Poder do Povo | Manifestação cancelada por “pressões” Hoje Macau - 5 Nov 20204 Dez 2020 [dropcap]A[/dropcap] associação Poder do Povo abdicou da manifestação marcada para hoje, em que ia pedir que todas as obras atribuídas pelo ex-Chefe do Executivo, Chui Sai On, fossem investigadas pelo Comissariado Contra a Corrupção (CCAC). Em declarações ao HM, o presidente da associação, Iam Weng Hong, explicou esta decisão com o facto de ter havido “algumas pressões”. “A manifestação foi cancelada porque a pandemia mantém-se e sofremos algumas pressões, por isso decidimo-nos pelo cancelamento”, afirmou Iam Weng Hong. “Após o surto houve outros problemas na vida da sociedade e há outros sectores da sociedade com queixas. Só que nunca houve qualquer manifestação, por que acha que até agora não houve manifestações?”, perguntou retoricamente. Quando questionado sobre de onde tinham partido as pressões, o presidente da Poder do Povo afirmou que “não era conveniente” revelar as origens e ainda destacou que a associação “não quer ser a primeira” a organizar uma manifestação pós-pandemia. Em função deste desenvolvimento, o HM questionou o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) se tinha proibido o evento em causa. No entanto, um porta-voz da instituição explicou que a desistência tinha partido mesmo da associação Poder do Povo. A manifestação tinha sido anunciada a 28 de Outubro durante um evento promovido pela associação a protestar contra os novos taxímetros. O percurso indicado saía da Praça do Tap Seac e terminava na sede do Governo, com a entrega de uma petição.
Táxis | Sistemas inteligentes instalados em mais de mil carros João Luz - 5 Nov 20204 Dez 2020 [dropcap]A[/dropcap] Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) relevou ontem que, até terça-feira, 1.060 táxis já tinham instalados os sistemas inteligentes que permitem fiscalizar taxímetro e gravação de som e imagem, enquanto 113 marcaram data de instalação. O organismo liderado por Lam Hin San adiantou que o sistema foi instalado em 23 modelos diferentes de veículos. Até terça-feira, foram registadas mais de 710 mil transações, deste universo 91 foram inquinadas por anomalias, o que corresponde a uma fracção de 0,012 por cento das transações. Nestes casos, a DSAT pediu ao fornecedor de gestão do serviço, a New Leader Tecnologia Informática, para melhorar o sistema de forma a eliminar as anomalias e para compensar os taxistas prejudicados pelos erros do sistema, de acordo com o que foi contratualizado com o Governo. A DSAT informou ainda que mantém o contacto, inclusive por SMS, com portadores de licença de táxi que ainda não instalaram ou não marcaram data para instalar o sistema para que o façam o mais rapidamente possível. O prazo limite para a instalação é 3 de Dezembro. Depois dessa data, se um táxi transportar um passageiro sem ter o sistema instalado, ou este não estiver operacional, o carro pode ser apreendido e a licença de táxi suspensa. Se o taxista insistir na violação pode ser multado em 30 mil patacas.
Jogo | Empregados do sector preocupados com perspectivas de desemprego João Santos Filipe - 5 Nov 20204 Dez 2020 Um estudo da Associação de Empregados das Empresas de Jogos Macau concluiu que mais de 80 por cento dos trabalhadores teme pelo futuro dos seus empregos [dropcap]M[/dropcap]ais de 80 por cento dos empregados do sector do jogo está preocupada com o futuro dos seus postos de trabalho. Foi este o resultado de um estudo feito pela Associação de Empregados das Empresas de Jogos Macau, ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), cujos resultados foram ontem apresentados. Para chegar a esta conclusão a associação fez 611 inquéritos junto de empregados do sector. O estudo permitiu ainda perceber que face ao período homólogo há um aumento no número de empregados preocupados com as perspectivas futuras. O crescimento do número de trabalhadores preocupados é de 20 pontos percentuais. A principal preocupação está em eventuais despedimentos e prolongação do regime de licença sem vencimentos. As pessoas com mais de 10 anos na profissão foram as que revelaram sentirem-se mais inseguras. Ao mesmo tempo, houve ainda uma diminuição no desejo de mudar de emprego, em comparação com o ano passado. Segundo Leong Sun Iok, deputado e membro da FAOM dedicado ao sector do jogo, os resultados são uma consequência do prolongar da crise gerada pela pandemia da covid-19. “As empresas estão a meter os trabalhadores de licença sem vencimento e ele preocupam-se com a capacidade das concessionárias para resistirem à crise. No fundo, sabem que se não houver uma recuperação que as suas perspectivas são preocupantes”, afirmou Leong Sun Iok, ao HM. Por outro lado, o legislador apelou às empresas para não subestimarem a sua responsabilidade social. “No passado as empresas obtiveram lucros muito grandes. Mas sabemos que não deixam de estar numa situação muito complicada”, contextualizou. “O que se espera é que elas assumam a sua responsabilidade social e fiquem ao lado dos empregados, com alternativas que mantenham os empregos”, acrescentou. Maior exigência Sobre a situação no sector do jogo, o deputado ligado à FAOM traçou um cenário mais exigente para os trabalhadores. Não só porque houve atribuição de novas funções, mas também porque as empresas estão mais determinadas a avançar para processos de despedimento com justa causa. “Tive um caso de uma pessoa que foi despedida com justa causa e me pediu auxílio no processo. É uma nova situação no sector, em que há uma maior exigência face aos empregados. Antes também havia falhas, mas as empresas eram mais tolerantes, agora não. Por isso o ambiente de trabalho é mais tenso”, considerou. No mesmo sentido, Leong falou também da pressão sentida pelas famílias cujos progenitores estão ambos empregados como croupiers. “As pessoas estão preocupados porque se houver mudanças no trabalho a família corre o risco de não conseguir pagar a prestação da casa nem a educação”, apontou. “É mesmo um cenário diferente do ano passado e há mais tensão”, concluiu.
Segurança | Revogação de artigos continua a preocupar deputados Pedro Arede - 5 Nov 20204 Dez 2020 [dropcap]A[/dropcap] revogação de artigos que reforçam os direitos dos agentes das forças de segurança, prevista na proposta de lei do “Estatuto dos agentes das Forças e Serviços de Segurança” continua a estar no centro das preocupações de vários deputados da 3ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL). De acordo com Vong Hin Fai, que preside à comissão, depois de o assunto ter vindo a lume a 16 de Outubro durante a discussão na generalidade, ontem, no decorrer daquela que foi a primeira reunião para discutir a proposta de lei, alguns deputados “mostraram-se preocupados por não conseguirem ver os direitos dos agentes no texto da lei”. Por isso mesmo, acrescentou Vong Hin Fai, os deputados esperam que “o Governo disponibilize as opiniões recolhidas em 2015 e 2016” junto de algumas associações acerca da proposta. Além disso, o deputado apontou também que o facto de uma das associações do sector ter enviado uma carta dirigida à comissão a mostrar desagrado por não ter sido consultada, motivou que, a partir de hoje, e durante 30 dias, todos os interessados possam enviar opiniões através do site da AL que serão tidas em conta durante a análise do diploma. Durante a reunião de ontem foi ainda esclarecido que a proposta de lei prevê eliminar as distinções entre carreiras masculinas e femininas, “passando apenas a existir carreiras de base e carreiras superiores”. Recorde-se que a proposta de lei que se encontra a ser discutida revoga um regime de 1997, passando a ter 227 artigos, em vez dos 330 do diploma original. Entre os artigos eliminados está uma norma que estabelece que “os militarizados gozam de todos os direitos, liberdades e garantias reconhecidos aos demais cidadãos”.
Caso Viva Macau | Proposta de voto de censura a Edmund Ho e Francis Tam rejeitada no hemiciclo Salomé Fernandes - 5 Nov 20204 Dez 2020 Kou Hoi In rejeitou a proposta de voto de censura à actuação de Edmund Ho e Francis Tam, apresentada por Sulu Sou. A proposta era referente ao caso dos empréstimos à Viva Macau [dropcap]O[/dropcap] presidente da Assembleia Legislativa (AL), Kou Hoi In, rejeitou a proposta de voto de censura à actuação de Edmund Ho e Francis Tam no caso da Viva Macau. O deputado pretendia que a AL discutisse e votasse a censura às decisões políticas de Edmund Ho, então Chefe do Executivo, e do ex-secretário para a Economia e Finanças por “falhas graves” no caso dos empréstimos à companhia aérea que viria a falir. No pedido, o deputado recordou o relatório divulgado em Setembro pelo Comissariado Contra a Corrupção (CCAC), sobre os empréstimos concedidos à Viva Macau, apontando que Edmund Ho, Francis Tam e outros funcionários responsáveis pelos empréstimos foram negligentes e não cumpriram o dever de supervisionar os fundos públicos. O deputado descreveu que, na altura, foi ignorada a responsabilidade de apresentação de documentos financeiros, e que os empréstimos de curto prazo foram feitos sem base legal. Kou Hoi In indicou que rejeitava a resolução, alegando que a proposta de Sulu Sou não tinha “factos objectivos suficientes como base”. De acordo com o presidente da AL, o relatório do CCAC apontou apenas que foram encontrados vários problemas que mereciam revisão e reflexão ao nível da legislação administrativa e má conduta administrativa. Kou Hoi In acrescentou que o relatório não conclui que tenha havido má conduta por parte do então Chefe do Executivo. Dito no relatório Sobre o ex-secretário para a Economia e Finanças no caso dos empréstimos à Viva Macau, o relatório do CCAC descreveu que “os seus actos deficientes, negligentes e até omissivos ficaram aquém das expectativas dos cidadãos em relação ao trabalho dos titulares dos principais cargos”. É também mencionado incumprimento das suas responsabilidades quanto ao dever de supervisão. O mesmo não foi apontado a Edmund Ho. No entanto, o relatório menciona acções que careceram de fundamento legal adequado, entre as quais decisões de autorização tomadas pelo então Chefe do Executivo.
