Turismo | Número chineses a viajar para o Japão caiu 45% Hoje Macau - 19 Mar 2026 O número de turistas chineses no Japão caiu 45,2 por cento em Fevereiro, em comparação com fevereiro de 2025, apesar dos feriados do Ano Novo Lunar, segundo dados oficiais publicados ontem, num contexto de fortes tensões entre Tóquio e Pequim. O arquipélago recebeu no mês passado 396.400 visitantes da China continental, indicou a Agência Japonesa de Turismo, apesar do período supostamente próspero do Ano Novo chinês, que este ano calhou em Fevereiro. A China é, de longe, o maior mercado emissor de turistas para o Japão, representando aproximadamente um quarto de todas as chegadas no ano até ao final de Novembro, mas com expressivas quedas sucessivas desde então. As relações entre os dois países deterioraram-se desde as declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre Taiwan, no parlamento nipónico em Novembro último, na sequência das quais Pequim instou os seus cidadãos a evitarem qualquer viagem ao Japão. Takaichi sugeriu na altura que uma intervenção militar do país seria possível em caso de ataque chinês contra Taiwan, ilha que Pequim considera território chinês inalienável. Em Fevereiro anunciou que iria sancionar 40 empresas e organizações japonesas acusadas de participar na nova militarização do Japão, nomeadamente proibindo 20 das quais de adquirir bens e tecnologias com potencial tanto civil como militar a empresas sediadas na China.
Entre Hegemonia e Vulnerabilidade Jorge Rodrigues Simão - 19 Mar 2026 “Power is not revealed by striking hard or often, but by striking true.” Honoré de Balzac A presença militar dos Estados Unidos no vasto espaço geopolítico que se estende do Mediterrâneo ao Oceano Índico constitui um dos pilares centrais da arquitectura de segurança internacional contemporânea. Esta região, marcada por uma sucessão de mares estratégicos com o Mediterrâneo, Mar Negro, Cáspio, Mar Vermelho, Golfo Pérsico e Oceano Índico concentra recursos energéticos essenciais, rotas marítimas vitais e zonas de fricção onde se cruzam interesses de potências regionais e globais. A disposição das bases americanas neste arco geográfico não resulta apenas de necessidades operacionais imediatas, mas reflecte uma visão de longo prazo sobre o papel dos Estados Unidos enquanto potência global e garante de estabilidade em áreas consideradas críticas para o funcionamento da economia mundial. A configuração actual desta rede militar é inseparável da evolução histórica da política externa americana desde o final da Guerra Fria. O colapso da União Soviética abriu um período de hegemonia sem precedentes, frequentemente descrito como unipolar, durante o qual Washington procurou consolidar a sua capacidade de projecção de força e assegurar acesso privilegiado a regiões sensíveis. A década de 1990 marcou o início de uma fase de intervenções frequentes, justificadas por razões humanitárias, de segurança colectiva ou de defesa de interesses estratégicos. A Guerra do Golfo, as operações nos Balcãs e as intervenções no Corno de África ilustram esta tendência. Contudo, foi após 2001, com o lançamento da chamada “guerra ao terrorismo”, que a presença militar americana atingiu uma escala sem precedentes, exigindo uma rede logística e operacional extensa que se estendeu por toda a região. A geografia estratégica das bases militares americanas segue uma lógica de controlo de corredores marítimos, proximidade a zonas de conflito e capacidade de resposta rápida. No Mediterrâneo oriental, a cooperação com países como a Grécia, Turquia, Egipto e Jordânia permite manter capacidades aéreas e navais que garantem vigilância permanente sobre o Levante, Mar Negro e Canal de Suez. Esta área funciona como porta de entrada para o Médio Oriente e como plataforma de ligação entre a Europa, Norte de África e Ásia Ocidental, sendo particularmente relevante devido à proximidade de zonas de instabilidade como a Síria e o Líbano. No Golfo Pérsico, núcleo da presença militar americana, a concentração de reservas petrolíferas, a vulnerabilidade das rotas energéticas e a rivalidade com o Irão justificam a manutenção de bases aéreas, navais e de comando em países como Qatar, Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Estas infraestruturas permitem operações de vigilância, dissuasão e intervenção, além de funcionarem como pontos de apoio logístico para missões no Iraque, Síria e Afeganistão. No Oceano Índico e no Mar Vermelho, a presença americana assegura o controlo de rotas marítimas que ligam a Europa à Ásia, sendo crucial para monitorizar ameaças como pirataria, terrorismo e instabilidade política. A base de Djibouti, embora situada fora do núcleo tradicional do Médio Oriente, desempenha um papel central na arquitectura de segurança regional. A expansão e manutenção desta rede de bases deve ser compreendida à luz de um fenómeno mais amplo que é a crescente militarização da política externa americana. Este processo tem sido interpretado como um sintoma de fragilidade estrutural. À medida que a capacidade dos Estados Unidos para moldar a ordem internacional através de instrumentos diplomáticos, económicos e institucionais se foi reduzindo, aumentou a dependência de meios militares para preservar influência e credibilidade. A multiplicação de intervenções desde o início do século XXI evidencia esta tendência. As campanhas prolongadas no Afeganistão e no Iraque revelaram os limites da superioridade militar americana, tanto em termos de eficácia estratégica como de custos humanos e financeiros. A dificuldade em alcançar objectivos políticos duradouros, apesar do investimento massivo em recursos militares, contribuiu para uma erosão da percepção de invencibilidade que caracterizara a década de 1990. O envolvimento militar contínuo teve repercussões profundas na política interna dos Estados Unidos. O aumento exponencial da despesa militar, financiado em grande parte por endividamento, coincidiu com um período de polarização política e de perda de confiança nas instituições. A discrepância entre os objectivos declarados das intervenções e os resultados obtidos alimentou um debate intenso sobre o papel dos Estados Unidos no mundo e sobre a sustentabilidade da sua estratégia global. A guerra no Afeganistão, prolongada por duas décadas, tornouse símbolo das dificuldades enfrentadas por Washington ao tentar transformar realidades políticas complexas através de meios militares. A intervenção no Iraque, por sua vez, expôs fragilidades na avaliação de riscos e na planificação pósconflito. A combinação de custos elevados, resultados incertos e desgaste político contribuiu para um ambiente de introspecção estratégica. A dissuasão americana, que durante décadas se baseou na percepção de superioridade tecnológica e capacidade de resposta global, enfrenta desafios significativos. A emergência de novas potências, a proliferação de tecnologias de negação de acesso e a crescente assertividade de actores regionais reduziram a margem de manobra dos Estados Unidos. A presença militar, embora ainda extensa, não garante automaticamente a capacidade de influenciar comportamentos adversários. A transformação do ambiente estratégico é visível na forma como países da região têm testado os limites da tolerância americana, recorrendo a ataques indirectos, guerra híbrida e operações de baixa intensidade. A multiplicação de incidentes envolvendo bases e forças americanas demonstra que a presença militar, por si só, não assegura o efeito dissuasor que outrora possuía. Apesar das dificuldades, a rede de bases continua a desempenhar funções essenciais para a política externa dos Estados Unidos. Entre as suas principais utilidades encontramse a garantia da liberdade de navegação em corredores marítimos vitais, a monitorização de ameaças transnacionais, o apoio a aliados regionais e a capacidade de resposta rápida a crises humanitárias ou conflitos emergentes. A presença militar funciona, assim, como instrumento de gestão de riscos num ambiente caracterizado por volatilidade e competição entre potências. No entanto, a análise da disposição das bases revela uma tensão estrutural entre os objectivos declarados da política externa americana e os resultados obtidos. A intenção de promover estabilidade e segurança contrasta frequentemente com a persistência de conflitos, rivalidades regionais e crises humanitárias. A presença militar, embora necessária para proteger interesses estratégicos, pode também gerar percepções de ingerência e alimentar narrativas antiocidentais, limitando a eficácia de abordagens diplomáticas e económicas. O futuro da presença militar americana no Médio Oriente alargado dependerá da evolução das relações com potências regionais, da capacidade de adaptação às novas tecnologias de guerra, da situação interna dos Estados Unidos e da dinâmica do sistema internacional. A tendência para uma redistribuição de prioridades estratégicas, com maior atenção ao IndoPacífico, poderá levar a ajustamentos na rede de bases, mas dificilmente resultará num abandono completo da região. A importância energética, a centralidade das rotas marítimas e a persistência de conflitos tornam improvável uma retirada substancial. Contudo, é possível que Washington procure reduzir a exposição directa, privilegiando parcerias regionais, operações conjuntas e formas de presença menos visíveis. A forma como estes factores se articularão determinará o papel dos Estados Unidos na região nas próximas décadas e influenciará a estabilidade de um dos espaços mais sensíveis do sistema internacional.
