Desporto | Morreu Charles Lo Keng Chio

Charles Lo Keng Chio, presidente da Comissão Executiva do Comité Olímpico e Desportivo de Macau, morreu na tarde de terça-feira, de acordo com uma notícia publicada em língua chinesa na Macao Sports Weekly.

As causas da morte não foram anunciadas. Além de presidente da comissão executiva no comité de Macau, Charles Lo tinha também lugar no Conselho Olímpico da Ásia, desde 2011, assumindo actualmente as funções de presidente do Comité dos Média.

Descendente da família do empresário Lou Kau, responsável pela construção do Jardim de Lou Lim Ioc, Charles Lo Keng Chio fazia ainda parte da Mesa da Assembleia da CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau, cujo mandato se prolongava até 2026. Entre os cargos públicos que assumiu destaca-se também a passagem como membro do Conselho Fiscal do Centro de Ciência de Macau.

Coloane | Wui Hong paga 330 mil para explorar cais de recreio

A empresa vai ser responsável pela exploração da chamada Zona de Atracação de Embarcações de Recreio de Coloane, nos próximos cinco anos. Como tal, compromete-se a disponibilizar 100 lugares para barcos, num contrato com valor de 19,8 milhões de patacas

 

A Companhia de Wui Hong Iate Serviço vai explorar a Zona de Atracação de Embarcações de Recreio de Coloane (ZAERC) durante os próximos cinco anos. A vencedora do concurso público compromete-se a pagar pelo exclusivo uma renda mensal de 330.100 patacas, num contrato que tem o valor total de 19,8 milhões de patacas.

Alguns do pormenores do contrato para a exploração do espaço em Coloane foram publicados ontem no Boletim Oficial. Segundo as cláusulas apresentadas, o actual contrato tem um prazo de cinco anos, mas pode ser renovado a pedido de qualquer uma das partes, ou seja, a Companhia de Wui Hong ou o Governo da RAEM.

No que diz respeito à quantidade de lugares na ZAERC, a empresa comprometeu-se a disponibilizar um número que nunca pode ser inferior a 100, entre os quais 20 ficam reservados para embarcações que não tenham registo marítimo em Macau. As regras também definem que nenhuma embarcação pode ficar mais de 14 dias seguidos atracada na zona, a não ser com autorização especial do Governo da RAEM.

O preço a cobrar pela empresa aos interessados ainda não está definido, mas fica ao critério desta, que pode escolher dividir as tarifas em pagamento por horas ou dias.

Outro dos aspectos previstos no contrato é o montante salarial que a empresa vai ter de pagar aos trabalhadores na ZAERC. De acordo com o estipulado pelo Governo, a empresa não pode pagar remunerações inferiores ao salário mínimo, que actualmente é de 6.626 patacas por mês.

Caso esta exigência do contrato seja violada, a Companhia de Wui Hong Iate tem de pagar uma indemnização de 100 mil patacas, “independentemente de ter culpa” pelo incumprimento.

Concurso tranquilo

A Companhia de Wui Hong Iate Serviço foi escolhida para explorar a ZAERC depois de ter participado num concurso público lançado em Junho deste ano pela Direcção de Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA). O concurso atraiu apenas duas propostas, uma por parte da actual concessionária, e outra pela Sunrise – Gestão de Propriedades e Equipamentos.

No entanto, o desfecho do concurso tornou-se praticamente conhecido desde a abertura das propostas, uma vez que a Sunrise foi excluída por não ter apresentado o programa do concurso, nem um preço a pagar à RAEM pela gestão do espaço. O contrato divulgado ontem entra em vigor a 31 de Dezembro deste ano.

Mais de 50 milhões em apoios do Fundo de Reparação Predial

Entre Janeiro e 29 de Setembro deste ano, o Fundo de Reparação Predial aprovou 474 pedidos de apoio para financiamento de reparações em prédios locais. Os números foram divulgados pelo Instituto de Habitação e o montante aprovado para os primeiros noves meses do ano é superior a 50 milhões de patacas.

No total, houve 474 pedidos de financiamento para a intervenção em 350 edifícios, 10 dos quais com pelo menos dois apoios diferentes, o que corresponde a gastos de 51,18 milhões de patacas. Entre os 474 pedidos submetidos, registaram-se apenas 12 desistências.

A maior parte do orçamento utilizado, 33,89 milhões de patacas, foi distribuída no âmbito do Plano de Apoio Financeiro para Reparação das Partes Comuns de Edifícios considerados pequenos e médios. O montante foi atribuído como apoio financeiro para a reparação de portões de entrada e saída de edifícios, instalações de electricidade, de abastecimento de água, esgotos, reparação do revestimento das paredes interiores, escadas e/ou corredores, reparação do revestimento das paredes exteriores e/ou substituição das janelas das partes comuns.

Ao mesmo tempo, ao abrigo do “Plano de Apoio Financeiro e de Crédito sem Juros para Reparação de Edifícios” foram distribuídos cerca de 12,13 milhões de patacas, em apoios financeiros, utilizados para instalar ou reparar portas corta-fogo, sistema eléctrico, impermeabilização de terraços, instalações de abastecimento de água, instalações de esgoto, paredes exteriores, elevadores, átrio e reparação da conduta de escoamento de lixo. Além disso, foram gastos 3,65 milhões de patacas como crédito sem juros para reparação de paredes exteriores e terraços.

Mais de 580 milhões

Desde que o Fundo de Reparação Predial foi criado, a 17 de Abril de 2007, e até 29 de Abril deste ano foram distribuídos apoios no valor de 580,61 milhões de patacas, num total de 5.952 pedidos concedidos.
Este montante foi canalizado para financiar intervenções em 3.579 edifícios, entre os quais 411 tiveram acesso a mais de uma das modalidades de apoio do Fundo de Reparação Predial.

O Plano de Apoio Financeiro para Reparação das Partes Comuns de Edifícios das Classes P e M voltou a ser a principal forma de distribuição de apoios, com 3.650 pedidos aprovados, intervenções em 2.961 edifícios e gastos de 420,18 milhões de patacas.

Rua da Felicidade | Perfuração de fachadas das casas alvo de críticas

Lam Iek Chit, membro do Conselho do Património Cultural, critica a colocação de suportes aparafusados nas fachadas das casas da Rua da Felicidade para a iluminação decorativa da zona pedonal. O responsável considera que existiam alternativas para não prejudicar o traço original das casas históricas e preservar o património

Fotografia do jornal Cheng Pou

 

O plano pedonal da Rua da Felicidade levou à colocação de suportes aparafusados às fachadas das casas para a instalar o sistema de iluminação decorativa, acção que mereceu críticas do urbanista Lam Iek Chit, membro do Conselho do Património Cultural. Segundo o jornal Cheng Pou, o responsável entende que não havia necessidade de colocar aparafusar as fachadas dos edifícios históricos.
Considerando que a situação não é grave no que diz respeito à preservação daquele local histórico, Lam Iek Chit entende que a prática “não é a ideal” e que haveria alternativas.

O responsável cita mesmo a “Carta de Burra”, documento do ICOMOS Austrália [Conselho Internacional de Monumentos e Sítios da UNESCO, em português] com o nome da cidade australiana, que contém orientações para a conservação e gestão de locais com significado cultural.

As orientações determinam o respeito pelo tecido urbano existente e que em caso de necessidade de intervenção esta seja sempre feita de forma prudente, com o mínimo impacto possível nos monumentos e locais históricos.

Para Lam Iek Chit, as intervenções e instalação dos suportes com parafusos na Rua da Felicidade vai contra estes princípios. “Não era necessário colocar parafusos nas fachadas. Como é que esta acção pode estar de acordo com as sugestões de prudência e intervenções mínimas nos monumentos?”, questionou.

O urbanista critica a aprovação do Instituto Cultural (IC), acusando o organismo de não ser prudente, pois poderiam ter sido usadas colunas para a instalação de iluminação pública, ou ainda a colocação de outro tipo de estruturas para iluminar a rua, como é prática, por exemplo, no Largo do Senado. “Não se abrem buracos no edifício do Instituto para os Assuntos Municipais ou no edifício da sede dos CTT, pois não?” questionou.

