Outro tipo de feridas David Chan - 10 Dez 2025 O fogo de Hung Fuk Court em Tai Po, Hong Kong, continua na ordem do dia quase dez dias depois de ter deflagrado. No momento em que escrevo este artigo, registavam-se 159 vítimas mortais e 79 feridos, continuando desaparecidas 31 pessoas. Antes de continuarmos, lamentemos mais uma vez estas mortes e esperemos que os feridos tenham uma rápida recuperação. Os dados do Governo de Hong Kong indicam que 79 pessoas ficaram feridas no incêndio. No entanto, na realidade, pode existir outro tipo de feridos que não estão hospitalizados, mas que se encontram entre nós. Merecem da mesma forma a nossa preocupação e o nosso cuidado. Recentemente, circulou uma história online sobre uma mulher que tinha escutado a conversa de um dos bombeiros que combateram o fogo no Hung Fuk Court. O bombeiro era muito novo e falava informalmente, mas a sua descrição do incêndio era aterradora. Disse que tiveram de correr desde o rés-do-chão até ao 22º andar em 10 minutos, transportando feridos ao longo de seis andares o que exigia uma excelente forma física. Enquanto isto, viu cadáveres a arder e pessoas que perderam pernas e braços. Recordando os esforços de resgate, contou como usou um pé-de-cabra para abrir portas, para salvar as pessoas que se encontravam encarceradas. No entanto, era impossível abrir algumas portas com um pé-de-cabra. Numa corrida contra o tempo e contra a fúria do fogo, teve de desistir de tentar abrir essas portas e passar para as seguintes, lutando para salvar os sobreviventes. Não tinha tempo para pensar se haveria sobreviventes por trás das portas que não se conseguiam abrir. Tinha ainda menos tempo para pensar nas consequências que sofreriam esses sobreviventes. Todas estas situações provocaram neste jovem bombeiro um enorme sentimento de pena e também de culpa. Um profissional de saúde mental realçou que as equipas de resgate enfrentam frequentemente uma enorme pressão. Se se culparem por não terem conseguido acudir aos sobreviventes, podem vir a desenvolver um Transtorno de Stress Pós-Traumático (PTSD sigla em inglês). Podem vir a sentir medos intensos, impotência e terror. Quem trabalha em equipas de resgate pode vir a ter memórias ou sonhos recorrentes muito angustiantes, ou experienciar um intenso sofrimento psicológico ou físico desencadeado por situações semelhantes. Embora a angústia que experimentaram durante o salvamento dos feridos não seja imediatamente aparente, virá aos poucos ao de cima depois das operações estarem terminadas. Sem uma intervenção adequada, tornar-se-ão noutro tipo de vítimas do incêndio de Hung Fook Court. O Governo de Hong Kong disponibiliza um forte apoio psicológico às equipas de resgate para aliviar a pressão a que são submetidas. Contudo, para reduzir ainda mais esta pressão psicológica, é necessário melhorar a sua superação mental e despertar a consciência do público para as dificuldades das operações de resgate. Para fortalecer a firmeza mental das equipas de resgate é necessário, em primeiro lugar, que compreendam que o seu trabalho os confronta com desastres e com a morte. Estes infortúnios e a pressão a que estão sujeitos, não resulta das suas opções pessoais e não acontece porque tenham feito algo de errado. As suas vidas não implicam que tenham necessariamente de enfrentar o infortúnio e a morte. Por conseguinte, depois do trabalho não as podem levar para casa. Só assim podem evitar ficar sobrecarregados com a pressão. Têm ainda de compreender que só conseguindo libertar-se dos traumas que experienciaram se podem salvaguardar e partilhar com os seus entes queridos uma vida familiar normal. Levar para casa as desgraças e a pressão não só os vai afectar a eles como também irá afectar indevidamente os seus familiares, gerando em última análise mais tragédia e transformando os socorristas em vítimas. Em segundo lugar, existem inúmeros trabalhos, mas nenhum é mais significativo do que o daqueles que salvam vidas. Resgatar do perigo as vítimas de desastres, permitindo que continuem vivas e ilesas, não implica apenas salvá-las da morte; iimplica também garantir que regressam a casa, para os seus entes queridos, salvando assim toda a família. Os socorristas conquistam o amor e o respeito das vítimas, das suas famílias e de toda a comunidade — um reconhecimento que transcende os valores monetários. Um exemplo perfeito, como se viu nas notícias, é o de uma mulher de meia-idade, na casa dos cinquenta anos, que, depois de receber um telefonema do marido a informá-la do incêndio, abandonou de imediato o edifício. No entanto, sem hesitar, voltou atrás e bateu à porta do vizinho, para o avisar que era necessário fugir. O vizinho, deu-lhe ouvidos, fugiu e sobreviveu, enquanto a mulher acabou por morrer nas chamas. A última mensagem que enviou ao filho foi, “Hoje o jantar fica pronto um bocadinho mais tarde.” Quem haveria de pensar que esta seria a última mensagem que enviava ao filho? Numa entrevista, o marido disse que compreendia e aceitava as acções da esposa porque sabia que ela tinha agido correctamente. Porque é que esta mulher agiu correctamente? Porque é que o altruísmo é uma coisa boa? A resposta é muito simples. Desde que a pessoa albergue no coração amor e integridade e faça o seu melhor para ajudar os outros, estes irão sentir conforto e humanidade. Se os que foram ajudados retribuírem na mesma moeda, então a sociedade ficará repleta de amor e deixará de haver conflitos. Pode estabelecer-se uma sociedade pacífica e carinhosa onde as pessoas se apoiam entre si. O amor manifestado pelo bombeiro e pela mulher de meia-idade é precisamente o amor que deriva do altruísmo. Expressemos este sentimento com uma deixa clássica de um filme de Hong Kong dos anos 90 “Ele não me pesa, é o meu pai” (新難兄難弟) “Todos por mim e eu por todos.” Só quando os socorristas compreenderem este princípio podem entender o significado profundo do seu trabalho de resgate e reduzir a pressão que carregam. Para reduzir a pressão destes trabalhadores o reconhecimento e o respeito do público são cruciais. O público deve compreender as dificuldades e as agruras do trabalho de resgate e cooperar activamente. Uma homenagem simples e um respeito sincero valem mais do que o apoio emocional. Esperemos que este artigo ajude a reduzir a pressão psicológica de todos os envolvidos nas operações de resgate no Hung Fuk Court em Tai Po. O amor, o respeito e o reconhecimento do público pelos socorristas é a maior recompensa pela imensa pressão que sofreram e pelos sacrifícios que tiveram de fazer, o que irá assim aliviar os seus traumas psicológicos. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
Sismo no Japão faz pelo menos 30 feridos Hoje Macau - 10 Dez 2025 O forte sismo que atingiu na noite de segunda-feira o norte do Japão, onde foram registadas ondas de tsunami de 70 centímetros, causou pelo menos 30 feridos, informou ontem a primeira-ministra, Sanae Takaichi. A agência meteorológica japonesa (JMA) alertou a população que este terramoto de magnitude 7,5 na escola de Richter – inicialmente estimado em 7,6 – que ocorreu no mar ao largo da região norte de Aomori, às 23:15 locais, poderia ser seguido por outros tremores nos próximos dias. “Ouçam as informações da JMA e das autoridades locais durante toda a semana, verifiquem se os vossos móveis estão bem fixados (…) e estejam prontos para a retirada se sentirem um tremor”, disse Takaichi. Entre os feridos está uma pessoa gravemente atingida na ilha de Hokkaido, a mais setentrional do arquipélago, de acordo com a Agência Japonesa de Gestão de Incêndios e Catástrofes, que recomendou a retirada de 28.000 pessoas. Imagens ao vivo mostram fragmentos de vidro partido espalhados pelas estradas ou objectos no chão das lojas. Cerca de 2.700 residências ficaram sem electricidade em Aomori, entre as quais três dezenas continuavam sem energia ontem ao final da manhã, enquanto o Inverno se instala. A JMA emitiu inicialmente um alerta de tsunami, mencionando ondas que poderiam atingir três metros e pedindo a milhares de habitantes da região mais próxima do epicentro que se abrigassem. A circulação dos comboios de alta velocidade Shinkansen foi suspensa em algumas zonas, enquanto se verifica o estado das vias. Por sua vez, a companhia Tohoku Electric Power informou que não foram detectadas anomalias nas duas centrais nucleares mais próximas do epicentro, a de Higashidori, em Aomori, e a de Onagawa, na região de Miyagi. Memórias trágicas A região tem ainda bem presente as consequências do terramoto de magnitude 9 em Março de 2011, que provocou um tsunami, causando cerca de 18.500 mortos ou desaparecidos. A catástrofe também provocou a fusão de três dos reactores da central nuclear de Fukushima, o pior desastre deste tipo desde a catástrofe de Chernobyl, em Abril de 1986. O Japão está localizado na junção de quatro placas tectónicas, no “Anel de Fogo” do Pacífico. O país apresenta uma das maiores actividades sísmicas do mundo. O arquipélago de 125 milhões de habitantes regista cerca de 1.500 terramotos por ano. A maioria é fraca, embora os danos possam variar de acordo com a localização e profundidade dos sismos. Em Janeiro, um grupo de especialistas governamentais aumentou ligeiramente a probabilidade de um grande tremor na fossa de Nankai, ao largo do Japão, nos próximos trinta anos, elevando-a para entre 75 por cento a 82 por cento. O Governo do Japão publicou uma nova estimativa em mMrço, indicando que um “mega-terramoto” e o tsunami que pode seguir-se poderem causar até 298.000 mortes e danos que podem atingir dois biliões de dólares.
