Korean Air proíbe galos a bordo dos EUA para as Filipinas Hoje Macau - 4 Mai 2026 Organizações de defesa dos direitos dos animais congratularam-se ontem com a decisão da companhia aérea Korean Air de proibir o transporte de galos dos Estados Unidos apara as Filipinas, onde as lutas com estes animais constituem uma indústria lucrativa. As autoridades estimam receitas na ordem das dezenas de milhões de dólares por semana geradas por lutas entre galos equipados com esporões metálicos afiados, dinheiro que alegadamente alimenta o crime organizado. Activistas e um criador filipino, Eduardo Eugenio, indicaram à AFP que os Estados Unidos da América (EUA) fornecem um grande número de galos destinados a estas lutas, pelo que a proibição da companhia aérea Korean Air promete ter um “impacto enorme”. A companhia sul-coreana confirmou, num comunicado enviado ontem à AFP, ter “suspendido o transporte de galos de qualquer idade nas ligações entre os Estados Unidos e as Filipinas”. “A Korean Air compromete-se a garantir o transporte legal e seguro de animais vivos, em conformidade com as leis e regulamentos em vigor”, acrescentou. A organização não-governamental (ONG) americana de defesa dos animais Animal Wellness Action declarou que a Korean Air era, na sua opinião, “a maior companhia aérea do mundo envolvida no transporte ilegal de galos de combate”. Embora a transportadora não tenha mencionado explicitamente os galos de combate no seu comunicado, várias organizações afirmaram que esta proibição é o resultado da sua campanha destinada a proibir uma prática que consideram cruel. Por ar e por terra Jana Sevilla, porta-voz da organização PETA nas Filipinas, declarou à AFP que a decisão, aplaudida pelo grupo, visa “certamente” as lutas de galos. “Esperamos […] que outras companhias aéreas sigam este exemplo”, acrescentou Jana Sevilla, recordando que as Filipinas fazem parte dos países onde as lutas de galos ainda são autorizadas. Esta semana, a ONG Animal Wellness Action reivindicou, num comunicado, o mérito desta medida, que surge na sequência de vários meses de investigação e troca de correspondência. “A Korean Air concordou em atender ao nosso pedido de pôr fim a todos os envios de galos para as Filipinas”, indicou a organização, referindo que criadores americanos fornecedores destas aves se fazem frequentemente passar por agricultores ou criadores inofensivos e enviam todos os anos “dezenas de milhares” de animais para as Filipinas. Outros galos criados nos EUA são transportados por via terrestre e aérea para o México, onde as lutas continuam a ser autorizadas em alguns estados. Segundo Eduardo Eugenio, responsável por uma exploração de 300 aves na cidade de Tagum, no sul do país, “a actividade nas Filipinas depende muito” dos criadores americanos.
Importações de vinho na China caíram para metade face a 2018 Hoje Macau - 4 Mai 2026 O director-geral de uma das maiores importadoras de vinho na China descreveu à Lusa uma transformação profunda do sector, marcada por uma quebra de 50 por cento nas importações face a 2018 e maior sofisticação dos consumidores. “O mercado que existia em 2018, hoje, é menos de metade”, afirmou à Lusa o português Francisco Henriques, director-geral da China Wines & Spirits, com sede em Xangai, a “capital” económica da China, que celebrou esta semana o seu 20.º aniversário. Em entrevista à Lusa, o responsável, que está há quase duas décadas na China, descreveu uma transformação profunda do sector, marcada por uma quebra “brutal” do consumo, associada a uma combinação de factores, desde a campanha anticorrupção e de austeridade promovida por Pequim, que inclui restrições ao consumo de álcool em eventos oficiais, até ao impacto da crise no sector imobiliário, que reduziu o apetite por bens considerados de luxo. Dados recentes indicam que, só no último ano, as importações chinesas de vinho recuaram 11 por cento, situando-se agora em cerca de metade dos níveis registados em 2018, quando o país comprou vinho estrangeiro no valor de quase 3 mil milhões de dólares. Durante anos, a China foi um dos principais motores do sector vinícola global, com produtores de regiões como Bordéus ou Austrália a dependerem fortemente da procura chinesa. Em 2019, cerca de um quarto das exportações de Bordéus tinham como destino o país asiático. Mas a quebra recente está a ter impacto global. Produtores enfrentam excesso de oferta, queda de preços e, em alguns casos, estão a arrancar vinhas ou a deixar uvas por colher. Além do contexto económico e político, Henriques apontou também para uma transformação cultural, sobretudo entre os mais jovens, que “bebem menos e bebem diferente”. Segundo o responsável, há duas décadas o vinho era consumido sobretudo por uma elite e dominado quase exclusivamente por França, sendo muitas vezes associado a ofertas e banquetes oficiais. Hoje, disse, o mercado está “em vias de maturidade”, com maior diversidade de origens e um consumo mais individualizado. “Há 20 anos bebia-se uma garrafa por pessoa, hoje as pessoas preferem beber um copo, mas melhor”, explicou. Tempos modernos O consumo deslocou-se também para novos contextos, com o crescimento das entregas ao domicílio e das compras através de aplicações móveis. “Os consumidores podem encomendar uma garrafa no telemóvel e recebê-la meia hora depois”, disse, sublinhando a necessidade de adaptação do sector a estes novos hábitos. Apesar da contracção do mercado, Henriques considerou que a China continua a ser uma aposta estratégica para países como Portugal, embora exija um trabalho de longo prazo. “Quando o consumidor prova, gosta”, afirmou, destacando a tipicidade das castas portuguesas como uma vantagem competitiva. O principal desafio, disse, é garantir presença consistente no mercado, nomeadamente na restauração, hotéis e canais de distribuição. “É preciso que o vinho esteja disponível (…) e esse é o trabalho difícil”, afirmou. Henriques alertou que muitos produtores falham ao encarar a China como um mercado de oportunidades rápidas, sem investimento continuado. “Aquele produtor que vem à China, exporta um contentor e depois fica à espera (…) não resulta”, disse, defendendo a importância de parcerias estáveis com importadores locais. Num mercado que descreveu como “muito dinâmico”, onde empresas entram e saem com frequência, encontrar o parceiro certo pode ser “como uma agulha no palheiro”. O responsável sublinhou que a dimensão e evolução do mercado justificam o esforço. “É um trabalho que demora anos, mas que traz frutos”, afirmou.
ONU | MNE chinês presidirá debate do Conselho de Segurança Hoje Macau - 4 Mai 2026 A China, que preside este mês ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, anunciou sexta-feira que organizará um debate de nível ministerial visando “defender a Carta da ONU”, que será presidido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros chinês. O representante permanente da China junto das Nações Unidas (ONU), Fu Cong, apresentou sexta-feira à imprensa a agenda mensal de Pequim, indicando que o ministro Wang Yi presidirá ao debate de alto nível subordinado ao tema “Defender os Propósitos e Princípios da Carta da ONU e Fortalecer o Sistema Internacional Centrado na ONU”, agendado para 26 de Maio. “Nos últimos anos, temos assistido a uma crescente turbulência no panorama internacional. Os conflitos estão a aumentar, as divisões estão a aprofundar-se e o sistema multilateral — juntamente com o direito internacional — está sob considerável restrição”, afirmou o diplomata, em Nova Iorque. “Tudo isto aconteceu não porque a ONU esteja desactualizada ou tenha falhado. Pelo contrário, isto acontece porque os propósitos e os princípios da Carta não são efectivamente respeitados e o sistema internacional centrado na ONU não é mantido com afinco”, acrescentou Cong. Nesse sentido, o embaixador defendeu que a comunidade internacional deve tomar medidas urgentes para defender a autoridade da Carta e reforçar o papel das Nações Unidas, a fim de evitar que o “mundo recaia na lei da selva” e “salvar as gerações futuras do flagelo da guerra”. A segunda prioridade da presidência rotativa chinesa será promover a solução política no Médio Oriente, região que classificou como o lugar do mundo “onde se desenrolam a maioria dos problemas críticos”. “O Conselho de Segurança deve instar as partes relevantes, em particular Israel, a observarem integralmente o acordo de cessar-fogo em Gaza, a garantirem o acesso humanitário, a interromperem as actividades de colonato e a trabalharem para revitalizar a perspetiva da solução de dois Estados”, instou Fu Cong. Ainda sobre Gaza, o diplomata afirmou que a “negação dos legítimos direitos nacionais do povo palestiniano é a maior injustiça dos nossos tempos”. Em relação ao Líbano, o diplomata notou que a situação continua muito instável e frágil, frisando que os ataques contra civis libaneses e contra as forças de manutenção da paz da ONU “são inaceitáveis”. O Conselho de Segurança deve enviar uma mensagem clara de apoio à soberania, segurança e integridade territorial do Líbano, apelou o representante de Pequim, defendendo ainda apoio ao Governo libanês na estabilização da situação interna e na garantia da paz. Questão iraniana Questionado sobre o papel da China nas negociações de cessar-fogo entre Washington e Teerão e sobre o que Pequim está disposto a fazer para reabrir o Estreito de Ormuz, Cong optou por sublinhar que a causa principal da situação actual é a “guerra ilegítima dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão”. “Francamente, estamos muito preocupados com algumas das declarações que temos ouvido recentemente sobre este cessar-fogo ser temporário, sobre a necessidade de iniciar outra ronda de ataques. Penso que a comunidade internacional deve mobilizar-se e elevar a voz contra o retomar dos combates naquela parte do mundo”, declarou. “Sobre o papel da China, temos defendido a paz e estamos a falar com todos os lados. O nosso ministro dos Negócios Estrangeiros tem estado ao telefone quase constantemente e também apoiamos totalmente os esforços do Paquistão de mediação entre as partes. Esperamos que estes esforços possam trazer resultados positivos”, adicionou. Sobre a situação no Estreito de Ormuz, Fu Cong disse estar certo de que, se esse bloqueio ainda se mantiver quando o Presidente norte-americano, Donald Trump, visitar a China nos dias 14 e 15 de Maio, essa questão estará entre os principais temas da agenda das conversações bilaterais. A terceira prioridade apontada por Cong para este mês diz respeito à estabilidade e ao desenvolvimento dos países africanos, garantindo que Pequim apoiará os esforços para “resolver as questões africanas de forma africana”. Este mês, o Conselho de Segurança vai também realizar o seu debate anual sobre a protecção de civis em conflitos armados.
