Turismo | Pedida maior capacidade nas fronteiras e análises de consumo

Apesar de os números de turistas que visitaram Macau durante os feriados do Ano Novo Lunar terem batido todos os recordes, a economia comunitária e o comércio dos bairros residenciais não foi beneficiada. Este tem sido um dos paradoxos económicos do território, que vive a duas velocidades, que teima em não ser resolvido e que foi tema ontem de uma palestra do Centro da Política da Sabedoria Colectiva, conduzida pelo deputado Ngan Iek Hang.
O legislador eleito pela lista dos Moradores enalteceu os esforços do Governo na organização de actividades nos bairros fora dos circuitos turísticos, mas apelou a que estes eventos e atracções sejam mais publicitados nas redes sociais chinesas. A promoção é importante para permitir aos visitantes planearem o percurso pela cidade, criando alternativas aos pontos mais conhecidos.
O deputado defende também que os postos fronteiriços devem reforçar a sua capacidade para conseguirem processar o volume crescente de travessias, em especial nas Portas do Cerco, Qingmao e Hengqin.

Fazer mais e melhor
Em relação ao consumo de turistas nos bairros residenciais, Ngan Iek Hang recordou que o Governo lançou vários programas, como as lojas com características próprias, que não surtiram o efeito desejado. Apesar disso, defende que são precisas mais medidas e empenho dos comerciantes para atingir os objectivos desejados.
Porém, o legislador entende que o Governo deveria analisar detalhadamente as tendências de consumo nas lojas e restaurantes dos bairros, de forma a elaborar medidas precisas que correspondam ao desenvolvimento económico dessas zonas da cidade.
Os transportes e ligações entre as várias zonas da cidade são outro ponto que pode ser melhorado. “Nos próximos feriados, deveríamos reordenar as carreiras de autocarro e melhorar as condições pedestres, permitindo aos visitantes conhecerem as proximidades de zonas como NAPE e Horta e Costa”, afirmou, exemplificando a possibilidade de publicitar percursos que podem ser feitos a pé, usando o Túnel da Guia e pela zona do Conselheiro Ferreira de Almeida.
A palestra que decorreu ontem teve como convidado o presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau Centro e Sul Distritos, Lei Cheok Kuan, que enalteceu o trabalho de comunicação feito pelo Governo no caso da zona pedonal na Rua de Nossa Senhora do Amparo. O responsável indicou que 98 por cento dos comerciantes da zona reportaram melhorias nos negócios durante os feriados do Ano Novo Lunar, algo que não se verificou no ano anterior.

Eventos “três regiões”: do pioneirismo à institucionalização

Por Manuel Silvério – ex-presidente do Instituto do Desporto e co-fundador do Comité Olímpico de Macau

 

A interpelação escrita do Deputado Leong Sun Iok levanta um ponto oportuno e, sobretudo, concreto: como transformar as experiências recentes — em particular a prova de ciclismo que ligou Macau, Hong Kong e Guangdong — em vantagens institucionalizadas, capazes de reforçar a cooperação regional e consolidar Macau como Cidade do Desporto.

O mérito desta posição está também no perfil de quem a coloca. Leong Sun Iok é um deputado jovem, próximo do terreno, que acompanha atletas e praticantes com regularidade. E não é indiferente que esteja ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), uma instituição com fortes tradições sociais e desportivas, onde muitos jovens — e também praticantes “anónimos” — encontraram, ao longo de décadas, espaço para treinar, competir e criar hábitos de vida activa. Basta recordar o emblemático Campo dos Operários, no coração da cidade, junto à Escola Portuguesa, onde hoje se ergue o Grand Lisboa — um símbolo de como Macau mudou, mas onde a memória desportiva permanece.

A questão central é simples: as experiências pioneiras são importantes, mas o que conta é o que fica depois. E é aqui que a pergunta do deputado é decisiva: ao introduzir ou acolher eventos internacionais no futuro, haverá condições para aproveitar a experiência adquirida nos Jogos Nacionais? Haverá um mecanismo que facilite autorizações e coordenação com Guangdong e Hong Kong?

 

O que o Governo pode vir a fazer “a seguir” (previsão realista)

Sem adivinhar demais, há um conjunto de passos que, de forma realista, o Governo poderá tomar para transformar estas experiências em capacidade permanente:

  • ⁠Criar um grupo de trabalho interdepartamental (segurança, trânsito, turismo, desporto, assuntos fronteiriços e saúde), com reuniões regulares e um método de decisão claro.
  • Estabelecer um “canal verde” para eventos “três regiões”, com critérios definidos, prazos fixos e um circuito administrativo previsível.
  • ⁠Consolidar um calendário anual ou plurianual com 1–2 eventos âncora (por exemplo, uma prova de ciclismo transfronteiriça e uma meia maratona/corrida com passagem de fronteira).
  • Reforçar a cooperação com Guangdong e Hong Kong em formato técnico, não apenas político: protocolos operacionais, planos de contingência e articulação entre equipas no terreno.
  • ⁠Assegurar parceiros com capacidade operacional e patrocínio, incluindo uma participação robusta do sector privado, quando isso aumentar eficiência e escala.

O risco é conhecido: tudo ficar por “boa intenção” se não houver um dono do processo — uma entidade líder — e metas de execução com responsabilização.

Se Macau quer realmente ganhar escala e relevância regional através do desporto, o caminho passa menos por anúncios e mais por mecanismos, prazos, liderança e execução. A interpelação do Deputado Leong Sun Iok, neste sentido, é um bom ponto de partida para fazer a pergunta certa — e, sobretudo, para exigir respostas operacionais.

A Geopolítica do Ponto de Ignição

“Power is never silent; when diplomacy fails, it speaks in the language of escalation.”

Robert D. Kaplan

 

A relação triangular entre os Estados Unidos, Israel e a República Islâmica do Irão constitui, desde o final da década de 1970, um dos eixos estruturantes da política internacional no Médio Oriente. A sua evolução ao longo de quase meio século revela um padrão de antagonismo persistente, moldado por factores ideológicos, estratégicos, securitários e civilizacionais que se reforçam mutuamente. A partir de 2020, e com maior intensidade após 2022, este antagonismo adquiriu uma dimensão sistémica, na medida em que passou a intersectar rivalidades globais mais amplas nomeadamente a competição estratégica entre os Estados Unidos, a China e a Rússia e a influenciar directamente a estabilidade dos mercados energéticos, a arquitectura de segurança regional e a própria credibilidade das normas internacionais relativas à proliferação nuclear.

A génese deste conflito remonta à Revolução Iraniana de 1979, que derrubou o regime do Xá Mohammad Reza Pahlavi, aliado central de Washington, e instaurou uma república teocrática baseada numa ideologia revolucionária xiita. A crise dos reféns na embaixada dos Estados Unidos em Teerão, que se prolongou por 444 dias, cristalizou uma percepção de hostilidade irreconciliável entre os dois Estados. A crise dos reféns deixou uma marca indelével na percepção mútua, consolidando a imagem dos Estados Unidos como o “Grande Satã” na doutrina revolucionária iraniana. Esta ruptura não foi apenas diplomática, pois representou uma reconfiguração profunda da ordem regional, ao substituir um pilar próocidental por um regime que se via como vanguarda de uma revolução antiimperialista e antisionista.

Para Israel, a ascensão da República Islâmica constituiu uma ameaça existencial. Até então, o Irão do Xá funcionava como um contrapeso estratégico ao nacionalismo árabe e às ambições regionais do Iraque. A partir de 1979, Israel passou a enfrentar um Estado que não apenas rejeitava a sua legitimidade, mas que se comprometia ideologicamente com a sua eliminação. O surgimento de uma República Islâmica abertamente antisionista representou uma ameaça existencial, alterando de forma permanente os cálculos de segurança israelitas. Esta percepção tornouse ainda mais aguda com o apoio iraniano a actores não estatais como o Hezbollah no Líbano e, mais tarde, a grupos palestinianos como o Hamas e a Jihad Islâmica.

A política externa iraniana, especialmente sob lideranças de linha dura, assenta numa visão ideológica que considera ilegítima a ordem internacional liderada pelos Estados Unidos. Esta visão sustenta a construção do chamado “Eixo da Resistência”, uma rede de actores estatais e não estatais que inclui o Hezbollah, milícias xiitas no Iraque, grupos armados na Síria, os Houthis no Iémen e facções palestinianas. O objectivo desta rede é projectar influência, criar profundidade estratégica e aumentar os custos de qualquer acção militar contra o Irão. A lógica subjacente é clara pois ao dispersar o campo de batalha por múltiplos teatros, Teerão procura compensar a sua inferioridade convencional face aos Estados Unidos e a Israel.

