Esplanadas | IAM admite rever o processo de licenciamento

O Instituto para os Assuntos Municipais defende a actual burocracia para atribuir licenças para esplanadas, mas admite a possibilidade de revisão de procedimentos e preços no futuro. A posição foi tomada em resposta a uma interpelação do deputado Leong Sun Iok, ligado aos Operários.

“O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) aceita, desde Agosto de 2025, a título experimental, pedidos de licença de esplanada por estabelecimentos de restauração que reúnam os requisitos exigidos”, foi defendido. “Os comerciantes podem optar por pedir uma área adequada para a esplanada, de acordo com a sua situação de exploração, a localização da loja e o modelo de consumo dos clientes, entre outros”, foi acrescentado.

No entanto, o processo de licenciamento tem gerado queixas de comerciantes e também de deputados. Sobre este aspecto, o IAM promete que vai “a manter a comunicação com o sector, auscultar as opiniões da sociedade, e rever e optimizar, em tempo oportuno, a política das esplanadas”. Em relação à emissão de licenças, o Governo destaca que é necessário “um equilíbrio entre as necessidades do sector [de comerciantes] e o quotidiano dos cidadãos”.

Na mesma resposta, o Governo responde também ao deputado sobre as medidas de incentivo ao comércio das pequenas e médias empresas (PME). Sobre este aspecto, a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) promete “apoiar as PME na melhoria da sua qualidade e eficiência, no desenvolvimento inovador”, assim como com a criação de mais actividades locais.

Rua da Emenda | Loi I Weng critica instalações velhas e pede renovação

A deputada das Mulheres quer criar um novo “cartão de visita” nas ruas perpendiculares da Avenida Horta e Costa, para desenvolver o comércio nas zonas residenciais

A deputada Loi I Weng defende que o Governo deve fazer uma renovação da Rua da Emenda, uma das perpendiculares à Avenida Horta e Costa, adjacente à zona do mercado dos Três Candeeiros, que foi definida como zona pedonal. O assunto foi abordado através de uma interpelação escrita, divulgada ontem pela legisladora ligada à Associação das Mulheres.

“A zona das cinco ruas envolventes à Rua da Emenda é actualmente a maior zona de vendilhões em Macau. Após o reordenamento realizado em 2012, foi classificada pelo Governo como uma das poucas zonas pedonais de Macau, sendo, ao longo dos anos, uma das ruas mais características e históricas”, considerou. “Nesta zona, há muitos vendilhões com muita vivacidade quotidiana e uma grande variedade de iguarias, o que demonstra plenamente o encanto único das comunidades tradicionais de Macau”, acrescentou.

Loi I Weng destacou igualmente que a localização “geográfica privilegiada” associada aos elementos comerciais com “potencial suficiente” para transformar a zona “num novo motor e num novo cartão de visita para o desenvolvimento da economia dos bairros comunitários de Macau”.

Bom, mas mau

Apesar das qualidades e potencialidades, Loi I Weng avisa que a zona está a degradar-se porque “já se passaram mais de 14 anos desde o reordenamento em 2012”, e que algumas instalações mostram “sinais de envelhecimento”, pelo que “agora há que optimizar as instalações, os modelos comerciais e o ambiente naquela zona”.

Por isso, a deputada quer saber se o Governo vai avançar com a renovação das instalações, como as bancas de vendas, para criar um novo ambiente de consumo.

Ao mesmo tempo, no âmbito das actividades do Grupo de Trabalho de Embelezamento e Limpeza da Cidade vão ser realizados programas-piloto de intervenção em diferentes locais de Macau. A deputada quer saber se a rua da Emenda e as zonas circundantes vão ser incluídas nesses programas e ser alvo de intervenção, com a instalação de nova iluminação, novas zonas verdes e novas tabuletas.

Finalmente, a deputada espera que o Governo impulsione o comércio na Rua da Emenda com a realização de feiras e outros eventos, assim como esplanadas, para criar uma zona onde os jovens podem estabelecer novos negócios, ao mesmo tempo que se promove a ocupação de algumas bancas que actualmente estão fechadas.

Idosos | Coutinho defende isenção de todas as taxas

Pereira Coutinho defende o alargamento de isenções de taxas que têm como beneficiários residentes com mais de 65 anos, indo além dos bilhetes de autocarro e Metro Ligeiro.

Numa interpelação escrita, o deputado refere que a “política benevolente contrasta com uma realidade injusta”, que passa pelo facto desses idosos “continuarem a ser obrigados a pagar taxas de renovação de cartas de condução, cartas de condução internacional e diversas outras taxas administrativas, criando uma inconsistência que compromete a dignidade e o bem-estar dos idosos”.

Desta forma, Coutinho considera “fundamental” que as autoridades isentem idosos do pagamento de todas as taxas, adoptando “uma política uniforme e respeitadora dos principais fundamentais do regime jurídico de garantias dos direitos e interesses dos idosos vigentes no território”.

Para o deputado, “a gratuidade no transporte público foi um passo importante e decisivo”, mas é “manifestamente insuficiente”. É pedido que o Governo reveja “periodicamente todos os encargos e taxas aplicáveis aos idosos, com o objectivo de eliminar aqueles que não se justifiquem, por representarem um fardo para a população idosa”.

Aviação | Conselheira pede supervisão rigorosa de “companhia aérea”

A conselheira dos Serviços Comunitários das Ilhas Hoi Kit Leng alertou o Governo para falhas na regulação da aviação, permitindo que “uma companhia aérea local” cancele voos e apresente justificações vagas que complicam o processo para accionar seguros

A conselheira Hoi Kit Leng acha que o Governo deve supervisionar as acções de uma companhia aérea em Macau, depois de uma vaga recente de cancelamentos de voos. A conselheira nunca identificou a companhia aérea em causa, durante a reunião do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas na terça-feira, mas a descrição coincide com a Air Macau.

Segundo o jornal Ou Mun, a responsável destacou que o problema não se prendeu com os cancelamentos, que até podem ser justificados dadas as condições actuais relacionadas com o preço dos combustíveis, mas antes com a falta da transparência. A companhia justificou os cancelamentos com “motivos ligados à empresa”. A justificação foi entendida como vaga e fez com que passageiros afectados por cancelamentos enfrentassem dificuldades na altura de accionarem os seguros de viagem.

Além disso, Hoi Kit Leng criticou a política de compensações da companhia, porque apenas oferece como soluções a alteração da data do voo ou o reembolso do dinheiro pago pela viagem não realizada. Segundo a conselheira, esta política é insuficiente porque a empresa não vai cobrir os danos causados aos clientes, como acontece com o cancelamento de hotéis, aumento do preço dos novos bilhetes, entre outros.

Hoi Kit Leng indicou ainda que quando há cancelamentos de voos em grande escala o atendimento aos clientes fica paralisado e regista atrasos significativos na divulgação das informações.

Mais liderança

Para resolver estes assuntos, Hoi Kit Leng defendeu que a Autoridade de Aviação Civil tem de assumir um papel de liderança e estudar a elaboração de normas para a protecção dos direitos dos passageiros em Macau. A conselheira sugeriu às autoridades locais que se inspirem na regulação da União Europeia.

Como exemplo de falta de regulação, Hoi Kit Leng pediu a implementação de normas que regulem as compensações nos casos em que os passageiros têm de atravessar a fronteira para apanhar voo. Salientou também a necessidade de um reembolso do custo da viagem ou da alteração da data, nos casos em que os cancelamentos se prendem apenas com decisões comerciais.

Hoi Kit Leng defende ainda a proibição de justificações vagas da companhia aérea de, e pediu ao Governo para criar um mecanismo para a mediação de litígios, liderado pela Direcção dos Serviços de Turismo e pelo Conselho de Consumidores.

Anteriormente a Air Macau admitiu publicamente ter cancelado cerca de 400 voos entre Maio e Junho devido aos preços do combustível, que aumentaram depois do bloqueio do estreito de Ormuz. As explicações só foram avançadas depois de surgirem queixas nas redes sociais, motivadas por cancelamentos de voos quase em cima da hora marcada para embarcar.