Governo vai abdicar de uma terceira consulta pública sobre renovação urbana João Santos Filipe - 5 Nov 20204 Dez 2020 [dropcap]O[/dropcap] Governo vai abdicar da consulta pública sobre o estudo da renovação urbana que estipula a percentagem de condóminos necessária para avançar com a demolição de um prédio. A decisão foi apontada ontem por Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas, na sequência da reunião do Conselho para a Renovação Urbana. O estudo elaborado pela consultadora Deloitte está na quinta versão e a decisão de abdicar da consulta pública prende-se com o facto de nos últimos dois anos já terem sido feitas auscultações junto da população. “Fizemos uma consulta pública sobre a renovação urbana no ano passado […] Recentemente na consulta do Plano Director também havia um capítulo sobre a renovação urbana”, começou por explicar o secretário. “Por isso, achamos que não faz sentido fazer mais uma consulta pública porque já foi feita uma em 2019 e outra em 2020. A população já foi consultado sobre a questão mais importante da consulta, que diz respeito à percentagem [de condóminos a favor da demolição dos edifícios]”, acrescentou. A percentagem que for apurada do estudo que está a ser feito pela Deloitte vai resultar na proposta do Governo. Os valores só deverão ser anunciados mais tarde. Para já, o que se sabe é que os valores vão variar de acordo com a idade do prédio. Quanto mais velha for a construção, menor será a exigência sobre o número de proprietários a favor da demolição, para que a renovação de um edifício possa avançar. E vão cinco Nesta fase, o estudo está na quinta versão, o que foi justificado pelo secretário com a necessidade de adaptar o documento às opiniões da população. Raimundo do Rosário acredita que esta poderá ser mesmo a última versão, contudo não deixa garantias. “O grande tema do estudo é a percentagem de concordância dos condóminos que é necessária para demolir um edifício. Espero que seja a última versão, mas não posso garantir, porque sempre que fazemos alguma coisa ouvimos muitas opiniões. E de cada vez que ouvimos as opiniões, o consultor adapta o estudo”, explicou. “Há de haver uma versão em que as pessoas estão 90 por cento de acordo e nessa altura se segue para a fase final, que é a elaboração do relatório. E eu estou convencido que não haverá uma sexta versão, mas não posso garantir”, sublinhou.
Orçamento 2019 | Baixa taxa de execução justificada com falta de aprovação e adesão Pedro Arede - 5 Nov 20204 Dez 2020 A falta de adesão a algumas rubricas destinadas à atribuição de subsídios e o facto de vários montantes avultados não terem sido desbloqueados estão na base da reduzida taxa de execução de diversos sectores no ano passado. No rescaldo da análise do Relatório sobre a Execução do Orçamento de 2019, o Governo está a ponderar deixar cair alguns apoios [dropcap]O[/dropcap] Governo atribuiu ontem a baixa taxa de execução orçamental referente a seis sectores no decorrer de 2019, ao facto de ter ficado por aprovar o desbloqueio de algumas verbas e pelo número reduzido de pedidos de apoio em diversas rubricas destinadas à atribuição de subsídios. De acordo com Chan Chak Mo, presidente da 2ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, que se encontra a apreciar o Relatório sobre a Execução do Orçamento de 2019, a contribuir para o desfecho está o facto de o Governo Central não ter aprovado a utilização de 1,2 milhões patacas do fundo da Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), de um total de 3,2 milhões. Exemplo de uma utilização de verbas que ficou aquém do esperado é o Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética, onde a taxa de execução foi de 10 por cento, correspondendo a 3,5 milhões de patacas. Neste caso concreto, para além de haver rubricas onde não foi aceite qualquer pedido, o deputado revelou que dos 49 pedidos de subsídio para aquisição de produtos amigos do ambiente, apenas 10 tiveram luz verde “porque os preços nas cotações são mais elevados do que aqueles que constam da lista do Governo”. Sobre o Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização (FIDIC), Chan Chak Mo apontou que foram usados 2,3 mil milhões de patacas, correspondentes a uma taxa de execução orçamental de 22 por cento. Segundo Chan Chak Mo, a baixa taxa de execução pode ser explicada por não ter sido aprovado um montante de 1,9 mil milhões de patacas destinado fundo sino-português. Quanto à obra social da PSP, a taxa de execução orçamental rondou os 40 por cento, correspondente a 55 milhões de patacas. Segundo o deputado, o resultado ficou a dever-se ao facto de o organismo não ter conseguido implementar os mecanismos de uniformização desejados para a criação de 11 cantinas nas esquadras. Apoios em causa Uma taxa de execução de cerca de 58 por cento (49 milhões de patacas) foi alcançada pelo Fundo de Reparação Predial, tendo sido considerada “boa” pelo presidente da comissão. Contudo, rubricas como o pedido de subsídio para remover construções ilegais em imóveis tiveram apenas um único pedido. “Só houve um caso porque se as pessoas não são obrigadas a demolir as obras não o vão fazer”, disse Chan Chak Mo. Além deste, revelou o deputado, o plano de apoio destinado à inspecção das partes comuns de edifícios das classes P e M “teve zero pedidos”. Segundo Chan Chak Mo, perante outros “6 ou 7 planos com poucos pedidos”, o Governo está a equacionar revogar alguns destes apoios. No final da reunião foi ainda revelado que em 2019 o Governo pagou 220 milhões de patacas referentes ao pagamento da última tranche de compensação à Linhas Aéreas Ásia Oriental pela mudança de local do heliporto de Coloane para o lote LT7 da Zona E dos novos aterros. No total, a indemnização paga à empresa foi de 535,7 milhões de patacas.
Eleições EUA | Biden perto da presidência, Trump deposita esperanças nos tribunais João Luz - 5 Nov 20204 Dez 2020 Mais de 48 horas depois, não há resultado nas eleições norte-americanas, mas Joe Biden está muito perto de ser o 46º Presidente dos Estados Unidos da América, a um Estado de garantir o número necessário de delegados do colégio eleitoral. Sem surpresas, Donald Trump declarou vitória antes da contagem final, vai contestar os resultados nos tribunais, enquanto os seus apoiantes afluíram a mesas de voto a protestar infundadas fraudes [dropcap]S[/dropcap]e as presidenciais norte-americanas pudessem ser resumidas em imagens, os protestos de apoiantes de Donald Trump à porta de mesas de voto em Maricopa, no Arizona, a gritar “parem a contagem” de votos, ao mesmo tempo que em Detroit, no Michigan, o slogan era “continuem a contagem” seriam uma representação simbólica das últimas 48 horas e do que ainda vem. Com a devida diferença de horário (em Macau são mais 16 horas do que em Washington), depois de mais de 48 horas do encerramento das urnas, até ao fecho da edição, ainda não era certo quem vai ocupar a Casa Branca nos próximos quatro anos. Ontem à noite, Joe Biden mantinha uma liderança promissora, a apenas um estado de distância da presidência, somando 264 delegados do colégio eleitoral, apenas a seis do número mágico que lhe garante a eleição, enquanto Donald Trump mantinha 214 delegados. Além das mil e uma peripécias que tornam este sufrágio num evento único, importa realçar que Joe Biden já ultrapassou o maior número de votos de sempre numa eleição para Presidente dos Estados Unidos, com 72,1 milhões contados até ao fecho da edição, e ainda com boletins por somar ao total. O candidato em segundo no pódio do mais votado de sempre foi Barack Obama em 2008, com 69,4 milhões. Depois de garantir os estados do Wisconsin e Michigan, que na eleição anterior foram arrebatados por Trump, Joe Biden falou na tarde quarta-feira aos apoiantes, madrugada de ontem em Macau, ao lado da companheira de campanha, Kamala Harris, revelando enorme optismismo quanto à vitória, mas não a declarando. “Vou governar como um Presidente americano. Vão deixar de haver estados vermelhos e estados azuis quando ganharmos, para haver apenas os Estados Unidos da América”. Declaração de vitória As palavras de Biden, que sublinhou a necessidade de serem contados todos os votos, contrastam com as do actual Presidente. “Francamente, nós ganhámos estas eleições”, declarou Donald Trump, às 2h da manhã de quarta-feira na Casa Branca, insistindo que a contagem devia parar, quando ainda existiam milhões de votos por apurar, em particular boletins enviados por correio. Em parte, os atrasos na contagem dos votos por correspondência são justificados pelo volume sem precedentes devido à pandemia de covid-19 que varre os Estados Unidos. Outra razão foi a insistência de representantes estatais republicanos em não iniciar a contagem, apesar do anormal volume de votos antecipados, antes do dia da eleição. Sem oferecer explicações adicionais, Donald Trump referiu que iria avançar para o Supremo Tribunal. “Queremos que a votação acabe”. Uma declaração que contradiz a vontade do Presidente de que contassem os votos no Arizona, numa altura em que encurtava a margem em relação a Joe Biden. Descurando o efeito da contabilidade dos votos por correio, que têm favorecido Biden desproporcionalmente, Donald Trump afirmou: “Não queremos que encontrem mais boletins de votos às 4 da manhã. É um momento muito triste. Isto é uma fraude para o povo norte-americano e uma vergonha para o nosso país.” Mais tarde referiu, enigmaticamente: “para mim, já ganhei”. Para já, o Presidente tem pela frente batalhas legais complicadas. Uma delas é pedir a recontagem dos votos no Wisconsin, onde Joe Biden venceu com uma vantagem de cerca de 20 mil votos. O próprio Governador do estado, o republicano Scott Walker, recordou que na recontagem para a eleição para o supremo tribunal do estado houve um acerto de 300 votos e que nas presidenciais de 2016 a recontagem os números apenas subiram 131 votos. “Como eu disse, 20 mil é um grande obstáculo”, comentou o Governador no Twitter, Da Pensilvânia à Transilvânia Talvez o mais inusitado dos argumentos da campanha de Trump para impugnar a eleição partiu do advogado pessoal do Presidente, que acorreu a Filadélfia, no estado do Pensilvânia, para protagonizar uma bizarra conferência de imprensa. A razão legal para impugnar as eleições naquele decisivo estado foi “não haver maneira para observar de forma significativa o processo” onde estavam os observadores de urnas da campanha de Donald Trump. O procurador-geral da Florida, Pam Bondi, que acompanhou Rudy Giuliani na conferência de imprensa, queixou-se do facto de os observadores não terem binóculos para ver os balcões onde eram contados os boletins. “Não sabemos o que se estava a passar”, completou o advogado, que andou nas bocas do mundo devido à aparição algo embaraçosa no último filme de Sacha Baron Cohen. A conferência contou com outro reforço de peso, o filho do Presidente, Eric Trump, que argumentou que no acto eleitoral do Pensilvânia foram contados votos de pessoas já mortas. A bizarra alegação foi feita sem qualquer apresentação de provas. Os outros olheiros Os observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) disseram que as acusações feitas sobre o processo eleitoral norte-americano, nomeadamente pelo Presidente, Donald Trump, prejudicam a confiança do público nas instituições democráticas. As “acusações infundadas de deficiências sistemáticas” do processo eleitoral nos Estados Unidos, em particular do Presidente Donald Trump, “prejudicam a confiança do público nas instituições democráticas”, alertou na quarta-feira, num comunicado, a missão de observadores da OSCE nas eleições norte-americanas. “Depois