Do lado israelita, a estratégia de segurança nacional assenta em três pilares com a manutenção de uma vantagem militar qualitativa, a prevenção de que qualquer rival regional adquira armas nucleares e a capacidade de realizar operações preventivas para neutralizar ameaças emergentes. Esta doutrina, desenvolvida desde a década de 1960, foi reforçada após a guerra de 1973 e consolidada com o ataque preventivo ao reactor nuclear iraquiano em Osirak, em 1981. A partir dos anos 2000, com o avanço do programa nuclear iraniano, Israel passou a considerar o Irão como a principal ameaça estratégica, e a possibilidade de Teerão atingir capacidade nuclear latente tornouse a derradeira linha vermelha.

Os Estados Unidos, por sua vez, desempenham um papel ambivalente. Enquanto potência global, Washington procura garantir a estabilidade das rotas energéticas, conter a proliferação nuclear e preservar a sua credibilidade como garante de segurança dos seus aliados regionais. Contudo, desde a invasão do Iraque em 2003, a política americana no Médio Oriente tem sido marcada por tensões internas entre tendências intervencionistas e isolacionistas. A retirada do acordo nuclear (JCPOA) em 2018, seguida de anos de sanções económicas e confrontos indirectos, contribuiu para um ambiente de desconfiança profunda entre Washington e Teerão.

Entre 2020 e 2025, a região assistiu a uma intensificação da chamada “guerra na zona cinzenta”, caracterizada por ataques cibernéticos, sabotagem industrial, operações clandestinas e confrontos através de proxies. Esta fase pode ser considerada como um período em que o conflito permanece sobretudo na sombra, com ambos os lados a procurarem infligir custos sem ultrapassar o limiar de um confronto directo. Esta dinâmica reflecte uma lógica de dissuasão mútua, pois cada actor procura evitar uma guerra aberta, mas também evitar parecer fraco perante os seus adversários e as suas audiências internas.

A partir de 2024, vários factores contribuíram para aumentar o risco de escalada. Em primeiro lugar, o programa nuclear iraniano avançou significativamente, aproximandose de níveis de enriquecimento e de capacidade técnica que, segundo avaliações ocidentais, poderiam permitir um breakout rápido. Em segundo lugar, a crescente assertividade do Hezbollah e das milícias iraquianas aumentou a pressão sobre Israel e sobre as forças americanas na região.

A partir de meados de 2025, sinais de deterioração acelerada tornaramse evidentes. Israel intensificou operações clandestinas contra cientistas e instalações iranianas; o Irão respondeu com ataques cibernéticos e com o reforço das capacidades militares do Hezbollah. No Golfo, incidentes envolvendo navios comerciais e drones aumentaram a tensão entre Teerão e Washington. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, apesar de esforços de aproximação diplomática ao Irão, continuaram profundamente preocupados com o expansionismo iraniano e com a possibilidade de uma corrida armamentista regional.

Neste contexto, o final de Fevereiro de 2026 surgiu como um ponto de inflexão. A combinação de avanços no programa nuclear iraniano, ataques de proxies contra interesses americanos e receios israelitas de que a janela para uma acção preventiva estivesse a fecharse criou um ambiente em que a dissuasão começou a falhar. A teoria da dissuasão ensina que esta falha ocorre quando a ameaça de punição deixa de superar o benefício percebido da acção agressiva. No caso iraniano, a percepção de que a obtenção de capacidade nuclear latente poderia garantir a sobrevivência do regime tornouse um incentivo poderoso para resistir à pressão ocidental.

 

(Continua)

CCPPC | Aberta principal reunião política anual

A China deu ontem início à sua principal reunião política anual com a abertura da sessão da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), o órgão consultivo que antecede a inauguração, na quinta-feira, da Assembleia Nacional Popular, órgão legislativo.

O Presidente chinês, Xi Jinping, participou na sessão inaugural realizada no Grande Palácio do Povo, em Pequim, acompanhado por outros membros da liderança do Partido Comunista Chinês (PCC). Durante a reunião foram aprovados os trabalhos da agenda e Wang Huning, considerado um dos principais ideólogos do regime e próximo de Xi, apresentou o relatório de actividades do comité permanente do órgão consultivo.

A abertura das chamadas “Duas Sessões”, o maior evento político anual da China, ocorre no início do 15.º Plano Quinquenal (2026-2030), que definirá as prioridades económicas e estratégicas do país para os próximos cinco anos.

Amanhã, o primeiro-ministro, Li Qiang, deverá anunciar a meta de crescimento económico para 2026, que, segundo analistas, poderá situar-se entre 4,5 por cento e 5 por cento.

A reunião anual decorre também após a expulsão, nas últimas semanas, de vários altos responsáveis militares tanto da Assembleia Nacional Popular como do próprio órgão consultivo, no âmbito da campanha anticorrupção que tem reduzido a cúpula das forças armadas.

O orçamento da Defesa, que na sessão do ano passado aumentou 7,2 por cento em termos homólogos, e as mensagens políticas dirigidas às Forças Armadas deverão igualmente concentrar parte da atenção durante os debates.

 

Tensões globais

A sessão realiza-se ainda num contexto de tensões internacionais crescentes, após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, e antes de uma visita prevista do Presidente norte-americano, Donald Trump, à China, ainda não confirmada oficialmente por Pequim.

Nos primeiros contactos com a imprensa local, alguns membros do órgão consultivo destacaram temas como a modernização industrial e tecnológica.

O presidente da fabricante automóvel Geely, Li Shufu, apelou, em declarações citadas pelo jornal The Paper, a evitar a “competição sem sentido” no sector dos veículos eléctricos, enquanto outros delegados sublinharam avanços na tecnologia quântica e a necessidade de acelerar a regulação de veículos autónomos e da robótica humanoide.

Durante a sessão do órgão legislativo, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, deverá realizar a sua habitual conferência de imprensa anual, um evento frequentemente utilizado para antecipar o tom da diplomacia chinesa num contexto internacional cada vez mais volátil.

Arte sem fronteiras | Abertas inscrições para “Oficinas para Crianças”

Estão abertas até 22 de Março as inscrições para participar em sete sessões de oficinas artísticas, destinadas a crianças e jovens dos 4 aos 16 anos, do programa “Arte Sem Fronteiras – Oficinas para Crianças” que se realiza entre Abril e Junho no Museu de Arte de Macau (MAM).

As actividades são exclusivas para os “Amigos do MAM”, ou seja, é preciso aderir ao clube. As inscrições nas oficinas e a adesão aos “Amigos do MAM” podem ser feitas na Conta Única de Macau. Cada oficina tem a duração de 12 horas e custa 240 patacas. Os lugares que vão acolher estas actividades são o Espaço Zero, no MAM e o Quadrado de Arte no Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau.

O Instituto Cultural aponta que a organização destes eventos tem como intuito incentivar os mais novos “a observar e a imaginar a estética tradicional, bem como a desenvolver a prática criativa na arte contemporânea através de diversas formas de expressão, permitindo-lhes vivenciar as infinitas possibilidades da arte”.

Em articulação com o tema da exposição dedicada à pintura de paisagens das dinastias Ming e Qing, esta série de oficinas levará crianças e jovens de diferentes idades “numa viagem artística através dos tempos, seguindo o rasto dos antigos mestres da pintura chinesa”.

A “Pintura e Imaginação – Oficina Criativa de Arte Para Crianças”, conduzida em cantonense ou inglês (num total de cinco sessões), foi pensada para crianças com idades entre os 5 e 10 anos e terá como tema paisagens naturais que serão reinterpretadas através de pinturas com tinta-da-china e colagens.

Já a oficina “Pintura de Paisagens Imaginárias – Oficina Criativa para Jovens”, destina-se a adolescentes dos 11 aos 16 anos. Finalmente, será organizada uma oficina para pais e os mais novos, entre os 4 e 6 anos.

IC | Abril terá festival de comédia, promoção da leitura e carnaval do desporto

Com o Desfile Internacional de Macau marcado para o fim do mês, Macau prepara-se para organizar em Abril uma série de eventos, incluindo a terceira edição do Festival Internacional de Comédia de Macau, com actividades na RAEM e em Hengqin. O Instituto Cultural está também a preparar para Abril o mês da leitura

Apesar de a procissão de Março ainda ir no adro, o Instituto Cultural (IC) está a tratar dos “eventos de grande escala” que vão mexer com a agenda cultural de Macau em Abril, cartaz que esteve em cima da mesa na reunião do Conselho Consultivo para o Desenvolvimento Cultural, que se realizou na terça-feira.

No próximo mês, será organizado a terceira edição do Festival Internacional de Comédia de Macau, com uma extensão a Hengqin, cumprindo o “formato ‘Um Festival, Dois Locais’”. Ainda longe de apresentar o cartaz, o IC aponta que o festival de comédia será um “evento de nível internacional” que irá enriquecer culturalmente a Zona da Grande Baía e “promover o intercâmbio cultural regional”.

