Elegia para um sinólogo discreto

Sempre que o encontrava, falava-me do poema do porco, o do Paul Claudel, que vinha no Connaissance de l’est. Já não possuía esse livro, que tinha vendido a maior parte da sua biblioteca em rusgas de alfarrabistas, como tantos outros poetas menos abonados também faziam. Confessou-me, como quem atravessa a rua, que até o meu ele tinha vendido também. Tinha-o achado “político e triste”, o meu livreco de versos sobre Macau, que guarda um nome semelhante ao do bolor.

Disse-mo num postal com uma letrinha mínima, que guardo como quem guarda um versículo inédito do Antigo Testamento. Assinado: Gil de Carvalho. À altura parecia viver com pouco, acompanhado por amigos e alguns mortos, como depois soubemos. Que estavam bem, dizia, que passavam bem, dizia: afinal estavam mortos.

Havia nele um homem seco, muito afável, que falava com todos. Encontrava-o à Havaneza de São Domingos, onde passam os agarrados e alguns dos últimos literatos sobreviventes de Oitocentos. Quando a conversa ia parar à poesia grega, ou inglesa, ou portuguesa contemporâneas, então falava de forma viva, entusiástica até, mostrando uma boca cheia de pequenos dentes. Era um homem à antiga, sem telemóvel nem e-mail, que escrevia à mão numa letra irrepreensivelmente ilegível, muito entrecortada e sumida, como a sua poesia. Esta era, de facto, seca também, como as terras de que a água recua. Mas depois olhamos e vemos muitas camadas, muitos estratos — enquanto vai desembocando em paisagens alheias, cortadas apenas por uma ocasional enxurrada de vírgulas.

Incumbiu-me duma missão: fazer uma revista portuguesa sobre a Ásia — talvez a existência da Via do Meio, que não chegou a conhecer, o teria dissuadido desse projeto? –, coisa que nunca farei. Recordava-me tal pedido exótico (que juntava os nossos interesses “orientalistas” comuns) os projetos românticos do jornal Independente, dum mundo de tipografias, editoras, cafés, publicações breves e caprichosas que era ainda o seu mundo. O mundo em que os telefones são fixos; mais do que fixos, quedos e mudos até, pois a fala era só para ser transmitida para outro rosto. Ficava um pouco desgostoso quando eu enxotava essas ideias. Respondia-lhe que o que eu queria era reeditar A dama luminosa — o seu fundamental livro de ensaios sobre a China — para tirar um pouco o tapete à sinologia portuguesa.

Nunca concordaria com tal banalidade, se eu lha dissesse, mas a poesia (dele) seria uma “ciência do olhar”, atravessando culturas e linguagens, acolhendo o infamiliar. O território emocional dele — Algarve, Turquia, China — era raro e não encaixava nos mapas consabidos. Não era Paris. Era para a Serra d’Ossa, para Izmir, para o mundo dos chinezes islamizados, que ela se dirigia. Para em volta, em vagas, como a respiração. Os relatos do seu falecimento dizem-no sinólogo, e até orientalista, não apenas poeta. Pode ser, pois de facto Gil de Carvalho participou como tradutor e organizador em projetos ligados à poesia chinesa clássica em língua portuguesa. Uma Antologia de Poesia Chinesa (Lisboa: Assírio & Alvim, 2.ª edição, 2010) é o seu auge.

Mas a afetiva sinologia do Gil, humilde e discreta, pretendia-se investigadora, ao contrário da bazófia sinológica de outros. É hoje notável como algumas descrições que fez da poesia clássica chinesa também servem para a sua própria obra: literatura que prefere a polis (a comunidade) à alma, de alguma forma um registo e uma exploração de estratos materiais e sócio-culturais: “materialista mas que deixa de fora um certo visível” (p. 8 de A Dama luminosa).

Mas a minha peça favorita da sua “sínica” é a sua recolha sucinta, hiper-antológica, de poemas anónimos de diversas tradições. O precioso livrinho intitula-se Poemas Anónimos: Turcos, Mongóis, Chineses e Incertos, da Assírio & Alvim. O Gil lembra-me tanto esses incertos, esses difíceis, esses breves. Desses que se escapam por fronteiras entreabertas.

Aprendizagem com a experiência do direito comparado para consolidar uma barreira jurídica para a Segurança do Estado

Aprendizagem com a experiência do direito comparado para consolidar uma barreira jurídica para a Segurança do Estado

Ao Chi Tan

Em 10 de fevereiro de 2026, a Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau aprovou por unanimidade, na sua generalidade, a proposta de lei intitulada “Comissão de Defesa da Segurança do Estado da Região Administrativa Especial de Macau”

, marcando um maior aperfeiçoamento da estrutura de topo de Macau na proteção da Segurança do Estado. Atualmente, a situação de segurança global é cada vez mais complexa e Macau, sendo uma região altamente aberta, enfrenta desafios de segurança diversificados. Esta legislação representa tanto uma síntese e refinamento da prática anterior em matéria de Segurança do Estado, como uma medida importante para se alinhar proativamente com as regras da governação moderna da Segurança do Estado. A criação de um órgão coordenador especializado, acompanhado de processos judiciais detalhados, é já uma prática comum adotada por diversos países na proteção da Segurança do Estado.

No que respeita aos processos de julgamento de casos sensíveis, todos os países seguem o princípio de que o julgamento público é a regra e o julgamento à porta fechada é a exceção, desenvolvendo regimes institucionais com características próprias:

– Os Estados Unidos estabeleceram um sistema de fecho estratificado, aplicando, ao abrigo das Regras Federais de Processo Penal e da Lei sobre Processos de Informações Classificadas, rigorosos julgamentos ou audiências secretas em casos de Segurança do Estado, dando prevalência à proteção de segredos confidenciais.

– O Reino Unido instituiu um processo especial de materiais fechados, permitindo que os tribunais utilizem, em casos de Segurança do Estado, materiais confidenciais não divulgados ao arguido nem aos advogados comuns, com a participação de defensores especiais autorizados após verificação de segurança nas fases de julgamento à porta fechada.

– A Alemanha atribui a competência exclusiva sobre crimes graves de Segurança do Estado e terrorismo ao Procurador-Geral Federal, realizando-se à porta fechada as partes do julgamento que envolvam informações confidenciais, nos termos da lei.

– Em França, os casos de absoluta confidencialidade em matéria de Segurança do Estado, como espionagem e divulgação de segredos de defesa, são da competência exclusiva da Secção de Segurança do Estado do Tribunal de Recurso de Paris, com julgamento integral à porta fechada e acesso aos autos limitado a pessoal judicial específico e a defensores verificados.

– No Japão, os casos de Segurança do Estado envolvendo segredos de defesa são da competência exclusiva do Tribunal Superior de Tóquio, com julgamento integral à porta fechada.

As diversas práticas institucionais dos vários países fornecem uma referência valiosa para Macau na regulamentação do julgamento de casos confidenciais e no aperfeiçoamento da justiça processual.

No que toca à regulamentação do exercício da advocacia, todos os países adotam regimes rigorosos de controlo de informações confidenciais, equilibrando simultaneamente a garantia do direito de defesa e a proteção da Segurança do Estado:

– Nos Estados Unidos, os advogados que participam em casos de Segurança do Estado devem ser submetidos a uma verificação de segurança de nível máximo federal, podendo os juízes limitar legalmente o seu direito de visita e consulta de documentos para prevenir fugas de informação.

– No Reino Unido, apenas os defensores especiais autorizados pelo Procurador-Geral podem ter acesso a materiais confidenciais em casos de Segurança do Estado.

– A Alemanha prevê que o Escritório Federal de Proteção da Constituição realize verificações de segurança obrigatórias aos defensores em casos de Segurança do Estado que tenham acesso a informações confidenciais, não sendo permitido aos não aprovados consultar provas confidenciais.

– Em França, os defensores em casos de Segurança do Estado devem ser submetidos a uma verificação de segurança pelo Ministério da Defesa e assinar um acordo de confidencialidade vitalícia, não podendo transmitir provas confidenciais ao cliente.

– No Japão, os defensores com acesso a «segredos de defesa» devem ser verificados pelo Ministério da Defesa e assinar um compromisso de proteção de segredos, sob pena de proibição vitalícia do exercício da advocacia e eventual pena de prisão.

A apreensão de experiências internacionais por Macau baseia-se sempre no princípio de «enraizar na realidade local e servir os nossos próprios fins», não consistindo numa mera transposição. Ao contrário do risco de desvio de poder que afeta alguns órgãos de Segurança do Estado noutros países, a Comissão de Defesa da Segurança do Estado de Macau atua estritamente no quadro da Constituição e da Lei Básica, sob a direção e supervisão do Chefe do Executivo. Ao absorver experiências judiciais de diversos países, Macau combina as características do seu próprio sistema jurídico, retendo e aplicando os princípios fundamentais de competência legal, transparência processual e garantia de direitos, consolidando a linha de defesa da Segurança do Estado e assegurando plenamente os direitos legítimos dos residentes de Macau.

