Hengqin | Deputado alerta para problemas de mobilidade e pede apoios João Santos Filipe - 6 Jan 2026 Apesar da fronteira de Hengqin estar aberta 24 horas por dia, Leong Sun Iok alerta para a falta de transportes, principalmente durante a madrugada. O deputado pede também apoios públicos para os residentes que moram em Hengqin A circulação entre Macau e a Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin é encarada por Leong Sun Iok com preocupação. O assunto faz parte de uma interpelação escrita divulgada ontem pelo deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau. Na perspectiva do legislador, o facto de terem passado dois anos desde que os primeiros residentes de Macau passaram a habitar na Zona de Cooperação devia ter servido para melhorar vários aspectos de circulação de pessoas e bens. No entanto, tal não aconteceu: “Estou muito preocupado com as questões práticas enfrentadas pelos residentes de Macau que vivem em Hengqin no que diz respeito às viagens transfronteiriças, à eficiência dos procedimentos aduaneiros e à convergência dos serviços públicos”, apontou. A primeira preocupação de Leong Sun Iok prende-se com a falta de transportes para a fronteira, um problema que afecta principalmente quem trabalha por turnos. “Com o primeiro autocarro a partir às 06h30 e o último às 23h15, não é possível cobrir as necessidades daqueles que trabalham em turnos nocturnos ou que terminam o trabalho de madrugada”, afirmou. “Deve ser considerada a criação de percursos adicionais de autocarros nocturnos entre as áreas urbanas de Macau e a fronteira de Hengqin”, acrescentou. A nível dos autocarros, o deputado pede também ligações directas entre a fronteira e as principais áreas da Península de Macau, Taipa e Coloane, para “reduzir o tempo de deslocação dos residentes”. O deputado defende também que se estude a “viabilidade de prolongar ou ajustar os horários da primeira e última viagem de Metro Ligeiro” para a fronteira. Leong Sun Iok salienta também a existência de “congestionamentos e longas filas durante as horas de ponta” que afectam principalmente os “veículos com matrícula única”. O legislador propõe assim “a criação de canais específicos de passagem para residentes de Macau”. Mais dinheiro Além de sugerir melhorias de circulação, o membro da FAOM considera que é necessário aumentar os apoios financeiros para quem vivem na Ilha da Montanha e sugere o subsídio dos cuidados de saúde prestados aos residentes no outro lado da fronteira. “Para aliviar o custo de vida dos residentes no Novo Bairro de Macau, as autoridades irão estudar e avaliar activamente a extensão da cobertura das políticas de bem-estar existentes para os residentes de Macau, tais como subsídios para serviços públicos?”, questiona. Na visão do deputado, se Macau pagar os serviços prestados em Hengqin aos residentes da RAEM está a proporcionar “um apoio e incentivo para os residentes de Macau viverem na Zona de Cooperação entre Guangdong e Macau” e a promover “o desenvolvimento integrado de Hengqin e Macau”. O deputado pede ainda às autoridades que adiantem o calendário para a implementação de cuidados de saúde prestados por instituições de Macau no Novo Bairro de Macau em Hengqin. Segundo Leong Sun Iok, até Setembro do ano passado havia cerca de 30 mil residentes de Macau a viver na Zona de Cooperação.
AMCM | Melhorado sistema de compra de fundos em RMB Hoje Macau - 6 Jan 2026 A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) lançou ontem o “Mecanismo de facilitação de fundos em RMB” [renminbi], com “um prazo relativamente longo”. O mecanismo surge no âmbito das medidas de recompra de obrigações na moeda chinesa, implementadas em 2023. O objectivo, segundo uma nota da AMCM, é “apoiar o desenvolvimento do mercado monetário e do mercado de obrigações locais”. Neste contexto, “os bancos locais podem utilizar obrigações qualificadas ao abrigo do mecanismo de ligação directa entre a ‘Central de Depósito de Valores Mobiliários de Macau’ (CSD) e a ‘Central Moneymarkets Unit’ (CMU) de Hong Kong para realizar operações de recompra”. A ideia é “potenciar ainda mais os efeitos de sinergia e desenvolvimento da colaboração entre as duas regiões”, lê-se na mesma nota. Foi também introduzido “um projecto especializado de swap cambial em RMB” face ao dólar de Hong Kong e americano, tendo por objectivo “melhorar a liquidez em RMB ‘offshore’ no mercado local” e “apoiar o desenvolvimento estável das actividades denominadas em RMB no mercado financeiro local”. Este projecto de swap cambial visa ainda “diversificar os canais de obtenção de fundos em RMB pelos bancos locais”. A AMCM promete “continuar a realizar operações no mercado monetário através de diversos instrumentos financeiros, mantendo a estabilidade do sistema monetário e financeiro de Macau e promovendo o desenvolvimento da indústria financeira moderna de qualidade”.
Economia | Estudo nega que crise pandémica tenha gerado diversificação João Santos Filipe - 6 Jan 2026 A pandemia reduziu temporariamente a supremacia do jogo na economia de Macau, mas não produziu alterações estruturais. Assim que as restrições fronteiriças foram levantadas, a indústria dos casinos voltou à posição dominante em termos económicos A crise motivada pela pandemia da covid-19 não foi uma oportunidade aproveitada para reduzir da importância do jogo no tecido económico de Macau. A conclusão faz parte do estudo com o título “Resiliência ou Miragem? Desconstrução da Recuperação Económica e o Atraso Estrutural do Mercado de Trabalho no Sector do Turismo de Macau” (Resilience or Mirage? Deconstructing de Economy Recovery and Labor Market Structural Lag in Macao’s Tourismo Sector) publicado por seis académicos da Universidade Politécnica de Macau, na revista Turismo e Hospitalidade (Tourism and Hospitality). Segundo os autores, apesar da redução do peso económico do jogo durante a pandemia, principalmente quando vigoravam medidas de restrição da circulação de turistas, a importância do principal sector da economia local acabou por se acentuar no pós-covid-19. A análise dos académicos tem por base a avaliação do Índice Herfindahl–Hirschman (HHI) que permite medir o peso de cada sector na totalidade da actividade económica. “Esta conclusão desafia a narrativa tradicional da avaliação da resiliência, que encara ‘a crise como uma oportunidade para a transformação estrutural’, revelando um padrão específico de resposta à crise — a ‘diversificação passiva’”, foi explicado. “Este fenómeno não resultou do crescimento endógeno de elementos não relacionados com o jogo, mas sim da paralisia estrutural das funções centrais do sistema causada pela estagnação do motor do turismo. Por outras palavras, o aumento da quota dos sectores não relacionados com o jogo foi apenas um resultado matemático passivo, e não um reflexo de competitividade substancial”, foi acrescentado. Os académicos apontam também que a ideia da redução da importância relativa do peso do jogo se deveu ao “efeito denominador”, ou seja, foi motivado apenas pela contracção do sector do jogo, que impulsionou o aparente peso de outros sectores no panorama global. Contudo, o crescimento de outros sectores não foi estrutural, e assim que o jogo recuperou, a importância das outras actividades económicas voltou a ser marginal. Efeitos divergentes No trabalho publicado a 2 de Janeiro, os académicos Cai Jingwen, Wang Chunning, Hu Haoqian, Ho Wai In, Chan Ka Ip e Yin Yifen observam igualmente o comportamento do mercado laboral relacionado com o turismo durante a pandemia. A análise resulta na identificação de duas tendências contrárias. Em relação às profissões mais específicas da indústria do jogo, como croupiers ou outros trabalhadores envolvidos nos sectores de luxo, houve uma retenção da força laboral, com 98 por cento dos trabalhadores a manterem o regime de trabalho a tempo inteiro. O fenómeno é considerado normal durante “choques temporários” na indústria, mas os autores apontam que prejudica os esforços de diversificação da economia e do plano 1+4, em que o jogo vai impulsionar o desenvolvimento de sectores como finanças, saúde, eventos desportivos e medicina tradicional chinesa. Em relação à mão-de-obra menos especializada, como trabalhadores da restauração, os investigadores identificaram um padrão de despedimentos e layoffs. Neste tipo de empregos, os académicos verificaram que o número de empregados a tempo inteiro diminuiu cinco por cento, com os salários também a decrescerem.