Tijolos com história

A Rua da Felicidade, outrora lugar de prostituição, jogo e consumo de ópio, contém casas construídas no período da dinastia Qing, com cerca de 150 anos. Neste sentido, o urbanista tem dúvidas sobre o estado de conservação e estabilidade dos edifícios mais antigos da cidade construídos com tijolos cinzentos. “Podem não estar em bom estado, tal como acontece noutros monumentos [construídos com tijolos cinzentos]”, rematou o membro do Conselho do Património Cultural.

A Rua da Felicidade esteve fechada ao trânsito no período da semana dourada, numa iniciativa que faz parte de um plano de revitalização de zonas históricas que o Governo está a levar a cabo com operadoras de jogo, como acontece também, por exemplo, na Barra ou Porto Interior.

Cibersegurança | Situação estável, mas com riscos, diz Ho Iat Seng

Ho Iat Seng afirmou que a situação da cibersegurança no território manteve-se “estável e favorável” nos últimos tempos, destacando-se, no entanto, “muitos problemas e riscos de segurança”. As declarações foram proferidas numa reunião da Comissão para a Cibersegurança, presidida pelo Chefe do Executivo, e que serviu para analisar o “Relatório Geral de Cibersegurança do ano de 2022”.

Ho Iat Seng disse ainda, citado por um comunicado da comissão, que “foram dadas instruções às diferentes áreas de acção governativa sobre as tarefas-chave” nesta área, nomeadamente “no âmbito do melhoramento da monitorização da cibersegurança, a implementação de mais orientações técnicas e medidas complementares junto dos operadores”. Foi também referido pelo governante a necessidade de “formação permanente de pessoal qualificado de cibersegurança”.

Ho Iat Seng destacou que a defesa da cibersegurança “é uma garantia fundamental para o desenvolvimento da nova era” e pediu aos serviços públicos para olharem para o “desenvolvimento da cibersegurança numa perspectiva de salvaguarda da segurança nacional”.

Uma Faixa, Uma Rota | Lao Nga Wong quer “academia científica”

No encontro com os membros de Macau no CCPPC para discutir as Linhas de Acção Governativa, o Chefe do Executivo apontou que o Governo vai contratar mais pessoal médico, do “Interior da China, Portugal e outras regiões”

 

O estabelecimento em Macau de uma “academia científica” sobre o projecto nacional “Uma Faixa, Uma Rota” foi uma das propostas apresentadas pelos membros de Macau no Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), durante um encontro que aconteceu na terça-feira.

Segundo o Gabinete de Comunicação Social, a proposta para a criação de uma nova academia partiu de Lao Nga Wong. O empresário defendeu também o reforço das relações “com os países de língua portuguesa, a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), e o Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo” para que Macau intensifique o apoio “à nova conjuntura de desenvolvimento nacional dupla circulação”.

A dupla circulação é uma estratégia definida pelo Governo Central em que China passa a ter como prioridade o desenvolvimento da economia através da promoção procura interna, a circulação interna, enquanto mantém algumas relações comerciais externas, a circulação internacional.

Lao Nga Wong apelou ainda ao Executivo que participe na ambição regional de construir “um conjunto de aeroportos de nível mundial incluídos nos cinco aeroportos da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”, sem explicar como Macau pode ter intervenção neste aspecto, e em jurisdições fora da RAEM. Além disso, o empresário sugeriu a criação de um “aglomerado industrial direccionado aos chineses ultramarinos na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin” ou o desenvolvimento da Medicina Tradicional Chinesa.

O “enriquecimento do conteúdo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, a “coadjuvação da expansão dos negócios da advocacia”, a “revitalização das zonas históricas” e a renovação urbana foram ainda outros dos termas abordados por membros do CCPPC, como Li Amber Jiaming, Ip Sio Kai, Chan Wa Keong e Mok Chi Wai. Entre os membros de Macau no CCPPC que reuniram com o Chefe do Executivo também esteve Ho Hoi Kei, filha de Ho Iat Seng.

Foco na saúde

Na resposta às sugestões apresentadas pelos membros do CCPPC, o Chefe do Executivo focou a diversificação da economia, através das políticas de saúde e do desenvolvimento do novo hospital no Cotai.

Ho Iat Seng destacou que “o desenvolvimento das indústrias big health e medicina tradicional chinesa são muito importantes para a diversificação adequada da economia de Macau, pelo que as mesmas devem ser analisadas de forma contínua e cuidadosa num avanço progressivo”.

Com o Centro Médico de Macau do Peking Union Medical College Hospital do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas a entrar em funcionamento até ao final do ano, Ho Iat Seng apontou que o Governo vai contratar mais pessoal médico, do “Interior, de Portugal e de outras regiões”.

A política de contratação de médicos em Portugal é assim mantida, mesmo depois do tratamento preferencial para cidadãos portugueses no acesso ao estatuto de residente, previsto na Lei Básica, ter sido eliminado a partir de uma proposta do Governo de Ho Iat Seng.

Lisboa | Temporada Música em S. Roque abre sexta-feira e prevê estreia de peça de Samuel Gapp

A Temporada Música em S. Roque começa na próxima sexta-feira, em Lisboa, estando prevista a estreia de uma peça de Samuel Gapp, e a primeira audição moderna das “Missas Românticas” de Francisco Xavier Migone e Santos Pinto.

Os concertos desta 35.ª Temporada, sob a coordenação artística de Leonor Azêdo, realizam-se nas igrejas de S. Roque e do Convento de S. Pedro de Alcântara, no Bairro Alto, em Lisboa. Até 10 de novembro, estão previstos dez concertos sob o mote “Um diálogo entre a história e a palavra”.

O primeiro, na próxima sexta-feira, às 21:00, é protagonizado pelo Coro Gulbenkian, sob a direção da maestrina Inês Tavares Lopes. Realiza-se na igreja de S. Roque e evoca os 400 anos da morte do compositor renascentista inglês William Byrd. O programa, além de obras de Byrd, como “Laudibus in Sanctis”, inclui peças de Heinrich Schültz, Paul Smith e John Sheppard.

O cartaz da Temporada inclui, entre outros, os ensembles Bonne Corde, MPMP, Ludovice e o ‘consort’ Sete Lágrimas que apresenta, no dia 04 de novembro, em S. Pedro de Alcântara, o projeto “Loa”, baseado na obra de André Dias de Escobar, nomeadamente as “Laudas e cantigas spirituaes, e orações contemplativas” (1493).

Na próxima segunda-feira, às 16:30, no Convento de S. Pedro de Alcântara, o Ensemble Bonne Corde, dirigido por Diana Vinagre (violoncelo barroco) e constituído ainda por Ana Quintans (soprano), Marta Vicente (contrabaixo barroco) e Fernando Miguel Jalôto (órgão) apresenta “Tenebrae/Lamentações para a Semana Santa”, do flamengo Joseph-Hector Fiocco, resultado de uma investigação de Diana Vinagre na Biblioteca do Real Conservatório de Antuérpia, na Bélgica.

A 20 de outubro, o concerto em S. Roque é protagonizado pelo Ensemble MPMP que estreia a obra “Tão fundo o íntimo rumor”, de Samuel Gapp, que venceu o Prémio Musa 2022.

Esta edição do prémio foi promovida pelo Movimento Patrimonial da Música Portuguesa (MPMP), visou uma composição contemporânea de tradição erudita ocidental e estimular e promover a língua portuguesa como veículo expressivo.

O programa assinala ainda a estreia moderna das “Missas Românticas”, de Francisco Xavier Migone e Santos Pinto.

“Neste contexto, a obra funcionará como ponte entre as duas missas programadas e partirá da experiência das características acústicas e circunstanciais do espaço de São Roque”, explicou à agência Lusa a organização.

O compositor Samuel Gapp iniciou aos oito anos a sua formação musical, na classe de piano. Prosseguiu os estudos na Escola Superior de Música de Lisboa, e na Hochschule für Musik und Tanz (escola superior de Música e Dança) de Colónia, na Alemanha.