Tufões | PME poderão receber indemnização mesmo sem danos

O Governo de Macau anunciou ontem que Pequenas e Médias Empresas (PME) poderão aceder a um seguro para fenómenos climáticos extremos, sendo oferecida uma indemnização por tempestades que afectem o território, mesmo sem registo de danos.

“Quando for emitido o sinal 10 de tempestade tropical, o mais elevado, e este se mantiver içado por 10 horas ou mais, o segurado poderá reclamar uma indemnização correspondente a 10 por cento do respectivo capital seguro”, explicou ontem numa conferência de imprensa o director-geral do Departamento de Subscrição da Companhia de Seguros Vida China Taiping, Hong Jiawen. Tanto em Macau como na região vizinha de Hong Kong, a escala de alerta de tempestades tropicais é formada pelos sinais 1, 3, 8, 9 e 10 (o mais elevado), com a emissão a depender da proximidade da tempestade e da intensidade do vento.

O representante adiantou que a nova medida complementa o regime existente, que cobre danos causados por eventos como o nível 8 de tufão, marés de tempestade ou sinal de chuva intensa. Os prejuízos abrangidos incluem danos em edifícios, fundações de construções, mercadorias e equipamentos electrónicos.

Segundo um exemplo fornecido durante o evento, no caso de uma de empresa comprar um seguro 15.000 patacas, teria um tecto máximo de cobertura de seguro de 100 mil patacas.

Segundo indicou no mesmo evento o chefe do Departamento de Desenvolvimento das Actividades Económicas da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico, Lau Kit Lon, o Governo continuará a conceder subsídios às PME elegíveis, “com a taxa de comparticipação a aumentar de 50 por cento do prémio anual padrão para 70 por cento do prémio após a aplicação do desconto por inexistência de sinistros”.

Para a História

Entretanto, Chan Kuan I, administradora do Conselho de Administração da Autoridade Monetária de Macau, anunciou que, desde o lançamento em 2019 de um seguro de bens patrimoniais contra grandes desastres, foram emitidas 114 apólices e aprovados os respectivos financiamentos, num total de capital segurado de 16,9 milhões de patacas. “Quando o tufão Ragasa atingiu Macau no ano passado, o regime recebeu cinco participações de sinistros, todas rapidamente liquidadas, num total de 310 mil patacas indemnizadas”, disse Chan Kuan.

Em 2025, Macau registou 14 tufões, ultrapassando o anterior máximo histórico de 12, registado em 1974, e fazendo do ano passado aquele com o maior número de tempestades tropicais desde o início dos registos em 1968, segundo apontou a direção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG).

Os tufões Wipha e Ragasa levaram Macau a emitir o nível mais elevado de alerta, sendo a primeira vez que, “num mesmo ano, foi necessário hastear por duas vezes o sinal 10”, indicaram os SMG. Mesmo assim, até hoje um sinal de tempestade nível 10 só esteve em vigor durante um período de mais de 10 horas em Macau durante a passagem do tufão Ragasa no ano passado.

Os SMG prevêm que cerca de cinco a oito ciclones tropicais venham a afectar Macau em 2026, alertando para uma actividade ciclónica que poderá ser ligeiramente superior ao normal.

Turistas internacionais com maior interesse em Macau

A plataforma digital de viagens Agoda indicou ter registado um aumento significativo nas pesquisas de alojamento na região chinesa de Macau por parte de viajantes internacionais. Num comunicado divulgado na segunda-feira à noite, a plataforma indicou que o número de turistas do Médio Oriente que demonstrou interesse em visitar Macau mais que duplicou (uma subida de 247por cento).

A procura aumentou também na Índia (mais 70 por cento), Japão (mais 62 por cento), Tailândia (mais 56 por cento), Filipinas (mais 39 por cento) e Singapura (mais 25 por cento), revelando uma “diversificação dos mercados emissores que ultrapassa os padrões tradicionais de visitantes”, referiu a Agoda. O número de hóspedes internacionais que ficaram em hotéis de Macau aumentou 16 por cento durante o primeiro trimestre para 338 mil, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo dados dos Serviços de Estatística e Censos do território, a maioria dos hóspedes não-chineses eram da Coreia do Sul, cerca de 106 mil e mais 15,1 por cento que nos primeiros três meses de 2025. Contudo, o interior da China continua a representar a maior fatia do número total, com 2,74 milhões de hóspedes, algo que tem levado Macau a tentar atrair mais visitantes internacionais para a cidade.

Mãos dadas

Desde 2025, a Direção dos Serviços de Turismo de Macau (DST) e a Agoda têm colaborado em campanhas de promoção em mercados do Sudeste Asiático, Nordeste Asiático e Médio Oriente. A plataforma de viagens indicou ter renovado recentemente a parceria com a DST, de modo a promover hotéis boutique e de baixo custo em zonas menos turísticas da cidade.

A iniciativa pretende dar maior visibilidade a alojamentos fora das áreas mais conhecidas da cidade, reforçando a atratividade junto de novos segmentos de viajantes, nomeadamente do Brasil, Vietname e Ásia Central. “Esta diversificação mostra que mais viajantes estão a olhar para Macau através de diferentes perspectivas de viagem, não apenas os padrões tradicionais”, afirmou num comunicado o director comercial da Agoda, Damien Pfrisch.

Segundo a empresa, a parceria actual integra medidas de facilitação de vistos, esforços de conectividade e iniciativas a pensar nos turistas muçulmanos, procurando consolidar Macau como um destino internacional diversificado. Com sede em Singapura, a Agoda é uma das principais plataformas digitais de viagens do mundo.

HSBC | Lucro cai 2,4% no 1.º trimestre

O banco HSBC anunciou ontem lucros de 7.394 milhões de dólares no primeiro trimestre do ano, numa redução de 2,4 por cento em termos homólogos. Livre de impostos, o resultado caiu 1,1 por cento para 9.376 milhões de dólares, segundo um comunicado ontem divulgado pela instituição financeira. O banco registou receitas de 18.624 milhões de euros e despesas operacionais de 8.721 milhões de dólares.

Por sua vez, a margem financeira avançou 7,7 por cento para 8.945 milhões de dólares, enquanto as comissões cresceram 11,9 por cento, para 3.719 milhões de dólares. No final de Março, o HSBC tinha uma carteira de empréstimos de um bilião de dólares, mais 6 por cento que um ano antes, enquanto os depósitos totalizavam 1,78 biliões de dólares, numa subida homóloga de 6,9 por cento.

Em comunicado, o grupo disse estar “bem posicionado para gerir as mudanças e as incertezas predominantes no ambiente global em que opera, incluindo as relacionadas com o conflito no Médio Oriente”.

Sé Catedral | Concerto de violino com orquestra este sábado

Decorre este sábado, na Sé Catedral, a partir das 20h, um concerto de música clássica com Georgii Moroz, vencedor do “Concurso Internacional de Violino de Singapura 2026 – Concerto dos Vencedores”. Esta actuação acontece no âmbito da temporada 2025-2026 da Orquestra de Macau (OM), que também se junta à apresentação de Georgii Moroz.

O programa do concerto inclui a “Abertura de ‘Maskarade'” de Carl Nielsen; o “Concerto para Violino N.º 1 em Sol menor, Op. 26”, de Max Bruch; e a “Sinfonia N.º 4 em Dó menor, D. 417, ‘Trágica'”, de Franz Schubert, e tem a duração aproximada de 1h15 minutos, sem intervalo. Os bilhetes custam 150 patacas.

O “Concurso Internacional de Violino de Singapura”, organizado pelo Conservatório de Música Yong Siew Toh da Universidade Nacional de Singapura, é um evento musical trienal da região da Ásia-Pacífico, destinado a promover o desenvolvimento da música clássica e a proporcionar aos jovens violinistas uma plataforma de exibição do seu talento.

Após várias etapas de selecção, incluindo solos, música de câmara e concertos, o candidato ucraniano Georgii Moroz venceu o Primeiro Prémio da última edição do Concurso, “tendo a sua interpretação sido elogiada como um ‘diálogo cheio de alma’ e o seu virtuosismo e subtileza emocional recebido com grande aclamação”, destaca uma nota da organização do espectáculo.