Um foi despedido por chegar cedo e outro por sair a horas David Chan - 5 Jan 2026 Funcionária de uma empresa de logística, uma jovem espanhola de 22 anos, deveria entrar no trabalho às 7:30. Nos últimos dois anos, chegava entre as 6.45 e as 7.00. A empresa avisou-a repetidas vezes para não chegar mais cedo, mas ela não acatou a ordem. Acabou por ser despedida por “má conduta agravada.” A funcionária entrou com uma acção judicial no Tribunal Social de Alicante alegando ter sido despedida sem justa causa. A empresa argumentou que chegar mais cedo ao trabalho não implicava maior produtividade e que era somente um sinal de “insubordinação.” A jovem repetiu este comportamento 19 vezes após ter recebido diversos avisos verbais e escritos, chegando mesmo a registar a entrada ao serviço através da aplicação da empresa antes de entrar no escritório. Além disso, foi acusada de vender a bateria de um carro de serviço abusando da confiança da entidade patronal. O tribunal acabou por decidir a favor da empresa, afirmando que as constantes entradas ao serviço antes da hora, apesar dos múltiplos avisos em contrário, constituíam insubordinação deliberada. Ao abrigo do Artigo 54 da Lei Laboral espanhola, isto constitui uma grave violação do dever. A secção 9 da Portaria do Emprego, Capítulo 57, da Lei de Hong Kong e o Artigo 11, N.º 1(4) da Lei das Relações de Trabalho de Macau contêm disposições semelhantes que exigem que os trabalhadores cumpram as instruções razoáveis da empresa. Na generalidade dos contratos laborais, a impossibilidade de o funcionário chegar ao trabalho antes da hora é uma instrução razoável, não um pedido irrazoável. Desobedecer a tais instruções viola a legislação laboral, levando ao despedimento. No entanto, esta regra pode afectar o entusiasmo e o sentido de pertença do trabalhador, aumentando a dificuldade da gestão da empresa. Embora a notícia não adiantasse qualquer informação sobre a decisão do tribunal em relação ao roubo da bateria, não sabemos se esta questão não influenciou a decisão do juiz. Só podemos dizer que, desde que a empresa não tenha decidido em contrário, as baterias usadas pertencem-lhe e o trabalhador não tem direito a dispor delas. Curiosamente, deparei-me com outra notícia mais antiga que aborda um tema semelhante. Um internauta que trabalhava num escritório foi despedido após uma semana, alegadamente porque saía do trabalho a horas todos os dias, o que desagradou ao patrão. Este internauta afirmou: “A empresa alega que saio do trabalho muito cedo. Os novos funcionários devem esforçar-se mais para aprender e devem fazê-lo rápido. Se houver uma data limite, posso fazer horas extraordinárias, mas não tenho de o fazer todos os dias.” Os empregados que chegam mais cedo são despedidos, e os que saem a horas também. O que é que se deve fazer? As empresas pagam salários para que as pessoas trabalhem para elas; a obediência às suas instruções é fundamental. Chegar mais cedo significa que o trabalhador não se quer atrasar, o que demonstra um entusiasmo positivo e uma atitude responsável. No entanto, se perturbar os horários da empresa, cria-se uma situação do tipo “de boas intenções está o inferno cheio,” o que deve ser evitado. Por outro lado, as empresas não devem avaliar o desempenho dos funcionários apenas baseadas no critério de saírem do trabalho à hora certa. Devem considerar indicadores mais importantes como, se completa as tarefas a tempo, se as prioriza, se cumpre as suas responsabilidades e se faz um bom trabalho. O caso de Alicante conduziu a um litígio judicial. Este litígio desencadeou a especulação do público, as pessoas queriam saber porque é que chegar mais cedo era motivo de despedimento. Os trabalhadores em geral também se interrogavam. Chegar mais cedo é considerado um comportamento positivo e um sinal de pertença à empresa. Quando isto acontece e o funcionário é na mesma despedido, sentem-se confusos e não sabem como manter uma atitude positiva no trabalho. Para reduzir a confusão do público e dos trabalhadores, a empresa deve explicar claramente que a funcionária foi despedida por insubordinação e porque é que não podia chegar mais cedo. O departamento de relações públicas da empresa deve explicar que a funcionária perturbou repetidamente os horários de trabalho depois de várias tentativas para a persuadir em contrário terem falhado. Perante a insubordinação, a empresa não teve outra escolha senão despedi-la. O objectivo desta explicação é reconstruir uma imagem pública positiva e prevenir mal-entendidos. O departamento de Recursos Humanos também deve indicar claramente aos empregados os horários de trabalho, os procedimentos e os padrões de avaliação de desempenho. O objectivo é clarificar os motivos que não lhes permitem chegar mais cedo e evitar mal-entendidos. Mas acima de tudo, trata-se de informar o funcionário de que a empresa é gerida com valores positivos e de onde reside o equilíbrio entre esses valores e os desafios das suas funções. Para evitar que esta situação se repita, as empresas devem reforçar estas declarações para que os trabalhadores as compreendam bem e, mais importante ainda, incluir esses requisitos no manual do funcionário para não deixar qualquer dúvida. As empresas também podem melhorar os seus procedimentos neste aspecto estudando o exemplo de outras. Algumas organizações de grandes dimensões pedem aos funcionários que cheguem 15 minutos mais cedo; estes 15 minutos destinam-se a preparação, não a trabalho efectivo. Por exemplo, a empresa estipula que os trabalhadores devem chegar entre as 8.30 e as 8.45, e que se preparem para o trabalho entre as 8.45 e as 8.59, mas neste período não atendem o público. Às 9.00 em ponto, começam a trabalhar. Devido às suas próprias necessidades, a empresa só abre as portas às 8.30 para que os trabalhadores possam entrar. Este método permite que os trabalhadores cheguem mais cedo sem perturbar os horários da empresa e garante que os funcionários estão adequadamente preparados para atender o público—uma situação em que todos ficam a ganhar. A empresa e os trabalhadores devem colaborar entre si. A empresa tem de deixar claro os seus requisitos e os trabalhadores devem respeitar as instruções. Só um bom ambiente de trabalho pode reter o maior bem intangível de uma empresa—os seus colaboradores—e ambas as partes podem beneficiar.
Venezuela | China pede a “libertação imediata” de Maduro Hoje Macau - 5 Jan 2026 A China pediu ontem aos Estados Unidos a libertação imediata do Presidente da Venezuela que foi detido em Nova Iorque, depois de ter sido capturado numa operação militar norte-americana levada a cabo no sábado. “A China pede aos Estados Unidos que garantam a segurança pessoal do presidente Nicolás Maduro e da sua mulher, que os libertem imediatamente e que cessem os seus esforços para derrubar o Governo venezuelano”, afirmou a diplomacia de Pequim. Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China classificou a operação como uma “flagrante violação do direito internacional”. Os Estados Unidos lançaram no sábado “um ataque em grande escala contra a Venezuela”, que capturou o Presidente venezuelano e a mulher, Cilia Flores, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder. O anúncio foi feito pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, horas depois do ataque contra Caracas. O líder venezuelano já tinha sido formalmente acusado em 2020 pelo Ministério Público para o Distrito Sul de Nova Iorque, que no sábado apresentou novas acusações junto do mesmo tribunal. Maduro está acusado de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína para os Estados Unidos e crimes relacionados com armas automáticas. Choque e condenação No sábado, ainda antes da confirmação da captura do Presidente da Venezuela, a diplomacia chinesa já tinha condenado os ataques militares lançados pelas forças norte-americanas contra Caracas. A China declarou-se “profundamente chocada” com a operação militar norte-americana e condenou o que descreveu como o “uso descarado da força” contra um país soberano. No entendimento do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, estas acções violam gravemente o direito internacional, infringem a soberania da Venezuela e ameaçam a paz e a segurança na América Latina e no Caribe. A China, que mantinha uma relação diplomática e económica próxima com a Venezuela, reiterou a oposição a intervenções militares e defendeu os princípios da soberania estatal e da não ingerência nos assuntos internos de outros países. Apupos e aplausos A comunidade internacional tem-se dividido entre a condenação aos Estados Unidos e saudações pela queda do líder da Venezuela, reeleito em Julho, numa votação contestada pela oposição. O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou “profunda preocupação” com a recente “escalada de tensão na Venezuela”, alertando que a acção militar dos EUA poderá ter “implicações preocupantes” para a região. Já o Governo da Índia, expressou ontem “profunda preocupação” com a situação na Venezuela, na sequência da execução da operação militar norte-americana “Absolute Resolve”. Em Nova Deli, num comunicado oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em que não faz qualquer menção explícita ao Presidente venezuelano deposto, Nicolás Maduro, o Governo não se pronunciou sobre a legitimidade da acção e optou por centrar-se num apelo à paz e a que se evite uma escalada da violência. “A Índia reafirma o seu apoio ao bem-estar e à segurança dos venezuelanos, instando todos os actores envolvidos a resolver as diferenças através de um diálogo pacífico”, refere o texto diplomático, omitindo referências directas ao presidente detido ou ao seu estatuto político. Em Tóquio, também num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão afirmou ontem estar a acompanhar “de perto” a situação na Venezuela, acrescentando que irá trabalhar para “restaurar a democracia” naquele país. “O Governo do Japão está a acompanhar de perto a situação e a dar prioridade absoluta à segurança dos cidadãos japoneses” residentes na Venezuela, refere o Ministério dos Negócios Estrangeiros. A diplomacia japonesa sublinhou a importância de respeitar o direito internacional e, ao mesmo tempo, reiterou que o Governo do arquipélago tem defendido “a importância de restabelecer a democracia na Venezuela o mais rapidamente possível”. Haja respeito Também a União Africana (UA) pediu respeito pelo direito internacional e, embora não tenha condenado directamente o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, afirmou que os problemas internos do país sul-americano devem ser resolvidos internamente. Num comunicado divulgado na noite de sábado, a organização pan-africana defendeu um “diálogo político inclusivo” entre a população venezuelana, com vários países africanos a manifestaram a rejeição às acções de Washington e alguns a mostrarem solidariedade a Caracas, como Angola. “A União Africana reafirma o firme compromisso com os princípios fundamentais do direito internacional, em particular o respeito pela soberania dos Estados, a sua integridade territorial e o direito dos povos à autodeterminação, tal como consagrados na Carta das Nações Unidas”, indicou a UA no comunicado. O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela decidiu que a vice-presidente executiva Delcy Rodríguez deverá assumir a presidência interina, “de forma a garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação”. O tribunal não especificou quando Rodríguez deverá tomar posse.
