam os limites” e visam criar “uma plataforma descontraída para o diálogo”. Um historial fatal O Presidente norte-americano, Donald Trump, que ameaçou suspender os privilégios comerciais caso a Tailândia e o Camboja não concordassem com um cessar-fogo em Julho, sugeriu ontem que os combates entre a Tailândia e o Camboja “cessarão momentaneamente” e afirmou que os Estados Unidos “se tornaram as verdadeiras Nações Unidas”. Os limites territoriais são disputados há décadas e foram herdados do período colonial francês. De acordo com números oficiais, reconhecidos pelas Nações Unidas, os últimos confrontos provocaram 47 mortes: 26 do lado tailandês e 21 do lado cambojano. Em Julho, a primeira fase de confrontos fez 43 mortos em cinco dias, antes de ser acordado um cessar-fogo. Um outro acordo foi posteriormente assinado a 26 de Outubro em Kuala Lumpur, Malásia, na presença do presidente dos Estados Unidos, mas foi suspenso pela Tailândia, depois de vários soldados de Banguecoque terem ficado feridos na explosão de uma mina militar terrestre na zona de fronteira.
Analistas estimam que BYD supere Tesla nas vendas globais em 2025 Hoje Macau - 30 Dez 2025 A rápida expansão global da BYD e as dificuldades regulatórias da Tesla nos Estados Unidos e noutros mercados devem permitir à fabricante chinesa liderar, pela primeira vez, as vendas mundiais de veículos totalmente eléctricos em 2025, preveem analistas. Ambos os grupos deverão divulgar em breve os relatórios anuais, mas, com base nos dados mais recentes, a vantagem acumulada pela BYD é tal que parece quase impossível que a Tesla tenha conseguido recuperar terreno. Até ao final de Novembro, a BYD já tinha vendido 2.066.002 veículos totalmente eléctricos, tornando-se a primeira marca a ultrapassar esse marco. A Tesla registava 1.217.902 unidades até ao final de Setembro. A fabricante norte-americana beneficiou, no terceiro trimestre, de uma corrida às compras provocada pelo fim de incentivos fiscais nos EUA, o que levou muitos consumidores a antecipar a aquisição dos seus veículos. As entregas globais da Tesla subiram 7 por cento em termos homólogos, para 497.099 veículos. Analistas previram uma rápida retracção no trimestre seguinte. O consenso dos analistas da empresa de serviços financeiros FactSet aponta para 449 mil unidades no quarto trimestre (-9,48 por cento face ao ano anterior) e um total de 1,65 milhões de veículos para 2025 (-7,66 por cento). Trata-se de uma projecção anual bem abaixo do nível já atingido pela BYD até 30 de Novembro. O banco alemão Deutsche Bank estima que a Tesla entregará 405 mil veículos no quarto trimestre, enquanto analistas do banco suíço UBS apontam para 415 mil – ambas previsões revistas em baixa recentemente. O Deutsche Bank destacou vendas abaixo das expectativas na América do Norte (-33 por cento), Europa (-34 por cento) e, em menor escala, na China (-10 por cento). Copo meio cheio O banco TD Cowen apresenta uma estimativa mais optimista (429 mil unidades), mas sublinha que o trimestre foi “um pouco delicado”, devido ao fim dos incentivos fiscais, o que dificultou as projecções, segundo o analista Itay Michaeli. “As entregas da Tesla vão mostrar sinais de fraqueza no quarto trimestre”, apontou o director da corretora Wedbush Securities, Dan Ives. “Um total de 420 mil veículos já seria suficiente para mostrar alguma estabilidade da procura, numa altura em que o mercado está focado no lançamento da condução autónoma em 2026”, acrescentou. As vendas da Tesla foram afectadas por uma transição eléctrica mais lenta do que o esperado, pelo aumento da concorrência e pelas decisões do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde o regresso ao poder em Janeiro. A proximidade entre Elon Musk e Trump, tanto durante a campanha como após a tomada de posse, também afectou a imagem da marca, levando a apelos ao boicote. As vendas caíram acentuadamente, sobretudo na Europa.