Advogado em exercício

Teerão | China acusa Estados Unidos e Israel de “incitarem mudança de regime”

A China acusou ontem os Estados Unidos e Israel de “incitarem uma mudança de regime” no Irão, após os ataques lançados em 28 de Fevereiro, classificando como “inaceitável” o assassínio do líder da república islâmica, Ali Khamenei.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning reiterou em conferência de imprensa que a ofensiva norte-americana e israelita “viola o direito internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais”. As declarações surgem após conversações telefónicas mantidas na véspera pelo chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, com os seus homólogos do Irão, Omã e França.

Mao estruturou a posição chinesa em três eixos: cessar imediato das operações militares, regresso ao diálogo e oposição a acções unilaterais. A responsável sublinhou que Pequim apoia o Irão na defesa da sua soberania, tendo simultaneamente em conta as “legítimas preocupações” de segurança dos países do Golfo.

Sobre a questão nuclear, a porta-voz afirmou que a China respeita o “direito legítimo do Irão ao uso pacífico da energia nuclear” e defendeu que o tema deve regressar “à via da resolução política e diplomática”.

A China, principal parceiro comercial do Irão e maior importador do seu petróleo, já tinha condenado no domingo a morte de Ali Khamenei durante a ofensiva conduzida por Israel e pelos Estados Unidos.

Desde sábado, Israel bombardeia, em coordenação com Washington, diversas posições no Irão, alegando procurar destruir arsenais e capacidades de produção de mísseis balísticos e pôr fim ao regime dos aiatolas.

Irão | Pequim apela à preservação da segurança no estreito de Ormuz

A China apelou ontem a todas as partes envolvidas na guerra no Médio Oriente para garantirem a segurança da navegação no estreito de Ormuz, advertindo para o risco de impacto na economia mundial.

“A China insta todas as partes a cessarem imediatamente as operações militares, a evitarem uma nova escalada das tensões, a manterem a segurança das rotas de navegação no estreito de Ormuz e a impedirem que a situação tenha um impacto mais amplo na economia global”, afirmou a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros Mao Ning, numa conferência de imprensa regular.

O estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é uma das principais artérias energéticas do mundo, por onde transita cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente por via marítima.

No início de 2025, a China era o principal destino do petróleo que atravessa aquela via estratégica. Nos últimos anos, o país foi também o maior importador de crude iraniano, num contexto de estreitamento das relações económicas entre Pequim e Teerão.

As declarações surgem num momento de forte instabilidade regional, após os ataques lançados em 28 de Fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão, que respondeu com mísseis e veículos aéreo não tripulados (‘drones’) contra bases norte-americanas e alvos em países do Golfo.

O aumento do risco na região levou várias companhias marítimas a suspender ou desviar rotas no estreito de Ormuz, alimentando receios de perturbações no abastecimento energético e de nova subida dos preços do crude.

Pequim tem reiterado a necessidade de cessar-fogo imediato e de regresso ao diálogo, ao mesmo tempo que sublinha a importância de preservar a estabilidade das cadeias de fornecimento globais.

Organização de Cooperação de Xangai considera “inaceitável” uso da força contra Teerão

A Organização de Cooperação de Xangai (OCX) classificou ontem como “inaceitável” o recurso à força e apelou à resolução do conflito com o Irão através do diálogo e do respeito pelos interesses legítimos de todas as partes.

Num comunicado publicado no seu portal oficial, a OCX sublinhou “a necessidade de garantir a soberania nacional, a segurança e a integridade territorial do Irão” e manifestou apoio a que todas as partes “actuem com moderação e ponham termo imediato a acções que possam agravar a situação”.

“Os Estados-membros da OCX instam firmemente as Nações Unidas e o seu Conselho de Segurança a adoptarem medidas imediatas para enfrentar acções que minam a paz e a segurança internacionais”, refere o texto.

Os países da organização expressaram ainda “as mais sinceras condolências às famílias das vítimas dos ataques” e estenderam “solidariedade e apoio ao Governo e ao povo iranianos”. No fim de semana, o grupo já tinha apresentado condolências às autoridades iranianas pela morte do líder supremo da república islâmica, Ali Khamenei, num ataque norte-americano e israelita.

Meio mundo

A Organização de Cooperação de Xangai, que não dispõe de cláusulas de defesa mútua como a NATO, integra China, Rússia, Índia, Paquistão, Irão, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão, reunindo cerca de 40 por cento da população mundial, além de países observadores e parceiros de diálogo, como Egipto, Turquia, Myanmar e Azerbaijão.

Segundo o Crescente Vermelho iraniano, mais de 555 pessoas morreram na república islâmica na sequência dos ataques desencadeados desde sábado pelas forças israelitas e norte-americanas, incluindo 180 num bombardeamento contra uma escola na cidade meridional de Minab.

Golfo | MNE chinês espera que países “reforcem a sua independência”

Wang Yi condenou os ataques no Médio Oriente numa conversa com o homólogo de Omã em que pediu aos países da região para rejeitarem ingerências do exterior. O responsável chinês reiterou a disponibilidade de Pequim para desempenhar um papel construtivo na restauração da paz

O chefe da diplomacia chinesa apelou ontem aos países do Golfo para reforçarem a sua independência e rejeitarem a ingerência externa, numa conversa com o homólogo de Omã após ataques iranianos contra vários Estados da região.

Segundo um comunicado divulgado pela diplomacia chinesa, Wang Yi afirmou que “a China aprecia a mediação activa de Omã para promover as negociações entre o Irão e os Estados Unidos, bem como os seus grandes esforços para salvaguardar a paz regional”.

O chefe da diplomacia chinesa sustentou que “os Estados Unidos e Israel provocaram deliberadamente uma guerra contra o Irão, o que viola claramente os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”.

Wang declarou que “a tarefa urgente agora é pôr termo imediato às acções militares para evitar uma maior propagação do conflito e impedir um agravamento irreversível”, acrescentando que a China “está igualmente disposta a desempenhar um papel construtivo”.

“A China espera que os países do Golfo desenvolvam boas relações de vizinhança e reforcem a solidariedade e coordenação, para que possam controlar plenamente o seu próprio futuro”, afirmou.

Sayyid Badr Albusaidi declarou que “as negociações entre o Irão e os Estados Unidos tinham alcançado progressos sem precedentes”, mas que, “infelizmente”, Washington e Telavive “ignoraram os resultados das conversações e iniciaram uma guerra”, segundo o comunicado.

Nas últimas semanas, o sultanato de Omã tinha mediado contactos entre os Estados Unidos e o Irão sobre o programa nuclear iraniano.

Resposta iraniana

O Irão lançou ataques com mísseis e veículos aéreos não tripulados (‘drones’) contra bases norte-americanas e alvos em países do Golfo como o Kuwait, os Emirados Árabes Unidos, o Qatar e o Bahrein, em resposta à ofensiva iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra o seu território.

Teerão sustenta que essas acções fazem parte da sua retaliação contra o que considera uma agressão directa e contra a presença militar norte-americana na região.

Wang falou também ontem por telefone com o homólogo iraniano, Abbas Araqchi, a quem assegurou o apoio de Pequim na defesa da soberania, segurança e integridade territorial do Irão, na primeira demonstração firme de respaldo desde os ataques dos Estados Unidos e de Israel.

A China, principal parceiro comercial do Irão e maior importador do seu petróleo, condenou no domingo a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, durante a ofensiva conduzida por Israel e pelos Estados Unidos.

Desde sábado, Israel bombardeia, em coordenação com Washington, várias posições no Irão, alegando procurar destruir arsenais e capacidades de produção de mísseis balísticos e pôr fim ao regime dos aiatolas.

“Batida. Respiração”, um concerto para ouvir no CCM esta sexta-feira

A Orquestra Chinesa de Macau (OCM) sobe esta sexta-feira ao palco do pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) no âmbito do espectáculo “Batida. Respiração”, onde se destaca “o fascínio singular dos instrumentos de sopro e percussão”.

Segundo uma nota do Instituto Cultural (IC), o espectáculo desta sexta-feira, que arranca às 19h45, será dirigido pelo director musical e maestro principal da OCM, Zhang Lie, e contará com a participação do intérprete de dizi, Zhang Weiliang, na qualidade de director artístico.

Promete-se “um hábil diálogo entre os naipes de sopros e percussão da orquestra” neste concerto onde se apresenta “uma mescla de percussão ressonante e sopros fluidos, revelando o fascínio da música instrumental chinesa”.

Zhang Weiliang é descrito como um “verdadeiro mestre da actuação em palco, da composição e da educação musical, sendo também um pioneiro da ‘nova música folclórica'”. Além disso, trata-se de uma personalidade do mundo da música que já interpretou “algumas das bandas sonoras mais acarinhadas pelo público” de filmes clássicos chineses, como é o caso de “Adeus Minha Concubina”, “Ju Dou” e “Lanterna Vermelha”.

Elogio tradicional

O concerto será composto por um repertório de canções folclóricas tradicionais e peças modernas com novos arranjos musicais, onde se incluem composições como “Pendurando as Lanternas Vermelhas”, “Festival das Lanternas”, “Despedida Festiva”, “Lágrimas pelas Flores e Felicitações”, que fazem a sua estreia no território.