Dia 22, às 16:30, o Ensemble D. João V, na igreja do Convento de S. Pedro de Alcântara, apresenta o programa “Joias do Barroco”, composto por obras dos compositores portugueses Carlos Seixas, Pedro António Avondano e do italiano Antonio Vivaldi.

O ensemble tem uma formação irregular, de acordo com o programa que interpreta. Neste concerto apresenta-se com os músicos Sandra Medeiros (soprano), Terra Shimizu e Miguel Simões (violino), Álvaro Pinto (viola d’arco), Duncan Fox (violone) e Cândida Matos (cravo).

No dia 27 de outubro, às 21:00, em S. Roque, o concerto pelos Avres Serva, celebra os 700 anos sobre a primeira referência à cátedra de Música da Universidade de Coimbra, interpretando algumas das obras de José dos Santos Maurício e de Francisco de Paula e Azevedo. O concerto intitula-se “A música em Coimbra no início do século XIX”.

No dia 29, às 16:30, em S. Pedro de Alcântara, o Grupo Vocal Olissipo apresenta “In Tenebris”, cujo programa inclui o Requiem, de Estêvão de Brito, e peças de outros compositores com actividade entre finais do século XVI e princípios do século XVII, como Duarte Lobo, João Gomes, Filipe de Magalhães e Francisco Martins.

Os Olissipo são constituído pelo barítono Armando Possante, que também dirige, a soprano Cecília Rodrigues, a meio-soprano Lucinda Gerhardt, e o tenor Carlos Monteiro. O grupo foi criado em 1988, e o seu repertório abrange compositores desde a Idade Média à Contemporaneidade.

A Temporada em S. Roque abre o mês de novembro com música sacra, no dia 03, em S. Roque. O programa inclui a Missa de Manuel Cardoso (1566-1650), os cantos compostos para a celebração de Quarta-Feira de Cinzas, do calendário católico, encontrados no Arquivo Histórico da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, e motetes de Filipe de Magalhães (1571-1652) e Vicente Lusitano (1520-1561), pelos Capella Durensis, sob a direção musical do maestro Jonathan Ayerst.

O Ludovice Ensemble, no dia 05 de novembro, às 16:30, em S. Pedro de Alcântara, apresenta o programa “A Música na Igreja de Santo António dos Portugueses em Roma”, constituído por obras de Giovanni Pietro Franchi, um programa que resulta da investigação da musicóloga Cristina Fernandes e do músico Fernando Miguel Jalôto, que apresentam uma palestra antes do início do concerto.

Os solistas da Orquestra Barroca da Casa da Música encerram a Temporada, no dia 10 de novembro, às 21:00, na igreja de S. Roque, com a interpretação de “As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz”, de Joseph Haydn. O programa inclui a leitura de excertos bíblicos e textos selecionados pelo encenador Nuno Carinhas e lidos pela atriz Sara Carinhas.

Paralelamente à programação musical, realiza-se, de 17 de outubro a 7 de novembro, o ciclo de sessões de apreciação musical “Ouvidos Para a Música”, da responsabilidade do maestro Martim Sousa Tavares, que será “transmitido apenas em formato ‘online’ e pretende contribuir para uma melhor aproximação do público à música clássica”, afirma a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), que organiza a Temporada com o “objetivo de reforçar” a sua política “de apoiar a cultura musical de matriz portuguesa, divulgando, em simultâneo, o seu património histórico e artístico”.

A 35.ª Temporada de Música em S. Roque é coordenada artisticamente por Leonor Azêdo, mestre em Ciências Musicais, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Leonor Azêdo iniciou o percurso profissional na Orquestra Chinesa de Macau, em 2013, no contexto da sua tese de mestrado “Nós somos o Estado e o Estado é o território”. Em 2016 regressou a Lisboa para trabalhar como arquivista e produtora da Orquestra Gulbenkian. De igual forma exerceu as funções de arquivo e de produção na Orquestra Estágio Gulbenkian, em 2018 e 2019, sob a direção artística da maestrina Joana Carneiro.

A partir de 2019 desenvolveu a sua atividade profissional como produtora, diretora de cena e assistente de ‘manager’ de orquestra, tendo colaborado com a Fundação Calouste Gulbenkian e o Centro Cultural de Belém. Nos últimos anos colaborou de forma regular com a Orquestra XXI e foi responsável pelo setor da Comunicação e Relações Externas da Orquestra Sem Fronteiras (2020-2022).

Mais recentemente exerceu funções na área de produção, de arquivo musical e de ‘artistic management’ em Portugal. É arquivista musical do Verbier Festival. Atualmente trabalha como “tour manager” e coordenadora das audições na Orquestra Jovem Gustav Mahler. A Temporada Música em S. Roque estima que assistiram aos concertos, “quase sempre esgotados”, cerca de 2.000 pessoas, “excluindo as transmissões ‘online’”, disse à Lusa fonte oficial da SCML.

Furto | Residente e cidadão chinês roubaram 4,5 milhões

As autoridades policiais da China e de Macau detiveram oito pessoas, incluindo um residente de Macau e dois cidadãos chineses, alegadamente envolvidos no furto de uma mala com 4,5 milhões de renminbis ocorrido em Agosto no Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior. Os detidos no Interior da China foram depois reencaminhados para Macau.

Segundo o jornal Ou Mun, o dinheiro foi roubado quando a vítima se encontrava no terminal dos ferries do Porto Exterior e tentava sair do território. Quando foi à casa de banho, o suspeito local e um dos suspeitos do Interior da China roubaram a mochila e a mala, e de seguida fugiram para a província de Guangdong.

A Polícia Judiciária (PJ) de Macau explicou que o residente local, que será o alegado cabecilha do grupo, entregou o dinheiro ao irmão e à mãe, tentando transferir o montante através do câmbio ilegal. A PJ conseguiu recuperar 1,3 milhões e deteve cinco suspeitos, após a apreensão dos três primeiros suspeitos, incluindo a mãe e o irmão do alegado cabecilha.

O caso foi encaminhado para o Ministério Público para mais investigação e detidos são suspeitos dos crimes de furto qualificado e associação criminosa. A PJ procura mais suspeitos ligados ao caso.

MP | Procurador-adjunto acusado de mudar rumo de investigações

O procurador-adjunto Kong Chi está acusado de arquivar casos, ignorar provas e desviar o rumo das investigações em dezenas de casos criminais, segundo apurou ontem o canal Macau da TDM, que teve acesso ao despacho de acusação produzido pelo Ministério Público (MP), organismo a que pertencia o principal arguido de um processo que volta a incidir sobre o aparelho judicial da RAEM.

Segundo a mesma fonte, Kong Chi terá partilhado informações confidenciais com suspeitos mesmo em casos que não eram dele, usando outros funcionários para isso, através de informações obtidas informalmente. Em troca, o procurador-adjunto receberia subornos através de um grupo criminoso que alegadamente liderava.

Kong Chi está formalmente acusado dos crimes de corrupção passiva para acto ilícito, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder, violação de segredo de justiça e prevaricação.

Na altura em que foi o MP divulgou o processo, cujo julgamento começa na próxima sexta-feira, foi revelado que “na associação criminosa” estariam alegadamente envolvidos “um advogado de apelido Kuan e dois arguidos de apelidos Choi e Ng”. Segundo o HM apurou na altura, “o advogado”, trata-se de uma advogada: Kuan Hoi Lon. A causídica ligada ao escritório K.N.L. está suspensa pela Associação dos Advogados desde o início de Agosto, tendo inclusive deixado de aparecer nas pesquisas no portal da associação.

Foram emitidos também mandados de detenção para os quatro arguidos, e, de acordo com o Jornal Ou Mun, todos estão detidos preventivamente na Prisão de Coloane.

Borrell convida MNE israelita e palestiniano para reunião extraordinária

O chefe da diplomacia da União Europeia (UE) convidou os seus homólogos israelita e palestiniano para participarem na reunião extraordinária dos ministros dos Negócios Estrangeiros (MNE) dos 27, convocada após o ataque do grupo islâmico palestiniano Hamas contra Israel. O anúncio foi feito pelo Alto Representante para a Política Externa da UE, Josep Borrell, que convocou uma reunião extraordinária e informal, que decorrerá num formato híbrido — presencial e virtual — em Mascate, Omã, com a participação dos MNE israelita, Eli Cohen, e palestiniano, Riyad al-Maliki.