Um 2026 melhor para Portugal André Namora - 5 Jan 2026 Antes de mais quero desejar a todos os leitores deste jornal excelente e a quantos o produzem um novo ano de 2026 repleto de prosperidade e sucesso. Temos de entender que nada se consegue de um momento para o outro, mas o Governo português tem mais de 350 dias para fazer com que os portugueses passem a ter uma qualidade de vida melhor. A mensagem de ano novo do primeiro-ministro, Luís Montenegro, deixou a ideia que os cidadãos (e não “cidadões” como pronunciou o chefe do Executivo) entenderam as suas palavras como promessas vãs e inacreditáveis quando, ao dirigir uma mensagem de Ano Novo ao povo em geral, aproveitou para fazer propaganda a um candidato presidencial. Logo no início de Janeiro, os reformados são contemplados com um aumento inadmissível. Um reformado que receba 300 euros por mês, terá um aumento de pouco mais de cinco euros. Que aumento é este? Dá para comprar uma sandes e um café. Não é isto que os portugueses esperam de quem os governa. Gastam-se milhares de milhões de euros em excentricidades com a capa de progresso e desenvolvimento. No entanto, a habitação continua um caos relativamente aos jovens e aos pobres. Nunca mais se decide um programa envolvente de dimensão global que construa casas de arrendamento ou compra a preços acessíveis para os que vivem ao nível da pobreza. E são milhões de nossos compatriotas. Na educação temos crianças sem creches. Esperemos que em 2026 este problema seja solucionado e que se termine com as decisões que anulam no programa de ensino as disciplinas que falem de educação sexual. Nos transportes o povo português espera que os passes, ditos sociais, possam baixar de preço e que tenhamos um Metropolitano em Lisboa que não esteja sempre com os elevadores para deficientes, invisuais e idosos avariados e em muitas estações sem escadas rolantes impedindo obviamente o uso deste transporte importante. Será que em 2026 a Justiça irá mudar a sua estrutura a fim de terminar com uma justiça para ricos e outra para pobres? Mais de 100 mil pobres esperam que em 2026 o Governo volte a repor o subsídio de renda miserável de 200 euros mensais que suspendeu a esses beneficiários para usar os respectivos milhões de euros cativados para esse fim, em outras acções onde existia falta de tesouraria. Esperemos que o novo ano sirva para deixar de tratar os imigrantes de quem Portugal tão necessita para fazer frente ao trabalho na agricultura, nos hotéis, restaurantes, hospitais e no apoio domiciliário, especialmente aos idosos com doenças incuráveis. Em 2026, Portugal tem de mudar radicalmente o estado da Saúde. As urgências hospitalares não podem continuar encerradas ou com os doentes a aguardar 17 horas por uma consulta. As mulheres grávidas não podem continuar em pânico sem saberem onde irão ter os filhos ou os partos acontecerem em ambulâncias, carros particulares e mesmo na rua. Os médicos e outro pessoal clínico têm de passar a ser muito melhor remunerados. Os impostos que recaem sobre estes profissionais são escandalosos: um médico que trabalha de manhã à noite e que recebe 3.200 euros por mês leva para casa apenas 1.400 euros. A diferença vai-se em impostos que indignam qualquer profissional. E depois, não nos podemos admirar que os médicos e enfermeiros decidam emigrar ou mudarem-se para os hospitais privados. O Serviço Nacional de Saúde (SNS) é um dos melhores bens que foi concedido ao povo português e não podemos imaginar que os governantes estejam a planear um programa para privatizar totalmente a Saúde. Seria um crime, do mesmo tipo que Trump tem levado a efeito nos Estados Unidos da América. Os funcionários públicos têm de reflectir neste novo ano que são os contribuintes que lhes pagam os salários e têm de mudar o paradigma de atender o público rude e insolentemente nos balcões dos serviços públicos a nem sequer atenderem os telefonemas dos contribuintes. O problema social tem de melhorar substancialmente e não podemos continuar a constatar que Montenegro tem-se aliado a neonazis para tomar posições como a tentativa de mudar as regras da nacionalidade ou mesmo a própria Constituição. Os autarcas eleitos pelas populações de cada localidade têm de se compenetrar que o seu lema é servir o povo e não pensar quanto ganharão de comissão num ajuste directo a um empresário da construção civil ou de outros empreendimentos. Existem milhares de casas abandonadas ou encerradas. Esta situação não pode continuar. A classe média está a empobrecer devido ao aumento do custo de vida e necessita urgentemente de uma habitação digna e de preço acessível. Os autarcas têm de executar um censo habitacional e obrigar a que os proprietários de imóveis encerrados os coloquem no mercado de arrendamento ou de venda. Não festejamos a entrada de um ano novo apenas para ouvirmos desejos e promessas através de mensagens dos mandantes da governação. Queremos acção. Acção rápida, eficiente, séria e produtiva em benefício de um povo que continua na cauda dos países europeus. Aos amigos leitores que vivem em Macau deixo-vos um conselho: amealhem o maior pecúlio possível para no caso de regressarem a Portugal, poderem adquirir uma casa. Será um bem ultra necessário em face da situação que a maioria dos portugueses vai sobrevivendo. Esperemos que 2026 possa oferecer um Portugal melhor.
BD | Três jovens sagram-se vencedores em competição da Somos! Hoje Macau - 5 Jan 2026 A Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa acaba de anunciar os três jovens vencedores da competição de arte visual, com carácter bi-anual, “BD-Macau”. O primeiro prémio, de sete mil patacas, foi entregue a Tse Wai Sam, que apresentou o projecto de banda desenhada “O Último Passo de Dança” Já são conhecidos os vencedores da primeira Competição de Arte Visual “BD-Macau”, um concurso com carácter bi-anual realizado pela Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa, que visa premiar trabalhos na área da banda desenhada e também dar maior atenção a este tipo de expressão artística. O primeiro prémio foi arrecadado por um jovem de 25 anos, Tse Wai Sam, que recebeu sete mil patacas pelo trabalho “O Último Passo de Dança”. A banda desenhada evoca, segundo um comunicado da Somos!, o “icónico conjunto da Vila da Taipa, retratando, através da dança solitária de um idoso português, a fusão cultural e a memória afectiva na transformação urbana”. Segundo o autor, citado na mesma nota, esta dança “simboliza a tradição e a lembrança”, enquanto as luzes da cidade “representam a modernidade, criando em conjunto o ritmo único de Macau, entre a nostalgia e o renascimento”. O segundo prémio, por sua vez, coube a Ng Ka Iam, que apresentou a prancha de banda desenhada “Um Dia do Gato do Barra”, e que com isso arrecadou quatro mil patacas. Trata-se de um conjunto de desenhos que se desenrola “no ambiente em Macau e regista as histórias dos visitantes através da perspectiva de um gato que vive no Templo A-Má”. Segundo a Somos!, a “habilidade ‘única do gato’ permite-lhe ver o passado de cada visitante, apresentando as ‘experiências e emoções entrelaçadas de diferentes personagens em Macau'”. Este concorrente, com apenas 15 anos, retratou neste trabalho “momentos desde os primeiros emigrantes até à transformação moderna, mostrando o encanto ‘único de Macau como um local de fusão cultural, ao mesmo tempo que explora o sentimento de pertença e as memórias dos indivíduos face às mudanças da cidade'”, descreve-se na nota. Finalmente, o terceiro prémio, de duas mil patacas, foi atribuído a Tam Hio Tong, que concorreu com o trabalho “A-Muk e o Sapo – Capítulo de Macau”. Aqui existe uma protagonista, “A-Muk”, que faz uma “jornada calorosa de meio-dia” pelo território, tal como um “pequeno sapo”. “O autor, de 17 anos, tece habilmente na narrativa a carne de Vaca Seca da Ruínas de São Paulo, o gelado de coco da Rua dos Ervanários, e até a cultura única das motocicletas de Macau. Esta criação, a partir da perspectiva de um adolescente, ‘prova que as características culturais de Macau já estão profundamente enraizadas, também, no quotidiano da nova geração'”, refere a Somos!. Poucos, mas bons! Para a associação, as obras de banda desenhada vencedoras “celebram a identidade cultural da cidade, destacando a fusão sino-lusófona”, tendo este concurso tido por objectivo “apoiar o desenvolvimento criativo na área do desenho e ilustração e impulsionar o surgimento de mais obras locais nesta expressão artística”. A Somos! diz ter recebido “cerca de uma dezena de candidaturas”, sendo que apenas quatro cumpriram os critérios. O júri foi composto pelo presidente da Hyper Comic Society, Wesley Chan e pelo reconhecido cartoonista residente em Macau, Rodrigo de Matos, e pela representante da Somos – ACLP, Natacha Fidalgo. Paralelamente ao concurso, foi organizado um workshop de banda desenhada, ministrado pelos jurados Wesley Chan e Rodrigo de Matos, que permitiu aos participantes aprender ou consolidar técnicas de desenho, criação de personagens e desenvolvimento narrativa. A Somos! diz ter celebrado, com este concurso e workshop, “Macau e a sua riqueza arquitectónica e histórica, enquanto local de confluência cultural e base sino-lusófona”. “Apesar de o número de participantes ter sido inferior ao expectável”, descreve a associação, “a adesão foi positiva, considerando ser a edição inaugural”. “Conseguimos chegar ao público chinês, o que tem sido uma das nossas grandes batalhas nas iniciativas que temos levado a cabo”, afirmou a organização. Marta Pereira, radialista e presidente da direcção da Somos!, diz que existe em Macau “um mercado em expansão [na área da banda desenhada], mas provavelmente ainda com poucas oportunidades”. “A ideia é apostar num melhor marketing e promoção na próxima edição. Julgo que a tendência é de crescimento. Desenhem e apresentem-nos as vossas pranchas sempre que puderem”, acrescentou. Marta Pereira disse ainda, citada no mesmo comunicado, que a segunda edição deste concurso irá servir para “repensar o conceito, talvez envolvendo outras associações locais dedicadas à arte, e/ou convidar artistas asiáticos e de outros países”.