Bilhetes para peça em patuá no FAM já estão à venda

Já estão à venda desde sábado bilhetes para cinco espectáculos da 36.ª edição do Festival de Artes de Macau (FAM), sendo um deles o espectáculo de teatro em patuá dos Dóci Papiaçam di Macau, agendado já para este mês. O Instituto Cultural (IC) disponibiliza entradas gratuitas para o espectáculo de abertura do evento, “O Lótus na Rota da Seda – Tradições em Movimento”.

Este espectáculo é protagonizado pelo Grupo de Danças e Cantares BIRLIK juntamente com grupos de dança locais, revelando um fluir “entre ruas e o palco”, com “expressões artísticas do folclore cazaque que vão espalhar uma nova energia, trazidas pelo Grupo de Danças e Cantares BIRLIK, um colectivo que promove a união interétnica, a amizade e o diálogo cultural entre os povos”.

Os bilhetes gratuitos podem ser levantados desde sábado nos diversos pontos de venda de ingressos para o festival e na página electrónica da Bilheteira de Enjoy Macao. Enquanto isso, podem ser adquiridos bilhetes para os espectáculos “Eterna Juventude 2.0”, “Agora Como? (E Agora?)”, “Coração de Lótus”, “A Velha Casa das Orquídeas” e “A Noite de Zheng Guanying – Dança Teatro Ambiental”.

Este último espectáculo, da autoria da Associação de Dança Hou Kong, acontece nos dias 20 e 21 de Junho na Casa do Mandarim, com os bilhetes a custarem 300 patacas. “Sob o céu nocturno, entremos no pátio iluminado da antiga residência da família de Zheng Guanying. Ao atravessarmos portões e corredores, é como se estivéssemos na presença do próprio Zheng — uma figura central na história cultural de Macau”, lê-se na sinopse do espectáculo, que transforma a Casa do Mandarim “num palco vivo”.

Patuá para ver e ouvir

“Agora Como? (E Agora?)” é a peça em patuá deste ano, protagonizada, como habitualmente, pelos Dóci Papiaçam di Macau, nos dias 23 e 24 de Maio, primeiro às 20h e, no segundo dia, às 15h, no grande auditório do Centro Cultural de Macau.

A história, da autoria de Miguel de Senna Fernandes, gira em torno de Marta e Elena, “ambas filhas do velho Secundino, antigo proprietário de um restaurante macaense, que regressam a Macau para tomar conta do negócio deixado pelo pai, recentemente falecido”.

Porém, as irmãs “chegam num período em que a economia continua a enfrentar dificuldades, apesar do aumento das receitas dos casinos e do número de turistas”. Trata-se de uma história que tem “como pano de fundo o encerramento definitivo dos casinos-satélite e o surto de consumismo no interior da China”.

Outro dos espectáculos que já tem bilhetes disponíveis, o “Eterna Juventude 2.0”, estreou em 2006 na 17ª edição do FAM, pelo Teatro de Lavradores, regressando agora 20 anos depois numa versão revista e encenada pelo dramaturgo Lawrence Lei. A produção está a cargo de Jacky Li, enquanto a protagonista é a actriz Carmen Kong. A peça parte da Rua de Felicidade para contar uma história de amor ao longo de sessenta anos.

O FAM decorre entre os dias 8 de Maio e 27 de Junho e tem como tema “Novas Correntes de Inspiração”, apresentando uma selecção de 15 programas e nove actividades do Festival Extra.

Música | Instrumentos musicais chineses são destaque em conferência

A Universidade Nova de Lisboa e o Palácio Nacional de Mafra são os palcos escolhidos para se falar e ouvir a música chinesa e asiática. A 9.ª edição da “Conferência de Lisboa: Música e Instrumentos Musicais Chineses” começou esta terça-feira e prolonga-se até sexta-feira, servindo para olhar de perto instrumentos como o gamão, o guqin ou até o Naamyam, música narrativa popular no sul da China, Macau e Hong Kong

Decorre esta semana, até sexta-feira, a 9.ª edição da “Conferência de Lisboa: Música e Instrumentos Musicais Chineses”, que se realiza na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e também no Palácio Nacional de Mafra. Segundo uma nota oficial sobre o evento, a conferência reúne “académicos, músicos e entusiastas da música chinesa para explorar o rico património cultural e as tradições em constante mudança associadas aos instrumentos musicais chineses”.

Trata-se de uma organização do Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança, sediado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, a European Foundation for Chinese Music Research; os Institutos Confúcio da Universidades de Aveiro e do Minho; e a Câmara Municipal de Mafra. Também dá apoio ao evento a Fundação Jorge Álvares, “principal entidade financiadora”.

Do programa constam diversas apresentações académicas sobre instrumentos musicais chineses e asiáticos, sem esquecer o universo da musicologia, promovendo-se ainda concertos e recitais.

Do cartaz faz também parte a exposição multimédia “Encre de Chine – Impressions de Voyage: A visual Chronicle based on Paintings and Photographs by Christophe Deschamps: China, 1986”, com trabalhos de Christophe Deschamps.

Conversas e concertos

Esta terça-feira, dia de arranque do festival, foi lançado o livro “Chinese Music and Musical Instruments: Encounters in Lisbon 2016-2019”, com edição de Helen Rees, Frank Kouwenhoven e Enio de Souza, este último um dos grandes promotores do festival.

Já hoje, decorrem as sessões, na Universidade Nova de Lisboa, dedicadas à “Música, Dança e Performance na China”, nomeadamente a de Hu Yile, da Universidade de Hong Kong, com o nome “Secular Spectacles in Sacred Spaces: Music, Dance and Acrobatics Performance in Chinese Buddhist Art”. Helen Rees, do Departamento de Etnomusicologia da UCLA (Universidade de California, Los Angeles), irá falar sobre a “Musical Life in Mid-20th Century Taizhou, Jiangsu Province: Recollections of a Resident”.

Por sua vez, Antoinette Cheng, da Universidade de Oxford, apresenta a sessão “Blindness, Radio and the Transformation of Naamyam in Macau and Hong Kong.

O festival encerra esta sexta-feira no Palácio Nacional de Mafra com um debate em torno da “Música de Outros Países Asiáticos e Ocidentais e os principais géneros”, destacando-se a apresentação, por parte de Susana Sardo, da Universidade de Aveiro, de “Fado de Goa – Post-Memory and the Recasting of Colonial Sound in Goa”.

Macau ganha também destaque no cartaz neste dia, com “Macau: its Composers and Music Composed about and to the Territory”, com apresentações de John Robinson, da University fo South Florida; ou Rui Magno Pinto, do Centro de Estudos Musicais da Universidade Nova de Lisboa.

O concerto de encerramento começa às 18h, no Palácio Nacional de Mafra, e conta com sonoridades de grupos de gamelão da Universidade Nova de Lisboa e “renomeados” músicos chineses e ocidentais como Deng Haiqiong, com o instrumento guzheng, e ainda Jacob Alford, com o guqin. Destacam-se as actuações de Helen Rees, Chi Li e Rão Kyao, na flauta.

24 Horas de Genk | Equipa de Macau cumpre objectivo na Bélgica

Pela primeira vez uma equipa de Macau participou nas 24 Horas de Karting de Genk e conseguiu alcançar o seu principal objectivo: terminar uma das mais prestigiadas corridas de endurance da modalidade a nível internacional

A equipa IXO Models Racing Team Macau, composta por Rui Valente, Jean Peres, Eric Peres, Sérgio Lacerda, Duarte Machado e Pedro Maia, concluiu a prova no quadragésimo sexto lugar, num evento que contou com mais de 50 equipas provenientes de vários países e regiões, maioritariamente do centro da Europa e com vasta experiência em provas desta natureza com os karts SODI RT8.

O conjunto do território chegou a rodar a meio da tabela, mas erros técnicos e penalizações não permitiram à equipa lutar por posições mais cimeiras. A prova, que decorreu no passado fim-de-semana em Genk, na Bélgica, ficou marcada por condições meteorológicas extremas, o que dificultou significativamente a tarefa de pilotos e equipas, incluindo a nível logístico, sobretudo no parque de assistência, transformado num verdadeiro lago.

