FM | Entidades de matriz portuguesa recebem mais de 20 milhões

A Fundação Macau (FM) forneceu cerca de 20,9 milhões de patacas em apoios financeiros no primeiro trimestre deste ano a entidades de matriz portuguesa.

Entre os apoios mais significativos, destaca-se o da Fundação Escola Portuguesa de Macau, que recebeu 4,5 milhões de patacas para despesas de funcionamento em 2026, no âmbito do Plano Integrado de Apoio Financeiro, enquanto o IPOR – Instituto Português do Oriente recebeu cerca de 213 mil patacas.

O Instituto de Estudos Europeus de Macau beneficiou de múltiplos apoios, destinados a projectos de formação, conferências, publicações e despesas de funcionamento, num total superior a 2,8 milhões de patacas. Na vertente cultural, a Associação de Danças e Cantares Portugueses “Macau no Coração” registou uma rectificação de apoio para intercâmbio no valor de 47.880 patacas.

Também foram distribuídos apoios a entidades católicas de solidariedade, como a Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Macau que recebeu 143.430 patacas para a distribuição de cabazes do Ano Novo Chinês, enquanto a Cáritas de Macau foi contemplada com cerca de 8,8 milhões de patacas. As Bolsas de Estudo para Estudantes de Países Lusófonos em cursos conferentes de grau académico beneficiaram 36 alunos durante o ano lectivo de 2025/2026, com um montante global de 2,1 milhões de patacas.

Entre os apoios concedidos à comunidade macaense, destacam-se a Associação dos Macaenses, que recebeu 725.440 patacas, a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses, contemplada com 399.720 patacas, e a Associação dos Jovens Macaenses, que obteve 49.900 patacas. A Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau recebeu no primeiro trimestre deste ano cerca de 1,1 milhões de patacas.

Taipa velha | Elogiada criação de zona pedonal

A zona pedonal temporária criada na Taipa velha terminou na segunda-feira, tendo a Federação Industrial e Comercial das Ilhas de Macau e o coordenador-adjunto do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas, Leong Chon Kit, elogiado a medida. A zona pedonal funcionou no fim-de-semana de 1 a 4 de Maio.

Segundo o jornal Ou Mun, o presidente da Federação, Yeong Keng Hoi, considerou que a zona pedonal superou as expectativas por ter atraído imensos turistas, tendo-se transformado numa marca festiva associada aos feriados do 1.º de Maio. O responsável acrescentou que o Governo deveria aproveitar o terreno que não está ainda desenvolvido, perto da paragem de táxis, para que possa ser utilizado como zona temporária de tomada e largada de passageiros.

Por seu turno, Leong Chon Kit observou que a zona pedonal permitiu uma ligação à zona da Fábrica de Panchões Iec Long, na Taipa velha, o que permitiu desviar, de forma eficiente, o fluxo de visitantes da Rua do Cunha. O conselheiro defende que as autoridades devem melhorar os percursos pedonais na zona, acelerar o processo de revitalização da antiga fábrica a fim de ali serem criados mais estúdios para artistas, salas para exposições ou até espaços de design.

Tecnologia | Wong Sio Chak visitou Hangzhou

O secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, liderou uma delegação numa visita à cidade de Hangzhou, que teve como objectivo aprofundar os conhecimentos sobre a transformação digital e a governação inteligente. A visita decorreu entre os dias 28 e 30 de Abril.

Segundo a versão oficial, a “delegação participou numa série de actividades organizadas pelo Governo Municipal de Hangzhou, incluindo uma visita in loco ao Centro de Serviços Governamentais de Xihu”. Outra das paragens, foi o “Centro de Comando do Cérebro” de Hangzhou, para “estudar a sua arquitectura tecnológica, o mecanismo de integração de dados e modelo de operação, enquanto plataforma municipal de governação baseada em inteligência artificial”.

Hangzhou foi escolhida como destino da viagem por ser considerada como uma das cidades mais avançadas do Interior e pelo facto de ter sido a primeira cidade a desenvolver o chamado “Centro de Comando do Cérebro”, que concentra os vários dados recolhidos na cidade, para depois serem tomadas decisões. Além disso, a delegação realizou reuniões, intercâmbio e visitas com o Grupo Alibaba e com especialistas nas áreas da tecnologia.

Aeroporto | Abandonado projecto de expansão

Era um projecto ambicioso, mas vai ficar na gaveta, até porque o número de passageiros no aeroporto de Macau sofreu uma quebra no ano passado. Os governantes acreditam que a expansão que já está em curso e que vai aumentar a capacidade para 13 milhões e passageiros é suficiente

O regulador da aviação civil admitiu que abandonou o plano, anunciado em 2020, para utilizar parte do actual terminal marítimo de passageiros da Taipa na expansão do aeroporto. Em resposta a questões do deputado Leong Pou U, o presidente da Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM) defendeu que a capacidade do aeroporto já dá “resposta às necessidades de transporte aéreo actuais e futuras”.

O terminal de passageiros do aeroporto dispõe actualmente de uma capacidade de processamento de 10 milhões de passageiros por ano, sublinhou Pun Wa Kin, citado pela emissora pública TDM – Teledifusão de Macau. Em 2025, o aeroporto do território registou 7,52 milhões de passageiros, menos 1,6 por cento do que no ano anterior e longe do recorde máximo de 9,61 milhões, fixado em 2019, antes do início da pandemia de covid-19.

“Após a conclusão das obras de ampliação por aterro, a capacidade será aumentada para, pelo menos, 13 milhões de passageiros por ano”, acrescentou o regulador, numa resposta datada de 1 de Abril. Ainda assim, Pun Wa Kin prometeu “avaliar a evolução real do desenvolvimento” do tráfego no aeroporto e, “caso seja necessário”, “proceder à avaliação e planeamento” de uma eventual expansão usando o terminal marítimo.

Pára, arranca

No início de Março, o deputado Leong Pou U tinha apelado à retoma do projecto, para permitir “o transbordo directo” entre o aeroporto, o terminal de Pac On e a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, a maior travessia marítima do mundo. O também engenheiro disse que iria dar aos turistas “uma experiência de viagem mais conveniente” e ajudar a tornar o aeroporto de Macau uma base para toda a margem oeste do Rio das Pérolas, que inclui a vizinha província de Guangdong.

Em Dezembro de 2020, o então secretário para os Transportes e Obras Públicas de Macau, Raimundo do Rosário, afirmou que iria arrancar, já em 2021, a construção de um segundo terminal do aeroporto no Pac On. Um ano mais tarde, Rosário reiterou a intenção de avançar, em 2022, com “as obras de transformação de parte do Terminal Marítimo da Taipa num segundo terminal do aeroporto”.

Mas a construção nunca arrancou e em Dezembro de 2023 o dirigente admitiu que o plano tinha sido suspenso, porque a recuperação pós-pandemia do tráfego no aeroporto estava a ser mais lenta do que o previsto. O aeroporto foi inaugurado em 1995, ainda durante a administração portuguesa.

IAS | Creche Smart pede ao Governo que controle acções de Hon Wai

A Zonta Club de Macau queixa-se de perseguição pelo presidente do IAS, pede ao Governo para o controlar e promete que, se o CCAC encontrar ilegalidades nas suas contas, desiste das acções em tribunal. A entidade está também disponível para ser investigada pela PJ, de forma a proteger a sua reputação

A associação Zonta Club de Macau (ZM) pediu ao Governo para controlar o presidente do Instituto de Acção Social (IAS), Hon Wai, para evitar abusos de poder. A posição da entidade responsável pela creche Smart foi tornada pública nas redes sociais, depois do mais recente relatório do IAS sobre a creche e ainda por ter indicado no portal onde divulgou as admissões nas creches que a cooperação entre a instituição de ensino e o IAS foi “cessada” e que há uma acção judicial a decorrer nos tribunais.

Em Março do ano passado, o IAS decidiu cortar o financiamento e recuperar as instalações na Taipa, onde opera a creche Smart. Os fundamentos para a decisão nunca foram clarificados pelo Governo, que num primeiro momento se limitou a dizer que as duas partes não tinham chegado a acordo no que diz respeito a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”.

A decisão do IAS foi contestada pela associação, que avançou para os tribunais com uma providência cautelar para suspender, inicialmente, o corte de apoios financeiros e a recuperação do espaço. O Tribunal Administrativo e o Tribunal de Segunda Instância, após recurso do IAS, aceitaram a providência cautelar da Zonta Club de Macau.

No entanto, a informação no portal das creches terá levado vários pais a questionarem a associação sobre o sucedido, com esta a emitir um novo comunicado. Além disso, o relatório de avaliação do IAS sobre a creche continua a apontar falhas.