Um morto e oito feridos em novo fogo em habitação social Hoje Macau - 5 Jan 2026 Pelo menos uma pessoa morreu e oito ficaram feridas num incêndio que atingiu ontem um complexo de habitação pública em Hong Kong, um mês após um outro incêndio num bairro social ter causado 161 mortos. De acordo com a imprensa local, os bombeiros acreditam que um curto-circuito eléctrico poderá ter causado as chamas, que obrigaram à retirada de mais de 270 moradores do complexo, em Kowloon, no centro da região. O alerta foi dado por volta das 08:00 e os bombeiros conseguiram extinguir o incêndio, que atingiu uma área de pequena dimensão, em cerca de 50 minutos. Um homem foi encontrado morto no local enquanto um outro homem e sete mulheres foram resgatados. Os oito feridos mostravam sintomas de inalação de fumo, sendo que dois estavam em situação considerada grave. Os bombeiros disseram que o apartamento do 21.º andar onde surgiram as chamas estava cheio de objectos, que originaram um denso fumo que se espalhou pelos corredores e dificultou o combate ao incêndio. “O apartamento foi severamente danificado pelo fogo. Os bombeiros encontraram uma grande quantidade de objectos espalhados pelo apartamento”, disse o subchefe interino do departamento de Serviços de Incêndios. “Ainda estamos a investigar a causa do incêndio. Analisaremos as causas de forma abrangente, incluindo a possibilidade de uma falha de energia”, acrescentou Yip Kam-kong. O dirigente afirmou que o equipamento de combate às chamas estava a funcionar correctamente no edifício, negando relatos de uma mangueira de incêndio com defeito no 21.º andar. Yip acrescentou que os bombeiros não encontraram qualquer irregularidade nos equipamentos de segurança contra incêndio do edifício Mei Yue, no bairro Shek Kip Mei. Alguns moradores disseram à imprensa que as portas corta-fogo eram frequentemente deixadas abertas no edifício, mas Yip disse que não era o caso no 21.º andar quando os bombeiros chegaram ao local. Tragédia em Tai Po Em 26 de Novembro, um incêndio no bairro social Wang Fuk Court, em Tai Po, no norte de Hong Kong, causou a morte de 161 pessoas e deixou milhares de pessoas desalojadas. O incêndio em Wang Fuk Court começou quando a rede que cobria as estruturas de bambu num dos prédios, no âmbito de obras de renovação, se incendiou. O fogo propagou-se com rapidez ao resto do complexo, atingindo seis outras torres. Tendo em conta a magnitude da tragédia, o Governo local criou uma comissão de inquérito independente, presidida por um magistrado, com o objectivo de esclarecer as causas do início e da rápida propagação do incêndio. Paralelamente, a Comissão Independente contra a Corrupção de Hong Kong deteve o actual presidente da associação de moradores do Wang Fuk Court, bem como o antecessor, no âmbito da investigação sobre a catástrofe. O Ministério Público está a investigar mais de uma dezena de pessoas ligadas ao incêndio, sob a presunção de terem cometido homicídio por negligência, incluindo os directores e um consultor de engenharia da empresa de construção responsável pelas obras.
Coreia do Sul | Presidente em visita oficial à China Hoje Macau - 5 Jan 2026 O Presidente da Coreia do Sul iniciou ontem uma visita oficial à China, numa altura em que Pequim procura reforçar os laços com Seul, após o aumento das tensões com o Japão devido a Taiwan. A deslocação de quatro dias é a primeira visita oficial de um chefe de Estado sul-coreano à China desde 2019, assim como a primeira visita de Lee Jae-myung à segunda maior economia do mundo desde que assumiu o cargo, em Junho. A deslocação ocorre numa altura de tensão entre a China e o Japão, depois de a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter dito em Novembro que as forças armadas do país poderiam envolver-se se Pequim tomasse medidas contra Taiwan. No início de Dezembro, Lee afirmou que a Coreia do Sul não deveria tomar partido entre a China e o Japão. Durante a visita, que acontece a convite de Xi Jinping, Lee irá reunir-se com o líder chinês, o segundo encontro entre os dois em apenas dois meses. Os líderes já se reuniram em novembro, à margem da cimeira de líderes da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), organizada em Gyeongju, na Coreia do Sul. Na ocasião, trocaram piadas e Lee descreveu Xi como “surpreendentemente bom a fazer piadas”, considerando os diálogos “interessantes”, e expressou o desejo de visitar a China. Antes da viagem, Lee concedeu à emissora estatal chinesa CCTV a primeira entrevista na residência oficial da presidência, que foi transmitida na sexta-feira. O líder sul-coreano disse esperava que as pessoas compreendessem que o Governo se preocupa com as relações com Pequim e assegurou que a Coreia do Sul respeita consistentemente a política de ‘Uma Só China’ em relação a Taiwan. Na entrevista, Lee elogiou ainda Xi como um “vizinho verdadeiramente confiável”. O Presidente da Coreia do Sul reconheceu que mal-entendidos passados prejudicaram as relações bilaterais com Pequim. “Esta visita à China visa minimizar ou eliminar estes mal-entendidos ou contradições do passado”, disse, citado pela CCTV.
Espaço | Realizados 92 lançamentos espaciais em 2025 Hoje Macau - 5 Jan 2026 Os avanços científicos da China na exploração do espaço atingiram metas significativas em 2025. Além do lançamento de mais de 300 satélites, a missão Shenzhou-20 bateu recordes ao manter-se em órbita durante 204 dias A China realizou, no total, 92 lançamentos espaciais ao longo de 2025, ano em que o programa aeroespacial chinês abrangeu missões tripuladas, a exploração do espaço profundo e o lançamento de satélites para fins comerciais. De acordo com dados da Administração Espacial Nacional da China, citados sábado pela emissora estatal chinesa CCTV, mais de 300 satélites foram colocados nas órbitas planeadas durante o ano. Entre as conquistas técnicas de 2025, a missão Shenzhou-20 esteve em órbita durante 204 dias, o período mais longo até à data na histórica do programa espacial tripulado chinês. A China realizou também o primeiro lançamento de emergência de sempre, em apenas 16 dias, com a missão não tripulada Shenzhou-22, após a detecção de fissuras na nave inicialmente prevista para o regresso, algo que colocou à prova a resposta rápida do sistema de voo tripulado. A Shenzhou-21 estabeleceu um novo marco operacional ao completar uma acoplagem rápida em aproximadamente três horas e meia, reduzindo significativamente o tempo habitual para este tipo de missões. No campo da exploração científica, a sonda Tianwen-2 lançou a primeira missão da China para explorar um asteroide e trazer amostras de volta para a Terra, alargando o âmbito dos projectos espaciais do país. O ano passado foi marcado também por avanços e testes em veículos de lançamento reutilizáveis, com voos de teste de novos foguetões, tanto do programa estatal como de empresas privadas, que colocaram com sucesso cargas úteis em órbita, embora não tenham ainda conseguido recuperar os propulsores. Testes que reflectem o ímpeto do sector espacial comercial chinês e os desafios técnicos que enfrenta no objectivo de reduzir custos e aumentar a frequência dos lançamentos, através da reutilização parcial de foguetões. Salto em altura Zhu Haiyang, executivo do grupo estatal Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China, defendeu que o “aumento tanto no número de lançamentos como no de satélites implantados” reflecte um “salto qualitativo” nas capacidades operacionais do sector. Olhando para o futuro, a China planeia continuar os testes relacionados com o programa de pouso lunar tripulado, inicialmente previsto para 2030, lançar novas sondas lunares e apresentar novos modelos de foguetões. A China tem reforçado o seu programa espacial com missões ambiciosas como colocar a sonda Chang’e 4 no lado oculto da Lua e enviar a sonda Tianwen-1 a Marte, além de planos para construir, com outros países, uma base científica no polo sul lunar. A chinesa Tiangong (Palácio Celestial, em chinês), projectada para operar durante pelo menos dez anos, poderá tornar-se a única estação espacial habitada no mundo quando a Estação Espacial Internacional for desactivada, previsto para o final da década.
Qi Zhijia regressou ao Inverno para recordar Nizan Paulo Maia e Carmo - 5 Jan 2026 Mo Shilong (1537-87) referindo-se a um dos mais acarinhados mestres do cânone da história da pintura, conhecido pelo nome Ni Yunlin zi, o «Mestre da floresta das nuvens», o pintor Nizan (1306-1374), que se foi revelando quando, no tumulto da violenta transição dinástica, disse «não» aos seus mais próximos, passando a viver como um recluso, anotou que «quando as pessoas comuns tentam imitar uma pintura original, como podem transmitir o seu espírito para a posteridade?» Mais tarde o influente teórico Dong Qichang (1555-1636) acrescentou: «Aqueles que estudam os velhos mestres e não introduzem mudanças estão como presos atrás de uma cerca. Ao imitar modelos demasiado perto está-se muitas vezes ainda mais longe». E as pinturas de Nizan, porventura ainda mais que muitas outras, no seu sereno aspecto austero serão as mais difíceis de imitar porque dependem intimamente da pessoa do seu autor e da forma como nelas conseguiu fazer correr o «ritmo espiritual» (qiyun). E no entanto muitos tentaram reproduzir a elegante e insípida (dan) aparência daquelas visões que estavam mais próximas do seu espírito que do visível exterior. Mais tarde, numa outra transição dinástica, da dinastia Ming para a dos Qing, um pintor tentou seguir por dentro, em semelhantes circunstâncias, a via de Nizan. Pertencia a uma família de sete irmãos, oriunda de Shanyin (hoje parte de Shaoxing, Zhejiang). Um dos irmãos, o ilustrado funcionário imperial Qi Biaojia (1603-45), deixaria um singular registo da sofisticação dos literatos do fim da dinastia Ming, de modo significativo através da memória do seu jardim Yu, na encosta da colina do mesmo nome. Na «Antologia da colina Yu», Yushan zhi, uma obra colectiva em três volumes escrita por ele, seus amigos e familiares estão guardadas notas de viagens, explicações de vistas do jardim, narrativas, inquirições, sonhos de personalidades que interpretavam o seu presente com o conhecimento da riqueza das artes e da literatura do passado, constituindo um relevante arquivo histórico. Que se encontrava de forma expressiva em pinturas. Qi Zhijia (1594-c.1682), outro dos irmãos, além de poeta, dramaturgo, calígrafo, gravador de carimbos, atleta e cantor amador possuía a memória das pinturas, como mostrou em diversas obras feitas ao estilo de grandes mestres. Se, face à disrupção do novo governo estrangeiro, Qi Biaojia se suicidaria no seu jardim, como o fizeram, segundo um registo do tempo de Qianlong, quatro mil e quarenta e três altos funcionários, Qi Zhijia resistiria através da calma contemplação, aceitando a impermanência, como no rolo vertical de 1651, Paisagem a partir de Nizan (tinta sobre papel, 116 x 50,8 cm, no Metmuseum). Nele as «veias de dragão», longmo, revelam a profundidade da sua experiência de solidão e serenidade, a compreensão do espírito do Inverno.
