Lançada plataforma de formação para supervisores de seguros lusófonos Hoje Macau - 10 Jun 2026 O Governo anunciou o lançamento de uma plataforma de formação online para supervisores de seguros lusófonos, com vista a reforçar o papel da cidade na cooperação financeira entre a China e os países de língua portuguesa. A nova Plataforma de Formação Online da Associação de Supervisores de Seguros Lusófonos (ASEL) permite aos membros da associação participar em acções de formação à distância, facilitando o intercâmbio de conhecimentos e práticas de supervisão, indicou na segunda-feira à noite a Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Um supervisor de seguros é uma entidade governamental responsável por fiscalizar, regular e normatizar o mercado de seguros de um país. A AMCM descreveu que a entrada em funcionamento da plataforma online representa “uma medida concreta para implementar e aprofundar a cooperação em matéria de supervisão financeira”, manter uma comunicação estreita com as entidades de supervisão dos países lusófonos e explorar novas oportunidades de cooperação no sector dos seguros e noutras áreas financeiras. Um saltinho a Hengqin Em Abril, AMCM e a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) assinaram um protocolo de cooperação para a formação de quadros técnicos da ASEL. A ASEL agrega as autoridades de supervisão de seguros e de fundos de pensões dos países e território de língua oficial portuguesa. Na altura, uma formação foi realizada com 18 supervisores da ASEL de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Macau, com sessões sobre a aplicação da norma internacional IFRS 17 e conteúdos actuariais ministrados por especialistas da Associação Actuarial Internacional. Os programas incluíram também visitas à vizinha Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau, em Hengqin, e a empresas de tecnologia financeira, em Shenzhen e Zhuhai, também no sul da China. “Na qualidade de membro fundador da ASEL, a AMCM tem promovido o intercâmbio em matéria de supervisão de seguros. No passado, organizou em Macau acções de formação e visitas de estudo em parceria com a ASF, abordando temas como a supervisão tecnológica aplicada aos seguros”, indicaram as autoridades do território. Segundo a AMCM, estas iniciativas têm permitido aprofundar a compreensão sobre o desenvolvimento económico do Interior da China e reforçar o papel de Macau como ponte na cooperação entre Pequim e os países de língua portuguesa.
Futebol | PJ tenta prevenir apostas ilegais durante Mundial João Luz - 10 Jun 2026 A Polícia Judiciária levou a cabo uma campanha de prevenção de apostas ilegais durante o Mundial de Futebol, que começa amanhã. Os agentes visitaram bares e áreas de lazer e convívio e alertaram para as consequências de violar a lei e para as tácticas de “indivíduos sem escrúpulos” Com a aproximação do pontapé de saída do Mundial de Futebol, marcado para amanhã no Estádio Azteca na Cidade do México, a Polícia Judiciária (PJ) jogou na antecipação e lançou uma campanha de sensibilização contra as apostas ilegais. Segundo um comunicado divulgado ontem pela PJ, a campanha de prevenção de apostas ilegais decorreu entre o dia 2 de Junho e a passada segunda-feira, levando equipas de agentes a bares e áreas de lazer e convívio em todo o território. As autoridades alertam para o facto de eventos da escala do Mundial de Futebol atraírem frequentemente indivíduos sem escrúpulos que aliciam amantes do desporto para se envolverem em apostas ilegais. Durante a operação, agentes e estagiários da PJ prestaram esclarecimentos e distribuíram folhetos ao público e a empresas, além de terem sublinhado os perigos e a responsabilidades legais decorrentes da participação em apostas ilegais durante o Mundial. A mensagem das autoridades incidiu particularmente nas “apostas offshore” em jogos de futebol, que também são crimes de acordo com a legislação local, e detalharam os métodos mais comuns utilizados pelos criminosos para atrair as pessoas para o jogo. Juventude cumpridora As autoridades também focaram a campanha nos mais novos, distribuindo folhetos de prevenção da criminalidade a estudantes nas proximidades das escolas e em locais públicos frequentados por adolescentes. Mais uma vez, as tácticas criminais para atraírem jovens foram apresentadas. Métodos de previsão de resultados de jogos, estatísticas e promessas de lucros rápidos estão entre os “iscos” usados para atrair jovens para apostas em redes sociais ou em aplicações móveis de chat. As autoridades apelaram também aos mais novos para não caírem na armadilha de más influências ou em ceder à curiosidade que resulte na prática de crimes. Além da possibilidade de enfrentarem acusações criminais, as autoridades avisaram também para a possibilidade de elevadas perdas financeiras. O papel preventivo foi também passado à população, assim como a responsáveis de espaços onde serão transmitidos os jogos, para manter a vigilância e comunicar às autoridades, ou à família, actividades suspeitas. A PJ realizou ainda seminários de prevenção da criminalidade em conjugação com algumas organizações comunitárias em Macau, apresentando casos específicos de crimes graves decorrentes do jogo ilegal, incluindo fraudes, agiotagem e crimes violentos relacionados.
Droga | PJ anuncia maior apreensão de marijuana de sempre Hoje Macau - 10 Jun 202610 Jun 2026 A Polícia Judiciária (PJ) anunciou ontem a maior apreensão de marijuana de sempre, que totalizou 35 quilogramas. A intercepção, que levou à detenção de um homem de Hong Kong, foi apresentada em conferência de imprensa. Segundo os contornos divulgados, o caso foi detectado na noite de segunda-feira, no Aeroporto Internacional de Macau (AIM), quando o detido, que tem 25 anos e é natural de Hong Kong, foi interceptado. No interior de duas malas que trazia, vindo de um país do Sudeste Asiático, as autoridades encontram 60 pacotes de marijuana num total de 35 quilogramas. Esta quantidade é avaliada pelo mercado negro em cerca de 35 milhões de patacas. A investigação do caso envolveu a PJ, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) e os Serviços de Alfândega (SA). Quando o homem foi interrogado afirmou trabalhar como técnico de palco. As autoridades acreditam que para transportar esta quantidade de droga para Macau o homem iria receber cerca 60 mil dólares de Hong Kong. O caso foi encaminhado para o Ministério Público e o indivíduo está indiciado de ter cometido o crime de tráfico ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas, cuja moldura penal pode variar entre 5 anos e 15 anos, se não forem consideradas outras agravantes. CPSP | Homem furta bens de supermercado O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) anunciou a detenção de um homem, com cerca de 50 anos, que furtou algumas vezes bens de um supermercado, na Avenida da Amizade, depois de ter perdido todo o dinheiro no casino. Segundo a informação veiculada pelo jornal Ou Mun, o homem, nacional da Mongólia, dirigia-se ao supermercado para tirar produtos quando estava sem dinheiro, depois de jogar. O homem terá cometido este crime mais do que uma vez, mas no domingo os funcionários acabaram por apresentar queixa às autoridades, relatando o desaparecimento de produtos avaliados em 200 patacas. As imagens de videovigilância mostraram o suspeito a furtar bens em quatro ocasiões diferentes, no espaço de dois dias. Quando foi interrogado sobre os crimes, o homem confessou.