Bienal de Veneza | Macau participa com obras sobre Wu Li Hoje Macau - 4 Mai 2026 Macau vai estar representada na Bienal de Veneza este ano com uma exposição inspirada na vida do pintor e poeta católico chinês, Wu Li (1623-1718), também conhecido como Jacone. Com curadoria conjunta de Feng Yan e Ng Sio Ieng, a exposição organizada pelo Instituto Cultural de Macau (IC) e implementada pelo Museu de Arte de Macau reúne os artistas locais Eric Fok Hoi Seng, O Chi Wai e Veronica Lei Fong Ieng, sendo inaugurada em Veneza a 8 de Maio. Segundo o IC, o projecto integra instalação, pintura e vídeo, e inspira-se na figura do pintor e poeta Wu Li, que viveu entre o final da dinastia Ming e o início da dinastia Qing, para reinterpretar a sua “viagem criativa transcultural e espiritual”. Wu Li residiu em Macau em 1681, durante o reinado do imperador Kangxi, onde estudou teologia e registou na coletânea Sanba Ji a convergência das culturas chinesa e ocidental. Tendo estudado latim e teologia no Colégio de São Paulo, a primeira escola de estilo Ocidental na China, Wu converteu-se ao catolicismo e foi missionário jesuíta na província chinesa de Jiangsu, referindo-se a si mesmo como “Jacone”. A exposição recria, através da arte contemporânea, a viagem à Europa que o “poeta nunca realizou”, celebrando as “raízes culturais de Macau e a sua herança multicultural”. A mostra estará patente de 9 de Maio a 22 de Novembro de 2026 no Arsenale, Campo della Tana, em Veneza, com entrada gratuita. Macau participou pela primeira vez na Bienal de Veneza em 2007, sendo esta a décima participação do território no maior e mais antigo palco internacional de arte.
Mostras sobre José Saramago em Timor-Leste Hoje Macau - 4 Mai 2026 A inauguração de uma exposição sobre José Saramago em Díli, hoje, marca o arranque das celebrações do Dia Mundial da Língua Portuguesa em Díli, Timor-Leste, que decorrem durante toda a semana. A semana da língua portuguesa – para assinalar a data (5 de Maio) instituída pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) -, foi organizada pelo grupo dos embaixadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) na capital timorense, nomeadamente Angola (que preside), Brasil e Portugal, em parceria com as instituições timorenses. “Esta exposição é organizada em sete núcleos expositivos, cada um corresponde a um subtema dentro da lógica de Saramago e nós quisemos destacar uma faceta de Saramago muito menos conhecida, que é o Saramago poeta”, afirmou à Lusa o embaixador de Portugal em Díli, Duarte Bué Alves. A inauguração da exposição, com o título “Que lembrança ficou no mundo que tiveste” (um verso da poesia de Saramago), vai contar com a presença do secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, que se encontra em Díli para participar na reunião de ministros da Cultura da CPLP, a realizar esta terça-feira. Outros destaques O embaixador de Portugal destacou também a exposição que vai ser levada ao município de Aileu, no sábado, sobre o poeta António Gedeão, que era professor e físico. “É sobre a física do dia a dia, uma forma de as crianças aprenderem física, a ciência, mas também a literatura e poesia de António Gedeão”, disse o embaixador Duarte Bué Alves. As celebrações vão também contar com a participação da secretária de Estado da Administração Escolar, Maria Luísa Oliveira, que chega quarta-feira a Díli para participar na reunião dos ministros da Educação da CPLP, que se realiza na quinta-feira. Segundo o embaixador, na sexta-feira, os três embaixadores da CPLP, em conjunto com a secretária de Estado da Administração Escolar, vão ao Externato de São José, em Díli, oferecer livros de autores portugueses, brasileiros e angolanos. A semana de celebração do Dia Mundial de Língua Portuguesa vai incluir também oferta de livros ao Ministério da Educação, a cerimónia de entrega de prémio de Língua Portuguesa (na Fundação Oriente) e a apresentação do coro da Escola Portuguesa de Díli no parlamento timorense, entre outros eventos.
IPOR | Festival traz escritos de Coco Cheong e de autores portugueses Hoje Macau - 4 Mai 2026 Começa amanhã mais uma edição do festival “Letras & Companhia”, promovido pelo Instituto Português do Oriente, e que este ano tem como tema “A Minha Cidade”. De Macau, a escritora Coco Cheong apresenta o livro “Our Precious Moments”, estando também convidada a escritora de livros infantis e jornalista Inês Cardoso. Decorrem ainda actividades de leitura com a ilustração em destaque O Instituto Português do Oriente (IPOR) apresenta amanhã, com o apoio do grupo Galaxy, mais uma edição do festival “Letras&Companhia – Festival Literário e Cultural para Pais e Filhos”, que se dedica ao universo da literatura infantil e ilustração. O tema deste ano é “A Minha Cidade”, sendo que o evento conta também com apoio do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, prolongando-se até ao dia 24 de Maio. Do programa, destaca-se a presença da escritora local Coco Cheong, com a apresentação da obra “Our Precious Moments”, em chinês e inglês, seguindo-se “uma oficina para os mais novos com jogos de quebra-gelo, momentos de desenho e contos”, descreve um comunicado de imprensa. Outro dos nomes constantes no programa, é o de Inês Cardoso, jornalista e directora do Jornal de Notícias, e também autora de livros infantis. Será lançado o livro “Londres ao Porto numa gaivota”, além de que Inês Cardoso vai também protagonizar uma sessão de formação para professores “sobre desinformação, partilhando ferramentas pedagógicas para desenvolver o pensamento crítico e a verificação de informação junto dos alunos”. Inês Cardoso estará também presente para uma conversa aberta ao público no Consulado de Portugal em Macau e Hong Kong. O festival arranca amanhã na Escola Portuguesa de Macau, com a entrega de minibibliotecas escolares a instituições de ensino não superior de Macau onde se ensina a língua portuguesa. No cartaz consta também a presença de Afonso Cruz, que apresenta o livro “Assim, mas sem ser assim: Considerações de um Misantropo”, sendo que o autor também dará um workshop de escrita criativa aberto ao público. Imagens que nos ligam André Letria, ilustrador português, apresenta o projecto “A Minha Cidade”, que chega agora a Macau graças ao “Letras & Companhia”. Segundo a mesma nota, este projecto nasceu de uma colaboração com várias escolas locais, onde “os alunos criaram mapas ilustrados da cidade, revelando o seu olhar íntimo e quotidiano”. Os trabalhos estarão expostos no IPOR após a inauguração da exposição, na qual André Letria falará sobre o projecto numa mesa-redonda e lançará o seu próprio mapa de Macau. O ilustrador e criador da editora Pato Lógico dinamizará ainda várias oficinas pedagógicas nas escolas, explorando a ilustração como meio de criatividade e expressão artística, bem como uma formação de professores sobre literacia visual. O IPOR exibe ainda, no contexto do festival, quatro curtas-metragens de animação infantis, escolhidas a partir do programa do Festival lisboeta de Animação “Monstra” (edição de 2025). Andrea Magalhães, por sua vez, realizará diferentes oficinas dirigidas a públicos jovens de várias faixas etárias. Haverá também três momentos de teatro, sendo que um deles acontece em parceria com a associação Sílaba, que apresenta “A Revolta dos Lusecos”, “peça que transporta o público para os acontecimentos marcantes do 25 de abril de 1974 em Portugal”. Já a Joyful, companhia de teatro de Hong Kong, apresenta “The Secret Magic Recipe: Enemy Pie”, uma peça interativa inspirada em livros infantis, seguida de uma oficina de fantoches e storytelling para pais e filhos. O festival encerra na Fundação Rui Cunha com o espectáculo musical “(En)Cantar com Alice e Sebastião”, com Sara Meireles, que começa às 15h e que também vai ser apresentado nas escolas locais. A sexta edição do festival procura “abordar a relação intrínseca entre a cidade enquanto espaço físico e a comunidade que nela habita, tópico que guiará todas as actividades que integram o programa”. “Esta relação é retratada etimologicamente – a palavra cidade deriva do termo latino ‘civitas’, que significa “cidadania” ou “membro da comunidade”. A cidade não é só um ‘habitat’, porque não se cumpre na sobrevivência material da espécie, mas é um todo orgânico que envolve os vestígios urbanísticos do passado e a comunidade do presente que, ao preservar e atualizar o legado de que faz parte, aponta para o futuro”, descreve a organização do evento.
