Maria José de Freitas, arquitecta: “Património começa a ser visto como um activo”

A arquitecta portuguesa falou esta quarta-feira, no ciclo de conferências do CCCM, sobre a relação entre o património imóvel de Macau e as alterações climáticas. Maria José de Freitas alerta para a ausência de respostas para o velho problema das marés na zona do Porto Interior e pede um calendário para a implementação dos planos de pormenor a nível urbanístico

 

Quais as problemáticas que apresentou nesta ligação do património local com as alterações climáticas?

Parti da questão da Grande Baía onde existem nove cidades que, com maior ou menor impacto, são afectadas pelas alterações climáticas, e que têm a ver com a subida do nível das águas e com o facto de nestas cidades haver muitas zonas de aterro. Em Macau e em Hong Kong isso também acontece. Nestas cidades da Grande Baía existe património e em Macau e Hong Kong existe um património mais miscigenado. Macau será a única cidade com património classificado pela UNESCO e, portanto, há que preservá-lo e prevenir situações decorrentes da subida do nível das águas. A situação deve ser monitorizada a nível local, regional e internacional. No caso de Macau, com a construção de tantos aterros e com os constrangimentos causados pelo estrangulamento da bacia hidrográfica do Delta do Rio das Pérolas, o assoreamento do rio e a poluição ambiental, uma vez que no sudeste da China era a fábrica do mundo, surgiram condições que afectam bastante o nosso património.

Que exemplos concretos que pode dar?

Na conferência falei de três casos concretos, alguns deles passaram directamente pelas minhas mãos, como é o caso das Ruínas de São Paulo, que foi o primeiro caso de património com o qual trabalhei em Macau, em 1991, quando cheguei. Fui absorvida pelo Laboratório de Engenharia Civil de Macau (LECM) que achou que, para esta área, era melhor ter um núcleo de arquitectura, que eu coordenei. Nesse trabalho fez-se uma prospecção para ver o estado das fundações da fachada da antiga igreja. O que é hoje visível é uma fachada praticamente auto-sustentada em fundações, mas não se sabia, à data, a sua profundidade e em que condições estavam. Não há tremores de terra, mas há ventos derivados dos tufões, cuja periodicidade e intensidade se prevê que seja cada vez maior. Nessa altura, a fachada estava afectada por uma série de manchas que afectavam o granito. Foi então feita esta análise e a descoberta dos achados arqueológicos obrigou, de alguma forma, à alteração do projecto. Houve um envolvimento da população à época, o que é importante, tal como a presença da tecnologia, e na altura o LECM apetrechou-se para dar resposta, e foi tratada a pedra de granito das Ruínas para evitar a sua degradação. Mas a população deve protagonizar este alerta constante em relação à protecção do património.

Que mais casos apresentou?

Falei da farmácia Cheong San, onde o dr. Sun Yat-sen exercia medicina. O edifício foi adquirido pelo Governo em 2011 e depois foi recuperado, e quando foi feito esse processo descobriram-se achados arqueológicos do antigo cais de acostagem, porque aquela zona foi um aterro também. Além disso, apresentei a situação dos estaleiros de Lai Chi Vun, que passaram a ser foco de maior atenção depois do tufão de 2018 [o Hato]. Na altura, conseguiu-se um consenso para que eles fossem classificados e protegidos. Há um projecto em curso que vai contribuir para uma mais valia científica e cultural não só das pessoas que habitam naquela povoação como dos visitantes. O património imóvel e as alterações climáticas têm uma sinergia muito grande entre si e isso pode contribuir para posicionar o património como um activo. O património cultural não é nada que pertence ao passado e que está imóvel, mas começa a ser considerado um activo cultural para o futuro.

No caso de Lai Chi Vun há essa classificação, mas o plano concreto de requalificação parece demorar a ser concretizado. As autoridades vão conseguir dar resposta face às alterações do clima cada vez mais rápidas?

[É preciso tempo], estando vários organismos envolvidos [nesse processo], como é o caso do Instituto Cultural (IC) ou da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Os estaleiros em si são estruturas vulneráveis e estão muito degradadas e pode de facto acontecer isso. Há dois casos de estaleiros que já não existem e que serão conservados como zonas verdes. O resto precisa do seu tempo para acontecer. Penso que até ao final do ano uma parte destes estaleiros vai poder ser visitado e é possível assistir a essa recuperação. Ao longo do tempo [esse plano será concretizado], só espero que não ocorram mais incidentes como o Hato. Acredito que o IC está atento a essa situação e que a nova presidente, que tem uma formação na área da arquitectura e que esteve à frente deste departamento do património, está também atenta a essas questões. A população está sintonizada também com estas matérias.

Em relação aos novos aterros e à subida do nível das águas, acredita que os projectos habitacionais em curso já têm em conta essas alterações climáticas?

A cota que se vê mais quando se analisa as plantas cartográficas de Macau, das zonas planas e de aterro eram cotas de três a quatro metros acima do nível médio das águas. Sei que actualmente a cota dos novos aterros é de cinco metros, daí que tenha havido estudos nesse sentido e que evidenciam essa necessidade de olhar para uma subida do nível das águas e que dá uma maior margem de segurança. Tudo o que acontece na zona do Delta [do Rio das Pérolas] deve ser avaliado em conjunto em universidades e laboratórios de engenharia. O que me causa maior apreensão é a ocorrência de marés na zona do Porto Interior.

Estão a ser desenvolvidas algumas obras, mas acha que essas soluções são as ideais?

Já se falava da ocorrência de marés no século XVIII, XIX, já foram feitos muitos planos e nunca se chega a um consenso sobre a forma de organizar os diques para proteger o património. Se toda a baixa da cidade sofrer inundações sucessivas, qualquer dia não temos a possibilidade de manter a Macau que conhecemos. Estes novos aterros devem ser analisados em conjunto para que se tomem medidas a tempo. Sei que é uma preocupação referida no plano director de uma forma teórica, e tem de ser sinalizado na prática.

Sobre o plano director, está satisfeita com as respostas dadas quanto às alterações climáticas?

Este plano é uma cartilha de boas intenções e remete para a fase dos planos de pormenor para as 18 zonas. Seria demasiado cedo para avançar com propostas, mas em Macau é sempre demasiado cedo para se fazer qualquer coisa e quando se faz, muitas vezes já é tarde demais. O plano poderia ter incluído mais especificações em determinadas zonas e áreas. A proposta apresentada para discussão, e refiro-me mais ao relatório técnico, e que justifica algumas das opções tomadas, aparece agora no plano de uma forma mais aligeirada. Remete-se para os planos de pormenor e ficamos na expectativa sobre quando é que eles serão finalizados. Não há um planeamento nesse sentido e essa deveria ser uma adenda a fazer ao plano director, para que fosse especificado um calendário para esses planos de pormenor, e quais são prioritários para o desenvolvimento, nunca perdendo uma visão de conjunto com os transportes, serviços e educação da população.

 

Debate no CCCM 

A palestra que Maria José de Freitas deu esta quarta-feira intitula-se “Alterações Climáticas e o Património Imóvel em Macau: Mitigação dos Impactos” e integrou um ciclo de conferências da primavera que o Centro Cultural e Científico de Macau, em Lisboa, está a organizar num formato híbrido. Até este sábado será possível assistir a palestras inteiramente dedicadas a Macau e a várias áreas de estudo. O programa completo e link Zoom poderá ser consultado no website https://www.cccm.gov.pt/conferencias-da-primavera/

Novo Presidente sul-coreano preparado para dialogar com Pyongyang

O Presidente eleito sul-coreano, o conservador Yoon Suk-yeol, afirmou hoje que vai manter a janela de diálogo com Pyongyang “sempre aberta” e prometeu reforçar a cooperação militar com Washington, depois de vencer as eleições presidenciais.

Yoon apresentou-se hoje como o Presidente eleito da Coreia do Sul, com um apelo à “unidade” e ao “senso comum”, depois de obter uma vitória muito apertada nas eleições, realizadas na quarta-feira após uma campanha eleitoral marcada por diversos escândalos.

O líder do Partido do Poder Popular (PPP) conquistou a vitória eleitoral contra o liberal Lee Jae-myung, do partido no poder, por menos de 250 mil votos (0,73%), a menor margem registada em escrutínios livres nos últimos 35 anos na Coreia do Sul.

Yoon chegou ao poder depois de adotar um tom mais duro com o regime da Coreia do Norte do que o do presidente cessante, Moon Jae-in, que promoveu o degelo na relação entre os dois países vizinhos e facilitou as negociações com os Estados Unidos da América (EUA), para a desnuclearização da península coreana.

O Presidente eleito afirmou hoje que procurará fortalecer as defesas nacionais para dissuadir o regime de Pyongyang de qualquer “provocação”, além de reforçar a cooperação na área da Defesa com os EUA.

Yoon, que durante a campanha falou de “ataques preventivos” contra o Norte, alertou hoje que “responderá severamente” se Pyongyang tomar “ações ilegais ou irracionais”, embora tenha acrescentado que “sempre deixará a porta aberta para o diálogo”.

A sua vitória eleitoral ocorre após o regime de Kim Jong-un testar várias armas, incluindo mísseis hipersónicos e projéteis balísticos de alcance intermédio.

A imprensa oficial norte-coreana, que ainda não comentou o resultado eleitoral no Sul, noticiou hoje uma visita de Kim às instalações aeroespaciais nacionais para supervisionar um programa de desenvolvimento de satélites destinados a espionar os EUA e os seus aliados.

O desenvolvimento de satélites de vigilância e de recolha de informações foi uma das medidas aprovadas no congresso norte-coreano de partido único, em janeiro de 2021, junto com outras, para ampliar o arsenal do país, o que sugere uma estratégia de longo prazo para tentar forçar o regresso das negociações com Washington, independentemente de quem governa em Seul.

Horas depois de se proclamar vencedor das eleições, Yoon Suk-yeol conversou por telefone com o Presidente dos EUA, Joe Biden, que o congratulou pela vitória e expressou o desejo de aprofundar uma aliança bilateral, que definiu como o “eixo da paz, segurança e prosperidade no Indo-Pacífico”.

Ambos também se comprometeram a “manter estreita a coordenação na resposta às ameaças representadas pelos programas nuclear e de mísseis da Coreia do Norte”, segundo a Casa Branca.

Um dos aspetos específicos em que os aliados podem reforçar as suas capacidades conjuntas é a implantação de sistemas de mísseis THAAD adicionais em território sul-coreano, mas que pode aumentar as tensões com China, que considera esses escudos como uma ameaça à sua segurança nacional.

O líder conservador, que deve assumir o cargo em 10 de maio, disse hoje que aspira construir uma relação de “respeito mútuo” com Pequim.

Em relação ao Japão, um país com o qual os laços se deterioraram nos últimos anos devido a disputas relacionadas à ocupação japonesa da Coreia antes da Segunda Guerra Mundial, Yoon disse que trabalhará para alcançar um “relacionamento que olha para o futuro”.

O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, felicitou hoje Yoon e defendeu relações “saudáveis” entre Tóquio e Seul.

Ucrânia | China alivia controlos cambiais para acelerar queda do rublo face ao yuan

A China está a relaxar os controlos cambiais, para permitir que o rublo russo caia mais rapidamente em valor, em relação à moeda chinesa, o yuan, visando isolar Pequim das sanções económicas a Moscovo.

A margem pela qual o rublo pode flutuar em relação ao yuan, nas negociações diárias controladas pelo Estado chinês, dobrará para 10%, acima ou abaixo do preço de abertura no respetivo dia, a partir de sexta-feira, anunciou o Sistema de Comércio de Câmbio da China.