Os naipes de sopros e percussão da OCM apresentam ainda “O Rio Amarelo Jorra do Céu”, uma peça original de Zhang Lie, enquanto que o intérprete de suona da OCM, Tian Ding, vai executar “Ao Nascer do Sol”, uma obra da sua autoria. Os bilhetes já estão à venda e custam entre 150 a 200 patacas. Este concerto está integrado na Temporada de Concertos da OCM 2025-26.

Exposição | A paixão pela arte de Luís Pessanha, Chao Iok Leng e José Duarte

É inaugurada esta quarta-feira uma nova exposição na Associação Cultural da Vila da Taipa, a “Show-Off 4.0”, que mostra as colecções de arte de residentes e personalidades de Macau. Dando continuidade a uma série de mostras já realizadas, desta vez revelam-se as obras adquiridas pelo jurista Luís Pessanha, a artista Chao Iok Leng e o economista José Duarte

A Associação Cultural da Vila da Taipa, situada no coração desta zona pitoresca de Macau, prepara-se para receber mais uma mostra baseada no coleccionismo de obras de arte, proporcionando a visão de diversas perspectivas artísticas. A “Show-Off 4.0” apresenta as obras que figuras radicadas em Macau, ou naturais do território, adquiriram e têm coleccionado em casa, mostrando-se ao público as colecções do jurista Luís Pessanha, o economista José Isaac Duarte e a artista Chao Iok Leng. A mostra fica patente até ao dia 15 de Maio.

Segundo um comunicado da associação, esta exposição é um “verdadeiro tesouro artístico, reunindo obras adquiridas por três renomados coleccionadores com percursos marcados pela diversidade”, sendo que se podem ver “obras provenientes tanto do contexto local, como internacional”.

A “Show-Off 4.0” revela “ideias relacionadas com o coleccionismo de arte e pretende promover o acto de coleccionar como um activo cultural impulsionado pela iniciativa individual”, podendo-se também “ampliar o sentido do património comum” ou ainda “fomentar a vitalidade da sociedade e acrescentar diversidade às economias locais, incluindo através de actividades como o comércio de arte”, sem esquecer a possibilidade de “apoiar talentos locais e internacionais”.

Questão de personalidade

Os organizadores desta mostra dizem que “cada colecção apresentada revela traços de personalidade do seu coleccionador”, e no caso de José Duarte, já com um longo percurso ligado à arte e à organização de exposições, essa característica é bem evidente. De frisar, que José Duarte foi fundador e sócio-gerente da Galeria Amagao, localizada no hotel Artyzen Grand Lapa Macau.

Desta forma, José Duarte trouxe para a “Show-Off 4.0” obras de Malangatana Valente Ngwenya, um dos mais importantes artistas moçambicanos, tendo sido também poeta, muralista, activista cultural e figura política.

Já Luís Pessanha, tem ligações familiares à arte, já que a sua mãe é a pintora Ana Maria Pessanha. Segundo a mesma nota, Luís tem coleccionado obras de arte em conjunto com a sua companheira, sendo que a colecção enche já as paredes da sua casa.

No caso de Chao Iok Leng, vice-presidente da Associação de Caligrafia e Pintura Yi Un de Macau, o percurso ligado às artes já vai longo, já que, nos anos 80, fundou a Livraria Ngai Chi Hin no território. Este espaço fornecia “os quatro tesouros do estúdio”, nomeadamente materiais como pincel, tinta, papel e tinteiro, e ainda materiais de artesanato, “beneficiando artistas locais e conquistando amplo reconhecimento na comunidade artística”. Em 2000 criou a loja de leques Nam Fan Lou.

Nesta exposição, Chao apresenta duas placas com os nomes dos seus antigos estabelecimentos, juntamente com objectos pessoais que guardou em casa com grande orgulho e profunda ligação emocional. As placas, com o nome zhāopái, “possuem uma longa tradição cultural e foram outrora um elemento marcante da paisagem urbana chinesa”.

Citado pela mesma nota, João Ó, arquitecto e presidente da associação, descreveu ser “uma honra convidar estes três coleccionadores de arte a apresentar as suas diversas colecções na Vila da Taipa, na sequência do sucesso das exposições experimentais realizadas nos últimos três anos”.

Trata-se de uma “exposição rara e especial”, que visa “explorar a natureza do coleccionismo e estimular conversas visualmente inspiradoras em torno dos bens culturais de indivíduos com interesses muito específicos e profundamente pessoais”. acrescentou. A entrada para esta exposição é gratuita.

Taiwan | Responsáveis de centro comercial que explodiu negam acusações

Está a decorrer em Taiwan o julgamento que coloca no banco dos arguidos dois responsáveis do centro comercial Shin Kong Mitsukoshi, em Taichung, onde ocorreu uma explosão de gás em Fevereiro do ano passado, que resultou em cinco mortos e 38 feridos. Entre as vítimas, contam-se três residentes da RAEM que perderam a vida e quatro que ficaram com ferimentos.

O julgamento arrancou ontem, e o gerente do centro comercial, o subgerente da empresa-mãe para a região de Taichung (que tem vários centros comerciais) e um funcionário declararam-se inocentes, negando acusações de homicídio por negligência, ofensa por negligência e violação da lei de segurança e saúde ocupacional.

O centro comercial em questão é responsável pela maior receita e fluxo de visitantes de todo o grupo, que possui centros em vários locais de Taiwan. Segundo indicou o jornal de Taiwan Liberty Times, a acusação argumentou que devido às dimensões do espaço a segurança pública deveria ser implementada com os mais elevados padrões de rigor, mas que isso não aconteceu, com a empresa a ignorar exigências legais e a correr riscos nas obras por motivos financeiros que motivaram a explosão.

A investigação terá revelado que os responsáveis não pediram as devidas autorizações legais para fazer a obra, não foi elaborado um plano de prevenção de incêndios, e o fornecimento de gás não foi interrompido durante os trabalhos. O julgamento prossegue hoje à tarde, com inquirições a mais arguidos, que são no total 13.

Metro Ligeiro | Fevereiro bate recorde de passageiros

Depois do registo bem-sucedido num primeiro mês de circulação com viagens gratuitas para residentes, o meio de transporte bateu finalmente essa afluência de passageiros ao fim de cinco anos

O metro ligeiro de Macau registou, em média, 33.100 passageiros por dia em Fevereiro, o número mensal mais elevado desde a inauguração, disse ontem a operadora.

De acordo com dados oficiais divulgados pela Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, a média de passageiros aumentou 10,3 por cento em comparação com Janeiro e subiu 30,8 por cento em relação ao mesmo mês de 2025. O metro ligeiro foi inaugurado a 10 de Dezembro de 2019 e esse mês detinha o recorde absoluto, com uma média diária de 33 mil passageiros, sendo que nessa altura as viagens eram gratuitas.

Em Fevereiro de 2020, com o início da cobrança de tarifas e a detecção dos primeiros casos de infecção pelo novo coronavírus em Macau, a média diária de passageiros caiu para 1.100. O metro ligeiro voltaria a registar este valor mínimo em Julho de 2022, mês em que a cidade esteve em confinamento durante duas semanas devido a um surto de covid-19.

Em Dezembro de 2024, começou a operar a extensão do metro ligeiro de superfície que liga Macau à vizinha Hengqin (ilha da Montanha), com 2,2 quilómetros. Um mês antes, foi inaugurada a linha que vai até Seac Pai Van, um bairro de Coloane onde o Governo de Macau construiu 60 mil apartamentos de habitação pública.

Expansão aos poucos

O metro ligeiro arrancou com apenas uma linha, que circulava só na ilha da Taipa, com uma extensão de 9,3 quilómetros e 11 estações, com uma frequência de dez a 15 minutos, durante quase 17 horas diárias.

A ligação do metro até à Barra, no sul da península de Macau, através do piso inferior da ponte Sai Van, começou a operar em Dezembro de 2023. Com a extensão do metro ligeiro, as autoridades prevêem que o volume de passageiros atinja 137 mil pessoas por dia, em 2030.

O Governo lançou no final de 2022 os concursos para a concepção e construção da Linha Leste do metro ligeiro, que fará a ligação ao norte da península de Macau, onde se situa a principal fronteira com o Interior.

No final de Janeiro, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam Vai Man, disse que a operadora prometeu, ainda este ano, implementar o pagamento electrónico, assim como um sistema de transbordo entre os autocarros e o metro ligeiro.

Terminou em 28 de Fevereiro uma consulta pública sobre o desenvolvimento do metro ligeiro, que prevê que a construção da Linha Leste deve estar concluída em 2029. Os planos incluem uma Linha Sul, que irá ligar o posto fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau à estação da Barra, uma Linha Oeste, da fronteira de Qingmao à Barra, e uma ligação à vila de Coloane.

Imobiliário | Associação quer subsídio na compra de primeira casa

A Associação Comercial de Fomento Predial de Macau defende que o Governo deve subsidiar o pagamento das taxas de juro nos créditos para compra de primeira habitação, cobrindo 2 por cento destes juros.

O presidente da associação, Lok Wai Tak, entende que as medidas aprovadas pelo Governo, como benefícios fiscais e flexibilização dos limites máximos da hipoteca, não foram suficientes para travar a queda do mercado imobiliário e que são precisas mais políticas para o sector ultrapassar os desafios que enfrenta.