Cumprindo o objectivo de aproveitar o desporto para criar atracções culturais e turísticas, o IC irá lançar em Abril o “Carnaval Desportivo e Cultural”, que irá proporcionar “experiências com temas culturais e desportivos realizadas em sítios do Património Mundial e em comunidades”.

O evento irá incluir a tradicional Regata de Barcos-Dragão.

Numa outra vertente, o IC irá apostar na promoção da literacia, designando Abril como o “Mês de Leitura Conjunta em Toda a Cidade de Macau”, em colaboração com a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude, o Instituto de Acção Social e organizações civis. Como tal, será organizada “uma série de actividades de promoção da leitura durante o mês de Abril, com o objectivo de criar um bom ambiente de leitura para todos e aprofundar a construção de uma ‘Cidade de Leitura’, aponta o IC.

Importa salientar que o mês da leitura segue iniciativas nacionais e internacionais, com a designação do Governo Central da quarta semana de Abril de cada ano como “Semana da Leitura para Todos”, além da celebração do Dia Mundial do Livro a 23 de Abril.

 

Fazer o futuro

Outro dos pontos discutidos na reunião em termos de eventos, foi o Desfile Internacional de Macau 2026, que aproveita “a singularidade da fusão entre Oriente e Ocidente” do território. O desfile, que se realiza no dia 29 de Março, tem este ano o tema “A Rota Marítima da Seda como uma ponte para o intercâmbio cultural”. O evento irá reunir “grupos artísticos de todo o mundo e artistas locais que irão dançar e cantar com trajes deslumbrantes pelas ruas movimentadas, exibindo o carácter único do Centro Histórico de Macau”, prevê o IC.

A ordem de trabalhos da reunião incluiu ainda a apresentação do “Programa de Formação de Jovens Músicos de Macau” organizado pela Sociedade Orquestra de Macau, que tem como objectivos formar talentos musicais e proporcionar uma plataforma para a participação em orquestras profissionais.

O programa de formação pretende também aumentar as oportunidades de emprego de talentos musicais de Macau em orquestras profissionais, através do estudo de instrumentos ocidentais ou de música tradicional chinesa, contribuindo para a construção de uma reserva de talentos artísticos locais.

Irão | Petróleo e fecho do Estreito de Ormuz inflaciona produtos lusos

Sequelas da guerra no Irão vão fazer-se sentir nos preços de produtos importados da Europa, incluindo de Portugal. O transporte marítimo de carga poderá demorar mais de três meses, quando no passado bastava apenas um mês. A Associação dos Fornecedores de Macau alerta ainda para a subida do preço do petróleo e o fecho do Estreito de Ormuz

 

Além do sangue derramado no Médio Oriente, a ofensiva nos Estados Unidos e Israel contra o Irão, e a resposta de Teerão terá repercussões na economia global, com Macau a não ficar imune, apesar das lições aprendidas durante a pandemia.

O presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, Ip Sio Man, prevê que os preços de produtos importados vão subir, com particular incidência sobre as trocas comerciais entre a Europa e a Ásia através de transporte marítimo. Em declarações ao jornal Ou Mun, o representante afirmou que a guerra no Médio Oriente e o encerramento do Estreito de Ormuz à navegação irá atrasar ainda mais os transportes marítimos de carga que alimentam as relações comerciais entre a Europa e a Ásia.

O responsável indica que antes das tensões no Mar Vermelho, provocadas pelo bloqueio dos Hutis do Iémen em resposta ao genocídio em Gaza, o transporte de navios de carga entre a Europa e Ásia já havia aumentado de um para dois meses. Com a nova ofensiva e o encerramento do Estreito de Ormuz, o transporte pode ultrapassar os três meses.

Entre os produtos importados por Macau que podem ser mais afectados, Ip Sio Man destacou o vinho, azeite e produtos enlatados portugueses.

Contentores e prateleiras

O efeito económico do conflito irá também fazer-se sentir no aumento do preço do petróleo, que por sua vez vai empurrar a inflação dos custos de transporte. O dirigente associativo aponta que actualmente um contentor de carga custa 10 mil patacas, mas que esse valor irá subir de certeza, acrescido pelos receios de volatilidade cambial.

Todas estas condicionamentos vão fazer-se sentir ainda antes dos produtos chegaram às prateleiras dos supermercados e superfícies comerciais. As demoras no transporte obrigarão comerciantes a alargar o inventário e o ciclo de armazenamento poderá passar de dois a três meses para um período que pode chegar a meio ano. Esta disrupção resultará no aumento dos custos de armazenamento.

Face a todos estes factores, Ip Sio Man conclui que é inevitável o aumento dos preços dos produtos importados. Recorde-se que no ano passado, o índice de valor unitário das exportações subiu 1,9 por cento em termos anuais, naquela que foi a subida mais alta dos últimos 12 anos.

Também a guerra tarifária entra nestas contas. Ip Sio Man afirma que os custos de produção interna nos Estados Unidos aumentaram com as tarifas de Donald Trump, elevando a pressão sobre as indústrias de manufactura a nível global e tornando mais caro o comércio internacional e as importações.

Porém, o responsável realça que os produtos europeus representam uma fatia relativamente pequena no mercado de Macau, excluindo nos bens de luxo e dos produtos lácteos (que ocupam o segundo lugar em termos de local de origem).

Em relação a este panorama, Ip Sio Man afirma que na sequência da pandemia da covid-19, muitos fornecedores locais se viram forçados a descentralizar as cadeias de fornecimentos, procurando fontes produtoras mais próximas.

Por isso, apesar de manterem as fontes dos produtos europeus, os fornecedores de Macau passaram a comprar mais produtos lácteos na Austrália, Nova Zelândia e Interior da China, suavizando o impacto da cadeia logística europeia.

Combustíveis | Portal mostra preços com tendências opostas

A informação do portal do Conselho dos Consumidores sobre os veículos apresenta preços que passam meses sem serem actualizados. Porém, os três combustíveis para veículos que permitem fazer comparações com os dias antes e durante a guerra no Irão mostram variações para todos os gostos

 

Na sequência dos bombardeamentos do Irão pelos Estados Unidos e Israel, o preço do petróleo está aumentou. No entanto, a pouca informação disponível no portal do Conselho dos Consumidores (CC) sobre os combustíveis mostra um mercado com variações opostas.

Apesar de disponibilizar dados sobre os preços dos combustíveis, o Conselho dos Consumidores indica que a actualização é realizada de forma irregular. Por isso, dos 11 combustíveis apresentados no portal, apenas é possível realizar a comparação de três tipos, tendo em conta o preço na semana anterior aos bombardeamentos e nos dias seguintes. Nos restantes casos, os preços não são actualizados há meses ou semanas.

No caso da gasolina sem chumbo vendida pela Nam Kwong Oil, o preço actualizado a 28 de Fevereiro, um sábado, mostrava que o litro estava a ser vendido por 14,20 patacas. Este é o preço sem qualquer desconto e aplicado em todos os pontos de abastecimento da marca no território. Porém, com descontos, o preço poderia baixar para 12,50 patacas por litro. A actualização do preço no dia de ontem, 4 de Março, mantinha o preço original em 14,20 patacas por litro. Porém, a promoção especial de quarta-feira da gasolineira permitia pagar apenas 11,82 patacas.

Os restantes preços da gasolina sem chumbo das marcas Shell, Esso e Caltex foram actualizados anteontem e ontem. Porém, as actualizações anteriores tinham sido feitas a 15 de Dezembro, 24 de Outubro e 6 de Julho, respectivamente, pelo que não é possível fazer comparações. No caso da Total, ontem ao meio-dia, o preço não era actualizado desde 11 de Julho.

 

Sobe e desce

Em relação à gasolina premium, os preços registaram movimentações opostas. Segundo o portal do CC, apenas estão disponíveis no mercado duas marcas: Shell e Esso. No caso da primeira, a 26 de Fevereiro, quinta-feira, o preço original do combustível, isto é, sem descontos, em todos os oito postos era de 16,61 patacas por litro. No entanto, a actualização de ontem mostra uma redução do preço do litro de 8,2 por cento, para 15,25 patacas por litro.

No caso da Esso, no dia 25 de Fevereiro a gasolina premium ficou mais cara. O preço a 25 de Fevereiro era de 16,50 patacas por litro e subiu para 16,90 patacas por litro no dia de ontem, um aumento de 1,8 por cento, ou 40 centavos.

O portal mostra também que não é possível fazer nenhuma comparação das movimentações do preço do diesel. Segundo a informação oficial existem cinco marcas no mercado, Total, Shell, Esso, Caltex e Nam Kwong Oil. Os preços da Shell e Catelx foram actualizados na terça-feira para valores entre 16,76 patacas por litro e 14,06/15,25 patacas por litro. Contudo, as actualizações anteriores destes preços tinham acontecido a 15 de Julho e 6 de Julho, respectivamente.