Também na rede social X (antigo Twitter), Borrell divulgou ter telefonado ao MNE iraniano, Hosein Amir Abdolahian, para reiterar “a mais forte condenação dos ataques brutais do Hamas contra Israel”. “Nada pode justificar actos de terror tão desprezíveis e nada pode justificar o apoio a estes”, escreveu ainda Borrell, que se encontra na capital de Omã para uma reunião entre a UE e o Conselho de Cooperação do Golfo.

As autoridades israelitas confirmaram mais de 900 mortos e 2.700 feridos desde o início da ofensiva do Hamas, lançada no sábado e apoiada pelo grupo Jihad Islâmica, enquanto mais de 680 palestinianos morreram e 3.700 ficaram feridos na sequência de bombardeamentos e ataques de Israel contra a Faixa de Gaza, aos quais se somam mais de 15 em operações e confrontos com forças israelitas na Cisjordânia ocupada.

Irão afasta rumores

O ‘ayatollah’ Ali Khamenei, a autoridade máxima do Irão, negou ontem que o seu país tenha estado por trás do ataque lançado no sábado pelo Hamas contra Israel, mas reforçou o apoio iraniano aos palestinianos.

“Apoiantes do regime sionista e outros têm espalhado rumores nos últimos dois, três dias, incluindo que o Irão estaria por trás desta acção. Estes rumores são falsos”, disse o ayatollah Khamenei num discurso numa academia militar.

Outras autoridades iranianas já haviam rejeitado na segunda-feira as acusações de envolvimento iraniano na preparação do ataque do Hamas, um movimento que Teerão defende abertamente há muitos anos, mesmo que as suas relações tenham vivido altos e baixos.
Khamenei declarou ainda que Israel “sofreu um fracasso irreparável nos campos militar e de informação” após esta ofensiva do movimento palestiniano. “Insisto no termo ‘irreparável’”, acrescentou o líder iraniano.

“É evidente que defendemos a Palestina, defendemos as suas lutas. Beijamos os rostos e os braços dos promotores [do ataque] e dos corajosos jovens palestinianos. Mas aqueles que dizem que o trabalho foi realizado por não palestinianos, “não conhecem a nação palestiniana e estão a cometer um erro”, acrescentou. “É claro que todo o mundo muçulmano é obrigado a apoiar os palestinianos”, segundo o líder supremo do Irão.

Myanmar | Pelo menos 29 mortos em ataque a campo de deslocados

As vítimas do ataque no estado de Kachin incluem crianças, segundo os meios de comunicação social e activistas locais. O alegado ataque da junta militar resultou na morte de, pelo menos, 29 pessoas no estado de Kachin, junto à fronteira com a China

 

Pelo menos 29 pessoas, incluindo crianças, foram mortas num ataque a um campo de deslocados no estado de Kachin, no Myanmar, segundo a imprensa e dois activistas locais. O ataque terá acontecido por volta das 23h30 de segunda-feira à em Kachin, o estado mais à norte. Imagens não verificadas nas redes sociais mostram homens a transportar vítimas, incluindo uma criança pequena, dos escombros na escuridão.

A Organização Nacional Kachin (KIO), um grupo político que há muito procura uma maior autonomia para a minoria étnica de Kachin, afirmou que 29 pessoas foram mortas e 57 ficaram feridas. Entre elas, 11 crianças com menos de 16 anos. O ataque foi efectuado por artilharia pesada e não por um ataque aéreo, como alguns tinham sugerido anteriormente.

As estimativas do número de mortos têm variado. Um activista Kachin baseado em Laiza, que falou sob anonimato, disse anteriormente ao jornal The Guardian que 33 pessoas tinham sido mortas, incluindo 13 crianças. Um bebé de três meses estava entre as vítimas, disse ela.

Acrescentou que o número de mortos poderia aumentar ainda mais porque o campo cobria uma grande área e os voluntários ainda estavam a recuperar corpos. As casas dos campos foram construídas nas montanhas, acrescentou, e por isso ficaram enterradas debaixo do solo.

“As casas do campo estão muito próximas umas das outras, pelo que a situação está totalmente desorganizada”, disse, acrescentando que o ataque foi apenas o último dos “actos desumanos” dos militares.”Há muitos casos como este. Este não é o único caso”, afirmou.

O ataque teve lugar no campo de deslocados internos de Mung Lai Hkyet, a poucos quilómetros de uma base militar gerida pelo Exército da Independência de Kachin (KIA), a ala militar da KIO e um dos muitos grupos que lutam contra a junta militar de Myanmar, que tomou o poder em 2021

Impossível encarar

A zona, perto da fronteira com a China, tem sido palco de frequentes confrontos armados nos últimos meses. A ONU alertou para o acesso limitado da ajuda humanitária no estado de Kachin e em muitas outras zonas do país, descrevendo um nível de necessidade terrível.

Um segundo activista Kachin baseado em Laiza, que falou com o The Guardian a partir de um hospital que trata os feridos, disse: “Todo o quarteirão do campo desapareceu. É como se um grande buraco tivesse sido deixado na terra e as casas tivessem sido destruídas. A minha casa fica a cerca de seis quilómetros do campo de deslocados internos de Mung Lai Hkyet. Mas a minha casa também estava a tremer. Os tectos e as portas das casas em Laiza desabaram”.

Na altura em que deu o seu testemunho, o activista estava no hospital a ajudar os médicos com a logística, mas disse que não conseguia olhar para as vítimas. “Não me posso emocionar porque tenho de continuar a trabalhar”, disse. “Vi três crianças pequenas que perderam as mães. Não me atrevo a olhar para as crianças”.

Mistérios da vida

O general Zaw Min Tun, porta-voz da junta, negou a responsabilidade dos militares. Disse à televisão controlada pelos militares que a junta tinha analisado o incidente e acreditava que a explosão tinha sido causada por bombas que tinham sido armazenadas pelo KIA.

Os militares têm sido frequentemente acusados de atacar sítios civis, incluindo hospitais, escolas, locais religiosos e casas de civis. No ano passado, os militares mataram 60 pessoas, incluindo músicos e crianças, num ataque aéreo que teve como alvo um concerto em Kachin.

O ataque ocorreu no mesmo dia em que o embaixador de Myanmar nas Nações Unidas, Kyaw Moe Tun, disse a uma comissão da ONU que, desde o golpe, os militares importaram mais de mil milhões de dólares em armas e matérias-primas para uma “política de terra queimada que assassinou mais de 4.000 civis, incluindo mulheres e crianças, deslocou à força cerca de 2 milhões de pessoas e destruiu ou queimou mais de 75.000 casas”.

Kyaw Moe Tun – que se manteve leal ao governo civil e não representa a junta – citou dados de investigadores que indicam que houve uma média de 30 ataques aéreos por mês em Myanmar de Janeiro a Junho deste ano, e instou os Estados-Membros e o Conselho de Segurança a imporem embargos de armas abrangentes contra os militares.

Desde que tomaram o poder em Fevereiro de 2021, os militares têm enfrentado a oposição determinada de uma resistência armada, que inclui tanto grupos armados que se formaram após o golpe, como grupos armados maiores e estabelecidos, como o KIA.

O KIA ofereceu refúgio a manifestantes, políticos e outras pessoas que fugiam dos abusos militares e treinou combatentes de grupos mais recentes que se opõem ao golpe.

O campo de deslocados internos de Mung Lai Hkyet foi criado em 2011, quando o acordo de cessar-fogo entre o KIA e os militares se desmoronou. No entanto, desde o golpe de Estado, o campo tem aumentado à medida que um número crescente de pessoas tem sido deslocado e alberga cerca de 850 pessoas.
O conflito obrigou 2 milhões de pessoas a fugir das suas casas, um número sem precedentes no país, segundo a ONU, provocou o aumento da pobreza e o colapso dos serviços de educação e de saúde. Segundo um relatório da ONU publicado no início deste ano, a Rússia e a China são os principais fornecedores de sistemas de armamento avançados aos militares de Myanmar.

