Aolai: uma análise zoológica

Os órgãos de comunicação social do mundo inteiro estão repletos de notícias sobre guerras e conflitos: a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, tensões entre a China e os Estados Unidos, vários conflitos declarados/ou potenciais em África e no Próximo Oriente, na região do Cáucaso, na Ásia Central, no Sudeste e no Sul deste continente, e assim por diante. Em suma, se avaliarmos a conduta da humanidade em termos globais pelo número de conflitos existentes, percebemos que este mundo não está a mudar para melhor.

Estamos todos no mesmo barco, mas a evolução não nos fez mais inteligentes. O barco é um pequeno navio exposto aos perigos das alterações climáticas, em parte, produzidas pelo Homem. Os políticos sabem tudo isto, mas a desconfiança entre os humanos é profunda e a incapacidade de aceitar soluções de compromisso é assustadora.

Um aspecto absurdo da todo este cenário tem a ver com as ideologias: os líderes insistem em invocar os “princípios”, acreditando que as suas opiniões e estratégias serão as melhores e mais adequadas para ultrapassar os conflitos e salvar este mundo, enquanto as abordagens dos outros são inaceitáveis. Fala-se muito de sistemas de valores, e muitos Governos defendem que os valores não são negociáveis. No entanto, ninguém coloca esta questão simples: somos assim tão diferentes uns dos outros?

Os zoólogos dizem-nos que as sociedades dos gorilas e dos chimpanzés são bastante semelhantes em muitos aspectos. Aqueles que gritam mais alto e sabem defender o seu grupo, são mais os respeitados. As ameaças e os gestos violentos são importantes, mas o povo dos macacos nem sempre consegue distinguir entre as capacidades reais e as capacidades simuladas dos seus líderes. As notícias falsas parecem ser um problema. Além disso, existem sempre dissidências em todos os “clãs” de macacos.

Claro que a hierarquia sociológica muda de vez em quando, enquanto as estruturas essenciais do “sistema simiesco” permanecem as mesmas. Normalmente, estes “sistemas” são regimes autoritários. No entanto, possuem alguns elementos democráticos ao nível mais básico, porque aqueles que querem elevar o seu estatuto precisam de ser aceites pela sua clientela. As fêmeas também fazem parte deste processo e uma análise mais cuidada das sociedades destes nossos “parentes” mostra-nos que existem casos de femmes fatales que costumam deitar algumas “achas para a fogueira”.

As sociedades dos macacos são caracterizadas por aquilo a que podemos chamar uma forma de governação muito directa. Mais precisamente, os macacos operam sem computadores; podem agir sem um aparelho burocrático complicado. Podem usar manhas e truques e, naturalmente, os mais ambiciosos desenvolvem estratégias simples para fazerem progredir as suas carreiras pessoais. O controlo do território é importante para todos os clãs e a liderança está intimamente ligada a esta nobre função. Por outras palavras, a construção do Estado parece depender da capacidade de conquistar espaços e ampliar os recursos alimentares. Isto implica um planeamento cuidadoso.

Assim, os Estados dos macacos envolvem-se frequentemente em guerras primitivas, pelo menos de vez em quando. Não raras vezes, isto conduz ao imperialismo simiesco. As derrotadas entidades alienígenas rendem-se e tornam-se parte de uma sociedade superior. No entanto, quando os líderes envelhecem, os jovens mais aguerridos pesam os prós e os contras de uma possível revolução. Em tais situações, emerge um problema diferente: os Estados simiescos não têm fundos de pensões. Quando os velhotes se reformam, ou se veem forçados a reduzir as suas actividades, os mais novos não tomam necessariamente conta deles. Finalmente, a declaração implícita da identidade de uma banana, projectada para guiar a ascensão da sociedade através do tempo e do espaço, vai implicar demarcações acentuadas entre os diferentes gangues, grupos e estados.

Isto soa familiar, pelo menos em parte, não vos parece? Nesta altura, alguns leitores podem estar a pensar no Rei dos Macacos do famoso romance chinês “Jornada para o Oeste”, ou Xiyou ji 西游(遊)記. O paraíso está perdido, logo no início da história, quando um dos macacos se torna ambicioso e se transforma no líder da sua espécie. A multidão segue-o e às suas palavras de ordem propagandísticas. Até aqui tudo parece estar bem, mas, como já foi mencionado, a criação de um sistema de valores, com uma identidade colectiva, marca o início de um longo declínio. Todo o romance é claramente uma gigantesca metáfora filosófica e devemos lê-lo como tal. Mas, ao mesmo tempo, acaba por ser muito divertido porque é uma espécie de divina comedia. Tem humor, ironia e sátira. Claro que nem todos entendem o que está em causa. A identidade cria limites. Bem, então, uma série de conceitos gravados na nossa mente acaba por nos cegar? Será que as diferentes línguas e os conceitos ligados a cada palavra e a cada termo são a raiz de todos os problemas? Comunicação? Paraíso perdido? Devemos culpar a “civilização” por toda a infelicidade que nos rodeia?

Aqueles que acreditam num progresso constante fazem-me lembrar um certo princípio sagrado; chamam-lhe “Destino Manifesto”. É uma doutrina que surgiu no Novo Mundo, o credo da esfera “reformadora”. Isto leva-nos de volta a Sun Wukong 孫悟空, o Rei Macaco: Ele tornou-se individualista, a ambição alterou o seu comportamento e “lavou-lhe” o cérebro. Ele foi “reformado”. Talvez possamos relacionar este fenómeno com o conceito de auto-realização, que significa a realização das capacidades e competências pessoais. O prefixo auto indica que tudo é centrado naquele indivíduo, mas a multidão não se apercebe disso. Para ser mais preciso, podemos pensar em egoísmo camuflado. – Confúcio não deveria ter gostado desta ideia, oponha-se a estas elaborações falaciosas e à lavagem cerebral. Ele bebia vinho, não bebia Budwiser.

No entanto, Confúcio sabia que as multidões correm sempre atrás daquele que grita mais alto. Na verdade, a um sistema de valores segue-se outro, pelo menos isso é o que as multidões têm para nos ensinar. Supostamente, a Humanidade está a melhorar; e actualmente pregam a auto-realização colectiva, acreditando piamente que a evolução implica progresso contínuo. Alguns destes líderes doutrinários comportam-se como visionários. Felizmente, nem todos acreditam nestes “iluminados”. As pessoas do bom senso e com alguma modéstia ficam preocupadas; sentem que a Humanidade está a regredir – apesar das novas tecnologias, de uma quantidade de convenções diplomáticas e de outras invenções. É evidente que o cepticismo faz sentido, especialmente porque alguns órgãos de comunicação social, guiados pelos visionários, refinaram os seus procedimentos de lavagem cerebral e porque é cada vez mais difícil reverter este processo e voltar à normalidade.

Como já foi exposto, o problema tem raízes muito antigas. Uma “malaise” produz sempre alguns sintomas. O Novo Mundo orgulha-se de um estatuto associado a um lema estrangeiro: “La Liberté éclairant le monde”. Se ao menos estivéssemos a falar de um “éclair au chocolat”, para substituir a identidade das bananas dos macacos! Mas as circunstâncias são muito diferentes. Quando o país “reformado” ergue esta estátua, as multidões locais esmurram o peito com orgulho. Hoje em dia, visitantes com excesso de peso, mascam pastilhas elásticas da imortalidade e curvam-se em frente dela. Os seus antepassados tinham vindo das ilhas Viking através do mar. – uma espécie de “jornada para o oeste”, em busca de iluminação. Assim, o esmurrar do peito vai e vem.

E, no entanto, existem alguns atalhos. A estátua foi feita por um francês: Frédéric-Auguste Bartholdi. Além disso, há séculos, outro francês tinha concebido o desenho para o centro urbano de Aolaiguo 傲來國, o nome do Reino dos Macacos em Xiyou ji. Podemos acrescentar, que foneticamente, “Ao” é semelhante a “Ou” 歐 (o nome chinês para Europa).

Daí que haja uma ligação oculta ao “Velho Mundo”. Provavelmente isso deve-se ao código genético: Até hoje, o lado selvagem dos clãs Viking continua a ser considerado um fenómeno excitante. Além disso, por algum tempo tinham uma abreviatura programática: WASP (VESPA) – “Wipe out Airbags, Shoot Pigeons” (Deitem fora os Airbags e Matem os Pombos). Pois é, podemos percebê-los. Têm um problema com a pomba da paz.

Voltemos ao segundo francês. Chamava-se Pierre Charles L’Enfant. A palavra “L’enfant” lembra-nos as crianças. É aqui que nos podemos lembrar da frase: “Se não fores como as crianças…” Como podemos ver, isso não ajudou em nada.

As criaturas de duas pernas em Aolai não estão satisfeitas consigo próprias. Induzidas em erro pelo “Grande Sábio Igual ao Céu” (Qitian dasheng 齊天大聖, um título de Sun Wukong), simplesmente não conseguem deixar de esmurrar o peito, comportando-se, portanto, como crianças mentalmente perturbadas. Devemos desculpar este comportamento? Infelizmente, os poucos elementos da multidão com visão mais alargada não conseguiram encontrar maneira de alterar a tragédia.

Recapitulemos: O paraíso parece perdido. Existem sinais de retrocesso. Há alguns anos, Keith Ablow, um psiquiatra, chegou a apelar a uma “jihad” na Fox News. A receita era simples: Continuem a esmurrar o peito, quanto mais melhor. Houve muitos outros que expressaram opiniões semelhantes.

Voltemos à história: a construção do centro urbano onde a multidão se reuniria para instalar os seus líderes carismáticos, começou em 1792. A praça estava dividida em quatro zonas associadas às quatro direcções celestiais (si fang 四方). Apenas um ano mais tarde, uma embaixada Viking chegou ao Império Manchu e fizeram uma oferenda de bananas. O seu anfitrião, o Imperador Qianlong, recusou educadamente os estranhos pedidos destes intrusos.