Rendas | JLL espera estabilização dos preços

Depois dos preços terem caído “acentuadamente” no ano passado, a imobiliária JLL aponta que as rendas devem estabilizar ao longo do ano, tanto ao nível da habitação, como dos espaços comerciais

 

Uma previsão de mercado divulgada ontem pela consultora imobiliária JLL aponta que as rendas de habitação e de espaços comerciais em Macau deverão estabilizar este ano, mesmo com o valor patrimonial ainda sob pressão.

Num relatório, a empresa indica que os preços residenciais, que caíram acentuadamente em 2025, deverão manter-se estáveis em 2026, após as medidas governamentais para aliviar os encargos hipotecários, incluindo isenção de imposto de selo e flexibilização dos rácios de empréstimo sobre o valor da propriedade.

Os bancos também reduziram as taxas de juro no final do ano passado, ajudando a sustentar a procura.

“Os promotores imobiliários reduziram preços para impulsionar vendas no ano passado e, com políticas de apoio agora em vigor, o mercado residencial deverá estabilizar a curto prazo”, disse o director sénior de Avaliação e Risco da JLL em Macau, Mark Wong.

“Mas a procura limitada a longo prazo e a ausência de grandes projectos de infra-estruturas continuarão a pesar sobre o sector”, acrescentou, de acordo com o relatório.

Os dados mostram que o valor patrimonial da habitação caiu 16,5 por cento em 2025, enquanto o dos imóveis de luxo recuou 14,7 por cento. As rendas das unidades convencionais desceram 10,3 por cento, embora as rendas das residências de gama alta tenham subido 1,1 por cento. A JLL prevê que tanto rendas como valores patrimoniais se mantenham estáveis em 2026.

O mercado de escritórios também enfrentou dificuldades no último ano, com rendas gerais a caírem 3,4 por cento e valor patrimonial a recuar 7,9 por cento. A taxa de desocupação subiu para 15,3 por cento, reflectindo a fraca procura.

 

Valor patrimonial a cair

A JLL – lê-se ainda no relatório – espera que as rendas estabilizem em 2026, embora o valor patrimonial possa cair até 5 por cento.

O sector retalhista registou igualmente pressões, com as vendas totais a caírem 5,4 por cento entre Janeiro e Setembro do ano passado. As rendas recuaram 0,9 por cento em 2025. Embora as zonas turísticas comecem a atrair novamente investidores, as lojas de bairro continuam sob pressão devido às elevadas taxas de incumprimento de empréstimos.

A JLL prevê que os valores patrimoniais do retalho possam cair mais 5 por cento este ano.

A economia de Macau mostrou sinais de resiliência em 2025, com o produto interno bruto (PIB) a crescer 4,7 por cento para 415,32 mil milhões de patacas e as receitas do jogo a subirem 9,1 por cento para 247,4 mil milhões de patacas. Já as receitas do jogo do segmento VIP aumentaram 24,1 por cento para 67,98 mil milhões de patacas.

As entradas de visitantes cresceram, no ano que passou, 14,7 por cento, para 40 milhões, impulsionadas sobretudo por turistas do Interior.

Apesar da recuperação do turismo e do jogo, Wong alertou para desafios estruturais persistentes.

“O crescimento económico regressou aos níveis pré-pandemia, mas os motores concentram-se apenas em algumas indústrias”, afirmou. “O sentimento no mercado comercial é fraco e o encerramento dos casinos satélite continuará a representar desafios”, disse.

IPIM | Feira comercial para países de língua portuguesa em Outubro

O Governo anunciou ontem que vai organizar em Outubro uma feira comercial dedicada apenas aos países de língua portuguesa, em vez do habitual evento que reunia empresas da China e dos mercados lusófonos.

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) lançou um concurso para a coordenação da Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa (Macau) 2026 (PLPEX), marcada para entre 21 e 24 de Outubro. No caderno de encargos prevê-se que a PLPEX ocupe uma área seis mil metros quadrados, com cerca de 200 stands para expositores “em consonância com o posicionamento de Macau enquanto plataforma sino-lusófona”.

A feira tem como meta atrair pelo menos 200 expositores, destes, 10 por cento devem ser empresas locais, 10 por cento de Espanha e 80 por cento dos mercados lusófonos, “sendo obrigatório atrair a participação de empresas de todos os nove países de língua portuguesa”.

O sector agrícola deve representar pelo menos 30 por cento de todos os expositores, o comércio electrónico transfronteiriço 20 por cento e a economia azul, ligada ao mar, pelo menos 10 por cento, refere-se no caderno de encargos. A organizadora da PLPEX deve ainda criar uma campanha de promoção da feira em Portugal e Espanha.

A Lusa questionou o IPIM sobre se a nova feira irá substituir a Exposição Económica e Comercial China-Países de Língua Portuguesa (C-PLPEX), que foi organizada em Outubro de 2025, em paralelo com a Feira Internacional de Macau (MIF, na sigla em inglês), mas não obteve qualquer resposta.

Não-Residentes | Ip Sio Kai quer Governo a facilitar novas contratações

O deputado defende que a economia está em expansão e que as empresas encontram condicionamentos. Por isso, Ip defende a facilidade da contratação de não-residentes a pensar nas empresas que vencem os concursos públicos

 

O deputado Ip Sio Kai defende a facilitação dos mecanismos para a contratação de trabalhadores não-residentes, a pensar nas adjudicações de contratos públicos. A posição do também vice-Director-Geral da Sucursal de Macau do Banco da China e presidente da Associação de Bancos de Macau foi tomada através de uma interpelação escrita.

Apesar de justificar a interpelação com os constrangimentos à expansão das empresas locais, Ip Sio Kai relaciona principalmente o problema da falta de mão-de-obra com os contratos públicos e as autorizações de contratação de trabalhadores não-residentes.

Nestes casos, o legislador aponta que as autorizações de trabalho só podem ser pedidas após a apresentação dos contratos das adjudicações públicas. Todavia, os concursos públicos são tidos como processos “lentos” e as contratações de não-residentes “demoram cerca de três meses”. Por isso, Ip Sio Kai explica que há sempre o risco dos contratos para as obras exigirem um início imediato, sem que haja mão-de-obra disponível, o que coloca “pressão sobre o cumprimento desses contratos”.

Face ao problema, Ip pretende saber se o Governo vai criar um mecanismo de aprovação condicional da contratação de não-residentes, em que as autorizações são aprovadas previamente, mas apenas confirmadas após a adjudicação de obras ou outros trabalhos. “Isso permitiria às empresas apresentar candidaturas de trabalhadores não-residentes antes de garantir formalmente a adjudicação. Com base em projecções comerciais razoáveis, as autoridades informariam primeiro as empresas sobre o número de trabalhadores não-residentes que poderiam ser aprovados caso ganhassem a adjudicação”, defendeu.

 

Áreas estratégicas

Ip Sio Kai pede também que a política de autorização de contratação de não-residentes se torne mais clara e sejam identificadas áreas em que os procedimentos são mais simplificados.

O deputado quer assim saber se vão ser publicadas “categorias de profissões mais susceptíveis” de verem os pedidos aprovados rapidamente. O membro da Assembleia Legislativa argumenta que uma publicação deste género iria “aumentar a confiança da indústria nas políticas relativas aos trabalhadores não-residentes, dada a persistente escassez de mão de obra local ou a baixa disponibilidade para trabalhar em determinadas profissões”.

Ao mesmo tempo, o deputado pede maior flexibilidade em relação às quotas de trabalhadores não-residentes que não são utilizadas durante um certo período tempo. Actualmente, se as empresas obtêm uma quota mas não a utilizam durante o prazo de seis meses, ou seja, não contratam o trabalhador não-residente, a quota é cancelada. Ip Sio Kai defende que este prazo deve ser aumentado, devido à “intensificação da concorrência regional”.

Ensino | China prepara lei que impõe mandarim como principal língua

A China prepara-se para aprovar uma lei que tornará o mandarim a principal língua de ensino para minorias étnicas.

Segundo o jornal britânico Financial Times, o projecto de Lei para a Promoção da Unidade e do Progresso Étnicos deverá ser aprovado esta semana durante a reunião anual do parlamento chinês, a Assembleia Popular Nacional.

O diploma estabelece que o mandarim passará a ser a principal língua de instrução nas escolas e universidades frequentadas por minorias, permitindo que línguas como o tibetano, o uigur ou o mongol sejam ensinadas apenas como segunda língua, deixando de poder ser usadas em disciplinas centrais.

O texto prevê igualmente acções legais contra indivíduos ou organizações, dentro ou fora da China, que “minem a unidade nacional” ou incitem ao “separatismo”, e afirma que a unidade étnica “não deve ser interferida por forças externas sob o pretexto de etnia, religião ou direitos humanos”.