Imobiliário | Country Garden admite que pode entrar em incumprimento

A Country Garden, uma das maiores construtoras da China, anunciou ontem que poderá não conseguir pagar todos os empréstimos que contraiu, numa altura em que o sector imobiliário chinês enfrenta uma grave crise de liquidez

 

A construtora, até há pouco considerada financeiramente saudável, foi apanhada nos últimos meses pela crise no imobiliário na China, que ameaça agora a sobrevivência de várias empresas do sector. Uma entrada em incumprimento seria catastrófica para este sector-chave da economia chinesa, que representa um quarto do produto interno bruto (PIB) do país.

A empresa, que já esteve formalmente em risco de incumprimento em Setembro, acabou por conseguir reembolsar 22,5 milhões de dólares referentes a duas obrigações emitidas nos mercados internacionais (‘offshore’), no limite de uma prorrogação de 30 dias.

O grupo, que negociou então com os credores novos prazos para o pagamento de vários empréstimos, devia ter efectuado um reembolso referente a uma obrigação na segunda-feira, mas não conseguiu efectuar o pagamento, no valor de 470 milhões de dólares de Hong Kong.

O grupo dispõe agora de um período de carência de 30 dias para evitar entrar em incumprimento. No entanto, a Country Garden admitiu “não poder honrar todos os reembolsos das suas obrigações junto dos investidores estrangeiros”. “Um incumprimento podia levar os credores em causa a exigir uma aceleração” dos reembolsos que lhes são devidos ou a iniciar um processo judicial, advertiu o grupo. A empresa pediu paciência aos investidores e disse que está a “avaliar as dificuldades actuais”.

Do majongue ao dominó

A Country Garden disse ter contratado consultores financeiros “para avaliar a estrutura de capital e a liquidez” das filiais. “A empresa pretende continuar a cooperar e a dialogar com todos os credores para chegar a uma solução realista o mais rapidamente possível”, referiu o comunicado.

Um eventual incumprimento ia provocar ondas de choque nos mercados e agravar a crise no sector imobiliário chinês e o abrandamento da economia da China. No final de 2022, a Country Garden tinha uma dívida avaliada em 180 mil milhões de euros. No final de Junho, a empresa dispunha de 147,9 mil milhões de yuan em caixa, destinados sobretudo a concluir habitações já pagas pelos proprietários antes mesmo de serem construídas.

A Country Garden “não dispõe de fontes de tesouraria suficientes” para fazer face aos pagamentos futuros, afirmou, no mês passado, a agência de notação financeira Moody’s. A agência baixou o ‘rating’ do grupo em três níveis, para “Ca”, sinónimo de “em incumprimento, com alguma esperança de recuperação”.

Há muito que os grupos imobiliários chineses recorrem a pré-vendas como modelo de financiamento. Em 2021, no entanto, os reguladores chineses restringiram o acesso do sector ao crédito bancário, suscitando uma crise de liquidez. Uma das maiores construturas do país, o Grupo Evergrande, não resistiu. Dezenas de outros grupos estão a negociar a restruturação das dívidas.

A Country Garden tem quatro vezes mais terrenos para construção do que o grupo Evergrande, cujo incumprimento em 2021 provocou protestos dos compradores, alguns dos quais se recusaram posteriormente a pagar as prestações mensais.

Na terça-feira da semana passada, a Country Garden afirmou que a “prioridade operacional (…) é assegurar a entrega” de casas. Qualquer paragem na construção pode suscitar instabilidade social. A China tem já um grande número de construções inacabadas.

Outro construtor chinês sobre-endividado, o grupo Kaisa, admitiu ontem numa audiência em Hong Kong que está “insolvente em termos de liquidez”, depois de não ter conseguido pagar as dívidas em 2021.

Faixa e Rota | Iniciativa apontada como modelo alternativo de desenvolvimento

O Governo chinês enalteceu ontem a Iniciativa Faixa e Rota, que celebra este mês dez anos, como um modelo alternativo de desenvolvimento económico que foge “à velha mentalidade dos jogos geopolíticos”

 

“Nos últimos 10 anos, os resultados frutíferos e o crescente círculo de amigos que integram a Faixa e Rota provam plenamente que a iniciativa não se envolve num círculo fechado e estreito, transcende a velha mentalidade dos jogos geopolíticos e cria um novo paradigma de cooperação internacional”, disse Li Kexin, director do ministério dos Negócios Estrangeiros para os assuntos económicos internacionais, na apresentação de um relatório sobre o programa.

Designado pelo líder chinês, Xi Jinping, como o “projecto do século”, a iniciativa foi inicialmente apresentada no Cazaquistão como um novo corredor económico para a Eurásia, inspirado na antiga Rota da Seda. Na última década, no entanto, a Faixa e Rota adquiriu dimensão global, à medida que mais de 150 países em todo o mundo aderiram ao programa.

Segundo dados da AidData, unidade de pesquisa sobre financiamento internacional, com sede nos Estados Unidos, nos primeiros cinco anos desde o seu lançamento (2013-2017), a China financiou, em média, 83,5 mil milhões de dólares (79,3 mil milhões de euros) por ano em projectos de desenvolvimento no estrangeiro, cimentando a liderança do país como principal financiador internacional.

O aumento líquido, de 31,3 mil milhões de dólares (21,7 mil milhões de euros) por ano, em relação aos cinco anos anteriores (2008-2012), é equivalente ao financiamento anual médio dos Estados Unidos, que ocupam a segunda posição, no período 2013-2017. A Faixa e Rota foi acompanhada também pela fundação de instituições que rivalizam com agências estabelecidas como o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional.

Desde que foi lançada, a iniciativa apoiou projectos desenvolvidos principalmente por empresas de construção chinesas e financiados por empréstimos concedidos por bancos de desenvolvimento chineses.

O objectivo oficial é impulsionar o comércio e o investimento e melhorar as ligações entre a China e o resto do mundo. Os analistas atribuem ao programa o mérito de ter canalizado fundos necessários para os países pobres, mas dizem que houve efeitos negativos.

Estado líquido

Um estudo divulgado na segunda-feira pelo Centro de Políticas de Desenvolvimento Global da Universidade de Boston observou que a China “adicionou um Banco Mundial ao mundo em desenvolvimento”. “Isso não é pouca coisa e é muito apreciado pelos países em desenvolvimento”, disse Kevin Gallagher, diretor do centro.

Mas o mesmo estudo referiu que muitos beneficiários de empréstimos chineses estão agora a sofrer com excesso de endividamento e falta de liquidez. Além disso, centrais eléctricas financiadas pela China estão a emitir cerca de 245 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano, aumentando as emissões de gases com efeito de estufa que alteram o clima.

Gallagher notou que a iniciativa mudou para um novo paradigma, apelidado de “pequeno e belo”, que favorece projectos mais pequenos e energias renováveis. O volume dos empréstimos chineses para o desenvolvimento diminuiu nos últimos anos, em parte porque a China aprendeu com as crises de dívida em vários países e também porque tem menos dinheiro para emprestar à medida que a sua própria economia abranda.

Cong Liang, um alto funcionário da principal agência de planeamento da China, disse durante a divulgação do relatório sobre a iniciativa que o país vai aderir ao “princípio da dívida sustentável” e trabalhar com os países endividados para criar um “sistema de financiamento e investimento sustentável e controlável pelo risco”.

Outra via

A iniciativa faz também parte dos esforços da China para elevar o seu estatuto internacional e contrapor-se às críticas dos Estados Unidos ao seu regime comunista e histórico de violações dos Direitos Humanos. Os líderes chineses acusam os EUA de tentar impor os seus princípios a todos os países e defendem que o seu sistema oferece uma abordagem diferente, que não interfere nos assuntos internos de outros Estados soberanos.

“Já não é aceitável que apenas alguns países dominem o desenvolvimento económico mundial, controlem as regras económicas e usufruam dos frutos do desenvolvimento”, lê-se no documento. A terceira edição do fórum dedicado ao principal programa da política externa de Pequim realiza-se entre os dias 17 e 18 de Outubro. Cerca de 90 países confirmaram já a sua participação, segundo fontes do Governo chinês.