Foram-se embora de mãos a abanar e causaram imensos distúrbios nos anos vindouros. O facto de os dois eventos – a vinda da embaixada e a iniciativa da construção das cavernas – terem ocorrido sensivelmente ao mesmo tempo, parece ter um peso simbólico. O mais certo é pertencerem à mesma família e serem aliados frequentes, especialmente quando as questões nutricionais estão envolvidas.

Macau também tem uma estátua gigante. Quem está representada é Guan Yin, e no Extremo Oriente encontramos muitas estátuas erguidas a esta figura. Desde tempos imemoriais, Guan Yin está de boas relações com o Céu, onde tem amigos e aliados. São pacientes e ficam de olho no que acontece na Terra. Claro que, quando o ambicioso Rei Macaco começou a passar os limites, o Céu teve de intervir. Roubar os pêssegos da imortalidade era contra as regras. Guan Yin e os outros tentaram proteger os fracos e preservar a paz.

Este assunto é muito complicado. Os “jihadists” reformados, que pregam o lema “Aolai first”, defendem de corpo e alma a maximização dos lucros e a competição do corte de gargantas. Pensam que as forças superiores do Céu, o

Criador acima de tudo, vão honrar todos aqueles que forem bem-sucedidos – que ponham o princípio abstrato de auto-realização em marcha. Existe um passeio da fama numa das suas cidades, esculpido no solo, que eles foram buscar há algum tempo a uma tribo não reformada. Guan Yin está a par do problema e sabe que há qualquer coisa Aolai. Sim, eles falam de salvação, de saúde material e de felicidade imperturbável, mas quase nunca se preocupam com os pobres. A modéstia não faz realmente parte da sua religião. No entanto, falam de valores e continuam a doutrinar líderes masculinos e femininos doutras comunidades. Às vezes tentam ser extremamente simpáticos e oferecem Budwiser. Actualmente, têm sido muito bem-sucedidos no velho continente, especialmente nas zonas dos Vikings, a Norte de Limes. A Sul dessa linha fica território alienígena, dependente do vinho.

Guan Yin observa tudo isto. De facto, existe uma grande dificuldade. Em Xiyou ji, o Rei Macaco, Sun Wukong, não é omnipotente. Pode fazer alguns truques e usar magia, mas não vai muito longe, o seu mestre, o tímido monge Xuanzang 玄奘 (Tripitaka), consegue controlá-lo. Isto conduz-nos a uma questão importante: Como é que conseguimos impedir os líderes dos gangues de Aolai de criar problemas desnecessários? Hoje em dia, já não usam fitas à volta da cabeça e ninguém pode fazer um feitiço para as apertar. Teria o Imperador de Jade e a sua equipa celestial cometido um erro? Será que se esqueceram de providenciar um mecanismo que pudesse travar os rufias terrestres e impedi-los de fazer disparates?

Recentemente, ouvimos notícias de objectos redondos caídos dos céus. Algumas criaturas extraordinárias perguntaram se estes objectos poderiam ter origem alienígena. Os Aolaianos certamente discutiram isto no edifício pentagramático, adjacente à zona de reuniões sifang, enquanto tentavam arrefecer os cérebros em brasa, botando abaixo bebidas frescas. Podemos sempre prever os efeitos da irrigação excessiva, mas talvez não nos devamos preocupar muito com isso. A Budwiser faz inchar as barrigas cheias de bananas de forma perigosa. Visto de uma perspectiva long durée, é impossível controlar os cinco elementos. Mas as visões também chegam ao fim. O barulho que fazem a esmurrar o peito aumenta e já existem muitas queixas de poluição sonora…

Kun Iam | Inaugurada exposição sobre flores de lótus

O Centro Ecuménico Kun Iam exibe até ao dia 30 de Junho deste ano uma exposição sobre flores de lótus, apresentando 19 peças ou conjuntos de trabalhos de caligrafia, pintura e arte digital que pertencem à colecção do Museu de Arte de Macau.

A mostra, promovida e organizada pelo Instituto Cultural, permite, assim, conhecer de perto o trabalho de artistas como Jao Tsung-I, mestre em sinologia; Yuan Yunfu, director-geral da Direcção da Associação de Artistas da China; Situ Qi, um dos pintores mais experientes da Escola de Lingnan; e Lok Cheong, prestigiado artista de Macau. Segundo um comunicado, a exposição “reúne uma grande variedade de estilos criativos, permitindo ao público admirar diferentes formas de representar o lótus e as suas qualidades espirituais de paz e de pureza”.

Na cultura chinesa tradicional, o lótus simboliza a bondade e encarna a verdade, a virtude e a beleza. Macau sempre foi conhecida como uma terra abençoada pelo lótus. Nesse sentido, esta mostra é especialmente organizada para “simbolizar a estabilidade, a paz e a prosperidade da RAEM, tal como uma flor de lótus plenamente aberta”.
Além da exposição, haverá ainda espaço para a actividade familiar “Desenhar Flor de Lótus no Centro Ecuménico”.

Casas Museu | Anfiteatro da Taipa recebe três músicos no sábado

Os amantes de música ao ar livre podem desfrutar este sábado de um espectáculo com três músicos de Macau, nomeadamente Ari Calangi, Tomás Ramos de Deus, vocalista da banda da Casa de Portugal em Macau, e ainda o duo Rita Portela, que promete revelar sonoridades jazzísticas

 

O anfiteatro das Casas Museu da Taipa vai encher-se de música este sábado entre as 16h e as 18h. Num evento promovido pelo Instituto Cultural (IC) e organizado pela empresa local SmallWorldExperience, a trilogia de concertos apresenta o trabalho de nomes bem conhecidos do público local como é o caso de Ar Calangi, Tomás Ramos de Deus, músico e vocalista integrante do grupo da Casa de Portugal em Macau (CPM) e o duo Rita Portela, cantora de jazz que actua com o músico François Girouard.

Este evento insere-se na iniciativa desenvolvida pelo IC intitulada “Espectáculos no âmbito da Excursão Cultural Profunda”, que decorre há alguns meses no espaço da Feira do Carmo e Casas Museu da Taipa, sempre aos fins-de-semana. A música acontece nestes locais até ao dia 25 de Março. Dia 4 de Março, o público poderá assistir a concertos sobre “Música e Danças de Macau”. Já no dia 11, actuam as “Bandas Originais de Macau”. Segue-se, dia 18, uma série de espectáculos com “Cantores e Músicos Folk de Macau” e ainda, dia 25, as bandas compostas por jovens ainda estudantes.

Talentos locais

No sábado, Ari Calangi actua a solo. Este artista nasceu e cresceu em Macau, numa família também ela ligada à música. Foi um músico precoce, pois aos sete anos já cantava, tendo começado a ter aulas de piano e bateria aos 13. Com 16 anos, já fazia parte da sua primeira banda. Ari Calangi recebeu uma bolsa para estudar no prestigiado Berklee College of Music, nos EUA, onde esteve até regressar à sua terra natal, em 2012. Ari é também compositor.

Destaque ainda para a presença de Tomás Ramos de Deus, vocalista do grupo musical da CPM. Natural de Lisboa, Tomás estudou na Escola de Jazz do Barreiro e na Academia de Amadores de Música, bem como na Universidade Lusíada. Na CPM, juntamente com outros músicos, tem participado em diversos projectos musicais que homenageiam Macau e muitos escritores, como é o caso dos álbuns “Tributo a Macau” ou “Pessoa”. Além disso, Tomás Ramos de Deus é também docente nos cursos de guitarra clássica e canto na Escola de Artes e Ofícios da CPM.

No caso de Rita Cerqueira Portela, a música faz-se de forma amadora, mas não menos apaixonada. Tendo já actuado como cantora em diversos bares e locais do território ao lado do músico francês François Girouard, Rita trabalha a tempo inteiro como arquitecta. Ao portal Macau LifeStyle, Rita confessou fazer parte de uma família com muitos músicos amadores. “Estive exposta ao jazz, bossa nova, música clássica e Fado desde pequena! Penso que crescer numa família onde os encontros eram preenchidos com música, e em que todos tocam um instrumento, teve uma forte influência em mim”, disse.

Europa | MNE alerta estudantes para sequestros falsos

O Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) da China na RAEM emitiu ontem um alerta a apelar a residentes de Macau que estudem no estrangeiro, em particular na Europa, para terem cuidado com esquemas de “falsos sequestros”.

Este tipo de crime costuma envolver o contacto telefónico de alguém que se faz passar agentes das autoridades do Interior da China ou da Interpol que acabavam por convencer as vítimas a filmar um vídeo onde fingem pedir um resgate por terem sido sequestrados. Apesar de estarem em segurança, os jovens acedem ao pedido e os burlões usam o vídeo para extorquir dinheiro a familiares e amigos das vítimas.

Uma situação semelhante aconteceu a um jovem de Macau “há alguns dias”, segundo relato o comissariado. “Os criminosos abusam das características dos estudantes estrangeiros que acabaram de chegar e que não estão profundamente envolvidos no mundo, fingindo serem agentes da autoridade (…) para ameaçar, intimidar, extorquir” os jovens.

Por esta razão, o comissariado destaca que os alunos devem proteger bem os dados importantes, tal como o passaporte, número de telemóvel, conta bancária e a palavra-passe e ter cuidado com chamadas de pessoas que alegam estar envolvidas em investigações policiais. Se forem contactados, o MNE sugere a denúncia à polícia, às entidades consulares e, em caso de necessidade, pedir ajuda ao Centro de Antifraude de Internet de Telecomunicações da China.

Habitação | Rendas com quebra de 12,8% no ano passado

As rendas das habitações caíram 12,8 por cento no ano passado, sobretudo devido ao desemprego em Macau, mas deverão voltar a subir, entre 5 por cento e 10 por cento em 2023, avançou ontem a imobiliária JLL

 

O director-geral da JLL para Macau e Zhuhai, Oliver Tong, apontou como factores na queda do valor das rendas a subida do desemprego e a partida de milhares de trabalhadores sem estatuto de residente, “grandes contribuidores” para o mercado do arrendamento.