de uma campanha tão dinâmica, garantir que todos os votos sejam contados é uma obrigação fundamental para todos os ramos do Governo”, disse Michael Georg Link, coordenador especial e líder da missão de observação de curto prazo do organismo europeu, no comunicado. De acordo com a missão de observação, a eleição de terça-feira foi “apertada” e “bem administrada, apesar dos muitos desafios causados pela pandemia de covid-19”. Os observadores notaram que a campanha eleitoral nos Estados Unidos foi caracterizada por uma “polarização política profundamente enraizada, que muitas vezes obscurecia o debate político mais amplo e incluía alegações infundadas de fraude sistemática”. “Alegações infundadas de deficiências sistemáticas, particularmente por parte do Presidente em exercício, mesmo na noite das eleições, prejudicam a confiança do público nas instituições democráticas”, disse o líder da missão. Há meses que Trump semeia desconfiança no voto por correspondência – apesar de não haver provas de que isso possa levar a uma fraude generalizada – e no domingo passado anunciou que planeava iniciar um litígio no importante Estado da Pensilvânia. “Esta eleição ainda não acabou e permaneceremos aqui em Washington e nos principais Estados do país até que acabe”, disse Urszula Gacek, chefe da missão de observação do Escritório da OSCE para Instituições Democráticas e Direitos Humanos (ODIHR). Povos nas ruas Apoiantes do Presidente norte-americano, Donald Trump, concentraram-se em frente a mesas de voto, exigindo o fim da contagem, enquanto milhares de manifestantes saíram às ruas em várias cidades para reclamar que todos os boletins sejam contados. Em Detroit, no estado do Michigan, dezenas de apoiantes de Trump gritaram “Parem a contagem!”, com polícias em fila para impedir a entrada no edifício onde são contados os boletins. O estado do Michigan tem vivido uma enorme tensão há vários meses, depois de manifestantes armados terem protestado no Capitólio contra as restrições instauradas na Primavera para combater a pandemia de covid-19. Em Outubro, seis homens foram detidos sob a acusação de conspiração para raptar a governadora democrata Gretchen Whitmer, num plano que visaria também governadores democratas noutros estados, como a Virgínia. Em Phoenix, no Arizona, ouviram-se cânticos de “Parem o roubo” frente às mesas de voto, com um membro da Câmara dos Representantes, o republicano Paul Gosar, a juntar-se à multidão, dizendo: “Não vamos deixar que esta eleição seja roubada”. Os protestos surgiram quando Trump afirmou, sem quaisquer provas, que haveria problemas com a votação e a contagem dos votos, tendo apresentado queixa em três estados por causa das eleições presidenciais. Enquanto apoiantes de Trump continuam a exigir o fim da contagem dos votos antecipados e enviados pelo correio, que deverão favorecer o candidato democrata Joe Biden, milhares de manifestantes saíram às ruas, de Nova Iorque a Seattle, para exigir que todos os boletins sejam contados. Em Portland, no estado do Oregon, que durante meses foi palco de protestos contra o racismo, a governadora Kate Brown pediu a intervenção da Guarda Nacional, depois de manifestantes pró-Biden terem iniciado actos de violência no centro da cidade, segundo as autoridades, que deram conta de janelas partidas. Em Nova Iorque, centenas de apoiantes de Biden desfilaram na Quinta Avenida, em Manhattan, tendo a polícia feito duas dezenas de detenções. Em Chicago, protestos a reclamar a contagem de todos os votos realizaram-se no centro da cidade, perto do edifício Trump Tower. Protestos semelhantes tiveram lugar em pelo menos meia dúzia de cidades, incluindo Los Angeles, Houston, Pittsburgh, Minneapolis e San Diego, de acordo com a agência de notícias Associated Press (AP). Vírus da democracia Os Estados Unidos registaram na quarta-feira cerca de 100 mil infectados com o novo coronavírus, um novo máximo diário, aumentando o total de casos para 9.477.239. De acordo com a contagem independente da Universidade Johns Hopkins, o número de mortes por covid-19 no país, desde o início da pandemia, subiu para as 233.650. Embora Nova Iorque não seja o estado com o maior número de infecções, continua a ser aquele onde foram contabilizados mais óbitos (33.556). Só na cidade de Nova Iorque morreram 24.034 pessoas. O Instituto de Avaliações e Métricas de Saúde da Universidade de Washington estimou que até o final do ano os Estados Unidos vão registar 325 mil mortos e 400 mil a 1 de Fevereiro.
Eleições EUA | Vice-ministro chinês do MNE pede que relações com EUA sigam “caminho certo” Andreia Sofia Silva - 5 Nov 20204 Dez 2020 [dropcap]L[/dropcap]e Yucheng, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, disse hoje esperar um “avanço” no relacionamento entre a China e os EUA, para que este siga “o caminho certo”. Citado pela Xinhua, Le Yucheng fez este comentário esta quinta-feira numa conferência de imprensa a propósito das eleições presidenciais que decorrem nos EUA. O vice-ministro lembrou que a contagem dos votos ainda decorre e que não é certo se Joe Biden será o próximo Presidente dos EUA, apesar de estar, para já, à frente de Donald Trump. Le Yucheng disse esperar que o processo decorra com normalidade e de forma calma. “A atitude da China em relação à ligação bilateral é clara e consistente. Apesar de existirem diferenças entre os dois países, também existem extensos interesses em comum e lugar para a cooperação”, frisou. A manutenção de uma relação bilateral com os EUA assegura os interesses das populações de ambos os países e corresponde às aspirações da comunidade internacional, frisou. “Esperamos que o próximo Governo dos EUA reúna com a China sob os princípios do não conflito, não confronto, mútuo respeito e benefícios, além do foco na colaboração e gestão das diferenças.” Tudo para que “haja um avanço dos laços bilaterais no caminho certo”, referiu. Sem um resultado final, a Rússia não comenta, para já, as eleições. “A situação que se está a desenrolar não nos permite fazer qualquer comentário”, disse esta quinta-feira aos jornalistas Dmitri Peskov, porta-voz do Presidente russo, Vladimir Putin, de acordo com o New York Times. “Preferimos, claro, dar um tempo e esperar por alguma clareza no que se está a passar”, acrescentou. Joe Biden conta, a esta altura, com 253 votos contra 214 arrecadados por Donald Trump. As projecções apontam para a vitória do candidato democrata em Estados como Wisconsin, Michigan, Arizona e Nevada. Donald Trump contesta resultados eleitorais em quatro Estados norte-americanos.
Casa de Portugal | 6ª edição do Festival de Marionetas começa este sábado Andreia Sofia Silva - 5 Nov 20204 Dez 2020 [dropcap]É[/dropcap] já este sábado, dia 7, que arranca mais uma edição do Festival de Marionetas, uma iniciativa da Casa de Portugal em Macau (CPM). Diana Soeiro, coordenadora da CPM, disse ao HM que esta sexta edição se realiza apenas com artistas locais, sendo dois deles artistas da CPM, tal como Elisa Vilaça e Sérgio Rolo. Este apresenta o espectáculo “Mini-mini-mini circus” em que “trapezistas, malabaristas, contorcionista e outros artistas brilham como as estrelas nas capas das revistas”, onde a personagem Rodolfo “nos guia durante a função deste circo que é seu de coração”. Já Elisa Vilaça apresenta o espectáculo “O Sonho”, com uma história em torno da personagem Mariana, e em que todas as marionetas foram feitas por si. Este espectáculo acontece no sábado às 17h15 no auditório da Casa Garden. No sábado, acontece o espectáculo “Mommy’s time”, de Ronald Un, “um jovem e talentoso artista de teatro local que nos leva ao mundo do livro ilustrado e aos pensamentos da mãe nessas novas interpretações que evocam a nossa imaginação”. Por sua vez, o espectáculo “What are we thinking” [O que estás a pensar?] é feito com base no livro escrito e ilustrado por Chi-Wai Un, um conhecido ilustrador e designer gráfico local. “What are we thinking” é um espectáculo que “descreve os pensamentos de crianças e o sonhar acordado como um fenómeno comum entre adultos e idosos, não sendo exclusivo das crianças”. À excepção do espectáculo de Elisa Vilaça, todos os restantes decorrem no jardim da Casa Garden. Diana Soeiro assegura que “não havendo fala, todas as peças são destinadas a um público de todas as nacionalidades e são para todas as idades”.
Covid-19 | China proíbe entrada a estrangeiros que cheguem da Bélgica e Filipinas Hoje Macau - 5 Nov 20204 Dez 2020 [dropcap]A[/dropcap] China acrescentou a Bélgica e as Filipinas aos países a partir dos quais passa a estar suspensa a entrada de titulares de passaporte estrangeiro no seu território, face a uma nova vaga de covid-19. A medida abrange titulares de vistos ou de autorizações de residência, com excepção para diplomatas, segundo um comunicado divulgado pelas embaixadas chinesas naqueles países. Anteriormente, a embaixada chinesa no Reino Unido tinha já tinha anunciado a mesma medida para cidadãos estrangeiros que voem a partir daquele país. As embaixadas e os consulados chineses naqueles países deixaram assim de emitir certificados sanitários que corroborem a validade dos testes negativos de ácido nucleico (PCR), e que são obrigatórios para embarcar num voo para a China. A embaixada da China em Londres afirmou que a suspensão vai ser “avaliada de acordo com a evolução da situação”. A China conteve amplamente a disseminação do novo coronavírus dentro do país, mas continua a registar casos importados. Nas últimas 24 horas, somou 20 novas infeções oriundas do exterior. Em setembro, a China voltou a permitir a entrada no país de estrangeiros com uma autorização de residência válida, sem a necessidade de pedir novo visto. A medida abrange autorizações de residência válida para três categorias: trabalho, assuntos pessoais e reagrupamento familiar. As demais restrições à entrada de estrangeiros no país anunciadas em março continuam em vigor, nomeadamente para turistas. No dia 26 de março, a China praticamente fechou as fronteiras, permitindo a entrada de estrangeiros no país só em casos considerados essenciais. Quem entra no país tem de cumprir duas semanas de quarentena num centro designado pelas autoridades. A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,2 milhões de mortos em mais de 47,5 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
FRC | Sessão recorda “Request”, popular programa da antiga Rádio Vila Verde Hoje Macau - 5 Nov 20204 Dez 2020 [dropcap]A[/dropcap] Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta, na próxima quarta-feira, às 18h30, mais uma edição da iniciativa “Serões com História”, desta vez dedicada ao programa “Request”, da antiga Rádio Vila Verde, muito popular no seio da comunidade macaense. Henrique Manhão, presidente da Casa de Macau nos EUA, será um dos oradores e irá partilhar “muitas memórias e curiosidades, apoiadas em fotos e áudios da época, reconstruindo mais um retrato da história viva de Macau e das suas gentes”. Este programa de discos pedidos começou nos inícios dos anos 50 e, inicialmente, era transmitido apenas uma vez por semana, mas depressa passou a ser transmitido duas vezes por semana, dado o seu sucesso junto dos ouvintes. Os locutores portugueses que colaboravam eram João (Johnny) Reis e Nuno de Senna Fernandes, enquanto que a emissão em inglês estava a cargo da senhora Hydman e uma outra de apelido Leitão. As duas canções mais populares da noite eram o “ Happy Birthday” e “Congratulations”. A moderação desta sessão estará a cargo de José Basto da Silva, presidente da Associação dos Antigos Alunos da Escola Comercial Pedro Nolasco (AAAEC), promotora da iniciativa.