Tarifas dos EUA geram aumento nas exportações chinesas para o sudeste asiático Hoje Macau - 10 Dez 2025 As exportações da China para o sudeste asiático cresceram 23,5 por cento nos primeiros nove meses do ano, quase o dobro da média dos últimos quatro anos, impulsionadas pela guerra comercial com os Estados Unidos, segundo dados oficiais. Os dados sobre as importações dos seis maiores mercados da região – Indonésia, Singapura, Tailândia, Filipinas, Vietname e Malásia – compilados pela unidade de investigação ISI Markets, mostram que as vendas chinesas aumentaram de 330 mil milhões para 407 mil milhões de dólares entre Janeiro e Setembro, face ao mesmo período de 2024. As exportações chinesas para o sudeste asiático duplicaram nos últimos cinco anos, com o excedente comercial da China face à região a atingir este ano um novo máximo histórico. Em 2025, o crescimento médio foi quase o dobro da taxa anual composta de 13 por cento registada entre 2020 e 2024. A intensificação das trocas comerciais com os países vizinhos surge num contexto de desvio das exportações chinesas, penalizadas por tarifas norte-americanas que atingem atualmente cerca de 47 por cento. Em contraste, os produtos chineses enfrentam tarifas médias de apenas 19 por cento no sudeste asiático, tornando a região uma alternativa atractiva para os exportadores. Segundo analistas, esta nova vaga de exportações poderá estar ligada a estratégias de evasão às tarifas dos EUA, através do reencaminhamento de produtos por países terceiros – uma prática conhecida como comércio triangular, no qual os produtos são exportados quase concluídos da China para outros países, onde é acrescentado um componente ou acabamento, visando alterar o local de fabrico. Washington já advertiu que poderá aplicar tarifas adicionais até 40 por cento a produtos com origem chinesa disfarçada. Sobe e desce Roland Rajah, economista do grupo de reflexão (‘think tank’) australiano Lowy, estimou que as exportações chinesas para a região aumentaram até 30 por cento em Setembro, sublinhando que esta vaga é distinta de anteriores. “Grande parte do que está a ser exportado é pró-crescimento”, disse, indicando que cerca de 60 por cento dos bens enviados pela China são componentes usados em produtos fabricados na região para reexportação. No segmento dos bens de consumo, a China consolidou-se como principal fornecedor da região, com destaque para o sector automóvel. Os veículos eléctricos chineses, como os da fabricante de veículos eléctricos e híbridos BYD, têm vindo a substituir modelos japoneses, incluindo Toyota, Honda e Nissan, tradicionalmente dominantes no sudeste asiático. De acordo com dados da consultora PwC, a quota de mercado dos construtores japoneses nos seis principais mercados do sudeste asiático caiu para 62 por cento no primeiro semestre de 2025, face a uma média de 77 por cento na década de 2010. A China, por sua vez, passou de uma presença residual para mais de 5 por cento de um mercado de 3,3 milhões de viaturas por ano. Perante a pressão da concorrência chinesa, alguns países do sudeste asiático endureceram regras de importação e ponderam tarifas sobre determinados produtos.
Voo MH370 | Tribunal chinês condena Malaysia Airlines a indemnizar famílias de vítimas Hoje Macau - 10 Dez 2025 Um tribunal chinês determinou que a Malaysia Airlines deve pagar uma indemnização de 2,9 milhões de yuan a cada uma das famílias de oito passageiros desaparecidos no voo MH370, há mais de uma década. Segundo um comunicado divulgado ontem, a decisão judicial obriga a transportadora aérea a compensar as famílias pela morte dos familiares, pelas despesas funerárias e pelos danos causados por sofrimento emocional. Embora o destino dos passageiros permaneça desconhecido, todos foram declarados legalmente mortos. O voo MH370 desapareceu em 2014 com 239 pessoas a bordo, entre passageiros e tripulantes, após descolar de Kuala Lumpur com destino a Pequim. Apesar de vários anos de buscas, continua por esclarecer o que aconteceu ao avião e aos seus ocupantes. A maioria dos passageiros era de nacionalidade chinesa, e os seus familiares têm mantido esforços contínuos para obter respostas. A bordo do Boeing 777 viajavam 153 chineses, 50 malaios (12 faziam parte da tripulação), sete indonésios, seis australianos, cinco indianos, quatro franceses, três norte-americanos, dois neozelandeses, dois ucranianos, dois canadianos, dois iranianos, um russo, um neerlandês e um taiwanês. O tribunal indicou ainda que 23 processos permanecem pendentes, enquanto em 47 casos as famílias chegaram a acordos extrajudiciais com a companhia aérea e desistiram das acções. Inicialmente, a Malásia, a China e a Austrália realizaram uma busca conjunta em cerca de 120.000 quilómetros quadrados no Índico, mas encerraram as operações em Janeiro de 2017, sem encontrar os destroços do avião. Uma empresa contratada pelo Governo da Malásia, a Ocean Infinity, também tentou localizar o aparelho numa área de cerca de 100.000 quilómetros quadrados entre Janeiro e Junho de 2018, sem sucesso. Na semana passada, Kuala Lumpur anunciou que a Ocean Infinity vai retomar as buscas pelo avião desaparecido a partir de 30 de Dezembro.