De acordo com dados oficiais, Macau perdeu quase 16.200 trabalhadores não-residentes ao longo de 2022, enquanto a taxa de desemprego entre Outubro e Dezembro fixou-se em 3,5 por cento, mais 0,4 pontos percentuais do que no final de 2021.

A queda das rendas é uma “grande razão para alarme”, disse Tong numa conferência de imprensa, alertando para “o elevado risco” de não pagamento de hipotecas imobiliárias para o sistema bancário de Macau.

O crédito vencido nos bancos de Macau atingiu um novo recorde em Dezembro, 19,4 mil milhões de patacas, mais 32,8 por cento do que no mês anterior, de acordo com dados oficiais.

“O mercado imobiliário de Macau deverá recuperar com mais transacções de arrendamento residencial face à reabertura das fronteiras”, disse Oliver Tong.

Tal como a China continental, Macau, cuja economia depende do turismo, abandonou em meados de Dezembro, após três anos, a política de ‘zero covid’, com a imposição de quarentenas e testagem massiva. No entanto, Tong alertou que a situação do emprego “não vai melhorar do dia para a noite” e que as taxas de juro “deverão continuar a um nível elevado a curto prazo”.

Juros a subir

A Autoridade Monetária de Macau anunciou em 5 de Fevereiro uma nova subida da principal taxa de juro de referência para 5 por cento, o nível mais alto desde Dezembro de 2007. O relatório da JLL estima, por outro lado, que o valor das habitações em Macau caiu 10,1 por cento em 2022, porque “os investidores e potencial compradores tenderam a ser cautelosos face à crise económica”.

“O preço das habitações só voltará a uma tendência de crescimento no próximo ano ou mais tarde”, disse Oliver Tong, que prevê uma escassez de nova oferta residencial privada “a curto e médio prazo”.

O analista acrescentou que a oferta de habitação será “dominada por habitação pública”, dando como exemplo o chamado Novo Bairro de Macau, em Hengqin, que deverá ser posto à venda este ano.

Também as rendas de lojas em Macau caíram 15 por cento em 2022, devido ao impacto da pandemia de covid-19, “uma economia fraca e queda na procura por parte dos consumidores”, referiu o relatório da JLL.

No entanto, Oliver Tong disse esperar uma recuperação entre 10 por cento e 15 por cento, nas rendas das lojas, uma vez que os turistas têm regressado a Macau “mais rapidamente e em maior número do que o esperado”. Mais de um milhão de turistas visitaram a cidade em Janeiro, numa subida de 101,3 por cento em termos anuais e de 259 por cento em termos mensais, de acordo com dados oficiais divulgados na segunda-feira.

CPSP | Negado envolvimento de agente em acidente polémico

O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) recusou ontem que um dos seus agentes tivesse estado envolvido num acidente em que a conduta da polícia levantou muitas questões. O caso foi revelado online, por uma página local especializada em transportes públicos, e terá alegadamente acontecido a 10 de Fevereiro.

Segundo a descrição online, uma viatura particular, uma carrinha de sete lugares, mudou de faixa de rodagem numa zona de linha contínua, e atravessou-se à frente de um autocarro, que retomava a sua marcha. Sem tempo para reagir, a condutora do autocarro público não conseguiu evitar o acidente.

Após o sinistro, o condutor da viatura privada terá alegadamente abordado a condutora apresentando-se como agente da polícia. De seguida, pediu à mulher que encostasse a viatura e chamou as autoridades.

Quando a polícia chegou ao local, terá abordado imediatamente a condutora do autocarro público a quem passou uma multa, por falta de sinal indicativo de mudança de direcção, ou seja, o pisca.

De acordo com a informação que circulou online, devido ao sentimento de injustiça, a mulher começou imediatamente a chorar no local, ao perceber que seria a única pessoa multada. Foi consolada por alguns dos presentes.

Contudo, mais tarde, a delegação para condutores profissionais da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) foi chamada a intervir e contactou os deputados da associação. A partir desse momento, a informação online indicava que as autoridades tinham desistido de passar a multa à condutora.

Ontem, o CPSP explicou ao jornal Ou Mun que a multa não foi retirada e que o condutor da viatura privada também tinha sido multado. Ao mesmo tempo, o CPSP recusou que o condutor fosse seu agente, antes uma das pessoas envolvidas no mecanismo de protecção civil.

IC | Aberto concurso público para gerir Cinemateca Paixão por três anos

O Instituto Cultural abriu ontem o concurso público para adjudicar a gestão das operações da Cinemateca Paixão até ao final de Julho de 2026. Os candidatos podem submeter candidaturas até 11 de Abril, após o pagamento de uma caução de 440 mil patacas

 

A gestão da Cinemateca Paixão durante os próximos três anos volta a ser submetida a concurso público de para adjudicação da prestação de serviços de operação. De acordo com o anúncio publicado ontem pelo Instituto Cultural no Boletim Oficial, a duração da prestação dos serviços é de “trinta e seis meses, de 1 de Agosto de 2023 a 31 de Julho de 2026”.

Os candidatos à adjudicação devem entregar as suas propostas até às 17h do dia 11 de Abril, mas primeiro devem pagar a caução provisória no valor de 440 mil patacas, “mediante depósito em numerário ou garantia bancária a favor do Instituto Cultural”, menos 114 mil patacas do que no anterior concurso público para gerir o espaço.

O anúncio assinado pela presidente do Instituto Cultural (IC), Deland Leong Wai Man, estipula que o limite máximo para o preço proposto se fixa em 22 milhões de patacas.

Três anos depois

O IC estabelece como critérios de apreciação das propostas quatro factores a ponderar. O preço apresentado para os três anos de adjudicação vale 40 por cento, enquanto o “grau de perfeição da proposta operacional trienal e do plano operacional para os primeiros doze meses” vale outros 40 por cento na decisão final.

Finalmente, a “experiência da pessoa proposta para director de operações” tem um peso de 12 por cento na avaliação, enquanto a “experiência da pessoa proposta para consultor” vale oito por cento.

Recorde-se que a Cinemateca Paixão abriu ao público no final de Março de 2017, tornando-se num dos locais de peregrinação para os cinéfilos de Macau. Durante os primeiros três anos de operação, a Associação Audiovisual CUT esteve ao leme da programação no espaço situado na Travessa da Paixão.

Em 2020, num concurso que levantou alguma polémica, a gestão ficou cargo da Companhia de Produção de Entretenimento e Cultura In Limitada, uma entidade ligada ao grupo junket Suncity, através da associação que organizou o Festival Internacional de Cinema de Macau.

O HM contactou a direcção da Associação Audiovisual CUT, que estava a analisar as condições do concurso público e a “considerar seriamente” apresentar uma candidatura. Foram enviadas questões também à Companhia de Produção de Entretenimento e Cultura In Limitada, mas até ao fecho desta edição não recebemos resposta.

UM | Lançada ligação a satélites para prever desastres naturais

A maior instituição de ensino superior local inaugurou ontem uma base de ligação a satélites, cujos dados poderão ajudar a prever desastres naturais, incluindo ciclones tropicais e tufões

 

A Universidade de Macau (UM) inaugurou ontem uma base de ligação a satélites, cujos dados poderão ajudar a prever desastres naturais, incluindo ciclones tropicais e tufões, e lançar alertas atempados, disse à Lusa uma académica daquele estabelecimento de ensino.

Ma Shaodan, directora adjunta do Laboratório de Referência do Estado de Internet das Coisas para a Cidade Inteligente da UM, afirmou que a informação pode servir para “prever” a situação meteorológica e o nível das águas do mar.

Num comunicado, a UM sublinhou que a tecnologia utilizada em satélites de monitorização terrestre, incluindo a utilização de algoritmos e de grandes dados, pode “promover a segurança das cidades e a prevenção de desastres”.

No comunicado, lembra-se o potencial impacto da subida das águas do mar e dos ciclones tropicais nas cidades da Grande Baía, região cuja costa representa quase 30 por cento da área terrestre.

A Grande Baía é um projecto do Governo chinês para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, numa região com cerca de 80 milhões de habitantes e com um Produto Interno Bruto (PIB) superior a um bilião de euros, semelhante ao PIB da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20.

No discurso na cerimónia de inauguração da base de ligação a satélites, o reitor da UM, Song Yonghua, lembrou que Macau é atingido todos os anos por tufões. Em 2017, o tufão Hato, considerado o pior em mais de meio século a atingir o território, causou dez mortos e 240 feridos.

Desafios naturais

Ma Shaodan sublinhou que “é muito complicado” prever a trajectória e comportamento de tufões e ciclones tropicais, mas que, assim que for possível recolher um grande volume de dados, “a tecnologia de simulação pode ajudar muito”.

A montagem da antena parabólica no campus da UM em Hengqin (Ilha da Montanha) arrancou em 2022. A infra-estrutura já está operacional, recebendo dados de dois grupos de satélites chineses e norte-americanos que cobrem quase toda a China e o mar do Sul da China, revelou a académica. Ma Shaodan afirmou também que o principal objectivo é “ajudar a investigação ligada à cidade inteligente e sobre o oceano e as zonas costeiras”.

O reitor da UM destacou ainda a ligação da universidade aos países de língua portuguesa, mencionando em particular Angola e Moçambique. Ma Shaodan confirmou que a nova base está interessada em “partilhar e trocar dados com outros países”, incluindo os lusófonos, “para apoiar o seu desenvolvimento, promover colaborações e criar uma base mais forte para investigação”.

Reserva financeira perdeu 87 mil milhões em 2022

A reserva financeira de Macau perdeu 87 mil milhões de patacas em 2022, indicam dados divulgados ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM). A reserva financeira da Região Administrativa Especial de Macau cifrou-se em 559,2 mil milhões de patacas no final do mês de Dezembro, de acordo com a informação publicada no Boletim Oficial pela AMCM.