Eleições EUA | Joe Biden quase a atingir maioria dá esperança a imigrantes em Nova Iorque Hoje Macau - 5 Nov 20204 Dez 2020 [dropcap]A[/dropcap] população etnicamente diversa de Nova Iorque, nos Estados Unidos mantém uma forte esperança pela vitória de Joe Biden, que parece mais próxima, e tenta tranquilizar-se depois de um dia de mais aflição sobre as eleições. A ansiedade das eleições está a ser sentida de maneira mais forte este ano, dizem à Lusa eleitores de Nova Iorque, mas os imigrantes, que não têm direito a votar nos EUA, são um dos grupos populacionais que podem ser mais afetados. O antigo vice-Presidente Joe Biden aproxima-se a passos rápidos do troféu dos 270 votos do Colégio Eleitoral, contados a partir da maioria de votos em cada Estado, dando mais esperança aos democratas e estrangeiros nos Estados Unidos, que dizem à Lusa ter “respirado de alívio” com as notícias mais recentes. “Vai demorar um pouco até que a disputa se resolva e o choramingar de Trump pare. Mas a decência já se foi há muito”, avalia Tuako Tetteh, imigrante nos EUA, orginário do Gana. As eleições presidenciais nos EUA são decididas pelos votos no Colégio Eleitoral, constituído por 538 “grandes eleitores” ou delegados dos 50 estados norte-americanos, que são obrigados a dar o voto no candidato mais escolhido pelos cidadãos locais no ato eleitoral. O Colégio Eleitoral é composto por um número de delegados proporcional à dimensão da população de cada Estado. Apesar de muitos votos ainda estarem por contar e as eleições estarem longe de terminadas, os canais CNN e ABC estimam que Joe Biden já tenha assegurado 253 votos do Colégio Eleitoral, enquanto Donald Trump está a 213 e com menos possibilidades de ultrapassar o opositor. Segundo a Associated Press, Joe Biden já pode receber o voto de 264 delegados do Colégio Eleitoral, faltando apenas seis para garantir a maioria e ser considerado vencedor. Nikita Chang, uma estudante vinda da Índia, com ascendência chinesa, aguarda com expectativa o resultado das eleições de ontem, esperando por uma derrota de Donald Trump, uma “derrota sobre o ódio” e o reverso de algumas políticas contra a imigração impostas durante o seu mandato. A estudante de 23 anos expressa a sua solidariedade pelos “que foram prejudicados e vistos com maus olhos” durante todo o mandato de Donald Trump, que “parece chegar ao fim”. “Tento não transmitir aos meus pais todas as preocupações e medos que tenho aqui na América. Tento provar-lhes com frequência que estou feliz. (…) Agora estou bem, mas não sei nada sobre o meu futuro”, conta Nikita, que espera que Joe Biden seja um Presidente “com mais compaixão”. Os vistos de estudantes nos EUA podem sofrer alterações para limitar o tempo de estada permitido e tornar mais difícil a entrada de estrangeiros no mercado de trabalho norte-americano, mesmo que tenham estudado sob todas as normas do país. A acrescentar à incerteza sobre o futuro, a pandemia de covid-19 conseguiu criar mais preconceito negativo contra os asiáticos, por China ter sido o primeiro país a dar conta do novo coronavírus. Donald Trump responsabiliza a China por não partilhar informações suficientes, declara que o novo coronavírus devia ser chamado “vírus da China” e culpa organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde, de estar na dependência do país asiático. Tuako Tetteh, do Gana, também conta que “não é fácil” passar quase três anos longe da família e recear que tenha de sair se não voltar a ter emprego nos próximos meses. “Apesar de nem tudo ser culpa do Presidente”, considera Tuako, “os princípios e as ideologias” parecem ter sofrido grandes alterações ao mais alto nível da liderança, com o apoio de milhões de norte-americanos. O cidadão ganês diz que não se sente totalmente incluído, apesar de ter “bons amigos” dos Estados Unidos, com quem está a tentar manter um ambiente de calma. “Mesmo que Biden vença politicamente, com metade do país a votar por Trump, os Estados Unidos perderam moralmente”, lamenta Tuako.
FMI prevê crescimento da economia chinesa em quase 2 por cento, contrariando tendência mundial Hoje Macau - 5 Nov 20204 Dez 2020 [dropcap]O[/dropcap] Fundo Monetário Internacional (FMI) previu hoje que a economia da China cresça 1,9%, este ano, e 8,2%, em 2021, evitando a contração registada a nível global devido à pandemia da covid-19. Estas previsões representam a última actualização do FMI, depois de uma ronda de consultas, incluindo reuniões entre o chefe da missão para a China, Helge Berger, o primeiro vice-diretor-geral, Geoffrey Okamoto, e o governador do banco central chinês e os diretores dos reguladores do mercado de ações, do setor bancário e de seguros. Apesar das perspectivas positivas, Okamoto alertou que o crescimento continua a ser desequilibrado, pois depende excessivamente da intervenção do Governo, enquanto o consumo privado “ficou para trás”. O vice-director lembrou que a economia chinesa ainda está exposta a “crescentes vulnerabilidades financeiras” e a um “ambiente estrangeiro cada vez mais complexo”. As projecções do FMI são de que os preços de produtos tradicionalmente mais voláteis, como de alimentos ou energia, vão manter-se sem aumentos, o que levará o índice de preços ao consumidor, o principal indicador da inflação no retalho, a não ultrapassar, no próximo ano, o limite de 3% estabelecido por Pequim antes da crise do novo coronavírus. Okamoto exortou o Governo chinês a continuar “a modernizar” as políticas monetárias, a apoiar os grupos mais vulneráveis na sociedade chinesa e a fortalecer os marcos regulatórios do sistema financeiro para reduzir riscos. O FMI instou Pequim a aprofundar a reforma das empresas estatais para que não sejam beneficiadas face às empresas privadas, e a abrir o mercado doméstico às empresas estrangeiras. Sobre o papel do país na crise global da covid-19, o director do FMI lembrou que a China “pode ajudar a comunidade internacional a superar muitos dos principais desafios que a economia global enfrenta”. O responsável citou o acesso a possíveis vacinas contra o novo coronavírus, o alívio da dívida dos países pobres, o financiamento sustentável para o investimento global em infraestrutura e o combate às mudanças climáticas. De acordo com dados oficiais, o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 4,9%, em termos homólogos, no terceiro trimestre do ano, o que representou um retorno a valores positivos, no conjunto do ano até setembro (+0,7%), após uma queda de 6,8% no primeiro trimestre de 2020 e uma subida de 3,2% no segundo.
Saltos na fé António Cabrita - 4 Nov 20204 Dez 2020 [dropcap]A[/dropcap] anedota é curta: um homem cai num poço e mergulha 30 metros antes de conseguir agarrar-se a uma magra raiz que detém a sua queda. A sua mão vai perdendo a força e, desesperado, grita: Há alguém aí em cima? Olha para o alto e vê um círculo de céu. De repente, as nuvens abrem-se, um raio brilha sobre ele, e uma voz profunda ecoa: Sou Eu, o Senhor, estou aqui. Solta-te da raiz e eu salvo-te. O homem pensa mais um minuto e grita: Tem mais alguém aí em cima? Quando se está pendurado por um coto, um magro filamento de raiz, a tendência é de fazer a balança pesar para o lado da razão. Que se alimenta da dúvida: O Gajo existe ou a minha necessidade acabou de inventá-lo? Daí que René Descartes tenha preferido cultivar a razão em vez da fonte divina de conhecimento. E a que fé se podia agarrar Kafka quando escreveu numa carta a Milena: «os beijos por escrito não chegam ao seu destino; são bebidos no caminho pelos fantasmas», afastando com isso qualquer possibilidade, a mínima fímbria (o beijo) de contacto? O salto na fé, como lhe chamava Kierkegaard, é um dos grandes desafios do homem, sendo isto independente de acreditar-se em Deus ou não. Como fazer convergir a si a energia que só uma convicção indubitável engendra? O amor só se consolida e expande se houver um salto na fé, de contrário fenece como uma flor de época, narcísica. Escrevi um prefácio para um livro do Christian Bobin e tive de reler La Lumière do Monde, um magnífico livro de entrevistas onde, como na Alice atrás do espelho, tudo parece estar invertido. E aí encontro um exemplo de como a ilogicidade aparente pode ser uma prova viva do mais verdadeiro: «O que me convence na cena do túmulo vazio, na manhã da Ressurreição, é que ninguém aí se detém: os evangelistas não lhe dedicaram mais do que duas linhas. Os falsificadores teriam escrito volumes e volumes sobre a Ressurreição. Eu acredito porque existem apenas duas linhas. É estranho que a coisa mais importante quase nunca esteja nos Evangelhos. É a mesma estranheza que me convence no caso de Maria: ela teve essa Graça de lhe ter sido anunciado a natureza divina de seu filho, e trinta anos depois ela esqueceu. É exatamente como a vida». Bobin tem razão. Mesmo para um ateu, crer implica iluminar o que a vida omitiu por demora e esquecimento e encontrar aí novas texturas, trânsitos, inteligibilidades e uma sintaxe intersticial – outro foco, na narração da memória – que, ao modo das sinapses, active uma re-organimação do real e a festa do nosso reencontro com ele; visto que somos intermitentes, no contacto que lhe devemos. É o nexo que encontro numa história espantosa de John Cage, que só agora julgo compreender. Escreveu o músico sobre a sua mãe, nos seus diários: «A minha mãe casou-se duas vezes antes de desposar o meu pai, mas nunca se referiu a isso, a não ser já próximo da morte. Ela não conseguia lembrar-se do nome do primeiro marido». Esta passagem final mergulhava-me em tinhosas reflexões sobre os alçapões e os labirintos da memória. Psicanaliticamente, é um cliché dizer que só recordamos o que queremos e censuramos o que nos desagrada. O facto é que as histórias felizes não imprimem enquanto o sulco das mágoas é muito mais duradouro. Não interessa quanto tempo durou esse primeiro casamento, é mais pertinente interrogar se há intensidades sem um nome que as transporte. Se tivesse sido uma relação traumática, das que deixaria uma cicatriz vertical na psique da mãe de Cage, os anos trariam aos seus lábios o nome do agressor, porque embora o tempo aja como uma momentanea amnésia paliativa e cauterize a dor, deslocando-a, levando-nos a perdoar, não nos faz esquecê-la — e ao mal, até por defesa, nós designamo-lo. Nós nomeamos a figura do mal como uma prova de superação, mas nenhum judeu de Auschewitz esqueceu o nome dos seus carrascos. Porém, como falar da felicidade? A felicidade é como o tempo: podemos experimentá-la mas falar dela é um contra-senso e uma felicidade demasiado consciente, meta-relacional, seria o primeiro sinal de um défice. O que me deixa desconcertado nesta curiosa amnésia da mãe do músico é a hipótese da senhora ter sido tão tremendamente feliz no seu casamento que, face ao que se sucedeu, lhe fosse insuportável atribuir um nome ao que, por qualquer motivo, perdera para sempre. É uma hipótese nada descartável ainda que pareça pouco lógica — contudo, o que o escritor persegue não é a lógica mas as anfractuosidades do sentido, o seu esplendor indiciário; a lógica está para o escritor como o pé chato para o maratonista: é um empecilho. O escritor vive dos saltos na fé. Por isso, na mesma lógica invertida, escreve Bobin: «Cioran é um benfeitor, não pelo facto, como dizem os seus falsos discípulos, de ser um desencantado com o mundo, mas porque não deixa nenhum falso encantamento. É alguém que limpa o deserto. Com uma vassourinha, ele retira toda a porcaria das consolações fáceis, e é para mim, depois deste trabalho, que ele começa a ter uma palavra verdadeira. É preciso o trabalho de inverno: de retirar por fim os ramos mortos: a isto se chama preparar a primavera». Absolutamente. Um salto na fé, igualmente, o que foi dado pelo museu de cera Madame Tussaud de Berlim, ao ter colocado a sua estátua de Donald Trump num contentor do lixo, nesta sexta-feira. Gente que não está só arreigada ao comércio.