Em declarações citadas pelo jornal Ou Mun, o dirigente associativo indicou também que o sentimento prevalente no mercado continua a ser a cautela, enquanto as vendas de imóveis e os preços prosseguem em rota descendente. Como tal, apelou ao Governo que tenha em conta a realidade imobiliária de Hong Kong, um dos mercados mais especulativos do mundo.

Também o presidente da Federação Internacional de Imobiliário, Che Chan U, apontou a fraqueza da economia mundial e as dificuldades das pequenas e médias empresas locais como um panorama que não ajuda à confiança do mercado imobiliário. O dirigente tem esperança de que o Executivo de Sam Hou Fai introduza uma política de residência por investimento para estabilizar os preços imóveis.

SJM | Anunciado alargamento de licença de maternidade

Com o anúncio mais recente da empresa fundada por Stanley Ho, todas as concessionárias do jogo seguem o exemplo da Sands China e aumentam a licença de maternidade de 70 para 90 dias e a licença de paternidade de cinco para sete dias

Desde ontem, que todas as concessionárias do jogo adoptaram a política de aumentar a licença de maternidade para 90 dias e a licença de paternidade para sete dias. A confirmação da nova prática generalizada na indústria do jogo chegou depois de a SJM Resorts ter anunciado as novas medidas para os trabalhadores.

“Desde de 1 de Março de 2026, a empresa aumentou oficialmente os benefícios parentais, passando a licença de maternidade remunerada de 70 para 90 dias e a licença de paternidade remunerada de cinco para sete dias”, foi anunciado. “Este reforço apoia activamente a política do Governo da RAEM de incentivo à natalidade e demonstra ainda mais o compromisso da empresa em promover um local de trabalho favorável à família”, foi acrescentado.

Os alargamentos das licenças remuneradas aplicam-se apenas às funcionárias e funcionários “com pelo menos um ano de serviço”, pelo que se não atingirem este patamar ficam sujeitos ao regime anterior.

“O bem-estar e a felicidade familiar dos nossos funcionários sempre estiveram no centro dos nossos valores, e uma estrutura robusta de apoio à família é fundamental para atrair e reter os melhores talentos”, afirmou a directora-geral da SJM, Daisy Ho. “Esta última melhoria é um verdadeiro reflexo do compromisso inabalável com o nosso pessoal, e esperamos que, através do reforço dos nossos benefícios parentais, a SJM possa ser o pilar de apoio mais fiável para todos os funcionários durante os momentos mais significativos das suas vidas”, frisou.

Tendência geral

A SJM foi a última concessionária do jogo a anunciar a medida, numa tendência que começou com a Sands China a 25 de Fevereiro. Anúncios semelhantes foram feitos pela Galaxy, Wynn Macau, MGM China, e Melco.

No entanto, as medidas não acontecem, no vazio. O Governo está a realizar uma consulta pública para aumentar a licença de maternidade de 70 para 90 dias e também os dias de férias anuais dos trabalhadores dos actuais seis para um máximo de 12. Os dias de férias passam a depender do número de ano de anos em que o trabalhador está na empresa e por cada dois anos acumula mais um dia.

As concessionárias estão assim a antecipar as medidas que podem entrar em vigor até ao próximo ano, mas que ainda precisam de ser aprovadas na Assembleia Legislativa, o que deverá acontecer ao longo deste ano.

Justiça | Advogados de todos os arguidos do caso Lee Sio Kuan negam crimes

Lee Sio Kuan e Wu U Choi estão acusados pelo Ministério Público de 48 crimes de falsificação de documento e 235 crimes de corrupção eleitoral

Os 18 arguidos do caso de corrupção eleitoral que envolve a lista Ou Mun Kong I, candidata às eleições legislativas de 2021, recusaram ter cometido qualquer crime. A posição foi tomada no Tribunal Judicial de Base (TJB), na segunda-feira, pelos advogados de defesa, durante a realização das alegações finais do julgamento. Por sua vez, todos os arguidos optaram por manter-se em silêncio.

Lee Sio Kuan, mandatário e cabeça-de-lista da Ou Mun Kong I, e Wu U Choi estão acusados de 48 crimes de falsificação de documento e 235 crimes de corrupção eleitoral. Che Mio Peng e os restantes 15 arguidos foram acusados por um crime de corrupção eleitoral.

Segundo o Ministério Público (MP), Lee Sio Kuan financiou, organizou e ofereceu uma excursão de meio dia a mais de 200 residentes, que incluiu um guia turístico, refeições e presentes com slogans de apoio à lista.

A acusação considera que a oferta da viagem teve como objectivo levar os eleitores a assinar o formulário da lista, no âmbito da recolha das 300 assinaturas para constituir a comissão de candidatura, entregue à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL).

O advogado de defesa de Lee Sio Kuan considerou que o seu cliente não é culpado do crime de falsificação de documento, porque agiu com negligência, sem dolo. Face ao elevado número de formulários de apoio à comissão de candidatura, o advogado reconheceu que Lee agiu com descuido, e que se tivesse tido consciência da existência de assinaturas falsificadas que teria impedido a submissão das mesmas.

Quanto às acusações de corrupção eleitoral, o advogado argumentou que não houve premeditação da excursão, e que Lee sio Kuan não pediu nem ordenou directamente às outras pessoas que organizassem a excursão.

Os papéis de Wu e Che

Na perspectiva do MP, Wu U Choi e Che Mio Peng foram também fundamentais para a viagem, uma vez que ajudaram na organização e convidaram residentes para participar no evento.

No entanto, o advogado de Wu U Choi recusou esta versão. Segundo o mandatário, o seu cliente realizou a excursão com base numa lógica estritamente comercial, desconhecendo as razões e os objectivos da organização. O advogado afirmou que as provas apresentadas ao longo do julgamento pelo MP referentes à falsificação de assinatura são insuficientes para provar a prática dos crimes.

Por sua vez, o advogado de Che Mio Peng revelou que a arguida não conhecia bem Lee Sio Kuan, e que o seu envolvimento nas excursões se ficou unicamente a dever ao facto de ter uma rede de conhecimentos ligada ao turismo no Interior. O defensor de Che também afirmou que a sua cliente apenas agiu devido a um pedido de Wu U Choi, e que nunca teve intenção de influenciar os residentes a assinarem os formulários de constituição da comissão de candidatura. O advogado de Che Mio Peng também referiu que a cliente não assinou o formulário nem recebeu benefícios directos.

Em relação à defesa dos restantes arguidos, os advogados justificaram a participação nas viagens e a assinatura dos formulários com a pouca instrução dos clientes, muitos deles idosos, com baixo nível de escolaridade, havendo inclusive analfabetos, que não conseguiam entender as consequências dos seus actos. A leitura da sentença está agendada para 10 de Abril.

Leong Sun Iok quer eventos desportivos que liguem Macau ao Interior

O deputado Leong Sun Iok defende a organização de mais eventos desportivos internacionais que liguem Macau, Hong Kong e o Interior da China. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita, e tem por base a realização dos Jogos Nacionais, na segunda metade do ano passado.

Segundo o legislador da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), no esforço de promover Macau como cidade internacional, o território deve aproveitar a experiência dos Jogos Nacionais, quando foi organizada uma prova de ciclismo que atravessou Macau, Hong Kong e a província de Guangdong, numa extensão de 231,8 quilómetros. Leong Sun Iok menciona também o exemplo da maratona que decorreu entre Hong Kong e Shenzhen, entre exemplos de eventos com potencial internacional.

“A sociedade em geral está ansiosa por ver se estas valiosas experiências pioneiras podem ser transformadas, após o evento, em vantagens institucionalizadas, promovendo genuinamente o desenvolvimento de Macau como Cidade do Desporto’, enquanto se aprofunda a cooperação regional entre as três regiões”, considerou. “Ao introduzir ou acolher futuros eventos desportivos de nível internacional, haverá condições para aproveitar a experiência adquirida nos Jogos Nacionais?”, pergunta. “Mais especificamente, será estabelecido um mecanismo de facilitação de autorização de eventos desportivos em cooperação com Guangdong e Hong Kong?”, questiona.

Maiores facilidades

Leong aponta também que a realização de eventos desportivos entre as diferentes regiões “proporcionaria uma maior margem de manobra para planear a escala e os percursos dos eventos desportivos de Macau”. Ao mesmo tempo, indica que nos últimos anos foram criadas condições para uma maior circulação na Grande Baía, que pode beneficiar a RAEM, na concretização de ser uma cidade internacional.

A realização de eventos em Macau em cooperação com Hong Kong e Guangdong não é nova. No entanto, os Jogos Nacionais vieram permitir atravessar fronteiras durante partes do percurso de provas.

Durantes anos realizou-se a prova de ciclismo Volta do Mar do Sul da China que tinha etapas em diferentes cidades do que actualmente é a Grande Baía.

Por exemplo, em 2008, a prova começou em Hong Kong, onde se realizou integralmente a primeira etapa, mas nos dias seguintes atravessou a fronteira, com etapas disputadas nas cidades de Shenzhen, Dongguan, Guangzhou, Zhonghsan e Zhuhai. Nesse ano, a prova terminou em Macau com o português Micael Isidoro a vencer a etapa que foi totalmente disputada na RAEM. O chinês Xu Gang foi o vencedor na geral.

