Estudo | Empresas planeiam menos e menores aumentos Hoje Macau - 12 Jan 2026 Cerca de 76,76 por cento das empresas tem a intenção de aumentar os ordenados dos trabalhadores ao longo deste ano, de acordo com um estudo elaborado pela MSS Recruitment e Hello Jobs. O inquérito foi realizado junto de 99 empresas locais e mostra que em comparação com os resultados do ano passado há menos empresas disponíveis para aumentar os trabalhadores. Os resultados do inquérito de 2025 mostravam que 83,87 por cento das companhias inquiridas tinham planos para aumentar os funcionários. No espaço de um ano também há mais empresas que afastam de todo qualquer aumento salarial. Os resultados mais recentes mostram que 23,23 por cento das empresas inquiridas não têm intenção de aplicar aumentos. Em 2025, apenas 16,13 por cento das empresas não planeavam aumentos. Não só há menos empresas a planear subir ordenados, como também os aumentos vão encolher ao longo deste ano. Segundo as conclusões da MSS Recruitment e Hello Jobs, os aumentos ao longo de 2026 deverão acontecer a uma média de 2,23 por cento do ordenado. No ano passado, as empresas apontavam para aumentos médios de 2,72 por cento. O inquérito questionou também as empresas sobre o valor do bónus e concluiu que vai manter-se no valor equivalente a um salário mensal, o que não mostra alterações face ao ano anterior.
Metro | Estação na Taipa vai ter nova cobertura João Santos Filipe - 12 Jan 202613 Jan 2026 O Governo e a Sociedade do Metro Ligeiro de Macau justificaram a intervenção na Estação Lótus com a necessidade de substituir a cobertura que terá sido danificada devido à passagem de um tufão A Estação Lótus do Metro Ligeiro vai ser alvo de obras de renovação para substituir a cobertura, a partir de hoje. O anúncio foi feito na sexta-feira, através de um comunicado conjunto da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) e Sociedade do Metro Ligeiro de Macau (MLM). Em actividade desde Dezembro de 2019, as obras foram justificadas com os danos sofridos pela cobertura: “A Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, S.A. (MLM) iniciará, a 12 de Janeiro, após as coordenações necessárias, os trabalhos de substituição do sistema de cobertura da Estação Lótus da Linha da Taipa, que foi danificado anteriormente devido à passagem de um tufão”, foi comunicado. “A obra incluirá a substituição integral do sistema de cobertura da estação e do tecto falso da plataforma, entre outros trabalhos, com um prazo de 120 dias úteis, no sentido de melhorar o ambiente de espera”, foi acrescentado. Durante as obras “partes da plataforma serão encerradas por fases, e o metro circulará na Linha da Taipa com composições de duas carruagens”. Contudo, a MLM promete que “durante os períodos de maior afluência, a frequência [da circulação] será reforçada para assegurar as necessidades de deslocação dos passageiros”. O custo da intervenção na estação que foi aberta há pouco mais de um ano não foi revelado. Circulação Rodoviária Os impactos da substituição da cobertura não se esgotam nos condicionamentos à circulação do Metro Ligeiro e vão igualmente afectar as estradas perto da estação. “No troço da Estrada Flor de Lótus, junto à Estação Lótus do Metro Ligeiro (em direcção à Ponte Flor de Lótus), o trânsito estará condicionado, e a passagem pedonal sob a estação será temporariamente encerrada até à conclusão dos trabalhos”, foi revelado. “A MLM instalará vedações, sinalização e acessos temporários no interior da estação, e destacará mais pessoal para prestar assistência e orientação aos passageiros”, foi explicado. “Adicionalmente, serão implementadas medidas de controlo do fluxo de pessoas, consoante a afluência”, foi indicado. O Governo e a MLM recomendam “aos passageiros que estejam atentos às informações disponíveis na estação” e “planeiem as deslocações com antecedência”. “A MLM agradece a compreensão dos cidadãos pelos inconvenientes causados durante a realização da obra”, foi acrescentado.
Imprensa | Cancelado registo do All About Macau Hoje Macau - 12 Jan 2026 O Governo anunciou o cancelamento do registo do jornal ‘online’ e publicação mensal impressa All About Macau, que em Outubro tinha anunciado o encerramento por “pressões crescentes”. O Gabinete de Comunicação Social (GCS) do Executivo disse que em 2025 revogou o registo de seis publicações, incluindo o All About Macau, “nos termos das disposições aplicáveis da Lei da Imprensa e do Regulamento do Registo de Imprensa”. Num comunicado divulgado na sexta-feira, o GCS não revelou as razões para o cancelamento dos registos das publicações. Uma carta enviada pelo GCS ao All About Macau em Outubro e citada pelo portal Macau News Agency aponta como razão para a revogação do registo a “ausência prolongada” do proprietário da empresa. A Lei de Imprensa, que data de 1990 diz que as publicações periódicas “têm obrigatoriamente, pelo menos, um responsável residente na Região Administrativa Especial de Macau, que exercerá as funções de director”. O All About Macau cessou as operações em Dezembro, devido às “pressões crescentes”, falta de recursos e por ter sido impedido de aceder a lugares abertos ao público.
Consumo | Novo Carnaval local arranca hoje João Luz - 12 Jan 2026 Começa hoje mais um Carnaval do Consumo, desta vez apenas centrado na zona norte da península. A iniciativa que se estende até 20 de Fevereiro tem moldes diferentes. Cada compra superior a 100 patacas dá direito a um sorteio semanal de cupões de desconto até 50 patacas. O único meio de pagamento electrónico aceite é a aplicação do Banco da China Arranca hoje mais um Carnaval do Consumo, numa edição dedicada à na zona norte da península e em moldes diferentes das últimas edições. Ao longo de seis semanas, até 20 de Fevereiro, quem fizer compras num valor superior a 100 patacas nas mais de 470 lojas aderentes ao programa habilita-se a um sorteio semanal para três cupões de desconto com valores de 10, 20, 30 e 50 patacas. Desta feita, a única plataforma electrónica de pagamento aceite é a aplicação do Banco da China, um dos parceiros na organização da iniciativa, a par da Associação Industrial e Comercial da Zona Norte de Macau. Outra das diferenças face a edições anteriores, é o alargamento do período em que os cupões podem ser usados, que passa a ser diário, em vez de apenas ao fim-de-semana. Os descontos podem ser usados num período de 14 dias após o sorteio, para compras num valor equivalente ao dobro do montante do cupão, ou seja, numa compra de 20 patacas pode ser usado um cupão 10 patacas. Na apresentação da medida, o presidente da Associação Industrial e Comercial da Zona Norte de Macau, Wong Kin Chong, estimou que os comerciantes aderentes possam ter um aumento do volume de negócios entre 20 e 30 por cento. “É a nossa expectativa, uma vez que o evento vai decorrer antes do Ano Novo Lunar. Para já, vamos atribuir cupões electrónicos no valor de um milhão de patacas. Isto vai gerar, pelo menos, dois milhões de patacas em transacções, mas esperamos que o montante possa atingir os 10 milhões de patacas”, acrescentou o responsável, segundo o Canal Macau da TDM. Tiros de sorte A iniciativa ainda está aberta à inscrição de mais estabelecimentos comerciais da zona norte da península. A organização vincou que mais uma vez a medida foi pensada para estimular o consumo na restauração e comércio a retalho em cerca metade das lojas e restaurantes da zona. Além dos cupões de desconto, Wong Kin Chong indicou que algumas lojas e restaurantes vão fazer as suas próprias promoções para encorajar a clientela. Como tem sido comum nas edições anteriores, os consumidores que participarem na iniciativa habilitam-se automaticamente a um sorteio que se realiza no final da campanha, que irá distribuir um automóvel, uma moto, telemóveis, electrodomésticos, entre outros prémios.