Após ter registado em Novembro a primeira subida em 11 meses, a reserva financeira voltou a cair em Dezembro, perdendo quase 3,5 mil milhões de patacas. O valor da reserva financeira está assim cada vez mais longe do recorde atingido de 669,7 mil milhões de patacas em Fevereiro de 2021.

Na primeira metade do ano passado, perderam-se 17 mil milhões de patacas só em investimentos, devido a oscilações no mercado internacional, de acordo com o Governo.

O valor da reserva extraordinária no final de Dezembro era de 393,6 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau para 2022, era de 185,1 mil milhões de patacas.

A reserva financeira de Macau é maioritariamente composta por depósitos e contas correntes no valor de 269 mil milhões de patacas, títulos de crédito no montante de 121,6 mil milhões de patacas e até 162,8 mil milhões de patacas em investimentos subcontratados.

Ano de excepção

Mesmo no cenário de crise económica criada pela pandemia, a reserva financeira de Macau tinha crescido em 2020 e 2021, apesar do Governo ter injectado mais de 90 mil milhões de patacas no orçamento. No ano passado, as autoridades da região voltaram a transferir 68,2 mil milhões de patacas da reserva financeira para o orçamento público, que incluiu dois planos de apoio pecuniário à população.

O Governo gastou ainda 5,92 mil milhões de patacas para dar a cada residente oito mil patacas, montante que pode ser usado para efectuar pagamentos, sobretudo no comércio local, até ao final de Fevereiro. A Assembleia Legislativa de Macau aprovou em Novembro o orçamento da região para 2023, prevendo voltar a recorrer à reserva financeira em 35,6 mil milhões de patacas.

Segurança Social | Estudo alerta para peso do envelhecimento nas famílias

Com a população a envelhecer progressivamente, os adultos trabalhadores vão ter cada vez mais desafios para prestar apoio familiar aos mais velhos. Em 2036, cada 100 adultos trabalhadores vão ter de sustentar cerca de 51 crianças e idosos

 

O Governo precisa de prestar mais atenção à pressão financeira do envelhecimento populacional para as famílias. Esta é uma das conclusões de um artigo da revista científica Urban Science com o título “Envelhecimento Urbano em Macau, Fugas no Sistema de Segurança Social e Estratégias de Solução”, da autoria de Wang Xin, Peng Kang-Lin e Meng Ting, académicos da Universidade Cidade de Macau.

Segundo os dados apresentados, um dos principais desafios com o envelhecimento é o aumento da taxa de dependência social. Esta taxa é utilizada para indicar o número de idosos e crianças dependentes de adultos trabalhadores.

Em 2021, por cada 100 adultos trabalhadores em Macau havia cerca de 38 idosos e crianças dependentes. Excluindo as crianças, o número de idosos dependentes era de 17 por 100 adultos trabalhadores. Porém, as estimativas apontam para uma subida significante nos próximos anos.

De acordo com as estimativas apresentadas, em 2026 o número de dependentes sobe para 48 por cada 100 trabalhadores, dos quais 24 são idosos. Finalmente, em 2036, com a população cada vez mais envelhecida, cada 100 adultos trabalhadores vão ter de sustentar 51 idosos e crianças dependentes, e entre estes, 30 dos sustentados são idosos.

“O aumento da população idosa vai aumentar a pressão sobre os adultos em idade de trabalho, porque vão ter de apoiar os idosos. Este é um fardo que se espera que continue a aumentar para o futuro”, é alertado.

Sem soluções mágicas

Face a estes problemas, os autores apontam como solução a aposta nas chamadas “indústrias de cabelo grisalho”, o que corresponde a aumentar a longevidade da vida profissional dos mais velhos.

“É recomendado que o Governo encoraje os idosos a atrasarem a idade de reforma, para que continuem a trabalhar e se mantenham em contacto mais tempo com a sociedade, enriquecendo as suas vidas, e aumentando o valor da sua contribuição social”, é acrescentado.

Por outro lado, face a este problema futuro, Wang Xin, Peng Kang-Lin e Meng Ting antecipam que os custos do Governo com a saúde e a segurança social vão aumentar também e sugerem que Macau desenvolva mais comunidades na Ilha da Montanha, para criar centros comunitários de idosos.

Quanto a esta tendência, os autores defendem que se deve encorajar ainda o aumento da natalidade, com o aumento da licença de maternidade, mais subsídios ou redução dos custos de educação para os mais novos.

FAOM | Lei Chan U pede soluções para o trânsito

O deputado Lei Chan U, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), pede ao Governo soluções para resolver os congestionamentos de trânsito na zona da Rotunda da Pérola Oriental. O pedido foi feito através de uma interpelação escrita, divulgada ontem.

O deputado considera que o desafio da gestão do trânsito na Zona Norte foi agravado com a possibilidade de carros de Macau entrarem no Interior e antevê mais problemas, agora que as excursões estão de volta e recorrem a autocarros privados.

Antevendo mais congestionamentos, Lei Chan U quer que o Governo encontre em soluções. Uma das propostas apresentadas pelo legislador passa pela criação de um viaduto que ligue directamente as Portas do Cerco e a Zona A dos Novos Aterros.

A alternativa para o fluxo do tráfego acrescentaria um caminho permitindo aos turistas serem encaminhados para uma zona da cidade com menos trânsito, evitando a Rotunda da Pérola Oriental, que é actualmente a maior preocupação devido à grande concentração de veículos. Esta solução seria feita a pensar também na quarta ligação com a Taipa, feita através da Zona A.

Por outro lado, Lei quer também saber se é possível criar outro viaduto na zona, para ligar a Avenida Norte do Hipódromo e as Portas do Cerco também a pensar nos turistas. Esta solução teria como objectivo reduzir o trânsito na zona da Rotunda da Pérola Oriental.

Serviços de Saúde | Alvis Lo reconduzido como director por um ano

Além do director dos Serviços de Saúde, também Wong Chi Hong, director dos Serviços para os Assuntos Laborais tem o mandato renovado por mais um ano. Wong está no cargo há mais de 10 anos

 

Alvis Lo Iek Long vai ficar mais um ano à frente dos Serviços de Saúde, a partir de 1 de Abril, até Março de 2024. A informação foi divulgada ontem através de um despacho da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U.

Como acontece neste tipo de ocasiões, a decisão foi justificada com a “capacidade de gestão e experiência profissional adequadas para o exercício das suas funções”.

Alvis Lo Iek Long está liderança dos Serviços de Saúde desde Abril de 2021, quando substituiu Lei Chin Ion em plena pandemia. A decisão significou também o fim da era de Lei à frente dos serviços, que durou cerca de 14 anos.

A renovação do mandato foi também uma prova de confiança para o homem que deu a cara por muitas das decisões relacionadas com a política de zero casos de covid-19, e que em várias ocasiões, devido a múltiplas orientações pouco clara, estiveram longe de agradar à população, principalmente com as longas filas de espera para realizar testes em massa para grupos específicos.

A voz oficial

Além de director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo é presidente da Federação de Juventude de Macau, que concentra cada vez mais as novas gerações da elite local. Na direcção da federação estão ainda Ho Hoi Kei, filha de Ho Iat Seng, Calvin Chui, filho de José Chui Sai Peng ou Arnaldo e Sabrina Ho, filhos do falecido Stanley Ho com a deputada e empresária Angela Leong.

Com o mandato recentemente renovado à frente da federação, Alvis Lo prestou juramento, na semana passada, perante o Chefe do Executivo, o presidente da Assembleia Legislativa, o comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China em Macau e o director do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM.

No discurso da tomada de posse, Alvis Lo traçou como primeira prioridade “levar um vasto número de jovens a continuar o estudo para melhor compreender e implementar o espírito do ‘20.º Congresso Nacional’, e herdar e levar por diante a bela tradição de ‘amar o país e Macau’”.

Renovação da DSAL

Alvis Lo não foi o único dirigente de alto cargo com o mandato renovado. O mesmo aconteceu com Wong Chi Hong, director dos Serviços para os Assuntos Laborais, por decisão do secretário para Economia e Finanças (DSF).

Também neste caso a renovação foi justificada com o facto de Wong “possuir capacidade de gestão e experiência profissional adequadas para o exercício das suas funções”. Wong Chi Hong é director da DSAL desde meados de 2013.

António Pedro Costa, autor de “D. Paulo José Tavares – O bispo diplomata”: “Ele foi uma lufada de ar fresco “

D. Paulo José Tavares era bispo em Macau no período do movimento “1,2,3”, em 1966, ficando para a história como a figura que estancou a penetração do maoísmo nas escolas católicas. Lançado a 25 de Janeiro, o livro “D. Paulo José Tavares – O bispo diplomata” conta a história de vida do eclesiástico que saiu de Rabo de Peixe, nos Açores, passou pelo Vaticano e deixou uma marca no Oriente

 

Como começou esta aventura de escrever sobre a vida de D. Paulo José Tavares?

É uma figura muito conhecida aqui em Rabo de Peixe [Açores]. Temos uma estátua, uma escola e uma rua com o nome dele. No entanto, muita gente, sobretudo as actuais gerações, não conhece nada da figura que ele foi no seio da Igreja, apesar de ser uma figura que merece todo o destaque. Percebeu-se, aqui na paróquia, que as pessoas não tinham a verdadeira noção da importância da figura de D. Paulo José Tavares e foi assim que me foi lançado o desafio de escrever este livro. Percebi que não havia muita informação sobre ele e a própria família também não sabia muitas coisas, porque a irmã mais nova, que ainda é viva, era muito pequena [quando ele deixou os Açores]. Não foi uma pesquisa fácil, pois precisava de alguns dados do Vaticano, consegui falar com algumas pessoas que tentaram ajudar-me, mas não foi possível obter informação daí, nem de outros locais.