Landmark | As horas derradeiras do último casino-satélite Hoje Macau - 5 Jan 2026 Centenas de pessoas despediram-se na noite de 30 de Dezembro do Landmark, o último ‘casino-satélite’ de Macau a encerrar portas e um capítulo da história do jogo no território. Clientes e funcionários realçam o simbolismo do encerramento do antigo Pharaoh’s Palace Reportagem de Catarina Domingues, da agência Lusa Samuel Lei e o casino Landmark são retratos de uma era prestes a extinguir-se. Lei é imagem de uma geração que, no início do século, transitou do secundário para trabalhar como ‘croupier’ nos casinos de Macau que surgiram após a liberalização do jogo. Já o Landmark, então chamado de Pharaoh’s Palace, foi o primeiro ‘casino-satélite’ do território, um modelo de gestão adoptado por Stanley Ho Hung-sun (1921-2020) – que deteve até 2002 o monopólio do jogo -, para fazer frente à concorrência. O Landmark, sob a tutela da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), foi também o último a fechar portas, depois de a nova lei que regula o jogo, aprovada em 2022, estabelecer o último dia de 2025 como data limite para terminar a actividade destes ‘satélite’. O relógio marcava 22h na noite de 30 de Dezembro. Samuel, acompanhado de três antigos colegas, presta um último tributo ao lugar onde trabalhou entre 2003 e 2006, onde começou por ganhar 11 mil patacas. “Na altura, o salário médio em Macau eram cinco ou seis mil patacas e se te formasses na universidade ganhavas talvez oito mil. Era um atractivo para adolescentes”, conta à Lusa. Duas décadas depois, nota Samuel, a opção da mesa de jogo em detrimento do ingresso no ensino superior é menos saliente, com uma subida magra dos salários dos ‘croupiers’, que “rondam 18 mil patacas”. Samuel e os amigos encontram-se no terceiro andar do casino, onde em tempos funcionou a única sala do Pharaoh’s Palace. A encarar os quatro vultos, uma esfinge gigante, representação da pegada egípcia pensada pelo empresário local David Chow Kam Fai – “o primeiro casino temático de Macau”, lê-se na página do projecto. No bengaleiro, já nada resta. Sem mais malas ou casacos por velar, Yu, uma das mais de mil funcionárias do espaço, conta os minutos para “este momento importante”. “Quero ir lá para baixo, gostava de filmar”, nota a funcionária, que vai ser transferida para o casino Lisboa, propriedade da SJM. A empresa, que só em 2025 encerrou oito ‘casinos-satélite’, comprometeu-se a assegurar os empregos dos trabalhadores. Pelas 22h30, já só há actividade no rés-do-chão. Numa das alas, funcionários, de colete vermelho, contam fichas de uma mesa do jogo de dados ‘big and small’, que acabou de vagar. Mais de uma centena de pessoas inclinam-se sobre seis mesas de bacará, o jogo que mais dinheiro faz circular nos casinos locais. Aposta-se até ao último minuto. A civilização egípcia, estampada nas paredes deste salão, e funcionários da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos testemunham o momento. “Vim de propósito assistir ao encerramento”, diz Xiao Xiao, da província de Hubei, centro da China. “Tantas pessoas de Hubei que aqui estão”, complementa. Numa mesa oposta, Gaia, de Macau, joga pelo simbolismo. Tem na mão uma ficha no valor de 500 dólares de Hong Kong. “A minha mãe trabalha aqui há mais de 20 anos, é um momento muito especial”, diz. Até ao último suspiro Os ‘casinos-satélite’ apareceram em Macau no despontar do século como consequência da liberalização do jogo, embora fundados sobre um modelo existente durante a administração portuguesa: casinos de privados, mas geridos pela empresa de Stanley Ho. Segundo este modelo, conhecido como “4+4+2”, 40 por cento das receitas revertiam a favor do Governo, 40 por cento de Ho e 20 por cento dos proprietários, explica à Lusa o especialista de jogo Ben Lee. Com a liberalização do sector, nota Lee, evoluiu-se para um novo arranjo, mantendo-se os 40 por cento do Governo, “cerca de 4 a 5 por cento – pura taxa de franquia – para a SJM” e o restante para os proprietários, sendo-lhes conferida a totalidade da gestão. “A expansão dos ‘casinos-satélite’ foi também uma das estratégias de Stanley Ho para contrariar a entrada dos novos grandes casinos-resorts. O velho ditado: a quantidade tem a sua própria qualidade, e durante algum tempo foram muito eficazes”, analisa ainda o fundador da consultora de jogo IGamix. Após a transferência de Macau, nota o especialista, Ho “encontrou uma lacuna que permitiu a proliferação” destes casinos. “E o Governo, de alguma forma, aceitou isso como um ‘fait accompli’, sem realmente investigar a legalidade”, acrescentou. Lee, que chegou a administrar o ‘casino-satélite’ Diamond, no hotel Holiday Inn, recorda como Pequim foi apanhado “de surpresa” com a distribuição das licenças de jogo. Em 2002 foram celebrados contratos entre o Governo de Macau, a SJM, a Galaxy Casino e a Wynn Resorts Macau para a atribuição de três concessões. No fim desse ano, foi feita uma alteração ao contrato de concessão do Galaxy Casino, que permitia à Las Vegas Sands entrar no jogo, mediante subconcessão. A SJM e a Wynn vieram também a assinar contratos de subconcessão, com a MGM e a Melco Resorts, respectivamente. Há cerca de uma década, acrescenta Lee, “começou a dizer-se” que representantes de Pequim estavam em contacto com pessoas ligadas ao sector. “E as perguntas que faziam: Como é que três concessões se tornaram seis? E como acabaram três operadores norte-americanos a controlar 50 por cento das concessões e subconcessões, quando inicialmente só se falava num? E os casinos satélite surgiram sem aviso prévio. (…) E então, penso que a mensagem ficou muito clara: ‘limpar tudo’”, explica. Pelas 23h35 de 30 de Dezembro, é dada ordem para sair. Lá fora, mais de duas centenas de pessoas esperam pela contagem decrescente, até que, chegadas as 23h59, a cortina, ali colocada para cobrir o nome do casino, bloqueia e ameaça cair. Só dois homens empoleirados numa plataforma elevatória conseguem completar a derradeira tarefa. E o Egipto dá por fim o último suspiro em Macau.
Domésticas | Atingido número mais elevado desde 2021 Hoje Macau - 5 Jan 2026 O número de empregados domésticos em Macau ultrapassou 28.500 no final de Novembro, o valor mais elevado desde Março de 2021. Segundo dados do Corpo de Polícia de Segurança Pública, divulgados pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), o território tinha 28.563 famílias com empregados domésticos, mais 161 do que no final de Outubro. Desde o pico máximo de 31.044, atingido em Abril de 2020, no início da pandemia de covid-19, e até Fevereiro de 2023, Macau perdeu mais de oito mil empregados domésticos. Desde então, em menos de três anos, o número de empregados domésticos subiu mais de 5.500, o correspondente a um aumento de 24 por cento. Recorde-se que os empregados domésticos voltaram a ser excluídos do salário mínimo, cujo valor aumentou em 2,9 por cento – 211,4 patacas, para 7.280 patacas desde o início do ano.
STDM | Grupo Estoril-Sol desiste da Póvoa do Varzim Hoje Macau - 5 Jan 2026 O Grupo Estoril-Sol, controlado pela STDM, desistiu do concurso público de atribuição da concessão para explorar o casino da Póvoa do Varzim, ao não participar no procedimento. A informação foi adiantada pelo jornal Expresso e significa que o grupo ligado aos descendentes de Stanley Ho abdica da concessão que actualmente controla. Face a esta situação, a empresa ligada a Macau apenas vai tentar manter o controlo do histórico Casino Estoril e do Casino de Lisboa. O casino da Póvoa do Varzim teve como único candidato o grupo francês Lucien Barrière. No final de 2024, o Grupo Estoril-Sol controlava 63 por cento do mercado do jogo em Portugal. Além disso, devido a atrasos do Governo português nos novos concursos público, os contratos de jogo do Grupo Estoril-Sol para os três casinos foram prolongados por um prazo de 120 dais, contado a partir de 1 de Janeiro. Inicialmente, o prazo dos contratos de concessão expirava a 31 de Dezembro.
Aeroporto | Número de passageiros caiu 1,6 por cento em 2025 Hoje Macau - 5 Jan 2026 O número de passageiros que passaram pelo Aeroporto Internacional de Macau caiu 1,6 por cento em 2025 “devido ao contexto económico e alguns factores de incerteza”, disse a companhia gestora. Num comunicado divulgado na sexta-feira, a CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau revelou ter registado cerca de 7,52 milhões de passageiros no ano passado. “Devido ao contexto económico e a alguns factores de incerteza, o tráfego de passageiros ficou aquém das expectativas durante o primeiro semestre e o período de férias de Verão”, lamentou a empresa. Em Abril, a CAM já tinha admitido que poderia falhar as metas de passageiros e carga fixadas para 2025, devido à “situação geopolítica e à instabilidade económica mundial”. Em Fevereiro de 2025, o presidente da operadora, Simon Chan Weng Hong, tinha previsto para o ano mais de oito milhões de passageiros, 65 mil movimentos de voo e um volume de carga de 113 mil toneladas. Ainda assim, o número de passageiros vindos do estrangeiro subiu 7 por cento, o total de rotas internacionais aumentou 26 por cento e o volume de carga registou um crescimento anual de 1,08 por cento, sublinhou a CAM no comunicado de sexta-feira. O aeroporto de Macau tem actualmente voos regulares de passageiros operados por 29 companhias aéreas para 47 destinos na China continental, Taiwan, Sudeste Asiático, Japão e Coreia do Sul, de acordo com o portal da CAM. Face à queda do número total de passageiros, a empresa afirmou ter agido “de forma proactiva, colaborando com diversas partes interessadas para atrair novas companhias aéreas”, o que levou a uma recuperação no quarto trimestre. A CAM sublinhou ainda que “está em contacto activo com várias companhias aéreas nacionais e internacionais para discutir o lançamento de novas rotas, incluindo uma possível cooperação com companhias aéreas do Médio Oriente”.