Livro | As mudanças na política colonial portuguesa nos finais do século XIX Andreia Sofia Silva - 12 Jan 202612 Jan 2026 Defendida em 2018, a tese de doutoramento de Célia Reis, docente e investigadora em História contemporânea, acaba de ser editada em livro pelo Centro Científico e Cultural de Macau com o apoio da Fundação Macau. “O Poder entre Lisboa e o Oriente – Persistências e Mudanças na Administração. Do Ultimato ao Ato Colonial” circula entre Macau, Índia e Timor e traz “um bom contributo para a história do poder colonial” Célia Reis, docente e investigadora na área da História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, acaba de editar em livro a sua tese de doutoramento centrada no poder colonial português a Oriente a partir do final do século XIX. “O Poder entre Lisboa e o Oriente – Persistências e Mudanças na Administração. Do Ultimato ao Acto Colonial” é uma edição do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), apoiada pela Fundação Macau (FM), e nasce da tese defendida em 2018. Ao HM, Célia Reis defendeu que este livro e respectiva investigação trazem “um bom contributo para a história do poder colonial”, focando-se “nas configurações administrativas nas colónias do Oriente, Índia, Macau e Timor, no período compreendido entre o Ultimato e o Acto Colonial”, publicado em 1930. Foram analisados “milhares de documentos”, nomeadamente “ofícios formais, cartas particulares, pareceres de repartições, rascunhos, pequenas notas” e que demonstram decisões e o funcionamento da Administração nos territórios da Índia portuguesa, Macau e Timor. Falamos, segundo a autora, de “uma época de muitas experimentações, em fases diferenciadas”, sendo que, para Célia Reis, se ultrapassou “uma lacuna que existia na historiografia portuguesa” no sentido de uma melhor compreensão do funcionamento do poder colonial português nestes anos, e especificamente nos territórios a Oriente. No caso de Macau, o livro e estudo contribuem “para uma história administrativa do período em causa”, nomeadamente “porque se decidiu, como se decidiu; que problemas foram colocados a nível administrativo; como se fez sentir o poder de Lisboa e como se resolveu, ou como se procurou influenciar o poder central; ou quem o representava”. O território é também colocado “a par de outros dois espaços, Índia e Timor, muito diferentes, possibilitando uma história comparativa, um realce do que era comum ou específico, o que, sem dúvida, é essencial para um conhecimento mais profundo”. Célia Reis diz estar “muito contente com a publicação”, por poder “partilhar o trabalho, as investigações e os seus resultados, com o público, contribuindo para que se conheça melhor a história e as realidades vividas”. Ajustes históricos Os anos a que se dedica esta investigação mostram muitas alterações a nível da política colonial, tendo em conta que “o movimento de colonização verificado a partir das últimas décadas do século XIX se reflectiu na forma de governar as colónias, suscitando discussões, estudos e adaptações às realidades”. Célia Reis explicou ainda que “o quadro existente, e que foi institucionalizado desde 1869, foi sendo alterado pela criação de novas repartições, pela introdução de novas formas de controlo financeiro ou pela mudança no estatuto e organização de algumas colónias, tornando a administração menos homogénea do que se fazia ver em muitos discursos”. Em causa, está, nomeadamente, um decreto datado de 1 de Dezembro de 1869, e que revelou ser a “verdadeira carta orgânica das Províncias Ultramarinas”, conforme se lê na conclusão da obra, sem esquecer o Código Administrativo de 1842, que “enformaram os organismos políticos ultramarinos durante décadas”. “Não obstante conduzirem a um modelo continuado, nos órgãos e nas suas funções, não impediram a progressiva organização de novas configurações ou a adaptação de estruturas diferenciadas”, lê-se ainda. A investigadora destaca a ocorrência de sucessivas tentativas de modernização em termos legislativos e administrativos, e até antes da implementação da I República. “Fizeram-se diversas propostas para modificações, com uma intenção mais modernizadora, e que tiveram maior ênfase a partir dos últimos anos da Monarquia, prosseguindo depois pela República para uma mudança mais estruturada, que acabou por ser realizada pelas leis publicadas em 1914 e 1920”. A partir de 5 de Outubro de 1910, quando cai a Monarquia e é instaurado regime republicano, houve “uma alteração ministerial, com a assunção da referência a colónias em substituição do Ultramar e a autonomização do seu ministério”. “Nos espaços ultramarinos entendeu-se a mudança de regime como uma oportunidade de renovação administrativa, como se compreende pela proposta da Índia, ou pela abertura manifestada pelas instâncias governamentais a alterações em Macau. Mas o novo regime republicano ficou, no campo da administração colonial, enredado nas circunstâncias do seu início, ao constitucionalizá-la. Com efeito, no largo conjunto de mudanças, as questões coloniais constituíram apenas uma parte e os parlamentares não se dedicaram suficientemente a elas, não obstante a existência de propostas”, lê-se na conclusão da obra. Nos anos do Republicanismo, deu-se “o processamento político que impôs um quadro de parlamentarismo, devido a alguma desconfiança relativamente ao Executivo”, sendo que ao nível das colónias “esta opção conduziu a uma maior interferência do Senado na nomeação dos governadores, afastando-se do que se consideravam modelos mais eficazes”. Além disso, “a ruptura também não teve lugar no campo da participação no Congresso, onde os territórios ultramarinos mantiveram o seu espaço no jogo político”. “A decisão republicana evidenciou igualmente um caráter conservador em relação aos órgãos municipais. Não sendo possível realizar aqui o seu estudo mais aprofundado, constatou-se que a visão política assente na importância do município, como espaço de participação, impediu as mudanças mais profundas que se propunham para a orgânica interna”, é referido na conclusão. Entraves e controlo Seguiream-se “entraves ocorridos, como o Sidonismo”, verificando-se as tentativas de mudança como sendo “insuficientes”. De frisar que o Sidonismo teve origem num golpe militar protagonizado por Sidónio Pais contra o regime republicano em vigor naqueles anos, desde 1910, e que funcionou entre 1917 e 1918. Tratou-se de um regime de cariz autoritário e militarista. Segundo Célia Reis, foi a partir da Ditadura Militar de 1926 que “se encaminhou para um maior controlo” em matéria de política colonial. Em termos gerais, “o regime iniciado a 5 de Outubro foi, em suma, modernizador em algum sentido, mas as suas concepções políticas e a inserção das questões coloniais no espaço mais lato das mudanças a realizar no país permitiram a persistência de muitos modos anteriores”. “Apesar destas limitações, as leis de 1914 constituíram, indubitavelmente, um passo modernizador, substituindo o quadro existente”, concluiu Célia Reis, referindo-se aos anos do Sidonismo como “uma ruptura no caminho que estava ser seguido, com o recuo das capacidades coloniais, particularmente dos órgãos colegiais e de participação local, assim como com uma diminuição da autonomia financeira”. Esta “tendência política” vivida na então metrópole acabou “transplantada para o ultramar”. Em matéria de documentação utilizada nesta investigação, temos o exemplo das Cartas Orgânicas, implementadas por Portugal para cada colónia, e que “surgiram na sequência das leis de 1914”, analisando “as diversas propostas existentes na Índia, Macau e Timor, o seu processo de realização, as características essenciais das que pertenciam àquelas colónias e o seu percurso posterior”. Segundo a investigação, “elas foram o produto do momento em que se realizaram, inseridas numa mudança mais vasta introduzida em Portugal pela República, o que condicionou a sua existência, primeiro pelos diferentes contributos que tiveram e, posteriormente, pela indefinição da sua situação”. Faz-se, neste estudo, a análise “da forma como se operacionalizavam as decisões centrais e coloniais”, tendo sido consideradas “estruturas governamentais e parlamentares”. No caso das colónias, foram estudados “os seus órgãos de poder”, onde “agia o governador, interlocutor entre metrópole e colónia, examinando-se as suas capacidades e possibilidade de acção, quando se encontrava sob a alçada de um ministério longínquo, mas a par de outros poderes de supervisão, particularmente financeiros, de Conselhos e, no geral, sob a pressão das várias forças da colónia”. No caso das “competências e composição dos diversos Conselhos e meios de controlo financeiro” conheceram, nestes anos, “uma mudança, muito mais pronunciada ao longo das diversas reformas; integrando maioritariamente o funcionalismo”. Além disso, “a junção de outros elementos da sociedade local mostrou-se diferenciada, conforme as colónias”. Ordens de Lisboa Célia Reis descreve que “as deliberações locais estavam dependentes da sanção superior e assim se mantiveram além das reformas”, sendo que “a prática contornava, muitas vezes, a norma, mantendo indefinições como forma de acção”. Outro ponto a destacar neste estudo, é como o facto de ser Lisboa a tomar as decisões mais importantes afectou a vida nas colónias. “Embora se mantivesse a obrigatoriedade da sanção, a legislação foi introduzindo alterações, sobretudo baseadas no estabelecimento de prazos. Não obstante, a capacidade de decisão metropolitana continuou essencial, afectando a vida das colónias. As formas usadas, persistindo o que existia ou alterando o quadro, constituíram essencialmente adaptações às circunstâncias ocorrentes, respondendo quer aos modelos estrangeiros, quer às necessidades impostas às realidades portuguesas. A política, na sua instabilidade e fases de mudança determinou também este caminho”, disse.