Em resposta aos desenvolvimentos recentes, a associação começa por indicar que o relatório de avaliação do IAS não corresponde à situação factual do estabelecimento. A ZM aponta igualmente que apesar de se ter mostrado sempre disponível para prestar todos os esclarecimentos exigidos pelo IAS, que o presidente Hon Wai tem “levantado várias suspeitas” e acusado a entidade de “alegadas irregularidades”. Esta situação terá gerado stress psicológico na associação e na creche, assim como “sérias preocupações sobre os danos reputacionais”.

Cartas na mesa

No comunicado, a associação revela que a postura do IAS foi inicialmente motivada por “atrasos” na actualização dos dados sobre os trabalhadores durante a pandemia, uma vez que a creche começou a funcionar em Macau em 2019, depois de ser convidada pelo Executivo da RAEM, em 2016. A informação terá sido carregada no sistema da IAS de forma incorrecta.

Sobre este aspecto a creche indica que, num primeiro momento, os trabalhadores do IAS consideraram que tinha havido um erro, mas que não havia qualquer elemento que indicasse a tentativa de manipular os números.

Contudo, mais tarde o IAS considerou que devia ter sido declarado um grupo de quatro trabalhadores em vez de três, enquanto a associação entende que só tinha de declarar três, porque um desses funcionários não ia ter o vencimento subsidiado pelo IAS. Hon Wai terá igualmente considerado que foram contratados trabalhadores que não desempenharam funções essenciais e não deviam ter sido subsidiados.

Todavia, a creche defende-se ao argumentar que entre 2019 e 2021 devolveu mais de 2 milhões de patacas aos IAS, por sua iniciativa, porque os subsídios ficaram acima das necessidades. Além disso, aponta que as contas têm sido auditadas, sem que tivessem sido encontradas irregularidades. “Estas acções exemplificam que a ZM segue de forma consistente os princípios da honestidade, coerência e cooperação”, foi vincado.

A Zonta pede ainda ao presidente do IAS que prove que as tarefas dos trabalhadores considerados excessivos não eram essenciais e que justifique como aquelas tarefas poderiam ser realizadas pelos outros trabalhadores. Face a este diferendo, a ZM conclui que o presidente Hon Wai “tem criado de forma repetida disputas, suspendido o financiamento da instituição e alegado o uso inapropriado das instalações”.

A ZM explica também que face a esta postura tentou sempre resolver o diferendo pelas vias institucionais, evitando recorrer aos tribunais e ao Comissariado Contra a Corrupção (CCAC), para defender o “bem maior”. Porém, afirma que teve de apresentar queixa no CCAC, por não ter tido outra opção, devido aos danos para a sua reputação e às acções repetidas de Hon Wai.

Pedido controlo

Diante das alegações de Hon Wai, a ZM defende que tem seguido sempre as instruções do Governo e que jamais pretende impor a sua posição, mostrando total disponibilidade para obedecer ao que for decidido pelo Executivo.

A Zonta declara também que está pronta para desistir de todas as acções em tribunal, onde contesta a decisão do corte de financiamento e remoção das instalações, face aos resultados da investigação do CCAC. Esta postura é justificada pela associação com a vontade de poupar dinheiro à RAEM. Ao mesmo tempo, a ZM mostra-se disponível para ser investigada pela Polícia Judiciária (PJ), porque acredita que desta forma a sua reputação vai ser mantida.

Finalmente, a Zonta pede ao Governo para “exercer uma supervisão rigorosa e eficiente sobre os nomeados para os cargos públicos, de acordo com a lei e cumprimento das suas funções, para prevenir abusos de autoridade, responder às preocupações públicas, restaurar a confiança e defender a dignidade do primado do direito e da justiça social”. O HM contactou o IAS sobre a postura do presidente Hon Wai, mas até ao fecho da edição não recebeu resposta.

História | Catálogo revela documentos e objectos das relações luso-chinesas

“Papéis e peças entre a China e Portugal – Testemunhos passados de uma relação com presente e futuro” é um catálogo bilingue que revela pedaços da história das relações comerciais entre Portugal e China, com registos, documentos e imagens de objectos. Macau também assume papel de destaque na obra lançada na segunda-feira no Centro Científico e Cultural de Macau

Um prato com músicos chineses em trajes europeus, um excerto de uma carta sobre a oficina mecânica em Pequim do jesuíta Tomás Pereira, ou um inventário da sacristia de São Roque com peças chinesas. Estes são alguns dos documentos ou objectos que ajudam a contar a história comercial entre a China e Portugal estabelecida a partir de meados do século XVI, quando os portugueses desembarcaram na China, e, sobretudo, quando os missionários lá chegaram no final do mesmo século.

Tudo isto consta no catálogo “Papéis e peças entre a China e Portugal – Testemunhos passados de uma relação com presente e futuro”, lançado na segunda-feira no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) e editado pela Húmus. Não faltam ainda, no catálogo, o Dicionário romano-sínico ou uma carta de Álvaro Semedo, jesuíta, “dando novas da China”.

Este é o resultado de um trabalho conjunto de muitas instituições do ensino superior portuguesas e chinesas, como o Instituto Confúcio da Universidade de Lisboa (UL), o Centro de Estudos Clássicos da UL, a Universidade de Estudos Estrangeiros de Tianjin. O trabalho foi desenvolvido por uma vasta equipa, onde constam nomes como Wang Jincheng na autoria, ao lado de Arnaldo do Espírito Santo; ou Isabel Murta Pina, do CCCM, e Cristina Costa Gomes na coordenação científica, entre outros. O catálogo tem ainda ligação ao projecto “Res Sinicae – Base digital de fontes documentais em latim e em português sobre a China (séculos XVI – XVIII)”.

​O catálogo está dividido em quatro áreas onde se podem descobrir mais detalhes sobre estes objectos ou documentos, nomeadamente “Língua e Cultura”, “Ciência, Tecnologia e Arte”, “Comércio” e “Diplomacia”. Alexandra Curvelo, professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa e especialista na área da História da Arte, responsável pela apresentação da obra, descreveu-a como um “livro-catálogo”.

A obra “apresenta testemunhos dos intercâmbios chineses e portugueses durante os períodos das dinastias Ming e Qing, alguns deles revelados pela primeira vez”. O leitor tem, assim, acesso “a documentação de tipologia muito variada”, que pretende “sublinhar as interacções passadas, que se mantém no presente e que já se projectam no futuro”.

Alguns dos documentos e objectos presentes no catálogo “pertencem ao acervo de arquivos, bibliotecas e museus portugueses de vários países europeus, bem como do Brasil”. A edição em chinês e português dará a conhecer “também ao público chinês um corpo histórico de enorme relevância”, afirma Alexandra Curvelo. Pretende-se ainda que o livro “tenha uma divulgação alargada, não sendo apenas circunscrita, ou dirigida, a um público restrito ou especialista”.

Aprendizes de chinês

Alexandra Curvelo destacou também o capítulo dedicado à língua e cultura, que remete para o “início da chegada dos missionários jesuítas à China e do estabelecimento de uma missão, logo em 1582, tendo começado por aprender o chinês regularmente, ou mais correctamente o Guanhua, o mandarim, língua franca num império marcado pela riqueza e pela diversidade linguística”. Era um idioma que, neste tempo, “os europeus cedo associaram ao latim, a língua internacional das elites intelectuais europeias”. Depressa os jesuítas começaram a desenvolver “inúmeros instrumentos linguísticos para organizar a aprendizagem da língua”, ou seja, o chinês, nomeadamente dicionários. Alexandra Curvelo destacou que o “mais antigo dicionário português-chinês sobrevivente remonta à década de 1580”.

Houve ainda, “no campo da matemática, astronomia, geografia, mecânica, relojoaria, hidráulica e artilharia”, uma “verdadeira interacção entre duas culturas científicas, pautadas pela curiosidade, novidade e adaptação”. Alexandra Curvelo destacou o nome de Matteo Ricci entre tantos outros missionários que “fazem parte de uma constelação extraordinária de jesuítas que disseminaram a ciência, tecnologia e arte europeias na China”, dado que “alguns instrumentos começaram a ser produzidos na China, como foi o caso dos relógios mecânicos, com uma dimensão estética também associada”.

A professora catedrática em História de Arte destacou, do catálogo, “Excerto da Carta sobre Relógios”, um documento da autoria de Gabriel de Magalhães e que data de 1667, escrito em Pequim. O autor trabalhou no fabrico de relógios mecânicos, entre outras peças, e Alexandra Curvelo considera “curioso” o facto de “se ter designado a si próprio como serralheiro”. “Este mestre de mecânica, que estava à frente da oficina da residência jesuíta, designa-se a si próprio como serralheiro. Esta oficina viria a ser herdada por outro nome maior da presença jesuíta na China, Tomás Pereira, que projectou e construiu um impressionante conjunto de instrumentos musicais e que, por sua vez, se autodenominava de artífice. Ou seja, não se classificavam a si próprios como artistas, o que é um dado muito interessante.”