O “Big Data” como o novo petróleo Jorge Rodrigues Simão - 4 Nov 20204 Dez 2020 “Two of the most important developments of this new century are the emergence of cloud computing and big data. However, the uncertainties surrounding the failure of cloud service providers to clearly assert ownership rights over data and databases during cloud computing transactions and big data services have been perceived as imposing legal risks and transaction costs.” Marcelo Corrales Compagnucci Big Data, Databases and “Ownership” Rights in the Cloud [dropcap]O[/dropcap]s chineses, alistam cidadãos para os chefiarem e sempre tal aconteceu, com precedentes muito antigos, mesmo datando da história imperial, durante o curto mas fundamental período da Dinastia Qin (221-206 a.C.) na qual a vida quotidiana e a sociedade estava organizada de uma forma perfeitamente militar. Todos os habitantes estavam divididos em grupos de cinco ou dez famílias que trabalhavam em conjunto e se administravam umas às outras. Um sistema de vigilância estava em vigor na altura, e cada pessoa comunicava comportamentos considerados “desviantes”. A fim de se manterem mais próximo do nosso tempo, as unidades de trabalho e, mais tarde, os muitos cidadãos envolvidos em actividades de fiscalização mútua continuaram estas tradições. Ainda hoje não será difícil encontrar em algumas cidades pessoas idosas com uma braçadeira nos braços encarregados de inspeccionar a área, capazes de contar cada pequeno detalhe da vida. Talvez também para estas referências mais ou menos distantes, os chineses parecem aceitar facilmente o desenvolvimento “cidadão” em nome da “segurança” e da dissuasão (obtida também através de modelos de previsão adoptados pelas autoridades locais) contra os criminosos. Actualmente, os “olhos” da China não são apenas uma inspiração mas sim uma realidade e muitas empresas chinesas estão na corrida por um mercado em contínua expansão. Para a imprensa nacional, incluindo “sistemas de vigilância vídeo, controlo de acesso, alarmes policiais, sistemas de inspecção de segurança” e o mercado da segurança pública foi estimado em cerca de noventa mil milhões de dólares até ao final de 2017 e espera-se que cresça para cento e sessenta e dois mil milhões de dólares em 2023, de acordo com a Associação da Indústria de Segurança e Protecção da China. Esta é uma tendência global, influenciada pelo que está a acontecer na China. O mercado global de vigilância vídeo foi estimado em quarenta mil milhões de dólares em 2018 e espera-se que atinja um valor de noventa e seis mil milhões de dólares em 2024. A Europa segue e não tem capacidade de instalar câmaras “anti-vandalismo” e “inteligentes” devido a uma questão orçamental. Mas essa é a tendência futura. Qualquer projecto de cidade inteligente gira em torno do “Intelligent Operation Center (Ioc) ”, um mega computador capaz de controlar todas as áreas do projecto. A China não só tem influência nas tendências globais, como tem a capacidade de impor os seus produtos no mercado mundial, e são os Estados Unidos que o provam. Por exemplo, os militares americanos começaram a comprar produtos de videovigilância chineses. As motivações foram o preço e desempenho. Segundo uma investigação do “Financial Times”, a base militar em Fort Drum, em Junho de 2018, adquiriu câmaras Hikvision (é um fabricante e fornecedor chinês parcialmente estatal de equipamento de vigilância por vídeo para fins civis e militares, com sede em Hangzhou) no valor de trinta mil dólares. Um concurso para câmaras de segurança no acampamento base do Corpo de Fuzileiros Navais em Lejeune, em Janeiro de 2019, descobriu por outro lado que apenas o equipamento Hikvision funcionaria numa rede com outras câmaras, dando acesso a dados sensíveis de outras ferramentas tecnológicas utilizadas. A rápida expansão da Hikvision no mercado de vigilância dos Estados Unidos, em que 42 por cento pertence ao governo chinês, começou em 2010, quando principiou a vender alternativas muito mais baratas aos dispositivos fabricados por marcas como a Axis e a Bosch. Em 2016, a empresa chinesa tinha-se tornado o segundo maior fornecedor de produtos de vigilância vídeo nos Estados Unidos, com 8,5 por cento do mercado de câmaras de vigilância. Foram, em particular, os preços que atraíram as pequenas empresas e as forças da lei locais para a China. A marca tornou-se tão popular principalmente devido ao preço. A presença de câmaras chinesas na Web levantou suspeitas imediatas, apoiadas pela directiva do governo dos Estados Unidos de proibir a compra de tecnologia chinesa para o seu sector militar. Mas no final de Julho de 2019, as câmaras produzidas pela Hikvision, segundo o jornal financeiro britânico, permanecem na Base da Força Aérea de Peterson, no Colorado, no quartel-general do Comando de Defesa Aeroespacial Americano (Norad) e no quartel-general do Comando Espacial da Força Aérea. Mesmo os departamentos de polícia de estados como Massachusetts, Colorado e Tennessee ainda dependem das câmaras Hikvision. Só o Departamento de Polícia de Memphis tem pelo menos 1500. E porquê? Porque o desempenho conta e tal como noticiado nos meios de comunicação internacionais, o sistema Hikvision é capaz de identificar com precisão rostos independentemente da etnia, enquanto algumas tecnologias desenvolvidas no Ocidente só são precisas no que diz respeito à população branca. Isto acontece por uma razão muito simples; as possibilidades que a China tem de experimentar e aperfeiçoar o seu armamentário de segurança são imensas, graças à enorme quantidade de dados de que dispõe. E tem áreas onde pode desenvolver a sua tecnologia. Porque é que a tecnologia chinesa é considerada tão avançada em termos de reconhecimento facial e competitividade internacional? Uma primeira explicação tem a ver com um continente africano gigantesco destinado a crescer dramaticamente em termos demográficos nos próximos anos, pois em 2050 uma em treze crianças no mundo será nigeriana e uma em cada quatro crianças será africana. A África é o continente em que a China tem vindo a investir em termos económicos e políticos desde há anos. Basta dizer que, quando foi investido presidente da República Popular em 2013, Xi Jinping fez a sua primeira visita de estado a África, entre eles a Tanzânia, África do Sul e Congo, testemunhando a relação muito estreita entre a China e a África. No continente africano, a China desempenha o papel de motor da industrialização, com investimentos e a criação de zonas económicas especiais que permitem verter o seu próprio excedente comercial e gerir o seu financiamento em busca de recursos. Não faltam acusações mal intencionadas contra a China de suspeitas de realizar extensas operações de apropriação de terras e de influenciar fortemente a economia dos países africanos que, a longo prazo, correm o risco de se encontrarem em dívida para com a China de forma dramática. O que os outros países não fizeram, a China fez, e por essa ajuda é mal vista pelo Ocidente, porque a África deveria ser o continente perdido e sem futuro. Mas esta relação privilegiada da China com os países de África também tem outras implicações, ligadas precisamente à “Inteligência Artificial (IA) ”. Em Março de 2010, com o Zimbabué, a empresa chinesa baseada em Cantão, CloudWalk Technology, assinou uma parceria para iniciar um programa de reconhecimento facial em grande escala em todo o país. O acordo, apoiado pela iniciativa do governo chinês “One Belt One Road” (a “Nova Rota da Seda”), que como se sabe é um gigantesco plano de investimento geopolítico e de infra-estruturas, considerado como o maior projecto estratégico da história humana, que visa aplicar a tecnologia chinesa à segurança do país africano, o que implica também um nível de experimentação e investigação sobre rostos africanos, a fim de aperfeiçoar ao máximo o mecanismo de reconhecimento facial da tecnologia chinesa. Alguns aspectos que nos parecem futuristas são uma realidade na China. O reconhecimento facial é uma realidade diária nas cidades chinesas e são utilizadas tanto para pagamentos em restaurantes como para entrar em edifícios públicos, bancos, escolas e universidades. Em Shenzhen foi lançada uma campanha para o uso do reconhecimento facial em todas as áreas da vida quotidiana. Estas são actividades que, como de costume, permitem acumular o novo petróleo do nosso tempo que são os dados. Os “Grandes Dados” recolhidos acabam numa grande base de dados e as empresas chinesas, de facto, devem submeter-se à estreita ligação com o governo, não só em termos de financiamento, mas também em termos de partilha dos dados recolhidos. O sistema de vigilância chinês é actualmente um dos mais avançados do planeta e o objectivo da “aterragem” no Zimbabué é melhorar o seu know-how para tornar os seus produtos ainda mais competitivos no mercado internacional, pois a introdução de tecnologia numa população de maioria negra permitirá às empresas chinesas identificar mais claramente outros grupos étnicos, ultrapassando os promotores americanos e europeus. Outro exemplo desta capacidade chinesa é o da Transsion Holdings, uma empresa quase desconhecida que começou a entrar no mercado dos smartphones em África, acabando por ultrapassar a Samsung. Em Abril de 2018, a Transsion apresentou um novo modelo de smartphone com tecnologia de reconhecimento facial e que será