Japão | Membro do regulador nuclear perde telemóvel na China Hoje Macau - 9 Jan 2026 As autoridades japonesas estão a investigar a perda de um telemóvel profissional, alegadamente na China, que continha uma lista confidencial de contactos da Autoridade de Regulação Nuclear, segundo confirmou à France-Presse um responsável do organismo. O incidente, tornado agora público, terá ocorrido no aeroporto de Xangai, em 03 de Novembro, quando o funcionário atravessava o controlo de segurança. A ausência do dispositivo só foi notada três dias depois, e, de acordo com a imprensa japonesa, não foi possível bloqueá-lo ou apagar remotamente os seus dados por já se encontrar fora de alcance. Embora o telemóvel não contivesse acesso directo a dados nucleares, segundo o responsável citado – que não quis ser identificado – a lista incluía nomes e contactos de membros da divisão de segurança nuclear da entidade reguladora – informação que não é de acesso público devido à sensibilidade das funções. A revelação surge num contexto de crescente tensão entre Pequim e Tóquio, após a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter sugerido em Novembro que o país poderia intervir militarmente em caso de agressão chinesa contra Taiwan. Simultaneamente, a operadora Tokyo Electric Power (TEPCO) procura a aprovação final para reactivar a central nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo, encerrada após o desastre de Fukushima, em 2011. O Japão tem vindo a retomar gradualmente a energia nuclear, com 14 reactores já reactivados, no quadro de metas de neutralidade carbónica até 2050 e aumento da procura de eletricidade devido à inteligência artificial. O telemóvel perdido foi reportado às autoridades japonesas de protecção de dados em novembro, de acordo com o regulador nuclear. O caso reacende preocupações sobre segurança da informação no sector da energia nuclear num momento delicado da política energética japonesa.
Torre de Macau | Espectáculo celebra cultura sino-portuguesa Hoje Macau - 9 Jan 2026 Um novo espectáculo teatral sobe ao palco amanhã para explorar como os 500 anos de contacto entre as culturas portuguesa e chinesa deram a Macau “uma identidade única”. Na terceira edição da série “Macasaphis”, o grupo de teatro experimental Frost Ice Snow Creative junta música, teatro, moda, histórias orais e comédia ‘stand-up’ no auditório da Torre de Macau. A directora, Sileas Ko Weng Si, disse ontem à Lusa que, após uma pausa de dois anos devido à falta de financiamento, o grupo decidiu regressar com o tema “a cultura sino-portuguesa”. “A cultura sino-portuguesa está por todo o lado, mas já nem nos apercebemos. As pessoas às tantas ficam confusas, sem compreender como isso influencia as nossas vidas”, explicou Sileas Ko. A primeira edição da “Macasahpis”, em 2022, já tinha sido dedicada a elementos particulares da região. “A presença das línguas chinesas e portuguesa, os monumentos históricos, o facto de termos o maior número de feriados do mundo, tanto os budistas como os católicos”, disse Ko. O português é uma das duas línguas oficiais de Macau, pelo menos durante os primeiros 50 anos da nova região semiautónoma chinesa, segundo o acordo bilateral que permitiu a transição de administração, em Dezembro de 1999. A edição de 2023 teve como convidados a Tuna Macaense, um grupo musical da comunidade euro-asiática, composta maioritariamente por lusodescendentes, que toca canções no dialecto crioulo, o patuá. Mas desta vez o grupo decidiu ir mais longe e celebrar como a influência portuguesa também se sente entre os chineses de Macau, disse à Lusa a produtora do espectáculo, Casta Lai Chit. “Talvez as pessoas ainda sintam alguma vergonha de definir a nossa cultura e identidade, porque somos chineses, mas não somos iguais aos outros”, explicou Casta Lai, que tem nacionalidade portuguesa. “As pessoas têm orgulho na cultura de Macau, mas têm algum pudor em demonstrá-lo”, lamentou Sileas Ko. “A cultura sino-portuguesa torna a nossa cidade ainda mais especial. Sem ela, só haveria casinos”, acrescentou. Poder cultural Com uma área de apenas 33 quilómetros quadrados e menos de 680 mil habitantes, Macau “é um peixe minúsculo” no contexto da China, com uma população de 1,4 mil milhões, sublinhou Casta Lai. “Se não fosse a cultura sino-portuguesa, Macau não teria importância nenhuma”, defendeu a produtora. O espectáculo inclui uma parte em que, de forma humorística, a população de Macau é tratada como “uma espécie em vias de extinção” e não apenas por a cidade ter a taxa de natalidade mais baixa do mundo, disse Sileas Ko. Casta Lai alertou que “talvez depois de 50 anos a cultura seja diferente. Se isso acontecer, se calhar as pessoas vão olhar em volta e sentir falta do que se perdeu”.
À espera da luz Paul Chan Wai Chi - 9 Jan 2026 Há quem diga que quando Deus fecha uma porta, abre sempre uma janela. E se as duas ficarem fechadas? O que acontece a quem está lá dentro? Bem, ou morrem sufocados ou aborrecem-se de morte. Nos últimos anos, as lojas em Macau estão a fechar umas atrás das outras. Quando todos esperavam que se abrisse uma janela para o negócio prosperar, o direito de abrir a janela foi entregue a certos empreiteiros. As empresas sociais não são entidades comerciais e o resultado de lhes conceder a exclusividade da gestão de actividades comerciais não é difícil de prever. Se o planeamento fosse viável, a operação do Canídromo Yat Yuen em Macau e do Jockey Club na Taipa já deveria ter sido entregue a organizações comunitárias há muito tempo. Recentemente, jantei num hotel que já teve um casino. Percebi que o parque de estacionamento do hotel estava ao abandono e vários andares deste edifício, que albergavam várias lojas, estão actualmente vazios. Depois de ter perguntado o que acontecera, fiquei a saber que, para além do encerramento do casino-satélite, também o restaurante chinês tinha fechado. Claro que este hotel não fica situado em nenhuma das seis zonas históricas definidas pelo Governo da RAE. Os empregados do casino-satélite receberam novas propostas de emprego, mas o que aconteceu ao pessoal do restaurante chinês, quem é que presta atenção ao seu futuro? Preocupa-me que enquanto a “diversificação das indústrias 1+4” ainda não está amadurecida, as transformações drásticas no cerne da economia de Macau venham a ter impacto na estrutura económica. Embora a taxa de desemprego seja aparentemente baixa, a realidade da situação do emprego merece atenção. O Chefe do Executivo Sam Hou Fai incentivou os jovens a abandonarem a sua zona de conforto e aventurarem-se a ir para a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, no entanto, a Grande Baía enfrenta os seus próprios desafios. Os jovens de Macau que estudam fora da cidade escolhem lá ficar e cada um terá os seus motivos. O Governo da RAE afirma que deseja atrair estrangeiros talentosos para Macau, enquanto incentiva os nossos jovens a deixar a cidade, o que parece contraditório. O antigo deputado Lam U Tao chegou a demonstrar preocupação com o número de professores não residentes em Macau, propondo a criação de um mecanismo que levasse os mais de 100.000 trabalhadores não residentes a deixar a cidade e “devolvesse as vagas de emprego aos trabalhadores locais”. Infelizmente, embora Lam tenha passado na avaliação governamental nas eleições de 2021 para a Assembleia Legislativa, foi desclassificado para as eleições de 2025. Quando é que a “janela para a democracia” será aberta para que os residentes possam respirar ar fresco? Olhar não mata a fome. Visitei recentemente o renovado Mercado da Taipa e verifiquei que as zonas de tráfego pedonal continuam a ser insuficientes. Os vendedores de vegetais, de carne e marisco estavam à espera de clientes, num contraste gritante com a agitação do Mercado Gongbei, em Zhuhai. As portas e as janelas do Mercado da Taipa estavam abertas, mas o ar (a clientela) era insuficiente. Os vendedores esforçaram-se bastante, mas os resultados continuam a ser decepcionantes. Porque é que isto acontece? É útil apagar as luzes à noite e acendê-las durante o dia? Acredito que os principais responsáveis do Governo da RAE é que deveriam sair das suas zonas de conforto. Ao fim da tarde, deviam apanhar o transporte público e sair na paragem em frente do Edifício da Administração Pública da Rua do Campo e experienciar a sensação calorosa de partilhar a viagem com os outros passageiros. Também deviam tentar atravessar a fronteira a pé no Posto Fronteiriço das Portas do Cerco e no Posto Fronteiriço Qingmao, de manhã e ao fim da tarde, testemunhando o magnífico espectáculo da “integração na Grande Baía”. Com numerosos anúncios que dizem “excelente loja para alugar” em várias zonas de Macau, como é que as luzes podem estar acesas depois de terem sido apagadas? O desenvolvimento de uma zona urbana e a formação de uma área comercial não podem ser alcançados simplesmente acendendo as luzes, necessitam de sabedoria colectiva.
