Banca | Lucros aumentam 5,4 por cento até Março

Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 4,02 mil milhões de patacas nos primeiros três meses do ano, mais 5,4 por cento do que no mesmo período de 2025, foi ontem anunciado.

De acordo com dados oficiais da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), a principal razão para a subida dos lucros foi um aumento de 28,7 por cento para 4,82 mil milhões de patacas, na margem de juros, a diferença entre as receitas dos empréstimos e as despesas com depósitos. Isto apesar de a AMCM ter aprovado três descidas da principal taxa de juro de referência em 2025, a última das quais um corte de 0,25 pontos percentuais, introduzida em 11 de Dezembro, seguindo a Reserva Federal norte-americana.

Os empréstimos, a principal fonte de receitas da banca a nível mundial, subiram 0,2 por cento em comparação com Março de 2025, fixando-se em 1,03 biliões de patacas. Mas os depósitos junto dos bancos de Macau aumentaram ainda mais, 5,9 por cento, para 1,44 biliões de patacas no final de Março passado, indicou a AMCM.

Os bancos obtiveram um lucro de 7,34 mil milhões de patacas em 2025, quase o dobro do registado no ano anterior (mais 92,7 por cento). O crédito malparado caiu pelo segundo mês consecutivo, para 48 mil milhões de patacas, depois de já ter encolhido 11,6 por cento em 2025, a primeira queda anual desde 2013. Os empréstimos vencidos representavam 4,7 por cento dos empréstimos dos bancos de Macau, menos 0,8 pontos percentuais do que em Março de 2025. Uma percentagem que subiu para 5,2 por cento no caso do crédito a instituições ou indivíduos fora de Macau.

A Autoridade Bancária Europeia, a agência reguladora da União Europeia, por exemplo, considera que os bancos com pelo menos cinco por cento dos empréstimos malparados têm “elevada exposição” ao risco e devem estabelecer uma estratégia para resolver o problema. Ainda assim, a percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3 por cento alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet.

Depósitos públicos crescem

A AMCM divulgou também ontem dados relativos a depósitos e empréstimos no mês de Março, concluindo-se que os depósitos do sector público na actividade bancária aumentaram, em termos mensais, 3,8 por cento, tendo situado nas 255,5 mil milhões de patacas.

Desta forma, o total dos depósitos da actividade bancária registou um crescimento de 1,7 por cento, tendo atingido os 1.440,4 mil milhões de patacas. Ainda no tocante aos depósitos, houve uma quebra de 0,4 por cento nos depósitos feitos por residentes face a Fevereiro deste ano, enquanto que os depósitos de não residentes aumentaram 5,4 por cento, situando-se nas 348,1 mil milhões de patacas.

No que diz respeito aos empréstimos internos do sector privado, houve uma quebra mensal de 1,1 por cento, tendo atingido as 483,7 mil milhões de patacas. No primeiro trimestre, aumentaram em 5,6 por cento os empréstimos bancários ligados ao sector da hotelaria, restauração e similares, enquanto que os empréstimos para a construção civil aumentaram 1,3 por cento face ao último trimestre de 2025. Já os empréstimos concedidos ao sector do comércio por grosso e retalho, baixaram 6,8 por cento, e para a área dos transportes, armazenamento ou comunicações também baixaram 3,4 por cento. A.S.S. / Lusa

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