O rublo perdeu cerca de 40% do valor, desde que os governos ocidentais cortaram alguns bancos russos do sistema internacional de pagamentos SWIFT em retaliação pela invasão à Ucrânia, em 24 de fevereiro. O banco central da Rússia foi impedido de usar as suas reservas em moeda estrangeira para defender a taxa de câmbio.

A China evitou juntar-se a outros governos na condenação à invasão e criticou as sanções ocidentais. As empresas chinesas não dão sinal de estarem a reduzir as suas operações na Rússia, mas economistas dizem que provavelmente tentarão tirar proveito da pressão sobre Moscovo para fechar melhores negócios, na aquisição de ativos, por exemplo.

Manter a taxa de câmbio estável exigiria que o banco central da China subsidiasse os compradores russos de produtos chineses, dando-lhes mais yuan pelos seus rublos, face ao valor da moeda russa atualmente determinado pelos mercados. Esta última mudança permite que as taxas de câmbio chinesas acompanhem as abruptas flutuações diárias do rublo.

China combate novo surto de covid-19 com abordagem mais selectiva

A China está a enfrentar uma nova vaga de infecções por covid-19 com bloqueios selectivos, e outras medidas, que sugerem um alívio das restrições face à estratégia de “zero casos” usada até recentemente.

Em Hong Kong, que registou mais de 58.000 novos casos nas últimas 24 horas, barbearias e salões de beleza foram reabertos. Isto ocorre apesar de mensagens contraditórias do Executivo da região, que foi ordenado a seguir a abordagem de “tolerância zero” à covid-19 usada no continente.

Os 402 casos de transmissão local registados na China, nas últimas 24 horas, foram o quádruplo do número de casos registados há uma semana. Entre esses cases, 165 foram detetados na província de Jilin, no nordeste da China, sobretudo nas cidades de Changchun e Jilin, onde as autoridades municipais isolaram 160 comunidades residenciais.

Foram ainda concluídas três rondas de testes em massa em Jilin. As ligações de transporte intercidades foram suspensas e todos os moradores aconselhados a ficar em casa até que o número de casos diminuía.

Negócios não essenciais e áreas de recreação foram encerrados.

Motoristas e passageiros de carros particulares, autocarros e táxis, que entram ou saem de Changchun, devem apresentar testes negativos para o coronavírus realizados nas últimas 48 horas.

As autoridades atribuíram o surto à variante Ómicron, que é altamente contagiosa. Desde sexta-feira passada, a China diagnosticou 1.200 casos em todo o país.

Mas as medidas preventivas agora aplicadas são menos rígidas do que no passado, num possível sinal de que a China está a começar a relaxar a sua abordagem de “tolerância zero” à pandemia. Em janeiro, a China bloqueou cidades inteiras, afetando milhões de pessoas.

No relatório anual sobre o trabalho do Governo, entregue no sábado à Assembleia Nacional Popular, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, disse que o país precisa de “refinar constantemente a contenção da epidemia”, mas não deu nenhuma indicação direta de que Pequim vai abandonar a estratégia de “tolerância zero”.

A líder de Hong Kong, Carrie Lam, disse na quarta-feira que reduzir o número de mortes é a prioridade da cidade, enquanto um plano de testes em massa foi suspenso. Estava planeado para este mês, mas Lam disse agora que não há um prazo definido.

Para reduzir as mortes pelo vírus, Hong Kong está a dedicar um hospital ao tratamento de pacientes de covid-19, através da transformação de enfermarias gerais e da construção de um hospital de emergência, que contará com profissionais médicos do continente.

Exército chinês promete “tolerância zero” com “actos separatistas” de Taiwan

O Exército de Libertação Popular (ELP) da China “nunca vai tolerar actos separatistas” de Taiwan, ou a “interferência de forças estrangeiras” no território, apontou hoje o seu porta-voz, Wu Qian, citado pela imprensa oficial.

Wu disse que os exercícios militares, que as Forças Armadas da China realizam frequentemente nas áreas próximas de Taiwan, “não visam de forma alguma os compatriotas de Taiwan”, mas sim combater “atividades separatistas” e a “interferência estrangeira”.

O porta-voz apontou o Partido Democrático Progressista (PPD), atualmente no poder em Taipé, como a causa da “tensão”, devido às suas “atividades separatistas”.

Wu, porta-voz da delegação do ELP na Assembleia Nacional Popular, o órgão máximo legislativo da China, cuja sessão plenária anual está a decorrer em Pequim, destacou que a “questão de Taiwan é um assunto interno da China”.

O porta-voz alertou que, “quanto mais os Estados Unidos e o Japão agitarem a questão de Taiwan, mais duras serão as nossas ações para proteger a soberania e a integridade territorial”.

China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas.

Taiwan é também uma das principais fontes de tensão entre a China e os Estados Unidos. Washington é o principal fornecedor de armas de Taiwan e seria o seu maior aliado militar no caso de guerra.

Parte 6. Ang Lee: A doçura do vinagre

O Cinema é um formato belo e único. É simultaneamente um jogo e um transformador desse mesmo jogo. Nesta série, a autora e pensadora visual, Julie Oyang, apresenta 12 realizadores chineses, as suas obras e as suas invenções estéticas, que acabam por se revelar as invenções estéticas de antigos filósofos.

 

Surgiu como um dos realizadores mais versáteis, populares e aplaudidos pela crítica. Reconhecido pela capacidade de transcender fronteiras culturais e estilísticas, Ang Lee (n. 1954) construiu uma obra diversa, que inclui filmes que falam de choques culturais e globalização Eat Drink Man Woman, 1994, The Wedding Banquet, 1993), o drama de época Sense and Sensibility, 1995, o épico de artes marciais Crouching Tiger, Hidden Dragon, (2000), o filme a partir da banda desenhada Hulk, 2003, o western Brokeback Mountain, 2005, e a aventura mágica em 3D The Life of Pi, 2012.

Lee vai beber tanto à tradição filosófica oriental, como à tradição filosófica ocidental, para abordar as suas temáticas. Neste artigo vamos focar-nos na forma como ele “negoceia” os pontos de vistas orientais no universo do cinema e como de forma criativa trata questões sensíveis em Brokeback Mountain.

O filme, realizado em 2005, é uma adaptação do romance de Annie Proulx sobre a relação intensa entre dois cowboys, que se conhecem enquanto pastoreiam gado numa montanha do Wyoming, em 1963. Tanto o filme como o romance realçam a natureza complexa da relação emocional e sexual entre eles ao longo de vinte anos, durante os quais lutam contra a desaprovação social e tentam manter viva a chama do primeiro encontro.

Contudo, o filme de Lee interliga o género western com a filosofia oriental, o que permite que os espectadores vejam a homossexualidade sobre uma nova perspectiva.

A representação tradicional do cowboy no Ocidente corresponde ao arquétipo heterossexual. Esta representação vai sem dúvida colidir com o conceito “queer” de género e sexualidade. Mas em vez de reproduzir o arquétipo ocidental ou o conceito “queer”, Brokeback Mountain transporta o western numa direcção diferente e inovadora.

Em formato cinematográfico, Lee ajuda-nos a compreender a simbiose entre o conceito primordial de amizade e o conceito de ren: o ser humano enquanto ser social e não como um objecto que consome e é consumido pela sexualidade. Quando a noção de género pré-determinado está ausente, não existe necessidade de um conceito “queer” para explicar a homossexualidade.

Para ilustrar a ancestral tolerância chinesa em relação às preferências sexuais, que não coloca um rótulo na homossexualidade, vamos examinar uma conhecida pintura chinesa, os Provadores de Vinagre.

A composição alegórica leva-nos a compreender como o Taoísmo difere das outras crenças. Os Provadores de Vinagre reproduz três homens em torno de um barril de vinagre. Cada um deles representa um dos três pilares da sabedoria chinesa – o Confucionismo, o Budismo e o Taoísmo – e o vinagre representa a “essência da vida”.

Um dos homens, Confúcio, reage como se tivesse provado algo azedo, o segundo, Buda, reage como se tivesse provado algo amargo e o último, Lao Zi, reage como se tivesse provado algo doce. O Confucionismo considera a vida azeda, necessitada de regras para corrigir a degeneração humana. O Budismo diz-nos que a vida é amarga, cheia de dor e sofrimento, causados por uma ligação excessiva aos bens e aos desejos materiais. O Taoísmo vê a doçura da vida porque a considera perfeita no seu estado natural.

Citações famosas de Ang Lee para reter na memória:

• De facto, o medo torna-nos genuínos.
• Gosto de pensar que não sou categorizável.
• Um filme é pura provocação. Não é uma mensagem, não é a afirmação de um ponto de vista.
• Cresci pacificamente, à maneira oriental. Resolvemos problemas facilmente e acreditamos na harmonia. Reduzimos os conflitos, obedecemos a ordens até ao dia em que somos nós a dá-las.
• A luta de identidade representou um papel importante na minha vida.

A NÃO PERDER: 1993 The Wedding Banquet, 1994 Eat Drink Man Woman, 1997 The Ice Storm, 2000 Crouching Tiger, Hidden Dragon, 2005 Brokeback Mountain, 2007 Lust, Caution, 2012 Life of Pi

 

Julie Oyang é uma autora de naturalidade chinesa, artista e argumentista. É ainda colunista multilingue e formadora em criatividade. As suas curtas metragens foram selecciondas para o Festival de Vídeo de Artistas Femininas e também para a Chinese Fans United Nations Budapest Culture Week. Actualmente, é professora convidada da Saint Joseph University, em Macau. Gosta especialmente de partilhar histórias inesperadas, contadas a partir de perspectivas particularmente distintas. Divide a sua vida entre Amsterdão, na Holanda, e Copenhaga, na Dinamarca.

Paulo Maia e Carmo: “Procuro não escrever ‘sobre’ a pintura chinesa mas ‘com’ ela”

Paulo Maia e Carmo, colaborador da primeira hora do Hoje Macau e especialista em pintura chinesa, revela as malhas que teceram a sua paixão e o papel de Macau nessa relação. Hoje é lançado o seu livro “Inquirições Sínicas”, na Fundação Rui Cunha, pelas 18:30, com apresentação de Shee Va

 

Como surgiu o seu interesse pela pintura chinesa?

Estando em Macau, frequentando as exposições, dado o meu interesse pela pintura em geral, caminhando ao acaso à procura de nada, encontrei numa exposição na rua do Campo, esta outra forma de pintura. O lugar de Macau, o seu viver quotidiano por ser tão diferente da experiência europeia, como que predispõe à disponibilidade. Vindo eu das margens do chamado e extinto «Império português», sendo por isso «estrangeiro aqui, como em toda a parte», a aparente «estranheza» das pinturas para um observador ocidental não foi uma barreira mas um infindável desafio para procurar entender.

O que encontra nela de mais fascinante?

Um modo de expressão que, com poucos meios e tão precários; um pincel, tinta preta, uma base de papel ou seda, é capaz de dizer tanto e de um modo essencialmente literário. Todas as paixões implicam também um desafio.

Sendo a cultura chinesa de difícil acesso, sobretudo em Portugal, como faz para a estudar e se manter informado?

Primeiro pelos livros de autores que, em linguas ocidentais, há muito estudam a pintura chinesa e que encontrei primeiro na Biblioteca de Arte da Fundação Gulbenkiam. Foi lá que li primeiro Osvald Sirén, James Cahill ou Pierre Ryckmans. Procuro, sempre que possível, não escrever «sobre» a pintura chinesa mas «com» ela, através da convivência diária com textos de celebrados escritores, poetas e pintores, mostrando o que eles mesmos disseram ao traduzi-los para a língua portuguesa. Hoje, através da Internet, é possível aceder às colecções de arte Oriental dos grandes museus, sobretudo americanos e chineses, e mesmo alguns europeus. As revistas internacionais da arte, sobretudo francesas, dedicam um espaço cada vez maior à actualidade da pintura da China.