Coloane | Kartódromo recebe o Champions of the Future Academy Program Sérgio Fonseca - 9 Jan 2026 O Kartódromo de Coloane vai começar o ano em alta velocidade, recebendo de 16 a 18 de Janeiro a primeira edição no território da nova competição Champions of the Future Academy Program, organizada e promovida pela empresa suíça RGMMC Group O Champions of the Future Academy Program é uma competição internacional de karting Arrive and Drive, concebida para desenvolver a próxima geração de talentos do desporto automóvel. De acordo com o promotor, a prova está alinhada “com os padrões desportivos da FIA e combina competição de elite com uma formação abrangente para os pilotos, oferecendo aos jovens a experiência e a visibilidade internacional necessárias para iniciar carreiras profissionais, ao mesmo tempo que se mantêm os custos controlados”. Com três categorias competitivas — Mini, OK-N Júnior e OK-N Sénior — o conceito ambiciona reunir talentos emergentes de várias partes do mundo para competir em eventos de classe mundial. Segundo a organização, esta prova em Macau “tem como objectivo expandir o Champions of the Future Academy Program para séries nacionais”, reforçando a presença do conceito fora do seu calendário principal. Para além do evento na RAEM, a RGMMC, fundada em 2004, tem ainda planeada uma prova extra-campeonato nos Emirados Árabes Unidos, em Fevereiro. O campeonato regular é composto por seis etapas, decorrendo entre Fevereiro e Dezembro, com passagens por Espanha, Grécia, Itália, Omã e Emirados Árabes Unidos. A mesma entidade promove igualmente uma série nos mesmos moldes no Reino Unido. O Champions of the Future Academy Program Macau, que conta com o apoio da Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) e do Instituto do Desporto da RAEM, decorrerá ao longo de três dias competitivos, com duas corridas finais que determinam classificação do vencedor do evento para cada categoria. O paddock abrirá às equipas na quinta-feira, seguindo-se um dia inteiro de treinos-livres na sexta-feira, enquanto os treinos cronometrados e as corridas terão lugar no sábado e no domingo. Igual para todos Cada categoria admite um máximo de 24 concorrentes, um limite que se mantém em todos os eventos. A categoria Mini Group 3, destinada a pilotos entre os 9 e os 12 anos, utilizará chassis Parolin e motores TM, com um custo de inscrição aproximado de 32.750 patacas. As categorias OK-N Júnior, para idades entre os 12 e os 14 anos, e OK-N Sénior, dos 14 aos 17 anos, competirão com chassis Kart Republic e motores IAME, sendo o valor de inscrição de cerca de 42.125 patacas por fim-de-semana. Tal como indica a designação Arrive & Drive, estes valores incluem o kart e o respectivo motor, espaço na tenda, ferramentas necessárias, pneus — fornecidos em todas as classes pela LeCont Pneumatici —, combustível, lubrificantes e toda a logística associada. Desta forma, os pilotos podem concentrar-se exclusivamente na condução e, graças à igualdade mecânica, antevêem-se corridas competitivas e animadas num dos melhores kartódromos do Sudeste Asiático. Em 2026, o Kartódromo de Coloane terá um calendário particularmente preenchido. Para além das competições de karting e motociclismo organizadas pela AAMC, o traçado desenhado pelo arquitecto Carlos Couto acolherá o Campeonato da China de Karting, nos dias 11 e 12 de Abril, a IAME Series Asia, no fim-de-semana de 23 e 24 de Maio, e o Grande Prémio de Karting Internacional de Macau, agendado para o período entre 11 e 14 de Dezembro.
Hong Kong | Zhipu AI lidera ronda de estreias em bolsa no valor de 1.030 ME Hoje Macau - 9 Jan 2026 O interesse dos investidores no mercado tecnológico continua a dar frutos e leva cada vez mais empresas chinesas ligadas à Inteligência Artificial a entrar na bolsa de Hong Kong A empresa chinesa de inteligência artificial Zhipu AI estreou-se ontem na bolsa de Hong Kong, num dia em que outras duas tecnológicas também entraram no mercado, angariando em conjunto 1.200 milhões de dólares. A Zhipu, oficialmente designada Knowledge Atlas Technology e que adopta o nome Z.ai nos mercados estrangeiros, registava uma tendência ascendente ao meio da sessão, com uma valorização de 11,19 por cento, após ter angariado cerca de 559 milhões de dólares. Trata-se da primeira empresa chinesa especializada exclusivamente em modelos de linguagem de grande escala a ser cotada na Bolsa de Valores de Hong Kong. Segundo o seu cfundador e director executivo, Zhang Peng, a escolha desta praça financeira está relacionada com as ambições de internacionalização da companhia. Zhang referiu que Hong Kong e o Sudeste Asiático serão os primeiros mercados a serem explorados, seguindo-se o Médio Oriente, a Europa e o chamado “Sul Global”. O responsável apontou os baixos custos como principal atractivo da Zhipu face a modelos concorrentes, no objectivo de conquistar novos utilizadores. A tecnológica junta-se assim a outras empresas chinesas do sector que têm aproveitado o interesse dos investidores no crescimento da IA no país. Uma das principais concorrentes da Zhipu, a MiniMax – também rival da OpenAI (criadora do ChatGPT) e da Anthropic (desenvolvedora do Claude) – tem estreia marcada para sexta-feira na mesma bolsa. Outras estreias Ontem, também se estrearam em Hong Kong a fabricante de chips gráficos Shanghai Iluvatar CoreX Semiconductor, que abriu com ganhos de 31,5 por cento após angariar 473 milhões de dólares, e a produtora de robôs cirúrgicos Edge Medical, que subiu 36,4 por cento, arrecadando cerca de 154 milhões de dólares. Na semana passada, a Biren Technology, especializada em chips de IA, valorizou-se quase 76 por cento no seu primeiro dia de negociação. Em Dezembro, outras duas empresas do sector, a Moore Threads e a MetaX, registaram subidas superiores a 100 por cento na bolsa de Xangai. Apesar de admitir que os modelos chineses estão a reduzir a distância face aos norte-americanos, Zhang Peng reconheceu que ainda persistem lacunas em áreas como investigação, recursos e inovação. A Zhipu foi colocada numa lista negra comercial pelos Estados Unidos em 2025, o que dificulta o seu acesso a tecnologia norte-americana.
