Gaza | Ataques israelitas fazem 52 mortos desde sábado

Pelo menos 52 pessoas morreram na Faixa de Gaza desde o início da manhã de sábado devido a ataques aéreros israelitas, avançou a agência de notícias palestiniana Wafa. No sábado à noite, um drone das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) atacou uma empresa familiar no bairro de Al Hakr, em Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza, matando cinco palestinianos.

Durante a noite, a força aérea israelita lançou também ataques contra comunidades a leste de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, onde vários helicópteros das IDF também abriram fogo. No norte do enclave, foram relatados ataques aéreos e “tiros intensos” por parte das forças israelitas em vários locais, incluindo Beit Lahia e a nordeste de Jabalia. As autoridades locais e médicas já tinham avançado a morte de pelo menos mais oito pessoas na Cidade de Gaza e mais sete em Rafah, no sul da Faixa, onde cerca de 60 pessoas ficaram também feridas.

O pior pesadelo

Os ataques surgem depois do Ministério da Saúde do Governo do Hamas, na Faixa de Gaza, ter registado 79 mortos na sexta-feira, entre eles nove filhos de uma pediatra, que se encontrava a trabalhar no hospital quando os corpos chegaram.

Segundo o Hamas, a pediatra Alaa al Najjaros encontrava-se a trabalhar no Hospital Nasser em Khan Younis (sul de Gaza) quando os corpos de nove dos seus 10 filhos (Yahya, Rakan, Raslan, Jibran, Eve, Rivan, Luqman, Sadeen e Sidra) chegaram após terem sido mortos num ataque à sua casa.

O marido da pediatra, Hamdi Al Najjar, e o único filho sobrevivente, Adam, ambos gravemente feridos, estão a ser tratados na unidade de cuidados intensivos. As imagens divulgadas após o ataque pela Quds News Network mostram Hamdi na maca com queimaduras graves.

A mais velha das crianças falecidas tinha 12 anos, de acordo com o director-geral do Ministério da Saúde de Gaza, Munir al-Bursh. O vídeo do resgate dos corpos mostra os agentes da Defesa Civil de Gaza e do Crescente Vermelho Palestiniano a retirarem da casa os corpos carbonizados das crianças, um após outro.

“Ela deixou-os para cumprir o seu dever e a sua missão para com todas as crianças que não encontram outro lugar no Hospital Nasser, que está cheio de gritos inocentes e enfraquecido pela doença, pela fome e pelo cansaço”, escreveu o médico, Youssef Abu Al Rish, numa nota divulgada ontem pelos serviços de saúde.

Dados actualizados, ontem, pelo Ministério da Saúde elevam para mais de 53.900 o número de pessoas mortas em Gaza desde que Israel lançou uma ofensiva. A guerra eclodiu em Gaza após um ataque sem precedentes do grupo islamita palestiniano Hamas em solo israelita, em 07 de Outubro de 2023, que causou cerca de 1.200 mortos e mais de duas centenas de reféns.

O coveiro da democracia

Aí está ele! De mão no peito e no pescoço. A desfalecer. Com as televisões todas a cobrir o dia inteiro o trajecto das ambulâncias que o transportava. A aparecer na Praça do Município lisboeta de ligaduras no punho e pensos nos braços, a fingir que chorava à boa maneira bolsonarista e trumpista.

Eis, o coitadinho, que merecia o voto dos analfabetos da política, ou melhor, de todos aqueles que não pensaram se não num Messias que salvará Portugal dos corruptos, dos imigrantes e dos ciganos. De seu nome André Ventura, conseguiu captar os descontentes com os partidos da governação em 51 anos de democracia e obter uma votação inacreditável que nenhuma sondagem alguma vez alvitrou. Ventura está na maior. No caminho de coveiro da democracia.

O Chega ficará certamente como o partido principal da oposição, já que tudo indica que os votos dos emigrantes na Europa e fora da Europa irão oferecer dois deputados à AD e dois ao Chega. As eleições mostraram, efectivamente, tudo o que temos escrito aqui ao longo dos anos: o descontentamento da classe média, os salários baixos, as pensões de miséria, as escolas com chuva a entrar no seu interior, os jovens sem casa e a emigrarem, os médicos e enfermeiros mal pagos, os agentes policiais com esquadras que mais parecem pocilgas, os idosos sem lares dignos, os pobres sem poder de comprar os medicamentos não comparticipados, os transportes a abarrotar e com passes caros, o IRS a aumentar, os subsídios de renda a serem retirados a mais de 80 mil pobres, as grávidas a terem os filhos em ambulâncias, as consultas e cirurgias a demorarem meses e, algumas anos, a inexistência de habitação social ou de renda acessível, a violência doméstica a aumentar e os prevaricadores a serem mandados em liberdade. Todos estes factos têm sido salientados nestas crónicas e foram todas estas as razões que levaram ao aumento no voto num partido neofascista. Como foi possível que o Alentejo e Algarve sempre socialista e comunista fosse parar às mãos do Chega? Pelo descontentamento que grassa na população portuguesa.

O Chega até venceu em Algueirão-Mem Martins, nos arredores de Lisboa, onde a grande maioria de moradores é constituída por empregadas domésticas e funcionários públicos de nível hierárquico inferior que se levantam todos os dias às cinco horas para apanhar um comboio para o trabalho, quando não há greve. Foi este fenómeno do descontentamento com os governantes do PSD e do PS que levou muita gente que não é racista, não é xenófoba, não é pedófila, não rouba malas, a votar no Chega. Votaram eleitores que antes colocavam a cruz no PSD, no PS, no PCP e até no Bloco de Esquerda. Uma amiga nossa do BE transmitiu-me que votou no Chega porque nunca perdoará a Mariana Mortágua ter despedido funcionárias do partido que estavam grávidas. E, por isso, assistimos à queda enorme do BE que fica com Mortágua apenas no Parlamento e com sintomas de em próximas eleições desaparecer do hemiciclo.

Quanto ao “hecatombo” do Partido Socialista já se esperava. Um partido que optou por esquecer os jovens, que se transformou num feudo anti António Costa, que tem mais de seis facções no seu interior a degladiarem-se, obviamente que teria de cair na desgraça. Com mais ou menos reflexão, com um novo qualquer secretário-geral, irá demorar muitos anos a levantar-se do chão, se não lhe acontecer o mesmo que ao partido socialista francês. Votos socialistas com familiares a viver com dificuldades foram para o Chega. Votos socialistas anti Pedro Nuno Santos foram para o Livre.

Quanto à AD, que foi levada ao colo pelas televisões, está a cantar uma grande vitória. Qual vitória? Aumentou um pouco o número de votos e nem sequer consegue ter a estabilidade normal para governar. Das duas, uma. Ou se alia ao Chega, ou aguarda que o pequeno grupo parlamentar socialista lhe aprove o programa de governo e o orçamento do Estado. As vozes já se fizeram ouvir, tristemente, nas hostes pêpêdistas. Hugo Soares e Paulo Rangel já deram o mote de que em muitas propostas irá existir uma coexistência com o Chega.

Os portugueses não pensaram duas vezes. Embriagaram-se com as promessas de Ventura que nunca poderia cumprir, em face de Portugal não ter dinheiro para que os seus desideratos fossem para a frente e votaram numa criatura que já teve o desplante de dizer que “Ainda não viram nada” e “Irei ser o futuro primeiro-ministro”.

Ventura é antidemocrático, apenas quer alterar a Constituição, retirar da Constituição a palavra “socialismo”, quer retirar todos os subsídios e as casas às comunidades ciganas, retirar, à laia de Passos Coelho, o subsídio de férias e de Natal, proibir que nas escolas haja educação sexual, que os polícias actuem a matar, de preferência negros porque é um racista puro e quer, essencialmente, que os imigrantes que estão a “aguentar” a Segurança Social sejam expulsos de Portugal, à boa maneira trumpista.