APN | Pequim expulsa mais três generais em campanha anticorrupção Hoje Macau - 30 Dez 2025 Três altos responsáveis militares foram expulsos do órgão máximo legislativo da China, parte da campanha anticorrupção que se tem intensificado nas fileiras do Exército de Libertação Popular Segundo o jornal South China Morning Post, foram expulsos do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN) o chefe do Comité de Assuntos Políticos e Legais da Comissão Militar Central (CMC), Wang Renhua, o comissário político da Polícia Armada do Povo, Zhang Hongbing, e o director do departamento de treino da CMC, Wang Peng. A decisão surge após semanas de especulação sobre o paradeiro e a posição destes oficiais, ausentes de eventos militares relevantes desde Julho, incluindo o aniversário das Forças Armadas e a quarta sessão plenária do Comité Central do Partido Comunista Chinês, realizada em Outubro. Apesar da expulsão do órgão legislativo nacional, os três continuam a figurar como membros do Comité Central do Partido, a mais alta estrutura de decisão política do país. Wang Renhua, de 63 anos, foi promovido a almirante há menos de um ano pelo Presidente chinês, Xi Jinping, e liderava as estruturas judiciais e disciplinares do Exército – tribunais, procuradorias e sistema prisional militar – tornando-se o terceiro principal responsável pela segurança militar após a reforma das Forças Armadas lançada em 2015. A ascensão meteórica e queda abrupta de Wang ilustram a instabilidade na hierarquia militar chinesa e o endurecimento da política de ‘tolerância zero’ face à corrupção. O Ministério da Defesa chinês não comentou directamente os afastamentos, mas observadores apontam que as expulsões reflectem um abalo profundo na estrutura de comando e reforçam o controlo político sobre os sectores estratégicos da Defesa. A purga prossegue A campanha anticorrupção nas Forças Armadas tem sido uma das bandeiras da governação de Xi Jinping e visou já dezenas de altos quadros nos últimos anos, incluindo comandantes da Força Aérea, Marinha e das forças nucleares. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos publicou na semana passada o relatório anual sobre o poderio militar da China, no qual destaca que Pequim ampliou a definição de “interesse central” para incluir explicitamente Taiwan, bem como reivindicações territoriais no mar do Sul da China. O relatório, submetido anualmente ao Congresso norte-americano desde 2000, também menciona as vendas militares da China ao Paquistão e à Rússia, a purga de líderes militares por corrupção e o avanço tecnológico das forças armadas chinesas, com ênfase na Inteligência Artificial. Em resposta, um porta-voz da Defesa chinesa afirmou na quinta-feira que o documento deturpa a política nacional de defesa da China e procura “enganar a comunidade internacional” quanto à estratégia militar do país.
O Rapaz Que Conduz o Búfalo na Paisagem de Outono Paulo Maia e Carmo - 30 Dez 2025 Xiao Yan (464-549), o imperador Wu de Liang (r.502-549) que muito promoveu o Budismo, perplexo pela decisão do sábio Tao Hongjing (456-536) de se retirar da cidade em 492, com apenas trinta e seis anos, e ir viver para longe no meio das montanhas em vez de ficar na corte, onde a sua sabedoria e os seus conselhos seriam abundantemente reconhecidos e recompensados, enviou-lhe uma missiva perguntando-lhe porquê. Segundo a tradição, o sábio, que se dedicara ao estudo do Dao, não lhe respondeu, remeteu-lhe um desenho com dois bois; um livre a pastar o outro preso e com um freio. Xiao Yan compreendeu. O facto de Tao Hongjing ter escolhido o corpulento animal, que parece agir sem esforço nem pressa, para expôr a sua situação, ecoa a compreensão da vontade de união com a natureza que certos adeptos do Chan mostravam com a figura de Laozi (c.371-477 a.C.) montado num boi (niu) ou um búfalo (shuiniu) a caminhar em direcção ao pôr-do- sol, afastando-se da civilização, das suas inúteis guerras e confrontos. Anos depois, durante a dinastia Song do Sul (1127-1279), pintores usaram diversas vezes a figura do paciente boi, aproveitando o seu múltiplo sentido simbólico. O pintor da corte Yan Ciping (act. 1164-1187) seria autor de obras particularmente expressivas em que a figura do búfalo surge associada a rapazes jovens. Como na pintura em que se desprende a sensação da «paz dócil», como insinua o seu nome ciping, e a relação táctil com a terra mostrando dois rapazes sentados um a pentear o outro junto de uma árvore, atrás de dois búfalos, um grande e um pequeno também sentados, descansando (rolo vertical, tinta e cor sobre seda, no Museu Sen-oku, Hakukokan, em Quioto). Noutra, feita num leque montado numa folha de álbum, um Rapaz e um búfalo numa paisagem de Outono (tinta e cor sobre seda, 23 x 21 cm, no Museu de Arte de Cleveland) vê-se, entre nevoeiros, enquanto se vai desenrolando o tempo da transformação outonal, um jovem sentado sobre um búfalo, conduzindo-o pela rédea, exprimindo na figura do búfalo o «verdadeiro eu» sendo o rapaz condutor, o praticante do Chan de aparência mais frágil, vai abandonando o mundo condicionado por ilusões. Yan Ciping, como outros da corte da dinastia Song, como o célebre Ma Yuan (c.1160-1225), provinha de uma família de pintores que apuravam o seu próprio estilo familiar. Em certas pinturas, como em Hospedaria numa falésia coberta de pinheiros (leque montado como folha de álbum, tinta e cor sobre seda, 21,4 x 23 cm, no Metmuseum) é dificíl distinguir qual dos dois irmãos, filhos do pintor Yan Zhong, Ciyu ou Ciping é o autor. Nela, uma grande parte do espaço da pintura é deixado em branco, sugerindo a concepção do Budismo Chan de que a matéria emerge do vazio. Olhando a pequena pintura, o observador podia partilhar o sentimento de retirada objecto da obra.
Hong Kong acolhe festival de Inverno até domingo Hoje Macau - 30 Dez 2025 Para quem ainda quer viver os últimos momentos da época entre o Natal e o Ano Novo, o território vizinho acolhe o “Hong Kong Winter Fest”, com dois eventos a terminar no próximo domingo. Uma árvore de Natal gigante no centro da cidade, muitas luzes e espaços que dão azo à imaginação é o que se pode esperar desta iniciativa. Um dos espaços é a “Cidade do Natal”, situada em Central, e que tem uma árvore de Natal com 20 metros de altura e diversas decorações com brinquedos que fazem referência aos dias festivos que ainda agora chegaram ao fim. A “Cidade do Natal” [Christmas Town] teve início a 14 de Novembro e pode ser visitada até este domingo. Outra atracção deste festival é o “Immersive Light Show”, também em Central. Tal como o nome indica, o público pode ver um espectáculo de luzes, com projecções a três dimensões, música e animação, com pontos de visualização em North Square and South Square, Statue Square Gardens. Há espectáculos a cada 30 minutos entre as 07h30 e as 23h30. Aqui, “oito edifícios icónicos transformam-se numa tela gigante” para este espectáculo, podendo ser vistas figuras como bonecos de neve, anjos ou danças de renas “por entre os edifícios e árvores, criando-se uma experiência rica e cheia de sonhos que ilumina as noites festivas de Hong Kong”, descreve o departamento de turismo do Governo da RAEHK. Os edifícios onde será projectado o espectáculo de luzes são a Torre do Banco da China, o Hong Kong City Hall High Block, Hong Kong Club, o edifício principal do HSBC e do Standard Chartered Bank, entre outros. Luzes até Fevereiro Há ainda uma terceira iniciativa integrada neste festival de Inverno que se estende até 22 de Fevereiro. Trata-se da “Starlight Boulevard”, em que a Chater Road estará adornada com diversas luzes, incluindo uma passadeira e “uma impressionante peça central acima da Chater House”. “Os visitantes podem continuar a sua viagem sob um dossel dourado de luz para chegar à Noëlia no LANDMARK, uma encantadora instalação interativa em grande escala para mais surpresas e charme natalino”, descreve-se ainda na página do evento. Esta zona de luzes pode ser visitada entre Chater Road e Central.