Tratava-se tão somente de fazerem “a valorização da técnica e da mão”, sendo esta a dimensão [do saber técnico], para Alexandra Curvelo, “que está presente também na missão [jesuíta] para o Japão”.

O lugar de Macau

No terceiro capítulo do livro espelham-se peças e papéis que revelam a intensa ligação entre Portugal e a China na área do comércio, onde Macau não poderia deixar de ter um lugar de destaque.

Aqui importa referir o documento sem data, mas que se acredita ter sido escrito no século XVIII por Jorge da Silva, e que consta na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Intitula-se “Relação da importância de Macau no comércio asiático” e, segundo a autora da análise a este documento, Cristina Costa Gomes, “não se conhecem dados em concreto” sobre Jorge da Silva.

Porém, trata-se de um papel “que assume particular relevância porque atesta a importância da cidade portuária de Macau no comércio asiático durante o século XVII, que facilmente se explica pela sua localização geográfica estratégica”.

Alexandra Curvelo acrescentou também a importância do comércio de cerâmica nestes anos. “Num mundo conectado por intensas trocas comerciais, como era o mundo asiático, onde os mercadores chineses participavam activamente, estabeleceram-se contactos com os portugueses por via também das comunidades mercantes chinesas espalhadas pela Ásia e sobretudo nos portos do Sudeste Asiático. A porcelana chinesa cedo se torna uma das principais mercadorias exportadas para o continente europeu e com um impacto duradouro.”

Além disso, deu-se, a partir de 1557, e já com a presença crescente dos portugueses em Macau, o “acesso directo a uma série de mercadorias, como a porcelana, mas também os têxteis, que têm um papel determinante, objectos lacados”, o que coloca os portugueses “numa posição favorável, seja em termos do mercado interno chinês, seja na entrada noutras rotas, designadamente com o Japão e rotas que ligavam este território ao Sudeste Asiático”.

Alexandra Curvelo apontou também a “resiliência de Macau frente a uma série de conjunturas desvaloráveis, que lhe permitiu manter-se como plataforma essencial do comércio marítimo intercontinental do mundo moderno”.

O comércio com a China de “mercadorias antigas e mais recentes, pôs-se no gosto e consumo das elites europeias, dando origem a novos hábitos de sociabilidade na Europa e processos interessantes de transferência cultural”, como a criação da “primeira sociedade de consumo na Europa”. Porém, “a China já a tinha há bastante mais tempo”, frisou Alexandra Curvelo.

Em “Papéis e peças entre a China e Portugal” não faltam ainda documentos como “listas de cargas de navios que dão eco a negociações e transacções, lembrando que o comércio pressupõe sempre o estabelecimento de relações e redes, tanto formais como informais”.

Arnaldo do Espírito Santo, co-autor do livro, vincou que a obra “é mais um fruto do passado e presente com futuro, com bons auspícios de outras colaborações”.

Taishan | Ocorrência em central nuclear sem incidentes

No final de Abril, registou-se uma ocorrência na central nuclear de Taishan, na província de Guangdong, a 67 quilómetros de distância de Macau.

Segundo uma nota dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), foram encontrados “dois objectos estranhos” num dos geradores de vapor da central, tendo sido “removidos”. Os objectos tinham as dimensões de 1,5 cm x 1,5 cm e 3,5 cm x 1,3 cm e a forma de rolamento.

Tudo isto aconteceu depois de, no dia 30 de Abril, a unidade 1 da central nuclear ter estado “em estado de interrupção de manutenção”. A mesma nota dos SPU dá conta que, durante o tratamento da ocorrência, a unidade 1 “manteve o funcionamento seguro e estável e nenhuma substância radioactiva foi libertada para o exterior, não tendo afectado a segurança da central, do seu pessoal operacional, da população vizinha e o ambiente adjacente à central”. A ocorrência foi classificada como “incidente operacional de nível 0”.

Timor-Leste | Bordalo II na terceira edição do TT Tasi Fest

Bordalo II é um dos artistas convidados para participar no TT Tasi Fest, um festival de música em Timor-Leste, que promove a sustentabilidade, a protecção dos oceanos e o consumo responsável, anunciou ontem a organização. O TT Tasi Fest vai acontecer em Díli entre 29 e 30 de Maio, e nele vão também participar os Calema, que já tinham participado na primeira edição do festival em 2024.

Em Díli, Bordalo II vai participar numa residência artística e “criar duas obras originais de grande escala, utilizando materiais reciclados recolhidos localmente, incluindo chinelos, plásticos, pneus e outros objectos descartados”, lê-se num comunicado divulgado à imprensa.

“As obras irão celebrar a extraordinária biodiversidade de Timor-Leste ao mesmo tempo que chamam a atenção para a necessidade urgente de proteger os seus oceanos e ecossistemas marinhos”, salienta a organização do evento. Segundo a organização do TT Tasi Fest, a visita de Bordalo II vai servir de base para a realização de uma “série de ‘workshops’ interactivos, palestras e sessões educativas focadas na conservação marina, sustentabilidade e reciclagem criativa”.

“Bordalo II irá também colaborar de perto com artistas timorenses de destaque durante o processo criativo, valorizando o talento artístico local e reforçando o importante papel da arte na transmissão de mensagens de conservação e consciencialização ambiental”, refere o comunicado.

Os Calema vão actuar em 30 de Maio, no último dia do festival em que actuam uma série de bandas locais. “Após uma participação memorável na primeira edição, o duo volta agora ao país, reforçando a ligação artística e cultural construída com o público timorense e consolidando o crescimento do festival como um dos principais eventos musicais internacionais da região”, afirmou a organização do festival.

O primeiro dia do festival, em 29 de Maio, conta com a actuação do cantor australiano Guy Sebastian e do cantor indonésio Iwan Fals e de bandas timorenses.

Banca | Lucros aumentam 5,4 por cento até Março

Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 4,02 mil milhões de patacas nos primeiros três meses do ano, mais 5,4 por cento do que no mesmo período de 2025, foi ontem anunciado.

De acordo com dados oficiais da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), a principal razão para a subida dos lucros foi um aumento de 28,7 por cento para 4,82 mil milhões de patacas, na margem de juros, a diferença entre as receitas dos empréstimos e as despesas com depósitos. Isto apesar de a AMCM ter aprovado três descidas da principal taxa de juro de referência em 2025, a última das quais um corte de 0,25 pontos percentuais, introduzida em 11 de Dezembro, seguindo a Reserva Federal norte-americana.

Os empréstimos, a principal fonte de receitas da banca a nível mundial, subiram 0,2 por cento em comparação com Março de 2025, fixando-se em 1,03 biliões de patacas. Mas os depósitos junto dos bancos de Macau aumentaram ainda mais, 5,9 por cento, para 1,44 biliões de patacas no final de Março passado, indicou a AMCM.

Os bancos obtiveram um lucro de 7,34 mil milhões de patacas em 2025, quase o dobro do registado no ano anterior (mais 92,7 por cento). O crédito malparado caiu pelo segundo mês consecutivo, para 48 mil milhões de patacas, depois de já ter encolhido 11,6 por cento em 2025, a primeira queda anual desde 2013. Os empréstimos vencidos representavam 4,7 por cento dos empréstimos dos bancos de Macau, menos 0,8 pontos percentuais do que em Março de 2025. Uma percentagem que subiu para 5,2 por cento no caso do crédito a instituições ou indivíduos fora de Macau.

A Autoridade Bancária Europeia, a agência reguladora da União Europeia, por exemplo, considera que os bancos com pelo menos cinco por cento dos empréstimos malparados têm “elevada exposição” ao risco e devem estabelecer uma estratégia para resolver o problema. Ainda assim, a percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3 por cento alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet.

Depósitos públicos crescem

A AMCM divulgou também ontem dados relativos a depósitos e empréstimos no mês de Março, concluindo-se que os depósitos do sector público na actividade bancária aumentaram, em termos mensais, 3,8 por cento, tendo situado nas 255,5 mil milhões de patacas.

Desta forma, o total dos depósitos da actividade bancária registou um crescimento de 1,7 por cento, tendo atingido os 1.440,4 mil milhões de patacas. Ainda no tocante aos depósitos, houve uma quebra de 0,4 por cento nos depósitos feitos por residentes face a Fevereiro deste ano, enquanto que os depósitos de não residentes aumentaram 5,4 por cento, situando-se nas 348,1 mil milhões de patacas.