A democracia portuguesa corre perigo. Não agora. Mas sim, nas próximas eleições legislativas, se os partidos democráticos não se convencerem que têm de se unir para defender um regime conquistado com muita luta, prisões e deportações de homens antifascistas. Ventura só tem em mente mudar o regime e ser o coveiro da democracia, de forma a poder continuar a receber os parabéns de toda a extrema-direita da Europa e EUA. Ventura – se os portugueses não abrirem bem os olhos e se os governantes não começarem a resolver os problemas de sobrevivência da maioria -, irá para chefe do executivo e a tragédia neofascista será uma realidade em Portugal.

Museu do Grande Prémio | Ilustrações de concurso podem ser vistas até Setembro

Os trabalhos vencedores do Concurso de Ilustração do Carro Vencedor do Primeiro Grande Prémio da Ásia (Macau) estão disponíveis para visualização do público numa mostra patente no Museu do Grande Prémio de Macau (MGPM) até ao dia 1 de Setembro. Os prémios do concurso foram atribuídos na última sexta-feira, numa organização da Direcção dos Serviços de Turismo (DST) e a Macau Creations Limited.

No total, foram entregues 30 prémios. O concurso teve como tema principal o Triumph TR2, carro vencedor do primeiro Grande Prémio de Macau. No total, foram recebidos 88 trabalhos, que receberam mais de 10 mil votos online do público. Uma comissão de avaliação escolheu ainda os primeiros três classificados do grupo de candidatos do ensino secundário e do grupo aberto. A concurso estavam também as categorias de “mais populares da Internet”, “prémios de mérito” e “prémios de finalistas”.

No grupo do ensino secundário, os vencedores foram Chan Hei Wo, em primeiro lugar, seguindo-se Leong Sam U e Ma Nim Ian, como terceiro classificado. Por sua vez, no grupo aberto, ganhou Tam Iok Meng, Lam Si Cheng, em segundo lugar e Cheang Ka Ian, em terceiro lugar.

A exposição que agora fica patente na cave do Museu permite “ao público apreciar as obras artísticas criativas e temáticas premiadas”, sendo que, através da ilustração, “o público poderá também sentir a preciosa história do Grande Prémio de Macau”, lê-se numa nota oficial.

Concerto | Bruno Pernadas em Macau e no Interior em Junho

O mês de Junho será preenchido para o multi-instrumentista e compositor português Bruno Pernadas, que em parceria com a associação NOYB (None of Your Business), protagoniza diversos concertos em Macau, Hong Kong e noutras paragens do sul da China. As sonoridades lusas podem ouvir-se em Shenzhen, no dia 12; em Macau no dia seguinte, e depois em Zhuhai e Hong Kong

 

A associação NOYB (None of Your Business) prepara-se para trazer, já no próximo mês de Junho, a digressão de Bruno Pernadas, “The Greatest Bay Area Tour 2025”, com concertos em Shenzhen, Macau, Zhuhai e Hong Kong. Assim, o público português, chinês e de outras nacionalidades pode ouvir e ver de perto as criações do multi-instrumentista e compositor português, apresentando-se uma jornada de fusões sonoras que deambulam entre o “jazz, pop futurista, folk, electrónica e rock psicadélico”.

Segundo uma nota de imprensa da NOYB, Bruno Pernadas é “mestre da alquimia sonora, criando paisagens vibrantes e imersivas que desafiam categorizações, tornando os seus concertos uma experiência inesquecível”. “A sua abordagem fluída entre géneros, combinando arranjos intricados com influências globais, levará o público numa viagem musical onde melodias retro-futuristas se encontram com ritmos hipnóticos, e onde cada nota conta uma história. Mais do que uma série de concertos, este evento é uma ponte cultural entre Portugal e a Grande Baía”, refere ainda a NOYB.

Destaque para o facto de o concerto em Macau decorrer dois dias depois do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das comunidades portuguesas, sendo que todo o mês é dedicado a celebrar a cultura e língua portuguesas.

Todas as músicas numa só

A incursão de Bruno Pernadas pelo mundo da música fez-se através dos Real Combo Lisbonense e de grupos como os “Julie & The Carjackers” ou “Minta & the Brooktrout”. O primeiro álbum intitulava-se “How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge?”, e foi lançado há 11 anos. Seguiu-se “Those Who Throw Objects At The Crocodiles Will Be Asked To Retrieve Them”, em 2016, e desde aí que tem somado êxitos. Destaque para o lançamento, em 2021, do trabalho discográfico “Private Reasons”, que encerra a trilogia sonora criada em 2014 e 2016. Ainda nesse ano, Bruno Pernadas lançou “Worst Summer Ever”, tendo criado também diversas bandas sonoras para dança, teatro e cinema.

Em declarações à Agenda Cultural de Lisboa, Bruno Pernadas falou da diversidade de estilos musicais que estão presentes no trabalho que faz. “Não há um género que descreva a música que faço. Tem jazz, tem música pop, muita música exótica, algum rock, world music… Quando faço música não penso muito nisso, em que género é que se encaixa.”

O músico disse ainda, à mesma publicação, que não se considera cantor. “Não, não me sinto cantor, de todo [risos]. Nos outros discos também cantei, mas neste canto mais, é um facto. Foi difícil para mim porque não me é natural, não tenho ferramentas para isso. Canto como qualquer pessoa, a única diferença é que sei as notas que estou a cantar, mas técnica não tenho. Prefiro muito mais tocar instrumentos.”

Pyongyang | Detidos três dirigentes após acidente com navio de guerra

O lançamento de um novo navio de guerra ficou marcado por um acidente que afectou o casco da embarcação, permitindo a entrada de água, e que levou ao cancelamento da cerimónia

 

A Coreia do Norte deteve três dirigentes no âmbito de uma investigação a um acidente ocorrido, na quarta-feira, durante a cerimónia de lançamento de um novo navio de guerra. “As autoridades detiveram Kang Jong Chol, engenheiro-chefe do Estaleiro Chongjin, Han Kyong Hak, chefe da oficina de construção do casco, e Kim Yong Hak, vice-director de assuntos administrativos”, disse o grupo que está a analisar o incidente, citado no sábado pela KCNA.

A agência de notícias oficial norte-coreana disse que o líder, Kim Jong-un, que esteve presente na cerimónia de lançamento do contratorpedeiro de cinco mil toneladas na cidade portuária de Chongjin, descreveu o acidente como um “acto criminoso”.

Na sexta-feira, a KCNA tinha dito que uma inspecção subaquática e interna detalhada do navio de guerra “confirmou que, ao contrário do que foi inicialmente anunciado, não houve qualquer brecha no fundo do navio”. No entanto, “o casco de estibordo foi riscado e um pouco de água do mar entrou na secção de popa pela saída de emergência”, acrescentou a agência, garantindo que os danos sofridos pelo navio de guerra “não foram graves”.

“Não foram identificados mais danos no navio de guerra” e “o plano de reabilitação está a avançar conforme programado”, informou no sábado a KCNA. De acordo com os serviços de informação dos EUA e da Coreia do Sul, a “tentativa de lançamento lateral” do navio falhou.

O contratorpedeiro está actualmente inclinado na água, disseram os militares sul-coreanos. Imagens de satélite do local mostraram o navio deitado de lado, com a maior parte do casco submerso e coberto por capas azuis.

Em busca de equilíbrio

Hong Kil-ho, o director do estaleiro onde ocorreu o acidente, foi convocado por uma comissão militar na quinta-feira, acrescentou a KCNA.

Os especialistas norte-coreanos estimam que serão necessários “dois ou três dias para restaurar o equilíbrio do navio de guerra que bombeia água do mar da secção inundada”, disse a agência. A reparação do casco do contratorpedeiro deverá demorar cerca de dez dias, acrescentou.

O nome do barco não foi especificado. Em Abril, Pyongyang divulgou imagens de um navio contratorpedeiro de cinco mil toneladas, chamado Choe Hyon. Na altura, os meios de comunicação estatais transmitiram imagens de Kim a participar numa cerimónia com a filha, Kim Ju-ae, que muitos especialistas acreditam que será a sucessora no poder.