Japão adia retoma das operações da maior central do mundo Hoje Macau - 19 Mar 2026 A eléctrica japonesa Tokyo Electric Power Company (TEPCO) adiou ontem o reinício das operações comerciais de Kashiwazaki-Kariwa, a maior central nuclear do mundo em capacidade, fechada desde 2011 após o acidente em Fukushima. Num comunicado, a TEPCO disse que, na quinta-feira passada, um alarme indicou uma pequena fuga eléctrica no reactor número 6, que começou a transmitir energia em 09 de Fevereiro, após 14 anos de suspensão. Após uma investigação, a empresa determinou que não houve uma fuga real, mas sim um condutor que se rompeu que accionou o alarme por engano, algo que “não afecta directamente a segurança do reactor”, que permanece estável. A TEPCO continua a investigar os detalhes do incidente e ainda não anunciou uma nova data para a retoma das operações comerciais do reactor. O reinício já tinha sido adiado a 26 de Fevereiro, devido a problemas com os alarmes das barras de controlo. A TEPCO reiniciou a central de Kashiwazaki-Kariwa a 21 de Janeiro, 15 anos após o encerramento em 2011 na sequência do acidente nuclear de Fukushima. Essa foi a primeira vez que a TEPCO, que administrava a central de Fukushima antes do desastre, reactivou uma das suas centrais desde o acidente nuclear, causado pelo forte terremoto e subsequente tsunami, que atingiram o nordeste do Japão em 11 de Março de 2011. O acidente levou a um apagão nuclear no país, onde a maioria dos reactores nucleares continua desactivada. Ponto de situação Actualmente, 14 reactores estão operacionais, 19 suspenderam as suas operações e 27 aguardam desmantelamento, segundo dados da Agência Internacional de Energia Atómica. Os reactores 6 e 7 de Kashiwazaki-Kariwa já passaram pelas revisões para a respectiva reactivação em 2017, mas posteriormente foi ordenado que a central permanecesse parada devido a falhas na segurança contra ataques terroristas. Em Dezembro de 2023, as medidas adoptadas foram aprovadas e, desde então, a TEPCO tem vindo a ultrapassar os trâmites necessários para colocar ambos os reatores em funcionamento. Com uma capacidade superior a oito mil megawatts, a central de Kashiwazaki-Kariwa é uma peça fundamental no plano de fornecimento de energia da TEPCO e está em linha com a estratégia promovida pelo Governo japonês da primeira-ministra Sanae Takaichi de impulsionar as centrais nucleares e cumprir metas de redução de emissões.
Enviado especial chinês ao Médio Oriente põe questão palestiniana na agenda Hoje Macau - 19 Mar 2026 O enviado especial chinês para o Médio Oriente, Zhai Jun, sublinhou ontem, no Cairo, ao ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio, Badr Abdelatty, que a questão palestiniana “não deve voltar a ser ignorada nem esquecida”. Zhai indicou que a “questão palestiniana é fundamental para a paz, estabilidade e segurança a longo prazo no Médio Oriente” e que os acordos posteriores à guerra em Gaza “devem estar em consonância com a implementação da ‘solução de dois Estados'”, segundo um comunicado publicado ontem pelo ministério dos Negócios Estrangeiros da China. O diplomata chinês declarou que “uma maior propagação do conflito causaria maiores perdas, afectando o desenvolvimento económico regional e a segurança energética mundial”, sublinhando a “urgência” de um “cessar-fogo” para “retomar o caminho correcto da resolução de disputas através de canais diplomáticos”. Abdelatty afirmou que “a actual escalada de tensões regionais tem graves consequências e não beneficia nenhuma das partes”, instando o Irão a “cessar os ataques contra países árabes”. “O actual conflito não deve desviar a atenção internacional da questão palestiniana, nem do acordo de cessar-fogo em Gaza, bem como dos acordos de governação e reconstrução no pós-guerra”, afirmou o diplomata egípcio, de acordo com o comunicado chinês. Segundo Abdelatty, “o Egipto e a China partilham um elevado grau de consenso em questões regionais, e o Egipto está disposto a reforçar a coordenação e cooperação com a China para promover conjuntamente o restabelecimento da paz e da estabilidade na região”. No terreno Zhai, cuja agenda de reuniões nos países do Médio Oriente não foi detalhada, encontra-se na região a realizar uma “mediação activa” no conflito, no âmbito da qual tem previstos contactos com as partes envolvidas para promover o regresso às negociações, informou recentemente o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. O diplomata já visitou outros países como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos ou o Bahrein, onde defendeu um cessar-fogo e o “respeito” pela “soberania, segurança e integridade territorial dos Estados árabes da região do Golfo”. O conflito opõe o Irão aos Estados Unidos e a Israel desde o final de fevereiro, quando ambos os países lançaram ataques contra território iraniano, aos quais Teerão respondeu com ofensivas contra vários países do Golfo e posições ligadas a Washington na região.
Lucro do gigante digital Tencent sobe 16 por cento para 28.311 ME em 2025 Hoje Macau - 19 Mar 2026 A tecnológica chinesa Tencent registou em 2025 um lucro líquido de 224.842 milhões de yuan, o que representa um crescimento de 16 por cento face ao ano anterior. Nos resultados enviados ontem à Bolsa de Valores de Hong Kong, onde está cotada, a empresa indicou também que as receitas aumentaram 14 por cento em termos homólogos, para cerca de 751.766 milhões de yuan. A tecnológica destacou um “crescimento saudável” ao longo do exercício, impulsionado pela melhoria das suas capacidades em inteligência artificial (IA), que permitiram optimizar a publicidade e aumentar o número de utilizadores dos seus videojogos, bem como pelo crescimento dos negócios de computação na nuvem, tanto em receitas como em lucros. No que respeita à IA, área em que tanto a Tencent como os seus concorrentes estão a investir fortemente, a empresa salientou a contratação de “talento de topo”, a criação de processos para consolidar os seus modelos e a aplicação destas capacidades a produtos como o ‘chatbot’ Yuanbao ou a rede social WeChat. “A crescente capacidade do nosso modelo de linguagem de grande escala HY 3.0, bem como a utilidade de produtos de IA como Yuanbao, WorkBuddy ou QClaw, constituem sinais iniciais encorajadores de que estes investimentos vão gerar novas oportunidades”, referiu a empresa, aludindo também ao aumento dos montantes destinados ao seu desenvolvimento, sustentado pelo desempenho dos principais negócios. “A procura por consumo e entretenimento, bem como a satisfação associada à criação e à produtividade, permitem à Tencent oferecer serviços de IA que melhoram as capacidades dos seus utilizadores nestas áreas”, acrescentou. Acima do esperado A rede social WeChat terminou o ano com cerca de 1.418 milhões de utilizadores activos mensais, mais 33 milhões do que no final de 2024. No último trimestre, a Tencent registou um aumento de 14 por cento nos lucros face ao mesmo período do ano anterior, superando as previsões dos analistas, que apontavam para uma subida de 7 por cento. As receitas cresceram 13 por cento, em linha com as expectativas. Num comunicado separado, o Conselho de Administração propôs o pagamento de um dividendo de 5,3 dólares de Hong Kong por acção, relativo ao exercício de 2025. A Tencent, a maior empresa chinesa em capitalização bolsista e uma das 20 maiores do mundo, é conhecida por desenvolver o WeChat e por ser a maior distribuidora global de videojogos, com títulos como “League of Legends”.
Hong Kong | Rejeitados recursos de sete condenados por invadir o Parlamento em 2019 Hoje Macau - 19 Mar 2026 O Tribunal de Recurso de Hong Kong manteve as apenas aplicadas na primeira instância aos manifestantes que, em 2019, invadiram o Parlamento causando danos e exibindo a bandeira britânica A justiça de Hong Kong rejeitou ontem os recursos apresentados por sete manifestantes condenados por distúrbios ocorridos durante a invasão do Parlamento em 2019, no auge dos protestos que abalaram a região. Entre os manifestantes que apresentaram recurso, estava o actor Gregory Wong Chung-yiu, que contestava a condenação por desordem pública e uma pena de seis anos e dois meses de prisão. O Tribunal de Recurso de Hong Kong manteve a decisão, concluindo, por unanimidade, que o envolvimento na invasão do Conselho Legislativo foi deliberado e não o de um “espectador inocente”. “Sabendo que o complexo estava ocupado, vestiu-se de preto e entrou na câmara, onde não só entregou material aos jornalistas, como manteve contacto físico com os manifestantes, abraçando-os”, refere a sentença. Os juízes rejeitaram também a alegação de que a sentença imposta a Gregory Wong era desproporcional. O tribunal rejeitou ainda os recursos de outros seis arguidos. Cinco deles – incluindo a ex-líder estudantil Althea Suen Hiu-nam, que se declarou culpada – recorreram apenas das sentenças, que incluíam penas de até seis anos e dez meses de prisão. A sexta arguida, Amy Pat Wai-fun, contestou tanto a condenação como a pena de quatro anos e nove meses imposta. Em Fevereiro de 2024, um juiz da primeira instância condenou 11 arguidos a penas de prisão que variavam entre quatro anos e meio e seis anos e dez meses. Dois jornalistas, julgados em conjunto, foram multados até 1.500 dólares de Hong Kong por entrarem ou permanecerem no complexo, embora não tenham sido acusados de distúrbios. Na decisão de 2024, o tribunal enfatizou a natureza simbólica do ataque, afirmando que os participantes “rasgaram cópias da Lei Básica [a ‘mini’-constituição de Hong Kong] e exibiram bandeiras coloniais”, gestos que considerou “provocativos e desafiadores da autoridade”. O tribunal salientou ainda que o episódio “minou a capacidade de governação e deixou cicatrizes profundas na sociedade de Hong Kong”. Lei e ordem Os acontecimentos ocorreram na noite de 01 de Julho de 2019, no 22.º aniversário da transferência de soberania do Reino Unido para a China. Centenas de manifestantes, usando capacetes e máscaras, invadiram o complexo, causaram danos e exibiram a bandeira colonial britânica antes de serem dispersados com gás lacrimogéneo. A invasão foi um dos momentos mais tensos dos protestos contra a lei de extradição para a China continental. As manifestações, com milhões de participantes e reivindicações por sufrágio universal, culminaram na imposição, por parte do Governo central chinês, da Lei de Segurança Nacional em 2020.
