China / ÁsiaHong Kong | Regulador financeiro defende paridade da moeda face ao dólar Hoje Macau - 5 Mai 2026 A paridade cambial do dólar de Hong Kong face ao dólar americano foi discutida numa comissão parlamentar da antiga colónia britânica que admitia a anexação ao renminbi O regulador financeiro de Hong Kong, Eddie Yue Wai-man, defendeu ontem o mecanismo de paridade cambial da moeda da região chinesa face ao dólar norte-americano, apesar de reconhecer o impacto do conflito no Médio Oriente. De acordo com a imprensa local, numa comissão parlamentar, vários deputados mencionaram a possibilidade do alargamento da banda de negociação, através da indexação à moeda da China continental, o renmimbi. Mas o líder da Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA, na sigla em inglês), o banco central de facto do território, reiterou a determinação em manter um mecanismo que proporciona estabilidade à cidade. Eddie Yue disse que a paridade do dólar de Hong Kong com a moeda norte-americana torna o mercado financeiro da antiga colónia britânica “altamente atractivo” para os investidores internacionais. O regulador disse que alargar a paridade a outras moedas seria algo “extremamente difícil” em termos técnicos e que poderia ter um impacto significativo, ao enfraquecer a confiança dos investidores. Eddie Yue admitiu que o conflito no Médio Oriente tornou mais atrativa o ‘carry trade’, algo que enfraqueceu o dólar de Hong Kong desde meados de Março e levou os bancos locais a descer as taxas de juro. Na chamada estratégia de ‘carry trade’, investidores contraem empréstimos, mais baratos, em dólares de Hong Kong para investir em activos denominados em dólares norte-americanos, com rendimentos mais elevados. O conflito começou em 28 de Fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irão, que retaliou com mísseis e drones, bem como com o bloqueio parcial do estreito de Ormuz, importante rota do petróleo mundial. Mais estabilidade Ainda assim, o líder da HKMA disse que as taxas de juro estabilizaram face à melhoria do sentimento e garantiu que o mercado cambial de Hong Kong não foi muito afectado pela “considerável volatilidade” a nível mundial. Eddie Yue disse que o sector dos transportes e logística da região chinesa poderá ser significativamente afectado caso o conflito no Médio Oriente continue e se intensifique. Mas o regulador sublinhou que a economia de Hong Kong manteve um forte ritmo de crescimento no primeiro trimestre, com uma expansão contínua das exportações de mercadorias, especialmente de tecnologia. No domingo, o secretário para a Economia, Paul Chan Mo-po, disse que o Produto Interno Bruto (PIB) da cidade tinha crescido mais de 4 por cento entre Janeiro e Março, sobretudo graças a uma subida de 17 por cento no número de turistas. Desde 2005 O actual regime cambial foi introduzido em 2005 e permite que a moeda local flutue numa banda entre 7,75 e 7,85 dólares de Hong Kong por dólar norte-americano. Em 2025, a HKMA foi obrigada a intervir duas vezes, em Maio e Julho, comprando dólares de Hong Kong, para defender a paridade cambial face ao dólar norte-americano. De acordo com dados divulgados ontem pela HKMA, o fundo cambial usado para defender a moeda local registou entre Janeiro e Março o menor retorno dos investimentos desde 2024, devido ao impacto da crise no Médio Oriente. A pataca da vizinha região chinesa de Macau está oficialmente indexada ao dólar de Hong Kong e, como tal, indirectamente ligada ao dólar norte-americano.