A Coreia do Norte alegou que o navio estava equipado com as “armas mais poderosas” e que “entraria ao serviço no início do próximo ano”.

Segundo alguns especialistas, o Choe Hyon poderá ser equipado com mísseis nucleares tácticos de curto alcance, embora a Coreia do Norte não tenha até ao momento provado ter a capacidade de desenvolver armas nucleares de pequena dimensão. O reconhecimento público de falhas técnicas ou administrativas é altamente invulgar na Coreia do Norte.

Brasil | Empresa chinesa GAC inicia vendas de veículos eléctricos e híbridos

A fabricante automóvel chinesa GAC quer vender até oito mil veículos eléctricos e híbridos no Brasil este ano e mais 29 mil até 2026, além de estabelecer uma linha de produção que descreveu como abrangente.

A GAC, o sexto maior construtor automóvel da China, disse na sexta-feira, num evento em São Paulo, que vai começar já a vender quatro modelos em 83 concessionários, embora o objectivo seja atingir 120 pontos de venda até ao final do ano.

Os modelos variam de preço desde os 169 mil reais (26.300 euros), o mais barato, até aos 350 mil reais (54.500 euros), o mais caro.

O presidente da GAC, Feng Xingya, disse em comunicado que vão produzir automóveis “com as tecnologias mais modernas do mundo” e que o Brasil é, a partir de agora, um “mercado prioritário” para eles. Xingya acrescentou que a missão da empresa é tornar o sector mais competitivo e alinhá-lo com os princípios da mobilidade verde e da eficiência energética.

A empresa, que opera em aproximadamente 70 países e produz mais de dois milhões de automóveis anualmente, prometeu criar um centro de inovação e desenvolvimento no país sul-americano para apoiar as operações. Os executivos da empresa anunciaram na semana passada, durante uma reunião com o Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que vão investir 1,3 mil milhões de dólares no país, sem especificar um prazo.

A rival chinesa BYD anunciou no final de 2024 que planeava começar a produzir veículos eléctricos no Brasil a partir de Março, com o objectivo de fabricar 150 mil unidades ao longo do ano, número que duplicaria até 2026. O Governo brasileiro tem procurado aumentar o investimento na produção de veículos menos poluentes através de um programa de incentivo fiscal.

Hong Kong | Patriotas em festa de 1 a 5 de Junho

Grupos patriotas de Hong Kong vão realizar pelo terceiro ano consecutivo uma festa, apoiada pelo Governo do território, que coincide com mais um aniversário dos acontecimentos de 1989 em Pequim, em Tiananmen. O evento tem lugar de 01 a 05 de Junho no Parque Victoria, que durante mais de três décadas, até 2019, foi o local das vigílias anuais para assinalar Tiananmen.

Rock Chen, da Associação de Moradores Unidos de Zhejiang, disse ao jornal de Hong Kong South China Morning Post que o programa e o local são “os mesmos dos anos anteriores”, sublinhando que “não há intenção de ofuscar o aniversário” do 04 de Junho de 1989. Este ano, o carnaval vai incluir “experiências de inovação e tecnologia, uma competição desportiva, bem como delícias culinárias tradicionais e espectáculos culturais de várias províncias chinesas”.

Comércio | Pequim e Berlim querem relações económicas estáveis

Xi Jinping e Friedrich Merz falaram ao telefone para acertar agulhas sobre as trocas comerciais entre as duas nações e reforçar as ligações económicas entre a China e a União Europeia

 

A China e a Alemanha defenderam sexta-feira o estabelecimento de laços “estáveis e previsíveis” entre Pequim e Berlim, envolvendo a União Europeia (UE), com o chanceler alemão a salientar a importância de uma “concorrência leal” nas relações económicas.

Segundo um porta-voz do Governo de Friedrich Merz, e na primeira conversa telefónica com Xi Jinping, o chanceler alemão insistiu na “concorrência leal”, mas também na “reciprocidade” entre as duas potências, numa altura em que o intenso comércio entre a China e a Alemanha está repleto de tensões geopolíticas e económicas.

Por seu lado, o Presidente chinês, Xi Jinping, criado pela agência noticiosa estatal Xinhua, apelou a Merz para que estabeleça laços “estáveis e previsíveis” entre Pequim e Berlim, bem como com a União Europeia.

“O estatuto correcto das relações entre a China e a Alemanha e entre a China e a União Europeia é o de parceiros”, afirmou Xi, acrescentando que “um ambiente político estável e previsível é um garante importante da cooperação bilateral”.

Xi Jinping apelou também à Alemanha para que abra caminho a mais investimentos bilaterais entre os dois países. “Espero que a Alemanha forneça mais apoio político e facilidades para a cooperação bilateral de investimento, bem como um ambiente de negócios justo, transparente e não discriminatório para as empresas chinesas”, disse Xi Jinping.

Merz, por seu lado, também exortou Pequim a apoiar os esforços de paz na Ucrânia, sublinhando a “vontade de trabalhar em parceria para enfrentar os desafios globais”.

“Os dois líderes discutiram a guerra de agressão russa contra a Ucrânia. O chanceler informou sobre os esforços conjuntos da Europa e dos Estados Unidos para alcançar um cessar-fogo rápido. Pediu que estes esforços fossem apoiados”, de acordo com um comunicado de imprensa do governo alemão.

Na quinta-feira, após uma conversa telefónica com Xi, o Presidente francês Emmanuel Macron, assegurou ao homólogo chinês que partilhava “o mesmo objectivo em relação à guerra conduzida pela Rússia”: “uma paz duradoura e sólida [que] começa com um cessar-fogo imediato e incondicional”.

Troca de matérias

Numa altura em que o intenso comércio entre a China e a Alemanha está repleto de tensões geopolíticas e económicas, Merz sublinhou a importância da “concorrência leal” e da “reciprocidade” entre as duas potências durante o seu encontro com Xi.

Muitos produtos chineses subsidiados estão a inundar a Europa, e o mercado alemão em particular, suscitando preocupações quanto ao impacto na indústria local. Estes produtos vão desde os carros eléctricos, apoiados por subsídios estatais, aos painéis solares chineses baratos, bem como o actual braço de ferro sobre o aço.

Por seu lado, Xi pediu à Alemanha que desse mais apoio ao investimento bilateral, segundo a imprensa estatal chinesa.

TSI | Confirmada prisão suspensa de seis meses para doutorando

O Tribunal de Segunda Instância (TSI) confirmou a condenação a seis meses de prisão para o aluno de uma universidade local, que tentou corromper o orientador da tese com 8 mil patacas. A confirmação da condenação foi divulgada na sexta-feira pelos tribunais da RAEM. A pena ficou suspensa durante dois anos, devido ao pagamento de 15 mil patacas à RAEM.

Apesar de ter entrado numa faculdade local, não identificada, em Agosto de 2020, e de ter como prazo limite para a entrega da tese de doutoramento Maio de 2023, o estudante apenas começou a discutir a estrutura do trabalho com o orientador em Março de 2023. Apresentando um projecto que não ia ao encontro das exigências do orientador, e face às perspectivas de não ser aprovado, o aluno colocou um envelope vermelho com 8 mil patacas dentro de um livro emprestado pelo orientador, deixando esse livro na caixa de correio do orientador.

No entanto, o docente recusou a oferta e acabou por fazer queixa junto das autoridades. Esta não foi a primeira oferta monetária do aluno ao professor. Em 2020, o aluno tinha oferecido vales e dinheiro ao tutor, que, por sua vez, recusou a oferta e avisou o aluno que o comportamento era ilegal e que possivelmente constituía o crime de corrupção.

Com o caso a seguir para os tribunais, a primeira instância condenou o aluno pelo crime de corrupção activa, com uma pena de prisão de seis meses, suspensa por dois anos, e ao pagamento de 15 mil patacas à RAEM.