FRC | Poesia e leitura em destaque hoje Hoje Macau - 19 Mar 2026 A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, a sessão “Um Encontro de Poesia: A Árvore e tudo o que queiram”, que visa celebrar o Dia Mundial da Poesia, data instituída pela UNESCO na 30.ª Conferência Geral em Paris, em 1999. O evento assinala também o Dia Internacional das Florestas, com ambas as datas a serem assinaladas a 21 de Março pelas Nações Unidas. A sessão de hoje é organizada pelo Clube de Leitura da Associação dos Amigos do Livro em Macau, sendo, segundo descreve a FRC em comunicado, “uma oportunidade para incentivar a leitura, apoiar os poetas e preservar a diversidade linguística e cultural, através da palavra escrita e falada”. A sessão, a ser conduzida pelo médico e escritor Shee Vá, pretende levar o público a partilhar poemas que tenham um significado especial nas suas vidas, que podem estar sujeitos ao tema da “Árvore”, ou não. O que importa é “homenagear a expressão poética e a sua importância cultural como legado identitário da língua de cada país ou países”. “A poesia, com a sua capacidade de emocionar, provocar reflexões e transmitir sentimentos, foi capaz de atravessar séculos e civilizações, sendo um dos pilares da arte literária. Se quiser participar, apareça na Galeria da FRC e peça a palavra. Venha preparado para ouvir e ler, contribuindo para enriquecer a experiência das comunidades locais neste desígnio de dar voz ao sentimento dos poetas e tocar almas”, descreve a mesma nota sobre o evento.
Cinema | Quatro coproduções portuguesas em destaque no festival de Hong Kong Hoje Macau - 19 Mar 2026 Quatro coproduções portuguesas vão integrar o cartaz do Festival Internacional de Cinema de Hong Kong, que vai decorrer entre 1 e 12 de Abril. “O Riso e a Faca” de Pedro Pinho, “Magalhães” de Lav Diaz, “Amílcar” de Miguel Eek e “Last night I conquered the city of Thebes” de Gabriel Azorín juntam-se ao clássico de Manoel de Oliveira “Aniki-Bóbó” De acordo com a programação do Festival Internacional de Cinema de Hong Kong (HKIFF, na sigla em inglês), divulgada na terça-feira, a categoria Cinema do Mundo inclui o filme “O Riso e a Faca”, a segunda longa-metragem de ficção do realizador português Pedro Pinho. A coprodução entre Portugal, Brasil, França e Roménia foi candidata aos Goya 2026 – prémios espanhóis de cinema – de melhor filme europeu e aos prémios europeus de cinema de 2026 da Academia Europeia de Cinema. “O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho, com Sérgio Coragem, Cléo Diára e Jonathan Guilherme no elenco, estreou-se em Maio no Festival de Cinema de Cannes, em França, valendo à actriz um prémio de representação na secção “Un Certain Regard”. Na secção Mestres e Autores, vai ser exibido “Magalhães”, do realizador filipino Lav Diaz, sobre o navegador português Fernão de Magalhães, que foi o candidato das Filipinas a uma nomeação para o Óscar de Melhor Filme Internacional. O filme, protagonizado pelo actor mexicano Gael García Bernal no papel do navegador português Fernão de Magalhães (1480-1521), que encetou a viagem de circum-navegação e morreu nas Filipinas. “Magalhães”, com coprodução portuguesa pela Rosa Filmes, conta ainda com a participação da actriz Ângela Machado, no papel de Beatriz Barbosa, mulher do navegador, e dos actores Tomás Alves, Rafael Morais, Ivo Arroja e Valdemar Santos. Na companhia de mestres Na mesma secção, está o mais recente documentário do alemão Werner Herzog, “Ghost Elephants”, gravado em Angola, e que se estreou na 82.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza. Entre os documentários a exibir no HKIFF consta “Amílcar”, que resulta de um trabalho de cinco anos em torno do político africano independentista Amílcar Cabral, feito pelo realizador espanhol Miguel Eek. A coprodução entre Espanha, França, Suíça, Cabo Verde e Portugal, pela Lx Films, conta com direcção de fotografia de João Pedro Plácido, e está indicada para o prémio de melhor documentário ibero-americano no Festival de Cinema de Guadalajara, que vai decorrer em Abril. Na secção Caleidoscópio – Poesia em Movimento do HKIFF estará “Last night I conquered the city of Thebes”, de Gabriel Azorín, uma produção espanhola com a portuguesa Primeira Idade. O festival vai apresentar ainda vários filmes clássicos restaurados em 4K, incluindo “Aniki-Bóbó” (1942), primeiro filme do realizador português Manoel de Oliveira (1908-2015). O HKIFF inclui uma competição para curtas-metragens, os prémios Firebirds, e um dos nomeados é “Samba Infinito”, uma coprodução do Brasil e França, realizada pelo brasileiro Leonardo Martinelli.
Excursão | Investigadas compras forçadas em Macau, HK e Zhuhai Hoje Macau - 19 Mar 2026 As autoridades de Shenzhen estão a investigar um caso de compras forçadas que terá ocorrido numa excursão a Macau, Zhuhai e Hong Kong. A situação foi revelada pelo jornal chinês Jimu News, que se infiltrou na excursão de baixo custo, que terá custado aos turistas 380 yuan para uma viagem de cinco dias às três cidades, entre os dias 8 e 12 de Março. A reportagem revelou práticas de compras forçadas e pressão constante para adquirir produtos em lojas seleccionadas na excursão organizada pela filial do distrito de Yantian (Shenzhen) da Agência de Viagens Internacional Hengsheng. A viagem de baixo custo atraiu na larga maioria pessoas idosas que acabaram por passar a maior parte do tempo em lojas de outlet, onde os seguranças das lojas os impediam de sair até terem permissão do guia da excursão. O jornal relata que os idosos acabaram por ser coagidos a comprar medicamentos no valor de milhares de yuan, incluindo três pessoas de “meia-idade” que terão gasto cerca de 10.000 yuan num só dia. Quando as despesas ficavam aquém das expectativas, o guia terá reagido com raiva e gritos, ameaçando continuar a visitar lojas até que as compras satisfizessem os comerciantes envolvidos no esquema. O guia chegou mesmo a ameaçar cortar as refeições a dois excursionistas que, depois de gastarem mais de 1.000 yuan cada, pediram para que o foco da excursão incidisse mais sobre pontos de interesse turístico em vez de lojas. O departamento de cultura e turismo do distrito de Yantian foi visitado pelas autoridades que iniciaram procedimentos de mediação entre lesados e a agência de viagens.