Jogo | Receitas dos casinos fecharam 2025 com subida de 9,1 por cento Hoje Macau - 5 Jan 2026 As receitas dos casinos de Macau ultrapassaram no ano passado 247,4 mil milhões de patacas, um aumento de 9,1 por cento em comparação com o ano anterior. Apesar do aumento anual de 14,8 por cento das receitas em Dezembro, a performance ficou aquém dos resultados de Novembro Os casinos de Macau amealharam mais de 247,4 mil milhões de patacas ao longo de 2025, um resultado que representa um aumento de 9,1 por cento face ao registo de 2024, segundo os dados oficiais divulgados pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Apenas em Dezembro, o sector arrecadou 20,9 mil milhões de patacas, mais 14,8 por cento do que no mesmo mês de 2024. Ainda assim, o valor do mês passado representa um recuo de 0,95 por cento em comparação com Novembro. Recorde-se que as receitas dos casinos de Macau fecharam o ano passado com o valor mais elevado desde 2019 (292,5 mil milhões de patacas), antes do início da pandemia de covid-19. O valor ultrapassa o previsto tanto no orçamento inicial para 2025, ou seja, os 240 mil milhões de patacas, assim como no orçamento revisto para 2025, aprovado pela Assembleia Legislativa (AL) em Julho, que era de 228 mil milhões de patacas. O orçamento para 2026, aprovado na AL em 18 de Dezembro, prevê que as receitas atinjam 236 mil milhões de patacas, o que representaria uma queda de 4,61 por cento em comparação com o ano passado. Espinha dorsal O secretário para a Economia e Finanças, Anton Tai Kin Ip, defendeu a previsão como “bastante prudente” e recusou apontar uma meta para o crescimento da economia da região, que descreveu como altamente “vulnerável a flutuações”. O recorde de receitas dos casinos foi atingido em 2013 – 360,7 mil milhões de patacas – antes de as autoridades da China continental terem lançado uma campanha para limitar os fluxos ilegais de capitais. Ainda assim, a indústria dos casinos tem beneficiado de sucessivos recordes ao nível da entrada de turistas chineses no território. De acordo com dados oficiais, Macau recebeu quase 36,5 milhões de visitantes nos primeiros 11 meses de 2025, mais 14,4 por cento do que no mesmo período de 2024 e mais do que em todo o ano anterior. A indústria do jogo, o motor da economia da cidade, representava em 2019 51 por cento do Produto Interno Bruto de Macau e, apesar da crise durante a pandemia, dava no final Novembro trabalho a cerca de 69.100 pessoas, ou seja, 18,2 por cento da população empregada.
Presidenciais | Neto Valente e Jorge Fão na campanha de Seguro Andreia Sofia Silva - 5 Jan 2026 Jorge Neto Valente, advogado e presidente da Fundação da Escola Portuguesa de Macau (FEPM), e Jorge Fão, membro da direcção da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), estão ligados à campanha de António José Seguro, que concorre a Presidente da República em Portugal. A associação do nome de Neto Valente a esta campanha foi noticiada pela TDM, que destaca que o advogado, e ex-presidente da Associação de Advogados de Macau, tinha sido no passado mandatário nas campanhas de Mário Soares e Jorge Sampaio, que acabaram eleitos para o cargo de Presidente da República. Ainda segundo a TDM, todos os nomes da comissão de honra desta campanha devem ser divulgados “nas próximas horas”. A Jorge Fão coube o cargo de director da campanha. Numa carta enviada às redacções, o responsável destaca que António José Seguro representa “uma candidatura de maturidade, responsabilidade de visão histórica”, não se tratando de “uma presidência ornamental, de confronto ou de espectáculo”. Fão descreve ainda que “deve haver um equilíbrio de forças” no campo político em Portugal”, não ignorando a importância de haver “bons freios e contra-pesos, sob pena de se resvalar para uma sociedade autocrática”. O dirigente da APOMAC refere ainda que o Presidente da República deve ter “integridade, empatia e uma estrutura moral inquestionável, além da capacidade de agregação, e não de divisão e muito menos de incitação ao ódio”. As eleições para o cargo de Presidente da República decorrem no dia 18 deste mês, destacando-se na mesma carta que “os portugueses residentes em Macau e Hong Kong não devem deixar de exercer o seu direito de voto”. O processo eleitoral começa no dia 17, entre as 8h e as 19h, devendo ser apresentado o Cartão de Cidadão ou Bilhete de Identidade Nacional.
Reserva financeira | Atingido segundo valor mais alto de sempre Hoje Macau - 5 Jan 2026 Os activos da reserva financeira de Macau valiam no final de Outubro 661,1 mil milhões de patacas, o segundo valor mais elevado de sempre. Segundo a Autoridade Monetária de Macau (AMCM), a reserva só ficou aquém do recorde histórico de 663,6 mil milhões de patacas, atingido em Fevereiro de 2021, apesar de o território estar então em plena pandemia. Um balanço publicado no Boletim Oficial da região semiautónoma chinesa mostra que o valor da reserva subiu 44,9 mil milhões de patacas nos primeiros dez meses de 2025. De acordo com a AMCM, a reserva já se valorizou mais do que em 2024, ano em que os activos subiram 35,7 mil milhões de patacas, o valor anual mais elevado desde a pandemia de covid-19. No ano passado, registou-se o aumento mais elevado desde 2019, quando o valor da reserva financeira de Macau subiu 70,6 mil milhões de patacas. Só em Outubro, a reserva ganhou 2,34 mil milhões de patacas. O valor da reserva extraordinária no final de Outubro era de 456,5 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público, era de 167,3 mil milhões de patacas.
Nascimentos | 2025 com registo mais fraco em quase meio século Hoje Macau - 5 Jan 2026 O director do Hospital Conde de São Januário revelou que Macau, que em 2024 já teve a mais baixa natalidade do mundo, registou em 2025 o menor número de nascimentos em quase 50 anos. No ano passado, nasceram no território menos 20,4 por cento dos bebés nascidos em 2024 De acordo com dados preliminares, Macau registou 2.871 recém-nascidos no ano passado, disse o director substituto do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Tai Wa Hou, citado pelo canal em chinês da emissora pública TDM. Este número representa uma queda de 20,4 por cento em comparação com 2024, ano em que nasceram em Macau 3.607 bebés, e fica muito aquém das expectativas das autoridades locais. No final de Janeiro de 2025, o subdirector dos Serviços de Saúde, Kuok Cheong U, tinha previsto menos de 3.500 nascimentos durante esse ano, número que já seria o mais baixo desde 2004. Mas o número revelado por Tai Wa Hou faz com que 2025 tenha sido o ano menos fértil desde 1978, quando a cidade, então sob administração portuguesa, registou 2.407 recém-nascidos. No entanto, enquanto em 1978 Macau tinha menos de 249 mil habitantes, no final de Setembro de 2024 a região já registava uma população de quase 687 mil. O número de nascimentos caiu, assim, pelo sexto ano consecutivo e está cada vez mais longe do máximo histórico de 7.913 fixado em 1988, que foi um Ano Lunar do Dragão. Considerado um símbolo da realeza, fortuna e poder e única figura mítica entre os 12 signos do milenar zodíaco chinês, o Dragão tem um conjunto de características que tradicionalmente leva os casais a planear ter filhos durante esse período. Ainda pior Macau registou em 2024 apenas 0,58 nascimentos por mulher, muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1), a menor taxa de fecundidade de sempre na região e a mais baixa do mundo, de acordo com dados oficiais. Este valor é ainda mais baixo do que a estimativa feita num relatório divulgado em Julho pelo Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (UNDESA, na sigla em inglês): 0,68 nascimentos por mulher. Apesar de mais optimista, a estimativa da UNDESA já indicava que Macau teria tido em 2024 a mais baixa natalidade do mundo, a uma grande distância da segunda jurisdição na lista, Singapura, com 0,95 nascimentos por mulher. O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, admitiu ser necessário “criar condições em termos de educação e emprego” para subir a baixa natalidade, que apontou como um dos maiores desafios da cidade a longo prazo. No início de Julho, a Assembleia Legislativa aprovou uma revisão do orçamento para reforçar os apoios sociais, incluindo a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para as crianças até aos três anos. Durante a campanha eleitoral, Sam Hou Fai prometeu ainda estudar a extensão da licença de maternidade, actualmente fixada em 70 dias, e a criação de um fundo de providência central obrigatório. Na quarta-feira passada, o Fundo de Segurança Social (FSS) defendeu que “sejam estabelecidas condições para iniciar a implementação, de forma gradual e ordenada” de um regime obrigatório. Um relatório, encomendado a uma instituição académica, concluiu que “as contribuições para o regime (…) não deverão causar demasiada pressão aos empregadores, e os trabalhadores podem obter uma melhor protecção na aposentação”.
CCAC | Revisão da lei anticorrupção é prioridade Hoje Macau - 5 Jan 2026 A revisão da lei anticorrupção no sector privado, que deverá garantir o acesso justo ao mercado laboral, e a promoção de uma “cultura empresarial honesta” são as prioridades traçadas pelo Comissariado Contra a Corrupção (CCAC). O CCAC vai dar início, este ano, “à promoção de estudos em torno da lei de prevenção e repressão da corrupção no sector privado”, de 2009, para responder, “de forma pragmática, às solicitações da sociedade sobre o emprego justo”, lê-se numa nota do gabinete da comissária Ao Ieong Seong. É objectivo, prossegue a nota do CCAC, assegurar que “os direitos e interesses dos residentes no acesso ao emprego não sejam prejudicados por actos de corrupção”. Numa reacção à mensagem de Ano Novo do Presidente chinês, Xi Jinping, a comissária notou ainda a importância de “proceder, atempadamente, à investigação e tratamento dos diversos tipos de infracções comerciais”, além de promover a “consolidação de uma cultura empresarial honesta e de concorrência leal”. Ao Ieong Seong já tinha indicado, em Dezembro, à margem das comemorações dos 26 anos do estabelecimento da região administrativa especial de Macau (RAEM), que a lei em causa, em vigor há mais de 15 anos, se encontrava desfasada face a convenções internacionais. “Recentemente, o CCAC conseguiu descobrir vários casos de corrupção no sector privado, a sociedade tem estado atenta”, disse a comissária em 20 de Dezembro, citada pelo canal em língua portuguesa da emissora pública Teledifusão de Macau. Na mensagem de Ano Novo, Xi Jinping destacou a importância de “implementar de forma inabalável a política ‘um país, dois sistemas’ e apoiar Hong Kong e Macau para que se integrem melhor no desenvolvimento geral” da China, mantendo “a prosperidade e a estabilidade a longo prazo”.