O arguido recorreu da condenação, por defender que o dinheiro tinha sido oferecido para “obter mais orientações académicas” e nunca com o propósito de corromper o docente, para facilitar a aprovação da tese. Contudo, o TSI recusou os argumentos e manteve a condenação da primeira instância.

Economia | Inflação em Macau fixa-se em 0,23% em Abril

O índice de preços no consumidor em Macau subiu 0,23 por cento em Abril, em termos anuais. A secção de lazer, recreação, desporto e cultura foi a que registou a maior subida mensal de preços, 2,47 por cento, devido à inflacção dos quartos de hotel. Nos primeiros quatro meses do ano, o índice de preços cresceu 0,17 por cento face ao mesmo período de 2024

 

No passado mês de Abril o índice de preços no consumidor (IPC) subiu 0,23 pontos percentuais face a Abril de 2024, e 0,16 por cento em relação ao mês anterior, segundo dados divulgados na sexta-feira pela Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Os preços da secção de lazer, recreação, desporto e cultura aumentaram 2,47 por cento em relação a Abril de 2024, principalmente impulsionados pela subida dos preços dos quartos de hotel.

O índice de preços da secção dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas cresceu 0,48 por cento no mês em análise, “graças à subida dos preços das refeições adquiridas fora de casa e de ‘take-away'”, acrescentou a mesma fonte. Em termos mensais, os preços dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas desceram ligeiramente face a Março (0,04 por cento), porque os acréscimos dos preços das refeições adquiridas fora de casa e de “take-away” não compensaram “completamente as quedas dos preços do peixe fresco, dos produtos do mar frescos, dos produtos hortícolas e da fruta”.

Moda Primavera-Verão

No que diz respeito à habitação e combustíveis, os dados da DSEC demonstram uma subida anual foi de 0,21 por cento, devido a um aumento das rendas de casa.

Na secção do vestuário e calçado, a DSEC indicou que os preços subiram 0,78 por cento em Abril em relação ao mês anterior, “graças ao lançamento do vestuário de Verão”. Ainda assim, em termos anuais a secção de vestuário e calçado caiu 2,35 por cento.

Enquanto nos transportes a subida mensal foi de 0,42 por cento devido “ao aumento dos preços dos bilhetes de avião”, apesar de na comparação em termos anuais se ter verificado uma quebra de 1,67 por cento. Por outro lado, registou-se, no quarto mês do ano, uma queda anual dos preços na área da informação e comunicação (-3,01 por cento), secção que também registou uma quebra mensal de 0,07 por cento.

A DSEC indicou também que nos 12 meses terminados em Abril, o IPC subiu 0,42 por cento em relação aos 12 meses imediatamente anteriores. Neste período, as secções que “tiveram os acréscimos mais notáveis” foram produtos e serviços diversos (+2,47 por cento), da educação (+2,21 por cento) e da saúde (+1,62 por cento). Em sentido contrário, os transportes caíram 3 por cento.

Trânsito | Turista atravessa estrada fora da passadeira e é atropelada

Uma turista do Interior teve de ser transportada para o Centro Hospitalar Conde São Januário, depois de ter atravessado na Avenida de Almeida Ribeiro fora da passadeira. O acidente aconteceu por volta das 11h30, quando a mulher e uma amiga decidiram atravessar a via, acabando uma delas por ser atingida por um autocarro da TCM.

Como consequência do acidente, a mulher foi transportada para o hospital com lesões na cabeça, embora se tivesse mantido consciente. O autocarro ficou com o vidro da frente rachado.

Apesar dos ferimentos, tanto a turista ferida, como a amiga, acabaram por ser multadas pelas autoridades, por atravessarem a estrada fora da passadeira.

O acidente levou a que também a companhia TCM emitisse um comunicado a explicar a situação. De acordo com a versão da empresa, o motorista foi surpreendido por duas mulheres que apareceram atrás de outros veículos que seguiam na via, o que não deu tempo suficiente ao motorista para travar. A empresa indicou também que após o acidente foram activados os mecanismos de resposta para estas situações, com o motorista a chamar as equipas de salvamento e a polícia.

O acidente tornou-se viral, com várias imagens a circular online, inclusive da vítima a sangrar na estrada. Algumas das imagens foram alteradas com recurso à Inteligência Artificial, para mostrar as duas turistas a dançarem no meio da estrada, o que não correspondeu à realidade.

Metro | Governo nega atrasos na construção da Linha Leste

No melhor cenário, a abertura da nova linha do metro vai acontecer em Julho de 2029. As obras de construção dos segmentos norte e sul da Linha Leste estão avaliadas em 9,3 mil milhões de patacas, mas os custos com a infra-estrutura vão ser suportados até 2031

 

A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) afirma que a construção da Linha Leste do Metro Ligeiro está com um “bom andamento” e que se prevê a conclusão no primeiro trimestre de 2028. Num comunicado emitido no sábado, a DSOP reconheceu que as obras dos segmentos sul e norte da Linha leste vão custar cerca de 9,3 mil milhões de patacas, de acordo com o preço da adjudicação.

“As obras de construção civil da Linha Leste do Metro Ligeiro tiveram início no terceiro trimestre de 2023, com conclusão prevista para o primeiro trimestre de 2028”, foi informado pela DSOP. Apesar disso, a abertura da linha à circulação só deverá acontecer depois de Julho de 2029, dada a necessidade de fazer os testes de circulação do metro. “Posteriormente, serão realizados o comissionamento e os testes do sistema de circulação, estando o projecto da Linha Leste a avançar em direcção ao objectivo de reunir as condições para a sua entrada em funcionamento no segundo semestre de 2029”, foi explicado.

“Tal como a Linha da Barra, a Linha de Hengqin e a Linha de Seac Pai Van que foram concluídas há pouco tempo, após a conclusão das obras de construção civil, ainda foram sujeitas à instalação do sistema de circulação e dos testes para terem condições de funcionamento”, foi indicado. “Tomando como referência a conclusão, no prazo previsto e sem atrasos, das três linhas do Metro Ligeiro, o plano de trabalhos da Linha Leste é viável”, foi acrescentado.

Progresso de 41 por cento

Em relação às obras dos segmentos sul e norte da Linha Leste o custo de adjudicação foi de 9.281 milhões de patacas, estando a “ser pago de acordo com o progresso dos trabalhos”.

Apesar de as obras ficarem concluídas até 2028, a DSOP explicou que os pagamentos vão prolongar-se até 2031, o que foi justificado com o facto de alguns trabalhos só serem “executados após a entrada em funcionamento da Linha Leste”.

A comunicação do Governo serviu ainda para fazer um ponto-de-situação, ao indicar que os trabalhos estão concluídos a 41 por cento. “Actualmente, os trabalhos relativos ao sistema de circulação já tiveram início, enquanto os trabalhos de construção das estações subterrâneas, do túnel com recurso a tuneladora e dos viadutos de ligação à Linha da Taipa do Metro Ligeiro também estão a decorrer de acordo com o plano previsto, tendo os trabalhos de algumas metas obrigatórias sido concluídos com antecedência”, foi revelado. “Nesta fase, regista-se a conclusão do projecto global em cerca de 41 por cento e o seu andamento e orçamento estão conforme o previsto”, foi indicado.

Startup transforma resíduos de chá em papel, embalagens e mobiliário

Uma ‘start-up’ sediada em Macau criou um negócio baseado nos desperdícios de plantações de chá na China, que recicla em papel, sacos de compras, copos, escovas de dentes, invólucros de produtos electrónicos e mesmo em mobiliário. A Zence Object Holding conta já com mais de 20 projectos activos em áreas como a decoração de interiores, embalagens de bebidas, entre outras, que desenvolve com vários clientes, que são também parceiros, nomeadamente restaurantes, hotéis e centros de conferências.

Todos os anos, a China produz cerca 100 toneladas de resíduos de chá, que acabam no lixo, de acordo com o relatório anual da indústria do chá da China em 2023. Por outro lado, o país produz cerca de 200 milhões de toneladas de resíduos plásticos anualmente, de acordo com um relatório da ONU em 2023.