No que diz respeito aos empréstimos internos do sector privado, houve uma quebra mensal de 1,1 por cento, tendo atingido as 483,7 mil milhões de patacas. No primeiro trimestre, aumentaram em 5,6 por cento os empréstimos bancários ligados ao sector da hotelaria, restauração e similares, enquanto que os empréstimos para a construção civil aumentaram 1,3 por cento face ao último trimestre de 2025. Já os empréstimos concedidos ao sector do comércio por grosso e retalho, baixaram 6,8 por cento, e para a área dos transportes, armazenamento ou comunicações também baixaram 3,4 por cento. A.S.S. / Lusa

Responsabilidade limitada vs Responsabilidade ilimitada (I)

No Reino Unido, a responsabilidade limitada foi estabelecida pela Lei das Sociedades Empresariais de 1860. Os accionistas de uma sociedade de responsabilidade limitada beneficiam desta protecção desde que a empresa opere legalmente. O montante da dívida da empresa não é responsabilidade dos accionistas. Esta disposição legal foi formalmente reconfirmada na Câmara dos Lordes devido ao caso Solomon, em 1897.

E quanto às empresas em nome individual? Nas leis comerciais de alguns países ou regiões, a empresa em nome individual pode beneficiar de protecção de responsabilidade limitada, desde que opere legalmente. No entanto, se algumas leis comerciais dispuserem em contrário, uma empresa em nome individual incorre em responsabilidade ilimitada. Ou seja, nas operações empresariais, caso haja uma dívida de um milhão de dólares, a empresa é responsável por essa dívida. Legalmente, a dívida permanece em aberto até ser totalmente paga.

Se a legislação desses países ou regiões também incluir a lei de falências, a situação é diferente. Os empresários individuais podem passar por processos formais de falência, ser declarados insolventes pelo tribunal, libertando-se assim da dívida. Isto pode ser considerado uma forma legal de evitar dívidas, pelo que os credores não serão ressarcidos.

Porque é que existem as leis de falência? A razão mais importante é proporcionar uma oportunidade para que indivíduos em dificuldades possam recuperar do ponto de vista financeiro no futuro. Se esta lei for usada levianamente como forma de evasão às dívidas, estamos perante um procedimento malicioso e desonesto.

Recentemente, os meios de comunicação da China continental noticiaram a história de Chen Jinying, de 96 anos, conhecida como “a Avó Honesta da China”, um modelo de honestidade e fiabilidade digno de servir de exemplo.

A sua história começou em 1984 quando, aos 53 anos, Chen se reformou de um emprego estável na função pública e não hesitou em usar a sua pensão de reforma de 3.000 remimbis para alugar uma casa em Lishui e fundar a Fábrica Xinghua Down. Graças à excelente qualidade dos produtos, os seus casacos de plumas ganharam uma enorme reputação e passaram a ser vendidos no estrangeiro. No seu auge, o valor anual de produção da empresa atingia dezenas de milhões de dólares, tornando-se um modelo do empreendedorismo local.

No entanto, o mundo dos negócios é sempre imprevisível. Em 2011, com 80 anos, Chen aproveitou a oportunidade de expandir a indústria e investiu mais de 16 milhões de dólares na construção de novas fábricas e na modernização de equipamentos de produção. Infelizmente, as previsões de mercado falharam, os canais de comércio electrónico dispararam e as flutuações económicas globais agravaram a crise, fazendo com que o fluxo de caixa da empresa colapsasse instantaneamente, deixando-a sobrecarregada com uma enorme dívida de 20,77 milhões de dólares da noite para o dia.

Neste momento crítico, Chen poderia legalmente ter pedido falência, usando o sistema de responsabilidade limitada para proteger os seus bens pessoais. Mas não o fez. Ela assumiu resolutamente toda a responsabilidade e pagou a dívida. Primeiro vendeu a fábrica recém-construída por 9 milhões (abaixo do valor do mercado), e ainda duas das suas residências na cidade. Mesmo depois de vender esses valiosos activos, ainda tinha 2,77 milhões em dívida, a maioria dos quais consistia em empréstimos de familiares, amigos e vizinhos — que se sentia obrigada a pagar.

De 2012 a 2021, Chen embarcou numa segunda aventura e numa missão para pagar as suas dívidas. Reuniu alguns antigos funcionários, alugou uma casa simples como pequena oficina e usou mais de 20.000 casacos de plumas armazenados em armazém como capital para começar do zero, com apenas um objectivo: pagar a dívida de 2,77 milhões. É de salientar que esta tarefa era extremamente árdua para uma octogenária.

Chen geria a pequena loja de rua e também empurrava um triciclo pelas ruas e mercados, enfrentando o frio e o calor, fizesse chuva ou fizesse sol, vendendo casacos de plumas um a um, poupando cada cêntimo para pagar as dívidas. Não se evadiu às responsabilidades, não traiu e não arranjou desculpas. Embora tivesse empobrecido, mantinha a simples crença de que “pagar dívidas é algo natural.” A 5 de Fevereiro de 2021, com 91 anos, pagou a última dívida de 70.000 renminbis, libertando-se finalmente do fardo que lhe pesara no coração durante dez anos. Agora, aos 96 anos, vive uma vida simples e pacífica, com o seu livro de contas cheio de honestidade e integridade.

Dez anos de dificuldades e esforço para pagar as suas dívidas permitiram a Chen transcender os limites da isenção legal, erguendo um monumento moral simples, mas profundamente comovente. A sua história não é apenas a história emocionante de um modelo positivo, mas também um espelho discreto que reflecte o profundo choque, tensão e simbiose entre a ética tradicional e as regras empresariais modernas. Na próxima semana, continuamos a nossa análise da história de Chen.

Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
cbchan@mpu.edu.mo

FRC | A arte da tinta e da forma pela mão de Leong Sin Teng

A Fundação Rui Cunha apresenta hoje uma nova exposição, com entrada gratuita. Trata-se de “Impressões Esculpidas: A Harmonia entre Tinta e Forma”, uma mostra em nome próprio de Leong Sin Teng. Neste conjunto de trabalhos artísticos explora-se o feminino na conjugação com a cultura chinesa

É hoje inaugurada, a partir das 18h30, mais uma exposição de arte na Fundação Rui Cunha (FRC). Trata-se de “Impressões Esculpidas: A Harmonia entre Tinta e Forma”, da autoria de Leong Sin Teng, e que pode ser vista até ao dia 16 deste mês.

A artista é professora associada na Escola de Arte e Design da Faculdade de Comércio de Guangzhou e tem uma obra pessoal que “reflecte novas possibilidades dentro da criação escultural, com peças e materiais que fogem às figuras tridimensionais típicas”, descreve a FRC, em comunicado. Esta mostra conta ainda com o apoio da Associação de Arte Juvenil de Macau e Associação dos Artistas de Belas-Artes de Macau, revelando 28 obras “com significativo impacto”.

Estas “incorporam técnicas ousadas, como a manipulação do vidro e a introdução de cores suaves em aguarela, de luz eléctrica, de transparência e de sombra, que a artista explora neste projecto”. O curador desta mostra é Wong Ka Long, que descreve materiais como “cerâmica, tinta, vidro e o bronze, nas suas mãos, não são conceitos fixos, mas sim meios que transportam luz, sombra e charme feminino”.

Desta forma, nas suas palavras, “os contornos de molduras de estilo ocidental parecem emergir da névoa; depois de preenchidas com barro de porcelana oriental, é como se tivessem sido nutridas pelo calor do corpo durante centenas de anos”. Para o curador, nesta exposição varia-se “entre a clareza e a turvação”, com Leong Sin Teng a oferecer ao público “o poder da nebulosidade, permitindo que momentos materializados deixem rastos tangíveis”.

Clássicos e encontros

Nesta mostra, subsiste um mote relacionado com a cultura chinesa – “Flores no espelho, lua na água — visíveis, mas intangíveis”, que remete para a ideia de “coisas belas, mas ilusórias” muito presente “na imagem clássica chinesa”. “Da perspectiva feminina desta exposição, a sua conotação foi estendida a ‘emoções genuínas sob a superficialidade ilusória’ — muito à semelhança da forma como as mulheres percepcionam a beleza”, descreve ainda o curador.

Wong Ka Long defende, segundo a mesma nota, que as obras de Leong Sin Teng revelam “uma outra realidade: uma fluidez na integração perfeita de elementos culturais tradicionais chineses com enquadramentos de estilo ocidental, que acendem faíscas brilhantes de colisão cultural entre o Oriente e o Ocidente”.