Analistas citados pelo jornal consideram que a nova lei representa uma mudança estrutural na abordagem do Estado às minorias.

Para críticos, a legislação integra um esforço mais amplo de assimilação cultural que tem vindo a intensificar-se sob a liderança de Xi Jinping, num país onde a maioria Han representa cerca de 90 por cento da população de 1,4 mil milhões de habitantes, mas que reconhece oficialmente 56 grupos étnicos e diversas línguas com sistemas de escrita próprios.

Neil Thomas, investigador do Centro de Análise da China da Asia Society, afirmou que a lei “expandirá a base legal para restringir actividades religiosas, culturais e políticas entre grupos minoritários”.

Wang Yanzhong, investigador ligado à Academia Chinesa de Ciências Sociais, defendeu que o diploma visa fornecer salvaguardas legais ao trabalho do Partido Comunista em matéria étnica e contribuir para “manter a segurança e estabilidade das regiões fronteiriças e das áreas étnicas”.

O académico sustentou ainda que o mandarim oferece maiores vantagens educativas e profissionais, argumentando que o número de falantes de línguas minoritárias está a diminuir nas gerações mais jovens.

China / EUA | Reforço de investimento antes de chegada de Trump

China e Estados Unidos estão a discutir formas de reactivar o investimento recíproco como parte dos preparativos para a prevista visita do Presidente norte-americano a Pequim, avançou ontem o jornal de Hong Kong South China Morning Post.

Citando fontes anónimas, o jornal referiu que a assinatura de acordos na área do investimento poderá ser um dos poucos resultados tangíveis da deslocação, anunciada por Washington para 31 de Março a 02 de Abril, mas ainda não confirmada oficialmente por Pequim.

A incerteza em torno da visita e dos possíveis resultados aumentou nos últimos dias, após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, país do qual a China é o principal parceiro comercial e maior comprador de petróleo, além de um dos seus mais importantes apoios diplomáticos.

Segundo o jornal, embora ainda não existam acordos específicos, tanto Pequim como Washington manifestaram interesse em estruturas como empresas conjuntas com modelos claros de governação, acordos de licenciamento ou formatos com menor exposição em matéria de propriedade intelectual, susceptíveis de resistir ao escrutínio político e regulatório.

Uma das fontes citadas aponta como “modelo possível” o acordo alcançado em 2023 entre a Ford e a chinesa CATL, maior fabricante mundial de baterias para veículos eléctricos, que permitiu à empresa norte-americana licenciar tecnologia de baterias de fosfato de ferro-lítio para utilização nos Estados Unidos. Entre os pontos de fricção, os representantes norte-americanos terão insistido na necessidade de melhorar o acesso ao mercado chinês, onde empresas estrangeiras denunciam há anos tratamento desigual.

Pequim pediu maior protecção para os seus investimentos face a perdas e retiradas motivadas por maior escrutínio e por tarifas, abordando também as ofertas públicas iniciais de empresas chinesas nos mercados norte-americanos.

Os Estados Unidos têm sido tradicionalmente um dos principais destinos do investimento externo chinês, que atingiu um máximo de 17 mil milhões de dólares em 2016, recuando para cerca de 6,6 mil milhões de dólares em 2024. No total, a China investiu mais de 90 mil milhões de dólares na maior economia mundial.

Segundo dados divulgados por Pequim, o investimento norte-americano na China caiu 18,5 por cento em 2024, para cerca de 2,7 mil milhões de dólares. De acordo com uma das fontes, foi transmitido que o investimento chinês é bem-vindo, desde que em sectores considerados não sensíveis. Contudo, para que tal se concretize, seria necessário “mudar a narrativa” e atenuar o discurso da “ameaça chinesa” dominante nos Estados Unidos.

Nova ronda

Na semana passada, o ministério do Comércio chinês anunciou a realização de uma sexta ronda de negociações comerciais com Washington. Embora a data e o local não tenham sido confirmados, espera-se que as conversações sirvam de antecâmara à visita de Trump.

O South China Morning Post referiu ainda que a deslocação poderá permitir prolongar a trégua comercial de um ano acordada em Outubro entre Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, que ajudou a aliviar temporariamente as tensões geradas pela escalada tarifária iniciada após o regresso do republicano à Casa Branca.

Elegia para um sinólogo discreto

Sempre que o encontrava, falava-me do poema do porco, o do Paul Claudel, que vinha no Connaissance de l’est. Já não possuía esse livro, que tinha vendido a maior parte da sua biblioteca em rusgas de alfarrabistas, como tantos outros poetas menos abonados também faziam. Confessou-me, como quem atravessa a rua, que até o meu ele tinha vendido também. Tinha-o achado “político e triste”, o meu livreco de versos sobre Macau, que guarda um nome semelhante ao do bolor.

Disse-mo num postal com uma letrinha mínima, que guardo como quem guarda um versículo inédito do Antigo Testamento. Assinado: Gil de Carvalho. À altura parecia viver com pouco, acompanhado por amigos e alguns mortos, como depois soubemos. Que estavam bem, dizia, que passavam bem, dizia: afinal estavam mortos.

Havia nele um homem seco, muito afável, que falava com todos. Encontrava-o à Havaneza de São Domingos, onde passam os agarrados e alguns dos últimos literatos sobreviventes de Oitocentos. Quando a conversa ia parar à poesia grega, ou inglesa, ou portuguesa contemporâneas, então falava de forma viva, entusiástica até, mostrando uma boca cheia de pequenos dentes. Era um homem à antiga, sem telemóvel nem e-mail, que escrevia à mão numa letra irrepreensivelmente ilegível, muito entrecortada e sumida, como a sua poesia. Esta era, de facto, seca também, como as terras de que a água recua. Mas depois olhamos e vemos muitas camadas, muitos estratos — enquanto vai desembocando em paisagens alheias, cortadas apenas por uma ocasional enxurrada de vírgulas.

Incumbiu-me duma missão: fazer uma revista portuguesa sobre a Ásia — talvez a existência da Via do Meio, que não chegou a conhecer, o teria dissuadido desse projeto? –, coisa que nunca farei. Recordava-me tal pedido exótico (que juntava os nossos interesses “orientalistas” comuns) os projetos românticos do jornal Independente, dum mundo de tipografias, editoras, cafés, publicações breves e caprichosas que era ainda o seu mundo. O mundo em que os telefones são fixos; mais do que fixos, quedos e mudos até, pois a fala era só para ser transmitida para outro rosto. Ficava um pouco desgostoso quando eu enxotava essas ideias. Respondia-lhe que o que eu queria era reeditar A dama luminosa — o seu fundamental livro de ensaios sobre a China — para tirar um pouco o tapete à sinologia portuguesa.

Nunca concordaria com tal banalidade, se eu lha dissesse, mas a poesia (dele) seria uma “ciência do olhar”, atravessando culturas e linguagens, acolhendo o infamiliar. O território emocional dele — Algarve, Turquia, China — era raro e não encaixava nos mapas consabidos. Não era Paris. Era para a Serra d’Ossa, para Izmir, para o mundo dos chinezes islamizados, que ela se dirigia. Para em volta, em vagas, como a respiração. Os relatos do seu falecimento dizem-no sinólogo, e até orientalista, não apenas poeta. Pode ser, pois de facto Gil de Carvalho participou como tradutor e organizador em projetos ligados à poesia chinesa clássica em língua portuguesa. Uma Antologia de Poesia Chinesa (Lisboa: Assírio & Alvim, 2.ª edição, 2010) é o seu auge.

Mas a afetiva sinologia do Gil, humilde e discreta, pretendia-se investigadora, ao contrário da bazófia sinológica de outros. É hoje notável como algumas descrições que fez da poesia clássica chinesa também servem para a sua própria obra: literatura que prefere a polis (a comunidade) à alma, de alguma forma um registo e uma exploração de estratos materiais e sócio-culturais: “materialista mas que deixa de fora um certo visível” (p. 8 de A Dama luminosa).

Mas a minha peça favorita da sua “sínica” é a sua recolha sucinta, hiper-antológica, de poemas anónimos de diversas tradições. O precioso livrinho intitula-se Poemas Anónimos: Turcos, Mongóis, Chineses e Incertos, da Assírio & Alvim. O Gil lembra-me tanto esses incertos, esses difíceis, esses breves. Desses que se escapam por fronteiras entreabertas.