A Zence viu na necessidade de “resolver os problemas globais dos resíduos” uma oportunidade, parecendo-lhe perfeita a ideia de transformar os resíduos de chá em materiais ecológicos reciclados.

A empresa fundada em 2023, com um capital de seis milhões de patacas, espera atingir o retorno sobre o investimento no próximo ano e ser rentável em 2028. “Uma tonelada de resíduos de chá pode dar origem a dez toneladas de bioplástico à base de chá, flexível e versátil como o plástico”, explicou à Lusa o co-fundador da empresa, Bob Lei Hou Keung.

O mesmo peso de resíduos de chá pode fazer 150 tampos de mesa, ou painéis de aglomerado com o tamanho 120X60X1,8cm, que podem ser utilizados na “substituição directa da maioria de painéis de madeira”, com o “triplo da dureza do cimento”, acrescentou o empresário.

Cooperação com vizinhos

Cerca de uma tonelada de resíduos de chá por mês, provenientes directamente de uma plantação de chá da província de Fujian, uma das maiores províncias produtoras de chá da China, é enviada para duas fábricas da Zence na província de Guangdong, disse Lei.

O processo industrial integra tecnologias de modificação de plásticos de base biológica e de mistura de fibras vegetais, modificação de biomateriais, produção e fabrico.

“Depois de recolhermos os resíduos de chá, processamo-los, esterilizamo-los, começamos a transformá-los em bioplástico à base de chá, em forma de grão, que depois de derretido é moldado por uma máquina”, explicou o empresário. Lei sublinhou que os resíduos de chá “podem ser decompostos de forma 100 por cento natural”, “sem formaldeído” e “neutros em termos de carbono”.

Uma chávena de café, por exemplo, contém 10 por cento de folhas de chá puras com polímeros vegetais e polihidroxialcanoatos (PHA) – polímeros biodegradáveis naturais, “enterrados no solo, e pode decompor-se completamente em cerca de 60 a 90 dias”, disse.

DSEDJ | Prometida ajuda a alunos de Macau que estudam em Harvard

Face à hipótese de estudantes de Macau serem afectados pelo conflito entre Donald Trump e a Universidade de Harvard, a DSEDJ afirmou ter entrado em contacto com os alunos e pedido às universidades locais que se preparem para acomodar os estudantes

 

O Governo de Macau disse ter oferecido ajuda aos jovens locais que estudam na Universidade de Harvard, após o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter suspendido a matrícula de estudantes estrangeiros na instituição.

A Direcção dos Serviços de Educação e do Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) disse num comunicado emitido no sábado que contactou os estudantes de Macau em Harvard “para prestar aconselhamento e assistência de forma permanente”. Na sexta-feira, uma juíza federal em Boston, no estado de Massachusetts, bloqueou temporariamente a decisão da Administração Trump de suspender a matrícula de estudantes estrangeiros na Universidade de Harvard.

A DSEDJ disse que “está a acompanhar de perto os últimos desenvolvimentos”, mas sublinhou que “as circunstâncias ainda estão a mudar”. Ainda assim, a direcção encorajou as universidades de Macau a disponibilizar métodos de “transferência conveniente” aos afectados, para “proteger o direito dos alunos a prosseguirem os estudos”.

“Qualquer medida concreta será decidida por cada universidade de acordo com as condições reais”, sublinhou a DSEDJ. Por outro lado, a tutela prometeu “continuar a promover as universidades de Macau e atrair estudantes excepcionais de todo o mundo”, para promover a internacionalização do ensino superior do território.

Seguir o exemplo

Na sexta-feira, uma universidade da região vizinha de Hong Kong já tinha prometido facilitar a inscrição de alunos vindos da Universidade de Harvard.

A Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong prometeu “ofertas incondicionais, procedimentos de admissão simplificados e apoio académico para facilitar uma transição suave”. Os benefícios propostos incluem “admissões aceleradas, transferências de créditos e apoio personalizado” na assistência para vistos e alojamento, de acordo com um comunicado.

Na quinta-feira, o Governo dos Estados Unidos proibiu Harvard de continuar a matricular estudantes estrangeiros e indicou aos que já estão inscritos que se transfiram para outras universidades sob risco de perderem o seu estatuto de imigração. A universidade, a mais prestigiada dos Estados Unidos, respondeu ao executivo com uma acção judicial.

A juíza Allison D. Burroughs aceitou a suspensão temporária pedida por Harvard da revogação da permissão para acolher estudantes internacionais, que representam um quarto do total de alunos da instituição. “Harvard demonstrou que, sem um pedido para restringir temporariamente [a ordem de Trump], sofrerá danos imediatos e irreparáveis”, observou a juíza.

A magistrada agendou uma audiência sobre o caso para amanhã, que contará com a presença de representantes de ambos os lados. Harvard processou o Governo republicano em Abril para recuperar o seu financiamento federal congelado, de 2,6 mil milhões de dólares, por alegados comportamentos anti-semitas.

Pequim | Tai Kin Ip fez balanço da implementação de discursos de Xi

O secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, liderou uma comitiva numa viagem a Pequim para visitar ministérios e comissões de autoridades centrais. Na sexta-feira, o secretário reuniu com o director do Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) e do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado, Xia Baolong.

De acordo com o gabinete do secretário, Tai Kin Ip informou Xia Baolong “sobre o ponto de situação da implementação escrupulosa do espírito consagrado nos discursos importantes do Presidente Xi Jinping”, assim como os objectivos políticos na área da economia e finanças do Governo de Sam Hou Fai. Entre as metas a alcançar, o Governo da RAEM salienta a diversificação adequada da economia, a construção da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin e da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, assim como “apoiar o Estado a abrir-se ao mundo a um nível mais elevado e apoiar o desenvolvimento qualitativo das empresas e dos residentes”.

Durante a estadia em Pequim, a comitiva da RAEM visitou a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Ministério da Indústria e Tecnologias da Informação, o Ministério das Finanças, o Banco Popular da China, entre outros organismos das autoridades centrais.

IPIM | Fórum de construção e infra-estruturas em Junho no Venetian

Decorre entre os dias 10 e 12 de Junho, no Venetian, a 16ª edição do Fórum e Exposição Internacional sobre o Investimento e Construção de Infra-estruturas, organizado pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) e pela Associação dos Construtores Civis Internacionais da China.

O evento terá como tema central “Conectividade Aprimorada para Cooperação Mutuamente Benéfica”, integrando quatro áreas de intercâmbio entre empresas, exposições, lançamentos oficiais e promoção de negócios, destinadas aos representantes de empresas da Fortune 500, empresas nacionais, empresas líderes da cadeia industrial e organizações internacionais.

Segundo uma nota do IPIM, pretende-se, com este evento, “promover a cooperação no âmbito de infra-estruturas entre a China e a comunidade internacional, levando-a a um novo patamar”. Nesta fase, a organização já acolheu 13 projectos que farão a sua estreia no mercado, ligados a áreas como “construção inteligente, a tecnologia de inteligência digital, novos materiais, a protecção ambiental e baixo carbono”.

Cooperação | Reunião com 50 representantes consulares

O Chefe do Executivo jantou na sexta-feira com representantes de consulados de cerca de 50 países e organizações internacionais a quem salientou a missão de estabelecer uma plataforma de cooperação internacional. Sam Hou Fai sublinhou a importância de estreitar laços económicos, comerciais e culturais

 

O Governo da RAEM organizou na sexta-feira uma recepção e jantar que contou com a com a presença de representantes de consulados-gerais de cerca de 50 países e organizações internacionais. No discurso na recepção aos representantes, Sam Hou Fai referiu que “Macau está empenhado em construir uma plataforma de cooperação internacional”, e uma “plataforma de abertura ao exterior de alta qualidade”. O líder da RAEM indicou que o objectivo é tornar Macau “numa janela importante para o intercâmbio e aprendizagem mútuos entre a civilização chinesa e a civilização ocidental”.