Percurso académico

Relativamente ao perfil da artista, Leong Sin Teng é natural de Macau, tem licenciatura em Belas-Artes, e mestrado em Arte Pública, adquiridos na Academia de Belas Artes de Cantão. Prosseguiu depois os estudos e obteve o doutoramento em Educação pela Universidade da Cidade de Macau. Nos últimos anos, tem-se concentrado na criação e investigação de escultura, arte pública e arte contemporânea, leccionando na Escola de Arte e Design da Faculdade de Comércio de Guangzhou.

As suas obras fazem parte de colecções, como as que se encontram expostas no Parque Yuexiu, na cidade de Cantão, ou o Museu de Arte da Academia de Belas Artes de Cantão, entre outras. Foi uma das integrantes do Projecto de Formação de Jovens Talentos em Escultura da Grande Baía-Guangdong-Hong Kong-Macau em 2024, pela Fundação Nacional de Artes da China. Assumiu também diversas outras funções, incluindo a de Vice-Directora e Secretária-Geral da Federação das Associações dos Sectores Culturais de Macau. É Vice-Directora da Associação de Arte de Macau, Directora da Associação de Arte Jovem de Macau, e Directora-Supervisora da Associação de Antigos Alunos de Macau da Academia de Belas Artes de Cantão.

O seu pai é um escultor de renome em Macau, autor da “Estátua de Mazu” em Coloane, e a dos “Doze Signos do Zodíaco” na Taipa, figura que influenciou a sua paixão pelas artes desde a infância. As obras vão estar expostas até ao próximo dia 16 de Maio.

Poemas ilustrados lançam primeiro Festival de Língua Portuguesa em Macau

O primeiro Festival de Língua Portuguesa em Macau vai arrancar hoje com uma mostra de poemas ilustrados para provar que o português pode ser uma ferramenta de inclusão, disse à Lusa um dos organizadores.

Mia Couto e José Craveirinha (Moçambique), José Luís Peixoto, Eugénio de Andrade e Mário-Henrique Leiria (Portugal), Cecília Meireles (Brasil) e Maria Eugénia de Lima (Angola) são alguns dos nomes escolhidos por Pedro d’Alte. O professor da Escola Portuguesa de Macau (EPM) referiu que “houve uma tentativa de “desvincular a poesia da ideia de Portugal” e de conseguir “uma representatividade maior da língua”.

“Todos construímos todos os dias uma língua portuguesa sem que exista propriamente um dono”, sublinhou o investigador na Universidade Politécnica de Macau. D’Alte, que já deu também aulas em Angola e em Timor-Leste, lamentou que o ensino da língua fora de Portugal “sempre foi voltado essencialmente para os portugueses ou então para camadas mais elitistas da população”.

Perante uma língua que “foi mais um factor de exclusão do que propriamente de inclusão”, a mostra pretende que qualquer pessoa que viva em Macau “também se possa identificar com a língua”, explicou o docente. Com esse objectivo em mente, d’Alte escolheu poemas com “uma temática mais simples e também com um modo de construção muito mais direto”, dando como exemplo o brasileiro Mário Quintana.

Pinturas de Franco

As ilustrações de Joaquim Franco, um artista plástico residente em Macau há mais de 30 anos, vão estar patentes até 24 de Maio na Casa Garden, sede da delegação local da Fundação Oriente, instituição que apoia o festival. Pedro d’Alte tentou escolher textos “que suscitassem logo uma imagem na cabeça do leitor” e deu como exemplo de poema “muito imagético” o “Quitandeira” do angolano Agostinho Neto.

A Casa Garden irá também receber, esta sexta-feira, 8 de Maio, uma sessão de “Pausa para ler”, descrito pela organizadora, a Casa de Portugal de Macau, num comunicado, como “um momento de leitura em conjunto”. O festival prossegue a 13 de Maio, com “Contar Histórias”, que Elisa Vilaça, marionetista portuguesa radicada em Macau, adaptou a partir do livro para crianças “As Andanças do Sr. Fortes”, do autor português António Mota.

“É uma história contada em português, mas toda a história se desenvolve com a ajuda pontual de marionetas e de interação com as próprias crianças, para elas participarem sempre em momentos quase de surpresa”, explicou à Lusa. A primeira sessão vai decorrer no Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, disse Elisa Vilaça, coordenadora da Escola de Artes e Ofícios da Casa de Portugal.

As outras duas sessões estão marcadas para a Escola Primária Oficial Luso-Chinesa Sir Robert Ho Tung e para a Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes. “Como são escolas luso-chinesas, eu acho que é importantíssimo, cada vez mais, nós termos uma intervenção sobre a língua portuguesa com esse tipo de crianças”, explicou Vilaça.

Em 15 e 16 de Maio, decorrem dois ‘workshops’ de escrita criativa com Paula Pinto, professora da EPM, dirigidos a alunos do ensino secundário e adultos, na sede da Casa de Portugal. Também em 16 de Maio, a Casa Garden acolhe um concerto de música portuguesa, que leva ao palco a banda da Casa de Portugal “e outros músicos convidados”. O festival termina em 18 de Junho, com a peça de teatro “O pior professor do mundo”, de João de Brito, estando reservada uma sessão para os alunos da EPM e outra aberta ao público.

Ka-Hó | ARTM apresenta exposição “Renascidos pela Arte”

Uma mostra de artesanato feito por reclusos e jovens, intitulada “Renascidos pela Arte”, é a nova proposta da ARTM – Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau para a galeria Hold On to Hope, na vila de Ka-Hó, Coloane, e que pode ser vista desde sábado.

Segundo um comunicado, esta exposição, patente até ao dia 31 de Maio, apresenta 29 trabalhos artesanais”, podendo os visitantes e interessados “explorar uma grande variedade de formas de arte, incluindo bordado de ponto-cruz, patchwork em tecido, pintura chinesa em papel de arroz, entalhe em bambu, entalhe em madeira, esculturas em madeira, barro/frágua de farinha e entalhe em conchas”.

Desta forma, “através da cor, habilidade e perseverança, cada obra reflecte uma jornada de crescimento — uma prova de que a criatividade pode ajudar as pessoas a reconstruir as suas vidas e a encontrar uma nova esperança”.

A ARTM convida o público “a experienciar de perto estas criações poderosas e a demonstrar o seu apoio à coragem e à transformação que está por detrás delas”, sendo que a presença dos visitantes “significa incentivo, respeito e oportunidade”, bem como uma forma de “celebrar a arte e defender as segundas oportunidades”.

FIA Esports Global Rally Tour | Macau eleito para eliminatória regional

A Federação Internacional do Automóvel (FIA), o organismo regulador mundial do desporto motorizado e a federação das organizações de mobilidade a nível global, lançou na semana passada o “FIA Esports Global Rally Tour”, a primeira competição virtual de ralis que vai ter uma etapa importante na RAEM

Impulsionada pelo próprio Mohammed Ben Sulayem, Presidente da FIA e ex-piloto de ralis, a iniciativa recebeu apoio unânime de todos os Vice-Presidentes da FIA para o Desporto. Entre 12 e 25 de Maio, decorrerá uma fase de qualificação online, a nível mundial, na popular plataforma Assetto Corsa Rally. A ideia é encontrar os 56 melhores pilotos, oito de cada região participante: Europa (Norte e Sul), MENA (Médio Oriente e Norte de África), América do Norte, América do Sul, Ásia-Pacífico e África.

Apesar da sua vaga história na modalidade de ralis, que contrasta com o seu peso mundial no que respeita à disciplina de velocidade, a RAEM “entra em campo” na fase seguinte, pois foi o local escolhido pela FIA para acolher a fase de selecção da região Ásia-Pacífico. Com oito participantes, esta será composta por eliminatórias regionais em formato de eliminação directa, com quartos-de-final, meias-finais e uma final. O evento de Macau decorrerá durante a Conferência da FIA em Macau, a 23 de Junho.

O evento do “FIA Esports Global Rally Tour” contará com equipamento de dois dos fornecedores oficiais de Esports da FIA, a Advanced SimRacing e a D-BOX, e está a ser organizado em parceria com a 505 Games, Supernova Games Studios, parte do grupo Digital Bros, e com apoio técnico da KUNOS Simulazioni. Os dois melhores pilotos saídos destas eliminatórias decisórias de Macau irão participar na final mundial no Interior da China, mais precisamente na cidade de Xangai.

Os 16 melhores pilotos, dois por região, à excepção da Europa que, dado o maior número global de Clubes Membros da FIA, qualificará quatro pilotos, acrescidos de dois wildcards nomeados pela FIA, qualificar-se-ão para as Finais do FIA Esports Global Rally Tour, a realizar durante a semana da prestigiada Semana de Gala da FIA em Xangai, em Dezembro. Antes da prova principal, uma competição prévia no local reunirá os 16 pilotos qualificados para estabelecer a classificação inicial. A competição culminará durante a Cerimónia de Gala da FIA, a 12 de Dezembro de 2026, onde os dois melhores pilotos se defrontarão numa Grande Final ao vivo, lado a lado, em palco.