Aprendizagem com a experiência do direito comparado para consolidar uma barreira jurídica para a Segurança do Estado

Aprendizagem com a experiência do direito comparado para consolidar uma barreira jurídica para a Segurança do Estado

Ao Chi Tan

Em 10 de fevereiro de 2026, a Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau aprovou por unanimidade, na sua generalidade, a proposta de lei intitulada “Comissão de Defesa da Segurança do Estado da Região Administrativa Especial de Macau”

, marcando um maior aperfeiçoamento da estrutura de topo de Macau na proteção da Segurança do Estado. Atualmente, a situação de segurança global é cada vez mais complexa e Macau, sendo uma região altamente aberta, enfrenta desafios de segurança diversificados. Esta legislação representa tanto uma síntese e refinamento da prática anterior em matéria de Segurança do Estado, como uma medida importante para se alinhar proativamente com as regras da governação moderna da Segurança do Estado. A criação de um órgão coordenador especializado, acompanhado de processos judiciais detalhados, é já uma prática comum adotada por diversos países na proteção da Segurança do Estado.

No que respeita aos processos de julgamento de casos sensíveis, todos os países seguem o princípio de que o julgamento público é a regra e o julgamento à porta fechada é a exceção, desenvolvendo regimes institucionais com características próprias:

– Os Estados Unidos estabeleceram um sistema de fecho estratificado, aplicando, ao abrigo das Regras Federais de Processo Penal e da Lei sobre Processos de Informações Classificadas, rigorosos julgamentos ou audiências secretas em casos de Segurança do Estado, dando prevalência à proteção de segredos confidenciais.

– O Reino Unido instituiu um processo especial de materiais fechados, permitindo que os tribunais utilizem, em casos de Segurança do Estado, materiais confidenciais não divulgados ao arguido nem aos advogados comuns, com a participação de defensores especiais autorizados após verificação de segurança nas fases de julgamento à porta fechada.

– A Alemanha atribui a competência exclusiva sobre crimes graves de Segurança do Estado e terrorismo ao Procurador-Geral Federal, realizando-se à porta fechada as partes do julgamento que envolvam informações confidenciais, nos termos da lei.

– Em França, os casos de absoluta confidencialidade em matéria de Segurança do Estado, como espionagem e divulgação de segredos de defesa, são da competência exclusiva da Secção de Segurança do Estado do Tribunal de Recurso de Paris, com julgamento integral à porta fechada e acesso aos autos limitado a pessoal judicial específico e a defensores verificados.

– No Japão, os casos de Segurança do Estado envolvendo segredos de defesa são da competência exclusiva do Tribunal Superior de Tóquio, com julgamento integral à porta fechada.

As diversas práticas institucionais dos vários países fornecem uma referência valiosa para Macau na regulamentação do julgamento de casos confidenciais e no aperfeiçoamento da justiça processual.

No que toca à regulamentação do exercício da advocacia, todos os países adotam regimes rigorosos de controlo de informações confidenciais, equilibrando simultaneamente a garantia do direito de defesa e a proteção da Segurança do Estado:

– Nos Estados Unidos, os advogados que participam em casos de Segurança do Estado devem ser submetidos a uma verificação de segurança de nível máximo federal, podendo os juízes limitar legalmente o seu direito de visita e consulta de documentos para prevenir fugas de informação.

– No Reino Unido, apenas os defensores especiais autorizados pelo Procurador-Geral podem ter acesso a materiais confidenciais em casos de Segurança do Estado.

– A Alemanha prevê que o Escritório Federal de Proteção da Constituição realize verificações de segurança obrigatórias aos defensores em casos de Segurança do Estado que tenham acesso a informações confidenciais, não sendo permitido aos não aprovados consultar provas confidenciais.

– Em França, os defensores em casos de Segurança do Estado devem ser submetidos a uma verificação de segurança pelo Ministério da Defesa e assinar um acordo de confidencialidade vitalícia, não podendo transmitir provas confidenciais ao cliente.

– No Japão, os defensores com acesso a «segredos de defesa» devem ser verificados pelo Ministério da Defesa e assinar um compromisso de proteção de segredos, sob pena de proibição vitalícia do exercício da advocacia e eventual pena de prisão.

A apreensão de experiências internacionais por Macau baseia-se sempre no princípio de «enraizar na realidade local e servir os nossos próprios fins», não consistindo numa mera transposição. Ao contrário do risco de desvio de poder que afeta alguns órgãos de Segurança do Estado noutros países, a Comissão de Defesa da Segurança do Estado de Macau atua estritamente no quadro da Constituição e da Lei Básica, sob a direção e supervisão do Chefe do Executivo. Ao absorver experiências judiciais de diversos países, Macau combina as características do seu próprio sistema jurídico, retendo e aplicando os princípios fundamentais de competência legal, transparência processual e garantia de direitos, consolidando a linha de defesa da Segurança do Estado e assegurando plenamente os direitos legítimos dos residentes de Macau.

Advogado em exercício

Teerão | China acusa Estados Unidos e Israel de “incitarem mudança de regime”

A China acusou ontem os Estados Unidos e Israel de “incitarem uma mudança de regime” no Irão, após os ataques lançados em 28 de Fevereiro, classificando como “inaceitável” o assassínio do líder da república islâmica, Ali Khamenei.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning reiterou em conferência de imprensa que a ofensiva norte-americana e israelita “viola o direito internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais”. As declarações surgem após conversações telefónicas mantidas na véspera pelo chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, com os seus homólogos do Irão, Omã e França.

Mao estruturou a posição chinesa em três eixos: cessar imediato das operações militares, regresso ao diálogo e oposição a acções unilaterais. A responsável sublinhou que Pequim apoia o Irão na defesa da sua soberania, tendo simultaneamente em conta as “legítimas preocupações” de segurança dos países do Golfo.

Sobre a questão nuclear, a porta-voz afirmou que a China respeita o “direito legítimo do Irão ao uso pacífico da energia nuclear” e defendeu que o tema deve regressar “à via da resolução política e diplomática”.

A China, principal parceiro comercial do Irão e maior importador do seu petróleo, já tinha condenado no domingo a morte de Ali Khamenei durante a ofensiva conduzida por Israel e pelos Estados Unidos.

Desde sábado, Israel bombardeia, em coordenação com Washington, diversas posições no Irão, alegando procurar destruir arsenais e capacidades de produção de mísseis balísticos e pôr fim ao regime dos aiatolas.

Irão | Pequim apela à preservação da segurança no estreito de Ormuz

A China apelou ontem a todas as partes envolvidas na guerra no Médio Oriente para garantirem a segurança da navegação no estreito de Ormuz, advertindo para o risco de impacto na economia mundial.

“A China insta todas as partes a cessarem imediatamente as operações militares, a evitarem uma nova escalada das tensões, a manterem a segurança das rotas de navegação no estreito de Ormuz e a impedirem que a situação tenha um impacto mais amplo na economia global”, afirmou a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros Mao Ning, numa conferência de imprensa regular.

O estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é uma das principais artérias energéticas do mundo, por onde transita cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente por via marítima.

No início de 2025, a China era o principal destino do petróleo que atravessa aquela via estratégica. Nos últimos anos, o país foi também o maior importador de crude iraniano, num contexto de estreitamento das relações económicas entre Pequim e Teerão.

As declarações surgem num momento de forte instabilidade regional, após os ataques lançados em 28 de Fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão, que respondeu com mísseis e veículos aéreo não tripulados (‘drones’) contra bases norte-americanas e alvos em países do Golfo.

O aumento do risco na região levou várias companhias marítimas a suspender ou desviar rotas no estreito de Ormuz, alimentando receios de perturbações no abastecimento energético e de nova subida dos preços do crude.

Pequim tem reiterado a necessidade de cessar-fogo imediato e de regresso ao diálogo, ao mesmo tempo que sublinha a importância de preservar a estabilidade das cadeias de fornecimento globais.

Organização de Cooperação de Xangai considera “inaceitável” uso da força contra Teerão

A Organização de Cooperação de Xangai (OCX) classificou ontem como “inaceitável” o recurso à força e apelou à resolução do conflito com o Irão através do diálogo e do respeito pelos interesses legítimos de todas as partes.

Num comunicado publicado no seu portal oficial, a OCX sublinhou “a necessidade de garantir a soberania nacional, a segurança e a integridade territorial do Irão” e manifestou apoio a que todas as partes “actuem com moderação e ponham termo imediato a acções que possam agravar a situação”.

“Os Estados-membros da OCX instam firmemente as Nações Unidas e o seu Conselho de Segurança a adoptarem medidas imediatas para enfrentar acções que minam a paz e a segurança internacionais”, refere o texto.

Os países da organização expressaram ainda “as mais sinceras condolências às famílias das vítimas dos ataques” e estenderam “solidariedade e apoio ao Governo e ao povo iranianos”. No fim de semana, o grupo já tinha apresentado condolências às autoridades iranianas pela morte do líder supremo da república islâmica, Ali Khamenei, num ataque norte-americano e israelita.