Dirigindo-se aos convidados internacionais, Sam Hou Fai apontou à cooperação económica e comercial, ao intercâmbio cultural e à conexão de pessoas entre Macau e aqueles países, e garantiu que o seu Executivo irá articular com a estratégia de desenvolvimento nacional, “tendo como força motriz a inovação de regimes jurídicos e a optimização de políticas”. O objectivo passa por “promover de forma coordenada o progresso comum do Governo e do mercado, de Macau e do mundo, em prol da construção de uma plataforma de intercâmbio internacional, mais inclusiva, mais conveniente, e mais eficaz”.

Sam Hou Fai vincou também o empenho do seu Executivo na “reforma da administração pública, na elevação constante da eficiência da governação, na inovação do conceito de servir”, e na criação de “um ambiente que facilita ainda mais a vida das pessoas e das empresas”.

O governante indicou ainda que todos os países e regiões são bem-vindos para aproveitar o papel de Macau enquanto plataforma de cooperação internacional, e convidou “empresas e turistas de todos os países” a “experimentarem a vitalidade do desenvolvimento de Macau e da China”.

Alargar o círculo

O Chefe do Executivo mencionou também alguns dos conceitos políticos típicos da RAEM, como a ideia de que o princípio “Um País, Dois Sistemas” “demonstra êxitos mundialmente notáveis”. Depois de salientar a imperiosa necessidade de assegurar a soberania e segurança nacional, Sam Hou Fai destacou a importância de garantir “plenamente um alto grau de autonomia de Macau, manter inalterados por um longo tempo o sistema capitalista e a respectiva maneira de viver, o seu estatuto de porto franco internacional e de zona aduaneira autónoma, e o sistema de direito europeu continental em Macau”.

O Chefe do Executivou vincou que “Macau está disposta a partilhar as oportunidades de desenvolvimento com todos os países e regiões, alargando o ‘círculo de amigos’ internacional para alcançar uma cooperação cada vez mais abrangente”.

Nanfang Media | Grupo de Guangdong cria plataforma com Portugal

Na sexta-feira, foi lançada uma plataforma de cooperação na área dos media, promovida pelo grupo Nanfang Media, com sede em Guangdong e escritórios em Macau. A “Plataforma Chinesa-Portuguesa de Conteúdos de Media para a Grande Baía” pretende “reformar a cooperação de media e facilitar a troca de notícias e conteúdos culturais entre a China e os países de língua portuguesa”

 

Acaba de ser criada uma nova plataforma para troca de conteúdos noticiosos e culturais entre a China e os países de língua portuguesa. O projecto é do Nanfang Media Group, com sede na província de Guangdong e escritórios em Macau, e intitula-se “Greater Bay Area Chinese-Portuguese Media Content Platform”. Trata-se de um projecto integrado na internacionalização e expansão do grupo chinês e que foi lançado na última sexta-feira, em Lisboa, integrado no Festival da Cultura Chinesa-Portuguesa “Chinese Styles, Portuguese Flavors” [Estilos Chineses, Sabores Portugueses], que decorreu na sede da Quinta da Marmeleira, em Lisboa.

O Nanfang Media Group, que detém títulos como o GD Today, em língua inglesa, quer agora chegar ao universo da língua portuguesa e a uma “audiência global de cerca de 300 milhões de falantes de português”, escreveu essa publicação. Também aí se descreve que o grande objectivo desta nova plataforma é “reforçar a cooperação de media e facilitar a troca de notícias e conteúdos culturais entre a China e os países de língua portuguesa”.

No seu discurso, Zhao Yang, chefe de redacção do portal “International SOUTH”, ligado ao grupo Nanfang, apresentou os objectivos principais desta plataforma, nomeadamente “estreitar a colaboração com meios de comunicação portugueses, ‘Think Tanks’ e outras instituições e apresentar, de forma mais acessível, histórias sobre o ambiente de negócios da China, Grande Baía e Guangdong”.

É ainda objectivo mostrar a modernização económica e social que a China tem conhecido nos últimos anos, bem como mostrar “a cooperação pragmática sino-portuguesa e a amizade entre os dois povos”.

Assim, esta plataforma de contacto visa ainda “aproveitar as potencialidades da inteligência artificial, a fim de promover os nossos meios de comunicação social na era digital”. “Espero que esta iniciativa possa contribuir, com a força dos media, para o diálogo entre civilizações e aprofundamento de uma cooperação abrangente entre a China e Portugal”, disse Zhao Yang.

O responsável explicou ainda que “nos últimos dois anos, e através do aproveitamento das vantagens jornalísticas em Macau, a SOUTH tem reforçado a colaboração com a plataforma sino-portuguesa, a Agência Lusa ou outros órgãos de comunicação em língua portuguesa, divulgando de forma ampla histórias sobre portugueses a viver e trabalhar no grande país [China], Hong Kong e sobre a cooperação económica entre Guangdong e Portugal”. De frisar que o grupo Nanfang, presidido por Liu Qiyu, detém actualmente a rádio portuguesa Iris FM, com sede em Samora Correia e Lisboa.

Palavras de presidente

Liu Qiyu, presidente do Nanfang Media Group, destacou o facto de esta plataforma ser lançada numa altura em que se celebram os 500 anos do estabelecimento de relações diplomáticas entre a China e a Europa, bem como “o 20º aniversário do estabelecimento de uma parceria estratégica abrangente entre a China e Portugal”.

Referindo-se ao grupo que lidera, que tem “ampla influência nacional e internacional e que está enraizado na principal província económica da China, em Guangdong”, Liu Qiyu falou da ideia de internacionalizar o grupo, “empenhando-se na construção de pontes a nível internacional e na promoção do diálogo entre civilizações”.

“Queremos reforçar a cooperação com os meios de comunicação social de todo o mundo, a fim de promover uma compreensão global entre povos”, referiu. O responsável afirmou esperar que a nova plataforma “possa reunir a sabedoria e a força dos meios de comunicação social de ambos os países para se contarem histórias do mundo lusófono e as histórias de Guangdong, da Grande Baía e da China, e também para que se possam levar histórias de Portugal e da Europa para a China, em especial para Guangdong”.

O presidente do grupo Nanfang não esqueceu o papel de Macau na ligação à zona de Hengqin, numa altura em que se consolida “o papel da região como plataforma de serviços a nível económico e comercial entre a China e países da língua portuguesa”.

Camões e Ronaldo

Zhao Bentang, embaixador da China em Lisboa, marcou presença no evento, destacando que “as civilizações chinesa e portuguesa valorizam-se, aprendem e coexistem de forma harmoniosa, o que beneficia os povos de ambos os lados, fazendo também contribuições importantes para a paz e desenvolvimento mundial”.

“A cooperação linguística e cultural entre a China e Portugal tem sofrido um processo rápido”, destacou ainda, referindo que, nos últimos anos, a cultura chinesa tem tido cada vez mais popularidade fora do país, enquanto que Portugal “foi um dos primeiros países europeus a comunicar com a China”. Trata-se de uma história “com mais de 500 anos”, tendo-se criado “uma base sólida para o desenvolvimento comum” e um maior intercâmbio cultural, disse.

Zhao Bentang não esqueceu o destaque que o futebol e a literatura em português têm tido na China. “Cristiano Ronaldo é um nome bem conhecido na China, e as excelentes obras de escritores portugueses como Camões, Fernando Pessoa ou José Saramago podem ser encontradas em todas as livrarias chinesas”, lembrou.

O festival cultural sino-português onde se integrou o lançamento desta nova plataforma de media contou com gastronomia chinesa e também pratos macaenses e portugueses, com assinatura de Michael Franco, macaense de Hong Kong que abriu recentemente um novo restaurante em Lisboa, o Dragon Inn.

De resto, o evento, apoiado por diversas entidades, como a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC), teve provas de vinhos e demonstrações da cultura chinesa, com sessões de caligrafia e uso de vestes tradicionais.