Aproximar um novo público

Numa altura em que a FIA tenta reabilitar a imagem do Campeonato do Mundo de Ralis da FIA (WRC), o organismo liderado por Mohammed Ben Sulayem quer chegar, com esta iniciativa do “FIA Esports Global Rally Tour”, aos mais novos e a uma geração que cresceu com a Fórmula 1 como a principal, e quase única, influência automobilística. A federação quer igualmente criar uma maior proximidade entre as federações ou associações responsáveis pelo desporto, as Autoridades Desportivas Nacionais, e um novo público.

“Expandir a disciplina de Esports e ligar o seu público em rápido crescimento às nossas Autoridades Desportivas Nacionais, de forma a reforçar as suas iniciativas locais, é uma das nossas principais prioridades”, afirmou Niroshan Pereira, Presidente da Comissão de Esports da FIA. “O FIA Esports Global Rally Tour incorpora verdadeiramente esta visão e representa um passo significativo em frente para o desporto. Gostaria de agradecer ao nosso Presidente da FIA e aos Vice-Presidentes da FIA para o Desporto pelo seu apoio incondicional, e estou entusiasmado por ver milhares de pilotos de todo o mundo a competir por uma oportunidade de demonstrar as suas capacidades perante todos os Campeões do Mundo da FIA em Xangai, ainda este ano.”

Organizadas pelo clube membro da FIA na RAEM, a Associação Geral do Automóvel de Macau-China (AAMC), com o apoio do Galaxy Macau, as Assembleias Gerais Extraordinárias e a Conferência anual da FIA irão regressar este ano a Macau. O Galaxy International Convention Center (GICC) será a sede da Conferência da FIA tanto em 2026 como em 2027, fruto de uma parceria estratégica de três anos entre a FIA e a Galaxy Macau. São esperados mais de 400 delegados das 198 organizações filiadas de 139 países e territórios, que se reunirão para debater o futuro do desporto motorizado e da mobilidade.

Filipinas | Actividade do vulcão Mayon obriga à retirada de 300 famílias

Mais de 300 famílias foram retiradas de casa depois do vulcão Mayon ter lançado enormes quantidades de cinzas durante o fim de semana, devido ao colapso de depósitos de lava, informaram ontem as autoridades filipinas.

Não houve nenhuma erupção explosiva do Mayon, que tem entrado em erupção de forma moderada e intermitente desde Janeiro, mas enormes depósitos de lava na encosta sudoeste do vulcão desceram repentinamente numa corrente piroclástica — uma avalanche de rochas quentes, cinzas e gás — antes do anoitecer de sábado, informou o director do Instituto Filipino de Vulcanologia e Sismologia, Teresito Bacolcol.

As autoridades afirmaram que não foram registadas mortes nem feridos, mas enormes nuvens de cinzas espalharam-se por 87 aldeias em três cidades, apanhando muitos de surpresa e afectando o trânsito rodoviário devido à fraca visibilidade. “A queda de cinzas foi tão densa que a visibilidade era nula, mesmo na nossa estrada nacional”, informou o presidente da Câmara de Camalig, Caloy Baldo, cuja cidade fica perto do sopé do vulcão.

“Alguns aldeões entraram em pânico, mas aconselhámos que se acalmassem”, disse Baldo, em declarações à agência de notícias Associated Press. As explorações agrícolas foram danificadas pela queda de cinzas, que também matou quatro búfalos e uma vaca em Camalig, disse Baldo, acrescentando que estava em curso uma operação de limpeza na cidade de oito mil habitantes, na província filipina de Albay.

“Agora está tudo calmo novamente, mas o perigo está sempre presente”, disse Bacolcol, sobre o estado do Mayon ontem. O vulcão de 2.462 metros é uma das principais atracções turísticas das Filipinas devido à forma cónica quase perfeita. Mas é também o mais activo dos 24 vulcões do país.

Coreias | Equipa feminina de futebol do Norte esperada em torneio no Sul

O Governo sul-coreano disse ontem que uma equipa feminina de futebol do Norte deverá jogar na Coreia do Sul este mês, num raro intercâmbio desportivo entre rivais, que tecnicamente continuam em guerra desde 1953. O Ministério da Unificação da Coreia do Sul, responsável pelos assuntos intercoreanos, afirmou em comunicado que a equipa feminina Naegohyang FC é esperada em 20 de Maio.

A Naegohyang FC, da capital norte-coreana Pyongyang, deverá defrontar a Suwon FC, na meia-final da Liga dos Campeões Feminina da Confederação Asiática de Futebol (AFC, na sigla em inglês). A Associação Coreana de Futebol (KFA, na sigla em inglês), entidade máxima do futebol na Coreia do Sul, disse ter sido notificada pela AFC de que a Naegohyang FC enviou uma lista de jogadoras e membros da equipa técnica que irão a Suwon.

A KFA sublinhou que a Coreia do Norte será multada pela AFC, caso a equipa não participe na meia-final em Suwon, cidade situada a sul da capital sul-coreana Seul. Os meios de comunicação estatais norte-coreanos não fizeram qualquer menção a esta viagem. Pyongyang enviou atletas a Seul pela última vez em dezembro de 2018, para um evento de ténis de mesa, num período marcado pela participação de atletas norte-coreanos nos Jogos Olímpicos de Inverno na Coreia do Sul, no início de 2018.

Hong Kong | Regulador financeiro defende paridade da moeda face ao dólar

A paridade cambial do dólar de Hong Kong face ao dólar americano foi discutida numa comissão parlamentar da antiga colónia britânica que admitia a anexação ao renminbi

O regulador financeiro de Hong Kong, Eddie Yue Wai-man, defendeu ontem o mecanismo de paridade cambial da moeda da região chinesa face ao dólar norte-americano, apesar de reconhecer o impacto do conflito no Médio Oriente. De acordo com a imprensa local, numa comissão parlamentar, vários deputados mencionaram a possibilidade do alargamento da banda de negociação, através da indexação à moeda da China continental, o renmimbi.

Mas o líder da Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA, na sigla em inglês), o banco central de facto do território, reiterou a determinação em manter um mecanismo que proporciona estabilidade à cidade. Eddie Yue disse que a paridade do dólar de Hong Kong com a moeda norte-americana torna o mercado financeiro da antiga colónia britânica “altamente atractivo” para os investidores internacionais.

O regulador disse que alargar a paridade a outras moedas seria algo “extremamente difícil” em termos técnicos e que poderia ter um impacto significativo, ao enfraquecer a confiança dos investidores. Eddie Yue admitiu que o conflito no Médio Oriente tornou mais atrativa o ‘carry trade’, algo que enfraqueceu o dólar de Hong Kong desde meados de Março e levou os bancos locais a descer as taxas de juro.

Na chamada estratégia de ‘carry trade’, investidores contraem empréstimos, mais baratos, em dólares de Hong Kong para investir em activos denominados em dólares norte-americanos, com rendimentos mais elevados. O conflito começou em 28 de Fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irão, que retaliou com mísseis e drones, bem como com o bloqueio parcial do estreito de Ormuz, importante rota do petróleo mundial.

Mais estabilidade

Ainda assim, o líder da HKMA disse que as taxas de juro estabilizaram face à melhoria do sentimento e garantiu que o mercado cambial de Hong Kong não foi muito afectado pela “considerável volatilidade” a nível mundial. Eddie Yue disse que o sector dos transportes e logística da região chinesa poderá ser significativamente afectado caso o conflito no Médio Oriente continue e se intensifique.

Mas o regulador sublinhou que a economia de Hong Kong manteve um forte ritmo de crescimento no primeiro trimestre, com uma expansão contínua das exportações de mercadorias, especialmente de tecnologia. No domingo, o secretário para a Economia, Paul Chan Mo-po, disse que o Produto Interno Bruto (PIB) da cidade tinha crescido mais de 4 por cento entre Janeiro e Março, sobretudo graças a uma subida de 17 por cento no número de turistas.

Desde 2005

O actual regime cambial foi introduzido em 2005 e permite que a moeda local flutue numa banda entre 7,75 e 7,85 dólares de Hong Kong por dólar norte-americano. Em 2025, a HKMA foi obrigada a intervir duas vezes, em Maio e Julho, comprando dólares de Hong Kong, para defender a paridade cambial face ao dólar norte-americano.

De acordo com dados divulgados ontem pela HKMA, o fundo cambial usado para defender a moeda local registou entre Janeiro e Março o menor retorno dos investimentos desde 2024, devido ao impacto da crise no Médio Oriente. A pataca da vizinha região chinesa de Macau está oficialmente indexada ao dólar de Hong Kong e, como tal, indirectamente ligada ao dólar norte-americano.