Nvidia | Chips H200 permitirão à IA chinesa reduzir distância face aos EUA Hoje Macau - 10 Dez 2025 A decisão dos Estados Unidos de autorizar a exportação dos chips H200 da Nvidia para a China pode acelerar o avanço da inteligência artificial chinesa e aliviar limitações tecnológicas, segundo a consultora Capital Economics. Num relatório enviado a clientes, o analista Julian Evans-Pritchard indicou que Pequim tinha “menosprezado” os chips H20 – uma versão limitada destinada ao mercado chinês –, mas estará agora “disposta a autorizar as suas empresas a comprar os H200, mais potentes”, que o Presidente norte-americano, Donald Trump, decidiu liberalizar. “Isso permitirá à China acelerar a construção da sua infraestrutura de IA e aumentar a probabilidade de que os modelos chineses se equiparem, ou mesmo superem, os mais avançados modelos dos EUA”, afirmou o especialista. Evans-Pritchard recordou que as tecnológicas chinesas já demonstraram capacidade de operar com limitações de ‘hardware’, treinando modelos de IA com desempenho próximo dos norte-americanos. “Com ‘chips’ mais poderosos, poderemos assistir a um novo ‘momento DeepSeek'”, disse, referindo-se à empresa chinesa que ganhou destaque no início de 2025 com um modelo de IA avançado. Evans-Pritchard prevê uma abordagem “pragmática” e considera provável que a China permita a aquisição dos H200 por algumas empresas, à medida que desenvolve alternativas nacionais. Trump especificou que a Nvidia poderá vender os ‘chips’ apenas a “clientes aprovados” na China, sob a condição de que as vendas garantam a segurança nacional dos EUA, que cobram o pagamento de uma tarifa de 25 por cento. A Nvidia já dispunha de licença para exportar os H20 – com capacidade inferior – para a China, em troca de 15 por cento das receitas. Na visão do analista, a decisão de Washington indica que a Administração Trump está a dar prioridade a um possível acordo com Pequim – que poderá ser assinado durante uma visita presidencial prevista para Abril de 2026 – em detrimento das preocupações com segurança nacional e dos esforços para dissociar as duas economias.
Li Qiang lamenta “grave impacto” de tarifas junto de organismos internacionais Hoje Macau - 10 Dez 2025 O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, alertou ontem para o “grave impacto” das tarifas e outras restrições comerciais na economia global, ao inaugurar em Pequim uma nova edição do ‘Diálogo 1+10’ com instituições financeiras internacionais. Li afirmou que a proliferação de barreiras comerciais desde o início do ano demonstrou que “as tarifas prejudicam terceiros, mas acabam por se virar contra quem as impõe”, o que, segundo o governante, tem reforçado os apelos globais em defesa do comércio livre. Perante os líderes das principais instituições financeiras e comerciais internacionais, o chefe do Governo chinês destacou que o mundo enfrenta “mudanças complexas e profundas”, marcadas pela ascensão do proteccionismo, por turbulências geopolíticas e por lacunas na governação global. O fórum, que decorre sob o lema “Partilhar a governação global, promover o desenvolvimento global”, tem como objectivo “construir um sistema mais justo, razoável e eficaz”, disse Li, sublinhando o papel das organizações presentes na estabilidade da economia mundial. O primeiro-ministro identificou três conceitos-chave que marcaram o ano de 2025: tarifas, transição verde e inteligência artificial (IA). Sobre o clima, assinalou o décimo aniversário do Acordo de Paris e reafirmou os compromissos da China, incluindo o objectivo de que mais de 30 por cento do consumo energético do país seja proveniente de fontes não fósseis, com a instalação de 3,6 gigawatts de capacidade solar e eólica – mais de seis vezes o nível registado em 2020. Em relação à inteligência artificial, Li destacou o avanço acelerado de modelos abertos chineses, como o DeepSeek, que estão a “impulsionar a transformação industrial” e o crescimento de novos sectores como a robótica inteligente. “O comércio livre, a superação de desafios globais e a inovação colaborativa são metas que nenhuma entidade pode alcançar sozinha. Exigem esforço colectivo”, sublinhou. Figuras de proa Participam no encontro a directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, a presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, Dilma Rousseff, a secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Rebeca Grynspan, e o presidente do Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas, Jin Liqun. Estão ainda presentes o director-geral do Banco de Pagamentos Internacionais, Pablo Hernández de Cos, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, a directora-geral da Organização Mundial do Comércio, Ngozi Okonjo-Iweala, e representantes da Organização Internacional do Trabalho, do Conselho de Estabilidade Financeira e da OCDE, entre outros.
Hong Kong | Alargada remoção de redes em andaimes devido a fraude Hoje Macau - 10 Dez 2025 As autoridades da antiga colónia britânica desencadearam uma ampla operação de remoção de redes de protecção de andaimes, após a descoberta de falsos certificados de segurança anti-fogo O Governo de Hong Kong ordenou a remoção imediata das redes de protecção instaladas em andaimes de mais de 200 edifícios privados após a descoberta de certificados de segurança falsificados. A decisão foi motivada pelo incêndio que devastou, em 26 de Novembro, o complexo de habitação pública Wang Fuk Court, fazendo pelo menos 159 mortos, sendo que 31 pessoas continuam desaparecidas. O incêndio expôs deficiências na protecção dos projectos de renovação, particularmente na utilização de redes de protecção nas fachadas para evitar a queda de detritos. Como estas redes não são à prova de fogo, actuaram como aceleradoras, impulsionando a propagação das chamas em Tai Po, nos Novos Territórios, no norte de Hong Kong. As investigações oficiais confirmaram que os edifícios incendiados não utilizavam redes resistentes ao calor, o que permitiu que as chamas se propagassem rapidamente e consumissem várias torres do complexo residencial. Após inspecções a outros edifícios, as autoridades detectaram materiais adulterados noutros dois complexos, ligados a um fabricante na China continental. A descoberta levou o Departamento de Edifícios de Hong Kong a ordenar, com urgência, a remoção de todos os materiais semelhantes das fachadas de propriedades privadas, considerando-os um risco inaceitável. Comissões e investigações A polícia alargou as investigações a quatro complexos espalhados por diferentes distritos urbanos devido à possibilidade de utilização mais generalizada de certificados fraudulentos. Em paralelo, o Departamento do Trabalho abriu uma investigação sobre um caso suspeito de certificados de inspecção de andaimes com datas alteradas, aparentemente assinados antecipadamente. A Comissão Independente Contra a Corrupção deteve pelo menos 11 pessoas ligadas ao contrato de reabilitação de Wang Fuk Court, incluindo funcionários da empresa de consultoria responsável pela supervisão técnica, directores e gestores de projecto, subempreiteiros especializados em andaimes e intermediários. O líder do Governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, prometeu uma estreita cooperação com o novo parlamento para promover reformas estruturais que reforcem a segurança nos projectos de construção e reabilitação. O incêndio, o mais mortal em Hong Kong desde 1948, acelerou as medidas administrativas e criminais destinadas a colmatar as lacunas na cadeia de responsabilidade do sector da construção civil, desde a certificação dos produtos à inspecção no local.