Jardim Nova Taipa | Incêndio leva homem ao hospital João Santos Filipe - 19 Mar 2026 Um homem foi encontrado no andar em que deflagrou o incêndio com queimaduras de segundo grau na cara, mãos e pés. Foi transportado para o hospital em condição “estável”. As chamas começaram num apartamento que estava a ser renovado Um homem de 65 anos teve ontem de ser hospitalizado, depois de ter sofrido queimaduras devido a um incêndio na Urbanização Jardim Nova Taipa. Segundo a informação do Corpo de Bombeiros (CB), as chamas deflagraram na manhã de ontem, por volta das 9h, num apartamento que estava a ser alvo de renovação, e o ferido era um dos trabalhadores no local. Quando as equipas de salvamento chegaram ao 24.º andar, onde o incêndio teve origem, encontram o homem no chão, com queimaduras de segundo grau na cara, nas mãos e nos pés. O trabalhador foi retirado do edifício pelas equipas de resgate e transportado para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, onde as autoridades indicaram que se encontra, em condição estável e longe de perigo. Também foi relatado que vários residentes receberam tratamento em ambulâncias no local. No apartamento onde se iniciou o incêndio, e que estava a ser renovado, os bombeiros depararam-se com chamas vivas que foram extintas com recurso às mangueiras de água. Além disso, para acelerarem a remoção dos fumos de dentro do apartamento, as equipas de salvamento recorreram a ventoinhas extractoras. Segundo o jornal Ou Mun, o homem resgatado reconheceu que antes da explosão terá havido uma fuga de gás. Contudo, o espaço foi ventilado e os trabalhos prosseguiram. A explosão terá ocorrido quando uma cortadora fez uma faísca que levou à explosão. Correr pela vida Segundo o canal chinês da Rádio Macau, quando os moradores do edifício se aperceberam das chamas começaram a abandonar os apartamentos, o que levou a que 50 pessoas saíssem pelos seus próprios meios. Ao jornal Ou Mun, alguns moradores que se encontravam no exterior do edifício, enquanto os bombeiros combatiam o incêndio, afirmaram ter ouvido uma grande explosão e ter sentido o edifício a tremer. Após esse momento, viram as chamas a sair do interior do apartamento afectado. Também um residente com o apelido Ho, que vive perto do edifício afectado, afirmou que tinha regressado a casa quando se ouviu a explosão. Este foi à rua ver o que se passava e verificou que havia pedaços de vidro no passeio. Devido ao combate às chamas, várias secções da Rua de Bragança e da Rua de Foshan foram encerradas temporariamente ao trânsito. Em reacção ao incêndio, o Instituto de Acção Social (IAS) afirmou estar a acompanhar a situação disponibilizando alojamento para os moradores afectados. “O Instituto de Acção Social está profundamente preocupada com o incêndio ocorrido na Urbanização Jardim Nova Taipa, na Taipa”, foi comunicado. “Assim que tomou conhecimento do incidente, o IAS coordenou com as agências de serviços sociais da Taipa o envio de equipas ao local para prestar apoio e conforto aos residentes afectados”, foi acrescentado. Segundo o comunicado da manhã de ontem não tinha havido qualquer pedido de alojamento temporário.
Gripe | Número de crianças que foram ao hospital quase duplica João Luz - 19 Mar 2026 Os Serviços de Saúde lançaram um alerta para o aumento dos casos de gripe, com a taxa de testes positivos ao vírus da influenza a chegar quase aos 18 por cento, ultrapassando o limiar que obriga à emissão de alerta. As autoridades apelam à vacinação, em especial grávidas, crianças e idosos Os Serviços de Saúde emitiram na terça-feira um alerta para o aumento dos casos de gripe em Macau. “Os resultados laboratoriais mostram que a taxa de positividade nos testes ao vírus da gripe aumentou gradualmente de 5 por cento na semana de 22 a 28 de Fevereiro para 17,8 por cento na semana passada (8 a 14 de Março), ultrapassando o nível de alerta de 15,2 por cento”, especificam as autoridades. Mais de 70 por cento destes casos envolveram o vírus da gripe B, o que representa uma evolução face aos anteriores períodos de elevada prevalência da gripe. As duas fases anteriores de pico do vírus da gripe em Macau foram entre meados de Novembro de 2025 e o início de Janeiro de 2026, com o subtipo H3 do vírus da gripe A a ser a estirpe predominante em circulação. De acordo com os dados dos serviços de urgência dos três hospitais da região, verificou-se um aumento significativo das consultas de crianças devido a sintomas semelhantes aos da gripe. O número de consultas aumentou gradualmente a partir do final de Fevereiro, passando de 177 por semana entre 22 e 28 de Fevereiro, para 342 por semana na semana passada (8 a 14 de Março). Os Serviços de Saúde ressalvam que o volume de consultas de adultos devido a sintomas semelhantes se manteve “relativamente estável”. Mais vale prevenir Com o vírus a regressar a um nível de maior actividade, os Serviços de Saúde apelaram à população para tomar precauções, especialmente grávidas, crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crónicas que ainda não tenham sido vacinadas contra a gripe. As autoridades reforçaram que estes grupos demográficos “têm maior probabilidade de sofrer complicações graves ou mesmo de falecer, pelo que devem vacinar-se o mais rapidamente possível”. As autoridades revelaram na terça-feira que cinco casos colectivos de gripe afectaram escolas do território, com as infecções a superar a meia centena. Em relação a este tipo de surtos em jardins de infância e escolas, os casos mais recentes são causados principalmente pelo vírus da gripe B. “Os casos aumentaram gradualmente a partir de meados de Fevereiro, passando de zero nas primeiras três semanas para 10 na semana passada, com nove casos registados nos primeiros três dias desta semana”, indicaram os Serviços de Saúde, ressalvando que desde Janeiro não se registaram casos graves de gripe.
Catástrofes Naturais | Chan La Kei pede exercícios mais extremos Hoje Macau - 19 Mar 2026 O deputado Chan La Kei pretende saber se as forças de segurança vão realizar simulações mais extremas de resposta a catástrofes naturais e mau tempo. O assunto é abordado através de uma interpelação escrita, divulgada no portal da Assembleia Legislativa ligado à comunidade de Fujian. “As autoridades vão criar cenários simulados mais extremos, tendo em conta os pontos fracos detectados no ano passado, tais como ‘ocorrência consecutiva de tempestades tropicais em Macau, causando pressão nos respectivos recursos’, ‘obstáculos no apoio material transfronteiriço’, etc., a fim de avaliar a capacidade de resposta e prevenção dinâmica interdepartamental e inter-regional?”, perguntou o legislador. No mesmo sentido, Chan La Kei questiona as autoridades sobre os planos de criar alertas localizados para as diferentes zonas do território, consoante o nível de impacto das ocorrências naturais, assim como a possibilidade de utilizarem inteligência artificial para produzirem mensagens de telemóvel em várias línguas a alertar os afectados. O deputado destaca que a utilização de várias línguas na comunicação é importante, porque muitas vezes a resposta a situação de emergência exige que não se perca tempo. Entre os assuntos levantados sobre a resposta a emergências, o deputado pretende também saber como é que actualmente as autoridades conseguem identificar os locais onde acontecem situações imprevistas e como podem acelerar os mecanismos de resposta para enviar prontamente agentes de segurança para o local.
Tribunais | Portugal abre duas vagas de juiz para Macau Hoje Macau - 19 Mar 2026 Depois de em Outubro do ano passado o presidente do Conselho Superior da Magistratura (CSM) ter demonstrado abertura para enviar mais juízes para Macau, as autoridades de Portugal abriram agora um concurso de recrutamento O Conselho Superior da Magistratura (CSM) de Portugal anunciou na terça-feira a abertura de recrutamento de dois juízes portugueses para funções nos tribunais de primeira instância de Macau na área cível. De acordo com o aviso publicado, podem candidatar-se magistrados judiciais com uma antiguidade superior a sete anos e inferior a 15, sendo a nomeação válida por dois anos, eventualmente renovável. As candidaturas devem ser apresentadas até 31 de Março, e segundo o documento elaborado pela Comissão Independente Responsável pela Indigitação de Juízes da RAEM, os magistrados seleccionados terão vencimento e regalias equiparadas às dos juízes locais da mesma categoria e antiguidade. O salário corresponde a uma percentagem do vencimento mensal do Chefe do Executivo, actualmente fixado em 268.297 patacas, que varia de acordo com o tempo de serviço como magistrado, entre os 50 por cento e os 60 por cento do valor mensal auferido pelo líder do Governo. Além da remuneração, os juízes terão direito a subsídios de férias e de Natal, habitação ou subsídios de arrendamento e equipamento, assistência médica para si e para o agregado familiar, bem como férias judiciais de 22 dias úteis por ano. Portugal e Macau mantêm um acordo de cooperação judiciária que assegura a continuidade de magistrados portugueses (juízes e procuradores) no território, apoiando o sistema jurídico de matriz portuguesa. Esta colaboração, foca-se no recrutamento, na formação e na troca de experiências judiciais. Colmatar saídas O único juiz vindo de Portugal a trabalhar em Macau actualmente é Jerónimo Alberto Gonçalves Santos, juiz do Tribunal de Segunda Instância, depois de o juiz Rui Ribeiro ter antecipado para o final de Outubro de 2025 o fim da comissão especial, que terminava em Maio de 2026. Em 2024, o CSM rejeitou a permanência do juiz português do Tribunal de Primeira Instância Carlos Carvalho, que estava em Macau há 16 anos e tinha sido convidado pela Comissão Independente para a Indigitação dos Juízes do território a continuar por mais dois. Apesar da rejeição, em Outubro do ano passado, durante uma visita a Macau, o líder do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano, e por inerência preside também ao CSM, afirmou aos jornalistas que se as autoridades de Macau demonstrassem interesse haveria abertura para enviar mais magistrados portugueses para o território. “Vamos tentar ver o que é que realmente eles ainda conseguem transmitir de útil e se são necessários, porque se forem necessários, virão novos juízes”, garantiu.