Meio mundo

A Organização de Cooperação de Xangai, que não dispõe de cláusulas de defesa mútua como a NATO, integra China, Rússia, Índia, Paquistão, Irão, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão, reunindo cerca de 40 por cento da população mundial, além de países observadores e parceiros de diálogo, como Egipto, Turquia, Myanmar e Azerbaijão.

Segundo o Crescente Vermelho iraniano, mais de 555 pessoas morreram na república islâmica na sequência dos ataques desencadeados desde sábado pelas forças israelitas e norte-americanas, incluindo 180 num bombardeamento contra uma escola na cidade meridional de Minab.

Golfo | MNE chinês espera que países “reforcem a sua independência”

Wang Yi condenou os ataques no Médio Oriente numa conversa com o homólogo de Omã em que pediu aos países da região para rejeitarem ingerências do exterior. O responsável chinês reiterou a disponibilidade de Pequim para desempenhar um papel construtivo na restauração da paz

O chefe da diplomacia chinesa apelou ontem aos países do Golfo para reforçarem a sua independência e rejeitarem a ingerência externa, numa conversa com o homólogo de Omã após ataques iranianos contra vários Estados da região.

Segundo um comunicado divulgado pela diplomacia chinesa, Wang Yi afirmou que “a China aprecia a mediação activa de Omã para promover as negociações entre o Irão e os Estados Unidos, bem como os seus grandes esforços para salvaguardar a paz regional”.

O chefe da diplomacia chinesa sustentou que “os Estados Unidos e Israel provocaram deliberadamente uma guerra contra o Irão, o que viola claramente os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”.

Wang declarou que “a tarefa urgente agora é pôr termo imediato às acções militares para evitar uma maior propagação do conflito e impedir um agravamento irreversível”, acrescentando que a China “está igualmente disposta a desempenhar um papel construtivo”.

“A China espera que os países do Golfo desenvolvam boas relações de vizinhança e reforcem a solidariedade e coordenação, para que possam controlar plenamente o seu próprio futuro”, afirmou.

Sayyid Badr Albusaidi declarou que “as negociações entre o Irão e os Estados Unidos tinham alcançado progressos sem precedentes”, mas que, “infelizmente”, Washington e Telavive “ignoraram os resultados das conversações e iniciaram uma guerra”, segundo o comunicado.

Nas últimas semanas, o sultanato de Omã tinha mediado contactos entre os Estados Unidos e o Irão sobre o programa nuclear iraniano.

Resposta iraniana

O Irão lançou ataques com mísseis e veículos aéreos não tripulados (‘drones’) contra bases norte-americanas e alvos em países do Golfo como o Kuwait, os Emirados Árabes Unidos, o Qatar e o Bahrein, em resposta à ofensiva iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra o seu território.

Teerão sustenta que essas acções fazem parte da sua retaliação contra o que considera uma agressão directa e contra a presença militar norte-americana na região.

Wang falou também ontem por telefone com o homólogo iraniano, Abbas Araqchi, a quem assegurou o apoio de Pequim na defesa da soberania, segurança e integridade territorial do Irão, na primeira demonstração firme de respaldo desde os ataques dos Estados Unidos e de Israel.

A China, principal parceiro comercial do Irão e maior importador do seu petróleo, condenou no domingo a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, durante a ofensiva conduzida por Israel e pelos Estados Unidos.

Desde sábado, Israel bombardeia, em coordenação com Washington, várias posições no Irão, alegando procurar destruir arsenais e capacidades de produção de mísseis balísticos e pôr fim ao regime dos aiatolas.

“Batida. Respiração”, um concerto para ouvir no CCM esta sexta-feira

A Orquestra Chinesa de Macau (OCM) sobe esta sexta-feira ao palco do pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) no âmbito do espectáculo “Batida. Respiração”, onde se destaca “o fascínio singular dos instrumentos de sopro e percussão”.

Segundo uma nota do Instituto Cultural (IC), o espectáculo desta sexta-feira, que arranca às 19h45, será dirigido pelo director musical e maestro principal da OCM, Zhang Lie, e contará com a participação do intérprete de dizi, Zhang Weiliang, na qualidade de director artístico.

Promete-se “um hábil diálogo entre os naipes de sopros e percussão da orquestra” neste concerto onde se apresenta “uma mescla de percussão ressonante e sopros fluidos, revelando o fascínio da música instrumental chinesa”.

Zhang Weiliang é descrito como um “verdadeiro mestre da actuação em palco, da composição e da educação musical, sendo também um pioneiro da ‘nova música folclórica'”. Além disso, trata-se de uma personalidade do mundo da música que já interpretou “algumas das bandas sonoras mais acarinhadas pelo público” de filmes clássicos chineses, como é o caso de “Adeus Minha Concubina”, “Ju Dou” e “Lanterna Vermelha”.

Elogio tradicional

O concerto será composto por um repertório de canções folclóricas tradicionais e peças modernas com novos arranjos musicais, onde se incluem composições como “Pendurando as Lanternas Vermelhas”, “Festival das Lanternas”, “Despedida Festiva”, “Lágrimas pelas Flores e Felicitações”, que fazem a sua estreia no território.

Os naipes de sopros e percussão da OCM apresentam ainda “O Rio Amarelo Jorra do Céu”, uma peça original de Zhang Lie, enquanto que o intérprete de suona da OCM, Tian Ding, vai executar “Ao Nascer do Sol”, uma obra da sua autoria. Os bilhetes já estão à venda e custam entre 150 a 200 patacas. Este concerto está integrado na Temporada de Concertos da OCM 2025-26.

Exposição | A paixão pela arte de Luís Pessanha, Chao Iok Leng e José Duarte

É inaugurada esta quarta-feira uma nova exposição na Associação Cultural da Vila da Taipa, a “Show-Off 4.0”, que mostra as colecções de arte de residentes e personalidades de Macau. Dando continuidade a uma série de mostras já realizadas, desta vez revelam-se as obras adquiridas pelo jurista Luís Pessanha, a artista Chao Iok Leng e o economista José Duarte

A Associação Cultural da Vila da Taipa, situada no coração desta zona pitoresca de Macau, prepara-se para receber mais uma mostra baseada no coleccionismo de obras de arte, proporcionando a visão de diversas perspectivas artísticas. A “Show-Off 4.0” apresenta as obras que figuras radicadas em Macau, ou naturais do território, adquiriram e têm coleccionado em casa, mostrando-se ao público as colecções do jurista Luís Pessanha, o economista José Isaac Duarte e a artista Chao Iok Leng. A mostra fica patente até ao dia 15 de Maio.

Segundo um comunicado da associação, esta exposição é um “verdadeiro tesouro artístico, reunindo obras adquiridas por três renomados coleccionadores com percursos marcados pela diversidade”, sendo que se podem ver “obras provenientes tanto do contexto local, como internacional”.

A “Show-Off 4.0” revela “ideias relacionadas com o coleccionismo de arte e pretende promover o acto de coleccionar como um activo cultural impulsionado pela iniciativa individual”, podendo-se também “ampliar o sentido do património comum” ou ainda “fomentar a vitalidade da sociedade e acrescentar diversidade às economias locais, incluindo através de actividades como o comércio de arte”, sem esquecer a possibilidade de “apoiar talentos locais e internacionais”.

Questão de personalidade

Os organizadores desta mostra dizem que “cada colecção apresentada revela traços de personalidade do seu coleccionador”, e no caso de José Duarte, já com um longo percurso ligado à arte e à organização de exposições, essa característica é bem evidente. De frisar, que José Duarte foi fundador e sócio-gerente da Galeria Amagao, localizada no hotel Artyzen Grand Lapa Macau.

Desta forma, José Duarte trouxe para a “Show-Off 4.0” obras de Malangatana Valente Ngwenya, um dos mais importantes artistas moçambicanos, tendo sido também poeta, muralista, activista cultural e figura política.

Já Luís Pessanha, tem ligações familiares à arte, já que a sua mãe é a pintora Ana Maria Pessanha. Segundo a mesma nota, Luís tem coleccionado obras de arte em conjunto com a sua companheira, sendo que a colecção enche já as paredes da sua casa.

No caso de Chao Iok Leng, vice-presidente da Associação de Caligrafia e Pintura Yi Un de Macau, o percurso ligado às artes já vai longo, já que, nos anos 80, fundou a Livraria Ngai Chi Hin no território. Este espaço fornecia “os quatro tesouros do estúdio”, nomeadamente materiais como pincel, tinta, papel e tinteiro, e ainda materiais de artesanato, “beneficiando artistas locais e conquistando amplo reconhecimento na comunidade artística”. Em 2000 criou a loja de leques Nam Fan Lou.

Nesta exposição, Chao apresenta duas placas com os nomes dos seus antigos estabelecimentos, juntamente com objectos pessoais que guardou em casa com grande orgulho e profunda ligação emocional. As placas, com o nome zhāopái, “possuem uma longa tradição cultural e foram outrora um elemento marcante da paisagem urbana chinesa”.