CCM | “A Viagem de um Solista”, um concerto para ver e ouvir hoje Andreia Sofia Silva - 30 Dez 2025 O Estúdio II do Centro Cultural de Macau acolhe hoje um espectáculo de música clássica protagonizado pela Orquestra Chinesa de Macau. “Música Chinesa 360º: A Viagem de um Solista” conta com a presença de Kin Szeto, um jovem maestro de Hong Kong Uma experiência sonora, imersão dos sentidos e uma forma de passar os últimos dias do ano rodeado de música: todos os argumentos são bons para assistir hoje, no Estúdio II do Centro Cultural de Macau (CCM), ao concerto protagonizado pela Orquestra Chinesa de Macau (OCM). “Música Chinesa 360º: A Viagem de um Solista” começa às 19h45 e conta com a participação do jovem maestro de Hong Kong Kin Szeto. Segundo a sinopse do concerto, trata-se aqui de um espectáculo que promete romper “com o formato tradicional de concerto, oferecendo uma experiência única e imersiva”, “uma nova forma de ouvir música chinesa: estar dentro da orquestra”, lê-se no cartaz do espectáculo, cujos bilhetes têm um custo de 150 patacas. “Além de apresentar obras clássicas da música chinesa, proporciona-se ao público um efeito sonoro envolvente a 360 graus, permitindo sentir o diálogo e a ressonância entre os instrumentos através de arranjos inovadores”, acrescenta-se na apresentação da OCM. A OCM descreve ainda que o público pode “deixar-se envolver pela vastidão da música chinesa”, ficando a promessa de que Kin Szeto, “vencedor de concursos internacionais de direcção de orquestra, irá conduzir a orquestra com o seu domínio técnico e estilo enérgico, explorando toda a riqueza da música chinesa”. Uma carreira longa Kin Szeto doutorou-se em Artes Musicais e regência de orquestra na University of Cincinnati College-Conservatory of Music, com orientação de Mark Gibson, e uma bolsa que lhe cobriu a totalidade dos estudos. Anteriormente fez um mestrado em Nova Iorque, no Ithaca College. O jovem de Hong Kong venceu o prémio do Concurso de Regentes de Orquestra de 2022, na Roménia, tendo-se estreado na Europa com a Orquestra Filarmónica de Brasov. Nos Estados Unidos, Kin Szeto desempenhou diversos cargos musicais, como maestro convidado e assistente e também director musical. Além disso, o maestro é intérprete de erhu, instrumento de música tradicional chinesa. Foi músico na Orquestra Chinesa de Hong Kong entre 2011 e 2016, tendo sido depois regente da orquestra. Mais música em Janeiro Destaca-se ainda a realização de um concerto protagonizado pela OCM em Janeiro, no dia 16, com início agendado para as 19h45. Intitula-se “Dawn Breaks” e conta com Liao Yuan-Yu como maestro e os músicos Lin Jie, intérprete de ruan, instrumento tradicional chinês; e ainda Hou Guangyu, que estará em palco a tocar um dizi. O programa integra composições como “Bamboo Reverie”, de Li Jiaying, tocada pela orquestra juntamente com o dizi; “Formation Break: Contempo”, de JunYi Chow; e ainda “Macau Impressions”, uma obra encomendada e composta por Zhao Jiping. Segundo a sinopse do concerto, o maestro da OCM irá “conduzir o público através de uma empolgante jornada artística, desde os primeiros lampejos de inspiração”. “O concerto contará com Hou Guangyu, renomado flautista de bambu, que irá interpretar o concerto para flauta ‘Bamboo Reverie’. Já Lin Jie, chefe do naipe de ruan da Orquestra, irá interpretar, juntamente com a Orquestra, ‘Ode to the Sun’, obra que revela a força da alegria e do encorajamento”, lê-se.