D. Paulo José Tavares esteve em Macau num período muito particular, nos anos 60, durante o movimento “1,2,3”. Chegou ao território com o objectivo de modernizar o clero local.

Ele tinha vários objectivos [com essa missão] e foi escolhido para ser o bispo de Macau porque era uma figura muito importante em termos de diplomacia. Esteve na Secretaria de Estado do Vaticano, tinha capacidade de lidar com situações complicada e o território estava precisamente a passar por uma situação complicada. Tentou abrir mentalidades e fez com que se implementasse em Macau a equiparação entre o clero chinês com o clero europeu. O clero de Macau era muito conservador e ele teve dificuldades aí. Ele equiparou os vencimentos dos padres locais com o clero europeu e isso proporcionou um salto qualitativo muito grande. Além disso, fez com que as pessoas de Macau vissem nessas atitudes alguém que vinha valorizar a população. Perante a ideia colonial que havia, de que a Europa era detentora de todo o saber, ele abriu-se às questões locais e fez com que houvesse uma proximidade muito forte [com a população]. Ele tinha as portas do gabinete abertas e era um bispo que não estava na sua cadeira pontifícia. Era um bispo que ouvia as pessoas e valorizava os locais. Teve um papel importante na dinamização religiosa da população e promoveu algumas iniciativas inéditas, como foi o caso da celebração dos 50 anos das aparições de Fátima [celebradas em 1967]. Isso fez com que, pela primeira vez, se tenha criado a “Festa do Doente” em Macau, que levou a uma grande mobilização das pessoas.

Foi, portanto, uma figura acarinhada pela comunidade chinesa.

Exacto. Essas atitudes de valorização da comunidade chinesa levaram a uma aproximação e ao estabelecimento de uma relação de confiança. Só assim conseguiu levar os seus objectivos adiante, pois percebeu que tinha de ter a população do seu lado. Mas isso trouxe-lhe muitos dissabores com o clero europeu, que não concordava com a postura de D. Paulo José Tavares. Fez com que a população tenha visto nele um aliado e não uma pessoa que vem de fora e que impõe as suas ideias.

Passando ao período do “1,2,3”. Ele é tido como a figura que impediu o maoísmo de penetrar nas escolas católicas.

Foi um período muito conturbado e ele soube lidar com a situação que era bastante complexa. A elite comercial e política local estava contra ele e os próprios estudantes. Tentaram afastá-lo e ele resistiu. Foi a sua habilidade diplomática que fez com que se contornassem todas essas situações. Chegaram a pintar o paço episcopal com letras vermelhas contra a religião e ele resistiu estoicamente a tudo isso, fazendo com que, nas escolas católicas, não se ensinasse o maoísmo. Temos de ser justos: ele foi a única personalidade do território com capacidade para estancar esse movimento, graças à sua capacidade diplomática. Se ele não tivesse tido o papel que teve na abertura das escolas, na melhoria do ensino e das estruturas, certamente que no “1,2,3” não haveria capacidade de estancar o movimento. O seu percurso é que lhe deu autoridade para lutar contra esta situação.

Como eram as escolas católicas na altura e o ensino religioso? Havia muita coisa a melhorar?

Macau tinha uma situação idêntica a Portugal, com um regime [político] muito fechado e conservador. Ele introduziu o inglês, chinês e português nas celebrações litúrgicas e isso trouxe uma grande abertura. Foi uma lufada de ar fresco. Via-se, nas festas que aconteciam nas escolas, a adesão das pessoas. Teve a capacidade de ir introduzindo [mudanças] e provocou uma abertura a uma prática colonial e conservadora da religião e do ensino.

Qual o aspecto do legado de D. Paulo José Tavares que lhe parece mais importante?

Ele passou por Macau e deixou um legado, que foi a emancipação das pessoas que viviam no território, indo contra as ideias coloniais. Atribuiu um papel aos locais e deu o mote que os locais tinham de ser valorizados, teve uma visão de futuro e marcou a vida da população. Muitos chineses eram católicos e isso foi importante para a própria emancipação do território.

No processo de pesquisa para este livro teve acesso à tese de doutoramento em Direito Canónico de D. Paulo José Tavares, a qual entregou ao académico Moisés da Silva Fernandes, que está a ultimar uma obra sobre ele.

Foi por acaso que a família obteve a tese. Muita da documentação que existia desapareceu e uma sobrinha de D. Paulo José Tavares tinha a tese em casa e jornais antigos de Macau que serviam para embrulhar cálices e outras peças. Foi um achado muito interessante, pois pude analisar esses pedaços de jornais e descobrir mais sobre o pensamento dele e a riqueza suas das obras. Queria ter tido acesso às cartas apostólicas que emitiu, mas acredito que este livro vai espoletar outras investigações. Tenho a convicção de que a partir daqui a figura de D. Paulo José Tavares vai passar a ser melhor conhecida.

Como olha para a presença do catolicismo em Macau ao longo destes anos, tendo em conta as especificidades políticas do território?

A Igreja sempre teve um papel determinante em Macau e acho que foi importante para modelar a sociedade. O cristianismo, com os seus valores, é uma mais-valia para o território. Mesmo sem ter relações diplomáticas com Portugal, a China olhava para Macau como um ponto de equilíbrio e uma ponte entre as duas nações. O humanismo do cristianismo foi, de facto, uma luz que surgiu e continuou em Macau depois de D. Paulo a modelar ao pensamento e cultura do território.

Colapso de mina no norte da China faz pelo menos dois mortos e 50 desaparecidos

Pelo menos duas pessoas morreram e mais de 50 estão dadas como desaparecidas na sequência do colapso de uma mina a céu aberto na região da Mongólia Interior, no norte da China, informou hoje a imprensa estatal.

A agência noticiosa oficial Xinhua afirmou que as pessoas ficaram enterradas sob os escombros. As equipas de resgate conseguiram retirar três pessoas, mas duas delas já não apresentavam sinais de vida.

Informação vinculada por outros órgãos estatais aponta para um total de 57 desaparecidos, bem como refere que vários veículos também ficaram soterrados.

A Mongólia Interior é uma região chave para a mineração de carvão e outros minerais na China, o que, segundo os críticos, devastou a paisagem original de montanhas, estepes verdejantes e desertos.

O país asiático depende predominantemente do carvão para gerar energia, mas tem-se esforçado para reduzir o número de acidentes em minas, colocando maior ênfase na segurança e no encerramento de explorações de menores dimensões, que careciam do equipamento necessário.

A maioria das mortes na mineração é atribuída a explosões causadas pela acumulação de metano e pó de carvão.

A China registou diversos acidentes industriais e no setor da construção mortais nos últimos meses como resultado de falta de formação e regulamentos de segurança deficientes, corrupção e uma tendência de redução dos custos por empresas que procuram maximizar lucros.

Em 2015, duas explosões nas instalações químicas da zona portuária da cidade de Tianjin, nordeste da China, provocaram pelo menos 165 mortos e causaram prejuízos de mais de mil milhões de dólares.

Ucrânia | Putin ansioso por receber Presidente da China em Moscovo

O Presidente russo, Vladimir Putin, admitiu hoje estar ansioso por se encontrar com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, e defendeu que a cooperação entre os dois países contribui para estabilizar a situação internacional.

“Claro que estamos ansiosos pela visita de Xi à Rússia, já concordámos com antecedência”, disse Putin ao receber em Moscovo o principal diplomata chinês Wang Yi, segundo a agência noticiosa russa Interfax.

O encontro ocorre um dia depois de notícias sobre uma possível visita de Xi à Rússia em abril ou maio, e do anúncio de Wang, na semana passada, de que a China vai apresentar um plano para resolver a guerra contra a Ucrânia, desencadeada pela Rússia em 24 de fevereiro do ano passado.

“Daremos um impulso ao desenvolvimento das nossas relações bilaterais”, disse Putin, citado pela agência espanhola Europa Press.

“As relações internacionais são hoje complicadas (…) Neste contexto, a cooperação (…) entre a China e a Rússia é de grande importância para a estabilização da situação internacional”, disse Putin, ao dar as boas-vindas a Wang no Kremlin, sede da presidência russa.

Putin raramente recebe funcionários estrangeiros que não sejam chefes de Estado, e este encontro sublinhou os laços especiais entre Moscovo Pequim, segundo a agência francesa AFP.

“Estamos a alcançar novos horizontes”, acrescentou Putin. Wang Yi expressou o desejo de Pequim de “reforçar a parceria estratégica (…) e a cooperação global” com Moscovo, de acordo com a tradução citada pela AFP.

As relações russo-chinesas “não são dirigidas contra países terceiros e resistem à sua pressão”, disse Wang.

Antes de ser recebido por Puti, Wang reuniu-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, que lhe disse que as relações entre os dois países se desenvolvem “de forma segura e dinâmica”.

“E apesar da forte turbulência na cena internacional, estamos a mostrar unidade, uma vontade de defender os interesses de ambas as partes de acordo com o direito internacional e o papel central das Nações Unidas”, disse.

Segundo Lavrov, a Rússia e a China “continuam a coordenar as questões de política externa, a fim de alcançar um sistema mais justo, aberto e democrático”.

“A maioria dos países está interessada nisto”, acrescentou. “Meu caro amigo, estou pronto a trocar opiniões sobre assuntos de interesse mútuo e a procurar novos pactos”, disse Wang a Lavrov, citado pela Europa Press.

Wang assinalou que, graças à “liderança estratégica” de Xi e Putin, “surgiu um momento propício ao desenvolvimento”. “Apesar da volatilidade da situação internacional, a China e a Rússia manterão sempre a sua determinação e avançarão com firmeza e confiança”, afirmou.

A visita ocorre depois de Wang ter anunciado na conferência de segurança de Munique, na semana passada, que Pequim vai apresentar um plano de paz para solucionar o conflito entre a Ucrânia e a Rússia. A China prometeu publicar esta semana a sua proposta para uma “solução política”, a tempo do primeiro aniversário do início da ofensiva russa na Ucrânia.