Camboja liquida banco de magnata líder de rede de burlas Hoje Macau - 9 Jan 2026 O Camboja anunciou ontem a liquidação imediata do Prince Bank, propriedade do magnata chinês Chen Zhi, detido esta semana e extraditado para a China, onde é investigado por liderar uma rede transnacional de fraude e tráfico de pessoas. Numa resolução publicada pelo Banco Nacional do Camboja, a entidade ficou impedida de aceitar depósitos e conceder empréstimos, um dia após Phnom Penh confirmar a detenção e entrega de Chen a Pequim. A liquidação será supervisionada pela empresa Morisonkak MKA, que deverá garantir o levantamento dos depósitos pelos clientes e a continuação do pagamento dos créditos em curso. O Prince Bank era uma das mais de 100 empresas do conglomerado Prince Group, fundado por Chen Zhi, que ao longo da última década expandiu-se em áreas como turismo, tecnologia, logística, alimentação e finanças. Várias dessas empresas foram identificadas por Washington como fachadas para esquemas de burla ‘online’ e redes de tráfico humano no Sudeste Asiático. O ministério do Interior cambojano afirmou que a detenção de Chen, de 37 anos, ocorreu na terça-feira, “no âmbito da cooperação para combater o crime transnacional e a pedido das autoridades chinesas”. A operação incluiu também a captura dos cidadãos chineses Xu Ji Liang e Shao Ji Hui, igualmente extraditados. Investigação conjunta Phnom Penh revelou que Chen foi despojado da nacionalidade cambojana em Dezembro, por decreto real, meses depois de garantir que o empresário a tinha obtido legalmente. A detenção, segundo o comunicado, foi resultado de “meses de investigação conjunta” com a China. Em Outubro passado, o Departamento de Justiça dos EUA acusou Chen de crimes financeiros ligados ao trabalho forçado. As autoridades norte-americanas alegam que o empresário liderava uma operação de burla ‘online’ “em escala industrial”, envolvendo centenas de vítimas mantidas sob coação em instalações semelhantes a prisões no Camboja. A justiça dos EUA confiscou 15 mil milhões de dólares em bitcoin ao grupo, na maior apreensão de criptomoedas na sua história. No ano passado, o porta-voz do ministério do Interior do Camboja declarou que Chen não se encontrava no país e que nem ele nem a sua empresa enfrentavam acusações locais. A mudança de posição foi agora interpretada como sinal de maior alinhamento com Pequim no combate ao crime financeiro e às redes de burla transfronteiriça.
Taça Davis | Tiago Pereira estreia-se pela selecção com a China Hoje Macau - 9 Jan 2026 Tiago Pereira é a novidade da selecção nacional de ténis para o encontro da Taça Davis com a China, em 06 e 07 de Fevereiro, que inclui ainda Nuno Borges, Francisco Cabral, Jaime Faria e Henrique Rocha, foi ontem anunciado. “O Tiago Pereira tem vindo a evoluir bastante e, nos últimos meses, tem obtido bons resultados não só em singulares como em pares, o que faz dele uma opção para as duas variantes”, referiu o capitão Rui Machado sobre o estreante. Além do algarvio, de 21 anos, classificado na 265.ª posição do ranking mundial, a aposta de Rui Machado recaiu em Nuno Borges (45.º) e Francisco Cabral (20.º), os melhores tenistas lusos da actualidade em singulares e pares, respectivamente, além de Henrique Rocha (157.º) e Jaime Faria (151.º). Portugal não compete em casa desde Setembro de 2022, então frente ao Brasil, e a condição de visitante tem sido favorável, mas Rui Machado confia no grupo que vai levar para a China. “Temos noção que vai ser uma eliminatória bastante difícil frente a uma equipa com jogadores experientes, com bastante potencial e que já provaram conseguir jogar a um nível muito alto”, considerou sem saber ainda os escolhidos do homólogo Di Wu. Portugal vai visitar a China no play-off do Grupo I da Taça Davis em ténis, no qual tentará evitar a descida ao Grupo II, onde não está desde 2015.
EUA | Pequim condena intercepção de navio ligado à Rússia Hoje Macau - 9 Jan 2026 Pequim denunciou ontem a apreensão por parte dos Estados Unidos de um petroleiro que navegava sob bandeira russa em águas internacionais, classificando a acção como “arbitrária” e uma violação do direito internacional. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou que a detenção de navios de outros países em alto-mar “contraria gravemente o direito internacional” e os princípios da Carta das Nações Unidas. As declarações surgem após a Guarda Costeira dos EUA ter interceptado o petroleiro Marinera – anteriormente conhecido como Bella 1 – no Atlântico Norte, acusando-o de violar o regime de sanções imposto por Washington. Segundo os Estados Unidos, o navio tentava aceder a águas venezuelanas para carregar crude. Moscovo já qualificou a operação como uma “intercepção ilegal” e exigiu um tratamento “humano e digno” para a tripulação. Pequim reiterou também a sua oposição às sanções unilaterais impostas por Washington sem respaldo das Nações Unidas, considerando que estas “carecem de base legal”. Em resposta a notícias sobre um possível agravamento das sanções norte-americanas contra a Rússia – com advertências dirigidas a empresas de países como a China, Índia ou Brasil – Mao Ning sublinhou que a cooperação económica, comercial e energética entre Pequim e Moscovo é “normal” e “não visa terceiros”, pelo que “não deve ser interferida”. A apreensão do Marinera insere-se na crescente pressão dos EUA sobre as exportações de petróleo da Rússia e da Venezuela. Washington anunciou recentemente novas medidas para confiscar navios ligados ao comércio de petróleo venezuelano e controlar indefinidamente as receitas associadas. Segundo órgãos de comunicação norte-americanos, o Marinera fazia parte da chamada “frota fantasma” usada para contornar as sanções ocidentais, o que tem alimentado fricções diplomáticas entre Washington, Moscovo e agora também Pequim.
Primeira retrospectiva da artista portuguesa Helena Almeida na Ásia inaugura dia 23 Hoje Macau - 9 Jan 202612 Jan 2026 O Museu de Arte de Macau (MAM) vai inaugurar no dia 23 de Janeiro a primeira retrospectiva da artista portuguesa Helena Almeida (1934-2018) na Ásia, disse uma das curadoras da mostra. A exposição “Helena Almeida: Estou Aqui – Presença e Ressonância” é “uma das mais abrangentes alguma vez apresentadas” e estará patente até 26 de Abril, disse nas redes sociais Margarida Saraiva. A curadora do MAM afirmou que a retrospectiva será dividida em cinco secções, “de forma cronológica e temática”, incluindo uma dedicada às primeiras pinturas e outra ao “corpo como escultura e o diálogo entre corpos”. Saraiva apontou Helena Almeida como “uma das mais relevantes artistas portuguesas e europeias da sua geração”, que “transformou o acto de autorrepresentação numa exploração intensa do corpo, do espaço, da resiliência e da impermanência”. “Os seus gestos performativos — captados apenas através da lente do seu estúdio — continuam a desafiar e expandir os limites da pintura, do desenho e da fotografia”, explicou a curadora. “Esta mostra é simultaneamente uma homenagem ao extraordinário legado de Helena Almeida e uma afirmação do poder da colaboração curatorial entre culturas”, defendeu Saraiva. A retrospectiva tem como curador principal Delfim Sardo, professor da Universidade de Coimbra e autor do livro “Helena Almeida, Pés no Chão, Cabeça no Céu”, e como co-curador o chinês Song Zhen. Dividir por dois Em Dezembro, o Instituto Cultural de Macau indicou num comunicado que a mostra irá reunir cerca de 42 conjuntos compostos por 190 peças da artista portuguesa. Uma outra parte da mostra, “Ressonância – Corpo. Objecto. Reflexão”, já foi inaugurada em 19 de Dezembro, com peças de seis artistas de Macau e da China continental, convidados a interagir com a obra de Helena Almeida. Nascida em Lisboa, em 1934, Helena Almeida criou, a partir dos anos 1960, uma obra multifacetada, dando origem a um trabalho que se destacou pela autorrepresentação, reflectindo sobre as relações de tensão entre o corpo, o espaço e a obra. Usou o seu corpo como suporte e objecto de criação, utilizando a pintura, a fotografia, a gravura, a instalação e o vídeo. Helena Almeida estudou pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, começando a expor individualmente em 1967, na Galeria Buchholz. A artista representou Portugal na Bienal de Veneza por duas ocasiões: em 1982 e em 2005, e em 2004 participou na Bienal de Sidney, tendo a sua obra sido exibida no âmbito de mostras individuais e colectivas em museus e galerias nacionais e internacionais. Em 2015, apresentou uma exposição individual itinerante Corpus na Fundação de Serralves (2015), no Porto, em Paris (2016), em Bruxelas (2016) e Valência (2017). Apresentou igualmente, em 2017, uma exposição individual “Work is never finished” no Art Institute, em Chicago, nos Estados Unidos. A sua obra está presente em colecções portuguesas e internacionais como: Colecção Berardo, Lisboa; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Fundação de Serralves, Porto; Hara Museum of Contemporary Art, Tóquio; Museu de Arte Contemporânea de Barcelona; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid; MUDAM – Musée d’Art Moderne Grand-Duc Jean, Luxemburgo; Tate Modern, Londres.