Economia | PIB cresceu de 7,1% no primeiro trimestre Hoje Macau - 4 Mai 2026 No primeiro trimestre deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) atingiu 108,01 mil milhões de patacas, o que significou um crescimento anual de 7,1 por cento, de acordo com os dados preliminares divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Segundo a DSEC, estes números mostram “um crescimento estável” porque “as exportações de serviços continuaram a subir a um ritmo acelerado, impulsionadas pelo aumento significativo do número de visitantes”. As exportações globais de serviços aumentaram 13,9 por cento no primeiro trimestre de 2026, visto que o número de entradas de visitantes na RAEM subiu 13,7 por cento, em termos homólogos. Em relação à procura interna, a despesa de consumo privado cresceu 2,8 por cento, em termos anuais, ao passo que a despesa de consumo final do Governo e a formação bruta de capital fixo desceram 4,8 por cento e 21,9 por cento, respectivamente. Segundo a mesma fonte, o PIB encontra-se ao nível de 90,3 por cento da economia do primeiro trimestre de 2019, antes da pandemia da covid-19.
Melco | Lucros mais do que duplicam até Março Hoje Macau - 4 Mai 2026 A operadora de jogo em Macau Melco Resorts and Entertainment anunciou lucros líquidos de 76,8 milhões de dólares no primeiro trimestre do ano, um aumento de 136 por cento em termos anuais. Em igual período de 2025, a Melco, com três casinos no território, registou lucros líquidos de 32,5 milhões de dólares, indicou a companhia, em comunicado divulgado na quinta-feira à noite. As receitas operacionais do grupo, no período em análise, foram de 1,37 mil milhões de dólares, subindo cerca de 11 por cento comparativamente ao primeiro trimestre do ano passado, quando registou 1,23 mil milhões de dólares, indicou a empresa liderada por Lawrence Ho, filho do magnata do jogo Stanley Ho. Os lucros operacionais entre Janeiro e Março deste ano alcançaram 179 milhões de dólares, representando uma subida de 23,5 por cento em relação ao mesmo período de 2025 (144,9 milhões de dólares), lê-se ainda no comunicado.
Jogo | Lucros da MGM China descem 4% no primeiro trimestre Hoje Macau - 4 Mai 2026 A operadora de jogo MGM China anunciou que o primeiro trimestre deste ano ficou marcado por uma descida dos lucros, apesar da subida das receitas. A empresa reportou lucros operacionais de 273 milhões de dólares, menos 4 por cento em relação ao mesmo período do ano passado. Este resultado foi pressionado pelo aumento das despesas de licenciamento de marca, que duplicaram para 41 milhões de dólares, na sequência de um novo acordo de longo prazo entre a MGM China e a companhia mãe, a operadora de jogo norte-‑ americana MGM Resorts. O encargo adicional acabou por limitar a rentabilidade, mesmo com o crescimento das receitas líquidas, que subiram 9 por cento para 1,1 mil milhões de dólares. Mesmo assim, Bill Hornbuckle, presidente e CEO da MGM Resorts, afirmou que o grupo está “satisfeito por reportar receitas consolidadas recorde no primeiro trimestre, impulsionadas sobretudo pela MGM China e pela MGM Digital, bem como pelo crescimento da BetMGM na América do Norte”. No total, a MGM Resorts registou receitas de 4,5 mil milhões de dólares, um aumento de 4 por cento face ao período homólogo. Contudo, os lucros operacionais caíram para 580 milhões de dólares, contra 637 milhões de dólares no ano anterior.
Jogo | Receitas de Abril foram as mais baixas dos últimos sete meses Hoje Macau - 4 Mai 2026 Nem tudo foram más notícias para a principal indústria de Macau. Apesar dos resultados mensais mais baixos desde Setembro, Abril trouxe um crescimento anual de 5,5 por cento das receitas brutas dos casinos As receitas do jogo registaram em Abril uma queda de 12 por cento, em termos mensais, alcançando o valor mais baixo dos últimos sete meses, de acordo com dados anunciados na sexta-feira. Os casinos arrecadaram 19,9 mil milhões de patacas em Abril, contra 22,6 mil milhões de patacas no mês anterior, de acordo com dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Trata-se do valor mais baixo desde Setembro de 2025, quando as receitas dos casinos totalizaram 18,3 mil milhões de patacas. No entanto, em termos homólogos, as receitas apresentaram um crescimento de 5,5 por cento, dado que em Abril do ano passado as receitas tinham alcançado 18,9 mil milhões de patacas. Em 2025, as receitas de 18,9 mil milhões de patacas foram as terceiras mais baixas desse ano, ficando apenas a cima do mês de Setembro, quando o valor foi de 18,3 mil milhões de patacas e do mês de Janeiro, que teve receitas de 18,2 mil milhões de patacas. Os número revelado na sexta-feira ainda está longe da realidade pré-pandemia. Em Abril de 2019, as receitas do jogo atingiram 23,6 mil milhões de patacas, uma diferença de 18,6 por cento ou 3,7 milhões de patacas. Carteira mais pesada Em termos de receita bruta acumulada, os primeiros quatro meses deste ano registaram uma subida de 12,1 por cento em relação ao ano anterior, com um total de 85,8 mil milhões de patacas contra 76,5 mil milhões de patacas entre Janeiro e Abril de 2025. Também neste aspecto os números estão distantes da realidade pré-covid-19. Em 2019, nos primeiros quatro meses do ano, as receitas do jogo atingiram 99,7 mil milhões de patacas, uma diferença de 23,2 mil milhões de patacas para os números mais recentes. Apesar disso, as receitas continuam a crescer ano após ano, com os primeiros quatro meses de 2026 a atingirem as maiores receitas desde a pandemia. Macau fechou o ano passado com receitas totais de 247,4 mil milhões de patacas, mais 9,1 por cento do que no ano anterior (226,8 mil milhões de patacas).