Jogo | Receitas com ritmo “sólido” em Junho, mas Mundial terá impacto João Santos Filipe - 10 Jun 2026 O banco UBS acredita que as receitas do jogo deste mês vão sofrer uma redução anual, dado o valor elevado de Junho de 2025, mas também porque é estimado que muito do dinheiro que iria parar às mesas dos casinos seja canalizado para apostas no Mundial de Futebol Na primeira semana de Junho, as receitas brutas dos casinos atingiram um montante “sólido”, mas espera-se que o Campeonato Mundial de Futebol tenha um impacto negativo, devido às apostas nos jogos. O cenário foi traçado pelo banco de investimento UBS, através de um relatório citado pelo portal GGRAsia. Segundo os dados avançados pelos analistas, com base nas verificações feitas nas mesas de jogo de Macau, até 7 de Junho as receitas médias diárias foram de 700 milhões de patacas, um valor que não apresentou alterações em comparação com os dados de Junho do ano passado. Nesse mês as receitas brutas nos casinos de Macau atingiram 21,1 mil milhões de patacas. No entanto, até ao final deste mês espera-se uma redução das receitas, por causa do Campeonato Mundial de Futebol e também pelo facto de as receitas do ano passado terem sido elevadas. No cenário actual, os analistas explicam que os casinos precisam de gerar 695 milhões de patacas por dia ao longo de todo o mês para que a redução face ao período homólogo fosse apenas de 1 por cento. Para atingir esse valor negativo era necessário que nos 23 dias do mês que não foram contabilizados no relatório da UBS, as receitas médias diárias fossem de 694 milhões de patacas. O banco de investimento não acredita que essa média seja alcançável: “A realização do próximo Campeonato Mundial de Futebol (entre 11 de Junho e 19 e Julho) e o efeito de base elevada de comparação anual vão provavelmente conduzir a uma ligeira queda homóloga nas receias brutas em Junho e em Julho”, é previsto. Queda mensal Em termos mensais, as receitas entre Maio e Junho apresentam igualmente uma redução: “Entre os segmentos, a receita diária média no mercado de massas apresentou uma descida entre 3 por cento e 5 por cento face ao mês anterior. O volume médio diário das receitas do segmento VIP registou uma descida de cerca de 5 por cento a 8 por cento, em relação ao mês anterior, com a taxa de retenção do segmento VIP a situar-se entre cerca de 2,9 por cento e 3,1 por cento”, foi revelado. A diferença do mercado, tendo em conta todos os segmentos, é quatro por cento. No entanto, os analistas consideram que os números de Maio foram bastante elevados, quando as receitas atingiram 22,6 mil milhões de patacas. Apesar da redução, a UBS destaca que a diferença entre Maio e Junho é inferior este ano em relação ao que se verificava antes da pandemia, e principalmente entre 2015 e 2019. Nesses anos, as receitas de Junho costumavam apresentar uma redução média mensal de 9 por cento.
DSEDJ | Escolas promovem saúde mental Hoje Macau - 10 Jun 2026 A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) organizou uma série de eventos em três escolas do território para promover a saúde física e mental dos alunos, assim como um estilo de vida positivo. A iniciativa, que decorreu na Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes, Escola Luso-Chinesa Técnico-Profissional e Escola Oficial Zheng Guanying, incluíram jogos, performances musicais de alunos e professores, actividades desportivas e locais onde os estudantes aprenderam a aliviar o stress, a gerir emoções e a adquirir conhecimentos psicológicos através de jogos e experiências interactivas. A DSEDJ, num comunicado divulgado ontem apenas em chinês, não refere a data dos eventos, mas indica que foram organizados tendo em conta a semana da saúde física e mental. A DSEDJ acrescentou que pretende aumentar a motivação dos alunos para praticarem exercício físico e cultivar o hábito de praticar desporto com regularidade e participarem nas competições desportivas entre escolas.
Preços | Fornecedores admitem subida de bens essenciais João Santos Filipe - 10 Jun 2026 O aumento dos custos do combustível e a valorização do renminbi face ao dólar americano está a fazer com que bens essenciais como vegetais e ovos vindos do Interior cheguem com preços mais altos a Macau. O cenário é mais grave nas importações internacionais O presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, Ip Sio Man, reconheceu que os bens alimentares estão mais caros, embora a subida seja considerada dentro de níveis aceitáveis. As declarações foram prestadas ao jornal Ou Mun, num artigo em que é abordada a inflação dos produtos alimentares. Segundo Ip Sio Man os bens alimentares estão mais caros, principalmente em produtos como a carne de frango, porco, mariscos, frutas, vegetais e ovos. Estes aumentos são explicados com o facto de grande parte destes produtos serem importados do Interior, numa altura em que o renminbi está num período de valorização face ao dólar americano e ao dólar de Hong Kong e à pataca. Ao mesmo tempo, estes produtos têm de ser transportados para Macau, o que também está a contribuir para este aumento devido aos preços dos combustíveis. Ip Sio Man explicou que os maiores aumentos de preços têm acontecido ao nível dos ovos, embora tenha considerado que a subida “não foi significativa” e que “não representa um encargo grande nas despesas diárias dos residentes”. De fora é pior Quando os produtos são importados do estrangeiro, o cenário também é de subida, e neste caso de forma mais signifcativa. Segundo os números apontados no jornal Ou Mun, o preço da viagem de um contentor para o transporte de produtos congelados entre os Estados Unidos e a Ásia mais do que duplicou. Anteriormente, o transporte de um contentor custava cerca de 10 mil patacas, mas nos últimos tempos subiu para valores entre 20 mil e 30 mil patacas. Esta diferença faz com que os produtos de mercados como a Europa, Estados Unidos, América do Sul e Sudeste Asiáticos estejam cada vez mais caros e de forma acentuada para os importadores. Contudo, face a esta situação, Ip Sio Man explicou que os importadores estão a absorver grande parte dos aumentos, passando apenas uma pequena parte do aumento para os consumidores. O artigo do jornal local com maior número de leitores cita também um importador anónimo a explicar que muitas vezes os produtos que vêm para Macau do Interior sofrem flutuações diferentes, porque nem sempre são pagos em renminbis, mas em dólares americanos ou dólares de Hong Kong. Ainda assim, indica que o principal desafio para a economia local não é o aumento dos preços, mas antes o facto de cada vez mais residentes consumirem no outro lado da fronteira.
Restrições à residência afastam docentes portugueses de Macau Hoje Macau - 10 Jun 2026 A directora do Instituto Português do Oriente (IPOR) disse à Lusa que as restrições impostas por Macau aos pedidos de residência têm afastado docentes que estavam interessados em vir trabalhar para a região. O Centro de Língua do IPOR tem actualmente 16 professores em Macau e um em Pequim, para dar mais de 100 cursos previstos para este ano, um número semelhante ao registado em 2019, antes da quebra devido à pandemia. Nos últimos dois anos, o IPOR contratou quatro docentes vindos de Portugal, para substituir outros que “ou regressam a Portugal ou têm outras oportunidades de emprego aqui em Macau”, explicou Patrícia Ribeiro. Todos vieram como trabalhadores imigrantes, recebendo o chamado ‘blue card’, uma autorização limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação. Patrícia Ribeiro admitiu que a mudança teve impacto: “algumas das pessoas seleccionadas, e já nos aconteceu em alguns concursos, depois de saberem as condições, recusam”. A dirigente diz que alguns candidatos “não sentem que têm segurança para o futuro em termos de trabalho e também condições para viver em Macau”, nomeadamente que “não lhes compensa financeiramente”. Ribeiro dá como exemplo uma professora que queria inscrever a filha na Escola Portuguesa de Macau (EPM), onde, sem estatuto de residente, teria de pagar a propina por inteiro. A EPM cobra anualmente 36.870 patacas no ensino primário e 47.700 patacas no ensino secundário, valores que caem para menos de metade para alunos residentes, graças a um subsídio do Governo da RAEM. “Ela repensou e não quis vir para Macau nessas condições”, diz a directora do IPOR. Que futuro? A Lusa perguntou também ao presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC) em Macau se os membros da associação tinham sentido dificuldades em contratar portugueses, mas Carlos Cid Álvares preferiu não comentar. Mas, em Abril, Cid Álvares, também presidente do Banco Nacional Ultramarino, que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos, disse que não basta ensinar a língua portuguesa e que é preciso “olhar para o futuro”. “Não vejo muito como é que a influência portuguesa se pode manter aqui, mantendo esta situação. Uma coisa é os chineses falarem português, outra coisa muito diferente é os portugueses estarem em Macau”, sublinhou.