Tecnologia | Sam Hoi Fai quer promover a industrialização Hoje Macau - 19 Mar 2026 O Chefe do Executivo considerou que o desenvolvimento tecnológico em Macau tem de ter resultados práticos e levar ao aumento da produtividade e à aplicação das tecnologias na indústria. As declarações constam do discurso proferido durante a primeira reunião do Conselho de Ciência e Tecnologia deste ano. “O objectivo final da investigação e desenvolvimento, bem como os investimentos no campo científico e tecnológico, não é a mera investigação, nem é o investimento apenas para criar uma imagem ‘tecnológica’ superficialmente atraente; o objectivo final deve ser a transformação do conhecimento em produtividade e a industrialização de tecnologias”, avisou Sam Hou Fai. “Temos de manter esta orientação, a fim de maximizar o papel prático e os benefícios integrados do desenvolvimento científico e tecnológico”, acrescentou. O Chefe do Executivo destacou também a necessidade de apresentar resultados: “por esta ocasião, gostaria de salientar ainda um ponto específico: para impulsionar o trabalho científico e tecnológico e a investigação em Macau, é necessário estabelecer e pôr em prática uma visão clara do desempenho”, atirou. Durante o tempo em que tomou a palavra, Sam Hou Fai insistiu que o desenvolvimento tecnológico tem de acompanhar o novo plano quinquenal do Governo Central e articular-se com o desenvolvimento do país.
Tabaco | Governo acha difícil proibir fumo a quem anda nos passeios João Santos Filipe e Nunu Wu - 19 Mar 2026 Num período em que decorre a consulta pública sobre o aumento de restrições ao consumo de tabaco, o Governo afasta a possibilidade de uma proibição total de fumar e de aumentar os impostos sobre o tabaco O chefe do Gabinete para a Prevenção e o Controlo do Tabagismo e do Alcoolismo dos Serviços de Saúde (SS), Lam Chong, considera difícil de implementar uma proibição de fumar para quem caminha nas ruas. A limitação foi reconhecida durante o programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau. “Estudamos as práticas a nível mundial em relação às pessoas que fumam enquanto caminham e nenhum país ou região conseguiu implementar este tipo de proibição”, afirmou Lam Chong, depois de ser confrontado com uma ouvinte que ligou para o programa a defender a proibição. “As práticas mais aplicáveis, que também estão previstas nas alterações propostas, passam pela classificação das zonas com maior fluxo de visitantes como locais em que é proibido fumar”, indicou. Lam Chong reconheceu que as medidas não satisfazem a pretensão de parte da população de proibir quem caminha de fumar. No entanto, existe a esperança entre o Governo de contribuir para diminuir o impacto do fumo nos locais ao ar-livre com maior concentração de pessoas. Ao mesmo tempo, Lam Chong destacou que as classificações de certas zonas como locais em que é proibido fumar pode transformar-se numa mensagem para os fumadores que o seu vício é tido como um acto indesejável. Luta anti-tabaco No programa de ontem do Fórum Macau foram discutidas as alterações ao regime de prevenção e controlo do tabagismo, uma vez que decorre uma consulta pública até 8 de Abril. Segundo as medidas propostas pelo Executivo, vai ser implementada uma proibição total de qualquer contacto com cigarros electrónicos, assim como outros produtos de tabaco, como xixa. Anteriormente, o Executivo explicou esta opção por considerar que este tipo de produtos de tabaco são portas de entrada para o mundo das drogas. No entanto, o Executivo vai continuar a proibir os cigarros tradicionais, mesmo que ontem alguns ouvintes tenham defendido uma proibição de todos os produtos de tabaco ou um aumento enorme do imposto sobre o tabaco. Contudo, Lam Chong defendeu os cigarros tradicionais: “A proibição total não é apropriada, porque as pessoas vão andar a fumar às escondidas”, frisou. Actualmente, o imposto sobre o tabaco ocupa 60 por cento do preço a retalho. Lam Chong argumentou que não se deve aumentar mais o preço através dos impostos, porque o valor é menor nas regiões vizinhas, o que vai fazer com que haja cada vez mais contrabando. Sem revistas Quanto à proibição da posse de cigarros electrónicos em locais públicos, Lam Chong apontou que vai visar todos os fumadores, mesmo os que apenas tenham este tipo de equipamentos guardados numa bolsa. No entanto, o chefe do Gabinete para a Prevenção e o Controlo do Tabagismo e do Alcoolismo indicou que os inspectores não vão ter competência para realizar buscas, por isso, as situações em que os cigarros estão escondidos não devem levar a multas. Um outro ouvinte mostrou-se preocupado com a gravação de vídeo pelos inspectores que pode violar a privacidade pessoal. Na resposta, o subdirector dos SS, Cheang Seng Ip, garantiu que os inspectores só ligam as câmaras de vídeo se houver um conflito e ameaças durante o processo de aplicação de lei. O responsável também explicou que antes de ligarem os equipamentos de gravação, os inspectores terão de informar os indivíduos envolvidos. E se não houve ocorrências anormais, a gravação vai ser eliminada após sete dias.
China/Guiné-Bissau | Uma relação que começou com a descolonização Andreia Sofia Silva - 19 Mar 202619 Mar 2026 Em “As relações entre a República Popular da China e a Guiné-Bissau: entre a diplomacia, a economia e a segurança”, o académico Orazio Maria Gnerre descreve um caminho que começou com a independência da Guiné-Bissau. O artigo, publicado na revista académica Janus, fala de interesses mútuos que permitem que “o futuro próximo da Guiné-Bissau e da China” continue “intimamente ligado” Numa fase em que a China procura cimentar relações com o chamado “Sul Global”, nomeadamente África e América Latina, têm sido crescentes as ligações comerciais e diplomáticas com países africanos de língua portuguesa. A Guiné-Bissau, país que tem atravessado tensões políticas internas, tem sido um dos parceiros africanos da China. A relação foi alvo de análise por parte do académico Orazio Maria Gnerre no artigo “As relações entre a República Popular da China e a Guiné-Bissau: entre a diplomacia, a economia e a segurança”, publicado na revista Janus – E-Journal of International Relations, da Universidade Autónoma de Lisboa. O autor descreve como o relacionamento entre os dois países começou em 1975, quando a Guiné-Bissau ganhou independência face a Portugal, ao fim de 13 anos de Guerra Colonial, e como essas conexões à República Popular da China (RPC) estão longe de terminar tendo em conta a existência de interesses económicos mútuos, até porque “a RPC delineou um importante plano de investimento na Guiné-Bissau”. Conclui o autor que “as relações entre China e Guiné-Bissau”, cimentadas “num longo período da história contemporânea, desde o contexto da Guerra Fria até aos dias de hoje, numa fase de crescente multipolarização”, ocorreram “numa dupla via”. Ou seja, tem havido “um diálogo diplomático permitido por um certo tipo de atitude político-cultural e por uma abordagem realista em relação às necessidades económicas e comerciais dos dois países”. Neste relacionamento entre estados, “a questão colonial não é de importância secundária”, tendo em conta que o processo de descolonização proporcionou “um quadro de significado político à cooperação entre os dois países (que, portanto, também ocorre em áreas para além da meramente económica)”, além de ter garantido “o desenvolvimento de um certo tipo de comércio internacional”. No processo de descolonização português, há 51 anos, “a China entrou no jogo político das nações lusófonas e das que estiveram sob domínio português, incluindo a Guiné-Bissau”, tendo começado a desenvolver nesse período “a ideia do comércio Sul-Sul”, lançado na Conferência de Bandung, em 1955. Importa frisar que, nestes anos após a descolonização, a Guiné-Bissau rompeu relações com a RPC para estreitar laços com Taiwan, algo que terminou em 1998. Nesses anos em que a China teve um relacionamento com o país africano, ocorreram “intercâmbios económicos entre os dois países”, com a RPC a “financiar a construção de um estádio, um hospital e outras instalações”. Mais recentemente, a Guiné-Bissau aderiu à iniciativa “Faixa e Rota”, tendo assinado, em 2021, um memorando de entendimento com a China. “Este tipo de projecto poderia certamente proporcionar à Guiné-Bissau algumas vantagens, se fosse plenamente aproveitado no sentido de aumentar os investimentos para o desenvolvimento. Além disso, a garantia da construção de projectos de infra-estruturas, tais como portos, autoestradas e vias férreas, reveste-se de grande importância para os países da África Subsariana”, é analisado. Um dos acordos mais recentes foca-se no sector mineiro, tendo sido assinado “um importante acordo” com a Chinalco. “A parceria (com o projecto da Iniciativa Faixa e Rota) manifesta-se não apenas com a construção de infra-estruturas, mas com alianças comerciais”. Nem tudo são rosas Orazio Maria Gnerre considera que “o futuro próximo da Guiné-Bissau e da China parece estar intimamente ligado”, ainda que tenham ocorrido “altos e baixos” nesta relação. A volatilidade centra-se “no período difícil” vivido pela Guiné-Bissau “em termos de crescimento e desenvolvimento”. “As tensões políticas e o impacto das catástrofes naturais dificultam a construção de relações internacionais sólidas que permitam ao país desenvolver melhores infra-estruturas e afirmar-se tanto na região como a nível mundial. As complexas relações da República Popular da China com o país também se enquadram neste contexto”. Assim, “este elemento deve ser tido em conta, considerando