“O primeiro objectivo foi cumprido, terminar era o mais importante”, explicou Jean Peres, líder da equipa, em comunicado. “Foi a primeira vez que participámos numa corrida de 24 Horas e faltou-nos experiência neste tipo de provas para conseguir um resultado melhor. O nível dos pilotos locais é extremamente elevado, com várias equipas profissionais, com topo o apoio logístico, habituadas à pista e a conduzirem em chuva. E atenção que não era permitido usar pneus de chuva. Só aí dá para imaginar o nível de perícia que é necessário. O kart escorrega por todos os lados. É um ‘aquaplaning’ constante. Também fomos penalizados por alguma falta de cuidado, durante a troca de pilotos, as regras eram extremamente exigentes, tivemos um percalço aqui e acolá, mas isso faz parte da aprendizagem”.

Dificuldades de estreante

Uma longa viagem até à Bélgica e uma logística condicionada pelas condições meteorológicas agravaram o desafio do sexteto da RAEM. “Enquanto as outras equipas estavam a treinar, nós estávamos a montar tendas improvisadas e a organizar material de campismo”, referiu Jean Peres.

As 24 Horas de Karting de Genk são consideradas uma das principais provas de endurance da especialidade, com várias equipas e pilotos que participam no campeonato local da especialidade, e Jean Peres reconheceu que “o nível é muito profissional, nós viemos à experiência, sem sabermos ao certo as condições que seriam necessárias para este tipo de provas e acabámos por pagar essa factura.”

Curiosamente, uma das principais dificuldades prendeu-se com “a comunicação”, pois “a generalidade das equipas dispunha de sistemas para comunicar com os pilotos em pista. Nós tivemos de improvisar um sinal, acenando com um cachecol para o circuito, de forma a que o nosso piloto percebesse que estava na altura de parar. Foi assim durante as 24 horas. Era necessário fazer essa gestão, devido ao número de paragens obrigatórias para trocar de kart e efectuar o reabastecimento de combustível. E o desgaste físico associado a uma prova destas é surreal. Saímos todos daqui com algumas mazelas.”

Lutar contra os caprichos do “São Pedro” elevou ainda mais o grau de dificuldade. “A meio da prova estávamos preocupados em salvar o material de apoio e a comida. A tenda meteu bastante água. E alguns dos pilotos, que vieram da Ásia, estavam a debater-se com o ‘jet lag’. Não são desculpas, mas fazem parte de uma aprendizagem que era preciso adquirir. Agora estamos melhor preparados se quisermos repetir a experiência”, concluiu, salientando, ainda assim, que o balanço é “muito positivo” e que o objectivo principal foi cumprido.

Há sempre uma primeira vez

O mais experiente da equipa era, sem dúvida, Rui Valente, o piloto do território com mais presenças no Grande Prémio de Macau, que reconheceu as dificuldades enfrentadas numa prova em que os vencedores receberam, juntamente com o troféu, modelos da IXO Modelcars, uma vez que a empresa de Macau foi uma das patrocinadoras do evento.

“Não foi fácil, depois de uma viagem muito longa, a pista é muito técnica e o esforço físico que exige o karting a este nível é bastante grande”, reconhecendo também ao HM que “não rodamos muito nos treinos livres e os tempos por volta foram melhorando depois durante a corrida”.

Apesar das adversidades, Rui Valente mostrou-se bastante satisfeito com a experiência, muito diferente daquelas que experimentou ao longo de quarenta anos de carreira no desporto. Primeiro porque “ainda estou em forma, cansado agora para o fim, mas fiz cinco turnos de 40 minutos” e depois porque “nunca imaginei fazer uma corrida de 24 horas”.

Câmara luso-chinesa | Subida dos custos pode afectar exportações

O secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC), Bernardo Mendia, disse ontem à Lusa que o aumento dos custos de transporte devido ao conflito no Médio Oriente poderá afectar as exportações portuguesas.

Na segunda-feira, o líder da Associação de Fabricantes Chineses de Hong Kong (CMA, na sigla em inglês) disse que algumas empresas reportaram subidas de até 100 por cento nos custos de logística de longa distância com o Médio Oriente e a Europa. De acordo com a emissora pública RTHK, Wingco Lo Kam-wing acrescentou, num almoço com a imprensa local, que também os custos dos seguros de transporte aumentaram.

“Claro que isto vai afectar as exportações portuguesas”, confirmou Bernardo Mendia, que é também presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Hong Kong. Por um lado, explicou o empresário, a subida dos custos de logística torna os produtos portugueses “mais caros, logo, menos competitivos” no mercado internacional.

Desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram hostilidades contra o Irão, em 28 de Fevereiro, Teerão controla o estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica, por onde passa normalmente um quinto do consumo mundial de petróleo. Cerca de 20 mil marinheiros estão retidos na região, de acordo com a agência de segurança marítima UKMTO, que acompanha navios em todo o mundo e está sob a tutela do exército do Reino Unido.

O bloqueio de Ormuz fez disparar o preço do petróleo nos mercados mundiais. Desde o início do ano, a cotação do Brent, crude do Mar do Norte, de referência na Europa, já subiu 88 por cento. A cotação do petróleo Brent para entrega em Julho terminou a sessão de segunda-feira no mercado de futuros de Londres a aumentar 5,8 por cento, para 114,44 dólares.

Efeito dominó

Ao tornar o transporte mais caro, a subida da cotação do crude irá arrastar os preços de todos os produtos e alimentar pressões inflaccionistas, alertou Bernardo Mendia. Ou seja, “também os mercados de destino [das exportações portuguesas] terão menos dinheiro para os adquirir”, explicou o secretário-geral da CCILC.

Em 2025, Portugal exportou mercadorias no valor de 2,85 mil milhões de dólares para o mercado chinês, menos 10,2 por cento do que no ano anterior. No sentido contrário, o mercado português comprou bens à China no valor de 7,19 mil milhões de dólares, mais 17,7 por cento do que em 2024, de acordo com dados oficiais dos Serviços de Alfândega chineses.

Na segunda-feira, o presidente da CMA advertiu que um prolongamento do conflito poderá provocar uma recessão económica global, caso afecte ainda mais a cadeia de abastecimento global e o prazo de entrega dos produtos. Wingco Lo sublinhou que, mesmo no que toca à logística de curta e média distância, algumas empresas que fazem parte da associação reportaram subidas de 10 por cento a 30 por cento nos custos.

Hunan | Explosão em fábrica de fogo de artifício deixa pelo menos 21 mortos

Pelo menos 21 pessoas morreram e 61 ficaram feridas numa explosão numa fábrica de fogos de artifício na província de Hunan, no centro da China, informou ontem a emissora estatal chinesa CCTV. A explosão ocorreu por volta das 16:40 de segunda-feira, por razões ainda desconhecidas, numa oficina da empresa de fabrico e exibição de fogo de artifício Huasheng, localizada no município de Liuyang, sob a administração da capital provincial, Changsha.

Imagens que circulam nas redes sociais chinesas mostram uma densa coluna de fumo a subir para o ar no local da explosão. As principais redes sociais e plataformas ocidentais, como o Facebook, WhatsApp e X – estão bloqueadas na China continental, mas não nas regiões semiautónomas de Hong Kong e Macau.

Após o acidente, o líder chinês, Xi Jinping, pediu às autoridades que acelerassem as buscas por desaparecidos, fizessem “todo o possível” para salvar os feridos e esclarecessem as causas do incidente “o mais rapidamente possível”, além de “responsabilizarem rigorosamente os culpados”. As autoridades policiais já impuseram medidas de coação aos responsáveis da empresa Changhsa Liuyang Huasheng Fireworks Manufacturing and Display e está a decorrer uma investigação sobre as causas do acidente.

Estado de emergência

Xi Jinping enfatizou que todas as regiões e departamentos devem retirar “lições profundas” da explosão e “reforçar e cumprir rigorosamente as suas responsabilidades” em matéria de segurança.

O Ministério da Gestão de Emergências enviou dirigentes para o local do acidente, enquanto a província de Hunan mobilizou recursos para tratar os feridos e gerir a emergência no local, acrescentou a agência de notícias oficial chinesa Xinhua.

Cinco equipas de resgate, com um total de 482 pessoas, foram mobilizadas para o local do acidente, juntamente com médicos provinciais e municipais para tratar os resgatados.