Armazém do Boi | Três artistas apresentam visões de Macau em exposição Andreia Sofia Silva - 9 Jan 2026 “Land and Sea” é a nova exposição acolhida pelo Armazém do Boi e que abre ao público amanhã. Com trabalhos de David Fank, esta exposição resulta de experiências pessoais do artista na região da Grande Baía, incluindo cidades com Macau, Zhuhai e Guangzhou. Destaque ainda para as exposições de Yuan Zeqiang e Fan Xianxin É inaugurada amanhã uma nova exposição no Armazém do Boi. Trata-se de “Land and Sea” [Terra e Mar], da autoria de David Fank, e que pode ser vista até Fevereiro. Segundo uma nota do Armazém do Boi, a mostra divide-se em duas instalações principais, com as temáticas da “Terra” e “Mar”, revelando um “espaço expositivo construído como uma sala onde o azul e o verde se encontram, servindo como a versão do artista de um ‘mapa'” É nesta espécie de mapa que se mostram as “experiências pessoais de viagem” do artista pela região da Grande Baía, nomeadamente em locais como Macau, Zhuhai e Guangzhou, sem esquecer Pequim. O público pode ver “uma interpretação dessas diversas perspectivas geográficas”, em que David Fank cria “acções como caminhadas, fotografia e objectos que ancoram e geram este mapa”. “Estas cristalizam-se na sua compreensão dos significados por trás destes espaços e, naturalmente, na mudança desses significados – o olhar e as associações do artista, em certo sentido como um ‘outsider’, tornam-se assim manifestos”, é ainda explicado. Amanhã cabe a Wang Jing fazer uma introdução à exposição, com início às 16h, sendo “Land and Sea” resultado de uma residência artística realizada por David Fank no Armazém do Boi, nomeadamente com o “Programa de Residência Artística 3+0/1+1 (Macau / Projecto 2025)”. David Fank nasceu em 1984, tem licenciatura e mestrado pela Escola Superior de Belas Artes de Paris e também um doutoramento atribuído pela Academia Central de Belas Artes de Pequim, China. Trabalha essencialmente com fotografia, instalação e escultura. A pedra como origem Outra mostra que também pode ser vista no Armazém do Boi a partir de amanhã, é “Seak Kam Tong”, de Yuan Zeqiang, com curadoria de Hu Bin. Esta mostra é ainda resultado do mesmo programa de residência artística que acolheu o trabalho de David Fank. Aqui, Yuan Zeqiang estabelece uma relação da arte com a pedra, e por sua vez com o próprio território. “A relação com a pedra começa no momento em que se entra em Macau: sob os pés, temos o piso de pedra em mosaico”, onde se inclui a calçada portuguesa, além de que “o Templo de A-Má foi erguido sobre uma colina rochosa, tendo-se tornado num local onde moradores e visitantes recorrem na qualidade de apoio espiritual”. Apresentam-se, nesta mostra, “colagens tridimensionais que revelam as dualidades e verdades da vida moderna”, onde Yuan Zeqiang explora as diferentes dimensões, perspectivas e significados das pedras num território como Macau. “A calçada portuguesa, de pedra fragmentada, em Macau é um legado da história colonial portuguesa, e este meio material homogéneo parece reflectir o choque e a fusão de múltiplas culturas na cidade. No quotidiano, a pedra surge como um elemento paisagístico onipresente, sendo algo particularmente evidente em Macau”, indicou Yuan Zeqiang, citado na mesma nota. Relação com o mar Ainda no Armazém do Boi, o público pode ver “Standing Wave Manifold”, de Fan Xianxin, com curadoria de Sun Xiaoyu, que explora a relação de Macau com a água e a forma como o território se foi construíndo com permanentes mutações. “‘Mar-Espelho’ é um dos muito nomes que Macau foi tendo ao longo da sua história. Essa imagem remete para um estado de imobilização situado num tempo e espaço específicos. Nesta cidade cercada por água, a fronteira entre água e terra tem sido continuamente reconstruída desde o século XIX até aos dias de hoje, sendo que a evolução das denominações tem ocorrido juntamente com as trajectórias mutáveis dos sistemas, do poder e da identidade”, do próprio território, explica uma nota sobre a exposição. A artista, que também realizou um período de residência artística no Armazém do Boi, analisa Macau “a partir de observações e deslocações”, tentando “compreender como sistemas, paisagens e o Feng Shui actuam de forma conjunta na conformação do nosso quotidiano concreto e minucioso”. Nesta exposição apresentam-se conceitos como “ondas estacionárias” e “variedades” que não são apenas físicos, mas revelam “estruturas de um equilíbrio dinâmico que se formam com a interferência de duas ondas que vão em direcções opostas, mas que constituem um método para interpretar o processo de modernização de Macau”. Tenta-se, assim, compreender “a complexa totalidade que é tecida por incontáveis fragmentos, todos eles interligados”. Assim, “Standing Wave Manifold” centra-se na procura pela investigação “de uma estrutura de ‘mobilidade’ construída a partir do ‘movimento'”, descreve-se.
IPIM | Recebidas 13 candidaturas a plano para empresas internacionais Hoje Macau - 9 Jan 2026 O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau anunciou que recebeu 13 candidaturas nos primeiros dois meses de um programa lançado para atrair empresas internacionais para a RAEM. Mais de 500 companhias pediram informações sobre o plano de apoio O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) revelou num comunicado, divulgado na quarta-feira, ter recebido 13 candidaturas ao “Plano para o Desenvolvimento Económico no âmbito do Apoio ao Estabelecimento da Primeira Loja em Macau”, aberto em Novembro do ano passado. A entidade acrescentou estar a analisar as candidaturas para conceder “apoios financeiros de acordo com a capacidade orçamental e o interesse público”. O Plano para o Desenvolvimento Económico no âmbito de Apoio ao Estabelecimento da Primeira Loja em Macau fornece um apoio até um milhão de patacas. Para receber o apoio máximo, as empresas devem seguir alguns requisitos, como estabelecerem-se no NAPE, Areia Preta, Iao Hon, área de San Kio, Praia do Manduco, Fai Chi Kei, Doca do Lam Mau, Bairro de Tamagnini Barbosa ou Ilha Verde. Além disso, devem ter uma área mínima, assim como um determinado número de empregados locais contratados a tempo inteiro. O IPIM sublinhou ainda que mais de 500 empresas pediram informações sobre o programa, que foi lançado em 1 de Novembro. O plano dura três anos e tem seis fases de candidatura, sendo que a primeira decorre até final de Janeiro. No fim de Novembro, o presidente do instituto, Che Weng Keong, disse na Assembleia Legislativa que entre as empresas que pediram mais informações sobre o plano estavam “marcas de Portugal”. O IPIM recordou que “tomou a iniciativa” de contactar entidades da China continental, do Sudeste Asiático e dos países de língua portuguesa e espanhola. Colher frutos O programa, que tem o objectivo de “enriquecer o encanto turístico de Macau e dinamizar a economia comunitária”, foi apresentado em Lisboa e no Porto, no início de Outubro, por responsáveis do IPIM, que realizaram depois apresentações também na vizinha Espanha, em Madrid e Barcelona. O IPIM prometeu continuar a divulgar o plano, incluindo através da participação em eventos de convenções e exposições, “incentivando a cooperação entre empresas de Macau e marcas estrangeiras, incluindo de países lusófonos”.