O Mestre Daoísta Que Conversou Com Gengis Khan

Li Zhichang (1193-1256), um sacerdote daoísta escreveu a minuciosa narrativa de uma extraordinária viagem de mais de dez mil quilómetros que fez com o seu mestre partindo de Shandong, as «montanhas do Oriente», até à cordilheira Hindu kush, um nome de significação instável mas a que o viajante árabe Ibn Battuta deu o sentido de «montanha matadora de hindus», dada a quantidade de escravos hindus conduzidos por mercadores muçulmanos que nelas morriam na dificílima tarefa de as atravessar.

A razão por que o seu mestre fez tão incrível jornada foi para responder a uma pergunta que lhe queria fazer o mais temível guerreiro da História, chamado Gengis Khan (1162-1227). E o seu mestre, que nessa altura contava já setenta e dois anos, era Qiu Chuji (1148-1227) cujo inesperado percurso vital, orfão desde muito cedo, e vivendo isolado na montanha Gongshan, segundo uma descrição vivia aí «usando flores de pinheiro na cabeça, alimentando-se de nozes de pinheiro, bebendo a brisa dos pinheiros que passava sob a lua e sobre o rio dos pinheiros», o levaria a fundar a famosa «escola» da Porta do Dragão do daoísmo.

Foi conhecido como Qiu Changchun, o da «eterna Primavera», denotando a sua vibrante energia e incansável vitalidade e é por esse nome que é designado no texto de Li Zhichang; Changchun zhenren xiyouji «Relato das deambulações ao Ocidente do mestre espiritual Qiu Changshun». Munido de uma «credencial de tigre», yin hufu, um instrumento em forma de um tigre dourado dividido em dois que autenticava a autoridade do chefe guerreiro, e um édito selado que lhe permitiu atravessar o império acompanhado de dezoito discípulos, respondendo a uma carta de convite que lhe entregou um enviado. Chega em 1222 a uma área da Àsia Central, perto do rio Amu Darya no actual Afeganistão. A pergunta seria formulada de forma ardilosa: preocupado com a estabilidade e a ordem no seu vasto império, Gengis Khan queria saber se existia um meio de prolongar para sempre a sua vida. Porque a necessidade de uma sociedade bem ordenada sob um governo equilibrado era uma preocupação geral.

Cheng Qi na dinastia Yuan, por exemplo, foi autor da pintura Cultivo do arroz (rolo horizontal, tinta e cor sobre papel, 32,7 x 1049,8 cm, no Smithonian) que no século XIII recriava uma ideia do funcionário Lou Shou que no século anterior propunha a visualisação da produção da seda ou os vinte e um passos da do arroz como incentivo à estabilidade que se desejava para que a população vivesse habitualmente. A resposta que Qiu Chuji deu a Gengis Khan mostraria que ele era um verdadeiro sábio. Não, ele não possuía um elixir que prolongasse a vida mas sabia como a proteger. Recomendava-lhe uma dieta de vegetais e a contenção dos desejos mas sobretudo que minimizasse o uso da violência e purificasse o coração através do respeito pelo povo.

Crime | Agiotas detidos após sequestro

Dois agiotas foram detidos pelas autoridades, depois de um grupo de quatro homens ter alegadamente sequestrado um jogador, para o forçarem ao pagamento de uma dívida. O caso foi revelado ontem pela Divisão de Investigação de Crimes Relacionados com o Jogo da Polícia Judiciária.

Segundo o relato, as autoridades foram chamadas ao local do sequestro pela vítima, que durante o confinamento de 11 horas conseguiu ter acesso ao telemóvel para pedir socorro.

O confinamento aconteceu num hotel da ZAPE e dois dos membros do grupo suspeito ainda estão em fuga. O caso foi encaminhado para o Ministério Público e os detidos estão indiciados pelos crimes de sequestro, cuja pena de prisão pode chegar aos 15 anos, e pelo crime de usura que também pode ser penalizado com pena de prisão máxima de 15 anos.

Burla | Jovem perde mais de 106 mil patacas

Uma jovem do Interior foi burlada em 106 mil patacas, depois de acreditar que estava a falar com um amigo, através do Weibo. Segundo a Polícia Judiciária (PJ), o caso aconteceu a 27 de Abril, quando a jovem recebeu um pedido de amizade.

Como o perfil era muito semelhante ao de um amigo que conhecia fora das redes sociais, a vítima assumiu tratar-se da mesma pessoa. Por isso, não suspeitou de nada quando esse contacto lhe pediu dinheiro, porque alegadamente teria tido um problema com o telemóvel e não conseguia pagar uma mala que estava a comprar naquele momento.

Todavia, depois de fazer 16 transferências para a conta do alegado amigo, a mulher apercebeu-se que a conta de Weibo foi banida. Por isso, contactou o amigo pela rede social QQ para confirmar o caso, foi nessa altura que percebeu que tinha sido burlada e apresentou queixa.

UM | Empresa em Hengqin com perdas de 286 renminbis

No ano passado, a Guangdong Hengqin UM Higher Education Development apresentou um prejuízo de 286 renminbis, de acordo com os resultados publicados ontem portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP).

Apesar das perdas, a empresa responsável pela construção do campus em Hengqin da Universidade de Macau apresentou uma franca melhoria nas contas, dado que em 2024 o prejuízo tinha sido de 47 mil renminbis. A Guangdong Hengqin UM Higher Education Development tem como accionistas a Universidade de Macau e a UMTEC, outra empresa controlada pela principal instituição de ensino superior da RAEM.

Numa altura em que avançam as obras de construção do futuro campus, os resultados negativos só não foram maiores, porque a Guangdong Hengqin UM Higher Education Development recebeu 1,46 mil milhões de renminbis da Universidade de Macau e 122 milhões de renminbis, por parte da UMTEC. Caso contrário, os prejuízos teriam sido maiores devido ao investimento em curso.

Com a apresentação dos resultados, os administradores da empresa garantiram que a construção do campus está em curso, como tinha sido planeado, e que os trabalhos se encontram na fase de construção das fundações dos vários edifícios. As obras vão ter uma duração de três anos, com as previsões a apontar para uma abertura parcial do campus para 2028. No ano seguinte, a infra-estrutura deverá ficar totalmente terminada com a abertura de todo o espaço.

Análise | Receitas deverão crescer pelo menos 6,6% em Maio

Analistas esperam que em Maio o crescimento das receitas dos casinos seja alavancado por uma forte procura pós-Semana Dourada, que termina hoje. Uma das principais forças deste crescimento é o segmento mais alto do mercado de massas

Ao longo deste mês, as receitas dos casinos deverão crescer anualmente entre 6,6 por cento e 8,5 por cento, para valores que devem rondar 22,6 milhões de patacas e 23,0 milhões de patacas. As previsões constam de dois relatórios dos bancos de investimento CLSA e Seaport Research Partners, citados pelo portal GGRAsia.

A estimativa mais conservadora consta no relatório do banco de investimento CLSA, assinado pelo analista Jeffrey Kiang. “Actualmente, prevemos que as receitas brutas do jogo de Maio de 2026 cresçam 6,6 por cento em termos homólogos, atingindo 22,6 mil milhões de patacas, o que consideramos exequível”, escreveu o analista da CLSA, num relatório emitido após uma visita a Macau. “Isto implica que a média diária das receitas brutas do jogo vai ser de 729 milhões de patacas, semelhante à média de Março de 2026”, foi acrescentado.

De acordo com os resultados de Abril, divulgados na semana passada, as receitas brutas do jogo apresentaram uma redução mensal de 12 por cento, face a Março. No entanto, a análise anual mostrou um crescimento de 5,5 por cento, para 22,6 mil milhões de patacas.

O banco de investimento apontou também que actualmente existe uma “grande tendência” para os jogadores do segmento mais elevado do mercado de massas, que podem apostar valores por jogada de 100 mil dólares de Hong Kong, preferirem visitar os casinos de Macau durante as épocas mais baixas do turismo. Devido a esta lógica, mesmo após o fim da Semana Dourada, que termina hoje, os analistas acreditam que as receitas vão continuar durante mais alguns dias a apresentar valores elevados.

Maior optimismo

Já a empresa Seaport Research Partners mostra-se mais optimista em relação às receitas de Maio. “Prevemos que as receitas brutas do jogo no mês de Maio aumentem 8,5 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior”, pode ler-se no documento. “Embora nem sempre seja um indicador da solidez das receitas brutas, o feriado de cinco dias da Semana Dourada (…) mostra um forte fluxo de visitantes e uma elevada ocupação hoteleira”, escreveu o analista Vitaly Umansky.