Médio Oriente | Pedidos de informações sobem para 16

Desde o início do mês, e da ofensiva dos Estados Unidos contra o Irão, até ontem, a Direcção de Serviços de Turismo (DST) recebeu um total de 16 pedidos de assistência e informações, de acordo com os dados citados pelo jornal Ou Mun.

Entre estes, 11 pedidos (cerca de 70 por cento) estavam relacionados com pessoas retidas no Dubai, Abu Dhabi e Bahrein ou que pretendiam divulgar às autoridades os seus planos de viagem para o Médio Oriente.

Os restantes cinco pedidos (cerca de 30 por cento) foram motivados com pedidos de informações relacionados com reembolsos e cancelamentos de viagens de excursões de Macau que pretendiam viajar para o Médio Oriente. Segundo o jornal Ou Mun, a Direcção de Serviços de Turismo prometeu continuar a acompanhar os desenvolvimentos na região.

Maternidade | Associações alertam para custos de licenças

Realizou-se esta terça-feira a terceira sessão da consulta pública sobre as alterações à lei das relações de trabalho, tendo as associações alertado para o aumento dos custos associados à licença de maternidade.

Segundo noticiou o jornal Ou Mun, a vice-presidente da Associação Geral das Mulheres de Macau, Ao Ieong Ut Seng, disse que a proposta do aumento da licença para 90 dias é apropriada, mas devem evitar-se as situações que podem piorar as condições de trabalho das mulheres e cenários de discriminação no emprego, tendo em conta que muitas pequenas e médias empresas (PME) enfrentam dificuldades económicas.

Ao Ieong Ut Seng sugeriu que há mais apoios para as mulheres que têm filhos gémeos, e nesse caso podem gozar de mais dias de licença de maternidade. Por seu turno, a vice-presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau, Cheong Sok Leng, apontou que as PME têm recursos limitados para suportar os custos das licenças de maternidade e que o Governo deve continuar a atribuir subsídios para aliviar uma parte dos custos das empresas, subsídio esse que abrange os 20 dias de licença.

Duas Sessões | Sam Hou Fai e representantes da RAEM em Pequim

Uma comitiva de governantes e representantes de Macau nas Duas Sessões partiu ontem para Pequim. Entre as suas prioridades, constam o alinhamento do 15.º Plano Quinquenal nacional o 3.º Plano Quinquenal da RAEM, e o desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin

O Chefe do Executivo partiu ontem para Pequim, onde vai ficar até quinta-feira, para assistir à abertura da Quarta Sessão da 14.ª Assembleia Popular Nacional (APN), informou ontem o Gabinete de Comunicação Social. Na ausência de Sam Hou Fai, o secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, irá exercer, interinamente, as funções de Chefe do Executivo.

A comitiva de Macau incluiu também os representantes da RAEM na Assembleia Popular Nacional (APN) e na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC). Antes de partirem, alguns responsáveis apontaram como prioridades o alinhamento do 15.º Plano Quinquenal nacional com o 3.º Plano Quinquenal da RAEM, assim como a integração e desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin.

O deputado Kevin Ho, representante na Assembleia Popular Nacional, destacou o 15.º Plano Quinquenal nacional como o principal foco das Duas Sessões e a necessidade de articulação com o rumo político da RAEM a longo prazo.

Kevin Ho revelou que este ano a delegação de Macau irá submeter, pelo menos, seis propostas individuais e duas colectivas à APN, com foco na integração de serviços entre Macau, a Grande Baía e Hengqin.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado e sobrinho do primeiro Chefe do Executivo da RAEM afirmou ainda que os 15.º Jogos Nacionais extrapolaram a esfera desportiva, demonstrando a capacidade para ultrapassar barreiras que antes eram erguidas por dificuldades transfronteiriças. Como tal, afirmou que o evento desportivo deveria servir de mote para uma maior integração regional ao nível da partilha de dados e informações.

Uma só voz

A delegada e ex-deputada Chan Hong destacou as mesmas prioridades. Depois do foco nas infra-estruturas e mecanismos de ligação entre a RAEM e Hengqin, Chan Hong indicou que a integração na Grande Baía entrou numa nova fase que implicará promover uma “conectividade de coração para coração” para facilitar a vida transfronteiriça dos residentes. No plano educativo, a representante voltou a salientar a importância de apostar na educação nacionalista.

Em relação aos representantes de Macau na CCPPC, Frederico Ma salientou a formação e captação de quadros profissionais como prioridade e o papel que o Cidade Universitária Internacional de Hengqin para cumprir esse objectivo. Também o deputado Iau Teng Pio salientou o papel que o campus universitário na Ilha da Montanha terá no futuro da RAEM.

Miguel Carvalho, autor do livro “Por Dentro do Chega”: “O Chega atraiu tudo e um par de botas”

Há muito que o jornalista Miguel Carvalho investiga o Chega, o partido político de extrema-direita fundado por André Ventura. Convidado do Festival Literário “Rota das Letras”, Miguel Carvalho vem a Macau falar do livro “Por Dentro do Chega – A Face Oculta da Extrema-Direita em Portugal” e do crescimento dos populismos

Vai partilhar a sessão “Do Engano ao Populismo” com outro jornalista, João Miguel Tavares, que escreveu uma obra sobre José Sócrates. Que paralelismo encontra entre Sócrates e o Chega?

Acho bastante curioso que se tenha proporcionado o debate entre estes dois livros [“José Sócrates – Ascensão (1957-2005)” e “Por Dentro do Chega”]. Isto porque o próprio André Ventura assumiu, embora posteriormente tenha desmentido, mas está gravado, que votou em José Sócrates no primeiro mandato. Descrevo no livro a forma exemplar como Ventura, de alguma maneira, olha para si próprio em relação à própria persona política, nas características positivas que via em José Sócrates, no que diz respeito à ideia do político que veio mudar tudo e mais alguma coisa. Mas José Sócrates é uma figura odiada dentro do Chega, é, talvez, o político que o Chega mais refere para identificar os maus na política. Em muitos casos, Sócrates foi a motivação pela qual muitos aderiram ao Chega. Na minha investigação encontrei muitos militantes que chegaram a votar em José Sócrates, acreditando ser a melhor coisa que podia acontecer à política portuguesa.

O livro vai na nona edição em Portugal. Esperava essa reacção do público, tendo em conta o crescimento do eleitorado do Chega?

Há uma dimensão disto que, para mim, é um bocado irreal. Estamos a falar de um país como Portugal, que tem índices de leitura marginais, e já temos 36 mil exemplares de tiragem no total. Mas esta reacção do universo eleitoral do Chega, tanto de pessoas que já saíram ou que ainda lá estão, não é uma total surpresa para mim. Recebi imensas mensagens por e-mail ou Facebook de pessoas que, ou tinham saído do Chega ou que ainda lá estavam, mas que respeitavam o meu trabalho jornalístico, independentemente do que possam pensar de mim como cidadão ou das minhas convicções. Pessoas que estavam a ler o livro com espírito crítico. Sei de pessoas que leram o livro e saíram do Chega, e outras que continuaram. O livro é 90 por cento o Chega a falar de si próprio, e estou grato pelo facto de as pessoas continuarem a respeitar o meu trabalho jornalístico, independentemente da opinião que possam ter sobre mim.

O Chega é fruto de uma onda de populismos que tem surgido um pouco por todo o mundo. Não aprendemos nada com a história?

Isso não, e é claro a vários ritmos. Dedico o último capítulo à entrada das narrativas extremistas nas escolas e faculdades, e de como a narrativa do Chega está a contaminar, e a tornar cúmplice, uma geração que tem uma grande distância em relação ao 25 de Abril. Com base em testemunhos de professores e de outros profissionais, relato a presença cada vez mais frequente de alunos nas salas de aula a fazerem a saudação nazi, alguns que citaram partes do “Mein Kampf”, ou enveredaram por narrativas simplistas, a maior parte delas completamente falsas e baseadas na desinformação que grassa por aí. São jovens que estão a levar para a sala de aula coisas que julgávamos já estarem resolvidas. Mas isso acontece também porque algo falhou na escola, e se calhar Portugal não é caso único nesse aspecto. Talvez, em parte, justifique a ascensão dessas narrativas e movimentos. Sei também, pelo acesso à vasta documentação interna do Chega ao longo destes anos, que os professores são uma das classes profissionais com maior representação na militância do Chega, desde o ensino básico à academia. Temos aqui factores que estão a gerar um caldo muito preocupante em relação à entrada de ideias extremistas num universo que, em muitos casos, ainda nem sequer vota.

Uma das ideias que sai do seu livro é que não podemos falar de um eleitor tipo do Chega.

Não é fácil para mim [fazer essa definição]. Não sei, neste momento, quem é o eleitor típico do Chega porque varia imenso consoante a localização geográfica e orientações políticas. Ou seja, o Chega atraiu tudo e um par de botas, digamos assim. Numa fase inicial foi buscar gente oriunda dos partidos que estavam mais próximos de si ideologicamente, nomeadamente o PSD e o CDS. Fui muito para o terreno, entrevistei centenas delas, e é agora verificável com estudos realizados sobre o comportamento eleitoral que o Chega conseguiu atrair gente de várias opções ideológicas no passado, desde o PCP ao Bloco de Esquerda. Houve muitos eleitores tradicionais do Partido Socialista que passaram para o Chega. O partido é disruptivo até em relação ao próprio sistema tradicional dos partidos.