A China regista frequentemente acidentes relacionados com a indústria do fogo de artifício. Em Fevereiro, 12 pessoas morreram numa explosão numa loja de fogo de artifício na vizinha província central de Hubei, e outras oito morreram num incidente semelhante no mesmo mês na província de Jiangsu (leste).

Poemas de Meng Haoran

孟浩然 (689-740)

(五言古體詩)

自潯陽泛舟經明海作

大江分九派

淼漫成水鄉

舟子乘利涉

往來逗潯陽

因之泛五湖

流浪經三湘

觀濤狀枚發

吊屈痛沉湘

魏闕心常在

金門詔不忘

遙憐上林鴈

冰泮已回翔

Escrito Com o Meu Barco a Atravessar o Lago Brilhante Desde Xunyang 1

Aqui, o grande Jiang divide-se em nove braços,

Enchente e vaga formam uma província de águas.

Aproveita, barqueiro, a travessia favorável. 2

Indo e vindo, param em Xunyang,

E, seguindo-os, vogo nos Cinco Lagos, 3

Sobre o branco das ondas até aos Três Xiang. 4

Os vagalhões confirmam os Incitamentos de Mei Sheng; 5

Dói fazer luto por Qu Yuan, que se afogou no Xiang. 6

O meu coração vive sempre entre as colunas do palácio;

Não se deve ignorar um chamamento à Porta Dourada. 7

Por isso invejo de longe o ganso selvagem voando,

Quando o gelo se funde, para casa no Bosque de Sua Alteza. 8

1.Xunyang, actual Jiujiang (Nove Rios), em Jiangxi, a norte do Lago Pengli (actual Poyang). O Lago Brilhante é, muito provavelmente, o Lago Pengli.

2. Referência ao hexagrama 5 do Yijing, sobre atingir objectivos.

3. O Lago Tai 太湖, em Jiangsu, e quatro outros de nome diferente ao longo do tempo.

4. O Rio Xiang, em Hunan, e dois braços de nome diferente ao longo do tempo.

5. Mei Sheng’s 枚乘 (defunto ca. 140 a.C.), no seu poema Sete Incitamentos 七發, descreve o macaréu do Rio Qiantang.

6. Jia Yi escreveu o poema De Luto por Qu Yuan no lugar junto ao Rio Xiang em que aquele poeta, e cortesão mal-amado, se terá afogado.

7. O Zhuangzi fala do príncipe Mouzi 牟子 que se lamentava pelo seu coração ainda residir entre as colunas do palácio apesar do seu corpo deambular por rios e lagos. A Porta Dourada era onde os vassalos imperiais se alojavam no tempo de Han Wudi (regnavit 141–87 a.C.).

8. O grandioso parque imperial conhecido por Bosque de Sua Alteza situado fora do palácio (no tempo de Han Wudi). Quando o gelo começa a fundir na capital, os gansos selvagens ali regressam.

Hengqin | Patrulhamento reforçado após homicídio de estudante

Depois do homicídio de uma estudante da MUST em Hengqin, a três quilómetros do Novo Bairro de Macau, as autoridades da zona de cooperação reforçaram a frequência de patrulhamento na fronteira, zonas comerciais e residenciais. Foram também identificadas zonas pouco iluminadas e isoladas para reordenar

Após o homicídio de uma estudante da MUST em Hengqin, no passado dia 20 de Março, as autoridades da Zona de Cooperação garantem ter reforçado o policiamento e reordenado as zonas consideradas potencialmente inseguras.

“Os departamentos de segurança pública da Zona de Cooperação aumentaram a frequência de patrulhamento em postos fronteiriços, zonas comerciais, escolas e bairros comunitários com elevada concentração de estudantes e jovens”, revelou o director substituto dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), Teng Sio Hang, em resposta a uma interpelação escrita de Che Sai Wang.

O responsável da DSEDJ acrescenta que as autoridades da Ilha da Montanha desenvolveram operações especiais para reforçar a dissuasão de potenciais infrações, sem especificar que tipo de operações foram realizadas.

O homicídio aconteceu na sequência do assalto a um apartamento onde moravam quatro estudantes, quando estavam duas vítimas na fracção. O Departamento de Segurança Pública de Hengqin emitiu na altura um comunicado a confirmar a detenção de um homem de 26 anos de idade, suspeito de ter atacado as duas mulheres, resultando na morte da aluna da MUST. Essa foi a última comunicação pública sobre o caso que aconteceu a três quilómetros do Novo Bairro de Macau e a menos de um quilómetro da fronteira com a RAEM.

Até hoje, nada se sabe sobre suspeito, onde está detido, se já foi julgado ou condenado, correndo rumores nas redes sociais de que se terá suicidado. Apesar da opacidade no que toca a questões policiais, justiça e segurança, Teng Sio Hang vinca a boa comunicação entre as autoridades do Interior e da RAEM.

Pontos negros

Além do reforço do policiamento, as autoridades de Hengqin fizeram um levantamento de locais pouco iluminados ou com potenciais “riscos de segurança”, de forma a reordenar “vias principais e secundárias, troços isolados, parques, praças e zonas comerciais nocturnas”. O objectivo é criar um ambiente seguro para quem anda na rua à noite.

Serão também organizadas campanhas de divulgação sobre protecção pessoal e reforço da consciência para aspectos de segurança, avançou o responsável da DSEDJ.

Che Sai Wang salientou o pânico e a reacção pública que o homicídio provocou, ainda para mais numa altura em que o Executivo incentiva residentes da RAEM a mudarem-se para Henqgin, vontade materializada nos diversos mega-projectos, como a Cidade Internacional de Educação (Universitária) Macau–Hengqin.

O deputado apontou que, após o homicídio, “alguns estudantes reduziram as saídas nocturnas nos seus tempos livres, e os pais e a comunidade estudantil manifestaram maior ansiedade em relação à segurança nas deslocações”. O legislador argumenta mesmo que o caso pode ter afectado “a confiança dos residentes de Macau na aquisição de habitação e emprego em Hengqin”.

APOMAC / 25 anos | Francisco Manhão pede apoio à demência

Nos 25 anos de existência da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau, o presidente da direcção, Francisco Manhão, pede mais apoios financeiros e sugere a criação de um centro de apoio à demência, bem como mudanças nas actualizações salariais dos funcionários públicos

Francisco Manhão, presidente da direcção da APOMAC – Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau, defende a criação de um centro de apoio à demência dado o aumento do número de casos nos últimos anos. Esta ideia foi defendida numa altura em que a APOMAC faz 25 anos de existência, celebrados hoje.

“Preocupa-me o problema da demência, [doença] que tem aumentado de ano para ano”, disse ao HM. “Sugiro que o Governo possa criar um centro para cuidado e tratamento destas pessoas, porque o que muitos fazem é contratar uma empregada doméstica, o que não resolve o problema”, acrescentou.

Tiago Alcântara

Em época de aniversário, a APOMAC diz que gostava de ter “mais apoios” financeiros “para promover actividades”, tendo em conta que, actualmente, apenas contam com o dinheiro da Fundação Macau. A cantina tem sido um sucesso e ajuda, em parte, com as despesas.

“As pessoas vêm cá comer e está na moda publicar fotografias no Facebook, e isso tem feito propaganda à nossa cantina. Temos tido muita clientela. Somos muito procurados aos fins-de-semana, ao almoço e jantar, e dá uma pequena ajuda financeira à APOMAC. Temos de depender um bocado disso”, confessou.

Melhorias a fazer

Francisco Manhão e Jorge Fão são a dupla de sempre na APOMAC e parece não haver, para já, outros candidatos. “Vamos envelhecendo e sentimo-nos cansados, mas ainda temos um bocado de saúde para aguentarmos esta casa. Já falámos várias vezes [com potenciais substitutos], mas ninguém se atreve a avançar. Enquanto houver alguém que resolva os problemas deles, não se preocupam. Isso é típico de Macau.”

Um dos problemas que Manhão destaca é a necessidade de aumentar salários para funcionários públicos, aposentados e pensionistas de sobrevivência, “pois há três anos que não têm actualização”. Francisco Manhão defende também uma actualização do formato de pagamento.

“Não é justa a forma de pagar salários por índice multiplicador. Deveriam ser pagos por cada categoria e de acordo com o salário, para que todos os funcionários públicos, sejam de classe mais baixa ou alta, tenham o mesmo aumento. O sistema está desactualizado.”