Citado pela mesma nota, João Ó, arquitecto e presidente da associação, descreveu ser “uma honra convidar estes três coleccionadores de arte a apresentar as suas diversas colecções na Vila da Taipa, na sequência do sucesso das exposições experimentais realizadas nos últimos três anos”.

Trata-se de uma “exposição rara e especial”, que visa “explorar a natureza do coleccionismo e estimular conversas visualmente inspiradoras em torno dos bens culturais de indivíduos com interesses muito específicos e profundamente pessoais”. acrescentou. A entrada para esta exposição é gratuita.

Taiwan | Responsáveis de centro comercial que explodiu negam acusações

Está a decorrer em Taiwan o julgamento que coloca no banco dos arguidos dois responsáveis do centro comercial Shin Kong Mitsukoshi, em Taichung, onde ocorreu uma explosão de gás em Fevereiro do ano passado, que resultou em cinco mortos e 38 feridos. Entre as vítimas, contam-se três residentes da RAEM que perderam a vida e quatro que ficaram com ferimentos.

O julgamento arrancou ontem, e o gerente do centro comercial, o subgerente da empresa-mãe para a região de Taichung (que tem vários centros comerciais) e um funcionário declararam-se inocentes, negando acusações de homicídio por negligência, ofensa por negligência e violação da lei de segurança e saúde ocupacional.

O centro comercial em questão é responsável pela maior receita e fluxo de visitantes de todo o grupo, que possui centros em vários locais de Taiwan. Segundo indicou o jornal de Taiwan Liberty Times, a acusação argumentou que devido às dimensões do espaço a segurança pública deveria ser implementada com os mais elevados padrões de rigor, mas que isso não aconteceu, com a empresa a ignorar exigências legais e a correr riscos nas obras por motivos financeiros que motivaram a explosão.

A investigação terá revelado que os responsáveis não pediram as devidas autorizações legais para fazer a obra, não foi elaborado um plano de prevenção de incêndios, e o fornecimento de gás não foi interrompido durante os trabalhos. O julgamento prossegue hoje à tarde, com inquirições a mais arguidos, que são no total 13.

Metro Ligeiro | Fevereiro bate recorde de passageiros

Depois do registo bem-sucedido num primeiro mês de circulação com viagens gratuitas para residentes, o meio de transporte bateu finalmente essa afluência de passageiros ao fim de cinco anos

O metro ligeiro de Macau registou, em média, 33.100 passageiros por dia em Fevereiro, o número mensal mais elevado desde a inauguração, disse ontem a operadora.

De acordo com dados oficiais divulgados pela Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, a média de passageiros aumentou 10,3 por cento em comparação com Janeiro e subiu 30,8 por cento em relação ao mesmo mês de 2025. O metro ligeiro foi inaugurado a 10 de Dezembro de 2019 e esse mês detinha o recorde absoluto, com uma média diária de 33 mil passageiros, sendo que nessa altura as viagens eram gratuitas.

Em Fevereiro de 2020, com o início da cobrança de tarifas e a detecção dos primeiros casos de infecção pelo novo coronavírus em Macau, a média diária de passageiros caiu para 1.100. O metro ligeiro voltaria a registar este valor mínimo em Julho de 2022, mês em que a cidade esteve em confinamento durante duas semanas devido a um surto de covid-19.

Em Dezembro de 2024, começou a operar a extensão do metro ligeiro de superfície que liga Macau à vizinha Hengqin (ilha da Montanha), com 2,2 quilómetros. Um mês antes, foi inaugurada a linha que vai até Seac Pai Van, um bairro de Coloane onde o Governo de Macau construiu 60 mil apartamentos de habitação pública.

Expansão aos poucos

O metro ligeiro arrancou com apenas uma linha, que circulava só na ilha da Taipa, com uma extensão de 9,3 quilómetros e 11 estações, com uma frequência de dez a 15 minutos, durante quase 17 horas diárias.

A ligação do metro até à Barra, no sul da península de Macau, através do piso inferior da ponte Sai Van, começou a operar em Dezembro de 2023. Com a extensão do metro ligeiro, as autoridades prevêem que o volume de passageiros atinja 137 mil pessoas por dia, em 2030.

O Governo lançou no final de 2022 os concursos para a concepção e construção da Linha Leste do metro ligeiro, que fará a ligação ao norte da península de Macau, onde se situa a principal fronteira com o Interior.

No final de Janeiro, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam Vai Man, disse que a operadora prometeu, ainda este ano, implementar o pagamento electrónico, assim como um sistema de transbordo entre os autocarros e o metro ligeiro.

Terminou em 28 de Fevereiro uma consulta pública sobre o desenvolvimento do metro ligeiro, que prevê que a construção da Linha Leste deve estar concluída em 2029. Os planos incluem uma Linha Sul, que irá ligar o posto fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau à estação da Barra, uma Linha Oeste, da fronteira de Qingmao à Barra, e uma ligação à vila de Coloane.

Imobiliário | Associação quer subsídio na compra de primeira casa

A Associação Comercial de Fomento Predial de Macau defende que o Governo deve subsidiar o pagamento das taxas de juro nos créditos para compra de primeira habitação, cobrindo 2 por cento destes juros.

O presidente da associação, Lok Wai Tak, entende que as medidas aprovadas pelo Governo, como benefícios fiscais e flexibilização dos limites máximos da hipoteca, não foram suficientes para travar a queda do mercado imobiliário e que são precisas mais políticas para o sector ultrapassar os desafios que enfrenta.

Em declarações citadas pelo jornal Ou Mun, o dirigente associativo indicou também que o sentimento prevalente no mercado continua a ser a cautela, enquanto as vendas de imóveis e os preços prosseguem em rota descendente. Como tal, apelou ao Governo que tenha em conta a realidade imobiliária de Hong Kong, um dos mercados mais especulativos do mundo.

Também o presidente da Federação Internacional de Imobiliário, Che Chan U, apontou a fraqueza da economia mundial e as dificuldades das pequenas e médias empresas locais como um panorama que não ajuda à confiança do mercado imobiliário. O dirigente tem esperança de que o Executivo de Sam Hou Fai introduza uma política de residência por investimento para estabilizar os preços imóveis.

SJM | Anunciado alargamento de licença de maternidade

Com o anúncio mais recente da empresa fundada por Stanley Ho, todas as concessionárias do jogo seguem o exemplo da Sands China e aumentam a licença de maternidade de 70 para 90 dias e a licença de paternidade de cinco para sete dias

Desde ontem, que todas as concessionárias do jogo adoptaram a política de aumentar a licença de maternidade para 90 dias e a licença de paternidade para sete dias. A confirmação da nova prática generalizada na indústria do jogo chegou depois de a SJM Resorts ter anunciado as novas medidas para os trabalhadores.

“Desde de 1 de Março de 2026, a empresa aumentou oficialmente os benefícios parentais, passando a licença de maternidade remunerada de 70 para 90 dias e a licença de paternidade remunerada de cinco para sete dias”, foi anunciado. “Este reforço apoia activamente a política do Governo da RAEM de incentivo à natalidade e demonstra ainda mais o compromisso da empresa em promover um local de trabalho favorável à família”, foi acrescentado.

Os alargamentos das licenças remuneradas aplicam-se apenas às funcionárias e funcionários “com pelo menos um ano de serviço”, pelo que se não atingirem este patamar ficam sujeitos ao regime anterior.

“O bem-estar e a felicidade familiar dos nossos funcionários sempre estiveram no centro dos nossos valores, e uma estrutura robusta de apoio à família é fundamental para atrair e reter os melhores talentos”, afirmou a directora-geral da SJM, Daisy Ho. “Esta última melhoria é um verdadeiro reflexo do compromisso inabalável com o nosso pessoal, e esperamos que, através do reforço dos nossos benefícios parentais, a SJM possa ser o pilar de apoio mais fiável para todos os funcionários durante os momentos mais significativos das suas vidas”, frisou.

Tendência geral

A SJM foi a última concessionária do jogo a anunciar a medida, numa tendência que começou com a Sands China a 25 de Fevereiro. Anúncios semelhantes foram feitos pela Galaxy, Wynn Macau, MGM China, e Melco.

No entanto, as medidas não acontecem, no vazio. O Governo está a realizar uma consulta pública para aumentar a licença de maternidade de 70 para 90 dias e também os dias de férias anuais dos trabalhadores dos actuais seis para um máximo de 12. Os dias de férias passam a depender do número de ano de anos em que o trabalhador está na empresa e por cada dois anos acumula mais um dia.

As concessionárias estão assim a antecipar as medidas que podem entrar em vigor até ao próximo ano, mas que ainda precisam de ser aprovadas na Assembleia Legislativa, o que deverá acontecer ao longo deste ano.