a importante presença do país asiático no continente africano, bem como o volume de negócios e o apoio à construção de infra-estruturas que garante a muitas nações africanas”. Descreve-se que, neste contexto, “as relações diplomáticas entre o país africano e os seus partidos políticos com a China têm sido flutuantes e marcadas por questões internas, bem como por acontecimentos internacionais”. Hoje o continente africano “está a crescer, tanto economicamente como em termos de infra-estruturas” e a Guiné-Bissau também se enquadra neste crescimento, sendo um país que, depois de 1975, “foi inicialmente liderado pela autoridade do movimento de libertação nacional e, posteriormente, entrou numa fase de graves confrontos políticos e relativa instabilidade”. É, contudo, uma nação com “muitos recursos e um grande potencial de crescimento que deve apenas ser aproveitado da melhor forma”, pelo que as autoridades guineenses procuram que o país cresça “no domínio das infra-estruturas e construa a sua própria autonomia económico-política a partir dos sectores em que encontra as maiores vantagens”. Assim, “é neste contexto que podemos inserir e interpretar as relações entre o país subsariano e a República Popular da China”. Na sua história, a Guiné-Bissau “recebeu ajuda do país asiático [China] neste delicado processo [de descolonização], o que favoreceu relações diplomáticas alternadas entre estas duas entidades políticas”. Segundo o autor, “o perfil teórico da política chinesa sempre se dirigiu tanto ao conjunto de países emergentes da colonização, como à ideia de cooperação para o desenvolvimento entre países descolonizados”, sendo, por isso, “que as relações entre a Guiné-Bissau e a China são tão importantes e tão fortemente caracterizadas num sentido político”. Internacionalização é a chave O autor e académico destaca “duas tendências que se conjugam de forma quase espontânea” no relacionamento entre a China e África. “Por um lado, a China procura estabelecer parcerias com países africanos, tanto para seguir as premissas da sua política económica internacional — formulada desde os primórdios do governo comunista revolucionário — como para adquirir, através do comércio e da cooperação, matérias-primas de grande importância para a indústria do país.” Há, depois, “a tentativa de muitos países africanos de crescer e garantir cada vez mais estabilidade e segurança”, sendo que a “internacionalização, o acesso aos mercados internacionais e a venda das suas matérias-primas tornam-se uma necessidade para estes países”. A internacionalização, através do comércio e exportação de produtos, tem “uma importância vital, tal como a atracção de investimento estrangeiro”. Assim, o académico afirma que a história política da Guiné-Bissau determinou todas essas tendências políticas e económicas que, até à data, são relevantes no âmbito de uma análise complexa da situação actual do país, bem como das suas relações específicas. “O peso real que o fenómeno da descolonização teve condicionou, em todos os aspectos, a forma que o país, o seu comércio e a sua acção diplomática assumiram”, criando-se um cenário de comparação “com a China contemporânea, também nascida de um fenómeno de descolonização”, apesar das devidas diferenças históricas e contextuais. Esse panorama acabou por criar, entre os dois países, “um certo tipo de relação económico-política que intervém num contexto que, sem dúvida, não é fácil (tanto a nível regional como global), mas que avança a um ritmo acelerado numa situação mundial em completa reestruturação”. O artigo cita ainda dados que mostram como a Guiné-Bissau tem registado algum desenvolvimento, apesar de passar “por fases alternadas de sucesso em termos de crescimento económico”, graças a uma grande volatilidade “devido a acontecimentos de natureza política ou ambiental”. Além disso, o autor recorda que a Guiné-Bissau “é frequentemente assolada por choques climáticos”, sendo que nos anos de 2003, 2004 e 2005 sofreu “graves inundações que danificaram as suas infraestruturas, aldeias e o sector agrícola, deixando um impacto grave na economia e na sociedade”.
MNE chinês diz que Macau deve manter-se “aberta ao talento estrangeiro” Hoje Macau - 18 Mar 2026 A comissária do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China em Macau sublinhou ontem que, como centro internacional de cooperação, a cidade deve permanecer “aberta ao talento estrangeiro”. Durante uma sessão de esclarecimento sobre o 15.º Plano Quinquenal do país e o seu impacto no desenvolvimento de Macau, Bian Lixin destacou que serão “reforçadas medidas de facilitação de vistos e de mobilidade transfronteiriça para atrair profissionais altamente qualificados”. Estas incluem acções preferenciais que facilitem a circulação transfronteiriça de cidadãos estrangeiros entre Macau e Hengqin e políticas de facilitação de vistos para cidadãos estrangeiros com residência permanente em Macau que viajem para o continente, apoiando a construção do território como um “centro internacional de talentos de alto nível”. O Governo central chinês estabeleceu a Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin como uma área económica especial destinada a apoiar a diversificação da economia de Macau e complementar vários serviços essenciais para os residentes da cidade. Macau estabeleceu, em Julho de 2023, um programa de captação de quadros qualificados do sector financeiro e das áreas de investigação e desenvolvimento científico e tecnológico, entre eles detentores do Prémio Nobel. O programa prevê, entre outras vantagens, benefícios fiscais. No final de Outubro, o secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Talentos disse que Macau aprovou 464 das mais de mil candidaturas ao programa. A esmagadora maioria dos quadros é da China continental (80 por cento) e de Hong Kong (dez por cento), sendo que 47 por cento tem “experiência de trabalho ou de estudo no estrangeiro”. No entanto, a residência em Macau para cidadãos portugueses tornou-se mais restrita desde Agosto de 2023, sendo agora tratados como outros estrangeiros, focando-se no reagrupamento familiar ou competências técnicas muito específicas. A autorização de residência permanente requer, geralmente, sete anos de residência habitual. Esforços alinhados Segundo a comissária do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Macau, o seu gabinete alinhará esforços diplomáticos para assegurar que a estratégia de desenvolvimento local se articule com as prioridades nacionais. Ao mesmo tempo, Bian destacou que Macau tem de “potenciar a sua diplomacia”, aproveitando os laços com países de língua portuguesa e espanhola para aprofundar a cooperação no âmbito da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” e ampliar os intercâmbios com a Eurásia e o Sudeste Asiático. O Governo de Macau confirmou na terça-feira que o chefe do Executivo, Sam Hou Fai, vai visitar Portugal e Espanha entre 17 e 23 de Abril. Sam Hou Fai, que tomou posse em Dezembro de 2024, apontou como prioridade a promoção dos serviços financeiros e comerciais entre a China e os países hispânicos, como complemento do papel de plataforma sino-lusófona atribuída pelo Governo da China a Macau. O 15.º Plano Quinquenal (2026-2030) para o desenvolvimento da China foi aprovado este mês por Pequim e centra-se em “novas forças produtivas de qualidade”, alta tecnologia, autonomia tecnológica e reforço do consumo interno. O plano estabelece como objectivo um crescimento económico moderado, com metas de Produto Interno Bruto (PIB) entre 4,5 e 5 por cento. O Chefe do Executivo confirmou que os planos de desenvolvimento de Macau serão alinhados com o plano nacional, prometendo “reformas ousadas”.
Aviação | EAU reabrem espaço aéreo após ataques iranianos Hoje Macau - 18 Mar 2026 Os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram ontem de manhã o regresso do tráfego aéreo às operações normais, após ter encerrado total e temporariamente o espaço aéreo durante a madrugada devido a ataques iranianos contra o seu território. Num comunicado da Autoridade Geral da Aviação Civil dos Emirados, a entidade explicou que dada a estabilização da situação e o fim das medidas de precaução anteriormente estabelecidas, foi tomada a decisão de retomar os voos. “A Autoridade confirma que esta decisão surge após uma avaliação integral das condições de segurança, em coordenação com as autoridades relevantes. Sublinhamos que continuará a ser feito um acompanhamento constante para assegurar os mais elevados níveis de segurança aérea”, acrescentou a nota. O encerramento anunciado durante a madrugada foi descrito como “uma medida de precaução excepcional” para garantir a segurança dos voos e proteger o território dos EAU, coincidindo com o anúncio do Ministério da Defesa de que as defesas aéreas do país estavam a responder a ameaças de mísseis e drones provenientes do Irão. A decisão de fechar o espaço aéreo ocorreu poucas horas depois de os voos de e para o aeroporto internacional do Dubai começarem a ser retomados gradualmente, após uma suspensão temporária aplicada na madrugada de segunda-feira. Essa suspensão foi motivada por um incidente com um drone que provocou um incêndio nas imediações da infraestrutura, sem causar vítimas. O ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, em 28 de Fevereiro, desencadeou uma guerra com fortes repercussões para os países do Golfo Pérsico, que se tornaram alvo dos ataques iranianos contra bases e interesses norte-americanos na região. Desde o início do conflito, os voos com origem ou destino nos EAU têm estado sujeitos a suspensões.