Este livro, “Inquirições Sínicas”, sobretudo o título, tem um sabor borgesiano (de Jorge Luis Borges). Por quê?

Certamente há uma afinidade com Borges, um autor que desde a «periferia» se interessou pelas culturas dos outros. Sobretudo no conto O Aleph, existe essa analogia com o modo de fazer da pintura chinesa; dizer muito com muito pouco. Colocar a questão do lado da literatura também será adequado quando se observa por exemplo, um dos formatos com que se apresenta a pintura: o rolo horizontal cuja forma está tão próxima do aspecto arcaico de um livro. Também me interessou a própria palavra Inquirições: essa curiosidade, a vontade de saber ao olhar para as pinturas e depois anotar com cuidado o que se vai encontrando.

Se bem que as coisas mudem ao longo do tempo, que principais valores detecta entre os pintores chineses? O que procuram eles principalmente?

Como na poesia, desde o princípio da definição da arte os pintores buscaram fazer uma celebração, uma religação à natureza, a integração do homem no mundo, como colaborar no dinamismo do Mundo que se vai criando.

O lugar da figura humana, na maior parte da pintura chinesa, parece ser preterido em relação à natureza. Por quê?

O humano está do lado de quem faz, do erro da mão que procura representar o mundo visível. É o olhar para fora da pessoa. Naturalmente existe a pintura de retratos mas a chamada «pintura dos letrados» não tem a preocupação da exactidão, do espelho que se procura na representação da figura humana, está mais do lado alusivo da poesia.

Por que razão existe na China uma conexão tão forte entre poesia e pintura?

Sob o ponto de vista formal, são duas formas que se exprimem através do mesmo pincel. Depois há um jogo contrastante de sentidos de natureza literária que se completam: a pintura, por vontade de ser inacabada tende à elipse, à abstração, a poesia recorre aos procedimentos concretos de algo que se quer mostrar. Depois de Wang Wei, pintor e poeta, os autores de tratados vêm repetindo um aforismo que «a sua pintura é um poema e os seus poemas são uma pintura». E esse é o objectivo. Em termos de hierarquia de valores estéticos, o mais elevado é referido como xieyi, «escrever a ideia» e não mostrar as aparências.

Quais são pintores chineses que dizem mais à sua sensibilidade? E à sua razão (se é que podemos distinguir)?

Existem os clássicos, Guo Xi, Mi Fu, Huang Gongwang, Nizan, e depois Shitao, Gong Xian e muitos outros. Todos eles, por vezes de forma antagónica, mostram algo fundamental que agrada ao pensamento mas na composição do caracter yi para dizer «ideia», que resulta do pensamento, estão outros dois que significam «ouvir» e «coração». De modo que, observando com atenção, não há um pintor dos que tenho falado que não tenha uma pintura importante, que não mostre uma singularidade, um aspecto imperdível do seu olhar sensível sobre o mundo, que é a vontade afinal de todo o pintor .

Sabemos que viveu um período da sua vida em Macau. Que lembranças guarda desses tempos?

Quem bebeu da água do Lilau, sabe que a cidade já não é só um cenário exterior para vivermos, passa a ser um sentimento que vive dentro de nós. Foi para mim um tempo emocionante e de descobertas, os últimos que passei junto de meu pai, o lugar onde conheci a mãe de minha filha.

Gostaria de voltar?

Voltar é sempre um desejo.

Contrabando | Oito autorizações de permanência a TNR anuladas

Nos dois primeiros meses do ano, a polícia apreendeu quase metade da carga contrabandeada durante o todo o ano de 2021, num valor total de 12,25 milhões de patacas. Ao longo de Janeiro e Fevereiro, foram acusados 109 indivíduos de delitos relacionados com contrabando

 

Durante os primeiros dois meses do ano, os Serviços de Alfândega apreenderam 12,25 milhões de patacas em artigos contrabandeados em 75 casos detectados ao abrigo dos quais foram acusadas 109 pessoas.

Os números revelados ontem por José Pou, dos Serviços de Alfândega, em declarações à TDM – Rádio Macau, mostram uma tendência de subida no combate ao contrabando, tendo em conta que durante todo o ano passado foram acusadas 249 pessoas e apreendidos artigos no valor de 28 milhões de patacas. “Até Fevereiro desenvolvemos catorze acções de combate ao comércio paralelo, incluindo duas acções conjuntas transfronteiriças e em cooperação com Serviços de Alfândega de Gongbei, CPSP, IAM, e Serviços de Saúde e detectados 75 casos de violação envolvendo

A realidade do contrabando, com particular incidência na zona das Portas do Cerco, é um cenário habitual há muito tempo. Porém, este tipo de actividade clandestina voltou ao radar das autoridades depois de uma mulher que fazia contrabando nas Portas do Cerco ter testado positivo a covid-19 no final do mês passado.

As declarações de representantes dos Serviços de Alfândega e do Corpo da Polícia de Segurança Pública foram prestadas na sequência de um episódio do programa Fórum Macau, do canal chinês da TDM, onde vários ouvintes se queixaram que a prática de contrabando por pessoas que têm visto familiar para entrar em Macau se tornou uma ocorrência normal. Ma Chio Hong, da Divisão de Operações e Comunicações do CPSP, sublinhou que a aprovação dos documentos é da competência das autoridades chinesas, mas que o Executivo da RAEM reportou às suas congéneres no Interior da China a situação e reforçou o controlo e inspecção de quem passa as fronteiras.

Além disso, dados dos Serviços de Alfândega indicam que 20 por cento dos detidos por contrabando é residente de Macau.

Universo paralelo

Além de detenções e proibições de entrada no território, Lao Ka Weng, da Divisão de Investigação e Repatriamento, afirmou que nos primeiros dois meses de 2022 as autoridades anularam autorizações de permanência provisória a oito trabalhadores não residentes por suspeitas de contrabando.

Os tipos de produtos que mais circulam no mercado clandestino são produtos domésticos, electrónicos, telemóveis, computadores, componentes informáticos, vestuário de marca, alimentos, medicamentos, tabaco e plantas.

A página de Facebook do CPSP mostra fotografias de operações diárias de combate ao contrabando na zona das Portas do Cerco desde 2 de Março, um delito que até à descoberta de um caso positivo de covid-19 beneficiou de relativa complacência das autoridades. Por exemplo, o balanço da criminalidade de 2021 divulgado na semana passada não menciona actividades de contrabando ao longo das suas 97 páginas.

IAM | Ligação de ciclovias da Taipa à Flor de Lótus em estudo

Apesar de as estimativas iniciais apontarem para que as obras ficassem concluídas no ano passado, o presidente do Instituto para os Assuntos Municipais admite estar ainda à espera de pareceres para arrancar com a construção

 

O Governo está a ponderar criar uma ponte para fazer a ligação entre as ciclovias da zona de lazer da Marginal da Taipa e a ciclovia Flor de Lótus. A revelação foi feita por José Tavares, presidente do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), em resposta a uma interpelação do deputado Lei Chan U.

As autoridades acreditam que a ponte é a melhor solução para encontrar um equilíbrio entre a passagem das bicicletas e as embarcações que navegam no local. “Devido à localização da conexão entre as duas ciclovias estar situada na foz da zona de embarcações de recreio de Coloane, a forma mais adequada para a ligação entre ambas seria uma ponte”, revelou José Tavares, presidente do IAM.

Nesta fase, as autoridades aguardam por um estudo “para decidir o grau de inclinação” porque consideram imprescindível “ponderar a passagem de bicicletas e de barcos” no local e ser necessário avaliar “a questão do planeamento de vias navegáveis”.

Quanto ao andamento dos trabalhos, o IAM pediu pareceres “aos serviços competentes” sobre o design do projecto, e só depois vai ser possível fazer uma nova revisão para avançar com a execução das obras.

A resposta revela igualmente uma nova abordagem à ligação, uma vez que em 2018, também numa resposta a uma interpelação do deputado Lei Chan U, o IAM tinha admitido que estava mais inclinado para a construção de um viaduto naquela zona, em vez da construção de uma ponte.

Sem previsão

Quando escreveu a interpelação, Lei Chan U recordou o debate das Linhas de Acção Governativa de 2020, em que o Executivo tinha previsto que as obras iam ficar concluídas no final do ano passado.

No entanto, Lei também reconhece que no início deste ano, o IAM tinha reconhecido alguns atrasos em obras locais “devido à situação de pandemia”.

Por isso, o deputado voltou a questionar o IAM sobre uma data para as conclusões do trabalho. No entanto, em resposta, o presidente do IAM não se comprometeu com qualquer calendário, uma vez que o andamento dos trabalhos está dependente dos estudos dos “serviços competentes”.

Com a conclusão dos trabalhos, a ligação entre as ciclovias da zona de lazer da Marginal da Taipa e a Flor de Lótus vai ter 1,5 quilómetros. Esta extensão vai fazer com que os ciclistas tenham uma distância de 7,5 quilómetros para pedalar.

APN | Macaenses elogiam posição de Lok Po sobre identidade

Várias personalidades da comunidade macaense elogiaram o discurso de Lok Po na Assembleia Popular Nacional a propósito de uma maior integração dos macaenses na “nação chinesa”. O antropólogo Carlos Piteira acredita que terá havido alguma influência por parte da elite macaense para o assunto ser levado ao órgão legislativo chinês

Terão sido poucas as vezes que o tema da identidade macaense foi abordado nas reuniões anuais da Assembleia Popular Nacional (APN). Após Lok Po, director do jornal Ou Mun e representante de Macau neste órgão legislativo chinês, ter defendido uma maior integração dos macaenses na “nação chinesa”, o HM contactou várias personalidades da comunidade que se mostraram satisfeitas com o discurso.

Jorge Fão, dirigente da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), disse ter telefonado a Lok Po para lhe agradecer a referência. “Não esperava que houvesse alguém com a atenção de fazer uma proposta de que a comunidade é importante e deve ser protegida, cimentada e até reconhecida.” “Seria bom que a China promovesse a existência da nossa comunidade no continente. Aqui todos sabem da nossa existência, mas quem vive no interior da China, e falamos de 1,4 mil milhões de habitantes, poucos devem conhecer a nossa comunidade”, acrescentou.

Para Carlos Piteira, macaense e antropólogo, pode ter havido “alguma pressão ou influência de uma parte da ‘elite’ macaense, eventualmente da nova geração, para que o tema fosse levado à APN. Não antevejo que tenha sido uma iniciativa estritamente levada a ‘cabo’ pelo representante da RAEM”, defendeu. O discurso de Lok Po “só reforça e indicia que a RPC e o Governo da RAEM têm feito mais pela perpetuação da identidade macaense em Macau do que o Estado português”.

Neste sentido, Carlos Piteira pensa que há o risco de se “apagar uma parte da história da etnicidade macaense que realça a sua matriz portuguesa”, acabando esta por “ser absorvida pela ‘nação chinesa’”. Deixem-nos ser Em declarações à TDM, Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses, disse ter ficado “feliz” com a menção feita por Lok Po em Pequim.

“A comunidade macaense é única e identificou-se muito tempo com Portugal, mas nunca se deixou de ligar à China. Não é verdade quando o Lok Pok diz que depois da transferência de Soberania os macaenses reconheceram a RPC, sempre o fizemos”, acrescentou. Para o advogado e dirigente associativo, é importante que a comunidade macaense mantenha a sua essência. “É importante que nos deixem ser como sempre fomos. Se as novas gerações de macaenses se querem considerar como uma das etnias chinesas, essa é uma questão da nova geração.”