Em que sentido?

Acredito que um eleitor ou um militante de um dos partidos tradicionais até pode discordar do líder em determinada altura ou discordar do programa numa determinada fase, mas se está nesse partido e se vota nesse partido, é porque está minimamente confortável, digamos assim, a 70 ou 80 por cento com o seu ideário. Ora, o Chega não funciona assim, e veio romper com tudo isto. Temos de imaginar o Chega como uma espécie de restaurante onde há o chefe Ventura que inventa uns dez pratos, com aquelas ideias que sabemos de cor e salteado, sobre a imigração, a comunidade cigana, a castração química de pedófilos, e depois este universo eleitoral escolhe três ou quatro pratos que lhe dizem mais respeito, em função do seu percurso pessoal e profissional, ou das suas frustrações, ou da sua comunidade, até. Por exemplo, é fácil encontrar gente do Chega que até não concorda nada que André Ventura faça o discurso que faz sobre a comunidade cigana, mas já concorda quando ele justifica a necessidade de não haver educação sexual nas escolas, porque isso só serviria para ensinar as crianças a masturbarem-se. Aí já acreditam e acham que é um combate que vale a pena. Cada caso é um caso e nunca encontrei um partido tão atomizado e individualizado a esse nível.

Fez, há uns anos para a revista Visão, uma investigação sobre o macaense Vitório Cardoso, ligado ao PSD, mas visto em manifestações do Chega. É um exemplo de alguém que se aproximou do Chega vindo de um partido tradicional?

Tudo o que conheço dele e das suas afirmações públicas, algumas delas, entretanto, apagadas, e tudo o que fui lendo ao longo dos anos sobre a expressão pública do seu pensamento político, torna-o obviamente uma figura mais próxima do Chega do que propriamente do PSD, mesmo sendo este PSD o que é, sem grande lastro ideológico. Não me espantaria, portanto, que pessoas como o Vitório se sentissem muito mais confortáveis num partido como o Chega do que naquele onde supostamente militam.

Na diáspora portuguesa o Chega também tem crescido. Como explica este fenómeno, tendo em conta que falamos de um partido com um discurso anti-imigração?

Esse lado está menos tratado no livro, porque na altura não houve condições para aprofundar o tema. O Chega tem, desde logo, uma grande mobilização da parte de alguns empresários portugueses na diáspora. Na França e Suíça isso é por demais evidente. Há, portanto, grandes empresários que se puseram ao serviço do partido e de André Ventura, usando os seus recursos para levarem o máximo de pessoas a votar. O Chega desmentiu, disse que não tem nada a ver com estas organizações, e que se tratam de iniciativas individuais, mas a verdade é que mesmo nas eleições legislativas, em Genebra, o Chega foi o único partido que conseguiu colocar propaganda eleitoral nas caixas de correio. Isto reflecte outro aspecto, que é o facto de o PS e PSD estarem há demasiado tempo confortáveis, em alguns países, com o voto imigrante. Ou seja, como habitualmente dividiam os eleitores entre si, não se preocuparam muito com a literacia política e mediática de um vasto sector da imigração. É preciso lembrar que 90 por cento dos portugueses radicados nos países mais importantes da imigração portuguesa não foram votar, e isso é muitas vezes justificado pelo facto de sentirem que Portugal os esqueceu. E depois há outra questão, que é o facto de gente que mesmo tendo emigrado em circunstâncias muito difíceis para fugir à miséria, a verdade é que com o seu trabalho conquistaram um determinado estatuto e consideram hoje que qualquer imigração, mesmo sendo a dos seus irmãos portugueses, é prejudicial. Notei muito isso nos Açores, por exemplo, onde se começam a gerar conflitos familiares e de amizade. Isto, do ponto de vista psicológico, é bastante complexo de desmontar.

O deputado José Pereira Coutinho, que venceu as últimas legislativas em Macau, comparou-se a André Ventura. O presidente do Chega é visto como uma espécie de estrela da política que quase serve de referência para outros?

Sim. Já é claro que o partido teria muitas dificuldades em manter a força política que tem hoje sem André Ventura, que é alguém que domina a linguagem mediática há muitos anos, muito antes do Chega. Ele tem o domínio avassalador da comunicação e sabe simplificar, obviamente escudado em muitas mentiras e falsidades. Escrevo isto desde 2020, o Chega é, essencialmente, um projecto de poder pessoal. Ventura submeteu o Chega ao culto do líder, e o partido é hoje, com toda a certeza, menos livre do que era no início.

Com menos crítica interna?

Havia, apesar de tudo, determinadas correntes e pessoas com pensamento próprio, que independentemente ou não de estarem de acordo com a generalidade das propostas que o partido oferecia, eram capazes de subir ao palco num congresso e fazer uma crítica à direcção. Tenho sérias dúvidas de que isso aconteça no próximo congresso do Chega. Os acórdãos do Tribunal Constitucional são avassaladores sobre a falta de democraticidade interna, e [isso acontece] por instinto de sobrevivência, já que André Ventura raramente permitiu dar [palco] a outras pessoas. Há estudos recentes que demonstram que André Ventura transformou o Chega numa liderança muito idêntica à do regime norte-coreano. Pode-me perguntar, se amanhã ele for embora, obviamente que o Chega se irá manter. Sofre um grande abalo, mas continuamos a ter a grande questão, tal como tivemos nos Estados Unidos: não foi pelo facto de Donald Trump ter ficado quatro anos de fora da Casa Branca que deixou de existir. Aqui temos o mesmo problema, não será pelo facto de Ventura ir embora que o “Ventura Country” deixará de existir, é preciso dar resposta aos anseios e às frustrações que geraram esse “Ventura Country”. Se isso não for feito, esse “Ventura Country” vai à procura de outro Ventura.

Ventura vai ser primeiro-ministro em Portugal nas próximas legislativas? Com ou sem maioria absoluta?

Se houver uma crise política novamente, estou convicto que o Chega tem altas possibilidades de ser Governo. Mas a verdade é que há sinais de desgaste na narrativa do Chega. Do eleitorado que aderiu em força logo no início, há sinais de que encontrou outro tipo de motivações. Entre as eleições autárquicas, e a primeira volta das presidenciais, e isso não foi muito falado, o Chega perdeu cerca de 100 mil votos. São eleições muito diferentes, mas 100 mil votos também não se perdem assim. E a verdade é que o Chega tinha, em relação às últimas autárquicas, uma altíssima expectativa que, mesmo com três câmaras municipais ganhas, não se veio a confirmar. A verdade é que, se não houver, no imediato, uma alteração do ciclo político, o Chega terá mais dificuldades em chegar ao Governo.

Cooperação | Índia e Canadá com acordo em energia e fornecimento de urânio

A Índia e o Canadá anunciaram ontem, em Nova Deli, um acordo de cooperação em minerais e fornecimento de urânio, essencial para a energia nuclear.

O acordo de fornecimento de urânio, no âmbito da parceria estratégica entre os dois países, tem um valor de 2,6 mil milhões de dólares canadianos. A Índia, um grande consumidor de energia e o país mais populoso do mundo, com 1,4 mil milhões de habitantes, pretende aumentar a capacidade nuclear de oito gigawatts para 100 gigawatts até 2047.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, considerou ter sido alcançado um acordo histórico na área da energia nuclear civil, estabelecendo um fornecimento de urânio a longo prazo. Modi acrescentou que os dois países também vão trabalhar em conjunto em pequenos reactores modulares e reactores avançados.

O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, afirmou que o Canadá está “bem posicionado” para ser um “fornecedor fiável” de gás natural liquefeito (GNL) a partir da costa oeste do país. Os acordos, que abrangeram também o sector tecnológico e a promoção das energias renováveis, foram anunciados depois de uma reunião em Nova Deli entre Modi e Carney.

A visita de Carney representa uma melhoria nas relações entre o Canadá e a Índia, que se tinham deteriorado em 2023. Na altura, Otava acusou Nova Deli de conduzir uma campanha de intimidação contra os activistas ‘sikhs’ residentes no Canadá, alegações rejeitadas pela Índia.

No encontro, Carney afirmou que os governos canadiano e indiano colaboraram mais no último ano do que nas últimas duas décadas, salientando que “não se trata simplesmente da renovação de uma relação”. No ano passado, os dois países tinham concordado retomar as negociações para um acordo de parceria económica abrangente. “O nosso objectivo é atingir os 50 mil milhões de dólares em comércio bilateral”, indicou Modi.

Golfo Pérsico | Cosco reorganiza rotas e procura águas seguras

A companhia estatal chinesa de navegação Cosco Shipping anunciou que está a reorganizar a rota dos seus navios no Golfo Pérsico face à situação de insegurança no Médio Oriente e às restrições ao trânsito no estreito de Ormuz.

Num aviso aos clientes datado de 01 de Março, a empresa indicou que as embarcações que já entraram no Golfo, após concluírem as suas operações “e quando for seguro fazê-lo”, foram instruídas a dirigir-se para águas seguras e a permanecer ancoradas ou à deriva.