Os Jardins Satisfatórios de Yan Hongzi Paulo Maia e Carmo - 10 Dez 2025 Li Jie, o funcionário poeta e pintor do século XII, imaginou o lugar tranquilo em meio à natureza em que, enfim disponível, poderia dela receber tanto quanto nela pudesse perceber e sentir. Num rolo horizontal que fez em 1170, representou esse sítio do Pavilhão do Pescador no monte Xisai para onde um dia de facto se iria retirar catorze anos depois. Esse persistente desejo de comunhão com o lento mundo natural, partilhado por tantos atarefados letrados, já levara alguns, muitos anos antes, a recriar nas cidades símiles em miniatura desses locais ainda não alterados pela mão humana, designados penjing, «paisagens num vaso», onde podiam ir observando a misteriosa mutação. Para outros, poetas, pintores nada substituía a experiência de estar lá, no espaço cercado de um jardim. No século dezoito, para fazer o retrato de uma personalidade, para mostrar o seu carácter, pintores figuravam-na muitas vezes num jardim, de preferência no seu jardim. Um pintor da corte chamado Yan Hongzi, activo cerca de 1751 – depois de 1760, no retrato que fez em 1759 de Jingweng (1710- depois de 1759), um funcionário da corte, mostrou-o no seu jardim com um ambíguo nome Yiyuan, o «Jardim natural, apropriado, satisfatório» (rolo horizontal, tinta sobre papel, 34,5 x 348 cm, no Museu Angewandte kunst de Frankfurt). E nele inscreveu um comentário, jogando com a ambiguidade do sinograma yi: «Conheci o velho senhor Jingweng de Beihai na repartição oficial distrital do seu chefe, o senhor Hu. Nossas camas estavam frente a frente e vivemos juntos, felizes e alegres, um mês inteiro. Quando o mestre me pediu para lhe fazer uma pintura intitulada «Yiyuan», olhei em volta e disse com uma gargalhada: «Não haverá só nesta expressão, satisfação apropriada?» Ele disse: «Satisfação apropriada como esta é já completa satisfação.» Ah! Embora não haja nada para este senhor que não seja satisfação adequada, ele encontra natural satisfação neste jardim. Por isso fiz esta pintura dele.» Yan Hongzi faria uma outra visita a um jardim mítico, que no passado terá proporcionado tanta satisfação a sete sábios. Desde o século terceiro que era contada a história de sete literatos que se refugiaram num bosque de bambu, perto da morada de um deles, Ji Kang (c.223-262) em Shanyang (actual Henan). Retirados da hipocrisia e dos perigos do mundo da política, os sete poetas e filósofos, Zhulin qixian, dedicavam-se às artes. No rolo horizontal (tinta sobre papel, 33,3 x 67,6 cm, no Museu de Arte da Universidade de Princeton) de Yan Hongzi, eles são mostrados nas suas ocupações de inspiração daoísta, escrevendo nas faces lisas das rochas, pintando, recitando poesias para o ar. No fim do rolo, caminhando em sentido oposto fazendo o olhar recuar, vão dois jovens com rolos para escrever ou pintar, um pote de vinho: os sábios continuariam satisfeitos.
“Iluminar Macau 2025” conta com obra de Emanuel Barbosa Hoje Macau - 10 Dez 2025 Arrancou no último fim-de-semana mais uma edição do evento “Iluminar Macau”, que decorre até ao dia 11 de Janeiro e que apresenta diversas instalações de luz em três zonas diferentes do território, nomeadamente junto ao lago Nam Van, na Zona Norte e na Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE). O “Iluminar Macau 2025” tem como tema “Paisagem em Luz – Horizonte”, existindo um total de 28 grupos de instalações, com com equipamentos criados por equipas de Macau, do Interior da China, de Portugal, da Coreia, da Austrália e dos EUA. Um dos artistas participantes é o português Emanuel Barbosa, que criou a obra “Ark of Light” (‘Arca de Luz’), em forma de navio, e que está instalada no Centro Náutico do Lago Nam Van. De acordo com uma apresentação da Direcção dos Serviços de Turismo, a obra “transporta o espírito de diversas culturas” e integra quatro velas que, “como pergaminhos desdobrados do espaço e do tempo, projetam palavras” de várias línguas. Emanuel Barbosa é professor e coordenador internacional da ESAD — Escola Superior de Artes e Design e membro da direção da Associação Cultural Portuguesa (ACPT). Fachadas iluminadas No “Iluminar Macau 2025” pode ainda ver-se a fachada do Museu do Grande Prémio transformada em “palco do tempo”. Trata-se do espectáculo de videomapping, a três dimensões, intitulado “Macao Odissey: The Story Unfolds”, e que se apresenta diariamente entre as 18h e as 22h, com a duração de seis minutos, e exibições a cada 15 minutos. Além disso, todas as sextas-feiras, sábados, domingos, e dias de festividades, em que se realiza o evento, na zona do Porto Exterior, junto ao Museu do Grande Prémio de Macau, e ruas de Luíz Gonzaga Gomes, Xiamen e Nagasaki, decorrem 20 actividades festivas, cujo tema é o café e a gastronomia típica de Macau. Haverá diversos workshops agendados e concursos. Na zona do ZAPE, decorre ainda a iniciativa “ZAPE – Fantasia de Natal”, entre a Rua de Cantão e a Rua de Pequim. Neste mês, acontece também outro evento, a “Luminescent Night at Travessa do Armazém Velho 2025”, junto à Rua dos Ervanários, Rua da Nossa Senhora do Amparo, Rua da Tercena e Beco de Chôn Sau. O público pode ainda desfrutar do “Nothern Winter Market”, na Praça dos Lótus do Bairro da Ilha Verde.
Casa de Vidro | Bruno Gaspar apresenta “Macau, um Encontro de Culturas” Andreia Sofia Silva - 10 Dez 2025 Um “encontro de culturas”, ou da arte com a literatura portuguesa, é o que Bruno Gaspar, artista português, apresenta até ao final do mês na Casa de Vidro do Tap Seac. “Macau, um Encontro de Culturas” é um projecto acolhido pela Casa de Portugal em Macau que revela pinturas sobre escritores portugueses A literatura portuguesa é pródiga em grandes obras e escritores e muitos deles passaram por Macau ou tiveram uma ligação muito forte com o território. Foi a pensar nessa dimensão literária que o artista português Bruno Gaspar desenvolveu um projecto, a convite da Casa de Portugal em Macau (CPM), que contou com o apoio da Fundação Macau. “Macau, um Encontro de Culturas” traz pinturas sobre escritores portugueses à Casa de Vidro do Tap Seac, uma mostra que pode ser visitada, de forma gratuita, até ao final do mês. Ao HM, Bruno Gaspar confessou que retratar os autores das maiores obras em língua portuguesa não é um tema novo no seu trabalho. “Há muitos anos que uso a literatura como ponto de partida para criar. Curiosamente, trouxe também desenhos que tinha feito em Macau, quando vivi cá entre 2016 e 2018, sobre a ‘Clepsidra’ de Camilo Pessanha, mas que acabaram por não ser expostos nesta exposição.” Na Casa de Vidro, podem ver-se trabalhos mais recentes, “que têm a ver com uma série inspirada na literatura lusófona”. “Alguns desses trabalhos retratam escritores que depois são envolvidos pelo ritmo das suas palavras, pintadas por mim”, descreveu. Depois, há outra série de trabalhos “que é o seguimento desses retratos”, onde Bruno Gaspar diz ter “mergulhado na linguagem pictórica tendencialmente abstracta”, dando “primazia ao instinto artístico, como se o pincel fosse seduzido pela beleza de cada poema”. O público pode, portanto, ver imagens de Camilo Pessanha ou do macaense Henrique de Senna Fernandes, numa selecção de nomes “bastante pessoal”. “Era importante que sentisse algo por cada escritor. Em relação a Macau, fiz questão de investigar a obra de cada um deles para depois transportá-los para o papel.” Entre Herberto e Pessanha Bruno Gaspar confessa que o autor que mais gostou de retratar foi Camilo Pessanha, expoente máximo do simbolismo português, e que morreu em Macau em 1926, depois de muitos anos a trabalhar como jurista e docente. Essa primazia deve-se “ao facto de ser a primeira pintura” de uma das séries. “Como as obras estão encadeadas, não posso deixar de referir o retrato de Deolinda da Conceição, pela vibração das cores, e de Henrique Senna Fernandes, pelo sorriso bondoso que consegui registar.” Na qualidade de leitor ou admirador, Bruno Gaspar também destaca Camilo Pessanha e o poeta Herberto Hélder. “Em cada poema surgem múltiplos caminhos para criar. A carga simbólica de ambos é perfeita para divagar com as cores e até mesmo em escultura. Criei várias esculturas sobre alguns poemas de Camilo Pessanha, mas não vieram até Macau pelo facto de a logística ser mais complicada para as transportar.” Bruno Gaspar confessa ter gostado “bastante de contactar com a comunidade portuguesa de Macau”, tendo encontrado “pessoas muito interessadas” no seu trabalho. “A exposição tem sido bem acolhida”, refere, destacando o trabalho que se vai fazendo na promoção da literatura portuguesa no território. “Nunca devemos achar que está tudo feito. Pelo que percebi, há gente muito empenhada na divulgação da literatura portuguesa. No meu caso, orientei dois workshops na CPM e a sala estava cheia de participantes muito interessados. Também tenho visitas guiadas à exposição, agendadas por escolas de Macau, e por isso os sinais são muito positivos.” Porém, o artista ressalva que é necessário “continuar a tentar aproximas as duas línguas, Portugal com a China”. “Se queremos que conheçam a nossa literatura, também devemos conhecer a literatura chinesa”, rematou. Bruno Gaspar nasceu em França, na cidade de Paris, em 1979, crescendo depois na aldeia de Torrinhas, já em Portugal. Licenciou-se em História da Arte na Universidade Nova de Lisboa. Formou-se em Cinema de Animação na Fundação Calouste Gulbenkian e desde os 15 anos que participa em diversos projectos artísticos nas áreas do cinema de animação, fotografia, design, publicidade e marketing, escultura, ilustração, murais e artes plásticas. Bruno Gaspar trabalhou como ilustrador e cronista de viagens na imprensa portuguesa, tendo sido por diversas vezes finalista do Prémio Stuart Carvalhais, organizado pelo El Corte Inglés. Venceu o Prémio Maria Alberta Menéres em 2011. Em 2017, conquistou o segundo prémio de Artes Plásticas, no concurso a propósito do 25 de Abril de 1974, organizado pela CPM. É ainda director do cinANTROP (Festival Internacional de Cinema Etnográfico de Portugal) e fundador dos projectos artístico-solidários, como “Olhares sem Abrigo/Homeless Heys”, “Bibliotecas com Vida” e “Natal numa Caixa de Sapatos”. Conta com várias exposições nacionais e internacionais e tem obras presentes em colecções públicas e privadas.