Francisco Manhão parabenizou ainda o Executivo por ter aumentado em mil patacas os subsídios de velhice e de invalidez, tendo pedido ainda que as autoridades aumentos para os cheques pecuniários das actuais 10 para 11 mil patacas, incluindo os montantes do regime de previdência central, das sete mil patacas actuais para as oito mil. Este aumento seria em consonância com os montantes decididos para os subsídios de velhice e invalidez, explicou.

No discurso da cerimónia de aniversário, Francisco Manhão destaca ainda outras questões dos associados da APOMAC, nomeadamente “a impossibilidade de atribuição do Número de Identificação Fiscal a pensionistas de sobrevivência de etnia chinesa”, os “atrasos verificados no pagamento e recebimento de pensões” ou a “suspensão de pensão de sobrevivência a viúvas e a deficiente motor não associado”, entre outros problemas.

Com o título “Amor fraterno da APOMAC”, o discurso de Francisco Manhão remete ainda para os apoios obtidos do empresário David Chow e Edmund Ho, primeiro Chefe do Executivo da RAEM, para a criação da APOMAC e da respectiva sede.

FM | Entidades de matriz portuguesa recebem mais de 20 milhões

A Fundação Macau (FM) forneceu cerca de 20,9 milhões de patacas em apoios financeiros no primeiro trimestre deste ano a entidades de matriz portuguesa.

Entre os apoios mais significativos, destaca-se o da Fundação Escola Portuguesa de Macau, que recebeu 4,5 milhões de patacas para despesas de funcionamento em 2026, no âmbito do Plano Integrado de Apoio Financeiro, enquanto o IPOR – Instituto Português do Oriente recebeu cerca de 213 mil patacas.

O Instituto de Estudos Europeus de Macau beneficiou de múltiplos apoios, destinados a projectos de formação, conferências, publicações e despesas de funcionamento, num total superior a 2,8 milhões de patacas. Na vertente cultural, a Associação de Danças e Cantares Portugueses “Macau no Coração” registou uma rectificação de apoio para intercâmbio no valor de 47.880 patacas.

Também foram distribuídos apoios a entidades católicas de solidariedade, como a Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Macau que recebeu 143.430 patacas para a distribuição de cabazes do Ano Novo Chinês, enquanto a Cáritas de Macau foi contemplada com cerca de 8,8 milhões de patacas. As Bolsas de Estudo para Estudantes de Países Lusófonos em cursos conferentes de grau académico beneficiaram 36 alunos durante o ano lectivo de 2025/2026, com um montante global de 2,1 milhões de patacas.

Entre os apoios concedidos à comunidade macaense, destacam-se a Associação dos Macaenses, que recebeu 725.440 patacas, a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses, contemplada com 399.720 patacas, e a Associação dos Jovens Macaenses, que obteve 49.900 patacas. A Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau recebeu no primeiro trimestre deste ano cerca de 1,1 milhões de patacas.

Taipa velha | Elogiada criação de zona pedonal

A zona pedonal temporária criada na Taipa velha terminou na segunda-feira, tendo a Federação Industrial e Comercial das Ilhas de Macau e o coordenador-adjunto do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas, Leong Chon Kit, elogiado a medida. A zona pedonal funcionou no fim-de-semana de 1 a 4 de Maio.

Segundo o jornal Ou Mun, o presidente da Federação, Yeong Keng Hoi, considerou que a zona pedonal superou as expectativas por ter atraído imensos turistas, tendo-se transformado numa marca festiva associada aos feriados do 1.º de Maio. O responsável acrescentou que o Governo deveria aproveitar o terreno que não está ainda desenvolvido, perto da paragem de táxis, para que possa ser utilizado como zona temporária de tomada e largada de passageiros.

Por seu turno, Leong Chon Kit observou que a zona pedonal permitiu uma ligação à zona da Fábrica de Panchões Iec Long, na Taipa velha, o que permitiu desviar, de forma eficiente, o fluxo de visitantes da Rua do Cunha. O conselheiro defende que as autoridades devem melhorar os percursos pedonais na zona, acelerar o processo de revitalização da antiga fábrica a fim de ali serem criados mais estúdios para artistas, salas para exposições ou até espaços de design.

Tecnologia | Wong Sio Chak visitou Hangzhou

O secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, liderou uma delegação numa visita à cidade de Hangzhou, que teve como objectivo aprofundar os conhecimentos sobre a transformação digital e a governação inteligente. A visita decorreu entre os dias 28 e 30 de Abril.

Segundo a versão oficial, a “delegação participou numa série de actividades organizadas pelo Governo Municipal de Hangzhou, incluindo uma visita in loco ao Centro de Serviços Governamentais de Xihu”. Outra das paragens, foi o “Centro de Comando do Cérebro” de Hangzhou, para “estudar a sua arquitectura tecnológica, o mecanismo de integração de dados e modelo de operação, enquanto plataforma municipal de governação baseada em inteligência artificial”.

Hangzhou foi escolhida como destino da viagem por ser considerada como uma das cidades mais avançadas do Interior e pelo facto de ter sido a primeira cidade a desenvolver o chamado “Centro de Comando do Cérebro”, que concentra os vários dados recolhidos na cidade, para depois serem tomadas decisões. Além disso, a delegação realizou reuniões, intercâmbio e visitas com o Grupo Alibaba e com especialistas nas áreas da tecnologia.

Aeroporto | Abandonado projecto de expansão

Era um projecto ambicioso, mas vai ficar na gaveta, até porque o número de passageiros no aeroporto de Macau sofreu uma quebra no ano passado. Os governantes acreditam que a expansão que já está em curso e que vai aumentar a capacidade para 13 milhões e passageiros é suficiente

O regulador da aviação civil admitiu que abandonou o plano, anunciado em 2020, para utilizar parte do actual terminal marítimo de passageiros da Taipa na expansão do aeroporto. Em resposta a questões do deputado Leong Pou U, o presidente da Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM) defendeu que a capacidade do aeroporto já dá “resposta às necessidades de transporte aéreo actuais e futuras”.

O terminal de passageiros do aeroporto dispõe actualmente de uma capacidade de processamento de 10 milhões de passageiros por ano, sublinhou Pun Wa Kin, citado pela emissora pública TDM – Teledifusão de Macau. Em 2025, o aeroporto do território registou 7,52 milhões de passageiros, menos 1,6 por cento do que no ano anterior e longe do recorde máximo de 9,61 milhões, fixado em 2019, antes do início da pandemia de covid-19.

“Após a conclusão das obras de ampliação por aterro, a capacidade será aumentada para, pelo menos, 13 milhões de passageiros por ano”, acrescentou o regulador, numa resposta datada de 1 de Abril. Ainda assim, Pun Wa Kin prometeu “avaliar a evolução real do desenvolvimento” do tráfego no aeroporto e, “caso seja necessário”, “proceder à avaliação e planeamento” de uma eventual expansão usando o terminal marítimo.

Pára, arranca

No início de Março, o deputado Leong Pou U tinha apelado à retoma do projecto, para permitir “o transbordo directo” entre o aeroporto, o terminal de Pac On e a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, a maior travessia marítima do mundo. O também engenheiro disse que iria dar aos turistas “uma experiência de viagem mais conveniente” e ajudar a tornar o aeroporto de Macau uma base para toda a margem oeste do Rio das Pérolas, que inclui a vizinha província de Guangdong.

Em Dezembro de 2020, o então secretário para os Transportes e Obras Públicas de Macau, Raimundo do Rosário, afirmou que iria arrancar, já em 2021, a construção de um segundo terminal do aeroporto no Pac On. Um ano mais tarde, Rosário reiterou a intenção de avançar, em 2022, com “as obras de transformação de parte do Terminal Marítimo da Taipa num segundo terminal do aeroporto”.

Mas a construção nunca arrancou e em Dezembro de 2023 o dirigente admitiu que o plano tinha sido suspenso, porque a recuperação pós-pandemia do tráfego no aeroporto estava a ser mais lenta do que o previsto. O aeroporto foi inaugurado em 1995, ainda durante a administração portuguesa.