comercializado em África. A Huawei, o gigante das telecomunicações que se tornou líder tanto no mercado dos smartphones como no das redes, começou a sua ascensão a partir de um mercado “secundário”, nomeadamente da América Latina e como habitualmente, a China está a refazer os caminhos que levaram ao sucesso. A minoria uigur, um grupo étnico de língua turca e muçulmana, vive na região noroeste da China de Xinjiang. Existem actualmente cerca de onze milhões de uigures na região. Neste território residem símbolos da cultura muçulmana, algumas cidades apenas para lhes dar nome como Kashgar, por exemplo, que despoletam memórias e histórias incríveis de aventura ligadas ao comércio, trocas e vidas extraordinárias. Mas a região nem sempre foi muçulmana pois foi também e acima de tudo uma região atravessada por populações nómadas, por mil religiões e crenças e por diferentes atitudes e organizações sociais. A área foi considerada inexpugnável durante muito tempo, porque foi atravessada pelo deserto de Taklamakan, o terror de todo o explorador. Actualmente, nas cidades da região, os mercados ao ar livre, o cheiro da carne de cordeiro e das especiarias catapultam a mente de qualquer pessoa para a imaginação árabe. Os chineses da região têm olhos azuis ou longas barbas; através de Xinjiang, das suas cidades, montanhas e deserto, pode-se admirar a grandeza da paisagem, história, cultura e etnia da China. Uma longa campanha chamada “Go West” tem apelado às empresas e negócios chineses para investirem naquela região que é estratégica para o governo e os planos futuros do Presidente Xi Jinping e da sua Nova Rota da Seda. A África, para além de garantir recursos e pontos de venda para o fabrico chinês, é também um laboratório para as suas indústrias tecnológicas. Segundo estimativas do co-fundador de “Wired”, a China tem cinco a dez anos para criar um produto verdadeiramente global que todos no mundo vão querer. Pode ser um carro com auto-condução ou um robô. Saem de uma cultura de réplica como o Japão esteve durante muito tempo, mas depois rompeu com o Sony Walkman, câmaras fotográficas e outros equipamentos que as pessoas queriam. O Japão era o melhor no fabrico desses produtos. A China está a aproximar-se desse momento e um dos lugares onde este produto que “todos queremos” poderia sair, é definitivamente a Innoway, a rua de Pequim onde os sonhos das estrelas chinesas mais recentes do momento estão a eclodir. Vindo da estação de metro de Zhongguancun, atravessando pontes em ruas de oito faixas, transitando enormes centros comerciais electrónicos, parece que estamos catapultados para o início do filme “Vanilla Sky”. O silêncio governa esta rua, outrora ocupada principalmente por livrarias, enquanto muito jovens a percorrem com os olhos fixos nos seus smartphones. A Innoway guincha na atmosfera nerd e informal do Vale do Silício americano, mas tem óbvias “características chinesas” como no resto de Pequim em que não há espaço para dinheiro e tudo é feito com o WeChat, incluindo o carregamento de telemóveis, assim como a ligação Wi-Fi é obtida lendo Qrcode com a rainha-mãe de todas as aplicações chinesas. O “Laboratório dos Sonhos” é a placa que se pode ler na entrada de um edifício; em frente dela há um escritório com o logótipo Microsoft. Não muito longe está a sede da Tencent. Atravessando a rua há o primeiro dos vários ecrãs que mostram todos os poderes de reconhecimento facial aplicados ao trânsito e capazes de assinalar imediatamente quem está fora de linha. Uma cena que faz tanta revolução aos olhos ocidentais, mas que é percebida de uma forma completamente diferente pelos chineses. Na Innoway existem robôs, sistemas de reconhecimento facial para máquinas automáticas de snacks, sensores, câmaras inteligentes, assistentes de voz capazes de sustentar uma conversa humana. A Xiaomi, agora um gigante no mercado dos smartphones e que apostou na IA, produziu um há dois anos, e diz-se que é surpreendente. O futuro vai ser esse, como na série de TV “The Expanse”, em que vamos passar o nosso tempo a pedir directamente à IA que nos mostre respostas aos nossos pedidos ou como Ian McEwan diz em “Machines Like Me: A Novel”, poderíamos ter robôs, verdadeiros “amigos” capazes de facilitar as nossas vidas (ou inserir nos nossos caminhos mentais perguntas perturbadoras, graças à sua capacidade de avaliar num nanossegundo milhares de dados dispersos na rede). O que mais se esconde dentro dos escritórios da Innoway é que constitui a verdadeira riqueza desta estrada de pouco mais de duzentos metros, o trabalho incessante de criação, melhoramento, controlo e verificação de todas aquelas aplicações capazes de invadir o mercado e de proporcionar à China um novo potencial em termos de cidades inteligentes e processos industriais. Ali experimentam algoritmos capazes de automatizar fábricas, de operar veículos automotores (especialmente ao nível da gestão logística complexa ou dos transportes públicos ou de longa distância), sistemas de vigilância capazes de regular o tráfego urbano (e, claro, de controlar o trânsito dos habitantes em todos os pormenores). Desta forma, estão a ser procuradas soluções para as cidades chinesas do futuro. A Innoway representa a China bem lançada para uma liderança tecnológica que vai enriquecer muitos e provavelmente permitir viver em cidades mais seguras, limpas e arrumadas, sendo capaz de desenvolver uma forma hipertecnológica de “controlocracia”. A Innoway está dentro da área de Zhongguancun, já no passado o centro tecnológico da China, da Lenovo e das grandes empresas capazes de entrar nos mercados internacionais graças ao pacote de hardware e ao trabalho exaustivo e meticuloso dos trabalhadores. A história de Zhongguancun intersecta a da China e representa melhor a transformação do país de “fábrica do mundo” em potência tecnológica capaz de investir, animando o seu mercado interno e as principais cidades chinesas a tornarem-se cada vez mais “inteligentes”, concentrando-se na IA e nos “Grandes Dados” aplicados a algumas questões-chave exigidas pelo governo como a mobilidade, controlo, segurança e automação industrial. Outrora um cemitério abandonado, no final dos anos de 1990 Zhongguancun era ainda uma pequena aldeia e a sua transformação, que teve lugar no final dos anos de 1970. Presentemente, graças à presença territorialmente próxima de Beida (a Universidade de Pequim) e Tsinghua que é o berço de gigantes tecnológicos e de estrelas chinesas de sucesso. Aqueles que trabalham na Innoway não têm dúvidas, pois um engenheiro chinês especializado em IA ganha mais do que um homólogo ocidental. A transformação dos anos de 1990 para hoje tem sido sensacional, também graças ao apoio político. O governo decidiu investir, consciente de que o processo tecnológico chinês necessitava de alguns elementos fundamentais, como uma área onde diferentes tipos de inovação, engenheiros, programadores, gestores e dinheiro pudessem coexistir. Em 2014 o governo investiu cerca de trinta e seis milhões de dólares; em 2015 houve a visita do primeiro-ministro Li Keqiang e desde a sua “inauguração” a Innoway actuou como uma “incubadora” de três mil empresas em fase de arranque, das quais trezentas e cinquenta e cinco são estrangeiras. Mais de mil empresas iniciantes angariaram fundos no valor de mais de quatro mil milhões de dólares (em toda a área de Zhongguancun, existem mais de nove mil empresas de alta tecnologia). Apesar do recente abrandamento da economia chinesa, devido a vários factores, nomeadamente o choque comercial com os Estados Unidos e a Covid-19, parece ter afectado pouco mesmo a parte mais avançada da mesma, e o ar que se respira nesta área tecnológica parece diferente do resto da cidade. Também porque a Innoway é a bandeira de toda a região de Zhongguancun pois é aqui que vivem as mais promissoras start-ups, incubadoras de empresas, investidores, programadores e engenheiros do país. É por aqui que as empresas estrangeiras devem passar para encontrar fundos e lançar projectos hitech. A rua alterna entre pequenos edifícios que nos primeiros andares existem maioritariamente livrarias e cafetarias onde rapazes e raparigas (a idade média é muito baixa e faz esquecer por um momento os problemas devidos ao envelhecimento da população, agora um dos problemas mais importantes para a liderança) comem rapidamente uma refeição ou estão envolvidos em reuniões. Em alguns casos no rés-do-chão há exposições dos produtos mais inovadores, como no caso do Baidu, que tem aqui o seu Laboratório de IA. Depois sobem para os pisos dos escritórios, normalmente introduzidos por salas com mesas e sofás, muitas vezes equipadas com secretárias, porque a tendência é encorajar ao máximo o co-trabalho. É um ambiente onde muitas empresas estrangeiras também procuram inspiração (e talento), mas é especificamente chinês. Neste ambiente apertado, limpo e estimulante, há pelo menos vinte eventos por semana como apresentações, palestras e trabalho em rede. A tecnologia poderá facilitar a vida, tornando as cidades chinesas mais seguras. E o sonho de viver numa cidade tão ordenada, limpa e organizada e com muito menos habitantes do que a actual megalópole chinesa parece reunir programadores e engenheiros. A resposta chinesa ao actual desafio tecnológico com os Estados Unidos é de que não se pensa na América, mas de que a China necessita deste processo.