Grande Prémio | Carlos Lemos homenageia o seu pai em livro

O macaense Carlos Lemos, actualmente a residir no Canadá, irá lançar um livro amanhã em homenagem ao seu pai, Victor Hugo Lemos, um “conhecido entusiasta do Grande Prémio de Macau (GPM) e que, em vida, coleccionou um bom número de fotografias e tudo o que se relacionava com as corridas de automóveis de Macau desde 1954”, data da realização da primeira edição do GPM.

A obra intitula-se “Grande Prémio de Macau – Colecção Pessoal de Victor H. de Lemos, 1954-1978 Volume I (1954-1966)”, contém 276 páginas com mais de 200 fotografias, e será lançada na sede da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC).

O livro contém “valiosas informações provavelmente nunca antes vistas ou publicadas sobre o período ‘dourado’ do GPM, entre os anos de 1954 e 1966”, nomeadamente “fotos únicas de todos os carros participantes e dos seus vencedores, recortes da imprensa, bilhetes de acesso, crachás, programas oficiais, autógrafos dos corredores, regulamentos e formulários de inscrição”, entre outras memórias. O livro está legendado em português, chinês e inglês.

O livro custa 280 patacas, mas se for comprado no dia da apresentação custará 250 patacas. O valor total das vendas irá reverter para a instituição “Macau IC2 [I Can Too]”, que apoia pessoas com autismo ou portadoras de deficiência. Segundo um comunicado da APOMAC, o lançamento desta obra é apenas “um projecto pessoal, não visando qualquer proveito material”.

“Wisdom”, exposição de João Miguel Barros, inaugurada amanhã em Lisboa

É já amanhã que a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa recebe uma exposição de fotografia de João Miguel Barros, intitulada “Wisdom”, e que nasce de fotografias feitas em Accra, capital do Gana, já publicadas, expostas e premiadas, nomeadamente no Albergue da Santa Casa da Misericórdia de Macau, em Julho de 2019 e na revista “Zine”, um projecto editorial fotográfico pessoal com 12 edições.

Ao HM, João Miguel Barros, que também é advogado e que se formou nesta faculdade, disse que a mostra tem “um especial significado”, precisamente por poder voltar à escola onde fez ingressou em Direito em 1976. O lado especial deste projecto verifica-se também no facto de a exposição ocupar “todo o edifício principal da entrada, com 22 fotografias em telas de grandes dimensões, sobre um tema que tem a ver com educação”.

As imagens de “Wisdom”, diz João Miguel Barros, “confrontam a precariedade do ensino numa escola em Accra, no Gana, com o privilégio que é estudar numa escola de ensino superior, moderna e bem apetrechada”.

A mostra faz-se acompanhar de um catálogo, disponibilizado apenas online e preparado pela curadora da revista “Photo London”, Helen Ho. Esta descreve “Wisdom” como um “corpo de trabalho estimulante que pode ser visto como um comentário social visual”, tratando-se de “fotografias que nos convidam a entrar num mundo completamente desconhecido, porém, apesar do caos aparente e das condições de pobreza, vê-se luz e esperança”.

Ensinar numa antiga mansão

As imagens, que podem ser vistas até 8 de Dezembro, retratam a realidade da escola “Wisdom Preparatory Academy”, situada em Adedenkpo, na cidade velha de Accra, no Gana, e fundada em 1986.

Segundo João Miguel Barros, a escola ocupa um prédio antigo, danificado, que foi “uma importante mansão”. “No início destinava-se a suportar a actividade de crianças com apetência para o futebol. No entanto, em 1992, a escola foi autorizada a entrar no sistema de ensino nacional e passou a receber turmas que vão do pré-primário ao ensino médio.”

O fotógrafo revela ainda que em frente ao edifício existe “um grande pátio rodeado de casas informais onde as famílias criam os seus filhos pequenos”, e que aí, ao final da tarde, costuma treinar “um grupo de pugilistas que dedicam o seu sonho a um dia serem grandes campeões”. “Foi por causa de um deles, Emmanuel Danso, que vi combater em Macau, que decidi ir a Accra”, recordou.

Fotografia | Rusty Fox lança “Nocturnal” no próximo domingo

O fotógrafo local Rusty Fox lança no domingo, no festival literário Rota das Letras, um novo livro de fotografia. “Nocturnal” retrata, a preto e branco, árvores que evocam imagens do corpo humano, onde o ambiente nocturno se mistura com sensações de melancolia e estranheza

 

Noite, melancolia, estranheza, corpo, movimento estático, natureza morta. Todas estas palavras cabem nas fotografias de Rusty Fox, fotógrafo natural de Macau que lança, no próximo domingo, “Nocturnal” [Nocturno], pondo fim a um breve interregno na edição de livros de fotografia. O lançamento, agendado para as 17h na Casa Garden, integra o cartaz do festival literário Rota das Letras.

Ao HM, Rusty Fox confessa que estas imagens surgem no seguimento de trabalhos anteriores, muito focados na natureza e nas suas formas. “Sempre fui fascinado por objectos relacionados com diferentes formas de vida. Durante muitos anos trabalhei num projecto sobre espécimes de animais e taxidermia [técnica de preparação de animais mortos para que fiquem com as mesmas posições que tinham em vida], no tempo em que estudei fotografia no Reino Unido. Descobri que as plantas e as árvores são, de alguma forma, semelhantes aos espécimes de animais, são como objectos de exposição colocados na nossa cidade, como um museu.”

O nome “Nocturnal” surgiu do editor e designer Yang, e remete para o lado noctívago de Rusty Fox. “Eu, como fotógrafo, sou noctívago, tal como as árvores nas ruas vazias à meia-noite, que têm o seu próprio mundo.”

Confrontado com o facto de a obra remeter para atmosferas de estranheza, melancolia e até morbidade, o autor diz que muitos dos que vêem as suas imagens têm a mesma percepção, assumindo até que o seu trabalho constitui uma certa “metáfora sexual”. “O engraçado é que são apenas árvores, nada mais. Claro que, como fotógrafo, trabalho muito para que o público se sinta assim, mas também os lembrarei que, afinal, são sempre árvores.”

Estas percepções nascem do facto de Rusty Fox ter feito trabalhos anteriores sobre animais. “Vemos as árvores como tendo a forma de um corpo humano, mas para mim é mais um espécime, para ser sincero.”

Tempo de reflexão

O período da pandemia foi complexo para quem pretendia publicar novos trabalhos, confessa Rusty. “Normalmente tentamos participar em feiras de livros de arte em todo o mundo e, devido à covid, não o pudemos fazer. Para mim, não era sensato publicar um livro nessa altura. O meu último livro, ‘Dummy’ [de 2018] foi lançado mesmo antes da pandemia. Usei este tempo para ‘observar’ a relação que temos com as árvores e descobri que são ainda mais fascinantes como objectos vivos, pelo que decidi fazer este livro sobre elas.”

Rusty Fox adiantou que o feedback que tem recebido em relação ao livro tem sido positivo. “Normalmente, tenho tido mais público ou leitores interessados no meu trabalho, sobretudo em relação aos meus livros mais antigos, mas penso que ‘Nocturnal’ está a correr bastante bem.”

Questionado sobre o posicionamento da fotografia mais contemporânea em Macau, tanto do ponto de vista das exposições, edições ou acolhimento do público, Rusty Fox considera que “está a melhorar”. “Além da fotografia tradicional, parece que há cada vez mais público interessado no lado mais contemporâneo da fotografia, o que é muito bom. Além disso, muitas pessoas, como eu, estão a tentar levar os trabalhos dos fotógrafos locais a diferentes actividades, como feiras de livros de arte e exposições internacionais, o que é sempre bom de ver”, rematou.

“Nocturnal” vai partilhar o palco do Rota das Letras com o lançamento de outro livro de fotografia, “Seeing the Light”, de Francisco Ricarte, arquitecto que, nos últimos tempos, se tem dedicado bastante à fotografia e que já conta com várias exposições e obras publicadas.