Saúde | Mais de 70 alunos infectados com vírus da gripe Andreia Sofia Silva - 10 Dez 2025 Os Serviços de Saúde (SS) receberam, na última sexta-feira, a notificação da ocorrência de sete casos de gripe em várias escolas do território, nomeadamente a Escola Xin Hua, a creche Tung Sin Tong III, a Escola Secundária Pui Ching, a Escola Kao Yip, Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes, Escola Tong Sin Tong e Colégio de Santa Rosa de Lima (Secção Chinesa). Foram infectadas um total de 66 crianças, sendo que os sintomas, nomeadamente febre, tosse e dor de garganta, começaram a manifestar-se a 30 de Novembro. Segundo uma nota dos SS, uma criança da creche Tung Sin Tong III necessitou de internamento, apresentando agora um estado clínico estável. Não foram registados casos graves ou outras complicações relativamente aos restantes doentes. A investigação revelou que 19 doentes dos sete casos colectivos de infecção, obtiveram um resultado positivo para a gripe do tipo A num teste rápido, não tendo sido detectado qualquer agente patogénico noutros alunos. Outro caso de gripe, detectado pelos SS no sábado, dia 6, ocorreu numa turma do Colégio Diocesano de São José, com 11 alunos infectados. Estes começaram a manifestar sintomas de infecção do tracto respiratório superior no dia 3. Não há casos graves, sendo que quatro doentes testaram positivo à gripe A.
Sands e Galaxy | Centros comerciais recuperam terreno João Luz - 10 Dez 2025 Os resultados dos centros comerciais da Sands e Galaxy Macau no terceiro trimestre mostram sinais de optimismo. Enquanto a Galaxy registou um aumento trimestral de 3,7 por cento e quebra anual de 2 por cento, a Sands China teve uma subida de 6,5 por cento das receitas líquidas nos primeiros nove meses do ano No terceiro trimestre deste ano, as receitas dos centros comerciais instalados em resorts da Sands China e Galaxy Entertainment Group melhoraram em relação ao trimestre anterior, confirmando a tendência do aumento da procura por bens de luxo no comércio de Macau, assim como no Interior da China, de acordo com um artigo publicado no portal GGR Asia. De acordo com a empresa-mãe da Sands China, a Las Vegas Sands Corp, as receitas líquidas agregadas nos primeiros nove meses de 2025 ascenderam a 379 milhões de dólares, mais 6,5 por cento face ao mesmo período do ano passado. Tendo em conta apenas o terceiro trimestre, os centros comerciais da Sands China facturaram 130 milhões de dólares, mais 4 por cento em termos trimestrais e anuais. Os ganhos de 22 milhões de dólares foram em larga parte justificados com os rendas extra pagas no período em análise, de 15 milhões de dólares. Estas rendas extra dizem respeito a um valor relativo aos resultados de vendas acima de determinada fasquia da loja arrendatária, aos quais de somaram 4 milhões de dólares das rendas base e 3 milhões de dólares em despesas de manutenção. Todos em linha Em relação aos centros comerciais da Galaxy, foram apurados 340 milhões de dólares de Hong Kong no terceiro trimestre do ano, mais 3,7 por cento face ao trimestre anterior, mas uma queda de 2 por cento face ao mesmo período de 2024. Graças à performance dos espaços comerciais nos resorts da Galaxy no terceiro trimestre, o grupo conseguiu atingir receitas líquidas de mil milhões de dólares de Hong Kong nos primeiros nove meses do ano. Apesar do resultado significar um declínio de 3,9 por cento em termos anuais, as quebras foram acentuadas face à descida de 12,7 por cento registada no mesmo período de 2024. A performance dos centros comerciais dos dois grupos empresariais no terceiro trimestre alinham-se com os resultados dos negócios do comércio a retalho divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos. Entre Janeiro e Setembro, o volume de negócios do comércio a retalho apresentou uma redução anual de 5,4 por cento para 50,56 mil milhões de patacas. Porém, tendo em conta apenas o terceiro trimestre deste ano, o volume de negócios do comércio a retalho cresceu 2,2 por cento, para 16,96 mil milhões de patacas, face ao mesmo período de 2024. Os dados oficiais indicaram que os resultados foram impulsionados pela venda de cosméticos, joalharia e produtos farmacêuticos.
Japão | DST sem pedidos de ajuda devido a sismo Hoje Macau - 10 Dez 2025 Um sismo de magnitude 7.5 com epicentro localizado a 80 quilómetros da costa da prefeitura japonesa de Aomori não levou a pedidos de ajuda ou informações, segundo indicou a Direcção dos Serviços de Turismo ao canal chinês da Rádio Macau. A linha aberta reservada a pedidos de ajuda ou informações em casos de emergência não recebeu qualquer solicitação de assistência relacionada com o sismo que levou à retirada de casa de 90 mil moradores, na sequência de um alerta de tsunami. Em comunicado, a DST lançou ontem um alerta dirigido aos “residentes de Macau que se encontram no Japão para estarem atentos a situações de sismo, alertas meteorológicos e informações de prevenção de calamidades”. As autoridades pediram aos residentes para “seguirem as instruções de prevenção e de abrigo emitidas pelas autoridades locais, elevarem a consciência de autoprotecção e reforçarem a sua própria segurança”. O sismo ocorreu às 22h15 de Macau na noite de segunda-feira, uma hora mais cedo em relação à região Aomori, e causou ferimentos em, pelo menos, 30 pessoas.