Cláudia dá uma lição a Kant Luís Carmelo - 4 Nov 20204 Dez 2020 [dropcap]C[/dropcap]láudia R. Sampaio é uma artista florescente. O trabalho visual que vem criando nos últimos anos é uma ascese que acasala tradições de luz e visão (ou de utopia e apocalipse), através de figuras aparentemente sem território, mas que, apesar disso, voam, vogam e vagueiam habitando assim essa ausência como se cumprissem uma promessa antiga. No campo da poesia, a Cláudia é autora de vários livros, editados entre a Douda Correria, a Tinta da China e, já este ano, na Elogio da Sombra/ Porto Editora (nomeadamente ‘Os dias da Corja’, ‘A primeira urina da manhã’, ‘Ver no escuro’, ‘1025 mg’, ‘Outro nome para a solidão’ e Já não me deito em pose de morrer’). Acompanhei esta rica produção poética com proximidade e recordo – agora que a pandemia nos estoura as têmporas – os fins de tarde luminosos no Irreal, na Mymosa e naquele amplo bar-salão ao pé da Sé onde a Cláudia sonhou construir um recife de ouro. A Cláudia é uma das artistas residentes do projecto ‘Manicónio’, um espaço no Beato onde artistas com doença mental trabalham. No seu segundo livro, as atmosferas e memórias deste padecimento – nem sempre socialmente entendido – ressurgiram com cristalina clareza: “as miúdas poéticas contemplam o suicídio/ mesmo depois de uma taça de Corn Flake/ olham/ os telhados laranja de Lisboa/ e pensam noutro sítio qualquer/ semeiam flores para terem perfume/ matam-nas, por amá-las de mais”. Como ela própria referiu, numa entrevista à revista Sábado, “Com as palavras, tudo é possível, fazem-me sentir infinita”. Vem toda esta evocação – que paradoxalmente me surge com apertada nostalgia – a propósito de um texto de Kant, datado de 1764, que eu desconhecia completamente, e que foi traduzido, há uma década, por Pedro M. Panarra na ‘Revista Filosófica de Coimbra’. Intitulado ‘Ensaio sobre as doenças da cabeça’ e publicado numa revista da sua cidade (a ‘Königsbergischen Gelehrten und politischen Zeitungen’, de que era editor e fundador o seu ex-aluno Johann Hamman), o texto terá sido motivado por um acontecimento concreto. No ano anterior, no início do Outono de 1763, apareceu nos arredores de Königsberg um polaco chamado Jan Komarnicki com “aspecto esfarrapado” e atitudes de fanático religioso a que chamavam “profeta das cabras”, por responder a qualquer solicitação que lhe fosse dirigida através de versículos bíblicos que sabia de cor. O homem convivia com perturbações alucinatórias e a sua presença deverá ter sido muito marcante na altura, ao ponto de lhe ter sido dedicado, na mesma revista, um artigo de Hamman em jeito de reportagem. O artigo de Kant, muito racional e geométrico na sua organização, surgiria poucos meses depois. O texto, após uma curta introdução, é particularmente assertivo. Escreve o autor: “As deficiências da cabeça perturbada dividem-se numa multiplicidade de categorias”, mas “julgo que podem ser ordenadas segundo as três divisões seguintes: (1) a inversão dos conceitos empíricos no desarranjo (Verrückung), (2) a faculdade de julgar posta em desordem por esta experiência empírica, no delírio (Wahnsinn) e (3) “a insânia (Wahnwitz) em que a razão é invertida no que concerne a juízos mais universais.”. E continuava: “todas as demais manifestações do cérebro doente podem ser entendidas, no meu parecer” (…) “de maneira que as podemos subordinar à classificação anterior.”. Os exemplos destes três “males” assim categorizados surgem depois ao longo do artigo. O primeiro, relativo à inversão e ao desarranjo, decorreria do facto de nós humanos estarmos quase sempre “ocupados a pintar imagens de coisas que não estão presentes ou a completar as semelhanças imperfeitas entre as coisas presentes na representação, através de um ou outro traço quimérico próprio da nossa faculdade poética criadora (schöpferische Dichtungsfähigkeit)”, facto que pode, de um momento para o outro, passar a dominar e a impor-se à nossa vida dita “normal”. O segundo, relativo ao delírio, remeteria – com algum desdém bem visível no tom – para a soberba e para uma certa forma de melancolia: “um soberbo é um delirante que escarnece da conduta dos que o fitam” e “o melancólico é um delirante devido às suas suposições tristes ou ultrajantes”. O terceiro, relativo à insânia, incluiria as “inumeráveis intuições subtis que se enxameiam no cérebro em ebulição: o comprimento dos mares, a decifração de certas profecias, e sabe-se lá que outras misturas de quebra-cabeças fúteis.”. A esta capacidade de ultra-imaginação soma o autor a perdição, digamos, total: “Quando o infeliz perdeu simultaneamente a capacidade de formular juízos sobre a experiência, então chama-se vesânico (Aberwitzig)”. As três categorias, como Kant se lhes refere, fazem pactuar, ao fim e ao cabo, um ‘excesso’ de disposição poética (aquele que “sonha acordado”) com o delírio (seja dirigida para o exterior, a soberba; ou a si próprio, a melancolia) e, por fim, com a fuga imaginativa face a quem navega sempre ‘com os pés na terra’. Para um autor que, três décadas e meia depois, escreverá um texto fundamental sobre a estética, o génio, o belo e o sublime (‘Crítica da Faculdade do Juízo’), é estranho que nunca tivesse reparado como a loucura e o ‘fazer poético’ são campos afinal tão íntimos, tão envolvido e tão próximos. Para reparar essa estranheza, Cláudia R. Sampaio dá agora a devida lição a Kant, a bordo do seu ‘1025 mg’, de que ainda me lembro tão bem do lançamento: “O tecto está rente à minha cabeça./ Quero deixar a alma cosida aos hemisférios nocturnos./ Tenho de me parir lenta./ Tenho de me cobrir como um ramo de crisálidas luzentes/ à espera do céu./ Agora tenho tudo porque já vi cair as falésias./ Não sei do ar, não sei dos pais, não sei dos médicos./ Guio-me à existência calafetada de um dente em proa./A minha casa inexiste com o cheiro das praias. (…)”. A genialidade à solta de Jan Komarnicki, o “profeta das cabras”, entenderia bem estas palavras. E eu também. E até mesmo Kant as entenderia, se tivesse conhecido e lido devidamente a poeta. Obrigado, Cláudia. Panarra, Pedro M. ‘Immanuel Kant – Ensaio sobre as doenças da cabeça de 1764’ (Trad. e introd. de Panarra, Pedro M.) em ‘Revista Filosófica de Coimbra’, Coimbra, Nº 37, 2010, pp. 201-224.
Pintura | Exposição de He Duoling amanhã no Museu de Arte de Macau João Luz - 4 Nov 20204 Dez 2020 É inaugurada amanhã, no Museu de Arte de Macau, a exposição de um dos pintores cimeiros da arte contemporânea chinesa, He Duoling. A mostra, intitulada “Renascer à Brisa da Primavera: Exposição de Arte de He Duoling” será recebida pela música da Orquestra de Macau [dropcap]D[/dropcap]e Chengdu chega amanhã a Macau a pintura de um dos artistas contemporâneos chineses mais marcantes da actualidade, He Duoling, para uma exposição que será inaugurada no Museu de Arte de Macau, com a organização conjunta do Instituto Cultural (IC) e do He Duoling Art Museum. A inauguração, marcada para as 18h30, será abrilhantada por uma performance ao vivo da Orquestra de Macau. A mostra, intitulada “Renascer à Brisa da Primavera: Exposição de Arte de He Duoling”, é constituída por um conjunto de 48 peças, entre esboços e pinturas a óleo, pintadas em diversos períodos. Além da ligação entre as cores e temas subtis das telas de He Duoling com a música, a cargo da Orquestra de Macau, quem marcar presença amanhã na inauguração vai receber um conjunto de “cartões requintados com poemas inspirados em pinturas, e ainda terão a oportunidade de receber cartazes autografados e comprar álbuns assinados das suas pinturas”. Como destaques na mostra do pintor de Chengdu, o IC realça uma série de obras como “A Casa com Sobreloja”, “Zhai Yongming”, “Torre do Labirinto”, “Lebre”, “Floresta Russa”, “Casa sem Telhado”, entre outras. Bilhete de identidade A linguagem artística de He Duoling centrou-se em expressões de beleza, em mais de quatro décadas de criação, tanto através de uma perspectiva mais realista típica dos primeiros tempos de carreira, como pela atmosfera etérea de contornos esbatidos dos últimos anos de produção artística. Formado no Instituto de Belas Artes de Sichuan, He Duoling é uma das figuras da pintura chinesa contemporânea em termos de projecção internacional, com uma presença em galerias de todo o mundo que lhe valeu a fama desde os anos 1980. Conhecido pelos óleos de nus femininos e imagens de minorias em cenários campestres, em particular do sudoeste da China, o pintor faz parte de uma geração de virtuosos que catapultaram a pintura chinesa para o panorama internacional. Além do traço muito próprio, He parece retirar algum prazer das provocações óbvias às correntes mais mainstream da arte contemporânea. Por exemplo, em 2007 estreou uma exposição intitulada “Youth 2007” que retratava corpos nus de costas viradas para o público, expondo o traseiro. As imagens afastaram-se da crueza da pornografia, ou do cartoon, e deixam a audiência na ambiguidade perante o que estão a ver. Apesar de por vezes He Duong se aproximar de temas aparentemente grosseiros, a subtileza do seu traço não abre margem para ofensa e apenas transmite felicidade e liberdade. Esta linha ténue levou o pintor ao reconhecimento internacional, marcando presença em bienais e grandes exposições, como os famosos “Salons de Paris” no Museu do Louvre, às exposições de belas artes no Museu de Arte de Fukuoka, no Japão, e em galerias de renome no mundo inteiro. A exposição pode ser visitada no Museu de Arte de Macau, na Avenida Xian Xing Hai, NAPE, diariamente entre as 10h e as 19h, com excepção à segunda-feira. A entrada é gratuita.
TUI | Processo da quarta ligação chegou ao fim Hoje Macau - 4 Nov 20204 Dez 2020 [dropcap]F[/dropcap]oi extinto o processo que corria nos tribunais contra a decisão de adjudicar as obras da Quarta Ponte Marítima Macau-Taipa ao consórcio das empresas China Civil Engineering Construction, China Railway Construction Bridge Engineering, e Companhia de Construção e Engenharia Omas. A decisão foi tornada pública ontem, através de comunicado do Gabinete do Tribunal de Última Instância (TUI). O caso tinha chegado aos tribunais em Outubro de 2019 por queixa do consórcio Coneer Engenharia e Administração e a China Road and Bridge Corporation, um dos concorrentes do concurso público. No entanto, a empresa China Road and Bridge Corporation desistiu posteriormente da acção o que criou outro litígio, sobre a legitimidade da Coneer para recorrer sozinha da decisão. Após uma decisão do TSI a reconhecer a legitimidade da Coneer, o TUI veio agora dizer que com a desistência da China Road and Bridge Corporation, a Coneer não pode recorrer e que o caso chegou ao fim sem decisão.