Os navios com destino à região receberam orientações para priorizar a segurança da navegação, incluindo a redução da velocidade, a permanência em ancoradouros protegidos ou o cumprimento de novas instruções operacionais, de acordo com o comunicado.

A empresa acrescenta que está a avaliar planos de contingência para a carga a bordo dos navios afetados, incluindo eventuais alternativas de descarga noutros portos.

O anúncio surge depois de o Irão ter advertido que o trânsito no estreito de Ormuz já não é seguro, na sequência do conflito desencadeado após os ataques lançados em 28 de Fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra a república islâmica.

O aviso iraniano e o aumento do risco levaram, na prática, à suspensão ou ao desvio de rotas por parte de algumas grandes companhias marítimas, como a Maersk e a Mediterranean Shipping Company (MSC).

Ontem, a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Mao Ning afirmou que Ormuz é um “canal internacional importante para o comércio de bens e energia”, sublinhando que preservar a sua segurança corresponde aos “interesses comuns da comunidade internacional”.

Visitantes | Macau volta a fixar novo recorde máximo

Macau recebeu 3,65 milhões de visitantes em Janeiro, o valor mais elevado de sempre para o primeiro mês, apesar de o Ano Novo Lunar ter calhado em Fevereiro, foi ontem anunciado.

De acordo com a Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC), o número de turistas que passou pelo território foi apenas superior em 767 em comparação com o mesmo período de 2025. Ainda assim, foi suficiente para ser o valor mais elevado para qualquer mês de Janeiro desde que a DSEC começou a compilar dados mensais, em 1998, ainda durante a administração portuguesa.

A região já tinha registado quatro máximos históricos para os meses de Setembro (3,8 milhões), Outubro (3,47 milhões), Novembro (3,35 milhões) e Dezembro (3,58 milhões). Macau recebeu mais de 40 milhões de visitantes em 2025, um novo máximo histórico, ultrapassando o anterior recorde de 39,4 milhões, fixado em 2019, antes da pandemia de covid-19.

Janeiro alcançou um recorde apesar do Ano Novo Lunar, um período alargado de feriados na China continental e um pico turístico para Macau, ter calhado no final de Fevereiro. Em 2025, o início do Ano Novo Lunar foi em 29 de Janeiro.

As origens

Aliás, a DSEC aponta esta diferença para explicar a queda homóloga de 9,6 por cento, para 1,45 milhões, no número de visitantes vindos do interior da China com visto individual.

Ainda assim, a esmagadora maioria (89,8 por cento) dos turistas que chegaram a Macau em Janeiro vieram da China continental ou Hong Kong. No entanto, quase 62 por cento dos visitantes (2,25 milhões) chegaram em excursões organizadas e passaram menos de um dia em Macau no ano passado.

A queda nos mercados da China continental e de Hong Kong foi compensada por uma subida de 20,7 por cento no número de visitantes vindos de Taiwan, assim como por um aumento de 15,5 por cento nos turistas vindos do resto do mundo.

Macau recebeu quase 278.500 visitantes vindos do estrangeiro, referiu a DSEC, que não inclui Taiwan. Este é o valor mais elevado para Janeiro desde 2019, antes do início da pandemia.

A recuperar

Em 16 de Dezembro, a directora dos Serviços de Turismo de Macau sublinhou que o número de visitantes internacionais tinha recuperado até cerca de 80 por cento dos níveis pré-pandemia. Em Agosto, Maria Helena de Senna Fernandes tinha apontado como objectivo mais de três milhões de turistas internacionais em 2025.

Mas Macau falhou essa meta, ficando-se por 2,76 milhões de visitantes vindos do estrangeiro, ainda assim um aumento de 13,7 por cento em comparação com 2024. Cidadãos da Arábia Saudita, Qatar, Kuwait, Barém e Omã passaram a estar dispensados de visto para entrar na cidade a partir de 16 de Julho.

Em 17 de Fevereiro, Senna Fernandes disse que Portugal será uma das prioridades de Macau no que toca a atrair mais visitantes estrangeiros. A região voltou a marcar presença na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), que decorreu entre 25 de Fevereiro e 01 de Março, depois de um ano de ausência.

O silêncio e a ira

De acordo com a imprensa de Macau, no passado dia 18 de Fevereiro, uma mulher da China Continental possuidora de uma licença de entrada e saída, apanhou um autocarro em Macau com destino às Portas do Cerco. Quando entrou pediu indicações ao motorista, mas não recebeu qualquer resposta. Indignada com o silêncio tentou agarrar o volante e provocou um abanão no veículo. O motorista parou imediatamente o autocarro e ligou para o inspector da empresa. Quando chegou, o inspector retirou a mulher do autocarro e chamou a polícia. Depois disto o autocarro seguiu viagem e ninguém se magoou.

A Polícia de Segurança Pública conduziu a mulher até à esquadra para ser interrogada. A comunicação social adiantou que ela tinha agarrado o volante porque estava furiosa com o motorista por ele não lhe ter respondido, mas que não houve intenção de pôr em risco a segurança pública. A mulher vai ser acusada de “pôr em risco a segurança rodoviária” e o caso foi transferido para o Ministério Público para ser investigado.

O Ano Novo é supostamente uma ocasião festiva, mas um incidente aparentemente menor pode perturbar uma atmosfera alegre e potencialmente desencadear uma crise de segurança pública.

É natural que esta mulher sentisse que tinha motivos para estar irritada e emocionalmente descontrolada depois de o motorista se ter recusado a responder-lhe quando pediu indicações sobre a direcção a tomar. No entanto, a tentativa desesperada de agarrar o volante podia ter causado um acidente e uma tragédia, provocando ferimentos nos passageiros e, ou, nos transeuntes. Por conseguinte, a gestão emocional é crucial. Estarmos cegos pela raiva não é desculpa.

Agarrar o volante e pôr em risco a segurança rodoviária é um crime grave, representando uma ameaça à segurança dos passageiros, dos transeuntes e dos outros veículos. Neste caso, o motorista teve a presença de espírito para se concentrar na condução, estacionar e, de seguida, pedir a ajuda do inspector da empresa. Colocar a segurança de todos em primeiro lugar demonstra ética profissional. O que é que pode ser mais importante do que a segurança e a prevenção de acidentes?

O inspector retirou a mulher do autocarro, permitindo que partisse e que os outros passageiros não se atrasassem, minimizando assim o impacto do incidente e demonstrando um excelente desempenho numa emergência.

Depois deste incidente ter ocorrido, é fundamental prevenir que outros semelhantes aconteçam. A sociedade de Macau pode considerar tomar as seguintes medidas:

Em primeiro lugar, nos comportamentos que afectam a segurança dos transportes públicos e que podem levar a acidentes graves, a simples persuasão pode ser ineficaz. Devem ser usados procedimentos legais para fazer as pessoas perceberem que “raiva” e “imprudência” não podem sobrepor-se à “lei”, à “segurança” e às “vidas humanas” e assim evitar que incidentes semelhantes se repitam.

Em segundo lugar, e por motivos de segurança, a informação afixada nos autocarros deveria claramente explicar que o motorista não pode falar com os passageiros enquanto conduz. Esta informação deveria estar escrita em chinês, em português e em inglês para impedir os passageiros de falarem com o motorista e evitar mal-entendidos motivados pelas barreiras linguísticas.

Em terceiro lugar, a forma como o motorista e o inspector lidaram com esta situação foi exemplar e ambos merecem louvores e recompensas. A empresa transportadora poderia indicar estes comportamentos como modelos a seguir durante o processo de formação dos funcionários, pois são demonstrativos de que os problemas devem ser resolvidos com calma e que essa é a filosofia da empresa. Esta formação beneficiaria a sociedade, a empresa, os funcionários e o público.

Este incidente lembra-nos da necessidade de garantir a segurança de todos os que utilizam as estradas, da importância da civilidade e da boa imagem de uma cidade turística. Ao abanar o volante do autocarro esta mulher tocou num ponto sensível – a segurança pública.

Só através da estrita obediência à lei, de sistemas melhorados e auto-disciplina é que estes problemas podem ser resolvidos.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macaue a ir
Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
cbchan@mpu.edu.mo

Coro Gulbenkian actua no Festival de Artes de Hong Kong e vem a Macau

O Coro Gulbenkian de Portugal participa este ano no Hong Kong Arts Festival (HKAF) com actuações em Hong Kong e uma passagem por Macau, um evento que se pauta pelo “encontro das culturas chinesa e portuguesa”, segundo a organização.

Esta quarta-feira, no auditório do Kwai Tsing Theatre, em Hong Kong, o coro de 40 elementos apresentará o espectáculo “Os dias mais longos e os mais curtos”, uma “cantata tecnológica” que se desenrola numa espécie de dueto do coro consigo próprio em versão virtual projectada num ecrã, com as duas versões do coro a cantarem juntas e separadamente.

Este espectáculo conta com o acompanhamento da soprano Camila Mandillo, do contratenor David Hackston e da pianista de Hong Kong Rachel Cheung, sob a batuta do maestro Jorge Matta em carne e osso, ou talvez em formato digital.

“Os dias mais longos e os mais curtos” (The Longest Days and the Shortest Days) “desafia as nossas percepções, esbatendo a linha entre o real e o digital”, descreve a organização.