Turismo | Previstas mais viagens de residentes para o exterior Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 10 Dez 2025 Andy Wu, presidente da Associação da Indústria Turística de Macau, acredita que os residentes possam viajar mais nesta época natalícia que se aproxima, falando em aumentos das viagens na ordem dos 20 por cento. O interior da China deverá estar no topo das preferências O presidente da Associação da Indústria Turística de Macau, Andy Wu, garantiu, segundo o jornal Ou Mun, que as viagens de residentes ao exterior possam aumentar cerca de 20 por cento nesta época natalícia. O responsável explicou que, segundo o calendário deste ano, as férias combinam com a data do estabelecimento da RAEM, 20 de Dezembro, sendo que os períodos do solstício de Inverno, a véspera de Natal e o Natal são de seis dias, entre as datas de 20 e 25 de Dezembro. Caso uma pessoa peça o dia de férias para sexta-feira, 26 de Dezembro, o período de férias pode estender-se a nove dias, entre as datas de 20 a 28 de Dezembro, por incluir o fim-de-semana. Andy Wu acredita que, com este calendário, as pessoas terão mais vontade de viajar, nomeadamente para fazer percursos mais longos. Quanto ao destino da viagem, o dirigente associativo acredita que a zona do interior da China deverá ocupar o topo das preferências, mais de 60 por cento, para os residentes de Macau, tendo em conta que a popularidade das viagens ao Japão sofreu uma redução. Pelo contrário, Andy Wu destaca que as viagens à China e Sudeste Asiático se tornaram as alternativas preferenciais. Japão com menos procura Face aos preços das viagens, Andy Wu disse que a época do Natal não faz parte das fases dos grandes períodos de férias para o interior da China, pelo que os valores tendem a estabilizar. Enquanto isso, face à menor procura pelas viagens ao Japão, um cenário diferente em relação ao ano passado, quando os preços subiram muito, este ano verifica-se o oposto: uma estabilidade de valores. Andy Wu afirma que as escolhas de destinos na China mais populares são locais com neve e gelo, nomeadamente cidades em Chongqing ou na província de Jiangxi, que recentemente passou a ter uma rota aérea directa com Macau. O responsável adiantou que o facto de existirem, no país, recursos turísticos abundantes e a conveniência dos meios de transporte faz com que o interior da China se torne muito atractivo, como destino, para os residentes de Macau. Além disso, Andy Wu observou que há uma nova tendência no mercado de viagens de longa distância, já que há muitos residentes a preferir viajar sozinhos para destinos na Europa ou Dubai. No cenário oposto, ou seja, quanto ao número de visitantes de Macau na semana do Natal, Andy Wu acredita que o número possa registar um aumento em termos anuais. O presidente da associação descreve que, apesar de o Natal não ser celebrado no interior da China, o ambiente festivo é bastante popular e atractivo, nomeadamente para visitantes mais jovens. Por esta razão, Andy Wu explicou que os turistas mais jovens do interior da China, e também os que vêm de Hong Kong, são dois grupos essenciais para trazerem dinâmica ao turismo nesta época natalícia.
Habitação | Sugeridas mudanças no Iao Hon Hoje Macau - 10 Dez 2025 O deputado Leong Hong Sai entende que o Governo deveria transformar o projecto de habitação intermédia no bairro do Iao Hon em habitação para troca, a fim de lá colocar moradores de sete prédios, cuja reconstrução está dependente da recolha de um número suficiente de assinaturas. Segundo o Jornal do Cidadão, o deputado recordou as palavras de Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas, quanto à necessidade de analisar a necessidade de construção de habitação intermédia no edifício Soi Lei, no bairro do Iao Hon, junto aos referidos sete prédios. A ideia de ali construir habitação intermédia data do tempo em que Ho Iat Seng era Chefe do Executivo. Leong Hong Sai defende que, se esse lote for usado para o projecto de habitação para troca, os proprietários das casas nos sete prédios não necessitam de esperar que estes sejam reconstruídos, podendo-se acelerar a renovação urbana do bairro do Iao Hon. O deputado referiu ainda as posições de alguns moradores, que dizem querer viver em habitações construídas e não em habitações de alojamento temporário, situadas no Lote P da Areia Preta, a uma maior distância dos sete prédios que necessitam de reconstrução.
DSOP | Metade das obras mais caras atrasadas e com derrapagens João Luz - 10 Dez 2025 Dos 46 projectos com custo superior a 100 milhões de patacas, em execução este ano, 22 estão atrasados em relação ao prazo estabelecido na adjudicação e 23 têm derrapagens orçamentais, que podem chegar a 348 milhões de patacas. As maiores discrepâncias verificam-se na Zona A dos Novos Aterros Ao longo deste ano, e até à passada sexta-feira, estavam em curso 46 obras públicas em Macau, que representam custos públicos a rondar os 43,53 mil milhões de patacas. Os dados mais recentes sobre a situação das obras com valor superior a 100 milhões de patacas da tutela de Transportes e Obras Públicas revela que, até à passada sexta-feira, se verificavam derrapagens no valor das obras na ordem de 0,8 por cento, o que equivale a cerca de 348 milhões de patacas. Importa salientar que entre as 46 obras públicas, quatro estão em fase de obtenção de propostas, adjudicação ou contrato, e outras duas foram concluídas. As obras de fundações e caves do Edifício de Apoio ao Centro de Formação e Estágio de Atletas foram concluídas a 5 de Dezembro, enquanto a segunda fase da Empreitada de Construção de Viaduto na Rotunda da Amizade terminou no dia 25 de Novembro. De acordo com os dados publicados pela Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP), as obras com maiores derrapagens de custos e de prazo de execução situam-se na Zona A dos Novos Aterros. A maior discrepância ao nível do valor, 18,1 por cento, verifica-se na segunda fase da obra de assentamento de condutas de abastecimento de água nas vias públicas na Zona A, adjudicada à Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau por quase 172 milhões de patacas. O desvio no valor da obra ultrapassa os 31,1 milhões de patacas. Outro exemplo de variações no valor e prazo das obras, é o projecto da galeria técnica e arruamentos no sul da Zona A, que foi adjudicado ao Consórcio de Tong Lei / Lei Seng, por quase 752 milhões de patacas, com prazo de execução de 541 dias úteis de trabalho. Segundo os dados da DSOP, o valor da obra sofreu uma derrapagem de 4,6 por cento, ou perto de 34,6 milhões de patacas. Também a execução da obra apresenta um atraso de 42 dias. Tubarões e sardinhas Entre as obras mais dispendiosas para o erário público, destaque para os segmentos norte e sul da Linha Leste do Metro Ligeiro. A obra do segmento norte, adjudicada ao Consórcio de CCECC (Macau)/Nam Kwong/China Railway por 4,47 mil milhões de patacas, apresenta uma derrapagem de 125,16 milhões de patacas. A boa notícia é que o prazo para concluir a obra, 1.350 dias úteis, está a ser cumprido. No segmento sul da mesma linha, adjudicado ao consórcio formado pela China State, a Construção da China e Túneis Shanghai por 4,8 mil milhões de patacas, a derrapagem foi 4,8 milhões de patacas, enquanto a execução da obra regista um atraso de nove dias em relação aos 1.350 estabelecidos como prazo. Em relação às 13 empreitadas de construção de edifícios de habitação económica na Zona A dos Novos Aterros, as obras que apresentam maiores discrepâncias no valor são as localizadas nos lotes A1 e A2. O primeiro projecto, adjudicado à CCECC (Macau) por quase 1,48 mil milhões de patacas está a decorrer sem atrasos, mas os custos derraparam 29,5 milhões de patacas. No lote A2, obra adjudicada à Construção da China (Macau) por 1,57 mil milhões de patacas, a derrapagem orçamental vai quase em 25,1 milhões de patacas, com os trabalhos a decorrerem sem atrasos. A Construção da China tem actualmente seis obras adjudicadas pelo Governo de Macau, relativas a três empreitadas para habitação económica na Zona A, uma em consórcio com a China State para o Novo hospital – Hospital de Reabilitação e outra com o Porto da China para o Aterro da Zona D. Também a empresa Soi Kun, do ex-deputado Mak Soi Kun, soma três adjudicações em consórcio para a construção de blocos de habitação económica na Zona A, à qual se junta a empreitada relativa ao Tribunal de Segunda Instância nos lotes C12 e C14 do Lago Nam Van.