Bernardo Mendia, secretário-geral da CCILC, destacou que a China criou, há 71 anos, a ideia de “respeito mútuo e da coexistência pacífica entre as nações, os célebres Cinco Princípios de Coexistência Pacífica, que não são mais que uma manifestação de respeito pela cultura de terceiros, sem a pretensão de alterações ou imposições, como se umas culturas fossem superiores a outras”.

O responsável salientou que, nas ligações económicas, “a cultura é um elemento essencial e até anterior como forma de potenciar o bom relacionamento bilateral e a concretização de negócios mutuamente benéficos”.

Neste sentido, acrescentou Bernardo Mendia, “o respeito pela cultura é inegociável”, por se tratar de “um bem intangível, porque é composta por valores, crenças, costumes e tradições, transmitidos de geração em geração através de práticas, rituais e expressões que resultam na própria identidade de um Povo ou comunidade”.

Segundo o GD Today, Bernardo Mendia referiu “que os media podem ajudar-nos a quebrar barreiras e a facilitar a comunicação”, sendo que a nova plataforma poderá ter “um enorme significado na conexão entre Portugal e a China”.

Fazendo referência ao debate que existe actualmente em Portugal, sobre o fim das touradas, Bernardo Mendia destacou que “as corridas de toiros à portuguesa” são parte da cultura, algo “anterior ao poder do próprio Estado, poder esse que se legitima pelo respeito da cultura do seu Povo e comunidades”. Assim, neste contexto, o secretário-geral da CCILC lamentou que o Estado tente “impor uma cultura – fenómeno denominado de ‘cultura de Estado'”. Nesses casos, “instala-se o caos, conforme presenciámos recentemente no mundo ocidental com a tentativa de imposição da cultura woke por parte de alguns Estados”, rematou.

Timor-Leste | Admitida proibição permanente artes marciais

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, admitiu ontem a possibilidade de proibir de forma permanente a prática de artes marciais no país, por considerar que continuam a dividir os jovens timorenses.

“Esta tudo a correr bem, apesar de ainda haver problemas em alguns locais. Por isso, é que hoje (ontem) propus que, no Conselho de Ministros, analisemos o melhor caminho, que talvez seja mesmo acabar com isso, porque essa questão está a dividir os jovens”, disse Xanana Gusmão.

“Nós os dois somos primos irmãos [primos diretos], mas, só porque pertencemos a grupos de artes marciais diferentes, temos de nos afastar e já não nos damos bem”, lamentou o primeiro-ministro. O chefe do Governo timorense falava aos jornalistas após um encontro com o Presidente José Ramos-Horta no Palácio da Presidência, em Díli, antes da reunião do Conselho de Ministros.

Xanana Gusmão mostrou também preocupação com o comportamento dos jovens, salientando que os relatórios de segurança indicam que continuam a ocorrer problemas, incluindo agressões físicas, e defendeu que, por isso, é preciso tomar uma decisão.

Na terça-feira, durante a cerimónia de içar da bandeira nacional, no âmbito das celebrações do 23.º aniversário da restauração da independência, confrontos entre jovens provocaram um morto no posto administrativo de Cailaco, no município de Bobonaro.

Segundo a Polícia Nacional de Timor-Leste, os jovens envolvidos nos confrontos pertenciam a dois grupos de artes marciais, que desde segunda-feira estavam em conflito, tendo também atacado a casa de um veterano.

No início de Abril, o Governo de Timor-Leste decidiu prolongar a suspensão do ensino, aprendizagem e prática de artes marciais até ao final de 2025 para continuar a consolidar a paz social e assegurar que no futuro a prática das artes marciais decorra exclusivamente no âmbito desportivo.

Seul | Pyongyang disparou mísseis de cruzeiro para o mar

O exército da Coreia do Sul disse que a Coreia do Norte disparou ontem mísseis de cruzeiro não identificados para o mar, horas depois de Pyongyang ter admitido um “grave acidente” com um novo navio de guerra.

O Estado-Maior Conjunto sul-coreano afirmou ter detectado os mísseis perto da província de Hamgyong do Sul, no leste da Coreia do Norte, que foram disparados em direcção ao mar do Japão.

O lançamento aconteceu horas depois da imprensa oficial da Coreia do Norte ter avançado com um “grave acidente” que ocorreu durante a cerimónia de lançamento de um navio de guerra. Durante a cerimónia de lançamento de um contratorpedeiro de cinco mil toneladas na cidade portuária de Chongjin, “ocorreu um acidente grave”, informou a agência de notícias oficial norte-coreana KCNA.

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, estava presente na cerimónia, realizada na quarta-feira, no nordeste do país, e disse que foi um “acto criminoso causado por negligência absoluta” que “não podia ser tolerado”, referiu a KCNA.

Apontando para a “inexperiência do comando e negligência operacional” durante o lançamento, a agência disse que “algumas secções do fundo do navio de guerra foram esmagadas” e que o acidente “destruiu o equilíbrio do navio de guerra”.

Kim disse que os “erros irresponsáveis” dos culpados seriam “abordados na reunião plenária do Comité Central do Partido, a realizar no próximo mês”. O nome do barco não foi especificado. Em Abril, Pyongyang divulgou imagens de um navio contratorpedeiro de cinco mil toneladas, chamado Choe Hyon.

Na altura, os meios de comunicação estatais transmitiram imagens de Kim a participar numa cerimónia com a filha, Kim Ju-ae, que muitos especialistas acreditam que será a sucessora no poder. A Coreia do Norte alegou que o navio estava equipado com as “armas mais poderosas” e que “entraria ao serviço no início do próximo ano”.

Filipinas | Presidente exige demissão do Governo

O Presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos Jr., exigiu ontem a demissão de todos os membros do Governo, depois de ter obtido um resultado pior do que o esperado nas eleições intercalares de 12 de Maio.

Marcos Jr. “solicitou a demissão por cortesia de todos os secretários de gabinete”, disse o palácio presidencial em comunicado, uma medida que visa dar ao Presidente “a margem de manobra necessária para avaliar o desempenho de cada departamento e determinar quem continuará a servir”.

A ordem foi tomada depois de os candidatos apoiados por Marcos Jr. ao Senado, a câmara alta do parlamento das Filipinas, terem obtido menos lugares do que o esperado nas eleições intercalares realizadas a 12 de Maio.

“O povo falou e espera resultados, não manobras políticas ou desculpas. Nós ouvimo-los e vamos agir”, disse o Presidente. As eleições ficaram marcadas pela disputa entre os candidatos de Marcos Jr. e os apoiados pela vice-presidente e ex-aliada Sara Duterte.

A votação aconteceu meses depois de o pai, o ex-Presidente Rodrigo Duterte (2016-2022), ter sido extraditado para ser julgado por crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional devido à guerra contra as drogas. Apesar de estar detido em Haia, Rodrigo Duterte foi reeleito como presidente da câmara de Davao, em Mindanao, no sul das Filipinas, cargo que ocupou antes de concorrer a chefe de Estado.

A Presidência declarou ontem que os serviços governamentais “continuarão ininterruptos” durante a transição, durante a qual avaliará o desempenho dos actuais secretários antes de decidir se serão ou não substituídos.

Em queda

O filho do falecido ditador Ferdinand Marcos (1917-1989) tem três anos até ao final do mandato e, de acordo com o comunicado, a renovação ministerial representa “uma nova fase totalmente focada nas necessidades mais urgentes da população”.

Até ao momento, mais de uma dúzia dos 23 secretários do Executivo demitiram-se ou anunciaram a intenção de abandonar o cargo, juntamente com líderes de agências sob o controlo do Presidente, como a Autoridade de Desenvolvimento Metropolitano de Manila.

Entre eles estava o secretário das Finanças, Ralph G. Recto, que, em comunicado, elogiou a “decisão ousada” tomada “com o desejo de dar prioridade às pessoas e ao país”. O secretário da Energia, Raphael Lotilla, observou que a ordem de demissão é “uma excelente oportunidade para fazer um balanço e revigorar o Governo”.