Inquérito | Larga maioria disposta a trabalhar em Hengqin Hoje Macau - 30 Dez 2025 Um estudo da Associação Chinesa para o Avanço da Juventude revela que 83 por cento dos inquiridos estão dispostos a trabalhar em Hengqin. Este documento, citado pelo portal Macao News, foi elaborado mediante um inquérito feito entre Setembro e Novembro, tendo sido recolhidos 1.052 questionários online feitos a residentes com idades entre os 18 e 45 anos. Ainda no âmbito laboral, o estudo mostra que mais de 86 por cento dos jovens de Macau mostrou interesse em abrir um negócio em Hengqin, e que mais de 52 por cento diz ter uma “atitude aberta” face à possibilidade de viver na Ilha da Montanha. Há, porém, diversos obstáculos referidos no estudo, nomeadamente a nível administrativo, com mais de 55 por cento dos entrevistados a referir que há uma grande lentidão nos processos administrativos para poderem trabalhar, viver ou abrir negócios em Hengqin. Foi ainda referido outro ponto quanto à residência, pois cerca de 67 por cento dos entrevistados disseram que um dos entraves à sua mudança para Hengqin prende-se com o tempo de residência do outro lado da fronteira não contar para a obtenção do estatuto de residente permanente da RAEM. Outro ponto menos favorável para a fixação de pessoas, referido pelos entrevistados, é o facto de existirem diferenças salariais e menos benefícios em Hengqin.
Jogo | Melco recebe autorização para operar três salas Mocha Andreia Sofia Silva - 30 Dez 2025 A Melco obteve autorização do Governo para operar três salas de jogo Mocha no Porto Interior, Hotel Golden Dragon e Hotel Sintra. Para assegurar o funcionamento dos espaços, a Melco terá de contratar uma entidade gestora O Governo concedeu autorização à operadora de jogo Melco para manter três salas de máquinas de jogo a funcionar. Tratam-se das salas de jogo Mocha Golden Dragon, Mocha Porto Interior e Mocha Hotel Sintra, sendo que, para a sua continuidade, a Melco terá de contratar uma sociedade gestora. A decisão surge no contexto do fim do período transitório de três anos, dados às concessionárias de jogo para assumirem a exploração dos casinos-satélite. O prazo termina amanhã. Segundo um comunicado da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), “a Melco irá contratar uma sociedade gestora para dar continuidade à exploração das salas de máquinas de jogo Mocha Golden Dragon, Mocha Porto Interior e Mocha Hotel Sintra, a partir de 1 de Janeiro de 2026, mantendo o vínculo laboral estabelecido entre a Melco e os trabalhadores das mesmas salas de máquinas de jogo”. Mudanças no hotel A DICJ referiu também que o encerramento do Mocha Hotel Royal, que cessou oficialmente operações às 23h59 de domingo, decorreu “em conformidade com os procedimentos previstos”. Esta sala de jogos de máquinas também estava afecta à Melco Resorts. De seguida, a DICJ, a quem coube a coordenação do encerramento, “procedeu, de imediato, à suspensão do funcionamento das máquinas de jogo, tendo assegurado a coordenação, com diversos serviços, e o acompanhamento do processo de retirada do respectivo recinto, entre outros”. Tendo em conta que houve trabalhadores envolvidos no processo, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais “enviou pessoal ao local para prestar esclarecimentos aos trabalhadores em causa, tendo-lhes sido fornecidas informações sobre uma linha aberta para consultas”. Na mesma nota, a DICJ explicita que vai continuar “a assegurar a coordenação estabelecida com as concessionárias de exploração de jogos de fortuna ou azar e os serviços competentes, promovendo em conjunto o desenvolvimento saudável e ordenado do sector do jogo de Macau”.