Qualidade do ar | Dias com nível “insalubre” caem 73% este ano Pedro Arede - 4 Nov 20204 Dez 2020 Em comparação com o ano passado, o número de dias com ar insalubre caiu 73 por cento. A culpa é da pandemia, dizem os Serviços Meteorológicos e Geofísico. No ar, fica também a promessa de reforçar critérios de concentração de poluentes de acordo com o Instituto Nacional Hidrográfico e Ambiental chinês [dropcap]P[/dropcap]elos vistos, nem tudo piora com a pandemia. De acordo com os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), nos primeiros 10 meses de 2020, o número de dias com qualidade do ar insalubre caiu 73 por cento, em comparação com o ano passado. Em declarações prestadas ontem durante a emissão do programa “Fórum Macau” do canal chinês da TDM – Rádio Macau, o director dos SMG Leong Weng Kun atribuiu a descida acentuada ao facto da crise resultante da pandemia de covid-19, ter levado à diminuição abrupta da actividade humana ao longo do ano. Detalhando, entre Janeiro e Outubro registaram-se apenas sete dias em que o ar foi insalubre, ao passo que durante o mesmo período de 2019, foram registados 26 dias insalubres. No mesmo espaço de entrevista, o responsável revelou também que os critérios utilizados para definir a concentração de poluentes serão ajustados de acordo com o Instituto Nacional Hidrográfico e Ambiental. Desta forma, o nível médio diário definido para as concentrações de partículas inaláveis PM10, PM 2.5 e dióxido de enxofre estarão alinhadas com as orientações do organismo do Interior da China. Por outro lado, segundo Leong Weng Kun, o facto de estarem a ocorrer tufões em Outono e Novembro está relacionado com a diminuição da temperatura da superfície das águas do Oceano Pacífico, fenómeno apelidado de “La Niña”. Para este Inverno, o responsável prevê que as temperaturas sejam entre “normais” e “mais baixas”. Isto, tendo em conta que em 2019 a temperatura média em Macau bateu um novo recorde, com a subida de 1°C relativamente aos últimos 30 anos. Precisão maior Leong Weng Kun referiu ainda que, de forma a aumentar a fiabilidade dos sistemas de previsão de tempestades tropicais e de “storm surge”, os serviços de meteorologia encarregaram uma empresa de software para desenvolver um novo sistema. Está também a ser desenvolvido um sistema de prevenção de tsunami que estará a cargo do Instituto Nacional Hidrográfico e Ambiental. Tudo somado, as melhorias terão o custo total de 4 milhões de patacas.
Comércio | Dia VIP resulta em multidão no New Yaohan Nunu Wu - 4 Nov 20204 Dez 2020 [dropcap]O[/dropcap]ntem, quase durante o dia inteiro, as filas para entrar no New Yaohan contornaram o edifício na zona da Praia Grande, devido aos preços especiais do dia VIP, que este ano se estende até amanhã. O HM tentou apurar o que levou turistas e residentes ao centro comercial. Por exemplo Huang, uma jovem de 25 anos vinda de Shenzhen para Macau de propósito para fazer compras no dia VIP. “É a primeira vez que visito Macau, não gosto de casinos, nem vim para jogar, quero apenas passear”, confessou a jovem, que adiantou não temer riscos devido à pandemia. Também Xiao, turista de 30 anos, tem confiança nas medidas do Executivo para conter a pandemia e, por isso, visitou Macau pela segunda vez, depois de um longo período sem vir ao território. Como jogou nos casinos na primeira vez que veio a Macau, Xiao prevê que desta vez se fique pelos passeios e compras, durante os três dias que por cá vai permanecer. “Durante a pandemia, tive vontade de sair, o mais rapidamente possível, e fazer compras. Por isso, aqui estou para comprar produtos de maquilhagem”, contou ao HM. Já Chan, residente de 28 anos, que trabalha como escriturária, é repetente nos dias VIP do New Yaohan e até acha que o volume de pessoas vai ser maior que no ano passado, porque os consumidores vão ter três dias para acorrer ao centro comercial. Em busca de produtos para bebé e para si própria, Tang, dona de casa residente de 27 anos, considera que o volume de pessoas é semelhante ao ano anterior. A residente ficou surpresa com a quantidade de pessoas que se dirigiram ao New Yaohan, por ser uma quarta-feira, mas o movimento confirmou o optimismo que tem na recuperação económica de Macau.
Abuso de menores | Residente volta a ser detido após molestar aluno Pedro Arede - 4 Nov 20204 Dez 2020 Um aluno do ensino secundário geral foi abusado sexualmente por um residente de Macau de 24 anos, sob o pretexto de o ajudar a atar os sapatos. O homem, com antecedentes criminais, chegou a ser detido em Setembro por suspeitas de praticar o mesmo crime sobre outro estudante [dropcap]A[/dropcap] Polícia Judiciária (PJ) deteve um residente de Macau de 24 anos, na passada sexta-feira, suspeito da prática do crime de abuso sexual de crianças. A vítima, um estudante menor do ensino secundário geral (7º ao 9º ano de escolaridade), terá sido tocado por diversas vezes na zona dos tornozelos após o suspeito, com antecedentes criminais, se ter oferecido ajuda para lhe atar os sapatos. De acordo com informações reveladas ontem em conferência de imprensa, o caso aconteceu há uma semana, no dia anterior à detenção. Na altura, o rapaz foi abordado na rua pelo suspeito, sob o pretexto de se disponibilizar a oferecer ajuda para dar os nós dos seus sapatos. Segundo a PJ, ao avançar com a acção, o suspeito aproveitou para tocar e apalpar várias vezes os tornozelos do rapaz. Depois do episódio, o rapaz relatou o sucedido à escola, situada na zona norte, que, de imediato, apresentou queixa à PJ através “Rede de Comunicação com as Escolas”. Iniciada a investigação, a polícia conseguiu localizar e identificar o homem com recurso às imagens das câmaras de videovigilância, acabando por ser detido no seu local de trabalho na zona central de Macau, onde estava empregado como guarda de um edifício. Não há duas sem três Durante a conferência de imprensa, o porta-voz da PJ revelou ainda que esta não era a primeira vez que o suspeito, de apelido Lam, estava envolvido na prática do mesmo crime. Isto porque, além de ter cumprido um ano de prisão no Interior da China pelos mesmos motivos, em Setembro, o residente foi igualmente detido em Macau por suspeitas de importunação sexual de outro aluno. O caso já seguiu para o Ministério Público (MP) no passado domingo, estando o suspeito acusado da prática do crime de abuso sexual de crianças, mais concretamente, de importunação sexual. Segundo a lei, quem praticar com ou perante um menor de 14 anos ou importunar outra pessoa “constrangendo-a a sofrer ou a praticar, consigo ou com terceiro, contacto físico de natureza sexual através de partes do corpo ou objectos” poderá ser punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias. Após relatar o caso, a PJ deixou ainda um apelo para a urgência de sensibilizar a comunidade escolar para o problema do abuso de menores e o recurso à “Rede de Comunicação com as Escolas”, acrescentado que, até Outubro de 2020, foram organizadas 22 palestras, que contaram com 1827 participantes.
Armas | Licenças da UE para Macau chegaram a 2,07 milhões em 2019 Salomé Fernandes - 4 Nov 20204 Dez 2020 No ano passado as licenças de exportação de armamento de países da União Europeia para Macau atingiram cerca de 2,07 milhões de patacas, revelam dados de uma plataforma do Serviço Europeu para a Acção Externa. Além disso, registou-se uma licença rejeitada com base em critérios de direitos humanos [dropcap]O[/dropcap] Serviço Europeu para a Acção Externa lançou na semana passada uma base de dados online com informações sobre o valor, destino, e tipo de licenças de exportação de armamento oriundo de países membros da União Europeia. De acordo com esta fonte, no ano passado as licenças de exportação para Macau atingiram cerca de 222 mil euros (2,07 milhões de patacas). O montante foi o mais elevado, pelo menos dos últimos sete anos, uma vez que a plataforma apenas disponibiliza informação até 2013, apesar de só envolver sete licenças para Macau. A seguir a 2015, o ano passado foi o que registou menos emissões de licenças. Apesar de o valor de licença rondar os dois milhões de patacas, o montante efectivo das exportações no ano passado fixou-se em cerca de 160 mil euros (aproximadamente 1,5 milhões de patacas de acordo com a taxa de conversão ontem em vigor). Este foi o mesmo valor registado em 2017, depois de uma ligeira quebra em 2018. Em 2019, houve licenças para Macau para exportar bens da categoria de armas de cano de alma lisa de calibre inferior a 20mm, armas automáticas de calibre igual ou inferior a 12,7 mm, entre outras e acessórios, num valor de 47.750 euros. Foram também emitidas licenças para a venda de munições e dispositivos de ajustamento de espoletas, no valor 174,977 euros. A origem das licenças de bens através da União Europeia no ano passado dividiu-se entre dois países: República Checa e Áustria. Vale a pena notar que ao longo dos últimos sete anos, a República Checa foi todos os anos um país exportador deste tipo de material para Macau. Direitos humanos De acordo com as informações disponibilizadas, no ano passado foi rejeitada a venda para Macau de equipamento de produção e componentes de produtos incluídos na lista militar comum da União Europeia. O critério utilizado para a rejeição foi o “respeito pelos direitos humanos no país do destino final, bem como o respeito desse país pela lei humanitária internacional”. O nome do país que rejeitou o pedido não é divulgado. O HM pediu uma reacção ao gabinete do secretário para a Segurança ao critério utilizado para a rejeição, que respondeu não ter informações a prestar sobre a matéria. Desde 2013, apenas sete licenças de exportação para Macau foram rejeitadas, compreendendo categorias como engenhos explosivos, equipamento e acessórios relacionados, até munições. “As armas militares têm um papel indispensável na preservação de segurança, liberdade e paz, desde que sejam utilizadas de acordo com o Direito Internacional”, indica o Serviço Europeu para a Acção Externa no comunicado de imprensa onde anuncia o lançamento da base de dados, mencionando a legislação associada a direitos humanos. A nota acrescenta que os Governos que controlam o armamento “devem assegurar que são comercializadas e usadas de forma responsável”, e que a responsabilização pela exportação só acontece quando as autoridades são transparentes.
Sindicatos | Lei Wai Nong envia proposta de lei para Concertação Social Hoje Macau - 4 Nov 20204 Dez 2020 [dropcap]O[/dropcap] Governo terminou o documento de consulta da Lei Sindical e enviou-o ontem para consulta e discussão no Conselho Permanente da Concertação Social. De acordo com o gabinete do secretário para a Economia e Finanças, devido à importância da Lei Sindical, como “grande política da área do trabalho, intimamente relacionada com direitos e interesses de empregadores e trabalhadores”, importa ouvir opiniões da parte patronal e laboral, “para posteriormente desenvolver atempadamente a consulta pública”. O documento contempla, além da inscrição em associações sindicais, o regime de negociação colectiva. O gabinete de Lei Wai Nong “usou como referência as legislações de muitos países e regiões, conjugando com a actual situação social da RAEM, sugerindo que seja estabelecido, de forma contínua e gradual, a posição jurídica da associação sindical”. A proposta deve contemplar também a composição, funcionamento, bem como direitos e obrigações dos sindicatos.