CPSP | Menos portugueses em Macau e maioria tem vínculo precário Hoje Macau - 10 Jun 2026 O número de portugueses que imigraram para Macau tem vindo a cair e, nos últimos dois anos, a maioria chegou ao território com vínculos laborais precários. No ano passado, apenas 10 pedidos de residência de portugueses foram aceites Numa resposta escrita à Lusa, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) indicou que o número de trabalhadores imigrantes de nacionalidade portuguesa – ou seja, que chegam a Macau sem o estatuto de residente – passou de 39 no final de 2023 para 78 no fim do ano passado. Macau não aceita desde Agosto de 2023 novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. Em resultado, o número de portugueses a tornar-se residente de Macau caiu de 70 em 2023 para 23 no ano passado, muito longe do recorde máximo de 390 registado em 2013, de acordo com dados fornecidos à Lusa pela Direcção dos Serviços de Identificação. O CPSP afirmou que recebeu 14 pedidos de residência de portugueses em 2025, dos quais 10 foram aceites, todos por reunião familiar. Dos restantes, dois ainda estão a ser analisados, enquanto um foi rejeitado e outro cancelado. As novas orientações, que eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999, apenas deixam como alternativa para os portugueses o chamado ‘blue card’. Esta autorização está limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação, e, em caso de despedimento, o trabalhador tem apenas oito dias para sair de Macau. Memorial com vento A única alternativa para garantir o bilhete de identidade de residente passa agora por uma candidatura ao programa de captação de quadros qualificados, que entrou em vigor em Julho de 2023. O programa procura captar, nomeadamente com benefícios fiscais, quadros do sector financeiro e das áreas de investigação e desenvolvimento científico e tecnológico, entre eles vencedores de prémios Nobel. Em 2024, o então secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Talentos, Chao Chong Hang, admitiu que a maioria das 464 candidaturas aprovadas vinha do Interior da China (80 por cento) e de Hong Kong (10 por cento). Em Abril passado, o novo coordenador da comissão, Kong Chi Meng, disse que a terceira fase do programa, que começou em Dezembro e decorre durante um ano, valoriza mais quadros com diplomas de universidades de Portugal e do Brasil. Também o terceiro Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico (2026-2030), que está em consulta pública até 28 de Junho, prevê a optimização do programa, “no sentido de criar elementos favoráveis à captação de quadros qualificados internacionais e dos países de língua portuguesa”.
Governo pondera proibir tabaco perto das Ruínas e Portas do Cerco Andreia Sofia Silva - 10 Jun 2026 A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, disse ontem no hemiciclo que poderão ser criadas zonas de proibição de fumo perto das Ruínas de São Paulo ou Portas do Cerco, tendo em conta o grande volume de pessoas que passa nesses locais. Esta ideia foi deixada durante o debate sobre a votação, na generalidade, da proposta de lei do regime de prevenção e controlo do tabagismo, que data de 2011. A proposta foi aprovada por unanimidade, seguindo agora para análise na especialidade. “Além das medidas que estamos a implementar no parque dr. Carlos D’Assumpção [de controlo do tabagismo], estamos a ponderar criar uma zona [sem fumo] nas proximidades das Ruínas de São Paulo e Portas do Cerco. São essas duas zonas onde vamos ponderar criar áreas onde é proibido fumar”, foi referido. Na proposta de lei, lê-se que é proibido fumar “em qualquer outra área ao ar livre de utilização colectiva onde a proibição de fumar seja determinada por despacho do Chefe do Executivo”. O Lam lembrou que a zona de fumo criada entre o parque dr. Carlos D’Assumpção e a Rua de Londres, no NAPE, desde Maio, “foi muito bem acolhida pela sociedade”, tendo o Governo recebido opiniões “de que o ambiente de negócios não foi afectado e a fisionomia das ruas melhorou”. Ainda assim, a secretária garantiu que “para a criação de áreas onde é proibido fumar exige várias ponderações, a situação da disposição das pessoas e se há consenso na sociedade”. Deputados aplaudem Vários deputados aplaudiram as medidas de controlo do tabagismo adoptadas até à data, destacando esta nova medida de proibir o tabaco em zonas onde se concentram muitas pessoas. Ella Lei questionou se o Executivo “tem algum plano, após a entrada em vigor da proposta de lei, de aumentar a proibição [do fumo] em sítios onde haja concentração de pessoas, e não apenas na proximidade de escolas e creches”, incluindo “praças e postos fronteiriços”. O deputado Nick Lei lembrou também outra medida proposta pelo Governo nesta legislação, que é a posse de câmaras portatéis por parte dos agentes de fiscalização dos Serviços de Saúde. “Preocupa-me as condições de trabalho dos trabalhadores da linha da frente. Estes vão passar a dispor de mais meios electrónicos para lidar com casos em que haja confrontos físicos. No passado houve trabalhadores insultados ou agredidos fisicamente”, disse. O Lam destacou que as câmaras serão usadas apenas em casos de emergência.
Deputados pedem melhorias no controlo da segurança rodoviária Andreia Sofia Silva - 10 Jun 2026 Dois deputados utilizaram ontem o período de intervenções antes da ordem do dia (IAOD) para pedir ao Governo mudanças no planeamento do trânsito, tendo em conta o recente atropelamento que vitimou uma criança de dez anos, num caso que chamou a atenção da sociedade. Para o deputado Chao Hao Weng, é fundamental que sejam instalados “equipamentos de redução da velocidade, sinalização luminosa e de alerta visual nas escolas, nas zonas habitacionais e nos principais cruzamentos de passadeiras, para reforçar a protecção dos peões”. Devem ainda ser “agravadas as penas” no tocante ao trânsito e obrigatoriedade de cedência de passagem a peões nas passadeiras, além do deputado sugerir o reforço “da execução da lei”. Pede-se, assim, que o Governo “reveja, de forma global, o plano de segurança rodoviária”, a fim de dar “prioridade aos peões e à segurança, colmatando as lacunas de fiscalização e assegurando aos cidadãos uma via segura e desobstruída”. O acidente, ocorrido na Avenida do Conselheiro Borja, zona norte da península, representa, para o deputado, um exemplo das “falhas significativas no mecanismo de segurança das passadeiras, na fiscalização do dever de cedência de passagem aos peões e na protecção das zonas adjacentes a escolas em Macau”. Revisão precisa-se Também Loi I Weng pediu medidas ao Governo para melhorar a segurança rodoviária. A deputada citou dados relativos ao primeiro trimestre deste ano, que mostram como “os casos de desrespeito pelo sinal vermelho aumentaram mais de 100 por cento”, além de que “não se registou uma melhoria significativa no incumprimento das regras de trânsito por peões”. Desta forma, a deputada pede o regresso do processo de revisão da Lei do Trânsito Rodoviário, “incorporando as infracções” num novo sistema de pontos da carta de condução, tal como “a não cedência de passagem a peões nas passadeiras, o desrespeito pelo sinal vermelho e a utilização do telemóvel durante a condução”. A deputada fala do caso da Avenida do Doutor Rodrigo Rodrigues como um dos locais onde ocorrem mais acidentes, sugerindo “a vigilância automática com câmaras electrónicas nos cruzamentos de modo a colmatar as lacunas de supervisão durante a noite e em períodos de menor afluência”.