Para o deputado José Pereira Coutinho, a integração dos macaenses aconteceu logo no primeiro ano de existência da RAEM, quando muitos optaram pela nacionalidade chinesa. “Muitos já exercem cargos de responsabilidade na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, temos macaenses bem integrados e entrosados em várias associações que têm óptimas ligações sociais na RPC.”

Coutinho frisou que essa integração “é uma evolução gradual que está a acontecer em Macau”. “Com o aparecimento da covid-19 têm saído muitos portugueses de Macau. Portanto, é uma evolução natural que só traz benefícios para Macau”, adiantou o deputado.

Jorge Fão confessou também ao HM que, no próximo mês, será realizada uma assembleia- -geral na APOMAC, sendo proposta a oferta de uma lembrança a Lok Po pela sua menção aos macaenses na APN. “A nossa associação não pode ‘condecorar’ ninguém, mas esta lembrança serve para mostrar o nosso agradecimento. Como membro da comunidade macaense gostava de lhe agradecer em público.”

Serviços de Saúde defendem princípio de patriotas no poder

Alvis Lo considera que os jovens de Macau têm de defender activamente os interesses nacionais e contribuir para o princípio Um País, Dois Sistemas da Nova Era

 

Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde de Macau (SSM), elogiou o discurso de Li Keqiang na abertura da reunião anual da Assembleia Popular Nacional, por ter sido mencionada pela primeira vez o novo princípio da região de Macau governada pelos patriotas. A mensagem foi deixada através de uma entrevista ao jornal Ou Mun, publicada ontem.

Segundo Alvis Lo, o facto de o primeiro-ministro ter feito menção aos patriotas e apoiar a restrição do poder mostrou não só o grande cuidado das autoridades centrais com Macau, mas também a esperança da redefinição do Um País, Dois Sistemas para uma nova época.

Enquanto presidente da Federação de Juventude de Macau, Alvis Lo considerou que os jovens têm a missão de construírem o princípio Um País, Dois Sistemas da Nova Época e que para isso têm de aprender “activamente o espírito das duas sessões, defender, de forma consciente, a soberania, segurança e os benefícios nacionais”.

O responsável garantiu igualmente que a Federação de Juventude de Macau apoia de forma incontestável e inquestionável a governação da RAEM, como sempre, e todos os trabalhos que focam a concretização do princípio “Macau governada pelos patriotas”.

O médico prometeu ainda fazer todos os esforços para a divulgação do espírito das duas sessões através das palestras e novos meios de comunicação. Sem facilitar Actualmente, por indicação dos Serviços de Saúde, as pessoas que viajam para Macau vindas do estrangeiro precisam de cumprir uma quarentena de 21 dias.

Quem vem de locais da China, como Hong Kong, com mais casos diários do que vários países estrangeiros, apenas cumpre uma quarentena de 14 dias. Alvis Lo frisou a necessidade de haver um reforço da prevenção da pandemia nas cidades fronteiriças, depois de Li Keqiang ter indicado que não se pode facilitar na prevenção da pandemia, durante o discurso da pandemia.

No entanto, o director dos SSM sublinhou ainda a necessidade de manter uma boa circulação entre Macau e Zhuhai, apesar da pandemia, para impulsionar a construção da zona de cooperação aprofundada, na Ilha da Montanha. Além de Alvis Lo, também a Associação dos Conterrâneos de Jiangmen veio a publico expressar o apoio pela concretização do princípio “Macau governada pelos patriotas”, garantindo que vai fazer acções de campanha para promover o espírito das duas sessões.

O presidente da associação, Ian Soi Kun, defende que a associação, como uma das maiores associações em Macau, continua a apostar fortemente na educação do amor à pátria. O presidente apontou ainda que associação vai incentivar os sócios jovens a aprender melhor a realidade nacional e impulsioná-los a participar na Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau.

José Manuel Duarte de Jesus, embaixador jubilado: “A diferença entre a China e a Rússia é enorme”

Ex-embaixador de Portugal em Pequim e Pyongyang, José Manuel Duarte de Jesus defende que a China tem mantido uma estratégia para a sua política externa semelhante desde 1949 e que precisa de um mundo estável para a sua sobrevivência. Quanto à situação na Ucrânia, o embaixador jubilado acredita que a China “está a fazer as coisas com grande subtileza”

 

Quando é fundada a RPC, em 1949, Mao Zedong passou a liderar um país ainda fechado ao mundo. Neste período como eram as relações externas chinesas?

Na conferência de Bandung [em 1975], Zhou Enlai, então primeiro-ministro chinês, delineia as grandes linhas que vão orientar a diplomacia chinesa e a política externa. É interessante ver que, no caso da China, comparando com a maior parte dos países, tem havido uma constância enorme na sua política externa.

Até aos dias de hoje.

Mesmo com os problemas que se colocam hoje com a Ucrânia, julgo que a linha básica é a mesma. Isso verifica-se no caso de Taiwan e até com os problemas de agora. As últimas declarações de Wang Yi [ministro dos Negócios Estrangeiros] sobre a Ucrânia não diferem muito da política estabelecida. Vimos que a China condena a invasão, mantém a sua ideia de multilateralismo, a defesa das grandes orientações da ONU. A sua abstenção nas votações manteve-se quando foi do problema da Crimeia. A ideia da China é evitar meter-se nas crises internas de outros Estados.

A China abstém-se, mas a comunidade internacional insiste numa tomada de posição. Isso vai acontecer?

Condeno absolutamente a invasão na Ucrânia. Mas uma coisa é condenar, outra é votar publicamente contra. A China já está a assumir alguma posição. Recentemente houve um longo telefonema da ministra dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia com Wang Yi. A China está a fazer as coisas com grande subtileza, está a ter uma intervenção no sentido de promover o diálogo, mas não o faz publicamente. O pragmatismo da China, no que diz respeito à política externa, é imenso. Duvido que a China torne pública uma posição. Temos de ter alguma atenção a estas coisas que se vão dizendo, nomeadamente da grande aproximação entre a Rússia e a China.

Porquê?

Temos de ser prudentes. A China baseia-se, além de Karl Marx e Lenine, na filosofia antiga. E lembro-me muito, nesta situação, de uma coisa que Confúcio escrevia e que se aplica muito a esta situação, sobre a virtude, quando ele diz que sabe harmonizar-se com o outro quando esse outro é diferente, mas não o copia. Esta ideia está presente. A diferença entre a China e a Rússia é enorme.

E sempre foi.

A aproximação [dos dois países] é pragmática. Julgo que tentar uma harmonia não é copiar o modelo. É difícil entender a China quando não se tenta entender um pouco do seu passado cultural, e que comanda muitas das reacções que a China tem no mundo.

A Rússia é hoje uma oligarquia, afastada dos ideais do comunismo. Mas a China tem uma forte relação comercial com o país. Acha que esta relação poderá sofrer mudanças profundas nos próximos tempos?

É natural, suponho que todo o mundo vai sofrer mudanças. Vamos ter uma ordem mundial com fortes diferenças e ajustes. É difícil prever o que vai acontecer, mas estamos perante um modelo russo que é capitalista no pior sentido da palavra capitalismo. A dependência daquele senhor [Vladimir Putin] dos grandes oligarcas é enorme. A Rússia é fundamentalmente pragmática e nas relações externas o pragmatismo é a única ideologia da China. Daí digamos que haja uma grande vantagem para o diálogo e para a paz mundial. Pode ser um actor importante para ultrapassar clivagens.

No período da Guerra Fria dominavam dois actores, a URSS e os EUA. A China procurava uma outra via diplomática?

A China buscava para si um apoio no que, naquela altura, se chamava o Terceiro Mundo, a criação de um bloco que ultrapassasse os problemas entre os EUA e URSS. Tinha depois a Índia que queria fazer exactamente o mesmo, embora na altura nenhum deles [China e Índia] fosse ainda uma potência. A China teve uma evolução que lhe permitiu pôr em prática esse modelo a nível mundial com maior eficiência do que a Índia, que não conseguiu a mesma progressão tecnológica.

Com Deng Xiaoping o país abre-se ao mundo. A evolução económica do país teve um impacto na forma da China se relacionar com os outros países, com uma visão mais economicista?

Com certeza, sempre houve essa visão. Isso porque a China sempre foi pragmática e deu, desde a velha Rota da Seda até à actualidade, um valor especial às relações comerciais no sentido de poder ultrapassar a problemática política. Essa tem sido sempre uma aposta grande na China. A URSS sempre quis vender o seu modelo político a outros países e isso ficou muito evidente no caso da guerra colonial nas antigas colónias portuguesas em África. Havia movimentos que estavam ligados à URSS que queriam copiar o seu modelo.

E que obtinham financiamento.

Exactamente. Sabemos que a China financia todos. A ideia é sempre esse pragmatismo e isso ajuda a China a ultrapassar clivagens ideológicas ou ligadas ao poder. Hoje assistimos a um novo bipolarismo, já não entre a URSS e EUA mas entre os EUA e China. Mas a China tenta sempre partir este modelo, às vezes consegue, outras vezes não.

Essa estratégia verifica-se em projectos políticos actuais como é o caso de “uma faixa, uma rota”, em que há um amplo investimento da China em diversos países. É uma cópia desse modelo no período colonial?

Acho que sim. E é algo que vem desde os tempos da velha rota da seda: pegar em todos aqueles que são inimigos da China e torná-los parceiros económicos. O modelo tem sido sempre o mesmo com adaptações às circunstâncias. Há aqui uma orientação milenar que a maior parte dos políticos e analistas se esquecem.

A análise que tem sido feita à diplomacia chinesa peca por não olhar para esse lado filosófico, essa base confucionista, e que é diferente de outros países?

Sim. Há sempre um erro, mas penso que Portugal é dos países que menos comete esse erro por ter uma experiência de 500 anos de convivência com o país através de Macau. Tenho alguns exemplos que aconteceram comigo, e fiquei abismado com frequência por ver até que ponto essa história ainda se reflecte no nosso diálogo. Esse modelo que criámos permanece, com altos e baixos, e Portugal deveria explorar mais, do ponto de vista diplomático, este vector.

Actualmente a China parece estar a usar a pandemia como uma ferramenta de soft power, e Xi Jinping tem usado muito o conceito do “socialismo com características chinesas”. Com base nestes dois factores, como olha para a estratégia diplomática de Xi Jinping para os próximos tempos?

Sou prudente nessas coisas, porque mesmo a China tem desvios nesse tipo de linhagem ideológica. O problema que está a acontecer, e que é grave, são as relações com os EUA. Vimos que o Trump teve uma política externa desastrosa para a imagem externa do país. Estava com esperança de que Joe Biden viesse dar uma volta a isso, mas infelizmente não deu.

Ou ainda não teve tempo para dar?

Agora é tarde demais para dar, e ainda por cima tem de lidar com problemas internos graves. Ele quer afirmar-se e nesse processo não quer dialogar, porque acha que dessa forma fica com uma imagem de fraqueza. Isso prejudica porque estamos perante dois pólos economicamente e tecnologicamente concorrenciais. Sem diálogo, o problema é grave e isso junta-se ao problema que temos hoje na Ucrânia. Penso que da parte da China há uma vontade real de diálogo, porque sem isso os problemas económicos podem agravar-se no país. A China está numa grande fase de desenvolvimento e para isso precisa de um mundo estável, a sobrevivência do país depende dessa estabilidade, pois permite-lhe ter relações vantajosas. Se há uma guerra ideológica isso prejudica gravemente a China.

Um cenário de guerra comercial com os EUA está afastado?

Infelizmente não está.

Em relação a Taiwan, paira o fantasma de um conflito armado?