Turismo | Hóspedes internacionais sobem 16% em três meses Hoje Macau - 4 Mai 2026 O número de hóspedes internacionais que ficaram em hotéis de Macau aumentou 16 por cento no primeiro trimestre deste ano para 338 mil, em comparação com mesmo período do ano passado. Segundo dados dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) do território, a maioria desses hóspedes veio da Coreia do Sul, cerca de 106 mil, mais 15,1 por cento que em 2025. Registaram-se aumentos também no número de hóspedes da Tailândia (28 mil, +61,3 por cento), da Malásia (22 mil, +1,2 por cento) e da Índia (19 mil, +51,0 por cento). Em contrapartida, o número de visitantes do Japão (25 mil) e da Indonésia (14 mil) registou quedas de 2,9 por cento e 18,2 por cento, respectivamente. As autoridades de turismo de Macau estão a tentar atrair mais turistas internacionais para a cidade, para reduzir a dependência do território dos turistas oriundos do Interior da China. Estes esforços têm incluído maior oferta de produtos turísticos, a organização de grandes eventos e actividades de promoção em diferentes países, incluindo Portugal. Mais de 3 milhões No total, os hotéis acolheram 3,67 milhões de hóspedes entre Janeiro e Março, mais 2,6 por cento em termos anuais. O Interior da China continua a representar a maior fatia do número total, com 2,74 milhões de visitantes, um aumento de apenas 0,6 por cento, com hóspedes de Hong Kong a aumentar 4,3 por cento até 390 mil. A taxa de ocupação média dos quartos fixou-se em 92,3 por cento, mais 2,1 pontos percentuais face ao primeiro trimestre de 2025. Existem actualmente 147 hotéis em Macau, que disponibilizam 45.400 quartos. Os hotéis de cinco estrelas registaram uma taxa de ocupação de 95,4 por cento, os de quatro estrelas 88,7 por cento e os de três estrelas 87,5 por cento. No mesmo período, o número de entradas de visitantes em excursões caiu 14 por cento, para 475 mil, com o número visitantes internacionais em excursões a crescer 16,1 por cento para 61 mil. As excursões provenientes do Interior da China (385 mil) diminuíram 20,4 por cento, com as autoridades de Macau a indicarem que mais turistas chineses estão a escolher viajar sozinhos.
Espectáculos | Cadeiras dobráveis geram cenas de violência João Santos Filipe - 4 Mai 202620 Mai 2026 O festival de Kpop no K-Spark in Macau foi um sucesso e os bilhetes esgotaram rapidamente. No entanto, os organizadores só disponibilizaram lugares sentados, o que espalhou a confusão entre os fãs O festival de Kpop no K-Spark in Macau, que decorreu no sábado no Local de Espectáculos ao Ar Livre, ficou marcado pela confusão criada com a colocação de cadeiras dobráveis à frente do palco, uma zona que normalmente é para lugares em pé. Ansiosos por estarem mais pertos dos ídolos, vários fãs não se coibiram de colocar as cadeiras móveis o mais à frente possível, perto do palco, o que gerou momentos de tensão, inclusive cenas de pancadaria. As imagens da confusão foram divulgadas pelos fãs nas redes sociais, com várias queixas, principalmente através da rede social Threads. Apesar de ser um lugar de concertos ao ar livre, os organizadores apenas disponibilizaram lugares sentados, mesmo em zonas que normalmente são para lugares em pé. A esperança era que as pessoas respeitassem o lugar onde as cadeiras móveis estavam colocadas. No entanto, pouco depois de se sentarem, os fãs perceberam que podiam mover as cadeiras mais perto do palco, porque não havia controlo. A situação gerou imediatamente mal-estar, porque quem respeitou o lugar onde tinham sido colocadas as cadeiras ficou com a visão para o palco bloqueada. E os momentos de tensão acabaram mesmo por gerar cenas de pancadaria, pelo menos num caso, que também foi divulgado online, com puxões de cabelos entre fãs, chapadas e empurrões. Concerto esgotado Apesar da confusão, o espectáculo foi um sucesso de vendas e os 30 mil bilhetes disponíveis esgotaram rapidamente. Os preços variavam entre as 799 patacas e 2.999 patacas. O espaço tem uma capacidade máxima para 80 mil pessoas, embora normalmente não seja totalmente utilizado, o que voltou a acontecer. O principal cabeça-de-cartaz foi o cantor coreano G-Dragon, cuja presença em Macau fica mais uma vez marcada por polémica. Em Junho do ano passado, durante outra passagem pelo território, os concertos foram alvos de uma operação contra a contratação ilegal de trabalhadores não-residentes. Em causa, esteve o facto de três mulheres do Interior, envolvidas na equipa de vendas dos organizadores, terem contratado cerca de 68 estudantes, igualmente do Interior, que aproveitaram os vistos para trabalhar, o que constitui uma situação ilegal. Daesung foi o segundo cantor mais popular do evento, também ele coreano e colega de G-Dragon no grupo de Kpop Big Bang, embora ambos tivessem actuado a solo. Os outros artistas, foram os grupos P1Harmony, Kiss of Life e Kiiikiii.
Balança Comercial | Registado défice de 33 mil milhões Hoje Macau - 4 Mai 2026 O valor exportado de mercadorias no primeiro trimestre de 2026 situou-se em 4,18 mil milhões de patacas, mais 19,7 por cento do que no primeiro trimestre de 2025. Os valores da reexportação (3,78 mil milhões de patacas) e o da exportação doméstica (396 milhões de patacas) subiram 20,2 por cento e 14,7 por cento, respectivamente. No primeiro trimestre do corrente ano o valor importado de mercadorias foi de 37,26 mil milhões de patacas, mais 25,1 por cento, em termos anuais. Como resultado, o valor total do comércio externo de mercadorias no primeiro trimestre de 2026 correspondeu a 41,44 mil milhões de patacas e o défice da balança comercial cifrou-se em 33,08 mil milhões de patacas. O Interior (559 milhões de patacas), Hong Kong – RAEHK (2,88 mil milhões de patacas) e para a União Europeia (65 milhões de patacas) foram os principais destinos das exportações, com aumentos de 221,6 por cento, 7,1 por cento e 15,1 por cento, respectivamente, face ao trimestre homólogo do ano transacto.
Dia do Trabalhador | Sétimo ano sem manifestações Hoje Macau - 4 Mai 20264 Mai 2026 As manifestações do Dia do Trabalhador, que chegaram a reunir milhares de participantes em Macau, não se realizaram pelo sétimo ano consecutivo, de acordo com o Corpo de Polícia de Segurança Pública. Este ano, as autoridades não receberam avisos prévios de reunião ou manifestação As manifestações que durante anos foram uma tradição na celebração do Dia do Trabalhador, a 1 de Maio, desapareceram do panorama político de Macau. Segundo informações avançadas na véspera do feriado pelas autoridades policiais à Lusa, não foram recebidos avisos “prévios de reunião ou manifestação” para 1 de Maio, data que antes de 2020 registava regularmente iniciativas públicas. Segundo a Lei Básica de Macau, todos os residentes de Macau têm o “direito de se reunir, pacificamente e sem armas, em lugares públicos, abertos ao público ou particulares”. No entanto, é necessário entregar um aviso prévio ao Corpo de Polícia de Segurança Pública por qualquer entidade que planeie realizar uma demonstração, com qualquer recusa ou restrição a ter de ser justificada pelas autoridades policiais. Durante a pandemia de covid-19, as forças de segurança recusaram-se a aprovar o percurso de qualquer manifestação, invocando razões de “ordem e segurança” ou de saúde pública. Estas proibições chegaram ao Comité dos Direitos Humanos da ONU que, em 2022, avaliou “um crescente número de informações de restrições indevidas ao exercício da liberdade de manifestações pacíficas”. As autoridades levantaram as restrições antipandémicas no final de 2023, mas as manifestações não voltaram às ruas da cidade. Ruas só com turistas No ano passado, o grupo Poder Popular de Macau cancelou uma manifestação planeada para 1 de Maio, a exigir a redução do número de trabalhadores migrantes, devido à “pressão da polícia”, que alegou que o protesto poderia violar a lei de Segurança Nacional, reportou na altura o jornal All About Macau. O Governo indicou então que a realização de manifestações pode ameaçar a segurança da China, mas negou que a polícia tivesse pressionado a associação a cancelar a iniciativa. “As manifestações podem trazer conflitos à sociedade, à segurança de Estado”, defendeu o então secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, numa conferência de imprensa. Um homem que protestava contra o número de trabalhadores migrantes em Macau, viria a ser detido no 1 de Maio do ano passado, com as autoridades a invocarem uma violação da lei do Direito de Reunião e Manifestação. Este foi o primeiro protesto público no Dia do Trabalhador desde 1 de Maio de 2019, antes da pandemia da covid-19, quando duas associações organizaram acções. Em 2018, por exemplo, a Nova Associação dos Direitos de Trabalhadores da Indústria de Jogos levou cerca de três centenas de membros a percorrer as ruas de Macau, exigindo melhores condições laborais. ATFPM | 1 de Maio assinalado com eventos desportivos A Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) organizou no Dia do Trabalhador, 1 de Maio, uma série de actividades desportivas. Segundo um comunicado da associação, a participação este ano bateu o recorde, com “mais de 1.000 funcionários públicos e seus familiares” a participarem no evento. As competições abrangeram desportos como atletismo, futebol de sete, ténis de mesa e badminton. Além dos funcionários de mais 28 serviços públicos, participaram também docentes e funcionários da Universidade de Macau e da Universidade Politécnica de Macau, bem como trabalhadores da Companhia de Electricidade de Macau. As provas desportivas realizaram-se no Estádio Olímpico e no Pavilhão Desportivo dos Jogos da Ásia Oriental de Macau, e à noite realizou-se uma cerimónia de entrega de prémios.