Lei laboral | Deputados pedem aumento da licença de paternidade Andreia Sofia Silva - 10 Jun 2026 Foi ontem aprovada, na generalidade, a nova proposta de lei laboral que apresenta um aumento dos dias de licença de maternidade de 70 para 90 dias, subsídios às empresas e mais dias de férias anuais. Porém, vários deputados exigiram ao Governo começar a ponderar aumentar também os dias de licença de paternidade A Assembleia Legislativa (AL) aprovou ontem, na generalidade, a proposta de revisão da lei laboral que traz um aumento dos dias de licença de maternidade dos actuais 70, no sector privado, para 90; a atribuição de subsídios às pequenas e médias empresas (PME) para apoiar o pagamento de salários às grávidas em licença e ainda o aumento dos dias de férias anuais. Porém, vários deputados entendem que é preciso as autoridades fazerem mais, nomeadamente aumentar a licença de paternidade. “A proposta de lei não se refere à licença de paternidade, e, de facto, são matérias complementares. Pode-se ponderar o aditamento dos dias de paternidade, para que os pais e maridos possam prestar mais cuidados às suas mulheres?”, questionou Nick Lei. O deputado destacou também alguns resultados da consulta pública sobre este assunto, pois cerca de “80 por cento [dos participantes] não está de acordo” com a proposta do Executivo, pedindo mais dias de licença de maternidade. “Espero que o Governo pondere sobre o aumento do número dos dias de licença de maternidade, e também a capacidade das PME”, disse. Também a deputada Ella Lei alertou para a necessidade de “aumentar as faltas por licença de paternidade dos cinco para sete dias”, já que Macau se encontra “numa era de baixa taxa de natalidade”. “A alteração da lei é simples e passa [a licença de maternidade] de 70 para 90 dias, mas temos de pensar nas faltas por licença de paternidade e na protecção dos postos de trabalho das mulheres, pois há situações em que as grávidas podem ser despedidas”, alertou. Cenários distintos Tendo em conta que ainda não foi escolhido o novo secretário para a Economia e Finanças, quem respondeu aos deputados e apresentou a proposta de lei foi o chefe de gabinete de Tai Kin Ip, antigo secretário. Lo Chi Fai declarou, sobre o aumento dos dias da licença de paternidade, que “esta é uma proposta sobre a qual temos de encontrar grande consenso junto da sociedade”. “Tendo em conta o actual desenvolvimento sócioeconómico, numa próxima fase poderemos rever esta parte. Nesta consulta pública estivemos mais empenhados na [revisão] da licença de maternidade, para ser igual à das mulheres na Função Pública”, acrescentou. Em relação ao subsídio atribuído às PME, será permanente graças à elaboração futura de um novo regulamento administrativo. “Há que prolongar o actual regulamento e vamos elaborar um novo [diploma] para o subsídio, porque vamos subsidiar as PME através do erário público”, disse o chefe de gabinete. Lo Chi Fai disse ainda, sobre a licença de maternidade, que há vários cenários no sector privado. “Entre as partes pode sempre haver um acordo para mais de 90 dias, até 98 dias”, prazo que chegou a ser proposto por algumas opiniões no processo de consulta pública. “Isso reflecte também a responsabilidade da parte da entidade patronal, e podemos pressupor que, devido à diferente dimensão das empresas, as regalias e condições podem ser diferentes”, rematou o responsável.
Guizhou | Chuvas intensas obrigam à retirada de cerca de 10 mil pessoas Hoje Macau - 9 Jun 2026 Chuvas “excepcionalmente intensas” registadas durante o fim de semana na província chinesa de Guizhou, no centro do país, provocaram inundações e levaram à retirada de cerca de 10 mil pessoas, informou ontem a agência noticiosa oficial Xinhua. As áreas mais afectadas foram as cidades de Qianxi e Zunyi e a vila de Changshun, segundo a agência. As autoridades locais ativaram operações de emergência permanentes e retiraram até ao momento 1.377 residentes de 491 famílias, além de terem resgatado mais de 50 pessoas que ficaram cercadas pelas águas. Em Changshun, mais de três mil habitantes de cerca de mil habitações situadas a jusante da barragem de Bancong foram transferidos para zonas seguras, após uma falha de energia ter afetado o funcionamento da infraestrutura e provocado o seu transbordo. O Ministério dos Recursos Hídricos e a Administração Meteorológica da China emitiram no domingo à tarde um alerta vermelho, o nível mais elevado do sistema chinês, devido ao risco de enxurradas em áreas do sudeste de Guizhou entre domingo e ontem. Até à noite de domingo, quase cinco mil residentes foram retirados preventivamente na prefeitura autónoma de Qiandongnan, enquanto prosseguia a retirada de outras cerca de 22 mil pessoas. As chuvas afectam também outras regiões do sul da China. A província de Guangdong activou na noite de sábado um plano de resposta de emergência devido à previsão de precipitação intensa, tempestades localizadas e possíveis cheias acima dos níveis de alerta em rios de pequena e média dimensão. Desde meados de Maio, a China enfrenta uma sucessão de episódios de chuva intensa no centro e sul do país, com inundações e deslizamentos de terras em várias províncias. Os serviços meteorológicos chineses atribuíram o adiantamento da época das chuvas a sistemas atmosféricos anómalos.
Filipinas | Sobe para 12 número de mortos na sequência de sismo Hoje Macau - 9 Jun 2026 Pelo menos 12 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas na sequência de um sismo de magnitude 7,8, no sul das Filipinas, de acordo com um novo balanço das autoridades. Um balanço anterior da polícia dava conta de um morto e de quatro feridos, além do desabamento de vários edifícios no arquipélago. O sismo teve o epicentro no mar, a cerca de 13 quilómetros a sudoeste de General Santos, uma cidade com mais de 700 mil habitantes, na ilha de Mindanau, um centro de processamento de atum e de outras actividades comerciais na região de Mindanau, no sul do arquipélago. O sismo provocou um tsunami com ondas de um metro de altura nas zonas costeiras próximas. O Presidente Ferdinand Marcos Jr. exortou a população a dirigir-se para terrenos mais elevados nas zonas mais vulneráveis a um tsunami, e as autoridades indonésias, malaias e japoesas também emitiram alertas para as áreas costeiras próximas. O líder filipino afirmou que as agências de resposta a catástrofes estavam em estado de alerta para intervir. “O Governo nacional está em acção e não vamos deixar Mindanau para trás”, disse Marcos. O Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico afirmou que a ameaça de um tsunami passou cerca de cinco horas após o sismo, ocorrido às 07:37. Pelo menos sete pessoas morreram e outras 130 ficaram feridas em General Santos, onde alguns edifícios pequenos ruíram parcialmente e várias estruturas, incluindo uma ponte importante, sofreram fissuras perigosas, disse o director regional do Gabinete de Defesa Civil, Rod Sosmeña, à agência Associated Press (AP). Outras cinco pessoas morreram nas províncias meridionais de Cotabato do Sul e Davau Ocidental, e na ilha de Balut, afirmaram Sosmeña e outro responsável, Ednar Dayanghirang.