Convém não confundir Taiwan com a Ucrânia, que não têm nada a ver um com o outro. Mais uma vez a política da China em relação a Taiwan foi sempre a mesma, que é afirmar que o território faz parte da China desde a dinastia Ming. A diplomacia chinesa tem sido basicamente a mesma, mas infelizmente a diplomacia americana tem sido um zigue-zague nos últimos anos. E há académicos a afirmar isso, incluindo o próprio Kissinger.
É difícil prever o que vai acontecer, porque vai depender muito da influência externa dos outros países. Teremos de ver qual vai ser a atitude dos EUA face a Taiwan. A China vai, de certeza, manter a posição de “wait and see” [esperar e ver] e não vai copiar o senhor Putin e invadir. Se não tivesse surgido o problema da Ucrânia a questão de Taiwan seria um dos maiores focos de tensão a nível mundial. Vamos ter esperança de que as coisas se resolvam com Taiwan de uma maneira diferente, porque Taiwan é hoje uma grande economia e já é diferente da região que era nos anos 70. É natural que o diálogo tenha de ter uma formulação diferente.

A Coreia do Norte condenou as forças ocidentais na invasão da Ucrânia. Sendo uma potência nuclear, tal como a Rússia, teme algum tipo de união entre os dois países para um maior poder nuclear?

Espero que isso não aconteça. Não vejo nenhum tipo de ligação possível entre Putin e Coreia do Norte, são actores radicalmente diferentes. Quando eu lá estava, um dos inimigos da Coreia do Norte era a URSS. Mas quando há inimigos comuns, a união entre adversários é relativamente possível, pelo que há sempre um perigo. Não podemos esquecer as quatro potências nucleares a Oriente e não podemos brincar com o fogo, com o louco da Coreia. A Coreia do Norte é mais um laboratório psíquico do que um Estado. Nunca vi nem vejo comparação com outro país. Mas quem tem um cão tem de saber lidar para que ele não morda.

 

Orador no CCCM

José Manuel Duarte de Jesus será um dos oradores no ciclo de conferências da Primavera organizado pelo Centro Cultural e Científico de Macau. No dia 31 deste mês irá apresentar a palestra “A construção de uma imagem externa na diplomacia da República Popular da China, desde Zhou En Lai até aos nossos dias”, que serviu de ponto de partida para esta entrevista. José Manuel Duarte de Jesus participa na qualidade de académico do Instituto do Oriente, ligado à Universidade de Lisboa.

Ucrânia | China envia ajuda humanitária, mantendo rejeição de sanções contra a Rússia

A China vai enviar ajuda humanitária para a Ucrânia, incluindo alimentos e bens de primeira necessidade, no valor de cinco milhões de yuans, enquanto se continua a opor às sanções impostas à Rússia.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Zhao Lijian disse, em conferência de imprensa, que um lote inicial foi enviado à Cruz Vermelha ucraniana, na quarta-feira, e que mais ajuda vai seguir, dentro do prazo “mais rápido possível”.

Zhao também reiterou a oposição de Pequim às sanções económicas impostas a Moscovo pelos países ocidentais.

“Empunhar o bastão das sanções a toda a hora nunca trará paz e segurança, mas causará antes sérias dificuldades às economias e meios de subsistência dos países em questão”, apontou.

O porta-voz disse que a China e a Rússia “vão continuar a realizar uma cooperação comercial normal, incluindo o comércio de petróleo e gás, no espírito do respeito mútuo, igualdade e benefícios mútuos”.

A China tentou culpar os Estados Unidos por instigar o conflito, citando a incapacidade de Washington em considerar adequadamente as “legítimas” preocupações de segurança da Rússia, face à expansão da NATO.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou pelo menos 406 mortos e mais de 800 feridos entre a população civil e provocou a fuga de mais de dois milhões de pessoas para os países vizinhos, segundo os mais recentes dados da ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.

Supremo Tribunal da China pede pena de morte para crimes contra mulheres e crianças

O presidente do Supremo Tribunal Popular da China, Zhou Qiang, propôs hoje endurecer as penas para crimes contra mulheres e crianças, considerando que nos casos mais graves deve ser aplicada a pena de morte.

O comentário de Zhou, citado pela imprensa local, foi feito perante a Assembleia Nacional Popular, o órgão máximo legislativo da China, que celebra esta semana a sua sessão plenária anual.

Segundo o jornal oficial Global Times, o presidente do mais alto órgão judicial do país asiático afirmou que, “para crimes que desafiam o mais essencial da lei e da ética, como os que prejudicam mulheres, crianças e idosos, a pena de morte deve ser aprovada, de acordo com a lei”.

O caso recentemente divulgado de uma mulher que foi vendida a um homem, que a manteve acorrentada durante anos, indignou a sociedade chinesa, que pediu punições mais severas e maiores esforços no combate ao tráfico humano.

Zhou prometeu “punições graves” por crimes de abuso sexual e tráfico e venda de mulheres e crianças.

Num relatório entregue em 2021 aos legisladores, Zhou observou que o Tribunal Supremo Popular emitiu 3.356 ordens de restrição para proteger vítimas de abuso.

O chefe da Procuradoria Popular Suprema, Zhan Jung, assegurou ainda que a perseguição ao tráfico de seres humanos continuará a ser rigorosa e prometeu empenho nos casos mais antigos de pessoas desaparecidas.

O tráfico de seres humanos é um problema persistente na China, agravado pela já revogada política do “filho único” e pelo consequente desequilíbrio entre os géneros, que fez com que, segundo o Banco Mundial, houvesse mais 42 milhões de homens do que mulheres em 2017.

Homens solteiros recorrem às vezes à compra de mulheres de partes remotas da China ou de países vizinhos, como o Vietname.

Nos últimos anos, tecnologias como a análise de DNA ou o reconhecimento facial têm contribuído para solucionar casos de venda de crianças e mulheres.

Ucrânia | Banco dos BRICS suspende transações financeiras na Rússia

O Banco do Novo Desenvolvimento, mais conhecido como o banco dos BRICS, anunciou a suspensão das operações na Rússia, um dos países que, juntamente com o Brasil, Índia, África do Sul e China, compõem os chamados BRICS.

“O banco do Novo Desenvolvimento [New Development Bank – NDB] aplica princípios sãos em todas as suas operações, conforme exposto nos Artigos de Princípio”, lê-se numa declaração de três linhas colocada no ‘site’ do banco. “À luz das incertezas e restrições em curso, o NDB suspendeu as novas transações na Rússia”, refere a mesma nota.

A declaração, consultada hoje pela Lusa e com data de quinta-feira, 3 de março, acrescenta ainda que “o NDB vai continuar a operar os seus negócios em conformidade total com os mais altos padrões de ‘compliance’ [cumprimentos dos regulamentos e boas práticas] enquanto instituição internacional”.

A sigla BRIC foi apresentada pela primeira vez por Jim O’Neil, no estudo de 2001 ‘Building Better Global Economic BRIC’, sendo acrescentada a África do Sul em 2010, mudando a sigla para BRICS.

Este grupo de cinco países representa cerca de 25% da riqueza mundial e entre 2003 e 2007 foi responsável por 65% do crescimento mundial, embora as trajetórias de crescimento muito diferentes desde então tenham levado a agência de notação financeira Standard & Poor’s, em 2019, a dizer que o acrónimo já não faz sentido.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que, segundo as autoridades de Kiev, já fez mais de 2.000 mortos entre a população civil.

Os ataques provocaram também a fuga de mais de 1,5 milhões de pessoas para os países vizinhos, de acordo com a ONU. A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.

Ucrânia | Xi Jinping pede “contenção máxima” em conversa com Macron e Scholz

O Presidente chinês, Xi Jinping, pediu ontem “contenção máxima” no conflito na Ucrânia, durante uma conversa por telefone com os líderes de França e Alemanha, Emmanuel Macron e Olaf Scholz, respetivamente, informou a televisão chinesa.

A China, que mantém boas relações com Moscovo, recusou, até agora, falar de uma invasão da Ucrânia, lamentando apenas o conflito, ao mesmo tempo em que disse “compreender” as preocupações de segurança russas.

Segundo a cadeia televisiva estatal CCTV, Xi Jinping disse que a China estava “profundamente entristecida por testemunhar uma nova guerra no continente europeu”.

“Desejamos pedir a maior contenção para evitar uma crise humanitária em grande escala”, acrescentou, sem denunciar a ofensiva lançada, em 24 de fevereiro, pelo Presidente russo, Vladimir Putin, contra o país vizinho.

Xi Jinping disse “apreciar os esforços da França e da Alemanha para atuar como mediadores” e garantiu que Pequim também está pronta para desempenhar “um papel ativo”.

“Devemos juntos apoiar as negociações pela paz entre a Rússia e a Ucrânia”, afirmou. A China “está pronta para fornecer ajuda humanitária à Ucrânia”, acrescentou.

O Presidente chinês repetiu a oposição do seu país às sanções internacionais, dizendo que as medidas tomadas contra Moscovo “causarão danos a todas as partes”.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que, segundo as autoridades de Kiev, já fez mais de 2.000 mortos entre a população civil.

Os ataques provocaram também a fuga de mais de dois milhões de pessoas para os países vizinhos, de acordo com a ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.

Vladimir Maiakovski

Seria então cometer duplo suicídio colectivo se neste instante – Hora do Mundo – deixássemos de lembrar o que define a qualidade dos povos, os poetas que lhes nascem. Este é um Vladimir para a eternidade (se a houver) e alguém de uma exasperante beleza. Nasceu na Geórgia, como Estaline, parecendo-nos duro, grave e cheio de magia- é Maiakovski- o agente da transformação poética do século XX; revolucionário, futurista, coração gigante e tudo o mais que o melhor englobou; é o rosto de um século espectacularmente fecundo, logo a abrir num arrebatamento que transfiguraria para sempre as sociedades, essas imponderáveis organizações que podem capitular repetidamente o seu pior, esquecendo o quanto de bom lhes assiste.

O Futurismo russo separa-se do italiano por vertentes bem mais refinadas e labirínticas, pois que nele o fascismo não entrou, como foi o caso do primeiro, e foi todo ele feito numa utópica capacidade de mudança sem mencionar os dotes tecnológicos de impactante frieza logo a abrir e, por isso, o grito Maiakovski ” exigimos respeito pelo direito dos poetas (…) a uma raiva irreprimível existente antes deles; a arrancar com horror da fronte orgulhosa a Coroa, feita por vós duma vassoura de ramos e duma glória de dois patacos”, estando destruídas as conveniências de qualquer composição idólatra face aos regimes que sobre eles e pelas suas lutas avançariam.

Escandaloso! E pode ser a expressão exacta para definir tal comportamento em rota de colisão com a floresta de dogmas e tradições paradas mas, no caso do nosso Vladimir, tudo se tornaria bem mais exigente findo o arrebatamento deste primeiro embate. E ei-lo avançando com o rigor poético de sentido de missão, levando esta experiência da sua escrita a patamares de comoção e qualidade, quase insuperáveis.

Tem a alma do Império Russo estampado na fronte, este ser que ajudará a quebrar uma primeira etapa de um ângulo que nos parece lendário, e todos os regimes serão nesta perspectiva tão necessários quanto medonhos, disso temos experiências e certezas e, via Molotov, ver-se-ia pressionado por todo um dirigismo em matéria literária saído paradoxalmente da utopia que na sua paixão ajudara a edificar. Não irá permitir que o domem, ser preso uma vez mais e suicida-se. A construção do Homem Novo sofre revezes que os sonhadores desconhecem.

Transbordamos de manifestações políticas e pode ser este o momento da manifesta noção exacta da nossa pequenez, do nosso transtorno, do nosso atavismo, mas também isso nada quererá dizer face a monumentos como o poeta Maiakovski, que os povos devem ser lembrados e julgados pela qualidade dos poetas que lhes nascem e nada mais.