Criminalidade | Jornal Ou Mun critica fim de conferências de imprensa Hoje Macau - 4 Mai 2026 O maior jornal diário em língua chinesa de Macau criticou as autoridades por “fecharem as portas ao público”, depois de o Governo ter terminado as conferências de imprensa trimestrais sobre relatórios de criminalidade. O Executivo acrescentou que o fim das conferências de imprensa tem como objectivo “aumentar a transparência” O jornal Ou Mun publicou um artigo de opinião onde critica o fim das conferências de imprensa, organizadas pela secretaria para a Segurança, de apresentação dos dados estatísticos da criminalidade em Macau. O relatório de criminalidade 2025 foi divulgado na passada terça-feira, apenas na página do gabinete do secretário para a Segurança, Chan Tsz King, na Internet, e sem a realização da habitual conferência de imprensa. Em comunicado, o gabinete confirmou que irá deixar de realizar conferências de imprensa trimestrais para apresentar os dados, “no intuito de aumentar a transparência das informações” e contribuir “para a paz e harmonia”. A divulgação regular dos dados estatísticos criminais vai passar a ser efectuada por “meios electrónicos” e apenas presencialmente quando “necessário”. Na edição de quinta-feira do jornal Ou Mun, um jornalista escreveu uma opinião, em que considerou que a “verdadeira transparência da informação não “significa simplesmente ‘colocar dados online de forma transparente’ mas “ter coragem para enfrentar as críticas e aceitar activamente a supervisão pública”. O mesmo jornalista afirmou que o ajuste “pode fechar uma das poucas janelas de diálogo que ainda restam” entre as autoridades do território e o público. “Quando um Governo escolhe fechar os canais de comunicação com os ‘media’ e reduzir a interacção directa com os jornalistas, pode parecer que evita o incómodo de lidar com perguntas difíceis, mas ao fazê-lo, também fecha voluntariamente a porta para resolver mal-entendidos e manter a credibilidade pública”, sublinhou o jornalista. Na mesma opinião, o jornalista aponta que, no passado, as conferências de imprensa “não eram apenas ocasiões para divulgar estatísticas criminais, mas também canais importantes através dos quais os cidadãos podiam comunicar com as autoridades através dos ‘media'”. “Durante as conferências, os responsáveis tinham de responder aos jornalistas em frente às câmaras, mesmo que as suas explicações nem sempre fossem satisfatórias, e pelo menos havia um diálogo aberto”, alertou o jornalista. Papel com poder Para o mesmo autor, “por mais detalhados que sejam os dados ou bem organizadas que estejam as tabelas” fornecidas ‘online’, “sem as perguntas de seguimento dos jornalistas, sem as respostas e esclarecimentos imediatos dos responsáveis, e sem um debate interactivo em tempo real” deixa de ser possível informar correctamente o público. Fundado em 1958 com o apoio do Partido Comunista Chinês, o jornal Ou Mun possui a maior tiragem do território, representando de 70 a 80 por cento da circulação de jornais da cidade. A publicação tem mantido desde sempre relações muito próximas com o poder político local e nacional. O histórico director da publicação, Lok Po foi membro de Macau no Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) entre 2003 e 2008, e mais tarde representante de Macau na Assembleia Popular Nacional (APN) entre 2008 e 2022. Antes da entrada nos dois principais órgãos consultivos e legislativos a nível nacional, Lok Po foi membro da CCPPC da província de Guangdong. Quando saiu do cargo na APN, foi substituído pelo director-geral do jornal Ou Mun, Wan Nang Hon. João Luz / Lusa
Jacob Fordham, académico: “Estudo a história dos primeiros macaenses” Andreia Sofia Silva - 4 Mai 2026 Jacob Fordham, académico ligado à London School of Economics, está a ultimar um livro que analisa o papel dos tradutores no comércio entre portugueses e chineses em Macau. No âmbito das Conferências da Primavera, no Centro Científico e Cultural de Macau, o investigador apresentou a palestra “Chinese-Portuguese Linguists, Corruption, and Office: a Late Ming Chinese Debate”. Ao HM, diz que os “linguistas” eram “essenciais para gerir relações com chineses” Tem analisado arquivos chineses, ingleses e portugueses sobre o comércio no sul da China. Falamos de um período intenso de negociações, com muitos interesses em jogo? Fiz o doutoramento em Estudos Asiáticos e do Médio Oriente na Universidade de Oxford, investigando a história dos “linguistas” ou “jurubaças” [termo atribuído a chineses cristãos nascidos em Macau] do delta do Rio das Pérolas nos séculos XVI e XVII. Eram tradutores e intérpretes, mas, ao contrário do que esperamos hoje — que os tradutores sejam neutros e discretos — estavam também activamente envolvidos nas relações entre chineses e estrangeiros como negociadores e intermediários. Estudei teoria da tradução, mas fiquei um pouco insatisfeito com a análise de textos traduzidos como forma de estudar a tradução no passado. Porquê? Porque a tradução não é apenas linguística; é um acto social realizado por pessoas num contexto específico, e queria escrever sobre essas pessoas. Por isso, passei da teoria da tradução para a história. Mas voltando a esse período histórico em Macau… Foi, de facto, um período de negociações intensas e de luta pela sobrevivência para a recém-estabelecida cidade de Macau. Não se tratava apenas de um encontro entre duas culturas separadas, mas de um constante vai-e-vem, um contacto que gerou novas formas de pensar a relação entre Estado e comércio, entre chineses e estrangeiros, e assim por diante. Tentei revelar algumas dessas formas de pensamento através da lente dos “linguistas”, que estavam no centro dessas negociações. Na sua apresentação, no Centro Científico e Cultural de Macau, falou do caso de Paulo Neretti [falante de português que esteve envolvido no comércio entre Macau e o Japão no século XVII] e das percepções de Zhang e Chen [figuras chinesas envolvidas no comércio] sobre o seu papel como “linguistas”, especialmente em relação ao poder político e comercial e à busca de lucro. Como encontrou a figura de Paulo Neretti e qual a sua importância? Paulo Neretti foi uma descoberta casual que acabou por ser fascinante. Encontrei-o quando procurava material sobre as primeiras viagens inglesas ao sul da China. Na Biblioteca Bodleian, em Oxford, existe o diário de um mercador inglês que participou na primeira expedição comercial inglesa a chegar a Macau e Cantão, e que lidou com este “linguista” bilingue, Paulo Neretti. A partir daí, segui o rasto arquivístico pelo mundo para descobrir quem ele era exactamente. Descobri que, na verdade, era chinês de nascimento, mas foi criado em Macau na casa de um nobre florentino chamado Orazio Neretti, que se estabeleceu na cidade e chegou a servir como enviado a Nagasaki. Esse agregado incluía outros intérpretes bilingues com ligações até à Coreia e ao Japão. Paulo Neretti teve uma vida extraordinária, sendo eventualmente assassinado em sua casa pouco depois de regressar de um encontro com o imperador Shunzhi, onde actuara como intérprete de uma embaixada holandesa. Foi ele quem me colocou no caminho de estudar os “linguistas” e abriu uma janela para um mundo raramente preservado nos arquivos. Macau foi um porto comercial muito importante no sul da China a partir de meados do século XVI. Como descreveria a relação entre mercadores e tradutores, ou “linguistas” nesse período? Uma relação próxima, com convergência de interesses? Eram completamente dependentes uns dos outros. Na verdade, os “linguistas” pertenciam normalmente à casa de um mercador, criados desde o nascimento a falar ambas as línguas. A ligação aos mercadores dava-lhes acesso a uma actividade potencialmente muito lucrativa; e, para os mercadores — que não falavam muito chinês —, os “linguistas” eram essenciais para gerir as relações com os chineses. Mais especificamente sobre a comunidade macaense, participou activamente nesses jogos de poder em nome da administração portuguesa, ou também da chinesa? Pode dar exemplos? Este foi o período inicial em que aquilo a que chamamos comunidade macaense estava a formar-se. Muitos dos “linguistas” que estudei tinham origens étnicas mistas ou biculturais, o que lhes permitia ser bilingues em português e chinês. Curiosamente, o termo “jurubaça” passou a ser usado não só no sentido de intérprete, mas também como classificativo étnico para chineses cristãos nascidos em Macau, devido à forte associação com essa profissão. Portanto, aquilo que estudo é, na verdade, uma história dos primeiros macaenses. Como descreveria a perspectiva das autoridades chinesas sobre este tipo de comportamento, especialmente em relação a lucro, poder e Estado? Seriam conceitos muito diferentes dos europeus? O que me chamou a atenção ao ler fontes chinesas e europeias foi que todos enfrentavam o mesmo problema: a comercialização trazia oportunidades e perigos. Por um lado, os “linguistas”, vindos de famílias mercantis, eram motivados pelo lucro, e isso podia ser aproveitado pelos oficiais para gerir relações com estrangeiros. Por outro lado, era arriscado, pois significava delegar o controlo da fronteira. Hoje vemos a tradução como algo neutro, mas eles encaravam-na como uma actividade com interesses próprios. Em vez de perguntarem “como traduzem os tradutores?”, perguntavam “por que traduzem?”