Lai Ka-ying – a caminho das estrelas David Chan - 9 Jun 2026 Na vastidão do espaço e no âmbito da expansão do programa espacial nacional, um nome brilha intensamente: Lai Ka-ying, a primeira astronauta de Hong Kong. Lai Ka-ying fez a licenciatura, o mestrado e o doutoramento na Universidade de Hong Kong. A sua tese de doutoramento focou-se no cibercrime e na informática forense. Depois de terminar os estudos universitários, Lai ingressou em 2012 na Unidade de Apoio Técnico (TSD sigla em inglês) do Gabinete de Informação Criminal da Polícia de Hong Kong na qualidade de técnica especializada tendo ascendido depois ao posto de superintendente. A jornada espacial de Lai começou com a oportunidade histórica apresentada pela primeira selecção nacional de especialistas de Hong Kong e Macau em carga útil. Enfrentando critérios de selecção extremamente rigorosos, destacou-se entre centenas de candidatos excepcionais. Este processo de selecção não analisava apenas os conhecimentos académicos, era também o derradeiro teste à adaptabilidade psicológica, à tolerância ao stress e à resistência física. Depois de várias rondas eliminatórias, que incluíram uma selecção preliminar, uma semi-final e uma selecção final, Lai, com o seu vasto conhecimento, resistência mental impecável, e físico excepcional, aprimorado depois de um treino intensivo, acabou por passar o rigoroso processo de selecção nacional e passou a fazer parte do quarto grupo de astronautas na reserva. Foi seleccionada para a missão espacial tripulada Shenzhou-23, tornando-se oficialmente a primeira astronauta de Hong Kong. Até atingir este magnífico estrelato teve de percorrer um caminho cheio de escolhas e sacrifícios e o marido, Anson Ho, foi o seu maior apoio ao longo desta jornada. Anson, também ele com um excelente percurso profissional, é o pilar da família. Quando soube que a mulher tinha sido seleccionada como astronauta e teria de se submeter a um treino à porta fechada, demorado e intensivo, em Pequim, não hesitou nem por um momento e tomou a decisão de desistir da sua carreira profissional em ascensão em Hong Kong. Para realizar o sonho da esposa de viajar pelo espaço, Anson tomou a responsabilidade de realojar a família em Pequim. Num ambiente completamente estranho, Anson organizou incansavelmente toda a logística complicada de instalar a família numa nova cidade, construindo um refúgio seguro para a mulher e os seus três filhos. Esta não foi a primeira vez que Anson apoiou os sonhos de Lai. Ao longo do casamento, foi repetidas vezes o herói anónimo da jornada de Lai. No início do casamento, quando Lai escrevia até altas horas da noite a sua tese de doutoramento, Anson estava sempre presente, apoiando-a discretamente e partilhando todas as tarefas domésticas. Desde essa altura, até aos dias de hoje, Anson esteve sempre presente para apoiar os seus sonhos. Em 2011, Lai manifestou publicamente o seu grande afecto pelo marido, durante a apresentação da tese de doutoramento, afirmando que ele “se dedicou totalmente e que a acompanhou no período mais difícil da sua vida,” acrescentando que “sem o meu marido, teria sido impossível terminar a tese.” Pode dizer-se que cada progressão na carreira de Lai, cada distinção que recebeu, são um testemunho dos incontáveis dias e noites de dedicação silenciosa do marido. O sucesso de Lai assenta certamente nos seus extraordinários feitos académicos, nas suas capacidades excepcionais e na sua robustez física, mas o amor incondicional do marido e o seu apoio são-lhe indispensáveis. Em 2024, Lai foi oficialmente seleccionada como parte do grupo de astronautas da China, exigindo que fosse submetida a um treino intensivo em Pequim. Para permitir que a esposa embarcasse nesta aventura, Anson, no auge da sua carreira, demitiu-se da sua posição no Departamento de Autoestradas de Hong Kong. Mudou-se para Pequim com os gémeos de 11 anos e a filha de 9, para cuidar da família. Este apoio transcende o amor romântico; é uma força poderosa, entrelaçada com profundo afecto e fortes laços familiares. É fácil imaginar as dificuldades que Anson enfrentou para cuidar de uma família numerosa ao mesmo tempo que apoiava a carreira espacial da mulher em Pequim. Um antigo provérbio chinês diz o seguinte, “Os pais que amam os filhos planeiam o seu futuro; os casais que se amam criam um paraíso um para o outro.” O poeta britânico Browning disse certa vez, “Ele subiu em direcção ao sol, e ela seguia-o de perto.” Mas neste caso “Lai vai em direcção às estrelas, enquanto Anson guarda a família.” É o amor em estado puro que mantem a família unida, permitindo que as três crianças aprendam o que é a compreensão e a dedicação, ao mesmo tempo que aquece o coração de Lai mesmo quando ela tem de se confrontar com o tédio e as dificuldades dos treinos de adaptação às condições do espaço. Não admira que na entrevista que deu antes do lançamento da missão Shenzhou-23, Lai tenha agradecido ao marido pela sua dedicação e por desempenhar o papel de pai e de mãe, e por confortar a filha mais nova que lhe é chegada, quando lhe diz, “O Papá toma conta da nossa família, e a Mamã trabalha para o bem de todos.” Em última análise, a família de Lai é uma pequena comunidade que prospera graças ao amor. Neste lar, o amor não se desgasta com a rotina diária. Pelo contrário, é temperado e fortalecido. Os laços familiares não enfraqueceram devido à distância geográfica; em vez disso, ainda se enraizaram mais. É precisamente por causa deste constante cuidado com o amor que esta família é saudável, feliz e resistente. A jornada de Lai ao espaço é um “hino ao amor” composto pelo mais forte laço entre um casal e pela conjugação de esforços da família. A nação acolheu a primeira astronauta de Hong Kong, mas também acolheu esta família cheia de amor e carinho. A astronauta de Hong Kong e o seu marido encorajam-se e apoiam-se mutuamente, contribuindo para a felicidade da sua família. Por detrás desta grande astronauta está o lar mais caloroso e perfeito com que podemos sonhar. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau cbchan@mpu.edu.mo
Visita | Xi declara que amizade entre Pequim e Pyongyang “perdurará para sempre” Hoje Macau - 9 Jun 2026 O Presidente chinês defendeu ontem a continuidade da aliança entre China e Coreia do Norte e apelou ao reforço da coordenação face “à hegemonia” e “política de força”, num artigo no jornal norte-coreano Rodong Sinmun. O texto, divulgado também pela agência de notícias estatal chinesa Xinhua, foi publicado por ocasião da viagem de Xi Jinping à Coreia do Norte, a primeira em sete anos, e no ano em que se comemora o 65.º aniversário do Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua entre os dois países. Xi afirmou que a relação bilateral se encontra num “novo ponto de partida histórico” e sustentou que Pequim pretende “impulsionar o desenvolvimento” dos laços com Pyongyang. Isto após anos em que as relações arrefeceram devido aos ensaios nucleares norte-coreanos e num momento em que Pequim procura preservar a influência face à crescente aproximação da Coreia do Norte à Rússia. O líder chinês salientou que a “amizade tradicional” entre os dois países “perdurará para sempre” e recordou que se reuniu seis vezes com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, nos últimos anos. Xi defendeu também que Pequim e Pyongyang preservem o sistema internacional centrado nas Nações Unidas e a ordem baseada no direito internacional, ao mesmo tempo que se opõem “à hegemonia” e à “política da força”. O dirigente chinês condenou ainda qualquer tentativa de “reavivar o militarismo”, uma expressão que as autoridades chinesas têm usado de forma reiterada nos últimos meses em referência ao Japão. O artigo não menciona a desnuclearização da Coreia do Norte, um assunto que Pyongyang voltou a descartar no domingo, ao afirmar que o estatuto nuclear do país é irreversível. A visita do líder chinês ocorre em pleno reatamento dos contactos entre Pequim e Pyongyang, após uma reunião que Xi e Kim mantiveram em Setembro de 2025 em Pequim, uma visita do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, à Coreia do Norte em Abril e o reinício, em Março, das ligações ferroviárias e aéreas de passageiros entre ambos os países, após seis anos de suspensão.