Cotai | Um terço dos jovens não sabe que a zona de espectáculos existe João Santos Filipe - 30 Dez 2025 Os resultados constam de um inquérito da Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau, que apela ao reforço da promoção do espaço ao ar-livre no Cotai. Mais de metade dos inquiridos confessou não ter assistido a qualquer espectáculo em Macau no último ano Três em cada 10 inquiridos pela Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau desconhece a existência da zona de espectáculos ao ar-livre no Cotai. A conclusão foi apurada através de um inquérito sobre a indústria dos espectáculos enquanto uma das vertentes da diversificação da economia. As conclusões do inquérito foram apresentadas ontem de manhã, numa conferência de imprensa, e o estudo contou com um total de 789 respostas válidas dadas por inquiridos com idades entre os 18 e 44 anos. Quando questionados sobre a existência do espaço promovido pelo Instituto Cultural para a realização de grandes espectáculos, 29 por cento afirmou desconhecer de todo a zona de espectáculos ao ar-livre. Aos 29 por cento dos inquiridos que desconhecem a zona de espectáculo, junta-se ainda 36 por cento que consideram que a zona não agrada nem desagrada, 21 por cento que estão satisfeitos com o espaço e 15 por cento que fazem uma avaliação negativa das instalações. Com base nestes resultados, os responsáveis pela realização do estudo entendem que o Governo tem muita margem de manobra para promover a infra-estrutura e melhorar as instalações. Lá fora é melhor O inquérito revelou ainda que 50,2 por cento dos jovens não assistiu a qualquer espectáculo em Macau nos últimos 12 meses, independentemente de serem eventos com grande ou pequena dimensão. Quanto aos que assistiram a pelo menos um espectáculo na RAEM, 25 por cento indicaram ter assistido apenas a um único evento em 12 meses. O estudo indica que menos de 10 por cento dos inquiridos assistem a espectáculos com uma frequência superior a um evento a cada três meses. No entanto, o estudo também mostra que os jovens assistem a mais espectáculos fora da RAEM do que no território. E quando vão para fora, normalmente o objectivo é assistir a eventos de grande dimensão. Cerca de 74 por cento dos inquiridos admitiu ter assistido especificamente a concertos de grandes dimensões nos últimos 12 meses fora de Macau. Este número supera a percentagem de residentes que assistiu a peças de teatro ou musicais (21,4 por cento) e a festivais de música (17,3 por cento). Face a estes resultados a associação indica que os jovens preferem concertos de música pop. Amar Hong Kong Em termos da origem dos artistas dos espectáculos, praticamente 50 por cento dos inquiridos indicou ter assistido a eventos com artistas de Hong Kong. A proporção de residentes que assistiu a espectáculos com artistas de Macau foi de 29 por cento, seguida por espectáculos com artistas da Coreia do Sul (20 por cento) e do Interior da China (19 por cento). Sobre os motivos que fizeram com que 50,2 por cento dos jovens não assistissem a espectáculos, 32 por cento queixou-se da falta de tempo. Houve ainda 24 por cento que indicaram não ter interesse nos espectáculos organizados em Macau, enquanto 16 por cento admitiram ter desistido de ir a espectáculos na RAEM devido às dificuldades para comprar um bilhete nos canais de venda oficiais.