IAS | Creche Smart pede ao Governo que controle acções de Hon Wai

A Zonta Club de Macau queixa-se de perseguição pelo presidente do IAS, pede ao Governo para o controlar e promete que, se o CCAC encontrar ilegalidades nas suas contas, desiste das acções em tribunal. A entidade está também disponível para ser investigada pela PJ, de forma a proteger a sua reputação

A associação Zonta Club de Macau (ZM) pediu ao Governo para controlar o presidente do Instituto de Acção Social (IAS), Hon Wai, para evitar abusos de poder. A posição da entidade responsável pela creche Smart foi tornada pública nas redes sociais, depois do mais recente relatório do IAS sobre a creche e ainda por ter indicado no portal onde divulgou as admissões nas creches que a cooperação entre a instituição de ensino e o IAS foi “cessada” e que há uma acção judicial a decorrer nos tribunais.

Em Março do ano passado, o IAS decidiu cortar o financiamento e recuperar as instalações na Taipa, onde opera a creche Smart. Os fundamentos para a decisão nunca foram clarificados pelo Governo, que num primeiro momento se limitou a dizer que as duas partes não tinham chegado a acordo no que diz respeito a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”.

A decisão do IAS foi contestada pela associação, que avançou para os tribunais com uma providência cautelar para suspender, inicialmente, o corte de apoios financeiros e a recuperação do espaço. O Tribunal Administrativo e o Tribunal de Segunda Instância, após recurso do IAS, aceitaram a providência cautelar da Zonta Club de Macau.

No entanto, a informação no portal das creches terá levado vários pais a questionarem a associação sobre o sucedido, com esta a emitir um novo comunicado. Além disso, o relatório de avaliação do IAS sobre a creche continua a apontar falhas.

Em resposta aos desenvolvimentos recentes, a associação começa por indicar que o relatório de avaliação do IAS não corresponde à situação factual do estabelecimento. A ZM aponta igualmente que apesar de se ter mostrado sempre disponível para prestar todos os esclarecimentos exigidos pelo IAS, que o presidente Hon Wai tem “levantado várias suspeitas” e acusado a entidade de “alegadas irregularidades”. Esta situação terá gerado stress psicológico na associação e na creche, assim como “sérias preocupações sobre os danos reputacionais”.

Cartas na mesa

No comunicado, a associação revela que a postura do IAS foi inicialmente motivada por “atrasos” na actualização dos dados sobre os trabalhadores durante a pandemia, uma vez que a creche começou a funcionar em Macau em 2019, depois de ser convidada pelo Executivo da RAEM, em 2016. A informação terá sido carregada no sistema da IAS de forma incorrecta.

Sobre este aspecto a creche indica que, num primeiro momento, os trabalhadores do IAS consideraram que tinha havido um erro, mas que não havia qualquer elemento que indicasse a tentativa de manipular os números.

Contudo, mais tarde o IAS considerou que devia ter sido declarado um grupo de quatro trabalhadores em vez de três, enquanto a associação entende que só tinha de declarar três, porque um desses funcionários não ia ter o vencimento subsidiado pelo IAS. Hon Wai terá igualmente considerado que foram contratados trabalhadores que não desempenharam funções essenciais e não deviam ter sido subsidiados.

Todavia, a creche defende-se ao argumentar que entre 2019 e 2021 devolveu mais de 2 milhões de patacas aos IAS, por sua iniciativa, porque os subsídios ficaram acima das necessidades. Além disso, aponta que as contas têm sido auditadas, sem que tivessem sido encontradas irregularidades. “Estas acções exemplificam que a ZM segue de forma consistente os princípios da honestidade, coerência e cooperação”, foi vincado.

A Zonta pede ainda ao presidente do IAS que prove que as tarefas dos trabalhadores considerados excessivos não eram essenciais e que justifique como aquelas tarefas poderiam ser realizadas pelos outros trabalhadores. Face a este diferendo, a ZM conclui que o presidente Hon Wai “tem criado de forma repetida disputas, suspendido o financiamento da instituição e alegado o uso inapropriado das instalações”.

A ZM explica também que face a esta postura tentou sempre resolver o diferendo pelas vias institucionais, evitando recorrer aos tribunais e ao Comissariado Contra a Corrupção (CCAC), para defender o “bem maior”. Porém, afirma que teve de apresentar queixa no CCAC, por não ter tido outra opção, devido aos danos para a sua reputação e às acções repetidas de Hon Wai.

Pedido controlo

Diante das alegações de Hon Wai, a ZM defende que tem seguido sempre as instruções do Governo e que jamais pretende impor a sua posição, mostrando total disponibilidade para obedecer ao que for decidido pelo Executivo.

A Zonta declara também que está pronta para desistir de todas as acções em tribunal, onde contesta a decisão do corte de financiamento e remoção das instalações, face aos resultados da investigação do CCAC. Esta postura é justificada pela associação com a vontade de poupar dinheiro à RAEM. Ao mesmo tempo, a ZM mostra-se disponível para ser investigada pela Polícia Judiciária (PJ), porque acredita que desta forma a sua reputação vai ser mantida.

Finalmente, a Zonta pede ao Governo para “exercer uma supervisão rigorosa e eficiente sobre os nomeados para os cargos públicos, de acordo com a lei e cumprimento das suas funções, para prevenir abusos de autoridade, responder às preocupações públicas, restaurar a confiança e defender a dignidade do primado do direito e da justiça social”. O HM contactou o IAS sobre a postura do presidente Hon Wai, mas até ao fecho da edição não recebeu resposta.

História | Catálogo revela documentos e objectos das relações luso-chinesas

“Papéis e peças entre a China e Portugal – Testemunhos passados de uma relação com presente e futuro” é um catálogo bilingue que revela pedaços da história das relações comerciais entre Portugal e China, com registos, documentos e imagens de objectos. Macau também assume papel de destaque na obra lançada na segunda-feira no Centro Científico e Cultural de Macau

Um prato com músicos chineses em trajes europeus, um excerto de uma carta sobre a oficina mecânica em Pequim do jesuíta Tomás Pereira, ou um inventário da sacristia de São Roque com peças chinesas. Estes são alguns dos documentos ou objectos que ajudam a contar a história comercial entre a China e Portugal estabelecida a partir de meados do século XVI, quando os portugueses desembarcaram na China, e, sobretudo, quando os missionários lá chegaram no final do mesmo século.

Tudo isto consta no catálogo “Papéis e peças entre a China e Portugal – Testemunhos passados de uma relação com presente e futuro”, lançado na segunda-feira no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) e editado pela Húmus. Não faltam ainda, no catálogo, o Dicionário romano-sínico ou uma carta de Álvaro Semedo, jesuíta, “dando novas da China”.

Este é o resultado de um trabalho conjunto de muitas instituições do ensino superior portuguesas e chinesas, como o Instituto Confúcio da Universidade de Lisboa (UL), o Centro de Estudos Clássicos da UL, a Universidade de Estudos Estrangeiros de Tianjin. O trabalho foi desenvolvido por uma vasta equipa, onde constam nomes como Wang Jincheng na autoria, ao lado de Arnaldo do Espírito Santo; ou Isabel Murta Pina, do CCCM, e Cristina Costa Gomes na coordenação científica, entre outros. O catálogo tem ainda ligação ao projecto “Res Sinicae – Base digital de fontes documentais em latim e em português sobre a China (séculos XVI – XVIII)”.

​O catálogo está dividido em quatro áreas onde se podem descobrir mais detalhes sobre estes objectos ou documentos, nomeadamente “Língua e Cultura”, “Ciência, Tecnologia e Arte”, “Comércio” e “Diplomacia”. Alexandra Curvelo, professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa e especialista na área da História da Arte, responsável pela apresentação da obra, descreveu-a como um “livro-catálogo”.

A obra “apresenta testemunhos dos intercâmbios chineses e portugueses durante os períodos das dinastias Ming e Qing, alguns deles revelados pela primeira vez”. O leitor tem, assim, acesso “a documentação de tipologia muito variada”, que pretende “sublinhar as interacções passadas, que se mantém no presente e que já se projectam no futuro”.