. Ou seja, qual era a sua motivação? Nas fontes europeias, fala-se da “honestidade” e “coragem” dos tradutores; nas chinesas, da sua “orientação para o bem público” ou “interesse próprio”. Assim, o mesmo problema era pensado de formas diferentes em tradições intelectuais distintas. Podemos concluir que, em termos de corrupção e jogos de poder, as autoridades chinesas estavam conscientes dessas situações e as permitiam para benefício próprio, nomeadamente em Macau? Sem dúvida que estavam conscientes e faziam uso disso. Hoje, o termo “corrupção” tem uma conotação totalmente negativa, mas alguns oficiais chineses da época viam isto como uma oportunidade. O uso das “línguas” motivado pelo lucro permitia ao Estado expandir a sua influência além das suas capacidades directas. Quanto a Hong Kong, surgiu muito mais tarde, quando os “linguistas” já tinham perdido importância e eram essencialmente funcionários aduaneiros. Este sistema de gestão de fronteira, delegado a intermediários semi-estatais e semi-comerciais, foi bastante específico dos séculos XVI e XVII. O que revelam estes casos sobre a presença portuguesa e britânica no sul da China e o comércio da época? Estes debates ajudam a compreender como eram as relações entre a China e os países europeus na época moderna. Muitas vezes, essas relações são vistas de forma negativa, com a ideia de que a China era fechada, xenófoba e imutável. Mas estes casos mostram que isso não é verdade. A forma de pensar era diferente da nossa. Que investigação pretende desenvolver no pós-doutoramento? Estou a escrever um livro baseado nesta investigação, que está quase concluído. Espero que esse livro mostre uma história mais humana e que vá além dos estereótipos de uma China passiva e estática. Também podemos aprender com eles sobre o papel de intermediários informais em zonas de fronteira hoje. Estou também a iniciar um novo projecto sobre as relações entre Macau e Malaca, bem como com o mundo malaio em geral.
China | Descobertos jazigos de petróleo com reservas estimadas em 100 milhões de toneladas Hoje Macau - 30 Abr 2026 A China anunciou a descoberta de vários jazigos de petróleo e gás de grande e média dimensão, com reservas de crude superiores a 100 milhões de toneladas, no âmbito de uma estratégia para reforçar a segurança energética. O ministério dos Recursos Naturais da China indicou que foram identificados 225 jazigos nas bacias de Tarim (noroeste), Ordos (norte) e na baía de Bohai (nordeste), segundo órgãos de comunicação locais. Desde o início desta nova ronda de exploração, Pequim deu prioridade ao petróleo e ao gás, com um investimento total próximo de 450 mil milhões de yuan, acrescentou um porta-voz. Entre as descobertas, incluem-se 13 campos petrolíferos com reservas superiores a 100 milhões de toneladas e 26 campos de gás com reservas acima de 100 mil milhões de metros cúbicos. O ministério destacou também avanços na exploração em profundidade, tanto em terra como no mar. Em terra, a China desenvolveu o seu primeiro poço de exploração até 10.000 metros de profundidade, denominado “Deep Earth Tak 1”, que permitiu detectar petróleo em camadas profundas. No mar, o campo de gás em águas ultraprofundas “Deep Sea One” entrou em fase de produção, colocando o país entre os mais avançados na exploração e extração de hidrocarbonetos em águas profundas, segundo as autoridades. O porta-voz sublinhou que os recursos de petróleo e gás são “cruciais” para a economia nacional, o bem-estar da população e a segurança energética.
Wuhan | Suspensas novas licenças para ‘robotáxis’ Hoje Macau - 30 Abr 2026 A China suspendeu a emissão de novas licenças para veículos autónomos após mais de uma centena de ‘robotáxis’ da gigante tecnológica Baidu ficarem imobilizados na cidade de Wuhan, informou ontem a agência Bloomberg. A medida impede as empresas de condução autónoma de acrescentarem novos veículos às frotas, iniciarem novos projectos-piloto ou expandirem-se para outras cidades, segundo a agência, que cita fontes com conhecimento do caso e não especifica a duração da suspensão. A medida ocorreu depois de as autoridades se mostrarem alarmadas com um incidente registado em 31 de Março em Wuhan, onde vários veículos do serviço Apollo Go, da Baidu, pararam subitamente, deixando passageiros temporariamente presos e perturbando o tráfego. A polícia de trânsito local indicou que o centro de emergências recebeu chamadas a reportar múltiplos veículos parados no meio da estrada, sem capacidade de se mover. Segundo investigações preliminares citadas pelas autoridades, o problema terá sido causado por um “erro de sistema”. Não foram registados acidentes nem feridos, e os passageiros conseguiram sair dos veículos em segurança. Após o incidente, três organismos, incluindo o ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, reuniram-se este mês com responsáveis de cidades com projcetos de ‘robotáxis’ ou testes de condução autónoma, de acordo com as fontes citadas pela Bloomberg. Os reguladores pediram aos governos locais uma revisão completa e o reforço da supervisão de segurança, para evitar episódios semelhantes. Em expansão O Apollo Go é o principal operador de ‘robotáxis’ na China, com centenas de veículos em mais de uma dezena de cidades, e anunciou em Agosto um acordo com a norte-americana Lyft para lançar este ano serviços na Europa, começando pelo Reino Unido e Alemanha. Um mês antes, a Baidu tinha também estabelecido uma parceria com a Uber para disponibilizar táxis autónomos noutras regiões da Ásia e no Médio Oriente. A empresa, frequentemente apelidada de “Google chinês” por operar um motor de busca dominante num país onde o acesso ao Google é bloqueado, vinha a expandir os testes do Apollo Go a um número crescente de cidades, com o objectivo de atingir cerca de 100 até 2030. Segundo previsões da própria Baidu, o mercado de ‘robotáxis’ na China poderá ultrapassar 1,3 biliões de yuan nos próximos anos.
Ormuz | Japão considera passagem de petroleiro “sucesso diplomático” Hoje Macau - 30 Abr 2026 O Governo japonês classificou ontem a passagem pelo estreito de Ormuz de um navio ligado à empresa petroquímica nipónica Idemitsu Kosan, com dois milhões de barris de crude, como um “sucesso diplomático”, informou a emissora pública NHK. “A passagem de navios ligados ao Japão pelo estreito de Ormuz tem sido solicitada repetidamente”, referiu um funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros – não identificado pela NHK -, notando que, para a diplomacia japonesa, “isto pode ser considerado um sucesso diplomático”. Uma outra fonte governamental citada pela NHK, também não identificada, recordou que outros navios ainda não podem atravessar livremente este estreito crucial. “Para garantir um abastecimento energético estável para o Japão, devemos continuar a exigir que todos os países garantam a liberdade de navegação e a segurança dos seus navios”, afirmou. Embora a empresa japonesa tenha recusado comentar a situação do navio por motivos de segurança, de acordo com um comunicado divulgado pela NHK, o portal de monitorização MarineTraffic indicou que o petroleiro Idemitsu Maru se encontrava ontem no golfo de Omã às 12:30, hora local, após ter atravessado o estreito de Ormuz, e espera-se que chegue à cidade japonesa de Nagoya em meados de Maio. A televisão estatal iraniana Press TV informou na terça-feira à noite sobre a travessia do Idemitsu Maru, um navio com bandeira panamenha gerido por uma filial da refinaria japonesa Idemitsu Kosan e carregado com petróleo bruto desde março passado na Arábia Saudita. “A passagem exigiu coordenação com Teerão”, indicou a Press TV. No entanto, fontes oficiais japonesas garantiram à NHK que Tóquio não pagou qualquer taxa ao Irão.