A Seaport Research Partners considera também que houve vários visitantes que optaram por adiar as viagens planeadas do final de Abril para o início de Maio, de forma a coincidirem com os feriados no Interior.

IPOR | Agenda para este ano com mais de 100 cursos

Patrícia Quaresma, directora do Instituto Português do Oriente, diz que a instituição “retomou os números de 2019, mas com uma dinâmica diferente” e que actualmente tem “mais público jovem”. Além do festival “Letras&Companhia”, que começa hoje, o IPOR tem na agenda deste ano uma centena de cursos

O Instituto Português do Oriente (IPOR) está bem e recomenda-se. Ao HM, a directora, Patrícia Quaresma, falou da centena de cursos que está programada para este ano, do facto de ter recuperado os números pré-pandemia, em termos de alunos, e de ter professores suficientes.

“Nos últimos anos registou-se uma alteração no público-alvo e no tipo de formações que organizamos”, começou por dizer. “Estamos com mais público jovem, a colaborar mais com a DSEDJ [Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude] e as universidades, na formação de professores e em programas de cursos para fins específicos.”

Segundo a directora do IPOR, “após um período de quebra, retomamos os números de 2019, mas com uma dinâmica diferente”, sendo que, actualmente, as instalações do IPOR “têm espaço suficiente para acolher as turmas dos cursos que promovemos”.

Porém, “a dinâmica” passa também pela crescente realização de acções de formação fora das instalações do IPOR, disse. “No que diz respeito ao corpo docente do nosso Centro de Língua, estamos neste momento com 16 professores em Macau e um em Pequim, número suficiente para responder aos mais de 100 cursos que temos na agenda para 2026”, adiantou.

O IPOR foi uma das entidades que, na recente visita do Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, a Lisboa, assinou um protocolo com a Universidade de Coimbra e a DSEDJ para que os estudantes possam continuar os estudos superiores em Coimbra, podendo inscrever-se em licenciaturas e mestrados.

Mas já anteriormente o IPOR assinou acordos com a Universidade do Porto e Universidade da Beira Interior. Todos eles permitem “facilitar e enquadrar o acesso e a frequência, por parte de estudantes da RAEM, com estatuto de estudante internacional, a ciclos de estudos conducentes ao grau de licenciado e de mestre”.

“Ao IPOR compete receber as candidaturas dos estudantes, organizar os seus processos e leccionar um curso preparatório de língua portuguesa com a duração de 300 horas. No final do curso, os alunos que atingirem, no mínimo, o nível A2 de proficiência, prosseguem para a universidade em Portugal, onde continuarão mais um ano de aprendizagem de língua, podendo, nalguns casos frequentar, mas sem avaliação, algumas das cadeiras da licenciatura ou mestrado em que foram admitidos, a qual terá início apenas no ano lectivo seguinte. Desta forma, iniciam o ciclo de estudos com uma consistente proficiência em língua portuguesa, idealmente o nível B2, e completamente integrados na vida académica, cultural e social do país”, explicou.

Festival envolvente

O HM conversou com Patrícia Quaresma a propósito da realização de mais uma edição do Festival “Letras&Companhia”, que começa hoje e que traz nomes de escritores portugueses como Inês Cardoso e Afonso Cruz, e muitas actividades para pais e filhos.

“O festival tem procurado envolver as instituições de ensino em todas as actividades, e este ano decidimos reforçar esta participação realizando a cerimónia de abertura na Escola Portuguesa de Macau e convidando a Escola Sun Wah para fazer um espectáculo na abertura do Letras&Companhia com os vencedores do Quarto Concurso de Canto Lusofonia promovido pela escola”, explicou.

O festival colabora também, este ano, com a empresa local CESL-Ásia. “Queremos que o Letras&Companhia se torne num marco das memórias dos mais pequenos e das famílias. Procuramos acima de tudo que o festival possa proporcionar bons momentos em português e que, por sua vez, consiga estimular a criatividade, o imaginário e, principalmente, o interesse pela leitura e pelos livros”, acrescentou a directora do IPOR.

Patrícia Quaresma diz notar “uma evolução muito positiva” na adesão do público. “Sentimos que o festival já faz parte das agendas das famílias e da comunidade e por isso, procuramos inovar e constituir um programa com novos elementos e actividades.”

Um dos exemplos, nesta edição, é a parceria com o Festival de cinema de Lisboa “Monstra”. “O festival procura promover o livro e a leitura, trazendo para o público não apenas um conjunto de publicações de autores dos países de língua portuguesa, mas também através da edição de traduções para chinês de algumas destas publicações. O IPOR tem publicado e apresentado pelo menos uma nova edição em língua chinesa, procurando assim alargar o alcance da literatura, da leitura e dos livros destes autores ao público não falante de língua portuguesa”, rematou.

Empresas tecnológicas | Abertas candidaturas a certificação

Está aberta uma nova ronda de candidaturas ao Programa de Certificação de Empresas Tecnológicas, que começou oficialmente ontem, e se prolonga até Novembro. A iniciativa é da responsabilidade da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) e visa “identificar, através de um sistema de avaliação, as empresas tecnológicas locais que reúnam os requisitos necessários, construindo para as mesmas uma escada de crescimento e auxiliando o seu desenvolvimento”, destaca uma nota.

Às empresas qualificadas será atribuída, “consoante a pontuação obtida e por ordem crescente, a certificação de “Empresa tecnológica potencial”, “Empresa tecnológica em crescimento” ou ainda “Empresa tecnológica de referência”, que será válida por 3 anos. A primeira ronda de candidaturas vai até 1 de Junho, podendo estas serem apresentadas no sistema digital “Plataforma para Empresas e Associações”.

A DSEDT informa que, desde o seu lançamento em 2023, foram abertas seis rondas de candidaturas, existindo 51 empresas tecnológicas locais certificadas. Dessas, sete são de referência, uma é “empresa tecnológica em crescimento” e as restantes 43 são “empresas tecnológicas potenciais”. Além disso, outras nove empresas foram incluídas na lista preliminar das empresas certificadas (incluindo empresas que se candidataram pela primeira vez e empresas que solicitaram a actualização do seu nível). O âmbito de actividade das empresas certificadas abrange diversas áreas como circuitos integrados, tecnologias de informação, medicina tradicional chinesa, novos materiais e biotecnologia.

Cotai | FAOM pede mudanças devido a confusão no Local ao Ar Livre

Após a confusão no festival K-Spark, Leong Meng Ian, da FAOM, pediu ao Executivo mudanças na exploração do espaço e criticou a falta de civismo de alguns espectadores

A directora da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), Leong Meng Ian, sugeriu mudanças no Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau, depois da confusão de sábado, que terminou com cenas de pancadaria. Segundo Leong, o Executivo tem de aprender com a experiência caótica do passado fim-de-semana, exigindo que os organizadores tomem medidas necessárias para garantir que quem compra bilhetes pode disfrutar de um espectáculo sem sobressaltos.

O espectáculo K-Spark teve como principal artista o cantor coreano G-Dragon, e ficou marcado pela disponibilização de cadeiras dobráveis, uma vez que todos os lugares eram sentados. Como as cadeiras não estavam fixas, vários fãs moveram as cadeiras o mais para a frente possível, o que gerou tensão entre os membros da audiência, com várias pessoas a queixarem-se que ficavam com o campo de visão para o placo bloqueado. Além das queixas, até porque houve pessoas a colocaram-se de pé nas cadeiras, surgiu pelo menos uma cena de pancadaria, que se tornou viral online.

Face aos episódios divulgados online, Leong Meng Ian pediu ao Governo para aprender com a experiência de organizadores de eventos habituados a lidar com milhares de pessoas. Ao mesmo tempo, apontou que os organizadores têm de colocar mais ecrãs gigantes na zona de espectáculos.

A também membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas alertou ainda para a demora de cerca de 20 minutos para entrar no local de espectáculos, o que gerou uma grande concentração de pessoas. Para Leong, este tipo de demoras pode ter consequências “catastróficas” se houver alguma emergência ou momentos de pânico, com a possibilidade vítimas mortais em casos de esmagamento.

Críticas à assistência

Apesar das falhas, Leong Meng Ian considera que grande parte dos problemas se deveu à falta de civismo da audiência, que não ficou no local onde estavam as cadeiras. A responsável defende que o Executivo deve emitir instruções para a zona de espectáculos, para garantir comportamentos civilizados.

Leong Meng Ian também elogiou o Executivo pelas novas medidas para escoar o público no fim dos espectáculos. A responsável indicou que os espectadores demoraram cerca de 20 minutos a abandonar o recinto no fim do evento.