Timor-Leste | Governo garante combustível e pode intervir nos preços Hoje Macau - 18 Mar 2026 O ministro do Petróleo e Recursos Minerais de Timor-Leste, Francisco Monteiro, garantiu ontem fornecimento de combustível para os próximos dois meses e admitiu a intervenção do Governo caso os preços disparem devido ao conflito no Médio Oriente. “Até ao momento, não estamos numa fase crítica no que toca a soluções, mas a segurança do abastecimento de combustíveis mantém-se estável e assegurada para os próximos dois meses”, afirmou Francisco Monteiro, em conferência de imprensa. O ministro falava aos jornalistas após a subida do preço dos combustíveis em Timor-Leste, na sequência do conflito no Médio Oriente, e depois de críticas da oposição política, que acusou o Governo de não prestar esclarecimentos à população. “O Ministério do Petróleo garante ao público que a segurança energética, em termos de reservas de combustível, está assegurada para os próximos meses”, insistiu o governante. O ministro explicou também que há uma “coordenação muito intensiva” com as empresas fornecedoras de combustíveis ao país e na semana passada foi realizada uma reunião para “discutir abertamente o que cada entidade está a fazer e tem previsto fazer nos próximos tempos”. Relativamente ao aumento dos preços dos combustíveis no país, Francisco Monteiro explicou que Timor-Leste adoptou o mercado livre e que o seu custo será sempre afectado pelo mercado mundial. O ministro salientou que o Governo poderá adoptar medidas caso o preço do petróleo continue a subir. “Serão tomadas medidas apropriadas para minimizar, tanto quanto possível, os impactos negativos na economia caso os preços aumentem significativamente”, disse. Francisco Monteiro acrescentou que não há motivo para alarme e que existe uma coordenação entre todas as entidades envolvidas. “Devemos manter a confiança. Quanto à questão dos preços, estamos a acompanhar a situação e, a curto prazo, o Governo deverá adoptar algumas medidas para minimizar ao máximo os impactos”, acrescentou.
Caso Kong Chi | Pena aumentada para 24 anos de prisão João Santos Filipe e Nunu Wu - 18 Mar 2026 O Tribunal de Segunda Instância (TSI) concluiu ontem o segundo julgamento de Kong Chi, ex-Procurador-Adjunto da RAEM, e aumentou-lhe a pena de 21 anos de prisão para 24 anos. O colectivo de juízes considerou Kong culpado de vários crimes de corrupção, prevaricação e abuso de poder. Em relação aos outros arguidos, o advogado Ho Kam Meng foi condenado com uma pena de prisão de 15 anos e a empresária Choi Sao Ieng com uma pena de 16 anos e 9 meses de prisão. A advogada e quarta arguida Kuan Hoi Lon, que nunca esteve presente durante o julgamento, foi absolvida de todas as acusações. Segundo o jornal Ou Mun, durante a leitura da sentença, o juiz Choi Mou Pan considerou ter ficado provado que Kong Chi utilizou a sua posição no Ministério Público para arquivar ou pedir a absolvição de arguidos em vários casos, recebendo vários benefícios em troca. Esta actividade foi desenvolvida em conjunto com o advogado Ho Kam Meng e a empresária Choi Sao Ieng. Choi Mou Pan apontou também que aquando da transferência de soberania, Kong Chi fez um juramento do cumprimento dos princípios legais, de integridade e de salvaguarda dos interesses da RAEM. Contudo, para os juízes ficou provado que Kong abusou seus poderes para obter ganhos pessoais, violando as leis. O tribunal destacou ainda que os vários crimes dados como provados só foram possíveis devido à postura do ex-Procurador-Adjunto e que sem ele não teriam ocorrido. Choi Mou Pan afirmou também que a conduta de Kong Chi “teve um impacto profundo em Macau”. Rol de acusações O ex-Procurador-Adjunto da RAEM estava acusado de 79 crimes, entre os quais 56 crimes de prevaricação, todos em co-autoria com Ho Kam Meng, e outros 23 crimes de corrupção passiva para acto ilícito. Ho Kam era acusado de criar/fazer parte de uma associação secreta. Esta associação envolve Kong Chi e Choi Sai Ieng, que foram condenados por este crime no primeiro julgamento. O advogado estava ainda acusado de outros 68 crimes, entre os quais 12 crimes de corrupção passiva para acto ilícito e 56 crimes de prevaricação em co-autoria com Kong Chi. No caso do advogado Ho Kam Meng, o tribunal deu como provado que integrava e prestava apoio à associação ou sociedade secreta, à qual pertenciam também Kong Chi e Choi Sao Ieng, crime pelo que já tinham sido condenado no primeiro julgamento. Quanto a Kuan Hoi Lon, a advogada foi dada como inocente, por se considerar que não ficou provado ter agido além das suas competências legais.
Retratos de homens célebres que conheci Duarte Drumond Braga - 18 Mar 2026 uma vez vi o couto viana, reduzido aos coutos, numa homenagem (neo-sal)az(ar)ista ao palácio da independência uma vez vi o cesariny no lux, na festa da assírio & alvim, com o dedo no ar uma vez vi o herberto helder a tomar uma cerveja nas galegas e não tive coragem de me aproximar, como moisés da sarça ardente uma vez vi o manuel da silva ramos a fugir duma manifestação, a dizer que era surrealista certa vez vi o meu pai na curva da estrada, a perder o juízo uma vez vi o antónio barahona a beijar a testa do defunto gil de carvalho, como mandam as religiões do livro uma vez acenei para o alexandre vargas do outro lado da rua, frente à casa da índia, e ele não me devolveu o cumprimento uma vez bebi um vermute com o eduíno de jesus, o pedro ivo e a maria joão ruivo uma vez vi o meu avô, que era marceneiro homossexual em angra do heroísmo, a cozinhar-me uma faca uma vez ouvi o eduardo lourenço em aix-en-provence a queixar-se do ressonar da cunhada uma vez fingi que não conhecia o manuel cintra uma vez ouvi joaquim manuel magalhães contar uma anedota sobre a mulher a dias do eugénio de andrade a primeira vez que vi o antónio cândido franco ele estava de calções, como um rapazola da mocidade portuguesa a primeira vez que vi o cruzeiro seixas ficou espantado quando lhe disse que o sobrinho do pascoaes era jeitoso o fernando grade pôs-me uma vez no seu “livro do cão” por não ter dinheiro para lhe pagar a revista que me estava a impingir uma vez vi a minha mãe envolvida numa massa de sombras, torcidas e tremidas
A peça de Margarida Vila-Nova Hoje Macau - 18 Mar 2026 Por Gonçalo Alvim O monólogo “À primeira vista”, protagonizado por Margarida Vila Nova e encenado por Tiago Guedes, esteve em exibição este Sábado, 14 de Março, no Centro Cultural de Macau. Tive a oportunidade de assistir e, tal como a generalidade do público presente, gostei da interpretação e do enredo, adaptado da obra de Suzie Miller. No final da peça houve uma conversa com a actriz e o encenador, tendo o público sido desafiado a colocar as suas questões. E assim pudemos perceber diferentes opiniões, questões que o tema levanta, e o que pensam os protagonistas sobre a mensagem transmitida. Para quem não tenha visto, a peça versa o tema do abuso sexual de mulheres, relatando a história ficcionada de uma advogada criminal, a Teresa, que tendo defendido com sucesso presumíveis agressores sexuais, acaba por ser ela própria agredida sexualmente por um colega, numa relação que começara em acaso e consentimento e acaba em violação não consentida. Teresa, embora percebendo a fragilidade jurídica do seu caso, decide corajosamente levá-lo a tribunal, mas não é bem-sucedida nos seus intentos e o colega sai ilibado. A peça não pretende trazer soluções imediatas, limita-se mostrar, de dois ângulos distintos, o drama vivido por vítimas de abuso sexual. Com efeito, é feita a contraposição entre a segurança de quem sabe jogar com o sistema jurídico vigente –Teresa enquanto advogada criminal –, com as fragilidades de quem se vê no papel da vítima – Teresa depois de ter sido abusada sexualmente. Embora o sentimento geral na sala tenha sido de aprovação, e tenha mesmo havido uma sugestão de adaptação da peça às escolas com o intuito de sensibilizar os mais novos para o problema das relações não consentidas, parece-me que a peça comporta, por um lado, alguns perigos para a sociedade – sobretudo para os mais novos; e, por outro, merece reflexões importantes que não foram aventadas. Como disseram os protagonistas, a finalidade da peça passa muito por levantar questões e suscitar reflexões, não por dar as soluções. E é isso que vou procurar fazer. Entre os riscos que vejo na peça, está a exposição dos limites do sistema jurídico, onde casos como este, sobretudo quando bem orientados pela defesa do arguido, levam normalmente à absolvição. A vincar este aspecto temos a actuação de Teresa na absolvição de clientes seus, expondo-nos com cinismo as fragilidades da Justiça e as naturais incoerências das vítimas que passaram por situações de violação; e há depois o seu próprio caso, onde, apesar da sua experiência e conhecimento da legislação, não consegue apresentar provas irrefutáveis, cai em