Não é só crude Jorge Rodrigues Simão - 30 Abr 2026 “When a single chokepoint falters, the entire architecture of global interdependence reveals its fragility.” A. R. Caldwell A Terceira guerra do Golfo, desencadeada pelo ataque israeloamericano de 28 de Fevereiro de 2026, reconfigurou de forma abrupta a geografia económica e estratégica do Médio Oriente. A resposta da República Islâmica do Irão, centrada na interrupção selectiva do tráfego no Estreito de Hormuz, devolveu ao mundo a consciência de que a globalização energética nunca eliminou os pontos de estrangulamento. Apenas os tornou mais críticos. A estreita passagem de 33 quilómetros, cuja navegabilidade efectiva se reduz a duas faixas de cerca de 3,5 quilómetros cada, voltou a ser o epicentro de uma vulnerabilidade estrutural que transcende o petróleo. O bloqueio parcial, reforçado por ataques a navios, drones marítimos e minas de contacto, expôs a dependência global não apenas de hidrocarbonetos, mas de um vasto conjunto de bens industriais cuja origem permanece concentrada no Golfo. A narrativa dominante tende a reduzir Hormuz a uma artéria petrolífera. Contudo, a realidade de 2026 demonstra que o impacto do seu encerramento é muito mais vasto. A região exporta fertilizantes essenciais para a agricultura mundial, polietilenos e polipropilenos que alimentam cadeias industriais inteiras, alumínio produzido com energia barata, amónia, metanol, aditivos químicos, materiais de construção e componentes para a indústria electrónica. A interrupção simultânea das rotas aéreas como consequência da militarização do espaço aéreo iraniano e do risco de intercepção agravou a ruptura logística. A Europa e Ásia ressentem-se de forma imediata, mas os Estados Unidos, apesar da sua relativa autonomia energética, não escapam aos efeitos sistémicos. A interdependência global revela-se, mais uma vez, uma força que amplifica choques regionais. A economia mundial habituou-se a considerar o petróleo como o principal elo de dependência em relação ao Golfo. Essa percepção, embora parcialmente correcta, é incompleta. Desde a década de 2010, os Estados do Conselho de Cooperação do Golfo investiram massivamente na diversificação das suas exportações industriais. O Qatar tornou-se um dos maiores produtores de fertilizantes nitrogenados; a Arábia Saudita consolidou-se como gigante petroquímico; os Emirados Árabes Unidos emergiram como exportadores de alumínio primário; Omã especializou-se em derivados químicos e materiais de construção. Esta transformação criou uma teia de fluxos comerciais que, embora menos visíveis do que o petróleo, são igualmente vitais. O encerramento de Hormuz interrompeu cerca de 40% do comércio global de fertilizantes nitrogenados e fosfatados provenientes do Golfo. Países dependentes de importações como a Índia, Bangladesh, Egipto e várias nações africanas enfrentam agora aumentos abruptos nos custos de produção agrícola. A escassez de ureia e amónia repercute-se directamente nos preços dos alimentos, ampliando o risco de instabilidade social em regiões vulneráveis. A fome deixa de ser uma ameaça abstracta e transforma-se numa possibilidade concreta para milhões de pessoas. No sector petroquímico, a paralisação das exportações de polietileno e polipropileno afecta indústrias tão diversas como embalagens, automóveis, têxteis técnicos, dispositivos médicos e electrónica de consumo. A Europa, que importa mais de metade dos seus polímeros do Golfo, enfrenta uma crise industrial que se manifesta na suspensão de linhas de produção e na escassez de componentes. A Ásia, embora disponha de capacidade produtiva, depende de matérias-primas do Golfo para manter os seus complexos industriais a funcionar. A interrupção prolongada ameaça provocar um efeito dominó que se estende desde fábricas de automóveis até empresas de tecnologia. O alumínio, cuja produção no Golfo beneficia de energia barata e abundante, é outro sector crítico. A sua ausência afecta a indústria aeronáutica, construção civil, produção de cabos eléctricos e fabricação de baterias. A Europa, pressionada pela crise energética de 2022-2023, vê-se novamente confrontada com a necessidade de importar alumínio de mercados mais distantes e mais caros, como a Austrália e Canadá. A militarização do espaço aéreo iraniano e a presença constante de sistemas antiaéreos, drones e aeronaves de combate transformaram o Golfo numa zona de exclusão aérea de facto. As principais companhias internacionais suspenderam voos sobre o Irão, Iraque e partes do Golfo Pérsico. As rotas entre a Europa e a Ásia, tradicionalmente optimizadas para reduzir custos e tempo de viagem, foram desviadas para corredores mais longos sobre o Cáucaso, Mediterrâneo Oriental ou Mar Vermelho. Este desvio tem consequências económicas significativas. O aumento do tempo de voo implica maior consumo de combustível, custos operacionais mais elevados e redução da capacidade de carga. As cadeias logísticas que dependem de transporte aéreo como componentes electrónicos, produtos farmacêuticos, bens perecíveis e peças de alta precisão enfrentam atrasos e rupturas. A Ásia Oriental, cuja economia se apoia em fluxos rápidos e previsíveis, é particularmente afectada. A Europa, por sua vez, vê agravada a sua dependência de rotas alternativas congestionadas. A aviação comercial, ainda em recuperação após a pandemia e as crises energéticas subsequentes, enfrenta agora um choque estrutural que ameaça reconfigurar permanentemente as redes globais de transporte. A conectividade entre continentes torna-se mais cara, lenta e vulnerável a interrupções. A crise não afecta todos os actores da mesma forma. Alguns países e sectores encontram oportunidades inesperadas, enquanto outros enfrentam riscos existenciais. A Rússia surge como um dos principais beneficiários. Com o bloqueio de Hormuz, o petróleo russo torna-se uma alternativa indispensável para a Europa e partes da Ásia. A sua capacidade de exportar através do Árctico e do Báltico, relativamente isolada das tensões no Médio Oriente, confere-lhe uma vantagem estratégica. A Índia, que havia reforçado a sua parceria energética com Moscovo, intensifica as importações de crude russo, beneficiando de preços preferenciais. Os Estados Unidos, embora menos dependentes do petróleo do Golfo, não escapam aos efeitos da crise. A sua indústria petroquímica, integrada em cadeias globais, sofre com a escassez de matérias-primas provenientes do Médio Oriente. O aumento dos preços globais de fertilizantes afecta a agricultura americana, elevando os custos de produção e pressionando os preços internos dos alimentos. A economia americana, apesar da sua resiliência, sente o impacto da volatilidade global. No actual ambiente internacional, marcado por elevada incerteza e transformações profundas na ordem económica global, a China enfrenta um conjunto de decisões estratégicas que exigem equilíbrio, visão de longo prazo e capacidade de adaptação. A manutenção de um fornecimento energético estável proveniente da região do Golfo continua a ser um elemento estruturante para o desenvolvimento económico nacional, razão pela qual Pequim tem reforçado a sua participação construtiva no Oceano Índico e aprofundado mecanismos de cooperação com parceiros essenciais, como a Arábia Saudita e o Qatar. Estas iniciativas inseremse numa abordagem orientada para a diversificação das fontes de abastecimento e para a promoção de um ambiente regional pacífico e previsível. Contudo, a persistência da instabilidade no Médio Oriente introduz factores de risco que podem influenciar o planeamento estratégico da China, exigindo ajustamentos graduais e uma avaliação contínua das dinâmicas regionais, de forma a salvaguardar a segurança energética e a continuidade do desenvolvimento nacional. Os países mais vulneráveis são, inevitavelmente, os que dependem de importações de alimentos e fertilizantes. Nações africanas com fraca capacidade de armazenamento e limitada autonomia agrícola enfrentam um risco real de insegurança alimentar. A interrupção das exportações do Golfo agrava desigualdades estruturais e expõe a fragilidade de sistemas agrícolas dependentes de matérias‑primas externas. O encerramento de Hormuz não é apenas um episódio militar. É um teste à capacidade do sistema internacional de lidar com a escassez. A globalização, construída sobre a premissa de fluxos contínuos e previsíveis, revela-se vulnerável a choques localizados. A concentração de produção em regiões politicamente instáveis torna-se um risco sistémico. A crise de 2026 demonstra que a segurança energética não pode ser dissociada da segurança alimentar, industrial e logística. O petróleo é apenas a face mais visível de uma dependência muito mais profunda. A interrupção de fertilizantes afecta colheitas; a escassez de polímeros paralisa fábricas; a falta de alumínio compromete sectores estratégicos e o colapso das rotas aéreas fragmenta a conectividade global. A resposta internacional permanece fragmentada. A União Europeia debate-se entre a necessidade de diversificar fornecedores e a dificuldade de substituir rapidamente os produtos do Golfo. A Ásia procura soluções regionais, mas enfrenta limitações estruturais. Os Estados Unidos tentam equilibrar a sua intervenção militar com a necessidade de evitar uma escalada que comprometa ainda mais o comércio global. Em suma, a crise desencadeada em 2026 revela que o Golfo não é apenas um reservatório de petróleo. É um nó vital de cadeias industriais, agrícolas e logísticas que sustentam a economia mundial. O encerramento de Hormuz expõe a ilusão de que a globalização eliminou a geografia. Pelo contrário, concentrou a vulnerabilidade em poucos pontos críticos. O que falta ao mundo quando o Golfo fecha não é apenas energia. Falta fertilidade aos campos, matéria-prima às fábricas, conectividade aos mercados, estabilidade aos preços e previsibilidade às economias. Falta, sobretudo, a consciência de que a interdependência global exige redundância, diversificação e resiliência que são elementos que foram negligenciados durante décadas de confiança excessiva na eficiência das cadeias de abastecimento. A guerra de 2026 não é apenas um conflito regional. É um aviso estrutural. O mundo descobre, tarde demais, que a segurança global depende de muito mais do que petróleo. Depende da capacidade de antecipar, distribuir e proteger os fluxos que tornam possível a vida moderna.