Reflectir o que nos trouxe a Hora amarga e não sublevar as conspiratórias doutrinas de uns e de outros, dado que as coisas grandes como bem disse Holderlin “os poetas o fundam”. Se os lêssemos, as guerras não seriam possíveis. Se com eles nos familiarizássemos, as agruras dos dizeres acabariam por ser esquecidas, mas o tempo ímpio devolve uma natureza imprópria para a paz. Que a guerra, pode ser feia, mas mais terrível é o nosso estranho estado de párias de uma dimensão desconhecida.

 

Um dia, quem sabe,
ela, que também gostava de bichos,
apareça
numa alameda do zôo,
sorridente.
Ela é tão bela,
que por certo, hão-de
ressuscitá-la.
Vosso Trigésimo Século
ultrapassará o exame
de mil nadas, […]
Ressuscita-me,
nem que seja só porque te esperava como um poeta

Carlos Morais José, autor: “A China é uma colecção de enigmas”

Hoje, terceiro dia da Semana de Cultura Chinesa do Hoje Macau, é lançado o livro de Carlos Morais José “Nove Pontos na Bruma – textos sobre a China”, na Fundação Rui Cunha, pelas 18:30, com apresentação de José Carlos Matias

 

Os temas abordados neste livro sobre a China vão do pensamento à poesia, da mitologia à história e à política contemporânea. Como é que isto acontece?

Talvez isso tenha a ver com o facto da minha formação académica ser em Antropologia, que é um saber que abrange todas as áreas humanísticas, todos os discursos possíveis sobre o Homem. Daí que, se juntarmos a isso a minha prática jornalística, torna-se evidente para mim que todos os campos das ciências sociais e humanas me interessam, pois procuro sempre uma visão transversal, por vezes, sintética dos problemas e dos temas. Por outro lado, talvez um lado mais íntimo, a produção literária sempre me acompanhou, daí que tenha igualmente inserido alguns poemas inéditos neste livro.

Quando nasceu o seu interesse pela China e os temas chineses?

Nasceu precisamente durante os anos 80 do século passado, quando estudava Antropologia, na Universidade Nova de Lisboa. Tive uma cadeira em que tive de ler o livro “La pensée chinoise”, de Marcel Granet. Esse momento foi uma revelação. Até então tinha somente estudado sociedades tribais, sem escrita, cujos dados eram meramente baseados na observação de etnógrafos. Nesse momento, descobri uma civilização complexa mas radicalmente diferente da minha, que tinha desenvolvido uma cultura baseada no texto e que me prometia o acesso a um saber outro, uma base da qual poderia também avaliar e julgar a minha própria sociedade.

Mas a vinda para Macau aumentou esse interesse?

Com a vinda para Macau e o contacto directo com os chineses, esse interesse aumentou, desenvolveu-se e, desde 1990, que tenho lido tudo o que posso e existe sobre história, cultura e literatura chinesa, sobretudo para compreender as bases culturais das pessoas que me rodeiam. Porque fazem as coisas assim e não assado, porque têm determinado tipo de atitudes e não outras, etc.. Aqui tive acesso aos clássicos chineses, através de colecções editadas no interior da China, sobretudo em inglês, que foram muito importantes para começar a entender o que para mim era obscuro.

Daí o título “Nove Pontos na Bruma”?

Para alguém de formação ocidental, greco-latina e judaico-cristã, o olhar sobre a China, devido à antiguidade, dimensão e complexidade da sua cultura, será sempre, de algum modo, embaciado (ver prefácio que aqui publicamos). Os juízos de valor que formamos num momento revelam-se frustres no momento seguinte. A China não é um mistério, é uma colecção gigantesca de livros policiais (risos). Quero dizer de enigmas, de paradoxos do nosso ponto de vista, de surpresas, de sobressaltos, de uma antiquíssima modernidade.

O livro começa com a definição de vários termos chineses…

Julguei ser fundamental um esclarecimento terminológico para evitar certos mal-entendidos que surgem com a tradução. Por exemplo, o conceito de Céu é radicalmente diferente na China. Aqui, quando se diz Céu não está a ser referida uma instância à parte, separada deste mundo onde nos encontramos, como acontece no Ocidente judaico-cristão. A partir de certa altura, há cerca de 2500 anos, o conceito de Céu é empregue com um significado próximo ao de Natureza no Ocidente. Noutras palavras, o Céu chinês é imanente e não transcendente e isso tem que ser imediatamente explicado para evitar confusões. Outro termo interessante é coração, em chinês xin. O pensamento chinês usa este termo para significar o lugar onde coexistem as emoções, a vontade, a moral e a razão. Não se trata, como explico no livro, de não existir uma distinção entre intelecto e paixões, racional e irracional. Trata-se de um pensamento que assume a razão circunscrita por valores que lhe prescrevem um objectivo. Os chineses assumem que os discursos estão sempre impregnados de valores, o que é fundamental para compreender esta cultura.

Depois passa para o confucionismo, a mitologia, os símbolos e a história.

Sim. O confucionismo constitui a base fundamental da ética chinesa. Embora alguns regimes o tenham tentado abolir, o confucionismo resistiu sempre e sempre renasce das cinzas como aconteceu agora nas últimas décadas, embora também sempre adaptado às novas circunstâncias. Daí que seja fundamental, para quem se interessa pela China, ter algumas noções deste sistema de pensamento. A mitologia é uma velha paixão minha, talvez devido à sua proximidade com a poesia: algo difícil de explicar, mas que a mim, intuitivamente, me surge claro. E a história ajuda-nos a perceber o percurso de uma civilização e compreender melhor os avatares do presente.

Já está há 30 anos em Macau. Isso proporcionou-lhe uma visão mais aproximada deste país?

Sim e não. Na verdade, existem muitas Chinas. Tanto na diacronia como na sincronia, a China é um país, uma civilização, uma cultura, muito variada e diversa no seu interior. Macau é um caso à parte porque se desenvolveu sempre em conjugação com uma influência estrangeira muito forte. Ou seja, os valores aqui presentes diferem dos que se encontram no interior e quem julgar que conhece a China e os chineses porque conhece Macau, está redondamente enganado. É por isso que me rio interiormente quando oiço alguns portugueses residentes dizerem coisas como “os chineses isto e os chineses aquilo”. Na verdade, estão meramente a tomar uma folha, nem sequer uma árvore, pela floresta; ou mesmo a nuvem por Juno, se é que me faço entender.

Mais ou menos. Quer dizer com isso que a comunidade portuguesa não percebe nada da China?

Na maior parte dos casos, sim; apesar de existirem honrosas excepções. Infelizmente, muitos dos que aqui vivem parece que nunca saíram das suas terrinhas, com a vantagem de terem uma vida bastante mais desafogado, o que nem sempre lhes desperta os melhores instintos (risos). Contudo, existe um tipo de conhecimento intuitivo que se vai formando com o contacto mais próximo. Alguém disse que compreenderia melhor a Grécia se conversasse duas horas com Platão do que se lesse todos os livros alguma vez escritos sobre a civilização grega e eu acredito nisso. Mas este contacto que aqui existe, na maior parte dos casos, é demasiado sustentado por preconceitos que funcionam como uma espécie de antolhos narcísicos que não lhe permitem ver o outro e convocam de imediato o julgamento, um juízo de valor muito pouco fundamentado.

Como dar a volta a isso?

Citaria a frase de Lenine, “aprender, aprender, aprender sempre”. E, sobretudo, dotar-se de alguma humildade perante a diferença.

Prefácio
Visto de longe, o que é o País do Meio?
Nove pontos na bruma.
Li He

O poeta Li He costumava percorrer longas distâncias montado a cavalo e era, diz-se, capaz de escrever poemas enquanto cavalgava. Trazia consigo uma bolsa de pele comprida onde dormitava um rolo de papel, que ele extraía e utilizava sempre que a sua inspiração assim o exigia. Li He é conhecido pela estranheza dos seus escritos, povoados de seres fantásticos e visões alucinadas. Os dois versos em epígrafe poderiam ter sido escritos por um estrangeiro, que conhecesse algo da cultura do País do Meio.

Na numerologia chinesa, o nove, enquanto último dos algarismos solitários, é entendido como expressão da totalidade. Talvez por isso na China Antiga se concebia o país dividido em nove partes, rodeado de quatro mares.

E, contudo, envolto na bruma, com formas difíceis de discernir, de avaliar, no limite, de compreender.
Assim se sentirá sempre um estrangeiro perante o imenso mar da civilização e da cultura chinesa. Quanto mais nele penetramos, quanto mais dele retiramos alimento, mais nos damos conta da sua irredutível diferença e da complexidade das ondas que a História atira contra a nossa frágil embarcação. Existem ilhas, é certo, onde podemos desembarcar, secar as nossas roupas e fazer valer a nossa mercadoria. Mas é tarefa árdua, quiçá impossível, abarcar toda a sua extensão, consciente deslizar pela sua superfície enrugada de eventos ou impune mergulhar nas suas profundezas, onde coabitam anjos e monstros, seres de ontem e de amanhã, modos de estar e de pensar radicalmente diferentes.

É por isso com humildade que publicamos esta recolha de textos sobre a China, sabendo que apenas esgravatamos, que somente possuímos uma visão parcelar e distorcida de uma realidade ímpar na história da humanidade. E fazemo-lo porque, apesar disso, é importante que hoje, quando o País do Meio volta a ocupar o seu lugar cimeiro entre as nações, o mundo lusófono esclareça, pouco a pouco, a sua visão, que as suas impressões se refinem, adquiram profundidade e conhecimento.

Afinal, foi a nossa língua que batizou esta civilização com o nome pela qual hoje é conhecida: China. Haviam os portugueses desembarcado na Índia, lá pelo século XVI, quando, entre as muitas maravilhas que encontraram, se depararam com mercadorias ditas das “terras de Qin*”, o nome da dinastia que pela primeira vez unificou aquele extenso território no ano de 221 a.E.C..

A partir de então, os portugueses passaram a referir-se ao País do Meio ((ÖÐ國 Zhongguo) como China, no que foram seguidos pelos outros povos europeus. Através da cidade de Macau, foi possível, sem recurso a guerras ou uma verdadeira ocupação colonial, aqui permanecer, mercadejar, viver, amar e morrer até aos nossos dias.

Somos os estrangeiros consentidos, muitos de nós já parte das malhas que tecem este variado tecido, este imbróglio de gentes e culturas, este palimpsesto no qual a História escreveu uma das mais belas e inusitadas das suas páginas.

E, quinhentos anos depois, cá estamos, ainda em busca de maravilhas e terrores, de uma antiga sabedoria e de uma novel experiência, desfrutando da amizade, da tolerância e da compreensão do povo chinês. Ficam aqui estes textos, que não têm a pretensão de se constituírem como introdução, muito menos como cestos de verdades definitivas. Pelo contrário, não passam de um conjunto esparso de impressões, de conceitos, de traduções inacabadas, de análises imperfeitas, de reflexões incompletas, de uma realidade que, ontem, hoje e amanhã, insiste, na sua complexidade e diferença, em escapar-nos por entre os nossos dedos ávidos e incapazes.

Saiba disto o leitor avisado, mas não deixe por isso de viajar connosco e de tentar discernir alguma claridade nesta bela e esparsa bruma que, a um tempo, nos atrai e encanta, como um mundo desconhecido e por haver, a inquietar-nos algures nas partes mais recônditas da nossa própria vida e imaginação.

Receitas do jogo mantêm tendência de queda

As receitas brutas do jogo de Macau deverão cair 75 por cento em Março em relação aos níveis pré-pandemia, prevê a consultora Bernstein, de acordo com um relatório citado pela Rádio Macau. Em Março de 2019, as receitas do jogo tinham sido de 25,84 mil milhões de patacas, e a queda prevista implica uma redução para 6,46 mil milhões.