HK | Casos criminais podem ser ligados à segurança da China Hoje Macau - 9 Jun 2026 O Chefe do Executivo da antiga colónia britânica passa a poder classificar casos que envolvam crimes como atentados à segurança nacional e, logo, sujeitos à pena de prisão perpetua O Governo de Hong Kong anunciou ontem que o líder do território poderá classificar qualquer caso criminal como envolvendo a segurança nacional da China, permitindo assim a condenação à pena perpétua. As autoridades divulgaram propostas para alterar a lei de segurança nacional, quase seis anos depois de o Governo Central chinês ter imposto esta legislação à região semiautónoma. As mudanças incluem a criação de um mecanismo que permite ao Chefe do Executivo de Hong Kong, através de um certificado, classificar casos como envolvendo “crimes que põem em perigo a segurança nacional”. Quaisquer outros crimes de que um arguido seja acusado no mesmo processo seriam também automaticamente classificados como envolvendo a segurança nacional. Como tal, os julgamentos estariam a cargo de juízes nomeados especificamente pelo Governo de Hong Kong, poderiam decorrer à porta fechada e os suspeitos sujeitos a fianças mais elevadas. As alterações vão ser enviadas para o Conselho Legislativo, através do chamado “processo de aprovação prévia”, que dá ao parlamento apenas 28 dias para discutir, alterar ou rejeitar as propostas. As comissões parlamentares da Segurança e dos Assuntos Legais e Judiciários já realizaram uma reunião conjunta para começar a analisar as propostas. De acordo com a imprensa local, as autoridades afirmaram que pretendem concluir o processo e implementar as mudanças “o mais rapidamente possível”, sem especificar um calendário. Outros ajustes Em Março, o Governo de Hong Kong introduziu uma outra revisão da legislação, para punir quem se recusar a desbloquear dispositivos electrónicos em casos ligados à segurança nacional. A revisão autoriza os agentes das forças policiais, com mandados judiciais, a exigir que uma pessoa sob investigação forneça uma palavra-passe ou método de desencriptação para dispositivos. Qualquer pessoa que conheça a palavra-passe ou o método de desencriptação, que esteja autorizada a aceder ao dispositivo ou que o detenha, controle ou utilize, fica obrigada a cumprir a exigência policial. Caso alguém se recuse a desbloquear os dispositivos, pode enfrentar uma multa máxima de 100 mil dólares de Hong Kong ou uma pena de prisão de até um ano. O documento estipula que esta obrigação se impõe mesmo nos casos onde exista “obrigação de sigilo ou qualquer outra restrição à divulgação de informações”, incluindo jornalistas, médicos e advogados. As autoridades de Hong Kong afirmam que a lei de segurança nacional restaurou a ordem, após os protestos contra a lei de extradição para a China continental, em 2019.
10 de Junho | Alexandre Marreiros revela o seu estúdio em exposição Hoje Macau - 9 Jun 20269 Jun 2026 “O Estúdio de Alexandre Marreiros: Desenho e Pintura” é o nome da nova exposição individual de Alexandre Marreiros, artista e arquitecto, revelada hoje ao público na Fundação Rui Cunha. Integrada no cartaz de “Junho – Mês de Portugal”, a mostra revela o olhar do próprio autor sobre a sua obra, num exercício permanente de reflexão A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, a exposição “O Estúdio de Alexandre Marreiros: Desenho e Pintura”, de Alexandre Marreiros, arquitecto e artista plástico natural de Macau e que é um dos nomes mais sonantes do panorama artístico local. Segundo uma nota da FRC, pode-se observar, nesta exposição, uma “interpretação crítica do autor sobre o seu processo criativo, numa análise abrangente da sua produção artística desenvolvida ao longo da última década”. Reúne-se, na galeria da FRC, 48 obras de arte, reveladoras de uma “imensa variedade de técnicas e materiais”, como desenho, pintura, fotografia, colagem, serigrafia, gravura e técnica mista, em papel, tela e alumínio. Este é um “ensaio visual”, propondo-se “ao visitante a identificação de constantes estéticas, rupturas conceptuais e do léxico visual, que caracteriza este período de criação de Alexandre Marreiros”. Desta forma, o espaço de exposição é transformado num “estúdio”, ilustrativo da “investigação estética e produção artística” de Alexandre Marreiros, descreve a mesma nota. A ideia é que a galeria da FRC seja também “um organismo vivo”, repleta de “mesas de trabalho, registos vernaculares e o imaginário iconográfico que circunda a prática artística do artista”. Todos estes elementos são “elevados à categoria de documentos fundamentais, permitindo compreender cada obra não apenas como produto final, mas também como processo contínuo de observação e maturação da sua prática artística”. Assim, a FRC descreve como “O Estúdio de Alexandre Marreiros: Desenho e Pintura” procura “estabelecer diálogos entre peças de diferentes períodos, revelando continuidades técnicas e conceptuais que a ordem cronológica tende a ocultar”. Nos bastidores Nesta mostra, Alexandre Marreiros não expõe, apenas, trabalhos artísticos com o seu nome, mas revela também ao grande público “os bastidores do seu trabalho”. A ideia é dar a conhecer “grupos temáticos da sua obra, unidos por fios condutores específicos, sejam eles os temas, as cores, as texturas ou os suportes utilizados, grupos esses enquadrados por peças de mobiliário ou materiais artísticos existentes no seu estúdio”. Todos eles “constituem meios de suporte e de criação de ambientes necessários ao seu processo criativo e de produção artística”, lê-se. Alexandre Marreiros é macaense, tem nacionalidade portuguesa, residiu em Portugal e no Brasil, mas fixou residência há dez anos em Macau. Nos últimos anos tem vindo a desenvolver um “percurso estético e de investigação no domínio do desenho e da pintura, centrados em conceitos como a presença humana em territórios de permeabilidade”, como é o caso das favelas no Brasil. O artista também tem feito um trabalho investigativo ao nível da “cor e texturas em ambientes edificados”, procurando “reflectir sobre as mais recentes transformações no ambiente urbano e social de Macau”. Trata-se de uma leitura na qual “o arquitecto nunca perde de vista na sua obra livre e contemporânea”. A mostra, enquadrada no programa “Junho – Mês de Portugal na RAEM 2026”, que celebra o 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas, está disponível para visita gratuita até ao dia 20 deste mês.