Aliado próximo da Rússia, a China nunca apoiou ou criticou publicamente a invasão russa da Ucrânia, ao mesmo tempo que expressou repetidamente o seu apoio a Moscovo face às sanções ocidentais.

Mas também apelou para o respeito da integridade territorial da Ucrânia, enquanto Moscovo reclama a anexação de cinco regiões ucranianas. Desconhece-se o número de baixas civis e militares da guerra contra a Ucrânia, mas diversas fontes, incluindo a ONU, têm alertado que será elevado.

Pyongyang acusa António Guterres de atitude injusta ao condenar teste de mísseis

A Coreia do Norte acusou hoje o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, de ter “atitude extremamente injusta e desequilibrada” ao condenar o recente teste com mísseis, “ignorando a hostilidade norte-americana” contra Pyongyang.

Após o teste de mísseis balísticos (ICBM) da Coreia do Norte, no sábado, Guterres condenou “veementemente” o ensaio e reiterou o apelou para que Pyongyang desistisse imediatamente de fazer mais provocações.

Na mesma declaração, o secretário-geral da ONU instou a Coreia do Norte a retomar as conversações sobre a desnuclearização da Península da Coreia.

“Sendo mais deplorável, o secretário-geral das Nações Unidas faz uma série de observações que não são lógicas e que são parecidas às dos funcionários do Departamento de Estado norte-americano”, disse o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte, Kim Son Gyong, em depoimentos publicados na imprensa oficial norte-coreana.

Kim Son Gyong disse que o ensaio foi uma resposta “à ameaça” representada pelos Estados Unidos por terem sido destacados bombardeiros de longo alcance usados nos exercícios conjuntos com a Coreia do Sul, no início do ano.

O teste foi também um “aviso” face à convocação do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a Coreia do Norte. A Coreia do Norte encarou os exercícios conjuntos como treinos para uma invasão, demonstrando “preocupação” pelo uso dos bombardeiros norte-americanos B-1B.

“O secretário-geral da ONU deveria entender de forma clara, assim como deveria compreender que a posição que tomou é preconceituosa em relação à situação da Península da Crimeia assim como está a agir de forma a incitar atos hostis dos Estados Unidos”, contra a Coreia do Norte. afirmou.

Em novembro, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte, Choe Son Hui, disse que Guterres “é um fantoche dos Estados Unidos” por ter condenado testes com mísseis de Pyongyang.

China protesta contra “desenvolvimentos negativos” do Japão na questão de Taiwan

A China transmitiu hoje ao Japão preocupação pelo que considera serem “desenvolvimentos negativos” por parte de Tóquio na questão de Taiwan “em conluio com potências de fora da região”, durante um diálogo sobre segurança, realizado em Tóquio.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Sun Weidong, transmitiu este protesto ao homólogo japonês, Shigeo Yamada, que manifestou também a preocupação do executivo japonês com as incursões de alegados balões chineses usados para fins de espionagem no espaço aéreo japonês e as crescentes manobras navais chinesas em torno do arquipélago japonês.

Yamada destacou, especificamente, a intensificação dos exercícios militares chineses em torno das ilhas Senkaku, administradas por Tóquio, mas reivindicadas por Pequim (que as designa Diaoyu), e nas proximidades do arquipélago de Okinawa, e também enfatizou que algumas dessas manobras ocorreram em cooperação com a Rússia.

O vice-chanceler japonês enfatizou a importância de continuar o diálogo bilateral sobre questões de segurança, observando que os líderes de ambos os países “partilham um entendimento comum da necessidade de construir relações construtivas e estáveis”. Sun disse que os líderes do Japão e da China “chegaram ao importante consenso de que não representam uma ameaça um ao outro”.

No entanto, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros chinês pediu a Tóquio “uma explicação responsável” para os “desenvolvimentos negativos na questão de Taiwan”, face à recente estratégia japonesa de fortalecer as suas capacidades militares e reforçar a cooperação com os Estados Unidos.

O vice-ministro japonês pediu à China “que aja com responsabilidade pela paz e estabilidade no mundo”, especificamente no que diz respeito à guerra na Ucrânia, segundo revelou o porta-voz do executivo japonês, Hirokazu Matsuno.

“Vamos continuar a discutir sobre as nossas diferenças, visando ter um relacionamento o mais construtivo e estável possível”, acrescentou o porta-voz.

Ambas as partes concordaram com a criação de uma linha de emergência de segurança entre as respetivas autoridades de defesa, uma iniciativa que deve ser lançada na próxima primavera e que visa melhorar a comunicação nesta área.

Entre terça e quarta-feira, Japão e China mantiveram o primeiro diálogo bilateral de segurança desde 2019. Durante o interregno, causado pela pandemia da covid-19, as relações deterioraram-se, face às disputas territoriais e históricas entre os dois países.

Tóquio revelou, em meados deste mês, que, entre 2019 e 2021, detetou três objetos voadores não identificados sobre o seu território, que suspeita serem balões usados pela China para fins de espionagem, como aquele que foi abatido pelos Estados Unidos no início de fevereiro.

Ucrânia | Rússia e China querem aprofundar relações apesar da “forte turbulência”

A Rússia e a China mostraram hoje a vontade de aprofundar as suas relações, enquanto Pequim procura mediar o conflito ucraniano com um plano de paz a ser revelado esta semana. “As nossas relações estão a desenvolver-se de uma forma segura e dinâmica”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, durante uma reunião em Moscovo com o principal diplomata chinês, Wang Yi.

Lavrov disse que, “apesar da forte turbulência na cena internacional”, os dois países estão a mostrar unidade e “vontade de defender os interesses uns dos outros de acordo com o direito internacional e o papel central das Nações Unidas”.

Wang prometeu continuar os esforços para “reforçar e aprofundar as relações russo-chinesas”, de acordo com observações traduzidas para russo na reunião citadas pela agência francesa AFP. O diplomata chinês deverá ser recebido ainda hoje pelo Presidente Vladimir Putin no Kremlin, sede da presidência russa, em Moscovo, segundo o porta-voz presidencial Dmitri Peskov.

A visita ocorre depois de Wang ter anunciado na conferência de segurança de Munique, na semana passada, que a China vai apresentar um plano de paz para encontrar uma solução política para a guerra contra a Ucrânia, desencadeada pela Rússia há um ano.

Wang chegou a Moscovo na terça-feira, após um encontro com o chefe da diplomacia ucraniano, Dmytro Kuleba, à margem conferência na cidade alemã, durante o qual apresentou “elementos-chave do plano de paz chinês” para a Ucrânia, segundo Kiev.

A China prometeu publicar esta semana a sua proposta para uma “solução política”, a tempo do primeiro aniversário do início da ofensiva russa na Ucrânia, em 24 de Fevereiro de 2022. Aliado próximo da Rússia, a China nunca apoiou ou criticou publicamente a campanha militar russa na Ucrânia, ao mesmo tempo que expressou repetidamente o seu apoio a Moscovo face às sanções ocidentais.

O Presidente norte-americano, Joe Biden, realizou uma visita surpresa a Kiev na segunda-feira, para demonstrar o apoio dos Estados Unidos à Ucrânia. Desconhece-se o número de baixas civis e militares da guerra contra a Ucrânia, mas diversas fontes, incluindo a ONU, têm alertado que será elevado.

Máscaras | Pereira Coutinho pede fim de uso

O deputado José Pereira Coutinho alerta que a utilização frequente de máscaras por crianças pode resultar em “insuficiências respiratórias”. Após três anos de pandemia, a utilização deste equipamento de protecção pessoal continua a ser uma constante em Macau, mesmo quando mais de 80 por cento da população esteve infectada com covid-19.

Apesar de reconhecer que a máscara desempenhou um papel durante a pandemia, o legislador mostra-se agora preocupado com o que considera ser “uma das sequelas mais graves da epidemia”. “Durante três anos, o uso de máscaras tem tido um efeito insidioso na vida quotidiana das pessoas, e embora tenha ajudado a proteger contra a covid-19 e outros vírus, tem tido muitos efeitos negativos”, considera Pereira Coutinho. “O aspecto mais negativo é que a máscara se tornou uma barreira à comunicação e ao psicológico entre as pessoas, dificultando gravemente a sua interacção interpessoal”, acrescenta.

A principal preocupação do deputado é mesmo com os mais novos: “O uso obrigatório de máscaras em algumas ocasiões levantou preocupações sobre a saúde das crianças, o uso de máscaras pode dificultar o desenvolvimento do seu sistema respiratório quando as crianças estão a crescer, em casos graves, pode levar a uma insuficiência respiratória”, explicou.

Neste sentido, o deputado da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) pede ao Governo ponderação. “As crianças podem ser mais gravemente prejudicadas pelo uso de máscaras do que pelo vírus, e é importante que os departamentos governamentais analisem, sob uma perspectiva científica, a necessidade de as crianças usarem máscaras”, apelou.

Ninguém se entende

Por outro lado, o deputado criticou também a confusão que existe actualmente em relação à obrigatoriedade da utilização de máscara. “Como os regulamentos do Governo da RAEM sobre o uso de máscaras são vagos e confusos, actualmente, tanto nos eventos públicos como nos privados são tiradas duas fotografias de grupo, uma com máscara e outra sem máscara”, indicou. “A razão para isto é que não existem directrizes claras e unificadas sobre o uso de máscaras, o que é deixado à discrição dos diferentes departamentos”, argumentou.

Coutinho alerta igualmente para os perigos de higiene das máscaras. Ao contrário do que acontece nos serviços de saúde, em que o profissional médico muda de máscara constantemente, no quotidiano a máscara é utilizada todo o dia.