Formação profissional | Mais de 550 cursos em 11 meses Hoje Macau - 10 Dez 2025 A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) diz ter organizado, em 11 meses (de Janeiro a Novembro deste ano), um total de 570 cursos de formação profissional, que contaram com a participação de mais de 10.670 formandos. Destaca-se o facto de apenas 3.780 pessoas terem obtido certificados de qualificação profissional reconhecidos não apenas em Macau, mas também no interior da China e até a nível internacional, refere a DSAL em comunicado. De entre os cursos realizados, 271 estão relacionados com as indústrias associadas à política “1+4”, nomeadamente na área das finanças e “Big Health”, entre outras. Destes cursos relacionados com a política “1+4” saíram 5.270 formandos, sendo que mais de 1.680 obtiveram certificados de qualificação profissional. A DSAL destaca que “os resultados da formação são significativos, promovendo-se, de forma contínua, a formação de quadros qualificados para as indústrias”. Foi criada, a 30 de Outubro deste ano, a “Plataforma Integrada de Formação Profissional”, que já disponibilizou mais de 100 cursos, “registando-se aproximadamente mil pessoas que utilizaram a Plataforma”, é referido.
Grande Baía | Empresas do Brasil e Portugal de visita Hoje Macau - 10 Dez 2025 Um total de 30 representantes de 24 empresas tecnológicas, instituições de ensino superior, incubadoras e associações do Brasil e de Portugal estiveram em Hengqin e no interior da China numa visita oficial que decorreu entre os dias 29 de Novembro e 7 de Dezembro, domingo. Segundo uma nota oficial, o grupo visitou empresas tecnológicas e entidades governamentais da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, tendo estado representado, com um stand, na “Exposição Global de Máquinas e Produtos Eletrónicos de Inteligência Artificial”, realizada em Macau. Esta visita contou com organização da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), sendo que a delegação ganhou o nome de “Grupo de visita de estudo das empresas de inovação tecnológica dos países de língua portuguesa à Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”. A visita passou, concretamente, pelas cidades de Zhuhai, Guangzhou, Dongguan e Shenzhen. Algumas das empresas representadas ganharam prémios no “Concurso de Inovação e Empreendedorismo (Macau) para as Empresas de Tecnologia do Brasil e de Portugal” de 2024 e de 2025.
Finanças | Secretário diz estar a optimizar plataformas e leis Andreia Sofia Silva - 10 Dez 2025 O secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, declarou ontem que o Executivo está a trabalhar na optimização de plataformas e leis ligadas ao sector financeiro, a fim de o desenvolver. Um dos projectos prende-se com a melhoria, “de forma faseada”, da Central de Depósito de Valores Mobiliários de Macau (CSD), ligada ao mercado das obrigações, pretendendo-se, com isso, “aprofundar o serviço de rede e interligação com Hong Kong”. O Governo diz também estar a avançar “com os trabalhos preparatórios da Lei de Valores Mobiliários, visando o aceleramento da criação de um mercado de obrigações que ‘sirva de ponte para o Interior da China e crie conexões com o mercado internacional’, de forma a responder melhor às necessidades de financiamento e investimento da Zona de Cooperação e da Grande Baía”, destacou o secretário num discurso proferido na cerimónia de abertura da 4.ª Edição do Fórum Financeiro da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau 2025, ocorrido ontem. O governante acrescentou também que na área da gestão de fortunas, “a nova Lei dos Fundos de Investimento entrará em vigor no próximo mês, reforçando ainda mais as bases legais e o ambiente de desenvolvimento da indústria de fundos em Macau”. Quanto ao projecto da pataca digital, a “e-MOP”, foi já concluída a construção do sistema central, tendo sido realizados “testes de transacções em pequena escala, visando o aperfeiçoamento contínuo das infraestruturas financeiras digitais”, rematou o secretário.
Conselho de Estado | Pedida maior participação da RAEM na abertura do país João Luz - 10 Dez 2025 Uma comitiva do Governo reuniu com a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma para afinar as metas de Macau na iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” e na abertura do país ao mundo. Tai Kin Ip prometeu implementar “seriamente” os espíritos da 4.ª sessão plenária do 20.º Comité Central do PCC e dos “importantes discursos” de Xi Jinping Representantes do Governo de Macau estiveram em Pequim na sexta-feira para uma reunião com dirigentes da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, um departamento executivo do Conselho de Estado, segundo um comunicado divulgado ontem pelo gabinete do Gabinete do Secretário para a Economia e Finanças, Anton Tai Kin Ip. Na agenda de trabalho, esteve a colaboração de Macau na construção da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”. O director-adjunto da comissão nacional, Zhou Haibing, começou por elogiar a RAEM, referindo que “Macau tem utilizado os seus pontos fortes para atender às necessidades nacionais, demonstrando um papel de participante proactivo” na iniciativa nacional. Zhou Haibing indicou também que o caminho de Macau passa por criar “uma imagem cultural mais atractiva no contexto da construção conjunta de ‘Uma Faixa, Uma Rota’, permitindo que Macau “desempenhe um papel mais significativo na abertura do país ao exterior”. Estrela polar Começando por destacar a importância de participar na iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, Tai Kin Ip garantiu que “o Governo da RAEM implementará seriamente o espírito da 4.ª Sessão Plenária do 20.º Comité Central do PCC e o espírito dos importantes discursos do Presidente Xi Jinping”. Em termos práticos, o governante local afirmou que o Executivo irá reforçar as funções de plataforma, assim como “o papel de ‘interlocutor de precisão’, ajudando melhor as empresas do Interior da China a expandirem-se ao exterior”. Os vários departamentos do Executivo de Sam Hou Fai que participaram na reunião apresentaram à Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma os “progressos alcançados na participação e apoio de Macau à construção de ‘Uma Faixa, Uma Rota’”, que não foram especificados pelo Governo.
Sismo de magnitude 7,6 causa feridos e tsunami de 40 centímetros no norte do Japão Hoje Macau - 9 Dez 2025 Um sismo de magnitude 7,6 na escala de Richter, inicialmente avançado como de 7,2, atingiu hoje o norte do Japão, provocando vários feridos e um tsunami de 40 centímetros, informou a Agência Meteorológica Japonesa. A agência indicou que o sismo ocorreu a leste de Aomori, na ilha principal de Honshu, no Japão, e ao sul da ilha de Hokkaido, e que o tsunami de 40 centímetros atingiu a cidade de Urakawa, em Hokkaido, e o porto de Mutsu Ogawara, em Aomori. Várias pessoas ficaram feridas num hotel na cidade de Hachinohe, em Aomori, informou a emissora pública NHK. A primeira-ministra, Sanae Takaichi,disse aos jornalistas que o governo criou uma equipa de emergência para avaliar a extensão dos danos. “Estamos a colocar a vida das pessoas em primeiro lugar e a fazer tudo o que podemos”, disse. As centrais nucleares da região estão a realizar verificações de segurança, informou a NHK. O sismo ocorreu por volta das 23:15 (14:15, hora de Lisboa) no Oceano Pacífico, a cerca de 80 quilómetros da costa de Aomori. Um tsunami de 70 centímetros foi medido no porto de Kuji, na província de Iwate, ao sul de Aomori, e ondas de até 50 centímetros atingiram outras comunidades costeiras da região, informou a agência. A agência emitiu um alerta para possíveis ondas de tsunami de até 3 metros em algumas áreas, e o secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, instou os residentes a dirigirem-se imediatamente para terrenos mais altos ou se abrigarem dentro de edifícios ou centros de evacuação até que o alerta seja suspenso. Várias pessoas ficaram feridas num hotel na cidade de Hachinohe, em Aomori, e um homem na cidade de Tohoku ficou levemente ferido quando o seu carro caiu num buraco. Kihara disse que as centrais nucleares da região estavam a realizar verificações de segurança e que, até o momento, nenhum problema havia sido detetado. Vários casos de incêndios foram relatados em Aomori, e cerca de 90.000 residentes foram aconselhados a refugiar-se em centros de evacuação, informou a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres. Foi a norte da costa japonesa que sofreu um sismo de magnitude 9,0 e o tsunami em 2011, que matou quase 20.000 pessoas.