Angela’s Café com nova actuação musical este mês Hoje Macau - 9 Jun 2026 Decorre no próximo dia 20 de Junho, a partir das 19h, mais uma actuação musical no Angela’s Café and Lounge, no empreendimento Lisboeta Macau, localizado no Cotai. Trata-se do segundo espectáculo integrado na iniciativa “First Beats Where the Music Begins”, que conjuga música com “refeições de inspiração portuguesa”. Desta vez é apresentado ao público o talento de “três jovens músicos de Macau”, que tocam clarinete, piano e flauta, oferecendo-se no Angela’s Café “uma experiência cultural onde a alta gastronomia se cruza com a música ao vivo”, descreve o Angela’s Café numa nota. As artistas escolhidas para esta actuação são a clarinetista Eevee Lee, a pianista Emily Ka Lei Au e a flautista Iris Lo. No caso de Eevee Lee, esta estudou com a professora Yuan Yuan, clarinetista principal da Orquestra Filarmónica da China, tendo conquistado “inúmeros prémios” a nível internacional. Descreve-se que o seu estilo de execução “é delicado, mas poderoso, conferindo uma perspectiva musical diversificada” à actuação. Já Emily Ka Lei Au é pianista e também docente, “destacando-se tanto em actuações a solo como em colaborações”, tendo “uma presença em palco que cativa o público”. Iris Lo, por sua vez, é “aclamada pelo tom de flauta claro”, tendo já actuado na digressão nacional do Poly Theatre. As jovens apresentam composições de Shostakovich, Joe Hisaishi e Taro Hakase. Petiscos musicais A ideia do “First Beats Where the Music Begins” é que o público possa ouvir música enquanto prova petiscos macaenses e portugueses, existindo um pacote especial com um custo de 298 patacas por pessoa, que inclui o espectáculo e a refeição. Trata-se do “Pacote de Jantar Português” que pode incluir o tradicional bitoque, com bife da alcatra, acompanhado com legumes e presunto fumado, ou ainda um prato de peixe, nomeadamente robalo frito com azeitona verde, “que traz um autêntico estilo português através do sabor fresco das azeitonas sobre o robalo”, descreve a mesma nota. Os participantes têm ainda direito a bebidas de boas-vindas, petiscos e vinho da casa ou cerveja à discrição. A junção de música ao vivo serve para “criar o ambiente para uma celebração vibrante de sabor e arte”.
Prostituição | 12 arguidos ficam em prisão preventiva Hoje Macau - 9 Jun 2026 O Ministério Público (MP) anunciou que 12 dos 26 suspeitos de estarem envolvidos numa rede organizada de prostituição desmantelada pela PJ ficaram em prisão preventiva, incluindo três agentes da polícia no activo. Num comunicado, o MP revelou que os elementos em causa são um guarda da Polícia de Segurança Pública (PSP), um chefe de divisão e um segundo-comandante, de 60 anos e de apelido Leong. De acordo com o portal Macau News Agency, o oficial em questão é Leong Heng Hong, que desde 2019 era segundo-comandante, a segunda posição mais importante na hierarquia da PSP. O Juízo de Instrução Criminal aplicou a medida de prisão preventiva devido à “gravidade da criminalidade organizada e a eventual fuga dos arguidos para se eximirem da responsabilidade criminal”, referiu o MP. Segundo o comunicado, o juiz que analisou o caso concluiu que existem “fortes indícios da prática de crimes”, incluindo associação ou sociedade secreta, corrupção passiva para acto ilícito, favorecimento pessoal praticado por funcionário e branqueamento de capitais. O MP disse que aos restantes 14 suspeitos foram aplicadas “outras medidas de coacção legalmente previstas”, sem revelar detalhes. Segundo o comunicado, uma investigação preliminar concluiu que os arguidos pertenciam a três grupos criminosos de Macau que operavam saunas e casas de massagens para recrutar mulheres vindas da Ásia e da Europa de Leste “com vista ao exercício de prostituição”. “Alguns arguidos envolvidos terão tido contacto periódico com os agentes no activo das forças de Segurança e agentes aposentados da Polícia Judiciária de Macau para entrega de subornos”, indicou o MP. Em troca, receberiam “informações sobre operações policiais, permitindo, assim, a continuidade das actividades criminosas de exploração de prostituição praticadas pelos grupos criminosos”.
MGM Resorts International | Pansy Ho vende totalidade das acções João Santos Filipe - 9 Jun 2026 Numa altura em que o grupo People Inc. procura assumir o controlo do grupo, a filha de Stanley Ho desfez-se das acções de que era proprietária por 140,14 milhões de dólares americanos. O negócio não afecta a participação de Pansy, na concessionária local MGM China A empresária Pansy Ho Chiu King desfez-se de todas as acções no grupo MGM Resorts International, que controla a concessionária de Macau MGM China. A notícia foi avançada ontem pelo portal GGRAsia, que cita a informação divulgada na Bolsa de Hong Kong. Antes das operações mais recentes, a empresária, filha de Stanley Ho com a segunda mulher, tinha uma participação de 1,20 por cento, naquela que é uma das principais empresas de jogo em Las Vegas e que actua igualmente no mercado das apostas online. No entanto, ao realizar cinco transacções entre 28 de Maio e 3 de Junho, a empresária e política vendeu a sua participação social e recebeu cerca de 140,14 milhões de dólares americanos, o equivalente a 1,13 mil milhões de patacas. Ao mesmo tempo, as acções da empresária ficaram reduzidas zero. Pelo menos desde 2019 que Pansy Ho se tem vindo a desfazer da sua participação no grupo norte-americano, dado que em Novembro era titular de 3,13 por cento das acções da multinacional. Esta operação não tem impacto na concessionária de Macau, na MGM China, onde Pansy Ho mantem uma participação de 22,49 por cento do total das acções. No entanto, a maior accionista da concessionária continuar a ser a MGM Resorts International com uma participação de 55,95 por cento. Proposta de compra A venda das acções por parte da empresária surge depois de ter sido tornado público que o grupo People Incorporated, do multimilionário Barry Diller, apresentou uma proposta para controlar a totalidade da empresa MGM Resorts International. A proposta apresentada pelo grupo People Incorporated avaliou a MGM Resorts International em 18 mil milhões de dólares americanos, o que significa um preço de 48,30 patacas por acção. Actualmente, a People Incorporated é titular de 26,1 por cento do capital social da gigante americana. Em comunicado, Barry Diller, presidente e director executivo da People Inc., destacou que a oportunidade para investir na MGM surgiu há seis anos: “Acreditávamos que se tratava de um tipo de negócio raro: um negócio com activos no mundo real que a inteligência artificial não consegue replicar facilmente e que tem oportunidades de crescimento digital excepcionais”, afirmou Diller. “Essa convicção só se reforçou com o passar do tempo”, acrescentou. O empresário considerou ainda que o mercado tem subvalorizado “significativamente” os activos da MGM, o que torna a proposta ainda mais interessante. Diller afirmou igualmente que a proposta é atractiva para os accionistas porque podem recebem um valor acima do mercado.
Autocarros de Lazer | Mais frequências e linhas entre Macau e Cotai Hoje Macau - 9 Jun 2026 A partir de sábado, os autocarros de turismo e lazer vão passar a circular em dois sentidos, indicou ontem o Governo num comunicado conjunto de várias direcções de serviços. Até agora, o transporte garantindo pelas concessionárias de jogo para promover a economia dos bairros residenciais, funcionava apenas do Cotai para Macau. Para permitir que os “serviços sejam alargados a visitantes hospedados na Península de Macau, a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos articulou com as seis empresas de lazer para ajustar o percurso com circulação nos dois sentidos, acrescentando o trajecto Macau – Cotai”. O Governo espera que a alteração proporcione “pontos de paragem comunitários ao longo do percurso”. A linha Zape também vai passar a operar regularmente aos fins-de-semana, depois de ter funcionado apenas durante os feriados do Dia do Trabalhador. O Governo está confiante que o trajecto é capaz de atrair visitantes para a zona do Museu de Grande Prémio e a Zona de Lazer da Marginal da Estátua de Kun Iam. Foi ainda indicado que até ao fim de Maio, cerca de 10.000 turistas apanharam o transporte em diferentes paragens, levando-os a visitar as zonas residenciais. Além disso, “a página electrónica móvel sobre o Autocarro de Turismo e Lazer registou mais de 14.000 acessos para consulta de informações.