Jogo | Seaport prevê crescimento de 19% das receitas em Janeiro João Santos Filipe - 9 Jan 2026 A base de comparação ajuda, mas a principal indústria de Macau continua a expandir mês após mês. O relatório mais recente da Seaport Research Partners prevê que até Março as receitas aumentem anualmente 14 por cento A empresa de serviços financeiros Seaport Research Partners prevê um crescimento anual de 19 por cento das receitas do jogo em Janeiro, de acordo com o relatório mais recente da instituição. A nível trimestral as receitas podem aumentar cerca 14 por cento. “A nossa estimativa para Janeiro aponta para um aumento de 19 por cento em relação ao ano anterior (mais 4 por cento em relação ao mês anterior), com a taxa de crescimento ajudada por uma comparação fácil [face ao valor de 2025]”, pode ler-se no relatório do analista Vitaly Umansky, citado pelo portal GGR Asia. Em Janeiro de 2025, as receitas brutas do jogo foram de 18,3 mil milhões de patacas, o valor mais reduzido de todo o ano, o que contribui para o maior crescimento relativo. Apesar da base baixa de comparação, o crescimento de 19 por cento das receitas a abrir o ano é tido por Umansky como um sinal “sólido” para o primeiro trimestre, em que se espera uma expansão das receitas do jogo na ordem dos 14 por cento. Recorde-se que nos primeiros três meses de 2025, as receitas atingiram 57,7 mil milhões de patacas. “Estimamos que o mês tenha começado bastante forte, possivelmente com receitas acima de 850 milhões de patacas por dia durante o fim-de-semana prolongado de 1 a 4 de Janeiro”, consta no documento. Dezembro mais fraco A previsão do crescimento de 14 por cento no primeiro trimestre tem em conta o facto de as receitas terem abrandado em meados de Dezembro, o que a Seaport Research Partners considera dever-se ao facto de os grandes apostadores preferirem visitar Macau para jogar entre Janeiro e Fevereiro. “Prevemos que as receitas brutas do jogo cresçam mais de 14 por cento no primeiro trimestre e sete por cento em 2026”, afirmou Umansky. “O crescimento em 2026 é apoiado por comparações fáceis no primeiro semestre e pela continuação da flexibilização dos fluxos monetários e da emissão de vistos”, foi frisado. Vitaly Umansky adiantou ainda que se houver algum aumento inesperado das receitas no mercado de massas que os resultados da indústria do jogo podem superar a previsão indicada e que esse aumento iria beneficiar as concessionárias actualmente com maior capacidade.
Wynn, MGM e Melco anunciam bónus para trabalhadores João Santos Filipe - 9 Jan 2026 As concessionárias do jogo Wynn Resorts, e MGM China anunciaram um bónus equivalente a um mês de trabalho que vai abranger entre 95 e 98 por cento dos trabalhadores. A informação foi divulgada ontem através de comunicados, depois de a concessionária Galaxy ter anunciado uma medida semelhante, na terça-feira. No que diz respeito à Wynn Macau, o bónus vai abranger 98 por cento dos actuais 11.552 trabalhadores elegíveis, como “reconhecimento das contribuições excepcionais de todos os membros da equipa ao longo do último ano”. “Estamos verdadeiramente gratos pelos esforços e contribuições dos membros da nossa equipa ao longo do último ano e temos o prazer de anunciar um subsídio especial em reconhecimento do seu trabalho árduo”, afirmou Linda Chen, vice-presidente e directora executiva da Wynn Macau. “Este ano comemoramos o importante marco do nosso 20.º aniversário em Macau — não é só uma conquista para a Wynn, mas também uma prova da dedicação de todos os membros da nossa equipa”, acrescentou. Tendências gerais No caso da MGM o bónus vai abranger 95 por cento dos trabalhadores, como “reconhecimento pela sua dedicação e contribuições ao longo de 2025”. O montante começará a ser pago a partir do dia 21 deste mês. “Reflectindo sobre 2025, levámos adiante um novo capítulo, optimizando continuamente os nossos produtos inovadores e experiências de serviço, alcançando um progresso constante no desenvolvimento dos nossos negócios – tudo graças à dedicação e ao trabalho árduo da nossa equipa”, indicou Pansy Ho, presidente e directora executiva da MGM China em comunicado. “Olhando para o futuro, a MGM continuará a melhorar os seus pontos fortes, com um foco inabalável nos nossos hóspedes. Guiados pela filosofia de ‘Originalidade + Inovação’, vamos continuar dedicados a contribuir para o posicionamento de Macau como um centro turístico e de lazer de classe mundial, através da introdução contínua de ofertas turísticas mais diversificadas”, frisou. Finalmente, a Melco Resorts também anunciou um bónus para “os trabalhadores elegíveis”, mas a proporção da força de trabalho abrangida não foi indicada. “O pagamento do bónus discricionário reconhece a dedicação e o apoio dos nossos colegas ao longo do ano passado. Agradecemos sinceramente a sua lealdade e empenho em superar consistentemente as expectativas dos hóspedes, o que, em conjunto, ajuda a empresa a manter e a destacar a sua posição de liderança na indústria do entretenimento e da hotelaria”, disse Lawrence Ho, presidente do grupo.
Zona de Espectáculos | Governo admite mudança de finalidade Andreia Sofia Silva - 9 Jan 2026 A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, admitiu, no debate desta quarta-feira na Assembleia Legislativa (AL), que a Zona de Espectáculos ao Ar Livre, no Cotai, poderá vir a acolher outro tipo de actividades comunitárias que não apenas concertos. Em resposta a uma interpelação oral do deputado Chan Lai Kei, a secretária afirmou que, depois de um ano de utilização experimental, pretende-se “ampliar e reforçar as funções do local”, sendo “utilizados os espaços disponíveis entre os concertos para transformar o local em campos de basquetebol 3×3 ou em espaços de realização de actividades desportivas em família”. A Zona será, assim, “um espaço aberto aos cidadãos por forma a aumentar a flexibilidade e benefícios gerais de utilização”. “Quanto à questão levantada relativamente à introdução de eventos diversificados como feiras culturais e criativas, entre outras, o Governo irá manter uma atitude aberta no processo de avaliação”, disse ainda a secretária.
Habitação | Chan Lai Kei alerta Governo para problemas de infiltrações Hoje Macau - 9 Jan 2026 O deputado Chan Lai Kei alertou o Governo para as necessidades dos residentes que têm infiltrações em casa e não conseguem entrar em contacto com os vizinhos para resolver o problema. O assunto foi abordado através de uma interpelação escrita, em que o deputado indica que existem actualmente 1.700 edifícios em Macau que apresentam problemas de envelhecimento estrutural. “À medida que tanto os residentes como os edifícios envelhecem, as infiltrações de água e os esgotos entupidos causados pelo envelhecimento dos sistemas de drenagem dos edifícios tornaram-se problemas persistentes que incomodam os residentes”, escreveu o deputado. Face a esta situação, o deputado indica que o Centro de Interserviços para Tratamento de Infiltrações de Água nos Edifícios da Administração Pública recebeu mais de 1.900 pedidos de auxílio e informações entre Janeiro e 12 de Dezembro. “Quase 90 por cento foram resolvidos através de mediação, mas aproximadamente 152 casos ficaram por resolver, uma vez que os proprietários não cumpriram ou não cooperaram após a mediação”, revelou. “Os residentes que enfrentam problemas de infiltração de água deparam-se constantemente com três grandes dificuldades: obter acesso à propriedade, realizar inspecções e obter uma indemnização”, alertou. O legislador pede assim ao Governo que promova uma campanha sobre a obrigação dos proprietários das fracções que recusam cooperar com os vizinhos para resolver infiltrações. O deputado pede ainda ao Executivo que tome medida “preventivas” para lidar com estes problemas.