Fogo Artifício | Últimos espectáculos acontecem hoje

Os dois últimos espectáculos da 31ª edição do Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau, com as apresentações das equipas de Inglaterra e Alemanha, decorrem hoje às 21h e 21h40.

Segundo um comunicado da Direcção dos Serviços de Turismo, estão marcados também para hoje dois eventos relacionados com os espectáculos, nomeadamente o Arraial do Fogo-de-Artifício e as duas Feiras do Festival de Fogo-de-Artifício.

Serão conhecidos hoje os três primeiros classificados desta edição. A empresa pirotécnica oriunda de Inglaterra, “MLE Pyrotechnics Limited”, e a companhia vinda da Alemanha, “Feuerwerk Vertriebs GMbH”, irão apresentar exibições dedicadas aos temas “Sinfonia Harmónica: Acendendo o Poder da Música” e “Uma Jornada pela Música Clássica”, respectivamente.

FJA | Mantido apoio ao Lusitânia Sport Clube Macau

A Fundação Jorge Álvares (FJA) vai continuar a apoiar financeiramente o Lusitânia Sport Clube de Macau, com sede na Taipa, que foi fundado em 1981, dedicando-se às modalidades do hóquei em patins e em campo. Segundo um comunicado da fundação, o apoio atribuído desde 2004 significa “o contínuo empenho da FJA em fortalecer a comunidade macaense através do desporto e do apoio a jovens atletas”.

Além disso, com a renovação do apoio, a FJA “mantém o apoio a duas das modalidades desportivas tradicionais de Macau – o hóquei em campo, desporto tradicional da comunidade macaense, e o hóquei em patins, modalidade por excelência da comunidade portuguesa de Macau”.

O Lusitânia Sport Clube Macau tem alcançado “resultados notáveis no cenário desportivo local”, detendo ainda “honrosas classificações obtidas em competições ocorridas em vários países da região Ásia-Pacífico”, destaca a FJA, que deseja “continuar a inspirar jovens talentos e a impulsionar o sucesso do Lusitânia Sport Clube de Macau na próxima época desportiva que se inicia no corrente mês de Outubro”.

Semana Dourada | Casinos apuraram mais de 6,65 mil milhões em oito dias

A JP Morgan estima que os casinos de Macau facturaram uma média diária de 830 milhões de patacas, num total de 6,65 mil milhões, nos primeiros oito dias deste mês, período correspondente aos feriados da Semana Dourada. O registo representa o melhor desempenho do sector desde o início da pandemia

 

Os analistas do banco de investimento JP Morgan anunciaram na segunda-feira que os casinos de Macau apuraram um total de 6,65 mil milhões de patacas em receitas brutas nos primeiros oito dias deste mês, o que dá uma média diária de 830 milhões de patacas. Trata-se do melhor desempenho do sector desde que a pandemia começou e afectar a economia do território, segundo informações noticiadas pelo portal GGR Asia.

Os analistas da JP Morgan apontaram também que o valor diário de 830 milhões de patacas é 29 por cento superior à média diária das receitas brutas de jogo, de 645 milhões de patacas, registadas na semana dourada de Maio, durante os feriados do Dia Internacional do Trabalhador.

As celebrações do Festival da Lua, ou do Meio Outono, e do aniversário da implantação da República Popular da China, a 1 de Outubro, duraram entre os dias 29 de Setembro e 6 de Outubro, uma sexta-feira, sendo que o último fim-de-semana já gerou em receitas brutas “modestas”, de 500 milhões de patacas por dia. Os analistas DS Kim, Mufan Shi e Selina Li concluíram que se movimentaram, entre os dias 1 e 6, um valor muito superior, de 930 milhões de patacas diariamente.

Estes números são encarados como um sinal francamente positivo da recuperação da indústria do jogo, pois segundo a JP Morgan, a semana dourada constituiu “uma aceleração significativa” de uma recuperação de cerca de 70 por cento do volume de receitas brutas de jogo no terceiro trimestre deste ano. Os valores médios diários registados nesta semana dourada, entre os dias 1 e 6, constituem também uma recuperação “de cerca de 80 por cento” nas receitas brutas de jogo em comparação com o mesmo período da semana dourada de 2019, quando o valor agregado das receitas brutas de jogo foi de 1,16 mil milhões de patacas.

“As receitas brutas de jogo nas apostas de massas recuperaram provavelmente entre 110 e 120 por cento em relação à semana dourada de 2019. A semana dourada acabou por ser bastante dourada – muito melhor do que nós e o mercado esperávamos”, apontaram os analistas.

Mês de festa

Ben Lee, analista de jogo da IGamix, falou ontem à TDM – Rádio Macau sobre esta análise, defendendo que este pode muito bem ser o melhor mês do ano para o sector do jogo, apontando para valores mensais de 18 a 19 mil milhões de patacas, resultados potenciados pela realização de vários espectáculos e eventos durante os próximos dias.

Sobre a possibilidade de se atingirem as 180 mil milhões de patacas de receitas este ano, Ben Lee mostra-se “reticente”, afirmando apenas que o valor obtido em termos de receitas rondará esse montante, sendo “preciso um impulso de última hora para fechar 2023 nos 180 mil milhões”, noticiou a TDM Rádio Macau.

De frisar que Macau recebeu mais de 932 mil visitantes entre 29 de Setembro e 6 de Outubro, atingindo o pico no sábado, dia 30, com mais de 158 mil turistas a visitar o território. Cerca de 76,1 por cento destes visitantes vieram da China.

Zona A | Recebidas 12 propostas para habitação pública

Foram apresentadas 12 propostas no âmbito do concurso público para a atribuição da empreitada de concepção e construção de habitação pública no lote B5 da Nova Zona de Aterro A. O objectivo é que os trabalhos de construção arranquem até ao final de Março do próximo ano.

A habitação pública vai ser erigida num terreno com uma área de 9.682 metros quadrados, destinado a habitação, estacionamento público, instalações comerciais e sociais, bem como um centro modal de transportes públicos. Espera-se que após a construção dos respectivos edifícios, seja possível fornecer cerca de 1.003 fracções de habitação pública.

O prazo máximo de concepção e construção era de 1.150 dias de trabalho. Como parte das exigências do concurso, foi pedido às interessadas que adoptem um “método de construção amigo do ambiente” e que sejam utilizados “elementos pré-fabricados e cofragens metálicas para a construção”.

Portas do Cerco | Mais escadas rolantes substituídas

Começa hoje a última fase de substituição das escadas rolantes do Edifício do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco, de acordo com um comunicado da Direcção dos Serviços das Forças de Segurança de Macau (DSFSM).

Os trabalhos estão a ser feitos de forma faseada e começaram em 2019. Desde essa altura, foram mudadas escadas rolantes ascendentes e descendentes, do lado esquerdo, do átrio de partida, e os DSFSM apontam que “têm estado a funcionar com normalidade após as obras de renovação”.

Nesta fase vão ser “substituídas as três escadas rolantes descendentes, do lado direito, do átrio de partida” O prazo para acabar os trabalhos é de um mês. Durante a execução das obras, o Corpo de Polícia de Segurança Pública promete “reforçar a acção de patrulha para manter a ordem das redondezas e, quando necessário, alterar as duas vias de trânsito de partida para canal manual temporário a fim de evitar aglomerações”.

Economia | Divulgada lista de empresas tecnológicas certificadas

Apenas 15 das 39 empresas candidatas receberam o certificado de empresas tecnológicas. Ao Mi, Boardware Sistema de informação e a Silergy Semicondutores (Macau) são as maiores empresas locais tecnológicas reconhecidas no âmbito do Programa de Certificação de Empresas Tecnológicas

 

A aplicação de distribuição de comida Ao Mi, a electrónica Boardware Sistema de informação e a Silergy Semicondutores (Macau) são as primeiras empresas a receberem o certificado de “empresa tecnológica de referência”, no âmbito do Programa de Certificação de Empresas Tecnológicas. A lista foi divulgada ontem pela Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT).