Ano Novo | Promessas de mais segurança nacional e patriotismo João Luz - 5 Jan 2026 Na mensagem de Ano Novo, o Chefe do Executivo apontou como prioridades para 2026 o reforço da segurança nacional e dos alicerces do patriotismo. Sam Hou Fai afirmou também que 2025 foi “um ano extraordinário para o desenvolvimento da RAEM” O Governo irá fortalecer ao longo de 2026 “a barreira de segurança nacional”, consolidar “os alicerces do patriotismo e do amor a Macau” e garantir “a harmonia e a estabilidade social geral”. Estes foram os primeiros pontos destacados na mensagem de Ano Novo do Chefe do Executivo, assim como o alinhamento com o 15.º Plano Quinquenal nacional, que começa a ser implementado este ano. Sam Hou Fai, numa mensagem divulgada pelo seu gabinete, mencionou também entre os objectivos a alcançar “corresponder às expectativas e à confiança depositadas pelo Presidente Xi e pelo Governo Central”, através de acções corajosas e decisivas para “abrir novos horizontes para o desenvolvimento de alta qualidade da grande causa de ‘um país, dois sistemas’”. O governante prometeu “manter e aperfeiçoar a estrutura com predominância do poder executivo”, aprofundar a reforma da administração pública e conjugar esforços para diversificar a economia e construir a zona de cooperação em Hengqin. Em relação às medidas locais, Sam Hou Fai prometeu “zelo e pragmatismo” no apoio aos jovens, em particular no acesso ao emprego, assim como aos idosos. Por outro lado, o Chefe do Executivo apontou ao reforço do sistema de prevenção e mitigação de catástrofes e das “capacidades de segurança urbana”. Grandes sucessos Sobre 2025, Sam Hou Fai sublinhou que foi “um ano extraordinário para o desenvolvimento da RAEM”. “Com a atenção carinhosa do Interior da China e o apoio inabalável das instituições e representações do Governo Central na RAEM, das associações patrióticas e dos cidadãos de Macau, unidos, implementámos de forma profunda os princípios orientadores dos importantes discursos do Senhor Presidente Xi Jinping”, continuou o Chefe do Executivo. Assim sendo, Sam Hou Fai destacou o papel de Macau na salvaguarda da “soberania, segurança e interesses de desenvolvimento do país”. No início da mensagem, o governante começou por elencar a “sequência de eventos relevantes, marcos significativos e ocasiões festivas para a pátria” que marcaram 2025, a começar pela parada militar realizada no dia 9 de Setembro. A viragem do 14.º para o 15.º Plano Quinquenal do Governo Central foi outro marco salientado pelo Chefe do Executivo. “Todos os cidadãos de Macau guardam no coração uma profunda sensação de orgulho e honra ao comtemplarem as notáveis conquistas que a nossa pátria tem alcançado”, acrescentou. As eleições legislativas, o juramento de lealdade à RAEM e à China de todos os trabalhadores dos serviços públicos e as actividades organizadas para marcar a vitória na guerra contra o Japão e dos Jogos Nacionais foram também destacados. Sam Hou Fai não deixou de fora da mensagem de Ano Novo o reforço que o seu Governo fez dos apoios sociais e a promoção do desenvolvimento “saudável e ordenado da indústria do jogo, encerrando casinos-satélites em conformidade com a lei”. O governante afirmou também que em 2026 o Executivo estará focado na “atenção nos idosos e nas crianças, aumentando o investimento em sectores relacionados com a qualidade de vida da população, como emprego, educação, saúde, segurança social, cuidados a idosos, cuidados infantis e habitação”.
Medalhas | Ho Iat Seng, Kou Hoi In e Raimundo do Rosário distinguidos João Santos Filipe - 5 Jan 2026 A lista de premiados fica marcada pela atribuição de duas Medalhas de Honra do Grande Lótus, a maior distinção da RAEM, a Ho Iat Seng e Kou Hoi In. Todas as individualidades agraciadas desempenharam funções no Governo ou na Assembleia Legislativa O ex-Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, e o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Kou Hoi In, vão ser agraciados com a Medalha de Honra do Grande Lótus, a maior distinção da RAEM. A lista com as distinções do Executivo relativas a 2025 foi anunciada a 31 de Dezembro, através de um comunicado do Gabinete de Comunicação Social, e a cerimónia de entrega das distinções está agendada para 30 de Janeiro, no Centro Cultural de Macau. As principais distinções atribuídas por Sam Hou Fai foram para ex-governantes, com o macaense e ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas Raimundo do Rosário a ser agraciado com a Medalha de Honra do Lótus de Ouro. Esta distinção será também atribuída a Ho Veng On, ex-Comissário de Auditoria, e Vong Man Chong, ex-director-geral dos Serviços de Alfândega. As medalhas de honra têm como objectivo distinguir indivíduos ou entidades que contribuíram para a imagem e o bom nome da RAEM. Após ter sido anunciada a lista das medalhas, Ho Iat Seng considerou o título “uma profunda honra”. O ex-líder do Governo afirmou ainda, através de um comunicado, que “mantém, desde sempre, um profundo carinho por Macau” e que ao longo dos anos se “dedicou” a “servir a nação e Macau”. O ex-Chefe do Executivo elogiou os resultados da sua governação e considerou que dependeram “não só da dedicação e do trabalho árduo da equipa da acção governativa e de todos os funcionários da Administração Pública, mas também do forte apoio, dos esforços conjuntos da comunidade e de todos os residentes”. “Esta honra é uma vitória colectiva, que demonstra o compromisso de toda a sociedade em impulsionar um desenvolvimento maior e melhor para a RAEM”, afirmou. No texto de atribuição da Medalha de Honra do Grande Lótus a Ho Iat Seng surge destacado o período em que o ex-governante teve de lidar com a pandemia da covid-19. “Durante o seu mandato como o quinto Chefe do Executivo, uniu o Governo da RAEM e todos os sectores sociais, ultrapassou com sucesso os desafios e dificuldades severos da pandemia Covid-19 e envidou todos os esforços para promover a recuperação económica e o desenvolvimento social pós-pandemia”, foi indicado. Além de Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, empresário de profissão, foi presidente da Assembleia Legislativa, membro do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional e membro do Conselho Executivo. Esta é a terceira vez que Ho Iat Seng vai ser agraciados, depois de em 2001 ter recebido a Medalha de Mérito Industrial e Comercial e em 2009 ter sido distinguido com a Medalha de Honra Lótus de Ouro. Mais um Lótus Outro empresário e ex-presidente da Assembleia Legislativa distinguido é Kou Hoi In, destacado pela actividade como membro da Assembleia Popular Nacional, o principal órgão legislativo da República Popular da China, e pelos mais de 34 anos como deputado da Assembleia Legislativa. “Nos trabalhos de legislação, supervisão da acção governativa e formulação de políticas públicas defendeu sempre os princípios de exercer funções em conformidade com a lei, de forma racional e pragmática, promoveu activamente o aperfeiçoamento dos regimes e a construção do Estado de Direito e empenhou-se na salvaguarda dos direitos e interesses dos residentes e na promoção da estabilidade social e do desenvolvimento a longo prazo”, foi considerado. “Durante o seu mandato como presidente da Assembleia Legislativa de Macau de 2019 a 2025, concentrou esforços na melhoria da eficiência do funcionamento parlamentar, na promoção da interacção positiva entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo, e deu contributos importantes para o reforço da construção do Estado de Direito, para a promoção da harmonia social e para a melhoria das políticas de bem-estar da população”, foi acrescentado. Após deixar o hemiciclo, Kou foi nomeado para exercer as funções de presidente do Conselho de Administração da TDM, é ainda vice-presidente do Conselho de Administração e gerente-geral da Companhia de Produtos e Produções Especiais da China e vice-presidente da Associação Comercial de Macau. No passado, o anterior presidente da AL tinha sido agraciado com em 2007 com a Medalha de Mérito Industrial e Comercial e em 2016 com a Medalha de Honra Lótus de Prata. Em português Raimundo do Rosário, secretário para Transportes e Obras Públicas, entre 2014 e 2024, é o único representante da comunidade macaense nas distinções de 2025, tendo em conta as individualidades e associações distinguidas. No texto sobre o ex-governante são indicados vários cargos assumidos em instituições públicas e privadas. “Ingressou na Função Pública em 1979 e trabalhou até 1990 sucessivamente como técnico superior, chefe de departamento, subdirector e director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes”, pode ler-se. No currículo consta também que foi membro da delegação portuguesa do Grupo de Terras Luso-Chinês, adjunto do Conselho de Administração da CAM-Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau e chefe da Delegação Económica e Comercial de Macau, em Lisboa tendo também a seu cargo as Delegações Económicas e Comerciais junto da União Europeia, em Bruxelas e da Organização Mundial do Comércio, em Genebra. Raimundo foi ainda membro da Comissão de Redacção da Lei Básica e da Comissão Preparatória para o Estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau, deputado e membro do Conselho Fiscal do Banco Comercial de Macau. Em termos das medalhas de honra, a Associação de Bancos de Macau vai ser agraciada com o Lótus de Prata, devido ao “papel fundamental na promoção da colaboração do sector e no desenvolvimento sólido da indústria”. Medalhas de Mérito No capítulo damedalha de mérito profissional este ano surge apenas uma distinção, para Chan Iok Lin, que desde 2000 integrou o Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância, tendo chegado a chefe, em 2016. “Demonstrou sempre uma atitude rigorosa e dedicada no exercício das suas funções, possuindo excelentes capacidades de liderança e organização, além de um elevado profissionalismo e espírito de entrega”, foi justificado. Na área industrial e comercial, as distinções foram para a empresa estatal Companhia de Logística Nam Kwong, do grupo Nam Kwong, pelos contributos para a diversificação da economia e para a empresária Amber Li Jiaming que é presidente do Grupo HN e membro do 14.º Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), vice-presidente da Comissão de Assuntos Externos da CCPPC e membro do Conselho para o Desenvolvimento Económico de Macau. A nível turístico, a única distinção foi atribuída à Equipa do Espectáculo House of Dancing Water, da Melco Resorts & Entertainment. O espectáculo foi suspenso durante a pandemia, mas regressou após o fim das restrições fronteiriças impostas durante os anos de combate à covid-19. Em termos da educação, foram distinguidas a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, Escola Keang Peng e Escola Kao Yip. Na cultura, as distinções foram para a Associação de Ópera Chinesa dos Moradores Marítimos e Terrestres da Barra de Macau, para o deputado Lam Fat Iam e o artista Chan Iu Pui, que desenha caricaturas para o jornal Ou Mun. Finalmente, vai ser atribuída uma Medalha de Mérito Altruístico à Equipa Internacional de Emergência Médica da China (RAEM) e medalhas de Mérito Desportivo para a Equipa de Karaté da RAEM que participou nos Jogos Nacionais. A atleta Zhu Yuling, que defendeu as cores do Interior até 2024, altura em que se mudou para Macau, também será agraciada. A atleta passou a representar a RAEM ao abrigo dos programas de promoção de quadros profissionais e conquistou o título individual feminino no WTT de United States Smash de Ténis de Mesa, a primeira atleta de Macau a conseguir tal feito. Actualmente, é professora na Universidade de Tianjin. Medalhados Medalhas de Honra Grande Lótus Ho Iat Seng Kou Hoi In Lótus de Ouro Raimundo Arrais do Rosário Ho Veng On Vong Man Chong Lótus de Prata Associação de Bancos de Macau Medalhas de Mérito Profissional Chan Iok Lin Medalha de Mérito Industrial e Comercial Companhia de Logística Nam Kwong, Limitada Li Amber Jiaming Medalha de Mérito Turístico Equipa do Espectáculo «House of Dancing Water» — Melco Resorts & Entertainment Medalha de Mérito Educativo Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau Escola Keang Peng Escola Kao Yip Medalha de Mérito Cultural Associação de Ópera Chinesa dos Moradores Marítimos e Terrestres da Barra de Macau Lam Fat Iam Chan Iu Pui Medalha de Mérito Altruístico Equipa Internacional de Emergência Médica da China (RAEM) Medalha de Mérito Desportivo Equipa de Karaté da Delegação Desportiva da RAEM à 15.ª Edição dos Jogos Nacionais Zhu Yuling Medalha de Dedicação Tai Kam Un Medalha de Serviços Comunitários Centro de Serviços de Tele-Assistência Peng On Tung de Macau Títulos Honoríficos Título Honorífico de Valor Equipa do Instituto Salesiano da Imaculada Conceição Equipa da Escola Secundária Pui Ching Equipa da Escola Secundária Lou Hau Equipa de Macau na Competição Asiática de Dança de Elite 2024-2025 Selecção feminina das escolas secundárias de Macau participantes no 2.º Campeonato Asiático de Basquetebol 3×3 para Escolas Secundárias Equipa de Macau participante na Taça Mundial de Bowling de 2025 Li In Iat
Gestão de doenças crónicas em Macau vai centrar-se na prevenção Hoje Macau - 2 Jan 2026 O Executivo vai mudar de paradigma da gestão de doenças crónicas em 2026, “transitando do modelo centrado na terapia pós-doença para uma abordagem focada na prevenção e gestão precoce”, indicaram ontem os Serviços de Saúde (SS). A alteração da filosofia na abordagem às doenças crónicas foi apresentada pelo director dos SS, Alvis Lo, durante a reunião plenária do Conselho para os Assuntos Médicos, a que preside. Alvis Lo acrescentou que a mudança de foco é “imprescindível” para “alcançar o objectivo de Cidade Saudável Macau”, assim como a descentralização dos recursos médicos, o aprofundamento do Programa de Comunidade Saudável e o reforço da gestão dinâmica de saúde. Alvis Lo afirmou ter expectativas que, até 2030, as taxas de conhecimento, terapia e controlo das doenças crónicas dos residentes “possam ser totalmente elevadas, de modo a reduzir eficazmente o risco de morte por doenças crónicas”. O responsável máximo do Executivo da área da Saúde realçou também a importância elevar os níveis de rastreios e tratamentos precoces. Quanto à utilização de vales de saúde por residentes, foram atendidas cerca de 34 mil pessoas para medição da pressão arterial ou do peso, “o que contribuiu para elevar a consciencialização do público sobre a prevenção de doenças”, foi indicado. Jogar na defensiva As doenças crónicas são a principal causa de morte e o maior encargo para o sistema de saúde de Macau. A alteração de paradigma anunciada por Alvis Lo conta com alguns programas já existentes. Um deles é o Programa de Rastreio das Doenças Crónicas, que arrancou em meados de Agosto deste ano, abrangendo patologias como hipertensão, diabetes, doenças oncológicas, dislipidemia e obesidade. O programa de rastreio, aberto residentes com mais de 18 anos de idade, abrange também o sector privado através das clínicas aderentes ao programa. Os utentes têm apenas de marcar uma consulta e, de acordo com a recomendação dos médicos, fazer testes ou análises clínicas. Antes do programa ter sido anunciado, o Governo realizou acções de formação para acreditação a 90 médicos de Macau. Destes, cerca de 80 por cento tinham menos de 45 anos e aproximadamente 50 por cento menos de 35 anos. Porém, ontem os representantes dos Serviços de Saúde revelaram que, até ao momento, estão registados no Programa de Rastreio de Doenças Crónicas 70 médicos participantes.
Imobiliário | Crise deixa consumidores pessimistas apesar de crescimento Hoje Macau - 2 Jan 2026 A economia chinesa deve alcançar este ano a meta oficial de crescimento de cerca de 5 por cento, impulsionada pelas exportações e avanços em inteligência artificial e veículos eléctricos, enquanto muitos chineses vivem na incerteza quanto ao emprego e vencimentos A divergência entre os indicadores macroeconómicos e o quotidiano da população alimenta dúvidas sobre a robustez da recuperação económica, apesar da trégua comercial entre Pequim e Washington, selada após um encontro entre os líderes da China e Estados Unidos, Xi Jinping e Donald Trump. “Os negócios estão muito difíceis”, afirmou Xiao Feng, proprietário de uma sala de bilhar em Pequim. “Os ricos não têm tempo e o povo não tem dinheiro. No fim do mês, fico a zeros”, observou. A esposa de Xiao, enfermeira, é actualmente a principal fonte de rendimento da família. O empresário cortou no número de funcionários e diz que não teve qualquer lucro nos últimos seis meses. O sentimento é partilhado por Zhang Xiaoze, agente imobiliário especializado em propriedades comerciais, que viu o seu rendimento anual cair de três milhões de yuan (cerca de 364 mil euros) para apenas 100 mil yuan (12 mil euros). “Muitas empresas estão a sair de Pequim. O problema é que as pessoas não têm dinheiro”, explicou. Entre Janeiro e Novembro, as exportações chinesas atingiram um novo recorde de 3,4 biliões de dólares, mas o consumo interno mostra sinais de fraqueza. As vendas a retalho subiram apenas 1,3 por cento em Novembro, uma desaceleração face ao mês anterior, enquanto o investimento em activos fixos caiu 2,6 por cento. O sector imobiliário continua a ser um ponto crítico: os preços da habitação caíram mais de 20 por cento desde o pico em 2021. As vendas de casas novas recuaram 11,2 por cento e o investimento no sector caiu quase 16 por cento nos primeiros 11 meses do ano. Xiao comprou o apartamento em que vive por mais de três milhões de yuan em 2019. “Agora vale uns 2,4 milhões. Se não tivesse desvalorizado tanto, talvez já tivesse trocado de carro. Mas continuo com o mesmo de há dez anos”, disse. Para reduzir despesas, Xiao deixou de pagar explicações ao filho de 10 anos. “Agora ensinamos nós em casa. O futuro é incerto”. Zhou, um explicador em Tianjin, viu o número de alunos cair à medida que os pais deixam de investir em educação suplementar. “Muitos preferem turmas grandes em vez de aulas individuais. O negócio está 50 por cento pior do que durante a pandemia”, afirmou. Sonho e realidade Analistas como Zichun Huang, da Capital Economics, consideram que o crescimento real da China pode estar abaixo dos 5 por cento oficialmente estimados. O grupo de reflexão (‘think tank’) Rhodium Group aponta para uma taxa entre 2,5 e 3 por cento. A estagnação no sector imobiliário afecta directamente a confiança dos consumidores, num país onde a habitação representa o principal veículo de investimento das famílias. O crescimento do rendimento disponível também tem sido inferior ao ritmo pré-pandemia. “É uma transição difícil”, afirmou o economista-chefe da ING para a China, Lynn Song, referindo-se à tentativa de Pequim de reorientar a economia para o consumo interno e para sectores de alta tecnologia. “A retórica oficial não corresponde à realidade vivida por muitos chineses”, explicou. O excesso de capacidade em sectores como o automóvel, aço e bens de consumo mantém os preços e lucros sob pressão. Segundo o banco HSBC, os preços das exportações chinesas caíram mais de 20 por cento desde 2022. O proprietário de um hotel económico em Shijiazhuang, norte da China, que se identificou apenas como Zhai, diz que não vê sinais de recuperação. “Se as coisas não melhorarem até Maio ou Junho, quando termina o contrato de arrendamento, fecho as portas”, assegurou.