Nam Van | Aterro Provisório irá custar quase 12 milhões de patacas João Santos Filipe - 30 Dez 2025 Os trabalhos fazem parte de um plano apresentado em Agosto para aproveitar provisoriamente os lotes A3, A4 e A9 do Lago Nam Van. O plano inclui a construção de uma nova zona de estacionamento no centro da cidade Os trabalhos de construção do aterro e fundações provisórias do lote A4 do Lago Nam Van vão ter um custo de 11,82 milhões de patacas. A obra foi adjudicada à Empresa de Construção e Obras de Engenharia Tak Fat Kin Ip e visa permitir o aproveitamento provisório do terreno, de acordo com o portal da Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP). A obra foi atribuída através de um procedimento de consulta por parte da DSOP junto de algumas construtoras que resultou na apresentação de seis propostas, com os preços a variarem entre 10,68 milhões de patacas e 14,73 milhões de patacas. Todas se comprometiam a finalizar as obras em 180 dias. De acordo com a DSOP, “actualmente, o lote A4 é um estaleiro abandonado”, apesar de ter uma área de 1.500 metros quadrados” e ficar numa zona central da cidade. Os trabalhos exigidos à Tak Fat Kin Ip visam criar as condições para “a próxima construção de espaços públicos provisórios”, assim como “resolver completamente os eventuais riscos emergentes de acumulação de águas estagnadas” nas construções existentes no lote A4. Tirar proveito O aproveitamento do lote do Lago Nam Van faz parte de um plano mais amplo do Governo, apresentado em Agosto deste ano, quando foi traçado o objectivo de “aproveitar, a curto prazo, os três lotes de terrenos A3, A4 e A9 do Lago Nam Van para a criação dos espaços públicos provisórios”. O Executivo pretende “satisfazer as expectativas razoáveis dos residentes sobre o aproveitamento optimizado de terrenos e, ao mesmo tempo, melhorar a paisagem urbana do centro da cidade, enriquecendo a experiência de Macau como cidade turística”. Esta opção tem em conta que os terrenos ficam localizados perto de alguns dos pontos turísticos mais procurados da cidade. Além disso, os terrenos situam-se numa zona comercial, o que faz com que durante os feriados o trânsito seja “muito intenso” e que nas horas de ponta sejam “implementadas medidas de controlo de multidões”. Em Agosto, a DSOP comprometeu-se também com a realização de “obras provisórias que incluem a construção de um passeio provisório ao longo do lago no lote A9, que fará a ligação com as arcadas dos edifícios circundantes”. Esta ligação vai permitir caminhar directamente entre os edifícios Lake View Mansion e Nam Van Península ao longo da margem do lago, sem a actual necessidade de contornar o lote A9. Nos lotes A3 e A4, entre os edifícios Hotel Grand Emperor e o FIT Center of Macau, vai ser construído um parque de estacionamento provisório.
Leong Pou U quer mais protecção para trabalhadores independentes João Santos Filipe - 30 Dez 2025 O deputado Leong Pou U considera que o Governo deve criar nova legislação para garantir mais protecção para os trabalhadores independentes. O assunto consta de uma interpelação oral que foi divulgada ontem pelo legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau. De acordo com o deputado, os mais recentes desenvolvimentos das forças produtivas vão originar “novas formas de relações de produção e relações laborais”. No entanto, Leong Pou U avisa que as novas relações vão ser mais “flexíveis” e instáveis e que “diferem significativamente dos modelos tradicionais que apresentam horários de trabalho fixos, locais de trabalho fixos e relações laborais estáveis”. Apesar dos novos modelos, o deputado defende que é necessário proteger os “direitos dos trabalhadores nas formas de emprego e criar um ambiente jurídico favorável ao desenvolvimento de novas forças produtivas de qualidade”. “As autoridades vão realizar uma revisão e alteração sistemáticas das leis e regulamentos laborais em resposta ao surgimento de novas formas de emprego, reforçando assim a salvaguarda dos direitos dos trabalhadores nestes novos regimes?”, pergunta. Áreas cinzentas Sobre as novas formas de trabalho, Leong Pou U indica ainda que muitas vezes decorrem à margem das tradicionais licenças atribuídas por órgãos como o Instituto para os Assuntos Municipais. Por isso, Leong pergunta como as autoridades se vão adaptar à mudança. O deputado exemplificou o novo paradigma com a multa aplicada a um jovem que cobrou dinheiro por fotografias perto das Ruínas de São Paulo. “Recentemente, um residente que prestava serviços de fotografia remunerados perto das Ruínas de São Paulo foi multado pelo IAM por alegadas violações ao regulamento de vendedores ambulantes”, indica. “Gostaria de perguntar ao secretário como os direitos e interesses dos freelancers ou das pessoas com vários empregos serão reforçados no futuro, a fim de promover o emprego de alta qualidade para os residentes, especialmente os jovens”, questionou.