O programa que nasceu com a reorganização da DSEDT tem como objectivo, de acordo com as autoridades, “identificar empresas tecnológicas locais qualificadas” para “impulsioná-las a expandirem as suas actividades”. Esta é também uma forma de contribuir para “construir uma escada de crescimento para empresas tecnológicas locais”, de forma a melhorar “a base ecológica da inovação científica e tecnológica de Macau.

A lista apresenta diferentes níveis de classificação e as “empresas tecnológicas de referência” são as que se encontram melhor estabelecidas no território. Além ser exigido que estejam registadas em Macau e tenham actividade na área da “inovação científica e tecnológica como a actividade principal por um período superior a um ano”, não podem ser devedoras à RAEM, não podem ser empresas de utilidade pública, nem ter uma participação de empresas com capitais públicos superiores a 50 por cento.

A grande diferença das empresas tecnológicas de referência, como a Ao Mi, Silergy Semicondutores e Boardware, passa pelo facto de terem receitas superiores a 50 milhões de patacas ou despesas superiores a 10 milhões de patacas.

Mais uma dúzia

Durante o processo de candidatura, terminado em Maio, um total de 39 empresas mostraram interesse no programa. Menos de metade conseguiu o certificado e além das três mencionadas, mais 12 companhias foram certificadas como “empresas tecnológicas potenciais”.

As escolhidas foram a Netel Informação e Serviços, Companhia de Software Yonyou, Singou, Companhia de Medicina Natural Nam Yu, Alpha Solution, Vodatel, Pachira, Companhia de Equipamentos Master, Infomacro, Vastcom, Macau Pass e Macau Newland.
Estas empresas cumprem critérios semelhantes aos adoptados para as tecnológicas de referência, mas as receitas, as despesas e até o nível de impostos pagos foram inferiores.

Destaque para o facto de nenhuma das 39 empresas interessadas ter conseguido obter a certificação como “empresas tecnológicas em crescimento”.

Face aos certificado emitido, a DSEDT promete disponibilizar “medidas de apoio específicas às empresas certificadas, na tentativa de ajudar as mesmas a expandirem os negócios e promover o desenvolvimento da indústria tecnológica de Macau”. As medidas não foram reveladas.

Habitação | Lo Choi In defende apoios à compra

A deputada Lo Choi In defende que o Governo deve alargar os apoios à aquisição de imóveis no próximo ano. Em declarações à Rádio Macau, a legisladora considerou que esta é uma forma de “inverter a queda da taxa de natalidade registada nos últimos anos”.

Na antevisão das Linhas de Acção Governativa para o próximo ano, a deputada defendeu também que o programa de apoio financeiro à aquisição de imóveis por parte de jovens seja alargado. Ou seja, as famílias que já beneficiaram deste apoio deviam poder concorrer a novos subsídios para a aquisição de apartamentos maiores.

Sobre a recuperação dos negócios das pequenas e médias empresas, a legisladora entende que a política de pagamento dos juros apenas com suspensão da amortização do respectivo capital deve ser prolongada por mais um ano. Lo Choi In considera que o Governo deve lançar mais apoios e subsídios para ajudar as empresas a integrarem o mercado da Grande Baía.

Portugueses | Coutinho culpa Governo por recusa de residência

O Chefe do Executivo propôs a lei, mas diz que a responsabilidade é da Assembleia Legislativa. José Pereira Coutinho aprovou a lei na generalidade, mas defende que a responsabilidade é de Ho Iat Seng, porque os deputados só “analisam o diploma e dão a sua opinião”

 

José Pereira Coutinho considera que o Governo é o responsável pela decisão de recusar o estatuto de residente a portugueses que imigram para Macau como trabalhadores especializados. As declarações de um dos poucos deputados que se assume português surgem em resposta a Ho Iat Seng, que na semana passada responsabilizou a Assembleia Legislativa pela aprovação da nova lei, que tinha sido proposta pelo Governo.

“Estas são iniciativas legislativas, do Governo de Macau, que nos últimos anos entendeu alterar o sistema da autorização de residência aos portugueses que venham trabalhar para Macau”, afirmou o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau. “Não é uma iniciativa da Assembleia Legislativa, como veio mencionado nos meios de comunicação social, os deputados analisam o diploma e dão a sua opinião”, acrescentou.

Segundo os procedimentos habituais em Macau, a lei foi proposta pelo Governo, depois de consultado o Conselho Executivo, e foi aprovada pela Assembleia Legislativa.

José Pereira Coutinho era o único deputado ligado à ATFPM em 2021, quando a lei foi discutida na generalidade, e votou a favor. Na especialidade voltou contra alguns artigos e absteve-se noutros, mas nunca abordou o facto de os portugueses poderem deixar de ter acesso ao estatuto de residente permanente devido a serem trabalhadores especializados. Este aspecto nunca foi discutido durante a votação do diploma, nem mencionado nas reuniões da comissão.

Apesar da situação actual, Pereira Coutinho afirmou que em conjunto com seu colega de bancada, Che Sai Wang, e os conselheiros das Comunidades Portuguesas em Macau, entre os quais Rita Santos, estão a acompanhar “a questão”. “Estamos a trabalhar nos bastidores para que a questão seja resolvida da melhor forma. Acreditamos que o cônsul geral de Portugal em Macau também está muito debruçado sobre a matéria que abarca as relações entre a China, Portugal e Macau e vamos aguardar”, completou.

Preocupação com o desemprego

Quanto aos assuntos ligados ao balanço do ano legislativo 2022/2023, Coutinho apelou ao Governo para prestar atenção à questão do desemprego no território. “O grande problema que Macau enfrenta neste momento é o desemprego. Nos últimos três anos, devido à pandemia, muita gente perdeu o emprego e a situação não está a melhorar”, afirmou. “A inflação e os empréstimos bancários também são mais uma dor de cabeça para as famílias. Por isso, no encontro com o Chefe do Executivo pedimos para que seja distribuído mais uma ronda dos cartões de consumo electrónico no valor de 8 mil patacas […] também pedimos que a comparticipação pecuniária seja aumentada para 15 mil patacas”, acrescentou.

Este ponto de vista foi igualmente destacado pelo deputado Che Sai Wang que apontou que actualmente muitos licenciados encontram grandes dificuldades para conseguir emprego nas áreas de formação.

José Pereira Coutinho adiantou ainda o exemplo de uma doutorada local em economia que por não conseguir encontrar emprego em Macau mudou-se para a Universidade de Edimburgo, na Escócia. “Em Macau não conseguiu encontrar emprego, tem um doutoramento em economia, que é raro em Macau, mas mandou um email para uma das universidades mais famosas do mundo […] e chamaram-na para fazer investigação, leccionar e até lhe deram alojamento”, apontou. “Não estamos a tratar bem os nossos talentos, porque não devemos fazer com que tenham de sair de Macau”, frisou.

Olhos na aviação e junkets

Na conferência de imprensa de ontem, o deputado fez também uma previsão do ano legislativo de 2023/2024, que arranca na próxima semana. Pereira Coutinho destacou a importância de três diplomas, a futura lei da aviação civil, o regime jurídico da concessão de crédito para jogos de fortuna ou azar em casino e a futura lei para regular a compra de bens e serviços pela Administração.

No que diz respeito à aviação civil, o legislador criticou o estado actual do Aeroporto Internacional de Macau, porque “na prática é um aeroporto doméstico” sem “interligações internacional”. “Para atrair visitantes estrangeiros, como o Governo pretende, é preciso ter ligações directas, como acontecia no passado entre Macau e Lisboa”, vincou. “A maior parte das actividades do aeroporto são exploradas em regime de monopólio”, frisou.

Em relação ao crédito dentro dos casinos, o deputado ligado à ATFPM destacou a importância para a economia local: “As nossas receitas estão totalmente dependentes das receitas do jogo e se não houver melhoramentos das condições de crédito, os promotores não podem exercer a actividade”, avisou. “No auge tínhamos mais de 400 promotores de jogo e agora só temos 10. Quase todos operam com prejuízos”, afirmou.

Quanto ao futuro regime para regular as compras pela Administração, Coutinho apelou para que a nova lei seja utilizada para aumentar a “transparência e a justiça” das práticas em vigor, e ainda evitar gastos excessivos.