Alguns dos documentos e objectos presentes no catálogo “pertencem ao acervo de arquivos, bibliotecas e museus portugueses de vários países europeus, bem como do Brasil”. A edição em chinês e português dará a conhecer “também ao público chinês um corpo histórico de enorme relevância”, afirma Alexandra Curvelo. Pretende-se ainda que o livro “tenha uma divulgação alargada, não sendo apenas circunscrita, ou dirigida, a um público restrito ou especialista”.

Aprendizes de chinês

Alexandra Curvelo destacou também o capítulo dedicado à língua e cultura, que remete para o “início da chegada dos missionários jesuítas à China e do estabelecimento de uma missão, logo em 1582, tendo começado por aprender o chinês regularmente, ou mais correctamente o Guanhua, o mandarim, língua franca num império marcado pela riqueza e pela diversidade linguística”. Era um idioma que, neste tempo, “os europeus cedo associaram ao latim, a língua internacional das elites intelectuais europeias”. Depressa os jesuítas começaram a desenvolver “inúmeros instrumentos linguísticos para organizar a aprendizagem da língua”, ou seja, o chinês, nomeadamente dicionários. Alexandra Curvelo destacou que o “mais antigo dicionário português-chinês sobrevivente remonta à década de 1580”.

Houve ainda, “no campo da matemática, astronomia, geografia, mecânica, relojoaria, hidráulica e artilharia”, uma “verdadeira interacção entre duas culturas científicas, pautadas pela curiosidade, novidade e adaptação”. Alexandra Curvelo destacou o nome de Matteo Ricci entre tantos outros missionários que “fazem parte de uma constelação extraordinária de jesuítas que disseminaram a ciência, tecnologia e arte europeias na China”, dado que “alguns instrumentos começaram a ser produzidos na China, como foi o caso dos relógios mecânicos, com uma dimensão estética também associada”.

A professora catedrática em História de Arte destacou, do catálogo, “Excerto da Carta sobre Relógios”, um documento da autoria de Gabriel de Magalhães e que data de 1667, escrito em Pequim. O autor trabalhou no fabrico de relógios mecânicos, entre outras peças, e Alexandra Curvelo considera “curioso” o facto de “se ter designado a si próprio como serralheiro”. “Este mestre de mecânica, que estava à frente da oficina da residência jesuíta, designa-se a si próprio como serralheiro. Esta oficina viria a ser herdada por outro nome maior da presença jesuíta na China, Tomás Pereira, que projectou e construiu um impressionante conjunto de instrumentos musicais e que, por sua vez, se autodenominava de artífice. Ou seja, não se classificavam a si próprios como artistas, o que é um dado muito interessante.”

Tratava-se tão somente de fazerem “a valorização da técnica e da mão”, sendo esta a dimensão [do saber técnico], para Alexandra Curvelo, “que está presente também na missão [jesuíta] para o Japão”.

O lugar de Macau

No terceiro capítulo do livro espelham-se peças e papéis que revelam a intensa ligação entre Portugal e a China na área do comércio, onde Macau não poderia deixar de ter um lugar de destaque.

Aqui importa referir o documento sem data, mas que se acredita ter sido escrito no século XVIII por Jorge da Silva, e que consta na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Intitula-se “Relação da importância de Macau no comércio asiático” e, segundo a autora da análise a este documento, Cristina Costa Gomes, “não se conhecem dados em concreto” sobre Jorge da Silva.

Porém, trata-se de um papel “que assume particular relevância porque atesta a importância da cidade portuária de Macau no comércio asiático durante o século XVII, que facilmente se explica pela sua localização geográfica estratégica”.

Alexandra Curvelo acrescentou também a importância do comércio de cerâmica nestes anos. “Num mundo conectado por intensas trocas comerciais, como era o mundo asiático, onde os mercadores chineses participavam activamente, estabeleceram-se contactos com os portugueses por via também das comunidades mercantes chinesas espalhadas pela Ásia e sobretudo nos portos do Sudeste Asiático. A porcelana chinesa cedo se torna uma das principais mercadorias exportadas para o continente europeu e com um impacto duradouro.”

Além disso, deu-se, a partir de 1557, e já com a presença crescente dos portugueses em Macau, o “acesso directo a uma série de mercadorias, como a porcelana, mas também os têxteis, que têm um papel determinante, objectos lacados”, o que coloca os portugueses “numa posição favorável, seja em termos do mercado interno chinês, seja na entrada noutras rotas, designadamente com o Japão e rotas que ligavam este território ao Sudeste Asiático”.

Alexandra Curvelo apontou também a “resiliência de Macau frente a uma série de conjunturas desvaloráveis, que lhe permitiu manter-se como plataforma essencial do comércio marítimo intercontinental do mundo moderno”.

O comércio com a China de “mercadorias antigas e mais recentes, pôs-se no gosto e consumo das elites europeias, dando origem a novos hábitos de sociabilidade na Europa e processos interessantes de transferência cultural”, como a criação da “primeira sociedade de consumo na Europa”. Porém, “a China já a tinha há bastante mais tempo”, frisou Alexandra Curvelo.

Em “Papéis e peças entre a China e Portugal” não faltam ainda documentos como “listas de cargas de navios que dão eco a negociações e transacções, lembrando que o comércio pressupõe sempre o estabelecimento de relações e redes, tanto formais como informais”.

Arnaldo do Espírito Santo, co-autor do livro, vincou que a obra “é mais um fruto do passado e presente com futuro, com bons auspícios de outras colaborações”.

Taishan | Ocorrência em central nuclear sem incidentes

No final de Abril, registou-se uma ocorrência na central nuclear de Taishan, na província de Guangdong, a 67 quilómetros de distância de Macau.

Segundo uma nota dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), foram encontrados “dois objectos estranhos” num dos geradores de vapor da central, tendo sido “removidos”. Os objectos tinham as dimensões de 1,5 cm x 1,5 cm e 3,5 cm x 1,3 cm e a forma de rolamento.

Tudo isto aconteceu depois de, no dia 30 de Abril, a unidade 1 da central nuclear ter estado “em estado de interrupção de manutenção”. A mesma nota dos SPU dá conta que, durante o tratamento da ocorrência, a unidade 1 “manteve o funcionamento seguro e estável e nenhuma substância radioactiva foi libertada para o exterior, não tendo afectado a segurança da central, do seu pessoal operacional, da população vizinha e o ambiente adjacente à central”. A ocorrência foi classificada como “incidente operacional de nível 0”.

Timor-Leste | Bordalo II na terceira edição do TT Tasi Fest

Bordalo II é um dos artistas convidados para participar no TT Tasi Fest, um festival de música em Timor-Leste, que promove a sustentabilidade, a protecção dos oceanos e o consumo responsável, anunciou ontem a organização. O TT Tasi Fest vai acontecer em Díli entre 29 e 30 de Maio, e nele vão também participar os Calema, que já tinham participado na primeira edição do festival em 2024.

Em Díli, Bordalo II vai participar numa residência artística e “criar duas obras originais de grande escala, utilizando materiais reciclados recolhidos localmente, incluindo chinelos, plásticos, pneus e outros objectos descartados”, lê-se num comunicado divulgado à imprensa.

“As obras irão celebrar a extraordinária biodiversidade de Timor-Leste ao mesmo tempo que chamam a atenção para a necessidade urgente de proteger os seus oceanos e ecossistemas marinhos”, salienta a organização do evento. Segundo a organização do TT Tasi Fest, a visita de Bordalo II vai servir de base para a realização de uma “série de ‘workshops’ interactivos, palestras e sessões educativas focadas na conservação marina, sustentabilidade e reciclagem criativa”.

“Bordalo II irá também colaborar de perto com artistas timorenses de destaque durante o processo criativo, valorizando o talento artístico local e reforçando o importante papel da arte na transmissão de mensagens de conservação e consciencialização ambiental”, refere o comunicado.

Os Calema vão actuar em 30 de Maio, no último dia do festival em que actuam uma série de bandas locais. “Após uma participação memorável na primeira edição, o duo volta agora ao país, reforçando a ligação artística e cultural construída com o público timorense e consolidando o crescimento do festival como um dos principais eventos musicais internacionais da região”, afirmou a organização do festival.

O primeiro dia do festival, em 29 de Maio, conta com a actuação do cantor australiano Guy Sebastian e do cantor indonésio Iwan Fals e de bandas timorenses.