“Embora as máscaras não sejam necessárias no interior de restaurantes, são usadas obrigatoriamente quando se recolhem alimentos nos refeitórios. As máscaras atraem um grande número de germes ambientais e a sua remoção repetida só irá aumentar os riscos de higiene”, aponta o deputado. “O departamento responsável pela política de saúde deve clarificar as directrizes de higiene para evitar riscos desnecessários para a saúde”, vincou.

Bairro da Horta da Mitra | Preces ao deus da terra voltam três anos depois

A festa do deus da terra regressou ontem, pela primeira vez em três anos, a um dos templos mais representativos da divindade, no bairro da Horta da Mitra, em Macau.

“Geralmente, os cidadãos que veneram o deus da terra não estão a pedir muito, estão a pedir uma entrada e saída seguras, bem-estar familiar e crianças para crescerem bem e depressa. As orações são todas muito comuns e esta crença une o bairro”, disse à Lusa o presidente da associação de beneficência Foc Tac Chi Tou Tei Mio de Macau.

“A crença e os costumes do Tou Tei tiveram origem em Macau há algumas centenas de anos. Durante séculos, as pessoas adoraram Tou Tei e lentamente se tornou um costume estabelecido”, considerou Lo Seng Zung, que esteve presente na inauguração das festividades no bairro Horta da Mitra, no centro da cidade, onde fica o mais representativo templo da divindade.

Tou Tei Kung é uma das divindades chinesas mais populares e é considerada pelos crentes como protetora da vida, da saúde e da riqueza dos residentes, entre outros aspetos.

É no segundo dia do segundo mês do ano lunar chinês, que hoje ocorre, que os crentes costumam celebrar o nascimento deste deus com os vizinhos, mas a pandemia da covid-19 obrigou à suspensão das celebrações nos últimos três anos.

Durante as festividades, entre orações e a queima constante de incenso, decorrem danças do leão, representações de ópera cantonesa de Foshan e também banquetes, que “trazem um ambiente animado às comunidades chinesas locais, para as quais esta é também uma importante festa religiosa”, indicou Lo.

A ópera apresenta-se num palco improvisado junto ao templo, com músicos a tocar ao vivo, e atrai a atenção de moradores e de quem passa pela zona.

O orçamento das celebrações neste templo na Horta da Mitra, ou Cheok Chai Un (em cantonês), é de mais de um milhão de patacas, num evento que se prolonga por cinco dias, de acordo com a organização. No último dia, realiza-se um banquete para os idosos, em que as mesas se espalham pelas ruas em redor do templo.

Com cerca de 85 lugares, esta é “uma tradição chinesa de respeito filial pelos idosos”, explicou o presidente da associação.

O mais popular

A crença e os costumes de Tou Tei têm uma longa história em Macau, representada por cerca de 10 templos e mais de 140 altares dedicados a este deus, além de estar presente à entrada de numerosas residências, prédios e lojas.

“Quantas pessoas em Macau acreditam no Tou Tei? É uma ‘quantidade astronómica’. Cada entrada de residências e lojas tem um pequeno altar [dedicado a] Tou Tei. Estimo que cerca de um quarto da população de Macau acredita no Tou Tei”, sublinhou Lo.

Em 2017, a crença e os costumes dedicados a esta divindade foram inscritos na lista do Património Cultural Imaterial de Macau. Quatro anos depois, em 2021, a China incluiu este culto a um dos deuses chineses mais populares, nas mais diversas formas, refletindo uma tradição popular transmitida de geração em geração, na lista do Património Cultural Imaterial do país.

Além desta, o Conselho de Estado chinês incluiu ainda mais duas manifestações de Macau: a Gastronomia Macaense, baseada no método de preparação dos alimentos da culinária portuguesa, integrando ingredientes e métodos culinários da Europa, Ásia e África, e o Teatro em Patuá, arte performativa apresentada pela comunidade macaense em patuá, sistema linguístico criado pelos imigrantes portugueses em Macau ao longo dos últimos quatrocentos anos.

A Bailarina

A sua vida não saía agora de dentro das muralhas, o quarteirão era um país e a cidade fora há muito um local encantado onde se moveu por todos os seus recantos em passos de dança que pareciam não tocar o solo. Estava bem. Afinal era um belo sítio ainda não muito exposto ao êxodo dos seus moradores e com as formas intactas de um antigo feudo.

A vida permanecia um dom que se dançava no estreito local, e mesmo assim caminhos do mundo se entrecruzavam nos seus passos, faltava um certo vapor, uma cantata, mas habituamo-nos ao som livre dos nossos passos quando se conhecem de cor os percursos. «Ela canta pobre ceifeira!» Só um homem podia ter escrito frase assim. Cantariam os navegadores? Não se sabe… mas alguma dança trémula alcançariam na monotonia que também atinge a aventura.

Os passos titubeantes dos que visitam cidades tornam o rítmico processo, torpe, e ao nível do chão, causa de todo o desastre – rolam mecanismos insonoros, deslizamentos de velocidades várias – chegam carregamentos de malas, sacos, bagagens, e só não submergem porque a vontade impõe a resistência para as noites que hão de encontrar nas camas turísticas o conforto programado para populações exaustas.

Que a labuta dos que se esforçam para a logística doméstica dos novos nómadas não é menos imperativa que a de estes navegáveis. Uma componente em que todos os recursos se concentram para tirar dividendos flutuantes das vagas de passageiros, fazendo ispersos como um chão de ossadas em velhos caminhos, uma impermanência que é lei e gere a cidade, que a deita e acorda num quase tristonho cenário de «Nau a Haver» onde a natureza dos seus habitantes se virou para outros soalhos, que os salões escureceram à passagem das massas.

Dançar foi outrora uma função tão válida como hoje é andar, correr por aí contra o vento em festividade orgânica quase insolente, era uma proposta semanal, um estado de funcionalidade, que o corpo gosta da dança e lembra-se de como os seus passos ajudaram à árdua tarefa de se saber caminhar junto. Mas deixemos a dançarina entregue a seus cuidados!

As pessoas que saem de pijama para o emaranhado das ruas deviam ter na chegada a casa um manto púrpura para se cobrirem e tentar olhar-se com alguma parcimónia, que isto de se ser tão casual, entorpeceu a natureza das funções e levou à subjugação através da moda desportiva. Andam os seres todos a treinar. Para quê? Não se sabe. Um treino é aprendizado para cumprimento de actividade que se deseja desempenhar contribuindo para o bem comum, ora, o bem comum, pode ser também um mal comum, que não se dá por isso, a menos que haja um evidente bom senso no meio desta estranha projeção. Se falarmos ainda nos ensandecidos hábitos alimentares que cortam as fontes do balanço para as bailias, vamos entendo o porquê do cansaço extremo e da má resolução dos problemas.

A atmosfera não está para grandes carinhos, e sentimos que ela produz calafrios podendo estar a lançar madeixas de cabelos de uma cabeça decepada, que de forma lenta, tenaz e concreta, adoece a maleável natureza dos seres. – Não será então em mim louvada a conveniência da saúde ardente- que a saúde se saúda pela transformação constante desta luta até à inexorável falência orgânica.

A Dançarina em nós nunca deixa de bradar, ela é mais lata que os movimentos estipulados, e agora amordaça-nos numa orquestração sem harmonia que julga os nossos passos apenas como capacidade muscular para se manter activa mas lhe retirou o tributo da função cósmica que é dançar: dançar em todas as direcções, com todas as formas, com todos os sentidos, um tributo ao Universo que não retém a conveniência de se ter um corpo apenas para se encarcerar, a Bailarina, tende a mostrar-nos a escassez de fluído que está em marcha nas nossas sociedades nazis reinventadas. « Anima Mundi» ou a alma do mundo, consistirá sempre a desencarcerar na “prima matéria” a natureza inconsciente. O Mundo gira na roda evolutiva, e com toda a nossa retenção de marcha, acena-nos para não destruirmos os tributos circulares da sua natureza ( a Dançarina é feminina) e ainda nos diz que o impulso criativo no seio de toda a vida não poderá jamais ser revelado. Podem os seres vestirem-se para uma mesma dança, despindo-se destas vestes tributáveis? Esperemos que sim.

No ponto imóvel do mundo que gira. Nem
carne nem sem carne;
Nem de nem para; no ponto imóvel, lá está
a dança,
Mas nem parada nem em movimento.
T.S. Elliot

Wynn Palace | Excelência dos vinhos de Ningxia em prova na sexta e sábado

O Wynn Palace vai dedicar dois dias às delícias vinícolas dos néctares de Ningxia na sexta-feira e sábado. Guiados pelo conhecimento de enólogos especialistas nos vinhos da região, serão organizadas uma masterclass, uma prova de vinhos na sexta-feira e um jantar de gala no sábado

 

Ao longo das últimas três décadas a região autónoma de Ningxia Hui, na província de Gansu no noroeste da China, tem consubstanciado a expressão portuguesa do chão que deu e continuar a dar uvas. Ao contrário do sentido da expressão popular, a atractividade da indústria vinícola de Ningxia tem ganho visibilidade e prestígio a nível mundial, como uma região de excelência na produção de vinho.

Os apreciadores e curiosos de Macau terão três oportunidades únicas para se familiarizarem com os néctares de Ningxia nos próximos dias 24 e 25 de Fevereiro, sexta-feira e sábado. Durante estes dois dias, estarão no menu mais de 50 vinhos de 17 das mais prestigiadas adegas da região.

O primeiro evento, marcado para sexta-feira entre as 14h30 e as 15h30 no salão Wynn Palace Meeting Rooms, é uma masterclass intitulada “A prestigiada perfeição de Ningxia”, seguida por uma sessão de prova de vinhos guiada pelos enólogos Fongyee Walker e Li Demei.

Fongyee Walker é uma das mais conceituadas “educadoras” e enólogas chinesas, enquanto Li Demei é professor de enologia na Universidade de Agricultura da China, em Pequim.