Direito | Recém-licenciados da UM vêem português essencial Hoje Macau - 9 Jun 2026 Recém-licenciados de Direito em português e em chinês da Universidade de Macau acreditam que o português vai continuar a ser uma ferramenta essencial na prática jurídica do território. Este ano, 30 alunos licenciaram-se no curso de direito bilingue, e dois no curso em português A língua portuguesa continuará a desempenhar um papel fundamental na justiça e advocacia em Macau, segundo indicaram à Lusa jovens recém-licenciados dos cursos de Direito em português e em chinês da Universidade de Macau (UM). A universidade oferece a única licenciatura em Direito Chinês-Português do mundo, um curso que prepara juristas para o sistema jurídico de Macau, de tradição romano-germânica e matriz portuguesa. A UM realizou a 30 de Maio a cerimónia de graduação que conferiu diplomas a mais de 1.700 licenciados, com 30 alunos licenciados no curso de direito bilingue, e dois no curso administrado somente em português. Tam Sio Pang confessou à Lusa que não tinha interesse na língua portuguesa antes da universidade, com o curso bilingue a ser uma “escolha estratégica” para o futuro profissional. “Continuo a considerar que a língua portuguesa desempenha um papel importante em certas áreas, sobretudo no Direito. É previsível que no futuro haja mais chineses a trabalhar em Macau e é preciso preparar-se, aprender algo que muitos chineses não sabem, o que considero ser a principal razão pela qual escolhi o [curso] bilingue”, destacou. O estudante chinês de Macau considera que aprender português o ajudou consideravelmente no estudo de Direito local, por existirem “poucas referências jurídicas escritas em chinês”. Ao mesmo tempo, apesar de admitir uma certa redução no seu uso na cidade, mostra-se “positivo” quanto ao futuro da língua portuguesa em Macau. “De acordo com a política do Governo chinês, Macau é a cidade de ligação aos países lusófonos. Não acredito que um bom governante abandonasse a característica mais icónica que a cidade tem em comparação com outras cidades chinesas”, apontou. Dois lados da moeda Juliana Tavares, uma estudante luso-descendente, cuja língua materna é o cantonês, decidiu apostar na internacionalização completando o curso de direito em português da UM. “Escolhi estudar Direito em português porque não falava uma única palavra de português antes da universidade e queria mergulhar num ambiente de língua portuguesa para poder aprender”, explicou. Em Setembro deste ano vai iniciar um mestrado no Porto em Direito Internacional e Europeu, mas mantém planos de regressar temporariamente a Macau. “Pretendo trabalhar em Macau durante algum tempo depois disso para passar no exame [equivalente ao] da Ordem dos Advogados,” apontou. Para Juliana, o português continua a ser relevante, e “apesar cada vez menos utilizado”, continua a ser a língua oficial e assim permanecerá até 2049. “Macau está a tentar afirmar-se como uma plataforma intermediária entre a China e os países de língua portuguesa, e penso que também aí existem oportunidades.” Por sua vez, Cheang Pak In sublinhou à Lusa ter escolhido o curso bilingue por sempre ter tido interesse “em ciências humanas e de línguas.” “Dentro das escolhas disponíveis, o direito bilingue pareceu-me a opção mais adequada”, disse. O recém-licenciado pretende continuar a estudar em Macau para compreender melhor as diferenças entre a jurisprudência local e a portuguesa. “Acho que é melhor saber ambas as perspectivas, se estudasse em Portugal só iria saber a perspectiva de Portugal”, apontou Já no plano profissional, está decidido a continuar a trabalhar em Macau, e que “não vale a pena ir a Portugal e arriscar perder oportunidades” que existem no território. “A sociedade precisa de juristas que saibam chinês e português. Dizer isto pode parecer um cliché, mas é verdade”, descreveu.
Património | Publicado regulamento de prémios de salvaguarda Hoje Macau - 9 Jun 2026 O regulamento dos prémios para a salvaguarda do património cultural da RAEM foi divulgado ontem, através de um despacho do Chefe do Executivo, publicado no Boletim Oficial. Os prémios têm como objectivo “distinguir os indivíduos ou as entidades que tenham prestado contributos relevantes para a protecção e valorização do património cultural”. Segundo o modelo que aparenta constar no despacho assinado por Sam Hou Fai, cujo texto em português é tudo menos perceptível, são criados quatro prémios. No entanto, apenas é atribuído um tipo de prémio a cada ano. As distinções incluem o prémio de projecto arquitectónico, o prémio de conservação e restauro do património cultural e o prémio de salvaguarda do património cultural intangível. Todos os prémios têm previsto um pagamento de 30 mil patacas ao vencedor. Se houver mais do que um vencedor as 30 mil patacas são divididas pelos distinguidos. Além disso, é criado o prémio de valorização do património cultural, que contempla o vencedor com 20 mil patacas. Também neste caso, se houver mais do que um vencedor, o dinheiro é dividido pelos contemplados. Os prémios estavam previstos na Lei de Salvaguarda do Património Cultural, que entrou em vigor em 2013, mas apenas ontem foi aprovado o regulamento.
Administração | Leong Pou U critica fraca aposta em carros eléctricos João Santos Filipe - 9 Jun 2026 O deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau questiona a reduzida proporção de veículos eléctricos comprados pelos serviços públicos e pede ao Governo para dar o exemplo O deputado Leong Pou U pretende que o Governo explique o baixo nível de adopção de veículos eléctricos nos serviços públicos, principalmente tendo em conta o aumento recente do preço dos combustíveis. O assunto foi abordado pelo legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), eleito pela via indirecta, através de uma interpelação escrita. Segundo o deputado, nos últimos anos, o Executivo tem promovido “vigorosamente” a adopção de veículos eléctricos através de “várias medidas”, mas os resultados são limitados. Leong indica que no final do ano passado, o “número total de veículos motorizados em Macau era de 254.393”, dos quais 16.339 eram veículos eléctricos, o que representou 6,4 por cento do total. A proporção era ainda mais baixa na Administração Pública: “Quando o Governo adquire ou substitui veículos, deve, sempre que possível, adquirir veículos eléctricos. No entanto, no final de 2025, dos 4.074 veículos do Governo, apenas 242 eram eléctricos, representando 5,9 por cento”, afirma Leong Pou U. Por isso, tendo em conta a “actual situação geopolítica” e a “crescente incerteza quanto ao futuro abastecimento e custo da energia tradicional”, o legislador quer o Executivo dê o exemplo. “Por uma questão de estabilidade e para garantir a prestação global de serviços do Governo, gostaria de perguntar: o Governo dará o exemplo e assumirá um papel mais proactivo na substituição dos seus veículos por veículos movidos a energias renováveis?”, pergunta. Mais subsídios Leong Pou U reconhece que recentemente o Executivo afirmou que “não há planos para introduzir um regime de subsídios para a substituição de automóveis ligeiros por veículos movidos com energias alternativas”. Todavia, o legislador quer saber se os mais recentes desenvolvimentos internacionais, que nunca são nomeados, mas que dizem respeito aos bombardeamentos norte-americanos e israelitas no Irão e ao encerramento do estreito de Ormuz, podem levar a uma nova posição. “Tendo em conta a crescente incerteza em torno do futuro abastecimento e custo das fontes de energia tradicionais devido a factores geopolíticos, e tendo em mente a estabilidade social global, poderá o Governo introduzir medidas adicionais para acelerar a adopção de veículos movidos a novas energias”, questiona.