Inquérito | Mais de metade dos jovens desapontados com salários João Luz - 9 Jan 2026 Um inquérito da Associação Geral das Mulheres revela que mais de metade dos jovens acha que os salários estão abaixo das expectativas e um terço admite falta de experiência profissional. No capítulo da formação, quase metade dos inquiridos gostaria de ter mais proficiência em línguas A Associação Geral das Mulheres de Macau apresentou ontem um inquérito focado no emprego dos jovens. No momento de procurar emprego, ou mudar de carreira profissional, mais de 50 por cento dos jovens inquiridos indicaram que os salários e benefícios estão abaixo das suas expectativas. Ainda neste tema, cerca de 42 por cento apontou a elevada competição como desafio principal, um terço confessou não ter experiência profissional relevante. Outro desafio mencionado, foi o desencontro entre as competências e as exigências do mercado de trabalho de Macau. A desadequação entre as capacidades dos jovens e as exigências laborais, aliada à falta de oportunidades para desenvolver competências avançadas e ao elevado custo de certificações profissionais foi identificada como um dos maiores entraves no início da carreira. No que toca ao desenvolvimento de competências, quase metade dos inquiridos apontou a formação em línguas como a sua escolha preferencial, seguido daquilo a que os autores do inquérito designaram como “habilidades interpessoais” (resolução de problemas complexos e capacidade negocial). As outras competências elencadas pelos jovens foram capacidades de gestão e liderança. Falta de espaço Em relação às acções de formação, o inquérito da Associação Geral das Mulheres revela que quase 50 por cento dos jovens deseja aceder a cursos práticos sobre conteúdos digitais (como Inteligência Artificial e mega-dados). Por outro lado, cerca de 46 por cento gostaria de frequentar cursos de certificação profissional internacionalmente reconhecidos. Além disso, mais de metade dos jovens afirmou que o mercado laboral de Macau é demasiado pequeno, sem projectos avançados de desenvolvimento de competências ou planos de formação profissional internacionalmente reconhecidos. O tempo e custo financeiro deste tipo de formação foi apontado como um entrave à progressão profissional por mais de 37 por cento dos inquiridos. Em termos de prioridades no mercado de trabalho, quase 75 por cento dos inquiridos indicou dar prioridade aos salários, ao equilíbrio entre o trabalho e os tempos livres e à estabilidade laboral. O inquérito foi realizado online, entre Outubro e Novembro, a residentes com idades entre os 18 e 45 anos, contando com 568 respostas válidas. Durante a apresentação dos resultados do estudo, as deputadas Wong Kit Cheng e Loi I Weng fizeram recomendações para endereçar os desafios enumerados pelos jovens. As primeiras sugestões foram políticas que o Governo indica há anos como prioritárias, como a construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin e a diversificação adequada da economia. As deputadas pediram também o aumento do apoio ao Programa de Prémios por Formação e Exames de Credenciação dos Quadros Qualificados para, pelo menos, 10 mil patacas.
Grande Baía | Prometido alinhamento de sistemas de segurança social Hoje Macau - 9 Jan 2026 Os governos de Guangdong e Macau reiteraram o compromisso de aprofundar a cooperação nas matérias laborais e de segurança social, num périplo de uma delegação da RAEM a Guangzhou, Jiangmen e Zhongshan. A delegação composta por representantes da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e do Fundo de Segurança Social participou em seminários e visitou centros de serviços públicos e de formação profissional. Durante as visitas, os representantes da RAEM e as autoridades de Guangdong acordaram detalhes para implementar estágios profissionais para os jovens de Macau, assim como um mecanismo de partilha de dados em matéria de segurança social entre Guangdong e Macau. Foi também prometido o reconhecimento recíproco dos níveis de técnicas profissionais e de exames de “formação de quadros qualificados com competências técnicas na área de reabilitação por acidentes de trabalho”. Em relação às visitas propriamente ditas, a delegação de Macau esteve no Centro dos Serviços Administrativos em Jiangmen para analisar o processo dos serviços de segurança social providenciados pelo Balcão Único aos residentes de Macau e projectos industriais montados na cidade. Em Zhongshan, a delegação visitou o instituto de formação de técnicos, “onde observou a base nacional de formação de doçaria e pastelaria ocidental, conhecendo os trabalhos de formação dos referidos quadros qualificados”, indicou ontem a DSAL em comunicado.
Aeroporto | Reconhecimento facial agiliza controlo de segurança Hoje Macau - 9 Jan 2026 A empresa que gere o Aeroporto Internacional de Macau anunciou ontem a entrada em funcionamento do novo sistema de reconhecimento facial na área do controlo de segurança, depois de um período experimental de uma semana. A Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau especificou que o sistema passou a permitir que os passageiros façam o controlo de segurança em dois minutos (sem necessidade de abrir a bagagem de mão ou revistas corporais). Os passageiros com mais de 11 anos, que tenham documentos de viagem electrónicos, podem fazer o registo nos balcões de check-in, quiosques de auto-atendimento ou nos portões de segurança electrónicos. Feito o registo, o reconhecimento facial fica associado aos dados do passaporte e do cartão de embarque, permitindo prosseguir até ao avião sem mostrar documentos físicos ou o bilhete da viagem. Foi acrescentado que, actualmente, todos as portas ligadas às portas de embargue ligadas a pontes para o avião estão “equipadas com sistemas de auto-embarque para conveniência dos passageiros. O sistema de reconhecimento facial faz parte do plano de modernização da área de segurança no aeroporto que implica um investimento de 43 milhões de patacas.
Seguro automóvel | Pedida revisão de valores de cobertura João Santos Filipe - 9 Jan 2026 Sem qualquer alteração há 15 anos, a deputada ligada à comunidade de Fujian questiona o Governo sobre a revisão do valor mínimo do seguro que actualmente é de 750 mil patacas para ciclomotores e de 1,5 milhões de patacas para motociclos e automóveis A deputada Song Pek Kei defende a necessidade de aumentar o valor mínimo de cobertura do seguro de responsabilidade civil para os acidentes de trânsito. O assunto foi abordado através de uma interpelação escrita, com a legisladora a alertar para o facto de a parte responsável pelo acidente ficar frequentemente em dificuldades para pagar a indemnização. Song indica que actualmente se os residentes optarem pelos seguros mais baratos, o valor máximo que as seguradoras têm de cobrir é de 750 mil patacas, se conduzirem um ciclomotor, ou de 1,5 milhões de patacas, se o veículo conduzido for um automóvel ou um motociclo. Todavia, a legisladora considera os valores desadequados porque se mantêm inalterados “há 15 anos”, apesar do desenvolvimento social. A deputada ligada à comunidade de Fujian aponta também que como o rendimento mediano dos residentes se aproxima de 20 mil patacas e “a indemnização atribuída pelos tribunais por um único acidente de trânsito excede normalmente o limite mínimo da cobertura do seguro” a parte considerada responsável fica em dificuldades para “proporcionar uma indemnização razoável à vítima” do sinistro. Por estes motivos, e por definir o montante de cobertura “inadequado para responder à evolução social”, Song questiona o Governo sobre se vai aumentar o valor mínimo de cobertura para responder “à crescente procura de indemnizações”. A deputada sugere também a criação de um mecanismo de revisão regular do montante para evitar problemas como o actual, em que o valor da cobertura se afasta regularmente da realidade. Indemnizações excessivas? Na interpelação, Song Pek Kei considera ainda que as indemnizações determinadas pelos tribunais devem ser razoáveis, para acompanharem a evolução social. “Montantes de indemnização excessivamente elevados impõem um encargo irrazoável às partes responsáveis e não estão em consonância com a evolução da sociedade contemporânea”, apontou. Segundo Song, em causa está o facto de as decisões dos tribunais condenarem os responsáveis pelos acidentes regularmente a cobrir danos não materiais, tais como sofrimento mental e perda de rendimentos futuros. Como o seguro apenas cobre os “danos corporais e danos materiais parciais”, a deputada indica que os condenados a pagar ficam regularmente em dificuldades para fazer face ao pagamento das indemnizações. Além disso, a legisladora pretende esclarecimentos sobre a hipótese de os seguros passarem a abranger os tipos de compensação que agora são deixados de fora.