Copo cheio

O largo e fortemente irrigado vale entre o Rio Amarelo e a base da Montanha Helan transformou-se ao longo das últimas décadas numa das áreas vinícolas mais promissoras da China. A vasta gama de vinhos produzidos na região de Ningxia é feita a partir de castas como Cabernet Sauvignon, Cabernet Gernischt e Chardonnay.

Apesar da região se estender por mais de 66 mil quilómetros quadrados, a maioria das vinhas estão situadas num vale com cerca de 150 quilómetros de comprimento no extremo norte da região, em que a paisagem árida é equilibrada pela irrigação natural fluvial e elevada altitude.

Afastada dos tradicionais grandes palcos de apreciação enóloga, a produção do vale da Montanha Helan foi-se aprimorando até que em 2009 um cabernet da adega Helan Qingxue arrebatou um prémio os prestigiados Decanter World Wine Awards.

A maioria dos vinhos feitos em Ningxia resulta de misturas de castas Bordeaux, Cabernet Sauvignon e Merlot. Entre estas, os Cabernet Sauvignon representam 70 por cento das uvas de vinho de tinto, enquanto os Merlot ocupam 15 por cento das vinhas. Além destas castas mais produzidas, encontram-se também na região vitivinícola de Ningxia vinhas de Syrah, Riesling e Chardonnay.

Comes e bebes

Para fechar em beleza os dias dedicados aos néctares de Ningxia, o Wynn Palace Grand Theater irá acolher um jantar de gala onde os vinhos da região serão a atracção principal, com as iguarias gastronómicas preparadas pelo chef Yun Peng Yu e o chef do restaurante Wing Lei, Tam Kwok Fung.

Depois do cocktail, que será servido às 18h, às 19h começa o desfile de seis pratos que irão misturar pratos cantoneses e da região de Ningxia, acompanhados por vinhos, numa harmonização criteriosamente selecionada.
Os bilhetes para o jantar de gala custam 1.288 patacas por pessoa.

Em comunicado, a Wynn refere que o objectivo deste tipo de iniciativa é criar uma plataforma de intercâmbio entre indústrias, como a restauração e vinhos, “promovendo a rica cultura gastronómica da China e realçando o papel de Macau enquanto “Cidade Criativa de Gastronomia”.

Natália Correia homenageada em mostra de arte contemporânea portuguesa em Madrid

A escritora e política Natália Correia vai ser homenageada numa exposição de arte contemporânea portuguesa em Madrid, numa iniciativa paralela à feira ARCOmadrid 2023, que decorre a partir de hoje e vai até 26 de Fevereiro na capital espanhola.

A exposição tem como título “A Desordem Necessária” e curadoria de Ana Cristina Cachola, resultando de “um diálogo transfronteiriço entre duas colecções”, António Cachola (do Museu de Arte Contemporânea de Elvas) e Helga de Alvear (da galeria com o mesmo nome de Madrid), segundo a Embaixada de Portugal em Espanha, que organiza esta iniciativa.

A mostra estará na residência oficial do embaixador de Portugal em Madrid e em exposição estarão 21 artistas contemporâneos portugueses e uma espanhola.

A exposição insere-se na segunda edição da iniciativa “Artists Join the Embassy”, organizada pela Embaixada de Portugal em Madrid como evento paralelo à feira de arte contemporânea ARCOmadrid e pretende promover artistas portugueses.

“À semelhança do que sucedeu em 2022, serão convidados programadores, curadores, coleccionadores e directores de instituições internacionais para descobrirem arte portuguesa ou concebida em Portugal por uma artista espanhola”, revelou a Embaixada de Portugal em Madrid.

A edição do ano passado da iniciativa “Artists Join the Embassy” levou uma exposição de Ângela Ferreira à residência oficial do embaixador de Portugal em Madrid, “para a qual foram convidados, em parceria com a ARCOMadrid, coleccionadores e directores de museus internacionais que integram o programa VIP da feira” e “deste projecto resultou a aquisição de uma peça da artista pelo MACBA – Museu de Arte Contemporânea de Barcelona”, sublinhou a embaixada.

Este ano, a propósito da ARCOmadrid, a embaixada de Portugal promove também o lançamento do “Mapa de Artistas Portugueses nas Galerias Espanholas”, um roteiro com 31 artistas nacionais que são representados por 26 galerias de dez cidades espanholas (A Coruña, Badajoz, Barcelona, Madrid, Palma de Maiorca, Santander, Santiago de Compostela, Saragoça, Sevilha e Valência).

Arco redondo

A Feira de Arte Contemporânea ARCOmadrid decorre este ano de 22 a 26 de Fevereiro, tem como tema “O Mediterrâneo: Um Mar Redondo” e regressa a níveis de participação pré-pandemia, com 211 galerias de 36 países, incluindo 17 portuguesas, segundo a organização.

Há ainda 15 artistas nacionais expostos em galerias espanholas presentes na feira, segundo informação da Embaixada de Portugal em Madrid. Na 42.ª edição da ARCOmadrid são esperados cerca de 90 mil visitantes, um valor semelhante ao de 2020, a última edição sem impacto da pandemia de covid-19.

Entre as 170 galerias do programa geral há 15 portuguesas: 3+1 Arte Contemporânea, Balcony, Bruno Múrias, Carlos Carvalho, Cristina Guerra Contemporary Art, Filomena Soares, Francisco Fino, Miguel Nabinho, Monitor, Uma Lulik, Pedro Cera e Vera Cortês, todas de Lisboa, e ainda a Kubikgallery, a Lehmann + Silva e a Quadrado Azul, do Porto.

A Galeria Foco, de Lisboa, entrará na secção “Opening”, e a Madragoa, também da capital portuguesa, estará na secção “Nunca o mesmo. Arte latino-americana”, com curadoria de Mariano Mayer e Manuela Moscoso.
Participa ainda no programa geral a Jahn und Jahn, que tem base em Munique, na Alemanha, e também um espaço em Lisboa.

Mercado paralelo

Com direcção de Maribel López Zambrana, a 42.ª ARCOmadrid tem também um programa paralelo aos expositores, incluindo um fórum de debate dedicado à região do Mediterrâneo. A ARCOmadrid, uma iniciativa com dupla natureza, sendo em simultâneo um espaço comercial e um espaço cultural, dedica os primeiros dois dias exclusivamente a profissionais e abre as portas ao público em geral a partir da tarde do dia 24, sexta-feira.

O ministro português da Cultura, Pedro Adão Silva, estará em Madrid na próxima semana para visitar a feira, estar presente em iniciativas paralelas à ARCOmadrid organizadas pela embaixada de Portugal e para um encontro com o homólogo espanhol, Miguel Iceta.

A Embaixada de Portugal participa ainda na Bienal de Cidadania e Ciência que decorre em Barcelona e Madrid de 21 a 26 de Fevereiro, com a instalação “Som palavras. Diálogos sonoros”, de João Ricardo Barros Oliveira, e o projecto Omiri “Inovação musical feita com memória”.

Relatório | EUA acusados pela China de quererem manter “hegemonia mundial”

Num documento publicado esta segunda-feira, Pequim analisa as acções dos sucessivos governos norte-americanos ao longo da História e a sua progressiva ingerência nos assuntos internos de outras nações

 

O governo chinês acusou na segunda-feira os Estados Unidos de quererem manter a sua “hegemonia mundial”, que considerou um “risco global”, num relatório publicado num período de crescentes tensões entre os dois países.

O documento, designado “A Hegemonia dos Estados Unidos e os Seus Perigos”, afirma que, desde a Segunda Guerra Mundial, Washington actuou com “mais audácia” para “interferir nos assuntos internos de outros países”.
Pequim analisa a “hegemonia” política, militar, económica, tecnológica e cultural dos Estados Unidos ao longo da História – do ponto de vista de Pequim -, numa altura em que as relações bilaterais atravessam um período de renovadas tensões, suscitadas pela “crise dos balões” ou divisões face à guerra na Ucrânia.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China culpa os EUA por organizarem “revoluções coloridas” ou lançarem guerras para “promover a democracia”, fomentando uma “política de blocos” que “alimenta conflitos e confrontos”.

A China dá como exemplo as “interferências por conta da ‘Nova Doutrina Monroe’” na América Latina, utilizada para defender o princípio da “América para os americanos”, mas que, segundo as autoridades chinesas representa a “América para os Estados Unidos”.

Cita-se ainda um livro do ex-secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, no qual o político revelou que o país norte-americano “tinha planeado intervir na Venezuela” para, entre outras coisas, “obrigar Maduro a chegar a um acordo com a oposição” ou “privar o país da sua capacidade de vender petróleo ou ouro em troca de moeda estrangeira”.

O documentou destaca todos os conflitos em que os Estados Unidos estiveram envolvidos, desde a sua independência, em 1776, apontando que o país tem um orçamento militar anual de 700 mil milhões de dólares, que cobre “40 por cento do total a nível planetário” e é superior ao valor conjunto dos gastos com Defesa dos “15 países logo atrás na lista”.

Os próximos na lista são China, Índia, Reino Unido e Rússia, de acordo com o Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI).

Dedo apontado

O relatório chinês destaca ainda que a “hegemonia dos EUA a nível económico” foi alcançada após a criação de diferentes organizações para “formar o sistema monetário internacional em torno do dólar norte-americano”, que é a “principal fonte de instabilidade e incerteza na economia mundial”.

E argumenta que, durante a pandemia da covid-19, os EUA “injectaram milhares de milhões de dólares no mercado global”, o que causou a desvalorização de outras moedas e altos níveis de inflação em “vários países em desenvolvimento”.

No campo tecnológico, a China enfatiza que os EUA “procuram desencorajar o desenvolvimento científico” de outros países, “exercendo monopólio e restrições nos sectores de alta tecnologia”. E considera que a “expansão global” da cultura norte-americana é parte essencial da sua “estratégia externa”.

Os Estados Unidos devem “examinar criticamente” as suas acções e abandonar a “arrogância e preconceito” e “práticas de intimidação”, lê-se no mesmo relatório.