A consultora aponta como razões para a queda a estagnação da indústria na primeira semana de Março, devido a uma menor procura de viagens motivada pelo número crescente de casos de covid-19 em Hong Kong e na província de Cantão. Outro facto que afecta de forma negativa a indústria, é a realização das reuniões da Assembleia Popular Nacional, e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.

Segundo dados citados, as receitas brutas do jogo nos primeiros seis dias de Março totalizaram cerca de 1,1 mil milhões de patacas, menos 78 por cento do que mesmo no mesmo período de 2019, e 32 por cento abaixo dos valores do ano passado. No ano passado, em Março, as receitas foram de 8,31 mil milhões de patacas.

A consultora previu igualmente que as receitas continuem sob pressão, no curto prazo, mas mantém previsões optimistas quanto a uma recuperação acentuada, no longo prazo. Uma das razões que contribui para o optimismo é o regresso da emissão de vistos individuais e de grupo de turismo. No entanto, o Interior não indicou qualquer data para o regresso dessas emissões.

Ambiente | Emissões de gases do efeito estufa caíram 17 por cento

Apesar de o consumo de electricidade ter permanecido estável em 2020, no primeiro ano da pandemia, a redução das viagens de avião contribuiu de forma significativa para uma quebra nas emissões dos gases de efeito estufa

 

No primeiro ano da pandemia da covid-19, a emissão de gases do efeito estufa no território registou uma quebra de cerca de 17 por cento, de 6,13 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) para 5,05 mil toneladas de CO2. Os números constam de um estudo realizado pelos académicos To Wai Ming, da Universidade Politécnica de Macau, e Lam King Hang, da Universidade de Hong Kong, sobre relação entre o crescimento económico, o consumo de energia e a emissão de gases de efeito estufa.

A redução foi justificada com uma diminuição das viagens de avião da RAEM. A queda no consumo do combustível de avião foi de 78 por cento, de 344,7 milhões de litro por ano para 75,4 milhões de litro por ano.

“Os resultados indicam que em 2020 a queda nas emissões de gases do efeito estufa para 5,05 mil toneladas de CO2 e equivalentes se ficou a dever principalmente à redução do combustível de avião”, é justificado.

Segundo estes dados, em 2019, antes da pandemia, cada residente era “responsável” por emissões de 1,68 toneladas gases do efeito estufa.

O consumo de 75,4 milhões de litro de combustível por ano é o mais reduzido desde a transferência da soberania. Em comparação, em 2000 o consumo tinha sido de 106,9 milhões de litro por ano. Por contraste, o valor de 2019 tinha sido o mais alto de sempre, desde que há registos.

O combustível de avião tem por base a querosene, também conhecida como óleo de parafina. De acordo com os dados da Organização Internacional de Aviação Civil, por cada quilo de combustível de avião que é queimado durante uma viagem são libertados para atmosfera 3,16 quilos de dióxido de carbono, o que faz com que esta seja uma das principais razões da libertação dos gases do efeito estufa.

Menos energia

A pandemia levou igualmente a um menor consumo de energia tanto nas habitações, como nos casinos ou nos transportes que circulam no território. O consumo total de energia, gerado por diversas fontes, como gás natural, gasolina, gasóleo ou gás liquefeito, em 2019 foi de 46.632 terajoules para 32.1879 terajoules, em 2020, o que significa que houve uma quebra de cerca de um terço, 31 por cento.

No entanto, os autores reconhecem que no que diz respeito à produção de electricidade em Macau, há limitações muito claras face à expectativa de haver uma redução significativa dos gases do efeito estufa. Em causa, está o facto de a maioria da energia local ser produzida em Zhuhai, o que faz com que as emissões não entrem na estatística local.

A atestar este facto está o dado sobre a importação de electricidade, que sofreu uma alteração muito ligeira. Em 2020, foram importados de Zhuhai 17.459 terajoules de electricidade, quando em 2019 tinham sido importados 17,914 terajoules. A produção local foi de 2.025 terajoules, uma redução face a 2019, quando se tinham produzido na RAEM 2.987 terajoules.

Apesar das limitações, os académicos destacam que a pandemia teve um lado positivo ao mostrar que as fundações da economia local são frágeis. “A pandemia da covid-19 é uma bênção escondida porque vai permitir que Macau atravesse um período de recuperação climática e repense a estrutura económica”, sublinharam.

APN | Lok Po pede melhor integração dos macaenses na “nação chinesa”

Representante de Macau na Assembleia Popular Nacional defendeu que os macaenses devem ser apoiados a encontrar as suas raízes e integrar “a família da nação chinesa”. Para Lok Po, independentemente de virem a ser considerados como grupo étnico, os macaenses e a sua cultura devem ser apoiados para que Macau “não perca a sua identidade”, dado ser o local onde os povos chinês e português se encontram

 

O representante de Macau Assembleia Popular Nacional (APN), Lok Po, defendeu ontem, em Pequim, perante o vice-primeiro-ministro chinês, Han Zheng, que a comunidade macaense deve ser apoiada na tarefa de encontrar as suas raízes e que a sua integração “na família da nação chinesa” deve ser “melhorada”.

Segundo o vogal de Macau, é fundamental que a cultura macaense seja promovida e reconhecida no Interior da China, para que mais compatriotas tomem consciência das particularidades de uma minoria que tem mais de 400 anos e que deve ocupar “o lugar que lhe compete” entre a família da nação chinesa.

“Historicamente, portugueses e chineses juntaram-se e deram à luz crianças mestiças de origem portuguesa, normalmente conhecidas como macaenses. Com um estilo de vida diferente dos chineses, os macaenses fazem parte de uma paisagem única na sociedade predominantemente chinesa de Macau, originando costumes e uma cultura própria. Além de um dialecto específico [patuá] e de falarem várias línguas, os macaenses possuem uma gastronomia própria que mistura influências orientais e ocidentais. Esta mistura única de culturas faz parte das características de Macau”, disse segundo o jornal Ou Mun.

Lok Po apontou ainda que, apesar de muitos macaenses “amarem a terra onde os seus antepassados nasceram” e apoiarem a transferência de Macau para a China, sentem-se “embaraçados” pelas dificuldades que têm em encontrar as suas raízes no seio da “família da nação chinesa”. Como exemplo prático, o representante indicou o facto de, aquando do preenchimento de formulários oficiais, os macaenses não se enquadrarem nem na etnia Han, nem numa das outras 55 minorias étnicas da China. Isto, porque a opção “macaense” não consta da lista dos grupos étnicos oficialmente reconhecidos pelo país.

“Como integrar os macaenses é uma questão que se coloca desde a transferência de soberania. Se a cozinha macaense não está integrada na família da nação chinesa, então de onde provém? Como é que isto pode ser explicado e como podem os descendentes de portugueses e chineses identificar as suas raízes?”, questionou.

Reconhecimento e respeito

Para Lok Po, permitir que os macaenses integrem “o mais rapidamente possível” a família chinesa é um sinal de “reconhecimento” e uma “afirmação de respeito”, que irá contribuir para a estabilidade social de Macau e para que a comunidade viva no território “sem medo”.

O representante de Macau na APN frisou ainda que, independentemente, de a comunidade macaense poder vir a ser considerada uma etnia por parte da China, esta deve ser apoiada para que Macau não perca a sua identidade.

“Independentemente de virem a ser considerado como ‘grupo étnico’, a comunidade e a cultura macaenses devem ser apoiadas e promovidas. A gastronomia macaense faz parte da lista do Património Cultural Imaterial Nacional e o pastel de nata, por exemplo, é famoso e apreciado em todo o mundo. Além disso, a única língua nativa de Macau [o patuá] corre o risco de desaparecer se não for apoiada”, começou por elencar.

“Tudo isto faz parte da alma dos macaenses. Macau só é Macau porque é o local onde os povos chinês e português se encontram. Sem um deles, Macau perderá a sua identidade”, rematou, segundo o jornal Ou Mun.

Habitação Social | Candidaturas de 2017 colocadas até ao fim do ano

Os 3.280 agregados familiares que se candidataram em 2017 a uma habitação social vão ser todos colocados até ao final do ano. A estimativa é do Instituto de Habitação, em resposta a uma interpelação do deputado Lam Lon Wai

 

O Instituto de Habitação (IH) acredita que até ao final do ano todos os 3.280 agregados familiares que se candidataram em 2017 a uma habitação social vão ver os seus pedidos atendidos. A estimativa foi feita por Arnaldo Santos, presidente do Instituto de Habitação, na resposta a uma interpelação do deputado Lam Lon Wai.

“Prevê-se que seja concluída, em 2022, a atribuição de habitação social aos agregados familiares admitidos no concurso de 2017”, respondeu Arnaldo Santos, no documento divulgado ontem pelo deputado.

A resposta não menciona o número de candidaturas desse ano, nem quantos agregados têm de esperar quase cinco anos para poderem arrendar uma habitação pública a um preço acessível. Em vez disso, Arnaldo Santos pediu ao deputado Lam que consultasse o portal do IH para aceder aos dados.

Segundo um comunicado do IH, com a data de 19 de Julho 2021, entre as 6.354 candidaturas admitidas em 2017, 3.280 estavam habilitadas para terem acesso a estas habitações, ou seja, cerca de 60 por cento. De acordo com a mesma informação, a meio do ano passado cerca de 550 famílias candidatas ainda aguardavam por colocação.

Na altura, o Governo anunciava ainda que “o tempo médio de espera relativamente à candidatura a habitação social de 2017 foi de 420 dias (cerca de um ano e dois meses)”, e “o tempo máximo de espera foi de 870 dias (cerca de dois anos e cinco meses)”. As contas, não foram explicadas, assim como a data a partir da qual se contou o prazo.

Mudança de regras

Depois de 2017, e da alteração à lei da habitação social, as regras de atribuição deste tipo de habitação social mudaram. Em vez de serem abertos concursos periódicos para o arrendamento das fracções, passou a haver um mecanismo que permite os residentes com necessidades candidatarem-se em qualquer altura.

Na interpelação, o deputado Lam Lon Wai pretendia saber quantas pessoas se tinham candidato depois da entrada em vigor da nova lei e a situação das candidaturas que tinha sido aceites ou recusadas.

De acordo com a informação mais actualizada do portal do IH, entre 20 de Agosto e ontem, tinham sido apresentadas 4.640 candidaturas, das quais 2.151 foram aceites. Na resposta à interpelação, Arnaldo Santos explicou que estas pessoas só vão ter atribuída uma fracção pública depois de todos os processos de 2017 terem sido tratados.

Com base nos dados de Julho de 2017 e a informação disponibilizada pelo portal do IH, é assim possível assumir que cerca de 2.701 agregados estão à espera de acesso a habitação social. Contudo, o número pode ser menor.

Afastada, está a possibilidade de haver uma revisão dos critérios de acesso à habitação social, para seguir o modelo da habitação económica, em que os agregados com filhos têm prioridade.

Lam Lon Wai sugeriu a mudança, mas Arnaldo Santos reconheceu que as alterações não vão ser feitas: “Em relação à candidatura a habitação social de agregados familiares com elementos menores, não houve alterações significativas nos últimos cinco anos”, começou por explicar. “De acordo com a situação actual, não há, neste momento, planos para proceder à revisão do mapa de pontuação aplicável à aprovação da candidatura de arrendamento de habitação social”, acrescentou.