incoerências e acaba por não conseguir a condenação de Francisco. E assim, após mais de dois anos de sofrimento com o caso, vê-se vítima do sistema que usava e sai emocionalmente destruída do Tribunal. Alguns dos presentes no público sugeriram que o caminho deveria passar pela alteração de alguma da jurisdição, mas a verdade é que isso é muito difícil de levar à prática e comporta riscos – dado o sistema vigente de presunção de inocência até prova em contrário. E assim, esta divulgação das imperfeições do sistema jurídico, sem solução à vista, corre o risco de trazer, por um lado, uma desconfiança na Justiça por parte das vítimas, que concluem não valer a pena levar para a frente as acusações; e, por outro, um sentimento de impunidade por parte de eventuais violadores, percebendo agora que se fizerem as coisas de uma determinada maneira, sem provas evidentes, não sofrerão consequências. O ónus da prova cabe à vítima e eles nem sequer têm de depor em Tribunal. Outro aspecto preocupante para mim, enquanto pai, é a insegurança transmitida às raparigas em relação aos rapazes, assim como o sentimento de impotência dos rapazes em contrariar esta desconfiança lançada sobre si. No limite, isto poderia levar à criação de muros entre si, não de relações de confiança que a sociedade precisa para crescer. A protagonista da peça refere mesmo que um em cada três homens comete, ou terá cometido, abusos sexuais, o que me fez olhar em volta e estimar que, se assim fosse, naquela sala haveria várias dezenas de homens nessa situação. A peça não pretende dar soluções, como Tiago Guedes sublinhou na conversa, mas apenas levantar o véu sobre um problema que persiste na sociedade. Para além de ter sido bem interpretada, a história está bem conseguida e bem montada, evidenciando dois aspectos que não foram mencionados pelo público mas que devem estar no centro de uma conversa com jovens sobre o tema. O primeiro tem a ver com a construção de relações. Teresa mal conhecia Francisco, apenas sabia que ele era de um meio social mais privilegiado que o seu e concluíra, pelos casos jurídicos que ele tinha defendido, que teria um futuro promissor. No entanto, talvez com alguma ambição de permeio, deixou precipitar as coisas de uma forma muito rápida, entrando assim naquele limbo de não saber bem que tipo de relação tinham, mas sem que isso a levasse a recuar, deixando a relação correr sem norte. Isto faz parte de alguma tendência em procurar a gratificação no imediato, em detrimento de uma relação mais sólida, que exige tempo e espaço de discernimento. Na peça, a mãe da Teresa assistiu em Tribunal à exposição desse vertiginoso desenvolvimento da relação dos dois, e aparentemente terá permanecido impávida. Percebemos que deve ter sofrido, porque não é isto que uma mãe pretende para a filha. O segundo aspecto com importância na compreensão da história, e que está directamente relacionado com o primeiro, foi o consumo excessivo de álcool por parte de Teresa e Francisco em diferentes ocasiões, o que terá contribuído para a precipitação dos acontecimentos que se desenrolaram. Como sabemos, o álcool desinibe, baixa-nos as defesas e, em excesso, pode mesmo alterar-nos de uma forma irreconhecível. Francisco, que inicialmente é apresentado como um pouco tímido, envolveu-se com Teresa no escritório após consumirem bebidas alcoólicas em demasia; depois, durante o acto não consentido, estariam os dois bastante embriagados. Não importa aqui discutir se esse facto atenua a gravidade do que aconteceu, mas alertar, sobretudo os mais jovens, para os perigos envolvidos quando se abusa no consumo de álcool. Beber em demasia leva a situações que ultrapassam a capacidade de controlo de quem bebe, e esse facto deve ser tido em conta não apenas quando bebemos, mas também quando outros que estejam connosco tenham bebido. A situação pode fugir ao nosso controle e convém estarmos alertados. Concluindo, gostei muito da peça mas fiquei aliviado de os meus filhos não terem ido. Se isso tivesse acontecido, sei que teria depois de ter com eles longas conversas para enquadrar o que tinham assistido e desvalorizar o que estava a ser insinuado. E quando no final a protagonista, de forma bastante directa, sugeriu que olhássemos para a esquerda e para a direita, no pressuposto matemático de que alguém ao nosso lado teria estado envolvido num acto sexual não consentido, asseguro que olhei com atenção para ver se alguém o fazia. Ninguém o fez. Concluí que, em geral, os que assistiram à peça confiam uns nos outros. Nem tudo está perdido.
Médio Oriente | Pequim envia ajuda para aliviar “profundo desastre humanitário” Hoje Macau - 18 Mar 2026 A China assegurou ontem que “as actuais hostilidades provocaram um profundo desastre humanitário” nos países do Médio Oriente, aos quais propôs o envio de ajuda de emergência, transmitindo também solidariedade com as populações afectadas. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian declarou, em conferência de imprensa, que “a China tem sempre posto em prática o conceito de uma comunidade de futuro partilhado para a humanidade, defendendo o espírito do internacionalismo e do humanitarismo”. Lin anunciou que o país “decidiu fornecer assistência humanitária de emergência ao Irão, à Jordânia, ao Líbano e ao Iraque, na esperança de que isto ajude a aliviar a difícil situação humanitária enfrentada pelas populações locais”, sem detalhar o alcance da ajuda. “A China vai continuar a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para promover a paz, facilitar o rápido restabelecimento da paz e da estabilidade regionais e evitar que a crise humanitária se agrave ainda mais”, acrescentou o porta-voz. Lin respondia assim a uma pergunta sobre estimativas recentes da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), que calculou em 3,2 milhões o número de pessoas deslocadas dentro do Irão devido ao actual conflito com Israel e os Estados Unidos. No Líbano, o conflito entre Israel e o movimento xiita libanês Hezbollah, apoiado pelo Irão, causou o deslocamento forçado de mais de 600.000 pessoas, de acordo com o ACNUR. A China, principal parceiro comercial de Teerão e maior comprador do seu petróleo, tem condenado repetidamente os ataques ao Irão por parte dos Estados Unidos e de Israel por “violarem a soberania” do país persa. O país asiático instou ainda à protecção das rotas marítimas, tendo em conta que 45 por cento do petróleo que importa passa pelo estreito de Ormuz.
Corrupção| Julgamento por subornos de ex-chefe do PCC em Hubei Hoje Macau - 18 Mar 2026 A campanha anticorrupção iniciada com a chegada de Xi Jinping ao poder em 2012 faz mais uma vítima de peso A China levou a julgamento por alegados subornos um antigo secretário provincial do Partido Comunista Chinês por alegado uso de cargos anteriores no sistema financeiro estatal e em governos locais para obter benefícios indevidos, foi ontem divulgado. Segundo informou a Procuradoria Popular Suprema, a sua delegação em Nanjing (leste) apresentou a acusação num tribunal intermédio após concluir a investigação do caso, que tinha sido previamente transferido pela Comissão Nacional de Supervisão, principal organismo anticorrupção do Estado. As autoridades acusam Jiang Chaoliang de ter aproveitado vários cargos ao longo da sua carreira, incluindo funções de direcção em instituições financeiras estatais e responsabilidades em governos provinciais, para favorecer terceiros e aceitar subornos de montante “especialmente elevado”. Jiang ocupou cargos de relevo no sector financeiro chinês antes de entrar na política, tendo sido governador da província nordeste de Jilin entre 2013 e 2016 e posteriormente secretário do Partido Comunista em Hubei entre 2016 e 2020. Em Fevereiro de 2020, nas primeiras semanas da crise sanitária provocada pelo coronavírus, foi destituído deste último cargo no meio de críticas à gestão inicial do surto em Wuhan, capital de Hubei. Em Outubro de 2025, as autoridades anunciaram a sua expulsão do Partido e a destituição de cargos públicos após uma investigação por “graves violações da disciplina e da lei”, fórmula habitualmente utilizada em casos de corrupção. O caso insere-se na campanha anticorrupção lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, desde a sua chegada ao poder em 2012, que atingiu funcionários de todos os níveis, desde quadros locais até dirigentes provinciais, altos responsáveis militares e gestores de grandes empresas estatais. Esta ofensiva, um dos pilares do mandato de Xi, já revelou inúmeros casos de suborno e abuso de poder no aparelho do Partido e do Estado. Em 2025, as autoridades investigaram 115 funcionários de nível provincial ou ministerial ou superior, segundo dados oficiais, num contexto de reforço do controlo disciplinar coincidindo com os preparativos para o novo plano quinquenal que definirá as políticas do país entre 2026 e 2030.