Escrita pelo compositor americano Eugene Birman, vencedor do prémio Guggenheim e radicado em Hong Kong, e encenada por Giorgio Biancorosso, “a obra tem o título de um poema encomendado para a ocasião pela escritora portuguesa Djaimilia Pereira de Almeida”, é ainda descrito.

“A ‘cantata tecnológica’ usa a alienação da pandemia, a solidão e a ansiedade vividas como ponto de partida para reflectir sobre a passagem do tempo. Inverte o paradigma da era covid de assistir a apresentações ao vivo ‘online’, trazendo uma apresentação virtual para um público ao vivo”, explica ainda o HKAF.

Segundo concerto

Outro concerto do Coro Gulbenkian em Hong Kong – Tesouros corais de Portugal (Choral Treasures from Portugal) – integra obras à capela de compositores portugueses do século XVII até hoje, bem como de Bach e Brahms. O espectáculo, que decorre no Concert Hall, no Hong Kong City Hall, na quinta-feira, será conduzido por Martina Batič, maestrina principal do coro.

O HKAF organizou com a Diocese de Macau uma visita cultural de um dia do coro a esta cidade na próxima sexta-feira para “aprofundar a cultura sino-portuguesa, a gastronomia e o desenvolvimento da música religiosa”. Está agendada para o fim da tarde uma actuação breve de música sacra portuguesa na Igreja do Seminário de São José, em Macau.

Creative | A Casa da Música do Porto sob o olhar de Lúcia Lemos

“White Diamond” [Diamante Branco] é o nome da nova exposição patente na Creative Macau, um espaço onde Lúcia Lemos, antiga directora desta galeria, aproveita para mostrar a sua visão muito própria sobre um dos mais icónicos edifícios do Porto, a Casa da Música. O fascínio sobre o preto e branco permanece

Inaugurado em 2005, o edifício da Casa da Música, no Porto, sempre esteve no radar de Lúcia Lemos, fotógrafa e ex-directora da Creative Macau. E é com as imagens deste edifício, da autoria do arquitecto holandês Rem Koolhaas, que a responsável regressa às exposições em seu nome, e logo na galeria que dirigiu durante tantos anos.

“White Diamond” é o nome dado à nova mostra da Creative Macau, inaugurada a partir desta quinta-feira. Numa nota a propósito da exposição, a autora descreve “o fascínio incontrolável” que tem sobre a fotografia a preto e branco, feita com filme. Há “um breve momento entre o enquadrar e clicar, uma felicidade repentina e indecifrável toma conta de mim”, conta.

No caso da Casa da Música, que intitula de “magnífica”, o que ocorreu foi uma “curiosidade excepcional para fotografá-la em filme”. “Em 2006, fiquei em frente àquele enorme edifício ‘diamante’ em cimento branco e tirei algumas fotos com a minha velha câmara Rolleiflex. Sob a intensa luz do sol do dia, o seu corpo branco, rodeado por casas escuras de granito de três andares do século XX, brilha em todas as faces, glorificando a cidade. Isso torna a Casa da Música ainda mais resplandecente”, descreve-se na mesma nota.

Ao HM, Lúcia Lemos conta que o que mais a fascinou na Casa da Música foi a “originalidade da estrutura física não usual e o que provocou nas gentes do Porto”, nomeadamente “sentimentos antagónicos, quer de repúdio, quer de admiração”.

Ainda em 2006, Lúcia Lemos digitalizou alguns negativos e imprimiu as imagens, já em Hong Kong, já a pensar numa futura exposição, que ganha agora corpo.

“Para mim, Rem Koolhaas fez a Casa da Música com carne e osso, deu-lhe substância e função, forma e dinamismo, inclinação e verticalidade. É um volume de uma escala fantástica, com inclinação e declive vertiginosos. Porém, exprime o espírito e a plenitude de significado que é servir a MÚSICA”, conta.

As causas

Lúcia Lemos deu a este “conjunto fotográfico” o nome de “Diamante Branco” porque encara “essa estrutura como um diamante esculpido a cimento branco, rodeado por casas de três andares de granito escuro”. Na Avenida da Boavista, onde o edifício está situado, “a Casa da Música emerge iluminada do chão quase plano, com todas as faces a espelhar o sol e as nuvens, oferecendo felicidade a quem ama a música”.

O amor pelo preto e branco mantém-se como sempre. “Todo o meu trabalho fotográfico que tenho vindo a publicar e a exibir desde 2001 provem do filme analógico a preto e branco. Talvez, um dia, publique fotografia colorida, mas se me decidir por um projecto específico em que a cor seja absolutamente identitária do objectivo afim”, explicou.

Lúcia Lemos diz estar muito feliz por poder voltar a mostrar o seu trabalho na Creative. “A primeira vez foi em Fevereiro de 2010, com sete fotografias monumentais, com um formato quadrado de dois metros, o que salientou a estrutura monumental de alguns casinos em construção. O grupo de 23 fotografias que agora apresento do exterior da Casa da Música são impressões únicas, sem repetição, com o tamanho de 41 por 51 centímetros.”

Em relação ao projecto da Creative Macau, Lúcia Lemos é convidada a analisá-lo de fora, sentindo “um orgulho e emoção indescritíveis por ter vivido o Creative Macau desde a concepção”.

“Foram mais de duas décadas de entusiasmo, paixão, amor e dedicação tentando criar uma imagem inovadora e de abertura à qualidade. Pelo caminho houve avanços e recuos, não obstante ajustamentos e contenções, o nosso objectivo era oferecer algo novo e diferente”, aponta.

A responsável recorda ainda os “projectos inovadores lançados e que foram prestigiantes para a instituição fundadora”, nomeadamente o Instituto de Estudos Europeus de Macau.

“Claro que a realização conseguida só foi possível tendo a confiança e apoio daqueles que, ao meu lado, trabalhavam para esse objectivo com orgulho. Emociona-me ver que o Creative Macau continua dinâmico e no mesmo formato artístico e cultural”, concluiu.

“Duas Sessões” | Pequim prepara-se para divulgar novo plano quinquenal

As chamadas “Duas Sessões” arrancam esta semana em Pequim. Em causa, num encontro que reúne cerca de 3.000 delegados de todo o país na capital chinesa, estarão as orientações das políticas económica, social, diplomática e militar para os próximos cinco anos

A China inicia esta semana as chamadas “Duas Sessões”, principal evento político anual do país, com destaque para a apresentação do 15.º Plano Quinquenal (2026-2030).

Milhares de delegados de todo o país reúnem-se no Grande Palácio do Povo, em Pequim, junto à praça Tiananmen, para aprovar legislação e formalizar decisões previamente definidas pelo Partido Comunista Chinês (PCC), que governa o país.

O encontro, permitirá divulgar o novo plano quinquenal, documento orientador das políticas económica, social, diplomática, política e militar para os próximos cinco anos.

O plano deve apresentar respostas estruturais a vários desafios, desde a fraca procura interna e a crise no sector imobiliário até às restrições ao acesso a tecnologias avançadas impostas pelos Estados Unidos e às disputas comerciais com Washington e a União Europeia.

A sessão plenária da Assembleia Popular Nacional (APN), o órgão máximo legislativo da China, começa quinta-feira e prolonga-se por cerca de uma semana. Paralelamente, reúne-se, a partir de quarta-feira, a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), um órgão consultivo que integra representantes de vários sectores da sociedade.

O primeiro-ministro Li Qiang deverá anunciar na quinta-feira a meta oficial de crescimento económico para 2026. Em 2025, a economia chinesa cresceu 5 por cento, em linha com o objectivo governamental, mas dos ritmos mais baixos das últimas décadas. Analistas antecipam que a meta para este ano possa situar-se entre 4,5 por cento e 5 por cento.

Nos últimos anos, Pequim tem defendido uma reorientação do modelo económico para uma maior dependência do consumo interno, reduzindo a aposta tradicional nas exportações e no investimento público. Contudo, a incerteza no mercado imobiliário e o desemprego jovem continuam a incentivar a poupança das famílias.

Especialistas consideram que o novo plano deverá reforçar a aposta nas altas tecnologias, na transição ecológica e na segurança das cadeias de abastecimento.

Steve Tsang, director do instituto SOAS China da Universidade de Londres, afirmou que a linha principal deverá aprofundar a orientação já definida pelo Presidente chinês, Xi Jinping, sem mudanças estruturais significativas no modelo político ou económico.

Sarah Tan, economista da Moody’s Analytics, considerou que a estratégia sinaliza uma transição de um modelo assente no endividamento para outro centrado na inovação, mas alerta que uma recuperação sustentável exigirá maior protecção social, aumento de rendimentos e resolução da crise imobiliária.

Outros desafios

A China enfrenta igualmente um desafio demográfico, com a população a diminuir pelo terceiro ano consecutivo. O Governo tem anunciado medidas de apoio à natalidade, incluindo subsídios e expansão de serviços de creche, mas o impacto tem sido limitado.

O orçamento da Defesa deverá também ser revelado durante as sessões, num momento em que o Governo conduz uma ampla campanha anticorrupção no seio das Forças Armadas. As “Duas Sessões” são vistas como um momento-chave para sinalizar as prioridades estratégicas de Pequim ao país e à comunidade internacional.