Dia da mulher | O impacto da pandemia e a menor representatividade política 

Celebrou-se ontem o Dia Internacional da Mulher, mas, em Macau, o desequilíbrio na representatividade de género permanece activo em vários sectores. As mulheres são, para Christiana Ieong, do Zonta Clube, as maiores vítimas do impacto da pandemia. Esta acredita que mais dias de licença de maternidade podem trazer problemas às trabalhadoras do sexo feminino. Nedie Taberdo Palcon, do Sindicato de Trabalhadores Migrantes das Filipinas, diz que as condições de vida e de trabalho das mulheres migrantes pioraram

 

Ser mulher em Macau no século XXI continua a significar não ter grande presença no sistema político, com cada vez mais jovens a procurarem um eterno equilíbrio entre a carreira e uma família. Ontem, celebrou-se o Dia Internacional da Mulher num contexto de pandemia que trouxe muitos impactos negativos à sociedade e à economia locais. Para Christiana Ieong, presidente da assembleia-geral do Zonta Clube de Macau, as mulheres foram as principais vítimas da pandemia.

“Penso que a pandemia afectou mais as mulheres porque normalmente elas precisam de cuidar da casa. Com a pandemia, a maior parte das famílias não teve ajuda no trabalho doméstico, e muitos pais tiveram de trabalhar em casa e cuidar dos filhos ao mesmo tempo.”

Para a responsável, a pandemia agravou uma situação que já antes se verificava. “Mesmo sem a covid-19, a nova legislação tornou mais difícil e caro contratar uma empregada doméstica. Isso não ajuda as mulheres a apostarem na carreira”, frisou.

Christiana Ieong acredita que, se as mulheres são as que mais sofrem com este panorama, tal implica uma mudança em toda a estrutura familiar. “Haverá mais problemas familiares porque há mais stress económico e mental, sobretudo num panorama de desemprego. Mas penso que, acima de tudo, temos sorte, se nos compararmos com as regiões vizinhas, como é o caso de Hong Kong. Temos sorte de termos um Chefe do Executivo forte e competente para liderar nestes tempos difíceis”, disse, num elogio a Ho Iat Seng.

Boa licença de maternidade

Christiana Ieong, que foi ontem uma das oradoras num evento dedicado ao Dia da Mulher promovido pelas câmaras de comércio do Reino Unido e Austrália em Macau, defendeu ainda ao HM que aumentar os dias da licença de maternidade pode ter um resultado negativo para quem busca uma carreira.

“Não é mau a fasquia de 70 dias de licença de maternidade em Macau, penso que é uma boa política. Se as mulheres tiverem mais dias de licença de maternidade ficam numa posição de menor vantagem em termos de recrutamento, porque os custos [laborais] para contratar mulheres vão aumentar. Não diria que o aumento dos dias de licença de maternidade pode não ser algo positivo para as mulheres e penso que a actual situação não é totalmente má. Os empregadores podem optar por contratar mulheres mais velhas, que têm menos possibilidade de engravidar.”

Esta posição é, por exemplo, contrária à que tem sido defendida pelos deputados ligados à Federação das Associações dos Operários de Macau, que pedem que as grávidas possam ter direito a uma licença de maternidade até 14 semanas, além de exigirem que os empregadores concedam, por dia, uma hora de trabalho para que as mães possam amamentar.

Sobre a igualdade de género em áreas como a política, a responsável defende que continua a haver um desequilíbrio. “Olhando para os dados e para a representação das mulheres na Assembleia Legislativa, vemos uma tendência de quebra. As mulheres têm menos voz na elaboração de políticas. Elas desempenham um papel muito importante nas famílias e, se tiverem uma maior representatividade, haverá um maior equilíbrio em termos de igualdade de género, o que leva a uma maior estabilidade social.”

Actualmente, o hemiciclo é composto por apenas cinco mulheres (Angela Leong, Ella Lei, Song Pek Kei, Lo Choi In e Wong Kit Cheng) num total de 33 deputados. Relativamente ao elenco governativo liderado por Ho Iat Seng, Elsie Ao Ieong U, com a tutela dos Assuntos Sociais e Cultura, é a única secretária no grupo de cinco.
Christiana Ieong pensa que mais mulheres em cargos de liderança significa maior igualdade na elaboração das leis, sobretudo em matéria laboral. “Haveria uma maior estabilidade se as leis fossem mais favoráveis às mulheres.”

Segundo a agência Lusa, a Associação Geral de Mulheres teve um aumento do número de pedidos de ajuda desde que a pandemia começou. Dos 337 pedidos feitos em 2019, passou-se aos 1.236 pedidos de ajuda no ano seguinte. No ano passado, houve uma ligeira redução de casos, para 904.

Ouvida pela Lusa, a ex-deputada e académica Agnes Lam também destacou um maior cenário de desigualdade de género. “A pandemia causou a algumas mulheres a perda dos seus empregos, perturbou o mercado de empregadas domésticas em Macau, aumentou as responsabilidades financeiras e familiares das mulheres, e dificultou a progressão das mulheres em Macau na carreira profissional, o que, de facto, afectará o progresso da igualdade de género”, salientou.

Migrantes sofrem mais

Se as mulheres parecem ter sido das principais vítimas da pandemia, as mulheres migrantes parecem ter sofrido ainda mais as consequências de cenários como a perda de emprego, quebra de vencimento e dificuldades económicas para continuarem em Macau.

“Penso que o primeiro grupo a ser atingido foi o dos trabalhadores migrantes, mas não tenho informação suficiente para falar sobre isto. Mas não surpreende o facto de os migrantes serem as maiores vítimas [da situação]”, frisou Christiana Ieong.

Nedie Taberdo Palcon, dirigente do Sindicato Verde dos Trabalhadores Migrantes das Filipinas em Macau, conta que a situação de enorme desigualdade verificada antes da pandemia se agravou nos últimos meses.

“Todos sabemos que há muitos trabalhadores migrantes, sobretudo domésticos, que perderam o trabalho durante a pandemia. A falta de protecção social destes trabalhadores continua a ser um a realidade. Vimo-nos forçados a deixar o emprego sem regalias ou pagamentos. Até hoje, não temos direito a um salário mínimo como sempre exigimos. O fim do contrato antes do seu termo tem sido gritante se o trabalhador decidir não continuar com o mesmo empregador. Mesmo que faltem apenas um ou dois dias para o contrato terminar, ele é imediatamente banido nos serviços de emigração, sem a possibilidade de poder encontrar outro emprego.”

Desta forma, Nedie Taberdo Palcon conclui que “os direitos dos migrantes continuam a não estar protegidos em Macau”. “Posso dizer que a situação é pior do que no passado. Os grandes problemas que os trabalhadores migrantes e as mulheres enfrentam hoje em dia estão ligados à mudança de emprego. Além disso, se o trabalhador ficar doente, é despedido pelo empregador para que este não tenha de suportar as despesas médicas. Desta forma, os trabalhadores vêem-se sem trabalho e com enormes despesas hospitalares para pagar, vivendo do apoio de doações feitas por associações e organizações não governamentais (ONG)”, adiantou.

Além das frágeis condições laborais, Nedie Taberdo Palcon pensa que as ONG que defendem os direitos dos trabalhadores migrantes têm hoje menos voz no diálogo com as autoridades.

“O Governo nunca nos ouviu ou convidou para qualquer consulta pública relacionada com os nossos direitos. Os nossos pedidos mais importantes passam pela revisão do nosso salário mínimo, do apoio financeiro para a renda de casa e cuidados de saúde e outras questões às quais continuam a fazer ouvidos moucos e olhos cegos”, rematou.

Na liderança

Teve ontem lugar no hotel St. Regis, em Macau, um evento para assinalar o Dia da Mulher, organizado pelas Câmaras de Comércio do Reino Unido e Austrália. Como temas, estiveram em cima da mesa a igualdade de género e a necessidade de quebrar barreiras no acesso das mulheres a posições de liderança na sociedade.

Citada por um comunicado, Janet McNab, vice-presidente para a área das propriedades do Sheraton Grand Macao e St.Regis, destacou a importância de se atingir uma maior igualdade salarial entre homens e mulheres. “Macau é casa para muitas mulheres que assumem posições de liderança, e é uma honra conhecer e trabalhar com muitas delas que constroem, inovam e lideram todos os dias apesar dos desafios e das constantes mudanças no cenário de negócios”, frisou.  O evento serviu ainda para a recolha de 130 mil patacas que serão doadas ao Centro do Bom Pastor, uma associação que trabalha com vítimas de violência doméstica e de outro tipo de abusos.

Dia da Mulher | Governo comprometido com igualdade de género

No Dia Mundial da Mulher, o Governo garantiu estar empenhado na concretização do plano Objectivos do Desenvolvimento das Mulheres de Macau (2019-2025). O documento foi publicado pelo Instituto de Acção Social e tem como objectivo global “permitir que ambos os géneros possam exercer os mesmos direitos”.
Segundo o documento recordado ontem, depois de concretizados os objectivos, “espera-se que as mulheres (sobretudo as mais vulneráveis) tenham mais oportunidades de desenvolvimento em áreas como a participação política, carreira profissional, participação social, economia e bem-estar”.

Ontem, o Executivo defendeu que para concretizar os objectivos é necessário tomar medidas concretas como o apoio às vítimas de violência doméstica, prevenir que as pessoas do género feminino caiam na tentação do jogo e ainda reforçar o papel da mulher e do homem na educação dos filhos.


Como forma de garantir as medidas concretas, ao Governo diz ter realizado 18 sessões de formação para os funcionários públicos, associações e escolas do ensino superior sobre a “integração de género” e ainda um trabalho na comunidade através de curtas-metragens, aplicações de jogo Wechat e concursos para residentes com o tempo da igualdade de género.

Grupo Alibaba lança voo semanal de carga entre Hong Kong e São Paulo

O Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos recebeu na segunda-feira à noite o primeiro voo semanal de mercadoria entre Hong Kong e São Paulo, numa parceria entre a Qatar Airways Cargo e o Alibaba.

Segundo o portal do aeroporto, o voo aterrou por volta das 19:00, depois de ter partido de Hong Kong no sábado e feito uma paragem em Doha, no Qatar.

Num comunicado divulgado na segunda-feira, a companhia aérea Qatar Airways Cargo revelou que o avião Boeing 777 utilizado nesta parceria tem capacidade para transportar mais de 100 toneladas de mercadoria.

O primeiro voo fretado pela empresa de logística Cainiao Smart Logistics Network, parte do grupo chinês do comércio eletrónico Alibaba Group Holding Ltd, transportou bens de consumo, incluindo produtos de beleza, joias, relógios, eletrodomésticos, brinquedos e equipamento desportivo.

O objetivo da nova rota é garantir que os produtos comprados por brasileiros nas plataformas da Alibaba sejam entregues no espaço de 72 horas, sublinhou o diretor-geral da Cainiao para a logística de exportação.

William Xiong disse no comunicado que o comércio eletrónico no Brasil está a crescer “a uma velocidade fenomenal”, tornando-se um dos mais importantes mercados para a Alibaba na América Latina.

Em abril de 2021, a Cainiao anunciou um acordo com o Latam Cargo para utilizar os voos do grupo de aviação chileno de e para o Brasil para reduzir o tempo de entrega de encomendas da China para o Peru e a Colômbia.

Em novembro de 2020, a empresa chinesa lançou voos fretados, em cooperação com o grupo de aviação norte-americano Atlas Air Worldwide Holdings Inc, a ligar a China ao Brasil e ao Chile três vezes por semana.

Em agosto, o Brasil tornou-se o primeiro país das Américas – e o sexto do mundo – cujos comerciantes podem vender os seus produtos na plataforma chinesa de comércio eletrónico AliExpress, gerida pela Alibaba.

A Cainiao ficou a coordenar o envio de produtos brasileiros comprados na plataforma chinesa, garantindo a entrega no mesmo dia ou no dia seguinte à aquisição, com o transporte gratuito para compras acima de 50 reais (nove euros).