HK | Multa ou prisão para posse ou consumo de cigarros electrónicos Hoje Macau - 30 Abr 2026 Uma nova lei em Hong Kong, que regula a posse de cigarros eletrónicos e que contempla penas de prisão, entrou ontem em vigor. O Governo do território pretende encerrar o mercado de dispositivos electrónicos de fumo, tabaco aquecido e cigarros sem tabaco, colocando a região semiautónoma na vanguarda das restrições globais contra os ‘vapes’. As novas normas visam produtos alternativos ao tabaco, proibindo a sua importação, fabrico, venda, promoção e, de forma inédita, posse e consumo em espaços públicos. A entrada destes artigos é proibida tanto por viajantes como através de mercadorias, com excepções técnicas em trânsito aeroportuário. As infrações por importação podem implicar multas até dois milhões de dólares de Hong Kong e penas de até sete anos de prisão. A produção, distribuição ou posse com fins comerciais é penalizada com até 50.000 dólares de Hong Kong e seis meses de prisão.
Diplomacia | Defendido reforço da ONU para evitar que prevaleça “lei da selva” no mundo Hoje Macau - 30 Abr 2026 O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, defendeu ontem o reforço das Nações Unidas e do multilateralismo num contexto de crescente instabilidade global, para evitar que prevaleça a “lei da selva”. Wang expressou esta posição durante um encontro em Pequim com a presidente da Assembleia-Geral da ONU, Annalena Baerbock, segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Perante um cenário internacional marcado por tensões crescentes e pela adoção de abordagens baseadas na força por alguns países, “é necessário manter o rumo correcto da unidade e da cooperação e não permitir que prevaleça a lei da selva”, afirmou Wang, citado no comunicado. O diplomata considerou que a organização e o multilateralismo enfrentam “sérios desafios” e alertou contra a hegemonia, a intimidação e a imposição da vontade do mais forte, defendendo antes um sistema baseado na equidade e na justiça. Wang descreveu a Assembleia Geral da ONU como a principal plataforma para a prática do multilateralismo e assegurou que a China continuará a defender este sistema internacional, promovendo o desenvolvimento comum e reforçando a governação global. Unidos venceremos Baerbock agradeceu o apoio da China às Nações Unidas e destacou o seu “papel fundamental” como membro fundador e permanente do Conselho de Segurança na defesa do direito internacional, segundo o mesmo comunicado. “Perante a crescente pressão sobre o multilateralismo e os ataques directos à Carta da ONU, os países devem unir-se mais do que nunca para apoiar a organização”, afirmou. Desde o início do conflito no Médio Oriente, Pequim tem apelado a uma solução negociada, apoiando iniciativas que contribuam para reduzir tensões, e defendendo que o Conselho de Segurança deve desempenhar um papel de desanuviamento e não “compactuar com actos de guerra ilegais”. A China tem condenado repetidamente os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ao mesmo tempo que sublinha a necessidade de respeitar a soberania dos países do Golfo, com os quais mantém estreitas relações políticas, comerciais e energéticas.
1 de Maio | Voos encarecem com subida das sobretaxas de combustível Hoje Macau - 30 Abr 2026 Os voos domésticos na China para o feriado de 1 de Maio registam este ano preços mais elevados do que em 2025 e antes da pandemia, pressionados pela subida dos custos energéticos ligada à guerra no Médio Oriente. O preço médio dos bilhetes em classe económica situava-se em 971 yuan em 27 de Abril, mais 12,9 por cento do que em 2025 e 23,2 por cento acima de 2019, segundo o portal de notícias Yicai. Os dados indicam ainda uma ligeira descida nos dias anteriores ao feriado, que decorre de 1 a 5 de Maio, com o valor médio a recuar de cerca de 1.000 yuan registados a 22 de Abril, numa tendência interpretada por alguns utilizadores como uma “queda” de preços em determinadas rotas. Contudo, fontes do sector citadas pelo mesmo meio referem que não se trata de uma descida generalizada, mas de ajustes normais em função da procura, após tarifas iniciais mais elevadas. O aumento dos preços surge depois da subida das sobretaxas de combustível aplicada desde o início de Abril, que fixam suplementos de 60 yuan para trajectos inferiores a 800 quilómetros e de 120 yuan para distâncias superiores. Apesar da pressão sobre os custos, o sector mantém previsões de “normalidade” na operação durante o feriado, com uma oferta de voos semelhante à do ano passado, indicou recentemente a Associação de Transporte Aéreo da China. A subida dos preços ocorre num contexto de impacto do conflito no Médio Oriente e das tensões no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parte significativa das importações energéticas da China, aumentando a incerteza nos mercados. A guerra já encareceu directamente os custos energéticos e logísticos no país, obrigando as autoridades a intervir temporariamente para limitar a subida dos combustíveis.
Cuba | Pequim defende cooperação “legítima e transparente” em resposta a EUA Hoje Macau - 30 Abr 2026 A China defendeu ontem como “legítima e transparente” a cooperação com Cuba e rejeitou as acusações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre alegadas actividades de inteligência perto dos Estados Unidos. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou em conferência de imprensa que “a cooperação entre a China e Cuba é legítima e transparente”, quando questionado sobre se Pequim se considerava visada pelas declarações de Washington. Lin acrescentou que “fabricar pretextos, difundir rumores e difamar outros não pode servir de justificação” para o “bloqueio brutal e as sanções ilegais” impostas pelos Estados Unidos a Cuba. Segundo o responsável, essas medidas “não podem ocultar” que Washington “violou gravemente os direitos de sobrevivência e desenvolvimento” da ilha e “as normas básicas das relações internacionais”. O porta-voz reiterou que a China “apoiará firmemente Cuba na salvaguarda da sua soberania nacional e segurança” e instou os Estados Unidos a “pôr termo de imediato ao bloqueio, às sanções e a qualquer forma de coerção e pressão” contra o país. Rubio afirmou numa entrevista que os Estados Unidos “não permitirão” que países considerados adversários realizem operações de inteligência ou instalem bases militares perto do seu território. As declarações surgem num contexto de crescente pressão de Washington sobre Havana, que inclui sanções e advertências sobre possíveis medidas adicionais, bem como acusações recorrentes sobre a cooperação da ilha com outros países em áreas estratégicas. A China tem denunciado repetidamente o que classifica como “diplomacia coerciva” dos Estados Unidos em relação a Cuba e reiterado o seu apoio à ilha na defesa da soberania, opondo-se a sanções unilaterais e a qualquer forma de ingerência nos seus assuntos internos.