ONU | Criticada “apatia” do mundo face a apelo humanitário para 2026 Hoje Macau - 9 Dez 2025 A ONU criticou ontem a “apatia” do mundo perante o sofrimento de milhões de pessoas em todo o planeta, no lançamento do apelo humanitário para 2026, em mínimos históricos face à forte queda do financiamento. “Estamos a viver uma época de brutalidade, impunidade e indiferença”, afirmou o chefe das operações humanitárias da ONU, Tom Fletcher, numa conferência de imprensa em Nova Iorque, em que denunciou a “ferocidade e intensidade dos assassinatos”, o “desprezo total pelo direito internacional” e os “níveis aterradores de violência sexual”. “Uma época em que o nosso instinto de sobrevivência foi entorpecido pelas distrações e corroído pela apatia, em que investimos mais energia e dinheiro para encontrar novas formas de nos matarmos uns aos outros, ao mesmo tempo que desmantelamos os meios arduamente conquistados para nos protegermos dos nossos piores instintos, em que os políticos se gabam de cortar as ajudas”, acusou Fletcher na apresentação do plano humanitário da ONU para 2026. Quando cerca de 240 milhões de pessoas, vítimas de guerras, epidemias, terramotos ou do impacto das alterações climáticas em todo o mundo, precisam de ajuda urgente, a ONU diz que precisa de 33 mil milhões de dólares para apoiar 135 milhões daquelas pessoas em 2026 em Gaza, no Sudão, no Haiti, na Birmânia, na República Democrática do Congo (RDCongo) ou na Ucrânia. Ao mesmo tempo, num contexto de cortes drásticos na ajuda externa norte-americana decididos por Donald Trump, a ONU reduziu também as ambições, apresentando um plano restrito, que solicita 23 mil milhões de dólares para salvar, pelo menos, 87 milhões das pessoas em maior risco. Este plano “hiperprioritizado” é “baseado em escolhas insustentáveis de vida ou morte”, disse Fletcher, esperando que as “decisões difíceis” que a ONU foi “encorajada a tomar” convençam os Estados Unidos a regressar.
Tailândia / Camboja | Um soldado morto e quatro feridos na fronteira Hoje Macau - 9 Dez 2025 Um soldado tailandês foi morto e outros quatro ficaram feridos durante confrontos na fronteira com o Camboja, anunciou ontem o exército tailandês, com ambas as partes a atribuírem a responsabilidade pelos combates uma à outra. Forças cambojanas atacaram o exército tailandês na província de Ubon Ratchathani, “matando um soldado e ferindo quatro”, disse o porta-voz do exército tailandês, Winthai Suvaree, num comunicado. Por seu lado, o Ministério da Defesa cambojano afirmou que as forças tailandesas lançaram um ataque nas províncias fronteiriças de Preah Vihear e Oddar Meanchey na madrugada de segunda-feira, garantindo que o Camboja não ripostou. A Tailândia está a usar aviões para “atingir alvos militares” e “acabar com o fogo de apoio cambojano”, informou, entretanto, o exército tailandês. Banguecoque garante que a sua aviação atacou “apenas infraestruturas militares, depósitos de armas, centros de comando e rotas de apoio ao combate” associadas a actividades consideradas como uma ameaça à segurança nacional tailandesa. Relatórios militares de ambos os lados dão conta de numerosos confrontos entre domingo e segunda-feira em vários pontos dos quase 820 quilómetros de fronteira, onde ambos os governos começaram a evacuar civis e a mobilizar pessoal e material de defesa. As autoridades da província cambojana de Oddar Meanchey informaram que foram relatados tiros nas proximidades dos templos centenários de Tamone Thom e Ta Krabei, e que os aldeões fugiram “para se protegerem”. O exército tailandês afirmou também que cerca de 35.000 pessoas foram evacuadas das zonas fronteiriças com o Camboja durante a noite. Os dois países vizinhos do Sudeste Asiático mantêm uma antiga disputa sobre o traçado de certas partes da fronteira, com 800 quilómetros de extensão, estabelecida durante a era colonial francesa. As zonas disputadas abrigam vários templos.
Macau | Rosa Mota em segundo lugar na minimaratona Hoje Macau - 9 Dez 2025 A portuguesa Rosa Mota ficou domingo em segundo lugar na minimaratona de Macau, prova de 4,5 quilómetros que integra a Maratona Internacional da região chinesa. A ex-campeã olímpica de 67 anos terminou a corrida em 17 minutos e 10 segundos, mais 54 segundos do que a primeira, a atleta local Kin I Chao. Em Fevereiro, a portuguesa teve alta hospitalar, na sequência de uma intervenção cirúrgica programada, depois de ter ultrapassado um “grave problema”, um “aneurisma dissecante da aorta”. Rosa Mota, natural do Porto, foi campeã olímpica da maratona nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, após ter sido bronze em Los Angeles, em 1984. Do seu palmarés constam ainda três títulos europeus (1982, 1986 e 1990) e um mundial (1987). Ainda é a recordista nacional da maratona, com o registo de 02.23,29 horas, marca conseguida em Chicago em 1985. Nos últimos anos, Rosa Mota tinha reaparecido ao mais alto nível e venceu várias provas de veteranos, tendo estabelecido em Barcelona, em 2024, o recorde do mundo da meia-maratona (1:24.27 horas), para o escalão dos 65 aos 69 anos. Também no ano passado, a portuguesa venceu a minimaratona de Macau, repetindo os triunfos em 2018, 2019 e 2023. Este ano, a organização convidou vários atletas, indicados pela Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP), de Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Sri Lanka e o estado de Goa (Índia). Lusofonia destacada Os lusófonos estiveram em destaque na meia-maratona, com o cabo-verdiano Samuel Freire, do Sporting Clube de Portugal, a terminar em terceiro a corrida masculina, atrás do vencedor Martin Ndungu e de David Kipkorir Rono, ambos quenianos. No quarto lugar surgiu o português Fábio Oliveira, 30.º na maratona da primeira edição dos Campeonatos da Europa de Estrada, em Abril, e parte da selecção de Portugal que terminou em quarto lugar. Logo a seguir veio o jovem moçambicano Pinto Victor Jequecene, de 22 anos, enquanto o angolano David Jundo Elias terminou na sétima posição. Na prova feminina, a também angolana Lúcia Kawele Capingala ficou no terceiro lugar, atrás da vencedora, a queniana Lucy Ndambuki, e da chinesa Na Zhao. Já fora do pódio, na quarta posição, terminou a jovem portuguesa Joana Ferreira, que conquistou a medalha de prata na prova sub-23 dos campeonatos nacionais de atletismo em 10 mil metros, em Maio. A moçambicana Domingas Ernesto Checane ficou no sexto lugar. Cerca de 12 mil participantes inscreveram-se nas três corridas da Maratona Internacional de Macau, com o título da prova rainha a ir para o queniano Victor Kipchirchir e para a etíope Senay Mastewal Birhanu. Além do triunfo, Kipchirchir bateu o recorde da maratona de Macau, ao acabar em duas horas, nove minutos e 27 segundos, menos 34 segundos do que o anterior registo, fixado em 2017 pelo etíope Felix Kiptoo Kirwa.