A medida foi tomada depois de o Presidente ter reconhecido na segunda-feira que os maus resultados das eleições se deveram à decepção dos filipinos com o desempenho do Governo. A taxa de aprovação de Marcos Jr. caiu para 25 por cento, de acordo com uma sondagem realizada em Março, uma queda acentuada face à taxa de 42 por cento em Fevereiro.

Os entrevistados apontaram a falha do Governo em controlar a inflação, a corrupção desenfreada no país e a falta de medidas para combater a pobreza.

Como é que Macau se pode salvar?

Os mortos não têm voz, mas o acto de suicídio fala sobre infortúnio. Não podemos tapar os ouvidos e fingir que não ouvimos, nem tapar os olhos e fingir que não vemos. A vida de cada pessoa é preciosa e única e um só caso de suicídio já é demais.

Em resposta aos recentes casos de suicídio e à descoberta dos cadáveres, o Instituto de Acção Social (IAS) da RAEM, em conjunto com os departamentos governamentais competentes e as organizações de serviços sociais, realizou a “Reunião de Intercâmbio – Vamos juntos desempenhar o papel de guardião da vida, acarinhando às pessoas ao nosso redor”. Nessa reunião, o presidente do IAS informou que tinham ocorrido 18 casos de suicídio no primeiro trimestre de 2025, um decréscimo de quatro comparado com o mesmo período do ano anterior. Sem um decréscimo de casos de suicídio, o IAS não se teria apressado a realizar esta reunião. A estatística não explica tudo, mas é na realidade que se encontra a melhor explicação. Para contar uma história bonita sobre Macau basta ter alguma perícia, mas ser capaz de identificar os problemas e encontrar uma solução é o que verdadeiramente importa. Se o Governo da RAE não tomar medidas práticas para melhorar as condições de vida dos cidadãos e assim restaurar a sua confiança no futuro, as tragédias vão continuar a acontecer. Mesmo que a cobertura dos suicídios feita pela comunicação social seja um eco das directrizes “Seis Coisas para Fazer e Oito para Evitar” do IAS, ou mesmo que nada seja mencionado, acredita-se que os casos de mortes não naturais continuem a aumentar.

Polir a imagem dourada de Macau e libertar a cidade do infortúnio não é tarefa difícil. Basta ter a mesma consideração pela vida dos residentes que se tem pelos membros da nossa família, encarar as suas preocupações como se fossem nossas e trabalhar conscientemente e com responsabilidade para proteger a subsistência do povo, promovendo o emprego. Nessa altura, todos os problemas serão resolvidos. Só quando as condições sociais e de sobrevivência forem garantidas é que o país pode estar seguro.

A economia de Macau está actualmente afectada por vários factores e a situação não é favorável. Entre eles, existem vários problemas sociais que não foram eficazmente comunicados ou resolvidos através dos meios adequados. Manter a estabilidade através do uso de tácticas de alta pressão e de uma prosperidade quimérica são meras ilusões. Quando caem por terra, as ilusões levam naturalmente a um beco sem saída. Na verdade, desde que o Governo da RAE mostre determinação e tome as medidas necessárias, Macau pode salvar-se.

Como as receitas do jogo ficaram aquém das expectativas e estão em andamento diversos projectos de construção de larga escala, é verdade que o Governo da RAE está a enfrentar alguma pressão financeira; caso contrário, este ano os funcionários públicos não teriam tido os salários congelados. Mas com as reservas financeiras acumuladas ao longo dos anos, o Governo da RAE pode concentrar o investimento de capital no desenvolvimento de vários projectos. E com o efeito de sinergia, os problemas económicos de Macau podem ser resolvidos. Quando a situação económica e as condições de vida melhorarem, os residentes de Macau irão naturalmente prosperar e encontrar alegria nas suas vidas.

A fim de melhorar as condições de subsistência das pessoas e criar mais oportunidades de trabalho para os residentes, lanço as seguintes sugestões. Por exemplo, transformar o espaço do antigo Jockey Club no “Jockey Club Fun Land”, aproveitar o terreno do “Parque Oceanis” na Taipa, deixado ao abandono, para uma “Casa de Chá Ocean” ou para um “Mercado Nocturno Ocean” com elementos típicos chineses e portugueses, criar um “centro de actividades integradas” no Parque de Seac Pai Van e nos seus arredores, com prestação de serviços diurnos. Também, interligar as escolas da Zona A dos Novos Aterros Urbanos para criar uma “Cidade Escolar”, agilizar a transformação do local do canídromo da Companhia de Corridas de Galgos de Macau (Yat Yuen) num “Jardim Desportivo para os Cidadãos”, introduzir um programa de subsídios com duração de um ano destinado a jovens residentes e encorajar instituições e escolas da rede de ensino gratuito e departamentos governamentais a providenciarem oportunidades de trabalho para os mais novos.

Se o Governo de Macau se preocupar com os seus cidadãos, e respeitar escrupulosamente o princípio de que os trabalhadores estrangeiros só deverão ser acolhidos para suprir a falta de mão de obra, reforçar a promoção do jogo responsável e minimizar todos os factores negativos que afectam a saúde mental dos cidadãos, passará a ser o melhor “guardião da vida”.

FRC | Debate sobre uso de tecnologia na próxima quarta-feira

Decorre na próxima quarta-feira, na Fundação Rui Cunha (FRC), a sessão “Geração dos ecrãs: navegar sem limites” [Blue wave generations: surfing without limits]. O evento pretende discutir o impacto da navegação, sem limitações, nos ecrãs digitais, principalmente nos telemóveis e das novas tecnologias.

A sessão, uma organização conjunta da Associação dos Jovens Macaenses (AJM), Universidade de São José (USJ) e a Fundação Rui Cunha, vai focar-se na forma como o tempo excessivo nos ecrãs digitais afecta a saúde e o bem-estar, em especial a geração mais jovem, e como pode afectar o sistema educativo em Macau, bem como será ainda abordado o que pode ser feito para equilibrar e gerir o tempo (com ou sem ecrãs), incluindo a introdução da Inteligência Artificial ​​no nosso futuro próximo.

Jacky Ho, director da Faculdade de Ciências da Saúde e do “Macao Observatory for Social Development” da USJ, é o orador convidado deste evento, que apresentará o tema nesta sessão, moderada por Jerusa Antunes, vice-presidente da AJM. A palestra, com início às 18h30 horas, é aberta ao público e será conduzida em inglês.

HK / Alliance Française | Sessão sobre novo livro de Mark O’Neill

A Alliance Française de Hong Kong apresenta, na próxima quarta-feira, às 18h30, o evento dedicado a falar do mais recente livro do escritor e jornalista Mark O’Neill, intitulado “Europeans in Hong Kong” [Europeus em Hong Kong].

A sessão, com o nome “Rencontre avec Mark O’Neill: ‘Europeans in Hong Kong'”. Segundo a apresentação oficial do evento, irá falar-se de como as comunidades de nacionalidades europeias, incluindo de membros da comunidade macaense, moldaram a sociedade local e desenvolveram várias iniciativas comunitárias e de apoio social.

“Na Hong Kong do século XIX as pressões sociais conduziram ao abandono de muitas mulheres, as vulneráveis. A congregação Les Soeurs de Saint-Paul, chegada a Hong Kong em 1848, ofereceram refúgio [a pessoas pobres]”, sendo que entre 1848 e 1897 deram apoio a mais de 34.000 crianças, na sua maioria chinesas e meninas. “Este acto de compaixão representa uma das contribuições europeias mais significativas para Hong Kong”, descreve-se.

Mark O’Neill nasceu em Londres, Reino Unido, e está há muitos anos radicado em Hong Kong. Foi jornalista e desde 2006 que se dedica a escrever a tempo inteiro, tendo já lançado 12 livros sobre questões sociais e culturais da região e da China, incluindo obras biográficas.